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Numero do processo: 15504.020568/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Numero da decisão: 2201-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
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DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 68 /2 00 9- 90 Fl. 6674DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.675 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MUNICÍPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão n° 0229.423 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA n° 37.229.8710 (CFL34) com valor consolidado de R$ 13.291,66; nas competências 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração n°. 37.229.871 0, Código de Fundamentação Legal CFL 34 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99., no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal, a Recorrente: Na análise dos livros contábeis e dos arquivos digitais gerados pelo próprio sistema de contabilidade do MUNICIPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL, a fiscalização encontrou dificuldades para a verificação da correta contabilização de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias dentro do período fiscalizado, dificuldades estas relacionadas com a estrutura e procedimentos de contabilização adotados pelo MUNICiP10 DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL, conforme será explanado a seguir. A USÊNCIA DE CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS Foi verificado que embora exista o elemento de despesas "33903600 OUT.SERV.TERC P.FISICA " que deveria ser utilizado apenas para classificar as liquidações relacionadas com o pagamento de serviços prestados por pessoas físicas, o mesmo continha lançamentos sem nenhuma relação com essa natureza de despesa. como restituição de impostos e taxas para contribuintes da Prefeitura, pagamento de aluguéis para os proprietários, pagamentos judiciais, adiantamento e reembolso de despesas para servidores, dificultando assim a apuração dos fatos geradores relacionados com os contribuintes individuais. Existia um único elemento de despesas ("31901100VENC.E VANT.FIXASPESSOAL CIVIL"), utilizado para classificar as liquidações relacionadas com as folhas de pagamentos do quadro de pessoal, sendo que o registro acontecia apenas pelos totais líquidos das folhas e os históricos das liquidações registravam apenas descrições genéricas como "Relatório de Folha de Pagamento Comissionados Janeiro/04”, inexistindo Fl. 6675DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.676 3 portanto, separação entre as parcelas principais da remuneração trabalhista como, salário, férias, indenizações, etc. e tampouco separação entre as parcelas remunerat6rias inclusas e não inclusas na base de cálculo previdenciária e parcelas patronais e contribuição de segurados. dificultando verificação da correta contabilização da folha de pagamentos. Os pagamentos das Guias da Previdência Social foram registrados, em sua maioria, no elemento de despesas "319013000BRIGACOES PATRONAIS", no entanto, foram encontrados registros de recolhimentos previdenciários classificados em elementos de despesas inapropriados como "33903900OUT.SERV.TERCP.JURIDICA", sendo que o uso de históricos genéricos não possibilitavam a vinculação do recolhimento a um fato ou grupo de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Isto posto, considera a fiscalização que deixou a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. O valor da Multa aplicada foi R$ 13.291,66 reajustado pela Portaria Interministerial MPS/MF N° 48, de 12 de Fevereiro de 2009 DOU de 1310212009 A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Na defesa de fls. 21/24, o contribuinte alega que foi fiscalizado em outras épocas, anteriores a essa e nunca houve nenhum questionamento por parte dos auditores fiscais quanto à classificação do elemento de despesa — 339036 ( Out. Serv. Terceiros Pessoa Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. Fl. 6676DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.677 4 O Município de Nova Lima, sempre procurando a transparência de seus atos tem proporcionado cursos de reciclagem e atualização para a sua equipe técnica. Existiam vários elementos de despesa para liquidação das folhas de pagamento do quadro de pessoal , porém o elemento de despesa 319011 (Venc e Vant. Fixas —Pessoal Civil) é o que englobava as remunerações , conforme balancete de despesa anexo. Prossegue discorrendo acerca da forma de contabilização, alegando que a mesma pode ser facilmente verificada e por fim, solicita o cancelamento da autuação. A primeira instância julgou improcedente a autuação, nos termos do Acórdão n° 0229.423 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de piso, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação: foi fiscalizado em outras épocas, anteriores a essa e nunca houve nenhum questionamento por parte dos auditores fiscais quanto à classificação do elemento de despesa — 339036 ( Out. Serv. Terceiros Pessoa Física. Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. Existiam vários elementos de despesa para liquidação das folhas de pagamento do quadro de pessoal , porém o elemento de despesa 319011 (Venc e Vant. Fixas —Pessoal Civil) é o que englobava as remunerações , conforme balancete de despesa anexo. Discorre acerca da forma de contabilização, alegando que a mesma pode ser facilmente verificada e por fim, solicita o cancelamento da autuação. Fl. 6677DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.678 5 A Resolução nº 2403000.275 decidiu pela conversão do julgamento em diligência, de forma a serem sanadas as seguintes dúvidas: (i) Se o conjunto de provas documentais apresentadas pelo contribuinte em sede de Impugnação e em sede de Recurso Voluntário corrigem totalmente a falta que ensejou a autuação fiscal; (ii) Em quais competências o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação; (iii) Em quais competências o contribuinte não corrigiu as faltas que ensejaram a presente autuação; (iv) Considerandose o art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999, se o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação fiscal. Informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (fls. 6502/6506) concluem que a documentação que instrui o Recurso Voluntário não é capaz de sanar as faltas que motivaram a autuação em questão. O contribuinte alega que as contas públicas são regidas pela Lei Federal 4.320/64, não se aplicando normas de registros contábeis ao município. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Depreendese que o recorrente busca, através da apresentação de novos documentos, corrigir a falha.Todavia, impende observar que o sujeito passivo reconhece expressamente o erro apontado pela fiscalização, tanto que alega que exercícios posteriores as despesas foram corretamente classificadas, verbis: Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. Os novos documentos apresentados pelo contribuinte não são capazes de retificar os vícios apontados pela fiscalização e mesmo que fossem não seriam capazes de afastar a penalidade aplicada, tendo em vista que o artigo Art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 foi revogado explicitamente pelo Decreto Nº 6.727/09. Ressaltase, ainda, alguns trechos das informações prestadas pela RFB, no sentido de destacar que a autuação em apreço não se trata de rigidez da fiscalização e sim do claro descumprimento da obrigação prevista na legislação acima citada: Dos 1831 lançamentos registrados no elemento de despesas em questão no exercício de 2004, a fiscalização estima que cerca de 18% eram indevidos, não se tratavam de serviços prestados. (...) Não se trata aqui de um excesso de zelo ou rigor fiscal, o objetivo da fiscalização é apenas conseguir apurar pela Fl. 6678DF CARF MF Processo nº 15504.020568/200990 Acórdão n.