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Numero do processo: 10725.000938/2010-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSIÇÃO DO JULGAMENTO DO MÉRITO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE, POR SUA POSSIBILIDADE.
Em obediência ao § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não se declara a nulidade quando a decisão de mérito favorece o contribuinte, a quem aproveitaria a declaração de nulidade.
MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA INDEVIDA. DÉBITOS CORRESPONDENTES INSUBSISTENTES.
Débitos com exigibilidade não suspensa decorrentes exclusivamente de migração automática indevida a que deu causa a própria RFB, tendo o contribuinte manifestado opção pelo lucro presumido no período e pago os tributos por este regime de tributação, não se identificam com os débitos de que trata o art. inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006.
Numero da decisão: 1002-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSIÇÃO DO JULGAMENTO DO MÉRITO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE, POR SUA POSSIBILIDADE. Em obediência ao § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não se declara a nulidade quando a decisão de mérito favorece o contribuinte, a quem aproveitaria a declaração de nulidade. MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA INDEVIDA. DÉBITOS CORRESPONDENTES INSUBSISTENTES. Débitos com exigibilidade não suspensa decorrentes exclusivamente de migração automática indevida a que deu causa a própria RFB, tendo o contribuinte manifestado opção pelo lucro presumido no período e pago os tributos por este regime de tributação, não se identificam com os débitos de que trata o art. inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006.
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Recorrente M M P F LANDIM SERVIÇOS DE LIMPEZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSIÇÃO DO JULGAMENTO DO MÉRITO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE, POR SUA POSSIBILIDADE. Em obediência ao § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não se declara a nulidade quando a decisão de mérito favorece o contribuinte, a quem aproveitaria a declaração de nulidade. MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA INDEVIDA. DÉBITOS CORRESPONDENTES INSUBSISTENTES. Débitos com exigibilidade não suspensa decorrentes exclusivamente de migração automática indevida a que deu causa a própria RFB, tendo o contribuinte manifestado opção pelo lucro presumido no período e pago os tributos por este regime de tributação, não se identificam com os débitos de que trata o art. inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 09 38 /2 01 0- 98 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10725.000938/201098 Acórdão n.º 1002000.252 S1C0T2 Fl. 98 2 Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1) mediante o Acórdão n.º 1234.681, de 09/12/2010 (efls. 80 a 83), objetivando a pronúncia de nulidade ou a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Através do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/CGZ n° 431176/2010 (fl. 19), o interessado foi excluído do Simples, “em virtude de possuir os débitos deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa, relacionados abaixo, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3°, combinada com o inciso I do art. 5°, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23'de julho de 2007”, produzindo efeitos a partir de 01/01/2011. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/12. Na referida peça alega, em síntese, que: durante todo o ano de 2007 apurou e recolheu IRPJ e CSLL pelo lucro presumido, enquanto as contribuições para o PIS e a Cofins foram recolhidas pelo regime comum; quando resolveu optar pelo Simples Nacional, descobriu que tal opção já havia ocorrido desde 01/07/2007, migração automática (de forma equivocada); como só conseguiu transmitir a DIPJ/2008 com informações do 1° semestre, se viu obrigada a transmitir DASN em relação ao segundo semestre; os créditos tributários do Simples do segundo semestre de 2007 são improcedentes e merecem ser desconstituídos. É o relatório. Apesar de ausente nos autos o comprovante de ciência, conforme documento de efl. 83 a ciência da decisão de primeira instância só pode ter ocorrido no dia 17/12/2010 ou em momento posterior, o que demonstra tempestivo o recurso voluntário apresentado em 27/12/2010 (efls. 85 a 94). Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10725.000938/201098 Acórdão n.º 1002000.252 S1C0T2 Fl. 99 3 No recurso voluntário o recorrente reforça o argumento principal contido na impugnação, que em síntese pugna pela desconsideração da exclusão do SIMPLES, assinalando que: a) Em preliminar, deve ser anulada a decisão de 1.ª instância, pois o acórdão recorrido não examinou os argumentos da manifestação de inconformidade por entender que implicaria manifestarse acerca de desconstituição de crédito tributário, para o que considerou se incompetente, e isso configurou lesão à ampla defesa. b) No mérito, são insubsistentes os débitos cadastrados sob o regime simplificado de tributação (SIMPLES NACIONAL), pois decorreram de erro da própria RFB, uma vez que o recorrente havia optado pelo regime de tributação pelo lucro presumido no período. c) Sua DIPJ informa opção pelo lucro presumido no início de 2007 e seus DARFs foram recolhidos com os códigos próprios do lucro presumido. d) Fez alteração cadastral informando a exclusão do SIMPLES para o ano 2007, nos termos do art 13, I e § 1.º, da Lei n.º 9.317/96. e) Não optou pelo SIMPLES para 2007 nem estava enquadrado em hipótese de migração tácita. f) Não pode haver débitos por falta de recolhimento no SIMPLES, pois recolheu conforme optou, pelo lucro presumido. É o Relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Consideradas as alegações e os argumentos contidos no corpo do recurso, seguem as considerações a respeito. Preliminar de nulidade. Argumenta o contribuinte recorrente que a falta de apreciação da circunstância adstrita à inconsistência dos débitos relacionados ao regime simplificado SIMPLES NACIONAL, pela Turma Julgadora de piso, afrontou o princípio da ampla defesa. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10725.000938/201098 Acórdão n.º 1002000.252 S1C0T2 Fl. 100 4 Quanto a esta pretensão de nulidade da decisão da DRJ, impõese verificar que, a respeito do tema a decisão recorrida manifestouse por sua incompetência para apreciar pedido de desconstituição de crédito tributário informado em DASN, e relatou que isso foi motivo de discussão em outro processo, já arquivado. Com base em todos os elementos contidos nos autos, importa admitir prejuízo para a defesa do recorrente advindo dessa posição da DRJ, pois ao não julgar a procedência dos débitos o órgão julgador de 1.ª instância suprimiu qualquer eventual contestação do recorrente em sede de recurso voluntário com foco nos fundamentos ligados à subsistência ou não dos débitos que ocasionaram diretamente a exclusão do SIMPLES. Dessa maneira, é preciso reconhecer ter havido prejuízo para uma previsível contraargumentação, em sede de recurso voluntário, acerca das razões que deveriam constar da decisão recorrida. No entanto, observando o que dispõe o § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, transcrito abaixo, será julgado o mérito e não declarada a nulidade da decisão de piso. Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Mérito. De início digase que não foi encontrada nos autos a alteração cadastral que o recorrente diz ter providenciado informando a sua exclusão do SIMPLES para o ano 2007. Entretanto, esse é um aspecto que se mostrará dispensável para o desembaraço da matéria discutida, diante dos fatos e fundamentos adiante demonstrados. Entende este relator que o exame da estabilidade dos débitos que fundamentaram o enquadramento na exclusão de que trata o art. 17, V, da Lei Complementar n.º 123 de 2006 é indispensável, dada a relação de dependência entre o ADE DRF/CGZ n.º 431136, de 01/09/2010 e a procedência dos referidos débitos, que deve ser reconhecida se, e somente se, for confirmado o regular enquadramento do contribuinte recorrente no SIMPLES NACIONAL durante o anobase 2007. O motivo da exclusão apontado no citado ADE foi exatamente a existência destes débitos, com exigibilidade não suspensa. Na forma dos artigos 2,º e 50 da Lei n.º 9.784/99, reproduzidos a seguir, a motivação do ato administrativo é pressuposto de validade do ato. (...) Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10725.000938/201098 Acórdão n.º 1002000.252 S1C0T2 Fl. 101 5 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) (grifei). Isso posto, e como se revela o ponto essencial para a decisão consideraremse ou não legítimos os débitos ligados ao regime SIMPLES NACIONAL que motivaram a exclusão contestada, resta antes identificar se a migração automática a que foi submetido o recorrente de fato ocorreu na forma da lei, pois, se indevida a migração, assim se caracterizam também os débitos decorrentes regidos pela sistemática do SIMPLES NACIONAL. Assim determina o RIR/99 sobre a opção pelo lucro presumido: (...) Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). (...) § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). (...) (grifei). Essa opção pelo lucro presumido a que se refere o art. 516 e §§ do RIR/99 foi confirmada nos autos com os DARFs pagos sob este regime, efls. 37 a 55. Logo, não se pode atribuir ao caso concreto a incidência do art. 16 e seu § 4.º, da Lei Complementar n.º 123/2006, textos abaixo: (...) Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10725.000938/201098 Acórdão n.º 1002000.252 S1C0T2 Fl. 102 6 § 4o Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1o de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (...) (grifei). No cenário sob análise, fica confirmado que o recorrente não se revestiu da condição de "regularmente optante", que seria capaz de justificar sua obrigatoriedade de pagar os tributos pelo SIMPLES NACIONAL no segundo semestre de 2007. Por isso não devem ser mantidos os efeitos da exclusão do simples a partir de 01/01/2011, como determina o ADE n.º DRF/CGZ n.° 431176/2010. Conclusão Os vários elementos disponíveis no processo para a formação de convicção apontam para que se conclua que não houve amparo legal para a migração automática que ocorreu, e, consequentemente, a formação dos débitos por conta de terem os tributos sido recolhidos segundo o regime de tributação pelo lucro presumido e não pelo SIMPLES NACIONAL originouse da desacertada associação da declaração da DASN apresentada com a migração indevida. Registrese que é bem razoável a justificativa trazida pelo recorrente de que o programa gerador de declarações afeto ao período impediu que fossem informados os débitos pelo lucro presumido, provavelmente por cruzar as informações preenchidas pelo declarante com a inexata mantida nos sistemas internos da RFB de que havia opção para o SIMPLES NACIONAL no período. Por tudo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso quanto ao mérito, reconhecendo a opção do recorrente pelo lucro presumido válida para todo o ano calendário 2007, e cancelando o ADE que implementou a exclusão, descabendo a declaração de nulidade da decisão de 1.ª instância administrativa na forma do que dispõe o § 3.º do art. 59 do Dec. n.º 70.235/72. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914199/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 99 /2 01 2- 64 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.914199/201264 Acórdão n.º 3201003.890 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.824, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.914199/201264 Acórdão n.º 3201003.890 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.914199/201264 Acórdão n.º 3201003.890 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.914199/201264 Acórdão n.º 3201003.890 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000470/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.118
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 70 /2 00 9- 41 Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.214, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10925.000470/200941 Acórdão n.º 9303007.118 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720654/2015-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
LANÇAMENTO DE IPI. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS CONFESSADOS. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. EXECUÇÃO FISCAL.
A existência de débitos confessados em DCTF ou em DIRPJ, inscritos em Divida Ativa da União, pressupondo liquidez e certeza para fins de execução fiscal, não desautoriza a lavratura de auto de infração para formalização da exigência de crédito tributário. Para não caracterizar bis in idem os valores pagos devem ser considerados e alocados na liquidação do lançamento.
Verificado que não houve lançamento anterior ou constituição formal dos créditos tributários, a diferença de IPI não declarado corretamente pela contribuinte e não recolhida espontaneamente na data de vencimento do tributo, configura infração tributária, que deve ser formalizada, em conjunto com a multa de ofício e juros de mora, nos moldes da legislação aplicável.
Numero da decisão: 3201-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS CONFESSADOS. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. EXECUÇÃO FISCAL. A existência de débitos confessados em DCTF ou em DIRPJ, inscritos em Divida Ativa da União, pressupondo liquidez e certeza para fins de execução fiscal, não desautoriza a lavratura de auto de infração para formalização da exigência de crédito tributário. Para não caracterizar bis in idem os valores pagos devem ser considerados e alocados na liquidação do lançamento. Verificado que não houve lançamento anterior ou constituição formal dos créditos tributários, a diferença de IPI não declarado corretamente pela contribuinte e não recolhida espontaneamente na data de vencimento do tributo, configura infração tributária, que deve ser formalizada, em conjunto com a multa de ofício e juros de mora, nos moldes da legislação aplicável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 06 54 /2 01 5- 70 Fl. 1925DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1890 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/SP de fls 1869, restando procedente em parte a Impugnação de fls. 1269 apresentada em oposição ao Auto de Infração de IPI de fls. 2 e Relatório Fiscal de fls. 12, lavrados em razão de IPI falta de declaração. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância, in verbis: "Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/11, para exigir R$ 2.525.618,64 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 694.607,78 de juros de mora calculados até 31/03/2015, e R$ 3.788.428,02 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 7.008.654,44, em virtude de diferenças apuradas entre o valor escriturado, conforme Livro de Apuração do IPI, e o declarado/pago, no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. De acordo com o Relatório da Atividade Fiscal de fls. 12/18, sobre o tributo apurado foi aplicada a multa qualificada de 150% por ter a fiscalizada agido dolosamente com a intenção de não recolher seus tributos. No presente caso, a empresa fiscalizada realizou a apuração dos tributos que devia, chegou a apresentar as respectivas DCTFs ao fisco, almejou extinguir seus créditos tributários mediante compensação e após não obter sucesso promoveu a retificação de todas as DCTFs que passaram a não conter quaisquer créditos tributários. Este comportamento não pode ser explicado por um mero erro por parte da contabilidade. Estas condutas demonstram que a empresa fiscalizada agiu dolosamente com a intenção de não recolher seus tributos. Em decorrência das infrações constatadas e seguindo os ditames do artigo 135, III do Código Tributário Nacional, atribuise a responsabilidade solidária ao sócioadministrador durante os anos fiscalizados, Sr. Edi Guzella CPF nº 182.423.32991, que, de acordo com o contrato social detinha poderes para administrar a sociedade e acabou por se enquadrar no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Concomitantemente, foi formalizada a representação fiscal para fins penais constante do processo n.º 10925.720656/201569. Cientificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 1269/1295, instruída dos documentos de fls. 1296/1791, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: 1. Da Confissão da Dívida Extrajudicial e Judicial – Improcedência do Lançamento de Ofício: Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10925.720654/201570 Acórdão n.º 3201003.730 S3C2T1 Fl. 1.926 3 No caso presente, seria desnecessário constituir o crédito tributário, eis que os débitos objeto da autuação já haviam sido constituídos através de DCTF. De igual modo, os valores autuados foram objeto de inscrição em dívida ativa da União, conforme os processos administrativos 10925.721604/201267, 10925.721605/2012 e 10925.503234/201440, inclusive há ações de execução fiscal, sob o nº 500161447.2013.404.7211 e 500257806.2014.404.7211, junto a Justiça Federal de Caçador. 2. Da Desconsideração do Dia Início do Procedimento Fiscal para Fins de Invalidar a Declaração de Débito por Meio da DCTF: A autoridade fiscal desconsiderou os dados contidos na DCTF retificadora, sob a justificativa de que a requerente transmitiua no mesmo dia do início do procedimento fiscal, mas em horário posterior ao da ciência, qual seja, no dia 09/08/2013 às 11:58 min, enquanto que a requerente tomou ciência do termo de início de fiscalização às 9:53 min. No entanto, tendo ocorrido a cientificação oficial (intimação) no dia 09/08/2013, começa a contagem do prazo excluindose o dia da cientificação (09/08/2013), assim temse que o termo inicial da contagem do prazo se dá no dia 12/08/2013 (segunda feira), portanto, no dia 09/08/2013 era possível transmitir DCTF retificadora. 3. Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada: Quanto a compensação com créditos de terceiros considerada não declarada, não pode prosperar a aplicação de multa qualificada. Quanto muito, nos termos da legislação vigente, seria o caso de aplicação da multa isolada. De igual modo não pode ser aplicada a multa qualificada para a hipótese de transmissão de DCTF sem valor. Já em relação a transmissão de DCTF com débitos no dia da ciência do termo de início de procedimento fiscal, não há vedação de transmissão da mesma ou aplicação de penalidade para este procedimento. Assim, caso mantida a exigência do auto de infração em alguma das infrações apontadas, o que não se aceita nem para argumentar, deve ser afastada a existência de simulação, o evidente intuito de fraudar o fisco e, por conseguinte, determinar a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, sem qualificação. 4. Do Requerimento final: Por fim, requer sejam julgados improcedentes os lançamentos fiscais levados a efeito, bem como protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito permitidos e a juntada de novos documentos, se necessário. O sujeito passivo solidário foi cientificado do Auto de Infração em 07/04/2015, fls. 1260/1262, e não apresentou manifestação. Em 13 de abril de 2016, esta Turma de Julgamento proferiu a Resolução nº 14003.619, de fls. 1800/1802, baixando o processo em diligência fiscal para que o órgão de origem verificasse as alegações da contribuinte, ou seja, de que os créditos tributários Fl. 1927DF CARF MF 4 lançados encontramse em cobrança nos processos administrativos 10925.721604/201267, 10925.721605/2012 e 10925.503234/201440, verificandose inclusive o encaminhamento e data de inscrição em dívida ativa da União. A autoridade fiscal realizou a diligência requerida e elaborou a Informação nº 268/2016SACAT/DRF/JOA/SC de fls. 1854/1857, concluindo o seguinte: 1. Os processos administrativos nº 10925.721604/201267 e nº 10925.721605/201210 controlam, além de outros, os créditos tributários de IPI dos períodos de apuração 01/2011 a 12/2011 e 01/2012 a 04/2012, respectivamente. 2. O crédito tributário do processo administrativo nº 10925.721604/2012 67 foi inscrito em Dívida Ativa da União no dia 10/01/2013, ao passo que o relativo ao processo administrativo nº 10925.721605/201210 passou para a mesma situação no dia 19/02/2013. 3. No que tange ao débito do período de apuração 03/2012, o valor lançado de ofício corresponde a R$ 159.942,05 (cento e cinquenta e nove mil, novecentos e quarenta e dois reais e cinco centavos), enquanto o valor declarado pela contribuinte e controlado no processo administrativo nº 10925.721605/201210 totaliza apenas R$ 76.812,17 (setenta e seis mil, oitocentos e doze reais e dezessete centavos). Expõe que no caso da autoridade julgadora entender desnecessário o lançamento de ofício, ainda assim é devida a manutenção da quantia de R$ 83.129,88 (oitenta e três mil, cento e vinte e nove reais e oitenta e oito centavos) para o período de apuração 03/2012. 4. O processo administrativo nº 10925.503234/201440 controla os créditos tributários de IPI dos períodos de apuração 05/2012 a 12/2012, com inscrição em Dívida Ativa da União em 07/03/2014. Considera neste caso a manutenção do lançamento de ofício, com o consequente cancelamento da inscrição em DAU, seja porque vinculada a débito declarado após o início do procedimento de ofício, seja porque o valor é inconsistente com o fato gerador do período de apuração 05/2012. Regularmente cientificada da Informação, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 1862/1863, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: 1. A autoridade fiscal, reconhece que os débitos objeto de lançamento fiscal de ofício, já tinham sido consumidos por meio de DCTF e inscritos em dívida ativa e que os débitos referidos são aqueles constantes nos processos administrativos 10925.721604/201267,10925.721605/201210 e 10925.503234/201440. Inclusive foram objeto de ação de execução fiscal, processo nº 500161447.2013.404.7211 e nº 5002578 06.2014.404.7211. 