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Numero do processo: 11070.002360/2009-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-007.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
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CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 60 /2 00 9- 85 Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 9303007.642 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos do PIS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno não tributada (isenção alíquota zero e não incidência). Despacho Decisório do SEORT/DRF/CPS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Em resumo, apresentou os seguintes argumentos: · o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. · não tendo resultado base de cálculo tributável, o crédito apurado não pode ser rateado com a receita do mercado interno tributada, devendo, portanto, ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. · o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; · a cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial; · o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008, razão pela qual a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 9303007.642 CSRFT3 Fl. 4 3 efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; · a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública; · os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo mais uma parcela do direito creditório. Intimada do acórdão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde retomou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas; 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos; 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas; e 5) Previsão legal para incidência da Selic O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/03/2017, resultando no acórdão nº 3402003.984, que, na parte de interesse ao presente julgamento, tem a seguinte ementa: RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. O acórdão paradigma nº 330201.184 afirma que somente os custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno podem compor o método do rateio proporcional utilizado para o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3, da Lei nº 10.833/2003. O acórdão a quo, por sua vez, autoriza que custos, despesas e encargos vinculados exclusivamente ao mercado interno componham o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3º da mesma lei. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 9303007.642 CSRFT3 Fl. 5 4 O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste recurso, a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.631, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 11070.002343/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.631): "O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: Fl. 908DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 9303007.642 CSRFT3 Fl. 6 5 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não tributadas 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 9303007.642 CSRFT3 Fl. 7 6 Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 910DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721213/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONTAGEM. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos casos de dolo, fraude ou simulação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do artigo 150, parágrafo 4º, c/c artigo 173, I, do CTN.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. POSSIBILIDADE.
É legitima a glosa de custos quando não for efetivamente comprovado o pagamento e o recebimento de bens, direitos e mercadorias ou utilização do serviço consignado em documentos considerados inidôneos, produzidos em nome de pessoa jurídica inexistente de fato. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea.
IRRF. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO.
A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referidos em documentos emitidos por pessoa jurídica considerado ou declarada inexistente de fato, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995.
FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada.
ERROS MATERIAIS NO CÁLCULO DO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS NO CÁLCULO DAS MULTAS ISOLADAS. CABIMENTO.
Verificada a existência de erros materiais na apuração da infração, determina-se a correção dos mesmos, neste ponto, devendo ser considerada a dedução dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para o abatimento de até 30% das bases de cálculo do IRPJ e CSLL devidos por estimativa.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1401-003.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, acordam, por unanimidade de votos, afastar as preliminares levantadas, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso (i) no que tange à adequação dos valores lançados a título de multa isolada, considerando para tanto, os valores a serem compensados a título de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL de períodos anteriores, (ii) relativo à imposição da multa isolada, determinando a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, ficaram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavam-na integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofício, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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TERMO INICIAL. CONTAGEM. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos casos de dolo, fraude ou simulação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do artigo 150, parágrafo 4º, c/c artigo 173, I, do CTN. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. POSSIBILIDADE. É legitima a glosa de custos quando não for efetivamente comprovado o pagamento e o recebimento de bens, direitos e mercadorias ou utilização do serviço consignado em documentos considerados inidôneos, produzidos em nome de pessoa jurídica inexistente de fato. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. IRRF. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referidos em documentos emitidos por pessoa jurídica considerado ou declarada inexistente de fato, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.293 2 Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. ERROS MATERIAIS NO CÁLCULO DO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS NO CÁLCULO DAS MULTAS ISOLADAS. CABIMENTO. Verificada a existência de erros materiais na apuração da infração, determina- se a correção dos mesmos, neste ponto, devendo ser considerada a dedução dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para o abatimento de até 30% das bases de cálculo do IRPJ e CSLL devidos por estimativa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, acordam, por unanimidade de votos, afastar as preliminares levantadas, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso (i) no que tange à adequação dos valores lançados a título de multa isolada, considerando para tanto, os valores a serem compensados a título de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL de períodos anteriores, (ii) relativo à imposição da multa isolada, determinando a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, ficaram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavam-na integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofício, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.294 3 Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso. 1- DO AUTO DE INFRAÇÃO. Contra o contribuinte em epígrafe, foram lavrados Autos de Infração (fls.2120/2.184) Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.187/2.295 para formalização da exigência de crédito tributário de IRPJ, CSLL e IRRF, relativos aos anos-calendário de 2010, 2011 e 2012, no valor total de R$ 43.177.766,55, incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora. As Infrações apuradas são as seguintes: 001 - CUSTOS DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS- COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS - Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo. 002 - CUSTOS DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS- COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS /CONSÓRCIO TRIUNFO/COMPASA -– Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo. 003- CUSTOS DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS - COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS – Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo. 004 FALTA / INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ A PAGAR DE SPC IMPOSTO DE RENDA NÃO RECOLHIDO E NÃO DECLARADO. - Imposto de renda de SCP não recolhido e não declarado conforme relatório fiscal em anexo. 005 - MULTA OU JUROS ISOLADOS- FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA -Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. IRRF – PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. – Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre pagamento sem causa ou de operações não comprovadas, contabilizadas ou não, nos valores abaixo especificados. Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.295 4 2- DO CONTEXTO Conforme consignado nos autos, a ação fiscal foi motivada por desdobramentos do Processo Judicial nº 2 0802315-42.2013.4.02.5101, e inquérito policial nº 0057817-33.2012.4.02.5101, cujo teor foi compartilhado com a Receita Federal, por autorização judicial, tendo em vista sua repercussão na esfera tributária (fls. 1714 a 1734). As empresas LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA e JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM, controladas por ADIR ASSAD E MARCELLO ABBUD foram alvo de fiscalização na Receita Federal por participarem de esquema visando a movimentar e lavar valores desviados de obras públicas. No âmbito destes procedimentos de auditoria, verificou-se que a impugnante (Construtora Triunfo e o Consórcio Triunfo-Compasa) realizou pagamentos a aquelas empresas acobertados por notas fiscais e recibos de locação de máquinas e equipamentos para atendimento das Obras nos Estados do Pará e Paraná, em valor superior a 22 milhões de reais . A autoridade autuante relata, de forma extensa e minuciosa, os fatos e documentos em que se sustenta para efetuar a GLOSA dos valores relativos a custos e despesas lastreados nas notas fiscais e recibos declarados inidôneos, por terem sido emitidos em nome de pessoas jurídicas inexistentes de fato, nos termos do art. 81 da lei 9.430/96 e cujas inscrições no CNPJ foram declaradas inaptas e ou baixadas pelo órgão competente. Relata que os procedimentos de fiscalização nestas empresas, objeto dos MPF 08.1.28.00-2012-00182-4 e 08.1.28.00-2012-00218-9 concluiu que elas nunca tiveram existência de fato. Que todas as tentativas para localizar as empresas e seus responsáveis foram infrutíferas. E que após a Baixa de Ofício até aquela data não havia sido apresentada qualquer manifestação no sentido de regularizar a situação da empresa. Explica que a Baixa de Oficio da Inscrição no CNPJ ocorre quanto se comprova que as empresas são inexistentes de fato, assim entendidas aquelas que não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto e não for localizada no endereço constante do CNPJ, bem como não forem localizados os integrantes do seu QSA, seu representante no CNPJ e seu preposto. Resume todos os pressupostos que comprovam que as empresas são inexistentes de fato. Localização em sem com condições mínimas de funcionamento da atividade consignadas nos contratos de locação. Relata que não existem informações relativas a movimentação de segurados em GFIP e RAIS e que em suas próprias DIPJ declaram não possuir funcionários. Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.296 5 Afirma que as receitas verificadas com base na movimentação financeira e declaração não guardam correspondências com os custos e despesas imprescindíveis para o sua realização, tais como bens, quadro de funcionários e espaço físico para exercício da atividade e nem com o capital registrado. A partir da análise dos débitos nos extratos bancários destas empresas, informar que não encontrou qualquer pagamento que indicasse os custos e despesas com manutenção das maquinas e com funcionários. Nem tampouco despesas operacionais básicas, tais como energia elétrica, água, telefone, escritório de contabilidade. Pontua que o DETRAN informou a inexistência de veículos em nome, nome da Legend, senão carros de luxo - Hundai I30, Pajero TR4, Honda FIT LX, BMW X-5, BMW 535 e em nome da JSM, Apesar disto, ressalta que o levantamento realizado pela fiscalização a partir das notas fiscais emitidas pela Legend e JSM apontam que seriam necessárias dezenas de caminhões para atender as operações ali consignadas. Donde concluiu que estas empresas também não poderiam operar sem dispor de um quadro compatível de funcionários. Cita a falta de visibilidade da empresa até mesmo entre empresas do mesmo ramo, segundo entrevistas prestadas por concorrentes divulgadas em jornais e revistas de grande circulação, em função das operações policiais anteriormente citadas. Assevera que a conclusão de que se trata de empresas de fachada não se restringe à Receita Federal antes é compartilhada por mais quatro órgãos de Estado, Prefeitura Municipal de Santana do Parnaíba (JSM), a Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional denominada CPMI do Cachoeira; Justiça Federal –RJ e Polícia Federal (operações Monte Carlo, Vegas e Saqueador). Cita ofício encaminhado e resposta dada pela prefeitura de Santana do Parnaíba sobre a JSM e das ações juntos aos sócios para regularizar a pendência fiscal, a CPMI e relatório do COAF que apontam que estas empresas estão em nome de laranja, tem como verdadeiros sócios Assad e Abbud e que não existe viabilidade econômica e patrimonial para seu regular funcionamento. Aponta que a Justiça Federal também concluiu que as empresas Legend e JSM, dentre outras controladas por Adir Assad e Marcelo Abbud, eram de fachada e que autorizou que os documentos apreendidos fossem compartilhados com a Receita Federal e Controladoria Geral da União, tendo em vista os crimes alcançarem também as searas tributarias e administrativas. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.297 6 Que estas empresas apresentam as mesmas características de outras do grupo controlado por Adir Assad e Marcello Abbud, denominadas “empresas de papel” mormente por não possuírem empregados registrados e possuírem um mesmo contador conforme consignado em suas declarações fiscais. Junta destaques das reportagens divulgadas amplamente nas mídia em geral que revelam um esquema de emissão de notas fiscais frias para simular prestação de serviços e possibilitaram que grandes empresas brasileira, por meio de Adir Assad repassaram cerca de Um Bilhão de Reais em propinas a políticos e caixa dois de campanhas eleitorais. Apresenta o histórico do Quadro Societário das empresas LEGEND E JSM e demonstram que elas sempre estiveram sob o comando oculto dos Srs. Adir e Marcelo. A autoridade autuante convencida de que não houve a contraprestação dos serviços consignados nas notas fiscais, que estes documentos eram inidôneos, jamais poderiam sustentar a deduções a titulo de despesas/custos operacionais efetuou a glosa destes valores ( contabilizados ora como custos ora como despesas) . Por outro lado, entendeu que, a vista da efetividade dos pagamentos efetuados, acobertados por tais documentos, emitidos por pessoas jurídicas inexistentes de fato, ocorreu a hipótese prevista no 61 da Lei 8.981 /95, e efetuou o lançamento do IRRF, à alíquota de 35% 2.5 – 3- DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a impugnante apresentou as seguintes razões de defesa em apertada síntese: Alega a impugnante que os pagamentos por ela efetuados às empresas LEGEND e JSM foram considerados pagamentos sujeitos regra do art. 61 da Lei 8.981/95 por estas empresas terem sido consideradas inidôneas. E que exclusivamente com amparo na ausência de localização destas empresas em seus endereços cadastrais, a fiscalização efetuou a baixa de ofício destas empresas no ano de 2014- ADE 190 e 32. Aduz que a fiscalização, com base neste único fundamento relacionado como os sócios daquelas empresas conduzem suas atividades, exigiu da impugnante tributos e penalidades imputáveis unicamente aqueles, pois não comprovou nenhum ato ilícito por ela praticado. Cita Recurso Especial n.