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Numero do processo: 19311.720398/2011-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 98 /2 01 1- 80 Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720398/201180 Acórdão n.º 9202004.405 CSRFT2 Fl. 1.637 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720398/201180 Acórdão n.º 9202004.405 CSRFT2 Fl. 1.638 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720398/201180 Acórdão n.º 9202004.405 CSRFT2 Fl. 1.639 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720398/201180 Acórdão n.º 9202004.405 CSRFT2 Fl. 1.640 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720398/201180 Acórdão n.º 9202004.405 CSRFT2 Fl. 1.641 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720398/201180 Acórdão n.º 9202004.405 CSRFT2 Fl. 1.642 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10410.722499/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGULARIDADE.
Regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando a contribuinte, regularmente intimada, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL
Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento em maior extensão. O voto do Conselheiro Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) foi proferido na sessão de 11/05/2016, no mesmo sentido do voto vencedor. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Ewan Teles Aguiar, OAB/DF nº 14.009.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) não participou do julgamento em virtude de o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), ao qual ela substituiu, já haver votado na sessão anterior, de 11/05/2016 (art. 58, § 5º, do Regimento Interno do CARF).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGULARIDADE. Regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando a contribuinte, regularmente intimada, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGULARIDADE. Regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando a contribuinte, regularmente intimada, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 24 99 /2 01 4- 45 Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento em maior extensão. O voto do Conselheiro Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) foi proferido na sessão de 11/05/2016, no mesmo sentido do voto vencedor. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Ewan Teles Aguiar, OAB/DF nº 14.009. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) não participou do julgamento em virtude de o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), ao qual ela substituiu, já haver votado na sessão anterior, de 11/05/2016 (art. 58, § 5º, do Regimento Interno do CARF). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10410.722499/201445, em face do acórdão nº 1276.397, julgado pela 21ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.559 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Relatório Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 17/10/2014 (fls. 324 a 363), contra o Auto de Infração de fls. 02 a 07, que apurou um imposto suplementar no montante de R$ 2.896.638,05, a ser acrescido dos juros de mora e da multa de 112,5%, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário de 2011. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o procedimento apurou a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ação Fiscal De acordo com os documentos carreados aos autos, a ação fiscal foi instaurada com a emissão do Termo de Início de Fiscalização (fls. 16 e 17), sendo a contribuinte intimada a apresentar: 1) Extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança referentes a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; 2) Comprovantes originais de todos os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e de retenção de imposto de renda na fonte, da contribuinte e de todos os dependentes, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; 3) Documentos públicos ou particulares que lastrearam a aquisição e alienação de bens móveis ou imóveis, títulos e valores mobiliários, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; 4) Justificar porque o montante de R$ 3.000.000,00, declarado como "dinheiro em espécie guardado em casa desde 2003", não foi informado nas Declarações de Imposto de Renda originais dos anos calendário 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. Segundo consta das bases de dados da Receita Federal, tal valor só foi informado ao Fisco em 2009 por meio de declarações retificadoras, portanto, quando tal crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Em resposta, a contribuinte apresentou a carta de fls. 19 a 38, onde: Em relação ao pedido de apresentação dos extratos, pediu que fosse sobrestada a ação fiscal até a decisão final pelo STF acerca do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG (citado à fl. 21) considerando que para a quebra do sigilo bancário para o ano Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 calendário de 2011, na forma solicitada, não há amparo legal, nem na Constituição Federal de 1988, nem em leis ordinárias e nem nas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal o que lhe impossibilita de atender à solicitação do fisco. Para o item "2", apresentou o informe de rendimentos de fl. 33; No tocante ao item "3", informou que não houve aquisição e nem alienação de bens no ano de 2011; e Em relação ao último quesito, apresentou as justificativas constantes das fls. 27 a 31. Tendo em vista a não entrega por parte da contribuinte da documentação bancária, foram solicitados via RMF, Requisição de Movimentação Financeira, os extratos bancários da contribuinte às instituições financeiras no período de 2011. Em resposta, os bancos apresentaram os extratos, sendo esses anexados aos autos. De posse dos extratos, a fiscalização expediu nova intimação à contribuinte para que esta comprovasse no prazo de 20 dias, através de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos nas contas bancárias (fls. 262 a 296). Em resposta, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo por 120 dias, fls. 299 e 300. A fiscalização, por sua vez, entendendo não ser razoável o prazo solicitado, prorrogou por 30 dias (encerramento previsto para 01/08/2014) o prazo para que a contribuinte apresentasse a documentação solicitada, fl. 303. Em 01/08/2014, a contribuinte apresentou novo expediente informando ter concluído 60% dos trabalhos e necessitava de mais 120 dias, fls. 306 e 307. Em resposta, o fisco prorrogou o prazo até 08/09/2014, que corresponderia a 90 dias desde a intimação inicial expedida para que a origem dos créditos bancários fosse comprovada, fls. 309 a 310. Em 09/09/2014, a contribuinte solicitou mais 120 dias de prazo, alegando ter concluído 20% dos trabalhos, fls. 312 e 313. Como conclusão do procedimento fiscal, não comprovada a origem dos depósitos bancários, estes foram tributados, de ofício, como rendimentos omitidos, nos termos da legislação de regência, com a aplicação da multa de 112,5%. Foi formalizada ainda Representação fiscal para fins penais, objeto do processo nº 10410.723497/201473, que segue apensado ao presente. Impugnação Cientificada do Auto de Infração em 22/09/2014 (fl. 321), a contribuinte apresentou, em 17/10/2014, a impugnação de fls. 324 a 363, alegando, em síntese, que: a) Falta de MPF Impedimento do agente fiscal Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.560 5 Ao auditor fiscal encarregado do procedimento fiscal faltava autorização para fiscalizar e autuar quanto a qualquer descumprimento de obrigação tributária, pois não existiu um único mandado de procedimento fiscal que autorizasse a fiscalização e/ou a diligência por este empreendida. E, se existiu, diz que nunca o recebeu. Alega ainda que não pôde sequer verificar no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil se realmente o MPF foi emitido, ou até mesmo se o MPF não foi extinto por decurso de prazo. Argumenta que todos os procedimentos fiscais realizados a descoberto do competente MPF são inválidos, carregando a partir de então a marca irremediável da nulidade as providências fiscais eventualmente adotadas contra os contribuintes. E na presente autuação, verifica, pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal entregue à contribuinte, que os Auditores Fiscais atuaram sem competência. Transcreve duas ementas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca desse assunto, fls. 330 e 331. b) Violação de garantia constitucional Aduz que o auditor fiscal encarregado do procedimento fiscal instaurado, injustamente, violou a garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada da impugnante, sob a forma de quebra do seu sigilo bancário, e utilizou estes dados para fundamentar o referido auto de infração. Faz um estudo sobre o Direito à Intimidade e à Vida Privada e ao Sigilo de Dados com utilização de jurisprudência e doutrina para concluir que os dados obtidos através da quebra de sigilo bancário do impugnante, não poderiam embasar o presente auto de infração, razão pela qual este tornase nulo de pleno direito. Explica que o Supremo Tribunal Federal, através de recentes decisões, tem entendido, inúmeras vezes, que a quebra do sigilo bancário do cidadão só pode se dar através de ordem judicial. Logo, o agente fiscal não poderia quebrar o sigilo bancário do impugnante sem a autorização do Poder Judiciário; o que, em suma, acarreta nulidade absoluta do auto de infração. c) Descumprimento do estabelecido no Decreto 3.724/01 Prova Ilícita Afirma que, contrariando o Decreto 3.724/2001, a fiscalização só foi aberta para a quebra do sigilo bancário da defendente. Explica que o decreto estipula dois requisitos para a quebra de sigilo a cargo da autoridade fazendária: a) quando houver procedimento de fiscalização em curso; e b) quando tais exames forem considerados indispensáveis, sendo que estes requisitos não foram seguidos pela fiscalização, e por si só são suficientes para a decretação da ilicitude das provas produzidas. Quanto ao primeiro procedimento de fiscalização em curso diz que a legislação impõe o óbvio, ou seja, que a quebra de sigilo Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 bancário só se justifica em face de uma fiscalização iniciada, e que apurou no seu curso que os elementos de prova disponíveis seriam insuficientes para comprovação de desrespeito a legislação tributária. Quanto ao segundo indispensabilidade do exame da movimentação financeira decorre especificamente da apuração de fortes indícios de que houve omissão de receitas, e de que os instrumentos disponíveis para prova destas circunstâncias são falhos, restando como imprescindível o exame da movimentação financeira da contribuinte fiscalizada. Argumenta ainda que pela leitura do Decreto 3.724/01, somente após iniciado o procedimento fiscalizatório o agente terá condições de apurar as situações descritas nos diversos incisos do art. 3º, e que após o esgotamento das condições de sua comprovação, será possível o pedido de quebra de sigilo bancário a autoridade competente. Afirma que a fiscalização descumpriu totalmente os ditames do Decreto 3.724/2001 e da Portaria 180/01 (SRF). Traz doutrina e jurisprudência sobre o assunto. d) Comprovação da origem os valores depositados Alega que não teve tempo hábil, na curta fiscalização, para comprovar a origem dos depósitos; mas, agora, aponta detalhadamente a origem de cada um dos depósitos. Explica que a simples observação dos extratos bancários já permitiria a fiscalização obter, sem qualquer intervenção da defendente, as origens dos depósitos; haja vista que a imensa maioria destes se deu na forma de cheques e transferências de contas correntes. Diz estar trazendo as provas que comprovam as origens dos depósitos um por um; apresentando as notas fiscais de produtor rural emitidas, as cópias dos cheques com a identificação dos depositantes, planilha demonstrativa, e outros documentos pertinentes. e) Erro insanável do lançamento. Atividades rurais. Limitação a 20% da receita Alega que mesmo que se entenda que a defendente não comprovou as origens dos depósitos ainda assim o lançamento é improcedente, haja vista que possuía como única fonte de renda a atividade de produtora rural. Diz que a fiscalização, ignorando totalmente tal fato, informado, inclusive na DIRPF da defendente, tratou de tributar os supostos rendimentos da mesma como se fosse esta uma pessoa física normal. Assim, como o ordenamento jurídico prevê para o produtor rural que não possuir escrituração regular a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%, não é correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, por mera presunção, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.561 7 gozam de tributação mais favorecida. Transcreve ementas do CARF e da CSRF. f) Valores já declarados Alega que, conforme se observa na DAA/2012 apresentada pela contribuinte, a mesma possuía valores que justificavam a sua movimentação bancária. Argumenta que nas Declarações anteriores ao dos fatos geradores, já homologadas tacitamente, a defendente informou a sua evolução patrimonial com venda de gado, declarando posse de valores em pecúnia, que comprovam as origens dos recursos da sua conta corrente. Deste modo, sobre estes valores não deve haver qualquer novo tipo de lançamento, haja vista que ditos valores são oriundos de rendimentos de anos anteriores. Alega ainda que não foram considerados os valores das receitas declaradas pela defendente; fato que redunda em lançamentos indevidos. Diz que era dever do agente, ao elaborar a planilha dos valores supostamente movimentados pela defendente, deduzir destes valores os valores que a contribuinte já tinha apresentado em suas declarações. Cita julgados do CARF. g) Depósitos inferiores a R$ 12.000,00 que somados são inferiores a R$ 80.000,00 no ano Aduz que, consoantes as planilhas da autuação, nas quais se encontram os depósitos individualizados que compõem o total do auto de infração, a fiscalização considerou não comprovados vários depósitos inferiores ao valor de R$ 12.000,00, sendo queo somatório de tais depósitos é inferior a R$ 80.000,00. Explica que é entendimento pacífico da doutrina e da jurisprudência administrativa que os depósitos bancários inferiores a R$ 12.000,00, que somados não ultrapassem o valor de R$ 80.000,00, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. Deste modo, solicita a exclusão do lançamento de todos os depósitos inferiores a R$ 12.000,00. h) Multa Alega que a legislação estabelece que se a contribuinte não justificar a origem dos depósitos em sua conta corrente, será presumido que estes constituem renda da contribuinte, com a conseqüente cobrança do tributo e multa de ofício. Contudo não autoriza a legislação que o agente fiscal aplique o agravamento da multa apenas porque a contribuinte não justificou os depósitos. Explica que o fato de não atender ou atender de forma incompleta às solicitações do fisco não justifica a majoração da multa, a qual, somente é cabível quando a contribuinte cause embaraço à fiscalização. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 8 Nota que a intimação fiscal não pede esclarecimentos, mas sim que a contribuinte comprove a origem dos recursos depositados. Neste caso a legislação não autoriza o agravamento da multa. Conclui que a aplicação da multa só se justifica quando as informações sejam imprescindíveis ao Fisco para atestar a correção dos atos da contribuinte, não se justificando quando o pedido vise a obter do intimado a fundamentação legal do ato praticado ou se fundamente na falta de apresentação de documentos que justifique o ato praticado pela contribuinte. Transcreve ementa do Conselho de Contribuinte que diz que o atendimento insatisfatório às intimações do fisco não autorizam a majoração da multa de lançamento de ofício para 112,5%. Assim, pede para que a multa seja reduzida ao percentual de 75%. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGULARIDADE. Regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando a contribuinte, regularmente Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.562 9 intimada, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. Para que seja aceita como origem de depósito bancário, a alegada receita da atividade rural deve apresentar correlação de data e valor com os depósitos existentes em conta corrente e estar comprovada por documentação hábil e idônea. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA DE 112,5%. A utilização de respostas evasivas e pedidos de prorrogação de prazo para apresentar as informações solicitadas pela autoridade fiscal autorizam a aplicação da multa de ofício de 112,5%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 394/430, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como são apresentados novos documentos às fls. 432/1.550. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. Preliminar Quebra do sigilo bancário Alega a Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 10 bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Mérito. 1. Prova ilícita Alega a Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Sustenta a recorrente que a fiscalização só foi aberta para a quebra do sigilo bancário da defendente, afirmando que a fiscalização descumpriu totalmente os ditames do Decreto 3.724/2001 e da Portaria 180/01 (SRF). Acerca desse assunto, o Decreto nº 3.724, de 10/01/2001, regulamenta o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela RFB, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. Conforme já referido quando da apreciação da preliminar, o STF já considerou constitucional a LC nº 105/2001. Portanto, improcedente a alegação da recorrente. Por oportuno, transcrevo trecho do acórdão ora recorrido: No caso em concreto havia um procedimento fiscal instaurado, em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal expedido, em nome da impugnante, e o exame dos documentos bancários era necessário para a verificação da regularidade de sua situação fiscal. Lembrese que enquanto a contribuinte declarou rendimentos tributáveis de R$ 89.800,00 e isentos de R$ 99.200,00 em sua DAA, fl. 15, houve depósitos bancários no mesmo ano superiores a R$ 10.000.000,00, conforme Termo de Intimação de fls. 262 e 263, ou Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.563 11 seja, motivo mais que suficiente para motivar um procedimento fiscalizatório. Assim, não havendo por parte da contribuinte o fornecimento de informações sobre a movimentação financeira, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame indispensável disposto no Decreto 3.724/2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. E no caso, a interessada nada havia apresentado à Fiscalização apesar de instada a fornecer cópia dos extratos bancários de todas as suas contas correntes e aplicações financeiras mantidas no período fiscalizado, por meio de intimação fiscal. Como se vê, todo o procedimento fiscal adotado está em consonância com a legislação pertinente, anteriormente transcrita. Por considerar o acesso às informações sobre a movimentação financeira da fiscalizada indispensável à continuidade do procedimento, o Delegado da DRF Maceió emitiu, nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), visto enquadrarse, a contribuinte, na hipótese prevista no inciso VII do artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Não vislumbro fundamentos para reformar o acórdão da DRJ quanto a esta questão. 2. Comprovação da origem dos valores depositados A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 12 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Os documentos anexados em recurso voluntário, às fls. 432/1550, os quais foram recebidos nesta fase recursal, conforme já exposto, não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, dever ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos. 3. Valores já declarados e ignorados pela fiscalização Conforme mencionado acima, os documentos de fls. 432/1550, assim como os demais existentes nos autos, não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, dever ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos. Não é possível identificar, de forma clara e inequívoca, que os valores já declarados em DAA são os mesmos que circularam em conta bancária. Era necessário que a contribuinte apresentasse relatório que relacionasse os depósitos bancários com os declarados em DAA. Assim, não tendo a contribuinte apresentado documentação coincidente em data e valor com os créditos em conta, com apontamento individualizado de cada comprovante com o depósito, sendo que somente assim seria possível abater a renda já declarada se esta se referisse aos depósitos bancários considerados como renda. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.564 13 Portanto, como a contribuinte não foi capaz de relacionálos, consideramse como rendimentos distintos aos informados na DAA. 4. Depósitos inferiores a R$ 12.000,00 que somados são inferiores a R$ 80.000,00 no ano. Aduz a defesa que, consoantes as planilhas da autuação, nas quais se encontram os depósitos individualizados que compõem o total do auto de infração, a fiscalização considerou não comprovados vários depósitos inferiores ao valor de R$ 12.000,00, sendo que o somatório de tais depósitos é inferior a R$ 80.000,00. Ocorre que, da análise da tese da defesa acima descrita, percebese que a Impugnante compreendeu corretamente o alcance do inciso II, § 3°, do artigo 42, da Lei 9.430/96, que estabelece que, em se tratando de pessoa física, os depósitos de valores individuais não superiores a R$ 12.000,00 não serão considerados para fins de presunção prevista no caput do artigo se, no somatório, não ultrapassarem, dentro do ano, o montante de R$ 80.000,00. Contudo, dos 1589 créditos bancários existentes nas planilhas de fls. 264 a 296, basta verificar a primeira folha, de n° 264, para constatar que o limite de R$ 80.000,00 foi superado, vejamos: Logo, não há como entender a alegação da Recorrente e, consequentemente, acatála. 5. Atividades rurais. Limitação a 20% da receita. Muito embora os documentos de fls. 432/1550 não comprovem a origem dos depósitos de forma individualizada, sustenta também a recorrente que os rendimentos omitidos são decorrentes atividade rural. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 14 Sobre a atividade rural, é relevante destacar, no que concerne à comprovação das receitas, o estabelecido no §5º do artigo 61 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99): § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Assim, verificase na DAA/2012 da contribuinte, fls. 9/15, que a contribuinte explorou naquele anocalendário uma fazenda de 428ha. Declarou também ter 50 cabeças de bovinos e bufalinos. Ainda, declarou ter uma receita bruta anual de R$ 289.000,00 proveniente de atividade rural, bem como uma despesa de custeio/investimento no valor de R$ 132.000,00 naquele anocalendário. Todavia, a contribuinte também declarou ter recebido R$ 32.000,00 da empresa Incasil Ind. e Com. Araujo e Silva Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 12.210.821/0001 89. Assim, além do valor recebido da empresa Incasil naquele anocalendário (R$ 32.000,00), sustenta a contribuinte que todo o restante seria proveniente da atividade rural, devido as elevados valores que circularam em sua conta bancária. Estes são os valores omitidos pela contribuinte, os quais totalizam R$ 10.564.819,99: Pela documentação apresentada às fls. 432/1550, percebese que a contribuinte recebeu diversos valores, por cheques, de pessoas físicas e jurídicas diversas. Porém pela por esta documentação, por si só, não é possível concluir estes como rendimentos provenientes de atividade rural. No entanto, analisandose o todo, certo é que os valores recebidos pela contribuinte não são de pagamentos da pessoa jurídica juridica Incasil Ind. e Com. Araujo e Silva Ltda (CNPJ sob nº 12.210.821/000189) para a ora recorrente, o que pode ser verificado pela análise das fls. 432/1550, onde nenhum dos comprovantes de depósitos e cópias de cheques são da referida empresa. Assim, não sendo os recebimentos omitidos os mesmos aqueles recebidos da pessoa jurídica Incasil Ind. e Com. Araujo e Silva Ltda., possível deduzir que os demais são provenientes da outra atividade da contribuinte, qual seja, do exercício da atividade rural, pela exploração de uma fazenda de 428ha, conforme DAA/2012. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.565 15 Além do que, pela DAA/2012, a contribuinte já declarou receber receita da atividade rural na monta de R$ 289.000,00. Ou seja, pela DAA/2012 informada pela contribuinte, da renda total recebida (R$ 321.000,00), 90,03% seriam decorrentes de atividade rural exercida pela contribuinte. Desse modo, por não existir nos autos elementos que possam concluir que exista uma terceira atividade remuneratória exercida pela contribuinte e não sendo os recebimentos omitidos àqueles os recebidos pela Incasil Ind. e Com. Araujo e Silva Ltda., compreendo ser possível ser utilizada da presunção, concluindo que o valor recebido decorre do exercício de atividade rural, devendo ser tributada como tal. Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se a contribuinte declara rendimentos provenientes da atividade rural e a fiscalização não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Pelo exposto, entendo que deve ser reduzida a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos, considerandos estes como rendimentos provenientes de atividade rural 6. Multa de ofício agravada A multa de ofício agravada, no percentual de 112,55%, foi aplicada com base no artigo 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 2o As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; O contribuinte não apresentou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante o Termo de Início da Ação Fiscal e o Termo de Reintimação Fiscal. Também não apresentou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, no qual foi solicitada a comprovação da origem dos créditos em suas contas bancárias. No entanto, esse procedimento do contribuinte em nada obstaculizou a atividade fiscal, pois os extratos bancários foram solicitados mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, foilhe imputada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ou seja, o não atendimento das intimações da Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 16 autoridade fiscal não prejudicou a atividade fiscalizatória, pois a autuação se deu por presunção legal. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente a ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202.003.653, data de publicação: 24/03/2015, relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. (Acórdão nº 2201002.241, data de publicação: 07/01/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia). MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. (Acórdão nº 2202003.021, data de publicação:10/04/2015, relator Antonio Lopo Martinez). Saliento, inclusive, que esta Colenda Turma, em processo de relatoria do Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, proferiu acórdão (nº 2202003.132), no sentido de reduzir a multa de 112,5% para 75%, no igual sentido que aqui está sendo encaminhado o voto. Assim, deve ser desagravada a multa de ofício, reduzindose o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para: a) reduzir a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos, considerandos estes como rendimentos provenientes de atividade rural; b) desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10410.722499/201445 Acórdão n.º 2202003.460 S2C2T2 Fl. 1.566 17 Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, peço vênia para divergir tão somente quanto à redução da base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos, por têlos considerados como rendimentos provenientes de atividade rural. O Recorrente argumenta que os rendimentos omitidos deveriam ter sido lançados como oriundos da atividade rural, sendo limitados a 20% da receita identificada. Entretanto, o contribuinte não logrou comprovar que os valores depositados em suas contas correntes eram provenientes daquela atividade. Ademais, ele recebe rendimentos de outra fonte pagadora, conforme se verifica da sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 10). Os rendimentos da atividade rural, por possuir tributação favorecida, devem ser comprovados mediante documentação hábil e idônea. No presente caso, seria necessário que o contribuinte comprovasse cada depósito como sendo oriundo da atividade rural, pois nada impede que as contas correntes em questão tenham recebido depósitos de naturezas diversas, inclusive decorrentes de fontes desconhecidas pelo Fisco. Não se pode presumir que os rendimentos omitidos sejam oriundos da atividade rural. O fato de o Recorrente ter informado em sua Declaração de Ajuste receitas com atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta corrente referemse a essa atividade. Para tanto, tornase necessário que o contribuinte faça prova individualizada de que os valores que transitaram em suas contas bancárias são efetivamente provenientes de tal atividade. Nesse sentido temos as seguintes decisões recentes do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de o contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. (Acórdão nº 2201002.907, data de publicação: 18/03/2016, Rel. Eduardo Tadeu Farah). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE SE TRATA DE RECEITA DECORRENTE DE ATIVIDADE RURAL NÃO COMPROVADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 18 Somente mediante a comprovação pelo contribuinte de que os depósitos efetivados em conta bancária são decorrentes de atividade rural, é que se pode aplicar a tributação favorecida prevista no art. 5º, da Lei 8.023/90. No caso dos autos, tendo havido mera alegação de que o contribuinte exercia exclusivamente atividade rural sem qualquer comprovação de tal fato, assim como, sem comprovar às origens dos depósitos, deve ser mantida a tributação dos rendimentos omitidos com base no art. 42, da Lei 9430/96. (Acórdão nº 2202002.657, data de publicação: 10/09/2014, Rel. Fabio Brun Goldschmidt). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 [...] IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade. (Acórdão nº 2201002.405, Data de Publicação: 30/07/2014, Rel. Nathalia Mesquita Ceia). Dessa forma, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Redator designado Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 29/08/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 15375.003890/2009-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 30/11/1998
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 38 90 /2 00 9- 77 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 9202004.731 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721456/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DECADÊNCIA. Aplica-se ao caso o artigo 150 do Código Tributário Nacional, assim, não assiste razão ao recorrente, pois ao contrário do que afirma, a decadência não é contada da data que deveria ter recebido os proventos e sim do momento em que efetivamente recebeu os valores por determinação judicial.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente, bem como a aplicação de juros.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Aplicase ao caso o artigo 150 do Código Tributário Nacional, assim, não assiste razão ao recorrente, pois ao contrário do que afirma, a decadência não é contada da data que deveria ter recebido os proventos e sim do momento em que efetivamente recebeu os valores por determinação judicial. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente, bem como a aplicação de juros. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 14 56 /2 01 3- 11 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.721456/201311 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 25/02/2013, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, AnoCalendário 2009, na qual foi constatada a omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 103.815,16 (cento e três mil, oitocentos e quinze reais e dezesseis centavos), recebidos pelo titular em virtude de Ação Judicial que concedeu a revisão de beneficio previdenciário. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que houve a decadência, que os rendimentos em análise foram recebidos acumuladamente sendo necessária a tributação progressiva e requerendo o afastamento da aplicação de jutos e multa, in verbis: · “De acordo com a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, para a tributação desse tipo específico de rendimento o Fisco deve observar os valores recebidos mensalmente e não alocar em um único período todo o montante global auferido acumuladamente, conforme acórdão proferido nos autos do REsp 1118429, que foi submetido ao rito do Recurso Repetitivo.” · “Afirma que deve ser levado em consideração as tabelas e alíquotas da época em que o rendimento deveria ter sido pago, oferecendoo à tributação mensal nos períodos a que correspondem os rendimentos, para apuração do eventual imposto devido.” · “Ademais, se os rendimentos recebidos pelo impugnante forem considerados tributáveis, o que se admite apenas para encaminhar o debate, e esses forem tributados na forma que determina o STJ, todos os rendimentos estão alcançados pela decadência, nos termos do §4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional, in verbis: (...)” · “Por fim, caso estas i. autoridades não acatem a tributação dos rendimentos acumulados na forma que determina o STJ, requer o impugnante seja aplicado aquilo que estabelece o parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional: (...) Como se depreende da leitura do dispositivo acima transcrito, quando o Contribuinte observa orientação contida em atos normativos expedidos pela própria Administração tributária, ele não pode ficar a mercê das alterações posteriores, restando resguardado o direito de exclusão de punibilidade, decobrança de juros e de eventual atualização monetária de crédito tributário oriundo da mudança na orientação anterior.” Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “Os rendimentos atrasados recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Tais rendimentos são tributáveis no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda (regime de caixa)..” (...) “O impugnante alega que o crédito tributário relativo aos rendimentos em questão encontra se decaído nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Entretanto, tal alegação não procede pelas razões a seguir expostas. A partir de 1º de janeiro de 1989, em virtude das alterações provocadas pela Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos. Contudo, o art. 2º da Lei 8.134, de 27 de dezembro de 1990, introduziu a necessidade do ajuste anual, conforme se depreende da sua redação: (...) Assim, as normas de incidência do imposto de renda delineiam, atualmente, um sistema híbrido de tributação, em que o imposto é devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, constituindose, contudo, em mera antecipação da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, quando se completa o suporte fático da incidência. (...) O exercício em que o lançamento pode ser efetuado, no caso do imposto de renda das pessoas físicas, é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no ano calendário de 2009, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentação se deu em 30/04/2010. Portanto o lançamento da omissão de rendimentos só poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/2010, sendo 01/01/2011 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2015 o termo final. Como a ciência do Auto de Infração foi em 08/03/2013 (fl. 48), constatase que não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar relativo ao fato gerador ocorrido em 2009, como alegado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.721456/201311 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 4 5 (....) Cumpre ressaltar que os rendimentos auferidos por pessoa física, via de regra, são tributáveis apenas no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda. Vale dizer, a tributação da pessoa física se dá pelo regime de caixa, ou seja, o imposto só atinge o rendimento quando os valores já se encontram à disposição do contribuinte. É o que se extrai do disposto nos artigos 37, 38 e 39 do Regulamento do Imposto Renda (RIR Decreto n.º 3.000/1999): (...) Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos de uma só vez, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (...) Todavia, em virtude da decisão do Supremo Tribunal Federal pela existência de repercussão geral da matéria, por ocasião da resolução de questão de ordem nos autos dos Agravos Regimentais nos Recursos Extraordinários 614.406 e 614.232, o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009 foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 2331/2010, com fundamento nas razões a seguir transcritas: (...) Portanto, a matéria volta a ser regida pelo artigo 12 da Lei n° 7.713/1988, base legal do artigo 56 do RIR/1999, acima reproduzido. (...) A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Senhor Secretário da Receita Federal nesse sentido. No que concerne às jurisprudências invocadas há que ser esclarecido que as decisões administrativas e judiciais, sem Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário, só produzindo efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. (...) Ou seja, o manual não orienta que os rendimentos recebidos acumuladamente devam ser declarados levando se em consideração as tabelas e alíquota das épocas próprias, apenas informa que, em consonância com o Ato Declaratório, vai deixar de constituir os créditos tributários relativos à matéria ali tratada. Em contrário senso, a resposta nº 232 explica que incide o imposto sobre a renda, sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no mês do efetivo recebimento dos mesmos. Não se pode falar em observância, por parte do impugnante, da orientação expedida, portanto, não se aplica ao caso a disposição do Parágrafo Único do art. 100 do CTN. (...) Inferese, daí, que a utilização dos percentuais equivalentes à taxa referencial SELIC para fixação dos juros moratórios está em conformidade com a legislação vigente, pois existe a autorização legal específica preconizada pelo Código Tributário Nacional, art. 161, §1º. (...) Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constante na notificação de lançamento.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que: · “A necessidade de aplicação do entendimento do STJ sobre a questão do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF);” “Desse modo, por força do artigo 62A, tornase imperiosa a reprodução de tal decisão por todos os Conselheiros do CARF – inclusive no presente recurso, uma vez que não houve modulação dos efeitos da decisão pelo STJ.” · “Com o reconhecimento de que esse tipo de rendimento se tributa mês a mês, haverá consequentemente a necessidade de reconhecimento de decadência, tendo em vista que os valores que compõem o valor declarado são relativos à períodos há tempos atingidos pela decadência, nos termos do §4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional.” Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.721456/201311 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 5 7 · “Aduz que houve o correto preenchimento da DIRPF ANO CALENDÁRIO 2009, que os rendimentos foram recebidos acumuladamente e que o mérito da questão deve ser analisada nos moldes da decisão proferida pelo Senhor Ministro Herman Benjamin, no julgamento do REsp 1.118.429 – submetido ao rito do artigo 543C do Código de Processo Civil;” “Ressaltase que o i. relator do acórdão recorrido rebate a jurisprudência citada acima sob o infundado argumento de que ela somente se aplicaria as partes envolvidas, o que não está correto, uma vez que tal decisão foi proferida em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil) e, por isso, se estende a todos os casos que versam sobre a mesma questão.” · “Por fim, caso estas i. autoridades não acatem a tributação dos rendimentos acumulados na forma que determina o STJ, requer o impugnante seja aplicado aquilo que estabelece o parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional: (...)” · “Como se depreende da leitura do dispositivo acima transcrito, quando o Contribuinte observa orientação contida em atos normativos expedidos pela própria Administração tributária, ele não pode ficar a mercê das alterações posteriores, restando resguardado o direito de exclusão de punibilidade, de cobrança de juros e de eventual atualização monetária de crédito tributário oriundo da mudança na orientação anterior.” É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 15/05/2013, conforme AR às fls. 115, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/05/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. PRELIMINAR O recorrente alega que se aplicando a decisão definitiva de que esse rendimento se tributa mês a mês, haverá a consequente necessidade de reconhecimento da decadência tendo em vista que os valores que compõem o valor declarado são relativos a períodos há tempo atingidos pela decadência. Não assiste razão ao recorrente, o Instituto da decadência no Direito Tributário, encontrase regulamentado nos artigos 150 e 173 ambos do Código Tributário Nacional CTN. No caso sub examine, operase a incidência das disposições constantes no artigo 150 do Código Tributário Nacional, in verbis: “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.721456/201311 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 6 9 Integram o presente Auto de Infração lançamentos referentes à contribuições não recolhidas a partir do pagamento de valores recebidos acumuladamente em virtude de Ação Judicial Federal, e de acordo com o §4ª do artigo 150 do Código Tributário Nacional o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do Fato gerador. No caso em tela, o fato gerador foi o recebimento do valor determinando por decisão judicial transitada em julgado, ou seja, o levantamento do alvará. Assim, não há que se falar em decadência, pois o fato ocorreu no ano de 2009 e a notificação realizada em 2013, ou seja, apenas 4 anos após o fato gerador. Nesse sentido, não assiste razão ao recorrente, pois ao contrário do que afirma a decadência não é contada da data que deveria ter recebido os proventos e sim do momento em que efetivamente recebeu os valores por determinação judicial. 3. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 103.815,16 (cento e três mil, oitocentos e quinze reais e dezesseis centavos), recebidos pelo titular em virtude de Ação Judicial que concedeu à revisão de benefício previdenciário, pagos em atraso e de forma acumulada. 3.1. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nesse tocante, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Ficou sedimento o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos atrai a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 10 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Por outro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 prevê a prerrogativa do Fisco de rever o lançamento. Assim, como a época do Lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, deve o fisco rever o lançamento de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.721456/201311 Acórdão n.º 2401004.463 S2C4T1 Fl. 7 11 recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Dessa forma, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” 2.3. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO e JUROS Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 12 O recorrente alega que não omitiu quaisquer rendimentos, já que o valor foi informado no quadro relativo àqueles isentos e não tributáveis. No entanto, ao classificar indevidamente os rendimentos omitidos como isentos e nãotributáveis, na declaração de ajuste anual, o contribuinte deixou de apurar corretamente e de recolher o imposto devido. Sobre o assunto, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), editou o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190, de 26 de janeiro de 2009, no qual, ao analisar a natureza da multa de ofício, deixa claro que esta se presta a penalizar, de forma indistinta, as condutas de “não pagamento” ou “pagamento parcial” da contribuição, bem como a “falta de entrega da declaração” ou a “declaração inexata”. Nessa dimensão, interpreta que o fato gerador da multa de ofício corresponde a condutas que, se praticadas isoladamente, constituiriam fatos geradores da obrigação principal e da obrigação acessória concernente à entrega da declaração. Assim, a inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício e juros. Recordese: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Pelo exposto, nesse ponto também não merece provimento o recurso do contribuinte. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10860.900038/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/09/2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IPI. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL
Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/09/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IPI. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho do Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3801000.468 (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 00 38 /2 00 6- 10 Fl. 235DF CARF MF 2 107/113), da lavra do Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, o qual adoto como meu nos termos abaixo: (...). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJCampinas (SP), fl. 29, que transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), fls. 02/06 com aproveitamento de suposto pagamento a maior. O processo administrativo, posteriormente aos eu protocolo, foi materializa dona forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. A Delegacia da Receita Federal em Taubaté emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação(fl.07), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 28/05/2008 (fl. 08), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 26/06/2008 (fl.09/13) , na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato da vinculação integral do pagamento indevido ou a maior ao débito de IPI relativo ao 2º decêndio de agosto/2002, através da DCTF. No entanto, conforme indicado na DIPJ/2003(fls.18/20),não há débito de IPI no 2º decêndio de agosto/2002.Assim, o referido DARF objeto do pagamento indevido ou a maior está sendo utilizado para pagamento de IPI relativo ao 3º decêndio de agosto/2002 no valor de R$48.744,32, bem como o saldo remanescente está sendo utilizado para compensação do débito de IPI do período do 3º decêndio de junho/2003(DCOMP de fls. 02/06), conforme demonstra em planilha de controle(fl.21). A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no §1º do art.11 da Instrução Normativa RFBnº786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original,sendo que os valores corretos devidos a título de IPI são aqueles declarados na DIPJ 2003.Assim,conclui que o crédito de corrente de pagamento indevido ou a maior de IPI foi devidamente demonstra do por meio da DCTF retificadora, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar o débito da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente â época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10860.900038/200610 Acórdão n.º 3402003.781 S3C4T2 Fl. 454 3 Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributaria; o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3643, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 0913. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. (...). 2. Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos: (...). Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. (...). No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Fl. 237DF CARF MF 4 Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialmente pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. 3. Uma vez realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fl. 228): (...). Trata o presente de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de pagamento a maior, cujo julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em Diligência, conforme Resolução nº 3801000.468 da 1ª Turma Especial do CARF às fls.107/113. Foi solicitada, na Resolução, a confirmação da apuração de saldos credores de IPI nos 1º e 2º decêndios de agosto de 2002, conforme informado na respectiva DIPJ (fl. 183) e corroborado pela DCTF Retificadora, ambas, acostadas aos autos. Para tanto, a pessoa jurídica foi intimada, em 21/11/2013, a apresentar, dentre outros documentos, o Livro Registro de Apuração de IPI relativo ao mês de agosto de 2002. Referido documento foi apresentado e juntado aos autos às fls. 225/227. Conforme se pode constatar no citado livro, nos 1º e 2º decêndios de agosto de 2002 foram apurados saldos credores de IPI, e, no 3º decêndio, saldo devedor de R$ 48.744,32, em consonância com as declarações (DIPJ e DCTF) e alegações trazidas aos autos pela interessada em seu recurso. (...) (grifos nosso). 4. Diante deste quadro, o contribuinte foi intimado para se manifestar a respeito, ficando inerte. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10860.900038/200610 Acórdão n.º 3402003.781 S3C4T2 Fl. 455 5 I. Do crédito compensado 7. Em suma, o contribuinte apresentou Compensação (DCOMP) alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido por intermédio da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes nas DIPJ's original e retificadoras apresentadas. 8. A Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação ao fundamento que o pagamento apontado como origem do direito creditório teria sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 9. Em manifestação de inconformidade o contribuinte não apresentou toda a documentação necessária para atestar seu crédito, em especial DCTF retificadora e DIPJ's retificadoras, o que só foi realizado em sede de recurso voluntário, fato este, inclusive, que motivou a diligência aqui tratada. 10. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da retificação alhures mencionada, o contribuinte não possuía débito para o período mencionado, o que redundou no crédito utilizado na presente compensação e indevidamente glosado pela fiscalização. Dispositivo 11. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.720122/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Ausente momentaneamente o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Ausente momentaneamente o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1436.477, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO, de 31 de janeiro de 2012, que, naquela oportunidade, entendeu, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto. Consta nos autos que trata de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 05616.19103.280808.1.3.029604 (fls. 02/09), da qual a contribuinte pretende compensar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 20 12 2/ 20 10 -1 9 Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.879 2 débitos próprios com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao anocalendário de 2007, no valor de R$ 5.454.162,01 (fl. 03). De acordo com a DIRPJ da interessada (ficha 12A fls 79)), a apuração do lucro no período foi com base no real anual. O resultado fiscal do exercício, embora positivo, gerou saldo negativo assim composto: Imposto de Renda (15%) 213.198.338,38 Adicional de imposto de renda 142.108.225,59 Deduções Operações de Caráter Cultural e Artístico 8.108.511,76 Deduções: Programa de Alimentação do Trabalhador 39.625,28 Deduções: Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 1.280.000,00 Imposto de renda retido na fonte Imposto de renda pago por estimativa 351.332.588,94 Saldo negativo de I R P J 5.454.162,01 A autoridade administrativa competente, que primeiro analisou o pedido, NÃO HOMOLOGOU a Declaração de Compensação n° 05616.19103, por entender inexistente o crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional, e apurou IRPJ a pagar no anocalendário 2007. Assim, de acordo com o Despacho Decisório, apurouse IRPJ a pagar no encerramento do anocalendário 2007, no valor de R$ 4.232.252,62 (quatro milhões, duzentos e trinta e dois mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e sessenta e dois centavos), não havendo falar em crédito a favor do contribuinte. A tabela abaixo demonstra o quanto decidido pela Delegacia de origem: Imposto de Renda (15%) 213.198.338,38 Adicional de imposto de renda 142.108.225,59 Deduções Operações de Caráter Cultural e Artístico 0,00 Deduções: Programa de Alimentação do Trabalhador 39.625,28 Deduções: Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 680.000,00 Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.880 3 Imposto de renda retido na fonte 39.286.996,83 ( Imposto de renda pago por estimativa 311.067.689,24 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 4.232.252,62 Cientificada do Despacho Decisório citado, entendeu a interessada apresentar, por intermédio de seu representante legal, manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos. Encaminhados os autos para julgamento, a 6ª Turma da DRJ/RPO, analisou a manifestação de inconformidade apresentada e entendeu, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte desenvolver plenamente sua defesa. IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano calendário. DIREITO CREDITÓRIO. RENDIMENTOS FINANCEIROS. TRIBUTAÇÃO. OFERECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. A restituição do saldo negativo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, apurado na declaração de ajuste de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, em razão de compensação de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as receitas financeiras correspondentes foram oferecidas à tributação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.881 4 Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da r. decisão na data 08/03/2012 (fls. 18681869) e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 05/04/2012 (fls. 1468), tempestivamente através de representante regularmente constituído (244249) pugnando por provimento . Após historiar a decisão de primeira instância, sob sua ótica, a interessada repisa os argumentos apresentados em sua peça inicial de defesa, cujos tópicos serão analisados, por ocasião do julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Conforme descrito no relatório, o presente processo trata de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 05616.19103 (fls. 02/09), da qual a contribuinte pretende compensar débitos próprios (estimativa IRPJ de 07/2008, no valor de R$ 5.856.679,17) com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 5.454.162,01 (fl. 03). Ocorre que a autoridade administrativa competente que primeiro analisou o pedido, NÃO HOMOLOGOU a Declaração de Compensação n° 05616.19103, por entender inexistente o crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional, e apurou IRPJ a pagar no ano calendário 2007. A tabela abaixo demonstra o quanto decidido pela Delegacia de origem: Imposto de Renda (15%) 213.198.338,38 Adicional de imposto de renda 142.108.225,59 Deduções Operações de Caráter Cultural e Artístico 0,00 Deduções: Programa de Alimentação do Trabalhador 39.625,28 Deduções: Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 680.000,00 Imposto de renda retido na fonte 39.286.996,83 Imposto de renda pago por estimativa 311.067.689,24 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 4.232.252,62 Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.882 5 Em seguida, os autos foram enviados para a DRJ, que manteve os termos da decisão administrativa anterior. O contribuinte, por sua vez, insurgese contra a decisão recorrida, apresentando preliminares e argumentos de mérito que serão analisados quando do julgamento. Por ora, aprecio a possibilidade de juntada de novos documentos, por ocasião do protocolo do recurso voluntário: Documentos apresentados no recurso voluntário ausência de preclusão Além dos estatutos sociais e documentos de identificação dos patronos e representação, a recorrente traz aos autos cópia do termo de abertura e encerramento de livros diários (125 a 136); publicações em Diário Oficial da União; LALUR ; registros contábeis, comprovante de pagamento ao favorecido Cons. Mun. Dir. Criança Adols; declaração de depósito realizado emitida pelo Conselho Municipal de Pirapora do Bom Jesus, da cidade dos Romeros/SP; DIPJ 2009; notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela CIELO e destinatário Banco do Brasil S/A. Em relação a esse ponto, destaco disposições contidas no art. 16 do Decreto 70.235/72, que, estabelece as específicas regras relativas ao processo administrativo fiscal federal, assim, inclusive, especificamente assenta: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas.( Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.883 6 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (g.n) De fato, o §4o do art. 16 do PAF determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. DA ANÁLISE INICIAL Da Diligência Fiscal Antes de qualquer análise objetiva a respeito das razões sustentadas pela recorrente, entendo necessária a conversão dos autos em diligência. O direito creditório pleiteado é composto de deduções que foram glosadas pelas autoridades julgadoras precedentes por insuficiência de documentos comprobatórios. Ocorre Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.884 7 que estes documentos foram posteriormente juntados aos autos e aceitos, em conformidade com o tópico acima. Assim, antes de ingressar no mérito propriamente dito, entendo necessário que os novos documentos sejam analisados pela Delegacia de Origem, sobretudo porque são documentos contábeis e fiscais, cujo conteúdo deve ser analisado pela referida autoridade, na comprovação do direito alegado. Além disso, como se observa nas razões de recurso, há documentos mencionados pela recorrente que não se encontram nos autos, sobretudo o livro "Razão". No recurso há notícia da juntada do referido documento em arquivo magnético, onde a recorrente utilizouse da expressão "doc. 06" para identificar esses documentos. Em face dessas circunstâncias, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no específico e objetivo sentido de solicitar aos doutos agentes da fiscalização fazendária que promovam a análise dos documentos juntados em face da comprovação do direito perseguido, possibilitando, assim, a regular análise da matéria discutida no presente feito. A Delegacia de Origem adotará as seguintes providências: i) Verificar se o "doc. 06" mencionado no recurso voluntário encontrase pendente de juntada nesses autos, fazendo, se for o caso, a devida juntada de tal documento. Caso contrário, intimar o Contribuinte para fins de trazer aos autos os documentos identificados como "doc. 06", sob pena de preclusão; ii) Caso entenda necessário, intimar a recorrente a prestar esclarecimentos e/ou "documentos complementares", de forma que o Contribuinte possa auxiliar, com demonstrativos ou planilhas que sirvam de guia, especialmente na parte do regime de competência x caixa. iii) Com referência ao tópico "Confirmação das Operações de Caráter Cultural e Artístico": verificar: i) se os valores foram objeto de dedução como despesa operacional; ii) se o LALUR reflete as informações fornecidas na DIPJ/2008, neste ponto. iv) Com referência ao tópico "Da Confirmação das Doações a Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente": verificar: i) se os valores foram objeto de dedução como despesa operacional; ii) se o LALUR reflete as informações fornecidas na DIPJ/2008, neste ponto. v) Com referência ao tópico "Da Confirmação do Imposto de Renda Recolhido com o Código 8045, no valor de R$ 28.632.543,62": verificar se todos os lançamentos a crédito nas contas contábeis nº 4101011011, 4101011012 e 4101015001, no total de R$ 1.810.673.285,61, foram oferecidos à tributação pelo regime de competência; inclusive apurar se o valor de R$5.526.293,97 está incluído no somatório das contas citadas anteriormente. vi) Com referência ao tópico "Da Confirmação do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 1.410.817,30": verificar se as receitas financeiras no montante de R$ 9.405.451,59 foram efetivamente oferecidas à tributação pelo regime de competência, Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 13896.720122/201019 Resolução nº 1301000.390 S1C3T1 Fl. 1.885 8 utilizandose dos registros efetuados pela contabilidade, ainda que os resgates tenham sido efetuados pelo regime de caixa. vii) Com referência ao tópico "Da Confirmação do Imposto de Renda Retido na Fonte": verificar oferecimento à tributação da receita financeira que resultou no IRRF de R$ 15.030,14. viii) Com referência ao tópico "Da Confirmação do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$18.593,23": verificar se as.referidas receitas sobre os quais incidiu o referido IRRF foram oferecidas à tributação; verificar se a DIRF da fonte pagadora (CNPJ: 00.000.000/000191) foi retificada. ix) Após as verificações acima, elaborar relatório conclusivo cientificandose, em seguida, o contribuinte do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1885DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.000620/2008-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/05/2003
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de recurso de ofício quando o valor exonerado no processo não atinge o valor de alçada (art. 1º, parágrafo único, Portaria n.º 3/2008).
