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Numero do processo: 18471.001031/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando verificada a omissão na fundamentação do acórdão.
Embargos acolhidos em parte para suprir omissão na fundamentação do acórdão, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1102-000.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, para suprir omissão na fundamentação do Acórdão no 1102-00.672, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando verificada a omissão na fundamentação do acórdão. Embargos acolhidos em parte para suprir omissão na fundamentação do acórdão, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, para suprir omissão na fundamentação do Acórdão no 110200.672, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 31 /2 00 5- 10 Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face de acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF assim ementado, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2004 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. Não comprovado pela Fiscalização o fato econômico passível de tributação, impõese o cancelamento da exigência fiscal respectiva. Recurso de Ofício negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, é de rigor a manutenção do lançamento tributário. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. A variação positiva ou negativa do valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior, apurada pelo método de equivalência patrimonial investidora, não tem impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (v.g., REsp 1.211.882/RJ). Recurso voluntário parcialmente provido.” Na parte que interessa a essa instância recursal, o acórdão embargado negou provimento ao recurso de ofício sobre o fundamento de que o contrato de venda e compra de marca e patente não seria elemento suficiente para, de per si, justificar a tributação por alegada omissão de receitas decorrentes da exploração do produto respectivo. Para melhor ilustrar este ponto, transcrevase trecho do voto vencedor que versa sobre a matéria, verbis: “Conforme salientado no relatório supra, o acórdão recorrido determinou o cancelamento da exigência relativa a “atividades exercidas parte no país/parte no exterior – rendimentos auferidos no exterior”, sob o fundamento de que a Fiscalização deveria ter aprofundado investigação para verificar a efetiva ocorrência de omissão de rendimentos auferidos no exterior pela Contribuinte e, se o caso, o respectivo montante. O acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Como bem observado pela Instância a quo, a mera celebração de contrato de venda e compra de marca e patente no exterior (e de ativos a elas relacionado) (i) não importa necessariamente conclusão de que a Contribuinte explorou tal marca e patente, mediante produção e comercialização do produto respectivo, e de que auferiu receitas desta atividade; e, menos ainda, (ii) permite aferir respectivos montantes e períodos. A circunstância invocada pela Fiscalização caracteriza, no limite, mero indício de fato econômico passível de tributação, o qual, de per si, não Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 4 3 é suficiente para sustentar a acusação fiscal de omissão de receitas, ante a ausência de presunção legal a respeito do tema. Por sua correção, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do acórdão recorrido para justificar o cancelamento desta exigência, verbis: “Como visto no relatório supra, a impugnante adquiriu os direitos de uso, exploração e comercialização do produto Atenol/Betacar no Chile, sendo certo que o contrato de compra de ativos garantia uma margem bruta de aproximadamente 90%, quando da transferência dos estoques de produtos prontos e das matérias primas. 12. O autuante funda seu lançamento na certeza de que o referido contrato prova a continuidade da produção de Atenolol/Betacar no Chile pela impugnante desde a sua aquisição, em 01/08/1999, até a sua venda, em 31/05/2004, e arbitra os rendimentos auferidos pela defendente, neste período, considerando que a margem bruta de 92%, obtida pelo vendedor chileno no decorrer do ano calendário 1998 e sete meses posteriores, conforme disposto no documento de fls. 672, repetirseia até a data de venda deste ativo, em 31/05/2004. 13. Apesar dos protestos do autuante de que não estaria fazendo uso de uma presunção, não resta dúvida que o mesmo inferiu a ocorrência de um fato — continuidade da venda do produto pela impugnante — em razão de um outro fato provado — contrato de aquisição de direitos de patente e de marca, o que caracteriza o uso de uma prova indireta, qual seja, uma presunção simples; 14. Cabe, no momento, tecer alguns comentários sobre presunções; (...) 22. Logo a presunção simples, que decorre do raciocínio humano, acontece quando a partir da comprovação de um fato diretamente provado fato indiciário reconhecese a ocorrência de outro fato indiretamente provado fato indiciado, ou seja, parte do sucedido em fatos secundários para a se chegar ao fato principal; 23. Importante ressaltar que neste caso, o liame entre os dois fatos tem que ser único, não permitindo dúvidas sobre a existência de outras possibilidades de fato conseqüente quando conhecido o fato antecedente, garantindo desta forma a inexistência de dúvidas sobre o grau de implicação que une um fato ao outro; 24. Nesse sentido, assim se posicionou o Conselho de Contribuintes, verbis: PRESUNÇÕES SIMPLES Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara /ACÕRDAO 10706560 em 19.03.2002. Publicado no DOU em: 21.06.2002. PROVA SEGURA Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142), cumpre à Fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto por definição (CTN. art. 3°), não pode ser usado como sanção. 1° Conselho de Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 5 4 Contribuintes / 7a. Câmara / Acórdão 10705545 em 25.02.1999. Publicado no DOU em: 30.04.1999. 25. Dai o cuidado especial que deve ser tomado pela Fiscalização, no campo das provas, ao presumir a ocorrência do fato gerador, tendo como base a existência de indícios não previstos na lei; 26. Feitas tais digressões, no nosso caso, a meu pensar, não existe uma relação de causalidade homogênea que conduza de maneira segura, a partir dos termos do contrato de compra de ativos e de aquisição de Marca Registrada relativas ao produto Atenolol/Betacar, anexada às fls. 634/692 Patente às fls. 675/684 no valor de US2.000.000,00 — Marca Registrada às fls. 684/691, no valor de US400.000,00 à conclusão de que a impugnante deu continuidade à produção dos referidos produtos, apesar de constar do referido documento o estabelecimento de que a vendedora interromperá a comercialização do referido produto na data de Entrada em Vigor (do contrato), fixado quando do pagamento (fls. 677), o qual se realizou em 24/09/99, a teor do documento de fls. 627; 27. Aliás, a própria defendente afirma peremptoriamente — vide item 5.7 do relatório supra que "o objeto dos referidos contratos era a compra de ativos, e não contrato de comercialização ou representação dos produtos da citada marca"; 28. Verificase que não foram arrolados outros pagamentos que demonstrassem inequivocadamente que a impugnante recomprou os estoques, porventura existentes na vendedora chilena, conforme previsto no item 2.5 do contrato, às fls. 677, o que impossibilita a certeza da continuidade da operação como afirma o autuante; 29. Evidenciase, portanto, a incerteza do vinculo entre os termos dos referidos contratos e a continuidade de produção dos citados produtos no Chile pela impugnante, o que demandaria por parte do autuante um maior aprofundamento na ação fiscal de forma a comprovar os fatos alegados; 30. Neste momento, com certeza, o autuante se perguntaria como o órgão julgador pretenderia aprofundar a investigação, visto que as empresas coligadas da impugnante estão no estrangeiro; 31. No meu entender, tal resposta esta no documento que deu origem a esta ação Fiscal, ou seja, na mídia da CPI do Banestado, visto que as informações ali contidas não se restringem apenas ao ano calendário 1999, logo caberia ao autuante perquirir na referida documentação eventuais transferências de rendas entre as empresas coligadas do Chile e Peru e a impugnante, o que poderia caracterizar receitas não oferecidas à tributação no Brasil; 32. Resta, portanto, descaracterizada como suficiente para fundamentar a autuação a prova indireta acostada aos autos, devendo, neste caso, ser considerado insubsistente o lançamento efetuado; 33. Admitindose, apenas a titulo de argumentação, que a prova contida nos autos fosse suficiente para provar os fatos alegados pelo autuante, carece de fundamentação lógica o arbitramento perpetrado para os quatro anos seguintes à compra do ativo retro mencionado, com base no art. 845, do RIR/99, abaixo transcrito: (...) Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 6 5 34. Inadmissível supor que o dispositivo legal acima tenha o condão de permitir a presunção de que a impugnante pudesse manter, nos quatro anos seguintes à compra do ativo, a mesma margem bruta obtida pelo vendedor chileno nos dezessete meses anteriores à compra, e mais inimaginável ainda é supor que a receita bruta obtida por este último, no primeiro semestre de 1999, pudesse se manter constante no decorrer dos quatro anos, até a data da venda do referido ativo;” Por tal fundamento, oriento meu voto no sentido de rejeitar o recurso de ofício interposto.” Por meio desses declaratórios, sustenta a Fazenda Nacional que o acórdão embargado teria sido (a) “omisso e obscuro”, “uma vez que a celebração contratual faz referência não só a aquisição, como também a exploração das marcas e patentes negociadas” 1 e (b) omisso, quanto à exoneração de PIS e COFINS exigida sobre valores relativos à equivalência patrimonial, conforme itens 103 e 104 da decisão de primeira instância. É a síntese do necessário. 1 "PREAMBULO Eis o trecho do contrato citado em embargos de declaração, verbis: "B. A compradora deseja celebrar um contrato com a Vendedora no qual a Compradora ira adquirir todos e quaisquer direitos autorais para uso e exploração do Arquivo de Registro para poder comcrcializar o produto acima mencionado apenas no Chile. C. A Vendedora deseja celebrar um contrato com a Compradora para vender e ceder à Compradora o Arquivo de Registro, a fim de que a Compradora fique em posição de, sem qualquer limitação, obter das autoridades comerciais relevantes para explorar e comercializar o produto, mediante termos e condições ora definidos." Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Conheço dos embargos de declaração, posto que tempestivos e apresentados por parte legítima. Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 7 6 Estes embargos merecem ser parcialmente acolhidos para que reratificada a fundamentação do acórdão embargado, notadamente na parte relativa à exoneração dos lançamentos de PIS e COFINS sobre valores provenientes do resultado positivo de equivalência patrimonial. Nessa parte, assiste razão à Fazenda Nacional quanto à omissão do acórdão embargado, já que nele nada foi tratado a respeito do tema. No mérito, contudo, o acórdão de primeira instância não merece reparos, já que, (a) na forma dos artigos 2o e 3o da Lei n. 9.718/98 com a interpretação que lhe deve ser dada segundo os limites impostos pelo julgamento de constitucionalidade realizado pelo Supremo Tribunal Federal, as contribuições ao PIS e a COFINS incidem exclusivamente sobre o faturamento das empresas, entendido este como o resultado da venda de bens e da prestação de serviços, e não sobre resultados positivos de equivalência patrimonial de seus investimentos; (b) o § 2o, do art. 3o da Lei n. 9718, exclui expressamente os valores em referência do alcance de citadas contribuições, como se confere: § 2o Para fins de determinação da base de cálculo das Contribuições a que se refere o art. 22, excluemse da receita bruta: (...); II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Vide Medida Provisória n° 215835, de 2001 – grifouse). Por tais fundamentos, o recurso de ofício merece ser negado. Quanto à questão relativa à alegada omissão quanto à análise do contrato de comercialização de marca e patente que teria servido de base à autuação, o acórdão embargado não padece de quais quer dos defeitos relacionados no art. 65 do Regimento Interno dessa Corte. Citado contrato foi exaustivamente examinado pelos acórdãos de primeira instância e embargado e ambos concluíram que: “a mera celebração de contrato de venda e compra de marca e patente no exterior (e de ativos a elas relacionado) (i) não importa necessariamente conclusão de que a Contribuinte explorou tal marca e patente, mediante produção e comercialização do produto respectivo, e de que auferiu receitas desta atividade; e, menos ainda, (ii) permite aferir respectivos montantes e períodos. A circunstância invocada pela Fiscalização caracteriza, no limite, mero indício de fato econômico passível de tributação, o qual, de per si, não é suficiente para sustentar a acusação fiscal de omissão de receitas, ante a ausência de presunção legal a respeito do tema. (...) Inadmissível supor que o dispositivo legal acima tenha o condão de permitir a presunção de que a impugnante pudesse manter, nos quatro anos seguintes à compra do ativo, a mesma margem bruta obtida pelo vendedor chileno nos dezessete meses anteriores à compra, e mais inimaginável ainda é supor que a receita bruta obtida por este último, no primeiro semestre de 1999, pudesse se Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 8 7 manter constante no decorrer dos quatro anos, até a data da venda do referido ativo;” Tais embargos pretendem, em verdade, impugnar as conclusões do acórdão embargado e obter a reforma do entendimento nele consubstanciado, o que é defeso em sede de embargos de declaração. No particular, o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou o entendimento de que os embargos de declaração são instrumento inadequado para obter a revisão do ato decisório embargado. Os embargos de declaração não devem ser acolhidos quando ausentes omissão, contrariedade, obscuridade ou dúvida a serem supridas no julgado, tal como ocorre nos autos. Vejase, nesse sentido, acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: Número do Recurso: 131361 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 11030.000183/9846 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: DATASA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado: 1ª TURMA/DRJSANTA MARIA/RS Data da Sessão: 24/02/2005 01:00:00 Relator: Victor Luís de Salles Freire Decisão: Acórdão 10321871 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração interpostos pela contribuinte e ratificar a decisão do acórdão nº 103 21.243, de 14/05/2003, no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências do IRPJ, IRF e PIS/REPIQUE. Inteiro Teor do Acórdão ac10321.871131361.pdf Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO DO JULGADO – Não é de se acolherem embargos de declaração quando não há omissão de julgamento. Publicado no D.O.U. nº 63 de 04/04/05. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de acolher em parte os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional para suprir omissão na fundamentação do Acórdão n. 110200.672 nos termos supra, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 18471.001031/200510 Acórdão n.º 1102000.985 S1C1T2 Fl. 9 8 Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000164/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
SERVIÇOS PROFISSIONAIS. OBRAS DE ACABAMENTO. CONSTRUÇÃO. EQUIPARAÇÃO A ENGENHEIRO OU ARQUITETO. IMPOSSIBILIDADE. Considerando que serviços vinculados a construção civil também podem ser realizados por profissionais que não sejam engenheiros ou arquitetos, não subsiste o ato de exclusão fundamentado no art. 9o, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 1996.