º 1.148.444/MG em que se sustenta para firmar que o efeito da declaração de inidoneidade destas empresas não podem retroagir e alcançar as operações realizadas entre elas e a impugnante. Defende que estas empresa foram declaradas inidôneas exclusivamente por não terem sido localizadas em seus endereços, e porque estes locais serem imóveis residenciais cujas dimensões não permitiriam a realização das atividades de locação de máquinas e equipamentos para construção civil. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.298 7 Que a fiscalização, pautado unicamente na declaração de inidoneidade das empresas Legend e JSM, declaradas inaptas em data posterior à operação contratada com a impugnante, efetua a glosa das despesas e considerou que os pagamentos efetuados poderiam ser enquadrados nas regras do artigo 61 da Lei 8.981/95. Que a fiscalização não apresentou os fundamentos legal que a obrigasse o arquivo de dados específicos de maquinário locado há muitos anos, relativos a obras acabadas. Que foram entregues as medições com descrição da quantidade, natureza e dados do maquinários. Aduz que para se demonstrar a efetividade das operações [a“causa”, alegada pela d. fiscalização federal, na forma do artigo 61, §1º, da Lei n.º 8.981/1995], bem assim a boa-fé da Impugnante, devem ser exigidos, segundo entendimento consolidado do E. Superior Tribunal de Justiça, bem assim do CARF, APENAS e TÃO SOMENTE45 os seguintes documentos: a. Nota Fiscal ou documento equivalente [v.g., Recibo]; b. escrituração contábil dos documentos fiscais; c. regularidade perante o sistema CNPJ à época das operações; e d. comprovante de pagamento. Informa que para se demonstrar a regularidade das operações da operação, o Consórcio com a Legend e com a JSM, a Triunfo apresentou documentos que não foram examinados pela fiscalização, pelo que traz novamente para exame no âmbito do contencioso, que se prestam a comprovar que houve sim uma causa vinculada aos pagamentos realizados pelo Impugnante à Legend e JSM. Apresenta cópias das Notas Fiscais e Recibos emitidos pela Legend e pela JSM, devidamente acompanhadas de cópias dos respectivos comprovantes de pagamento, realizado mediante cheque, Transferência Eletrônica Disponível (“TED”) ou depósitos bancários, em conta bancária de titularidade da Legend e da JSM Planilhas de Resumo de Medição” elaboradas contendo o “De acordo” das contratadas Legend e JSM, cujo objetivo precípuo era avaliar a quantidade de equipamentos e horas/máquina mensalmente utilizados pelo Consórcio para o cálculo do preço da locação; nesses documentos estão indicados: o local da obra, a natureza dos equipamentos mensalmente locados, o preço/hora etc. amostragem de relatórios fotográficos elaborados que evidenciam a evolução dos serviços realizados na Obra , relatório analítico da conta contábil, relacionada aos pagamentos efetivados em favor da Legend e da JSM. Requer o correção dos erros materiais, conforme citação abaixo, que afetaram a apuração dos lançamentos de IRPJ, CSLL e IRRF. Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.299 8 Junta cópia das declarações e dos comprovantes de recolhimentos para provar que não houve falta de recolhimento de tributos declarados em SCP. Que na apuração do tributos deveriam ser considerados os saldos de prejuízos fiscais e base negativa de contribuição social existentes à razão de 30%. O Reconhecimento da Decadência para o IRRF, entre os períodos de 04/01/2010 a 20/05/2010 e IRPJ e CSLL no 1º trim. 2010 nos termos do artigo 150, §4º do CTN. O reconhecimento de que a Inaptidão declarada das empresas Legend e JSM não tem efeitos retroativos anteriores à publicação dos ADE nº 190/2014 e ADE 32/2014, conforme previsto no Recurso Especial Repetitivo n.º 1.148.444/MG, de aplicação obrigatória. É o relatório. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a autuação, reduzindo a autuação em razão dos valores dos pagamentos comprovados de IRPJ e CSLL e de irregularidade em dois lançamentos de IRRF. Deste julgamento a DRJ recorreu de ofício ao CARF. Cientificada da decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual aduziu os seguintes argumentos: II.i. Erros materiais na apuração dos débitos exigidos e no cálculo da multa por ausência de recolhimento de estimativas. II.ii. Decadência dos créditos de IRRF lançados entre 04.01.2010 e 20.05.2010 [cf. artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional]. II.iii. Impossibilidade de se declarar a inaptidão com efeitos retroativos, conforme previsto no Recurso Especial Repetitivo n.º 1.148.444/MG, de aplicação obrigatória. II.iv. Regularidade das operações efetivadas pela Recorrente. II.iv.A. Comprovação das operações com Legend Engenheiros Associados Ltda. (“Legend”) e JSM Engenharia e Terraplanagem Ltda. (“JSM”); inexistência de operações ou pagamentos “sem causa”, cf. artigos 271, parágrafo único, c.c. 674, ambos do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 [Regulamento do Imposto sobre a Renda ou “RIR-99”]. II.iv.B. Relevância da escrituração contábil como meio de prova. II.iv.C. Impossibilidade de glosa indevida de custos e despesas correspondentes aos pagamentos a Legend e JSM. II.iv.D. Impossibilidade de exigência do IRRF e afastamento da presunção Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.300 9 contida no artigo 674, §1º, do RIR-99. II.v. Impossibilidade de cobrança de multa isolada com fundamento no artigo 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430/1996; jurisprudência pacificada sobre a matéria. II.vi. Impossibilidade de majoração da multa de ofício para 150%. Após a apresentação do recurso voluntário a recorrente apresentou petição de desistência parcial do recurso para inclusão de débitos no PERT. Assim, atendendo ao requerimento de desistência parcial, foram excluídos do processo para transferência para o processo de parcelamento. Desta forma, a análise do recurso referir-se-à aos valores dos créditos tributários remanescentes no processo que, de acordo com o requerimento de desistência parcial do próprio contribuinte são os seguintes: 5. Débitos remanescentes. A Recorrente esclarece, adicionalmente, que, pelos mesmos fundamentos anteriormente indicados em seu Recurso Voluntário, entende não ser possível a cobrança de IRRF na espécie, razão pela qual permanece discutindo esse AIIM específico. Permanecem objeto de discussão, ainda, (i.) os erros materiais cometidos na aferição do IRRF [cf. item II.i.a. do Recurso Voluntário] e no valor das multas isoladas [cf. item II.i.b. do Recurso Voluntário]; (ii.) os AIIM vinculados a multas isoladas, por ser impossível a cobrança de multa com fundamento no artigo 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430, de 27.12.1996 após o encerramento nos anos-calendários respectivos; e (iii.) os débitos anteriormente afastados por meio da r. decisão de primeira instância [acórdão n.º 03-070-725], por serem eivados de erro material, os quais foram objeto de Recurso de Ofício. Requer-se, ao final, o reconhecimento da quitação dos débitos incluídos no PERT e, ainda, o regular processamento e o integral provimento dos demais itens do Recurso Voluntário e o total improvimento do Recurso de Ofício. Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.301 10 É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício manejado pela Decisão de Piso em razão da exclusão de parte da autuação, baseou-se no fato de a exclusão do crédito tributário ter montado em mais de R$ 1.000.000,00 à época do julgamento. Ocorre que, recente mudança em Portaria do Ministério da Fazenda o valor de alçada sujeito ao recurso necessário foi majorado para R$ 2.500.000,00, assim, como o valor de alçada deve ser apurado quando do julgamento do recurso voluntário temos que a exclusão do crédito tributário, incluindo multas, não chegou a R$ 2.000.000,00, razão pela qual não conheço do recurso voluntário por não atender aos requisitos legais. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista a desistência parcial do recurso, os pontos de discordância a serem apreciados no presente auto referem-se, apenas, aos lançamentos relativos ao IRRF e às multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. Assim, consoante a própria petição de desistência do recurso serão analisados os seguintes pontos de discordância: Em Relação ao IRRF II.ii. Decadência dos créditos de IRRF lançados entre 04.01.2010 e 20.05.2010 [cf. artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional]. II.iii. Impossibilidade de se declarar a inaptidão com efeitos retroativos, conforme previsto no Recurso Especial Repetitivo n.º 1.148.444/MG, de aplicação obrigatória. Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.302 11 II.iv. Regularidade das operações efetivadas pela Recorrente. II.iv.A. Comprovação das operações com Legend Engenheiros Associados Ltda. (“Legend”) e JSM Engenharia e Terraplanagem Ltda. (“JSM”); inexistência de operações ou pagamentos “sem causa”, cf. artigos 271, parágrafo único, c.c. 674, ambos do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 [Regulamento do Imposto sobre a Renda ou “RIR-99”]. II.iv.B. Relevância da escrituração contábil como meio de prova. II.iv.C. Impossibilidade de glosa indevida de custos e despesas correspondentes aos pagamentos a Legend e JSM. II.iv.D. Impossibilidade de exigência do IRRF e afastamento da presunção contida no artigo 674, §1º, do RIR-99. II.vi. Impossibilidade de majoração da multa de ofício para 150%. (i.) os erros materiais cometidos na aferição do IRRF [cf. item II.i.a. do Recurso Voluntário] e no valor das multas isoladas [cf. item II.i.b. do Recurso Voluntário]; (ii.) os AIIM vinculados a multas isoladas, por ser impossível a cobrança de multa com fundamento no artigo 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430, de 27.12.1996 após o encerramento nos anos-calendários respectivos; e (iii.) os débitos anteriormente afastados por meio da r. decisão de primeira instância [acórdão n.º 03-070-725], por serem eivados de erro material, os quais foram objeto de Recurso de Ofício Passemos, então à análise destes pontos de discordância. Em relação ao lançamento do IRRF: a) Decadência dos créditos de IRRF lançados entre 04.01.2010 e 20.05.2010 [cf. artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional]. Em relação à alegação de decadência parcial do lançamento de IRRF temos que essa alegação não foi apresentada na peça impugnatória o que, em princípio acarretaria a preclusão de sua apresentação e a não formação de litígio neste ponto. No entanto, em se tratando de matéria de ordem pública entendemos que deve ser apresentada em sede de recurso voluntário. Neste sentido a recorrente baseia os eu pedido de decadência em razão de alegar ter realizado a devida retenção do IRRF, CSLL, PIS e COFINS na forma da legislação que determina as retenções na fonte. Assim, deveria ser aplicada a norma do art. 150, § 4º e não a do art. 173, I, como entendeu a Delegacia de Julgamento. Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.303 12 A Delegacia de Julgamento, neste aspecto, havia negado provimento à impugnação por considerar que neste caso dever-se-ia incidir a norma do art. 173, I, do CTN. No início de setembro deste ano foi aprovada Súmula CARF nº 114, que trata do assunto, na qual foi estabelecido o seguinte texto: Súmula CARF nº 114 O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Acórdãos Precedentes: 1101-00.622, de 23/11/2011; 1402-00.320, de 11/11/2010; 2202-01.975, de 15/08/2012; 9101-00.773, de 14/12/2010; 1103-000.904, de 06/08/2013; 1301-001.544, de 03/06/2014; 1302-001.857, de 04/05/2016; 2202-002.561, de 18/02/2014; 2202-002.804, de 10/09/2014; 2301-004.531, de 08/03/2016. Assim, em verdade não mais há o que se discutir acerca deste ponto. Conforme a Súmula em questão, agora em vigor, a contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem comprovação da causa devem se submeter às normas do art. 171, I, do CTN, razão pela qual correto foi o lançamento e a Decisão de Piso quando adotaram este entendimento. Por tais razões, neste ponto rejeito esta outra preliminar. b) Impossibilidade de se declarar a inaptidão com efeitos retroativos, conforme previsto no Recurso Especial Repetitivo n.º 1.148.444/MG, de aplicação obrigatória. Regularidade das operações efetivadas pela Recorrente. Comprovação das operações com Legend Engenheiros Associados Ltda. (“Legend”) e JSM Engenharia e Terraplanagem Ltda. (“JSM”); inexistência de operações ou pagamentos “sem causa”, cf. artigos 271, parágrafo único, c.c. 674, ambos do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 [Regulamento do Imposto sobre a Renda ou “RIR- 99”]. Relevância da escrituração contábil como meio de prova. Impossibilidade de glosa indevida de custos e despesas correspondentes aos pagamentos a Legend e JSM. Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.304 13 Realizaremos a análise de todos os itens que tratam da comprovação das despesas que foram tidas como inaptas. Os itens serão analisados conjuntamente posto que a fundamentação para eles é semelhante. Iniciemos em relação às alegações da empresa prendem-se ao fato de as empresas LEGEND Engenheiros Associados e JSM Engenharia e Terraplanagem terem tido suas declarações de inaptidão publicadas após os fatos geradores incluídos na autuação. A recorrente invoca precedentes do STJ e deste CARF no sentido que não podem retroagir os efeitos da inaptidão. Ocorre, entretanto, que esta análise não se prende apenas a uma verificação da data do ato de declaração da inaptidão. O que acontece no caso é que em razão das fundadas suspeitas da inexistência de fato das empresa foi o contribuinte intimado a comprovar a efetiva realização dos serviços. Para tanto os próprios precedentes trazidos pelo recorrente militam contra ele no seguinte sentido. Vejamos o trecho do recurso: Considerando que, nos moldes do artigo 62, §2º do Anexo II do novo Regimento Interno do CARF, os julgados do STJ proferidos sob a sistemática de recursos repetitivos são de observância obrigatória aos seus conselheiros, o E. CARF tem acolhido o entendimento do C. STJ: “INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS EMITIDOS POR PESSOA JURÍDICA DECLARADA INAPTA. INÍCIO DA FALTA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS MESMOS EM FAVOR DE TERCEIROS. Descabe a glosa de documentos de empresas que a fiscalização considerou inaptas, quando inexiste Ato Declaratório Executivo de situação de inscrição inapta ou quando o efeito do mesmo se inicie em período-base posterior ao autuado, devendo ser mantida a glosa dos documentos cuja inaptidão da Pessoa Jurídica emitente tenha sido declarada, mesmo após os períodos-base autuados, mas com efeitos retroativos aos mesmos, apenas quando a beneficiária do documento não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG.”19 (destacado) Como se pode observar da parte final do texto da decisão em recursos repetitivos emanada pelo STJ, a glosa pode ser mantida quando a beneficiária, no caso a recorrente, não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG. Ora, é apenas isto que se discute em relação a estas duas empresas. Há dúvidas acerca da existência e operação efetiva destas empresas? Sim, com base nos indícios obtidos das informações em processos envolvidos na lava-jato existem estes indícios. Por isso a fiscalização intima a empresa a comprovar a realização dos serviços e o efetivo pagamento do preço. Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.305 14 O cumprimento deste ônus por parte do contribuinte implicaria no cancelamento das glosas sem qualquer outra consideração, posto que a matéria a ser analisada é eminentemente de fato, ou seja, se há a comprovação da prestação dos serviços e do pagamento do preço. Assim, temos o seguinte, a fiscalização, com base em fundadas dúvidas acerca da existência das empresas e da efetiva realização dos serviços, intima o contribuinte a comprovar a efetiva realização destes serviços. O contribuinte, para justificar os serviços, apresenta apenas documentação legal (notas ficais, recibos e comprovantes de pagamentos), nada que comprove a realização de qualquer serviço. Ora, não se está aqui a exigir demais da empresa, nem muito menos autuando pela simples existência de ação judicial que relaciona prestadores de serviços da empresa. As empresa não possuíam estrutura, funcionários, bens, não eram conhecidas pelos concorrentes, etc. No entanto, de acordo com a contabilidade do recorrente, foram capazes de realizar serviços vultosos de acordo com os pagamentos a elas realizados. Mais ainda tratam-se de serviços de engenharia que envolvem desde a elaboração de projetos, trabalhos de terraplanagem, fiscalização de obras, etc, todos serviços que podem ser facilmente comprovados com documentação dos próprios projetos, laudos de medição, plantas, relatórios de fiscalização, aluguel de veículos, etc, etc, etc. Acrescento ainda, a recorrente adota em sua rotina diária o hábito de realizar pagamentos sem guardar a comprovação dos serviços prestados? Creio ser difícil crer nesta hipótese, mais ainda pelo vulto das obras realizadas. Por isso, apesar da discussão trazida pelo recorrente no sentido de se apurar a validade da retroação do ato de declaração de inaptidão, esta data não é essencial à análise dos fatos. O que importa, em verdade, é a análise da documentação comprobatória da realização dos serviços posto que, não comprovada a realização de fato dos serviços ou o pagamento do preço, há de se manter a glosa realizada, tudo em conformidade com a Decisão do STJ utilizada pelo próprio recorrente a embasar sua defesa No entanto, em relação à comprovação dos serviços nada foi apresentado, nenhum dos documentos citados antes, nem qualquer outro documento que pudesse ser apresentado pela empresa. Assim é que a fiscalização, no entender deste relator, agiu com acerto. Havendo provas da inexistência de fato das empresas e não conseguindo o recorrente demonstrar a efetiva realização dos serviços prestados, apenas a nota fiscal e recibo de pagamento não são suficientes para infirmar as dúvidas acerca da inexistência de fato das empresas. Devo destacar, a título de análise acerca das atividades da empresa, que não interessa ao fisco o modus operandi da empresa ou do setor de construção civil como um todo na participação em obras públicas. Se a empresa, para participar de obras públicas, entende que tem de participar de grupos de influência que agem à margem das normas legais e, para isso, tem de efetuar pagamentos de serviços inexistentes para viabilizar recursos financeiros disponíveis ao pagamento de acertos diversos, não pode, ao mesmo tempo, beneficiar-se da dedução destas "despesas" de serviços inexistentes, para abater seu lucro tributável. A aparente legalidade da realização dos serviços apenas pela formação de prova documental não se suporta após a análise da existência das empresas e da efetivação dos serviços. Essa modalidade de proceder, embora pudesse ser objeto de suspeitas em tempos Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.306 15 idos, somente pode ser devidamente entendida e comprovada a partir das informações obtidas pelas operações autorizadas judicialmente e pelos consequentes depoimentos dos participantes dos acordos que, aí sim, indicaram as empresas inexistentes, as origens dos pagamentos e os seus destinatários. Por óbvio que apenas as informações prestadas não seriam suficientes para manter qualquer autuação, no entanto estas informações serviram de norte às investigações policiais, do ministério público e da receita federal, pois com estas informações pode-se solicitar comprovações específicas de serviços, como o que ocorreu no presente caso. Veja-se que em períodos anteriores tal tipo de fiscalização seria de muito difícil execução. Em empresas de porte como a tratada neste auto de infração, dada a existência de milhares de pagamentos, como poderia a fiscalização selecionar quais pagamentos ou empresas não seriam legítimos. Missão quase impossível. No entanto, esta restou facilidade sobremaneira a partir das investigações realizadas e a indicação das possíveis empresas de fachada que somente serviam para a viabilização da emissão de notas fiscais para ocultar recursos que iriam ser pagos de forma ilícita. Transcrevo, abaixo, trechos do relatório fiscal que demonstram a realização de diligência e a inexistência de fato das empresas: .......... 5.7. Começaremos a comprovar que as sociedades LEGEND e JSM nunca tiveram existência de fato, e por isto os documentos fiscais emitidos por estas sociedades são considerados inidôneos, relatando os fatos e provas colhidas através da fiscalização conduzida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, nos contribuintes acima qualificados, com autorização do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.28.00-2012-00182-4 e 08.1.28.00- 2012-00218- 9. Durante as fiscalizações acima indicadas foram realizadas diligências aos locais identificados como sendo o domicilio tributário destes sujeitos passivo nos sistemas da Receita Federal do Brasil e no cadastro da JUCESP – Junta Comercial do Estado de São Paulo. Para melhor compreensão vamos dividir os relatos por empresa. 5.8. Na diligência realizada na LEGEND, no endereço à Avenida Irai, 1292, Planalto Paulista, São Paulo, SP, CEP 04.082-003, no dia 02/04/2014, conforme fotos em anexo, encontramos uma residência, na qual fizemos diversas tentativas para verificar se teria alguém que pudesse nos atender ou prestar as informações, assim acionamos o interfone e batemos no portão. Não tivemos sucesso e a residência aparentemente estava vazia. No local, através da vizinhança, tentamos obter informações sobre o imóvel, e se as pessoas teriam conhecimento se ali funcionaria algum estabelecimento empresarial, ou se o imóvel realmente se encontraria vazio: 17.389.501-5 contratado pelos comerciantes e moradores locais como vigia da rua, que nos informou que, “desde aproximadamente outubro de 2013 o imóvel está vazio, não tendo comparecido nenhum dos antigos ocupantes, apenas recebeu a visita de um representante de uma imobiliária local que lhe disse que o imóvel seria colocado para locação. Informou também que Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.307 16 desconhece e nunca viu qualquer movimentação de máquinas e equipamentos utilizados na construção civil no local, apenas carros de passeio”. Spinasco, CPF: 808.989.718-53, proprietário do estabelecimento comercial Mini Center Congonhas Ltda. ME – CNPJ: 52.907.748/0001-76 , localizado na Avenida Irai, 1237 (trinta metros do local diligenciado) que nos informou que “após a batida da Polícia Federal no imóvel, no ano de 2013, e as reportagens que saíram nas revistas e jornais, as pessoas responsáveis pela empresa, que ele conhece como Sr Marcelo e Sr Adir, fecharam a empresa, e ele acha que transferiram a empresa para o bairro Praça da Árvore, em São Paulo, nos informou também que até a semana passada havia uma placa no local oferecendo o imóvel para locação. Também desconhece e nunca viu qualquer movimentação de máquinas e equipamentos utilizados na construção civil no local, apenas carros de passeio”. imóvel, que quando foram abordadas apenas uma se apresentou como sendo o Sr Lauro, que não quis apresentar documento de identidade, e disse “que era empreiteiro, e estava ali em nome do proprietário do imóvel, o qual se negou a dar o nome, e que iria fazer uma reforma, e que o imóvel estava vazio e havia sido colocado à disposição para locação como residência em uma imobiliária da qual também se recusou a dar o nome”. 5.9. Após as intimações recorrentes aos sócios desta sociedade (LEGEND), e decorrido os prazos concedidos para que estes comprovassem onde a empresa se encontra domiciliada, como prova da sua real existência, não foram apresentadas até a presente data nenhum documento ou esclarecimento. Desta forma, em 28/04/2014, foi formalizada uma Representação Fiscal – Baixa de Ofício do sujeito passivo, com base no inciso I, § 1º do artigo 80 da Lei nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996. 5.10. De acordo com a Ficha Cadastral JUCESP da LEGEND, NIRE nº 35.220.437.130, a atividade econômica / objeto social na sua constituição era “serviços de engenharia” e no período de 18/01/2006 a 20/07/2007 a empresa teve como endereço cadastral a Avenida Ceci, 1542, Planalto Paulista, São Paulo / SP, CEP: 04.065-002. 5.11. Podemos verificar conforme fotografias do local abaixo, Avenida Ceci, 1542, Planalto Paulista, São Paulo / SP, CEP: 04.065-002, que o endereço abaixo também se refere a uma simples residência, incrustada em uma rua quase que exclusiva de moradias residenciais, sem identificações ou placas comerciais, e que também não poderia de forma alguma ter condições de funcionar uma empresa de aluguel de máquinas e equipamentos para a construção civil. 5.12. Já na diligência realizada na JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA - ME. – CNPJ: 10.361.606/0001-06, no endereço Rua Padre Guilherme Pompeu, nº 01, Santana de Parnaíba / SP – CEP: Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.308 17 06501-055, encontramos duas placas que diziam tratar-se das seguintes empresas: LOKAL ASSESSORIA e DOUGLAS BAZOLI CORRETOR DE IMÓVEIS e tentamos contato com seus proprietários e/ou inquilinos e não encontramos nenhuma pessoa que pudesse nos atender e prestar informações. 5.13. Podemos constatar através das fotografias abaixo que o local indicado é uma simples residência, e analisando as fotos dos locais que nestes endereços não existe a mínima possibilidade de funcionar empresas de aluguel de máquinas e equipamentos: 5.14. No dia 30/07/2012 foi publicado no DOU – Diário Oficial da União o Ato Declaratório Executivo – ADE nº 40, de 27/07/2012 declarando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ da sociedade JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA - ME. – CNPJ: 10.361.606/0001-06. 5.15. Em continuidade a estas fiscalizações, em 28/04/2014 (LEGEND) e em 21/03/2014 (JSM), foi formalizada uma Representação Fiscal – Baixa de Ofício para cada uma das sociedades acima indicadas, com base no inciso I, § 1º do artigo 80 da Lei nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996: ............ 5.18. Abaixo iremos demonstrar todos os pressupostos acima indicados e que comprovam de forma cabal a inexistência de fato das sociedades LEGEND e JSM desde a data da sua constituição. Em primeiro lugar o contribuinte não possui um local para operar a empresa, apenas dispõe de um endereço virtual, que conforme esclarecido acima se tratam de locais comprovados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri como locais que costumeiramente abriga “escritórios virtuais”. Podemos verificar analisando as fotos dos locais que nestes endereços não existe a mínima possibilidade de funcionar empresas de aluguel de máquinas e equipamentos, tais como CARREGADEIRAS CAT 966C, ESCAVADEIRAS KOMATSU PC 200, GUINDASTE AMERICAN 5520, GUINDASTE GOVER 150, GUINDASTE TM 500, RETROESCAVADEIRAS CASE 580 H E TRATORES DE ESTEIRA CATERPILLAR D8K COM RIPER, CAMINHÃO SCANIA 114 – PRANCHA / 111 / 112, CAMINHÕES SCANIA 110 – PRANCHA, CAMINHÕES VW 7.90S – MUNCK, CAMINHÕES FORD CARGO - MUNCK, CAMINHÕES MB 1418. São simples imóveis utilizados apenas com a finalidade de dar uma aparência de legalidade e normalidade às operações destas sociedades, embora uma análise superficial já permita concluir que tais locais não reúnem as condições minimamente necessárias ao funcionamento de empresas dedicadas ao aluguel de máquinas e equipamentos para a construção civil. 5.19. Outro dado a reforçar este entendimento é que, apesar destas empresas terem uma elevada movimentação financeira, nos anos calendários de 2010 a 2012, não constam em nenhuma delas, na base de dados da RFB qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a constituição das empresas, de movimentação de segurados através da Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.309 18 entrega das GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, ou mesmo retenções de imposto de renda na fonte declarada através de DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo à prestação de serviços por empregados ou prestadores de serviços pessoa física (autônomos) e todas as RAIS – Relação Anual de Informações Sociais, estão negativas, indicando a inexistência de vínculos empregatícios ou prestadores de serviços pessoa física para este contribuinte, e também em todas as DIPJ - Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, destes anos calendários, estas empresas declararam não possuir nenhum funcionário ou custos referentes às despesas com pessoal, e também não existe informações que estas empresas tenham contratado uma outra Pessoa Jurídica que poderia ter fornecido mão de obra temporária ou terceirizada, ou seja desde a constituição das sociedades LEGEND e JSM até o presente momento não existe nenhuma informação ou recolhimento de impostos relativos à contratação de funcionários, prestadores de serviços pessoas físicas e confirmando que empresas de prestação de serviços da área da construção civil, que alegam a posse de diversas máquinas, equipamentos e caminhões não teriam condições de operar sem a existência de funcionários para lhe prestar serviços. 