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento a Dra. Clarissa Viana, OAB/MG 98.623.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/05/2003 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de recurso de ofício quando o valor exonerado no processo não atinge o valor de alçada (art. 1º, parágrafo único, Portaria n.º 3/2008). Recurso de Ofício Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento a Dra. Clarissa Viana, OAB/MG 98.623. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PASTIFICIO SANTA AMALIA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/05/2003 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de recurso de ofício quando o valor exonerado no processo não atinge o valor de alçada (art. 1º, parágrafo único, Portaria n.º 3/2008). Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento a Dra. Clarissa Viana, OAB/MG 98.623. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 06 20 /2 00 8- 94 Fl. 803DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de multa isolada no valor de R$ 156.000,00 em razão da não homologação da compensação objeto do processo n.º 13011.000425/2002101. Apresentada Impugnação Administrativa, essa foi julgada procedente pela DRJ, em acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A multa isolada por compensação indevida não é aplicável a declarações de compensação apresentadas antes de 31 de outubro de 2003, data da vigência da norma instituidora da referida penalidade. Lançamento Improcedente" (efls. 595) Desta decisão foi interposto recurso de ofício vez que, como consignado na r. decisão, esse processo deveria ser julgado conjuntamente com o processo n.º 10660.000619/200860 (processo de multa de compensação não homologada de COFINS): "A impugnação é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. De inicio destacase que, em decorrência da não homologação da compensação declarada no processo 13011.000425/200210, que foi considerada indevida em razão de ficar caracterizada infração prevista nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, foram efetuados lançamentos a titulo de multa isolada consubstanciados no presente auto de infração e no processo n° 10660.000619/200860. A esse respeito determina o § 3º do art. 18 da Lei n.º 10.833, de 2003 a análise simultânea das peps de defesa a manifestação de inconformidade contra não homologação e impugnação contra o lançamento da multa isolada. No mesmo sentido, prevê o inciso II, do art. 1° da Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008, que serão objeto de um único processo administrativo a não homologação de compensação e o lançamento de oficio de crédito tributário dela decorrente. Registrese que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n.º 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, devendo o lançamento reunir em um único instrumento a referida multa. 1 Nos exatos termos do Termo de Verificação Fiscal PIS: "Em atendimento ao Registro de Procedimento Fiscal — Revisão Interna no 06.1.06.002008002165 (documento de folha 01), datado de 18 de fevereiro de 2008 vimos executar o procedimento de lançamento de Multa Isolada do contribuinte acima especificado. Abaixo estão descritos os fatos e as conclusões desta fiscalização. Será efetuado o lançamento de Multa Isolada em relação ao PIS no contribuinte acima citado referente a não homologação de Declaração de Compensação referente ao processo de número 13011.000425/200210." (efl. 7) Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10660.000620/200894 Acórdão n.º 3402003.823 S3C4T2 Fl. 804 3 Desse modo, deveriam constituir um único processo a declaração de compensação (13011.00425/200210), o presente auto de infração (10660.000620/200894) e parte do auto de infração da COFINS (10660.000620/200860). Por questões de incompatibilidade entre os sistemas, que controlam os processos de declaração de compensação e os processos dos autos de infração, não foi possível anexálos para atendimento as citadas normas, contudo, atendese a determinação legal no presente feito com o julgamento em conjunto dos processos em questão. Temse por necessário então que o presente processo, bem como os demais de n° 13011.000040/200325, de n° 13011.000092/200300, de n° 10660.000619/200860 e de n°10660.000620/200894, tramitem em conjunto. Com respeito aos lançamentos de oficio da multa isolada de 150%, por compensação indevida, fundamentados no art. 18 da Lei n.º 10.833, de 2003, verificase que as exigências não se sustentam, porque o referido dispositivo foi aplicado a DCOMP apresentada em 08/10/2002 (última retificação em 20/05/2003) antes, portanto, da entrada em vigor do dispositivo que instituiu a referida penalidade, que foi o art. 18 da Medida Provisória n.º 135, de 30 de outubro de 2003, vigente no dia seguinte, e sucedido pelo art. 18 da referida lei. Também se pode dizer que a lei, que comina penalidade, jamais retroage, salvo para beneficiar o réu, o que não é o caso do art. 18 da Lei n.º 10.833, de 2003, no tocante multa em discussão. (...) Cumpre informar, por oportuno, que houve recurso de oficio no processo n° 10660.000619/200860, em razão do valor exonerado a titulo da mesma exigência ora em análise e, conforme já explicitado, os lançamentos a titulo de multa isolada devem originar um único processo, e se submeterem, por óbvio, à mesma tramitação, assim, recorrese de oficio da exoneração da presente exigência, sob pena de se configurar burla ao recurso de oficio. Por conseguinte, voto por considerar improcedente o lançamento, exonerando o crédito tributário exigido. Salientese que o presente processo e os demais, de n° 13011.000425/200210, n° 13011.000040/200325, n° 13011.000092/200300, n° 10660.000619/200860, devem tramitar em conjunto, em obediência ao §3° do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (efl. 608 grifei) Intimado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário apenas afirmando a necessidade de se negar provimento ao recurso de ofício. Atentandose para os presentes autos, vislumbrase que quaisquer dos processos mencionados pela Delegacia de Julgamento foram a ele apensados, sendo certo que o presente processo seguiu seu curso de forma apartada2. É o relatório. 2 Em consulta ao site do CARF, vislumbrase que o processo n.º 10660.000619/200860, referenciado na decisão, já foi objeto de julgamento por meio do Acórdão 3301002.121, sessão de 27/11/2013. Relator Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fl. 805DF CARF MF 4 Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Em conformidade com o art. 1º, parágrafo único da Portaria n.º 3/2008, não conheço do recurso de ofício vez que o valor exonerado considerado pela decisão de primeira instância não atinge o valor de alçada. Como indicado neste dispositivo, o valor da exoneração deve ser verificado por processo. "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." (grifei) Nesse sentido, não conheço do Recurso de Ofício. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 806DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903567/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 24/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 24/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 67 /2 01 2- 34 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903567/201234 Acórdão n.º 3402003.539 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.910, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903567/201234 Acórdão n.º 3402003.539 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903567/201234 Acórdão n.º 3402003.539 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903567/201234 Acórdão n.º 3402003.539 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903567/201234 Acórdão n.º 3402003.539 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.720397/2010-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, a DA CF/88.
Compreende-se no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas arroladas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente MUNICÍPIO DE ITAPETINGA PREFEITURA MUNICIPAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, ‘a’ DA CF/88. Compreendese no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas arroladas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 97 /2 01 0- 86 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 858 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração AI DEBCAD N ° 37.304.1659, à e fl. 02, cientificado ao contribuinte em 20/10/2010, com relatório fiscal da infração às efls. 04 a 08. O objeto do presente processo é a cobrança da contribuição previdenciária declarada e que deixou de ser recolhida em decorrência de ter o fiscalizado efetivado em GFIP compensação de créditos tributários previdenciários, ao tempo em que foi feita a glosa das compensações previdenciárias declaradas em GFIP das competências 03/2009, 10/2009 a 13/2009, 04/2010 a 07/2010. O crédito tributário, consolidado em 13/10/2010, acrescido de juros e multa de mora montou a R$ 4.193.192,81. A Prefeitura apresentou impugnação, às efls. 427 a 444, em 19/11/2010, através da qual contestou o AI. A 6ª Turma da DRJ/SDR considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 1527.775 de 19/07/2011, às efls. 472 a 479. Inconformada, em 21/11/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 483 a 501, e nele, em resumo, afirma que: · Que a contagem do prazo prescricional deve contar a partir da Resolução 26/2005 do Senado Federal; · Que a retificação da GFIP enseja perda do direito ao tempo de contribuição por parte do Segurado, uma vez que estará excluído do banco de dados da Previdência Social; · Que sobre os subsídios do Prefeito e Vice Prefeito, de 07/2001 a 12/2003, houve o efetivo pagamento das contribuições previdenciárias, comprovado através dos Extratos de Repasse do FPM, extraídos do site oficial do Banco do Brasil; · Que apurou créditos oriundos de divergências nas informações realizadas no período compreendido entre 12/2004 e 08/2010, em relação aos valores a recolher, segundo consta do CCOR/GFIP; Fl. 858DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 859 3 · Que no período de 01/2000 a 06/2001, apesar de não ter havido o regular recolhimento das contribuições, foram gerados débitos cadastrais, através de Lançamento de Débito Confessado, em que foram incluídos os valores em aberto dessas competências. São eles: 35.081.9769, 35.081.9785, 35.339.2235, 35.437.4010 e 35.437.4028. Aduz que os valores que não foram regularmente recolhidos no período de 01 a 09/2004 foram inseridos nos Debcad nº 37.091.1326, 37.091.1334, 37.091.1342 e 37.091.1350” ; · Que não deve incidir contribuição previdenciária sobre férias indenizadas, férias vencidas rescisórias, verbas proporcionais rescisórias, 1/3 constitucional de férias, 1/3 de férias indenizadas, abono pecuniário, abono pecuniário indenizado e horas extras. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/02/2013, resultando no acórdão 2302002.319, às efls. 694 a 730, que tem a seguinte ementa: CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/ PR. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 860 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, ‘a’ DA CF/88. Compreendese no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. Recurso Voluntário Negado O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Embargos de Declaração da Contribuinte A Prefeitura do Município de Itapetinga, cientificada do acórdão acima em 10/06/2013, interpôs embargos de declaração em 17/06/2013 (efls. 736 a 756), que foi rejeitado pela Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 10/12/2014, na INformação nº 2302095, às efls. 800 a 804. Recurso Especial do Contribuinte Fl. 860DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 861 5 Ciente da rejeição de seus embargos em 23/03/2015 (efll. 810), a Prefeitura interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 813 a 817, em 14/04/2015, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelo acórdão paradigma nº 2402004.202 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. O representante da contribuinte afirma que a matéria em discussão é a definição do alcance do salário de contribuição, do citado art. 28 da Lei nº 8.212/1991, e de sua inaplicabilidade relativamente ao terço constitucional de férias. Enquanto a decisão recorrida decidiu que incide contribuição sobre as parcelas oriundas do terço constitucional de férias, o acórdão paradigma decidiu que não deve incidir contribuição sobre a mesma parcela. Por essas razões, pleiteou que seja conhecido com o seu provimento para que haja homologação das compensações relativas aos créditos oriundos dos recolhimentos indevidos sobre o terço constitucional de férias. O presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF, através do despacho de efls. 834 a 840, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 07/08/2015. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do despacho de admissibilidade do RE da contribuinte em 11/09/2015 (efl. 841), a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões em 28/09/2015 (efl. 842 a 848). De início, a Procuradora afirma que não deve ser admitido o RE da contribuinte em razão de o julgado recorrido ter sido proferido em um contexto fático diverso do existente no paradigma, na medida em que inexistia decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, acerca do tema. O julgamento recorrido deuse em 19/02/2013. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 2402004.202 estava amparado essencialmente no RESP 1.230.957, proferido pelo Ministro Mauro Campbell Marques em 18/03/2014. Tal entendimento foi aplicado em razão da regra regimental constante do art. 62A, prescindindo discussão acerca da matéria. Pelo princípio da eventualidade, aborda o mérito da discussão, invocando o inc. I e o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, para afirmar que todas as verbas pagas em razão do trabalho, ou seja, todos os rendimentos ou retribuições do trabalho, quaisquer que sejam suas naturezas, excetuandose os pagamentos discriminados no §9º, compõe o salário de contribuição para previdência social; o referido parágrafo não exclui os valores referentes ao terço de férias constitucional. Também não haveria fundamento jurídico para concluir que o terço de férias tem natureza indenizatória, pois este não decorre de qualquer malefício decorrente da relação de emprego. Pelas razões expostas, requereu a União que fosse negado o provimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. É o relatório. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 862 6 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso a ser analisado é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Da admissibilidade do RE Em face das considerações postas pela Procuradora da Fazenda, há que se distinguir a similitude fática que fundamentou as decisões recorridas e paradigmática da análise jurídica nelas contida. Os fatos eram de mesma natureza, existência de valores pagos a título de o terço constitucional de férias. A incidência da norma jurídica é que teve discussões distintas: no recorrido se discutia a incidência ou não da contribuição previdenciária sobre estes valores, abordandose diretamente a legislação; no paradigma essa abordagem não existe de forma direta, mas com base no que decidira o STJ em sede de recurso repetitivo. Assim, ainda que no voto do paradigma não se discutam diretamente os conceitos que levariam à incidência ou não do tributo, eles estariam contidos na interpretação adotada pelo STJ, que por força do RICARF deve ser reproduzida pelos conselheiros em seus julgamentos. Esclareçase aqui, que as situações fáticas são semelhantes, tanto no caso do acórdão recorrido, quanto no caso do acórdão paradigma, discutese a exigência de contribuições sociais sobre o terço constitucional de férias. Adicionalmente, caso a situação fática enfrentada pelo colegiado recorrido fosse apresentada ao colegiado que proferiu o acórdão paradigma, a decisão seria diferente. O teste acima referido deixa clara a existência de divergência jurisprudencial sobre o tema. Não se confunda a divergência aqui comprovada com o caso em que o acórdão paradigma tenha sido proferido em face de um arcabouço normativo anacrônico, que já tenha sido superado pelo advento de novas normas de aplicação obrigatória. Não é esse o caso aqui enfrentado. Por essa razão, ratifico a admissibilidade do RE da contribuinte. Do mérito Para enfrentamento do mérito, inicio referindo que, de fato, a questão da incidência da contribuição social sobre determinadas rubricas, como no caso o terço constitucional de férias gozadas, pela discussão de sua natureza, remuneratória ou indenizatória, se encontra em disputa no âmbito do Resp nº 1.230.957/RS, junto ao Superior Tribunal de Justiça STJ. De fato, o acórdão paradigma entendeu aplicável mandatoriamente a decisão exarada pelo STJ, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do CARF, concluindo pela não incidência da contribuição sobre a verba. Por outro lado, o colegiado ora recorrido não se filiou Fl. 862DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 863 7 aos termos da decisão do STJ e, considerando a legislação de regência, concluir pela incidência da contribuição sobre a verba. Portanto, a questão aqui posta se resume à determinação de aplicação mandatória da decisão do STJ à situação dos autos: se o colegiado entender aplicável, deverá mandatoriamente reproduzir a posição do STJ; e se, entretanto, o colegiado não entender aplicável, deverá analisar a legislação de regência e se posicionar sobre o caso. Delimitada a lide, podemos então passar a sua análise. Pois bem, entendo não ser aplicável aqui o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, porque não há trânsito em julgado do Resp 1.230.957/RS. Em simples consulta ao sítio do STJ na internet (http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp), podese observar que o julgamento em recursos repetitivos no tocante à discussão sobre valores a título de adicional de férias em 1/3 (Tema 479) não tem trânsito em julgado, pois essa matéria encontrase sobrestada, por fazer parte do Tema 163 de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal STF (RE 593.068/SC). Nesse sentido, como não há a obrigatoriedade de reproduzirse aquele entendimento, resta necessário perquirir a legislação para identificar o correto tratamento aplicável ao caso. Filiome ao entendimento de que compreendese no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, ressalvadas as rubricas arroladas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. Ora, o terço constitucional de férias não se encontra referido nas ressalvas do referido parágrafo 9° e, portanto, caracteriza verba componente do salário de contribuição. Nesse sentido, cabe referência ao acórdão 9202003.927, da relatoria do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Com a devida vênia ao entendimento esposado pelo relator, ouso discordar, exclusivamente quanto ao não provimento do pleito fazendário, no que diz respeito à não incidência das contribuições previdenciárias sobre o adicional de 1/3 de férias, quando estas forem gozadas. A propósito, em análise, o art. 28 da Lei nº. 8.212, de 1991, mais especificamente o seu caput e §9o ., este último plenamente aplicável também à base imponível da contribuição previdenciária a cargo das empresas, com fulcro no art. 22, §2o do mesmo diploma. A seguir, a redação do dispositivo vigente à época dos fatos geradores em questão: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 864 8 Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528,de10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)(g.n.). e)as importâncias: (IncluídapelaLeinº9.528,de10.12.97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2.relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Le i nº 5.889, de 8 de junho de 1973; Fl. 864DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 865 9 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº9.711,de1998). 8. recebidas a título de licença prêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711,de1998). f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; g)a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494,de7dedezembrode1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público PASEP;(Incluída pelaLeinº9.528,de10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência,em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528,de10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(IncluídapelaLeinº9.528,de10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que Fl. 865DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 866 10 disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;(IncluídapelaLeinº9.528,de10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Leinº9.528,de10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao vale cultura.(Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) Inicialmente, a respeito do tema, de se notar, em linha com o mencionado pelo Relator e conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos relativos ao tema, que a decisão judicial citada (REsp 1.230.957), ainda que julgada sob a sistemática prevista no art.543C do Código de Processo Civil, encontrase, conforme consulta ao site do Supremo Tribunal de Justiça, sobrestada, não tendo ocorrido o trânsito em julgado do referido Acórdão, por conta de existência de feitos pendentes Fl. 866DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 867 11 sobre a matéria com repercussão geral reconhecida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Daí, de se rechaçar, aqui, qualquer violação ao art. 62A do Regimento desta Casa ao não se adotar o posicionamento ali esposado pelo Egrégio STJ no citado REsp. Desta forma, de se aceder aqui à atual necessidade de plena observância ao dispositivo legal acima reproduzido em vigor, não só em plena consonância com o art. 62 do referido Regimento, mas também, e principalmente, em plena obediência ao princípio da legalidade que deve nortear a seara do direito tributário material, sem que se possa abrir mão do princípio em prol de uma possível "economia processual", notese, eventualmente vinculada a decisum ainda pendente de reapreciação e, assim, não vinculante, ainda que julgado (repitase, de maneira não definitiva) em sede de recurso repetitivo. Assim, entendo que, no caso, a celeuma deve se ater à interpretação por este CARF do dispositivo legal em comento (repitase, plenamente vigente), para fins de definição da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre a verba sobre a qual o litígio se resume a esta altura, a saber, o adicional (1/3) de férias recebido pelos empregados decorrentes de férias gozadas. A propósito, interpreto que trata o referido §9o . do mencionado art. 28 de elenco taxativo de exclusões da base de cálculo, podendose concluir neste sentido, em meu entendimento, ao se interpretar o referido parágrafo (que em suas numerosas alíneas trata com grande especificidade de cada exclusão, sem a utilização de termos ou descrições de rubricas genéricas) à luz do caput do mesmo artigo, que, a seu turno, estabelece critério quantitativo bastante abrangente da hipótese de incidência, a saber, "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma". Feita tal digressão, verifico ter se referido o legislador na alínea "d" do já extensivamente mencionado §9o . especificamente e exclusivamente aos valores recebidos a título de férias indenizadas, não havendo motivo, assim, para se entender como abrangida na referida exclusão qualquer outro tipo de remuneração (tal como o adicional referente a férias gozadas), em plena consonância com o princípio basilar de hermenêutica de que a lei não contém palavras inúteis (Verba cum effectus untaccipienda).Caracterizada,assim ,a intenção do legislador no sentido de restringir a exclusão às férias indenizadas, por não gozadas. Adicionalmente, cabe colocar que o art. 214, § 4o do Decreto 3.048/2009 é peremptório ao determinar a inclusão do terço constitucional de férias no salário de contribuição. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 868 12 Conclusão Dessarte, com base no acima exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, para manter o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 868DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 869 13 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o brilhante voto do relator, consigno meu entendimento de que as verbas em discussão possuem indiscutível caráter indenizatório, o que excluí as mesmas da base de cálculo do salário de contribuição para fins da contribuição previdenciária devida aos cofres públicos. Nesse sentido aponta a doutrina pátria e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ressaltando que se deve levar em conta o caráter finalístico da verba como fator preponderante para sua classificação em indenizatória ou remuneratória. Observese que a redação do artigo 28, I da lei 8212/91 ao disciplinar o conceito de salário de contribuição para o empregado e trabalhador avulso referese a totalidade de rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. A finalidade do adicional de férias (1/3), não é o de remunerar o trabalhador, mas sim o de garantir um extra a ser usufruído no período de descanso, uma vez que seus gastos fixos habituais já comprometem a remuneração mensal. Logo, não há que se falar em verba remuneratória, pois não há trabalho realizado, mas sim uma indenização recebida Dessa análise podese extrair que o terço constitucional sobre férias não se encontra denominado no conceito de salário de contribuição para fins previdenciários, motivo pelo qual não há que se falar em literalidade da lei, quanto menos em aplicação da estrita legalidade. Também não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas tão somente de interpretála em consonância com os próprios ditames constitucionais que expressamente definiram o trabalho como fato gerador da exação fiscal. Para entender tal discussão é importante compreender o histórico que veio sendo traçado pela doutrina, jurisprudência e legislação. Cumpre esclarecer que, a presente discussão teve início dentro do Regime Próprio de Previdência Social, conforme podemos verificar no voto do STJ em sede de uniformização de jurisprudência no qual determinou que a TNU adequasse seus julgados para não incidência: PETIÇÃO Nº 7.296 PE (2009/00961736) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON REQUERENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : ROBERTA CECÍLIA DE QUEIROZ RIOS E OUTRO(S) REQUERIDO : VIRGÍNIA MARIA LEITE DE ARAÚJO ADVOGADO : CLAUDIONOR Fl. 869DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 870 14 BARROS LEITÃO DEFENSOR PÚBLICO EMENTA TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS RECURSAIS DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS NATUREZA JURÍDICA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais firmou entendimento, com base em precedentes do Pretório Excelso, de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. A Primeira Seção do STJ considera legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ à posição sedimentada no Pretório Excelso de que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, verba que detém natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 4. Incidente de uniformização acolhido, para manter o entendimento da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, nos termos acima explicitados. Com referência ao Regime Geral de Previdência – INSS, o STJ inicialmente teve entendimento diverso, de que se tratava de verba eminentemente remuneratória, pois seu direito era adquirido em decorrência do período de exercício de trabalho remunerado, sendo, portanto, devida a incidência da contribuição (RE 345.458, 2 Turma, Relatora Ellen Grace). Contudo, este entendimento foi revisto pelo STJ, que passou a acompanhar o entendimento manifestado pelo STF, no sentido de que as verbas que possuem natureza indenizatória/compensatória, assim o terço constitucional sobre férias e outras verbas não devem sofrer incidência da referida contribuição previdenciária: RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (2011/00096836) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA/ ADVOGADO : LUCAS BRAGA EICHENBERG E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ASBACE ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR E OUTRO(S) INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR ABMES ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 871 15 IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543A e 543B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que, "reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005" . No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no REsp 1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543C do CPC, ficando consignado que, "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN" . 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 1 de 5 Superior Tribunal de Justiça seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba Fl. 871DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 872 16 evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 2 de 5 Superior Tribunal de Justiça 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Fl. 872DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 873 17 Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 3 de 5 Superior Tribunal de Justiça No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 874 18 Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Observo que a discussão não é nova neste Tribunal Administrativo/CARF, pois inclusive já houve entendimentos nesse sentido, conforme julgado abaixo: Acórdão 2402003.564 Número do Processo: 10783.722724/201162 Data de Publicação: 21/06/2013 Contribuinte: CHOCOLATES GAROTO SA Relator(a): RONALDO DE LIMA MACEDO Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE AS VERBAS TITULADAS DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E DOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA OU ACIDENTE DO TRABALHO. AUXÍLIOCRECHE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2.118/2011. DIREITO DE CRÉDITO. VERBAS QUE NÃO OSTENTAM O CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito a Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias e os quinze primeiros dias de afastamento do trabalho em decorrência de auxílio doença e acidente do trabalho, bem como os pagamentos referentes ao auxíliocreche. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Conforme dispõe o Enunciado nº 310 de Súmula STJ, o auxíliocreche não integra o salário de Fl. 874DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 875 19 contribuição. Em decorrência de entendimento pacífico da jurisprudência e orientação constante do Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, PGFN/CRJ/Nº 2.118/2011, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxíliocreche VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO JORNADA E ABONO TURNO FIXO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As parcelas pagas aos empregados a título de Abono Jornada e Abono Turno Fixo, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. VERBA PAGA A TÍTULO DE REEMBOLSO DE MATERIAL ESCOLAR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O reembolso de material escolar está inserido no conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, uma vez que se constitui em uma vantagem econômica para o trabalhador, auferida como retribuição ao trabalho prestado, caracterizando, assim, o recebimento de uma remuneração indireta. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Os doutrinadores tem ressaltado que a redação do texto legal, gera o questionamento de inúmeras situações. A professora MELISSA FOLMANN1 explica que a CF/88 em seu artigo 158, I, a: “elegeu o trabalho (atividade laboral remunerada) como fato gerador da incidência de contribuição social previdenciária, no que foi seguida pela Lei 8212/91 (artigo 28), contudo, a expressão “folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados” motiva a discussão acerca do enquadramento destas verbas na base de cálculo das contribuições sociais. E assim pondera que quanto ao terço de férias (...) “a matéria encontrase em Repercussão Geral perante o STF no RE 593068”. Entretanto, tanto o Superior Tribunal de Justiça, quanto o CARF compreenderam tratarse de verba indenizatória não passível de contribuição previdenciária”. Vale lembrar, portanto, que embora sobrestada ao reconhecimento de repercussão geral no STF, a matéria foi objeto de análise no STJ em sede de repetitivo de controvérsia, sobre a qual não cabe mais nenhum recurso no próprio STJ. Deste modo, embora o acórdão não goze de trânsito em julgado material, até que venha a ser julgada a repercussão geral Tema 163 – no STF, esta exara formalmente o posicionamento do STJ, de modo que deve ser aplicado pelos Tribunais Administrativos. Pois bem, o Ilustre relator entende não ser aplicável aqui o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, por não haver até o presente momento o trânsito em julgado formal do Resp 1.230.957/RS. Ouso discordar. Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Fl. 875DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 9202004.350 CSRFT2 Fl. 876 20 Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão do Art. 214, § 4 do decreto 3048/99, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. Diante do exposto acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrevi acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes do terço constitucional sobre férias. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes FOLMANN, Melissa. Contribuições sociais previdenciárias sobre folha de salários e análise econômica do direito: crise de destinação. In: GRUPENMACHER, Betina Treiger (Coord). Tributação: Democracia e liberdade. São Paulo: Noeses, 2014, p. 255 280. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2 016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.720777/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação.