Numero da decisão: 1101-001.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇOS PROFISSIONAIS. OBRAS DE ACABAMENTO. CONSTRUÇÃO. EQUIPARAÇÃO A ENGENHEIRO OU ARQUITETO. IMPOSSIBILIDADE. Considerando que serviços vinculados a construção civil também podem ser realizados por profissionais que não sejam engenheiros ou arquitetos, não subsiste o ato de exclusão fundamentado no art. 9o, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
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ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇOS PROFISSIONAIS. OBRAS DE ACABAMENTO. CONSTRUÇÃO. EQUIPARAÇÃO A ENGENHEIRO OU ARQUITETO. IMPOSSIBILIDADE. Considerando que serviços vinculados a construção civil também podem ser realizados por profissionais que não sejam engenheiros ou arquitetos, não subsiste o ato de exclusão fundamentado no art. 9o, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 01 64 /2 00 5- 66 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16151.000164/200566 Acórdão n.º 1101001.083 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório EMPREITEIRA HIPÓLITO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP – I que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório de Exclusão DERAT/SPO nº 478.792. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo, formalizado em 14/09/2005, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 478.792 (fl. 4), tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ), relacionada ao CNAEFiscal 4559499 (Outras obras de acabamento da construção), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 12/03/1999 (a interessada optou pelo regime simplificado em 01/01/1997). 2. A fundamentação legal foi amparada nos artigos 9º, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3º, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002. 3.Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 4. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fls. 5 e 32), inicialmente a interessada apresentou, em 22/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS – fls. 1 e 2), com a alegação de que se dedica à prestação de serviços de construção civil e comércio de materiais de construção, tendo optado pelo Simples em 01/01/1997, antes da vigência da Lei nº 9.528/1997, e que Decisão unânime da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento de que as empresas que optaram pelo Simples antes da vigência da citada Lei tem o direito de integrar o regime simplificado. 5. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 20/07/2005, nos seguintes e exatos termos: “ADE Nº 478.792 (07) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação demonstram que a atividade econômica mencionada nos estatutos sociais é fator de vedação à opção pelo Simples.” 6. Cientificada do indeferimento em 01/08/2005 (fl. 3), a requerente apresentou manifestação de inconformidade em 30/08/2005 (razões à fl. 16, com anexos às fls. 17 a 19). Alega, em síntese, que: 6.1.A empresa optou pelo Simples em 01/01/1997, antes da vigência da Lei nº 9.528/1997, que alterou dispositivos da Lei nº 9.317/1996, ampliando o universo de restrições para adesão ao regime. 6.2.Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) está assegurado o direito da recorrente em permanecer na sistemática simplificada, conforme “notícias” do STJ juntadas aos autos (anexou documentos às fls. 17 e 18). Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16151.000164/200566 Acórdão n.º 1101001.083 S1C1T1 Fl. 4 3 6.3.Tendo em vista que a contribuinte recolheu, desde a data de opção, todos os tributos do regime em questão, não pode ser penalizada com os efeitos retroativos da exclusão. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · O contrato social da interessada e suas alegações em SRS confiram que ela se dedica à prestação de serviços de construção civil e comércio de materiais de construção. E aquela atividade exige conhecimentos técnicos específicos de engenheiros ou assemelhados, justificando a exclusão com fundamento no art. 9o, inciso XIII da Lei nº 9.317/96, ainda que o serviço seja prestado com ou sem supervisão, assinatura ou execução por profissional regulamentado; · O art. 9o, inciso V, §4o da Lei nº 9.317/96 também impede a opção, pelo SIMPLES, de pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis, aí incluídos os serviços auxiliares e complementares da construção civil, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30/99; · As decisões do Superior Tribunal de Justiça em favor de pessoas jurídicas que optaram pelo SIMPLES antes dos efeitos da Lei nº 9.528/97 somente afetam as partes que figuraram nas ações julgadas; · Os efeitos retroativos da exclusão estão previstos em lei e, no caso, verificamse a partir de 01/01/2002, como indicado no Ato Declaratório questionado. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/01/2010 (fl. 45), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/02/2010 (fls. 48/51), no qual assevera que não se trata de construtora e sequer seus “agentes” sócios possuem conhecimento técnico, tratandose de pessoa simples que trabalha na construção sob a orientação de outras empresas e sua esposa, em atividade simplesmente de pedreiro. Diz que reportouse aos julgados do Superior Tribunal de Justiça como forma de demonstrar que há a possibilidade de ser apreciado seu pedido, e que somente tomou conhecimento da exclusão do SIMPLES em 20/08/2003, razão pela qual não concorda com a retroatividade da exclusão. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16151.000164/200566 Acórdão n.º 1101001.083 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A exclusão está fundamentada no art. 9o, inciso XIII da Lei nº 9.317/96, que assim dispõe, com os destaques acrescidos no voto condutor da decisão recorrida: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Apreciando litígios semelhantes, formados em razão da exclusão de optantes que exerciam atividades de manutenção de máquinas e equipamentos, este Conselho, depois de reiteradas decisões, editou a Súmula CARF nº 57 nos seguintes termos: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De forma semelhante, as atividades de construção civil não equivalem, via de regra, a serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado. Isto porque, a própria Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, assim dispõe, também com os destaques apresentados na decisão recorrida: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16151.000164/200566 Acórdão n.º 1101001.083 S1C1T1 Fl. 6 5 Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico.”(g.a) Art. 7º Compete ao ENGENHEIRO CIVIL ou ao ENGENHEIRO DE FORTIFICAÇÃO e CONSTRUÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, estradas, pistas de rolamentos e aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos, rios, canais, barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos.”(g.a) Art. 23 Compete ao Técnico de Nível Superior ou Tecnólogo: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II – as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades do item I deste artigo.” Art. 24 Compete ao Técnico de Grau Médio: I – o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II – as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo.” Se o próprio Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia entende que a execução de obra e serviço técnico são atividades executáveis também por tecnólogos e técnicos de nível médio, é razoável concluir que não é um serviço típico de engenheiro (ou assemelhado). De outro lado, embora a Lei nº 9.317/96 já cogitasse, desde sua origem, de vedação em face daqueles que se dedicassem à construção de imóveis (art. 9o, inciso V), constatase que este dispositivo legal não fundamenta a questionada exclusão. A vedação invocada para a exclusão é aquela expressa no inciso XIII do mencionado dispositivo legal, e decorre de evento registrado em 12/03/1999, o qual, como se vê à fl. 26, corresponderia à alteração do CNAE Fiscal da pessoa jurídica de 4559 (Outros serviços auxiliares da construção) para 45594/99 (Outras obras de acabamento – construção). Assim, resta evidente que a irregularidade apontada pelo Fisco não decorre do exercício da atividade de construção de imóveis, mas sim da prestação de um dos serviços profissionais relacionados no inciso XIII do art. 9o da Lei nº 9.317/96, possivelmente de engenheiro ou arquiteto, como inferiu a autoridade julgadora de 1a instância. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16151.000164/200566 Acórdão n.º 1101001.083 S1C1T1 Fl. 7 6 Considerando que serviços vinculados a construção civil podem também ser realizados por profissionais que não sejam engenheiros ou arquitetos, o ato de exclusão fundamentado no art. 9o, inciso XIII da Lei nº 9.317/96 não pode subsistir. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10880.722564/2013-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PENALIDADE.
Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança, não cabe a aplicação de multa de lançamento de ofício.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso apresentado pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PENALIDADE. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança, não cabe a aplicação de multa de lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso apresentado pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PENALIDADE. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança, não cabe a aplicação de multa de lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso apresentado pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 25 64 /2 01 3- 15 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório A DIFIS/SP lavrou os autos de infração de fls. 153 a 156 e 186 a 189 para determinação e exigência de crédito tributário referente, respectivamente à Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativas aos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, no valor total de R$ 26.342.564,36, por insuficiência de recolhimento das contribuições sobre as receitas auferidas por EMPRESA NORTE DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA S/A, em decorrência da receita de transmissão de energia elétrica (Contrato nº 85/2002 ANEEL). De acordo com a Fiscalização, essas receitas estão sujeitas ao regime da não cumulatividade, por não se tratar de contrato a preço predeterminado, em razão do reajuste previsto na cláusula sexta do contrato. Em impugnação de fls. 226 a 259, o autuado explica que aplicou o regime cumulativo de apuração por entender que as receitas provenientes de seu contrato, firmado em 11/12/2002, a preço predeterminado, enquadramse no disposto no art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, seguindo a orientação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL constante da Nota Técnica nº. 224, de 19/06/2006, que dispôs que os contratos licitados antes de 31/10/2003 permaneceriam no regime cumulativo, por serem de preço predeterminado. Ressalvou que, em que pese ter explicado outras vezes à autoridade fiscal da RFB essa situação, já sofreu autuação anteriormente, abrangendo os períodos de 2007 a 2010, nos processos administrativos nºs. 19515.722127/201172 e 19515.722125/201183, e, desta feita, a presente autuação não é diferente. Em relação às autuações anteriores, informa que não tendo obtido êxito na esfera administrativa, ao defender a improcedência dos procedimentos de ofício, impetrou em 24/05/2013 o Mandado de Segurança nº 000949880.2013.4.03.6100, obtendo do Juízo da 22 Vara Federal Cível de São Paulo decisão liminar proferida em 29/05/2013, que lhe garantiu o direito de permanecer recolhendo as contribuições em questão sob o regime da cumulatividade e suspendendo a exigibilidade do crédito tributário lançado. Invocou o art. 151, IV, do CTN e requereu em sede de preliminar o reconhecimento da concomitância entre o presente processo e aquela ação mandamental, inclusive no tocante à suspensão da exigibilidade do crédito pretendo no procedimento fiscal até o julgamento definitivo da demanda. Por consectário, requereu o afastamento da multa de ofício e dos juros, com fundamento no disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A 2ª Turma da DRJ/BSB julgou o lançamento de ofício procedente em parte, não conhecendo da matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, até a decisão final proferida na ação judicial, e afastando a aplicação da multa de lançamento de ofício, mantendo todavia a incidência dos juros de mora. O Acórdão nº 0357.285, de 22 de novembro de 2013, fls. 407 a 411, teve ementa vazada nos seguintes termos: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.722564/201315 Acórdão n.º 3403003.014 S3C4T3 Fl. 448 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2011 a 31/12/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece da impugnação na parte referente à matéria de mérito, quando há discussão concomitante da mesma nos processos administrativo e judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Cabe reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, diante decisão liminar neste sentido, proferida em processo judicial que trata da mesma matéria de mérito. PENALIDADE. AFASTAMENTO. Estando o crédito tributário com a exigibilidade suspensa por força de decisão liminar, o lançamento é válido para prevenção da decadência, situação em que não cabe a imposição de multa de ofício. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Por força do disposto no art. 161, caput, do CTN, os juros de mora são sempre exigíveis, independentemente do motivo da falta de recolhimento da obrigação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2011 a 31/12/2012 LANÇAMENTO EFETUADO A PARTIR DOS MESMOS FATOS. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS, formalizado a partir dos mesmos fatos e elementos de prova, o decidido em relação à Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSB recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/BSB. O arrazoado de fls. 421 a 444, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a digressão não conhecida pelo colegiado a quo, na qual faz a sustentação do cabimento da incidência cumulativa sobre as receitas geradas pelo contrato. Requer que, caso extinto o Mandado de Segurança sem julgamento de mérito, o Recurso Voluntário seja conhecido e Fl. 449DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 provido com a declaração de improcedência do lançamento e o conseqüente cancelamento da exigência do imposto, multa e juros, vez que as receitas da impugnante relativas ao Contrato de Concessão de Transmissão de Energia nº 85/2002 preenchem todos os requisitos para sujeição ao regime cumulativo de apuração da COFINS. Alternativa e sucessivamente, que se mantenha incólume a decisão recorrida. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Recurso de ofício Admissibilidade A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício parcialmente procedente, para cancelar a aplicação de multas de lançamento de ofício em valores originários de R$ 1.889.975,15 (PIS, fls. 186) e R$ 8.691.945,52 (Cofins, fls. 153). Exonerado o sujeito passivo de encargos de multa em valor superior ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, conheço do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 2ª Turma da DRJ/BSB. Mérito Nada a reparar na decisão recorrida. A 2ª Turma da DRJ/BSB deu à matéria o tratamento preconizado no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Tratandose de medida liminar concedida em 29/05/2013, antes dos lançamento de ofício de que se trata, lavrados em 02/08/2013, correto o cancelamento da aplicação da penalidade pecuniária. Nego provimento ao recurso de ofício Recurso voluntário Conforme relatado, o ora recorrente buscou a tutela hegemônica do Poder Judiciário para controverter o direito de apuração das contribuições sociais pelo regime Fl. 450DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.722564/201315 Acórdão n.º 3403003.014 S3C4T3 Fl. 449 5 cumulativo. Assim procedendo, renunciou definitivamente à possibilidade de discutila na seara administrativa. O recurso apresentado controverte, exclusivamente, matéria não conhecida pela decisão recorrida, em face da concomitância do processo judicial. Tratandose de matéria não devolvida a esta instância recursal, dela também não se conhecerá. Toca simplesmente declarar a definitividade da exigência formalizada pelos autos de infração de fls. 153 a 156 e 186 a 189, na esfera administrativa, ainda que suspensa, dandose a ela o tratamento que ficar determinado na decisão que transitar em julgado nos autos do MS nº 000949880.2013.4.03.6100. Conclusões Com essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício e não conheço do recurso voluntário. Sala de sessões, em 29 de maio de 2014 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13851.720453/2012-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
Não há ausência de motivação quando o agente fiscal descreve a conduta ilegal praticada, permitindo ao autuado defender-se das infrações que lhe são imputadas.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Inexiste nulidade por ausência de provas naquelas hipóteses em que o mérito do ato administrativo se vincula aos fatos apurados pelo agente fiscal no decorrer do procedimento fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DO RELATÓRIO FISCAL.
Constando no Auto de Infração que o Relatório Fiscal lhe é parte integrante e indissociável, a prova da ciência, pelo contribuinte, do Auto de Infração, faz presumir que o contribuinte conheceu do Relatório Fiscal.
UNIDADE HOSPITALAR. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO.
A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62-A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543-C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399-BA, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543-C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual os atos emanados da Receita Federal, não têm o condão de vincular o contribuinte. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, a, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços hospitalares são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO.
Por força do art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF, este Conselho é incompetente para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade.
JUROS INCIDENTE SOBRE A MULTA.
A expressão débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos.
TAXA SELIC.
Consoante Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, é legal a aplicação da Taxa Selic para atualização dos créditos fiscais.
Numero da decisão: 1103-001.008
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não há ausência de motivação quando o agente fiscal descreve a conduta ilegal praticada, permitindo ao autuado defender-se das infrações que lhe são imputadas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Inexiste nulidade por ausência de provas naquelas hipóteses em que o mérito do ato administrativo se vincula aos fatos apurados pelo agente fiscal no decorrer do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DO RELATÓRIO FISCAL. Constando no Auto de Infração que o Relatório Fiscal lhe é parte integrante e indissociável, a prova da ciência, pelo contribuinte, do Auto de Infração, faz presumir que o contribuinte conheceu do Relatório Fiscal. UNIDADE HOSPITALAR. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62-A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543-C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399-BA, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543-C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual os atos emanados da Receita Federal, não têm o condão de vincular o contribuinte. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, a, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços hospitalares são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. Por força do art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF, este Conselho é incompetente para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade. JUROS INCIDENTE SOBRE A MULTA. A expressão débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. TAXA SELIC. Consoante Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, é legal a aplicação da Taxa Selic para atualização dos créditos fiscais.
