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Numero do processo: 10830.002330/2004-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada, re- ratificando-se a parte conclusiva do voto condutor.
Numero da decisão: 1301-001.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, para suprir a omissão, sem produção de efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada, re ratificandose a parte conclusiva do voto condutor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, para suprir a omissão, sem produção de efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 23 30 /2 00 4- 52 Fl. 580DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11359.6FXV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela FAZENDA NACIONAL. Alega a embargante que a antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao prolatar o acórdão nº 180300.0033, sessão de 19 de março de 1999, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte declarou, por maioria de votos, a decadência em relação a todos os períodos lançados, sob o fundamento de que, em havendo a desqualificação da multa aplicada e estando os tributos lançados sujeitos ao lançamento por homologação, caberia aplicar o prazo para contagem da decadência conforme previsto pelo art. 150, § 4o. do CTN. O julgado objeto de embargos restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Exercício: 1999 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se não houver dolo, fraude ou simulação, aplicase o disposto no art. 150, § 4o. do CTN, em detrimento das disposições do art. 173, I do mesmo diploma, cujo termo inicial da decadência começa a fruir a partir da ocorrência do fato gerador. MULTA QUALIFICADA CARACTERIZAÇÃO. A caracterização de uma conduta dolosa deve ser comprovada de modo irrefutável, pois a existência de mais de uma possibilidade, "per si", de interpretação acerca da subsunção dos fatos as normas que cominam a aplicação de penalidade, no sentido de incidir a multa de oficio qualificada ou não, nos remete as regras de interpretação das normas tributárias previstas no próprio CTN (art. 107), que determinam a aplicação da regra mais favorável (art. 112) ao acusado (contribuinte). CSLL, PIS E COFINS LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências de CSLL, PIS e COFINS da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotado, no mérito, o mesmo tratamento da decisão proferida para todos os tributos, em função da sua indissociável conexão. Aduz a embargante que o aresto resta omisso uma vez que não analisou o instituto da decadência sob o enfoque da Súmula Vinculante no. 08 do STF, em vigor desde sua publicação em 20/06/2008, ou seja, em momento anterior ao julgamento pelo então Conselho de Contribuintes, e de observância obrigatória por parte da Administração, nos termos do art. 103A, da Constituição Federal. Assim, de acordo com a omissão ora apontada resta patente a necessidade de manifestação da Tuma Julgadora sobre a Súmula Vinculante 08 do STF, especialmente acerca da aplicabilidade do prazo previsto no art. 150, § 4o. ou do art. 173 ambos do CTN sob o foco da existência ou não de pagamento antecipado dos tributos lançados. Desta feita, a omissão apontada necessita ser sanada para que a Fazenda Nacional identifique, com retidão, o fundamento a ser combatido em seu posterior recurso especial. Fl. 581DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11359.6FXV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.002330/200452 Acórdão n.º 1301001.311 S1C3T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Esclareço, inicialmente, que merece acolhimento os embargos interpostos pela Fazenda, eis que configurada a ausência de pronunciamento, no acórdão atacado, da aplicabilidade do prazo previsto no art. 150, § 4o., ou do art. 173, ambos do CTN, sob o foco da existência ou não de pagamento antecipado dos tributos lançados. Compulsando os autos, verifico que no Demonstrativo de Apuração do Lucro Arbitrado (fls. 162 e 166) registrase como dedução/compensação do imposto apurado o valor do imposto declarado, o que, ao meu ver, configura pagamento antecipado com relação as receitas declaradas e, mediante resultado do julgamento da desqualificação da multa qualificada, no caso, a regra de decadência aplicável é aquela prevista no § 4º do art. 150 do CTN, cujo marco inicial da contagem de 5 anos se opera a partir da ocorrência do fato gerador. Ora, tratandose de antecipações pagas no ano calendário de 1998, a decadência teria se operado, na hipótese mais favorável ao fisco, no último dia do ano de 2003. Por seu turno, a ciência da autuação ocorreu em 25/05/2004. Dessa forma, deve ser considerado como decaído o direito de o fisco proceder o lançamento em relação à matéria recorrida. Assim, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração interpostos para, suprindo a omissão alegada, ratificar o quanto decidido no Acórdão nº 1803 00.0033, sessão de 19 de março de 1999, sem produção de efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 582DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11359.6FXV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS em 09/12/2013 16:54:00. Documento autenticado digitalmente por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS em 09/12/2013. Documento assinado digitalmente por: VALMAR FONSECA DE MENEZES em 22/10/2014 e PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS em 09/12/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1018.11359.6FXV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 26C84BA3471C9C27BDE3578FED93E78241882726 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.002330/2004-52. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11686.000374/2008-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2005 a 30/09/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.105
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 74 /2 00 8- 45 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.009, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 6 5 Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. [...] Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 7 6 Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11686.000374/200845 Acórdão n.º 9303007.105 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000074/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VALORES LANÇADOS EM GFIP
Valores lançados na contabilidade em conta de salário e informados em GFIP integram o salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia (Súmula CARF nº 89)
Numero da decisão: 2202-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto
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VALORES LANÇADOS EM GFIP Valores lançados na contabilidade em conta de salário e informados em GFIP integram o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia (Súmula CARF nº 89) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 74 /2 00 9- 31 Fl. 376DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto Relatório Conforme descrito no Relatório fiscal (fls.62) tratase de lançamento de contribuições previdenciárias,. a cargo da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho SAT, em face do pagamento das seguintes verbas: a) auxílio alimentação pago em dinheiro e sem a correspondente inscrição do Programa de Assistência ao Trabalhador PAT. b) Vale transporte pago em dinheiro; c) Aluguel pago em pecúnia; d) horas extras registradas na contabilidade e declaradas em GFIP após o início da ação fiscal; e) Ajuda de custo não fornecida à todos os empregados e descrita na contabilidade como crédito de adiantamento de salário; f) férias; g) pagamento para contribuintes individuais; h) pagamento de prólabore à administradores; O contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 284/298, à qual foi negado provimento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 328): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTO DE INFRAÇÃO. Nos termos do que dispõe o art. 10, do Decreto 70.235/72, o lançamento de obrigação principal, realizado em procedimento fiscal, deve ser formalizado por meio de Auto de Infração. VALORES LANÇADOS EM GFIP. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Valores lançados na contabilidade em conta de salário e informados em Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP integram o salário de contribuição. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 12268.000074/200931 Acórdão n.º 2202004.781 S2C2T2 Fl. 377 3 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES. DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o Auto de Infração e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, o lançamento está devidamente motivado e cumpre todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura. Cientificado da referida decisão (AR fls. 458) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 460/482 no qual reitera alega, resumidamente, o seguinte: a) nulidade do instrumento de lançamento utilizado b) caráter eventual das verbas glosadas; c) ausência de motivação do lançameno SC2 d) ausência de motivação relativa ao lançamento da contribuição ao SAT. É o relatório. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) NULIDADE DO INSTRUMENTO DE LANÇAMENTO UTILIZADO Alega Recorrente que o instrumento de lançamento utilizado pela autoridade fiscal é nulo. Isso porque, por se tratar de exigência de obrigação principal (pagamento de tributo) o crédito deveria ser constituído por meio de Notificação de Lançamento, conforme determinado pelo art. 33, §7º da Lei nº 8.212/91 e não Auto de Infração que só deveria ser aplicado às obrigações acessórias. Sem razão a Recorrente. A denominação atribuída ao lançamento (Auto de Infração ou Notificação de Lançamento) não importa em nulidade, a menos que tenha ocorrido o descumprimento de elemento essencial à sua validade. O artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, estabelece as seguintes causas de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente Fl. 378DF CARF MF 4 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) O presente lançamento foi efetuado por autoridade competente e com amplo direito de defesa, motivo pelo qual, não há que se falar em nulidade. 2) MÉRITO 2.1) DA NATUREZA EVENTUAL DAS VERBAS GLOSADAS Quanto ao mérito, o Recorrente alega, fundamentalmente, que, "independente da titulação contábil dada ao evidenciado pagamento, a origem deste é, em verdade, "ganhos eventuais" motivo pelo qual seria indevido o lançamento. Incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque o ônus de infirmar a natureza jurídica das verbas por ele próprio declaradas na contabilidade e em GFIP é dele. Todavia, tanto na Impugnação quanto no recurso voluntário se limitou a fazer alegações genéricas sobre a natureza das verbas sem trazer qualquer elemento de prova que pudesse se contrapor à sua própria contabilidade. Todavia, em relação à verba paga à título de vale transporte pago em dinheiro, embora possua caráter habitual, deve excluída da base de cálculo das contribuições sociais, conforme disposto na Súmula CARF nº 89 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. 2.2) DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO RELATIVA AO LEVANTAMENTO SC2 Alega o Recorrente que, em relação ao lançamento SC2, constante do Relatório Fiscal não se encontra a específica motivação que permita o contribuinte entender o porquê do lançamento o que ofenderia os princípios do contraditório e ampla defesa. Incorretas as alegações do Recorrentes. Conforme se verifica pela leitura do lançamento fiscal, está claramente demonstrada a natureza dos fatos e dispositivos legais que motivaram o lançamento, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito (fls. 64/65): LEVANTAMENTO (SC2) SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A base de cálculo apurada e discriminada neste levantamento foi constituída pelos valores contabilizados a débito nas contas 411010001salário, 411020022 manutenção e conservação, integrando a remuneração dos segurados empregados citados no Relatório de Lançamentos RL, anexo ao AI. As contribuições dos segurados empregados foram apuradas e objeto de constituição do crédito em Auto de Infração apensado a este. DOS FATOS Tratase de pagamento de remuneração não declarada na folha de pagamento, portanto em efetuar o desconto devido de segurado empregado. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 12268.000074/200931 Acórdão n.º 2202004.781 S2C2T2 Fl. 378 5 Caracterizouse salário de contribuição, uma vez que a remuneração foi paga em retribuição ao trabalho prestado pelos segurados empregados, não se aplicando as hipóteses de não integração ao salário de contribuição previstas no §9º do art. 214 do Decreto 3.048/99 e alterações. Os valores pagos foram apurados considerando os lançamentos contábeis nas contas acima identificadas. Intimada a apresentar a documentação comprobatória desses lançamentos no Termo de Intimação Fiscal TIF nº 1, o que o fez, foi possível identificar os beneficiários dos pagamentos. Os valores foram declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, após início do procedimento fiscal. Não foram recolhidas as contribuições previdenciárias. Conforme se verifica pelo trecho acima transcrito, foi plenamente possível ao Recorrente identificar do que se tratava o lançamento tanto que procedeu a declaração dos valores em GFIP depois de iniciado o procedimento fiscal. 2.3) DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO RELATIVA À IDENTIFICAÇÃO DA ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO AO SAT. Alega o Recorrente o lançamento relativo à contribuição ao SAT é nulo, uma vez que não teria sido indicado "o dispositivo legal autoriza e mensura a alíquota de contribuição do SAT a ser aplicada na hipóteses previdenciária do contribuinte". Mais uma vez incorretas as alegações do Recorrente. Conforme se observa pelo item 5 do Relatório Fiscal abaixo transcrito a alíquota aplicada ao lançamento da contribuição ao SAT foi identificada e definida de acordo com a atividade preponderante: 5. ALÍQUOTAS APLICADAS: As alíquotas aplicadas constam, mensalmente, nos respectivos Discriminativos Analíticos de Débito DAD, anexo ao AI. Alíquota aplicada de 2% para financiamento dos benefícios conceitos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho na atividade econômica preponderante da empresa, pela redação do anexo V do Decreto 3.048/99. Improcedentes, portanto, as alegações do Recorrente. 3) CONCLUSÃO Fl. 380DF CARF MF 6 Em face de todo o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13310.000105/2001-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Não cabe o recurso especial quando o que se pretende é a reapreciação de fatos ou provas.
