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Numero do processo: 11610.016368/2008-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.001
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexado aos autos o resultado da decisão do processo de número 19679.003731/2004-02. Após, cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, com posterior retorno dos autos ao relator para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.016368/200893 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.001 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 30 de outubro de 2017 Assunto MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente BOTELHO MARKETING E PROMOÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexado aos autos o resultado da decisão do processo de número 19679.003731/200402. Após, cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, com posterior retorno dos autos ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de auto de infração exigindo o crédito tributário de R$ 500,00, relativo à multa por ausência de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002. Inconformada, a ora recorrente apresentou impugnação a DRJ onde alegava: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 16 36 8/ 20 08 -9 3 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11610.016368/200893 Resolução nº 1001000.001 S1C0T1 Fl. 3 2 Em 15 de março de 2004, a requerente ingressou perante esse Órgão, com um pedido de retificação de sua Ficha Cadastral a fim de que pudesse constar o evento 301, que lhe conferia o status de empresa optante pelo Sistema Simplificado de Tributação, conhecido como SIMPLES. Referido processo foi instruído de todos os documentos hábeis a comprovar a real intenção da requerente de ser optante pelo Simples, inclusive das respectivas declarações de Imposto de Renda Anual na modalidade Simplificada, procedimento este foi adotado até 30/06/2007, data em que o próprio contribuinte solicitou seu desenquadramento. Como se pode verificar pelo documento ora juntado a este petitório (doc. 2) o mencionado processo se encontra em análise na EQ ANALISE PROC TRIB DIVERSOS DERAT SP, onde aguarda a manifestação dos competentes julgadores. A DRJ proferiu o seguinte acórdão: A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, motivos pelos quais dela tomo conhecimento. Há conexão entre o presente processo e o processo no 19679.003731/200402, este último referente ao pedido da impugnante para que seja reconhecida como optante pelo Simples Federal a partir do início de suas atividades, em 11 de fevereiro de 1999 até 30 de junho de 2007, o qual está pendente de decisão até a presente data e cuja competência é daDelegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributaria de São Paulo. Outrossim, em razão do lapso temporal já transcorrido, conforme autorizado pelo art. 265 § 5o do Código de Processo Civil, o presente processo será solucionado independentemente da decisão do processo conexo. A Lei 9.317/96 e alterações posteriores, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas Simples Federal restringiu a admissão de algumas pessoas jurídicas em razão de sua atividade. O objeto social da impugnante, conforme consta de seu contrato social, “consiste na exploração do ramo de empacotamento, distribuição de brindes, impressos gráficos e folhetos, apoio à organização de feiras e eventos”. Dáse interpretação ampla ao objeto social da empresa uma vez que é bastante genérica a sua descrição, e não há outras provas, nesses autos e nos autos do processo no 19679.003731/200402, das atividades efetivamente desempenhadas pela empresa. Por conseguinte, entendese que a atividade de apoio à organização de feiras e eventos abrange as subatividades usualmente a ela relacionadas, incluindo a criação do logotipo do evento, do material de divulgação do evento e também o fornecimento da mãodeobra especializada para sua realização, tais como, recepcionistas, técnicos de som e de imagem, cerimonial, etc. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11610.016368/200893 Resolução nº 1001000.001 S1C0T1 Fl. 4 3 A criação do logotipo e do material de divulgação é atividade de publicidade, pois, de acordo com o art. 6º do Decreto nº 57.690, de 1º de fevereiro de 1966, que regulamentou a Lei n° 4.680, de 1965, “Agência de Propaganda é a pessoa jurídica especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitários, que, através de profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem”. A disponibilização de pessoal para a realização de determinada tarefa, independentemente de qual seja, constitui locação de mão de obra. Estão impedidas de optar pelo Simples Federal as empresas que têm por atividade tanto a criação de propaganda e publicidade quanto a prestação de serviço mediante locação de mão de obra, por força do art. 9o da Lei 9.317/96, inciso XII, alíneas “d” e “f”. Concluise que no período do lançamento a impugnante estava impedida de optar pelo regime tributário do Simples Federal, ficando obrigada a apresentar a DCTF. Com base no exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformado, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Basicamente, a recorrente repetiu os mesmos argumentos apresentados para a impugnação. Devido a existência de um processo, o de número 19679.003731/200402, pleiteando que seja reconhecida como optante pelo simples, o qual ainda não foi julgado, consoante informação da própria DRJ e, principalmente, devido ao tempo já decorrido, proponho que o processo seja convertido em diligência para que DRF São Paulo anexe aos autos, o resultado do referido processo, que a recorrente seja cientificada do resultado (parágrafo único ao artigo 35 do Decreto 70.235/75) e que os autos sejam devolvidos ao CARF, para o devido julgamento. É como voto (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720816/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DECISÃO EMBARGADA QUE RECONHECE A ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DO CONTRIBUINTE. CONSEQUÊNCIA LÓGICA DO PROVIMENTO DO RECURSO EM RELAÇÃO A RESTITUIÇÃO DOS VALORES DE IRPF PAGOS. OBSCURIDADE INEXISTENTE. ACÓRDÃO QUE TRATA DO ASSUNTO.
Inexiste obscuridade no Acórdão embargado, porquanto houve de forma expressa a discussão e fundamentação quanto ao ponto objeto dos embargos. Consequência lógica do pedido a restituição dos valores de IRPF recolhidos pelo contribuinte no caso concreto. Embargos de declaração procrastinatórios, contrários aos princípios da eficiência da Administração Pública.
Numero da decisão: 2201-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DECISÃO EMBARGADA QUE RECONHECE A ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DO CONTRIBUINTE. CONSEQUÊNCIA LÓGICA DO PROVIMENTO DO RECURSO EM RELAÇÃO A RESTITUIÇÃO DOS VALORES DE IRPF PAGOS. OBSCURIDADE INEXISTENTE. ACÓRDÃO QUE TRATA DO ASSUNTO. Inexiste obscuridade no Acórdão embargado, porquanto houve de forma expressa a discussão e fundamentação quanto ao ponto objeto dos embargos. Consequência lógica do pedido a restituição dos valores de IRPF recolhidos pelo contribuinte no caso concreto. Embargos de declaração procrastinatórios, contrários aos princípios da eficiência da Administração Pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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CONSEQUÊNCIA LÓGICA DO PROVIMENTO DO RECURSO EM RELAÇÃO A RESTITUIÇÃO DOS VALORES DE IRPF PAGOS. OBSCURIDADE INEXISTENTE. ACÓRDÃO QUE TRATA DO ASSUNTO. Inexiste obscuridade no Acórdão embargado, porquanto houve de forma expressa a discussão e fundamentação quanto ao ponto objeto dos embargos. Consequência lógica do pedido a restituição dos valores de IRPF recolhidos pelo contribuinte no caso concreto. Embargos de declaração procrastinatórios, contrários aos princípios da eficiência da Administração Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 08 16 /2 01 4- 94 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13819.720816/201494 Acórdão n.º 2201003.928 S2C2T1 Fl. 86 2 EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Embargos de Declaração de fls. 80/81 opostos pela PGFN com o fito de corrigir “obscuridade” ocorrido no V. Acórdão de nº 2201003.587 de fls. 73/77 dos autos assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO. São tributáveis os proventos provenientes das pensões civis de qualquer natureza e quaisquer outros proventos recebidos de antigo empregador, de institutos, caixas de aposentadoria ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidas no passado. Para fruir do benefício tributário da isenção do IRPF, o contribuinte deverá ser aposentado acometido por doença grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Inteligência da Lei nº 7.713/88 (Art. 6º, XIV), Lei nº 9.250/95 (Art. 30) e IN SRF nº 15/01 (Art. 5º, § 1º). 2 Os embargos foram assim opostos às fls 80/81: 1 O v. acórdão ora embargado analisou recurso voluntário interposto contra decisão da DRJPorto Alegre/RS que julgou procedente em parte a impugnação e reduziu o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento no. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13819.720816/201494 Acórdão n.º 2201003.928 S2C2T1 Fl. 87 3 2012/014442550122128 (fls. 05/11) relativa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2012, anocalendário 2011, da contribuinte, que desconstituiu a restituição de R$ 1.464,84 (mil quatrocentos e sessenta e quatro e oitenta e quatro centavos) e passou a exigir “imposto suplementar” no valor de R$ 1.694,78 (mil seiscentos e e noventa e quatro reais e setenta e oito centavos), com multa de ofício no percentual de 75% (R$ 1.271,08) e juros de mora de R$ 250,31 (duzentos e cinquenta reais e trinta e um centavos), no valor total de R$ 3.216,67. 2. Por sua vez, o Recurso Voluntário dispõe, verbis: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ter decidido, cancelanose débito fiscal reclamado. 3. Como se vê, o pedido SE LIMITA a pleitear o cancelamento do débito fiscal reclamado. 4. Daí, surge a OBSCURIDADE, considerando que o v. acórdão ora embargado acabou por também RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO DE R$ 1.869,21 (mil oitocentos e sessenta e nove reais e vinte e um centavos). 3 – Os embargos foram recebidos pela E. Presidência dessa C. Turma às fls. 83/84. "Do exposto, verificase que a conclusão de voto, além de ter dissociado da acusação fiscal, foi no sentido diverso do que fora formulado no pedido, mormente porque a restituição dos valores pagos indevidamente possui rito próprio de acordo com as normas da RFB. Isso posto, entendo que restou demonstrada a obscuridade apontada pela Fazenda Nacional, razão pela qual acolho os Embargos Declaratórios." 4 É o relatório do essencial. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13819.720816/201494 Acórdão n.º 2201003.928 S2C2T1 Fl. 88 4 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – Conheço dos embargos pois preenchem os requisitos de tempestividade e admissibilidade. 6 – Não há qualquer obscuridade a ser sanada. Houve o reconhecimento dos rendimentos da contribuinte como isentos e o fato de não ter solicitado de forma expressa no recurso voluntário a restituição do valor a que faz jus, não conduz à falta do seu direito. 7 Resta claro e expresso no V. Acórdão a fundamentação quanto a esse assunto pois é consequência lógica do provimento do recurso do contribuinte: "In casu, constatase que a Recorrente logrou comprovar os requisitos legais para a fruição do benefício tributário da isenção do IRPF, pois juntou aos autos documentos que comprovaram sua condição de aposentada (Demonstrativos de Pagamento emitidos pela SPPREV São Paulo Previdência – fls. 58/66), bem como que demonstraram ser ela portadora de moléstia grave – neoplasia maligna (CID10 nº C50 câncer de mama), diagnosticada em 06/02/2010 através do Laudo Médico Pericial nº 3437/2013, de lavra do médico Daniel Pereira Hamrick, CRM nº 144.938 (fls. 38), lotado no São Paulo Previdência, órgão vinculado à Secretaria da Fazenda do Governo do Estado de São Paulo. Pelo exposto, considerando que todos os rendimentos declarados são proventos de aposentadoria, voto por considerálos isentos e, conseqüentemente, reconhecer a improcedência do lançamento fiscal em tela, devendose restituir à recorrente todo o valor que foi retido na fonte sobre tais rendimentos (R$ 1.869,21), os quais devem ser atualizados nos termos da legislação." Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13819.720816/201494 Acórdão n.º 2201003.928 S2C2T1 Fl. 89 5 8 Nessa linha de raciocínio o E. STJ já se manifestou a respeito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. JULGAMENTO ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO SUMULAR Nº 284/STF. AGRAVO IMPROVIDO. 1 A simples alegação de violação ao art. 31 da Lei nº 8.213/91, sem a necessária explicitação da razão pela qual indigitado dispositivo teria sido violado, não tem o condão de permitir a exata compreensão da controvérsia. Incidência, à espécie, do enunciado sumular nº 284/STF. 2 Como o pedido dos autores alude à correção monetária dos salários de contribuição, a inclusão do IRSM de fevereiro/94, para tal finalidade, é, nesse mister, consequência lógica da procedência do pedido. 3 Registrase, pois, que a postulação e a causa de pedir se circunscrevem pelos argumentos fáticos e jurídicos invocados na exordial e não pela taxatividade dos artigos invocados, não havendo, pois, frisase, falar em julgamento "ultra petita". 4 Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 875.057/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 09/11/2010, DJe 29/11/2010) 9 – Com o reconhecimento da isenção é consequência natural que a Fazenda Nacional proceda à restituição do valor que foi retido em decorrência de tal rendimento considerado como tributável na época em seu ajuste da DIRPF restabelecendo o direito à restituição que a Malha Fiscal obstou. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13819.720816/201494 Acórdão n.º 2201003.928 S2C2T1 Fl. 90 6 10 – No caso em tela não há nenhum prejuízo ao Erário Público e ao cumprimento da decisão pela unidade preparadora, pelo contrário, estará sendo cumprido um dos princípios da Administração Pública que é da eficiência, de acordo com art. 37 da CF/88 atendendo dessa forma ao interesse público. 11 – Portanto, os embargos são meramente protelatórios e contrários aos princípios indicados no artigo 37 da CF, no caso, da eficiência, havendo outros assuntos de maior envergadura jurídica que a D. PGFN poderia se debruçar em prol da Administração e do Erário Público. Conclusão 12 Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos embargos e rejeitálos na forma da fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.001923/2003-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE SUA APRESENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
A 1ª via da nota fiscal de aquisição é documento essencial que dá suporte ao registro do crédito de IPI nos livros fiscais. Existem meios alternativos para comprovar a legitimidade do crédito, porém não é suficiente os próprios livros fiscais, pois são escriturados a partir da referida documentação. Cabe ao contribuinte providenciar meios legítimos, à sua disposição, para substituir a referida via. Não o fazendo, ou fazendo de forma ineficiente, não é possível o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito solicitado.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEVOLUÇÃO DE PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE.
Não existe previsão legal para o ressarcimento de crédito de IPI decorrente da devolução de produtos acabados. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 só permite o ressarcimento aos créditos decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem.
IPI. CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO A IMPORTAÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO.
Existindo prova inequívoca do pagamento do IPI na entrada, por ocasião da importação dos insumos, este crédito pode ser apropriado para ressarcimento, mesmo estando ausente, no caso, a primeira via da nota fiscal de entrada.
Numero da decisão: 9303-005.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ELEMENTO DE PROVA. Recorrentes FAZENDA NACIONAL GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE SUA APRESENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. A 1ª via da nota fiscal de aquisição é documento essencial que dá suporte ao registro do crédito de IPI nos livros fiscais. Existem meios alternativos para comprovar a legitimidade do crédito, porém não é suficiente os próprios livros fiscais, pois são escriturados a partir da referida documentação. Cabe ao contribuinte providenciar meios legítimos, à sua disposição, para substituir a referida via. Não o fazendo, ou fazendo de forma ineficiente, não é possível o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito solicitado. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEVOLUÇÃO DE PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para o ressarcimento de crédito de IPI decorrente da devolução de produtos acabados. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 só permite o ressarcimento aos créditos decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. IPI. CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO A IMPORTAÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO. Existindo prova inequívoca do pagamento do IPI na entrada, por ocasião da importação dos insumos, este crédito pode ser apropriado para ressarcimento, mesmo estando ausente, no caso, a primeira via da nota fiscal de entrada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 19 23 /2 00 3- 34 Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 3 2 provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3301002.480, de 11 de novembro de 2014 (fls. 910 a 919 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário para a) afastar a glosa de R$ 2.787,64 imposta somente pela decisão recorrida e b) acatar os créditos de IPI correspondentes a MP, PI e ME de importação direta, cujos pagamentos do IPI vinculado à importação estejam comprovados. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo contribuinte de ressarcimento de créditos básicos de IPI, no valor de R$ 255.938,00, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF nº 210/2002, relativo ao 2º trimestre de 2002. Informando que adquire matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, os quais são utilizados na industrialização de seus produtos farmacêuticos, com alíquota zero de IPI. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 4 3 Posteriormente em 13/02/2004, apresentou a Declaração de Compensação nº 02311.13908.130204.1.3.011076 solicitando que a totalidade dos créditos deste processo fossem compensados com débitos da Cofins referente ao período de apuração de janeiro/2004. A DERAT/RJ reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou a compensação até o limite do crédito deferido. Em relação ao indeferimento, alegou: 1 que não são passíveis de ressarcimento os seguintes créditos (não são os créditos referidos no art. 11 da lei nº 9.779/99): 1.1 créditos referentes à aquisição no mercado interno ou importado de produtos destinados à revenda/comercialização; 1.2 créditos de produtos recebidos em transferência de filial ou de terceiros, notadamente os produtos “COREGA” e creme dental; 1.3 créditos de outras entradas (p.ex. industrialização por encomenda com retorno de produtos acabados); e 2 não foi apresentado à Fiscalização as primeiras vias das notas fiscais de aquisição de MP, PI e ME com destaque de crédito básico de IPI. Os créditos escriturados devem ser comprovados com a primeira via da nota fiscal de aquisição/entrada do insumo. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: a decisão proferida no despacho decisório glosara créditos de IPI no valor de R$43.392,35 sem mencionar de modo exaustivo e específico quais e por que razão os créditos não eram passíveis de ressarcimento, ensejando, com isso, manifesto cerceamento do direito de defesa da reclamante e, consequentemente, a nulidade da glosa; Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 5 4 sobre a glosa de créditos no valor de R$77.159,85, a legislação não exigia a "apresentação da 1 'via da nota fiscal como condição sine qua non para o ressarcimento. De acordo com a legislação citada, o exame dos créditos se dá nos livros fiscais do contribuinte, devidamente apresentados no caso em comento. A nota fiscal consiste apenas em mais um elemento capaz de corroborar a existência da operação. (..) a autenticidade da operação pode ser aferida pelo conjunto de elementos, não sendo possível cingirse apenas a um. (..) a impossibilidade de se apresentar, em todos os casos, a primeira via da nota fiscal ocorre por uma infinidade de razões, tal como: por estar a nota em tesouraria, dentre outros "; todas as notas apresentadas encontravamse devidamente carimbadas, o que, por si só, individualizava os documentos, fazendo as vezes de primeiras vias. Citou ementa de julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes que entendeu corroborar sua assertiva; para a instrução do pedido de ressarcimento, somente é necessária a apresentação dos livros de apuração do IPI. No caso em comento, por ter julgado necessário, a Fiscalização solicitou a apresentação de notas fiscais, sem no entanto, estabelecer qualquer condição ou a necessidade de serem apresentado `os originais' das mesmas"; "ainda que a Impugnante disso prescinda para comprovar o seu crédito, pedese vênia para juntar a primeira via das notas fiscais, como se constata dos documentos anexos; "as transferências a que faz referência a r. decisão eram efetivadas entre estabelecimentos de titularidade da impugnante (..). Com efeito, não havia transferência para estabelecimentos de terceiros. (..) o estabelecimento da Rua Cordovil não faturava, e, portanto, não aproveitava o crédito. O estabelecimento que dava efetiva saída aos produtos, deforma contabilizada, era o estabelecimento `Rio 2000' "; "No que se refere aos `créditos por devoluções', (..) tendo recolhido o imposto quando da saída da mercadoria, à Impugnante é legítimo se creditar do IPI quando as mesmas são devolvidas por seus clientes, o que representa uma nova entrada. Afinal, em atenção ao princípio da nãocumulatividade, não pode o contribuinte suportar o imposto sem ter, em contrapartida, o direito de se creditar na operação seguinte "; Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 6 5 "essa pretensão da Fiscalização de somente deferir o ressarcimento nos casos contemplados pela Lei n° 9.779199 (..) não encontra respaldo em nosso ordenamento. (..) na apuração do IPI, não se distingue o crédito oriundo da aquisição de insumos, produtos intermediário e/ou material de embalagem dos demais créditos. Apuramse os débitos e créditos do período e, havendo saldocredor, buscase o seu ressarcimento. Com efeito, tendo ocorrido uma operação, cujo imposto foi recolhido pela Impugnante, há direito de crédito, sendo o ressarcimento mera decorrência deste. Se não pela Lei n° 9.779199, certamente pela Constituição Federal (cfr. Art. 153, § 3' 1 inc. II) ". Ao final, requereu a nulidade parcial do indeferimento ou sua total insubsistência, com o consequente reconhecimento do seu pleito inicial de ressarcimento. A DRJ em Juiz de Fora/MG manteve o deferimento parcial do pleito do contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso para a) afastar a glosa de R$ 2.787,64 imposta somente pela decisão recorrida e b) acatar os créditos de IPI correspondentes a MP, PI e ME de importação direta, cujos pagamentos do IPI vinculado à importação estejam comprovados, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PER/DCOMP. GLOSA. AGRAVAMENTO APÓS MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O julgador administrativo deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus. IPI. CRÉDITO BÁSICO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99, são passíveis de ressarcimento unicamente os créditos básicos do IPI decorrentes de Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 7 6 aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização. Para os demais créditos admitidos na legislação do imposto o referido dispositivo legal não autoriza o ressarcimento. IPI. CRÉDITO BÁSICO. PROVA. NOTA FISCAL QUE ACOMPANHOU OS PRODUTOS. A primeira via da nota fiscal é a que acompanha os produtos e a que deve permanecer em poder do destinatário, configurandose, portanto, no documento fiscal essencial, imprescindível para conferir legitimidade ao aproveitamento escritural do crédito de IPI pela contribuinte. IPI. CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO A IMPORTAÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO. Existindo prova inequívoca do pagamento do IPI na entrada, por ocasião da importação dos insumos, este crédito pode ser apropriado para ressarcimento, mesmo estando ausente, no caso, a primeira via da nota fiscal de entrada. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 921 a 924) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao aceitamento do crédito do IPI na operação de importação, sem que, no entanto, o contribuinte tenha apresentado a primeira via da nota fiscal. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 3402002.273. A comprovação do julgado firmouse transcrição da ementa do acórdão no corpo da peça recursal. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 8 7 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 926 a 928 sob o argumento que pela análise do acórdão recorrido e do acórdão paradigma verificase que se tratam de decisões divergentes referente ao mesmo fato, inclusive ao mesmo contribuinte, alterando somente o período de apuração, devendo ser dado seguimento ao recurso especial. Desta forma, restou comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 968 a 974, manifestando pelo não provimento do recurso especial e que seja mantido o entendimento esposado no v. acórdão quanto à matéria questionada pela Fazenda Nacional. O Contribuinte, também, interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito as seguintes matérias: 1) limitação dos meios de prova crédito do IPI apenas com apresentação da primeira via da nota fiscal; 2) reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas, o acórdão de nº 310101.033 para matéria 1 e acórdão nº 3201 001.766 para matéria 2. O recurso especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 1086 sob o seguintes argumentos: referente a matéria 1 tratamse de decisões divergentes referente ao mesmo fato, inclusive ao mesmo contribuinte, alterando somente o período de apuração, devendo ser dado seguimento ao recurso especial; referente a matéria 2 no acórdão paradigma foi reconhecido o direito ao crédito básico do IPI oriundo da devolução de produtos acabados, este mesmo crédito foi indeferido no acórdão recorrido pelo fato dos produtos acabados não se encaixarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Concluindo, informa que restou comprovada a divergência jurisprudencial em ambas matérias suscitadas pelo Contribuinte. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 9 8 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do recurso especial e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora DO RECURSO DA FAZENDA Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, Sob o argumento que pela análise do acórdão recorrido e do acórdão paradigma verificase que se tratam de decisões divergentes referente ao mesmo fato, inclusive ao mesmo contribuinte, alterando somente o período de apuração, devendo ser dado seguimento ao recurso especial. Desta forma, restou comprovada a divergência jurisprudencial. No que se refere a parte questionada do acórdão recorrido, esta traz que existindo prova inequívoca do pagamento do IPI na entrada, por ocasião da importação dos insumos, este crédito pode ser apropriado para ressarcimento, mesmo estando ausente, no caso, a primeira via da nota fiscal de entrada. Referente a mesma matéria, o acórdão paradigma traz quanto aos créditos decorrentes de operações de importação, não tendo sido apresentado documento comprobatório do recolhimento do imposto no desembaraço, não há como se deferir o crédito pleiteado. Entendo que ficou comprovada a divergência jurisprudencial. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 210/2002, relativo ao 3º trimestre de 2000. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 10 9 No tocante aos meios de provas admitidos para a comprovação de credito de IPI, entendo oportuno adotar as razões esposadas no processo 13706.001773/200369, julgado na sessão do dia 15.02.2012, da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, in verbis: “(...) Ao meu sentir, a recorrente tem razão em seus reclamos, porquanto tal conduta está dissociada da melhor exegese da legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal, e configurou, s.m.j., cerceamento do direito de defesa da recorrente, na medida em que restringiu a prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais quando não há dispositivo legal que preveja tal imperativo. Ao contrário do propalado pelas dignas autoridades administrativas, temse o art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo tributário, no sentido de que: são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei nº 5.869/73, art. 332 Código de Processo Civil). Esse é o dispositivo que inaugura o Capítulo referente às Provas, do Título I Das Normas Gerais. Também obra a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições legais, poderão solicitar informações e esclarecimentos ao sujeito passivo ou a terceiros, sendo as declarações, ou a recusa em prestálas, lavradas pela autoridade administrativa e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354/54, art. 7º; DecretoLei nº 1.718/79, art. 2º; Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional, arts. 196 e 197; Lei nº 11.457/2007, art. 10). Esse dispositivo trata do dever de prestar informações, que não é adstrito ao sujeito passivo, e sim extensivo a terceiros, cujas informações podem e devem ser utilizadas no procedimento relativo ao sujeito passivo. Essas normas processuais gerais já são suficientes para afastar a restrição aposta pelo Fisco, no sentido de que as operações efetuadas pelo contribuinte somente são passíveis de prova mediante a exibição da primeira via da nota fiscal. Nada obstante, há outras no campo da legislação do IPI, para ficar na esfera da legislação referida na Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 11 10 decisão recorrida, que também se amoldam à ampliação dos meios de prova no âmbito dos procedimentos fiscais, tais como o art. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários constituem elementos subsidiários da escrita fiscal os livros da escrita geral, as faturas e notas fiscais recebidas, documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, e outros efeitos comerciais, inclusive aqueles que, mesmo pertencendo ao arquivo de terceiros, se relacionarem com o movimento escriturado (Lei nº 4.502/64, art. 56, § 4º, e Lei nº 9.430/96, art. 34). O art. 413 do RIPI/98 pessoas obrigadas a prestar informações mediante intimação escrita, são obrigados a prestar aos Auditores Fiscais todas as informações de que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades de terceiros (Lei n.º 4.502/64, art. 97, e Lei nº 5.172/66, art. 197): (...) VIII as demais pessoas, naturais ou jurídicas, cujas atividades envolvam negócios que interessem à fiscalização e arrecadação do imposto. Nesse contexto, a leitura dos arts. 326 e 327 do RIPI/98 feita pela decisão recorrida também não se me afigura a mais escorreita, pois o fato de uma via da nota fiscal não substituir outra para fins de função fiscal e destinação não significa que qualquer uma delas não represente fidedignamente a mesma operação subjacente. E a previsão de utilização de cópia reprográfica de nota fiscal, do art. 327, para as hipóteses elencadas, não quer dizer finalidade única e específica; ao revés, configura adaptação da legislação da nota fiscal do IPI para novas necessidades (numerus apertus), excetuando apenas o trânsito dos produtos e mercadorias. Em suma, fica evidenciado que a “interpretação sistêmica” da legislação possibilita que o contribuinte comprove suas operações de outros meios para além da rígida regra que estabelece a primeira via da nota fiscal. Ora, no caso concreto há sim outras provas tão idôneas quanto a primeira via da nota fiscal, isto é, outras vias do mesmo documento fiscal, que sequer tiveram qualquer suspeita levantada pela fiscalização, que apenas se apegou numa questão meramente formal. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 12 11 O Decreto nº 7574/2011 que consolida a legislação sobre o processo administrativo tributário, prevê em seu artigo 24, constante do Capítulo V, pertinente às “PROVAS” prevê que, “são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito”. Verificase que a própria legislação do processo administrativo tributário prevê a amplitude quanto à produção probatória, portanto, no caso em tela não deveria restringir e simplesmente desconsiderar os outros meios de prova apresentados pelo contribuinte. Desta forma, entendo que o processo administrativo deve buscar a verdade material dos fatos, a qual deve ser buscada diante de todo campo probatório admitido em direito, portanto, devendo as outras provas apresentadas pelo contribuinte serem pelo menos analisadas. Além da legislação já trazida no precedente acima transcrito, ainda vale citar outras regras indissociáveis deste caso concreto. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo federal, e que pode ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, aponta dois dispositivos que devem ser considerados na solução da questão, in verbis: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 13 12 § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Assim, verificase claramente que existe fundamento jurídico capaz de acolher a argumentação do contribuinte no sentido de afastar o estreitamento exagerado em torno de aceitar como prova apenas a primeira via da nota fiscal. Por tais razões, entendo que a estreita limitação probatória não seja a melhor solução para reconhecer o direito de o contribuinte comprovar seus créditos reclamados. Diante do exposto, voto em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. DO RECURSO DO CONTRIBUINTE Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. Entendo ter ficado comprovado as divergência jurisprudenciais apresentadas pelo Contribuinte quanto as matérias suscitadas em sede do recurso especial, a saber: 1) limitação dos meios de prova crédito do IPI apenas com apresentação da primeira via da nota fiscal; 2) reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados. Referente a matéria 1 tratamse de decisões divergentes referente ao mesmo fato, inclusive ao mesmo contribuinte, alterando somente o período de apuração; referente a matéria 2 no acórdão paradigma foi reconhecido o direito ao crédito básico do IPI oriundo da devolução de produtos acabados, este mesmo crédito foi indeferido no acórdão recorrido pelo Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 14 13 fato dos produtos acabados não se encaixarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 210/2002, relativo ao 3º trimestre de 2000. O contribuinte traz duas questões a serem discutidas e analisadas por este Conselho: a limitação dos meios de prova crédito do IPI apenas com apresentação da primeira via da nota fiscal; e reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados. No tocante aos meios de provas admitidos para a comprovação de credito de IPI, entendo oportuno adotar as razões esposadas no processo 13706.001773/200369, julgado na sessão do dia 15.02.2012, da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, in verbis: “(...) Ao meu sentir, a recorrente tem razão em seus reclamos, porquanto tal conduta está dissociada da melhor exegese da legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal, e configurou, s.m.j., cerceamento do direito de defesa da recorrente, na medida em que restringiu a prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais quando não há dispositivo legal que preveja tal imperativo. Ao contrário do propalado pelas dignas autoridades administrativas, temse o art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo tributário, no sentido de que: são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei nº 5.869/73, art. 332 Código de Processo Civil). Esse é o dispositivo que inaugura o Capítulo referente às Provas, do Título I Das Normas Gerais. Também obra a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições legais, poderão solicitar informações e esclarecimentos ao sujeito passivo ou a terceiros, sendo as Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 15 14 declarações, ou a recusa em prestálas, lavradas pela autoridade administrativa e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354/54, art. 7º; DecretoLei nº 1.718/79, art. 2º; Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional, arts. 196 e 197; Lei nº 11.457/2007, art. 10). Esse dispositivo trata do dever de prestar informações, que não é adstrito ao sujeito passivo, e sim extensivo a terceiros, cujas informações podem e devem ser utilizadas no procedimento relativo ao sujeito passivo. Essas normas processuais gerais já são suficientes para afastar a restrição aposta pelo Fisco, no sentido de que as operações efetuadas pelo contribuinte somente são passíveis de prova mediante a exibição da primeira via da nota fiscal. Nada obstante, há outras no campo da legislação do IPI, para ficar na esfera da legislação referida na decisão recorrida, que também se amoldam à ampliação dos meios de prova no âmbito dos procedimentos fiscais, tais como o art. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários constituem elementos subsidiários da escrita fiscal os livros da escrita geral, as faturas e notas fiscais recebidas, documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, e outros efeitos comerciais, inclusive aqueles que, mesmo pertencendo ao arquivo de terceiros, se relacionarem com o movimento escriturado (Lei nº 4.502/64, art. 56, § 4º, e Lei nº 9.430/96, art. 34). O art. 413 do RIPI/98 pessoas obrigadas a prestar informações mediante intimação escrita, são obrigados a prestar aos Auditores Fiscais todas as informações de que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades de terceiros (Lei n.º 4.502/64, art. 97, e Lei nº 5.172/66, art. 197): (...) VIII as demais pessoas, naturais ou jurídicas, cujas atividades envolvam negócios que interessem à fiscalização e arrecadação do imposto. Nesse contexto, a leitura dos arts. 326 e 327 do RIPI/98 feita pela decisão recorrida também não se me afigura a mais escorreita, pois o fato de uma via da nota fiscal não substituir outra para fins de função fiscal e destinação não significa que qualquer uma delas não represente fidedignamente a mesma operação subjacente. E a previsão de utilização de cópia reprográfica de nota fiscal, do art. 327, para as hipóteses elencadas, não quer dizer finalidade única e específica; ao revés, configura adaptação da legislação da nota fiscal do IPI para novas necessidades Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 16 15 (numerus apertus), excetuando apenas o trânsito dos produtos e mercadorias. Em suma, fica evidenciado que a “interpretação sistêmica” da legislação possibilita que o contribuinte comprove suas operações de outros meios para além da rígida regra que estabelece a primeira via da nota fiscal. Ora, no caso concreto há sim outras provas tão idôneas quanto a primeira via da nota fiscal, isto é, outras vias do mesmo documento fiscal, que sequer tiveram qualquer suspeita levantada pela fiscalização, que apenas se apegou numa questão meramente formal. O Decreto nº 7574/2011 que consolida a legislação sobre o processo administrativo tributário, prevê em seu artigo 24, constante do Capítulo V, pertinente às “PROVAS” prevê que, “são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito”. Verificase que a própria legislação do processo administrativo tributário prevê a amplitude quanto à produção probatória, portanto, no caso em tela não deveria restringir e simplesmente desconsiderar os outros meios de prova apresentados pelo contribuinte. Desta forma, entendo que o processo administrativo deve buscar a verdade material dos fatos, a qual deve ser buscada diante de todo campo probatório admitido em direito, portanto, devendo as outras provas apresentadas pelo contribuinte serem pelo menos analisadas. Além da legislação já trazida no precedente acima transcrito, ainda vale citar outras regras indissociáveis deste caso concreto. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo federal, e que pode ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, aponta dois dispositivos que devem ser considerados na solução da questão, in verbis: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 17 16 moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Assim, verificase claramente que existe fundamento jurídico capaz de acolher a argumentação do contribuinte no sentido de afastar o estreitamento exagerado em torno de aceitar como prova apenas a primeira via da nota fiscal. Por tais razões, entendo que a estreita limitação probatória não seja a melhor solução para reconhecer o direito de o contribuinte comprovar seus créditos reclamados. No tocante ao reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados, entendo que de acordo com o artigo 150 e seguintes do Decreto nº 2.637/1998, RIPI, vigente a época, e permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial. Senão vejamos: Dos Créditos por Devolução ou Retorno de Produtos Devolução ou Retorno Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 18 17 Art. 150. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30). (...) Procedimentos Art. 152. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: I pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364; c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. Art. 153. Quando a devolução for feita por pessoa física ou jurídica não obrigada à emissão de nota fiscal, acompanhará o produto carta ou memorando do comprador, em que serão declarados os motivos da devolução, competindo ao vendedor, na entrada, a emissão de nota fiscal com a indicação do número, data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto relativo às quantidades devolvidas. Parágrafo único. Quando ocorrer a hipótese prevista no caput deste artigo, assumindo o vendedor o encargo de retirar ou transportar o produto Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 19 18 devolvido, servirá a nota fiscal para acompanhálo no trânsito para o seu, estabelecimento. Art. 154. Se a devolução do produto for feita a outro estabelecimento do mesmo contribuinte, que o tenha industrializado ou importado, e que não opere exclusivamente a varejo, o que o receber poderá creditarse pelo imposto, desde que registre a nota fiscal nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364. Art. 155. Na hipótese de retomo de produtos, deverá o remetente, para creditarse do imposto, escriturálo nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364, com base na nota fiscal, emitida na entrada dos produtos, a qual fará referência aos dados da nota fiscal originária. Art. 156. Produtos que, por qualquer motivo, não forem entregues ao destinatário originário constante da nota fiscal emitida na saída da mercadoria do estabelecimento, podem ser enviados a destinatário diferente do que tenha sido indicado na nota fiscal originária, sem que retornem ao estabelecimento remetente, desde que este: I emita nota fiscal de entrada simbólica do produto, para creditarse do imposto, com indicação do número e data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto nela destacado, efetuando a sua escrituração nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364; II emita nota fiscal com destaque do imposto em nome do novo destinatário, com citação do local de onde os produtos devam sair. SEÇÃO III Da Escrituração dos Créditos Requisitos para a Escrituração Art. 171. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 20 19 I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a insumos que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos isentos, saídos com suspensão, não tributados ou de alíquota zero, cuja manutenção não tenha sido autorizada pela legislação. § 2º No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na efetiva entrada do mesmo no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Entendo se ocorreu a saída do estabelecimento industrial e, por conseguinte, se ter constituído a obrigação tributária, ex vi de fato gerador pendente, a mesma se extingue em razão da devolução da mercadoria pelo comprador, em razão de operação ou não concluída, ou concluída mas desfeita, mas, em qualquer caso, não definitivamente constituída, nos termos do art. 116, II do CTN. A devolução de produtos industrializados tributados é um exemplo disto, quando o estabelecimento industrial poderá se creditar do imposto lançado por conta da saída (art. 30, lei n.º 4.502/64; art. 150, RIPI). Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 21 20 Percebese que, na hipótese em que houver a devolução total dos produtos industrializados, haverá a extinção do crédito tributário em razão do creditamento do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, ou seja, a obrigação tributária é extinta em razão da vontade de uma das partes. Assim, se o Contribuinte comprovar através de documentos idôneos que houve as devoluções e retorno terá o Contribuinte o direito de apropriarse dos créditos do IPI registrados em nesses documentos fiscais. Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Especial para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais e reconhecer o direito ao credito do Contribuinte com relação as devolução e retorno. E determinar a devolução dos autos do processo ao órgão julgador de primeiro grau, para apreciar as demais questões de mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 22 21 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém não concordo com suas conclusões. 1ªVia da Nota Fiscal Limitação dos meios de prova. Ela citou farta legislação que caminham no mesmo sentido de que não se deve estreitar a possibilidade de apresentação de elementos de prova ao contribuinte, na tentativa de demonstrar o seu direito creditório relativo ao pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, amparado no art. 11 da lei nº 9.779/99. Creio que houve uma simplificação da matéria discutida nos presentes autos. Entendo que a discussão relevante para o deslinde da controvérsia, não é exatamente de restrição de meios de provas, mas da comprovação do direito alegado, em que a autoridade administrativa entendeu que os elementos de prova apresentados não eram suficientes para tal intento. Tanto é verdade que no presente julgamento negouse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional pois entendeuse pela procedência do crédito mesmo estando ausente a 1ª via da Nota Fiscal. Evidente que não se trata de restrição dos meios de prova. O sistema de apuração de créditos da não cumulatividade do IPI é realizado de uma forma relativamente simples no Livro Fiscal denominado Registro de Apuração do IPI, o qual é escriturado com base nos Livros "Registro de Entradas" e "Registro de Saídas". Todas as notas fiscais de aquisição de produtos com créditos do IPI são registradas no Livro "Registro de Entradas" com base na 1ª via da Nota fiscal emitida pelo fabricante do produto. Portanto, o elemento de prova original é a 1ª via da Nota Fiscal. Evidente que o registro no referido livro não pode substituíla, pois fosse assim, poderia ser uma fonte de registros sem origem a critério de quem faz a escrituração. A nota fiscal é quem dá sustentação ao registro naquele livro e não o contrário. Daí, temos a primeira conclusão lógica de que não é possível que os livros fiscais dêem suporte a créditos que estão desprovidos das notas fiscais que lhe dão sustentação. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 23 22 Assim a fiscalização glosou os créditos que estavam escriturados nos referidos livros, mas que não tinham suporte em documento fiscal. O documento fiscal que dá suporte aos créditos é a 1ª Via da Nota Fiscal emitida pelo seu fornecedor. É esta via que acompanha a mercadoria desde a sua origem até o destino final e não existe razão normal do contribuinte não possuíla. Óbvio que pode acontecer o seu extravio de forma esporádica, mas existem providências a cargo do contribuinte para suprir a sua falta. A legislação do ICMS a cargo dos Estados prevê forma e procedimentos para a substituição da 1ª via da nota fiscal em caso de perda ou extravio. Tal fato é de conhecimento notório e não necessita de maiores esclarecimentos. Portanto, não se trata de restringir os meios de prova, mas que as provas apresentadas sejam suficientes para comprovar o direito ao crédito, sendo que as instâncias julgadoras de piso e também este relator entendem que não foi comprovado, sendo insuficientes os livros fiscais apresentados pelos motivos acima expostos. A obrigação de manter a documentação que respalda a escrituração, por evidente, não decorre da Lei nº 9.779/99, mas do próprio Regulamento do IPI/98 (Decreto nº 2.637/98), que vigia à época dos fatos: Art. 171. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. (Grifei) (...) Art. 289. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem assim àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Secretário da Receita Federal, em atos administrativos ou em convênio com as Unidades Federativas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 17). Art. 290. Os livros, os documentos que servirem de base à sua escrituração e demais elementos compreendidos no documentário fiscal serão escriturados ou emitidos em ordem cronológica, sem rasuras ou emendas, e conservados no próprio estabelecimento para exibição aos agentes do Fisco, até que cesse o direito de constituir o crédito tributário (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 57, § 1º, e 58). (...) Art. 320. Nos casos dos arts. 321 e 322, a nota fiscal será emitida, no mínimo, em quatro vias e no caso do art. 323, em no mínimo, cinco vias. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 24 23 Art. 321. Na saída de produtos para a mesma Unidade da Federação, as vias de nota fiscal terão o seguinte destino: I a primeira acompanhará os produtos e será entregue, pelo transportador, ao destinatário; II a segunda permanecerá presa ao bloco, para exibição ao Fisco; III a terceira e quarta atenderão ao que for previsto na legislação da Unidade da Federação do emitente. Art. 322. Na saída de produtos para outra Unidade da Federação, as vias da Nota Fiscal terão o seguinte destino: I a primeira acompanhará os produtos e será entregue, pelo transportador, ao destinatário; II a segunda permanecerá presa ao bloco, para exibição ao Fisco; III a terceira acompanhará os produtos para fins de controle do Fisco na Unidade Federada de destino; IV a quarta atenderá ao que for previsto na legislação da Unidade da Federação do emitente. (...) Art. 326. As diversas vias das notas fiscais não se substituirão em suas respectivas funções e a sua disposição obedecerá ordem seqüencial que as diferencia, vedada a intercalação de vias adicionais. Evidente que a razão de tanto rigor, tanto na guarda dos documentos fiscais, quanto nas suas funções, não decorre de mero formalismo do legislador. São documentos que geram créditos a favor de quem os possui e sua má utilização pode resultar em prejuízos para a Fazenda Pública. O que se percebe é que o contribuinte não teve o cuidado necessário na guarda de seus documentos fiscais. Tal fato pode ser evidenciado pela transcrição de parte do Termo de Constatação Fiscal, efls. 643/648: (...) “No entanto, na auditoria para comprovação do direito creditício conforme determina o RIPI/98, diversas exclusões e glosas de créditos fizeramse necessárias face á documentação incompleta apresentada pela requerente, que após um período de quase 05 ( cinco ) meses de sucessivas intimações e contatos telefônicos, demonstrou visível dificuldade e ou desinteresse em reunir os elementos comprobatórios mínimos exigidos pela legislação, sob variadas alegações verbais, dificultando sobremaneira a execução da verificação fiscal. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 25 24 Num primeiro momento, a requerente chegou, inclusive, a apresentar apenas um "relatório de créditos" constando de planilhas de créditos e cópias xerografadas do Livro RAIPI, o que foi descartado de plano por esta fiscalização, já que são necessários os livros fiscais autenticados e os originais de 1ª via das notas fiscais. Finalmente, em resposta às intimações e solicitações, após meses e muitas delongas, a requerente apresentou a planilha de créditos em anexo, e junto com elas apenas parte das notas fiscais que geraram os créditos, alegando que "não havia localizado as notas fiscais no arquivo" . Apresentou também, após a 3ª intimação, os livros fiscais exigidos. Na planilha elaborada pela própria requerente, constam linhas destacadas em amarelo, correspondentes às notas fiscais não apresentadas, e nas linhas em azul são destacadas as notas fiscais que não eram originais da lª via, tais como 3ª vias ou cópias. (...) Neste sentido, vale destacar que o contribuinte teve muitas oportunidades para localizar as primeiras vias das notas fiscais ou até mesmo providenciar junto ao emitente ou à Unidade da Federação correspondente uma forma de validar oficialmente a falta das 1ª vias das referidas notas fiscais. Ao invés preferiu ficar argumentando que a legislação não exige a apresentação da 1ª via da nota fiscal para autorizar o ressarcimento. Assim, forçoso concluir que a primeira via da nota fiscal é a que acompanha os produtos e a que deve permanecer em poder do destinatário, configurandose, portanto, no documento fiscal essencial para conferir legitimidade ao aproveitamento escritural do crédito de IPI pela contribuinte. Evidente que a falta da 1ª via pode ser suprida por outro elemento de prova, porém o contribuinte não obteve êxito ou não teve interesse em fazer a comprovação. Portanto, resta configurado que não foi comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados Em relação a esta matéria, a nobre relatora utilizouse do disposto nos art. 150 em diante do RIPI/98, para concluir que o contribuinte tem direito à apropriação de crédito de IPI nos casos de ocorrência de devolução de produtos acabados. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 26 25 Porém, a decisão recorrida não contestou o direito à apropriação de créditos do IPI na ocorrência da devolução dos produtos. Esta possibilidade sempre existiu e decorre do simples princípio da não cumulatividade do IPI. Não é esta a discussão. A discussão é quanto à possibilidade de ressarcimento deste crédito específico na hipótese permitida pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99. Nesse sentido transcrevo trecho da decisão recorrida para melhor ilustrar o que foi decidido: (...) Quanto à primeira questão, entendo não ter razão o contribuinte. O art. 11 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito é muito claro e não há como interpretálo de forma abrangente para permitir que outros créditos, além dos previstos, podem ser objeto de ressarcimento. Assim, somente os créditos de IPI advindos da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, podem ser ressarcidos. Os demais créditos admitidos na legislação do IPI, como o caso de aquisição de produtos acabados, devem ser aproveitados na escrita fiscal, vedado o seu ressarcimento em espécie. (...) A questão é muito simples e decorre de disposição expressa da Lei nº 9.779/99, a qual permitiu a possibilidade de ressarcimento de IPI. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O contribuinte requer o ressarcimento em espécie de créditos decorrentes da devolução de produtos acabados. Porém não há previsão legal para tanto, pois o dispositivo legal prevê o ressarcimento somente dos créditos decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, que são os insumos utilizados no processo industrial. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13706.001923/200334 Acórdão n.º 9303005.574 CSRFT3 Fl. 27 26 Assim, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37178.001464/2004-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2003
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 17 8. 00 14 64 /2 00 4- 53 Fl. 298DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 37178.001464/200453 Acórdão n.º 2202004.295 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910556/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 10/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 10/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 56 /2 01 1- 24 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910556/201124 Acórdão n.º 3402004.470 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.564, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/01/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910556/201124 Acórdão n.º 3402004.470 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910556/201124 Acórdão n.º 3402004.470 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910556/201124 Acórdão n.º 3402004.470 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720051/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento e à atribuição do vínculo de responsabilidade, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Constatado que o auto de infração contém a indicação clara do dispositivo legal infringido, e sendo certo que a infração foi descrita de forma perfeitamente compreensível, descabe a alegação de nulidade.
