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Numero do processo: 16682.903060/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA.
Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida.
A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
Numero da decisão: 1201-002.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
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Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituirse ou compensar o indébito tributário da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 30 60 /2 01 2- 36 Fl. 384DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 338/343) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 323/326) que manteve a homologação parcial da DCOMP nº 38941.80407.310111.1.3.04 6261, conforme Despacho Decisório de fl. 103/105. O crédito trazido na DCOMP (fls. 98/102) teria origem em Retenção na Fonte de Tributos/Contribuições incidentes sobre Pagamentos Efetuados por Órgãos Públicos (abrangendo IRPJ, CSLL, PIS E COFINS código 6147), efetuada indevidamente em outubro de 2010, visando compensação com débito da mesma natureza, vencido em janeiro de 2011. O referido crédito teria origem em diversas retenções irregulares do fornecedor Tridimensional Engenharia S/A que totalizaram R$ 40.962,69. Para o crédito pleiteado na DCOMP ao norte mencionada interessa, segundo a recorrente, a nota fiscal de R$ 1.039.125,92, que teve retenção irregular de R$ 37.928,10. Após a constatação das irregularidades, a PETROBRÁS teria efetuado a devolução e providenciado a "declaração de não compensação de tributos federais" com o fornecedor, conforme os documentos anexados às fls. 93/95. Às fls. 02/09, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade, na qual a ora Recorrente aduz, preliminarmente, que o alegado crédito tem respaldo em pagamento indevido ou a maior consubstanciado no DARF nº 52335670420 e foi espelhado em duas DCOMP's: 38941.80407.310111.1.3.046261 (objeto do presente processo) e 10515.40125.310811.1.3.048173 (objeto do processo nº 16682.903080/201215). Explica que desse valor pago no DARF acima (R$ 39.494.069,82), é certo que a PETROBRÁS tem direito a um crédito comprovado que soma R$ 40.521,76, em virtude de recolhimentos indevidos para os cofres públicos. Esse crédito, segundo a contribuinte, foi dividido em duas DCOMPs e detalha a composição do crédito: DCOMP 38941.80407.310111.1.3.046261: R$ 37.928,10 DCOMP 10515.40125.310811.1.3.048173: R$ 2.593,65 As razões dos recolhimentos indevidos, como foi dito acima, advém de retenções que a PETROBRÁS efetuou de seus fornecedores. Segundo a ora recorrente, tudo que defende está devidamente documentado da seguinte forma: Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16682.903060/201236 Acórdão n.º 1201002.137 S1C2T1 Fl. 385 3 Fl. 386DF CARF MF 4 Em seguida, foi proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG o Acórdão recorrido (fls. 323/326), mantendo a homologação parcial da DCOMP, por não entender juridicamente possível a repetição ou compensação pela fonte pagadora, independentemente da comprovação de ter arcado com o ônus financeiro: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16682.903060/201236 Acórdão n.º 1201002.137 S1C2T1 Fl. 386 5 RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo da relação jurídicotributária, nos casos de retenção de tributos na fonte, é a recebedora dos rendimentos. A pessoa jurídica legalmente obrigada a proceder à retenção de tais valores é mera responsável por essa retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Ausente a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, inexiste o direito desta última a ter restituídos eventuais valores retidos a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido VOTO A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Tratase o presente pleito de utilização de suposto pagamento indevido, ou maior que o devido, para a compensação de débitos de titularidade do contribuinte e por ele confessados em DCTF. A análise a ser levada a cabo pela autoridade fiscal neste caso fica limitada a verificar se o pagamento indicado como lastro da compensação encontrase nos sistemas de controle da RFB e em que medida foi utilizado para a quitação de débito confessado pelo próprio contribuinte em sua DCTF. A verificação é bastante simples, sendo também muito simples a solução a ser dada ao requerimento: havendo pagamento indevido ou maior que o devido deferese o pleito, caso contrário indeferese. O suporte legal da restituição é o artigo 165 do CTN e o da compensação são os artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. O citado artigo 165 aponta as situações em que são considerados indevidos os pagamentos. Tais situações estão reunidas em três incisos, conforme se observa a seguir: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (grifos acrescidos).” Fl. 388DF CARF MF 6 Para solução do presente caso interessanos exclusivamente a previsão expressa e clara contida no caput: “O sujeito passivo tem direito”. É simples: se o requerente não figura como sujeito passivo da relação jurídicotributária não há se falar em direito à restituição daquilo que foi recolhido a maior (ou indevidamente recolhido), mesmo que o real sujeito passivo tenha convencionado particularmente com o requerente que não exerceria seu direito frente ao fisco. Os valores recolhidos pela requerente aos cofres públicos foram objeto de retenção relativa a tributos diversos que deveriam incidir sobre os recebimentos referemse a prestação de serviços onde a requerente figura como cliente da prestadora. Naturalmente, o sujeito passivo da relação jurídicotributária nesses casos é a recebedora dos rendimentos, sendo a requerente mera responsável pela retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Assim, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à prestadora de serviço os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer os valores indevidamente retidos. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Nem mesmo a retificação da DCTF do período em análise, realizada em data posterior à ciência do Despacho Decisório combatido, é capaz de lhe socorrer, já que foi preenchida em desacordo com os documentos fiscais que deveriam lhe dar suporte pois a própria defendente afirma que realizou as retenções mencionadas e que tais valores já foram repassados ao Fisco. Na verdade a defendente vem fazer uma retificação indevida da sua DCTF, inserindo dados que não correspondem à realidade, com a intenção clara de dar um ar de regularidade àquilo que sabe ser irregular, como já mencionamos acima Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a homologação parcial da compensação pleiteada. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 338/343), ora sob apreço, requerendo, preliminarmente, que este processo seja apensado ao processo nº 16682.903080/201215, para que seja feita a análise conjunta dos pedidos, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. No mérito, traz as mesmas alegações de seu primeiro apelo, acrescentando que o despacho decisório e o acórdão da DRJ, se valem de argumentos falhos, absolutamente destoantes do que dispõe a legislação aplicável à espécie, visto que restringiram sua negativa sob o entendimento de que a recorrente não ostentaria legitimidade para pleitear o indébito proveniente das retenções por ela realizadas na fonte quando do pagamento dos seus fornecedores de bens e serviços, quando em verdade o disposto na IN RFB 1.300/2012, em seu artigo 8º, abaixo transcrito, confere o devido respaldo legal para o procedimento adotado pela fonte retentora. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16682.903060/201236 Acórdão n.º 1201002.137 S1C2T1 Fl. 387 7 Art. 8º. O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Preliminarmente, requer a tramitação deste processo em conjunto com o Processo Administrativo Fiscal nº 16682.903080/201215, de modo a evitar decisões conflitantes, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. De fato, ambos os processos tratam de PER/DCOMP cujo crédito tem como origem o pagamento indevido ou a maior de COSIRF (código de receita: 6147) do período de apuração da 1ª quinzena de outubro de 2010. A norma atual que disciplina a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é a Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; Fl. 390DF CARF MF 8 III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. (Grifamos) O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. No caso, os processos em questão não se encontram apensados, porém, nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. Assim será realizado. O Acórdão recorrido se fundamenta no art. 165 do CTN e adotou interpretação na qual, de plano, não haveria como a Recorrente ser titular do direito pleiteado, deixando de se conhecer das provas por consequência. Como se observa dos autos e do relatório, o objeto contencioso do presente processo é a existência do crédito estampado na DCOMP apresentada e a titularidade deste, vez que seria fruto de retenção no pagamento a outrem. Por se tratar de crédito oriundo de retenção na fonte, cujo o contribuinte ordinário, original, é um terceiro, a legitimidade da Recorrente para promover a compensação é matéria prejudicial à verificação precisa e quantitativa do crédito. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Despacho Decisório não afastou a possibilidade jurídica da Recorrente ser o titular do crédito que pretendia usar na compensação declarada. A homologação parcial da DCOMP, inicialmente, deuse pela ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de primeira instância, cujo voto condutor encontra se transcrito no relatório deste Acórdão, adotou posicionamento mais estrito, afirmando que, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à sua fornecedora os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer junto ao fisco esses mesmos valores. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Invoca o art. 165 do CTN, norma geral que trata da restituição aplicável aos tributos diretos, apontando que, nos termos literais de seu caput, o legislador permitiu apenas ao sujeito passivo a restituição tributária, dizendo que não haveria norma de Direito Público que validasse a manobra pretendida pela Recorrente. Entendo que não assiste razão a decisão de piso em tal fundamentação. O Acórdão nº 1402002.332, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 05 de outubro de 2016, analisando caso semelhante, chegou a seguinte conclusão: "Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16682.903060/201236 Acórdão n.º 1201002.137 S1C2T1 Fl. 388 9 fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. " Por comungar do mesmo entendimento esposado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, trago a colação excertos do voto condutor que justifica aquele entendimento: A própria D. Administração Tributária Federal, em expressa aplicação analógica do art. 166 do CTN, reconhece a possibilidade de a fonte pagadora que efetuou retenção indevida se revestir de titular do crédito oriundo de tal equivoco. Confira se a Solução de Consulta COSIT nº 22, de 6 de novembro de 2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 121 e 165, I; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 3º, § 12, e 8º; Pareceres Normativos SRF nº 313, de 1971, e nº 258, de1974. (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição Fl. 392DF CARF MF 10 do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. 5.1. Atualmente, os procedimentos para que o “sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB” pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, assim escrito (sublinhouse): Seção II Da Restituição da Retenção Indevida ou a Maior Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 41. (...) Conclusão 7. Ante o exposto, respondese à consulente que, na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Não obstante, pode a fonte pagadora pleitear a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observados os procedimentos do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Ainda que não fosse vigente à data da apresentação da DCOMP tal Instrução Normativa nº 1.300/2012 em se fundamenta a resposta fazendária, a própria Solução de Consulta relata que a prática é muito aceita pela Fiscalização, bem como a Instrução Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16682.903060/201236 Acórdão n.º 1201002.137 S1C2T1 Fl. 389 11 Normativa nº 900/2008, que precedeu aquele normativo que balizou o posicionamento da COSIT, já possuía previsão juridicamente idêntica acerca da compensação de tributos retidos na fonte, pelo próprio responsável. A analogia ao art. 166 do CTN para a restituição/compensação de tributos retidos indevidamente pela fonte pagadora é muito correta, principalmente por ser norma de cunho procedimental em relação ao direito dos contribuintes à restituição de tributos, mostrandose imbuída de total razoabilidade e pertinência prática, permitindo aos particulares envolvidos adotarem o procedimento financeiro e contábil que lhes mais convier. Inclusive, à época da edição do Código Tributário Nacional, a retenção na fonte não era uma técnica arrecadatória tão popular e presente como se observa hoje. Esta necessária verificação de contexto históriconormativo endossa a extensão do procedimento previsto e exigido no art. 166 do CTN, revelando se um instrumento que serve à praticabilidade tributária, na medida em que, como meio de integração da legislação tributária, permite suprir as lacunas do ordenamento, que poderiam causar dificuldades tanto no exercício de direitos pelo contribuinte quanto na fiscalização e arrecadação dos tributos, como leciona Regina Helena Costa1 sobre o uso de analogia na adoção de normas e regras procedimentais. Posto isso, superado o argumento jurídico do v. Acórdão, cabe agora verificar a presença dos requisitos para o gozo dessa prerrogativa, previstos no art. 166 do CTN, na IN 900/2008 e esclarecidos na Solução de Consulta COSIT nº 22/2013. Claramente, o primeiro e maior pressuposto é a prova de que teria, então, a Recorrente arcado efetivamente com o encargo financeiro do tributo retido. Frisese que o art. 8 da IN nº 900/2008 expressamente arrola devolução da quantia ao beneficiário como requisito. É certo que, uma vez destacado o valor do tributo diretamente do pagamento, a devolução mostrase imperiosa, até para fins de fluxo financeiro, vez que, se indevida, faz parte da receita do beneficiário. No Recurso Voluntário, como único documento que comprovaria a devolução integral dos tributos retidos indevidamente, a Recorrente cita a "Declaração de não compensação de tributos federais" (fls. 95), assinada pelo suposto Diretor da Tridimensional Engenharia S/A, beneficiária dos pagamentos, afirmando que a empresa não promoveu e nem promoverá o creditamento desses valores: Fl. 394DF CARF MF 12 Em suas razões, estaria aí a prova do direito ao crédito. Ocorre que não existe qualquer prova do efetivo reembolso à Tridimensional Engenharia S/A do valor indevidamente retido nos pagamentos. Nenhum documento dos autos exprime a transferência de numerário ou de crédito, comprovando a devolução exigida pelos normativos autorizadores desta manobra excepcional. Desse modo, uma vez ausente a prova do requisito primordial que daria à Recorrente a titularidade do suposto crédito expresso na DCOMP, não se pode validar a compensação pretendida. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a homologação parcial da DCOMP em questão, conforme despacho decisório. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16682.903060/201236 Acórdão n.º 1201002.137 S1C2T1 Fl. 390 13 Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.002326/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição em apreço não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IRPJ (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção) e, consequentemente, à persecução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Precedentes deste CARF.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CARACTERIZAÇÃO. Gera direito de descontar créditos de COFINS calculados sobre os insumos utilizados em todo o processo de produção do "concentrado de cobre", o que incluiu, também, as fases de lavra, britagem e moagem, por entender, em suma, que se tratam de atividades integradas para a obtenção do minério. Desta forma, os explosivos, detonadores de rochas, biodiesel (combustíve]), são considerados essenciais ao processo produtivo da empresa.
CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO.
A pessoa jurídica pode optar pela recuperação de créditos (depreciação), calculados sobre o valor de aquisição de máquinas e equipamentos adquiridos no País (nacional), destinados ao Ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços.
ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA
Exclui-se da base de cálculo para apuração de crédito do PIS e Cofins referente aos gastos com Energia Elétrica o valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (ST).
FRETES REALIZADOS POR COOPERATIVA
Quando não há incidência do PIS nos fretes realizados por Cooperativa de Transporte de Cargas, o valor dos serviços não compõem a base de cálculo dos créditos de PIS.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para: (i) não conhecer do Recurso Voluntário quanto aquisição relativas às peças de reposição do Britador (NF nº 1270), e (ii) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de aquisição dos materiais explosivos, fornecimento de nitrato amônia e flotanol, o fornecimento de óleo diesel, os serviços de desmonte de rochas e manutenção de caminhões (RK), bem como, quanto aos bens do Ativo Imobilizado, reverter apenas os créditos referentes aos bens de origem nacionais. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição em apreço não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IRPJ (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção) e, consequentemente, à persecução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Precedentes deste CARF. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CARACTERIZAÇÃO. Gera direito de descontar créditos de COFINS calculados sobre os insumos utilizados em todo o processo de produção do "concentrado de cobre", o que incluiu, também, as fases de lavra, britagem e moagem, por entender, em suma, que se tratam de atividades integradas para a obtenção do minério. Desta forma, os explosivos, detonadores de rochas, biodiesel (combustíve]), são considerados essenciais ao processo produtivo da empresa. CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. A pessoa jurídica pode optar pela recuperação de créditos (depreciação), calculados sobre o valor de aquisição de máquinas e equipamentos adquiridos no País (nacional), destinados ao Ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Excluise da base de cálculo para apuração de crédito do PIS e Cofins referente aos gastos com Energia Elétrica o valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias ICMS, quando cobrado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 23 26 /2 00 8- 81 Fl. 643DF CARF MF 2 pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (ST). FRETES REALIZADOS POR COOPERATIVA Quando não há incidência do PIS nos fretes realizados por Cooperativa de Transporte de Cargas, o valor dos serviços não compõem a base de cálculo dos créditos de PIS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para: (i) não conhecer do Recurso Voluntário quanto aquisição relativas às peças de reposição do Britador (NF nº 1270), e (ii) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de aquisição dos materiais explosivos, fornecimento de nitrato amônia e flotanol, o fornecimento de óleo diesel, os serviços de desmonte de rochas e manutenção de caminhões (RK), bem como, quanto aos bens do Ativo Imobilizado, reverter apenas os créditos referentes aos bens de origem nacionais. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Relatório Tratase de Pedidos de Ressarcimento (PER), requerido pela empresa MINERAÇÃO MARACÁ INDUSTRIA E COMERCIO S/A., referente a Contribuição da COFINS não cumulativa, apurados nos 1º Semestre do anocalendário de 2008, visando ter reconhecimento em crédito de Exportação, ao qual tem associado Declarações de Compensação (DCOMP), comportando um crédito de R$ 6.514.495,98. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 605/617): Cuidam os autos de Pedidos de Ressarcimento de créditos de COFINS NãoCumulativaExportação (associados a Declarações de CompensaçãoDcomp), apurados no 1º Semestre do anocalendário de 2008, comportando um crédito de R$ 6.514.495,98. Tratase também da constituição de crédito tributário por falta de recolhimento do débito de Cofins referente a junho/2008, não confessado, nem declarado em DCTF. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 644 3 O Despacho Decisório nº 90 DRF/ANA, de 22/03/2010, não reconheceu o crédito pleiteado pelo sujeito passivo e não homologou as compensações informadas nas DCOMP. Promoveu a lavratura de Auto de Infração relativo ao valor da Cofins NãoCumulativa de junho/2008, devido e não confessado pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com o Despacho Decisório proferido pela DRF/Anápolis, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, que em síntese diz: As Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 utilizaramse da definição de insumo contida na legislação do IPl para estabelecerem o conceito de insumo para apuração do PIS e COFINS não cumulativos. Contudo, é até intuitivo não ser possível equiparar conceitos e situações relacionados a tributos de materialidade absolutamente distinta, no caso, receita (PIS/COFINS) e industrialização de produto (IPI). Portanto, ao pretender estender o conceito de insumo utilizado para fins de IPI ao PIS e COFINS, os atos regulamentares editados pela RFB infringem a estrita legalidade tributária (por ausência de previsão legal nesse sentido) e, ainda, o artigo 109 do CTN por distorção do próprio conceito de insumo. O legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Neste cenário, é absolutamente certo que o conceito de insumo aplicável ao PIS e COFINS deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. A materialidade das contribuições ao PIS e COFINS é bastante mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ do que daquela prevista para o IPI. De fato, em vista da natureza das respectivas hipóteses de incidência (receita/lucro/industrialização), o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (artigo 290 do RIR/99), bem como o de despesas operacionais previsto no artigo 299 do RIR/99, é bem mais próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS não cumulativos do que o conceito previsto na legislação do IPI. Nesse sentido se manifestam Doutrinadores e o próprio CARF. É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do Fl. 645DF CARF MF 4 RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Impugnante houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos, explosivos, óleo diesel utilizado na extração de minérios), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Desta feita, é certo que o conteúdo do art. 8º, I, "b", "b", §4º, l, "a" da Instrução Normativa nº 404/2004, encontrase divergente do determinado pelo art. 110 do CTN, fato que implica em sua ilegalidade por ofensa à hierarquia das normas. Ademais, há de se esclarecer que o processo produtivo da CONTRIBUINTE, é complexo, ou seja, abrange todas as etapas para a fabricação do Concentrado de Cobre, sendo que os produtos não homologados como passíveis de crédito (explosivos, detonadores, biodiesel, esferas de moinho, combustível) são todos essenciais à sua produção. Do critério para o reconhecimento dos créditos oriundos do ativo imobilizado. Por fim, cumpre afirmar que houve um erro da Impugnante quanto aos bens informados como passíveis de ensejar créditos constantes do seu ativo imobilizado. Entretanto, a Impugnante corrigiu tal fato através de seu Manifesto de Inconformidade anterior, acostando um resumo da lista de bens que integram seu ativo imobilizado e são essenciais ao seu processo produtivo, em total consonância com o disposto no § 14 do art. 3º da Lei 10.833/2003. Deste modo, insta o reconhecimento dos créditos pretendidos pela Impugnante, conforme os documentos acostados já apresentados quando da Manifestação de Inconformidade, em relação às máquinas e equipamentos adquiridas para a composição de seu ativo imobilizado que visem a efetivação de seu processo produtivo. Da alegação que a contribuinte inseriu itens do ativo imobilizado como insumos com utilização do RECAP. O ilustre fiscal autuante não cuidou em mostrar quais os itens do ativo imobilizado foram objeto do RECAP para ser excluídos, efetivando sua exclusão total e indiscriminada, sem qualquer cuidado, gerando enormes prejuízos a contribuinte na apuração dos seus créditos de PIS. Tal situação, além de ilegal, implica em cerceamento do direito de defesa da contribuinte, vez que não pode se defender daquilo que desconhece, inviabilizando o preceito constitucional da ampla defesa. O art. 11 do Decreto 5.649/05, assim como a regra incorporada pela Lei nº 10.865/04 às normas de regência de PIS e COFINS e de PISImportação e COFINSImportação, estão em descomunhão com a técnica de apuração nãocumulativa de Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 645 5 contribuições incidentes sobre o faturamento, erigida a dispositivo constitucional (art. 11 do Decreto nº 5.649/05). (art. 195, § 12, da CF/88). Consumo de Energia Elétrica Gera Crédito na Apuração da Cofins O destaque em nota fiscal do valor do ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador de serviços na condição de substituto tributário é condição necessária para exclusão deste valor da base de cálculo da Cofins. No caso de distribuidora de energia elétrica, o valor do ICMS incidente sobre as operações de distribuição não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição, visto que nesta operação, o valor do ICMS engloba o imposto devido na condição de contribuinte e na condição de responsável por substituição tributária. Das Exclusões da Substituição Tributária do ICMS e dos Fretes realizado pela COOPERALTO O Pleno do STF, no RE 350.4461/PR, julgou a questão do direito de crédito de IPI sobre insumos tributados por alíquota zero de forma favorável ao contribuinte. Na ementa do acórdão está consignado que se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. Diz ainda essa ementa que a isenção ou a alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. De qualquer modo, se for alegado não haver ônus de PIS e sobre o valor das receitas auferidas pelo fornecedor e, assim, não haveria nada para o contribuinte industrial se creditar, podese opor a irrelevância disso, porquanto, em essência, o crédito calculado desses tributos é inegavelmente um direito de natureza presumida. A plausibilidade dessa afirmação resulta da interpretação do próprio § l9 do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, pois o crédito é calculado sobre o valor de aquisição dos insumos pela mesma alíquota do débito aplicada sobre o valor do faturamento. Diante do exposto, forte nas alegações de cunho fático e jurídico ora esposadas, a Impugnante requer que: a) Seja recebido e processado o presente MANIFESTO DE INCONFORMIDADE por próprio e tempestivo, a fim de promover a integral reforma do despacho decisório supracitado e homologar os créditos postulados a fim de promover sua compensação nos termos requeridos nas alusivas PER/DCOMPs Fl. 647DF CARF MF 6 e evitando, assim, o imediato encaminhamento do suposto débito para cobrança; b) Seja declarada a improcedência do despacho nº 90 DRF/ANA, vez que este não homologou a integralidade dos créditos de PIS de direito da contribuinte, e, conseqüentemente, sejam homologados e compensados os créditos informados, extinguindo, pois o crédito tributário em questão. DO AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITO NÃO DECLARADO (CONFESSADO). A Impugnante não faz jus à autuação vez que o débito apontado como omitido foi devidamente recolhido no prazo legal, logo a autuação padece de fundamentação legal, conforme art. 156I do CTN. O caso em tela, a multa a ser aplicada poderia ser a do art. 7º, II da IN 1.110/2010, ou seja, R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Tratase de violação ao princípio constitucional do nãoconfisco e ofensa ao da proporcionalidade. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Brasília (DF) nº 03072.795, de 30/01/2017, abaixo transcrito (fls. 605): Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 PIS E COFINS NÃOCUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM FABRICADO/PRODUZIDO. Geram crédito de PIS e Cofins, descontáveis do valor devido da contribuição e compensáveis, as aquisições de qualquer bem que sofra alteração, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. No que se refere às despesas com serviços, o termo “insumo” também não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas tãosomente aqueles que efetivamente se aplicaram ou consumiram diretamente na produção dos bens fabricados/produzidos pelo interessado, ou, ainda, que se aplicaram ou consumiram nos serviços prestados pela empresa. CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. A pessoa jurídica pode optar pela recuperação acelerada de créditos (depreciação acelerada), calculados sobre o valor de aquisição de Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 646 7 máquinas e equipamentos adquiridos novos, na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos), destinados ao ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços. ENERGIA ELÉTRICA – ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Excluise da base de cálculo para apuração de crédito do PIS e Cofins referente aos gastos com Energia Elétrica o valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. FRETES REALIZADOS POR COOPERATIVA Quando não há incidência da COFINS nos fretes realizados por Cooperativa de Transporte de Cargas, o valor dos serviços não compõem a base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa e as decisões judiciais, no caso, só tem efeito inter partes e não erga omnes. