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Numero do processo: 19515.720305/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. Em face da legislação em vigor, a não apresentação da escrituração contábil impossibilita a determinação do lucro real pelo Fisco, e a imputação de omissão de receitas somente se sustenta sob as regras do lucro arbitrado. REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO VALOR DEVIDO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A adequação do valor exigido à sistemática de apuração do lucro arbitrado não é possível na fase de julgamento por depender da definição dos coeficientes de presunção do lucro e da indicação de outros fundamentos legais para a exigência.
COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. APURAÇÃO EM SISTEMÁTICA NÃO-CUMULATIVA. INSUBSISTÊNCIA. Evidenciada a sujeição da pessoa jurídica ao lucro arbitrado, as exigências reflexas da COFINS e da Contribuição ao PIS formalizadas em sistemática não-cumulativa devem ser canceladas. REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO VALOR DEVIDO NA SISTEMÁTICA CUMULATIVA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A adequação do valor exigido à sistemática cumulativa não é possível na fase de julgamento por depender da indicação de outros fundamentos legais para a exigência.
Numero da decisão: 1101-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Pink Alimentos do Brasil Ltda; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto por Marcos Antônio Miranda Rios, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. Em face da legislação em vigor, a não apresentação da escrituração contábil impossibilita a determinação do lucro real pelo Fisco, e a imputação de omissão de receitas somente se sustenta sob as regras do lucro arbitrado. REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO VALOR DEVIDO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A adequação do valor exigido à sistemática de apuração do lucro arbitrado não é possível na fase de julgamento por depender da definição dos coeficientes de presunção do lucro e da indicação de outros fundamentos legais para a exigência. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. APURAÇÃO EM SISTEMÁTICA NÃO-CUMULATIVA. INSUBSISTÊNCIA. Evidenciada a sujeição da pessoa jurídica ao lucro arbitrado, as exigências reflexas da COFINS e da Contribuição ao PIS formalizadas em sistemática não-cumulativa devem ser canceladas. REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO VALOR DEVIDO NA SISTEMÁTICA CUMULATIVA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A adequação do valor exigido à sistemática cumulativa não é possível na fase de julgamento por depender da indicação de outros fundamentos legais para a exigência.
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Não se conhece de recurso voluntário apresentado pelo devedor principal após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Todavia, são apreciadas as idênticas razões expressas em recurso voluntário tempestivamente interposto por responsável solidário pelo crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. Em face da legislação em vigor, a não apresentação da escrituração contábil impossibilita a determinação do lucro real pelo Fisco, e a imputação de omissão de receitas somente se sustenta sob as regras do lucro arbitrado. REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO VALOR DEVIDO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A adequação do valor exigido à sistemática de apuração do lucro arbitrado não é possível na fase de julgamento por depender da definição dos coeficientes de presunção do lucro e da indicação de outros fundamentos legais para a exigência. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. APURAÇÃO EM SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. INSUBSISTÊNCIA. Evidenciada a sujeição da pessoa jurídica ao lucro arbitrado, as exigências reflexas da COFINS e da Contribuição ao PIS formalizadas em sistemática nãocumulativa devem ser canceladas. REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO VALOR DEVIDO NA SISTEMÁTICA CUMULATIVA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A adequação do valor exigido à sistemática cumulativa não é possível na fase de julgamento por depender da indicação de outros fundamentos legais para a exigência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 05 /2 01 2- 10 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Pink Alimentos do Brasil Ltda; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto por Marcos Antônio Miranda Rios, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA e o responsável tributário Marcos Antônio Miranda Rios, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 02/02/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 123.398.976,08. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 366 a 369) está relatado que a contribuinte, depois de intimada e reintimada por meio de edital (dado ter sido improfícua a tentativa de ciência por via postal), atendeu parcialmente às exigências fiscais. Consta da resposta de fls. 288/305, que além dos atos societários e das Guias de Informação e Apuração do ICMS nos períodos de 2006/2007, a contribuinte apenas apresentou os Livros de Apuração do ICMS e de Registro de Saídas de 2007 e 2008, deixando de apresentar aqueles referentes a 2006, bem como os livros contábeis e arquivos magnéticos de dados contábeis de 2006 a 2008. A intimada informara as contas nas quais manteve movimentação bancária em 2008, mas deixara de apresentar os extratos bancários das correspondentes movimentações, no período de 2006 a 2008, solicitando prorrogação de prazo para apresentação dos elementos restantes. Seguiuse, então, intimação para que a fiscalizada justificasse as diferenças encontradas entre os valores da receita declarada à Receita Federal do Brasil e aquela registrada no Livro de Apuração do ICMS, conforme planilha enviada em anexo, bem como que apresentasse Livro de Apuração de IPI ou informação de sua inexistência, e declaração devidamente assinada pelo representante legal, acompanhada de documentos hábeis e idôneos, que informassem o tipo de industrialização exercida, a identificação dos produtos, a classificação fiscal e a respectiva alíquota de IPI a que estava sujeito nos anoscalendário de 2006 e 2007. Em sua resposta de fls. 308/360, a contribuinte aduziu que fora alvo de uma ação da polícia federal denominada Operação Castelhana, em novembro/2006, que resultou na apreensão de vários de seus documentos, e no seu encerramento de fato, inclusive devido a um “desentendimento” entre os sócios. Reportouse a Termo de Embaraço à Fiscalização que não consta dos autos, decorrente de falta de apresentação de livros contábeis e de documentos relativos à movimentação financeira, afirmando que não houve negativa de apresentação dos documentos, mas sim impossibilidade. Anotou que em 22/02/2011 seu representante comparecera à unidade da Receita Federal para apresentar os Livros Registros de Saídas ainda não entregues, bem como vasta documentação contábil de forma física, do período fiscalizado, o que foi devolvido pelo Auditor Fiscal. Afirmou estar impossibilitada também de apresentar os arquivos contábeis em meio magnético em razão da apreensão de alguns de seus livros em razão do IPL nº 3.338/2006SR/DPF/MG. Acrescentou que a Fiscalização poderia apurar o lucro contábil a partir dos elementos que lhe foram apresentados, que poderia se basear nas informações da Administração Fazendária de Minas Gerais, e que poderia ter solicitado à Justiça Federal a liberação dos livros faltantes. Quanto às diferenças entre as receitas declaradas à Receita Federal e aquelas informadas nos Livros de Apuração de ICMS, disse que eram irrisórias (0,1%) e decorriam de ajustes efetuados após o preenchimento do livro. E, relativamente às operações de Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 5 4 industrialização, informou que não possuía livros de apuração de IPI e que realizara serviço de beneficiamento mais empacotamento e mistura de ingredientes desidratados para obtenção do produto formulado, mais o serviço de empacotamento, apresentando relação dos produtos e classificação fiscal. A autoridade fiscal ainda tentou obter, sem êxito, a entrega de alteração contratual posterior a 22/09/2003, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. Diante deste contexto, apurou omissão de receitas mediante cruzamento de dados contidos nas GIAS, valores declarados em DCTF, e DIPJ. Aplicou multa no percentual de 150%, tendo em vista a reiterada prática da mesma infração, por parte do contribuinte em tela. O demonstrativo de fl. 369 relaciona a base de cálculo informada em GIA de 01/2006 a 12/2007, destaca que foram incluídas outras saídas (pois a exclusão destes valores, em parte ou no todo, só seria possível com exame de todas as Notas Fiscais), e informa que não havia tributos declarados em DCTF e que a DIPJ foi entregue com campos zerados para apuração do tributo. As exigências de IRPJ e CSLL foram calculadas trimestralmente, na sistemática do lucro real, e os lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS formalizados na sistemática nãocumulativa, mediante aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente. Às fls. 361 a 363 está juntado Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em 24/02/2012 contra Marcos Antonio Miranda e Evandro Garcia, no qual a autoridade fiscal descreve não ter localizado a contribuinte em seu endereço, seguindose alegação que suas atividades ocorriam exclusivamente em Belo Horizonte, mas mantendo cadastro inalterado nos arquivos informatizados na Receita Federal. Reportandose aos titulares do capital social da empresa, no valor de R$ 22.900.000,00, disse estar claro que a empresa não tem ativo próprio, uma vez que suas declarações de Imposto de Renda apresentadas nos últimos anos não tem receitas nem ativos, somente o capital registrado, sem qualquer atividade declarada. E prosseguiu: A empresa enquadrada nesta situação é representada pelos sócios responsáveis pelas empresas sócias pessoas jurídicas, e continuam a responder pelo crédito tributário, sendo responsáveis pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa e pelos tributos devidos no período em que a empresa exerceu suas operações comerciais. Citou o art. 210 do RIR/99, destacando a responsabilidade dos administradores de bens de terceiros, pelo imposto devido por estes (inciso I), bem como dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado (inciso VI). Transcreveu, também, os arts. 121, 124 e 135 do CTN, concluindo pela responsabilidade solidária dos sócios antes mencionados pela exigência tributária formalizada nestes autos. Até a apresentação da impugnação, não constava dos autos a data da ciência dos responsáveis tributários. Impugnando a exigência, a autuada argüiu a decadência de parte do crédito tributário em razão do transcurso do prazo previsto no art. 150, §4o do CTN, contestou a ausência de arbitramento dos lucros e a desconsideração das entradas constantes de suas declarações, argumentou que a multa foi qualificada sem provas do intuito de dolo ou fraude, Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 6 5 além de ser confiscatória. Invocou a aplicação da Súmula nº 14 deste Conselho, e pediu a limitação dos juros de mora à taxa de 1% ao mês. O responsável tributário Marcos Antonio Miranda Rios também apresentou impugnação postada em 29/03/2012, alegando não configurada a hipótese de responsabilização contida no art. 135 do CTN, e reiterando as alegações apresentadas pela autuada. A Turma Julgadora acolheu parcialmente estes argumentos, reduzindo a exigência aos valores correspondentes ao arbitramento dos lucros (9,6% e 12% sobre as receitas omitidas, para fins de determinação do IRPJ e CSLL), bem como aplicando as alíquotas de 0,65% e 3% para determinação dos valores devidos a título de Contribuição ao PIS e COFINS. O voto condutor fez referência a julgados deste Conselho que adotaram esta mesma providência. A aplicação de multa qualificada foi mantida, na medida em que a contribuinte, durante dois anos seguidos e em todos os meses do ano, procurou impedir o conhecimento de suas receitas pelas autoridades tributárias federais, uma vez que, a despeito de têlas informados ao Fisco Estadual, apresentou à Receita Federal as suas DIPJ’s totalmente zeradas (fls. 17 a 79), e do mesmo modo procedeu em relação às DCTF’s, nesse caso informando apenas valores de IRRF (fls. 80 a 103). Reportouse a vários julgados deste Conselho que, em tais condições, não aplica a Súmula nº 14, bem como rejeitou a arguição de confisco, ante o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Pela mesma razão afirmou a validade da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. Acolheu parcialmente a argüição de decadência porque, embora a conduta dolosa da autuada remetesse a contagem para o art. 173, inciso I do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, relativamente às apurações do 1o ao 3o trimestre/2006, e às apurações de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro a novembro/2006, seria 01/01/2007, expirandose em 31/12/2011, antes do lançamento formalizado em 09/02/2012. Por fim, afirmou correta a imputação de responsabilidade tributária com base no art. 135, inciso III do CTN, dado que Marco Antonio Miranda Rios consta como único administrador da empresa autuada, e também porque restou comprovada a prática de atos de infração de lei, especificamente a conduta dolosa de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador. Na medida em que o crédito tributário exonerado superou o limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, a decisão foi submetida a reexame necessário. O acórdão acima relatado foi proferido em sessão de 31/05/2012. Devolvidos os autos à Unidade de origem, foram juntadas às fls. 990/994 informações referentes à ciência dos responsáveis solidários, que teriam ocorrido em 16/03/2012 (relativamente a Evandro Garcia, fl. 990) e em 28/02/2012 (relativamente a Marco Antonio Miranda Rios, fl. 993). A intimação do resultado de julgamento foi dirigida ao domicílio tributário da pessoa jurídica e dos responsáveis Marco Antonio Miranda Rios e Evandro Garcia (fls. 1002/1037). As correspondências destinadas à pessoa jurídica e a Evandro Garcia foram devolvidas ao remetente (fls. 1038/1041), mas em 17/12/2012 procurador da pessoa jurídica compareceu à DERAT/SP e foi cientificado pessoalmente da decisão (fls. 1043/1052). Evandro Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 7 6 Garcia foi cientificado por meio de edital afixado em 19/12/2012 e desafixado em 04/01/2013 (fl. 1054) e Marco Antonio Miranda Rios foi cientificado por via postal em 18/12/2012. Em 17/01/2013 a pessoa jurídica autuada e o responsável Marco Antonio Miranda Rios elaboraram e postaram os recursos voluntários de fls. 1056/1071 e 1073/1094, respectivamente. A defesa da pessoa jurídica mostra o mesmo conteúdo de mérito daquela interposta pelo responsável, e se distingue apenas pela ausência das preliminares de tempestividade e de ilegitimidade passiva por ele apresentadas. Pink Alimentos do Brasil Ltda argui a nulidade do lançamento porque não utilizada a metodologia do arbitramento, e diz que o julgador de primeira instância reformulou o lançamento, procedimento de competência exclusiva da autoridade lançadora, na forma do art. 142 do CTN. Diz ser incontestável a necessidade de arbitramento dos lucros, ante a impossibilidade de entrega de demais documentos contábeis, pelos motivos já expostos (apreensão). Questiona, ainda, a aplicação de multa qualificada, porque decorrente de presunção de fraude, sem nexo causal, sem elementos formais e documentais e sem provas da intenção do agente em fraudar o Erário Público. Acrescenta que cumpriu somente as obrigações acessórias (entregas de DCTF), mas não tinha como apurar o valor a ser tributado por não possuir elementos contábeis e financeiros, devido à famigerada apreensão ocorrida em sua sede, caracterizadora de força maior. Diz que o dolo deve ser provado pelos agentes fiscais, e observa que a multa agravada, e até mesmo a multa de 75%, configura verdadeiro confisco por seu montante excessivo e despropositado. Ademais, bastaria a Fiscalização oficiar a Polícia Federal e requerer os documentos pertinentes. Diz que a acusação de fraude fiscal ou a sonegação deve ser embasada em fatos capazes de gerar uma riqueza tributável que não foi tributada e que ficou à margem das declarações apresentadas ao fisco. Ausente prova de receita clandestina ou patrimônio oculto, bem como de vantagem às pessoas envolvidas, a multa não pode ser aplicada apenas como indenização aos cofres públicos, pois cabelhe punir o descumprimento das obrigações e dos deveres jurídicos. Invoca a Súmula CARF nº 14 e reportase a julgados administrativos que afastam agravamento de penalidade fundado em presunção. Ao final, diz ser regular e tempestivo o recurso voluntário, pede a declaração de nulidade do lançamento, e subsidiariamente a redução das multas aplicadas a 75%. Marcos Antônio Miranda Rios reafirma estas razões de mérito, mas preliminarmente defende a tempestividade de seu recurso porque cientificado em 18/12/2012, bem como afirma sua ilegitimidade passiva, dado que o art. 135 do CTN somente cogita da responsabilidade pessoal do administrador no caso específico de afronta à lei, ao contrato social ou ao estatuto, sendo que no art. 137 do CTN, há clara menção ao fato de ser excluída a responsabilidade nos casos em que ressalva, que é exatamente o caso em análise. Observa que o simples não recolhimento de tributo, por si só, não caracteriza infração à lei, como quer deixar a entender a Recorrida, sendo indispensável a prática de atos com excesso de poderes, infração de lei ou de estatuto, o que no caso não ocorreu, pois não foi demonstrado no trabalho fiscal. Invoca os arts. 109 e 110 do CTN para afirmar que não pode o legislador tributário alterar conceitos e/ou institutos de direito privado, tampouco os aplicadores de direito tributário, como, no caso, o Instituto Nacional do Seguro Social. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 8 7 A acusação pretenderia implantar relação jurídica baseada no fato de o recorrente ser sócio quando do surgimento da obrigação tributária, para assim receber os tributos em questão de quem quer que seja sem se ater aos ditames legais. Afirma que não agiu com excesso de mandato, infração à lei ou estatuto social, e que nestas condições o art. 137 do CTN exclui sua responsabilidade. Reportase a decisões do Superior Tribunal de Justiça neste sentido e complementa distinguindo o inadimplemento de uma administração temerária e fraudulenta da qual resulte a perda das condições financeiras de recolher os tributos. Ao final, diz ser regular e tempestivo o recurso voluntário, pede o acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva e a declaração de nulidade do lançamento, bem como, subsidiariamente a redução das multas aplicadas a 75%. O despacho de encaminhamento de fl. 1096 observa que a avaliação da tempestividade do recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica cabe a este Conselho, bem como ressalta que houve interposição de recurso de ofício pela Delegacia de Julgamento. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O recurso voluntário apresentado por Pink Alimentos do Brasil Ltda não reúne os requisitos legais para ser admitido. Consoante relatado, em 17/12/2012 o procurador da pessoa jurídica Pink Alimentos do Brasil Ltda foi cientificado pessoalmente da decisão proferida pela DRJ/São Paulo I. Todavia, seu recurso voluntário somente foi elaborado e apresentado em 17/01/2013. O Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de 1ª instância (art. 33), devendose ter em conta que, a teor do seu art. 5º, parágrafo único, os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Evidenciada a ciência em 17/12/2012 (segundafeira), o prazo para recurso voluntário tem sua contagem iniciada em 18/12/2012 (terçafeira) e finda em 16/01/2013 (quartafeira). Contudo, como visto, a peça de defesa foi elaborada e apresentada em 17/01/2013. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. É certo que a intimação dos sujeitos passivos indicados na autuação somente foi concluída em 18/12/2012, quando cientificado, por via postal, o responsável Marcos Antônio Miranda Rios. Contudo, não se cogita, aqui, da prorrogação do termo inicial da contagem previsto no art. 241, inciso III do Código de Processo Civil, na medida em que os arts. 14 e 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem o prazo para apresentação de impugnação e recurso voluntário unicamente a partir da data em que feita a intimação. Neste sentido, também, é a interpretação exteriorizada pela Secretaria da Receita Federal por meio da Portaria RFB nº 2284/2010: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Todavia, restando intempestivo o recurso voluntário, a ausência de tal requisito de admissibilidade impede que o litígio se instaure, o que torna o órgão julgador incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas naquela petição. O presente voto, portanto, é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Pink Alimentos do Brasil Ltda em razão de sua intempestividade. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 10 9 De outro lado, Marcos Antônio Miranda Rios somente foi cientificado da decisão de 1a instância em 18/12/2012, de modo que seu recurso voluntário, também elaborado e apresentado em 17/01/2013, é tempestivo. Preliminarmente, o recorrente afirma sua ilegitimidade passiva porque a infração aqui constatada, por configurar simples não recolhimento de tributo não ensejaria a aplicação do disposto no art. 135 do CTN. Desta forma, a preliminar argüida depende da apreciação do mérito da exigência, por ele questionado nos mesmos termos da devedora principal. Como relatado, a autoridade fiscal, sem conseguir obter os livros contábeis da empresa autuada, apurou omissão de receitas mediante cruzamento de dados contidos nas GIAS, valores declarados em DCTF, e DIPJ (cujos campos estavam zerados), e calculou o IRPJ e a CSLL trimestralmente na sistemática do lucro real, bem como a Contribuição ao PIS e a COFINS na sistemática nãocumulativa. Sobre os valores devidos aplicou multa no percentual de 150%, tendo em vista a reiterada prática da mesma infração, por parte do contribuinte em tela. A Turma Julgadora, entendendo tratarse de hipótese de arbitramento dos lucros, apenas reduziu a exigência aos valores correspondentes à aplicação dos coeficientes de 9,6% e 12% sobre as receitas omitidas, para fins de determinação do IRPJ e da CSLL, respectivamente, bem como recalculou os débitos de Contribuição ao PIS e COFINS mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente. Não há dúvida, diante do contexto presente nos autos, que os livros contábeis não foram apresentados pela empresa durante o procedimento fiscal. A contribuinte apresentou apenas atos societários, Guias de Informação e Apuração do ICMS, Livros de Apuração do ICMS e de Registro de Saídas de 2007 e 2008. Há notícia, inclusive, de lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização, que não foi juntado aos autos, no qual teria sido afirmada a falta de apresentação de livros contábeis e de documentos relativos à movimentação financeira do período fiscalizado, e em razão do qual a contribuinte alegou que a esmagadora maioria de seus documentos físicos e informatizados foram apreendidos em ação da polícia federal denominada Operação Castelhana, em novembro/2006. A contribuinte até teria tentado apresentar vasta documentação contábil, de forma física, mas que não teria sido aceita pelo auditor responsável. Na seqüência, as intimações fiscais subseqüentes buscaram, apenas, a entrega de alteração contratual posterior a 22/09/2003, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, e a autuação, em conseqüência, se fez com base nas receitas informadas ao Fisco Estadual. A resposta de fl. 383 é taxativa: Os livros diários e razão não foram apresentados devido à apreensão e impossibilidade de se apurar saldos e calcular a parte tributária. As DIPJ referentes aos anoscalendário 2006 e 2007, juntadas às fls. 17/79, foram apresentadas apenas em 12/11/2009, na sistemática do lucro real trimestral, mas sem o preenchimento de quaisquer informações nas fichas de apuração do faturamento, do lucro e do patrimônio da pessoa jurídica. Tendo em conta as informações assim prestadas pela contribuinte, estas DIPJ foram entregues quando ela não mais dispunha de sua escrituração contábil para ali transcrever os registros pertinentes. Esta Conselheira já se manifestou contrariamente à apuração, em tais circunstâncias, do IRPJ e da CSLL segundo as regras do lucro real, e da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática nãocumulativa. Este entendimento, acolhido à unanimidade por Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 11 10 esta Turma de Julgamento em sua antiga composição, está refletido nos acórdãos nº 1101 000.734 e 1101000894, assim ementados: OMISSÃO DE RECEITAS. [...]. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Em face da legislação em vigor, a não apresentação dos livros e documentos fiscais impossibilita a determinação do lucro real pelo Fisco, e a imputação de omissão de receitas somente se sustenta sob as regras do lucro arbitrado. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. APURAÇÃO EM SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. INSUBSISTÊNCIA. Evidenciada a sujeição da pessoa jurídica ao lucro arbitrado, as exigências reflexas da COFINS e da Contribuição ao PIS formalizadas em sistemática nãocumulativa devem ser canceladas. Isto porque o art. 530, inciso III, do RIR/99, estabelece que o imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. De fato, o IRPJ e a CSLL incidem sobre o lucro da empresa, e, desta forma, não se pode admitir a aplicação direta da alíquota sobre as receitas apuradas, sem a prévia determinação da base tributável, como aqui fez a autoridade lançadora, ao formalizar tais exigências na sistemática do lucro real trimestral. O lucro, riqueza tributável pelo IRPJ e pela CSLL, pode ser determinado a partir dos registros contábeis ou de forma presumida. A primeira delas, considerando todas as operações do contribuinte, sofrerá os ajustes determinados em lei e resultará no lucro real e na base de cálculo da CSLL, sobre os quais incidirão os tributos mencionados. Neste sentido, a lei exige que a escrituração do contribuinte abranja todas as suas operações e os resultados apurados em suas atividades no território nacional. Em caso de opção pelo lucro real, tal escrituração deve estar reproduzida nos Livros Diário e Razão, e ainda ser suportada pelas informações escrituradas nos livros fiscais especificados na legislação. Logo, a tributação segundo a sistemática do lucro real não pode prescindir da escrituração contábil e fiscal. Diante desses elementos, há que se reconhecer a perfeita subsunção dos fatos apurados pela fiscalização à hipótese legal de arbitramento da base de cálculo do tributo, definida no art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (negrejouse). Conforme bem elucidado por Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 137/152, a palavra arbitramento foi utilizada neste Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 12 11 contexto na acepção de base de cálculo substitutiva, ou seja, de substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação – correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência tributária construído a partir do texto constitucional – por uma outra, subsidiária, em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade destes fornecerem critérios seguros para a mensuração do fato. Nestes casos, a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. Decorre daí que caracterizada a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, determina a Lei que a base de cálculo originalmente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por uma outra legalmente prevista (lucro arbitrado) e, nas palavras da autora (p. 138/139): Parecenos inequívoca a existência de vinculação na função administrativa de constatar de forma direta ou indireta a ocorrência do fato jurídico tributário. Vinculado, também, é o dever de arbitrar, ao passo que discricionário é o procedimento administrativo que, com base em juízo próprio, elege como base de cálculo uma das grandezas possíveis previstas na Lei. ................................................................................................................. A questão da discricionariedade tornase relevante quando nos deparamos com a ocorrência de fato jurídico descritor de evento típico provado de forma direta ou indireta, mas que não permite a identificação da grandeza daquilo que a Lei dispõe como sendo a base de cálculo, ensejando assim a aplicação do atonorma de arbitramento. (negrejouse). Nestes termos, a impossibilidade de comprovação direta da base de cálculo originária é condição necessária e suficiente para a aplicação do arbitramento. Arbitrar a base de cálculo do tributo, nestes casos, é deverpoder da Administração Tributária, previsto no anteriormente transcrito art. 148 do CTN. Portanto, em face da legislação em vigor, demonstrada a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, a imputação de omissão de receitas somente se sustenta sob as regras do lucro arbitrado. Em conseqüência, quanto às exigências de Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe observar o que dispõem as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que limitam a apuração na sistemática nãocumulativa às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: [...] II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 13 12 [...] II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; [...] O voto condutor da decisão recorrida, porém, firmou entendimento diverso, afirmando possível a redução do crédito tributário devido. Para maior clareza, transcrevese o excerto do voto no qual este aspecto é abordado: Reconhecida a necessidade de se apurar o lucro arbitrado, e não tendo sido este o procedimento utilizado pela fiscalização, resta saber se o julgador deve cancelar inteiramente as exigências do IRPJ e da CSLL, ou se é possível reduzir a base de cálculo utilizada, para aquela decorrente da aplicação dos percentuais de arbitramento. Creio que a segunda opção é a que se impõe. O arbitramento do lucro, como é sabido, não constitui penalidade imposta ao contribuinte, mas tão somente uma forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir das receitas auferidas pelo sujeito passivo, quando conhecidas. Se pensarmos em termos da Regra Matriz de Incidência Tributária do IRPJ, o arbitramento apenas afeta o seu critério quantitativo, restando incólumes todos os outros. Dessa forma, entendo ser possível ao julgador diminuir a base de cálculo do tributo e por consequência o crédito tributário lançado, quando constata uma incorreção no seu dimensionamento. Não há nesta hipótese imputação de nova infração, uma vez que são utilizadas as mesmas receitas consideradas como omitidas pela Fiscalização e não contraditadas pelo contribuinte. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu desta forma, senão vejamos: Acórdão 140200.456 – sessão de 25.02.2011 CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. O resultado do julgamento foi no sentido de: Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 14 13 (...) dar parcial provimento ao recurso, para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita caracterizada pela soma dos depósitos bancários (R$ 9.027.296,60). [...] Também não se pode dizer que ao modificar desta forma a base de cálculo do IRPJ e da CSLL estaria este julgador cerceando a defesa do contribuinte, pois ele mesmo argumenta que deveria ter sido arbitrado o lucro. Além disso, o percentual a ser aplicado à receita bruta conhecida neste caso é de 9,6%, conforme artigo 15, caput c/c artigo 16 da Lei nº 9.249/95, para o IRPJ, percentual este também admitido pelo impugnante. No caso da CSLL, o percentual a ser aplicado é de 12%, nos termos do artigo 20 da mesma lei. Com relação ao PIS e à COFINS, cabe também efetuar ajustes, desta vez nas alíquotas aplicadas, já que o lançamento foi realizado considerando as alíquotas correspondentes ao regime da não cumulatividade, quando, no caso de arbitramento dos lucros, deveriam ter sido consideradas aquelas que correspondem ao regime cumulativo. Isto porque, nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003 (leis que trouxeram à luz o regime não cumulativo), as pessoas jurídicas que apuram o IRPJ pelo lucro arbitrado permanecem sujeitas à legislação então vigente (do regime cumulativo): [...] As alíquotas do regime cumulativo estão previstas no artigo 8º da Lei nº 9.715/98 (PIS) e no artigo 8º da Lei nº 9.718/98 (COFINS): Lei nº 9.715/98 Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: Izero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento; Lei nº 9.718/98 Art.8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Portanto, reduzo a base de cálculo do lançamento do IRPJ e da CSLL, aplicando os percentuais de arbitramento de 9,6% e 12%, respectivamente, bem como reduzo as alíquotas do PIS e da COFINS para os percentuais de 0,65% e 3%, respectivamente. Esta Conselheira entende que não é possível promover, apenas, a redução do crédito tributário lançado em tais circunstâncias. Isoladamente, a maior parte dos argumentos expostos no voto condutor da decisão recorrida e sob reexame são irrefutáveis: o arbitramento é apenas forma de apuração e não constitui penalidade; o arbitramento apenas afeta o critério quantitativo da regra matriz de incidência; constatada incorreção no dimensionamento da base de cálculo do tributo, o julgador pode diminuíla; utilizadas as mesmas receitas consideradas omitidas não há imputação de nova infração. Todavia, não há como afastar a hipótese de cerceamento do direito de defesa dos autuados. Embora os impugnantes tenham argumentado que o lucro deveria ter sido arbitrado, observase que para assim proceder a autoridade julgadora estipulou que o coeficiente de arbitramento para determinação da base de cálculo do IRPJ seria 9,6%, Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 15 14 apontando o enquadramento legal correspondente (artigo 15, caput c/c artigo 16 da Lei nº 9.249/95), e para a CSLL de 12%, nos termos do artigo 20 da mesma lei. De forma semelhante, ao estipular os novos valores devidos a título de Contribuição ao PIS e de COFINS, especificou o novo enquadramento legal da exigência: art. 8º das Leis nº 9.715/98 e 9.718/98. Assim, não se trata de mera redução de base de cálculo (no caso do IRPJ e da CSLL) ou de adequação da alíquota (no caso da Contribuição do PIS e da COFINS). A autoridade julgadora de 1a instância inovou a exigência ao também alterar o enquadramento legal que, como se vê nos autos de infração de fls. 370/413, é distinto do que restou assim afirmado. Vejase, aliás, que a exigência de IRPJ e de CSLL aponta como fundamento legal o art. 24 da Lei nº 9.249/95, o qual estabelece em seu caput que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. E, para afirmar que a contribuinte submetiase, nos períodos fiscalizados às regras do lucro arbitrado, a autoridade julgadora também teve de invocar, como fundamento da exigência remanescente, o art. 47 da Lei nº 8.981/95 (que fundamenta o art. 530 do RIR/99, antes citado), escolhendo, dentre as oito hipóteses ali enunciadas, aquelas contidas nos incisos III e VII do dispositivo legal. Impossível afirmar, em tais circunstâncias, que a contribuinte não teria o direito de debater nas duas instâncias administrativas de julgamento o coeficiente adotado para arbitramento dos lucros e o enquadramento legal determinante das formas de apuração adotadas na decisão recorrida. Vejase, aliás, que a adequação do crédito tributário exigido foi viável porque a contribuinte apresentou DIPJ com apuração trimestral do lucro real, coincidente com a periodicidade do lucro arbitrado. Em situação outra, na qual a opção original da contribuinte fosse o lucro real anual, sendo esta observada pela Fiscalização no lançamento, a adequação da forma de tributação ensejaria, inclusive, débitos com vencimentos anteriores àquele inicialmente estabelecido no lançamento. Por sua vez, o paradigma invocado pela decisão recorrida e sob reexame afirmou, a partir do questionamento acerca da credibilidade de uma contabilidade que declararia receitas de apenas R$ 981.503,60, contra depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 9.027.296,60, que o art. 47, inciso II da Lei nº 8.981/95 determinaria o arbitramento do lucro porque a escrituração era imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, assim representando uma imposição e não mera faculdade. Reputando inquestionável a hipótese de arbitramento, o voto condutor propôs a redução da base tributável do IRPJ e da CSLL a 9,6% da receita apurada, sem debater a possibilidade de alteração da forma de apuração do lucro inicialmente adotada pela autoridade lançadora. Diante destas circunstâncias, esta Conselheira mantém seu posicionamento anterior, no sentido de que não observada a forma de apuração imposta pela lei para apuração do lucro tributável, bem como para exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS, a exigência deve ser considerada improcedente, devendo ser mantida a exoneração procedida pela autoridade julgadora de 1a instância e exonerado o remanescente por ela mantido. Esclareçase que esta Conselheira concorda com a exoneração do crédito tributário promovida na decisão de 1a instância, e apenas diverge de seu fundamento. Logo, a Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 16 15 conclusão da decisão de 1a instância, neste ponto sob reexame, está correta, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício. Por tais razões, não subsistindo crédito tributário exigível, é desnecessário apreciar os demais argumentos do recorrente acerca da responsabilidade que lhe foi imputada. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, relativamente aos recursos voluntários, NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto por Pink Alimentos do Brasil Ltda e CONHECER do recurso voluntário interposto por Marcos Antônio Miranda Rios, para lhe DAR PROVIMENTO, exonerando integralmente a exigência aqui formalizada e, por conseqüência, afastando a responsabilidade pelo crédito tributário que lhe foi imputada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720305/201210 Acórdão n.º 1101000.906 S1C1T1 Fl. 17 16 Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10907.720141/2011-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
PROVA EMPRESTADA. FABRICANTE OU ESPECIFICAÇÃO DIVERGENTE.
