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Numero do processo: 10950.005960/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2003 a 31/03/2004
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE RURAL.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase rural do processo produtivo (produção de ração e de aves vivas) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Parecer Normativo CST nº 65/79.
AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. CABIMENTO.
No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas e de cooperativas.
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. REGIME ALTERNATIVO.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Numero da decisão: 3402-004.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, inclusive de lenha combustível adquirida de pessoas físicas, bem como garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra (Presidente Substituto).
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente Substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE RURAL. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase rural do processo produtivo (produção de ração e de aves vivas) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Parecer Normativo CST nº 65/79. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. CABIMENTO. No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas e de cooperativas. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. REGIME ALTERNATIVO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 59 60 /2 00 8- 46 Fl. 1311DF CARF MF 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, inclusive de lenha combustível adquirida de pessoas físicas, bem como garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra (Presidente Substituto). (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente Substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de processo originado de manifestação de inconformidade (efls. 1163 a 1193) apresentada em 13 de outubro de 2009 contra despacho decisório (efls. 1095 a 1155 demonstrativos de efls. 825 a 1094), de 24 de agosto de 2009, cientificado em 10 de setembro de 2009, que homologou parcialmente declarações de compensação com créditos de IPI do 1º ao 4º trimestres de 2001, 1º ao 4º trimestres de 2003 e 1º trimestre de 2004, apresentadas a partir de 29 de outubro de 2004. O despacho decisório foi assim ementado: Ementa: DECLARAÇÕES ELETRÔNICAS DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Declarações de Compensação. Presentes os requisitos necessários nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e suas posteriores alterações, efetivase a compensação até o limite do montante do crédito reconhecido. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 3 3 Compensação parcialmente homologada. Base legal: art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; IN/RFB n° 900, de 2008. Crédito Presumido do IPI. Períodos de apuração: 1º a 4º trimestres de 2001, 1° a 4° trimestres de 2003, 1° trimestre de 2004. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos sem incidência de P1S/PASEP e COFINS não dão direito ao cálculo do beneficio. As aquisições de materiais aplicados em processos para obtenção de produtos fora do campo de incidência do IPI (aves vivas NT) não dão direito ao cálculo do beneficio. Registros fiscais de aquisições de produtos que não se conformem ao conceito de insumos industriais (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem), ainda que em CFOP típicos de aquisições de insumos industriais, mas verificados como itens de consumo ou aplicados em atividades voltadas à manutenção de imobilizados, não dão direito ao cálculo do beneficio. Registros fiscais em CFOP típicos de aquisições de insumos industriais, mas que revelaram tratarse de aquisição de serviços, não caracterizados como de industrialização por terceiros, não podem ser considerados no cálculo do beneficio. Combustíveis aplicados em atividades não caracterizadas como processos típicos de industrialização (transporte de aves, cozinha industrial), ou para obtenção de produtos fora do campo de incidência do IPI (aves vivas NT), não dão direito ao calculo do beneficio. Energia elétrica aplicada em atividades (produção de ração) para obtenção de produtos fora do campo de incidência do IPI (aves vivas NT) não dão direito ao cálculo do beneficio. Crédito parcialmente reconhecido. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade no qual alegou: I) a atividade desenvolvida pela Manifestante é caracterizada como agroindustrial, ou seja, que possui um ciclo mais completo de produção tendo em vista englobar mais de um processo na cadeia produtiva: a produção rural e a industrialização. II) O artigo 1º, da Lei n° 10.256/2001, define a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. III) A sua produção inclui a criação e engorda, a fabricação de ração e o processo industrial (frigorífico), não podendo o fiscal excluir do cálculo do crédito presumido os insumos utilizados na fase de criação e engorda das aves, bem como na produção da ração. Fl. 1313DF CARF MF 4 IV) Aduz que a conclusão do fiscal de que o produto final resultante destes processos seria a aveviva, e por enquadrarse na tabela TIPI como produto NT (não tributado), está fora do campo de incidência do IPI e por conseqüência não geraria direito ao crédito presumido do IPI, é equivocada. A produção de aves vivas é apenas uma das fases do processo de agroindústria, sendo que produto final comercializado é a carne de aves e não a aves vivas, e por conseqüência garantido está o direito ao crédito presumido do IPI. Além disso, mesmo que o produto final estivesse fora do campo de incidência do IPI, não justifica a glosa dos créditos cita o acórdão n 202112281. V) Se a Lei Federal n° 9.363/1996 e 10.276/2001 autorizam que a Manifestante utilize os créditos de Matéria Prima, Produtos Intermediários e Matérias de Embalagem, se não existe lei a revogando, se os itens utilizados pela Manifestante estão inclusos nas respectivas categorias permitidas pela lei, não existe motivo para que o Fisco glose estes materiais. A Recorrente juntou laudo de fls. 1205 a 1233 que descreve minuciosamente os processos de produção. A DRJ deu provimento parcial ao pleito do Contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2003 a 31/03/2004 CUSTO DE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. LEI N° 9.363, DE 1996. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. A apuração do crédito presumido pelo método da Lei n° 9.363, de 1996, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos, admite a inclusão de custos relativos a aquisições de não contribuintes das contribuições PIS/Pasep e Cofins (ano de 2001). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CUSTO DE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. MÉTODO ALTERNATIVO DA LEI N° 10.276, DE 2001. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração do crédito presumido pelo método alternativo não admite, por expressa disposição legal, a inclusão de custos relativos a aquisições de não contribuintes das contribuições PIS/Pasep e Cofins e não está abrangida pelo entendimento definitivo do Superior Tribunal de Justiça relativo ao método originalmente criado pela Lei n° 9.363, de 1996, que não trazia expressamente tal restrição (anos de 2003 e 2004). PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários que geram direito de crédito são os consumidos de forma imediata e integral no Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 4 5 processo produtivo, não abrangendo máquinas, equipamentos, suas partes e peças, e o combustível empregado em máquinas e equipamentos, ou material de uso e consumo. COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. EMPREGO EM PROCESSO AGRÍCOLA E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. Combustíveis e energia elétrica somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI quando apurado segundo o regime alternativo da Lei n° 10.276, de 2001, e empregados no processo industrial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2003 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Não existe previsão legal para incidência de juros Selic sobre ressarcimento de crédito presumido de IPI, especialmente quando o montante em litígio seja objeto de compensação, realizada na data da apresentação do pedido. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Conforme descrito no relatório, o litígio abrange o direito ao crédito presumido de IPI relativo aos seguintes itens: 1) Aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos sem incidência de PIS/PASEP e COFINS. 2) Aquisições de materiais aplicados em processos para obtenção de produtos fora do campo de incidência do IPI (aves vivas NT). Fl. 1315DF CARF MF 6 3) Aquisições de produtos que não se conformam ao conceito de insumos industriais (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem), ainda que em CFOPs típicos de aquisições de insumos industriais, mas verificados como itens de consumo ou aplicados em atividades voltadas à manutenção de imobilizados. 4) Aquisições de serviços não caracterizados como de industrialização por terceiros,ainda que registrados em CFOP típicos de aquisições de insumos industriais. 5) Combustíveis aplicados em atividades não caracterizadas como processos típicos de industrialização (transporte de aves, cozinha industrial), ou para obtenção de produtos fora do campo de incidência do IPI (aves vivas NT).. 6) Energia elétrica aplicada em atividades (produção de ração) para obtenção de produtos fora do campo de incidência do IPI (aves vivas NT). Transcrevo abaixo a lista das glosas efetuadas: A1 e A4 (aquisições realizadas de fornecedores pessoas físicas para fabricação de ração); B1 e B4 (aquisições realizadas de fornecedores sociedades cooperativas para fabricação de ração); C1 e C4 (aquisições realizadas de fornecedores pessoas jurídicas pela para fabricação de ração); D1 e D4 (aquisições de pintinhos e ovos férteis realizadas de fornecedores pessoas físicas para processo de integração); E1 e E4 (aquisições de pintainhos e ovos férteis realizadas de fornecedores pessoas jurídicas para processo de integração); F1 e F4 (aquisições de ração pronta realizadas de fornecedores pessoas jurídicas para processo de integração); G1 e G4 (aquisições de medicamentos e outros produtos realizadas de fornecedores pessoas jurídicas para o processo de integração); H1 e H4 (aquisições de demais itens realizadas de fornecedores pessoas jurídicas para consumo na fabricação de ração ou processo de integração); I1 e I4 (aquisições de aves vivas realizadas de fornecedores pessoas físicas para processo de abate e industrialização no próprio estabelecimento); J1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref, material para copa e cozinha, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); K1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. produtos de utilização típica a alimentação humana, realizadas de fornecedores pessoas físicas); Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 5 7 L1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. produtos de utilização típica a alimentação humana, realizadas de fornecedores sociedades cooperativas); M1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. produtos de utilização típica na alimentação humana, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); N1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. materiais de utilização típica em escritórios e expediente, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); O1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. materiais de utilização típica em higiene e limpeza, realizadas de fornecedores sociedades cooperativas); P1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. materias de utilização típica em higiene e limpeza, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); Q1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. materiais de utilização típica em uniformes, vestimentas e EPI, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); R1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, ref. materiais de utilização típica como medicamentos de uso humano, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); S1 (aquisições com indícios de destinação para consumo, demais materiais sem destinação específica, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); T1 e T4 (aquisições com indícios de destinação para conservação e manutenção de ativos imobilizados, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); U1 e U4 (aquisições de serviços não caracterizados como industrialização em terceiros, realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); V1 e V4 (aquisições de combustíveis óleo Diesel realizadas de fornecedores pessoas jurídicas); X1 (aquisições de lenha combustível realizadas de fornecedores pessoas físicas); Y1 (aquisições de lenha combustível realizadas de fornecedores pessoas jurídicas). A 9.363/96 trouxe a previsão de um crédito presumido de IPI para as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, como forma de permitir um ressarcimento econômico das contribuições sociais do PIS e Cofins, tendo como fato gerador a aquisição, no mercador interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que seriam utilizados no processo produtivo. É esta a dicção expressa de seu art. 1º, verbis: Fl. 1317DF CARF MF 8 Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Da leitura do dispositivo, podemos identificar três tipos de requisitos distintos para que nasça para o Contribuinte o direito ao crédito presumido de IPI são os requisitos: I) Subjetivo: A adquirente de mercadorias deve ser produtora e exportadora de mercadorias nacionais; II) Objetivo: O adquirente deve ter adquirido matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem; III) Material: A venda das MP, PI e ME para o adquirente deve estar sujeita à incidência do PIS/Cofins; Diante disso, podese rechaçar de pronto a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido sobre aquisições de MP, PI e ME que estiveram alheias à incidência do PIS/Cofins, por não atender ao requisito material estipulado pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96. Também há que se frisar que o laudo acostado aos autos deixa claro que a atividade da matriz da Recorrente consiste na industrialização de frangos, através do seu abate e tratamento, para posteriormente ser vendido em condições de consumo e não a produção de aveviva (que não seria tributado pelo IPI), como alguns trechos da fiscalização levaram a crer. Assim, resta absolutamente comprovado nos autos que a atividade realizada na matriz é atividade industrial, e essa será a premissa assumida adiante. Caso se tratasse de produção simplesmente da aveviva, ainda assim ele faria jus ao crédito presumido, pois a legislação não exige que o produto produzido seja tributado pelo IPI, como foi deliberado por este Colegiado no Acórdão CARF nº 3402003.840, de relatoria da Cons. Maysa de Sá. Entretanto, o caso é efetivamente de industrialização de frangos. Frisese, ademais, que o mérito dessa matéria foi julgado por unanimidade por este Colegiado à ocasião da lavratura do Acórdão CARF nº 3402002.863, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, razão pela qual me aproveitarei de trechos de sua fundamentação, por manter a concordância já declarada preteritamente, à época da deliberação. I) Do direito ao crédito presumido quanto às aquisições de produtos empregados na fase agrícola. Segundo alegou a Recorrente, seu processo produtivo é integrado, constituindose de uma fase rural (que envolve produção de ração e de aves vivas) e de uma fase industrial (de abate e processamento dos frangos). Na fase rural, que se destina basicamente à produção de ração e também à produção das aves que serão utilizadas na industrialização, haveria o consumo de diversos produtos, como bem descritos no laudo de fls. 12051233. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 6 9 Caso estivéssemos discutindo aqui créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos da chamada "fase agrícola", tal informação seria relevante e o laudo seria essencial para determinar a extensão do direito ao creditamento, mas aqui se trata, em rigor, de crédito presumido de IPI. Como aduziu o Conselheiro Atulim: A verificação da existência ou da inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase agrícola do processo produtivo [...] deve ser buscado nas leis que instituíram o incentivo. A defesa entende que tem direito de apurar o crédito presumido sobre todos os insumos aplicados na fase agrícola porque o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não estabelece nenhuma limitação, referindose ao "total das aquisições". O referido dispositivo legal estabelece o seguinte: Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...)"Já o art. 3º da referida Lei estabelece que: Art.3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme se pode verificar, ao mesmo tempo em que o art. 2º se refere ao "total das aquisições", o art. 3º, parágrafo único, estabelece que o conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem deve ser fixado com base no que estabelece a legislação do IPI. A legislação do IPI não dispõe expressamente sobre o conceito de produção, mas estabelece os conceitos de “estabelecimento produtor” (art. 3º da Lei nº 4.502/64), de “operação de industrialização” (art. 4º do RIPI/2002) e de “produto industrializado” (art. 3º do RIPI/2002). Segundo o art. 3º da Lei nº 4.502/64, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (leiase: que estão no campo de incidência do imposto). Segundo o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a Fl. 1319DF CARF MF 10 transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o recondicionamento). Segundo o art. 3º do RIPI/2002, produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Desses enunciados legais inferese que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma “operação”, ou seja, uma atividade que consista em transformar, beneficiar, montar, acondicionar ou recondicionar. Embora a recorrente tenha alegado que seu processo produtivo é integrado, ou seja, que possui uma fase agrícola na qual produz sua própria matériaprima, e uma fase industrial propriamente dita, é de clareza vítrea que [a produção de ração e criação de frangos] é um processo biológico, que não se enquadra no conceito legal de operação industrial previsto no art. 4º do RIPI/2002. Não se tratando as atividades que englobam a "fase rural" de operações de industrialização, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Desse modo, devem ser mantidas as glosas de A1/A4 até H1/H4. II) Do direito ao crédito presumido em relação a produtos intermediários. Relativamente aos produtos intermediários empregados na fase industrial, ou seja, a partir do ingresso das aves na indústria para abate e processamento, a questão que se coloca é quanto aos produtos que são aptos a gerarem créditos do imposto. O argumento utilizado pela recorrente é o mesmo que foi utilizado em relação aos insumos da "fase rural", qual seja, a Lei nº 9.363/96 não impõe nenhuma limitação ao direito de crédito por ter se referido ao "total das aquisições". Entretanto, conforme já foi registrado, o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, determina que para fins de apuração do crédito presumido, os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser os mesmos do âmbito da legislação do IPI. E segundo a legislação do IPI, não é qualquer insumo aplicável ao processo produtivo que gera crédito de IPI, mas somente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem nunca representaram um problema para a aferição do direito ao crédito do imposto. Mas o mesmo não se pode dizer em relação aos produtos intermediários que participam do processo produtivo sem se integrarem ao produto em fabricação. No intuito de dirimir as controvérsias então existentes, a Administração Tributária baixou o Parecer Normativo CST nº 65/79, cuja ementa resume o entendimento que se tornou pacífico no CARF, in verbis: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 7 11 primas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n. 181/74.” Sendo assim, os produtos intermediários glosados na fase rural nem sequer podem ser considerados neste tópico, pois a legislação só admite a tomada do crédito em relação a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados em atividade que o regulamento considere como industrial. Assim, resta analisar os produtos citados pela defesa que foram empregados na fase industrial. Para que os produtos intermediários empregados nesta fase possam gerar créditos de IPI é preciso que se consumam em contato direto com o frango em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. A fabricação de ração e criação de aves mediante parceria/integração com terceiros estavam a cargo do estabelecimento matriz até outubro/2001. Quando da constituição do estabelecimento filial 0004, este passou a se dedicar a estas atividades, ficando o estabelecimento matriz focado no abate e industrialização das aves vivas recebidas. A análise da impugnação e do recurso apresentados revelam que a preocupação da defesa foi demonstrar que o consumo dos produtos intermediários ocorreu no processo produtivo da ração e das aves vivas, e não que esse consumo se deu em contato físico direto com os produtos fabricados, tal como exige o Parecer Normativo CST nº 65/79. Também não houve nenhuma preocupação da defesa em demonstrar se esses produtos preenchiam ou não os requisitos que obrigam o contribuinte a ativálos. Contudo, a leitura das planilhas de glosa da fiscalização e o uso do senso comum permitem verificar se os produtos intermediários são ou não consumidos em contato físico direto com os produtos em fabricação. Senão vejamos o aduzido no despacho decisório: 226. São aquisições em CFOP típicos de compras para industrialização mas que apurouse de destinação diversa. 