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DÉBITO NÃO DECLARADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Detectandose a nãodeclaração e insuficiência de pagamento de contribuição social devida, o crédito tributário deve ser constituído pelo lançamento de ofício (Auto de Infração). A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. TRIBUTO NÃO DECLARADO, PAGO NO PRAZO. NÃOEXIGÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Na hipótese em que o contribuinte não declara o tributo, mas paga o débito no vencimento, não está constituído o crédito tributário, de forma que o pagamento efetuado antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, configura denúncia espontânea, tornando indevida (inexigível) a multa de oficio e os juros de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 649DF CARF MF 8 Em 10/03/2017 (fl. 622) a Recorrente foi devidamente cientificada por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB e não resignada com a decisão, a empresa em 11/04/2017 (fl. 623), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 625/639) o qual, repisa os argumentos de sua impugnação e em suma, alega as seguintes razões: que após amplo debate perante o CARF, concluiuse que geram direito ao crédito de COFINS, na qualidade de insumo, todo bem adquirido que seja indispensável à obtenção de receita tributável. Dessa forma, encontrase equivocado o entendimento adotado no Acórdão objeto do presente recurso, por meio do qual foram glosados valores relativos à aquisição de produtos indispensáveis ao processo produtivo desenvolvido pela Recorrente; Da glosa relativa aos bens e serviços utilizados como insumos que o processo produtivo desenvolvido pela Recorrente contempla todas as etapas a ele inerentes, a saber: lavra, britagem, moagem e flotação. Tratamse de etapas seqüenciais, interligadas entre si e cuja inobservância impede a obtenção do produto final, razão pela qual não há como se dissociar as etapas iniciais do processo produtivo; o processo de mineração é, portanto, único, composto por diversas etapas interdependentes, as quais integram, de forma cíclica, a atividade de produção mineral desenvolvida pela Recorrente. Logo, não há como se pensar o processo mineral de forma destacada, pois, em que pese a existência de fases distintas, a ausência ou inoperância de uma delas implica o comprometimento de todas as demais. se o minério está aglutinado à rocha, como se poderia promover a extrusão do mesmo sem a utilização de explosivos e detonadores? De fato, é justamente nesse momento, mediante o emprego de referidos materiais, que se inicia o processo produtivo da Recorrente, sendo que, de igual modo, os mesmos são consumidos na cadeia produtiva; em relação ao combustível (biodiesel), tratase de bem destinado à manutenção e ao abastecimento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo propriamente dito, diretamente envolvidos nas fases de lavra, britagem e moagem; no que diz respeito às esferas de moinho, igualmente ensejam a apropriação dos créditos de COFINS, na medida em que, tratandose de eficientes equipamentos destinados a esmagar e triturar o minério extraído da rocha, são essenciais ao processo produtivo do concentrado de cobre; as despesas relativas às peças de reposição do britador (NF 1270), por se tratar de máquina indispensável ao processo produtivo, responsável pela extrusão do minério aglutinado à rocha, geram direito ao crédito pleiteado, consoante entendimento firmado através da Solução de Divergência/COSIT nº 14/2007; Da glosa relativa aos créditos referentes ao ativo imobilizado considerando que quanto a esse aspecto, o Acórdão vergastado limitouse a reproduzir as razões empregadas pelo i. Auditor ao proferir o Despacho Decisório, cumpre à Recorrente reiterar os esclarecimentos e as razões de direito apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade; da alegação que a contribuinte inseriu itens do ativo imobilizado como insumos com utilização do RECAP. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 647 9 Dos créditos relacionados às despesas de energia elétrica; que a modalidade de substituição tributária estabelecida no Convênio ICMS nº 83/00, nem de longe se amolda ao modelo relacionado à substituição tributária pelas operações posteriores, cuja metodologia visa recolher o ICMS devido pelo próximo da cadeia tributária, geralmente um estabelecimento varejista, que confere continuidade ao ciclo de circulação da mercadoria. Do crédito relativo aos fretes realizados pela COOPERALTO; temse que o direito ao crédito deve sempre prevalecer quando há efetividade do lançamento de qualquer gasto ou despesa como custo do processo produtivo, consoante o presente caso, vez que o que importa ao legislador é o preceito elevado a status constitucional de nãocumulatividade da contribuição. Da busca pela Verdade Material Descreve e prima pela aplicação do princípio da Verdade Material: no caso em comento, em que pese a PER/DCOMP conter equívocos de ordem material, decorrentes do equivocado preenchimento do DACON, temse que tal equívoco é completamente passível de correção por meio do presente recurso, viabilizando a homologação dos créditos glosados, pelos motivos expostos em linhas pretéritas. Dos Pedidos Por todos os motivos expostos em linhas pretéritas, a Recorrente requer seja o presente Recurso Voluntário recebido e processado, bem como seja dado provimento à presente pretensão recursal para, ao final, reformar o Acórdão recorrido, para fins de que: (i) seja reconhecido seu direito à apropriação dos créditos relativos aos bens e serviços necessários ao processo produtivo desenvolvido pela Recorrente, na qualidade de insumos, ainda que empregados nas fases de lavra, britagem e moagem, consoante o entendimento adotado pelo CARF no Acórdão nº 3102002.167; (ii) seja reconhecido o direito à apropriação dos créditos glosados sob a rubrica “Ativo imobilizado”, considerando que as aquisições efetuadas pela Recorrente não foram contempladas pelo benefício fiscal instituído pelo RECAP, razão pela qual faz jus ao aproveitamento do crédito perseguido, nos termos da legislação de regência e consoante o entendimento do CARF sobre a matéria; (iii) seja reconhecido o direito à apropriação dos créditos glosados sob as rubricas “Energia elétrica” e “Fretes realizados pela COOPERALTO”, uma vez que apropriados na forma da legislação de regência; (iv) seja, ao final, reconhecida a compensação total do crédito por ela pretendido, o qual deverá ser atualizado a partir dos mesmos critérios utilizados para o tributo cobrado. Por fim, pugna pela juntada posterior de documentos que eventualmente se demonstrarem pertinentes. É o relatório. Fl. 651DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Consta dos autos que a Recorrente tem como atividade econômica preponderante a exploração e a comercialização de minérios e destina grande parte dos produtos que comercializa ao mercado externo, apurando, por conseguinte, uma elevada quantidade de crédito de PIS e de COFINS, decorrente de insumos adquiridos e empregados em seu processo produtivo, assim como relacionados à aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado da empresa, em conformidade com o que estabelece as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Assim, toda a celeuma instaurada cingese em torno da validade do aproveitamentos de créditos de PIS e da COFINS, apurados no regime não cumulativo, na elaboração do produto denominado "concentrado de cobre". A Recorrente efetuou Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS sobre diversas rubricas, declarados por meio de PER/DCOMPs relativos ao 1º e 2º trimestres do ano calendário de 2.008. Em análise aos pedidos formulados, o Fisco, por meio do Despacho Decisório nº 90 DRF/Anápolis/GO, de 22/03/2010, glosou o crédito pleiteado e não homologou as compensações informadas nas DCOMPs vinculadas ao referido PER. Ainda, promoveu a lavratura de Auto de Infração relativo aos valores do PIS nãocumulativo referente ao mês de maio e junho/2008, devido e não confessado pela Recorrente. 3. Conceito de Insumos No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos do PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 648 11 veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (...). Fl. 653DF CARF MF 12 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. Em suma, o entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar neste caso sob exame, quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). 4. Da atividade da Empresa A Recorrente informa que tem como principal atividade econômica a exploração e a comercialização de minérios. Dessa forma, adquire uma elevada quantidade de bens sem os quais é impossível se obter o produto final por ela elaborado, qual seja, o concentrado de cobre. Tratase, portanto de pessoa jurídica preponderantemente exportadora, cujas atividades principais, resumidamente, são a lavra, britagem, moagem, flotação, filtragem, visando a obtenção do produto final, que é o concentrado de cobre. Nesse sentido, podem ser citados os "materiais explosivos, os serviços de desmonte e óleo diesel (combustível), as esferas de moinho, bem como as partes e peças de reposição do britador (NF nº 1270), os quais foram glosados pelo i. Auditor, cujo entendimento foi mantido pela DRJ, sob o argumento de que vinculados à fase de Lavra, Britagem e Moagem, que não estariam contempladas na fase produtiva (fl. 631). 5. Dos Créditos GLOSADOS Aduz a Recorrente que de uma detida análise do Acórdão recorrido, pode se depreender que as aquisições de bens que não sofrem alteração, tais como o desgaste, o dano Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 649 13 ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, foram integralmente desconsideradas, sob o fundamento de que não se enquadram no conceito de insumos estabelecido no art. 3º, da Lei nº 10.833/03 e artigos 8º e 9º, da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. Em igual sentido, foram glosados os créditos apropriados em mesma rubrica pertinentes aos serviços que não foram aplicados ou consumidos diretamente na produção dos bens fabricados/produzidos pela Recorrente. Todavia, equivocado tal entendimento, uma vez que consideravelmente restritivo, consubstanciado no conceito de insumo introduzido pela legislação que disciplina o IPI. 5. 1 Da glosa relativa aos bens e serviços utilizados como insumos: Defende a Recorrente que as glosas de crédito efetuadas pela fiscalização restringem o conceito de insumo, desconsiderando que são despesas, custos incorridos no processo produtivo e necessários, indispensáveis à geração do produto final e, por conseqüência, geradores de crédito do PIS e da COFINS. Por outro giro, no Despacho Decisório (fls. 489/503), bem como na Decisão recorrida, o Fisco entende que, segundo os dispositivos mencionados (arts. 66 e 67 da IN SRF nº 247, de 2002 e 8º e 9º da IN SRF nº 404, de 2004), para que o bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Desta forma, entendeu o Fisco que "os materiais colocados indevidamente como insumos foram os seguintes: "materiais explosivos", os "serviços de desmonte de rochas" e o "óleo diesel", porque, no caso em tela, não exercem ação direta sobre o produto em fabricação. Além disso, o contribuinte ainda lançou materiais importados, que não podem compor esta linha, tais como "esferas de moinho" e "reagente espumante". A linha "Bens Utilizados Como Insumos" só admite bens ou serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, conforme o artigo 3º , § 3º, da Lei n° 10.833/2003 (parágrafo 14, acima). Os créditos relativos a materiais importados (se forem insumos) podem ser lançados nos créditos referentes a aquisições no mercado externo, desde que tenha ocorrido o efetivo pagamento da contribuição. Na linha "Serviços Utilizados Como Insumos", o contribuinte agrupou notas fiscais de serviços que não fazem parte da etapa de produção do concentrado de cobre, propriamente dita, como o desmonte de rochas e manutenção de caminhões (RK). O desmonte de rochas, por exemplo, ocorre na atividade de lavra. Por isso, não há como admitir a geração de créditos de serviços". Em seu recurso, a Recorrente alega que, "(...) Nesse contexto, os bens glosados, por serem essenciais ao processo produtivo, empregados nas fases produtivas desconsideradas no Acórdão combalido, geram direito ao crédito perseguido na qualidade de insumos, consoante o conceito consolidado pelo CARF, transcrito em linhas pretéritas. Ora, se o minério está aglutinado à rocha, como se poderia promover a extrusão do mesmo sem a utilização de explosivos e detonadores? De fato, é justamente nesse momento, mediante o emprego de referidos materiais, que se inicia o processo produtivo da Recorrente, sendo que, de igual modo, os mesmos são consumidos na cadeia produtiva. Fl. 655DF CARF MF 14 Em relação ao combustível (biodiesel), tratase de bem destinado à manutenção e ao abastecimento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo propriamente dito, diretamente envolvidos nas fases de lavra, britagem e moagem. No que diz respeito às esferas de moinho, igualmente ensejam a apropriação dos créditos de COFINS, na medida em que, tratandose de eficientes equipamentos destinados a esmagar e triturar o minério extraído da rocha, são essenciais ao processo produtivo do concentrado de cobre. De igual forma, as despesas relativas às peças de reposição do britador (NF 1270), por se tratar de máquina indispensável ao processo produtivo, responsável pela extrusão do minério aglutinado à rocha assim como os explosivos e os detonadores, geram direito ao crédito pleiteado, consoante entendimento firmado através da Solução de Divergência/COSIT nº 14/2007". 5.1.1 Dos materiais explosivos, serviço de desmonte de rochas e biodiesel (combustível) Como dito alhures, ao meu sentir, as leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 que regem esta matéria, definem que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quanto ao termo insumos, entendo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. Portanto, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Neste diapasão, as possibilidades para se caracterizar como insumos, não se limitam aos dispositivos mencionados pela decisão recorrida, qual seja, para que o bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Portanto, neste processo, se faz necessário identificar quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente ao processo de produção, de prestação de serviços e de revenda. Por conseguinte, as informações presentes neste processo, a meu ver, já permitem que se forme convicção a esse respeito. E mais. Reforçando esta premissa, abordo o consignado na Informação Fiscal de Diligência solicitada pela DRJ no PAF nº 13116.001614/200738 (que trata da mesma matéria e da própria MINERAÇÃO MARACÁ), em que a fiscalização desta forma consignou na informação de fl. 1.384 daquele processo: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 650 15 "(...) Além disto, cumpre destacar, mais uma vez, o entendimento contido no Acórdão citado acima, acerca do processo produtivo da empresa, que já foi objeto de muito questionamento por parte da Delegacia da Receita Federal em Anápolis em diversos processos que tratavam do mesmo assunto, ou seja, Pedidos de Ressarcimento do PIS/COFINS, só que relativos a outros períodos de apuração, onde foi pacificado o entendimento de que a empresa tem o direito de descontar créditos destes tributos calculados sobre os insumos utilizados em TODO o processo de produção do concentrado de cobre, o que incluiu, também, as fases de lavra, britagem e moagem, por entender, em suma, que se tratam de atividades integradas para a obtenção do minério" (Grifei). Posto isto, concluo por aplicar o entendimento acima exposado, uma vez que os componentes listados no quadro à fl. 498 do Despacho Decisório, quais sejam: materiais explosivos, fornecimento de nitrato amônia e flotanol D25, o fornecimento de óleo diesel, os serviços de desmonte de rochas e manutenção de caminhões (RK)", que são considerados essenciais ao processo produtivo da empresa, pois estão diretamente vinculados à fase de Lavra, Britagem, Moagem, Flotação e Filtragem, fases estas realizadas na extração/fabricação ou produção do bem destinado à venda, que no caso tratase do concentrado de cobre. Portanto devem ser revertidas as glosas referente a estes itens. 5.1.2 Dos bens (materiais) importados A mesma sorte não se aplica aos seguintes itens verificados pela Fiscalização como importados, conforme descrito no quadro de fl. 498 (coluna CNPJ) do Despacho Decisório, sendo eles: "esferas de moinho, reagente espumante Flomin, reagente Oreprep OTX, cone (revestimento) e reagentes". Isto porque, dados que conforme verificado pelo Fisco e que não foram contestados pela Recorrente em seu recurso, embora aquelas notas fiscais se referem a Ativo Imobilizado ou como insumos utilizados no processo produtivo, não dão direito a crédito, pois somente os bens adquiridos no País, para utilização na produção de bens destinados à venda, dão direito a crédito na apuração da COFINS e do PIS. Vejase a legislação. Isto porque em sintonia com o artigo 3º da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, nos seus artigos 66 e 67 define insumos nos termos a seguir, para fins do PIS/PASEP nãocumulativo: Vejase: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; A regulamentação veio com a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, nos seus artigos 66 e 67: Fl. 657DF CARF MF 16 Art. 67. O direito ao crédito de que trata o art. 66 aplicase, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II – aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País; e III – aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas e encargos incorridos a partir de 1º de dezembro de 2002. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve contabilizar os bens adquiridos e os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País, separadamente daqueles efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior.” (Grifei) Destacase que em sintonia com o artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, a Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, nos seus artigos 8º e 9º, define insumos nos mesmos termos para fins da COFINS nãocumulativa. Posto isto, concluise que somente os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País é que gera direito a credito na apuração do PIS e da COFINS. Portanto, deve ser mantida as glosas para esses materiais importados. 5.1.3 Quanto as partes e peças de reposição do Britador (NF nº 1270) Aduz a Recorrente que (fl. 631), "(...) De igual forma, as despesas relativas às peças de reposição do britador (NF 1270), por se tratar de máquina indispensável ao processo produtivo, responsável pela extrusão do minério aglutinado à rocha assim como os explosivos e os detonadores, geram direito ao crédito pleiteado, consoante entendimento firmado através da Solução de Divergência/COSIT nº 14/2007". Neste caso, verificase que tratase de créditos decorrentes da aquisição relativas às peças de reposição do Britador (NF nº 1270, cópia à fl. 1.323), referente a produtos importados pela DI nº 07/103020751, cujos créditos foram creditados pela Recorrente, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumo, porém contestado e analisado no processo nº PAF nº 13116.001614/200738. Neste processo ora sob análise, nada foi encontrado sobre a glosa referida na NF nº 1270. Portanto, não se conhece do recurso sobre esta parte recorrida. 5.2 Da glosa relativa aos créditos referente ao Ativo Imobilizado Informa a Recorrente em seu recurso que "(...) cumpre afirmar que houve um erro da Impugnante quanto aos bens informados como passíveis de ensejar créditos constantes do ativo imobilizado seu. Entretanto, a Recorrente corrigiu tal fato através de seu Manifesto de Inconformidade anterior, acostando um resumo da lista de bens que integram seu ativo imobilizado e são essenciais ao seu processo produtivo, em total consonância com o disposto no § 14 do art. 3º da Lei 10.833/2003". No recurso voluntário a Recorrente reitera que todos os bens (conforme os documentos acostados quando da Manifestação de Inconformidade, em relação às máquinas e equipamentos adquiridas para a composição de seu ativo imobilizado), destinamse ao uso no processo de fabricação do Concentrado de Cobre, na mina localizada em Alto Horizonte Goiás, não sendo possível o seu uso em lugar diverso, haja vista sua aquisição sob encomenda, Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 651 17 dadas as especificidades decorrentes das propriedades físico químicas do minério localizado naquela região do País. Quanto a alegação que "a Recorrente inseriu itens do ativo imobilizado como insumos com utilização do RECAP", aduz que apesar dos diversos esclarecimentos prestados ao longo da presente demanda, no intuito de demonstrar que, em que pese ser beneficiária do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), desde 17/04/2007 (fl. 354 sic), conforme as orientações da IN SRF 605/2006, não se utilizou dos benefícios fiscais concedidos através de referido Regime, o Fisco entendeu por manter as glosas dos créditos relativos às aquisições de bens para composição do ativo imobilizado". Alega que tanto a fiscalização no Despacho Decisório como os Julgadores da DRJ, não cuidaram em indicar quais os itens do ativo imobilizado foram objeto do RECAP para ser excluídos. Que efetivando sua exclusão total e indiscriminada, sem qualquer cuidado, gerando enormes prejuízos na apuração dos seus créditos de PIS. Tal situação, além de ilegal, implica em cerceamento do direito de defesa da contribuinte, vez que não pode se defender daquilo que desconhece, inviabilizando o preceito constitucional da ampla defesa. Pois bem. De uma detida leitura do Acórdão recorrido, constatase que para fins de glosa dos créditos relativos ao Ativo Imobilizado da Recorrente, o Fisco sustentouse das notas fiscais colacionadas à resposta à Intimação Fiscal, apresentada às fl. 576 dos autos, por meio da qual, em resposta à Intimação nº 0381/2015 (fl. 574), a Recorrente apresentou diversas notas fiscais anexadas às fls. 577/589 dos autos. No entanto, verifico que a Recorrente apresentou na oportunidade todas as notas fiscais que foram objeto de RECAP, conforme solicitado na citada Intimação, conforme pode ser verificado no trecho abaixo reproduzido (fl. 574): Fl. 659DF CARF MF 18 A Recorrente apresentou a referida informação solicitada ás fls. 576/589 e a própria Fiscalização concordou com as provas e argumentos colacionados aos autos, consoante pode se depreender da Informação Fiscal SAORT/DRFAnápolis/GO nº 0020/2016 (fl. 604), cujo trecho segue abaixo reproduzido: "(...) Assim, foi verificado que, apesar de o contribuinte ter, equivocadamente, em sua manifestação de inconformidade, afirmado que teria efetuado algumas aquisições com suspensão do PIS/COFINS, posteriormente, quando intimado a comproválas, manifestouse no sentido de que não teria feito proveito de tal benefício. Em outras palavras, constatamos que, de fato, não foram realizadas aquisições de ativo fixo com suspensão do PIS/COFINS, o que, se tivesse ocorrido, impediria a empresa de aproveitar, futuramente, créditos destes tributos sobre tais bens. Sendo assim, não houve glosa de créditos por este motivo, baseada em aquisições feitas com amparo na IN SRF 605/2006. Portanto, a Informação Fiscal Saort/DRFAnápolis nº 26/2015, fl. 543, foi elaborada no sentido de concordar com os argumentos e provas trazidos ao processo pela interessada, razão pela qual não foi aberto prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Concluindo, diante das análises realizadas, verificamos que não há montante de crédito a ser determinado, com base na IN SRF 605/2006, haja vista que o contribuinte NÃO efetuou aquisições de ativo fixo amparadas na referida Instrução Normativa, restando comprovado que NÃO foram feitas glosas de créditos dos referidos tributos por meio do Despacho Decisório nº 92 – DRF/ANAGO, de 24/03/2010, fls. 432 a 447, o que dá direito à empresa, levandose em consideração apenas a abordagem deste tema, à manutenção dos créditos de PIS/COFINS, razão pela qual, novamente, não abriremos prazo para sua defesa, uma vez que o resultado desta diligência é favorável ao sujeito passivo. (Grifei) Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 652 19 Por outro giro, verifico que no Despacho Decisório, a fiscalização em seu item 28, desta forma fundamentou a glosa (fl 499): "(...) 28. Com relação ao crédito oriundo das aquisições para o ativo imobilizado, a IN SRF 404/2004, no artigo 8o , inciso III, alínea "a" (parágrafo 20, acima), esclarece que só os bens adquiridos no País, para utilização na produção de bens destinados à venda, dão direito a crédito na apuração da COFINS. Entretanto, o contribuinte não justificou os valores da linha "Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição)", conforme solicitamos na Intimação n° 1054/09, item 4 (fls. 348349). Enviounos apenas uma relação de bens adquiridos no I o semestre de 2008 (fls. 457458), os quais não são utilizados na atividade de produção do concentrado de cobre. A título de exemplo, encontramos na pequena lista um caminhão usado (no mês 03/2008), um trator, e até material importado sem o efetivo recolhimento da Cofins Importação (da mesma forma que aconteceu com os insumos, conforme relatamos no parágrafo 24, acima). Assim, não há como aproveitar os créditos da linha "Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição)". (Grifei) Já no Acórdão recorrido, a DRJ em Brasília à fl. 555/556, desta forma restou consignado: "(...) Observese que a interessada é beneficiária do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), desde 17/04/2007 (fl. 373), conforme as orientações da IN SRF 605/2006. Por isso, mesmo que os itens do ativo fixo fossem utilizados na atividade de formação do concentrado de cobre (o que não é o caso), ainda assim deveríamos desconsiderar os bens adicionados nos períodos posteriores ao início do RECAP, caso tenham sido adquiridos com suspensão da COFINS. Em relação ao Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), a Informação Fiscal, resultado de diligência solicitada, diz que: “a empresa afirma que, apesar de ter informado em sede de manifestação de inconformidade que determinados bens que compõem o ativo imobilizado teriam sido adquiridos com a utilização dos benefícios instituídos pela IN SRF 605/2006, após revisão realizada visando atender a intimação recebida, verificou se que as aquisições efetuadas ao longo dos anos de 2007/2008 não foram objeto de RECAP, portanto, não haveria notas fiscais de aquisição de bens do ativo imobilizado a serem apresentadas com indicativo de suspensão do PIS/COFINS, uma vez que em todas as compras houve a incidência dos mencionados tributos, o que geraria direito ao desconto dos créditos pleiteados, fls. 576. Entretanto, dado que aquelas notas fiscais se referem a ativo imobilizado não utilizado na atividade de produção do concentrado, também não dão direito a crédito, pois só os bens adquiridos no País, para utilização na produção de bens destinados à venda, dão direito a crédito na apuração da COFINS (IN SRF 404/2004, no artigo 8º , inciso III, alínea "a"). (Grifei) Há que se ressaltar, primeiramente, considerando que a decisão a quo ao meu sentir, contrariou a avaliação da fiscalização quanto aos créditos apropriados pela Recorrente sob a rubrica “Ativo Imobilizado”, considerando que as aquisições por ela realizadas, conforme o contido na Informação Fiscal (fl. 604), afirma claramente que não foram contempladas pelos benefícios instituídos pelo RECAP. Fl. 661DF CARF MF 20 Outrossim, conforme consta das DACONs colacionadas às fls. 196/350, a Recorrente, de fato, apurou créditos relativos ao Ativo Imobilizado, com base na legislação de regência, mas a fiscalização argumenta que a Recorrente não demonstrou ou especificou nos autos, que não se trata de bens importados. Pois bem. Com visto acima, a IN SRF 404/2004, nos artigo 8º, inciso III, alínea "a", e 9º, esclarece que só os bens adquiridos no País, para utilização na produção de bens destinados à venda, dão direito a crédito na apuração da COFINS. Entretanto, a Recorrente não justificou os valores da linha "Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição)", conforme solicitado pelo Fisco no Termo de Intimação n° 1054/09, item 4 (fls. 351/352). Vejase: A fiscalização informa no item 28 do Despacho Decisório que a Recorrente, "(...) Enviounos apenas uma relação de bens adquiridos no 1º semestre de 2008 (fls. 457458), os quais não são utilizados na atividade de produção do concentrado de cobre. A título de exemplo, encontramos na pequena lista um caminhão usado (no mês 03/2008), um trator, e até material importado sem o efetivo recolhimento da Cofins Importação (da mesma forma que aconteceu com os insumos, conforme relatamos no parágrafo 24, acima). Assim, não há como aproveitar os créditos da linha "Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição)". Pois bem. Examinadose as referidas planilhas correspondentes, juntadas às fls. 460/461 do eProcesso, verificase que consta na coluna própria do CNPJ, a informação do numero correspondente dos fornecedores dos bens e as demais informações solicitadas pela fiscalização (tais como: fornecedor, nº da NF, data, valores, e etc.) e separando e identificando se na coluna do CNPJ àqueles bens que foram IMPORTADOS, aliás, que pertencem todos a mesma empresa: TEHMCO S.A (fls. 460/461). Posto isto, como já analisado no tópico anterior, em sintonia com o artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, regulamentado pela Instrução Normativa IN SRF 404/2004, no artigo 8º, inciso III, alínea "a" e 9º, define insumos nos termos a seguir, para fins de creditamento da COFINS, nãocumulativo: Art. 9º. O direito ao crédito de que trata o art. 8º aplicase, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 653 21 II – aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País; III aos encargos de depreciação e amortização de bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; e IV aos bens e serviços adquiridos, aos custos, despesas e encargos incorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve contabilizar os bens adquiridos e os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País, separadamente daqueles efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior.” (Grifei) Posto isto, concluise que somente os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País é que gera direito a credito na apuração do PIS e da COFINS. Portanto, neste tópico, devem ser mantidas somente as glosas atinentes aos bens IMPORTADOS, discriminados nas planilhas de fls. 460/461. 