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Numero do processo: 10925.000136/99-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/1999
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/03/1999 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
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PRESCRIÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEGORARO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/1999 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 01 36 /9 9- 28 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Insurgese a Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso voluntário ao adotar a tese segundo a qual o prazo prescricional para postular administrativamente a restituição do PIS recolhido indevidamente somente começaria a fluir a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, ocorrida em 10/10/1995. Com isso, reconheceu a instância recorrida que até 10/10/2000 poderiam ser postuladas as parcelas recolhidas a maior ainda que há mais de cinco anos. O pedido do contribuinte foi formalizado em 10 de março de 1999 e alcança competências entre 1988 e 1995. No seu recurso aponta a representação da Fazenda contrariedade à lei, mais especificamente aos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, e 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, de modo que o prazo, embora mesmo de cinco anos, teria seu início de contagem na data do recolhimento indevido realizado. É o bastante relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido porquanto satisfeitos os requisitos regimentalmente existentes à época de sua prolação: a decisão recorrida foi proferida por maioria e foram apontados os dispositivos legais que a Fazenda entende terem sido contrariados. Apesar disso, não se lhe pode dar provimento porquanto a matéria já se encontra sedimentada jurisprudencialmente. Com efeito, a contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente Fl. 413DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10925.000136/9928 Acórdão n.º 9303004.229 CSRFT3 Fl. 413 3 pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, que a pretendiam expressamente interpretativa de modo a poder ser aplicada mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Estes são os artigos mencionados pela representação da Fazenda Nacional para corroborar o entendimento de que a correta interpretação dos arts. 165 e 168 do CTN é a que propugnou. No julgamento mencionado, assim se pronunciou a Ministra Ellen Gracie acerca da posição que seria majoritária no STJ: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62 do atual Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que estava já prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 de março de 1989 dado que sua petição ingressou em 10 de março de 1999. Voto, assim, pelo provimento parcial do apelo fazendário de modo a reconhecer a prescrição com respeito aos recolhimentos referentes aos períodos de apuração ocorridos até fevereiro de 1989, inclusive, ressaltando que o período de março de 1989 poderia ser repetido até 31 de março de 1999, não tendo sido, portanto, afetado pela prescrição. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Observo em respeito ao princípio da eficiência que a decisão recorrida também enfrentou a questão da forma de cálculo da contribuição, reconhecendo, expressamente, a tese da semestralidade: Isto posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência e reconhecer a semestralidade, resguardado o direito da Fazenda Nacional de averiguar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis. Não tendo essa parte do acórdão sido contestada pela Fazenda Nacional, há de ser observada na apuração da existência ou não de direito a ser realizada pela instância preparadora ao executar o acórdão. É como voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13642.720172/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente KLEBER JOSELITO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 72 /2 01 5- 84 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720172/201584 Acórdão n.º 2402005.485 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta Notificação de Lançamento (fls. 5/11) para a exigência de crédito tributário apurado no valor de R$ 3.994,31, relativo ao anocalendário 2012, tendo sido apurado pela auditoria: · omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 56.741,41, pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, indevidamente declarados como isentos por moléstia grave. De acordo com o laudo médico apresentado, a doença foi contraída em 06/04/2015. Assim, somente a partir desta data o declarante teria direito à isenção; · omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições a Previdência Privada, no valor de R$ 370,22, recebidos de BRASILPREV Seguros e Previdência S/A, CNPJ 21.655.207/000131. O contribuinte deve oferecer à tributação os rendimentos próprios e os recebidos por seus dependentes. O rendimento foi recebido por Darcley Santos da Silva. Na impugnação (f. 2/3), o sujeito passivo alega, em síntese, que a retificação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) foi feita de maneira incorreta pois ele não sabia que as deduções ora lançadas deveriam permanecer na DAA. Diz, ainda, que o rendimento a título de resgate da Previdência Privada não havia sido informado pela fonte pagadora, documento anexo). A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1672.556 17a Turma da DRJ/SPO (fls. 28/31), fundamentado nos seguintes termos: O laudo médico de fls. 12 e 13, emitido pela Diretoria de Perícias Médicas do Hospital da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais em 21/05/2015, traz a informação que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015, posteriormente, portanto, ao anocalendário objeto desta Notificação de Lançamento (Anocalendário 2012). Sendo assim, tendo em vista o acima exposto, concluise que a documentação anexada aos autos não atende aos requisitos legais para a concessão da isenção, e a tributação dos rendimentos e a respectiva glosa do imposto retido na fonte, correspondente ao 13º salário serão mantidas. Pela análise da Declaração de Ajuste anual do interessado, juntada às fls. 18 a 24, percebese que o contribuinte informou como dependente Darclay Santos da Silva, CPF 748.793.24272. Confirme DIRF espelhada à fl. 27, a dependente do interessado auferiu, no anocalendário2012 o valor de R$ 370,22 a título de resgate de contribuições à previdência privada. Na declaração de ajuste anual, devem ser informados tanto os rendimentos próprios como os auferidos por dependente do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 contribuinte, o que não ocorreu no caso presente. Assim, há que se manter a inclusão de rendimentos efetuada no lançamento. Há que se concluir, finalmente, que a mera alegação do interessado de que errou no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual não tem o condão de refutar o lançamento em análise. Diante do exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a impugnação de fl. 02. Cientificado da decisão em 11/05/20116 (f. 36), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 37/39), em 08/06/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: 1. que jamais omitiu rendimentos ou tentou usar laudos médicos para confundir ou tentar requerer, de forma indevida, a restituição, mas foi orientado, por funcionário da RFB, de maneira equivocada; 2. foram lançadas na declaração as informações que o contribuinte possuía em mãos, nada mais além da verdade, as quais ainda considera despesas dedutíveis do imposto de renda; 3. não há dúvida de que o laudo informa que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015. O que se solicita não é a validação do laudo pericial, mas a possibilidade de nova entrega de DAA; 4. a solicitação inicial do contribuinte é a de poder ter considerada, pela Receita Federal, a declaração original transmitida em 19/03/2012, onde as receitas foram devidamente lançadas, para que a multa seja considerada indevida. Requer o acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal. Juntou documentos (fls. 40/63). É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720172/201584 Acórdão n.º 2402005.485 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. O contribuinte admite, no recurso, que o laudo médico somente diagnosticou sua enfermidade a partir de 06/04/2015. Logo, somente teria direito à isenção a partir desta data. Argumenta, no entanto, que cometeu um erro, e que não pretendia confundir ou requerer restituição de forma indevida. No entanto, a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente, como estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, ao contrário do que aduz no recurso, as informações apresentadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA, fls. 18/24) retificadora, entregue em 17/07/2015, e que serviu de base para o lançamento, não correspondem à realidade, eis que declara como isentos os rendimentos no valor de R$ 56.741,41, recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, quando o sujeito passivo não preenchia os requisitos para o exercício do benefício fiscal. Fica, assim, caracterizada a omissão de rendimentos apontada na notificação de lançamento. Quanto aos rendimentos recebidos por Darcley Santos da Silva, declarado como dependente do notificado, o recurso não trouxe qualquer alegação ou documento novo. O recorrente alega, ainda, que foi incorretamente orientado por funcionário da Receita Federal do Brasil (RFB). No entanto, não comprova tal alegação, pelo que resulta impossível de ser acolhida. Quanto à possibilidade de apresentação de nova declaração de ajuste, não teria repercussão sobre a notificação de lançamento sob exame. Acontece que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, está excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do §1o, do art. 7o, do Decreto no 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifouse) Desse modo, a apresentação de nova Declaração de Ajuste Anual não excluiria a responsabilidade pela infração, consoante dispõe o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse mesmo sentido já foi pacificada a jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Resulta, portanto, rejeitado o pedido para apresentação de nova declaração de ajuste para a finalidade de afastar o lançamento. No tocante à declaração retificadora, assim estabelece a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 (DOU 30/10/2014): Art. 82. Eventuais erros ou omissão de informações verificados na DAA, depois de sua apresentação, devem ser retificados pelo contribuinte por meio de declaração retificadora, desde que não esteja sob procedimento de ofício, independentemente de autorização administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida no caput: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso; e II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (grifouse) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720172/201584 Acórdão n.º 2402005.485 S2C4T2 Fl. 5 7 Desse modo, também é impossível considerar a declaração original, dado que a retificadora substituiua integralmente, conforme parágrafo único, do art. 82, da Instrução Normativa RFB nº 1500/2014. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
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Numero do processo: 16095.720120/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN.
Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.
Embargos acolhidos em parte.
Crédito Tributário Mantido em parte.
Numero da decisão: 3302-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Embargos acolhidos em parte. Crédito Tributário Mantido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 20 /2 01 3- 88 Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.812 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de maio, junho e setembro de 2008, em razão da glosa de créditos presumidos extemporâneos de IPI, por utilização após o prazo prescricional, resultando em saldos devedores de IPI. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 2409/2421, para exigir R$ 9.332.357,52 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora calculados até 30/06/2013 e multa proporcional, que em função da glosa de créditos, foram apurados saldos devedores de IPI, os quais a contribuinte não havia declarado ou recolhido. Consta no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 2403/2408 em síntese que: 1. A contribuinte apurou créditos presumidos de IPI referentes ao período de apuração 4o trimestre/2002 a 2o trimestre/2004, com base na Lei n° 9.363/1996, tendo sido apresentado as DCP Declarações de Crédito Presumido em 21/12/2007, no valor total de R$ 9.853.106,64. O valor lançado no Livro Registro Apuração de IPI, em maio de 2008, e contabilizado em 30/06/2008, foi de R$ 9.853.111,22, um valor ligeiramente maior do que o apurado nas DCP, com diferença de R$ 4,58. Verificou se ainda que o contribuinte exerceu o direito de Pedido de Ressarcimento de IPI, somente em relação aos créditos apurados nos períodos de apuração 4o trimestre/2003 a 2o trimestre/2004; 2. Nos termos da legislação relativa ao crédito presumido de IPI, os créditos apurados poderiam ser usados primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, e não existindo os débitos de IPI ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento pela dedução, seria permitida a utilização, de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, desde que respeitado o prazo quinquenal, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, conforme previsto no artigo 1o do Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932; 3. Em relação aos créditos apurados nos períodos 4o trimestre/2002 e 1o trimestre/2003, referidos valores não poderiam ser lançados no Livro de Registro de Apuração de IPI em maio de 2008, visto que já haviam sido alcançados pela Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.813 3 decadência. Desse modo, os referidos créditos foram glosados considerandose a data da escrituração, ou seja, maio de 2008; 4. Em relação aos períodos de apuração 2o trimestre/2003 e 3o trimestre/2003, os valores poderiam ser lançados em maio de 2008, para eventual redução do saldo devedor, ou na impossibilidade deste, ser solicitado o pedido de ressarcimento até 30/06/2008 e 30/09/2008, respectivamente, com o estorno do valor de pedido de ressarcimento; 5. Como não houve aproveitamento dos créditos presumidos de IPI na forma determinada pela legislação no prazo quinquenal, os referidos créditos atingidos pela decadência, foram glosados considerandose a data da prescrição, ou seja, 30/06/2008 e 30/09/2008. Tendo em vista a necessidade de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, decorrente das glosas de créditos do IPI, a fiscalização elaborou o Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal de fls. 2422/2421, no qual foi apurado o imposto que deixou de ser recolhido. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 2432/2484, instruída com os documentos de fls. 2485/2578, alegando, em síntese, o seguinte: 1. Preliminarmente, devese cancelar o Auto de Infração, tendo em vista a decadência do direito da fiscalização autuante constituir o crédito tributário; 2. No mérito, julgar improcedente o Auto de Infração e, conseqüentemente a exigência nele formulada, bem como a intimação nele contida acerca da retificação de saldos da escrita fiscal do estabelecimento autuado em conformidade com a planilha de reconstituição que faz parte integrante da autuação, em vista de os créditos presumidos de IPI terem sido legitimamente apropriados pela impugnante (fato incontroverso) e pela patente ausência de previsão legal para a pretensa glosa desses créditos, sendo que o reconhecimento do direito à sua utilização, pela via de dedução com débitos do próprio imposto, representa a obediência dos termos da legislação do IPI e, notadamente, a consagração da própria disciplina não cumulativa do imposto, sendo descabido cogitarse que referidos créditos foram atingidos pela prescrição; e 3. Caso se entenda cabível a manutenção do crédito tributário lançado com imposição de multa de ofício de 75% no presente caso (o que se admite apenas a título de argumentação), seja cancelada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, pela ausência de previsão legal expressa; 4. Ao final, protesta pela posterior juntada de quaisquer documentos necessários à cabal comprovação da improcedência da acusação e exigências imputadas à impugnante. Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.814 4 A Décima Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1448.654, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008, 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APROVEITAMENTO. O direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, mediante dedução do valor devido do mesmo imposto ou ressarcimento, prescreve em cinco anos, contados da data do encerramento do mês em que foi apurado referido crédito. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. JUROS DE MORA A SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. O contribuinte foi cientificado em 14/03/2014 e interpôs recurso voluntário em 27/03/2014, alegando, em síntese: 1. Preliminarmente, a decadência do direito de a fiscalização glosar os créditos apropriados pela recorrente em maio de 2008; 2. No mérito, a impossibilidade da glosa pretendida, vez que afronta a natureza do incentivo do crédito presumido de IPI; 3. A ausência de previsão legal para a glosa de crédito pretendida; 4. A inaplicabilidade dos juros Selic sobre a multa de ofício. Ao final, pediu o cancelamento do lançamento e da intimação para retificação da escrita fiscal, ou, eventualmente, a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.815 5 Na sessão de 27/01/2015, a turma proferiu o Acórdão nº 3302002.831, cuja ementa e resultado transcrevemse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI REGULARMENTE ESCRITURADO. SALDO CREDOR TRANSFERIDO PARA O PERÍODO SEGUINTE. APROVEITAMENTO. PRAZO. O legítimo saldo credor de IPI apurado em um período, decorrente de crédito presumido ou crédito básico regularmente escriturado, é sempre e irrestritamente utilizável para deduzir o IPI devido pelas saídas de produtos do estabelecimento do contribuinte nos períodos subsequentes, independente de prazo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1)por unanimidade de votos, para reconhecer a prescrição dos créditos presumidos de IPI extemporâneos, escriturados após 5 (cinco) anos; 2)por maioria de votos, para reconhecer o direito de deduzir débitos, independentemente de prazo, de créditos de IPI regularmente escriturados. Vencidos, nesta parte, Paulo Guilherme Déroulède (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó; 3)pelo voto de qualidade, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos, nesta parte, Fabiola Cassiano Keramidas, Antonio Mário de Abreu Pinto e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor em relação à matéria do item 2. Desta decisão foi interposto recurso especial pela Procuradoria, ao qual foi dado seguimento e foram opostos embargos de declaração pelo contribuinte, os quais foram admitidos parcialmente, em relação à preliminar de decadência de a fiscalização proceder à glosa dos créditos presumidos de IPI apropriados em maio/2008, com base no artigo 150, §4º do CTN. É o relatório. Voto Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.816 6 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Tratase, pois, de embargos de declaração para sanar a omissão de pronunciamento da turma sobre a alegação de decadência do direito de a fiscalização proceder à glosa dos créditos presumidos de IPI apropriados em maio/2008, com base no artigo 150, §4º do CTN. Conforme informado pela própria recorrente, a matéria foi analisada por este relator, tendo constada no voto condutor. Porém, o resultado do julgamento não trouxe a decisão quanto a este ponto, sendo, pois, necessário, novo julgamento da matéria. Passase ao voto. A recorrente alegou a decadência do direito de a fiscalização glosar créditos apropriados em maio de 2008. Defendeu que a homologação de que trata o artigo 150, §4º do CTN, se refere à atividade exercida pelo sujeito passivo e independe de pagamento prévio. Pugnou ainda que, de acordo com o artigo 124, parágrafo único, inciso I1 do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), a dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo credor a recolher, equivale a pagamento homologável. Relativamente ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário, a matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Nos termos do julgamento do REsp 973.733/SC, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Assim, a tese defendida pela recorrente de que a homologação do pagamento se refere à atividade exercida não encontra guarida no Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, razão assiste à recorrente quanto à equiparação a pagamento homologável da dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do artigo 124 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos: 1 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.817 7 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Neste sentido, citase Acórdão nº 3403003.172, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR A dedução dos débitos, no período de apuração do IPI, dos créditos admitidos, de que resulta saldo credor equivale a pagamento e é hábil para deslocar a contagem do prazo decadencial para a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Embora correta, esta tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. A glosa repercute na apuração do IPI quando o contribuinte o utiliza para dedução de débitos, gerando saldos devedores de IPI, estes sim sujeitos ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 26/06/2013 e o saldo devedor de IPI mais antigo, objeto deste lançamento, correspondeu ao fato gerador de março de 2009, portanto, dentro do prazo decadencial. Isto posto, acolho os embargos para sanar a omissão e nego provimento ao recurso voluntário quanto à ocorrência de decadência do direito de a fiscalização glosar créditos de IPI. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.818 8 Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10580.726058/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-004.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 58 /2 00 9- 01 Fl. 186DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 210201.746, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 10ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 159.394,72, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O Contribuinte apresentou impugnação, arguindo, em síntese, que: inexiste conduta hábil à aplicação de multa, em virtude da responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia; a consulta administrativa levada a cabo pelo Presidente do TJ/BA possui caráter vinculante; o lançamento é nulo, em virtude da inadequada apuração da base de cálculo; não incide IR sobre os juros moratórios e compensatórios; as verbas recebidas a título de URV têm natureza indenizatória; a União não tem legitimidade para cobrar o referido imposto; e houve violação ao princípio da isonomia. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA), fls. 66/71, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 10 3 Houve interposição de recurso voluntário, fl. 88, reiterando os argumentos trazidos em sua impugnação. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 168, deu provimento ao recurso, tornando insubsistente o auto de infração, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR – COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL – A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL – NATUREZA INDENIZATÓRIA – MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO – ERRO ESCUSÁVEL – Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA – Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à fl. 140, versando sobre a natureza indenizatória de diferenças recebidas a título de URV. Alegou que o paradigma firmou entendimento diverso do Acórdão recorrido, pois, enquanto a decisão recorrida entendeu que sobre o abono variável pago aos membros do Ministério Público baiano incidiu Fl. 188DF CARF MF 4 Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista não haver identidade entre as verbas que tratam os atos normativos federais e a verba da Lei estadual da Bahia, o Acórdão paradigma considerou que sobre o mesmo rendimento não incide o imposto federal, em razão de uma interpretação extensiva da decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da Magistratura Federal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 178, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a questão sobre a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória, pois, de fato, as interpretações postas nos acórdãos recorrido e paradigmas são divergentes. No primeiro, entendese que as diferenças auferidas pelos membros do Ministério Público Federal, com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002, têm caráter indenizatório, e que igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas aos membros do Ministério Público da Bahia. Portanto, que esses valores não devem sofrer a incidência do imposto de renda. Nos outros, que descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a analogia para verificar a incidência tributária. Sem contrarrazões, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 159.394,72, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso, tornando insubsistente o auto de infração. Já o Recurso Especial da Fazenda Pública, objetiva que seja rediscutida a questão sobre a incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza remuneratória. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 11 5 Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. Fl. 190DF CARF MF 6 A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 12 7 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o Fl. 192DF CARF MF 8 contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 13 9 Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Ainda, e não menos importante, uma segunda questão foi recepcionada no despacho de admissibilidade do Recurso Especial, qual seja a aplicação por analogia da resolução N. 245/2002 emitida pelo STF, assim considerando o aceite da matéria para discussão de divergência jurisprudencial, ressalto brevemente que entendo ser a solução juridicamente mais correta ao caso concreto, nos termos proferidos na decisão trazida como paradigma pelo contribuinte, acórdão nº 210201.687, conforme excerto que segue: RESOLUÇÃO STF N° 245/2002. DIFERENÇAS DE URV PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana n° 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis n° 10.477/2002 e n° 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF n° 245/2002, conforme Parecer PGFN n° 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Fl. 194DF CARF MF 10 Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF n° 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual n° 20/2003. A aplicação do paradigma ao caso concreto garante isonomia tributária aos servidores estatutários de um mesmo ente federativo. A Recorrente ainda, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 14 11 Conforme já vem sendo aplicado pelo conselheiro Gerson Guerra, no acórdão N. , em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, no acórdão N. : Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos Fl. 196DF CARF MF 12 ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, e ainda por aplicação analógica da Resolução 245/2000 do STF, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia. Quanto à aplicação de IRPF sobre juros moratórios, considero não incidentes. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 15 13 o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Fl. 198DF CARF MF 14 A questão traz à baila a alegação de violação ao princípio da isonomia, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 16 15 Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à suposta inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a Fl. 200DF CARF MF 16 prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 17 17 Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901384/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.319
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 84 /2 01 4- 05 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914170/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO.
Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 41 70 /2 01 1- 20 Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.271 2 Relatório SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0250.625 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2003 no valor de R$3.283.130,77. DDeessppaacchhoo DDeecciissóórriioo ddaa DDRRFF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 916066698 anexado à fl. 08, que apurou: 2.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2003 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 1.410.555,87, para uma CSLL devida no valor de R$729.480,49. Neste contexto, a DRF confirmou a legitimidade de parte do Saldo Negativo de CSLL utilizado na DCOMP’s em análise pelo valor de R$ 681.075,38. 2.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: 2.2. A DRF utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte, concluindo pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito utilizado. MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 08/04/2011, conforme documento à fl. 10. Irresignado, o contribuinte apresenta em 06/05/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 119 a 121, onde, em síntese, argumenta: 3.1 Os valores constantes da DIPJ 2004 já se encontram alcançados pela homologação tácita, conforme art. 150 do CTN. Desta feita, não poderia a autoridade fiscal discutir ou indeferir os saldos da CSLL apontados pela impugnante. Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2003 PA Nº do Processo Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2003 11831.003413/200331 2.881.119,81 2.602.055,41 DCOMP homologada parcialmente Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.272 3 3.2 Por fim, pleiteia a desconsideração do decidido pela DRF e o reconhecimento da validade do pedido de ressarcimento apresentado. 4. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide . Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 28 de janeiro de 2014 (fl. 150), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 173200 em 26 de fevereiro de 2014. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; no despacho decisório haveria erro de cálculo, pois com a homologação parcial das compensações, o valor que deveria estar sendo cobrado deveria ser de R$ 2.602.055,41, e não R$ 2.661.122,08, ou seja, estaria sendo cobrado um valor excedente de R$ 59.066,67; na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; argumenta ainda que não seriam exigíveis acréscimos legais nos casos em que o não reconhecimento do crédito decorreu de posterior declaração retificadora pela fonte pagadora; em 03 de maio de 2016 (fl. 247), a Recorrente anexou o expediente de fls. 248251 requerendo a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, bem como da documentação pertinente; Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.273 4 discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2003, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2002, no total de R$ 2.881.119,81, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 279.064,40. Os R$ 2.602.055,41 de estimativas cujas compensações não foram homologadas foram objeto de discussão no processo 11831.003413/200331. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III – fl. 800 e ss.) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo I – doc. 08); aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 7); requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes. É o relatório. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.274 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e subscrito por procurador com poderes para tanto. Logo, dele tomo conhecimento. 2 ARGUIÇÃO DE NULIDADE Alega a Recorrente que o despacho decisório exarado pela unidade de origem seria nulo por não ter procedido, de antemão, à intimação para que o contribuinte pudesse apresentar a documentação pertinente que poderia justificar a integralidade do crédito pleiteado. Discordo de tal entendimento. Embora exarado de forma eletrônica, o despacho decisório é fundamentado o suficiente para justificar o porquê da decisão. No caso concreto, a única parcela de crédito que não foi conhecida diz respeito a estimativas objeto de declarações de compensação atreladas a outro processo administrativo, não tendo sido homologadas por decisão administrativa irreformável. E, quanto a isso, nem em sede de manifestação, quanto no recurso voluntário, a Recorrente trouxe qualquer elemento que pudesse alterar tal panorama. Somente em expediente protocolado após o prazo para apresentação do recurso voluntário é que a Recorrente efetivamente atacou o mérito da glosa, matéria que será analisada oportunamente neste voto. Desse modo, rejeito a arguição de nulidade. 3 MÉRITO A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de CSLL composto por estimativas compensadas e controladas no processo nº 11831.003413/200331. Em consulta ao andamento do processo nº 11831.003413/200331, constata se que a decisão administrativa irreformável foi desfavorável ao contribuinte, redundando na não homologação, entre outras, das compensações de estimativas de CSLL, no valor de R$ 2.602.055,41, que compõem o saldo negativo de CSLL objeto da presente lide, e justamente a única parcela de crédito pleiteado ainda não reconhecida em favor da Recorrente. Segundo a Recorrente, as não homologações de compensação levaram a Fazenda Nacional a propor a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III – fl. 800 e ss.). A Recorrente, por sua vez, opôs os Embargos à Execução nº 0028912 Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.275 6 51.2009.403.6182 (Anexo IV – fls. 801 e ss.). Ainda segundo a Recorrente, no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo I – doc. 08 – fls. 494 e ss.). No mesmo sentido indicaria o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I – p. 7). Por essas razões, requer a Recorrente que se reconheça nos presentes autos que a não homologação levada a efeito no processo 11831.003413/200331 não deve subsistir, levando ao reconhecimento do crédito pleiteado ainda em discussão nos presentes autos. Ocorre que, em consulta ao andamento processual dos embargos à execução em questão (diretamente no sítio do TRF da 3ª Região), constatei que os autos se encontram conclusos para sentença. Portanto, até o momento, a decisão definitiva na esfera administrativa não foi superada por qualquer decisão judicial, não cabendo nova rediscussão do tema nos presentes autos, conforme determina o art. 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] Em que pesem as restrições de cobrança das estimativas trazidas pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014, talvez justamente por se tratarem de decisões anteriores à edição de tais pareceres, o fato é que houve inscrição em dívida ativa das estimativas de CSLL que compõem o saldo negativo em discussão neste processo. Venho me manifestando no sentido não ser razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. Contudo, no presente caso, compulsando a cópia dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182, constatei que o débito está garantido por fiança bancária (fls. 20722073). Vejase reprodução de excerto dessa garantia: Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.276 7 Às fls. 2080 dos presentes autos, consta o despacho do magistrado confirmando a garantia da execução. Vejase: Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.277 8 Desse modo, podese considerar que as estimativas no valor de R$ 2.602.055,41 ou serão consideradas quitadas, caso o contribuinte obtenha êxito em seus Embargos à Execução, ou será extinta por pagamento, ainda que mediante a fiança bancária que garante a execução fiscal. Logo, entendo que, a despeito do mérito discutido no processo administrativo nº 11831.003413/200331, bem como na Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 e Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182, as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. Em relação ao suposto erro no cálculo do débito objeto de cobrança em razão da não homologação parcial, esclareço que Recorrente impugnou os cálculos somente pela ótica do crédito, não levando em consideração as compensações pleiteadas, havendo diferenças na correção do crédito pleiteado (e , da mesma forma, do deferido) e dos débitos compensados, uma vez que cada um deles têm origem em datas distintas. Por essas razões, não são válidos os cálculos apontados pelo Recorrente. De toda forma, tendo sido deferido integralmente o crédito pleiteado, resta superada a tese de qualquer prejuízo por parte da Recorrente. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.278 9 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13149.720249/2015-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria.
Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDETUBILIDADE.
As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando comprovadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDETUBILIDADE. As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando comprovadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDETUBILIDADE. As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando comprovadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 14 9. 72 02 49 /2 01 5- 97 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 10, na qual é cobrado, relativamente ao anocalendário de 2013, exercício 2014, o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 1.345,87, sujeito à multa de ofício, acrescido ainda de juros de mora (calculados até 31/07/2015), perfazendo um crédito tributário total de R$ 2.543,42. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 6 a 8, os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: 1. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 1.506,84, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 6.760,00, por falta de comprovação; Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 43, em 19 de Agosto de 2015, a impugnação para alegar, em síntese, que: Em sessão realizada em 20 de Janeiro de 2016, a DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 4 comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando respaldadas em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente A recorrente foi intimada da decisão e interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: a) O laudo médico anexado comprova a necessidade da recorrente atender a tratamento de fisioterapia desde o ano de 2012. Alega, ainda, que os recibos apresentados foram preenchidos conforme os requisitos exigidos na legislação pátria, com todos os dados necessários para possibilitar a dedução das respectivas despesas no imposto de renda da recorrente. b) A sentença judicial é documento suficiente para comprovar a existência de débito alimentar e, portanto, a dedução legítima do valor da pensão alimentícia. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Da Dedução com Despesas Médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com médicos, odontologistas, e fisioterapeutas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados, totalizando R$ 6.760,00, aos seguintes prestadores: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 6 1. Hélio Gonçalves: às fls. 26 e 27 constam dois recibos referentes a consulta médica, ambos no valor de R$ 330,00 cada: 1.a) O recibo de fl. 26 identifica o endereço profissional, nome e CPF do prestador (carimbo), no entanto a data de emissão aparece com rasura e indica ser uma segunda via de emissão. 1.b) Quanto ao recibo de fl. 27, este indica o endereço profissional, no entanto estão presentes dois carimbos de profissionais diferentes indicando, portanto, nomes e CPFs diferentes. 2. Renes Goulart de Paula: à fl. 25 foi apresentado um recibo referente à consulta odontológica, emitido em 11 de março de 2013, no valor de R$ 100,00. O referido documento informa o nome e numero do CRO do prestador, mas não informa CPF ou endereço profissional. 3. Usiene Ribeiro Guimarães: foram três recibos apresentados, fls. 24 e 25: 3.a) Um recibo no valor de R$ 1.800 referente à fisioterapia, que indica nome e numero do CREFITO do prestador, mas não indica CPF ou endereço profissional e a data de emissão aparece com rasura. 3.b) Segundo recibo no valor de R$ 3.200 referente à fisioterapia e acupuntura auricular, que indica nome e numero do CREFITO do prestador, mas não indica CPF ou endereço profissional. 3.c) O terceiro recibo no valor de R$ 1.000 referese à fisioterapia e acupuntura, que indica nome e número do CREFITO do prestador, mas não indica CPF ou endereço profissional e a data de emissão aparece com rasura. A DRJ/REC entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas acima citadas, nos seguintes termos: 12.1. Assim, se os recibos apresentados atendem os requisitos previstos naquela lei, o contribuinte tem sua dívida quitada com os profissionais da área de saúde. Entretanto, para que tais pagamentos sejam utilizados para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, os documentos apresentados à fiscalização devem atender os requisitos previstos na legislação tributária. 13. Pelos motivos acima citados e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, entendo que deve ser mantida a glosa da dedução com despesas médicas no valor total de R$31.450,00.(grifos) Em relação ao item 1a e 1b, apesar da recorrente sustentar que os recibos apresentados foram preenchidos conforme os requisitos exigidos na legislação pátria, mantenho o entendimento da DRJ/REC de forma a acatar somente um deles para fins de comprovação de despesa médica. Em relação aos demais itens, tendo em vista que tais recibos apresentam falta da indicação do CPF e endereço profissional do prestador, dois requisitos citados no art. 80 do RIR/99 como essenciais a validade do documento comprobatório e, ainda, apresentam rasuras sobre dado substancial do documento (data de emissão), capaz de macular a veracidade da afirmação de ter sido a despesa incorrida no ano calendário em análise, entendo que não devem ser considerados como documentos válidos para fins de comprovação das deduções pretendidas. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 5 7 DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Relativamente à dedução de pensão alimentícia, o art. 78 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) esclarece que: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4o, inciso II). § 1o A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3o Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4o Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5o As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No caso concreto, o contribuinte pleiteou dedução a título de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 1.506,84 e teve todo o valor glosado por falta de comprovação. Como documentação comprobatória, a recorrente, em sua impugnação, anexa decisão judicial, datada de 07 de Maio de 2013, fls. 22, na qual o Tribunal de Justiça fixa os alimentos provisórios em 60% (sessenta por cento) do salário mínimo, devidos a partir da citação. Ademais, foi definido o dia 20 de Setembro de 2013 para realização da audiência de tentativa de conciliação. A recorrente anexa, em sede de recurso voluntário, a ata de audiência realizada em 20 de Setembro de 2013 em que consta o acordo realizado: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 8 Apresenta, por fim, a manifestação favorável do Ministério Público do acordo realizado em âmbito de audiência de conciliação e a sentença judicial de homologação do acordo. Considerando que o salário mínimo vigente no o ano de 2013 era de R$ 678,00, o limite mensal da dedução com pensão alimentícia seria de R$ 301,71. No entanto, não foi anexada aos autos comprovação do pagamento das parcelas a título de pensão alimentícia e, ainda, considerando que, em analise à Dirfs transmitidas pelas fontes pagadoras da recorrente, não há identificação de pagamento de pensão alimentícia entendo que deve ser mantida integralmente a glosa da dedução com pensão alimentícia pleiteada no valor de R$ 1.506,84. Neste sentido, vale citar Súmula CARF nº 98: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 6 9 A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física é permitida, em face das normas de Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, para que seja restabelecida a glosa referente as deduções médicas pagas e a pensão alimentícia por falta de comprovação de pagamento. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO
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Numero do processo: 10166.019622/99-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996
EMBARGOS -CONTRADIÇÃO - DISPOSITIVO
Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como conseqüência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
Numero da decisão: 9303-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para acolhê-los e provê-los, sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996 EMBARGOS -CONTRADIÇÃO - DISPOSITIVO Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como conseqüência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para acolhê-los e provê-los, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.265 1 1.264 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.019622/9986 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303004.346 – 3ª Turma Sessão de 6 de outubro de 2016 Matéria IPI Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BRASÍLIA Interessado REFRIGERANTES BRASÍLIA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996 EMBARGOS CONTRADIÇÃO DISPOSITIVO Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como conseqüência lógica ou necessária para a supressão do equívoco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para acolhêlos e provêlos, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 96 22 /9 9- 86 Fl. 1265DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela DRF em face do acórdão 930301.423 – que refletiu o entendimento do Colegiado ao dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 2º decêndio de outubro de 1994. Não obstante, para melhor elucidar o histórico cronológico transcorrido no âmbito desse processo, importante trazer que havia à época sido interposto Recurso Especial pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20214.512, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos negou provimento ao recurso, consignando acórdão com a seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES As hipóteses de nulidade, no Processo Administrativo estão previstas no artigo 59 de Decreto nº 70.235, e estão ligadas à incompetência do agente administrativo e ao cerceamento do amplo direito de defesa. IPI. CREDITO POR DEVOLUÇÃO OU RETORNO DE MERCADORIAS. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado as exigências regulamentares entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração de Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque, em conformidade com os requisitos requeridos, somente se dispensa tal requisito legal quando da existência de sistema equivalente que pergunta perfeita identificação das operações realizadas. Recurso Negado” O sujeito passivo havia recepcionado Auto de infração, relativamente ao IPI, por haver a fiscalização apurado o não recolhimento do tributo por terse utilizado indevidamente de créditos relativos aos alegados retornos de produtos de sua fabricação – cujos ingressos deixaram de ser comprovados (não ocorrendo a escrituração no Livro de Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.266 3 Registro de Controle da Produção e Estoque ou em outras formas de controle em suas escritas fiscal e contábil). Irresignado com o acórdão 20214.512, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, visando eliminar: · Erro material consubstanciado na ausência de indicação na ementa do julgado de tema devidamente abordado em acórdão – decadência parcial do auto de infração; · Omissões de preliminares abordadas em recurso voluntário e incluídas no relatório do julgado – quais sejam, preliminar de nulidade do auto de infração pela inobservância por parte dos auditores do disposto no art. 98 do RIPI/82 e de ausência de exame do pedido de diligência para verificação da regularidade dos creditamos realizados. Retornando a 2ª Câmara do 2º Conselho de contribuintes em 8.9.2003 com os Embargos de Declaração, manifestou o relator do acórdão recorrido Raimar da Silva Aguiar (Grifos meus): “[...] Da análise do até aqui exposto, bem como das razões de recurso de embargos de declaração oposto, temse que o apelo em questão tem efetivamente caráter e cunho modificativo, o que, aliás, já é admitido pelo Supremo Tribunal Federal l e Superior Tribunal de Justiça2, desde que aberto prazo as parte contrária para, em querendo, impugnar as razões pelas quais se pretende alterar o julgado. Assim sendo, em face da complexidade da matéria em discussão e em estrita observação aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, opino pela abertura de prazo a. Procuradoria da Fazenda Nacional, para que a mesma, em querendo, apresente impugnação aos termos dos embargos de declaração opostos e ora examinados.” A Fazenda Nacional, então, trouxe: [...] Fl. 1267DF CARF MF 4 No tocante ao aventado erro material, baseouse a recorrente na argumentação de inexistência de referência, na ementa da decisão em tela, da pretensa o ocorrência de decadência parcial do lançamento. Ora, não parece corresponder a verdade dos autos a argumentação esposada pela contribuinte, relativamente a ocorrência de decadência parcial dos créditos tributários. Observandose o julgamento da matéria decadencial, esta foi abordada as fls. 640 dos autos administrativos. Nesse sentido, não consta referência expressa de pronunciamento da relatoria, muito menos do colegiado, acerca do reconhecimento da indigitada decadência parcial. Pelo contrário, foi afastada a possibilidade de se aplicar a sistemática de lançamento por homologação, mais benéfica ao contribuinte, por averiguação de ausência de pagamento do tributo. Nesse sentido, a decadência pode ser inserta na ementa do acórdão, eis que fazia parte do julgado, corrigindose o erro material, desde que não haja alusão a existência de decadência parcial, vez que o acórdão não fez nenhuma abordagem nessa linha de julgamento. No que concerne às pretendidas omissões incorridas pela decisão de segundo grau, melhor sorte não tem o contribuinte. Aduziu o embargante que os pontos jurídicos de ausência de apreciação do artigo 98 do RIPI/82 e ausência de exame de pedido de diligência não foram abordados no acórdão. 