A utilização de laudo transladado de outro processo só é possível quando tratar de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação.
LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
Estando o lançamento calcado em presunção legal juris tantum, cabe à defesa o ônus da prova em contrário.
MULTAS. BIS IN IDEN.
A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden.
MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO.
O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública.
MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Esteve presente ao julgamento o Dr. Carlos Roberto C. Parreira, OAB/DF nº 38.358.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 PROVA EMPRESTADA. FABRICANTE OU ESPECIFICAÇÃO DIVERGENTE. A utilização de laudo transladado de outro processo só é possível quando tratar de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento calcado em presunção legal juris tantum, cabe à defesa o ônus da prova em contrário. MULTAS. BIS IN IDEN. A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden. MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública. MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário negado.
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FABRICANTE OU ESPECIFICAÇÃO DIVERGENTE. A utilização de laudo transladado de outro processo só é possível quando tratar de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento calcado em presunção legal juris tantum, cabe à defesa o ônus da prova em contrário. MULTAS. BIS IN IDEN. A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden. MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública. MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei. Recurso de Ofício Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 01 41 /2 01 1- 53 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Esteve presente ao julgamento o Dr. Carlos Roberto C. Parreira, OAB/DF nº 38.358. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por descrever os fatos com clareza e fidelidade, adoto o relatório do Acórdão 26.264 da 1ª Turma da DRJ – Florianópolis, in verbis: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 11.887.211,94, referentes a imposto de importação, juros de mora (calculados até 30/06/2011), multa proporcional (75%) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1%, classificação fiscal incorreta). A interessada por meio das declarações de importação (DI’s) nº 09/02896690, 09/02896797, 09/02897050, 09/05498334, 09/11189496, 09/11189933, 09/13866592, 10/02172812, 10/02173061, 10/04433109, 10/14303534, 10/18222865, 10/22405146, 11/01055253, 11/03917244 (fls. 75 a 367) submeteu a despacho mercadorias a granel e descritas como Fosfato Diamonico 1846 (DAP) granulado com teor de arsênio superior ou igual a 6 mg/kg (fl. 16), classificandoas no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3105.30.10: 3105 ADUBOS OU FERTILIZANTES MINERAIS OU QUÍMICOS, CONTENDO DOIS OU TRÊS DOS SEGUINTES ELEMENTOS FERTILIZANTES: NITROGÊNIO, FÓSFORO E POTÁSSIO; OUTROS ADUBOS OU FERTILIZANTES; PRODUTOS DO PRESENTE CAPÍTULO APRESENTADOS EM TABLETES OU FORMAS SEMELHANTES, OU AINDA EM EMBALAGENS COM PESO BRUTO NÃO SUPERIOR A 10kg. 3105.30 Hidrogenoortofosfato de diamônio (fosfato diamônico ou diamoniacal) 3105.30.10 Com teor de arsênio superior ou igual a 6mg/kg Relata a fiscalização (fls. 16 a 25) que por ocasião da conferência aduaneira relativa à declaração de importação n° 10/02173169, cuja mercadoria possui mesma natureza (classificação e descrição) das mercadorias em apreço, foi solicitada a emissão de laudo técnico para aquela mercadoria. O perito designado atestou que Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.720141/201153 Acórdão n.º 3403002.283 S3C4T3 Fl. 6 3 não foi detectado arsênio (As) no produto, conforme resposta ao quesito n° 6 do Laudo Técnico Aduaneiro (fls. 43 a 46). Com base em tal constatação a fiscalização considerou que o exportador emitiu documento (Certificado de Análise) com informação incorreta. Assim, considerando o resultado do Laudo Técnico Aduaneiro (fls. 43 a 46), e nos textos das posições da NCM, regras de classificação fiscal, a fiscalização concluiu que a mercadoria não pode ser classificada no código da NCM declarado pela interessada. Assim, com base nas informações acima e nas regras de classificação fiscal, a fiscalização reclassificou as mercadorias para o código da NCM 3105.30.90: 3105 ADUBOS OU FERTILIZANTES CONTENDO DOIS OU TRÊS DOS SEGUINTES ELEMENTOS FERTILIZANTES: NITROGÊNIO, FÓSFORO E POTÁSSIO; OUTROS ADUBOS OU FERTILIZANTES; PRODUTOS DO PRESENTE CAPÍTULO APRESENTADOS EM TABLETES OU FORMAS SEMELHANTES, OU AINDA EM EMBALAGENS COM PESO BRUTO NÃO SUPERIOR A 10kg 3105.30 Hidrogenoortofosfato de diamônio (fosfato diamônico ou diamoniacal) 3105.30.90 Outros Com base em procedimento de revisão aduaneira a fiscalização identificou que a interessada descrevera de forma semelhante, em outras declarações de importação, mercadorias de mesma natureza. Assim, com base no artigo 667 do Decreto nº 6.759/09 tais mercadorias foram presumidas idênticas às mercadorias objeto do Laudo Técnico Aduaneiro (fls. 43 a 46). Tendo em vista que a alíquota do imposto de importação, prevista para o código da NCM considerada correta, é maior que o do código da NCM declarada nas DI’s objeto de revisão, a fiscalização lançou a diferença dos tributos e respectivos consectários, aplicou também a multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 380 a 399, anexando os documentos de folhas 400 a 461. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, no caso dos autos não pode ser adotado laudo emprestado, tratamse de mercadorias de diversos fabricantes, há nulidade na autuação. Há limitações legais a serem observadas quando do uso de prova emprestada, conforme consignado no Decreto nº 70.235/72, artigo 30; Que, o Marrocos possui 3/4 das reservas mundiais de fosfato, é o primeiro exportador mundial e o terceiro produtor depois dos Estados Unidos e da Rússia. O Estado, através de sua empresa, é o único explorador deste setor, e os principais centros de produção são as minas de Khouribga, Yousoufia, Bem Grir e Boukraa. Logo, não é difícil presumir que as características do produto originário de cada uma das minas e vendido pela empresa do Estado de Marrocos para os diversos produtores e exportadores podem ser distintas. Assim, a análise sobre uma importação não se presta para determinar o teor de arsênio em todas as demais, especialmente se originárias de outro País e de outros produtores; Que, a confirmação do teor de arsênio deve ser realizada individualmente, por laudo em amostra do produto importado em cada declaração de importação; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Que, traz jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema; Que, nos autos há outro laudo, produzido por perito credenciado pela RFB e que indica a presença de arsênio. Tal fato demonstra inequivocamente que as mercadorias importadas em cada operação não são exatamente idênticas, não sendo possível concluir que o teor de arsênio é invariável. Tal fato demonstra a imprescindibilidade da análise física de cada produto importado; Que, a multa tem caráter confiscatório; Que, houve indevida imposição de dupla penalidade em razão da mesma conduta; Requer seja a impugnação recebida, conhecida e provida para o fim de julgar nulo/insubsistente o auto de infração; Posteriormente à apresentação da impugnação, a interessada aditou sua impugnação, folhas 464 a 466, anexando os documentos de folhas 467 a 479. Em síntese traz as seguintes informações: Que, a impugnante contratou o laboratório TASQA Serviços Analíticos Ltda., para fazer a análise técnica do produto importado do fabricante “BUNGE MARCOC PHOSPHORE” por ocasião da DI nº 11/03917244, tendo sido identificado o teor de arsênio superior a 6 mg/kg. Anexa o laudo, do qual tomou conhecimento após a apresentação da impugnação inicialmente apresentada; Requer a juntada do laudo. (...)” A 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Florianópolis julgou a impugnação procedente em parte. Entendeu aquela turma de julgamento que o “laudo emprestado de outro processo” só pode ser aplicado nas condições estabelecidas no art. 30, § 3º, “a”, do Decreto nº 70.235/72, ou seja, somente no caso de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. Com base nesse entendimento foi mantida a autuação por presunção em relação à declarações de importação 10/02172812 (fls. 214 a 228) e 10/02173061 (fls. 353 a 367), por se referirem ao mesmo fabricante e a produtos com a mesma especificação. Foi mantida também a atuação sobre a declaração de importação 10/14303534, em razão do laudo técnico específico para esta importação (fls. 262 a 270) ter sido conclusivo no sentido de que o teor de arsênio é menor do que 1 mg/Kg. Foi decidido também que o produto importado nessas condições (teor de arsênio menor do que 6 mg/Kg) classificase sob o código 3105.30.90 – outros (alíquota de 6%), por força da aplicação da RGI nº 1 combinada com a RGC nº 1, e não no código 3105.30.10 (alíquota zero) adotado pelo contribuinte. Em relação às demais declarações de importação, foi decidido que a recorrente conseguiu elidir a presunção estabelecida no art. 667 do Decreto nº 6.759/2009 pelos seguintes motivos: 1) os certificados de análise emitidos pelo exportador, e apresentados ao Ministério da Agricultura por ocasião dos despachos demonstram claramente a existência de variações percentuais nos componentes. Esses documentos comprovam que, embora a descrição do produto nas declarações de importação sejam semelhantes, as mercadorias efetivamente importadas possuem, em razão de sua própria natureza e forma de produção, variações percentuais em seus componentes; e 2) o laudo apresentado pela defesa em aditamento à impugnação (fls. 467 a 479) e referente à declaração de importação nº 11/03917244 (também objeto da autuação) demonstra que não é possível ratificar o entendimento de que todas as mercadorias importadas em operações diversas daquela objeto do Laudo Técnico Aduaneiro (fls. 43 a 46) possuem as mesmas características identificadas naquele laudo. Foram mantidas as multas proporcionais incidentes sobre o imposto não recolhido e sobre o valor aduaneiro, Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.720141/201153 Acórdão n.º 3403002.283 S3C4T3 Fl. 7 5 sob a justificativa de que o princípio da legalidade impede o julgador administrativo de cogitar da aplicação dos princípios do nãoconfisco e da proporcionalidade. Foi rechaçada a alegação de que as duas multas estão sendo aplicadas para penalizar o mesmo fato. Houve a interposição de recurso de ofício por parte do presidente da turma julgadora. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 28/11/2008, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/12/2011, no qual atacou a decisão recorrida na parte em que adotou o laudo técnico de outro processo para as declarações de importação 10/02178212 e 10/02173061. Disse que é necessária a produção de laudo específico, pois o laudo emprestado viola seu direito de defesa. Além disso, o fato de as mercadorias terem origem no mesmo fabricante, não justifica o uso da prova emprestada, pois o fabricante não é obrigado a produzir sempre o mesmo produto e com as mesmas especificações técnicas, sendo comum que produza seus produtos de acordo com as exigências do mercado atendendo às solicitações de seus clientes. Quanto às multas, renovou as alegações no sentido de possuírem efeito confiscatório e de serem desproporcionais à infração cometida, além de estarem incidindo sobre o mesmo fato. Requereu o acolhimento de suas razões para o fim de que seja reformada a decisão de primeira instância e cancelado o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal de admissibilidade, posto que o valor exonerado pela decisão recorrida a título de imposto e multa de ofício superou em cerca de nove vezes o limite de alçada. Em relação ao recurso de ofício, verificase que a decisão de primeira instância cancelou a exigência com base na presunção “juris tantum” do art. 667 do Decreto nº 6.759/2009 (matriz legal no art. 68 da Lei n° 10.833/2003) em relação às declarações de importação em que os produtos tinham especificação diferente ou que o exportador não era o mesmo exportador consignado na declaração de importação nº 10/02173169, em razão do disposto no art. 30, § 1º, “a”, do Decreto nº 70.235/72. Realmente, o art. 30, § 1º, “a”, do Decreto nº 70.235/72, assim estabelece: “Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. (...) § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação;(...)” Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Segundo narrou a fiscalização, o importador consignado na declaração de importação nº 10/02173169, que originou o laudo técnico de fls. 43 a 46, utilizado como parâmetro para estabelecer a presunção relativa de identidade das mercadorias é BUNGUE MAROC PHOSPHORE S/A (vide fls. 18 e 36). Por outro lado, os certificados de análise emitidos pelos fabricantes que foram apresentados à fiscalização agropecuária na época das importações (fls. 91, 92, 145, 146, 165, 166, 209, 210, 246, 247, 273, 274, 294, 295, 315, 316, 331, 332, 348 e 349) comprovam que os produtos apresentam composição variável, fato que por si já afasta a presunção de identidade dos produtos em razão da descrição semelhante nas declarações de importação. As únicas declarações de importação que apresentam o mesmo fabricante (MAROC PHOSPHORE S/A) e produtos com especificações semelhantes às constantes do certificado de análise emitido pelo exportador da declaração de importação 10/02173169 (fls. 68/69), que deu origem ao laudo técnico utilizado como parâmetro para estabelecer a presunção, são as declarações 10/02172812 (fls. 214/228) e 10/02173061 (fls. 353/367). As demais foram corretamente excluídas pela decisão de primeira instância, pois não preenchem de forma concomitante os requisitos de possuírem a mesma especificação e serem oriundas do mesmo fabricante. Chamo a atenção para um lapso manifesto cometido pelo relator do acórdão de primeira instância na fl. 488 do seu voto. Ao indicar as declarações de compensação em relação às quais ele manteve o lançamento, foi repetida por duas vezes a declaração de importação 10/14303534 e omitida a declaração de importação 10/02173061. Entretanto, o erro pode ser verificado examinandose a fl. 487, onde está consignado com todas as letras que o lançamento foi mantido em relação às declarações de importação 10/02172812; 10/02173061; e 10/14303534. Em relação às duas primeiras declarações o lançamento foi mantido com base na presunção não elidida do art. 667, do Decreto nº 6.759/2009 e, em relação à última, foi mantido com base em prova pericial comprobatória de que o teor de arsênio do produto importado era menor do que 6 mg/Kg. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e ratificar a exoneração tributária efetuada pela 1ª Turma da DRJ – Florianópolis. Relativamente ao recurso voluntário, alegou o contribuinte que o fabricante não é obrigado a produzir sempre o mesmo produto e com as mesmas especificações técnicas. Assim, no entender da recorrente, a aplicação da prova emprestada às declarações de importação nº 10/02172812 e 10/02173061 viola seu direito de defesa, pois o caso requer a elaboração de laudos específicos para comprovar que as informações fornecidas pelo fabricante não correspondem às reais especificações do produto. A utilização, por parte da fiscalização, do laudo técnico aduaneiro emprestado não violou o direito de defesa da recorrente, pois o art. 68 da Lei nº 10.833/2003 estabelece uma presunção juris tantum. A defesa teve duas oportunidades de apresentar a prova em contrário capaz de elidir a presunção relativa. A primeira na impugnação e a segunda no recurso voluntário. Não tendo elidido a presunção legal, não há reparo a fazer no acórdão de primeira instância. Quanto às multas, alegou o contribuinte que ocorreu bis in idem, uma vez que a fiscalização aplicou 75% a título de multa e ofício e 1% a título de multa regulamentar, mas ambas teriam incidido sobre o mesmo fato que foi o erro cometido na classificação fiscal. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.720141/201153 Acórdão n.º 3403002.283 S3C4T3 Fl. 8 7 Não procede a alegação de bis in idem. Isto porque a multa de ofício no patamar de 75% incidiu sobre a falta de recolhimento do imposto e puniu o fato jurídico “falta de recolhimento do imposto”. Por sua vez, a multa regulamentar de 1% incidiu sobre o valor aduaneiro da mercadoria, base de cálculo completamente distinta daquela sobre a qual incidiu a multa de ofício, e sua inflição puniu o fato jurídico “erro de classificação fiscal da mercadoria”. Como se vê, no auto de infração foram aplicadas duas multas distintas, as quais puniram dois fatos distintos e que incidiram sobre bases de cálculo distintas, não havendo que se falar em dupla punição pelo mesmo fato. Ainda com relação às multas, alegou o contribuinte a violação dos princípios da proporcionalidade e da não utilização de tributo com efeito de confisco. O princípio da não utilização de tributo com efeito de confisco tem origem constitucional e como bem apontou a turma de julgamento da DRJ, seu destinatário imediato é o legislador ordinário e não a administração pública. Estando as duas multas ora infligidas com as respectivas bases de cálculo e alíquotas estabelecidas em lei, só cabe à administração verificar se estão ou não presentes os pressupostos de fato para suas incidências. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, seja em grau de declaração, seja em grau de mero reconhecimento de que a lei é inconstitucional (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do RICARF). No que tange ao princípio da proporcionalidade, também não é possível aplicálo ao caso concreto, pois as leis que instituíram as duas multas não estabeleceram gradação e, tampouco, elegeram critérios que permitissem à fiscalização ou aos órgãos administrativos de julgamento efetuarem a dosimetria da pena. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15215.720181/2011-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2010
COMPENSAÇÃO. GLOSA.
Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
As contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria estão sujeitas a juros e multa de mora conforme disposto na Lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2403-001.863
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. As contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria estão sujeitas a juros e multa de mora conforme disposto na Lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 81 /2 01 1- 15 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720181/201115 Acórdão n.º 2403001.863 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte , Acórdão 0236.707 da 8ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado contra o Município de Mendes Pimentel Prefeitura Municipal que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 15 a 23, referese à contribuição destinada à Seguridade Social decorrente da glosa de compensação indevidamente considerada pelo contribuinte, no período de 01/2009 a 09/2010. Informa a auditora fiscal que o contribuinte compensou contribuições incidentes sobre valor pago a exercente de mandato eletivo (Lei 8.212/1991, artigo 12, inciso I, alínea “h”), sem, no entanto, observar os seguintes prérequisitos: comprovação do efetivo recolhimento indevido; regularidade fiscal; prévia retificação de todas as GFIP em que foram informadas inicialmente as remunerações dos exercentes de mandato eletivo; prazo prescricional de cinco anos, a partir do pagamento indevido; decisão judicial definitiva transitada em julgado. Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$1.514.329,03. Consta do Relatório Fiscal que para as declarações (GFIP) entregues a partir de 4/12/2008, além dos valores glosados, está sendo aplicada a multa de 0,33% ao dia (máximo de 20%) e para as compensações relativas a créditos inexistentes está sendo cobrada a multa isolada de 150% sobre o total do débito indevidamente compensado, conforme MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Legalidade e regularidade da compensação. · Cobrança cumulada de juros e SELIC. É o relatório Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720181/201115 Acórdão n.º 2403001.863 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. COMPENSAÇÃO – EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO Segundo a recorrente, os valores compensados correspondem aos recolhimentos incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos no período de 02/1998 a 18/09/2004. Reconhecese a não incidência de tributação sobre a remuneração de exercentes de mandato eletivo até 18/09/2004, em razão de ter sido considerada inconstitucional a alínea “h” do inciso I, do art. 12 da Lei nº 8.212/91, pelo STF, no RE 351.7171, e suspensa pela Resolução 26/2005, do Senado Federal. Ocorre que, segundo o Relatório Fiscal, o que motivou a glosa da compensação foi a não observação dos seguintes requisitos: § comprovação do efetivo recolhimento indevido; § regularidade fiscal; § prévia retificação de todas as GFIP em que foram informadas inicialmente as remunerações dos exercentes de mandato eletivo; § prazo prescricional de cinco anos, a partir do pagamento indevido e § decisão judicial definitiva transitada em julgado. As irregularidades apontadas pela fiscalização não foram impugnadas. Para as questões acima, o acórdão recorrido assim manifestouse: Como informado no relatório fiscal, item 2.5.6 e demonstrado no anexo “PLAN C2”, fls. 118 a 120, a fiscalização verificou que nem todas as contribuições que o contribuinte quer compensar sob o argumento de recolhimento indevido, sequer foram quitadas, como discriminado abaixo: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Prefeitura: de 02/1998 a 12/1998 – não constam recolhimentos através de GPS e embora exista o processo 35.023.9576, as bases de cálculo levantadas para parcelamento são menores do que as remunerações pagas ao prefeito no período; De 01/1999 a 08/1999 – embora conste parcelamento de agentes, a prefeitura não declarou ou declarou com valores irrisórios as respectivas GFIP, não havendo possibilidade de confirmação de recolhimentos dos agentes políticos; Em 06/2001 a 01/2002 – a prefeitura não transmitiu as respectivas GFIP; Em 07/2001 e 11/2001, 12/2002 e 12/2003 – não houve recolhimentos sobre as remunerações pagas aos seus agentes políticos (prefeito e viceprefeito); Câmara: De 01/1999 a 08/1999 e de 01/2001 a 12/2002 – embora conste parcelamento de agentes políticos, a Câmara não transmitiu ou declarou com valores irrisórios e/ou como “sem/movimento” as respectivas GFIP, não havendo possibilidade de confirmação de recolhimento dos agentes políticos; De 06/2002, 03/2003, 05/2003 a 06/2003 – não transmitiu as respectivas GFIP. Quanto a regularidade fiscal do Município de Mendes Pimentel, condição necessária para efetuar compensação, na forma da Instrução Normativa RFB 900/2008, artigo 44, § 1º, relatou a auditora fiscal no item 2.5.8, fl. 18, que, no período de 02/1998 a 06/2006 (início da compensação): A prefeitura, além das competências onde as GFIP não foram apresentadas ou o foram com valores irrisórios, impossibilitando a conferência, não efetuou todos os recolhimentos relativos às competências 07/1999, 08/1999, 11/2001 e 12/2002. Quanto a Câmara, impossibilitada a conferência da regularidade fiscal nas competências onde as GFIP não foram apresentadas, foram apresentadas com valores irrisórios ou apresentadas com informação “sem movimento”. Além disso, o autuado não retificou as GFIP para exclusão dos agentes políticos e respectivas remunerações, a Prefeitura, no período de 01/1999 a 01/2000, de 03/2000 a 09/2000, 12/2000, 06/2001, 01/2002 e 09/2004, e a Câmara, no período de 01/1999 a 09/2004, (item 2.5.9 do Relatório Fiscal, fl. 18) como determinado na Portaria MPS 133/2006 (artigo 4º) e Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006 (artigo 6º, inciso I, § 4º) e não respeitou o prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 253, inciso I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720181/201115 Acórdão n.º 2403001.863 S2C4T3 Fl. 5 7 pelo Decreto 3.048/1999 (itens 2.5.13 a 2.5.16, fl. 19, competências anteriores a 06/2001). Citadas irregularidades não foram impugnadas pelo Município, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, na forma do Decreto 70.235/1972, artigo 16, inciso III. Considerando que a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional; que o mesmo diploma legal, por meio dos artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; que as regras específicas são objeto de lei ordinária; que a legislação exige para a compensação créditos líquidos e certos provenientes de valores pagos ou recolhidos indevidamente e que não houve comprovação do efetivo recolhimento indevido, temse como correta a glosa efetuada. CTN: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Lei n. 8.212/91: “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 COBRANÇA CUMULADA DE JUROS E SELIC. A recorrente questiona os juros aplicados. Verificase no lançamento a presença do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, que informa os dispositivos legais que fundamentaram o lançamento de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores, conforme abaixo. 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.08 Competências : 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 09/2010 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Entendo que os juros cobrados estão de acordo com o ordenamento legal. Cabe citar que conforme Decreto 70,235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720181/201115 Acórdão n.º 2403001.863 S2C4T3 Fl. 6 9 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16832.001031/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida.
ARBITRAMENTO DO LUCRO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
O lucro deve ser arbitrado quando a autuada não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, podendo a base de cálculo ser apurada pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
TRANSFERÊNCIAS DE MESMA TITULARIDADE.
Devem ser excluídos da base de cálculo os valores referentes às transferências de recursos de outras contas correntes de mesma titularidade.