º 2201004.296 S2C2T1 Fl. 6.679 6 contabilidade os totais das bases de cálculo previdenciárias, o que não foi possível pelos motivos expostos. As informações contidas nos autos do presente processo são claras quanto ao descumprimento da legislação tributária, assim como a ineficácia da conduta de retificar os documentos considerados irregulares pela fiscalização para efeitos de alteração do lançamento. Acrescente a tudo o que foi exposto, que o reconhecimento da falha que ensejou a autuação, por si só, torna a matéria incontroversa. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 6679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679904/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/12/2004
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.863
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 15/12/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679904/200902 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.863 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CIDE PER/DCOMP Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/12/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 04 /2 00 9- 02 Fl. 104DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.135, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 106DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 108DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 110DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 112DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 114DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 3402004.863 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001160/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
1.0 = *:*
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Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.382, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 60 /2 00 9- 29 Fl. 538DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 452 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável Fl. 539DF CARF MF Processo nº 11516.001160/200929 Acórdão n.º 3302005.360 S3C3T2 Fl. 3 3 pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 540DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 532/536 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 307 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 307): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11516.001160/200929 Acórdão n.º 3302005.360 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 213/222 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 220 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 542DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 61 a 115, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 21 a 38 e 116 a 150, e nos PERDCOMP e respectivas DCOMP, relacionados no DEMONSTRATIVO DOS PERDCOMPs, fls. 05 a 24. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do COFINS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 8º da IN SRF nº404, de 12 de março de 2004. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 177 a 195, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do COFINS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 3º, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 174 a 176, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11516.001160/200929 Acórdão n.º 3302005.360 S3C3T2 Fl. 5 7 datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 198 a 200. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 196 a 197, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls. 201, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 188 a 206 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", Fl. 544DF CARF MF 8 os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.006726/93-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES.
Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício.
DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO.
Constatada existência de decisão judicial que declara insubsistente o lançamento, sem que haja recurso atacando suas conclusões, cancela-se a exigência correspondente.
Numero da decisão: 1402-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar omissão no acórdão 1402-002.198, rerratificando o teor da decisão lá proferida.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício. DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. Constatada existência de decisão judicial que declara insubsistente o lançamento, sem que haja recurso atacando suas conclusões, cancela-se a exigência correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar omissão no acórdão 1402-002.198, rerratificando o teor da decisão lá proferida. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 696 1 695 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.006726/9323 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402002.852 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria IRPJ DEPÓSITOS JUDICIAIS Embargante ABBOTT LABORATÓRIOS DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para sanar tal vício. DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. Constatada existência de decisão judicial que declara insubsistente o lançamento, sem que haja recurso atacando suas conclusões, cancelase a exigência correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar omissão no acórdão 1402002.198, rerratificando o teor da decisão lá proferida. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 67 26 /9 3- 23 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 697 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 698 3 Relatório Transcrevo excertos da informação em embargos prestadas pelo então relator e acatadas pelo ilustre Presidente deste colegiado quando da admissão dos embargos: Tratase de embargos de declaração opostos por ABBOTT LABORATÓRIOS DO BRASIL LTDA. (fls. 618624) em face do acórdão nº 1402002.193, julgado na sessão de 05 de maio de 2016. A exigência diz respeito a auto de infração lavrado para prevenção de decadência em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte no bojo de Mandado de Segurança. Além da CSLL lançada, houve ainda a cominação de multa de ofício e cobrança de juros moratórios. Apresentada impugnação, os membros da 4ª Turma da DRJ em São Paulo julgaram improcedente a impugnação. Apresentado recurso voluntário, este colegiado proveuo, cancelando a exigência. A ementa do julgado recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. A embargante tomou ciência do acórdão em 03/08/2016 (uma quartafeira – fl. 616), iniciandose o prazo recursal para a apresentação dos embargos no primeiro dia útil seguinte (04/08/2016, uma quintafeira). Logo, temse que Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 699 4 prazo fatal para