5.3 Dos créditos relacionados às despesas de energia elétrica Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Primeiramente, importante destacar que, assim como ocorre em todas as Unidades Federativas, ocorre o fato gerador do ICMS quando da entrada no território goiano de energia elétrica não destinada a comercialização ou industrialização, conforme o disposto no art. 4° §1° do Decreto 4.852/97. Assim como nos casos de aquisição de mercadorias, produtos e serviços, os consumidores de energia elétrica possuem a liberalidade de realizar sua contratação junto às empresas geradoras, distribuidoras ou agente comercializador, ainda que a mesma não tenha sido gerada na Unidade Federativa de consumo. Desta forma, não se obrigam a consumir ou contratar energia elétrica da concessionária oficial, podendo recorrer ao mercado de contratação livre. Diante de tal fato, as Unidades Federativas, no intuito de garantir responsabilidade pelo recolhimento do ICMS incidente sobre o consumo de energia elétrica, celebraram o Convênio ICMS n° 83/00, por meio do qual atribuiuse ao estabelecimento gerador ou distribuidor, a obrigatoriedade de cumprir com a obrigação tributária principal". Por outro lado, sobre os gastos com energia elétrica a fiscalização relata que: "(...) o Contribuinte lançou o valor inteiro da nota fiscal, e deixou de retirar o ICMS Substituição Tributária (recolhido pelo fornecedor), o qual está fora da base de cálculo da COFINS, conforme o artigo 3º , § 2º , inciso I, da Lei n° 9.718/1998 que diz: Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória n°2.15835, de 2001) §1º (...). §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação Fl. 663DF CARF MF 22 de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em face do dispositivo legal acima, encontrase correto o fundamento da glosa (exclusão do valor do ICMS, cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário), manifestada pela fiscalização e, portanto, deve ser mantida, uma vez que o Contribuinte lançou o valor inteiro da nota fiscal, e deixou de retirar o ICMS Substituição Tributária ST (recolhido pelo fornecedor), o qual está fora da base de cálculo da COFINS, conforme dispõe o artigo 3º , § 2º , inciso I, da Lei n° 9.718/1998. 5.4 Do crédito relativo aos fretes realizados pela COOPERALTO Afirma a Recorrente que "(...) Considerando a hipótese de um contribuinte industrial adquirir insumo de um fornecedor cuja receita decorrente da venda de seu produto está sujeita à alíquota ou suspensão zero de PIS e COFINS e, depois de fabricar o seu produto, vender o mesmo auferindo receita tributável por alíquota maior do que zero, resta patente que a vedação ao crédito, ora criticada, resultará numa tributação que vai além do valor real agregado, atingindo todo o faturamento, isto é, alcançando também a receita decorrente da venda anterior da referida cadeia submetida à alíquota zero de PIS e COFINS". Por outro lado, explica a fiscalização no Despacho Decisório que: "(...) Com relação aos fretes, reparamos que a interessada incluiu nos seus créditos os serviços contratados da CTAH Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte (COOPERALTO), de CNPJ 07.873.061/000102, a qual não recolheu o COFINS relativo a este serviço, de acordo com os DACONs encontrados em nossos sistemas (fls. 465482). Em contato com o responsável pelo preenchimento dos DACONs da COOPERALTO, Sr. Washington Luiz de Paulo, perguntamos qual teria sido o motivo de não haverem apurado o PIS sobre os serviços prestados à MARACÁ. Ele explicou, via correio eletrônico (fls. 483484), que o não recolhimento da contribuição era baseado no artigo 16 da IN SRF 635/2006. De fato, no caso específico das cooperativas de transporte rodoviário de cargas, o PIS não incide sobre os valores repassados aos associados pelo serviços prestados, os quais podem ser excluídos da base de cálculo da COFINS, a partir de 01/12/2005, com autorização concedida no artigo 30 da Lei n° 11.051/2004, depois da redação dada pela Lei n° 11.196/2005": Art. 30. As sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PISfaturamento, poderão excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicando se, no que couber, o disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas às cooperativas de produção agropecuária e de infraestrutura. (Grifei) A referida Instrução Normativa SRF n° 635, de 2006, em seu art. 16, define que: Art. 16° A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; §1º (...). §2° Para efeito do inciso I do caput, entendese como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 654 23 Portanto, como não houve incidência do PIS nos fretes contratados da COOPERALTO, estes serviços precisam sair da base de créditos demonstrada nos DACONs da Recorrente MARACÁ. No mesmo sentido, é o que se depreende da leitura do §2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Pelos fundamentos acima, devem ser mantidas as glosas relativo aos fretes realizados pela COOPERALTO. 6 Do pedido de Diligência/juntada de documentos A Recorrente requer ao final de seu recurso "a juntada posterior de documentos que eventualmente se demonstrarem pertinentes", em homenagem ao princípio da verdade material. "(...) Diante das inconsistências informadas no trabalho do i. Auditor, o qual orientou o entendimento adotado pelos nobres Julgadores no Acórdão recorrido, importante ressaltar que, no âmbito dos processos administrativos, devese sempre buscar a verdade material dos fatos, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos, além daqueles colacionados aos autos pelos contribuintes". No entanto, verificase nos autos que houve a solicitação da diligência por parte da DRJ/Brasília/DF (fl. 544), e que a mesma foi realizada e concluída pela DRF/Anápolis/GO (fl. 604). Alega a Recorrente que embora esteja segura de que todas as glosas foram rebatidas de forma integral, juntandose todo o material probatório e comprovandose que todos os requisitos foram realizados em consonância com o ordenamento vigente atestando o direito creditório pleiteado, na remota hipótese de remanescer qualquer dúvida referente aos documentos apresentados, pugna pela juntada posterior de documentos que eventualmente se demonstrarem pertinentes. Ressalto que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, autoriza o julgador a determinar, de ofício ou a pedido, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio. Desta forma, em face da existência nos autos de elementos de provas suficientes para o julgamento do processo, e uma vez que os autos já foram convertidos em Fl. 665DF CARF MF 24 diligência quando da análise de sua Manifestação, tornase prescindível a realização de nova coleta de documentos. E não determinar novas diligências ou perícias desnecessárias, além de não ofender o princípio do devido processo legal ou do contraditório e da ampla defesa, obedece exatamente a preceito expresso da lei que rege o processo administrativo fiscal. Portanto, indefiro o pedido de diligência para juntada de novos documentos. 7. Do Auto de Infração lavrado Consta dos autos que a fiscalização, também promoveu a lavratura de Auto de Infração relativo ao valor da COFINS nãocumulativa referente ao mês de junho/2008, devido e não confessado pelo contribuinte. No entanto, a esse respeito, verifico que no recurso voluntário nada se pronunciou a Recorrente. Desse modo, não há como nos manifestarmos acerca de matéria que está fora do presente litígio, visto que o tema está definitivamente julgada nos termos da decisão a quo, de forma parcialmente desfavorável ao Recorrente, na seara administrativa. 8 Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso quanto aquisição relativas às peças de reposição do Britador (NF nº 1270), nos termos no item 5.1.3 deste voto, e na parte conhecida, dar parcialmente provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) para reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos materiais explosivos, fornecimento de nitrato amônia e flotanol, o fornecimento de óleo diesel, os serviços de desmonte de rochas e manutenção de caminhões (RK), nos termos descrito no item 5.1.1 deste voto; (ii) quanto as glosas de créditos referentes aos Bens do Ativo Imobilizado, reverter as glosas apenas os créditos referentes aos bens de origem nacionais, conforme item 5.2 deste voto. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13116.002326/200881 Acórdão n.º 3402005.143 S3C4T2 Fl. 655 25 Fl. 667DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900747/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 47 /2 01 3- 02 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.031. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.412, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11060.900747/201302 Acórdão n.º 3301004.555 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 343DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.000165/2003-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. OBSERVÂNCIA DE SÚMULA.
Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes.
IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF.
Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20:
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 9303-006.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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OBSERVÂNCIA DE SÚMULA. Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes. IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 01 65 /2 00 3- 78 Fl. 27076DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 20218.020, proferido pelo extinto 2º Conselho de Contribuintes, que decidiu por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a manutenção e ao aproveitamento dos créditos, nos termos da Lei nº 9.779/99, em montante que deve ser apurado pela autoridade competente. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Em exame o pedido de ressarcimento de fl. 01, formalizado em 15/01/2003, relativo a 'créditos de IPI decorrentes de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes, não tributados, isentos e alíquota zero, relativos ao 4" trimestre/2002, no valor de R$ 1.108.124,84, fundado no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e no artigo 4" da IN SRF nº 033/99. O pedido foi formulado pela matriz, mas a unidade detentora do crédito é o estabelecimento 33.069.766/000343, conforme RAIPI de fls. 34/39. Na mesma data, juntamente com o pedido de ressarcimento foi apresentada a Declaração de Compensação de fl. 02, com débito da COfil7S, da matriz, PA 12/2002, em valor idêntico ao solicitado em ressarcimento. fl. 37 encontrase anexada cópia do RAIPI do I" decêndio de janeiro/2003, no qual foi procedido o estorno do crédito pleiteado em ressarcimento. Para fundamentar o pedido foi juntada, a fls. 40/47, cópia da Decisão SRRF/7 RF/DISIT Nº 248/00, prolatada no processo de consulta formalizado sob o número 13710.001070/9970 com o intuito de esclarecer se há permissivo para a manutenção dos créditos relativos aos insumos empregados nos produtos imunes que industrializa, nos termos do artigo 11 da Lei 9.779/99. Da verificação da materialidade do crédito resultou a informação de fls. 77/78. Fl. 27077DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 4 3 Houve por bem a DERATRIO DE JANEIRO por meio do Despacho Decisório de fls. 81/94 indeferir o pleito. O decisão recorrida restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: CREDITAMENTO. PRODUTOS IMUNES. Nos termos da Lei nº 9.779/99, reconhecese o direito ao aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de insumos utilizados em produtos imunes, ainda que estes estejam classificados na TIPI como NT. Recurso provido". Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou embargos declaração sob o fundamento de que o acórdão embargado teria sido omisso ao não discorrer sobre a natureza do produto classificado como imune. Os embargos foram rejeitados, por entender que inexiste omissão, pois se a decisão embargada partiu da premissa de que o produto era imune, reanalisar o caso implica manifestos efeitos infringentes. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aponta como paradigma o acórdão nº 20401.246 e nº 20311.212, os quais demonstram a divergência argüida eis que decidiram de forma oposta ao acórdão guerreado. Em seguida, o Presidente da 3º da Câmara 3 Seção de Julgamento do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, ás fls. 398. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 26877/26912, requer que seja negado provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito ao direito ou não de créditos de IPI, derivados de petróleo, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99, relativos à aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos imunes, classificados na TIPI como NT. Fl. 27078DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 5 4 Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. In caso, no exame do pedido de ressarcimento de fl. 01, formalizado em 15/01/2003, relativo a créditos de IPI decorrentes de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes, não tributados, isentos e alíquota zero, relativos ao 4° trimestre/2002, no valor de R$ 1.108.124,84, fundado no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e no artigo 4° da IN SRF n° 033/99, a DERATRIO DE JANEIRO, por meio do Despacho Decisório de fls. 81/94 indeferiu o pleito da Contribuinte. Por sua vez, a decisão recorrida por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: "Estamos diante da seguinte situação. Um produto imune, consoante dispõe a Constituição da República, mas que é caracterizado como não tributado pela legislação infraconstitucional; soluções de consulta e atos administrativos que prevêem a manutenção dos créditos de IPI gerados pela aquisição de insumos utilizados em sua industrialização, e ao mesmo tempo limitações nestes mesmos atos para a manutenção de créditos em produtos classificados como Não Tributados. Tenho pela impossibilidade de a disposição da IN SRF que limita a utilização dos créditos para os produtos NT se aplicar aos produtos imunes, tanto pela exceção do § 4 2 da própria IN, que ficaria vazia de conteúdo, caso não pudesse ser aplicada, bem corno pela interpretação da legislação de acordo com a Constituição, que prevê a imunidade antes mesmo da qualquer outra classificação dada pela legislação infraconstitucional. A legislação deve ser interpretada no sentido que melhor eficácia lhe dê, e as soluções de consulta assim o fazem, ao prever a manutenção dos créditos. Desta forma, dou provimento ao recurso para reconhecer o direito A manutenção e ao aproveitamento dos créditos, nos termos da Lei n 2 9.779/99, em montante que deve ser apurado pela autoridade competente". Fl. 27079DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 6 5 Compulsando aos autos, verifico que a Contribuinte se dedica á industrialização e comercialização de combustíveis e derivados de petróleo, como óleos lubrificantes, os quais são imunes de tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, por força do artigo 155, parágrafo 3º, da Constituição Federal do Brasil. Com efeito, no julgamento do Acórdão 9303004.581, sessão de 24 de janeiro de 2017, em matéria idêntica, apresentei uma declaração de voto, o qual utilizo como fundamento em minhas razões de decidir. Vejamos: Compulsando os autos, verifico que os produtos industrializados pela Contribuinte (óleos lubrificantes com aditivos e óleos lubrificantes sem aditivos) gozam da imunidade Constitucional, inserida no artigo 155, parágrafo 3º, da CF, por se tratarem de derivados de petróleo. Destarte, a decisão recorrida não reconheceu a imunidade destes produtos, negando o direito ao crédito de IPI em razão da aquisição dos insumos empregados no processo produtivo estar em sintonia com os dispositivos da Lei nº 9.779/99, considerando ainda que, no presente caso aplicase a Súmula nº 20 do CARF, a qual trata sobre a impossibilidade de creditamento de IPI quando os produtos com saídas do estabelecimento forem classificadas na TIPI como NT. Discordo diametralmente da decisão recorrida, a Contribuinte industrializa produtos alcançados pela imunidade tributária, prevista no artigo 155, parágrafo 3º da Constituição, não restando qualquer dúvida quanto sua aplicação legal. A própria Constituição Federal, dispõe no artigo 153, parágrafo, 3º, inciso II, bem como o artigo 49 do CTN e artigos 164 do RIPI/2002 e artigo 226 do RIPI/2010, permitem o creditamento do imposto relativo á MP, PI e ME, incluindose matérias primas e produtos intermediários que sejam consumidos no processo de industrialização, não estabelecendo qualquer restrição ao princípio da não cumulatividade. Portanto, entendo que não se aplica ao presente caso a Súmula nº 20 do CARF, considerando que ela não se refere a produtos imunes, como é o caso de óleos lubrificantes. Neste sentido, o Acórdão paradigma nº 3403001.678, da lavra do Ilustre Conselheiro Robson José Bayerl, julgado em 28 de junho de 2012, afastou a aplicação da Súmula nº 20 do CARF, reconhecendo o direito ao creditamento do IPI de que trata o artigo 11 da lei nº 9.779/99, o qual alcança igualmente os produtos acobertados pela imunidade, no caso os derivados de petróleo, indiferente de sua classificação na TIPI como NT. Vejamos: "Consoante art. 153, § 3º da CF/88 as balizas que dão o contorno principal do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI são as seguintes: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; Fl. 27080DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 7 6 II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições de insumos (MP, PI e ME) e o valor devido na saída do produto tributado, de modo que é pressuposto, a meu sentir, inarredável, que tenha havido cobrança do imposto em ambas as etapas da cadeia de produção. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, por via oblíqua, sinaliza neste sentido, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: Fl. 27081DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 8 7 “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136,de 1970) § 2º (Revogado pelo Decreto Leinº 2.433, de 1988) § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Portanto, a regra era a impossibilidade de aproveitamento de créditos de IPI pela aquisição de matériaprima, material intermediário e de embalagem empregados na produção de mercadorias isentas, não tributadas e tributadas às alíquotas zero, lembrando que, no caso vertente, o produto final (emulsões asfálticas de petróleo, posição 2715.00.00) seria imune ao imposto, nada obstante possuir alíquota positiva na TIPI. Com o advento da Lei nº 9.779/99, através de seu art. 11, o tratamento deste tema ganhou nova roupagem, eis que mitigado o rigor da disposição adrede citada da Lei nº 4.502/64, ao se permitir a manutenção do crédito nos casos de produtos saídos com isenção e alíquota zero, nestes termos: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Normatizando o assunto foi editada a IN SRF 33/99, que esclarece a forma de aproveitamento do aludido direito creditório, estabelecendo, dentre outras coisas, o seguinte: “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matéria prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) Fl. 27082DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 9 8 § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999.” À primeira vista, o ato normativo parece contraditório, ao reconhecer que os produtos imunes gozam da vantagem conferida pela legislação que especifica e, ao mesmo tempo, esclarece que não estão alcançados pela hipótese de ressarcimento os produtos não tributados (NT), olvidandose que aqueles, em função da própria não incidência constitucional, estão anotados na TIPI como não tributados (NT), como, por exemplo, os livros e jornais da posição 49. Nos termos do ADI SRF 05/06, a interpretação mais consentânea com a mens legis seria aquela que afasta tal possibilidade aos produtos naturais ou em estado bruto e aqueles alcançados pela imunidade, exceção aos produtos destinados à exportação para o exterior. Como estampado alhures, a possibilidade de utilização do saldo credor, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779/99, somente foi granjeada pela IN SRF 33/99, que, certo ou errado, inovou o ordenamento jurídico, porquanto o preceptivo em comento somente garantiu o direito ao saldo credor relativo às saídas de produtos isentos e/ou tributados à alíquota zero, pelo que, para os produtos não tributados, continuava em vigor as disposições do art. 25 da Lei nº 4.502/64, que determinava o estorno do crédito; entretanto, não parece fazer sentido afastar um ato administrativo que confere direito aos contribuintes, ainda que ao arrepio da lei, quando em hipóteses análogas, que albergam produtos exportados, também imunes ao imposto, a Administração Tributária reconhece sem maiores questionamento a fruição do beneplácito. A questão que se põe, em minha ótica, é estabelecer o alcance do direito à luz do confronto entre os produtos não tributados e os produtos imunes. De minha parte, tenho que a vedação a que alude a IN SRF 33/99, tocante aos produtos não tributados, se restringe àqueles que o são pela própria natureza, como os produtos em estado natural ou em bruto, isto é, aqueles que não se submetem a quaisquer das operações caracterizadoras da industrialização, cuja realização tem o condão de modificar a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoar para consumo, consistente na transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento, reacondicionamento, renovação ou recondicionamento (art. 3º do RIPI/98, aprovado pelo Decreto nº 2.637/98, então vigente). Fl. 27083DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 10 9 Os produtos imunes, por outro lado, geralmente se submetem a algumas destas operações, como é o caso do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a energia elétrica, a gasolina, o óleo diesel e outros derivados de petróleo, que somente foram excluídos do campo de incidência do IPI por opção do legislador constitucional, que os recobriu com a imunidade, mas que, em sua gênese, são produtos que satisfazem àquele conceito de industrialização. A título ilustrativo, o art. 195, § 2º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/02, prevê textualmente a manutenção do saldo credor, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99, inclusive nas saídas de produtos imunes, sem qualquer distinção ou ressalva quanto à aplicação exclusiva aos produtos exportados. É certo que referido diploma regulamentar não se aplica ao caso dos autos, por ser o período de apuração anterior à sua vigência, todavia, o raciocínio vetor da disposição serve ao propósito do convencimento. Notese que, no caso destes autos, o argumento para indeferir o ressarcimento se fundou apenas no fato de ser o produto imune, mas não porque não tenha sofrido alguma espécie de industrialização, mesmo porque, não me parece que emulsões asfálticas sejam produtos encontradiços na natureza em estado final, isto é, pronto para consumo sem qualquer espécie de tratamento para uso, tanto que as tabelas de incidência do IPI submetem o produto à tributação. Apenas para balizar, consoante disposto nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, os produtos classificados na posição 2715.00.00 da TIPI se caracterizam da seguinte forma: São também excluídos desta posição: f) As preparações lubrificantes da posição 34.03.” Tenho, então, que não cabe ao intérprete, sob o pálio de aclarar o sentido, condicionar o alcance de normas expressas em reconhecer direitos ao contribuinte, onde elas próprias não o fizeram, haja vista que se a IN SRF 33/99 e, principalmente, o art. 195 do RIPI/02, pretendessem limitar a vantagem do ressarcimento do saldo credor dos produtos imunes àqueles destinados ao exterior teriam feito expressamente e não de forma implícita, de modo que a ilação mais consentânea com o espírito da norma é que a referência genérica aos produtos imunes abarca não só os exportados, como todos os demais, a exemplo do papel, da energia elétrica (no caso de sua produção por transformação) e dos derivados de petróleo. Em razão destas colocações, inclusive, é que entendo inaplicável ao processo o teor da súmula CARF nº 20, segundo a qual não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 27084DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 11 10 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto e reconhecer o direito ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, garantido pela IN SRF 33/99". Portanto, entendo inaplicável ao presente processo o teor da Súmula CARF nº 20, do CARF, em razão dos produtos industrializados pela Contribuinte (óleos lubrificantes) serem imunes, conforme dispõe o artigo 155, parágrafo 3º da Constituição, ademais a própria Constituição Federal, dispõe no artigo 153, parágrafo, 3º, inciso II, bem como o artigo 49 do CTN e artigos 164 do RIPI/2002 e artigo 226 do RIPI/2010, o direito ao creditamento do imposto relativo á MP, PI e ME, incluindose matérias primas e produtos intermediários que sejam consumidos no processo de industrialização, não estabelecendo qualquer restrição ao princípio da não cumulatividade. Com essas considerações, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. Como visto, no presente caso, a Contribuinte industrializa produtos alcançados pela imunidade tributária, prevista no artigo 155, parágrafo 3º da Constituição, bem como o artigo 49 do CTN e artigos 164 do RIPI/2002 e artigo 226 do RIPI/2010, os quais, permitem o creditamento do imposto, incluindose matérias primas e produtos intermediários que sejam consumidos no processo de industrialização, não estabelecendo qualquer restrição ao princípio da não cumulatividade. Afasto aplicação da Súmula CARF nº 20. Sem embargo, há de se considerar que a Contribuinte obteve resposta favorável da Delegacia da Receita Federal da 7º Região Fiscal Rio de Janeiro, por meio de Consulta Fiscal nº 13710.0001070/9970. Vejamos: Ementa: PRODUTO FINAL IMUNE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Segundo o entendimento administrativo dominante, o disposto no art. 11 da Lei n° 9779 defere genericamente ao industrial de produtos imunes o direito de créditos quanto aos insumos e o respectivo aproveitamento para, sucessivamente, compensar com IPI por ventura devido, compensar com outro tributo ou obter ressarcimento em espécie, obedecidas as formalidades pertinentes. Dispositivos legais: CF, art. 150, VI, "d", art. 153, § 3 0, II e III, art. 155, § 3°, Lei 9779/99, art. 11; IN 33/99; ADN COSIT 17/00." "CONCLUSÃO Isto posto, soluciono a consulta de forma favorável ao consulente para esclarecer que, segundo o entendimento administrativo dominante, o disposto no art. 11 da Lei 9.779/99 defere genericamente ao industrial de produtos imunes o direito de crédito quanto aos insumos e o respectivo aproveitamento para, sucessivamente, compensar com IPI porventura devido, compensar com outro tributo ou obter ressarcimento em espécie, obedecida as formalidades pertinentes. Fl. 27085DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 12 11 Diante do exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 27086DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões, quanto ao aproveitamento créditos do IPI sobre as aquisições de insumos empregados na produção e venda de produtos classificados na TIPI como não tributados (NT). Tratase de matéria já julgada nesta instância superior, inclusive, de pedido de ressarcimento, desse mesmo contribuinte, referente a fatos geradores de outros períodos de competência, formulado no processo administrativo nº 13710.000879/200386, julgado em junho de 2013, nos termos do acórdão nº 9303002.306, de relatoria do então eminente Conselheiro Júlio César Alves Ramos, cuja decisão unânime foi para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para indeferir o ressarcimento/compensação dos créditos do IPI apurados e aproveitados indevidamente sobre aquisições de insumos empregados na produção e venda de produtos NT, como no presente. Assim, levandose em conta que se trata da mesma matéria e do mesmo contribuinte, e, principalmente, que comungo do mesmo entendimento esposado naquela acórdão, tomo a liberdade de utilizar o seu voto para fundamentar o meu, reproduzindoo literalmente, a seguir: "Como indicado no Relatório a matéria não comporta maiores delongas porquanto já sumulada. Dispõe o Regimento Interno deste Conselho Administrativo: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. A Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, desde dezembro de 2007, dispunha: Súmula Nº 13 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em 29 de novembro de 2010, reuniuse o Pleno deste Conselho Administrativo para aprovar novas súmulas e consolidar as já existentes. Desse Fl. 27087DF CARF MF Processo nº 13710.000165/200378 Acórdão n.º 9303006.520 CSRFT3 Fl. 14 13 trabalho, foi ratificada a súmula acima do Segundo Conselho, que passou a ser a de nº 20 do CARF com o mesmo enunciado: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Destarte, induvidoso que os produtos fabricados pela empresa postulante são classificados na TIPI como NT (assim ela mesmo o reconhece) não importa se tal circunstância decorre de imunidade: não há direito de crédito de IPI na aquisição de insumos aplicados nessa produção, consoante o teor da Súmula transcrita, que é, como já dito, de observância obrigatória pelos Conselheiros membros do CARF. Registro, por fim, que ambas as Súmulas foram aprovadas na vigência de todos os atos legais e normativos indicados no recurso voluntário da empresa e aqui repetidos em contrarrazões, em especial, o Decreto 4.544/2002, que aprovou o Regulamento do IPI vigente à época das aquisições aqui postuladas (primeiro trimestre de 2003). Com essas considerações, voto por dar integral provimento ao recurso da Fazenda Nacional a fim de negar o direito postulado e reconhecido na decisão objeto do presente recurso." Há de se esclarecer ainda que para fazer jus a créditos de IPI o interessado deve ser estabelecimento industrial para fins da legislação do referido imposto. Veja como o Regulamento do IPI (RIPI/2002) determina a condição de contribuinte do imposto: Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). O contribuinte em questão não executa industrialização de produtos tributados pelo IPI e, nessa condição, não faz jus a apurar créditos do referido tributo. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 27088DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.721336/2014-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. LOAS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA).
Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2002-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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LOAS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 13 36 /2 01 4- 54 Fl. 155DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 70 a 74), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de valores supostamente devidos por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da justiça federal. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 2.086,52, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Cientificado o contribuinte em 27/06/14 (efl. 75). Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 24/07/2014, à e fl. 02 a 69 dos autos. A impugnação foi apreciada na 20ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 10/09/2014, no acórdão 1268.303, às efls. 116 a 123, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em relação a omissão de rendimentos decorrentes de ação judicial. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 06/10/2014, apresentou recurso voluntário, às efls. 128 a 148, no qual alega, em resumo, que: § Não deve prosperar o lançamento tributário quanto a omissão de rendimentos decorrentes de ação judicial, pois tratase de rendimentos recebidos acumuladamente a título de LOAS e que por isso, devese utilizar, para fins de incidência do Imposto de Renda Pessoa Física, o regime de competência, em detrimento ao regime de caixa. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 18/09/2014, efls. 126, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 06/10/2014, efls. 128, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado em omissão de rendimentos recebidos de ação judicial promovida pela contribuinte, da qual foi beneficiária do valor de R$40.475,29. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10835.721336/201454 Acórdão n.º 2002000.027 S2C0T2 Fl. 156 3 Irresignada, a contribuinte, em sede de impugnação e recurso voluntário, informa que de fato recebeu tais valores mediante ajuizamento de ação em face do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), pois carente e, de acordo com os ditames legais, faz jus a percepção do LOAS. Ainda, pede que o lançamento fiscal seja afastado, pois: (i) goza de isenção por ser portadora de moléstia grave; (ii) rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo IRPF pelo regime de competência. Às efls. 80 a 112, resta comprovado que a contribuinte de fato teve o direito reconhecido pela Justiça Federal à percepção do LOAS, por considerável lapso temporal, já que carente e inapta ao labor, sendolhe ressarcida o montante devido ao longo dos anos de uma vez só, mediante alvará de levantamento. A decisão da DRJ se baseia na inconsistente alegação da contribuinte quanto a isenção de seus rendimentos, frente a moléstia grave que a acomete. Segue excerto do acórdão: Diante da alegação da isenção relativa aos portadores de moléstias graves, reproduzimos inicialmente o disposto no suscitado art. 6o, XIV, da Lei nº 7.713/88: "Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(...)(grifo nosso) Por seu turno, o art. 30 da Lei nº 9.250/95 dispõe: “Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(g.n.) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.(...)” De fato, não há que se falar em isenção dos rendimentos percebidos pela contribuinte, já que não constam nos autos laudo médico oficial, tampouco sua doença está no Fl. 157DF CARF MF 4 rol daquelas trazidas pela Lei nº 7.713/88. Ainda, a natureza jurídica do LOAS é distinta dos rendimentos auferidos por aposentadoria. Contudo, em que pese a inócua discussão quanto a isenção dos rendimentos auferidos pela contribuinte, na realidade, tratase de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei nº 7.713/98, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 27/01/2016) Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. Sobre o tema, leciona Hiromi Higuchi: No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (art. 640 do RIR/99). O valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, poderá ser deduzido para apurar a base de cálculo do imposto. Além dos casos de pagamentos acumulados de salários de vários meses, por dificuldade financeira da fonte pagadora, esse fato ocorre nas revisões judiciais de aluguéis comerciais quando as diferenças mensais em litígio são depositadas à disposição da justiça. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10835.721336/201454 Acórdão n.º 2002000.027 S2C0T2 Fl. 157 5 No caso de salários há injustiça porque a alíquota de 27,5% incidirá sobre salários que isoladamente pagos estariam isentos do imposto. Há injustiça até na dedução de dependentes. O STJ vem, reiteradamente, decidindo que no cálculo do imposto incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, nos termos previstos no art. 521 do RIR (Decreto nº 85.450/80). A aparente antinomia desse dispositivo com o art. 12 da Lei nº 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (...) O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no RE 614.406/RS em repercussão geral. (grifos nossos) A fundamentação do voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no processo 10830.720626/201340, é precisa: Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o Fl. 159DF CARF MF 6 lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 21, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese,ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao não exame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10835.721336/201454 Acórdão n.º 2002000.027 S2C0T2 Fl. 158 7 de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário Neste ponto, dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para que se refaça os cálculos do lançamento mês a mês, sob regime de competência, levando em conta as parcelas isentas. Desta forma, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000514/2007-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto após o prazo legal.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Multa. Nulidade. Vício Material. Recorrente JOSÉ GERALDO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto após o prazo legal. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 05 14 /2 00 7- 61 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ: Este processo trata da aplicação de penalidade pecuniária lavrada contra JOSÉ GERALDO DA SILVA. Em cumprimento a Mandado Judicial de Busca e Apreensão, no âmbito do processo 2005.38.03.0087918, 2ª VF/Uberlândia/MG, em operação conjunta da Polícia Federal e Receita Federal, foi apreendida, em 22/02/2006, em poder do interessado identificado em epígrafe, 01 (uma) placa (eletrônica) para máquina “CaçaNíqueis”, encontrada no estabelecimento comercial localizado no imóvel identificado no AUTO CIRCUNSTANCIADO Q157 (fls.8), de propriedade do interessado. A referida mercadoria foi encaminhada ao Depósito de Mercadorias Apreendidas da DRF/Uberlândia/MG. Em 23/03/2006, através do processo nº 10675.000899/200685, foi formalmente lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento da mercadoria apreendida nas condições mencionadas. No presente processo cuidase especificamente da multa aplicada, de R$1.000,00, com base no Dl 37/66, art.107, VII, b, c/a redação dada pelo art.77 da Lei nº 10.833/03, nos termos constantes no auto de infração objeto do presente processo. O lançamento foi cientificado à interessada em 09/03/2007 (fls.15), e, em 26/03/2007, tempestivamente, a interessada, por meio de seu advogado constituído, protocolou na DRF/Uberlândia/MG, a sua impugnação ao lançamento da multa referida (fls.18/19), cujas razões essenciais de contestação são as seguintes: 1. Que foi autuado por suposta importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde pública, identificada como placa para máquina “caça níquel”, apreendida pela Polícia Federal; e por tal razão lhe foi aplicada a multa pecuniária de R$ 1.000,00, com a base legal descrita no auto de infração; 2. Mas, o ora requerente não é “importador”, e também “não importou” as referidas mercadorias, bem como não é, nem nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de placa(s) estrangeira(s) dentro da(s) máquina(s) caçaníquel, porque não era proprietário dela(s), porque nunca a(s) abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir, por falta de mínimo conhecimento técnico para tanto. Se olhasse, não saberia se a placa seria, ou não, estrangeira, e muito menos se sua importação era proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, por modesto aluguel fixo, como é praxe geral na cidade, e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica anexos, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e o destinatário Games Line Ltda. 6. A multa pecuniária aplicada (...) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior, conforme Nota Fiscal anexa, portanto não pode ser aplicada ao fato. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa porque a Receita Federal não pode afirmar Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10675.000514/200761 Acórdão n.º 3002000.110 S3C0T2 Fl. 70 3 que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei nº 10.833/03, de 29/12/03, que deu nova redação ao art.107, VII, b, do Dl 37/66. Pelo exposto, o requerente/autuado pede a improcedência da autuação, para que seja arquivado o presente processo; requer, ainda, produção de provas documental e testemunhal com rol oportuno. Por força da Portaria RFB nº 453, de 11/04/2013(DOU 17/04/2013), c/c o disposto na Portaria RFB nº 1.006, de 24/07/2013(DOU 25/07/2013), este processo foi encaminhado para julgamento pela DRJ/REC. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação, por maioria de votos, mantendose o crédito tributário exigido, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. POSSE ILEGAL. MULTA ADMINISTRATIVA. Responde pela infração ao controle aduaneiro quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Neste caso, o responsável pelo estabelecimento comercial onde se explorava a máquina caçaníqueis, cuja placa eletrônica para seu funcionamento foi contrabandeada, se sujeita à multa prevista no Dl nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem a tenha introduzido clandestinamente no país ou venha a ser seu proprietário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada acerca desta decisão em 27/09/2013 (vide AR à fl. 50 dos autos) e, insatisfeita com o seu teor, interpôs, em 01/11/2013, Recurso Voluntário (fls. 60/68), através do qual repisou, em síntese, as razões apresentadas em sua impugnação, acrescentando o pedido de reconhecimento de nulidade do auto de infração por vício material. Trouxe, ainda, em seu recurso, votos proferidos em outros processos, que acolhem a tese apresentada em suas razões recursais. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. É o breve relatório. Fl. 71DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Verificase, de plano, que o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte nos presentes autos não poderá ser conhecido em razão da sua intempestividade. Consoante acima relatado, a contribuinte foi intimada acerca da decisão proferida pela DRJ em 27/09/2013 (vide AR à fl. 50 dos autos), uma sextafeira, iniciandose o prazo para interpor recurso voluntário em 30/09/2013 (segundafeira). Sendo assim, o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do Recurso Voluntário no presente caso expirouse em 29/10/2013 (terçafeira). Ocorre que o contribuinte interpôs o seu Recurso Voluntário tão somente em 01/11/2013 (vide fls. 60/68), quando já havia transcorrido o prazo recursal. Destaquese, inclusive, que a intempestividade do recurso voluntário interposto restou devidamente certificada à fl. 68 dos autos. Nesse contexto, não resta alternativa a este Conselho senão deixar de conhecer do Recurso Voluntário interposto, em razão da sua intempestividade. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001589/98-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
1. A manutenção e utilização dos créditos do IPI, relativos aos insumos empregados na industrialização dos bens de informática isentos do referido Imposto, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.191, de 1991, combinado com o art. 4° da Lei n° 8.248, de 1991, depende do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na Lei n° 8.248/91 e no Decreto nº 792, de 1993.
2. Nos autos, ficou comprovado o descumprimento de tais exigências, o que impossibilita o ressarcimento do crédito do IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA TEMPORÁRIA. PEDIDOS PENDENTES DE ANÁLISE. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, protocolados até 9/4/2000, pendentes de apreciação em 1/10/2002, data de início do regime de compensação declarada, instituído pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20002, por não atender os requisitos e condições do novo regime de compensação, não se converteram em declaração de compensação, em decorrência, não estão sujeitos à extinção, sob condição resolutória da sua ulterior homologação, e tampouco ao prazo quinquenal fixado para que fosse realizada a homologação expressa.
2. As normas aplicáveis aos referidos pedidos de compensação são aquelas atinentes ao regime de compensação a requerimento, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997.
Numero da decisão: 3302-005.477
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A manutenção e utilização dos créditos do IPI, relativos aos insumos empregados na industrialização dos bens de informática isentos do referido Imposto, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.191, de 1991, combinado com o art. 4° da Lei n° 8.248, de 1991, depende do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na Lei n° 8.248/91 e no Decreto nº 792, de 1993. 2. Nos autos, ficou comprovado o descumprimento de tais exigências, o que impossibilita o ressarcimento do crédito do IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA TEMPORÁRIA. PEDIDOS PENDENTES DE ANÁLISE. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, protocolados até 9/4/2000, pendentes de apreciação em 1/10/2002, data de início do regime de compensação declarada, instituído pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20002, por não atender os requisitos e condições do novo regime de compensação, não se converteram em declaração de compensação, em decorrência, não estão sujeitos à extinção, sob condição resolutória da sua ulterior homologação, e tampouco ao prazo quinquenal fixado para que fosse realizada a homologação expressa. 2. As normas aplicáveis aos referidos pedidos de compensação são aquelas atinentes ao regime de compensação a requerimento, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
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E COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A manutenção e utilização dos créditos do IPI, relativos aos insumos empregados na industrialização dos bens de informática isentos do referido Imposto, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.191, de 1991, combinado com o art. 4° da Lei n° 8.248, de 1991, depende do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na Lei n° 8.248/91 e no Decreto nº 792, de 1993. 2. Nos autos, ficou comprovado o descumprimento de tais exigências, o que impossibilita o ressarcimento do crédito do IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA TEMPORÁRIA. PEDIDOS PENDENTES DE ANÁLISE. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, protocolados até 9/4/2000, pendentes de apreciação em 1/10/2002, data de início do regime de compensação declarada, instituído pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20002, por não atender os requisitos e condições do novo regime de compensação, não se converteram em declaração de compensação, em decorrência, não estão sujeitos à extinção, sob condição resolutória da sua ulterior homologação, e tampouco ao prazo quinquenal fixado para que fosse realizada a homologação expressa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 15 89 /9 8- 48 Fl. 414DF CARF MF 2 2. As normas aplicáveis aos referidos pedidos de compensação são aquelas atinentes ao regime de compensação a requerimento, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratam os presentes autos de requisição de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), atinente ao 1°, 2° e 3° decêndios de agosto de 1998, no montante total de R$ 179.384,08. Os créditos em referência originaramse das disposições prescritas na Lei n° 8.248/91 e Decreto n° 792/93 (créditos incentivados de IPI), que prescreviam a isenção de IPI, bem como a manutenção e aproveitamento do crédito relativo aos insumos empregados em processo de produção de bens de informática e automação. Com o intuito de verificar a legalidade do pleito, a Secretaria da Receita Federal emitiu Ficha Multifuncional de fiscalização, determinando que um de seus agentes fiscais averiguasse toda a escrita fiscal e contábil da Requerente. Após as diligências, a Fazenda Nacional reconheceu direito ao crédito no montante de R$ 179.236,46. Assenta o peticionário sua requisição nas determinações do art.4° da Lei 8248/91, que prevê isenção de IPI, bem como manutenção e utilização dos créditos de IPI relativos a insumos empregados no processo de fabricação, de bens de informática e automação de produção alcançada pela referida Lei, desde que observadas todas as condições nela estabelecidas. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 3302005.477 S3C3T2 Fl. 415 3 Nos pedidos de ressarcimento, constantes às fls. 01, 32 e 64, protocolados em 18/09/1998, o interessado assinala em local próprio informando não estar litigando em esfera judicial ou administrativa sobre matéria que possa alterar o valor aqui em pauta. Encontrase nos autos, às fls. 169 a 171, Pedido de Compensação protocolado pelo interessado, que declara débito de terceiro de R$179.236,46, com vencimento em 02/2000. Com o advento da MP n° 66/2002, art. 49 e parágrafo 4°, convertida em Lei sob n°l0.637/2002, os pedidos de compensação passam a ser declarações de compensação. Em razão do imperativo de verificação, in loco, da efetiva aplicação dos componentes no processo produtivo de mercadorias pela Legislação relacionadas, bem como de sua escorreita escrituração e demonstração, o presente processo foi remetido à antiga Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo DIFIS, com solicitação de realização de diligência no estabelecimento do contribuinte para fins de determinação da procedência do direito alegado, quanto à certeza e à liquidez. Atendendo àquela solicitação, a DIFIS levou a efeito diligência junto à pessoa jurídica no sentido de verificar a correspondência entre o valor informado pelo contribuinte em seu requerimento e o montante do efetivo direito a ser reconhecido, e a regularidade de sua situação quanto ao recolhimento de contribuições e tributos administrados pela Receita Federal. Às fls. 153 e 154, AuditorFiscal declara que em diligência fiscal, nos limites dos exames realizados, não constatou irregularidades das operações incentivadas, e opina pela existência de direito do requerente a R$179.236,46, indicando glosa de R$147,62 do total de créditos pleiteados. Faz ainda referência a dois Autos de Infração, de números 11128 002.234/9731 e 10314003.048/9831, pendentes, dos quais foi objeto a empresa requerente. No Despacho Decisório a autoridade competente INDEFIRIU os pedidos de ressarcimento constantes às folhas 01, 32 e 64, bem como não homologou as compensações declaradas no presente processo. Foram apontadas incongruências no cotejo dos valores registrados como créditos relativos a compras no exterior para industrialização (campo 3.11) no Livro de Registro de IPI(LRIPI) com os valores constantes nos sistemas da SRF como pagos a título de IPI em todas as importações desembaraçadas nos períodos correspondentes. Foi apontado também que embora no desembaraço deva se seguir a entrada no estabelecimento, observase, em telas às folhas 196 a 206 e na Tabela 1 à folha 195, que em vários períodos o valor registrado no LRIPI como IPI recolhido apenas em importações de mercadorias para industrialização supera expressivamente o valor do IPI recolhido em todas as importações do mesmo período, segundo os registros constantes dos sistemas da então Secretaria da Receita Federal. Também foi apontado que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos que permitam exame de cumprimento pelo interessado das disposições do Artigo 11 da Lei 8248/91, bem como dos artigos 7° e 9° do Decreto 792/93. Fl. 416DF CARF MF 4 A impugnante foi cientificada do Despacho Decisório, em 26/05/2006 (folhas 250), via Aviso de Recebimento. Em 08/06/2006, ingressou com Manifestação de Inconformidade junto à Delegacia Regional de Julgamento, apresentando suas razões de folhas 255 a 271. Em 07 de março de 2007, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação. Entendeu a Turma que em relação ao direito creditório, a recorrente apresenta alegações contraditórias. O parecer da Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia MCT ( órgão responsável pelos exames prescritos no artigo 9° do Decreto n° 792/93, por meio de oficio, cópia às fls. 182/192), atesta que a empresa não cumpriu os requisitos legais, mas ao mesmo tempo, defende que não precisa juntar documentos comprobatórios ao presente processo, porque não é competência da Receita Federal analisar o cumprimento das exigências para fazer jus ao benefício. De fato, não cabe à Receita Federal contestar as conclusões emanadas do MCT, e o ofício juntado ao processo às fls. 182/192 é claro ao informar que a empresa não cumpriu os requisitos legais que regem a fruição do benefício em pauta. Assim, só restaria à interessada, comprovar que o MCT teria alterado o seu posicionamento, o que não foi feito. Quanto à alegação da manifestante de que as compensações requeridas foram tacitamente homologadas em virtude do transcurso do qüinqüênio legal, com fundamento no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, tal fato seria verdadeiro se as compensações requeridas fossem com débitos próprios. Porém, a situação é distinta em relação ao pedido de compensação com débitos de terceiros apresentado no presente processo. Como no ano de 2002, a compensação de créditos próprios com débitos de terceiros era expressamente vedada pela legislação em vigor, a Lei n° 10.637/2002, que instituiu a “Declaração de Compensação” não recepcionou os referidos pedidos, que não se converteram em DCOMP. Conseqüentemente, para esses pedidos, não se aplica a homologação tácita prevista para as declarações de compensação. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 16/06/2008 (folhas 314), via Aviso de Recebimento. Em 23/06/2008, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 316 a 325. Alegou que: Tendo em vista que a Recorrente, foi cientificada da decisão relativa ao ressarcimento e compensações aqui discutidas somente em 26 de maio de 2.006, não pairam dúvidas de que o “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros” apresentado em 10 de fevereiro de 2.000 foi tacitamente homologado. Os Julgadores da Delegacia Regional de Julgamento fixaram de maneira clara o entendimento segundo o qual “no ano de 2002 a compensação de créditos próprios com débitos de terceiros era expressamente vedada pela legislação em ' ' vigor, “pois”, a Lei n° 10.637/2002, que instituiu a "Declaração de Compensáção” não recepcionou os referidos pedidos, que não se converteram emDCOMP. Ocorre que o “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros” protocolado pela Recorrente foi apresentando antes do dia 10 de abril de 2000 (exatos dois Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 3302005.477 S3C3T2 Fl. 416 5 meses antes desta data), não podendo a Administração Fazendária pretender lhe aplicar legislação ulterior. Atentese que somente em 10 de abril de 2.000 (com a . publicação da Instrução Normativa RFB 41/00) é que foi vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros. Antes dessa data, até 10 de abril de 2.000, a compensação era plenamente válida e possível. Nesse contexto, se inexistia vedação para compensação praticada pela Recorrente, é inconteste que o pedido dé compensação formalizado até 10 de abril de 2.000 (o que ocorreu no presente caso) foi convertido em declaração de compensação, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 (na redação dada pela Lei 10.637/2002). \ A impossibilidade de conversão dos pedidos de compensação referese, sem embargo, às hipóteses em que a compensação era vedada, o que não ocorre in casu. Aplicar os ditames da Lei 10.637/02. quanto, à vedação da compensação de créditos de terceiros, tal como ocorre neste processo administrativos (pedido de compensação apresentado antes de 10 de abril de 2.000), implica patente violação ao princípio da irretroatividade e, por consequência, ao princípio da segurança jurídica. Mesmo que a homologação tácita não tivesse ocorrido nos moldes acima delineados, o que se admite apenas a título de argumentação, o acórdão guerreado deveria ter reconhecido a prescrição suscitada pela Recorrente. Porém, a DRJ quedouse silente sobre sua incidência. O artigo 174 do CTN é claro ao estabelecer que a ação de cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco anos), contados da data da sua constituição definitiva. Além disso, referido artigo, por meio de seus incisos,. elenca todos os fatos que proporcionam a interrupção deste prazo. Conforme se pode observar dos próprios autos do processo. administrativo sob análise, entre o protocolo da declaração de compensação , apresentada pela Recorrente (termo inicial do prazo prescricional) e a ciência de seu indeferimento, não ocorreu a interrupção do prazo prescricional. Desta forma, cabe agora a este Egrégio Conselho reformar o malfadado acórdão, adequandoo aos ditames do sistema tributário pátrio, reconhecendo a prescrição que fulminou o direito de cobrança da Fazenda Nacional. A questão relevante a ser analisada reside no fato de que a Recorrente cumpriu com todos os requisitos necessários ao aproveitamento do beneficio de IPI do qual pretende se utilizar, no limite de suas obrigações para tal. O MCT desconsiderou as aplicações realizadas pela Recorrente na Fundação Polovale porque, em certo momento, entendeu que esta Entidade não se enquadraria no conceito de instituto de pesquisa e desenvolvimento trazido no bojo do artigo 13 Decreto n° 792/93. Entretanto, quando da realização dos incentivos às atividades de pesquisa praticadas pela Polovale, esta se enquadrava perante terceiros de boafé. Fl. 418DF CARF MF 6 Ressaltase que em momento algum a Lei n° 8.248/91 imputava às empresas investidoras a função de verificar qual o destino que efetivamente era dado aos recursos recebidos por estas instituições. Assim como não compete à Receita Federal fazêlo. Nesse sentido, não se faz possível que a Recorrente seja prejudicada pela desconstituição de tal entidade como desenvolvedora de atividades de pesquisa. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer o recebimento e total provimento do presente recurso, reformandose a decisão administrativa a quo, para os fins de: I. reconhecer a homologação tácita do pedido de compensação relativo ao crédito de terceiros, uma vez que ele foi apresentado antes , de 10 de abril de 2.000 (data em que entrou em vigor a IN 41/00 que vedava tal prática), o que significa que o pedido de compensação foi convertido em declaração de compensação; II. reconhecer a prescrição incidente sobre o crédito tributário compensado (não homologado tacitamente pela DRJ), tendo em vista o decurso do qüinqüênio legal para sua cobrança; . III. deferir o ressarcimento do IPI apurado em agosto de 1998 e, por consequência, homologar a compensação declarada. Em 03 de fevereiro de 2011, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Citando a legislação aplicável, entendeu a Turma que em observância ao direito adquirido e aos princípios da irretroatividade das leis e da segurança jurídica, é de se reconhecer a ocorrência da homologação tácita da compensação em questão. No tocante as alegadas prescrição e ressarcimento do IPI relativo às aquisições de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, entendeu a Turma que a apreciação dessas matérias restam prejudicadas face ao reconhecimento da homologação tácita e a inexistência de saldo remanescente. A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do referido Acórdão em 12/05/2011, folhas 350, e ingressou com Recurso Especial em 20/05/2011. Em 26 de novembro de 2014, a 3a Turma: através do Acórdão n° 9303 003.188: deu provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a homologação tácita, e determinar o retomo dos autos à instância a quo para a análise do direito creditório utilizado na compensação pleiteada. E assim a Turma se pronunciou: Afastada a questão relativa à homologação tácita da compensação, resta, para a solução final da presente lide, verificar a legitimidade/liquidez do direito creditório utilizado na compensação em foco (pedidos de ressarcimento de fls. 01, 32 e 65), o que não foi feito pelo colegiado a quo, que decidiu o pleito em preliminar. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 3302005.477 S3C3T2 Fl. 417 7 Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de junho de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 23 de junho de 2008. Da controvérsia. A matéria divergente diz respeito à determinação do Acórdão n° 9303 003.188, de 26 de novembro de 2014, da 3a Turma, que deu provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a homologação tácita e determinar o retomo dos autos à instância a quo para a análise do direito creditório utilizado na compensação pleiteada. No caso em questão, a discussão se cinge aos seguintes pontos: a) a prescrição incidente sobre o crédito tributário compensado (não homologado tacitamente pela DRJ), tendo em vista o decurso do quinquênio legal para sua cobrança; b) deferir o ressarcimento do IPI apurado em agosto de 1998 e, por consequência, homologar a compensação declarada. Da prescrição do direito de cobrança do débito compensado. Em preliminar, a recorrente alegou prescrição do direito de cobrança do débito compensado, pois entre a data do protocolo do citado pedido de compensação (termo inicial do prazo prescricional) e a ciência do seu indeferimento, passaramse mais de 5 (cinco) anos, sem que ocorressem quaisquer fatos interruptivos do citado prazo prescricional. Não assiste razão à recorrente. O débito do IPI objeto do pedido de compensação em apreço não pertence a recorrente, mas a pessoa jurídica AGCO do Brasil Comércio e Indústria Ltda. Ademais, não há notícia de que tenha havido cobrança do referido débito no âmbito deste processo. Em decorrência, não se toma conhecimento da preliminar em comento, por se tratar de matéria estranha aos autos. Do Mérito. Considerando os argumentos apresentados, inferese que, nesta questão, o cerne da controvérsia circunscrevese a questão atinente à comprovação dos requisitos e Fl. 420DF CARF MF 8 condições fixados no art. 11 da Lei n° 8.248, de 1991, e nos arts. 4º, 7º e 8º do Decreto n° 792, de 1993, para fins de gozo do referenciado benefício fiscal. É oportuno esclarecer, inicialmente, que os valores dos créditos do IPI pleiteado nos citados Pedidos de Ressarcimento, referese a manutenção e utilização de crédito do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na fabricação dos bens de informática e automação fabricados no País, com o benefício fiscal, instituído no art. 1º da Lei nº 8.191, de 1991, combinado com disposto no art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991, vigentes na data dos fatos, a seguir transcritos: Lei nº 8.248, de 1991: Art. 1° Fica instituída isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos equipamentos , máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas, até 31 de março de 1993. [...] § 2° São asseguradas a manutenção e a utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização dos bens de que trata este artigo. [...] Art. 4º Para as empresas que cumprirem as exigências para o gozo de benefícios, definidos nesta lei, e, somente para os bens de informática e automação fabricados no País, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, serão estendidos pelo prazo de sete anos, a partir de 29 de outubro de 1992, os benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. Parágrafo único. A relação dos bens de que trata este artigo será definida pelo Poder Executivo, por proposta do Conin, tendo como critério, além do valor agregado local, indicadores de capacitação tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. (Grifo e negrito nossos) Para gozo do mencionado benefício fiscal, o art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, vigente na data dos fatos, estabeleceu as seguintes condições, in verbis: Art. 11. Para fazer jus aos benefícios previstos nesta lei, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática deverão aplicar, anualmente, no mínimo 5% (cinco por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno decorrente da comercialização de bens e serviços de informática (deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações), em atividades de pesquisas e desenvolvimento a serem realizadas no País, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 3302005.477 S3C3T2 Fl. 418 9 Parágrafo único. No mínimo 2% (dois por cento) do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados em convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas. (Grifo e negrito nossos) O disposto no referido art. 11 foi regulamentado pelo o art. 9º do Decreto nº 792, 1993, que fixou os documentos, os prazos e as condições, para fins de comprovação das obrigações perante o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), nos termos a seguir a expostos, ipsis litteris: Art. 9° A empresa beneficiária deverá, até a data fixada para a entrega da declaração anual, encaminhar ao MCT os relatórios demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações estabelecidas nos arts. 7° e 8°1. § 1° As aplicações de que tratam o caput do art. 7° e seu § 1° deverão corresponder ao faturamento ocorrido a partir do início do mês da primeira fruição do benefício até o encerramento do correspondente anocalendário, adotandose esse mesmo período para o balanço comercial de que trata o art. 8°, § 1°. § 2° Os relatórios demonstrativos serão apreciados pelo MCT e Minifaz que publicarão o resultado da sua análise no Diário Oficial da União. § 3° Além dos relatórios especificados no caput deste artigo a empresa beneficiária deverá enviar ao MCT, no mesmo prazo: 1 Os referidos artigos complementam as condições, para fins de gozo do benefício fiscal em apreço, estabelecidas no art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, nos termos a seguir transcritos: "Art. 7° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° a 3°, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática e automação deverão aplicar, em cada anocalendário, cinco por cento, no mínimo, do seu faturamento bruto decorrente da comercialização, no mercado interno, de bens e serviços de informática e automação, deduzidos os tributos incidentes, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em informática e automação a serem realizadas no País, conforme elaborado pelas próprias empresas. 1° No mínimo dois por cento do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados, em cada anocalendário, em convênios, com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas, definidos no art. 13. 2° Na eventualidade de a aplicação prevista no caput deste artigo não atingir o mínimo nele fixado e sem prejuízo do disposto no § 1°, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, deverá ser obrigatoriamente aplicado no anocalendário seguinte, respeitada a aplicação normal correspondente a esse mesmo período. Art. 8° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° e 2°, as empresas que não preencham os requisitos do art. 1° da Lei n° 8.248/91 deverão realizar programas de efetiva capacitação do seu corpo técnico nas tecnologias de produto e de processo de produção, bem como programas progressivos de exportação de bens e serviços de informática e automação, sem prejuízo do disposto no art. 7°. 1° Para cumprimento do programa de exportação referido no caput deste artigo, a empresa deverá, em cada ano calendário, apresentar balanço comercial positivo, assim entendido como a diferença entre o valor da exportação e da importação de bens e serviços de informática e automação, incluindo suas partes e peças, ou auferir receita de exportação igual, no mínimo, ao valor do incentivo de que trata o art. 1°. 2° Caso a empresa não cumpra o programa de exportação, na forma prevista no parágrafo anterior, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, será deduzido do resultado do balanço comercial ou da receita de exportação correspondente ao anocalendário subseqüente, sem prejuízo do que dispõe o § 1° deste artigo". Fl. 422DF CARF MF 10 a) relatórios demonstrativos do faturamento decorrente da comercialização, no ano anterior, de bens contemplados com o incentivo do art. 1° e do atendimento às condições estabelecidas no art. 6°, § 1°; b) relatórios de execução físicofinanceira das atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas no ano anterior e demonstrativo do atendimento às condições estabelecidas no art. 12, se beneficiária do incentivo referido no art. 2°; c) relatórios demonstrativos dos recursos captados no ano anterior e do atendimento às condições a que se refere o art. 4°, III, se habilitada à captação dos recursos de que trata o art. 3°. § 4° Os relatórios referidos neste artigo deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT, de acordo com a orientação do Conin. No art. 10 do referido Decreto, foram fixadas as sanções decorrentes do descumprimento das exigências estabelecidas no retrotranscrito art. 9º, com os seguintes dizeres: Art. 10. A empresa que deixar de atender aos requisitos referidos no art. 4° ou descumprir as exigências estabelecidas nos arts. 7° a 9° perderá o direito à fruição dos benefícios, sem prejuízo do ressarcimento previsto no art. 9° da Lei n° 8.248/91. (Grifo e negrito nossos) A unidade da RFB de origem requereu ao CoordenadorGeral de Política de Informática da Secretaria de Política de Informática (Sepin) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) informações acerca do cumprimento do referido benefício fiscal. Em resposta, foi informada a glosa integral das aplicações em convênio, inclusive programas prioritários e transferência de tecnologia, realizados no ano de 1998, em decorrência da apuração de várias irregularidades na Fundação Polovale, entidade conveniada, supostamente beneficiária com os repasses dos recursos financeiros aportados pela interessada, no âmbito do mencionado benefício fiscal. Consta ainda uma extensa relação de irregularidades apuradas na referida Fundação, com base nas quais afirmaram os pareceristas que a dita Fundação não se enquadrava como entidade de pesquisa, conforme definida no art. 14 do citado Decreto. Em relação às irregularidades apontadas no citado Parecer, limitouse a recorrente, conforme anteriormente exposto, a alegar que não estava obrigada a verificar o destino dos recursos investidos na Fundação Polovale e tampouco a comprovar a idoneidade dessa Entidade. Além disso, agira como terceiro de boafé, não podendo ser penalizada pela possível falta de inidoneidade da Entidade favorecida com a contribuição de 5% (cinco por cento) do seu faturamento. Não assiste razão a recorrente. De acordo com o disposto no caput do art. 179 do CTN, a efetivação da isenção de caráter pessoal, sujeita a condição (caso em tela), depende do beneficiário cumprir os requisitos previstos em lei. No caso, a recorrente não cumpriu as condições exigidas para gozo do benefício fiscal em tela. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13811.001589/9848 Acórdão n.º 3302005.477 S3C3T2 Fl. 419 11 Embora não estivesse obrigada a comprovar a idoneidade da Entidade supostamente beneficiária dos recursos financeiros, não se pode olvidar que a interessada tinha o dever de celebrar convênio e repassar os recursos apenas para as entidades de pesquisa que preenchessem os requisitos do art. 14 do Decreto nº 792, de 1993. Em decorrência, ao não ter agido com devida diligência na escolha da entidade conveniada, deve responder por sua negligência. Também o fato de ter agido como terceiro de boafé, não a exime do dever de responder pela infração tributária atinente ao descumprimento do benefício fiscal em tela. É cediço que a responsabilidade por infrações da legislação tributária tem natureza objetiva, respondendo por ela o infrator, independentemente da intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. O princípio da boafé tem aplicação restrita aos negócios jurídicos privados, especialmente, aos contratos regidos pelo direito privado, conforme estabelece o art. 422 do Código Civil. Por essas razões, fica demonstrado que a recorrente descumpriu os requisitos e condições estabelecidos para o gozo do referido benefício fiscal, portanto, acertada a decisão que manteve o indeferimento do direito ao ressarcimento do crédito pleiteado. Diante de tudo que foi exposto, VOTO no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud. (assinado digitalmente) Fl. 424DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721117/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO SUPOSTAMENTE RECONHECIDO EM AUTO DE INFRAÇÃO APRECIADO EM OUTRO PAF,
A autoridade fiscal responsável pela lavratura de auto de infração relativo a juros sobre o capital próprio que deduziu do quantum debeatur os saldos negativos apurados pela contribuinte, conforme fica claro da leitura do termo de verificação que é parte integrante daquele auto, não apreciou as parcelas de composição do crédito o que somente veio a ocorrer no Despacho Decisório DEMAC/RJO/DIORT nº 69/2014, sem que houvesse prejuízo para a contribuinte; até que o recurso voluntário venha a ser decidido de modo definitivo na esfera administrativa, tais direitos creditório não podem ser confirmados sob pena de beneficiarem indevidamente a contribuinte.
EVENTUAIS RECURSOS AO CARF NÃO GERAM EFEITO SUSPENSIVO.
Na falta de regra específica em relação aos efeitos de eventual recurso interposto no âmbito administrativo (Decreto nº 70.235/72), considera-se a norma aplicável a do art. 61 da Lei nº 9.784/99, segundo a qual, salvo disposição legal em contrário, recursos opostos em sede administrativa não geram efeito suspensivo, assim, decisão tomada em primeiro grau podem ser levadas em conta para decidir o feito, no caso concreto em desfavor da contribuinte, haja vista os Saldo Negativos de Períodos Anteriores não terem logrado o êxito de serem homologados nos processos em que foram apreciados.
PER/DCOMP NÃO ANALISADO FORMALMENTE. DECURSO DE PRAZO DE 5 (CINCO) ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Aplica-se os efeitos da homologação tácita aos débitos compensados em PER/DCOMP cuja análise e intimação ao contribuinte não tenham sido realizados dentro do prazo quinquenal estabelecido pelo § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96
Numero da decisão: 1401-002.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente Em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente.
Nome do relator: Abel Nunes de Oliveira Neto
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EVENTUAIS RECURSOS AO CARF NÃO GERAM EFEITO SUSPENSIVO. Na falta de regra específica em relação aos efeitos de eventual recurso interposto no âmbito administrativo (Decreto nº 70.235/72), considerase a norma aplicável a do art. 61 da Lei nº 9.784/99, segundo a qual, salvo disposição legal em contrário, recursos opostos em sede administrativa não geram efeito suspensivo, assim, decisão tomada em primeiro grau podem ser levadas em conta para decidir o feito, no caso concreto em desfavor da contribuinte, haja vista os Saldo Negativos de Períodos Anteriores não terem logrado o êxito de serem homologados nos processos em que foram apreciados. PER/DCOMP NÃO ANALISADO FORMALMENTE. DECURSO DE PRAZO DE 5 (CINCO) ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Aplicase os efeitos da homologação tácita aos débitos compensados em PER/DCOMP cuja análise e intimação ao contribuinte não tenham sido realizados dentro do prazo quinquenal estabelecido pelo § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 17 /2 01 3- 61 Fl. 2176DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente Em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente. Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Relatório Tratase de pedidos de compensação formulados por IBM BRASIL INDÚSTRIA MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA., por meio dos PER/DCOMP, às fls. 3146, cf. indicado abaixo. 2. A DEMAC/Rio de JaneiroRJ expediu em 20/06/2013 o Termo de Intimação nº 654/2013, às fls. 154156, por meio do qual solicita à contribuinte apresentar Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.177 3 comprovantes das parcelas de composição do direito creditório relacionadas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ pago no exterior e às Retenções na fonte sofridas pela pessoa jurídica. 3. Devidamente cientificada por meio de Aviso de Recebimento – AR em 05/08/2013, cf. documento à fl. 157, IBM apresentou resposta que foi juntada ao feito às fls. 158159. 4. A autoridade fiscal expediu em 22/08/2013 nova intimação por meio do Termo de Intimação nº 922/2013, às fls. 184185, demandando a apresentação dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção na fonte, nos moldes estabelecidos no art. 943 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, RIR de 99. O rol dos comprovantes requeridos encontrase em tabela às fls. 186196. 5. A interessada foi devidamente cientificada da intimação em 28/08/2013 por meio de AR, cf. documento à fl. 197, respondeu, então, em 03/10/2013, que devido à dificuldades que encontrava para reunir todos os elementos de comprovação demandados, não conseguiria cumprir a intimação no prazo assinado e, por esse motivo, requereu que o seu prazo fosse dilatado, sucessivamente em 23/10/2013, 13/11/2013, 12/12/2013, 03/02/2014 e, por fim, em 10/03/2014. Não entregou, porém, nenhuma documentação à autoridade fiscal que se viu assim obrigada a continuar análise com os elementos então presentes. 6. Foram juntados ao feito os seguintes documentos comprobatórios: a) Autos de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal – PAF – nº 16682.720681/201103, às fls. 319324; b) Termo de Verificação Fiscal relativo aqueles Autos de Infração, às fls. 325 330; c) Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, às fls. 331 354; d) Telas de Sistemas da Receita Federal, às fls. 365418, 365418, e, por fim, planilhas sobre retenções na fonte às fls. 355364. 7. Em 29 de abril de 2014, por meio do Despacho Decisório nº 69/2014, às fls. 419431, a DEMAC/Rio de JaneiroRJ não homologou a compensação pleiteada. 8. A peça decisória esclarece, preliminarmente, que o processamento eletrônico do PER/DCOMP nº 14870.07321.041010.1.7.035290 foi suspenso porque foram apuradas as seguintes inconsistências: 1) existência de auto de infração relacionado ao IRPJ e à CSLL do período analisado; 2) retenções na fonte não inteiramente confirmadas; 3) quitação de estimativas não confirmadas; e 4) DARF de depósito administrativo ou judicial localizado no Sinal com obrigatoriedade de verificação manual dos valores da estimativa quitada e, pelo mesmo motivo, 5) existência de IR recolhidos no exterior. 9. Quanto ao mérito a autoridade fiscal afirma, à fl. 339, em primeiro lugar que: O referido Auto de Infração bem como o seu respectivo Relatório de Verificação Fiscal revelaram que os saldos negativos de IRPJ e CSLL informados pelo contribuinte na DIPJ (fls. 319 a 330) foram considerados no lançamento de ofício, ou seja, foram abatidos do total de tributos apurados. Em valores, verificouse que o saldo negativo de IRPJ de R$ 29.717.568,87 foi deduzido do total do respectivo imposto a pagar. (...) Fl. 2178DF CARF MF 4 Pelo exposto acima, o crédito, decorrente do saldo de IRPJ, solicitado pelo contribuinte não será reconhecido (visto que a utilização ocorreu no referido Auto de Infração) e a presente Dcomp não será homologada. 10. Em seguida, acrescenta: Todavia tenha sido identificado esta situação, caso não houvesse a influência do Auto de Infração supra, o crédito solicitado pelo contribuinte, seria reconhecido parcialmente, conforme explanações a seguir expostas. 11. A seguir a autoridade fiscal a quo explica que o PER/DCOMP apresenta quatro diferentes parcelas de composição do crédito da interessada: 1) tributos pagos no exterior; 2) contribuições retidas na fonte; 3) pagamentos de estimativas; e 4) estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores – SNPA. 12. Depois de analisar cada espécie de origem de direito creditório a autoridade fiscal chegou às seguintes conclusões: a) O art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dá amparo legal à compensação do IRPJ com eventuais montantes de IR pagos no exterior; entretanto, a legislação (art. 26, §§1º e 2º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 c/c art. 16, §2º, I e II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) estabelece uma série de restrições de natureza comprobatória para a confirmação desses créditos, as quais, mesmo depois de duas intimações, não foram atendidas pela contribuinte; b) embora a contribuinte tenha apresentado apenas um comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte, juntado à fl. 183, 80% dos maiores valores pendentes de confirmação foram confrontados com os registros do Sistema DIRF – tendo sido levado em conta também os códigos de receitas diferentes – e, em relação aos demais, 20%. Foram considerados os apenas registros dosistema DIRF. apenas uma parte das retenções na fonte foram confirmadas: R$ 67.102.380,71 de R$ 69.428.586,55 ; c) os pagamentos de estimativas foram parcialmente confirmados, porém, dado que uma parcela de composição do crédito (no total de R$ 2.326.205,84) encontrase sob discussão judicial, ela não goza de certeza e liquidez, cf. art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN e, por esse motivo, não foi confirmada;. d) a estimativa compensada por meio do PER/DCOMP nº 21995.22017.150910.1.7.028260, apreciada no PAF nº 16682.901320/201077, encontrase na situação “enviado a PFN” e, desse modo, também não atende aos requisitos de certeza e liquidez. 