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Não há ausência de motivação quando o agente fiscal descreve a conduta ilegal praticada, permitindo ao autuado defenderse das infrações que lhe são imputadas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Inexiste nulidade por ausência de provas naquelas hipóteses em que o mérito do ato administrativo se vincula aos fatos apurados pelo agente fiscal no decorrer do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DO RELATÓRIO FISCAL. Constando no Auto de Infração que o Relatório Fiscal lhe é parte integrante e indissociável, a prova da ciência, pelo contribuinte, do Auto de Infração, faz presumir que o contribuinte conheceu do Relatório Fiscal. UNIDADE HOSPITALAR. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399BA, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual os atos emanados da Receita Federal, não têm o condão de vincular o contribuinte. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, “a”, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 04 53 /2 01 2- 29 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 505 2 VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços hospitalares são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. Por força do art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF, este Conselho é incompetente para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade. JUROS INCIDENTE SOBRE A MULTA. A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. TAXA SELIC. Consoante Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, é legal a aplicação da Taxa Selic para atualização dos créditos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 506 3 Relatório Contra a recorrente, foi lavrado auto de infração (fls. 171/209) para exigência do pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no montante de R$ 946.586,90, acrescido de multa de ofício no valor de R$ 709.940,19 e juros de R$ 334.910,52, relativamente aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009. Consta do Relatório de Fiscalização (fls. 214/217) que a recorrente optou pelo lucro presumido e aplicou indevidamente a alíquota de 8% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido e 12% para determinação da base de cálculo da CSLL, classificando sua receita como prestação de serviços hospitalares. Registra o Relatório Fiscal que a base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL deveria ser calculada à alíquota de 32%, visto que os percentuais de 8% e 12% são admissíveis às sociedades empresárias que preencham os seguintes requisitos: a) A partir de 27/4/2005 até 9/12/2007 consideramse serviços hospitalares unicamente os prestados por empresário ou sociedade empresária que exerçam uma ou mais atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possuam estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada Resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; b) No período de 10/12/2007, data em que foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB n° 19/2007, até 31/12/2007, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta decorrente de serviços hospitalares prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que atendam aos requisitos estabelecidos no Ato; c) A partir de 1/1/2009, quando entraram em vigor as regras do art. 29 da Lei n° 11.727/2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica na opção pelo lucro presumido, o percentual de 8% sobre a receita bruta aplicase à prestação de serviços hospitalares (nos termos já definidos pelo ADI RFB nº 19, de 2007) e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; e d) A prestadora dos serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária, o que pressupõe a existência de estrutura empresarial, em que se reúnem fatores de produção e circulação, de forma massificada, com profissionalismo, economicidade, valendo se de profissionais contratados para exercício da atividade de saúde à qual a pessoa jurídica se dedica. A autoridade fiscal autuante entendeu que a recorrente não preencheu os requisitos da lei, pelas seguintes razões: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 507 4 a) A natureza jurídica da recorrente é a de sociedade simples, prestadora de serviços, com seus atos constitutivos registrados em cartório, cujos funcionários, na maioria, são auxiliares e técnicos, sem médicos contratados para atendimento; b) Em procedimento de diligência em seu estabelecimento constatouse que o horário de funcionamento é das 6 às 20h, o que caracteriza descumprimento da norma prevista no ADI antes referido; c) Intimada a comprovar que sua atividade se enquadrava no disposto no subitem 2.1 e que sua estrutura física atendia ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) n° 50, de 21/2/2002, com a alteração efetuada pela RDC n° 307 de 14/11/2002, e pela RDC n° 189, de 18/7/2003, mediante apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal, a contribuinte respondeu que “estava atendido conforme documentos acostados” sem juntar qualquer documento comprobatório; d) Após ter apurado as diferenças oriundas do cálculo utilizando o percentual de 32% para obtenção do lucro presumido e dos tributos correspondentes a autoridade fiscal elaborou planilhas nas quais especificou as diferenças verificadas, ao mesmo tempo em que intimou a contribuinte a se manifestar sobre o que havia sido obtido; e e) Na resposta apresentada a contribuinte não apresentou elementos que justificassem enquadrar suas atividades na modalidade de tributação reduzida, o que suscitou a constituição do crédito tributário em questão, após terem sido deduzidos os valores declarados pela contribuinte em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os que foram objeto de retenção na fonte. Intimada da imposição tributária, a recorrente ofertou Impugnação de fls. 409/434, a qual foi julgada improcedente. Em decorrência, a recorrente ofertou Recurso Voluntário, aduzindo: a) nulidade do lançamento fiscal por ausência de motivação, pois o agente autuante deveria relatar os fatos ocorridos, justificando, de forma explícita, as razões de fato e de direito da exigência do suposto tributo, além de provar o porquê desconsiderou a declaração de IRPJ da recorrente; b) nulidade do lançamento de ofício por cerceamento de defesa, pois não foi dado à recorrente a ciência do Termo de Verificação Fiscal; c) nulidade do lançamento de ofício por insuficiência de provas hábeis a demonstrar a afronta ao art. 15, da Lei nº 9.249/95. O lançamento fiscal teria se dado com base em mera presunção; d) a prestação de serviço hospitalar, pois a recorrente presta serviços de hemodiálise, fato provado, por meio de contrato social e relatórios de serviços médicos emitidos nos anos de 2007 e 2009; e) ilegalidade da Taxa Selic; f) multa com efeito de confisco; e Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 508 5 g) ilegalidade da multa sobre os juros. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira, Relator. Preliminares Inicio por enfrentar a alegação de nulidade do lançamento fiscal, por ausência de motivação, pois o agente autuante deveria relatar os fatos ocorridos, justificando, de forma explícita, as razões de fato e de direito da exigência do suposto tributo, além de provar o porquê desconsiderou a declaração de IRPJ da recorrente. Conforme se verifica do “Relatório de Fiscalização” (fls. 214), a recorrente foi autuada pelos seguintes motivos: “1) A auditoria no contribuinte acima identificado restringiuse ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) do período de 04/2007 a 12/2009, conforme contido no mandado de procedimento fiscal acima mencionado. 2) No período em questão, o contribuinte optou pela tributação pelo lucro presumido e, indevidamente, utilizou a base de cálculo presumida de 8% e 12% respectivamente, sobre o IRPJ e CSLL – fls 78/128. 3) Segundo legislação vigente, a base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL deveria ser calculada à alíquota de 32%. Os percentuais de 8% e 12% são previstos para sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008. Houve mudanças na legislação conforme períodos abaixo descritos: 3.1) A partir de 27/04/2005 até 09/12/2007, são considerados serviços hospitalares unicamente os prestados por empresário ou sociedade empresária que exerçam uma ou mais das atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC n.º 50, de 2002, e que possuam estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada Resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 3.2) De 10 de dezembro de 2007 (data da publicação do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 19/2007) até 31 de dezembro de 2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta decorrente dos serviços hospitalares prestados por Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 509 6 estabelecimentos assistenciais de saúde que atendam aos requisitos nele estabelecidos. Transcrevo abaixo o citado ADI: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 7 de dezembro de 2007 DOU de 10.12.2007 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo nº 10168.004798/200794, declara: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'',da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços pré hospitalares, prestados na área de urgência realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. 3.3) A partir de 1º de janeiro 2009, data em que entraram em vigor as alterações promovidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.727, de 2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica na opção pelo lucro presumido, o percentual de 8% sobre a receita bruta aplicase à prestação de serviços hospitalares (nos termos já definidos pelo ADI RFB nº 19, de 2007) e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 3.4) Devese ainda salientar que a prestadora destes serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária, o que pressupõe a existência de estrutura empresarial, em que se reúnem fatores de produção e circulação, de forma massificada, com profissionalismo, economicidade, valendose de profissionais contratados para exercício da atividade de saúde à qual a pessoa jurídica se dedica. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 510 7 4) Nos atos constitutivos apresentados pelo contribuinte (fls 12/18) notase que a sociedade é prestadora de serviços (sociedade simples) registrada em cartório. Afastase, assim, o conceito de sociedade empresária. Reforçase mais ainda esses argumentos quando se analisam os empregados que prestaram serviços a contribuinte no período. Em são maioria, sUA auxiliares e técnicos. Não há médicos contratados para atendimento. 5) Em procedimento de diligência no estabelecimento do contribuinte (fls 170), foi constatado que o horário de funcionamento é das 6 às 20h. Assim, já está descumprida a norma prevista no Ato Declaratório Interpretativo n° 7 já descrita no item 3.2. 6) No item 7 do termo de início de fiscalização, o contribuinte foi intimado a “Comprovar que se enquadra no que dispõe o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003”. Em resposta (fls 5/11), declarou “atendido – conforme documentos acostados”. No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item. 7) No item 8 do termo de início de ação fiscal (fls 2 e 3), o contribuinte foi intimado a “Comprovar que a estrutura física do estabelecimento atende ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, mediante a apresentação de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Em resposta (fls 5/11), declarou “atendido – conforme documentos acostados”, No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item. 8) De todo o exposto, concluese que não poderia o contribuinte ter calculado a base do IRPJ e CSLL presumida a 8% e a 12%. O calculo feito erroneamente fez com que surgissem diferenças nos valores declarados de IRPJ e CSLL. 9) Assim, foram elaboradas as planilhas com as citadas diferenças, que foram anexas ao termo de constatação 02 074 2012 de 19/03/2012 – fls 69/71, conforme abaixo descrito: 9.1) Anexo 1 – Diferença de IRPJ – fls 72/74 9.2) Anexo 2 – Diferença de CSLL – fls 75/77 10) Devidamente intimado a se manifestar sobre o citado termo de constatação, o contribuinte, em sua resposta (fls 157/169) não apresentou elementos que dessem suporte à sua interpretação, especificamente que se enquadrava na legislação descrita no item 3 desse relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 511 8 11) Isso posto, estou tributando as diferenças de IRPJ e CSLL demonstradas na planilha as fls 72/77, conforme já descrito no item 8. 12) Para elaboração da planilha de IRPJ, foram considerados: 12.1) Faturamento Declarado: Extraído do livro razão (fls 19/27) e conferido com a DIPJ (fls 78/126). 12.2) Coluna B: Base IRPJ 32% = Faturamento x 0,32 12.3) Coluna C: IRPJ devido 15% + adicional de 10% sobre o que exceder R$ 60.000,00 12.4) Coluna D: IRPJ Declarado em DCTF 12.5) Coluna E: IR retido, conf. DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (fls 127/155) 12.6) Coluna F: Diferença de IRPJ (C – D – E) 13) Para elaboração da planilha da CSLL, foram considerados: 13.1) Faturamento Declarado: Extraído do livro razão (fls 19/27) e conferido com a DIPJ (fls 78/126) 13.2) Coluna B: Base CSLL 32% = Faturamento x 0,32 13.3) Coluna C: CSLL devida 9% 13.4) Coluna D: CSLL declarada em DCTF 13.5) ColunaE: CSLL retida, conforme DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (fls. 127/155) 13.6) Coluna F: Diferença de CSLL (C – D – E) 14) No auto de infração, foi aposto na planilha no item “coeficiente utilizado”: 0%. Porém, nas planilhas descritas nos itens 8 e 9 foram considerados os valores declarados pelo contribuinte em DCTF e também os retidos na fonte. Assim, o tributo cobrado neste auto de infração é a diferença entre a base de 32% (correta) e a de 8% (utilizada pelo contribuinte). 15) Ressalvase o direito da Fazenda Nacional de reexaminar a presente documentação, caso sejam verificados fatos novos, não verificados na presente auditoria, que abrangeu única e exclusivamente o período de 04/2007 a 12/2009, concernente ao IRPJ e CSLL. 16) Esse relatório é parte integrante de indissociável do Auto de Infração – processo administrativo digital (eprocesso) 13851.720.453/201229 (IRPJ) e 13851.720.465/201253 (CSLL).” Verificase, que ao contrário do que alega a recorrente, no “Relatório Fiscal”, consta de forma exaustiva as razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício, não se verificando qualquer nulidade. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 512 9 Pelos mesmos motivos carece de razão a recorrente, quando aduz que teria havido nulidade do lançamento de ofício, por insuficiência de provas hábeis a demonstrar a afronta ao art. 15, da Lei nº 9.249/95. Isto porque, a autoridade fiscal descreve, minuciosamente os fatos que suportaram o seu convencimento e que fundamentaram o lançamento de ofício, como se pode verificar do trecho do Relatório Fiscal, abaixo transcrito: “4) Nos atos constitutivos apresentados pelo contribuinte (fls 12/18) notase que a sociedade é prestadora de serviços (sociedade simples) registrada em cartório. Afastase, assim, o conceito de sociedade empresária. Reforçase mais ainda esses argumentos quando se analisam os empregados que prestaram serviços a contribuinte no período. Em são maioria, são auxiliares e técnicos. Não há médicos contratados para atendimento. 5) Em procedimento de diligência no estabelecimento do contribuinte (fls 170), foi constatado que o horário de funcionamento é das 6 às 20h. Assim, já está descumprida a norma prevista no Ato Declaratório Interpretativo n° 7 já descrita no item 3.2. 6) No item 7 do termo de início de fiscalização, o contribuinte foi intimado a “Comprovar que se enquadra no que dispõe o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003”. Em resposta (fls 5/11), declarou ‘atendido – conforme documentos acostados’. No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item. 7) No item 8 do termo de início de ação fiscal (fls 2 e 3), o contribuinte foi intimado a “Comprovar que a estrutura física do estabelecimento atende ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, mediante a apresentação de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Em resposta (fls 5/11), declarou ‘atendido – conforme documentos acostados’, No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item.” Também se há que afastar a pretensa nulidade por cerceamento do exercício ao direito de defesa, fundado na ausência de Termo de Verificação Fiscal, a instrumentar o lançamento de ofício. No “Relatório Fiscal”, que possui a função de Termo de Verificação Fiscal, apesar de possuir nome diverso do documento apontado pela requerente, há a descrição dos fatos apurados e dos motivos que conduziram o agente fiscal a proferir a autuação. Consta no Auto de Infração que o referido documento o integra, indissociavelmente, afirmação que permite deduzir que se a recorrente foi cientificada do lançamento de ofício, fato incontestável, também o foi do “Relatório Fiscal”. Por essas razões, fica afastada a alegação de nulidade do Processo Administrativo por cerceamento ao direito de defesa. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 513 10 Mérito Quanto ao mérito, a recorrente afirma que presta serviço hospitalar, de hemodiálise, fato provado por meio de contrato social e relatórios de serviços médicos emitidos nos anos de 2007 e 2009, os quais teriam instruído a Impugnação. A Lei nº 9.249/95, art. 15, §1o, III, “a”, dispunha, até junho de 2008, que às empresas, prestadoras de serviços hospitalares, tributadas pelo Lucro Presumido, se aplicaria a base de cálculo de 8%. Nesse período (de 27/04/2005 a 09/12/2007) ingressou no mundo jurídico a IN SRF nº 480/04, que, regulamentando a Lei nº 9.249/95, considerou serviços hospitalares unicamente os prestados por empresário ou sociedade empresária que exerçam uma ou mais das atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC n.º 50, de 2002, e que possuam estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada Resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A contar de 10 de dezembro de 2007, data da publicação do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 19/2007, até 31 de dezembro de 2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado com base no lucro presumido, passou a ser considerado serviço hospitalar aquele que preenchesse os seguintes requisitos: “Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 7 de dezembro de 2007 DOU de 10.12.2007 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo nº 10168.004798/200794, declara: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'',da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 514 11 serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Ocorre, que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399BA, ao qual foi atribuído a qualidade de representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual as condições à isenção inseridas no mundo jurídico por atos emanados da Receita Federal, não previstos em lei, não têm o condão de vincular o contribuinte, conforme se constata da ementa colacionada: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO ‘SERVIÇOS HOSPITALARES’. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão ‘serviços hospitalares’ prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de ‘serviços hospitalares’ apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2.Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. 3.Assim,devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 515 12 voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. 4.Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5.Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6.Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. 7.Recurso especial não provido.” A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, “a”, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços prestados pela recorrente são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95. Seguindo nesta linha deve ser aplicado o texto original da alínea “a”, III, §1o, art. 15, da Lei nº 9.249/95, no período de sua vigência: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 516 13 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...)” Assim, a única condição a que a recorrente possam calcular o tributo sobre a base de cálculo correspondente ao faturamento, é que preste serviço hospitalar. O contrato social da recorrente denuncia que o seu objeto social é prestar serviço médicohospitalar dialítico. No REsp nº 200702694511, Rel. Min. Castro Meira, restou decidido, por unanimidade, que os serviços de diálise têm natureza médicohospitalar. “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS DE HEMODIÁLISE. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. O conhecimento do recurso especial esbarra na Súmula 284/STF pela alegada violação do artigo 535 do CPC nos casos em que a arguição é genérica. 2. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 3. No caso, tratase de entidade que presta serviços de hemodiálise. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares", já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 4. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente, excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. 5. Recurso especial provido em parte.” Ao preencher os requisitos do art. 15, §1o, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, é direito da recorrente, até o final do exercício de 2008, apurar a base de cálculo do imposto, mediante a aplicação de oito por cento do seu faturamento. A partir da vigência da Lei nº 11.727/08, no entanto, passouse a exigir, para a caracterização de serviços hospitalares, que o contribuinte esteja organizado sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Em decorrência, a partir de primeiro de janeiro de 2009, era dever da recorrente demonstrar o preenchimento dos requisitos legais. Não o fez, devendo, portanto, ser confirmado o lançamento de ofício nesta parte. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 517 14 Deixo de apreciar a alegação de confisco, porque este Conselho não possui competência para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade (art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF). Sobre a ilegalidade dos juros.sobre a multa, colaciono as razões de decidir expostos pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, na Declaração de Voto, prolatada no Processo nº 16627.000989/200793: “Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, questionados pelo Recorrente, o Código Tributário Nacional (CTN) autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139 do CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 518 15 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 519 16 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso ordinário, para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008, mantendo o lançamento de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos de 01/01/2009 a 31/12/2009. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 520 17 Declaração de Voto De início, vale destacar o detalhado e fundamentado voto do I. Relator, Cons. Fábio Nieves Barreira, a quem rendo as costumeiras homenagens. Considerando que já tive oportunidade de analisar a matéria, passo a tecer algumas considerações restritas ao percentual de presunção aplicável à espécie. Nos termos do Relatório de Fiscalização (fls.214/216), entendeu a fiscalização, quanto à apuração da base de cálculo pelo lucro presumindo, que “...Os percentuais de 8% e 12% são previstos para sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008”. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela autuação, restringiu cronologicamente (a partir de 27/4/05) o alcance da expressão “serviços hospitalares”, ao considerar diplomas normativos infralegais (IN SRF nº 480/04, nº 539/05, RDC nº 50/02 e ADI RFB nº 19/07). No seu entender não estariam preenchidos alguns requisitos que autorizariam o enquadramento dos serviços como hospitalares. Em resumo: a sociedade não seria empresária, mas prestadora de serviços (sociedade simples); não se garantiria atendimento básico de diagnóstico e tratamento durante 24 horas, dado o funcionamento do estabelecimento apenas das 6 às 20 horas; não comprovação do enquadramento no subitem 2.1 e do atendimento ao item 3 (estrutura física em conformidade com as normas sanitárias estatais), ambos da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/02 da Anvisa. Conforme Cláusula Terceira do Contrato Social (fls.12/18), o sujeito passivo dedicase à “Atividade médicohospitalar na área de tratamento dialítico e afins”, que não foi contestada pela fiscalização. Em razão da semelhança com a matéria já debatida pelo colegiado, valhome da fundamentação empregada no voto condutor do acórdão nº 1103000.988, de 11/2/14, sob minha relatoria. Verbis: “[...] Não obstante as inúmeras interpretações veiculadas por normas infralegais, com a menção a vários requisitos, devidamente adotadas pelo acórdão da DRJ, pois àquelas se vincula, no presente caso a particularidade de o STJ ter definido o alcance da expressão “serviços hospitalares”, para fins de aplicação do art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249, de 26/12/95, não confere mais qualquer margem aos membros do CARF para rediscutir a matéria. Por força do art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que impõe a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas, por exemplo, pelo STJ na sistemática do art.543C do CPC (regime de recurso repetitivo), adotase o entendimento fixado no julgamento do REsp nº 1.116.399/BA, de 24/2/10, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 521 18 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. 3. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 522 19 receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do §2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. No julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em 29/9/10, reiterou a Primeira Seção do STJ que “são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas”. A respectiva ementa restou assim redigida: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art.535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam:(i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 523 20 não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, ‘a’, da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: ‘Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico’. 6. Embargos de declaração rejeitados. Tal acórdão transitou em julgado em 3/11/10, conforme informação constante do sítio do STJ na internet. Não obstante o paradigma eleito por aquela Corte tratar de pessoa jurídica que prestava serviços laboratoriais, as premissas definidas aplicamse a outras hipóteses. Conforme o entendimento acima, a expressão “serviços hospitalares” deve ser interpretada de maneira objetiva, sob a perspectiva da atividade realizada, não se considerando, por ausência de previsão legal, a característica ou a estrutura do contribuinte em si. À exceção das consultas médicas, consideramse como tais os serviços que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. No respectivo voto condutor, de lavra do Min. Benedito Gonçalves, confirmouse a orientação fixada no REsp nº 951.251PR, quando se entendeu que: “...a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 524 21 da atividade realizada pela contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou o contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), que é, inclusive, alçado à condição de direito fundamental. Ademais, consignouse que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. Dessa forma, ficou assentado que devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. Ressaltouse ainda que as alterações preconizadas pela Lei 11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser aplicadas a demandas ajuizadas após a sua vigência, não possuindo efeito retroativo.” Com isso, os requisitos previstos nas normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não prevalecem frente à lei, que contemplou, no entender do STJ, a natureza do serviço prestado, qual seja, assistência à saúde. Por conseguinte, não prevalecem os requisitos mencionados no acórdão recorrido, estabelecidos em atos infralegais, que impediram, no entender da DRJ, caracterizar os serviços prestados como hospitalares.” Demanda particular análise o requisito relacionado à prestação dos serviços hospitalares por estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias. A necessidade de a prestadora dos serviços ser organizada sob a forma de sociedade empresária passou a ter estatura legal com a Lei nº 11.727, de 23/6/08, que, por meio do artigo 29, conferiu a seguinte redação ao art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249/95: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 525 22 ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;” Conforme entendimento do STJ (Resp nº 1.116.399/BA), antes exposto, as alterações preconizadas pela Lei nº 11.727/08 não se aplicam retroativamente. Em que pese ter entrado em vigor na data de sua publicação, o seu art.29 passou a produzir efeitos, conforme art.41, VI, “...a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei”, ou seja, a partir de 1º/1/09. Logo, no caso concreto, o requisito da organização da prestadora dos serviços sob a forma de sociedade empresária também não consiste em fator impeditivo quanto aos fatos geradores ocorridos até 31/12/08. Considerando o objeto social do Recorrente, voltado a atividades médico hospitalares na área de tratamento dialítico e afins, inegavelmente relacionadas diretamente à promoção da saúde, não prevalecem, para fins de caracterização dos serviços como hospitalares e aplicação dos percentuais de presunção, os requisitos impostos pela legislação tributária infralegal e os decorrentes de particular interpretação da RFB. Acrescentese que, seguindo o entendimento estampado no Resp nº 1.116.399/BA, o STJ passou a decidir que estão compreendidos no conceito de “serviços hospitalares”, por exemplo, a realização de exames de diagnósticos por imagem, serviços oftalmológicos e exames cirúrgicos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido. (Primeira Seção, REsp 837913/SC, julgado em 10/11/10, Dje 19/11/10, Rel. Min. Hamilton Carvalhido) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, §1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO CONCEITO Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 526 23 DE SERVIÇO HOSPITALAR. 1. A agravante requer que "se deixe expresso que a redução da alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa genericamente considerada, mas sim àquela receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte nos exatos termos do § 2º, do artigo 15, da mencionada lei" (fls. 226227). 2. A decisão monocrática considerou que a "redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo" (fl.217), nos termos do EREsp 925.126/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 18/09/2009 e do REsp 1.116.399/BA, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 24/02/2010, que seguiu o procedimento previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Agravo regimental não provido. (Segunda Turma, AgRg no REsp 1147620/RS, julgado em 14/9/10, Dje 24/9/10, Rel. Min. Castro Meira) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 98/STJ NA HIPÓTESE. SUBSISTÊNCIA DA MULTA. SERVIÇO HOSPITALAR. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM. ENQUADRAMENTO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. DEPÓSITO JUDICIAL. LEVANTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. PRECEDENTES. [...] 2. A Primeira Seção desta Corte, em sessão realizada no dia 28.10.2009, quando do julgamento do REsp n. 1.116.399/BA, pelo regime do art. 543C, do CPC, adotou, por maioria, entendimento no sentido de que as empresas que prestam serviços médicos laboratoriais desempenham atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, razão pela qual fazem jus ao benefício fiscal de redução das alíquotas do IRPJ e da CSLL, o qual não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício, nos termos do § 2º do art. 15 da Lei n. 9.249/95 [...] 4. Recurso especial parcialmente provido. (Segunda Turma, REsp 1200788/MG, julgado em 2/9/10, Dje 4/10/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLÓGICOS E EXAMES CIRÚRGICOS. ATIVIDADES ABRANGIDAS. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. "Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos Fl. 526DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720453/201229 Acórdão n.º 1103001.008 S1C1T3 Fl. 527 24 hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 2. Precedente representativo da controvérsia: REsp 1.116.399/BA, DJe 24/02/2010. 3. Os serviços médicos oftalmológicos, bem como a realização de exames cirúrgicos, estão abarcados pelo conceito de "serviços hospitalares" para fins de recolhimento do IRPJ e CSSL sob a base de cálculo reduzida. 4. "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". Inteligência da Súmula 98/STJ. 5. Recurso especial provido. (Segunda Turma, Resp 1165921/MA, julgado em 5/8/10, Dje 1/9/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) Portanto, até 31/12/08 aplicase o percentual de presunção de 8% na apuração da base de cálculo do IRPJ, por se caracterizarem como serviços hospitalares as atividades desenvolvidas pelo Recorrente, conforme interpretação firmada pelo STJ em sede de recurso repetitivo, repitase, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Sobre tal matéria, registro meu entendimento e reitero a adesão às soluções adotadas pelo I. Relator quanto às demais questões. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 527DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13888.004791/2010-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/08/2009
ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS NO 13º SALÁRIO.
