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Numero do processo: 12448.727630/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 GLOSA DE DESPESA. ERRO DE NOMECLATURA NO REGISTRO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. No caso em que a autuação fiscal decorre de glosa da dedução de provisões indedutíveis e o contribuinte comprova tratar-se de mero erro de nomeclatura no registro contábil de custos da operação, cabível o cancelamento do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO

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no  registro  contábil  de  custos  da  operação,  cabível  o  cancelamento  do  lançamento fiscal.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 76 30 /2 01 2- 05 Fl. 813DF CARF MF     2 Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa  e  Ester  Marques Lins de Sousa (Presidente).    Relatório  Contra a Recorrente, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados  os Autos de Infração e respectivos Anexos, de fls 143/152, a saber:  ­  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ,  no  valor  de  R$6.632.542,70,  cumulado  com multa  de  ofício  e  juros  de mora  pertinentes,  calculados  até  28/09/2012.  ­  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  no  valor  de  R$2.387.715,36,  cumulada  com multa  de  ofício  e  juros  de mora  pertinentes,  calculados  até  28/09/2012.  Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas:    LANÇAMENTO DO IRPJ.  “Em  procedimento  de  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias  pelo  sujeito  passivo  supracitado,  efetuamos  o  presente Lançamento de  ofício,  nos  termos  do art.  926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento  do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas  a  (s)  infração  (ões)  abaixo  descrita  (s)  aos  dispositivos  legais  mencionados.”  001 – PROVISÕES  PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS  Glosa  de  provisões  apropriadas  em  contas  de  resultado  por  força  das  mesmas  não  terem  base  legal  para  se  tornarem  dedutíveis do lucro líquido do exercício, quando da apuração do  lucro  real,  conforme  descrito  no  Termo  de  Constatação  dos  Fatos,  peça  integrante  e  inseparável  do  presente  Auto  de  Infração, como se nele estivesse inteiramente transcrito.  Fato gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%)  31/12/2009 R$ 13.185.314,32 75,00  ENQUADRAMENTO LEGAL  “Art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do art.  14, da Lei nº 9.430/96;  Arts.  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo  único,  299  e  335,  do  RIR/99.”  Fl. 814DF CARF MF Processo nº 12448.727630/2012­05  Acórdão n.º 1201­002.356  S1­C2T1  Fl. 3          3 I.  2  ­  DO  TERMO  DE  CONSTATAÇÃO  DOS  FATOS  ­  TCF  (FLS. 136/142).  Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização.  ­ (...)    Infração: Provisões Não Autorizadas  ­ 4. Em decorrência do desenvolvimento da ação fiscal, lavramos  o Termo de Intimação Fiscal de 27/12/2011 para o contribuinte  apresentar  os  documentos  contábeis  comprobatórios  do  preenchimento da Linha 04 – Prestações de Serviços por Pessoa  Jurídica  da  Ficha  05A  –  Despesas  Operacionais  da  citada  DIPJ/2010, que foi preenchida errada por força da inclusão das  contas  “7.1.1.1.01  Despesas  Subcontratação  Serviços”  e  “7.1.1.2.01  Seguro  nos  Transportes”,  que  já  tinham  sido  informadas  na  Linha  34  –  Serviços  Prestados  por  Pessoa  Jurídica  da  Ficha  04A  – Custo  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos,  conforme esclarecimento prestado por escrito, em anexo.  ­ 5. Todavia, em que pese o  referido erro de preenchimento da  Ficha  05A – Despesas Operacionais  da DIPJ/2010 – Original,  este fato, por si só, não acarretou redução do IRPJ e de CSLL a  pagar,  como  se  pode  verificar  através  do  cotejo  entre  as  informações  prestadas  na  DIPJ/2010  –  Retificadora,  apresentada  pelo  contribuinte  em  20/04/2012,  em  atendimento  ao Termo de Intimação Fiscal de 17/04/2012, e as informações  apresentadas em DCTF, no LALUR, no LACS e nas respectivas  planilhas de apuração do IRPJ e da CSLL.  ­ 6. Cabe frisar que os débitos declarados em DCTF, os registros  no  LALUR  e  no  LACS  em  consonância  com  as  planilhas  de  apuração do IRPJ e da CSLL, corroboram, em seu conjunto, que  os valores do IRPJ e da CSLL a pagar foram apurados sem levar  em  consideração  o  mero  erro  de  preenchimento  Ficha  05A  –  Despesas Operacionais da DIPJ/2010 – Original.  ­  7.  Em  outro  giro,  da  análise  da  conta  “7.1.1.1.01  Despesas  Subcontratação  Serviços”  verificamos  que  o  contribuinte  apropriou  valores  referentes  a  título  de  “Provisão”,  em  31/12/2009, sem, contudo, efetuar a devida adição destes valores  ao lucro líquido do exercício, quando da apuração do lucro real,  tendo em vista a mesma não ser dedutível do lucro líquido, por  absoluta falta de previsão legal.  ­ 8. Neste sentido, com foco em possíveis fatos conexos, lavramos  o Termo de Intimação Fiscal de 08/05/2012 para o contribuinte  relacionar  por  escrito  todas  as  contas  do  ano­calendário  2009  nas  quais  foram  apropriados  valores  a  título  de  provisões  na  data  de  31/12/2009.  Ato  seguinte,  anexamos  os  respectivos  razões contábeis destas contas que, em seu conjunto, perfazem o  valor de R$13.185.314,32, provisionados em data de 31/12/2009.  Fl. 815DF CARF MF     4 ­  9. Ainda  nessa  linha  de  raciocínio,  no  sentido  de aprofundar  ainda  mais  a  análise  dos  fatos  para  a  perfeita  instrução  processual,  considerando  que  o  LALUR  do  contribuinte  apresenta  a  adição  de  R$6.460.276,62,  através  do  referido  Termo  de  Intimação  Fiscal  de  08/05/2012  o  contribuinte  foi  intimado  a  vincular,  valor  a  valor,  a  adição  efetuada  com  as  respectivas provisões apropriadas nas diversas contas, em data  de 31/12/2009.  ­  10.  Para  a maior  segurança  do  crédito  tributário  e  antes  de  qualquer  conclusão  definitiva  acerca  do  valor  tributável,  lavramos o Termo de Reintimação Fiscal de 29/05/2012 para o  contribuinte  apresentar  a  citada  vinculação,  entre  a  adição  no  LALUR  (R$6.460.276,62)  e o valor da provisão em 31/12/2009  (R$13.185.314,32), a seguir demonstrados:  ­ (...)  ­ 11. Com efeito, em resposta ao referido Termo de Reintimação  Fiscal, o contribuinte apresentou:  a)  uma  planilha  contendo  a  composição  das  adições  efetuadas  no  LALUR,  na  qual  podemos  observar  o  citado  valor  de  R$6.460.276,62, dentre outros valores adicionados:  b)  duas  listagens  do  citado  valor  adicionado  no  LALUR,  mas,  contudo,  sem  a  devida  vinculação,  valor  a  valor,  deste  valor  adicionado  (R$6.460.276,62)  com  o  valor  das  provisões  efetuadas em 31/12/2009 (R$13.185.314,32).  ­  12.  Portanto,  perfeitamente  caracterizada  está  a  conduta  do  contribuinte  em,  por  um  lado,  apropriar  provisões  em  data  de  31/12/2009 que, por falta de previsão legal (RIR/99, artigo 335),  não  são  dedutíveis  do  lucro  líquido,  quando  da  apuração  do  lucro real do  IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no  valor de  R$13.185.314,32,  e,  por  outro  lado,  também  está  cabalmente  caracterizada a falta de comprovação da necessária vinculação  entre  este  valor  provisionado  em  31/12/2009  e  o  valor  adicionado no LALUR de R$6.460.276,62.  ­ 13. Desta forma, é cristalina a conclusão de que o contribuinte  apropriou na conta “2.1.9.1 – Provisões Diversas” encargos de  provisões não autorizadas na lei, decorrentes de fretes e outros  custos contratados, mas não incorridos, acarretando, por via de  consequência,  na  redução  indevida do  lucro  tributável  do ano­ calendário  de  2009,  no  exato  montante  das  provisões  constituídas  de  R$13.185.314,32.  Por  derradeiro,  pudemos  firmar  nossa  convicção  acerca  da  ocorrência  da  infração  PROVISÕES  NÃO  AUTORIZADAS,  tendo  em  vista  que,  pelo  conjunto  das  razões  apresentadas  anteriormente,  é  de  rigor  a  procedência  integral  da  acusação  que  pesa  contra  o  contribuinte.    Determinação do Valor Tributável da Infração  ­ 14. De tudo quanto foi descrito, vislumbramos que no caso em  tela não há necessidade de produção de outras provas, restando  Fl. 816DF CARF MF Processo nº 12448.727630/2012­05  Acórdão n.º 1201­002.356  S1­C2T1  Fl. 4          5 saneado o processo de exigência do crédito tributário, com base  no valor tributável de R$13.185.314,32, na data de 31/12/2009.  ­ (...)    Impugnação    O sujeito passivo contestou o lançamento em 27/11/2012, mediante peça que  traz os seguintes argumentos:    Dos fatos  ­ (...)  ­ Segundo a autuação, a Impugnante teria deixado de adicionar ao lucro líquido, na  apuração do lucro real, a importância de R$13.185.314,32, correspondente a provisões não dedutíveis  constituídas e existentes ao final do exercício de 2009.  ­ (...)  ­  Contudo,  como  se  demonstrará  na  presente  defesa,  o  Auto  de  Infração  em  referência  não  merece  subsistir,  uma  vez  que,  em  primeiro  lugar,  a  Fiscalização  desconsiderou  a  efetiva  adição  ao  lucro  líquido  –  realizada  pela  Empresa,  na  forma  do  art.  249,  I,  do  RIR/99,  e  devidamente comprovada, como atestam a DIPJ e o LALUR – no montante de R$6.884.311,62.  ­  Ademais,  deixou  de  considerar  a  reversão  contábil  de  provisões,  no  mesmo  período de apuração, e correspondente às mesmas contas, no montante de R$7.232.986,20, passível de  exclusão do lucro líquido, e que deve ser abatida da importância ora exigida.  ­  Assim,  pelas  razões  mencionadas,  o  lançamento  fiscal  padece  de  ilegalidade  e  merece ser revisto e anulado integralmente, como se passa a demonstrar.  III. Da efetiva adição ao lucro líquido de valores correspondentes às provisões em  questão  ­ (...)  ­  Este  montante  (R$13.185.314,32),  por  sua  vez,  corresponde  ao  total  de  um  determinado grupo de provisões não dedutíveis do lucro líquido, nominadas no lançamento fiscal (item  10 do TCF) e identificadas por diversas contas contábeis compreendidas entre a de nº 7.1.1.1.01 (frete  rodoviário) e a de nº 7.1.3.9.24 (despesas de exploração).  ­  Veja­se  esta  adição  devidamente  inserida  na  DIPJ  2010,  na  ficha  09A  –  Demonstração do Lucro Real,  linha  38  (fls.  46),  em que  consta  expressamente “38 Outras  adições:  R$6.884.311,62”. A mesma adição é reproduzida também, pra a apuração da CSLL, na ficha 17, linha  31.  ­  Por  sua  vez,  a  mesma  adição,  no  mesmo  valor,  foi  devidamente  registrada  no  LALUR, Parte A – Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício, página 13 (fls. 90), em que se  lê, como data de 31.dez.2009: “2.1 provisões não dedutíveis: R$ 6.884.311,62”, na coluna “Adições”.  Fl. 817DF CARF MF     6 ­  Resta  claramente  demonstrado,  portanto,  pela  DIPJ  e  pelo  LALUR,  que  a  Impugnante efetuou a adição ao lucro líquido, no montante de R$6.884.311,62, correspondente a estas  mesmas provisões não dedutíveis, de modo que este valor deveria ter sido (e deve ser) abatido da base  de cálculo considerada no lançamento.  ­ (...)  ­ O mesmo se depreende ainda do demonstrativo de fls. 94 a 99, em que se observa,  na coluna dezembro/2009, o valor adicionado ao lucro líquido, a título de “provisões não dedutíveis”  no  valor  de  R$6.884.311,62.  Note­se  ainda  que,  ao  final  de  cada  coluna,  é  apontado  o  valor  das  estimativas  mensais,  que  foram  devidamente  recolhidas  pela  Impugnante,  como  verificado  pela  autoridade fiscal.  ­ (...)  ­ A realização da adição deste valor, portanto, deve ser reconhecida e não ignorada  pela RFB, pois, como demonstrado, não há dúvidas de que efetivamente houve a aludida adição, que  possui como referência o mesmo grupo de provisões referidas no auto de infração ora impugnado.  ­ (...)  ­  Ademais,  como  se  observa  dos  demonstrativos  contidos  nos  demais  livros  de  controle contábil (livro diário e livro razão), trata­se exatamente das mesmas provisões, de modo que  não há cabimento em cogitar­se, hipoteticamente,  serem as provisões adicionadas distintas daquelas  exigidas, até porque a autuação se  reporta a  todo o grupo de contas das provisões  indedutíveis que  fossem consideradas na apuração do lucro real do ano calendário de 2009.  ­ (...)  ­ Logo, nota­se que já foi oferecido à tributação o valor oportunamente adicionado,  de modo que a cobrança em curso se revela ilegal e excessiva em relação a essa parte.  ­ (...)    IV ­ Da reversão contábil e correspondente exclusão  ­ Ao  impor  a  adição  das provisões  não  dedutíveis,  ao  final  do  ano calendário  de  2009, a fiscalização deixou de considerar que, para estas mesmas contas de provisões, houve no início  do período de apuração (janeiro de 2009), a reversão contábil de provisões constituídas no exercício  anterior,  no  montante  de  R$7.232.986,20,  conforme  comprova  a  escrituração  contábil  (documentos  anexos).  ­ Assim, tendo havido a reversão contábil de provisões no mês de janeiro do mesmo  exercício, este valor é passível de exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real.  ­  Desta  forma,  deve  ser  excluído  do  lucro  líquido  o  valor  das  provisões  não  dedutíveis  revertidas  em  janeiro  de  2009,  no  montante  de  R$7.232.986,20,  sob  pena  de  dupla  tributação da mesma receita já oferecida à tributação (...).  ­ (...)  ­  Por  outro  lado,  este  montante  não  foi  incluído  na  composição  do  valor  de  R$9.405.356,98,  excluído  do  lucro  líquido,  conforme  registrado  na  linha  40  da  ficha  09A  da DIPJ  2010.  Fl. 818DF CARF MF Processo nº 12448.727630/2012­05  Acórdão n.º 1201­002.356  S1­C2T1  Fl. 5          7 ­  Trata­se  de  valor  adicional  àquele  excluído  na DIPJ,  e  que,  portanto,  deve  ser  reduzido da base de cálculo adotada no lançamento ora impugnado, por corresponder às importâncias  revertidas no exercício, referentes às mesmas contas de provisões não dedutíveis objeto da autuação.  V – Conclusão  ­  Isto  posto,  pelas  razões  de  fato  e  de  direito  ora  demonstradas,  requer  seja  acolhida e julgada procedente a presente impugnação.  ­  Requer  ainda  a  produção  de  prova  documental  complementar,  que  será  oportunamente  apresentada  aos  autos,  ou,  caso  entenda­se  necessário,  sejam  os  autos  baixados  em  diligência, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, para verificação destes documentos, como  de direito.    Aditamento à Impugnação    Em 14/08/2013,  o  sujeito  passivo  protocolizou, na DRJ/BHE,  aditamento  à  impugnação, mediante o instrumento de fls. 271/284. Eis o seu resumo:  "III  –  Dos  Procedimentos  adotados  pela  Impugnante  –  A  Inexistência da Alegada Provisão Indedutível (IRPJ/CSLL)  ­ (...)  III.2  Os  Procedimentos  da  Impugnante  na  Apuração  do  Lucro  Real – Despesas Incorridas e Provisões  ­ Ao proceder a autuação o Fisco deixou de considerar que os  custos deduzidos pela Impugnante na apuração do IRPJ e CSLL  do  ano­base  de  2009  não  eram  provisões  e  sim  verdadeiras  “contas a pagar”. Simplesmente, optou por seguir sem maiores  indagações os artigos 335 a 338 do RIR/1999.  ­ Salienta que o seu objeto social relaciona­se “as atividades de  transporte geral de mercadorias ou quaisquer objetos, inclusive  produtos classificados como perigosos”.  ­ Explica que não possui caminhões próprios, sendo obrigada a  contratar  empresas  especializadas  que  farão  o  transporte  das  mercadorias de seus clientes. Nesse sentido, salienta:  Contratada a transportadora que atua na região do país para a  qual  se  destinam  as  mercadorias  e  após  o  carregamento  do  caminhão,  a  Impugnante  emite  o  competente  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário  de  Cargas  (CTRC)  e  fatura  contra  seu  cliente o serviço prestado;   Como dispõe de todas as informações necessárias exigidas pela  legislação para a dedutibilidade, entre elas o valor do frete para  o  trecho  em  que  será  realizado  o  transporte,  a  Impugnante  registra essa despesa em seus  livros e a considera dedutível na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  a  despeito  do  recebimento  da  documentação  fiscal  que  somente  será  emitida  em  até  15  (quinze) dias após a prestação do serviço.  Fl. 819DF CARF MF     8 ­  Na  prática,  a  Impugnante  (que  não  possui  caminhões)  não  pode prestar o serviço e cobrar de seus clientes o transporte de  mercadorias  e  produtos  sem  que  tenha  antecipadamente  contratado  uma  das  transportadoras  com  quem  regularmente  opera. Portanto, antes de emitir cada uma de suas faturas pelos  serviços  que  presta  a  Impugnante  deve  ter  pleno  e  prévio  conhecimento dos custos de cada uma de suas operações.  ­  Diz,  para  cada  receita  a  Impugnante  tem  um  custo  perfeitamente  conhecido  e  atrelado  que,  como  já  dito,  não  sofrerá nenhuma alteração. Essa vinculação entre receita e seus  respectivos custos e despesas é objeto de regra específica da Lei  das SA (§1º do art. 187), aplicável a todas as empresas.  ­ Em  função disso, os custos  com  frete –  claramente  revestidos  de  necessidade  às  operações  da  Impugnante,  de  certeza  e  de  confiabilidade – não podem ser tratados como “provisões” e sim  como verdadeira “contas a pagar”.  ­  A  despeito  do  título  da  conta  contábil  (que,  como  sabemos  a  Impugnante  chama  de  “provisão”  quando  deveria  chamar  de  “contas a pagar”), seguindo prática adotada por quase todas as  sociedades  empresariais  que  operam  no  Brasil,  a  Impugnante  registra  a  contrapartida  de  seus  gastos  incorridos  com  a  contratação de fretes como custos.  ­ Salienta que nenhum reparo ou questionamento pode ser feito  aos procedimentos da Impugnante. Porém, o Fisco:  (i) optou por não levar em consideração o procedimento regular  acima descrito;  (ii)  seguiu,  sem  maiores  indagações,  a  nomenclatura  adotada  pela  Impugnante,  que  chamou  seu  “Contas  a  Pagar”  de  “Provisões”;  em  outras  palavras,  o  Fisco  não  levou  em  conta  que os valores classificados por ele como não dedutíveis são, na  verdade,  custos  (totalmente  dedutíveis),  pois  são  certos  e  conhecidos na data d seu registro;  (iii) ao tratar como indedutíveis os custos com o frete contratado  pela  Impugnante,  está  contrariando  frontalmente  o  emparelhamento receita/custo o que, na prática, provocará uma  indevida antecipação de receitas.  ­ (...)"    Ao final a Recorrente requer o acolhimento do presente aditamento e reitera o  pedido  de  sua  impugnação  original  para  que  seja  julgado  totalmente  improcedente  o  lançamento.  Requer também, caso necessário para correta apuração dos fatos, a realização  de diligências.    Decisão DRJ    Fl. 820DF CARF MF Processo nº 12448.727630/2012­05  Acórdão n.º 1201­002.356  S1­C2T1  Fl. 6          9 No dia 11 de fevereiro de 2014, a 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG,  julgou  improcedente  a  impugnação,  para  indeferir  o  pedido  de  perícia  e  manter  integralmente  o  crédito  tributário  em  litígio,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar o presente julgado.    Recurso Voluntário    Foi  apresentado  Recurso Voluntário  que  ratifica  os  termos  da  Impugnação  apresentada.     Resolução n° 1201­000.190 de 02/02/2016    Através  da  Resolução  n°1201­000.190,  a  presente  Turma  de  Julgamento  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  DRF  de  origem  respondesse  os  seguintes quesitos:  i­) os valores adicionados pela Recorrente na parte A do Lalur do período em  questão, no montante de R$ 6.884.311,62 se referem às provisões objeto do lançamento fiscal?  ii­)  é  possível  verificar  nos  livros  contábeis  da  empresa  a  reversão  de  provisão  no  valor  de  R$  7.232.986,20  que  tenha  afetado  (aumentado)  o  lucro  líquido  do  período sem a correspondente exclusão no Lalur?  iii­)  é  possível  relacionar  parte  dos  valores  tratados  contabilmente  como  provisão pela Recorrente à despesas efetivamente incorrida nas operações?    Resposta à Diligência    Conforme Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 794­798, a  autoridade fiscal apresentou as seguintes respostas:  1­) Os valores  adicionados pela Recorrente na parte A do Lalur do período  em questão,  no montante de R$ 6.884.311,62  se  referem  às  provisões  objeto  do  lançamento  fiscal?  R: A totalidade do valor de R$ 6.884.311,62 não tem relação com o montante  de  R$  13.185.312,32  e  nem  com  o  valor  de  R$  7.232.986,20  e  aos  respectivos  registros  contábeis  das  operações  de  transporte  indicadas  neste  relatório.  Deste  montante,  foi  identificado  o  total  de  R$  6.411.990,98  que  na  realidade,  refere­se  a  custos  e  despesas  operacionais considerados pela legislação como não dedutíveis e por essa razão adicionados ao  LALUR  para  fins  tributários,  quando  foi  adicionado  um montante  a  maior  no  valor  de  R$  6.884.311,62, sendo a diferença a favor do fisco.   2­)  É  possível  verificar  nos  livros  contábeis  da  empresa  a  reversão  de  provisão  no  valor  de  R$  7.232.986,20  que  tenha  afetado  (aumentado)  o  lucro  líquido  do  período sem a correspondente exclusão no Lalur?  Fl. 821DF CARF MF     10 R:  Na  resposta  da  recorrente,  datada  de  05.05.2016,  pode  se  verificar  na  planilha  n.  05  os  lançamentos  analíticos  que  compõem  o  total  de  R$  7.232.986,20.  Estes  montantes  encontram­se devidamente  registrados nos  livros  contábeis  da empresa nas  contas  219101,  21903,  contrapartida  das  contas  711101,  71115,  711106,  711107,  711108,  com  o  histórico de: REVERSÃO DE PROVISÃO DE DEZ/08.  A contabilidade não procedeu a  reversões de provisões, mas sim a reversão  de apropriação de custo incorrido de dezembro de 2008 em janeiro de 2009. A planilha n. 05,  confirma  tal  afirmativa,  uma  vez  que  apresenta  o  demonstrado  contábil  de  reversão  de  apropriação, indevidamente denominada de provisão.   A  título  de  esclarecimento,  a  contabilidade  da  GEFCO  atribuiu  a  denominação "PROVISÃO" para contas de apropriação e reversão dos custos incorridos, o fato  literal afetou a fiscalização quanto na interpretação das contas examinadas.  A planilha n. 6 relaciona a movimentação das contas 71101, 71104, 71105 a  71109,  71112,  71113,  711202,  711204,  712204,  712109,  713102,  713201,  713205,  713303713303,  713307,  713605,  713606,  713913,  713915  e  713924.  O  somatório  destas  contas refere­se ao total de R$ 13.185.314,62.  A planilha n. 01, apresentada anexa à resposta da recorrente, relaciona todos  os documentos fiscais que compõem o referido valor, pormenorizado cada uma das operações  de acordo com as notas fiscais equivalente.     3­)  É  possível  relacionar  parte  dos  valores  tratados  contabilmente  como  provisão pela Recorrente à despesas efetivamente incorrida nas operações?  R: As planilhas anexas de n. 04 e 05 fazem esta correlação. A planilha n. 04,  relaciona o valor adicionado via LALUR ­ que se referem às Provisões Temporárias; a planilha  n. 5 ­ trata das reversões das apropriações de 2008 revertidas em janeiro de 2009.  Temos  ainda  a  planilha  n.  06  ­  que  registra  todo  o  montante  dos  R$  13.185.235,03,  catalogado  por  conta  contábil  e  cuja  documentação  foi  examinada  nesta  diligência.     É o relatório      Voto             Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator  O  Recurso  é  tempestivo,  preenche  todo  os  requisitos  legais  de  admissibilidade, merecendo, portanto, ser acolhido.     Fl. 822DF CARF MF Processo nº 12448.727630/2012­05  Acórdão n.º 1201­002.356  S1­C2T1  Fl. 7          11 Mérito  Conforme se depreende dos Relatório, o núcleo da presente discussão refere­ se à dedução indevida pela Recorrente de provisões referente à despesas não incorridas.   Portanto,  não  se  trata  de  uma discussão  jurídica  acerca  da possibilidade  de  dedução  de  provisões  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL,  mas  sim,  de  questão  amparada  meramente em questões fáticas e documentais.   Segundo  a  fiscalização,  a  Recorrente  deixou  de  adicionar  ao  lucro  líquido,  por  ocasião  da  apuração  do  Lucro  Real,  o  montante  de  R$  13.185.314,32  que  se  refere  a  provisões existentes ao final do ano de 2009.  Aduz a fiscalização que a legislação em vigor é muito restrita ao permitir a  dedução de provisões no cálculo do Lucro Real, mencionando as exceções relacionadas ao 13  Salário e Férias de funcionários, o que não seria o caso.   Por outro lado, a Recorrente alega que a Fiscalização teria ignorado adição  efetuada pela Recorrente ao  lucro  líquido e demonstrada em DIPJ e Lalur, no valor de  R$  6.884.311,62,  montante  este  que  deveria  ser  abatido  no  cálculo  considerado  no  lançamento  fiscal,  vez  que  tal  adição  tem  como  referência  o  mesmo  grupo  de  provisões  utilizado na autuação.   Além  disso,  teria  também a Fiscalização,  deixado de  observar  reversão  de provisão no valor de R$ 7.232.986,20 que seria passível de exclusão do  lucro  líquido  (exclusão  de  reversão  de  provisão  indedutível),  que  deveria,  portanto,  ser  abatida  da  importância exigida.   Por  fim,  alega  também  a  Recorrente  que  parte  dos  valores  contabilizados  como  provisões  se  referiam,  na  realidade,  à  despesas  operacionais  já  incorridas  e,  portanto,  dedutíveis para cálculo do Lucro Real.   Tendo  em vista  que os  documentos  acostados  aos  autos  (DIPJ/LALUR),  já  traziam  os  valores mencionados  pela Recorrente,  contudo,  não  havia  sido  possível  efetuar  a  correlação  direta  entre  tais  valores,  quais  sejam,  adições  efetuadas  ao  Lucro  Líquido  e  Reversão de provisões não excluída  com os valores  objeto da  autuação,  entendeu a presente  Turma de Julgamento por converter o julgamento em diligência, decisão esta que mostrou­se  acertada para o deslinde da presente discussão.   Isso porque, conforme destacado ao final do relatório ao norte, a autoridade  fiscal  em  resposta  ao  quesitos  da  diligência,  conseguiu  esclarecer  de  forma  cristalina  o  que  aconteceu:  2­)  É  possível  verificar  nos  livros  contábeis  da  empresa  a  reversão  de  provisão  no  valor  de  R$  7.232.986,20  que  tenha  afetado  (aumentado)  o  lucro  líquido  do  período sem a correspondente exclusão no Lalur?  Na  resposta  da  recorrente,  datada  de  05.05.2016,  pode  se  verificar  na  planilha  n.  05  os  lançamentos  analíticos  que  compõem  o  total  de  R$  7.232.986,20.  Estes  montantes  encontram­se  devidamente  registrados  nos  livros  contábeis  da  empresa  nas  contas  219101,  21903,  contrapartida  das  contas  Fl. 823DF CARF MF     12 711101,  71115,  711106,  711107,  711108,  com  o  histórico  de:  REVERSÃO DE PROVISÃO DE DEZ/08.  A contabilidade não procedeu a reversões de provisões, mas sim  a  reversão  de  apropriação  de  custo  incorrido  de  dezembro  de  2008  em  janeiro  de  2009.  A  planilha  n.  05,  confirma  tal  afirmativa,  uma  vez  que  apresenta  o  demonstrado  contábil  de  reversão  de  apropriação,  indevidamente  denominada  de  provisão.   A título de esclarecimento, a contabilidade da GEFCO atribuiu a  denominação  "PROVISÃO"  para  contas  de  apropriação  e  reversão  dos  custos  incorridos,  o  fato  literal  afetou  a  fiscalização quanto na interpretação das contas examinadas  3­)  É  possível  relacionar  parte  dos  valores  tratados  contabilmente  como  provisão pela Recorrente à despesas efetivamente incorrida nas operações?  R: As  planilhas  anexas  de  n.  04  e 05  fazem esta  correlação. A  planilha n. 04, relaciona o valor adicionado via LALUR ­ que se  referem  às  Provisões  Temporárias;  a  planilha  n.  5  ­  trata  das  reversões  das  apropriações  de  2008  revertidas  em  janeiro  de  2009.  Temos ainda a planilha n. 06 ­ que registra todo o montante dos  R$  13.185.235,03,  catalogado  por  conta  contábil  e  cuja  documentação foi examinada nesta diligência.   Vemos  aqui  que  as  supostas  provisões  indedutíveis  que  deram  origem  ao  lançamento fiscal refletiam na realidade custos incorridos pela Recorrente em sua operação que  poderiam ser deduzidas para fins de apuração do IRPJ/CSLL.   Contudo,  a  adoção  equivocada  da  nomeclatura  "Provisão"  para  as  contas  contábeis utilizadas pra registro de tais custos, levou a fiscalização a erro. Porém tal erro não  pode perdurar após devidamente comprovadas as despesas que na essência são registradas em  tais contas.   A correlação  inequívoca efetuada através das planilhas 04 e 05 mencionada  no  Relatório  de  Encerramento  de  Diligência  Fiscal  devidamente  suportada  por  documentos  fiscais  espanca  qualquer  dúvida  a  respeito  da  correção  dos  lançamentos  da  Recorrente  e  conseqüente tratamento tributário.   Desta  sorte,  ao  presente  julgador  não  resta  qualquer  dúvida  de  que  o  lançamento fiscal deve ser cancelado.   Conclusão  Diante  do  exposto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  no  MÉRITO  DAR­LHE PROVIMENTO.   É como voto.    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator  Fl. 824DF CARF MF Processo nº 12448.727630/2012­05  Acórdão n.º 1201­002.356  S1­C2T1  Fl. 8          13                                 Fl. 825DF CARF MF

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7473922 #
Numero do processo: 10314.720770/2016-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Não é nulo o procedimento administrativo fiscal que constitui créditos de outro tributo, que, em um primeiro momento, não era objeto da fiscalização expressamente autorizada por ato do Delegado da Receita Federal do Brasil onde tem domicílio o contribuinte. Inteligência do artigo 8º da Portaria RFB nº 3.014/11 e suas posteriores alterações. IRPJ E CSLL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. As despesas incorridas decorrentes de desfalque, apropriação indébita ou furto, praticados por empregados e terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa crime perante a autoridade policial, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, nos termos autorizados pelo artigo 364 do RIR/99. O contrato de trabalho suspenso, em virtude da eleição do empregado para cargo de diretoria, não deixa de produzir alguns efeitos, tampouco desvirtua o conceito de empregado, para fins de aplicação do que determina o artigo 364 do RIR/99.
Numero da decisão: 1302-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Maria Lucia Miceli votaram pelas conclusões do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo solicitou a apresentação da declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Maria Lucia Miceli votaram pelas conclusões do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo solicitou a apresentação da declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.

