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Numero do processo: 10730.011788/2008-54
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.295
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme fl. 10 e seguintes, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2006, ano calendário de 2005, no valor de R$ 140.719,29 com multa de mora de 20 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic, totalizando R$ 209.249,57. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou a seguinte infração (fl. 11: “Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .0 11 78 8/ 20 08 -5 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10730.011788/200854 Resolução nº 2801000.295 S2TE01 Fl. 85 2 valor de R$ 215.317,45 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas (Companhia Metropolitana do Rio de Janeiro – Metro). NÃO FOI LOCALIZADO 0 RECOLHIMENTO DO DARF DE IRPF REFERENTE AO CNPJ 42498634/000166 Enquadramento Legal: Arts. 12, inciso V. da Lei n° 9.250/95, arts. 7.°,§§1.° e 2.° e 87, inciso IV, § 2.° do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99.” Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 02), onde em suma argumenta que recebeu rendimentos no ano de 2005 decorrentes de “reclamatória trabalhista”, conforme Alvarás que anexa, o total de R$ 568.203,23. Ficou “retido na fonte” o valor de R$ 215.317,45 conforme cálculo elaborado pelo setor competente da Vara trabalhista. Ocorre que devido ao trâmite processual, esse valor de R$ 215.317,45 somente foi efetivamente disponibilizado para a Receita Federal em 02 de março de 2007, conforme guia anexada. Ao elaborar sua DIRPF/2006, o contribuinte informou os rendimentos e o imposto retido, pelos valores acima citados, entretanto, não verificando a Autoridade Fiscal que houvesse informação nem recolhimento do IRfonte, efetuou a glosa e o lançamento de ofício aqui em comento. Conhecida a manifestação pela DRJ/RIO DE JANEIRO II, foi assim tratada, em resumo (fl. 41): O presente processo trata exclusivamente de uma compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 215.317,45 em face da ação trabalhista movida pelo contribuinte contra o Metro. O Banco do Brasil fez parte da respectiva ação judicial na condição de depositário dos valores em litígio. (...) Observase também na declaração de ajuste de fl. 23 que o autuado não ofereceu à tributação o montante tributável que foi apontado no cálculo trabalhista de fl. 19, ou seja, o total de R$ 784.511,03, mas sim o valor de R$ 568.741,02, não obstante ter pleiteado o valor de retenção na fonte de R$ 215.317,45 que foi discriminado no citado cálculo trabalhista de fl. 19. Portanto, observase que existe uma inconsistência entre o valor de rendimento tributável declarado e o rendimento apontado na ação trabalhista. Além disso, em consulta aos Sistemas Informatizados da Receita Federal, não foi encontrada DIRF em favor do impugnante que pudesse justificar a retenção na fonte de R$ 215.317,45 para o ano calendário de 2005. Inclusive, foi constatado no Sistema de Controle da Receita Federal uma DIRF emitida pelo Banco do Brasil relativa ao anocalendário de 2007 (anocalendário posterior à presente lide) em nome do Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10730.011788/200854 Resolução nº 2801000.295 S2TE01 Fl. 86 3 interessado cujo montante tributável é de R$ 1.011.875,20 e o imposto retido na fonte é de R$ 277.740,49, conforme fl. 38. Desta forma, deuse a decisão de 1ª instância para considerar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário lançado, sob o argumento que o contribuinte somente pode compensar em sua declaração o imposto retido em relação àquele rendimento efetivamente recebido no ano calendário correspondente. Cientificado dessa decisão em 20/12/2011, conforme AR na folha 47, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/01/2012, folha 49. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 – O contribuinte recebeu no ano calendário de 2005 rendimentos que informou em sua DIRPF/2006 pelo valor de R$ 568.741,02. Ocorre que fora “induzido a erro” pelos Alvarás judiciais emitidos, e admite que o total foi de R$ 784.511,03, entendendo que este “mero descuido” é apto a ser sanado por ocasião do recurso; 2 – O relator do Acórdão recorrido, ao apontar que não foi encontrada DIRF para o ano de 2005 está com a razão, pois a DIRF somente foi apresentada pela fonte pagadora (Banco do Brasil) em 2007; 3 –No valor dos rendimentos apontados na DIRF apresentada em 2007 (R$ 1.011.875,20) estão incluídos “verba indenizatória”, valor para pagamento de pensão judicial, e “diferença depositada a maior pela Ré da ação”, que posteriormente solicitou devolução, conforme se pode observar no andamento processual anexado ao recurso; 4 – A Fazenda Nacional teve resguardado o recolhimento do imposto de renda no valor de R$ 277.740,49, no ano calendário de 2007. 5 – Aproveita para apresentar “simulação” de DIRPF com os valores corrigidos, que lhe conferiria direito à restituição de R$ 15.261,41. Dessa feita requer que lhe seja garantido o direito à compensação do imposto no valor de R$ 215.317,45; que, caso necessário, o processo seja baixado em diligência para verificar os valores de imposto retido nos anos de 2005 e 2007; que sejam consideradas a boa fé e a eqüidade, em possível afastamento da sanção pecuniária. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Primeiramente, em relação à forma de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de ação reclamatória na Justiça Trabalhista, entendo que não está em discussão nestes autos, uma vez que sequer foi objeto de lançamento de ofício. Portanto, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10730.011788/200854 Resolução nº 2801000.295 S2TE01 Fl. 87 4 esse aspecto está definitivo, em sede administrativa. Assim, a controvérsia resumese à consideração ou não de imposto de renda retido pela fonte pagadora e aos valores dos rendimentos recebidos. Outrossim, na DIRPF/2006, cuja cópia consta da folha 23, o contribuinte declarou como rendimentos recebidos da Companhia Metropolitana do Rio de Janeiro, o valor de R$ 568.741,01, informando uma retenção de imposto na fonte de R$ 215.317,45. Informa que errou no valor dos rendimentos, que teriam sido informados a menor, mas parece que não errou no valor da suposta retenção, que pleiteia integralmente. Ao contrário do que propõe o Recorrente, não pode esse “mero descuido” ser sanado em sede de recurso administrativo. Não é possível ao Julgador “suplementar” valor de imposto que deixou de ser declarado, sendo isso exclusivamente de competência das Autoridades Fiscais da RFB. Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32). Assim, importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER e LOPÉZ, Op. Cit, p. 269) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10730.011788/200854 Resolução nº 2801000.295 S2TE01 Fl. 88 5 Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). Assentam as Autoridades Fiscais que não é possível considerar os R$ 215.317,45 como imposto retido na fonte porque, para o ano de apuração de 2005, não existe DARF com o recolhimento nem DIRF informando tal retenção. Na folha 38 consta uma DIRF declarada pelo Banco do Brasil, informando o pagamento de R$ 1.011.875,20, com retenção da fonte de R$ 277.740,49, tratandose de “rendimento decorrente de decisão da Justiça do Trabalho”, no ano de 2007, tendo sido entregue em 24/10/2011. Pelos autos, não é possível saber se tratase da mesma ação trabalhista, declarada parcialmente pelo contribuinte como recebida em 2005, ou outra ação, diversa, recebida em 2007. Observese que os valores envolvidos são bastante diferentes. O contribuinte alega tratarse da mesma ação/mesmo rendimento e esclarece que a diferença de valores devese à inclusão de outras verbas, por ele não consideradas por ocasião de sua declaração. Não consta dos autos a DIRPF/2008, ano calendário 2007, do contribuinte, para se verificar se houve declaração de novos rendimentos ligados a ações judiciais, com a respectiva compensação de IRfonte, se houve alterações/revisões de ofício e como foi tratado pela RFB o fato de eventualmente haver uma DIRF, informando mais de um milhão de reais como rendimentos, no ano de 2007, e não haver DIRPF correspondente. Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de origem providencie: a) anexação da DIRPF original (e retificadoras) entregues pelo contribuinte, relativas ao ano calendário de 2007, exercício de 2008, ou informação sua inexistência; b) informação sobre a existência de procedimentos fiscais (revisões/lançamentos de ofício) relativas ao imposto de renda desse contribuinte, relativas ao ano calendário de 2007, exercício de 2008 e seu resultado/andamento; c) informação sobre a existência de DIRF/DARF eventualmente apresentada/recolhido pela fonte pagadora aqui em questão (Banco do Brasil), relativos ao recorrente e ao ano calendário de 2005, posteriormente ao procedimento fiscal aqui em análise; d) informação sobre eventual DARF recolhido pela fonte pagadora aqui em comento, no valor correspondente ao informado na DIRF entregue em 24/10/2011 (ou retificações posteriores) de R$ 277.740,49, mencionada neste Voto. Na possibilidade de sua existência, informar a situação de disponibilidade/vinculação da receita. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10730.011788/200854 Resolução nº 2801000.295 S2TE01 Fl. 89 6 e) ciência do interessado sobre esta Resolução e seus desdobramentos, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Após, retornemse os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000161/2005-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Somente a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação passou a ser de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, conforme decisão do Supremo tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 01 61 /2 00 5- 76 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000161/200576 Acórdão n.º 3803006.123 S3TE03 Fl. 324 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia protocolizado junto à Receita Federal, em 8 de junho de 2005, Pedidos de Restituição em papel, no valor total de R$ 160.952,56, referente a créditos decorrentes de alegados pagamentos a maior da contribuição para o PIS. Por meio de despacho decisório, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, em razão do transcurso do prazo de cinco anos para se repetir o indébito, e, no mérito, por ausência de fundamentação do pedido. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o prazo de cinco anos, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN), iniciase não na data do recolhimento indevido, mas na data da homologação — expressa ou tácita — do lançamento. Argumentou, também, o então Manifestante, que os pagamentos foram realizados anteriormente à edição da Lei Complementar nº 118, de 2005, cujo caráter é modificativo e não interpretativo, não se encontrando seu pedido, por conseguinte, alcançado pelo prazo de cinco anos estipulado na referida lei. No mérito, informou o Manifestante que a origem do crédito encontravase no recolhimento a maior da contribuição, em decorrência da inconstitucionalidade, já atestada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), das disposições da Lei n° 9.718, de 1998. Por fim, reportouse ao princípio da moralidade pública, pelo qual se veda o enriquecimento ilícito do ente público, e ao princípio da verdade material, para requerer a realização de perícia destinada à apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, do despacho decisório, do Pedido de Restituição, dos DARFs e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência colacionadas Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000161/200576 Acórdão n.º 3803006.123 S3TE03 Fl. 325 3 na peça recursal, (ii) na prescindibilidade da realização de diligências e perícias, (iii) no transcurso do prazo decadencial de cinco anos para se pleitear a restituição e (iv) na ausência de comprovação da existência do crédito. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 17 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 30 do mesmo mês e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente às ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005. Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, representa inegável violação dos princípios da vedação ao enriquecimento ilícito, da verdade material e do direito de defesa, assim como afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa. Por fim, arguiu que o direito à repetição do indébito não se encontra condicionado à retificação da DCTF e que os documentos acostados aos autos junto à Manifestação de Inconformidade poderiam ser analisados a qualquer tempo para se apurar a verdade dos fatos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição indeferido pela Receita Federal, em preliminar, em razão do transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do pagamento à data de entrega do pedido de repetição de indébito. O Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, submetido à regra da repercussão geral (art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil), decidiu, em 4 de agosto de 2011, que, no que tange aos pedidos de repetição ou compensação de indébitos formalizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicase lhes o prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A data de 9 de junho de 2005 corresponde ao dia seguinte ao termo final da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que definiu, nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado para a extinção do crédito tributário respectivo. No mesmo julgamento, a aplicação retroativa do referido prazo (art. 3º da LC nº 118/2005) foi considerada inconstitucional, por Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000161/200576 Acórdão n.º 3803006.123 S3TE03 Fl. 326 4 ferir o princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Segundo a decisão do STF, anteriormente a 9 de junho de 2005, devese aplicar a orientação consolidada da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados da data de ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Referida decisão do STF transitou em julgado em 27 de fevereiro de 2012, de acordo com consulta ao sítio do Tribunal na internet realizada em 02/04/2014. De acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o contribuinte formulou seu pedido de restituição em 8 de junho de 2005, durante, portanto, a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, referindo se a pagamentos efetuados no período de abril de 1999 a outubro de 2000, em razão do que não se tem por transcorrido o prazo decadencial sob comento. No mérito, devese registrar, de início, que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. A matéria relativa ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, já foi objeto de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), decisão essa submetida à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, não havendo dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzila, mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista no dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de representação, do despacho decisório, do Pedido de Restituição, dos DARFs e de planilhas por ele elaboradas, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000161/200576 Acórdão n.º 3803006.123 S3TE03 Fl. 327 5 Destaquese que, nas planilhas trazidas aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas (financeiras, não operacionais etc.), além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal, havendo redução da base de cálculo sem se informar a natureza da receita que estava sendo excluída. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13840.000161/200576 Acórdão n.º 3803006.123 S3TE03 Fl. 328 6 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914919/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
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As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 19 /2 01 2- 13 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 01304.78450.140812.1.3.040754, em 14.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.155,28 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.155,28 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.805, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.155,28 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.805, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914919/201213 Acórdão n.º 1803002.230 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15504.020016/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. APLICAÇÃO.