Numero da decisão: 9303-007.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Não cabe o recurso especial quando o que se pretende é a reapreciação de fatos ou provas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracterizase quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Não cabe o recurso especial quando o que se pretende é a reapreciação de fatos ou provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 0. 00 01 05 /2 00 1- 04 Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 13310.000105/200104 Acórdão n.º 9303007.369 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, relativos ao 3º trimestre de 2001, apresentado com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. O pleito foi formalizado em 29/11/2001, tendo sido vinculados a ele diversos pedidos de compensação juntados aos autos. O processo de industrialização da requerente desenvolvese em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o AuditorFiscal, conforme relatório fiscal, efls. 132 e segs., verificou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborálos. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. Tendo apresentado manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/BelémPA, efls. 486 e seg., julgoua improcedente por entender não estar devidamente comprovados a certeza e liquidez do crédito solicitado. O seu recurso voluntário foi julgado pela Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INDEFERIMENTO. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13310.000105/200104 Acórdão n.º 9303007.369 CSRFT3 Fl. 4 3 Incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, tornase impossível o acolhimento da pretensão. Recurso negado. Contra esta decisão, o contribuinte apresentou embargos de declaração, efls. 980 e seg., os quais foram sumariamente rejeitados por meio do Despacho de efls. 1019/1020. O contribuinte apresentou recurso especial de divergência, efls. 1024 e seg., pedindo o acatamento de seu pleito. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por meio do despacho de efls. 1094/1095. Em contrarrazões, efls. 1099/1103, a Fazenda Nacional pede o improvimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Entendo que o recurso especial foi concebido para a fim de dirimir divergências de entendimento entre as turmas ordinárias de julgamento quanto a matéria de direito, ou seja, quando diante de matéria fática semelhante, tenham dado tratamento diferente interpretando a mesma norma tributária. Contudo esta divergência de interpretação não pode ser estabelecida quando estamos diante de divergência a respeito das provas apresentadas no processo administrativo. Vejamos o que dispõe o Regimento Interno do CARF a esse respeito: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No presente processo, o acórdão recorrido, analisando as provas do processo, entendeu que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza de seu crédito pretendido por meio de ressarcimento do IPI. Tal fato pode ser comprovado com a transcrição de excertos retirados do voto que conduziu o acórdão recorrido: (...) Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 13310.000105/200104 Acórdão n.º 9303007.369 CSRFT3 Fl. 5 4 No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade fisica dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceuse uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 125/154. Entre elas, destacase a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e viceversa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na sua fabricação, não há que se falar em direito ao ressarcimento dos créditos pagos na sua aquisição. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meios dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. (...) Para comprovar a divergência, o contribuinte apresentou o Acõrdão nº 204 02.186, o qual possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 Ementa: IPI — PEDIDO DE RESSARCIMENTO — COMPROVAÇÃO EFICAZ 0 direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, do saldo credor do IPI . decorrente da aquisição matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributários à aliquota zero, exige comprovação eficaz do que se pleiteia. A juntadas aos autos das Notas Fiscais de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, Fichas Quantitativas de Controle de Estoques e Notas fiscais de Exportação, são suficientes à apreciação do pedido de pleiteado. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 13310.000105/200104 Acórdão n.º 9303007.369 CSRFT3 Fl. 6 5 TAXA SELIC. 0 ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Camara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 40 da Lei n° 9.250195, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Da parte destacada da ementa já se percebe que o acórdão recorrido e paradigma caminharam em consonância de entendimentos. Ambos entenderam que a autorização de ressarcimento do IPI depende de prova eficaz a comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Evidentemente, que o colegiado paradigma, analisando as provas apresentadas no processo, entendeu que elas eram suficientes ao acatamento do pleito do contribuinte. O fato de as empresas, do recorrido e do paradigma, terem processos de produção parecidos ou quase semelhantes, não é suficiente para concluir que também os elementos de provas apresentados eram semelhantes. No processo paradigma existem elementos de convicção diferentes do presente processo. Exemplo disso é que naquele, antes do julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ baixou o processo em diligência para obtenção de outros elementos ou informações relevantes. Veja excerto do voto do paradigma em que se demonstra a realização da diligência: (...) A d. DRJ em RecifePE, em vista da decisão da d. DRF em FortalezaCE e das alegações e documentos juntados aos autos pela ora Recorrente, determinou fosse realizada diligência, ocasião na qual formulou quesitos que tiveram por objetivo evidenciar a existência do direito pleiteado, especialmente sobre a regularidade das aquisições de insumos, remessas e retornos de industrialização, de modo a comprovar a efetividade das operações e o termo inicial da taxa Selic postulada. (...) De inicio observo que há nos autos elementos suficientes à apreciação do pedido (foram juntadas aos autos as Notas Fiscais de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, as Fichas Quantitativas de Controle de Estoques, as Notas fiscais de Exportação, etc) e que, por ocasião da execução da decisão terá a autoridade oportunidade de Conferir os documentos juntados aos autos, confrontandoos com os saldos credores apurados no Livro Registro de Apuração do 'PI Modelo 8. (...) Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 13310.000105/200104 Acórdão n.º 9303007.369 CSRFT3 Fl. 7 6 O acórdão paradigma, apreciando as provas trazidas ao processo, entendeu que elas eram suficientes a comprovar o direito ao ressarcimento, cabendo à unidade de origem executora conferir os valores correspondentes e apurar a sua liquidez. Vejam que garantiram a certeza do crédito perante os documentos apresentados. No acórdão recorrido, analisando elementos de provas diferentes, entenderam que a certeza do crédito não estava garantida pelos documentos apresentados. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.732822/2013-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472/1988, não representa nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472/1988, não representa nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Recurso Especial do Procurador provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 705 1 704 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10314.732822/201304 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.469 – 3ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES (PIS/COFINS) IMPORTAÇÃO DE NAFTA Recorrente CENTRO OESTE EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, não representa nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 73 28 22 /2 01 3- 04 Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 706 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3401003.812, proferido pela 4º Câmara/1º Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de revisão aduaneira, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 707 3 aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE. Conforme art. 8º, § 8º da Lei nº 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP importação e da COFINS importação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à revisão aduaneira alteração de critério jurídico. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 3302 002.444. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termo do despacho de admissibilidade, ás fls. 692/695. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 697/703, requer que seja negado provimento ao Recurso, mantendose o acórdão recorrido pelo seus próprios fundamentos. No essencial é o Relatório. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 708 4 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratese de Auto de Infração lavrado em 26/12/2013 (fls. 2 a 71), para exigência de PIS/COFINS, relativos a importações de nafta para formulação de gasolina realizadas em 2009 e 2010, em virtude de o importador não ter efetuado o recolhimento das contribuições com base nas alíquotas específicas estabelecidas pela Lei nº 10.865/2004, art. 8º, §8º. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que não houve alteração de critério jurídico na revisão aduaneira efetuada no presente caso. O entendimento prevalente no colegiado é de que o período que se segue ao desembaraço aduaneiro é o período para conclusão do despacho, nos termos do art. 54 do DecretoLei nº 37/66, uma vez que o tributo recolhido pelo importador não configura lançamento e o desembaraço aduaneiro não é homologação expressa do recolhimento efetuado pelo importador. Assim, durante os cinco anos que se seguem ao desembaraço aduaneiro, pode ocorrer a homologação expressa, por meio da revisão aduaneira, ou a homologação tácita, por decurso de prazo. A exceção a esse entendimento se daria quando a autoridade faz exigência de tributo durante o despacho e, posteriormente, na revisão aduaneira, é feito nova exigência, em sentido diverso do inicial, o que configuraria, segundo o colegiado, mudança de critério jurídico. Por sua vez, ao deduzir seu pleito, a Contribuinte aduz que o desembaraço aduaneiro caracterizase homologação expressa da autoridade administrativa, somente cabendo a alteração do lançamento nas hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional CTN. Analisando a quaestio, a Contribuinte por meio declarações de importação listadas às fls. 05 a 07 e 11 a 13, submeteu a despacho aduaneiro de importação a mercadoria descrita genericamente como “nafta para formulação de gasolina”, tendo recolhido a contribuição para a CofinsImportação com base na alíquota ad valorem de 7,60% e a contribuição para o PIS/PasepImportação com base na alíquota ad valorem de 1,65%, fixadas nos incisos I e II do art. 8º da Lei nº 10.865/2004. Por outro lado, a Autoridade Lançadora em procedimento de revisão aduaneira dos referidos despachos, após o desembaraço aduaneiro, constatou que a Contribuinte se equivocou ao adotar, na espécie, citadas alíquotas ad valorem, pois, para o produto importado em tela, a teor os comandos legais estatuídos no art. 8º, § 8º e no art. 23, § 5º, ambos da Lei nº 10.865/2004 c/c o art. 2º, I, do Decreto nº 5.049/2004, são aplicáveis as alíquotas específicas de R$ 46,58 para o PIS/PasepImportação e de R$ 215,02 para a Cofins Importação, fixadas por unidade de volume da mercadoria, caso metro cúbico, circunstâncias que resultou na insuficiência do recolhimento dessas contribuições nas respectivas operações de importação. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 709 5 Sem embargo, o Instituto da Revisão Aduaneira prevista no Regulamento Aduaneiro (artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966) alterada pelo Decreto Lei nº 6.459/2009 e artigo 570 do Decreto Lei nº 4.543/20021, limitandose as regras de aplicação ao Código Tributário Nacional CTN. A norma prevê como revisão aduaneira o ato pelo qual é “apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”, sendo seu prazo para conclusão de 5 anos a contar do registro da declaração de importação e do registro de exportação. Contudo, o ato da revisão aduaneira tem suas limitações em outros institutos do direito tributário, em especial no que diz respeito ao momento da conclusão do lançamento do crédito tributário em favor da União e as diferentes formas em que se opera tais lançamentos. A esse propósito, para lavratura do Auto de Infração, o lançamento deve obedecer os seguintes requisitos: (i) subsunção dos fatos apurados, identificados no auto de infração, hipótese abstrata presente na norma jurídica instituidora do tributo; (ii) descrição dos fatos e material probatório; (iii) conclusões do auto de infração juridicamente validadas. Tais requisitos, vão ao encontro do que dispõe o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 2. Neste contexto, o procedimento administrativo que culmina na lavratura do auto de infração deve se pautar na verificação da efetiva obrigação tributária, sem o quê temse um lançamento desprovido de fundamentação legal e, por conseguinte, desprovido de fundamento. 1 Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 710 6 Recorrendo a literatura administrativista, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 3. Com fundamento nesta classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos motivo, requisitos procedimentais e causa. Celso Antônio Bandeira de Mello4, leciona que: "o motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. Neste sentido, não se está diante de um mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento anterior, mas de alteração do conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN acima reproduzido. Com o lançamento efetivado, o procedimento de revisão de lançamento somente poderá ocorrer de ofício por iniciativa da autoridade administrativa nas hipóteses do artigo 149 do CTN5, conforme determina o artigo 145, inciso III6 deste mesmo diploma legal. Por sua vez, a decisão recorrida, entendeu que a revisão aduaneira não tem limites para sua aplicação, ou seja, o Fisco pode revisar a qualquer tempo, inclusive após o desembaraço aduaneiro, pode ser aplicada a qualquer tempo e prazo, uma vez que o tributo recolhido pelo importador não configura lançamento e o desembaraço aduaneiro não é homologação expressa do recolhimento efetuado pelo importador. Assim, durante os cinco 3 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 4 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. 5 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 6 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 711 7 anos que se seguem ao desembaraço aduaneiro, pode ocorrer a homologação expressa, por meio da revisão aduaneira, ou a homologação tácita, por decurso de prazo. Em que pese tal argumento, o qual discordo diametralmente, relembro que as normas e procedimentos relativas ás importações, estão inseridas no artigo 21 da Instrução Normativa IN SRF nº 680/20067, alterações, que estabelece diferentes canais de conferência aduaneira para os quais podem ser direcionadas uma declaração de importação após seu registro. Sendo dessa forma, em síntese: canal verde, pelo qual não há qualquer verificação por parte da Autoridade Fiscal Aduaneira, canal amarelo, onde a Autoridade Fiscal verifica somente os documentos exigidos para cada caso, canal vermelho, onde são verificados documentos e a carga (vistoria física e documental) e ainda, o canal cinza, que por via de regra, diz respeito a preço ou outra condição especial, sendo que neste canal, as verificações costumam ser mais rigorosas e técnicas. Com exceção do canal verde, todos os demais canais exigem a presença da Autoridade Fiscal da Aduana que será responsável pela verificação de acordo com tipo de canal de conferência, sendo, específica ou não. Compulsando aos Autos, verifico que a Contribuinte, no período de outubro de 2009 a fevereiro de 2010 , submeteu a despacho de importação a mercadoria "NAFTA PARA FORMULAÇÃO DE GASOLINA", declarando e recolhendo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CofinsImportação) à alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), conforme o inciso II do Art. 8º da Lei 10.865/2004. Contudo, após 3 (três) anos, em 11 de outubro de 2013, o Fisco instaurou procedimento Fiscal, o qual se originouse no Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) nº 08.1.55.002013015672, com base em informações fornecidas eletronicamente, sendo lançado a cabo valores que deveriam ser revistos no momento do desembaraço aduaneiro. Como visto, salvo exceção do canal verde, todos os demais canais exigem a presença de um fiscal da aduana que será responsável pela verificação de acordo com tipo de canal de conferência, nesta situação, a autoridade fiscal tinha o dever de lançar, não o fez, agora não pode mudar a regra do jogo em lançar o crédito tributário passado três anos do desembaraço aduaneiro, e ainda, com base em informações eletrônicas fornecidas pelo sistema" SEFIS". Deste modo, o crédito tributário tornouse consolidado para todos e quaisquer fins no momento do desembaraço aduaneiro, considerando que a Aduana, após a verificação dos canais deu seguimento sem qualquer impedimento para liberação da mercadoria importada "NAFTA PARA FORMULAÇÃO DE GASOLINA". 7 SELEÇÃO PARA CONFERÊNCIA ADUANEIRA Art. 21. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido em norma específica. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 712 8 Ademais, a exceção que permitiria a fiscalização promover a revisão aduaneira nos canais de conferência aduaneira amarelo, vermelho e cinza, somente caberia aos erros de fato e jamais em erro de direito. Até porque, a revisão de lançamento somente é permitida no caso de erro de fato, e não erro de direito, e este fundamento esta radiante como luz solar no artigo 149 do CTN. O que significa dizer que se o fato declarado pela Contribuinte no momento do registro da DI, como origem, procedência, mercadoria, enquadramento fiscal, não sofreu qualquer alteração ou questionamento da Autoridade Fiscal, portanto, impossível, passado três anos a Autoridade Fiscal realizar a revisão aduaneira. No que tange ao erro de direito, a fiscalização aceitou os documentos e informações apresentadas pela Contribuinte, enquadramento fiscal, alíquota, produto etc, e mesmo a classificação fiscal das mercadorias, impossível, pois, verificarseia a revisão aduaneira. Tal revisão seria entendida com mudança de critério jurídico o que é vedado pelo Código Tributário Nacional. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.422.444 AL (2011/01335018), decidiu que não há o que se falar em possibilidade de revisão de lançamento, mormente ao desembaraçar o bem importado, o fisco tem a oportunidade de conferir as informações prestadas pela Contribuinte em sua declaração. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EQUÍVOCO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ALÍQUOTA. ERRO DE DIREITO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que se discute se a indicação, pelo contribuinte, de legislação errônea na Declaração de Importação devidamente recebida pela autoridade alfandegária consiste em erro de fato e, portanto, pode dar ensejo à posterior revisão, pela Fazenda, do tributo devido; ou se tratase de mudança de critério jurídico, cuja revisão é vedada pelo CTN. 2. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que o erro de direito (o qual não admite revisão) é aquele que decorre da aplicação incorreta da norma. Precedentes. Por outro lado, o erro de fato é aquele consubstanciado "na inexatidão de dados fáticos, atos ou negócios que dão origem à obrigação tributária" (EDcl no REsp 1174900/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 09/05/2011). 3. Da análise dos autos, verificase que ocorreu a indicação de legislação equivocada no momento da internalização da mercadoria, o que culminou com o pagamento da alíquota em valor reduzido, de sorte que não houve engano a respeito da ocorrência ou não de determinada situação de fato, mas sim em relação à norma incidente na situação, como, aliás, registrou o acórdão recorrido. Assim, não há falar em possibilidade de revisão do Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 713 9 lançamento no caso dos autos, mormente porque, ao desembaraçar o bem importado, o fisco tem, ao menos em tese, a oportunidade de conferir as informações prestadas pelo contribuinte em sua declaração. 4. Agravo regimental não provido. Neste moldura, Lenio Streck (p.242) bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 8argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito9”. Com efeito, na validade da alíquota ad valorem utilizada pela Contribuinte para apuração do PIS/COFINS, na importação de "nafta" ainda que fosse o caso da alíquota ser inválida, a Autoridade Fiscal tinha o momento adequado para efetuar o lançamento pela alíquota específica no desembaraço aduaneiro, não possível efetuar o lançamento posterior ao desembaraço de mercadorias com objetivo de rever novo critério jurídico. Inferese da leitura dos dispositivos supramencionados, que assiste razão a Contribuinte, houve nítida violação do artigo 146 do CTN, a seguir transcrito: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Esse dispositivo, fundado na segurança jurídica, proíbe a aplicação de novo critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Sobre o tema, trago à colação ensinamento de Leandro Paulsen e Luciano Amaro, respectivamente: "O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos 8 9 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 714 10 administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. (In Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 1049) Parece evidente que o dispositivo procura traduzir norma de proteção do sujeito passivo. Quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade (já que se trata de atividade que é dela privativa). A autoridade, portanto, é que está impedida de aplicar novo critério em lançamentos relativos a fatos geradores já ocorridos antes de sua introdução. Nessa ordem de idéias, o preceito só cabe nos casos em que o novo critério jurídico beneficia o Fisco, restando proibida, nessa hipótese, sua aplicação em relação ao passado. A vedação se reporta “a um mesmo sujeito passivo” (e atémse a fatos geradores ocorridos antes da introdução do novo critério, o que significa que todas as obrigações tributárias já nascidas (em face da ocorrência do seu pressuposto de fato) terão de ser lançados de acordo com o critério jurídico (mais favorável) que o Fisco já tiver adotado em lançamento anteriormente realizado, em relação a cada sujeito passivo, o que implica reconhecer no preceito um direito subjetivo invocável contra o Fisco por quem, figurando como sujeito passivo em certo lançamento, efetuado de acordo com determinado critério jurídico, tem o direito de não ver inovado esse critério (em futuros lançamentos), a não ser em relação a fatos geradores ocorridos após a introdução do novo critério". (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379). O dispositivo supra, trata, mais do que a mera inalterabilidade do lançamento por mudança de critério jurídico, determina a inalterabilidade do critério a todos os fatos geradores já ocorridos, mesmo quando ainda estejam na pendência de lançamento, como leciona Luciano Amaro (p. 377378). Destaco: "O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido objeto de lançamento ). Se, quanto ao fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão de lançamento (velho, mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não seria apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. O motivo da introdução do novo critério (a par da iniciativa de ofício da autoridade) pode ser uma decisão (administrativa ou judicial), contida num processo que, obviamente, se refere a fato gerador pretérito. Se o critério introduzido é aplicável só para fatos geradores futuros, é evidente que ele Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 715 11 não terá sido o critério aceito como legítimo para o lançamento objeto do processo, cuja decisão porém, teria provocado a autoridade a introduzir o novo critério.” (In Direito tributário brasileiro. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 377378) Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito10, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)11 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator 10 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 11 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 716 12 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Com a devida vênia, divirjo das conclusões exaradas no voto do relator, i. Conselheiro Demes Brito. I DELIMITAÇÃO DA LIDE A motivação do lançamento pelo Fisco, como bem pontuado pelo conspícuo relator, foi a seguinte (fl. 5): COFINS IMPORTAÇÃO Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI O importador, no período de outubro de 2009 a fevereiro de 2010, submeteu a despacho de importação a mercadoria "NAFTA PARA FORMULAÇÃO DE GASOLINA", declarando e recolhendo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CofinsImportação) à alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), conforme o inciso II do Art. 8º da Lei 10.865/2004. Porém, por se tratar de importação de corrente da gasolina, a mercadoria estava sujeita ao recolhimento da CofinsImportação à alíquota específica, mais gravosa, de R$ 215,02 (duzentos e quinze reais e dois centavos) por metro cúbico, conforme o parágrafo 8º do Art. 8º da Lei 10.865/2004, c/c o Art. 2º, inciso I, do Decreto nº 5.059/2004. Sendo assim, cobrase a diferença da contribuição, apurada em face de tal incorreção, bem como os acréscimos legais devidos. PIS IMPORTAÇÃO O importador, no período de outubro de 2009 a fevereiro de 2010, submeteu a despacho de importação a mercadoria "NAFTA PARA FORMULAÇÃO DE GASOLINA", declarando e recolhendo a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEPImportação) à alíquota de 1,65% (um inteiro e Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 717 13 sessenta e cinco centésimos por cento), conforme o inciso I do Art. 8º da Lei 10.865/2004. Porém, por se tratar de importação de corrente da gasolina, a mercadoria estava sujeita ao recolhimento do PIS/PASEP Importação à alíquota específica, mais gravosa, de R$ 46,58 (quarenta e seis reais e cinqüenta e oito centavos) por metro cúbico, conforme o parágrafo 8º do Art. 8º da Lei 10.865/2004, c/c o Art. 2º, inciso I, do Decreto nº 5.059/2004. Sendo assim, cobrase a diferença da contribuição, apurada em face de tal incorreção, bem como os acréscimos legais devidos. Tais importações foram levadas a efeito por meio das Declarações de Importação (DI) arroladas pela fiscalização à fl. 15. Demais disso, articula o Fisco que a nafta importada tratase de "corrente", nos termos definidos na Lei 10.336/2001, vez que no campo descrição das DI, consta a expressão "CORRENTES DE HIDROCARBONETOS PARA FORMULAÇÃO DE GASOLINA". Fatos, portanto, incontestes. Lendo a peça impugnatória (fls. 117/129), que delimita a lide nos termos do Decreto 70.235/72, constatase que a autuada, em suma, alegou que sua interpretação quanto ao cálculo das guerreadas contribuições estariam corretas, e que o Fisco teria constatado um erro de direito ao afirmar que o cálculo das contribuições deveria ter sido feita com base ad rem e não ad valorem, como calculado pela autuada nas importações em análise. Com base nessa premissa defendeu a tese de que "é impossível a revisão de erro de direito na importação após o desembaraço aduaneiro da mercadoria", sob o fundamento de que teria havido mudança de critério jurídico. Essa é a lide instaurada. Sobre o ponto, assim foi delimitada a quaestio pela então impugnante (fl. 126). Ou seja, no entender do contribuinte, se o Fisco não se opôs aos cálculos apresentados no momento do despacho aduaneiro, "sobre acerto jurídico ou não da alíquota apontada pelo importador", não pode, posteriormente, rever o declarado, como se naquele momento estivesse homologado tacitamente o lançamento. O nobre relator, de sua feita, entende: Como visto, salvo exceção do canal verde, todos os demais canais exigem a presença de um fiscal da aduana que será responsável pela verificação de acordo com tipo de canal de conferência, nesta situação, a autoridade fiscal tinha o dever de lançar, não o fez, agora não pode mudar a regra do jogo em lançar o crédito tributário passado três anos do desembaraço aduaneiro, e ainda, com base em informações eletrônicas fornecidas pelo sistema" SEFIS". Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 718 14 Justamente nesse ponto abro divergência com o douto relator, pois entendo, como adiante me alongo, que independentemente do sistema a que cada importação esteja submetida (amarelo, verde, vermelho ou cinza), que decorre de norma administrativa visando a agilizar as importações (despacho aduaneiro sem conferência aduaneira), a lei autoriza a revisão aduaneira, que tem prazo de cinco anos a partir do desembaraço aduaneiro. Máxima vênia, não há que se falar, in casu, em mudança da "regra do jogo". Mas só cabe adentramos nessa discussão se ultrapassado o mérito do cálculo das contribuições, pois a autuada em seu recurso voluntário (fl. 285/286) repisa entendimento já manifestado em sua peça impugnatória de que "o importador de gasolina e suas correntes tem a opção entre o regime de alíquota ad valorem, que é a regra geral, ou o de alíquota ad rem, que é a exceção, para apuração do PIS e da COFINS nessa operação". O recorrido entendeu correto o lançamento com base na alíquota ad rem. Contudo, no recurso especial de divergência do contribuinte (fls. 677/687) o mesmo não mais se insurge contra a sistemática de cálculo das contribuições na importação adotada pela fiscalização, limitando sua insurgência sob a alegação "da impossibilidade de revisão de erro de direito após finalizado o desembaraço aduaneiro. Portanto, superada, preclusa, a questão quanto à forma de cálculo das vergastadas contribuições. Tacitamente, que seja, a recorrente concorda, então, com a interpretação dada pelo Fisco quanto ao cálculo das contribuições. Em resumo, a controvérsia devolvida ao conhecimento desta E. 3ª Turma da CSRF é se após o desembaraço aduaneiro na importação pode o Fisco se utilizar do instituto da revisão aduaneira. II MÉRITO Preliminarmente, cabe anotar que contribuições devidas na importação, assim como o imposto de importação, são tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações, e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é então submetida à conferência, nos termos de ato administrativo, infralegal portanto, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). Equivocada da realidade do comércio internacional a visão de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante "revisão" aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado. E sobre escabrosas fraudes na importação, constatadas em revisão aduaneira, nos debruçamos reiteradamente em julgados desta E. Turma. Essa é a realidade no Brasil de hoje e em todos os países desenvolvidos, os quais passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 719 15 cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, gizese, protagonista nessa discussão, em face de o crédito poder ser exigido a posteriori. Como bem pontuado na decisão de piso (fls. 244/258), o direito aduaneiro possui como matriz legal o DecretoLei nº 37/1966, o qual foi submetido a inúmeras alterações em seus quase cinqüenta anos de existência, merecendo destaque a reforma veiculada pelo DecretoLei nº 2.472/1988 e as alterações mais recentes, como, por exemplo, as introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, justamente para atualizar a legislação aos novos parâmetros do comércio internacional, permitindo ao Brasil sua devida inserção no mesmo, inclusive por decorrência de acordos internacionais. O DESPACHO DE IMPORTAÇÃO Nos termos do art. 44 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º do DecretoLei nº 2.472/88, toda importação deve ser submetida a despacho aduaneiro, processado com base em declaração apresentada pelo importador à repartição aduaneira. O Regulamento Aduaneiro – Decreto n° 6.759/2009, em seu art. 542, conceitua o despacho aduaneiro como o procedimento administrativo mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica. A Declaração de Importação (DI) é o documento base do despacho de importação formulado pelo próprio importador no sistema Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), que contém, além de outros dados, a identificação do importador e a descrição, classificação fiscal, valor aduaneiro e origem das mercadorias. Após a chegada da carga e demais procedimentos prévios, o importador registra a Declaração de Importação no sistema Siscomex, ocasião em que ocorre o recolhimento dos tributos incidentes naquela importação no montante por ele apurado, mediante “débito automático em contacorrente bancária”, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa SRF n° 680/2006. Consoante o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, o registro da Declaração de Importação no Sistema somente se efetivará após a verificação da regularidade cadastral do importador, a obtenção pelo importador dos licenciamentos de importação para as mercadorias, a verificação do atendimento às normas cambiais e a confirmação de chegada da carga e do débito automático dos tributos. Conforme dispõe o art. 50 do Decretolei n° 37/66, com redação dada pela Lei n° 12.350/2010, na verificação da mercadoria durante a conferência aduaneira poderão ser adotados critérios de seleção e amostragem em conformidade com o estabelecido em ato normativo pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Nessa linha, o art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 680/2006 estabelece os canais de conferência aduaneira para os quais cada Declaração de Importação poderá ser selecionada: Art. 21. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 720 16 I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido em norma específica. (...) Independentemente do canal de conferência atribuído pelo sistema à Declaração de Importação, a fiscalização da Unidade RFB local poderá determinar a ação fiscal pertinente quando tiver conhecimento de fato ou da existência de indícios que requeiram a verificação da mercadoria ou a aplicação de procedimentos especiais de controle aduaneiro. Conforme determina o art. 564 do Regulamento Aduaneiro, “a conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação”. Nos termos do art. 571 do Regulamento Aduaneiro, o desembaraço aduaneiro é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. No entanto, quando a Declaração de Importação for selecionada para o canal verde de conferência aduaneira e não tenha sido determinada qualquer ação fiscal relativa à mercadoria, o desembaraço será realizado automaticamente pelo sistema Siscomex, sem a intervenção de qualquer servidor. Portanto, o despacho aduaneiro é um procedimento que se inicia com o registro da Declaração de Importação e se encerra com o desembaraço aduaneiro, o qual consiste na autorização da Receita Federal para a entrega da mercadoria ao importador para consumo. Embora toda mercadoria importada deva ser submetida ao procedimento de despacho aduaneiro por ocasião do seu ingresso no território nacional (art. 44 do DecretoLei nº 37/66), nem toda importação é objeto de conferência aduaneira. Isso justamente porque é meta da aduana brasileira, conforme constava no sítio da RFB12: "Aumento na Fluidez no Comércio Exterior 12 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2015", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana". Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 721 17 Na importação, a fluidez é medida pelo percentual de declarações que são desembaraçadas com menos de 24 horas (Indicador do Grau de Fluidez). No primeiro semestre de 2015, 84,73% do total dos despachos de importação registrados foram liberados pela Aduana em menos de um dia. Isto representa uma melhora da fluidez na importação de 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2014 e de 1,9% em relação ao primeiro semestre de 2013. (...) Mais rapidez dos tempos no despacho O tempo médio bruto de despacho na importação (DI), o qual computa do registro da declaração até o seu desembaraço, tem o tempo médio de 1,60 dias no período de janeiro a junho de 2015, o qual representa a redução de 2,43% no comparativo 2015 x 2014. (...) Declarações de Importação e Exportação No primeiro semestre de 2015, a Aduana do Brasil desembaraçou 1,71 milhões de declarações de operações de comércio exterior, sendo 1,159 milhões de despachos de importação e aproximadamente 560 mil despachos de exportação. (...)" "A capacidade de conferência no despacho e a gestão de risco evoluíram nos últimos 12 anos, de forma a permitir a maior fluidez ao comércio, conforme mostram os dois gráficos seguintes e, ao mesmo tempo, a aumentar o grau de eficácia na seleção e a efetividade da atuação da Receita Federal no combate às irregularidades nas operações de importação e exportação. O Brasil hoje tem um nível de seletividade, na importação, da ordem de 11,02%, índice menor que o de 2013 (11,21%) e 9,28% na exportação. Um dos indicadores do Custom Assessment Trade Toolkit – CATT, utilizado pelo Banco Mundial, relacionado ao nível de seletividade para controle do despacho aduaneiro, estabelece como parâmetro ideal 3% de seletividade. Vejase o gráfico abaixo divulgado pela aduana brasileira em 2014, relativamente aos despachos por canais de conferência: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 722 18 Atentese que a área em verde do gráfico corresponde ao percentual de declarações de importação para as quais não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação (ou seja, declarações para as quais não houve qualquer intervenção humana). E a área em amarelo, às importações para as quais foram verificados apenas os documentos, cabendo destacar que, mesmo nas áreas vermelhas, foram verificados documentos e mercadoria por amostragem. Em suma, a realidade e a própria legislação aduaneira hoje existentes são distintas do contexto tributário e aduaneiro, para não mencionar a profunda dinamização do comércio internacional e da globalização da economia, daquele em relação ao qual foram veiculadas as conclusões que moldaram a Súmula nº 227 do extinto TFR, e, com o devido respeito, as decisões exaradas pelo próprio STJ, as quais fez menção o Dr. Demes Brito, em seu, como sói acontecer, proficiente voto. A REVISÃO ADUANEIRA Dispõe o art. 