sua oposição se deu em 08/08/2016 (segundafeira). Tendo os embargos sido opostos em 08/08/2016 (fl. 617), os mesmos mostramse tempestivos. Alega a Embargante que o acórdão, embora tenha provido o recurso voluntário, foi omisso em relação ao primeiro argumento aduzido em recurso voluntário, qual seja, existência de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 91.06745440 que expressamente teria tornado insubsistente o auto de infração, questão prejudicial a qualquer outra discussão e que seria suficiente para cancelar a exigência, evitandose, inclusive, desnecessário julgamento pela Câmara Superior do Recurso Especial já interposto pela Fazenda Nacional. Aduz ainda a Embargante que embora o acórdão embargado tenha reconhecido a existência de decisão judicial que tornava insubsistente o lançamento com a ressalva de que não se poderia cancelar o lançamento por aquela razão, naquele momento, porque não haveria nos autos elementos suficientes para se afirmar se houve ou não interposição de recursos da PGFN com vistas à reforma de tal decisão – fora anexado aos autos inteiro teor da demanda judicial (fls. 84455), inexistindo qualquer petição da Fazenda Nacional atacando tal decisão, mas tão somente interpondo recurso especial e recurso extraordinário discutindo o mérito da demanda, sem qualquer rediscussão quanto à decisão de cancelar a presente exigência. Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Nos termos do art. 65, § 2º, do Regimento Interno do CARF – RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Os embargos opostos mostramse tempestivos, conforme já abordado. Compulsando os autos, de fato, assiste razão à Embargante: consta às fls. 84 455 [efolhas 90498] inteiro teor do Mandado de Segurança nº 91.06745440, e, assim sendo, deveria o voto vencedor ter analisado o argumento da então Recorrente a respeito da decisão judicial que cancelava a presente exigência. Isso posto, proponho ao Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que os embargos sejam ADMITIDOS, retornandome os autos para relato e posterior inclusão em pauta de julgamentos. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 700 5 Por meio do despacho de efl. 692, o Presidente deste colegiado aprovou na íntegra a proposta de admissão dos embargos. Em virtude da saída do eminente relator, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, desta turma julgadora para a presidência de outra turma desta mesma 1ª seção do CARF, os presentes autos foram a mim distribuidos para relatoria. É o relatório. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 701 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os embargos já admitidos pelo ilustre Presidente do colegiado (fl. 692). 2 OMISSÃO A SUPRIR A exigência diz respeito a auto de infração lavrado para prevenção de decadência em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte no bojo de Mandado de Segurança. Além da CSLL lançada, houve ainda a cominação de multa de ofício e cobrança de juros moratórios. Por meio do acórdão 1402002.193 este colegiado deu provimento ao recurso em razão da desnecessidade lançamento em caso de depósito do montante integral, conforme já pacificado pelo STJ no REsp 1.140.956/SP, julgado sob o rito do art. 543C do antigo CPC. Os embargos dizem respeito ao primeiro argumento da Recorrente, no sentido de que havia decisão judicial que já houvera tornado insubsistente o lançamento ora em litígio. A esse respeito, assim consta no voto condutor do acórdão embargado: Além disso há de ressaltar que havia decisão judicial expressa já cancelando a presente exigência: às fls. 5960 dos presentes autos consta cópia de decisão judicial exarada no bojo do Mandado de Segurança em questão em que, de maneira taxativa, o magistrado deferiu o pedido do contribuinte para tornar insubsistente o presente lançamento. Certa ou errada tal decisão, há de se cumprila. Caso a Fazenda Nacional discordasse de tal entendimento, deveria ter buscado sua reforma nos tribunais competentes. [referência à numeração eletrônica dos autos] Tal fundamento, contudo, não seria suficiente, nesse momento, para firmar convicção definitiva sobre o cancelamento da exigência por decisão judicial, uma vez que não há nos autos elementos suficientes para se afirmar se houve não interposição de recursos da PGFN com vistas a reforma de tal decisão. Contudo, conforme bem apontado pela Embargante, já consta dos autos o inteiro teor dos autos (efls. 90498), devendo o colegiado manifestarse a seu respeito. Compulsando a cópia integral da demanda judicial, constatase o trânsito em julgado da decisão (efl. 483). Vejase: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 702 7 Pois bem, ultrapassado tal óbice, pela importância do tema, reproduzo a decisão de efls. 5960: Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 703 8 Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 704 9 Analisando os autos, em especial a íntegra da lide judicial em questão, não identifiquei qualquer decisão posterior que reformasse a decisão de tornar insubsistente o auto de infração ora em análise. Por essas razões, reafirmando os termos do voto do relator, no sentido de que há decisão judicial expressa já cancelando a presente exigência: de maneira taxativa, o magistrado deferiu o pedido do contribuinte para tornar insubsistente o presente lançamento. Certa ou errada tal decisão, há de cumprila. Caso a Fazenda Nacional discordasse de tal Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.852 S1C4T2 Fl. 705 10 entendimento, deveria ter buscado sua reforma nos tribunais competentes, o que, efetivamente, não ocorreu. Assim sendo, além da desnecessidade de lançamento em razão do depósito do montante integral – conforme já afirmado no acórdão embargada – há um segundo motivo para que a exigência não se mantenha: o Poder Judiciário já a declarou insubsistente em decisão transitada em julgado. Isso posto, voto por acolher os embargos para sanar omissão no acórdão 1402002.198, rerratificando a decisão de dar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978911/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE.
1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido.
2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.931