13. A tabela a seguir consolida as conclusões da autoridade fiscal a quo Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.178 5 14. Dado que o IRPJ devido no período alcançou R$ 109.777.328,68, a contribuinte teria, no entendimento da autoridade fiscal, apurado saldo negativo de R$ 1.500.034,35, nesses termos conclui que: Em razão do aproveitamento do saldo negativo de IRPJ no Auto de Infração constante do processo nº 16682.720681/201103, aquele não poderá ser utilizado na presente DCOMP e ainda que o referido Auto não interferisse na Declaração de Compensação em análise, o crédito solicitado, decorrente do saldo negativo de IRPJ, seria reconhecido parcialmente no montante de R$ 1.500.034,35, por todo exposto anteriormente. Assim no uso da competência do art. 229, parágrafo 3º, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203 de 14 de maio de 2012 e tendo em vista a delegação de competência disposta no art. 6º da Portaria Demac/RJO nº 63, de 18/07/2012, em consonância com o que dispõem os artigos 75 e 76 da Instrução Normativa nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, DECIDO: NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO relativo ao saldo negativo de IRPJ (exercício 2009, anocalendário 2008) no valor de R$ 29.717.568,87, uma vez que este foi aproveitado no auto de infração constante no processo nº 166682.720681/201103; e NÃO HOMOLOGAR a compensação efetuada através da declaração de compensação nº 14870.07321.041010.1.7.035290. 15. Devidamente notificada por decurso de prazo em 31/05/2014, cf. documentos às fls. 440442, a contribuinte apresentou tempestivamente, em 16/06/2014, manifestação de inconformidade, às fls. 444473, acompanhada dos documentos comprobatórios às fls. 4741157. Em breve resumo, afirma: Sobre a cobrança indevida de débitos não apreciados no Despacho Decisório em tela a) o Despacho Decisório atacado limitouse a decidir sobre o PER/DCOMP nº 14870.07321.041010.1.7.035290, entretanto na comunicação enviada à contribuinte consta que a Administração Tributária pretende indevidamente realizar cobranças de débitos constantes nas demais declarações de compensação que não foram expressamente mencionadas na decisão em tela; Sobre a dedução do direito creditório no processo que trata do auto de infração b) o direito creditório em tela foi reconhecido, de fato, pela Receita Federal no Processo Administrativo Fiscal – PAF nº 16682.720681/201103. tal fato, contudo, não pode implicar o afastamento do referido crédito por três motivos: 1) a data de apresentação do PER/DCOMP é anterior a do Auto de Infração; 2) não cabe a autoridade lançadora efetuar compensações de ofício, suprindo a vontade do administrado e 3) referido Auto de Infração enfrenta impugnação oferecida pela contribuinte; Fl. 2180DF CARF MF 6 c) a Administração Tributária incorre em contradição quando inicialmente afirma que o direito creditório em tela existe e o deduz do montante lançado no Auto de Infração referido, para, neste momento, por meio de despacho decisório se desdizer e concluir que esse mesmo direito creditório não existe; d) o PER/DCOMP em tela foi apresentado em 04/10/10, antes de o Auto de Infração ser lavrado em 01/08/2011. Dado que as conclusões a que chegou a autoridade que proferiu o despacho decisório configuram o resultado de uma segunda auditoria em oposição à primeira – que afirmou a existência do direito creditório – esta não poderia ser alterada em desfavor do contribuinte em atenção ao art. 146 do CTN; e) ainda que se admitisse a possibilidade de um mesmo período auditado voltar a ser examinado, a nova auditoria deveria aguarda o resultado do PAF originado pela primeira fiscalização. f) Não há mais que se discutir, pois, a existência do crédito, esta já se encontra reconhecida no PAF nº 16682.720681/201103, mas a improcedência da compensação de ofício efetuada pela administração tributária; g) não há base legal, ademais, para a compensação de ofício efetuada no âmbito do processo nº 16682.720681/201103, haja vista que a compensação, na forma da legislação aplicável, é prerrogativa dos contribuintes; h) não é razoável a autoridade fiscal proceder à compensação de ofício, porque segundo a contribuinte o auto de infração pode vir a ser anulado e o lançamento vir a ser julgado improcedente, de forma a não subsistir débito a ser compensado; i) “sob qualquer ângulo que se examine a questão” – continua – “a conclusão não será outra senão a de que o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário 2008, ainda que expressamente reconhecido pelo auditor fiscal não poderia ter sido utilizado para compensação no próprio auto de infração, razão pela qual não há que se falar em não reconhecimento do crédito nos autos da PER/DCOMP em virtude do seu aproveitamento no auto de infração”; j) no que tange a essa questão o despacho deveria ser reformado ou sobrestado até que se decidisse o recurso oposto contra o auto de infração referido; Sobre as parcelas de composição do crédito propriamente ditas Retenções na fonte k) a autoridade fiscal teria deixado de considerar “inúmeros valores retidos em nome da Requerente a título de IRPJ” comprovados por próprios registros contábeis da própria contribuinte, cf. esclarecimento prestado em resposta à intimação nº 651/2013; l) a explicação para esse fato decorre de ela adotar o regime de caixa para contabilizar as retenções sofridas na fonte, enquanto parte das fontes pagadoras as informa segundo o regime de competência, nessas condições podem ocorrer discrepâncias entre os valores declarados de parte a parte; m) as diferenças apuradas foram consolidadas pela interessada na planilha às fls. 1.0221.044, que se baseiam nos comprovantes acostados às fls. 7401.018. A contribuinte destaca ainda a existência de erros cometidos pela autoridade fiscal a quo, com efeito há um Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.179 7 total de R$ 8.125.383,07 que “foi simplesmente ignorado pela autoridade fiscal”, enquanto em outros casos foram reconhecidos montantes superiores aos utilizados na compensação; n) a ausência eventual de alguns comprovantes não pode acarretar o afastamento das respectivas retenções, em face de ser possível à autoridade fiscal apurar sua autenticidade por outros meios, que não se encontram ao alcance da contribuinte. o) a quantidade de documentos que a requerente teria que mobilizar para comprovar seu direito – acrescenta IBM – seria extremamente volumosa, e exigiria a realização de diligências a serem efetuadas na sede da pessoa jurídica; p) requer, por fim, que todas as fontes pagadoras cujas retenções não tenham sido reconhecidas pela autoridade fiscal – discriminadas na planilha às fls. 1.0451.053 – sejam intimadas a apresentar seus recolhimentos relacionados à requerente; Estimativa compensada q) a estimativa compensada por meio do PER/DCOMP nº 21995.22017.150910.1.7.028260 atualmente está sendo exigido na ação de execução fiscal nº 2011.51.01.5009933, tendo a interessada garantido a execução e oposto embargos – Embargos à Execução Fiscal nº 2011.51.01.5031258, às fls. 1.0601.082; r) excluir essa parcela do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2008 implicaria exigir de forma oblíqua o mesmo tributo duas vezes; DARF de depósito judicial s) a autoridade fiscal não reconheceu uma parcela de composição do direito creditório oriunda de pagamento no total de R$ 2.326.205,84, efetuado por meio de depósito judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.51.01.0276084, vide fls. 1.133 (DARF) e 1.1351.152 (Exordial), no qual se questiona a constitucionalidade e a legalidade da majoração da base de cálculo do IRPJ decorrente de dispositivos infralegais – INDRPF nº 16/92 e INSRF nº 267/02; t) não merece prosperar o argumento da autoridade fiscal de que o pagamento supra referido não gozaria de certeza e liquidez, haja vista que o advento da Lei nº 9.703 de 17 de novembro de 1998, transformou tais créditos em verdadeiros pagamentos sob condição resolutiva, posto que repassados para a conta única do Tesouro Nacional; u) aplicase ao caso, igualmente, o raciocínio segundo o qual não reconhecê lo implicaria em duplicidade de cobrança; Imposto de Renda pago no exterior v) os documentos apresentados à autoridade fiscal depois da intimação objeto do Termo de Intimação nº 654/2014 não foram levados em conta na apreciação do direito creditório e, por esse motivo, a contribuinte os traz de novo ao conhecimento da autoridade julgados, às fls. 1.1581.170; Fl. 2182DF CARF MF 8 w) aduz que está providenciado a tradução, bem assim o reconhecimento consular, entende, contudo, que os documentos apresentados, no estado em que se encontram, não podem deixar de ser reconhecidos. 16. Conclui requerendo: a) o cancelamento das cobranças relacionados aos PER/DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3021164, nº 10503.26154.260210.1.3.026510 e nº 36923.13111.280111.1.3.028007; b) a reforma do Despacho Decisório nº 69/2014 para que sejam homologados integralmente todos os PER/DCOMP tratados neste feito; ou sucessivamente, c) que se promova diligências para confirmar a exatidão das retenções na fonte declaradas – cf. quesitos encontramse formulados às fls. 471472 – e intimadas as fontes pagadoras cujas retenções não foram confirmadas a apresentar as faturas dos serviços prestados por IBM e as respectivas DIRF do período ou, alternativamente, d) requer que seja sobrestado o feito até que sejam definitivamente julgados os processos nº 16682.720681/201103. Da análise da manifestação de inconformidade apresentada juntamente com o despacho decisório atacado, a Delegacia de Julgamento proferiu o seguinte despacho decisório. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO SUPOSTAMENTE RECONHECIDO EM AUTO DE INFRAÇÃO APRECIADO EM OUTRO PAF A autoridade fiscal responsável pela lavratura de auto de infração relativo a juros sobre o capital próprio que deduziu do quantum debeatur os saldos negativos apurados pela contribuinte, conforme fica claro da leitura do termo de verificação que é parte integrante daquele auto, não apreciou as parcelas de composição do crédito o que somente veio a ocorrer no Despacho Decisório DEMAC/RJO/DIORT nº 69/2014, sem que houvesse prejuízo para a contribuinte; até que o recurso voluntário venha a ser decidido de modo definitivo na esfera administrativa, tais direitos creditório não podem ser confirmados sob pena de beneficiarem indevidamente a contribuinte. IRPJ IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR Para fins de compensação com o imposto apurado no país, o documento relativo ao imposto de renda pago no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. EVENTUAIS RECURSOS AO CARF NÃO GERAM EFEITO SUSPENSIVO. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.180 9 Na falta de regra específica em relação aos efeitos de eventual recurso interposto no âmbito administrativo (Decreto nº 70.235/72), considerase a norma aplicável a do art. 61 da Lei nº 9.784/99, segundo a qual, salvo disposição legal em contrário, recursos opostos em sede administrativa não geram efeito suspensivo, assim, decisão tomada em primeiro grau podem ser levadas em conta para decidir o feito, no caso concreto em desfavor da contribuinte, haja vista os Saldo Negativos de Períodos Anteriores não terem logrado o êxito de serem homologados nos processos em que foram apreciados. SALDO NEGATIVO IRPJ, RETENÇÃO NA FONTE. NÃO RECONHECIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. MANUTENÇÃO. A falta de comprovação das retenções materializada na ausência de DIRF resulta na ratificação da glosa efetuada. A apresentação de planilhas e de comprovantes serve como indícios, porém, não confirma a retenção do imposto, competência da fonte pagadora. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DAS RETENÇÕES. INDEFERIMENTO. O procedimento de diligência não se presta a suprir falha do contribuinte na comprovação do direito creditório pleiteado, ademais a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE NÃO COMPROVADAS. Não logrou a contribuinte demonstrar ter sofrido as retenções na fonte que compuseram parte de seu direito creditório pleiteado por meio de comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagador, conforme estipula o art. 943, §2º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 veiculado pelo Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, manifestação de inconformidade não acolhida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em questão o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual apresenta argumentos semelhantes aos apresentados na manifestação de inconformidade, solicita a realização de diligencia para a apuração dos créditos de IRPJ e, alternativamente, o sobrestamento da análise deste processo até o final da análise do processo nº 16682.720681/201103. Clama pela ilegalidade da cobrança dos débitos vinculados aos PER/DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3.021164, 10503.26154.260210.1.3.026510 e Fl. 2184DF CARF MF 10 36923.13111.280111.1.3.028007, por alegar que não foram objeto de decisão não homologatória, Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Analisando as alegações do recurso voluntário e o que foi apresentado no despacho decisório de indeferiu o direito de crédito e que não homologou as compensações e, ainda, o decidido pela Delegacia de Julgamento, percebese que, em verdade, a discussão do presente processo não se refere ao reconhecimento do direito de crédito do contribuinte relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008. Digo isto porque: 1 – No processo nº 16682.720681/201103 o saldo negativo apurado pela empresa foi efetivamente deduzido do montante apurado na autuação (cópia do auto de infração às fls. 319/324 e TVF de fls. 325/330). Pela leitura do termo de verificação fiscal efetivamente foi deduzido o saldo negativo apontado na DIPJ, no valor de R$ 29.717.568,87,.dos valores apurados a serem objeto de lançamento de ofício. 2 Consoante as cópias dos acórdãos em recurso voluntário e recurso especial juntadas às fls. 2112/2175, além da última carta de cobrança emitida após o julgamento do especial, constatase que o auto de infração foi mantido em sua integralidade. Ou seja, o valor relativo ao saldo negativo de IRPJ do AC/2008 foi utilizado, no referido auto, para abatimento do valor a ser lançado e redução da respectiva multa de ofício. Assim, em sede de jurisprudência administrativa, não mais será modificado o valor da autuação e, assim, o valor do saldo negativo já restou por utilizado em sua íntegra, 3 Resultado da utilização do saldo negativo é que, em verdade, não há crédito a ser apurado no presente processo. Todo o crédito solicitado pelo contribuinte em seu PER/DCOMP inicial referiase ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008 e, estando este integralmente utilizado no abatimento do lançamento realizado nos autos do processo nº 16682.720681/201103, não resta crédito remanescente a suportar as compensações apresentadas pela empresa. Decorre dos fatos acima apresentados que não há mais crédito a ser discutido neste processo pelos seguintes motivos: 1 Todo o saldo negativo de IRPJ do AC/2008 foi utilizado como dedução dos débitos apurados no processo nº 16682.720681/201103; 2 O processo em questão teve concluída sua análise administrativa, resultando na integral manutenção da autuação; 3 Se acaso o presente processo tivesse prosseguimento em sua análise com o reconhecimento de crédito em qualquer montante ao contribuinte este estaria sendo beneficiado em triplicidade: uma pela redução dos débitos lançados, duas pela redução da Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.181 11 multa de ofício de 75% sobre os débitos devidos e deduzidos do saldo negativo do exercício e, três, pela nova utilização na compensação dos débitos vinculados a este processo; Por isso é que, inobstante o recurso apresentado pelo contribuinte na tentativa de ver reconhecido seu crédito por uma segunda vez, não é possível na verificação da atual situação de ambos os processos, concederse crédito em qualquer valor ao contribuinte com relação ao saldo negativo de IRPJ do AC/2008, sob pena de bis in idem. Notese, inclusive, que até o pedido de sobrestamento do presente processo para aguardar o resultado do julgamento do processo nº 16682.720681/201103, foi atendido, vez que este processo somente agora está sendo objeto de julgamento, já após o encerramento de todo o trâmite administrativo daquele processo. Assim, concluindose a análise do presente caso não há como se reconhecer os pleitos do recorrente haja vista que: a) Em relação à apuração do crédito, todo o valor de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ da empresa já foi objeto de reconhecimento e utilização nos autos do processo nº 16682.720681/201103, como forma de dedução dos valores dos débitos lançados naquele auto, ou seja, não existe saldo de crédito a ser objeto de reconhecimento ou utilização, de acordo com os acórdãos acostados ao presente às fls. 2112/2175; b) O processo nº 16682.720681/201103 teve seu julgamento administrativo encerrado, concretizando a utilização do saldo negativo no abatimento do lançamento realizado naquele processo; Assim, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao reconhecimento do crédito. Quanto à cobrança dos valores dos débitos vinculados aos PER/DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3.021164, 10503.26154.260210.1.3.026510 e 36923.13111.280111.1.3.028007, devemos fazer uma análise mais acurada. No despacho decisório emitido pela Delegacia de Origem assim constou quando à nãohomologação das compensações. Assim, no uso da competência do artigo 229, parágrafo 3º, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 6º da Portaria Demac/RJO nº 63, de 18/07/2012, em consonância com o que dispõem os artigos 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, DECIDO: NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO relativo ao saldo negativo de IRPJ (exercício 2009, anocalendário 2008) no valor de R$ 29.717.568,87, uma vez que este foi aproveitado no Auto de Infração constante do processo nº 16682.720681/201103; e NÃO HOMOLOGAR a compensação efetuada através da declaração de compensação nº 14870.07321.041010.1.7.035290. Fl. 2186DF CARF MF 12 À Equipe de Execução e Controle desta Diort, a fim de cientificar o contribuinte do presente despacho decisório e de determinar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, com os devidos acréscimos legais, nos termos dos parágrafos 7º e 8º, art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Por sua vez a Delegacia de Julgamento, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, quanto à contestação da cobrança dos débitos confessados nos outros PER/DCOMP proferiu a seguinte análise: Sobre a cobrança indevida de débitos não apreciados no Despacho Decisório em tela 21. Cumpre notar de pronto que os PER/DCOMP objeto deste PAF estão relacionados. Com efeito, as parcelas de composição do direito creditório da contribuinte estão discriminadas na DCOMP nº 14870.07321.041010.1.7.02 5200, enquanto as DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3021164, 10503.26154.260210.1.3.026510 e 36923.13111.280111.1.3.028007, se valem do saldo remanescente daquela. 22. Não procede, portanto, a alegação da contribuinte quanto à ausência de referência expressa a não homologação no despacho decisório, haja vista que o indeferimento das DCOMP posteriores é consequência lógica da primeira decisão de improcedência. 23. Especificamente no que diz respeito às cobranças encaminhadas pela autoridade fiscal a quo, observase que elas estão em perfeita consonância com a legislação que disciplinava a matéria a época, vale dizer a IN SRF nº 900 de 30 de dezembro de 2008, cujos artigos 34 e 56 encontramse reproduzidos a seguir [grifouse] : DAS DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE A COMPENSAÇÃO EFETUADA MEDIANTE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Art. 34 . O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...) DAS DISPOSIÇÕES COMUNS Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.182 13 Art. 55 . Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: (...) V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. 24. Revelase pois inteiramente correta, neste quesito, a decisão da autoridade preparadora. Infelizmente não concordo com o entendimento apresentado pela Delegacia de Julgamento em razão dos seguintes argumentos e fundamentos: Inicialmente apresento as determinações da Lei nº 9.430/96, art. 74, a respeito do assunto. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Ora conforme se depreende da leitura das normas da Lei reguladora do procedimento de compensação. A ciência ao contribuinte deve ocorrer em sequência à não homologação da compensação. Ora, em sede das normas de Direito Administrativo o diploma que têm o condão de conceder ou negar um direito requerido pelo administrado é a decisão da autoridade competente. No presente caso seria o Despacho Decisório emitido pela autoridade com competência na jurisdição do contribuinte. No Despacho Decisório acima transcrito a autoridade realizou a análise e não homologação apenas do PER/DCOMP nº 14870.07321.041010.1.7.035290, não havendo nenhum outro pronunciamento quanto aos demais PER/DCOMP. Fl. 2188DF CARF MF 14 Não que fosse necessário que expressamente fossem listados todos os PER/DCOMP relacionados ao crédito. Mas, obrigatoriamente a decisão deveria mencionar que foram nãohomologadas as compensações vinculadas ao mesmo crédito, ou todos os PER/DCOMP relacionados ao crédito, etc. Da forma como foi elaborado o despacho decisório, este somente se pronunciou acerca da não homologação do PER/DCOMP nº 14870.07321.041010.1.7.035290 e, assim, a cobrança do débitos somente poderia recair sobre aqueles informados neste mesmo PER/DCOMP. Devemos salientar que a nãohomologação das compensações é um ato administrativo formal e vinculado a partir do qual, com a ciência ao administrado, iniciase o contraditório do processo de compensação. Por tal razão é que toda a compensação não homologada tem de ser objeto de uma decisão expressa da administração, não podendo existir nãohomologação tácita, como pretendeu entender a Delegacia de Julgamento no presente caso. Solução para o problema que se apresenta é que, inexistindo decisão expressa relativa a homologação ou não das compensações apresentadas por meio dos PER/DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3021164, 10503.26154.260210.1.3.026510 e 36923.13111.280111.1.3.028007, não somente os débitos declarados neste PER/DCOMP não podem ser objeto de cobrança, como as compensações a eles relativas restaram por homologadas tacitamente com base na incidência das normas do § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, conforme abaixo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Assim sendo, com relação à cobrança dos débitos relativos às compensações apresentadas por meio dos PER/DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3021164, 10503.26154.260210.1.3.026510 e 36923.13111.280111.1.3.028007, restanos apenas declarar as mesmas homologadas tacitamente, na forma do § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, tendo em vista que decorridos mais de cinco anos da data de sua apresentação, não foi emitido qualquer despacho de não homologação das mesmas, e, em consequência, determinar o cancelamento da cobrança dos débitos a elas vinculados. Do exposto, voto no sentido de: a) negar provimento ao recurso voluntário na parte em que contesta a apuração do crédito, visto que este foi reconhecido na íntegra e utilizado no processo nº 16682.720681/201103, já definitivamente julgado; b) Negar provimento ao pedido de sobrestamento, haja vista que já ocorreu o julgamento do processo que o recorrente desejava ser analisado anteriormente e; c) Por fim, dar parcial provimento para determinar o cancelamento da cobrança dos débitos relativos às compensações apresentadas por meio dos PER/DCOMP nº 31498.75742.290110.1.3021164, 10503.26154.260210.1.3.026510 e 36923.13111.280111.1.3.028007, tendo em vista que as mesmas foram homologadas tacitamente, na forma do § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 16682.721117/201361 Acórdão n.º 1401002.332 S1C4T1 Fl. 2.183 15 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000105/2010-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES A QUALQUER TÍTULO. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE, DE FORMA GERAL.
A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, exceção feita (neste último aspecto) somente às remunerações pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador a partir de 1º de janeiro de 2006, quando passou a ter eficácia o art. 20 da Lei nº 11.452/2007.
RENDIMENTOS DE EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS NÃO PERCEBIDOS PELO AUTOR. NATUREZA DE ROYALTIES.
São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, tais como as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas (Lei nº 9.610/98, art. 7º, caput, e inciso VI), e serão classificados como "royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos, tais como os autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra (Lei nº 4.506/64, art. 22, caput, e alínea d).
CONSTITUCIONALIDADE DA INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA DA CIDE-REMESSAS COM A CONDECINE. APRECIAÇÃO PELO CARF. INCOMPETÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO.
A discussão sobre se há ou não bis in idem na cobrança da CIDE-Remessas e da CONDECINE versa sobre constitucionalidade de leis tributárias, questão que o CARF é incompetente para apreciar, conforme Súmula nº 2, o que foi devidamente consignado no Acórdão recorrido. Assim sendo, a teor do § 3º do art. 67 do RICARF, não cabe Recurso Especial, pois a decisão adotou este entendimento.