227. Os itens classificados como de consumo (Relatórios J1 a Si) são produtos facilmente identificáveis como materiais de escritório, expediente ou papelaria, itens de alimentação ou de preparo de refeições, produtos de limpeza, vestimentas, uniformes ou equipamentos de proteção individual (EPI), etc. Portanto, têm destinação típica para uso e consumo na empresa, em áreas administrativas, refeitório, ou mesmo chão de fábrica, não podendo ser considerados insumos (MP, PI, ME) industriais. 228. As aquisições classificadas como manutenção (Relatório T1) são também, em sua maioria, facilmente identificáveis: partes e peças de máquinas ou estruturas, sobressalentes, itens Fl. 1321DF CARF MF 12 de manutenção ou reparo de instalações, ferramentas, itens típicos de consertos hidráulicos/mecânicos/elétricos, etc. Portanto, tem destinação típica na utilização, calibração, conservação, reparo, complementação ou reposição de máquinas, equipamentos, instalações administrativas ou industriais , e demais itens que poderiam vir a compor o ativo imobilizado da empresa, ou mesmo, de pequeno valor, não sujeitos especificamente a consumo, mas afetos àquelas atividades de manutenção, não podendo ser considerados insumos (MP, PI, ME) industriais. 229. Por sua vez, os itens de aquisição classificados como serviços (Relatório U1), segundo sua descrição no arquivo digital, indicam tratarse de aquisições de serviços voltados principalmente As atividades de manutenção, não se conformando nem como industrialização em terceiros, nem com simples aplicação de mão de obra no processo produtivo da empresa. Não há, portanto, como aproveitar tais aquisições no cálculo do crédito presumido. Compulsando o laudo técnico (a partir da fl. 1223), verificamos que ele não menciona quaisquer produtos intermediários que se enquadrem no Parecer Normativo CST nº 65/79 a operação é toda realizada através de máquinas que se enquadram no ativo permanente da empresa e, portanto, não dão direito a crédito. Assim, não logrou comprovar o contribuinte a existência de produtos intermediários aptos a serem objeto de creditamento, não suprindo assim seus ônus probatório a esse respeito. Portanto, há que se manter a glosa neste ponto também. III) Dos créditos de aquisição de pessoas físicas e cooperativas Em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas relativamente ao anocalendário de 2001, o direito ao crédito presumido foi expressamente reconhecido pela DRJ, revertendo as glosas correspondentes, mas mantendo as glosas das aquisições de pessoas físicas e cooperativas relativamente ao ano de 2003 e 1º/tri de 2004, cuja apuração se deu com base na Lei nº 10.276/2001, por entender que a decisão proferida pelo STJ, sob a sistemática do art. 543C do CPC, no Recurso Especial nº 993.164, não se aplicaria ao caso. Sobre isto, divergimos do entendimento adotado pela DRJ, endossando as conclusões alcançadas pelo Cons. Rosaldo Trevisan no acórdão CARF nº 3403003.173. O REsp no 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, e, portanto, vinculante em relação aos julgamentos deste tribunal administrativo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 8 13 DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se Fl. 1323DF CARF MF 14 subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” ( Diante disso, reproduzo a argumentação do Cons. Rosaldo Trevisan, abaixo: A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/ 2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)”O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 9 15 evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, se aproxima da apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Fl. 1325DF CARF MF 16 Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 10 17 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e nº 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. É improcedente a glosa, então, neste tópico. IV) Do direito ao crédito presumido em relação às aquisições de energia elétrica e combustíveis Em relação ao período que se pleiteou o crédito presumido do art. 1º da Lei 9363/96 sobre as aquisições de energia elétrica e combustível (óleo diesel e lenha), há que se aplicar a Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória deste Colegiado: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, esta súmula não se aplica em relação ao período do Ano Calendário de 2003 e 1º tri/2004, que utilizou a forma de apuração alternativa prevista na Lei 10.276/2001, que dispõe: Art. 1° § I° A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 1327DF CARF MF 18 Portanto, o requisito para fruição do beneficio quanto a combustíveis adquiridos no mercado interno é sua utilização no processo industrial, produtivo, da empresa. Quanto à energia elétrica utilizada no estabelecimento fabril, o laudo técnico deixa evidente que a mesma é essencial ao processo produtivo, mas o fiscal glosou apenas a parcela relativa aos gastos de energia elétrica do estabelecimento filial que não exerce atividade industrial e o gasto de energia com atividades administrativas. Quanto ao óleo diesel, a fiscalização apurou que o mesmo é utilizado no transporte da ração para parceiros criadores e/ou integrados, que estão fora do processo industrial e, portanto, não podem fazer jus ao crédito. Por fim, a lenha é utilizada para a geração de vapor para a planta industrial, o que efetivamente se apurou, segundo informações da área técnica da própria empresa. O tema foi tratado no parágrafo 268 do despacho decisório, no qual se glosou as aquisições de lenha de pessoas físicas. Entretanto, a glosa das aquisições de lenha adquirida de pessoas físicas foi revertida no tópico anterior, razão pela qual apenas ratifica a sua reversão aqui. Assim, voto por reverter as glosas de aquisição de lenha de pessoas físicas apenas para as aquisições realizadas no anocalendário de 2003 e 1º tri/2004, pelo estabelecimento matriz, com a apuração realizada na sistemática da lei 10.276/2001. V) Da atualização monetária dos créditos Sobre este tema, este Colegiado se manifestou recentemente, por unanimidade, ao prolatar o Acórdão nº 3402003.840, de relatoria da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que em seu voto precisamente consignou: Pleiteia a Recorrente o acréscimo da taxa SELIC sobre os créditos objeto de ressarcimento, a partir da data de geração do direito ao crédito presumido, ou, ao menos sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Tem razão a Recorrente em seu pedido da inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Isso porque, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 11 19 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 1329DF CARF MF 20 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62 A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a oposição à utilização do crédito presumido, cabível a Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10950.005960/200846 Acórdão n.º 3402004.819 S3C4T2 Fl. 12 21 inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. Desse modo, há que se reconhecer o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC, a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento, em razão de oposição ilegítima do Fisco. VI) Conclusão Ante todo o exposto, voto por: I) Reverter integralmente as glosas de aquisições de MP, PI e ME de pessoas físicas e cooperativas, realizadas pela matriz da Recorrente, inclusive da lenha adquirida de pessoas físicas. II) Reconhecer o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC, a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1331DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001736/2010-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.050
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 36 /2 01 0- 63 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.623, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 4 3 Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 8 7 processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 9 8 sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; [...] Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 10 9 Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 11 10 presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001736/201063 Acórdão n.º 9303006.050 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721278/2010-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
Numero da decisão: 9202-005.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial e, ainda, a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial e, ainda, a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
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CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial e, ainda, a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 12 78 /2 01 0- 46 Fl. 457DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301003.475, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização, no montante de R$ 67.019,74 (sessenta e sete mil, dezenove reais e setenta e quatro centavos), relativo ao período de apuração compreendido entre 01/05/2007 a 31/12/2007, com valor consolidado em 28 de maio de 2010. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração AI, fls. 40/47, o crédito referese às contribuições destinadas a Terceiros (SalárioEducação, Sesc, Senac, Incra e Sebrae), incidentes sobre as remunerações pagas a empregados a titulo de participação nos lucros/resultados, nas competências 05/07 e 12/07, código de levantamento PR. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 60/65. A 7ª Turma da DRJBHE, às fls. 188/199, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 208/216, defendendo existir regras claras e objetivas, uma vez que o Acordo estabeleceu nas Cláusulas Segunda e Quarta quem receberia e quanto receberia e a produtividade que deveria ser alcançada. Insistiu que os valores pagos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não tinha natureza salarial por conta de previsão constitucional. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 408/431, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 458 3 Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. A previsão de pagamento mediante o atingimento de uma meta de resultado ou lucro preenche tal requisito. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL. O Acordo Coletivo ou comissão escolhida pelas partes que negocia o pagamento de PLR deve ser realizado com a participação da entidade sindical legalmente autorizada a representar aquele conjunto de trabalhadores. Isso resulta na necessidade de obediência das competências territoriais de cada entidade, em conformidade com os arts. 516 e 517 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Às fls. 433/444, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. No caso dos autos, o colegiado entendeu que a formalização do acordo pode ser posterior ao início do período de apuração do lucro. Já segundo o acórdão paradigma, deve se considerar como adimplido mencionado requisito quando observado anteriormente ao exercício de apuração do lucro ou resultado. Entender como no julgado proferido nos presentes autos é conceder à legislação de regência interpretação teratológica, pois distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Fl. 459DF CARF MF 4 Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, nos termos do art. 2° da Lei 10.101/2000, descritas em convenção ou acordo coletivo, formalizado previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizar se o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais; 2. Multa retroatividade benigna. Observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 447/450, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências sobre os requisitos legais para o pagamento a título de PLR diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado e sobre retroatividade benigna. Devidamente citado eletronicamente, conforme fls. 453 e 454, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 459 5 Tratase de crédito lançado pela fiscalização, no montante de R$ 67.019,74 (sessenta e sete mil, dezenove reais e setenta e quatro centavos), relativo ao período de apuração compreendido entre 01/05/2007 a 31/12/2007, referente às contribuições destinadas a Terceiros (SalárioEducação, Sesc, Senac, Incra e Sebrae), incidentes sobre as remunerações pagas a empregados a titulo de participação nos lucros/resultados, nas competências 05/07 e 12/07, código de levantamento PR. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as divergências sobre o aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000 e sobre retroatividade benigna. PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 461DF CARF MF 6 Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 460 7 Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de Fl. 463DF CARF MF 8 diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 461 9 Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; Fl. 465DF CARF MF 10 d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, a inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR. Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, consequentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 462 11 celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. No caso dos autos cumpre salientar que o Acordo de PLR foi assinado na data de 29.12.2006, sendo valido para o exercício de 2006, para pagamento em 2007, os quais considero aptos a ensejar a isenção pretendida. Pensar diferente significaria criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia ele ser penalizado com base numa regra não positivada. Quanto a alegação de que a falta de assinatura prévia corrompe a ideia de que o trabalhador deve ter conhecimento das regras que devem ser claras e objetivas, a respeito da PLR, não há qualquer razão de ser. Observese, que para saber se há conhecimento das regras, se estas são claras e objetivas, basta que se observe as negociações entre a empresa e seus empregados, as quais serão realizadas, ou por comissões paritárias, com participação de empregados e sindicato, ou ainda, por meio de convenções ou acordos coletivos, dentro das formalidades já conhecidas. Quando se chega a assinatura do acordo, este já foi deveras vezes debatido e negociado pelas partes, todos capazes, assim definidos pela Lei. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional para fins de manter o acórdão recorrido, devendo ser cancelado o auto de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR objeto do lançamento, motivo pelo qual não adentro ao mérito da Multa aplicada. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei no. 10.101, de 2000. Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Fl. 467DF CARF MF 12 Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. Bem assim condicionada à obediência aos critérios da referida Lei a desvinculação dos valores pagos a título de PLR do conceito de remuneração, na forma do art. 7o., XI da CRFB, a seguir reproduzido: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;(grifei) De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o., expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 463 13 c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não sejam detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos trabalhadores). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Mais especificamente, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: Fl. 469DF CARF MF 14 (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores contendo metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10680.721278/201046 Acórdão n.º 9202005.717 CSRFT2 Fl. 464 15 b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o. respalda a interpretação aqui adotada de forma integral, em detrimento da tese alternativa de inexistência de vedação legal expressa à formalização após o início do período de aferiação (exercício) para fins de manutenção da não incidência. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, na forma relatada, no presente caso, "(...) o Acordo de PLR foi assinado na data de 29.12.2006, sendo valido para o exercício de 2006, para pagamento em 2007, (...)". (Vide documento de e fls. 97 a 105) Assim, uma vez formalizado somente ao final do exercício (período de aferição) o instrumento de acordo, entendo como violados os requisitos legais estabelecidos pela Lei no. 10.101, de 2000, não havendo, assim, que se falar em possibilidade de exclusão da incidência das contribuições previdenciárias para os valores assim distribuídos a título de Participação nos Lucros e Resultados. Destarte, quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101, de 2000, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose o crédito tributário na forma que lançado, sem que se cogite de cancelamento do lançamento. Quanto à retroatividade benigna, alinhome ao posicionamento esposado pela Relatora, também no sentido de dar provimento ao pleito fazendário. Assim, diante do exposto, voto do dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002093/2001-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
DESISTÊNCIA PARCIAL DE COMPENSAÇÕES VINCULADAS A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INTERESSE RECURSAL. MANUTENÇÃO.