O STJ, nos autos do REsp 1.230.957, proferiu decisão, submetida à sistemática do art. 543-C do CPC, no sentido de afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, vinculando este Conselho à sua reprodução obrigatória, nos termos do art. 62-A do RICARF. Por conseguinte, tem-se afastados, também, os valores reflexos no 13º salário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA.
A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores.
A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN.
No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação.
MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS.
Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa por inexistir fraude, dolo ou má-fé, não merece prosperar a qualificação, razão pela qual deve ser afastada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Ausente justificadamente conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/08/2009 ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório. AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS NO 13º SALÁRIO. O STJ, nos autos do REsp 1.230.957, proferiu decisão, submetida à sistemática do art. 543-C do CPC, no sentido de afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, vinculando este Conselho à sua reprodução obrigatória, nos termos do art. 62-A do RICARF. Por conseguinte, tem-se afastados, também, os valores reflexos no 13º salário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS. Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa por inexistir fraude, dolo ou má-fé, não merece prosperar a qualificação, razão pela qual deve ser afastada. Recurso Voluntário Provido.
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CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório. AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS NO 13º SALÁRIO. O STJ, nos autos do REsp 1.230.957, proferiu decisão, submetida à sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, vinculando este Conselho à sua reprodução obrigatória, nos termos do art. 62A do RICARF. Por conseguinte, temse afastados, também, os valores reflexos no 13º salário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 47 91 /2 01 0- 31 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa por inexistir fraude, dolo ou máfé, não merece prosperar a qualificação, razão pela qual deve ser afastada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Ausente justificadamente conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 14 33.627, fls. 131/148, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.304.6340, na qual pretende o recolhimento de contribuições sociais dos trabalhadores segurados empregados, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição em relação ao vale refeição concedido aos empregados em 12/2008 e 01/2009 e sobre o aviso prévio indenizado e o 13º salário indenizado pagos na rescisão de contrato de trabalho em 02/2009 e 08/2009, contribuições estas que não foram descontadas da remuneração. Lavrado no importe de R$ 1.573,60 (mil quinhentos e setenta e três reais e sessenta centavos), o presente Auto de Infração pretende o recolhimento quanto à rubrica vale refeição, eis que durante o período 12/2008 a 12/2009, a empresa realizava pagamento da alimentação feito em pecúnia. Ademais, estão incluídos na autuação os valores referentes ao aviso prévio indenizado e seus reflexos no 13º salário, nos termos do art. 214, § 9º,V, “f”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixando, portanto, tais rubricas de fazer parte do rol das importâncias que não integram o salário de contribuição, tal como dispõe o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 101/122. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 33.627, fls. 131/148, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/08/2009 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço e recolher o produto arrecadado. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Integram o salário de contribuição os valores relativos à alimentação pagos aos segurados empregados em pecúnia. AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS NO DÉCIMO TERCEIRO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e seus reflexos sobre o décimo terceiro salário. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, da Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 154/175, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. O benefício concedido aos funcionários na forma de Vale Alimentação é utilizável exclusivamente para compra de alimentos, não podendo ser sacado em dinheiro. A empresa está devidamente cadastrada no PAT sob o nº 080029457. Ademais, a sua não inscrição no PAT não muda o tipo de benefício, o que poderia ocasionar apenas uma infração administrativa. 2. O aviso prévio indenizado não foi suprimido do art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/91, razão pela está fora do alcance da contribuição previdenciária, seguindo a lógica de que consiste numa indenização pela dispensa imediata, e não uma contraprestação por trabalho. Seus reflexos aplicam se ao 13º salário indenizado. 3. Não se vislumbra hipótese de sonegação, eis que não houve qualquer intuito fraudulento, assim como a empresa realizou todos os procedimentos nos ditames da lei. Se não houve a entrega devida de documentos ou informações, tais condutas possuem enquadramento específico a ensejar multa. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 184, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO CONHECIMENTO EX OFFICIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Primeiramente, cabe discorrer acerca da possibilidade do reconhecimento de ofício a qualquer tempo, por parte do julgador, de questões afetas à ordem pública, independentemente de eventual suscitação por parte do Recorrente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, como órgão máximo julgador dos processos administrativos fiscais na esfera federal, tem por fim precípuo o controle da legalidade dos atos administrativos praticados pelos agentes fiscalizadores e demais servidores públicos integrantes da Administração Tributária. Decorrência lógica é o dever da Administração de anular os atos por ela praticados quando verificados vícios de legalidade, conforme o comando emanado do art. 53 da Lei nº 9.784/99, o qual regula os processos administrativos federais, assim dispondo: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Vêse que não se trata de uma faculdade da Administração, mas sim imperativo categórico que prevalecerá sempre que a legalidade for afrontada, independentemente de alegação dos sujeitos envolvidos ou instância processual. Isso porque o que se pretende salvaguardar, no caso em lume, transcende os interesses de determinado contribuinte para alcançar o interesse do Estado e da sociedade. Cuidase, pois, de questões de ordem pública, nas quais se pretende proteger bem jurídico reconhecidamente valioso para o Estado Democrático de Direito. Por tal razão é que este Conselho deve apreciar todas as questões de ordem pública, a qualquer tempo, ainda que não suscitadas no processo, a fim de preservar sua finalidade precípua de controlar a legalidade dos atos administrativos. Tal comando é corroborado, inclusive, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme julgados, cujas ementas a seguir são transcritas: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. De conformidade com os artigos 2º e 53 da Lei nº 9.784/1999, a Administração deverá anular, corrigir ou revogar seus atos quando eivados de vícios de legalidade, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a multa de ofício aplicada no lançamento não encontra sustentáculo na legislação de regência. A atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito e, bem assim, em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, sobretudo quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente. Recurso especial negado. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma. Processo nº 10183.005264/200525. Acórdão nº 9202002.904. Sessão de 12 de setembro de 2013. Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1994, 1995, 1996 MULTA DE OFÍCIO – CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR LIMINAR – MATÉRIA SUMULADA – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública, principalmente quando se trata de matéria sumulada. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Processo nº 10880.003243/9746. Acórdão nº 9101001.497. Sessão de 25 de outubro de 2012. Conselheiro Relator João Carlos Lima Júnior) Com efeito, o entendimento da Câmara Superior deste Conselho também se alastra aos julgados proferidos pelas Seções de Julgamento que o integra, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 5 7 Anocalendário: 2001 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. Por ser matéria de ordem pública, a decadência pode ser declarada a qualquer tempo, inclusive de ofício. Todavia, tratandose de tributos sujeitos ao pagamento por homologação, inexistindo pagamentos nos períodos lançados deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Processo nº 18471.002199/200542 . Acórdão nº 1302001.014. Sessão de 08 de novembro de 2012. Conselheiro Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeito o prazo qüinqüenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida de ofício. (...) (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10530.723471/201116. Acórdão nº 2201002.130. Sessão de 15 de maio de 2013. Conselheiro Relator Eduardo Tadeu Farah) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 BENIGNA APLICADA EX OFFICIO. GARANTIA CONSTITUCIONAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A lei tributária posterior à ocorrência da infração, que for mais benéfica em relação à penalidade imputada ao contribuinte, deverá ser aplicada retroativamente sobre atos não definitivamente julgados e, por se tratar de garantia constitucional, pode ser suscitada ex officio pelo julgador, em razão de tratarse de matéria de ordem pública. (CARF. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Processo nº 19515.000716/200558 . Acórdão nº 3402002.238. Sessão de 24 de outubro de 2013. Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior) Portanto, a legalidade dos atos administrativos dos agentes fiscalizadores, precipuamente no que tange ao lançamento, devem ser apreciadas de ofício e a qualquer tempo pelo julgador, por tratar de matéria afeta a ordem pública. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA A partir da competência 11/2008, foi realizado o pagamento em pecúnia a título de alimentação, razão pela qual merece serem feitas as seguintes considerações. É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, que o art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº. 8.212/91 traz em sua redação que não integrará o salário de contribuição a parcela in natura recebida nos termos do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 6 9 A referida norma reproduziu o já disposto na Lei nº. 6.321/76, em seu art. 3º: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo in natura, em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de alimentação que garanta o seu sustento e fiel cumprimento de suas atividades dispostas no contrato de trabalho. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência acerca de situação análoga, a saber, os valores pagos em pecúnia a título de transporte. Tal posicionamento foi assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura ). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho , circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (STJ. 1.185.685 – SP 2010/00494616, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento: 16/12/2010, 1ª TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011) (grifos acrescidos) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria no que toca às verbas indenizatórias e a questão da utilização da impossibilidade de relativização do curso legal da moeda: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 7 11 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, é prudente o posicionamento da Corte Superior na aplicação análoga a alimentação em pecúnia, por trataremse de verbas ofertadas ao empregador em caráter estritamente indenizatório, valor que o pago para execução do seu trabalho e não em razão dele. De outra sorte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, também adota a posição de a verba a título de alimentação paga em pecúnia é também indenizatória, para tanto, vejase os precedentes abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Recurso que não logra demonstrar a incorreção ou o desacerto do Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 despacho negativo de admissibilidade do recurso de revista. Agravo de instrumento a que se nega provimento. ( TSTAIRR 4334034.2007.5.02.0077 , Relator Juiz Convocado: Flavio Portinho Sirangelo, Data de Julgamento: 09/05/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 18/05/2012) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALEALIMENTAÇÃO. ACORDO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Esta Corte Superior tem perfilhado entendimento no sentido de que o pagamento da parcela auxílioalimentação em pecúnia, no acordo judicial, decorre do descumprimento de obrigação de fazer, que se resolve em obrigação de indenizar, o que não desnatura sua natureza jurídica indenizatória. Assim, nos termos do artigo 28, § 9º, c, da Lei 8.212/91, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. Precedentes do TST. Recurso de revista conhecido e provido." (TSTRR2200 80.2009.5.15.0079, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data 2ª Turma, DEJT 21.10.2011) **************************************************** ACORDO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA. A parcela denominada valealimentação recebida em acordo judicial não integra o saláriodecontribuição. Assim é porque o recebimento da referida parcela em pecúnia ocorreu para compensar o não recebimento durante o contrato de trabalho, hipótese que não altera sua natureza jurídica que é indenizatória. Recurso de Revista de que não se conhece." (TSTRR4300 76.2008.5.15.0003, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, DEJT 26.8.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. NATUREZA JURÍDICA. ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O recebimento da cesta básica em pecúnia, em razão da homologação de acordo judicial, não tem o condão de transmudar a natureza do auxílioalimentação para salarial. Incidência da Súmula 333 do TST e do § 4º do art. 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR15100 39.2006.5.15.0067, Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 19.4.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 8 13 falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Incólumes os dispositivos legais apontados na revista e superada a divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula n.º 333 do TST e do art. 896, § 4.º, da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR2600049.2006.5.15.0013, Relator Juiz Convocado Flavio Portinho Sirangelo, 7ª Turma, DEJT 15.10.2010) Na esteira do raciocínio esposado, destaquese julgado deste Conselho, 2ª Seção, Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010. Apesar de se referir ao transporte em pecúnia, traz em sua ementa, relevante lição a ser aplicada, a de que o beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, destaquese que na sessão de 20 de setembro de 2012, esta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo 10680.720790/201075, que resultou no acórdão 2403001.629, julgou pela não incidência de contribuição previdenciária no caso de alimentação paga in pecúnia, in verbis: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 03/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4 do CTN. No mérito: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de "Vale Transporte em pecúnia", "Alimento em pecúnia","Cesta Básica in natura"; II) por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9/4430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros da questão da multa. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre Medeiros. Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de alimentação, razão pela qual a autuação em epígrafe, deve ser anulada. AVISO PRÉVIO INDENIZADO Acerca do aviso prévio indenizado, o STJ prolatou acórdão nos autos do REsp 1.230.957, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, no sentido de afastar a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 incidência da contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme trecho da ementa pertinente à matéria: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, “se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por se ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba” (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma. Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 9 15 (STJ. REsp 1.230.957/RS. Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 18.03.2014) A decisão supramencionada foi proferida em sede de Recurso Repetitivo, sob a sistemática do art. 543C do CPC, o que enseja, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, a sua reprodução obrigatória. Afastase, pois, a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, e por conseguinte, os seus reflexos no 13ª salário, também objeto da presente autuação. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS E DA MULTA QUALIFICADA Em razão dos fatos narrados no relatório, a autoridade fiscal caracterizou a prática de sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, imputando, conseguintemente, a responsabilidade solidária aos sócios, fundamentandose no art. 135 do CTN, assim como a exasperação da multa em três vezes, nos termos do art. 292, inciso II do RPS. Por tal razão ambas as situações serão tratadas conjuntamente. Primeiramente, cabe verificar a ocorrência da prática de sonegação fiscal, conforme configurado pela autoridade fiscal: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Da leitura do enunciado normativo, verificase que, para a caracterização da prática de sonegação por parte da empresa, é imprescindível o dolo, o qual deve estar devidamente comprovado nos autos do processo em epígrafe, segundo a melhor doutrina (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Martins de; FERRAGUT, Maria Rita. coord. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 311), in verbis: No momento em que a fiscalização verifica que o contribuinte cometeu um ato ilícito de descumprimento de obrigação principal ou acessória no âmbito fiscal federal, é necessário que reste demonstrado não só o descumprimento da obrigação, como também o cometimento do ato fraudulento, se ocorrido. (...) Entretanto, dentro de um Estado Democrático de Direito, não se pode permitir a caracterização de ato fraudulento senão baseada em parâmetros legais e com a devida demonstração dos fatos que se pretende assim qualificar. A demonstração do ato fraudulento não se dá por outro meio senão pela prova a ser produzida pela fiscalização. Portanto, segundo o auditor, os motivos que culminaram na caracterização da prática de sonegação podem ser assim sintetizados: a empresa é (1) devedora contumaz das Fl. 209DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 contribuições previdenciárias, (2) negligente quanto às orientações da GFIP, (3) resistente em apresentar a escrituração contábil e (4) omissa em prestar esclarecimentos. Entretanto, algumas considerações fazemse imperiosas. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim, descumprimento de obrigação principal de pagar, apenas, que pode ter como origem diversos fatores, lícitos ou ilícitos. A própria autoridade fiscal relata que houve declaração dos segurados da empresa em GFIP, sendo posteriormente substituída por outra onde constava um único empregado. Assim, quanto ao item (2), tal fato denota que a empresa não possuía o objetivo de omitir informações, ante o equívoco do envio de mais de uma GFIP para a mesma competência, caracterizando sim imperícia do agente que realizou a declaração, elemento integrante da culpa, conforme o art. 18, II do Código Penal Brasileiro, ou seja, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Quanto aos itens (3) e (4), tais atos constituem descumprimento de obrigação acessória, devidamente previsto em lei, razão pela qual, a sua ocorrência culmina na imputação de multa em autuação própria, afastando, assim, eventual duplicidade na aplicação de penalidades. Ademais, vejase que a norma é categórica quanto à necessária presença de dolo para a efetiva configuração da ocorrência de dolo, o que não ocorreu no caso em tela, mas sim culpa. É neste mesmo sentido que o art. 135 do CTN, fundamento legal indicado pela autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária dos sócios, prevê a imprescindibilidade de que o ato ilegal ou exorbitante dos limites contratuais ou estatutários resulte no surgimento de obrigações tributárias, fazendose necessário, pois, que haja a demonstração de culpa subjetiva ou dolo do agente, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Isso porque o simples fato do sócio exercer a gerência da empresa, por si só, não constitui elemento suficiente à imputação de responsabilidade pretendida pela autoridade fiscal, em que pese o art. 135 do CTN trazer a previsão de responsabilidade pessoal, hipótese em que ocorreria a substituição do pólo passivo pelo sócio comprovadamente infrator. Não é outro o posicionamento da jurisprudência. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ – EXERCÍCIO: 2000 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Sujeição passiva indireta que se afasta eis que não foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, que o integrante do quadro societário da empresa à Fl. 210DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004791/201031 Acórdão n.