À autoridade administrativa compete fazer cumprir a decisão judicial favorável ao sujeito passivo. Inerente a esse procedimento a interpretação do alcance da sentença ou acórdão proferidos em juízo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo Voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fática Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2006 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. APLICAÇÃO. À autoridade administrativa compete fazer cumprir a decisão judicial favorável ao sujeito passivo. Inerente a esse procedimento a interpretação do alcance da sentença ou acórdão proferidos em juízo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 00 16 /2 00 9- 81 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo Voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fática Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório O Relatório que descreve os fatos controvertidos no Processo precede a Resolução nº 3102000.280, que converteu o julgamento da lide em diligência. Para maior clareza transcrevoo mais uma vez, nos termos em que consta da decisão de primeira instância administrativa, Relatório por mim adotado. Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls.03/07), correspondente ao período de apuração de agosto de 2006, totalizando um crédito tributário de R$ 7.732.991,93, incluindo multa de oficio e juros de mora. A autuação ocorreu em virtude de insuficiência de declaração e recolhimento da contribuição no período acima identificado, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 08/10. A fiscalização destaca no TVF que o contribuinte propôs a Ação Rescisória n° 2006.01.00.0107238, contra o Acórdão do Mandado de Segurança no 1999.38.00.0212911, que foi julgada procedente, concedendo à empresa o direito de calcular a Cofins utilizando o conceito de faturamento precedente à Lei n° 9.718, de 1998 (o constante do art. 2° da LC n°70, de 1991) e legitimando a majoração da alíquota (art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998). Tal decisão transitou em julgado em 06/04/2009. No mês de agosto/2006, o contribuinte declarou apenas o valor da Cofins correspondente às taxas e tarifas, que configuram os serviços bancários, conforme o seu entendimento. No entanto, a PGFN, nos termos do Parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, formulado em decorrência da Nota Técnica Cosit/SRF n° 21, de 28/08/2006, firmou entendimento de que, apesar da declaração de inconstitucionalidade da base ampliada, o faturamento, correspondente à receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços, compreende a totalidade das receitas advindas com as atividades principais e acessórias desenvolvidas nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Assim, no caso das instituições financeiras, o resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrente da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento, base de cálculo da Cofins. Foram utilizados para o cálculo da contribuição devida os valores registrados na contabilidade e discriminados na planilha apresentada pelo contribuinte, na forma estabelecida pelo art. 95 da IN SRF n° 247, de 2002, excluindose as receitas não Fl. 600DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 3 3 operacionais que não fazem parte da base de cálculo da Cofins por força da declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 05). Irresignado, tendo sido cientificado em 16/12/2009 (fl. 04), o autuado apresentou, em 15/01/2010, acompanhadas dos documentos de fls. 221/319, as suas razões de defesa (fls. 198/220), a seguir resumidas: Inicialmente, relata e transcreve as decisões proferidas no curso da Ação Rescisória n° 2006.01.00.0107238, ajuizada contra o Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0212911, para que, dandose novo julgamento à causa, fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, e reconhecendo o seu direito de compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo de Cofins sobre as receitas excedentes ao seu "faturamento". O Acórdão do TRF transitou em julgado favoravelmente ao contribuinte em 06/04/2009. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, afirma que autuação fiscal desconsiderou totalmente e por isso ofendeu a decisão transitada em julgado, que expressamente determinou que a base de cálculo da Cofins fosse calculada com base no faturamento, tal qual previsto na legislação anterior à Lei n° 9.718, de 1998, ou seja, como consignado na LC n° 70, de 1991. Argumenta ser falha a interpretação da fiscalização de que seria devido o valor da Cofins sobre as suas receitas financeiras mesmo diante da decisão transitada em julgado, já que tal decisão teria afastado apenas a aplicação do §1° do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, mantendo intactos os demais dispositivos dessa Lei (art. 2° e caput do art. 3°). Ocorre que a decisão judicial dispôs expressamente que deve ser observada a base de cálculo prevista no art. 2° da LC n° 70, de 1991 (e não os dispositivos da Lei n°9.718, de 1998), que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. Assim, o valor exigido se refere à Cofins incidente sobre receitas que não correspondem ao sentido estrito de "faturamento" adotado tanto no Acórdão transitado em julgado, quanto nos leading cases sobre a matéria no Supremo Tribunal Federal. Lembra que quando se pretendeu exigir das instituições financeiras o PIS sobre base de cálculo diversa do "faturamento", previuse expressamente na legislação uma grandeza diversa de "receita de prestação de serviços e venda de mercadorias", como no caso do Fundo Social de Emergência, em que se estabeleceu que a base de cálculo do PIS seria a "receita bruta operacional nos termos da legislação do imposto de renda", conceito que procurava expandir a base de cálculo para além do simples "faturamento", como disposto no art. 2° da LC n°70, de 1991. A fiscalização olvidou que a Procuradoria da Fazenda Nacional empreendeu todos os esforços para fazer prevalecer nos autos da ação judicial o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, mas os recursos por ela interpostos foram todos desprovidos, tendo prevalecido o Acórdão do TRF da 1º Região. A PGFN reconheceu em seu Recurso Extraordinário que o referido Acórdão havia autorizado a apuração da Cofins com base na receita de prestação de serviços ("faturamento") sem considerar o valor das receitas financeiras (juros) e por esse motivo incluiu um tópico em seu recurso chamado "Inaplicabilidade das decisões proferidas no STF ao caso em tela", para tentar reformar o Acórdão e ampliar o alcance do termo "faturamento", como se ele englobasse todas as receitas Fl. 601DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 decorrentes do objeto social da empresa. Portanto, a autuação vai de encontro ao que a própria PGFN afirmou em juizo acerca do conteúdo do Acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região, ou seja, que esse Acórdão viabiliza "que as Autoras/Recorridas se furtem ao pagamento da Cofins sobre as receitas de suas atividades típicas. Aduz que a tentativa do fisco de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas financeiras, o que equivale à quase totalidade das suas receitas auferidas, de forma a extrapolar o conceito legal de "faturamento" e esvaziar completamente os efeitos da decisão transitada em julgado. Acrescenta que, especificamente no caso de instituições financeiras, o entendimento defendido pela fiscalização, baseado no parecer da PGFN no sentido de equiparar "faturamento" as receitas decorrentes da atividadefim do contribuinte, contraria todo o histórico legislativo da Cofins, pois tais empresas sempre foram isentas da contribuição, sendo tributadas mais pesadamente em outros tributos, pois o legislador tinha consciência de que a base de cálculo da Cofins, nos termos da LC n° 70, de 1991, representava uma tributação relativamente pequena para os bancos. Porém, somente com o advento da Lei n° 9.718, de 1998, que, de forma inconstitucional tentou alargar o conceito de "faturamento", o legislador decidiu atribuir às instituições financeiras a mesma tributação das empresas comerciais e industriais. Em seguida, explica o conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF (valor das receitas de uma empresa passíveis de serem registradas mediante faturas; valor que mede, que quantifica o ato de faturar, o qual está ligado a determinados tipos de receita: da venda de bens e mercadorias, em operação própria ou em conta alheia, e a receita da prestação de serviços) e registra os entendimentos adotados por esse Tribunal no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Ressalta que o STF, nesse caso, não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que "faturamento" equivale a receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Alega que a União já tributa as suas receitas primárias e secundarias por meio do IRPJ e CSL, sendo certo que a base de calculo da Cofins, segundo a Constituição, é o faturamento, e não a receita primária da empresa. O STF, por sua vez, vem adotando conceito restritivo de prestação de serviços, tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da "locação de bens móveis". Para ser considerado "serviço", este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é "obrigação de fazer" e, para ser tributável, costumase exigir o critério "preço". Assim, a receita de prestação de serviços que configura o faturamento das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas para prestar serviços bancários. Mas a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de "faturamento" determinado pelo STF. A distinção entre "serviços bancários" e "operações bancárias" já foi discutida pelo STF na ADIN n°2.591 (aplicação do Código de Defesa do Consumidor aos Bancos), que segue transcrita, não restando dúvidas que os serviços bancários são remunerados por taxas e tarifas, são tributados pelo ISS e compõem o "faturamento" das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora desse conceito. Ressalta que as definições trazidas pelo Acordo Geral de Comércio e Serviços (GATS) têm aplicação especifica na regulamentação do Comércio Internacional, o que não é o caso concreto, em que se discute o conceito de "faturamento" na legislação da Cofins. Para o GATS o conceito de serviço tem função residual, abrangendo tudo o que não é mercadoria, o que conflita com a jurisprudência do Fl. 602DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 4 5 STF, que adota o conceito restritivo de obrigação de fazer, remunerado por preço determinado. Assim, o fato de, no GATS, "empréstimos de todo tipo" configurar serviço não leva à conclusão de que os juros decorrentes do empréstimo constituem base de cálculo da Cofins. Nesse caso, o empréstimo seria remunerado normalmente por uma taxa/tarifa tributável pela Cofins, mas os juros decorrentes da remuneração do capital disponibilizado ao cliente não constitui receita de serviços, mas sim receita financeira, não alcançada pelo "faturamento", que é a base de cálculo legitima da Cofins. Por fim, requer seja cancelado o Auto de Infração, por contrariar o Acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região na Ação Rescisória, sendo claramente ilegal e inaplicável a conclusão do Parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, segundo o qual a Cofins das instituições financeiras deve incidir também sobre as receitas financeiras. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CALCULO DA COFINS. A base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõemse da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas provenientes de intermediação financeira, podendo ser realizadas as exclusões e deduções especificadas em Lei. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De início, esclarece, Em 24 de março de 2006, o Recorrente ajuizou a Ação Rescisória n° 2006.01.00.0107238 visando à rescisão do v. Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0212911 para que, dandose novo julgamento à causa, fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecendo o direito do Recorrente de compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo de Cofins sobre as receitas excedentes ao seu "faturamento". A antecipação dos efeitos da tutela requerida na petição inicial foi deferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, nos seguintes termos: "(•••) 12 — Pelo exposto, DEFIRO em parte a antecipação de tutela para que as autoras Banco BMG S/A e BMG Leasing S/A recolham, durante o trâmite da ação rescisória, a COFINS apenas sobre o seu faturamento (LC n° 70/91: venda de mercadorias e/ou serviços)," sem grifos no original Posteriormente, a Quarta Seção do Tribunal concedeu em parte o pedido rescisório, afastando o alargamento da base de cálculo promovido pelo (inconstitucional) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98 e mantendo a majoração da alíquota para três pontos percentuais, conforme determinava o artigo 8º do mesmo diploma legal. Com base nos fatos acima descritos, argumenta que é juridicamente falha a interpretação que fundamentou a autuação e a decisão de piso, no sentido de que o Acórdão da Ação Rescisória teria afastado apenas a aplicação do § 1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, preservando os artigos 2º e caput do artigo 3º. Assim entende porque a decisão judicial determinou expressamente a observância do cálculo prevista no art. 2° da Lei Complementar 70/91. Não haveria, por conseguinte, qualquer razão para se falar em aplicação de artigos da Lei 9.718/98 na determinação da base de cálculo da Contribuição. Resgata a evolução histórica da exigência epigrafada em relação às instituições financeiras. Relembrese que, historicamente, quando se pretendeu exigir das instituições financeiras o PIS sobre base de cálculo diversa do "faturamento", previuse expressamente na legislação uma grandeza diversa de "receita de prestação de serviços e venda de mercadorias". Isso se deu, exemplificativamente, época das Emendas Constitucionais n°s 01/94, 10/96 e 17/97, no caso do chamado "Fundo Social de Emergência", em que se previu a base de cálculo do PIS das instituições financeiras seria a "receita bruta operacional nos termos da legislação do imposto de renda", conceito que, ao ser regulamentado por medidas provisórias, procurava expandir a base de cálculo para além do simples "faturamento", tal como disposto no art. 2° da LC 70/91. Mais adiante, retoma o assunto, Como o legislador tinha plena consciência de que a base de cálculo da Cofins representava uma tributação relativamente pequena para as instituições financeiras, optouse por isentálas deste tributo, e onerálas pesadamente em outros, como o adicional da contribuição sobre folha de salários, tributação majorada da CSL e do PIS. Acrescenta que o Auto de Infração foi baseado em entendimento expresso em Parecer da PGFN (CAT n° 2.773/2007) e que, contudo, os recursos interpostos pela Procuradoria na Ação Rescisória foram todos desprovidos. E ainda, A Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu em seu Recurso Extraordinário que o acórdão do TRF da 1a Região havia autorizado o Recorrente a apurar a COFINS com base em sua receita de prestação de serviços ("faturamento") sem considerar o valor das receitas financeiras (juros), e exatamente por esse motivo incluiu um tópico em seu recurso chamado "inaplicabilidade das decisões proferidas no STF ao caso em tela", para tentar reformar o acórdão e ampliar o alcance do faturamento do Recorrente, como se ele englobasse todas as receitas decorrentes do objeto social da empresa. Vejase o afirmado pela PGFN em seu Recurso Extraordinário: E, Concluise, assim, que se operou a preclusão consumativa em relação discussão trazida pela Fiscalização na presente autuação, pois não é juridicamente possível trazer novamente argumentos já discutidos na via judicial para agora tentar mitigar a coisa julgada na esfera administrativa, pois esses argumentos não tiveram força para impedir a sua efetivação. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 5 7 Adentra ao conceito de faturamento. Advoga que o Supremo Tribunal Federal há muito definiu que a equiparação dos conceitos de faturamento e receita bruta somente seria “possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços”. Outrossim, que a interpretação dada pelo Fisco à decisão judicial termina por esvaziar completamente seus efeitos, uma vez que as receitas financeiras, incluídas na base de cálculo, equivalem a quase totalidade das receitas auferidas pelo Banco. Esse seis Ministros [citados no parágrafo anterior: Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello, Sepúlveda Pertence e Carlos Ayres Brito] confirmaram em seus votos a jurisprudência do STF, há muito firmada no Recurso Extraordinário 150.755, segundo a qual o termo "faturamento" (previsto na redação original da CF de 1988 em seu art.195, I) significa, para fins tributários, "receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços". Por outro lado, considera que a questão específica das instituições financeiras apenas será resolvida com a decisão que será tomada no Recurso Extraordinário nº 609.096 e que não haverá qualquer possibilidade de efeito ex tunc sobre as sentenças já transitadas em julgado. Referese ao conceito de serviços e à distinção entre serviços bancários e operações bancárias, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assunto que já discutido no ADIN nº 2591. Que o conceito trazido no Acordo Geral de Comércio e Serviços tem aplicação específica. (...) Para o GATS, o conceito de serviço tem função residual, ou seja, abrangendo tudo aquilo que não é mercadoria. Conforme exposto anteriormente, esse conceito, por si só conflita com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que adota o conceito restritivo de obrigação de fazer, remunerado por preço determinado. E, Em relação aos conceitos de serviços financeiros constantes do GATS, cumpre observar que, por exemplo, o fato de "empréstimos de todo tipo" configurar serviço não leva à conclusão de que os juros decorrentes do empréstimo constituem base de cálculo da Cofins. São essas as razões de Recurso. Na Sessão Plenária de julgamento, sobreveio informação de que o Processo não estava instruído com todas as peças da Ação Judicial na qual a Recorrente obteve provimento à pretensão de recolher a Contribuição sobre a base de cálculo definida na Lei Complementar 70/91. Quanto a isso, digase que, no corpo da Resolução nº 3102000.280, constou equivocadamente que o julgamento seria convertido em diligência para que inteiro teor do Acórdão da Ação Rescisória n° 200.01.00.0107238 fosse carreado aos autos. Esse documento. contudo, já instruía o Processo. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Inobstante, essa falha foi suprida pela inclusão das principais peças processuais relacionadas à Ação, saneando, desta forma, eventual lacuna capaz de conduzir a Turma em erro na interpretação das decisões proferidas em juízo e os efeitos que lhes são próprios. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. A Recorrente ajuizou a Ação Rescisória n° 2006.01.00.0107238 visando à rescisão do Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0212911. Pretendia novo julgamento à causa e concessão de segurança, com a declaração da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecimento do direito à compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de Cofins sobre as receitas excedentes ao seu "faturamento". Consta às folhas folha 239, 259 eProc, na Petição Inicial. Julgar procedentes os pedidos de rescisão do acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0212911, e de novo julgamento da causa, que conceda a segurança no tocante à majoração da base de cálculo da COFINS operada pela Lei n° 9.718/98, conforme, a mansa e pacífica jurisprudência do STF, declarandose a inconstitucionalidade do §1° art. 3° da Lei n° 9.718/98 e o direito das Autoras de compensarem os valores indevidamente recolhidos de COFINS sobre receitas excedentes ao "faturamento", desde a entrada em vigor da Lei n° 9.718/98, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A antecipação dos efeitos da tutela foi deferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, nos seguintes termos (folha 316). 12 — Pelo exposto, DEFIRO em parte a antecipação de tutela para que as autoras Banco BMG S/A e BMG Leasing S/A recolham, durante o trâmite da ação rescisória, a COFINS apenas sobre o seu faturamento (LC n° 70/91: venda de mercadorias e/ou serviços). Na parte dispositiva da Ação Rescisória (folha 269), o Tribunal Regional da 1ª Região assim decidiu. De conseqüência, DOU PROVIMENTO, em parte, à apelação da autora para DANDO maior extensão ao dispositivo da sentença (concessiva em parte), EXIMIR as ora autoras (então impetrantes) das alterações no perfil da COFINS promovidas pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e assegurar a compensação do indébito, atualizado monetariamente pela SELIC, com parcelas vincendas da COFINS, do PIS e da CSLL, e NEGO PROVIMENTO à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial. Na fundamentação do Voto que proveu em parte a apelação, o Exmo. Desembargador Federal Relator do Processo reitera menção à aplicação da legislação alterada pela Lei 9.718/98, como a seguir lêse nos excertos extraídos do VotoMérito da AR N° 2006.01.00.0107238/MG (folha 268, 288 eProc). Vêse, pois, ilegítima a majoração da base de cálculo da COFINS operada pela Lei n° 9.718/98, devendo os fatos geradores havidos sob sua égide serem Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 6 9 balizados pela sistemática de cálculo atinente à legislação pretérita (art. 2° da LC n° 70/91). (...) Prevalece, então, para fins de determinação da base de cálculo da exação, o conceito de faturamento precedente à Lei n° 9.718/98 (o previsto no art. 2° da LC n°70/91). (...) Segundo me parece, embora o caso sub judice envolva provimento jurisdicional garantindo à Recorrente o direito de apurar a base de cálculo da Cofins na sistemática definida pela legislação que vigia antes da Lei 9.718/98, a solução da lide guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia iniciou com promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil1. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O problema é que, como já foi dito, repetido, argumentado e contra argumentado nos autos, a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da 1 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 Lei 9.718/98 em nada influenciou a alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Corte Suprema do País fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento do Ministro Cezar Peluso encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. O resgate histórico da exigência fiscal sob escrutínio remete, no caso da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, à Lei Complementar nº 70/91, na qual a base de cálculo da Contribuição estava definida na como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. No caso das Contribuições para o PIS e para o PASEP, as fontes de financiamento advinham de diversas fontes, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 1970; dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha reproduzido a definição anterior, mantendo o faturamento como definição básica, especificouo, repitase, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Essa medida esbarrou no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro2, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da constitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeito de definição da base de cálculo da Cofins, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de determinação da base de cálculo das Contribuições. 2 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 7 11 De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, o Ministro Cesar Peluso faz criteriosa abordagem do assunto, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Por se tratar de um tema polêmico e de relevante interesse coletivo, o assunto terminou sendo objeto de manifestação de muitos Ministros que à época integravam a Suprema Corte. Os apontamentos a seguir foram extraídos do Voto proferido nos autos do RE 346.084, pelo Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. No mesmo diapasão, a interpretação dada pelo Ministro Eros Grau em Voto vista versando sobre o conceito jurídico e tipológico do termo faturamento. “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 8 13 irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social "dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros" art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre "a receita ou o faturamento" e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria "sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros". 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento", poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento". Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito "receita" no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 14 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. Seguiuse debate entre os integrantes da Mesa, com passagens que merecem destaque (todos grifos acrescentados). “O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Presidente, na condição de relator, permitamme os Colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei n° 9.718/98 , sob a égide da Carta na redação anterior à Emenda Constitucional n° 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: ‘Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior correspondendo à receita bruta da pessoa jurídica.’ O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta", conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO Receita operacional. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Operacional. Com o § 1º do mesmo artigo foi dado conceito todo próprio à receita bruta: ‘Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.’ O que significa esse dispositivo? Que haverá incidência em qualquer receita, ainda que em decorrência de locação, de investimentos etc. Então, Presidente, o legislador percebeu que fora muito adiante do que autorizado pela Carta da República e editou a Emenda Constitucional n° 20, para, com isso, placitar o deslize já verificado. Não posso também apontar que essa Emenda tenha se mostrado inócua, porque passou e disso não cogitava o texto primitivo da Lei Fundamental a tratar da incidência, considerada a receita, não mais apenas sobre a folha de salário com explicitação, inclusive, quanto à folha de salário, e não diria apenas explicitação, mas abrangência, alargamento do conceito e sobre a receita. Houve a alteração isso está muito claro no que, na redação primitiva da Constituição de 1988 (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Estaremos estabelecendo o real alcance do vocábulo “faturamento", tal como constante da Carta da República. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Como exatamente inscrito na Lei Complementar 70 , que instituiu a contribuição. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) A remeter a operação da empresa. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 9 15 O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Como sabemos que é assim, se sabemos que houve uma evolução em relação a isso. Como sabemos, por exemplo, que não havia o conceito de faturamento aplicado às empresas de serviço e tivemos que fazer esse tipo. O SR. MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) O que esta em jogo aqui são as receitas financeiras. A produção está sendo tributada com o COFINS. Estamos dizendo é que não pode ser tributada pelo COFINS as receitas dos investimentos financeiros das empresas, o setor bancário financeiro. Esse é o núcleo da discussão. O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO Porque isto não constitui faturamento. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Esse é um conceito que evolui. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Evolui tanto que a Emenda Constitucional 20 veio admitir essa evolução, só que, antes dela uma lei ordinária quis fazer o mesmo.” E, ainda, a manifestação do Ministro Carlos Britto, que acompanhou na íntegra o Voto do Ministro Relator. O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO Senhor Presidente, tenho aqui umas rápidas anotações. A Constituição de 38, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo " faturamento", sem a disjuntiva "ou receita". Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total, nem receita abrangente de qualquer ingresso na empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, "a", assim redigido parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: ‘Art .22 (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo art.2° assim dispõe: ‘Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.’ Ou seja, mais claro, impossível. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 16 Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei ordinária 9.718, de 1988, fruto da conversão da Medida Provisória 1.724, de 1998, que equiparou os termos "faturamento" e "receita bruta", não exclusivamente operacional não vou ler porque todos já fizeram essa leitura. Poderia fazêlo? Unir o que a Constituição não uniu? (grifos meus) Este, o cerne jurídico da questão. Minha resposta é, parodiando o Ministro Marco Aurélio, "desenganadamente não". Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que reconhecida a constitucionalidade do caput do artigo 3º, insofismável distinguir que a base de cálculo, até então expressa como receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. Foi esse o conceito que trouxe à luz toda a polêmica percebida nas manifestações dos Ministros, remetendo, inclusive, à correta interpretação do termo “faturamento” precedente à Lei 9.718/98, fato que, no caso concreto, é de extrema importância. Ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo primeiro da Lei 9.718/98 e, ato contínuo, reconhecer a constitucionalidade do caput do artigo, o Supremo Tribunal Federal chancelou a definição ali insculpida. Obviamente, não o fez porque o conceito estava de acordo com a Lei Complementar nº 70/91, mas com a Constituição Federal, tanto é que o declarou constitucional e não legal. Isso conduz à insofismável conclusão de que o conceito de faturamento, seja com a receita de vendas e serviços, seja como receita bruta, está conforme a constituição, restando precisar qual haveria de ser a diferença entre um e outro. Quanto a isso, interessante destacar que não passa despercebido o fato de que a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 02/98 teve por escopo justamente permitir que a receita fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Ao observador desatento parecerá inconcebível que a receita bruta já fosse a base de cálculo das Contribuições antes mesmo da EM nº 20, quando parece ter sido justamente ela que introduzido tal possibilidade no ordenamento jurídico. Por isso a necessidade de que fique claro que (como já mencionado em nota) a base sobre qual incidia a Cofins ao tempo da Lei Complementar nº. 70/91 já estava definida como sendo a receita bruta, lá especificada como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias e serviços. É essa a razão do entendimento assentado no âmbito do Supremo Tribunal Federal acerca da sinonímia, para efeitos tributários, entre a expressão faturamento e receita bruta. Sem dúvida, como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda Constitucional nº 20 alcança, justamente, as receitas Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 10 17 especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, ampliação que, antes da Emenda, foi considerada inconstitucional. De tudo isso, delineiase a compreensão de que antes e depois da Lei 9.718/98 e até a Emenda Constitucional nº 20, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderia integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98 – o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, segundo me parece, emerge inconfundível das manifestações colhidas, em reflexões dedicadas e focadas na questão específica da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento3”. Com efeito, a dedução remissiva ao status anterior da base imponível decorre da destinação das decisões onde se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o alargamento e não da amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foram objeto daquelas lides. Em segundo lugar, como também resta incontroverso do teor dos debates e das manifestações antes reproduzidas, a remissão ao conceito de faturamento definido pela Lei Complementar nº 70/91 nas decisões proferidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal está muito longe de representar um entendimento uníssono do que deva ser aceito como a base imponível das Contribuições. E outras questões, ainda, merecem ser consideradas. Como dito de início, a declaração de inconstitucionalidade alcançou exclusivamente o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. E não somente o caput do artigo, mas os demais parágrafos e toda a regulamentação superveniente deixou de ser atingida e permanece em pleno vigor. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo, que não fariam nenhum sentido se a base de cálculo continuasse adstrita às receita proveniente das vendas de bens e serviços, no caso do conceito de serviços ser interpretado tão restritivamente como pretende a Parte. Ainda mais, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, não se limitou à exclusão das instituições financeiras do pagamento da Contribuição. Concomitantemente elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 3 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 18 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. A Lei 9.718/98, e outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal, como se extrai do texto dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) De fato, partindose da premissa de que a lei não contém expressões inúteis, merece especial atenção a exclusão prevista no parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91, pois falece razão à determinação de que as instituições relacionadas o § 1° do art. 22 da Lei 8.212/91, dentre elas a litigante, sejam excluídas, acaso elas não estivessem, pelo comando geral da Norma, incluídas. Contudo, este cenário foi modificado pela legislação superveniente, com a patente inclusão dessas entidades na relação de contribuintes alcançados pela exação. Não como cogitar da reversão a uma condição pretérita, anterior às alterações introduzidas pelos diplomas legais já destacados, sem que se leve em conta que o contexto novo contém regras novas em vigor, e que em nenhum momento foram afastadas pela decisão judicial, que limitou Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.020016/200981 Acórdão n.º 3102002.217 S3C1T2 Fl. 11 19 se a determinar a incidência com base na legislação anterior em face da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 e não das demais disposições normativas introduzidas. Como disse desde o início, a dificuldade em precisar a determinação contida na sentença judicial favorável à parte decorre de circunstâncias quase idênticas às encontradas na Decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal, em caráter de Repercussão Geral no RE 585.235. No caso em apreço, em que pese menção na fundamentação do Voto à aplicação da legislação pretérita, nem o Pedido pretendeu isso, nem Dispositivo do Acórdão o concedeu. Na modesta opinião deste Relator, o teor da decisão merecia esclarecimentos para sua melhor aplicação. Contudo, uma vez que tenha sido embargada, sedolhe negado o encaminhamento, haverão de consideraremse seus termos postos e definidos. Quanto a isso, não tenho dúvidas de que a melhor interpretação deve considerar que a decisão deferiu a antecipação de tutela para que as autoras recolhessem durante o trâmite da ação rescisória a Cofins apenas sobre o seu faturamento (LC n° 70/91: venda de mercadorias e/ou serviços), no claro intento de, como pretendida a Parte à inicial, afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo, sem em nenhum momento adentrar aos efeitos das inovações introduzidas pela Lei 9.718/98 e MP 2.158/01 no conteúdo normativo da própria Lei 70/91 que, aplica hoje, requer ajustamento às novas disposições legais. Tampouco mencionou as questões que a partir da entrada em vigor das Leis converteramse em matéria apta a gerar grande controvérsia e de reconhecido interesse coletivo. No que se refere aos conceitos definidos no âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, embora deva reconhecer o acerto dos argumentos expendidos pela Recorrente quando refere que seu raio de aplicação deva ser ajustado às finalidades para as quais o empreendimento se propunha, fato é que, além das questões até aqui suscitadas, que, a meu ver, dispensam essa fonte de argumentação, o que se busca obter é uma orientação de natureza jurídica, seja ela jurisprudencial, doutrinária ou legal, a respeito do enquadramento ou não das atividades desenvolvidas pela empresa no conceito de serviços. Ainda que as definições presentes no GATT e no Código de Defesa do Consumidor (também citado pela Parte no corpo do Recurso Voluntário) não se alinhem perfeitamente à matéria de mérito neste discutida, delas se pode extrair importante orientação do que se vem formulando acerca do assunto. Imperioso destacar que tais conceitos não decorrem da legislação tributária, na qual encontrase exclusivamente o vernáculo “serviço”, sem nenhuma explicação a respeito do que o legislador pretendeu expressar com essa palavra. Assim, o significado do termo necessariamente deverá ser obtido das possíveis áreas do conhecimento humano no qual ele tenha sido objeto de formulação conceitual. Quanto a isso, em oposição ao conceito do GATTS, o que a Recorrente apresenta de concreto é o argumento de que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal adota o conceito restritivo de obrigação de fazer, exigindo remuneração por preço determinado, o que, a meu ver, não se molda melhor do que o conceito do Acordo à situação versada nos autos. Finalmente, não vejo também como se falar em preclusão consumativa em face da atuação da Procuradoria da Fazenda Nacional no Processo Judicial em destaque. A Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 20 leitura da peças processuais carreadas aos autos revelam, a todo o tempo, a clara intenção da Procuradoria de afastar a alegação de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, ainda que, em algum momento, tenha lançado mão de argumentação mais abrangente. Por todas as razões acima descritas, em especial quanto às disposições legais aplicáveis ao litígio, perante o trânsito em julgado no âmbito do Poder Judiciário de sentença favorável à Recorrente, não me parecendo que a ação da Fiscalização Federal esteja em desacordo com seus termos, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 28 de maio de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10768.720199/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPETÊNCIA.
É cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, ainda que esta não tenha conhecido a manifestação de inconformidade, devendo o CARF apreciá-lo, na forma do art. 1º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Precedente do CARF.
A DRJ não pode, com base em interpretação, modificar a natureza do recurso (manifestação de inconformidade), apresentado pelo contribuinte, transformando-o em pedido de retificação a ser apreciado pela DRF, mormente quando o despacho decisório expressamente facultou a interposição do mencionado apelo, com base no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996.
A análise de eventual equívoco de PER/DCOMP é da competência da DRF somente até a prolação do despacho decisório. Depois do despacho decisório, essa ou outras matérias, veiculadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas e julgadas pela DRJ.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para determinar o retorno do processo à DRJ, com vistas ao exame do mérito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado João Marco Colussi, OAB/SP nº. 109.143.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto De Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPETÊNCIA. É cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, ainda que esta não tenha conhecido a manifestação de inconformidade, devendo o CARF apreciá-lo, na forma do art. 1º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Precedente do CARF. A DRJ não pode, com base em interpretação, modificar a natureza do recurso (manifestação de inconformidade), apresentado pelo contribuinte, transformando-o em pedido de retificação a ser apreciado pela DRF, mormente quando o despacho decisório expressamente facultou a interposição do mencionado apelo, com base no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996. A análise de eventual equívoco de PER/DCOMP é da competência da DRF somente até a prolação do despacho decisório. Depois do despacho decisório, essa ou outras matérias, veiculadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas e julgadas pela DRJ. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para determinar o retorno do processo à DRJ, com vistas ao exame do mérito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado João Marco Colussi, OAB/SP nº. 109.143. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto De Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPETÊNCIA. É cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, ainda que esta não tenha conhecido a manifestação de inconformidade, devendo o CARF apreciálo, na forma do art. 1º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Precedente do CARF. A DRJ não pode, com base em interpretação, modificar a natureza do recurso (manifestação de inconformidade), apresentado pelo contribuinte, transformandoo em pedido de retificação a ser apreciado pela DRF, mormente quando o despacho decisório expressamente facultou a interposição do mencionado apelo, com base no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996. A análise de eventual equívoco de PER/DCOMP é da competência da DRF somente até a prolação do despacho decisório. Depois do despacho decisório, essa ou outras matérias, veiculadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas e julgadas pela DRJ. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para determinar o retorno do processo à DRJ, com vistas ao exame do mérito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado João Marco Colussi, OAB/SP nº. 109.143. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 99 /2 00 7- 52 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto De Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente processo foi formalizado em virtude da apresentação de Dcomp, na qual a contribuinte pleiteia a utilização de créditos de PIS do período de apuração de 31/01/2001, decorrentes de Receita de Exportação, no valor de R$ 1.903.380,81, para quitação de débitos também de PIS relativos a setembro de 2004. Após análise do pedido de compensação, sobreveio despacho decisório indeferindo a compensação, pois a contribuinte declarou como devido, em sua DCTF de janeiro/2001, o valor de R$ 5.518.704,31, sendo que parte desse débito declarado encontrase quitado mediante DARF (R$ 5.482.647,65), e parte (R$ 36.056,66) encontrase suspenso por medida judicial (fl.14), não havendo que se falar, portanto, em pagamento indevido a ser restituído (fls. 15). Contra a autuação, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.3954), afirmando ter se equivocado, porquanto o crédito a que se refere o pedido de compensação em apreço PER/DCOMP nº 19314.88253.151004.1.3.041930 (fls.03/07) reportase a créditos auferidos "nos períodos compreendidos entre janeiro de 1998 a dezembro de 2001". Já o PER/DCOMP, aqui tratado, referese a crédito relativo a suposto pagamento indevido realizado em fevereiro de 2001 (período de apuração: janeiro/2001) (fl. 05). A DRJ, porém, não conheceu a manifestação de inconformidade. Segundo os julgadores originários, na verdade não há litígio sobre a inexistência do alegado crédito no referido PER/DCOMP. O que se está a pleitear, de fato, consiste na retificação do pedido. Nesse contexto, o acórdão recorrido, lastreandose em caso análogo apreciado no PARECER COSIT 21/2010, julgou que a competência para apreciação de pedido de retificação de Dcomp não é da DRJ, mas sim da DRF. E o fez, nos termos do parágrafo único do art. 56 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e do parágrafo único do art. 76 da IN RFB nº 900, de 2008, analisados concomitantemente com os art. 47 e 63 das referidas instruções normativas, respectivamente, e com o inciso VI do art. 280 do RI da RFB. Diante do exposto, o aresto recorrido decidiu que a petição interposta às fls. 3954 deverá ser apreciada pela DEMAC/RJ, e eventual manifestação superveniente submeter seá ao rito geral do processo administrativo federal, estabelecido pela Lei n° 9.784/99. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720199/200752 Acórdão n.º 3202001.154 S3C2T2 Fl. 485 3 Inconformada com o mencionado acórdão da DRJ, a empresa impetrou o Mandando de Segurança nº 004255458.2012.4.02.5101, no qual foi deferida liminar, determinando que fosse apreciado pelo CARF o recurso voluntário da empresa (fls. 254/256). Isto posto, DEFIRO O PEDIDO DE MEDIDA LIMINAR para determinar o processamento e julgamento do Recurso Voluntário a ser interposto com fulcro no §10, do artigo 74 da Lei 9.430/96, nos autos do Processo Administrativo n° 10768.720199/200752, mantendo suspensa a exigibilidade do referido crédito até o encerramento da discussão na esfera administrativa, na forma do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, e, nesse prazo, o crédito em discussão no Processo Administrativo n° 10768.720199/200752 não consubstanciará óbice à renovação da Certidão de Regularidade Fiscal da Impetrante. Em seguida, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 321 e ss), alegando que: 1. Pleiteia a admissibilidade da Manifestação da inconformidade interposta, tendo em vista que teve como objeto o despacho decisório que não homologou a sua compensação, nos termos do art. 74, §9º, da Lei nº 9.430/96. 2. Que o esclarecimento prestado na Manifestação de inconformidade, em que pese altere o período do crédito utilizado, referese ao mesmo crédito, e não deveria modificar a competência para análise, apenas por ter retificado o período dos créditos. 3. Alega que efetivamente prestou serviços de interconexão a operadoras estrangeiras, nos períodos de janeiro de 1998 a Dezembro de 2001, efetuando os recolhimentos devidos nesse período. Porém, apenas em março de 2002, com o fechamento dos contratos de câmbio, é que foi cumprida a condição para fruição da isenção, tornandose indevidos os recolhimentos efetuados no momento da prestação de serviço, janeiro de 1998 a Dezembro de 2001. Tornando os créditos líquidos e certos. 4. Com isso, concluise que os créditos utilizados para quitação do PIS, relativo a setembro de 2004, não é originário de pagamento a maior em janeiro de 2001, e sim, de recolhimentos feitos no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, que com o fechamento dos contratos de câmbio havidos em março de 2002, tornaramse os recolhimento indevidos de acordo com o art 14 da MP nº 2158/01. 5. Ademais, requer que seja determinada perícia para que (i) o perito reconheça que nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a Dezembro de 2001, computou na base de cálculo do PIS, a receita de importação decorrente da prestação de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 serviço de interconexão.(ii) qual foi o valor recolhido pela recorrente a título de PIS (iii) que o valor dos Contrato de Câmbio (Doc. 02 e 03 anexos à Manifestação de inconformidade) são relativos à receitas de exportação decorrentes da prestação de serviço de interconexão à operadoras do exterior, denominado tráfego entrante. 6. Por fim, requer que o conhecimento da Manifestação de Inconformidade. Em razão da decisão judicial acima destacada, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC/RJO remeteu o recurso voluntário para apreciação do CARF (fls. 457/ss). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso é tempestivo e, por isso, merece a ser apreciado. Conforme destacado no relatório, a recorrente impetrou mandado de segurança para que fosse apreciado, pelo CARF, seu recurso voluntário, interposto contra acórdão da DRJ, o qual não conheceu sua manifestação de inconformidade. Consultando, porém, o site do TRF da 2ª Região, observo que a sentença, que havia concedido a segurança pleiteada pela recorrente, foi reformada para julgar improcedente o mandamus, através de acórdão publicado, no DJE do dia 15/04/2014, proferido na Apelação/Reexame Necessário nº 579.483 (Proc. nº 004255458.2012.4.02.5101 e número TRF2 2012.51.01.0425548). Leiamse sua ementa e a parte dispositiva do Voto: EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APLICAÇÃO DO ARTIGO 151, III, DO CTN. 1 Segundo a União Federal, a impetrante não apontou corretamente a autoridade coatora. Entretanto, não atentou para a circunstância de que, nas referidas informações, a autoridade não se limitou a negar sua legitimidade passiva, mas, pelo contrário, adentrou no mérito. E, como se sabe, o Egrégio Superior Tribunal de justiça, em reiterados julgados, entende que, em fazendo tal defesa, a autoridade tornase ipso facto coatora e, portanto, passa a ter legitimidade para a causa. 2 De acordo com os documentos acostados, nos autos do Processo 10768.720199/200752 não foi reconhecido o direito creditório da Impetrante, não sendo sua DCOMP homologada (fls. 44/45). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720199/200752 Acórdão n.