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto lei n° 2.472/88, que a revisão aduaneira é o procedimento realizado após o desembaraço aduaneiro, quando os bens importados já foram entregues ao importador, mediante o qual se apura, dentre outros elementos, a regularidade do pagamento dos tributos incidentes na importação. Vejase a redação do mesmo: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) O art. 638 do Regulamento Aduaneiro (RA) de 2009 (Decreto 6.759/2009) regulamenta o instituto da revisão aduaneira, dispondo o seguinte: Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 723 19 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Justamente porque o comércio internacional precisa de agilidade e por absoluta impossibilidade técnica de fiscalização completa de todas as importações quando de seu despacho, e também para fazer frente aos parâmetros internacionais de modo a inserir a economia brasileira nos padrões mundiais, é que se fez necessária a criação do instituto da revisão aduaneira. Assim, resguardase a inserção do Brasil no mercado internacional, aderindo aos parâmetros do comércio internacional de mercadorias quanto à agilidade do desembaraço das mercadorias importadas, caso dos autos, e, ao mesmo tempo, resguardase à Fazenda Nacional a possibilidade de, dentro de cinco anos do desembaraço da mercadoria, aprofundar a análise com base em uma série de fatores, justamente como o que deu azo a presente exação13. Embora o instituto tenha sido criado há algum tempo, a sua existência justificase ainda mais nos dias atuais, com o crescente volume das importações, vez que apenas uma minoria das importações, algo menos do que 10% (dez por cento) do total, é objeto de seleção para exame pela autoridade fiscal no curso do despacho, como demonstra o gráfico acima colacionado. Em verdade, a ratio desse instituto é resguardar o Poder de Polícia Aduaneiro, imbricado com o resguardo da soberania e economia nacional, com vistas a impedir que a livre concorrência, de matiz constitucional, possa ser ferida. Seu preceito é de índole extrafiscal. LANÇAMENTO NA REVISÃO ADUANEIRA O importador, por intermédio de representante legal habilitado pela Receita Federal, elabora previamente a Declaração de Importação com todas as informações fiscais, cambiais e administrativas aplicáveis àquela importação, inclusive verifica a ocorrência do fato jurídico tributário, determina a matéria tributável e calcula o montante do tributo devido. Conforme matéria legal consolidada no Regulamento Aduaneiro (artigos 107, 242, 259 e 304), o recolhimento dos tributos federais incidentes na importação deve ser efetuado por ocasião do registro da Declaração de Importação. Nessa linha, dispõe o art. 11 da 13 Notese que o procedimento fiscalizatório teve origem "em atendimento à programação do Serviço de Pesquisa e Seleção Aduaneira da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo", conforme consta do relatório fiscal à fl. 15. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 724 20 Instrução Normativa SRF nº 680/2006 que o pagamento dos tributos é efetuado mediante débito automático em conta bancária no registro da DI, sendo que, nos termos do art. 15, IV dessa Instrução Normativa, a não confirmação pelo banco da aceitação do débito é fator impeditivo para o referido registro. Assim, dúvida não há de que para todos os tributos federais incidentes na importação incumbe ao sujeito passivo apurar o montante tributável e “antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”, nos termos do art. 150 do CTN, na modalidade de lançamento especificada pelo CTN como “lançamento por homologação”. Com efeito, para os tributos incidentes na importação, os quais são objeto de lançamento por homologação, quando houver pagamento antecipado, a contagem do prazo de decadência iniciase no momento do fato jurídico tributário (critério temporal da regra matriz de incidência tributária), nos termos do art. 150, §4° do CTN. Para o Imposto de Importação, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação e Cideimportação, o critério temporal é o registro da Declaração de Importação. Posto que os tributos incidentes na importação sujeitamse ao denominado lançamento por homologação, de forma que, posteriormente, após a atividade do sujeito passivo de apurar e recolher o montante tributável, poderá ocorrer, dentro do prazo decadencial, o lançamento de ofício supletivo ou o ato de homologação sob duas modalidades: de forma tácita, pelo próprio decurso do prazo (art. 150, §4°do CTN), ou de forma expressa, em “ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” (art. 150, caput do CTN). Entendeu o ínclito relator que no caso dos autos teria havido homologação expressa, do que dissentimos. Como já discorremos, grande parte das importações é parametrizada pelo sistema Siscomex para o canal verde de conferência aduaneira, e não havendo seleção local para fiscalização pela Unidade RFB, estão dispensadas de qualquer exame pelo AuditorFiscal, sendo desembaraçadas automaticamente pelo próprio Sistema. De outra parte, os demais despachos de importação serão objeto de conferência aduaneira, seja em face de seleção parametrizada pelo sistema Siscomex (canais amarelo, vermelho e cinza) ou em virtude de seleção pela própria Unidade de despacho local. Assim, em face do que efetivamente ocorre no universo dos despachos de importação, podemos visualizar duas situações: (i) despachos de importação sem conferência aduaneira e (ii) despachos de importação com conferência aduaneira. Desta forma, analisamos em separado essas situações. Despacho aduaneiro sem conferência aduaneira Nessa hipótese, o importador apura e recolhe o montante dos tributos federais no registro da Declaração de Importação sem qualquer intervenção ou verificação de Auditor Fiscal no curso do despacho de importação, sendo o desembaraço aduaneiro efetuado automaticamente pelo próprio sistema Siscomex. Nesse caso não se pode aventar de qualquer ato administrativo durante o curso do despacho de importação (antes do desembaraço) que pudesse ser considerado como ato de lançamento ou de homologação expressa. Chegase à conclusão óbvia de que, nos tributos incidentes na importação quando não há o procedimento fiscal de conferência aduaneira no despacho de importação, o Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 725 21 ato de homologação expressa ou de lançamento de ofício supletivo somente poderá ocorrer após o desembaraço aduaneiro, dentro do prazo decadencial de cada tributo. Consabido que o ato administrativo de homologação expressa será o ato resultante do procedimento fiscal em que for verificada a regularidade da atividade exercida pelo contribuinte de apuração e pagamento do montante do tributo devido, tendo a Fazenda aceitadoa como correta. Não foi o que ocorreu nas importações objeto da exação em exame. Esse procedimento fiscal está previsto em lei, no art. 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88, e tem denominação específica: “revisão aduaneira”, procedimento adotado na fiscalização a posteriori em relação ao desembaraço das importações. Como gizado, o prazo para a realização do procedimento fiscal da revisão aduaneira é de cinco anos, contados do registro da Declaração de Importação, que é prazo igual ou inferior ao prazo de decadência dos tributos incidentes da importação, eis que eventual lançamento de ofício supletivo em decorrência do procedimento de revisão aduaneira deverá ser efetuado dentro do prazo de decadência de cada tributo. Assim, na hipótese de despachos de importação que não tenham sido objeto de conferência aduaneira, concluise que na revisão aduaneira poderá ocorrer o ato de homologação expressa ou o lançamento de ofício supletivo para os tributos incidentes na importação. Sem embargo, na hipótese em que não há a efetiva fiscalização no curso do despacho aduaneiro, a matéria não oferece maiores dificuldades, sendo legítima a realização do procedimento fiscal de revisão aduaneira após o desembaraço aduaneiro, dentro do prazo legal, exatamente como ocorre com os demais tributos, não aduaneiros, sujeitos a lançamento por homologação. Despachos de importação com conferência aduaneira Como dito, “a conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação” (art. 560 do Regulamento Aduaneiro). De outra parte, a “revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação” (art. 638 do Regulamento Aduaneiro). Notese que, na conferência aduaneira, há a confirmação do cumprimento das obrigações fiscais e, na revisão aduaneira, há a verificação da regularidade do pagamento dos tributos. Então, já que estamos falando em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em quais destes procedimentos poderia ocorrer o ato de homologação expressa ou eventual lançamento de ofício supletivo? Ora, se em dois procedimentos fiscais distintos pode ser verificada a regularidade dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, temos que o ato de homologação Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 726 22 expressa não pode ser decorrente do primeiro procedimento (conferência aduaneira), eis que o Fisco sempre terá, por expressa disposição legal, a prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão aduaneira, a ser realizada no decurso do prazo de cinco anos contados do registro da Declaração de Importação. Em consequência, o exame definitivo acerca da regularidade da atividade prévia do importador, de apuração e pagamento dos tributos incidentes na importação, ocorrerá ao final do procedimento fiscal de revisão aduaneira, quando só então ocorrerá a homologação tácita, por decurso do lapso temporal, ou expressa, quando houver sido constituído de ofício crédito tributário por agentes do Fisco. Donde concluise que, mesmo quando haja conferência aduaneira no curso do despacho de importação, o ato de homologação expressa da atividade do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento de revisão aduaneira. No curso da conferência aduaneira, conforme dispõe o art. 570 do Regulamento Aduaneiro, caso se constate a necessidade de recolhimento suplementar de tributos, o AuditorFiscal formulará exigências nesse sentido ao importador, o qual poderá aceitar e recolher o montante complementar independentemente da constituição do crédito tributário (§ 2°), ou então, manifestar sua inconformidade (§ 3°), devendo a autoridade administrativa efetuar o lançamento supletivo de ofício, com a garantia do devido processo legal administrativo. Também na revisão aduaneira, que é procedimento mediante o qual se verifica a regularidade dos pagamentos efetuados pelo importador, poderá, por motivos óbvios, ocorrer o lançamento de ofício supletivo, inclusive, como ressalva o art. 638, § 2° do Regulamento Aduaneiro, suso transcrito, na “constituição do crédito tributário, apurado na revisão". Portanto, findando, a revisão aduaneira decorre de lei, strictu sensu, não se limitando ou vinculando à norma administrativa regulamentar que trata da conferência aduaneira, os chamados canais de importação. E, consequentemente, não há que se falar em homologação expressa dos tributos declarados em DI nos despachos aduaneiros. III CONCLUSÃO 1 Ante o exposto, concluise que quando não houver conferência aduaneira no despacho de importação ou quando, embora havendo conferência, desta não resultou qualquer exigência da fiscalização para recolhimento suplementar de tributos pelo importador, independentemente do canal de conferência aduaneira (art. 21 da IN SRF 680/2006) a que for submetido o despacho de importação, a revisão aduaneira é um procedimento legítimo de fiscalização, compatível com o disposto no CTN, do qual resulta, conforme o caso, o ato de homologação expressa da atividade do contribuinte (art. 150, caput do CTN) ou o lançamento de ofício supletivo, em substituição à atividade do sujeito passivo no lançamento por homologação (arts. 149 e 150 do CTN), hipótese vertente. Ultrapassado o prazo legal para revisão aduaneira, haverá a homologação tática de eventual tributo recolhido no desembaraço aduaneiro; 2 Não se afigura correto o entendimento jurisprudencial de que o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira caracterizaria revisão de ofício do lançamento, para a qual seria vedada a mudança de critério jurídico (Súmula 227 do extinto TFR e art. 146 do CTN); e Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 9303007.469 CSRFT3 Fl. 727 23 3 Na forma como articulado, a restrição do art. 146 do CTN, bem como aquelas dispostas nos arts. 145 e 149 do CTN, somente são aplicáveis quando, efetivamente, houve o lançamento de ofício supletivo na conferência aduaneira. Não há que se falar, por conseguinte, em modificação de critério jurídico, mormente na hipótese sob análise. Deveras, sem reparos ao lançamento encartado nestes autos. DISPOSITIVO Forte em todo o exposto, conheço do recurso especial de divergência do contribuinte e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 727DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000619/2010-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.329
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 06 19 /2 01 0- 82 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.517, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2012. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com embalagens e com aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens reconhecidos como insumos pela decisão recorrida: despesas com manutenção de empilhadeiras; com aquisição de GLP e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.328, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.000608/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.328): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras (manutenção e aquisição de GLP) e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 5 4 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 8 7 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. (...) No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; (2) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 9 8 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do direito de crédito quanto às despesas com material de embalagem (embalagem de transporte), por ser entendimento que foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.328. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 10 9 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 11 10 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11020.000619/201082 Acórdão n.º 9303007.329 CSRFT3 Fl. 12 11 2) Materiais utilizados para embalagens de transporte Conforme acórdão recorrido, tratam se dos seguintes itens: "tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets". Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005044/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 50 44 /2 00 7- 37 Fl. 10585DF CARF MF Processo nº 10380.005044/200737 Acórdão n.º 2402006.345 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 10586DF CARF MF Processo nº 10380.005044/200737 Acórdão n.º 2402006.345 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 10587DF CARF MF Processo nº 10380.005044/200737 Acórdão n.º 2402006.345 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 10588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004795/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na parte que requeria a anulação do ato declaratório de exclusão do Simples Federal em face de prática reiterada de infração, vencidos o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento e, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Designado o Conselheiro Evandro Correa Dias para redigir o voto vencedor em relação à matéria sobre a exclusão do Simples Federal.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na parte que requeria a anulação do ato declaratório de exclusão do Simples Federal em face de prática reiterada de infração, vencidos o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento e, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Designado o Conselheiro Evandro Correa Dias para redigir o voto vencedor em relação à matéria sobre a exclusão do Simples Federal. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na parte que requeria a anulação do ato declaratório de exclusão do Simples Federal em face de prática reiterada de infração, vencidos o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento e, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Designado o Conselheiro Evandro Correa Dias para redigir o voto vencedor em relação à matéria sobre a exclusão do Simples Federal. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 79 5/ 20 09 -8 8 Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.221 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.222 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários (fls. 1155 a 1216) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls. 1133 a 1162) que negou provimento à Impugnação e à Manifestação de Inconformidade apresentadas (fls. 809 a 848), mantendo a exclusão do Contribuinte do SIMPLES Federal (ADE às fls. 673), bem como as Autuações sofridas (fls. 770 a 797). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Federal e, como se verifica do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 129/2009, a sua exclusão de tal sistema especial de arrecadação motivouse pela constatação de que a infração de omissão de receitas estendeuse pelo período de 12 (doze) meses (de janeiro a dezembro de 2006), configurando prática reiterada: Art. 1° O contribuinte CERÂMICA FLAVIO SALVAN LTDA, CNPJ 83.863.191/000142, excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por prática reiterada [sic] à legislação tributária, consoante o disposto no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, fato que importa em hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES, com fundamento no artigo 12, da mesma Lei. Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006, conforme disposto no inciso V do artigo 15° da Lei 9.317/96, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Del cia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC. Em relação ao lançamento de ofício perpetrado, exigise no presente feito créditos de IRPJ, CSLL (calculados mediante o Arbitramento do Lucro), PIS e COFINS, referentes apenas ao anocalendário de 2006, acrescidos de multa qualificada na monta de 150%, sob a mencionada acusação de omissão de receitas, diante da constatação da existência de depósitos bancário não informados em Declaração, cuja origem e natureza também não foram comprovadas, com arrimo legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.223 4 Por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (f. 3), em 6 de maio de 2009 a pessoa jurídica acima identificada foi formalmente intimada do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) código de acesso 33490869, relativo ao anocalendário de 2006 (Tributos e Contribuições apurados pelo Simples Federal), e lhe foi exigida a apresentação de livros e documentos correspondentes (f. 3, frente e verso). Em 19 de novembro de 2009 foi formalizada a Representação de fls. 1 e 2, para fins de exclusão da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ~ Simples Federal, com efeitos a partir de 19 de janeiro de 2006, sob a alegação de prática reiterada de infração à legislação tributária, em vista da constatação de que a pessoa jurídica: Deixou de apresentar os extratos de suas contas bancárias, “[...] tendo em vista que, a mesma encontrase no Serasa, com dívida de aproximadamente R$ 2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) (f. 21).” (f. 1v); deixara de registrar, na contabilidade ou em Livro Caixa, sua movimentação bancária (“[...] a fiscalizada mantém movimentação financeira em 08 (oito) bancos.” (f. 1v); “Cabe ainda salientar, que a movimentação bancária da empresa, ou seja, nas 10 (dez) contas bancárias identificadas, não estão lançadas, tanto no Livro Diário quanto no Livro “Razão” apresentados à fiscalização.” (f. 2); intimada a comprovar a origem dos créditos/depósitos bancários, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, apenas alegou provirem de “[...] empréstimos com pessoas fisicas e jurídicas, a maioria deles agricultores e agiotas.”, “[...] sem, contudo, apresentar qualquer documento que corroborasse suas alegações.” (f. 2) “Infringiu ainda o art. 29, inciso I (alterado pelo art. 33 da Lei 11.196/05), c/c art. 14, inciso V, da Lei n9 9.317/96, por extrapolar o limite da opção pelo SIMPLES na condição de Empresa de Pequeno Porte R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). Em 20 de novembro de 2009, foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n9 129 (f. 210), por meio do qual a autoridade administrativa (Delegado Adjunto da DRF/FNS) declara excluída do Simples Federal a pessoa jurídica em questão, com efeitos a partir de 19 de janeiro de 2006. A ciência, por parte do sujeito passivo, tanto de sua exclusão do Simples Federal, quanto dos autos de infração e do Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal que os integra, ocorreu no dia 9 de dezembro de 2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) à f. 296. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.224 5 Em 8 de janeiro de 2010, a contribuinte expressa inconformidade com sua exclusão do Simples Federal, em manifestação às f. 325 a 337, firmada por procurador (Dr. Gustavo Ronchi Farias, OAB/SC 22.919) constituído pelo instrumento particular à f. 338, sob os seguintes argumentos: tendo a contribuinte impugnado o Auto de Infração que deu origem à exclusão, tomamse impossíveis os efeitos desta, pois o crédito tributário ainda não está constituído e a infração que o auditor fiscal entendeu ter sido reiterada, “[...] não se perfectibilizou, em virtude da discussão proposta na impugnação.” (f. 326 e 327); “A tributação pelo SIMPLES, por mais que se entenda ser mais favorável, é uma opção e como tal deve ser trata [sic] para fins de tributação, retroagir a exclusão é negar validade da Norma Jurídica e os princípios como a Capacidade Contributiva”, eis que a opção legal referida seria um ato jurídico perfeito (f. 329); em tópico dedicado a analisar “Cerceamento de Defesa”, diz a manifestante que “Em nenhum momento a autoridade fiscal demonstrou, em seu relatório fiscal, eficazmente, claramente e objetivamente que os depósitos bancários efetuados na conta da empresa correspondem a faturamento.” (f. 330); “A exclusão da empresa do SIMPLES se deu por presunção, que desconsiderou, porem, gizese, sem apresentar qualquer fundamento, as justificativas do contribuinte (fls. 186/208), a qual [sic] possuem o condão de demonstrar a origem dos valores depositados nas contas bancárias da empresa. De outro norte, em nenhum momento foi comprovado, eficazmente, que os valores depositados nas contas bancárias da empresa se referem ao próprio faturamento da mesma. Ao contrário, restou demonstrado que a empresa ficou sem capital de giro e teve que recorrer a empréstimos junto pessoas físicas e jurídicas, a maioria deles agricultores e agiotas, mormente por ter ampliado sua empresa e não possuir crédito com instituições financeiras.” (f. 330); a autoridade fiscal, para excluir a impugnante do Simples Federal, utilizou presunção simples e “[...] indícios de ordem fática e de conclusão dúbia.”, “[...] desprovida de nexo causal, que materializasse o fato.” (f. 332); “l6. A presunção simples, como meio de prova não é aceito pelo sistema tributário brasileiro, uma vez que este exige que seja submetido ao principio da legalidade, não admitindo que mero raciocínio de probabilidade por parte do aplicador da lei substitua a prova. Se isso acontecesse estarseia diante de uma motivação à ação fiscal, que poderia excluir o contribuinte do SIMPLES e exigir o tributo. sem que necessariamente tenha ocorrido o fato gerador, ou a causa excludente do sistema em comento. ferindo com isso frontalmente o princípio da legalidade. o qual rege o nosso ordenamento jurídico e tributário nacional (f 333); “18. Como se vê, em direito tributário, não se admite o juízo de probabilidade. É do FISCO o dever legal de provar a existência do fato Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.225 6 gerador em questão, sendo vedado ao mesmo presumir um fato apenas para inverter o ônus da prova, sem ao menos possuir subsídios para justificar seu ato.” (f. 334); “l9. Temse assim que a autoridade administrativa deveria justificar e demonstrar eficazmente que a justificativa apresenta [sic] pelo contribuinte não possui o condão de demonstrar a origem dos depósitos, sob pena de ineficácia” (f. 335); “21. A empresa impugnante é uma empresa que possui sua contabilidade em dia, tendo sido devidamente apresentada a fiscalização, e não poderia estar ter desconsiderado apenas por presunção simples.” (f. 335); “25. Vale registrar por último que, no transcurso do procedimento fiscal, a Impugnante jamais foi intimada a prestar esclarecimentos específicos sobre os itens fiscalizados, nem lhe foi concedido qualquer prazo para sanar irregularidades de preenchimento ou entrega de documentos de natureza previdenciária ou de escrituração de seus livros contábeis.” (f. 336). Finalmente, requer (f. 336 e 337): ÍV REQUERIMENTO 27. Nestes termos requer: a) seja recebida e processada a presente manifestação de inconformidade; b) seja acolhida a preliminar arguida, para ser declarado nulo o r. despacho decisório proferido neste processo administrativo, nos termos da fundamentação. b.1) requer, ainda, que a exclusão não produza efeitos enquanto pendente de julgamento, nos termos da fundamentação do item 11.1. c) Não sendo acolhida a preliminar, requer seja reformado 0 presente despacho decisório para considerar indevida a exclusão e manter a impugnante no SIMPLES, nos termos da fundamentação; Até aqui o relatório da Exclusão do sujeito passivo do Simples Federal e de sua manifestação de inconformidade. Lançamento de Ofício Em função de sua exclusão do Simples Federal e em vista de a pessoa jurídica não ter apresentado contabilidade nem Livro Caixa aptos a demonstrar, entre outros, a sua movimentação financeira (inclusive por meio de instituições financeiras), foi seu LUCRO ARBITRADO para constituição, por meio de autos de infração às f. 278 a 291, do crédito tributário da Fazenda Pública federal, relativo ao IRPJ, à CSLL e, em decorrência da receita omitida constatada, às contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, adiante especificados, acrescido de multa de oficio de 150% e dos juros de mora legais (calculados até 30 de novembro de 2009), como segue: Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.226 7 Impugnação dos lançamentos Inconformada com os lançamentos acima mencionados, a contribuinte os impugnou, em 8 de janeiro de 2010, pela petição de f. 298 a 324, mediante os seguintes argumentos: II DO CERCEAMENTO DE DEFESA NA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA RECOMPOR A CONTABILIDADE Quando do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte. ora impugnante, a justificar os depósitos bancários sendo que esta justificativa incorreu. por exemplo, nas fls. 186. 187, 188, 206, 207. O teor dessas justificativas faz menção. em todas as respostas, que tais valores correspondem a empréstimos de diversas pessoas e que tais cheques foram descontados em instituições financeiras. Fato este que consta em planilha acostada a fls. 190 a 199, onde demonstra os respectivos valores em cheques com os respectivos créditos nas contas bancárias junto a instituições financeiras. Assim, requer desde já seja efetuada diligência junto às instituições financeiras para que seja comprovado tais fatos, que demonstram a veracidade e comprovação dos depósitos. De outro vértice, como salientado, o contribuinte nas justificativas apresentadas sempre indicou tais valores como empréstimos de terceiros, porém, como consta no processo, em nenhum momento foi intimado a refazer a sua contabilidade inserindo no passivo tais valores. Assim, não houve intimação, por parte da autoridade fiscal para que o contribuinte regularizasse a sua contabilidade com a finalidade de comprovar a origem de tais valores depositados. É cediço que a regra do art. 42 da Lei 9.430/96 é de arbitramento e, como tal, deve ser aplicada após oportunizar o contribuinte da comprovação de tais valores, o que não ocorreu no presente processo. pois a autoridade desconsiderou tais justificativas, aplicando o arbitramento. Desta forma, é nulo o presente crédito tributário sob o argumento de omissão de receitas. III DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO III.I DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ RECOLHIDO Denotase do auto de infração que a autoridade fiscal constituiu de oficio o crédito tributário correspondente aos tributos já constituídos pela empresa impugnante. Ocorre que tais valores já foram objetos de constituição na pela empresa no SIMPLES. anteriormente mencionada, e os recolhimentos estão devidamente efetuados na época. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.227 8 Assim. notório é o bis in idem do referido crédito tributário, merecendo ser declarado seu cancelamento. III.II DO PAGAMENTO DO SIMPLES Outrossim, em que pese a procedência do auto de infração ora lavrado, o que não se espera pelos motivos que serão expostos a seguir, a autoridade fiscal deveria proceder na compensação dos tributos já recolhidos na modalidade de pagamento do SIMPLES. A modalidade de pagamento do SIMPLES consiste num pagamento simplificado de IRPJ, CSSL, PIS, COFINS e INSS. A própria legislação prevê o percentual da alíquota aplicada sobre o faturamento do mês que deve ser destinado aos devidos tributos, instituídos legalmente. O SIMPLES não é mais um tributo, mas uma forma de apuração e pagamento dos tributos, com ocorre na modalidade do lucro presumido. Desta forma, deve ser alterada [sic] o valor lançado de oficio, tem em vista que o contribuinte já recolheu parte do tributo e deve ser procedida tal compensação de oficio pela autoridade fiscal. (f. 302) [...] (f. 305) Assim, resta ser reformado o auto de infração neste aspecto, ou seja, deve ser providenciado de oficio a compensação com os tributos lançados de oficio os devidamente já recolhidos aos cofies públicos. III.III DA AUSÊNCIA DA SEGURANÇA, EXATIDÃO E CERTEZA (f. 305) No Relatório de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização de folhas 292 a 295, a autoridade fiscal faz menção somente a presunções, ou seja, utilizouse de fatos ocorridos para presumir omissão de receita, embasada nos artigos 40 e 42 da Lei 9. 430/96. [...] (f. 306) Como dito, a presunção legal veio a dispor sobre a inversão do ônus da prova, ou seja, antes do advento do artigo 42 da Lei 9.430/96, era necessário que o Fisco comprovasse o sinal exterior de riqueza do contribuinte para que fosse considerada como omissão de receita a sua movimentação bancária. Assim, a partir do ano de 1997, os depósitos bancário [sic] os quais não fossem comprovados a sua origem passam a ser considerados como omissão de receita, contudo tal dispositivo legal, apenas inverte o ônus da prova, como podemos ver no artigo 42 da Lei 9.430/96. [...] (f 307) Da leitura deste dispositivo que inseriu no ordenamento jurídico a inversão do ônus da prova, cabe ao contribuinte a comprovação de que tais depósitos não têm origem certa. Contudo, o mesmo não ocorreu com o fato gerador, pois, o fato gerador é a situação legalmente definida como necessária e suficiente Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.228 9 para a ocorrência da obrigação principal, conforme disposto no artigo 114 do Código Tributário Nacional. Podemos concluir que a inversão do ônus da prova, neste aspecto é legal, contudo, a comprovação da efetiva ocorrência do fato gerador, não foi alterada, permanecendo a necessidade de identificação dos fatos para que, na inversão do ônus da prova, seja considerada como omissão de receita. Desta forma, podemos afirmar que no relatório de folhas 292 a 295, não houve por parte da auditor fiscal identificação do fato gerador, apenas aplicou a inversão do ônus da prova, sobre o saldo contábil das contas bancárias, e lançou de oficio os impostos em comento. Salientamos que diante do posicionamento da autoridade fiscal que somente efetuou a inversão do ânus da prova sem identificar o fato gerador, cerceia a defesa do contribuinte, ora impugnante. pois. a não identificação completa do fato gerador implica numa defesa sem objetivo real, ou seja, implica numa defesa sem impugnar os verdadeiros fatos que estão sendo imputados ao contribuinte. (f. 309) [...]Conforme exposto pela Relatora, é imprescindível que a autoridade fiscal identifique as supostas irregularidades para que não cerceie a defesa do contribuinte, não bastando para isso a verificação da presunção legal, no caso a simples inversão do ônus da prova, mas a identificação da infração, o que não ocorreu nos autos, pois a autoridade apenas presumiu a omissão de receita, com fundamento na Lei 9. 430/96 no caso de manutenção de passivo sem a exigibilidade comprovada e omissão de receita sem presunção legal para tanto, qual seja a devolução de produtos. (destaque acrescido) Desta forma. requer seja declarado nulo o presente auto de infração, por infringir o artigo 142 do CTN. IV MÉRITO (f. 309) IV.1 DA UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO SIMPLES Conforme constatado no auto de infração. no relatório de verificação fiscal, a autoridade fiscal utilizouse de presunção simples, sem, contudo, demonstrar a exatidão dos fatos ocorridos e imputados como infração tributária, fato este que é necessário ao lançamento de oficio efetuado com base em presunção estabelecida em Lei. Salientamos que a presunção estabelecida por Lei, apenas inverte o ônus da prova, não presume a ocorrência dos fatos geradores, que por sua vez, devem ser efetivamente demonstrados pela autoridade fiscal para que, juntamente com a presunção legal, seja caracterizada como infração tributária e imposta [sic] as sanções cabíveis. Neste sentido, não sendo demonstrado [sic] a ocorrência do fato gerador, mesmo utilizando presunção legal, requer seja declarado nulo o presente auto de infração, ora impugnado. IV.II DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150 % Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.229 10 Em se utilizando presunção como base para o lançamento de oficio, não pode a autoridade fiscal lançar junto ao principal a multa de 150%, com base no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96 folhas 295), pois este não é a base legal para tal exigência, pois, o artigo 44 da Lei 9.430/96, tem a redação dada pela Lei 11.488/07, de 15 de junho de 2007, é assim disposto: [...] (f 311) Ocorre que o artigo 44 não prevê mais a aplicação da multa de 150% e sim da aplicação da multa de 50%, conforme verificado acima. Desta maneira. pelo princípio da retroatividade da norma mais benéfica ao contribuinte, requer seja aplicada a multa de 50% na constituição desse crédito tributário, ora impugnado. Outro aspecto relevante, caso não seja acatado o argumento acima de erro na base legal do auto de infração no tocante a multa, é o fato de que utilizada a presunção de omissão de receita, não sendo comprovada a sua efetividade, como não foi demonstrada nos presentes autos, não é de permanecer a exigência da multa de 150%, pois, a manutenção desta multa agravada configura crime contra a ordem tributária e, não há como coexistir a presunção de omissão de receita com a representação fiscal para fins penais. Explicamos. Quando a autoridade fiscal utilizase de presunção para efetuar o lançamento de oficio, estamos diante de fatos que presumidamente foram considerados corno tal e, no âmbito do criminal não existe a presunção de crime, ou seja, não há a presunção de que o contribuinte praticou o crime. eis que a ocorrência do crime, no processo tributário, deve ser efetivamente comprovado [sic]. Não podendo ser utilizado [sic] a presunção para lançamento do crédito tributário como fato que configura crime da ordem tributária, pois, na esfera do crime ha a necessidade de provar o dolo. Caso não seja acatado tal argumento, a) seja afastada a aplicação da multa agravada de 150%, e aplicada a multa prevista no inciso 11 do artigo 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Lei 