º 2403002.562 S2C4T3 Fl. 10 17 época da ocorrência dos fatos agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) (Primeiro Conselho dos Contribuintes. Quinta Câmara. Processo nº 10508.000642/200574. Acórdão nº 10516.463. Sessão de 23 de maio de 2007. Conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães) A possibilidade da imputação da responsabilidade solidária, por sua vez, só encontraria amparo acaso houvesse a cumulação dos arts. 124 e 135 do CTN, pois, tendo em vista este último tratarse de responsabilidade por substituição, em decorrência da exigência de pessoalidade na prática dos atos, o art. 124 dispõem acerca daqueles que possuam interesse comum na situação que constitui o fato gerador. A jurisprudência é vasta neste sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004, 2005 (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, respondem solidariamente pelas obrigações tributárias da sociedade, os sócios e administradores que agem com infração à lei e ao Contrato Social pois tem interesse direto e comum na situação que constitui o fato gerador. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Processo nº 16004.001329/200853. Acórdão nº 180300.824. Sessão de 23 de fevereiro de 2011. Conselheiro Relator Walter Adolfo Maresch) ____________________________________________________ (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10660.001639/200939. Acórdão nº 1101000.996. Sessão de 5 de novembro de 2013. Conselheira Relatora Mônica Sionara Schpallir Calijuri) ____________________________________________________ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 (...) RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em Fl. 211DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizandose neste a caso a norma antes citada com a prevista no art. 124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. (...) (Terceiro Conselho dos Contribuintes. Terceira Câmara. Processo nº 12466.003632/200479. Acórdão nº 30334.941. Sessão de 4 de dezembro de 2007. Conselheiro Relator Zenaldo Loibman) Tendo em vista a insuficiência de fundamentação legal e a ausência de provas de dolo quanto à prática de sonegação, não subsistem razões para a manutenção da imputação da responsabilidade tributária aos sócios, razão pela qual eles devem ser afastados do pólo passivo da presente demanda administrativa. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10580.720254/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 54 /2 00 9- 64 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720254/200964 Acórdão n.º 2802002.971 S2TE02 Fl. 139 3 Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; g) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Extraise do voto condutor do acórdão combatido que: (...) a diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/N 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação foi indeferida. Em resumo, a decisão fundamentouse em: a) o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720254/200964 Acórdão n.º 2802002.971 S2TE02 Fl. 140 5 e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) as respostas a Consultas Administrativas apontadas pelo impugnante não possuem força vinculante, por não ter seguido o rito do processo de consulta (art. 48 da Lei 9.430/1996 e não integrar o conceito de norma complementar do art. 100 do CTN; o mesmo ocorre com: Nota AGU/AV 12/2007, Nota Técnica Cosit 4/2009 e Parecer PGFN/CAT 179/2009; i) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Ciência do acórdão em 08/04/2014. Recurso voluntário interposto no dia 13/04/2011. No recurso voluntário, o recorrente alega: 1. inexistência de conduta hábil à aplicação de multa, pois a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora e atos da Fazenda Nacional reconhecem a inaplicação da multa, os quais tem força vinculante; 2. nulidade do lançamento por apurar inadequadamente a base de cálculo pois deveria ter sido apurada a base de cálculo mês a mês com refazimento das Declarações de Ajuste correspondentes, na esteira do entendimento firmado pelo STJ; se o lançamento houvesse sido feito dessa forma teria sido evidenciado que o valor de URV em cada um dos meses em que era devida estaria dentro da faixa de isenção; 3. não incidência do imposto sobre os juros moratórios; 4. o valor da URV constitui verba de natureza indenizatória, cita precedentes deste Conselho e do Poder Judiciário de Rondônia e Parecer do MP do Estado do Maranhão 5. ilegitimidade ativa da União, pois o imposto retido na fonte, no caso concreto, pertence ao Estado; e Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 6. violação ao princípio constitucional da isonomia, pois não houve tributação das verbas de mesma natureza pagas ao MP e aos magistrados federais, diante da edição da Resolução 245/2002 do STF, cita o RESP 1187109. Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2201 000.091, de 18/09/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. A alegada nulidade do lançamento apuração inadequada da base de cálculo é matéria a ser apreciada como mérito. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no RE 684.169 e na Solução de Consulta não tem o efeito almejado pelo recorrente. Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720254/200964 Acórdão n.º 2802002.971 S2TE02 Fl. 141 7 a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720254/200964 Acórdão n.º 2802002.971 S2TE02 Fl. 142 9 cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, restou prejudicada a análise dos efeitos dos atos citados pelo recorrente, pois se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720254/200964 Acórdão n.º 2802002.971 S2TE02 Fl. 143 11 sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitase a alegação de inadequação da forma de apurar a base de calculo como sustentado pelo recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904387/2012-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 87 /2 01 2- 86 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904387/201286 Acórdão n.º 3801003.201 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904387/201286 Acórdão n.º 3801003.201 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 30/06/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904387/201286 Acórdão n.º 3801003.201 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904387/201286 Acórdão n.º 3801003.201 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904387/201286 Acórdão n.º 3801003.201 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904387/201286 Acórdão n.º 3801003.201 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10120.720071/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/04/2009
AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Não havendo causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário é devido o lançamento da multa de oficio, ainda que o sujeito passivo tenha buscado a tutela do Poder Judiciário, que não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 27/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 27/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Não havendo causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário é devido o lançamento da multa de oficio, ainda que o sujeito passivo tenha buscado a tutela do Poder Judiciário, que não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 27/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 71 /2 01 1- 81 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls. 494 a 497): Contra a empresa retro qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 324/337, e seus anexos, exigindolhe o crédito tributário no montante de R$ 2.438.771,70, sendo R$ 891.450,87 a título de IPI, R$ 1.337.176,25 de Multa de Ofício Proporcional e R$ 210.144,58 de Juros de Mora (calculados até 30/12/2010). Decorreu a autuação, segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do auto de infração, dos seguintes fatos: ITEM 001 – IPI LANÇADO – NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR A exigência fiscal fundamentada no art. 34 inciso II, 122; 124; 125, inciso III; 127; 130; 199; 200, inciso IV e 202, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002(RIPI/2002). Os fatos que culminaram na presente autuação encontramse descritos no Relatório Fiscal de fls. 338/347 nos seguintes termos, em síntese: =>Tratase de procedimento fiscal instaurado em face da representação pela SACAT ao SEFIS para verificação de possíveis irregularidades relativamente ao IPI informado na DCTF na condição “suspenso por medida judicial”, em relação ao qual foi constatado, pela SACAT, que a partir do mês de julho/2007 o contribuinte informou valores muito abaixo dos recolhidos/depositados até o mês de junho/2007 e intimado a prestar esclarecimentos ou retificar suas DCTFs ele nada fez, somente se pronunciando depois de ter sido reintimado, ocasião em que afirmou não se cogitar em incidência do IPI sobre os produtos que industrializa e tampouco em declaração com ou sem exigibilidade suspensa; => Do início dos procedimentos verificouse que em 23/02/2007, o contribuinte acima identificado ingressou na Seção Judiciária do Distrito Federal — Tribunal Regional Federal da 1° Região, com a ação ordinária n° 2007.34.00.0055007, solicitando, entre outras coisas, a declaração de inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte (autora) e a União (ré), em face de suposta imunidade constitucional dos produtos asfálticos (asfaltos em emulsão e asfaltos modificados por polímero), relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e a autorização para o depósito do montante integral do débito de IPI relativo ao crédito tributário discutido na ação supracitada, a partir do mês de janeiro de 2007; => Em 26/04/2007 foi deferida a solicitação de depósito do montante integral, desde a competência de janeiro de 2007 e, até a presente data, não houve decisão judicial sobre o pedido de declaração de inexistência Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10120.720071/201181 Acórdão n.º 3101001.659 S3C1T1 Fl. 4 3 de relação jurídicotributária (imunidade) entre o contribuinte e a União, relativamente ao IPI dos produtos asfálticos; => Entre 01/01/2007 e 16/04/2009, os produtos industrializados pelo contribuinte, apresentam na TIPI a classificação 2715.00.00 e alíquota de 5%; a partir de 17/04/2009, a alíquota para essa classificação fiscal foi reduzida para 0%; => Iniciado o procedimento de fiscalização em 01/10/2010, foram lavrados diversos Termos de Intimação e Constatação Fiscal e apresentados diversos livros e documentos fiscais; => Durante o procedimento de fiscalização foi apurada a infração a seguir detalhada: I FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DESTACADO NA NOTA FISCAL cotejando os valores escriturados no RAIPI [informados no Anexo I deste Relatório – fl. 344 – e originários dos valores transferidos do Registro de Entradas e do Registro de Saídas] e os valores declarados em DCTF, e, considerandose os valores pagos e/ou depositados informados no Anexo II [fl. 345] verificamse as divergências apontadas no Anexo III [fl. 346], ou seja, embora o IPI tenha sido destacado nas notas fiscais de saída e o valor devido corretamente apurado e escriturado no RAIPI ele não foi declarado em DCTF nem tampouco recolhido, nem sob o código 5123 [pagamento] nem sob o código 7389 [depósito judicial estabelecido pelo judiciário]; a partir das divergências apuradas foi realizado o lançamento de ofício dos valores escriturados no RAIPI e não informados em DCTF ou recolhidos/depositados, conforme Anexo IV [fl. 347]; a situação descrita enseja aplicação da multa de ofício qualificada [prevista no art. 80, caput e §6º, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo Lei nº 11.488/2007], uma vez que demonstra “a intenção de ocultar o real valor do débito do IPI para os períodos em questão”, corroborando essa constatação “o fato de o contribuinte ter ingressado no judiciário com o pedido de depósito do montante integral do IPI a partir de jan/2007, tendo feito corretamente o depósito somente em sete meses, de um total de vinte e oito (28) meses do período fiscalizado”; ao adotar a conduta de “cobrar o montante do IPI dos compradores e não repassar à União” o sujeito passivo “incorreu na prática de sonegação, de acordo com o definido no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964”; Observouse, ainda, no Relatório Fiscal, que “em conformidade com os art. 1° e 3° da Portaria RFB n° 665, de 24/04/2008, foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, em razão da falta de recolhimento de IPI destacado em nota fiscal”, uma Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 vez que “a cobrança desacompanhada do recolhimento aos cofres públicos dos tributos e contribuições administrados pela RFB configura, em tese, crime Contra a Ordem Tributária, tipificado no inciso II do art. 2° da Lei 8.137/90”. Cientificado do Auto de Infração, do Relatório Fiscal e Anexos e do Termo de Encerramento, em 31/01/2011 [cf. AR fl. 349], apresentou, a contribuinte, em 02/03/2011 [data aposta à fl. 352], a impugnação de fls. 352/379 – acompanhada dos anexos de fls. 380/484 – na qual, em síntese: inicialmente relata que sua atividade econômica consiste na produção de asfaltos, massas e emulsões asfálticas, submetida às normas regulamentares da ANP e habilitada a funcionar como distribuidora de derivados de petróleo; alega, em preliminar, a nulidade do auto de infração, que no seu entendimento está “em total descompasso com a decisão judicial datada de 03/02/2010 proferida nos autos do processo nº 2007.34.00.0055007” que expressamente determina a suspensão da exigibilidade do tributo, sendo aplicável, portanto, o art. 62 do Decreto nº 70.235/72, que determina que “durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a ordem de suspensão”; argumenta, no mérito, que “os produtos ora tributados são alcançados pela imunidade constitucional” desde a edição da EC nº 03/93, que deu nova redação ao §3º do art. 155 da Constituição, nele incluindo, dentre outros, os derivados de petróleo; acrescenta que “para dirimir qualquer possível duvida que sobreviesse quanto ao alcance da referida imunidade constitucional aos produtos comercializados pelas empresas fabricantes de asfalto, a Associação Brasileira dos Distribuidores de Asfalto — ABEDA solicitou ao antigo DEPARTAMENTO NACIONAL DE COMBUSTÍVEIS DNC a época órgão responsável pela fiscalização do setor bem como ao Ministério da Fazenda, posicionamento acerca da abrangência dos produtos que seriam enquadrados como “derivados de petróleo”, e, portanto, abarcados pela regra da imunidade”, obtendo como resposta “o entendimento no sentido de que o asfalto em emulsão bem como os asfaltos modificados e oxidados são considerados, para todos os efeitos, derivados de petróleo, para fins de exclusão da incidência do lPl”, interpretação essa que, até o presente momento, não sofreu qualquer alteração; pondera que os produtos que comercializa caracterizamse como derivados de petróleo devido à sua origem e formação, e, passa a discorrer acerca do processo de refino para obtenção do asfalto [em emulsão e modificados por polímero] para demonstrar a sua derivação em relação ao petróleo; reproduz jurisprudência [decisão proferida nos autos dos processos 2007.34.00.0026277 e 2006.34.00.0204125] que, no seu entendimento, Fl. 556DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10120.720071/201181 Acórdão n.º 3101001.659 S3C1T1 Fl. 5 5 “reconhecem a inequívoca subsunção do Asfalto à norma constitucional de imunidade, na categoria de derivado de petróleo” e conclui que “inconstitucional e improcedente se faz a cobrança de IPI sobre os produtos comercializados pela Impugnante”; menciona a medida judicial proposta e informa estar juntando a exordial do processo, uma petição interlocutória a última decisão do juízo da 15ª Vara Federal e a consulta processual extraída so sítio do TRF1 que atesta estar o processo “concluso para sentença” desde 05/2010; alega, ainda, que a multa aplicada [qualificada, de 150%] é totalmente indevida, uma vez que o tributo foi autodeclarado pelo contribuinte antes do início de qualquer procedimento administrativo ou ação fiscal por parte das autoridades administrativas da RFB, submetendose, assim à multa de mora de 20%; argumenta que nunca foi nem nunca será a sua intenção sonegar a exação em discussão, tanto que antes mesmo de qualquer atividade do Fisco resolveu discutir judicialmente o tributo; pondera, ainda, que a multa de ofício agravada [112,5%] por suposta não prestação de esclarecimentos, também “não é devida, pois todo esclarecimento e documento requerido foi devidamente prestado pelo contribuinte”; acrescenta que “mesmo na hipótese de considerarse correto o enquadramento do Fisco, intolerável é o percentual de 75%, porque confiscatório”, mencionando, ainda, que “razoável é a redução do valor da pena de multa, em última análise, a 20% do valor do tributo encontrado”; conclui, ao final, restar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal e pede a sua nulidade e/ou improcedência. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, em sessão realizada em 30 de janeiro de 2012, acordou, por unanimidade de votos: (I) rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; (ii) no mérito, não tomar conhecimento da impugnação apresentada, por renúncia à via administrativa, para declarar a definitividade do lançamento efetuado, na esfera administrativa, em face da propositura de ação judicial com objeto e finalidade idênticos à demanda administrativa; (III) rever o lançamento para reduzir a multa de ofício relativamente aos débitos apurados, para o percentual de 75%, como estabelecido no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, resultando, daí, na exoneração do valor de R$ 668.588,15. O Acórdão 09.38.857 foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/04/2009 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/04/2009 I – CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, cabendo ser declarada a definitividade do lançamento efetuado, na esfera administrativa, ressalvandose, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II – MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Se o dispositivo legal no qual se funda a duplicação da exigência da penalidade determina a sua aplicação quando restar caracterizada a prática da infração prevista no art. 71 da Lei n° 4.502 [sonegação], e o ato infracional praticado pelo contribuinte não se amolda ao conceito definido no dispositivo legal, é de ser revisto o lançamento para reduzir a multa a ser exigida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 30/04/2009 I – JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumem se revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação, mas, tão somente velar pelo seu fiel cumprimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora, interpôs o Recurso Voluntário, onde questiona exclusivamente o lançamento da multa de oficio aplicada. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Fl. 558DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10120.720071/201181 Acórdão n.º 3101001.659 S3C1T1 Fl. 6 7 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O referido recurso ataca exclusivamente o lançamento da multa de oficio. A recorrente contesta a multa de ofício qualificada aplicada e a multa de ofício majorada por suposta não prestação de esclarecimentos. Não assiste razão a Recorrente. A decisão recorrida efetuou a revisão do lançamento para reduzir a multa de ofício, relativamente aos débitos apurados, para o percentual de 75%, como estabelecido no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, resultando, daí, na exoneração do valor de R$ 668.588,15. Como já manifestado no acórdão a quo, não havia no lançamento efetuado, qualquer exigência da multa no percentual de 112,5%, atinente a agravamento do percentual de 75% por falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos, razão por que não se toma conhecimento da argumentação apresentada quanto à referida matéria. Quanto ao questionamento acerca do lançamento da multa de ofício de 75%, também não assiste razão a Recorrente. Conforme extraise da Informação Fiscal nº 10120.720071/201181 (fls. 533), a Recorrente impetrou Ação Ordinária (nº 2007.34.00.0055007/DF), para obter do Poder Judiciário o direito de não pagar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre operações com produtos que seriam derivados de petróleo. Na primeira instância, obteve autorização liminar para efetuar depósitos judiciais dos valores que viesse a apurar a partir das competências de janeiro de 2007 (fl. 522). Contudo, por Sentença, o Juiz examinando o mérito, considerou improcedente o pedido veiculado na Petição Inicial (fl. 519). Inconformada, a autora interpôs Apelação, cujo julgamento, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região – TRF1, ainda não ocorreu (fl. 523). São hipóteses de suspensão judicial do crédito tributário aquelas descritas no art. 151 e incisos, todos da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. Importanos analisar aquelas vinculadas à medidas judiciais: o depósito do seu montante integral (inciso II), a concessão de medida liminar em mandado de segurança (inciso IV), e a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (inciso V). Não foram localizados, no presente caso, as referidas hipóteses previstas no art. 151 do CTN: não há depósito judicial do montante integral (fls. 525 a 532); não há concessão de medida liminar em mandado de segurança, visto que a ação é ordinária (fls. 518 a 522); e não há a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, pois a sentença julgou improcedente o pedido e a apelação ainda não foi julgada pelo TRF1 (fls. 518 a 524). Não há, portanto, qualquer hipótese judicial, causando as suspensões das exigibilidades dos créditos tributários deste processo, sendo cabível o lançamento da multa de oficio em questão. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 A parte não questionada do crédito tributário, referente ao imposto, foi transferida para o processo de nº 10120.720868/201421 para prosseguimento da cobrança, conforme documentos de fls.538 a 546. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 28 de maio de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 560DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10932.720113/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
A ausência de numeração não ocasiona a nulidade do lançamento e não influi na defesa do auto de infração. A alegação de ausência dos documentos fundamentadores do lançamento não procede porque a DCTF mencionada pela fiscalização, assim com a DIPJ e os documentos contábeis foram anexados aos autos.
