Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.912252/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.912252/2012-92
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879865
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.780
nome_arquivo_s : Decisao_10980912252201292.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980912252201292_5879865.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7362971
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586717356032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912252/201292 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.780 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 52 /2 01 2- 92 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912252/201292 Acórdão n.º 3201003.780 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.625, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912252/201292 Acórdão n.º 3201003.780 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912252/201292 Acórdão n.º 3201003.780 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912252/201292 Acórdão n.º 3201003.780 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.900006/2008-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13161.900006/2008-43
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888273
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.664
nome_arquivo_s : Decisao_13161900006200843.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13161900006200843_5888273.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7382644
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586721550336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.900006/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.664 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente POI AGRPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPENSAÇÃO ANOCALENDÁRIO 2001 Não comprovado o direito creditório, indicado na DCOMP, não há que se homologar a compensação correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0421.672, da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 90 00 06 /2 00 8- 43 Fl. 54DF CARF MF 2 decisório que não homologou a declaração de compensação DCOMP, cujo voto, reproduzo a seguir: Voto A manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente e de conformidade com o artigo_l5 do decreto 70.235/72, cumprindo os requisitos para ser conhecida. Manifestação de inconformidade sem preliminares. Não assiste razão ao contribuinte que apresentou declaração de compensação de forma equivocada como se o seu direito decorresse de pagamento indevido ou a maior, quando o que pretendia, segundo ele, era compensação de saldo negativo sem ao menos demonstrar o crédito na forma de saldo negativo Pelos motivos acima, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade não reconhecendo o direito creditório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: II.1 Relativo à conclusão da análise do fisco, não podemos questionar tal decisão por vistas ao que foi solicitado, entretanto não se pode negar o direito ao manifestante de requerer que seja reconsiderada, tal decisão pelo fato, de haver conforme documentos anexados, inegável e incontestável direito ao credito relativo à IRPJ compensado. II.2 O fato é que no preenchimento do referido PER/DCOMP, como fica aqui demonstrado, equivocouseno preenchimento da origem ou tipo de crédito, pois o correto é “Saldo Negativo de IRPJ”, como podemos verificar na DIPJ referente ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001, recepcionada em 28/06/2002, pois e' realmente esta a origem do crédito utilizado para compensação do IRPJ competência“Agosto/2003”, objeto da PER/DCOMP apresentada e retificada posteriormente. II.3 O equívoco cometido, por si só, não exclui o direito existente ao credito. III. A vista do que foi exposto, e ao fato inquestionável de a empresa possuir o direito ao crédito do saldo negativo de IRPJ referente ao ano base 2001, no valor original de R$ 2.887,33, solicita que seja compensado de oficio, por esta Autoridade Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13161.900006/200843 Acórdão n.º 1001000.664 S1C0T1 Fl. 3 3 Administrativa, o valor referente ao IRPJ competência agosto/2003, no valor original de R$ 3.467,53, quitando como medida de justiça em sua totalidade o débito objeto do pedido de compensação apresentado. Entendo que não prosperam os argumentos da recorrente. O artigo 170, do Código Tributário Nacional (CTN), trata da matéria. art.170 do CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) A própria recorrente reconhece, em seu recurso, que não há como contestar a decisão da DRJ. Aqui, reproduzo novamente a sua afirmação: II.1 Relativo à conclusão da análise do fisco, não podemos questionar tal decisão por vistas ao que foi solicitado, entretanto não se pode negar o direito ao manifestante de requerer que seja reconsiderada, tal decisão pelo fato, de haver conforme documentos anexados, inegável e incontestável direito ao credito relativo à IRPJ compensado..(grifei) Assim, verificado o erro/incorreção na declaração, originalmente transmitida, esta deveria ter sido tempestivamente retificada de forma a permitir ao fisco que examinasse as informações quanto ao crédito existente. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. Fl. 56DF CARF MF 4 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. (grifei) Cita, ainda,o referido PN: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) Observase, portanto, que é condição sine qua non que o crédito seja líquido e certo, nos termos do artigo 170, do CTN (acima transcrito) o que não restou provado. Assim, nego provimento ao presente recurso, direito creditório negado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001156/2008-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica
Numero da decisão: 2001-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13899.001156/2008-58
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874929
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.181
nome_arquivo_s : Decisao_13899001156200858.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13899001156200858_5874929.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
id : 7352684
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586723647488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13899.001156/200858 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.181 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente ANTÔNIO GERALDO GHIRLANDA PIEROBOM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 11 56 /2 00 8- 58 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 32/37), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, anocalendário de 2004, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 30.000,00. Abaixo, reproduzse a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constantes do Lançamento: "DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 30.000,00, indevidamente deduzido a titulo de V Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: ` Art.8.', inciso II, alinea 'a', e §§ 2.' e 3.”, da Lei n.° 9.250/95; arts..43 a Decreto n.' 3000/99 RIR/99 ` COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Contribuinte intimado a apresentar comprovação de efetivo pagamento a VALMAR MEDICINA E SEGURANÇA DO TRABALHO S.S LTDA e identificar O procedimento médico realizado não o fez.." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 55/62, cuja ementa transcrevese abaixo: "Assunto:: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considera se como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. PRELIMINAR. EXIGÊNCIA LEGAL DE COMPROVAÇÃO DE DESPESA. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13899.001156/200858 Acórdão n.º 2001000.181 S2C0T1 Fl. 3 3 A exigência de comprovação de despesas médicas, consignadas em recibos e declarações unilaterais, decorre de expressa disposição legal, não configurando afronta ao princípio da legalidade. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito à dedução de despesas médicas está condicionado à comprovação, tanto da efetividade dos serviços prestados como dos correspondentes pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ' A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo l50 da Constituição Federal. Impugnação lmprocedente Crédito Tributário Mantido" Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 69/79. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Fl. 86DF CARF MF 4 Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Mérito A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, haja vista tratarse de serviços prestados por pessoas jurídicas. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13899.001156/200858 Acórdão n.º 2001000.181 S2C0T1 Fl. 4 5 Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a matéria preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 88DF CARF MF 6 Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36392.001609/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 36392.001609/2007-61
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888321
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.937
nome_arquivo_s : Decisao_36392001609200761.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 36392001609200761_5888321.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7382692
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586734133248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 36392.001609/200761 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.937 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASH ADMINISTRACAO DE HOTEIS E TURISMO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 16 09 /2 00 7- 61 Fl. 631DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 632DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 634DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 635DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 637DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 638DF CARF MF Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 9202006.937 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940282/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.940282/2011-16
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878627
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.664
nome_arquivo_s : Decisao_10980940282201116.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980940282201116_5878627.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7360038
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586749861888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.940282/201116 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.664 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de maio de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA SPEI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 28 2/ 20 11 -1 6 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.940282/201116 Resolução nº 3301000.664 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.940282/201116 Resolução nº 3301000.664 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940282/201116 Resolução nº 3301000.664 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905785/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
Não incide Cofins-importação nas remessas relativas a licença de uso de marca a título de royalties. É que não se trata de "o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado", como exige o art. 3º, II, da Lei 10.865/2004.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a manifestação da Delegacia da Receita Federal de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 Não incide Cofins-importação nas remessas relativas a licença de uso de marca a título de royalties. É que não se trata de "o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado", como exige o art. 3º, II, da Lei 10.865/2004. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.905785/2012-11
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894069
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.839
nome_arquivo_s : Decisao_13603905785201211.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13603905785201211_5894069.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a manifestação da Delegacia da Receita Federal de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7400443
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586762444800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 286 1 285 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.905785/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.839 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COFINS PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente PETRONAS LUBRIFICANTES BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 Não incide Cofinsimportação nas remessas relativas a licença de uso de marca a título de royalties. É que não se trata de "o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado", como exige o art. 3º, II, da Lei 10.865/2004. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a manifestação da Delegacia da Receita Federal de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 85 /2 01 2- 11 Fl. 287DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0245.976, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, o qual deu por improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em processo que trata de declaração de compensação. A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento deste CARF resolveu, por meio da Resolução 3803000.496, "por converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem" [...] "informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada". Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante deste decisum: Versa o imbróglio sobre a não homologação de declaração de compensação transmitida pela contribuinte, em razão do mesmo não haver logrado comprovar de maneira inconteste a certeza, liquidez e a exigibilidade do direito creditório, oriundo de Cofins Importação de Serviços, código de receita 5442, sob a alegação de se tratar de recolhimento indevido a título de Cofins, proveniente de pagamento de royalties a empresa sediada no exterior, o que lhe daria o direito à compensação de tais valores (DARF de R$ 34.279,19 valor original), com débito de mesma natureza relacionado ao período de apuração de junho/2010. A autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório constatou a inexistência de saldo credor o bastante para solver a compensação declarada, eis que o crédito informado na DComp transmitida foi integralmente utilizado para a liquidação de outros débitos própros (sic). Com a ciência do despacho decisório adveio a manifestação de inconformidade, quando aduziu ser o valor original do DARF declarado em DCTF, utilizado para pagamento de licença de uso da marca (royaties), não gerando com isso uma contrapartida de serviços provenientes do exterior. Assim sendo sobre tais valores não incide a Cofins importação de serviços. Para consubstanciar a sua tese menciona fragmentos do processo de consulta nº 263/11, exarado pela SRRF/8ª RF, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e firma conclusão de que o pagamento ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, por simples licença de uso de marca, a título de royalties, não caracteriza contrapartida de serviços provenientes do exterior, não cabendo, portanto, a hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasep importação, bem assim para a Cofinsimportação. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13603.905785/201211 Acórdão n.º 3301004.839 S3C3T1 Fl. 287 3 A contribuinte informou que à época dos fatos apesar de haver identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, cometeu a falha de não retificar a DCTF original que informava o valor indevido, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pelo sistema da RFB. Finalmente, nos termos do caput e do § 1º do art. 11 da IN SRF nº 903/08, apresentou à repartição fiscal a DCTF retificadora, com a mesma natureza da original, que a substituiu integralmente, eficaz para declarar novos/velhos débitos, entretanto a mesma não foi recepcionada pela RFB, eis que já havia decorrido mais de cinco anos de janeiro/07, contados consoante a regra esculpida no artigo 173, I, do CTN. A título de elemento probante de seu direito apresentou cópia de uma fatura de pagamento de royalties, com base em suposto contrato vigente em 2000/2001. Conclusos foram os autos para apreciação pela 2ª Turma da DRJ/BHE que, em sessão realizada em 09/07/13, por meio do Acórdão nº 0245.976, proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante a ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido As razões de decisão constantes do voto condutor do acórdão em questão, resumidamente, entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, o que não ocorreu no caso. Ademais disso o aresto firmou posição que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, conforme reza o Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, e que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Fl. 289DF CARF MF 4 Uma vez ciente do teor da decisão de piso em 19/08/13 (vide AR), a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 18/09/13, para aduzir resumidamente: Em 13/12/00 celebrou um acordo de licenciamento para uso de marcas diversas de propriedade da Licenciante, empresa italiana denominada F. L. Itália S.p.A (doc. 06) e, desde então, remete ao exterior mensalmente pagamento a título de royalties pela exploração dessas máquinas (sic) (doc. 07). Deduziu que da leitura do aditivo contratual datado de 08/10/01 (doc. 06) e com efeitos retroativos à data da contratação inicial, não se tem dúvidas de que o objeto do contrato é EXCLUSIVAMENTE o licenciamento para uso de marcas, não envolvendo importação de quaisquer serviços conexos. Todavia, através de 52 despachos decisórios distintos a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas, pelo fato de que a recorrente não havia retificado as informações em sua DCTF, anteriormente ao protocolo dos pedidos de compensação. Alegou a contribuinte possuir direito creditório oriundo de Cofins importação, referentes à remessas de royalties para o exterior, apurados desde janeiro/2007 a maio/2011, atrelados ao mesmo contrato já referenciado. Por conseguinte, apresentou 52 pedidos de compensação, atinentes a recolhimentos indevidos, com idêntica fundamentação e resultados de decisões pela DRJ/BHEMG. Para consubstanciar o alegado menciona julgados no âmbito do CARF (10860.905038/200941, em 23/04/13), AC. CSRF/0304.382 (26/12/06), e a solução de divergência COSIT nº 11, de 28/04/2011. A fim de possibilitar o julgamento em conjunto dos 52 processos, por sua vinculação, a contribuinte requereu a reunião dos autos, ex vi do art. 47 do RICARF/09, com redação da Portaria MF nº 586/10. Arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência no seu interesse. Arguiu sobre a possibildade (sic) de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp. Sustentou que não há norma procedimental, seja ela de ordem legal ou regulamentar, que impeça a retificação da DCTF em período posterior ao despacho decisório. Mesmo o art. 9º da atual IN/RFB 1.110/2010, veda a retificação que vise à redução ou alteração de (i) débitos que já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida ativa da União, ou (ii) que tenham sido objeto de procedimento de fiscalização. No presente caso, nenhuma das hipóteses de vedação está presente, uma vez que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. No mais a decisão administrativa versa sobre pedido de compensação, que pressupõe confissão de débito confessado pelo contribuinte, a ser Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13603.905785/201211 Acórdão n.