Tendo o contribuinte apresentado desistência de apenas algumas das Declarações de Compensação (ou Pedidos de Compensação, posteriormente nelas convertidos, por força legal), vinculadas a Pedido de Ressarcimento, não há que se falar em perda de interesse recursal, mas tão-somente em redimensionamento do valor a ser cobrado.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI NA EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. UTILIZAÇÃO DOS INSUMOS ADQUIRIDOS NA SUA VIGÊNCIA, EM ESTOQUE AO FINAL DE 1999, NOS PRODUTOS EXPORTADOS A PARTIR DO INÍCIO DE 2000. POSSIBILIDADE.
A suspensão da aplicação da Lei nº 9.363/96, que instituiu o Crédito Presumido do IPI na exportação como ressarcimento PIS/Cofins incidentes na cadeia produtiva, de 1º de abril até o final de 1999, pelo art. 12 da MP nº 1.807-2/99, não poderia impedir que os insumos adquiridos no período, e ainda em estoque em 31/12/1999, fossem utilizados como base de cálculo do crédito apurado nas exportações feitas em a partir de 1º de janeiro de 2000, pois isto implicaria em verdadeira prorrogação da suspensão de um benefício que não é gerado pelas aquisições (que permaneceram normalmente tributadas durante a suspensão), mas sim pelas exportações dos produtos fabricados com as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos.
Numero da decisão: 9303-005.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que não conheceu do recurso e que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INTERESSE RECURSAL. MANUTENÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado desistência de apenas algumas das Declarações de Compensação (ou Pedidos de Compensação, posteriormente nelas convertidos, por força legal), vinculadas a Pedido de Ressarcimento, não há que se falar em perda de interesse recursal, mas tãosomente em redimensionamento do valor a ser cobrado. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI NA EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. UTILIZAÇÃO DOS INSUMOS ADQUIRIDOS NA SUA VIGÊNCIA, EM ESTOQUE AO FINAL DE 1999, NOS PRODUTOS EXPORTADOS A PARTIR DO INÍCIO DE 2000. POSSIBILIDADE. A suspensão da aplicação da Lei nº 9.363/96, que instituiu o Crédito Presumido do IPI na exportação como ressarcimento PIS/Cofins incidentes na cadeia produtiva, de 1º de abril até o final de 1999, pelo art. 12 da MP nº 1.8072/99, não poderia impedir que os insumos adquiridos no período, e ainda em estoque em 31/12/1999, fossem utilizados como base de cálculo do crédito apurado nas exportações feitas em a partir de 1º de janeiro de 2000, pois isto implicaria em verdadeira prorrogação da suspensão de um benefício que não é gerado pelas aquisições (que permaneceram normalmente tributadas durante a suspensão), mas sim pelas exportações dos produtos fabricados com as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 20 93 /2 00 1- 01 Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que não conheceu do recurso e que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 330201.556, proferido pela 3º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de insumos de pessoa física, no estoque de insumos existente em 31/12/1999, bem como a incidência dos juros Selic a partir da data da apresentação do pedido de ressarcimento. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A empresa BRASWEY S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), relativo ao 3º trimestre de 2000, incluindo no valor pleiteado juros calculados pela taxa Selic. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a RFB não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos do Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 4 3 Despacho Decisório de fls. 1.399/1.409 (eletrônica). A autoridade competente não apurou crédito a ressarcir porque efetuou a glosa das seguintes parcelas da base de cálculo do benefício pleiteado: O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO ADQUIRIDO DE PESSOA FÍSICA. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE COMBUSTÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363/1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE INSUMO EM 31/12/1999. CÁLCULO. INCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI do ano de 2000, admitese a inclusão do estoque de insumos existente em 31/12/1999. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO. Havendo oposição do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das forma permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic desde a data em que o contribuinte ficou impedido de utilizar o crédito até a data em que tenha sido, definitivamente, afastada a oposição do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, de forma a indeferir in totum o pleito do contribuinte. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nº 210200.106 e 220100.177, CSRF/0203.718 e n° 930300.720, 20216.894, 20180.812. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento parcial ao recurso interposto, apenas Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 5 4 em relação à matéria referente ao direito de crédito presumido em relação às aquisições de insumos ocorridas entre 01/04/1999 a 31/12/1999. Houve reexame do exame de admissibilidade, o Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente da 3ºCâmara. Ocorre que, a Contribuinte protocolizou em 18/06/03, pedido de desistência de compensação, fls.1681, em decorrência da cobrança efetuada pela RFB, referente ao saldo devedor, no montante de R$ 880.417,53, proveniente do processo de parcelamento nº 12811.001.281/9398. Vejamos: A contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento/compensação do imposto sobre produtos industrializados (IPI), no valor de R$ 1.726.789,31 (um milhão, setecentos e vinte e seis mil, setecentos e oitenta e nove reais e trinta e um centavos), atinente ao 3º Trimestre de 2000. Referente a este valor, representam o crédito propriamente dito e R$ 227.354,55 (duzentos e vinte e sete mil, trezentos e cinqüenta e quatro reais e cinqüenta e cinco centavos) o restante do valor seria referente aos juros do período. Nada obstante, após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da Contribuinte, a RFB não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 1.399/1.409 (eletrônica). A autoridade competente não apurou crédito a ressarcir porque efetuou a glosa das seguintes parcelas da base de cálculo do benefício pleiteado.de Não se conformando com tal decisão, a Contribuinte manejou Recurso Voluntário para este conselho, o qual, 3º Câmara/2º Turma Ordinária, decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 6 5 insumos de pessoa física, no estoque de insumos existente em 31/12/1999, bem como a incidência dos juros Selic a partir da data da apresentação do pedido de ressarcimento. De modo que, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, de forma a indeferir in totum o pleito do contribuinte. Contudo a um óbice a ser vencido. Compulsando os autos, verifico que a Contribuinte protocolizou em 18/06/03, pedido de desistência de compensação, fls.1681, em decorrência da cobrança efetuada pela RFB, referente ao saldo devedor, no montante de R$ 880.417,53, proveniente do processo de parcelamento nº 12811.001.281/9398, vinculado ao objeto do presente processo nº 13811.002093/200101. Vejamos: "BRASWEY S/A. INDUSTRIA E COMERCIO, anteriormente já qualificada nos autos do presente processo, vem através de seu procurador, requer, nos termos do parágrafo I°, do art. 40 da Medida Provisória 75, de 24 de outubro de 2002, a desistência dos três pedidos de compensação: Prot. Aux. 2.357, de 27.12.01; Prot. Aux. 2358, de 27.12.01; e 001, de 02.01.02, objeto do processo ri.° 13811.002093/200101, de 02.08.01. Tudo isto decorreu pelo fato de que, este contribuinte em 17 de janeiro de 2002, foi instado a pagar a Receita Federai, o saldo devedor, no montante de R$880.417,53 ( oitocentos e oitenta mil, quatrocentos e dezessete reais e cinqüenta e três centavos), proveniente do processo de parcelamento 13811.001.281/9398 (doc. 5). Ato contínuo, foram efetuados os pedidos de parcelamento do parágrafo primeiro (doc. 6,7,8). Consoante a encarregada do Setor de Cobrança dessa Receita Federal, ela disse á presente requerente que, ao pedido de parcelamento, não comportariam mais os pedidos de compensação, somente sendo aceito o pagamento em espécie, o que foi feito, conforme abaixo (doc. 9,10,11 e 12), a saber: banco HSBC, valor R$ 202.572,99, 226.065,71;226.065,71 226.065,71. Diante do exposto, demonstrado e provado que o débito remanescente da requerente foi integralmente pago, e estando sem objeto aqueles três pedidos de compensação, ela requer o CANCELAMENTO dos mesmos, praticandose a habitual, fls. 1681/1682". Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso interposto, por perda de interesse recursal, dada a desistência do pedido de restituição/compensação, vinculada ao objeto do presente processo nº 13811.002093/200101. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 7 6 Caso vencido, passo ao julgamento do mérito. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente ao direito ou não sobre o direito ao crédito presumido ( estoque) em relação às aquisições de insumos ocorridas entre 01/04/1999 a 31/12/1999 Com efeito, a decisão recorrida reconheceu o direito ao crédito presumido (estoque) em relação às aquisições de insumos ocorridas entre 01/04/1999 a 31/12/1999, nos seguinte termos: "Com relação à exclusão, no cálculo do benefício, do estoque de insumos existente em 31/12/1999, entendo que assiste razão à recorrente quando afirma que “apenas as exportações ocorridas entre abril e dezembro de 1999 não davam direito ao crédito presumido de IPI. Os insumos comprados nesse período e que foram utilizados em produtos exportados posteriormente, sem dúvida, geravam crédito presumido”. Adoto como razões de decidir a declaração de voto proferida pela Ilustre Julgador de Turma de Julgamento que proferiu a decisão recorrida, Dr. João Francisco Sampaio Garcia, cuja conclusão transcrevo abaixo. Trazendo para o caso em tela, não é relevante que os insumos existentes em estoque em 31/12/1999 tenham sido adquiridos em 1999, período em que o incentivo fiscal estava suspenso. O que deve prevalecer é o momento de utilização desses insumos na produção. Por isso, para o cálculo dos insumos aplicados ao longo do ano de 2000, pelo fato da empresa não possuir sistema de custos integrado, fazse necessário a aplicação da fórmula "ESTOQUE INICIAL + COMPRAS — ESTOQUE FINAL", não sendo admissível a exclusão efetuada pela fiscalização do estoque inicial de insumos em 31/12/1999. De fato, nas exportações realizadas no período de abril a dezembro de 1999 o exportador não fazia jus ao benefício fiscal. No entanto, nas exportações realizadas a partir do primeiro dia do ano de 2000, tem o produtor exportador direito de calcular o crédito presumido do IPI com base nos insumos empregados na sua produção. Basta os insumos adquiridos no mercado interno terem sido empregados na produção do bem exportado para fazer nascer o direito ao crédito presumido do IPI. No que tange aos ajustes no valor do estoque, verificase que a decisão recorrida reconheceu o direito ao crédito presumido existente em 31/12/1999. Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 8 7 Não tem razão o acórdão recorrido, há de se considerar para o período guerreado, o artigo o art. 12 da Medida Provisória no 1.8072/1999, que suspendeu a aplicação da Lei no 9.363/96, no período de 1º abril até 31 de dezembro de 1999, nos seguintes termos: "Art. 12. Fica suspensa, a partir de I.° de abril até 31 de dezembro de 1999, a aplicação da Lei n.° 9.363, de 13 dei dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para Seguridade Social COFINS, incidentes sobre o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação destinados a exportação". A suspensão contida na Medida Provisória, foi disciplinada pelo Ato Declaratório Normativo nº 20, de 11 de agosto de 1999, o qual dispõe: "O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído pela lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, em decorrência da suspensão instituída pelo artigo 12 da Medida Provisória 1.8072, de 25 de março de 1999, e reedições posteriores será apurada e utilizado, neste ano calendário, considerandose as exportações, a receita bruta e as aquisições de matériaprima material de embalagem e produto intermediário ocorridas até 31 de março de 1999. No caso de crédito presumido apurado, mas não utilizado, até a data referida no item anterior, a utilização poderá ser efetuada no restante do anocalendário". A suspensão contida na Medida Provisória, foi disciplinada pelo Ato Declaratório Normativo nº 20, de 11 de agosto de 1999, o qual dispõe: Deste modo, na vigência da suspensão decretada pela MP no 1.807 2/1999, estariam excluídos do beneficio tratado pela Lei no 9.363/1996, os valores correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para utilização no processo produtivo da Contribuinte. Os insumos, ainda que venham a ser utilizados na industrialização de produtos destinados à exportação não poderiam gerar direito ao crédito presumido do IPI, para efeito de ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e COFINS, se sua aquisição tivesse ocorrido no período compreendido entre 01/04/1999 a 31/12/1999. Portanto, a Medida Provisória suspendeu a aplicação da Lei nº 9.363/96 no período em questão. Se os exportadores/industrias não podiam apurar o benefício sobre os custos incorridos com insumos entre abril e dezembro de 1999, então não é possível utilizar o Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 9 8 valor desses insumos na apuração do ano de 2000, sob pena de transformar a vedação determinada pelo art. 12 da MP nº 18072/99 em postergação do aproveitamento do crédito presumido. Nestes termos, dou provimento ao Recurso da Fazenda. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões quanto ao conhecimento e quanto ao mérito do recurso especial. Conhecimento O relator votou pelo não conhecimento do recurso especial entendendo que houve perda do interesse recursal, pelo fato de que houve um pedido de desistência apresentado pelo contribuinte. Ocorre que, no meu entendimento, o pedido de desistência refere somente a parte dos débitos em discussão. Se observarmos o que é dito no Relatório do Despacho Decisório (efl. 1.400) da Unidade de Origem (DERAT/São Paulo), veremos que o contribuinte apresentou 04 (quatro) Pedidos de Compensação, mais 15 (quinze) Declarações de Compensação – elaboradas via Sistema PER/DCOMP, transmitidas de 14/07/2003 a 19/10/2006, e desistiu (vide Pedido de Desistência, às efls. 1.681 e 1.689 a 1.691) de apenas 03 (três) Pedidos de Compensação, então caracterizado está que não há perda de interesse recursal, ao menos em parte: Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 11 10 Mérito Vamos então à questão que nos foi trazida para julgamento, após a devida análise, na forma regimental, da admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja, o direito ao Crédito Presumido em relação às aquisições de insumos ocorridas entre 01/04/1999 a 31/12/1999, que estavam em estoque quando se encerrou a suspensão do benefício (que adiante será detalhada). Vejamos o que diz a Lei nº 9.363/96, no que interessa à discussão (grifei): Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (...) O objetivo do benefício instituído por esta lei era desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia produtiva distinta, na qual incidem as Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 12 11 contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação. Isto só se justifica se efetivamente houver uma desvantagem comparativa, o que diminui – ou até pode se reverter – à medida em que a taxa de câmbio se torna favorável aos exportadores brasileiros. E não é por outro motivo que o benefício foi temporariamente suspenso, de 1º abril até 31 de dezembro de 1999, pelo art. 12 da MP nº 1.8072/99, abaixo transcrito. "Art. 12. Fica suspensa, a partir de I.° de abril até 31 de dezembro de 1999, a aplicação da Lei n.° 9.363, de 13 dei dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para Seguridade Social COFINS, incidentes sobre o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação destinados a exportação". O que ocorreu naquela época?? Em janeiro de 1999 houve a adoção do chamado “câmbio flutuante”, que implicou uma maxidesvalorização do Real em patamares que atingiram seu ápice no mês de março daquele ano, efeito que depois se procurou minimizar, gradativamente. Não vamos entrar aqui em discussões políticas ou econômicas, mas o fato é inegável: os exportadores foram extremamente beneficiados, ao ponto de o Governo chegar a adotar a medida que adotou. O que nos cabe aqui decidir, é se a suspensão do benefício poderia impedir que o industrial usufruísse do benefício nas exportações, após o término da suspensão, de produtos fabricados com insumos adquiridos no período em que ela vigorou. Sob o prisma estritamente legal, não há como ser taxativo, pois a norma não traz nenhum detalhamento (a PGFN fala em “ausência de previsão legal para tanto”; o contribuinte que “inexiste qualquer vedação legal”). Ela diz simplesmente que suspendeu a aplicação da lei que instituiu o Crédito Presumido. Mas, como já visto, este crédito representa um ressarcimento do que foi pago no que foi adquirido para ser utilizado no produto exportado. O Crédito Presumido foi Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 13 12 instituído para favorecer as exportações, então, sob o prisma lógico, a elas é que está vinculado. A incidência das contribuições na cadeia produtiva não foi suspensa, em nenhum momento. Os fornecedores, quando vendiam suas matériasprimas, seus produtos intermediários e seus materiais de embalagem, continuaram a cobrar, embutidos em seus preços, os mesmos percentuais das contribuições. As aquisições servem como base de cálculo. Elas não geram qualquer benefício. Assim, é mais que razoável entender que, quando o benefício foi restabelecido, não haveria por que fazer diferenciação entre os insumos que estavam em estoque e os adquiridos a partir daquela data. O produtor voltou a ter uma vantagem comparativa na composição dos seus preços, via Crédito Presumido, nas exportações que fizesse. Em termos bastante simples, exemplificando, o que importa é se aquele parafuso estava naquela cadeira que foi exportada, e não quando ele foi adquirido, como bem dito, mesmo que sob outra forma, no Acórdão recorrido. Então, mesmo sendo plausível a interpretação dada pela Cosit em seu Ato Declaratório Normativo nº 20/99, pela convicção deste julgador – que não é a ele vinculado –, aqui fundamentada, e com a devida vênia ao ilustre Relator Demes Brito, entendo que, em não se admitindo a utilização dos insumos adquiridos entre abril e dezembro de 1999, e ainda em estoque ao final da suspensão, não haveria uma postergação do aproveitamento do Crédito Presumido, mas sim da sua suspensão, razão pela qual voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, observando que houve desistência parcial das compensações por parte do contribuinte, havendo a Unidade de Origem que aquilatar tanto a dimensão desta desistência, quanto os reflexos que, na parte restante, tem esta decisão, a fim de dimensionar com precisão o valor a ser cobrado relativo às DCOMP e ao Pedido de Compensação (que, por força legal, também se transformou em Declaração de Compensação). (Assinado Digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 13811.002093/200101 Acórdão n.º 9303005.572 CSRFT3 Fl. 14 13 Fl. 1775DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.000177/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.236
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o
julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem. Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de Los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Tardsio Campelo Borge (Presidente Substituto). RELATÓRIO Trata-se de pena de perdimento convertida em multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas e registradas na DI no 05/1305572-4, 05/1239849-0, 05/1100566-5, 05/0509715-4, 05/0388468-0, 05/0233640-9, 05/0109920-9, 05/0045023-9, 04/1321033-7, 04/1144992-8, 04/1117210-1 e 04/0948641-2, pela prática da interposição fraudulenta de terceiros, ocultação pela Cotia Trading S.A. dos reais adquirentes (Spin Comercial Ltda.) das mercadorias importadas. Diante da dificuldade posta à Recorrente — Spin Comercial Ltda. — para obter vista e cópia do Processo Administrativo Fiscal, foi impetrado Mandado de Segurança autuado sob o n° 2007.81.00.005639-1, para realização de nova intimação da empresa e abertura de novo prazo para apresentação de Impugnação, o qual foi deferido pela decisão liminar e confirmada por sentença. Assim, foram apresentadas Impugnações pela Spin Comercial Ltda. e pela Cotia Trading, resolveu a DRJ converter o julgamento em diligência para que fosse verificada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações, inclusive anexando a este processo o respectivo relatório final de procedimento especial de fiscalização e que fosse respondido se o procedimento especial de fiscalização ocorreu apenas sobre a SUN COMERCIAL LTDA ou se também ocorreu sobre a COTIA TRADING S/A, e neste caso, que fosse informado o resultado, anexando ao processo o relatório final. Cumprida a diligência e apresentada manifestação das partes — Spin Comercial Ltda. e Cotia Trading S.A. — sobre o resultado da diligência, retornaram os autos a DRJ para julgamento, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento e excluir o montante de R$ 272.585,68 referente a DI n° 05/1305572-4 cancelada: ■1. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. Constatado que importador e adquirente tinham interesses comuns na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, a importa cão de mercadorias, ambas, de forma solidária, devem compor o pólo passivo do lançamento de oficio. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não se constata cerceamento de direito de defesa se verificado o cumprimento de todas as formalidades inerentes a ciência e garantia da apresentação de impugnação tal como previstas na legislação. BASE DE CÁLCULO. CANCELAMENTO DE DECLARAÇÃO DE IMP ORTAGi O. Constatado que uma declaração de importação que compunha a base de cálculo do lançamento original foi cancelada e substituida por outra, aquela deverá ser excluída da referida base de cálculo, bem como os efeitos inerentes a exigência tributaria, e sua substituta deverá ser objeto de novo lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 VINCULA ÇÃO ENTRE ADQUIRENTE E FORNECEDOR. A constatação de vinculação entre as empresas fornecedoras internacionais e a adquirente das mercadorias importadas, inclusive com o seu controle financeiro e administrativo, existente de modo informal, implica em indicio de falsidade nas informações constantes nas faturas emitidas, conluio, simulação c fraude nas operações de importação. 2 Processo nn 11131.000177/2007-11 S3-CIT1 VI. 1.231 Resolução n.° 3101-000.236 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Restando claro que o real adquirente das mercadorias importadas foi a pessoa diversa da do importador, a ausência desta informação na declaração de importação registrada permite que se conclua pela ocultação daquela e faz presumir a interposição fraudulenta de terceiros, hipótese que enseja a aplicação da pena de perdimento e sua conversão em multa equivalente ao valor das mercadorias por esta já haverem sido entregues a consumo. PROVA INDICIARIA. CONJUNTO PROBANTE. E. plenamente aceitável em Direito Tributário, o uso da prova indireta, qual seja o indicio e a presunção, especialmente nos casos de fraude, conluio e simulação conforme configurado nos elementos que formam o conjunto probante contido nos autos, ou seja, operações de importação efetuadas coin ocultação do real adquirente, pressuposto da interposição fraudulenta de terceiros. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido em Porte Inconformada, a Recorrente — Spin Comercial Ltda. — interpôs o presente Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão sob os seguintes fundamentos: - preliminarmente a ilegitimidade passiva da Recorrente, não há interesse comum das partes na importação e o artigo 124 do CTN não pode servir como base legal para a responsabilidade tributária; - inocorrência da importação por conta e ordem, as importações foram realizadas diretamente pela Cotia Trading sob encomenda da Recorrente; - cerceamento do direito de defesa, uma vez que, como a Recorrente não é a real importadora, não tem acesso à documentos considerados E o relatório. VOTO Conselheiro ,Luiz Roberto Domingo, Relator Em análise preliminar, constata-se que houve falta de cumprimento de formalidade básica no que diz respeito à intimação da empresa constante na peça inicial como responsável solidária — COTIA TRADING S/A. A presente autuação tem como objeto a pena de perdimento convertida em multa pela interposição fraudulenta de terceiros, ocultação dos reais adquirentes na importa0o de mercadorias. Para tanto, a Fiscalização autuou no presente caso a real adquirente da mercadorias — SPIN COMERCIAL LTDA. - e solidariamente a empresa importadora — COTIA TRADING S.A. Ambas, devidamente notificadas da autuação, apresentaram tempestivamente Impugnações Administrativas questionando a procedência da autuação (COTIA à fls. 274/196 e SPIN às fls. 639/659), as quais foram levadas a julgamento pela DRJ e PARCIALMENTE PROCEDENTE, apenas para excluir a multa calculada sobre a DI n° 05/1305572-4 que fora cancelada. Ocorre que, pelo que consta nos autos, apenas a empresa SPIN COMERCIAL LTDA. foi intimada do Acórdão proferido pela DRJ. Após o Acórdão, há apenas o termo de ciência lavrado pelo advogado Vitor Hugo Cabral de Morais Junior (representante da SPIN COMERCIAL LTDA.). E exatamente por ter sido apenas uma empresa intimada, somente a SPIN COMERCIAL LTDA. apresentou Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência repartição de origem, a fim de que proceda A. intimação da empresa arrolada como como responsável solidária, para querendo, também" os .presentar suas razões de Recurso, no prazo regulamentar. Luiz Roberto Domingo - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 11065.902457/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 02 45 7/ 20 08 -8 8 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11065.902457/200888 Resolução nº 1201000.299 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11065.902457/200888 Resolução nº 1201000.299 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001306/2010-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15983.001306/201014 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.927 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALKANS PHARMA FARMACIA DE MANIPULACAO LTDA EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 06 /2 01 0- 14 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15983.001306/201014 Acórdão n.º 9202005.927 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000652/2006-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRP3
Ano-calendário: 2001, 2002
BAIXA DA EMPRESA. OMISSÃO DE. RECEITAS EM PERÍODOS
POSTERIORES.
A falta de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas
bancárias do contribuinte, autoriza o Fisco a presumir que se trata de omissão
de receitas tributáveis, mormente em se tratando de movimentação bancária
ocorrida após a solicitação de baixa da empresa,
OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO
JUSTIFICADOS PRESUNÇÃO LEGAL,
A presunção legal de omissão de receitas tem o condão de inverter o ônus da
prova. O contribuinte somente pode refutar a presunção mediante
apresentação de provas hábeis e idôneas,
OMISSÃO DE RECEITAS, BASE DE CALCULO.
O valor da receita omitida apurada pelo Fisco, com base em depósitos
bancários não escriturados, deve ser computado para a determinação da base
de cálculo do imposto devido.
ARBITRAMENTO DO LUCRO
A não apresentação da escrituração contábil-fiscal enseja o arbitramento do
lucro.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2001, 2002
TRIBUTAÇÃO REFLEXA, PIS, COF1NS E CSLL.
Aos lançamentos decorrentes do IRPI, aplica-se se o mesmo tratamento
dispensado ao lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica de fato ou de direito a ser examinada.
Numero da decisão: 1401-000.292
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRP3 Ano-calendário: 2001, 2002 BAIXA DA EMPRESA. OMISSÃO DE. RECEITAS EM PERÍODOS POSTERIORES. A falta de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias do contribuinte, autoriza o Fisco a presumir que se trata de omissão de receitas tributáveis, mormente em se tratando de movimentação bancária ocorrida após a solicitação de baixa da empresa, OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS PRESUNÇÃO LEGAL, A presunção legal de omissão de receitas tem o condão de inverter o ônus da prova. O contribuinte somente pode refutar a presunção mediante apresentação de provas hábeis e idôneas, OMISSÃO DE RECEITAS, BASE DE CALCULO. O valor da receita omitida apurada pelo Fisco, com base em depósitos bancários não escriturados, deve ser computado para a determinação da base de cálculo do imposto devido. ARBITRAMENTO DO LUCRO A não apresentação da escrituração contábil-fiscal enseja o arbitramento do lucro. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA, PIS, COF1NS E CSLL. Aos lançamentos decorrentes do IRPI, aplica-se se o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica de fato ou de direito a ser examinada.