0 ilustre julgador apreciou os temas em comento, sendo, inclusive apresentados em destaque no intróito da fundamentação de seu decisum. Veja, exemplificativamente, parte da manifestação do Conselheiro relator do processo: "No tocante A interpretação do referido dispositivo, artigo 98 do RIPI/82, vejamos o que dispõe o artigo 29 do Decreto n. 70.235/72, norteador do Processo Administrativo Fiscal, in verbis: "Art. 29. Na apreciação da prova, autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligencias que entender necessárias". Sendo assim, é patente que o direito A livre convicção do julgador não pode ser argüido como preliminar de nulidade, estando ao seu Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.267 5 alvitre entender e interpretar os dispositivos legais de acordo com os livres ditames de sua consciência." Em relação ft suposta omissão de pronunciamento sobre pedido de diligência para "verificação da regularidade dos creditamentos realizados", 11, também não merece acolhida. 0 julgador verificou que os livros fiscais apresentados estão eivados de irregularidades, veja parte da decisão "Observese que os livros apresentados não contêm Termos de Abertura e de Encerramento, não contendo nenhum signatário, ou seja, não há pessoa que possa, legalmente, responder pela sua escrituração. Também devese observar que o referidos livros não estão autenticados por nenhuma autoridade fazendária, além de possuírem uma numeração esdrúxula que, dentro de um mesmo volume, termina e recomeça antes da sua última folha, por várias vezes. ( )" Percebase que as razões de decidir a respeito das análises que envolvem a apreciação dos Livros Fiscais foram amplas e esgotaram o assunto, conforme se verifica das fls. 633/639. Considerase ainda que foi refutada na decisão ad quem, qualquer possibilidade de violação ao princípio constitucional da ampla defesa, referindose a decisão (fls.631), inclusive, a oportunidade dada ao contribuinte de se manifestar sobre o procedimento diligencial realizado às fls. 612. Nesse sentido, requer a manutenção da r. decisão atacada por seus próprios e doutos fundamentos jurídicos. [...]” Não obstante. em Despacho, foi dado seguimento aos Embargos, tendo sidos apreciados pela 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuinte e emitido acórdão nº 202 17.401 com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996 Ementa: LAPSO MANIFESTO EMBARGOS Fl. 1269DF CARF MF 6 Constatada a existência de lapso manifesto, acolhemse em parte os embargos de declaração para retificar a ementa do Acórdão nº 202 14.512, a fim de explicitar o julgamento da decadência nos seguintes termos: “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, e o prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I, do CTN.”” Insatisfeito ainda, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo o conhecimento do recurso especial quanto aos 3 pontos apontados em divergência – quais sejam, Decadência do Lançamento, Nulidade da decisão de 1ª Instância e Impossibilidade de Glosa Geral quanto à necessidade de exame de documentos à vista da regra prevista no art. 98 do RIPI/82 e, ao fim, o provimento deste, reformandose o acórdão recorrido na esteira dos julgados paradigmas seja para: · Reconhecer a decadência do lançamento com relação as competências de janeiro a setembro de 1994; e · Declarar a nulidade da decisão de 1ª Instância; · Ou, de outro modo, para afastar integralmente o lançamento, cancelando a exigência imposta, diante da impossibilidade de realização de glosa geral, à vista da regra prevista no art. 98 do Código RIPI/82 – que consagra o princípio constitucional da não cumulatividade. Em Despacho às fls. 1053 a 1059, após análise de admissibilidade do Recurso Especial pelo presidente da 2ª Câmara, foi dado seguimento ao Recurso Especial no tocante à discussão acerca da decadência, sendo negado seguimento quanto às divergências suscitadas nos itens “acréscimo de fundamentação pela decisão recorrida” e “crédito por devolução”. Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pela Fazenda Nacional, expondo, em síntese, que o descumprimento do dever do sujeito passivo de “antecipar o pagamento” é suficiente para afastar a regra específica do art. 150, § 4º, do CTN – e fazer valer a norma do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.268 7 O sujeito passivo interpôs Recurso de Agravo aos termos do Despacho 202237 – que havia dado parcial seguimento ao recurso especial interposto, solicitando ver integralmente conhecido o seu Recurso Especial para que todas as matérias postas sejam deveras analisadas por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em Despacho às fls. 1121 a 1127, o pedido de reexame do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foi rejeitado, eis que não foi provada a divergência mencionada as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. Tal Despacho foi ratificado pelo presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício à época. Posteriormente, o sujeito passivo apresentou Ofício ao presidente da Câmara Superior do Conselho de Contribuintes, requerendo o levantamento da quantia depositada em 28.10.00, para fins de processamento de recurso, acostando guia de depósito, esclarecendo que o referido pedido encontrase amparado pelo trânsito em julgado do Recurso Extraordinário 5401.562, ao qual foi dado provimento, por unanimidade, pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal – acostando o acórdão. Foram manifestadas, então, pelo presidente da CSRF, as seguintes providências – “encaminhar os autos à DRF de origem para apontar o crédito tributário que não mais está em litígio, transferindo parta outro processo (para prosseguir com a cobrança), devolvendo os volumes principais para essa Câmara para prosseguir com o julgamento e apreciar o pedido de devolução do depósito recursal. Em atenção, foi desmembrado, assim, parte do litígio para o processo 1185.001540/200851 – sendo efetuada a cobrança juntamente com a solicitação de manifestação quanto à devolução ou aproveitamento do depósito recursal. Em 5.4.2011, a Câmara Superior de Recursos Fiscais apreciou o Recurso Especial e, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de impedimento do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 2º Fl. 1271DF CARF MF 8 decêndio de outubro de 1994, sendo consignado acórdão 930301.423 com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 0 l /01,1994 a 31 / 12/1996. IPI. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, 1, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 54313 e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decarlen ,,ial qüingi.ier4al para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I elo artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4° do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.” Cientificada a PGFN do acórdão 930301.423, o Serviço de Secretaria do CARF encaminhou o presente processo à DRF em Brasília/DF para as devidas providências. A DRF, então, trouxe à fl. 1252, o que segue: “Senhor Chefe, Conforme Acórdão 930301.423 — 3a Turma fis. 1257 do processo 10166 019622/9986 que cita: "Assim, havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional." Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.269 9 Como foi descrito na mesma folha do processo, o Auto de Infração foi lavrado em 15.10.1999. Ao concluir o "Voto" houve, no nosso entendimento um equívoco por parte do relator, visto que foi reconhecida a decadência do período 1º/01/1999 a 25/10/1999, quando deveria ser, pela argumentação apresentada do período 1º/01 /1994 a 25/10/1994. Confundindo ainda, vinculou o relatório com a data da final do período de prescrição à data da ciência do referido auto de infração. Destarte, proponho o retorno deste à Câmara Superior de Recursos Fiscais para rever quanto às parcelas inclusas na decadência.” Em Despacho às fls. 1254 a 1256, os embargos inominados foram acolhidos após apreciação do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama relatora Depreendendose da análise dos autos do processo, conheço dos embargos interpostos pela DRF em face do acórdão CSRF 930301.423, pois tempestivos e considerando que, conforme relatado pela SACAT/DRF/BSBDF e depreendendose da análise dos autos, constatouse, no dispositivo, contradição quanto ao período alcançado pela decadência – conforme transcrição de parte do voto do acórdão embargado (Grifos meus): “No presente caso, o auto de infração, lavrado em 15/10/99, diz respeito a créditos tributários referentes ao IPI, competências de janeiro de 1994 a dezembro de 1996, em decorrência da glosa de créditos escriturados. Pelo que consta dos autos, não só do auto de infração (fls. 02), mas também da decisão de primeira instância (fls. 535) e da r. decisão proferida pela Câmara n quo (fls. 640), verificase que houve pagamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, não acolher o impedimento do Ilustre Conselheiro Henrique Fl. 1273DF CARF MF 10 Pinheiro Torres, por não configurar a hipótese do artigo 42 do RICARF e, no mérito, com arrimo no artigo 62A do RICARF, DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a ocorrência da decadência quanto às parcelas de IPI compreendidas entre o dia 1°/01/1999 a 25/10/1999, data da ciência do auto de infração.” Eis que o entendimento exarado no voto se encontrava dissonante com a decisão do Colegiado que assim restou: “[...] no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 2º decêndio de outubro de 1994.” Impõese, dessa forma, acolher os embargos de declaração por conter vícios. Para sanar o vício apontado, é de se trazer que o lançamento de ofício foi lavrado em 15/10/99, conforme consta do Auto de Infração fls. 5. O que, aplicando a regra do § 4° do art. 150 do CTN, somente teriam sido alcançados pelos efeitos da decadência os fatos geradores ocorridos até o primeiro decêndio do mês de outubro de 1994. Com essas considerações, impõese conhecer, acolher os presentes embargos e provêlos, sanando os vícios através da alteração: · Do trecho final do voto constante do acórdão embargado que passa a conferir a seguinte redação: “ [...] Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, não acolher o impedimento do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, por não configurar a hipótese do artigo 42 do RICARF e, no mérito, com arrimo no artigo 62A do RICARF, DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a ocorrência da decadência quanto às parcelas de IPI compreendidas entre o dia 1°/01/1994 a 15/10/1994, data da ciência do auto de infração Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10166.019622/9986 Acórdão n.º 9303004.346 CSRFT3 Fl. 1.270 11 · Do dispositivo do acórdão embargado – que passa a contemplar o que segue: “[...] no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência do crédito relativo a períodos anteriores ao 1º decêndio do mês de outubro de 1994 É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 1275DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.004380/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente para constituir IRPF em função de diversas infrações. Insatisfeito, o Contribuinte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 38 0/ 20 07 -4 2 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 950 2 impugnou o lançamento mas a DRJ manteve integralmente o crédito. Ainda inconformado, o Contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado. Feito o breve resumo da lide, passamos ao relato pormenorizado dos autos. Em 04/10/2007 foi lavrado auto de infração (fls. 737/749) em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF no valor de R$ 863.485,21, além de juros e multa referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Foram identificadas como infrações: · 001.1. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica sob a forma de bens; · 001.2. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica por fora da folha de pagamentos; · 001.3. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica por intermédio de terceira empresa; · 002 Dedução indevida de dependente; · 003 Dedução indevida de despesas médicas; · 004 Dedução indevida de previdência privada/FAPI; · 005 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; Conforme o TVF (fls. 712/736), o Contribuinte já foi sujeito passivo de outro lançamento de IRPF referente ao mesmo anocalendário de 2003, tendo como infração a dedução indevida de despesas médicas e pensão alimentícia. Também, explicou assim as infrações: · Que, a despeito de haver "Termo de Doação" de veículo da marca BMW no valor de R$ 165.000,00 pela empresa exempregadora ao Contribuinte, a verdade é que este mesmo termo faz referência a "prêmio pelo incremento na captação", o que implica tratarse de gratificação pelo fato de que o recorrente ter alcançado alguma meta; · Que a massa falida da exempregadora, intimada, enviou informação de todas as movimentações e pagamentos feitos ao Contribuinte; nestas, se constatou a informação do pagamento de gratificação e de adiantamento de salários, valores encontrados nos extratos bancários, mas que não foram declarados pelo Contribuinte nem pela fonte pagadora à época das devidas declarações. Portanto, valores considerados pagos "por fora"; · Que eram firmados contratos de mútuo com outra empresa, nos quais constava cláusula de remissão da dívida caso o Recorrente permanecesse nos quadros da exempregadora por determinado período; nesse sentido, entendeu tratarse de tentativa de disfarçar pagamento de salário ou gratificação trabalhista ao Contribuinte. Que, inclusive, não houve pagamento e nem havia intenção de pagar tais empréstimos. Ainda que o Fl. 950DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 951 3 próprio Recorrente afirmou em Petição Inicial de ação trabalhista contra a exempregadora que tais empréstimos eram apenas forma camuflada de fazer remuneração. Que, nesse contexto, é necessário lançar o IRPF e impor multa qualificada, pela utilização de empresa laranja e, inclusive, de pagamento feito ao filho do Contribuinte, novamente hipótese de interposição de pessoas; e · Que a filha constava como dependente na DIRPF do Recorrente e, ao mesmo tempo, como destinatária da pensão alimentícia paga à Lúciana Rangel da Silva, conforme acordo judicial. Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação (fls. 756/781 e docs. anexos fls. 782/831). Levada a julgamento em primeiro grau, a DRJ/FNS proferiu o acórdão nº 0714.295, de 10/10/2008 (fls. 844/870) que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SOB A FORMA DE BENS. OMISSÃO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos pela pessoa física, pagos pela pessoa jurídica na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. GRATIFICAÇÕES. ADIANTAMENTO DE SALÁRIOS. OMISSÃO. TRIBUTAÇÃO. Os pagamentos realizados por pessoa jurídica a empregados, a título de gratificações e adiantamento de salários, não incluídos na folha de pagamento e, por conseguinte, não oferecidos à tributação, caracterizamse como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA POR MEIO DE TERCEIROS. OMISSÃO. TRIBUTAÇÃO. Os pagamentos realizados por pessoa jurídica a empregados, por intermOio de terceira empresa, não oferecidos à tributação, caracterizamse como omissão de rendimentos. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. OBRIGAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 952 4 DEDUÇÃO. DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VEDADA A CONCOMITÂNCIA. O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial não pode efetuar a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano calendário. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias a disposição literal de lei, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos os autos. Lançamento Procedente. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 953 5 Intimado dessa decisão em 07/11/2008 (fl. 873), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/12/2008 (fls. 874/901), na qual argumentou, em síntese: · Que os depósitos bancários não servem de prova para a existência de omissão de rendimentos, sendo necessário aprofundar a fiscalização para comprovar, através de outras provas complementares, a existência do fato gerador; · Que as DIRPFs apresentadas entre 2003 e 2005 comprovam que não houve acréscimo patrimonial, de sorte que não pode subsistir a tributação ora combatida, baseada meramente em extratos bancários fornecidos pelo próprio Contribuinte; · Que a justiça trabalhista já desconsiderou os empréstimos (mútuos) como renda do Contribuinte. Nesse sentido, o valor tributado não pertence ao Contribuinte; · Que a autoridade lançadora e a DRJ entendem tratarse de rendimento do trabalho assalariado, de sorte que não pode prevalecer o lançamento baseado em extratos bancários; · Que não houve rendimento e sim doação do veículo BMW; · Mesmo que não fosse doação, a tributação nos casos de prêmio distribuído por pessoa jurídica a pessoa física é sempre tributado exclusivamente na fonte, de sorte que o Recorrente é isento de responsabilidade tributária nos termos do art. 677 do RIR/1999; · Que há decisão judicial reconhecendo a natureza indenizatória de prêmio recebido pelo Impugnante da mesma pessoa jurídica, e, portanto, isento de IR; · Que houve efetiva operação de mútuo e que a fiscalização jamais conseguiu descaracterizar tal negócio; · Que os argumentos ventilados em ação judicial contra o exempregador não devem ser tomados como verdade absoluta pelo fisco, vez que se configuram alegações de um desesperado; · Que o juízo trabalhista manteve a natureza de mútuo dos valores movimentados entre o Contribuinte e a pessoa jurídica exempregadora, inclusive exigindo o pagamento das quantias à massa falida desta; · Que as transferências feitas pelo Recorrente ao seu filho também têm natureza de mútuo, e tiveram como objetivo meramente satisfazer as exigências da instituição financeira no âmbito da concessão de limites de crédito; · Que não houve dolo, máfé nem fraude, sendo inadequada a qualificação da multa; Fl. 953DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 954 6 · Que a aplicação de multa de 150% é inconstitucional, posto que viola o princípio do nãoconfisco, constante no art. 150, II, 'c', da CF/1988; · Que não pode prevalecer a infração referente à dedução indevida de dependente, vez que nas DIRPF/2005 e DIRPF/2006 não consta o pagamento de pensão alimentícia para a filha, o que permite deduzir o valor correspondente, que foi pago à mãe dela, mas a ela direcionado; · Que não pode prevalecer a infração referente à dedução indevida de despesas médicas, vez que não há dúvidas acerca da prestação do serviço, da habilitação do profissional, e que foram juntados aos autos documentos comprobatórios, tais como recibos, notas fiscais e principalmente cheques nominais; · Que, caso seja mantida a natureza salarial dos depósitos, então a responsabilidade pelo recolhimento seria da fonte pagadora e não do Contribuinte, nos termos doa rt. 722 do RIR/1999; e · Que a autoridade fiscal não pode encaminhar a representação fiscal para o Ministério Público Federal antes do fim do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 83 da Lei nº 9.430/1996; também, que o presente caso não é hipótese de crime contra a ordem tributária, vez que não houve omissão de informação nem declaração falsa. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Por outro lado, são ventiladas questões que extrapolam a competência deste e.CARF, como a tramitação do processo de representação fiscal para fins penais e a inconstitucionalidade da Lei, questões essas que não podem ser conhecidas. Portanto, conheço parcialmente do recurso voluntário, para analisar as demais questões suscitadas. Diligência A verdade é que os autos não se encontram em situação que permita o julgamento adequado da lide. Tanto a autoridade fiscalizadora quanto o Recorrente fazem referência a um processo trabalhista (nº 5.143/2005) que tramitava perante a 3ª Vara do Trabalho de Florianópolis/SC. Nestes autos judiciais, anotaram ambos, discutiuse a natureza jurídica dos recursos recebidos pelo Contribuinte, tanto a título de "bônus" de metas, quanto dos "empréstimos". De um lado, a autoridade lançadora aponta que o próprio Contribuinte afirmou, em sua petição inicial judicial, que tais recursos tinham natureza salarial e que, Fl. 954DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 955 7 portanto, deveriam ser incorporados ao seu salário e que tinha direito, portanto, aos valores reflexos (13º salário, férias, FGTS etc.). De outro lado, o Contribuinte afirma que, em decisão final da lide judicial, restou consignado que os valores recebidos por atingir metas ficaram configurados como prêmios e que tinham, portanto, natureza indenizatória. Também, que a autoridade julgadora judicial não apenas negou provimento ao pleito do Contribuinte de configurar os mútuos como salários disfarçados como, inclusive, determinou que pagasse os referidos empréstimos à massa falida da exempregadora. Acessando o espelho dos autos judiciais, podemos constatar que o processo já foi finalizado e, inclusive, baixado: Nesse sentido, visando evitar decisões contraditória que possam sobreonerar o administrado, entendo ser necessário respeitar as conclusões alcançadas no processo judicial acerca da natureza jurídica de cada um desses pagamentos. Afinal, se o Recorrente restou obrigado, efetivamente, a restituir os valores recebidos como empréstimos, então não é possível desconfigurar tais negócios ao argumento de que se tratam de salários disfarçados. Igualmente, se restou consignado em decisão judicial que os valores recebidos como prêmio tinham natureza indenizatória e não salarial, tampouco pode esse e.CARF aceitar a tributação pelo IRPF. Enfim, ante todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para: Fl. 955DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11516.004380/200742 Resolução nº 2202000.717 S2C2T2 Fl. 956 8 · Que sejam juntados aos autos certidão de objeto e pé do processo judicial, bem como cópias de todas as decisões proferidas nesses autos trabalhistas; · Após, que a autoridade diligenciadora elabore parecer conclusivo descrevendo fundamentadamente quais valores entende que devem ser mantidos e quais devem ser afastados, com base nessas informações judiciais; · Que o Recorrente seja intimado a se manifestar, caso queira, sobre o parecer da diligência no prazo de 30 dias; Enfim, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 956DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 02/0 9/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10865.000340/93-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 1999
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE - Comprovado,
documentalmente, o vínculo de conta bancária não escriturada , mantida em instituição financeira, com as transações da empresa,
procede a presunção de que os recursos depositados naquela conta se originaram de receitas movimentadas à margem da
contabilidade.
OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIM1ENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Os
rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados, e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real.
OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea , a efetiva entrada do dinheiro e sua origem , coincidente em datas e valores , a importância suprida será tributada como omissão de receitas.
GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - Os encargos
financeiros de efetividade não comprovada são indedutiveis do lucro operacional.
MULTA - Aplica-se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 728, III do RIR/80 sobre a parcela da exigência fiscal
correspondente aos fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele prevista.
Recurso provido
Numero da decisão: CSRF/01-02.743
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial suscitada de oficio pelo Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, o qual foi vencido. Vencidos, ainda, os
Conselheiros Francisco de Pauta Corrêa Carneiro Giffoni, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Victor Luís de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Afonso Celso Mattos Lourenço, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira, Manoel Antônio Gadelha Dias e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, da seguinte forma: 1) o Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço
quanto ao mútuo e às despesas operacionais., (variação cambial e juros); 2) o Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias quanto à conta corrente mantida em instituição financeira (Termo de Verificação Fiscal e Imputação de fls. 118 e 119); 3) os demais negavam provimento integral.