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas.
Nos casos em que o contribuinte comprovar a exigibilidade por meio de documentação hábil e idônea, estabelecendo o vínculo necessário entre o registro contábil e a operação que lhe deu causa, o valor correspondente deve ser excluído da base de cálculo do lançamento.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (Súmula CARF nº 25).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA.
Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS.
O valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da CSLL, da COFINS e do PIS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN.
A expressão"infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa.
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 124, II DO CTN.
No caso de aplicação da regra geral definida pelo art. 124, inciso II, do CTN, que prevê a responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei, é imprescindível a indicação da legislação específica que fundamente o vínculo de responsabilidade atribuído à pessoa jurídica eleita.
Numero da decisão: 1301-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação aos recursos voluntários, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, dar-lhes provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% e excluir o coobrigado do polo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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PASSIVO FICTÍCIO Recorrentes ATLANTICA PRODUTOS DE PETROLEO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento e à atribuição do vínculo de responsabilidade, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o auto de infração contém a indicação clara do dispositivo legal infringido, e sendo certo que a infração foi descrita de forma perfeitamente compreensível, descabe a alegação de nulidade. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 51 /2 01 5- 80 Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.821 2 Nos casos em que o contribuinte comprovar a exigibilidade por meio de documentação hábil e idônea, estabelecendo o vínculo necessário entre o registro contábil e a operação que lhe deu causa, o valor correspondente deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (Súmula CARF nº 25). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. O valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da CSLL, da COFINS e do PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. A expressão"infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN referese a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 124, II DO CTN. No caso de aplicação da regra geral definida pelo art. 124, inciso II, do CTN, que prevê a responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei, é imprescindível a indicação da legislação específica que fundamente o vínculo de responsabilidade atribuído à pessoa jurídica eleita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação aos recursos voluntários, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, darlhes provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% e excluir o coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.822 3 José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário contra o acórdão nº 0269.454, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, decidiu julgar procedente em parte a impugnação apresentada, para: rejeitar as argüições de nulidade do procedimento fiscal; confirmar o vínculo de responsabilidade atribuído a Francisco José Calezane; afastar o vínculo de responsabilidade atribuído a Transportadora Calezani Ltda.; exigir o IRPJ no valor de R$6.689.689,82, acrescido de multa de ofício e juros de mora pertinentes; exigir a CSLL no valor de R$2.408.697,11, acrescida de multa de ofício e juros de mora pertinentes; exigir a Cofins no valor R$1.787.156,44, acrescida de multa de ofício e juros de mora pertinentes; exigir a contribuição para o PIS no valor de R$388.001,07, acrescida de multa de ofício e juros de mora pertinentes. Tratase o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativo ao anocalendário 2011, e de Termo de Responsabilidade Solidária atribuído ao Sr. Francisco José Calezane e à Transportadora Calezani Ltda, fundamentado nos arts. 124, II, e 135, III, do CTN. O crédito tributário total importou em R$ 31.385.175,75, Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.823 4 De acordo com os autos de infrações e com o Termo de Verificação Fiscal, os lançamentos consideraram duas infrações: i) omissão de receitas por presunção legal passivo fictício; ii) despesas operacionais não comprovadas. Exigiuse multa de ofício no percentual de 150%, em relação à infração capitulada como omissão de receitas por presunção legal passivo fictício e, no que se refere às despesas não comprovadas, houve a exigência de multa de ofício no percentual de 75%. Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, em especial quando da transcrição de trechos do Termo de Verificação Fiscal, e argumentos de defesa: TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO – FLS. 2033/2050. 1. INTRODUÇÃO. Consta informação acerca do competente Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), além do tributo e período fiscalizado. 2. PROCEDIMENTO FISCAL. A fiscalização discorreu sobre as intimações expedidas e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal. 3. DILIGÊNCIAS REALIZADAS. Considerando um grande aumento do passivo diante de seus fornecedores, a fiscalização realizou a circularização dos fornecedores que tiveram seu passivo aumentado durante o ano de 2011. Foram emitidos Termos de Intimação Fiscal, solicitando aos fornecedores os seguintes documentos: relação das notas fiscais referentes às vendas de mercadorias, respectivas cópias das notas fiscais, documentos comprobatórios dos pagamentos (recebimentos) realizados e cópias do Livro Razão onde constam tais operações. A seguir foi feita a descrição da situação de cada fornecedor, tendo sido destacados os valores caracterizados como passivo fictício: 3.1. OIL TANKING TERMINAIS LTDA – CNPJ 04.409.230/000160 3.2. BIOVERDE IND. E COM. DE BIOCOMBUSTÍVEIS S/A – 04.182.260/000186 3.3. PETROBRÁS – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A – CNPJ 33.000.167/000101 3.4. DISA DESTILARIA ITAÚNAS S/A – CNPJ 27.575.950/000109 Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.824 5 3.5. ELLO DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS S/A – CNPJ 01.639.948/000154 3.6. PETROBRÁS BIOCOMBUSTÍVEL S/A – CNPJ 10.144.628/000114 3.7. PETROX DISTRIBUIDORA LTDA – CNPJ 05.482.271/000144 3.8. ALCON – CIA DE ALCOOL CONCEIÇÃO DA BARRA – CNPJ 30.974.737/000176 3.9. CARAMURU ALIMENTOS S/A – CNPJ 00.080.671/000100 3.10. TRANSPORTADORA CALEZANI LTDA – CNPJ 27.179.118/0001 85 3.11. BINATURAL IND. E COM. DE ÓLEOS VEGETAIS S/A – CNPJ 07.113.559/000177 3.12. FEDERAL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA – CNPJ 02.909.530/000182 3.13. PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A – CNPJ 34.274.233/000102 4. INFRAÇÕES APURADAS. 4.1 – GLOSA DE DESPESAS. Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (anexo único), referente à comprovação de “Outras Despesas Operacionais”, declaradas na linha 44, ficha 06 A da DIPJ, o contribuinte apresentou uma planilha, que grande parte destas despesas estão na rubrica “Despesas Administrativas e Imagem / ostentação da marca atlântica”. Foram expedidas outras intimações visando à comprovação da mencionadas despesas. Da análise documental empreendida, verificou a fiscalização que as “despesas de origem externa”, constantes da contabilidade e dos DRE trimestrais (despesas operacionais excluídas as com pessoal) se referem aos comprovantes de despesas apresentados. Da análise destes documentos, foi confeccionada a planilha “Despesas Comprovadas”. Tais diferenças estão abaixo relacionadas e serão glosadas e consideradas como “Despesas Não Comprovadas”. 4.2 – PASSIVO FICTÍCIO. Através das diligências realizadas em seus fornecedores e das análises acima citadas nos itens 2 e 3.1, verificou a autoridade fiscal que o fiscalizado está declarando “passivo fictício”, conforme resumido na tabela abaixo: Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.825 6 Em seguida, foram elaboradas planilhas pertinentes à apuração dos Passivos Fictícios trimestralmente para o cálculo do Lucro Real, visando ao cálculo do IRPJ trimestral e reflexos. 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CÁLCULO. No caso em questão, o contribuinte submetese às regras de apuração do IRPJ e da CSLL pelas regras do LUCRO REAL TRIMESTRAL, conforme sua contabilidade e DIPJ, tendo sido feita a devida recomposição do Lucro Real. 6. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Como amplamente demonstrado neste relatório, o contribuinte gerou passivo fictício para diversas empresas fornecedoras, prestando informações falsas em sua contabilidade e DIPJ, ficando caracterizado o dolo para redução do montante dos tributos devidos, o que caracteriza, em tese, fraude tipificada no art. 72 da Lei n° 4.5 02, de 1964. Examinando os procedimentos adotados pela contribuinte, ficou evidenciado o dolo. Isto porque, para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalizada utilizouse de passivo fictício em diversas empresas fornecedoras, comprovando que não foi um simples erro, e sim a uso de má fé pelo contribuinte. Considerando a presença do intuito doloso do contribuinte em se eximir do recolhimento tributário cabível, foi aplicada a qualificação da multa em 150%, como previstos no art. 957, inciso II do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, incidente sobre o IRPJ e a CSLL. 8. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Foi feito o relato acerca da representação fiscal para fins penais, formalizada por meio do processo nº 15586.720374/201310. (...) DEMAIS DOCUMENTOS FLS. 02/1979. Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.826 7 Os demais documentos que embasaram o trabalho fiscal constam das fls. 02/1979. DOCUMENTAÇÃO DE CIÊNCIA DO LANÇAMENTO FLS. 2051/2064. A ciência do lançamento e da responsabilização solidária foi dada por meio do termo competente de fls. 2051/2061, por via postal (Aviso de Recebimento AR), conforme se segue: IMPUGNAÇÃO FRANCISCO JOSÉ CALEZANE FLS. 2067/2084. Francisco José Calezane, por intermédio de seu procurador, apresentou impugnação em 22/04/2015, cujo conteúdo pode ser resumido conforme se passa a explicitar. 1. DOS FATOS. O impugnante faz uma síntese da autuação e da responsabilização tributária. 2. INCLUSÃO DO AUTUADO COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO UNICAMENTE EM VIRTUDE DE SUA CONDIÇÃO DE SÓCIO INEXISTÊNCIA DE PROVA DE QUE TENHA PRATICADO OS ATOS NARRADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO SOLIDARIEDADE NÃO SE PRESUME E DEVE SER PROVADA INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO EXCLUSÃO POR AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 135 DO CTN. Para os Fiscais Autuantes, o Autuado teria criado um passivo fictício na administração da empresa ATLÂNTICA PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA, e com tal procedimento, teria afrontado o artigo 1º, I, da Lei nº 8.137/90 cujo dispositivo penal considera crime a ordem tributaria suprimir ou reduzir tributos ou contribuições sociais e qualquer acessório, mediante omissão de informação ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias justificando com isso a imputação da responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, III, do CTN. Da narrativa dos fatos e fundamentos lançados no Termo de Verificação de Infração, resta evidenciado o erro crasso praticado pelos Autuantes, pois se limitaram a reproduzir a mesma imputação atribuída à pessoa jurídica ao Autuado, além de tentar justificar a infração de lei, a uma norma de Direito Penal. Faz menção à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tendo ressaltado que a interpretação que vem sendo dada ao disposto no inciso III, do artigo 135, do CTN, é que a simples falta de pagamento de tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarrete a responsabilidade subsidiária do sócio. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. É importante destacar, que pacificando o entendimento a respeito do inciso III, do artigo 135, do CTN o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, editou a SÚMULA nº 430, verbis: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente". Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.827 8 Contudo, da análise do TVI, não foi produzida qualquer prova de que o Autuado tenha, de qualquer forma, contribuído para a ocorrência da suposta omissão apontada pelos Fiscais, digase de passagem, por mera presunção fiscal, o que afasta a pretensão fiscal. Somente após concluída a fiscalização, sem qualquer preocupação em tentar demonstrar a participação do Autuado no procedimento apurado, sem ao menos intimálo para prestar qualquer esclarecimento, repetindo que todas as intimações foram direcionadas à pessoa jurídica e respondida por contador responsável pela Contabilidade, é que os AFRF resolveram imputar a responsabilidade solidária ao Autuado, contudo, sem qualquer prova da prática do mesmo no suposto passivo fictício apontado pelos Autuantes, o que a toda evidência, não atende aos pressupostod exigidos pelo artigo 135, III, do CTN. É importante ainda destacar, que conforme consta na Contato Social da empresa Atlântica Produtos de Petróleo Ltda (Doc.02), a sociedade é composta pela pessoa jurídica Transportadora Calezani Ltda, José Francisco Calezani, Romilda Hernandes Calezani e Francisco José Calezane (ora Impugnante). Observe que a administração da sociedade é exercida conjunta ou separadamente por três sócios. Entretanto, não existe qualquer elemento nos autos que justifique o motivo pelo qual o Autuado foi incluído como responsável solidário pelos débitos lançados contra a empresa da qual é sócio. Vale destacar que o inciso III, do artigo 135, do CNT, não atribui responsabilidade aos sócios, mas aos "diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Os Fiscais Autuantes alegaram que o Autuado teria criado um passivo fictício na administração da empresa ATLÂNTICA PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA, mas não apontaram qualquer motivo ou prova que justificasse tal afirmação, sendo evidente e notório que a imputação de responsabilidade solidária ao Autuado teve como causa unicamente sua condição de sócio. NADA MAIS. Entretanto, a solidariedade é uma situação excepcional, necessitando de prova inquestionável para a produção de efeitos, tendo em vista que a solidariedade não se presume, decorrendo sempre de lei ou de vontade das partes, conforme assevera o artigo 265 do Código Civil. O artigo 135, III, do CTN, trata da culpa subjetiva do sócio, não cabendo a presunção, razão pela qual exigese prova de que tenha o mesmo incorrido em alguma das hipóteses previstas no mencionado artigo, ou seja, que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou dos estatutos. Também o Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido de que "a sócio não responde, em se tratando de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, pela obrigações fiscais da sociedade quando não se lhe impute conduta dolosa ou culposa, com violação da lei ou do contrato." (STF, 1ª Turma, RE 108.7285/SP, rel. Min. Néri da Silveira, DJU de 141191). REPITASE: não foi apontado qualquer prova que justifique a responsabilidade solidária do Autuado, não podendo confundirse as questões próprias do Direito Tributário com as do Direito Penal. A ausência de prova, além de não atender ao disposto no artigo 135, III, do CTN, acaba também por cercear o amplo direito de defesa do Autuado. Sem se Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.828 9 provar o pressuposto de fato específico da obrigação do Autuado, é inviável responsabilizálo pelos débitos da sociedade. 3. DOS PEDIDOS POR TODO O EXPOSTO REQUER seja julgado improcedente o lançamento fiscal excluindo o Impugnante do polo passivo do lançamento fiscal, em face a absoluta ausência de prova de sua participação nos fatos apontados pela fiscalização, sendo notório que o mesmo somente foi incluído como responsável solidário unicamente em virtude de sua condição de sócio da empresa Autuada. IMPUGNAÇÃO ATLÂNTICA PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA. FLS. 2085/2130. A Atlântica Produtos de Petróleo Ltda, por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnação em 22/04/2015, cujo conteúdo pode ser resumido conforme se passa a explicitar. 1. DOS FATOS. Foi feita uma síntese do lançamento, tendo a impugnante ressaltado que entregou todos os documentos solicitados pela fiscalização, demonstrando sua boa fé com relação aos fatos apurados, e não obstante isso, foi penalizada com exacerbada multa de 150% e 75%, gerando um crédito fiscal impagável. 2. OMISSÃO PRESUMIDA DE RECEITA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO VALOR TOTAL SUPOSTAMENTE OMITIDO AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE JUSTIFIQUE TAL PROCEDIMENTO E TENHA ATRIBUÍDO A AUTUADA A CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE DE DIREITO DO IRPJ E CSLL VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E DA LEGALIDAE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Assevera que não foi apontado no auto de infração qual o dispositivo legal que fundamenta o procedimento, ou seja, qual a lei que permite a Administração Fazendária, tributar o contribuinte omisso sobre o valor total omitido, e usar este mesmo procedimento para apuração dos demais tributos, cuja omissão acaba por afrontar o princípio da legalidade e do contraditório e da ampla defesa. Os dispositivos legais citados no auto de infração são inerentes a apuração dos tributos, suas alíquotas e base de cálculo, aplicadas no diadia dos contribuintes, não constando inclusive os dispositivos legais que imputam o sujeito passivo da obrigação tributária, relativamente ao IRPJ e a CSLL, o que também atrai a nulidade do auto de infração. Assim, considerando que não constou o dispositivo legal obrigatório que teria fundamentado a ação fiscal em adotar a totalidade dos valores presumidamente omissos como base de cálculo do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, outra solução não pode ser dada ao caso, senão a declaração da nulidade do lançamento fiscal, por violação ao princípio da legalidade e da ampla defesa, atingindo, por conseguinte os lançamentos reflexos. 3. DO DIREITO LANÇAMENTO FISCAL ELABORADO COM BASE EM DOCUMENTOS APRESENTADOS POR TERCEIROS DOS QUAIS A AUTUADA NÃO FOI INTIMADA PARA SE MANIFESTAR VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DE DEFESA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO VICIADO NULIDADE. Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.829 10 Afirma que consta no Termo de Verificação de Infração TVI que a presunção fiscal sobre suposto passivo fictício encontrado na contabilidade da Autuada teve como base central documentos que foram obtidos junto terceiros/fornecedores da Autuada. Contudo, a Autuada não foi notificada para se manifestar sobre os documentos apresentados por terceiros os quais foram acolhidos pela fiscalização em detrimento dos documentos contábeis apresentados pela fiscalizada, o que, a toda evidência, desqualifica o lançamento fiscal por absoluta nulidade, por violação aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e mesmo da segurança jurídica. Com base em documentos apresentados por terceiros, sem oportunizar o amplo direito de defesa, os Fiscais desprezaram a contabilidade da Autuada, imputando de passivo fictício os dados lançados em sua contabilidade, cujo procedimento acabou por viciar todo o lançamento fiscal, razão pela qual, deverá ser declarada a nulidade do lançamento, por violação ao devido processo legal, ampla defesa e o contraditório. 4. DO DIREITO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL LAVRADO POR PRESUNÇÃO SEM PROVA EFETIVA DA EXISTÊNCIA DO APONTADO PASSIVO FICTÍCIO ILEGALIDADE. No caso em apreço, a presunção legal prevista no art. 281 do RIR já resta prejudicada em virtude de que os documentos e informações que foram utilizados pelos Fiscais Autuantes não passaram pelo crivo da Autuada, ou seja, a presunção não restou comprovada, com base em elementos seguros de prova, viciando o lançamento fiscal. Tratando de casos específicos, destaca que existe um erro de informação, tendo em vista que a Autuada possuía um financiamento com o BANESTES, retratado na Cédula de Crédito Bancária nº 1100.532313, no valor de R$ 8.500.000,00, celebrado dia 11/10/2011, com vencimento em 180 dias, ou seja, dia 10/04/2012, conforme cópia anexa (Doc.03). Assim, não apenas afastada a presunção de passivo fictício, como também está sendo levantado na contabilidade possível erro lançado no passivo, pois foi declarado R$ 5.604.100,00, quando na verdade, o valor seria de R$ 8.500.000,00. No tocante a empresa Oil Tanking Terminais Ltda, os Autuantes consideraram como passivo fictício a importância de R$480.000,00 (não obstante haver informado, equivocadamente o valor de R$ 328.438,39 item 3.1 do TVI, tal valor foi corretamente lançado nas demais planilhas de apuração do imposto (vide fl. 11), na verdade tratase de prestação de serviço de armazenagem, de 01/01/2012, no mencionado valor, porém a nota fiscal foi emitida no dia 15/12/2011 e o pagamento efetuado no dia 24/01/2012, conforme nota fiscal e comprovante de pagamento anexos (Docs.04/05). Assim, fica afastada a presunção fiscal de passivo fictício também com relação a referida empresa, no valor de R$ 480.000,00. Tendo feito referência ao registro fiscal no TVI relativamente à BIOVERDE IND. E COM. BIOCOMBUSTÍVEIS S/A, ressalta que, da singela leitura do fato posto pelos Ilustres Auditores Fiscais, se percebe a fragilidade do lançamento fiscal, ou seja, a presunção de passivo fictício teve como base unicamente o fato do nome Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.830 11 da Autuada supostamente não aparecer na ECD como cliente da mencionada empresa, fato, por si só, injustificável para efeito de lançamento por presunção. O mesmo se aplica com relação as empresas PETROBRÁS BIOCOMBUSTÍVEL S/A, Binatural Ind. E Com. de Óleos Vegetais S/A, Federal Distribuidora de Petróleo Ltda e Caramuru Alimentos S/A. Ressalta que a Autuada manteve relação comercial com as mencionadas empresas, no ano de 2011, porém, nas operações de compra de biodisel são geradas duas notas fiscais, ambas tendo como destinatária a Autuada, sendo uma emitida pela PETROBRÁS Petróleo Brasileiro Ltda e outra pela empresa produtora do biodisel que mantém armazenado o produto (vide cópias anexas juntadas por amostragem Grupo de Docs. 06). Diante do grande volume de notas fiscais que foram e são geradas no dia a dia da empresa, pode ter ocorrido algum erro no lançamento contábil, o que está sendo objeto de revisão na contabilidade. E mais, os Fiscais Autuantes desconsideraram operações de empréstimos realizadas pela Autuada com fornecedores, abertas em seu passivo, tratando os valores registrados com relação a tais operações, sob o equivocado entendimento de que "são notas fiscais de empréstimos e devoluções de empréstimos de produtos derivados de petróleo, conforme consta nas informações complementares das notas fiscais, isto é, não são operações comerciais, não gerando dívidas com o fornecedor" (item 3.5,3.7). Mas não procede tal argumento, tendo em vista que as operações de empréstimos caracterizam como operações comerciais para efeitos fiscais, notadamente do ICMS cujo fato gerador ocorre com a saída da mercadoria a qualquer título, ou seja, independe da natureza da operação para que ocorra o fato gerador do imposto, e por conseguinte, a operação comercial. E mesmo tendo a natureza de empréstimo, os valores desta operação são lançados na conta do passivo (fornecedores), não sendo tal fato motivo justo para que os Fiscais presumissem a existência de passivo a descoberto. Quanto aos documentos apresentados pelas demais empresas citadas no TVI, os quais foram utilizados pela fiscalização para presumir a existência de passivo fictício, a Autuada fica prejudicada em sua defesa, tendo em vista que não foi notificada previamente para se manifestar sobre os mencionados documentos e os mesmos não acompanharam a cópia da peça de lançamento que lhe foi enviada pelos Fiscais. Assim, caberia aos Fiscais Autuantes ter apresentado elementos seguros de prova que justificassem a utilização da presunção, para declarar passivo fictício, pois este ônus lhe compete ou ter dado vistas dos documentos apresentados por terceiros que os levaram a decidir por presunção. Contudo, foi mais cômodo presumir uma suposta diferença com base apenas em informações que lhe foram passadas por alguns fornecedores, ou meras informações constantes nas notas fiscais, do que abrir novas diligências visando efetivamente comprovar os fatos. Finalmente, cumpre destacar, que a mera conveniência do Fisco não é razão suficiente a justificar o uso de presunções e ficções, principalmente quando há ofensa aos direitos dos contribuintes, especialmente aos princípios constitucionais Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.831 12 que os protegem, devendo portanto, ser declarada a nulidade do lançamento fiscal, por ausência de elementos seguros de prova relativamente a presunção adotada na apuração de passivo fictício. A ausência de provas seguras que pudessem justificar o lançamento por presunção alcança ainda mais relevância diante da ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da presunção de existência de passivo fictício, como base de cálculo do Imposto de Renda, conforme passa a demonstrar adiante. 