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Numero do processo: 10283.900175/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1803-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 75 /2 00 9- 90 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 121 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0120.501 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 83 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 11/17): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 122 3 abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 25/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0120.501 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (quartafeira) (AR constante das fls. 88), a SHOWA DO BRASIL LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0120.501, recorre em 24/03/2011 (fls. 89 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “ISTO POSTO, amparada nos argumentos de fato e de direito aduzidos neste RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pede aos Senhores Conselheiros que: a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0120.5013ª Turma da DRJ/BEL, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo”. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 123 4 Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, passo a analisar a preliminar de nulidade em decorrência do indeferimento do pedido de diligência levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 91e segs dos autos. Relativamente à diligência/perícia requerida não pode o pleito ser acolhido, pois a Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a manifestação de inconformidade, conforme arts.15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso dos autos a perícia não se faz necessária, eis que as provas que foram (ou deixaram de ser) acostadas ao longo do procedimento fiscal são suficientes para a formação da convicção do julgador. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências ou perícia. E, não tendo a Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, fazse imperioso indeferir o pedido. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. 87 dos autos: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 124 5 “(...)No caso presente, embora a manifestante afirme que se trata de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, verificase que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamentos correspondentes a estimativas mensais. Impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961. os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa.”. Porém, o único ponto levantado pela Recorrente é que é detentora do Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, fls. 44 dos autos, e por isso afirma o seguinte: “Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, cujo artigo 1º , assim prescreve: ‘Art 1º . Todas as pessoas jurídicas registradas no Pais poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: a) Até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S.A., com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM);’ Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004, nos seguintes termos: ‘Art. 1° Fica reconhecido o direito da empresa SHOWA DO BRASIL LTDA, CNPJn° 04.012.043/000148, à redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004’” A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, consubstanciada através do Acórdão nº 0120.501 asseverou, em síntese, que não haveria direito à compensação, pois a Recorrente, enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, em um voto bem fundamentado, mas sob uma premissa falsa, não se pronunciou sobre o mérito do direito Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 125 6 creditório da Recorrente, que efetivamente recolheu aos cofres públicos R$ 33.378,13 (trinta e três mil, trezentos e setenta e oito reais e treze centavos), porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos ilustres Conselheiros Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch, aos quais rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10240.900338/201074 na sessão de abril de 2013, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.654 da lavra do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, a quem peço vênia para transcrever a ementa, “verbis”: “IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)”. De outro giro, a recorrente afirma categoricamente que o valor indevidamente recolhido compõe o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004, devendo sobre este ponto de vista ser apreciado pela Administração Tributária, juntamente com outras PER/DCOMP que indiquem o mesmo direito creditório. Com relação a redução de imposto de renda de 75% decorrente de projeto em área de atuação da extinta SUDAM é matéria estranha à lide não devendo ser apreciada por esta turma julgadora. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA Processo nº 10283.900175/200990 Acórdão n.º 1803001.947 S1TE03 Fl. 126 7 Diante de tudo isso e em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAI VA
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Numero do processo: 10494.000374/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES.
Não restando comprovado nos autos prejuízo ao direito de defesa, rejeita-se a preliminar de nulidade.
IMPORTAÇÕES. SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS "POR FORA". DESNECESSIDADE.
A comprovação dos pagamentos "por fora" é apenas um dos modos de o fisco comprovar o subfaturamento, mas não o único. Comprovam o subfaturamento a existência de faturas comerciais, faturas proforma e declarações de importação, onde se encontram preços divergentes para a mesma mercadoria, assim como a indicação dos percentuais e dos valores dos pagamentos "por fora" registrados em planilhas de controle paralelo encontradas nos computadores do contribuinte.
VALORAÇÃO ADUANEIRA.
Cabe à defesa o ônus de impugnar especificamente as matérias e de indicar as provas que dão lastro às suas alegações. Não tendo o contribuinte especificado no que consiste a ilegalidade cometida pela fiscalização na valoração aduaneira, mantém-se os valores apurados pelo fisco.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR DO IMPOSTO.
A fraude e a sonegação engendradas, que culminaram em importações declaradas por valores inferiores aos praticados, rendem ensejo ao lançamento de ofício dos tributos não recolhidos com a multa de ofício agravada no percentual de 150%.
MULTA ADMINISTRATIVA. EMBARQUE DA MERCADORIA ANTES DA EMISSÃO DA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
O embarque da mercadoria antes de emitidas as licenças de importação, configura infração à legislação aduaneira e rende ensejo à inflição da multa prevista no art. 169 do DL nº 37/66 e alterações posteriores.
MULTA ADMINISTRATIVA. INEXATIDÃO NO NOME DO EXPORTADOR/FABRICANTE.
A inexatidão na declaração do nome do importador ou fabricante, configura efetivo prejuízo ao controle aduaneiro das importações e rende ensejo à multa prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/03.
MULTA EM RAZÃO DO SUBFATURAMENTO. MULTA REGULAMENTAR. CUMULAÇÃO. NORMA INTERPRETATIVA POSTERIOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA.
Nos casos de aplicação conjunta das penalidades estabelecidas nos arts. 631 e 633, I do RA/2002 cabe a aplicação retroativa do disposto no art. 703, § 1º-A do Decreto nº 6.759/2009, para o fim de excluir a multa do art. 633, I do RA/2002.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa infligida com base no art. 633, I do RA/2002 por aplicação do art. 106, I, do CTN ao art. 703, § 1º-A do RA/2009.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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NULIDADES. Não restando comprovado nos autos prejuízo ao direito de defesa, rejeitase a preliminar de nulidade. IMPORTAÇÕES. SUBFATURAMENTO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS "POR FORA". DESNECESSIDADE. A comprovação dos pagamentos "por fora" é apenas um dos modos de o fisco comprovar o subfaturamento, mas não o único. Comprovam o subfaturamento a existência de faturas comerciais, faturas proforma e declarações de importação, onde se encontram preços divergentes para a mesma mercadoria, assim como a indicação dos percentuais e dos valores dos pagamentos "por fora" registrados em planilhas de controle paralelo encontradas nos computadores do contribuinte. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Cabe à defesa o ônus de impugnar especificamente as matérias e de indicar as provas que dão lastro às suas alegações. Não tendo o contribuinte especificado no que consiste a ilegalidade cometida pela fiscalização na valoração aduaneira, mantémse os valores apurados pelo fisco. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR DO IMPOSTO. A fraude e a sonegação engendradas, que culminaram em importações declaradas por valores inferiores aos praticados, rendem ensejo ao lançamento de ofício dos tributos não recolhidos com a multa de ofício agravada no percentual de 150%. MULTA ADMINISTRATIVA. EMBARQUE DA MERCADORIA ANTES DA EMISSÃO DA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 03 74 /2 00 9- 11 Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O embarque da mercadoria antes de emitidas as licenças de importação, configura infração à legislação aduaneira e rende ensejo à inflição da multa prevista no art. 169 do DL nº 37/66 e alterações posteriores. MULTA ADMINISTRATIVA. INEXATIDÃO NO NOME DO EXPORTADOR/FABRICANTE. A inexatidão na declaração do nome do importador ou fabricante, configura efetivo prejuízo ao controle aduaneiro das importações e rende ensejo à multa prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/03. MULTA EM RAZÃO DO SUBFATURAMENTO. MULTA REGULAMENTAR. CUMULAÇÃO. NORMA INTERPRETATIVA POSTERIOR. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA. Nos casos de aplicação conjunta das penalidades estabelecidas nos arts. 631 e 633, I do RA/2002 cabe a aplicação retroativa do disposto no art. 703, § 1ºA do Decreto nº 6.759/2009, para o fim de excluir a multa do art. 633, I do RA/2002. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa infligida com base no art. 633, I do RA/2002 por aplicação do art. 106, I, do CTN ao art. 703, § 1ºA do RA/2009. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de autos de infração para exigir o imposto de importação, o imposto sobre produtos industrializados, a Cofins importação e o Pis/Pasep importação, assim como a multa de ofício qualificada (150%), a multa regulamentar de 1%, a multa administrativa por embarque da mercadoria antes da obtenção da licença de importação, a multa por subfaturamento (100% da diferença entre preço declarado e o praticado) e a multa substitutiva da pena de perdimento (100% do valor da mercadoria), referentes aos fatos geradores correspondentes às DI registradas no período compreendido entre setembro de 2004 e julho de 2008. O contribuinte teve ciência pessoal dos autos de infração em 21/08/2009. Segundo o relatório de fiscalização (fls. 109 a 203), os lançamentos decorreram de ação fiscal iniciada a partir de informações repassadas pela DRF Novo Hamburgo — RS, que constatou que o contribuinte havia apresentado faturas comerciais com Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 7 3 valores distintos para uma mesma operação de importação. A fatura apresentada para fins de instrução da DI 08/08504643, apresentava valores diferentes dos consignados na fatura apresentada para fins de instrução da Declaração de Trânsito Aduaneiro da mesma mercadoria. A fim de esclarecer os fatos, a IRFPorto Alegre, realizou diligência em dois estabelecimentos da interessada (fls. 640 e 641), ocasião em que foram retidos diversos documentos comerciais da empresa, bem como foram copiados arquivos magnéticos de interesse fiscal, que foram lacrados e posteriormente deslacrados na presença de representantes da interessada. No período abrangido pela fiscalização, a interessada registrou 182 declarações de importação de mercadorias (tecidos e acessórios destinados a artigos de tapeçaria, persianas e cortinas, artefatos têxteis), sendo que em 133 declarações de importação a fiscalização constatou o subfaturamento do valor aduaneiro declarado. A título de comprovação do subfaturamento, foram juntadas cópias das declarações de importação, documentos instrutivos das respectivas declarações, cópia dos documentos apreendidos nas diligências (faturas, conhecimentos de embarque, correspondência comercial, anotações manuscritas, etc) e, também, cópia impressa das planilhas de controle interno encontradas nos arquivos magnéticos copiados nestas mesmas diligências. Tais documentos encontramse acostados aos autos entre as folhas 671 a 3.081. Com base nos documentos coligidos e considerando presente o evidente intuito de sonegação e fraude (com falsidade ideológica e, por vezes, material dos documentos instrutivos dos despachos de importação), com plena caracterização do dolo, a fiscalização informa que adotou como critério, para fins de determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, sempre que possível, o preço efetivamente praticado na importação (método do Valor de Transação, previsto no artigo 1 do Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio 1994 — AVAGATT), lastreado em faturas comerciais, proformas e controles paralelos (planilhas internas da interessada) que traduziam o valor real de transação daquelas operações. Nos demais casos foi levado a efeito o método de arbitramento previsto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, utilizando como parâmetro outras importações de mercadorias idênticas ou similares ou ainda na ausência destas, com base em critérios razoáveis, conforme previsto na previsto na alínea "b", do inciso "II", do citado artigo (a lista das DI's e critérios utilizados encontrase descrita à folhas 707 e 708). Às folhas 119 a 197, a fiscalização descreveu detalhadamente, por declaração de importação relacionada a cada exportador, quais provas e qual o método aplicado para obter o valor aduaneiro utilizado para fins de cálculo dos tributos e penalidades. Informou a fiscalização que aplicou a multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o prego arbitrado. Em virtude das informações citadas e considerando estar caracterizado o dolo, a fiscalização aplicou as multas de oficio em 150%, em face do evidente intuito de fraude e sonegação. Considerando que em algumas declarações de importação as mercadorias foram embarcadas antes de emitida a licença de importação, conforme comprovam os conhecimentos de embarque encontrados nas diligências, a fiscalização aplicou a multa prevista na alínea "b", do inciso II, do artigo 633, do Decreto n° 4.543/02. Para uma parcela de declarações de importação (fl. 201) restou comprovado que a interessada informou incorretamente os dados do exportador/fabricante das mercadorias importadas, o que contraria o disposto no inciso I, do § 2°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Finalmente, considerando que as mercadorias importadas foram consumidas no processo produtivo da própria empresa fiscalizada, na fabricação de persianas, a fiscalização aplicou a multa prevista no artigo 631 do Decreto n° 4.543/02, dado que as mesmas foram importadas irregular ou fraudulentamente. Às folhas 203, a autoridade fiscal, ponderando que foram constatadas inúmeras práticas que configuram, em tese, crimes de falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso e de descaminho, contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro, afirma que elaborou Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo n° 10494.000375/200965. Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) cerceamento de defesa, pois após a notificação, sucedeuse uma série de irregularidades que maculam a validade dos procedimentos adotados. Não foram fornecidas cópias do auto de infração lavrado e da documentação examinada no momento da notificação, acarretando na perda de uma semana para a confecção da presente defesa; 2) existem citações de folhas equivocadas por parte da fiscalização no auto de infração; 3) faltam elementos para a caracterização do subfaturamento, não há comprovação do efetivo pagamento por fora. Tratamse de meras suspeitas não comprovadas, os documentos utilizados/apreendidos pela fiscalização em nada comprovam a prática do crime tributário. Os preços declarados foram os preços efetivamente praticados; 4) a Inspetoria da Receita Federal somente tomou por base a planilha encontrada em disco rígido da empresa, planilha de controle interno. Há interpretação equivocada, mera suspeita, notese que "PF" de forma alguma quer dizer "pagamento por fora", mas sim "PREÇO FINAL"; 5) deveria a fiscalização ter consultado seus sistemas internos para averiguar os preços dos produtos, certamente iria constatar que os preços não são divergentes dos declarados por empresas diversas. O método comparativo empregado pela autoridade aduaneira é falho, pois em momento algum fez pesquisas no mercado interno e externo, apenas se baseou em faturas e tabelas de preços apreendidas na empresa, estas com valores brutos, anterior a qualquer tipo de negociação; f) as DI registradas em 2009 possuem valores muito próximos dos presentes, e todas passaram pelo crivo da fiscalização; 6) apresentou, a titulo exemplificativo, 4 DI que aos olhos da imparcialidade nada atestam em relação ao aventado subfaturamento, evidenciando erro de cálculo no lançamento; 7) a Receita Federal ignorou o fato de a empresa TJ obter descontos perante seus fornecedores de até 50%, junta declaração de um exportador. Quanto aos comercial invoice encontrados na empresa com valores divergentes, estes se tratam de "orçamentos" e não faturas; 8) na fl. 168 do auto de infração, importações da Empresa Mingcheng, há que se registrar que não foram alteradas as quantidades, o que foi alterado é a unidade de medida do produto utilizada (metro linear e metro quadrado). A alteração na unidade de medida foi o que implicou o dobro na quantidade de produtos, mas na realidade a quantidade é a mesma, o que mostra a máfé, ou, no mínimo o desconhecimento de como são os procedimentos na compra de produtos dessa linha; 9) quanto às importações da Chen Pang Blind., esclarece que a empresa comercializa alumínio e não tecidos. Em relação à DI 05/04791367, o valor faturado se deu em decorrência de um crédito que a TJ possuía para com a exportadora em comento. Para a DI 07/12237717, há que se esclarecer que a mera disparidade entre os valores contidos na PROFORMA e na COMMERCIAL não é suficiente para embasar um suposto subfaturamento, a planilha de controle interno contem comentário relacionado ao percentual economizado em função dos descontos fornecidos. Na DI 07/15389542 há o mesmo problema; 10) é inaplicável a multa relacionada à licença de importação. As importações brasileiras estão dispensadas de controle administrativo, não há indicação de que as mercadorias objeto de tal multa necessitassem dessa autorização. Ademais tal multa deve ser reduzida ao montante de R$ 5.000,00, conforme prescreve o § 2°, do artigo 77, da Lei n° 10.833/03; 11) há incoerência na aplicação da multa prevista no artigo 631, do Decreto n° 4.543/02, não houve importação irregular ou fraudulenta, e incidiu sobre a mercadoria adicionada de todos os impostos decorrentes da transação, tratandose de critério previsto no Decreto 6.759/09, artigo 704, e que não pode ser aplicado retroativamente; 12) a multa por informação inexata quanto à identificação do exportador/fabricante não pode prosperar, há que restar provado na autuação que tal informação é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado; 13) há "bis in idem" entre as multas previstas no artigo 631 e 633 do Decreto n° 4.543/02, o que é vedado ao Fisco; 14) Requereu fosse acolhida a preliminar, bem como as demais alegações apresentadas na peça de defesa, sendo decretada a total improcedência da autuação. Requereu ainda a baixa dos autos em diligência para comprovar, nos bancos de dados do comércio exterior, o preço mínimo e médio praticado por empresas brasileiras que importam produtos como a interessada. Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 8 5 Em 03/05/2010 o contribuinte solicitou cópia (fls. 3.175 e 3.176) das folhas 01 a 452 (autos de infração e relatório fiscal) e 3.092 a 3.126 (impugnação) do presente processo, as quais foram devidamente entregues. Em 11/05/2010, o contribuinte aditou a impugnação, juntando novas provas que consubstanciam seu "modus operandi". Argumentou, em síntese, que o caso requer perícia contábil em toda sua documentação e escrituração. Juntou documentos de fls. 3.200 a 4.253 e apresentou quesitos. Em 05/08/2010 peticionou às fls. 4.255 a 4256, formulando quesitos suplementares. Por meio do Acórdão 20.754, de 20 de agosto de 2010, a 1ª Turma da DRJ Florianópolis deu provimento parcial à impugnação para acolher o argumento de que houve equívoco da fiscalização em relação à DI 08/10502369, pois realmente houve alteração da unidade de medida de metro para metro quadrado e aumento da quantidade de produtos efetivamente importados. Foi vencido na votação o julgador Cícero Pereira Peres Martins, que votou também pela exclusão da multa regulamentar por consumo de mercadoria importada irregular ou fraudulentamente. A decisão de primeira instância recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008 MERCADORIA ESTRANGEIRA. OBJETO DE IMPORTAÇÃO IRREGULAR OU FRAUDULENTA. CONSUMO. MULTA REGULAMENTAR. Constatada a entrega a consumo de produto de procedência estrangeira cuja importação tenha sido irregular ou fraudulenta, de se aplicar a multa prevista para a hipótese. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008 BASE DE CALCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. SUBFATURAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. Cabível a multa de oficio agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio dos tributos. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Impugnação Procedente em Parte" Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/09/2010 (fl. 4276), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/10/2010 (fls. 4309 a 4361), no qual, basicamente, reeditou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE NNUULLIIDDAADDEE Alegou o contribuinte que houve cerceamento de defesa, em face de não ter recebido cópia dos autos de infração e respectivos documentos no momento da notificação. Examinandose as fls. 04, 48, 66, 88 e 3082, verificase que o sócio diretor da empresa, Sr. João Inácio Burille, atestou ter recebido o auto de infração e seus anexos. A alegação em sede de recurso voluntário no sentido de que o Sr. João é pessoa leiga e que não tinha preparo para saber quais documentos eram relevantes para a confecção da defesa, não pode ser acolhida porque ele responde pela empresa e a lei não exige que a pessoa a ser cientificada do lançamento tenha formação jurídica ou contábil para saber qual documento é ou não necessário para elaborar a impugnação. Portanto, além da defesa não ter comprovado a alegada supressão de documentos, o sócio da empresa consignou que recebeu o auto de infração e os documentos que lhe deram lastro, o que significa que não houve redução do prazo de 30 dias para a apresentação de defesa. Por outro lado, examinandose a impugnação e o recurso, verificase que o contribuinte demonstrou pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e que discorda da interpretação dada pela fiscalização aos documentos acostados, o que por si só afasta a alegação de cerceamento de defesa. Relativamente à exigência de requerimento escrito para solicitação de cópias do processo, não existe nenhuma ilegalidade nessa exigência. Na verdade, tal exigência visa salvaguardar o direito do contribuinte ao sigilo fiscal e ao mesmo tempo resguardar a autoridade administrativa, pois existindo requerimento e recibos por escrito, é possível comprovar a qualquer momento quem requereu e a quem foram entregues os documentos. O documento de fl. 3130, comprova que a recorrente obteve todos os documentos solicitados. Da mesma forma, o erro nas remissões das folhas nenhum prejuízo acarretou ao direito de defesa, pois os documentos foram nomeados pela fiscalização, o que tornou possível à defendente identificálos, inclusive declinando os números corretos das folhas em que estão localizados na impugnação e no recurso. O contribuinte insurgiuse contra a rejeição do pedido de diligência, sob o argumento de que não teria sido fundamentado. Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 9 7 A decisão recorrida fundamentou a rejeição dos pedidos de diligência e de perícia nos seguintes termos: "(...) Também se rejeita o pedido de diligência formulado pela interessada e relacionado à perícia técnica contábil dos documentos fiscais e contábeis "oficiais" da interessada. Primeiro porque formulado fora dos limites da própria impugnação, contrariando o disposto no inciso IV, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72; segundo porque não se encontrou no aditamento da impugnação, protocolado após o prazo legal, qualquer prova documental que não pudesse ter sido apresentada na impugnação inicial por motivo de força maior, também não se vislumbra a existência de fato ou direito superveniente, não havendo registro de que tenham sido trazidos fatos ou razões posteriormente à ciência da autuação, é o que se depreende das alíneas "a", "h" e "c", do § 4º, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72: (....) Como se percebe, as provas e razões devem ser apresentadas no prazo legal destinado à impugnação (inciso III, anteriormente citado), precluindo o direito de o impugnante fazêlo posteriormente em outro momento processual. Por outro lado, apresentação de prova documental não se confunde com pedido de diligência. Ademais, a matéria que a interessada pretende ver periciada não possui relação com a matéria objeto dos lançamentos, isto é, eventual perícia nos documentos fiscais e contábeis formalizados oficialmente pela interessada evidentemente não alcançaria os valores subfaturados, na medida em que estes foram levados a efeito à margem da contabilidade oficial, como demonstram inequivocamente os controles paralelos aos oficiais desenvolvidos pela interessada por meio de planilhas eletrônicas juntadas aos autos. Igualmente se indefere o pedido formulado no âmbito da impugnação inicial, para a baixa dos autos em diligência para comprovar, nos bancos de dados do comércio exterior, o preço mínimo e médio praticado por empresas brasileiras que importam produtos como os da interessada. A legislação de regência indica que para fins de tributação, nos casos de fraude e sonegação (presente caso), o valor da base de cálculo a ser considerado será efetuado com base no preço efetivamente praticado ou, quando do seu desconhecimento, mediante um dos métodos de arbitramento, conforme preconizado no artigo 84, do Decreto n° 4.543/02. (...)" Portanto, não tem razão a defesa quanto à alegação de que não houve motivação quanto à rejeição dos pedidos de diligência e perícia. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa. DDOO MMÉÉRRIITTOO SSUUBBFFAATTUURRAAMMEENNTTOO Relativamente ao subfaturamento, alegou o contribuinte que a fiscalização interpretou incorretamente os documentos apreendidos, que tais documentos não comprovam o subfaturamento e que o auto de infração está calcado em meras presunções. Analisando a documentação juntada aos autos é possível constatar claramente a prática do subfaturamento, restando fartamente demonstrado que os fornecedores emitiam faturas, para fins de instrução dos despachos aduaneiros de importação, com valores divergentes dos efetivamente praticados, para o fim de reduzir valor dos tributos incidentes na importação. Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Ao contrário do alegado, a fiscalização não fez interpretação arbitrária dos documentos. Foram apresentadas informações obtidas em documentos distintos, de distintos emissores, que demonstram de forma cabal o modus operandi do contribuinte. A justificativa apresentada pelo contribuinte quanto ao significado da sigla "PF", consignada em suas planilhas de controle interno, no sentido de que se trataria de "PREÇO FINAL", não encontra respaldo na documentação juntada ao processo. A uma porque os demais campos dessas planilhas demonstram incoerência com a significação pretendida. E a duas porque em certas ocasiões o contribuinte utilizou a descrição completa, por extenso, sem qualquer simbologia como se pode conferir nas fls. 783 e 1.847. A significação da sigla "PF" é "POR FORA". Reforça essa constatação o fato de que o contribuinte controlava, em campo próprio de cada planilha, as taxas de câmbio ($$ Tx. PF.; $ Tx. PF.) dos valores transacionados às margens do sistema oficial (fls. 673, 678). Há inclusive diferenciação e controle entre as diversas taxas de câmbio relacionadas com determinada operação de importação, por exemplo no caso da DI 06/04409863, a taxa oficial de câmbio (Contrato de câmbio citado 06/027650) foi de 2,158, já a taxa oficial (registro da DI — dados complementares fl. 1984) foi 2,1426, sendo que para o valor subfaturado (USD 14.576,15) foi utilizado a taxa de 2,37 (informações da planilha à folha 678), havendo registro manuscrito (fl. 1996, canto direito superior) com uma seta apontada para este mesmo valor (2,37) com as palavras "Tx." "paralelo". A planilha confeccionada pela interessada para controle da citada operação, à folha 1998, traz em diversos campos clara separação, indicando textualmente quando se trata de referência a valor "oficial" ou "por fora". Não há como acolher as justificativas da recorrente quanto ao conteúdo das planilhas de controle interno, pois as explicações apresentadas contrariam as informações contidas nesses documentos. Alegou a recorrente que os documentos acostados aos autos não provam que houve subfaturamento, quando muito constituiriam indícios de irregularidade, todavia, não são provas cabais do cometimento da infração apontada. A alegação de defesa é improcedente, pois os documentos anexados pela fiscalização provam a emissão de documentos em desacordo com a realidade dos negócios efetivamente praticados, constituindo, portanto, elementos probatórios de fraude e sonegação com vistas a reduzir o recolhimento de tributos sobre operações com produtos importados de certos fornecedores, que emitiam documentos comerciais com valores abaixo dos efetivamente praticados. Diante da diversidade de documentos encontrados tratando do mesmo tipo de conduta, fica evidente que o procedimento não era exceção, tratandose de um verdadeiro modus operandi, que macula as importações da interessada originadas daqueles fornecedores. Relativamente ao uso de presunções, a fiscalização não partiu de um fato conhecido para presumir a ocorrência de um fato desconhecido. A documentação acostada comprova diretamente o subfaturamento, pois os valores declarados nas DI são inferiores aos efetivamente praticados, encontrados em faturas comerciais e nos controles paralelos do contribuinte. Ainda no que tange à comprovação do subfaturamento, é desnecessária a demonstração da circulação monetária sem comprovação de origem para caracterizálo. A comprovação do pagamento "POR FORA" é apenas uma das formas de se comprovar o Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 10 9 subfaturamento, mas não é a única. No caso dos autos, a conduta reiterada de declarar as mercadorias por valores reduzidos em aproximadamente 50%, a existência de fatura em duplicidade com valores distintos, listas de preços com valores distintos dos registrados nas declarações de importação, planilhas de controle interno com as anotações dos valores reais e dos praticados comprovam de forma incontestável a prática de subfaturamento. Alegou a recorrente que a redução de 50% do valor das mercadorias é resultado de negociações que culminaram em descontos comerciais obtidos perante os fornecedores e que os documentos acostados aos autos pela fiscalização como prova, tratamse de "orçamentos". A documentação juntada aos autos desmente essa alegação. A uma porque não é crível que o contribuinte recebeu o mesmo percentual de desconto ( em torno de 50%) de mais 30 fornecedores distintos. A duas porque se realmente fossem descontos, haveria menção desse fato nas correspondências comerciais com os fornecedores, o que não aconteceu. A três porque os documentos foram emitidos com os nomes "invoice" e "proforma invoice", cuja tradução para o português é fatura e fatura proforma e não "orçamento". A quatro porque as planilhas de controle do contribuinte registram a informação do acerto de pagamento "por fora", chegando ao requinte de informar a taxa de câmbio do pagamento "por fora", a qual jamais seria utilizada se realmente se tratassem de descontos. Por fim, cabe registrar que os descontos, quando concedidos pelo exportador ao importador, devem ser identificados na fatura comercial, a teor do que determina o artigo 497, XI, do Decreto n° 4.543/02. Portanto, está mais do que comprovada nos autos a prática de subfaturamento. O contribuinte solicitou