DCTF. NEGATIVA DE AUTORIA.
As declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil têm presunção de legitimidade, até prova em contrário, a ser formada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. Especificamente, para a apresentação de retificação é necessário que se inclua informações que são do conhecimento exclusive do contribuinte, razão pela qual a presunção só se afasta se comprovada a ocorrência de algum fato de exceção.
ALTERAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A alteração reiterada das DCTFs para incluir informação falsa, zerando a tributação devida e alterando o regime tributário não se trata de mera omissão, mas de informação falsa com intuito de postergar/impedir a fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes, que davam parcial provimento para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. A ausência de numeração não ocasiona a nulidade do lançamento e não influi na defesa do auto de infração. A alegação de ausência dos documentos fundamentadores do lançamento não procede porque a DCTF mencionada pela fiscalização, assim com a DIPJ e os documentos contábeis foram anexados aos autos. DCTF. NEGATIVA DE AUTORIA. As declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil têm presunção de legitimidade, até prova em contrário, a ser formada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. Especificamente, para a apresentação de retificação é necessário que se inclua informações que são do conhecimento exclusive do contribuinte, razão pela qual a presunção só se afasta se comprovada a ocorrência de algum fato de exceção. ALTERAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A alteração reiterada das DCTFs para incluir informação falsa, zerando a tributação devida e alterando o regime tributário não se trata de mera omissão, mas de informação falsa com intuito de postergar/impedir a fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. A ausência de numeração não ocasiona a nulidade do lançamento e não influi na defesa do auto de infração. A alegação de ausência dos documentos fundamentadores do lançamento não procede porque a DCTF mencionada pela fiscalização, assim com a DIPJ e os documentos contábeis foram anexados aos autos. DCTF. NEGATIVA DE AUTORIA. As declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil têm presunção de legitimidade, até prova em contrário, a ser formada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. Especificamente, para a apresentação de retificação é necessário que se inclua informações que são do conhecimento exclusive do contribuinte, razão pela qual a presunção só se afasta se comprovada a ocorrência de algum fato de exceção. ALTERAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A alteração reiterada das DCTF’s para incluir informação falsa, zerando a tributação devida e alterando o regime tributário não se trata de mera omissão, mas de informação falsa com intuito de postergar/impedir a fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 13 /2 01 1- 29 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes, que davam parcial provimento para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de autos de infração de PIS e Cofins lavrados em razão de a fiscalização ter apurado diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente devidos pelo contribuinte conforme seus livros contábeis. De acordo com os autos há uma particularidade que precisa ser considerada, a Recorrente teria apresentado, no primeiro e segundo semestre de 2006, DCTF’s retificadoras por meio das quais teria alterado as informações inicialmente apresentadas. Ao invés de Lucro Real, a empresa estaria no Lucro Presumido e ao invés de débitos de PIS e Cofins, a contribuinte estaria sem débitos com a Receita Federal. Este fato levou a fiscalização a majorar a multa para 150%, por considerar intuito de fraude, omissão e sonegação de informações. A principal alegação da defesa é o desconhecimento das mencionadas retificadoras e o pedido de investigação destas. Por retratar os detalhes dos fatos, peço vênia a meus pares para reproduzir o relatório da decisão de primeira instância administrativa: “Tratase de autos de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrados em 17/08/2011, relativos aos períodos de apuração janeiro a dezembro de 2006, que constituíram crédito tributário no montante total de R$ 1.265.046,83 (Cofins – R$ 1.039.389,89 e Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10932.720113/201129 Acórdão n.º 3302002.403 S3C3T2 Fl. 11 3 PIS – R$ 225.656,94), somados o principal, multa de ofício qualificada, e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante assim relata as constatações do procedimento fiscal: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento a fiscalização do PIS, COFINS e IPI, decorrentes de Revisão Interna de Pessoa Jurídica, no contribuinte acima identificado em conformidade com o RPF 0811900.2009.008431, lavramos o presente Termo, cuja finalidade é descrever os fatos constatados no decorrer da ação fiscal. Através de Termo de Inicio da Ação Fiscal, cuja ciência ocorreu por via postal com aviso de recebimento, solicitamos os livros contábeis e fiscais, assim como, como os arquivos digitais instituídos pela IN 86/2001 e ADE Cofis 15/2001. O Contribuinte colocou a disposição desta fiscalização os seguintes elementos: Livros Diário, Razão Registro de Entradas de Mercadorias, Registro de Saídas de Mercadorias, Registro de Apuração de IPI, Recibo de DCTFs e CD contendo arquivos digitais instituídos pela IN 86/2001 e ADE Cofis 15/2001. De posse dos livros contábeis e fiscais em conjunto com as DCTFs e DIPJ entregues, constatamos as seguintes irregularidades concernentes às legislações do PIS e COFINS: 1. Apresentou DCTF referente ao primeiro trimestre do anocalendário 2006, conforme recibo n°. 31.52.84.54.1106, na qual declarou que a forma de tributação era o Lucro Real Trimestral com débito de COFINS no montante de R$ 82.445,85, posteriormente, apresentou DCTF retificadora conforme recibo 28.21.44.97.1434, na qual declarou que a forma de tributação era o Lucro Presumido e que para o período não tem débitos. 2. Apresentou DCTF referente ao segundo trimestre do ano calendário 2006, conforme recibo n°. 11.52.85.71.8805, na qual declarou que a forma de tributação era o Lucro Real Trimestral com os seguintes débitos: PIS R$ 41.463,16 e COFINS 199.347,04, posteriormente, apresentou DCTF retificadora conforme recibo 12.91.93.98.7869, na qual declarou que a forma de tributação era o Lucro Presumido e que para o período não tem débitos. De posse dos livros Razão e Diário e Apuração de IPI apresentados, assim como, da DIPJ, constatamos os débitos apurados para o ano calendário 2006: (...) Tendo em vista que o Contribuinte apresentou DCTFs retificadoras com valores reduzidos a ZERO, quando no Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 período tem débitos de PIS e COFINS, conforme apurado através da verificação dos livros Diário, Razão, Apuração de IPI e informados na DIPJ/2007, concluímos pela pratica reiterada de infrações a legislação tributária, infringindo desta forma o artigo 2º da Lei 8137 de 27/12/1990. Em conseqüência dos fatos relatados anteriormente foram tomadas as seguintes providências: a) Lavratura dos seguintes Autos de Infração com multa qualificada: PIS, COFINS; b) Lavratura de Termo de Comunicação de Débitos para Arrolamento de Bens; e c) Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificada da autuação em 19/08/2011, a contribuinte apresentou sua impugnação em 19/09/2011. Nessa peça de defesa, alega, preliminarmente, a nulidade da autuação por ausência do número do auto de infração, bem como dos documentos que comprovam o lançamento da multa, nos seguintes termos: O Auto de Infração é documento que veicula o lançamento, no caso do lançamento de ofício. Conforme juntada do termo de verificação fiscal na integra, bem como ao auto de infração, constatase que não há lançamento do n° que possa ser gerado a impugnação, resultando assim prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Ademais, o auto de infração versa sobre o fato de ter em tese o contribuinte apresentado DCTFs retificadoras do primeiro e segundo semestre do ano calendário de 2006, contudo, deixa de juntar e apresentar tais DCTFs, que ficam desde já impugnadas pelo Contribuinte, tendo em vista que não apresentou DCTFs retificadoras zerando os créditos. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização não poderá resultar em fraude, tendo em vista que fraude à lei não se confunde com fraude criminal (Acórdão n.° 10195.537, de 24/5/2006, Relator Designado Cons. Mário Junqueira Franco Júnior), o fato fora comprovado que com a apresentação dos livros Razão e Diário e Apuração do PIS e COFINS foram constados os débitos. Seria no mínimo um absurdo, uma estupidez a apresentação de DCTFs retificadoras zerando os débitos e após a apresentação dos livros e apuração apresentando de espontaneidade pelo próprio contribuinte os débitos. Se o contribuinte não apresentou DCTFs zerando o débito, para argüir e legitimar a defesa precisa da comprovação de tais elementos que esta sendo acusado injustamente. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10932.720113/201129 Acórdão n.º 3302002.403 S3C3T2 Fl. 12 5 ... Em razão do cerceamento do direito de defesa, SOB PENA DE SER DECLARADA A SUA NULIDADE, a ora impugnante requer o retorno do auto de infração à Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo, a fim de possa ser juntado os documentos que comprovam tais alegações pelo Auditor fiscal, além do lançamento do n° a fim de que possa apresentar a Impugnação novamente devendo o mesmo ter efeito de suspensão de exigibilidade do crédito. Ainda em sede de preliminar, reclama a extinção do crédito tributário lançado e respectiva multa, relativamente aos períodos até 31/07/2006, em razão de decadência, com fundamento no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. No mérito, a contribuinte reafirma não ter transmitido as DCTFs retificadoras. Reclama ainda a redução do percentual da multa aplicada, por não ter havido intenção em fraudar o Fisco. Requer, por fim, investigação dos fatos e perícia tendente a identificar a origem das declarações retificadoras. São os termos: A empresa contribuinte, ora Impugnante nega veemente o fato de ter apresentado DCTFs retificando o débito, zerandoos de acordo com o que consta no termo de verificação fiscal. Embora não tenha comprovado os documentos que faz menção quanto as DCTFs retificadoras que zeraram o credito, a Impugnante nega tal fato. Pelo mesmo motivo que fora exposto anteriormente, ou seja, por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações no prazo legal. Não haveria motivos para apresentação de DCTFs, que zeraram tais débitos. E mesmo porque só fora possível o lançamento dos tributos no auto de infração, tendo em vista, que o contribuinte com espontaneidade permitiu ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, devendo ser aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Não havia intenção do contribuinte de fraudar os cofres públicos, portanto, não poderá haver a aplicação da multa no percentual de 150%. Ademais, em procedimento anterior realizado por esta Delegacia, n° de Registro de Procedimento Fiscal 08.1.19.002008002375, de 29/07/2010 (DOC. 06), em que a empresa foi acusada injustamente pelos mesmos fatos, contudo, do exercício de 2005, a multa aplicada fora de 75%. Não pode haver este prejuízo ao Contribuinte, tendo decisões diferentes de uma mesma autarquia pela acusação dos mesmos Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 fatos. Ora, seria desprezível que o mesmo Órgão julgasse sobre os mesmos fatos, com aplicações contraditórias. Se não por isso, cabe, por fim, observar que houve alteração na redação do artigo 44, dada pela Lei n.° 11.488, de 15/6/2007, conversão da Medida Provisória n.° 351. A hipótese legal da qualificação da penalidade deixou de ser tratada no seu inciso II, para sêlo pelo parágrafo primeiro, nos seguintes termos: ... De todo modo, a conclusão a que se chega é de ser realmente necessária a conjugação de vários elementos em todos estando a presença do dolo, da máfé para a imposição da multa qualificada. Sendo assim, é de rigor a alteração do percentual da multa aplicada, pois descabida no presente caso a aplicação no percentual de 150%. DA INVESTIGAÇÃO DOS FATOS Por outro lado, a fiscalização deverá baixar diligência perante o contribuinte que omitiu a receita ou informação e averiguar se os valores estão declarados ou não e efetuar a cobrança do tributo de quem comprovadamente sonegou e não de quem de boafé foi usuário. NÃO PODE O FISCAL SE ACOMODAR ATRÁS DOS SISTEMAS E NÃO INVESTIGAR OS FATOS. Porém, ficar levantando HIPÓTESES, AO INVÉS DE FISCALIZAR QUEM EMITIU AS DCTFS RETIFICADORAS vão contra os princípios da moralidade da administração pública, conforme a Lei. 9.784. Isso sim deve ser denunciado ao Ministério Público. DO REQUERIMENTO DE PERÍCIAS Tendo em vista que o contribuinte não gerou as DCTFs que zeraram os créditos, requer desde já, após a apresentação dos documentos que comprovam tal alegação, que seja realizada perícia a fim de se verificar quem informou tais dados á Autarquia. De qual computador? Qual IMEI, devendo tal fato ser noticiado a Policia Federal e ao Ministério Público. Protestando desde já, pela produção de provas periciais a fim de apurar tais fatos.” – destaquei. Após analisar as razões trazidas em grau de impugnação, a 3 ª Turma da DRJ/CPS – Campinas/SP, proferiu o acórdão no 0537.643 (fls. 186/199) por meio do qual mantevese o auto de infração na íntegra, restando da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10932.720113/201129 Acórdão n.º 3302002.403 S3C3T2 Fl. 13 7 DCTF. NEGATIVA DE AUTORIA. As declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil têm presunção de legitimidade, até prova em contrário, a ser formada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. DECLARAÇÃO INEXATA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracterizada a sonegação pela prática reiterada de informação, na DCTF, de valores muito aquém daqueles efetivamente devidos, aliada à confissão de intencionalidade dessa conduta, é aplicável a multa qualificada por evidente intuito de fraude. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ARTS. 150,§ 4º, E 173, I, DO CTN. Na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial fixase segundo o disposto no art. 173, I do CTN. Cancelase a exigência constituída após o transcurso do prazo de decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1972. DCTF. NEGATIVA DE AUTORIA. As declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil têm presunção de legitimidade, até prova em contrário, a ser formada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. DECLARAÇÃO INEXATA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracterizada a sonegação pela prática reiterada de informação, na DCTF, de valores muito aquém daqueles efetivamente devidos, aliada à confissão de intencionalidade Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 dessa conduta, é aplicável a multa qualificada por evidente intuito de fraude. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ARTS. 150,§ 4º, E 173, I, DO CTN. Na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial fixase segundo o disposto no art. 173, I do CTN. Cancelase a exigência constituída após o transcurso do prazo de decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 208/220) por meio do qual reiterou suas razões de impugnação. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado tratase de autos de infração lavrados com multa majorada em razão da constatação do comportamento do contribuinte de retificar as informações prestadas para Receita Federal, alterando os números declarados para que constasse a tributação zerada. Não há dúvida quanto ao débito principal, o qual consta declarado nos livros contábeis/fiscais da Recorrente e foi devidamente analisado pela fiscalização, logo, este quantum está mantido por ausência de controvérsia. A Recorrente traz à colação argumentos sobre vícios de nulidade dos autos de infração, seja em razão da ausência de numeração, seja por ausência dos documentos fundamentadores do lançamento. Ratifico as razões de decidir trazidas pela decisão recorrida, em primeiro lugar porque a numeração do auto de infração não influi na defesa do lançamento, assim como não representa vício de nulidade; em segundo lugar porque a DCTF mencionada pela fiscalização, assim com a DIPJ e os documentos contábeis foram anexados aos autos (fls. 08/75). De idêntica forma, com razão a decisão recorrida em relação ao principal argumento da defesa, de que não teria realizado a retificação das DCTFs. As informações necessárias para se promover à retificação da DCTF original são de conhecimento exclusivo da empresa que a transmitiu, e a declaração possui força constitutiva. Para que seja desconsiderada pela fiscalização seria necessário que a Recorrente comprovasse que não transmitiu a retificadora, e existem formas de se fazer isso. Por exemplo, a retificadora que não foi enviada pela empresa, mudou o regime de apuração do imposto de renda (Lucro Real para o Presumido). Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10932.720113/201129 Acórdão n.º 3302002.403 S3C3T2 Fl. 14 9 Se a hipótese correta é a defendida pela Recorrente, de que não realizou a retificação, seus documentos contábeis, bem como o consequente recolhimento de tributos, deveriam ter seguido o regime do Lucro Real. Todavia, pela análise dos autos, bem como do auto de infração, não foi o que ocorreu, até porque, se a contribuinte houvesse recolhido pelo regime do Lucro Real estaria sobrando crédito e não faltando. Logo, a meu sentir, inadmissível a simples alegação realizada pela Recorrente sem qualquer prova que a subsidie. No que se refere à multa qualifica em 150%, mantenho o agravamento. É cediço que existe Súmula neste tribunal administrativo em relação à omissão de receita e majoração da multa, a saber: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” In casu, inaplicável a súmula citada. É que não houve simples omissão de informação. A Recorrente alterou as DCTF’s para incluir informação falsa, zerando a tributação devida. Não bastou a alteração do regime tributário, que provavelmente lhe traria benefícios em relação ao valor do tributo a ser recolhido, o valor declarado como devido foi zero. Assim, não se trata de mera omissão, mas de informação falsa com intuito de postergar/impedir a fiscalização. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o valor do PIS e COFINS lançados. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 19515.008469/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A multa isolada é autônoma, independente da ocorrência do fato gerador do tributo (apuração do lucro líquido ajustado ao final do ano) e, por isso, não se subsume às disposições do art. 150 do CTN. Por não se enquadrar na hipótese de tributo sujeito à homologação, o lançamento da multa isolada, pela falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ, obedece à regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN.
ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL.
As intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, por força do art. 23 do Decreto nº 70.235 de 1972 e alterações. Considera-se domicílio tributário o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo sujeito passivo para fins cadastrais.
MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas.
Numero da decisão: 1202-001.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a ocorrência da decadência e em dar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Plínio Rodrigues Lima considerava prejudicado o exame da decadência por entender incabível a incidência da multa isolada. Os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Alexei Maporim Vivan votaram pelas conclusões. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo (relator) e Viviane Vidal Wagner, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator
(documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Alexei Maporim Vivan.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A multa isolada é autônoma, independente da ocorrência do fato gerador do tributo (apuração do lucro líquido ajustado ao final do ano) e, por isso, não se subsume às disposições do art. 150 do CTN. Por não se enquadrar na hipótese de tributo sujeito à homologação, o lançamento da multa isolada, pela falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ, obedece à regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. As intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, por força do art. 23 do Decreto nº 70.235 de 1972 e alterações. Considerase domicílio tributário o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo sujeito passivo para fins cadastrais. MULTA ISOLADA — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a ocorrência da decadência e em dar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Plínio Rodrigues Lima considerava prejudicado o exame da decadência por entender incabível a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 84 69 /2 00 8- 81 Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.534 2 incidência da multa isolada. Os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Alexei Maporim Vivan votaram pelas conclusões. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo (relator) e Viviane Vidal Wagner, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator (documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Alexei Maporim Vivan. Relatório Tratase do exame de recurso de ofício e de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1621.689 da DRJ/São Paulo I, que julgou o lançamento fiscal procedente em parte, fls. 1120 a 1135. O contribuinte sofreu Auto de Infração para exigência da “multa isolada” pela falta/insuficiência de declaração (em DCTF)/pagamento do IRPJ calculado sobre a base de cálculo estimada mensalmente, em meses de 2003 e 2004, fls. 253 a 258. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 249 a 252, o contribuinte informou nas DIPJs apresentadas valores do “IRPJ devido por estimativa mensal”. No entanto, deixou de declarar em DCTF e de recolher os respectivos valores, ou os fez com valores menores aos informados nas DIPJs. O contribuinte impugnou a exigência fiscal, cuja síntese encontrase no Relatório do Acórdão nº 1621.689 da DRJ/São Paulo I, que passo a transcrever e também adotar: “4.2. na data da ciência dos autos de infração (24/12/2008) já estava decaído o direito de a Fazenda Federal lançar crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos antes de 2411212003, independentemente de haver pagamento relativo a estes fatos geradores, pois o IRPJ está sujeito ao lançamento por homologação e, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, o que se homologa é a atividade do contribuinte, mesmo na hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento; 4.3. houve a correta quitação do IRPJ discutido neste processo por meio de compensação, conforme planilhas de fls. 272 a 274 e 299, com saldo negativo apurado anteriormente, demonstrado na planilha de fl. 375 e nas DIPJs cujas cópias Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.535 3 foram juntadas às fls. 668 a 1097, e decorrente do imposto retido de 1996 a 2003 e do prejuízo fiscal apurado de 1995 a 2001; 4.4. apurou o IRPJ mensal, regime Lucro Real, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, conforme facultado pela legislação, jamais tendo utilizado nos anoscalendário 2003 e 2004 do regime de estimativa com base na receita bruta e acréscimos; 4.5. há uma clara distinção entre a apuração trimestral pelo balancete e a forma de apuração por estimativa e "a compensação com prejuízos fiscais tem guarida na legislação e serve como prova cabal de que as obrigações fiscais estão regulares, despindo o presente auto de qualquer fundamento; 4.6. por mero erro de procedimento, sem prejuízo do conteúdo jurídico tributário porque não houve lesão ao Fisco, foi lançado nas DCTFs relativas aos trimestres de 2003 e 2004 a forma de tributação por lucro real/estimativa quando o correto seria forma de tributação lucro real/balanço/balancete de suspensão no trimestre, o que demonstra que é cabível procedimento de retificação, jamais apenamento por multa isolada; 4.7. "uma vez comprovado que o tributo foi regulamente compensado e as DCTFs e DIPJs que apresentem lapsos de preenchimento, por si só, nada mais representam do que instrumentos de informação, não tendo violado o devido recolhimento de tributos, nada mais pode subsistir na procedência deste procedimento fiscal, comportando seu arquivamento'; 4.8. "se confrontado os valores cobrados pelo sujeito ativo, aos que foram efetivamente pagos pelo contribuinte em relação ao IRPJ e CSLL, é flagrante que o crédito foi extinto, diante do inequívoco pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional”; 4.9. são indevidos a multa e os juros moratórios porque o Direito somente admite penas acessórias quando o ato lesivo praticado seja decorrente de dolo ou culpa, o que não ocorreu no presente caso, já que os atos foram praticados legitimamente sem que possam ser considerados como negligentes, imprudentes ou imperitos; 4.10. requer que todas as notificações sejam enviadas em nome e no endereço de seu procurador. Na sequência, foi emitido o Acórdão 1621.689 da DRJ/São Paulo I, fls. 1120 a 1135, que julgou o lançamento fiscal procedente em parte, com o seguinte ementário: LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. REDUÇÃO. SUSPENSÃO. BALANÇO OU BALANCETE MENSAL. Para reduzir ou suspender o pagamento da estimativa mensal, a contribuinte optante pelo lucro real anual deve demonstrar por meio de balanços ou balancetes mensais, elaborados de acordo com as leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado do imposto já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. ESTIMATIVA DEVIDA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.536 4 É devida multa de oficio isolada correspondente a 50% da estimativa mensal que deixou de ser paga, ainda que seja apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. REQUISITOS. Declaração à administração tributária federal somente pode ser retificada antes de iniciada a fiscalização e desde que demonstrado o erro nela contido. [...] ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. Intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo entendido como o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. [...] PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. Nos períodos de apuração em que há lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Na falta de pagamento, o termo inicial do prazo para a Fazenda Pública lançar é o primeiro dia do ano civil seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA. A compensação tributária no âmbito federal somente se efetiva com a apresentação à administração fiscal de Declaração na qual o sujeito passivo demonstra os créditos utilizados e os débitos compensados, ainda que o débito e o crédito se refiram ao mesmo tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Lançamento Procedente em Parte Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido encontramse assim resumidos do seu voto condutor: não há previsão legal ou regulamentar que permita encaminhar os documentos de interesse do sujeito passivo a outro endereço que não o do seu domicílio tributário; Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.537 5 verificouse que ocorreram pagamentos, a título de estimativas de IRPJ, nos meses de abril, maio, junho e novembro de 2003. Assim, a forma de contagem do prazo decadencial destes períodos de apuração de estimativas se dá pelo § 4° do artigo 150 do CTN. Quanto aos demais períodos de apuração discutidos no presente lançamento (março e julho a dezembro de 2003, fevereiro, março e junho de 2004) não há pagamento, circunstância que faz com que a multa isolada decorrente das estimativas não pagas relativas a estes meses esteja sujeita à regra decadencial contida no artigo 173, inciso I, do CTN; após o início da fiscalização que culminou com o lançamento de ofício, não é possível mais retificar as DIPJs e as DCTFs relativas aos anoscalendário 2003 e 2004, diante do disposto no artigo 832 do RIR/1999; a autuada afirma que extinguiu as estimativas devidas com base em Balanços/Balancetes de Redução/Suspensão com compensações nas quais aproveitou saldos negativos de IRPJ apurados em períodos anteriores. A compensação de qualquer crédito de origem tributária do sujeito passivo contra um débito devido pelo mesmo sujeito passivo ao Fisco Federal é efetuada mediante a entrega da “Declaração de Compensação” (caput e § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações); não há nos autos prova de que a autuada tenha apresentado Declarações de Compensação com o objetivo de extinguir as estimativas não pagas, nem declaradas em DCTF, que geraram a multa isolada ora discutida; os valores das estimativas mensais do IRPJ porventura confessados em DCTF e compensados em Dcomp, não foram objeto do auto de infração, conforme demonstrado no quadro do Termo de Verificação Fiscal (fl. 250); o que está comprovado pelos documentos constantes no processo é que a autuada devia estimativas de IRPJ apuradas em diversos meses dos anoscalendário 2003 e 2004 que não foram extintas, nem por pagamento, nem por compensação, nem por qualquer outra forma de extinção do crédito tributário; quanto à improcedência da multa e juros moratórios, porque não teria havido dolo ou culpa, de acordo com o disposto no artigo 136 do CTN, as infrações à legislação tributária independem da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; o art. 161 do CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício. A expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis" apenas reforça a idéia de que juros e multa não são excludentes entre si. A incidência de juros sobre as multas de oficio foi introduzida pelo legislador ordinário através do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; Dessa decisão, a DRJ/São Paulo I recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 3 de janeiro de 2008. O contribuinte apresentou recurso voluntário da exigência fiscal mantida pelo órgão julgador de primeira instância, mediante arrazoado, de fls. 1144 a 1168, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.538 6 entende que o prazo decadencial de 5 anos contados da data do fato gerador, estabelecido pelo § 4º do art. 150 do CTN, deve ser aplicado mesmo na hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento, pois o que se homologa é a atividade e não o pagamento; argumenta que apurou prejuízos fiscais em 2003 e 2004, fato não levado em conta pela fiscalização. Aduz que houve a correta quitação de tributos pela via da compensação, devendo ser afastados os argumentos que referendam a autuação, porque inexistiria qualquer inadimplemento pela recorrente; menciona que faz a apuração do IRPJ e CSLL determinados sobre base de cálculo estimada mensalmente ou com base em Balanço ou Balancete de suspensão ou redução. Insiste que não se utilizou do regime de estimativa nos anos 2003 e 2004, sendo certo que seus números e o conteúdo das compensações realizadas confirmam este procedimento. por erro de procedimento, foram informados nas DCTF a forma de tributação pelo lucro real/estimativa, quando o termo correto seria forma de tributação por lucro real/ balanço/balancete de suspensão no trimestre; entende que estaria comprovado que o tributo foi regularmente compensado e as DCTFs e DIPJs, ainda que apresentando lapsos de preenchimento, por si só, nada mais representam do que instrumentos de informação, não tendo violado o devido recolhimento do tributo; o direito somente admite penas acessórias quando o ato lesivo praticado seja decorrente de dolo ou culpa, hipóteses não ocorridas no presente caso; requer que as notificações sejam enviadas em nome de EDUARDO LINS OAB/SP n. 122.319 Departamento Jurídico Armco do Brasil S.A., Rua Zacarias Alves de Melo, n. 180 Vila Prudente S.Paulo/SP – CEP 03153.110. faz a juntada de cópias dos Balanços e Balancetes do período relacionado aos lançamentos de IRPJ de 2003 e 2004, fls.1169 e seguintes. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator Recurso de OfícioDecadência O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a infração apurada pela fiscalização diz respeito à aplicação da multa isolada pela falta/insuficiência de declaração em DCTF e pela Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.539 7 falta/insuficiência de recolhimento dos valores das estimativas mensais do IRPJ informados nas DIPJs dos anoscalendário de 2003 e 2004. O órgão julgador de primeira instância exonerou parcialmente as multas mensais aplicadas, ao considerar que encontravamse decaídos os valores das estimativas mensais do IRPJ lançados a mais de 5 anos do fato gerador em que se verificou pagamentos antecipados das estimativas, aplicandose na hipótese o art. 150, §4º, do CTN. Assim, foram considerados decaídas as parcelas da multa isolada calculada sobre as estimativas devidas nos meses de abril, maio, junho e novembro de 2003. Na hipótese de não haver qualquer pagamento de estimativa mensal, a regra decadencial deveria ser regida pelo art. 173, I do CTN. Já a defesa sustenta em seu recurso voluntário que, independentemente de ter ocorrido ou não pagamento, a regra a ser aplicada deveria ser a do art. 150, §4º, do CTN. Pelo que se depreende dos autos, verificase que merece uma melhor análise o quanto decidido pelo acórdão da DRJ/São Paulo I. O instituto da decadência em matéria tributária é regido pelos arts. 150, §4º, e 173, I do CTN, abaixo transcritos para melhor clareza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (destaquei) O lançamento dito por homologação se opera pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo sujeito passivo, aperfeiçoada pelo pagamento do tributo, expressamente a homologa. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto, nos moldes do art. 150 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, no decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem manifestação expressa da Fazenda, implica na homologação tácita do lançamento, restando definitivo o pagamento antecipado, conforme § 4o do mencionado art. 150. Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.540 8 Por seu turno, nos anoscalendário de 2003 e 2004, a recorrente optou por apurar o IRPJ segundo a sistemática do lucro real anual, consoante DIPJs (fls.06 e 109), efetuando em determinados meses pagamentos do IRPJ a título de estimativas. Dessa forma, certo é que se está diante do lançamento por homologação, onde a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. De outra banda, a regra do art. 173, I do CTN aplicase aos casos em que não ocorreu antecipação de pagamento pelo contribuinte e se diferencia do art. 150, § 4º pelo início da contagem do prazo decadencial, que é mais elástico, pois o último dispositivo leva em consideração, para início da contagem do prazo, a ocorrência do fato gerador, diferentemente do primeiro, cuja contagem se dá a partir do “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Esse também é o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, em procedimento de recursos repetitivos (CPC, art. 543C, e Resolução STJ n. 08/2008), de reprodução obrigatória pelos conselheiros no âmbito do julgamento deste CARF (art. 62A do RICARF), nos termos da decisão proferida no Recurso Especial (REsp) 973.733/SC No que se refere à ocorrência do fato gerador na apuração do IRPJ, em se tratando de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, consoante disposto na Lei nº 9.430, de 1996, a norma legal fixou a sua ocorrência no momento da apuração do respectivo lucro. Como regra geral, a apuração do lucro da pessoa jurídica ocorre ao final de cada trimestre (art.1º lucro real, presumido ou arbitrado) ou, opcionalmente, ao final do anocalendário (art.2º lucro real), como se depreende da leitura dos respectivos artigos: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (destaquei) Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.541 9 Da leitura do § 3º do art. 2º acima transcrito, percebese a determinação de que a pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma de estimativas mensais deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Vale dizer. A norma legal fixou que o fato gerador somente ocorre em 31 de dezembro de cada ano, independentemente de ter ocorrido pagamentos a título de estimativas mensais ao longo do anocalendário, como se verá na seqüência. Por seu turno, o valor das estimativas mensais do IRPJ é calculado com base na receita bruta auferida mensalmente. Entretanto, o valor do IRPJ devido, assim apurado, poderá ainda ser suspenso ou reduzido com base em Balanço ou Balancetes mensais, nos termos do art. 