5. DO DIREITO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL POR PRESUNÇÃO TENDO COMO BASE PASSIVO FICTÍCIO VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RESERVA ABSOLUTA DA LEI OU DA TIPICIDADE CERRADA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A presunção fiscal teve como fundamento o artigo 281 do RIR, o qual reproduz o art. 12, § 2º do DecretoLei nº 1.598/77. A presunção fiscal utilizada pelos Fiscais Autuantes também não pode prosperar, pois sua aplicação, pura e simples, afronta o princípio da reserva cerrada de lei ou da tipicidade cerrada. Assim, por força dos princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada, o surgimento da obrigação tributária depende de que se realize em concreto aquela hipótese prevista abstratamente na lei de incidência do tributo, o que efetivamente não ocorre com a presunção de existência de passivo fictício para efeito de apuração do Imposto de Renda. Assim, não obstante as razões postas nos itens anteriores, suficientes para a decretação da nulidade do lançamento fiscal, releva ainda destacar a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização do artigo 12, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77, reproduzido no art. 281, § 3º do RIR/99. 6. OMISSÃO PRESUMIDA DE RECEITA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO VALOR TOTAL SUPOSTAMENTE OMITIDO TRIBUTAÇÃO QUE DEVERIA TER UTILIZADO O PERCENTUAL DE 50% SOBRE OS VALORES OMITIDOS PARÁGRAFO SEXTO, ARTIGO 8º DO DECRETOLEI Nº 1.648/78 ERRO DE LANÇAMENTO NULIDADE ABSOLUTA. Existe outra nulidade no lançamento fiscal, pois, em caso de omissão de receita, a Autuada entende que deve ser considerado como lucro líquido para efeito de imposto de renda, o percentual de 50% sobre o valor da SUPOSTA receita omitida, conforme determina o § 6º, do artigo 8º do DecretoLei nº 1648/78. É importante destacar, que não consta revogação expressa do mencionado dispositivo legal, conforme inclusive consta no site do "planalto.gov.br", razão pela qual resta plenamente aplicável à espécie. Analisando o mencionado dispositivo legal, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça pacificou a questão no sentido de que, existindo omissão de receita, o lucro líquido a ser arbitrado, para efeito de cálculo do imposto de renda devido equivale a cinquenta por cento dos valores omitidos, mesmo que o contribuinte tenha escrita regular. Assim, afigurase nulo de pleno direito o auto de infração, por erro no lançamento fiscal, viciando os demais tributos lançados por via reflexa. Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.832 13 7. DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO REFERENTE A COFINS E PIS TRIBUTOS COBRADOS PELA FONTE PRODUTORA BIS IN IDEM NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não obstante as várias irregularidades que certamente levarão a decretação da nulidade do lançamento fiscal, releva destacar mais uma, qual seja a cobrança de COFINS e PIS da Autuada, tendo em vista que tais tributos são retidos pelos seus fornecedores, na condição de contribuintes de direito. Com efeito, a Autuada tem como objeto social, ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE, o "comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados do petróleo, lubrificantes, exceto transportador retalhista, código 46.81801", conforme consta na Cláusula Segunda de seu contrato social anexo (Doc. 01). Através do art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998 (redação original mantida pelo art. 4º da MP Nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), elegeuse as refinarias de petróleo como contribuintes substitutos das distribuidoras e dos varejistas, relativamente às vendas que fizerem a estes contribuintes, de gasolina, e óleo diesel. Por sua vez, os §§ 3º, incisos III, dos artigo 1º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/02, excluem da base de cálculo da COFINS e do PIS, as receitas auferidas pela revendedora de mercadorias cujas contribuições foram exigidas da vendedora, na condição de substituta tributária. Assim, ainda que admitisse a legalidade do procedimento fiscal, obviamente que tais receitas seriam decorrentes das vendas de produtos descritos na atividade social da empresa, os quais estão sujeitos a substituição tributária, ou seja, qualquer valor devido a título de COFINS e PIS foi retido pelas refinarias de petróleo, contribuintes de direito das contribuições. A exigência da COFINS e PIS sobre a receita da Autuada, afigurase em verdadeiro bis in idem, reprovável pelo nosso sistema jurídico tributário. 8. DA INEXISTÊNCIA DE PROVA EFETIVA DE SUPOSTA FRAUDE ENTREGA DE DOCUMENTOS PELA AUTUADA BOA FÉ INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. Afirma a impugnante que não houve a correta apuração dos fatos que pudesse justificar a aplicação da presunção da existência de passivo fictício, primeiro, pelo fato dos fiscais terem se apoiado em documentos de terceiros dos quais a Autuada não foi notificada para se manifestar, o que vicia todo o lançamento fiscal por cerceamento de defesa; segundo, os fiscais, tomando como base a simples ausência do nome da Autuada nas ECD como clientes de fornecedores, desconsiderou os lançamentos contábeis da empresa, por presumir, de forma precipitada e equivocada, sem prova segura, de que a Autuada não era cliente de fornecedores escriturados em sua contabilidade. E ainda, conforme demonstrado em tópico anterior, os fiscais desprezaram a conta do passivo por entenderem, de forma simplória, que as operações de empréstimos ou por conta e ordem de terceiros não são operações comerciais, o que a toda evidência afigura um grave erro, pois basta que haja a circulação de mercadorias para que fique caracterizada a relação comercial, devendo ser contabilizado no passivo tais operações de empréstimos, conforme já exposto anteriormente. Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.833 14 Assim, resta evidenciado que sequer existe motivo para que se mantenha o lançamento, muito mais ainda presumir a existência de fraude decorrente de presunção fictícia e equivocada dos Fiscais Autuantes, não havendo campo para presunção de fraude, diante das fragilidades das provas apontadas pelos Autuantes. Releva ainda destacar, que toda a escrituração fiscal da Autuada é submetida MENSALMENTE à Receita Federal, sendo inimaginável pensar que um contribuinte de máfé com o Fisco iria apresentar documentos contabilizados que pudessem demonstrar possível omissão de receitas, o que tudo leva a crer tratarse de algum erro contábil. Aliás, a fiscalização na empresa teve como causa inicial a diferença apurada entre o valor da Receita Bruta no valor de R$ 538.044.000,00 declarado na DIPJ e o valor total das Notas Fiscais de Vendas no valor de R$ 760.368.701,32, levantados a partir do SPED NFe, conforme inserido no item 2 do Termo de Verificação de Infração. Entretanto, a Autuada, através do escritório responsável pela sua contabilidade, comprovou o erro destes valores, esclarecimento este que foi acolhido pela fiscalização. Os fatos acima, bem demonstram a ausência de qualquer dolo por parte da Autuada relativamente aos fatos apontados pela fiscalização, isso acaso mantido o lançamento fiscal por presunção, o que não se espera. Para que se tenha caracterizada a fraude fiscal é preciso a existência do dolo, um ânimo de fraudar, ou seja a vontade específica de ocultar um fato ou ato em prejuízo ao fisco, ou seja, sempre com a intenção de causar dano à Fazenda Pública. Nesse sentido, cita jurisprudência do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Finalmente, releva destacar a jurisprudência sumulada pelo Carf, no sentido de que a simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do intuito de fraude (Súmula Carf nº 14). Assim, não havendo a comprovação inequívoca de fraude, tornase incabível a aplicação da multa qualificada. 9. DA ILEGALIDADE DA IMPOSIÇÃO DE MULTA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA PROIBIÇÃO DO CONFISCO. Ainda que superados os pedidos supra, releva destacar que a aplicação de multa no percentual de 150% (e mesmo de 75%) sobre o valor do débito, assume o caráter de abuso de poder fiscal, posto que manifestamente confiscatória além de ser irrazoável, desproporcional, atingindo o direito de propriedade, principalmente considerando que já fora cobrada multa pela mesma infração, já em fase de execução fiscal. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no julgamento da ADIN n° 1075, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) contra a Lei Federal n° 8.846/94, que trata da emissão de documentos fiscais e da receita mínima para efeitos tributários, suspendeu a cobrança de multa de 300% exigível de pessoa física ou jurídica que não emitir nota fiscal, ou documento equivalente, pela prestação de serviços ou venda de um bem. Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.834 15 Entenderam os Ministros que essa multa tem caráter confiscatório, o que é vedado pelo inciso IV do artigo 150 da Constituição. Como então dizer que a previsão do artigo 150, inciso IV, da CRFB/88 diz respeito tão somente a tributo e não multa, se o próprio Excelso SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL reconhece inúmeras vezes a feição confiscatória da multa? Expostas as considerações acima, clara está a improcedência da cobrança das multas em questão, posto que confiscatórias, além de serem irrazoáveis e desproporcionais, que, acaso mantidas deverão ser reduzidas ao percentual de 20%. 10. DOS PEDIDOS. POR TODO O EXPOSTO, REQUER seja declarada a nulidade do lançamento fiscal, tornandoo totalmente insubsistente, pelas razões postas nos itens 2 a 6, cujas nulidades impossibilitam a manutenção do lançamento tendo em vista que requer nova apuração de valores, haja vista os documentos que seguem anexos, notadamente: i) Cédula de Crédito Bancário firmado com o BANESTES comprovando a existência de um passivo aberto na contabilidade no valor de R$ 8.500.000,00; ii) Nota Fiscal comprovando o passivo no valor de R$ 480.000,00 com a empresa Oil Tanking Terminais Ltda, emitida no dia 15/12/2011, porém com pagamento efetuado no dia 24/01/2012 (item 4), dentre outros erros apontados nos itens 2 a 6, implicarão automaticamente numa nova base de cálculo, viciando os valores lançados, os quais, contudo, acaso mantido o lançamento fiscal, ad argumentadum, deverão ser levados em consideração na apuração da nova base de cálculo. Ainda no campo da argumentação, em qualquer hipótese, REQUER seja excluído do lançamento fiscal a cobrança da COFINS e do PIS, conforme item 7 e ainda como pedido sucessivo, ainda no campo da argumentação, em caso mantido o auto de infração, seja desqualificada a multa de ofício aplicada no percentual de 150%, reduzindoa ao percentual máximo de 20%, conforme itens 8 e 9. Protesta pela produção de prova pericial. IMPUGNAÇÃO TRANSPORTADORA CALEZENI LTDA. FLS. 2131/2153. A Transportadora Calezani Ltda, por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnação em 22/04/2015, cujo conteúdo pode ser resumido conforme se passa a explicitar. 1. DOS FATOS. A impugnante faz uma síntese da autuação e da responsabilização tributária. 2. DISSOCIAÇÃO ENTRE A DESCRIÇÃO DO FATO (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA) E OS DISPOSITIVOS LEGAIS CITADOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE ATRIBUA RESPONSABILIDADE À IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO QUANTO A INCLUSÃO DA IMPUGNANTE COMO RESPONSÁVEL. A Impugnante teve seu nome incluído como "RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO pelo crédito tributário lançado em nome da ATLÂNTICA PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA", porque "A empresa em questão, sócia majoritária da ATLÂNTICA PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA, com 60% do capital social da Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.835 16 fiscalizada, possui os mesmos sócios da empresa fiscalizada e presta vultuosos serviços de transporte de combustível para a mesma, configurando desta forma um "grupo econômico". Fazendo referência às disposições dos artigos 124, II e 135, III, do CTN, observa que os dispositivos legais indicados não guardam subsunção com os fatos descritos pelos AFRF, não havendo qualquer relação com o mencionado grupo econômico citado pela fiscalização, que poderia, em tese, justificar a responsabilidade tributária da Impugnante. Havendo subsunção entre o fato narrado e os dispositivos legais citados, deve ser declarada a nulidade do auto de infração no tocante a inclusão da Impugnante como responsável solidária pelos débitos lançados contra a empresa Atlântica, pois flagrante o cerceamento de defesa. Além da dissociação entre os fatos e o fundamento legal é notório que não foi citado na peça de lançamento fiscal qualquer dispositivo legal que justificasse o suposto "grupo econômico" e a responsabilidade solidária da Impugnante, cuja ausência cerceia seu direito de defesa. Releva destacar que o fundamento legal no auto de infração é regra contida no artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, cuja omissão enseja a sua nulidade. Ora, qual a lei que autoriza a imposição de responsabilidade solidária à terceira empresa não participante dos fatos geradores lançados em auto de infração? Qual a lei que autoriza o Fisco presumir a existência de grupo econômico apenas pelo fato de uma terceira empresa possuir os mesmos sócios ou uma prestar serviços para a outra? Com efeito, o artigo 124, II, do CTN, apenas diz que são solidariamente responsáveis as pessoas expressamente indicadas por lei. Mas qual lei? Por sua vez, o artigo 135, III, do CTN, trata da responsabilidade pessoal (e não da pessoa jurídica) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas diretamente ligadas aos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, o que a toda evidência não é o caso da Impugnante que foi incluída na condição de responsável solidária por supostamente pertencer a "grupo econômico", face a identidade dos sócios. Ou seja, dentre os dispositivos legais citados no auto de infração, não se verifica a existência de uma norma jurídica em que se fundamente a inclusão da Impugnante como responsável solidária por pertencer a grupo econômico, cuja ausência além de afrontar o amplo direito de defesa da Impugnante (art. 5º, LV da CF/88), também afronta o princípio da legalidade, previsto no artigo 5º, inciso II, e 146, III, "a". Assim, ante a subsunção entre os fatos e a norma legal apontada e ante a ausência de lei que justificasse a atribuição de responsabilidade à Impugnante, deve ser julgado insubsistente o auto de infração, excluindoa do polo passivo do lançamento fiscal. 3. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE GRUPO ECONÔMICO JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EXCLUSÃO DA IMPUGNANTE DO LANÇAMENTO FISCAL. Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.836 17 Não obstante a nulidade do lançamento fiscal por dissociação entre os fatos e a norma legal apontada no auto de infração e a ausência de norma legal que justificasse a inclusão da Impugnante na peça de lançamento, releva ainda ressaltar a ausência de provas quanto a existência de suposto grupo econômico, ônus que cabia aos Fiscais Autuantes. Conforme exposto retro, os Autuantes justificaram a inclusão. da Impugnante como responsável solidária pelo débito lançado contra a empresa Atlântica Produtos de Petróleo Ltda, unicamente pelo fato da identidade de sócios entre ambas ou porque a Impugnante presta serviços para aquela ou porque esta possui patrimônio Entretanto, a simples existência de diferentes empresas com identidades de sócios, por si só, não configura grupo econômico. A caracterização de grupo econômico para efeito de responsabilidade solidária tributária somente ocorre se restar demonstrado que ambas realizaram conjuntamente a situação configuradora do fato gerador o que não ocorreu no caso ora combatido , conforme jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0269.454, pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento e à atribuição do vínculo de responsabilidade, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas. Nos casos em que o contribuinte comprovar a exigibilidade por meio de documentação hábil e idônea, estabelecendo o vínculo necessário entre o registro contábil e a operação que lhe deu causa, o valor correspondente deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. No lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.837 18 O percentual de multa será duplicado nos casos em que ficar evidenciada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio caracterizados em procedimento fiscal e definidos na forma da legislação pertinente, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. O valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da CSLL, da Cofins e do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. TRIBUTAÇÃO. No caso de presunção legal, não é possível determinar se a receita omitida é oriunda de produtos sujeitos à substituição tributária ou à alíquota zero da Cofins, motivo pelo qual deve ser aplicada a regra geral de tributação para fins de determinação da exigência desta contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. TRIBUTAÇÃO. No caso de presunção legal, não é possível determinar se a receita omitida é oriunda de produtos sujeitos à substituição tributária ou à alíquota zero de PIS, motivo pelo qual deve ser aplicada a regra geral de tributação para fins de determinação da exigência desta contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 124, II DO CTN. No caso de aplicação da regra geral definida pelo art. 124, inciso II, do CTN, que prevê a responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei, é imprescindível a indicação da legislação específica que fundamente o vínculo de responsabilidade atribuído à pessoa jurídica eleita. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após intimação de todas as partes envolvidas (fls. 2540 e 2538 e 2543), a empresa autuada e o coobrigado Sr. Francisco José Calezane, apresentam, tempestivamente, os Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.838 19 seus respectivos recursos, pugnando por seu provimento, onde apresentam argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Os recursos apresentados são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, deles conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO EMPRESA AUTUADA Tratase de exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ,de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativo ao anocalendário de 2011, em decorrência de nãocomprovação de parte das despesas operacionais incorridas, assim como constatouse a existência de passivo fictício na contabilidade do contribuinte, gerando presunção de omissão de receitas. Alega inicialmente a recorrente cerceamento de defesa, suscitando nulidade da decisão recorrida, vez que apresentou pedido de prova pericial e este não foi analisado. Reproduz artigos de Lei em favor do seu pleito, reafirmando que a prova pericial é estritamente importante para apreciação e deslinde da questão em destaque face à complexidade que envolve a matéria, ainda mais no caso de sua defesa ter sido julgada improcedente sob a alegação de que a recorrente não teria conseguido provar suas alegações de possíveis erros em sua contabilidade. Pois bem. Registrese desde logo que não verdade sua afirmação de que teria apresentado pedido de prova pericial quando da apresentação de sua impugnação. Da análise da referida peça processual (fls. 2085 a 2116) não há tal pedido e muito menos capítulo específico tratando do assunto, de sorte a justificar seu pedido de perícia, expondo os motivos que justificassem seu pedido, nem formulou os quesitos ou indicou o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito (art. 16, inc. IV, do Decreto nº 70.235/1972). Porém, ainda que tivesse formulado nos termos da norma acima descrita, tal perícia há de ser indeferida. Ora, o momento oferecido ao contribuinte para comprovar seus argumentos se concretiza no contraditório administrativo, instaurado pela impugnação. Cumpre à ele, mediante exame do Auto de Infração e de seus anexos, comparandoos com os dados e documentos constantes da sua escrita contábil e fiscal, atacar os pontos que julgar equivocados e juntar as provas necessárias a sua defesa. Entretanto, deixando de fazêlo, não cabe a realização de perícia para sua suprir sua inação. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado requeira conhecimento técnico especializado, fora do campo de autuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe a ser produzida por uma das partes. Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.839 20 No caso em exame, considero desnecessária a perícia mencionada pela recorrente, pois entendo que tratase apenas de avaliar os elementos de provas contidos os autos, cuja valoração incumbe ao julgador. Diante disso, rejeito a alegação de nulidade. Erro no lançamento fiscal detectado na contabilidade da empresa que indevidamente elevou o passivo fictício nulidade de lançamento Alega o contribuinte existir erros em sua contabilidade, e que estão sendo apurados por um novo escritório de contabilidade contratado para tal finalidade, e que tais erros influenciaram na elaboração do Auto de Infração, que não analisou com acuidade os documentos contábeis da recorrente. Aduz que, a priori, foi feito um detalhamento da conta gráfica dos fornecedores em aberto, valores levantados nos balancetes oficiais da recorrente, nas datas de 01/01/2011 a 31/12/2011, onde foi apurado equívoco por parte do fisco, na conferência das contas contábeis na comparação, que implica diretamente no saldo do suposto passivo fictício. Pondera que, de acordo com o balancete analítico relativo aos saldos iniciais em 01.01.2011, foram encontradas duas contas do fornecedor PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S.A: conta contábil 10612 e 2247, ambas com saldos iniciais exatos de R$ 8.320.004,94, e que o saldo contábil da conta contábil 2247 foi ignorado pelo auditor fiscal na emissão do Auto de Infração, no entanto, esta conta é o saldo inicial da movimentação da conta contábil 10178 PETRÓLEO BRASILEIRO S.A, no ano corrente de 2011,cujo saldo final foi de R$ 7.584.960,98. Conclui, assim,, que ocorreram de fato duas situações; primeiro a contabilidade, equivocadamente, movimentou a conta 2247 no exercício 2011 no lugar da correta conta da empresa Petróleo Brasileiro S.A 910178) e por conseqüência a segunda situação: o auditor ignorou este saldo contábil da conta 2247, fazendo crer que o saldo contábil da conta 10178 fosse um passivo fictício, o que, na sua ótica, não é. Ocorre, porém, que esta alegação não foi levada à apreciação da DRJ, aparecendo apenas agora, em sede recursal. Tal fato impede o conhecimento desta discussão e o eventual impacto disso no auto de infração, pois a conseqüência de sua não alegação e não apreciação pela DRJ, é que não foi instaurado o contraditório quanto a ela. De fato, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a sua impugnação, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. Vejase o que diz o art. 