Nome do relator: Verinaldo Henrique da Silva
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ementa_s : OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE - Comprovado, documentalmente, o vínculo de conta bancária não escriturada , mantida em instituição financeira, com as transações da empresa, procede a presunção de que os recursos depositados naquela conta se originaram de receitas movimentadas à margem da contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIM1ENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Os rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados, e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea , a efetiva entrada do dinheiro e sua origem , coincidente em datas e valores , a importância suprida será tributada como omissão de receitas. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - Os encargos financeiros de efetividade não comprovada são indedutiveis do lucro operacional. MULTA - Aplica-se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 728, III do RIR/80 sobre a parcela da exigência fiscal correspondente aos fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele prevista. Recurso provido
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OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Os rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados, e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receitas. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - Os encargos financeiros de efetividade não comprovada são indedutíveis do lucro operacional. 1, o PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 MULTA - Aplica-se, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 728, III do RIR/80 sobre a parcela da exigência fiscal correspondente aos fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele prevista. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial suscitada de oficio pelo Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, o qual foi vencido. Vencidos, ainda, os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco de Paula Corrêa Carneiro Giffoni, Victor Luís de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Afonso Celso Matos Lourenço, Wilfrido Augusto Marques, Luiz Alberto Cava Maceira, Manoel Antônio Gadelha Dias e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, da seguinte forma: 1) o Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço quanto ao mútuo e às despesas operacionais (variação cambial e juros); 2) o Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias quanto à conta corrente mantida em instituição financeira (Termo de Verificação Fiscal e Imputação de fls. 118 e 119); 3) os demais negavam provimento integral. ON P A ROIÓRIGUES - PRESIDENTE VERINALDO Iffin'i QUE DA SILVA - RELATOR FORMALIZADO EM: 3 Nuv i991 2 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANTÔNIO DE FREITAS DUTRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA e FRANCISCO DE SALES R. DE QUEIROZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA. ;I( 3 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 RECURSO N°: RP/103-0.149 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CERÂMICA PORTO FERREIRA S/A RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador credenciado junto à Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no art. 30, inciso I, da Portaria MF n° 537/92, pleiteando a reforma do acórdão n° 103-18.604, de 13 de maio de 1997, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário n° 110.344, interposto nos presentes autos. O litígio posto sob julgamento desta Egrégia Câmara pode ser sintetizado da seguinte forma (v. fls. 118 a 119 e 157 a 160): 1- DO LANÇAMENTO 1.1 - Omissão de receitas caracterizada pela manutenção de conta corrente "fria" mantida em instituição bancária, com o fim de acobertar recursos oriundos de vendas sem emissão de notas fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal e Imputação ("Conta Fria") (fls. 118/119). O montante tributário foi apurado a partir do somatório dos depósitos efetuados na referida conta corrente "fria", entre setembro de 1990 e julho de 1991, constituindo (conforme os demonstrativos das fls. 92/112) um total de: EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1991 1990 Cr$ 89.186.409,49 1992 1991 Cr$ 979.762.513,22 1.2 - Omissão de receitas financeiras - decorrentes dos recursos abrigados pela conta corrente "fria", que foram aplicados no mercado financeiro — abrangendo o período de outubro de 1990 a fevereiro de 1991, constituindo (conforme os demonstrativos das fls. 113/117) um total de. 4 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1991 1990 Cr$ 1.337.579,58 1992 1991 Cr$ 1.570.407,76 1.3 - Omissão de receitas caracterizada por ingressos de numerários contabilizados a débito na conta "Caixa", em contrapartida de empréstimos que, segundo o contribuinte, teriam sido tomados junto a empresa denominada HELENSVILLE, mas cuja origem e efetiva entrega dos recursos não restaram comprovados - compreendendo o período de janeiro a setembro de 1991, constituindo (conforme Termo de Verificação Fiscal, às fls. 157/160) um total de: EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1992 1991 Cr$ 390.500.000,00 1.4 - Glosa de despesas operacionais, contabilizadas nas rubricas "Variação Cambial" e "Juros", por falta de comprovação da sua efetividade, abrangendo o período de janeiro a dezembro de 1991, constituindo (conforme Termo de Verificação Fiscal, às fls. 157/160) um total de: EXERCÍCIO PERÍODO-BASE VALOR TRIBUTÁVEL FINANCEIRO 1992 1991 Cr$ 1.232.641.380,73 Apurada a base tributável, a Fiscalização promoveu, ex officio, a compensação de prejuízos fiscais (fls. 162 e 168), da seguinte forma: EXERCÍCIO FINANCEIRO 1991 (valores em Cr$) PREJUÍZO 38.929.814,00 DECLARADO PREJUÍZO 38.929.814,00 COMPENSADO SALDO A 0,00 COMPENSAR MONTANTE 51.594.175,07 TRIBUTÁVEL REMANESCENTE 5 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 EXERCÍCIO FINANCEIRO 1992 (valores em Cr$) PREJUÍZO 2.942.101.781,00 DECLARADO PREJUÍZO 2.604.474.301,71 COMPENSADO SALDO A 337.627.479,29 COMPENSAR MONTANTE 0,00 TRIBUTÁVEL REMANESCEN'I'E Assim, a parcela lançada limita-se a Cr$ 51.594.175,07, condizente com o exercício financeiro 1991, período-base 1990 (fl. 163). 2- DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação (fls. 171/240), apresentada tempestivamente, é alegado, em síntese: Preliminarmente: 1 - Não estar demonstrado o dispositivo legal infringido (fls. 184). No mérito: 1 - Ser o lançamento baseado em presunção hominis, sendo, portanto, indevido (fls. 197); 2 - Fazer a escrituração contábil prova a favor da interessada (não haver prova de que a escrituração contivesse vício ou omissão) (fls. 189/193); 3 - Terem sido lançados valores em duplicidade (fls. 194/196); 4 - Ter sido o lançamento baseados em indícios, não havendo prova concreta da omissão (fls. 197/205); 5 - Nada provar o documento da fl. 03 — informação do Delegado de Polícia Assistente do II RGD de São Paulo, no sentido de não constarem Arlindo de Morais e José Carlos de Moraes nos arquivos onomásticos daquela unidade e de os RGs fornecidos pertencerem a outras pessoas, que não as referidas -, uma vez que a conta bancária pertence a Arlindo de Moraes (fls. 205/206); 1)11 6 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 6 - Ser válido o contrato de mútuo negociado com a empresa Helensville S. A. (uruguaio), uma vez que (fls. 207/213): 6.1 - não há a obrigatoriedade do registro público do mesmo; 6.2 - são normais os extratos da conta corrente fornecidos pelo referido banco — não há necessidade de aposição de assinaturas ou rubricas e históricos genéricos são habituais na prática bancária; 6.3 - a existência do contrato e o trânsito do numerário pelo Banco Surinvest comprova o recebimento do numerário; 6.4 - não há dispositivo em lei tributária que obrigue a guarda de cópia de fax, telex ou telegrama, dispondo a Constituição no art. 52, II, que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei"; 6.5 - preenche o contrato os requisitos do art. 82 do Código Civil. 7 - Não haver fundamento para a aplicação da multa de 150%, uma vez não configurada fraude, nos termos da Lei n2 4.502/64 e Decreto-lei n2 401/68, sendo aplicável, na dúvida, o art. 112 do CTN, ainda mais que não haveria, no caso, nenhum proveito para a autuada (fls. 218/228); 8 - Finalizando seu teor reivindicatório: 8.1 - cita diversos acórdãos administrativos no intento de amparar sua tese (fls. 229/233); 8.2 - solicita o acolhimento de suas razões e o arquivamento do auto de infração (fl. 233); 8.3 - junta demonstrativos de cálculo às fls. 235/240 e procuração à fl. 241 (cheques devolvidos e depositados novamente). 3- DA INFORMAÇÃO FISCAL Informação fiscal, datada de 15/12/93 e 04/01/94, é juntada às fls. 244/245. ''s\ • 7 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 4 - DA INTIMAÇÃO PARA ADMISSÃO DA TITULARIDADE DA "CONTA FRIA" Às fls. 246, a interessada é intimada "com o exclusivo objetivo de admitir a titularidade da conta fria e oferecer elementos que julgar úteis à pretendida exclusão dos valores citados como inclusos em duplicidade". 5 - DAS CONTRA-RAZÕES À INFORMAÇÃO FISCAL Nas contra-razões à informação fiscal são reiterados os argumentos no sentido de não ser a contribuinte titular da conta fria (fls. 249/254). 6- DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A autoridade monocrática, em decisão fundamentada (fls. 282/296) entendeu procedente a exigência fiscal como exemplifica a leitura das ementas: "OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM "CONTA FRIA"- comprovado, documentalmente, o vínculo de conta bancária cuja titularidade está pervertida pela falsidade ideológica da "conta fria", com as transações da empresa, procede a presunção de que os recursos naquela conta depositados se originaram de receitas movimentadas à margem da contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS/ RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - os rendimentos de aplicações financeiras não contabilizados e decorrentes de receitas omitidas, devem ser acrescidos ao lucro real, para tributação. OMISSÃO DE RECEITAS/SUPRIMENTOS DE CAIXA - se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidente em datas e valores, a importância suprida será tributada como omissão de receitas. GLOSA DE DESPESAS/ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS - os 8 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 encargos financeiros de efetividade não comprovada são indedutíveis do lucro operacional. MULTA AGRAVADA - aplica-se, no lançamento de oficio, a multa de 150% (art. 728, III do RIR/80) sobre a diferença do imposto devido nos casos de evidente intuito de fraude, enquadrando-se na tipificação a manutenção de "conta fria" com o fim de acobertar recursos advindos de receitas omitidas e a realização de suprimentos de numerários provenientes de "mútuo" simulado." 7- DO RECURSO VOLUNTÁRIO Dessa decisão houve recurso tempestivo ao 1 2 Conselho de Contribuintes (fls. 302/344), onde, o contribuinte, além de reiterar as razões da impugnação, argúi: a) nulidade do auto de infração por falta de requisitos essenciais (fls. 303/304) e por ter sido este iniciado a partir de provas obtidas por meio ilicitos (fls. 304/308); b) improcedência da utilização da TRD (fls. 316 e 338 - não é objeto do RP, por ter sido excluída pela Câmara a quo por unanimidade de votos); e c) aplicabilidade da Súmula do TFR n9 182 (fls. 318/319). 8- DA DECISÃO DE V INSTÂNCIA A terceira Câmara do 1 2 Conselho de Contribuintes decidiu (fls. 350/359) através do acórdão n2 103-18.604, de 13 de maio de 1997, por unanimidade de votos, REJEITAR A PRELIMINAR suscitada e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. A decisão está assim ementada: "IRPJ — EXERCÍCIOS DE 1991/92 — OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL: TRIBUTAÇÃO SOBRE DEPÓSITOS EXCLUSIVAMENTE BANCÁRIOS. MÚTUO CARACTERIZADO COMO SUPRIMENTO DE CAIXA DE ADMINISTRADOR: TRIBUTAÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITA E GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS — "A presunção de omissão de receita da pessoa jurídica -m 9 i PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 base da atribuição a ela da titularidade de certa conta bancária mantida por pessoa fisica dada como inexistente, sob pena da irregular caracterização de crédito tributário em base de depósitos exclusivamente bancários, fica automaticamente recusada quando a Fiscalização não leva a cabo investigações mais aprofundadas na fiscalizada, especialmente quando teve acesso a informação de que os valores da mesma foram repassados para a contabilidade da autuada". "A presunção do suprimento de caixa de que cuida o artigo 181 do RIR/80 implica necessariamente na identificação do supridor como a pessoa fisica administradora da suprida, que apoda os pertinentes recursos financeiros, sob pena da irregular caracterização do fato gerador tendente à sustentação, ora da omissão de receita em base dos valores admitidos na contabilidade, ora da glosa das despesas financeiras geradas pelo mútuo declarado". 9- DO RECURSO ESPECIAL Desse acórdão foi dado ciência, em 04/07/97, ao Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto à Câmara recorrida (fls. 360), o qual interpôs, tempestivamente, o RP (alcança apenas a parte da decisão não-unânime) de fls. 361/362, com fundamento no art. 30 da Portaria 537/92, alegando, em síntese: 9.1 - não ter sido o lançamento embasado em simples presunções, mas em fatos e documentos bancários; 9.2 - não sendo fundamentados em documentação hábil e idônea os lançamentos contábeis da autuada, não há como reputar verídicos os registros por ela efetivados. Ao final, adota como suas as razões da decisão da autoridade administrativa monocrática e requer que prevaleça o voto vencido, para que seja restaurada a situação anterior ao julgamento da I. 2 g- ,(sic) 1 10 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 Câmara do Conselho de Contribuintes, mantendo-se o auto de infração em questão e o seu lançamento original. 