Numero da decisão: 9303-005.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, não sendo conhecida a matéria relativa ao bis-in-idem da Condecine, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram dessa matéria. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES A QUALQUER TÍTULO. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE, DE FORMA GERAL. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, exceção feita (neste último aspecto) somente às remunerações pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador a partir de 1º de janeiro de 2006, quando passou a ter eficácia o art. 20 da Lei nº 11.452/2007. RENDIMENTOS DE EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS NÃO PERCEBIDOS PELO AUTOR. NATUREZA DE ROYALTIES. São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, tais como as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas (Lei nº 9.610/98, art. 7º, caput, e inciso VI), e serão classificados como "royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos, tais como os autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra (Lei nº 4.506/64, art. 22, caput, e alínea “d”). CONSTITUCIONALIDADE DA INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA DA CIDE REMESSAS COM A CONDECINE. APRECIAÇÃO PELO CARF. INCOMPETÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO. A discussão sobre se há ou não bis in idem na cobrança da CIDERemessas e da CONDECINE versa sobre constitucionalidade de leis tributárias, questão que o CARF é incompetente para apreciar, conforme Súmula nº 2, o que foi devidamente consignado no Acórdão recorrido. Assim sendo, a teor do § 3º AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 05 /2 01 0- 13 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 434 2 do art. 67 do RICARF, não cabe Recurso Especial, pois a decisão adotou este entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, não sendo conhecida a matéria relativa ao bisinidem da Condecine, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram dessa matéria. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 360 a 385), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 3201002.059, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 343 a 352), sob a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDEROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa Fl. 434DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 435 3 natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Ao Recurso Especial foi dado seguimento (fls. 405 a 408), no qual, em apertada síntese, o contribuinte alega o seguinte: 1. O cerne da questão de mérito discutida nos presentes autos referese à incidência ou não da CideRoyalties ou Cide Tecnologia (Lei nº 10.168/2000 e Decreto nº 4.195/2002) sobre o pagamento de direitos autorais efetuados a nãoresidente no país em decorrência da distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil. 2. ... Em julgamento realizado em 2012, pelo voto de qualidade, a CSRF deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (processo nº 13896.003705/200263) para reconhecer a incidência da Cide em situações como a da espécie. Contudo, a Colenda CSRF não tratou da aplicação do Decreto n° 4.195/2002, razão pela qual a matéria ainda não se encontra verdadeiramente definida no âmbito desse Tribunal Administrativo. 3. Ao tratar do tema, o v. acórdão ora recorrido concluiu que a interpretação sistêmica do mencionado Decreto n° 4.195/2002 com a Lei n° 10.168/2000 demonstra que aquele, o Decreto, não apresentou uma lista taxativa de contratos sujeitos à CIDE Royalties da qual estaria excluída a remessa por cessão de direitos autorais. 4. Ao assim decidir, divergiu frontalmente do entendimento ... expresso no acórdão apontado como paradigma, que concluiu não haver a incidência da CIDETecnologia em situação como a presente, em face do comando interpretativo do referido Decreto n° 4.195/2002 c/c a Lei n° 10.168/2000. (...) 21. ... qualquer CIDE instituída pelo Poder Público deve possuir finalidade específica ... e atingir somente os contribuintes que estejam relacionados à atividade na qual há a intervenção estatal. Ou seja, deve haver, necessariamente, um vínculo de pertinência entre o grupo de contribuintes atingidos e a finalidade constitucional almejada. (...) 57. Notase, dessa forma, que o termo "royalties a qualquer título" somente pode ser interpretado levandose em Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 436 4 consideração o âmbito de atuação do direito de propriedade industrial, em face da necessária e indispensável pertinência subjetiva e referibilidade indireta exigidas pela CIDE Tecnologia ... 58. Nesse mesmo sentido, não há como sustentarse a incidência da CIDETecnologia sobre exploração de direitos autorais que em muito diferem do domínio econômico objeto da intervenção estatal da exação em análise, qual seja, o campo dos direitos da propriedade industrial. Em meio às suas alegações, cita a Lei nº 11.427/2007, que prevê que a contribuição “não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia”, a qual teria caráter interpretativo (ou seja, com efeitos retroativos) e se coadunaria com o campo de intervenção econômica da CIDE, “uma vez que os direitos decorrentes da propriedade intelectual de programas de computador são considerados direitos autorais pela legislação brasileira”. Ao final, ainda traz à balia a alegação de dupla incidência (bis in idem) da CIDERemessas com a CONDECINE. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 410 a 425), rebatendo os principais argumentos do contribuinte, ao defender que: Não é necessário o benefício direito do contribuinte das Contribuições de Intervenção sobre o Domínio Econômico, “já que tais tributos são instituídos em prol do domínio econômico do Estado, ou seja, para o bem de todos, não há que se falar, por lógica, na necessidade de que a hipótese de incidência da exação esteja diretamente vinculada ao critério de intervenção eleito como requisito/finalidade para a criação da contribuição”. A CIDE não é devida, então, unicamente, quando há transferência de tecnologia, incidindo, também, sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties devidos pelo licenciamento para exploração de direitos autorais, independentemente de os contratos relativos a tal licença estarem atrelados àquela transferência. (...) Mas ainda que assim não fosse, não se pode olvidar que os fatos previstos como ensejadores da cobrança da CIDERoyalties, as suas respectivas bases de cálculo, assim como os seus sujeitos passivos apresentamse vinculados aos seus fins, uma vez que estão todos essencialmente relacionados com os objetivos tomados pelo legislador ao instituir a CIDE. (...) Assim, a referibilidade ou vinculação dos elementos estruturais da CIDE (hipótese de incidência, base de cálculo e sujeição passiva) à finalidade para a qual a mesma foi instituída Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 437 5 (estimular o desenvolvimento do setor tecnológico da economia, tornandoo menos subordinado à tecnologia estrangeira), pode ser confirmada na medida em que a contribuição atinge aqueles que, atuando na cadeia tecnológica, operem negócios que impliquem em remessa de divisas para o exterior. (...) Não há dúvidas, portanto, de que os valores remetidos ao exterior pela recorrente tratavamse de royalties. A remuneração pelo direito de transmitir filmes e programas de televisão, de fato, não pode ter outra natureza, em especial considerandose se tratar de contraprestação pela aquisição de obras criativas de autoria de terceiros. Nesse sentido, aliás, a própria Lei 9.610/98, ao tratar dos direitos autorais, determina serem obras intelectuais as audiovisuais. E, por sua vez, a Lei 4.506/64 determina que os direitos autorais são pagos mediante royalties.” Quanto à alegação da ocorrência de bis in idem da CIDERemessas com a CONDECINE, suscita a Súmula CARF nº 2, a qual reza que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, mas, “mesmo que assim não fosse”, pontua que “... levandose em conta que o critério essencial para a verificação da validade de uma CIDE, nos termos do que demonstrado outrora, não é a sua hipótese de incidência, mas sim a finalidade para as quais elas são instituídas, verificase, pois, que mais uma vez resta sem fundamento a alegação da recorrente, não havendo, assim, que se falar em bis in idem”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos apenas em parte, pois, apesar de respeitadas as formalidades, dele deixo de conhecer no que tange ao alegado bis in idem na incidência da CIDERemessas e da CONDECINE, pois envolve matéria constitucional, e a razão de decidir, neste aspecto, teve por base a Súmula nº 2, que reza que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não cabendo, a teor do § 3º do art. 67 do RICARF, Recurso Especial a respeito. As Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico, por definição, sempre têm algum caráter regulatório, extrafiscal, não deixando, por isto, de ter também a sua função arrecadatória, inerente a todos os tributos. Sem dúvida, a função precípua da CIDERemessas ao Exterior (ou CIDE REM, ou CIDERE) é o de estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, onerando quem destina recursos ao exterior para comprar serviços/produtos e utilizarse da tecnologia neles embutida, com o objetivo tanto de desestimular esta prática (com limites, já que, na mais das vezes, não há como deixar de se buscar “na fonte” as fontes de aprimoramento) como de obter Fl. 437DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 438 6 recursos para que o mesmo serviço/produto possa um dia vir a ser prestado/desenvolvido aqui no Brasil. Mas como bem dito pela PGFN em suas Contrarrazões, no caso das contribuições, “finalidade é uma coisa; hipótese de incidência é outra”. Utilizandome de um exemplo também trazido pela PGFN (mas que aqui não reproduzi para não me alongar muito no Relatório), as contribuições para o financiamento da seguridade social têm os seguintes objetivos: custear a saúde, a previdência e a assistência social. Mas os fatos geradores são dos mais diversos (até a arrecadação com loterias), não se exigindo, assim, que haja qualquer “vínculo de pertinência entre o grupo de contribuintes atingidos e a finalidade constitucional almejada”, como defende o recorrente. E a transferência de tecnologia não é, como regra, pressuposto para a incidência da CIDE. Não vou procurar “espaço” no caput do art. 2º da Lei nº 10.168/2000 para aí também encontrar a não exigência, para determinadas remessas, de transferência de tecnologia (mesmo sendo plausível esta interpretação), pois estamos a tratar aqui do anocalendário 2007, ou seja, já na vigência da Lei nº 10.332/2001, que ampliou (e muito) o campo de incidência da contribuição, atingindo fatos geradores apartados de forma expressa dos previstos originalmente, quando no § 2º do mesmo artigo se diz que a contribuição “passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias ...”. Isto poderia ter sido feito através de outra lei, “independente”? Sem dúvida. A União pode – observados, obviamente, os balizamentos constitucionais – instituir outras CIDE (como eram as para o IAA e para o IBC e, ainda hoje, o ARFMM), por lei ordinária, mas se optou por se utilizar de um arcabouço legal que já existia, pois, em grande parte, seria aplicável também às novas hipóteses de incidência. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Cosit nº 1, de 06/01/2006: Ementa: CIDE. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) INCIDÊNCIA A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, para atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior a título de remuneração decorrente de licença de uso de programas de computador (software), independentemente de os contratos relativos a tal licença estarem atrelados à transferência de tecnologia. Dispositivos Legais: Lei nº 9.609, de 1998, arts. 2º, 9º e 11; Lei nº 10.168, de 2000, arts. 1º e 2º; Lei nº 10.332, de 2001, art. 6º. Apesar de esta Solução de Consulta não ser aplicável ao AnoCalendário 2007, especificamente no que tange aos programas de computador (conforme ainda será visto), Fl. 438DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 439 7 sua Fundamentação é preciosa, pois acrescenta um elemento, obviamente não verificável na simples leitura da lei, que é a relação com a legislação do Imposto de Renda na Fonte: 13. De outra parte, da leitura do § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000 (na redação dada pela Lei nº 10.332, de 2002), percebese que sua intenção foi a de agregar novos fatos geradores aos até então existentes. 14. Tal intenção (de agregar novos fatos geradores aos até então existentes) foi expressamente manifestada no item 19 da Mensagem nº 1.060, de autoria conjunta dos Ministros do Estado da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, que acompanhou o projeto de lei (convertido na Lei nº 10.332, de 2001) encaminhado ao Congresso Nacional: “19. O projeto de lei prevê ainda a adequação da base de incidência da contribuição, criada pela Lei nº 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo." Tanto é fato a busca desta convergência com a incidência do Imposto de Renda, que o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, em boa parte, é cópia fiel da conjugação dos arts. 718 e 710 do RIR/99 [transcrevi somente os trechos que interessam especificamente a este tópico, repetindo – para maior clareza – os da Lei 10.168/2000 (alterada)]: Lei nº 10.168/2000 (com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001) Art. 2º (...) (...) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) (...) Art. 3º (...) Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal ..., bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) Art. 708. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte ... os rendimentos de serviços técnicos e de assistência técnica, Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 440 8 administrativa e semelhantes derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior ... (...) Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte ... as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título. E norma legal superveniente (inclusive suscitada pelo contribuinte) deixa ainda mais claro o que aqui defendo, se vista a contrario sensu, que é o § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pelo art. 20 da Lei nº 11.452/2007: § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Ora, se a transferência de tecnologia fosse pressuposto para a incidência da contribuição, qual a razão de ser desta norma? Se a CIDE já não incidisse pelo fato de que não estivesse envolvida na operação a transferência de tecnologia, por óbvio, seria ela totalmente desnecessária. Muitos alegam que o dispositivo teria caráter interpretativo, ou seja, seus efeitos seriam retroativos, mas a própria lei (nº 11.452/2007), em seu art. 21, como já visto, tratou logo de afastar este entendimento: Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. O CTN é claríssimo ao exigir que, para ser retroativa, a lei seja expressamente interpretativa (por exemplo, que diga, como em regra ocorre, “para fins de interpretação do art. ....): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Não estamos aqui diante de aplicação pretérita de penalidades, mas tão somente de cobrança de tributo. Absolutamente, então, não vejo nenhuma razão para que alguém entenda que esta lei seja retroativa até janeiro de 2002, pois ela fixa, outrossim, expressamente, a data em que o seu art. 20 passaria a produzir efeitos, qual seja, 1º de janeiro de 2006. E quanto à remessa feitas pelo contribuinte, enquadramse ou não no conceito de royalties? As normas transcritas a seguir não deixam margem para dúvidas: Lei nº 9.610/98 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 441 9 Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; Lei nº 4.506/64 Art. 22. Serão classificados como "royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. No que refere à polêmica “Caráter Taxativo x Exemplificativo” do Decreto nº 4.195/2002, bastaria o art. 99 do CTN, que é claríssimo ao dizer que “O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos”, mas, tratando especificamente da CIDERemessas, recorro novamente aos Fundamentos da Solução de Consulta Cosit nº 1/2006: 19. ... uma vez que, de acordo com a legislação aplicável à matéria, há a incidência da Cide ..., não poderiam as disposições do seu decreto regulamentador, no caso o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, ser interpretadas de modo a limitar a aplicação do disposto em lei. Isto posto, verificase que o referido Decreto nº 4.195, de 2002, ao dispor em seu art. 10 a respeito das importâncias sobre as quais há incidência de Cide, o fez de forma exemplificativa. Por fim, em relação ao alegado bis in idem da CIDERemessas com a CONDECINE, não cabe a este Colegiado manifestarse a respeito, pois, conforme já dito, a Súmula CARF nº 2 reza que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, o que foi devidamente consignado no Acórdão recorrido, tratando especificamente deste assunto, e o § 3º do art. 67 do RICARF prescreve que “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 442 10 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Com a devida vênia ao voto do Ilustre Relator, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, ousouse divergir do seu entendimento para dar provimento ao recurso especial da Contribuinte, pelas razões expostas na presente declaração de voto, em especial na ausência de referibilidade entre a CIDEroyalties e o setor audiovisual. Cingese a controvérsia à incidência ou não da CIDE instituída pela Lei nº 10.168/2000 sobre o pagamento de direitos autorais a nãoresidente no país em decorrência da distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil. Em caso análogo ao dos presentes autos, proferiuse voto pela nãoincidência da CIDEroyalties aos valores remetidos ao exterior decorrente da exploração de direitos autorais das obras audiovisuais. A decisão, embora tenha sido vencida, restou consignada no Acórdão nº 9303005.293, de relatoria desta Conselheira, na sessão de julgamento de 22 de junho de 2017, cujos fundamentos passam a integrar a presente declaração de voto, in verbis: [...] Embora não tenha sido admitida a divergência relativa ao enquadramento dos pagamentos efetuados pela Recorrente no conceito de royalties ou de direitos autorais, a apreciação da controvérsia relativa à aplicação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 perpassa, necessariamente, por tais conceitos, sendo imprescindível introduzir a fundamentação da decisão mediante a delimitação de dos referidos institutos. Esclareçase que não haverá a análise do mérito relativo a tal ponto, evitandose a caracterização de decisão que extrapola os limites do despacho de admissibilidade do recurso especial. Nessa esteira, o art. 149 da Constituição Federal estabelece três espécies de tributos denominadas como contribuições: contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. O mesmo dispositivo outorgaas à União, para utilização como instrumento de atuação em cada uma das áreas correspondentes. As contribuições de intervenção no domínio econômico, objeto de análise dos presentes autos, destinamse apenas a instrumentalizar a ação da União no domínio econômico, alcançandolhe recursos para fazer frente aos custos e encargos pertinentes. Nesse campo, a atuação do Poder Público foi moldada pelo art. 174 da Constituição Federal, o qual dispõe Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 443 11 que o planejamento do Estado, em relação ao setor privado, é meramente indicativo. Nesse contexto, a Lei nº. 10.168, de 29 de dezembro de 2000, instituiu a contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, tendo este como objetivo principal "estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediantes programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo". Dispõe o art. 2º da referida lei: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. § 6º Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 444 12 Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (grifouse) Para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, foi editado o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2001, que em seu art. 10 especifica as hipóteses de incidência da CIDE instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/2000. Por outro viés, os direitos autorais são regulados pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, compreendidos nesses os direitos de autor e os direitos conexos, nos termos do art. 1º do diploma legal. Pertinente também ao caso, é a definição de obra audiovisual, estabelecida no art. 5º, inciso VIII, alínea i, da mesma Lei, como sendo "a que resulta da fixação de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de criar, por meio de sua reprodução, a impressão de movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte usado inicial ou posteriormente para fixálo, bem como dos meios utilizados para sua veiculação". Concebida tal premissa, iniciase a análise das matérias objeto da insurgência do Contribuinte por meio do apelo especial. 2.1 Não incidência da CIDE nos pagamentos para as programadoras estrangeiras pela aquisição de conteúdo (filmes, programas, etc.) A Lei nº 10.168/2000, instituidora da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, estabeleceu como Sujeito Passivo da obrigação a "pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior". Originalmente previu a Lei nº 10.168/2000 a incidência de contribuição sobre a importação de tecnologia, a CIDETecnologia. A partir de 1º de janeiro de 2002, conforme alteração do §2º, do art. 2º do diploma legal em referência, introduzida pela Lei nº 10.332/2001, a contribuição passou a ser devida também: (a) por pessoas jurídicas signatárias de contratos de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior; e (b) por pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Esclareçase que a Lei nº 10.332/2001 teve por objetivo instituir mecanismos de financiamento para os seguintes projetos governamentais: Programa de Ciência e Tecnologia para o Agronegócio; Programa de Fomento à Pesquisa em Saúde; Programa Biotecnologia e Recursos Genéticos Genoma; Programa de Ciência e Tecnologia para o Setor Aeronáutico e Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 445 13 Programa de Inovação para Competitividade. Nesse contexto, foi introduzida a alteração do §2º, art. 2º da Lei nº 10.168/2000 e criada a CIDERoyalties, diretamente ligada à CIDE Tecnologia. Na autuação fiscal da qual teve origem o processo administrativo, embora consignado pela Fiscalização no Termo de Constatação Fiscal trataremse os contratos de cessão de direito de uso de propriedade intelectual (direito autoral) (fl. 5267), sobreveio conclusão equivocada de que os pagamentos efetuados tratavamse de royalties, contemplados, assim, na hipótese de incidência tributária da CIDE do §2º, art. 2º da Lei nº 10.168/2000. O conceito de royalties está estabelecido no art. 22 da Lei nº 4.506/64 como sendo os rendimentos de qualquer espécie decorrente do uso, fruição, exploração de direitos, tais como, in verbis: [...] a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. [...] O enunciado legal acima transcrito, em razão de seu caráter exemplificativo e não taxativo, possibilitou a caracterização de royalty para qualquer rendimento decorrente do uso, da fruição e da exploração de direitos, gerando insegurança quanto à correta caracterização para fins tributários. O escopo da CIDE instituída pela Lei nº 10.168/2000 foi de fomentar a produção tecnológica brasileira, sendo devida sobre os pagamentos de royalties referentes aos contratos de propriedade industrial. Posteriormente, a Lei nº 10.332/2001 ampliou a hipótese de incidência da exação para os valores decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos e assemelhados, e além disso incluiu na sua incidência os royalties de qualquer natureza, fazendo emergir dúvidas quanto ao alcance da tributação da CIDE. Tendo em vista que o objetivo da Lei nº 10.168/2000 foi criar mecanismos de incentivo ao desenvolvimento tecnológico, a alteração introduzida pela Lei nº 10.332/2001 buscou reforçar o intuito inicial, estabelecendo a incidência da CIDE também para os royalties relacionados à tecnologia, no caso referentes a contratos de patentes e uso de marcas. O legislador não visou incluir na tributação da CIDE os pagamentos decorrentes das remessas decorrentes de direitos de autor. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 446 14 As contribuições, como espécie tributária autônoma, embora sejam diferenciadas dos impostos em função de sua destinação constitucional, mantém como ponto de relação a necessidade de a conduta do Contribuinte subsumirse à hipótese de incidência da norma para que possa ser exigido o tributo, fazendose cumprir o princípio da estrita legalidade. 2.1.a Aplicação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 Nessa linha relacional, o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, editado para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, elucidando o alcance pretendido pela Lei, dispôs no seu art. 10 a incidência da CIDE sobre os contratos relativos à propriedade industrial de (i) fornecimento de tecnologia, (ii) assistência técnica, (iii) serviços técnicos especializados, (iv) serviços técnicos e de assistência administrativa, (v) cessão e licença de uso de marcas, e (vi) cessão e licença de exploração de patentes, em nada referindose à exploração de direitos autorais. O art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 tem a seguinte redação: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Ainda, o Decreto nº 4.195/2002 restringiu o seu conteúdo e alcance aos da Lei nº 10.168/2000, em função da qual foi expedido, em observância às disposições dos artigos 97, 98 e 99, todos do Código Tributário Nacional (CTN). O diploma legal em referência não alterou as hipótese do fato gerador da obrigação principal CIDE, apenas fez constar explicitamente a abrangência pretendida pela Lei nº 10.168/00, instituidora da contribuição, uma vez editada no contexto de incentivo ao desenvolvimento tecnológico nacional, com o que não se pode relacionar o setor audiovisual. Os decretos expedidos pelo próprio Poder Executivo para a "fiel execução da lei", nos termos do art. 84, inciso IV, da Constituição Federal, são de observância obrigatória pela Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 447 15 Autoridade Fiscal, fazendo cumprir os preceitos da vinculação e obrigatoriedade da atividade administrativa de lançamento, insculpidos nos artigos 3º e 142 do CTN. Portanto, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, deve ser interpretado de forma taxativa, privilegiandose a referibilidade e a correta relação entre o fato gerador e a CIDEroyalties, nos termos em que estabelecido pela Lei. Não se propõe que o Decreto nº 4.195/02 seja aplicado e interpretado de forma autônoma e independente, até porque segundo as normas de hermenêutica a análise de determinado dispositivo legal darseá em conjunto com as demais normas previstas. As diretrizes interpretativas da legislação tributária estão explicitadas nos artigos 107 a 112 do CTN. A interpretação do art. 10 do Decreto nº 4.195/02 realizarseá em consonância com o alcance e o impacto pretendidos pelo legislador ao ser promulgada a Lei nº 10.168/2000, ambos relacionados ao setor de tecnologia, não havendo qualquer relação com o setor audiovisual. Assim, ainda que se pretenda ser o rol estabelecido no art. 10 exemplificativo, de acordo com os objetivos de sua regra matriz, não se pode incluir ali a tributação dos direitos autorais relacionadas às obras audiovisuais, razão pela qual não há de se falar na incidência da CIDE. Corrobora a argumentação aqui expendida, o tratamento dado aos rendimentos decorrentes da exploração de obras audiovisuais no Regulamento do Imposto de Renda, nos arts. 709 e 710: Subseção II Remuneração de Direitos, inclusive Transmissão por meio de Rádio ou Televisão Art. 709. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior pela aquisição ou pela remuneração, a qualquer título, de qualquer forma de direito, inclusive a transmissão, por meio de rádio ou televisão ou por qualquer outro meio, de quaisquer filmes ou eventos, mesmo os de competições desportivas das quais faça parte representação brasileira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 72). Subseção III Royalties Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 3º). Da análise dos dispositivos acima transcritos, depreendese ter a legislação dado aos direitos sobre obras audiovisuais tratamento Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 448 16 específico, distinto de royalties, por não se confundirem com estes. Portanto, por mais esse argumento, incabível a incidência da CIDE. Importa, considerar, ainda que o regulamento é ato normativo subordinado à lei, de maior hierarquia no ordenamento jurídico, dandolhe os limites de suas disposições editadas pelo Poder Executivo, atrelado ao art. 150, inciso I da Constituição Federal. No entanto, poderá a norma regulamentar transitar dentro dos limites da lei, como ocorre no caso concreto, não havendo vedações ao seu conteúdo nesse sentido. A Administração Pública mostrarseia em confronto com o princípio basilar da segurança jurídica se, em um momento edita ato normativo pelo Poder Executivo regulamentando a incidência de determinado tributo em determinadas hipóteses e, posteriormente, viesse a exigilo sobre hipóteses distintas, penalizando o contribuinte, que atendeu a norma por ela estabelecida. Assim, de modo a afastarse quaisquer contradições que possam romper com a sistemática de interpretação do direito tributário, devese observar o que dispõe o art. 10 do Decreto nº 4.195/02, para afastar a incidência da CIDEroyalties no caso dos autos. Por fim, reforça a argumentação aqui expendida, a Solução de Consulta COSIT nº 06 de 2016, que traz ser taxativo o rol do art. 10 do Decreto nº 4.195/02, cuja ementa se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE CIDEREMESSAS. PATROCÍNIO DE EVENTOS NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a CideRemessas no pagamento relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. Dispositivos Legais: Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º, caput e § 2º, com redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001; e Decreto nº 4.195, de 2002, art. 10. Extraise, ainda, da sua fundamentação: [...] 6. A Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico – Cide incidente sobre as remessas para o exterior foi criada pela Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. Originalmente a incidência foi apenas sobre os valores pagos a título de licença de uso ou de aquisição de conhecimentos tecnológicos, e dos resultantes de contratos que impliquem transferência de tecnologia firmados com residentes ou domiciliados no exterior: [...] Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 449 17 7. Com a edição da Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, ocorreu a ampliação do campo de incidência da CideRemessas. Esta lei deu nova redação ao § 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168, de 2000, acrescentando a incidência sobre os pagamentos relativos a serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, prestados por residentes ou domiciliados no exterior. 8. Com vistas a esclarecer as hipóteses de incidência previstas na lei supracitada, trouxe o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, a relação dos objetos contratuais sujeitos à CideRemessas: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. 9. Cabe observar que o art. 10 do Decreto nº 4.195, de 2002, deixa claro que a incidência da CideRemessas ocorre em dois tipos de pagamentos: os pagamentos a título de royalties e os a título de remuneração (pela prestação de serviços). No entanto essa remuneração pela prestação de serviços restringese ao fornecimento de tecnologia (inciso I), à prestação de assistência técnica (inciso II) e aos serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (inciso III). 10. No caso em tela, o pagamento é relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. Por óbvio, não é corresponde a pagamentos a título de royalties. Também não existe a subsunção aos casos de remuneração pela prestação de serviços, que são limitados aos serviços descritos nos incisos I, II e III do art. 10 do Decreto nº 4.195, de 2002. Dessa forma, fica afastada a incidência da CideRemessas sobre esse pagamento. Conclusão 11. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao interessado que não incide a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Cide no pagamento relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. [...] Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 450 18 Por esses argumentos, e sobretudo tendo em vista o disposto no art. 10 do Decreto nº 4.195/02, que regulamentou a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, afastase a incidência da CIDEroyalties sobre as remessas de valores efetuadas pela Recorrente ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos sobre obra artística, exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura, por não serem royalties e, assim, não estarem previstos no rol taxativo do art. 10 do referido decreto regulamentar. 2.1.b Impossibilidade de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine No que concerne à CONDECINE, o propósito do Governo Federal de impactar o setor audiovisual da economia foi externado com a criação da CONDECINE Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, por meio da Medida Provisória nº 2.2281/2001, que em seu art. 32, na redação vigente nos períodos de apuração em exame, estabelece como fato gerador da contribuição: Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional CONDECINE terá por fato gerador a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas. Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo. (grifouse) A título de nota, a partir da Lei nº 12.485/2011, que dispõe sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado televisão por assinatura, a CONDECINE passou a incidir também sobre a prestação de serviços que se utilizem de meios de distribuição de conteúdos audiovisuais, sendo acrescidos ao art. 32 da Medida Provisória nº 2.2281/2001 os incisos I a III, in verbis: Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional Condecine terá por fato gerador: I a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas; II a prestação de serviços que se utilizem de meios que possam, efetiva ou potencialmente, distribuir conteúdos audiovisuais nos termos da lei que dispõe sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado, listados no Anexo I desta Medida Provisória; III a veiculação ou distribuição de obra audiovisual publicitária incluída em programação internacional, nos termos Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 451 19 do inciso XIV do art. 1ª desta Medida Provisória, nos casos em que existir participação direta de agência de publicidade nacional, sendo tributada nos mesmos valores atribuídos quando da veiculação incluída em programação nacional. Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo. Do art. 32 da MP nº 2.2281/2001, em sua redação original, depreendese estar a Contribuinte sujeita ao recolhimento da CONDECINE sobre as remessas ao exterior efetuadas para as programadoras estrangeiras a título de remuneração por direito de transmissão de obra audiovisual, em razão de ser esta a contribuição de intervenção no domínio econômico específica para o setor de audiovisual. Portanto, é fato gerador da CONDECINE a aquisição de direitos relacionados à indústria cinematográfica e videofonográfica. A CIDE incidente sobre royalties e a CONDECINE, portanto, são duas contribuições de intervenção no domínio econômico idealizadas pelo legislador para atingir e regular setores distintos da economia, quais sejam, o de tecnologia e o audiovisual (cinematográfico e videofonográfico). Tendose em conta que as contribuições têm por característica a destinação específica, estando as remessas ao exterior a título de pagamento de direitos autorais às programadoras estrangeiras sujeitas à incidência da CONDECINE, invariavelmente estarão afastadas do campo de exigência da CIDE. O argumento é reforçado pelo fato de a Lei nº 10.168/00 não prever como destino do produto de arrecadação da CIDE o setor audiovisual, mas tão somente o setor da tecnologia nacional, ocorrendo o recolhimento da contribuição ao Tesouro Nacional e destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FNDCT. A CONDECINE, por sua vez, é recolhida diretamente à ANCINE Agência Nacional do Cinema e seu produto de arrecadação destinado ao Fundo Nacional da Cultura FNC e alocado em categoria específica denominada Fundo Setorial do Audiovisual, para aplicação nas atividades de fomento relativas aos Programas criados pela Medida Provisória. Conclusão inexorável é que a CIDEroyalties guarda referibilidade com o setor de tecnologia e a CONDECINE com o setor audiovisual (cinematográfico e videofonográfico), sendo cabível apenas a incidência desta última sobre as remessas efetuadas pela Contribuinte ao exterior a título de pagamento das programadoras estrangeiras pelos direitos de transmissão de obras audiovisuais, restando afastada a ocorrência do bis in idem, que não se justifica no contexto dessas contribuições. [...] Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16643.000105/201013 Acórdão n.º 9303005.985 CSRFT3 Fl. 452 20 (grifouse) Com base nessas considerações é que se deu provimento ao recurso especial da Contribuinte, divergindose do voto do Ilustre Relator. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720018/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
RESSARCIMENTO. CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO.