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido. 2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015). Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 11 /2 01 2- 81 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trato presente processo de declaração de compensação (DComp) em que foi informada a compensação de pagamento indevido ou a maior de COFINS, com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. O Despacho Decisório proferido pelo titular da unidade da Receita Federal unidade de origem não homologou a compensação declarada porque não havia crédito disponível, uma vez que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação do débito vinculado ao correspondente pagamento.. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que fazia jus a homologação integral da compensação declarada, uma vez que o crédito informado era proveniente de recolhimento da multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea da infração. Para a recorrente, como cumprira, espontaneamente, o dever de recolher o tributo devido, a referida multa de mora recolhida era indevida, nos termos do art. 138 do CTN. Em decorrência, o valor do crédito informado era passível de compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 14 053.295. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que não cabe a exclusão da Multa de mora em casos de denúncia espontânea, devendo o Pagamento extemporâneo ser feito com os acréscimos legais. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância e inconformada, protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, após discorrer sobre o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, alegou que a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.927, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.688913/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.927): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do valor do crédito informado para compensar o débito confessado e as razões foram consignadas no despacho de decisório colacionado aos autos (fls. 5/6). Segundo o citado despacho, a partir das características do DARF discriminado na PER/DCOMP nº 16516.34621.310306.1.3.041964 o sistema localizara o valor do pagamento informado, mas ele encontravase integralmente vinculado à quitação da correspondente parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003, logo não restava crédito disponível para compensação dos débitos informado na citada PER/DCOMP. Na peça impugnatória, a recorrente alegou que o valor do crédito informado referiase a pagamento indevido da multa de mora incidente sobre a parcela do débito complementar da citada contribuição do mês de outubro de 2003, que fora paga antes da retificação da DCTF do período, o que configurava denúncia espontânea da infração. Com base no entendimento de que a multa de mora não era passível da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, por não ter natureza punitiva e sim natureza indenizatória, o órgão julgador a quo manteve a não homologação da compensação, baseada no entendimento de que não havia crédito disponível para compensação, uma vez que o valor informado na citada PER/DCOMP fora integralmente utilizado no pagamento da multa de mora de devida em decorrência do pagamento em atraso da parcela complementar da contribuição do citado mês. De outro parte, a recorrente alegou a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Com base no breve resumo dos dois entendimentos distintos ficam evidenciadas as duas divergências. Uma de cunho jurídico, referente a natureza da multa de mora, ou seja, se a multa moratória tem natureza indenizatória ou punitiva. A segundo de cunho fáticoprobatório, isto é, se a denúncia realizada pela recorrente atende os requisitos do art. 138 do CTN, de modo a isentála da cobrança do tributo. Até a decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, tais questões Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 5 4 geraram ampla controvérsia no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Para facilitar a compreensão, o enunciado da ementa do referido julgado segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.1 A partir da referida decisão definitiva, por força do que determina o art. 62, § 2º, do RICARF/2015, o entendimento manifestado no referido julgado passou a ser de adoção obrigatória nos julgamentos deste Conselho. Dessa forma, a controvérsia em torno da questão jurídica restou dirimida, haja vista o entendimento esposado no citado julgado definiu que, na seara tributária, o instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias ou multas e que estas têm natureza punitiva, inclusive, as multas moratórias decorrentes do atraso ou impontualidade no pagamento dos tributos. No que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que há declaração e pagamento parcial dos débitos, o referido julgado também definiu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração decorrente da mora ou impontualidade no pagamento do tributo. E neste caso, as condições objetivas configuradoras da denúncia espontânea são as seguintes: a) o prévio pagamento da diferença a maior do tributo acrescidos dos juros moratórios; e b) a apresentação concomitante ou posterior da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, em que informada a parcela do tributo a maior paga e ainda não declarada. Após a referida decisão, a PGFN passou a adotar o mesmo entendimento manifestado no referido julgado, conforme se lê no enunciado da ementa do Parecer PGFN/CRJ nº 2.124/2011, que segue reproduzido: A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 1 BRASIL. STJ. REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.978911/201281 Acórdão n.º 3302004.931 S3C3T2 Fl. 7 6 No caso, há provas nos autos (fls. 80/82), que a recorrente declarou na DCTF e pagou dentro do prazo de vencimento a Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003 no valor de R$ 2.994.807,61. Em seguida, no dia 27/2/2004, após o prazo de vencimento, realizou o pagamento complementar da referida contribuição no valor de R$ 266.755,76, acrescido de juros moratórios de R$ 9.709,91. Após o referido pagamento e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, no dia 18/6/2004, a recorrente apresentou a DCTF retificadora com acréscimo do referido valor complementar (fls. 83/84). Em seguida, no dia 20/7/2004, a recorrente realizou o pagamento da multa de mora, referente ao referido valor complementar recolhido fora do prazo de vencimento (fl. 78), objeto do presente do procedimento de compensação. Assim, resta demonstrado que a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumpriu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumprindo as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido.. Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.009614/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
NULIDADE DO ACÓRDÃO. ALEGAÇÃO DA FALTA DE APRECIAÇÃO DAS PROVAS PRODUZIDAS PELO CONTRIBUINTE. VALORAÇÃO DA PROVA POR PARTE DO JULGADOR.
Não importa em nulidade de acórdão, a valoração pela autoridade julgadora das provas trazidas aos autos, com a finalidade de formar a sua convicção sobre o litígio (art. 29, Decreto nº 70.235/72).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PERC. PERCENTUAL DE PAGAMENTO.
As ordens de emissão de certificados de investimentos terão seus valores calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro. O percentual de pagamento apurado tem em seu denominador o valor do imposto de renda devido e o efetivamente pago, não compreendendo no cômputo valores depositados judicialmente.