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1 ° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (destaquei) De acordo com o exposto, constatase que as estimativas mensais representam uma obrigação autônoma no recolhimento do IRPJ, pois o seu pagamento pode ser dispensado ou alterado, caso o contribuinte demonstre, mediante balanços/balancetes de suspensão ou redução que não estava mais obrigado a fazêlo. Assim, verificase que as estimativas mensais tem de natureza diversa do lançamento por homologação, previsto no caput do art. 150, inclusive porque surge antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo. As estimativas mensais e a multa isolada pela falta de seu recolhimento não se confundem com o IRPJ efetivamente devido. As estimativas mensais servem para que o contribuinte efetue o pagamento de um valor aproximado do IRPJ, que deve ser recolhido mensalmente para que o Estado seja suprido dos recursos financeiros necessários previstos em seu orçamento. Inexistindo hipótese legal de apuração mensal de tributo (fato gerador mensal), não há que se falar em início de prazo decadencial ao final de cada mês. Em se tratando de apuração do lucro real anual, o fato gerador do IRPJ é complexivo e se completa apenas em 31 de dezembro de cada ano que, como se viu, encontrase fixado em lei. Tanto é assim, que nos termos do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a obrigação pelo pagamento das estimativas existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ao final do período, em 31 de dezembro de cada ano. O inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei 9.430, de 1996 diz "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ...." e não "ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...", restando prejudicada a tese de que a aplicação da referida multa só caberia no ano em curso.Ou seja, a obrigação do pagamento mensal persiste ainda que não haja tributo devido ao final do anocalendário. Portanto, não se trata da multa de oficio que está vinculada à exigência de tributo, e que, como acessório deste, deve seguir as mesmas regras para a contagem da decadência. Tratase de multa isolada, autônoma, que inclusive independente da ocorrência do Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.542 10 fato gerador do tributo (apuração do lucro líquido ajustado ao final do ano), e que, por isso, não se subsume às disposições do art. 150 do CTN, mas sim à regra geral do art. 173 do CTN. Dessa forma, forçoso concluir que no caso da multa isolada pela falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I e não a regra do art. 150, § 4º, do CTN, como equivocadamente decidiu o acórdão da DRJ/São Paulo I. No caso concreto, a multa isolada mais remota aplicada referese ao mês de março de 2003, fls. 256. Incidindo na hipótese o art. 173, inciso I do CTN, temse que o início da contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento da multa poderia ter sido efetuado em abril de 2003 e o primeiro dia do exercício seguinte ocorreu em 1º/01/2004, esgotandose o prazo decadencial de cinco anos em 31/12/2008. Como a ciência do lançamento ocorreu em 24/12/2008, AR de fls. 259, antes do prazo fatal, não há que se falar em ocorrida a decadência para todos os períodos lançados. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de decadência alegada no recurso voluntário. Recurso voluntário A defesa alega erro na determinação da base de cálculo das estimativas mensais do IRPJ, uma vez que os valores das estimativas reclamados pela fiscalização teriam sido quitados por compensação com saldos negativos do IRPJ apurados em períodos anteriores a 2003. Esse esclarecimento inicial se faz necessário, porque nas razões do recurso a recorrente faz uma certa confusão entre saldos negativos do IRPJ e estoque de prejuízos fiscais. Na planilha demonstrativa da apuração das estimativas mensais trazidas pelo recorrente, fls. 1169, verificase que a compensação aventada cuida dos saldos negativos do IRPJ de períodos anteriores e não de prejuízos fiscais, devidamente compensados pelo contribuinte no limite de 30 % do lucro tributável. Além disso, equivocase a recorrente em querer segregar o regime de pagamento mensal do IRPJ por estimativa (calculado sobre a receita bruta), do pagamento mensal de do IRPJ com base em balanço/balancetes de suspensão ou redução. Como já mencionado neste voto, o valor das estimativas mensais do IRPJ é calculado com base na receita bruta auferida mensalmente. Entretanto, o valor do IRPJ devido mensalmente, assim calculado, poderá ainda ser suspenso ou reduzido o seu pagamento com base em Balanço ou Balancetes mensais, nos termos do art. 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. O cálculo da estimativa do IRPJ devido com base na receita bruta é mais simples, mas poderá, à opção do contribuinte, ser calculado/recolhido com base em Balanço ou Balancetes mensais. Em ambas as formas, o imposto recolhido é considerado estimado, uma vez que o fato gerador do imposto somente ocorre em 31 de dezembro de cada ano, tornando se o valor apurado definitivo. Feitos esses esclarecimentos iniciais, verificase que a principal alegação da recorrente é a de que os recolhimentos/declaração em DCTF feitos a menor, apurados pela fiscalização, estariam quitados, mediante compensação de saldos negativos do IRPJ de períodos anteriores a 2003. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.543 11 A fiscalização simplesmente confrontou os valores das estimativas mensais do IRPJ informados nas DIPJ com aqueles declarados em DCTF e com aqueles recolhidos. Em determinados meses apurou diferenças das estimativas mensais não declaradas, e não recolhidas, fls. 250 e 252, incidindo a multa isolada ora discutida. Entendeu bem o acórdão recorrido, ao fundamentar sua decisão no fato de que as compensações no âmbito tributário, a partir de 2002, somente ocorrem mediante a comunicação ao fisco de que o contribuinte pretende efetuar dita compensação, mediante a entrega de documento próprio denominado Declaração de Compensação. Nesse sentido, pelos corretos fundamentos trazidos sobre a matéria, transcrevese parte do voto condutor do acórdão recorrido, cujas razões de decidir também passo a adotar (fls. 1130 e ss.): “25. A compensação tributária no âmbito federal é regulada pelo artigo 74 da Lei n° 9.43011996. Abaixo, transcrevese trechos deste artigo que interessam para solução da presente lide, com a redação dada pelas Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, vigente à época dos fatos geradores aqui discutidos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n 11 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (incluído pela Lei n. 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (incluído pela Lei n. 10.637, de 2002) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de S (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n. 10.833 de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.544 12 § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7 °, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º (Incluído pela Lei n° 10.833. de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ SP e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n" 70.235. de 6 de marco de 1972. e enquadramse no disposto no inciso 111 do art. 151 da . Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (Incluído pela Lei n° 10.833. de 2003) 26. Como se nota, a compensação de qualquer crédito de origem tributária do sujeito passivo contra um débito devido pelo mesmo sujeito passivo ao Fisco Federal é efetuada mediante a entrega da Declaração de Compensação (caput e § 1º do artigo 74 acima transcritos), ainda que se refiram a um mesmo tributo ou contribuição, conforme esclarecido pelo § 6° do artigo 21 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 210, de 30 de setembro de 2002, com a redação da pela IN/SRF n° 323, de 24 de abril de 2003: (...) 27. Contudo, apesar de desde 01 de outubro de 2002, data em que começou a produzir efeitos o artigo 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, e que mais tarde foi incluído na já citada Lei n° 10.637/2002, a compensação no âmbito tributário federal somente se efetivar com a apresentação à Receita Federal da Declaração de Compensação, não há nos presentes autos prova ou indício de que a autuada tenha apresentado Declarações de Compensação com o objetivo de extinguir as estimativas não pagas, nem declaradas em DCTF, que geraram a multa isolada ora discutida. Há apenas informação de que os valores, declarados em DCTFs, das estimativas devidas referentes aos meses de março e junho de 2004, nos valores respectivos de R$547.967,22 e R$656.627,79, foram extintos por compensações efetivadas em Declarações de Compensação informadas nas DCTFs (fls. 1115 e 1119). Porém, isto não invalida o lançamento ora analisado, pois estes valores, já confessados em DCTF e compensados em Dcomp, não foram objeto do auto de infração, conforme demonstrado no quadro do Termo de Verificação Fiscal (fl. 250). 28. Portanto, o que está comprovado pelos documentos constantes no presente processo é que a autuada devia estimativas de IRPJ apuradas em diversos meses dos anoscalendário 2003 e 2004 que não foram extintas, nem por pagamento, nem por compensação, nem por qualquer outra forma de extinção do crédito tributário.” Dessa forma, inexistindo nos autos a comprovação da entrega de Declaração de Compensação para quitar débitos das estimativas mensais do IRPJ dos anos de 2003 e 2004, Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.545 13 informado nas DIPJs, por compensação ou por pagamento, o lançamento da multa isolada deve subsistir, como corretamente entendeu o acórdão recorrido. Em relação aos fundamentos legais para a incidência da multa isolada, cumpre dizer que o pagamento das estimativas mensais do IRPJ, ao longo do anocalendário, deve ser feito obrigatoriamente pelo contribuinte que optou pela forma de tributação com base no lucro real, determinado sobre base de cálculo estimada, se não houver a demonstração de que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução (art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), nos termos do art. 2º da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. O pagamento mensal estimado, uma opção colocada à disposição do contribuinte que apura o IRPJ pela modalidade do lucro real, toma por base de cálculo a aplicação de percentuais, variáveis em função da atividade, sobre a receita bruta auferida mensalmente (base de cálculo estimada). Ao final do ano, o contribuinte efetua a apuração definitiva do IRPJ, tomando por base seu resultado contábil, ajustado por adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária (lucro real). Na apuração definitiva da base de cálculo do imposto pela modalidade do lucro real são consideradas receitas e despesas que afetam o patrimônio da pessoa jurídica não contempladas quando da apuração da base de cálculo estimada. Nesses termos, uma vez que a obrigação de pagamento das estimativas mensais não foi cumprida a contento, de acordo com o que determina o dispositivo legal acima transcrito, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, nos seus artigos 43 e 44 e alterações, estabelece a imposição de uma penalidade isolada, no percentual de 50%, para coibir a prática do não pagamento dessa estimativa, conforme redação dos dispositivos que se transcreve: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Multas de Lançamento de Oficio Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei na 11.488, de 15 de junho de 2007) (Grifei). Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.546 14 O teor do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488, de 2007, fixa duas multas distintas, de 75% e de 50%, para duas hipóteses também distintas. A multa de 75% (inciso I do art. 44) é aplicada aos casos de falta de pagamento do tributo, quando da mensuração definitiva da obrigação principal, quando feita no período de apuração anual. Por tal motivo, a base de cálculo da referida multa é a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”. Já a multa de 50% (inciso II do art. 44) é aplicada aos casos nos quais exista obrigatoriedade do pagamento mensal do tributo, antes da sua apuração definitiva. As multas tem hipóteses de incidência de distintas e, por isso, são tratadas diferentemente pela legislação tributária, podendo dessa maneira, serem aplicadas inclusive concomitantemente. Dessa forma, estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento do IRPJ, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e deixando de recolher o imposto de renda, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida nos arts. 43 e 44 acima transcritos, que deve ser aplicada e cumprida integralmente pelas autoridades administrativas. Não cabe à autoridade fiscal usar do poder discricionário para aplicação da norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ocorrido o fato e estando ele perfeitamente enquadrado no dispositivo legal, a autoridade deve obrigatoriamente aplicar a lei ao caso concreto. Sobre esse último aspecto, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade. Os dispositivos da lei que exigem a cobrança da multa isolada (penalidade) não podem ser ignorados nem negados pelo Tribunal Administrativo, a quem não cabe substituir o legislador. Ademais, registrese que é mais do que razoável se admitir a existência de uma penalidade para desencorajar os contribuintes no descumprimento da obrigação de pagar Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.547 15 corretamente, e em dia, os seus tributos, sob pena de se estabelecer uma desigualdade com aqueles contribuintes que cumprem suas obrigações tributárias nos prazos legais, cujos recursos financeiros depende o Estado para poder desempenhar as suas funções e que os aguarda, no momento certo, para poder cumprir seus compromissos orçamentários. Assim, correta a imposição da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ. A recorrente deixa de contestar, expressamente, em seu recurso a necessidade do dolo ou culpa para a incidência da multa isolada, bem assim a incidência dos juros sobre essa multa, de modo que essas matérias devem ser consideradas definitivamente julgadas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Por fim, o pedido para cientificar o resultado das decisões ao representante da recorrente não pode ser atendido, por absoluta falta de previsão legal. As intimações e ciência das decisões devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, por força do art. 23 do Decreto nº 70.235 de 1972 e alterações. Considerase domicílio tributário o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, que seja afastada a preliminar de decadência, que se considerem definitivamente julgadas, na esfera administrativa, as matérias não expressamente contestadas, e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues de Lima, Redator designado Em relação à impossibilidade de concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada referente aos anoscalendário 2003 e 2004, em que pesem os argumentos da ilustre Conselheira, ouso destes divergir. A sanção administrativa em caso de lançamento de ofício encontrase na Lei nº. 9.430, de 1996, art. 44, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.548 16 a) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (negritei). Sobre a multa de ofício e a multa isolada, leciona Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2013, 25ª ed. pp 489 a 491): Multa de ofício é expressão que indica o procedimento para a constituição do conseqüente sancionatório: lançamento de ofício. Nesta medida, significa simplesmente que é uma espécie de sanção aplicada pela Autoridade Administrativa mediante lançamento de ofício ou Auto de Infração ou Imposição de Multa. (...) Multa isolada é o nome que se dá ao procedimento sancionatório que, como o próprio nome indica, isoladamente exige a multa por algum motivo que a lei determina. Tratase de atributo que qualifica a forma de exigência da multa pelo Fisco. Assim, exemplificando, a multa será cobrada isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto em lei. Esta é a hipótese do inciso II do §1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96... Em linha de princípio, entendese por isolada a multa aplicada mediante cobrança tão só do valor, a título de penalidade. Agora, há que se tomar nota de que tais espécies, em regra, serão também de ofício, em decorrência do procedimento a que se submetem, e, punitiva, em razão do seu específico intuito regulatório. Ainda na amplitude da providência de se caracterizar a multa isolada no âmbito do sistema tributário, vale a lembrança de que, em face da sua própria natureza punitiva e de ofício, é inadmissível a sua exigência cumulativa com outra multa de ofício. Nesses termos, é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que consignou a exegese, no Acórdão CSRF/0105.511, e em outros julgados do Conselho de Contribuintes. No caso, a cobrança do IRPJ, tributo cobrado após o encerramento do ano calendário, juntamente com a multa de ofício de 75%, retira a eficácia da multa isolada de 50% sobre as estimativas não recolhidas, uma vez que, após o encerramento do anocalendário, referida exação só poderia subsistir se houvesse pagamento dos tributos após o vencimento do prazo previsto em lei ou informação de prejuízo fiscal em DCTF, antes do início de procedimento de fiscalização com a finalidade de cobrar o IRPJ. Esta seria a razão de cobrança da multa de 50%, mesmo havendo prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre a concomitância por meio do Acórdão n° 9101001.547, com a seguinte ementa: Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.008469/200881 Acórdão n.º 1202001.039 S1C2T2 Fl. 2.549 17 MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. No voto condutor desse Acórdão, de relatoria do Ilustre Conselheiro Valmir Sandri, destacamse os seguintes fundamentos: A jurisprudência desta Câmara Superior consolidouse no sentido de que as duas condutas (antecipação e ajuste), embora distintas, estão materialmente ligadas, eis que o cálculo do valor estimado repercute na apuração do ajuste ao final do período. Nesse passo, a primeira conduta (o dever de antecipar), só existe antes do encerramento do período de apuração, e apenas até esse termo seu descumprimento será alcançado pela penalização. Após o encerramento do período, a conduta exigível é o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste. Dessa inteligência da norma resulta que, encerrado o ano calendário, não mais existe o dever de antecipar, e assim, a multa pelo descumprimento do dever de pagar o tributo só incide sobre a diferença entre o tributo devido no período e o já pago (quer sobre forma de estimativas, quer sobre forma de ajuste). Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada sobre as estimativas não recolhidas de IRPJ, de que trata o inciso II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 06/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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