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1302­003.095  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de setembro de 2018  Matéria  IRPJ  Recorrente  WHIRLPOOL S.A.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL   Não  é  nulo  o  procedimento  administrativo  fiscal  que  constitui  créditos  de  outro tributo, que, em um primeiro momento, não era objeto da fiscalização  expressamente autorizada por ato do Delegado da Receita Federal do Brasil  onde tem domicílio o contribuinte. Inteligência do artigo 8º da Portaria RFB  nº 3.014/11 e suas posteriores alterações.   IRPJ E CSLL. DESPESAS DEDUTÍVEIS.   As  despesas  incorridas  decorrentes  de  desfalque,  apropriação  indébita  ou  furto,  praticados  por  empregados  e  terceiros,  quando  houver  inquérito  instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa  crime perante a autoridade policial, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ  e CSLL, nos termos autorizados pelo artigo 364 do RIR/99.  O contrato de  trabalho  suspenso,  em virtude da  eleição do  empregado para  cargo de diretoria, não deixa de produzir alguns efeitos, tampouco desvirtua o  conceito de empregado, para fins de aplicação do que determina o artigo 364  do RIR/99.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminar de nulidade  suscitada e,  no mérito,  em dar provimento  ao  recurso voluntário,  nos  termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Maria  Lucia  Miceli  votaram  pelas  conclusões  do  relator.  O  conselheiro  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo solicitou a apresentação da declaração de voto.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 70 /2 01 6- 68 Fl. 1395DF CARF MF     2 LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos César Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.     Relatório  Trata­se, o presente processo, de autuação lavrada em face do ora Recorrente,  Whirlpoll  S.A.,  através  do  qual  foram  constituídos  créditos  tributários  de  IRPJ  e  CSLL,  relativos ao ano calendário de 2011.  De acordo com a acusação fiscal, a Recorrente, na condição de sucessora da  empresa  EMBRACO  S/A  ­  Empresa  Brasileira  de  Compressores,  teria,  indevidamente,  deduzido  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  valores  pagos  em  decorrência  de  acordo  judicial  firmado  com o Banco Safra,  relativos  a  empréstimos  tomados  de  forma  ilícita  e  em  desacordo com o Estatuto Social da companhia.   No Termo de Verificação Fiscal de  fls.  811  a 842, o  agente  autuante,  após  discorrer  sobre  o  processo  de  fiscalização,  sobre  as  intimações  enviadas  ao  contribuinte  e  acerca das respostas por este elaboradas, afirma que as despesas incorridas com o pagamento  do acordo judicial firmado com o Banco Safra, nos autos da execução n° 000.01.096157­7, não  poderiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como fez o Recorrente, uma  vez  que  não  estaria  enquadrada  na  hipótese  do  artigo  364  do  RIR/99,  tampouco  seria  uma  despesa operacional passível de dedução.  Quando  intimado  da  autuação,  o  Recorrente  apresentou  Impugnação  administrativa,  na  qual  apresentou  os  argumentos  que,  supostamente,  demonstrariam  que  a  dedução  estaria  correta,  uma  vez  que  autorizada  pela  legislação  em  vigor.  Os  argumentos  apresentados  naquela  Impugnação  foram  assim  sintetizados  pelo  acórdão  ora  recorrido,  proferido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP):   Preliminarmente, alega a  Impugnante que o auto de  infração é  nulo,  por  estar  autorizada  fiscalização  única  e  exclusivamente  em  relação  ao  IRPJ,  não  abrangendo  a  CSLL,  conforme  Portaria RFB nº 1.687/2014 e acórdão colacionado do CARF.  Ainda  como  preliminar,  defende  que  o  lançamento  da  multa  isolada  incorreu na mesma nulidade,  já que  foram adicionados  valores  relativos  aos  créditos  prêmio  de  IPI,  oriundos  de  do  BEFIEX,  objeto  de  fiscalização  já  encerrada  e  de  lançamento  discutido no processo administrativo nº 19515.722229/2012­79,  em  grave  afronta  ao  princípio  da  Segurança  Jurídica.  Para  a  Impugnante,  se  assim  o  for,  “qualquer  fiscal  poderia  simplesmente  re­autuar  a  mesma  matéria  por  não  concordar  com os  fundamentos  da  autuação de  seu  colega  ou por  após  o  encerramento  da  fiscalização  pretender  aperfeiçoar  o  Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.396          3 lançamento com argumentos adicionais ou incluindo valores que  por erro deixou de autuar”. Alem disso, sequer foram indicadas  as razões pelas quais foram adicionados os valores relativos aos  créditos prêmio de IPI oriundos do BEFIEX, no cálculo da multa  isolada,  carecendo  de  motivação  e  violando  as  garantias  fundamentais da ampla defesa e do contraditório (julgamento do  CARF colacionado).  No  mérito,  defende  a  Impugnante  que  são  improcedentes  os  argumentos dos Autos de Infração, uma vez que :  ­ O prejuízo ocasionou lesão ao seu patrimônio, caracterizadora  do desfalque;  ­  a exigência de abertura de  inquérito  trabalhista é  inaplicável  nas demissões por justa causa, de empregados não estáveis;  ­ todos os atos que materializaram o desfalque foram praticados  exclusivamente por empregados celetistas da EMBRACO;  ­  o  beneficiário  exclusivo  e  direto  do  desfalque  foi  um  terceiro  (Distribank), assim como os beneficiários indiretos, seus sócios,  também terceiros à EMBRACO;  ­  “ainda  que  o  Diretor­Superintendente  não  tenha  praticado  nenhum  dos  atos  que  materializaram  o  desfalque,  nem  se  beneficiado diretamente desta conduta criminosa,  limitando seu  envolvimento à mentoria do esquema, é importante notar que tal  Diretor revestia a condição de empregado”;  ­ a ausência de registro contábil é irrelevante, pois decorreu do  ardil  utilizado  pelos  criminosos  e  o  prejuízo  foi  reconhecido  contabilmente  quando  da  celebração  do  acordo  judicial  com o  banco;  Afirma  a  Impugnante  Whirpool  que,  além  de  dedutível  nos  termos do art. 364 do RIR/99, a despesa também é dedutível nos  termos do art. 299, pelos seguintes motivos:  ­  o  acordo  judicial  teve  como  principal  objetivo  colocar  fim  a  uma  discussão  judicial  complexa  ,  que  provavelmente  traria  perdas  econômicas  ainda  maiores,  impactando  significativamente suas atividades;  ­  não  praticou  qualquer  infração  ou  ato  ilícito,  não  houver  qualquer  condenação  a  indenização,  não  podendo  ser  considerada penalidade, sendo sua responsabilidade decorrente  de mera ação de execução, com decisão destinada a proteger o  terceiros  de  boa­fé  (Banco  Safra),  igualmente  vítima  do  desfalque;  ­ “os valores pagos também configuram despesa necessária por  se  referir  à  cobrança  de  operação  de  empréstimo  considerado  válido,  cuja  obrigatoriedade  do  pagamento  decorre  de  imposição judicial”;  Fl. 1397DF CARF MF     4 ­  o  ilícito  cometido  pelos  empregados  não  configura  ilícito  da  própria EMBRACO,  já que não houve omissão, pois a empresa  apurou  e  puniu  o  desvio  de  poder  praticado  pelo  Sr.  Bertola  (comprovado  perante  a  Comissão  de  Valores  Mobiliários)  e  demais empregados, demitindo­os e tomando providências para  a instauração de inquérito policial.  A Impugnante faz uma explanação sobre o cenário da época e a  operação  que  resultou  em  prejuízo  da  Embraco,  por  meio  de  operações de  crédito  celebradas  com o Banco Safra  sem o  seu  consentimento,  mediante  transferência  de  recursos  para  o  Distribank.  Tais operações resultaram em demissão de todos os empregados  envolvidos  e  colaboração  para  com  o  Ministério  Público  na  punição  dos  envolvidos,  concluindo  ainda  não  ser  possível  adotar medidas para a recuperação dos valores desviados, pois  não  houve  qualquer  desembolso  financeiro  e  os  valores  não  transitaram  pelas  contas  da  sociedade.  Ademais,  tanto  o  Distribank como os envolvidos estavam plenamente insolventes.  Para  a  Impugnante,  o  processo  demonstrou  que  a  EMBRACO,  excetuando­se os envolvidos na fraude, os demais funcionários e  administradores  não  tinham  conhecimento  da  existência  das  referidas contas correntes, nem das operações de empréstimo, já  que  mantidas  à  margem  da  contabilidade.  A  operação  de  empréstimo  decorreu  da  celebração  de  contrato  de  forma  irregular, em violação a disposições do Estatuto Social. Mesmo  assim, a empresa foi condenada a pagar os valores contratados  ao banco, terceiro de boa­fé.  Diante  das  perspectivas  de  êxito  na  discussão  judicial  na  fase  executória,  informa  a  impugnante  que  passou  “a  considerar  a  possibilidade  de  firmar  um  acordo  com  o  Banco  Safra  para  colocar fim à discussão e mitigar os efeitos econômicos que uma  potencial perda poderia lhe trazer ao final do processo”. Assim,  optou pela celebração, no final de junho de 2011, de um acordo  extrajudicial para pôr fim à demanda, com o valor de liquidação  fixado em R$ 958.534.200,00.  Com base nesse pagamento, alega a Impugnante que considerou  que  os  valores  pagos  deveriam  ser  deduzidos  para  fins  de  apuração  do  seu  IRPJ  e  CSLL,  por  se  tratar  de  uma  despesa  necessária à sua atividade e decorrente de prejuízo ocasionado  por empregado/terceiro.  Alega  que  foi  instaurado  o  Inquérito  Administrativo  nº  12/90  pela  CVM,  com  o  objetivo  de  apurar  a  responsabilidade  de  administradores,  ficando  constatado  que  Rodolpho  Bertola  cometeu um ato  ilícito,  enquadrado claramente como desvio de  poder  previsto  no  artigo  154  da  Lei  6.404/76,  sem  qualquer  benefício, ainda que indireto, para a EMBRACO, ocorrendo em  uma  perda  em  seu  patrimônio,  perda  essa  integralmente  dedutível para fins de IRPJ e CSLL.  A  Impugnante  defende  que  tomou  todas  as  medidas  cabíveis,  tanto na esfera cível, como na esfera criminal e  trabalhista. Ao  final,  por  ter  perdido  a  discussão  judicial  e  diante  das  perspectivas de êxito na demanda, e seria um completo absurdo  Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.397          5 admitir que o pagamento teria sido feito pela companhia apenas  para  possibilitar  a  redução  de  IRPJ  e  CSLL  a  pagar  no  ano­ calendário de 2011.  Ao discorrer  sobre a aplicação do art.  364 do RIR/99, defende  que sua aplicação não deve ser restritiva, tal como indicado pelo  Auditor  Fiscal.  O  crime  praticado  contra  a  Impugnante  se  enquadra  perfeitamente  no  conceito  de  desfalque,  que  deve  ser  considerado  em  sua  acepção  ampla,  a  de  redução  ilícita  do  patrimônio pelo desvio de dinheiro.  Como  no  presente  caso,  o  termo  desfalque  é  comumente  de  estelionato, conforme julgados que colaciona.  Ao  contestar  a  inexistência  de  instauração  de  inquérito  trabalhista aos participantes do ato,  assevera que o dispositivo  legal  (art.  364 do RIR)  estabelece obrigação alternativa: ou se  instaura  inquérito  nos  termos  da  legislação  trabalhista  ou  se  apresenta  queixa  perante  a  autoridade  policial,  com  a  simples  finalidade  de  confirmar  a  veracidade  dos  fatos  e  a  autoria.  A  Embraco apresentou queixa crime à autoridade policial que, por  sua  vez,  procedeu  à  instauração  de  inquérito  penal,  restando  satisfeito o requisito legal. Ademais, a legislação trabalhista não  impõe  esse  procedimento  (instauração  de  inquérito)  nos  casos  aqui  tratados,  não  havendo  motivos  para  que  a  Autoridade  Fiscal o faça.  A  Impugnante  afirma  também que  não  há  impedimento  legal  à  dedutibilidade  por  participação  de  Diretor­Superintendente  no  desfalque, já que o Sr. Rodolpho Bertola não era nem sócio nem  proprietário  da  Embraco,  mas  sim  empregado.  Defende  que  a  interpretação do Parecer Normativo nº 50/73 é restritiva, ilegal  e  defasada,  mostrando­se  incoerente  “quando  a  sociedade  possui  uma  pluralidade  de  sócios  que  não  tiveram  qualquer  envolvimento  ou  participação  na  prática  da  infração  e  que,  portanto, foram tão lesados quanto à própria sociedade por atos  de sócio criminoso”.  Acrescenta  a  Impugnante  que  o  Sr.  Bertola,  apesar  de  determinante para a prática do delito, não foi o executor, sendo  que os outros participantes,  igualmente autores do crime, eram  celetistas e foram demitidos (juntamente com o Sr. Bertola, que  foi  demitido  por  justa  causa  e  tentou  reverter  a  situação  por  meio de ação rescisória). Além disso, o Distribank (terceiro) foi  a único beneficiário do desfalque.  Em  relação  à  ausência  de  prévio  registro  contábil  do  empréstimo,  afirma  que  não  há  motivos  para  subordiná­lo  ao  desfalque,  pois  houve  uma  efetiva  redução  do  seu  ativo  no  momento  do  pagamento  dos  valores  acordados  judicialmente,  lançado em seu ativo na conta "Caixa", contra uma despesa no  seu resultado.  Quanto  à  caracterização  do  pagamento  como  despesa  não  operacional, equiparável a multas punitivas ou indenização por  ato  ilícito,  defende  que  a  tributação  deve  ocorrer  sobre  Fl. 1399DF CARF MF     6 variações patrimoniais positivas, sendo indedutíveis as despesas  não consideradas necessárias, usuais ou normais. A necessidade  da  despesa,  critério  objetivo,  se  verifica  sempre  que  ela  for  inerente  à  atividade  da  empresa  ou  à  sua  atividade  produtora,  ou for dela decorrente ou com ela for relacionada.  Para o Impugnante, essa posição é corroborada em julgado do  CARF e pelo Parecer Normativo CST nº 32/81, segundo o qual  “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou  operação exigida pela exploração das atividades, principais ou  acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de  rendimentos”. No ponto, conclui “que a necessidade de despesa  exprime  uma  relação  de  pertinência,  conexão  ou  vinculação  objetiva  do  decréscimo  patrimonial  em  que  ela  se  traduz  e  a  atividade da empresa,  face às circunstâncias em que a despesa  se realizou”.  Para  Impugnante,  seria  absurdo  afirmar  que  a  empresa  que  toma as medidas cabíveis para reduzir a sua perda patrimonial,  causada por empregados que agiram em interesse pessoal, não  está  agindo  de  forma  normal  e  usual.  Qualquer  empresa  está  exposta ao risco de que administradores e/ou empregados ajam  com  base  em  seus  interesses  pessoais  e  em  detrimento  da  sociedade, causando­lhe graves prejuízos, devendo ser lembrado  que a empresa tentou, por mais de 20 anos de discussão judicial,  evitar essa despesa decorrente de fraude.  Afirma  a  Impugnante  que  o  acordo  judicial  colocou  fim  ao  processo,  fixando  a  meio  caminho  o  valor  da  dívida  cobrada  pelo  banco,  revestindo­se  dos  critérios  de  necessidade,  usualidade e normalidade a que se refere o art. 299 do RIR/99. E  tal  dívida  não  teve  o  caráter  de  penalidade  por  omissão,  tal  como  defendido  no  auto  de  infração,  pois  não  se  pode  impor  multa a si mesma, por  ilícito que não cometeu, mas do qual  foi  vítima. Assim, lembrando que a decisão judicial não resultou de  uma declaração de licitude do ato praticado pelos acusados, mas  apenas da suposta boa­fé do Banco Safra, considerando válida a  operação  de  empréstimo  e  determinando  o  pagamento  dos  valores  contratuais  corrigidos  e acrescidos de  juros, ao abrigo  de processo de execução.  Defende  que,  se  não  há  ato  ilícito  praticado  pela  empresa,  os  pagamentos  não  tem  caráter  de multa  punitiva  ou  indenização  por  ato  ilícito,  sendo  a  analogia  vedada  para  amparar  a  exigência de tributo, conforme §1º, art. 108 do CTN. Ademais, o  acordo firmado com o Banco Safra constitui despesa necessária,  com  características  de  despesa  operacional,  já  que  a  empresa  encontrava­se  obrigada  ao  pagamento  por  determinação  judicial,  e  não  por  mera  liberalidade,  guardando  similaridade  com alguns julgados do CARF.  Ao  contrariar  a  exigência  cumulada  de  multa  de  ofício  com  multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a  base mensal estimada no período de julho a dezembro de 2011,  alega a Impugnante que a matéria é pacífica na  jurisprudência  administrativa,  inclusive  na  CSRF,  por  caracterizar  uma  indevida  dupla  penalização  do  contribuinte  (violação  ao  princípio da consunção), com previsão contida na Súmula CARF  Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.398          7 nº  105  e  corroborado  pelos  votos  colacionados  e  acórdãos  colacionados. Acresce ainda que o Plenário do STF reconheceu  repercussão geral ao Recurso Especial em que discute o caráter  confiscatório da multa isolada.  Afirma ainda que foram incluídos na base de cálculo dos tributos  valores  correspondentes  aos  créditos  prêmio  de  IPI,  indevidamente  e  sem  fundamento  legal,  auferidos  ao  abrigo  do  benefício  do  BEFIEX,  que  foram  objeto  de  fiscalização  já  encerrada e de lançamento discutido no processo administrativo  nº 19515.722229/2012­79.  Acrescenta  que  não  foi  reconhecido  o  pagamento  de  R$  545.008,19,  efetuado  em  31/01/2013,  relativo  à  diferença  no  recolhimento do  imposto de  renda por estimativa de  janeiro de  2011, conforme o comprovante de pagamento anexo, e que não  foram  compensados  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  (R$  21.145.989,43) e da base negativa da CSLL (R$ 20.634.019,93),  havendo valores no SAPLI equivocados.  Por fim, requer seja dado provimento à presente Impugnação, a  fim  de  que  seja  determinado  o  cancelamento  integral  da  autuação fiscal pelas razões acima resumidas.  Em  análise  aos  argumentos  apresentados  pelo  contribuinte  em  Impugnação  administrativa, aquela Delegacia de Julgamento entendeu por bem negar provimento ao apelo,  tendo o acórdão proferido recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2011  TRIBUTO  INDICADO  NO  MPF.  INCLUSÃO  DE  TRIBUTOS REFLEXOS. POSSIBILIDADE.  Na  hipótese  em  que  infrações  apuradas  também  configurarem,  com  base  nos mesmos  elementos  de  prova,  infrações  a  normas  de  outros  tributos,  estes  serão  considerados  incluídos  no  procedimento  de  fiscalização,  independentemente de menção expressa no MPF.  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  DECORRENTES  DE  DESFALQUE.  NÃO  ATENDIMENTO  A  REQUISITOS  CUMULATIVOS.  ATO  COMETIDO  POR  DIRETOR­ SUPERINTENDENTE.   Para  a  dedutibilidade  de  despesas  decorrentes  de  desfalque,  apropriação  indébita  ou  furto,  necessário  que  haja queixa crime ou inquérito trabalhista, e que o ato seja  cometido  por  terceiros  ou  empregados.  O  Diretor­ Superintendente  não  é  considerado  empregado  nem  terceiro,  motivo  pelo  qual  a  legislação  não  permite  a  dedução  de  valores  da  apuração  do  lucro  real,  pagos  a  Fl. 1401DF CARF MF     8 instituição bancária, em decorrência de ato  ilícito por ele  praticado.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL.  MULTA ISOLADA.   A  sanção  imposta  pelo  não  recolhimento  da  estimativa  mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada  incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido  antecipado.  CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. UTILIZAÇÃO DE VALORES  COM  BASE  EM  LANÇAMENTO  ANTERIOR.  VALORES  INSERIDOS  NO  SAPLI.  PRESUNÇÃO  DE  LEGITIMIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ATÉ  DECISÃO DEFINITIVA EM CONTRÁRIO.  O  crédito  tributário  regularmente  constituído  tem  presunção de legitimidade, permanecendo válido enquanto  não anulado pela própria Administração Tributária ou pelo  Poder  Judiciário.  A  apresentação  de  impugnação  administrativa  ao  lançamento  anterior  tem  o  condão  de  suspender  somente  o  atributo  de  exigibilidade  do  crédito  tributário,  sendo  válida  a  soma  de  valores  de  crédito  prêmio  de  IPI  apurados  naquele  auto  de  infração  e  a  alteração  no  sistema  SAPLI  dos  valores  de  prejuízo  fiscalAo  ser  intimado  do  acórdão,  o  Recorrente  apresentou  extenso  Recurso  Voluntário,  no  qual  repisa  os  argumentos  lançados  em  sua  Impugnação,  acrescentando,  contudo,  uma  preliminar  de  nulidade  da  decisão  proferida,  uma  vez  que  supostamente faltou a esta motivação nas razões de decidir.  Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual,  após  discorrer  sobre  a  autuação  e  apontar  como  incorretas  as  razões  de  decidir  da  DRJ  de  Ribeirão Preto  (SP),  repisa os  argumentos  apresentados  em  sua  Impugnação,  requerendo,  ao  final, o provimento do Recurso, para que reste exonerado, na integralidade, o crédito tributário  constituído em seu desfavor.   A  douta  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  Recurso  Voluntário  às  fls.  1359  a  1393,  na  qual  rebate  na  integralidade  os  argumentos  do  Recorrente,  requerendo,  ao  final,  a manutenção  do  acórdão  proferido  pela  DRJ  de Ribeirão  Preto (SP).   Posteriormente, os autos foram distribuídos a este relator.   Este é o relatório.       Voto             Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.399          9 Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias  DA TEMPESTIVIDADE  Como  se  denota  dos  autos,  o  Recorrente  foi  intimado  do  teor  do  acórdão  recorrido,  via  intimação  eletrônica,  em  23/06/2017  (fl.  1229),  sexta­feira,  apresentando  o  Recurso Voluntário ora analisado no dia 25/07/2017 (fl. 1232), ou seja, dentro do prazo de 30  dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.   Portanto, sem maiores delongas, uma vez que cumpre os demais requisitos de  admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser analisado por este colegiado.  DA PRELIMINAR  DA  EXTENSÃO  DO  MPF.  DA  AUTORIZAÇÃO  PARA  NOVA  FISCALIZAÇÃO.   Em  sede  preliminar,  o  Recorrente  alega  que  a  autuação  seria  nula  no  que  tange  à  constituição  do  crédito  tributário  de  CSLL,  uma  vez  que,  em  suas  palavras,  em  despacho proferido, o Delegado da DELEX só concedeu autorização para nova fiscalização do  ano de 2011 com relação ao IRPJ, sendo que tal "autorização não abrangeu os seus reflexos,  muito menos a CSLL".   Nas  alegações  apresentadas  no  Recurso  Voluntário,  o  Recorrente  pondera  que o presente caso seria uma exceção ao que dispõe o então vigente artigo 8º da Portaria RFB  nº  3.014/11,  uma  vez  que  tal  norma  não  serve  "para  amparar  a  'inclusão  automática'  de  tributos  em  caso  de  MPF  expedido  para  situações  expecionais  como  a  de  reabertura  de  fiscalização para determinado exercício, como ocorreu no caso em exame".   Com a devida vênia, não assiste razão ao Recorrente neste ponto.   Como  se  observa  da  leitura  do  mencionado  artigo  8º  da  Portaria  RFB  nº  3.014/11 (revogada pela Portaria RFB nº 1.687/14, por sua vez revogada pela Portaria RFB nº  6.478/17),  caso  sejam  identificados,  no  curso  da  fiscalização,  infrações  a  normas  de  outros  tributos, estes poderão ser "incluídos no procedimento de fiscalização,  independentemente de  menção expressa no MPF." Confira­se a sua redação:  Art.  8º  Na  hipótese  em  que  infrações  apuradas,  em  relação  a  tributo contido no MPF­F ou no MPF­E, também configurarem,  com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de  outros  tributos,  estes  serão  considerados  incluídos  no  procedimento  de  fiscalização,  independentemente  de  menção  expressa no MPF.”  Veja­se que o dispositivo não  faz qualquer distinção, ou  seja,  o dispositivo  não  se  diz  aplicável  aos  casos  de  uma  primeira  fiscalização  e  inaplicável  no  caso  de  autorização para reabertura da fiscalização em um determinado período.   O  que  importa,  no  presente  caso,  é  que  houve  autorização  expressa  do  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  que  a  fiscalização  investigasse  período  anteriormente  fiscalizado,  como  determina  o  artigo  906  do  RIR/99,  sendo  que  foi  dada  autorização expressa para nova fiscalização do  IRPJ e tacitamente, como o dispositivo acima  Fl. 1403DF CARF MF     10 transcrito autoriza, para outros tributos, caso as infrações constatadas decorressem dos mesmos  fatos, como no presente caso.   Não  se  pode  perder  de  vista,  neste  ponto,  que  a CSLL,  apesar  de  ser  uma  contribuição e, por isso, ter destinação constitucional específica, ao contrário do IRPJ, tem os  mesmos fatos imponíveis deste imposto, sendo ambos apurados de forma concomitante. Assim,  seria  ilógico  pensar  que,  sendo  autorizada  nova  fiscalização  do  IRPJ,  o  agente  fiscal  estaria  adstrito a analisar apenas as infrações cometidas em relação a este tributo, mesmo constatando  que  os  fatos  apurados  também  teriam  reflexos  em  um  tributo  tão  próximo  ao  IRPJ  como  a  CSLL.  Não é esse o comando da Portaria RFB nº 3.014/11, nem da Portaria RFB nº  1.687/14, que  entrou  em vigor no  curso da  fiscalização. Fiscalização  esta que  foi,  reitere­se,  devidamente autorizada por ato do Delegado da Receita Federal do Brasil,  em procedimento  específico.   Por outro lado, não se pode perder de vista que, uma vez constituído o crédito  tributário,  via  Auto  de  Infração,  o  contribuinte  pode  contestar  eventuais  equívocos  da  fiscalização, quando da instauração do procedimento administrativo ou até mesmo se valer do  Poder Judiciário para afastar a cobrança de créditos tributários em desacordo com a legislação  em vigor. Não há nenhum prejuízo ao contribuinte, quando o agente fiscal estende o objeto da  fiscalização, para abranger outros tributos que não constavam inicialmente do MPF.   Desta forma, neste ponto, REJEITA­SE a preliminar de nulidade da autuação,  no que se refere à constituição da CSSL de forma concomitante ao IRPJ.   DO MÉRITO  Superada a preliminar apresentada no Recurso Voluntário, passa­se a analisar  as  razões  de  mérito  invocadas  pelo  contribuinte.  Antes,  contudo,  de  se  analisar  os  fatos  e  documentos acostados aos autos, entende­se como necessária a fixação de algumas premissas,  que serão essenciais ao deslinde da questão.  DAS  PREMISSAS  QUANTO  A  POSSIBILIDADE  DE  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS PELAS EMPRESAS QUE APURAM O IRPJ E CSLL PELO LUCRO REAL.  De pronto, deve­se discorrer, mesmo que de forma breve, acerca das despesas  dedutíveis na apuração do lucro real, que é a forma de apuração do lucro do Recorrente.  Neste  contexto,  é  importante esclarecer que o dispêndio  feito pela  entidade  ou  toda  obrigação  incorrida  para  aquisição  de  bens,  serviços  ou  utilidades,  deve  ser  considerado  dedutível  se  for  feito  com  o  propósito  de  manter  em  funcionamento  a  fonte  produtora de rendimentos. Nessa linha, confira­se os ensinamentos de Hiromi Higuchi em sua  obra “Imposto de Renda das Empresa: Interpretação e Prática”:  As  despesas  efetuadas  pelas  pessoas  jurídicas  podem  ser  dedutíveis ou indedutíveis na apuração do lucro real. Importante  é também o momento em que a despesa operacional é dedutível  na  determinação  do  lucro  real.  A  despesa  é  dedutível  pelo  regime de competência, ou seja, no momento em que a despesa é  considerada incorrida.  As despesas  operacionais  dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real são aquelas que se encaixam nas condições fixadas no art.  299  do  RIR/99,  isto  é,  despesas  necessárias  à  atividade  da  Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.400          11 empresa e à respectiva fonte produtora de receitas. As despesas  necessárias,  ainda  de  acordo  com  a  legislação  fiscal,  são  as  despesas pagas ou  incorridas  e que sejam usuais  e normais no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa  (HIGUCHI,  Hiromi,  Imposto  de  Renda  das  empresas:  interpretação  e  prática:  atualizado  até  10­01­2015  –  40º  ed.  –  São Paulo: IR Publicações, 215, p.279) (detacou­se).  Os  conceitos  de  despesas  necessárias,  usuais  ou  normais  estão  contidos  no  artigo 299, do RIR/99. Verifica­se:  Art.299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  §1ºSão  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º).  §2ºAs despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais  no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei  nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º).  Por  sua  vez,  o  Parecer  Normativo  CST  nº  32/1981,  previu  que  “o  gasto  é  necessário quando essencial a qualquer  transação ou operação exigida pela exploração das  atividades,  principais  ou  acessórias,  que  estejam  vinculadas  com  as  fontes  produtoras  de  rendimentos”.   Os Tribunais  pátrios  não  destoam deste  entendimento,  como  se  observa  do  julgado,  cuja ementa  segue  transcrita abaixo, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª  Região:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO­CSLL.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA­IRPJ.  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  TIDAS  COMO OPERACIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. CONDENAÇÃO  EM  VERBA  HONORÁRIA  QUE  SE  MANTÉM  1  ­  Quanto  ao  agravo retido, é remansoso o entendimento de que a realização  de perícia  se  revela como o meio de prova oneroso e causador  da  delonga  procedimental,  cabendo  quando  devem  ser  esclarecidas  questões  que  não  possam  ser  verificadas  sem  o  conhecimento técnico. A não realização de perícia contábil não  caracteriza cerceamento de defesa, vez que a matéria tratada na  inicial era de direito, possibilitando assim o julgamento da lide.  Com  efeito,  o  CPC/2015  permite  o  julgamento,  dispensando  a  produção de provas, quando a questão for unicamente de direito  e os documentos acostados aos autos forem suficientes ao exame  do pedido. Também, o art. 370 do CPC/2015 permite ao  juiz a  possibilidade  de  indeferir  diligências  inúteis  ou  meramente  protelatórias,  assim  como  determinar  a  realização  das  provas  que  entenda  necessárias  à  instrução  do  processo,  mesmo  sem  requerimento  da  parte.Na  hipótese,  o  que  se  discute  é  a  possibilidade de descontos concedidos a clientes como despesas  operacionais  e  despesas  de  viagem  e  estadia  de  médicos  e  cirurgiões  cardiologistas  e  técnicos,  dedutíveis  da  base  de  Fl. 1405DF CARF MF     12 cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  sendo  totalmente  desnecessária  a  realização  de  prova  pericial,  pelo  que  rejeito  o  agravo  retido  interposto. 2. Despesas operacionais são as pagas ou incorridas  para  vender  produtos  ou  serviços  e  administrar  a  empresa. A  legislação de regência prescreve restrições quanto à dedução de  despesas  efetivamente  incorridas  e  regularmente  escrituradas.  3.  O  Parecer  Normativo  CST  nº  32/81  declara  que  gasto  necessário  é  o  essencial  a  qualquer  transação  ou  operação  exigida  pela  exploração  das  atividades,  principais  ou  acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de  rendimentos. 4. Na determinação da base de cálculo do IRPJ, a  legislação  considera  dedutíveis  as  despesas  operacionais,  aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da  respectiva fonte produtora. 5. Na hipótese, no tocante a dedução  dos prejuízos operacionais como despesa, não foram cumpridos  os  requisitos  legais,  de  forma  que  não  se  pode  simplesmente  acolher  o  argumento  genérico  de  que  estão  presentes  as  condições  do  artigo  299,  do  RIR/1999.  6.  A  autoridade  fiscal  efetuou a glosa dos valores referentes às despesas efetuadas com  pessoas  não  vinculadas  a  empresa,  como  viagens,  transporte,  estadia de médicos para participação em congressos, exposições  e conferências, bem como descontos concedidos a clientes. 7. As  notas  acostadas  aos  autos,  por  si  só,  não  demonstram  a  finalidade, o relacionamento com a atividade desenvolvida pela  autora.  As  viagens  ao  exterior  deveriam  estar  devidamente  escrituradas  e  de  encontro  com  a  atividade  da  empresa.  8.  Embora útil ou vantajoso o emprego do valor, caracteriza­se um  incremento, mas não uma despesa necessária ou operacional. 9.  Quanto  à  verba  honorária,  esta  deve  ser  mantida,  conforme  fixada na r. sentença. 10. Agravo retido rejeitado. Apelação não  provida.  (AC  00089632520114036100,  DESEMBARGADOR  FEDERAL NERY JUNIOR, TRF3 ­ TERCEIRA TURMA, e­DJF3  Judicial 1 DATA:18/01/2017 ..FONTE_REPUBLICACAO:.)  Deve­se  ressaltar,  ainda,  que,  tendo  em  vista  o  regime  de  competência,  mesmo aquelas despesas ainda não efetivamente pagas, mas já reconhecidas na contabilidade  (incorridas), podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como, inclusive, já  decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Veja­se:  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  IRPJ.  LUCRO  REAL.  DESPESA  OPERACIONAL.  FÉRIAS.  EMPREGADOS.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  AQUISIÇÃO DO DIREITO.  CONCEITO DE  DESPESA INCORRIDA.  1.  Cuida­se,  na  origem,  de  Ação Declaratória  proposta  com a  finalidade  de  obter  provimento  jurisdicional  que  reconheça  o  direito à dedutibilidade de despesas incorridas pela aquisição do  direito às férias dos empregados, na apuração do IRPJ do ano­ base de 1978 (fl. 12).  2. A controvérsia posta, desde a inicial, diz respeito ao período  em que essa dedução é possível, e não propriamente à existência  desse direito, o que se tornou inquestionável.  3. Uma vez adquirido o direito às férias, a despesa em questão  corresponde  a  uma  obrigação  líquida  e  certa  contraída  pelo  empregador, embora não realizada imediatamente. Dispõe o art.  134  da  CLT  que  "As  férias  serão  concedidas  por  ato  do  Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.401          13 empregador,  em  um  só  período,  nos  12  (doze)  meses  subsequentes  à  data  em  que  o  empregado  tiver  adquirido  o  direito".  4.  De  acordo  com  o  §  1°  do  art.  47  da  Lei  4.506/1964,  são  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  realizar  as  transações  ou  operações  exigidas  pela  atividade  da  empresa.  Tais  despesas  são  consideradas  operacionais  e  a  legislação  autoriza seu abatimento na apuração do lucro operacional (art.  43 da Lei 4.506/1964).  5.  Se  a  lei  permite  a  dedução  das  despesas  pagas  e  das  incorridas, não só as que já foram efetivamente adimplidas são  dedutíveis. Despesa incorrida é aquela que existe juridicamente  e possui os atributos de liquidez e certeza.  6.  Na  legislação  tributária,  prevalece  a  regra  do  regime  de  competência, de modo que as despesas devem ser deduzidas no  lucro real do período­base competente, ou seja, quando jurídica  ou economicamente se tornarem devidas.  7.  Com  a  aquisição  do  direito  às  férias  pelo  empregado,  a  obrigação  de  concedê­las  juntamente  com  o  pagamento  das  verbas  remuneratórias  correspondentes  passa  a  existir  juridicamente  para  o  empregador.  Nesse  momento,  a  pessoa  jurídica incorre numa despesa passível de dedução na apuração  do lucro real do ano­calendário em que se aperfeiçoou o direito  adquirido do empregado.  8.  Recurso  Especial  não  provido.  (REsp  1313879/SP,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em 07/02/2013, DJe 08/03/2013) (destacou­se)  Dessa  forma,  são  requisitos  básicos  para  os  gastos  com  despesas  serem  dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL:   (i) a comprovação do pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao  menos incorrida/reconhecida (regime de competência);   (ii) os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da entidade e  relacionados ao seu objeto social.  Esses são os requisitos para a dedutibilidade das despesas em geral incorridas  pelo contribuinte.   Por  outro  lado,  como  exceção  à  regra  geral,  como  o  próprio  Parecer  Normativo  CST  n°  50/1973,  citado  no  TVF,  afirma,  a  legislação  em  vigor  traz  algumas  hipóteses de dedução de despesas que, em última análise, não se enquadrariam nos requisitos  acima elencados. E uma dessas exceções é exatamente o que determina o comando do artigo  364 do RIR/99, que tem a seguinte redação:  Art.364.Somente  serão  dedutíveis  como  despesas  os  prejuízos  por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou  terceiros,  quando  houver  inquérito  instaurado  nos  termos  da  Fl. 1407DF CARF MF     14 legislação  trabalhista ou quando apresentada queixa perante a  autoridade policial.   Como  não  poderia  deixar  de  ser,  este  dispositivo  contido  no  Decreto  nº  3.000/99 está arrimado no que dispõe o § 3º, do artigo 47 da Lei nº 4.506/64. Veja­se:  Art.  47.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  emprêsa  e  a manutenção da  respectiva fonte produtora.   §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da emprêsa.   §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  emprêsa.   § 3º Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por  desfalque,  apropriação  indébita,  furto,  por  empregados  ou  terceiros,  quando  houver  inquérito  instaurado  nos  têrmos  da  legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a  autoridade policial. (destacou­se)  Pela leitura destes dispositivos, entende­se que a despesa incorrida poderá ser  deduzida se, de forma concomitante, (i) causar prejuízo à entidade; decorrente de (ii) desfalque,  apropriação indébita ou furto; (iii) realizado por empregado ou terceiro e, desde que, (iv) seja  instaurado  inquérito  nos  termos  da  legislação  trabalhista  ou  seja  apresentada  queixa  crime  perante a autoridade policial.   A  ausência  de  alguns  desses  requisitos,  elencados  de  forma  expressa  no  artigo 364 do RIR/99, torna a despesa incorrida como indedutível da base de cálculo do IRPJ e  da  CSLL,  devendo  ser  glosada  pela  fiscalização,  caso  mesmo  assim  seja  deduzida  pela  entidade.   DA DESPESA GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. DO CUMPRIMENTO  DOS REQUISITOS EXIGIDOS NO ARTIGO 364 DO RIR/99.   No  presente  caso,  o  acórdão  proferido  pela  DRJ  de  Ribeirão  Preto  (SP)  analisou  o  cumprimento  de  cada  um  requisitos  exigidos  pela  legislação,  para  que  a  despesa  incorrida possa ser considerada como dedutível, nos termos do artigo 364 do RIR/99.   Entretanto, aquela Delegacia de Julgamento não considerou como cumprido  um  dos  requisitos  exigidos  para  se  admitir  a  glosa  da  despesa,  qual  seja:  a  necessidade/imposição de o prejuízo, causado por "desfalque, apropriação indébita ou furto",  ter sido realizado por um "empregado ou terceiro" e, por isso, considerou como correta a glosa  da despesa na apuração do IRPJ e da CSLL feita pelo agente autuante.  Nos  requisitos  considerados  por  aquela  Delegacia  de  Julgamento,  não  há  reparos a se fazer no acórdão recorrido.   Como se depreende dos autos e de acordo com o que restou relatado acima, a  Recorrente teve que suportar o pagamento de empréstimos bancários  tomados à margem dos  interesses  da  companhia  que  sucedeu  ­  EMBRACO  ­,  em  um  esquema  montado  por  seus  funcionários,  que  desviavam  valores  obtidos  junto  ao  Banco  Safra,  através  de  diversos  Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.402          15 financiamentos,  para  a  conta  de  uma  empresa  que  tinha  dentre  os  sócios  o  filho  de  um  dos  envolvidos no esquema ilícito montado dentro da sucedida da Recorrente.  Deve­se pontuar que a EMBRACO, não concordando com o pagamento dos  empréstimos  tomados  em  seu  desfavor,  tentou,  ajuizando  ação  declaratória  junto  ao  Poder  Judiciário,  se  ver  livre  da  obrigação  "ilícita"  tomada  junto  ao  Banco  Safra,  uma  vez  que  entendia,  em  síntese,  que  os  empréstimos  foram  contratados  por  pessoas  sem  poder  de  representação da empresa. Essa, inclusive, foi a conclusão do agente autuante, como se observa  do seguinte trecho do TVF, in verbis:  A  discussão  sobre  a  efetividade  da  dívida  iniciou­se  com  uma  ação  declaratória  de  inexigibilidade  da  obrigação  jurídica  na  qual  a  EMBRACO  S/A  (autora)  questionava  a  validade  do  empréstimo  concedido  a  ela  pelo  Banco  Safra  (ré)  através  de  pessoas  que  não  teriam  poderes  para  representa­la  naquela  situação, notadamente os procuradores Moacir Pinheiro, Walter  Broesdorf Junior e Antônio Dias Tavares – eles teriam recebido  poderes  de  forma  irregular  –  o  mesmo  se  aplicando  ao  Sr.  Rodolpho Bertola – Diretor Superintendente à época – que teria  agido  em  desacordo  com  o  estatuto  ao  ultrapassar  o  limite  de  empréstimo  tomado  sem  o  consentimento  do  Conselho  de  Administração.  Contudo,  a  Recorrente  se  viu  vencida  naquela  ação  declaratória,  uma  vez  que, invocado o princípio da aparência, o Poder Judiciário entendeu que os empréstimos foram  tomados  por  pessoas  que  sempre  se  relacionavam  com  o  Banco  nas  operações  usuais  da  entidade. E, mesmo sendo os recursos (valores) desviados para outra empresa, a Recorrente se  viu  obrigada  a  arcar  com  o  pagamento  de  quantia  relevante  àquela  instituição  financeira. O  Termo de Verificação Fiscal é claro neste sentido. Veja­se:  Ocorre  que  a  ação  declaratória  foi  julgada  em  desfavor  da  EMBRACO  S/A,  reconhecendo­se,  em  razão  da  “teoria  da  aparência”, que embora os recursos nunca tivessem aproveitado  à  EMBRACO  S/A,  foram  obtidos  por  seus  dirigentes  em  operações  usuais,  pois  outras  operações  ocorreram  em  que  o  limite  estatutário  para  tomada  de  empréstimos  pelo  Diretor  Superintendente não foi observado e nem essas situações foram  submetidas  ao  Conselho  de  Administração,  tendo  sido,  nesses  casos,  regularmente  contabilizadas  e  honradas.  Em  vista  da  decisão desfavorável, ficou a EMBRACO S/A, por sua sucessora,  obrigada  ao  pagamento  da  dívida.  Em  2001  o  Banco  Safra  iniciou ação de execução, na qual exigia o pagamento da dívida  de R$ 284.485.642,28.  Em novembro de 2008 foi lavrada sentença na qual se consignou  que  a Whirlpool  S/A,  na  condição  de  sucessora  da EMBRACO  S/A, fora condenada ao pagamento de R$ 283.138.040,86 – que  deveriam  ser  atualizados  pelo  índice  da  tabela  judicial  e  mais  12%  de  juros  ao  ano,  mais  custas  do  processo  e  15%  de  honorários sobre o valor da condenação.  Assim, é evidente, pela leitura do Termo de Verificação Fiscal e, em especial,  dos documentos carreados aos autos, que a Recorrente incorreu em "prejuízo", quando teve que  desembolsar  valores  elevados  (quase  01  bilhão  de  Reais,  tendo  em  vista  a  atualização  Fl. 1409DF CARF MF     16 monetária  do  débito  e  os  valores  relativos  aos  honorários  sucumbenciais),  para  cumprir  o  acordo judicial firmado pelo Banco Safra, que cobrava o pagamento de empréstimos contraídos  pela  sucessora  da  Recorrente,  a  empresa  EMBRACO  S/A.  Empréstimos  estes  tomados  à  margem dos interesses da entidade e cujos recursos foram integramente desviados a terceiros,  que participavam do esquema criminoso engendrado.   Como  constou  do  acórdão  recorrido,  o  "valor  desembolsado  é  considerado  um prejuízo à empresa, em seu sentido amplo, visto que não contribuiu de modo positivo para  a formação do resultado contábil apurado, seja ele dedutível ou não. É sinônimo de dano ou  perda causado por algum motivo".  Não há dúvidas, neste sentido, que a Recorrente, na condição de sucessora da  EMBRACO, incorreu em prejuízo relevante, na medida em que pagou por valores que nunca  recebeu (os empréstimos foram integralmente desviados, reitere­se), sendo que esse pagamento  foi  determinado  pelo  Poder  Judiciário,  quando  restou  julgada  como  improcedente  a  ação  declaratória,  que  tinha,  justamente,  o  objetivo  de  declarar  a  inexistência  de  débito  da  companhia junto ao Banco Safra.  Quanto  ao  segundo  requisito,  o  agente  fiscal  que  promoveu  a  autuação,  ao  verificar  que  a  denúncia  oferecida  pelo  Ministério  Público,  em  face  das  pessoas  que  engendraram  as  operações  financeiras,  imputou a  estes  o  crime de  estelionato,  entendeu  que  não estava  configurado  "desfalque, apropriação  indébita ou  furto",  como determina o  artigo  364 do RIR/99. Veja­se a conclusão a que chegou o agente fiscal no TVF:  Se não há desfalque, apropriação indébita ou roubo, não cabe a  aplicação da norma contida no artigo 364 do RIR/99. Como no  caso  envolvendo  a  EMBRACO  S/A  (Empresa  Brasileira  de  Compressores), o Banco Safra,  o Sr. Rodopho Bertola  (Diretor  Superintendente)  e  seus  comparsas  é  de  ESTELIONATO  (aspecto  corroborado  tanto  pelo  denunciante  como  pela  autoridade  policial  e  pelo  Ministério  Público)  no  qual,  salvo  melhor  juízo,  os  diretores  da  denunciante  levaram  a  erro  os  funcionários do Banco Safra, tomando empréstimos de quantias  vultosas  com  o  aval  de  Rodolpho  Bertola  e  de  outros  funcionários responsáveis pela “tesouraria” da EMBRACO S/A,  não há subsunção dos fatos à norma tributária.  Entretanto,  este  argumento  foi  afastado  de  forma  precisa  pelo  acórdão  recorrido. Como  não  há  reparos  a  se  fazer,  neste  ponto,  na  decisão  proferida,  transcreve­se,  como razões de decidir, os argumentos lançados no acórdão da DRJ:  O crime de estelionato é definido no art. 171 do Código Penal:  “Obter,  para  si  ou  para  outrem,  vantagem  ilícita,  em  prejuízo  alheio,  induzindo  ou mantendo  alguém  em  erro,  mediante  artifício,  ardil,  ou  qualquer  outro  meio  fraudulento.”  A obtenção de vantagem ilícita para outrem foi consumada com  a  transferência  de  valores  do  Banco  Safra,  por  meio  de  empréstimo  realizado  em  nome  da  Embraco,  a  um  terceiro  (Distribank).  A  vítima,  conforme  consta  da  denúncia  do  MP,  seria  a  Embraco;  os  autores  seriam  os  Srs.  Rodolpho  Bertola,  Moacir  Pinheiro,  Eduardo  Augusto  Rocha  Pocetti,  Antonio  Marcos Dias Tavares e Rodolpho Bertola Júnior; o beneficiário  do crime seria o Distribank; e a vantagem seria ilícita por não  Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.403          17 ser autorizada pela vítima, e os autores do crime teriam induzido  o Banco Safra em erro para obter o numerário. Presentes então,  em tese, os elementos do tipo penal constante do art. 171.  Note­se  que  o  objeto  jurídico  do  crime  em  análise  é  a  perda  patrimonial (de valores), pertencendo o crime de estelionato ao  Título II da Parte Especial do Código Penal: Dos Crimes contra  o Patrimônio. Assim, a consumação do crime teria ocorrido no  momento dessa perda patrimonial.  Não podemos dizer que o crime de fato ocorreu, pois não houve  sentença  condenatória  com  trânsito  em  julgado  em  virtude  de  suspensão do processo, nos termos da Lei nº 9.099/95, conforme  histórico propiciado pelo Impugnante em sua peça defensiva.  Mas o desfalque compreende o estelionato? Do conceito jurídico  de desfalque definido na obra de De Plácido e Silva,  transcrito  no  Relatório  Fiscal,  vejo  que,  de  modo  contrário  ao  entendimento da Autoridade Fiscal,  há perfeito ajustamento  do  termo à situação fática.  Houve,  de  fato,  redução  ou  diminuição  no  valor  de  alguma  coisa,  qual  seja,  o  patrimônio  da  empresa  lesada.  Afirma  a  Autoridade que “… no desfalque sempre existem dois elementos  essenciais: uma diminuição do patrimônio da vítima em razão da  ação  delituosa  e  a  quebra  da  confiança  depositada  naquele  a  quem se conferiu a guarda do dinheiro. Por esse segundo ponto,  parece remota a possibilidade do autor ser pessoa não vinculada  à vítima”. Ao querer vincular o autor do desfalque com a vítima,  entraremos no requisito de número 3 exigido pelo art. 364, § 3º  (o prejuízo for cometido por empregados ou terceiros).  Recorrendo  ao  dicionário Aurélio  (Novo Dicionário Eletrônico  Aurélio  versão  5.11),  vemos  o  significado  de  desfalque  e  de  desfalcar:  “desfalque [Dev. de desfalcar.] Substantivo masculino.  1.Ato ou efeito de desfalcar.  2.Diminuição ou redução de uma quantidade: A chegada  repentina do inverno ocasionou um desfalque na venda de  roupas de lã.  3.Alcance  (8):  O  desfalque  na  empresa  causou  pânico  entre os acionistas.  4.O  resultado  material  do  desfalque  (3);  rombo:  O  desfalque no banco atinge cifras altíssimas.”  De  modo  semelhante,  o  Dicionário  Houaiss  da  Língua  Portuguesa  (Houaiss  Eletrônico,  versão monousuário  2009.3  –  novembro de 2009) traz o significado de desfalque:  “desfalque  Datação:  1789  substantivo  masculino  ato  ou  efeito  de  desfalcar;  desfalcamento  1  supressão  de  uma  parte, retirada de um ou mais elementos de um todo  Fl. 1411DF CARF MF     18 Exs.: dar, praticar um d.  foi bem grande o d. em suas jóias   2 redução de uma quantia, de um montante  3  Derivação:  por  metonímia.  aquilo  que  se  diminuiu  ou  reduziu   4  desvio  de  dinheiro  alheio;  retirada  ilícita;  roubo Exs.:  houve vários d. na caixa da empresa o d. foi da ordem de  milhões de reais   5  Derivação:  por  metonímia.  dinheiro  desviado  fraudulentamente; roubo, alcance   6 Rubrica: futebol. jogador ausente de uma partida”   Pela  definição  de  ambos  os  dicionários,  parece  não  haver  necessidade  de  o  autor  do  desfalque  tenha  a  “guarda  do  dinheiro” ou de que o autor  seja “pessoa vinculada à vítima”.  Mesmo porquê este último requisito já faz parte do próprio texto  do parágrafo 3º, como dito acima.  O  Código  Penal  de  1940  (Decreto­Lei  nº  2.848,  de  7  de  dezembro de 1940) já estava em vigor quando da elaboração da  Lei nº 4.506, de 1964. Vasculhando­se o Código, não se encontra  o crime de desfalque ou mesmo a palavra desfalque em seu texto.  A busca em outros textos legais, tais como o CPC de 1939 ou de  1973, além do atual CPC de 2015, não retorna outro resultado  que  não  o  sentido  de  diminuição,  sem  qualquer  conotação  criminal,  como  era  de  se  esperar  em  um  texto  que  regula  atos  cíveis. Por exemplo, no CPC de 1939 temos uma única menção a  desfalque:  “Art. 417. A ação dos confrontantes para reivindicação de  área invadida pela divisão ou demarcação será, exercida  contra  os  condôminos,  si  intentada  antes  de  passar  em  julgado  a  sentença  homologatória,  ou  contra  os  quinhoeiros  dos  terrenos  reclamados,  ai  proposta  posteriormente.  Parágrafo  único.  Neste  último  caso,  e  pela  mesma  sentença  que  os  obrigar  a  restituição,  os  réus  poderão  haver dos outros condôminos, litisconsortes na divisão, ou  de  seus  sucessores  a  título  universal,  a  composição  pecuniária proporcional ao desfalque sofrido.” (grifei)  Veja que, mesmo buscando o sentido de desfalque na legislação  cível,  não  encontramos  nada  diferente  do  estabelecido  em  dicionário  ou  no  conceito  popular.  É  de  se  considerar  que  desfalque,  adequado  ao  caso  em  apreço,  corresponde  à  diminuição do patrimônio experimentado pela pessoa jurídica. E  o  ato  de  desfalcar,  obtendo  para  outrem  o  numerário  da  Impugnante,  mantendo  ou  induzindo  a  pessoa  em  erro,  configura,  em  tese,  o  crime  de  estelionato.  Nesse  contexto,  o  desfalque  sofrido  pela  Embraco  tem  íntima  ligação  com  o  estelionato.  Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.404          19 Por outro lado, não há confronto com o Parecer CST nº 50/73  até  o  momento,  já  que,  como  transcrito  acima,  o  conceito  de  desfalque  nele  não  é  esmiuçado.  Assim,  de  modo  contrário  ao  defendido  pela  Autoridade  Fiscal  e  como  ficou  acima  explicitado,  ocorreu  o  prejuízo  nas  contas  da  Impugnante,  ocasionado  por  desfalque  no  seu  patrimônio  por  meio  de  atos  praticados  por  pessoas  posteriormente  denunciadas  por  estelionato,  atendido  o  requisito  de  número  2  para  a  dedutibilidade da despesa.  Pelo  o  que  restou  decidido  pela DRJ  de Ribeirão  Preto,  não  há  dúvidas:  o  estelionato praticado gerou um desfalque na entidade sucedida ­ EMBRACO S/A, que teve que  ser suportado pela Recorrente, face o que restou decidido na ação de declaratória e na posterior  ação de execução, esta última ajuizada pelo Banco Safra.   Demonstrado o  cumprimento de dois  requisitos,  dos 04 necessários para  se  admitir  a  dedução  da  despesa  ora  em  debate,  para  fins  didáticos  e  para  um  melhor  entendimento da fundamentação do presente acórdão, antes se analisar o terceiro requisito (se  os agentes que praticaram a ação que decorreu o desfalque na entidade são aqueles descritos no  dispositivo  legal),  analisar­se­á  se o quarto  requisito, qual  seja: a necessidade de  se  instaurar  inquérito  nos  termos  da  legislação  trabalhista  ou  de  apresentação  da  queixa  crime perante  a  autoridade policial, foi cumprido.  Consta do Termo de Verificação Fiscal a afirmação de que, por se tratar de  estelionato cometido por empregados, não foi cumprido um dos requisitos do comando  legal  que autoriza a dedução da despesa, que seria a instauração de inquérito trabalhista. Veja­se o  trecho daquele TVF:  “Como  se  verifica  da  definição  proposta,  no  desfalque  sempre  existem  dois  elementos  essenciais:  uma  diminuição  do  patrimônio da vítima em razão da ação delituosa e a quebra da  confiança  depositada  naquele  a  quem  se  conferiu  a  guarda  do  dinheiro. Por esse segundo ponto, parece remota a possibilidade  do  autor  ser  pessoa  não  vinculada  à  vítima.  Tratando­se  de  empregado a quem se confiou o poder da guarda do dinheiro, o  prejuízo somente seria dedutível para fins de imposto de renda  se  instaurado o devido  inquérito previsto na CLT. Na hipótese  (remota) de se tratar de pessoa sem vínculo, caberia à empresa  vítima  providenciar  a  queixa  para  autoridade  policial.”  (destacou­se)  Contudo,  verifica­se  dos  autos,  que  a  empresa  EMBRACO,  sucedida  pela  Recorrente, através de advogados devidamente constituídos, representou à Autoridade Policial  ­  Delegacia  de  Estelionatos  do  Departamento  Estadual  de  Investigações  Criminais  em  São  Paulo ­ queixa crime, na qual descreve de forma minuciosa tudo o que foi apurado, quando da  constatação do desfalque perpetrado por seus empregados. O documento consta às  fls. 442 a  450 dos autos.   Daquela  queixa  crime,  pode­se  depreender  que  a  empresa  EMBRACO  cumpriu com o que determina o comando do artigo 364 do RIR/99, ao reportar à autoridade  policial  o  desfalque  em  suas  contas.  A  esta mesma  conclusão  chegou  o  relator  do  acórdão  recorrido, sendo consignado naquela decisão o seguinte:  Fl. 1413DF CARF MF     20 Realmente,  a  Embraco  representou  à  Autoridade  Policial  pela  ocorrência  do  suposto  crime  de  estelionato  contra  seu  patrimônio,  descrevendo  os  fatos  ocorridos  e  as  pessoas  envolvidas,  entre  os  quais  o  Sr.  Rodolpho  Bertola,  seu  filho  Rodolpho Bertola Júnior e os demais diretores da empresa (fls.  442 a 450).  Com isso, em que pese a Autoridade Fiscal fazer constar em seu  relatório que “todas as pessoas diretamente envolvidas no caso  foram  demitas  sem  justa  causa,  sendo­lhes  pagos  todos  os  valores  indenizatórios...”,  para  o  requisito  analisado  isso  é  irrelevante.  Basta  a  representação  criminal  à  Autoridade,  como  possibilidade  de  início  da  persecução  penal,  para  atender  ao  requisito em análise. Sequer é necessário utilizar­se da defesa da  Impugnante  de  que  “a  exigência  de  abertura  de  inquérito  trabalhista  é  inaplicável  nas  demissões  por  justa  causa,  de  empregados  não  estáveis”.  Assim,  preenchido  está  o  último  requisito para a dedutibilidade. (...)  Cumpre esclarecer, ainda, no que concerne a esse requisito, que o comando  legal  ­  artigo  364  do  RIR/99  ­  traz  a  preposição OU. Assim,  para  se  admitir  a  dedução  da  despesa, o contribuinte pode abrir inquérito nos termos da legislação trabalhista ou apresentar  queixa  crime  perante  a  autoridade  policial.  Não  há  nada  no  comando  legal  que  imponha  a  adoção das duas medidas de forma concomitante.   Desta feita, não há reparos a se fazer na decisão a quo, quando reconhece, de  acordo com a análise dos fatos, documentos e da legislação em vigor, que 03 dos 04 requisitos  exigidos pela legislação para tornar a despesa dedutível foram cumpridos.   Para não se ter dúvidas, os requisitos  lá reconhecidos e aqui ratificados são:  (i)  prejuízo  incorrido  pela  entidade;  (ii)  desfalque  nas  contas  da  empresa,  pelo  o  crime  de  estelionato praticado; (iv) apresentação de queixa crime perante a autoridade policial.  Pois bem.   Como  mencionado  alhures,  a  douta  DRJ  de  Ribeirão  Preto  (SP)  entendeu  como  correta  a  glosa  da  despesa  efetivada  pela  fiscalização,  uma vez  que,  no  entendimento  daquele  colegiado,  uma  das  pessoas  que  promoveu  o  desfalque  na  entidade  estaria  com  o  contrato de trabalho suspenso, já que exercia cargo diretivo ­ Superintendente da companhia e  membro do Conselho de Administração ­ na época dos fatos e, por isso, o desfalque não teria  sido  praticado  por  empregado  ou  terceiro,  como  determina  o  comando  do  artigo  364  do  RIR/99.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal,  o  agente  autuante,  em  longo  arrazoado,  parte da mesma premissa de que, sendo o Senhor Rodolpho Bertola Diretor Superintendente e  membro do Conselho de Administração da companhia na época em que os empréstimos foram  contratados  de  forma  fraudulenta  com Banco  Safra,  esse  não  poderia  ser  considerado  como  empregado e muito menos terceiro.  Alegou  ainda,  o  agente  autuante,  que,  como  o  Conselho  de  Administração  não  "fiscalizou"  de  forma  correta  a  atuação  de  seu  Superintendente  e membro,  agindo  com  negligência e deixando aquele gestor tomar empréstimos em desacordo com o Estatuto Social  Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.405          21 da  companhia,  estaria  configurada  a hipótese  em  que o  sócio­administrador  "se  apropria  do  patrimônio da sociedade em detrimento de outros sócios".   Assim,  a  fiscalização  afirmou  que,  tendo  o  desfalque  ocorrido  à  revelia  do  Conselho de Administração, que não exerceu o seu poder de fiscalização, a entidade, mesmo  sem cobrar em ação própria (ação de regresso) os valores dos responsáveis, entendeu que "esse  ônus deveria ser partilhado com o Estado na medida em que reduziu seu resultado tributável a  fim de pagar menos imposto sobre seu lucro apurado em 2011".  O acórdão recorrido, por sua vez, em um primeiro momento, afirma que não  se  tem dúvidas  que os  demais  co­autores  dos  atos  praticados,  excetuado o  senhor Rodolpho  Bertola e seu filho e o diretor Eduardo Augusto Rocha Pocetti, "eram empregados da autuada,  já que as vinculações  trabalhistas  (relação de emprego) dos mesmos não  foram contestadas  pela Autoridade Fiscal."   Por isso, toda a decisão recorrida se fundamenta no fato de que o contrato de  trabalho  do  Senhor Rodolpho Bertola,  pela  condição  dentro  da  companhia,  estaria  suspenso  quando  houve  o  desfalque  e,  por  isso,  este  não  poderia  ser  enquadrado  na  condição  de  empregado e/ou de terceiro, como determina o texto do artigo 364 do RIR/99. A conclusão a  que  chegou  o  colegiado  a  quo  pode  ser  resumida  com  a  transcrição  do  seguinte  trecho  do  acórdão proferido:  Ou seja, dúvidas não há, pela própria  Impugnante, de que não  havia relação de emprego, nos termos da CLT, entre a empresa  Embraco e o Sr. Rodolpho Bertola, em que pese contestar o auto  de infração alegando ser o Sr. Rodolpho empregado da mesma.  E a utilização do termo “empregado”, no parágrafo 3º do art. 47  da Lei nº 4.506/64, não há de  ser outra que não a extraída da  legislação  vigente,  corroborada  pela  jurisprudência  dominante  (súmula  TST):  o  sr.  Rodolpho  Bertola  não  era  empregado  da  Embraco à época do desfalque.  Com toda vênia, contudo, não há razão, neste ponto, ao acórdão da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Explica­se.  O primeiro ponto que se deve levantar é que, independentemente da condição  daquele agente (que, ressalte­se, será analisada em seguida), o desfalque na companhia se deu  com concurso de várias pessoas, que eram empregados, sem qualquer peculiaridade no contrato  de trabalho, como deixou bem claro o agente autuante e o próprio relator do acórdão recorrido.  Como se depreende dos autos, em especial do inquérito policial acostados às  fls. 1005 e  seguintes,  apesar de os atos praticados de  forma  ilícita e de encontro ao Estatuto  Social da EMBRACO, terem tido, a princípio, participação ativa do Senhor Rodolpho Bertola,  os demais empregados da empresa tiveram um papel preponderante no cometimento do ilícito  praticado na empresa de que eram então empregados. Cita­se o que constou da investigação da  autoridade policial (depoimento do gerente do Banco Safra em Joinville):  ­  Luiz Carlos Nespeca,  gerente  geral  da  filial  do Banco  Safra  em  Joinville  (SC), afirmou que a pedido de Rodolpho Bertola, Eduardo Pocetti e Moacir  Pinheiro foi aberta uma nova conta corrente para a EMBRACO junto àquele  Banco,  com  o  número  000.636­6.  Conta  esta  que,  posteriormente,  seria  utilizada no ilícito cometido.  Fl. 1415DF CARF MF     22 ­  O  referido  gerente  afirmou  que  no  cartão  de  assinaturas  da  nova  conta  corrente  constavam  as  assinaturas  dos  diretores  Eduardo  Pocetti  e  Moacir  Pinheiro  e  do  Gerente  da  Tesouraria  da  empresa,  Antônio  Marcos  Dias  Tavares. O gerente do banco, então depoente, esclareceu que a conta poderia  ser  movimentada  "desde  que  contivesse  no  mínimo  duas  assinaturas  em  conjunto das pessoas acima referidas".   ­ O gerente  Luiz Carlos Nespeca  esclareceu  que  restou  combinado  com  os  representantes  da EMBRACO que  a  nova  conta  seria movimentada  apenas  com  cheques  administrativos  e  que  a  autorização  para  essa  forma  de  movimentação  foi  dada  por  Moacir  Pinheiro  e  por  Antônio  Marcos  Dias  Tavares através de assinatura em "impresso próprio do Banco Safra".   ­ Esclareceu ainda, aquele gerente, que foi aberta conta empréstimo (conta nº  101.013­6)  a  pedido  de  Eduardo  Pocetti  e  Moacir  Pinheiro,  no  dia  14  de  Junho  de  1988,  sendo  o  contrato  assinado  na  sua  presença  pelos  dois  empregados da EMBRACO.   ­ Foi apontado ainda que, por "um mero lapso" de quem preencheu o contrato  no  Banco,  foi  datilografado  o  nome  do  superintendente  da  EMBRACO,  Rodolpho Bertola, no documento como avalista, mas que o contrato não foi  assinado  por  aquele  superintendente.  Como  avalistas  assinaram  Eduardo  Pocetti e Moacir Pinheiro.   ­  Constou  ainda  do  depoimento  que  a  Nota  Promissória  que  garantiria  o  pagamento  do  empréstimo,  após  ser  preenchida  internamente  pelo  próprio  Banco, foi assinada por Moacir Pinheiro e Rodolpho Bertola.   ­  O  gerente  do  Banco  Safra  esclareceu  ainda  que  "todas  as  operações  envolvendo o Banco Safra e a EMBRACO, os seus diretores ou procuradores  tinham  em  conta  a  própria  EMBRACO  e  nunca  a  pessoa  física  de  RODOLPHO BERTOLA".   ­ Houve  o  esclarecimento  de  que  "diariamente  existiam operações  de  'hot­ money', com os respectivos contratos e notas promissórias, sendo que desses  documentos constaram várias assinaturas de RODOLPHO BERTOLA."   Pelo  o  que  se  denota  dos  trechos  acima,  em  que  pese  o  senhor  Rodolpho  Bertola  ter  assinado  alguns  documentos,  em  especial  Notas  Promissórias,  como  esclarecido  pelo gerente geral do Banco Safra em Joinville (SC), a participação dos outros empregados no  esquema  engendrado  foi  crucial.  Foram  os  empregados  da  EMBRACO  que  assinaram  o  contrato  de  empréstimo,  cujos  valores  posteriormente  seriam desviados  da  companhia. Estes  mesmos empregados  assinaram os cheques  administrativos utilizados para desviar os valores  da entidade, até mesmo porque era o nome deles que constava no cartão de assinaturas (cartão  acostado aos autos às fls. 1.020).  Não  se  está  aqui,  esclareça­se,  querendo  tirar  a  responsabilidade  dos  atos  praticados pelo Diretor­Superintendente, até mesmo porque o Poder Judiciário, na ação penal  ajuizada,  já  o  condenou.  Na  denúncia  apresentada  pelo  Ministério  Público  (fl.  1.028  e  seguintes),  inclusive, o Sr. Rodolpho Bertola e seu filho foram indicados como mentores dos  ilícitos praticados. Não se pode contestar essa realidade, já reconhecida pelo Poder Judiciário,  reitere­se.  Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.406          23 Contudo,  é  patente  que  a  participação  dos  empregados  da  EMBRACO  foi  crucial  para que  o  ilícito  contra  a  companhia  fosse perpetrado.  Sem a  participação  deles,  ao  certo,  não  haveria  como  desviar  tão  vultuosas  quantias,  até  mesmo  porque,  como  constou  denúncia do Ministério Público,  "os  empréstimos abaixo do  limite de 3% do capital  social  ,  poderiam  ser  efetuados  com  a  assinatura  de  dois  diretores  ou  de  um  diretor  e  de  um  procurador".  No  esquema  criminoso,  utilizou­se  dessa  prerrogativa,  além  das  omissões  dos  atos  junto  à  contabilidade  da  empresa,  quando  o  valor  do  empréstimo  superava  aquele  percentual.  Com  isso,  pode­se  concluir  que,  em que  pese haver  um mentor  dos  crimes  praticados,  estes  tiveram  a  participação  efetiva  e  crucial  de  empregados  da  sociedade,  ocorrendo,  assim,  a  subsunção  do  fato  à  norma  contida  no  artigo  364  do  RIR/99,  o  que  autorizaria a dedução da despesa que foi, data venia, indevidamente glosada pela fiscalização.  Não  bastasse  essa  conclusão,  para  que  não  se  tenha  dúvidas  acerca  da  dedutibilidade da despesa ora em discussão, entende­se que equivocou­se o acórdão recorrido,  quando concluiu que, pelo fato do contrato de trabalho do Diretor­Superintendente Rodolpho  Bertola estar suspenso, ele não poderia ser considerado empregado e, por isso, a despesa não se  amoldaria ao comando do artigo 364 do RIR/99.   Como se depreende daquela decisão, arrimado no que preceitua a súmula 269  do  TST,  o  douta  turma  julgadora  a  quo  entendeu  que,  como  se  verifica  de  trecho  acima  transcrito, a nomeação do senhor Rodolfo Bertola em cargo diretivo afastaria os pressupostos  da relação de emprego, em especial, a subordinação.  De fato, o Poder Judiciário, notadamente a Justiça do Trabalho,  já firmou o  posicionamento  de  que  a  eleição  de  empregado  para  cargo  diretivo  suspende  o  contrato  de  trabalho. É o que consta do verbete da súmula 269 do TST. Eis o seu teor:  DIRETOR ELEITO. CÔMPUTO DO PERÍODO COMO TEMPO  DE SERVIÇO (mantida) ­ Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003  O  empregado  eleito  para  ocupar  cargo  de  diretor  tem  o  respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o  tempo  de  serviço  desse  período,  salvo  se  permanecer  a  subordinação jurídica inerente à relação de emprego. (destacou­ se)  Veja­se que a súmula diz que (i) o efeito da suspensão seria a não contagem  de tempo de serviço no período, além de fazer uma ressalva de que (ii) não haverá suspensão  daquele contrato caso permaneça, na relação, a subordinação do diretor.  No presente caso, em que pese, pela leitura do Estatuto Social da companhia  (fl. 1.044 e seguintes), ter o Diretor­Superintendente que se reportar ao Presidente do Conselho  de  Administração,  não  se  consegue,  como  demonstrado  no  acórdão  recorrido,  ver  uma  subordinação,  a  configurar  a  não  suspensão  do  contrato  de  trabalho,  como  é  o  comando  da  súmula e, por consequencia, ver computado o tempo de serviço do período. Os poderes dados  ao detentor do cargo são amplos e de efetiva administração da sociedade.  Entretanto, faltou aquele diretor com o dever que tinha perante a sociedade,  quais  seja:  Lealdade.  O  descumprimento  deste  dever,  inerente  a  qualquer  cargo  de  direção  perante às companhia abertas, em especial, acaba por afetar a própria companhia e, por  isso,  Fl. 1417DF CARF MF     24 exige do investido no cargo atitudes condizentes com a sua posição perante a entidade. Fábio  Ulhoa Coelho, comentando o artigo 154 da Lei das Sociedades Anônimas, assim se posiciona  acerca dos limites impostos aos que tem cargo diretivo:  Em  outros  termos,  o  enunciado  prescritivo,  resultante  das  diversas definições e vedações listadas no art. 154 da LSA e seus  parágrafos,  afirma,  em  síntese,  a  proibição  de  determinadas  práticas,  que  o  legislador  considera  desvio  de  poder.  Especificamente,  estabelece  a  lei  a  seguinte  série  de  condutas  proibidas:  o  administrador  não  pode  privilegiar  o  grupo  de  classe  de  acionistas  que  o  elegeu;  não  pode  incorrer  em  liberalidade à custa da companhia, admitida apenas a prática de  atos  gratuitos  razoáveis  em  favor  de  empregados  ou  da  comunidade, quando autorizado pelo conselho de administração  ou  pela  diretoria;  não  pode,  sem  prévia  autorização  da  assembléia  geral  ou  do  conselho  de  administração,  tomar  por  empréstimo  recursos  ou  bens  da  companhia,  nem  usar  ­  em  benefício próprio ou de outrem ­ seus bens, serviços e crédito; e  não  pode,  por  fim,  sem  autorização  estatutária  ou  assemblear,  receber de terceiro vantagem de qualquer tipo em razão do seu  cargo.  (COELHO,  Fábio  Ulhoa.  Curso  de  direito  comercial,  volume 2 ­ 5. ed. rev. e atual. de acordo com o novo Código Civil  e  alterações  da  LSA  ­  São  Paulo:  Saraiva,  2002.  Pág.  245)  (destacou­se)  Veja­se  que  a  conduta  praticada  pelo  diretor  vai  de  encontro  ao  dever  de  lealdade  que  tinha  perante  a  companhia,  que  acabou,  em  última  análise,  sendo  lesada  juntamente  com  os  seus  sócios,  já  que  teve  que  arcar  com  o  prejuízo  causado  pela  conduta  desleal dos seus empregados, dentre eles membros do seu quadro diretivo.  Contudo,  independentemente desta  conclusão, deve­se  indagar:  a  suspensão  do contrato de trabalho teria o efeito de cessar, por completo, a relação de emprego, ao ponto  de se afirmar que não existe qualquer efeito nesta relação? Entende­se que não.  Neste  sentido,  ressalte­se  que  o  Recorrente  juntou  aos  autos  parecer  do  renomado professor de Direito do Trabalho da USP, Estevão Mallet (fls. 1.341 e seguintes), no  qual  o  parecerista  demonstra  de  forma  insofismável,  ao  responder  os  questionamentos  do  consulente, que a eleição de empregado para diretoria suspende o contrato de trabalho, mas não  extingue essa relação. Confira­se o que constou daquele arrazoado:  "(...)  O  empregado  eleito  diretor­superintendente  não  perde  a  condição  de  empregado.  Segundo  o  entendimento  hoje  pacificado,  inclusive  por  conta  da  jurisprudência  Sumulada  do  Superior Tribunal do Trabalho, o exercício das funções diretivas  leva no máximo, à suspensão do contrato de trabalho, o qual não  se  extingue,  portanto.  Conserva  o  trabalhador,  via  de  consequencia, a condição jurídica de empregado.  Este  entendimento,  inclusive,  vai  ao  encontro  do  que  leciona  Amauri  Mascaro Nascimento, que assim se posiciona:   "(...) Com razão Mario de la Cueva ao dizer que a suspensão nas  relações  individuais de  emprego é uma  instituição que  tem por  objetivo conservar a vida das relações, suspendendo a produção  de seus efeitos, sem a responsabilidade para o  trabalhador e o  empregador,  quando  advém  alguma  circunstância  que  não  Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.407          25 decorre  dos  riscos  do  trabalho  e  que  impede  o  trabalhador  de  exercer sua atividade.  (....)  O contrato não se suspende; alguns dos seus efeitos continuarão.  Em  férias, mas  habitando o  apartamento  do  edifício  do  qual  é  empregado,  ou  doente  e  recebendo  da  organização  previdenciária  na  mesma  situação,  o  zelador  do  prédio  continuará desfrutando da habitação, a  ver mantidos os efeitos  do contrato. Da mesma maneira, se em dia de folga o empregado  vai  ao  estabelecimento  e  comete  falta  grave,  por  exemplo,  agredindo superior, não deixarão de produzir efeitos os atos que  praticou. Logo, a suspensão não é do contrato. A suspensão é do  trabalho, seus efeitos são determinados pelas normas  jurídicas.  Suspendem­se,  com  o  trabalho,  algumas  obrigações  contratuais".  (NASCIMENTO,  Amauri  Mascaro.  Curso  de  Direito  do  trabalho:  história  e  teoria  geral  do  direito  do  trabalho:  relações  individuais  e  coletivas  do  trabalho.  17.  ed.  rev. e atual. ­ São Paulo: Saraiva, 2001. Págs. 545 e 546.)  Veja­se que a  súmula do TST nº 269, que norteou  toda a decisão da  turma  julgadora da DRJ, é clara ao dizer que o efeito da suspensão do contrato de trabalho, no caso de  empregados eleitos para cargos diretivos, é um só: impossibilidade de contagem do tempo de  serviços. Quando se analisa os precedentes que deram origem à mencionada súmula  (e desta  análise  deve  sempre  partir  o  intérprete  de  qualquer  súmula),  pode­se  verificar  que  neles  se  discutia  a  contagem  do  tempo  de  serviço  do  trabalhador,  que  em  algum momento  foi  eleito  como diretor. Neste  sentido,  como exemplo,  são os  acórdãos proferidos  no ERR 4383/1983,  RR 705/1981 e RR 1263/1983.  É salutar ao presente caso, inclusive, o que restou decidido no RR1263/1983.  Neste  julgado,  o  Tribunal  Superior  do  Trabalho  fez  a  ressalva  de  que  é  assegurado  ao  trabalhador "o direito de retorno ao emprego efetivo, desde que não tenha havido a rescisão  formal do contrato em decorrência da eleição para diretor de sociedade anônima". Veja­se a  redação da ementa do acórdão:  Durante o período em que exerce o mandato de diretor, eleito em  assembléia  geral  de  sociedade  anônima,  o  empregado,  face  a  suspensão de seu contrato de trabalho, não adiquire direitos de  natureza  trabalhista,  sem  implicar  em  afronta  aos  artigos  quatrocentos e noventa e nove da CLT e cento e sessenta e cinco  da Constituição Federal. Ao empregado, contudo, é assegurado  o  direito  de  retorno  ao  emprego  efetivo,  desde  que  não  tenha  havido rescisão  formal do  contrato em decorrência da  eleição  para  diretor  de  sociedade  anônima.  Revista  parcialmente  conhecida  e  provida.  (RR1263/1983  ­  Relator Ministro  Nelson  Tapajos. DJ de 28/09/1984) (destacou­se)  Como se depreende da documentação acostada aos autos, uma vez constatado  o  desfalque  perpetrado  por  um  grupo  de  empregados,  dentre  eles  o  seu  Diretor­ Superintendente, o Conselho de Administração da EMBRACO promoveu a destituição deste  do cargo ao qual estava  investido, para, posteriormente,  rescindir o contrato de  trabalho que,  apesar de suspenso, continuava válido. A carteira de trabalho do senhor Rodolpho Bertola está  Fl. 1419DF CARF MF     26 acostada aos autos às  fl. 1.022 ("doc. 07" da Impugnação). Se houve rescisão do contrato de  trabalho, em data posterior à eleição e destituição do cargo de diretor, não há dúvidas de que  este estava válido, apesar de suspenso.  Mutatis mutandis, pode­se fazer uma analogia na presente discussão, quando  ocorre  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  (artigo  151  do  CTN)  e  a  extinção  deste mesmo crédito (artigo 156 do Código).   Como  ensina  Paulo  de  Barros  Carvalho,  na  suspensão,  "o  direito  positivo  prevê situações em que o atributo da exigibilidade do crédito  fica  temporariamente sustado,  aguardando  nessas  condições  sua  extinção,  ou  retomando  sua  marcha  regular  para  ulteriormente  extinguir­se"  (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário.  21,  ed. ­ São Paulo: Saraiva, 2009. Pág. 475).   Por outro  lado, uma vez ocorrida uma das hipóteses de  extinção do crédito  tributário,  que  estão  elencadas  no  artigo  156  do  CTN,  desaparece,  por  consequencia,  a  obrigação tributária. Mais uma vez se vale dos ensinamentos do festejado professor da PUC/SP  e da USP, que assim leciona:   "(...) claro está que desaparecido o crédito tributário decompõe­ se  a  obrigação  tributária,  que  não  pode  subsistir  na  ausência  desse nexo relacional que atrela o sujeito pretensor ao objeto e  que consubstancia seu direito subjetivo de exigir a prestação. O  crédito tributário é apenas um dos aspectos da relação jurídica  obrigacional,  mas  sem  ele  inexiste  o  vínculo.  Nasce  no  exato  instante  em  que  irrompe  a  obrigação  e  desaparece  juntamente  com  ela."  (CARVALHO,  Paulo  de  Barros.  Curso  de  Direito  Tributário. 21, ed. ­ São Paulo: Saraiva, 2009. Pág. 488)  Veja­se:  na  suspensão,  o  crédito  tributário  continua  existindo  e,  por  consequencia,  o  vínculo  obrigacional  entre o  sujeito  passivo  e  o  sujeito  ativo. O que  não  se  admite (e esse é o efeito da suspensão neste caso) é que este, o sujeito ativo, promova qualquer  espécie de cobrança do tributo.   Já  nas  hipóteses  de  extinção  do  crédito  tributário,  este  crédito  desaparece,  juntamente com a obrigação tributária, que deixa de existir.   E  a  analogia  ao  caso  ora  tratado  se mostra  pertinente,  uma vez  que,  sendo  suspenso o contrato de trabalho, em que pese não haver possibilidade de contagem de prazo do  tempo de serviço ­ como é a inteligência do Súmula 269 do TST ­, o vínculo obrigacional entre  empregado e  empregador continua existindo. Só com a efetiva extinção do contrato, é que o  vínculo desaparecerá.  Assim, não se pode ratificar o acórdão recorrido neste ponto, na medida em  que, por tudo o que restou aqui exposto, o contrato de trabalho entre o Diretor­Superitendente,  Rodolpho Bertola, em que pese estar suspenso alguns dos seus efeitos, ainda continuava válido  e  vigente  à  época  dos  fatos  que  deram  origem  ao  desfalque  suportado  pela  empresa  EMBRACO. E este entendimento se aplica ao cargo Eduardo Augusto Rocha Pocetti, que era  diretor da companhia ao tempo dos fatos.  Por outro  lado, não consta dos autos nenhuma imputação de que a empresa  EMBRACO  se  beneficiou,  de  alguma  forma,  do  esquema  ilícito.  Pelo  contrário,  como  demonstrado, a empresa foi lesada pelo desfalque perpetrado por um grupo de empregados que  Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.408          27 se uniram para praticar ilícitos contra a entidade que deveriam proteger, até mesmo pelo nível  dos cargos que ocupavam. Princípio da Lealdade.   Por fim, cumpre afastar a argumentação da fiscalização no sentido de que os  atos  praticados  pelo  Diretor­Superintendente,  sem  a  devida  fiscalização  do  Conselho  de  Administração, seriam equiparados aos atos de sócio e, por isso, não se aplicaria ao desfalque  efetuado na  companhia o disposto no artigo 364 do RIR/99, como é a orientação do Parecer  Normativo CST n° 50/1973.   Renovando a vênia, não se pode, de forma alguma, equiparar o administrador  de uma sociedade anônima com o figura de sócio dessa mesma sociedade, ainda mais quando  se tem em vista o prejuízo que este administrador causou à companhia. É claro que a legislação  impõe  a  este  uma  série  de  condutas  que,  se  não  cumpridas,  poderão  ser  objeto  de  sanção  à  companhia, sendo dever, inclusive, dos órgãos de controle, a fiscalização da administração.  Mas  passa  ao  largo  qualquer  possibilidade  de,  pelo  simples  fato  de  ser  administrador, este ser confundido com a figura do sócio da sociedade. Neste sentido, se vale,  mais uma vez, dos ensinamentos do professor de Direito do Trabalho da USP, Estevão Mallet,  cujo parecer foi acostado aos autos pelo Recorrente (fls. 1.341 e seguintes). Veja­se as lúcidas  ponderações ali lançadas:  Equiparar  o  empregado  eleito  diretor­superintendente  a  um  sócio­administrador  é  baralhar  figuras  completamente  diferentes. O diretor não é sócio. Apenas pratica atos de gestão,  nos  limites  de  sua  função,  tal  como  definida  no  Estatuto  e  segundo  a  Assembléia  Geral  de  Sócios  e  o  Conselho  de  Administração. No caso da consulta, aliás, o estatuto da empresa  deixa expresso que o diretor pode ser acionista ou não, a tornar  completamente impossível a equiparação do diretor com sócio.   Não  se  pode  perder  de  vista  que  a  prática  dos  ilícitos  realizados  pelos  empregados da EMBRACO foram feitas à margem dos controles realizados pelo Conselho de  Administração, sem registros na contabilidade. Ou seja, os sócios da sociedade anônima é que  foram  lesados  pela  atitude  criminosa  do  administrador  e  demais  empregados  da  companhia.  Entender que o fato de ser administrador, com amplos poderes, equipara este ao sócio, como  bem colocado no citado parecer, é "baralhar figuras completamente distintas."  Não  se  pode  olvidar,  neste  ponto,  que  a  Lei  das  S/A's  (Lei  nº  6.404/76)  é  clara quando limita a responsabilidade do sócio "ao preço de emissão das ações subscritas ou  adquiridas",  como  é  a  inteligência  do  artigo  1º  daquele  diploma  legal.  E  esta  limitação  é  decorrência  lógica do entendimento pacificado de que a personalidade  jurídica do sócio e da  sociedade são autônomas e não se confundem.   Por outro lado, aquela mesma lei traz em seu artigo 158 e seguintes diversas  hipóteses  em que  o  administrador  poderá  ser  responsabilizado  pessoalmente  pelos  seus  atos,  notadamente aqueles atos praticados em desfavor da entidade que representam.  Veja­se  que  a  responsabilidade  do  sócio  é  limitada  ao  preço  da  ação  que  possuí.  Já  o  administrador  será  pessoal  e  ilimitadamente  responsável  caso  pratique  atos  descritos na legislação e que sejam contrários aos interesses da entidade que representa.  Fl. 1421DF CARF MF     28 Sócio  até  pode  ser  administrador  e,  por  consequencia,  ter  imputada  responsabilidade  pelo  pagamento  de  eventuais  débitos  da  sociedade  (inclusive  débitos  tributários, como é o comando do artigo 135 do CTN), mas administrador não necessariamente  é sócio da entidade.  Ademais,  como  consta  da  acusação  fiscal,  os  recursos  obtidos  com  os  empréstimos  tomados de forma  ilícita por parte dos empregados da EMBRACO foram  todos  direcionados à empresa DISTRIBANK, que acabou por se beneficiar diretamente dos crimes  praticados.  E  os  sócios  dessa  empresa  não  eram  empregados  da  EMBRACO,  apesar  de  um  deles  ser  filho  de  Rodolpho  Bertola.  Independentemente  deste  fato,  contudo,  não  restou  comprovado  pela  fiscalização  que  algum  sócio  da  EMBRACO  tenha  se  beneficiado  diretamente  dos  crimes  praticados.  É  claro  que  quem  se  beneficiou  foram  os  empregados  e  terceiros  envolvidos  na  prática  ilícita.  Os  sócios,  em  verdade,  foram  lesados  pelos  atos  praticados ao arrepio da lei e dos estatutos da companhia.   Por todo exposto, DÁ­SE PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO,  para,  reformando  o  acórdão  proferido  pela  DRJ  de  Ribeirão  Preto  (SP),  anular  o  Auto  de  Infração combatido.  Como se está dando provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, não  se analisará os argumentos subsidiários apresentados em seu apelo, em especial (i) "quanto à  normalidade da despesa incorrida" (artigo 299 do RIR/99, (ii) a "impossibilidade de exigência  cumulativa  da  multa  isolada  com  a  multa  de  lançamento  de  ofício",  (iii)  descabimento  da  adição dos créditos de BEFIEX no cálculo da multa isolada" e (iv) erro material da autuação,  por  supostamente  não  ter  incluídos  nos  cálculos  pagamento  efetuado  em  decorrência  de  diferença de estimativas de Janeiro de 2011.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Flávio  Machado  Vilhena  Dias  ­  Relator               Declaração de Voto  Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo  Contanto  concorde  com  as  conclusões  a  que  chega  o Relator  em  seu  voto,  entendo  ser necessário manifestar  a minha discordância  em  relação a parte dos  fundamentos  nele empregados para anular o lançamento de que tratam os presentes autos.  É que, para o Relator, não procede a tese da autoridade fiscal de que "sendo o  Senhor Rodolpho Bertola Diretor Superintendente  e membro do Conselho de Administração  da companhia na época em que os empréstimos foram contratados de forma fraudulenta com  Banco Safra, esse não poderia ser considerado como empregado e muito menos terceiro", de  modo que não se aplicaria a possibilidade de dedução das despesas com o desfalque praticado  contra a Recorrente, na forma do art. 364 do RIR/99.  Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10314.720770/2016­68  Acórdão n.º 1302­003.095  S1­C3T2  Fl. 1.409          29 Tal conclusão derivaria do  fato de que a  suspensão do contrato de  trabalho  não  teria o  efeito de  cessar,  por completo,  a  relação de  emprego,  tendo  como único  efeito  a  impossibilidade  de  contagem  do  tempo  de  serviços.  Ademais,  tendo  o  Conselho  de  Administração  da  EMBRACO  promovido  a  destituição  do  Sr.  Rodolpho  do  cargo  no  qual  estava investido, para, posteriormente, rescindir o contrato de trabalho, não haveria dúvidas de  que este estava válido, apesar de suspenso.  Não  tenho  dúvidas  de  que  a  nomeação  do  empregado  para  o  cargo  de  administrador não faz cessar a relação de emprego. De fato, a hipótese não é de extinção, mas  de suspensão do contrato de trabalho.  Tal  fato,  contudo,  não  autoriza,  no  meu  entender,  que  o  administrador,  durante o período da suspensão, continue a ostentar a condição de empregado, de modo a se  incluir na hipótese prevista no art. 364 do RIR/99.  É  o  que  se  conclui  da  própria  caracterização  da  suspensão  do  contrato  de  trabalho,  conforme Maurício  Godinho  Delgado  (Curso  de  Direito  do  Trabalho,  5ª  ed.  São  Paulo: LTr, 2006. pp. 1055­1056):  "A figura celetista em exame  traduz a sustação da execução do  contrato,  em  suas  diversas  cláusulas,  permanecendo,  contudo,  em vigor o pacto. Corresponde à sustação ampla e bilateral de  efeitos  do  contrato  empregatício,  que  preserva,  porém,  sua  vigência.  Em princípio, praticamente todas as cláusulas contratuais não se  aplicam durante a suspensão: não se presta serviço, não se paga  salário,  não  se  computa  tempo  de  serviço,  não  se  produzem  recolhimentos  vinculados  ao  contrato,  etc.  No  período  suspensivo, empregado e empregador tem, desse modo, a ampla  maioria  de  suas  respectivas  prestações  contratuais  sem  eficácia."  Semelhantemente, Alice Monteiro de Barros (Curso de Direito do Trabalho,  São Paulo: LTr, 2005. p.826):  "A  suspensão  do  contrato  implica  cessação  de  seus  efeitos  por  determinado  lapso  de  tempo.  Recupera  sua  eficácia  quando  cessarem as causas que a motivaram."  Esta mesma doutrinadora,  tratando da hipótese de suspensão do contrato de  trabalho  em  virtude  do  desempenho  de  posto  de  direção,  explicita  a  incompatibilidade  da  condição de administrador com a de empregado (op. cit., p. 831):  "Em princípio, à luz da doutrina pátria, entende­se que o diretor  ou  administrador  de  sociedade  anônima,  como  pessoa  física  e  representante  legal  da  pessoa  jurídica,  não  pode  ser,  simultaneamente, empregado, porquanto integra um dos órgãos  indispensáveis  à  existência  dessa  sociedade  e  é  por  meio  dele  que a sociedade se exterioriza. Ou, como doutrina José Martins  Catharino,  "quando  a  intensidade  da  colaboração  suplanta  a  subordinação,  no  plano  jurídico,  desaparece  a  relação  de  emprego.  Fl. 1423DF CARF MF     30 Ocorre, porém, que um empregado pode galgar a esse cargo, ou  seja,  o  contrato  de  trabalho  poderá  preceder  à  eleição  para  exercício do cargo de diretoria.  (...)  Entendemos  que,  no  plano  jurídico,  ocorre  a  suspensão  contratual  quando,  modificando­se  a  relação  jurídica,  o  empregado  passa  a  autêntico  diretor  de  sociedade  anônima  (e  não  diretor  empregado,  situação  em  que  os  efeitos  são  os  inerentes  aos  empregados  de  confiança),  integrante  de  um  de  seus  órgão,  assumindo,  como  consequência,  a  posição  de  empregador (Enunciado n. 269 do TST)."  Ou seja,  o  contrato de  trabalho não é desfeito, mas perde  a  sua  eficácia. A  relação  de  emprego  se  transfigura  em  relação  distinta,  posto  que  o  empregado  passa  a  se  confundir com o empregador.   Por esta razão, Hiromi Higuchi (Imposto de renda das empresas, 38ª ed. São  Paulo: IR Publicações, 2013. p. 288), na mesma linha do aqui defendido, lecionava:  "O diretor ou administrador, por agir como órgão da sociedade,  não  pode  ser  considerado  empregado  nem,  muito  menos,  terceiros, para efeitos de aproveitamento da dedução prevista no  art.  364  do  RIR/99, mesmo  que  a  empresa  tenha movido  ação  penal contra esse diretor por lhe ter causado prejuízo e o tenha  apontado  como  autor  do  crime  de  apropriação  indébita,  conforme  decidiu  o  1º  C.C.  no  Ac.  nº  103­07.974/87  (DOU  de  25­08­87)."   Assim,  no  caso  sob  exame,  caso  a  fraude  perpetrada  contra  a  Recorrente  tivesse como único causador o Sr. Rodolpho Bertola, a conclusão seria pela não configuração  da possibilidade de dedução na forma do art. 364 do RIR/99, por este não ostentar a condição  de empregado ou terceiro, como exigido pelo referido dispositivo.  As provas nos autos, porém, como bem analisado pelo Relator, revelam que o  Sr.  Rodolpho  agiu  em  concurso  com  outras  pessoas,  cuja  condição  de  empregados  não  é  infirmada pela autoridade fiscal, e cuja participação no desvio de recursos teria sido, inclusive,  mais crucial que a do Diretor.  Não  há  qualquer  comprovação,  ainda,  de  que  os  demais  partícipes  tenham  sido  mero  instrumentos,  utilizados  pelo  Sr.  Bertola,  para  a  realização  do  golpe,  sem  a  participação nos resultados deste.  Deste  modo,  portanto,  concluo  pela  dedutibilidade  das  despesas,  com  o  provimento do Recurso Voluntário e cancelamento dos autos de infração.  (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo  Fl. 1424DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.001377/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.
Numero da decisão: 2202-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS

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2202­004.711  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  BANCO J.P. MORGAN S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.  Constatada omissão no acórdão, acolhem­se os embargos de declaração, para  que seja sanado o vício apontado.  RECUSA  DO  SINDICATO  EM  PARTICIPAR  DAS  NEGOCIAÇÕES  PARA  PAGAMENTO  DA  PLR.  INOBSERVÂNCIA  PELA  EMPRESA  DAS  POSSIBILIDADES  LEGAIS  PARA  EXIGÊNCIA  DA  PARTICIPAÇÃO.  No  caso  de  recusa  do  Sindicato  em  participar  das  negociações  para  pagamento  da  participação  nos  lucros  e  resultados,  deve  o  empregador  comunicar  a  recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para  adoção das  providências  legais  cabíveis  ou  mesmo  adotar  as  possibilidades  da  própria  Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  acolher  os  Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes,  vencidos os  conselheiros Martin da Silva Gesto  e  Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram  pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 77 /2 01 0- 13 Fl. 740DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva  Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente  convocada),  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dilson  Jatahy  Fonseca Neto  e  Ronnie  Soares  Anderson.  Relatório  Tratam­se  de  Embargos  de  Declaração  opostos  pelo  Contribuinte  (fls.  531/536), em face do Acórdão nº 2403­002.092 (fls. 478/491).  Para conhecimento dos autos, reproduzo o relatório do Acórdão embargado,  o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento:  Trata­se  Auto  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  lavrado  contra  a  empresa  acima  identificada,  referentes  à  contribuição  social  correspondente  à  parte  de  Terceiros (Salário Educação e INCRA), no período de 01/2005 a  01/2007, com ciência do contribuinte em 29/10/2010.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls  14/23,  o  lançamento  teve por fatos geradores: a) Vale Transporte e b) pagamento de  Participação  nos  Resultados  em  desacordo  com  a  Lei  10.101/2000.  Foi  efetuado  o  levantamento  sobre  a  rubrica  Vale  transporte  uma vez que a fiscalização identificou o pagamento era efetuado  em pecúnia aos segurados empregados Sobre a Participação nos  Lucros  ou  Resultados  a  fiscalização  efetuou  o  lançamento  por  entender  que:  i)  ausência  de  participação  da  entidade  sindical  da categoria nas PLR's celebradas nos anos de 2004 e 2005; ii)  falta regras claras e objetivas, metas e mecanismos de aferição,  iii) O acordo de 2006 foi assinado em dezembro daquele ano, ou  seja, no final do período a ser avaliado.  Desta  forma,  considerou  as  distribuições  efetuadas  com  base  naquelas PLR's como sendo pagamentos efetuados em desacordo  com  os  requisitos  legais  para  exclusão  das  contribuições  previdenciárias, ou seja, mera verba que complementa o salário.  Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 323/346),  a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese:  Em  sede  preliminar  argüiu  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  ante  a  ausência  de  análise  de  todos  os  argumentos  apresentados na defesa, em especial, a alegação de nulidade da  autuação  em  face  da  extrapolação  dos  limites  temporais  do  Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF, uma vez que este tinha  como  objeto  a  fiscalização  de  contribuições  do  período  de  01/2005  a  01/2007  e  exigiu  documentação  relativa  a  2002  e  2004, ou seja, em período decaído.  Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.001377/2010­13  Acórdão n.º 2202­004.711  S2­C2T2  Fl. 741          3 Entende  que,  uma  vez  decaído  o  direito  do  Fisco  questionar  a  legalidade dos planos de PLR celebrados em 2002 e 2004, não  poderia  lançar  os  valores  relativos  aos  pagamentos  realizados  em 2005, posto que estes se originaram daqueles planos.  Que  deve  ser  aplicada  a  decadência  qüinqüenal  das  parcelas  relativas às competências anteriores a 10/2005, com base no art.  150, § 4o do CTN.  Do Mérito Sobre os valores pagos a título de vale transporte, a  recorrente defende a não  incidência de contribuições,  traçando  um  histórico  da  legislação  que  trata  do  assunto  citando  ainda  jurisprudência sobre a matéria.  Afirma  que  o  TST  autorizou  aos  bancos,  como  a  recorrente,  o  pagamento  do  vale  transporte  em  dinheiro  ante  sua  natureza  jurídica  eminentemente  indenizatória,  razões  pela  qual  jamais  poderia  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Que  tais  verbas  não  se  consubstanciam  retribuição  pelo  trabalho, MS sim, para o trabalho pois se destinam unicamente a  possibilitar  o  deslocamento  residência­emprego  e  emprego­ residência.  Cita  doutrina  e  jurisprudência  sobre  o  tema  para  afastar  o  caráter retributivo de tais verbas.  Com  relação  à  PLR,  afirma  que  a  ausência  do  Sindicato  nos  Acordos  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  ­  PLR,  não  encontra respaldo na Lei 10.101/00 que não estabelece a adoção  de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se negue  a  participar  da  negociação,  portanto,  não  deve  proceder  a  pretensão fiscal.  Defende  que,  no  caso  em  apreço,  não  devem  ser  aplicadas  as  disposições  contidas  nos  arts.  616  e  617  da  CLT,  pois,  eles  apenas  regulamentam  as  relações  jurídicas  vinculadas  a  Convenções  e  Acordos  Coletivos  de  Trabalho,  que  são  instrumentos de negociação que não se assemelham ao Acordo  Próprio entre a empresa e os seus trabalhadores.  Entende  estar  diante  de  uma  obrigação  impossível  de  ser  cumprida  já  que  a  recorrente  não  possuía  qualquer  subsídio  legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações  de PLR.  No que  tange a alegação da decisão de primeira  instância deu  que  não  constavam  regras  claras  e  objetivas  e  mecanismo  de  aferição,  a  recorrente  se  insurge  aduzindo  que  a  decisão  recorrida se calcou em duas premissas equivocadas.  Afirma que os mecanismos de aferição previstos nos Acordos de  PLR  são  as  avaliações  de  desempenho  relacionadas  a  três  critérios  de  resultados:  Resultados  Coorporativos;  Resultados  das Areais e Resultados Individuais.  Fl. 742DF CARF MF     4 Informa que nos Anexos que integram os Acordos de PLR estão  expressa,  clara  e  objetivamente  descritos  todos  os  critérios  utilizados na distribuição das PLR, em conformidade com o que  foi  negociado  com  os  trabalhadores.  Transcreve  os  trechos  do  :Anexo para corroborar suas afirmações.  Mantém  este  raciocínio  argumentando  que  todos  os  elementos  objetivos necessários à configuração do merecimento ou não do  PLR  são  claros  e  respeitaram  o  tratamento  isonômico  dispensado a todos os trabalhadores.  Conclui  que,  o  fato  das  avaliações  de  desempenho  terem  sido  efetuadas  pelos  gerentes  ou  supervisores  não  afronta  a  Lei  10.101/00 e questiona " a quem a DRJ esperava ver outorgada a  competência  para  a  definição  de  metas  e  resultados  que  fundamentam a PLR e a atividade empresarial da Recorrente?"  Defende que a Lei 10101/00 não exige que os acordos prevejam  metas ou valores de  forma detalhada ou numérica e que, o art.  2o, § Io, inciso II da referida lei trata de mera faculdade arrolada  pelo  legislador  que  apontou  alguns  critérios  que  poderiam  ser  utilizados na elaboração de um acordo de PLR.  Cita o art. 7o, inciso XI da Constituição Federal para defender a  não  incidência  de  contribuição  social  sobre  o  pagamento  de  valores  à  título  de  participação  nos  lucros,  sendo  o  requisito  essencial,  a  existência  de  lucros  e  resultados  a  serem  compartilhados com o empregado e que qualquer outra condição  decorrente de legislação ordinária, que torne impeditivo o gozo  de  direito  garantido  pela  Constituição  Federal  deve  ser  entendida como inconstitucional. Colaciona jurisprudência deste  conselho para sustentar suas alegações;  Sobre  a  ausência  de  negociação  prévia  das  metas  que  fundamentam  os  pagamentos  de  PLR,  afirma  que  qualquer  acordo  somente pode ser assinado após o  encerramento de um  período  prévio  de  negociações  e  que muitas  vezes  este período  pode ser bastante extenso.  Que  as  negociações  entre  a  recorrente,  a  comissão  de  empregados e o Sindicato ocorreram antes do período ao qual o  desempenho dos empregados seria analisado para a verificação  de alcance de resultados para fins de direito ao recebimento de  PLR e ainda que o Acordo tenha sido assinado próximo ao final  do  período  no  qual  houve  essa  análise,  as  negociações  e  a  própria fixação de tais critérios ocorreram em período anterior,  ou seja em tempo hábil para que os empregados soubessem qual  a performance era esperada pela empresa. Ademais os acordos  de  PLR  em  nada  inovaram,  quando  comparados  com  os  programas que vinham sendo utilizados desde 1999 e aos quais  os empregados já estavam bastante familiarizados.  Insurge­se  contra  a  cobrança  da  Contribuição  Adicional  de  2,5% e pugna pela revisão da multa plicada para a aplicação da  Lei  11.941/09,  à  fim  de  se  adequar  à  legislação  em  vigor  na  época  dos  fatos.  Considera  ilegal  a  majoração  da  multa  pelo  decurso de tempo por ter sido revogado o art. 35 da Lei 8212/91  após a edição da MP 449/2008.  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.001377/2010­13  Acórdão n.º 2202­004.711  S2­C2T2  Fl. 742          5 A decisão do colegiado da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de  Julgamento foi assim resumida (fls. 478/491):  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância. Acolher parcialmente a preliminar de decadência para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  lançadas  até  a  competência  09/2005.  No  mérito  dar  Provimento  Parcial  ao  recurso para, por unanimidade de votos, excluir do levantamento  os  valores  referentes  ao  vale  transporte  e  a  PLR  2006  pagos  após 12/2006; e por maioria de votos determinar o recalculo da  multa de mora nos termos do art. 35 da Lei 8.212 (art. 61 da Lei  9.430/96),  prevalecendo  a  mais  benéfica  ao  contribuinte.  Vencido  o  conselheiro  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro  na  questão da multa de mora.  O Contribuinte  foi  intimado  da  decisão  em  11/11/2016,  em  seu  Domicílio  Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB (fls. 528/529) e apresentou embargos de declaração  (fls.  531/533)  em  17/11/2016,  em  função  da  identificação  de  omissão  no  acórdão CARF  nº  2403­002.093, de 18/06/2013, uma vez que:  [...] o acórdão nada dispõe acerca da alegação do Embargante  quanto  à  recusa  do  Sindicato  em  participar  das  negociações  pertinentes aos anos de 2004 e 2005. Não se discute se há ou não  ausência do Sindicato, mas sim se sua ausência proposital tem o  condão  de  tornar  o  acordo  estabelecido  entre  as  partes  inadequado frente às exigências contidas na Lei nº 10.101/00.  Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 735/739, para que  fosse sanada a omissão apontada.  O processo  foi  sorteado  para minha  relatoria,  por  se  tratar de Embargos  de  Declaração de Turma extinta e o Conselheiro não mais integrar o colegiado.  É o relatório.    Voto             Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora  Acolho os Embargos por preencherem os requisitos de admissibilidade.  Analisando  o  acórdão  Embargado,  percebe­se  que  existe,  efetivamente,  a  omissão indicada pelo Embargante: falta de pronunciamento em relação à recusa do Sindicato  em participar das negociações, nos termos do despacho às fls. 735/739.  Diante de tal omissão, passo a examinar os argumentos esposados no Recurso  Voluntário, especificamente em relação à PLR:  Fl. 744DF CARF MF     6 [...] a Lei n.º 10.101/2000 não estabelece a adoção de qualquer  procedimento nos casos em que o Sindicato se nega a participar  das negociações de PLR. Na verdade, apenas nos casos em que  as  negociações  resultem  em  impasse  (o  que  pressupõe  a  participação do Sindicato) a Lei n.º 10.101/2000 prevê que deve  ser utilizado o mecanismo da mediação ou da arbitragem.  Sendo  assim,  face  à  ausência  de  previsão  legal  a  respeito  dos  procedimentos  que  devem  ser  adotados  pela  empresa  e/ou  comissão  de  empregados  em  caso  de  omissão  por  parte  do  Sindicato, bem como à ausência de previsão dos efeitos jurídicos  que  tal  omissão geram, o negócio  jurídico  em questão  (Acordo  de PLR) foi desconsiderado pelo Fisco com base em ato de sua  vontade  e  por  mero  inconformismo,  o  que  é  juridicamente  inaceitável.  E, nesse mesmo sentido, nem se alegue que seriam aplicáveis ao  presente caso as disposições contidas nos artigos 616 e 617 da  CLT,  pois  eles  apenas  regulamentam  as  relações  jurídicas  vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que  são instrumentos de negociação que não se assemelham ­por sua  forma,  alcance  e  finalidade  ­  ao  Acordo  Próprio  que  fundamentou os pagamentos de PLR no presente caso.  O  até  aqui  exposto  converge  para  a  conclusão  de  que  se  está  diante de uma verdadeira obrigação impossível de ser cumprida  pelo  Recorrente,  já  que  não  possuía  qualquer  subsídio  legal  capaz  de  obrigar  o  Sindicato  a  participar  das  negociações  de  PLR.  O argumento da recorrente já foi objeto de debate neste Conselho, nos autos  do processo nº 36624.000688/2006­31, em que ela figurou como parte. E, por concordar com  os fundamentos do voto vencedor daquele julgamento, exarado no acórdão nº 9202­005.211, de  21/12/2017,  da  2ª  Turma  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  de  lavra  da  Conselheira  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, adoto­os como razões de decidir:  Da participação do representante do sindicato.  Conforme  descrito  acima,  ao  tratar  das  negociações  entre  empregador  e  empregados  para  o  pagamento  da  PLR  o  legislador  colocou  à  disposição  das  partes  dois  instrumentos  negociais,  quais  sejam:  convenção  coletiva/acordo  coletivo  ou  comissão  formada  por  representantes  da  empresa  e  dos  trabalhadores,  esta  obrigatoriamente  com participação do  ente  sindical. Eis a disposição legal:  Art.2°  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos  procedimentos  a  seguir  descritos,  escolhidos  pelas  partes  de  comum acordo:  I­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II­ convenção ou acordo coletivo.  Importante  destacar  que  o  referido  dispositivo  foi,  inclusive,  alterado  recentemente,  passando  o  inciso  I  a  exigir  que  a  comissão  formada  para  negociar  a  PLR  seja  paritária,  Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.001377/2010­13  Acórdão n.º 2202­004.711  S2­C2T2  Fl. 743          7 mantendo­se  inalterada  a  obrigatoriedade  de  participação  do  sindicato. Eis o texto alterado:  I ­ comissão paritária escolhida pelas partes, integrada,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria; (Redação dada pela Lei n" 12.832, de 20 de junho de  2013)  Conclui­se,  que  ao  negociar  o  pagamento  da  PLR  sem  a  participação da entidade sindical, a recorrente descumpriu o art.  2.  da  Lei  n.  10.101/2000.  Portanto,  é  de  se  reconhecer  que  o  pagamento  foi  efetuado  em  dissonância  com  a  lei  que  rege  a  matéria.  Não  há  de  se  acatar  qualquer  argumentação  de  que  a  participação  do  sindicato  é  mera  formalidade  e  que  o  descumprimento  desse  requisito  não  pode  acarretar  na  desconsideração da natureza jurídica do pagamento.  A presença de representante do sindicato nas negociações, antes  de  representar  uma  faculdade  para  as  partes,  constitui  norma  obrigatória,  cujo  desiderato  é  resguardar  os  interesses  dos  empregados mediante a assistência da sua entidade sindical.  Essa  exigência  nada  mais  é  que  um  desdobramento  do  que  dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a  qual  se  reporta  ao  sindicato  como  legítimo  representante  dos  direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre  os  quais,  inegavelmente,  situa­se  a  participação  nos  lucros  e  resultados da empresa.  Essa  exigência  nada  mais  é  que  um  desdobramento  do  que  dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a  qual  se  reporta  ao  sindicato  como  legítimo  representante  dos  direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre  os  quais,  inegavelmente,  situa­se  a  participação  nos  lucros  e  resultados da empresa.  Por  outro  lado,  mesmo  que  não  explicitamente  provada,  a  alegação  de  que  mesmo  convocado  para  participar  das  negociações, o  sindicato não comparaceu  (sic) não serve  como  fundamento para descumprir o preceito legal.  Embora plausível esta alegação da empresa, não serve de escusa  para  descumprimento  da  exigência  legal  de  participação  de  representante sindical nas negociações para pagamento da PLR.  E  que,  primeiro  a  empresa  teria  outro  instrumento  para  formalizar  o  pagamento  de  PLR  em  conformidade  com  a  lei  10.101/2000, no caso acordos os (sic) convenções coletivas.  E nem se venha argumentar que se já fora difícil a participação  do  sindicado  na  comissão,  tão  difícil  quanto,  será  exigir  do  sindicato firmar acordos coletivos. O ordenamento pátrio prevê  remédio para esses tipos de situação.  Fl. 746DF CARF MF     8 Quanto  aos  acordos  e  conveções  (sic)  coletivas  assim,  prevê  a  Consolidação das Leis do Trabalho — CLT:  Nos termos do art. 616 da CLT:  "Art.  616.  Os  sindicatos  representativos  de  categorias  econômicas  ou  profissionais  e  as  empresas,  inclusive  as  que  não  tenham  representação  sindical,  quando  provocados,  não  podem recusar­se à negociação coletiva.  §  1°  Verificando­se  recusa  à  negociação  coletiva,  cabe  aos  sindicatos  ou  empresas  interessadas  dar  ciência  do  fato,  conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou  aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência  Social,  para  convocação  compulsória  dos  sindicatos  ou  empresas recalcitrantes.  § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo  desatendimento  às  convocações  feitas  pelo  Departamento  Nacional  do Trabalho  ou  órgãos  regionais  do Ministério  do  Trabalho e Previdência Social,  ou  se malograr a negociação  entabulada,  é  facultada  aos  sindicatos  ou  empresas  interessadas a instauração de dissídio coletivo.  Assim,  diante  da  recusa  do  ente  sindical  em  participar  das  negociações  coletivas,  tem  a  empresa  ao  seu  dispor  de  instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua  convocação compulsória.  Para  os  que  entendem  que  essa  possibilidade  de  convocação  compulsória  não  seria  aplicável,  no  caso  de  recusa  de  participação do representante sindical na comissão da empresa,  a  própria  lei  10.101/2000  estabelece  remédio  em  seu  art.  4o,  razão  pela  qual  não  há  que  se  mitigar  a  participação  do  sindicato, conforme defende o recorrente.  Art. 4º—Caso a negociação visando à participação nos lucros ou  resultados  da  empresa  resulte  em  impasse,  as  partes  poderão  utilizar­se dos seguintes mecanismos de solução do litígio:  I­mediação;  II ­ arbitragem de ofertas finais, utilizando­se, no que couber, os  termos da Lei n 9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada  pela Lei n° 12.832, de 2013)(Produção de efeito)  §1ºConsidera­se  arbitragem  de  ofertas  finais  aquela  em  que  o  árbitro  deve  restringir­se  a  optar  pela  proposta  apresentada,  em  caráter definitivo, por uma das partes.  §2ºO  mediador  ou  o  árbitro  será  escolhido  de  comum  acordo  entre as partes.  §3ºFirmado  o  compromisso  arbitral,  não  será  admitida  a  desistência unilateral de qualquer das partes.  §4º0  laudo  arbitral  terá  força  normativa,  independentemente  de  homologação judicial.  Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.001377/2010­13  Acórdão n.º 2202­004.711  S2­C2T2  Fl. 744          9 Não tendo a recorrente adotado quaisquer dessas providências,  resta  caracterizado  o  descumprimento  do  requisito  obrigatório  previsto no art. 2o. da Lei n. 10.101/2000. E de se concluir que a  falta de participação do representante sindical nas negociações  para  pagamento  da  PLR  constitui  afronta  a  lei  específica,  estando  em  perfeita  consonância  com  a  lei  a  incidência  de  contribuições sobre as parcelas pagas título de participações nos  lucros e resultados, face não restar atendida a norma constante  na alínea "j" do § 9. do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991. [...].  Portanto,  diante  da  recusa  de  participação  do  Sindicato  apontada  pela  embargante, não vislumbro nos autos que a empresa tenha se utilizado de outros instrumentos  oferecidos pela Lei para que essa participação fosse efetivada.  Ressalto que, ao contrário do que afirma a embargante, os artigos 616 e 617  da  CLT  são  plenamente  aplicados  ao  caso,  pois  se  a  Lei  nº  10.101/2000  disponibilizou  à  empresa dois  instrumentos para a negociação com seus empregados sobre a participação nos  lucros  ou  resultados,  na  impossibilidade  de  que  um  dos  instrumentos  não  pudesse  ser  concretizado,  por  falta  de  um  dos  requisitos,  como  a  efetiva  participação  do  sindicato,  a  empresa  disporia  do  outro,  como  convenção  ou  acordo  coletivo,  com  todas  as  garantias  que  regem esses instrumentos, inclusive os dispostos nos artigos citados.  Nesse  sentido,  quando  a  Lei  nº  10.101/00  relaciona  como  um  dos  instrumentos para a negociação da PLR a convenção ou acordo coletivo, não tira deles a carga  de requisitos que lhes dão validade, conforme estipulado na CLT. Por isso, a Lei nº 10.101/00  não deve ser interpretada isoladamente, mas com toda a integração jurídica que lhe é própria.  Assim,  não  se  tratava  de  "obrigação  impossível  de  ser  cumprida  pelo  Recorrente",  mas  de  obrigação  a  qual  a  Lei  deu  todas  as  garantias  para  seu  efetivo  cumprimento.  Dessa  forma,  deve  permanecer  inalterada  a  conclusão  exposta  no  acórdão  embargado.  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  acolher  os  Embargos,  para  fins  de  integrar  o  acórdão embargado, sem efeitos infringentes.    (assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias                            Fl. 748DF CARF MF     10     Fl. 749DF CARF MF