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não conheço da novel alegação. Ausência de citação do dispositivo legal que justifique a tributação de todo valor omitido A recorrente reitera o pleito de nulidade dos autos de infração em tela por ausência dos dispositivos legais infringidos. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.840 21 Compulsando os autos, verificase que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa central da infração, que foi plenamente compreendida pela recorrente. É pacifico neste Conselho o entendimento que a insuficiência do enquadramento legal é suprida com a correta descrição dos fatos e das irregularidades apuradas. Isso porque a autuação fiscal não se limita a indicar dispositivos legais infringidos, mas, essencialmente, detalhar todo o contexto do lançamento, dando amplo conhecimento dos fatos motivadores da exigência, permitindo, por conseguinte, o exercício pleno da defesa dos interessados. Objetivamente, não há nenhuma falha no enquadramento legal da exigência que dê azo à nulidade do lançamento, inclusive no tocante à alegação de ausência de dispositivo legal para tributação de todo o valor omitido. Portanto, não há que se falar em declaração de nulidade de lançamento que traz os fatos que permitem ao contribuinte exercitar adequadamente sua defesa, garantindose o contraditório e a ampla defesa. De mais a mais, conforme registrado na decisão recorrida, o valor da omissão de receita foi levado à tributação pelo regime de lucro real, seguindo determinação do art. 288 do RIR/1999, norma inserida no enquadramento legal do auto de infração do IRPJ. Confirase seus termos: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão ( Lei nº 9.249, de 1995, art. 24) Portanto, a apuração dos tributos lançados seguiu determinação expressa da legislação pertinente que fundamenta a exigência fiscal, não havendo motivo para a nulidade do lançamento suscitado pela defesa. Rejeito então a preliminar. Lançamento fiscal elaborado com base em documentos apresentados por terceiros dos quais a recorrente não foi intimada para se manifestar Com relação a esta preliminar, também não considero que deva prosperar. Não há determinação legal para intimar a recorrente sobre cada prova colhida pela fiscalização em seu desfavor, sendo certo que sobre as provas colhidas deve se manifestar no prazo assinalado na legislação pertinente, como de fato o fez, quando da apresentação de sua defesa. Acrescentese que, após a ciência do lançamento, a recorrente teve o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no órgão preparador, incluindo todos os documentos que serviram de prova da infração cometida, sejam aqueles obtidos dos próprios interessados ou de terceiros, sendo igualmente certo que todos os documentos que serviram de provas encontramse nos autos. Assim, ciente de todos eles, a recorrente apresentou impugnação escrita, instruídas com os documentos e provas que entendeu pertinentes, no exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.841 22 De mais a mais, a situação aventada não se coaduna com a previsão do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, segundo o qual são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e dos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Rejeito então a preliminar. Da nulidade do lançamento fiscal lavrado por presunção sem prova efetiva da existência do apontado passivo fictício Sustenta a recorrente que a presunção de omissão de receitas em face de constatação de passivo fictício resta prejudicada em virtude de que os documentos e informações que foram utilizados pelos Fiscais Autuantes não passaram pelo seu crivo, e portanto, considera que as provas não são "seguras", o que vicia o lançamento fiscal. Não penso assim. Sobre os documentos colhidos, teve a recorrente oportunidade de se manifestar, tanto em sua impugnação, como agora em sede recursal, não importando, como se viu no tópico acima, em quaisquer nulidades. Não há determinação legal para intimar a recorrente sobre cada prova colhida pela fiscalização em seu desfavor, devendo sobre elas provas se manifestar, como de fato o fez, quando da apresentação de sua defesa. Assim, rejeito a preliminar. Da nulidade do lançamento fiscal por presunção tendo como base passivo fictício ilegalidade e inconstitucionalidade Neste tópico, a recorrente advoga a tese de ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização do artigo 12, §2º, do Decretolei nº 1.598/77, reproduzido no artigo 281, III, do RIR/99. Porém, este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, sendo a matéria objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009, de aplicação obrigatória por este Colegiado. No âmbito do processo administrativo fiscal, assim, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal diretriz é abonada pelo art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Por esta razão, falece ao presente julgador competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocado pelo Recorrente. Assim, rejeito a preliminar. Nulidade por erro de lançamento: deveria ter utilizado o percentual de 50% sobre os valores omitidos parágrafo sexto, art. 8º do Decretolei nº 1.648/78 A recorrente reitera o pleito de nulidade, desta feita, argüindo que em caso de omissão de receita por passivo fictício, deve ser considerado como lucro líquido para efeito de Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.842 23 imposto de renda o percentual de 50% sobre o valor da suposta receita omitida, em conformidade com o que dispõe o §6º, do artigo 8º do Decretolei nº 1.648/78. Sobre o ponto, a DRJ aduziu que a norma citada tratava de regras de tributação do lucro arbitrado aplicáveis na vigência dos dispositivos mencionados. Porém, constandose que o contribuinte, no período objeto da autuação fiscal (AC 2011), submeteuse ao regime do lucro real, deve ser levado em conta este último regime, e por isso acertou a fiscalização quando seguiu determinação do art. 288 do RIR/99. Não há reparos a fazer a esta decisão, pois a apuração dos tributos lançados deve ter por base o valor total da receita omitida, observandose o regime de tributação adotado no período pelo contribuinte, no caso o lucro real. Logo, agiu acertadamente a fiscalização, ao formalizar o lançamento tributário, observando o regime adotado pelo contribuinte, no período fiscalizado, não havendo que se falar, nessa hipótese, da aplicação da regra esculpida no o §6º, do artigo 8º do Decreto lei nº 1.648/78. Assim, rejeitase também a preliminar. Da nulidade do lançamento ilegalidade do lançamento referente ao PIS e COFINS tributos retidos na fonte bis in idem Alega a recorrente que sujeitase ao regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS, cuja tributação ocorre de forma concentrada ou monofásica, situação em que toda a tributação referente às referidas contribuições é recolhida na fase anterior pelo fabricante ou importador, sendo que as revendedoras são tributadas pela alíquota zero. Neste caso, em sua ótica, considerando que sobre as aquisições de seus produtos, os valores referentes ao PIS e à COFINS são retidos na fonte pelos seus fornecedores, o lançamento fiscal referente a essas contribuições sociais afigurase em verdadeiro bis in idem, ou seja, a cobrança dupla de tributo sobre a mesma base de cálculo. A decisão recorrida, por sua vez, refutou a tese da recorrente, sob o entendimento de que os lançamentos de PIS e COFINS decorreram exclusivamente da presunção legal de omissão receitas, em face da constatação de passivo fictício. Neste caso, por permissivo legal, presumiuse a ocorrência do fato gerador, cabendo ao contribuinte sua desconstituição, mediante provas. Entendo que não há reparos a fazer nesta decisão. De fato, não se está diante de lançamento de omissão direta de receitas, hipóteses em que seria possível identificar quais as vendas omitidas, os respectivos produtos comercializados e o tratamento tributário pertinente. Os lançamentos efetuados baseiamse em presunções legais, e neste caso, cabe ao contribuinte unicamente afastar a presunção, e o faz através de provas, e não por alegações, exclusivamente. Tratase, assim, de presunções previstas em lei, em que, diferentemente do alegado na peça recursal, cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos capazes de impedir a suas aplicações, através de documentação hábil e idônea, que as referidas presunções não possam subsistir. Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.843 24 Portanto, impõese manter o lançamento, pois a recorrente não apresentou documentos que justificassem a permanência no passivo de obrigações com os fornecedores especificados, não conseguindo comprovar a existência dos supostos empréstimos pendentes de pagamento, muito menos demonstrar a ocorrência de erro no registro contábil da operação, comprovando, tãosomente, a exigibilidade de obrigação em relação a Oiltanking. Assim, mantémse os lançamentos de PIS e COFINS sobre a receita omitida. Da multa de ofício inexistência de prova efetiva de suposta fraude inaplicabilidade da multa qualificadora Em decorrência da lavratura dos autos de infração aqui em comento, exigiu se multa de ofício no percentual de 150%, em relação à infração de omissão de receitas por presunção legal, e, no que atina à infração de despesas não comprovadas, houve a exigência de multa de ofício no percentual de 75%. A recorrente argüiu a inaplicabilidade da multa qualificada, por ser oriunda exclusivamente de presunção legal, e ressaltou que contribuiu com a fiscalização e que não ficou provada a existência de dolo na situação retratada pela fiscalização, citando, ainda, em sua defesa, a Súmula CARF nº14, segundo a qual, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A DRJ manteve a multa qualificada aplicada, sob o argumento de que restou evidenciado nos autos a intenção do contribuinte de subtrair valores tributáveis por ele devidos, consistentes no tempo e expressa pela freqüência, valor e número de operações questionadas. Pois bem. Nos termos da Sumula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receitas não autoriza, de per si, a aplicação da multa qualificada, devendo existir o concurso de dolo no comportamento infracional. Confirase seus termos: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Também a detecção de omissão de receitas, por si só, não atrai a conclusão de que houve o elemento subjetivo do tipo. É a Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Isso porque, várias são as circunstâncias que devem ser ponderadas, analisadas e consideradas para efeito de se ter como comprovado o requisito legal exigido, qual seja, que a recorrente tenha agido como dolo, na prática de sonegação. No caso sob exame, o que se vê, é que o contribuinte ofereceu à tributação seus resultados por meio do real, tendo a autoridade autuante procedido o lançamento tributário sob a acusação de omissão de receita com base na constatação de passivo fictício, ou seja, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.844 25 Nesses termos, adoto o entendimento de que para que a multa de lançamento de ofício seja transformada de 75% para 150%, é imprescindível o evidente intuito de fraude, pois "fraude não se presume", "se prova". Ou seja, há que se ter provas sobre o evidente intuito de fraude praticado pela empresa. Entendo não razoável querer simplesmente presumir a ocorrência de fraude, ainda mais que se trata de exigências constituídas a partir de presunção legal. Para que fosse provada a intenção de fraudar o fisco, seria necessário, antes de tudo, provar que a existência de passivo fictício são de fato, receitas omitidas. Pois, antes disso, a simples existência de passivo fictício são indícios de omissão de receitas. A norma legal estabelece que, no caso da existência de indício de omissão de receitas, presumese tal omissão de receitas, sendo possível o lançamento do tributo. Essa presunção, de fato, tem respaldo na Lei, porém, por outro lado, entendo que não se pode provar, por via indireta, o evidente intuito de fraude. Essa prova tem de ser direta, como se pode dar por exemplo, o caso da utilização de documentos inidôneos, ou notas fiscais frias, ou mesmo notas fiscais calçadas, ou ainda, contacorrente bancária em nome de interposta pessoa, entre tantos outros. Nessas situações, a comprovação se dá pela ocorrência do fato irregular e pela utilização dos citados documentos. No mesmo sentido, têmse os acórdãos no 10419.384, de 11/6/03, e 10419.806, de 18/2/04). Vejamos as respectivas ementas: “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove, caracterizam falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” “SANÇÕES TRIBUTÁRIAS MULTA QUALIFICADA — JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A não inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores depositados em contas correntes ou de investimentos pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.845 26 Assim, concluo não ser devida a qualificação da penalidade aplicada à Recorrente em relação à infração capitulada como omissão de receitas por presunção legal passivo fictício, a qual deve ser reduzida para o patamar de 75%. Da multa de ofício da ilegalidade e violação aos princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da proibição do confisco Em sua defesa, suscita a recorrente que a multa aplicada viola alguns princípios constitucionais, que enumera. Porém, uma vez positivada a norma que prevê aplicação de multa decorrente de infração tributária, é dever da autoridade fiscal aplicála. Desta forma, sendo tal multa prevista em lei, os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar o percentual aplicado em face dos princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, entre outros, demandariam uma análise da sua constitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal, nos termos da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não conhece da alegação. Dessa forma, darse parcial provimento ao recurso voluntário, tão somente para reduzir para 75% a multa qualificada aplicada à infração capitulada como omissão de receitas por presunção legal passivo fictício. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO SOLIDÁRIO Como visto, atribuise responsabilidade solidária ao Sr. Francisco José Calezane, com fundamento no artigo 135, III, do CTN, segundo o qual: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) iii os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. De acordo com a doutrina a seguir mencionada, a expressão "infração de lei" nele prevista não diz respeito à infração da lei tributária, mas cuida de infrações à lei civil e à societária que dispõem sobre os poderes de representação da sociedade pelo administrador, ou seja, a "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN referese a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. Assim, concluise que é incompatível com a atribuição simultânea de responsabilidade solidária, quando a cobrança de débito tributário é dirigida ao devedor principal Nesse sentido, é a doutrina de: RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA: Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.846 27 Mas, embora haja estas distinções peculiares a cada tipo de responsável, todas as situações tocadas pela norma têm uma característica comum, que é a prática, por qualquer deles, de um ato que não esteja dentro da normalidade do exercício da sua função, porque é esta anormalidade que justifica a responsabilização pessoal e a exclusão da sujeição passiva do seu representado. (...) Neste sentido é que se percebe que a anormalidade ou irregularidade funcional não corresponde a qualquer ato errado ou ilegal, mas, sim, apenas aos atos em que a irregularidade ou anormalidade se manifeste em relação aos limites do exercício da função. (...) A própria colocação da infração de lei juntamente com a infração de contrato social ou estatuto, no mesmo pressuposto fático para estabelecer a responsabilidade pessoal do seu agente, desvenda que não é qualquer infração à lei que o coloca nesta condição, mas, sim, a infração perante um limite funcional que derive de lei, tanto quanto se derivar de contrato social ou de estatuto. 1 LUCIANO AMARO: Em confronto com o artigo anterior, verificase que esse dispositivo exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta estaria agindo o terceiro), ao dispor no sentido de que o executor do ato responda pessoalmente. A responsabilidade pessoal deve ser ai o sentido (que já se advinha no art. 131) de que ela não é compartilhada com o devedor "original" ou "natural". Não se trata, portanto, de responsabilidade subsidiária do terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o terceiro responde, "pessoalmente".2 MISABEL DERZI: Como deixa claro Aliomar Baleeiro, o terceiro que age com dolo, contrariando a lei, o mandato, o contrato social ou estatuto, dos quais decorrem os seus deveres, em relação ao contribuinte, de representação e administração, tornase, no lugar do próprio contribuinte, o único responsável pelos tributos decorrentes daquela infração. É que o representante, o mandatário e o administrador com poderes de decisão inclusive aqueles arrolados no art. 134 podem abusar dos poderes que têm, em detrimento dos interesses dos contribuintes. (...) Já o art. 135 transfere o débito, nascido em nome do contribuinte, exclusivamente para o responsável, que o substitui, inclusive em relação às hipóteses mencionadas no art. 134. A única justificativa para a liberação do contribuinte, que não integra o pólo passivo, nas hipóteses do art. 135, está no fato de que os créditos ali mencionados correspondem a "obrigações resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatuto". O ilícito é assim prévio ou concomitante ao surgimento da obrigação (mas exterior à norma tributária) e não posterior, como seria o caso de não pagamento de tributo. A lei que 1 Disponível em: http://www.marizsiqueira.com.br/Informativos.html.159 2 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 7ª Ed.São Paulo. Saraiva. 2001. p. 316317 Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.847 28 se infringe é a lei comercial ou civil, não a lei tributária, agindo o terceiro contra os interesses do contribuinte. Daí se explica que, no pólo passivo, se mantenha apenas a figura do responsável, não mais a do contribuinte, que viu, em seu nome, surgir dívida não autorizada, quer pela lei, quer pelo contrato social ou estatuto. 3 SACHA CALMON NAVARRO COELHO Em suma, o artigo 135 retira a "solidariedade" e a "subsidiariedade" do art. 134. Aqui a responsabilidade se transfere inteiramente para os terceiros, liberando os seus dependentes e representados. A responsabilidade passa a ser pessoal, plena e exclusiva desses terceiros. Isto ocorrerá quando ele procederem com manifesta malícia (mala fides) contra aqueles que representam, toda vez que for constatada a prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto. O regime agravado de responsabilidade tributária previsto no artigo estendese é óbvio, peremptoriamente, àquelas duas categorias de responsáveis previstos no rol dos incisos II e III (mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de Direito Privado). O dispositivo tem razão em ser rigoroso, já que ditos responsáveis terão agido sempre de máfé, merecendo, por isso mesmo, o peso inteiro de responsabilidade tributária decorrente de seus atos, desde que tirem proveito pessoal da infração, contra as pessoas jurídicas e em detrimento do Fisco. 4 RENATO LOPES BECHO: Conforme exposto, entendemos que a melhor compreensão para o art. 135 é considerálo correlato ao art. 158 da Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas). Significa dizer que, quando os responsáveis tributários realizarem atos ilícitos contra o interesse do contribuinte e que signifiquem descumprimento da legislação que liga um e outro (contribuinte e responsável), esses responderão pessoalmente pelos créditos tributários decorrentes de seus atos. Nos termos como positivado pelo legislador, como responsável terá agido contra os interesses do contribuinte, este será excluído da ação de cobrança (responsabilidade pessoal do terceiro). 5 Com efeito, o art. 135, III, do CTN, não estabelece uma hipótese de responsabilidade solidária dos administradores, conjuntamente com a pessoa jurídica representada. Pelo contrário, cuida de hipótese de responsabilidade pessoal e exclusiva dos administradores, aplicável em situações muito específicas nas quais o nascimento da obrigação tributária resultou de atos praticados pelos administradores à margem de suas atividades funcionais, muitas vezes em proveito próprio, ou seja, situações nas quais a pessoa jurídica é a principal prejudicada pelos atos praticados pelos administradores. Desta forma, das duas uma: (i) ou se está diante de uma situação na qual os administradores agiram dentro dos seus poderes normais de gestão e representação, caso em que a sociedade representada é a única responsável pelo pagamento do débito tributário; (ii) ou se está presente uma situação na qual os administradores agiram com excesso de poderes, extrapolando um limite funcional derivado da lei ou do estatuto social, caso em que os administradores são os únicos responsáveis pelo pagamento do tributo, com exclusão da responsabilidade da empresa. 3 Baleeiro, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. Atualizado po Misabel Abreu machado Derzi. Rio de Janeiro. Forense, 2004, p. 755756 4 NAVARRO COELHO, Sacha Clamon: Curso de Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 634 5 BECHO, Renato Lopes. Responsabilidade Tributária de Terceiros. São Paulo. Saraiva, 2014. p. 102 Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.848 29 No presente caso, como a cobrança dos débitos tributários é realizada em nome do devedor principal, por este motivo, já se conclui que deve ser afastada a atribuição simultânea de responsabilidade solidária do Sr. Francisco José Calezane. Além disso, ainda há um outro argumento autônomo que possui igualmente o condão também de afastar dita responsabilidade: os agentes fiscais não comprovaram qualquer infração funcional praticada pelo Sr. Francisco José Calezane, por violação da lei ou do estatuto social. Para atribuirse responsabilidade ao Sr. Francisco José Calezane, deveria a fiscalização comprovar que ele teria agido com excesso de poderes, ou extrapolando as suas atribuições próprias de gestão. Ora, não se apontou sequer qual o dispositivo legal ou regra estatutária teria sido violada por referido coobrigado, muito menos como essa suposta violação teria ocorrido. É ônus da Administração Fazendária a individualização da conduta fraudulenta supostamente praticada pelo administrador, pois é inadmissível a generalização de condutas. Do mesmo modo, a prova da fraude deve ser feita de maneira individualizada, em relação ao sócio. Com efeito, considerando que a responsabilidade do artigo 135 do CTN representa uma penalidade pela prática de ato ilícito, é evidente que somente o próprio autor da infração pode sofrer as suas conseqüências, não podendo essa responsabilidade ser generalizada, sem que tenha sido demonstrado no que consistiu a suposta infração cometida por ele. O sócio responde apenas pelas suas próprias ações e omissões. Por outro lado, ainda que a expressão "infração da lei" prevista no art. 135 do CTN abrangesse a prática de infrações à legislação tributária, deve se observar que não seria qualquer infração à lei tributária que levasse a responsabilidade pessoal do administrador. O artigo 135, III, requer a presença do elemento subjetivo "dolo" para configurar a "infração à lei" capaz de gerar a responsabilidade pessoal do administrador, ou seja, de um ato deliberado consistente na prática de um crime contra a ordem tributária. Assim, para aplicação do art. 135, III, do CTN, não basta a existência de culpa, sendo necessária prova inequívoca do dolo dos administradores. A jurisprudência do CARF também deixa clara a necessidade de individualização das condutas praticadas por cada administrador para que lhe seja atribuída a responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN, bem como da demonstração (prova) de que praticou um ato ilícito (fraude/simulação) de maneira dolosa, senão vejamos: RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. NECESSIDADE DE INDICAR A CONDUTA ILÍCITA PRATICADA PELO AGENTE E O REFLEXO DESTA NO NÃO PAGAMENTO DO TRIBUTO. O sócio, o gerente ou administrador pode vir a ser terceiro responsável não pelo fato de guardar tal condição, mas sim por ato ilícito que venha a praticar. Neste sentido, para se atribuir responsabilidade aos diretores, é necessário apontar a conduta praticada por estes. No caso dos autos, atribuiuse a responsabilidade com base no artigo 135, III, do CTN, que trata de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". No entanto, a autoridade autuante não descreveu um único fato supostamente praticados pelos agentes indicados que refletisse conduta destes caracterizando infração à lei ou aos estatutos da empresa. Em síntese, imputouse Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.849 30 responsabilidade pelo simples fato de que o nome das referidas pessoas constava da ata de eleição do Conselho de Administração, situação que revela absolutamente incabível. Recurso de ofício negado. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10510.722642/201172, Acórdão 1402001.197, Data da Sessão: 13.9.2013). Desta forma, somente cabe cogitarse da responsabilidade do Sr. Francisco José Calezane, caso tenha sido demonstrado que ele praticou atos fraudulentos ou simulados, de maneira deliberada, valendose de meios claramente ilícitos para economia de tributos, ou seja, diante de uma hipótese clara de sonegação fiscal. Não é esse, evidentemente, a situação de que se cuida no presente processo. Assim, afastase a responsabilidade solidária do Sr. Francisco José Calezane. Dessa forma, darse provimento ao recurso voluntário do Sr. Francisco José Calezane, para excluir a responsabilidade solidária atribuída a ele. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Quanto ao exame de mérito deste recurso, verificase que a DRJ acolheu argumentação com referência à exigibilidade de obrigação em relação a Oiltanking, no valor de R$ 480.000,00, bem como afastou o vínculo de responsabilidade tributária atribuído à Transportadora Calezani Ltda. Entendo que não há reparos a fazer. De fato, restou devidamente demonstrado que se tratava de obrigação decorrente de prestação de serviço de armazenagem. Os documentos juntados na impugnação (fls. 2161/2162) atestam a existência de passivo no valor de R$ 480.000,00 pertinente à operação representada pela nota fiscal nº 218, emitida em 15/12/2011, cujo pagamento foi realizado em janeiro de 2012, sendo que o registro de tal operação foi retratado corretamente no Razão (fls. 766). Assim, entendo que agiu acertadamente a decisão recorrida ao excluir do lançamento a importância de R$ 480.000,00. Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.850 31 No que respeita ao afastamento do vínculo de responsabilidade da Transportadora Calezani, verificase que a fiscalização fundamentou tal responsabilidade no artigo 124, II, do CTN, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: [...] II as pessoas expressamente designadas por lei. Alegou a impugnante que dentre os dispositivos legais citados no auto de infração inexiste norma jurídica que fundamente a inclusão da Transportadora Calezani como responsável tributário solidário, sendo acolhido exatamente este argumento. Com efeito, ao fundamentar a responsabilização no inciso II do art. 124 do CTN, há que se indicar qual a legislação que fundamenta a responsabilização, uma vez que o dispositivo citado faz referência, genericamente, às pessoas expressamente designadas por lei. E nem se fale que a ausência de dispositivos não implica em cerceamento do direito de defesa, sob o argumento que a defesa é contra fatos e não contra dispositivos legais. No caso, entendo que a falta de indicação dos dispositivos legais pertinentes impede a manifestação plena da defesa, uma vez que a responsabilização sob este aspecto, notadamente em relação às exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, implica numa discussão mais abrangente e controversa sobre o alcance das disposições do inciso IV do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 222 do Decreto nº 3.048, de 1999 (próprias das contribuições previdenciárias) que, em tese, dariam sustentação ao procedimento fiscal. Portanto, trazer o debate para este momento, suprindo a falta anotada no lançamento, implicaria em flagrante cerceamento do direito de defesa da impugnante, que de todo deve ser evitado. Diante disso, impõese a manutenção do afastamento do vínculo de responsabilidade atribuído à Transportadora Calezani Ltda. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto por: dar provimento parcial ao recurso voluntário da empresa autuada, para rejeitar as argüições de nulidades, e no mérito, tão somente para reduzir para 75% a multa qualificada aplicada à infração capitulada como omissão de receitas por presunção legal passivo fictício. dar provimento ao recurso voluntário do Sr. Francisco José Calezane, para excluir a responsabilidade solidária atribuída a ele. negar provimento ao recurso de ofício (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301002.665 S1C3T1 Fl. 2.851 32 Fl. 2851DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.001195/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.
A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
REEXAME.
Na existência de fatos novos desconhecidos em procedimento fiscal anterior e mediante autorização expressa do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, é possível reexame pela fiscalização referente ao mesmo exercício.
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. INDÍCIOS. REQUISITOS.
Considera-se indicio de interposição de pessoa, para fins da emissão de RMF, quando as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §3º do art. 42 da Lei 9.430/96.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-005.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 19/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). REEXAME. Na existência de fatos novos desconhecidos em procedimento fiscal anterior e mediante autorização expressa do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, é possível reexame pela fiscalização referente ao mesmo exercício. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. INDÍCIOS. REQUISITOS. Considera-se indicio de interposição de pessoa, para fins da emissão de RMF, quando as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §3º do art. 42 da Lei 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para lhe negar provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora EDITADO EM: 19/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). REEXAME. Na existência de fatos novos desconhecidos em procedimento fiscal anterior e mediante autorização expressa do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, é possível reexame pela fiscalização referente ao mesmo exercício. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. INDÍCIOS. REQUISITOS. Considerase indicio de interposição de pessoa, para fins da emissão de RMF, quando as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §3º do art. 42 da Lei 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 11 95 /2 00 6- 17 Fl. 261DF CARF MF 2 quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para lhe negar provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 19/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior. Relatório Contra o recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF referente ao exercício de 2003, anocalendário 2002, em decorrência de apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, totalizando o valor de R$ 118.384,34 (atualizado até 30/11/2006 fls. 146/152). A autoridade fiscal procedeu ao reexame do período, expressamente autorizada pelo Delegado da Receita Federa do Brasil em Macapá (art. 906, do RIR/99), nos termos da Solicitação/Representação Fiscal de fls. 16/17, e demais documentos de fls. 18/70, emitindo Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 71/72, com a solicitação de que o recorrente apresentasse os extratos bancários da poupançacorrente n° 7728581 (Banco ABN AMRO REAL S/A.) e comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Em resposta, o contribuinte apresentou o documento de fls. 76/77, onde esclarece: a) Que já teria solicitado ao Banco ABN AMRO Real S/A cópias dos extratos bancários; Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10235.001195/200617 Acórdão n.º 2301005.142 S2C3T1 Fl. 262 3 b) Que já teria entregado as cópias destes extratos à Fiscalização; c) Que já teria explicado à Fiscalização que a conta de n° 7728581 seria uma modalidade de "contacorrente poupança"; d) Que não teria como comprovar a origem dos recursos aplicados nesta "contapoupança" uma vez que as aplicações e resgates seriam automáticos; e) Que autoriza a autoridade fiscal a solicitar, diretamente à instituição bancária, as informações que lhe é necessária para o fiel cumprimento do mandado que lhe foi outorgado. Com fundamento no art. 3°, XI, do Decreto 3.724/2001, e com base na solicitação de fls. 78/79, foi emitida Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) (fl. 80) dirigida ao Banco, que forneceu cópia dos extratos bancários da conta poupança (fls. 81/122). Através dos Termos de Intimação Fiscal nº 1 (fls. 123/130) e nº 2 (fls. 133/140) o contribuinte foi instado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários. Em virtude da ausência de resposta, foi lavrado o auto de infração de fls. 146/156. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 172/176), alegando em a) Que lhe causou estranheza a reabertura da ação fiscal; b) Que já teria sido lavrado outro auto de infração (processo n° 10235.000586/200525) referente ao mesmo período; c) Que, conforme constaria do auto de infração acima mencionado, foi apurada uma omissão de rendimentos no valor de RS14.167,01, razão pela qual o valor disponível para o exercício de 2003 passaria de R$11.117,60 (valor que consta de sua declaração) para R$25.284,61; d) Que sua movimentação financeira no ano de 2002 teria sido de R$190.881,96, e não de R$276.660,63, como teria afirmado a Fiscalização; e) Que a sua movimentação financeira seria inferior a 10 vezes o valor da "renda disponível", razão pela qual não poderia ter havido a reabertura de período já fiscalizado nem poderia ter sido emitida a Requisição de Movimentação Financeira. Por fim, pugnou pela improcedência do lançamento. A DRJ/Belém julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito lançado, nos termos do Acórdão nº 0110.999 (fls. 223/229), com a seguinte ementa: EXERCÍCIO. REEXAME. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Fl. 263DF CARF MF 4 Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. RMF. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. INDÍCIO. Considerase indicio de interposição de pessoa, para fins da emissão de RMF, quando as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §3º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Lançamento Procedente Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou o recurso voluntário (fl. 233) em que alega: a) não se enquadrar nas hipóteses do artigo 3º, inciso XI e parágrafos do Decreto 3724/2001, uma vez que é o titular de fato e de direito da conta bancária; e b) tratandose de reexame, a renda disponível declarada (inc. I, § 2º, art. 3º Decreto 3724/2001) deve ser a declarada acrescida da apurada como omissão em primeiro procedimento de fiscalização. "Ficando assim claro deve sim ser reconhecido o valor R$ 25.284,61, uma vez que esta é a renda homologada pelo fisco como disponibilidade do contribuinte em primeiro exame como foi procedido, contrariando os preceitos legais que justificam o procedimento. Tal fato fica evidente, de vez que o levantamento dos valores feitos pelo próprio Auditor, é utilizado para a constituição do crédito tributário é no valor de R$ 19.881,96, sendo portanto injustificada a RMF, dai pugnarmos pela sua invalidade e a conseqüente improcedência do lançamento seguida da nulidade do crédito tributário equivocadamente constituído". O julgamento foi sobrestado, nos termos da Resolução nº 2802000.017, de 28/09/2011 (fl. 246/249), com fundamento no art. 62A, § 1º, do RICARF à época (Portaria MF 256/2009), aguardando o julgamento definitivo do RE 601.314, pelo STF. Em sessão de 12/08/2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2802000.215 (fls. 250/252), para que fosse juntado o Relatório Circunstanciado que culminou com a expedição do RMF. Em resposta foi emitido Relatório de Diligência Fiscal (efls. 254/257), do qual transcrevo os seguintes excertos: 2) Fundamentação De antemão, esclareço que o Relatório Circunstanciado que culminou com a expedição da RMF consta da própria Solicitação de emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (páginas 78 e 79). Nesta solicitação, a autoridade fiscal explica o motivo da reabertura de ação fiscal e os fundamentos de fato e de direito que justificaram a imprescindibilidade do exame da movimentação financeira do fiscalizado. De leitura da Solicitação/Representação Fiscal apresentada nas páginas 16 e 17, por meio da qual a autoridade fiscal pede a reabertura do procedimento fiscal, verificase que as razões ali Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10235.001195/200617 Acórdão n.º 2301005.142 S2C3T1 Fl. 263 5 apontadas se amoldam perfeitamente ao artigo 149, inciso VIII do CTN, haja vista que os valores lançados a crédito na poupança corrente mantida pelo fiscalizado no Banco Real não puderam ser conhecidos/provados por ocasião do lançamento anterior. Da procedência dos fundamentos da emissão da RMF Em que pese os argumentos do recorrente, vejamos o que diz o art. 3°, §2°, inciso I do Decreto 3.724/2001, o qual serviu de fundamento à solicitação da RMF, in verbis: (...) § 2° Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; (grifo nosso) (...) Vale frisar, basicamente, dois pontos da aludida norma, os quais deixam clara a insubsistência dos argumentos apresentados pelo recorrente: 2.1) O montante da renda considerado em relação à movimentação financeira. O fiscalizado defende que sua renda disponível seria de R$ 25.284,61 (Renda Disponível Declarada + Omissão de Rendimentos apurada pela primeira fiscalização), e não R$ 11.117,60 (Renda Disponível Declarada constante de Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003, anocalendário 2002). Ora, o referido Decreto é claro e objetivo ao falar em “renda disponível declarada” (grifamos). Dessa forma, o montante que serviu de parâmetro em relação à movimentação financeira para fins da solicitação da RMF foi de R$ 11.117,60, não havendo que se falar em somatório de renda disponível declarada mais omissão de rendimentos apurada. Portanto, a movimentação financeira tomada como base para a solicitação da RMF, seja ela de R$ 276.660,63 (apontada pela fiscalização) ou de R$ R$ 190.881,96 (alegada pele recorrente), é mais que dez vezes superior a este montante de renda. 2.2) A movimentação financeira considerada O Decreto supracitado estabelece que se considera indício de interposição de pessoa quando as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada. Já a movimentação financeira que o recorrente alega ter tido em 2002 (R$ 190.881,96) referese a informação não disponível Fl. 265DF CARF MF 6 quando da emissão da RMF, portanto, nem mesmo poderia ter sido tomada como base na solicitação de RMF. O valor sustentado pelo fiscalizado tratase do somatório das planilhas “A” (R$ 64.913,46) e “B” (R$ 125.968,50), páginas 125 e 126, informações que somente foram obtidas quando do atendimento, pela instituição financeira Banco ABN AMRO Real S/A, da própria Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (página 80). A informação disponível à Fiscalização na época da solicitação da RMF era a constante do DOSSIÊ SIGA PF (páginas 14 e 15), e indicava movimentação financeira no montante de R$ 276.660,63, devidamente demonstrado na Solicitação de RMF (páginas 78 e 79) e também na própria Solicitação/Representação Fiscal para reabertura de fiscalização para período já fiscalizado (páginas 16 e 17). Além disso, o valor defendido pelo fiscalizado (R$ 190.881,96) diz respeito apenas aos registros A CRÉDITO em suas contas (excluindose as transferências entre contas de mesma titularidade). E sabemos que a movimentação financeira vai além dos registros a créditos em contas mantidas em instituições financeiras. Esta também leva em consideração, por exemplo, os registros a débito, bem como as transferências entre contas de mesma titularidade. 3) Conclusão Diante do exposto, concluise que, em face da incidência da hipótese prevista no art. 3°, inciso XI, c/c seus §§ 1° e 2°, inciso I, do Decreto n° 3.724/2001, os requisitos formais para a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira foram devidamente atendidos. Ademais, houve a reabertura do procedimento de fiscalização para período já fiscalizado devido a fato não conhecido (extratos bancários próprios da poupança corrente mantida pelo fiscalizado no Banco Real), portanto não provado, quando do lançamento anterior, e que somente foi apreciado na segunda fiscalização, o que configura a hipótese prevista no Art. 149, inciso VIII do CTN. Ainda, houve expressa autorização do Delegado da Receita Federal (páginas 18 e 19) para Reexame de Período já Fiscalizado, atendendo, dessa forma, ao disposto no art. 906 do Decreto 3.000/99 (RIR). (Grifos no original.) É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10235.001195/200617 Acórdão n.º 2301005.142 S2C3T1 Fl. 264 7 Acerca da resolução de sobrestamento de fls. 246/247, em que pese a Portaria MF 343/2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF não ter adotado tal procedimento, o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, ocorreu em 24/02/2016, fixando o entendimento sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, bem como sua aplicação retroativa, nos seguintes termos: RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. Fl. 267DF CARF MF 8 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tal decisão é de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF 343/2015). Sobre o recurso voluntário, destacase que, em nenhum momento o recorrente traz qualquer alegação ou elemento comprobatório da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, limitandose a questionar a validade e higidez do procedimento fiscal. As questões centrais da discussão nos limites da lide instaurada pelo recurso são: i) a possibilidade de reexame de período fiscalizado, e ii) a verificação das condições para emissão de RMF à instituição financeira. Reexame Fiscal Com relação à possibilidade de reexame de período já fiscalizado, a autoridade lançadora sustenta que, após o encerramento do primeiro procedimento fiscal, foram constatados novos elementos antes desconhecidos pela fiscalização, conforme os seguintes excertos da Solicitação/Representação Fiscal (fl. 16/17): Em 16/06/2005 foi encerrado o Procedimento de Fiscalização a que se refere o MPF/F n° 0240100.2003.002592, relativo a DANIEL PEREIRA RECO, CPF nº 238.661.54287 (...) No curso do referido Procedimento, em face da incidência da hipótese prevista no art. 3°, inciso XI, c/c seus §§ 1º e 2º, inciso I, do Decreto n° 3.724/2001, o fiscalizado apresentou os extratos da contacorrente nº 77285817. mantida na Agência nº191, do Banco ABN AMRO Real, em Macapá/AP, no anocalendário de 2002. Na auditoria dos referidos extratos, foram constatados diversos lançamentos a crédito intitulados "RSG.POUP.CORR." (resgate da poupança corrente), totalizando R$ 119.045,25 (cento e dezenove mil e quarenta e cinco reais e vinte e cinco centavos), conforme planilha anexa, sem, contudo, haver compatibilidade entre aqueles resgates e outros valores depositados naquela contacorrente. Estabeleceuse, então, controvérsia a cerca da existência ou não de extratos próprios da contapoupança, diferentes dos apresentados pelo fiscalizado, alusivos à contacorrente nº Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10235.001195/200617 Acórdão n.º 2301005.142 S2C3T1 Fl. 265 9 77285817. No sentido da inexistência de extratos próprios da contapoupança, o fiscalizado e a Agência do Banco Real em Macapá, manifestaramse. naquele momento , de forma que me pareceu convincente, conforme missivas anexas. Ocorre que, atualmente, no curso de Procedimentos de Fiscalização (...) relativos a pessoas físicas, também correntistas do banco ABN AMRO Real, constatei, nos extratos de contas correntes apresentados, que aparecem, com grande freqüência, os lançamentos com o histórico "RSG.POUP.CORR.". Novamente estabeleceuse a retrocitada controvérsia, conforme documentos anexos, sendo que, desta vez, já vislumbrando, em face da semelhança dos casos, a existência do mesmo modus operandi, imputável ou ao fiscalizado ou à Agência do Banco Real em Macapá/AP, lancei mão de Requisições sobre Movimentação Financeira RMF, constatando, finalmente, a existência de • extratos da própria contapoupança vinculada à contacorrente, nos quais são efetuados os lançamentos a crédito, sujeitos, portanto, à incidência da investigação fiscal a que se refere o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tal hipótese amoldase ao previsto no art. 149, VIII, CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; ... (Grifamos.) Ademais, o reexame do exercício 2003, anocalendário 2002 foi efetuado após autorização expressa do Delegado da DRF/Macapá, cumprindo assim o disposto no art. 906 do RIR (Decreto 3000/99): Art.906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei 2.354, de 1954, art. 72, §22, e Lei 3.470, de 1958, art 34). Cumpridos os requisitos para o reexame de período já fiscalizado, não há qualquer óbice à sua ocorrência. Emissão de RMF Sobre a emissão de RMF diretamente à instituição financeira, entendo incabível a alegação do recorrente acerca de sua impossibilidade, uma vez que ele próprio autorizou a RF a buscar as informações diretamente no banco, conforme resposta à fiscalização (doc. fl. 76). Assim, não tendo apresentado os extratos bancários solicitados, e preenchidos os requisitos do art. 3º, XI, §2º, I, do Decreto 3.724/2001, correto o procedimento fiscal. Fl. 269DF CARF MF 10 Sobre o limite disposto no inciso I do § 2º do art. 3º do Decreto 3724/2001, valhome da fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido que adoto como minha: 22. Da leitura das linhas acima, percebese que uma das hipóteses que autorizam a emissão da RMF ocorre quando as informações disponíveis indicarem uma movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada. 23. A renda disponível declarada pelo contribuinte é de R$11.117,60 (Il. 07). Quanto à movimentação financeira do contribuinte no anocalendário de 2002, a Fiscalização aponta um total de R$276.660,63 (fl. 75), enquanto que o contribuinte afirma que o valor é de R$190.881,96 (fl. 174). Ainda que se utilize o valor mencionado pelo contribuinte, a movimentação financeira seria superior a dez vezes à renda disponível declarada, o que autoriza a emissão da RMF. 24. E não se pode acatar o argumento expendido pelo contribuinte de que o valor da renda disponível declarada deveria ser aumentado de R$11.117,60 para R$25.284,61 em razão da lavratura de auto de infração anterior referente ao mesmo período. Para efeitos da emissão da RMF importa a renda disponível DECLARADA. Se a Fiscalização detectou omissão de rendimentos e a base de cálculo do imposto de renda de pessoa física aumentou de R$11.117,60 para R$25.284,61, é exatamente porque o contribuinte NÃO DECLAROU a diferença. 25. Sendo assim, não há que se falar em invalidade da expedição da RMF. Portanto, nego provimento ao pleito do recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720039/2015-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO MÉTODO. MUDANÇA DE CRITÉRIO. INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE. NULIDADE LANÇAMENTO.