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OMISSÃO DE. RECEITAS EM PERÍODOS POSTERIORES. A falta de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias do contribuinte, autoriza o Fisco a presumir que se trata de omissão de receitas tributáveis, mormente em se tratando de movimentação bancária ocorrida após a solicitação de baixa da empresa, OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS PRESUNÇÃO LEGAL, A presunção legal de omissão de receitas tem o condão de inverter o ônus da prova. O contribuinte somente pode refutar a presunção mediante apresentação de provas hábeis e idôneas, OMISSÃO DE RECEITAS, BASE DE CALCULO. O valor da receita omitida apurada pelo Fisco, com base em depósitos bancários não escriturados, deve ser computado para a determinação da base de cálculo do imposto devido. ARBITRAMENTO DO LUCRO A não apresentação da escrituração contábil-fiscal enseja o arbitramento do lucro. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA, PIS, COF1NS E CSLL. Aos lançamentos decorrentes do IRPI, aplica-se se o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e 2 .1'0' 1: :2G I r i p,.:0:','E}IfAl !E 'v },f'.'f}IGHER FER!,'AMDO LUE GOMES DE ivlATI}})!:'; :ffn 0:,'Al!:!:::.P.U n C.: por FERNANDO ! DO GO!,...IES. DE } TOS Eftritid(1,:.:111 24Si- 0;201E) rianist,}q10 Ea:},} n}.1nri.}.! 1)1 ( ARI efeito, quando não há matéria específica de fato ou de direito a ser. examinada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado dignahnente) Viviane Vidal Wagner - Presidente, (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Manos - Relator. EDITADO EM: 02/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e [(atem Jureidini Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls.. 92-96): DO LANÇAMENTO Trata o presente processo administrativo fiscal (PAP) de autos de infração lavrados contra a interessada (firma individual), em epigr .*, relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ cód 2917, fls 04/1 I), com valor de R$ 87 492,61 (oitenta e sete mil, quatrocentos e noventa e dois reais e sessenta e um centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS - cód 2986, fis 12/20), no valor de R$ 35.662,82 (trinta e cinco mil, seiscentos e sessenta e dois reais e oitenta e dois centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFIA IS - cód 2960, fls. 21/29), no valor de R$ 164_598,04 (cento e sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e oito reais e quatro centavos) e, finalmente, à Contribuição Social sobre o Lucra Liquido (C-SLL — cód. 2973, lis 30/37), no valor de R$ 59 255,26 (cinqüenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e vinte e seis centavos), respectivamente, com limita de oficio de 75% e juros de mora, referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2001 e 2002 LIJI21 Li2,;.11 Xl-1! Fro!!!:!0 Dr Ni1" Fl Processo n" 10640 000652/2006-66 SI-C4T1 Acórdão n° 1401-00,292 Fl. 130 Na descrição dos fatos (lls. 38/40), vemos as situações, que originaram o lançamento, e se acham reproduzidas, abaixo, ipsis litteris, a saber.- 'CONTEXTO Nó exercício das fia? ções de Auditor-Fiscal da Receita Federal — AFRF, fbi instaurada ação fiscal junto ao sujeito passivo em epígrafe, dentro dos limites determinados pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF-F) n° 0610400 2005 00313 1 e prorrogações (lis 1 a 2). A ação fiscal fbi iniciada em 04 de julho de .2005, quando Ibi dada ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 4.2 a 43) e do MPF-F (11.2) ao contribuinte. O contribuinte, no ano de .2000, estava sujeito à tributação pelo SIA1PLES, enquadrado como empresa de pequeno porte (EPP), conforme ficha cadastral (lis 67 a 70) e Declaração Anual Simplificada (DIN-Simples) Entretanto, essa DIN abrangeu apenas o período de 01/01/2000 a 30/1112000, pois o contribuinte inibi-mon a extinção da empresa A presente ação fiscal é referente aos anos-calendário de .2001 e de 2002, pois nos cadastros desta Secretaria da Receita Federal constam movimentações bancárias nestes dois anos. Através do Termo de Início o contribuinte fbi intimado a apresentar livros, DIN e extratos bancários relativos aos anos de 2001 e 2002 (lis 42 a 43). Em resposta, informou ter a empresa encerrado suas atividades em 01/12/2000, apresentando cópias dos documento.s de solicitação de baixa na Junta Comercial de Minas Gerais e nesta Secretaria Apresentou declaração de que se tratava de firma mercantil individual. Informou por fim de devido ao apresentado não possuía os documentos solicitados (fls 44 a 47) Assim, portanto, não fbrain apresentados, confOrme solicitado no item 6 do Termo de Início de Fiscalização, os extratos de todas as contas mantidos, nos anos de 2001 e de .2002, na seguuinte instituição financeira: • Banco ABN AMR0 Real S/A Desta forma, nos termos do Decreto 3 724/2001, fbi enviada Requisição de Movimentação Financeira (RMF) para o banco anteriormente relacionado (fls. .2 a 4 do Anexo 1), que em resposta, nos encaminhou cópias da ficha cada.stial e dos documentos utilizados na abertura das contas, através do oficio de 13/09/2005 (fls. 04 a 14 do Anexo I) e nos encaminhou os extratos das contas ;mu gidas pelo contribuinte, através do oficio de 26/09/2005 (lis. 1.5 a 131 do Anexo I) A partir dos e.tti atos recebidos, elaboramos o Termo de Intimação I, de 06/10/200.5, que o contribuinte tomou ciência em 2-11$'20 11poNvdoEouNbr oAdeF 2,12Q,j,-..4/1.Sn dk.55' FQ"'-.149;hocaUPY.é.,5odr2s girai o i‘,.1ATT'21 en, 024..1»2011)1.-K]r ERHAN4:3 ,1) 1.11? Ern[iido 24/01":)..'20 lii pr)in ARI MI I I 4 intimamos a "justificar, mediante documentação hábil e idónea, o porquê da movimentação, em seu nome, das contas bancárias - a seguir especificadas, durante os anos de 2001 e 2002, já que essa empresa nos irl. -Pinou ter encerrado sua atividades em 01 de dezembro de 2000 Conta Corrente n° O 706862/5 agência 0043, do Banco Real S/A, Conta Corrente n° .3.966 398-1 agência 0043, do Banco Real S/A, E112 resposta, recebida em 21 de outubro de 2005, o contribuinte informou que estava impossibilitado de apresentar a documentação solicitada e propunha que fosse efetuado o parcelamento de eventual débito levantado (11 .50) Através do Termo de Intimação II, de 07/11/2005, que o contribuinte tomou ciência em?! 09 de novembro de 2005, o intimamos a "comprovar, ineâante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados ou depositados em suas contas, relacionados nos anexos a este termo, a seguir especificados. (fls. 51 a 65) Anexo I. conta-corrente n° 0706862-5. agência 0043, do Banco ABN Real S/A Anexo 1.. conta-corrente n° 3.966 398-1, agência 0043, do Banco ABN Real S/A OBS- Os dados dos Anexos 1 e 2 firam transcritos dos extratos bancários enviados pela instituição financeira e encontram-se à disposição da empresa nesta Fiscalização." Em resposta, recebida em 02 de dezembro de 2005, o contribuinte injOrmou que estava impossibilitado de apresentar a documentação solicitada e propunha, novamente, que fbsse efetuado o parcelamento de eventual débito levantado (ti 66). Finalmente, como não foram justificados os depósitos referidos no Termo de Intimação II, serão os mesmos tratados como receitas omitidas decorrentes de depósitos em contas bancárias de origens não justificadas, confOrme art 42, da Lei 9 430/96. A tabela a seguir resume, por totais mensais, os valores depositados nas contas do contribuinte, cujas origens não 'Oram justificadas, confOrme o Termo de Intimação 1/e seus anexos. A falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis da empresa impõe a apuração do resultado da empresa pelo Lucro Arbitrado e seus reflexos (PIS, Cotins e CSLL) Por se tratar de Empresa Individual, juntamos a Ultimna Declaração de Ajuste Anual entregue pelo titulam . , bem como relação de bens levantados por esta ,fiscalização (fls. 71 a 74) DO AUTO DE INFRAÇÃO v:1- • 1 LUIZ i Emwdo n lLL 1 .r) i:1 r.rLn da 4 Processo n" U0640 000652/2006-66 Acórdão n " 1401-00.292 S1-C4 f1 Fl 131 Dr t. ARI N11 1-1 5 Em face das situações irregulares, apontadas no relatório .supradito, e culminando a ação fiscal, fbram, então, efetuados contra a interessada, em 15/03/2006, os lançamentos cio Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — 1RPJ, cód. 2917 (fls. 04/11), da Contribuição para o Programa cia Integração Social PIS, cód. 2986 (fis 12/20), da Contribuição para o Financiamento de Segui idade Social — Cqfins, cód. 2960 (fls. 21/29, e por fim, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL„ cód. 2973 (fls. 30/37), como abaixo se demonstra, vejamos: DA IMPUGNAÇÃO A interessada, após sem regIllarMCiliC notificada acerca cio lançamento (AR de fl. 77), entrou com sua defesa, tempestiva, por oportuno se dizer, instruida com o documento de fl. 81, e trazida à colação, às fls. 79/80, assim se manifestando, como abaixo, resumidamente, mostramos• DIREITO A empresa encerrou as _suas atividades em 01 de dezembro de 2000, de acordo com documento arquivado na Junta Comercial cio Estado de Minas Gerais, em anexo, fl. 81; CONCLUSÃO À vista do que mi exposto pede o cancelamento do débito fiscal, em tela. A 4 Turma da DR1 Rio de Janeiro 1 (RJ), por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão if 12-20,177, assim ementado (v.. fls.. 90-91): ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário; 2001, .2002 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO - A falta de • apresentação, por parte da pessoa jurídica, à autoridade tributária, dos livros e documentos da sua escrituração contábil- fiscal a que estava obrigada enseja o ar bitrarnerrto do lucro PRESUNÇÃO LEGAL PROVA EM CONTRARIO. A presunção legal tem o condão de invertem o ônus da prova, transfer, indo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferecimento de provas hábeis e idôneas OMISSÃO DE RECEITAS EM PERÍODOS POSTERIORES AO DA SOLICITAÇÃO DE BAIXA DA EMPRESA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Ante a ausência de comprovação da origem dos recursos aportados às contas bancárias do contribuinte, está o Fisco autorizado a presumir que se trata de omissão de receitas da atividade mercantil, que se evidencia haver continuado mesmo após a F'-E1'1H,,I,E)C.) LUC r)E (11::':-CCi20 10 pr Luiz rEL Emitido ,tim Eazeiildt'i 5 DI C. N:11 11 (.) OMISSÃO DE RECEITAS BASE DE CALCULO O valor da receita omitida apurada pela autoridade tributária, a partir de depósitos bancários não escriturados, deve ser computado para a determinação da base de cálculo do imposto devido. ASSUNTO. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário 2001, 2002 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COHNS e CSLL. Aos lançamentos decorrentes do IR P1, aplica-se se o mesmo tratamento dispensado cio lançamento matriz, em razão da intima i elação cia causa e *lio, quando não há matéria especifica de lato ou de direito a ser examinada Lançamento Procedente Intimada desse Acórdão em 19/08/2008 (fls. 114), a contribunte apresentou em 16/09/20080 Recurso Voluntário de fls. 116-127, com base nos seguintes argumentos: Preliminares a) os lançamentos são nulos, por cerceamento de direito de defesa. As provas produzidas pelo Fisco devem ser consideradas ilegais, pois foram produzidas "intramuros". Além disso, o ato praticado pela administração tributária carecia de motivação; b) o procedimento fiscal é nulo, por ausência de MPF.. Conforme relato da ação fiscal, constata-se que o procedimento de fiscalização já se encontrava em curso, antes mesmo da emissão do MPF; c) o procedimento fiscal é nulo, tendo em vista a ausência, nos autos, dos demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário; d) os autos de infração relativos ao PIS, COHNS e CSLL são nulos, porque o MPF ri° 06.1.04-002005-00313, conferiu aos auditores-fiscais designados a autorização para realizar apenas a fiscalização do IRRI. Segundo a Recorrente, não foi dado ao contribuinte ciência de qualquer mandato de procedimento fiscal complementar que conferisse aos auditores fiscais a competência para proceder à fiscalização e o lançamento do PIS, COHNS e CSLL; e) os autos de infração são nulos, tendo em vista a inexistência de ciência das prorrogações do M.PF.. Mér ito a) segundo a Recorrente, foi indevido o lançamento efetuado com base no lucro arbitrado A empresa autuada sempre esteve sujeita à tributação pelo SIMPLES, enquadrada como empresa de pequeno porte — EPP. Assim, caberia aos Auditores, de posse da movimentação financeira do contribuinte, aplicar os percentuais previstos para aquele tributo (SIMPLES) com a penalização de acréscimos legais pertinentes; b) segundo a Recorrente, os lançamentos referentes ao PIS e COHNS deveriam ter utilizado a base de cálculo declarada na Guia de Recolhimento do ICMS.. Neste sentido, mencionou o Acórdão ri' 11-23372, de 08 de agosto de 2008, da 4" Turma da ReceitaTederali de lirigarnento:em Recife (PE)FL.s..-'i L,E; 12+:: ;,:-(0-_»() I 6e 1)1 : CA RF Mi 11 7• Processo n" 10640 000652/2006-66 S1-C4T1 Acórdão n " 1401-00,292 H 132 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido Preliminares Preliminar de nulidade por suposto cerceamento de direito de defesa Segundo a Recorrente, os presentes lançamentos são nulos, porque as provas foram produzidas ilegalmente pelo Fisco são ilegais (produção de provas "intramuros"). Além disso, o ato praticado pela administração tributária carecia de motivação. Não assiste razão à Recorrente, Todos os atos praticados pela Fiscalização foram devidamente motivados.. A fiscalização provavelmente teve início porque se contatou a existência de recolhimentos a título de CPMF, em nome de uma pessoa jurídica que se declarava inativa. Através do Termo de Inicio, a contribuinte foi intimada a apresentar livros, DIN e extratos bancários relativos aos anos de 2001 e 2002 (fls. 42 a 43). Por ter se recusado a apresentar tais documentos, o Fisco enviou Requisição de Movimentação Financeira (RMF) para o Banco ABN AMRO Real S/A. A partir dos extratos recebidos, o Fisco elaborou o Termo de Intimação I (fls. 48 a 49), solicitando que o contribuinte justificasse, mediante documentação hábil e idônea, o porquê da movimentação das aludidas contas bancárias nos anos de 2001 e 2002, não obstante o fato de a empresa ter informado à SRF o encerramento das suas atividades a partir em 01 de dezembro de 2000. Novamente o contribuinte informou que estava impossibilitado de apresentar a documentação solicitada, Através do Termo de intimação H, a contribuinte foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados ou depositados em suas contas. Pela terceira vez, o contribuinte recursou-se a prestar qualquer informação ao Fisco. Diante disso, os valores creditados em suas contas correntes foram tratados como receitas omitidas, com amparo no art. 42 da Lei 9..430/96., Constata-se, pois, que foi inteiramente regular o procedimento do Fisco. A contribuinte teve inúmeras oportunidades para apresentar documentos e alegações no sentido de elidir a presunção de omissão de receitas, Não há, pois, que se falar em cerceamento do direito de defesa ou em produção de provas "intramuros". Diante do exposto, voto pela rejeição da presente preliminar de nulidade.. .2.110'P'201op......,.,,,€VfANE VIDAL '-iVAGI , JEI";. r:orFE.E1rAr--,q)0 GOi.:}1E.