5.20. Para ilustrar demonstramos no Quadro abaixo uma comparação, com dados obtidos na DIPJ – Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica entre as sociedades LEGEND e JSM e duas grandes empresas que atuam no segmento de aluguel de máquinas e equipamentos da cidade de São Paulo e que possuem os CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas: 71.12-0/00 – Serviços de Engenharia e 43.13-4/00 – Obras de Terraplenagem semelhantes (a empresa de locação teve os seus dados cadastrais omitidos para preservar o seu sigilo fiscal), para compararmos e verificarmos a disparidade dos investimentos, dos custos, nº de funcionários entre empresas reais, que realmente prestam serviços, com empresas INEXISTENTES DE FATO, que não prestavam qualquer tipo de serviços na área de locação de máquinas e equipamentos: 5.21. Podemos verificar analisando o Quadro acima que grandes empresas similares a LEGEND e JSM, que atuam no segmento de locação de máquinas e equipamentos, necessitaram de 142 a 321 funcionários no ano calendário Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.310 19 de 2010, 227 a 400 funcionários no ano calendário de 2011 e 158 a 345 funcionários no ano calendário de 2012 para obter uma Receita Bruta inferior à destas sociedades, no total acumulado dos três anos fiscalizados. Enquanto grandes empresas do setor tiveram como Custos e Despesas de Pessoal montantes da ordem de R$ 2.000.000,00 a R$ 10.000.000,00 a LEGEND e JSM nestes mesmos períodos declararam não ter estes custos ou despesas, pelo simples fato de não serem necessários, já que estas empresas não existem de fato, emitiram Notas Fiscais Inidôneas, e principalmente não prestaram os serviços ali discriminados. Outro fato interessante analisando o Quadro acima é que empresas do setor de locação de máquinas e equipamentos para gerar a Receita Bruta acima discriminada possuem em seu Ativo Permanente, na linha de Equipamentos/Máquinas/Veículos valores lançados da mesma ordem de grandeza da sua própria Receita Bruta, e a LEGEND e JSM não possuem Equipamentos/Máquinas/Veículos em sua posse ou em seu nome. Voltamos a frisar, não é viável ou factível que empresas que geraram Receita Bruta de aproximadamente 50 a 157 milhões em 2010, de 44 a 121 milhões em 2011 e 8 milhões em 2012 não possuam ativos imobilizados em seu nome, não disponham de um único funcionário em toda a existência destas sociedades, e nem de um local adequado para o funcionamento de empresas deste porte, e ainda, como veremos mais abaixo, existam provas robustas de seu envolvimento em esquemas de desvio de recursos de obras públicas. 5.22. Outras informações esclarecedoras obtidas nas DIPJ’s das sociedades LEGEND e JSM demonstram que o Capital Registrado da LEGEND era de R$ 100.000,00 da sua constituição até a data de 07/02/2011 quando foi alterado para R$ 800.000,00, o Capital Registrado da JSM é de R$ 100.000,00 desde a sua constituição, ou seja com capitais integralizados ínfimos estas empresas geraram Receitas Brutas milionárias. Ressaltamos que nas DIPJ’s destas empresas relativas aos anos calendários fiscalizados as linhas referentes a ESTOQUES, CONTAS A PAGAR, COMPRAS DE MERCADORIA NO ANO CALENDÁRIO e COMPRAS ATIVO ANO CALENDÁRIO encontravam-se zeradas. 5.23. Como dito acima o objeto social das sociedades LEGEND e JSM basicamente são “obras de terraplenagem e serviços de engenharia” e “construções de rodovia, obras de urbanização – ruas, praças, calçadas, obras de terraplenagem e aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes”. Para se atingir os objetivos sociais destas empresas, é necessário que estas tenham em sua posse as máquinas e equipamentos necessários à execução destes serviços. Foi solicitado que estas empresas (LEGEND e JSM) apresentassem documentação que indicasse a obtenção das máquinas e equipamentos necessários à execução dos serviços tais como: notas fiscais de compra de equipamentos, notas fiscais / contratos de locação ou arrendamento das máquinas e dos equipamentos, contratos de prestação de serviços, medições dos serviços prestados, notas fiscais de movimentação dos equipamentos aos locais das obras, placas dos veículos e CRLV – Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, mas nenhum documento foi apresentado por todas as sociedades. Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.311 20 5.24. No Ofício SEFIS / DRF / Barueri nº 020/2014 esta Delegacia solicitou ao DETRAN - Departamento Estadual de Trânsito, através da sua Diretoria de Veículos, uma solicitação de histórico de veículos, nos seguintes termos; “visando subsidiar procedimentos de fiscalizações em andamento nesta Delegacia, solicitamos a Vossa Senhoria o obséquio de fornecer informações/extratos contendo todos os registros RENAVAM, inclusive dos veículos já alienados, em nome das empresas abaixo identificadas”: 5.25. Na resposta do DETRAN – Diretoria de Veículos através do Ofício nº 0.385-AJ / Protocolo Detran 211595-6/2014 este departamento informa que foram encontrados 5 (cinco) veículos nos seus registros em nome da LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA - EPP. – CNPJ: 07.794.669/0001-41, todos automóveis de luxo, de uso particular de pessoas de elevada capacidade financeira, que não se propõe para serviços de engenharia e terraplenagem, e mais alguns utilizados pelos sócios de fato e de direito desta sociedade que criaram esta empresa para os fins ilícitos aqui relatados que são os SR MARCELLO JOSÉ ABBUD E ADIR ASSAD: o primeiro é um automóvel marca I/HYUNDAI I30 2.0 (importado), cor cinza, Placa EQY 6115, RENAVAM 255902050, adquirido em 28/10/2010 e ainda na posse desta empresa; o segundo é um automóvel marca PAJERO TR4 FLEX (importado), cor preta, Placa FUI 0141, RENAVAM 976619067, adquirido em 28/07/2008 e transferido em 01/09/2010 para um parente do SR MARCELLO JOSÉ ABBUD, Gabriella Mendes Abbud; o terceiro é um automóvel marca HONDA FIT LX, cor preta, Placa DUI 7734, RENAVAM 884610357, adquirido em 02/06/2011 e transferido em 19/05/2012; o quarto é um automóvel marca BMW X5 X DRIVE 50I ZV8 (importado), cor cinza, Placa FJY 3838, RENAVAM 280742223, adquirido em 21/01/2011 e transferido em 31/01/2013 para uma empresa controlada pelo SR ADIR ASSAD a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda – CNPJ: 58.783.689/0001-58; e o quinto e último é um automóvel marca I/BMW 535 I GT (importado), cor cinza, Placa FTQ 0008, RENAVAM 230936407, adquirido em 24/08/2010 e transferido em 08/08/2011. Uma empresa que apresenta uma receita bruta (conforme Quadro acima) em valores superiores a cem milhões de reais anualmente, tendo como atividade principal o “aluguel de máquinas e equipamentos”, e dispõe de apenas veículos de passeio (automóveis de luxo de uso particular) para cumprir com este objetivo, não nos parece crível que esta empresa consiga realizar uma real prestação de serviços sem nunca ter tido em seus ativos as máquinas, equipamentos, veículos e caminhões para tal fim. 5.26. Na resposta do DETRAN – Diretoria de Veículos através do Ofício nº 0.385-AJ / Protocolo Detran 211595-6/2014 este departamento informa que o único veículo encontrado nos seus registros em nome da JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA - ME. – CNPJ: 10.361.606/0001-06 é uma moto cor preta, modelo Yamaha / XT 660R, Placa Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.312 21 EJR 3728, RENAVAM 201231387, adquirida em 18/02/2011 e transferida em 23/09/2011. Este não é um veículo que se propõe para serviços de engenharia e terraplenagem. Uma empresa que apresenta uma receita bruta (conforme Quadro acima) com valores entre vinte milhões a cinqüenta milhões de reais anualmente, tendo como atividade principal o “aluguel de máquinas e equipamentos”, e dispõe de apenas um veículo (motocicleta) para cumprir com este objetivo, não nos parece crível que esta empresa consiga realizar uma real prestação de serviços sem nunca ter tido em seus ativos as máquinas, equipamentos, veículos e caminhões para tal fim. 5.27. Como forma de elucidar todo o esquema fraudulento que a LEGEND e JSM colocaram em prática, foram efetuadas diligências em outras empresas que supostamente tomaram serviços desta sociedade, e através destas diligências foram solicitados documentação que comprovassem a utilização das máquinas / equipamentos/ veículos que estão discriminadas nas Notas Fiscais inidôneas emitidas por esta sociedade. Contabilizando todas as informações fornecidas pelas empresas diligenciadas e também pela Construtora Triunfo S/A e pelo Consórcio Triunfo - Compasa chegou-se aos seguintes números de Máquinas / Equipamentos / Veículos que as sociedades LEGEND e JSM teriam que dispor em seus nomes ou suas posses para cumprir com os serviços contratados, com a ressalva que não foram diligenciadas todas as empresas que supostamente tomaram serviços destas empresas, somente as principais: 5.28. Podemos chegar a conclusão analisando os Quadros acima que é improvável que estas empresas possam operar com estes supostos números de Máquinas / Equipamentos / Veículos em suas posses e não dispor de um Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.313 22 quadro de funcionários compatíveis, ou ter um local apropriado e seguro para guardar e fazer a manutenção destes equipamentos, ter custos como de manutenção, de combustíveis, de peças e acessórios, etc, e mais ter uma resposta do Departamento de Transito de São Paulo que informa que a LEGEND e JSM nunca possuíram nenhum dos veículos apontados no quadro acima, sendo que, principalmente os caminhões necessitam de documentação registrada no DETRAN para poderem circular pelas vias públicas. 5.29. Também na análise dos extratos bancários da LEGEND e JSM, durante a auditoria realizada nestas empresas, ficou comprovado que nos débitos efetuados por estas empresas não se encontram pagamentos para a manutenção operacional de qualquer empresa de engenharia ou terraplenagem, tais como, pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamentos a escritórios de contabilidade. Também não localizamos alguns outros pagamentos extremamente necessários e básicos para que uma empresa de locação de máquinas e equipamentos possa funcionar, tais como, compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção das máquinas e equipamentos, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços, pagamentos de transporte de equipamentos, pagamentos de IPVA ou licenciamento de veículos, etc. Tais pagamentos não foram encontrados simplesmente porque não foram necessários já que a empresa não existe e foi constituída apenas para operar o seu esquema fraudulento. 5.30. Outro detalhe importante é que a esmagadora maioria das grandes e médias empresas do setor de alugueis de máquinas e equipamentos que atuam em todo o território nacional dispõe de um sítio na internet onde disponibilizam entre outras coisas os seguintes itens: história da empresa, áreas de atuação, cadastro de clientes, portfólio das máquinas e equipamentos disponíveis, com fotos e especificações técnicas, obras em que seus equipamentos foram utilizados, etc. A LEGEND e JSM não possuíam tal ferramenta, o que consideramos muito estranho, pois de acordo com “o porte que as empresas supostamente possuem” e “os seus grandes clientes, construtoras de renome e nível nacional e internacional”, seria razoável que essas empresas estivessem interessadas em divulgar as suas qualidades e bons serviços como forma de angariar novos clientes. 5.31. Todos os esquemas fraudulentos que têm a intenção de sonegar tributos ou desviar recursos públicos ou privados apresentam como característica serem extremamente engenhosos e sofisticados e o que se apresenta aqui não foge desta regra. Nestas ações as empresas tentam dar ao negócio um aspecto de legalidade, emitindo as Notas Fiscais como se assim tivessem prestado os serviços que nelas discriminam, mas que possuem apenas o condão de dar um aspecto de normalidade a estas ações criminosas, e conforme as provas aqui colhidas, não passam de documentos inidôneos emitidos com o evidente intuito de fraude, conduta que está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.314 23 Passa então o fiscal a apresentar provas e depoimentos coletados dos inquéritos policiais e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que demonstram que as empresas em questão eram participantes de esquemas ilícitos de corrupção. Apresenta, ainda, a demonstração do regular compartilhamento de dados com o fisco. Segue apresentando informações, cópias de documentos, reportagens, etc, comprovando a relação entre a recorrente e as empresas citadas e seus representantes que eram considerados os operados do esquema de desvio de recursos. Demonstra-se, assim, de todo o apresentado e argumentado anteriormente que as empresas LEGEND e JSM não existiam de fato, não possuíam pessoal, nem bens para a realização dos serviços que estavam representados nas notas fiscais. Por estas razões é que os serviços e operações foram considerados como não prestados. Por isso, ao contrário do que argumenta o recorrente, a simples existência da contabilidade e dos documentos que embasaram seus lançamentos não é suficiente para considerar como verdadeira e fiel aos fatos toda a escrituração fiscal da empresa. Quanto aos documentos por ela apresentados na impugnação, entendo por suficiente a análise realizada pela DRJ a respeito, pontuando aspectos que considera definidores da incapacidade de demonstração da efetividade dos serviços. Vejamos os excertos: Verifica-se nos autos que além da inspeção física nos locais indicados como endereços das empresas, os quais, foram encontrados fechados e não comportavam o exercício da alegada atividade, por serem tipicamente residenciais, a fiscalização avançou também na obtenção de outras provas que estas empresas compartilham de um mesmo endereço que também é utilizado por Adir Assad e Marcelo Abbud. Trouxe provas documentais importantes, a verificação de informações existentes em declarações fiscais, previdenciárias, trabalhistas que comprovam a inexistência de registros sobre empregados destas empresas, realização de diligencias junto a outras empresas que também utilizaram de notas fiscais emitidas pelas empresas Legend e JSm Nas próprias declaração DIPJ, estas empresas informam não possuírem empregados. De fato, apesar de todo o aparato necessário para que se efetivasse a transferência de posse dos bens locados, e de todo o período do contrato (cerca de 30 meses) e do volume de recursos envolvidos, o único nome apresentado pela impugnante, com o qual efetuou contatos nestas empresas foi o de Marcello Abbud, pessoa envolvida em processos criminais por participar de esquemas de desvios de recursos públicos por meio do uso de empresas de fachada. Em outra frente a fiscalização cuidou em buscar outras provas documentais a operação pudesse ter sido realizada neste sentido intimou ao fiscalizado apresentar as PLACAS dos veículos locados. Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.315 24 Consta dos autos que a contribuinte não foi capaz de identificar a placa de nenhum dos 36 Caminhões Truck que ditos locados por período de mais de dois anos, sob a alegação de que fiscalização exigia provas impossíveis de serem apresentadas e que não havia fundamentação legal para tais exigências. Com efeito, esta seria a única resposta possível, pois estas empresas não possuem nenhum veículo deste tipo, registrado em seu nome, segundo atestado pelo DETRAN (fls. 1.668 a 1.708) . Quanto a alegação de exigência de provas impossíveis, ou que não é dá pratica empresarial, não assiste também razão ao impugnante. Do exame do Instrumento Particular de Locação, Anexo I,(fls. 86 a 93), verifica-se que entre os procedimentos a serem cumpridos pelo contratado está a comprovação de propriedade dos equipamentos locados ou autorização do proprietário, cujos cópias deveriam, inclusive ser autenticadas em Cartório. Assim, não é crível que toda esta documentação, caso tenha sido cumprido este dispositivo do contrato, tenha sido destruída dos arquivos físicos ou digitais, com o término da obra, como alega a impugnante, fls. 2359. À luz de todas estas evidências, que corroboraram todas as demais provas produzidas no curso das ações judiciais, é que a fiscalização sustentou que o contribuinte agiu com dolo, e que os pagamentos efetuados a estas empresas não foram acompanhados das provas de que os serviços contratados foram prestados. Desta forma, o que se verifica é que a fiscalização deu cumprimento ao art. 217 do RIR , dando ao fiscalizado oportunidade de apresentar suas provas de que houve a contraprestação dos serviços prestados, mas o fiscalizado não apresentou elementos de prova suficientes a comprovar que houve a efetiva contraprestação pelos pagamentos realizados. Também em sede de impugnação, nada foi trazido que pudesse ser modificada esta situação. Os documentos acostados aos autos, não tiveram o condão de comprovar a veracidade da operação, a começar pelo próprio instrumento contratual que, como demonstrado, foi firmado pelo Sr. MARCELLO ABBUD, pessoa estranha ao quadro societário da empresa (quadro 6- fls 2.243), portanto, um documento apócrifo. Os relatórios fotográficos apresentados se prestam a comprovar apenas a atividade realizada pela fiscalizada, mas não a titularidade das maquinas e veículos, pois conforme informações prestadas pela fiscalizada, as obras foram realizadas com a utilização de equipamentos da consorciada Triunfo e de Terceiros, dentre os quais as contratadas, fls. 699. Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.316 25 As planilhas de medições (fls. 3.072 a 3.109), apresentadas, também são eivadas de impropriedades, como por exemplo, algumas sequer trazem qualquer assinaturas, da contratante ou da contratada e quando trazem alguma rubrica, não são acompanhadas da devida identificação dos signatários e também apresentam grandes variações quanto aos períodos de referência e datas do vencimento. Da mesma forma, as notas fiscais apresentam relevantes variações nos valores das locações e estão sempre atreladas a múltiplas datas e formas de pagamento como pagamentos em espécie, depósitos, transferências bancárias, Os valores são fragmentados, havendo sobras que se fazem as vezes de adiantamentos, vide quadro apresentado pela própria impugnante, fls. 2.683 a 2685. Não há registros de juros nos casos de pagamentos atrasados e também causa estranheza o lapso temporal entre a apuração do valor do aluguel nas planilhas de medição e a data de emissão das notas fiscais, chegando a ser detectada mais de 30 dias entre os dois procedimentos. Traz -se aqui, a titulo de exemplo, a nota fiscal 1172, no valor de 701.258,00, emitida e contabilizada em janeiro de 2010, referentes as medições de novembro e dezembro de 2009, cujos pagamentos ocorreram nos meses de setembro a dezembro de 2009. Também merece destaque as informações de que de que parte dos pagamentos dos serviços locados, foram efetuados por outra empresa do mesmo grupo econômico - TCE TRIUNFO– porque passava por dificuldades econômicas e sofria riscos iminentes de penhora on-line de recursos financeiros por decorrência de Reclamações Trabalhistas. (resposta a intimação fiscal, fls 38.) Assim, diversos pagamentos foram efetuados em espécie, diretamente a funcionário da empresa Legend que sequer chegaram a ser identificados, e cujos recibos eram outorgados posteriormente pelo Sr. Marcelo Abbud, segundo informações prestadas pela fiscalizada às fls. 698. Tal prática é típica entre empresas que precisam justificar valores efetivamente pagos/desembolsados a determinadas despesas consignadas em documentos inidôneos. Carece também de validade jurídica, o próprio instrumento particular dos bens locados. Os instrumentos que teoricamente formalizaram a operação consignada nas notas fiscais, cujo valor superou a marca de 22 milhões de reais, foi firmado por pessoa que não pertencia ao quadro societário das empresas e nem ao quadro de seus funcionários. Não sendo crível que pudesse assegurar a efetiva disponibilização dos bens locados. O Contrato também possui cláusulas que não refletem um equilíbrio entre direitos e obrigações de contratado e contratante. Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.317 26 Chegou-se ao disparate de se estabelecer que seria efetuada a retenção do ISSQN - imposto sobre serviços de qualquer natureza, mesmo à vista de dúvidas quanto a sua incidência sobre as operações. Não é crível que Contratante e Contratada, tendo dúvidas sobre a incidência do imposto, optasse por efetuar a sua retenção ao invés de procurar conhecer a legislação. É sabido que não há incidência do ISSQN em casos de contrato de aluguel de máquinas sem fornecimento de mão de obra. Neste sentido, a Súmula 31 do STF que declara ser inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza sobre operações de locação de bens móveis. Assim, causa estranheza que o contribuinte tenha realizado retenções do ISSQN, como previsto em sua cláusula 4.4 mesmo sob a alegação de que os equipamentos foram locados sem mão de obra. O contrato traz cláusulas dissociadas de significado em relação à operação contratada, como é o caso do Livro de Ordens. Segundo dispõe a Resolução n° 1.024, de 21 de Agosto de 2009 CONFEA/CREA em seu art. 2º, o Livro de Ordem constituirá a memória escrita de todas as atividades dos responsáveis técnicos relacionadas à obra ou serviço, diz respeito a pessoas e não a maquinas, de sorte não se aplica no caso de locação de maquinas sem contratação de mão de obra. Temos então, com base nos argumentos acima e com os demais que serão apresentados em sequência, que não se sustentam os documentos apresentados pela empresa como prova da realização dos serviços, mais ainda, diante da inexistência de fato das empresas e da aparente falta total de zêlo com registros das obras realizadas. Por isso, carecendo de legitimidade estes documentos, resta prejudicada a escrituração fiscal como prova em favor do contribuinte. É verdade que a contabilidade regular faz prova em favor da empresa, mas sempre e desde que embasada em documentação regular. No presente caso a contabilidade é regular, assim como a documentação de suporte dos lançamentos. O que se questiona a partir das informações constantes dos procedimentos judiciais é a efetiva realização dos serviços, posto que existiam fundadas suspeitas de que os serviços foram forjados para viabilizar pagamentos relativos a serviços que não poderiam constar em nenhuma contabilidade, nem poderiam transparecer às autoridades. Por isso, a viabilidade da escrituração da empresa no caso ficou vinculada à comprovação da realização de fato dos serviços o que, não ocorrendo, acarretou na glosa das despesas e custos de serviços inexistentes. Ou seja, a contabilidade foi desconsiderada não pelos seus documentos mas pela não comprovação dos fatos que ela fez registrar. Por todo o exposto acima é que demonstra-se que o recorrente, apesar de toda a sua retórica recursal, não conseguiu comprovar os serviços realizados pelas empresas LEGEND e JSM. Assim, não comprovando a prestação dos serviços não é possível aceitar-se as despesas e custos como dedutíveis da receita tributável da empresa, por serem despesas e custos estranhos à atividade empresarial. Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.318 27 Devemos, por fim, indicar que todo o recurso do contribuinte baseia suas provas na existência de contratos padrão e de que não seria típico da atividade a guarda de documentos, registro de placas, etc. Alega, inclusive, desconhecimento das autoridades da DRJ na análise do processo por não entenderem do setor de construção civil. Perdoem-se os patronos do recorrente, mas realmente não é possível às autoridades julgadoras conhecerem de procedimentos ilícitos, dado que estas estudam acerca das operações legais das empresas. As ilegalidades não são aprendidas ns bancas escolares. A demonstração da existência dos maquinários e dos serviços pode ser feita de inúmeras provas diferentes, o que não se sustenta é como a recorrente efetua pagamentos na casa das dezenas de milhões sem a existência de um mísero registro dos bens e veículos. Acaso as obras não estão submetidas a controles pelos tribunais de contas, acaso os registros de entrada e saída da portaria da obra não indicam as placas dos veículos responsáveis pelos trabalhos. Acaso não existem registros de funcionários habilitados a usar refeitório assistência médica, etc. Pelo que faz crer a recorrente um canteiro de obras é como terra de ninguém. Não existe portaria, não existem controles, não existe fiscalização, nada por escrito. Mais ainda, que quando se encerra a obra a recorrente incinera todo e qualquer registro o que a impede de apresentar qualquer comprovação. Nem ao menos consegue obter nenhuma documentação dos próprios prestadores de serviço. Ah, claro, eles não existem mais. Meus colegas me perdoem a ironia, mas não acho respeitoso a apresentação dessas ilações como se fossemos todos desconhecedores de tudo o que ocorre no mundo exterior. O direito como ciência humana demanda o conhecimento do ambiente em que ocorrem os fatos. Mesmo para os que não tem conhecimento estrito de engenharia ou dos setores a ela ligados, por certo já fez alguma reforma ou construção, ou viu como funciona a contratação de prestação de serviços, os materiais nela utilizados, etc. Ora, se para o simples aluguel de uma misturadora de cimento uma pessoa física recebe um impresso contendo a indicação da marca, modelo e registro do tombamento para controle da empresa locadora, como se pode conceber que em locações desse vulto nada conste. Tudo virou fumaça após a conclusão das obras, máquinas, veículos, registros, formulários, tudo. A alegação de que são contratos padrão do setor não explica a falta de comprovação da existência de fato de qualquer bem envolvido ou de qualquer operação realizada. Aqui a obrigação de provar é do recorrente. A fiscalização já demonstrou que as empresas não tinham condições de prestar os serviços discriminados nas notas fiscais. À recorrente cabe infirmar essas alegações com a prova de sua existência. Não o provando, há de se manter as glosas e suas repercussões. Assim, neste ponto, nego provimento tendo em vista que não ocorreu a simples retroação dos atos-declaratórios de inaptidão, mas sim a utilização dos indícios que basearam o ato para intimação à empresa para comprovar os serviços realizados antes da emissão dos atos pelas empresas que foram declaradas inaptas, bem como restaram por não comprovados os serviços constantes das notas fiscais destas empresas, o que acarreta a Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.319 28 desconsideração destas despesas e custos na apuração do lucro tributável e a sua adequada glosa realizada por meio do auto de infração objeto do presente processo. II.iv.D. Impossibilidade de exigência do IRRF e afastamento da presunção contida no artigo 674, §1º, do RIR-99. Volta neste ponto o recorrente a alegar a impossibilidade de exigência do IRRF e da aplicação da presunção do art. 674, § 1º, do RIR. Repisa que comprovou a efetiva realização dos serviços e que, assim, demonstrando-se os documentos fiscais e o pagamentos, há de se cancelar as glosas os lançamentos. Neste ponto, dada a extensa apresentação no item precedente, acerca da inexistência dos serviços prestados que foram discriminados nas notas fiscais comprobatórias dos supostos serviços, entendo que não é necessário repisar toda a argumentação. Levando-se em consideração que, conforme acima demonstrado, restou por demonstrado a inexistência da prestação dos serviços por parte das empresas LEGEND e JSM, a inexistência de fato destes serviços implica na necessária autuação por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Assim, perfeitamente possível a aplicação da presunção do art. 674, § 1º e do IRRF incidente sobre estes mesmos pagamentos. Assim, nego provimento ao recurso também neste ponto. (ii.) os AIIM vinculados a multas isoladas, por ser impossível a cobrança de multa com fundamento no artigo 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430, de 27.12.1996 após o encerramento nos anos-calendários respectivos; e Inicialmente cabe destacar que não cabe, no presente caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105, posto que os períodos de apuração tratados neste autor referem-se a 2010, 2011 e 2012. A referida Súmula aplica-se apenas aos fatos geradores ocorridos até o ano de 2007, tendo em vista que os fatos geradores são posteriores ao da aplicação da Súmula, não existe possibilidade de aplicação da referida Súmula ao presente caso. Com relação ao item do auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Turma, existindo três diferentes vertentes de opinião: Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.320 29 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratar-se, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201-000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibe-se o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.321 30 da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplica-se o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, pune-se o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.322 31 receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, pune-se com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, pune-se a não antecipação com multa isolada. No presente caso, percebe-se que a multa isolada aplicada excede o valor da multa de ofício, assim não ocorre a absorção integral da multa isolada, razão pela qual a multa isolada deve ser reduzida no limite do valor da multa de ofício lançada, mantendo-se o valor da multa isolada que superar o valor da multa de ofício. Desta forma entendo por dar provimento parcial ao recurso neste ponto para excluir do lançamento a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa até o montante da multa de ofício lançada em razão desta ter sido parcialmente absorvida por esta. (i.) os erros materiais cometidos na aferição do IRRF [cf. item II.i.a. do Recurso Voluntário] e no valor das multas isoladas [cf. item II.i.b. do Recurso Voluntário]; Alega os seguintes erros: 1) 20. Recibo n.º 304, emitido pela Legend. O pagamento do Recibo n.º 304, emitido pela Legend, no valor de R$2.721.673,20, foi efetuado pela Recorrente da seguinte forma: depósito bancário de R$111.112,00 [pago em 06.12.2011], depósito bancário de R$340.000,00 [pago em 07.12.2010], depósito bancário de R$1.157.000,00 [pago em 07.02.2012], e depósito bancário de R$1.113.561,20 [pago em 27.02.2012]. Para o pagamento dessa última parcela de R$1.113.561,20, contudo, foi feita uma Transferência Eletrônica Disponível (“TED”) no valor de R$1.119.050,00, conforme devidamente esclarecido no âmbito da fiscalização [fls. 99 dos autos], sendo que apenas R$1.113.561,20 corresponderiam ao pagamento parcial do Recibo n.º 304, e R$5.448,80 seriam apenas adiantamentos [e não “pagamentos” à Legend]. Assim, houve o pagamento de R$2.721.673,20 à Legend, mas a base de cálculo do IRRF objeto do AIIM foi de R$2.727,162,00, o que configura erro material, não admissível em procedimentos tributários. 21. Isso tanto é verdade que, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL supostamente devidos, considerou-se que o valor pago relativamente ao Recibo n.º 304 foi de R$2.721.673,20 [cf. fls. 2124 e 2144 dos autos e Quadro 21 do Termo]. Para a apuração do IRRF, contudo, assumiu-se que a base de cálculo seria superior em R$5.448,80 [ou R$8.444.31, com “gross- up”], como se depreende do Quadro 26 do Termo. De fato, se todos os tributos são reflexos de uma única suposta irregularidade, porque em alguns casos a base de cálculo é indevidamente ajustada? Além disso, o adiantamento de R$5.448,80, supramencionado, não tem relação com NENHUM dos Recibos ou Notas Fiscais indicados no Quadro 26 e, por esse motivo, não pode integrar o presente AIIM. Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.323 32 Em relação a este ponto a resposta ao questionamento do contribuinte é bastante simples, se o lançamento decorre de pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação de causa, não se está questionando se o pagamento em si confere com os valores escriturados do que seriam as notas fiscais a ele relativas. Na verdade este ponto é até irrelevante ao caso. Se os valores pagos foram por serviços prestados ou adiantamentos, não haveria mudança no montante do IRRF lançado. Este valor do IRRF é lançado a partir dos registros de pagamentos realizados em contas-correntes que não tiveram a comprovação dos serviços que dariam sua causa, assim o valor é calculado pelos montantes dos pagamentos efetuados, independentemente do fato de referirem-se a adiantamentos ou pagamento final. Ao fim e ao cabo os valores foram pagos e, assim, o lançamento do IRRF a ele relativo realizasse considerando como base de cálculo o efetivo valor pago, sem acréscimos ou descontos, posto que o que vale é o valor pago e não documentos que, como visto sequer correspondem à verdade dos fatos. Tal leitura decorre das normas do § 3º, do art. 674, do Regulamento do Imposto de Renda. Desta forma, neste ponto nego provimento ao recurso. 22. Pagamento de R$238.100,00, efetivado pela Recorrente em favor da Legend. Conforme indicado às fls. 1928 dos autos, identificou-se um suposto pagamento à Legend, no valor de R$238.100,00, realizado pela Recorrente em 01.03.2012. Referido pagamento foi considerado para fins de apuração do IRRF devido [cf. fls. 2174 dos autos e Quadro 26 do Termo (base de cálculo de R$366.307,69, que corresponde à base reajustada do saldo antes mencionado)], mas não foi incluído no cálculo do IRPJ e da CSLL [cf. Quadro 21 do Termo], porque não houve sua dedução, para fins fiscais, pela Recorrente. Trata-se, portanto, de outro erro material perpetrado neste caso: não houve um pagamento efetivo para a Legend, mas um adiantamento, de documento fiscal emitido posteriormente, e, por esse motivo, não se configuram os requisitos para a incidência da regra prevista no artigo 61 da Lei n.º 8.981/1995. Mister, assim, a exclusão desse valor do saldo tributável pelo IRRF. Novamente neste caso não assiste razão ao recorrente, não cabe aqui analisar se o que foi pago tratou-se ou não de adiantamento, mas sim qual o valor foi efetivamente pago. Se foi utilizado ou não para a dedução das bases de cálculo do IRPJ ou CSLL, tal fato independe da ausência de comprovação da causa do pagamento e, assim, dá causa ao lançamento do IRRF que não guarda correlação direta com os lançamentos do IRPJ e CSLL. Do exposto e remetendo aos argumentos já aduzidos no item precedentes, nego provimento ao recurso neste ponto. Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.324 33 b. Equívocos cometidos quando da apuração da multa por ausência de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Neste ponto alega que não foram deduzidos, da base de cálculo do IRPJ e CSLL devidos por estimativa, os valores dos prejuízos fiscais de períodos anteriores que poderiam abater até 30% do lucro tributável. Em relação a este ponto, verificando-se que a empresa optou pela apuração das estimativas com base em balancete de redução/suspensão, constata-se que neste sistema faz jus o contribuinte à utilização dos prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da CSLL para a redução dos montantes devidos das estimativas mensais. Constatamos da leitura do auto de infração que a fiscalização efetivamente realizou a utilização dos prejuízos e bases negativas na apuração dos valores devidos no ajuste do IRPJ e CSLL, no entanto, em relação à apuração dos valores devidos por estimativa que serviram de base para o lançamento da multa isolada constatamos, por meio das planilhas de fls. 1929/1935, que dos valores apurados a pagar não foram deduzidos os valores dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL que existiam à época dos fatos geradores. Desta forma, neste ponto assiste razão ao recorrente, devendo ser recalculados os valores devidos a título de estimativa de IRPJ e CSLL e, em consequência, reduzidos os valores das multas isoladas lançadas, a partir dos novos valores obtidos. Impossibilidade de Majoração da Multa para 150% Em relação à qualificação da multa de ofício a recorrente alega pela sua impossibilidade tendo em vista alegar ter provado a realização dos serviços e que não teria sido demonstrada a ocorrência das hipóteses da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação. Para analisar a possibilidade de manutenção da qualificadora vejamos o que apresentou a fiscalização em seu TVF. Iniciou com a apresentação das normas legais a respeito da qualificação, depois passa a enquadrar os atos da seguinte forma: 8.5. Demonstrou-se ao longo dos autos e pelos recortes legais, acima em destaque, que a fiscalizada cometeu, em tese, crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal ao deduzir como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), valores utilizando documentos inidôneos, emitidos por pessoas jurídicas que não existem de fato, apesar de constituídas formalmente, ou seja não possuem existência de fato, e cujas inscrições no CNPJ foram Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.325 34 consideradas e declaradas INAPTAS e/ou baixadas no órgão competente, não produzindo, esses documentos, quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade, com a intenção dolosa de sonegar parte significativa das receitas auferidas, e com isto efetuar recolhimentos a menor. Isto também é caracterizado como um pagamento a um destinatário irreal, INAPTO, inexistente de fato, baseada em uma operação igualmente irreal, inexistente, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa, sujeito à incidência do IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, à alíquota de 35%. 8.6. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a multa qualificada. Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autuada utilizou um esquema de emissão de Notas Fiscais / Recibos inidôneos, em que a fiscalizada desde a contratação destas empresas inexistentes de fato, “fantasma”, até o momento do lançamento destes valores na sua contabilidade e nas Declarações entregue à Receita Federal do Brasil tinha conhecimento da falta de capacidade operacional da empresa prestar os serviços declarados nos documentos fiscais. Houve um conluio, que é “o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando produzir os efeitos referidos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964”, ou seja, a sonegação e a fraude. 8.7. Neste mesmo sentido colocamos algumas decisões dos Conselhos Superiores Administrativos que convalidam o nosso entendimento: CUSTOS NÃO COMPROVADOS – MULTA QUALIFICADA – O lançamento como custos ou despesas operacionais, cujos comprovantes foram fornecidos por empresas inexistentes de fato, comprovadamente incapazes de haver prestado os serviços neles constantes, autoriza a glosa de tais custos e/ou despesas por incomprovados e, ao mesmo tempo, comprova o evidente intuito de fraude, sujeitando a empresa fiscalizada à multa de 150%. Por outro lado, não logrando a fiscalização comprovar cabalmente a inexistência de fato da empresa fornecedora da nota fiscal, não procede ao lançamento. 1º Conselho de Contribuintes / 5ª Câmara / Acórdão 105-16.475 em 23/05/2007. Publicado no DOU em 10/04/2008. NOTAS FISCAIS FALSAS – INIDÔNEAS – Demonstrado que o contribuinte utilizou, largamente, notas fiscais falsamente atribuídas a prestadoras de serviços, procedem a tributação dos valores correspondentes e a multa agravada, por caracterizado o evidente intuito de fraude. 1º Conselho de Contribuintes / Acórdão 101-78268/89. MULTA DE 150% - DESPESAS CONTABILIZADAS EM NOME DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES – FALSIDADE DOCUMENTAL – Procede a aplicação da multa qualificada de 150%, tal o evidente intuito de fraude que se revela na utilização de documentos falsos para encobrir os reais beneficiários de despesas contabilizadas em nome de pessoas jurídicas Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.326 35 inexistentes. 1º Conselho de Contribuintes / 3ª Câmara / Acórdão 103- 22.937 em 28/03/2007. Publicado no DOU em 24/03/2008. 8.8. Portanto, em face de todos os fatos revelados nos autos que implicaram a prática, em tese, de crime contra a ordem tributária na modalidade sonegação fiscal, e tendo em vista ainda o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada será qualificada (majorada) para 150%. Analisando todas as provas acostadas ao processo, assim, como levando-se em consideração que restou não comprovada a existência de fato das empresas e da realização dos serviço entendo que não assiste razão ao recorrente neste ponto. A qualificação da multa, assim como apresentado pela fiscalização, decorre da existência de diversos atos que comprovam a ocorrência de dolo, fraude e simulação na contabilização de serviços que nunca foram realizados por empresas que não existiram de fato conforme todo o arsenal probatório apresentado neste processo e remetido por este voto. Assim, não há como fugir-se da aplicação da qualificadora, posto que constantes todos os motivos que autorizam a sua aplicação, conforme sólida jurisprudência deste Conselho. Desta forma, nego provimento ao recurso também neste ponto. (iii.) os débitos anteriormente afastados por meio da r. decisão de primeira instância [acórdão n.º 03-070-725], por serem eivados de erro material, os quais foram objeto de Recurso de Ofício Em relação a este ponto, conforme análise acima empreendida que entendeu pelo não conhecimento do recurso de ofício em face do não preenchimento dos requisitos de admissibilidade, no caso o valor dos débitos excluídos, deixo de analisar este ponto por ter sido aprofundado e não conhecido no tópico relativo ao recurso de ofício. Em conclusão de todo o apresentado, voto por dar rejeitar as preliminares levantadas, por deixar de analisar o recurso de ofício manejado e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso apenas para: 1) Recalcular os valores das multas isoladas de IRPJ e CSLL considerando os valores dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de IRPJ e CSLL; Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 13896.721213/2015-78 Acórdão n.º 1401-003.045 S1-C4T1 Fl. 3.327 36 2) Dos novos montantes das multas isoladas reduzir, pelo princípio da consunção os valores destas até o montante da multa de ofício lançada, mantendo-se a diferença que supere o valor lançado a título de multa de ofício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 3327DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10783.912697/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 26 97 /2 00 9- 01 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10783.912697/200901 Acórdão n.º 3302006.148 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1331.722, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10783.912697/200901 Acórdão n.º 3302006.148 S3C3T2 Fl. 4 3 l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905272/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 72 /2 01 3- 16 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.779. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000678/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO
Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9202-007.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720090/2013-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720090/2013-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 920 1 919 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000678/200812 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.094 – 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria AUXÍLIOEDUCAÇÃO NÍVEL SUPERIOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BNY MELLON SERVICOS FINANCEIROS DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIARIOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.720090/201314, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 78 /2 00 8- 12 Fl. 920DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 921 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, que visa rediscutir a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos feitos a título de auxílioeducação. Em despacho de admissibilidade o Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso. Em suas razões, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que a melhor exegese é a abraçada pelo acórdão paradigma, segundo o qual, tratandose de isenção, devese acolher a interpretação mais restritiva, excluindose da isenção as bolsas de nível superior. Cientificada do Recurso Especial e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte em suas contrarrazões pugna pela manutenção incólume do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202007.029, de 24/07/2018, proferido no julgamento do processo 10283.720090/201314, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202007.029): Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso foi interposto tempestivamente e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, conforme se extrai do relatório fiscal à efl. 1.461, o lançamento alcança “pagamentos não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP, aos segurados empregados, em reembolso de parte das Fl. 921DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 922 3 mensalidades de cursos de ensino superior, a título de auxílio educação.” A questão a ser decidida é se o reembolso pela empresa aos empregados, a título de auxílioeducação, de parte do valor das mensalidades de cursos de ensino superior frequentados por estes integram ou não o saláriodecontribuição. Registrese, de início, que, a teor do art. 28, da Lei n° 8.212/1991, integra o saláriodecontribuição do empregado e trabalhador avulso a totalidade das remunerações destinados a retribuir o trabalho, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Confirase: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sente. Embora esse conceito comporte exceções, é a própria Lei nº 8.212, de 1991, no mesmo art. 28, que define as parcelas passíveis de serem excluídas do conceito de saláriode contribuição. Sobre a matéria em discussão, o art. 28, § 9º, “t” da lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, em vigor na data dos fatos, assim dispunha: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Como se vê, pela alínea ‘t’, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, não integram o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em Fl. 922DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 923 4 substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. No caso presente, conforme consta do Relatório Fiscal, os valores informados a título de auxílioeducação correspondem a ressarcimentos de mensalidades de cursos de ensino superior. Portanto, de plano, não se enquadram na categoria de “planos educacionais que visem à educação básica”, assim definida pelo art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Quanto a serem cursos de capacitação, a mesma Lei nº 9.394, de 1996, nos artigos 36A a 36D, com redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008, disciplina os ensino técnico de nível médio, e o art. 39, a educação profissional de nível superior. Confirase: Art. 36A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparálo para o exercício de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36B. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II subseqüente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 924 5 Art. 36C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, prevista no inciso I do caput do art. 36B desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuandose matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando, efetuandose matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) a) na mesma instituição de ensino, aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) b) em instituições de ensino distintas, aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas articulada concomitante e subseqüente, quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 924DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 925 6 I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3º Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008). Esses cursos de educação profissional e técnico de graduação e pósgraduação, referidos no art. 39, § 2º, III, da Lei nº 9.394, de 1996, não se confundem com os cursos superiores em geral, que estão disciplinados nos artigos 43 a 57 da mesma lei. Integram uma categoria à parte, segundo a própria lei, que os define como cursos especiais com conteúdo prático e direcionados para o conhecimento técnico especializado. E como se não bastasse isso, a alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, alem de exigir que se trate de curso de capacitação profissional, exigem que estes “sejam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”, o que requer que os tais cursos sejam restritos a determinadas áreas, o que, em momento algum foi demonstrado. O acórdão recorrido, acolhendo alegação do Contribuinte, adotou como razão de decidir o fato de o art. nº 458, § 2º, II do DecretoLei nº 5.452, de 1.943 (CLT) excluir da definição de salários as utilidades concedidas pelo empregador relacionadas a educação. Eis o referido dispositivo: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) [...] § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 926 7 mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) De fato, é inequívoco que o referido dispositivo exclui os gastos com empregados no custeio de educação do conceito de salário. Porém, não exclui, e nem poderia fazêlo, do conceito de salário decontribuição. O art. 28, da Lei nº 8.212, ao definir as verbas que integram o saláriodecontribuição não restringiu estas ao conceito de salário. Ademais, como vimos, cuidou de delimitar os gastos com educação passíveis de serem excluídos do salário decontribuição. Assim, não há nenhuma contradição entre o art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 e o art. 458, § 2, II da CLT. Quanto às alegações do contribuinte de que a Constituição da República reconhece a educação como um direito de todos e dever do Estado, não vislumbro a relação entre este ponto e a matéria em discussão. Tratase aqui de definição das base de incidência das contribuições para o custeio da previdência social, também com status constitucional e definida em lei, que delimitou, de forma inequívoca, os gastos com educação dos empregados passíveis de serem excluídos do conceito de salário decontribuição. Nessas condições, os valores pagos aos empregados a título de ressarcimento de mensalidades de cursos superiores não preenchem os requisitos necessários para que sejam excluídos do conceito de saláriodecontribuição. Diante do exposto, CONHEÇO e DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosar Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Peço licença ao ilustre conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosar para divergir do seu entendimento quanto a possibilidade de exclusão da tributação sobre Bolsas de estudo em nível superior, na forma como encontrase fundamentado no presente lançamento fiscal. Concessão de Bolsa de Estudo em Nível Superior aos Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos nível superior aos empregados, na forma como concedida e descrita no relatório fiscal da infração, fls. 120/128, constituírem, de forma objetiva, salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente (PGFN). Fl. 926DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 927 8 Porém, antes mesmos de passar ao ponto que, no meu entender, ensejou a negativa de provimento ao recurso da Fazenda Nacional, passo a esclarecer como interpreto os dispositivos em relação ao fornecimento de educação aos empregados constituírem ou não salário de contribuição, bem como relacionar esse entendimento ao presente lançamento. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo ser possível a interpretação para que o benefício não constitua salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 928 9 Assim, primeiramente, ao contrário do trazido no acórdão recorrido, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, mais especificamente o art. 458, §2º da CLT, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária que restringe a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente assim encontrase disposto: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/90, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente à lei 8212/91, o que autorizaria sua aplicação para definição da exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelos argumentos abaixo expostos: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 929 10 Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT. Porém, assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do salário de contribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração, determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 930 11 decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI 8212/91, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparam se a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas "PARA" o trabalho, e como tal estariam excluídas do conceito de salário de contribuição. Na verdade, a acepção "para o trabalho" alcança utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, moradia quando condição indispensável para o desempenho profissional, dentre outros. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 931 12 Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, que muitas vezes não poderiam ter acesso com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Enfrentadas as questões pertinentes a qual legislação e, por conseguinte, exigências legais devem ser atendidas para que a bolsa de estudos esteja excluída do conceito de salário de contribuição, vale ressaltar que discordo do voto do relator, especificamente, sobre a possibilidade de considerar a concessão de bolsa de estudos de nível superior, ou mesmo em nível de pós graduação como excluídos na previsão legal esculpida no art. 28, §9º, "t". senão vejamos novamente o texto legal: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Ao meu entender, quando o legislador descreve: "e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo", acabou por abrir a possibilidade de se interpretar que, os curso de graduação e pós graduação, quando considerados como forma de capacitação profissional, ou seja, desde que vinculados as atividade da empresa, podem estar abrangidos na regra de exclusão prevista na lei. Notese que, embora a fiscalização tenha descrito em seu relatório fiscal as exigências legais, focou a atribuição de caráter salarial apenas no fato de interpretar que o legislador não abarcou cursos de nível superior dentro da exigência legal. Vejamos o trecho que traduz tal conclusão: Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 932 13 Pelo exposto, resta demonstrado que a educação superior de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394, de 1996, em vista da clara identificação dos diversos níveis e modalidades de educação, bem como as características estabelecidas nesta Lei, não é tida como curso de capacitação e qualificação profissional, entendimento reforçado pela nova redação da Lei n° 9.394/96, promovida pela Lei n° 11.741/08, que apontou o que constitui educação profissional de nível superior, no Capítulo III, deixando de fora os demais cursos superiores então tratados no Capítulo IV. Nestas condições os gastos relativos a educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, Lei n° 9.394/96, dispendidos pelo sujeito passivo, estão fora do alcance da isenção prevista na alínea "t", § 9o, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991 e, portanto, integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Ou seja, no entender do auditor, os cursos de nível superior não estão abrangidos na exclusão legal. Ressaltese que, não identifiquei no relatório fiscal, qualquer descumprimento em relação a não correlação dos cursos com a atividade exercida pelo empregado, nem tampouco que não era estendido a todos. Seguindo essa mesma linha, o acórdão recorrido descreveu que o requisito de "ser extensível a todos" não restou descumprido, senão vejamos: "Ademais, verificase nos autos que a empresa forneceu aos seus colaboradores, no exercício de 2009, sem distinção, o programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pós graduação e MBA, visando proporcionar condições para que os profissionais por ela contratados pudessem ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação." Dessa forma, como a única imputação, por parte da autoridade fiscal, para não aplicação da exclusão prevista no art. 28, §9º, "t" à concessão de bolsas de nível superior no presente lançamento, foi tratarse de nível superior, não posso chancelar seu procedimento, já que não fez qualquer referência ao descumprimento da exigência "não extensível a totalidade de empregados", que no meu entender, encontravase perfeitamente vigente à época dos fatos geradores. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao restabelecimento do lançamento em relação às BOLSAS de ESTUDO . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 933 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, Anexo II do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 933DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.723331/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.672
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 23 33 1/ 20 13 -9 7 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10850.723331/201397 Resolução nº 3401001.672 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10850.723331/201397 Resolução nº 3401001.672 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000477/2004-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 2202-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar conhecimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar conhecimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 04 77 /2 00 4- 33 Fl. 94DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0711.681, proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS) que julgou parcialmente procedente o lançamento. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/FNS: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 8, integrado pelos documentos de fls. 9 a 13, pelo qual se exige o pagamento da importância de R$ 5.026,23, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2001, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 10, verificase que a autuação deuse em razão da omissão parcial dos valores recebidos da Fundação ELOS e declarados indevidamente como isentos e não tributáveis, no montante de R$ 23.359,02. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 7, requerendo, com base no art. 6º, inciso VII, alínea "b", da Lei n2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a isenção de um terço da complementação de aposentadoria recebida pela Fundação ELOS, que correspondente a parcela das contribuições feitas à referida fundação cujo ônus foi suportado pelo beneficiário. Aduz que o fato de a Fundação ELOS gozar de imunidade tributária não impede o reconhecimento da isenção da parcela de um terço da complementação de aposentadoria recebida pelo impugnante. Cita vasta jurisprudência sobre o tema, dentre elas, uma decisão de embargo à execução fiscal em que o embargante é o próprio impugnante, na qual o TRF da 4a Região negou provimento ao apelo da União, reconhecendo que o embargante "faz jus à isenção proporcionalmente ao montante recolhido ". A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/FNS, tendo sido considerado como isento parte dos rendimentos recebidos da Fundação Elos, no valor de R$ 8.661,53. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/FNS em 26/02/2008. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário, em 24/03/2008, alegando, em apertada síntese: concorda quanto à isenção de rendimentos recebidos da Fundação ELOS, no valor de R$ 8.661,53; discorda da aplicação da multa de ofício, a qual tem caráter punitivo, não tendo o mesmo agido com culpa ou intuito de fraude. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11516.000477/200433 Acórdão n.º 2202004.871 S2C2T2 Fl. 96 3 O recurso é tempestivo. Da multa de ofício Compulsando autos, verificase que, em sede de impugnação (efls. 04/10), o contribuinte não discordou da aplicação da multa de ofício, tendo trazido à baila tal tema apenas em sede de recurso. Necessário destacar, entretanto, que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir ao questionamento referido. Revelase, portanto, que a adução recursal em específico, não antes levantada no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecida, à míngua de amparo normativo para tanto. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000183/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2010
MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-006.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 01 83 /2 01 0- 75 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13002.000183/201075 Acórdão n.º 3402006.115 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando problemas com o provedor da internet, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 10042.132. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo alegando, em síntese, que a impugnação apresentada configurou forma de denúncia espontânea, sendo o tributo autodeclarado pela empresa antes de qualquer procedimento administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.109, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10840.000562/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.109): "Não obstante o Recurso Voluntário seja tempestivo, observese que os argumentos de mérito nele desenvolvidos não foram levados à análise da Delegacia de Julgamento, não merecendo ser conhecido. Com efeito, em seu Recurso Voluntário, sustenta a Recorrente, exclusivamente, a ocorrência de suposta denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN. Por sua vez, em sua impugnação, a empresa se ateve a afirmar o descabimento da multa em razão dos problemas incorridos no provedor da internet. Observase, portanto, que a Recorrente pretende que seja aqui analisada matéria que não foi objeto de Impugnação e que não foi analisada pela DRJ (denúncia espontânea). Assim, como a discussão travada no Recurso Voluntário se restringe à matérias que não foram trazidas em sede de Impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13002.000183/201075 Acórdão n.º 3402006.115 S3C4T2 Fl. 4 3 do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. Com isso, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este colegiado, delas não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11843.000134/2007-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. PERDCOMP COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO FEITA.