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
MULTA. AUMENTO. 112,5%. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação.
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
MULTA. AUMENTO. 112,5%. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não impedem seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.237
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência das Contribuições sobre o valor decorrente da venda das ações obtidas no processo de desmutualização, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Lenisa Prado, Sarah Linhares e Walker Araújo, Relator. O Conselheiro Ricardo Paulo Rosa redigirá o voto vencedor.
Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir o percentual da multa aplicada de 112,5% para 75%.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência de juros sobre a multa, vencida a Conselheira Sarah Linhares e o Conselheiro Domingos de Sá.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Redator designado.
EDITADO EM: 12/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. MULTA. AUMENTO. 112,5%. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. MULTA. AUMENTO. 112,5%. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não impedem seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. MULTA. AUMENTO. 112,5%. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 77 /2 01 2- 93 Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 2 obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. MULTA. AUMENTO. 112,5%. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não impedem seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência das Contribuições sobre o valor decorrente da venda das ações obtidas no processo de desmutualização, vencidos os Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 3 3 Conselheiros Domingos de Sá, Lenisa Prado, Sarah Linhares e Walker Araújo, Relator. O Conselheiro Ricardo Paulo Rosa redigirá o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir o percentual da multa aplicada de 112,5% para 75%. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência de juros sobre a multa, vencida a Conselheira Sarah Linhares e o Conselheiro Domingos de Sá. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Ricardo Paulo Rosa Redator designado. EDITADO EM: 12/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança do crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS do período de 31.10.2007 a 31.12.2007, no montante originário de R$ 14.686.071,55. Os fundamentos que embasaram o lançamento e a apuração da base de cálculo estão demonstradas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 6286. Em apartada síntese, a fiscalização constatou: 1 Desmutualização da BM&F e venda de parte das ações recebidas na oferta pública. Em 28 de agosto de 2007, como resultado do processo de desmutualização da BOVESPA e da CBLC, aprovado em Assembléias Gerais Extraordinárias, realizadas nesta data, a Bolsa de Valores de São Paulo deixou de ser uma associação sem fins lucrativos para se tornar uma sociedade por ações; Que, antes da desmutualização, a Contribuinte era detentor de 5.600 ações da CBLC, que resultaram em 10.353.952 ações da Bovespa Holding S/A, valoradas, após a desmutualização, em R$ 18.193.165,70; Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 4 Que, em 30/10/2007, na distribuição pública (IPO), a Contribuinte vendeu 2.698.629 ações, por R$ 62.068.467,00, que, ao custo de R$ 1,757122854 por ação, representou um valor de custo total das ações vendidas de R$ 4.741.822,69, resultando num Ganho na venda das 2.698.629 ações de R$ 57.326.644,31; Que, o contribuinte não procedeu ao devido recolhimento de PIS e de COFINS sobre os ganhos auferidos com a venda das ações nos IPO da Bovespa e da BM&F, por entender que os lucros na alienação de investimentos são receitas não operacionais, oriundas de vendas de Ativos do Permanente, portanto não tributado para PIS e COFINS, conforme previsto no inciso IV, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Que apesar da clara e precisa instrução da Bovespa para registro das ações, para as quais houvesse interesse de venda, no ativo circulante (conforme item 16 acima), e apesar da formalização da intenção de venda ao outorgar procuração para tal e tornase signatário do "Instrumento Particular", conforme itens 17 a 22 acima, o contribuinte, contraditoriamente, considerou a totalidade das 10.353.952 ações recebidas como investimento, registrandoas integralmente no ativo permanente, inclusive as 2.698.629 ações para as quais manifestou o interesse de vender. 2 Desmutualização da Bovespa e venda de parte das ações recebidas na oferta pública. Em 20 de setembro de 2007, como resultado do processo de desmutualização da Bolsa de Mercadorias e Futuros, BM&F, aprovado em Assembléias Gerais Extraordinárias, realizada nesta data, a Bolsa de Valores de São Paulo BM&F deixou de ser uma associação sem fins lucrativos para se tornar uma sociedade por ações; Que o contribuinte, no momento da desmutualização, era detentor dos seguintes títulos, com valores definidos conforme item anterior: 1 Título de Membro de Compensação, matrícula nº111, valorado, na data da desmutualização, em R$ 4.961.610,00; 1 Título de Membro de Compensação, matrícula nº115, valorado, na data da desmutualização, em R$ 4.961.610,00; 1 Título de sócio efetivo, matrícula nº 77, valorado, na data da desmutualização em R$ 10.000,00; 1 Título de sócio efetivo, matrícula nº 78, valorado, na data da desmutualização em R$ 10.000,00; 1 Título de sócio efetivo, matrícula nº 79, valorado, na data da desmutualização em R$ 10.000,00; 1 Título de sócio efetivo, matrícula nº 119, valorado, na data da desmutualização em R$ 10.000,00; Que, em decorrência da desmutualização da BM&F, o contribuinte passou a ser detentor de 9.963.220 ações da BM&F Holding, valoradas em R$ 9.963.220,00 ao valor unitário de R$ 1,00 por ação; Que, o contribuinte efetuou as seguintes vendas das ações ordinárias recebidas no processo de desmutualização da BM&F: *996.322 ações, a um fundo de investimentos integrantes do grupo Private Equity General Athantic, recebido em duas parcelas: Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 4 5 16/11/2007, R$ 9.662.918,69, auferindo ganho bruto de R$ 8.668.596,49 19/12/2007, R$ 1.073.872,82, auferindo ganho bruto de R$ 1.073.872,82 * Na oferta pública: 30/11/2007, 2.59.101 ações, auferindo ganho bruto de R$ 47.826.235,87 06/12/2007, 389.865 ações, auferindo ganho bruto de R$ 7.173.012,64. Que, quanto ao registro contábil das ações recebidas no processo de desmutualização da BM&F ocorreu procedimento similar ao ocorrido com as ações da Bovespa, isto é, foram registradas todas no ativo permanente, inclusive as ofertadas e vendidas no IPO da BM&F; Que, em relação aos ganhos obtidos com a venda dessas ações, o contribuinte adotou o mesmo procedimento incorreto adotado para a venda das ações da BOvespa Holding S/A, ou seja, tendo registrado tais ações no ativo permanente, apesar da expressa intenção de vendêlas no IPO, considerou o ganho obtido como receita não operacional, e a excluiu das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Em suma, a autuação se deve pelo fato da autoridade fiscal entender que a venda de ações da BM&F e da Bovespa Holding S/A, realizada pela Recorrente, não poderia ser classificada como venda de ativo permanente, e sim como venda de ativo circulante, de modo que os valores resultantes dessa operação deveriam integrar a receita operacional da contribuinte, incidindo, assim, as famigeradas contribuições. Intimada em 04.07.2012, a Recorrente em sede de impugnação apresentou os seguintes argumentos, conforme demonstra o trecho extraído do acórdão de piso: a) que procedeu à venda de parte das ações da Bovespa Holding S/A e da BM& S/A sem, legitimamente, incluir tais receitas na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, pois, seja por força da disposição inserta no inciso IV do § 2° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que exclui da receita bruta a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, seja por não se adequar ao conceito de faturamento contido na mesma norma. b) que as ações recebidas na desmutualização foram corretamente registradas no ativo permanente, sendo que a receita advinda da alienação dessas ações não pode sofrer a incidência das contribuições de que se trata, pois tal condição consistiria de hipótese legal de exclusão de sua base de cálculo (inciso IV do § 2° do art. 3º da Lei n° 9.718/98). c) que diante da obrigação imposta pelas Bolsas de Valores, efetuou a aquisição de títulos destas entidades em anos anteriores, os quais foram contabilizados na conta de títulos patrimoniais, e que, portanto, no processo de desmutualização foram recebidas ações de valores idênticos aos títulos da Bovespa e da BM&F, que já estavam contabilizados na conta de títulos patrimoniais, pelo que o mesmo tratamento contábil e tributário deve ser a elas aplicado, sem a necessidade de reclassificação contábil dos ativos, como equivocadamente entendeu a autoridade administrativa. Aduz que a classificação de um ativo em conta do ativo permanente deve se basear na intenção da sociedade, no momento da aquisição, de permanência ou de negociação e defende que é patente sua intenção, quando da compra dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F (posteriormente transformados em ações), de permanecer com os tais ativos, inclusive por ser Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 6 condição indispensável para operar na bolsa. Defende, assim, que foi correta a classificação das ações recebidas em conta de ativo permanente, e não de circulante, visto que no processo de desmutualização das bolsas ocorreu uma mera substituição de títulos patrimoniais por ações, não alterando o caráter de permanência do ativo. d) ainda que se admita, a título de argumentação, que as ações em comento deveriam ter sido contabilizadas no ativo circulante, fato é que mesmo assim as respectivas receitas não estariam compreendidas no conceito de faturamento (empregado no artigo 195 da Constituição Federal de 1988, fundamento de validade da Lei n° 9.718/98), pois não guardam relação com a sua atividade empresarial, razão pela qual não fazem parte da hipótese de incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. e) o alargamento da base de cálculo das contribuições ao PIS e a Cofins, pretendido pelo parágrafo 1º, do artigo 3º , da Lei n° 9.718/98, com a inclusão de receitas não operacionais, já foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal, por manifestada inconstitucionalidade (RE's n°s 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084), o que foi confirmado com a revogação do referido pela Lei n°. 11.941/1909, restringindo, portanto, o conceito de faturamento para efeitos de sua incidência às receitas operacionais. f) Contra o agravamento da multa de ofício, a impugnante, inicialmente, destaca que a própria autoridade fiscal reconhece que apresentou a documentação solicitada, ainda que de forma fracionada e alega que: os documentos solicitados pelo Fisco eram bastante antigos, o que dificultou sobremaneira o levantamento das informações; ao final do ano de 2008, passou por uma grande operação de fusão e que após uma operação dessa grandeza há um período em que o fluxo de informações é truncado; a eventual morosidade no atendimento das informações solicitadas pelo Fisco não resultou em prejuízo à fiscalização que culminou na lavratura do presente auto de infração. g) Contesta a incidência de juros sobre multa de ofício. Nesse sentido, alega que, a teor do art. 3º, caput e §3º, da Lei nº 9.430/1996, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora e não o valor da multa de mora e que, por iguais razões, não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Alega, ainda que o artigo 164 do CTN confirma essa conclusão quando, ao tratar de crédito tributário, separa claramente os conceitos de crédito, juros de mora e penalidades. Menciona que mesma clara distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN. E defende que, por consequência, também não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1º do art. 161 do CTN. Através do acórdão nº 0732.286, a 4ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. Ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), quando negociadas dentro do mesmo ano de seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante, inexistindo hipótese de exclusão dos ganhos auferidos por seus detentores da base de cálculo da Cofins. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 5 7 VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita financeira proveniente da venda de ações auferida por instituição financeira, cuja atividade empresarial inclui negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, integra a base de cálculo da Cofins, enquanto receita operacional da instituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. Ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), quando negociadas dentro do mesmo ano de seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante, inexistindo hipótese de exclusão dos ganhos auferidos por seus detentores da base de cálculo da Contribuição para o PIS. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita financeira proveniente da venda de ações auferida por instituição financeira, cuja atividade empresarial inclui negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, enquanto receita operacional da instituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVADA. Caracterizado o reiterado atraso na prestação de informações solicitadas pela fiscalização, o reiterado descumprimento das exigências postas nos termos de intimação fiscal e a reiterada omissão de informações solicitadas pela fiscalização, sem justificativa e sem solicitação de prazo de prorrogação, configurada está a hipótese legal para a aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 112,5% do valor da contribuição devida. Não se conformando com a decisão de primeira instância, a Recorrente, intimada em 26.11.2013, interpôs Recurso Voluntário em 23.12.2013, reproduzindo integralmente as alegações apresentadas em sede de impugnação. Remetido o processo ao Colegiado, o antigo relator do processo, Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, por meio da Resolução nº 3101000.403, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntados aos autos cópia dos atos societários relativos ao processo de "desmutualização" das pessoas jurídicas envolvidas na alegada "transferência de ativos", cujo intuito era verificar como se deram as alterações societárias das partes envolvidas. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 8 Referidos documentos foram carreados aos autos às fls. 1.0581.298, e demonstram que as alterações societárias relativa ao "processo de desmutualização" consistiu na operação de abertura de capital das Bolsas de Valores e se deu mediante cisão da associação e incorporação da parcela cindida por sociedade anônima. Instada a se manifestar, a Recorrente apenas reiterou os argumentos apresentados em sede recursal (fls. 1.3061310) e, requereu, ao final, o cancelamento integral do lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário interposto pela Recorrente é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, o cerne da questão diz respeito a análise da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e da Bolsa Mercantil e de Futuros BM&F em sociedades por ação. No entendimento da autoridade fiscal, a conferência das ações das sociedades anônimas aos associados da BOVESPA e da BM&F resultou numa nova aquisição de participação societária e/ou devolução do capital investido na antiga associação sem fins lucrativos, implicando na necessidade de reclassificação do ativo, de permanente para circulante, considerando que à época da operação a Recorrente manifestou interesse em negociar, no mesmo exercício, parte das ações recebidas. Por sua vez, entende a Recorrente que não houve nova aquisição de participação societária, tampouco devolução de capital investido, ocorrendo tão e somente a mera substituição de títulos patrimoniais por ações, o que não demandaria a reclassificação destes ativos. Além disso, segundo a Recorrente as ações oriundas do processo de desmutualização foram recebidas de valores idênticos aos títulos da Bovespa e da BM&F, que já estavam contabilizados na conta de títulos patrimoniais, pelo que o mesmo tratamento contábil e tributário deve ser a elas aplicado, sem a necessidade de reclassificação contábil dos ativos. Correto o procedimento adotado pela Recorrente. Isto porque, na operação denominada "desmutualização" os títulos patrimoniais convertidos em ações não resultaram nova aquisição de participação societária, tampouco devolução de capital investido. O que ocorreu de fato, foi a mera substituição de título patrimoniais por ações resultantes de operações de cisão e incorporação do patrimônio das associações sem fins lucrativos. Com efeito, as ações recebidas pela Recorrente não foram dadas em pagamento pelas sociedades anônimas, como também não houve mudança da titularidade dos títulos patrimoniais. Os títulos patrimoniais inicialmente registrados pela Recorrente em seu Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 6 9 ativo permanente foram apenas substituídos nominalmente por ações, não representando, como pretende a fiscalização, nova aquisição de participação societária. Ou seja, ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. Somese a isso, que há equivalência das ações e dos títulos patrimoniais registrados pela Recorrente, evidenciando, assim, se tratar de mera substituição de um título representativo de capital por outro. É de se observar, ainda, que os títulos patrimoniais foram adquiridos à época pela Recorrente para o fim de investimento e como requisito/condição imprescindível para operar na Bolsa de Valores. Desta forma, como a intenção da Recorrente não era a comercialização propriamente dita, os investimentos adquiridos como condição para operar na Bolsa de Valores foram registrados no ativo permanente. Portanto, considerando que os investimentos em discussão iniciaram o ano de 2007 como título patrimonial, o fato de a BOVESPA e a BM&F terem sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido posteriormente, não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Neste sentido, destaco os julgamentos proferidos por este Conselho Administrativo Fiscal que analisaram questões idênticas as discutidas neste processo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio." PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio,amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. (Acórdão 3403003447 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária Relator Antônio Carlos Atulim Sessão 10.12.2014)" Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 10 *** "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse opróprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição à COFINS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se nãofor revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição ao PIS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão 3302001.871 3ª Câmara/2ª Turma Relator Sessão 27.11.2012 Relator Walber José da Silva)" Destacase parte do voto proferido pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim no processo nº 16327.721734/201144 (Acórdão nº 3403003.447, de 10/12/2014), cujas razões de decidir retratam o meu entendimento sobre o tema: A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 7 11 É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificando o em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 12 em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigálo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 8 13 pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso.(grifado) Concluise, portanto, que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas em decorrência da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. Assim, entendo que as ações de emissão da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A recebidas pela Recorrente em decorrência do processo de “desmutualização” da BOVESPA foram corretamente classificadas no ativo permanente da Recorrente, fato que afasta a incidência do PIS e da COFINS, nos termos do inciso IV, do §2º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Por fim, é imperioso consignar que a informação prestada pela BOVESPA Holding à todos os associados, por meio da Circular nº 225/2007DG, no sentido de que as ações “substituídas” deveriam ser registradas através dos critérios abaixo descritos, não inválida o procedimento contábil adotado pela Recorrente: Os detentores de ações de emissão da CBLC deverão também reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor convertido em ações de emissão da Bovespa Holging S/A e, conforme sua opção: *registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta COSIF nº 1.3.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding S/A recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo título disponíveis para negociação ou venda, ou *manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e COtas (conta do COSIF nº 2.1.5.10.), se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S/A, a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre o Ativo Circulante e Ativo Permanente. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 14 Isto porque, vincular o contribuinte ao cumprimento de regras instituídas por meio de circular, destoa das regras previstas no inciso II, do artigo 5º, da Constituição Federal, que preceitua:" Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Vencido este Relator em relação a incidência do PIS e da COFINS, passase a análise dos demais argumentos suscitados pela Recorrente relativos (i) ao agravamento da multa de ofício prevista no inciso I, do §2º, do artigo 44, da Lei 9.430/96; e (ii) a incidência de juros sobre multa de ofício. Em relação ao primeiro ponto, alega a Recorrente que (i) a própria autoridade fiscal reconhece que apresentou a documentação solicitada, ainda que de forma fracionada; (ii) os documentos solicitados pelo Fisco eram bastante antigos, o que dificultou sobremaneira o levantamento das informações; (iii) ao final do ano de 2008, passou por uma grande operação de fusão e que após uma operação dessa grandeza há um período em que o fluxo de informações é truncado; (iv) a eventual morosidade no atendimento das informações solicitadas pelo Fisco não resultou em prejuízo à fiscalização que culminou na lavratura do presente auto de infração. Sobre esta matéria, entendo que a manutenção da multa agravada não pode persistir. Isto porque, não houve desrespeito a norma prevista no inciso I, do §2º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, considerando que (i) a Recorrente prestou informações à fiscalização, ainda que forma fraciona; e (ii) o atendimento a fiscalização, ainda que de forma fracionada, não obstou a lavratura do auto de infração, bem como não acarretou prejuízo ao procedimento fiscal. Outro não é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscal, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não impedem seu trabalho, não justifica o agravamento da multa, in verbis: AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. 1º CC. / 3ª Câmara / ACÓRDÃO 10323.566 em 17.09.2008. Publicado no DOU: 20.01.2009. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A impossibilidade material do contribuinte em cumprir a intimação da fiscalização para apresentar documentos não autoriza o agravamento da multa de ofício. 1º CC. / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.675 em 17.04.2008. Publicado no DOU em: 06.11.2008. MULTA AGRAVADA Não deve ser aplicada a multa agravada de 112,5% se não fica demonstrada ação ou omissão do contribuinte com o objetivo de retardar ou impedir a atividade de fiscalização. CARF 1ª Seção 2ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130200.302 em 21.05.2010. Publicado no DOU em: 24.01.2011 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1ª Seção 1ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130100.270 em 29.01.2010. Assim, entendo não ser cabível o agravamento da multa. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 9 15 Já em relação ao segundo ponto, entendo que não assiste razão à Recorrente. A cobrança dos juros moratórios sobre débito decorrente de tributos e contribuições encontrase prevista no art. 61, § 3º, enquanto que a cobrança do referido gravame sobre multa isolada encontrase estabelecida no parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal, a seguir transcritos: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não originais) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não originais) Tratase de preceitos legais constantes do mesmo diploma legal, o que demonstra que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico, ou seja, cobrança dos juros moratórios em ambas os casos. E a justificativa para esse tratamento isonômico está no fato de a multa de ofício incidir sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios. Assim, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo devido. Dito de outra forma: não são os juros moratórios que incidem sobre a multa de ofício, mas a multa que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Logo, no âmbito do lançamento de ofício, por força do disposto no art. 44 da Lei 9.430/1996, com as alterações posteriores, os juros moratórios sempre comporão o valor da multa ofício, qualificada ou não, cujo valor é calculado proporcionalmente ao “valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”, acrescido do valor dos juros moratórios. De toda sorte, independente da cobrança da multa ser feita de forma isolada ou proporcional ao valor do imposto, os juros moratórios sempre serão devidos. No primeiro caso, o valor dos juros é calculado de forma direta, mediante aplicação do percentual dos juros sobre o valor da multa aplicada, enquanto que no segundo caso, o valor dos juros é calculado de forma indireta, mediante aplicação do percentual da multa sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 16 No mesmo sentido, é o entendimento explicitado no enunciado da ementa do julgado que segue transcrito: JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede ao argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (CARF. 1ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Ac. 140100.155, j. 28.01.2010, rel. Alexandre Antônio Allcmim Teixeira). Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento para cancelar o lançamento fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Redator Em que pese as elogiáveis considerações e os robustos argumentos esposados pelo Conselheiro Relator do Processo, ouso divergir dos fundamentos e da conclusão à qual conduziram especificamente no que diz respeito à incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins sobre a receita decorrente da venda das ações obtidas no processo que ficou conhecido por desmutualização das BOVESPA e da BM&F, pelas razões a seguir declinadas. A questão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre a receita decorrente da venda de ações obtidas pelas corretoras e bancos com que exercem atividade neste segmento de mercado no processo de desmutualização da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F está intimamente associado à interpretação que se dá à operação que redundou na transformação dos títulos patrimoniais dos quais as empresas que atuavam nas Bolsas eram até então detentores em ações de livre e fácil negociação e, até porque não dizer, pelo menos em parte, de forçada colocação no mercado acionário. A meu sentir, a decisão a respeito do assunto requer que duas matérias de fundo sejam devidamente esclarecidas. A primeira se refere à correta contabilização das ações recebidas pela Corretora por ocasião do processo de desmutualização, na medida em que, se de fato tratamse de um ativo classificado como investimento de longo prazo e, portanto, em conta do Ativo Permanente, resta incontroverso que a receita decorrente de sua venda está, por força de disposição literal de Lei, excluída da base de cálculo das Contribuições. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 10 17 Se superado esse primeiro óbice à tributação, deparamonos, aí, com a segunda interrogação, que envolve a classificação da receita propriamente dita. Isso porque, uma vez que o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido, em Regime de Repercussão Geral, a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3o, da Lei n° 9.718/98, apenas as receitas que sejam passíveis de serem classificadas como faturamento da pessoa jurídica podem ser tributadas. Posto isso, creio que seja indispensável uma breve digressão em torno do processo de desmutualização das bolsas e das consequências jurídicas que lhe são próprias. Conforme noticiado nos autos, as operações societárias que envolveram o processo de desmutualização da BOVESPA se deram a partir da cisão parcial da entidade e a transferência de expressiva fração de seu patrimônio para duas sociedades: a BOVESPA SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A e a BOVESPA HOLDING S/A. Na mesma ocasião, a BOVESPA passou a denominarse ASSOCIAÇÃO BOVESPA. Em contrapartida à redução do patrimônio da Associação e, corolário, do valor dos títulos patrimoniais de que eram detentores os operadores da Bolsa, emitiramse ações em seu favor. Seguiuse a absorção das atividades operacionais até então desempenhadas pela então BOVESPA (agora ASSOCIAÇÃO BOVESPA), pela BOVESPA SERVIÇOS (que alterou sua denominação para BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO S/A BVSP), restando à primeira atribuições acessórias. Ato contínuo, a BOVESPA HOLDING adquiriu a totalidade das ações emitidas pela BOVESPA SERVIÇOS e pela CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia), passando à condição de controladora da BOVESPA e da BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO S/A BVSP. No caso da BM&F, associação civil sem fins lucrativos, ocorreu a transferência de suas atividades para companhia de capital aberto BM&F S/A, com a cisão parcial da BM&F e a versão do patrimônio à segunda. A BM&F alterou sua denominação para BM&F ASSOCIAÇÃO e a BM&F S/A absorveu as atividades antes desempenhadas pela BM&F. Da mesma forma como ocorreu no caso do processo de desmutualização da BOVESPA, em contrapartida ao patrimônio recebido, a BM&F S/A emitiu ações em favor dos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F. Sem margem de dúvidas, os efeitos jurídicostributários das operações acima descritas exigem uma análise acurada das peculiaridades das pessoas jurídicas de direito privado envolvidas em todo o processo de transformação societária que redundou na conversão de títulos patrimoniais em ações. Com a intenção de melhor esclarecer esses aspectos, não vejo melhor alternativa do que trazer à lume os valorosos ensinamentos veiculados no Acórdão 3201001.480, de 23 de outubro de 2013, de lavra do i. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que passo a seguir a transcrever, adotando seus fundamentos no presente Voto, como se tivessem sido por mim formulados. Antes de adentrarmos objetivamente na lide, mostramse necessários alguns esclarecimentos. Inicialmente, afirmase que o Direito pátrio não permite que associações civis sem fins lucrativos realizem operações societárias próprias de sociedades. O artigo 44 do Código Civil dispõe que são pessoas jurídicas de direito privado as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 18 As associações civis, como eram a Bovespa e a BM&F, caracterizamse, segundo conceito estabelecido pelo Código Civil, pela união de pessoas para fins não econômicos. As normas referentes as associações restaram definidas no Livro I, Título II deste Código, particularmente em seu capítulo2. Já as sociedades empresariais tem suas prescrições definidas no Livro II do Código Civil e na Lei nº 6.404/76. Quanto às operações societárias, estas podem ser conceituadas como mutações no tipo ou estrutura da sociedade empresária. São diferenciadas em quatro tipos, quais sejam: transformação, incorporação, fusão e cisão. Esclarecese ainda que a estrutura adotada pela sociedade é determinante para definição da legislação a ser aplicada. Quando tem por sujeito uma sociedade anônima, essa operações seguem a disciplina da Lei nº 6.404/76 (artigos 220 a 234). Quando envolvem outra espécie societária, tais transformações são regidas pelo Código Civil (artigos 1.113 a 1.122). Como exceção, temos a cisão total, que, diante da omissão do Código Civil, é regida pela Lei 6.404/76 independentemente da espécie societária envolvida. A Lei 6.404/76 trata da cisão em seu artigo 229, nos seguintes termos: Cisão Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. (...) (grifo nosso) Na cisão, uma sociedade empresária transfere para outra, ou outras, constituídas para esta finalidade ou já existentes, parcelas de seu patrimônio, ou a totalidade dele. Neste ponto, merece destaque o disposto no caput deste artigo, que restringe a possibilidade de realizar a operação de cisão às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade. Ressaltese que o legislador nem poderia ter feito diferente, sob pena de subverter a própria natureza jurídica das associações. As sociedades – simples ou empresárias – têm como elemento de origem um contrato entre os sócios. Este contrato os vincula em direitos e obrigações recíprocos. Os direitos consistem na divisão dos lucros; as obrigações, no aporte de bens,valores ou direitos ao patrimônio social. Nas associações, diferentemente, não há este contrato plurilateral. Os associados vinculamse ao estatuto, que formaliza a atuação da associação segundo as finalidades que objetiva. E é justamente esta natureza inteiramente diversa das associações em relação as sociedades que impede a adoção das mesmas operações societárias. Por este motivo, para que uma associação modifique sua natureza e se transforme em uma sociedade é imprescindível a interrupção de sua personalidade jurídica. Tal entendimento é corroborado pela leitura da legislação civil. O Código Civil, como já explicitado, não permite as associações a adoção de operações Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 11 19 societárias, mas estabelece em seu art. 61 as regras para o caso de dissolução destas: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido,depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território,em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.(grifo nosso) A leitura da previsão lançada no art. 1.113 do Código Civil, também reforça a conclusão da necessidade de extinção das associações civis sem finalidades de lucro (BV e BMF), na medida em que, ao permitir a transformação silencia quanto a estas modalidades de pessoas jurídicas,reportandose tão somente às sociedades. A restrição a prática das operações societárias é prevista de forma mais explícita no artigo 23 da IN nº 88/2001 do DNRC, órgão responsável por estabelecer e consolidar, com exclusividade, as normas e diretrizes gerais do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins: Art. 23. As operações de transformação, incorporação ,fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis, não se aplicando às firmas mercantis individuais.(grifo nosso) Por fim, é necessário um esclarecimento acerca do art. 2.033 do Código Civil. Este dispositivo não possibilita a utilização da operação cisão às associações; ele apenas se destina a definir qual a lei a ser aplicada em caso de conflito de normas. Assim, este artigo apenas reafirma que as modificações do atos constitutivos destas pessoas jurídicas regemse pelo Código Civil –situação que, no tocante as associações, está prevista no artigo 61. Aplicandose o entendimento acima a lide, temos que, ao final do processo de reestruturação pela qual passou a Bovespa e a BM&F,as associações civis sem fins lucrativos obrigatoriamente foram parcialmente dissolvidas, sendo constituídas em seu lugar sociedades anônimas. A luz deste entendimento ,resta agora verificarmos as consequências jurídico tributárias da conversão de títulos patrimoniais dos associados em ações ordinárias da Bovespa Holding S/A e BM&F HoldingS/A. Salientase que, do ponto de vista tributário, os fatos são tributados abstraindose de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário Nacional. Prosseguindo, temos que, conforme previsto no artigo 61, já transcrito, não é permitida a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa, sendo permitido,contudo, a restituição aos associados das Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 20 contribuições destes à associação. E é justamente desta restituição que estamos tratando neste processo. Em que pese a denominação dada pela requerente, materialmente o que ocorreu foi que, com a desmutualização, asassociações sem fins lucrativos Bovespa e BM&F foram parcialmente dissolvidas, sendo extintos seus títulos patrimoniais. Tal fato, embasado no §1º do artigo 61 do Código Civil, resultou na restituição do patrimônio aos seus respectivos associados. E os títulos patrimoniais foram devolvidos ao respectivo patrimônio dos associados na forma de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, novas sociedades constituídas em decorrência do processo de desmutualização. Não se trata, portanto, de uma mera transformação dos títulos patrimoniais em ações das novas companhias. Nem poderia ser, dada a natureza jurídica de um ser completamente diferente da natureza jurídica do outro. (...) Em sendo esta a situação constante dos autos, claro está que a transformação de associação sem fins lucrativos para sociedade anônima ensejou na modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos. As ações da Bovespa Holding SA. e da BM&F Holding SA. que foram recebidas pela recorrente tem natureza distinta dos títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F. São novos bens que ingressaram no patrimônio da recorrente, inexistindo a alegada continuidade em relação aos títulos patrimoniais. Em consequência,tratandose de novos bens ou direitos, a escrituração das ações recebidas nãod eve,necessariamente,continuarsendofeitanoAtivoPermanente,assim como eram escriturados os títulos patrimoniais. (...) Ultrapassada a análise da desmutualização das Bovespa e da BM&F e da aquisição das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F HoldingS/A, passase