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7414061 #
Numero do processo: 10882.003475/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. INFORMAÇÃO DE JULGAMENTO FAVORÁVEL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. 1. Em consonância com a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 2. Se há julgamento favorável aos interesses da contribuinte, tal julgamento torna insubsistente o lançamento, o qual foi efetuado apenas para prevenir os efeitos da decadência.
Numero da decisão: 2402-006.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.003475/2007­16  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.522  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL  Recorrente  BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2008  PROPOSITURA  DE  AÇÃO  JUDICIAL.  INFORMAÇÃO  DE  JULGAMENTO  FAVORÁVEL.  RENÚNCIA  ÀS  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1.  1. Em consonância com a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação, pelo órgão  de  julgamento  administrativo, de matéria distinta  da  constante do processo judicial.   2. Se há  julgamento favorável aos  interesses da contribuinte,  tal  julgamento  torna insubsistente o lançamento, o qual foi efetuado apenas para prevenir os  efeitos da decadência.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 34 75 /2 00 7- 16 Fl. 257DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho  Filho,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio Rechmann Junior.   Relatório  A DRJ fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes  ocorridos neste processo até a prolatação do acórdão de impugnação, o qual passa a integrar,  em parte, o presente relatório.   1.  Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  (NFLD  n°  37.043.758­6), contra a empresa acima identificada, referente a  contribuições  sociais  destinadas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  parcela  da  empresa,  segurados,  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  de  grau  de  incidência  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  bem  como  referente  a  contribuições  destinadas  a  Terceiros, quais sejam, Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI  e SEBRAE. Constituem  fatos geradores dessas contribuições as  remunerações  pagas  devidas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  que  prestaram  serviços  à  Notificada  no  período  abrangido pelas competências 01/2002 a 09/2007.  1.1.  As  remunerações  dizem  respeito  a  pagamentos  efetuados,  em  dinheiro,  a  título  de  vale  transporte,  o  que  contaria  as  disposições da  legislação previdência que  isentam  tal  verba do  pagamento de contribuição previdenciária.  1.2.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  às  fls.  46/47,  as  remunerações  foram  obtidas  nos  resumos  gerais  das  folhas  de  pagamento,  tendo  sido  deduzidos  os  valores  descontados  dos  segurados  empregados  sob os  códigos “055­ Reembolso Vale  ­ Transporte”  e  “080­Reembolso  Adiantamento  Vale­  Transporte”.  1.3. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal,  o  lançamento  foi  feito  com  o  fim  de  prevenir  os  efeitos  da  decadência,  uma  vez  que a exigibilidade dessas contribuições incidentes sobre o vale  transporte  pago em dinheiro  está  sendo discutida  nos  autos da  ação judicial, Processo n° 2001.03.99.022923­5.  1.4. Os  fatos geradores  foram enquadrados  como “Dispensado  de  declarar  em  GFIP  (com  redução  de  multa)”.  Importa  o  crédito  no  valor  de  R$  1.630.656,10  (um  milhão,  seiscentos  e  trinta  mil,  seiscentos  e  cinqüenta  e  seis  reais  e  dez  centavos),  consolidado em 26/12/2007.  2. Através do instrumento de fls. 67/79, a Impugnante impugnou,  tempestivamente, o lançamento. Alega, em síntese, que:  Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10882.003475/2007­16  Acórdão n.º 2402­006.522  S2­C4T2  Fl. 3          3 2.1.  A  NFLD  decorre  de  processo  de  auditoria  básica  na  remuneração  de  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais no período de janeiro de 1997 a setembro de 2007.  2.2. O  lançamento  foi  feito com a  finalidade de  impedir que se  operasse  a  decadência  de  suposto  débito  de  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  pagamentos  feitos  a  título  de  vale­transporte  no  período  de  janeiro  de  2002  a  setembro  de  2007.  2.3.  Ainda  foram  lavradas  outras  três  NFLD  e  um  Auto­de­ Infração por descumprimento  de  obrigação acessória,  os  quais  também são objeto de impugnações autônomas.  2.4. Conforme será demonstrado o lançamento é absolutamente  improcedente   2.5. A incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba  está  sendo  discutida  nos  autos  do  processo  n°  2001.03.99.022923­5 (recurso de apelação em curso no TRF­3°  Região,  cujo  processo  originário  foi  autuado  sob  o  n°  98.0008732­0  e  tramitou  perante  a  8°  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária de São Paulo).  2.6. Ao dar ciência em dezembro de 2007, supostos débitos cujos  fatos geradores ocorreram no período de janeiro a novembro de  2002, estão decaídos.  2.7. Na forma do art. 173, do CTN, o crédito tributário extingue­ se após cinco anos (transcreve o artigo).  2.8.  Entretanto,  por  tratar­se  de  contribuição  sujeita  a  lançamento  por  homologação  (transcreve  o  art.  150,  §  4°,  do  CTN), bem se vê que o lançamento fiscal, no período de 01/2002  a  11/2002,  foi,  irremediavelmente,  alcançado  pela  decadência.  Os  tribunais  administrativos  já  reconheceram,  inclusive,  a  impossibilidade  da  aplicação  do  art.  3°  do  Decreto  ­Lei  n°  2.049/83  c/cart.  45,  caput,  e  inciso  I,  da  Lei  8.212/91,  que  prevêem  o  prazo  decadencial  de  10  anos,  em  detrimento  do  disposto no CTN.  2.9. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes.  2.10.  Assim,  o  lançamento  ora  impugnado  deve  ser  julgado  insubsistente nessa parte.  2.11.  O  vale­transporte  foi  instituído  pela  Lei  7.418/85  e  determina ao empregador que participe do custo incorrido pelo  empregado  no  transporte  entre  a  sua  residência  e  o  local  de  trabalho.  2.12.  De  acordo  com  o  art.  2°,  desse  diploma  legal,  o  vale­ transporte  não  constitui  base  de  cálculo  de  incidência  de  contribuição previdenciária.  2.13.  O  pagamento  do  vale­transporte  em  espécie,  como  é  possível observar dos relatórios que instruem a NFLD, não era  Fl. 259DF CARF MF     4 regra  adotada  pela  Impugnante,  mas  uma  opção,  o  que  é  facultado  pelo  Decreto  n°  95.247/87,  que  regulamentou  a  matéria.  2.14. O Fiscal autuante deixou de registrar que a possibilidade  de  pagamento  em  espécie  estava  prevista  em  acordo  coletivo,  que  tal era  feito com observância às regras expostas na Lei n°  7.418/85 e Decreto n° 95.247/87.  2.15. A Impugnante também procedia à retenção de uma parcela  do valor pago pelo vale­transporte de seus funcionários, fato que  deixou  de  ser  registrado  nos  relatórios  que  instruem  a  NFLD,  mas podem ser depreendidos dos registros da Impugnante.  2.16.  É  nesse  sentido  que  a  jurisprudência  já  se  consolidou,  efetuar o pagamento de vale­transporte em espécie, sem que este  configure natureza salarial, desde que tal esteja consignado em  acordo  coletivo  e  haja  o  desconto  de  uma  parcela  dos  empregados.  2.17.  Esse  fato  decorre  da  omissão  da  legislação  quanto  ao  pagamento  em  espécie,  valendo  ressaltar  que  tal  possibilidade  está  prevista  em  lei  e  que  o  pagamento  nessas  condições  não  altera a natureza desse auxílio, que não integra o salário.  2.18. O artigo 7°, XXVI, da CF determina o reconhecimento das  convenções  coletivas  e  acordos  coletivos  de  trabalho.  No  caso  havia acordos que admitiam o pagamento em espécie.  2.19. Há ainda que se considerar que a MP 2.165/0  instituiu o  pagamento em pecúnia do auxílio transporte para os servidores  públicos,  sob  o  fundamento  de  que  o mesmo  não  integraria  os  vencimentos.  2.20.  O  tratamento  desigual  entre  servidores  públicos  e  trabalhadores em geral fere o princípio da isonomia disposto no  art. 150 da CF.  2.21.  Assim,  é  totalmente  improcedente  a  cobrança  de  contribuição previdenciária sobre valores pagos a titulo de vale­ transporte, a empregados da Impugnante.  2.22.  O  lançamento  teve  a  finalidade  de  constituir  o  crédito  tributário  e  prevenir  a  sua  decadência,  uma  vez  que  foi  reconhecido pelo próprio Fiscal Autuante que o mesmo é objeto  de discussão judicial, estando com a exigibilidade Suspensa por  força de decisão proferida nos autos do processo n° 98.0008732­ 0, ora em fase de recurso de apelação (2001.03.99.022923­5).  2.23.  Contudo,  acresceu­se  ao  suposto  crédito  tributário,  além  dos juros de mora, multa.  2.24. Nos termos do art. 151,  inciso IV, do CTN, não poderia a  RFB imputar multa ao principal.  2.25. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário, são írritas e  nulas  quaisquer  tentativas  fiscais  de  impor  sanções  e  cobrar  o  crédito fiscal, nos termos do art. 63, da Lei 9.430/96.  Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10882.003475/2007­16  Acórdão n.º 2402­006.522  S2­C4T2  Fl. 4          5 2.26. A hipótese vertida na presente impugnação não se reveste  de  complexidade.  Suspensa  a  exigibilidade  pela  liminar  concedida  no  MS  n°  98.0008732­0,  confirmada  por  sentença,  impossível, portanto, aplicar­se multa e juros.  2.27. A multa, frente ao seu nítido caráter sancionatório, não se  justifica na espécie, uma vez que não há mora e não há cogitar  em multa  de  ofício,  uma  vez  que  a  liminar  antecedeu  qualquer  procedimento administrativo.  2.28.  Julgado  procedente  o  pedido  em  decisão  transitada  em  julgado  fica  sem  efeito  a  própria  NFLD,  todavia,  na  eventualidade  de  insucesso  do  processo,  a  Impetrante,  ora  Impugnante, poderá recolher sem multa o débito em até 30 dias  após  a  decisão  que  retirar  a  causa  de  suspensão  da  exigibilidade, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96.  3.  Diante  do  exposto  requer:  seja  reconhecida  a  decadência  parcial  argüida,  ou  caso  assim  não  se  entenda,  seja  julgado  improcedente o lançamento, em face da ilegalidade da inclusão  do  “vale  transporte”  na  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária e a inaplicabilidade da multa.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  improcedente,  conforme  decisão  assim  ementada:  VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. BASE DE  CALCULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  O valor pago, em dinheiro, a título de vale transporte, constitui  base de cálculo de contribuição previdenciária.  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  À  VIA  ADMINISTRATIVA.  JULGAMENTO DA MATÉRIA DIFERENCIADA.  A  propositura  de  ação  judicial  antes  do  lançamento  implica  renúncia  à  via  administrativa,  no  tocante  à matéria  em  que  os  pedidos  administrativo  e  judicial  são  idênticos,  devendo  o  julgamento ater­se à matéria diferenciada.  VIGÊNCIA  DE  MEDIDA  LIMINAR.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CREDITO.  MULTA  DE  MORA.  INTERRUPÇÃO. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO NO PRAZO  E CONDIÇÕES FIXADOS EM LEI.  A  multa  aplicada  nos  lançamentos  realizados  antes  das  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  tem  natureza  moratória, razão pela qual ela deve integrar o crédito tributário  que se encontra com a exigibilidade suspensa.  A medida  liminar que suspende a exigibilidade da contribuição  interrompe  a  multa  de  mora  desde  a  concessão  da  medida  judicial,  até  30  dias  após  a  data  da  publicação  da  decisão  judicial que considerar devida a contribuição.   O  afastamento  da  multa  de  mora  ou  de  parte  dela  só  poderá  ocorrer quando da extinção do crédito, já que a interrupção da  Fl. 261DF CARF MF     6 mesma  depende  de  um  evento  futuro  e  incerto  a  ser  praticado  pelo sujeito passivo, qual seja, o pagamento do crédito dentro do  prazo e condições fixados em lei.  A contribuinte  foi  intimada  da decisão  em 10/06/2009,  através  do  aviso  de  recebimento de fl. 116, e interpôs recurso voluntário em 10/07/2009, no qual pediu a reforma  parcial do acórdão recorrido, para que fosse reconhecida a decadência com base no art. 150, §  4º, do CTN, e fosse determinada a redução da multa para 20%, com fulcro no § 2º do art. 61 da  Lei 9430/96, combinado com a alínea a do inc. II do art. 106 do CTN.   Em 10/12/2015, às fls. 245 e seguintes, a recorrente informou que o mandado  de segurança  teria  transitado em julgado em março de 2012, com decisão favorável aos seus  interesses. Juntou documentos às fls. 250/254, mais especificamente a cópia do relatório fiscal  desta NFLD e a cópia da ementa do agravo legal em apelação/reexame necessário, no qual ela  figuraria como apelada, que demonstraria que o TRF3 teria reconhecido a não incidência das  contribuições previdenciárias sobre o vale­transporte pago em dinheiro.  Aparentemente,  não  houve  a  juntada  do  inteiro  teor  do  acórdão  e  nem  da  certidão do trânsito em julgado.  Foi juntado dossiê à fl. 256, segundo o qual não teria sido juntada aos autos a  documentação apresentada pela contribuinte. Veja­se ­ com destaques:  [...]  Sr. Chefe, Recepcionei a documentação de fls. 2 a 11, para ser  juntada ao processo 10882.003475/2007­16.  O  referido  processo  encontra­se  no  CARF/MF/DF,  conforme  pesquisa anexada às fls 12, na atividade “Converter papel para  digiital”, o que impediu a juntada solicitada.  Diante  do  exposto,  proponho  o  encaminhamento  do  presente  dossiê  para a  atual  localização do  processo, a  fim de  que  seja  providenciada a juntada da documentação recepcionada.  Osasco, 13 de janeiro de 2016.  Os autos foram distribuídos a este conselheiro.  Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  1  Conhecimento  Conforme  relatado,  às  fls.  245  e  seguintes,  a  recorrente  informou  que  o  mandado de segurança  impetrado para afastar a exigibilidade das contribuições sobre o vale­ transporte,  ainda que pago em dinheiro,  teria  transitado em  julgado em março de 2012,  com  decisão favorável à sua tese. Juntou documentos às fls. 250/254, mais especificamente a cópia  Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10882.003475/2007­16  Acórdão n.º 2402­006.522  S2­C4T2  Fl. 5          7 do  relatório  fiscal  desta  NFLD  e  a  cópia  da  ementa  do  agravo  legal  em  apelação/reexame  necessário, no qual ela figura como apelada, o que demonstraria que o TRF3 teria reconhecido  a não incidência das contribuições previdenciárias na hipótese sob comento. Veja­se:  AGRAVO  REGIMENTAL  CONHECIDO  COMO  LEGAL.  MANDADO DE SEGURANÇA. APLICAÇÃO DO ART. 557 DO  CPC.  RECONSIDERAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. VALE­TRANSPORTE EM PECÚNIA. NÃO  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DOS  TRIBUNAIS  SUPERIORES. PARCIAL PROVIMENTO.  1. Agravo regimental da impetrante conhecido como legal, tendo  em  vista  ser  este  o  recurso  correto  no  caso  de  decisões  proferidas nos moldes do art. 557 do Código de Processo Civil.  2.  A  despeito  da  decisão  objeto  do  presente  agravo mencionar  que a controvérsia estava sedimentada nesta E. Corte Regional e  no  C.  Superior  Tribunal  de  Justiça  e,  portanto,  passível  de  apreciação monocrática do Relator, o fato é que há precedentes  em relação aos quais o pronunciamento das Cortes Superiores é  contrário e que, ademais disso, restaram sagrados pelo Supremo  Tribunal Federal no julgamento do RE nº 478.410.  3.  Ao  julgar  o  Recurso  Extraordinário  nº  478.410,  o  Relator  Ministro  Eros  Grau  ressaltou  que  a  cobrança  previdenciária  sobre  o  valor  pago  em  dinheiro,  a  título  de  vale­transporte  afronta  a Constituição  em  sua  totalidade normativa,  de modo  que não se admite a incidência da contribuição previdência em  tal hipótese.  4.  Revisão  da  orientação  jurisprudencial  do  C.  Superior  Tribunal  de  Justiça,  que  passou  a  inadmitir  a  incidência  da  contribuição  previdência  em  tal  hipótese.  Precedente:  RESP  200901216375.  5.  Mantida  a  decisão  agravada  no  tocante  ao  afastamento  da  preliminar, da condenação em verba honorária e em relação à  decadência.  6. Agravo regimental conhecido como legal, a que se dá parcial  provimento,  para  reconhecer  a  inexigibilidade  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  o  vale­ transporte, ainda que pago em dinheiro.  (AGRAVO  LEGAL  EM  APELAÇÃO/REEXAME  NECESSÁRIO  Nº  0008732­52.1998.4.03.6100/SP,  RELATOR  Desembargador  Federal  LUIZ  STEFANINI,  APELANTE  União  Federal  (FAZENDA  NACIONAL,  APELADO  BRADESCO  PREVIDÊNCIA E SEGUROS S/A, D.E. 08/02/2012)   Não houve a juntada do inteiro teor do acórdão e nem da certidão do trânsito  em julgado, e em dossiê a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco reportou  que  a  contribuinte  teria  solicitado  a  juntada  de  documentos  aos  autos,  que  não  teriam  sido  anexados porque o PAF estaria no CARF na atividade "converter papel para digital".   Fl. 263DF CARF MF     8 A rigor, portanto, poder­se­ia parecer necessária a conversão do  julgamento  em  diligência,  para  que  fossem  anexados  aos  autos  os  demais  documentos  da  ação  mandamental.   Contudo,  a  própria  recorrente,  maior  interessada  no  julgamento  da  lide  administrativa, mormente das matérias estranhas à demanda judicial (decadência e redução da  multa),  reportou  ter  havido  julgamento  definitivo  favorável  à  tese  da  não  incidência.  O  acolhimento de tal tese, por razões óbvias, implicaria a insubsistência do presente lançamento,  o qual foi efetuado apenas para prevenir os efeitos da decadência.   Desta sorte, este relator entende que o fato de ter sido concedida a segurança  pleiteada  em  juízo,  conforme  informações  prestadas  pelo  próprio  sujeito  passivo,  implica  renúncia ao contencioso administrativo fiscal, aplicando­se, assim, a Súmula CARF nº 1:  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Impor­se­ia  o  conhecimento  do  recurso  voluntário  no  tocante  à  matéria  distinta se não tivesse havido o julgamento favorável à recorrente, hipótese em que subsistiria  interesse recursal na apreciação das  teses  relativas à decadência e à  redução da multa. Como  teria  havido  julgamento  favorável,  e  como  tal  julgamento  afasta  totalmente  os  efeitos  do  lançamento, o recurso voluntário não deve ser conhecido.   2  Conclusão  Diante do exposto, vota­se no sentido de não conhecer do recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci                               Fl. 264DF CARF MF