Ao contribuinte que não prova a origem do crédito da declaração de compensação deve ser aplicado o artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 que considera a declaração como não feita. Aplicação de multa isolada em 75% devida nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3003-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA. PERDCOMP COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO FEITA. Ao contribuinte que não prova a origem do crédito da declaração de compensação deve ser aplicado o artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 que considera a declaração como não feita. Aplicação de multa isolada em 75% devida nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. Recurso a que se nega provimento.
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PERDCOMP COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO FEITA. Ao contribuinte que não prova a origem do crédito da declaração de compensação deve ser aplicado o artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 que considera a declaração como não feita. Aplicação de multa isolada em 75% devida nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 3. 00 01 34 /2 00 7- 18 Fl. 163DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DRJ/BSB) que tem por fim anulação do crédito tributário lançado às fls. 11/16, que constitui como exigível o crédito de R$ 26.482,21 representativo de multa isolada, fundada no artigo 18 da Lei 10.833/2003. O lançamento teve origem em Despacho Decisório no bojo de processo de Compensação, no qual foi constatado que a Declaração de Compensação indica créditos de terceiros. Por força no artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 a declaração de compensação que indica crédito de terceiros é considerada como não feita pela Fiscalização. Com espeque na lei em alusão foi aplicada multa isolada na monta de 75% do valor indicado da Declaração. Contra a decisão foi apresentada Impugnação, ante a lavratura do aludido Auto de Infração de fls. 11/16. A DRJ/BSB proferiu acórdão, cujo relatório, pela minúcia de detalhes, adotoo para posterior complementação: Tratase de auto de infração relativo à multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18, §4°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no valor de R$ 26.482,21 (fls. 11/14). No relatório fiscal a autoridade autuante assim relata (fls. 14): Tendo em vista a compensação indevida de débitos próprios com supostos créditos de terceiros, conforme declarado em PER/DCOMPs baixadas para controle manual no processo n° 11843.0000821200771, e de acordo com o Despacho Decisório DRF/PAL n'515107, de 24 de setembro de 2007 (cópia ás fls. 02107), que considerou as Declarações objetos do processo como não declaradas, lavramos multa isolada por compensação indevida de 75% sobre o valor total dos débitos cujas compensãções foram consideradas não declaradas. Cientificada do auto de infração por via postal em 05/12/2007 (fl. 17), a contribuinte apresentou a "defesa e manifestação de inconformidade" de fls. 19/28 em 20/12/2007, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Em 09/02/2000 pleiteou a restituição de valores recolhidos a título de PIS entre os períodos 01/07/1990 a 31/12/1994, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Lei n° 2.445 e 2.449, de 1988; • Não pode ser considerado para esse caso o prazo de cinco anos contados da data do pagamento para que se possa pleitear a restituição, haja vista que a publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu aqueles normativos foi publicada em 09/10/2005. Já existe decisão "desse Conselho" nesse sentido. Demais disso, o prazo dever ser considerado a partir da homologação tácita do lançamento; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11843.000134/200718 Acórdão n.º 3003000.042 S3C0T3 Fl. 83 3 • Entende que seu pedido de restituição de créditos de terceiros estaria abrangido pela exceção estabelecida no art. 30 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002; • Sobre a compensação tributária com créditos de terceiros, transcreve texto de autoria de Pedro Guilherme Modenese Casquet, que, em síntese, clama pela inconstitucionalidade do § 12 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, à vista do posicionamento em sentido contrário dos Tribunais, referido autor indica outros meios para que os contribuintes possam continuar compensando débitos próprios com créditos de terceiros (ofícios precatórios judiciais); • Seu processo foi formalizado em 09/02/2000, antes, portanto, da vigência da Instrução Normativa SRF n° 41, de 07 de abril de 2000, que não mais permitiu a transferência de créditos para pagamentos de terceiros. Assim, essa norma não pode ser aplicada retroativamente em seu prejuízo; • O novo número de processo consiste em duplicidade. O processo que deve ser considerado no caso é aquele inicial, no 12155.000008/0092, protocolado em 09/02/2000, da empresa MADEIRA DE EXPORTAÇÃO MADESILJE LTDA, e que foi transferido sues direitos creditórios para a empresa do mesmo grupo W R MAIA CARDOSO SERVIÇOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL, através do processo administrativo de restituição no 10280.004599/200447, PIS (Contribuição para Programa de Integração Social), protocolado em 02 de dezembro de 2004, ao qual as partes se reportam, tendo a CESSIONÁRIA plena ciência de seu conteúdo. Ao final, requer, em síntese, que: • Os autos sejam apreciados com base na legislação vigente à época em que foi formalizado o pedido de restituição; • Seja sua compensação "declarada normal"; • Seja analisado o processo de origem do crédito para verificar a legalidade do pedido de restituição/compensação do crédito de PIS; • Os pedidos desses autos sejam anexado aos processo original, pois de outra forma se caracteriza duplicidade de processos; • Seja extinta a multa isolada aplicada. Em Recurso Voluntário de fls. 56/69 argumenta pela nulidade do procedimento fiscal por vício de forma. Em suas razões recursais faz alusão às Leis 10.833/2002 e 9.430/1996 nas quais exigese, em casos de não homologação de Declaração de Compensação, a cientificação do Contribuinte oportunizandoo para regularização por meio de pagamento do crédito não homologado ou apresentação de Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, que obedecerá o rito do Decreto 70.235/1972. Ainda alega nulidade na lavratura do Auto de Infração de fls. 11/16 por inexistir a descrição e enquadramento legal do fato que constitui o crédito tributário em Fl. 165DF CARF MF 4 exigência. Ainda, adverte pela falta de previsão legal para a multa aplicada, bem como a desproporcionalidade do percentual da multa isolada. Por fim, requer que sejam conhecidas as nulidade arguidas e, eventualmente, se superadas, que a multa isolada seja fixada na monta de 20% sobre o valor do crédito declarado. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relator. Por tempestivo e presentes os requisitos formais de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Da Preliminar de Nulidade Não podem prosperar as alegações de nulidade levantadas pela Recorrente. Em detida análise do procedimento fiscal é possível observar que a Recorrente fora cientificada, por via postal com AR, de todas as decisões proferidas, inclusive àquele que reconheceu que a Declaração de Compensação fazia alusão a créditos de terceiros. A decisão fundamentada da Autoridade Fazendária aponta, de forma muito perspicaz, que o nome empresarial nas Declarações de Compensações protocoladas pela Recorrente fazem alusão à empresa W R MAIA CARDOSO SERVIÇOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL CNPJ 83.671.685/000125, que não é controlada tampouco incorporada pela Recorrente. Fato que inevitavelmente leva a aplicação do artigo 74, §12, II, a da Lei 9.430/1996 levando a considerar como não feita a declaração que apropriase de créditos de terceiros. Como consequência, a Fiscalização aplicou o artigo 44, I da Lei 9.430/1996 , que estipula multa isolada na monta de 75%. Desta decisão o Contribuinte foi devidamente notificado conforme comprova a fl. 17 dos presentes autos. Ato contínuo, a Recorrente apresentou a sua defesa administrativa, que foi regularmente encaminhada para a DRJ/BSB e, ao analisar as razões de irresignação na defesa administrativa proferiu acórdão, que tem sido agora atacado pelo Recurso Voluntário em julgamento neste Conselho. Ante ao que se expõe, voto pela rejeição da preliminar de nulidade por inexistir qualquer ato de cerceamento de defesa ou violação à norma tributária vigente. Da Multa Isolada Percentual Embasamento Legal A Recorrente manifesta sua discordância quanto à multa punitiva aplicada, nos moldes do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. A fixação do percentual de multa isolada, ou meramente multa por punição, guarda em si uma peculiaridade particularmente de delicada análise, porém ainda possível de ser apreciada. No que diz respeito a declaração que se apropria de créditos de terceiros, por império do artigo 74, §12, II, a da Lei 9.430/1996. Tratase de uma clara hipótese de ato administrativo vinculado. A Lei estabelece a hipótese e se houver subsunção no mundo fenomênico a multa nos percentuais legais é inarredável. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11843.000134/200718 Acórdão n.º 3003000.042 S3C0T3 Fl. 84 5 É de se lembrar que a multa prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/1996 não fere o primado do "não confisco" estampado no artigo 150, IV da Constituição da República. O Supremo Tribunal Federal, no RE 582.461/SP, apreciou a natureza confiscatória das multas punitivas e multas moratórias. O RE 582.461/SP, a que foi dada repercussão geral, o Ministro Relator Gilmar Mendes reconhece a natureza acessória da multa, mas julga como razoável a multa punitiva até o limite de 100%, segue curta transcrição do voto do Eminente Relator: Há, portanto, taxatividade legal para a aplicação da multa isolada no patamar de 75 por cento e, ainda, por império do art. 62, §2º do RICARF, julgamento com repercussão geral do STF consolidando multa punitiva até o limite de 100% como não aptas a ferir o princípio do nãoconfisco expresso no artigo 150, IV da Constituição da República. Há de se lembrar a gravidade da conduta irregular praticada pela Recorrente, pois a Lei dedica o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996 para tratar de forma adequada da punição contra quem ela intente. À vista das alterações introduzidas pela Lei 10.833/2003, em especial no artigo 18 §4º, enxergo espaço para aplicação do artigo 106, II do Código Tributário Nacional, que transcrevo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Estáse perante um caso não definitivamente julgado e é regulado por legislação posterior. Portanto, com olhar técnico sobre a matéria, o caminho a ser adotado para fixação de multa isolada é, invariavelmente, Lei 10.833/2003 artigo 18, §4º que direciona ao artigo 44, I da Lei 9.430/1996, que mantêm a multa isolada no patamar de 75% do valor da declaração de compensação. Por todo o argumentado, conheço do Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Fl. 167DF CARF MF 6 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905950/2008-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/07/1999
Ementa:
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 30/07/1999 Ementa: EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/07/1999 Ementa: EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 50 /2 00 8- 76 Fl. 65DF CARF MF 2 receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11020.905950/200876 Acórdão n.º 3001000.625 S3C0T1 Fl. 3 3 do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Fl. 67DF CARF MF 4 Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11020.905950/200876 Acórdão n.º 3001000.625 S3C0T1 Fl. 4 5 editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio Fl. 69DF CARF MF 6 requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11020.905950/200876 Acórdão n.º 3001000.625 S3C0T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente SALVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 71DF CARF MF
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