:DECORRÊNCIAS. CSLL , PIS, COFINS.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1202-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Andrada Marcio Canuto Natal (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ELETRONICOS SOFTWARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. ARBITRAMENTO DO LUCRO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. O lucro deve ser arbitrado quando a autuada não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, podendo a base de cálculo ser apurada pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. TRANSFERÊNCIAS DE MESMA TITULARIDADE. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores referentes às transferências de recursos de outras contas correntes de mesma titularidade. :DECORRÊNCIAS. CSLL , PIS, COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 10 31 /2 00 9- 71 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Andrada Marcio Canuto Natal (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 16832.001031/200971 Acórdão n.º 1202000.955 S1C2T2 Fl. 245 3 Relatório Tratase de autos de infração (fls. 72/112) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, somados a multa de ofício e juros, referentes ao ano calendário de 2006. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 21/22), foi constatada omissão de receitas caracterizada por depósitos encontrados nas contas correntes da Recorrente, cujas origens não foram comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Ademais, em decorrência da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração contábil da Recorrente, efetuouse o arbitramento do lucro da empresa, com base nos artigos 530, inciso III, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999). Também efetuouse o lançamento do crédito tributário decorrente de omissão de receitas referente à diferença maior apurada, mensalmente, entre os valores levantados a partir dos depósitos bancários cuja origem e contabilização não foram comprovadas e a receita efetivamente declarada, constante na declaração de rendimentos relativa ao anocalendário de 2006. Cientificada da lavratura dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação, utilizando, em síntese, os seguintes argumentos: Com relação à desconsideração do lucro presumido, alega que não restou demonstrada a ocorrência das hipóteses previstas na lei para adoção do lucro arbitrado. No caso, a autoridade autuante considerou a regra do arbitramento sem explicar os motivos e fatos que fundamentaram a autuação, tendo citado apenas o artigo 530, inciso III do RIR/99, que trata da hipótese em que o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou Livro Caixa. Garante que disponibilizou todos os livros contábeis e fiscais, e os documentos de suporte no curso do procedimento de fiscalização, ignorando eventuais vícios e deficiências em sua escrituração. Quanto à omissão de receitas, alega que os Autos de Infração estão pautados em indícios, cuja validade é questionável, pois depósitos bancários jamais poderiam caracterizar, de forma isolada, rendimentos tributáveis, cabendo ao Fisco evidenciar a causalidade entre cada um deles e os fatos que estejam a refletir omissão de rendimentos; O Auditor Fiscal não teria considerado os custos e despesas realizados pela empresa para adquirir e repassar os produtos encomendados, já que as receitas declaradas correspondiam à diferença entre os valores cobrados dos encomendantes e os custos e despesas necessários à aquisição e entrega de tais produtos. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que houve por bem julgar procedente em parte a Impugnação apresentada pela Recorrente, nos seguintes termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. ARBITRAMENTO DO LUCRO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. O lucro deve ser arbitrado quando a autuada não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, podendo a base de cálculo ser apurada pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. TRANSFERÊNCIAS DE MESMA TITULARIDADE. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores referentes às transferências de recursos de outras contas correntes de mesma titularidade. DECORRÊNCIAS. CSLL , PIS, COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese os seguintes argumentos: O arbitramento do lucro somente se justifica quando a autoridade autuante depende dos livros contábeis ou fiscais para quantificar a infração apurada. No caso concreto, não era necessário arbitrar o lucro para efeito de apuração dos tributos devidos em função da receita considerada omitida, visto que a autuação independe dos livros contábeis ou fiscais para ser quantificada; em primeiro lugar porque foi efetuada com suporte em depósitos bancários e, em segundo lugar, porque a Recorrente era optante pelo lucro presumido e bastava aplicar o percentual de 8% sobre a suposta receita bruta omitida para apurar o tributo devido. Traz julgados que defendem que a mera falta de contabilização de movimentação bancária indica possível omissão de receitas operacionais, mas que por si só não prestam para justificar o arbitramento do lucro. Quanto à omissão de receitas, alega que os Autos de Infração estão pautados em indícios, cuja validade é questionável, pois depósitos bancários jamais poderiam caracterizar, de forma isolada, rendimentos tributáveis, cabendo ao Fisco evidenciar a causalidade entre cada um deles e os fatos que estejam a refletir omissão de rendimentos; O acórdão recorrido contém um vício insanável, pois a relatora do processo extrapolou a sua competência de julgar ao aperfeiçoar o lançamento, visto que teria procedido à alteração da fundamentação legal da atuação, por ter indicado o dispositivo legal que permite Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 16832.001031/200971 Acórdão n.º 1202000.955 S1C2T2 Fl. 246 5 a caracterização de omissão de receitas com base em depósitos bancários, isto é, o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. È o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 6 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas pela Recorrente. Primeiramente, em relação ao arbitramento do lucro, não merecem prosperar os argumentos da Recorrente no sentido de que não era necessário no presente caso a análise dos livros contábeis para que a D. Autoridade efetuasse os lançamentos. Tanto é assim que, ao contrário do que alega a Recorrente, a mesma declarou às fls. 20 que os documentos e livros contábeis haviam sido extraviados e, portanto, não era possível apresentálos. O artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/1999) estabelece expressamente os livros que deverão ser guardados aos optantes do regime de tributação do lucro presumido – que é o caso da Recorrente. Vejamos: “Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único).” Conforme demonstrado, a Recorrente não apresentou nenhuma escrituração contábil no decorrer do procedimento fiscalizatório, mesmo após intimada diversas vezes para apresentar referidos documentos. Sendo assim, não observou a regra contida no artigo acima transcrito, o que deu fundamentação à apuração do seu lucro pelo regime arbitrado. O artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, dispõe expressamente sobre o arbitramento do lucro no caso de contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido que deixarem de apresentar os livros contábeis. Vejamos: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º): (...) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 16832.001031/200971 Acórdão n.º 1202000.955 S1C2T2 Fl. 247 7 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” Sendo assim, é incontroverso que a D. Autoridade Fiscal agiu nos exatos termos da lei ao aplicar o arbitramento do lucro para determinação dos tributos devidos pela Recorrente, não havendo que se falar, portanto, em ilegalidades na autuação. A jurisprudência deste E. Conselho é vasta neste sentido. Vejamos: “ARBITRAMENTO DO LUCRO EXERCÍCIOS DE 2000 E 2001 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado pelo lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros comerciais e fiscais ou o Livro Caixa ou quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para apurar a base de cálculo do imposto.(...) Recurso improvido.(Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10515374 do Processo 13603002277200461, Data: 09/11/2005)” (não grifado no original) “RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ LUCRO ARBITRADO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARAAPRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E RESPECTIVA DOCUMENTAÇÃO INDISPENSÁVEIS À OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A não apresentação dos livros obrigatórios e da documentação correspondente, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a conferência dos valores tributados, restando como única alternativa o arbitramento dos lucros. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizamse omissão de receitas da pessoa jurídica, os valores creditados em contacorrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por se tratar de presunção legal, compete ao contribuinte apresentar a prova para elidila. MULTA QUALIFICADA Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. MULTA MAJORADA LUCRO PRESUMIDO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS NECESSÁRIOS À APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO CONSEQÜENTE ARBITRAMENTO A falta de atendimento ou o atraso por parte do contribuinte, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade fiscal para a apresentação de livros e de documentos solicitados, autoriza o agravamento da multa de ofício, desde que a irregularidade apurada seja decorrente de matéria questionada na referida intimação. Não é cabível a majoração da multa quando o contribuinte, tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, deixa de atender à intimação e tem o seu lucro arbitrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Tratandose de exigência fundamentada na irregularidade apurada em ação fiscal realizada no âmbito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, a partir de 1°/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.(Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10195030 do Processo 10830011076200211, Data: 16/06/2005)(não grifado no original) Portanto, concordo com a decisão da DRJ/RJI e considero correto o arbitramento do lucro da Recorrente para determinação dos tributos devidos no presente caso. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 8 Em relação à presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, a própria legislação dispõe expressamente sobre a possibilidade de referida presunção, de modo que não devem prosperar os argumentos da Recorrente ao tentar afastar a legalidade da presunção de omissão de receitas neste caso. Vejamos o que dispõe o artigo 42 da Lei 9.430/96: “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” É incontestável, portanto, a possibilidade de a D. Autoridade Fiscal efetuar o lançamento de tributos baseada na presunção de omissão de receitas nos casos em que forem encontrados valores creditados nas contas correntes do contribuinte sem que este tenha conseguido comprovar as respectivas origens. Cumpre ressaltar que em tais casoso ônus de provar a origem dos valores considerados como omissão de receitas é do próprio contribuinte, de forma que, se não o provar, dará ensejo ao lançamento. Portanto, concordo com a decisão da DRJ e mantenho os lançamentos pautados na presunção de omissão de receitas em decorrência dos valores encontrados nas contas correntes da Recorrente, cujas origens não foram devidamente comprovadas. Neste sentido, já decidiu a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “(...) LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA "Caracterizamse tambémomissãodereceitaou de rendimento os valores creditados em conta de depósito, ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações", hipótese em que existe a inversão do ônus da prova,por lei, que transfere ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente,por expressapresunçãolegal (art. 42 da Lei 9430/1996). Recurso Parcialmente Conhecido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 40400797, data: 03/03/2008) (não grifado no original) “IRPJ LUCRO REAL Cabível a tributação daomissãodereceitaapurada em separado no ano 1995, conforme prevista nos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92. ARBITRAMENTO ADMISSIBILIDADE Para que se caracterize a divergência jurisprudencial é necessário que se demonstre contradição com decisão de outra Câmara deste Conselho. Incabível a configuração da divergência se o aresto tido por divergente verse sobre situação fática e jurídica distinta da apreciada nos autos.OMISSÃODERECEITADE DEPÓSITOS NÃO CONTABILIZADOS Configurada a prática de omissãodereceita, é procedente a quantificação dareceitaomitida com base em depósitos efetuados em conta não registrada na contabilidade da pessoa jurídica.OMISSÃODERECEITADA DIFERENÇA ENTRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTOS CONTABILIZADOS ESCRITURAÇÃO FISCAL PRESUNÇÃOSIMPLES os fatos registrados na Contabilidade da pessoa jurídica são presumidamente verdadeiros até que se prove o contrário. É ônus do Fisco indicar quais os lançamentos contábeis presentes nos Livros Fiscais que não mereçam fé. Pela teoria das provas, os autuantes devem reunir elementos que permitam refutar os enunciados produzidos pela pessoa jurídica e emprestar certeza ao fato constitutivo de seu direito. A fiscalização não apresentou um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento e que afaste possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. IRPJ E CSLL OMISSÃODERECEITAS Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 16832.001031/200971 Acórdão n.º 1202000.955 S1C2T2 Fl. 248 9 APROVEITAMENTO DE CUSTOS Os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias levantados pela fiscalização com relação direta à apuração daomissãodereceitasdetectada pela falta de escrituração da movimentação bancária devem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Recurso especial do contribuinte parcialmente provido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 40105531, data: 19/09/2006)(não grifado no original) Por fim, a Recorrente alega que o acórdão da DRJ/RJI estaria eivado de vícios, tendo em vista que o Ilustre Julgador teria inovado a base legal dos lançamentos efetuados, ao justificar a manutenção dos referidos lançamentos baseado no artigo 42 da Lei 9.430/96, dispositivo este que não teria sido utilizado como base legal pelas D. Autoridades Fiscais ao efetuar os lançamentos. Neste ponto, também não assiste razão à Recorrente. Não há que se falar em inovação pelo Ilustre Julgador da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro I, pois o mesmo apenas utilizou uma previsão expressa em lei para justificar o seu voto. Em nenhum momento teve como objetivo inovar o lançamento efetuado pela D. Autoridade Fiscal, mas tão somente justificar através de base legal o seu entendimento. Portanto, em vista de todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO
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Numero do processo: 13963.000533/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA -ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO.
Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea a da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
TERCEIROS
As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência.