º 3301004.839 S3C3T1 Fl. 288 5 compensado, não pode ser considerada como procedimento fiscal procedimento destinado a apurar débito do contribuinte. Enfatizou que o próprio CARF já admitiu que não há nenhum impedimento à retificação da DCTF após o despacho decisório, não estando tal direito, portanto, condicionado à prévia retificação da declaração, conforme decisões contidas nos Acórdãos 3802001.849 (25/06/2013), 3802 01.005 (22/05/12), 380201.125 (28/07/12), 330200.809 (03/02/11). A defendente arguiu acerca da necessidade de recebimento da DCTF de ofício pela autoridade administrativa, ante a impossibilidade de transmissão eletrônica, relativamente a declarações originais transmitidas há mais de cinco anos, por restrição formal à verdade material, contra senso que não pode ser admitido. Nesse passo mencionou que inobstante não haja prescrição do direito ao crédito, posto que a compensçaão (sic) foi realizada dentro do prazo prescricional quinquenal, a retificação da DCTF está sendo obstada pelo sistema, de forma a impedir a comprovação da verdade material. Justificou que é por conta dessa situação que a DCTF retificadora, relativa ao crédito postulado do ano base de 2007, está sendo ora apresentada em versão impressa, a fim de que V. Sas, determinem o seu processamento e, via de consequência, analisem o seu conteúdo para fins de deferimento do direito creditório. Menciona fragmento do Acórdão 3802001.642, de 28/02/13, para consubstanciar a sua tese. A comprovação documental do direito de crédito da recorrente fazse mediante a apresentação do contrato de licença para uso de marcas (sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofins importação sobre royalties, e memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas). Aduziu que outro não foi o entendimento firmado pelo Acórdão 3801 001.813, em análise de matéria e de situações fáticas idênticas, julgado em 23/04/13. Resumidamente, esclareceu que a comprovação do pagamento indevido de Cofinsimportação sobre royalties, fezse mediante a retificação da DCTF e, com isso, deuse o reconhecimento do direito creditório. Em suma a retificação foi realizada para fins de desvincular a existência de débitos atrelados aos pagamentos de Cofinsimportação que foram realizados (doc. 04), a fim de que a declaração espelhasse a existência do crédito compensável (pagamento sem respectivo débito vinculado = crédito compensável). Ou seja, para a recorrente tratase de mero erro formal incorrido, que não altera a situação fática, na qual ela efetuou o pagamento do débito de Fl. 291DF CARF MF 6 Cofinsimportação indevidamente, o que lhe garante o direito de restituir/compensar tal quantia correspondente. A título de requerimentos temse: A reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto, em razão de sua interdependência, a fim de evitar eventual julgamento despido de congruência. O reconhecimento da integralidade do direito creditório e, via de consequência, a homologação integral da compensação processada via Per/DComp referenciado nos autos (doc. 05). [...] Em março de 2018, a contribuinte pede "a REDISTRIBUIÇÃO dos presentes Recursos Voluntários, haja vista a existência de conexão (por identidade de partes, fatos e direito) entre os processos ora analisados e 44 Recursos Voluntários[...] já julgados em 27/07/2017 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 3ª Seção deste e. Conselho, [...]" (grifos do original). Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13603.905785/201211 Acórdão n.º 3301004.839 S3C3T1 Fl. 289 7 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, como asseverou a resolução referida1. Entendo assistir razão à recorrente quando aduz não incidir Cofins importação nas remessas relativas à licença de uso de marca a título de royalties. É que não se trata de "[...] remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado", como exige o art. 3º, II, da Lei 10.865/2004. Em face do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal e do princípio da verdade material, entendo, como já bem fez a Resolução da 3ª Turma Especial desta 3ª Seção do CARF, por considerar os documentos que foram carreados aos autos extemporaneamente a demonstrarem a alegada natureza das operações: a) Há nos autos cópia de comprovante de pagamento indevido da CofinsImportação, confirmado pelos sistemas de arrecadação da RFB (extrato de comprovante de arrecadação), que menciona o valor do pagamento efetuado, a data de vencimento da obrigação, o código da receita arrecadada e o código de controle eletrônico de realização da operação, ou seja houve o recolhimento do valor do indébito de R$ 34.279,19 (informado no pedido de compensação não homologado doc. 05), valor esse constante do despacho decisório, como sendo o valor originário utilizado (doc. 03); b) Há nos autos cópia do Contrato de Licença para Uso de Marca Comercial e para Transferência de knowhow em marketing e propaganda, e o respectivo aditivo, celebrado com a proprietária da marca, que atestam a origem e justifica a remessa de royalties para o exterior, por conseguinte a origem do indébito (doc. 06); c) Há o Certificado de Averbação nº 010589/10 (Processo INPI/DIRTEC), fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em conformidade com o art. 211, Lei nº 9.279/96, que autoriza o licenciamento exclusivo dos produtos objeto do contrato em comento, inclusive estabelece o valor percentual do faturamento líquido mensal (1%), que é remetido para o exterior mensalmente, em cumprimento de cláusula contratual de nº 3, pois representa a remuneração para a licença de uso das marcas listadas no Anexo I, com informações atualizadas até 24/04/2012 (doc. 06); 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 293DF CARF MF 8 d) Constam dos autos cópia da fatura comercial de pagamento de royalties (Invoice nº 1107160012 e data 17/01/2007), cujo campo de descrição menciona os royalties relacionados ao contrato em comento, e respectivo demonstrativo de cálculo dos tributos recolhidos e incidentes sobre a cofins [...] em conformidade à Lei nº 10.865/ (doc. 07); e, por fim, Constam dos autos cópia da DCTF original (vide fl. 12/22, débito apurado e créditos vinculados/pagamento) e retificadora (vide fls. 15/16), correspondente ao mês de janeiro/2007, em substituição àquela original de nº 19.15.32.19.5906, onde não mais registra valores de créditos vinculados/pagamento e sujeitos a compensação, em razão da realização de pagamento a maior ou indevido (doc. 08). Também entendo prescindível a prévia retificação de DCTF para a demonstração do direito creditório, em homenagem do princípio da verdade material e em consonância com julgados do CARF, no sentido de que " inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração" (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3201002.004, de 28/09/2016, rel. Conselheiro Winderley Morais Pereira). A retificação de ofício da DCTF, em vista da impossibilidade de transmissão eletrônica, também é desnecessária, demonstrado o direito creditório por outras formas. Em seu pedido de redistribuição de processos, de 2018, na esteira de pleito de "reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto", constante do recurso voluntário; a contribuinte diz que o Conselheiro Rosaldo Trevisan, quando do julgamento de 44 processos/ recursos voluntários, reconheceu a existência de conexão com o presente processo, mas que "tal reconhecimento apenas não se materializou no efetivo julgamento de todos os Recurso Voluntários em virtude das falhas processuais ocorridas durante a tramitação interna dos processos no CARF". Cita os 44 processos: E junta trecho dos acórdãos dos referidos julgamentos: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13603.905785/201211 Acórdão n.º 3301004.839 S3C3T1 Fl. 290 9 Observese que, tendo sido os tais 44 processos já julgados, descabe a redistribuição. Com relação aos cinco primeiros processos referidos, inclusive o presente, estes foram saneados, juntada a resolução correta (resolução referente a outro processo havia sido juntada erroneamente). O presente processo foi então encaminhado à unidade de origem, a qual juntou documentos e concluiu em despacho de 30/11/17: Em atendimento à Resolução n° 3803000.496 da 3ª Turma Especial do CARF, foram juntadas telas (extratos) que demonstram ser bastante o valor do direito creditório reconhecido nestes autos [...] para extinção do débito declarado [...] pelo contribuinte por meio de compensação. Considerando atendida a Resolução acima mencionada e não vislumbrando necessidade de dar ciência ao contribuinte deste Despacho, proponho a devolução do processo ao CARF, para prosseguimento. A unidade diligenciada junta tela do sistema informatizado SIEF [...], referente ao presente processo, informando como "Crédito Deferido" e "Utilizado" R$34.279,19, "Data de Valoração" "09/12/2011"; " Valor Débito" R$39.859,84, com vencimento em 23/12/11; e o processo na "Situação" "ATIVO AG. ENCERRAMENTO", Fl. 295DF CARF MF 10 ocorrendo a "comp. c/principal". Junta também "Extrato do processo" [...], na "Situação" "ENCERRADO" em 30/11/2017. A Per/Dcomp foi transmitida em 08/12/2011. Retomando a resolução que encaminhou pela diligência, esta assim conclue: Portanto, proponho a conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a autoridade administrativa informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a titulo de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores, ou informar acerca da diferença encontrada. Assim, no entender deste relator, a DRF de origem informou: a) os valores do débito na data do vencimento, esta posterior à data de transmissão da Per/Dcomp; b) o valor reconhecido a titulo de direito creditório, o atualizado, entendo, igual ao débito então compensado; e c) que os documentos juntados "demonstram ser bastante o valor do direito creditório reconhecido nestes autos [...] para extinção do débito declarado [...] pelo contribuinte por meio de compensação". A unidade de origem entendeu por deferir o crédito, efetuar a compensação e dar por encerrado o processo. E o fez erroneamente, no entender deste relator, posto que a fase contenciosa não restava encerrada. Tendo em vista a economia processual e as afirmações trazidas pela unidade de origem, também entendo que esta deu pela liquidez e certeza do direito creditório. Assim, por todo o exposto, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721220/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS TRAZIDOS POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. ANÁLISE. AUSÊNCIA. NULIDADE.
A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1401-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento à arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno do processo à Autoridade Julgadora a quo para que aprecie a impugnação e os documentos a ela anexados.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS TRAZIDOS POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. ANÁLISE. AUSÊNCIA. NULIDADE. A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.721220/2012-70
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893547
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.702
nome_arquivo_s : Decisao_16327721220201270.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16327721220201270_5893547.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento à arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno do processo à Autoridade Julgadora a quo para que aprecie a impugnação e os documentos a ela anexados. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7398077
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586826407936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 813 1 881122 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 16327.721220/201270 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.702 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 14 de junho de 2018 MMaattéérriiaa IRPJ RReeccoorrrreennttee BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS TRAZIDOS POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. ANÁLISE. AUSÊNCIA. NULIDADE. A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento à arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno do processo à Autoridade Julgadora a quo para que aprecie a impugnação e os documentos a ela anexados. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 20 /2 01 2- 70 Fl. 813DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Banco Santander do Brasil S.A. contra o acórdão de nº 1256.654 3 ª Turma da DRJ/RJ1, que por unanimidade de votos, julgar procedentes os lançamentos de: a) IRPJ, no valor de R$ 15.554.560,42, a ser acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; b) CSLL, no valor de R$ 866.180,03, a ser acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; e c) Multas isoladas, nos valores de R$ 47.037.276,84 (sobre estimativas de IRPJ não pagas) e de R$ 16.270.001,86 (sobre estimativas de CSLL não pagas). Os lançamentos em questão fora lavrados para a cobrança de IRPJ e CSLL, relativos ao anobase de 2007, cumulados com juros de mora, multa de ofício e isolada, totalizando o valor de R$ 106.724.706,70, em razão da glosa de saldo negativo realizadas nos autos do Processo Administrativo 16.327.906328/201079, decorrente da acusação de que os valores de IR retidos na fonte durante o ano calendário de 2007 não teriam sido comprovados e os rendimentos sobre os quais incidiu o IR FONTE, que compuseram o saldo negativo apurado não teriam sido computados no lucro real do referido ano. Segundo entendimento da fiscalização, o Recorrente teria, relativamente ao anobase de 2007, aproveitando o crédito de CSLL em anexo, deduzindo indevidamente no cálculo do IRPJ, os valores relativos às retenções de IR/FONTE, sobre as atividades realizadas no exterior. Inconformado com a autuação, o interessado, por meio da peça de fls. 175/216, alegou, em síntese: · que efetivamente ocorreu o aproveitamento em excesso do montante de R$ .026.284,82 na apuração da CSLL; portanto, não impugna essa parte e alega ter eito o pagamento correspondente; · que é indevida a multa isolada calculada sobre o referido montante; · que o total de R$ 5.684.848,01 de IR na fonte, que inclui os R$ 3.813.055,44 idos como não comprovados pela autoridade fiscal, foi efetivamente retido elas fontes pagadoras, e as receitas correspondentes oferecidas à tributação, conforme documentos que junta; · que a autoridade não teria buscado a verdade material no lançamento, porquanto asfontes pagadoras não teriam sido intimadas a apresentar os informes de rendimentos comprobatórios das retenções de IR/Fonte do ano calendário de 2007, retenções estas tidas como não comprovadas; · que, conforme documentos que junta, houve a inequívoca comprovação dos valores de IR/Fonte nos valores de R$ 94.074.553,67 e R$ 29.513.718,90, compostos pelas retenções (i) referente à venda das ações que o Banco ABN Amro Real S/A detinha na Real Paraguaya de Seguros S/A; (ii) correspondente ao IR Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16327.721220/201270 Acórdão n.º 1401002.702 S1C4T1 Fl. 814 3 retido sobre os rendimentos apurados pela controlada, estabelecida nas Ilhas Cayman, em razão da aquisição de títulos de valores mobiliários no exterior e (iii) referente ao IR/Fonte incidente sobre os juros pagos pelo Impugnante à sua controlada em Cayman, requerse que se reconheça a regularidade das deduções realizadas para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL a pagar no ano base de 2007, com o conseqüente cancelamento dos autos de infração objeto do presente processo; · que é inaplicável a multa exigida isoladamente, quando apurada após o término do ano base; · que é inaplicável a multa exigida isoladamente sobre estimativa não paga conjuntamente com a multa de ofício sobre o imposto não pago, haja vista a duplicidade de penalidade com relação a um mesmo fato; e · que ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. O interessado, conforme peça de fls. 164/166 e Darf, não impugnou a infração relativa a aproveitamento em excesso do crédito de CSLL, no montante de R$ 3.026.284,82. Vêse, fls. 713/714, que sistemas eletrônicos já consignam a extinção de débito lançado correspondente ao pagamento feito. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido em sua integralidade, contudo, percebese que o Acórdão proferido pela DRJ reproduziu integralmente o decidido no Processo Administrativo 16327.906328/201079, mediante as seguintes considerações: "Pelo que vemos, então, a legitimidade das deduções de ambos os montantes de IRRF (R$ 123.588.272,57 e R$ 3.813.055,44) encontrase submetida ao controle jurisdicional do mencionado processo 16327.906328/201079. Nesse contexto, por entender que o que vem sendo lá decidido repercute no mérito do litígio em análise nestes autos, entendo que este voto deve seguir, no mérito, o pronunciamento da DRJ de São Paulo (Acórdão 1631.458, 8ª turma, sessão de 12/05/2011, fls. 128/138). Esta entendeu não comprovadas as deduções veiculadas pelo impugnante em sua DIPJ do ano calendário de 2007. Trago, então, por meio do conteúdo da ementa do referido acórdão, os enunciados que foram pronunciados por aquele colegiado, relativamente às deduções de tributos declaradas pelo impugnante." Inconformada, interpôs Recurso Voluntário visando a reforma do julgado sob o argumento de que este julgamento deveria ser sobrestado até o julgamento definitivo quando a existência do crédito objeto do processo 16327.906328/201079 e subsidiariamente defende a veracidade do crédito lá lançado e que aqui pretende compensar, o qual, por não ter sido analisado pela decisão de piso, implicaria em sua nulidade do decisum, no mais traz elementos a fim de que seja aferida a veracidade do direito pretendido. É o relatório do essencial. Fl. 815DF CARF MF 4 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O presente caso trata de Declarações de Compensação apresentadas pela ora Recorrente com utilização de saldo negativo de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2007, composto, inclusive, por estimativas mensais que haviam sido liquidadas por meio de declarações de compensação que, por sua vez, não foram totalmente homologadas, tendo sido objeto de Despacho Decisório que ainda permanecem em discussão na via administrativa, "in casu" o processo 16327.906328/201079, o qual teve seu Recurso Voluntário negado por não reconhecer o direito creditório pleiteado, conforme Acórdão 1401002.397, julgado em 12.04.2018. Conforme relatado, após apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido em sua integralidade, contudo, em sua fundamentação Acórdão proferido pela DRJ reproduziu integralmente o decidido no Processo Administrativo 16327.906328/201079, sem que fossem apreciados os argumentos e documentos contidos na impugnação formulada de maneira específica ao lançamento . Contudo, notase que esse lançamento decorre do indeferimento do crédito objeto o processo n. 16327.906328/201079, que fez com o a autoridade fiscal promovesse o recálculo do imposto e apurado saldo positivo a pagar e não saldo negativo como pretendido pela Recorrente, por isso a necessidade de análise dos fundamentos a cerca da existência do crédito do IRRF daquele processo porque implicam diretamente no resultado a pagar aqui apurado. A meu ver, em convergência com o alegado pela Recorrente, a falta de apreciação, por parte da autoridade julgadora, dos argumentos e documentos trazidos pela peça inaugural do litígio, importam em cerceamento direito de defesa. Entendo que a questão da suficiência do direito creditório é extremamente relevante para o desfecho de um processo de compensação. No entanto, a verificação da suficência/insuficiência só é possível a partir da aglutinação de todos os débitos que o contribuinte pretende compensar com um mesmo direito creditório. A nulidade da decisão recorrida esta justamente quando conclui que a legitimidade das deduções de ambos os montantes de IRRF (R$ 123.588.272,57 e R$ 3.813.055,44) encontrase submetida ao controle jurisdicional do mencionado processo 16327.906328/201079 e por entender que o que vem sendo lá decidido repercute no mérito do litígio em análise nestes autos, decidiu que seu voto deveria seguir, no mérito, o pronunciamento da DRJ de São Paulo (Acórdão 1631.458, 8ª turma, sessão de 12/05/2011, fls. 128/138), tendo esta entendido por não comprovadas as deduções veiculadas pelo impugnante em sua DIPJ do ano calendário de 2007. Assim, notório que a Delegacia de Julgamento não apreciou as alegações e documentos quanto a comprovação dos valores de IR/Fonte nos valores de R$ 94.074.553,67 e R$ 29.513.718,90, compostos pelas retenções (i) referente à venda das ações que o Banco ABN Amro Real S/A detinha na Real Paraguaya de Seguros S/A; (ii) correspondente ao IR retido sobre os rendimentos apurados pela controlada, estabelecida nas Ilhas Cayman, em razão da Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16327.721220/201270 Acórdão n.º 1401002.702 S1C4T1 Fl. 815 5 aquisição de títulos de valores mobiliários no exterior e (iii) referente ao IR/Fonte incidente sobre os juros pagos pelo Impugnante à sua controlada em Cayman, requerse que se reconheça a regularidade das deduções realizadas para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL a pagar no ano base de 2007, com o conseqüente cancelamento dos autos de infração objeto do presente processo, ou ainda quanto à inaplicabilidade da multa isolada. A Constituição Federal assegura no inciso LV do seu art.5°, o contraditório e a amplitude do direito de defesa do acusado, seja em processo judicial ou administrativo. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido: Acórdão 1301002.556 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. OCORRÊNCIA. Nos termos do artigo 59, inciso II, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/1972, é nula a decisão de primeira instância, quando não enfrenta os argumentos dispendidos, deixando claro as razões de direito que nortearam seu decisium, de forma seja garantida o contraditório e a ampla defesa. Caracterizada a preterição ao direito de defesa, deve ser anulada a decisão de piso, para que outra seja proferida enfrentando todas as questões suscitadas nas peças impugnatórias. Acórdão 130200.668 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS TRAZIDOS POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. ANÁLISE. AUSÊNCIA. NULIDADE. A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa. Ante todo o exposto, voto no sentido de se anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, apreciandose todas as razões aduzidas pela contribuinte. Fl. 817DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 818DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.004065/2003-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.004065/2003-32
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887884
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.623
nome_arquivo_s : Decisao_16327004065200332.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 16327004065200332_5887884.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7375830
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586850525184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.780 1 1.779 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.004065/200332 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de junho de 2018 Assunto Irpj e Csll Recorrente ELI LILLY DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 04 06 5/ 20 03 -3 2 Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.781 2 Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da DRJ/SP1, à seguir reproduzido (efls. 6504/6544): DA AUTUAÇÃO O Termo de Constatação Fiscal de fls. 762 a 766 relata as verificações relativas aos preços de transferência no que toca às importações efetuadas em 1998, em continuação a idêntico trabalho realizado em relação a 1997. Em 14/06/2002, foi lavrado Termo (cópia às fls. 742 a 746), em que a fiscalização aponta que o cálculo dos ajustes efetuado pela contribuinte, demonstrado nas planilhas "Memória de Cálculo de Suporte — Preço Parâmetro" está em desacordo com a IN SRF n° 38/97, porque: a) dele não deveriam constar os princípios ativos e excipientes importados de vinculadas (§ 1° do artigo 4° da IN SRF n° 38/97); e b) devese observar o artigo 12, §§ 1°, 2°, 5° e 6°, do mesmo diploma legal, que, em nenhum momento menciona um "fator de correção", pela simples razão de que o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) só é aplicável a bens que já se apresentem prontos e acabados para consumo final, no momento em que dão entrada no Brasil. Por essas razões, estaria prejudicado o trabalho, abrangendo os anoscalendário de 1997 e 1998, denominado "Memória de Cálculo Para Apuração Preço de Revenda". O desacordo entre o método utilizado pela contribuinte para calcular o ajuste por ela efetuado em 1997 e o método PRL previsto na IN SRF n° 38/97 fica ainda mais evidente na resposta entregue em 12/07/2002. Nela a contribuinte relaciona (fl. 748) diversos produtos que sequer foram importados em 1997, e que, portanto, não deveriam ser objeto de ajuste. Esse fato somente pode ser explicado pelo entendimento esposado pela empresa de que o medicamento pronto para uso não constitui bem diverso dos insumos que importa. Assim, declarou ter efetuado ajustes, por exemplo, na Cefalexina Compactada, quando o bem importado foi o ácido 7ADCA; no Tytlan injeção, e não na Tilosona intermediária; no Coban, e não na Monensina sádica. Seja como for, em razão dos cálculos acima indicados, a contribuinte efetuou adição de R$ 1.319.511,76 ao lucro líquido e à base de cálculo da CSLL. A exatidão de tal ajuste, relativo a 1998, começou a ser verificada pelo Termo de Intimação de 20/12/2002 (fls. 108 a 111), mediante o qual se chamou a contribuinte a retificar ou ratificar dados relativos às importações efetuadas em 1998, conforme declarados no Siscomex. Em 27/02/2003 foram entregues, em meio magnético, as planilhas solicitadas no referido Termo (fls. 115e 116). Os demais Termos de Intimação tiveram por objetivo eliminar, por processamento de dados, inconsistências nas informações obtidas. Em atendimento ao Termo de Intimação de 18/09/2003 (fl. 152), a contribuinte apresentou, em 30/09/2003, em papel e em meio magnético, as planilhas relacionadas à fl. 763 (fls. 245 a 673). Entregou apenas em meio magnético a planilha 8.6 Vendas (TIF 012003) xls”, que arrola as saídas ocorridas por venda. Devido ao grande volume de papel gerado, somente foram juntados a este Termo um resumo das vendas efetuadas (fls.785 a 787). Apresentou cópia das notas fiscais (fls. 674 a 704) solicitadas no Termo de Intimação datado de 18/09/2003 (fl 152v). Uma vez constatado erro na numeração dessas notas fiscais, o referido Termo foi retificado por email (fl. 705), tendo sido recebidas, em consequência, as notas fiscais juntadas às fls. 706 a 741). Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.782 3 Esse mesmo Termo pediu explicações sobre as diferenças apontadas na última coluna, primeiras 32 linhas, da planilha de fls. 153. As justificativas constam às fls. 231 a 235, complementadas pela planilha de fls. 237 a 242. A resposta da contribuinte evidenciou que não estavam sendo consideradas "outras saídas", tais como "baixa de componentes para produtos veterinários", ou "outras entradas", como "redesignação de número do item", a exemplo do que aconteceu em relação ao produto identificado pelo código QA166H, conforme demonstrativo de fl. 764, extraído da planilha "Movimentação Anual de EstoquesRetificado" (TIF 042003).xls". Em consequência, a fiscalização refez os cálculos, considerando como entradas todas as transações cujas quantidades aparecem como positivas, e, como saída, as quantidades negativas, considerando os ajustes explicados às fls. 764 e 765 (itens 6, 8 e 9). A partir desse ponto, os dados apresentados pela contribuinte foram considerados como definitivos. Com base nesses dados, passouse à fase conclusiva dos trabalhos, mediante cálculos demonstrados, por código identificador do bem, nas planilhas relacionadas às fls. 764 e 765 (fls. 767 a 842). A constatação da existência ou não de valores a serem adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL depende da determinação, por produto: 1) de um método aplicável; 2) do preçoparâmetro; 3) do preço praticado; e 4) das quantidades sujeitas a ajuste. A escolha do bem utilizou, como ponto de partida, o arquivo "Vendas": se o código identificador do bem foi encontrado nesse arquivo, adotouse o método PRL; caso contrário, o cálculo foi feito pelo método PIC (Preços Independentes Comparados). O cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL está demonstrado na planilha "5 Total vendas" (fls. 785 a 787). Pelo método PIC, o preçoparâmetro pode ser estabelecido de 2 maneiras: por importações efetuadas pela própria empresa de não vinculadas ("9 — PIC na empresa); ou por compras efetuadas no exterior por outros importadores, desde que de pessoas não vinculadas ou não domiciliadas em países de tributação favorecida ("9 PIC outras empresas, que é apenas o resultado das informações levantadas pela auditoria fiscal, juntadas às fls. 155 a 230). O preço praticado é o preço médio pago pela fiscalizada nas importações efetuadas de vinculadas ou de pessoas domiciliadas em países de tributação favorecida. No método PRL, este preço é o resultado da média ponderada (pela quantidade) dos valores CIF adicionados do imposto de importação, considerandose, ainda, o estoque inicial de cada item. No método PIC, o preço unitário médio é encontrado dividindose o valor FOB total de cada item pela respectiva quantidade importada. Os 2 preços estão demonstrados na planilha "5 Importações de vinculadas selecionadas" (fl. 767). O ponto de partida para a determinação das quantidades sujeitas a ajuste é a cadeia produtiva informada na planilha “8.3 Insumo Produto Retificado (TIF 03 20030.xls” (fls.407ª 492). Uma sequência de 4 planilhas ("8disponibilidadei", "8distribuiçãoi", "8 remanescentei" e "8níveli", nesta ordem) é gerada em cada nível da estrutura de produto, sendo que "i" representa o nível em que o cálculo de quantidades para ajuste está sendo feito. Como resultado dos cálculos, chegouse às seguintes planilhas · "Diferenças de Estoque Apuradas em 1998" (fl. 924), que registra diferenças que, por força do disposto no artigo 41 da Lei n° 9.430/96, constituem omissão de receitas relativas a saídas e entradas, no total de R$ 956.049,63; · "11Valores ajustados (3insumos)" (fl. 925), que demonstra o ajuste pelos métodos PRL (R$ 216.537,79) e PIC (R$ 2.637.411,86 = R$ 114.841,89 + Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.783 4 R$ 2.522.569, 97); e · "Ajuste do saldo de importações efetuadas em 1997" (fl. 926), na qual foi feita a autuação dos estoques finais das importações efetuadas em 1997, mas vendidas em 1998, e que foram objeto de autuação em decorrência da fiscalização de preços de transferência encerrada parcialmente em 2002, no montante de R$ 385.675,72. Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 1998: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração Fls.927 a 932 Fundamento Legal Artigos195, inciso II 197, e § único, 207, 220, 226 e 231 do RIR/94; artigo 24 da Lei n° 9.249/95; e artigos 18 e 41 da Lei n° 9.430/96 Crédito Tributário (em reais) 695.040,80 521.280,60 629.428,95 Imposto Multa proporcional (75%) Juros de mora (calculo até 28/11/2003) 1.845.750,35 TOTAL Contribuição para o PIS Auto de Infração Fls. 933 a 937 Fundamento Legal artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 07/70; artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; e artigos 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9° da Lei n°9.715/98 Crédito Tributário (em reais) 6.214.32 4.660,74 5.627,68 Contribuição Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 28/11/2002) 16.502,74 TOTAL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Auto de Infração Fls. 938 a 941 Fundamento Legal artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 70/91 artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95 Crédito Tributário(em reais) 19.120,99 14.340,74 17.315,96 Contribuição Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 28/11/2003) 50.777,69 TOTAL Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.784 5 Contribuição Social sobre Lucro (CSLL) Auto de Infração Fls. 942 a 946 Fundamento Legal Artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/95; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; e artigo 28 da Lei n° 9.430/96 Crédito Tributário (em reais) 230.093,05 172.569,78 208.372,26 Contribuição Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 28/11/2003) 611.035,09 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 28/11/2003 1.845.750,35 16.502,74 50.777,69 611.035,09 IRPJ PIS COFINS CSLL 2.524.065,87 TOTAL DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 19/12/2003 (fls. 927,933,938 e 942), a contribuinte, por meio de seu advogado, regularmente constituído (fls. 5944/5945), apresentou, em 20/01/2004, a impugnação de fls. 951 a 1008, alegando, em síntese, o seguinte: Os Autos de Infração são absolutamente nulos, na medida que: a) carecem de adequada motivação legal e fática; b) decorrem de levantamento absolutamente mal elaborado, que resultou na apuração de preçosparâmetro completamente distorcidos e, consequentemente, na apuração de crédito tributário que não é líquido nem certo. Ainda que os Autos de Infração não fossem nulos, fato é que a Lei n° 9.430/96 não veda em momento algum a utilização do método PRL para as operações em questão. Tampouco o faz (e nem poderia) a IN SRF n° 38/97, diversamente do que entendeu a fiscalização. Ademais, os produtos utilizados pela fiscalização como parâmetro não são similares àqueles importados pela impugnante. Além disso, a exigência não pode prosperar porque: a) jamais poderiam ser exigidos multa de 75% e juros de mora, na medida em que a impugnante não pode ser penalizada por não ter apurado o preço de transferência pelo método PIC, uma vez que não era possível ter acesso aos dados necessários para tanto, o que é evidenciado pelo fato de que a fiscalização só pôde apurar o preçoparâmetro por esse método (PIC) em razão de informações obtidas de sua base de dados junto ao SISCOMEX e intimações enviadas a outros importadores; Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.785 6 b) a impugnante impetrou o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.000841 3, visando assegurar seu direito de calcular e recolher o IRPJ relativo ao ano calendário de 1998 sem adicionar à sua base de cálculo o valor da CSLL devida, tendo sido diferenciada a liminar inicialmente pleiteada em primeira instância e posteriormente também em medida cautelar ajuizada no TRF tendo em vista a sentença desfavorável, de modo que o lançamento deveria ter sido feito com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, relativamente ao valor do IRPJ correspondente à dedução da CSLL lançada, e sem qualquer acréscimo a título de multa ou juros; c) em qualquer hipótese, os juros de mora não poderiam ter sido calculados com base na SELIC, que é índice inadequado para tanto. NULIDADE DOS AUTOS DE AUTOS DE INFRAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Tendo sido intimada a esclarecer que critério utilizou para apurar o valor da despesa dedutível em razão das importações de empresas vinculadas a contribuinte prestou os esclarecimentos pertinentes, sumarizados no Termo de Verificação Fiscal (fls.762). Qual não foi sua surpresa quando constatou que relativamente a diversos produtos os Autos de Infração simplesmente desconsideraram os ajustes efetuados com base no método PRL, e recalcularam o preço de transferência com base no método PIC, sem qualquer embasamento legal para tanto. Muito embora o artigo 18 da Lei n° 9.430/96 seja expresso no sentido de que o contribuinte pode optar por qualquer um dos 3 métodos contemplados (PRL, PIC, CPL), o Auditor Fiscal autuante, com base em uma interpretação equivocada do artigo 4º da IN SRF nº n° 38/97, e sem indicar um só dispositivo legal que autorize o seu procedimento, simplesmente ignorou a opção feita pela contribuinte e apurou o preço de transferência pelo método que julgou mais adequado. Em consequência, o lançamento efetuado é nulo, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, por absoluta ausência de motivação e consequente cerceamento ao direito de defesa da impugnante. LEVANTAMENTO MAL ELABORADO Os Autos de Infração também são nulos porque decorrem de levantamento fiscal mal elaborado, dando origem a um lançamento que não é líquido nem certo. Lançamento em desacordo com o artigo 18, "caput" e 4° da Lei n° 9.430/96 Nos termos do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, para que possa a fiscalização glosar determinada despesa deverá necessariamente demonstrar que a mesma é superior ao preço apurado segundo os 3 métodos previstos no artigo 18 da Lei n° 9.430/96, até porque a glosa estará restrita à parcela excedente ao maior preço apurado segundo aqueles métodos. No caso concreto, contudo, em momento algum a fiscalização demonstrou que o custo registrado pela impugnante é de fato superior ao maior preçoparâmetro que seria apurado segundo os métodos previstos na Lei n° 9.430/96. Pelo contrário, elegeu o método que bem entendeu para cada produto (ora o PIC, ora o PRL) e comparou diretamente o preço parâmetro assim apurado com o preço constante dos documentos de importação da impugnante. Tal procedimento vicia de nulidade os Autos de Infração. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.786 7 A fiscalização também incorreu em vícios específicos quanto aos métodos que elegeu para apuração dos preçosparâmetro. Lançamento com base em dados de acesso restrito ao Fisco (método PIC) A fiscalização apurou os preçosparâmetro pelo método PIC, utilizados para comparação com os preços praticados pela impugnante, a partir das respostas obtidas de terceiros a Termos de Intimação. Os dados coletados pela fiscalização, obtidos de outros importadores a partir de informações obtidas do sistema Siscomex, não são admissíveis para efeito de apuração do preço parâmetro pelo método PIC, conforme se observa do disposto no artigo 21 da Lei n° 9.430/96. Não bastasse isso, não tendo a impugnante acesso aos sistemas informatizados utilizados pela Receita Federal, a utilização de tais informações conduz à nulidade dos Autos de Infração, por cerceamento ao direito de defesa da impugnante, que fica totalmente impedida de verificar se de fato foram consideradas todas as importações de terceiros realizadas no ano base e as quantidades corretas, ou se a fiscalização não "elegeu" para comparação com os preços praticados pela impugnante apenas aquelas operações que mais lhe favoreciam. Apuração do preçoparâmetro com base em operação atípica (método PRL) No que diz respeito ao ajuste determinado pelo método PRL (item MS8059 — Advantage Tiras Teste 25), verificase que o mesmo foi apurado a partir de uma única operação de venda, realizada em 06/11/98 à empresa Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A. Tal operação de venda, contudo, jamais poderia ter sido utilizada para apuração do preçoparâmetro, na medida em que se trata de operação absolutamente atípica, tendo por objetivo a liquidação do estoque e o encerramento das atividades da impugnante relativamente àquele produto específico. O motivo pelo qual a fiscalização apurou uma única venda do item MS8059 deve se ao fato de que esse código refere se ao produto 8059 quando ainda não inteiramente processado para venda, e que por esse motivo jamais foi comercializado pela impugnante nesse estágio. Pelo contrário, no ano de 1998 e até o mês de outubro a impugnante realizou diversas vendas do produto 8059, conforme planilha demonstrativa e notas fiscais anexas, todas por valor bem superior à venda efetuada à Roche, e com base nas quais a impugnante apurou o ajuste realizado pelo método PRL (doc. 02). No mês de novembro de 1998, contudo, decidiu a impugnante zerar seu estoque e encerrar suas atividades relativas a esse produto, daí a operação absolutamente atípica de venda do saldo de seu estoque a uma concorrente do mesmo setor (Roche). Tratase de operação atípica, que não poderia ter sido considerada para efeito de apuração do preçoparâmetro, nos termos expressos do artigo 29 da IN SRF n° 38/97. De se salientar que, ainda que a fiscalização entenda não poder ser efetuado o ajuste relativo a esse item comparandoo com o item 8059, como fez a impugnante já que trata se na essência do mesmo produto, como se demonstrará, de qualquer modo seria nulo o lançamento, posto que a operação utilizada para apuração do preçoparâmetro não poderia ter sido considerada para tanto. Mas não foi esse o único vício cometido quanto ao método PRL. Lançamento em desacordo com o artigo 18, § 6ª, da Lei nº 9.430/96 Da análise das planilhas relativas ao ajuste apurado pelo método PRL, verificase que a fiscalização incluiu as despesas com frete, seguro e imposto de importação Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.787 8 no preço praticado, para efeito de comparação com o preçoparâmetro. Contudo, tais despesas são sempre dedutíveis, nos termos do § 6° do artigo 18, da Lei n° 9.430/96 e do artigo 4°, § 4°, da IN SRF n° 38/97. Os valores relativos ao frete, ao seguro e ao imposto de importação são custos efetivos, que não são afetados pelo vínculo existente entre o importador e o exportador, e, portanto, devem ser necessariamente, deduzidos integralmente, como expressamente prevê a lei. Assim, os preçosparâmetro apurados pela fiscalização, tanto pelo método PIC quanto PRL, estão manifestamente viciados, eivando de nulidade o lançamento como um todo, na medida em que está sendo exigido da impugnante um crédito tributário que não é líquido nem certo. Mas ainda não é tudo. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA CONCEITO E LIMITAÇÕES A disciplina jurídica dos preços de transferência no Brasil decorre da Lei n° 9.430/96 (artigo 18, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 2° da Lei n° 9.959/2000, artigos 19 a 24, e artigo 28), bem como das INs SRF nos 38/97, 164/99, 113/2000 e 32/2001, e da Portaria MF n° 95/77. Nenhum desses diplomas legais ou infra legais, contudo, traz um conceito de "preço de transferência". Verificase a circunstância de estar consubstanciado o preço de transferência quando duas empresas, valendose de seu vínculo especial, realizam operações em condições diversas daquelas que obteriam, se não fosse a existência desse vinculo, de modo a transferir indiretamente os lucros daquela operação para o local que melhor lhe aprouver. O Estado, ao editar leis para resguardar suas receitas tributárias, porém, está subordinado às limitações constitucionais e à natureza das coisas. Como limitações constitucionais, a contribuinte cita a competência tributária, o princípio da capacidade contributiva, o conceito de renda e lucro, a liberdade de contratar, a liberdade de iniciativa, a livre concorrência, e a vedação ao confisco. A impugnante traz, então, nas palavras de Luís Eduardo Schoueri, a definição de "arm's lenght": "a OCDE define o preço arm's lenght como aquele que teria sido acordado entre as partes não relacionadas, envolvidas nas mesmas transações ou em transações similares, nas mesmas condições ou em condições semelhantes, no mercado aberto". A relevância da compreensão de tal princípio se deve a 2 motivos: a) primeiramente, porque a própria exposição de motivos que encaminhou o projeto de lei que deu origem à Lei n° 9.430/96 indicava que estavam sendo propostas normas para controle dos preços de transferência "em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE'; e b) em segundo lugar, porque o conceito da OCDE de preço "arm's lenght" corresponde precisamente àquele preço que seria praticado em condições normais de mercado entre pessoas não vinculadas, de modo que, se praticado pelo contribuinte, não poderá jamais ser questionado, face às limitações constitucionais acima referidas. Em suma, o princípio "arm's lenght" consubstancia de fato limitação à disciplina dos preços de transferência, a ser respeitada pelo legislador pátrio, uma vez que nada mais representa do que a aplicação das limitações decorrentes das normas Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.788 9 constitucionais pertinentes. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 18 DA LEI N° 9.430/96 A Lei n° 9.430/96 faculta a utilização, pelo contribuinte, de qualquer um dos métodos previstos nos incisos 1 a III do seu artigo 18 (PIC, PRL e PCL), sem qualquer restrição. Não obstante, entendeu a fiscalização que as planilhas "Memória de Cálculo de Suporte Preço Parâmetro", elaboradas pela contribuinte, estariam em desacordo com a IN SRF n° 38/97, porque: a) delas não deveriam constar os princípios ativos e excipientes importados de vinculadas (§ 1° do artigo 4° da IN SRF n°38/97); e b) o artigo 12, §§ 1°, 2°, 5° e 6°, do mesmo diploma legal, em nenhum momento menciona um "fator de correção". Ocorre, porém, que o § '1° do artigo 4° da IN SRF n° 38/97 não tem (e nem poderia ter, sob pena de ilegalidade), o sentido aparentemente pretendido pelo Auditor Fiscal autuante. De modo a harmonizar a vedação do artigo 4°, § 1°, da IN SRF n° 38/97 com a Lei n° 9.430/96, a restrição para utilização do método PRL deve necessariamente ser entendida como aplicável apenas naquelas hipóteses extremas em que é na prática muito difícil, e até mesmo impossível, apurar o preço de referência por esse método, como quando os bens, antes da revenda, sofrem processos de industrialização complexos, dando origem a novos produtos absolutamente diversos, implicando a perda da identidade e das características técnicas do produto original. Afirma a impugnante que a doutrina é praticamente pacífica a ser esta a correta interpretação do artigo 4°, § 10, da IN SRF n° 38/97. Transcreve, às fls. 981 a 984, manifestações doutrinárias. A quase totalidade do ajuste apurado pela fiscalização segundo o método PIC referese ao produto Cloridrato de Fluoxetina. Ocorre, porém, que tal produto é importado de forma granulada e simplesmente encapsulado no Brasil, sendo em seguida revendido. Vale dizer, não há como se cogitar no caso na produção de outro produto, tanto que o custo de industrialização no Brasil representa apenas 8% do custo do produto importado, conforme foi informado à fiscalização (doc. 05), e poderá ser comprovado por perícia, que desde já se requer. Por outro lado, nem se diga, como pretendeu o Auditor Fiscal autuante, de que "em nenhum momento, falase em 'fator de conversão', pela simples razão de que o método PRL só é aplicável a bens que já se apresentem prontos e acabados para consumo final, no momento mesmo em que dão entrada no Brasil”. É que a apuração do preço de revenda mediante o expurgo do valor da industrialização realizada no Brasil consubstancia mero ajuste, que não é em absoluto contrário ao método em questão, ainda que não expressamente previsto na IN SRF n° 38/97. A impugnante transcreve, às fls.985 e 986, doutrina nesse sentido. Tanto é verdade que o método em questão não é incompatível com a industrialização do produto importado antes de sua revenda, que, posteriormente, o próprio artigo 18 da Lei n° 9.430/96 teve sua redação alterada pela Lei n° 9.959/2000, para prever uma margem de lucro distinta para esses casos. É importante ressaltar que a possibilidade de apuração do preço de transferência nesses casos pelo método PRL é um imperativo que decorre não só da simples leitura do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, mas também da pura e simples impossibilidade de apuração do preço de transferência por outro método. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.789 10 É evidente que as indústrias farmacêuticas não vão abrir os custos de produção de seus medicamentos, até mesmo dada a dificuldade de sua apuração, tendo em vista os recursos despendidos em pesquisas e testes. Por outro lado, a impugnante não tinha como obter preços de produtos semelhantes no mercado, e tanto é assim que a fiscalização só obteve os outros dados de que se valeu em razão de ofícios que expediu a outros importadores, a partir de dados que obteve em seus sistemas. Resta, assim, demonstrada a improcedência do Auto de Infração quando desconsiderou os ajustes efetuados pela impugnante com base no método PRL e recalculou o preço de transferência pelo método PIC. INVALIDADE DOS PREÇOSPARÂMETRO APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO Por outro lado, os preços apurados pela fiscalização para comparação com os preços praticados pela impugnante padecem de inúmeros outros vícios. De plano é de se salientar que nenhum dos produtos listados foram importados de fabricante de notória reputação comercial, como é o caso da impugnante. É evidente que o preço do princípio ativo do produto Prozac, mundialmente famoso e que estava protegido por patente à época das importações em causa (doc. 04), importado diretamente de seu fabricante, não pode ser o mesmo que aquele de uma cópia importada de outros fabricantes, que não desenvolveram o produto em questão, não dispensaram os mesmos recursos com pesquisas, e não têm a mesma preocupação com sua reputação comercial. Por outro lado, é igualmente notório que o custo de qualquer produto médico importado dos EUA, dadas as suas rígidas normas de vigilância sanitária e fiscalização do FDA, são muito maiores que os de outros países. Em suma, verificase no caso concreto que os produtos com base nos quais foi apurado o preçoparâmetro pelo método PIC não são em absoluto similares aos importados pela impugnante. Assim, não resta dúvidas quanto à improcedência do Auto de Infração também pelo mérito. A IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA E JUROS Jamais poderiam ser exigidos multa de 75% e juros de mora, na medida em que a impugnante não pode ser penalizada por não ter apurado o preço de transferência pelo método PIC, uma vez que não tinha como ter acesso aos dados necessários para tanto, o que é evidenciado pelo fato de que a fiscalização só pôde apurar o preçoparâmetro por esse método (PIC) em razão de informações obtidas de sua base de dados junto ao SISCOMEX e intimações a outros importadores, dados esses que, como visto, sequer poderiam ser utilizados para a finalidade pretendida. DO MANDADO DE SEGURANÇA N º 2000.61.00.0008413 A impugnante impetrou o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0008413, visando assegurar seu direito de calcular e recolher o IRPJ relativo ao ano calendário de 1998 sem adicionar à sua base de cálculo o valor da CSLL devida, tendo sido deferida a liminar inicialmente pleiteada e posteriormente mantida após a denegação da segurança por liminar concedida nos autos de medida cautelar ajuizada no TRF (doc. 05), de modo que o lançamento deveria ter sido feito com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.790 11 correspondente à dedução da CSLL lançada da base de cálculo do IRPJ, e sem qualquer acréscimo a título de multa (artigo 63 da Lei n° 9.430/96) ou juros. Quanto aos juros moratórios, estes jamais poderiam ser exigidos da impugnante na vigência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Isso porque não há que se falar em mora do contribuinte que deixa de efetuar o respectivo recolhimento amparado por decisão judicial. DA IMPROCEDÊNCIA DO AJUSTE RELATIVO A IMPORTAÇÕES DE 1997 Com relação à autuação dos estoques finais das importações efetuadas em 1997, mas vendidas em 1998, devese salientar que a única referência no Termo de Verificação Fiscal foi feita no seu item 10.6 (fl 766). Já na planilha "Ajuste do saldo de importações efetuadas em 1997" (fl. 926), não há indicação alguma de onde foram extraídos os dados utilizados. Tal circunstância uma vez mais vicia o Auto de Infração, por falta de motivação, uma vez que não tem a impugnante sequer como verificar se estão corretos os valores apontados como "saldo não ajustado em 1997". Por outro lado, relativamente aos itens MS8059 e VL7178, diversamente do que constou da referida planilha, sequer foram objeto do Auto de Infração relativo ao ano calendário de 1997 (doc. 07), de modo que deveria necessariamente a fiscalização ter indicado qual o método adotado para apurar o valor do ajuste unitário e os cálculos respectivos, daí decorrendo nova nulidade. DA INEXISTÂNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA A autuação relativa a omissão de receita não pode prevalecer, na medida em que. a) a suposta omissão de receita apontada pela fiscalização jamais existiu, tendo decorrido, uma vez mais, de um levantamento mal elaborado, como se verá, o que evidencia, não só a improcedência, mas também a nulidade das autuações; e b) ainda que houvesse ocorrido omissão de receita, de qualquer modo seria nulo o lançamento, face aos vícios de procedimento e também quanto à apuração do “ quantum” devido. Senão, vejamos. Da inexistência, no caso, das diferenças apontadas pela fiscalização Como é notório, e se verifica do balanço da impugnante (doc. 08), o estoque é composto de vários itens, dentre eles os produtos em processo de produção. Quando a impugnante informou à fiscalização os saldos inicial e final do estoque do ano de 1998, o fez por seu valor total, sem detalhar a composição daquele estoque e, portanto, os itens que se encontravam em 31/12/97 e 31/12/98. A fiscalização, contudo, em vez de aceitar tais números como verdadeiros, preferiu apurar o "estoque final calculado". Ao assim fazer, porém, a fiscalização não considerou as parcelas correspondentes aos produtos em processo de produção, sendo certo que as diferenças apontadas decorriam exclusivamente da circunstância acima apontada. Aliás, é de se estranhar que, tendo apurado tais diferenças, a fiscalização não tenha jamais intimado a impugnante a esclarecelas que seria de fácil demonstração, Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.791 12 diante das circunstâncias que envolvem o caso concreto. Como se demonstra pela planilha anexa (doc. 09) as diferenças adotadas pela fiscalização são todas referentes aos produtos que se encontravam em processo de produção em 31/12/97 ou em 31/12/98. A impugnante exemplifica, às fls. 996 e 997, o ocorrido com os itens TA4229 (erro ao informar o estoque final) e MS8058 (245 unidades, constates de Dl, deveriam ser desconsideradas como tendo sido importadas, pois seriam referentes a crédito de unidades faturadas anteriormente). A jurisprudência administrativa, em especial o Conselho de Contribuintes (acórdãos às fls. 997 e 998), é categórica e unânime em não admitir exigências tributárias e imposição de penalidades quando o levantamento fiscal é viciado, a ponto de não oferecer certeza e liquidez aos valores exigidos. Dúvida não resta, portanto, quanto à improcedência dos Autos de Infração, não havendo que se falar em supostas diferenças de estoque e, por conseguinte, em omissão de receita, como se comprovará por perícia, caso se entenda necessária, padecendo, ademais, de vício de nulidade por se exigir créditos tributários ilíquidos e incertos. Nulidade do Auto de Infração, que não considerou a dedutibilidade dos valores exigidos a título de CSLL PIS e COFINS na apuração das bases de cálculo Não bastasse isso, determina o artigo 153, inciso II, da CF/88, que a União tem competência para instituir imposto sobre a renda. Esse conceito, explicitado