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Numero do processo: 16561.720019/2016-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de que a PFN apresente sua manifestação quanto a aplicação do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO

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1201­000.531  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  15 de agosto de 2018  Assunto  IRPJ  Recorrente  CTEEP ­ COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA  PAULISTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência  no  sentido  de  que  a  PFN  apresente  sua  manifestação  quanto  a  aplicação do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Eva  Maria  Los,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa  e  Ester  Marques Lins de Sousa (Presidente).         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 01 9/ 20 16 -2 6 Fl. 2830DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 3  ___________       Relatório  Em 10/03/2016, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ  (fls.  1585/1601)  no  valor  total  de  R$  21.200.110,92,  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido ­ CSLL no valor  total de R$ 7.632.039,92 (fls. 1602/1614),  foram lavrados contra o  sujeito  passivo,  CTEEP  ­  COMPANHIA  DE  TRANSMISSAO  DE  ENERGIA  ELETRICA  PAULISTA,  em  função  de  Custos/Despesas  operacionais/Encargos  não  dedutíveis;  de  seus  reflexos em CSLL e da Falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada. Houve  exigência da Multa de Ofício no percentual de 75%.   Relatório Fiscal – fls. 1551/1583 A fiscalização glosou as despesas com a amortização fiscal  de ágio com fundamento no art. 3º da Lei 9.249/95, nos arts. 247, 249, 324, 385, 386 e 391 do  Decreto  3.000/99  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR)  e  nos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97.  O ágio em questão foi gerado nas operações entre as seguintes sociedades:  ­  Companhia  de  Transmissão  de  Energia  Elétrica  Paulista  –CTEEP,  sujeito  passivo  deste  processo,  CNPJ  02.998.611/0001­04.  A  CTEEP  é  uma  sociedade  de  capital  aberto  constituída  em  04/02/1999  e  atua  no  segmento  de  transmissão  e  transformação  de  energia elétrica.  ­  ISA Capital  do Brasil  S/A  –ISA Capital. CNPJ  08.075.006/0001­30. A  ISA  Capital foi constituída em 28/04/2006 com capital estrangeiro, tendo por sócia a Interconexión  Elétrica S/A E.S.P., empresa sediada em Medellín, Colômbia, com a finalidade de participar de  leilão e adquirir o bloco de controle da CTEEP, anteriormente detido pelo Estado de São Paulo.  ­ ISA Participações do Brasil S/A – ISA Participações, CNPJ 08.989.507/0001­ 21. A ISA Participações foi constituída em 10/07/2007, sob a forma de sociedade por quotas de  responsabilidade limitada e até sua extinção por incorporação, em 28/02/2008, não apresentou  qualquer  movimentação  negocial,  exceção  feita  apenas  para  o  aumento  de  capital  em  30/01/2008  mediante  conferência  de  ações  da  CTEEP  e  ágio  correspondente,  além  de  sua  incorporação pela empresa investida CTEEP.  Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 4          3 A operação foi descrita esquematicamente no TVF da seguinte maneira:         De acordo com a fiscalização, a operação não cumpriu os requisitos legais.  Impugnação   Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 5          4 O  Termo  de  ciência  de  lançamentos  e  encerramento  parcial  do  procedimento  fiscal foi entregue pessoalmente ao sujeito passivo em 11/03/2016, fls. 1617/1618.   Irresignado,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  em  12/04/2016,  fls.  2626/2627, alegando, em síntese, o que se segue:  Preliminarmente, alega que, ao deixar de indicar norma que lhe autorize afastar  os efeitos  fiscais oriundos da  reorganização societária  levada a cabo pela  Impugnante e  suas  controladores, a Fiscalização incorreu em erro de direito, o qual implica nulidade do presente  auto de infração.  Alega, também, que houve decadência do direito de o Fisco questionar a forma  de registro do ágio, uma vez que passados mais de cinco anos desde a sua formação.  Em  seguida,  defende  que  a  acusação  de  inexistência  de  propósito  negocial  decorre de análise segmentada da operação pela Fiscalização com violação à própria tese que  embasa os lançamentos.  Afirma que a intenção original era que a Impugnante incorporasse diretamente a  ISA Capital após esta ter adquirido o seu controle, tal como pretendido pela Fiscalização para  reconhecer o direito à amortização fiscal do ágio. Não obstante, em razão de proibição contida  nas  normas  da CVM, bem como  restrições  advindas  da ANEEL,  foi  necessária  a  adoção  de  outra  estrutura  societária,  aprovada  pela  União  Federal  por  meio  de  seu  agente  regulador  (ANEEL). O propósito negocial para a utilização da  ISA Participações advém de  imposições  normativas trazidas pela CVM e ANEEL.  Alega que a Fiscalização se equivoca em buscar propósito negocial em apenas  uma  parte  do  conjunto  de  operações  realizadas  ao  longo  do  processo  de  desestatização  da  Impugnante  e defende que o propósito negocial  deve  ser observado no  contexto de  todos os  fatos e operações e não de forma isolada em uma das partes das operações realizadas.  Acrescenta que não houve efetivo ganho fiscal, uma vez que o mesmo resultado  – amortização fiscal do ágio – poderia ser obtido por diversas outras estruturas.  Afirma que agiu em absoluta conformidade com a legislação aplicável e que não  obteve  economia  fiscal  indevida,  uma  vez  que  o  resultado  tributário  obtido  nas  operações  realizadas poderia ter sido atingido, inclusive, por meio de outras operações societárias.  Afirma  que,  na  realidade,  a  estrutura  adotada  pela  Impugnante  e  suas  controladoras implicou maior ônus tributário que a simples incorporação da ISA Capital, não  havendo, portanto, quaisquer motivos para se questioná­la.  Defende que foram observados os requisitos básicos para que seja reconhecido o  direito à amortização do ágio: (a) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o  ágio;  (b) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (c) a demonstração da  fundamentação econômica do ágio pago com base na expectativa de rentabilidade futura.  Explica que, após a aquisição de participação societária na Impugnante ocorrida  quando da  integralização de  seu capital,  a  ISA Participações  tornou­se efetiva  investidora na  Impugnante,  tendo  apurado  ágio  na  operação  e  assim,  quando  da  incorporação  da  ISA  Participações,  ao  contrário  do  alegado  pela  autoridade  lançadora,  houve  o  atendimento  aos  Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 6          5 quesitos  legais para o  início do aproveitamento do benefício  fiscal  da amortização do ágio –  incluindo unificação patrimonial entre investidora e investida.  Afirma  que  todos  os  lançamentos  contábeis  feitos  pela  Impugnante  e  suas  controladoras foram realizados em consonância com a legislação fiscal e societária aplicável e  que não implicam em duplo aproveitamento do ágio.  Aduz que considerando que a ISA Capital não tem qualquer intenção de alienar  a Impugnante, não há que se falar em aproveitamento do ágio na apuração do ganho de capital  e, consequentemente, em “duplo aproveitamento do ágio”.  Cita julgados do CARF.  Defende  a  inexistência  de  disposição  legal  que  imponha  qualquer  vedação  a  dedutibilidade do ágio para fins de apuração da CSLL.  Subsidiariamente, defende a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa.  Finalmente,  protesta  pela  produção  de  todas  as  provas  admitidas  em Direito  e  pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa.    Decisão da DRJ   Em  sessão  de  julgamento  de  21/02/2017,  a  2°Turma  da  DRJ/BHE,  por  unanimidade, manteve integralmente o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2012  ÁGIO.  TRANSFERÊNCIA.  DEDUÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Em  virtude  de  absoluta  ausência  de  previsão  legal,  o  ágio  incorrido  na  aquisição  de  participação  societária,  uma  vez transferido para empresa veículo por meio de aumento de capital,  não pode ser objeto da amortização antecipada de que trata o inciso III  do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997.  ÁGIO.  TRANSFERÊNCIA.  USO  DE  EMPRESA  VEÍCULO.  PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA.  ILEGITIMIDADE.  A  possibilidade  de  amortização  fiscal  do  ágio  por  meio de determinada estrutura organizacional não significa que todas  as  estruturas  possíveis  permitem  o  mesmo  efeito.  Se  existem  óbices  societários,  regulatórios  ou  comerciais  que  impedem  ou  desaconselham  a  reorganização  societária  entre  a  investidora  e  a  investida, não é oponível ao Fisco a operação que dribla esses entraves  por meio de reorganizações societárias inexistentes de fato.  ÁGIO.  INCORPORAÇÃO  FICTA.  INDEDUTIBILIDADE.  A  incorporação  sem  substância  econômica  que  une  em  uma  única  sociedade  uma  pessoa  jurídica  existente  no  mundo  dos  negócios  e  outra  sem  existência  econômica  não  é  bastante  para  configurar  o  requisito legal que autoriza a amortização  fiscal do ágio sob pena de  fazer  letra  morta  do  requisito  legal  que  prevê  a  necessidade  da  Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 7          6 ocorrência  de  reorganização  societária  sob  uma  de  suas  formas:  incorporação, cisão ou fusão para a amortização fiscal do ágio.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­  CSLL Ano­calendário: 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  A  decisão  relativa  ao  auto  de  infração  matriz  deve  ser  igualmente  aplicada  no  julgamento  do  auto  de  infração  conexo,  decorrente  ou  reflexo, no que  couber,  uma vez que ambos os  lançamentos, matriz  e  reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário:  2012 DECADÊNCIA.  AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.  FATO  GERADOR.  O  fato  gerador  do  IRPJ  é  constituído  por  uma  série  de  eventos  jurídicos,  ocorridos  ao  longo  do  ano­base.  Em  31  de  dezembro,  encerra­se a apuração do imposto. Nessa data, ocorre o fato gerador e  surge a obrigação tributária.  DECADÊNCIA.  FATOS  PRETÉRITOS.  NATUREZA  PROBATÓRIA.  POSSIBILIDADE.  A  análise  da  formação  do  ágio  tem  natureza  de  prova  e  independentemente da data do fato a que se reporte, está sujeita à livre  apreciação  pelo  fisco  que  pode  efetuar  o  lançamento  com  base  nela  desde que o fato gerador esteja dentro do prazo decadencial.  Não existe,  na  legislação  tributária,  qualquer  limitação  temporal,  em  relação  à  utilização  de  prova  consubstanciada  por  fato  ocorrido  há  mais de cinco anos.  Assunto:  Processo  Administrativo  Fiscal  Ano­calendário:  2012  SUSTENTAÇÃO ORAL. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal  não existe previsão da sustentação oral no julgamento da impugnação,  feito em 1ª Instância Administrativa.  NULIDADE. Não procedem as  arguições  de  nulidade  quando não  se  vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do  Decreto nº 70.235, de 1972.    Recurso Voluntário   Inconformada,  a Recorrente  apresentou Recurso Voluntário  no  qual  aborda  os  seguintes tópicos:  Preliminar  i­)  erro  de  direito  por  ausência  de  motivação  válida  para  desconsiderar  a  reorganização  societária  da  Recorrente  e  ii­)  decadência  do  direito  do  fisco  questionar a reestruturação societária   Mérito   i­) existência de propósito negocial na reestruturação;  Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 8          7 ii­) cumprimento dos requisitos legais para amortização do ágio;  iii­) reflexos na CSLL e   iv­) ilegalidade de cobrança de juros sobre multa.    Aplicação do LINDB pelo CARF  Posteriormente  ao  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  apresentou  questão  de  ordem  para  fins  de  requerer  a  aplicação  imediata  do  artigo  24,  do Decreto­Lei  nº  4.657/42,  incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o conseqüente cancelamento das respectivas autuações  fiscais.    É o Relatório.     Voto  Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator     Admissibilidade   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  legais,  assim, merece ser apreciado.     Questão de Ordem  Como  acima  relatado,  a Recorrente  apresentou  questão  de ordem para  fins  de  requerer  a  aplicação  imediata do  artigo 24, do Decreto­Lei nº 4.657/42,  incluído pela Lei nº  13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais.  É  cediço  que  o  tema  relacionado  à  amortização  do  ágio,  em  seus  diversos  enfoques de discussão,  sempre  foi  extremamente  controvertido nos  tribunais  judiciais,  sendo  notório o movimento pendular da jurisprudência relacionada.   Sobre este  aspecto mutante da  jurisprudência, destaco o art. 20 da LINDB, ao  dispor que:   "Art.  20. Nas  esferas  administrativa,  controladora  e  judicial, não  se  decidirá  com  base  em  valores  jurídicos  abstratos  sem  que  sejam  consideradas as consequências práticas da decisão.  Parágrafo  único.  A  motivação  demonstrará  a  necessidade  e  a  adequação  da  medida  imposta  ou  da  invalidação  de  ato,  contrato,  Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 9          8 ajuste,  processo  ou  norma  administrativa,  inclusive  em  face  das  possíveis alternativas.”    Indo além na análise, destaco o artigo 24, da LINDB que proíbe expressamente  que  a  administração  tributária  aplique  de  forma  retroativa  a  nova  interpretação  sobre  a  legislação tributária, in verbis:   LINDB  "Art.  24.  A  revisão,  nas  esferas  administrativa,  controladora  ou  judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma  administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta  as  orientações  gerais  da  época,  sendo  vedado  que,  com  base  em  mudança  posterior  de  orientação  geral,  se  declarem  inválidas  situações plenamente constituídas.  Parágrafo único. Consideram­se orientações gerais as interpretações e  especificações  contidas  em  atos  públicos  de  caráter  geral  ou  em  jurisprudência  judicial  ou  administrativa  majoritária,  e  ainda  as  adotadas  por  prática  administrativa  reiterada  e  de  amplo  conhecimento público." (grifos nossos)    O  dispositivo  acima  criou  verdadeira  celeuma  no  mundo  jurídico  tributário  brasileiro,  especialmente,  em  razão das  expressões  "orientações  gerais da  época",  entendidas  como  "jurisprudência  judicial  ou  administrativa majoritária,  e  ainda  as  adotadas  por  prática  administrativa reiterada e de amplo conhecimento público".  No  presente  caso,  discute­se  a  amortização  de  ágio  viabilizado  através  de  utilização  de  suposta  empresa  e  a  Recorrente  alega  que  o  artigo  24,  da  LINDB  deve  ser  aplicado ao caso, por entender que a jurisprudência administrativa era majoritária na época dos  fatos geradores objeto do lançamento fiscal.   Segundo a Recorrente:  "  Em  2012,  a  vasta maioria  das  decisões  administrativas  (10  de  12)  adotavam  entendimento  favorável  aos  contribuintes  nas  hipóteses  em  que  as  seguintes  condições  fossem  observadas:  a)  operação  entre  partes  independentes;  b)  existência  de  sacrifício  financeiro  (desembolso  de  preço);  c)  fundamento  em  rentabilidade  futura;  e,  d)  existência de incorporação de empresas, ainda que mediante emprego  de "empresa veículo."    Para  comprovar  o  alegado,  a  Recorrente  traz  aos  autos  a  jurisprudência  favorável que menciona em fls. 2798­2811.   Em face do exposto, julgo necessária a remessa dos autos à unidade preparadora  com o objetivo de  intimar a PGFN para  se manifestar  acerca da questão de ordem suscitada  pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas pela Recorrente que  Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 16561.720019/2016­26  Resolução nº  1201­000.531  S1­C2T1  Fl. 10          9 demonstram o entendimento majoritário favorável à amortização do ágio em casos similares à  época das operações perpetradas pela Recorrente  Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento.     Conclusão   Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para CONVERTER O  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  para  a  remessa  dos  autos  à  unidade  preparadora  com  o  objetivo  de  intimar  a  PGFN  para  se  manifestar  acerca  da  questão  de  ordem  suscitada  pela  Recorrente  e,  em  especial,  sobre  a  relação  de  decisões  apresentadas  pela  Recorrente  que  demonstram o entendimento majoritário favorável à amortização do ágio em casos similares à  época das operações perpetradas pela Recorrente  Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento.       É como voto.   (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator    Fl. 2838DF CARF MF

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7440799 #
Numero do processo: 10865.900378/2008-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 12/04/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­007.051  –  3ª Turma   Sessão de  10 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 12/04/2001  RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.   A  admissibilidade  do  recurso  especial  de  divergência  está  condicionada  à  demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos  extintos Conselhos  de  Contribuintes,  julgando  matéria  similar,  tenha  interpretado  a  mesma  legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.  Conseqüentemente,  não  há que  se  falar divergência  jurisprudencial,  quando  estão  em  confronto  situações  diversas,  que  atraem  incidências  específicas,  cada qual regida por legislação própria.  Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram  divergência  com  relação  a  um  dos  fundamentos  assentados  no  acórdão  recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do  decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de  interpretação.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo  da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 78 /2 00 8- 54 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10865.900378/2008­54  Acórdão n.º 9303­007.051  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do  art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –  RI­CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n°  3401­002.117, que, na parte de interesse ao presente julgamento, decidiu que as bonificações  em mercadorias não integram a base de cálculo das contribuições.  Não  conformada  com  tal  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpõe  o  presente  recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de  desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 203­12.371.  Mediante  despacho  de  exame  de  admissibilidade  o  Presidente  da  Câmara  competente do CARF deu seguimento ao recurso.   Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando  pelo  não  conhecimento  do  especial  interposto.  Alternativamente,  caso  o  Colegiado  entenda  pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento.  No essencial é o Relatório.      Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.049, de  10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900370/2008­98, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­007.049):  "O Recurso  foi  apresentado com observância do prazo previsto,  restando contudo  investigar  adequadamente  o  atendimento  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  prerrogativa,  em  última  análise,  da  composição  plenária  da  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais,  a  qual  tem  competência  para  não  conhecer  de  recurso  especiais  nos  quais  não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos.  Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso  Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é  de  cognição  restrita,  limitada  à  demonstração  de  divergência  jurisprudencial,  além  da  necessidade  de  atendimento  a  diversos  outros  pressupostos,  estabelecidos  no  artigo  67  do  Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10865.900378/2008­54  Acórdão n.º 9303­007.051  CSRF­T3  Fl. 4          3 Por  isso  mesmo,  essa  modalidade  de  apelo  é  chamado  de  Recurso  Especial  de  Divergência  e  tem  como  objetivo  a  uniformização  de  eventual  dissídio  jurisprudencial,  verificado entre as diversas Turmas do CARF.  Neste  passo,  ao  julgar  o Recurso  Especial  de Divergência,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  não  constitui  uma  Terceira  Instância,  mas  sim  a  Instância  Especial,  responsável pela pacificação dos  conflitos  interpretativos  e,  conseqüentemente, pela garantia  da  segurança  jurídica  dos  conflitos,  não  tendo  espaço  para  questões  fáticas,  que  já  ficaram  devidamente julgadas no Recurso Voluntário.   Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie.  In  caso,  a  DRJ  Ribeirão  Preto  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  interposta contra despacho decisório que não homologou a  compensação do  débito tributário de IRPJ, vencido em 30/06/2004, declarado na Declaração de Compensação  (Dcomp)  às  fls.  02/06,  transmitida  em  30/06/2004,  com  crédito  financeiro  de  Cofins,  decorrente pagamento a maior efetuado em 13/10/2000, referente à competência de setembro  desse mesmo  ano. A DRF  não  homologou  a  compensação  do  débito  fiscal  declarado  sob  o  argumento  de  que  o  crédito  financeiro  declarado  já  havia  sido  utilizado  integralmente  para  quitar o débito da Cofins declarado na respectiva DCTF, para aquele mês, conforme despacho  decisório às fls. 07.  Com  efeito,  a  3ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária  da  3º  Seção  de  Julgamento  do  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  deu  provimento  ao Recurso Voluntário,  para  reconhecer  o  direito  de  a  recorrente  excluir  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  apurada  para  a  competência  de  setembro  de  2000,  os  valores  das  mercadorias  dadas  em  bonificações,  conforme as cópias de notas fiscais às fls. 40/207.  Por sua vez, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, contestando o acórdão  e  apontando  divergência  jurisprudencial  no  sentido  de  que  as  bonificações  constituem  ingressos definitivos no patrimônio da pessoa  jurídica e  se estes decorreram do exercício de  sua  atividade  típica  (requisito  este necessário  apenas em  relação aos fatos geradores  regidos  pela  Lei  nº9.718),  tais  requisitos  foram  preenchidos,  razão  pela  qual  ficam  caracterizados  como receita operacional.  Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão 203­12.371, que  possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse:  "PIS/FATURAMENTO.  OUTRAS  RECEITAS.  BONIFICAÇÕES  RECEBIDAS  EM  MERCADORIA. LEI N° 9.718/98. TRIBUTAÇÃO. Nos termos da Lei n° 9.718/98, a  receita  bruta,  base  de  cálculo  da  COFINS,  inclui  as  bonificações  recebidas  em  mercadorias.  Recurso negado.  Voto  Reporto­me  ao  relatório  e  voto  do  ilustre  relator,  para  dele  discordar  por  interpretar que as bonificações recebidas em mercadorias integram, sim, a base de  cálculo do PIS/Faturamento, quando levado em conta a definição de receita bruta  estabelecida pelo art. 3° da Lei n°9.718/98.  Sublinho não poder considerar, nesta oportunidade, a inconstitucionalidade do § 10  do art. 3° da Lei n° 9.718/98, declarada pelo STF por ocasião dos julgamentos dos  Recursos Extraordinários nos 357.950, 358.273 e 390.840 (relator, para estes  três  Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10865.900378/2008­54  Acórdão n.º 9303­007.051  CSRF­T3  Fl. 5          4 publicados no DJ de 15/08/2006, p. 25, o Min. Marco Aurélio) e 346.084 (relator  para este último, publicado em 01 /09/2 006, o Min. limar Gaivão).  As  bonificações,  na  forma  como  recebidas  pela  recorrente,  são  doações  "ofertadas" pelos  fornecedores. Por  isto a  inclusão na base de cálculo da Cofins,  após  a  Lei  n°  9.718/98.  Claramente,  se  constituem  em  doações  recebidas  pela  recorrente.  Para  proceder  à  exclusão  pretendida  necessário  seria  que  as  bonificações  em mercadorias  implicassem  em  redução  do  preço  das mercadorias  compradas, e tal redução fosse espelhada nos documentos fiscais da operação.  Tome­se  o  exemplo  segundo  o  qual  o  fornecedor  da  recorrente  cobra  por  12  unidades de um produto o preço de 10. Para descaracterizar a doação e evitar a  incidência do PIS Faturamento, o valor consignado na nota fiscal de venda emitida  pelo  fornecedor, por unidade, deveria seria múltiplo de 12 (cada unidade vendida  corresponderia a doze avos do preço  total cobrado, de modo a reduzir o valor da  operação  para  fins  da  tributação  do  ICMS  e,  se  o  produto  for  vendido  por  contribuinte do IPI, também para fins desse imposto). Do contrário — isto é, com a  emissão  de  duas  notas  fiscais:  uma  pelo  preço  total  cobrado,  equivalente  a  dez  unidades;  outra  pelo  valor  correspondente  a  duas  unidades  e  referente  à  bonificação  ­  as  bonificações  em  mercadorias  não  reduzem  os  preços  das  mercadorias, devendo inclusive ser tributadas pelo ICMS e, se for o caso, pelo IPI".  Em  que  pese  o  exame  de  admissibilidade  ter  reconhecido  a  divergência  jurisprudencial, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do  voto condutor do paradigma, não se comprova divergência.   A  decisão  recorrida  deu  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  no  esteio  de  que  os  valores das mercadorias dadas em bonificações, ainda tenham sido mediante a emissão de  notas  fiscais  e  não  descontos  incondicionais  nas  respectivas  notas  fiscais,  não  compõem  a  receita operacional bruta e, portanto, não integram o faturamento, não implicam em ingressos  de recursos nem aumento do patrimônio líquido da pessoa jurídica.  Já  o  acórdão  paradigma  apresentado  pela  Fazenda  Nacional,  discute  se  as  mercadorias  recebidas  em  bonificação  devem  ser  consideradas  receitas  para  o  fim  de  recolher  PIS/COFINS.  No  presente  caso,  as  mercadorias  foram  objeto  de  bonificação  concedida  pela  Contribuinte  (  desconto  incondicional),  ou  seja,  não  houve  qualquer  recebimento de valor que pudesse vir a integrar a base de cálculo das contribuições.   Ademais, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra divergência favorável  a  Contribuinte,  pois  prestam  à  demonstrar  dissenso  favorável,  considerando  a  tributação  do  PIS/COFINS  sobre  bonificações  concedidas,  independente  de  seu  enquadramento  em  "desconto incondicional".   Como  se vê,  não houve comprovação de divergência  jurisprudencial,  o paradigma  apresentado  pela  Fazenda  Nacional  não  se  aplica  ao  presente  caso,  uma  vez  que  trata  de  bonificações  em mercadorias  que  foram  recebidas  de  fornecedores,  já  no  presente  caso,  as  bonificações são objeto da venda de mercadorias.   Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de  base de comparação para  fins de dedução da divergência  jurisprudencial. Em se  tratando de  espécies  díspares  nos  fatos  embasadores  da  questão  jurídica,  não  há  como  se  estabelecer  comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reporto­me ao Acórdão no CSRF/01­0.956:   “Caracteriza­se a divergência de julgados, e justifica­se o apelo extremo, quando o  recorrente  apresenta  as  circunstâncias  que  assemelhem  ou  identifiquem  os  casos  Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10865.900378/2008­54  Acórdão n.º 9303­007.051  CSRF­T3  Fl. 6          5 confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível  do  juízo  de  admissibilidade  do  recurso,  é  “tudo  que  modifica  um  fato  em  seu  conceito  sem  lhe  alterar  a  essência”  ou  que  se  “agrega  a  um  fato  sem  alterá­lo  substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p.  248),  não  se  toma  conhecimento  de  recurso  de  divergência,  quando  no  núcleo,  a  base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não  se  pode  ter  como  acórdão  paradigma  enunciado  geral,  que  somente  confirma  a  legislação de  regência,  e assente em  fatos que não coincidem com os do acórdão  inquinado.”  Dispositivo  Ex  positis,  em  razão  das  dessemelhanças  fáticas  e  normativas  que  impedem  o  estabelecimento de base de comparação para  fins de dedução de divergência jurisprudencial,  não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional não foi conhecido.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                                Fl. 621DF CARF MF