2. Considerando que o crédito tributário constituído de ofício, já tinha sido constituído através de DCTF; que o mesmo já estava inscrito em dívida ativa; que o mesmo já estava em execução fiscal; que o mesmo estava suspenso pelo parcelamento, não há Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10925.720654/201570 Acórdão n.º 3201003.730 S3C2T1 Fl. 1.927 5 outra alternativa a não ser decretar a invalidade do lançamento fiscal de ofício. É o relatório." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ATOS PRATICADOS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE (ART. 138 DO CTN). O inicio do procedimento de oficio, materializado com a entrega do Termo de Inicio de Fiscalização, tem o condão de suprimir a espontaneidade do contribuinte, inclusive quanto à apresentação de declarações, pagamentos de tributos e retificações, que não ilidem o lançamento de ofício. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. Como resultado à fiscalização do sujeito passivo para o correto cumprimento das obrigações tributárias, é legítimo o lançamento do IPI que apontou divergências tributáveis no confronto entre os valores escriturados no livro Registro de Apuração do IPI e aqueles declarados em DCTF. LANÇAMENTO DE IPI. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. Comprovado que o valor lançado encontravase inscrito em Divida Ativa da União, antes do lançamento, concluise pela exoneração do crédito tributário em referência. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cancelase a exação para o período em questão. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Em seguida os autos foram distribuídos e pautados em acordo com as normas previstas no Regimento Interno deste Conselho. Fl. 1929DF CARF MF 6 Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A existência de débitos confessados em DCTF ou em DIRPJ, inscritos em Divida Ativa da União, pressupondo liquidez e certeza para fins de execução fiscal, não desautoriza a lavratura de auto de infração para formalização da exigência de Crédito tributário não formalizado e não recolhido. O contribuinte alegou em Recurso Voluntário e comprovou nos autos que todos os débitos cobrados neste lançamento de ofício estão inscritos em dívida ativa e em execução. Conforme conclusão da decisão de primeira instância de fls. 1869, restou mantido somente o valor correspondente à obrigação principal de R$ 994.227,00, conforme transcrito a seguir: "Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, reduzindose o imposto lançado de R$ 2.525.618,64 para R$ 994.227,00, e a multa de ofício de R$ 3.788.428,02 para R$ 1.491.340,53, conforme tabela abaixo, mais os juros de mora regulamentares." Ora, verificase nas fls. 1481, 1852 e 1652, que este é exatamente um dos valores inscritos em dívida ativa e em execução, conforme trecho transcrito em print screen a seguir: Dessa forma, é importante que o lançamento formalize o não recolhimento, com o único cuidado de não caracterizar bis in idem, visto que a autoridade, na liquidação deste lançamento, deve verificar se o principal e as multas foram recolhidos ou não e alocar e considerar tais valores. Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10925.720654/201570 Acórdão n.º 3201003.730 S3C2T1 Fl. 1.928 7 Dessa forma, verificado que não houve lançamento anterior ou constituição formal dos créditos tributários, a diferença de IPI não declarado corretamente pela contribuinte e não recolhida espontaneamente na data de vencimento do tributo, configura infração tributária, que deve ser formalizada, em conjunto com a multa de ofício e juros de mora, nos moldes da legislação aplicável. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.013714/2008-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DA SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE TODOS OS DÉBITOS
É obrigação do contribuinte apresentar todos os documentos que comprovem a suspensão da exigibilidade de todos os débitos que motivaram a exclusão do Simples Nacional, através de certidões narrativas dos processo, bem como outros documentos relevantes para comprovação da suspensão.
Numero da decisão: 1003-000.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Sérgio Abelson.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DA SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE TODOS OS DÉBITOS É obrigação do contribuinte apresentar todos os documentos que comprovem a suspensão da exigibilidade de todos os débitos que motivaram a exclusão do Simples Nacional, através de certidões narrativas dos processo, bem como outros documentos relevantes para comprovação da suspensão.
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EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DA SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE TODOS OS DÉBITOS É obrigação do contribuinte apresentar todos os documentos que comprovem a suspensão da exigibilidade de todos os débitos que motivaram a exclusão do Simples Nacional, através de certidões narrativas dos processo, bem como outros documentos relevantes para comprovação da suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Sérgio Abelson. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 37 14 /2 00 8- 31 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10120.013714/200831 Acórdão n.º 1003000.065 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0335.730, de 25 de fevereiro de 2010, da 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. A Recorrente apresentou contestação à exclusão do Simples Nacional perante a Receita Federal do Brasil, requerendo o cancelamento da exclusão, visto que os débitos com a PGFN de nº 115930004838 e com o INSS de nºs 319714144, 31971415; e 318489490 estariam aguardando julgamento. O acórdão ora recorrido, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, fundamentando que os débitos em discussão nos autos não estavam com a exigibilidade suspensa. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual declara que os débitos estavam suspensos em razão de discussões judiciais, nas quais a exigibilidade dos débitos estaria suspensa É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Insurgese a Recorrente contra acórdão de primeira instância administrativa que manteve a exclusão da mesma do Simples Nacional em razão de débitos com exigibilidade não suspensa. A Recorrente, nas sua razões de recurso, afirma que os débitos estão com exigibilidade suspensa em razão de discussão em fase de execução fiscal. O Ato Declaratório Executivo (ADE) de nº 033356, de 22 de agosto de 2008, determinou a exclusão da Recorrente do Simples Nacional e apontou os seguintes débitos como razões para a exclusão: Inscrição de nº 1159300048388 (PGFN) e processos n º 319714144; 319714152 e 318489490 (Contribuição Previdenciária). A Recorrente juntou aos presentes autos certidões positivas com efeito de negativas às fls. 11 e 12. No recurso voluntário, a Recorrente destaca que os processos de nºs º 319714144; 319714152 e 318489490 são objetos de execução fiscal em trâmite no judiciário, conforme faz provas as certidões de fls. 47 a 52. De fato, na certidão de fls. 47, informa que se trata de processo de Embargos à execução, o qual foi julgado procedente para o fim de indeferir a execução fiscal, que Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10120.013714/200831 Acórdão n.º 1003000.065 S1C0T3 Fl. 4 3 encontrase pendente de julgamento de apelação (TRF 1ª Região) sob o nº 2000.01.00.069909 0. Informando ainda que o objeto da execução fiscal é a CDA nº 318489490, por fim juntou como parte integrante da certidão o Auto de Penhora e Depósito Particular (fls. 48). Na certidão de fls. 49 a servidora certificou que o processo se trata de embargos à execução nº 40/97, autuados no TRF 1ª Região sob o nº 2000.01.99.0994813, o juiz de primeiro grau julgou procedentes os embargos para desconstituir o título executivo, indeferindo, pois, a execução fiscal. Certificou ainda que a CDA objeto da execução fiscal é a de nº 31.971.4144, juntando auto de penhora como parte integrante da certidão (fls. 50). A Recorrente ainda junta uma terceira certidão, referente a embargos à execução fiscal, os quais foram cadastrados pelo nº 39/97, em trâmite na 8ª Turma do TRF 1ª Região, objetivando a desconstituição da CDA nº 31.971.4152. Certificou que o juiz de primeira instância julgou procedente os embargos para desconstituir o título executivo referido, indeferindo a execução fiscal, pendente de julgamento da apelação do INSS. Por fim, certificou que costa nos autos da execução fiscal de nº 1529/94 Termo de Penhora e Depósito Particular. Verificase, pela documentação acostada no recurso voluntário, que, de fato, os débitos apontados como motivadores para a exclusão do Simples Nacional relativos às contribuições previdenciárias estavam suspensos na data do Ato Declaratório Executivo. Segundo os Termos de penhora colacionados, todos os débitos objetos das execuções fiscais estavam garantidos através de termos de penhora, fato que suspende a execução fiscal. No caso vertente, os juízes competentes para o julgamento das execuções fiscais que tramitam em face da Recorrente receberam os embargos à execução interpostos, evidenciando que a penhora efetuada era suficiente para garantir a pretensão executória. Assim, uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não deve ser imposto ao contribuinte qualquer óbice seja à expedição de certidão positiva seja a se manter integrante no Simples Nacional. No tocante à inscrição relativa à PGFN de nº 1159300048388, não há nos autos prova conclusiva a cerca de sua suspensão. Embora o despacho da juíza do trabalho do TRT da 18ª Região (fls. 52) ateste o trânsito em julgado da decisão de fls. l28/129 que, em sede de embargos à execução, desconstituiu o título executivo que deu origem à Ação de Execução Fiscal de nº 021602005 00618006, não indicou a que título ela se referia, nem foi colacionado aos autos a decisão ed fls. 128/129. Ainda, às fls. 22 é possível verificar que a inscrição nº 1159300048388 estava com a situação "Ativa Ajuizada Garantia" no sistema da PFGN, porém não está com a exigibilidade suspensa. Em relação à IP 2195712008, a Recorrente colacionou aos autos comprovação de que efetuou o pagamento com códigos errados, e afirmou que tal equívoco foi corrigido, conforme comprovação às fls. 55 a 58. Pelos documentos acostados, a data de alteração no sistema ocorreu em 20/04/2010, porém as datas dos pagamentos apontam que esses foram realizados antes de emissão do ADE que excluiu a Recorrente do Simples Nacional. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10120.013714/200831 Acórdão n.º 1003000.065 S1C0T3 Fl. 5 4 Por esses documentos, concluise que a correção do erro no código do pagamento foi sanado e que os mesmos foram efetuados em datas anteriores ao ADE. Em razão de tudo que foi esclarecido e das provas constantes no processo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário em razão da ausência de comprovação da suspensão da inscrição relativa à PGFN de nº 1159300048388. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.906297/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 62 97 /2 01 1- 17 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 4 3 de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento de compensação. E que, partindo da premissa que o crédito utilizado para compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: "(a) recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 5 4 Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.553, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902599/2011 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.553): "[...] O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 7 6 decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 8 7 Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 9 8 alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8oda portariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 10 9 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 11 10 Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10983.906297/201117 Acórdão n.º 1401002.564 S1C4T1 Fl. 12 11 termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912255/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 55 /2 01 2- 26 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912255/201226 Acórdão n.º 3201003.783 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.628, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912255/201226 Acórdão n.º 3201003.783 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912255/201226 Acórdão n.º 3201003.783 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912255/201226 Acórdão n.º 3201003.783 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.001168/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 19/02/2009 a 23/07/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SISTEMA DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS.
Sujeita-se à aplicação de multa a pessoa jurídica que, regularmente intimada, deixar de apresentar informações sobre o sistema de processamento eletrônico, usado para os registros dos negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-005.586
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 19/02/2009 a 23/07/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SISTEMA DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS. Sujeita-se à aplicação de multa a pessoa jurídica que, regularmente intimada, deixar de apresentar informações sobre o sistema de processamento eletrônico, usado para os registros dos negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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SISTEMA DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS. Sujeitase à aplicação de multa a pessoa jurídica que, regularmente intimada, deixar de apresentar informações sobre o sistema de processamento eletrônico, usado para os registros dos negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 11 68 /2 00 9- 24 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13558.001168/200924 Acórdão n.º 2401005.586 S2C4T1 Fl. 135 2 (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 1525.291 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (fls. 99/105). O crédito tributário lançado nos autos referese à aplicação da multa de que trata os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. O ato administrativo foi motivado pelo fato de a empresa deixar de cumprir o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. Relata a auditoria fiscal que a infração ocorreu no período de 01/2004 a 12/2004 e foram solicitados documentos por meio de Termos de Fiscalização (fls. 28/30), no entanto, o recorrente deixou de apresentar os arquivos em meio digital. Inconformada com o lançamento (AI DEBCAD nº 37.177.3059), apresentou impugnação de fls. 42/70. O Acórdão nº 15.29.291 da 6ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador está assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/02/2009 a 23/07/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, deixar, a empresa, de apresentar os arquivos em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto em lei. AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO APRESENTAÇÃO Dos ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8. TERMO CONTAGEM DE INICIO PARA DO PRAZO. DATA DO PATO GERADOR. INOCORRÊNCIA, 1N CASU. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13558.001168/200924 Acórdão n.º 2401005.586 S2C4T1 Fl. 136 3 Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do STF, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. Tratandose de auto de infração pela não apresentação de arquivos em meio digital, o inicio da contagem do prazo decadencial ocorre no momento do fato gerador. No caso em apreço, tendo sido, o auto de infração, lavrado em 03/08/2009, c o fato gerador, ocorrido em 19/02/2009, a multa ali aplicada não foi atingida pelo instituto da decadência. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social, é lícita a utilização da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é' incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/01/2011, apresentou recurso voluntário de fls. 109/131. Em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: 1) Enfatiza que a presente peça recursal suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, bem assim sobre a extinção do arrolamento de bens como condição de exigibilidade para recorrer administrativamente; 2) Tece comentários sobre a função do CARF, entendendo que o colegiado deve se manifestar quanto à constitucionalidade das leis. Também questiona o fato de o lançamento fiscal ter sido lavrado fora do estabelecimento da empresa, o que contradiz o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; 3) Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, informa que a Administração Pública deve primeiro reconhecer a existência de um débito, para depois processar criminalmente o responsável pelo seu suposto não recolhimento, sendo que a impugnação administrativa ainda não foi julgada pelo órgão competente; 4) Questiona a aplicação dos juros fixados por meio da taxa Selic, citando mais uma vez jurisprudência do STJ e dispositivos normativos, concluindo que: A interpretação do § 1°, do artigo 161, do Código Tributária Nacional à luz do disposto no artigo 146 da Constituição Federal de 1988 é de que a estipulação de juro diverso daquele de um por cento ao mês, só pode ser instituída mediante Lei Complementar, porque está se tratando de Crédito Tributário, matéria que foi expressamente reservada à Lei Complementar pelo Sistema Tributário instituído pela Nova Constituição. [...] Mas não são apenas esses os vícios de que padece a instituição dos juros SELIC para gravar os débitos tributários. Mesmo abstraindose a necessidade de Lei Complementar para dispor sobre a matéria, ainda assim, teríamos que considerar a aplicação da Taxa SELIC aos débitos fiscais, inconstitucional e ilegal, senão vejamos: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13558.001168/200924 Acórdão n.º 2401005.586 S2C4T1 Fl. 137 4 [...] Assim, também por este aspecto, resta claro que a SELIC não pode ser admitida como índice remuneratório de tributos, visto a sua aplicação neste caso cria a teratológica figura de tributo rentável. Os títulos podem gerar renda; os tributos, "per se", nunca, até por total falta de previsão legal e doutrinária, inclusive. 6) Ao final, requer: Sejam acolhidas as preliminares: a) o recebimento do presente Recurso Voluntário, sem o depósito de 30% em face da inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal previsto no decreto lei n° 70.235/72; No Mérito: a) Seja anulado o presente auto de infração vez que inconstitucionais a legislação referida, ou se vossa senhoria entender por bem julga o mesmo improcedente em virtude a falta de animo de cometer a conduta referida; b) Seja afastada a incidência de juros SELIC e da cumulação de juros e multa moratória; É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminares Da exigibilidade dos débitos objeto de recurso administrativo e do depósito recursal Convém destacar que, por força do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, o crédito tributário controlado nos autos encontrase com a exigibilidade suspensa. Também deve ser esclarecido que o depósito prévio no valor mínimo de 30% da exigência fiscal como condição para seguimento do recurso voluntário foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante do STF nº 21, de 20/10/2009 (DOU de 10/11/2009), não sendo mais exigível para seguimento do recurso. Mérito A matéria objeto do lançamento em discussão encontrase regulamentada nos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, e alterações, in verbis: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13558.001168/200924 Acórdão n.º 2401005.586 S2C4T1 Fl. 138 5 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) [...] Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) No caso, foi calculada a multa referente a 153 (cento e cinquenta três) dias, por não atendimento aos termos de intimação. A contagem do prazo iniciou em 19/02/2009 e terminou em 23/07/2009 (termo final da ação fiscal), de acordo com o relatório fiscal de fls. 8. Representação Fiscal para Fins Penais e da lavratura do auto fora do estabelecimento da empresa Quanto à alegação de que a ação penal presentemente intentada é ilegal e inconstitucional e que não exauriuse na esfera administrativa a sua defesa. Cumpre esclarecer que a Representação Fiscal para Fins Penais tem seu rito em processo específico, não competindo a este colegiado manifestarse sobre a matéria: "Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". Em relação à lavratura do auto de infração fora do estabelecimento da empresa, a Súmula CARF nº 6 esclarece o seguinte: " É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte". Da possibilidade de não aplicação da lei em face arguição de inconstitucionalidade Neste ponto, esclarecese que a alegação de inconstitucionalidade de lei não pode ser apreciada pelo órgão administrativo, enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Por esse modo, ao órgão de julgamento fica vedado afastar à aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13558.001168/200924 Acórdão n.º 2401005.586 S2C4T1 Fl. 139 6 inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como o art. 62 do Regimento Interno do CARF, conforme enunciado: " Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Da ilegalidade dos juros fixados na taxa Selic Em relação aos juros de mora, é pacífico o entendimento, no âmbito desse colegiado, de que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Face ao acima exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000033/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI.