no artigo 43 do CTN, por força do artigo 146, inciso III, “ a ”, da CF/88, pressupõe a existência de um ganho efetivo do contribuinte, a ser captado pela lei impositiva. Por sua vez, nos termos do artigo 195, inciso 1, da CF/88, a CSLL incide sobre o lucro das empresas. A Lei n° 7.689/89, ao instituir essa contribuição social, em consonância com o texto constitucional, também define a base de cálculo como sendo o lucro das pessoas jurídicas. Destaquese que diversos fatos devem ser considerados para fim de reconhecimento do lucro, e, consequentemente, de apuração do imposto / contribuição a pagar. Tanto a legislação comercial (artigo 187, inciso III, da Lei n° 6.404/76) como a tributária (artigo 299 do RIR/99, artigo 16 do Decretolei n° 1.598/77 e artigo 41 da Lei n° 8.981/95) são claras em definir os tributos, sem exceção, como despesas operacionais. Assim, constituindo os valores relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS despesas operacionais, impõemse que sejam abatidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. São várias as decisões proferidas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1000 e 1001) determinando a exclusão, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos valores das contribuições apurados em lançamento de ofício. Nem se argumente, relativamente à CSLL, com o disposto no artigo 1° da Lei n° 9.316/96, porque tal dispositivo legal é flagrantemente inconstitucional, por alterar a definição da base de cálculo da exação em questão, distorcendo o conceito de lucro. A jurisprudência de nossos Tribunais (fls. 1001 a 1003) tem sido no sentido de acolher os argumentos acima. DA IMPRESTABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE PARA EFEITOS DE COMPUTO DOS JUROS DE MORA Ainda que se entenda devidos os juros moratórios, jamais o seriam na dimensão pretendida pela autoridade autuante, porque estão sendo calculados com base em Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.792 13 percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes à remuneração de serviços de instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo, e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. DA CONCLUSÃO A impugnante pede que seja acolhida sua impugnação e julgado insubsistente o Auto de Infração lavrado. Admitindose que os dados já anexados aos autos não sejam suficientes para demonstrar a improcedência do Auto de Infração, a impugnante protesta provar o alegado por meio de prova pericial, formulando quesitos e indicando assistentes (fls.1006 a 1008). Requer, ainda, que as intimações sejam dirigidas ao advogado indicado no impresso no qual foi apresentada a impugnação. Após análise da impugnação, a 5ª Turma de Julgamento DRJ/SP1, por unanimidade de votos, considerou a impugnação parcialmente procedente, acatando as alterações promovidas pela fiscalização no lançamento após a diligência determinada pela DRJ. Segue transcrição da ementa do Acórdão n.º 1624.028, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Infração. MÉTODO PRL. DESCONSIDERAÇÃO. PRODUÇÃO DE OUTRO BEM. Para efeito de determinação do preço de transferência, é vedada a aplicação do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de lucro 20% às operações que se enquadram no conceito de produção de outro bem. ADOÇÃO DE OUTRO MÉTODO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. MÉTODO PIC. APURAÇÃO CORRETA. Não se constatando erros na apuração dos ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), mantémse a exigência correspondente. MÉTODO PRL. OPERAÇÃO ATIPICA. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.793 14 Em nenhuma hipótese será admitido o uso, como parâmetro, de preços de bens praticados em operações de compra e venda atípicas. Exonera se a exigência correspondente. AJUSTE DO SALDO DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS EM 1997. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. Não restando fundamentada a apuração dos ajustes relativos às importações efetuadas em 1997 que teriam sido vendidas em 1998 (em especial, não restando comprovado que o saldo que permaneceu no estoque da contribuinte em 31/12/97 foi consumido e, consequentemente, deduzido como custo em 1998), exonerase a exigência. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. Não logrando a contribuinte justificar as diferenças de estoque apuradas pela fiscalização, correta a presunção legal de omissão de receita. No entanto, há que se exonerar a tributação por omissão de compras na órbita do Imposto de Renda apurado pelo lucro real, pois deflui da própria compra de mercadoria omitida, equivalente omissão de custo correspondente. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Suspensa a exigibilidade dos tributos exigidos no Auto de Infração impugnado, descabe a sua dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de oficio e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. PIS E COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. Não logrando a contribuinte justificar as diferenças de estoque apuradas pela fiscalização, correta a presunção legal de omissão de receita. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Os motivos suscitados pela decisão recorrida para a manutenção em parte da autuação foram os seguintes: Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.794 15 Tempestiva a impugnação ao Auto de Infração, dela tomo conhecimento. Passemos, então, à análise do caso em tela, destacando que, pela intima relação de causa e efeito entre a autuação do IRPJ e dos demais tributos (PIS, COFINS e CSLL), e por dependerem dos mesmos elementos de prova, a presente decisão se estende, mutatis mutandis, a todos os tributos. DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO E DO SANEAMENTO DE EVENTUAIS IRREGULARIDADES Com relação às nulidades suscitadas pela contribuinte, há que se observar o disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". O exame dos dispositivos supra mostra que, no tocante ao lançamento, só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente (o que não é o caso), posto que a hipótese do inciso II, relativa ao cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões. Descabe, assim, a alegação de nulidade dos Autos de Infração. Cabe, no entanto, a análise de mérito da autuação, a ser efetuada a seguir, quando poderão ser sanadas eventuais irregularidades, nos termos do artigo 60 do Decreto n° 70.235/72. Nesse sentido, cumpre observar que a diligência executada a pedido desta Delegacia de Julgamento se prestou apenas a esclarecer dúvidas, evitando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte, e à verificação de erros materiais, que podem ser perfeitamente corrigidos no presente julgamento. Não houve, ao contrário do que entende a impugnante, novo lançamento (o fato de a fiscalização haver concedido prazo de 30 dias para a manifestação da impugnante é insuficiente para caracterizar a existência de outro lançamento, pois inexistem os elementos elencados no artigo 10 do Decreto n° 70.232/72), nem a utilização de novos elementos ou a mudança de critério jurídico. DO PRINCIPIO "ARM'S LENGTH" A respeito do princípio ''arm's length" e dos tratados internacionais, vale transcrever as conclusões proferidas pela Superintendência da Receita Federal em São Paulo em solução de consulta sobre o tema em tela. (...) 8. Preliminarmente, convém observar que não há incompatibilidade entre a Lei n° 9.430/1996 e o artigo 9º da convençãomodelo da OCDE conforme se pretendeu demonstrar. A aplicação das regras de Preços de Transferência está disposta nos artigos 18 e 19 da Lei n° 9.430/1996, ambos com previsão de ajustes ao lucro sempre que forem observadas circunstâncias que indiquem "favorecimento de alguma ou ambas as partes (somente quando desrespeitado o princípio "arm's length price") ", conforme previsão do mencionado artigo 9º. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.795 16 9. Em recente trabalho sobre a matéria, Comentários Relativos aos Artigos da Convenção Modelo da OCDE publicado pelo Centro de Estudos Fiscais, do Ministério das Finanças de Portugal Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal, Lisboa 1995 afirma se que o artigo 9º da convenção – modelo trata de empresas associadas e o seu parágrafo 1 “ estipula que as autoridades fiscais de um Estado contratante podem para o cálculo das importâncias tributáveis , retificar a contabilidade das empresas se, por força das relações especiais existentes entre estas, os seus registros não revelarem os lucros reais tributáveis por elas auferidos neste Estado" [grifei]. São considerados "lucros reais", pela OCDE, os lucros provenientes de "transações processadas nas condições comerciais normais do mercado livre (de plena concorrência ou com absoluta independência)." 10. Para fins de ilustração, seria interessante abordar duas questões levantadas pela obra citada e que coincidem com o objeto da presente análise: a) saber se determinadas regras de procedimentos especiais sobre transações entre empresas associadas, adotadas por certos países, estão de acordo com os princípios da convençãomodelo; b) identificar se as disposições de lei interna de determinado país podem levar ao ajuste de preços, em oposição ao princípio "arm's length". 11. Como resposta, mencionase que a própria OCDE reconhece que o artigo 90 não impede eventuais ajustes de lucros previstos por legislação interna, ainda que tal legislação contrarie o princípio "arm's length" por ele definido. Admitemse tais ajustes como procedimentos de controle de preços que visam a verificar se as transações efetuadas entre empresas vinculadas estão de acordo com aquelas praticadas em condições normais do chamado "mercado livre". Registrase, assim, a preocupação de manter o sentido de eqüidade com relação às transações efetuadas entre empresas independentes, de modo a não permitir que empresas vinculadas obtenham vantagens fiscais, quando das transações efetuadas entre si. 12. Nesse contexto, vale observar como exemplos dessa prioridade na legislação de Preços de Transferência, a adoção de métodos para ajuste dos preços praticados, tais como o "Método dos Preços Independentes Comparados" (PIC) e o "Método do Preço de Revenda menos Lucro" (PRL), que têm como preçoparâmetro os preços praticados em transações entre empresas independentes. 13. No Brasil, a Lei n° 9.430/1996 determina o controle de preços com base no mesmo princípio "arm's length", o que pode ser observado no artigo 18: "Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamentos semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda. III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no pais onde tiverem Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.796 17 sido originalmente produzidos, dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento calculada sobre o custo apurado. § 1º (...) § 2º Para efeito no disposto no inciso I, somente serão considerados as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. §3° Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. §4° Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo seguinte. §5° Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. §6° (..) §7° A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro liquido, para determinação do lucro real. 13.1 O artigo 19 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, determina: "Art.19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. (...) §3° Verificado que o preço de venda nas exportações é inferior ao limite de que trata este artigo, as receitas das vendas nas exportações serão determinadas tomandose por base o valor apurado segundo um dos seguintes métodos: Método do Preço de Venda nas Exportações PVEx: definido como a média aritmética dos preços de venda nas exportações efetuadas pela própria empresa, para outros clientes, por outra exportadora nacional de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, durante o mesmo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e em condições de pagamentos semelhantes. Método do Preço de Venda por Atacado no Pais de Destino, Diminuído do Lucro PVA: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do país de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado. Método do Preço de Venda a Varejo no País de Destino PVV: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado varejista do país de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço cobrados no referido país, e de margem de lucro de trinta por cento sobre o preço de venda no varejo Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucros – CAP: definido como a média aritmética dos custos de aquisição ou de produção dos bens, serviços ou direitos, expostos, acrescidos dos impostos e contribuições no Brasil e de margem de quinze por cento sobre a soma dos cust impostos e contribuições. §6° Se o valor apurado segundo os métodos mencionados no §3º for inferior aos preços de venda constantes dos documentos de exportação, prevalecerá o montante da receita reconhecida conforme os referidos documentos. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.797 18 §7º A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que excede ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. §8° Para efeito do disposto no §30, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados." [grifei] 14 . Uma análise mais criteriosa dos artigos 18 e 19 permite concluir que tais dispositivos em nada contrariam o artigo 9° da convenção modelo da OCDE, devendose sublinhar que os ajustes ali previstos, na realidade, preservam o "arm's length principie", proibindose operações mais vantajosas do que as que prevalecem no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, conforme se pode inferir dos §§ 2°, 3°, 5° e 7° do artigo 18, bem como os §§ 6°, 7° e 8° do artigo 19. 15. É de se observar, da mesma forma, que " nos termos do referido artigo 9º (Convenção Modelo da OCDE), desde que as empresas associadas mantenham em suas relações condições especiais que empresas interdependentes não manteriam, podem os Estados contratantes proceder aos ajustes ao lucro de seus contribuintes." Salientase, ainda, que o preço arm's length seria "aquele acordado entre as partes não relacionadas, envolvidas nas mesmas transações ou em transações similares, nas mesmas condições ou em condições semelhantes, no mercado aberto." As observações são de Luís Eduardo Schoueri, em Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, obra na qual se reconhece que " a legislação brasileira segue o parâmetro arm's length ", quando é abordada a adoção de tal princípio pela Lei n° 9.430/1996. 16. Na consulta formulada (...), tentouse demonstrar que os tratados internacionais celebrados pelo Brasil, de acordo com o modelo da OCDE, estabelecem regras gerais relativas a Preços de Transferência, mas não prevêem ajustes por partes das autoridades fiscais, o que comprovaria haver contraste entre os acordos firmados e a Lei n° 9.430/1996. Como evidência de que não há contradição entre a legislação brasileira e os acordos internacionais firmados pelo Brasil, podese mencionar o Decreto n° 76.988, de 06 de janeiro de 1976, que promulga o "Acordo para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o capital, Brasil — República Federal da Alemanha", cujo artigo 9 prevê: "ARTIGO 9 Empresas associadas Quando: a) Uma empresa de um Estado Contratante participar direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de uma empresa do outro Estado Contratante, ou b) As mesmas pessoas participarem direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de uma empresa de um Estado Contratante e de uma empresa do outro Estado Contratante, e em ambos os casos, as duas empresas estiverem ligadas, nas suas relações comerciais ou financeiras, por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentemente, os lucros que, sem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados como tal”. [ grifei] 17. A OCDE admite situações em que os Estados contratantes possam efetuar ajustamentos correlativos com base no parágrafo 2, do artigo 9°, por meio de procedimento amigável. Tais casos seriam decorrentes de aplicação da legislação interna de Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.798 19 determinado país que resultaria em ajustes de lucros , em oposição aos princípios do Artigo 90. Convém lembrar, no entanto, que assim como diversos país da OCDE Bélgica, Finlândia, Noruega, Portugal e Suíça são notórios exemplos , o Brasil optou por não incluir o parágrafo 2 em sua legislação. 18. Em termos doutrinários, a OCDE observa que a retificação da contabilidade relativa às transações entre empresas associadas na situação prevista no parágrafo 1, pode dar origem ao que aquela organização classifica de "dupla tributação econômica", que é definida como tributação de pessoas distintas a título do mesmo rendimento, por mais de um Estado. Difere da "dupla tributação jurídica ", que ocorre quando a mesma pessoa é tributada a título do mesmo rendimento ou patrimônio por mais de um Estado. Nos comentários dos artigos 23A e 238, no entanto, a OCDE adverte que a convençãomodelo não pretende resolver o problema relativo a "dupla tributação econômica". Países que se defrontarem com problema de "dupla tributação econômica", devem resolvêlos mediante negociações bilaterais, independentes da referida convenção. 19. Da mesma forma, Heleno Taveira Tôrres, em Pluritributação Internacional sobre as Rendas das Empresas, nega a possibilidade de o conceito de " dupla tributação econômica internacional " ser classificado na conceituação clássica da "pluritributação internacional", que pode ser definida como "o concurso impositivo entre duas ou mais legislações fiscais soberanas contemporaneamente incidentes sobre um mesmo suporte fático (fato gerador)." 20. Na dupla tributação por transferência internacional, "não se estabelece qualquer concurso de normas, pois a hipótese de incidência das normas dos Estados tributantes, apresenta critérios materiais, temporais, espaciais, subjetivos e quantitativos completamente diferentes". Do mesmo modo, não há identidade de fatos geradores "pois em uma norma, o critério material da hipótese de incidência prevê a tributação do lucro oriundo da operação realizada (Estado de residência da empresa transferente), e na outra, a retificação de preços pelo valor normal, realizada pelo Estado de residência da empresa destinatária". 