Desqualificado o critério de cálculo adotado pelo contribuinte deve a fiscalização proceder a intimação do contribuinte para que apresentasse novo cálculo sob o risco de ofensa frontal ao procedimento legal prescrito nos arts. 20-A da Lei n.9430/1996 e 40, da IN1302/2012.
Numero da decisão: 1402-002.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento por desobediência ao art. 20-A da Lei nº 9.430./96. Os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Evandro Correa dias e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO MÉTODO. MUDANÇA DE CRITÉRIO. INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE. NULIDADE LANÇAMENTO. Desqualificado o critério de cálculo adotado pelo contribuinte deve a fiscalização proceder a intimação do contribuinte para que apresentasse novo cálculo sob o risco de ofensa frontal ao procedimento legal prescrito nos arts. 20-A da Lei n.9430/1996 e 40, da IN1302/2012.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento por desobediência ao art. 20-A da Lei nº 9.430./96. Os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Evandro Correa dias e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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DESQUALIFICAÇÃO MÉTODO. MUDANÇA DE CRITÉRIO. INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE. NULIDADE LANÇAMENTO. Desqualificado o critério de cálculo adotado pelo contribuinte deve a fiscalização proceder a intimação do contribuinte para que apresentasse novo cálculo sob o risco de ofensa frontal ao procedimento legal prescrito nos arts. 20A da Lei n.9430/1996 e 40, da IN1302/2012. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento por desobediência ao art. 20A da Lei nº 9.430./96. Os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Evandro Correa dias e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 39 /2 01 5- 16 Fl. 446DF CARF MF 2 Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201516 Acórdão n.º 1402002.759 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto por FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA em face de decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo em parte crédito decorrente de ajustes de preço de transferência relativos ao anocalendário 2012. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementandoo com o que entender necessário: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, abrangendo o ano calendário de 2012, a autoridade fiscal constatou irregularidades na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, lavrando o respectivo auto de infração, cuja ciência foi realizada em 17/04/2015. Segue abaixo relato fiscal (fls. 2), o qual descreve os fatos que ensejaram a constituição do crédito tributário: Fiscalizado o contribuinte acima, constatouse no anocalendário 2012 a dedução indevida do valor de R$ 127.179.244,87 do lucro real e da base de cálculo da CSLL, correspondente a ajuste de preço de transferência na importação de bens de vinculadas, por descumprimento do disposto na IN SRF nº 243/2002, art. 12, § 11. Visto que nesse período o contribuinte apresentou prejuízo de R$ 1.200.008.858,53, lavrase auto de infração sem crédito tributário, para fins de redução do prejuízo declarado em DIPJ (documento anexo nº 1), que fica assim reduzido para R$ 1.072.829.613,66. Solicitado a apresentar memória de cálculo do ajuste declarado em DIPJ, o contribuinte para o método PRL60 apresentou a planilha PRL60_2012_FINAL (documento anexo nº 2), constante do arquivo digital PRL60 produtivo – calculo 2012.xlsx, autenticado pelo sistema SVA. Examinada a planilha acima, a fiscalização constatou que o contribuinte adotou metodologia de cálculo diferente da que consta no art. 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002, resultando em ajuste zero. A fiscalização refez o cálculo, seguindo a determinação normativa, e encontrou o ajuste mencionado de R$ 127.179.244,87 (documento anexo nº 3). Anexos (1) DIPJ 2013 AC 2012 (2) planilha contribuinte (3) planilha fiscalização Tempestivamente a autuada apresentou a peça impugnatória. Afirma, quando da descrição dos fatos, que a partir da leitura do Relatório de Auditoria Fiscal, não se consegue detectar os supostos erros cometidos pela Impugnante, na apuração do preço de transferência do anocalendário de 2012, que levaram aos ajustes apurados pelo auditorfiscal, uma vez que ele não os aponta. O AuditorFiscal limitouse a mencionar que, após analisada a planilha elaborada e apresentada pela Impugnante PRL60 2012 FINAL, que o contribuinte adotou metodologia de cálculo diferente da que consta Fl. 448DF CARF MF 4 no art. 12, §11, da IN SRF n° 243/2002, resultante em ajuste zero. Diante disso, há que ser reconhecida a nulidade da presente autuação, em razão da falta de demonstração dos erros cometidos pela Impugnante. Em preliminar, destaca a autuada que, de acordo com o artigo 10 do Decreto n° 70235/72 e artigo 39 do Decreto n° 7574/11, o auto de infração deve conter a “descrição dos fatos”. No entanto, aponta que no Relatório de Auditoria Fiscal, não consta a descrição da origem dos ajustes apurados pela fiscalização, tendo o auditor fiscal se limitado a mencionar que os cálculos elaborados pela Impugnante não obedecem a Instrução Normativa SRF n° 243/2012. Desta forma, entende que as autuações estão eivadas de vício insanável, em virtude do cerceamento do direito de defesa. Na mesma senda, prossegue: Além da precisa descrição dos fatos e dos dispositivos legais pertinentes, há também de ser assegurado ao contribuinte os meios necessários para possibilitar a sua ampla defesa e, principalmente, a produção de provas e contraprovas. Ora, no caso em exame, a Impugnante teve arbitrados os preços praticados com pessoas jurídicas coligadas (embora nenhuma delas esteja situada em jurisdição fiscal favorecida ou "Paraísos Fiscais"), sem que se tenha sequer a preocupação em fornecer os esclarecimentos necessários para, no mínimo, viabilizar que a Impugnante confira o trabalho efetuado pela autoridade lançadora. Cristalino, portanto, o prejuízo ao direito de defesa causado à Impugnante, o que já justifica a anulação do procedimento fiscal. Alega também a impugnante que o procedimento se encontra viciado pela inobservância da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012, artigo 40. Isto porque, a partir da publicação da referida instrução, passou a existir a obrigatoriedade de a autoridade lançadora conceder prazo de 30 (trinta) dias à pessoa jurídica, para avaliar e questionar os cálculos dos preços de transferência que estiverem sendo impugnados ou rejeitados pela autoridade lançadora. Entende que o dispositivo retro trata de regra de natureza processual, a qual impõe à autoridade novo procedimento para a impugnação dos métodos e cálculos do preço de transferência apresentados pelo contribuinte. Afirma ainda que deve ser observado o art. 148 do CTN, do qual se extrai que, nos casos de impugnação do cálculo do valor de preços, bens, serviços, etc., a autoridade poderá arbitrar, mediante processo regular e ressalvada a avaliação contraditória em âmbito administrativo, exatamente como prevê a Instrução Normativa n° 1.312/2012. Conclui então: Portanto, a inobservância do procedimento de arbitramento estabelecido pelo CTN e expressamente previsto para os casos de preços de transferência, conforme disciplina da IN/RFB n°. 1.312/2012, importa na ocorrência de mais uma nulidade, igualmente insanável, incorrida no procedimento fiscal ora impugnado. Ainda que a intimação da Impugnante fosse prescindível, o que não é, seja pelo CTN, artigo 148, ou pela IN/RFB n°. 1.312/2012, o fato é que esse comportamento implica em dificuldade e cerceamento do direito de defesa da Impugnante. Quanto ao mérito, a impugnante demonstra a correção do procedimento por ela adotado. Afirma: Tratase de polêmica existente, no campo normativo dos preços de transferência, o custo que deve ser considerado, para a apuração dos preços praticados nas importações. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201516 Acórdão n.º 1402002.759 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Os AuditoresFiscais têm utilizado o custo da mercadoria, adicionado das parcelas pagas a terceiros, a título de frete e de seguro, e do imposto de importação. Entretanto, a normativa de preços de transferência tem a finalidade de evitar a distribuição disfarçada de lucros para vinculada sediada no exterior, através da manipulação de preços nas operações de comércio exterior, razão pela qual os contribuintes devem provar que as operações foram realizadas, praticandose "preços de mercado". Desta forma, se os valores de frete e seguro são pagos a terceiros não vinculados, com os quais os preços são negociados dentro de uma economia de mercado, e se o imposto de importação é pago à Secretaria da Receita Federal do Brasil, essas parcelas não devem ser incluídas na apuração dos preços de transferência. [...] Portanto, o real alcance do disposto no §6°, do art.18, da Lei n° 9430/96, deve ser a inclusão das parcelas relativas ao frete e seguro, apenas quando pagas a pessoa jurídica vinculada à importadora brasileira. Como a Impugnante contrata o frete e o seguro com empresas não vinculadas, esses valores não devem compor o preço praticado. Diante disso, concluise que, no cálculo pelo método do Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 60% PRL60, estão corretos os valores utilizados pela Impugnante, para o cálculo dos preços parâmetros, não havendo, consequentemente, qualquer ajuste a ser feito. Após discorre acerca do método PRL60: De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, as exigências fiscais em questão decorrem de divergência no cálculo dos preços de transferência pelo método do Preço de Revenda menos Lucro, com margem de lucro de 60%, o chamado PRL60. Entretanto, não há erro nos cálculos procedidos pela Impugnante. A Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 18, assim dispõe acerca do método de cálculo do preço parâmetro, nas importações realizadas com pessoas jurídicas vinculadas situadas no exterior: [...] A partir da verificação dos cálculos efetuados pela Impugnante, para a apuração dos preços parâmetros, constatase que os preceitos fixados pela Lei foram rigorosamente observados. Demonstrouse o custo dos insumos importados, o custo total dos produtos acabados, possibilitando a verificação do valor agregado. Partindose dos preços líquidos de venda dos produtos, menos os valores agregados, foi obtida a margem de lucro, aplicandose o percentual de 60%, para obter os preços parâmetros. A partir dos preços parâmetros encontrados, conforme consta do próprio Relatório de Auditoria Fiscal, a Impugnante constatou que não havia ajustes a serem feitos. Fl. 450DF CARF MF 6 Esses cálculos estão claros e perfeitamente comprovados na planilha PRL60_2012_FINAL, encaminhada ao auditorfiscal, não havendo qualquer dúvida de que eles estão de acordo com o que expressamente determina a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1. Apesar de constar do Relatório de Auditoria Fiscal, o motivo da divergência entre os cálculos elaborados pela Impugnante e os cálculos feitos pela Fiscalização, a Impugnante deduz que a divergência pode estar na apuração da "margem de lucro". Isto porque, o procedimento da autoridade lançadora, com base na Instrução Normativa SRF n° 243/2002, consiste em determinar a participação do insumo importado no preço de venda do produto acabado e sobre este valor aplicar o percentual de 60%, obtendose, desta forma, o preço parâmetro da mercadoria importada de pessoa jurídica coligada. Entretanto, este procedimento de determinar a proporção do insumo importado no preço de venda do produto acabado e sobre este valor aplicar a margem de lucro de 60%, para a apuração do preço parâmetro, está flagrantemente em desacordo com a literalidade da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, que expressamente determina que a margem de lucro de sessenta por cento seja calculada sobre o preço de revenda, após deduzido o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Desta forma, o cálculo feito pela Impugnante segue exatamente o que está determinado na Lei n° 9430/96: PP = PRL 60 % (PRL VAP) PP = preço parâmetro PRL = preço de revenda líquido VAP = valor agregado no país Enquanto que o cálculo, com base na IN SRF n° 243/2002, contraria o referido diploma legal, uma vez que não exclui o valor agregado no país: Isto porque, em primeiro lugar, apurase o percentual de participação da matéria prima importada no produto acabado, partindose do custo da matéria prima importada sobre o custo total do produto acabado; este percentual é aplicado sobre o preço líquido de venda do produto acabado, para se chegar ao valor da participação da matéria prima importada sobre o preço de venda do produto acabado; sobre este valor aplicase a margem de lucro de 60%; a seguir, subtraise do valor da participação da matéria prima importada no preço de venda do produto acabado o valor correspondente à margem de lucro, chegandose ao preço parâmetro. PP = "Participação da Matéria Prima Importada no Preço de Venda do Produto Acabado" 60 % "Participação da Matéria Prima Importada no Preço de Venda do Produto Acabado". Diante disso, resta claro que, em total afronta ao que dispõe a Lei n° 9430/96, nesta forma de apuração do preço parâmetro, o valor agregado no país é totalmente desconsiderado. É evidente que a Instrução Normativa, enquanto norma complementar da lei para o seu fiel cumprimento e execução, na forma prevista pelo CTN, artigo 100, inciso I, não poderia jamais instituir forma de cálculo contrária à própria previsão legal, porque Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201516 Acórdão n.º 1402002.759 S1C4T2 Fl. 1.114 7 isso equivaleria outorgar à Administração Pública poderes que o legislador vedou expressamente pela Constituição Federal de 1988, artigo 5°, inciso II. Portanto, evidenciase que a IN/SRF n° 243/2002 não poderia ter inovado na forma de cálculo do preço parâmetro, por ser norma de hierarquia inferior que não poderia alterar, revogar e/ou substituir o texto legal expedido pelo legislador ordinário. Salientase que até o advento da IN/SRF n° 243/2002 vigoraram a IN SRF n° 113/2000 e a IN/SRF n° 32/2001 que, em estrita observância à Lei n° 9430/96, estabeleciam a seguinte forma de apuração do preço parâmetro: [...] A forma de cálculo, estabelecida pelas Instruções Normativas SRF n°'s 113/00 e 32/01, que antecederam a IN SRF n° 243/02, reproduz o que está determinado na Lei n° 9430/96 e é a forma de cálculo adotada pela Impugnante. Já a IN SRF n° 243/02, repetese à exaustão, cria uma forma de cálculo que não possui amparo legal, razão pela qual deve ser afastada a sua aplicação. A este respeito vale transcrever trecho do voto do Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, que, embora tenha sido proferido no julgamento de caso relativo à aplicação do método PRL20%, aborda as inovações trazidas pela Lei n° 9959/00 (que alterou a redação da Lei n° 9430/96, para introduzir o método PRL60%) e corrobora a tese ora defendida pela Impugnante: [...] Diante disso, resta evidenciado que a apuração do preço parâmetro, com base na proporção representada pelo insumo importado sobre o preço de venda do produto acabado, não possui amparo na Lei n° 9430/96, que determina que a apuração seja feita a partir do preço de venda do produto acabado, descontado o valor agregado no país, ou seja, a margem de 60 % deve ser calculada sobre o preço de venda do produto acabado subtraído do valor agregado e não sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto acabado. Por consequência, há que ser convalidada a forma de cálculo adotada pela Impugnante, que, repetese, segue estritamente os ditames legais. Destacase o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, a respeito das inovações trazidas por Instrução Normativa sem o devido amparo legal: "PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL De acordo com o art. 18 da Lei nr. 9.430/96, Serão dedutíveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes ComparadosPIC, Preço de Revenda menos LucroPRL e Custo de Produção mais LucroCPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não pode, simples Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário, cuja normatividade está diretamente subordinada a lei, vedar o uso do referido método. Recurso voluntário provido" (destacouse) Fl. 452DF CARF MF 8 Após cita ponderações feitas por Luis Eduardo Schoueri que demonstram de forma prática as incongruências da IN SRF n° 243/11, que não reflete o que está previsto na Lei n° 9430/96, tampouco atende a finalidade dos preços de transferência. Conclui então: Diante disso, resta mais do que claro que a forma de cálculo adotada pela Impugnante é a forma estabelecida pela Lei n° 9430/96, não havendo, portanto, qualquer ajuste a ser feito, no que tange ao preço de transferência, para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2012. Com base nas considerações acima, impõese a decretação da improcedência da exigência fiscal, com o consequente cancelamento da exigência de IRPJ formulada contra a Impugnante. No que tange à CSLL: Em decorrência dos ajustes efetuados na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, a mesma suposta infração foi apurada quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Desta forma, as razões de defesa para a CSLL são as mesmas já expostas para IRPJ, que aqui se consideram transcritas na íntegra, para todos os fins de direito. Quanto aos ajustes no LALUR: Em razão da apuração de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, no ano calendário de 2012, os autos de infração, ora impugnados, intimam a Impugnante a promover os ajustes na base de cálculo do IRPJ e na base de cálculo da CSLL. Embora não se trate de "crédito tributário", mas sim de "obrigação acessória", nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, em face da Impugnação, ora apresentada, a exigência do seu cumprimento deve ser mantida suspensa até o julgamento final do presente processo administrativo, o que se requer, desde já. Requer então: Por todo o exposto, resta clara a nulidade das autuações, a ser prontamente decretada. Caso assim não se entenda, tendo sido demonstrada a correção dos cálculos do preço de transferência efetuados pela Impugnante e a ausência de qualquer ajuste, a ser promovido na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2012, devem ser julgadas totalmente improcedentes as presentes autuações. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DOS ERROS NOS AJUSTES APURADOS. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201516 Acórdão n.º 1402002.759 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Não há necessidade de se indicar os erros cometidos pelo interessado diante da apuração inexata dos tributos sob a sistemática do lançamento por homologação. A subsunção do fato à norma, quando realizada pela autoridade, é condição suficiente para que se realize o lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PREVISTA IN RFB N° 1.312, DE 28/12/2012, ARTIGO 40. Não havendo novo cálculo apresentado pela autuada na sua peça impugnatória, a qual manteve o mesmo critério que ensejou o lançamento, não há violação ao direito assegurado pelo art. 40 da IN 1.312/2012. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ART. 18, §6º DA LEI 9.430/96 C/C ART. 144 DO CTN. Conforme o §6º da Lei n° 9.430/96 vigente à época dos fatos, integram o custo o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio A Recorrente apresentou então o presente Recurso Voluntário alegando preliminarmente nulidade das autuações (i) pela ausência de descrição dos fatos, especialmente quanto à origem dos ajustes apurados pela fiscalização, conforme art. 10, do Decreto 70.235/72 e art. 39 do Decreto 7.474/201; e (ii) pelo não cumprimento do procedimento previsto no art. 40 da IN 1312/12, já que não teria sido intimada para apresentar novos cálculos. No mérito alega que os custos com frete, seguros e tributos não devem ser considerados para apuração do preço parâmetro, ou seja, a utilização do preço FOB. Alega ainda a incongruência da IN 243/2002 visàvis o art. 18 da Lei n. 9.430/1996. Apresenta os mesmos fundamentos em relação à CSL. E requer a suspensão do ajuste no LALUR até o julgamento do presente caso. É o Relatório. Fl. 454DF CARF MF 10 Voto 1. ADMISSIBILIDADE O RECURSO É TEMPESTIVO E ASSINADO POR PROCURADORES DEVIDAMENTE HABILITADOS. 2. PRELIMINARES: 2.1 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS A parte autora alega que o auto de infração não continha a descrição dos fatos, constando no relatório fiscal tão somente a informação a fiscalização refez os cálculos, conforme o art. 12, §11 da IN 243/02. Em sede de DRJ decidiuse que: Ou seja, nos termos do art. 142 do CTN, o procedimento administrativo é realizado para verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Não há pois necessidade de se indicar os erros cometidos pela interessada quando da apuração inexata dos tributos sob a sistemática do lançamento por homologação. Como bem relata a autoridade fiscal, em análise da planilha entregue, da qual consta a memória de cálculo do ajuste realizado pela interessada, verificouse ter sido utilizada metodologia diferente da determinada pela IN SRF 243/2002. Apontou o dispositivo que deveria ser observado, qual seja, o art. 12, §11 da referida Instrução Normativa, e refez os cálculos de acordo com o preceito normativo. Desse modo, não há irregularidade no procedimento fiscal. Ademais, não é necessário demonstrar o erro para determinação da matéria tributável e cálculo de eventual tributo devido quando no exercício da atividade de lançamento (art. 142 do CTN). A subsunção do fato à norma, mediante procedimento regular nos termos da legislação, realizado pela autoridade, é condição suficiente para que se realize lançamento de ofício. Identificado o fato – importação de bens sujeita a ajuste de preço de transferência, descrevendoo no auto de infração, apontando a norma que lhe é aplicável, não há descuido, tampouco ilegalidade que se poderia arguir em tal procedimento. Quanto ao cerceamento de defesa, também não se verificou qualquer vício no presente processo, visto estar sendo exercido o direito do contraditório e ampla defesa por meio da peça impugnatória apresentada, ora conhecida e analisada. Nesse ponto, entendo que não assiste razão à Recorrente, pois embora o Auditor da Receita Federal não aponte exatamente qual o erro ocorrido nos cálculos realizados pela Recorrente, em sua visão, há uma dissonância em relação aos parâmetros estabelecidos pela IN 243/02 que implicam, supostamente, em imposto devido dando azo ao lançamento. Embora, possa não concordar com as conclusões do auditor, não há vício no procedimento no que tange a descrição dos fatos. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201516 Acórdão n.º 1402002.759 S1C4T2 Fl. 1.116 11 2.2 DESCUMPRIMENTO DO PROCEDIMENTO PREVISTO NOS ARTS. 40 DA IN 1.312/12 E 20A, DA LEI N.9.430/1996: Alega ainda preliminarmente que o auditor fiscal não seguiu o procedimento previsto no art. 40 da IN 1.312/12, abaixo transcrito: Art. 40. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos Capítulos II e III será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. § 1º A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. § 2º A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos Capítulos II e III, quando o sujeito passivo, depois de decorrido o prazo de que trata o caput: I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. § 3º A apresentação de novo cálculo de acordo com outro método, conforme o caput, não afasta a aplicação de multa de ofício sobre eventual diferença de imposto de renda ou de CSLL apurados. § 4º A opção de que trata o caput será efetuada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário das operações sujeitas ao controle de preços de transferência. Segundo a DRJ: A alegação suscitada pela interessada não procede, porquanto se trata de lei substantiva dispondo acerca de direito material, qual seja: a apresentação de “novo" cálculo quando houver desqualificação do método ou alguns de seus critérios pela autoridade administrativa. Ainda, a interpretação literal demonstra não ser uma norma acessória, tampouco instrumental, ao indicar expressamente o aspecto temporal a ser considerado em eventual lançamento de ofício, quando veda a aplicação a fatos ocorridos anteriormente a 2012. Referido dispositivo traz uma limitação a possibilidade de o contribuinte alterar o método que deve ser escolhido pelo anocalendário em sua totalidade, evitando que o contribuinte realize cálculos sucessivos durante o ano, alterando o método cada vez que a Fl. 456DF CARF MF 12 matemática demonstre que a alteração do método permitirá dedução maior. De outro lado, introduz um procedimento que deve ser seguido nos casos em que o método ou algum de seus critérios de cálculo seja desqualificado pela fiscalização! Oras, no caso, a fiscalização claramente desqualificou o método de cálculo adotado pelo contribuinte, de outra forma não haveria suposto imposto devido. Assim, desqualificado o cálculo, deveria a fiscalização proceder a intimação do contribuinte para que este apresentasse novo cálculo. O próprio §2º estabelece as hipóteses em que a fiscalização poderá realizar o cálculo e o §3, do art. 40, estabelece a incidência da multa de ofício. Poderia o legislador ter optado pelo método inquisitório, tendo deixado nas mãos do fisco a escolha do método e recálculo, mas optou por uma aproximação cooperativa, incitando a participação do contribuinte nesse processo. Nessa linha, não poderia a fiscalização realizar o recálculo de ofício, sob o risco de ofensa ao art. 40 da IN 1.312/12 e, consequentemente, ao art. 20A da lei 9.430/96, (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012). Do que decorre a nulidade do auto de infração por descumprimento do procedimento previsto nos arts. 40 da IN 1.312/12 e art. 20A da lei 9.430/96 3. Conclusão: Diante do todo exposto, ao acolher a preliminar de nulidade do lançamento por desobediência ao art. 20A da Lei nº 9.430./96, voto por dar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 457DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905331/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.084
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 33 1/ 20 11 -5 3 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10280.905331/201153 Resolução nº 3402001.084 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10280.905331/201153 Resolução nº 3402001.084 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10280.905331/201153 Resolução nº 3402001.084 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10280.905331/201153 Resolução nº 3402001.084 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.720580/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, bem como comprovada a existência do crédito tributário em sede de fiscalização, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A contribunte apresentou DCOMP antes de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário. Desse modo, deve-se aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN.