MULTA
É correta a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35, II da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores válida para as competências até 11/12008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. MULTA É correta a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35, II da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores válida para as competências até 11/12008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 05 33 /2 01 0- 35 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13963.000533/201035 Acórdão n.º 2302002.578 S2C3T2 Fl. 99 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, AIOP, foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 23/06/2010 e referese às contribuições arrecadadas para as Terceiras entidades incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, frente à desconsideração da prestação de serviço por interposta pessoa jurídica, no período de 01/2006 a 12/2008 O relatório fiscal, fls. 35/41, dá conta da existência de uma estrutura empresarial com duas empresas, uma, a recorrente, e outra, a PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. EPP, inscrita no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, que detêm a mão de obra necessária ao processo produtivo, embora a receita seja auferida pela recorrente, causando evidente prejuízo aos cofres da previdência social, posto que pela simulação existente, não houve recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos segurados que efetivamente prestaram serviços à autuada. Desta forma, foram constituídos na autuada os créditos previdenciários relativos à folha de pagamento da empresa interposta, quanto à parte patronal e terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, bem como o autos de infração por descumprimento de obrigação acessória. Após a impugnação, Acórdão de fls.74/77, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) ilegitimidade passiva porque não perpetrou qualquer ação fraudulenta, não possuindo qualquer correlação com a empresa Palmeira Indústria e Comércio Ltda.; b) que não possuía dever legal de efetuar qualquer declaração ou pagamento ao fisco pois não é empregadora dos funcionários contidos neste auto de infração; c) que a multa de ofício não pode ser aplicada, porquanto o período lançado é anterior à Lei n.º 11.941/2009, que introduziu o art. 32 A à Lei n.º 8.212/91. Requer a declaração de nulidade do auto de infração e a sua extinção. Alternativamente, requer a exclusão da multa de ofício. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. De acordo com o relatório fiscal da notificação, o crédito previdenciário decorre da situação fática existente e relatada pela fiscalização no que concerne a descaracterização dos serviços prestados por empresa interposta. As evidências descritas pelo auditor fiscal e às quais nos reportamos, já que compõem o relatório e por economia processual deixamos de aqui copiálas, dão conta de que a empresa interposta PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP Não possui patrimônio, sendo que o local aonde funciona, as instalações, equipamentos e recursos materiais são cedidos pela autuada,inclusive o seu endereço constante do contrato social pertence à METALÚRGICA YANI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. A fiscalização relata que a empresa PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP presta serviços exclusivamente para a autuada, com total dependência econômica e subordinação a esta, não incorrendo nos riscos próprios da atividade empresarial. Os segurados, cujos contratos de trabalho foram celebrados com a PALMEIRA, prestam serviço de forma habitual em funções de administração, supervisão gerência, chefia de serviço nas áreas de manutenção projetos, produção, financeiro, controle de qualidade, recursos humanos, almoxarifado, limpeza e motoristas na recorrente, de forma que todas as atividades exercidas pela recorrente o são através dos empregados registrados na empresa PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP. É inócua a assertiva do recorrente de que não há qualquer correlação sua com a empresa PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP e que nada deve informar ou recolher relativo a encargos com os empregados daquela, posto que restou evidenciado pelo relatório fiscal que a prestação de serviço se resumiu ao fornecimento de mão de obra (empregados) para o exercício de funções que se subsumem ao conceito de segurado empregado, porque prestadas com subordinação, pessoalidade, oneração e não eventualidade, sendo essenciais ao funcionamento da recorrente. Todas as atividades desempenhadas retratam que os segurados estão subordinados às regras e diretrizes impostas pela recorrente para a consecução de seu objetivo social. É notório que uma empresa não vai delegar funções próprias ao desenvolvimento de seu processo produtivo a terceiros prestadores de serviço, que não teriam qualquer obrigação quanto à subordinação, obediência ou prestação de contas de seus atos para a recorrente. Consta ainda do relatório fiscal informações quanto aos cartões ponto que são batidos num único aparelho de propriedade da recorrente, localizado no portão de entrada do estabelecimento da mesma, onde os serviços são prestados. Que a administração de ambas empresas é feita por EDILENE JANETE FERNANDES PACHECO e MARISTELA DA SILVA FERNANDES BORGES. Que EDILENE JANETE FERNANDES PACHECO, foi sócia da recorrente e hoje é funcionária, gerente de compras e procuradora da PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP, que é esposa do sócio administrador da recorrente e filha de sócia administradora da empresa PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP. Já, MARISTELA DA SILVA FERNANDES BORGES foi sócia da empresa Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13963.000533/201035 Acórdão n.º 2302002.578 S2C3T2 Fl. 100 5 PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP e atualmente é funcionária, gerente administrativa e procuradora da PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP.. É também esposa de outro sócio da METALÚRGICA YANI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e filha de sócia administradora da empresa PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP. Tais constatações demonstram que há identidade e unicidade no comando das empresas. Também, ambas empresas contam com o mesmo contador e chefe de Recursos Humanos, assim como os chefes de serviço empregados da PALMEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.EPP, tem como subordinados empregados da YANI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Não foram apresentadas notas fiscais de prestação de serviço, tampouco contrato de prestação de serviços, sob alegação de que não os possuíam. O fisco também diz que os encargos com a folha de pagamento mensal da prestadora de serviço é superior a sua receita, de forma que somente se viabiliza a sua operação, porque toda a mão de obra é de fato assumida pela recorrente. Por todos os dados constantes do processo é possível aferir que os serviços são prestados por empresa interposta na contratação formal de mão de obra, servindo para a recorrente se elidir do pagamento da cota patronal da contribuição previdenciária. Desta forma, correta está a constituição do crédito previdenciário na suposta tomadora do serviço, porque restou demonstrado que a força obreira está a seu serviço. Foi desconsiderada a prestação de serviço através da empresa interposta, por todas as circunstâncias, motivos e evidências relatadas na autuação, para considerar toda a mão de obra empregada no processo produtivo da recorrente como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. LEI N.º 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifei). O referido art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. No inciso I estão as situações de enquadramento dos segurados empregados, sendo que a relação pactuada nos contratos desconsiderados nessa notificação pode ser observada na alínea "a" (idêntica redação do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.º 8.212/91): Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). A desconsideração da empresa prestadora de serviços, decorreu da realidade fática encontrada pela fiscalização, qual seja, a existência de relação de emprego entre as pessoas físicas e a empresa ora autuada. E, diante de tal situação, a fiscalização previdenciária Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13963.000533/201035 Acórdão n.º 2302002.578 S2C3T2 Fl. 101 7 tem o poderdever de perquirir acerca da real natureza da relação de trabalho para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA. PRELIMINAR SUPERADA. OBJETO DA AÇÃO ORIGINÁRIA: ANULAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA CARACTERIZAR RELAÇÃO DE EMPREGO. FUNDAMENTO DA SENTENÇA E DO ACÓRDÃO (RESCINDENDO) DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" (ART. 3O, DA LEI N.º 7.787/89). CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO (ART. 485, IX, DO CPC). DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA E NOVO JULGAMENTO. DETENÇÃO PELO INSS DE PODERES PARA RECONHECER RELAÇÃO DE EMPREGO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE PROVA ACERCA DA CONDIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO, A INFIRMAR A AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. ... 6 .A FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL DETÉM PODERES PARA PERQUIRIR ACERCA DA NATUREZA DA RELAÇÃO DE TRABALHO QUE VINCULA DUAS OU MAIS PESSOAS, PARA FINS DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA, CONFORME SEJA O CASO. A ATUAÇÃO INVESTIGATIVA DOS FISCAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ESTÁ VOLTADA AO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, À PERFECTIBILIDADE DE EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS. O RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, PARA ESSA FINALIDADE ESPECÍFICA, NÃO TRANSBORDA PARA ALCANÇAR A GERAÇÃO DE EFEITOS TRABALHISTAS, DA MESMA FORMA QUE NÃO PODE FICAR ATRELADO AOS RESULTADOS QUE DECORRERIAM DE EVENTUAL CONTENDA NA JUSTIÇA ESPECIALIZADA, ALTERCAÇÃO ESTA CUJO AJUIZAMENTO FICA NA DEPENDÊNCIA DA VONTADE DO EMPREGADO. A IDENTIFICAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO, NA VIA ADMINISTRATIVA, CONSTITUI UMA FASE PRÉVIA E INDISPENSÁVEL AO LANÇAMENTO DO TRIBUTO PELO AGENTE ARRECADADOR. 7 .HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SE, DA REALIDADE FÁTICA, EMERGE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, NÃO HÁ COMO DEIXAR DE SE RECONHECER OS EFEITOS QUE DELA DECORREM PELO FATO DE NÃO ESTAR, A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, DOCUMENTALMENTE REGISTRADA COM ESSA CONFIGURAÇÃO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 8 .DEMONSTRADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, PELAS PROVAS COLIGIDAS AOS AUTOS, NÃO INFIRMADAS PELA PARTE RÉ. 9 .PROCEDÊNCIA DO JUDICIUM RESCISSORIUM. (AR 2675 PE, Ac. TRF 500066668, Pleno, dec. unân. De 25/09/2002, DJ de 02/12/2002, pág. 575, Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti). Impossível negarse a existência de "prejuízo" para a Previdência Social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feitos, já que não há recolhimento de contribuições previdenciárias na relação havida entre duas pessoas jurídicas. Por derradeiro, é de se ressaltar que a autoridade lançadora não se baseou em meros indícios, mas sim em um conjunto de documentos e outros elementos observados durante a fiscalização. Salientamos que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal que permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através da empresa interposta para com a recorrente. Podese verificar que os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da autuada, são efetuados nas dependências dessa, mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. Também, o Tribunal Superior do Trabalho já se pronunciou pela ilegalidade da contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador, quando existente a pessoalidade e subordinação, como no presente caso. Enunciado do TST Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74). Reiteramos que a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. Quanto a aplicação da multa, é de se ver no Discriminativo Analítico do Débito, fls. 05/10 , que até a competência 11/2008, foi aplicada a multa de mora assim como disposto pelo artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Para a competência 12/2008, foi corretamente aplicada a multa de ofício, em virtude da vigência do artigo 35A da Lei n.º 8.212/91, introduzido pela Medida Provisória MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009. Quanto a alegação da recorrente de que o período do débito é anterior à Lei n.º 11.941/2009, é de se ver que: medidas provisórias, de acordo com a nova redação do artigo Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13963.000533/201035 Acórdão n.º 2302002.578 S2C3T2 Fl. 102 9 62 da Constituição Federal, dada pela Emenda Constitucional 32/2001, são “providências que o Presidente da República poderá expedir, com ressalva de certas matérias nas quais não são admitidas, em caso de relevância e urgência, e que terão força de lei, cuja eficácia, entretanto, será eliminada desde o início se o Congresso Nacional, a quem serão imediatamente submetidas, não as converter em lei dentro do prazo que não correrá durante o recesso parlamentar de 120 dias contados a partir de sua publicação". Assim, quanto à vigência, a MP começa a vigorar imediatamente após sua edição, o que faz a multa de ofício ser aplicada já para a competência 12/2008. No que se refere à exação constante desta autuação, qual seja as contribuições arrecadadas para os Terceiros, temos que de acordo com o artigo 94 da Lei n.º 8.212/91, o INSS tinha a competência de arrecadar e fiscalizar tais contribuições. Com a edição da Lei n.º 11.098/2005, passou ao Ministério da Previdência Social a competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento e foi autorizada a criação da Secretaria da Receita Previdenciária. Posteriormente, com a Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, ocorreu a fusão entre a Secretaria da Receita Federal (SRF) e a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), sendo criada a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, a Lei n.º 11.457/2007, em seu artigo 3º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil para planejar , executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros, mediante retribuição do percentual de 3,5% do montante arrecadado: Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Portanto, o crédito referente às contribuições arrecadadas para as Terceiras Entidades está bem suportado na legislação vigente à época do fato gerador, não incorrendo em qualquer ilegalidade. Pelo exposto, Voto pelo por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10183.001933/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de
Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre
inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2).
AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME PRÓPRIO - LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, de 1996
- Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a
qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula 1° CC n° 14)
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.194
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME PRÓPRIO - LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos. a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula 1° CC n° 14) Recurso provido em parte. Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. / (r/7/N ' LSOg A - Presidenteen /( 'ttYL v r;11. NO LI P0i5,4A;‘\IEZ — Relator FORMALIZAD J EM. 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Heloisa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARIA DAS GRAÇAS COUTINHO LOPES, foi lavrado, em 29/05/2006, o auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física-IRPF de fls. 371/375, que exige o recolhimento de R$ 109.284,96 a titulo de imposto, R$ 163.927,44 a título de multa proporcional (passível de redução) e R$ 56.270,82 a título de juros de mora, calculados até 28/04/2006. O lançamento fiscal refere-se à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) de fls. 373/375 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 376/383. Cientificada do em 30/06/2006, a contribuinte foi regularmente cientificada do lançamento e apresentou impugnação (fls. 394/408), acompanhada dos documentos de fls. 409/427, alegando, resumidamente, que: Os fatos ocorreram de forma bastante diversa daquela narrada pela autoridade autuante, tendo em vista que ela era responsável, à época dos supostos fatos geradores omitidos, pela compra de eqüinos para o Frigorifico KING MEAT ALIMENTOS DO BRASIL L TDA., e, em virtude de tal incumbência e na forma exigi da pela citada empresa, recebia em sua conta corrente os valores que o Fisco ora pretende tributar; Comprovar individualizadamente a origem de cada depósito realizado em sua conta corrente ao longo do exercício de 2002, embora inexigível pela legislação vigente à época dos fatos, não é tarefa das mais fáceis, o que vem tomando o tempo e o sono daquele que foi conduzido a trabalhar nos moldes preestabelecidos pela empresa KING MEAT ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, sem ter idéia da dimensão jurídica de tal ato; A empresa inicialmente citada, KING MEAT ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., adquiriu da empresa METAX - METALURGIA COMÉRCIO E AGRICULTURA LTDA, sediada na cidade de Apucarana - PR, 1 (uma) balança para bovinos MB-1.500. Na seqüência, a balança lhe foi remetida em comodato, no intuito de que a mesmo, juntamente com seu esposo, atuassem em nome do Frigorifico na compra de eqüinos para posterior abate, sendo que os valores referentes às sucessivas aquisições de animais eram remetidos diretamente na conta corrente da impugnante ou de sua esposa, como pagamento pelos animais por eles adquiridos e pesados por ordem do frigorifico; É o próprio frigorifico quem admite a realização de vários depósitos na sua conta corrente para que fossem repassados aos "tropeiros", pessoas encarregadas da arrecadação de eqüinos para abate, provando cabalmente que ambos lidavam, sempre, com recursos de terceiro (no caso, do frigor(fico) e nunca próprios; 3 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 4 Falece competência tributária à União para tributar fato gerador diverso da renda e dos proventos de qualquer natureza, de tal sorte que a inovação ou equiparação veiculada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, regulamentada pelo Decreto n° 3.000/99 é flagrantemente inconstitucional, sendo imperativo o seu reconhecimento; No que atine ao Imposto de Renda, conforme preconiza o art. 37 do Decreto n? 3.000/99, passíveis de incidência são as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa fisica, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Não havendo permissão de ordem constitucional para a equiparação promovida pela Lei 9430/96 em seu famigerado art. 42; Basta a existência da menor dúvida sobre a base de cálculo precisa da obrigação tributária, para que o ato administrativo que a teria criado seja absolutamente nulo, por não observar o princípio basilar da legalidade tributária, sendo nas palavras dos professores e ilustres doutrinadores, "ineficaz de pleno direito, por absoluta inconstitucionalidade" ; Nem todo depósito à vista em banco comercial é rendimento, provento ou incremento patrimonial líquido, e mesmo que o fosse, poderia ser ainda isento ou não tributado. Sendo assim, é evidente que também tais valores não podem ser "base de cálculo" de imposto sobre a renda, cuja definição legal é o aumento da renda econômica da pessoa fisica, implicando, em conseqüência, em aumento patrimonial líquido individual; A autoridade lançadora não demonstrou a existência de sinais exteriores de riqueza, incompatíveis com a renda declarada pelo impugnante, para utilizar-se dos registros em seu nome encontrados junto à instituição bancária, não podendo arbitrá- los como sendo rendimentos omitidos à tributação, ou seja, o lançamento não se sustenta por inexistir comprovação da existência de acréscimo patrimonial a descoberto; Não se pode desconsiderar que a impugnante não está legalmente obrigada a registrar seus movimentos bancários; O Decreto 3.000/99 determina que sejam mantidos os documentos que deram respaldo aos valores declarados por um período de 5 (cinco) anos, porém, em nenhum momento exige, salvo o caso de atividade rural (art. 60) e de trabalho não assalariado, o movimento em livro caixa, ou seja, a memória dos fatos ocorridos a cada evento (depósito). Somente se houvesse esses registros, via movimento de caixa ou registro contábil, poderia a contribuinte apontar pormenorizadamente a origem dos depósitos realizados em sua conta corrente; A obrigação acessória a que •está sujeito a impugnante é de apenas manter os documentos que respaldam os registros da DIPF, não havendo qualquer previsão para manter registros 4 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 5 contábeis, única forma de explicar detalhadamente a movimentação realizada através de depósitos; Se excessiva e desproporcional é a pretensão de tributar os depósitos cuja origem não foi comprovada pela impugnante, sem que a mesma fosse obrigada a registrá-los para eventual comprovação futura ao Fisco, o mesmo se diga da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) que lhe foi aplicada; A impugnante respondeu a todas a intimações que lhe foram destinadas, fornecendo espontaneamente seus dados bancários no intuito de comprovar os fatos relacionados em sua justificativa. Tal comportamento não é compatível com o alegado intuito de sonegação, prática de fraude ou conluio; Tanto é verdade que após responder às intimações que lhe foram dirigidas, do total de R$. 891.217,32 restaram apenas R$. 415.061,32, cuja origem a impugnante, por circunstâncias alheias à sua vontade, não conseguiu demonstrar. Tal comportamento faz prova da inexistência da intenção de fraudar ou retardar a atividade fiscalizadora, sendo imperiosa a sua redução. Também há que ser levada em consideração a feição confiscatória assumida pela penalidade aplicada, sendo pacifico o entendimento de que o princípio da vedação do confisco aplica-se em matéria de multas; Requer ainda a anulação do Auto de Infração lavrado pela autoridade fazendária, tendo em vista que o fato gerador do tributo é o acréscimo patrimonial e não os depósitos realizados em sua conta corrente, uma vez que o referido servidor não fez prova do aumento patrimonial do impugnante, apenas invertendo o ônus da prova ao exigir a explicação minuciosa da origem dos depósitos realizados em sua conta corrente; Requer por fim, a redução da multa aplicada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), pelo simples fato de que a autoridade fazendária em nenhum momento comprovou a ocorrência do intuito de sonegar ou fraudar o Erário Público, fatos que à luz do melhor Direito não podem ser presumidos. Em 01 de dezembro de 2006, os membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ATOS LEGAIS. 5 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 6 Descabe a apreciação de matéria de ordem constitucional, na esfera administrativa, por extrapolar os limites de sua competência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES O lançamento foi efetuado com base na legislação vigente na data dos fatos e não se verificou prejuízo a defesa, logo não se cogita de nulidade processual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÓNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA QUALIFICADA. O conjunto probatório levantado pela fiscalização, demonstra procedente a imputação da multa qualificada por estar evidenciado o intuito de fraude, com conseqüente redução do montante do imposto devido. Lançamento Procedente Cientificada a contribuinte em 22/05/2007, se mostrando irresignada, apresentou, em 21/06/2006, o Recurso Voluntário, de fls. 469/481, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas do presente relatório, bem com enfatizando os seguintes pontos: - Da apreciação da inconstitucionalidade e ilegalidade da lei; - Da irregular utilização dos extratos bancários para justificar o lançamento; - Da ilegal aplicação da multa qualificada. É o relatório. 6 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 7 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Inconstitucionalidade das Normas A recorrente questiona enfaticamente o posicionamento da autoridade recorrida no que toca a apreciação da legalidade e inconstitucionalidade de normas. Nesse ponto em particular no referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, acompanho a posição sumulada pelo 1° Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1" CC n° 2). Assim, no que toca a suposta nulidade do decisão recorrida por não apreciar a inconstitucionalidade de normas, acompanho a posição sumulada pelo conselho. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a 7 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 8 presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. A autoridade recorrida já havia se pronunciado sobre as provas apresentadas pela recorrente: Quanto ao mérito, a contribuinte não apresenta nenhum novo elemento dos já apresentados na fase fiscalizatória. O único documento apresentado foi a nota fiscal de remessa em comodato da balança para bovinos (fl. 426), como o propósito de demonstrar que atuava como intermediária na compra de eqüinos para o Frigorifico King Meat Alimentos do Brasil, o que já fora apresentado para a fiscalização. Alega também que comprovar individualmente cada depósito realizado em sua conta corrente não é tarefa das mais fáceis, uma vez que foi conduzido a trabalhar nos moldes estabelecidos pelo Frigorífico sem ter a idéia da dimensão jurídica de tal ato. 8 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 9 Ora, conforme já visto anteriormente, neste caso há a presunção legal de omissão de receitas relativamente aos depósitos não comprovados e caberia ao contribuinte provar a origem de tais depósitos, identificando a data e o montante dos valores ingressados na sua conta bancária, correlacionando-os com os valores que diz ser mero repasse do Frigorifico King Meat Alimentos do Brasil, uma vez que diz ter agido em nome do referido frigorifico, para só assim afastar a tributação imposta. Diante dos elementos de prova apresentados, é oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: "Provar é convencer o espirito da verdade respeitante a alguma coisa." Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente. prova 'é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato ". Já no campo objetivo, as provas "são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juizo. Assim, consoante o referido autor, a prova teria a) um objeto - são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade - a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário - o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigem-se ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Pode-se então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Da Multa Qualificada No que toca a qualificação da multa, deve-se reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma simples omissão de rendimentos presumida a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula n° 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: ,v 1\ 9 Processo n° 10183.001933/2006-71 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.194 Fl. 10 "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindo-a para a multa de oficio de 75%. Ante ao exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%. Sala jas Sessões, em 31 de julho de 2009 Tr4.7‘ONII0(i01;it\It INEZ - Relator 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10183.001933/2006-71 Recurso n°: 160.614 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2202-00.194. Brasília, 28 sET 2889 NELS • LLMANN P esidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721250/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO DE TRIBUTOS.