21. Diante das argumentações apresentadas acima é clara a comprovação de inexistência de contradição entre a Lei n° 9.430, de 1996, e os Acordos para Eliminar a Dupla Tributação da Renda assinados pelo Brasil. Heleno Tôrres resume de forma clara a inexistência de contradição, na obra citada, do seguinte modo: "A disciplina do tranfer pricing, prevista nos acordos internacionais para evitar a bitributação, é de eficácia contida, digamos assim, exatamente porque as suas regras não pressupõem qualquer concurso de pretensões impositivas e, por consequência, por não haver pluralidade de normas em concurso, não há possibilidade para "repartição de competências", porque a retificação de preços de transferência realizada por um país sobre uma pessoa jurídica residente, nada tem a ver com a tributação do IRPJ realizada no outro Estado, sobre a respectiva empresa ali residente, conexa com aquela primeira, que sofre a ação de controle contábil. E de fato, quando um dos dois Estados não possua disposição ad hoc no direito interno, para efeito de retificação, a Convenção não poderá instituir um "critério de valoração" (no lugar daquele da repartição) não previsto pelas regras unilaterais. E o motivo é óbvio: não existindo uma bitributação internacional sobre os preços de transferências, não poderseia tratar os mesmos, como se faz com as demais categorias redituais, sem implicar uma abusiva interferência no campo de soberania de um dos Estados, porque a tributação ocorre exclusivamente no interior do Estado que procede à retificação." Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.799 20 Como se vê, a legislação brasileira sobre preços de transferência atende plenamente o princípio "arm's length". Com efeito, para se verificar se preços praticados entre empresas ligadas atendem ao citado princípio se faz necessário a aplicação de algum método de aferição. É exatamente o que fazem os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96, que inserem os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Outrossim, cumpre observar que a legislação brasileira sobre preços de transferência não é rígida quanto à determinação do preçoparâmetro, permite que o contribuinte faça a opção por um dos métodos previstos, admitindo, ainda, em face da situação especifica de uma determinada empresa a possibilidade de revisão dos percentuais previstos para os métodos PRL, CPL, PVA, PVV e CAP (artigo 20 e § 2° do artigo 21). Dito de outra maneira, a própria legislação tributária dá oportunidade ao contribuinte de comprovar o preço "arm's length" adequado à sua realidade. Outro ponto abordado pela solução de consulta diz respeito aos acordos internacionais para evitar a bitributação. Conforme pode ser verificado não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Modelo da OCDE e a legislação fiscal brasileira, eis que, ao contrário do que afirma a defendente, o citado artigo permite a tributação do ajuste decorrente de operações efetuadas entre pessoas ligadas que não atendam as condições de mercado (empresas independentes), sem impor a adoção de qualquer método especifico. DA DESCONSIDERAÇÃO DO MÉTODO PIC A impugnante contesta a desconsideração do método PIC, por ela adotado, com relação aos produtos Monitor Advantage e Kit Advantage e o fato de a fiscalização, sem averiguar qual o método mais favorável à contribuinte, haver adotado o método PRL. Quanto à desconsideração do método PIC com relação aos produtos Monitor Advantage e Kit Advantage, ela se mostra correta. Esclarece a fiscalização que o documento apresentado pela contribuinte (doc. 7, fl. 6102) é uma lista de preços, que não se presta à apuração do preçoparâmetro segundo o método PIC (apuração feita a partir de operações de compra e venda, segundo o artigo 18, inciso I, da Lei n° 9.430/96), pois não comprova que foram praticadas operações com os preços ali listados. Quanto à adoção do método PRL, há que se observar o artigo 39, § único, da IN SRF n° 38/97, in verbis: "Art. 39. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional AFTN, encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo, observado o disposto nos arts. 33 a 35. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFTN encarregados da verificação poderão determinalo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos referidos nesta Seção” (grife) Diante da desqualificação dos cálculos efetuados pela contribuinte, correta a opção da fiscalização em escolher um método e apurar os ajustes correspondentes (no caso, a opção foi pelo método PRL). Possui o Auditor Fiscal autuante o direito e o dever de apurar os preços de transferências, aplicando um dos métodos previsto na legislação de regência, nos termos do artigo 39, § único, da IN SRF nº 38/397. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.800 21 Destaque se que a citada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método (e a escolha do mais favorável ao contribuinte). Essa é uma prerrogativa do contribuinte (artigo 4º, § 2º da IN SRF nº SRF nº 38 /97), mas não uma imposição à fiscalização. Dessa forma, correta a desconsideração do método PIC e a adoção do método PRL pela fiscalização. DA DESCONSIDERAÇÃO DO MÉTODO PRL A fiscalização calculou os ajustes de preços de transferência relativos aos produtos GlicoFita, Estearato de Alumínio, Cloridrato de Fluoxetina e Cefazolina Sódica Liofilizada (utilizados na produção de outros bens) pois o método PRL só é aplicável a bens que já se apresentem prontos e acabados para consumo final, no mesmo momento em que dão entrada no Brasil (artigo 4°, § 10, da IN SRF n° 38/97). Alega a impugnante que a Lei n° 9.430/96 faculta a utilização, pelo contribuinte, de qualquer um dos métodos previstos nos incisos I a III do seu artigo 18 (PIC, PRL e PCL), sem qualquer restrição, devendo a norma regulamentar (artigo 4°, § 1°, da IN SRF n° 38/97) ser interpretada no mesmo sentido, para não contradizer a norma legal. De fato, a referida instrução normativa não contradiz a norma legal, mas a interpretação dada pela impugnante não é a mais correta. Há sim a vedação de utilização do método PRL (com margem de lucro de 20% PRL20%, a única existente à época do fato gerador) quando o bem houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, determinada pelo artigo 4°, § 1°, da IN SRF n° 38/97, em consonância com o artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Nesse sentido, devese observar os argumentos expostos nas Decisões de Consulta COSIT nos 01/99 e 21/2000: (Lei n° 9.430/96) "Art. 18 Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos o sim] apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra a e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (Alterado pela Lei n° 9.959, de 27.1.2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no pais onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...)" (IN SRF n° 38/97) Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.801 22 "Art. 40 Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1°, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1° A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. (...)" (grifei). Obs: os artigos 6° e 13 tratam, respectivamente, dos métodos PIC e CPL (Decisão COSIT n° 01, de 02/02/99) "(..) 16. Salientese, do até aqui exposto, que o art. 12 da IN SRF n° 38/1997, bem assim o parágrafo único do art. 4° desse ato, foram fiéis ao disposto no art. 18, caput, seu inciso II, §§ 1° e 3°, da Lei n° 9.430/1996, prevendo o método de que se fala – PRL como aplicável tão somente na situação de aquisição e posterior revenda do mesmo bem. Daí porque, voltamos a destacar, o sobredito artigo 12 permitir, na espécie, a dedução, do preço de revenda, unicamente dos gastos referidos no item 13 e da margem de lucro, não havendo menção a custos de produção, típicos, conforme visto, nas atividades desenvolvidas pelas empresas representadas pela consulente. (...)" (grifei). (Decisão COSIT n°21, de 31/10/2000) “ (...) 23. Apesar de diversos questionamentos levantados por contribuintes quanto à legalidade do art. 4°, §1°, da IN n° 38/97 na tentativa de reivindicar a utilização do PRL na produção de novos bens , a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit) manteve o entendimento previsto naquele dispositivo, por intermédio da Decisão Cosit n° 1, de 02/02/1999, cuja ementa determina: "Não se aplica o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para efeito de determinação do preço de transferência na produção de medicamentos para consumo final com utilização de princípios ativos importados por configurar produção de um outro bem." 24. A atitude do fisco de tornar patente a proibição da aplicação do PRL na produção, por um ato normativo, justificase na medida em que se procurou elucidar a aplicação de conceitos que são claros na contabilidade empresarial: a revenda e a produção. Ocorre revenda quando o mesmo produto é comprado e, posteriormente, vendido, sem sofrer quaisquer transformações durante o processo. Na produção, comprase um determinado bem cuja transformação resultará em novo produto com características distintas do insumo ou produto original utilizado. Cabe mencionar a obra Transfer Pricing Guidelines For Multinational Enterprises And Tax Administrations, uma publicação da OCDE, de julho de 1995, em cujo texto (página 115) é ressaltado o uso de tal método (PRL) em operações de comércio. Reforçase, portanto, a idéia de que o método Preço de Revenda menos Lucro — PRL somente se aplica ao processo de revenda. 25. Frisese, no entanto, que, com a edição da Lei n° 9.959, de 27/01/2000, com base na Medida Provisória 2.0053, de 14/12/1999 produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2000 , permitiuse a aplicação do PRL na produção, da seguinte maneira: "Art. 2°A alínea "d" do inciso lido art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.802 23 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;' (...)"(grifei). Não se vislumbra, portanto, qualquer irregularidade na utilização das normas prescritas na IN SRF n° 38/97, sendo inaplicável ao caso em tela (importação de bens destinados à produção) o método PRL20%. Quanto ao pedido de perícia no sentido de se verificar que o produto Cloridrato de Fluoxetina é importado de forma granulada e simplesmente encapsulado no Brasil, sendo em seguida revendido, e que o custo de industrialização no Brasil representa apenas 8% do custo do produto importado, esta se faz desnecessária (sendo, portanto, indeferida), pois essa informação prestada pela impugnante é suficiente, no caso em tela. Independentemente do grau de industrialização houve a produção de outro bem, sendo, portanto, vedada a utilização do método PRL20%. Quanto à adoção do método PIC, há que se observar o artigo 39, § único, da IN SRF nº 38/97, in verbis: "Art. 39. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional AFTN, encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo, observado o disposto nos arts. 33 a 35. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentado& forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção. Quanto ao preço, os AFTN encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos referidos nesta Seção" (grifei). Diante da desqualificação dos cálculos efetuados pela contribuinte, correta a opção da fiscalização em escolher um método e apurar os ajustes correspondentes (no caso, a opção foi pelo método PIC). Possui o Auditor Fiscal autuante o direito e o dever de apurar os preços de transferência, aplicando um dos métodos previsto na legislação de regência, nos termos do artigo 39, § único, da IN SRF n° 38/97. Destaquese que a citada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método (e a escolha do mais favorável ao contribuinte). Essa é uma prerrogativa do contribuinte (artigo 4°, §2°, da IN SRF n° 38/97), mas não uma imposição à fiscalização. Dessa forma, correta a desconsideração do método PRL e a adoção do métodoPIC pela fiscalização. DOS AJUSTES SEGUNDO O MÉTODO PIC Passemos, então, à análise dos cálculos dos ajustes segundo o método PIC, efetuados pela fiscalização com relação aos produtos MS8060 (Tiras de Teste 50) e QA332X (Cloridrato de Fluoxetina). Alega a impugnante que os produtos utilizados pela fiscalização para formação do preçoparâmetro pelo método PIC não são em absoluto similares àqueles por ela importados, eis que não possuem a mesma qualidade e reputação comercial. Sobre o conceito de similaridade o artigo 26 da IN SRF 38/97, dispõe que: Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.803 24 "Art. 26. Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I tiverem a mesma natureza e a mesma função; e II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes." Como se vê, os fatores qualidade e reputação comercial não são consideradas para fins de preço de transferência. Destarte não inviabilizam o lançamento. Alega, ainda, que foram utilizados dados de acesso restrito ao Fisco. Ao contrário do que defende a impugnante, o procedimento adotado pela fiscalização está amparado pelo artigo 39 da IN SRF n° 38/97, que autoriza a utilização de quaisquer "outros documentos de que dispuser". Assim, desde que as informações coletadas sejam disponibilizadas ao autuado, não há nada que impeça a utilização de arquivos internos da SRF e de dados obtidos junto a outras empresas mediante procedimento fiscal. Ademais, dispunha a impugnante, em momento prévio à autuação, das opções elencadas nos incisos I a III do artigo 6° da IN SRF 38/97. Ênfase no inciso I do referido diploma, onde se permite a comparação com preços de bens vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas. No caso, notese, a empresa exportadora é vinculada à impugnante e, em conseqüência, poderia fornecerlhe os dados. Além disso, em momento posterior à lavratura do Auto de Infração, a acessibilidade ao dados ocorreu com a disponibilização à autuada dos dados colhidos pela fiscalização, para que a mesmo exercitasse seu direito de defesa. Dessa forma, há que se manter os ajustes segundo o método PIC apurados pela fiscalização, conforme a seguir demonstrado: PRODUTO AJUSTE MS8060 (Tiras de Teste 50) 114.841.89 QA332X 2.522.569,97 Total PIC 2.637.411,86 DOS AJUSTES SEGUNDO O MÉTODO PRL Passemos, então, à análise do cálculo do ajuste segundo o método PRL, efetuado pela fiscalização com relação ao produto MS8059 (Tiras de Teste 25). Do preço praticado inclusão das despesas de frete, seguro e imposto de importação A contribuinte contesta a inclusão, no método PRL, das despesas com frete, seguro e imposto de importação no preço praticado. Sobre o assunto, há que se considerar o disposto no artigo 18, § 6°, da Lei n° 9.430/96, e no artigo 40, § 4°, da IN SRF n° 38/97 in verbis: (Lei n° 9.430/96) "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (..) Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.804 25 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre • pre o de revenda; § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (... )" (IN SRF n° 38/97) "Art. 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1°, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. (...) § 4° Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação". Primeiramente, cumpre observar que o supra transcrito artigo 18, § 6°, da Lei n° 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Tal procedimento é obvio, na apuração do preço de transferência pelo método PRL. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96 e do artigo 12 da IN SRF n° 38/97), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora. Com relação ao disposto no artigo 4°, § 4°, da IN SRF n° 38/97, para se buscar o seu real significado, há que se interpretálo lógica e sistematicamente. Dentro da interpretação sistemática, há que se observar que a IN SRF nº 38/97 nada mais faz do que regulamentar os aspectos relativos a preço de transferência na Lei Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.805 26 n° 9.430/96, não podendo dispor de modo diverso. Assim, se o artigo 18, § 6º da Lei n° 9.430/96, determina, expressamente, que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo, o artigo 4º, § 4º, da IN SRF n° 38/97 também deve ser interpretado dessa maneira. Dentro da interpretação lógica, que reforça o entendimento acima, há que se observar, novamente, que no preço de revenda e, consequentemente, no preçoparâmetro, estão sendo considerados os custos de frete, seguros e tributos incidentes na importação, de modo que o preço praticado pela contribuinte também deve ter os citados custos nele embutidos, para se evitar uma distorção na comparação. Ainda dentro da interpretação lógica, o artigo 4º, § 4º, da IN SRF n° 38/97, ao dispor que na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, "poderão", também, ser computados os supracitados dispêndios, deve ser entendido no sentido de que: a) se os citados dispêndios forem considerados na formação do custo do bem, comparase, normalmente, o preçoparâmetro, obtido na forma do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96, e do artigo 12 da IN SRF n° 38/97, com o preço praticado; b) caso contrário, o preçoparâmetro a ser utilizado na comparação com o preço praticado será o obtido na forma do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96, e do artigo 12 da IN SRF n° 38/97, diminuído, ainda, dos citados dispêndios, para se evitar distorções na comparação. Dessa forma, o eventual ajuste no preço de transferência será o mesmo, seja através da opção "a" ou da "b", acima explicitadas. Improcede, assim, a alegação da impugnante contrária à inclusão dos valores relativos ao frete, ao seguro e aos tributos no cálculo do preço praticado. Do preçoparâmetro — utilização de operação atípica Alega a impugnante que: · o preçoparâmetro do item MS8059 (Tiras de Teste 25) foi apurado a partir de uma única operação de venda, atípica, realizada em 06/11/98 à empresa Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A. (fls. 787 e 1048); · tratase o referido item MS8059 de produto ainda não inteiramente processado para venda (o produto final seria o de código 8059); · no ano de 1998, até o mês de outubro, a impugnante realizou diversas vendas do produto 8059 (fls. 1049/1061). Os documentos de fls. 1047/1061 comprovam as vendas supracitadas. No caso, há que se observar que: · não há como apurar o preçoparâmetro do item MS8059 pelo método PRL considerandose também as vendas do produto 8059 porque são produtos diferentes (conforme declaração da própria impugnante). Mesmo se pudesse, não foi o procedimento adotado pela fiscalização; · o fato de haver apenas uma venda do referido item, na circunstância descrita pela impugnante, caracteriza a operação com atípica, e não poderia ter sido considerada, nos termos do artigo 29 da IN SRF nº 38/97("Em nenhuma hipótese será admitido o uso, como parâmetro, de preços de bens, serviços e direitos praticados em operações de compra e venda atípicas, tais Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.806 27 como nas liquidações de estoque, nos encerramentos de atividades ou nas vendas com subsídios governamentais"); · considerando que em 1998 foram consumidas 39.573 unidades do item MS8059 (fl. 925) e que a venda realizada em 06/11/98 à empresa Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A. envolveu apenas 4.612 