`,":', DE Ir) por HEI r 512.. OMFH/ 55 105 ErniKrio oro 2N 00 10 nclo do Fazenda 7 D1 C. A k F ME 1- 1 Preliminar de nulidade por suposta ausência de MPF — Mandado de Procedimento Fiscal Segundo a Recorrente, o procedimento fiscal é nulo, por ausência de MPF. No entender da Recorrente, o presente procedimento de fiscalização já se encontrava em curso, antes mesmo da emissão do M.PF. Mais uma vez não assiste razão á Recorrente.. Às fls. 02, encontra-se o MPF 061.04.00-2005-00313-1, do qual consta a ciência do contribuinte, em 04/07/05. O prazo de validade original do referido MU . era 13/10/2005. Do corpo deste MPF constava a seguinte observação, habitual nessa espécie de documento: Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato pr'aticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Vale dizer que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira IV 06.1,04,00-2005-000531 foi emitido em 12/08/2001, ou seja, dentro do prazo de validade original do MPF n° 06.1.04.00-2005-00313-1. O referido MU . foi sucessiva e regularmente prorrogado até 11/04/2006, conforme revela o documento de fls. 01. A contribuinte foi cientificada dos presentes autos de infração em 23/03/2006 (fls. 77), ou seja, dentro do prazo de validade do MU . , com suas devidas prorrogações. Vale dizer que eventuais irregularidades relativas ao MPF não teriam o condão de tornar nulos os presentes lançamentos, conforme remansosa jurisprudência deste Conselho. Neste sentido, mencionam-se os seguintes julgados, escolhidos dentre muitos: CSRF/01-05.330, CSRF/01-05 „558, CSRF/01-05 ,447 (unânime), 301-33436 (unânime), 108-07523 (unânime), 107-08991 (unânime) e 101-94861 (unânime). Diante de todo o exposto, constata-se que o procedimento fiscal foi inteiramente regular, razão pela qual voto pela rejeição da presente preliminar de nulidade. Preliminar de nulidade por suposta ausência de demonstrativos e documentos utilizados para fins de apuração do crédito tributário A Recorrente alegou que o presente procedimento fiscal seria nulo, tendo em vista a ausência, nos autos, dos demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário. Alegação desprovida de sentido.. A base fática dos presentes lançamentos foram os valores creditados nas contas correntes de titularidade da contribunte, em relação aos quais a Recorrente se absteve de apresentar qualquer justificativa ; AA.` 1 FE J 1,17_ Í r+1 L . a I r i Hl ... er-A. a 1)I . R 1 Mi' 1-1 (,) Processo n" 10640 000652/2006-66 SI-C4T1 Acárdào n " 1401-0W292 r1 133 Ora, constam dos autos os demonstrativos completos dos depósitos identificados na contas correntes da contribuinte, Tais valores estão claramente identificados nos autos de infração e no Relatório Fiscal de fls. 40. Além disso, deve-se ter em conta que os referidos valores já haviam sido anteriormente cientificados à contribuinte, por meio dos Anexos 1 e 2 do Termo de Intimação I.1, fls. 52-64. Por fim, convém destacar que os próprios extratos das citadas contas correntes estão anexadas aos autos (Anexo 1 do presente processo). Às fis, 119-120, a Recorrente alegou que não foram anexados aos autos os seguintes documentos: - Ciência da pi orrogação do MPF, quando da prática dos primeiros atos de oficio após cada prorrogação cio MPF. - Cópia de oficios encaminhados ao Banco Central requisitando inibi-mações sobre a existência de contas bancárias em nome do autuado, - Cópia da requisição de movimentação financeira - RMF efetuada ás instituições bancárias. - Cópias dos extratos bancários enviados pelas instituições financeiras. No tocante às prorrogações do MPF, todos os esclarecimentos necessários já foram apresentados no item anterior do presente voto. Quanto a eventuais ofícios encaminhados ao Banco Central, requisitando informações sobre contas bancárias em nome do autuada, vale dizer que tais ofícios, além de desnecessários para a fiscalização, não são exigidos pela legislação tributária. Muito provavelmente, a presente fiscalização teve inicio porque se contatou a existência de recolhimentos a título de CPMF, em nome de uma pessoa jurídica que se declarava inativa.. Quanto à cópia da RMF — Requisição de Movimentação Financeira e cópias do extratos bancários enviados pela instituição financeira, os mesmo constam do Anexo I do presente processo administrativo, que sempre esteve à disposição da Recorrente Por todo o exposto, também voto pela rejeição da presente preliminar de nulidade, uma vez constatado que constam dos autos todos os demonstrativos e documentos necessários e suficientes à apuração do crédito tributário. Preliminar de nulidade dos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL, por ausência de menção expressa destas contribuições no MPF Segundo a Recorrente, os autos de infração relativos ao PIS, COFINS e CSLL são nulos, porque o MPF n° 06.1,04-00.2005-00313 conferiu aos auditores-fiscais designados a autorização para realizar apenas a fiscalização do 1R13.1. Alegou que não foi dado ao contribuinte ciência de qualquer mandato de procedimento fiscal complementar que conferisse aos auditores fiscais a competência para proceder à fiscalização e o lançamento do PIS, COFINS e CS1,1:, Z•lf{..r.)¡2'j I ri por 'vp„1„: ,., +.,,E,P1 v,,,AGNER (•.)2,01:V.:.:(.f pw Lurz GOMES DE pur 1' ERNA111j0 UI,' 1. -.1flí,1E1-'z 1 -14: t,..1A.:1-MS Issaido v21,) 99 aai D1 (.A Ri' MT 11 I 0 Alegação desprovida de sentido, diante do que dispõe o art. 9' da Por SRS.. n°3007, de 26 de novembro de 2001, verbis: Art 92 Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou comi ibuição contido no il ,IPF-1; ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou connibuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Preliminar de nulidade por suposta falta de ciência das prorrogações do MPF Em suas razões de mérito, a Recorrente alegou que os presentes autos de infração são nulos, tendo em vista a inexistência de ciência das prorrogações do MPF'. Tal alegação, na verdade, constitui questão preliminar ., que passo a analisar. Em relação a este tema, já se encontra pacificado no âmbito deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que o Mandado de Procedimento Fiscal (MU.), instituído pela Port. SRF n° 1,265, de 22/11/99, é um simples instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão-de-obra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. A existência de MPF validamente emitido ou validamente prorrogado não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal, estabelecida em Lei (art. 7° da Lei n° 2,.354/54 c/c o Decreto Lei n° 2,225/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos e autos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR194, 142 do Código Tributário Nacional, Conforme mencionado alhures, são inúmeras as decisões desta Corte neste sentido, dentre as quais menciono: CSRF/01-05.330, CSRF/01-05.558, CSRF/01-05,447 (unânime), 301-33436 (unânime), 108-07523 (unânime), 107-08991 (unânime) e 101-94861 (unânime), Nestes termos, rejeito a presente preliminar de nulidade, Mérito Omissão de receitas — arbitramento do lucro indevido Segundo a Recorrente, foi indevido o lançamento efetuado com base no lucro arbitrado. A empresa autuada sempre esteve sujeita à tributação pelo SIMPLES, enquadrada como empresa de pequeno porte — EPP. Assim, caberia aos Auditores, de posse da movimentação financeira do contribuinte, aplicar os percentuais previstos para aquele tributo (SIMPLES) com a penal ização de acréscimos legais pertinentes; Não assiste razão à Recorrente., Ah initio, convém lembrar que a pessoa jurídica em questão informou à ,;--,..,Receital,Federal'que:..encerrarasuascatividades, desde 0:11,12/2000-Não. ,obstante este fato, a 10 11') E.)F ( ARE MI 11 I I Processo n" 10640 000652/2006-66 S1-C4T1 Acórdão n° 1401-00.292 ri 134 contribuinte movimentou vultosos valores em contas correntes de sua titularidade, ao longo dos anos-calendário de 2001 e 2002. Em relação aos anos-calendário de 2001 e 2002, a contribuinte não apresentou Declaração de Informações da Pessoa Jurídica, razão pela qual não optou por nenhum regime de tributação. Por ocasião da ciência do Termo de Início de Fiscalização (lis. 42), a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos: I) Cópia do registro dos atos constitutivos da firma e alterações; 2) ~mar, apresentando documentos hábeis e idôneos, se a firma fbi inCOPpOrada por outra em!), esa, ou se teve alguma .fbrina de sucessão; 3) Livros Razão e Diário ou, opcionalmente, Livro ('aixa, que contenha toda movimentação financeira, inclusive bancária, confbrine ar! 7°, 1", alínea "a", da Lei n°9 317/96 ou art. 190, parágrajb único, inciso I, do RIR/99; 4)Livros de Registro de Apuração de . 1SS,ICMS, IPI; 5) Recibo de Entrega das DIR1 referentes aos anos-calendário de .2001 e 2002. Caso as referidas declarações não tenham sido entregues, fica o contribuinte intimado a entregá-las, no mesmo prazo, na Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição, ou via Internet, apresentando cópias das citadas declarações bem como os respectivos recibos de entrega; 6) Extratos de todas contas mantidos na seguinte instituição bancária: Banco ABN AMR0 Real S/A. A contribuinte, ora Recorrente, se absteve de apresentar qualquer documentos ou esclarecimento no curso da fiscalização, atitude esta que impossibilitou a apuração do lucro real, do lucro presumido ou a aplicação da sistemática do SIMPLES. Assim, não restou à Admnistração Tributária outro recurso, que não fosse o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base na receita conhecida. Vale dizer que a receita conhecida foi apurada por presunção legal, com base nos valores dos depósitos em contas bancárias de origens não justificadas, conforme art, 42 da Lei 9.430/96. Compulsando os autos, verifica-se que este procedimento do Fisco foi inteiramente regular ., sob os pontos de vista formal e material. A validade de tal procedimento tem sido reiteradamente reconhecida por este Conselho, conforme demonstram os seguintes julgados (grifado): SIMPLES - OMISSÃO DE RECEITA - PROVA OBTIDA MEDIANTE ENTREGA ESPONTÂNEA DE EXTRATOS BANCÁRIOS ..A entrega espontânea do extratos bancários ao órgão fiscalizador impõe o reconhecimento da legalidade do procedimento. ARBITRAMENTO DE RECEITA - O arbitramento do lucro com base na receita é procedimento vi kAANE VIDAL !)or 1 , ETILANEK) LUIZ DOíiE. DE 1 Ci FEI•i',NANDir) IA112 DFi: 1\11\1 ir.) 11 Dl (.....ART . t . VI 12 baseado em presunção legal (art 42 da Lei n" 9.430/96), sendo que, quando apurada pela fiscalização segundo os requisitos legais e com prévia intimação cio contribuinte para justificação e/ou comprovação das o, igens dos recais os atende aos reclamos dos princípios da ampla defesa e do contraditório Mc 30!- 3/636, de 26/1/2005, unânime). IRPJ/CSLL E DECORRENTES - MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO — INEXISTÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS - ARBITRAMENTO DOS LUCROS - PERCENTUAL ADEQUADO — Não dispondo o contribuinte da escrituração mínima exigida para opção pelo SIMPLES (Livw-caixa) e não tendo atendido à intimação para apurar e demonstrar seu lucro real nos termos da legislação, aliado ao fato de que a movimentação bancária não contabilizado supera em muito a alegado receita, mantém-se o lançamento que arbitrou o lucro, considerado o percentual mínimo previsto em lei, aplicado sobre a receita considerada omitida nos termos do ar! 42 da Lei n" 9430/96 pic 107-08388, de 8/12/2005, unânime) Diante do exposto, concluo pela plena regularidade do procedimento de arbitramento dos lucros da Recorrente, tomando por base o valor da receita omitida, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9..430/96. Base de cálculo incorreta dos lançamentos relativos ao PIS e COFINS Segundo a Recorrente, os lançamentos referentes ao PIS e COFINS deveriam ter utilizado a base de cálculo declarada na Guia de Recolhimento do ICMS„ Neste sentido, mencionou o Acórdão n° 11-23372, de 08 de agosto de 2008, da 4 Turma da Delegacia da Receita Federal de .Julgamento em Recite (PE) Alegação totalmente desprovida de sentido, unia vez que a Recorrente, quando intimada, se negou a apresentar ao Fisco os documentos da sua escrituração contábil e fiscal, bem como os livros de apuração do 1CMS, IPI e ISS Vale lembrar que a Recorrente declarou à Receita Federal que teria encerrado suas atividades, a partir de 01/12/2000. No decorrer da fiscalização, quando intimada a apresentar seus registros contábeis e justificar sua movimentação bancária, a Recorrente reiterou que estava inativa. Revela-se, pois, totalmente descabida a hipótese de se empregar registros inexistentes (Livro de Apuração de ICMS e correspondentes guias de recolhimento) como base de cálculo para os presentes lançamentos. De todo o exposto, julgo que foi correto o procedimento do Fisco, no sentido de utilizar o valor presumido das receitas omitidas como base de cálculo de todos os tributos e contribuições exigidos no presente processo (IRP.1, CSLL, PIS e COHNS). Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinada digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relatar 1:1 , 1 r (Y,,2,11'.) ;.urFFIH1 LLII2:[,)E i [Ér, iK)r Erni'ikit) r',.;11i1:1,' n !V! 12 TERMO DE JUNTADA i a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1401-00292 (fls ), assinado digitalmente, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil para ciência do interessado e demais providências, Em / / Chefe da Secretaria MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS i a SEÇÃO DE JULGAMENTOM a CÂMARA 7 i a Seção 4a Cámara Fls,: CARF CARF) 1)1 . E Processo n° : 10640.00065212006-66 Interessado(a) AILTON CAMPOS (EMPRESA INDIVIDUAL)
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720448/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. TRIBUTAÇÃO.
Relativamente ao ano-calendário de 2012, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar, decorrentes de complementação do valor de aposentadoria, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, não estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. A incidência da tributação exclusivamente na fonte com respeito a essa natureza de rendimentos recebidos acumuladamente deu-se apenas a partir de 11 de março de 2015, com a publicação da Medida Provisória nº 670, de 2015.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2012, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INDUÇÃO A ERRO PELA FONTE PAGADORA.