Aplica-se ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3201-003.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeu-se desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Aplicase ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeuse desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 18 /2 00 7- 85 Fl. 381DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que na homologou a compensação dos débitos declarados no presente processo, em razão do saldo credor pleiteado ter sido completamente absorvido pelo crédito tributário lançado de oficio, por falta de lançamento do imposto em virtude da saída de produtos com classificação fiscal e aliquota incorretas, e, também, por glosa de créditos indevidos referentes a aquisições de insumos de fornecedores optantes pelo SIMPLES, de acordo com a reconstituição da escrita fiscal . elaborada no âmbito do auto de infração lavrado (processo n° 11444.000553/200825, cuja cópia consta nos autos). Tempestivamente o contribuinte manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que: a) o julgamento da manifestação de inconformidade deve ocorrer conjuntamente com o da impugnação ao lançamento de oficio referente ao processo n° 11444.000553/200825; b) tendo dado saída a construções préfabricadas enquadradas na posição 94.06.00.92 da TIPI, com aliquota zero, e não no código 73.08.90.90, equivocadamente pretendido pela fiscalização, com aliquota de 5%, a interessada acumulava créditos na escrita fiscal e que foram utilizados para compensação de débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 74, c/c a Lei n° 9.779/99, art. 11, mediante a transmissão eletrônica das DCOMP em questão; c) a classificação utilizada pela interessada, 9406.00.92, já fora objeto de análise pela RFB em outros processos relativos a pedidos de ressarcimento c/c pedidos de compensação e atestada; a atividade exercida pela empresa se amolda perfeitamente à referida classificação fiscal, já que os contratos têm por objeto o fornecimento de toda a estrutura metálica que compõe a obra, sendo todas as peças elaboradas no estabelecimento industrial para serem simplesmente parafusadas ou pinadas no canteiro de obras; d) requer o processamento da manifestação de inconformidade para apreciação pela DRJ em Ribeirão Preto/SP com respectivo provimento e reforma da decisão, com o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação total da compensação efetuada. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13830.720018/200785 Acórdão n.º 3201003.640 S3C2T1 Fl. 382 3 A DRJ/Ribeirão Preto/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 RESSARCIMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL EM LANÇAMENTO DE OFICIO. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR. Reconstituida a escrita fiscal do sujeito passivo em virtude de lançamento de oficio, indeferese integralmente o pedido de ressarcimento/compensação em virtude da conseqüente redução a zero do saldo credor no período de apuração respectivo. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos de defesa de mérito da classificação fiscal, e pede pelo julgamento conjunto com o processo 11444.000553/200825. Houve Resolução para julgamento conjunto dos processos conexos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. O resultado do presente processo depende inteiramente do que se apurar no processo 11444.000553/200825, onde se recorre das mesmas razões de mérito, e que está sendo julgado conjuntamente com o presente. Desse modo, transcrevo o acórdão lavrado naquele processo. Preliminar de decadência A decadência, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dáse no prazo de 5 anos contados do fato gerador, no caso de existência de pagamentos, conforme. decisão do Superior Tribunal de Justiça – Resp 973.733/SC, no regime dos recursos repetitivos. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. 1 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal Fl. 383DF CARF MF 4 No caso do IPI, a existência de compensações entre débitos e créditos equivale ao pagamento, nos termos do art. 124, § único, inciso III do Decreto 4.544/2002 – Regulamento do IPI2, caso em que o termo de início de contagem do prazo de decadência é o fato gerador. O lançamento foi cientificado em 18/07/2008 (fl. 7). Desse modo, encontravamse decaídos os fatos geradores anteriores a 18/07/2003. Neste aspecto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. A recorrente refere, também, no Recurso Voluntário, a eventual decadência de cálculo dos créditos a serem aproveitados. Entende que, antes de 18/07/2003, portanto, os créditos de IPI escriturados restariam “homologados tacitamente”. Nesse particular, a pretensão é descabida. A homologação tácita se dá somente ao crédito tributário constituído via confissão, ou à Declaração de Compensação apresentada conforme art. 74 da Lei 9.430/96. Não existe previsão legal de homologação de apropriação de créditos de IPI. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer crédito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. Ressaltese que não se está alterando as bases de cálculo para efetuar novo lançamento, mas sim aferindo a legalidade, a certeza e liquidez dos créditos, para cumprimento do disposto no art. 1703 do CTN. Os prazos decadenciais citados protegem o contribuinte de novas cobranças tributárias, para sua segurança jurídica, mas não conferem direito de crédito inexistente. A certeza e liquidez dos créditos é premissa inalienável, segundo os princípios de interesse público, e a administração pública não pode, em nenhum caso, conceder créditos ilegais ao contribuinte. A Fazenda pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos, seja qual for a data e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF 2 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13830.720018/200785 Acórdão n.º 3201003.640 S3C2T1 Fl. 383 5 de sua origem, vedado, no entanto, lançar novos tributos não confessados – decadência do art. 150, §4º e cobrar débitos constantes em declaração de compensação, após o prazo previsto no §5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Assim, não acata a preliminar suscitada nesse ponto. Mérito Classificação fiscal das mercadorias A empresa fabrica e venda galpões industriais, e as define como mercadorias classificadas na posição TIPI 9406, como construções préfabricadas. O Fisco aponta a posição 7308, partes de construções. A recorrente sustenta que vende a totalidade da construção, e não apenas suas partes, razão pela qual seria correta a posição 9406. O fundamento do Fisco é que as construções em foco são edificações civis, e como tais, não caracterizam industrialização. Desse modo, as saídas da recorrente são de partes de construções, e não de construções. Com efeito, as construções civis estão fora do conceito de industrialização do IPI. A construção civil não se confunde com a “reunião de partes no local em que são instaladas”, fora das dependências do estabelecimento industrial, por força do Regulamento do IPI então vigente, art. 5º VII, “a”: Art. 5º Não se considera industrialização: (...) VIII a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); Desse modo, tais edificações não são mercadorias, e sequer podem ser classificadas na TIPI. Ora, em sendo assim, quais seriam então as mercadorias objeto da posição 9406 – construções préfabricadas ? Observemos inicialmente a Nota 4 do respectivo capítulo: “4. Consideramse “construções préfabricadas”, na acepção da posição 94.06, as construções acabadas e montadas na fábrica, bem como as apresentadas em conjuntos de elementos para montagem no local, tais como habitações, instalações de trabalho, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens ou construções semelhantes. “ Vejamos como as Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pela OMA – Organização Mundial das Aduanas, que são a interpretação oficial, em Fl. 385DF CARF MF 6 nível internacional, do Sistema Harmonizado, e aprovadas no Brasil, segundo a competência conferida pela Portaria MF 91/1994, pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012, esclarecem: “Esta posição abrange as construções préfabricadas, também denominadas “construções industrializadas”, de quaisquer matérias. Essas construções, concebidas para os mais variados usos, tais como habitação, barracas de canteiros (estaleiros) de obras, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens e estufas, apresentamse, geralmente, sob a forma: – de construções completas, inteiramente montadas, prontas para serem utilizadas; – de construções completas, não montadas; – de construções incompletas, montadas ou não, mas apresentando, nesse estado, as características essenciais de construções préfabricadas.” Assim, o objeto da posição 9406 são mercadorias padronizadas, de catálogo, isto é, são oferecidos projetos padronizados para escolha dos clientes, atendidos, via de regra, por mercadorias já em estoque, e não projetados sob demanda, o que, via de regra, aplicase a empreendimentos de maior porte. No presente caso, o que é vendido globalmente não são mercadorias, de catálogo. O que é vendido, no presente caso, são projetos de construções civis. Conforme se verifica nos contratos juntados (fls. 1.300/2.847), cada venda é sob demanda de projeto específico, normalmente de grande porte. O próprio laudo técnico assim o afirma, às fls. 3.558, e ainda fluxograma à fl. 3.562. A recorrente também afirma, diversas vezes, tratarse de empresa de construção civil. Assim, a empresa vende uma construção civil, e não uma mercadoria, e fornece todas, ou quase todas, as partes para a construção civil. Em suma, não se confunde um projeto de construção civil com uma mercadoria préfabricada. Portanto, correto o Fisco na classificação fiscal adotada. Duplicidade da multa A infração falta de destaque do IPI na nota fiscal, com ou sem insuficiência de recolhimento do imposto, enseja o lançamento da multa, conforme art. 80, I da Lei 4.502/64, na redação então vigente4. A infração de glosas de créditos apropriados somente gera multa quando ocasiona saldo devedor não confessado/recolhido, atraindo a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96. 4 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Produção de efeito) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13830.720018/200785 Acórdão n.º 3201003.640 S3C2T1 Fl. 384 7 O cálculo dessas multas é excludente, ou seja, somente se lança a multa por falta de destaque de IPI nas notas fiscais, na parte com cobertura de crédito, ou seja, quando as infrações resultam em saldo devedor, parte da multa recai sobre o saldo devedor, e parte sobre o valor das infrações com cobertura de crédito. Portanto, não há, matematicamente, a alegada duplicidade de multas, porque incidem sobre parcelas diferentes das infrações. Não procedem as alegações da empresa de que foram aplicadas multas sobre a infração de glosas de credito e sobre a infração de falta de destaque de IPI. Conforme verifico nos demonstrativos de multa, partes integrantes dos Autos de Infração, a multa sobre a falta de destaque de IPI somente incidiu na parte com cobertura de crédito, ou seja, toda a contribuição da infração relativa à glosa de mercadorias para formação do saldo devedor multado, foi descontado na base de cálculo da multa relativa à falta de destaque de IPI, com cobertura de crédito. Quanto à alegada desarrazoabilidade das multas, o colegiado não pode apreciar a constitucionalidade da penalidade legalmente prevista, nos termos da Súmula Carf nº 25, art. 26A do Decreto 70.235/72 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos lançamentos de fatos geradores anteriores a 18/07/2003.” Marcelo Giovani Vieira Relator 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 387DF CARF MF 8 Declaração de Voto A presente declaração de voto decorre da análise dos autos quando da vista concedida em sessão de votação anterior. O que deve nortear a classificação dos produtos industrializados como uma construção préfabricada são os textos da Nota 4 do Capítulo 94 e das Notas Explicativas da posição 94.06. Da leitura dos textos das referidas Notas, já reproduzidas no voto do Relator, extraemse os requisitos para que se considere uma construção como préfabricada. O primeiro deles não comporta dúvida pois a construção se apresenta acabada e montada na fábrica, e sua identificação ou caracterização como préfabricada tornase elementar e evidente visualmente. Assim, aquelas não acabadas e/ou não montadas na fábrica, ou na saída do estabelecimento industrial, carecem de elementos objetivos para se identificarem ou não como construções préfabricadas. Neste sentido, podese formular duas possibilidades de apresentação da construção préfabricada e o requisito para sua identificação como tal: 1. Quando não apresentada acabada e montada na fábrica deve ser apresentada em conjunto de elementos para montagem no local; 2. Quando incompleta, deve apresentar as características essenciais de construções préfabricadas A formulação proposta conduz a outras duas indagações. Uma primeira, quais as características essenciais de uma construção pré fabricada? Vislumbro uma resposta elementar, qual seja, o conjunto de elementos que se apresentam reunidos e que se identificam como pertencentes a uma específica construção de alguma obra. Quando os textos das Notas utilizam a expressão "apresentadas" ou "apresentando" quer se referir a possibilidade de identificação do conjunto na saída do estabelecimento fabricante. À vista disso, decorre a segunda indagação: qual seria a forma de se identificar o produto/conjunto, visualmente? Mas essas expressões ("apresentadas" ou "apresentando" ) são utilizadas justamente quando a construção préfabricada está inacabada, incompleta ou desmontada, e a depender de suas dimensões, tornase impossível o carregamento e o transporte em um só veículo e no mesmo período. Ademais, não há vedação para que a montagem seja após a entrega de todo o conjunto. Entendo que a solução quanto à identificação/caracterização da construção préfabricada está na análise das características do projeto, do contrato e a discriminação nas notas fiscais que devem apontar claramente para a natureza de uma industrialização realizada no estabelecimento da pessoa jurídica que lhe der saída. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13830.720018/200785 Acórdão n.º 3201003.640 S3C2T1 Fl. 385 9 Outro requisito decorre dos textos da Nota 4 do Capítulo 94 e das NE da posição 94.06 e se torna intuitivo: não basta que a mercadoria permita a identificação somente após a montagem. Portanto, ao meu sentir a classificação somente se torna possível com a análise de cada conjunto de projeto/contrato e conjunto de notas fiscais de saída. Contratos celebrados e projetos de clientes As cláusulas do contrato padrão celebrado entre a recorrente e seus clientes revelam que não se trata de uma construção préfabricada, pois a natureza é de prestação de serviço com fornecimento de materiais e não de venda de construção préfabricada. Aponto para os dispositivos contratuais que expressam a prestação de serviços, ou descaracterizam como a venda de uma construção préfabricada: Não se referem a montagem de um conjunto préfabricado, mas sim em execução de serviço; As nota fiscal consignam usinagem, montagem da estrutura metálica e colocação de telhas; Há previsão de rescisão contratual na hipótese da contratada decidir não executar os serviços contratados; A contratada entregará projeto para aprovação do cliente, o que pressupõe a personalização do serviço; Há a possibilidade de alteração nas estruturas a serem fornecidas, bem como do projeto; Os preços podem ser alterados em razão de modificações nas quantidades, dimensões ou forma das estruturas discriminadas na proposta, o que se mostra incompatível com uma construção préfabricada; O inicio de fabricação ocorre somente quando a obra estiver apta a receber os materiais para sua execução; No fornecimento de materiais de fechamento, portas, venezianas, cobertura, revestimentos acústicos (folhas: 1840, 1863, 1874, 1887, 1944, 1956, 1983, 1997, 2040) prevê o faturamento direto para o cliente para evitar refaturamento (significa que o fornecimento desses materiais é de terceiros fornecedor, e não industrializado no estabelecimento do recorrente); Os materiais fornecidos, apontados como préfabricados, incluem grande variedade de estruturas metálicas para cobertura e fechamento de: portaria, vestiário, alojamento, escritório, restaurante, garagem. Todas executadas conforme projeto do cliente (o tipo de material faz presumir várias possibilidades de serviço a serem executado e não uma variedade de tipos de construções préfabricadas). Há contratos e projetos de reforma em estruturas existentes com o reaproveitamento de material do cliente; Fl. 389DF CARF MF 10 Os contratos prescrevem prazos de conclusão para as obras, não para instalação/montagem da construção préfabricada; Em todos os contratos, há sempre referência a "materiais próprios" empregados na obra, e para efeito de cálculo de tributo, referese ao item 32 da lista de serviços do DecretoLei 406/68, ou seja, não se trata de montagem de construção préfabricada, mas de prestação de serviço para fins de tributação; Cláusula especifica estipula e discrimina o preço total do serviço; Há casos em que fica nítida a contratação de execução de serviço, quando na proposta especifica a diferença entre o serviço executado e contratado. A análise dos contratos/projetos de alguns de seus clientes revelam igualmente a natureza de contrato de prestação de serviços ou situações em que o fornecimento de produtos industrializados não é da contribuinte. Vejamos alguns deles. JACTO: Vários contratos possuem a peculiaridade de reaproveitamento de materiais do cliente (cobertura, painéis, fechamento); Casos em que não há "construções" novas, mas simples ampliação das já existentes; No fornecimento de materiais de cobertura (fls. 1840, 1863) prevê o faturamento direto para o cliente para evitar refaturamento; Há especificação do cliente de como será fabricada a estrutura, ou seja, tipo de material, dimensões, etc. (não se caracteriza venda de uma construção préfabricada); Tem aditamento de contrato em razão de alterações dos serviços contratado (Proposta 198/04 fl. 2417/) COCAM (Contrato 040/04, 049/04 e Proposta Técnica 071/70 (fls. 2240/2253) Natureza de reforma e alteração da estrutura com troca de telha e transformação da estrutura metálica da fábrica (torrefação) com reaproveitamento de material já instalado; Coberturas, cumeeiras, parafusos e venezianas serão faturadas para o cliente e a contratada se responsabiliza pela qualidade dos produtos. (indagase por que somente neste caso há responsabilidade da contratada pelo produto fornecido? Quer dizer que os demais produtos fornecidos não seriam? Entendese que a responsabilidade decorre dos produtos não serem fabricados e fornecidos pela contratada) JACKS: Descrição da obra a ser executada: apoio, reforço e suporte de estrutura, aumento e revisão de telhado (fl. 2374) Das notas fiscais Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13830.720018/200785 Acórdão n.º 3201003.640 S3C2T1 Fl. 386 11 Procedendo à análise das notas fiscais constatamse elementos suficientes para infirmar tratarse de saída parcelada de uma construção préfabricada, ainda que incompleta e/ou inacabada. 1. As datas, e principalmente o prazo decorrido entre a primeira e última saída de material de determinados contratos demonstram que ultrapassaram, em alguns casos, mais de 06 (seis) para a "entrega" total da suposta construção préfabricada. O quadro abaixo fornece um exemplo da situação: Número contrato Data da 1ª saída Data da última saída Tempo decorrido entre a primeiras e última saída 07/02 06/01/2003 09/09/2003 + de 8 meses 030/05 22/07/2005 29/03/2006 + de 8 meses 027/05 27/06/2005 14/03/2006 + de 8 meses 039/04 29/07/2004 05/08/2005 + de 11 meses 055/03 20/04/2004 08/11/2004 + de 6 meses 049/03 04/03/2004 18/10/2004 + de 7 meses 2. A informação do código da operação de saída CFOP: 5.999 aponta, indubitavelmente para uma "remessa para execução de obra", e não uma saída de venda de uma construção préfabricada. 3. Em todas as notas fiscais, a descrição é de mercadorias como partes de estrutura metálica, não como uma construção préfabricada. No mesmo sentido das constatações e conclusões apontadas nesta declaração de voto, a decisão no Acórdão nº 3403001.254, sessão de 06 de outubro de 2010, relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Classificamse na posição 9406 da TIPI/2002 (alíquota zero) as construções préfabricadas que se enquadrem no conceito da Nota 4 do Capítulo 94. Devem ser classificadas na posição 7308 (alíquota de 5%) as estruturas metálicas que não se relacionem ao fornecimento de uma construção préfabricada. Tendo a fiscalização lançado de ofício o imposto em relação às notas fiscais que consignavam a saída de “estruturas metálicas”, é ônus processual da recorrente comprovar que aquelas estruturas metálicas integravam o fornecimento de uma construção metálica préfabricada. Recurso Provido em Parte. Trago excerto daquele voto que se aplica perfeitamente ao presente caso: Fl. 391DF CARF MF 12 (...) se as estruturas metálicas não pertencerem ou não constituírem um conjunto capaz de formar uma edificação completa ou incompleta, ou se essas partes em conjunto não possuírem as características essenciais de uma construção pré fabricada, deverão ser classificadas na posição 7308.90.90. Conclusão: Como fundamento principal para negar provimento ao recurso voluntário na matéria é o fato de que nos contratos e nas notas fiscais não há provas de que os materiais produzidos ou fornecidos pela recorrente constituem uma construção préfabricada, ainda que incompleta ou inacabada. Ao contrário, as mercadorias sempre foram identificadas como ou destinadas a estruturas metálicas a serem fornecidas em obras dos clientes. Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente Declaração de voto tem por finalidade explicitar as razões pelas quais, em sessão de julgamento, propus a realização de diligência. Conforme bem fundamentadas razões de decidir expostas pelo Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira e pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, a questão posta em debate vai além de se definir a classificação fiscal de estruturas metálicas préfabricadas. Não há dúvida acerca da correta classificação fiscal adotada pelo contribuinte quando se trata de "mercadorias padronizadas, de catálogo, isto é, são oferecidos projetos padronizados para escolha dos clientes, atendidos, via de regra, por mercadorias já em estoque", conforme preceitua o Relator. Não obstante, pelo exame dos autos, notase a existência de estruturas projetadas sob demanda, customizadas, e que não formam um conjunto único, mas, sim, adições a estruturas já existentes (reforma e ampliação). Conforme bem examinado pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, existem contratos com a descrição de "Reforço e Suporte", "Serviço na Cobertura existente", "troca de telhas", dentre outros. Tais objetos, efetivamente, demonstram se tratar da prestação de serviços de construção civil, e não da entrega de uma estrutura préfabricada. Lado outro, notase que em algumas situações, ocorreu o típico fornecimento de estruturas completas, pré fabricadas, cuja contratação da Recorrente se deu para a entrega de um conjunto completo, formador de uma estrutura única, como, por exemplo, o fornecimento de "Passarela e suporte para tubo sobre a fábrica". Assim, entendo que, para a adequada compreensão dos fatos ensejadores do lançamento, é prudente que se realize uma diligência fiscal de modo a identificar fielmente o Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13830.720018/200785 Acórdão n.º 3201003.640 S3C2T1 Fl. 387 13 objeto de cada uma das notas fiscais objeto de autuação fiscal, sob pena de se permitir a inadequada reclassificação de itens que, de fato, caracterizamse como estrutura préfabricada. É este meu posicionamento acerca da necessidade de realização de diligência fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 393DF CARF MF
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