º 3202001.154 S3C2T2 Fl. 486 5 3 A manifestação de inconformidade é cabível apenas nas hipóteses de nãohomologação da compensação, como previsto, expressamente, no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que foi objeto de alteração pela MP nº 66, de 22.09.02, convertida na Lei nº 10.637, de 30.12.02, e depois pela Lei nº 10.833, de 29.12.03. 4 No caso, como a hipótese é de não homologação da compensação, serias cabível a manifestação de inconformidade, na forma do art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/96. Acontece que, ao decidir a manifestação de inconformidade, constou do acórdão que a referida manifestação não foi conhecida, por se tratar de pedido de retificação de DCOMP. 5 O § 10 do art. art. 74 da Lei nº 9430/96 é expresso sentido que apenas da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes 6 Como a manifestação de inconformidade não foi julgada improcedente, mas, sim, não conhecida, o recurso interposto em face dessa decisão não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. 7 Não compete ao Poder Judiciário determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão da interposição de recurso que não haja lei prevendo essa suspensão, uma vez que, se assim o fizer, estará a atuar como legislador positivo, o que é terminantemente proibido no ordenamento jurídico em vigor. 8 Remessa necessária e apelação providas. VOTO [...] DO MÉRITO. No caso, extraise dos documentos acostados que, nos autos do Processo 10768.720199/200752, não foi reconhecido o direito creditório da Impetrante, não sendo sua DCOMP homologada (fls. 44/45). [...] Como a manifestação de inconformidade não foi julgada improcedente, mas, sim, não conhecida, o recurso interposto em face dessa decisão não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, entendo, pois, que não compete ao Poder Judiciário determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão da interposição de recurso que não haja lei prevendo essa suspensão, uma vez que, se assim o fizer, estará a atuar como legislador positivo, o que é terminantemente proibido no ordenamento jurídico em vigor. Posto isso, dou provimento à remessa necessária e à apelação, para julgar improcedente o pedido da impetrante. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 É como voto. Rio de Janeiro. Diante do julgamento acima transcrito, compete ao CARF apreciar a admissibilidade do recurso voluntário, não havendo ordem judicial que o obrigue a seguir determinado entendimento nesse sentido. No meu entender, é a cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, ainda que esta não tenha conhecido a manifestação de inconformidade apresentada, devendo o CARF apreciálo, na forma do art. 1º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). In verbis: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, leiase o seguinte precedente do CARF, entendendo que, até mesmo o não conhecimento da manifestação de inconformidade por intempestividade, pode ser objeto de recurso voluntário: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade intempestiva não inaugura a lide, cabendo ao órgão julgador dela não conhecer. Ante este caso, a irresignação contra a decisão recorrida deve ser introduzida por preliminar que apresente fatos que demonstrem a tempestividade, secundada pelas razões de mérito, sem o que não se conhece do recurso voluntário. [CARF. Processo nº 10860.900383/200815. Acórdão nº 3803 004.734. 3ª Seção. 3ª Turma Especial. Cons. BELCHIOR MELO DE SOUSA. Julgado em 26/11/2013]. Passo, portanto, a apreciar o recurso voluntário. Percebo, de logo, que o acórdão recorrido viola o art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996, quando não conheceu a manifestação de inconformidade, interposta pela recorrente contra o despacho decisório, lavrado nos seguintes termos (fl. 28): Vistos e examinados os presentes autos, e a vista do parecer conclusivo fls. 366/08, de fls. 17/18, cujo teor aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte deste despacho decisório, como se nele estivesse transcrito, DECIDO: a) NÃO RECONHECER 0 DIREITO CREDITÓRIO pleiteado, decorrente e suposto pagamento a maior de PIS, código 8109, do período de apuração de 31/03/2001, o valor de R$ 1.903.380,81; 13) NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO constante da Dcomp de fls. 03 07. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720199/200752 Acórdão n.º 3202001.154 S3C2T2 Fl. 487 7 Encaminhese o presente processo ao EQCAC desta Diort, para: a) efetuar os procedimentos necessários ao cumprimento deste Despacho Decisório, inclúsive verificar se o crédito alegado é suficiente para garantir a extinção temporária. tios débitos declarados na Dcomp, conforme art. 48 da IN 600/2005; b) ciência a interessada do inteiro deste Despacho Decisório; c) prosseguimento da cobrança dos débitos não compensados, obedecidas disposições contidas nos parágrafos 70 a 11 0 do art. 74 da Lei 9.430/96 (com a nova redação dada pelo art. 17 da Lei n2 10.833/2003) e na Instrução Normativa 600/2005, ressalvado a interposição de manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita de Julgamento — DRJ/RJO II, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência, como disposto § 9º do art. 74 da mencionada Lei, observandose o disposto no inciso II, §3º, art. 48 da IN SRF 600/2005. Com efeito, a DRJ não pode, com base em interpretação, modificar a natureza do recurso (manifestação de inconformidade), apresentado pelo contribuinte às fls. 41/ss., transformandoo em pedido de retificação a ser apreciado pela DRF, mormente quando o despacho decisório expressamente facultou a interposição do mencionado apelo, com base no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996. Ademais, a análise de eventual equívoco de PER/DCOMP é da competência da DRF somente até a prolação do despacho decisório. Depois do despacho decisório, essa ou outras matérias, veiculadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas e julgadas pela DRJ. Assim, merece reformado acórdão recorrido, quando deixou de conhecer a manifestação de inconformidade da empresa. Quanto aos demais temas veiculados no recurso voluntário, todos eles ficam com análise prejudicada pelo CARF, pois isso representaria superveniente supressão de instância, uma vez que a DRJ não apreciou o mérito da manifestação de inconformidade. Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, determinando que a DRJ aprecie o mérito da manifestação de inconformidade. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11060.720495/2008-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.COMPROVAÇÃO COM LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O lançamento deve considerar como área de preservação permanente aquela comprovada por laudo de avaliação hábil e idôneo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer 142,10 ha de área de preservação permanente, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin - Presidente..
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Ewan Teles Aguiar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.COMPROVAÇÃO COM LAUDO DE AVALIAÇÃO. O lançamento deve considerar como área de preservação permanente aquela comprovada por laudo de avaliação hábil e idôneo. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer 142,10 ha de área de preservação permanente, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin - Presidente.. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Ewan Teles Aguiar e Márcio Henrique Sales Parada.
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O lançamento deve considerar como área de preservação permanente aquela comprovada por laudo de avaliação hábil e idôneo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer 142,10 ha de área de preservação permanente, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente.. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Ewan Teles Aguiar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 04 95 /2 00 8- 64 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11060.720495/200864 Acórdão n.º 2801003.439 S2TE01 Fl. 185 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1a.Turma da DRJ/CGE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectiva demonstrativo de fls. 01 a 05, por meio do qual se exigiu o pagamento do 1TR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 44.689,72, relativo ao imóvel rural denominado Estância do Umbu, com área total de 586,3 L NIRF 1.013.4581, localizado no município de Salto do Jacui/RS. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente; que foi apresentado ADA do ano 1997 indicando APP de 277,0 ha. e laudo técnico para comprovação dessa área; que, entretanto, o laudo apresenta um levantamento topográfico deficiente, não apresentando coordenadas, levantamento topográfico e mapeamento claro das APPs, e também não informa o enquadramento legal das diversas áreas de APP para efeito de exclusão da base de cálculo do imposto, nos termos dos artigos 2o e 3o da Lei n.° 4.771/1965; que o laudo informa que as APPS são de matas nativas ciliares ou de galeria, enquadradas no art. 16 do Código Florestal, assim como de banhados e faixas de preservação ao longo das drenagens internas e de divisas, entretanto tal informação não é corroborada pelo próprio laudo, que não individualizou essas áreas de mata nativa, além do art. 16 do Código Florestal tratar da área de reserva legal, a qual, para ser excluída da base de cálculo do ITR, deve estar averbada na matrícula do imóvel, conforme o parágrafo 8o do mesmo artigo, o que não foi comprovado pela certidão da matrícula do imóvel apresentada; e que os banhados, as faixas de preservação e as drenagens citadas também não foram individualizadas ou indicadas no laudo. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 06 a 43. Cientificada do lançamento, por via postal, em 26/11/2008 (fls. 78), a interessada apresentou, em 23/12/2008, a impugnação de fls. 45, acompanhada dos documentos de fls. 46 a 77, onde argumentou que está apresentando documentos que embasam sua pretensão. No laudo técnico de fls. 46 a 57, além de informações sobre a situação do imóvel rural, foram apresentados os seguintes argumentos, em suma: Diante dos motivos da Notificação citando que o laudo topográfico apresentado anteriormente é deficiente, apresenta discriminação e quantifica as áreas de preservação permanente, mostrando também a condição natural destas como elemento de conservação da fauna e flora, bem como de proteção ao Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11060.720495/200864 Acórdão n.º 2801003.439 S2TE01 Fl. 186 3 reservatório de acumulação de águas da Barragem de Geração de Energia Elétrica de Itaúba; Concorda com o VTN atribuído ao imóvel pela DRF/Santa Maria; A mesma área de preservação permanente declarada foi objeto de levantamento feito no ano de 1989 e é confirmada por foto do sistema Google de 2003, e apresenta mapa planimétrico do imóvel com planilhas analíticas; As áreas de preservação permanente existentes no imóvel totalizam 277,0 ha, , de acordo com as Leis 4771/65, 7.803/89 e 9.393/96 e Resolução Conama 369/06, assim distribuídas: a) 37,35 ha. situadas em faixa marginal, desde o nível mais alto, com largura de 30 metros, representadas pelas matas de galeria ou ciliares, cujos arquivos topográficos estão identificados por planilhas' de drenagem; 19,86 ha. situadas em faixa marginal, desde o nível mais alto, com largura 200 metros, na linha confrontante com o manancial de acumulação da Barragem de Itaúba, curso d'água que possui largura superior a 200 metros; 77,53 ha. em encosta com declividade superior a 45 graus na linha de maior declive; 6,4 ha de áreas de banhados, refúgio de espécies da fauna e preservação da flora, constituídas na frações com problemas de hidromorfismo por suas características naturais, importantes para manter espécies da fauna e flora específicas para esse tipo de solo, localizado em baixada do relevo, chamado de banhado e que se diferencia de várzeas por não apresentar camadas sub superficiais impermeáveis e apresentarem camadas orgânicas de deposição; 135,86 ha. de matas nativas altas topo de morros e montanhas locais de refúgio ou reprodução de espécies silvícolas e matas nativas ao longo de restingas (nas faixas que excedam as faixas marginais). Essas matas ora podem ser frações de matas nativas em faixa que excedam aos 30 metros de faixa marginal de preservação permanente, que servem para abrigar espécies da fauna, e ora são compostas de espécies vegetais nativas e naturais do local, protegidas por lei contra cortes de qualquer natureza, e, por não poderem sofrer qualquer forma de exploração econômica, enquadramse em proteção de espécies vegetais em extinção. Impugna a desclassificação da área de preservação permanente, que resultou em aumento da área tributável, visto que essa área existe no imóvel, está prevista em Lei e não pode ter qualquer aproveitamento econômico, devendo ser mantida para exercer seu papel de proteção do solo, da fauna e da flora, sendo que a proteção ao manancial de acumulação da Barragem de Itaúba, por si só, é o bastante para sua preservação. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11060.720495/200864 Acórdão n.º 2801003.439 S2TE01 Fl. 187 4 A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de ( fls.87/101numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação do ITR sobre áreas de preservação permanente e outras é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel e cumprimento de exigências legais. Ficam afastadas da tributação pelo ITR as áreas de preservação permanente existentes no imóvel que, comprovadamente, se enquadram nas definições do art. 2o da Lei n.° 4.771/1965. As áreas indicadas no art. 3o dessa Lei somente poderão ser afastadas da tributação se forem declaradas de preservação permanente por ato do Poder Público. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão da DRJ restabeleceu134,90 m2 de área de preservação permanente, declarada, tendo em vista a sua comprovação documental por meio do Laudo Técnico.às ( fls.117/147). Cientificado da decisão de 1a instância em 29.04.2011( fl.109numeração digital ), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 23.05.2011, às ( fls.110/115numeração digital). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte ● Alega que a área de preservação permanente por si já constitui o direito à redução do montante do imposto ● Aduz que resta consolidado que a mera apresentação do ADA pode constituir condição ao direito ao benefício fiscal. ● Aduz que a Laudo Técnico apresentado e assinado por Engenheiro responsável, é probo e hábil para demonstra a área de preservação permanente. ● Pretende seja restabelecida a área de preservação permanente e alterado o VTN. É o relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11060.720495/200864 Acórdão n.º 2801003.439 S2TE01 Fl. 188 5 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Considerando a decisão proferida pela DRJ que deu parcial provimento a impugnação apresentada pela Recorrente, a matéria que restou em discussão no presente processo diz respeito a (i) 142,10 hectares de área de preservação permanente. Na face recursal a Recorrente apresentou Laudo Técnico de fls 117/147 acompanhado de ART dos responsáveis técnicos devidamente registros no CREA( fls.179/181). A DRJ considerou o Laudo Técnico hábeis e idôneos, a comprovar a área de preservação restabelecendo 134,90 hectares. Entretanto, a DRJ não considerou como área de preservação permanente 142,1 hectares, sob a alegação não se enquadrar no art. 3o. da Lei 4.771/65. O Laudo Técnico referese ao que prescreve o art. 2o, letra “d” do Código Florestal(Lei 4.771/65, in verbis: Art. 2o. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito deste Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: d) – no topo de morros, montes, montanhas e serras. O levantamento planimétrico do imóvel demonstra pelo índice de (COR VERDE MAIS CLARA, fl.69), a área de Matas Nativas Altas, que, no meu entender, referese a topos de morros e montanhas. Como se vê, a própria decisão recorrida entende que parte dos 135,86 hectares, é área composta por topos de morros e montanhas, porém, pelo fato de não estarem devidamente identificados, não considera valor algum. Portanto, entendo como área de preservação permanente com fulcro na letra “d”, do Código Florestal, demonstrado no Laudo Técnico. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer 142,10 ha de área de preservação permanente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11060.720495/200864 Acórdão n.º 2801003.439 S2TE01 Fl. 189 6 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10073.721730/2012-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Somente não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços.