A denúncia espontânea pressupõe o respectivo pagamento dos tributos ou confissão de dívida, mediante DCTF, e deve ocorrer antes do início da ação fiscal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO DE TRIBUTOS. A denúncia espontânea pressupõe o respectivo pagamento dos tributos ou confissão de dívida, mediante DCTF, e deve ocorrer antes do início da ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OPÇÃO PELO SIMPLES EM PERÍODO ANTERIOR. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante, para efeito da exigência de IPI de período posterior, que o contribuinte tenha sido optante do Simples no passado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO DE TRIBUTOS. A denúncia espontânea pressupõe o respectivo pagamento dos tributos ou confissão de dívida, mediante DCTF, e deve ocorrer antes do início da ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 12 50 /2 01 1- 06 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10825.721250/201106 Acórdão n.º 3302002.179 S3C3T2 Fl. 133 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 122 a 129) apresentado em 17 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 1436.338, de 19 de janeiro de 2012, da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 84 a 87), cientificado em 06 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro a dezembro de 2007, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO DE TRIBUTOS. A denúncia espontânea pressupõe o respectivo pagamento dos tributos ou confissão de dívida, mediante DCTF, e deve ocorrer antes do início da ação fiscal. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 12 de agosto de 2004, de acordo com o termo de fls. 32 e 33. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, relativa ao anocalendário de 2007, foi efetuado lançamento para exigência de crédito tributário no valor total de R$ Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10825.721250/201106 Acórdão n.º 3302002.179 S3C3T2 Fl. 134 3 597.406,25 (quinhentos e noventa e sete mil e quatrocentos e seis reais e vinte e cinco centavos), conforme demonstrativo de fl. 2, que resultou na lavratura dos seguintes autos de infração: I – Contribuição para o PIS/Pasep – fls. 16/23 Contribuição: R$ 49.640,16 Juros de mora: R$ 19.517,08 Multa Proporcional: R$ 37.230,08 Total: R$ 106.387,32 Enquadramento legal: Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1o e 3o; e Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 2o, I, “a” e parágrafo único, 3o, 10, 22 e 51. II – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – fls.24/31 Contribuição: R$ 229.108,50 Juros de mora: R$ 90.079,10 Multa Proporcional: R$ 171.831,33 Total: R$ 491.018,93 Enquadramento legal: Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2o, II e parágrafo único, 3o, 10, 22 e 51. Na ação fiscal, foi apurada insuficiência de recolhimento e/ou declaração do PIS e da Cofins devidos, do cotejo entre os dados declarados em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e em Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) e os recolhimentos efetuados. Notificada do lançamento em 12/08/2011, conforme aviso de recebimento de fl. 35, a interessada, representada pelo advogado João Joel Vendramini Junior (procuração de fl. 68), ingressou, em 12/09/2011, com a impugnação de fls.40/46, na qual alegou, em suma: • Ilegalidade da aplicação da Selic como juros de mora; • Inexigibilidade da multa, tendo em vista a denúncia espontânea; • Caso não seja esse o entendimento, deve ser aplicada a multa moratória, no percentual máximo de 2%, de acordo com a Lei nº 9.298, de 1º de agosto de 1996; • Afronta ao princípio da proporcionalidade e vedação ao confisco. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10825.721250/201106 Acórdão n.º 3302002.179 S3C3T2 Fl. 135 4 Requereu seja julgada procedente a impugnação para o fim de se adequar o valor dos juros de mora cobrado e afastar a cobrança da multa ou fixála no percentual de 2% (dois por cento). No recurso, que endereçou à Câmara Superior de Recursos Fiscais e denominou de “recurso especial”, a Interessada alegou o seguinte: não estaria obrigada a apresentar a DCTF por ser optante do Simples até 2003; o reconhecimento que a Recorrente era optante do Simples repercute diretamente nas autuações processadas neste procedimento administrativo; a exigência de juros não poderia ser efetuada com base na Selic; aplicarseia a denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Embora tenha chamado o recurso de “especial” e o tenha dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, à vista do princípio da fungibilidade dos recursos, deve ser ele recebido como recurso voluntário e apreciado por Turma das Câmaras da 3ª Seção do Carf. O recurso especial é cabível somente em relação a acórdão de Turma do Carf que tenha negado (no todo ou em parte) o recurso voluntário e desde que haja comprovação de divergência. Em relação ao mérito, a Interessada alegou ser optante do Simples no ano de 2003 e, assim, não poderem ser exigidas as contribuições. Entretanto, o lançamento em questão é relativo a períodos do ano de 2007, não havendo, portanto, relação entre os fatos. Ademais, não há que se falar em denúncia espontânea, por não haver notícia de pagamento sobre os valores lançados, conforme exigido pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Por fim, aplicamse as Súmulas Carf n. 2 e 4 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009), relativamente às demais matérias: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10825.721250/201106 Acórdão n.º 3302002.179 S3C3T2 Fl. 136 5 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002793/2005-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO.
A legislação de regência permite a retificação de compensação declarada para corrigir erro de fato, inclusive quando envolve o valor integral do débito declarado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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EXPORTADORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. A legislação de regência permite a retificação de compensação declarada para corrigir erro de fato, inclusive quando envolve o valor integral do débito declarado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 27 93 /2 00 5- 36 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.002793/200536 Acórdão n.º 3302002.167 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins na exportação, relativo aos 1º e 2º trimestres de 2004, combinado com declaração de compensação posteriormente retificada. A DRF de origem reconheceu parcialmente o valor do crédito pleiteado e não aceitou a retificação de Declaração de Compensação que aumentou o valor dos débitos compensados e excluiu o valor de débitos declarados originalmente. No Relatório da Análise Efetuada da Declaração de Compensação o Auditor Fiscal opinou por aceitar a declaração retificadora na parte que excluiu o valor de débitos compensados indevidamente, posto que houve erro de fato quando da apresentação e compensação dos valores dos débitos dos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, na qual não contesta as glosas realizadas pela DRF no crédito pleiteado, insurgindose contra a decisão de não aceitar a exclusão de débitos pela DCOMP retificadora e a inclusão de novos débitos com os acréscimos legais calculados até a data da apresentação da declaração retificadora, conforme alegações resumidas no relatório da decisão recorrida. A DRJ em Campinas SP indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0534.815, de 22/08/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. CANCELAMENTO. ADMISSIBILIDADE. É vedada a retificação de declaração de compensação cujo objeto for a inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado. A exclusão de débitos declarados demanda a apresentação de documento de cancelamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. Consolidase administrativamente as glosas impostas à apuração e/ou aproveitamento de créditos que não forem objeto de contestação por meio de Manifestação de Inconformidade. Ciente desta decisão em 09/04/2012, a interessada ingressou, no dia 27/04/2012, com recurso voluntário alegando que: 1 os débitos declarados anteriormente inexistem e não é necessário excluir todos os débitos da DCOMP retificada para se concretizar a exclusão; 2 os débitos novos foram incluídos na DCOMP retificadora acrescidos de multa e juros calculados até a data da retificação. Ciente deste erro, apresentou nova DCOMP que não foi homologada em razão da homologação da compensação dos débitos inexistentes aqui discutidos; Fl. 487DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.002793/200536 Acórdão n.º 3302002.167 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a lide versa sobre a possibilidade de retificar Declaração de Compensação para excluir débitos inexistentes de fato e declarados indevidamente, sendo que na mesma declaração retificadora foi aumentado o valor de débito declarado anteriormente. Quanto ao débito retificado para aumentar o seu valor, houve decisão formal indeferindo o pleito da Recorrente e ela aceitou a decisão da autoridade e apresentou nova declaração de compensação com a parcela acrescida à declarada anteriormente. O que ela não se conforma é com a decisão da autoridade competente para apreciar e decidir seu pleito que, diversamente do proposto pelo Agente Fiscal que realizou as verificações do crédito pleiteado, não aceitou a DCOMP retificadora na parte que excluiu os débitos inexistentes, sob o argumento de que deveria ter sido apresentado uma declaração cancelando a anterior. Com razão a Recorrente. Os débitos considerados inexistentes pela Recorrente foram atestados pelo Auditor Fiscal que realizou a diligência para apurar a legitimidade do crédito pleiteado. Sobre este fato não há questionamento. A Recorrente apresentou DCOMP retificadora para: 1º) reduzir a zero o valor de débitos dos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004, declarados indevidamente em face de não existirem de fato; 2º) aumentar o valor do débito da Cofins de outubro de 2004, de R$ 122.997,13 para 151.486,22; 3º) incluir um novo débito no valor de R$ 94.866,56 Não há reparos a fazer na decisão da DRF que indeferiu a retificação de DCOMP para aumentar débito declarado anteriormente e para incluir novos débitos. Esta é a inteligência do art. 59 da IN SRF nº 600/2005. No entanto, entendo que tem razão o Auditor Fiscal que realizou a diligência ao admitir a retificação de débito declarado para alterar o seu valor para zero, posto que fora constatado a existência de inexatidão material da DCOMP original, conforme autoriza o art. 58 da mesma IN SRF nº 600/2005. Por ser esclarecedora, abaixo se transcreve a opinião do Auditor Fiscal sobre a aceitação da DCOMP retificadora, na parte que excluiu débitos declarados indevidamente: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.002793/200536 Acórdão n.º 3302002.167 S3C3T2 Fl. 5 4 as incorreções dos cálculos dos débitos constantes da Declaração de Compensação as fls. 01 do processo 10845.000087/200550 (código 2362), relativamente aos períodos de apuração abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004, foram motivo de apresentação de Declaração de Compensação Retificadora. Esta DCOMP foi indeferida, conforme Despacho Decisório DRF/STS n°192, de 01 de dezembro de 2006, porém, deve ser acatada a pretensão da empresa no sentido de excluir os débitos relativos aos períodos de apuração de abril, maio, junho, agosto e setembro, manifestada pela não inclusão destes na DCOMP Retificadora, em razão de tratarse de inexatidão material, portanto, ao amparo das disposições dos artigos 56 a 59 da IN/SRF 600/2005. Dessas alterações pretendidas pela empresa restou a ser compensado o débito no valor original de R$ 318.134,20, relativo ao código 2362 do período de apuração outubro de 2004; (destaquei). A decisão recorrida argumenta, para sustentar a decisão da DRF, o fato de existir vedação legal para a DCOMP retificadora incluir novo débito ou aumentar o valor de débito declarado e que o Despacho Decisório DRF/STS nº 192/2006 decidiu pela não admissão da retificadora. Não tem razão a decisão recorrida porque os débitos objeto da lide não foram incluídos ou aumentados pela DCOMP retificadora: foram excluídos, diminuído para zero. Por seu turno, o Despacho Decisório DRF/STS nº 197/2006 só tratou dos débitos que foram incluídos ou tiveram seu valor aumentado. Não tratou dos débitos cujos valores foram reduzidos para zero. Portanto, não há que se falar em necessidade de revogar este ato porque o mesmo não tratou da matéria em discussão nestes autos. Mais a mais, não é racional homologar a compensação de débitos declaradamente inexistentes para, imediatamente processarse a sua restituição. Isto posto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar inexistes os débitos objeto desta lide, relativos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004, bem como retificar a DCOMP apresentada para excluir o seus valores. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 489DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.002793/200536 Acórdão n.º 3302002.167 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.012186/2001-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DA ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO. AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A decisão de primeira instância que se restringe a articular os fundamentos fáticos e jurídicos do auto de infração com as razões da impugnação não inova o lançamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCEÇÃO DE PARCELAMENTO. ANUÊNCIA TÁCITA.