E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN.
O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia.
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO.
Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97.
Numero da decisão: 1302-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, e, ainda, por não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator; votou pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97.
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GLOSAS. EXIGÊNCIAS FORMAIS NÃO ATENDIDAS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CIENTÍFICOS. INPI. BACEN. DEPRECIAÇÃO Recorrentes VOITH HYDRO LTDA (ATUAL DENOMINAÇÃO DE VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 33 /2 00 9- 71 Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 3 2 Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, e, ainda, por não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator; votou pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1628.717, de 22/12/2010, da 1ª Turma da DRJ de São Paulo (SP) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. E afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 4 3 E desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A falta de indicação do tributo ou contribuição em Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento de controle interno da administração tributária, é mera irregularidade, não dando causa à nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AÇÃO FISCAL. INÍCIO. INTIMAÇÃO. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal contém ordem para instauração de procedimento de fiscalização, mas não configura seu início, que ocorre com a ciência do sujeito passivo do termo de início de ação fiscal ou de termo de intimação expedido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para que sejam prestados esclarecimentos ou apresentados documentos relativos ao cumprimento de suas obrigações tributárias, momento em que fica excluída a espontaneidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 5 4 O registro no Bacen e a averbação no INPI de contratos causadores de pagamentos de royalties e remuneração por serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior são condições de dedutibilidade de despesa previstas exclusivamente na legislação do Imposto sobre a Renda, não se comunicando para a base de cálculo da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em virtude da exoneração de crédito tributário em valor para o qual, à época, havia obrigatoriedade de apreciação em duplo grau de jurisdição, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. Resoluções Na primeira oportunidade em que o recurso voluntário foi submetido ao Carf, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 140200112, de 09/05/2012), em acolhimento ao pedido de perícia técnica formulado pela recorrente, por entender que, para a solução do caso haveria a necessidade certificação técnica quanto à exata natureza dos objetos dos contratos em questão. Tendo em vista que, o caso envolve, principalmente, questões relativas à dedutibilidade de despesas referentes a pagamentos efetuados pela fiscalizada para suas controladoras indiretas, domiciliadas no exterior. As remessas para o exterior dizem respeito a contratos de prestação de serviços, cujo objeto reside, entre outros, em projetos relativos à geração de hidroenergia. As normas legais e regulamentares a respeito de tais remessas para o exterior, mencionam objetos contratuais que caracterizam transferência de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica, científica, tecnológica etc. Sobre esse ponto, a fiscalização entendeu que para ser devida a dedutibilidade em questão, a recorrente deveria atender às exigências formais específicas, cujas normas respectivas (detalhadas à frente) determinam a prévia averbação de tais contratos no INPI e o respectivo registro no BACEN. Isso porque, em sua interpretação, as remessas para empresas controladora, domiciliadas no exterior, regra geral, seriam indedutíveis e, somente em tal excepcionalidade (contratos entre controlada local e controladora no exterior, averbados no INPI e registrados no BACEN), poderiam representar despesas dedutíveis. Assim, em relação a esse principal ponto controvertido, a DRF e a DRJ concluíram que seriam indedutíveis as remessas da fiscalizada para suas controladoras no exterior. A referida Resolução ainda registrou a necessidade de julgamento desse processo, em conjunto com o Proc. 16561.000190/200813, tendo em vista que a recorrente apresentou naqueles autos as mesmas razões de recurso, diferenciandose, somente, o fato de tratarse de período anterior (2003), verbis: "Registro, ainda, que é recomendável realizar o julgamento deste processo em conjunto com o de número 16561.000190/200813, que trata da mesma ação fiscal e infrações, relativas ao anocalendário de 2003. Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para realização da Perícia propugnada pela recorrente, ficando a critério da Unidade de origem designar outro perito para também se manifestar sobre a questão, caso entenda necessário (...) " Na segunda oportunidade que os autos retornaram ao Carf, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, converteu novamente o julgamento em diligência (Resolução nº 1402000.179, de 06/03/2013), por considerar "imprescindível que o julgamento deste processo seja feito em conjunto com o de nº 16561.000190/200813, haja vista que as infrações tributadas naquele além de serem da mesma natureza deste, implicaram glosa do prejuízo fiscal objeto de parte desta autuação. Assim, concluiuse por encaminhar os presentes autos à Secretaria da 1ª Seção do Carf para que fosse distribuído em conjunto com o Proc. 16561.000190/200813. Na terceira oportunidade que os autos retornaram ao Carf, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção também converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1103000.148, de 31/07/2014) para fosse realizada a perícia requerida pela recorrente, bem assim, fossem intimados o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e o Banco Central do Brasil (BACEN), para que analisassem os contratos em questão e se manifestassem quanto à necessidade de averbação e registro, respectivamente. Transcrevese a seguir as providências designadas: a) intime o autuado a apresentar, em 60 (sessenta) dias, por meio dos técnicos Edmundo Koelle e Paulo Shinzato, respostas aos quesitos formulados às fls.2.489/2.491, podendo a RFB, caso entenda necessário, designar outro perito para também se manifestar sobre a questão; b) intime o autuado a apresentar os contratos de prestação de serviços técnicos relacionados abaixo, ou outros instrumentos que tenham lastreado os acordos de execução, trasladados para a língua portuguesa por tradutor juramentado, se for o caso: Serviços Contratos de Câmbio Fornecimento de especificações de turbinas hidráulicas. 05/067156, 05/055967, 05/056304, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985 Ensaio de modelo hidráulico de turbinas e simulações. 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815 Aproveitamento de resultados de ensaios de modelos hidráulicos de turbinas construídas para outros projetos. 04/054247 Supervisão de desmontagem, montagem e reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores. 04/033127 Avaliação de trincas em turbinas da usina de Itaipu 04/010872 c) oficie o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para informar, à luz do contrato de fls.2.183/2.213 e dos demais disponibilizados pelo contribuinte, se era necessário o registro/averbação nos termos do art.211 da Lei n° 9.279/96; d) oficie o Banco Central do Brasil para, levandose em conta o disposto na CircularBacen n° 2.816, de 15/4/98, e o art.50 da Lei n° 8.383/91, ou outro ato normativo vigente nos anoscalendário 2004 e 2005, informar se todos os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, que envolvam operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no país, devem ser objeto de registro, ou se apenas os que envolvam fornecimento de tecnologia, e como se efetua tal registro, podendo prestar esclarecimentos adicionais sobre a matéria; Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 7 6 e) após as providências acima, elabore relatório circunstanciado; f) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo legal de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto n° 7.574/11; g) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Processo Conexo (Proc. 16561.000190/200813) Essas providências também foram determinadas pelo Carf, na conversão do julgamento em diligência, nos autos do Proc. 16561.000190/200813 (Resolução nº 1103 000.147, de 31/07/2014, da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção). Perícia e Manifestações do Bacen e INPI A perícia foi realizada e a recorrente juntou respostas aos quesitos (fls. 2588/2637). O BACEN (fls. 2640/2642) e o INPI (fls. 2971/2976) responderam à solicitação da DRF. O parecer técnico conclusivo a respeito, indicou, de forma geral, que os serviços contratados pela fiscalizada perante suas controladoras, na Alemanha, não visavam capacitar a fiscalizada de forma que passasse a realizar tais atividades de modo autônomo. Indicouse que, somente haveria transferência de tecnologia, em sentido técnico, caso a fiscalizada passasse a não mais depender da prestadora para dar continuidade aos trabalhos. A perícia também concluiu que, os contratos não caracterizavam prestação de serviços de assistência técnica e científica. De outro modo, o INPI e o Bacen, em suas manifestações, concluíram que as cláusulas e condições dos contratos exigiam tal averbação e registro. A respeito do parecer técnico e das manifestações das Autarquias, a fiscalização apresentou Relatório de Diligência Fiscal (RDF), fls. 2977/2999. Reforçou seu entendimento de que, a referida falta de averbação no INPI e registro no BACEN, impediam a fiscalizada de proceder à dedução de tais despesas. Assim, concluiu pela manutenção das glosas, conforme Autos de Infração. A recorrente manifestouse (fls. 3005/3206) sobre o Relatório de Diligência Fiscal ressaltando que, a perícia estaria reforçando sua tese de que, por não haver transferência de tecnologia e por não caracterizar prestação de serviços de assistência técnica e científica, não haveria a obrigatoriedade de averbação no INPI e registro no Bacen dos contratos em questão, para se colher a dedutibilidade em questão. Os autos retornaram ao Carf. Acórdão da DRJ Com essa contextualização do caso, passo a relatar o quanto tratado no Acórdão recorrido. Para tanto, adoto os seguintes trechos do relatório do Acórdão da DRJ, a seguir transcritos: Em ação fiscal direta, a contribuinte anteriormente qualificada foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários relativos aos anos calendário de 2004 e 2005 de R$ 10.010.633,92, a título de Imposto de Renda Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 8 7 Pessoa Jurídica IRPJ, e de R$ 3.561.109,38, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, incluídos nesses valores as multas e juros de mora, calculados até 30/10/2009. As infrações do IRPJ imputadas à contribuinte são as seguintes: a) dedução indevida de despesas de royalties computadas na apuração do lucro real, no valor de R$ 113.540,60, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 352, 353 e 355 do RIR/1999; b) dedução indevida de cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 299, 305 e 307, 354, §§2° e 3o, 355, §§2° e 3o, do RIR/1999; c) dedução indevida de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 3.377.605,74, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 354, incisos I e II, e 355, §§ 2o e 3o, do RIR/1999; d) dedução de indevida de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 4.799.768,48, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 354, incisos I e II, 354, §§2° e 3o, 355, §§2° e 3o, do RIR/1999; e) compensação indevida de prejuízo fiscal por insuficiência de saldo, no valor de R$ 11.043.959,97, com base nos artigos 247, 250, inciso III, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/1999; f) adições não computadas na apuração do lucro real, relativas a lucros auferidos no exterior, no valor de R$ 321,93, com base no artigo 25, §§ 2o e 3o, da Lei n° 9.249/1995; artigo 16 da Lei n° 9.430/1996; artigos 249, inciso II, e 394, do RIR/1999; artigo 3oúa Lei n° 9.959/2000; e, artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835. Os mesmos fatos ensejaram também a lavratura de auto de infração da CSLL, cujo enquadramento legal é o que se segue: a) falta de recolhimento da CSLL, decorrente de deduções indevidas, com base no artigo 2o, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988; b) artigo 1o da Lei n° 9.316/1996; artigo 28 da Lei n° 9.430/1996; c) artigo 37 da Lei n° 10.637/2002; artigo 57 da Lei n° 8.981/1995, com a redação dada pela lei n° 9.065/1965; e, artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835; d) compensação indevida de base de cálculo de CSLL de períodos anteriores, no valor de R$ 11.099.853,00, com suporte no artigo 2o, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988; artigo 58 da Lei n° 8.981/1995; artigo 16 da Lei n° 9.065/1995; e, artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. A multa de ofício correspondente a 75% dos tributos devidos tem como fundamento legal o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 e os juros de mora, o artigo 28 combinado com o 6o, § 2o da Lei n° 9.430/1996. Termo de Verificação Fiscal (TVF) Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 9 8 A fiscalização autuou a recorrente, com base nas constatações registradas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 1519/1628, a seguir resumidas: a) o fiscalizado retificou, em 05/06/2009, sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2005, diminuindo o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados no período, sendo que as retificações decorreram de algumas infrações consignadas nos autos de infração lavrados no curso deste procedimento (processo n° 16561.000190/200813); b) em consonância com o que prevê o art. 138, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 7o, §§ 1o e 2o, do Decreto n° 70.235/1972, há que se afastar uma suposta denúncia espontânea quanto ao anocalendário de 2005, uma vez a retificação da Dipj do anocalendário 2005 ocorreu quando já estava em curso o procedimento fiscal que abarcava tal período; c) a fiscalizada é uma sociedade empresária limitada, cujas quotas sociais, no valor unitário de R$1,00, encontramse assim distribuídas: "VHG AUSLÄNDSBETEILIGUNGEN GmbH", sociedade constituída na República Federal da Alemanha, com 42.962.559 quotas e, Osvaldo Julio San Martins Salas, com 1 quota; d) a fiscalizada tem como objeto social a fabricação, venda, importação e exportação, manutenção, conserto, operacionalização e instalação de produtos para geração de energia hidrelétrica e afins; representação por conta própria ou de terceiros; pesquisa desenvolvimento, planejamento, treinamento e prestação de serviços no ramo das atividades citadas; prestação de serviços técnico administrativos; participação, como sócio, acionista ou quotista, em outras sociedades civis ou comerciais, podendo participar ainda em consórcios e em empreendimentos comerciais de qualquer natureza; e) a fiscalizada é controlada diretamente pela "VHG AUSLÄNDSBETEILIGUNGEN GmbH" e, indiretamente, pela "Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG" que, por sua vez, é controlada pela "Voith AG Heidenhem", razão pela qual, nos termos do art. 243, § 2o da Lei n° 6.404/1976, fiscalizada é controlada indireta desta última, consoante o seguinte organograma (Demonstrativo 2): Voith AG Heidenhem (Alemanha) 65% Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG (Alemanha) 100% VHG AUSLÄNDSBETEILIGUNGEN GmbH (Alemanha) 99,99% Voith Hydro Ltda (Brasil) f) ao iniciar a ação fiscal, a denominação da contribuinte era "Voith Siemens Hydro Power Generation Ltda", sendo alterada para a "Voith Hydro Ltda" por força da 34a Alteração e Consolidação do Contrato Social, datada de 05/03/2009 e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o n° 89.061/093; Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 10 9 g) pelo Termo de Intimação n° 14 (fis. 93/100), o sujeito passivo foi instado a prestar uma série de informações atinentes a diversos contratos de câmbio relacionados a remessas efetuadas nos anoscalendário de 2004 e 2005, que guardavam relação com pagamentos efetuados a residentes no exterior como contraprestação de serviços técnicos que lhe foram prestados; h) as indagações realizadas pela fiscalização visaram a examinar o cumprimento dos requisitos legais autorizadores da dedutibilidade das importâncias pagas a tais beneficiários no exterior para a apuração do lucro real; i) a dedutibilidade dos montantes pagos a beneficiários no exterior como pagamentos por serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante é regulada pelo art. 354 e 355 do RIR/99; j) no que diz respeito ao registro junto ao Banco Central do Brasil das operações de fornecimento de tecnologia, serviço de assistência técnica, franquia, cessão e licença de uso de marca e patente, destacase o denominado "RDEROF Manual do Declarante", o qual contém instruções para a utilização do módulo de Registro de Operações: Financeiras ROF do sistema de Registro Declaratório Eletrônico de capitais estrangeiros no país; a Circular 2.816, de 15/04/1998; a CartaCircular n° 2.795, de 15/04/1998; k) a legislação correlata ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e atinente aos contratos por este averbáveis: Lei n° 9.279, de 14/05/1996; o Ato Normativo INPI n° 135, de 15/04/1997; e, informações contidas em seu sítio eletrônico; l) destaquese ainda o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 01, de 05/01/2000, mediante o qual a Receita Federal se manifestou acerca do tratamento tributário a ser dispensado às remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e serviços técnicos sem transferência de tecnologia; m) a despeito das sucessivas intimações (Termos de Intimação n°14e 16), o fiscalizado apresentou apenas 03 (três) contratos que se relacionam a 17 (dezessete) das aludidas remessas; n) é indispensável determinar quais dos elementos relacionados às remessas ao exterior IRRF, Cide, CofinsImportação de Serviços, PISImportação de Serviços, ISS e serviço aduaneiro deverão ser considerados indedutíveis para fim de apuração do lucro real, caso não sejam atendidos os requisitos legais que autorizem a dedutibilidade da "importância paga" ao prestador de serviço no exterior, expressão utilizada tanto no "caput" do art. 354, bem como no art. 355, §3°, ambos do RIR/99; o) no caso do