As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2403-002.439
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Somente não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Somente não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 30 /2 01 2- 90 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1255.849 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa paga em desacordo com a lei 10.101/2000 integra o saláriode contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/91. INTERVALO INTRAJORNADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. São passíveis de tributação, dada a sua natureza remuneratória, as horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD Nº 51.034.9129, consolidado em 04/12/2012), no valor de R$ 27.718,76; acrescidos de juros e multa de ofício, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls.71/75), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte descontada das remunerações pagas a segurados empregados, apuradas nas folhas de pagamento, referentes as parcelas incidentes sobre às rubricas “Participação nos Lucros” e “Indenização Pecuniária”, e dos contribuintes individuais, nas competências 01/2009 a 12/2009. 2. Informa ainda a Auditoria Fiscal que a base de cálculo para a apuração da contribuição devida relativa aos segurados empregados e contribuintes individuais, juntamente com a contribuição apurada, estão discriminadas na planilha de fls. 76/77. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3. Esclarece o relatório fiscal ainda que: 3.1. para a apuração da contribuição devida dos contribuintes individuais, foram consideradas as remunerações identificadas nas contas de nº 4.01.01.02.008 (Serviços Contábeis), 4.01.01.02.0014 (Retirada PróLabore) e 4.01.01.02.0018 (Honorários de Advogado) constantes do Livro Diário nº 025 e não declaradas em GFIP; 3.2. com relação ao pagamento da rubrica de folha “Participação nos Lucros”, referese as parcelas mensais de R$ 10,00 paga aos empregados, em desacordo com a Lei nº 10.101, de 19/12/2000; 3.3. com relação ao pagamento de Indenização Pecuniária verificouse a partir da documentação disponibilizada pela empresa que se referiam a pagamento de remuneração extra excedente às 42 horas semanais da jornada de trabalho dos motoristas, despachantes, cobradores e fiscais, prevista em convenção coletiva de trabalho. DA IMPUGNAÇÃO 4. A interessada interpôs impugnação às fls. 678/694, alegando em suma: 4.1. a tempestividade da impugnação; 4.2. sustenta que às parcelas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados está amparado pela Lei nº 10.101/2000; 4.3. a seguir tenta fazer um histórico, defendendo a tese de que a norma insculpida na CFRB/88 para a concessão da participação nos lucros e resultados claramente desvincula a PLR da remuneração do empregado; 4.4. remete ao § 2º do art. 3º da Lei n° 10.101/2000 que determina que é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de participação de lucros em periodicidade inferior a 6 meses, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; 4.5. afirma que a fiscalização aponta o pagamento mensal como elemento que descaracteriza o pagamento das verbas como PLR, no entanto, alega que o art. 4º da Lei nº 10.101/2000 prevê a possibilidade de alteração na periodicidade do pagamento da PLR e, que a periodicidade não serve para qualificar a verba; 4.6. que a Lei foi respeitada na sua proposição, não podendo os aludidos pagamentos serem considerados salário de contribuição; 4.7. quanto à rubrica INDENIZAÇÃO PECUNIÁRIA INTERVALO SUMPRIMIDO, o pagamento ocorre em função do intervalo alimentar suprimido em parte, determinado pela Convenção Coletiva da Classe, de caráter indenizatório; Fl. 752DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 4 5 4.8. que o fracionamento e a indenização do intervalo para repouso ou alimentação foram acordados entre sindicato e empresa, aprovado pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 42 de 28/03/2007; 4.9. a matéria foi submetida a análise judicial, tendo sido a flexibilização de direitos reconhecida pelo Tribunal Superior do Trabalho – TST, no processo ROAA 141515/2004900015, portanto, a caracterização do pagamento do intervalo intrajornada como indenização é matéria pacificada no TST; 4.10. ao final, requer, seja declarada a improcedência do processo Administrativo Fiscal nº 10073.721722/201243 e do auto de infração nº 51.034.9129, pela ausência de fato gerador de contribuições previdenciárias. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário onde reapresenta as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Fl. 754DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 5 7 julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou Fl. 755DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 6 9 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 7 11 Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. A recorrente questiona a tributação da PLR, afirma que os pagamentos estão amparados pela Lei 10.101/2000, afirma que a fiscalização aponta o pagamento mensal como elemento que descaracteriza o pagamento das verbas como PLR, no entanto, alega que o art. 4º da Lei nº 10.101/2000 prevê a possibilidade de alteração na periodicidade do pagamento da PLR e, que a periodicidade não serve para qualificar a verba; que a Lei foi respeitada na sua proposição, não podendo os aludidos pagamentos serem considerados salário de contribuição. A fiscalização apresentou no Relatório Fiscal que verificou através das folhas de pagamento que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais a título de participação nos lucros no valor de R$ 10,00 e que isso caracteriza desacordo com a Lei 10.101/2000. Concordo com a fiscalização. Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. INDENIZAÇÃO PECUNIÁRIA – INTERVALO SUPRIMIDO A recorrente afirma que o pagamento ocorre em função do intervalo alimentar suprimido em parte, determinado pela Convenção Coletiva da Classe, que tem caráter indenizatório; que o fracionamento e a indenização do intervalo para repouso ou alimentação foram acordados entre sindicato e empresa, aprovado pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 42 de 28/03/2007 e que a matéria foi submetida a análise judicial, tendo sido a flexibilização de direitos reconhecida pelo Tribunal Superior do Trabalho – TST, no processo ROAA 141515/2004900015, portanto, a caracterização do pagamento do intervalo intrajornada como indenização é matéria pacificada no TST; Não concordo com a recorrente. As contribuições para a seguridade social tem sua base imponível definida na Constituição da República de 1988, prevendo esta, para a empresa, a contribuição incidente sobre folha de salários e também sobre os demais rendimentos do trabalho. Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 8 13 A especificação do que deve ser tributado e o que não deve está no artigo 28 da Lei 8.212/91. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do mesmo artigo 28. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias:(Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas noinciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma doart. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos daLei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 9 15 deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, osarts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)15 t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, o conceito de saláriodecontribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. Cabe registrar que os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, ainda que expressamente desvinculem abonos concedidos do salário, não têm força de lei para impor a não incidência de tributos. A Convenção Coletiva tem força de lei vinculando as partes. Conforme o CTN, entretanto, não vincula a Administração Tributária quando estabelece que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10073.721730/201290 Acórdão n.º 2403002.439 S2C4T3 Fl. 10 17 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001983/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE.
É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29 -Portaria MF n.º 383, DOU de 14/07/2010)
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Os dispêndios com construção somente podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos, os valores de R$ 405.705,75, R$ 408.265,26 e R$ 181.823,91, nos anos-calendário 2000, 2001 e 2002, respectivamente.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38 Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 83 /2 00 5- 42 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 854 2 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29 Portaria MF n.º 383, DOU de 14/07/2010) GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. Os dispêndios com construção somente podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos, os valores de R$ 405.705,75, R$ 408.265,26 e R$ 181.823,91, nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, respectivamente. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 855 3 EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO SCARATI NETO foi lavrado Auto de Infração, fls. 291/302, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000 a 2002, exercícios 2001 a 2003, no valor total de R$ 947.396,71, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/05/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 281/287, foram omissão de ganhos de capital na alienação de imóveis, nos anoscalendário 2001 e 2002, e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anoscalendário 2000 a 2002. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 305/344, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 1518.899, de 09/04/2009, fls. 431/432. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 436, o contribuinte apresentou, em 19/08/2009, recurso voluntário, fls. 437/510, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que o sigilo bancário do contribuinte foi quebrado indevidamente pela fiscalização, sem que tivesse conhecimento dos motivos e das razões que justificassem tal quebra, ausente ainda a necessária autorização judicial, sendo que a Lei nº 10.174/2001 não poderia retroagir para atingir fatos geradores pretéritos a sua vigência; que além da fiscalização ter ancorado o lançamento apenas em extratos bancários, cerceando o direito de defesa do contribuinte, a decisão recorrida não apreciou os argumentos do então impugnante que iam muito além da simples leitura do art. 42 da Lei nº 9.430/96, igualmente cerceando o direito de defesa do contribuinte; que deve ser decretada a decadência de todos os fatos geradores anteriores a 29/06/2000, uma vez que o mesmo foi autuado apenas em 29/06/2005, respeitando o qüinqüênio legal; que trouxe na impugnação a documentação comprobatória da alienação de bens, que comprova a origem dos depósitos bancários em discussão, ponto não enfrentado Fl. 654DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 856 4 pela decisão recorrida. Agora repisa a necessidade desse colegiado apreciar tais itens da defesa, especificando alienações (06) que justificam os depósitos bancários considerados de origem não comprovada pela fiscalização; que não foram considerados os gastos na construção dos imóveis posteriormente alienados, majorando indevidamente o ganho de capital, construções essas que podem ser verificadas nas matrículas/escrituras; que os depósitos bancários, em si mesmos, não podem ser considerados como rendimentos omitidos. Em 17/06/2010, o contribuinte apresentou petição, fls. 527/550, aditando o recurso voluntário, nos seguintes termos: A autoridade fiscal imputou toda a movimentação financeira ocorrida na conta corrente nº 39780 da agência nº 20176 do Banco Bradesco, quando estava comprovado que havia titularidade em conjunto do recorrente com sua esposa Eliana Giovannetti Scarati, CPF 315.161.11842, como se percebia nos extratos, o que violou o art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996 e a Súmula CARF nº 29, sendo causa de nulidade do lançamento. Para reforçar o alegado, junta aos autos documento emitido pelo Bradesco, fls. 551; Repisa o pedido decadencial, como deduzido nas razões originais do recurso voluntário. Conforme Resolução nº 2102000.082, de 14/08/2012, fls. 552/554, esta Turma sobrestou o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Considerando que o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 857 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na Resolução nº 2102000.082, de 14/08/2012, fls. 552/554, da lavra do ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, foi apreciada a alegação do recorrente no que concerne a nulidade da decisão recorrida, sendo certo que adoto as mesmas razões de decidir lá esposadas, as quais aqui reproduzo: Antes de tudo, não vislumbro nulidade na decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, pois não se deve confundir uma decisão sucinta com uma decisão nula. Vejase que a decisão recorrida, de forma sucinta, afastou a comprovação da origem dos depósitos bancários e do incremento dos custos dos ganhos de capital, com as razões que seguem: (...) As determinações que individualizam um depósito são necessariamente a sua data e a seu valor, de modo que os comprovantes devem demonstrar a coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem. Por estas razões, não se podem considerar provas da origem dos depósitos os documentos que indicam valores e datas diversas e incompatíveis com os créditos, como são neste caso as escrituras ou procurações com datas posteriores. A alegação de praxe na emissão posterior destes documentos não pode afastar esta exigência legal, nem se justifica que neles não conste como foram efetuados os pagamentos, ou, quando conste, que tenham sido efetuados na celebração do próprio contrato. Ademais, não se excluem outros meios de prova que poderiam demonstrar que os depósitos foram efetuados pelos compradores dos imóveis, tais como cópias de cheques, recibos bancário de depósito, e outros mais, que o contribuinte não se preocupou em apresentar. (...) O fato de existirem construções nos imóveis não inverte o ônus da prova para a autoridade lançadora, seja porque estes custos poderiam já estar incluídos nos valores declarados, seja porque poderiam ter sido assumidos por terceiros, ou arcados diretamente pelos adquirentes, em negócio à parte. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 858 6 Claramente a decisão recorrida não acatou as alienações de imóveis para justificar a origem dos depósitos bancários, na forma explanada pelo contribuinte, pois ausente a vinculação dos valores percebidos nas alienações com os créditos bancários, com coincidência de data e valores, e igualmente não aceitou a majoração dos custos de imóveis no cálculo do ganho de capital, por ausência de comprovação desse incremento. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade da decisão recorrida, posto que não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa apontado pelo contribuinte. Ainda, preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento, sob a alegação de quebra indevida do sigilo bancário do contribuinte, de irretroatividade da Lei n 10.174, de 2001 e de falta de intimação da cotitular da contacorrente nº 39780 da agência 20176 do Banco Bradesco. De pronto, cumpre dizer que as hipóteses apontadas pela defesa quebra indevida do sigilo bancário do contribuinte, irretroatividade da Lei n 10.174, de 2001 e falta de intimação da cotitular da contacorrente nº 39780 da agência 20176 do Banco Bradesco – não ensejariam a nulidade do lançamento. A prevalecer quaisquer uma dessas teses levantadas pela defesa, seria apenas o caso de cancelar a parte do lançamento afetada pela respectiva hipótese e não de nulidade do lançamento, que implicaria no cancelamento da totalidade do crédito tributário exigido no Auto de Infração. Assim, por exemplo, caso esta Turma acolhesse a hipótese de irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, somente o crédito tributário relativo à infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, do exercício 2000, seria cancelado, subsistindo os demais créditos não atingidos pela hipótese da irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Esclareçase que tais alegações quebra indevida do sigilo bancário do contribuinte, irretroatividade da Lei n 10.174, de 2001 e falta de intimação da cotitular da contacorrente nº 39780 da agência 20176 do Banco Bradesco serão mais adiante apreciadas neste voto. Por fim, ainda no que concerne à nulidade do lançamento, devese dizer que o Auto de Infração foi levado a efeito por autoridade competente, sendo dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na sua lavratura foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando o lançamento em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Logo, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No recurso e no seu aditamento, o contribuinte afirma que na data do lançamento já estariam alcançados pela decadência os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos antes de 29/06/2000. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 859 7 Cuidase de Auto de Infração que imputa ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujos fatos geradores ocorrem nos anoscalendário 2000 a 2002. No recurso o contribuinte argúi que, na data do lançamento, o crédito tributário exigido no Auto de Infração, correspondente aos fatos geradores que ocorreram antes de 29/06/2000, já estaria alcançado pelo instituto da decadência. Para a análise da questão, fazse necessário observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 658DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 860 8 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, cuidase de IRPF e os fatos geradores ocorridos no ano calendário 2000, são decorrentes da infração de omissão de rendimentos, caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada, que embora seja apurada mensalmente, sujeitase ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Tal entendimento encontrase, inclusive, traduzido na Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Nesse ponto, importa dizer que o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2001, anocalendário 2000, fls. 04, tempestivamente, e apurou saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 332,20, depois de compensar o imposto de renda retido na fonte. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 861 9 Os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2000 somente se completaram em 31/12/2000, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2005. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 29/06/2005, fls. 298, não há que se falar em decadência dos créditos tributários, cujos fatos geradores ocorrem no anocalendário 2000. Prosseguindo, temse que o contribuinte no recurso alegou que seu sigilo bancário foi quebrado indevidamente, sem que tivesse conhecimento dos motivos e das razões que justificassem tal quebra e que não houve a necessária autorização judicial. Impõese registrar que a utilização dos dados da Contribuição Provisória da Movimentação Financeira (CPMF), bem como a utilização dos extratos bancários, que foram fornecidos pelo contribuinte à autoridade autuante, durante o procedimento fiscal, se fez com supedâneo no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, alterado pela Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001 e no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, da mesma data. Não se vislumbra, portanto, qualquer irregularidade no ato administrativo adotado, mas em um procedimento legal que objetivou viabilizar o ato de fiscalização, estando devidamente amparado pela legislação em vigor. Por outro lado, importa dizer que não há previsão expressa na Constituição Federal quanto ao sigilo bancário, advindo tal tese da interpretação doutrinária e jurisprudencial dada à matéria. Uma vez existente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, deve e pode ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos, questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Ainda relativamente ao uso e obtenção das informações bancárias do contribuinte, a defesa argúi a irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, que alterou o art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, aos fatos geradores ocorridos antes de sua publicação. Na verdade, a despeitos dos argumentos trazidos pela defesa, temse que a Lei nº 10.174, de 2001, não criou ou institui nova hipótese de incidência tributária, mas, de fato, apenas ampliou os critérios de investigação, possibilitando a instauração de procedimento administrativo e lançamento com base em informações prestadas por instituições financeiras. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, apenas concedeu novos poderes de investigação ao Fisco, sendo certo que essa legislação aplicase aos fatos ocorridos anteriormente ao início de sua vigência, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Outrossim, importa observar que este é entendimento exarado na Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Fl. 660DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 862 10 Nestes termos, afastase as alegações da defesa, no que concerne à quebra o sigilo fiscal e à irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. No que concerne à infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, devese dizer que a alegação do recorrente de que os depósitos, em si mesmos, não podem ser considerados como rendimentos omitidos, não pode prosperar. Veja que, a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. O próprio dispositivo legal definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, sendo certo que a falta de demonstração de disponibilidade econômica ou jurídica de renda não tem nenhuma influência no lançamento calcado na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, o patrimônio do contribuinte ou a renda consumida não influenciam a caracterização da presunção. Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Todavia, assiste razão ao contribuinte no que se refere à Sumula CARF nº 29, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Dos extratos bancários, fls. 82/118, e do documento, fls. 551, verificase que a conta nº 39780 da agência nº 20176 do Banco Bradesco é de titularidade do contribuinte e de sua esposa, Sra. Eliana Giovanetti Scarati. Contudo, do exame dos documentos que compõem o processo, não se verifica a existência de Termo de Intimação, dirigido à esposa do contribuinte. Assim, a conclusão que se impõe é de que Eliana Giovanetti Scarati não foi intimada a comprovar a origem dos depósitos efetivados na conta nº 39780 da agência nº 20176 do Banco Bradesco, de modo que, em razão do disposto na Súmula CARF nº 29, acima transcrita, devese excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos, os valores de R$ 405.705,75, R$ 408.265,26 e R$ 181.823,91, nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, respectivamente, os quais foram efetivados na conta nº 39780 da agência nº 20176 do Banco Bradesco. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 863 11 Nestes termos, no que se refere à infração de depósitos bancários com origem não comprovada, remanescem no litígio apenas os depósitos havidos, no anocalendário 2000 nas contas Bradesco – Agência 19780 conta 2.7928 (R$ 180.203,48) e Banespa – agência 0489 conta 0044662 (R$ 14.550,00). No que tange à comprovação de tais créditos efetivados no anocalendário 2000, o contribuinte insiste na tese de venda de imóvel no valor de R$ 300.000,00, cujos recebimentos justificariam depósitos ocorridos entre as datas de 15/06/2000 e 24/11/2000. Ocorre que o contribuinte não apresentou nenhum documento, que demonstrasse a vinculação entre tais depósitos e a venda do imóvel a que se refere. O único documento apresentado, trata se de procuração, fls. 41, lavrada em 24/01/2001, onde o contribuinte outorga poderes para que Aurélio Joaquim Ferreira promova a venda de imóvel situado no Condomínio Golden Village Residence e uma casa situada na Rua João Pessoa. Importante dizer que a mencionada procuração somente foi firmada em 2001 e sequer são discriminados valores. Logo, não há como acolher a tese defendida pelo contribuinte, permanecendo não justificada a origem dos depósitos efetivados, no anocalendário 2000, nas contas Bradesco – Agência 19780 conta 2.7928 e Banespa – agência 0489 conta 0044662. Quanto à infração de ganho de capital a defesa afirma que não foram considerados os gastos na construção dos imóveis posteriormente alienados, de modo que majorouse indevidamente o ganho de capital. Afirma, ainda, que essas construções podem ser verificadas nas matrículas/escrituras. A despeito de constar ou não das matrículas/escrituras a averbação de construções das casas alienadas fato é que nas certidões dos imóveis sequer consta o valor que o contribuinte teria consumido com as respectivas construções. Aliás, sequer o contribuinte faz indicação dessas quantias, limitandose a afirmar no recurso que o custo da construção não foi observado pela autoridade fiscal, sendo certo que também em suas Declarações de Ajuste Anual não há referência a valores consumidos na construção de tais casas. E mais, ainda, que houvesse a indicação dos valores consumidos nos respectivos imóveis, há de se ressaltar que tais valores somente poderiam ser considerados como custo de aquisição, caso o contribuinte demonstrasse, mediante apresentação da competente documentação, o custo efetivo da construção, tudo com as devidas notas fiscais, contratos e demais documentos admitidos na legislação de regência. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos, os valores de R$ 405.705,75, R$ 408.265,26 e R$ 181.823,91, nos anos calendário 2000, 2001 e 2002, respectivamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 662DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001983/200542 Acórdão n.º 2102002.944 S2C1T2 Fl. 864 12 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10280.720716/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
NORMA ESPECIAL. NORMA GERAL. SUPERVENIÊNCIA. REVOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
A norma jurídica inserta no art. 3º, I, "b" e art. 2º, § 1º III a V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03 é norma especial em relação àquela insculpida no art. 17 da Lei nº 11.033/04, aplicando-se, ante à aparente antinomia, o critério da especialidade, segundo o qual a lei geral posterior não derroga a lei especial anterior (lex posterior generalis non derogat legi priori specialis).
CRÉDITOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
O advento do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não garantiu a manutenção de crédito para contribuintes sujeitos à incidência monofásica do PIS/Pasep e Cofins, criando direito novo, porquanto havia vedação expressa ao pretendido creditamento, tal como previsto no art. 3º, I, "b" e art. 2º, § 1º III a V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Jean Cleuter. Designado o Conselheiro Robson Bayerl para redigir o acórdão.