Numero da decisão: 1301-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Bianca Felicia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ALEGAÇÃO DA FALTA DE APRECIAÇÃO DAS PROVAS PRODUZIDAS PELO CONTRIBUINTE. VALORAÇÃO DA PROVA POR PARTE DO JULGADOR. Não importa em nulidade de acórdão, a valoração pela autoridade julgadora das provas trazidas aos autos, com a finalidade de formar a sua convicção sobre o litígio (art. 29, Decreto nº 70.235/72). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERC. PERCENTUAL DE PAGAMENTO. As ordens de emissão de certificados de investimentos terão seus valores calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro. O percentual de pagamento apurado tem em seu denominador o valor do imposto de renda devido e o efetivamente pago, não compreendendo no cômputo valores depositados judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 96 14 /2 00 7- 70 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 414 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Bianca Felicia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1655.670, proferido pela 8ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 25 de fevereiro de 2014, que, ao apreciar a manifestação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: A contribuinte acima identificada ingressou, em 27/09/2007, com o PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 02/04, tendo em vista ter sido emitida a ordem de emissão para o FINOR e a contribuinte constar no sistema IRPJOEIF. O “Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais” aponta a seguinte ocorrência para a expedição da ordem de emissão “04 REDUÇÃO DE VALOR POR RECOLHIMENTO INCOMPLETO DO IMPOSTO” (fl. 05). 2. Por meio do Despacho de fls. 190, proferido em junho de 2011, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, porquanto parte do imposto devido encontravase suspenso por liminar, o que impossibilitaria o reconhecimento da totalidade do incentivo reclamado. 2.1. A informação que norteou o indeferimento é a seguinte: O presente processo trata de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referente à declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica exercício 2005 anocalendário 2004. Conforme consta no Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais, o contribuinte só recebeu parte do incentivo, 31,42% que corresponde ao percentual de imposto pago em relação ao imposto devido. Como o restante do imposto devido, 68,58% está suspenso por liminar, conforme consta na DCTF, fl.176, não há incentivo de imposto não pago, e/ou não devido. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 415 3 Sendo assim, já tendo recebido todo o incentivo a que tinha direito, proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2005 anocalendário 2004, seja indeferido. 3. Inconformada com o Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 18/04/2012 (A.R. à fl. 192), a interessada, por intermédio de sua representante (procuração à fl. 198), apresentou, em 18/05/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 193 a 197, acompanhada da documentação de fls. 198 a 223. 3.1. Na peça de defesa a interessada defende o direito a 100% do benefício pleiteado, argumentando que: tratase de Pedido de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC 2005 anocalendário 2004, no qual o Manifestante destinou parte de seu IRPJ pago (R$3.630.664,76) aos fundos FINOR, FINAM E FUNRES, no valor de RS 435.679,77; segundo análise da RFB do extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais, a empresa já teria recebido 31,42%, deste incentivo, percentual que corresponde ao montante de imposto pago em relação ao imposto devido; como o restante do imposto devido estaria suspenso por liminar nos autos do processo n° 2003.61.000049660 conforme declarado pelo Manifestante na DCTF do 4º Trimestre de 2004 (doc.03 – fls. 213/216), não haveria mais nenhum incentivo a ser concedido e, por esta razão, entendeu que o PERC deveria ser indeferido; Ocorre que, da análise da DIPJ 2004 (doc.04 – fls. 217/223), verificase que o percentual de incentivo determinado pela RFB encontrase equivocado, uma vez que o valor da base de cálculo do Imposto de Renda a ser aplicado nos Incentivos Fiscais em referência só levou em consideração o montante de IRPJ devidamente recolhido, ou seja, os valores suspensos foram excluídos do cálculo do benefício; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 416 4 da leitura do quadro acima inferese que o manifestante já havia efetuado o cálculo do incentivo, com as deduções e reduções permitidas pela legislação, chegandose ao montante de R$ 3.630.664,76, que gerou incentivo fiscal pleiteado no montante de R$ 435.679,77; tal procedimento foi efetuado em conformidade com os artigos 592 e 593 do RIR (Decreto nº 3.000/99); se ocorreu um recolhimento efetivo de IRPJ no montante de R$ 6.027.107,93, consistente nas retenções de fonte sofridas durante o ano (IRRF utilizado de R$ 5.947.144,26) e uma parcela quitada por compensação (R$ 79.963,67), não há o que se falar em percentual de IRPJ "suspenso" dentro da base de cálculo aplicada ao incentivo, informada na Ficha 36 da DIPJ 2005, que abaixo reproduzimos: não restam dúvidas acerca do direito do Manifestante à 100% do incentivo requerido, pois aplicado sobre base de cálculo do IRPJ pago. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 16 55.670, de 25 de fevereiro de 2014, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 417 5 O referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERC. PERCENTUAL DE PAGAMENTO. As ordens de emissão de certificados de investimentos terão seus valores calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro. O percentual de pagamento apurado tem em seu denominador o valor do imposto de renda a pagar apurado no ajuste anual, somado ao imposto retido por fontes pagadoras, ao imposto incidente sobre ganhos no mercado de renda variável e ao imposto de renda pago por estimativa (excluído o somatório do imposto pago no exterior s/ lucros e ganhos de capital). In casu, não há informação prestada pela contribuinte à RFB quanto à parcela do valor de IRPJ apurado no ajuste anual que estaria com exigibilidade suspensa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente do acórdão recorrido na data de 14/07/2014 (fls. 358), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 13/08/2014 (fls. 361 e seguintes), tempestivamente, recurso voluntário, pugnando pelo seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatado, a empresa ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao anocalendário de 2004, em face de ter recebido apenas parte do incentivo a que teria direito, ou seja, 31,42% do imposto pago em relação ao imposto devido, sendo seu pedido indeferido, em conformidade com o despacho de fls. 190. Irresignado com o Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 193 a 197, acompanhada de documentos, onde defende o direito a 100% do benefício pleiteado. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 418 6 Ao apreciar seus argumentos, decidiu a DRJ (decisão recorrida) por sua improcedência, motivando a interposição de recurso voluntário. DA PRELIMINAR NULIDADE ACÓRDÃO RECORRIDO Após circunstanciar os fatos, argüiu a recorrente que o v. acórdão recorrido está inquinado de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, pois não contemplou os documentos e as argumentações que trouxe aos autos, limitandose a dizer que a recorrente não logrou êxito na comprovação de que parcela do imposto devida encontravase com exigibilidade suspensa, e que não demonstrou de forma clara sua motivação para a manutenção do "crédito tributário". No voto do v. acórdão recorrido, está descrito que: Notese que o IRPJ estimativa (código 2362) apurado em dezembro de 2004, no valor de R$ 15.884.037,536 e que se encontra com a exigibilidade suspensa (fls. 183 e 340/341), não foi levado ao ajuste anual, conforme indicado na DIPJ 2005 AC 2004 (fls. 238/244 – o somatório das linhas 13 da Ficha 11 – de jan a dez/2004 – é de R$ 15.964.004,68, e o valor levado