11.487/07), retroagindo a norma mais benéfica, b) requer desde já o afastamento de tal representação fiscal para fins penais, pois a autoridade fiscal presumiu tal omissão de receitas e. como presunção, não pode ser vislumbrado [sic] a hipótese de representação fiscal para fins penais tendo como fundamento a presunção e c) seja aplicada a multa no percentual de 75 % face a constituição do crédito tributário pelo arbitramento. Em vista das considerações a serem expendidas no voto subsequente a respeito da competência desta primeira instância administrativa de julgamento, deixase de relatar os seguintes tópicos da impugnação: IV.III DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA EM FACE DE SEU CARÁTER CONFISCATÓRIO (f. 312 a 316): V PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO (f. 316 a 318) Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.230 11 V.I A IMPRESTABILIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC P/ APLICAÇÃO NOS TRIBUTOS (f. 318 a 322) Finalmente, às f. 322 a 324, traz a impugnante seus requerimentos sucessivos, como se transcreve a seguir: VII DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer: a) o cancelamento do presente auto de infração, pelas preliminares arguidas; b) que seja anulado o presente auto de infração pelo bis in idem na constituição de crédito tributário referente a valores ja' constituídos pelo contribuinte; c) caso não seja cancelado o presente auto de infração, requer que seja determinada a compensação de oficio pela autoridade fiscal que proceder o lançamento, dos tributos recolhidos na modalidade do SIMPLES; d) que seja declarado nulo o presente auto de infração. por infringir o artigo 142 do CTN, diante da ausência de segurança, exatidão e certeza que cristalino ficou demonstrado, cerceando desta forma a apresentação de defesa por parte do contribuinte, ora impugnante; e) caso não seja cancelado presente ato [sic] de infração, o que não se espera. seja cancelado pelas razões de mérito, nos termos da fundamentação; f) Ou, ainda, caso não seja anulado o auto de infração, requer: f.1) a exclusão da representação fiscal para fins penais, pois a autoridade fiscal presumiu tal omissão de receitas e, por se tratar de presunção juris tantum (que admite prova em contrário), não serve e nem se,presta como fundamento para dar calço à eventual ação penal, conforme demonstrado. f.2) a imprestabilidade da SELIC para atualização dos tributos lançados; f.3) seja afastada a aplicação da multa agravada de 150%, e aplicada a multa de 50% prevista no inciso 11 do artigo 44 da Lei 9.430/96 (com redação data pela Lei 11.487/07), retroagindo desta forma a norma mais benéfica ao contribuinte; f.3.1) seja aplicada a multa de no seu percentual de 75%, face a constituição do crédito tributário pela modalidade do arbitramento. f4) o afastamento da aplicação da multa de 150%. por confiscatória; f.5) seja efetuada diligência junto a instituições financeiras para comprovação dos descontos dos cheques depositados, oriundas dos empréstimos contraídos; Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.231 12 f 6) seja efetuado [sic] diligência junto a Receita Federal do Brasil para comprovação dos valores que compõem o SIMPLES, como o IRPJ. CSLL, PIS e COFINS. [...] (...) É o relatório Processadas as Defesas, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ de Florianópolis o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, tanto de Manifestação de Inconformidade, como de Impugnação, mantendo a exclusão do Contribuinte do SIMPLES Federal e integralmente os lançamentos de ofício procedidos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS RETROATIVOS. Excluise de ofício do Simples por determinação legal , com efeitos a partir do mês de ocorrência da infração, posteriormente reiterada, a pessoa jurídica que, em todos os períodos de apuração mensal do ano calendário objeto do procedimento fiscal de oficio, omitiu grande parte de sua receita bruta mensal auferida (base de cálculo do Simples Federal), constatada pela falta de escrituração das contas bancárias de sua titularidade e pela falta de comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem dos valores depositados/creditados nas mesmas. EMPRESA DE PEQUENO PORTE. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Aplicamse às empresas de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Federal. desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. OMISSÕES DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS SEGUNDO AS NORMAS DO SIMPLES FEDERAL. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.232 13 Em virtude de exclusão do contribuinte do Simples Federal e sua posterior tributação pelo regime de Lucro Arbitrado, os valores originalmente pagos a titulo de Simples Federal configuram indébito tributário, cuja utilização, em compensação de valores exigidos por meio do lançamento de oficio, deverá ser pleiteada perante a autoridade local competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil descabendo, portanto, a mera dedução de tal indébito dos valores exigidos de oficio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO ANTERIOR À EXCLUSÃO DEFINITIVA DO SIMPLES. ATIVIDADE VINCULADA. Em homenagem ao princípio jurídico da indisponibilidade do crédito tributário, este deve ser constituído de oficio pela autoridade administrativa em atividade vinculada, tão logo constatada qualquer infração à legislação, a fim de preserválo da decadência; é garantido ao sujeito passivo o exercício de seu direito ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes, entre esses o direito a suspensão dos efeitos da exclusão do Simples Federal e da exigibilidade do crédito tributário lançado até tomaremse definitivas a exclusão do Simples Federal e a constituição do crédito tributário na instância administrativa. OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Os valores creditados em conta corrente bancária de sua titularidade, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de registro de receita, que será adicionada à base já declarada, para o arbitramento do lucro, quando o contribuinte deixar de registrar em sua escrituração contábil (ou, alternativamente, em Livro Caixa) a existência e a movimentação financeira de contas bancárias de sua titularidade. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/LIVRO CAIXA. MOVIMENTAÇÃO BANCARIA. A falta de escrituração contábil, ou de Livro Caixa, que contenha a movimentação financeira realizada por meio das contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica, implica o arbitramento do lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.233 14 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONTROVÉRSIAS. A instância de julgamento da administraçao tributária federal não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foram opostos os Recursos Voluntários (na mesma data, um versando um especificamente sobre a exclusão do SIMPLES Federal e outro sobre as exigências dos lançamentos de ofício), trazendo as mesmas alegações de Impugnação e Manifestação de Inconformidade, repisando as razões de afastamento do ADE, as supostas nulidades no lançamento, bem como as alegações materiais de improcedência das exações. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.234 15 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Independentemente da oposição de 2 (dois) arrazoados distintos, protocolados na mesma data, ambos titulados Recurso Voluntário, temse que são manifestamente tempestivos e suas matérias se enquadram na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Procederseá ao julgamento como que se diante de razões aduzidas em apenas uma peça recursal. Exclusão do SIMPLES Federal Inicialmente, passase a apreciar a matéria referente ao Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 129/2009, que promoveu a exclusão da Recorrente do SIMPLES Federal, a partir de janeiro de 2006. Conforme relatado, o fundamento exclusivo para a exclusão da Contribuinte foi a prática reiterada [de infração] à legislação tributária, consoante o disposto no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, fato que importa em hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES, com fundamento no artigo 12, da mesma Lei. Nesse sentido, como consta dos autos, a prática reiterada de infração traduzse em omissão de receitas, imputada à Contribuinte integralmente com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pelo preciso período de janeiro a dezembro de 2006. Ou seja, o cometimento da mesma infração por período de 12 meses foi considerado pela Autoridade Fiscal subscritora do ADE como bastante para a configurar a hipótese do art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.235 16 Tendo em vista que a matéria é controversa, cabe aqui breve consideração sobre a abrangência do conceito de prática reiterada para fins de adequação e permanência no SIMPLES Federal. Diferentemente do SIMPLES Nacional, posteriormente instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, que em seu art. 29, § 9º1, delimita o alcance do conceito empregado de prática reiterada, a Lei nº 9.317/96 que regula o SIMPLES Federal mantém indeterminada esta mesma conceituação, inclusive para fins de exclusão do contribuinte. Pois bem, primeiro devese mencionar que há entendimento no qual defendese que, tratandose de sistemática que submete o contribuinte a recolhimentos mensais e mencionando a Lei nº 9.317/96 exclusões a partir do mês subsequente, o critério de reiteração, para fins do antigo SIMPLES Federal, seria, então, mensal. Ainda que plausível tal fundamentação, primeiramente, há de se considerar cenário no qual, somente não incorreria o contribuinte em prática reiterada se a infração apurada pelo Fisco limitase exclusivamente a um único e singular mês. Além disso, devese também ter em consideração que os contribuinte optante pelo SIMPLES Federal estavam sujeitos à apresentação de Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas, anualmente, na qual consolidavamse todas as informações e eventos de relevância fiscal do contribuinte do anocalendário. Assim, não obstante não se mostrar razoável a adoção de critério mensal para a determinação de reiteração, tal critério não é absoluto para apuração definitiva dos tributos devidos pela sistemática do SIMPLES Federal, vez que sujeitos a uma declaração anual. E especificamente tratando o presente de caso de infração de omissão de receitas, diante da única constatação concreta de não ter o Contribuinte informado as contas bancárias e sua respectiva movimentação no anocalendário de 2006, apurada exclusivamente 1 § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.236 17 por meio da presunção veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, tal linha de pensamento ganha enorme relevância. Primeiro porque a infração em tela não abrange nenhuma postura ativa, comissiva mas apenas a conduta omissiva em relação a informar sua movimentação financeira, sendo, por causa de tal silêncio, considerados os depósitos colhidos pela Fiscalização como receita omitida tributável (e ausente também, mas já em fase fiscalizatória, justificativa considerada apta para elidir a presunção legal aplicável). Temse aqui já que a definitividade (digase, até impropriamente, aperfeiçoamento) da ocorrência de tal infração esteve, na verdade, condicionada à apresentação da mencionada Declaração, referente a todos os meses do anocalendário, sem tais informações bancárias (o que, de fato, ocorreu no presente caso). Tanto assim é que a própria Fiscalização instrui os autos com cotejo direto, constante em dossiê integrado (fls. 674 a 679), das Declarações anuais da Contribuinte com as DCPMF das Instituições financeiras. Logo depois, acosta cópia da Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas do anocalendário de 2006, confirmando a ausência de informação da movimentação bancária colhida. Considerando o acima exposto, denotase que o ciclo de ocorrência eficaz (e, consequentemente, apuração) da infração de omissão de receitas, com base na ausência de informação de depósitos bancários, considerados de natureza e origem não comprovada, e nos termos presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é anual. Frisese que não existe qualquer menção sobre a ocorrência da mesma infração em anoscalendário anteriores. Dessa forma, a reiteração na prática dessa infração dependeria pelo menos da sua ocorrência eficaz, em mais um período do anocalendário de 2007, colhida após a apresentação da Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas desse outro exercício. No mesmo sentido, confirase o recente Acórdão nº 1401002.639, proferido pela 1ª Turma Ordinária desta mesa 4ª Câmara, de votação unânime e relatoria da I. Conselheira Lívia De Carli Germano, publicado em 04/07/2018: Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.237 18 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES BASEADA EM PRATICA REITERADA DE INFRAÇÃO. OMISSÃO QUANTO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. AUSÊNCIA DE PROVA. Na vigência da Lei 9.317/1996 a pessoa jurídica estava obrigada a (i) efetuar o pagamento unificado dos tributos calculados sobre sua receita bruta até o 10º da subsequente ao auferimento da receita; e (ii) apresentar, anualmente, declaração simplificada, até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subsequente ao da ocorrência dos fatos geradores. Apenas se pode considerar que a contribuinte omitiu contas bancárias após o prazo de entrega da Declaração Anual Simplificada em que não conste tal informação. Ademais, para concluir pela existência de prática reiterada dessa omissão é necessário prova de que tal ausência ocorreu por pelo menos mais um ano calendário, o que não foi o caso. (...) A legislação do Simples de fato prevê a exclusão da contribuinte deste regime no caso de "prática reiterada de infração à legislação tributária" (art. 14, V, da Lei 9.317/1996), ocasião em que a exclusão se opera "a partir, inclusive, do mês de ocorrência de quaisquer dos fatos" (art 15, V, do mesmo diploma legal). No caso, portanto, a infração à legislação tributária da qual se acusa a Recorrente é a omissão de contas bancárias de sua escrituração, sendo a prática reiterada dessa omissão a causa para a sua exclusão do Simples. Com isso, importa saber quando é que se pode entender que houve omissão de contas bancárias ao Fisco e quando tal omissão pode ser considerada reiterada. Ora, a omissão pressupõe a existência de uma conduta ativa obrigatória que é então descumprida. Assim, só se pode entender que alguém omitiu uma informação quando deva prestar tal informação e não o faça. No caso, sendo a Recorrente optante pelo Simples na vigência da Lei 9.317/1996, ela estava obrigada a (i) efetuar o pagamento unificado dos tributos calculados sobre sua receita bruta até o 10o (SIC) da subsequente ao auferimento da receita; e (ii) apresentar, anualmente, declaração simplificada, até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores. Portanto, apenas se pode considerar que houve omissão quanto à informação ao Fisco sobre as contas bancárias que a Recorrente movimentou em 2005 em abril de 2006, caso estas não constassem da Declaração Anual Simplificada. Ademais, para concluir pela existência de prática reiterada dessa omissão seria necessário verificar se tal Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.238 19 ausência ocorreu por pelo menos mais um ano calendário, seja ele o ano anterior ou posterior a 2006. No caso, não consta que a autoridade fiscal tenha analisado períodos que não o anocalendário 2005. Desde já então, entendese que a verificação de infração de omissão de receitas, sob os fundamentos e circunstâncias do caso em tela, por período precisamente anual, ainda que limítrofe, não se amolda devidamente à hipótese de prática reiterada de infração, prevista no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96. Apenas a título de acréscimo argumentativo, informase que existe entendimento de que o art. 29, §9 da Lei Complementar nº 123/2006, teria natureza interpretativa, podendo ser aplicado retroativamente aos casos pendentes de desfecho jurisdicional, trazendo a necessária e derradeira definição legal de prática reiterada, e, logo, isonomia e segurança jurídica, inclusive para as contendas referentes à exclusão do SIMPLES Federal. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1201001.413, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara dessa 1ª Seção, de votação unânime e relatoria da I. Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, publicado em 14/06/2016: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003, 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA. Após o advento da Lei Complementar nº 123 de 14/12/2006 que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e revoga a Lei nº 9.317/96, e, em respeito ao princípio da isonomia, de acordo com o qual todos os indivíduos são iguais diante da lei, sem que haja distinção e/ou diferenciação entre eles, deve ser aplicada a noção de "pratica reiterada de infração à legislação tributária " como definida no § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, nos casos não definitivamente julgados em que se discuta a exclusão do SIMPLES com base no inciso V do artigo 14 da Lei n°9.317/96. SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. O § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123 de 14/12/2006, denota sua natureza interpretativa, tornando clara quais as circunstâncias apuradas evidenciam a pratica reiterada de infração à legislação tributária para fins de exclusão do Simples Nacional. Assim, em consonância com o artigo 106 do CTN o qual dispõe que a lei se aplica Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.239 20 a ato ou fato pretérito, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, o mencionado dispositivo legal deve ser invocado para que a mesma interpretação dada ao § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123 de 14/12/2006 seja aplicada nos casos não definitivamente julgados, em que se discute a exclusão do SIMPLES em virtude de pratica reiterada de infração à legislação tributária o que se deve considerar como prática reiteradada em quais condições a pessoa jurídica deve ser excluída do SIMPLES pela pratica reiterada de infração à legislação tributária. AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DA EXCLUSÃO DO SIMPLES QUE EXIGEM O IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Afastada a EXCLUSÃO DO SIMPLES, por decorrência restam também afastados os tributos exigidos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) por não terem sido apurados com base nas regras dispostas na legislação do SIMPLES. Destarte, caso vencido em relação ao primeiro entendimento acima apresentado, independentemente do debate de retroação ou não do disposto no art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, mas considerando que, até a edição de tal Lei, o conceito de prática reiterado era legalmente indeterminado, sendo a exclusão do SIMPLES Federal manobra punitiva, deve ser ponderada a adoção de seus elementos, pelo menos para se afastar o critério mensal de reiteração e dar relevância à inexistência de Autuações pretéritas da Contribuinte sobre o mesmo tema. Diante disso, deve ser afastada a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Federal, com base do art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96, promovida a partir de janeiro de 2006. Frisese que este foi o único e exclusivo fundamento para a exclusão, como se verifica do art. 1º do ADE em questão (vide fls. 673): Art. 1° O contribuinte CERÂMICA FLAVIO SALVAN LTDA, CNPJ 83.863.191/000142, excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por prática reiterada [sic] à legislação tributária, consoante o disposto no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, fato que importa em hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES, com fundamento no artigo 12, da mesma Lei. Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006, conforme disposto no inciso V do artigo 15° da Lei 9.317/96, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Del cia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC. (destacamos) Não se menciona no ADE, como fundamento para a exclusão da Contribuinte desse sistema especial de apuração de tributos, o extrapolamento da receita bruta auferida Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.240 21 (como, diferentemente, fezse no TVF). Entende também que a motivação e o fundamento desse ato administrativo, autônomo e individual (de competência específica dos Delegados Regionais e não do Auditor Fiscal que lavrou a Autuação) não podem ser, em Segunda Instância administrativa, completamente substituídos. Por consequência, os Autos de Infração lavrados em face de tal ato da Administração Tributária não podem prevalecer igualmente, vez que adotada sistemática de apuração diversa do SIMPLES Federal na sua lavratura. E frisese que, em relação ao cancelamento das Autuações, sem efeito seria tal reparação na motivação do ADE, pois, mesmo que se entenda que possível manter a exclusão da Contribuinte pelo extrapolamento do limite da receita bruta (R$ 2.400.000,00) percebida no anocalendário de 2006 e apontada apenas no TVF, sua exclusão darseia com base no inciso IV, do art. 15 da Lei nº 9.317/96, iniciandose apenas no anocalendário seguinte, em 2007. Caso vencido quanto à ocorrência de prática reiterada, entendese que a exclusão devera se operar a partir de fevereiro de 2006 (e não janeiro do mesmo ano calendário), merecendo reforma o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 129/2009. Consequentemente, deve ser exonerada, desde já, a parcela dos tributos exigidos referentes a mês de janeiro de 2006. Autuações Uma vez vencido quanto ao afastamento da exclusão da Contribuinte do SIMPLES Federal, passase a apreciar as Autuações objeto dessa contenda. Antes mesmo de adentrar as matérias preliminares arguidas pela ora Recorrente, este Conselheiro procede ao reconhecimento de ofício de nulidade em parte dessas Autuações lavradas, agora sob julgamento. Como relatado, a presente contenda abrange lançamentos de ofício, individualmente formalizados, fundamentados sob a mesma infração de omissão de receitas, de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.241 22 Em face da exclusão da Contribuinte do Simples Federal desde janeiro de 2006 e ausência de escrituração adequada, adotouse o Lucro Arbitrado para a obtenção das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, procedendo nas Autuações à apuração de montas trimestrais destes tributos postura fiscal esta que revelase adequada. Por outro lado, em relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, a Autoridade Fiscal também procedeu à apuração trimestral dessas contribuições (vide fls. 780 a 791). Ainda que não alegado pela Parte, o mencionado procedimento mostrase equivocado, em desacordo com as normas legais de apuração de tais tributos, vigentes desde o tempo da ocorrência dos fatos geradores colhidos, o que implica na nulidade das exações, por desconformidade aos requisitos impostos do art. 142 do CTN. Sem necessidade de maiores aprofundamentos e demonstrações jurídicas, é notório que a apuração das referidas Contribuições é mensal, independentemente de ter se adotado o Lucro Arbitrado para o IRPJ e para a CSLL, devendo, mesmo em casos como o presente, quando o contribuinte é autuado em período abrangido por exclusão do SIMPLES Federal, ser considerada a sua periodicidade mensal. No mesmo sentido da posição jurisdicional agora adotada, confirase o Acórdão nº 1201001.408, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, publicado em 05/05/2016, que negou provimento a Recurso de Ofício: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PIS E COFINS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. Os lançamentos de ofício do PIS e da COFINS devem adotar o regime de apuração mensal, sendo nulos quando efetuados trimestralmente, Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.242 23 por afronta aos critérios temporal e quantitativo previstos no artigo 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. (...) O Recurso de Ofício foi apresentado ante a exoneração de parte do crédito autuado, correspondente ao PIS e à COFINS, que foram objeto de análise de ofício na decisão recorrida. Com efeito, aquele acórdão considerou que a fiscalização, equivocadamente, apurou os dois tributos de forma trimestral, ao contrário do que prevê a legislação, nos seguintes termos: Tratase de erro que gera reflexos não apenas no critério temporal do lançamento previsto no artigo 142 do CTN, mas também no quantitativo, tendo em vista que o cálculo dos juros moratórios resta alterado. Nesse sentido, adstrita ao princípio de legalidade, não resta outra alternativa senão conhecer ex officio a ilegalidade do ato administrativo. Por consequência, restam improcedentes os lançamentos do PIS e da Cofins. De fato, o Decreto n. 4.524/2002 estabelece como mensal o período de apuração das referidas contribuições: Art. 74. O período de apuração do PIS/Pasep e da Cofins é mensal (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º). Assim, correta a posição da Delegacia de Julgamento. (destacamos) Por fim, consignese que é prerrogativa do Julgador administrativo fiscal conhecer de nulidades, como a presente, sem a provocação do recorrente, sendo de interesse público o afastamento de vícios e manifestas inconformidades legais presentes nos atos e procedimentos submetidos a julgamento. Posto isso, devem ser canceladas, integralmente, as exações de Contribuição ao PIS e COFINS debatidas no presente feito. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.243 24 Agora então, serão analisadas as matéria preliminares arguidas pela Recorrente. Observase que dentre os temas referentes à regularidade e à correção dos lançamentos de ofícios, a Contribuinte aponta que a Autoridade Fiscal não teria procedido à subtração (compensação) dos valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por ela já recolhidos no anocalendário de 2006, sob a sistemática do SIMPLES Federal, configurando bis in idem nessa parcela da exação. A DRJ já enfrentou tal tema, afastando o argumento da Recorrente, posicionandose da seguinte maneira: Analisando os autos de infração em que se encontra formalizado o lançamento concluise que, de fato, a autoridade fiscal não considerou os valores pagos ou declarados pela contribuinte segundo as regras do Simples Federal. Tal fato sugere que tenha havido um equívoco ou esquecimento por parte da autoridade autuante. No entanto, o procedimento é legítimo, como se verá a seguir. Sabese que a contribuinte, durante o ano de 2006, encontravase enquadrada por opção no Simples Federal, tendo recolhido/declarado suas obrigações tributárias segundo esse regime. Sabese, ainda, que o lançamento ora impugnado foi efetuado segundo as regras do Lucro Arbitrado. Se o lançamento tivesse sido efetuado segundo as regras do próprio Simples Federal, não haveria compensação mas mera dedução dos valores já pagos no mesmo sistema de apuração. O regime utilizado no lançamento fiscal (Lucro Arbitrado) não coincide com o regime segundo o qual a contribuinte recolheu/declarou seus tributos. Neste caso, os pagamentos efetuados têm natureza de indébito e, portanto, a fiscalização não poderia considerar os valores pagos/declarados pela contribuinte, pois, se o fizesse, estaria procedendo a uma compensação de créditos de natureza diferente dos débitos. Não seria uma mera dedução de valores já pagos, como se a requerente houvesse permanecido no Simples Federal. E por que a fiscalização não poderia proceder a uma compensação? Porque a compensação é um instituto que tem rito próprio, regulado principalmente pelo art. 170 do CTN, pelo art. 74 da Lei n9 9.430/96 e pela Instrução Normativa RFB n9 900, de 2008. Assim, os pagamentos efetuados segundo as regras do Simples Federal podem ser utilizados para quitar débitos próprios, mas mediante procedimento especifico, observadas a competência administrativa e as Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.244 25 disposições contidas em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (destacamos fls 874). Divergese, diametralmente, da posição adotada pela DRJ. O fato de um dado tributo ter sido apurado pelo contribuinte, em determinado período, dentro de um determinado regime ou sistemática e depois por meio de atos de ofício da Administração Tributária impõelhe a cobrança dos mesmos tributos referentes ao mesmo período, mas sob outro modalidade de apuração, é certa e imperiosa a necessidade de abatimento das parcelas já adimplidas, sob pena de bis in idem, como bem apontado pela Parte. Distinções entre regimes, ou mesmo sistemáticas, de apuração e recolhimento não tem o condão de alterar a natureza e a espécie dos tributos. E a afirmação da DRJ de que a Fiscalização não poderia proceder a uma compensação de tais valores, pois a compensação é um instituto que tem rito próprio, regulado principalmente pelo art. 170 do CTN, pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96 e pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, simples e claramente, não procede além denotar um excesso de apego lógicosemântico do I. Julgador a quo ao termo compensação, empregado pela ora Recorrente. Logo, para a devida e completa regularidade da cobrança imposta à Contribuinte deveria a Autoridade Fiscal ter promovido a dedução (ou a subtração, ou o abatimento, ou até mesmo a compensação, digase, sendo irrelevante a palavra utilizada para designar a manobra) dos valores dos tributos já adimplidos no período. E se não houve recolhimentos, deveria ter a Fiscalização expressamente consignado tal fato, esclarecendo que não procedeu a tal operação de redução do valor da cobrança por inexistência de pagamentos, ratificando a correção quantitativa dos lançamentos de ofício o que não ocorreu no presente caso. Desse modo, verificase, com segurança, que não foi procedido pela Autoridade Fiscal a dedução dos valores já recolhidos pela Contribuinte no período colhido, pela sistemática do SIMPLES Federal, com os tributos agora que lhes são exigidos. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.245 26 Frisese que a própria Fiscalização alega e documenta que no anocalendário de 2006 a Recorrente apurou e declarou receita tributável na monta de R$ 518.321,83 (vide fls. 805 e 680 a 697). Mas, digase, é certo que não há registro nos autos (nem instruindo as peças da Contribuinte) de provas de recolhimentos, propriamente ditas, lembrando que o objeto infracional das Autuações é omissão de receitas. Por um lado, não se pode simplesmente presumir como totalmente adimplidos os tributos referentes aos valores declarados pela Contribuinte no anocalendário de 2006, na sistemática do SIMPLES Federal. Por outro, muitos menos, podese presumir que a Contribuinte não recolheu os tributos sobre os valores que efetivamente declarou principalmente considerando o total silêncio da Autoridade Fiscal sobre não ter procedido à dedução de tributos anteriormente pagos ou, especificamente, acerca de eventual ausência de pagamentos, confirmada. Agravando, a Recorrente apenas aponta pela falta de compensação e pedido processual correspondente, mas deixa de quantificar a monta recolhida a ser reduzida das Autuações. Na verdade, em suma, entende este Conselheiro que somente existem indícios de que existem pagamentos de tributos, pelo SIMPLES Federal, no anocalendário de 2006, considerando os documentos acostados no feito. Desse modo, revelase aqui adequada e prudente a realização de diligência, conferindo, tanto à Unidade Local a possibilidade de proceder à manobra ou à constatação de inexistência de pagamentos, que deveria ter sido feito inicialmente, como à Contribuinte a oportunidade de quantificar seu pedido. Inclusive, se houver divergência em relação à monta dos pagamentos, tal controvérsia será dirimida em julgamento e não na fase executória da decisão prevalecente nos autos. Diante do exposto, e considerando ter sido vencido em relação da matéria acerca da indevida exclusão do contribuinte do SIMPLES Federal, resolvese por determinar a Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.246 27 realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018: 1.a) intime o Contribuinte para apresentar o cálculo e a comprovação correspondente dos valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, recolhidos de janeiro a dezembro de 2006, ainda que pela sistemática do SIMPLES Federal; 1.b) independentemente do cumprimento ou não da determinação do Item 1.a acima, proceda à Autoridade Fiscal à consulta dos sistemas da RFB, localizando pagamentos e compensações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS efetuados pela Contribuinte sob sistemática do SIMPLES Federal no ano calendário de 2006. 2) Se for o caso, proceda a Unidade Local ao confronto dos cálculos e documentos apresentados pela Contribuinte com o resultado das consultas procedidas aos sistemas da RFB, verificando a eventual existência de divergências. 3) Elaborar Relatório conclusivo, no qual: 3.1) havendo divergências (inclusive a inexistência de pagamentos), aponte os fundamentos e registros que suportam a conclusão alcançada; 3.2) no caso da confirmação do adimplemento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ainda que parcial daquilo declarado pela Contribuinte, proceda a novo cálculo do valor das exações em tela, subtraindo a parcela do crédito tributário que já foi satisfeito. 4) deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.247 28 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que a verificação de infração de omissão de receitas, sob os fundamentos e circunstâncias do caso em tela, por período precisamente anual, ainda que limítrofe, não se amolda devidamente à hipótese de prática reiterada de infração, prevista no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, concluiu que deve ser afastada a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Federal, promovida a partir de janeiro de 2006. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na parte que requeria a anulação do ato declaratório de exclusão do Simples Federal em face de prática reiterada de infração. Conforme relatado, o fundamento exclusivo para a exclusão da Contribuinte foi a prática reiterada de infração à legislação tributária, consoante o disposto no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, fato que importa em hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES, com fundamento no artigo 12, da mesma Lei. Constatase que consta dos autos, a prática reiterada de infração de omissão de receitas, imputada à Contribuinte com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pelo período de janeiro a dezembro de 2006. Verificase que a recorrente ao longo dos doze períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2006, sistematicamente omitiu grande parte de sua receita bruta mensal auferida, fato apurado pela constatação da falta de escrituração das contas bancárias e pelos depósitos/créditos bancários de origem não comprovada (após intimação em que individualizados os créditos a comprovar) durante procedimento fiscal. Adotase e aplicase nessa decisão, o entendimento que, tratandose de sistemática que submete o contribuinte a recolhimentos mensais e mencionando a Lei nº 9.317/96 exclusões a partir do mês subseqüente, o critério de reiteração, para fins do antigo SIMPLES Federal não pode ser outro, senão o mensal. Verificase que o cometimento da mesma infração por período de 12 meses foi considerado corretamente pela Autoridade Fiscal subscritora do ADE como bastante para a configurar a hipótese do art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96, transcrito a seguir. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] V prática reiterada de infração à legislação tributária; Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11516.004795/200988 Resolução nº 1402000.676 S1C4T2 Fl. 1.248 29 Os efeitos da exclusão devem ser a partir de janeiro de 2006, mês de ocorrência da infração, posteriormente reiterada, em todos os períodos de apuração mensal do ano calendário objeto do procedimento fiscal, de acordo com o Art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96, transcrito a seguir. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. É de concluirse, portanto, pela improcedência do recurso voluntário nesse parte, com a manutenção da exclusão do Simples Federal, uma vez que a conduta mantida pela manifestante ao longo dos doze períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2006, de sistematicamente omitir receita, efetivamente praticou reiterada infração à legislação tributária, sendo de aplicarselhe o disposto no art. 14, inciso V, da Lei nº 9 9.317, de 1996. Portanto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade e mantido integralmente o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 129, de 20 de novembro de 2009, da DRF em Florianópolis SC, que determinou a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal com efeitos a partir de 19 de janeiro de 2006. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário na parte que requeria a anulação do ato declaratório de exclusão do Simples Federal em face de prática reiterada de infração. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002704/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
CFL 34. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. MULTA MANTIDA
Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.