Descabida a exclusão da multa de ofício quando não configurado que a omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste do imposto de renda do contribuinte foi causada por informações erradas prestadas pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2401-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, equivalente a R$ 72.344,79, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Recorrente NILTON FERNANDO MARTINS DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Relativamente ao anocalendário de 2012, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar, decorrentes de complementação do valor de aposentadoria, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, não estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. A incidência da tributação exclusivamente na fonte com respeito a essa natureza de rendimentos recebidos acumuladamente deuse apenas a partir de 11 de março de 2015, com a publicação da Medida Provisória nº 670, de 2015. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apurase o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2012, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 04 48 /2 01 5- 19 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 141 2 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INDUÇÃO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. Descabida a exclusão da multa de ofício quando não configurado que a omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste do imposto de renda do contribuinte foi causada por informações erradas prestadas pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, equivalente a R$ 72.344,79, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 142 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), por meio do Acórdão nº 0132.876, de 23/05/2016, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 86/93): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos acumulados devem ser incluídos na declaração de ajuste anual relativa ao período em que foram recebidos, não existindo opção pela tributação exclusiva de que trata a Instrução Normativa nº 1.127/2011 para os rendimentos de complementação de aposentadoria pagos por entidades de previdência privada. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/546478507278359, relativa ao anocalendário de 2012, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização omissão de rendimentos recebidos acumuladamente no Processo Judicial nº 016200027.2005.504.0812, relativos a diferenças de complementação de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar (fls. 2/7). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal em 04/11/2015, às fls. 8, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 9/13). 4. Intimado em 19/06/2016, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, segundo fls. 94/96, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 15/07/2016, com os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal (fls. 97/102): (i) na DAA 2012/2013, entregue originalmente em 12/04/2013, os valores recebidos na Ação Judicial nº 0162000 27.2005.504.0812 foram devidamente lançados pelo recorrente na ficha de rendimentos tributáveis de pessoa jurídica recebidos acumuladamente, correspondente a 22 (vinte e dois) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 143 4 meses, preenchidos todos os dados estabelecidos no art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; (ii) também foram deduzidos da base de cálculo tributável, na oportunidade, a importância paga a advogados e peritos, equivalente a R$ 58.676,65, e o valor retido a título de Fundo de Aposentadoria Programada Individual, igual a R$ 18.108,81; (iii) no ano seguinte, foi entregue declaração retificadora, constando como rendimento tributável o valor de R$ 148.391,15, compatível com o montante retido de R$ 38.401,04, a título de Imposto sobre a Renda, compondo o saldo remanescente rendimentos isentos e não tributáveis registrados no campo próprio; (iv) em que pese a retificação dos dados da declaração de ajuste, os valores percebidos no anocalendário de 2012 não perderam a característica de "rendimentos recebidos acumuladamente", ainda que provenientes de entidade de aposentadoria complementar; (v) o § 3º do art. 2º da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, ao proibir a tributação exclusivamente na fonte para os rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar, acabou extrapolando os limites que lhe foi conferido pela Lei nº 7.713, de 1988; e (vi) cabe a exclusão da multa de ofício, dado o erro escusável na forma de lançamento pelo contribuinte, induzido pela fonte pagadora. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 144 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Em 12/04/2013, o contribuinte apresentou DAA original do anocalendário de 2012, exercício 2013, entregue no modelo simplificado, com a informação do recebimento acumulado de rendimentos tributáveis, em 19/06/2012, provenientes da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica CEEE GT, CNPJ 92.715.812/000131, no montante de R$ 202.237,17, proporcional a 22 meses, com retenção do Imposto sobre a Renda na Fonte de 38.971,53 (fls. 79/85). 7. A declaração original sofreu alteração de dados mediante entrega de DAA retificadora, no dia 05/04/2014, na qual deixouse de prestar informações no campo próprio de rendimentos recebidos acumuladamente, para incluir nos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, submetidos ao ajuste anual, o valor de R$ 148.391,15, com retenção na fonte de R$ 38.401.04. Adicionalmente, o contribuinte declarou a quantia de R$ 130.021,44 como rendimentos isentos e não tributáveis, relacionada ao Processo Judicial nº 0162000 27.2005.504.0812 (fls. 40/46). 7.1 Não custa lembrar que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. 8. Segundo os autos, a omissão de rendimentos lançada pelo agente fazendário, igual a R$ 72.344,79, diz respeito exatamente à diferença entre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, após deduzidos os honorários advocatícios e periciais, e o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte na DAA retificadora (R$ 220.735,94 148.391,15). 9. O art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, estabelecia que para os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do seu recebimento, a incidência do Imposto sobre a Renda ocorria no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, subtraído o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive advogados: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 145 6 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. 10. Entretanto, o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, acrescido pela Medida Provisória (MP) nº 497, de 27 de julho de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, a partir de 28 de julho de 2010, correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (...) (GRIFEI) 10.1 Como se observa do texto de lei, tais rendimentos acumulados passaram a serem tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, submetidos à tabela progressiva do Imposto sobre a Renda. 11. Porém, a novel sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente tinha um alcance limitado, não atingindo qualquer verba recebida pelo beneficiário. 11.1 De fato, a incidência da tributação exclusivamente na fonte e em separado dos demais rendimentos aplicavase exclusivamente a: (i) rendimentos do trabalho; e (ii) rendimentos provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 146 7 11.2 Por essa razão, no anocalendário de 2012, os rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar não estavam englobados no regime de tributação do Imposto sobre a Renda exclusiva na fonte e em separado das demais verbas percebidas pelo contribuinte, sendo descabida a utilização, desse modo, da sistemática do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. 12. Somente a partir de 11/03/2015, com a publicação da MP nº 670, de 10 de março de 2015, depois convertida na Lei nº 13.149, de 21 de julho de 2015, que deu nova redação ao art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, a restrição existente quanto à natureza dos rendimentos recebidos acumuladamente foi extinta, passando a abranger qualquer verba percebida, desde que submetida à incidência do Imposto sobre a Renda com base na tabela progressiva: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (...) 12.1 A mesma MP nº 670, de 2015, também revogou o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 (art. 4º, após renumerado para o art. 7º da Lei nº 13.149, de 2015). 13. Até a data de 11/03/2015, os rendimentos pagos acumuladamente por entidade de previdência complementar, decorrentes de diferenças de complementação de aposentadoria, não estavam sujeitos à incidência na forma do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, na redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. 14. O § 3º do art. 2º da IN RFB nº 1.127, de 2011, incluído pela IN RFB nº 1.261, de 20 de março de 2012, tão somente explicitou o que estava prescrito em lei, não havendo que se falar em inovação jurídica que restringiu direitos dos contribuintes por intermédio de ato infralegal: Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e II rendimentos do trabalho. (...) § 3º O disposto no caput não se aplica aos rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar. (GRIFEI) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 147 8 15. Logo, os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, no ano calendário de 2012, estão submetidos ao disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que prescreve que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores acumulados, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, quando auferida a renda, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotandose como parâmetro o montante global pago a destempo. 16. Acontece que em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte concluiu pela invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, previstos na Carta Política de 1988. 16.1 Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. 16.2 Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. 16.3 Em 9/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado. 17. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 18. Como visto, a exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Esse entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 148 9 19. Desse modo, no tocante aos rendimentos tributáveis omitidos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, relativos ao anocalendário de 2012, no importe de R$ 72.344,79, decorrentes de complementação de benefício previdenciário pago por entidade de previdência complementar, a incidência do imposto sobre a renda ocorre no mês de recebimento ou crédito, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos percebidos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. 20. Quanto à redução da base de cálculo tributável, não há prova nos autos de que o montante de R$ 130.021,44 tenha natureza isenta ou não tributável, como informado pelo contribuinte na sua DAA. Ao contrário, os elementos disponíveis sinalizam para a incidência tributária (fls. 27/34). 20.1 A seu turno, a fiscalização já deduziu o valor de R$ 58.676,65, equivalente às despesas comprovadas com pagamento de honorários advocatícios e periciais. 21. De outro lado, no tocante ao pedido para a dedução da parcela a título de previdência privada, retida por ocasião do pagamento dos rendimentos acumulados, no importe de R$ 18.108,81, o pleito do contribuinte não pode ser atendido, tendo em vista a opção pelo modelo simplificado de declaração de ajuste. Reproduzo as palavras do votocondutor do acórdão recorrido, pela clareza da explicação, que adiciono às minhas razões de decidir (fls. 93): (...) Quanto ao pedido para dedução de despesa com previdência privada, embora o contribuinte tenha comprovado que sofreu a retenção nos autos do processo de ação trabalhista em questão, não pode ser concedida face a sua opção pela tributação simplificada na declaração de ajuste do exercício 2013, ano calendário 2012, às fls. 40/46. Vale lembrar que o desconto simplificado corresponde ao desconto de 20% sobre os rendimentos tributáveis que substitui todas as deduções admitidas na legislação tributária do imposto. Não necessita de comprovação e está limitado a R$ 14.542,60 (quatorze mil, quinhentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos) no anocalendário de 2012. Pode ser utilizado independentemente do montante dos rendimentos recebidos e do número de fontes pagadoras. (...) 22. Por fim, sobre a exclusão da multa de ofício aplicada, o verbete da Súmula nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está assim redigido: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 17437.720448/201519 Acórdão n.º 2401005.171 S2C4T1 Fl. 149 10 23. Todavia, no caso sob exame, é descabido o afastamento da multa de ofício, eis que não restou configurada a omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste do imposto de renda do contribuinte causada por informações erradas prestadas pela fonte pagadora. 23.1 Realmente, em que pese os dados informados pela fonte pagadora, a natureza da omissão de rendimentos tributáveis identificada pela autoridade lançadora, com suporte na DAA retificadora, enviada pelo contribuinte no dia 05/04/2014, é fruto de divergência de interpretação da legislação tributária, que não advém, segundo minha convicção, diretamente das informações prestadas pela fonte pagadora. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, equivalente a R$ 72.344,79, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.010459/2002-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA. DÉBITO COMPENSADO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Restou provado nos autos, inclusive por intermédio de diligência fiscal, inexistir qualquer relação entre os créditos glosados no presente processo administrativo e débitos posteriormente lançados de ofício pela União em prejuízo do contribuinte. Preliminar afastada.
MÉRITO. DECISÃO JUDICIAL AUTORIZATIVA DE CREDITAMENTO PARA OPERAÇÕES ISENTAS E SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DA DECISÃO JUDICIAL ABARCAR OUTRAS OPERAÇÕES DESONERADAS.
A ação judicial promovida pelo contribuinte limitou-se a prover seu pedido de creditamento nas taxativas hipóteses de aquisições sujeitas à isenção e alíquota zero, não sendo possível estender o teor do decisum para outras operações desoneradas, tais como as operações não tributadas. Logo, é indevido o creditamento promovido pelo contribuinte.
Recurso voluntário negado. Direito creditório não recohecido.
Numero da decisão: 3402-004.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA. DÉBITO COMPENSADO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restou provado nos autos, inclusive por intermédio de diligência fiscal, inexistir qualquer relação entre os créditos glosados no presente processo administrativo e débitos posteriormente lançados de ofício pela União em prejuízo do contribuinte. Preliminar afastada. MÉRITO. DECISÃO JUDICIAL AUTORIZATIVA DE CREDITAMENTO PARA OPERAÇÕES ISENTAS E SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DA DECISÃO JUDICIAL ABARCAR OUTRAS OPERAÇÕES DESONERADAS. A ação judicial promovida pelo contribuinte limitouse a prover seu pedido de creditamento nas taxativas hipóteses de aquisições sujeitas à isenção e alíquota zero, não sendo possível estender o teor do decisum para outras operações desoneradas, tais como as operações não tributadas. Logo, é indevido o creditamento promovido pelo contribuinte. Recurso voluntário negado. Direito creditório não recohecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 04 59 /2 00 2- 90 Fl. 574DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em comento emprego como meu parte do relatório desenvolvido na resolução n. 20400.589 (fls. 439/445), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em apreciação, recurso da contribuinte contra decisão que manteve o indeferimento parcial do pedido de ressarcimento de créditos básicos do IPI, oriundo da aquisição de insumos desonerados do IPI (alíquota zero, isentos e NT). Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: "O contribuinte acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 23.049,14, relativo ao 4° trimestre de 2000, decorrente da aquisição de insumos tributados à. alíquota zero (R$ 3.458,77) e desonerados do IPI (R$ 19.590,37). À fl. 46, encontrase cópia de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n.° 2002.83.00.00044607 (fls. 42144), através da qual o Tribunal Regional Federal da 5a Região, em sede de Agravo de Instrumento (AGTR n.° 42.173 / PE), concedeu em caráter substitutivo, liminar permitindo o aproveitamento dos créditos de IPI decorrente de aquisição de insumos isentos, tributados com alíquota zero, imunes ou não tributados, e de créditos de bens do ativo permanente. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 65 a 217, a autoridade diligenciadora, depois de discorrer pormenorizadamente sobre o IPI, em especial sobre a impossibilidade de creditamento quanto à aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à. alíquota zero, assim como, sobre a sistemática instituída pela Lei n.