que este colegiado dispensasse atenção especial às DI 05/05091423 (fls. 1950 a 1957); DI 07/8410361 (fls. 2052 a 2056); DI 07/10774383 (fls. 2124 a 2130) e DI 08/05177935 (fls. 2379 a 2388), solicitando que fossem buscadas as comprovações do subfaturamento dessas importações, pois no seu entender o subfaturamento não teria restado comprovado. Em relação à DI 05/05091423, a fiscalização narrou na fl. 160 que não foram encontrados documentos onde pudessem ser encontrados os preços reais das operações, mas o subfaturamento foi comprovado comparandose o preço das mercadorias importadas por meio dessa DI com o preço praticado em importações de mercadorias idênticas em outras declarações de importação. Foi utilizado como parâmetro para o arbitramento do preço a operação TJ nº 068/07. Em relação à DI 07/8410361, a fiscalização citou nas fls. 180/181 quais os documentos, motivos e métodos para o arbitramento dos preços adotados e apontou não só os documentos (operação TJ 008/07, faturas TJ028, fl. 2.591 e TJ032 fls. 2.650 e 2.651), mas também dados extraídos das planilhas de controle interno (fl. 2.653). Em relação à DI 07/10774383 (operação TJ 014/07), a fiscalização narrou na folha 164 que os dados em questão decorrem da planilha "importações 2007", arquivo "controle de importações.xls" (fls. 683, 686, 689 e 692) e das faturas comercial e proforma encontradas (fl. 2130 e 2.132) e planilha de custos (fl. 2.134). Fl. 4688DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Em relação à DI 08/05177935, na fl. 178 a fiscalização narrou que utilizou o método de valoração estabelecido no art. 88, I, da MP nº 2.15836/01 e que utilizou como parâmetros do arbitramento a proforma invoice nº 00120070909 (fl. 2374) U$ 11.950,50 e a proforma invoice referente ao "order Persilux 2006003" (fl. 3.081) U$ 21.954,00. Portanto, ao contrário do alegado, o subfaturamento encontrase devidamente comprovado diretamente por documentos apreendidos na empresa. DDAA VVAALLOORRAAÇÇÃÃOO AADDUUAANNEEIIRRAA A defesa entende que a Receita Federal deveria ter verificado nos bancos de dados do comércio exterior, o preço mínimo e médio praticado por empresas brasileiras que importam produtos semelhantes aos do contribuinte. O pleito não tem fundamento, pois a legislação determina que para fins de tributação, nos casos de fraude e sonegação, o valor da base de cálculo a ser considerado é o preço efetivamente praticado e quando o preço praticado não for conhecido, deverá ser fixado mediante um dos métodos de arbitramento, conforme preconizado no artigo 84, do Decreto n° 4.543/02 (cuja matriz legal é o art. 88 da MP nº 2.15835/01). Considerando que em relação à maior parte das mercadorias a fiscalização encontrou o preço efetivamente praticado pelo contribuinte é absolutamente desnecessário que se efetue qualquer consulta ao "banco de dados do comércio exterior", isto porque independentemente do valor que lá possa estar consignado, para efeitos legais vale o valor efetivamente praticado pelo contribuinte. Pela mesma razão, não se pode considerar os valores de outras importações realizadas posteriormente, em 2009, pois conforme já explanado, devem prevalecer os preços efetivamente praticados e não o preço médio do mercado ou o preço declarado posteriormente (futuro), até porque as operações posteriores estão igualmente sujeitas a procedimento de revisão aduaneira para aferição das informações declaradas. Quanto às mercadorias em relação às quais não foi possível à fiscalização encontrar o preço praticado, foi aplicado o artigo 84 do Decreto nº 4.543/02. No que toca à aplicação do art. 84 do Decreto nº 4.543/02, o contribuinte alegou de forma genérica que a fiscalização não respeitou a legislação de regência, mas não diz especificamente no que consistiu a suposta violação da lei cometida pela fiscalização. O relatório fiscal, a partir da fl. 112, descreve minuciosamente a forma e os critérios utilizados pela fiscalização e a leitura do que ali se contém não revela nenhuma ilegalidade. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que as matérias devem ser impugnadas especificamente, ou seja, a defesa deve indicar qual ou quais são os pontos específicos de discordância e apresentar as provas das alegações. Não tendo o contribuinte indicado qual foi a ilegalidade cometida pela fiscalização na aplicação do art. 84 do Decreto nº 4.543/02, a alegação deve ser tomada como improcedente. IIMMPPOORRTTAAÇÇÕÕEESS DDAA EEMMPPRREESSAA CCHHEENN PPAANNGG BBLLIINNDD.. A recorrente alegou que fiscalização errou ao mencionar que ocorreram importações de tecidos desta empresa, pois ela só trabalha com alumínio e não com tecidos. Fl. 4689DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 11 11 Esse equívoco da fiscalização deve ser debitado à grande quantidade de documentos analisados, mas por si em nada macula o lançamento. Pouco importa se essa empresa trabalha com alumínio ou com tecidos, o que importa é que as mercadorias transacionadas foram importadas com subfaturamento. No caso da DI 05/047991367, a defesa alegou que a diferença de preço encontrada entre o valor da fatura (U$ 36.248,26) e o valor do contrato de venda (U$ 91.081,80) decorreu de um crédito que a TJ possuía para com a exportadora Chen Pang. Tal alegação apenas confirma que houve o subfaturamento e que o pagamento "por fora", neste caso, foi feito mediante encontro de contas com o fornecedor. Relativamente à DI 07/12237717, o contribuinte insiste na alegação de que a diferença encontrada se deve a desconto obtido. Na fl. 143 a fiscalização indicou não só o documento base para sua conclusão, qual seja, a proforma invoice 7070201 (fl. 1503) e o percentual que deveria ser declarado, existente na planilha de controle interno com o seguinte comentário: "evelyn: 60% do valor de 95.304,00". Verificandose o valor declarado na DI (fl. 1492) constatase que ele corresponde a 60% do valor efetivamente transacionado (U$ 60.589,68). Conforme já ficou dito antes, descontos devem ser indicados na fatura comercial, a teor do art. 497, XI, do Decreto n° 4.543/02 e não em controles paralelos do contribuinte. Pelas mesmas razões acima declinadas quanto à DI 07/12237717, rejeitase a alegação relativa à DI 07/15389542. DDAA MMUULLTTAA AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVAA EEMMBBAARRQQUUEE DDAA MMEERRCCAADDOORRIIAA AANNTTEESS DDAA EEMMIISSSSÃÃOO DDAA LLIICCEENNÇÇAA DDEE IIMMPPOORRTTAAÇÇÃÃOO A fiscalização narrou na fl. 200 o seguinte: "(...) Verificamos, no transcorrer do presente Relatório, que a TJ, por diversas vezes, alterou a data de embarque de suas mercadorias nos Bill of Ladings que as ampararam, falsificando, conseqüentemente, referidos documentos, com vistas a evitar a incidência de penalidade pelo embarque de mercadoria no exterior antes da emissão da Licença de Importação a que estiver sujeita. O inciso III, alínea "b", do artigo 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, determina que importar mercadorias do exterior cujo embarque se dê antes de emitida licença de importação ou documento equivalente constitui infração administrativa ao controle das importações, sujeita à pena de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. (...)" O contribuinte alegou que essa multa é indevida porque suas mercadorias não estão sujeitas à expedição prévia de licença de importação; a multa tem caráter confiscatório; o GATT proíbe multas relativas à licença de importação com caráter abusivo; e se não for exonerada por inteiro, deverá a referida multa ser reduzida ao patamar mínimo de R$ 500,00, por força do art. 77 da Lei nº 10.833/03. Fl. 4690DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 As alegações do contribuinte são improcedentes, pois no demonstrativo de apuração da multa encontramse especificados o número da DI, o número da adição e os números das respectivas licenças. Se as mercadorias não estivessem sujeitas ao licenciamento prévio, a fiscalização não teria relacionado os números das licenças e nem a recorrente teria razão para adulterar os conhecimentos de embarque a fim de evitar a incidência desta multa. Estando a multa em questão expressamente prevista em dispositivo legal, devem ser rejeitados todos os demais argumentos, mesmo porque, a teor da Súmula CARF nº 1, este colegiado não pode negar vigência a dispositivo legal em plena vigência, sob o argumento de que contrasta com princípios ou normas constitucionais. Observase, ainda, que a fiscalização já adequou o lançamento da multa aos limites máximo e mínimo previstos no art. 169, inciso III, alínea "b", do DecretoLei nº 37/66 com a redação que lhe foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03. Ao contrário do que pleiteia o contribuinte, a multa ora lançada não pode ser reduzida ao percentual mínimo de R$ 500,00 porque esse percentual deve ser aplicado na hipótese da multa apurada ser inferior àquele patamar. No caso dos autos, a apuração de 30% do valor da mercadoria superou o limite de R$ 5.000,00 por declaração, razão pela qual a fiscalização aplicou o valor máximo permitido pela lei. A multa é de 30% do valor da mercadoria não podendo ser inferior a R$ 500,00 e nem superior a R$ 5.000,00 por declaração. DDAA MMUULLTTAA PPOORR IINNFFOORRMMAAÇÇÃÃOO IINNEEXXAATTAA QQUUAANNTTOO ÀÀ IIDDEENNTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDOO EEXXPPOORRTTAADDOORR//FFAABBRRIICCAANNTTEE A fiscalização narrou na fl. 201 que o contribuinte informou de forma inexata nas DI 05/03055578 05/06468830 05/09936371 05/12749927 06/06234505 06/07122360 06/10681545 06/13747431 07/08410361, o nome do exportador/fabricante das mercadorias importadas incorrendo na multa prevista no art. 69, § 2º da Lei nº 10.833/2003. O contribuinte alegou, em síntese, que esta multa deve ser cancelada porque o dispositivo legal exige não só a declaração inexata, mas também que tal inexatidão influencie efetivamente na determinação do controle aduaneiro apropriado. No caso concreto não ficou comprovado que a inexatidão apontada pela fiscalização influiu no controle aduaneiro apropriado. Entretanto, no caso dos autos, está plenamente comprovado que a inexatidão apontada pelo fisco na indicação do nome do exportador/fabricante causou prejuízo ao controle aduaneiro das importações. Isto porque os dados relacionados com a valoração aduaneira tem correspondência direta com os documentos comerciais emitidos por determinado exportador ou fabricante. Nesse sentido, a própria natureza das autuações em litígio demonstram o quão danoso pode ser, para o controle aduaneiro, a indicação incorreta do nome do exportador, basta apenas verificar que tal prestação de informação colaborou para que fosse possível a declaração "oficial" de valores inferiores aos efetivamente praticados. Apenas a titulo ilustrativo, trazse o caso já citado da DI n° 07/08410361, onde a fiscalização aponta à folhas 186 que foram incluídos com os produtos da UNISOLEIL produtos das fabricantes TAIMAX e BAO SONG, resultando referida operação em efetivo dano ao controle aduaneiro apropriado, fartamente descrito, a exemplo de outros casos descritos nas folhas 182 a 186. Fl. 4691DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10494.000374/200911 Acórdão n.º 3403002.864 S3C4T3 Fl. 12 13 Desse modo, restando plenamente comprovado nos autos o dano ao controle aduaneiro, deve ser mantida a multa ora infligida. DDAA CCOOEEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA DDAA MMUULLTTAA PPEELLOO SSUUBBFFAATTUURRAAMMEENNTTOO CCOOMM AA MMUULLTTAA SSUUBBSSTTIITTUUTTIIVVAA DDAA PPEENNAA DDEE PPEERRDDIIMMEENNTTOO A fiscalização infligiu a multa prevista no art. 631 do Decreto nº 4.543/02 (matriz legal no art. 83 da Lei nº 4.502/64) valendose da seguinte motivação: "(...) O Regulamento Aduaneiro em vigor no período abrangido por esta fiscalização, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, estabelecia, em seu artigo 631, com base no artigo 83 da Lei n° 4.502/64, que estará sujeita a uma penalidade especifica qualquer pessoa que entregue a consumo ou consuma mercadoria estrangeira que tenha sido importada de forma irregular ou fraudulenta. E o texto: "Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no Pais ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei e 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 12, alteração 2a)" (grifos nossos). Diferentemente das penalidades tratadas até aqui, o fato punível neste caso especifico ocorre em momento posterior à importação, na saída das mercadorias, ou seja, quando as mesmas são consumidas ou entregues a consumo, embora seja elemento determinante para a aplicação desta penalidade as irregularidades ou as fraudes praticadas nas importações. De tudo o que se verificou ao longo deste relatório, não resta a menor dúvida de que as mercadorias objeto desta fiscalização foram importadas de forma irregular e fraudulenta. A documentação apresentada a despacho de importação não representa a realidade das operações de comércio exterior. (...)" O contribuinte alegou que a aplicação desta multa é incompatível com o lançamento e a exigência das diferenças dos tributos devidos sobre o comércio exterior, pois no seu entender a cobrança dessas diferenças com a multa de ofício e juros de mora configura uma admissão tácita, por parte da administração, da regularização dos produtos internados na economia do país. Acrescentou que o § 4º do art. 633 não foi utilizado pela fiscalização na fundamentação do lançamento e esse parágrafo foi acrescentado pela DRJ. A questão da coexistência das multas previstas nos arts. 631 e 633, I do RA/2002 nos casos em que se constata subfaturamento das mercadorias importadas sempre foi controversa no âmbito da fiscalização aduaneira porque a irregularidade mencionada no art. 631 é o subfaturamento previsto no art. 633, I. Entendem alguns que o mesmo fato estaria sendo punido duas vezes. O conflito foi solucionado por meio de norma interpretativa veiculada por meio do Decreto nº 8.010, de 16/05/2013, que introduziu o § 1ºA no art. 703 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), in verbis: "Art. 703 . Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento Fl. 4692DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória n º 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010 ) § 1º Omissis... § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) (...)" Tratandose de norma nitidamente interpretativa, deve ser aplicada retroativamente "em qualquer caso", a teor do art. 106, I do CTN. Considerando que no caso concreto foram aplicadas as duas penalidades e que a norma interpretativa posterior estabeleceu que só cabe a inflição de uma delas, é de rigor a incidência do princípio da retroatividade benígna, que deverá ser aplicado ao art. 703, § 1ºA do RA/2009. Sendo incontroverso nos autos que as mercadorias importadas irregularmente (subfaturadas) foram consumidas na fabricação das persianas, deve ser excluída a multa pelo subfaturamento (art. 633, I do Decreto nº 4543/02) e mantida a multa substitutiva da pena de perdimento (art. 631 do mesmo Decreto), em obediência ao art. 703, § 1ºA do RA/2009, acima reproduzido. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de 100% sobre o valor do subfaturamento (art. 633, I do RA/2002). Antonio Carlos Atulim Fl. 4693DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904263/2012-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 63 /2 01 2- 94 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904263/201294 Acórdão n.º 3803006.120 S3TE03 Fl. 66 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 31 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, e fica configurado o pouco caso em substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904263/201294 Acórdão n.º 3803006.120 S3TE03 Fl. 67 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10660.905888/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 161 1 160 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905888/201110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.050 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 88 /2 01 1- 10 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 162 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 76.151,72. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 163 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 164 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905888/201110 Acórdão n.º 3803006.050 S3TE03 Fl. 165 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10320.002354/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005,2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS.
Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
Numero da decisão: 1401-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005,2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
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NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 23 54 /2 00 9- 76 Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.922 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.923 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento em FortalezaCE. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ (fls 3/22), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 23/40), da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCofins (fls 41/59) e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls 60/76), todos com fatos geradores nos anos de 2005 e 2006, totalizando o montante de R$ 819.708,96, já acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício, simples (75%) ou qualificada (150%). 2. Conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração, o contribuinte cometeu três infrações fiscais nos anos de 2005 e 2006, consolidadas no demonstrativo de fls 166/173: a) omissão de receita de revenda de mercadoria e de prestação de serviço decorrente de emissão de notas fiscais calçadas (infrações 1 e 2), apurada mediante confrontação entre as notas fiscais existentes na contabilidade do autuado (3 a via) e as notas fiscais correspondentes fornecidas pelos seus clientes (1a via), conforme demonstrativo de fls 79/80 e documentos fiscais às fls 82/165, com base nos quais foram verificadas divergências de valores, datas, discriminação e quantidade dos produtos vendidos; b) omissão de receita presumida a partir da existência de depósitos bancários de origem não comprovada (infração 3), mantidos nas instituições financeiras Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sudameris e Unibanco, conforme demonstrativo de fls 431/488; c) omissão de receita de revenda de mercadoria e de prestação de serviço (infrações 4 e 5), apurada com base nas notas fiscais fornecidas pelos seus clientes (1a via), cujas vias contábeis correspondentes (3a via) não foram entregues à fiscalização, conforme demonstrativo de fls 166/173 e documentos fiscais às fls 174/430. 3. Às primeira e terceira infrações foi infligida a multa qualificada (150%). 4. Antes de realizados os presentes lançamentos, o contribuinte foi excluído do sistema simplificado de pagamento dos tributos e contribuições federais (Simples), mediante Ato Declaratório Executivo DRFB/SLS n° 53 de novembro de 2008 (fl 1277), cujos efeitos se deram a partir de 1° de janeiro de 2005. 5. Uma vez submetido ao regime de tributação com base no lucro real, o contribuinte deixou de apresentar à fiscalização a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, razão pela qual teve seu lucro tributável arbitrado, por força do art. 530, inc. I, do RIR/99. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.924 4 6. Cientificado da pretensão fiscal em 30.06.2009 (fl 1336), o contribuinte, por seu procurador habilitado, apresentou impugnatória em 30.07.2009 (fls 1825/1827), com a qual procura convencer o julgador da insubsistência do feito, invocando diversas questões preliminares e de mérito contrários à exigência fiscal, que se acham a seguir expostas em síntese: PRELIMINARES DO LANÇAMENTO i. Após lavrar o termo de encerramento, às 10:17h do dia 23.06.2009, concluindo pela exigência de débitos de Simples e de multas regulamentares, a autoridade fiscal, no dia seguinte, lavrou um outro termo de encerramento dentro do mesmo procedimento, agora concluindo pela formalização de débitos de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep; como se verifica, o autuante, por iniciativa própria, realizou a revisão dos lançamentos que realizara, lavrando novos autos de infração. Tal procedimento, independentemente da sua motivação, é irregular, já que a revisão de lançamentos sem a prévia e necessária autorização da autoridade competente acarreta a nulidade dos lançamentos constantes do termo de encerramento lavrado em 24.06.2009; PRELIMINARES DO MÉRITO DO LANÇAMENTO ii. O presente lançamento é inepto, tendo em vista não conter elementos necessários e suficientes ao pleno exercício do direito de defesa. De fato, um único processo reúne 10 (dez) diferentes exigências fiscais, sem referência a número do processo administrativo, sem identificação do número de cada auto lavrado, sem numeração das folhas dos autos; iii. Deve ser lavrado um auto para cada tributo (art. 9° do Decreto n° 70.235/72); iv. Tratandose de exigência decorrente de suposta omissão de receitas oriundas de créditos não comprovados registrados nas contas correntes do contribuinte, nos autos ora impugnados não foram anexados os extratos das contas correntes do impugnante; sem dúvida elemento de prova indispensável à comprovação do ilícito alegado. No caso concreto, a ausência dos extratos bancários impediu a prestação de esclarecimentos sobre os créditos investigados, da mesma forma que prejudicou a elaboração da presente impugnação; ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL v. Como se encontra pendente de julgamento a representação para exclusão do Simples, não poderia ser exigida do contribuinte a apresentação de sua escrita contábil pela sistemática do Lucro Real, de modo que descabido é o arbitramento do lucro tributável. Por lhe ser deferido tratamento jurídico diferenciado, na condição de empresa submetida ao Simples, está dispensado da escrituração contábil, de modo que a prestação das informações solicitadas se tornou extremamente difícil, tendo em vista a precariedade dos registros contábeis da empresa. De qualquer forma, é de se registrar que todos os esclarecimentos solicitados foram prestados com base nas informações disponíveis, sendo certo que para o completo esclarecimento da origem de cada crédito da movimentação financeira seria necessária a realização de prova pericial, com a análise de cada operação realizada; vi. Não se aplica às micro e pequenas empresas optantes do Simples a regra do art. 26 da Lei n° 8.981, de 1995, segundo a qual as pessoas jurídicas Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.925 5 determinarão o imposto sobre a renda segundo as regras aplicáveis ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado; vii. Ademais, o arbitramento, quando cabível, deve ser realizado com as garantias do contraditório e da ampla defesa, sendo totalmente inválido quando realizado de forma unilateral e clandestina, sem a mínima participação do contribuinte; viii. No caso do arbitramento, inexiste uma prova direta preconstituída, motivo por que se justifica a adoção de meios indiciários de prova, não podendo o fisco, porém, enquanto não esgotados todos os demais meios facultados à OMISSÃO DE RECEITA NOTAS FISCAIS CALÇADAS ix. Apurada omissão de receita de pessoa jurídica, qualquer que seja o regime de tributação, o lançamento será realizado por arbitramento, aplicandose sobre a receita bruta quando conhecida o percentual de 8% (oito por cento), conforme arts. 26 e 47 da Lei n° 8.981, de 1995; x. A omissão de receitas mediante utilização de "notas calçadas" se baseia em alegações manifestamente inverídicas, pois não houve cotejamento entre as vias contábeis e as vias fornecidas pelos clientes, pela simples razão da não existência de vias contabilizadas. É que, sendo dispensado da escrituração contábil regular, o impugnante não realizou registros contábeis das Notas Fiscais das vendas realizadas; OMISSÃO DE RECEITA PRESUNÇÃO COM BASE EM DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA xi. A maioria dos lançamentos questionados não pôde ser esclarecida, seja pela inexistência de escrituração contábil regular, seja pela dificuldade de obtenção de cópias dos lançamentos bancários e, finalmente, porque os pedidos de esclarecimentos exigiam a apresentação da escrita contábil pelo sistema do Lucro Real, regime ao qual não deveria se submeter, dado que não se consumou a sua exclusão do Simples, que ainda se encontra pendente de julgamento; xii. Os indícios utilizados para lastrear a omissão de receita são inconsistentes e insuficientes, pois a esmagadora maioria dos registros das contas correntes bancárias tivera origem em operações de empréstimos bancários e de descontos de títulos emitidos por terceiros, sem qualquer vinculação com as receitas decorrentes de vendas realizadas pelo impugnante. Tais valores, totalmente distintos das receitas operacionais, transitaram pelas contas e pelos cofres de diversas pessoas, físicas e jurídicas, que agiam como integrantes de uma cooperativa informal de crédito, solução inegavelmente engenhosa que adotaram para garantir a sobrevivência de suas empresas; xiii.Ao enunciar apenas dois "exemplos" de depósitos que "salvo engano" teriam sido realizados com valores originados de operações efetuadas com a utilização de notas fiscais calçadas, o autuante construiu seu castelo de areia, arbitrando como receitas omitidas valores que transitaram, de forma promíscua, como entradas e saídas autoexcludentes, pois que as contas bancárias do impugnante foram utilizadas não somente por ele, mas também por terceiros, perfeitamente individualizados e identificados; xiv. Foi preterida a verdade material ao não se examinar os registros efetuados na movimentação bancária, constantes dos extratos bancários, mediante diligências, pedidos de esclarecimentos, de modo que não se poderá deslocar para o contribuinte Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.926 6 os ônus da comprovação dos fatos equivocadamente presumidos. Em se tratando de lançamento de imposto sobre a renda decorrente de presumida omissão de receita, para se tornar viável a presunção de ocorrência do fato gerador, haveriam de ser identificados abundantes sinais de omissão de receita, e não apenas dois sinais no e situações analisadas. Em suma, adotar presunção apoiada em indícios insuficientes e inconsistentes para verificar a ocorrência do fato gerador equivale à criação de nova hipótese de incidência, tarefa reservada ao legislador (princípios da reserva legal, princípio da tipicidade); xv. Em virtude do princípio da reserva legal, não é válido o lançamento de mposto sobre a renda que não incida sobre a aquisição de disponibilidade, jurídica ou econômica, de acréscimo patrimonial. O simples auferimento de receitas ainda que estivesse comprovado por si só não é suficiente para a configuração do fato gerador do imposto sobre a renda (art. 21 da Lei n° 9.249, de 1995); REQUERIMENTOS FINAIS xvi. O impugnante requer a juntada de novos documentos e a realização de perícia para comprovar a origem dos depósitos bancários, afastando a descabida presunção de omissão de receitas; xvii. Por fim, pleiteia a nulidade dos lançamentos. 7. Em despacho proferido em 14 de outubro de 2011 (fls 1816/1817), o processo foi baixado em diligência para que fosse juntada aos autos a impugnação aos lançamentos tributários, que, por um equívoco, se encontrava em outro processo (10320.002353/200921), bem como para que o contribuinte tivesse conhecimento dos extratos bancários de fls 1345/1810 e sobre eles pudesse se manifestar. 8. Cumprida a diligência, retornaram os autos para julgamento, sem reposta do impugnante. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta à realização de exames que prescindem de conhecimento técnico específico. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.927 7 Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.928 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, mas na essência a sua insurgência é contra o mérito, vejamos suas alegações: Ao formular a impugnação aos lançamentos, a ora Recorrente sustentou que os lançamentos efetuados seriam ineptos, tendo em vista não conterem os elementos necessários e suficientes ao pleno exercício do direito de defesa. (...) Na verdade, várias foram as irregularidades apontadas na impugnação, todas infundadamente rejeitadas pela decisão ora recorrida, tornando por tal motivo indispensável sua reapresentação nesta instância revisional. Outra gritante irregularidade decorreu da realização de arbitramento do lucro tributável sem obediência às expressas disposições da lei e do regulamento do imposto de renda vigente. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) A Recorrente ainda pretende a nulidade do feito por cerceamento do direito de defesa em função do fato de que os extratos entregues por ela mesma só foram anexados aos autos depois da ciência do auto de infração. Ora, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, é Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.929 9 cediço que a presença de omissões sanáveis no curso do processo e que não obstem a plena defesa do contribuinte podem ser sanadas pela autoridade julgadora, em respeito ao princípio maior que rege o processo administrativo, isto é, a verdade material. E foi o que foi feito. O processo foi baixado em diligência para que fosse dado ciência ao contribuinte dos extratos entregues por ele próprio e abrindo prazo para ampliar sua defesa, tudo para que não se corresse o menor risco de cercear do direito de defesa. Nesse sentido, penso que tal situação foi sanada sem qualquer tipo de prejuízo ao contribuinte. Por conseguinte, as razões de mérito suscitadas em sede preliminar serão enfrentadas como se mérito fossem. Por todo o exposto, rejeito as preliminares. Perícia A Recorrente requer a realização de diligência bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Nesse ponto reproduzo as bem colocadas razões de decidir da DRJ que para justificaram bem a negativa de se baixar o feito em diligência: (...) 19. Entretanto, fenece o pedido no tocante a sua substância. O impugnante pretende que os peritos, consultando documentos arquivados na empresa ou em poder de terceiros, informem a origem de todos os créditos registrados em suas contas bancárias nos anos de 2005 e 2006; esclareçam se os lançamentos a crédito ou a débito nessas contas advêm de operações de empréstimos concedidos ou amortizados, por bancos ou terceiros; e informem se constam nessas contas registros de créditos comprovadamente decorrentes de receitas da atividade econômica do contribuinte. 20. Entretanto, o pedido deve ser indeferido em suas razões de mérito. Em primeiro lugar, verifico que os exames pretendidos podem ser aferidos mediante prova documental ou escritural, cuja produção está a cargo do próprio impugnante, nos termos do § 4° do art. 16 do referido Decreto, incluído pela Lei n° 9.532/97, verbis: § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. 21. Se o contribuinte não poderia observar o momento processual previsto para a produção de prova documental, incumbiria ao impugnante enunciar e demonstrar as razões pelas quais não teria trazido, já com a impugnação, todos os Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.930 10 documentos necessários ao exercício do seu direito de defesa. Sucede que esse requisito não foi atendido. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal Portanto, indefiro o pedido de perícia e diligência. Exclusão do Simples Conforme relatado, a Recorrente foi excluída do Simples e teve seus lucros arbitrados pela falta de apresentação dos Livros Caixa e/ou Diário e Razão. Nesse ponto é preciso delimitar a lide. É que não está em causa o motivo que levou efetivamente à sua exclusão do simples, limitandose a contesta os seus efeitos. Mesmo porque, tal matéria, a causa da exclusão do Simples está fora do litígio, constituindose em matéria constante de outro processo sendo julgado na esfera administrativa (processo nº 10320.002353/200921), já julgado pelo CARF desfavoravelmente ao contribuinte, através do Acórdão nº 0821.967. Nesse prisma, a manifestação de inconformidade contra o ato executivo que exclui o contribuinte do SIMPLES não tem efeito suspensivo nem impeditivo de lançamento, ou seja, apenas devolve o objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo. Sendo assim, portanto, perfeitamente válidos os lançamentos que nascem em momento que o processo conexo da exclusão do simples ainda não tenha sido julgado. Ainda nesse mesmo passo, o Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) já sumulou essa matéria através da Súmula nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão A recorrente contesta ainda a apuração com base no lucro arbitrado, vez que afirma que não existe possibilidade de se estar no SIMPLES, sendo desobrigado da escrituração contábil e fiscal e ao mesmo tempo lhe exigir tal escrituração sob pena de ter seu lucro arbitrado. Art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996: A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Como se vê, reza o mandamento legal acima que uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. E quais são as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas? São as regras de tributação do lucro real ou presumido. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.931 11 A falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real ou a falta da escrituração do livro caixa por uma ou outra via, implica necessariamente no arbitramento do lucro. E não adianta querer trazer argumentos que indiquem qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade dessas leis, pois no âmbito administrativo não se pode afastar norma legal e vigente. Ademais, como é sabido o “Direito cria sua própria realidade”, podendo o legislador em determinadas situações pretender que o lucro a partir do qual se tributa o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro seja aferido a partir do faturamento através do arbitramento de um percentual sobre o mesmo para se alcançar um lucro fictício, o que a lei chama de lucro arbitrado.. No caso, o intérprete quando estiver diante de uma tal construção na figura de um dispositivo válido e vigente, não cabe a ele desprezálo. Salientese ainda que estando previstos em disposição legal em vigor, não cabe a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste CARF: A DRJ também abordou muito bem essa questão, razão pelo qual transcrevo parte do seu voto como razão também de decidir: 33. A respeito do tratamento jurídico diferenciado dispensado às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes do Simples, cabe lembrar, em primeiro lugar, que tal prerrogativa não exime esses empresários de cumprir obrigações acessórias mínimas ou simplificadas, como a de manter escrituração contábil ou de escriturar o livro caixa, o que é determinado pelos arts. 258, 259 ou 527 do RIR/99. Em segundo lugar, se a ME ou a EPP não reunir condições para estar no Simples, deverá se submeter à sistemática de apuração dos tributos aplicável às demais pessoas jurídicas (lucro real, presumido ou arbitrado), ex vi do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996 Por todo o exposto, mantenho a exclusão do Simples constante do processo n° 10215720.058/200613, juntado por apensação a este. Portanto, excluída do Simples, não se desencumbiu de apresentar os livros obrigatórios seja por um regime de tributação ou pelo outro (Livros Caixa e/ou Diário e Razão). A não apresentação dos livros obrigatórios exigidos pela legislação de regência (Livros Caixa e/ou Diário e Razão.) ocasionou o arbitramento, consoante art. 530, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 8.981/95: “Art. 47. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.932 12 (...)” Conforme consta dos autos, resulta patente que a documentação efetivamente não foi entregue à fiscalização, mormente livros obrigatórios e indispensáveis, como é o caso do Livro Diário e Razão. Também não apresentou o Livro Caixa em substituição àqueles, no caso da opção pelo lucro presumido. Portanto, foi adotado o regime jurídico de tributação consistente com a legislação de regência da matéria. Não tem cabimento, assim, falar em ilegalidade na adoção do regime de tributação com base no lucro arbitrado. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções, bem assim com considerações genéricas sem trazer aos autos quaisquer provas de suas alegações. Com relação a essas considerações genéricas, aduz de forma vaga que os valores depositados em suas contas "transitaram pelas contas e pelos cofres de diversas pessoas, físicas e jurídicas, que agiam como integrantes de uma cooperativa informal de crédito, solução inegavelmente engenhosa que adotaram para garantir a sobrevivência de suas empresas". Para comprovar tal afirmação, diz haver juntado aos autos "a relação das pessoas físicas e jurídicas participantes dessa modalidade inusitada de crédito coletivo". Porém, não há quaisquer provas nos autos nesse sentido. Em relação às presunções, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.933 13 logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Insurgese ainda quanto ao procedimento de amostragem adotado pelo fiscal para deixar de fora da autuação certos depósitos bancários. Nesse mister, fazse importante e suficiente os esclarecimentos já prestados em primeira instância e não infirmados pela Recorrente em sede recursal: (...) a fim de evitar que os depósitos bancários já computados na base de cálculo dos tributos fossem também tributados como omissão de receita, seja porque oferecido pelo contribuinte à tributação, seja porque objeto dos lançamentos de ofício, a autoridade fiscal conseguiu associar alguns depósitos em conta a valores constantes da escrituração do contribuinte, nas 1a ou 3a vias das notas fiscais utilizadas, conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração 51. Pois bem, o impugnante insurgiuse contra esse procedimento, por entender que "não se pode considerar base consistente para nenhuma dedução presuntiva uma 'amostragem' limitada ao exame de dois eventos em um universo de centenas de eventos". 52. No entender do impugnante, competiria à fiscalização realizar um exame da origem de todos os depósitos existentes nas contas do contribuinte, e não somente de alguns e por amostragem. 53. Estáse aqui mais uma vez diante da questão relativa ao ônus da prova dos fatos articulados no raciocínio presuntivo, já anteriormente debuxada e resolvida. 54. Vale, todavia, ressaltar a correção do procedimento da autoridade fiscal de expungir da base de cálculo atinente a essa infração valores em depósito levados à tributação por um outro caminho (fls 1040/1264). É lógico que essa operação haveria de recair sobre depósitos que, em função da correspondência de datas e valores, fossem facilmente correlacionados com as receitas da atividade. Outros que porventura houvessem escapado a essa depuração poderiam ter sido apontados pelo impugnante, que, no entanto, preferiu quedarse indiferente diante da situação. Feitas tais considerações e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendários autuados, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos, o que não foi feito. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Omissão de receitas notas fiscais calçadas Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10320.002354/200976 Acórdão n.º 1401001.119 S1C4T1 Fl. 1.934 14 Por não ter nada reparar, transcrevo abaixo os fundamentos da DRJ que não foram infirmados pela Recorrente em sede recursal: 37. O impugnante aduz que a suposta omissão de receitas por uso de "notas calçadas" se baseia em alegações manifestamente inverídicas, pois não houve cotejamento — conforme alegado — entre as vias contábeis e as vias fornecidas pelos clientes, pela simples razão da não existência de vias contabilizadas, já que o contribuinte está legalmente dispensado da escrituração contábil. 38. A questão posta é irrelevante para descaracterizar a omissão de receita decorrente da utilização do odioso artifício da nota calçada. A esse respeito, sobreleva observar que a confrontação realizada pela autoridade fiscal com o objetivo de demonstrar a fraude empregada se deu entre documentos fiscais, e não entre documento fiscal, de um lado, e registro contábil, de outro. Os documentos fiscais são as notas fiscais em posse do autuado (3 a via) e as notas fiscais correspondentes fornecidas pelos seus clientes (1a via), em procedimento de circularização. Confrontadas as informações contidas nessas duas vias (fls 79/80), as quais deveriam documentar a mesma operação de venda, constataramse divergências de valores, datas, discriminação e quantidade dos produtos vendidos, revelandose, assim, patente o evidente intuito de fraude ensejador da qualificação da multa de ofício. 39. Em vista disso, revelase manifestamente descabida a objeção do impugnante. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção e o cancelamento (parcial) das exigências lançadas por via reflexa, Por todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904237/2012-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 37 /2 01 2- 66 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904237/201266 Acórdão n.º 3803006.095 S3TE03 Fl. 68 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904237/201266 Acórdão n.º 3803006.095 S3TE03 Fl. 69 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725872/2009-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 72 /2 00 9- 09 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 9202004.160 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012011/2003-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Não tendo sido demonstrada qualquer omissão no acórdão, devem os
embargos de declaração ser rejeitados
Numero da decisão: 1802-000.455
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.012011/2003-51 Recurso n° 156.781 Embargos Acórdão n° 1802-00.455 — 2 Turma Especial Sessão de 17 de maio de 2010 Matéria IRPJ e outros Embargante Fazenda Nacional Interessado Servilar Empresa de Asseio e Conservação S/C Ltda ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Não tendo sido demonstrada qualquer omissão no acórdão, devem os embargos de declaração ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ESTER-MÃR~NS DE-SOU - -- JOÃO FRANCISCO BIANCO - Relator EDITADO EM: on J LL 201f1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto (Suplente Convocada), Processo n° 10980.012011/2003-51 S1 -TEO2 Acórdão n.° 1802-00.455 Fl. 2 João Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). Ausente justificadamente o Conselheiro, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Tratam os presentes autos de exigência fiscal (fls. 235) de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre receitas supostamente omitidas, apuradas através da identificação de depósitos bancários não contabilizados. A E. 5' Turma Especial da primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário interposto para cancelar a exigência fiscal, em virtude de o auto de infração ter sido lavrado com erro na identificação do sujeito passivo. Confira-se a ementa do acórdão n. 1805-00.007, de 27.08.2009, abaixo transcrito. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — PESSOA JURÍDICA EXTINTA - O artigo 121 estabelece que o sujeito passivo é quem estiver obrigado ao pagamento do tributo, que pode ser o contribuinte ou o responsável indicado na lei. Não é possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa extinta, com CNPJ baixado, pois ela é inexistente no mundo jurídico. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 447) sustentando ter ocorrido omissão do acórdão quanto ao que dispõe a Instrução Normativa SRF n°. 27, de 1998, vigente à época da baixa da inscrição da embargada. Aponta que, de acordo com o artigo 19 da referida instrução, a baixa da inscrição era deferida ao requerido que • não tivesse pendência com o Fisco, sem prejuízo de verificações posteriores. Em adição, sustenta que somente com a Instrução Normativa SRF n°. 82, de 1999, a juntada do comprovante de extinção da pessoa jurídica, devidamente registrado em cartório, passou a ser uma exigência para a baixa do CNPJ, baixa que teria efeitos retroativos à data da extinção promovida no cartório. E como a baixa da inscrição no CNPJ da embargada ocorreu em 30.11.1998, somente a certidão em referência não teria o condão de demonstrar efetivamente a sua extinção. E o relatório. , F'rocesso n° 10980.012011/2003-51 S1 -TEO2 . Acórdão n.° 1802-00.455 • Fl. 3 , Voto Conselheiro Relator João Francisco Bianco, Relator Os embargos de declaração interpostos devem ser rejeitados tendo em vista que não há qualquer omissão no acórdão embargado. . Com efeito, a decisão concluiu pelo erro na identificação do sujeito passivo tendo em vista a juntada de certidão atestando a baixa da empresa autuada no CNPJ (fis 428) em 30.11.1998, ou seja, muitos anos antes da lavratura do auto de infração, que é de 11.12.2003. Sustenta a Fazenda embargante agora que a baixa foi feita na vigência da Instrução Normativa SRF n. 27, de 1998, que não exigia a apresentação de qualquer documento comprobatório da extinção da pessoa jurídica. E em função disso, somente com a juntada da deliberação dos sócios aprovando a extinção da empresa, devidamente arquivada em cartório, é que efetivamente seria comprovada a extinção da empresa autuada. As alegações que fundamentam os embargos interpostos não têm a menor possibilidade de prosperar. Fere o mínimo de bom senso imaginar que a baixa da inscrição no CNPJ de uma empresa pudesse ser feita somente com a apresentação de formulário preenchido pelo sócio responsável, sem qualquer apresentação do documento comprobatório do ato praticado. O D. Procurador que subscreve os embargos interpostos limitou-se a fazer uma interpretação "apressada e apegada à literalidade do disposto no artigo 19 da Instrução Normativa SRF n. 27, de 1998, deixando de atentar para o fato de que o artigo 14 da mesma instrução submete a matéria também ao disposto na Instrução Normativa SRF n. 82, de 1997. E nessa instrução há clara previsão de apresentação de todos os documentos comprobatórios dos atos praticados, devidamente registrados no órgão competente, para que haja inscrição no CNPJ (artigo 4°, parágrafo 1°); alteração de dados cadastrais no CNPJ (artigo 10, parágrafo 1°); e extinção da pessoa jurídica (artigo 17, inciso V). Diante de todo o exposto, não tendo sido demonstrada qualquer omissão no acórdão recorrido, voto no sentido de REJEITAR os embargos interpostos. Sala das Sessões, em 17 de maio de 2010 ( ,- ('---7 -r)1 . Repor João Francisco Bianco 3
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725086/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 50 86 /2 00 9- 01 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725086/200901 Acórdão n.º 9202004.146 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725086/200901 Acórdão n.º 9202004.146 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725086/200901 Acórdão n.º 9202004.146 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725086/200901 Acórdão n.º 9202004.146 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 458DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18050.001828/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/2005
DECADÊNCIA. REGRA DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Assente, na doutrina e na jurisprudência, que aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se aplica a contagem do prazo decadencial na forma prescrita pelo artigo 150, § 4º, do CTN, quando presentes a antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e a inexistência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo.
SUCESSÃO DISSIMULADA DE EMPRESAS. DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 D0 CÓDIGO TR1BUTÁRIO NACIONAL.
Comprovada pelo Fisco, mesmo que com vastíssima prova indiciária, a sucessão dissimulada entre empresas com vínculos entre sócios e confusão patrimonial é cabível a responsabilidade prevista no artigo133 do CTN.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO DE AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA.
Os lançamentos tributários realizados com base em documentos mantidos pelo sujeito passivo afastam a alegação de aferição indireta, e por óbvio, necessidade de fundamentação legal específica para arbitramento.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei nº 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei nº 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Os casos de retroatividade benigna devem ser reconhecidos de ofício pelo julgador. No caso, devem ser revistos os lançamentos nos termos dispostos nos artigos 476 e 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
Numero da decisão: 2201-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às competências anteriores a dezembro de 1999, inclusive os valores relativos ao décimo terceiro salário, e às competências de 02/2000 a 08/2000; e ii) para determinar a verificação da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, pelo descumprimento das obrigações relativas à GFIP, em conformidade com as disposições da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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REGRA DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Assente, na doutrina e na jurisprudência, que aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se aplica a contagem do prazo decadencial na forma prescrita pelo artigo 150, § 4º, do CTN, quando presentes a antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e a inexistência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. SUCESSÃO DISSIMULADA DE EMPRESAS. DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 D0 CÓDIGO TR1BUTÁRIO NACIONAL. Comprovada pelo Fisco, mesmo que com vastíssima prova indiciária, a sucessão dissimulada entre empresas com vínculos entre sócios e confusão patrimonial é cabível a responsabilidade prevista no artigo133 do CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO DE AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA. Os lançamentos tributários realizados com base em documentos mantidos pelo sujeito passivo afastam a alegação de aferição indireta, e por óbvio, necessidade de fundamentação legal específica para arbitramento. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei nº 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei nº 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 18 28 /2 00 8- 11 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Os casos de retroatividade benigna devem ser reconhecidos de ofício pelo julgador. No caso, devem ser revistos os lançamentos nos termos dispostos nos artigos 476 e 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às competências anteriores a dezembro de 1999, inclusive os valores relativos ao décimo terceiro salário, e às competências de 02/2000 a 08/2000; e ii) para determinar a verificação da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, pelo descumprimento das obrigações relativas à GFIP, em conformidade com as disposições da Instrução Normativa RFB nº 971/09. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e contribuintes individuais, previstas nos incisos de I a III do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Também foi efetuado lançamento referente a retenção incidentes na a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 357 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: "Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.790.9089, no valor de R$7.095.725,86 (sete milhões, noventa e cinco mil, setecentos e vinte e cinco reais e oitenta e seis centavos), referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, nos termos do art. 20, art. 22 incisos I, II, III e art. 31 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991; do artigo 4° da Lei 10.666 de 08/05/2003 e às contribuições por lei devidas a Fl. 781DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 781 3 terceiros, cuja arrecadação e fiscalização estão previstas no art. 94 da mesma lei; Auto de Infração AI n° 35.790.9003, no valor de R$ 1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), por infringir o Art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o Art. 225, inciso I, § 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo decreto 3.048/99, ou seja, deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas legalmente (COD 30); Auto de Infração AI n° 35.790.9011, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinqüenta centavos), por infringir o Art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, ou seja, não lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social (COD 34); Auto de Infração AI n° 35.790.9020, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinqüenta centavos), por infringir o Art. 32, inciso III da Lei 8.212/91, combinado com o An. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo decreto 3.048/99, ou seja, deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis (COD 35); Auto de Infração AI n° 35.790.9038, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinqüenta centavos), por infringir o Art. 33, §§ 2° e 3° da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo decreto 3.048/99, ou seja, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou Livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira (COD 38); Auto de Infração AI n° 35.790.9046, no valor de R$ 1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), por infringir o Art. 4°, “caput”, da Lei n° 10.666, de 08.05.2003, ou seja, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições do segurado contribuinte individual a seu serviço (COD 59). (Este AI foi formalizado no processo 18050.003152/200/08 que se encontra apensado ao presente processo.) Auto de Infração AI n° 35.790.9054, no valor de R$ 666.007,91 (seiscentos e sessenta e seis mil, sete reais e noventa e um centavos), por infringir o Art. 32, inciso IV, e §§ 3° e 9°, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inc. IV e §§ 2°, 3° e 4° do “caput” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, ou seja, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por interrnédio de GFIP / GRFP, os dados cadastrais, Fl. 782DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo (COD 67); Auto de Infração AI n° 35.790.9062, no valor de R$ 293.759,20 (duzentos e noventa e três mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e vinte centavos), por infringir o Art. 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. Il e art. 373, ou seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (COD 68); Auto de Infração AI n° 35.790.9070, no valor de R$ 1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), por infringir o disposto no Art. 2°, §3°, alínea “a”, do Decreto n“ 1.007, de 13 de dezembro de 1.993, combinado com o art. 33, §5° da Lei n° 8.212/1991, ou seja, deixou a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições a que se refere o art. 7° da Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete (COD 99); Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.790.9097, no valor de R$ 42.329,35 (quarenta e dois mil, trezentos e vinte e nove reais e trinta e cinco centavos), correspondente a contribuições previdenciárias previstas no Art. 31 da Lei 8.212/1991. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro de 1998 a maio de 2005. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do Contribuinte em 22 de setembro de 2005 (TEAF às folhas 355) Inconformado, o Contribuinte apresenta impugnação (fls. 571), tempestivamente. Em consequência, foi produzida a DecisãoNotificação nº 04.401.4/0544/2005, de fls 662. Tal decisão contém o seguinte relatório: "DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento de crédito previdenciário efetuado em nome da empresa acima identificadas, no montante de R$ 7.095.725,86 (sete milhões, noventa e cinco mil, setecentos e vinte e cinco reais e oitenta e seis centavos), consolidado em 22 de setembro de 2005, relativo à contribuições previdenciárias previstas no artigo 31 da Lei 8.212/91, decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãode obra, no período de 01/1998 a 05/2005. 2. Conforme Relatório Fiscal (fls. 352/391), as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/97), previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, decorrente da não comprovação, 'peIa Multibel, do recolhimento prévio e específico das contribuições Fl. 783DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 782 5 previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. 3. Conforme o mesmo relatório, constituem o fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços, prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa contratada, descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD (fls. 352/391), ficando a contratante obrigada a reter e recolher as referidas contribuições, nos termos da Lei 8.212/91. 4. Consta ainda que a referida empresa, apesar de intimada através de Termos de intimação para Apresentação de Documentos TIAD, apresentou precariamente a documentação solicitada, o que ensejou a lavratura de Auto de infração, por infração ao disposto no art. 33, parágrafo 2°, da Lei 8.212/91. 5. Encontramse anexos, entre outros documentos, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Recibos, Contrato de Prestação de Serviços, e outros todos cópias (fls.403/488). DA IMPUGNAÇAO 6. A empresa foi cientificada pessoalmente da presente notificação em 22/09/2005 (fls.O1), apresentando, tempestivamente em 07/10/2005 (fls.153 volume II), impugnação ao presente lançamento, mediante instrumento acostado às fls.70/84 volume ll, alegando, em síntese, o seguinte. Das Preliminares 7. Que o feito inaugural atenta contra as regras do ordenamento tributário pátrio, doutrina e as jurisprudências dos nossos tribunais superiores, uma vez que o presente lançamento não observa regras basilares do processo administrativo fiscal, não observando requisitos formais capazes de lhe conferir eficácia e validade devido processo legal. Afirma que não se pode exigir dos servidores fiscais uma interpretação padronizada no que se refere a certos assuntos submetidos a seu exame, na medida que tais uniformidades encontram barreiras na própria natureza humana, ao tempo em que salienta que o presente feito afronta o próprio ordenamento jurídico, que permite a comercialização de marca comercial como um patrimônio negociável. 8. Em item intitulado “ALHEAMENTO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL", O contribuinte questiona que o presente lançamento não atende ao princípio constitucional do devido processo legal, definido dentre as garantias fundamentais concedidas pela Constituição Federal de 1988, citando o artigo 5°, inciso LVI, e mais: 8.1 citando o Direito Internacional, entendimento de ministro do Supremo Tribunal Federal, doutrina, discorre a obrigatoriedade Fl. 784DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 de se observar o princípio do devido processo legal e da ampla defesa; 8.2 reportandose ao artigo 5°, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988, transcrevendoos, alega que há de ser reconhecido a qualquer um o direito de ser ouvido, o direito de se manifestar e apresentar a mais ampla defesa; 8.3 questiona que, no presente feito, a Notificação Fiscal ora impugnada não contém, em seu corpo, discriminação circunstanciada dos motivos de fato e de direito que fundamentam o lançamento fiscal, quando a legislação determina formalidades a fim de se tornar possível identificar supostas infrações, ao tempo em que cita o artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, alegando que, se o fisco não cumpre tais formalidades, o lançamento será nulo por cerceamento de defesa; 8.4 afirma que, além da descrição dos fatos de maneira compreensível, terão que se acostar documentos para comprova los, onde cita regras atinentes a Auto de Infração. Questionando prazo decadencial para a constituição do crédito, o sujeito passivo alega o seguinte: 9.1 que com a Constituição Federal de 1988 acabaramse as dúvidas quanto a natureza jurídica das contribuições previdenciárias é tributária, aplicandose as normas gerais do Direito Tributário; 9.2 alega que, em atenção ao art. 146, inciso III, alínea da CF, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, logo, o presente lançamento encontrase extinto, posto que o aludido ato administrativo baseouse na Lei n° 8.212/91 (art.45), que afronta dispositivo constitucional (art. 146, inciso Ill, da CF/1988), bem como o Código Tributário Nacional (art.173), devendo ser o presente ato ser julgado nulo, onde cita o STF (trecho da EMENTA da ADI n° 221 MC / DF Distrito Federal, julgada em 29/03/1990). Em item posterior, “DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO", a Empresa notificada alega o seguinte: 10.1 que, conforme se verifica no Relatório do lançamento ora impugnado, a Auditoria Fiscal entendeu haver dissimulação de atos com o propósito de afastar responsabilidade pelos débitos fiscais, desconsiderando, com isto, a compra da marca “Comercial Ramos”, licitamente praticada; 10.2 afirma que, de tal entendimento, “se pretendeu aplicar a previsão constante no parágrafo único do artigo 116 do CTN, acrescentado pela EC 10/2001, sem adentrar na constitucionalidade dessa norma, apenas seria possível, que não é o caso, por órgão colegiado, que não integre o aparado de fiscalização, cobrança e arrecadação dos tributos e contribuições, de composição abrangente que inclua representante da sociedade": Fl. 785DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 783 7 10.3 contesta 0 modo de como se deu 0 lançamento, alegando: “...ao ato de desconsideração, que deve preservar os direitos e garantias do contribuinte, é prérequisito para a lavratura de auto de infração versando a questão contrariamente não foi assegurado ao notificado o direito de produzir plenamente as provas pertinentes à ampla demonstração de suas razões, e foi lavrado pelo agente fiscal incumbido de fiscalização das contribuições, ao tempo em que cita doutrina (Professor Marco Aurélio Greco, livro Planejamento Tributário, Dialética 2004, pp 438/451). 11. Reportandose ao tema cerceamento de defesa, o sujeito passivo alega que a legislação previdenciária determina que a produção de prova documental será realizada juntamente com a impugnação. Entretanto, segundo o notificado, fica caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que é exíguo lapso temporal para se colher as provas. Do Mérito 12. O contribuinte, no mérito, alega que é improcedente o lançamento ora questionado, afirmando o seguinte: 12.1 que “Dos levantamentos constantes no relatório da fiscalização (fls.3 a 61), devidamente contabilizado na empresa supostamente sucedida, com se verifica a d. Auditora Fiscal considerou os pagamentos de empréstimos aos exsócios como se prólabore fosse e sem o recolhimento das contribuições;” 12.2 sustenta que tais pagamentos encontramse registrados na contabilidade da empresa, em conta própria, e na declaração de rendimentos dos sócios, bem como na DIRPJ da MM Comércio, porquanto não houve supressão de contribuições; afirma que “bem autoriza a utilização prevista no parágrafo único do art. 116 do CTN, não havendo ato ou negócio dissimulado para ocultar outra realidade que efetivamente teria sido praticada para fins de diminuir, ou até mesmo eliminar a carga tributária; 12.3 a notificada afirma que a documentação juntada ao presente pelo AFPS somente comprova o contrário do pretendido, inaceitável é a cobrança de contribuições previdenciárias sobre quitação de empréstimos, assim como não se pode inverter o ônus da prova, que cabe ao fisco; 12.4 alega que, quanto a retenção sobre a remuneração dos prestadores de serviços, as contribuições foram recolhidas e não consideradas, alegandose que não foi emitida nota fiscal competente, sem atentar para a legislação que se refere não só a nota fiscal, mas também fatura e recibo; 12.5 a empresa afirma que a retenção, substituição tributária com responsabilidade supletiva da prestadora de serviço, em caso de eventual diferença entre a retenção do percentual de 11% do valor da nota fiscal, fatura ou recibo e o montante real da contribuição devida na respectiva competência, a autoridade administrativa não observou o princípio da verdade material, Fl. 786DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 para buscar, por todos os meios de prova possível, a ocorrência do fato gerador e o efetivo recolhimento das contribuições (na tomadora e na prestadora dos serviços), não transferir para o contribuinte a incumbência de prova negativa, ao tempo em que afirma que a redação da Lei 9.711/98 ofende o CTN, por ampliar conceitos de cessão de mãodeobra e empreitada; 12.6 citando doutrina e jurisprudência, o contribuinte afirma que indício tem que ser provado, presunção ancorada na lei, e, em matéria tributária, vigora o princípio da legalidade Tipicidade Fechada, que admitir a presunção de fato doloso e inverter o ônus da prova em desfavor do contribuinte viola os principios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, onde cita doutrina do tributarista Hugo de Brito Machado; 12.7 citando o art. 108, inciso I, do CTN, alega a empresa notificada que da analogia não se pode exigir tributo não devido; afirma que fundo de comércio é muito mais que estabelecimento empresarial, envolve o ativo, passivo, bens móveis, mercadorias, clientela, fornecedores, empregados, marca, registro comercial, etc, salientando que não é o que ocorreu no presente feito, pois o negócio juridico envolvendo a notificada e a empresa MM Comércio decorre de contrato de locação comercial de espaço, por prazo determinado, citando como exemplo Shopping Center, tal negócio não configura sucessão tributária; alega, também, que o fato de um diretor ser sócio de empresa que aliena ou aluga a marca comercial e vir a ser diretor do locatário ou comprador desta marca não constitui indício de dissimulação; 12.8 assegura o contribuinte que “Do mesmo modo, com relação aos pagamentos mensais dos exsócios da MM Comércio S/A (Srs Marcus Moimone Ramos e Marcus Moimone Ramos Júnior), que efetivamente se referem a empréstimos anteriores a sua retirada sociedade supostamente sucedida fato que se repetiram ao longo dos anos seguintes, até a quitação dos empréstimos”; 12.9 transcrevendo o artigo 133, “caput” e incisos I e ll, do CTN o notificado alega que em considerando a responsabilidade tributária, apenas se enquadra o tributo, não a multas, ao tempo em que cita jurisprudência do STF e questiona qual teria sido a infração cometida para que pudesse exercer a defesa e o contraditório, (citando o artigo 5°, inciso LlV da Constituição Federal). 13. Por fim, requer: a) que seja julgado nulo o presente lançamento; b) se enfrentado o mérito, seja julgado improcedente. 14. Protesta pela juntada de prova documental, posto que o prazo para o colhimento das mesmas foi insuficiente. "` A DN 04.401.4/0544/2005 considerou o lançamento totalmente procedente, tendo sido o contribuinte devidamente intimado da decisão em 02 de março de 2006 (AR fls. 685). Fl. 787DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 784 9 Em 03 de abril seguinte, tempestivamente portanto, foi interposto recurso (fls 690), sem o depósito recursal exigido à época, porém com uma liminar proferida em mandado de segurança interposto para afastar tal exigência. Consta do apelo, em síntese, as seguintes alegações: · O procedimento fiscal é nulo pois foi realizado em desacordo com os ditames do MPF uma vez que foi expedido em nome da Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda e nele não consta a extensão para as empresas MM Comércio S/A ou Loja Comercial Ramos. · Não há a sucessão tributária pretendida pelo Fisco uma vez que a empresa MM Comércio continua em pela atividade comercial, estando devidamente registrada nas Receitas Federal e Estadual, tanto assim que foi beneficiada por refinanciamento de dívidas tributárias. · Tal fato desconsidera a sucessão atribuída pela Autoridade Fiscal, segundo jurisprudência transcrita do STJ, e afasta, por expressa disposição do artigo 133 do CTN, a imposição de penalidades. · Alega ainda que mesmo que se verificasse a sucessão imputada, a responsabilidade da sucessora seria subsidiária, uma vez que as empresas continuam em atividade. · Há ausência de motivação no lançamento tributário uma vez que nos MPF's estão direcionados para empresas em atividade e não se sabe qual delas deixou de recolher as contribuições devidas. · A ausência de TIAD específico, com a correta identificação do contribuinte e com a ausência de descrição dos fatos geradores, impede a ampla defesa e o devido processo legal. · Há decadência dos créditos previdenciários para as competências de 01/1998 até 08/2000. · Há prescrição dos créditos previdenciários declarados em GFIP em face da contagem do prazo prescricional nos termos do artigo 174 do CTN. · Alega que os créditos padecem de vícios insanáveis em razão da ausência de suporte legal para os procedimentos de aferição posto que há suposição de houveram retiradas de prólabore sem contudo haver comprovação de tal fato. · Que compete à Autoridade Fiscal comprovar a efetiva cessão de mão deobra que enseja a retenção dos 11% · Se insurge contra a coresponsabilidade dos sócios imputada pelo CORESP. · Que as multas aplicadas tem caráter confiscatório. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 · Que a penalidade imposta no AI 35.790.9062, aplicada nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, por contribuições não declaradas em GFIP, não pode ser aplicada em sobreposição às multas constantes do AI 35.790.9062 por infração no preenchimento da GFIP. Em 28 de novembro de 2006, por despacho constante de folhas 732, o Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador, denegou o seguimento do recurso em razão da decisão desfavorável de mérito proferida pela Justiça Federal na. Bahia. Agravada a decisão, esta restou modificada em face de alteração do entendimento do STF sobre a exigência de depósito como condição recursal. Por isso, em 04 de agosto de 2008, por meio de despacho fundamentado (fls. 773), o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, SECAT, da DRF Salvador, encaminha o presente para este Conselho Administrativo. Em 07 de outubro de 2010 o processo 18050.003152/200808, que trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória lavrada no mesmo procedimento fiscal (AI n° 35.790.9046), é apensado a este processo, consoante despacho de folhas 777. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o recurso voluntário interposto na ordem das alegações. PRELIMINAR IRREGULARIDADE NO CUMPRIMENTO DO MPF: Segundo a Recorrente, há irregularidades no procedimento fiscal em consequência de vícios no MPF. Vejamos seus argumentos: "A imposição da penalidade administrativa em nome de Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda “sucessora” de MM Comércio S/A (Loja Comercial Ramos) contraria a regulamentação do Mandado de Procedimento Fiscal nos temos da Portaria MPS 520 de 19 de maio de 2004 que assim determina em seu artigo 32: Art. 32. São nulos: I os atos e termos Iavrados por pessoa incompetente; /I os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 789DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 785 11 III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. (grifos nossos). Ora, a determinação da autoridade lançadora contida no Mandado de Procedimento Fiscal, bem como os três termos para apresentação de documentos TIAD estão direcionados exclusivamente à Recorrente, logo inadmissível a punição pela não apresentação de documentos pertencentes às empresas alheias ao procedimento fiscal." Incabível o argumento do Recorrente pois contrario aos fatos constantes do processo. Observo às folhas 334 do processo digitalizado o MPF 09241558 emitido em 27 de maio de 2005, com ciência em 30 de maio de 2005, pelo Contribuinte MM Comércio S/A, CNPJ 01.866.643/000185. Como o lançamento ocorreu em 22 de setembro de 2005, foram cumpridos os ditames da norma mencionada pelo Recorrente. Em face do exposto, rejeito a preliminar alegada. MÉRITO Entendo ser a decadência matéria afeta ao mérito processual. Nesse sentido, por seu reconhecimento ser uma preliminar às demais matérias de direito, passo a analisála. Segundo o recurso (fls 698): A obrigação tributária exigida compreende o período de 01/1998 à 05/2005 sendo que da lavratura da Notificação é datada de 22/09/2205 portanto decorreu o lapso temporal de mais de cinco anos para as competências cobradas de 01/1998 à 08/2000. A contagem do prazo decadencial de cinco anos vinculado à constituição do crédito previdenciário, subsumese no perecimento do direito por não ter sido exercitado dentro de um prazo determinado. É um prazo de vida do direito. Não comporta suspensão nem interrupção. E irrenunciável e deve ser pronunciado de oficio. Se existe um direito público em proteger o direito do sujeito ativo, decorrido determinado prazo, sem que o mesmo exercite esse direito passa a ser de interesse público que o sujeito passivo daquele direito não mais venha a ser perturbado pelo credor a fim de preservar a estabilidade das relações jurídicas. O STJ redirecionando seu posicionamento vem decidindo que, havendo recolhimento tempestivo, o que de fato ocorreu, o prazo decadencial à constituição do crédito previdenciário é de cinco anos contados do fato gerador." Alega ainda o recorrente prescrição dos valores lançados em GFIP para o período acima mencionado, o que se deixa de analisar em razão da decisão como fundamentada abaixo. Pacífico hoje na doutrina tributária que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendidos aqueles em que a Lei determina a antecipação do pagamento Fl. 790DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 pelo sujeito passivo, se submetem à contagem do prazo decadencial pela regra contida no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Nacional Tributário, CTN. Porém, mister ressaltar, com veemência, que a regra geral para contagem do prazo decadencial é aquela esculpida no artigo 173 do CTN que determina que o prazo de cinco anos para que o Fisco proceda a constituição do crédito, por meio do lançamento, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A regra excepcional, como dito, se aplica somente aos tributos nos quais a Lei determina a antecipação do pagamento, chamados de tributos sujeitos ao auto lançamento ou lançamento por homologação, que como cediço, são a maioria dos tributos existentes em nosso ordenamento jurídico hodiernamente. Porém, não se aplica de imediato a regra excepcional de contagem do prazo decadencial. Exige, a jurisprudência pacífica do STJ (REsp 973733/SC, Rel Min Luiz Fux, Primeira Seção, julg em 12/08/09, recurso repetitivo), amparada na disposição constante do § 4º do artigo 150 do CTN, outras duas condições para a aplicação da regra excepcional: i) a existência de efetivo pagamento, ao menos que parcial, do tributo em análise e; ii) a inexistência de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. Em conclusão, aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando existente a devida antecipação do pagamento e não tendo ocorrido fraude, dolo ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A Súmula CARF nº 99 explicita tal posição: "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Analisemos o caso em concreto. Quanto à existência de antecipação de pagamento, observo às fls. 95, no Relatório de Documentos apresentados, provas de recolhimento das contribuições da empresa (GPS código 2100) somente nas competências 12/1999 e 02/2000 a 09/2000. Inegável portanto, em face da inexistência de pagamento nas demais competências, aplicação somente para essas do prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador. Porém, não obstante a falta de antecipação de pagamento verificada, para os anos de 1998 e 1999 observo a decadência arguída, pois mesmo utilizandose a regra constante do artigo 173, o direito de constituição do crédito tributário em 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte, extinguiuse em 01 de janeiro de 2005. Partindo para a verificação da ocorrência de fraude, dolo ou simulação observo que embora tais condutas possam ter ocorrido em razão da sucessão estabelecida no procedimento fiscal não constam tais imputações para o período objeto da necessária análise no Relatório Fiscal. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 786 13 Logo, aplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN para as competências de 02/2000 até 08/2000 Diante do exposto, e com base na fundação adotada, dou provimento parcial ao recurso quanto ao prazo decadencial para reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito tributário nas competências anteriores a 08/2000, com exceção de uma única competência: 01/2000 por ausência de antecipação do pagamento. Recurso parcialmente provido nessa parte. AUSÊNCIA DE SUCESSÃO Alega a Recorrente a ausência de sucessão em razão da existência de atuação das empresas constantes da autuação. São seus argumentos: "Registra a Decisão de Notificação em seu inciso terceiro de que a MM Comércio S/A CNPJ n° 01.866.643/000185 foi comunicada da ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF N° 09241558 emitido em 27/05/2005 e em 09/08/2005 foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal MPFF n° 09256741 para a Recorrente. A própria Autoridade Julgadora reconhece tratarse de empresas distintas e em atividades normais , neste sentido também corrobora a Autoridade Lançadora ao cumprir os respectivos mandados intimando do procedimento fiscal separadamente os sócios consignados nos respectivos estatutos ou contratos sociais das referidas empresas, ou seja, os Srs. Antonio Sizino de Souza em nome de MM Comércio S/A e Josenilson de Souza Andrade representante da Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda. Importa esclarecer, mais uma vez que a empresa MM. Comércio continua em plena atividade comercial, na Avenida Fros da Mota, n. 2491, Contorno, Feira de Santana, haja vista que mantém em vigor o seu registro perante as Receitas Federal e Estadual, valendo realçar, mais ainda, que, em decorrência disso, chegou até a ser beneficiária de refinanciamento de dívidas tributárias tanto perante a Receita Federal, com regular adimplemento, conforme comprovam os documentos anexos. A recorrente, de sua parte, detém sede social e desenvolve sua atividade comercial na Av. ACM, n. 2423, SSA/BA, registro na Fazenda Federal distinto daquela outra. A empresa dita sucedida, de há muito já funcionava, como ainda funciona, na Cidade de Feria de Santana, como se verifica dos documentos anexos. Por conseguinte, ao que se verifica dos aludidos documentos, ilegais e injustos se afiguram as autuações e lançamentos procedidos contra a recorrente. (...) Fl. 792DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Os documentos anexados comprovam que a empresa MM Comércio S/A mantém suas atividades regulares, logo, havendo débitos ou imposição de penalidades, a esta devem ser atribuídos e jamais à pseudo sucessora. Neste sentido são reiteradas as decisões do STJ no sentido de que havendo continuidade das atividades da empresa “pseudo” sucedida não há que se falar em sucessão tributária conforme os seguintes julgados:" Em primeiro lugar, mister apontar a incoerência entre o argumento utilizado pela recorrente quanto ao vício constante do MPF, analisado nas preliminares, e a alegação acima reproduzida. Em que pese tal apontamento, novamente não cabe razão ao Recorrente. Vejamos. Consta do Relatório Fiscal, folhas 358 a 379, todo o desenvolvimento, em ordem cronológica, dos documentos constitutivos e alterações de contrato social das empresas MM Comércio S/A e Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda., além das questões afetas a utilização da marca "Comercial Ramos", e da enorme confusão patrimonial e societária existente. Em especial, pela clareza e conclusividade, reproduzimos o item 2.4 do mencionado relatório (fls 380): "Considerando os fatos supra citados, devemos considerar que: Soa demasiadamente estranho, para ser aceito como verdade, que uma empresa detentora de conhecida marca comercial, em local dos mais prósperos da cidade, houvesse decidido, sem mais nem menos, transferir suas atividades para outro local, ainda mais, tratandose dos endereços e forma adotados. E que, instantaneamente, outra empresa, justamente interligada a antigos acionista e sócio daquela, houvesse se instalado no local, passando a operar no mesmo endereço e a utilizar a mesma marca comercial, móveis, equipamentos, etc, sem nenhuma oficialização de aquisição de fundo de comércio. Tratase de circunstâncias suficientes para uma convicção não apenas que houve transferência dos negócios, mas também de que a dissimulação se deu com o propósito de afastar a responsabilidade pelos débitos fiscais da sucedida. A empresa não se reduz aos elementos materiais, acrescentam se, muitas vezes, bens economicamente mais significativos, por exemplo, o conceito comercial, o ponto e a marca de que é titular. Em se projetando tais considerações para a transferência da marca “Comercial Ramos”, a qual se agrega valor econômico da freguesia, é lógico, a repercussão comercial desta marca comparece como fator de real significado. É notório que o valor econômico da marca comercial prevalece em relação aos demais componentes do fundo de comércio. Pouco importa, acrescentese, a transferência ocorrer mediante compra ou locação. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 787 15 Nessa hipótese, formalmente, pode não comparecer o trato das duas empresas, mas substancialmente, no entanto, caracterizar seá verdadeira sucessão. Devemos considerar que, a passagem do Sr. Josevando de Souza Andrade como acionista da MM Comércio S.A., mediante aquisição de pequena parcela de quotas, e seu ingresso posterior na MULTIBEL; a permanência do Sr. Silvio Luiz de Azambuja Correa como diretor não empregado da MM e administrador não sócio da MULTIBEL; e os lançamentos contábeis referentes a contrato de mutuo e rateio de despesa de pessoal, configuramse em irrefutável demonstração de vínculo entre as duas empresas. Por outro lado, de direito, o endereço ocupado originalmente pela MM Comércio S.A. diferenciase do endereço atualmente ocupado pela Multibel apenas na identificação “1° andar”, contudo, de fato, o endereço é o mesmo, pois corresponde a um único prédio onde funciona no 1° andar a atividade administrativa e no térreo a atividade comercial. Similarmente, o endereço adotado para transferência da MM Comércio S.A. em 04/11/2004, à Av. Antonio Carlos Magalhães, s/n, lote C1, bairro Parque Bela Vista, na cidade de Salvador / BA, de fato, também corresponde ao mesmo endereço atualmente usado pela MULTIBEL, visto que é um depósito integrante das instalações da loja “Comercial Ramos", que, como já mencionado, não apresentava, à época da fiscalização, instalações adequadas para desenvolvimento de qualquer atividade empresarial. A alteração de endereço para Feira de Santana / BA ocorre, também, apenas de direito, já que a visita fiscal realizada no endereço não identificou funcionamento da MM Comércio S.A. no mesmo. Portanto, de fato, as duas empresas coexistem dentro do mesmo espaço físico, desenvolvendo conjuntamente suas atividades, inclusive com empregados da área de vendas da MM alocados dentro da loja “Comercial Ramos”, fato verificado durante a ação fiscal, que só confirma os fortes indícios de simulação na continuidade operacional da MM Comércio S.A. Ainda, corroborando a linha de pensamento da fiscal notificante, encontramos jurisprudência neste assunto em decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no julgamento do recurso especial n° 3.828/SP, interposto pela Fazenda do Estado de São Paulo, registro n° 9000061830, conforme ementa e acórdão adiante transcritos: EMENTA: “DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITOS DE ICMS. SUCESSÃO DISSIMULADA DE EMPRESAS, SUSCETÍVEL DE SER DEMONSTRADA POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 D0 CÓDIGO TR1BUTÁR10 NACIONAL. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Caso em que o v. acórdão impugnado evidenciou circunstâncias suficientes para autorizarem a presunção de que houve, efetivamente, a alegada transferência do estabelecimento comercial. Erro de valoração da prova, que redundou em negativa de vigência do dispositivo legal acima citado. Recurso provido.” ACÓRDÃO: “Vistos e relatados estes autos em que sao partes as acima indicadas: I Decide a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.” Cabe, ainda, transcrever trecho extraído do voto do Exmo. Sr. Ministro Ilmar Galvão (Relator): “Não se pode esquecer que, nas condições descritas, a prova da fraude dificilmente poderia ser feita por meio da 'exibição do instrumento da cessão, ou outro equivalente, razão pela qual pode ela assentarse em indícios e presunções (WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, in Curso de Direito Civil, 1” vol., ed. Saraiva, 1977, pág. 210), que, no caso, são preciosos, graves e concordantes.” , A Autoridade Fiscal explicita com riqueza de detalhes a verdadeira simbiose existente as alegadas duas empresas envolvidas na sucessão apontada. Como bem relatado, embora existentes vários negócios jurídicos realizados no sentido de configuração de alterações de composição societária e de aquisição de uma pessoa jurídica por outra, todo o desenvolvimento real dos negócios se dá em continuidade no sentido de sua atividade econômica consolidada ao longo dos anos. Entendo comprovado pela Autoridade Notificante, a ocorrência de confusão patrimonial e administrativa no sentido de afastar o manto de personalidades jurídicas distintas alegado no Recurso. Vejamos (fls. 362): "Ata de Assembléia Geral realizada em 06/07/1999, registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia sob n° 29300024198, em 27/08/1999, trata da transformação da MM em sociedade anônima, aprova o Estatuto Social e elege como membros da diretoria os Srs. Sílvio Luiz de Azambuja Correa (diretor presidente) e Marciano de Santana Filho (diretor executivo). Em 27/01/2000, mediante instrumento particular de compra e venda de ações de sociedade anônima, Sr. Marcus_Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior, possuidor de 12.744 (doze mil, setecentos e quarenta e quatro) ações ordinárias nominativas representativas de parte do capital social da MM Comércio S.A.,vendeu ao Sr Silvio Luiz de Azambuja Correa as ações de números 001 a 12.624, pelo preço de R$ 12.624,00 (doze mil, seiscentos e vinte e quatro reais), e ao Sr. Josevando Souza Andrade (CPF 074.866.00544) as ações de números 12.625 a 12.744, pelo preço de R$ 120,00 (cento e vinte reais), retirando se da sociedade. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 788 17 Contraditoriamente, em 25/07/2002 consta a participação como “Presidente da Mesa Diretora” da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da MM Comércio S/A, registrada na JUCEB em 30/09/2002, sob n° 96400198, o Sr. Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior. Apesar dos sócios Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira e Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior terem saído da sociedade em 04/02/1999 e 27/01/2000, respectivamente, a escrituração contábil da MM Comércio S.A. nos exercícios 1999 a 2002 registra pagamentos mensais a ambos, escriturados nas contas 2.05.07.01.00002 e 2.05 .07.01.0000l, intituladas “Empréstimo de Sócios”. Ainda, nas competências janeiro a julho / 2004, constam na escrituração contábil da MM Comércio S.A. lançamentos com históricos de pagamentos efetuados a Marcus Maimone, SBNA Ramos e Sena Ramos, contabilizados apenas nas contas passivo (Fomecedor) e ativo (Banco). Solicitados os documentos fiscais e contratos correspondentes aos empréstimos concedidos pelos sócios à empresa, para esclarecimentos da fiscalização, a empresa não apresentou nenhuma documentação esclarecedora, conforme consta do Auto de Infração lavrado sob n° 35.790.9038." (destacamos) Significativo o último parágrafo da transcrição acima. Intimado a esclarecer, ou seja, oportunizado ao Recorrente o direito de aplacar as dúvidas ensejadoras da imputação da responsabilização pelos tributos devidos pela 'sucedida', o Fisco não obtém resposta. Essa omissão, pela qual a Recorrente não se livra do ônus de afastar a acusação fiscal, tem o condão de caracterizar a confusão patrimonial, societária e administrativa das pessoas jurídicas envolvidas, descaracterizando os atributos de personalidade no sentido da proteção jurídica atribuída pela lei. Há responsabilidade tributária nos termos imputados pela Fiscalização, quanto mais ao se recordar que a alegada manutenção da responsabilidade da sucedida, em face da sua existência posterior à venda de seus ativos, cai por terra ao se observar que, de fato, pela acusação fiscal e pela simulação demonstrada, essa sucessão se observa somente nos documentos registrados na Junta Comercial. Não obstante a simulação apontada, necessário recordar, com o fito de afastar definitivamente a questão da responsabilidade subsidiária arguída, que parte significativa do créditos tributários constituídos são posteriores ao negócio jurídico entabulado, posto que ocorrido em fevereiro de 2003. Pelos mesmos motivos apontados, não vejo possibilidade de afastamento das penalidades aplicadas a Recorrente, não se aplicando, ao caso concreto, o entendimento do Pretório Excelso. Diante do exposto, nego seguimento ao recurso nessa parte. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 Quanto à ausência de motivação no lançamento tributário alegada no recurso às folhas 696, observo que argumentou o Recorrente: "Causa estranheza a lavratura de auto de infração em nome de MULTIBEL UTILIDADES E ELETROMÉSTICOS LTDA SUCESSORA DE MM COMERCIO SIA (LOJA COMERCIAL RAMOS) na medida em que os Mandados de Procedimentos Fiscais MPFs estão direcionadas para duas empresas em atividades regulares MULTIBEL UTILIDADES E ELETROMESTICOS LTDA e MM COMERCIO S/A, não se sabe qual delas deixou de recolher as contribuições sociais exigidas e quais foram as bases imponíveis identificadas pela auditoria fiscal. A ausência de TIAD especifico, ou seja, com a correta identificação do contribuinte, bem como a descrição e conteúdo dos fatos geradores das obrigações previdenciárias, impede o exercício da ampla defesa e obsta o devido processo legal, até mesmo não se sabe quais documentos geraram o obrigação tributária exigida, se da pseudo antecessora ou da Recorrente." Não é o que consta do processo administrativo. Esclarece o relatório fiscal (fls. 383): "DA COMUNICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL 4.1 A MM Comércio S.A. foi comunicada sobre a ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPF n° 09241558, emitida em 27/05/2005 no CNPJ 01.866.643/000185, conforme cópia anexa; 4.2 Em 09/08/2005, foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPF n° 09256741 em nome da MULTIBEL Utilidades e Eletrodomésticos LTDA, conforme cópia anexa; 4.3 Em 30 de maio de 2005 foi emitido em nome da MM Comércio S.A o primeiro Tenno de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), tendo sido emitidos, no decorrer da fiscalização outros TIAD complementares, anexados ao presente Relatório. 5 DOS DOCUMENTOS ANALISADOS NA AÇÃO FISCAL: 5.1 Durante a Ação Fiscal, foram examinados os seguintes documentos: Livro Diário em meio papel dos exercícios 1998 a 2004; Razão Contábil em meio papel dos exercícios 1998 e 1999; Razão Contábil em arquivos digitais dos exercícios 2000 a 2004; Plano de Contas; Documentos contábeis (caixa) apresentados pela empresa; Fl. 797DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 789 19 Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP de fevereiro / 2000 a maio / 2005; Guias de Recolhimento ã Previdência Social; DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte 1999 a 2003; Contrato Social de Constituição da MM Comércio LTDA e alterações contratuais subseqüentes; Estatuto da MM Comércio S.A. e Atas de Assembléia Geral; LIT Livro da Inspeção do Trabalho; Folhas de Pagamento. 5.2 Não foram comprovados registros na JUCEB, até 0 término da ação fiscal, dos Livros Diário dos exercícios 2003 e 2004. Em função da falta de registro na JUCEB dos Livros Diário e pela não apresentação da escrituração contábil do período janeiro a maio / 2005, foi lavrado o auto de infração Ai nº 35.790.9038" (destacamos) Não obstante constar explicitamente a existência de MPF e termos de intimação específico das empresas relacionadas, há ainda anexado ao auto de infração, completo relatório fiscal, além de inúmeros relatórios auxiliares sobre o débito, de forma sintética e também discriminada, além de relatório com fundamentos legais do débito, documentos apresentados, documentos apropriados, créditos apropriados e termo de encerramento de ação fiscal. Não há falta de motivação ao ato administrativo do lançamento, tampouco qualquer impedimento à ampla defesa. Recurso negado nessa parte. DA CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Além de reiterar a decadência alegada, e acima reconhecida parcialmente, a Recorrente entende ter havido ausência de suporte legal aos procedimentos de aferição, especialmente quanto aos empréstimos aos sócios, tido como prólabore, bem como ausência de TIAD específico, com suporte no parágrafo 3º do artigo 33 da Lei de Custeio. Não se pode concordar com o argumento do recurso. Não houve procedimento de aferição indireta no lançamento tributário realizado sobre os pagamentos efetuados à título de empréstimo aos sócios. Recordemos a acusação fiscal (fls 386): Lançamentos escriturados nas contas 2.1.2.9.0042 (Empréstimos de Sócios Marcus Ramos) e 2.05.07.01.00001 (Empréstimo de Sócio Marcus Jr), correspondentes a valores pagos aos Srs. Marcus Fl. 798DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 Maimone Ramos de Sena Pereira e Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior a título de quitação de empréstimo concedido a MM Comércio S.A., foram caracterizados como prólabore enquanto ocupantes de cargo de diretoria e como remuneração por serviços prestados como autônomos após o afastamento do cargo de diretor. A caracterização fundamentase na falta de apresentação de contratos e/ou outros elementos comprobatórios da concessão de empréstimo à empresa pelos referidos sócios, considerando que tais saldos vieram da cisão parcial da empresa Comercial Ramos, como também na análise de alguns documentos contábeis apreciados. Alguns documentos contábeis analisados estão anexados ao presente relatório, devendose observar que as fichas contábeis que acompanham as cópias de cheque e depósitos bancários no campo “Origem da Despesa” constam expressões “Ref. Prolabore” e “Ref. Gratificação”. (destacamos) Claríssima a imputação fiscal. Valores retirados pelos diretores a título de empréstimos foram considerados remuneração em razão da ausência de comprovação do negócio jurídico aventado. Os documentos de suporte dos valores da remuneração considerada foram obtidos na própria contabilidade apresentada pelo Contribuinte. Assim, não se pode falar em aferição indireta, que como sabido, é forma de obtenção da base de cálculo de um tributo quando, verificada a ocorrência do fato gerador, não se pode obter ou determinar com exatidão a base de cálculo do tributo. Ora, no caso concreto verificouse pelo meio de prova adequado a escrituração contábil o exato valor da base de cálculo da contribuição previdenciária, o valor da remuneração do segurado contribuinte individual. Do exposto, afasto o argumento recursal. Argumenta ainda (fls 706): "Acrescese ainda que a Decisão de Notificação reconhece em seu inciso 42 que os lançamentos AM, FOR e NP são ilegais, pois decorrem de recolhimentos retidos da Notificada pelas prestadoras de serviços Amaral Coleta de Lixo, Fortaleza Segurança Empresarial e NP Prestação de Serviços, ocorrendo tão somente equívocos formais, contudo as contribuições sociais devidas encontramse vertidas aos cofres da Previdência Social, mantendo a exigência tributária ainda que em duplicidade." (sublinhamos) Como bem apontado na decisão de piso, foi observado no procedimento fiscal que a retenção efetuada pela Recorrente sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas mencionadas no trecho transcrito acima do recurso, foi erroneamente recolhido, tendo sido efetuado no CNPJ que não das empresas prestadoras que, efetivamente, arcaram com o tributo recolhido, uma vez que se trata de valor retido e que deve ser posteriormente recolhido pelo tomador dos serviços, consoante disposição do artigo 31 da Lei nª 8.212/91. Recordemos a decisão da DRP Salvador: Fl. 799DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 790 21 "Os lançamentos AM, FOR, e NP são referentes a valores retidos das empresas Amaral Coleta de Lixo, Fortaleza Segurança Empresarial e NP Prestação de Serviços, respectivamente, e recolhido, indevidamente, em CNPJ que não correspondem ao das empresas contratadas. A empresa notificada foi orientada pela notificante no sentido de retificar as guias de recolhimento (fls.386), entretanto, até a presente data não foram realizados os referidos acertos nas Guias, conforme anexos, não se podendo, pois, abatêlos do presente lançamento." (destaques nossos) Logo, não há a ilegalidade apontada, ao reverso, cabe ao contribuinte a correção do erro por ele cometido, em atenção a orientação realizada quando ainda do procedimento fiscal. Não procedem os argumentos recursais. E mais. Segundo a Recorrente, os lançamentos referentes a retenção da cessão mãodeobra não merecem prosperar. Atentemos para as alegações (fls 705): Quanto à retenção de 11% sobre o valor das faturas de prestação de serviços instituída pela Lei 9.711/98 alterando o artigo 31 da Lei 8.212/91, compete à Autoridade Lançadora comprovar o efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, isto é, a colocação de prestadores de serviços à disposição do contratante. Contudo tal procedimento não ocorreu, maculando de vício insanável a exigência tributária." (destacamos) De fato, é ônus do Fisco a comprovação da ocorrência do fato gerador tributário, como explicita o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72. No caso da retenção de 11% sobre a nota fiscal/fatura de prestação de serviços, a retenção só é devida no caso de tais serviços serem prestados mediante cessão de mãodeobra, como explicita o artigo 31 da Lei de Custeio da Previdência Social. Assim, imprescindível a comprovação da prestação de serviços mediante a cessão de mãodeobra. Porém, tal comprovação só pode ser efetuada por meio da análise das notas fiscais e contratos referentes aos serviços prestados, e para tanto, tais documentos devem ser apresentados ao Fisco, sob pena de inversão do ônus da prova. Exatamente o ocorreu no caso em apreço. Voltemos ao Relatório Fiscal (fls. 391): Os levantamentos CO, FB e FGV correspondem a lançamentos contábeis referentes a serviços prestados de mãodeobra temporária pelas empresas CONSULTRE Recursos Humanos Ltda, FEED BACK Assessoria em Recursos Humanos Ltda e JVG Consultoria de Pessoal Ltda, respectivamente, cujas retenções não foram comprovadas pela fiscalização, porém presumidas como feitas oportuna e regularmente pela empresa contratante, em conformidade com o § 5° do artigo 33 da Lei 8.212/1991. No exercício de 1999, os valores devidos foram apurados mediante a aplicação do percentual de 11% sobre as bases de Fl. 800DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 cálculo, as quais foram extraídas das contas do grupo de despesa do Livro Diário e Razão Contábil, enquanto nos demais exercícios foram empregados os valores efetivamente retidos das contratadas, contabilizados nas contas do passivo “INSS NA FONTE A RECOLHER” do Livro Diário e Razão Contábil. A empresa deixou de apresentar os contratos de prestação de serviço sujeitos à retenção de 11% 1 na forma da lei 9.711/98, com vigência a partir de 01/02/99, acompanhados das notas fiscais correspondentes às retenções incluídas nestes levantamentos, conforme registrado no Auto de Infração n° 35.790.9038." (destaques nossos) Despiciendo maiores comentários. Não se pode permitir que o contribuinte, descumprindo seu dever de colaboração com o Fisco, se livre da exação em razão de sua inércia. Na falta de apresentação dos documentos comprobatórios dos fatos geradores presumidos, cabe ao Fisco efetuar o lançamento com base nas escriturações do contribuinte, restando a este, o ônus da prova em contrário. Recurso não provido nessa parte. DA CORESPONSABILIDADE Insurgese o recorrente (fls. 706): "Urge ainda impugnar a pretensão da fiscalização que apesar de autuar somente a Recorrente como se sucessora fosse de outra empresa também em atividade , aponta nos relatórios CORESP os sócios da Autuada e de sua pseudo antecessora como co responsáveis pelo valor da autuação em apreço, vez que também indevida, pois a imposição de penalidade em comento não pode surtir efeitos quanto aos mesmos." Reproduzo, pela minha total concordância com a argumentação e fundamentação, por sua clareza e objetividade, o voto do ínclito Conselheiro Julio César Vieira Gomes, condutor da decisão unânime prolatada pela 1ª Turma da 3ª Câmara deste Conselho que resultou no Acórdão 2301004.602 de 12 de abril de 2016: "Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93. Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEGRelatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei8.620/93: Art. 13.O titular da firma individua le os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, Fl. 801DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 791 23 quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente como contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto3.048/99: Em síntese ,temos que: a) a“Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b)a revogação do artigo 13 da Lei nº 8.620/93 pelo artigo79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação" Como dito acima, tal entendimento é pacificado no âmbito do Colegiado. Vejamos a dicção da Súmula CARF nº 88: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Nesse sentido, nego provimento ao recurso nessa parte. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Insurgese o Recorrente contra as multas aplicadas. Alega (fls 707): "A multa imposta nos termos do artigo 35 da Lei 8.212/91, podendo atingir 120% do valor do débito, cumulada com aquelas específicas da GFIP macula os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade caracterizandose no odioso confisco (...) À penalidade imposta nesta autuação deve ser adicionada aquelas impostas no Auto de Infração e Imposição de Multa Al 35.790.9062 no valor de R$ 666.007,91 ou seja, nos termos do parágrafo 4° do artigo 35 da Lei 8.212/91, onde para as contribuições não declaradas em GFIP é vedado a aplicação do redutor de cinquenta por cento dos valores das multas e Auto de Infração e imposição de multa DEBCAD N. 35.790.9062 no valor de R$ 293.759,20 também incidentes sobre infrações ao mesmo sistema da GFIP, por erros no preenchimento de campos." Sobre o tema necessárias algumas considerações. Verificase que após o lançamento tributário, no qual foi observado o descumprimento de obrigações acessórias relacionada à GFIP, foi editada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, que alterou a redação da Lei nº 8.212/91 no tocante as penalidades relacionadas à GFIP. Alterouse pela Lei nº 11.941/09 a redação do artigo 32 da Lei de Custeio da Previdência, além da inclusão do artigo 32A no mesmo diploma legal, que estabelece nova fórmula de cálculo da multa pela não apresentação ou apresentação incorreta ou inexata. Importante acrescentar que o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, incluídas ou não em GFIP, passou a ser penalizado com as multas previstas na Lei 9.430/96, consoante a disposição do novel artigo 35A da Lei nº 8.212/91. Ao se recordar que o CTN determina, em seu artigo 106, que: Fl. 803DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 792 25 "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." (negritamos) Tal dispositivo é denominado, comumente na doutrina, de retroatividade benigna. Tratando do tema, foi editada Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, em 04 de dezembro de 2009, determinando: "Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 804DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 26 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pelaLei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009." (negritos e sublinados nossos) Tais preceitos, com idêntico conteúdo semântico também constam da IN RFB nº 971/2009, em seus artigos 476 e 476A. Em que pese alguma divergência doutrinária dentro do colegiado, filiome a interpretação disposta na IN RFB/971, vinculante para a Administração Tributária, e que por óbvio obriga o Agente Fiscal. Tal posição parece consolidarse na CSRF. O voto condutor do Acórdão 9202003.925, julgado em 13 de abril de 2016, de lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, reflete tal entendimento Fl. 805DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.001828/200811 Acórdão n.º 2201003.287 S2C2T1 Fl. 793 27 No caso sob análise, verifico que permanecem em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica: a) a multa aplicada aos débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP nº 449, de 2008, constantes dos AIs 37.351.4468(débitos de obrigação principal) e b) a multa aplicada através do AI37.351.4450, aplicada por haver a empresa infringido o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, também para competências (fatos geradores) anteriores à vigência Medida Provisória nº .449, de 2008 .Tais multas foram aplicadas consoante demonstrativo de efl.10. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que para tais débitos de obrigação principal (cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP nº 449 de 2008 , ou seja, mais especificamente, antes de 04/12/2008, leiase competência 30/11/2008 e anteriores), bem como para o débito de obrigação acessória lavrado sob a égide da legislação anterior à mesma MP, se deva manter a cobrança das penalidades lançadas, uma vez que já realizada segundo a sistemática aqui defendida, que, notese, consoante muito bem observado pela recorrente, também foi referendada pelo art. 4o . da Instrução Normativa RFB no .1.027, de 2010. Devese limitar, desta forma, a soma das penalidades aplicáveis à cada competência acima abrangida ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, sem que se deva falar em comparação segregada da multa de obrigação acessória com o novo art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, na forma proposta pelo vergastado. Este percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual paras anções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art.44,I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, repitase, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no .971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010." (destacamos) Assim, voto no sentido de que a unidade de preparo, quando do efetivo pagamento do débito, faça o cotejamento do valores constantes do AI's nº 35.790.9054 e 35.790.9062 com os valores determinados pela novel redação da Lei nº 8.212/91, na forma determinada pelos artigos 476 e 476A da IN RFB nº 971/09, em face de sua adequação ao entendimento majoritário deste Colegiado. Recurso parcialmente provido nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto, negando as preliminares argüidas e no mérito dando parcial provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às competências anteriores a dezembro de 1999, inclusive os valores relativos ao décimo terceiro salário, e as competências de 02/2000 a 08/2000; e para determinar a verificação da aplicação da multa mais benéfica ao Fl. 806DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 28 contribuinte, pelo descumprimento das obrigações relativas à GFIP, em conformidade com as disposições da Instrução Normativa RFB nº 971/09. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 807DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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