IRRF e do ISS, o fiscalizado é o responsável pela retenção e pelo recolhimento desses tributos, dos quais o prestador no exterior é contribuinte, razão pela qual, nas situações em que reste demonstrado o descumprimento das condições legais que autorizem dedutibilidade das importâncias pagas, esses valores deverão ser somados ao montante total a ser objeto do lançamento "exofficio"; p) já em relação à contribuição para o PIS e à Cofins devidas na importação de serviços, sendo o importador dos serviços o contribuinte de tais contribuições, tais montantes não compõem as importâncias pagas aos beneficiários no exterior; sendo que a indedutibilidade das importâncias pagas aos beneficiários no exterior não se Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 11 10 comunica a tais despesas, que ficarão sujeitas ao cumprimento do art. '299 do RIR/99 (condição geral de dedutibilidade de despesas operacionais); q) observaramse pagamentos decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos com transferência de tecnologia, relativos ao anocalendário 2004, desprovidos de averbação no INPI e registro no Bacen, objetos das remessas dos contratos de câmbio n° 04/008601, 04/0011065, 04/033127, 04/004477, 04/004765, 04/005828, 04/005905, 04/009462, 04/010872, 04/017964, 04/023181, 04/043952, 04/049232, 04/001946, 04/054247, 04/063974, 04/009832, 04/0049262 e 04/044588, num montante de R$ 5.783.901,93, sendo tais valores, apropriados como custos ou despesas do período, considerados indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real; r) observaramse pagamentos decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos com transferência de tecnologia, relativos ao anocalendário 2005, desprovidos de averbação no INPI e registro no Bacen, objetos das remessas dos contratos de câmbio n° 05/055965, 05/067156, 05/055967, 05/056304, 05/061569, 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/061570 e 05/062813, 05/28338, 05/036368, 05/034384, 05/045813, 05/063144, 05/062815, 05/061573, 05/065198 e 05/006083, num montante de R$ 2.393.472,29, sendo tais valores, apropriados como custos ou despesas do período, considerados indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real; s) a contribuinte registrou, em seu ativo imobilizado, R$ 120.732,42, referentes ao valor pago mediante o contrato de câmbio n° 04/032038, decorrente de prestação de serviços de controladora no exterior, cujo contrato encontrase desprovido de registros no Bacen e INPI, tendo apropriado, indevidamente, encargos de depreciação desse ativo nos valores de R$ 5.030,52 para o anocalendário 2004 e, R$ 12.073,24 para 2005, num montante de R$ 17.103,76, que foi também objeto do presente lançamento; t) os documentos apresentados dão suporte ao pagamento de royalties à controladora estrangeira no exterior no valor de R$ 7.118.161,42, enquanto o valor informado na Dipj referente ao anocalendário 2004 foi de R$ 7.231,702,02, subsistindo uma diferença sem comprovação de R$ 113.540,60 que será objeto de autuação; u) analogamente, as mesmas considerações e o procedimento adotado ao IRPJ aplicamse à base de cálculo da CSLL, por força do art. 57 da Lei n° 8.981/1995, com a redação dada pela Lei n° 9.065/1995; v) em sua DIPJ do anocalendário de 2005 o fiscalizado ofereceu à tributação do IRPJ (Ficha 09A Linha 05) e da CSLL (Ficha 17 Linha 05) o valor de R$ 244.178,56 a título de lucros disponibilizados do exterior por sua controlada situada no México, sendo que o valor correto seria de R$ 244.500,49, impendendo efetuar o presente lançamento de oficio relativo ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 2005, correspondente à diferença de R$ 321,93; u) em decorrência da autuação objeto do processo administrativo fiscal n° 16561.000190/200813 e das infrações ora apuradas, constatouse compensação indevida de prejuízo fiscal, no anocalendário 2005, de R$ 11.043.959,97, bem como, de base de cálculo negativa de CSLL de R$ 11.099.853,00, ambos sendo também objeto do presente lançamento. Recurso Voluntário Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 12 11 Diante do provimento parcial de sua impugnação, conforme ementa do Acórdão recorrido retro transcrita, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 2244/2297), cujas razões são resumidas a seguir: a) nulidade do lançamento por falta de MPF, pois o MPFF n° 08.1.71.002007 001839 autorizava a fiscalização tãosomente do "IRPJ", mas não da CSLL, tendo a fiscalização e o Auto de Infração extrapolado o âmbito de validade administrativa, incorrendo em insanável nulidade do lançamento; b) nulidade do auto de infração por violação ao Princípio da Verdade Material, pois a diretriz adotada pela DRJ/SP1, ao supor, sem provas e contrariamente aos Pareceres Técnicos acostados aos autos (vide tb. ANEXOS 1 e 2 infra), tratarse de serviços técnicos com transferência de tecnologia, cuja dedutibilidade dependeria do registro do ato ou contrato no BACEN e da averbação no INPI, motivou a manutenção da glosa das despesas correspondentes, tendo se omitido na análise de vários documentos carreados para os autos na impugnação administrativa; c) nulidade do lançamento pela espontaneidade da retificação da DIPJ do ano calendário de 2005 que reduziu a base negativa de CSLL acatando algumas despesas indedutíveis, porque nem a fiscalização e nem o AIIM n° 16561.000190/200813 relativo ao ano de 2003 abrangeram infração alguma relativa a essa CSLL de 2005, tendo permanecida intacta a espontaneidade da Recorrente para retificar a DIPJ/2005 em relação à CSLL; d) indeferimento do pedido de perícia, quando a prova da inexistência de transferência de tecnologia confirmada pelo PARECERES TÉCNICOS acostados aos autos (ANEXOS 1 E 2 infra) depende de conhecimentos altamente especializados em engenharia hidráulica justificando a Perícia de Engenharia, em nítida preterição do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto 70.235/72, ao art. 38 da Lei 9.784/99); e) serviços técnicos pressupõem transferência de tecnologia, pois o art. 355, § 3°, do RIR/99 define expressamente que assistência técnica ou científica e serviços técnicos especializados cuja dedutibilidade está condicionada aos registros no INPI e BACEN são aqueles que envolvem transferência de tecnologia, diferenciandoos dos demais tipos de serviços comuns. Confirase seu texto: "Art. 355 [...] § 3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, [...] a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996." Nesse exato sentido, já decidiu a própria Receita Federal da 7a Região Fiscal na SOLUÇÃO DE CONSULTA n° 124/1999 em matéria de IRPJ: "DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. GASTOS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA OU CIENTÍFICA. Somente estão sujeitas às restrições estabelecidas pelos artigos 293 e 294 do RIR, de 1994 [idênticos aos arts. 354 e 355 do RIR/99] as somas das quantias devidas a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante). Em se Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 13 12 tratando de contratação de empresa estrangeira que colocará a disposição da consulente técnicos especializados em sondagem para que esta última execute serviços junto à mineradora brasileira, aplicase o disposto no art. 242 do mesmo Regulamento, que trata de forma genérica da dedutibilidade das despesas operacionais, respeitados os requisitos da necessidade e da usualidade." O 1° Conselho de Contribuintes também já decidiu que na falta de transmissão de conhecimento, inexiste transferência de tecnologia: (...) f) glosa, para fins de IRPJ, das despesas com especificações para determinação das turbinas hidráulicas na fase de oferta ou "fase 0" (contratos de câmbio n°s 05/056304, 05/055967, 05/067156, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985): Essas especificações são serviços de consultoria visando participação em licitação, os quais o próprio INPI expressamente dispensa de averbação (fl. 1.563 e p. 15 do Termo de Verificação Fiscal), especificações as quais a controladora chega com base num banco de dados com 140 anos de experiências sem revelar à Recorrente como chegou até elas (especificações). Logo, esses serviços na fase de oferta não transferem tecnologia, sendo plenamente dedutíveis, além de inadmissível a mera suposição, sem provas e contrariamente aos Pareceres Técnicos acostados aos autos, de que tais serviços caracterizariam transferência de tecnologia, enquanto não passam de serviços comuns, sem qualquer transferência de tecnologia, conforme enfatizado na pág. 3 do PARECER TÉCNICO 28/2009, elaborado pelo engenheiro PROF. DR. EDMUNDO KOELLE (doc. 3 da Impugnação ou ANEXO 1 infra); g) glosa das despesas, para fins de IRPJ, com serviços de: (a) ensaio de modelo hidráulico de turbinas (protótipo miniatura); (b) simulações, em computador, do escoamento de fluídos de turbinas Kaplan e Francis (fase 1); (c) de especificações da engenharia hidráulica do protótipo (fase 2) (contratos de câmbio n°s 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815); e (d) aproveitamento dos resultados de ensaios de modelos hidráulicos de outras turbinas transpostos para o projeto de Salto Pilão (contrato de câmbio 04/054247): Como são serviços executados pela Controladora exclusivamente no exterior, cuja eventual transferência de tecnologia exige: (a) a existência e domínio técnico de um banco de dados de experiências acumuladas; e (b) sofisticadíssimo laboratório existente apenas nos EUA ou na Alemanha; e como a Recorrente necessita do banco de dados bem como desse laboratório inexistente no Brasil (págs. 3 e 15 do juntado PARECER TÉCNICO 28/2009 ou ANEXO 1 infra), logo, a Recorrente é completamente incapacitada de absorver qualquer tecnologia que tenha relação com essas fases 1 e 2 de projetos de turbinas; h) glosa, para fins de IRPJ, das despesas com serviços de supervisão de desmontagem, montagem e de reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores (contrato de câmbio 04/033127): a Recorrente contratou um técnico da empresa suíça Micamation, não vinculada ao grupo Voith, que supervisionou a desmontagem e remontagem dessas máquinas de isolar enrolamentos do estator, bem como sua reforma, obviamente sem ensinar à Recorrente como reformar tal máquina. Para caracterizarse um serviço como assistência técnica não basta que técnicos sejam enviados ao Brasil. Obviamente esse não é o espírito do art. 354, II, do RIR/99, sendo imprescindível que esses técnicos efetivamente transferissem tecnologia. Todavia, a DRJ/SPOI fiase apenas na vinda de técnico ao Brasil, mas não prova, em momento algum, que teria havido efetiva transferência de tecnologia. Sendo assim as despesas com serviço comum Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 14 13 são plenamente dedutíveis sem registro no INPI e BACEN, pois aMicamation não transferiu conhecimento, conforme ressaltado na pág. 14 do PARECERTÉCNICO 28/2009 (doc. 3 da Impugnação ou ANEXO 1 infra). i) glosa, ainda para fins de IRPJ, das despesas com serviços de avaliação das trincas nas chapas da cruzeta da obra (contrato de câmbio 04/010872):o Sr. Agente Fiscal alega, com base no art. 354, II, do RIR/99, o mero envio de técnicos ao Brasil caracterizaria o serviço como assistência técnica, sujeita registro no INPI e BACEN. Todavia, não há que se cogitar aqui também de transferência de tecnologia,pois a Recorrente simplesmente contratou os serviços de um especialista em soldagem de sua controladora, o qual avaliou as trincas e propôs soluções, sem ensinarcomo teria chegado àquelas conclusões. Por outro lado, o fato de terem sido produzidos relatórios pela controladora alemã não tem o condão de caracterizar transferência de tecnologia, nem há qualquer previsão legal nesse sentido! j) glosa, também para fins de IRPJ, dos gastos com serviços para aperfeiçoar o software DI 1204 para projetos de fabricação de hidrogeradores prestados (a) pela Universidade Técnica de Dresden na Alemanha (contratos de câmbio 04/001946, 04/043952, 04/049232, 054/023181, 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/052042 06/061570, 05/062813); e (b) por profissionais liberais (contatos de câmbio 04/004477, 04/049262, 05/055965, 04/004765 e 05/045813). Nesse tipo de serviço a transferência de tecnologia é impossível porque inexiste uma tecnologia pré existente que poderia ter sido transferida, pois o software DI 1204 sempre foi de propriedade da Recorrente, tendo sido desenvolvido por ela mesma e não pela Universidade de Dresden, como confirmado na pág. 26 do RELATÓRIO TÉCNICO do PROF. PAULO SHINZATO (juntado em 02/03/2010 ou ANEXO 2 infra). A Universidade vendeu apenas sua mãodeobra (obrigação de fazer) e não um bem ou direito. Neste caso, os serviços prestados pela Universidade de Dresden envolveram a customização, adaptação e parametrização de programa de computador (software), que o INPI dispensa1 de registro. Logo, as despesas com os serviços tomados da Universidade Técnica de Dresden nunca foram despesas de assistência técnica ou científica, mas sim despesas com pesquisa que não resultam em transferência de tecnologia, segundo conclusão na pág. 26 do RELATÓRIO TÉCNICO do PROF. PAULO SHINZATO (ANEXO 2 infra), sendo plenamente dedutíveis nos termos do art. 349 do RIR/99, independentemente de registro no INPI e no BACEN; k) indedutibilidade de rendimento estrangeiro viola Tratado BrasilAlemanha (Decreto n° 76.988/76 vigente até 31/12/2005): Assim como KLAUS VOGEL, ALBERTO XAVIER leciona que "dupla tributação econômica internacional ocorre numa situação em que duas sociedades interdependentes residentes em dois Estados distintos se atribuem rendimentos não dedutíveis num deles e tributáveis no outro!" Provas de que o Tratado BrasilAlemanha bem como a legislação brasileira visam evitar a dupla tributação econômica estão: (a) na isenção do imposto alemão de investidoras para os lucros auferidos por investidas no Brasil (art. 24, §1°, do Tratado); (b) na isenção de IRPJ do resultado positivo de equivalência patrimonial de controladora no Brasil (art. 23 do DecretoLei 1.598/1977); (c) na isenção de IR Fonte na distribuição de dividendos a nãoresidentes (art. 10 da Lei 9.249/95) etc. A se aplicar o ART. 14 DO TRATADO (profissionais liberais), este atribui competência exclusiva à Alemanha (Estado da residência dos engenheiros) para tributação de tais rendimentos, vedando ao Brasil competência tributária para Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 15 14 tributar esses rendimentos. A se aplicar o ART. 12, §2°, "b", DO TRATATO (royalties), esta norma atribui ao Brasil (Estado da fonte), uma competência restrita à alíquota de 15% já esgotada pelos pagamentos de IR Fonte em todas as remessas à Alemanha (Termo de Verificação Fiscal), restando assim vedado ao Brasil impor tributação além do limite de 15%. Por fim, seja por força do art. 98 do CTN na interpretação autêntica do STF (RTJ 83/809), seja por força do art. 5°, §2°, da CF/88, ou por ser lei especial quanto às pessoas a que se aplica, não resta dúvida de que o Tratado BrasilAlemanha restringe a eficácia dos arts 354 e 355 do RIR/99; l) glosa, para fins de IRPJ e CSLL, das compensações do prejuízo fiscal e base negativa reduzidos no Auto de Infração de outro Processo de n° 16561.000190/200813 (ref ano de 2003), lavrado em 12/12/2008, nesta ótica, tendo se esgotado em 31/12/2004: como esse Auto de Infração foi objeto da Impugnação de 12/01/2009 que está suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN), logo, indevidas não foram as compensações, mas tão somente as glosas dos créditos de prejuízo fiscal e base negativa de 2003 pelo outro Auto de Infração de 12/12/2008. Pedidos Por tudo quanto até aqui exaustivamente exposto e comprovado, pleiteia a Recorrente seja conhecido e provido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o v. Acórdão da DRJ/SP1 no sentido de: excluir da lide, de ofício, os valores pagos a título de IRPJ e CSLL, nos termos do art. 32 do Decreto 70.235/1972 e do item 2.1.1. da letra "a" do Anexo Único da Portaria SRF 1.769/2005; reconhecer a nulidade do Auto de Infração por ofensa ao princípio da verdade material; declarar a espontaneidade das retificações da DIPJ/2005 com relação à CSLL; declarar a improcedência, total ou parcial, das glosas das despesas e dos créditos de prejuízo fiscal e base negativa supra: cancelando, total ou parcialmente, o IRPJ e a CSLL ora recorridos; recompondo, total ou parcialmente, os saldos acumulados de prejuízo fiscal e base negativa. cancelar o lançamento de ofício, arquivandose o presente processo administrativo; Crédito Tributário em Litígio O crédito tributário em litígio pode ser resumido no seguinte quadro: IRPJ (excluindose pagamentos) Ano Descrição Cf. Acórdão DRJ/SP1, às fls. 2.230 (A) BC's Não Impugnadas do IRPJ PAGO (B) Objeto da Lide (C = A B) 2004 Base de Cálculo do IRPJ em 31/12/04 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 4.483.721,76 (1.673.446,58) 2.810.275,18 Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 16 15 = IRPJ (25%) de 2004 em discussão cf.: (i) Acórdão DRJ ("A"); (ii) Recorrente ( "C") 1.120.930,44 702.568,79 Base de Cálculo do IRPJ em 31/12/05 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 13.449.827,43 (802.279,14) 12.647.548,29 2005 = IRPJ (25%) de 2005 em discussão cf.: (i) Acórdão DRJ ("A"); (ii) Recorrente ("C") 3.362.456,86 3.161.887,07 IRPJ TOTAL EM LITÍGIO DE 4.483.387,30 PARA 3.864.455,86 (...) CSLL (excluindose pagamentos) Cf. Acórdão Ano Descrição DRJ/SP1, às fls. 2.230 (A) BCs Não Impugnadas da CSLL PAGA (B) Objeto da Lide (C = A B) Base de Cálculo da CSLL em 31/12/04 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) 2004 Recorrente 425.189,04 (607.413,01) 0,00 = CSLL (9%) de 2004 em discussão cf.: (i) Acórdão DRJ ("A"); (ii) Recorrente ("C") 38.267,01 0,00 Base de Cálculo da CSLL em 31/12/05 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 2.143.774,36 (591.178,70) 1.552.595,66 2005 = CSLL (9%) de 2005 em discussão cf.: (i) Acórdão DRJ ("A"); (ii) Recorrente ("C") 192.939,69 139.733,61 CSLL TOTAL EM LITÍGIO DE 231.206,70 PARA 139.733,61 É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário e do recurso de ofício foram verificados na primeira oportunidade em que o autos foram submetidos ao Carf, sendo ambos os recursos conhecidos. Preliminares Processos Conexos (Proc. 16643.000033/200971 [este proc.] e o Proc. 16561.000190/200813) Com visto, já na primeira Resolução nº 140200112, de 09/05/2012, registrouse que seria " recomendável" o julgamento deste processo, em conjunto com o Proc. Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 17 16 16561.000190/200813, por se tratar da mesma ação fiscal e infrações, relativas a período que antecede (2003) aos períodos que envolvem este processo (2004 e 2005). No segundo retorno dos autos ao Carf, a Resolução nº 1402000.179, de 06/03/2013, por considerar "imprescindível que o julgamento deste processo fosse feito em conjunto com o de nº 16561.000190/200813, haja vista que as infrações tributadas naquele além de serem da mesma natureza deste, implicaram glosa do prejuízo fiscal objeto de parte desta autuação, concluiuse por encaminhar os presentes autos à Secretaria da 1ª Seção do Carf para que fosse distribuído em conjunto com o Proc. 16561.000190/200813. No terceiro retorno ao Carf, este e o Proc. 16561.000190/200813 foram apreciados em conjunto, concluindose, para ambos os casos, nova conversão em diligência para a realização de perícia e solicitação de manifestação do INPI e do Bacen, quanto à necessidade de averbação e registro de contratos, respectivamente. Como visto no relatório retro, essas providências foram devidamente adotadas pela DRF. Em atendimento a tais orientações, quanto ao julgamento conjunto, ambos os processos foram pautados para apreciação nesta sessão de julgamento de 15/05/2018. Com essas observações, passo à análise das matérias recorridas. Nulidade O MPF só autorizada fiscalização do IRPJ e Ausência de Motivação no TVF O acórdão recorrido concluiu que, deveriam ser rejeitadas as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Salientou que, o artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, assim prescreve: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. " Prosseguiu em suas razões de decidir, com os seguintes fundamentos: A lei do processo administrativo tributário, incorporando os princípios constitucionais do juiz natural e da ampla defesa, determina que os atos e decisões sejam praticados por agente competente, não podendo ainda, dificultar a defesa do autuado, sob pena de nulidade. A Impugnante alega que seria nulo o lançamento em relação à CSLL, uma vez que a contribuição não estaria relacionada no Mandado de Procedimento Fiscal MPF de fls. 02. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi criado pela Portaria SRF N° 1.265/1999, encontrandose atualmente disciplinado pela Portaria RFB n° 11.371/2007, e consiste em uma designação administrativa para que as autoridades Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 18 17 fiscais executem atividades relacionadas à verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte dos sujeitos passivos. O MPF é um instrumento de controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Criado por ato infralegal, eventual vício na emissão do MPF não teria o poder de contaminar o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, eis que estes últimos estão assentados em diplomas normativos de hierarquia superior, o Decreto n° 70.235/1972 e a Lei n° 5.172/1966 que, em momento algum, conferem àquele a condição de requisito de validade do lançamento. O regramento trazido pela Secretaria da Receita Federal, repisese, mero ato infralegal de natureza gerencial, não traz regra de competência, seja ela genérica ou específica, pois seria inadmissível que uma portaria teria o condão de disciplinar matéria reservada à lei. As autoridades fiscais encontram o fundamento de validade para a execução da atividade administrativa do lançamento nos artigos 3o e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, transcritos a seguir: "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. " "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. " (realcei) A competência para fiscalizar e executar o ato administrativo de exigência do crédito tributário é da autoridade administrativa que, no caso de lançamento dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, recai privativamente ao AuditorFiscal da Receita Federal do. Brasil, nos estritos termos do art. 6o, I, a da Lei n° 10.593, de 06.12.2002, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16.03.2007, in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Os termos e atos contidos no presente processo foram lavrados por ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, ou seja, por agente legalmente investido das atribuições para praticar o ato de lançamento. Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 19 18 Portanto, a autoridade administrativa, em face de suas atribuições legais, ao se convencer de que estava diante de situação caracterizadora de infração à legislação tributária, cumpriu seu poderdever de efetuar o lançamento, materializandoo mediante o instrumento de auto de infração, cuja validade prescinde da existência de um MPF. Este entendimento está pacificado na jurisprudência administrativa, consoante se verifica das seguintes ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes acerca dessa matéria [citou diversas ementas nesse sentido] Desta maneira, se o MPF apontou apenas o IRPJ como o tributo a ser fiscalizado, o auditorfiscal não ficou impedido de efetuar o lançamento dos demais tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Pelo contrário, consistindo o lançamento em uma atividade administrativa vinculada, se a autoridade fiscal ficou convencida de que o contribuinte ofendeu as normas legais que regem a CSLL, também ficou obrigada a formalizar a exigência do respectivo crédito tributário. Também deve ser rejeitada a alegação de que o autuante teria deixado de expor as razões pelas quais concluiu que os serviços de assistência técnica envolveriam transferência de tecnologia. O autuante consignou em seu relatório fiscal os fundamentos fáticos e legais que o levaram a concluir pela ocorrência da infração fiscal, sendo certo que a fiscalizada os compreendeu plenamente, haja vista que apresentou peça impugnatória em que os rebate de maneira precisa e articulada. Assim, se a motivação do lançamento eventualmente se mostrar insuficiente para sustentar a imputação fiscal imporseá reconhecer sua improcedência, mas não, sua nulidade, constatação que exigirá, todavia, o enfrentamento do mérito e, portanto, fica ultrapassada também esta preliminar. Sendo assim, adoto as razões de decidir da DRJ para não acolher o pedido de nulidade. Exclusão da Espontaneidade A recorrente arguiu também que seria descabida a exclusão da espontaneidade da retificação da DIPJ do anocalendário de 2005 para a CSLL, em razão de sua concordância com parte das infrações objeto da autuação formalizada anteriormente, sob n° 16561.000190/200813, que resultou, inclusive, em pagamento parcial dos valores lançados. Sustenta que, o parágrafo único do art. 138 do CTN a autoriza socorrerse da denúncia espontânea para a CSLL, pois o comando legal mencionado apenas imporia restrição à utilização desse instituto se já estivesse em andamento ação fiscal relacionado especificamente à infração denunciada, o que não seria seu caso, haja vista que o auto de infração anteriormente lavrado foi fundamentado na indedutibilidade de serviços técnicos ou comuns que não se aplicam à determinação da base de cálculo da CSLL. Sobre esse ponto, o Acórdão recorrido apresenta as seguintes razões de decidir: O enfrentamento dessa questão exige o exame do que dispõe o art. 138 do CTN: Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 20 19 Art. 138. A responsabilidade é excluida pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, (grifouse) Os atos que configuram o início do procedimento fiscal encontramse elencados no art. 7° do Decreto n2 70.235, de 6 de março 1972, verbis: Art. 7º O procedimento fiscal tem inicio com: I o primeiro ato de ofício, por escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável, sucessivamente, por igual periodo com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Por sua vez, o alcance dos efeitos da exclusão da espontaneidade, o ADI SRF ns 5, de 17 de maio de 2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 1º início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos, e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Conforme mencionado, o MPF é um instrumento que tem por escopo o planejamento e o controle da atividade de fiscalização externa, permitindo, ainda, que o sujeito passivo se assegure da existência da ação fiscal contra si instaurada, pois pode confirmar a autenticidade do documento no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil. Todavia, o MPF é um instrumento que determina, mas não é aquele que caracteriza o início de procedimento fiscal e, em conseqüência, não exclui a espontaneidade do sujeito passivo. Consoante considerações já tecidas e de acordo Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 21 20 com o previsto no art. 7s do Decreto vr 70.235, de 1972, o início da ação fiscal decorre de um ato de ofício praticado por agente estatal competente, qual seja, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. No caso dos autos, a perda da espontaneidade da contribuinte ocorreu em 20/12/2007, com sua ciência ao "Termo de Intimação n° 01" (fis. 04/08), ato de ofício lavrado por autoridade competente, que inaugurou a ação fiscal mediante notificação para que a fiscalizada prestasse esclarecimentos acerca dos elementos que influenciaram a formação das bases de cálculo e dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL para os anoscalendário de 2003, 2004e2005. Portanto, não há dúvidas de que a verificação da correta apuração da CSLL constou expressamente do ato que caracterizou o início do procedimento fiscal, tal como previsto no inciso I do artigo 1º do Decreto n° 70.235/1972 e, por conseguinte, qualquer descumprimento às normas de apuração da contribuição porventura observado configuraria uma infração que não estaria sob a benesse da espontaneidade. Assim, dos exercícios fiscalizados, a contribuinte retificou apenas a Dipj/2006, relativa ao anocalendário 2005 e recepcionada em 05/06/2009, conforme informação de fls. 1517, não podendo ser considerado um procedimento espontâneo, eis que realizada em momento em que a presente ação fiscal se encontrava em seu regular curso, por força do termo de intimação fiscal n° 12 que cientificou a contribuinte, em 29/04/2009 (fls. 89/90), acerca da continuidade do trabalho fiscal. Enquanto a exclusão da espontaneidade, sob o aspecto temporal, ocorre no momento em que é instaurada a ação fiscal, sob o ponto de vista material, ela alcança todas as infrações relacionadas ao tributo objeto de fiscalização, não ficando vinculada a apenas a uma norma específica que rege a obrigação tributária, salvo se essa restrição estiver expressamente consignada no termo de início de ação fiscal ou em documento equivalente. No caso em debate, o ato de ofício que inaugurou a ação fiscal, o "Termo de Intimação n° 01", identificou a CSLL como um dos tributos a ser fiscalizado, não restringindo o trabalho de auditoria fiscal a uma determinada norma que rege a contribuição, tendo limitado apenas o alcance temporal do trabalho fiscal aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Assim, supondo que a infração do ano de 2005 tivesse natureza diversa daquela autuada anteriormente para o anocalendário 2003, a retificação da Dipj não teria o condão de provocar o afastamento da multa de ofício, pois não se estaria diante de hipótese de denúncia espontânea. Entretanto, ainda que fosse possível admitir a tese de que a espontaneidade subsistiria se a infração posteriormente denunciada tivesse natureza jurídica diferente daquela anteriormente autuada, no âmbito do mesmo procedimento fiscal, ainda assim a Impugnante não poderia se socorrer do favor legal. A retificação da Dipj/2006 promovida pela contribuinte ocorreu porque ela mesma reconheceu parcialmente as infrações a ela imputadas nos autos do processo n° 16561.000190/200813. O autuante considerou indedutíveis valores de despesas, uma vez que elas não atendiam determinados requisitos legais ou não estavam amparadas por documentação hábil ou idônea que as comprovassem, resultando nos reajustamentos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A infração da CSLL que a Impugnante alega denunciar mediante a retificação da Dipj/2006, anocalendário 2005 tem a mesma natureza de parte das infrações que lhe foi imputada no auto de infração referente ao anocalendário 2003, e, portanto, se fosse adotado o entendimento da contribuinte, também não haveria espaço para a denúncia espontânea. Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 22 21 Conforme se observa, a declaração retificadora não possui o condão de produzir quaisquer reflexos ou efeitos sobre o lançamento fiscal que ora se examina de modo a, pretensamente, dispensálo, excluir as multas de ofício, ou, menos ainda, ensejar o reconhecimento da nulidade do lançamento. Sendo assim, com base em tais razões de decidir, também não vejo como acolher o pedido de não exclusão da espontaneidade. Mérito Indedutibilidade de despesas decorrentes de pagamentos a beneficiários domiciliados no exterior por serviços de assistência técnica, científica ou tecnológica, sem cumprimento dos requisitos legais A fiscalização glosou parte das despesas correspondentes a pagamentos efetuados pela contribuinte por serviços de assistência técnica e científica tomados de controladoras da recorrente situadas na Alemanha e de outros beneficiários residentes no exterior. A glosa está fundamentada, basicamente, na premissa de que os serviços envolveram transferência de tecnologia e, nestas condições, a ausência de averbação no INPI e de registro no Banco Central do Brasil dos respectivos contratos de prestação de serviços impediria a dedução desses valores das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por outro lado, a recorrente alega que somente estaria sujeita aos comandos dos artigos 354 e 355 do RIR/99, caso ocorrida uma efetiva transferência de tecnologia, o que não se verificaria em seu caso, motivo pelo qual as respectivas despesas seriam dedutíveis por força da regra geral prevista no art. 299 do RIR/1999. Sobre esse ponto o Acórdão recorrido apresenta as seguintes razões de decidir: A legislação do imposto de renda, à semelhança do tratamento dispensado aos royalties, também impõe uma série de condições para que seja autorizada a dedução, como despesa operacional, das importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, encontrandose o assunto regulamentado pelo artigo 354 do RIR/1999: Art. 354. As importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, somente poderão ser deduzidas como despesas operacionais quando satisfizerem aos seguintes requisitos (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52): I constarem de contrato registrado no Banco Central do Brasil; II corresponderem a serviços efetivamente prestados à empresa através de técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao País, ou estudos técnicos realizados no exterior por conta da empresa; Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 23 22 III o montante anual dos pagamentos não exceder ao limite fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda, de conformidade com a legislação específica. § 1º As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa ou da introdução do processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo esse prazo ser prorrogado até mais cinco anos por autorização do Conselho Monetário Nacional (Lei n° 4.131, de 1962, art. 12, §3°). § 2° Não serão dedutíveis as despesas referidas neste artigo, quando pagas ou creditadas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52, parágrafo único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. § 3º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial lNPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n° 8.383, de 1991, art. 50). (realcei) Já o art. 355 do RIR/1999 regulamenta os limites de dedução comuns às despesas com royalties e com assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes: Limite e Condições de Dedutibilidade Art. 355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita liquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei n 3.470, de 1958, art. 74, e Lei w° 4.131, de 1962, art. 12, e Decreto Lei n? 1.730, de 1979, art. 6?). § 1 Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 24 23 atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei n 4.131, de 1962, art. 12) § 2 Não são dedutíveis as quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria e de comércio, e por assistência técnica, científica; administrativa ou semelhante, que não satisfizerem às condições previstas neste Decreto ou excederem aos limites referidos neste artigo, as quais serão consideradas como lucros distribuídos (Lei n 4.131, de 1962, arts. 12 e 13). § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n? 9.279, de 14 de maio de 1996. As despesas realizadas pela pessoa jurídica serão dedutíveis, como regra geral, no momento em que forem incorridas ou pagas e quando se mostrarem necessárias, usuais ou normais no tipo de operações ou atividades da empresa, nos termos preconizados pelo art. 47 da Lei n° 4.506/1964, regulamentado no art. 299 do RIR/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47, § Io). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47, § 2o). § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n" 4.506, de 1964, art. 47). Os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade são condições gerais mínimas para que qualquer despesa possa ser considerada dedutível na determinação do Lucro Real. Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 25 24 Sem prejuízo da observância da regra geral de dedutibilidade tributária, o legislador fixou outras restrições específicas às remessas de importâncias efetuadas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de pagamentos de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante. A Lei n° 4.131/1962, que disciplinou a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores ao exterior, vedava que filial ou subsidiária de empresa estabelecida no Brasil enviasse a sua matriz com sede no exterior royalties pelo uso de patentes de invenção e de marcas de indústria e comércio, bem como a dedução desses valores da base de cálculo do imposto de renda. Posteriormente, a Lei n° 4.506/1964, que tratou do imposto de renda, vedou a dedutibilidade dos royalties relativos ao uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantivesse, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, bem como estendeu a proibição de dedução para os pagamentos efetuados a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quando existente a mencionada vinculação entre a pessoa jurídica nacional e a estrangeira. A partir do advento da Lei n° 8.383/1991, o legislador estendeu à pessoa jurídica nacional que tomasse serviços de controladora sediada no exterior a autorização para dedução dessas importâncias para fins de apuração do Lucro Real, desde que observados os mesmos requisitos aplicáveis na hipótese de serviço tomado de sociedade estrangeira sem vinculação societária: (i) o contrato estar averbado no INPI, (ii) registro no BACEN e, (iii) cumprir os demais limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor. Os condicionamentos legais que autorizam a atual dedução de importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, regulamentados pelos artigos 352 a 355 do RIR/1999, permitem concluir que a política cambial e tributária procura restringir remessas de tais naturezas quando as partes são relacionadas, indicando que, nestas situações, a não dedutibilidade dessas despesas seria a regra, somente ultrapassada pela via da exceção, quando atendidos determinados limites e requisitos, dentre os quais, o registro no Bacen e a averbação no INPI dos respectivos contratos. Portanto, se os contratos de serviços técnicos prestados por controladora no exterior não forem passíveis de registro no Bacen e de averbação no INPI, o tomador dos serviços no País não estará autorizado a deduzir os respectivos pagamentos da base de cálculo do IRPJ, na medida que a essa modalidade de despesa, além da necessária observação dos requisitos gerais de dedutibilidade discriminados no art. 299, ainda são impostas as regras específicas dos artigos 352 a 355 do RIR/1999. Assim, não é correto afirmar que os pagamentos decorrentes de contratos que não envolvam transferência de tecnologia, ou que não estejam registrados nestes órgãos, possam ser classificados como despesas dedutíveis, somente por aplicação da regra geral prevista no art. 299 do RIR/1999. A glosa ora contraposta foi efetuada segundo a conclusão do autuante de que as operações contratadas pela fiscalizada caracterizaram transferência de tecnologia, sendo assim, necessário enfrentar a questão a partir dessa premissa. Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 26 25 O art. 354 do RIR/1999, em seu § 3°, incorporando os ditames da Lei n° 8.383/1991, consigna que a vedação à dedução fiscal de despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes., quando pagas ou creditadas pela sociedade com sede no Brasil a sua controladora no exterior, não é aplicável aos contratos assinados e averbados no INPI: Art. 354.(...) §2° Não serão dedutíveis as despesas referidas neste artigo, quando pagas ou creditadas (Lei n°4.506, de 1964, art. 52, parágrafo único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; II pela sociedade com sede rio,.. Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. § 3o O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n° 8.383, de 1991, art. 50). (realcei) O § 3o do art. 355 do Regulamento, em simetria com o dispositivo anterior, além de repetir a necessidade de averbação no INPI, como condição de dedutibilidade, vincula as atividades de "assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços especializados" à expressão "transferência de tecnologia": Art. 355.(...) §3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n 9.279, de 14 de maio de 1996. (realcei) Os serviços discriminados no § 3o do art. 355 do RIR/1999 (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados), podem envolver, ou não, transferência de tecnologia, cabendo ao INPI a atribuição de averbar contratos de prestação de serviços que apresentem essa característica. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 27 26 Por sua vez, o INPI é uma autarquia cuja principal atribuição é executar as normas que regulam a propriedade industrial, tendo em vista sua função social, econômica, jurídica e técnica, cabendolhe o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros, nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/1996 (Lei de Propriedade Industrial), razão pela qual é essencial verificar o alcance da expressão "transferência de tecnologia" para esse órgão. A autarquia, ao regulamentar o referido art. 211 da LPI, editou o Ato Normativo INPI n° 135/97, que, em seu item 2, trouxe o seguinte entendimento: 2. O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e os contratos de franquia. Percebese que na acepção do referido Ato Normativo, os contratos que implicam transferência de tecnologia são os de licença de direitos e de aquisição de conhecimentos tecnológicos, sendo que este, por sua vez, compreende os contratos de fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica. As informações prestadas pelo INPI em seu sítio eletrônico na Internet (www.inpi.gov.br) levam à conclusão de que o órgão entende ser possível ocorrer transferência de tecnologia, ainda que não seja este o objeto principal do contrato de prestação de serviço, a teor de sua manifestação sobre os efeitos da averbação (http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pasta_oquee/efeitos_html, em 16/11/2010): Efeitos da averbação/registro A averbação/registro de contrato de tecnologia é condição para: (...) 3. Autorizar a dedutibilidade fiscal, por delegação de competência da Receita Federal e posteriormente por competência legal (Decreto N" 3.000/99),das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties pela exploração ou cessão de patentes, pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (aquisição de knowhow, assistência técnica, científica administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) e franquia. O INPI deixa claro que a aquisição de knowhow (vocábulo que "Designa os conhecimentos técnicos, culturais e administrativos", conforme significado dado pelo Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 6.0.1.) é uma das modalidades contratuais que envolvem transferência de tecnologia, tanto quanto aquelas relativas a serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes e de projetos ou serviços técnicos especializados. Ou seja, o INPI considera que os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 28 27 técnicos especializados também envolvem transferência de tecnologia e, assim, devem ser averbados. Essa é a razão pela qual a autarquia, ao invés de editar uma lista de serviços passíveis de averbação, sob o risco de se produzir um documento demasiadamente extenso, fez o contrário, elaborou uma lista de serviços não registráveis, relacionando serviços que não caracterizam transferência de tecnologia (http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pasta_oquee/serv.dispensados_ html, em 02/09/2010): Serviços não registráveis Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei n" 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: 1. Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc); 2. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; 3. Homologação e certificação de qualidade de produtos;4. Consultoria na área financeira; 5. Consultoria na área comercial; 6. Consultoria na área jurídica; 7. Consultoria visando participação em licitação; 8. Serviços de "marketing"; 9. Consultoria realizada sem a vinda de técnicos às instalações da empresa cessionária; 10. Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software,); 11. Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software,) que não caracterize transferência de tecnologia para a fabricação ou desenvolvimento de programa de computador (software,), conforme Art. 11 da Lei nº 9.609/98; 12. Licença de uso de programa de computador (software); 13. Distribuição de programa de computador (software,); 14. Aquisição de cópia única de programa de computador (software). Embora não constitua uma lista exaustiva, é forçoso deduzir que o INPI, objetivando orientar seus administrados, relacionou os serviços mais representativos de hipóteses em que a averbação seria incabível. Por outro lado, os serviços constantes da lista trazem características que, além de orientar as partes interessadas a identificar contratos não passíveis de registro, também permitem a formação, por contraste, de um juízo acerca dos contratos que devam passar pela anotação do órgão. Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 29 28 Neste sentido, fazse útil, ao deslinde da questão, observar o serviço constante no item 2 da lista, descrito como "Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos". Segundo o INPI, somente o contrato de serviço que se encontre exatamente na condição descrita no item 2 da lista é que estará dispensado do registro. Caso o ausente qualquer uma das características descritas, restará evidenciada a transferência de tecnologia e o contrato estará sujeito à anotação da autarquia. Assim, podese dizer que o contrato deverá ser averbado se: determinado serviço for prestado no exterior com a presença de técnicos brasileiros, independentemente de produzidos documentos e/ou relatórios; determinado serviço for prestado no exterior sem a presença de técnicos brasileiros, mas em razão dele forem gerados documentos e/ou relatórios; ou, determinado serviço for prestado no País, independentemente de produzidos documentos e/ou relatórios, haja vista que o serviço será supervisionado pela tomadora no País. Percebese que a concepção do INPI de transferência de tecnologia está calcada na possibilidade de ocorrência de acompanhamento do serviço prestado, que pode se dar durante sua realização pelos técnicos enviados ao exterior ou, de uma forma mais próxima, quando o serviço é realizado por um técnico estrangeiro no estabelecimento da própria empresa no Brasil ou, a posteriori quando a tomadora, mediante contato com documentos e relatórios gerados pelo prestador dos serviços, pode avaliar e usufruir o trabalho realizado. Portanto, a lista e as demais orientações da autarquia corroboram seu entendimento de que o serviço de assistência técnica, em regra, veicula transferência de conhecimento acerca do trabalho realizado pelo prestador de serviços, independentemente de existência de cláusula formal neste sentido. O INPI também externa seu entendimento sobre o alcance da expressão Serviços de Assistência Técnica e Científica", ou "SAT", em seu sítio eletrônico (http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/tiposdecontrato/prestacaode servicosdeassistenciatecnicaecientifíca, em 12/11/2010): Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica (SAT) Contratos que estipulam as condições de obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, bem como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução ou prestação de serviços especializados. São passíveis de registro no INPI os serviços relacionados a atividadefim da empresa, assim como os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior, quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem (sic) qualquer tipo de documento, como por exemplo, relatório. O INPI não vincula o reconhecimento de transferência de tecnologia à capacidade da tomadora de serviços em absorver ou implementála. Ou seja, podese concluir que um tomador de serviços pode ser desprovido de condições técnicas ou jurídicas necessárias para implementar uma determinada tecnologia, o que não o impedirá, entretanto, de adquirila em um primeiro momento e, mais tarde, executá la à medida que for possível ou julgar conveniente. Assim, adoto os critérios utilizados pelo órgão técnico responsável por identificar contratos que implicam transferência de tecnologia. Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 30 29 Quanto ao registro dessas operações no Banco Central do Brasil, fazse necessário analisar as informações constantes em seu sítio eletrônico. O Bacen mantém o RDE Registro Declaratório Eletrônico de capitais estrangeiros no país, consistente num conjunto de sistemas informatizados destinado à captação eletrônica dos dados relativos às operações de créditos, investimentos externos e importação de tecnologia (http://www.bcb.gov.br/glossario.asp? Definicao= 175&idioma=P&idpai=GLOSSARIO, em 16/11/2010). O art. 1º da CircularBacen n° 2.816, de 15/04/1998 instituiu o Registro Declaratório Eletrônico (RDE) para as operações passíveis de averbação no INPI, conforme transcrição literal a seguir: Art. 1º Instituir, a partir de 22.04.98. o Registro Declaratório Eletrônico (RDE) para as operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no País, relativas a: I. Fornecimento de tecnologia: II. Serviços de assistência técnica: III. Licença de uso/Cessão de marca; IV. Licença de exploração/Cessão de patente; V. Franquia; VI. Demais modalidades, além das elencadas de I a V acima, que vierem a ser averbadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI: VII. Serviços técnicos complementares e/ou despesas vinculadas às operações enunciadas nos incisos Ia VI deste artigo não sujeitos a averbação pelo INPI. e VIII. Aquisição de bens intangíveis com prazo de pagamento superior a 360 dias; IX. Financiamento das operações mencionadas neste artigo. Por sua vez, a CartaCircular n° 2.795, de 15/04/1998, regulamenta o RDE das operações elencadas no art. 1º da Circular n° 2.816, de 15/04/1998, assim estabelecendo seus artigos 1º e 2o do regulamento anexo à aludida cartacircular: Art. 1º. Este regulamento aplicase às operações definidas no artigo 1º da Circular n° 2.816, de 15.04.98. Art. 2°. O registro declaratório eletrônico de cada operação efetuase após obtenção do Certificado de Averbação concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para operações que envolvam direitos de propriedade industrial, fornecimento de tecnologia, prestação de serviços de assistência técnica e franquia. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 31 30 Parágrafo único. Devem ser registrados, ainda, os serviços técnicos complementares e/ou despesas vinculadas às operações descritas no "caput" deste artigo, mesmo quando não sujeitos a averbação pelo INPI. Percebese que o Bacen, além de exigir o registro daquelas mesmas operações sujeitas ao registro no INPI, ainda exige que sejam registrados os serviços técnicos complementares ou despesas vinculadas àquelas operações, ainda que estas não se sujeitem ao registro no INPI. Com base em tais razões da DRJ, entendo que as operações que envolvam serviço técnico especializado, em que há a exigência quanto à sua averbação no INPI, também será necessário o devido registro no Bacen, como condição de dedutibilidade dos valores pagos da base de cálculo do IRPJ. Com base em tais fundamentos, passo à análise das glosas impugnadas. A recorrente alega que os contratos de câmbio n° 05/056304, 05/055967, 05/067156, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985 correspondem a remessas destinadas ao pagamento de serviços tomados de sua controladora indireta Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG (VSHPG), consistentes no fornecimento de especificações para determinação das turbinas hidráulicas utilizadas nos seguintes projetos relacionados pela contribuinte (fis. 1685): Afirma a recorrente que as especificações são utilizadas na fase de oferta ou proposta de licitação do projeto ("fase 0"), quando precisa determinar seu preço, não tendo como saber como a VSHPG chegou àquelas especificações, não ocorrendo, assim, qualquer transferência de tecnologia. Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: O autuante assinalou, na fase de fiscalização, que a contribuinte, a despeito de intimada, não apresentou instrumentos contratuais que motivaram as referidas remessas, circunstância que também se observa junto à presente impugnação. Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 32 31 Todavia, as faturas e elementos da escrituração da Impugnante (doc. 04), bem como as constatações do autuante, permitem concluir que os serviços tomados se referem a prestação de consultoria técnica de engenharia hidráulica a diversos projetos desenvolvidos pela fiscalizada, configurando serviço de prestação de serviço de assistência técnica e científica (SAT). Segundo a Impugnante, a partir de informações sobre a geologia do terreno e da força do rio prestadas por ela, a controladora alemã enviou especificações para que fosse determinado o tipo de turbina a ser utilizada no projeto de engenharia submetida a licitação. Conforme apurou o autuante (fis. 1578), a fiscalizada informou que os serviços tomados consistiram em estudos técnicos elaborados na Alemanha, materializados em relatórios e compilações encaminhados à contribuinte, circunstância que caracteriza transferência de tecnologia e, portanto, tornam os respectivos contratos passíveis de registro junto ao INPI. Caso a controladora tivesse encaminhado apenas a especificação da turbina, ou seja, fornecido uma resposta direta sobre o equipamento a ser utilizado pela fiscalizada, não haveria dúvida que não se estaria diante de hipótese de transferência de tecnologia. Todavia, o serviço consistiu na realização de estudos técnicos que foram fornecidos à contribuinte mediante relatório, circunstância que caracteriza transferência de tecnologia. Repitase, não se confunde transferência de tecnologia com capacidade técnica ou autorização jurídica para absorvêla. O fato de a contribuinte ter se utilizado das especificações técnicas em fase de oferta ou de proposta de licitação, ou ainda, de a fiscalizada não deter experiência anterior armazenada, não é suficiente para desnaturar a caracterização jurídica de transferência de tecnologia. Também não se confunde a prestação de serviço de "consultoria visando a participação de licitação" com consultoria para determinar o objeto da licitação. O serviço de "consultoria visando a participação em licitação", cujo contrato prescinde de registro no INPI, consiste em prestação de assessoria na participação do processo concorrencial propriamente considerado, mas não, do seu objeto. Assim, no caso da contribuinte, ao contratar os serviços de consultoria em engenharia de sua controladora, foram obtidas informações necessárias para definir técnica e financeiramente a turbina hidráulica adequada para o projeto em que estava concorrendo, sendo que o recebimento de relatórios e compilação de testes configurou transferência de tecnologia. A consultoria para participação de licitações compreende na prestação de informações relativas aos aspectos jurídicos, prazos, certidões, garantias e documentos que envolvem essa modalidade de seleção de aquisição de bens e serviços pela administração pública. Tais orientações dizem respeito ao procedimento concorrencial e não veiculam conhecimento tecnológico, não se sujeitando o respectivo contrato de consultoria, portanto, às regras dos serviços que envolvem transferência de tecnologia. Além da ausência de averbação no INPI dos contratos relativos ao fornecimento pela controladora alemã de especificações para determinação das turbinas hidráulicas utilizadas pela contribuinte em licitações, o que já seria suficiente para desautorizar a dedução de tais valores na apuração do Lucro Real, a falta de registro desses instrumentos contratuais junto ao Bacen é outra circunstância impeditiva à pretensão da Impugnante, configurando Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 33 32 descumprimento das exigências legais regulamentadas pelos artigos 354,1, II, §§ 2o e 3o e 355, § 3o, ambos do RIR/1999. Nesse ponto, portanto, adoto tais razões da DRJ para negar provimento ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas relativas às remessas dos contratos de câmbio n°s. 05/056304 (R$ 32.223,58), 05/055967 (R$ 23.777,76), 05/067156 (R$ 29.629,78), 05/061569 (R$31.650,66), 05/065198 (R$ 234.625,02), 04/005828 (R$ 1.651.670,70) e 04/005985 (R$ 300.792,37). A recorrente também nega a ocorrência de transferência de tecnologia nos seguintes serviços tomados por controladora sediada no exterior: Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: Segundo a Impugnante, os contratos de câmbio n°s 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815 correspondem a pagamentos por serviços de ensaio de modelo hidráulico de turbinas e simulações, em computador, do escoamento de fluídos de turbinas Kaplan e Francis, executados na fase de "Desenvolvimento Hidráulico" (fase 1) dos projetos, cujos resultados se prestam para a execução do "Projeto Hidráulico" (fase 2), consistente em especificação da engenharia hidráulica do protótipo necessária para a engenharia mecânica da turbina. O serviço foi prestado pela controladora da fiscalizada sediada no exterior, sendo inerente a esse tipo de estudo a produção de relatório em que são descritas as circunstâncias, condições e elementos que influenciaram os resultados obtidos no ensaio do modelo hidráulico realizado. Portanto, tratouse de serviços destinados a produzir estudo acerca do funcionamento de turbinas, em escala menor, com a finalidade de orientar a fiscalizada em seu projeto de construção futura em escala real, configurando a prestação de serviços de assistência técnica e científica (SAT). Não há como negar que a materialização do serviço, mediante produção de um relatório do ensaio realizado, contendo os resultados obtidos, configura transferência de tecnologia e impõe a averbação do contrato no INPI. Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 34 33 Assim, a caracterização jurídica da transferência de tecnologia prescinde que a fiscalizada possua banco de dados com experiências acumuladas ou de laboratório equipado para realizar tais ensaios e simulações, pois não se confunde capacidade de absorção ou de execução de tecnologia com a sua transferência. No mesmo sentido, eventual proibição contratual de a fiscalizada prestar serviços de ensaio de modelo hidráulico ou de transposição de ensaio de modelo hidráulico de quaisquer turbinas, conforme sugere a norma interna do Grupo Voith denominada "Diretriz 410" (doe. 07), também não tem o condão de descaracterizar a transferência de tecnologia, nos termos da legislação tributária e do entendimento do tema expressado pelo INPI. Por tais razões, portanto, o contrato de prestação de serviços deveria ter sido averbado no INPI, bem como registrado no Bacen, restando descumpridas as condições legais de dedutibilidade regulamentadas pelos artigos 354, I, II, §§ 2o e 3o e 355, § 3o do RIR/1999, impondose a manutenção da glosa das deduções do lucro real dos valores correspondentes aos contratos de câmbio n°s 04/017964 (R$ 989.433,12), 04/063974 (R$ 1.030.646,99), 04/044588 (R$ 86.927,72), 05/028338 (R$ 394.445,10) e 05/062815 (R$ 22.532,21). A Impugnante também alega que seria impossível ocorrer transferência de tecnologia para o seguinte serviço: Contrato de Câmbio n" Pedido de Compra n° Fatura Internacional n" Descrição dos Serviços Projeto Custo (RS) 04/054247 161598 DR20425140 Relatório de transposição de ensaio de modelo ou protótipo de turbinas hidráulicas e especifícações da engenharia hidráulica do protótipo para a mecânica da turbina. Salto Pilão 176.339,94 Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: A Impugnante aduz que são:.serviços consistentes no aproveitamento dos resultados de ensaios de modelos hidráulicos dé turbinas construídas para outros projetos e que foram transpostos para o modelo hidráulico de turbinas do projeto em andamento de Salto Pilão e que, consistindo numa espécie de fusão das fases 1 e 2 do projeto de construção de turbina hidráulica, faltariam as condições necessárias para a absorção de tecnologia. O serviço tomado, tal como os anteriores imediatamente analisados, equivale ao de assistência técnica ("SAT") e, pelas mesmas razões, que não serão novamente reproduzidas, evitandose desnecessária repetição, envolve transferência de tecnologia. Por tais razões, portanto, ausentes a averbação do correspondente contrato de prestação de serviço no INPI e, cumulativamente, o registro no Bacen, não é possível aceitar a dedução do valor correspondente à remessa objeto do contrato de câmbio n° 04/054247 (R$ 176.339,94), haja vista restarem infringidas as determinações legais regulamentadas pelos artigos 354, I, II, §§ 2o e 3o e 355, § 3o do RIR/1999. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 35 34 O contrato de câmbio n° 04/033127 corresponde à remessa correspondente aos serviços de supervisão de desmontagem, montagem e de reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores: Contrato de Câmbio n° Pedido de Compra n° Fatura Internacional n" Descrição dos Serviços Custo (RS) 04/033127 150096 200410007B Supervisão de desmontagem, montagem e reforma de maquinas de isolar. 107.532,19 Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: Tratase de serviço de assistência técnica realizada no Brasil por técnico enviado pela empresa suíça Micamation que, de acordo com as informações prestadas pela contribuinte, participou da supervisão de montagem, remontagem e reforma de máquina de isolar enrolamentos de estator de hidrogeradores. Embora não tenha sido encaminhado o respectivo instrumento contratual, a descrição do serviço permite concluir se tratar de serviço de assistência técnica tomado pela contribuinte e, a teor do que dispõe os incisos I e II do art. 354 e § 3o do art. 355 do RIR/1999, o pagamento correspondente ao serviço efetivamente prestado à Impugnante, através do envio ao país de técnico estrangeiro, somente seria dedutível, desde que o respectivo contrato estivesse registrado junto ao INPI e ao Bacen. É de se observar que esses requisitos de dedutibilidade de despesas relativas a assistência técnica prestada por pessoa residente no exterior devem ser observados, independentemente de as partes serem empresas relacionadas. As Leis n°s. 4.131/1962 e 4.506/1964 vedavam a dedução da base de cálculo do imposto de renda, como despesa operacional, dos valores remetidos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quando a sociedade pagadora com sede no Brasil fosse, direta ou indiretamente, controlada pela beneficiária desses pagamentos. Quanto às demais pessoas jurídicas, a dedução dessas remessas ao exterior era permitida desde que observados determinados requisitos, dentre eles, que houvesse contrato por escrito registrado na Superintendência da Moeda e do Crédito, e, posteriormente, ficou também condicionada à averbação dos contratos no INPI. Com o advento da Lei n° 8.383/1991, as importâncias pagas pela sociedade sediada no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que detivesse o controle de seu capital votante passaram a ser dedutíveis, desde que decorrentes de contratos celebrados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e registrados no Banco Central do Brasil, depois de 31 de dezembro de 1991, além de observados os demais limites estabelecidos pela legislação em vigor. Portanto o registro no Bacen e a averbação no INPI foram primeiramente exigidos das pessoas jurídicas em geral, como requisitos de dedutibilidade de despesas relativas a pagamentos efetuadas a beneficiários no exterior, relativos a despesas de assistência técnica, sendo mais tarde estendidos às pessoas jurídicas controladas pelos beneficiários estrangeiros. Por tais razões, ainda que não haja vinculação societária entre a autuada e a Micamation, a legislação tributária prevê a observação desses dois requisitos de Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 36 35 dedutibilidade e, portanto, também entendo procedente a glosa da despesa correspondente ao contrato de câmbio n° 04/033127 (R$ 107.532,19). A Impugnante afirma que não ocorreu transferência de tecnologia com o serviço vinculado ao contrato de câmbio n° 04/010872: Contrato de Cambio n° Pedido de Compra n Fatura Internacional n° Descrição do Serviço Projeto Custo (RS) 04/010872 153210 DR20425052 (de 27/02/04) Avaliação das trincas nas chapas da cruzeta na obra Itaipu 63.938,14 Salienta que, contratou os serviços de sua controladora alemã, que enviou um técnico que avaliou trincas existentes em duas turbinas da usina de Itaipu, tendo proposto soluções, sem ensinar como teria chegado àquelas conclusões. Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: Tratase de prestação de serviço eminentemente técnico de engenharia. Conforme consignado no TVF (fis. 1581), a contribuinte informou que, por força do serviço prestado, foram produzidos relatórios pela controladora alemã, circunstância que configura transferência de tecnologia e sujeita o respectivo contrato ao controle do INPI, mediante averbação, conforme previsto no inciso II do art. 354 e §3° do art. 355, ambos do RIR/1999. O serviço de assistência técnica foi prestado por sociedade sediada no exterior, circunstância que também exigiria o devido registro do contrato no Bacen para que o valor correspondente a sua remuneração fosse considerado dedutível pela tomadora de serviços brasileira, nos termos preceituados pelo art. 354,1 do RIR/1999. Com base em tais razões, face à ausência dessas duas condições de dedutibilidade de gastos com serviço de assistência técnica prestado por entidade estrangeira, entendo que deve ser mantido o lançamento sobre o valor de R$ 63.938,14, correspondente ao contrato de câmbio n° 04/010872, reconhecido indevidamente como custo do período. A recorrente também impugna as glosas correspondentes aos seguintes gastos: Contrato de Câmbio Beneficiário Peädo de Compra n° Fatura Int/' n° ou data Data da remessa Descrição do Serviço Custo ß\S) 041001946 GWTdaUniv. Dresden 150524 (doc. WA) 0302037 (doc. WA) 16/01/04 81.977,32 041043952 GWTdaUniv. Dresden 159038 (doc. 10B) 0401604 (doc. WB) 17/09/04 170.133,98 041049232 GWTdaUniv. Dresden 160808 (doc. WC) 0401755 (doc. WC) 14/10/04 170.752,58 04/023181 Univ. Dresden 155856 (doc.WD) 051833 (doc. WD) 02/06/04 79.139,57 05/011923 Univ. Dresden 165401 (doc. WE) 053627 (doc. WE) 01/03/05 270.508,58 05/037725 Univ. Dresden 169654 (doc. 10F) 057847 (doc. 10F) 30/06/05 Pesquisa para aperfeiçoamento dos cálculos do Software DI 1204, o qual dimensiona os hidrogeradores fabricados pela Impugnante. 48.039,00 Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 37 36 05/037727 Univ. Dresden 169341 (doc.10G) 057468 (doc. WG) 30/06/05 190.235,83 05/052042 Univ. Dresden 172035 (doc.WH) 059566 (doc. WH) 31/08/05 49.257,63 05/061570 Univ. Dresden 173415 (doc. 101) 059687 (doc. 101) 11/10/05 112.818,33 05/062813 Univ. Dresden 173825 (doc. 10]) 059770 (doc. 10]) 17/10/05 67.811,39 04/004477 Rudolf von Musi/ 151545 (doc. 10K) 06/01/04 (doc. 10K) 04/02/04 24.675,94 04/049262 Rudolf von Musi/ 160806 (doc. 10L) 17/08/04 (doc. 10L) 14/10/04 26.379,09 05/055965 Rudolf von Musi/ 172968 (doc.10M) 25/08/05 (doc. 10M) 19/09/05 23.523,67 04/004765 Klaus Reppe 151547 (docJON) 14/12/03 (doc.WN) 06/02/04 29.684,80 05/045813 Achim Piesche 171056 (doc.WO) 08/06/05 (doc. 10O) 05/08/05 71.255,97 Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: A Impugnante alega que esses gastos referemse a serviços executados pela Universidade Técnica de Dresden e seus colaboradores na Alemanha, correspondentes em realização de pesquisa científica, sendo que tais pagamentos não se submeteriam aos requisitos de dedutibilidade dos artigos 354 e 355 do Decreto n° 3000/1999, mas aos ditames do art. 349 desse Regulamento: Art. 349. Serão admitidas como operacionais as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação para criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção, administração ou venda (Lei n° 4.506, de 1964, art. 53). § 1o Serão igualmente dedutíveis as despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por concessionários de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro de minas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 53, § 1o). § 2o Não serão incluídas como despesas operacionais as inversões de capital em terrenos, instalações fixas ou equipamentos adquiridos para as pesquisas referidas neste artigo (Lei n° 4.506, de 1964, art. 53, § 2o). § 3° Nos casos previstos no parágrafo anterior, poderá ser deduzida como despesa a depreciação ou o valor residual de equipamentos ou instalações industriais no período de apuração em que a pesquisa for abandonada por insucesso, computado como receita o valor do salvado dos referidos bens (Lein04.506, de 1964, art. 53, §3o). Às fls. 2079/2109, foi acostada a tradução juramentada de documento no idioma alemão identificado como "Contrato de Prestação de Serviço e de Pesquisa e Desenvolvimento", do qual fazem parte catorze anexos, constando a Impugnante como parte "Contratante" e a Universidade Técnica de Dresden (TUD), a "Contratada". Notase que a contribuinte, em fase de fiscalização, apresentou documento semelhante ao contrato traduzido (fls. 635/644), notandose que aquele qualificou as Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 38 37 partes como "Cliente" (Impugnante) e "Fornecedor" (TUD), além de se encontrar incompleto, apenas constando o Anexo 1. O § 1o do documento traduzido trata do objeto do contrato, identificado como "prosseguimento aos temas de P&D decorrentes do período de cooperação anterior, para o aprofundamento do cálculo do circuito de refrigeração, do aquecimento de componentes, dos parâmetros das máquinas, dos efeitos parasitas e prejudiciais às máquinas, como o aquecimento das extremidades dos pacotes de chapas do estator, ou das correntes no enrolamento amortecedor devido às cargas desequilibradas, e estendido para o cálculo numérico aplicado ao circuito magnético de máquinas de pólos salientes". Os catorze anexos que acompanham o contrato trazem os seguinte títulos: • Anexo 1 Trabalhos de Pesquisa e Desenvolvimento Acertados e sua Remuneração • Anexo 2 Verificação do programa de cálculo das perdas de correntes parasitas • Anexo 3 Determinação das perdas nas placas de pressão • Anexo 4 Perdas nos dentes do estator de hidrogeradores • Anexo 5 Estudo básico sobre as perdas nos dentes dos estatores de hidrogeradores • Anexo 6 Cálculo das perdas de curtos circuitos em hidrogeradores • Anexo 7 Cálculo das ondas de forças radiais com base no programa DI 3551 (Cálculo do Ruído de Origem Magnética em Máquinas Síncronas) • Anexo 8 Unificação dos Resultados de Cálculo de Perdas no DI 1204 (Projeto Elétrico de Máquinas Síncronas de Poios Salientes) • Anexo 9 Cálculo das forças nas cabeças das barras do enrolamento estatórico de hidrogeradores para a carga nominal, curto circuito e sincronização fora de fase • • Anexo 10 Cálculo do circuito magnético de hidrogeradores, com um método numérico de cálculo de tempo, para correntes no estator e no rotor especificadas . • Anexo 11 Estudo de viabilidade para o circuito numérico de reatâncias saturadas de gerador, em casos de curtoscircuitos bruscos • Anexo 12 Modificação do programa para o cálculo do desgaste da proteção anticorona (EGS) nas cabeças do enrolamento estatórico para dimensionamento do EGS • Anexo 13 Pesquisas das vazões de ar não uniformes nos estatores no modelo SHAHID 1:8 / transmissão de calor nas cabeças das barras do enrolamento • Anexo 14 Cálculo numérico da perda de pressão na entrada do pacote de chapas do estator de hidrogeradores Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 39 38 A Impugnante, apoiada pelo relatório técnico de fis. 2111/2116, afirma que o serviço executado objetivou aperfeiçoar processos e cálculos do programa de computador da contribuinte "DI 1204" utilizado para dimensionamento de hidrogeradores fabricados por ela. Cada um dos anexos traz a descrição da tarefa a ser executada, a metodologia e as etapas de desenvolvimento e a leitura dos itens dos anexos indica que o serviço prestado pela TUD consistiu na execução de estudos e pesquisas na área de desenvolvimento de hidrogeradores, sendo que são feitas vinculações dessas atividades ao referido programa de computador em diversos trechos dos referidos anexos, como por exemplo, no Anexo 10, de fis. 2100: A) Descrição da tarefa: O módulo numérico para o cálculo do circuito magnético deve substituir o método convencional que vinha sendo utilizado até esta data. Ele deverá possibilitar um cálculo sem as hipóteses que se faziam no passado sobre os trajetos do campo no circuito magnético dos geradores dos apoios salientes, para que se possam obter, mesmo em casos de aumento de carga, resultados isentos de juízos de valor, não contaminados por eventuais pressupostos obsoletos. O modelo de cálculo numérico, analogamente ao modelo anterior, deverá ser implementado no programa usual DI 1204 e utilizar, o quanto possível, as mesmas interfaces. Percebese, também, que foi entregue à contribuinte um módulo de programa para ser implementado no Programa DI 1204, além de ter sido apresentado o método de cálculo desenvolvido, os resultados e produzidos relatórios, como se depreende da leitura da "Etapa de Desenvolvimento" do Anexo 09 (fis. 2100): São esperadas pela Contratante as seguintes Etapas de Desenvolvimento, de acordo com a Metodologia, Anexo 9, Item B: 1. Reunião de coordenação sobre as metas do cálculo das perdas devidas a curtocircuitos em hidrogeradotes. Será realizada no outono de 2003. 2. Apresentação do método de cálculo desenvolvido e dos resultados. Relatório final Entrega do módulo de programa para ser implementado no Programa Dl 1204. Prazo: Primavera de 2004 (a combinar com a Contratante) Assim, é de se aceitar que o contrato de prestação de serviços com a TDU consistiu na atualização do programa de computador utilizado pela contribuinte em projetos de fabricação de hidrogeradores, cuja implementação se deu com o subsídio de experimentos e estudos prévios que foram acompanhados e adquiridos pela Impugnante, respectivamente, mediante presença em reuniões e recebimento de relatórios. Entretanto, ao contrário do que entende a Impugnante, a situação fática em análise se amolda, por especialidade, aos contornos delineados pelo art. 354 do RIR/1999 e não, aos do art. 349 do Regulamento. Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 40 39 O serviço de alteração do programa de computador objetivou melhorar o processo de fabricação de hidrogeradores, atividade empresarial desenvolvida pela autuada. Os gastos incorridos na pesquisa desenvolvida tiveram a finalidade de promover o aperfeiçoamento do programa de computador utilizado para projetar os hidrogeradores e poderiam ser considerados despesas operacionais e dedutíveis por força do art. 349 do RIR/1999, se não fosse o fato dessa pesquisa ter sido realizada e paga a pessoa jurídica e física domiciliadas no exterior, tais como a TUD e os profissionais subcontratados por ela. Nesta situação, a hipótese normativa deslocase para o art. 354 do RIR/1999, que condiciona a dedução de tal gasto ao cumprimento de regras específicas, dentre as quais, contrato averbado no INPI e registrado no Bacen. O contrato firmado com a TUD possibilitou que a Impugnante tivesse acesso a pesquisas e estudos que, materialmente, resultaram em alterações de seu programa de computador, mas, em última análise, foram realizados para aperfeiçoar sua atividade de fabricação de hidrogeradores, situação que, na concepção do INPI, é considerada prestação de serviço de assistência técnica e científica, correspondente à realização de pesquisas, estudos e projetos destinados ao aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas pela contribuinte. Conforme se observou, o INPI considera ocorrida a transferência de tecnologia, dentre outras hipóteses, quando o prestador de serviços entrega ao tomador relatórios das atividades executadas. Por sua vez, o documento traduzido estipulou cláusulas que permitiram à fiscalizada o acompanhamento de todas as etapas dos estudos e experimentos realizados pela TUD, bem como garantiu à contribuinte a propriedade dos relatórios e dos resultados da pesquisa realizada, circunstâncias que deixam evidente a ocorrência de transferência de tecnologia. O serviço realizado pela TDU e seus subcontratados também não se enquadra ao item 10 da lista de contratos dispensados de averbação no INPI consistente em "Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador fsq/tware/'. Esse rol de atividades contempla os chamados "serviços técnicos complementares", que são aqueles serviços prestados por empresas de desenvolvimento de programas de computador ou por aqueles que detêm sua titularidade de comercialização, e que têm por finalidade assegurar o adequado funcionamento desses produtos a seus usuários, conforme assentado no artigo 8o da Lei n° 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador: Art. 8o Aquele que comercializar programa de computador, quer seja titular dos direitos do programa, quer seja titular dos direitos de comercialização, fica obrigado, no território nacional, durante o prazo de validade técnica da respectiva versão, a assegurar aos respectivos usuários a prestação de serviços técnicos complementares relativos ao adequado funcionamento do programa, consideradas as suas especificações. Esta situação resta bem evidenciada com os chamados "softwares de prateleira", feitos em grande escala, de maneira padronizada e que são adquiridos pelos consumidores mediante contrato de licença de uso. Os serviços técnicos complementares oferecidos pelos fabricantes ou os titulares dos direitos de Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 41 40 comercialização desses programas de computador consistem, em geral, em atendimento telefônico ou por correio eletrônico, em que são respondidas dúvidas ou solucionados problemas relacionados à instalação ou operação desses programas. Entretanto, os serviços prestados por tais empresas não envolvem transferência de tecnologia, pois no caso dos programas de computador, para que essa situação se verifique é essencial que o seu fabricante forneça a descrição detalhada das rotinas e instruções que compõem a linguagem de programação utilizada, ou seja, revele e explique a seus usuários o códigofonte do software, o que não ocorre nos chamados "serviços técnicos complementares", destinados apenas a garantir a seus usuários um suporte técnico necessário para que possam operar regularmente o programa de computador adquirido. Os fabricantes de software de prateleira podem oferecêlo eventualmente com algumas funções diferenciadas, atendendo a necessidades específicas de seus usuários, procedimento denominado de "customização", hipótese em que o fabricante entrega o programa pronto, com as novas funções pedidas pelo usuário em operação, mas sem lhe revelar o códigofonte ou de que maneira alterou as rotinas ou linhas de programação. A situação da contribuinte não se enquadra na hipótese de "customização" a que se refere a listagem do INPI. A TUD não é uma empresa de desenvolvimento de software e este, por sua vez, segundo informou a própria contribuinte e o engenheiro que elaborou o laudo técnico de fis. 2130/2156, foi concebido pela própria Voith. O serviço contratado pela Impugnante junto à TUD consistiu no aperfeiçoamento dos cálculos do programa DI 1204. Entretanto, para que fossem feitas as alterações no programa, foi imperativo a realização de experimentos e estudos técnicos aplicados de engenharia. Por sua vez, o contrato traduzido deixa claro que a cliente Voith também adquiriu o serviço de pesquisa, tendo garantido contratualmente o acompanhamento de todas as etapas de seu desenvolvimento, o acesso à metodologia utilizada e, ao final, a aquisição da propriedade de seus resultados. Assim, a fiscalizada não somente adquiriu um serviço de aperfeiçoamento dos cálculos empregados em seu programa de computador, mas também garantiu a aquisição do conhecimento técnico que permitiu sua execução, o que não se confunde com uma "customização" de um software de prateleira, situação em que o cliente desse serviço recebe tãosomente o programa com as alterações desejadas, mas não sabe de que maneira elas foram executadas. No caso em debate, a contribuinte teve acesso irrestrito a todo o processo de pesquisa em engenharia que permitiu a reformulação dos cálculos utilizados em seu programa de computador, materializado em relatórios e documentos produzidos pela TUD, circunstância que, de acordo com a legislação do INPI, caracteriza transferência de tecnologia. Por fim, mesmo que essa pesquisa fosse considerada um "serviço técnico complementar", cujo contrato estaria dispensado de averbação no INPI, o registro no Bacen ainda seria obrigatório, por força da já referenciada CartaCircular n° 2795, de 15/04/1998. Com base em tais razões, entendo que o pagamento desse serviço somente poderia ter sido deduzido como despesa operacional se estivessem satisfeitos os requisitos consignados no art. 354 e 355 do RIR/1999, dentre os quais, a averbação do contrato no INPI e Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 42 41 o registro da operação no Bacen, não atendidas no caso, devendo ser mantida a glosa de R$1.416.193,68. A recorrente alega que por força do disposto no artigo 14 do Acordo para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital firmado entre o Brasil e a Alemanha, os rendimentos pagos aos engenheiros subcontratados pela TUD seriam tributados exclusivamente no país de residência desses profissionais liberais, qual seja, na Alemanha, e que, desta forma, seria vedado ao Brasil tributar esses mesmos rendimentos, mediante a glosa da dedução do Lucro Real dos valores pagos a esses profissionais. O Decreto n° 76.988/1976 aprovou o mencionado acordo que vigorou até 31.12.2005 e que, em seu art. 14, trouxe as seguintes disposições: ARTIGO 14 Profissões Independentes 1. Os rendimentos que um residente de um Estado Contratante obtenha pelo exercício de uma profissão liberal ou de outras atividades independentes de caráter análogo só são tributáveis nesse Estado, a não ser que o pagamento desses serviços e atividades caiba a um estabelecimento permanente situado no outro Estado Contratante ou a uma sociedade residente desse outro Estado. Nesse caso, esses rendimentos são tributáveis nesse outro Estado. 2. A expressão "profissão liberal" abrange, em especial, as atividades independentes de caráter cientifico, técnico, literário, artístico, educativo e pedagógico, bem como as atividades independentes de médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, dentistas e contadores. Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: A norma acordada entre os dois entes estatais definiu a quem caberia a tributação de rendimentos recebidos por profissionais liberais, sendo certo que suas disposições também eram aplicáveis quando as respectivas atividades eram exercidas por sociedade mercantil ou civil, por força de adendo ao Acordo. A glosa efetuada pela autoridade autuante não ofende o acordo celebrado entre as duas nações, uma vez que a medida fiscal objetiva recompor a base de cálculo do imposto incidente sobre a renda da pessoa jurídica que foi diminuída pela dedução da remuneração paga a tais profissionais, sem o cumprimento dos requisitos legalmente previstos para a dedução de tal despesa. Portanto, se o auto de infração, nesta matéria, não objetiva exigir o imposto de renda devido pelos profissionais liberais, em decorrência da remuneração por seus serviços prestados, não há que se falar em ofensa ao disposto no art. 14 do referido acordo, uma vez que não se está em discussão a titularidade da capacidade tributária ativa dessa exação. Por tais razões, entendo que deve ser mantida a glosa relativa às remessas efetuadas mediante os contratos de câmbio n°s. 04/004477, 04/049262, 05/055965, 04/004765 Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 43 42 e 05/045813, que atingiram um montante de R$ 175.419,47, conforme indicam os documentos 10K, 10L, 10M, l0Ne 100. Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: Não procede, pelas mesmas razões, a alegação de que as glosas das despesas relativas aos demais serviços de assistência técnica também configurariam uma violação do acordo internacional celebrado entre os dois países. A recorrente ressalta que, a remuneração dos serviços de assistência técnica seriam classificáveis, para fins de aplicação do acordo, como royalties, pois não passariam de "informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial", qualificação que restringiria ao Estado da Fonte, no caso o Brasil, o exercício de uma competência tributária de até 15% sobre tais valores, nos termos do art. 12: Art. 12 Royalties 1. Os royalties provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses royalties podem ser tributados no Estado Contratante de que provêm, de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder: a) 25% do montante bruto dos royalties, provenientes do uso ou da concessão do uso de marcas de indústria ou comércio; b) 15% em todos os demais casos. 3. O termo "royalties" empregado neste artigo designa as remunerações de qualquer natureza pagas pelo uso ou pela concessão do uso de um direito de autor sobre uma obra literária, artística ou científica (inclusive os filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiodifusão), qualquer patente, marcas de indústria ou comércio desenho ou modelo, plano, fórmula ou processo^, secretos, bem como pelo uso ou pela concessão do uso de um equipamento industrial, comercial ou cientifico e por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. O mencionado dispositivo estabelece regras e limites na tributação incidente sobre royalties provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante. Todavia, conforme já explicado, o presente lançamento visa recompor a base de cálculo do imposto incidente sobre a renda da recorrente, que é a contribuinte da relação jurídica obrigacional em discussão. Não se trata de exação incidente sobre os pagamentos relativos à assistência técnica prestada, cujos sujeitos passivos seriam os prestadores de serviços residentes no exterior e cuja legitimidade ativa para exigila Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 44 43 poderia, eventualmente, ensejar dúvida a ser sanada pelo acordo celebrado entre o Brasil e a Alemanha. Por tais razões, entendo que são improcedentes as alegações de que o lançamento violou o acordo promulgado pelo Decreto n° 76.988/1976, eis que ele sequer é aplicável ao caso em debate. Glosa de prejuízos compensados indevidamente O prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL originalmente apurados pela recorrente para o anocalendário 2003 foram reduzidos em função de ação fiscal desenvolvida anteriormente pela fiscalização, formalizada pelo Auto de Infração constante do Proc. n° 16561.000190/200813, também em pauta nesta sessão de julgamento, que provocou, por conseguinte, a redução das compensações dos resultados fiscais subsequentes efetuadas pela recorrente, com base naqueles saldos. Sobre essas alegações da recorrente, o Acórdão recorrido registra as seguintes razões de decidir: Portanto, deve ser mantida a glosa efetuada pelo autuante referente à compensação de prejuízo fiscal de R$11.043.959,97 para o anocalendário 2005. Todavia, o mesmo não sucede em relação à autuação relativa à glosa da compensação da base de cálculo negativa da CSLL. O autuante havia reduzido o saldo original da base de cálculo negativa da contribuição, relativa ao anocalendário 2003, de R$16.105.110,51, para R$6.676.446,39, por força da ação fiscal formalizada no mencionado processo autuado sob n° 16561.000190/200813. Entretanto, no respectivo acórdão, proferido por esta turma julgadora, a impugnação foi considerada parcialmente procedente, tendo sido reconhecido um saldo de base de cálculo negativa de CSLL de R$14.734.737,76. No anocalendário seguinte, de 2004, do saldo da base negativa da CSLL de 2003, a contribuinte utilizou R$ 5.005.256,45 para compensar o resultado positivo apurado no valor original de R$16.684.188,39. As infrações apuradas pelo autuante, para o anocalendário 2004, perfizeram um montante de R$5.902.473,05, do qual foram mantidos R$607.413,01, conforme consignado neste voto, sendo que a nova base de cálculo da CSLL do período passou a ser de R$17.291.601,40, admitindose sua compensação com resultados negativos de períodos anteriores de até R$5.187.480,42, por força do limite estabelecido pelo art. 16 da Lei n° 9.065/1995. A contribuinte, por ocasião da apuração originária da CSLL do anocalendário 2004, já havia se aproveitado de parte do saldo da base negativa oriunda de 2003, compensando o valor de R$5.005.256,45. Assim, assistindo à contribuinte o direito de compensar ainda R$182.223,97 do saldo da base negativa da CSLL acumulada com as infrações de R$607.413,01, relativas a 2004, fica mantido o valor tributável apontado neste lançamento para esse período de R$425.189,04 (R$17.291.601,40 R$5.187.480,42 R$11.678.931,94), bem como fica reconhecido um saldo de base negativa após o ajuste de R$9.547.257,34. Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 45 44 O autuante havia glosado integralmente a compensação efetuada pela contribuinte de sua base de cálculo da CSLL de 2005 com o saldo da base negativa acumulada de R$11.099.853,00, porque entendera que ela já se esgotara em 2004, por ocasião das infrações apuradas. Todavia, tendo em vista que as infrações foram mantidas em parte, verificase que o saldo de base negativa da contribuição originário de 2003, após a compensação com o resultado ajustado do anocalendário 2004, é de R$9.547.257,34. As infrações mantidas para o período de 2005 perfazem um montante de R$591.178,70, e a base de cálculo da contribuição deve ser reajustada para R$55.710.045,02. De acordo com a Lei n° 9.065/1995, a contribuinte poderia compensar o lucro líquido ajustado do período com o saldo de base negativa de períodos anteriores em até R$16.713.013,51. Todavia, em razão das infrações constatadas e parcialmente mantidas, o saldo disponível de base negativa da CSLL disponível para compensação do resultado ajustado de 2005 passa a ser de R$9.547.257,34, e como a contribuinte havia compensado um montante de R$11.099.853,00 na apuração original da CSLL desse período, verificase uma redução indevida do resultado tributável de R$1.552.595,66. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário mantendo o crédito tributário na forma concluída no acórdão recorrido, conforme demonstrativos a seguir reproduzidos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lant pado Exonerado Mantido* Anocalendário IRPJ Multa IRPJ Multa IRPJ Multa 2004 1.120.930,44 840.697,82 0,00 0,00 1.120.930,44 840.697,82 2005 3.362.456,85 2.521.842,63 0,00 0,00 3.362.456,85 2.521.842,63 Totais 4.483.387,29 3.362.540,45 0,00 0,00 4.483.387,29 3.362.540,45 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Anocalendário 2004 2005 Valor da infração mantida 607.413,01 591.178,70 () BC compensada de período anterior 182.223,97 0,00 (+) Glosa de base negativa compensada 0,00 1.552.595,66 (=)Valor Tributável 425.189,04 2.143.774,36 CSLL APURADA 38.267,01 192.939,69 Lançada Exonerada Mantida* Anocalendário CSLL Multa CSLL Multa CSLL Multa 2004 380.815,47 285.611,60 342.548,46 256.911,34 38.267,01 28.700,26 2005 1.215.514,84 911.636,13 1.022.575,15 766.931,36 192.939,69 144.704,77 Totais 1.596.330,31 1.197.247,73 1.365.123,60 1.023.842,70 231.206,71 173.405,03 * Deverão ser observados, em fase de cobrança, os pagamentos efetuados mediante os Darf s de fis. 1734/1735, de acordo com os demonstrativos de fis. 1661/1662. Recurso de Ofício Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 16643.000033/200971 Acórdão n.º 1302002.790 S1C3T2 Fl. 46 45 O recurso de ofício, deveuse às exonerações relativas ao cancelamento da autuação quanto à CSLL, exceto em relação à parcela correspondente às despesas glosadas das quais a Impugnante admite que a documentação não é suficiente para demonstrar sua tese defensória, a saber: a contribuição incidente sobre o resultado reajustado em R$ 493.872,41 (item 3.1.1.13 do TVF) e R$ 113.540,60 (item 3.2 do TVF) para o anocalendário 2004; e, a contribuição incidente sobre a base de calcula reajustada em R$ 591.178,70 (itens 3.1.2.12 e 3.2.2), correspondentes ao anocalendário 2005. Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. Pelo exposto, voto por não conhecer o Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 3093DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905749/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 49 /2 00 8- 78 Fl. 573DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000451 (fls. 156/158), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10980.905749/200878 Acórdão n.º 3402005.369 S3C4T2 Fl. 574 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 575DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 142 a 149. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 7.820,14 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10980.905749/200878 Acórdão n.º 3402005.369 S3C4T2 Fl. 575 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 7.820,14, nos exatos termos do relatório fiscal produzido pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 577DF CARF MF
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