unidades (fl. 1048), as demais unidades devem ter integrado o processo produtivo, como insumo, do produto (desse modo, a fiscalização deveria ter apurado o ajuste do MS8059 segundo o método PIC — como foi efetuado com o item MS8060 — considerandose todas as operações ocorridas no anocalendário de 1998 envolvendo o referido insumo — tanto a revenda do insumo MS8059, quando as vendas do produto 8059). Dessa forma, há que se considerar procede a alegação da impugnante. Da conclusão Por todo o exposto, há que se exonerar o ajuste segundo o método PRL apurado pela fiscalização com relação ao produto MS8059 (Tiras de Teste 25), no montante de R$ 216.537,79. DO AJUSTE DO SALDO DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS EM 1997 A fiscalização procedeu, ainda, a ajustes relativos às importações efetuadas em 1997 que teriam sido vendidas em 1998, relativa aos seguintes produtos (fl. 926): PRODUTO Qtde ajustada em 1997 Valor ajustado em 1997 Qtde não ajustada em 1997 Ajuste em 1998(R$) MS8059 (Tiras de Teste 25 666.420 6607.570,21 223.429 Vl7178(Cisplatina 50mg) 4466 66.321,70 55.534 225 (Humilin R Carpule) 2271 1174,43 3.789 297 (Lactotropin 500mg) 2286.225 990.881,78 4473.975 8058 – Kit Diagnostico Advantage 99.391 1166.270,05 44.512 TOTAL 385.675,72 · Obs: O ajuste em 1998 foi apurado proporcionalmente, através da fórmula ("Qtde não ajustada em 1997" / "Qtde ajustada em 1997") * "Valor ajustado em 1997". Com relação aos produtos MS8059 (Tiras de Teste 25) e VL7178 (Cisplatina 50mg), assiste razão à impugnante ao afirmar que sequer foram objeto do Auto de Infração relativo ao ano – calendário de 1997, além de não ser possível identificar de onde foram extraídos os dados utilizados. Desse modo, resta não fundamentada a apuração dos ajustes relativos a esses produtos, impondose a exoneração da autuação correspondente. Com relação aos demais produtos, os valores das colunas "Qtde ajustada em 1997" e "Valor ajustado em 1997" foram extraídos do anexo 6 do processo n° 16327.004286/200220 (autuação relativa ao anocalendário 1997), da própria contribuinte, e a coluna "Qtde não ajustada em 1997" corresponde à diferença entre as quantidades importadas (valores também extraídos do anexo 6 do processo n° 16327.004286/200220) e as quantidades ajustadas em 1997, conforme a seguir demonstrados: Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.807 28 Produto Qtde importada em 1997 Qtde ajustada em 1997 Qtde não ajustada em 1997 225 (Humilin R Carpule) 4.060 271 3.789 297 (Lactotropin 500mg) 330.200 286.255 43.975 8058 – Kit Diagnostico Advange 13.903 9.391 4.512 Ocorre, porém, que mesmo com relação a esses produtos (para os quais não foram apurados ajustes relativos às importações efetuadas em 1998), a fiscalização não comprovou que a quantidade não ajustada em 1997 (que permaneceu no estoque da contribuinte em 31/12/97) foi totalmente consumida (e, consequentemente, deduzida como custo) em 1998. A fiscalização simplesmente presumiu (sem base legal), sem juntar aos autos qualquer documentação comprobatória. Desse modo, também resta não fundamentada a apuração dos ajustes relativos a esses produtos, impondose a exoneração da autuação correspondente. OMISSÃO DE RECEITAS A contribuinte foi autuada (IRPJ, PIS, COFINS e CSLL) por presunção de omissão de receitas decorrente de diferenças entre o estoque físico, constante do livro Registro de Inventário (sintetizado às fls. 773/784), e o estoque calculado pela fiscalização (considerando o estoque inicial, as entradas e as saídas), nos termos do artigo 41 da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1° Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de inventário. § 2° Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matérias primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. ” Passemos, então, há análise da autuação e dos argumentos de defesa da impugnante. Da apuração da omissão de receitas Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.808 29 Conforme demonstrativo de fl. 924, foram apuradas diferenças negativas (estoque físico menor que o estoque calculado, caracterizando omissão nas saídas/vendas) e positivas (estoque físico maior que o estoque calculado, caracterizando omissão nas entradas/compras). Em sua defesa, a impugnante alega que as diferenças são todas referentes aos produtos que se encontravam em processo de produção. É improcedente tal alegação, pois a fiscalização considerou o estoque inicial registrado no livro Registro de Inventário e, na apuração dos estoques finais, considerou as saídas dos insumos para a produção, conforme se observa da coluna "I" do demonstrativo de fl. 924, extraída da planilha de fls. 771/772. Destaquese que no referido demonstrativo foram considerados: · os estoques inicial e final (colunas "b", "c", "p" e "q"), extraídos do livro Registro de Inventário (fls. 773/784); · as entradas e saídas informadas pela contribuinte (colunas "d", "i" e "m"), extraídas da planilha de fls. 788/806; · as entradas por fabricação (coluna "e"), extraídas da planilha de fls. 768/770; · as importações (coluna "f"), extraídas da planilha de fl. 767; · as vendas (colunas "j" e "k"), extraídas da planilha de fls. 785/787; e · repitase, as saídas para a produção (coluna "I"), extraídas da planilha de fls. 771/772. Quanto à documentação juntada aos autos pela impugnante (docs. 9 a 12), eles não se prestam a elidir a autuação, posto que: · os docs. 9, 10 e 12 são demonstrativos e relatórios da própria contribuinte, desacompanhados, no entanto, de documentação comprobatória (em especial não resta comprovado o alegado erro na informação do estoque final do item TA4229); · o doc. 11, comprova a importação de 245 unidades do item MS8058 (Dl de fl. 1312) que, ao contrário do que entende a impugnante, devem ser consideradas na coluna "f" do demonstrativo de fl. 924, mesmo tendo sido faturadas anteriormente. Quanto à juntada de novos documentos, há que se observar que, nos termos do §40 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; ou c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que não é o caso. Do efeito da omissão nas entradas/compras na apuração do IRPJ e da CSLL Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.809 30 Especificamente no caso em tela, no qual a contribuinte é tributada com base no lucro real, quanto à tributação a título de IRPJ e CSLL da omissão de receitas presumida com base na apuração de diferença de estoques decorrentes de omissão no registro de compras (inventário físico maior que o calculado), há que se observar o seguinte. A falta de registro de compras pode, por um lado, revelar a ocorrência de omissão de receita (artigo 41 da Lei n° 9.430/96), mas, por outro, diminui o custo das mercadorias vendidas, em face das compras não registradas (CMV = Ei + compras Ef). Dessa forma, a omissão de receita não afeta a apuração do lucro líquido do período e, consequentemente, a apuração do IRPJ e da CSLL em face da ausência do registro do correspondente custo, em igual montante. Nesse sentido, observemse, entre outros, os seguintes Acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "OMISSÃO DE COMPRAS IRPJ E CSLL CONCORRÊNCIA DE PRESUNÇÕES LEGAIS ELEIÇÃO DA MENOS ONEROSA OMISSÃO DE COMPRAS Estabelecendose a concorrência de presunções legais possíveis, é de se preferir a menos onerosa ao contribuinte. Não pode prevalecer a tributação por omissão de compras na órbita do Imposto de Renda e da Contribuição Social, pois deflui da própria compra de mercadoria omitida, equivalente omissão de custo correspondente. Além disso o mero somatório das compras não registradas não traduz a verdadeira base de cálculo em casos de compras sucessivas de mercadorias ou matérias primas" (Acórdão 10808357, de 15/06/2005). "OMISSÃO DE COMPRAS — IRPJ E CSLL — CONCORRÊNCIA DE PRESUNÇÕES LEGAIS — ELEIÇÃO DA MENOS ONEROSA — OMISSÃO DE COMPRAS: Estabelecendose a concorrência de presunções legais possível, é de se preferir a menos onerosa ao contribuinte. Não pode prevalecer e tributação por omissão de compras na órbita do Imposto de Renda e da Contribuição Social, pois deflui de própria compra de mercadoria omitida, equivalente omissão de custo correspondente. Além disso o mero somatório das compras não registradas não traduz a verdadeira base de cálculo em casos de compras sucessivas de mercadorias ou matérias primas" (Acórdão CSRF/0104.597, de 11/08/2003). Dessa forma, há que se excluir da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas decorrente da omissão nas entradas/compras. DA DEDUÇÃO DA CSLL, DO PIS E DA COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Alega a impugnante que constituindo se os valores relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS despesas operacionais, eles deveriam ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega, ainda, possuir decisão judicial em Mandado de Segurança, no sentido de assegurar seu direito de calcular e recolher o IRPJ relativo ao ano calendário de 1998 sem adicionar à sua base de cálculo o valor da CSLL devida, de modo que o lançamento deveria ter sido feito com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente à dedução da CSLL lançada da base de cálculo do IRPJ, e sem qualquer acréscimo a título de multa (artigo 63 da Lei n 9.430/96) ou juros. Improcedem tais alegações. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.810 31 A dedução da CSLL de sua base de cálculo não foi objeto do supracitado Mandado de Segurança (conforme fl. 1112, o pedido foi restrito ao IRPJ) e está expressamente vedada pelo artigo 1° da Lei n° 9.316/96, in verbis: "Art. 1. ° O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo". Quanto à dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ, cumpre observar o seguinte. A contribuinte, alegando, no referido Mandado de Segurança, a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei' n° 9.316/96, requer que lhe seja "assegurado o direito de não ser penalizada por ter calculado o valor devido a título de imposto de renda relativamente ao anobase de 1998, sem efetuar a adição do valor da contribuição social sobre o lucro na base de cálculo respectiva..." (fl. 1112, com grifos meus). Observase que o pedido refere se a valores apurados pela própria contribuinte, nada havendo sido solicitado ao Poder Judiciário quanto a futuros lançamentos de ofício sobre nova matéria. Considerando os limites da lide e o princípio da segurança jurídica, inexiste, corno pretende a impugnante, pedido implícito, por mais lógico que este possa lhe parecer. Ademais, o débito relativo ao Auto de Infração da CSLL, não estando definitivamente constituído (por estar pendente de julgamento), não é liquido nem certo, sendo, portanto, indedutível na determinação do lucro real (base de cálculo do IRPJ). Ainda que se afastasse, eventualmente, a aplicação do artigo 1° da Lei n° 9.316/96, há que se aplicar ao caso o disposto no artigo 41, §1°, da Lei n° 8.981/95 (não contestado na ação judicial), in verbis: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (..)" Segundo o § 1° do artigo 41 da Lei n° 8.981/95, acima transcrito, são indedutíveis segundo o regime de competência, os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151 da Lei n° 5.172/66 (CTN). O referido dispositivo do CTN preceitua que: Art. 151 Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. ” Um dos efeitos da impugnação interposta contra a exação fiscal lançada de ofício (inciso III acima), como ocorre no presente processo, é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até a solução da lide instaurada na esfera administrativa. Por força do § 10 Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.811 32 do artigo 401 da Lei n° 8.981/95, combinado com o inciso III, do artigo 151 do CTN, a regra geral de dedutibilidade segundo o regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em face de impugnação interposta em instância administrativa. Assim, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151, inciso III, CTN), não poderá ser concedida por esta autoridade administrativa de julgamento a requerida dedução da CSLL, exigida no Auto de Infração ora impugnado, na apuração da base de cálculo do IRPJ, em observância ao artigo 41, §1°, da Lei 8.981/95. Descabe, também, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente à dedução da CSLL lançada da base de cálculo do IRPJ, e a exoneração dos correspondentes acréscimos legais (multa de oficio e juros de mora). Também em face do disposto no artigo 41, §1°, da Lei n° 8.981/95 não é possível a dedução do PIS e da COFINS decorrentes da autuação da base de cálculo do IRPJ. Com relação à dedução do PIS e da COFINS decorrentes da autuação da base de cálculo da CSLL (e também do IRPJ), há que se observar o disposto no artigo 13 da Lei n° 9.249/95, in verbis: “ Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (...) ” Os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa têm nitidamente a natureza de provisões, visto que não configuram obrigações efetivamente constituídas, que traduzam uma exigibilidade do passivo da mesma natureza de um tributo a recolher. Tratase de exigências tributárias que estão sendo discutidas no âmbito judicial ou administrativo (como no caso em tela), podendo a decisão final decidir pela procedência ou pela improcedência das exações. A contribuinte, ao contestar a exigência tributária, têm a convicção sobre o seu descabimento. Logo, caso seja aceita a tese que desenvolve, a obrigação tributária não se concretizará, sendo, portanto, descabido o reconhecimento de despesa relativa aos tributos sub judice. Nesse sentido, observemse os seguintes acórdãos: "CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa MS termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão". (Acórdão 10194491, de 29/01/2004). "CSLL BASE DE CÁLCULO DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.812 33 151, inciso II do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art 13, inciso I, da Lei 9.249/95". (Acórdão 10808126, de 02/12/2004). Assim, não poderá ser concedida por esta autoridade administrativa de julgamento a requerida dedução do PIS e da COFINS, exigidos no Auto de Infração ora impugnado, na apuração da base de cálculo da CSLL (e também do IRPJ), em observância ao artigo 13 da Lei n° 9.249/95. Quanto à legalidade ou inconstitucionalidade das supracitadas normas, à esfera administrativa não cabe apreciar questões dessa natureza, competência exclusiva do Poder Judiciário. DAS INTIMAÇÕES AO ADVOGADO Por fim, no tocante à postulação de que futuras intimações sejam feitas em nome do advogado da contribuinte, ressaltase que tal pretensão envolve providências da alçada da autoridade preparadora, de modo que, sobre esse assunto, não se manifesta a autoridade julgadora. DA MULTA DE OFICIO E DOS JUROS MORATÓRIOS A aplicação da multa de oficio de 75% tem previsão legal (artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96); do mesmo modo, o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC (artigo 6°, § 2°, da mesma lei). Quanto à legalidade ou inconstitucionalidade das supracitadas normas, à esfera administrativa não cabe apreciar questões dessa natureza, competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme já mencionado. DO CÁLCULO DOS TRIBUTOS MANTIDOS Considerando a alteração da matéria tributável, há que se refazer o cálculo tributos a serem exigidos, conforme a seguir demonstrado: Matéria tributável — IRPJ e CSLL (R$) Auto de Infração Decisão Ajustes PIC 2.637.411,86 2.637.411,86 (+) Ajustes PRL 216.537,79 0,00 (+) Ajustes Ef 1997 vendidi em 1998 385.675,72 0,00 = Ajuste total 3.239.625,37 2.637.411,86 () Ajuste DIPJ 1.319.511,76 1.319.510,76 = Ajuste de oficio 1.920.113,61 1.317.901,10 (+) omissão de receitas na saída 832.727,70 832.727,70 (+) omissão de receitas na entrada 123.321,93 0,00 Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.813 34 = Matéria tributável 2.876.163,24 2.150.628,80 Matéria tributável – PIS e COFINS (R$) Auto de Infração Decisão Omissão de receitas na saída 832.727,70 832.727,70 (+) omissão de receitas na entrada 123.321,93 123.321,93 = Matéria tributável 956.049,63 956.049,63 IRPJ (R$) Matéria tributável 2.150.628,80 IRPJ (15%) 322.594,32 Base de cálculo do adicional 2.150.628,80 Adicional (10%) 215.062,88 IRPJ total 537.657,20 Multa de oficio (75%) 403.242,90 CSLL (R$) Matéria tributável 2.150.628,80 CSLL (8%) 172.050,30 Multa de oficio (75%) 129.037,73 PIS E COFINS Como não houve, nesta decisão, alteração da matéria tributável relativa ao PIS e à COFINS há que se manter a tributação correspondente. DA CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de que se considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO. Crédito tributário mantido em parte, conforme a seguir demonstrado (valores em reais). Exigido (a) Exonerado (a) Mantido (a) IRPJ 695.040,80 157.383,60 537.657,20 Multa IRPJ 521.280,60 118.037,70 403.242,90 CSLL 230.093,05 58.042,75 172.050,30 Multa CSLL 172.569,78 43.532,05 129.037,73 Exigido (a) e mantido (à) PIS 6.214,32 Multa PIS 4.660,74 COFINS 19.120,99 Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.814 35 Multa COFINS 14.340,74 Inconformada com a referida decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls.1.538/1599) para apreciação da lide por este Conselho, reiterando as razões apresentadas em primeira instância em sede de impugnação, além de contrapor cada um dos argumentos suscitados pelo acórdão do recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Antes de adentrarmos nas demais matérias ventiladas pela recorrente em sede de recurso voluntário, trataremos inicialmente da matéria pertinente a omissão de receitas, pois, no entendimento deste julgador, merecem maiores esclarecimentos por parte da DRF para melhor elucidar este ponto. Vejamos: Da Omissão de Receitas Sustenta a fiscalização que restou configurada no caso concreto omissão de receita face às supostas diferenças de estoque apontadas no Demonstrativo "Diferenças de Estoque Apuradas em 1998" anexo ao Auto de Infração, sendo exigidos recolhimentos de IRPJ, e por reflexo de CSL, PIS e COFINS, acrescidos de multa à base de 75% e juros de mora, assim descrita a suposta infração, litteris: "Levantamento quantitativo efetuado pela Receita Federal, por espécie de mercadorias, com base em dados fornecidos pela própria Empresa, constatou a existência de diferenças de estoque conforme Termo de Constatação e respectivos anexos, especialmente o anexo denominado "Eli Lilly do Brasil Ltda.: Diferenças de Estoque Apuradas em 1998", que são parte integrante deste auto de infração. As diferenças constatadas configuram omissão de receitas, nos termos do art. 41 da Lei n° 9.430/96. Foram geradas autuações reflexas do PIS, COFINS e contribuição sobre o lucro líquido (CSLL). Demonstrativo 1) omissão de receitas nas saídas ...........R$ 832.727,70 2) omissão