A inclusão, em programa de parcelamento, de débitos objeto de lançamento de ofício anterior implica a tácita anuência para com a exação, tornando definitiva, na esfera administrativa, a sua exigência.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DA ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO. AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que se restringe a articular os fundamentos fáticos e jurídicos do auto de infração com as razões da impugnação não inova o lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCEÇÃO DE PARCELAMENTO. ANUÊNCIA TÁCITA. A inclusão, em programa de parcelamento, de débitos objeto de lançamento de ofício anterior implica a tácita anuência para com a exação, tornando definitiva, na esfera administrativa, a sua exigência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DA ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO. AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que se restringe a articular os fundamentos fáticos e jurídicos do auto de infração com as razões da impugnação não inova o lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCEÇÃO DE PARCELAMENTO. ANUÊNCIA TÁCITA. A inclusão, em programa de parcelamento, de débitos objeto de lançamento de ofício anterior implica a tácita anuência para com a exação, tornando definitiva, na esfera administrativa, a sua exigência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 21 86 /2 00 1- 77 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração, decorrente de procedimento de auditoria eletrônica da DCTF do 1º e 2º trimestre(s) de 1997, em que o declarante, ora recorrente, informou que seus débitos de Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro a junho (proc jud não comprovad) daquele ano, nos valores de R$ 9.682.26, R$ 9.817,67, R$ 9.636,48, R$ 9.697,73, R$ 10.563,36 e R$ 12.177,97, haviam sido compensados com créditos reconhecidos pela sentença que transitou em julgado nos autos do processo judicial nº 96.03.0360929. Sob o fundamento “Proc. jud não comprovad” (Anexo I – DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, fl(s). 22 e 23), o Fisco não acolheu a exceção de Exigibilidade Suspensa e lançou de ofício os referidos débitos, com os consectários de praxe, formalizando a exigência constante do Auto de Infração nº 0004564, fls. 20 e 21 e anexos. A exação totalizou R$ 165.502.61. O feito foi impugnado (fls. 1 a 3). O autuado alegou que Autoridade Fiscal não considerou o fato de o contribuinte ter impetrado, em 10/04/96, Mandado de Segurança, distribuído à 20ª Vara Cível Federal de São Paulo, sob nº 96.00099650, com pedido de liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximirse do recolhimento do PIS nos moldes da Medida Provisória nº 1.286, de 12 janeiro de 1996, e suas reedições, conforme demonstra a Certidão de Objeto e Pé, anexada à peça de impugnação. Aduz que, em 21 de maio 1996, o MS foi julgado procedente, obtendo a segurança requerida, para fim de garantir à Impetrante o direito ao pagamento do PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e não nos da MP nº 1.212, de 1996, e suas reedições, conforme a Certidão já referida. Conclui que, em relação ao crédito tributário a pagar para o primeiro semestre de 1997, estava amparado em decisão judicial, o que impedia que se procedesse à lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a ser apurada. Destaca que Autoridade Administrativa tinha conhecimento da Medida Liminar, porque fora referida pelo contribuinte em sua DCTF, para sustentar o não pagamento da Contribuição, não bastasse ser parte na referida ação. No julgamento em primeira instância, a DRJ/SP19ª Turma houve por bem em julgar o lançamento parcialmente procedente, apenas para cancelar a aplicação da multa de lançamento de ofício, por retroação de norma penal mais benigna, tudo na forma do Acórdão nº 1634.095, de 6 de outubro de 2011, fls. 67 a 76, que teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 PIS DECISÃO JUDICIAL APLICASE A MP 1212/1995. Foi decido pelo STF no Mandado de Segurança impetrado pelo Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei nº 9.715/98, que terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11610.012186/200177 Acórdão n.º 3403002.250 S3C4T3 Fl. 110 3 Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõe o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 82 a 98, após síntese dos fatos relacionados com a lide, combate o lançamento com argumentos assim resumidos pelo próprio recorrente: Em relação ao principal: a) como os débitos ora exigidos foram incluídos no PAES e esse parcelamento foi totalmente adimplido, resta patente a inexigibilidade dos referidos débitos; b) a decisão combatida cancela o auto de infração tal como originalmente lançado, pois admite a existência de mandado de segurança no qual foi concedida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário; c) tendo cancelado o auto de infração, a decisão combatida inovou no mérito do processo administrativo; d) a referida inovação caracteriza a tentativa de lançamento por meio de decisão, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; e ainda que fosse permitido o lançamento por decisão, tal ato deveria obedecer o prazo decadencial, o qual decorreu há mais de 14 anos. Em relação à multa de mora constante do DARF que instrui a cartacobrança, anexa à intimação do resultado do julgamento de primeira instância: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 a) não há possibilidade da cobrança de multa de mora no presente caso, haja vista que o crédito tributário sempre esteve suspenso (inicialmente por medida liminar e posteriormente pela defesa administrativa apresentada, sem que houvesse interrupção na suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o presente momento) e, portanto, a Recorrente nunca incorreu em mora no decorrer do presente processo; b) ainda que fosse possível a exigência da multa de mora, essa exigiria regular constituição pelo ato de lançamento tributário, por meio de autoridade competente para tanto, não podendo ser simplesmente na presente autuação por ato da Autoridade Julgadora de primeira instância; e, c) a cobrança de multa de mora não é possível no presente caso, pois para tanto seria necessário um novo lançamento para constituir o crédito tributário, o qual não seria válido tendo em vista que os fatos geradores do tributo ocorreram no período entre janeiro e junho de 1997, ou seja, período claramente já atingido pela decadência. Conclui, requerendo o conhecimento e o provimento integral do recurso, para reformar a decisão combatida, cancelandose o auto de infração e declarandose a extinção do crédito tributário. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 82 a 98 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP19ª Turma nº 1634.095, de 6 de outubro de 2011. Preliminar de nulidade da decisão recorrida, por agravamento1 do lançamento O agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência por autoridade julgadora quedou definitivamente vedado com a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, operada pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Nada obstante, não vislumbrei modificação qualquer modificação na fundamentação jurídica do lançamento na decisão recorrida. Em sua DCTF, o contribuinte, ora 1 O termo agravar, na acepção do Decreto nº 70.235, de 1972, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa,mas compreende também a modificação dos rgumentos que suportam os seus fundamentos, a exempli do requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, nos termos do art. 18, § 3º. (Arruda, Luiz Henrique Barros de. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Resenha Tributária, 1994, 2ª ed. p. 55. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11610.012186/200177 Acórdão n.º 3403002.250 S3C4T3 Fl. 111 5 recorrente, havia indicado informado o processo judicial nº 96.03.0360929 como a origem da tutela que lhe assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos de janeiro a junho de 1997. A autuação teve como fundamento fático a falta de comprovação de que esse processo judicial asseguraria tal direito (na lacônica afirmação “proc jud não comprovad”). Veio então o impugnante ao autos, e retificou a informação, afirmando tratarse, não do processo 96.03.0360929, mas do MS nº 96.00099650. Como se percebe, o fundamento fático do lançamento foi absolutamente procedente, pois o processo 96.03.0360929 não suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Tocou à autoridade julgadora de primeira instância analisar a tutela que foi deferida ao contribuinte na ação judicial referida na peça de impugnação. Rechaço a preliminar. Mérito principal No mérito, o lançamento de ofício dos débitos de PIS dos PAs de janeiro a junho de 1997 é procedente. Prova está no fato de o autuado afirmar têlos inscrito em programa de parcelamento, o que representa sua tácita anuência com a exação, como vaticina o art. 26 da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, a seguir: Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. À autoridade administrativa incumbida da execução desta decisão tocará velar para que o crédito tributário seja cobrado (e, eventualmente, parcelado) segundo a tutela deferida ao contribuinte na decisão que transitou em julgado nos autos do MS nº 96.00099650. Mérito – multa de mora Nos termos do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, a competência para julgamento dos órgãos julgadores do CARF restringese, no que pertine aos recursos voluntários, àqueles opostos contra decisões de primeira instância. Ora, como o próprio recorrente reconhece, a matéria não foi objeto do lançamento e, muito menos, da decisão recorrida, escapando, portanto, da competência para julgamento regimentalmente deferida. Ao recorrente resta a possibilidade de discutira matéria no âmbito do recurso hierárquico, autorizado pelo art. 56 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723015/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO – AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGA EM
PECÚNIA
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo
empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades,
provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de
trabalho
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA INCIDÊNCIA
DE
CONTRIBUIÇÃO
As verbas intituladas auxílio-alimentação,
pagas em pecúnia, integram o
salário de contribuição por possuírem natureza salarial.
PAGAMENTOS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser
mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de
contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados e
remuneração a contribuintes individuais.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,
do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário
Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos
termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a
redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao
contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.694
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar
provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto
do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro
de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta
questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro
Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no
mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais
benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de
Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por
unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da
Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO – AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO As verbas intituladas auxílioalimentação, pagas em pecúnia, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. PAGAMENTOS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados e remuneração a contribuintes individuais. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Bernadete de Oliveira Barros – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.282.3890, o qual exige contribuições previdenciárias, parte da empresa, sobre as seguintes rubricas: i) valores pagos em espécie a título de alimentação concedida aos segurados empregados; ii) remuneração paga a segurados empregados; iii) pagamento de prolabore ao segurados contribuintes individuais (sócios gerentes). Narra que a autuada fornece uma ajuda de custa a título de alimentação, porém não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Além disso, detectou a fiscalização remuneração paga a segurados empregados em folha de salários, bem como pagamento de prólabore a sócios gerentes da empresa, sem que ambos tivessem sido submetidos à tributação. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando o descabimento da representação fiscal para fins penais; que a ajuda de custa paga a título de alimentação tem Fl. 534DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723015/201071 Acórdão n.º 2301002.694 S2C3T1 Fl. 3 3 caráter indenizatório; que não pode incidir contribuição previdenciária sobre o 13º salário, ante a inconstitucionalidade do § 7º, do artigo 28, da Lei 8.212/91; inconstitucionalidade da Selic; que a multa tem caráter confiscatório. A instância a quo julgou improcedente a impugnação e consequentemente manteve a integralidade da autuação. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esse Conselho, o qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. No caso da alimentação fornecida pelo empregador, tenho o entendimento de que esta é fornecida não “pelo” trabalho, mas “para” o trabalho, isto é, o empregado tem o direito à alimentação não em decorrência direta da prestação de serviços, mas para sua própria condição de saúde, subsistência e dignidade humanas, valores esses protegidos pela Constituição Federal. A questão relativa à inscrição ou não da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT já foi superada pela jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que por meio de suas duas Turmas de Direito Público e também pela 1ª Seção de Direito Público, fixou entendimento de que a alimentação fornecida pelo empregador não está sujeita à contribuição previdenciária, seja esse inscrito ou não no PAT. Vejamos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO.HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n.8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fático probatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido”. (REsp 1196748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 28/09/2010) “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p.171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido.” (AgRg no REsp 1119787/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/06/2010, DJe 29/06/2010) “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. 2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723015/201071 Acórdão n.º 2301002.694 S2C3T1 Fl. 4 5 3. Precedentes da Seção. 4. Embargos de divergência providos.” (EREsp 476.194/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/05/2005, DJ 01/08/2005, p. 307) No caso concreto há, porém, uma diferença em relação aos precedentes acima citados, eis que a recorrente não fornecia alimentação in natura e sim concede uma ajuda de custo em pecúnia, a fim de suprila. Não obstante essa situação, recordome que o Supremo Tribunal Federal, em caso análogo (valetransporte) entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Ademais, a não aceitação do fornecimento do vale transporte em dinheiro caracterizaria a negação do curso legal da moeda. O mesmo raciocínio, a meu ver, aplicase ao caso concreto. Cito o precedente do Pretório Excelso: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) Fl. 537DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterado pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observados nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, o E. Superior Tribunal de Justiça ou o Supremo Tribunal Federal não julgaram a questão ora posta em julgamento na forma de recurso repetitivo ou repercussão geral. Não obstante, o que se extrai da jurisprudência pacificada é que, em relação à alimentação a ausência de inscrição no PAT e mesmo o pagamento em pecúnia não lhe retiram o caráter indenizatório. É medida, pois, que se impõe reconhecer que essa temática já está superada no âmbito do Poder Judiciário, cabendonos, pelos princípios que regem a administração pública, tais como legalidade, moralidade e eficiência (artigo 37 caput da Constituição Federal) aplicála. Pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais No tocante à remuneração paga a segurados empregados, bem como os pagamentos de prólabore ao segurados contribuintes individuais a recorrente não trouxe elementos aos autos que pudessem desconstituir o trabalho fiscal, ou melhor, não trouxe provas no sentido de tais pagamentos não se subsumiriam ao conceito jurídico de salário ou remuneração, razão pela qual devem ser mantidos no lançamento. Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106, do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723015/201071 Acórdão n.º 2301002.694 S2C3T1 Fl. 5 7 Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento a rubrica “AL – ALIMENTAÇÃO SEM PAT”, bem como para determinar, se mais benéfica ao contribuinte, que a multa seja calculada nos termos do artigo 35 “caput”, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Adriano Gonzales Silvério Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Redatora Designada Permitome divergir do entendimento do Relator de que as quantias pagas pelo empregador a título de auxílioalimentação não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Portanto, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. No presente caso, não resta dúvida que a verba intitulada “auxílio alimentação”, paga em pecúnia, não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. De fato, a alínea “c”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a parcela “in natura” recebida de acordo com a Lei 6.321/76, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que a empresa concedeu o auxílioalimentação em pecúnia, o que contraria o referido diploma legal. Assim, está correto o procedimento fiscal em incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos pela recorrente a título de auxílioalimentação, como está correta a decisão recorrida em manter tal rubrica no Auto de Infração. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Portanto, o valor efetivamente pago pela autuada, em pecúnia, relativo a auxílioalimentação, integra o salário de contribuição e a pretensão da recorrente de se excluir os referidos valores da base de cálculo da contribuição previdenciária carece de amparo legal. Nesse sentido, o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, cuja aprovação pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda ensejou a emissão do ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, traz, em seu bojo, excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº1.119.787SP, publicado no DJ em 13/05/2010, bem como outras decisões que expressam a pacífica e consolidada jurisprudência do STJ sobre a matéria, e conclui que “quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Dessa forma, não há amparo legal para a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre o AuxílioAlimentação pago em pecúnia. Nesse sentido, voto por manter os valores pagos a título de Auxílio Alimentação na base de cálculo da contribuição previdenciária. É como voto. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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