10- DAS CONTRA-RAZÕES A autuada apresentou, tempestivamente, contra-razões ao Recurso Especial (fls. 368/372), reiterando que o nome constante no documento de fls. 03 é atinente à Arlindo de Morais e não Arlindo de Moraes - o que, a seu ver, não foi esclarecido nem pela Fiscalização, nem pela Decisão de primeira Instância. A seguir, defendeu a decisão consubstanciada no acórdão guerreado, alegando: 10.1 - o Fisco não pode impor ao contribuinte penalidade tributária, à margem da lei; 10.2 - o art. 181 do RIR/80 prever a tributação do "valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, ... omissis , ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas" e 10.3 - no tocante ao mútuo, embora o RP do douto Procurador não tenha se insurgido contra essa parte da decisão, a fiscalização andou mal, não aparelhando a ação fiscal, conforme os ditames da lei. Por fim, requer que sejam consideradas as razões de seu Recurso Voluntário e que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. r , 11 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 VOTO CONSELHEIRO: VERINALDO HENRIQUE DA SILVA O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele tomo integral conhecimento. Passo a esclarecer o afirmado (e destacado). À época da interposição do RI' de fls. 361/362 (07/07/97), o Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 537/92, de 17/07/92, não exigia do RI' a demonstração fundamentada da contrariedade à lei ou à evidência da prova. Para o cabimento do RI', bastava que a decisão fosse não-unânime, o que é o caso dos autos. Ao presidente da Câmara, no exame do RI', incumbia verificar apenas sua tempestividade, nada além disso (v. art. 31, § 2°). Tal exigência apenas foi inserida no RI a partir da vigência da Portaria n° 55, de 16/03/98 (v. art. 33, § 10). E mais: se isso não bastasse, mesmo que, naquela data, outras exigências existissem, quanto à admissibilidade do RI', melhor sorte não assistiria ao contribuinte, quando diz que "o RP não alcança a parte da decisão relativa à descaracterização do contrato de mútuo". E que o douto Procurador, ao interpor o RI' de fls. 361/362, adotou como suas as razões da decisão da autoridade administrativa monocrática de fls. 282/296 (v. fls. 362 - penúltimo parágrafo). Logo, assim procedendo, até para evitar repetições desnecessárias e por amor à brevidade, demonstrou, com todas as letras, que se insurgia in totum contra a decisão da Câmara, na parte não-unânime. Feito esse esclarecimento, passo ao exame da lide. Preliminarmente, registro que não conheço das contra- razões do contribuinte no que tange à argüição de não ser o Arlindo de Morais, referido no documento da fl. 03, o mesmo Arlindo de Moraes, con-entista da conta corrente n2 104.852-1. É que essa matéria já foi rejeitada, por unanimidade - bem como todas as preliminares suscitadas —, pela 32 Câmara, no acórdão recorrido (ver fl. 350). Assim, se fosse o caso, só se admitiria, em tese, a apreciação desta questão em embargos de declaração do acórdão em apreço — o qual tem prazo preclusivo de 05 dias, conforme art. 25 do antigo RI deste Conselho (e atual, v. art. 27, § 1°). Como não foi suscitado este remédio processual, está preclusa a matéria na seara administrativa. 1 it.," 12 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 No mérito, além da multa qualificada, existem quatro matérias em discussão: 1 - omissão de receitas operacionais, caracterizada pela manutenção da conta "fria"; 2 - omissão de receitas financeiras; 3 - omissão de receitas, em decorrência da descaracterização do contrato de mútuo; e 4 - glosa de despesas operacionais (variação cambial e juros). As duas primeiras estão inter-relacionadas; o mesmo acontece com as duas últimas. À reflexão, o que for decidido por esta Egrégia Câmara em relação ao item 1, será válido para o 2; idem quanto aos itens 3 e 4. Passo ao exame do litígio, esclarecendo que a abordagem dos temas seguirá a mesma ordem das matérias perfilhadas no relatório. 1 - OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA PELA MANUTENÇÃO DE CONTA CORRENTE "FRIA"/RECEITAS FINANCEIRAS Creio que o acórdão recorrido merece ser reformado quanto ao entendimento que expressou em relação aos fatos apurados pelo "Termo de Verificação Fiscal e Imputação ("Conta Fria") (fls. 118/119), dos quais resultou o lançamento por omissão de receitas operacional e financeira. Passo a expor os fundamentos de minha convicção. Primeiramente, atente-se para o fato de que — pelo detectado por mim na extensa pesquisa com base nos extratos bancários da conta fria -, os débitos a ela relacionados, quando não são concernentes a aplicações financeiras (que têm o fito de proteger e remunerar o capital ali disponível), são atinentes a depósitos na conta corrente da autuada!! Em outras palavras, nos períodos que constam no auto de infração, a conta corrente "fria" serviu única e exclusivamente para suprir o caixa da autuada (afora as aplicações financeiras, logicamente). Por outro lado (somente no sentido de facilitar o raciocínio, pois, como visto, a prova da existência dos "correntistas fantasmas" foi acatada por unanimidade na rejeição das preliminares no julgamento ora em recurso), foi fartamente comprovada a inexistência dos pretensos correntistas Arlindo de Moraes e José Carlos de Moraes. Note-se que, em relação ao primeiro "fantasma" citado (Arlindo de Moraes), o CPF para ele indicado, 123.785.308-70 (Proposta de Abertura de Conta — Pessoa Física - fl. 02, verso), pertence a Arlindo de Morais, conforme pesquisa no sistema CPF da Secretaria da Receita Federal (fl. 256). A esta pessoa não corresponde o RG indicado no documento da fl. < 13 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 C verso, conforme explicitado pelo telex encaminhado pela DELPOL II RGD de São Paulo (fl. 03). Não bastasse isso, também o endereço indicado na referida Proposta não confere com o constante no Sistema CPF! Revela-se aqui, com toda a clareza, a tentativa em induzir a erro o Fisco: ao nome Arlindo de Moraes foi indicado o CPF 123.785.308- 70, que, em verdade, pertence a Arlindo de Morais. Como foi pesquisado o RG deste último nome, alega-se que a informação é indevida, pois o nome é diferente do constante na Proposta de Abertura de Crédito; caso houvesse sido pesquisado o RG de Arlindo de Moraes, alegar-se-ia que a informação fornecida seria incorreta, pois o CPF indicado é o de Arlindo de Morais, devendo-se o Moraes a erro de digitação. Em suma: tal pessoa não existe, servindo apenas para gus_ os administradores da autuada pudessem movimentar a conta corrente "fria". Quanto à segunda pessoa indicada na conta corrente, o "fantasma" José Carlos de Moraes, o CPF a ela indicado —006.010.788- - simplesmente não existe (conforme pesquisa no sistema CPF da Secretaria da Receita Federal, fl. 257), e irualmente o RG informado é .figs2. (ver informação DELPOL II RGD São Paulo, fl. 03)!! Esses "seres fictícios" movimentavam uma conta bancária, frise-se, tão somente para fazer provisões na conta corrente da autuada (e aplicar os recursos ali existentes) conforme exaustivamente demonstrado pela Fiscalização (ver, por exemplo, os cheques depositados na conta corrente da autuada — fls. 04/18 e o "demonstrativo exemplificador do relacionamento entre as contas correntes bancárias 104.825-7, em nome de Cerâmica Porto Ferreira S/A e 104.852-1, em nome de Arlindo de Moraes e ou José Carlos de Moraes" — fls. 19/20). Para mim, no caso sob exame, está perfeitamente caracterizado o nexo de causalidade entre a conta corrente "fria" e a autuada. Não tenho a menor dúvida de que a conta "fria" pertence à empresa. Os documentos de fls. 23, 37 e 43 eliminam qualquer incerteza que ainda pudesse subsistir. Explico: a) o aviso de lançamento bancário de fls. 37 foi requisitado pelo Fisco ao Banco. Ali consta o seguinte: "valor que se transfere da conta 104852-1 (conta "fria") referente ao depósito nesta data indevidamente que ora regularizamos" (v., ainda, extrato da conta "fria" à fl. 43); b) já o extrato de conta corrente de fls. 23 (conta da ; 14 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 empresa CERÂMICA PORTO FERREIRA S/A) foi fornecido pela autuada ao Fisco. Nesse documento consta um depósito de igual valor àquele que foi estornado da conta "fria. E mais: constam também anotações manuscritas, efetuadas pelos gestores da empresa, esclarecendo o erro do banco e a causa do erro. Lá foi anotado: "ARLINDO LANÇ ERRADO ". À evidência, essas anotações só foram possíveis porque quem operava a conta "quente" da autuada - seus administradores operava também a conta "fria" mantida pela empresa junto ao mesmo banco. Por isso, repito: a conta "fria" pertence à empresa CERAMICA PORTO FERREIRA S/A. Desta feita, está perfeitamente demonstrada a subsunção dos fatos provados aos arts. 181 e 253 do RIR/80. E mais: diz o artigo 181 do RIR/80, verbis: "Art. 181 - Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas." Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que "INDÍCIOS VÁRIOS E CONCORDANTES SÃO PROVA" 1 ., com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. De qualquer sorte, apenas para argumentar, tecerei alguns comentários acerca do raciocínio desenvolvido pelo ilustre relator, no voto condutor do acórdão n° 103-18.604, raciocínio esse acolhido pela maioria dos membros da Egrégia Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Ali, o insigne relator, quanto aos assuntos aqui tratados, houve por bem entender que a exigência fiscal não poderia prosperar em razão de quatro motivos: 1 STF, RTJ 52/140 apud Hely _53' es Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 222 ed., 1997, p 7. 15 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 1 - não estar evidenciado a que título foram contabilizados os depósitos advindos da conta "fria" (v. fls. 357); 2 - ter sido realizada intimação para que a autuada assumisse a titularidade da conta fria (v. fls. 357); 3 - a única informação sustentadora da titularidade falsa da conta resultar exclusivamente do telex de fls. 3, onde um dos nomes pesquisados foi Arlindo de Morais e não Arlindo de Moraes. Assim, no seu entender, os depósitos que alimentavam a conta da autuada foram efetivados por terceiros, o que não permite seu lançamento conforme ocorrido (v. fls. 357);e 4 - não ter havido maior aprofundamento da ação fiscal (v. fls. 358). A meu juízo, tal entendimento não é sustentável. Passo à análise dos argumentos apresentados: I - não estar evidenciado a que título foram contabilizados os depósitos advindos da conta 'fria": ora, in casu, a forma de contabilização dos depósitos advindos da conta "fria" só ganharia relevância na tributação do imposto sobre a renda, se a autuada os houvesse contabilizado a título de receitas ou, por outra forma, os houvesse oferecido à tributação. Mas a contribuinte não carreou aos autos nenhuma prova nesse sentido, até porque, por mais que restasse comprovada a titularidade da conta "fria", jamais assumiu a sua paternidade. Por óbvio, excluída a hipótese acima, qualquer outra forma de contabilização é absolutamente irrelevante do ponto de vista tributário. Isso porque o que interessa para configurar o fato gerador do tributo, na esteira do previsto pelo art. 43 do CTI\1 2, é que haja acréscimo patrimonial por parte do sujeito passivo. Nesse sentido vem se manifestando copiosa doutrina, como por exemplo: "O conceito jurídico mais adequado de renda é o de acréscimo patrimonial, englobando os ganhos de capital, exceto os de transferências de renda, tais como doações e heranças."3 2 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. 3 João Décio Rolim in O Conceito Jurídico de Renda e Proventos de Qualquer Natureza / Alguns Casos Concretos - Adições Exclusões ao Lucro Real. Revista de Direito Tributário n g- 67, ed. Malheiros, apudleando Paulsen, p.119. 16 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 CC ... a expressão renda e proventos de qualquer natureza só abrange os fatos que possam ser considerados como acréscimo patrimonial; ..."4 Não há dúvidas acerca da existência de acréscimo patrimonial no caso de que tratamos. Como visto, é farta a prova da existência de numerário mantido na conta "fria" gerida pela empresa. Descortinando-se, assim, as receitas omitidas, as mesmas comporão a base de cálculo do tributo, o lucro real. Deste modo, está perfeitamente caracterizada a subsunção da hipótese de incidência do imposto sobre a renda - adquirir acréscimo patrimonial - com os fatos amplamente demonstrados no processo - existência de receitas mantidas à margem da escrituração. Desta feita, assume importância secundária e meramente incidental serem os recursos depositados na tal conta "fria" provenientes de receitas operacionais ou não-operacionais ou outras. Caracterizado o acréscimo patrimonial, incide a norma que determina a tributação pelo imposto sobre a renda. Além do mais, o disposto no art. 118 5 do C-FN determina, para a definição do fato gerador, a abstração (1) da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e (2) dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Logo, mesmo que os depósitos na conta fria - gerida pelos administradores da Fiscalizada - houvessem sido efetuados por um louco, o acréscimo patrimonial, auferido a título gratuito, deveria ser necessariamente tributado. O juiz federal Leandro Paulsen6 comenta assim tal determinação legal: "Jamais um ato ilícito estará descrito na norma como hipótese de incidência da obrigação tributária. Mas se algum fato ilícito implicar situação que, por si só, não seja ilícita e que seja prevista como hipótese para a obrigação tributária, a ilicitude circunstancial não terá qualquer relevância, não viciará a relação jurídica tributária." (grifou-se) 4 Hugo de Brito Machado in Temas de Direito Tributário II. São Paulo, RT, 1994, p. 86. 5 "Art. 118. A definição do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 6 Leandro Paulsen in Direito Tributário - Constituição e Código Tributário á Luz da Doutrina a da Jurisprudência. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 1998. p. 279. "-- .-, 17 / / PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02.743 Por sua vez, Sacha Cahnon Navarro Coelho' sintetiza a obrigatoriedade da tributação pelo imposto sobre a renda de acréscimo patrimonial auferido ilicitamente com as seguintes palavras: "a) são tributáveis os fatos lícitos embora realizados ilicitamente". Também o Mestre Aliomar Baleeiro8, ao se referir aos efeitos tributários dos atos inválidos, ensina: "Se nulo ou anulável (o ato jurídico gerador de acréscimo patrimonial), não desaparece a obrigação fiscal que dele decorre, nem surge para o contribuinte o direito de pedir repetição do tributo acaso pago sob invocação de que o ato era nulo ou foi anulado. O fato gerador ocorreu e não desaparece, do ponto de vista fiscal, pela nulidade ou anulação." (Grifei) Aliás, a lógica aqui desenvolvida está, como consabido, contemplada no RIR/80, arts. 154 e 155, os quais tem a seguinte redação: "Art. 154. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei IV 1.598/77, art. 62). Art. 155. O lucro líquido do exercício é a sorna algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária e das participações, e deverá ser determinado com observância das leis comerciais." Portanto, comprova-se mais uma vez, com toda clareza, que não tem a menor relevância, para a tributação das receitas, omitidas, provir elas de atividades operacionais, não-operacionais ou de outros ganhos. Do mesmo modo, exceto no caso de bitributação (hipótese não provada nos autos), é irrelevante a determinação dos registros contábeis dos depósitos - se é que houveram Basta a prova da existências de receitas omitidas. E, neste 7 Sacha Calmon Navarro Coelho in Comentários ao Código Tributário Nacional. Rio de Janeiro, Forense, 1998, p.289. 8 Aliomar Baleeiro in Direito Tributário Brasileiro. São Paulo, Forense, 102 ed., p. 331, \) 18 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02.743 caso, as provas afloram de uma forma imensurável. 2 - ter sido realizada intimação para que a autuada assumisse a titularidade da conta fria: a intimação, presente às fls. 246, "com o exclusivo objetivo de admitir a titularidade da conta fria e oferecer elementos que julgar úteis à pretendida exclusão dos valores citados como inclusos em duplicidade" em nada desmerece o lançamento. Poder-se-ia argumentar que a contribuinte não é obrigada a romper seu silêncio quando pode, com isso, se comprometer. Mas nada impede o Fisco de emitir tal intimação, que se respondida espontaneamente, produz os efeitos admitidos pelo Direito, inclusive, se for o caso, o da prova contra a autora da resposta. Porém, de fato, tal não ocorreu, unia vez que não houve resposta conclusiva por parte da intimada. Assim, a intimação consubstancia-se em mero fato processual, que em nada interfere no deslinde do lançamento, cujo fulcro é: omitiu, a autuada, receitas de regular tributação? Respondo: a manutenção de conta corrente "fria", gerida pelos administradores da empresa por meio de "fantasmas" - e exclusivamente para suprir o seu caixa - provam que sim. 3 - ser a única informação sustentadora da titularidade da conta falsa exclusivamente o telex de lis. 3, onde um dos nomes pesquisados foi "Adindo de Morais" e não "Adindo de Moraes". Conclui disto que os depósitos que alimentavam a conta da autuada foram efetivados por terceiros, o que não permite seu lançamento conforme ocorrido. Os fatos que elidem tais conclusões foram amplamente abordados no início de meu voto. Assim, o telex da fl. 03 não é a única informação que prova a inexistência dos titulares da conta corrente: dela se acompanham a Proposta de Abertura de Conta Corrente e o Sistema CPF da Secretaria da Receita Federal; os nomes pesquisados decorreram do confronto entre os nomes e os CPFs declarados; um dos CPFs declarados sequer existe; logo, os depósitos não podem ter sido realizados por terceiros pela singela razão de me os pretensos terceiros não existem. 4 - não ter havido maior (v. fls. 358) aprofundamento da ação fiscal: como se vê, o relator reconhece que houve aprofundamento da ação fiscal. Diz, porém, que poderia ser maior. Data venha, a meu ver, houve um perfeito aprofundamento da ação fiscal: o necessário e suficiente. As infrações foram levantadas e à empresa, assegurado o exercício do amplo direito de defesa. O extenso relatório lido por mim não deixa margem a dúvidas. Se se entender, por amor ao debate, que poderia vir a ser maior, pergunto: até que ponto? Respondo: a resposta envolve um juizo de valor, que, por óbvio, deve ser descartado de plano, até porque, ex vi do disposto no artigo 118 do CTN, não importa de onde provenha o acréscimo patrimonial. Houve acréscimo patrimonial? Sim! Logo, tributa-se (CTN, art. 43). effr ''Y 19 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 Por fim, em relação à existência no lançamento de cheques depositados e devolvidos, não é da competência desta Câmara Superior a análise material dos cálculos efetivados. E claro que cheques depositados e devolvidos devem ser excluídos da base de cálculo, especialmente se provado que integraram novos depósitos. O autuado, entretanto, apesar do demonstrativo de fls. 235/240, não logrou provar a existência de qualquer duplicidade. Correto, portanto, o lançamento em relação à conta "fria". Por decorrência, idem quanto às receitas financeiras. Assim, dou provimento ao Recuso Especial nesses quesitos. 2 - OMISSÃO DE RECEITAS EM DECORRÊNCIA DO MÚTUO/GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS (VARIAÇÃO CAMBIAL E JUROS) Quanto à descaracterização do contrato de mútuo - com a conseqüente tributação de seus valores como omissão de receitas operacionais e glosa de despesas operacionais a título de juros e variação cambial - também merece ser acolhido o Recurso Especial, por se encontrar irretorquível a ação fiscal. Explico: Primeiramente, o contrato firmado entre a autuada e a empresa Helensville S. A. é inválido pela lei brasileira, não produzindo, portanto, efeitos oponíveis ao Fisco brasileiro. Este fato decorre de disposição expressa no art. 140 do Código Civil e do art. 148 da Lei n2 6.015/73, assim redigidos: "Cód. Civil, art. 140 - Os escritos de obrigaç'do redigidos em língua estrangeira serão, para ter efeitos legais no país, vertidos em português." (grifei) "Lei n2 6.015/73, art. 148 - Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. • 20 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° CSRF/01-02 .743 Parágrafo único. Para o registro resumido, os títulos, documentos ou papéis em língua estrangeira, deverão ser sempre traduzidos." (realcei) E mesmo que não houvesse essas disposições, melhor sorte não teria a validade do contrato em questão. É que se a legislação processual administrativa nada dispõe sobre a juntada aos autos de documento em língua estrangeira, deve-se aplicar o previsto no Código de Processo Civil, art. 157, que não aceita o documento em língua estrangeira: "Art. 157 - Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado." (destaquei) A única ressalva que se faz ao requisito é no caso de os documentos terem autenticação consular, conforme súmula 259 do Supremo Tribunal Federal: "SÚMULA 259 - Para produzir efeito em Juízo não é necessária a inscrição, no registro público, de documentos de procedência estrangeira, autenticados por via consular." A esse respeito vem se manifestando o Supremo Tribunal Federal, no seguinte sentido: "A necessidade do registro de documento se justifica quando se trata de produzir prova em face de terceiros, salvo se já autenticado por autoridade consular". 9 (grifei) Ademais, a "empresa" Helensville S.A. não apresenta analogia com nenhuma outra. Trata-se de uma empresa sul generis: a origem, o endereço e os dados cadastrais não existem e/ou não foram identificados, como atestado pela Fiscalização (fls. 158). Assim, não se aplicam ao caso em questão o artigo 174 do RIR/80, que dispõe fazer prova em favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposição legais e comprovados por documentos hábeis, pois o contrato que ampara o pretenso mútuo, desobedecer disposiçõesdisposições legais, não é documento hábil. ) 9 RTJ 113/845, STF-RT 597/244, STF-JTA 96/185. 21 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 Por outro lado, é por demais conhecida a importância da fase pré-contratual, onde se realizam conversações prévias, sondagens e estudos sobre o interesse de cada contratante. Não deve ser esquecido que o contrato em análise é um mútuo no valor equivalente a dois milhões de dólares. Tão relevante é essa fase negocial que pode surgir responsabilidade pré-contratual para os que, em determinadas condições, desistem de contratar. Tal pode ser comprovado em qualquer bom livro sobre contratos, dos quais cito dois: Tratado Teórico e Prático dos Contratos, de Maria Helena Diniz (São Paulo, Saraiva, 1993, pp. 66/67) e Teoria Geral dos Contratos, de Silvio de Salvo Venosa (São Paulo, Atlas, 1997, p.p. 99/102). Pois bem, o contribuinte não juntou nenhum documento ao processo que pudesse ao menos fazer supor que o contrato de mútuo em questão tenha existido, se contentando em alegar que não é obrigado a fazê-lo por que a lei não o exige (fls. 211/213). Ora, comprovado que o contrato não possui requisitos de validade (forma prescrita em lei), seria de seu total interesse comprovar que ele de fato existiu, na tentativa de escapar da tributação. Essa teia de simulações criada transbordou-se em fratura exposta, pois sequer a autuada conseguiu juntar cópia da letra de câmbio que contratuahnente deveria ter assinado (fls. 143, cláusula quinta do contrato). E' não se diga que não teve tempo para tanto, pois, além de Termo de Inicio de Fiscalização ter se dado em 06/12/91 e o acórdão prolatado pela Câmara recorrida ser de 13/05/97, o prazo do contrato seria de trinta e seis meses (fls. 142, cláusula terceira). Tendo contabilizado, a titulo do empréstimo, o recebimento de sete parcelas em 1991, não é razoável esperar que, em todo o transcurso deste processo administrativo, não tivesse tido uma letra de câmbio em mãos, a fim de juntá-la aos autos. Além do mais as alegações do sujeito passivo tangenciam o absurdo. Não resiste à menor reflexão objetiva a tese de que o Banco Surinvest (uruguaio), tendo recebido da pretensa empresa Helensville S.A. o montante do empréstimo — equivalente a milhares de dólares — para entregá-lo à autuada, o faria chegar-lhe em mãos, assumindo o risco pelas perdas e danos, ao invés de simplesmente encaminhá-lo via sistema bancário. A tese é por demais ingênua. É de se ressaltar, outrossim, que a moderna doutrina vem amparando a tese da inoponibilidade ao Fisco de ações abusivas, i. e. aquelas que tem, como única finalidade, reduzir tributo. Cito as palavras do Dr. Marco Aurélio Greco m as quais são corroboradas por Hermes Marcelo 10 Marco Aurélio Greco. Planejamento Fiscal e Interpretação da Lei Tributária. São Paulo, Dialética, 1988, p. 135. / ir,n I 22 1 PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01 -02 .743 Huck11: "No entanto, os negócios jurídicos que não tiveram nenhuma causa real, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso o Fisco a eles pode se opor, desqualificando-os fiscalmente para requalificá-los segundo a descrição normativo-tributária pertinente à situação que foi encobertada pelo desnaturamento da função objetiva do ato." (destaquei) Também Ruy Barbosa Nogueira expressa a opinião de que se o contribuinte, abusando do direito ao uso de formas jurídico-privadas, empregar formas anormais ou inadequadas na estruturação de suas relações, com o intuito de impedir ou fraudar a tributação que, ao contrário, tivesse ele seguido o caminho normal, seria devida, estaríamos diante de um caso de abuso de formas com o fito de evasão, nessa hipótese, inoponível ao Fisco12. Por sua vez, Hermes Marcelo Huck lembra que13 "O direito do contribuinte de organizar sua vida econômica da forma que melhor lhe convenha não é absoluto, pois o exercício de direitos absolutos repugna à experiência moderna de convívio em sociedade, sobre a qual se erige o Estado democrático de direito." E mais: diz a empresa que o Banco Surinvest informava a ela por fax a cada liberação das parcelas (v. fls. 156). Ocorre que, durante os trabalhos, o Fisco solicitou à empresa documentos que demonstrassem, indiretamente, a efetiva realização das operações de empréstimos, depósitos, saques, transferência de numerário etc. O contribuinte, entretanto, não logrou fazê-lo. Não foi juntado um documento sequer, quando vários poderiam ter sido, v. g.: telex, fax, telegramas, cartas contendo ordens, instruções, contas telefônicas etc. Por todas essas razões, tenho que o contrato de mútuo realizado com a empresa Helensville S.A. não existiu. Mas se houvesse existido, isso apenas por amor ao debate, não seria válido nem produziria 11 Hermes Marcelo Huck. Evasão e Elisão. São Paulo, Saraiva, 1997, p.153. 12 Ruy Barbosa Nogueira. Curso de Direito Tributário. São Paulo, Saraiva, 1986, p. 221 apud Hermes Marcelo Huck. Evasão e Elisão. São Paulo, Saraiva, 1997, p.145. 13 Hermes Marcelo Huck. Evasão e Elisão. São Paulo, Saraiva, 1997, p.141. / 23 :/ PROCESSO N° 10865.000340/93-13 ACÓRDÃO N° C SRF/01-02 .743 eficácia perante terceiros, incluído aqui o Fisco. Logo, perfeito o lançamento. Por decorrência, idem quanto à glosa das despesas operacionais (juros e variação cambial), pois não provada a existência do tal contrato de mútuo, ou, na melhor das hipóteses, , sendo inválido e ineficaz o referido contrato, descabe falar de encargos correspondentes. Desse modo, dou provimento ao Recurso Especial nesses quesitos. 3- DA MULTA AGRAVADA Ao decidir, a autoridade julgadora monocrática asseverou, verbis: "No que concerne à multa agravada, restou comprovado nos autos: a existência inconteste de "conta fria" vinculada às atividades da empresa; a operação de "mútuo" se tratou de operação ardilosa com o objetivo de criar condições regulares para suprimentos de caixa feitos com recursos anteriormente sonegados, beneficiando-se, ainda, da apropriação de "despesas fmanceiras", reduzindo drasticamente o lucro tributável. Essas práticas visaram a obtenção fraudulenta de vantagem indevida em matéria tributável, justificando a penalidade imposta." Bastante lúcida a argumentação do titular da DR.I. Eu também penso assim. Não tenho dúvidas. Os fatos descritos no auto de infração ( e seus anexos) se ajustam perfeitamente à hipótese prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Por isso, a penalidade imposta (multa agravada) deve ser restabelecida na íntegra. Nessa ordem de juízos, e por entender que não se pode homologar a simulação, DOU INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Especial (RP) interposto nos presentes autos, reformando a decisão consubstanciada no acórdão recorrido. Brasília/DF, em 13 de setembro de 1999. , = , ...,/ VERINALDO HENRIQUE DA SILVA - RELATOR 24 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1
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