de receitas nas entradas .......R$ 123.321,93 (=) valor do ajuste ...................................R$ 956.049,63 Fator Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1998 R$ 956.049,63 75” Em sede de impugnação a recorrente, sustento que os Autos de Infração lavrados não podem prevalecer, na medida em que: Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.815 36 a) a suposta omissão de receita apontada pela fiscalização em realidade jamais existiu, tendo decorrido unicamente uma vez mais de um levantamento absolutamente mal elaborado, o que evidencia não só a improcedência, mas também a nulidade das autuações; e b) ainda que houvesse de fato ocorrido omissão de receita, o que se admite para argumentar, de qualquer modo seria nulo o lançamento no particular face aos vícios de procedimento também quanto à apuração do "quantum" devido. A DRJ ao julgar a matéria confirmou parcialmente o entendimento fiscal (excluiu da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas decorrente da omissão nas entradas/compras) lastreada nos seguintes argumentos: Conforme demonstrativo de fl. 924, foram apuradas diferenças negativas (estoque físico menor que o estoque calculado, caracterizando omissão nas saídas/vendas) e positivas (estoque físico maior que o estoque calculado, caracterizando omissão nas entradas/compras). Em sua defesa, a impugnante alega que as diferenças são todas referentes aos produtos que se encontravam em processo de produção. É improcedente tal alegação, pois a fiscalização considerou o estoque inicial registrado no livro Registro de Inventário e, na apuração dos estoques finais, considerou as saídas dos insumos para a produção, conforme se observa da coluna "I" do demonstrativo de fl. 924, extraída da planilha de fls. 771/772. Destaquese que no referido demonstrativo foram considerados: • os estoques inicial e final (colunas "b", "c", "p" e "q"), extraídos do livro Registro de Inventário (fls. 773/784); • as entradas e saídas informadas pela contribuinte (colunas "d", "i" e "m"), extraídas da planilha de fls. 788/806; • as entradas por fabricação (coluna "e"), extraídas da planilha de fls. 768/770; • as importações (coluna "f"), extraídas da planilha de fl. 767; • as vendas (colunas "j" e "k"), extraídas da planilha de fls. 785/787; e • repitase, as saídas para a produção (coluna "I"), extraídas da planilha de fls. 771/772. Quanto à documentação juntada aos autos pela impugnante (docs. 9 a 12), eles não se prestam a elidir a autuação, posto que: • os docs. 9, 10 e 12 são demonstrativos e relatórios da própria contribuinte, desacompanhados, no entanto, de documentação comprobatória (em especial não resta comprovado o alegado erro na informação do estoque final do item TA4229); • o doc. 11, comprova a importação de 245 unidades do item MS8058 (Dl de fl. 1312) que, ao contrário do que entende a impugnante, devem ser consideradas na coluna "f" do demonstrativo de fl. 924, mesmo tendo sido faturadas anteriormente. No seu recurso voluntário, a recorrente rebate os argumentos da DRJ lastreandose nas seguintes alegações: Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.816 37 Como é notório e se verifica do balanço da Recorrente (doc. 08 da defesa), o estoque é composto de vários itens, dentre eles os produtos em processo de produção. Dessa forma, quando a Recorrente informou à fiscalização os saldos inicial e final do estoque do ano de 1998, o fez por seu valor total, sem detalhar a composição daquele estoque e, portanto, os itens que se encontravam em 31/12/1997 e em 31/12/1998. A fiscalização, contudo, em lugar de aceitar tais números como verdadeiros preferiu apurar o "estoque final calculado". Ao assim fazer, porém, não considerou a fiscalização as parcelas correspondentes aos produtos em processo de produção, sendo certo que as diferenças apontadas decorriam exclusivamente da circunstância acima apontada. Aliás, "data máxima venha", é de se estranhar que tendo apurado tais diferenças, a fiscalização não tenha jamais intimado a Recorrente a esclarecêlas, o que seria de fácil demonstração diante das circunstâncias que envolvem o caso concreto. De fato, como se demonstra pela planilha anexa (doc. 09 da defesa), as diferenças apontadas pela fiscalização são todas referentes aos produtos que se encontravam em processo de produção em 31/12/1997 ou em 31/12/1998. Apenas a título exemplificativo, relativamente ao item TA4229, apontado na última linha do Demonstrativo "Diferenças de Estoque Apuradas em 1998" de fls. 924, a fiscalização considerou como diferença de estoque 139.950,00 unidades do produto indicado. Contudo, muito embora a Recorrente devesse realmente informar como "estoque final" 139.950,00 unidades já que correspondia ao item que ainda se encontrava em processo de produção, não poderia a fiscalização ter considerado tais unidades como diferença para o fim de apurar eventual omissão de receita (doc. 10 da defesa, fis. 1304/1310). E caso a fiscalização assim houvesse considerado teria evidentemente constatado a inexistência de qualquer diferença relativamente ao item indicado. Aliás, a planilha anexada à impugnação evidencia não só o acima exposto como também que relativamente ao item MS8058 inexiste a diferença apontada pela fiscalização, no montante de 245 unidades. Isto porque, em que pese tal quantidade tenha sido informada em DI, verificase pela fatura comercial que a indicação de tal montante decorreu apenas de crédito referente a 245 unidades faturadas anteriormente, mas que não haviam sido embarcadas com a fatura n° 737372, em 30/07/97 (doc. 11 da defesa), inexistindo igualmente a diferença apontada relativamente ao item MS8058SC, sobre o qual aliás a fiscalização sequer solicitou a respectiva movimentação (doc. 12 da defesa). Todos os elementos acima expostos evidenciam a inexistência das supostas diferenças de estoque apontadas pela fiscalização e viciam de nulidade os Autos de Infração, tendo em vista que foram elaborados em desconformidade com os princípios que regem a tributação, em especial o da busca da verdade material, o que levou à apuração de um crédito tributário que não é nem certo nem liquido. Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 16327.004065/200332 Resolução nº 1302000.623 S1C3T2 Fl. 1.817 38 Como se observa dos argumentos trazidos pela DRJ e pela Recorrente em sede de recurso voluntário, é possível verificar que restam pontos que merecem maiores esclarecimentos para o desfecho satisfatório da presente lide. Portanto, como neste julgamento não se entende adequado tomar decisões que invistam contra o direito de liberdade e direito de propriedade dos contribuintes à partir de premissas que se apresentam obscuras, mas que podem ser esclarecidas, o presente voto é no sentido de, CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente, através da análise de todos os documentos acostados a estes autos, bem como da determinação da produção de quaisquer outras provas que julgar oportunas, apure a regularidade dos valores contabilizados, notadamente no abaixo referido: 1) Identificar a parcela do estoque em processo de produção relativamente a cada um dos itens indicados pela fiscalização do Demonstrativo "Diferenças de Estoque Apuradas em 1998", em 31/12/97 e 31/12/98; 2) Verificar se o valor apurado no item acima corresponde ao montante apontado pela fiscalização no item (r) do Demonstrativo "Diferenças de Estoque Apuradas em 1998"; 3) Esclarecer à luz das respostas anteriores se efetivamente ocorreu a omissão de receita apontada pela fiscalização. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1817DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722323/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A ENTIDADES E FUNDOS DENOMINADOS TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO.
Integra a base de cálculo das contribuições devidas aos Terceiros a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considera-se a inocorrência da decadência.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A ENTIDADES E FUNDOS DENOMINADOS TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. Integra a base de cálculo das contribuições devidas aos Terceiros a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considera-se a inocorrência da decadência. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.722323/2010-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888855
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.453
nome_arquivo_s : Decisao_10580722323201016.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10580722323201016_5888855.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7384178
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586866253824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 204 1 203 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722323/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.453 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A ENTIDADES E FUNDOS DENOMINADOS TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. Integra a base de cálculo das contribuições devidas aos Terceiros a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considerase a inocorrência da decadência. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 23 /2 01 0- 16 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10580.722323/201016 Acórdão n.º 2202004.453 S2C2T2 Fl. 205 2 de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.722323/201016, em face do acórdão nº 0643.933, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o p resente processo de impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fl. 2, DEBCAD nº 37.235.1352, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.722323/201016 e lavrado em 10/03/10 contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., no valor de R$ 33.479,84 (trinta e três mil, quatrocentos e setenta e nove reais e oitenta e quatro centavos), o qual se refere às contribuições sociais destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e “atinentes às competências 03/2005, 04/2005, 06/2005, 08/2005 e 11/2005 a 03/2006.” 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 71 a 74, as contribuições foram lançadas nos seguintes códigos de levantamento: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.722323/201016 Acórdão n.º 2202004.453 S2C2T2 Fl. 206 3 ND (Folha Não Declarada em GFIP) referese às remunerações pagas a segurados empregados na competência 13/2005 as quais não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), conforme folhas de pagamentos e Livros Diários do período fiscalizado. ND1 (Folha Não Declarada em GFIP) referese às remunerações pagas a segurados empregados e sócios nas competências 03/2005 a 01/2006, as quais não foram declaradas em GFIP, conforme folhas de pagamentos e Livros Diários do período fiscalizado. 3. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal já cidado e nos demais anexos (em especial: DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, fls. 5 a 7, RDA – RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 8 a 10 e RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 11 a 16. A fundamentação legal foi exposta no anexo FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 17 e 18. 4. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que, por ter sido “verificada a omissão em GFIP das contribuições sociais da empresa, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no artigo 337A, I, do Decreto Lei 2.848/40 o fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal, em relatório à parte.” 5. Cientificado do lançamento em 10/03/10, conforme recibo de entrega de arquivos de fls. 144 a 146, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 152 a 171, em 09/04/10, alegando, em síntese, que: a) decaiu o direito da Fazenda pública de lançar os créditos referentes à competência 03/2005, haja vista o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; b) “todas as remunerações pagas às pessoas que se relacionaram com a Impugnante, seja como segurado empregado, seja com qualquer outra natureza, foram declaradas cm GFIP”; c) “os pagamentos feitos constantes em folha de pagamento e Livros Diários que não foram declarados em GFIP foram devido ao fato, justamente, de não se tratarem de remuneração por serviços prestados, mas sim de outros pagamentos de natureza diversa (ressarcitória e afins, dentre outras), pagamentos estes que não integram o salário de contribuição e, consequentemente, não são base de cálculo para as contribuições previdenciárias”; d) quanto ao código de levantamento ND (Folha Não Declarada em GFIP), esclarece que “efetuou corretamente as informações em GFIP, declarando todas as remunerações, inclusive aquelas pagas aos segurados empregados na competência 13/2005”; Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10580.722323/201016 Acórdão n.º 2202004.453 S2C2T2 Fl. 207 4 e) em relação ao código de levantamento ND1 (Folha Não Declarada em GFIP), repetese, aqui, os mesmos argumentos do item anterior, ou seja, foram efetuadas corretamente as informações em GFIP, declarandose “todas as remunerações, inclusive aquelas pagas que integram o salário de contribuição — aos segurados empregados e sócios nas referidas competências”; f) no caso em tela, “verificase a necessidade de realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para averiguar não só os equívocos constantes nos dados utilizados no Auto de Infração, mas, também, a razão das alegações promovidas nas impugnações específicas.” Para tal, nomeia como “assistente pericial [...] Vanize Reis da Hora Santana, CRC 024271/BA, com endereço profissional no loteamento Varandas Tropicais, Lote 18, Quadra 01, Lauro de FreitasBa”, para responder às questões que seguem na impugnação. 6. Diante dessas considerações, requer o Impugnante o reconhecimentos da decadência e a declaração de improcedência do Auto de Infração ora questionado, bem como a juntada de todas as provas que se fizerem necessárias e a realização de perícia contábil. 7. O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.722322/201063. 8. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 193/197, onde reitera as alegações expostas em impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Da alegação de decadência. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos, a contar do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que atrairia a regra do art. 173 do CTN, por força da própria parte final do § 4° do art. 150 do CTN. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.722323/201016 Acórdão n.º 2202004.453 S2C2T2 Fl. 208 5 Acontece, porém, como acertadamente referiu o voto da DRJ de origem, que em relação à competência 03/2005, o fato gerador (o pagamento dos salários) ocorreu somente no final do mês de março ou no início de abril. Portanto, quando o lançamento foi efetuado, ou seja, em 09/03/10, o direito aos créditos referentes à competência 03/2005 ainda não havia decaído. Rejeito a preliminar de decadência, portanto. Pedido de produção de provas, diligências e perícia. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedentes tais pedidos. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Conforme se observa na defesa apresentada, o Impugnante alega, em relação a todos os códigos de levantamento, que efetuou corretamente as informações em GFIP e que se algum valor não foi informado em GFIP, não o foi por não integrar o salário de contribuição e, consequentemente, não compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em que pese a defesa pretendida, observase que a contribuinte faz apenas uma argumentação genérica, tanto em recurso voluntário quanto em impugnação, sem demonstrar que os valores apontados pela fiscalização não estão corretos. A esse respeito, cabe destacar que a fiscalização foi bastante minuciosa ao detalhar, em seu Relatório Fiscal, as irregularidades apuradas durante o procedimento. Vide o seguinte trecho extraído das fls. 72 e 73 dos autos: 15 Nessa fiscalização foram apurados valores que o contribuinte deixou de declarar em GFIP, em época própria, referentes às seguintes situações diferentes: 15.1 Em uma primeira situação, o contribuinte deixou de declarar valores pagos a contribuintes individuais conforme subitem 5.3 e deixou de declarar valores pagos a segurados empregados e a sócios administradores conforme subitens 5.1 e 5.2. 15.2 Numa segunda situação a empresa declarou valores menores em GFIP (nas competências 03/2005, 05/2005 a 11/2005 e 01/2006) do que os valores já recolhidos/pagos antes Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10580.722323/201016 Acórdão n.º 2202004.453 S2C2T2 Fl. 209 6 do início da ação fiscal, através de Guias da Previdência Social (GPS). 15.3 Para as competências 03/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 03/2006 as respectivas GFIP foram declaradas antes do inicio dessa ação fiscal e são, também, anteriores a 04/12/2008, ou seja, foram entregues antes da vigência da Medida Provisória n2 449/2008. 15.4 A GFIP referente à competência 13/2005 foi declarada em 05/06/2009, portanto já na vigência da Medida Provisória ns 449/2008. 15.5 As GFIP referentes às competências 03/2005 a 08'2005, 11/2005, 12/2005 e 02/2006 a 03/2006 tiveram alguns segurados declarados erroneamente no código FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 515, sendo que para o ramo de atividade da UNIBAHIA o código FPAS correto é o 574. Portanto, tendo em vista que a recorrente não demonstrou a alegada improcedência dos valores apurados pela fiscalização e nem carreou aos autos elementos de prova capazes de firmar a convicção para a procedência do recurso, concluise pela manutenção do lançamento conforme operado pela fiscalização. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914245/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914245/2012-25
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879884
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.866
nome_arquivo_s : Decisao_10980914245201225.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914245201225_5879884.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363009
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586869399552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914245/201225 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.866 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 45 /2 01 2- 25 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914245/201225 Acórdão n.º 3201003.866 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.084, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914245/201225 Acórdão n.º 3201003.866 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914245/201225 Acórdão n.º 3201003.866 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914245/201225 Acórdão n.º 3201003.866 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