° 9.779, de 1999, e a vedação incidência de correção monetária e de juros de mora sobre créditos escriturais de IPI, consignou, ao final, em conclusão: A fim de prevenir qualquer dano à Fazenda Pública, e para assegurar o respeito decisão judicial, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) para a manifestação daquele órgão acerca da extensão da referida decisão, bem como da definição sobre as seguintes indagações: a) se há direito ao creditamento do IPI no Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI), diante da situação atual do processo judicial antes referido; b) se pode ser admitida a utilização dos créditos, antes da compensação constitucional estabelecida para o IPI e regulada Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 575 3 pelo CTN e demais normais legais, para compensação com outros tributos e contribuições federais; c) se a ação judicial ampara a pretensão de incidência de coney do monetária (pela UFIR) e juros de mora (taxa Selie) sobre créditos do IPI alegados. Com a citada manifestação judicial, diz a autoridade diligenciadora, será possível definir precisamente o valor a ser reconhecido pelo Delegado da Receita Federal no Recife, para creditamento extemporâneo do contribuinte em sua escrita fiscal e a subseqüente compensação com os débitos do IPI decorrentes de suas saídas de produtos tributados, diante do alcance das decisões proferidas no processo judicial antes mencionado. Às fls. 220 a 223, acostouse cópia de despacho da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 5' Regido, no qual foram prestadas as seguintes informações aos questionamentos tecidos pela autoridade diligenciadora: ∙ Quanto ao item "a": Em razão da existência de ordem liminar e de decisão favorável proferida em apelação, há direito ao creditamento do IPI no RAIPI, porém exclusivamente quanto ás aquisições de insumos (aqueles devidamente enquadrados no conceito definido pela legislação de regência) isentos ou tributados à alíquota zero, não havendo decisão que favoreça a empresa ao creditamento em qualquer outra hipótese. ∙ Quanto ao item "b": Nos termos do pedido formulado pelo contribuinte e da decisão proferida em apelação, o crédito foi reconhecido para compensação com próprio IPI e, havendo saldo, com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Salientese que as decisões favoráveis ao contribuinte não permitem a cessão de créditos a terceiros. ∙ Quanto ao item "c": A incidência de correção monetária e de juros de mora não é discutida na petição inicial e, dessa forma, não foi objeto de exame nas decisões judiciais em debate. O Supervisor do IPI da Delegacia da Receita Federal no Recife proferiu despacho, acostado à fl. 248, no qual afirma que os valores passíveis de ressarcimento já foram apurados, conforme demonstrado ás fls. 50/54. A fl. 248, encontrase Despacho Decisório deferindo parcialmente o pedido formulado: 'Reconheço o direito creditório no valor de R$ 2.458,46 (dois mil, quatrocentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) conforme planilha de fls. 50 sem correção monetária e juros de mora, enquanto permanecerem os efeitos da ação judicial APS n° 82188PE de fls. 49.' Fl. 576DF CARF MF 4 Cientificada do Despacho Decisório SEORT/IPI, de 19/10/2006, em 01/11/2006, conforme "AR", fl. 259, a contribuinte apresentou, em 23/11/2006, manifestação de inconformidade de folhas 260 a 271, na qual aduz, em síntese: ⇒ O eventual indeferimento da presente impugnação se mostrará inócua por força dos lançamentos materializados pelo auditor da receita federal, processos 10418.015941/200216 (Cofins), 10480.015942/200261 (PIS) e 10480.015943/200213(1PI). ⇒ A presente decisão relativamente ao lançamento dos valores compensados e não aceitos perdeu objeto, porque nos citados processos administrativos já há a discussão acerca da legitimidade da presente restituição/compensação do IPI. ⇒ destaca a possibilidade de haver dupla cobrança, pois o pedido de ressarcimento/compensação já foi desconsiderado pela Receita Federal com o conseqüente lançamento (exofficio) dos tributos compensados, de modo que a parcela da decisão concernente à homologação não pode ensejar nenhum lançamento de tributo objeto do mesmo. ⇒ Diz que a manifestação de inconformidade é manejada em face da decisão que reconheceu apenas parcialmente o direito de apropriarse dos créditos decorrentes de aquisições de insumos desonerados, em seu Livro de IPI, pois a impugnante impetrou Mandado de Segurança, processo n° 2002.83.00.0044667, acossando o reconhecimento de seus créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos desonerados. ⇒ Seu pleito judicial foi deferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5' Região, em sede de apelação, nessa trilha passou a aproveitar os seus créditos de IPI extemporâneo de acordo com a autorização judicial, que está em vigor ate a presente data. ⇒ Todas as compensações materializadas pela impugnante, dentre elas a ensejadora do processo administrativo em foco e rejeitadas pela decisão em tela foram realizadas em total conformidade com os termos de decisão judicial. ⇒ A decisão em tela, não obstante o expresso reconhecimento da vigência e da efetividade da decisão judicial obtida pela impugnante, termina por descumprila através de meios transversos, posto que desconsidera o direito, reconhecido de forma ampla pelo judiciário, de aproveitamento de todos os insumos desonerados, bem como de incidência de correção monetária, de modo que os valores deferidos pelo ato rechaçado incorre em flagrante ilegalidade. ⇒ Considerando se a inquestionável resistência dos órgãos fazendários em considerar os direitos creditórios da contribuinte, não há como desconsiderar, na esteira da pacifica jurisprudência do STJ, o direito à correção monetária dos créditos reconhecidos, bem como dos valores que restarem, posteriormente, validados. ⇒ A decisão em favor da impugnante alarga a interpretação dada ao principio da nãocumulatividade do IPI, para efeito de garantir aos contribuintes adquirentes de insumos desonerados, o direito de apuração do credito do imposto. Tal apuração, por inexistir Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 576 5 IPI destacado no corpo da nota fiscal é levada a cabo pela aplicação da alíquota prevista para a saída do produto final sobre os ditos insumos desonerados. Essa é a única forma de obtenção efetiva do direito salvaguardado pelo Poder Judiciário. ⇒ O procedimento adotado pelo fiscal quando da materialização da planilha de fl. 55 continuou a desrespeitar a decisão judicial em pleno vigor, que deve ser cumprida pelo órgão de arrecadação. Adotase falsa premissa da inexistência de crédito em favor da empresa. ⇒ Indubitável o direito da contribuinte de manter o creditamento, mesmo sobre os insumos sujeitos à regime de suspensão do IPI, seja porque a legislação assim defere (art.29 da lei n° 10.637/2003 e 5º, § 3° da lei n° 9.826/99, com redação dada pela lei n° 10.485/2002), seja porque a decisão judicial em vigor garante o direito ao creditamento dos insumos desonerados. ⇒ Ao final, diz estar caracterizada a parcial improcedência da decisão que glosou crédito que efetivamente possui, seja pelo efetivo descumprimento da decisão judicial em seu favor, seja pelo inequívoco direito à. correção monetária, requer seja reformada a decisão." A decisão combatida indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão DRJ/Salvador nº. 1513.832, de 24 de setembro de 2007 (fls. 380 a 70 a 388), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. Inexiste o direito ao creditamento do IPI, nas aquisições de insumos classificados como não tributados. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste legislação especifica para manutenção de crédito, relativo ao segmento ou produtos elaborados pela contribuinte. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 392 a 403, no qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 578DF CARF MF 6 (...) (grifos constantes no original). 2. Uma vez submetido a julgamento neste Tribunal, a então Turma julgadora resolveu baixálo em diligência (resolução n. 20400.589 fls. 439/445), nos termos da manifestação da Relatora ad hoc, Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, que assim prescreveu: (...). Com base nos fundamentos expostos o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade de origem: a) ateste se o presente processo possui duplicidade de cobrança em relação ao processo 10480.015943/200213 (Auto de Infração do IPI); b) junte aos autos informações atualizadas, bem como cópia das últimas decisões judiciais atinentes ao MS 2002.83.00.0044667 (e a respectiva AMS); c) forneça outros esclarecimentos que entender necessários; d) dê ciência à contribuinte dos resultados da diligência, concedendolhe o prazo de 30 dias para sua manifestação. Após as providências solicitadas o processo deve retornar a este Conselho, para prosseguimento. (...). 3. Em cumprimento a tais diligências, a unidade preparadora (i) providenciou a juntada das principais peças do mandado de segurança impetrado pelo recorrente (autos n. 2002.83.00.0044667 fls. 478/552), bem como (ii) promoveu o termo de informação fiscal de fls. 553/564. 4. O contribuinte foi intimado a respeito do aludido termo (aviso de recebimento de fl. 568), sem, todavia, manifestarse a seu respeito. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da suposta inclusão dos valores aqui tratados nos processos administrativos autuados sob os ns. 10480.015942/200261 (PIS) e 10480.015941/200216 (COFINS) 7. Preliminarmente, o contribuinte alega o que segue: Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 577 7 8. Tal alegação, inclusive, foi um dos motivos que suscitou a conversão em diligência do presente julgamento pela antiga Turma julgadora. E, em resposta a tal diligência, assim manifestouse a unidade preparadora: (...). Como já consta na descrição da própria infração que resultou no Auto de Infração referido (Vide fl. 008 do Processo nº 10480.015943/200213), a sua lavratura decorreu do procedimento de Verificações Obrigatórias em relação ao período do 1º decêndio de Outubro de 2001 ao 3º decêndio de Julho de 2002. Tudo isso está também devidamente descrito no Termo de Verificação Fiscal do mesmo processo (Vide fls. 018/025 do Processo nº 10480.015943/200213). O procedimento de “Verificações Obrigatórias” abrange apenas, de acordo com sua própria definição (DIFERENÇA APURADA ENTRE O SALDO DEVEDOR ESCRITURADO NO LIVRO RAIPI E O VALOR DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF OU PAGOS – DARF), os valores de saldos devedores escriturados nos Livros RAIPI que ainda não tenham sido confessados pelo contribuinte (em DCTF) nem pagos regularmente (em DARF). Assim, como também comentara o ConselheiroRelator, não há qualquer superposição entre o presente processo e o Auto de Infração referido (Processo nº 10480.015943/200213), pois, Fl. 580DF CARF MF 8 enquanto o presente processo referese a indeferimento de créditos indevidos, o Auto de Infração somente abrangeu as diferenças não declaradas nem pagas. O creditamento indevido referese a questionamentos sobre os créditos anotados na escrita fiscal, ao passo que as Verificações englobam apenas os valores incontroversos escriturados pelo próprio contribuinte em seus livros fiscais pertinentes (Livro RAIPI), mas que não tenham confessados integralmente em DCTF ou pagos regularmente por meio de DARF. 9. Aliás, referida questão já havia sido devidamente detectada pela Relatora ad hoc da resolução alhures citada, quando assim ponderou: (...). Quanto aos Autos de Infração da Cofins e do PIS, nenhuma vinculação existe com o presente processo, que cuida de ressarcimento de crédito básico do IPI relativo ao quarto trimestre de 2000. Primeiro porque as autuações envolvem períodos a partir de setembro de 2001, enquanto o presente pedido é relativo ao quarto trimestre de 2000. Segundo porque os autos cuidam de falta de recolhimento da Cofins e do PIS, enquanto o presente litígio envolve ressarcimento do IPI. No tocante ao Auto de Infração do IPI, seria possível existir alguma vinculação. Todavia, pela cópia juntada aos autos pela contribuinte (fls. 352 a 377), tudo indica não existir qualquer vinculação com o presente processo, nem tampouco possibilidade de ocorrer cobrança em duplicidade. Isso porque o Auto de Infração abrange períodos a partir de outubro de 2001, enquanto o presente processo cuida de ressarcimento de crédito básico do IPI relativo ao 4º trimestre de 2000. Além disso, da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 366 a 373), constatase que o processo 10480.015943/200213 refere se a lançamento do IPI relativo a verificações obrigatórias, que envolve, tão somente, diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos pela contribuinte, o que não abrange glosa de créditos básicos. O citado termo de verificação não faz qualquer menção a nãoaceitação de créditos básicos oriundos de aquisições desoneradas do imposto, que é o objeto do presente processo de ressarcimento.(...). (...). 10. Da análise do termo de relatório fiscal acima transcrito é possível destacar que a Relatora ad hoc tinha total razão em suas suspeitas e que a citada resolução, neste tópico, só foi adiante em razão do seu dever de ofício em redigila por designação do Presidente da então Turma julgadora. 11. Por concordar integralmente com tais considerações (termo de verificação fiscal e resolução n. 20400.589) empregoas como minhas para fins de fundamentação do presente voto, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/91. Logo, afasto a preliminar aventada pelo contribuinte. 1 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 578 9 II. Mérito (i) Da pretenso descumprimento da decisão judicial proferida no mandamus autuado sob o n. 2002.83.00.0044667 12. Em relação ao presente tópico insta destacar que o despacho que denegou o ressarcimento/compensação vindicado foi fundamentado com base nos esclarecimentos prestados pela Procuradoria da Fazenda Nacional e documentado as fls. 222/225, que assim concluiu: (...). Tendo por pressuposto os limites da decisão colegiada na AMS n°, passaremos, pois, a responder os questionamentos bem colocados ao fim do Termo de Verificação Fiscal, a seguir transcritos: a) há direito ao creditamento do IF) no Livro Registro de Apuração do IP) (RAIPI), diante da situação atual da apreciação da lide judicial (Mandado de Segurança n° 2002.83.00.0044607 e recursos diversos)? Resposta: Em razão da existência de ordem liminar e de decisão favorável proferida em Apelação, há direito ao creditamento do IPI no RAIP1, PORÉM EXCLUSIVAMENTE QUANTO As AQUISIÇÕES DE INSUMOS (assim considerados apenas aqueles devidamente enquadrados no conceito definido pela legislação de regência) sob ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. Não há decisão que favoreça a empresa ao creditamento em qualquer outra hipótese, restando absolutamente pertinentes as EXCLUSÕES destacadas pelo Auditor Fiscal no tópico "DOS CRÉDITOS PLEITEADOS PELO CONTRIBUINTE", itens "a" até "h", do Termo de Verificação Fiscal. (...) (grifos constantes no original). 13 As exclusões acima indicadas foram feitas na medida em que o contribuinte, a pretexto de creditarse de IPI com fundamento na decisão exarada no bojo do citado mandamus, que autorizava o creditamento de insumos adquiridos sob regime de isenção ou alíquota zero, também promoveu o creditamento de aquisições não tributadas. Foram esses específicos creditamentos que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. 14. Nesse sentido, a discussão promovida pelo contribuinte é no sentido que a fiscalização interpretou mal a decisão judicial autorizativa do creditamento do IPI. Segundo o contribuinte, as decisões proferidas seriam no sentido de autorizar o creditamento de todo e qualquer tipo de operação desonerada. É o que se observa do seguinte trecho do seu recurso voluntário: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato." Fl. 582DF CARF MF 10 15. Não é isso, todavia, que estabelecem as decisões proferidas em favor do contribuinte na citada demanda judicial. Nesse sentido, destacamse, respectivamente, as decisões proferidas pelo TRF da 5a Região (autos n. 2002.83.00.0044667) e pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp n. 644.500), in verbis: TRF da 5a Região STJ (...). O Tribunal a quo deu provimento à apelação do contribuinte para conceder a segurança, "reconhecendo à impetrante o direito a se apropriar do créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentes ou tributados à alíquota zero [...]" (fls.295). Ademais, quando do julgamento dos embargos de declaração, no qual a FAZENDA NACIONAL questionava um possível julgamento extra petita, aquele Tributal enfatizou que, apesar de ter falado da Lei n. 9.363/96, "faço referência à hipótese do IPI e de crédito presumido por insumos, matériaprima, que é a matéria dos autos" (fls. 314) (grifei). Assim, não prospera a alegação de julgamento extra petita, uma vez que a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. (...). Quanto à suposta violação do princípio da nãocumulatividade previsto no art. 153, § 3º da Constituição Federal, a competência é do Supremo Tribunal Federal. É entendimento deste Tribunal Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 579 11 que, tendo o recurso especial como fundamento dispositivos constitucionais ditos por violados, falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer da proposição. Tampouco pode ser conhecido o presente recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional, pois o recorrente não realizou o necessário cotejo analítico, bem como não apresentou, adequadamente, o dissídio jurisprudencial, pois, apesar da transcrição de ementa, deixou de demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma. Ante o exposto, com fundamento no art. 557, § 1º, do Código de Processo Civil, conheço em parte do recurso especial e negolhe provimento. (...). 16. Percebese, pois, que a decisão judicial proferida do contribuinte e que fundamentava o pleito aqui debatido restringia o creditamento do IPI para operações sujeitas à isenção e alíquota zero, não abarcando, todavia, as demais operações desoneradas, como aquelas consideradas não tributadas (NT). 17. Logo, não merece razão o fundamento invocado pelo contribuinte no mérito, o que, por conseguinte, redunda na prejudicialidade do pedido por mele cumulativamente formulado, i.e., de incidência da taxa SELIC para fins de correção dos seus pretensos créditos. Dispositivo 18. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. 19. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 584DF CARF MF
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