a análise da forma correta de escrituração destes ativos. Constatase aplicável a espécie o disposto no artigo 179 da Lei nº 6.404/1976: Art.179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 12 21 com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Tal dispositivo foi analisado pelo Parecer Normativo CST nº108/1978 ,que teceu as seguintes considerações, com as quais filiamse este conselheiro: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso,deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. Assim, em decorrência deste dispositivo, mostrase correto o enquadramento dado pela recorrente em relação a seus títulos patrimoniais, dado estes serem necessários para o exercício de sua atividade de operar nas Bolsas. Em relação às ações recebidas em decorrência da desmutualização,contudo, a conclusão depende da verificação de outros fatos. A legislação dispõe de duas alternativas para a escrituração destas ações: no ativo circulante, caso se tratem de direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, ou em investimentos, caso se tratem de participações permanentes em outras sociedades. Conforme sobejamente demonstrado nos autos, a intenção da Recorrente jamais foi de manter as ações, cuja venda deu azo à autuação, como investimento de longo prazo. O assunto foi amplamente examinado e descrito com clareza pela i. Julgadora de piso. A seguir transcrevo a narrativa dos fatos, extraída do voto condutor da decisão recorrida. No caso, o que se tem é que desde o início do processo de desmutualização das bolsas fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, incluída a impugnante, de, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 22 No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, a contribuinte outorgou à esta empresa poderes para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia; na mesma data Itaú Unibanco S/A, através de seu representante legal, foi signatário do “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde se lê no item “Premissas” que: o Acionista Vendedor autorizou, desde logo, a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Através da formalização da intenção de venda ao outorgar procuração para tal e da adesão ao “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avencas”, restaclaro que o Banco Itaú S/A pretendia vender, no curso do exercício social subsequente, como o fez, parte das ações recebidas. O mesmo ocorreu em relação às ações da BM&F S/A. O Itaú Unibanco S/A, através de seus representantes legais, em 31 de agosto de 2007, foi signatário do “Termo de Adesão ao Instrumento Particular e Assunção de Obrigações Celebrado no Âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F”, nos termos do Anexo I deste termo, do qual consta o compromisso irrevogável dos signatários do referido termo de alienar 35% (trinta e cinco por cento) das ações que lhe foram atribuídas em decorrência do processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Em decorrência da adesão ao referido termo, mediante o “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S/A e Outorga de Poderes” o Banco Itaú concordou em alienar 996.322 ações para um fundo de investimentos integrante do grupo Private Equity General Atlantic, outorgando os poderes para tal. Mencionese que a contribuinte poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. No mais, através do “ANEXO II B TERMO DE ADESÃO E PROCURAÇÃO (PESSOA JURÍDICA)”, datado de 05 de novembro de 2007, a contribuinte manifesta sua adesão à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da BM&F S/A, para vender 2.988.966 ações, outorgando poderes à BM&F para vender tais ações em seu nome, em mandato de caráter irrevogável e irretratável, com prazo de 90 dias. Da análise dos autos, depreendemse corretos e precisos os apontamentos acima transcritos. Por conta de tudo o que foi exposto, ainda que se aceitasse a improvável tese de que uma associação civil, sem fins lucrativos, tenhase cindido e, passoapasso, transmutadose de forma insólita em uma empresa de objeto social diametralmente oposto, o fato é que, a meu sentir, está mais do que caracterizado que a operação de venda das ações em comento não tratouse de uma venda de bem que devesse estar contabilizado no Ativo Permanente. Por esse motivo, afastase em definitivo a possibilidade de exclusão da receita correspondente da base de cálculo das Contribuições baseada na disposição contida no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98 (venda de bens do Ativo Permanente). Passo à análise da tipicidade da operação, em cotejo com a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 13 23 A controvérsia sobre o assunto iniciouse com promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base imponível toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil1. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou sendo reconhecida como de Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão recebeu a seguinte ementa. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Ocorre, contudo, que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 em nada influenciou a alteração introduzida pelo caput do artigo 3º e por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Corte Suprema do País fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, como fica claro nos pronunciamentos do Ministro Cezar Peluso encontrados, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. O resgate histórico da exigência fiscal sob escrutínio remete, no caso da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, à Lei Complementar nº 70/91, na qual a base de cálculo estava definida como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. No caso das Contribuições para o PIS e para o PASEP, as fontes de financiamento advinham de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 1970; dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades lá especificadas. Ao instituir a nova base tributária por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha conservado o faturamento como base de incidência, atribuilhe, repita se, novo conceito, na medida em que especificouo como sendo toda a receita bruta auferida 1 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 24 pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. O problema é que essa medida esbarrou no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro2, sem nenhuma menção à receita em sentido lato. É precisamente neste ponto que se encontre a origem de toda a controvérsia em torno da constitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, na medida em que ele transbordou as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeito de definição da base de cálculo da Cofins, já houvesse uma forte tendência ao reconhecimento de uma equivalência entre o conceito de faturamento e receita (de observar que a própria LC 70/91, muito antes da EM 20/98, já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de determinação da base de cálculo das Contribuições. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, o Ministro Cesar Peluso faz criteriosa abordagem do assunto, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue. Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 2 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 14 25 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (grifos meus) (...) Como é de hábito e, ainda mais, por se tratar de um tema polêmico e de grande repercussão, todos os Ministros que à época integravam a Suprema Corte manifestaram seu entendimento sobre o assunto, agregando elementos de particular interesse na delimitação precisa dos contornos da decisão tomada. Os apontamentos a seguir foram extraídos do Voto proferido nos autos do RE 346.084, pelo Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 26 norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. No mesmo diapasão, a interpretação dada pelo Ministro Eros Grau em Voto Vista versando sobre o conceito jurídico e tipológico do termo faturamento. “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social "dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros" art. 195, I). Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 15 27 A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre "a receita ou o faturamento" e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria "sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros". 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento", poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento". Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito "receita" no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. Seguiuse debate entre os integrantes da Mesa, com passagens que merecem destaque. “O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Presidente, na condição de relator, permitamme os Colegas escancarar a questão versada neste processo. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 28 Houve a edição da Lei n° 9.718/98 , sob a égide da Carta na redação anterior à Emenda Constitucional n° 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: ‘Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior correspondendo à receita bruta da pessoa jurídica.’ O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta", conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO Receita operacional. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Operacional. Com o § 1º do mesmo artigo foi dado conceito todo próprio à receita bruta: ‘Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.’ O que significa esse dispositivo? Que haverá incidência em qualquer receita, ainda que em decorrência de locação, de investimentos etc. Então, Presidente, o legislador percebeu que fora muito adiante do que autorizado pela Carta da República e editou a Emenda Constitucional n° 20, para, com isso, placitar o deslize já verificado. Não posso também apontar que essa Emenda tenha se mostrado inócua, porque passou e disso não cogitava o texto primitivo da Lei Fundamental a tratar da incidência, considerada a receita, não mais apenas sobre a folha de salário com explicitação, inclusive, quanto à folha de salário, e não diria apenas explicitação, mas abrangência, alargamento do conceito e sobre a receita. Houve a alteração isso está muito claro no que, na redação primitiva da Constituição de 1988 (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Estaremos estabelecendo o real alcance do vocábulo “faturamento", tal como constante da Carta da República. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Como exatamente inscrito na Lei Complementar 70 , que instituiu a contribuição. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) A remeter a operação da empresa. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Como sabemos que é assim, se sabemos que houve uma evolução em relação a isso. Como sabemos, por exemplo, que não havia o conceito de faturamento aplicado às empresas de serviço e tivemos que fazer esse tipo. O SR. MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) O que esta em jogo aqui são as receitas financeiras. A produção está sendo tributada com o COFINS. Estamos dizendo é que não pode ser tributada pelo COFINS as receitas dos investimentos financeiros das empresas, o setor bancário financeiro. Esse é o núcleo da discussão. O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO Porque isto não constitui faturamento. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Esse é um conceito que evolui. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 16 29 O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Evolui tanto que a Emenda Constitucional 20 veio admitir essa evolução, só que, antes dela uma lei ordinária quis fazer o mesmo.” (grifos meus) E, ainda, a manifestação do Ministro Carlos Britto, que acompanhou na íntegra o Voto do Ministro Relator. O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO Senhor Presidente, tenho aqui umas rápidas anotações. A Constituição de 38, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo " faturamento", sem a disjuntiva "ou receita". Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total, nem receita abrangente de qualquer ingresso na empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, "a", assim redigido parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: ‘Art .22 (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo art.2° assim dispõe: ‘Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.’ Ou seja, mais claro, impossível. Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei ordinária 9.718, de 1988, fruto da conversão da Medida Provisória 1.724, de 1998, que equiparou os termos "faturamento" e "receita bruta", não exclusivamente operacional não vou ler porque todos já fizeram essa leitura. Poderia fazêlo? Unir o que a Constituição não uniu? (grifos meus) Este, o cerne jurídico da questão. Minha resposta é, parodiando o Ministro Marco Aurélio, "desenganadamente não". (grifos meus) Da leitura de todas as considerações acima destacadas, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que reconhecida a constitucionalidade do caput do artigo 3º, insofismável distinguir que a base de cálculo das Contribuições, até então expressa como receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 30 identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo primeiro do art. 3ºda Lei 9.718/98 e, ato contínuo, reconhecer a constitucionalidade do caput do artigo, o Supremo Tribunal Federal chancelou a definição ali insculpida, e não o fez porque o conceito estava de acordo com a Lei Complementar nº 70/91, mas sim com a Constituição Federal. A conclusão é que o conceito de faturamento, seja ele definido como a receita de vendas e serviços ou, simplesmente, como receita bruta, está conforme a constituição, restando precisar qual haveria de ser a diferença entre um e outro. E não passa despercebido o fato de que a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 02/98 teve por escopo justamente permitir que a receita da pessoa jurídica fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. De fato, ao observador desatento pode parecer inconcebível que a receita já fosse a base de cálculo das Contribuições antes mesmo da EM nº 20, quando parece ter sido justamente ela que introduziu tal possibilidade no ordenamento jurídico. No entanto, relembrese, a base sobre qual incidia a Cofins ao tempo da Lei Complementar nº 70/91 já estava definida como sendo a receita bruta, naquela especificada como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Ainda mais, como também já foi mencionado, a jurisprudência firmada no âmbito do Supremo Tribunal Federal propunha a sinonímia, para efeitos tributários, entre a expressão faturamento e receita bruta. A explicação para essa aparente contradição parece estar nas palavras do Exmo. Ministro Carlos Britto, quando expressa o entendimento de que a autorização introduzida pela Emenda Constitucional nº 20 alcançou, justamente, as receitas especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, ampliação que, antes da Emenda, foi considerada inconstitucional. Fica claro, portanto, que antes ou depois da Lei 9.718/98 e até a Emenda Constitucional nº 20, apenas as receitas tidas como próprias ou típicas da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas empresariais poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. É fato que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, qual fosse, o da Lei Complementar 70/91. Embora isso, me arrisco a dizer que tais manifestações são apenas fruto de reflexões dedicadas e focadas especificamente na questão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. Jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento3”. Com efeito, de tudo o que até aqui foi dito, creio que existam fortes razões para acreditar que a remissão ao status anterior da base imponível decorre da destinação das decisões nas lides em que foram tomadas, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento em si. E há, ainda, outras questões que precisam ser consideradas. Resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que foi a Lei Complementar nº 70/91 que, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei nº 8.212/91 do pagamento da 3 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.720777/201293 Acórdão n.º 3302003.237 S3C3T2 Fl. 17 31 Contribuição, elevando, concomitantemente, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Merece especial atenção a exclusão prevista no parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91. Partindo da premissa de que a lei não contém expressões inúteis, falece razão à determinação de que as instituições relacionadas o § 1° do art. 22 da Lei 8.212/91, dentre elas a litigante, sejam excluídas, acaso elas não estivessem, pelo comando geral da Norma, incluídas. Isso significa dizer que, já na vigência da Lei Complementar 70/91, as atividades desenvolvidas pela litigante estavam sujeitas ao pagamento da Contribuição, pois enquadrarseiam no conceito de serviços. A despeito disso, fato é que, após, a Lei 9.718/98 e outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, foi revisto o Sistema de financiamento da Seguridade Social como um todo, e incluídas, expressamente, dentre outras, as corretoras no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal, como se extrai do texto dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO 32 § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Como dito de início, a declaração de inconstitucionalidade alcançou exclusivamente o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. De tudo o que se coloca, fica claro que não somente o caput do artigo, mas os demais parágrafos e toda a regulamentação superveniente deixou de ser atingida e permanece até hoje em vigor. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo, que não fariam nenhum sentido se a base continuasse adstrita às receita proveniente das vendas de bens e serviços, no caso do conceito de serviços ser interpretado tão restritivamente como frequentemente se pretende. E, vejase, se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins e não apenas das receitas atípicas, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01. De todo o exposto, e considerando que o Banco Itaú S.A. é uma sociedade anônima que, em conjunto com as empresas coligadas e controladas, atua, no Brasil e no exterior, na atividade bancária em todas as modalidades, através de suas carteiras comercial, de investimento, de crédito imobiliário, de crédito, financiamento e investimento e de arrendamento mercantil, inclusive as de operações de câmbio, e nas atividades complementares, destacandose as de Seguros, Previdência Privada, Capitalização, Corretagem de Títulos e Valores Mobiliários e Administração de Cartões de Crédito, Consórcios, Fundos de Investimentos e Carteiras Administradas, não como entender que a operação em escrutínio não seja uma atividade própria e típica da Recorrente. Assim, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário neste particular, para manter a incidência das Contribuições sobre o valor decorrente da venda das ações obtidas no processo de desmutualização das Bolsas. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por WALKER ARAUJO
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