(assinatura digital)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinatura digital)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
(assinatura digital)
Robson José Bayerl Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 NORMA ESPECIAL. NORMA GERAL. SUPERVENIÊNCIA. REVOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A norma jurídica inserta no art. 3º, I, "b" e art. 2º, § 1º III a V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03 é norma especial em relação àquela insculpida no art. 17 da Lei nº 11.033/04, aplicandose, ante à aparente antinomia, o critério da especialidade, segundo o qual a lei geral posterior não derroga a lei especial anterior (“lex posterior generalis non derogat legi priori specialis”). CRÉDITOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O advento do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não garantiu a manutenção de crédito para contribuintes sujeitos à incidência monofásica do PIS/Pasep e Cofins, criando direito novo, porquanto havia vedação expressa ao pretendido creditamento, tal como previsto no art. 3º, I, "b" e art. 2º, § 1º III a V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Jean Cleuter. Designado o Conselheiro Robson Bayerl para redigir o acórdão. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 16 /2 01 1- 42Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. (assinatura digital) Robson José Bayerl – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte ATLAS VEÍCULOS LTDA. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Na espécie, a contribuinte teve contra si lavrado auto de infração referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o PIS/PASEP, do anocalendário de 2007. Emerge do relatório fiscal (fls. 16/17) que a planilha denominada “Relação das Compras sujeitas à Incidência Monofásica da Cofins e do PIS”, constante do processo, relaciona as notas fiscais de compras de mercadorias para revenda que, por sua natureza, não dão direito ao crédito pleiteado. Transcrevo, por oportuno, excerto de auto de infração (fls. 20), in verbis: Valor apurado conforme Demonstrativo anexo, onde foram verificadas quantias declaradas nas DACON´s, a maior, em bens para revenda e bens utilizados como insumos em decorrência da inclusão de insumos sujeitos a tributação monofásica. Tais valores foram glosados por falta de amparo legal. Conseqüentemente, lançamos as diferenças entre as contribuições mensais da COFINS devidas (apuradas pela fiscalização) e as declaradas pela fiscalizada. A contribuinte foi cientificada da constituição do crédito tributário em 31.03.2011, conforme ciência de fls. 34 e, no intuito de reverter referido lançamento, apresentou a Impugnação de fls. 37/52. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), ao analisar os argumentos da contribuinte, julgou improcedente a impugnação apresentada. O acórdão restou lavrado com a seguinte ementa: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.720716/201142 Acórdão n.º 3401002.528 S3C4T1 Fl. 9 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA.VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA.VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 não tem o alcance de manter créditos, cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Intimada da decisão da instância a quo, em 26.06.2012, conforme faz prova o termo de ciência de fls. 81, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 83/102. Em seu recurso, preliminarmente, a contribuinte sustenta que o auto de infração é nulo porque não há qualquer fundamentação ou motivo legal para a prática do ato administrativo que findou por glosar os créditos decorrentes da aquisição de bens sujeitos à alíquota zero. Defende, ainda, que a ausência de fundamentação e a irregularidade na forma do auto de infração deram causa a grave cerceamento a seu direito de defesa, o que macula de ilegalidade o auto de infração. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 No mérito, a contribuinte aponta que, com o advento das Leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003, a Contribuição para o PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins passaram a ter apuração por parte das empresas através da sistemática da nãocumulatividade. Após isso, a Lei nº. 10.865/2004 alterou para 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre a receita auferida pelos comerciantes atacadistas e/ou varejistas de maquinas e veículos classificados sob alguns códigos na TIPI, pelo fato de tais produtos estarem sujeitos à tributação “monofásica”. Enfatiza a contribuinte que, diante da clareza do art. 17, da Lei nº 11.033/04, não há como negar aos atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, determinadas máquinas e veículos, autopeças, pneus e câmaras de ar etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos. Aponta que o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 não criou novos créditos, como quer entender a autoridade fiscal, mas apenas permitiu a manutenção dos créditos já existentes. Conclui que qualquer limitação à manutenção dos créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime "monofásico", estando o contribuinte vinculado à sistemática da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Ao final, requer seja seu recurso voluntário provido para que seja declarado ao recorrente o direito à manutenção dos créditos de PIS e CONFINS decorrentes dos produtos adquiridos na revenda, com base no art. 17, da Lei 11.033/2004. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgado do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA Sabese que o regime monofásico do PIS e da COFINS perfaz um mecanismo de tributação com semelhança ao instituto da substituição tributária "para frente", vez que confere a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições devidas em toda cadeia, objetivando maximizar e tornar mais prática a arrecadação de tributos. Nesse passo, fato é que após o início da vigência da Lei nº. 10.147/00 clique aqui (alterações da Lei nº. 10.685/2004), restou instituído o regime monofásico das aludidas Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.720716/201142 Acórdão n.º 3401002.528 S3C4T1 Fl. 10 5 contribuições, a partir do qual os importadores e industriais de certos produtos tornaramse responsáveis pelo recolhimento do PIS e da COFINS incidentes sobre toda a cadeia de produção e consumo, através da aplicação de uma alíquota de maior percentual global e, em contrapartida, reduzindo a zero a alíquota do PIS e da COFINS para revendedores, atacadistas e varejistas nas operações subsequentes. Nesse sentido, as revendedora de veículos, por exemplo, quando revendem estes com tributação monofásica, não se sujeitam ao recolhimento do PIS e da COFINS. Apesar disso, estas estão obrigadas ao recolhimento das referidas contribuições incidentes sobre o valor do faturamento percebido em decorrência da aferição de receitas diversas não tributadas no modelo monofásico, com aplicação de alíquotas, no sistema nãocumulativo, no patamar de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS). Fixada esta premissa, devese ressaltar que as Leis nº. 10.637/2002 (PIS Não Cumulativo) e 10.833/2003 (COFINS NãoCumulativa) vedam expressamente a manutenção e o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de mercadorias revendidas sem a incidência do PIS e da COFINS, em virtude de sua tributação sob alíquota zero. Ocorre que, especificamente em 10 de agosto de 2004, entrou em vigor a Medida Provisória nº. 206/2004, posteriormente convertida na Lei Federal nº. 11.033/2004, cujo texto do artigo 17 (antigo artigo 16 da MP em questão) confere expressamente aos contribuintes que vendem produtos submetidos à alíquota zero de PIS/COFINS o direito de manutenção dos créditos relativos à aquisição destes produtos. Confirase a letra do dispositivo legal precitado: "as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". Muito embora a clareza da letra do aludido dispositivo, fato é que o entendimento predominante adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciado inclusive em respostas a variadas consultas realizadas pelos contribuintes (390/2007, 94/2007 e 351/2007), é no sentido de negar a manutenção de créditos do PIS e da COFINS a empresas atacadistas e revendedoras que adquirem e comercializam produtos submetidos à incidência monofásica das contribuições em referência. Todavia, inferese que o posicionamento adotado pela Fiscalização é manifestamente ilegal, passível de questionamento por todos os contribuintes que auferem receitas com a venda dos produtos submetidos ao regime monofásico, isto porque a partir da vigência do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não há como negar aos contribuintes atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos, vez que o referido comando normativo revogou tacitamente o quanto disposto pelo art. 3º, I, "b" e pelo art. 3°, § 2°, II, das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/03 (COFINS) que negavam o aludido direito de crédito. Realmente, é patente a revogação (tácita) dos aludidos dispositivos pelo art. 17 da Lei n. 11.033/2004, posto que a Lei de Introdução ao Código Civil (art. 2°, § 1°) estabelece que a "a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior". Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Vale frisar que a presente discussão, apesar de bastante recente, já encontra posicionamentos favoráveis exarados pelos Tribunais Regionais Federais, proferindo julgados declarando, expressamente, a aplicabilidade do artigo 17 da Lei 11.033/04 na situação, assegurando o direito ao crédito de PIS e COFINS na aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica das contribuições. Diante do acima exposto, em virtude do texto conferido ao art. 17 de Lei Federal nº. 11.033/2004, que regula inteiramente a possibilidade de manutenção dos créditos vinculados às operações realizadas sob incidência de alíquota zero em decorrência da aquisição e revenda de produtos monofásicos e, em consequência, revoga tacitamente os artigos que vedavam o aproveitamento dos referidos créditos, a contribuinte faz jus ao reconhecimento pelo direito ao aproveitamento dos créditos em questão. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito darlhe provimento. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com as vênias de praxe, divirjo do posicionamento estampado no voto proferido pelo eminente Conselheiro Relator, no que tange ao direito de crédito pela aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica. Como bem apontado pela decisão recorrida, aos comerciantes varejistas e atacadistas de bens sujeitos ao regime monofásico de incidência do PIS/Pasep e Cofins a que se refere a Lei nº 10.485/02, como no caso vertente, é vedada a apropriação de créditos pela aquisição de veículos, autopeças, pneus novos de borracha e câmaras de ar de borracha, nos termos dos arts. 3º, I, b das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 c/c art. 2º, § 1º, III a V dos mesmos diplomas. Logicamente, quando o art. 17 da Lei nº 11.033/04 utiliza a expressão “(...) manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” – destacado –, está a se referir aos créditos admitidos pela lei, o que, definitivamente, não é o caso dos produtos antes relacionados, para os quais há, isto sim, impedimento de creditamento. Não é possível falar em manutenção de crédito inexistente, crédito não admitido pela lei, de modo que, em uma interpretação sistemática da legislação de regência, diversamente do que defende a recorrente e o voto vencido, não há qualquer garantia de crédito pela aquisição de produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Por oportuno, vale registrar que o advento da Lei nº 10.865/04 em nada afeta a situação jurídica sub examine, haja vista que a vedação aludida no voto condutor permanece Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.720716/201142 Acórdão n.º 3401002.528 S3C4T1 Fl. 11 7 nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, valendo a reprodução dos dispositivos legais envolvidos, nas partes que interessam ao presente julgado. Primeiramente o art. 3º, I, b: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)” (destacado) Na seqüência, o art. 2º, § 1º, III a V, que alberga os bens comercializados pela recorrente: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) V no caput do art. 5o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) (...)” (destacado) De outra banda, a aparente antinomia entre a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, que veicula norma geral, em contraponto aos arts. 2º, § 1º, III a V e 3º, I, b das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que estatuem normas específicas, se soluciona pela adoção do critério da especialidade, consoante o qual a lei especial prevalece sobre a norma geral, consubstanciada no brocardo jurídico “lex posterior generalis non derogat legi priori specialis”. Portanto, a decisão ora reclamada não merece qualquer reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10980.007870/2003-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
DCTF. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AUDITORIA INTERNA. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS POR MEIO DO REFIS.
O Auto de Infração de DCTF decorrente de auditoria interna deve ser cancelado quando comprovado que os débitos lançados foram, regularmente, incluídos no REFIS, antes do procedimento de ofício, com efeito de confissão irrevogável e irretratável de dívida.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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LANÇAMENTO DECORRENTE DE AUDITORIA INTERNA. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS POR MEIO DO REFIS. O Auto de Infração de DCTF decorrente de auditoria interna deve ser cancelado quando comprovado que os débitos lançados foram, regularmente, incluídos no REFIS, antes do procedimento de ofício, com efeito de confissão irrevogável e irretratável de dívida. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 78 70 /2 00 3- 28 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.007870/200328 Acórdão n.º 3302002.595 S3C3T2 Fl. 57 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Terceira Turma da DRJ em Curitiba por exoneração integral do crédito tributário de Cofins, constituído mediante Auto de Infração decorrente de auditoria interna de DCTF, relativo aos períodos de janeiro de 1998 a junho de 1998. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Trata o presente processo do Auto de Infração nº 0006494 às fls. 19/23, decorrente de auditoria interna na DCTF do primeiro e segundo trimestre de 1998 em que, consoante descrição dos fatos, à fl. 20, e anexos de fls. 21/23 são exigidos, relativamente aos períodos de apuração de janeiro a junho de 1998, R$ 1.063.643,40 de COFINS, além da respectiva multa de ofício de 75% e encargos legais correspondentes. Às fl. 21/22, no “DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS”, constam valores informados nas DCTF, a título de “VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO”, cujos créditos vinculados, informados como “Exigibilidade Suspensa”, em face da existência do Processo Judicial nº 9600068623, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc Jud não comprovad”. Cientificada da exigência fiscal em 22/07/2003 (AR, fl. 34), a interessada, por intermédio da procuradora habilitada, (fl. 06) apresentou impugnação em 19/08/2003 (fls. 01/05), requerendo o cancelamento do presente lançamento, pelas razões, a seguir, sintetizadas. Em preliminar, alega que, quando da ciência do presente auto de infração, já havia decaído o direito de o fisco efetuar o lançamento dos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a junho de 1998. Quanto ao mérito, diz que os débitos em litígio estariam com a exigibilidade suspensa por estarem incluídos no REFIS, conforme Demonstrativo dos Débitos Consolidados em anexo, e não por força da Ação Ordinária nº 9600068623, consoante consta das DCTF, já que a referida ação foi julgada improcedente. Por fim, argumenta que a taxa Selic para fins tributários é inconstitucional e ilegal, apenas cabendo a aplicação de juros moratórios de 1%. Neste sentido, cita decisão do STF. É o relatório.” A Terceira Turma da DRJ em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0620.001, exonerando integralmente o crédito tributário constituído, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.007870/200328 Acórdão n.º 3302002.595 S3C3T2 Fl. 58 3 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 30/06/1988 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo STF, deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, quando não houver pagamento antecipado pelo obrigado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 DCTF. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AUDITORIA INTERNA. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS POR MEIO DO REFIS. Achandose comprovado nos autos que os débitos lançados haviam sido incluídos no REFIS antes do procedimento de ofício, com efeito de confissão irrevogável e irretratável de dívida, cumpre cancelálo. Lançamento Improcedente. O colegiado a quo recorreu de ofício de acordo com o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto A decisão de primeira instância rejeitou a preliminar de decadência e, no mérito, exonerou o credito tributário, em razão de a recorrente ter aderido ao REFIS, instituído pela Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000. O prazo de opção ao REFIS foi reaberto pela Lei nº 10.002, de 14 de setembro de 2000, tendo sido regulamentado pelos Decretos nº 3.431 e 3.712, ambos de 2000. O REFIS abrangeu os débitos vencidos até 29/02/2000, conforme artigos 1º da Lei nº 9.964, de 2000 e do Decreto nº 3.431, de 2000, contemplando os períodos lançados neste processo (janeiro a junho de 1998, fl. 14 da numeração digital). Por sua vez, o artigo 3º da referida lei dispôs que a opção ao REFIS implica confissão irretratável e irrevogável dos débitos informados. Após a edição da Lei nº 10.002, de 2000, o Decreto nº 3.712, de 2000, em seu artigo 2º, §1º, determinou que os débitos não constituídos pela pessoa jurídica deveriam ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 12/02/2001. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.007870/200328 Acórdão n.º 3302002.595 S3C3T2 Fl. 59 4 Da análise dos documentos acostados aos autos, constatase que o demonstrativo de débitos consolidados (fl. 39 da numeração digital) incluiu os valores e períodos lançados neste processo e que a transmissão da declaração de confissão ocorreu em 12/02/2001 (fl. 46 da numeração digital), em data anterior à ciência deste lançamento, efetuada em 22/07/2003 (fl. 36 da numeração digital). Destarte, configurada a confissão de dívida anteriormente ao início do procedimento de ofício, concluise pela improcedência deste Auto de Infração. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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