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Numero do processo: 13896.723096/2016-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 07-40.151 - 6a Turma da DRJ/FNS, o qual julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte. Adotamos o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: Trata o presente processo de Impugnação ao Auto de Infração de fls. 3.254 a 3.263 (lançamento original), lavrado contra a pessoa jurídica em epígrafe, ora Impugnante, por meio do qual é exigida a importância de R$ 9.719.219,52 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), acrescida de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais, referente a fatos ocorridos ao longo do ano de 2012. Além do Auto de Infração acima referido, foi ainda lavrado o lançamento complementar de fls. 3.231 a 3.240, por meio do qual à exigência original foi adicionada a importância de R$ 1.715.156,42, também a título de IRRF, acrescida de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais, relativamente aos mesmos fatos abrangidos pelo lançamento original. Segundo consta do Termo de Verificação n° 01 de fls. 3.269 a 3.328, a motivação apresentada pela Autoridade Fiscal para formalizar a exigência acima discriminada é a falta de retenção e recolhimento do Imposto incidente sobre pagamentos ou remessas realizadas pela Impugnante, em razão de serviços que lhe foram prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. O Imposto foi exigido nos termos do que dispõem os arts. 682 e 685 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR). Quanto à matéria tributável que compõe o objeto do presente processo, no item 1.2.5 do Termo de Verificação n° 01 a Autoridade Fiscal esclarece que intimou a Impugnante a comprovar a retenção do Imposto incidente sobre o montante de R$ 84.503.824,24, informado na Ficha 45 da DIPJ 2013 (AC 2012) na linha reservada a “Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia, Prestados no Exterior” (fls. 169 a 171). Segundo informação contida na Ficha 45 da DIPJ 2013, o total pago ou remetido a beneficiários no exterior pela Impugnante, ao longo do ano de 2012, a título de remuneração por serviços técnicos e de assistência sem transferência de tecnologia, é composto das seguintes parcelas: PAÍS VALOR (R$) Alemanha 33.955,04 China 50.099.065,96 Coréia do Norte (sic) 9.288,45 Estados Unidos 17.582.923,27 Itália 2.537.806,61 Jordânia 189.279,50 Letônia 5.431,46 Noruega 48.890,30 Holanda 7.462.514,61 Reino Unido 45.281,80 Suécia 6.487.509,24 Suíça 1.878,00 Total 84.503.824,24 O valor total remetido a cada país acima mencionado encontra-se detalhado em planilha anexada ao processo (fl. 1.272), em que são discriminados, individualmente, cada um dos pagamentos ou remessas. Embora na DIPJ conste que valores tenham sido remetidos à Coréia do Norte, na verdade, trata-se de um claro equívoco no preenchimento da declaração, pois, segundo consta na planilha anexada à fl. 1.272, duas remessas que totalizaram R$ 9.288,45 tiveram como beneficiária a empresa SGS Korea Co Ltd., domiciliada em Seul, na Coréia do Sul. Inclusive, conforme se verá adiante, o fato de a Impugnante ter apresentado argumento específico relativo à Convenção1 celebrada pelo Brasil com a Coréia do Sul reforça tal conclusão. Em atendimento à intimação fiscal, a Impugnante não apresentou comprovação de que teria efetuado a retenção do Imposto sobre as remessas identificadas na Ficha 45 da DIPJ 2013. Em verdade, afirmou que não seria aplicável tal incidência em razão (i) de os pagamentos serem referentes a fornecimento de materiais, e não a prestação de serviços; e (ii) da existência de Acordos para evitar a dupla tributação. A Autoridade Fiscal não acolheu tais argumentos, expondo suas razões no Termo de Verificação. Por consequência, constituiu de ofício o crédito tributário exigido no presente processo. Às fls. 3.340 a 3.429, encontram-se juntadas as Convenções para Evitar a Bitributação, firmadas pelo Brasil com China, Coréia do Sul, Holanda, Itália e Suécia. Do montante total remetido ao exterior, informado pela Impugnante (R$ 84.503.824,24), apenas a parte correspondente a R$ 64.794.797,63 foi considerada como matéria tributável no presente processo. A parcela restante - no valor de R$ 19.709.026,61 e que teve como beneficiárias as empresas MJP Engineering and Consulting LLC e Remazel Engineering SpA - compõe a matéria tributável do processo n° 13896.723091/2016-35, por ter sido considerada “pagamento sem causa”. O valor lançado neste processo, a título de IRRF (R$ 9.719.219,52), corresponde ao resultado da aplicação da alíquota de 15% sobre cada um dos pagamentos ou remessas ao exterior que integram a matéria tributável de R$ 64.794.797,63, discriminada no Auto de Infração. Quanto à alíquota aplicável, a Autoridade Fiscal assim se manifestou no Termo de Verificação: Enquanto a prestação de serviços em geral sofre a incidência de IRRF a uma alíquota de 25%, a teor do já transcrito artigo 7° da Lei 9.779 de 1999, a “remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes” e os “serviços técnicos e de assistência administrativa ” se sujeitam a uma alíquota de 15%, respectivamente, conforme art. 3° da MP n° 2-159-70 de 2001 e o art. 2° A da Lei n° 10.168/2000. O Auto de Infração original foi lavrado em 18/10/2016. Dias depois, em 24/10/2016, a Autoridade Fiscal lavrou o Auto de Infração complementar de fls. 3.231 a 3.240, justificado por meio da seguinte exposição, contida no Termo de Verificação n° 02 (fls. 3.242 a 3.245): Segundo consta do Termo de Verificação n° 01 citado, item 3.4, o IRRF a ser lançado sobre remessas ao exterior, e formalizado em processo 13.896.723.096/2016-68 deveria ter tido como bases de cálculo o valor enviado ao exterior reajustado. Isto é, o valor remetido ao exterior deveria ser dividido por 0,85 para fins de apuração da Base de Cálculo reajustada sobre a qual deveria ter sido calculado o IRRF, como ali demonstrado. E também como demonstrado em "Planilha apresentada pelo contribuinte como rol de composição do valor constante da ficha 04A linha 20 (Ficha 45) com valores de base e imposto (IRRF e CIDE) calculados pela fiscalização", planilha que foi entregue ao contribuinte em papel e em meio magnético, em 19/10/2016. Ocorre que foi verificado, conforme pode ser visualizado em "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE" do Auto de Infração de IRRF, recebido pelo contribuinte em 19/10/2016, inserto no arquivo"PROCESSO_IRRF_13896_723_096 _2016_68_ Auto_de_ lnfracao_proc96IRRF_1_.pdf', que as bases utilizadas para lançamento não foram as bases reajustadas, e sim as bases da remessa em valor originalmente enviado ao exterior. [...]Em razão dos fatos acima narrados, com base na legislação abaixo reproduzida, procederemos o presente lançamento complementar ao lançamento de ofício procedido em 19/10/2016, referente a diferença detectada: [...]Quanto ao reajustamento da base de cálculo, no Termo de Verificação n° 01, referente ao lançamento original, consta o seguinte: 2.2.2) Do Reajuste da Base de Cálculo “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5°, e Lei n° 8.981, de 1995, art. 63, § 2°). " [...]3.4) Da base do IRRF sob os pagamentos enviados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, tributados a 15%: (e da Base do CIDE) Os valores remetidos em pagamento a pessoa jurídica domiciliado no exterior o serão a alíquota de 15% (sic). Para tanto reproduzimos abaixo os valores constantes da planilha apresentada pelo contribuinte, apenas excluindo as linhas referentes a empresa MJP que já estão sendo objeto de tributação em itens anteriores a alíquota de 35%. Também aqui haverá a necessidade de se reajustar os valores enviados ao exterior, pelos mesmos motivos expostos anteriormente. Apenas que, tendo em vista a alíquota aplicável ser de 15%, o ajuste se dará da forma abaixo demonstrada: Valor enviado(ou líquido) = Valor Bruto - 0,15*Valor Bruto Valor enviado(ou líquido) = 0,85 * Valor Bruto. Ou seja, Valor Bruto (base de cálculo) = Valor liquido/0,85 [...]Como se nota, já no Termo de Verificação n° 01, a Autoridade Fiscal informou que iria reajustar a base de cálculo do lançamento. Nesse sentido, no próprio item 3.4 do Termo de Verificação n° 1, consta uma planilha com a demonstração do cálculo do IRRF, em que foi considerado o reajustamento da base de cálculo. No entanto, na confecção do Auto de Infração original a Autoridade Fiscal não procedeu dessa forma, de modo que a matéria tributável foi levada ao lançamento sem que fosse considerado o reajustamento. Tal fato fica evidente quando se verifica que, na linha final da planilha contida no item 3.4 do Termo de Verificação n° 1, o valor total do IRRF calculado pela Autoridade Fiscal alcançou o montante de R$ 11.882.224,28, e não os R$ 9.719.219,52 que constam no lançamento original. Esta foi a justificativa apontada no Termo de Verificação n° 02 para o lançamento complementar. Também cumpre aqui observar que, somando-se o valor originalmente lançado (R$ 9.719.219,52) e o valor lançado no Auto complementar (R$ 1.715.156,42), o resultado encontrado é R$ 11.434.375,94, que não coincide com o montante de R$ 11.882.224,28 encontrado na planilha contida no item 3.4 do Termo de Verificação n° 1. A diferença de R$ 447.848,34 ( = R$ 11.882.224,28 - R$ 11.434.375,94) se explica pelo fato de que o pagamento realizado pela Impugnante à empresa Remazel, no valor de R$ 2.537.806,61, foi computado na matéria tributável (R$ 67.332.604,24) que serviu de base para o cálculo dos R$ 11.822.224,28 informados na planilha, ainda que a própria Autoridade Fiscal, no rodapé daquela mesma planilha, tenha observado que não iria incluir tal pagamento na matéria tributável deste processo. A observação no rodapé da planilha se deve ao fato de que o referido pagamento foi levado à base de cálculo do lançamento do IRRF que compõe o objeto do processo n° 13896.723091/2016-35, em razão de ter sido considerado “sem causa”. Do Auto de Infração original a Impugnante foi cientificada em 19/10/2016 (fl. 3.464 do processo n° 13896.723091/2016-35), e do Auto de Infração complementar, em 25/10/2016 (fl. 3.245). Irresignada, em 17/11/2016 apresentou a Impugnação de fls. 3.440 a 3.460, em que requer o cancelamento integral da exigência lançada em razão da existência de Acordos para evitar a bitributação. Subsidiariamente, a Impugnante requer (i) a exclusão dos valores pagos à COSCO e à REMAZEL da base de cálculo do Imposto lançado, em razão de dizerem respeito a contratos de fornecimento, e não de prestação de serviços técnicos; (ii) a exclusão dos valores pagos a residentes na Suécia da base de cálculo do Imposto lançado, em razão de o Acordo firmado pelo Brasil com aquele País não ter equiparado rendimentos oriundos de contratos de prestação de serviços e assistência técnica aos rendimentos classificados como royalties; (iii) em relação aos pagamentos efetuados a residentes na Coréia do Sul, que seja observada a alíquota de 10% do IRRF; e (iv) que seja afastado o reajustamento da base de cálculo do IRRF, efetuado ao amparo de norma legal inaplicável ao caso, de forma que o IRRF seja calculado sobre os rendimentos efetivamente pagos aos domiciliados no exterior. Por fim, cumpre registrar que, além do IRRF, em relação aos mesmos pagamentos aqui analisados também foi lançada a Cide-Remessas, conforme Auto de Infração que compõe o objeto do processo n° 13896.723.095/2016-13. É o relatório. Foi prolatado o Acórdão nº 07-40.151 - 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 3508/3501), que julgou a impugnação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: CONVENÇÃO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO DO TRATAMENTO CONFERIDO A ROYALTIES. Nos termos dos protocolos anexos ao Acordo Brasil-China e às Convenções Brasil-Coréia do Sul, Brasil-Holanda e Brasil-Noruega, os rendimentos provenientes da prestação de serviços técnicos devem receber o mesmo tratamento que é conferido aos royalties, autorizando, desta forma, a incidência do Imposto na fonte. CONVENÇÃO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. CORÉIA DO SUL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Nos termos do art. 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 3, de 17 de março de 2006, “em relação aos [...] royalties de que trata a alínea "b" do parágrafo 2° do art. XII da mencionada Convenção e a quaisquer rendimentos de assistência técnica e de serviços técnicos tratados no item 4 de seu Protocolo, ressalvado tratamento mais benéfico estabelecido em lei interna, o imposto de renda na fonte, quando o beneficiário efetivo for um residente ou domiciliado na Coréia, não excederá dez por cento do montante bruto dos valores em questão”. CONVENÇÃO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. SUÉCIA. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA. Considerando que não há, na Convenção Brasil-Suécia, equiparação do tratamento a ser dado às contraprestações de serviços técnicos aos conferidos aos rendimentos de profissões independentes (artigo 14), o fundamento adotado pela Autoridade Fiscal encontra-se equivocado, razão pela qual há que ser cancelada a parte do lançamento referente às remessas efetuadas a empresa domiciliada na Suécia. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/02/2012, 24/04/2012, 27/04/2012, 21/05/2012, 18/06/2012, 19/07/2012, 08/08/2012, 27/08/2012, 18/09/2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 25/08/2017 (fl.3579) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 22/09/2017 (fls. 3584/3600), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) Acordos para evitar a bitributação e não autorização da cobrança do IRRF sobre a remuneração de serviços técnicos que não envolvam transferência de tecnologia 1.1) A questão - e aqui reside a divergência - é que não é toda remuneração por serviço técnico/ de assistência técnica que pode ter tratamento fiscal equiparado ao pagamento de royalties, como pretende o v. acórdão recorrido, mas tão somente a remuneração feita em contrapartida aos contratos que importem em transferência/cessão de tecnologia. Do contrário, forçosamente teríamos que reconhecer que a remuneração por todo e qualquer serviço poderia ser equiparada à remuneração por royalties, afinal, todo serviço é técnico, pois que envolve o conhecimento de uma técnica por parte daquele que o executará. 2) Os pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD. 2.1) Consoante registrado no v. acórdão recorrido, a Autoridade Fiscal sustentou que todos os pagamentos realizados à empresa COSCO no ano de 2012 têm natureza e remuneração por serviços prestados, estes, diga-se, tomados como serviços técnicos e, portanto, sujeitos à incidência da IRRF. 2.2) Em defesa, a ora Recorrente defendeu que os valores pagos eram vinculados a contrato de contração de plataformas e, que, como tal, não estariam sujeitos à incidência do IRRF, porquanto o contrato de fornecimento não poderia ser confundido com o contrato de prestação de serviços técnicos. Defendeu a Recorrente que a maioria dos pagamentos efetuados à COSCO se referiu ao fornecimento de materiais e não a prestação de serviços. 2.3) Pois, fazendo referência às transcrições feitas pela Autoridade Administrativa de trechos de um Contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO, mais especificamente, o Contrato identificado por ECXP01197-00-1Z, indicativas de uma prestação de serviços, assim concluiu a r. decisão recorrida: "Como visto acima, o próprio contrato faz ampla referência a prestação de serviços pela Contratada. Sobre esse ponto, cumpre observar que em nenhum momento a Impugnante apresentou um contraponto concreto, identificado, por exemplo, a obrigação de a Contratada fornecer um bem, conforme alegado na Impugnação. E o que é mais importante, também não apresentou qualquer vinculação entre os valores alcançados pelo Auto de Infração e uma eventual obrigação de a Contratada fornecer um bem." 2.4) Ocorre que a conclusão acima parte de uma premissa equivocada, qual seja premissa de que apenas existiria um contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO. 2.5) A Recorrente apresentou, no curso da fiscalização, todos os contratos firmados com a COSCO e que estavam em vigor no ano de 2012 (fls. 714/842 dos autos deste processo administrativo), contratos estes nos quais se apoiaram os pagamentos efetuados a COSCO. 2.6) Pois desses contratos, cujo quadro-resumo segue abaixo, é possível verificar que apenas 10% dos valores contratados com a COSCO são relativos à contratação de serviços, sendo os demais 90% referentes à compra de bens/equipamentos: Fls. dos autos Contrato Descrição Objeto Natureza Preços (US$) Fls. 714/729 e 758/783 EXP00002/00-1S Fornecimento de 6 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 223,775,000.00 Fls. 784/813 EXP01197/00-1S Fornecimento de 2 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 75,245,000.00 Fls. 730/756 EXP01197/1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 6,000,000.00 Fls. 730/756 EXP00002/00-1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 14,000,000.00 Fls. 814/842 EXP01197/1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 5,760,000.00 Fls. 814/842 EXP00002/00-1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 13,440,000.00 2.7) Logo, inaceitável a presunção fiscal de que 100% dos valores pagos à COSCO no ano-calendário de 2012 o foram em remuneração da prestação de serviços. 3) Houve erro da metodologia utilizada para apuração da base de cálculo do IRRF supostamente devido. 4) Por fim, requer: 4.1) Seja determinado o cancelamento total da autuação tendo em vista que a inexigibilidade de IRRF sobre a remuneração de serviços técnicos / assistência técnica que não envolvam transferência de tecnologia, os quais devem ser tomados como integrantes dos lucros a que se refere o artigo 7° dos Acordos Internacionais para Evitar a Dupla Tributação, sobre os quais apenas se admite a tributação no País do prestador de serviço. 4.2) Subsidiariamente, acaso não acolhido o item acima, seja declarada a insubsistência do lançamento quanto aos pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP, ante à manifesta falha da Autoridade Administrativa, que apressadamente vinculou todos os pagamentos efetuados à citada empresa a um único Contrato de Prestação de Serviços, quando é certo que, no ano de 2012, estavam em vigor 5 (cinco) outros Contratos (todos apresentados no curso da fiscalização), dois dos quais, de maior valor, relativos à Compra de Bens/Equipamentos, cujos pagamentos, portanto, não poderiam se sujeitar à incidência da CIDE. 4.3) Alternativamente, requer que seja o julgamento convertido em diligência a fim de que seja feita a devida segregação entre: (i) os valores pagos pela Recorrente à COSCO a título da prestação dos serviços contratados nos Contratos EXP 01197/1Z e EXP00002/00-1Z e (ii) os valores pagos em contrapartida ao fornecimento dos bens/equipamentos contratados nos Contratos EXP 01197/00-1S e EXP00002/00-1S; reconhecendo-se, por conseguinte, a não incidência da CIDE sobre esses últimos; 4.4) Seja afastado o reajustamento de base perpetrado pela I. Auditora Fiscal com base, de forma que o IRRF, acaso mantido, seja recalculado sobre os rendimentos efetivamente pagos aos domiciliados no exterior, posto que representativos da verdade e única remuneração bruta dos serviços. É relatório. Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Diligência Consoante relatado, a recorrente se insurge contra o fato de a totalidade dos pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD integrarem a base de cálculo do presente lançamento, como relativos à contratação de serviços. Assevera a recorrente em relação aos pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD. “Consoante registrado no v. acórdão recorrido, a Autoridade Fiscal sustentou que todos os pagamentos realizados à empresa COSCO no ano de 2012 têm natureza e remuneração por serviços prestados, estes, diga-se, tomados como serviços técnicos e, portanto, sujeitos à incidência da IRRF. Em defesa, a ora Recorrente defendeu que os valores pagos eram vinculados a contrato de contração de plataformas e, que, como tal, não estariam sujeitos à incidência do IRRF, porquanto o contrato de fornecimento não poderia ser confundido com o contrato de prestação de serviços técnicos. Defendeu a Recorrente que a maioria dos pagamentos efetuados à COSCO se referiu ao fornecimento de materiais e não a prestação de serviços. Pois, fazendo referência às transcrições feitas pela Autoridade Administrativa de trechos de um Contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO, mais especificamente, o Contrato identificado por ECXP01197-00-1Z, indicativas de uma prestação de serviços, assim concluiu a r. decisão recorrida: Como visto acima, o próprio contrato faz ampla referência a prestação de serviços pela Contratada. Sobre esse ponto, cumpre observar que em nenhum momento a Impugnante apresentou um contraponto concreto, identificado, por exemplo, a obrigação de a Contratada fornecer um bem, conforme alegado na Impugnação. E o que é mais importante, também não apresentou qualquer vinculação entre os valores alcançados pelo Auto de Infração e uma eventual obrigação de a Contratada fornecer um bem." Ocorre que a conclusão acima parte de uma premissa equivocada, qual seja premissa de que apenas existiria um contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO. A Recorrente apresentou, no curso da fiscalização, todos os contratos firmados com a COSCO e que estavam em vigor no ano de 2012 (fls. 714/842 dos autos deste processo administrativo), contratos estes nos quais se apoiaram os pagamentos efetuados a COSCO. Pois desses contratos, cujo quadro-resumo segue abaixo, é possível verificar que apenas 10% dos valores contratados com a COSCO são relativos à contratação de serviços, sendo os demais 90% referentes à compra de bens/equipamentos: Fls. dos autos Contrato Descrição Objeto Natureza Preços (US$) Fls. 714/729 e 758/783 EXP00002/00-1S Fornecimento de 6 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 223,775,000.00 Fls. 784/813 EXP01197/00-1S Fornecimento de 2 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 75,245,000.00 Fls. 730/756 EXP01197/1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 6,000,000.00 Fls. 730/756 EXP00002/00-1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 14,000,000.00 Fls. 814/842 EXP01197/1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 5,760,000.00 Fls. 814/842 EXP00002/00-1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 13,440,000.00 Logo, inaceitável a presunção fiscal de que 100% dos valores pagos à COSCO no ano-calendário de 2012 o foram em remuneração da prestação de serviços”. Este Relator, ao analisar os documentos mencionados pela Recorrente às fls. 714/842 (numeração descontínua), se deparou com documentos redigidos em língua estrangeira. Não obstante a existência de lacuna no Decreto nº 70.235/1972, deve o Código de Processo Civil ser aplicado subsidiariamente ao presente caso, mediante recurso à analogia, isto é, à busca da disciplina prevista no sistema normativo para casos semelhantes, com fundamento no art. 108 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1996 - Código Tributário Nacional. Reza o Novo Código de Processo Civil Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Desta forma, entendo que a recorrente deve ser intimada para juntar a versão dos documentos colacionados aos autos em língua portuguesa, firmada por tradutor juramentado, sob pena de indeferimento da prova. Após cumprida a intimação, deverão os aludidos documentos ser apreciados pela autoridade lançadora, para manifestação conclusiva acerca de eventual fornecimento de materiais por parte da COSCO à Recorrente, que não devam integrar a base de cálculo, por não poder ser considerado fato gerador da exação lançada. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que: - Seja intimada a recorrente para a juntada da versão dos documentos em língua portuguesa, firmada por tradutor juramentado, sob pena de invalidade da prova apresentada. - A autoridade fiscal se manifeste conclusivamente acerca da existência de previsão de fornecimento de materiais, cujos valores tenham sido considerados globalmente como prestação de serviços, em parte dos contratos colacionados aos autos. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 07-40.151 - 6a Turma da DRJ/FNS, o qual julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte. Adotamos o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: Trata o presente processo de Impugnação ao Auto de Infração de fls. 3.254 a 3.263 (lançamento original), lavrado contra a pessoa jurídica em epígrafe, ora Impugnante, por meio do qual é exigida a importância de R$ 9.719.219,52 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), acrescida de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais, referente a fatos ocorridos ao longo do ano de 2012. Além do Auto de Infração acima referido, foi ainda lavrado o lançamento complementar de fls. 3.231 a 3.240, por meio do qual à exigência original foi adicionada a importância de R$ 1.715.156,42, também a título de IRRF, acrescida de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais, relativamente aos mesmos fatos abrangidos pelo lançamento original. Segundo consta do Termo de Verificação n° 01 de fls. 3.269 a 3.328, a motivação apresentada pela Autoridade Fiscal para formalizar a exigência acima discriminada é a falta de retenção e recolhimento do Imposto incidente sobre pagamentos ou remessas realizadas pela Impugnante, em razão de serviços que lhe foram prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. O Imposto foi exigido nos termos do que dispõem os arts. 682 e 685 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR). Quanto à matéria tributável que compõe o objeto do presente processo, no item 1.2.5 do Termo de Verificação n° 01 a Autoridade Fiscal esclarece que intimou a Impugnante a comprovar a retenção do Imposto incidente sobre o montante de R$ 84.503.824,24, informado na Ficha 45 da DIPJ 2013 (AC 2012) na linha reservada a “Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia, Prestados no Exterior” (fls. 169 a 171). Segundo informação contida na Ficha 45 da DIPJ 2013, o total pago ou remetido a beneficiários no exterior pela Impugnante, ao longo do ano de 2012, a título de remuneração por serviços técnicos e de assistência sem transferência de tecnologia, é composto das seguintes parcelas: PAÍS VALOR (R$) Alemanha 33.955,04 China 50.099.065,96 Coréia do Norte (sic) 9.288,45 Estados Unidos 17.582.923,27 Itália 2.537.806,61 Jordânia 189.279,50 Letônia 5.431,46 Noruega 48.890,30 Holanda 7.462.514,61 Reino Unido 45.281,80 Suécia 6.487.509,24 Suíça 1.878,00 Total 84.503.824,24 O valor total remetido a cada país acima mencionado encontra-se detalhado em planilha anexada ao processo (fl. 1.272), em que são discriminados, individualmente, cada um dos pagamentos ou remessas. Embora na DIPJ conste que valores tenham sido remetidos à Coréia do Norte, na verdade, trata-se de um claro equívoco no preenchimento da declaração, pois, segundo consta na planilha anexada à fl. 1.272, duas remessas que totalizaram R$ 9.288,45 tiveram como beneficiária a empresa SGS Korea Co Ltd., domiciliada em Seul, na Coréia do Sul. Inclusive, conforme se verá adiante, o fato de a Impugnante ter apresentado argumento específico relativo à Convenção1 celebrada pelo Brasil com a Coréia do Sul reforça tal conclusão. Em atendimento à intimação fiscal, a Impugnante não apresentou comprovação de que teria efetuado a retenção do Imposto sobre as remessas identificadas na Ficha 45 da DIPJ 2013. Em verdade, afirmou que não seria aplicável tal incidência em razão (i) de os pagamentos serem referentes a fornecimento de materiais, e não a prestação de serviços; e (ii) da existência de Acordos para evitar a dupla tributação. A Autoridade Fiscal não acolheu tais argumentos, expondo suas razões no Termo de Verificação. Por consequência, constituiu de ofício o crédito tributário exigido no presente processo. Às fls. 3.340 a 3.429, encontram-se juntadas as Convenções para Evitar a Bitributação, firmadas pelo Brasil com China, Coréia do Sul, Holanda, Itália e Suécia. Do montante total remetido ao exterior, informado pela Impugnante (R$ 84.503.824,24), apenas a parte correspondente a R$ 64.794.797,63 foi considerada como matéria tributável no presente processo. A parcela restante - no valor de R$ 19.709.026,61 e que teve como beneficiárias as empresas MJP Engineering and Consulting LLC e Remazel Engineering SpA - compõe a matéria tributável do processo n° 13896.723091/2016-35, por ter sido considerada “pagamento sem causa”. O valor lançado neste processo, a título de IRRF (R$ 9.719.219,52), corresponde ao resultado da aplicação da alíquota de 15% sobre cada um dos pagamentos ou remessas ao exterior que integram a matéria tributável de R$ 64.794.797,63, discriminada no Auto de Infração. Quanto à alíquota aplicável, a Autoridade Fiscal assim se manifestou no Termo de Verificação: Enquanto a prestação de serviços em geral sofre a incidência de IRRF a uma alíquota de 25%, a teor do já transcrito artigo 7° da Lei 9.779 de 1999, a “remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes” e os “serviços técnicos e de assistência administrativa ” se sujeitam a uma alíquota de 15%, respectivamente, conforme art. 3° da MP n° 2-159-70 de 2001 e o art. 2° A da Lei n° 10.168/2000. O Auto de Infração original foi lavrado em 18/10/2016. Dias depois, em 24/10/2016, a Autoridade Fiscal lavrou o Auto de Infração complementar de fls. 3.231 a 3.240, justificado por meio da seguinte exposição, contida no Termo de Verificação n° 02 (fls. 3.242 a 3.245): Segundo consta do Termo de Verificação n° 01 citado, item 3.4, o IRRF a ser lançado sobre remessas ao exterior, e formalizado em processo 13.896.723.096/2016-68 deveria ter tido como bases de cálculo o valor enviado ao exterior reajustado. Isto é, o valor remetido ao exterior deveria ser dividido por 0,85 para fins de apuração da Base de Cálculo reajustada sobre a qual deveria ter sido calculado o IRRF, como ali demonstrado. E também como demonstrado em "Planilha apresentada pelo contribuinte como rol de composição do valor constante da ficha 04A linha 20 (Ficha 45) com valores de base e imposto (IRRF e CIDE) calculados pela fiscalização", planilha que foi entregue ao contribuinte em papel e em meio magnético, em 19/10/2016. Ocorre que foi verificado, conforme pode ser visualizado em "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE" do Auto de Infração de IRRF, recebido pelo contribuinte em 19/10/2016, inserto no arquivo"PROCESSO_IRRF_13896_723_096 _2016_68_ Auto_de_ lnfracao_proc96IRRF_1_.pdf', que as bases utilizadas para lançamento não foram as bases reajustadas, e sim as bases da remessa em valor originalmente enviado ao exterior. [...]Em razão dos fatos acima narrados, com base na legislação abaixo reproduzida, procederemos o presente lançamento complementar ao lançamento de ofício procedido em 19/10/2016, referente a diferença detectada: [...]Quanto ao reajustamento da base de cálculo, no Termo de Verificação n° 01, referente ao lançamento original, consta o seguinte: 2.2.2) Do Reajuste da Base de Cálculo “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5°, e Lei n° 8.981, de 1995, art. 63, § 2°). " [...]3.4) Da base do IRRF sob os pagamentos enviados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, tributados a 15%: (e da Base do CIDE) Os valores remetidos em pagamento a pessoa jurídica domiciliado no exterior o serão a alíquota de 15% (sic). Para tanto reproduzimos abaixo os valores constantes da planilha apresentada pelo contribuinte, apenas excluindo as linhas referentes a empresa MJP que já estão sendo objeto de tributação em itens anteriores a alíquota de 35%. Também aqui haverá a necessidade de se reajustar os valores enviados ao exterior, pelos mesmos motivos expostos anteriormente. Apenas que, tendo em vista a alíquota aplicável ser de 15%, o ajuste se dará da forma abaixo demonstrada: Valor enviado(ou líquido) = Valor Bruto - 0,15*Valor Bruto Valor enviado(ou líquido) = 0,85 * Valor Bruto. Ou seja, Valor Bruto (base de cálculo) = Valor liquido/0,85 [...]Como se nota, já no Termo de Verificação n° 01, a Autoridade Fiscal informou que iria reajustar a base de cálculo do lançamento. Nesse sentido, no próprio item 3.4 do Termo de Verificação n° 1, consta uma planilha com a demonstração do cálculo do IRRF, em que foi considerado o reajustamento da base de cálculo. No entanto, na confecção do Auto de Infração original a Autoridade Fiscal não procedeu dessa forma, de modo que a matéria tributável foi levada ao lançamento sem que fosse considerado o reajustamento. Tal fato fica evidente quando se verifica que, na linha final da planilha contida no item 3.4 do Termo de Verificação n° 1, o valor total do IRRF calculado pela Autoridade Fiscal alcançou o montante de R$ 11.882.224,28, e não os R$ 9.719.219,52 que constam no lançamento original. Esta foi a justificativa apontada no Termo de Verificação n° 02 para o lançamento complementar. Também cumpre aqui observar que, somando-se o valor originalmente lançado (R$ 9.719.219,52) e o valor lançado no Auto complementar (R$ 1.715.156,42), o resultado encontrado é R$ 11.434.375,94, que não coincide com o montante de R$ 11.882.224,28 encontrado na planilha contida no item 3.4 do Termo de Verificação n° 1. A diferença de R$ 447.848,34 ( = R$ 11.882.224,28 - R$ 11.434.375,94) se explica pelo fato de que o pagamento realizado pela Impugnante à empresa Remazel, no valor de R$ 2.537.806,61, foi computado na matéria tributável (R$ 67.332.604,24) que serviu de base para o cálculo dos R$ 11.822.224,28 informados na planilha, ainda que a própria Autoridade Fiscal, no rodapé daquela mesma planilha, tenha observado que não iria incluir tal pagamento na matéria tributável deste processo. A observação no rodapé da planilha se deve ao fato de que o referido pagamento foi levado à base de cálculo do lançamento do IRRF que compõe o objeto do processo n° 13896.723091/2016-35, em razão de ter sido considerado “sem causa”. Do Auto de Infração original a Impugnante foi cientificada em 19/10/2016 (fl. 3.464 do processo n° 13896.723091/2016-35), e do Auto de Infração complementar, em 25/10/2016 (fl. 3.245). Irresignada, em 17/11/2016 apresentou a Impugnação de fls. 3.440 a 3.460, em que requer o cancelamento integral da exigência lançada em razão da existência de Acordos para evitar a bitributação. Subsidiariamente, a Impugnante requer (i) a exclusão dos valores pagos à COSCO e à REMAZEL da base de cálculo do Imposto lançado, em razão de dizerem respeito a contratos de fornecimento, e não de prestação de serviços técnicos; (ii) a exclusão dos valores pagos a residentes na Suécia da base de cálculo do Imposto lançado, em razão de o Acordo firmado pelo Brasil com aquele País não ter equiparado rendimentos oriundos de contratos de prestação de serviços e assistência técnica aos rendimentos classificados como royalties; (iii) em relação aos pagamentos efetuados a residentes na Coréia do Sul, que seja observada a alíquota de 10% do IRRF; e (iv) que seja afastado o reajustamento da base de cálculo do IRRF, efetuado ao amparo de norma legal inaplicável ao caso, de forma que o IRRF seja calculado sobre os rendimentos efetivamente pagos aos domiciliados no exterior. Por fim, cumpre registrar que, além do IRRF, em relação aos mesmos pagamentos aqui analisados também foi lançada a Cide-Remessas, conforme Auto de Infração que compõe o objeto do processo n° 13896.723.095/2016-13. É o relatório. Foi prolatado o Acórdão nº 07-40.151 - 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 3508/3501), que julgou a impugnação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: CONVENÇÃO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO DO TRATAMENTO CONFERIDO A ROYALTIES. Nos termos dos protocolos anexos ao Acordo Brasil-China e às Convenções Brasil-Coréia do Sul, Brasil-Holanda e Brasil-Noruega, os rendimentos provenientes da prestação de serviços técnicos devem receber o mesmo tratamento que é conferido aos royalties, autorizando, desta forma, a incidência do Imposto na fonte. CONVENÇÃO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. CORÉIA DO SUL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Nos termos do art. 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 3, de 17 de março de 2006, “em relação aos [...] royalties de que trata a alínea "b" do parágrafo 2° do art. XII da mencionada Convenção e a quaisquer rendimentos de assistência técnica e de serviços técnicos tratados no item 4 de seu Protocolo, ressalvado tratamento mais benéfico estabelecido em lei interna, o imposto de renda na fonte, quando o beneficiário efetivo for um residente ou domiciliado na Coréia, não excederá dez por cento do montante bruto dos valores em questão”. CONVENÇÃO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. SUÉCIA. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA. Considerando que não há, na Convenção Brasil-Suécia, equiparação do tratamento a ser dado às contraprestações de serviços técnicos aos conferidos aos rendimentos de profissões independentes (artigo 14), o fundamento adotado pela Autoridade Fiscal encontra-se equivocado, razão pela qual há que ser cancelada a parte do lançamento referente às remessas efetuadas a empresa domiciliada na Suécia. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/02/2012, 24/04/2012, 27/04/2012, 21/05/2012, 18/06/2012, 19/07/2012, 08/08/2012, 27/08/2012, 18/09/2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 25/08/2017 (fl.3579) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 22/09/2017 (fls. 3584/3600), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) Acordos para evitar a bitributação e não autorização da cobrança do IRRF sobre a remuneração de serviços técnicos que não envolvam transferência de tecnologia 1.1) A questão - e aqui reside a divergência - é que não é toda remuneração por serviço técnico/ de assistência técnica que pode ter tratamento fiscal equiparado ao pagamento de royalties, como pretende o v. acórdão recorrido, mas tão somente a remuneração feita em contrapartida aos contratos que importem em transferência/cessão de tecnologia. Do contrário, forçosamente teríamos que reconhecer que a remuneração por todo e qualquer serviço poderia ser equiparada à remuneração por royalties, afinal, todo serviço é técnico, pois que envolve o conhecimento de uma técnica por parte daquele que o executará. 2) Os pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD. 2.1) Consoante registrado no v. acórdão recorrido, a Autoridade Fiscal sustentou que todos os pagamentos realizados à empresa COSCO no ano de 2012 têm natureza e remuneração por serviços prestados, estes, diga-se, tomados como serviços técnicos e, portanto, sujeitos à incidência da IRRF. 2.2) Em defesa, a ora Recorrente defendeu que os valores pagos eram vinculados a contrato de contração de plataformas e, que, como tal, não estariam sujeitos à incidência do IRRF, porquanto o contrato de fornecimento não poderia ser confundido com o contrato de prestação de serviços técnicos. Defendeu a Recorrente que a maioria dos pagamentos efetuados à COSCO se referiu ao fornecimento de materiais e não a prestação de serviços. 2.3) Pois, fazendo referência às transcrições feitas pela Autoridade Administrativa de trechos de um Contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO, mais especificamente, o Contrato identificado por ECXP01197-00-1Z, indicativas de uma prestação de serviços, assim concluiu a r. decisão recorrida: "Como visto acima, o próprio contrato faz ampla referência a prestação de serviços pela Contratada. Sobre esse ponto, cumpre observar que em nenhum momento a Impugnante apresentou um contraponto concreto, identificado, por exemplo, a obrigação de a Contratada fornecer um bem, conforme alegado na Impugnação. E o que é mais importante, também não apresentou qualquer vinculação entre os valores alcançados pelo Auto de Infração e uma eventual obrigação de a Contratada fornecer um bem." 2.4) Ocorre que a conclusão acima parte de uma premissa equivocada, qual seja premissa de que apenas existiria um contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO. 2.5) A Recorrente apresentou, no curso da fiscalização, todos os contratos firmados com a COSCO e que estavam em vigor no ano de 2012 (fls. 714/842 dos autos deste processo administrativo), contratos estes nos quais se apoiaram os pagamentos efetuados a COSCO. 2.6) Pois desses contratos, cujo quadro-resumo segue abaixo, é possível verificar que apenas 10% dos valores contratados com a COSCO são relativos à contratação de serviços, sendo os demais 90% referentes à compra de bens/equipamentos: Fls. dos autos Contrato Descrição Objeto Natureza Preços (US$) Fls. 714/729 e 758/783 EXP00002/00-1S Fornecimento de 6 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 223,775,000.00 Fls. 784/813 EXP01197/00-1S Fornecimento de 2 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 75,245,000.00 Fls. 730/756 EXP01197/1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 6,000,000.00 Fls. 730/756 EXP00002/00-1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 14,000,000.00 Fls. 814/842 EXP01197/1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 5,760,000.00 Fls. 814/842 EXP00002/00-1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 13,440,000.00 2.7) Logo, inaceitável a presunção fiscal de que 100% dos valores pagos à COSCO no ano-calendário de 2012 o foram em remuneração da prestação de serviços. 3) Houve erro da metodologia utilizada para apuração da base de cálculo do IRRF supostamente devido. 4) Por fim, requer: 4.1) Seja determinado o cancelamento total da autuação tendo em vista que a inexigibilidade de IRRF sobre a remuneração de serviços técnicos / assistência técnica que não envolvam transferência de tecnologia, os quais devem ser tomados como integrantes dos lucros a que se refere o artigo 7° dos Acordos Internacionais para Evitar a Dupla Tributação, sobre os quais apenas se admite a tributação no País do prestador de serviço. 4.2) Subsidiariamente, acaso não acolhido o item acima, seja declarada a insubsistência do lançamento quanto aos pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP, ante à manifesta falha da Autoridade Administrativa, que apressadamente vinculou todos os pagamentos efetuados à citada empresa a um único Contrato de Prestação de Serviços, quando é certo que, no ano de 2012, estavam em vigor 5 (cinco) outros Contratos (todos apresentados no curso da fiscalização), dois dos quais, de maior valor, relativos à Compra de Bens/Equipamentos, cujos pagamentos, portanto, não poderiam se sujeitar à incidência da CIDE. 4.3) Alternativamente, requer que seja o julgamento convertido em diligência a fim de que seja feita a devida segregação entre: (i) os valores pagos pela Recorrente à COSCO a título da prestação dos serviços contratados nos Contratos EXP 01197/1Z e EXP00002/00-1Z e (ii) os valores pagos em contrapartida ao fornecimento dos bens/equipamentos contratados nos Contratos EXP 01197/00-1S e EXP00002/00-1S; reconhecendo-se, por conseguinte, a não incidência da CIDE sobre esses últimos; 4.4) Seja afastado o reajustamento de base perpetrado pela I. Auditora Fiscal com base, de forma que o IRRF, acaso mantido, seja recalculado sobre os rendimentos efetivamente pagos aos domiciliados no exterior, posto que representativos da verdade e única remuneração bruta dos serviços. É relatório. Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Diligência Consoante relatado, a recorrente se insurge contra o fato de a totalidade dos pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD integrarem a base de cálculo do presente lançamento, como relativos à contratação de serviços. Assevera a recorrente em relação aos pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD. “Consoante registrado no v. acórdão recorrido, a Autoridade Fiscal sustentou que todos os pagamentos realizados à empresa COSCO no ano de 2012 têm natureza e remuneração por serviços prestados, estes, diga-se, tomados como serviços técnicos e, portanto, sujeitos à incidência da IRRF. Em defesa, a ora Recorrente defendeu que os valores pagos eram vinculados a contrato de contração de plataformas e, que, como tal, não estariam sujeitos à incidência do IRRF, porquanto o contrato de fornecimento não poderia ser confundido com o contrato de prestação de serviços técnicos. Defendeu a Recorrente que a maioria dos pagamentos efetuados à COSCO se referiu ao fornecimento de materiais e não a prestação de serviços. Pois, fazendo referência às transcrições feitas pela Autoridade Administrativa de trechos de um Contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO, mais especificamente, o Contrato identificado por ECXP01197-00-1Z, indicativas de uma prestação de serviços, assim concluiu a r. decisão recorrida: Como visto acima, o próprio contrato faz ampla referência a prestação de serviços pela Contratada. Sobre esse ponto, cumpre observar que em nenhum momento a Impugnante apresentou um contraponto concreto, identificado, por exemplo, a obrigação de a Contratada fornecer um bem, conforme alegado na Impugnação. E o que é mais importante, também não apresentou qualquer vinculação entre os valores alcançados pelo Auto de Infração e uma eventual obrigação de a Contratada fornecer um bem." Ocorre que a conclusão acima parte de uma premissa equivocada, qual seja premissa de que apenas existiria um contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO. A Recorrente apresentou, no curso da fiscalização, todos os contratos firmados com a COSCO e que estavam em vigor no ano de 2012 (fls. 714/842 dos autos deste processo administrativo), contratos estes nos quais se apoiaram os pagamentos efetuados a COSCO. Pois desses contratos, cujo quadro-resumo segue abaixo, é possível verificar que apenas 10% dos valores contratados com a COSCO são relativos à contratação de serviços, sendo os demais 90% referentes à compra de bens/equipamentos: Fls. dos autos Contrato Descrição Objeto Natureza Preços (US$) Fls. 714/729 e 758/783 EXP00002/00-1S Fornecimento de 6 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 223,775,000.00 Fls. 784/813 EXP01197/00-1S Fornecimento de 2 Modules for accommodations and helidecks. Venda de Bens/Equipamentos 75,245,000.00 Fls. 730/756 EXP01197/1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 6,000,000.00 Fls. 730/756 EXP00002/00-1Z Consultant Work for Project Management Prestação de Serviços 14,000,000.00 Fls. 814/842 EXP01197/1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 5,760,000.00 Fls. 814/842 EXP00002/00-1Z Detail Engineering And Workshop Design Prestação de Serviços 13,440,000.00 Logo, inaceitável a presunção fiscal de que 100% dos valores pagos à COSCO no ano-calendário de 2012 o foram em remuneração da prestação de serviços”. Este Relator, ao analisar os documentos mencionados pela Recorrente às fls. 714/842 (numeração descontínua), se deparou com documentos redigidos em língua estrangeira. Não obstante a existência de lacuna no Decreto nº 70.235/1972, deve o Código de Processo Civil ser aplicado subsidiariamente ao presente caso, mediante recurso à analogia, isto é, à busca da disciplina prevista no sistema normativo para casos semelhantes, com fundamento no art. 108 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1996 - Código Tributário Nacional. Reza o Novo Código de Processo Civil Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Desta forma, entendo que a recorrente deve ser intimada para juntar a versão dos documentos colacionados aos autos em língua portuguesa, firmada por tradutor juramentado, sob pena de indeferimento da prova. Após cumprida a intimação, deverão os aludidos documentos ser apreciados pela autoridade lançadora, para manifestação conclusiva acerca de eventual fornecimento de materiais por parte da COSCO à Recorrente, que não devam integrar a base de cálculo, por não poder ser considerado fato gerador da exação lançada. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que: - Seja intimada a recorrente para a juntada da versão dos documentos em língua portuguesa, firmada por tradutor juramentado, sob pena de invalidade da prova apresentada. - A autoridade fiscal se manifeste conclusivamente acerca da existência de previsão de fornecimento de materiais, cujos valores tenham sido considerados globalmente como prestação de serviços, em parte dos contratos colacionados aos autos. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra

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2201­000.320  –   2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  04 de outubro de 2018  Assunto  Imposto de Renda Retido na Fonte ­ IRRF  Recorrente  ECOVIX CONSTRUCOES OCEANICAS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Resolvem  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado.  (Assinado digitalmente)   Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator   Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral  Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton  da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 07­40.151 ­ 6a  Turma da DRJ/FNS, o qual julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte.  Adotamos  o  relatório  da  decisão  de  primeira  instância,  por  bem  sintetizar  os  fatos:  Trata o presente processo de Impugnação ao Auto de Infração de fls.  3.254 a 3.263 (lançamento original), lavrado contra a pessoa jurídica  em epígrafe, ora Impugnante, por meio do qual é exigida a importância  de  R$  9.719.219,52  a  título  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  acrescida  de  multa  de  ofício  de  75%  e  dos  juros  de  mora  legais, referente a fatos ocorridos ao longo do ano de 2012.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 23 09 6/ 20 16 -6 8 Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.720          2 Além  do  Auto  de  Infração  acima  referido,  foi  ainda  lavrado  o  lançamento  complementar de  fls.  3.231  a  3.240,  por meio  do  qual  à  exigência  original  foi  adicionada  a  importância  de R$  1.715.156,42,  também a  título de  IRRF, acrescida de multa de ofício de 75% e dos  juros de mora legais, relativamente aos mesmos fatos abrangidos pelo  lançamento original.  Segundo consta do Termo de Verificação n° 01 de fls. 3.269 a 3.328, a  motivação  apresentada  pela  Autoridade  Fiscal  para  formalizar  a  exigência acima discriminada é a falta de retenção e recolhimento do  Imposto  incidente  sobre  pagamentos  ou  remessas  realizadas  pela  Impugnante, em razão de serviços que lhe foram prestados por pessoas  jurídicas domiciliadas no exterior. O Imposto foi exigido nos termos do  que dispõem os arts. 682 e 685 do Regulamento do Imposto de Renda  (RIR).  Quanto à matéria tributável que compõe o objeto do presente processo,  no  item  1.2.5  do  Termo  de  Verificação  n°  01  a  Autoridade  Fiscal  esclarece  que  intimou  a  Impugnante  a  comprovar  a  retenção  do  Imposto incidente sobre o montante de R$ 84.503.824,24, informado na  Ficha  45  da  DIPJ  2013  (AC  2012)  na  linha  reservada  a  “Serviços  Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia, Prestados  no Exterior” (fls. 169 a 171).  Segundo  informação contida na Ficha 45 da DIPJ 2013, o  total pago  ou remetido a beneficiários no exterior pela Impugnante, ao longo do  ano  de  2012,  a  título  de  remuneração  por  serviços  técnicos  e  de  assistência sem transferência de  tecnologia, é composto das seguintes  parcelas:  PAÍS  VALOR (R$)  Alemanha  33.955,04  China  50.099.065,96  Coréia do Norte (sic)  9.288,45  Estados Unidos  17.582.923,27  Itália  2.537.806,61  Jordânia  189.279,50  Letônia  5.431,46  Noruega  48.890,30  Holanda  7.462.514,61  Reino Unido  45.281,80  Suécia  6.487.509,24  Suíça  1.878,00  Total  84.503.824,24  O  valor  total  remetido  a  cada  país  acima  mencionado  encontra­se  detalhado  em  planilha  anexada  ao  processo  (fl.  1.272),  em  que  são  discriminados, individualmente, cada um dos pagamentos ou remessas.  Embora na DIPJ conste que valores tenham sido remetidos à Coréia do  Norte, na verdade, trata­se de um claro equívoco no preenchimento da  Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.721          3 declaração, pois, segundo consta na planilha anexada à fl. 1.272, duas  remessas  que  totalizaram  R$  9.288,45  tiveram  como  beneficiária  a  empresa SGS Korea Co Ltd.,  domiciliada em Seul,  na Coréia do Sul.  Inclusive,  conforme  se  verá  adiante,  o  fato  de  a  Impugnante  ter  apresentado  argumento  específico  relativo  à  Convenção1  celebrada  pelo Brasil com a Coréia do Sul reforça tal conclusão.  Em  atendimento  à  intimação  fiscal,  a  Impugnante  não  apresentou  comprovação  de  que  teria  efetuado  a  retenção  do  Imposto  sobre  as  remessas  identificadas  na  Ficha  45  da  DIPJ  2013.  Em  verdade,  afirmou  que  não  seria  aplicável  tal  incidência  em  razão  (i)  de  os  pagamentos  serem  referentes  a  fornecimento  de materiais,  e  não  a  prestação  de  serviços;  e  (ii)  da  existência  de  Acordos  para  evitar  a  dupla tributação.  A Autoridade Fiscal não acolheu tais argumentos, expondo suas razões  no  Termo  de  Verificação.  Por  consequência,  constituiu  de  ofício  o  crédito tributário exigido no presente processo.  Às  fls.  3.340  a  3.429,  encontram­se  juntadas  as  Convenções  para  Evitar a Bitributação, firmadas pelo Brasil com China, Coréia do Sul,  Holanda, Itália e Suécia.  Do  montante  total  remetido  ao  exterior,  informado  pela  Impugnante  (R$  84.503.824,24),  apenas  a  parte  correspondente  a  R$  64.794.797,63  foi  considerada  como  matéria  tributável  no  presente  processo. A parcela restante ­ no valor de R$ 19.709.026,61 e que teve  como beneficiárias as empresas MJP Engineering and Consulting LLC  e Remazel Engineering SpA ­ compõe a matéria tributável do processo  n°  13896.723091/2016­35,  por  ter  sido  considerada “pagamento  sem  causa”.  O  valor  lançado  neste  processo,  a  título  de  IRRF  (R$  9.719.219,52),  corresponde ao resultado da aplicação da alíquota de 15% sobre cada  um  dos  pagamentos  ou  remessas  ao  exterior  que  integram  a matéria  tributável de R$ 64.794.797,63, discriminada no Auto de Infração.  Quanto à alíquota aplicável, a Autoridade Fiscal assim se manifestou  no Termo de Verificação:  Enquanto a prestação de serviços em geral sofre a incidência de IRRF  a uma alíquota de 25%, a teor do já transcrito artigo 7° da Lei 9.779  de  1999,  a “remuneração de  serviços  de  assistência administrativa  e  semelhantes” e os “serviços técnicos e de assistência administrativa ”  se sujeitam a uma alíquota de 15%, respectivamente, conforme art. 3°  da MP n° 2­159­70 de 2001 e o art. 2° A da Lei n° 10.168/2000.  O Auto de  Infração original  foi  lavrado em 18/10/2016. Dias depois,  em  24/10/2016,  a  Autoridade  Fiscal  lavrou  o  Auto  de  Infração  complementar  de  fls.  3.231  a  3.240,  justificado  por meio  da  seguinte  exposição, contida no Termo de Verificação n° 02 (fls. 3.242 a 3.245):  Segundo consta do Termo de Verificação n° 01 citado, item 3.4, o IRRF  a ser  lançado sobre  remessas ao exterior, e  formalizado em processo  13.896.723.096/2016­68 deveria ter tido como bases de cálculo o valor  enviado  ao  exterior  reajustado.  Isto  é,  o  valor  remetido  ao  exterior  Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.722          4 deveria ser dividido por 0,85 para fins de apuração da Base de Cálculo  reajustada  sobre  a  qual  deveria  ter  sido  calculado o  IRRF,  como ali  demonstrado. E também como demonstrado em "Planilha apresentada  pelo contribuinte como rol de composição do valor constante da ficha  04A  linha  20  (Ficha  45)  com  valores  de  base  e  imposto  (IRRF  e  CIDE)  calculados  pela  fiscalização",  planilha  que  foi  entregue  ao  contribuinte em papel e em meio magnético, em 19/10/2016.  Ocorre  que  foi  verificado,  conforme  pode  ser  visualizado  em  "DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL  IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE" do Auto de Infração de  IRRF,  recebido  pelo  contribuinte  em  19/10/2016,  inserto  no  arquivo"PROCESSO_IRRF_13896_723_096  _2016_68_  Auto_de_  lnfracao_proc96IRRF_1_.pdf',  que  as  bases  utilizadas  para  lançamento não foram as bases reajustadas, e sim as bases da remessa  em valor originalmente enviado ao exterior.  [...]Em razão dos fatos acima narrados, com base na legislação abaixo  reproduzida,  procederemos  o  presente  lançamento  complementar  ao  lançamento  de  ofício  procedido em 19/10/2016,  referente  a  diferença  detectada:  [...]Quanto  ao  reajustamento  da  base  de  cálculo,  no  Termo  de  Verificação n° 01, referente ao lançamento original, consta o seguinte:  2.2.2)  Do  Reajuste  da  Base  de  Cálculo  “Art.  725.  Quando  a  fonte  pagadora  assumir  o  ônus  do  imposto  devido  pelo  beneficiário,  a  importância  paga,  creditada,  empregada,  remetida  ou  entregue,  será  considerada  líquida,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto,  sobre  o  qual  recairá  o  imposto,  ressalvadas  as  hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n°  4.154, de 1962, art. 5°, e Lei n° 8.981, de 1995, art. 63, § 2°). " [...]3.4)  Da  base  do  IRRF  sob  os  pagamentos  enviados  a  pessoa  jurídica  domiciliada no exterior, tributados a 15%: (e da Base do CIDE)  Os valores remetidos em pagamento a pessoa jurídica domiciliado no  exterior  o  serão  a  alíquota  de  15%  (sic).  Para  tanto  reproduzimos  abaixo  os  valores  constantes  da  planilha  apresentada  pelo  contribuinte, apenas excluindo as linhas referentes a empresa MJP que  já  estão sendo objeto de  tributação em  itens anteriores a alíquota de  35%.  Também aqui haverá a necessidade de se reajustar os valores enviados  ao exterior, pelos mesmos motivos expostos anteriormente. Apenas que,  tendo  em  vista  a  alíquota  aplicável  ser  de  15%,  o  ajuste  se  dará  da  forma abaixo demonstrada:  Valor  enviado(ou  líquido)  =  Valor  Bruto  ­  0,15*Valor  Bruto  Valor  enviado(ou líquido) = 0,85 * Valor Bruto. Ou seja, Valor Bruto (base  de  cálculo)  =  Valor  liquido/0,85  [...]Como  se  nota,  já  no  Termo  de  Verificação n°  01,  a Autoridade Fiscal  informou que  iria  reajustar a  base de cálculo do lançamento. Nesse sentido, no próprio item 3.4 do  Termo de Verificação n° 1, consta uma planilha com a demonstração  do cálculo do IRRF, em que  foi considerado o reajustamento da base  de  cálculo. No  entanto,  na  confecção do Auto  de  Infração original  a  Autoridade Fiscal não procedeu dessa  forma, de modo que a matéria  Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.723          5 tributável  foi  levada  ao  lançamento  sem  que  fosse  considerado  o  reajustamento.  Tal fato fica evidente quando se verifica que, na linha final da planilha  contida  no  item  3.4  do  Termo  de  Verificação  n°  1,  o  valor  total  do  IRRF  calculado  pela  Autoridade  Fiscal  alcançou  o  montante  de  R$  11.882.224,28, e não os R$ 9.719.219,52 que constam no  lançamento  original. Esta foi a justificativa apontada no Termo de Verificação n°  02 para o lançamento complementar.  Também cumpre aqui observar que, somando­se o valor originalmente  lançado  (R$  9.719.219,52)  e  o  valor  lançado  no  Auto  complementar  (R$ 1.715.156,42), o resultado encontrado é R$ 11.434.375,94, que não  coincide com o montante de R$ 11.882.224,28 encontrado na planilha  contida no item 3.4 do Termo de Verificação n° 1.  A  diferença  de  R$  447.848,34  (  =  R$  11.882.224,28  ­  R$  11.434.375,94) se explica pelo fato de que o pagamento realizado pela  Impugnante  à  empresa  Remazel,  no  valor  de  R$  2.537.806,61,  foi  computado  na  matéria  tributável  (R$  67.332.604,24)  que  serviu  de  base  para  o  cálculo  dos  R$  11.822.224,28  informados  na  planilha,  ainda  que  a  própria  Autoridade  Fiscal,  no  rodapé  daquela  mesma  planilha,  tenha  observado  que  não  iria  incluir  tal  pagamento  na  matéria tributável deste processo. A observação no rodapé da planilha  se  deve  ao  fato  de  que  o  referido  pagamento  foi  levado  à  base  de  cálculo do  lançamento do IRRF que  compõe o objeto do processo n°  13896.723091/2016­35,  em  razão  de  ter  sido  considerado  “sem  causa”.  Do  Auto  de  Infração  original  a  Impugnante  foi  cientificada  em  19/10/2016  (fl.  3.464  do  processo  n°  13896.723091/2016­35),  e  do  Auto  de  Infração  complementar,  em  25/10/2016  (fl.  3.245).  Irresignada, em 17/11/2016 apresentou a  Impugnação de  fls.  3.440 a  3.460, em que requer o cancelamento integral da exigência lançada em  razão da existência de Acordos para evitar a bitributação.  Subsidiariamente,  a  Impugnante  requer  (i)  a  exclusão  dos  valores  pagos  à  COSCO  e  à  REMAZEL  da  base  de  cálculo  do  Imposto  lançado, em razão de dizerem respeito a contratos de fornecimento, e  não  de  prestação  de  serviços  técnicos;  (ii)  a  exclusão  dos  valores  pagos a residentes na Suécia da base de cálculo do Imposto  lançado,  em  razão  de  o  Acordo  firmado  pelo  Brasil  com  aquele  País  não  ter  equiparado  rendimentos  oriundos  de  contratos  de  prestação  de  serviços  e  assistência  técnica  aos  rendimentos  classificados  como  royalties;  (iii)  em  relação  aos  pagamentos  efetuados  a  residentes  na  Coréia do Sul, que seja observada a alíquota de 10% do IRRF; e (iv)  que  seja  afastado  o  reajustamento  da  base  de  cálculo  do  IRRF,  efetuado ao amparo de norma legal inaplicável ao caso, de forma que  o  IRRF  seja  calculado  sobre  os  rendimentos  efetivamente  pagos  aos  domiciliados no exterior.  Por fim, cumpre registrar que, além do IRRF, em relação aos mesmos  pagamentos  aqui  analisados  também  foi  lançada  a  Cide­Remessas,  conforme  Auto  de  Infração  que  compõe  o  objeto  do  processo  n°  13896.723.095/2016­13.  Fl. 3723DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.724          6 É o relatório.  Foi  prolatado  o  Acórdão  nº  07­40.151  ­  6a  Turma  da  DRJ/FNS  (fls.  3508/3501), que julgou a impugnação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa:  CONVENÇÃO  PARA  EVITAR  BITRIBUTAÇÃO.  EQUIPARAÇÃO  DO  TRATAMENTO CONFERIDO A ROYALTIES.  Nos  termos  dos  protocolos  anexos  ao  Acordo  Brasil­China  e  às  Convenções  Brasil­Coréia  do  Sul,  Brasil­Holanda  e  Brasil­Noruega,  os  rendimentos  provenientes  da  prestação  de  serviços  técnicos  devem  receber  o  mesmo  tratamento que é conferido aos royalties, autorizando, desta forma, a incidência  do Imposto na fonte.  CONVENÇÃO  PARA  EVITAR  BITRIBUTAÇÃO.  CORÉIA  DO  SUL.  ALÍQUOTA APLICÁVEL.  Nos  termos  do  art.  1°  do Ato Declaratório  Interpretativo  SRF  n°  3,  de  17  de  março  de  2006,  “em  relação  aos  [...]  royalties  de  que  trata  a  alínea  "b"  do  parágrafo 2° do art. XII da mencionada Convenção e a quaisquer rendimentos de  assistência  técnica  e de  serviços  técnicos  tratados no  item 4 de  seu Protocolo,  ressalvado  tratamento mais  benéfico  estabelecido  em  lei  interna,  o  imposto de  renda na fonte, quando o beneficiário efetivo for um residente ou domiciliado na  Coréia, não excederá dez por cento do montante bruto dos valores em questão”.  CONVENÇÃO  PARA  EVITAR  BITRIBUTAÇÃO.  SUÉCIA.  FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA.  Considerando  que  não  há,  na  Convenção  Brasil­Suécia,  equiparação  do  tratamento  a  ser  dado  às  contraprestações  de  serviços  técnicos  aos  conferidos  aos rendimentos de profissões independentes (artigo 14), o fundamento adotado  pela  Autoridade  Fiscal  encontra­se  equivocado,  razão  pela  qual  há  que  ser  cancelada  a  parte  do  lançamento  referente  às  remessas  efetuadas  a  empresa  domiciliada na Suécia.  REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.  Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto beneficiário, a importância  paga,  creditada,  empregada,  entregue,  será  considerada  líquida,  cabendo  o  reajustamento rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto.  Assunto:  Processo  Administrativo  Fiscal  Data  do  fato  gerador:  02/02/2012,  24/04/2012,  27/04/2012,  21/05/2012,  18/06/2012,  19/07/2012,  08/08/2012,  27/08/2012,  18/09/2012  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 25/08/2017 (fl.3579) e o recurso  voluntário foi protocolado tempestivamente em 22/09/2017 (fls. 3584/3600), tendo apresentado  as razões recursais, a seguir sintetizadas:  Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.725          7  1) Acordos para evitar  a bitributação e não  autorização da  cobrança do  IRRF  sobre a remuneração de serviços técnicos que não envolvam transferência de tecnologia 1.1) A  questão ­ e aqui  reside a divergência  ­ é que não é  toda remuneração por serviço  técnico/ de  assistência técnica que pode ter tratamento fiscal equiparado ao pagamento de royalties, como  pretende  o  v.  acórdão  recorrido, mas  tão  somente  a  remuneração  feita  em  contrapartida  aos  contratos  que  importem  em  transferência/cessão  de  tecnologia.  Do  contrário,  forçosamente  teríamos que reconhecer que a remuneração por todo e qualquer serviço poderia ser equiparada  à remuneração por royalties, afinal, todo serviço é técnico, pois que envolve o conhecimento de  uma técnica por parte daquele que o executará.  2) Os pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD.  2.1) Consoante registrado no v. acórdão recorrido, a Autoridade Fiscal sustentou  que  todos  os  pagamentos  realizados  à  empresa  COSCO  no  ano  de  2012  têm  natureza  e  remuneração  por  serviços  prestados,  estes,  diga­se,  tomados  como  serviços  técnicos  e,  portanto, sujeitos à incidência da IRRF.  2.2)  Em  defesa,  a  ora  Recorrente  defendeu  que  os  valores  pagos  eram  vinculados  a  contrato  de  contração  de  plataformas  e,  que,  como  tal,  não  estariam  sujeitos  à  incidência do IRRF, porquanto o contrato de fornecimento não poderia ser confundido com o  contrato  de  prestação  de  serviços  técnicos.  Defendeu  a  Recorrente  que  a  maioria  dos  pagamentos efetuados à COSCO se referiu ao fornecimento de materiais e não a prestação de  serviços.  2.3)  Pois,  fazendo  referência  às  transcrições  feitas  pela  Autoridade  Administrativa  de  trechos  de  um  Contrato  firmado  entre  a  Recorrente  e  a  COSCO,  mais  especificamente, o Contrato identificado por ECXP01197­00­1Z, indicativas de uma prestação  de serviços, assim concluiu a r. decisão recorrida:  ʺComo  visto  acima,  o  próprio  contrato  faz  ampla  referência  a  prestação  de  serviços  pela  Contratada.  Sobre  esse  ponto,  cumpre  observar  que  em  nenhum  momento  a  Impugnante apresentou um contraponto concreto, identificado, por exemplo, a obrigação de a  Contratada  fornecer um bem,  conforme alegado na  Impugnação. E o que  é mais  importante,  também não apresentou qualquer vinculação entre os valores alcançados pelo Auto de Infração  e uma eventual obrigação de a Contratada fornecer um bem."   2.4) Ocorre que a conclusão acima parte de uma premissa equivocada, qual seja  premissa de que apenas existiria um contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO.  2.5)  A  Recorrente  apresentou,  no  curso  da  fiscalização,  todos  os  contratos  firmados com a COSCO e que estavam em vigor no ano de 2012 (fls. 714/842 dos autos deste  processo  administrativo),  contratos  estes  nos  quais  se  apoiaram  os  pagamentos  efetuados  a  COSCO.  2.6) Pois desses contratos, cujo quadro­resumo segue abaixo, é possível verificar  que apenas 10% dos valores contratados com a COSCO são relativos à contratação de serviços,  sendo os demais 90% referentes à compra de bens/equipamentos:  Fls. dos  autos   Contrato  Descrição Objeto  Natureza  Preços (US$)  Fl. 3725DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.726          8 Fls.  714/729 e  758/783  EXP00002/00‐ 1S  Fornecimento de 6  Modules for  accommodations and  helidecks.  Venda de  Bens/Equipamento s  223,775,000.0 0  Fls.  784/813  EXP01197/00‐ 1S  Fornecimento de 2  Modules for  accommodations and  helidecks.  Venda de  Bens/Equipamento s  75,245,000.00  Fls.  730/756  EXP01197/1Z  Consultant Work for  Project Management  Prestação de  Serviços  6,000,000.00  Fls.  730/756  EXP00002/00‐ 1Z  Consultant Work for  Project Management  Prestação de  Serviços  14,000,000.00  Fls.  814/842  EXP01197/1Z  Detail Engineering And  Workshop Design  Prestação de  Serviços  5,760,000.00  Fls.  814/842  EXP00002/00‐ 1Z  Detail Engineering And  Workshop Design  Prestação de  Serviços  13,440,000.00  2.7)  Logo,  inaceitável  a  presunção  fiscal  de  que  100%  dos  valores  pagos  à  COSCO no ano­calendário de 2012 o foram em remuneração da prestação de serviços.  3)  Houve  erro  da  metodologia  utilizada  para  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRRF supostamente devido.  4) Por fim, requer:  4.1) Seja  determinado o  cancelamento  total  da  autuação  tendo  em vista  que  a  inexigibilidade de IRRF sobre a remuneração de serviços técnicos / assistência técnica que não  envolvam transferência de tecnologia, os quais devem ser tomados como integrantes dos lucros  a que se refere o artigo 7° dos Acordos Internacionais para Evitar a Dupla Tributação, sobre os  quais apenas se admite a tributação no País do prestador de serviço.  4.2)  Subsidiariamente,  acaso  não  acolhido  o  item  acima,  seja  declarada  a  insubsistência  do  lançamento  quanto  aos  pagamentos  efetuados  à  COSCO  SHIPYARD  GROUP,  ante à manifesta  falha da Autoridade Administrativa,  que  apressadamente vinculou  todos os pagamentos efetuados à citada empresa a um único Contrato de Prestação de Serviços,  quando  é  certo  que,  no  ano  de  2012,  estavam  em  vigor  5  (cinco)  outros  Contratos  (todos  apresentados no curso da fiscalização), dois dos quais, de maior valor, relativos à Compra de  Bens/Equipamentos,  cujos  pagamentos,  portanto,  não  poderiam  se  sujeitar  à  incidência  da  CIDE.    4.3) Alternativamente, requer que seja o julgamento convertido em diligência a  fim de que seja feita a devida segregação entre: (i) os valores pagos pela Recorrente à COSCO  a título da prestação dos serviços contratados nos Contratos EXP 01197/1Z e EXP00002/00­1Z  e  (ii)  os valores pagos  em contrapartida  ao  fornecimento dos bens/equipamentos  contratados  nos Contratos EXP 01197/00­1S e EXP00002/00­1S; reconhecendo­se, por conseguinte, a não  incidência da CIDE sobre esses últimos;  4.4)  Seja  afastado  o  reajustamento  de  base  perpetrado  pela  I.  Auditora  Fiscal  com  base,  de  forma  que  o  IRRF,  acaso  mantido,  seja  recalculado  sobre  os  rendimentos  Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.727          9 efetivamente pagos aos domiciliados no exterior, posto que representativos da verdade e única  remuneração bruta dos serviços.   É relatório.  Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator   Admissibilidade   O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.  Da Diligência  Consoante  relatado,  a  recorrente  se  insurge  contra  o  fato  de  a  totalidade  dos  pagamentos efetuados à COSCO SHIPYARD GROUP CO LTD integrarem a base de cálculo  do presente lançamento, como relativos à contratação de serviços.  Assevera  a  recorrente  em  relação  aos  pagamentos  efetuados  à  COSCO  SHIPYARD GROUP CO LTD.  “Consoante  registrado  no  v.  acórdão  recorrido,  a  Autoridade  Fiscal  sustentou  que  todos  os  pagamentos  realizados  à  empresa  COSCO  no  ano  de  2012  têm  natureza  e  remuneração  por  serviços  prestados,  estes,  diga­se,  tomados  como  serviços  técnicos  e,  portanto, sujeitos à incidência da IRRF.  Em defesa, a ora Recorrente defendeu que os valores pagos eram vinculados a  contrato de  contração de plataformas  e,  que,  como  tal,  não  estariam sujeitos  à  incidência do  IRRF,  porquanto  o  contrato  de  fornecimento  não  poderia  ser  confundido  com  o  contrato  de  prestação de serviços técnicos. Defendeu a Recorrente que a maioria dos pagamentos efetuados  à COSCO se referiu ao fornecimento de materiais e não a prestação de serviços.  Pois, fazendo referência às transcrições feitas pela Autoridade Administrativa de  trechos  de  um  Contrato  firmado  entre  a  Recorrente  e  a  COSCO,  mais  especificamente,  o  Contrato identificado por ECXP01197­00­1Z, indicativas de uma prestação de serviços, assim  concluiu a r. decisão recorrida:  Como  visto  acima,  o  próprio  contrato  faz  ampla  referência  a  prestação  de  serviços  pela  Contratada.  Sobre  esse  ponto,  cumpre  observar  que  em  nenhum  momento  a  Impugnante apresentou um contraponto concreto, identificado, por exemplo, a obrigação de a  Contratada  fornecer um bem,  conforme alegado na  Impugnação. E o que  é mais  importante,  também não apresentou qualquer vinculação entre os valores alcançados pelo Auto de Infração  e uma eventual obrigação de a Contratada fornecer um bem."   Ocorre  que  a  conclusão  acima  parte  de  uma  premissa  equivocada,  qual  seja  premissa de que apenas existiria um contrato firmado entre a Recorrente e a COSCO.  A Recorrente apresentou, no curso da fiscalização, todos os contratos firmados  com a COSCO e que estavam em vigor no ano de 2012 (fls. 714/842 dos autos deste processo  administrativo), contratos estes nos quais se apoiaram os pagamentos efetuados a COSCO.  Fl. 3727DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.728          10 Pois desses contratos, cujo quadro­resumo segue abaixo, é possível verificar que  apenas  10% dos  valores  contratados  com  a COSCO  são  relativos  à  contratação  de  serviços,  sendo os demais 90% referentes à compra de bens/equipamentos:  Fls. dos  autos  Contrato  Descrição Objeto  Natureza  Preços (US$)  Fls.  714/729 e  758/783  EXP00002/00‐ 1S  Fornecimento de 6  Modules for  accommodations and  helidecks.  Venda de  Bens/Equipamento s  223,775,000.0 0  Fls.  784/813  EXP01197/00‐ 1S  Fornecimento de 2  Modules for  accommodations and  helidecks.  Venda de  Bens/Equipamento s  75,245,000.00  Fls.  730/756  EXP01197/1Z  Consultant Work for  Project Management  Prestação de  Serviços  6,000,000.00  Fls.  730/756  EXP00002/00‐ 1Z  Consultant Work for  Project Management  Prestação de  Serviços  14,000,000.00  Fls.  814/842  EXP01197/1Z  Detail Engineering And  Workshop Design  Prestação de  Serviços  5,760,000.00  Fls.  814/842  EXP00002/00‐ 1Z  Detail Engineering And  Workshop Design  Prestação de  Serviços  13,440,000.00  Logo, inaceitável a presunção fiscal de que 100% dos valores pagos à COSCO  no ano­calendário de 2012 o foram em remuneração da prestação de serviços”.  Este  Relator,  ao  analisar  os  documentos  mencionados  pela  Recorrente  às  fls.  714/842  (numeração  descontínua),  se  deparou  com  documentos  redigidos  em  língua  estrangeira. Não obstante a existência de lacuna no Decreto nº 70.235/1972, deve o Código de  Processo Civil  ser  aplicado  subsidiariamente  ao  presente  caso, mediante  recurso  à  analogia,  isto  é,  à  busca  da  disciplina  prevista  no  sistema  normativo  para  casos  semelhantes,  com  fundamento  no  art.  108  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1996  ­  Código  Tributário  Nacional.  Reza o Novo Código de Processo Civil  Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da  língua portuguesa.  Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente  poderá ser  juntado aos autos quando acompanhado de versão para a  língua  portuguesa  tramitada  por  via  diplomática  ou  pela  autoridade  central, ou firmada por tradutor juramentado.  Desta forma, entendo que a recorrente deve ser intimada para juntar a versão dos  documentos colacionados aos  autos em  língua portuguesa,  firmada por  tradutor  juramentado,  sob pena de indeferimento da prova.  Após  cumprida  a  intimação,  deverão  os  aludidos  documentos  ser  apreciados  pela  autoridade  lançadora,  para manifestação  conclusiva  acerca  de  eventual  fornecimento  de  materiais por parte da COSCO à Recorrente, que não devam integrar a base de cálculo, por não  poder ser considerado fato gerador da exação lançada.  Fl. 3728DF CARF MF Processo nº 13896.723096/2016­68  Resolução nº  2201­000.320  S2­C2T1  Fl. 3.729          11 Conclusão   Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que:  ­ Seja intimada a recorrente para a juntada da versão dos documentos em língua  portuguesa, firmada por tradutor juramentado, sob pena de invalidade da prova apresentada.   ­  A  autoridade  fiscal  se  manifeste  conclusivamente  acerca  da  existência  de  previsão  de  fornecimento  de materiais,  cujos  valores  tenham  sido  considerados  globalmente  como prestação de serviços, em parte dos contratos colacionados aos autos.  (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra  Ecovix.doc  Fl. 3729DF CARF MF

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Numero do processo: 15504.730409/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO A interpretação do art. 2° da LC n° 70/91 deve ser no sentido de que a COFINS incide sobre todas as receitas das atividades-fim do contribuinte. No caso de instituições financeiras, não apenas sobre os serviços prestados, como também sobre as receitas financeiras derivadas de suas operações típicas, tal como a resultante de intermediações financeiras. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO É lícita a cobrança de juros sobre multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO O contribuinte depositou judicialmente a COFINS, porém calculada exclusivamente sobre as receitas de serviços. Desta forma, é correto o lançamento da COFINS sobre as demais receitas derivadas das atividades-fim, com multa de ofício.
Numero da decisão: 3301-004.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