Numero da decisão: 1301-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e homologar as compensações até o limite de crédito reconhecido, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, bem como comprovada a existência do crédito tributário em sede de fiscalização, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A contribunte apresentou DCOMP antes de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário. Desse modo, deve-se aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e homologar as compensações até o limite de crédito reconhecido, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
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PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, bem como comprovada a existência do crédito tributário em sede de fiscalização, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A contribunte apresentou DCOMP antes de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário. Desse modo, devese aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e homologar as compensações até o limite de crédito reconhecido, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 05 80 /2 01 0- 61 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 918 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação (DCOMP) nº 01157.82155.310505.1.7.043061 (fls. 2/5), o qual visa compensar recolhimento a maior de IRPJ, efetuado em 28/06/2002, no valor requerido de R$ 532.891,28. A DRF, por meio de Despacho Decisório (fls. 20), ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que o direito creditório foi pleiteado em duplicidade com a DCOMP nº 00181.50555.190906.1.7.022640. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 22/29. Vejamos a síntese de suas alegações, conforme se depreende do acórdão relatado pela instância a quo: 1. DOS FATOS 1.1 — DA NÃO UTILIZAÇÃO EM DUPLICIDADE DE CRÉDITO No período de apuração de MAIO de 2002, a empresa apurou e recolheu IRPJ (cód. de receita 2362) no valor de R$ 1.478.407,86, ao titulo de estimativa mensal„conforme DARF e DCTF Normal em anexo (doc.anexo 03). Posteriormente, revendo seus registros de apuração da IRPJ de MAIO/2002, a empresa verificou ter cometido equívocos nos cálculos aritméticos que determinaram o montante daquele tributo. Diante disso, em 11/08/2006, a empresa transmitiu declaração retificadora da DCTF do 2º trimestre de 2002 (doc. Anexo 04), corrigindo o valor devido da IRPJ para R$ 0,00. Diante desta retificação, o valor que seria devido ao titulo de estimativa mensal da IRPJ devida no período de maio de 2002 havia sido recolhido a maior no valor de R$ 1.478.407,86. Fato este, devidamente declarado através da DCTF retificadora supra mencionada. Fazse mister ressaltar que, o valor de R$ 1.478.407,86 alvo da compensação não homologada não é recolhimento por estimativa, mas sim, recolhimento a maior, pois a estimativa mensal devida para o período em foco era inferior a monta recolhida. Feita tal consideração, tratandose de recolhimento a maior, a requerente tratou de compensar tal excesso de recolhimento com tributos vincendos, com base nos permissivos legais constantes da Lei 9.430/96, art. 74, e art.28 da IN SRF No. 460/2004, vigente a época da compensação. Em virtude da atualização dO indébito pela taxa SELIC,' na ordem de 52,13%, acumulados entre. 28.06.2002 e 31:05.2005, o valor do indébito Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 919 3 Sobredito,' REFERENTE AO' PER/DCOMP em comento, resultou na monta de R$ 324.191,10, 'conforme dispunham o art. 51 e art. 52 da IN SRF No. 460/2004. Para demonstrar a correção do crédito em destaque, arrolase a planilha em anexo (doc. anexo 05). Em 31/03/2005 a requerente transmitiu o PER/DCOMP n° 01157.82155.310505.1.7.043061 (doc. Anexo 06), com tipo de crédito qualificado como "Pagamento Indevido ou a Maior", utilizando o referido crédito para liquidação de débitos de 1RPJ (cód. de receita 2362) do mês de DEZ/2003, informando o valor de R$ 536.487,28, utilizandose parcialmente o crédito fiscal remanescendo um saldo de R$ 310.758,22 do valor original. Para sua surpresa, em 05.03.2010, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho – Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP 18617.76531.310505.1.3.041058, sob o argumento de que tal crédito havia sido totalmente utilizado em outra compensação e, por isso, inexistente, pois o referido crédito estaria vinculado à compensação efetivada através da PERD/COMP 00181.50555.190906.1.7.022640 e, por conseguinte a quitação dos respectivos débitos. Logo, o crédito em tela havia sido utilizado em duplicidade para efetuar PERD/COMP's distintas. Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, não buscou sua fundamentação em elementos seguros, e limitou a sua análise em evidências que não seriam suficientes para proferir informação fiscal/despacho decisório, com ,teor de utilização em duplicidade do referido crédito. Data Máxima Vênia, o referido entendimento esboçado pelo fisco fere de Morte o Principio da Verdade Material, pois se a Secretaria dá Receita Federal tivesse realizado uma analise mais apurada da utilização do referido crédito teria vislumbrado a correta apuração realizada pelo contribuinte; verificando que em nenhum momento houve compensação em duplicidade conforme aduzido no item n°. 5 do R. despacho decisório. Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que: "Constatase, portanto, de forma inequívoca, a utilização, do mesmo pagamento, em duplicidade, uma vez, através do PER/DCOMP 01157.82155.310505.1.7.043061 de pagamento indevido, outra por meio do PERD/COMP n°00181.50555.190906.1.7.022640 de saldo negativo de IRPJ. Registrase que o pagamento R$ 1.478.407,86 foi utilizado para compor saldo negativo na apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, como se pode visualizar na Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, Linha 16, gerando um saldo credor de IRPJ no montante de R$ 9.827.493,78, onde parte deste crédito foi utilizado para quitação de débitos consignados a PER/DCOMP nº 00181.50555.190906.1.7.022640, precisamente no montante de R$ 6.176.531,66, conforme foi informado nesta PER/DCOMP, na Página 02, campo Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP Desta feita vislumbrase que houve equivoco por parte do fisco em não identificar nas PER/DCOMP's apresentadas que o saldo negativo na apuração do imposto de renda relativo ao ano calendário de 2002, que soma o montante de R$ 9.827.493,78, foi parte dele utilizado na PER/DCOMP n° 00181.50555.1909061.7.022640, valor de R$ 6.176.531,66, remanescendo um saldo a ser utilizado no valor de R$ 3.650.962,12. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 920 4 Obviamente que o crédito utilizado para efetuar a compensação da PER/DCOMP nº 01157.82155.310505.1.7.043061, foi proveniente do saldo remanescente acima demonstrado. Em que pese a elaboração desta PER/DCOMP ter sido transcrita com o tipo de crédito qualificado como Pagamento Indevido ou a Maior, tal fato não impediria o fisco, em razão da Verdade Material outrora mencionada, reconhecer o crédito do contribuinte proveniente do saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, DEVIDAMENTE UTILIZADO na PERD/COMP N°. 01157.82155.310505.1.7.043061. Transparente está que o entendimento do despacho decisório em tela não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente informou em PER/DCOMP. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem Causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. Diante do exposto, resta evidente que o crédito em tela lido foi utilizado em duplicidade, as compensações foram efetivadas dentro do limite do saldo negativo da apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, não remanescendo dúvidas com relação à origem do crédito utilizados nas PER/DCOMP's, como também a análise distorcida do fisco com relação questão, justificase o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. Importante ressaltar que apesar da análise distorcida do fisco com relação à ao pleito em mento, justificase o pedido de compensação pleiteado pela requerente reconhecendo o direito por ser questão de mais lidima justiça. 2. DO DIREITO 2.1. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA E LEGITIMIDADE A Manifestação de Inconformidade é meio de defesa cabível para contestar a não homologação do direito creditório. Decorre precipuamente, do inc. LV da Constituição Federal, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo o direito ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. De outro lado, temse a hipótese da Lei n° 9.430/96, em seu art. 74, §* 9o. Dai inferirse que a presente Manifestação apresentase como a via administrativa mais adequada para promover a tutela pleiteada pela Contribuinte, que é a reforma da decisão que indeferiu a homologação da compensação do crédito ora declarado. 2.2. DA NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO EM VIRTUDE DE ERRO Segundo a melhor doutrina administrativa e a jurisprudência pátria, todo ato administrativo para ser válido deve conter os seus cinco requisitos de validade (competência, finalidade, forma, motivo e objeto) isentos de vícios, de defeitos. Caso um desses elementos apresentese em desacordo com a lei, o ato será nulo. O pressuposto da anulação é que o ato administrativo possua um vicio de legalidade em algum de seus requisitos de formação, podendo e devendo, por este motivo, ser desfeito pela própria Administração Pública, independentemente da provocação do administrado, sob pena de flagrante ilegalidade. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 921 5 Noutros termos, a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5o, L V, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte. PAULSEN, Á VILA e SLIWKA assim se posicionam sobre o assunto: "Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou em efetivo prejuízo à defesa do contribuinte (..)". Grifouse. No caso em tela, o ato administrativo praticado pela autoridade fazendária está eivado de vicio devido a um erro gerado pela analise equivocada da utilização do direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior do período de apuração de junho de 2002, no valor de R$ 1.478.407,86, que acabou sua utilização sendo vista pelo fisco em duplicidade, razão pela qual não foi homologada a compensação pretendida. Ora, por força da natureza constitutiva do pedido de compensa cão, previsto no §6° do art. 74 da lei N° 9.430/96, o ato culminou por gerar crédito tributário imputado indevidamente à Contribuinte, prejudicandoa. Dai podese inferir que, por conta do erro, o ato administrativo praticado pela Administração Pública Fazendária é nulo, especialmente porque atribui Contribuinte obrigação tributária ilegal. A propósito, o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento sobre o assunto através da Súmula 473. Nestes termos, podese concluir que o erro da Administração persiste no fato de ter a autoridade fazendária se baseado em uma informação equivocada, que acabou por negar o direito creditório legitimo, liquido e certo; Motivando o Contribuinte requer que seja o ato administrativo declarado nulo e, por conseguinte, seja a compensação pleiteada homologada, cessando os efeitos da informação fiscal guerreada. 3.0. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA VERDADE MATERIAL Como se sabe, o principio da proporcionalidade busca estabelecer uma relação entre uma finalidade determinada pela ordem jurídica, e os meios que eventualmente são utilizados para atingila. Repelindose a máxima de que os "fins justificam os meios", considerase que o meio utilizado, para ser proporcional, deve ser apto, necessário, e não excessivo, para chegar à finalidade a que se destina. Do contrário, será inconstitucional, por desproporcionalidade, ainda que a finalidade almejada seja licita; além de evitar restrições, que no presente caso, restrição à plena informação tanto do encerramento do primeiro Procedimento Fiscal, bom como a restrição a informação completa no segundo Termo de Ciência de Inicio da Ação Fiscal. O principio da razoabilidade é uma diretriz de senso comum, ou mais exatamente, de bomsenso, aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário a medida que as exigências formais que decorrem do principio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espírito. Enunciase com este principio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racionai, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 922 6 Nesse diapasão, o principio da proporcionalidade ou da razoabilidade ou, ainda, da proibição do excesso ou omissão é o que permite ao intérprete aferir a compatibilidade entre os meios e fins, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas contra os direitos fundamentais. Mostrase, então, irrazoável, na medida em que discrepa da razão ,d o justo, do moderado, do prudente, enfim, do senso comum, não respeitando as formalidades da fundamentações. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. 4. DO PEDIDO Em conformidade com o exposto no presente, assim requer: • Que seja considerado nulo o ato administrativo, consignado a informação fiscal e despacho decisório; • Que seja homologada a declaração de compensação. Anexei as fls. 69/77. A 4° Turma da DRJ/FOR prolatou o Acórdão n° 0818.794, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que, diante da solicitação do crédito em duplicidade, incumbiria à contribuinte retificar uma de suas declarações de compensação, sob pena de indeferimento do pedido respectivo, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Erro de entendimento em despacho decisório é motivo para reformálo, e não para anulálo, por se tratar de matéria de mérito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DUPLICIDADE. Deve a Administração glosar o crédito pleiteado em duplicidade, permanecendo o contribuinte apenas com o crédito requerido no outro PER/DCOMP.” Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, em especial no que se refere à não utilização do direito creditório em duplicidade e a aplicação da verdade material ao caso. Este colegiado, por meio do resolução nº 1102000.253 proferiu decisão, no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja atestada de forma conclusiva e Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 923 7 justificada, se existe saldo passível de utilização de PER/DCOMP nª 00181.50555.190906.1.7.022640, objeto do PA n. 10380.911993/200910, para fins de compensação com os débitos da declaração de compensação deste processo, considerando todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente (a) do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e (b) das estimativas relacionadas. Às fls. 355/361, foi lavrado Relatório Fiscal conclusivo da diligência solicitada por este colegiado. Em atenção ao Relatório de Diligência, o contribuinte apresentou sua Manifestação (fls. 375/642). Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação não homologado por ter sido o crédito considerado compensado em outro documento, sendo inexistente quando de sua transmissão. A decisão deste colegiado sumarizou a problemática, nos seguintes termos: O contribuinte, em 28.06.2002, realizou recolhimento de R$1.478.407,86, correspondente à estimativas de IRPJ relativa ao mês de abril de 2005 (fls. 51). Às fls. 55/56, constatouse que o contribuinte declarou nada dever a título de estimativa no período, o que, conforme entendimento pacífico dessa Corte, caracterizaria pagamento indevido ou a maior passível de restituição ou compensação. Contudo, na ficha 12 da DIPJ daquele anocalendário (fls. 71), a Contribuinte lançou o referido valor a título de recolhimento de estimativa em sua declaração de ajuste, razão pela qual o valor correspondente passou a integrar o saldo negativo de IRPJ do referido período, no montante de R$9.827.493,78. Ao invés de (a) apresentar apenas uma PER/DCOMP para requerer a restituição/compensação de todo o montante por ela mesmo apurado como saldo negativo de IRPJ (no valor de R$ 9.827.493,78) ou, quando menos, (b) retificar suas declarações para excluir do valor do saldo negativo o montante recolhido a título de estimativa em abril de 2005 (R$1.478.407,86), permitindolhe pleitear a devolução de tal estimativa como “pagamento indevido ou a maior”, a Contribuinte apresentou, equivocadamente, (a) uma PER/DComp para restituição do valor integral saldo negativo (PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.022640, no montante de R$9.827.493,78), dos quais alega ter utilizado em compensação apenas o valor de R$6.877.592,91; e (b) outra PER/Dcomp, de nº 01157.82155.310505.1.7.043061, para pleitear a compensação de parte do valor da citada estimativa de IRPJ, como se Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 924 8 pagamento indevido ou a maior fosse, com débitos de estimativa de CSLL relativas ao mês de abril de 2003. É essa última PER/DCOMP, no valor de R$795.020,50, que é objeto de exame neste processo administrativo. Tratase de equívoco, portanto, quando do preenchimento da PER/DCOMP objeto deste processo, porquanto o direito creditório nela mencionado (estimativa de IRPJ) já fazia parte do valor do direito creditório objeto da PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.022640, no montante de R$9.827.493,78 (saldo negativo de IRPJ). Essa última PER/DCOMP é objeto do PA n. 10380.911993/200910. Tal entendimento é ratificado pelo contribuinte, destacando que o equívoco se deu quando da informação na PER/DCOMP sobre a origem do crédito, uma vez que fez a compensação com DARF de pagamento indevido de estimativa, ao invés de fazer esse DARF compor de forma integral o saldo negativo. No entanto, como já apontado pela decisão deste Colegiado, o equívoco de preenchimento em referência não impede o reconhecimento da compensação pleiteada, de tal sorte que uma vez comprovada a existência do crédito, é direito do contribuinte de efetuar sua compensação. Nessa oportunidade, este colegiado colacionou alguns julgados, às fls 241/242. Desta forma, em vista à verificar se o contribuite possui saldo credor na PER/DCOMP n. 00181.50555.190906.1.7.022640, este Colegiado solicitou relatório de diligência conclusivo para que fosse atestado se existe saldo passível de utilização na PER/DCOMP em comento, considerando todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, bem como das estimativas relacionadas. O referido Relatório de Diligência concluiu que há crédito disponível suficiente para acobertas as compensações relativas a presente DCOMP, excetuando a multa de mora no importe de R$ 98.463,08 "Destarte, no tocante as compensações vinculadas aos pagamentos indevidos da estimativa do IR, na presente situação, DCOMP nº 01157.82155.310505.1.7.04 3061 (retificadora), verificase que há o crédito reservado de R$ 532.891,28 no sentido de homologálas, exceto quanto à multa de mora não computada pelo contribuinte, o que culmina no saldo devedor de R$ 98.463,08." No tocante ao valor referente multa de mora, o contribuinte alega que não faz jus, vez que realizou o pagamento antecipado, por meio de compensação, sendo modalidade extintiva do crédito tributário. Desse modo, defende a aplicação no presente caso do instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Concordo com tais alegações, uma vez que a denúncia espontânea de infrações é um instituto que afasta a aplicação de multas quando o contribuinte paga e confessa sua dívida antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Com efeito, verificase que a denúncia espontânea se constitui na declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária de que havia cometido um ilícito tributário, mas que, em razão de seu arrependimento, procedese, de forma espontânea, a Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 925 9 realização da referida obrigação, com os encargos que lhes são devidos, situação na qual o Fisco restará impedido de lhe aplicar tais sanções. Nesse sentido, a denúncia espontânea evita que o fato moratório seja constituído pela autoridade administrativa, ou seja, impede a constituição, de norma individual e concreta, do descumprimento de um dever, o que ocasionaria a implicação das multas. Desse modo, considerando que a Recorrente apresentou a DCOMP, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário em questão, devese, portanto, aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos artigo 138 do CTN. Ademais, considerando que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Aliado a confirmação do direito creditório emitido pelo relatório conclusivo da diligência solicitada pela Colegiado, tendo a mesma atestado sua liquidez e certeza, bem como o afastamento da multa de mora pelo contribuinte em detrimento do instituto da denúncia espontânea, entendo que a compensação pleiteada deve ser homologada. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de homologar a DCOMP nº 01157.82155.310505.1.7.043061 pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10380.720580/201061 Acórdão n.º 1301002.642 S1C3T1 Fl. 926 10 Fl. 926DF CARF MF
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