O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2202-004.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. CFL 34. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. MULTA MANTIDA Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 04 /2 00 7- 92 Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 966 2 da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 967 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.002704/200792, em face do acórdão nº 1420.029, julgado pela 14ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 14 de agosto de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “O AutodeInfração — AI — DEBCAD no 37.093.1734 (sic, em verdade: 37.105.2548), foi lavrado por ter a Empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme o explanado no Relatório Fiscal da Infração, fato que constitui infração as disposições contidas no inciso II do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 c/c art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Noticia o Relatório Fiscal da Infração (fls. 21 a 22) que a Empresa Autuada deixou de contabilizar em títulos próprios, como salário de contribuição dos seus segurados empregados, as bolsas de estudo concedidas aos filhos e dependentes dos mesmos. Foi aplicada a multa correspondente a R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), fundamentada na alínea "a" do inciso II do art. 283 do Decreto n° 3.048/99, e valor atualizado através da Portaria Ministerial MPS n° 142, de 11/04/07, de acordo com o explicitado no Feito, Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, do presente processo. IMPUGNAÇÃO: Dentro do prazo regulamentar o Autuado, através do Instrumento de fls. 156 a 191, consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese: Das Preliminares. Da Nulidade do Procedimento Em Debate — MPF Entregue a Pessoa Inapta — Inteligência Decreto n° 70.235/1972. É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a pratica de tais atos. Menciona neste particular inúmeros artigos de seu Estatuto Social e o artigo 23 do Decreto 70.235/72 e acrescenta que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 968 4 Da Existência de Procedimento de Consulta. Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (documentos em anexo), protocoladas antes do inicio da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do inicio da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior. Da Não Incidência de Contribuição Social. Bolsas Pagas a Titulo de Pesquisa. Tece arrazoado sobre a nab incidência de tal beneficio. Esclarece sobre a instituição e forma de atuar da FUNADESP. Da Não Incidência de Contribuição Social Sobre Acordos Coletivos, Não Configuração de Ganho Habitual. Transitoriedade Dos Acordos Coletivos, Inteligência do Próprio § 9°, Alínea "t" do Artigo 28 da Lei n° 8.212/91 c/c Art. 112 do CTN. Do Conceito de Salário. Impossibilidade de Mutação Pela Legislação Tributária. Inteligência Dos Artigos 109 e 110 do CTN c/c Art. 458 da CLT. Improcedência da Autuação. No caso dos autos não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois, as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo "habitual"), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo (cita artigos 109, 110 e 112 do CTN). O beneficio da bolsa de estudos não pode ser incorporado, não cria vinculo empregaticio além daquele mantido pelo empregado e tem prazo determinado, correspondente à duração do respectivo curso. O beneficio em questão não se enquadra no conceito de salário (cita os artigos 195, I e 201, parágrafo 4°, da Constituição Federal); A previsão normativa de concessão de bolsas de estudo obedece a dispositivo constitucional que estabelece que a educação será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. As Leis de Diretrizes e Base de Educação obrigam as Instituições de Ensino a qualificarem e capacitarem seus funcionários e professores. Também a Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, em seu artigo 458, parágrafo 2 °., II, estabelece que não é salário a concessão de educação, em estabelecimentos de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores de matricula, mensalidade, anuidade, livros e material. A fiscalização interpretou o artigo 28, parágrafo 9 °., alínea "t", da Lei n° 8.212/91 de forma equivocada, vez que as bolsas Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 969 5 previstas em acordos coletivos são de acesso a todos os empregados e dirigentes da impugnante. A legislação tributária, ao definir infrações, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte (CTN artigo 112). A Lei n° 11.096/2005 trata de bolsas de estudos destinadas especificamente a empregados e seus dependentes. Da Inexistência de Obrigação Acessória de Registro Contábil Por Inexistência do Fato Gerador do Tributo. Inexigibilidade da Autuação. Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada. Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária. Da Multa Aplicada. A multa aplicada é confiscatória, portanto, inconstitucional, posto que superior a 20% (vinte por cento), devendo assim ser cancelada. Da Impossibilidade de Comunicação ao Ministério Público de Eventual Prática de Crime Fiscal. Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta pratica criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa. Da Impossibilidade de Apontamento de CoResponsáveis Legais por Mero Auditor Fiscal — Ofensa ao Principio da Legalidade. Existe óbice para o apontamento de coresponsável legal por mero agente fiscalizador (cita os artigos 128 e 135 do CTN), representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Do Pedido: Requer a nulidade do AI em decorrência da nulidade dos mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a autuada até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade arguida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter efeito confiscatório ou seja relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 970 6 Independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Junta os documentos de fls. 238 a 355. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento, mantendose, assim, o débito tributário e a multa aplicada. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls.761/833, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Na oportunidade, a contribuinte junta o Parecer Jurídico sobre as Bolsas de Estudo e Pesquisa da FUNADESP. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 971 7 o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitase, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada na presente NFLD. Logo, rejeito também a preliminar. Legitimidade do Sujeito Passivo. Quanto à alegação de que caso ocorra a tributação de tal incentivo a pesquisa, deve ser cobrado da FUNADESP, a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias, recai na pessoa responsável pelo pagamento da remuneração, que no presente caso é a Notificada. Nesse sentido dispõe o Código Tributário Nacional — CTN — Lei n° 5172, de 25/10/1966, em seu art. 121, parágrafo único, inciso I: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Não se acolhe a tese de ilegitimidade passiva da contribuinte. A Fiscalização, com base na documentação apresentada pela própria contribuinte, conforme o contido no presente processo, caracterizou os fatos geradores que deram origem ao presente débito, calculou o montante das contribuições devidas, utilizando a base de cálculo que a lei instituiu Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 972 8 para o tipo, aplicandolhe a alíquota legal, identificou o sujeito passivo, imputandolhe e notificandoo da obrigação, com clareza e critério, e fornecendo os fundamentos legais ou matéria tributável dos fatos geradores que deram origem ao débito, mencionando os textos legais autorizadores do presente lançamento. As informações constantes do Relatório Fiscal, com a descrição da documentação apresentada e examinada, frente As normas legais, legitimam a Empresa Notificada como Sujeito Passivo das obrigações tributárias decorrentes das remunerações pagas ou creditadas, sob o titulo bolsa de estudo e pesquisa, aos seus funcionários e contribuintes individuais a seu serviço. Não resta dúvida, as contribuições são devidas pela Empresa Notificada, pois, apesar de ser a Fundação quem realiza o depósito dos valores das bolsas nas contas dos pesquisadores, constatase que o valor total das bolsas a serem pagas em cada mês é anteriormente repassado pela Recorrente à Fundação, conforme se verifica pelos dados contidos nos anexos da presente NFLD e informações do Relatório Fiscal. Deste modo, não importa a triangulação realizada, o ônus financeiro desta parcela da remuneração é da Recorrente. Indubitavelmente, quem efetua os pagamentos é a própria Recorrente. Apesar de a sistemática de pagamento adotado pela Empresa diferenciarse da tradicional, o fato de as verbas terem sido pagas mediante a concessão de bolsas com a intermediação da Fundação, não têm o condão de modificar a pessoa do sujeito passivo. Assim sendo, sem reparos o procedimento fiscal, também neste aspecto, identificou e nomeou corretamente o Sujeito Passivo das contribuições sociais devidas. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 973 9 Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais. A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 973DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 974 10 ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 975 11 TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 976 12 § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 34. Sustenta a contribuinte não ter praticado a infração apontada pela fiscalização, pois não teria deixado de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço e jamais teria sonegado qualquer informação em seus livros diários. Prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriodecontribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa no presente caso, pois demonstra a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 977 13 Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de escriturar em títulos próprios os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes. Considerando que prevaleceu o entendimento de que incide contribuição previdenciária sobre tais verbas, no julgamento do processo nº 13855.002591/200725, julgado nesta mesma sessão, de cuja matéria tratada originou a autuação aqui discutida, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões do voto vencedor daquele processo, no Acórdão nº 2202004.644, de minha redatoria. Nesse aspecto, entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 978 14 I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratado, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 979 15 expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13855.002704/200792 Acórdão n.º 2202004.646 S2C2T2 Fl. 980 16 quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária. Assim, tendo prevalecido esse entendimento, a multa por descumprimento de obrigação acessória deve ser mantida, não merendo reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015315/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
Multa por falta de entrega da Dirf
Não demonstrado que o contribuinte estava obrigado à entrega da DIRF, descabe aplicação da penalidade pela falta de entrega
Numero da decisão: 1302-000.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Multa por falta de entrega da Dirf Não demonstrado que o contribuinte estava obrigado à entrega da DIRF, descabe aplicação da penalidade pela falta de entrega Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório O auto de infração a folhas 2 impõe multa, no valor de R$ 500,00, por falta de entrega da declaração de imposto de renda retido na fonte (Dirf) referente ao anocalendário Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015315/200869 Acórdão n.º 130200.875 S1C3T2 Fl. 199 2 de 2003. O prazo venceu 27.02.2004, mas, a despeito de intimação realizada em 02.09.2008, não se fez a entrega. Enquadramento legal: artigo 113, § 3º, e artigos 115 e 160, da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (Código Tributário Nacional – CTN); artigo 7º, incisos I e II, da Lei nº 10.426, de 24.04.2002, e alterações posteriores. Em 28.11.2008, data anterior ao vencimento constante no auto de infração (22.12.2008), o sujeito passivo apresentou a impugnação juntada a folha 1. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • A impugnante procurou a DRF/BH para esclarecimentos sobre o auto de infração, entre os quais se havia algum motivo diferente do conhecido por ela. Constatouse que não consta dos sistemas da RFB nenhum motivo para tal, a não ser os recolhimentos de IRRF (8045), que são feitos normalmente pelos serviços de propaganda e publicidade prestados, serviços que estão de acordo com a atividade da impugnante (CNAE de nº 7311400). • De acordo com a legislação vigente, no caso de propaganda e publicidade, é dever do prestador de serviços recolher o IRRF (código 8045), o que é feito. Mas ainda segundo a legislação, a obrigação de entrega da Dirf é do tomador dos serviços. • Fica claro que não há obrigação de entregar a Dirf referente ao IRRF do código 8045, por serem exclusivamente serviços de propaganda e publicidade. Também não consta contra a empresa qualquer outro motivo de retenção ou recolhimento que a obrigue a tal entrega. • Demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, é requerido que seja acolhida a impugnação para o fim de cancelar o débito fiscal. A DRJ decidiu: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 12/04/2011 e apresentou recurso em 27/04/2011. Em seu recurso alega que é prestadora de serviços de propaganda e publicidade, ficando obrigada ao recolhimento do IRRF no código 8045, mas que a entrega da DIRF cabe ao tomador do serviço, sendo este o motivo de não ter entregue a DIRF. Afirma que, em relação ao anocalendário de 2004 o lançamento pelo mesmo fato foi cancelado.. Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do acórdão recorrido: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015315/200869 Acórdão n.º 130200.875 S1C3T2 Fl. 200 3 De acordo com os registros dos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal em relação ao anocalendário de 2003 a autuada efetuou, por meio de Darf, diversos recolhimentos de IRRF (vide resultado da consulta a folhas 10 a 15). Havendo recolhimento de IRRF, cumpre ao contribuinte responsável pelo pagamento do rendimento respectivo entregar a respectiva Dirf. Em essência, a argumentação da impugnação consiste em alegar que todos esses recolhimentos foram feitos no código 8045 e dizem respeitos a importâncias por ela recebidas em virtude da prestação de serviços de propaganda e publicidade, razão pela qual a entrega da Dirf a eles correspondentes é incumbência do tomador de serviços. A impugnante, porém, não traz nenhuma prova de suas alegações. E embora a consulta aos bancos de dados da Receita Federal confirme que a todos os recolhimentos foi, de fato, atribuído o código 8045, isso por si só não basta para concluir que a autuada estivesse desobrigada de entregar a Dirf. Antes de mais nada, seria preciso comprovar que nos Darf foi indicado o código de recolhimento correto, o que a impugnante não faz. Embora entenda o raciocínio desenvolvido pelo voto condutor do acórdão recorrido, com ele não concordo. Na verdade, forma feitos 5 lançamentos de multa por falta de entrega de DIRF, referentes aos anoscalendário 2002 a 2006. Todos foram feitos em 30/10/2008 por meio eletrônico e possuem as descrições dos fatos idênticas: A autoridade fiscal concluiu, corretamente, que o contribuinte não havia entregue as DIRF´s referentes aos citados anoscalendário. Quanto a esse fato não há controvérsia: não houve a entrega da DIRF. A lide gira em torno da obrigatoriedade ou não da entrega de tal declaração. A DRJ concluiu que para os anoscalendário 2004 e 2006 o lançamento da multa deveria ser exonerado pois não havia recolhimento de tributo no código 8045, mantendo o lançamento dos demais períodos pela existência de tais recolhimentos.. Estabelece a norma de regência da matéria: Art. 1º Devem apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) as seguintes pessoas jurídicas e físicas, que tenham pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015315/200869 Acórdão n.º 130200.875 S1C3T2 Fl. 201 4 mês do anocalendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiros: I estabelecimentos matrizes de pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, inclusive as imunes ou isentas; Como se pode observar, obrigado a apresentar a DIRF está quem paga ou credita rendimento com retenção na fonte, ou seja, a fonte pagadora, e não quem recebe rendimento sujeito a retenção. No voto condutor do acórdão recorrido consta: Observese ainda que tanto o Mafon, assim como os artigos 15 e 16 da Instrução Normativa SRF nº 577, de 2005, estabelecem que os beneficiários dos pagamentos sujeitos à incidência do IRRF cuja retenção é feita por eles próprios devem fornecer aos pagadores dessas quantias, até 31 de janeiro do ano subseqüente ao do recebimento, documento comprobatório dos valores recebidos e do IRRF recolhido. Estes últimos, por sua vez, devem incluir esses dados nas Dirf por ele entregues. Não consta da legislação de regência a obrigação de entrega da DIRF por quem tenha recebido rendimento sujeito à retenção ou quem tenha feito recolhimento de tributo . O antecedente da norma de imposição da multa é, estando obrigado, não apresentar a DIRF e a obrigação de apresentar a DIRF é de quem paga ou credita rendimento com retenção. Diante de um pagamento de tributo com o código 8045, a autoridade fiscal pode supor que aquele contribuinte pode ter a obrigação de apresentar DIRF. No entanto, pode ser que, mesmo tendo pago tributo naquele código, pode ser ele o beneficiário de pagamento sujeito a retenção, e, no caso, a obrigação de entrega da DIRF seria da fonte pagadora. A quem cabe o ônus da prova de que o contribuinte estava sujeito à entrega da DIRF? Ao fisco ou ao contribuinte? Entendo que a resposta está no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Cabe á autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória e, diante do descumprimento, realizar o lançamento da penalidade cabível. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015315/200869 Acórdão n.º 130200.875 S1C3T2 Fl. 202 5 Diante do pagamento de tributo no código 8045, a autoridade poderia até supor que aquele contribuinte estivesse sujeito à entrega de DIRF, mas essa simples suposição não tem o condão de transformálo em sujeito passivo dessa obrigação, sendo necessário que a autoridade prossiga na investigação fiscal para demonstrar que sua suposição possui lastro fático. Ou seja, deve a autoridade verificar, diligenciando junto ao próprio contribuinte ou junto a terceiros, que ele fez pagamentos sujeito á retenção do citado imposto, e, demonstrado isso, ou seja, o fato gerador da obrigação acessória (entrega da DIRF) e tal obrigação não tendo sido atendida, aplicar a penalidade. No caso concreto, o que ocorreu foi ainda mais grave. A autoridade lançadora, verificando que o contribuinte não havia entregue a DIRF, fez o lançamento da multa. Após a impugnação, a autoridade julgadora verificou que em determinados exercícios havia pagamento de tributo com o código 8045 e em outros não. Nos períodos em que não havia o citado pagamento, exonerou o lançamento da multa, mantendo para os demais. Essa conduta, entendo eu, já estaria equivocada, pois no momento do lançamento é que se deve verificar a ocorrência do fato gerador, e não no momento do julgamento de 1ª instância, pois estaria comprometido o lançamento por falta de seu pressuposto, mas também estaria comprometido a defesa do contribuinte que não saberia o teor da acusação fiscal. Mas, entendo que ocorreu situação mais grave, pois a conclusão do julgador também está equivocada, pois a ocorrência de pagamento no código 8045 é insuficiente para se afirmar que o contribuinte teria de entregar a DIRF. O equívoco fica evidenciado no trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão: Num esforço cujo intuito foi suprir a falta das provas que cumpria ao impugnante trazer aos autos, verificamos nos bancos de dados da Receita Federal se nas Dirf entregues pelas fontes pagadoras que tiveram como beneficiário a autuada consta o recolhimento de IRRF que esta fez em relação ao ano calendário a que se refere o auto de infração. O resultado dessa pesquisa achase a folhas 12. Das Dirf entregues, em apenas uma foram informadas retenções de código 8045 e estas somam R$ 60,00. Embora esse montante supere o valor do IRRF recolhido pela autuada, não constituem prova em seu favor os dados de tal Dirf, pois as retenções nela indicadas se referem a pagamentos realizados em fevereiro, março e abril de 2005, enquanto é 13.10.2005 a data de vencimento do recolhimento sob o código 8045 efetuado pela autuada. Logo, inferese que o IRRF então recolhido incidiu sobre rendimento diverso dos indicados na Dirf mencionada. Em conseqüência dessa divergência de datas, da falta de comprovação das alegações da impugnante, e dos demais elementos constantes dos autos, é imperioso concluir que a autuada não estava dispensada da entrega da Dirf. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015315/200869 Acórdão n.º 130200.875 S1C3T2 Fl. 203 6 Percebese que a decisão recorrida atribui ao contribuinte o ônus de provar que não estava obrigada à entrega da DIRF, quando, na verdade, o ônus de provar que estava obrigado é do fisco. Mais ainda, por não existirem DIRF´s que declarassem valores retidos superiores ou iguais aos pagamentos registrados nos sistemas da SRF, conclui o acórdão recorrido que a autuada não estava dispensada da entrega, quando o que poderia ter ocorrido é que uma ou mais fontes pagadoras de recursos à recorrente tivessem se omitido da entrega de DIRF. Nesse sentido não houve qualquer diligência para verificação. Também opera em favor da recorrente a atividade que exerce: Prestaçã ode serviços de publicidade, atividade essa que, via de regra, os tomadores de serviço devem fazer a retenção do imposto na fonte. Poderia ter ocorrido a situação de que a recorrente fosse tomadora de serviço e, nesta condição, teria de fazer a retenção, o pagamento do imposto e a conseqüente entrega da DIRF? Entendo que sim, mas isso tem de ser provado pela autoridade lançadora. Diante do indício (pagamento no código 8045), deveria diligenciar e verificar se houve pagamento na condição de tomadora de serviço e, sendo isso demonstrado e não tendo havido entrega da DIRF, aplicado a penalidade. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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