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3301­004.860  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de julho de 2018  Matéria  COFINS  Recorrente  BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. ­ BDMG  Recorrida  FAZENDA NACIIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS.  CONCEITO DE FATURAMENTO  A  interpretação  do  art.  2°  da  LC  n°  70/91  deve  ser  no  sentido  de  que  a  COFINS incide sobre todas as receitas das atividades­fim do contribuinte. No  caso de instituições financeiras, não apenas sobre os serviços prestados, como  também sobre as receitas financeiras derivadas de suas operações típicas, tal  como a resultante de intermediações financeiras.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO  É lícita a cobrança de juros sobre multa de ofício.  MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO  O  contribuinte  depositou  judicialmente  a  COFINS,  porém  calculada  exclusivamente  sobre  as  receitas  de  serviços.  Desta  forma,  é  correto  o  lançamento  da COFINS  sobre  as  demais  receitas  derivadas  das  atividades­ fim, com multa de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 04 09 /2 01 4- 64 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 839          2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Liziane  Angelotti  Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador  Candido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen  e  Winderley Morais Pereira (Presidente).  Relatório  Adoto o relatório da decisão de primeira instância:  "O contribuinte acima identificado teve contra si lavrado o Auto de Infração  de fls. 3 a 10, pela insuficiência de recolhimento da Cofins dos períodos de apuração  compreendidos entre 1º de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2011.  O contribuinte ofereceu à tributação apenas parte de suas receitas: as receitas  operacionais  de  prestação  de  serviços.  Dessa  forma,  procedeu­se  à  apuração  das  bases  de  cálculo  mensais  da  Cofins  nos  anos­calendário  em  questão,  sendo  consideradas  na  composição  das  referidas  bases  todas  as  receitas  operacionais  auferidas (de prestação de serviços e de intermediação financeira), com as exclusões  e  deduções  legais  previstas  na Lei  nº  9.718/98,  conforme  o  disposto  na  Instrução  Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002, e sua redação vigente no período fiscalizado,  sendo  observado  ainda  o  disposto  na  Nota  Técnica  COSIT/SRF  nº  21,  de  28/08/2006, e o Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 13/12/2007, anteriormente citados.  O Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 20) traz a explanação minudente de  todo  o  procedimento  realizado,  assim  como  da  fundamentação  legal  e  fática  utilizada para o lançamento.  A ciência quanto ao lançamento e aos demais documentos ocorreu em 19 de  dezembro de 2014, conforme termo de fls. 39 e 40. Em 19 de janeiro de 2015, foi  protocolada  a  impugnação  de  fls.  735  a  748,  na  qual,  após  relato  dos  fatos,  foi  alegado, em apertada síntese, que:  a)  a  interpretação  correta  do  julgamento  pelo  STF  em  face  da  inconstitucionalidade  do  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/1998  afasta  aquela  defendida pela PGFN no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007;  b)  por  conta  desse  julgamento,  é  nula  a  norma  veiculada  no  dispositivo  supramencionado;  c)  o  STF  não  fez  distinção  entre  os  ramos  de  atividade  econômica  dos  contribuintes,  determinando,  de  forma  indistinta,  que  “faturamento”  equivale  à  receita decorrente de vendas de mercadorias e serviços;  d) as operações financeiras típicas, como a intermediação financeira, não têm  natureza de relação de consumo;  e)  “...  a  receita  de  prestação  de  serviços,  que  configura  o  ‘faturamento’ das  instituições  financeiras,  engloba  todos  os  tipos  de  taxas  e  tarifas  cobradas  pelas  instituições  para  prestar  serviços  bancários.  Por  sua  vez,  a  receita,  da  atividade  financeira  propriamente  dita,  está  fora  do  conceito  de  ‘faturamento’  fixado  pelo.STF”;  Fl. 839DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 840          3 f) não é viável a  revisão ou a  reinterpretação da coisa  julgada favorável aos  contribuintes, instituições financeiras, em face do trânsito em julgado da declaração  de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1988;  g)  a  contribuição  foi  calculada  e  recolhida  por  meio  de  depósitos,  em  conformidade com decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança;  h) a fiscalização, com base no citado parecer da PGFN, adotou o conceito de  renda da atividade empresarial  típica, fazendo distinção entre  receita operacional e  não operacional, submetendo à tributação as primeiras;  i)  não  houve  insuficiência  de  recolhimentos,  uma  vez  que  as  receitas  decorrentes  da  prestação  de  serviços  foram  consideradas  para  fins de  apuração da  Cofins;  j) não pode incidir juros de mora sobre a multa de ofício lançada;  k)  “...  o  Mandado  de  segurança  impetrado  pelo  BDMG,  autos  n°  1999.38.00.010784­3, questionando o  alargamento da base de  cálculo do PIS e da  COFINS, promovido pelo § 1° do art. 3o da Lei n° 9.718/98, obteve liminar, que foi  parcialmente  confirmada  pela  sentença  para  garantir  o  direito  do  Banco  ao  recolhimento do PIS em conformidade com a Lei Complementar n° 07/70 e Lei n°  9.715/98  e  da  COFINS  com  base  na  LC  70/91,  o  Mandado  de  Segurança  n°  1999.38.00.010784­3  atualmente  prossegue  apenas  com  a  discussão  acerca  da  inconstitucionalidade do §1° do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que é objeto de discussão  nos  recursos  especial  e  extraordinário  apresentados  pela União Federal,  ainda  não  julgados”;  l)  “...  suspensa  a  exigibilidade  da COFINS  e  do PIS  sobre  receitas  que  não  resultem da venda de mercadoria, prestação de serviços ou a combinação de ambos;  nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96, descabida a imposição da multa do ofício  aplicada”.  Ao final, requer seja provida a impugnação com o cancelamento do Auto de  Infração lavrado."  A  DRJ  em  Campo  Grande  (MS)  julgou  a  impugnação  improcedente  e  o  Acórdão n° 04­40.797, de 24/05/16, foi assim ementado:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011  MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS.  A  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  só  é  passível  de  impugnação a partir  do momento  em que o  fato  se  materializar,  sendo  defeso  ao  órgão  de  julgamento  apreciar  a  matéria preventivamente.  MANDADOS DE SEGURANÇA. ALCANCE.  Considera­se que houve renuncia às  instâncias administrativas,  somente  no  caso  em  que  o  objeto  da  impugnação  seja  coincidente com o da ação judicial.  Fl. 840DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 841          4 COFINS.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  BASE  DE  CÁLCULO.  A base de cálculo da Cofins é a receita bruta da pessoa jurídica,  com  as  exclusões  contidas  nos  §§  5º  e  6º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/1998, sem abarcar, todavia, as receitas não operacionais.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido"  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  em que  repete  os  argumentos  apresentados  na  impugnação,  e  adicionaou  o  seguinte,  em  resposta  à  leitura  da  DRJ acerca da decisão que obtivera em sede do MS n° 99.38.00.010784 ­ 3:  ­  a decisão  determinou que  o  cálculo  da COFINS  fosse  efetuado  com  base  nos  artigos  1°  e  2°  da  LC  n°  70/91,  isto  é,  exclusivamente  sobre  a  venda  de mercadorias  e  serviços,  motivo  pelo  qual  a  recorrente  efetuou  depósitos  judicial  exclusivamente  sobre  a  receita de serviços auferida;  ­ o alargamento da base de cálculo da COFINS, promovido pelo § 1° do art.  3° da Lei n° 9.718/98 foi considerado inconstitucional; e  ­  a  incidência  da  COFINS  sobre  a  receitas  das  atividades  integrantes  do  objeto  principal  da  empresa  encontra  respaldo  legal  na  Lei  n°  12.973/14,  vigente,  contudo,  somente a partir de 01/01/15.  É  o  relatório. Voto             Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira  O  recurso  voluntário  preenche  os  requisitos  legais  de  admissibilidade,  pelo  que deve ser conhecido.  O Fisco lavrou auto de infração para cobrança de COFINS dos anos de 2010  e  2011  sobre  todas  as  receitas  produzidas  pelas  atividades­fim  da  recorrente  (instituição  financeira),  líquidas  das  deduções  e  exclusões  admitidas,  de  acordo  com  o  art.  2º  da  Lei  Complementar nº 70/91, artigos 1° a 3° da Lei n° 9.718/98, art. 18 da Lei n° nº 10.684/03, IN  SRF n° 247/02 e Parecer PGFN/CAT n° 2.773/07. As seguintes receitas foram computadas na  base de cálculo da COFINS pela fiscalização (TVF, fl. 18):  "7.1.1.00.00­1 Rendas de Operações de Crédito  7.1.2.00.00­4 Rendas de Arrendamento Mercantil  7.1.3.00.00­7 Rendas de Câmbio  7.1.4.00.00­0 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez  7.1.5.00.00­3  Rendas  com  Títulos  e  Valores  Mobiliários  e  Instrumentos  Financeiros Derivativos  Fl. 841DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 842          5 7.1.7.00.00­9 Rendas de Prestação de Serviços  7.1.9.00.00­5 Outras Receitas Operacionais"  A  recorrente,  por  sua  vez,  adotando  uma  interpretação  mais  restritiva  do  conceito  de  faturamento,  base  de  cálculo  da  COFINS,  de  acordo  com  o  art.  1º  da  Lei  Complementar  nº  70/91,  entende  que  somente  as  receitas  de  serviços  abaixo  devem  sofrer  incidência  da  COFINS  (TVF,  fl.  13),  contidas  no  rol  de  receitas  apurado  pela  fiscalização,  acima indicado:  “(. . .) Rendas de Prestação de Serviços” ­ conta COSIF nº 7.1.7.00.00­9, bem  como  as  receitas  lançadas  na  conta  contábil  “Rendas  em  Operações  de  Arrendamento”  ­  nº  7.1.2.10.00.01,  e  as  receitas  lançadas  na  conta  “Rendas  de  Garantias Prestadas” ­ conta COSIF nº 7.1.9.70.00.4 (. . .)"  Em  sede  do  MS  n°  19993800010784­3,  obteve  decisão  favorável,  autorizando  o  cálculo  da  COFINS  com  base  na  LC  n°  70/91,  cujos  valores  passaram  a  ser  depositados em juízo.  A peça de defesa foi apresentada em quatro tópicos:   "I ­ ALCANCE DO MANDADO DE SEGURANÇA 19993800010784­3"  "II  ­  O  CONTEÚDO  DO  PARECER  PGFN/CAT  Nº  2773/2007  E  O  CONCEITO DE FATURAMENTO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF"  "III  ­  O  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  DAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS"  "IV ­ DA ALEGADA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS"  "V  ­  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO"  "VI – DA MULTA DE OFÍCIO"  Os  quatro  primeiros  tópicos  serão  enfrentados  em  conjunto  e  os  demais,  individualmente.  Tópicos I ao IV do recurso voluntário  Em  síntese,  nos  citados  tópicos,  a  recorrente  apresentou  os  seguintes  argumentos:  a) Depositou em juízo a COFINS, calculada exclusivamente sobre as receitas  de serviços, nos termos do provimento judicial, que determinou que o cálculo fosse efetuado de  acordo com o art. 2° da LC n° 70/91 ­ "(. . .) faturamento mensal, assim considerado a receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviço  de  qualquer  natureza."   Adicionalmente,  foi  declarada  a  inconstitucionalidade do § 1° do  art.  3°  da  Lei n° 9.718/98, que pretendia fazer incidir a contribuição sobre todas as receitas auferidas pela  Fl. 842DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 843          6 pessoa  jurídica,  exceto  quanto  as  previstas  no  §  2°,  tais  como  receitas  da  venda  de  bens  do  ativo permanente.  b) O conceito de receita bruta somente foi ampliado, para abranger todas as  receitas  da  atividade  principal,  com  a  publicação  da  Lei  n°  12.973/14,  em  vigor  a  partir  de  01/01/15.  c)  O  conceito  de  faturamento  adotado  pela  fiscalização  foi  o  contido  no  Parecer PGFN/CAT n° 2.773/07, cujo objetivo foi o de explicitar o alcance da decisão do STF,  em sede do RE n° 357.950/RS. Este parecer, todavia, está incorreto.   d) O fato de a decisão que será proferida no RE 609.096/RS ter sido alçada à  condição de repercussão geral reforça o entendimento que as decisões anteriores daquele órgão  acerca do tema tiveram alcance restrito e não abrangente.  e) A PGFN considera como serviços e, por conseguinte, sujeitos à COFINS,  os  serviços  bancários,  remunerados  via  tarifas,  e  as  operações  bancárias  (intermediação  financeira),  com  base  nas  definições  do Anexo  sobre Serviços Financeiros  do Acordo Geral  sobre Comércio  de  Serviços  (GATS),  firmado  na Nota  Técnica COSIT  n°  21/06,  na  LC  n°  116/03 (tributação pelo ISSQN) e no Código de Defesa do Consumidor (CDC).   Contudo, não se pode aplicar o GATS, pois o art. 110 do CTN não admite  alterações  nos  conceitos  de  direito  privado.  Quanto  à  LC  n°  116/03,  o  STF  já  decidiu  que  serviço é "obrigação de  fazer", o que excluiria as receitas de intermediação financeira. E, no  tocante  ao  CDC,  o  STF,  por  meio  da  ADIN  n°  2.591,  reconheceu  que  as  operações  de  intermediação financeira não têm natureza de relação de consumo.  f) Em debate  travado no curso do  julgamento do RE 390.840, os Ministros  Nelson  Jobim  e Carlos Brito  teriam deixado  claro  que  as  receitas  financeiras  de  instituições  financeiras estariam fora do conceito de faturamento.  g)  Cita  decisão  de  turma  ordinária  do  CARF,  no  processo  n°  10675.902020/2009­00, que tratava da interpretação de decisão judicial proferida em favor de  instituição  financeira.  O  colegiado  decidiu  que  o  PIS  não  alcançaria  as  receitas  financeiras.  Neste ponto, reputo imprescindível informar que a citada decisão foi revertida pela CSRF, por  meio do Acórdão n° 9303­005.955.  De pronto, informo ao colegiado que o citado processo judicial da recorrente  foi  sobrestado  e  aguarda  a  sentença  a  ser  proferida  no  RE  609.096/RS,  em  regime  de  repercussão geral.  Os  argumentos  da  fiscalização  para  efetuar  o  lançamento  já  foram  anteriormente sumariados, os quais foram ratificados, pela DRJ.  Esta  turma  já  apreciou  o  tema,  em mais  de  uma  oportunidade,  e  de  forma  desfavorável ao contribuinte. No mesmo sentido, há inúmeras decisões do CARF. Como é de  conhecimento  deste  colegiado,  alinho­me  às  citadas  decisões.  E manifestei­me,  formalmente  sobre  a  questão,  em  sede  do  Acórdão  n°  3301­002.761,  de  27/01/16,  cujo  voto  sagrou­se  vencedor por maioria de votos. Reproduzo a ementa:  "Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Fl. 843DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 844          7 Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008  TEMPESTIVIDADE  ­  VÍCIO  DE  REPRESENTAÇÃO  PROCESSUAL  Conhecido  o  Recurso,  uma  vez  que  o  vício  de  representação  processual foi sanado em prazo razoável.  ASSUNTO: Contribuição para o Programa de integração Social  ­  PIS  e  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ COFINS   Anos­calendário: 2005, 2006, 2007 e 2008  DESRESPEITO À COISA JULGADA  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  ­  INCONStITUCIONALIDADE DO § 1° do ART. 3° DA LEI N°  9.718/98  Não houve  afronta à  coisa  julgada  ­  inconstitucionalidade  da  ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1°  do art. 3° da Lei n° 9.718/98 ­ pois as receitas financeiras são  típicas da atividade fim das instituições financeiras e, portanto,  componentes do seu faturamento.   FATURAMENTO PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS  ­ RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ­ LC 116/03  A  tipificação  dos  bens  e  serviços  foi  posta  em  segundo  plano  pelo  STF,  posto  que,  para  ser  sofrer  a  incidência  das  contribuições,  basta  que  a  receita  seja  decorrente  do  objeto  social da pessoa jurídica.  DIREITO  À  COMPENSAÇÃO  DE  VALOR  RECOLHIDO  A  MAIOR COM A CONTRIBUIÇÃO DEVIDA  Deve ser admitida a compensação dos valores pagos a maior, à  luz do princípio da verdade material, comum ao Procedimento e  Processo Administrativo Tributário.   MULTA  DE  OFÍCIO  ­  VALORES  NÃO  DECLARADOS  EM  DCTF  ­  INCONSTITUCIONAL,  DADO  AO  CARÁTER  CONFISCATÓRIO  Aplicável a multa de ofício sobre os valores apurados no curso  da ação fiscal, não declarados na DCTF. Não compete ao CARF  pronunciar­se sobre inconstitucionalidade de lei tributária.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito tributário Mantido em Parte" (g.n.)  Em apertada síntese, entendo que o conceito de faturamento abrange todas as  receitas das atividades típicas das instituições financeiras, incluindo não apenas as de serviços  bancários  (ex:  administração  de  carteira  de  investimentos,  emissão  de  talonários  etc.),  Fl. 844DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 845          8 remuneradas  por  meio  de  cobrança  de  tarifas,  como  também  as  receitas  financeiras,  notadamente as derivadas de operações de intermediação financeira.  E a decretação pelo STF da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n°  9.718/98,  com  repercussão  geral,  não  alterou  o  conceito  de  faturamento. Com  efeito,  aquela  corte decidirá acerca do conceito de faturamento para instituições financeiras, em sede do RE  609.096/RS.  Da leitura do TVF (fls. 12 a 21) e das cópias das peças processuais (fls. 677 a  685)  constantes  nos  autos,  verifica­se  que  as  decisões  obtidas  pela  recorrente  também  não  firmaram  entendimento  sobre  a  abrangência  dos  termos  "faturamento"  e  "receita  bruta",  restringindo­se  a  declarar  a  inconstitucionalidade  do  §  1°  do  art.  3°  da  Lei  n°  9.718/98  e  determinar que o pagamento da COFINS (no caso, depósito judicial) fosse efetuado de acordo  com  o  art.  2°  da  LC  n°  70/91,  isto  é,  "(.  .  .)  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviço de qualquer natureza."  Passo  a  adotar  trechos  do  citado Acórdão  n°  3301­002.761,  dos  quais  faço  minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99).   Com  efeito,  naquele  processo,  a  recorrente  combateu  o  lançamento  com  alegações  semelhantes.  Tal  qual  no  presente,  tinham  como  objetivos  os  de  desconstruir  os  entendimentos da fiscalização acerca do conceito de faturamento (art. 2° da LC n° 70/91) e o  manifestado pelo Parecer PGFN n° 2.773/07, bem como o de sustentar suposto desrespeito à  decisão judicial obtida, que também foi no sentido de declarar a inconstitucionalidade do § 1°  do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e determinar o cálculo do PIS e da COFINS com base nas LC n°  7/70 e 70/91.  "I  )  “DO DESRESPEITO À DECISÃO  JUDICIAL PROFERIDA NOS  AUTOS DO MS N° 99.0022308­0”   II)  “DO  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  –  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  AMPLIAÇÃO  DO  §  1°  do  ART.  3°  DA  LEI N° 9.718/98”  A Recorrente  alega  que  a Autoridade  Fiscal  teria  lavrado  auto  de  infração,  com base em “normas infralegais”, quais sejam, a IN n° 247/02 e o Parecer PGFN  n° 2.773/07, as quais contrariariam a decisão proferida em favor da Recorrente, nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  99.0022308­0  e,  por  fim,  no  Recurso  Extraordinário (RE) n° 405.568­6.   Salienta  que  o  Parecer  PGFN  n°  2.773/07  teria  conferido  “interpretação  distorcida ao teor do julgamento proferido pelo STF”, em sede do RE n° 357.950­ 9/RS,  que  considerou  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  de  PIS  e  COFINS, pretendida pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98”.  Com efeito,  o  lançamento  foi  calculado  sobre  todas  as  receitas  da  atividade  operacional, incluindo as de intermediação financeira, que tem como remuneração o  “spread bancário”, enquanto que, no entender do Recorrente, a decisão favorável por  ela  obtida  disporia  que  o PIS  e  a COFINS deveriam  incidir  exclusivamente  sobre  receitas de  serviços bancários  (por  exemplo, emissão de  talões de  cheque,  taxa de  administração de fundos e tarifas bancárias).   Fl. 845DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 846          9 Estas  alegações  da  Recorrente,  basicamente  as  mesmas  consignadas  na  impugnação  ao Auto  de  Infração,  foram muito  bem enfrentadas no  julgamento de  primeira instância, como segue:  “9. A apuração do PIS e da COFINS realizada pela autoridade no presente  lançamento,  não  se  fundou  em normas  infra­legais, mas  se  deu  em  conformidade  com a base de cálculo, receita bruta, estabelecida no artigo 2°, e no caput do artigo  3°, da Lei 9.718/98, a seguir reproduzidos, e explicitada pelo STF na decisão que  considerou  inconstitucional  a  expansão  daquele  conceito  para  qualquer  receita  auferida  pela  pessoa  jurídica,  conforme  consta  no  parágrafo  1°  do  mencionado  artigo 3°. 0 STF, como se mostrará adiante, estabeleceu que a receita bruta prevista  na Lei 9.718/98 corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2° da  Lei Complementar 70/91, também transcrito, consistindo das receitas operacionais  da pessoa jurídica. As bases de cálculo apuradas no lançamento foram compostas  pelas receitas operacionais do autuado.”  “Lei 9.718/98  CAPÍTULO I  DA CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP E COF1NS  Art.  2°­  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento,  observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  Art. 3°­ 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita  bruta da pessoa jurídica.  §  1°  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação contábil adotada para as receitas. (grifos nossos)”  “Lei Complementar 70/91  Art.  1°  (...)  fica  instituída  contribuição  social  para  financiamento  da  Seguridade  Social,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  195  da  Constituição  Federal,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  inclusive  as  a  elas  equiparadas  pela  legislação  do  imposto de renda, (...).  Art.  2°  A  contribuição  (...)  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e  de serviço de qualquer natureza. (grifos nossos)”  "10.  A  teor  da  decisão  proferida  no  RE  405.568­6  (fls.  602  a  603),  no  Mandado de Segurança 99.0022.308­0 (fls. 537 a 557), impetrado pelo interessado,  o  STF,  na  esteira  das  decisões  anteriores  proferidas  nos  RE's  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  que  declararam  inconstitucional  o  parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98, deu provimento ao Recurso interposto  pelo interessado, cujo objeto foi obter daquela Corte o reconhecimento do direito de  recolher  o PIS  e COFINS  na  forma da  Lei Complementar  07/70  e  70/91,  sem  as  alterações promovidas pela Lei 9.718/98, por estas violarem a CF (fl. 600).”  "11.  Ressalta,  porém,  das  ementas  dos  acórdãos  dos  RE's  consignados  na  decisão do mencionado RE 405.568­6, favorável ao interessado, ­ que são ementas  idênticas e resultantes da mesma sessão do Tribunal Pleno realizada em 09/11/2005  ­, que o entendimento do STF se consolidou no sentido de identificar receita bruta  Fl. 846DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 847          10 com  faturamento, correspondendo este à venda de mercadoria e de  serviços, e de  considerar inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta levada a efeito  pelo  parágrafo  1°,  do  artigo  3°  da  Lei  9.718/98,  que  incluiu  todas  as  receitas,  independentemente da atividade da pessoa jurídica e da classificação contábil dos  ingressos.  Esse  entendimento  está  contido  no  RE  346084/PR,  a  seguir  transcrito,  que integra os RE's mencionados no RE 405.568­6.”  “RE 346084 / PR —PARANÁ  RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO  Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO  Julgamento: 09/11/2005  Órgão Julgador: Tribunal Pleno  Ementa  CONSTITUCIONALIDADE  SUPERVENIENTE  ­  ARTIGO  3°,§  1°,  DA  LEI  N°  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  –  EMENDA  CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. 0 sistema jurídico  brasileiro  não  contempla  a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO ­  INSTITUTOS ­ EXPRESSÕES E VOCÁBULOS ­ SENTIDO. A  norma  pedagógica  do  artigo  110  do  Código  Tributário  Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  principio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PIS  ­  RECEITA  BRUTA  ­  NOÇÃO  –  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  §  1°  DO  ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do  artigo  195  da  Carta  Federal  anterior  A.  Emenda  Constitucional  n°  20/98,  consolidou­se no sentido de  tomar as expressões receita bruta e  faturamento como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda  de mercadorias,  de  serviços  ou  de mercadorias  e  serviços. E inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o  conceito  de  receita  bruta  para  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação contábil adotada. (grifos nossos)”  “12.  Se  se  perquirir  sobre  o  alcance  do  conceito  de  receita  bruta  como  faturamento,  no  sentido  de  venda  de  mercadoria  e  serviços,  verifica­se  que  o  conceito  dado  pelo  STF,  à  luz  da  Lei  9.718/98  e  da  Lei  Complementar  70/91,  é,  definitivamente,  o  de  receita  operacional.  Nos  debates  que  se  desenvolveram  na  sessão  do  Tribunal  Pleno  que  julgou  o  RE  346.084/PR,  cuja  ementa  foi  acima  transcrita, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo do  PIS  e  da COFINS,  no  sentido  da  identidade  entre  o  conceito  de  faturamento  e  a  receita  operacional  da  pessoa  jurídica,  tida  como  receita  resultante  de  sua  atividade principal.”  “13.  Neste  diapasão,  o  Ministro  César  Peluso  (fls.  1.253  e  1.254  do  RE  346.084/PR)  expressou  o  entendimento  de  que  receita  bruta  é  sinônimo  de  faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas  da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras  Fl. 847DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 848          11 como  atividade  empresarial  típica,  tais  receitas  ingressam  no  conceito  de  receita  bruta como faturamento, in verbis:”  “Por  todo o exposto,  julgo  inconstitucional o parágrafo 1° do  art.  3° da Lei  9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo  sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da  República, e, ainda, o art.195, parágrafo 4°, se considerado para efeito de nova fonte  de custeio da seguridade social.  “Quanto ao caput do art. 3°, julgo­o constitucional, para lhe dar interpretação  conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE,  que  tomou  a  locução  receita  bruta  como  sinônimo  de  faturamento,  ou  seja,  no  significado  de  "receita  bruta  de  venda  de mercadoria  e  de  prestação  de  serviços",  adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas  oriundas do exercício das atividades empresariais.”  (­..)  “Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra  na  classe  das  receitas  chamadas  financeiras,  isso  não  desnatura  a  remuneração  de  atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito  de "receita bruta igual a faturamento".  (grifos nossos)”  “14. 0 Ministro Marco Aurélio  (fls. 1.266 e 1.334 do RE 46.084­6/PR), por  sua vez, expressou entendimento, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no  sentido  da  constitucionalidade  do  artigo  3°,  da  Lei  9.718/98,  exceto  para  o  parágrafo  1°  que  expandira  em demasia  o  conceito  de  receita  bruta  para  fins  de  tributação  da  COFINS,  e  que  a  receita  bruta,  como  sinônimo  de  faturamento,  refere­se à atividade principal da empresa, in verbis:”  “0  Tribunal  estabeleceu  a  sinonímia  "faturamento/receita  bruta",  conforme  decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1­1/DF — receita  bruta,  evidentemente  apanhando a  atividade precípua  da  empresa  (...)  operacional.  (...) (fl. 1.334 do RE 246.084­6/PR)”  “Não  fosse  o  parágrafo  1°  que  se  seguiu  (ao  artigo  3  0),  ter­se­ia  a  observância  da  jurisprudência  desta  Corte,  no  que  ficara  explicitado,  na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  n°  1­1/DF,  a  sinonímia  dos  vocábulos  "faturamento" e "receita bruta". Todavia, o parágrafo 1° veio a definir esta última de  forma  toda própria:  (...) O passo mostrou­se demasiadamente  largo  (...)"  (fl. 1.266  do RE 346.084­6/PR)(grifos nossos)”  “15. Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto afirmou (fl. 1.350 do RE  346.084­6/PR)  a  identidade  entre  faturamento  e  receita  operacional,  ­  esta  sendo  constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa ­, que seria o  sentido de faturamento expresso no artigo 2°, da Lei Complementar 70/91;”  “A  Constituição  de  88,  pelo  seu  art.  195,  I,  redação  originária,  usou  do  substantivo "faturamento", sem a conjunção disjuntiva "ou" receita". Em que sentido  separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita  total  da  empresa. Receita operacional  consiste naquilo que  já  estava definido pelo  Decreto­lei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1°, "a", assim redigido (...)   "Art. 22. (. . .)  Fl. 848DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 849          12 Parágrafo 1° (. . .)  a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de  qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica  ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”  “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional",  exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da  empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.”  (...)  “Esse  tratamento  normativo  do  faturamento  como  receita  operacional  foi  reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2° assim dispõe (....).   Ou seja, mais claro, impossível. (grifos nossos)”  “16. Nessa linha, também, o Ministro Sepúlveda Pertence diz que (fls. 1.300 a  1.302) do RE 346.084­6/PR) a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser  buscada na legislação do FINSOCIAL, o Decreto­lei 2.397/87. 0 artigo 22, caput e  a  alínea  b  desse  Decreto  determinavam  que  o  FINSOCIAL  (tributo  criado  pelo  Decreto­lei  1.940/82  e  que  antecedeu  à  COFINS)  incidiria  sobre  as  rendas  e  receitas  operacionais  das  instituições  financeiras  e  entidades  a  elas  equiparadas.  Conclui que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis:”  “Recordem­se, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do  parágrafo 1° e o parágrafo 4° ­ esse, então acrescentado ao art. 1° do DL 1.940/82,  regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas:  Art. 22 (..)  Parágrafo  1°  ­  A  contribuição  social  de  que  trata  este  artigo  será  de  0,5%  (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre:  b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a  elas equiparadas (..);  c)  as  receitas  operacionais  e  patrimoniais  das  sociedades  seguradoras  e  entidades a elas equiparadas.  (...)  (...) FINSOCIAL, é na  legislação desta (contribuição),  e não alhures, que se  há  de  buscar  a  definição  específica  da  respectiva  base  de  cálculo,  na  qual  receita  bruta e faturamento se identificam:  (...),  essa  é  a  solução  imposta,  no  ponto,  pelo  postulado  da  interpretação  conforme a Constituição.  (...)  No prosseguimento da discussão, (...), acentuei —RTJ 149/287; O que tentei  mostrar  no  meu  voto,  a  partir  do  Decreto­lei  n°  2.397,  é  que  a  lei  tributária,  ao  contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento.  E, aí, ela se ajusta à Constituição.”  Fl. 849DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 850          13 “Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como  base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se  declarou na ADC n° 1, Moreira Alves.(.­.) (grifos nossos)”  “17. Dessa  forma, pode­se  inferir das diversas manifestações dos Ministros  do STF que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade  típica,  tem  receita  operacional,  que  corresponde  ao  faturamento  ou  receita  bruta  que a Lei Complementar 70/91 e a Lei 9.718/98 elegeram como base de cálculo da  COFINS. Inexiste restrição para setores de atividades.”  “18.  Sendo  assim,  diversamente  do  defendido  pelo  autuado,  as  receitas  geradas  pelas  atividades  típicas  das  instituições  financeiras,  como  as  receitas  de  intermediação  financeira,  além daquelas  decorrentes,  por  exemplo,  das  tarifas  de  serviços  de  fornecimento  de  talonários  de  cheques  e  extratos,  constituem  receita  operacional, e, portanto, constituem a receita bruta ou  faturamento definido como  base de cálculo da COFINS pela Lei Complementar 70/91 e pela Lei 9.718/98.”  “19. Aliás, de há muito a legislação fiscal fixou, a exemplo dos artigos 40, 41  e  43,  da  Lei  no  4.506/64,  e  o  artigo  11,  do Decreto­lei  n°  1.598/77,  que  o  lucro  operacional da pessoa jurídica é o resultado das atividades normais da empresa, ou  seja,  as  que  constituem  seu  objeto.  Se  assim  é,  o  conceito  operacional  está  vinculado  ao  conceito  de  atividade  normal,  típica  da  empresa,  consoante  estabelecida em seus estatutos. Portanto, a receita operacional, de onde se extrai o  lucro  operacional,  decorre  necessariamente  de  atividades  típicas  da  empresa.  Assim,  já  pela  Lei  no  4.506/64  e  pelo  Decreto­lei  n°  1.598/77,  os  ingressos  decorrentes  das  atividades  típicas  das  instituições  financeiras  constituem  receitas  operacionais, sujeitas à tributação da COFINS.”  “Lei n° 4.506/64  Art.  40.  Será  classificado  como  lucro  operacional  da  empresa  o  resultado  auferido  em  qualquer  atividade  econômica  destinada  venda  de  bens  ou  serviços  a  terceiros tais como:  I  ­  Extração  de  recursos minerais  ou  vegetais,  pesca,  atividades  agrícolas  e  pecuárias;  II  ­  Indústrias  de  qualquer  espécie,  construção,  serviços  de  transporte,  de  comunicações, serviços de energia elétrica, fornecimento de gás e água, exploração  de serviços públicos concedidos ou de utilidade pública;  III ­ Comerciais ou mercantis de compra e venda de quaisquer bens, inclusive  imóveis, títulos e valores, distribuição e armazenamento;  IV  ­  Bancárias,  de  seguros  e  outras  atividades  financeiras  de  serviços  de  qualquer natureza, inclusive hotéis e divertimentos públicos.  Art.  41. Constituirá  lucro operacional o  resultado das  atividades normais da  empresa com personalidade jurídica de direito privado, seja qual for a sua forma ou  objeto, e das empresas individuais.  (. . .)  Art. 43. 0 lucro operacional será formado pela diferença entre a receita bruta  operacional e os custos, as despesas operativas, os encargos, as provisões e as perdas  autorizadas por esta lei.”  Fl. 850DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 851          14 “Decreto­lei n° 1.598/77  Seção II  Lucro Operacional  Sub­seção I  Disposições Gerais  Conceito e discriminação  Art 11 ­ Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades,  principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica.  (...)  (grifos nossos)”  “20.  Acresça­se,  ainda,  que  a  sujeição  das  receitas  típicas  das  instituições  financeiras ao PIS e à COFINS é também estabelecida no Parecer da Procuradoria  Geral da Fazenda Nacional ­ PGFN/CAT/n° 2.773/2007, pelo qual a Procuradoria  reviu entendimento anterior com respeito à base de cálculo da COFINS.”  “21. 0 Parecer foi emitido em 13/12/2007, em resposta a consulta formulada  pela  Coordenação  de  Tributação  da  RFB,  através  da  Nota  COSIT  n°  21,  de  28/08/2006,  que  inquiria  sobre  a  natureza  jurídica  das  receitas  decorrentes  das  atividades  financeiras  e  de  seguros,  à  luz  da  decisão  do  STF  proferida  no  RE  357.950­9/RS, que declarara  inconstitucional o parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei  9.718/98. Este parágrafo da lei, como mencionado, definia a receita bruta, como a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  para  fins  de  apuração  da  base de cálculo do PIS e da COFINS.”  “22.  Nesse  documento,  a  PGFN  esclarece  que  a  declaração  de  inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98 não alcança o  artigo 2°, nem o caput do artigo 3°. 0 artigo 2° diz que a base de cálculo do PIS e  da COFINS das pessoas jurídicas é o faturamento e o artigo 3° define o faturamento  como a receita bruta da pessoa jurídica.”  “23. Afirma,  também, que, no âmbito  tributário, desde a Lei Complementar  70/91, o faturamento correspondeu à receita bruta de vendas de mercadorias e de  serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica.  As  receitas  operacionais  seriam  aquelas  desenvolvidas  em  conformidade  com  o  objeto  social  da  pessoa  jurídica.  E  as  receitas  operacionais  das  instituições  financeiras  seriam  as  receitas  de  serviços  decorrentes  das  operações  de  intermediação financeira, bem como de outros serviços bancários ou financeiros.”  “24.  Tem­se,  assim,  que  a  PGFN,  através  do  Parecer  em  questão,  apenas  explicitou o significado das normas contidas nos artigos 2° e 3° da Lei 9.718/98, no  que respeita as bases de cálculo do PIS e da COF1NS, considerada a declaração de  inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98, pelo STF.”  “25.  Portanto,  a  interpretação  dada  pelo  autuado  para  o  teor  da  decisão  proferida pelo STF no RE 405.568­6 (fls. 602 e 603), de que as bases de cálculo do  PIS  e  da COFINS  deveriam  conter  somente  as  receitas  de  prestação  de  serviços,  tais  como,  tarifas  bancárias,  excluindo­se  as  decorrentes  de  intermediação  financeira,  foge completamente do entendimento da PGFN e da explicitação dada  Fl. 851DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 852          15 pela  Suprema  Corte  ao  conceito  de  receita  bruta,  como  faturamento,  para  as  instituições financeiras.”  Faz­se mister mencionar que a controvérsia sobre a base de cálculo do PIS e  da COFIS das  instituições  financeiras será definitivamente concluída pelo Recurso  Extraordinário n° 609.096/RS, cuja  repercussão geral  já  foi  reconhecida pelo STF.  Julgamos  a  matéria,  posto  que  não  há  mais  o  instituto  do  sobrestamento  no  Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343/2015.  Da análise da legislação aplicável (LC n° 7/70 e 70/91, Lei n° 9.718/98 e IN  n° 247/02), do Parecer PGFN CAT/n° 2.773/2007, das alegações da Recorrente e de  trechos  da  decisão  de  primeira  instância  acima  reproduzidos,  notadamente  no  que  tange à reprodução dos debates entre os Ministros do STF, que se desenvolveram na  sessão  do  Tribunal  Pleno  que  julgou  o  RE  346.084/PR,  conclui­se  que  a  melhor  interpretação quanto à  composição das bases de  cálculo do PIS e da COFINS das  instituições  financeiras  é  aquele  exposto  pela  Autoridade  Fiscalizadora  e  pela  decisão  de  primeira  instância,  isto  é,  de  que  delas  integram  todas  as  receitas  derivadas  das  atividades  operacionais  das  instituições  financeiras,  abrangendo não  somente  as  receitas  de  serviços  de  fornecimento  de  talonários  e  administração  de  fundos, porém também a remuneração obtida com intermediação financeira e outras  receitas  financeiras,  que  também  são  típicas  da  atividade  fim  deste  segmento  de  negócios.  Neste  sentido,  reproduzo ementa do Acórdão n° 3302­002.865 da 2° Turma  da 3° Câmara da 3° Seção:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA  PELO  §1º  DO  ARTIGO  3º  DA  LEI  Nº  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/MG.  RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS.  APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF.  É  inconstitucional  o  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  conforme  jurisprudência  consolidada  no  STF  e  reafirmada  no  RE  585.2351/MG,  no  qual  reconheceu­se a  repercussão geral do  tema, devendo a decisão ser  reproduzida nos  julgamentos  no  âmbito  do CARF. A  base  de  cálculo  do  PIS  e  da COFINS  sob  a  égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da  prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das  receitas oriundas do  exercício das atividades empresariais.  INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO  FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.  As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as  receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as  instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/MG.  PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA  Fl. 852DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 853          16 As provisões para créditos de liquidação duvidosa não se inserem no conceito  de despesas incorridas e, portanto, não se subsumem à hipótese legal da alínea "a"  do inciso I do §6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.  Recurso Voluntário Negado.  Crédito Tributário Mantido."  Isto posto, nego provimento às alegações concernentes aos itens I e II da Parte  Segunda do Recurso Voluntário."  Consignado  meu  conceito  de  faturamento/receita  bruta  de  instituições  financeiras, cumpre enfrentar os derradeiros argumentos da recorrente.  No Parecer PGFN/CAT n° 2.773/07, adotado pela fiscalização, a PGFN teria  considerado  como  serviços  e,  por  conseguinte,  sujeitos  à  COFINS,  os  serviços  bancários,  remunerados  via  tarifas,  e  as  operações  bancárias  (intermediação  financeira),  com  base  nas  definições do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços  (GATS), firmado na Nota Técnica COSIT n° 21/06, na LC n° 116/03 (tributação pelo ISSQN)  e no Código de Defesa do Consumidor (CDC).   Contudo, não se pode aplicar o GATS, pois o art. 110 do CTN não admite  alterações  nos  conceitos  de  direito  privado.  Quanto  à  LC  n°  116/03,  o  STF  já  decidiu  que  serviço é "obrigação de  fazer", o que excluiria as receitas de intermediação financeira. E, no  tocante  ao  CDC,  o  STF,  por  meio  da  ADIN  n°  2.591,  reconheceu  que  as  operações  de  intermediação financeira não têm natureza de relação de consumo.  A  meu  ver,  a  PGFN  lançou  mão  do  GATS,  LC  n°  116/03  e  CDC  para  robustecer o entendimento acerca dos tipos de operação que se qualificam como atividades­fim  de  uma  instituição  financeira.  Não  adotou  tais  diplomas  para  classificar  as  receitas  da  recorrente como de serviços e, por causa disto, sujeitas à incidência da COFINS.  De todo o exposto, nego provimento aos argumentos da recorrente contidos  nos tópicos I ao IV do recurso voluntário.  "V  ­  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE MULTA  DE  OFÍCIO"  A recorrente alega que não há base  legal para a  incidência de  juros sobre a  multa de ofício. Cita os Acórdãos n° 3403002.856 e 367, ambos da 3° Seção, 4° Câmara e 2°  Turma Ordinária.  A DRJ não apreciou  tais alegações,  também contidas na  impugnação, pelos  seguintes motivos (fls. 790 e 791):  "(. . .)  Ocorre que essa matéria não pode ser objeto de análise, pois o fato impugnado  não chegou a se concretizar.  O processo  administrativo,  assim  como o  judicial,  do  ponto de  vista  de  seu  objeto,  tem limites claramente definidos, de modo que não é qualquer matéria que  pode ser nele  tratada e decidida, por mais relevante que seja. É preciso verificar o  objeto do processo, a fim de saber se a discussão é ou não pertinente. Tratando­se de  Fl. 853DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 854          17 processo administrativo destinado à exigência de crédito tributário mediante auto de  infração,  é  o  conteúdo  desse  ato  administrativo  que  delimita  os  pontos  a  serem  discutidos e decididos no processo.  Portanto, se o ato contra o qual a impugnante investe não se consumou, sendo  mera  possibilidade,  a  manifestação  por  parte  do  órgão  de  julgamento,  além  de  desnecessária,  é  incabível.  Apenas  no  momento  em  que  a  suposta  ilegalidade  se  concretizar, poderá o contribuinte impugná­la, dirigindo seu inconformismo para o  órgão ou autoridade competente.  O direito de impugnar ato ilegal é assegurado ao contribuinte, seja no rito do  Decreto  nº  70.235/1972  ou  na  forma  da  Lei  nº  9.784/1999  (art.  56  e  seguintes  ­  recurso  hierárquico).  O  que  não  se  admite  é  impugnação  prévia,  que  traga  ao  processo situações que lhe são estranhas, que não ocorreram e quiçá jamais venham  a existir.  Sabe­se  que  alguns  órgãos  de  julgamento,  contrariamente  a  tudo  quanto  se  disse, adentram no exame dessa matéria (incidência de juros sobre multa), a despeito  de ainda não ter sido praticado o ato supostamente ilegal. Esse procedimento torna  imprecisos os limites do processo, criando um precedente a partir do qual se abre ao  contribuinte a possibilidade de requerer, dentro do processo de lançamento de ofício  ou de declaração de compensação, qualquer medida destinada a impedir a prática de  ilegalidade  ou  de  abuso  de  poder,  ainda  que  o  ato  esteja  vinculado  à  fase  de  cobrança final do crédito e só nessa fase possa ser praticado.  (. . .)"  Em debates nesta turma, já manifestei­me no sentido de que também entendo  que  os  juros  que  incidirão  sobre  a  multa  de  ofício,  quando  da  execução  do  acórdão,  não  integram  a  lide  e,  portanto,  os  argumentos  correspondentes  não  deveriam  ser  conhecidos.  Entretanto,  neste  caso  específico,  sempre  preferi  adotar  a  linha  majoritária,  qual  seja,  a  de  conhecer dos argumentos e julgar a matéria.  Não é possível depreender do trecho reproduzido do voto condutor da decisão  de primeira instância se seguiram a linha de pensamento deste relator ou uma outra, também já  ventilada no CARF, que  entende que os  juros nasceriam  tão  somente  após o  julgamento  em  primeira instância, quando o contribuinte recebe notificação para pagamento do débito.  De  qualquer  forma,  conforme  mencionei,  assim  como  em  outras  oportunidades, tratarei do tema.  Dispõe o art. 113 do CTN:  " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  (. . .)" (grifo nosso)  A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de  conceituados  tributaristas,  que  repudiam  o  fato  de  o  conceito  de  obrigação  tributária  Fl. 854DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 855          18 compreender  tributo  e  penalidade.  Contudo,  não  podemos  nos  furtar  a  aplicá­lo.  Assim,  no  caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e multa de ofício.   Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN:  "Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  (. . .)" (grifo nosso)  Portanto,  é  lícita  a  incidência  de  juros  sobre  a  obrigação  tributária,  consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária.   Neste  sentido,  apresentou­se  o  entendimento  do  STJ  no AgRg  no REsp  n°  1335688/PR (DJ de 10/12/2012):  "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção do STJ no  sentido de que: "É  legítima a  incidência de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário."  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso)  Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reporto­me à Súmula CARF n° 4:  "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais."  Com base  no  acima exposto,  nego  provimento  às  alegações  concernentes  à  ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida  no prazo.  "VI – DA MULTA DE OFÍCIO"  A  recorrente  inicia,  transcrevendo o  art.  63  da Lei  n°  9.430/96,  que dispõe  que:  "Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  Fl. 855DF CARF MF Processo nº 15504.730409/2014­64  Acórdão n.º 3301­004.860  S3­C3T1  Fl. 856          19 incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)"  Alega que obteve liminar, confirmada posteriormente por sentença favorável,  garantindo­lhe  o  direito  de  recolher/depositar  judicialmente  a  COFINS  com  base  na  LC  n°  70/91.  Teria  restado  tão  somente  o  julgamento  dos  recursos  da  União  acerca  da  inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98.  E  que  a  COFINS  incidente  sobre  receitas  não  resultantes  da  venda  de  mercadorias ou serviços estaria com sua exigibilidade suspensa, sendo descabida a cobrança de  multa de ofício.  A  recorrente  depositou  judicialmente  a  COFINS,  adotando  como  base  de  cálculo apenas as receitas com prestação de serviços, o que, não se me afigura como correto.  Assim, procedeu corretamente a  fiscalização, que efetuou o  lançamento com multa de of´cio  somente  sobre  as  receitas  derivadas  de  atividades­fim  que  não  foram  contempladas  pela  recorrente na base de cálculo da COFINS que instruiu os depósitos judiciais.  Conclusão  Nego provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Marcelo Costa Marques d'Oliveira                                Fl. 856DF CARF MF

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7466981 #
Numero do processo: 13896.722866/2016-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução a título de pensão alimentícia, sujeita-se a comprovação do pagamento, bem como a apresentação de documento judicial, provando a curatela do incapaz.
Numero da decisão: 2002-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL

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2002­000.321  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  25 de setembro de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  JOÃO CARLOS DUARTE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2014  DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.  A  dedução  a  título  de  pensão  alimentícia,  sujeita­se  a  comprovação  do  pagamento,  bem  como  a  apresentação  de  documento  judicial,  provando  a  curatela do incapaz.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez  (Presidente),  Virgílio  Cansino Gil,  Thiago  Duca Amoni  e  Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 28 66 /2 01 6- 55 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.722866/2016­55  Acórdão n.º 2002­000.321  S2­C0T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fl. 59) contra decisão de primeira instância  (fls. 51/53), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo.  Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz:    Para  o  contribuinte  retro  qualificado  foi  emitida  a  Notificação de Lançamento – IRPF de fls. 40/44, que lhe exige o recolhimento do  crédito tributário no montante de R$4.544,49, sendo, consoante ali discriminado,  R$2.361,39  de  imposto  suplementar  e  o  restante  de  acréscimos  legais  correspondentes.    O lançamento decorreu do processamento da Declaração de  Ajuste Anual   – DAA  IRPF/2015, apresentada à RFB pelo  contribuinte,  cujo  resultado  foi  de  imposto a restituir no valor de R$2.651,96 ­ fl. 43. De acordo com a Descrição  dos Fatos e Enquadramento Legal, à  fl. 42,  foi verificada dedução  indevida de  pensão alimentícia judicial, no valor de R$21.600,00: "São dedutíveis na DIRPF  as  importâncias  pagas  a  título  de Pensão Alimentícia,  conforme  as  normas  de  direito,  sempre  em  decorrência  de  decisão  judicial,  acordo  homologado  judicialmente  ou  por  escritura  pública.  O  contribuinte  não  comprovou  a  obrigação judicial de prestação de alimentos e tampouco juntou os comprovantes  de depósitos relativos ao AC 2014".    Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a peça  impugnatória  de  fl.  37,  instruída  com  os  documentos  de  fls.  4/34.  Nessa  oportunidade,  contesta  o  feito  fiscal,  argumentando  que  os  pagamentos  de  pensão  alimentícia  ocorreram  segundo  as  normas  do  Direito  de  Família,  em  decorrência de decisão  judicial, acordo homologado  judicialmente ou escritura  pública.      O  resumo  da  decisão  revisanda  está  condensado  na  seguinte  ementa  do  julgamento:  DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.  A dedução a  título de pensão alimentícia  sujeita­se à existência  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente  e  à  comprovação  de  seu  efetivo  pagamento  no  correspondente  ano  calendário, observados os termos determinados pelo Juízo.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  juntando  documentos.  É o relatório. Passo ao voto.  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13896.722866/2016­55  Acórdão n.º 2002­000.321  S2­C0T2  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Virgílio Cansino Gil ­ Relator  Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço.  O  contribuinte  foi  cientificado  em  17/03/2017  (fl.  56);  Recurso Voluntário  protocolado em 06/04/2017 (fl. 59), assinado pelo próprio contribuinte.  A  glosa  da  dedução  pleiteada  a  título  de  pensão  alimentícia  foi  feita  pela  autoridade  fiscal em razão do contribuinte não  ter comprovado a obrigação alimentar, nem a  efetividade dos pagamentos ocorridos no ano calendário de 2014, ano da Declaração de Ajuste  Anual – DAA IRPF/2015, apresentada a RFB pelo contribuinte.  O  recorrente,  em  sua  peça  de  resistência,  pede  que  seja  reconsiderada  a  r.  decisão primeira,  porém não  junta  aos  autos,  os pagamentos  referentes  ao  ano  calendário de  2014, bem como o nome do curador, representante especial nomeado pelo Juiz, para defender o  interesse da pessoa incapaz. Correta pois a glosa da dedução pleiteada.  Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário,  e no mérito nega­se provimento.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil                              Fl. 101DF CARF MF

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Numero do processo: 10860.721858/2012-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/11/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Inexistindo similaridade fática entre os acórdãos paradigmas e o recorrido, não se estabelece a divergência, impedindo que se conheça do recurso interposto.
Numero da decisão: 9303-007.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado. EDITADO EM: 11/09/2018 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Acórdão nº  9303­007.340  –  3ª Turma   Sessão de  16 de agosto de 2018  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ ARQUIVOS DIGITAIS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  LG ELECTRONICS DO BRASIL LTDA    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 01/11/2012  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  SIMILITUDE  FÁTICA.  INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.  Inexistindo  similaridade  fática  entre  os  acórdãos  paradigmas  e  o  recorrido,  não  se  estabelece  a  divergência,  impedindo  que  se  conheça  do  recurso  interposto.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer  do  Recurso  Especial,  vencidos  os  conselheiros  Andrada Márcio  Canuto Natal  e  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  que  conheceram  do  recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.      (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.     (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Redator designado.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 18 58 /2 01 2- 87 Fl. 20464DF CARF MF Processo nº 10860.721858/2012­87  Acórdão n.º 9303­007.340  CSRF­T3  Fl. 20.465          2 EDITADO EM: 11/09/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Tatiana Midori Migiyama,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Demes  Brito,  Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa  Pôssas (Presidente em exercício).  Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional  contra decisão tomada no acórdão nº 3102­002.350, de 28 de janeiro de 2015 (e­folhas 20.320  e segs), que recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 01/11/2012  ARQUIVOS  DIGITAIS.  DESCRIÇÃO  DA  MERCADORIA  EM  LÍNGUA  ESTRANGEIRA.  ERRO  DO  CÓDIGO  DE  CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DO PRODUTO. INFRAÇÃO POR  OMISSÃO OU PRESTAÇÃO INCORRETA DE INFORMAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  SUBSUNÇÃO  DO  FATO  À  HIPÓTESE  DA  INFRAÇÃO.  FATO  ATÍPICO.  COBRANÇA  DA  MULTA.  IMPOSSIBILIDADE.  1. Se o ato normativo administrativo pertinente não proíbe o uso  de  expressões ou  termos  em  língua estrangeira,  para descrever  as mercadorias nos arquivos eletrônicos de documentos fiscais,  uma  vez  não  demonstrada,  nos  autos,  que  a  descrição  não  realizada  em  vernáculo  prejudicou  a  identificação  da  mercadoria,  tal  fato,  de  per  si,  não  configura  infração  por  omissão ou prestação incorreta de informação, tipificada no art.  12, II, da Lei 8.218/1991.  2. Também não configura a referida infração, se a ocorrência de  erro no código de classificação fiscal ou no código do produto,  descritos nos referidos arquivos, não prejudicar a realização do  procedimento  fiscal  de  identificação da  operação  comercial  ou  da mercadoria e de apuração da legitimidade do ressarcimento  do crédito do IPI pleiteado.  3.  Se  demonstrado  que  houve  erro  no  enquadramento  legal  da  infração  cometida,  a  cobrança  da  multa  aplicada  reputa­se  indevida, por falta de subsunção do fato à hipótese normativa da  infração.  Recurso Voluntário Provido.  A divergência suscitada no recurso especial (e­folhas 20.384 e segs) refere­se  à caracterização do vício de forma na imprecisa descrição dos fatos no auto de infração.  O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e­ folhas 23.390 e segs.  Fl. 20465DF CARF MF Processo nº 10860.721858/2012­87  Acórdão n.º 9303­007.340  CSRF­T3  Fl. 20.466          3 Contrarrazões  do  contribuinte  às  e­folhas  20.400  e  segs.  Entende  que  o  recurso não deve ser admitido e, no mérito, se admitido, que lhe seja negado provimento.  É o Relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator  Conhecimento do Recurso Especial  Em sede preliminar, a contrarrazoante requer o não conhecimento do recurso.   Segundo  entende,  a  decisão  da  lide  está  consolidada  e  a  Fazenda Nacional  não  intenta modificá­la,  mas  transmutá­la  em  decisão  que  reconheça  a  nulidade  do  auto  de  infração, por vício formal, em lugar da decisão que decidiu pela improcedência do lançamento,  como foi o caso.  Embora identifique uma certa singularidade na irresignação ora veiculada nos  autos,  fato  é  que,  a  toda  evidência,  a  recorrente  logrou  êxito  em  demonstrar  o  dissenso  jurisprudencial. Em situações em  tudo semelhantes,  a Fazenda  identificou e  trouxe aos autos  decisões que entenderam pela decretação da nulidade do auto, por vício de forma. Assim, não  vejo como deixar de reconhecer  a divergência na  interpretação da norma e, por  conseguinte,  dar prosseguimento ao feito.  Em  tudo  o  mais  satisfeitos  os  requisitos  de  admissibilidade,  tomo  conhecimento do recurso.  Vencido  quanto  ao  conhecimento  do  recurso  especial,  deixo  de  apreciar  o  mérito.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal  Voto Vencedor  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Redator designado  Apesar  do  entendimento  do  i.  relator  ser  no  sentido  do  conhecimento  do  recurso  especial  de divergência da Fazenda, peço  licença para divergir  de  seu voto quanto  à  admissão do recurso, por verificar inexistência de similitude fática entre o acórdão recorrido e  os paradigmas apresentados.  O  primeiro  acórdão  paradigma  indicado,  de  nº  203­09.332,  trata  de  imunidade, no qual a nulidade por vício  formal decorreu da  falta de motivação com base na  legislação  própria  do  tributo  no  ato  administrativo  que  originou  o  lançamento.  No  acórdão  paradigma  invocado,  tratava­se  de  lançamento  de  Cofins,  com  base  em  um  único  ato  Fl. 20466DF CARF MF Processo nº 10860.721858/2012­87  Acórdão n.º 9303­007.340  CSRF­T3  Fl. 20.467          4 declaratório  que  afastou  a  imunidade  para  este  tributo  bem como de  tributos  distintos  IRPJ­ CSLL, lançados em outro processo, porém todos com base na mesma norma.   No voto da conselheira relatora do acórdão paradigma se afirma:  Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo  32  da  Lei  n°  9.430/96  não  diz  respeito  à  COFINS,  objeto  do  presente  processo  administrativo,  ainda  que  a  suspensão  da  imunidade,  operada  por  ato  administrativo,  possa  servir  como  subsidio para aplicabilidade do direito  (Negritei.)  Nesse sentido ela ainda argumenta:  Em se  tratando da COFINS, há de se observar que o comando  legal  inserido  está  originariamente  no  artigo  195,  §  7°,  da  Constituição Federal. Em decorrência, reitero que o lançamento  é  um  ato  declaratório  da  obrigação  tributária,  devendo­se  reportar  à  legislação  especifica  do  tributo  em  análise.  Pela  independência  da  COFINS,  os  atos  praticados,  ou  faltas  cometidas,  devem,  obrigatoriamente,  ser  descritos  no  auto  específico da contribuição e  regidos pela  lei do  tempo em que  foram praticados.  (Negritei.)  Ora,  no  acórdão  que  aqui  se  aprecia,  além  de  não  se  estar  a  tratar  de  imunidade,  em  nenhum  momento  se  arguiu  tal  tipo  de  falta,  discute­se  o  correto  enquadramento  legal  com  relação  às  multas,  conforme  afirmado  no  voto  vencedor,  à  e­fl.  20342:  No caso, se a fiscalização apurou que os arquivos entregues na  [sic]  atendia  a  forma  determinado  no  citado  ADE  25/2010,  conforme já ressaltado, a multa a ser aplicada era a prevista no  inciso  I,  em  vez  da  prevista  no  inciso  II,  do  art.  12  da  Lei  8.218/1991.  Dessa  forma,  chega­se  a  conclusão  que,  apesar  das  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização,  todos  os  registros  contidos  nos  citados  arquivos  magnéticos  foram  “hábil  a  identificar  a mercadoria”  e,  em  decorrência,  a  correspondente  operação  comercial,  caso  contrário,  a  fiscalização  não  teria  reconhecido  os  créditos  pleiteados  pela  recorrente.  Por  esse  motivo, este Redator entendeu que a realização da diligência era  despicienda,  porque  os  elementos  coligidos  aos  autos  eram  hábeis e suficientes para a conclusão de que, no caso em tela,  não restou caracterizada a infração imputada a recorrente.  Dessa  forma,  se  a  fiscalização  fundamentou  a  imposição  da  multa em dispositivo legal que não corresponde com a suposta  infração praticada pela  recorrente,  certamente,  a  cobrança  da  multa  aplicada  deve  ser  cancelada  por  falta  de  subsunção  do  fato infracional ao tipo da infração definida no art. 12, II, da Lei  8.218/1991  Fl. 20467DF CARF MF Processo nº 10860.721858/2012­87  Acórdão n.º 9303­007.340  CSRF­T3  Fl. 20.468          5 (Negritei.)  No segundo acórdão paradigma, de nº 3201­00.248,  também existe situação  fática que não corresponde à do acórdão a quo, pois naquele se fala em falta dos elementos do  art. 142 do CTN e confusa contextualização dos elementos de prova, e neste, em imposição da  penalidade, por subsunção dos fatos ­ ainda que adequadamente descritos ­ à norma incorreta  (inciso II do art. 12 da Lei nº 8.2158/1991).   Destaca­se que o acórdão versava sobre  recurso de ofício da DRJ/FOR que  declarara a nulidade por vício de forma do lançamento que lá se combatia. A relatora do voto  condutor, adotou as razões de decidir da DRJ cujos excertos abaixo transcrevemos:  (...)  no  auto  de  infração  persistem  omissões  e  inconsistências  no  tocante  à  determinação  da  matéria  tributável  e  subsiste  a  ausência  de  documentação  idônea  que  sirva  de  base  à  apuração  do  valor  correto  da  multa  a  ser  aplicada, fatos que comprometem a validade do lançamento.  (...)  Portanto, se  inexistem, no caderno processual,  demonstrativos  de  cálculo  escorreitos  e  a  correspondente  prova  documental  que lhe dê suporte, de modo a respaldar a exigência tributária,  e tampouco foram cientificados à impugnante, resta explícito o  vício do lançamento, caracterizado por obscuridade, omissão e  inconsistência,  que  acabam  por  afetar  o  direito  de  defesa  da  impugnante, na medida em que não teve ciência dos critérios de  cálculo e documentos que amparam a determinação da matéria  tributável.  Portanto,  o  auto  de  infração  continua  a  carecer  de  comprovação  documental  necessária  para  dar  suporte  à  descrição  dos  fatos,  acarretando  cerceamento  do  direito  de  defesa e, por conseqüência, viciando o lançamento de nulidade.  (...)  Inexistem  nos  autos  quaisquer  demonstrativos  de  cálculo  que  evidenciem  de  forma  clara  e  exata  a  determinação  da  matéria  tributável,  não  atendendo  a  esse  objetivo  a  planilha de  fls. 05, a qual é omissa e  inconsistente. Como  conseqüência,  conclui­se que o  contribuinte não chegou a  ser  cientificado  das  informações  necessárias  ao  conhecimento completo do lançamento tributário.  (Negritei.)  Dessa  forma,  no  paradigma,  apenas  se  confirmava  o  posicionamento  da  DRJ/FOR pelo CARF  de  que  naquela  situação  de  fato  não  havia  demonstrativos  de  cálculo  corretos  e  até mesmo  estariam  ausentes  provas  documentais  que  suportassem  o  lançamento,  tendo  ambas  decisões  posicionamento  consonante.  De  outro  lado,  conforme  trecho  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  à  e­fl.  20342,  anteriormente  transcrito,  não  se  trata  nele  de  cálculos  incorretos  ou  de  omissões  nas  informações  da  fiscalização,  mas  de  informações  imprecisas da contribuinte com enquadramento legal incorreto pela fiscalização.  Fl. 20468DF CARF MF Processo nº 10860.721858/2012­87  Acórdão n.º 9303­007.340  CSRF­T3  Fl. 20.469          6 Dessarte,  entendo  que  nenhum  dos  paradigmas  admitidos  versava  sobre  matéria fática similar à do acórdão a quo e por isso não se deva conhecer do recurso especial  de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                     Fl. 20469DF CARF MF

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