à linha 17 da Ficha 12A foi de R$ 6.027.111,42). Portanto, a estimativa declarada em DCTF com exigibilidade suspensa não influiu no cálculo do percentual de pagamento, como acima explicitado. Registrese não constar em DCTF a informação de que o valor do IRPJ apurado na Linha 20 da Ficha 12 da DIPJ 2005 AC 2004 da interessada encontrarseia com exigibilidade suspensa. Deste modo, a despeito de a interessada reclamar que o percentual de aplicação foi calculado incorretamente sem considerar o montante de IRPJ devidamente recolhido, não tomou as providências necessárias (tal qual a declaração em DCTF do valor do imposto apurado no ajuste anual com suspensão de exigibilidade) a fim de se poder considerar que parte do imposto a pagar apurado encontrarseia com exigibilidade suspensa. Frisese que sequer está claro nos autos o valor do IRPJ devido no ajuste anual que estaria com a exigibilidade suspensa. Percebese que o v. acórdão não ignorou as provas trazidas aos autos pela recorrente, mas, na valoração delas, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento do PERC. Vejase que o v. acórdão, neste ponto, se coaduna com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. MILITAR. DESINCORPORAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 535 DO CPC. REJEIÇÃO. MULTA. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE CARÁTER PROTELATÓRIO. CASSAÇÃO DA SENTENÇA. PERÍCIA. ART. 130 DO CPC. DESNECESSIDADE. Não há omissão a inquinar de nulidade a Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 419 7 decisão vergastada se os fatos relevantes ao deslinde da causa foram enfrentados, não se podendo exigir do órgão julgador que discorra sobre todos os dispositivos de lei suscitados para cumprir com plenitude a devida prestação jurisdicional. Visava a União ao opor os embargos prequestionar a matéria, os termos da Súmula 98 deste Superior Tribunal de Justiça. Afasta se o caráter protelatório dos declaratórios. Vigora, no ordenamento processual moderno, o princípio da livre apreciação das provas, segundo o qual não existe um escalonamento valorativo apriorístico dos elementos de convencimento do juiz. Não se pode ler o artigo 130 do estatuto adjetivo como imposição de realização de perícia judicial. Se o julgador sentese seguro para julgar o feito e demonstra na sentença os elementos que o convenceram do quadro fático que o motivou, exsurge demasiada a evocação de novos meios de prova. Precedentes. Recurso parcialmente provido com a retirada da multa e o restabelecimento da decisão de primeiro grau.(REesp. nº 651340, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca). Logo, não se verifica a pretensa nulidade agitada pela recorrente. DO MÉRITO O ponto central de discussão reside em responder a seguinte pergunta: imposto não recolhido porque teve sua exigibilidade suspensa pode ou não ser considerado pago, para fins do cálculo do incentivo fiscal? Nos termos da decisão recorrida, as ordens de emissão de certificados de investimentos terão seus valores calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro, levandose em conta o valor pago / declarado, reproduzindo o art. 592 e o art. 603, e entendeu que a parcela que está suspensa judicialmente, ainda que depositada em juízo, deve ser considerada não recolhida, não devendo entrar no cômputo. Por outro lado, o contribuinte sustenta que o percentual de incentivo determinado pela RFB encontrase equivocado, fazendo jus à integralidade do PERC e não apenas o percentual de 31,42%, pois o valor da base de cálculo do Imposto de Renda a ser aplicado no incentivo em referência apenas levou em consideração o montante do IRPJ recolhido, desprezando uma parcela do exigível do IRPJ que se encontrava suspensa por força de decisão judicial, obtida nos autos da ação nº 2003.61.00.0049660. Pois bem. Incontroverso nos autos que valor de R$15.884.037,53 (linha 12, ficha 11, fl. 19 dos demais documentos), estimativa de dez/2004, não foi pago, porque estava com a exigibilidade suspensa. A DIPJ apresentada é coerente com isso, porque esse valor não integrou o somatório dos valores pagos por estimativa, levado à linha 17, ficha 12A, fl. 19 dos demais documentos. Do mesmo modo, também não há discussão acerca do valor de R$15.025.547,39, pois é este o valor informado a título de imposto a pagar apurado no ajuste anual ( linha 20 ficha 12A, da DIPJ, fl. 19 dos demais documentos). Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11610.009614/200770 Acórdão n.º 1301002.833 S1C3T1 Fl. 420 8 De acordo com os artigos do RIR/99, transcritos pelo v. acórdão recorrido, o cálculo do percentual deve levar em conta o valor pago / declarado. Vejase que o 592 dispõe que a opção seria pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, e o art. 603, § 1º, determina que o cálculo será com base nas parcelas do imposto recolhidas. Ora, se a parcela da estimativa de dez/2004 (R$15.884.037,53) encontrase suspensa judicialmente, ainda que depositada em juízo, não há como entender que ela seria devida, pois dependerá do sucesso ou não da ação judicial, podendo, sem dúvida, a recorrente obter êxito em seu pleito.Porém, a discussão judicial de uma parte do imposto não o declara imediatamente indevida ou devida, não devendo, por isso, integrar o cômputo. Também não se pode considerar que este valor, depositado judicialmente, seja entendido como imposto recolhido. A uma, porque efetivamente não o é. A duas, somente o seria (em tese) após decisão judicial transitada em julgado e favorável aos interesses da União Federal. Não há nos autos informação sobre eventual conversão em renda dos valores depositados em juízo, dando notícia de que os valores então depositados ingressaram nos cofres públicos. Assim, por imposição legal, apenas sobre os valores efetivamente recolhidos e devidos, devem ser realizados o cálculo do incentivo, e, por isso, incorreto é o entendimento, a meu ver, de calcular o incentivo fiscal sobre algo que possa a vir ser considerado indevido, a depender do sucesso da ação judicial em favor do postulante. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo incólume os termos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 420DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.903278/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 27807.88849.200407.1.3.020123 (fls.961/1003), objetivando a compensação do Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2006 (exercício 2007), na monta original de R$ 3.116.840,13 e composto exclusivamente de retenções na fonte, com débitos próprios de PIS e COFINS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 03 27 8/ 20 11 -1 8 Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 3 2 2. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: "Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da homologação parcial da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 27807.88849.200407.1.3.020123 (961 a 1003) e da não homologação da DCOMP nº 26458.53203.180507.1.3.025992, que apontam como crédito saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2007 (período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2006). A autoridade administrativa recorrida não reconheceu o direito creditório integralmente porque não confirmou no sistema DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) todo o IR informado na DCOMP como retido na fonte por outras pessoas jurídicas. A declarante informou retenções na fonte de R$ 3.116.840,13, e, no banco de dados da administração tributária, foi confirmado apenas o montante de R$ 2.001.883,90, o que resultou em saldo negativo disponível de igual valor, resultado da diferença entre o valor confirmado e a IRPJ devida de zero (fl. 950). As parcelas confirmadas de IR retido na fonte, bem como as não confirmadas e as confirmadas parcialmente encontramse no detalhamento da análise do crédito (fls. 951 a 956). À fl. 957, encontrase o Detalhamento da Compensação dos débitos declarados que aponta a homologação parcial formalizada na DCOMP nº 27807.88849.200407.1.3.020123 (961 a 1003) e da não homologação da DCOMP nº 26458.53203.180507.1.3.025992. Cientificada do despacho decisório em 22/11/2011 (fls. 960), a contribuinte, irresignada, apresentou em 22/12/2011, representada por mandatária (fls. 23 a 33) a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 20, instruída com os documentos de fls. 44 a 948, na qual afirma que: (i) Preliminarmente, alega nulidade do despacho decisório, pois, as autoridades administrativas poderiam ter confirmado as retenções sofridas pela contribuinte pelos sistemas informatizados da administração pública federal, tal como o SIAFI; (ii) Os valores retidos, passíveis de restituição ou compensação, conforme informado na Ficha 12A da DIPJ foram de R$ 26.039,09 (por pessoas jurídicas em geral) e R$ 3.090.801,04 (por entidades da Administração Pública Federal – Lei nº 10.833/2003), somando R$ 3.166.840,13 de saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado; (iii) Com relação ao IRRF de R$ 26.039,09, por equívoco no preenchimento da DCOMP nº 27807.88849.200407.1.3.020123, a despeito de ter sido pleiteada a integralidade do saldo negativo do IRPJ (R$ 3.116.840,13), não foi informado que sua composição era formada pelo valor da mencionada retenção, código 3426, realizada por Xerox Participações Ltda, erro formal que não afasta o direito creditório da Manifestante; (iv) As retenções de R$ 26.039,09 decorrem de pagamentos efetuados pela Xerox Participações Ltda, e referemse a juros de mútuo da contribuinte com esta coligada, sendo que, sobre os juros pagos, a fonte pagadora efetuou a retenção comprovada pelos DARFs anexos Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 4 3 (Doc. 7), nos quais consta expressa menção à natureza do rendimento como sendo “IRRF S/ JUROS MÚTUO XCI” (obs: XCI = Xerox Comércio e Indústria), conforme composição: (v) Cada um dos DARF corresponde aos juros que serviram de base para a retenção do IRRF, registrados na conta de resultado nº 6320.22.01 (Receita de Juros de Afiliadas) pelo seu valor bruto, assim como o respectivo crédito de IRRF era registrado na conta de ativo 14122212 (IRRF s/ Rendimento de Mútuo) – Doc. 08; (vi) A retenção de R$ 78.576,80 foi informada, equivocadamente, no código de receita 1708 e na linha 13, quando na verdade se refere a serviços prestados ao Banco do Brasil (CNPJ raiz 00.000.00). Tal registro decorre de um lançamento de ajuste nas faturas do banco, efetuado no sistema de contas a receber, motivo pelo qual este valor será analisado em conjunto com as retenções do banco e os comprovantes de rendimento; (vii) Quanto às retenções realizadas por órgãos públicos, a Manifestante apresenta, nesta oportunidade, todos os comprovantes de rendimentos recebidos, os quais, somados, totalizam comprovação no valor de R$ 695.487,95; (viii) Conforme informado, o valor total do crédito inicial pleiteado relativo a IRRF sobre fatura de serviços prestados a órgãos públicos, com fundamento no art. 34 da Lei nº 10.833/2003, foi de R$ 3.090.801,04; (ix) Conforme informações das faturas emitidas, cruzadas com os recebimentos registrados nos controles de contas a receber, o valor das retenções é composto centenas de documentos fiscais, inviabilizando a juntada de todos eles; (x) A despeito do grande volume de documentos, junta cópias de faturas e notas fiscais de serviços dos valores de maior relevância, nas quais constam expressamente a indicação do imposto a ser retido pelo tomador, com respectiva cópia do extrato bancário, atestando que recebeu os valores líquidos, além do detalhamento constante de demonstrativo único (doc. 10); Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 5 4 (xi) Assim, ainda que a manifestante não possua parte dos comprovantes de rendimentos, há expressa indicação dos tributos a serem retidos na fonte nas faturas e o confronto entre os totais das notas fiscais e os valores recebidos, conforme relatório contábil, demonstra o recebimento da receita líquida das retenções; (xii) Não bastassem tais evidências, a manifestante comprova a inclusão de sua receita operacional líquida, advinda de vendas de mercadorias e serviços, no total de R$ 807.022.327,13 (doc. 11), coincidente com o valor informado na linha 14 da Ficha 06A da DIPJ/2007 (doc. 06); (xx) A jurisprudência administrativa admite outros meios de prova para comprovar as retenções do imposto, devendo ser reconhecidas integralmente as retenções sobre as receitas de prestação de serviços, vendas de mercadorias a órgãos públicos, assim como sobre mútuos com pessoas ligadas, com a integral validação do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2006; (xxi) Caso se entenda que os documentos acostados são insuficientes para o reconhecimento do saldo negativo de IRPJ, pugna pela realização de diligência para que se respondam os seguintes quesitos: quais as faturas emitidas pela Manifestante no anocalendário 2006 que ensejaram a retenção de IRPJ na forma do artigo 34 da Lei nº 10.833/2003?; referidas faturas foram emitidas com indicação dos tributos que deveriam ser retidos pelas fontes pagadoras?; é coincidente o valor líquido das notas fiscais com os valores recebidos pela Manifestante?; referidos documentos e relatórios demonstram que a Manifestante recebeu a receita líquida, tendo sofrido retenção?; qual o valor apurado de saldo negativo da IRPJ no anocalendário 2006? Ao final, pede o reconhecimento integral do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 e a homologação total das compensações declaradas.” 3. Em sessão de 20 de fevereiro de 2015, a 1ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 02/20) relativa aos saldos credores de IRPJ, anocalendário 2006, nos termos do Acórdão nº 1665.909 (fls. 1012/1029), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RETENÇÕES NA FONTE. CONFIRMAÇÃO. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Comprovado nos autos que a manifestante sofreu retenções na fonte de imposto de renda que não foram consideradas pela autoridade recorrida na formação do saldo negativo, cabe homologar a declaração de compensação até o novo limite reconhecido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA. MEIO DE PROVA ALTERNATIVO. OMISSÃO DA FONTE PAGADORA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 6 5 O imposto retido por fonte pagadora de rendimentos somente poderá ser compensado com o verificado no final do respectivo período de apuração, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou, mediante outros meios de prova, quando evidenciada a recusa ou omissão no fornecimento daquele comprovante. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito. Creditório Reconhecido em Parte” 4. Conforme tabela abaixo, a DRJ/SPO reconheceu o direito creditório no montante adicional de R$ 531.976,62, restando não reconhecido o valor final de R$ 582.979,61. Valor original 3.116.840,13 Reconhecido no Despacho Decisório 2.001.883,9 Diferença não reconhecida objeto de Manifestação de Inconformidade 1.114.956,23 Valor Reconhecido na DRJ 531.976,62 Diferença não reconhecida objeto de Recurso Voluntário 582.979,61 5. Em apertada síntese, a DRJ/SPO fundamentou sua decisão nos seguintes aspectos: 5.1. Indeferiu o pedido diligência formulado pela contribuinte por entender desnecessário, vez que os documentos e questões trazidos aos autos constituem conjunto probatório suficiente capaz de ser analisado à luz das normas aplicáveis ao caso concreto. Não demanda conhecimento técnico especializado diverso daquele que está na esfera de competência legal do AuditorFiscal da RFB. 5.2. Para que possa aproveitar as antecipações de IRRF, considera dever e ônus do sujeito passivo (i) oferecer à tributação os respectivos rendimentos e (ii) instruir os autos com todos os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora. 5.3. Sustenta que a contribuinte atendeu ao primeiro requisito e apenas parcialmente o segundo, pois não apresentou a totalidade dos comprovantes de retenção, conforme previsto no artigo 55, da Lei nº 7.450/1985 e modelo previsto no artigo 31, da IN/SRF nº 480/2004, tampouco demonstrou ter tomado, em época própria, qualquer iniciativa para obter, junto às fontes pagadoras, os respectivos informes de rendimentos e de retenção de tributos e contribuições. 5.4. Argumenta que a contribuinte pretende substituir a ausência parcial de documentos com relatórios contábeis e pedido de diligência. Considera que o contribuinte não pode transferir seu encargo de apresentação de prova documental para o fisco. 6. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1123/1146) em 11/06/2015 (termo de abertura de documento (DTE/Portal eCAC) de 12/05/2015, fls. 1043 e envio eletrônico do recurso às fls. 1045), reiterando algumas das razões já expostas em sede de manifestação de inconformidade (fls. 02/20) e complementando sua razões de defesa com os seguintes argumentos: Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 7 6 6.1. Nulidade do Despacho Decisório ante a violação do artigo 65, da IN RFB 900/2005 (Vigente à Época). · O citado dispositivo impõe à autoridade administrativa que, em caso de dúvida, condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do crédito tributário pleiteado pelo sujeito passivo ou ainda determinar a realização de diligência. · As autoridades fiscais não efetuaram a confirmação da integralidade do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2006, por meio da análise das DIRFs submetidas pelas fontes pagadoras e de seus sistemas internos (SIAFI Sistema de Acompanhamento Financeiro), tanto no caso das retenções realizadas por órgãos públicos como por outras pessoas jurídicas. 6.2. No mérito, trouxe os seguintes pontos de destaque: I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos novos Informes de Rendimentos localizados pela Recorrente · Em nítida demonstração de boafé, localizou e acostou às fls. 1114/1140 comprovantes de retenção na fonte, códigos 6147 e 6190 (retenções efetuadas por órgãos públicos). · Alinhada com a legislação, ao apurar o montante de IRPJ retido na fonte, aplicou a proporcionalização do total de tributos retidos, código 6190 (Serviços – Retenção em pagamento por órgão público) se refere a IRPJ, aproximadamente 50,79% (4,8 dividido por 9,45) e código 6147, aproximadamente 20,51% (1,2 dividido por 5,85). Ainda, adotou o mesmo procedimento das autoridades fiscais ao não trazer distorções entre CNPJs de matriz e filial nos termos exarados à fl. 1.023, conforme tabela de fls. 1023/1029, o que totalizou o direito creditório complementar de R$ 531.976,62. · Apresentou alguns comprovantes de recolhimentos realizados sob o código 1708 (Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica), cuja integralidade se reporta ao IRRF. · Portanto, tais informes devem ser considerados para fins de reconhecimento do direito creditório correspondente à monta de R$ 266.499,81 (planilha de fls. 1093/1097). I.2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP · A partir da análise da tabela apresenta pela DRJ às fls. 1023/1029, verificouse que foram desconsiderados, por mero erro no preenchimento da DCOMP, tanto créditos apontados pela própria autoridade fiscal em valor superior ao reportado pela Recorrente como aqueles por ela localizados, mas não declarados pelo contribuinte, o que não pode prevalecer com fundamento nos próprios julgados do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 8 7 · Sustenta que houve mero erro de fato quando do preenchimento da informação em PER/DCOMP, o que não pode, inclusive de acordo com a própria jurisprudência do C. CARF, afastar o direito ao crédito respectivo, sob pena de enriquecimento ilícito da União. · Assim, deve a autoridade fiscal reconhecer direito creditório complementar no valor de R$ 417.853,55 (cotejo da planilha de fls. 1023/1029 e fls. 1098/1103). II. Das retenções comprovadas mediante outros meios · A Recorrente sustenta que as autoridades fiscais desprezaram os demais documentos apresentados durante o deslinde do feito, mesmo sendo meios idôneos e aptos a comprovar a totalidade das retenções de IRPJ sofridas. Tal procedimento, inclusive, contraria a uníssona jurisprudência administrativa. · Nessa linha, argumenta que muito embora o documento ordinário hábil a comprovar as retenções na fonte suportadas pelo sujeito passivo seja o Informe de Rendimentos, esse não é o único meio de prova. · Considera que a falta desse documento não basta para indeferir de plano o direito creditório e, por essa razão, ainda em sede de à Manifestação de Inconformidade ofertou à apreciação das autoridades fiscais, para valores de maior relevância, cópia das faturas de serviços, notas fiscais nas quais constam expressamente a indicação do imposto a ser retido pelo tomador nos termos legais com respectiva cópia do extrato bancário, atestando ter recebido valores líquidos, além do detalhamento do Demonstrativo Único (doc. 10, fls. 578/938), sendo que o último corresponde à consolidação de várias faturas às quais também foram apresentadas. · Com fundamento no princípio da verdade material e na jurisprudência, sustenta que não pode ser penalizada por não ter recebido Informe de Rendimentos das fontes pagadoras. E consigna que, não há na legislação pátria nenhuma norma que determine à pessoa jurídica que sofreu a retenção apresentar negativa expressa da fonte pagadora em fornecer o Informe de Rendimentos. III. Da Tributação da Receita que gerou as Retenções · A DRJ reconheceu que a contribuinte ofertou à tributação a totalidade das receitas que originaram as retenções de IRPJ (fls. 1021). Portanto, este ponto é incontroverso nos autos, não cabendo qualquer discussão adicional. 6.3. Por fim, requerer o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para o fim de decretar a nulidade da decisão da DRJ ou decidindo em favor do contribuinte (artigo 59; 3° do Decreto 70.235/72), reconhecendo integralmente o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 pleiteado, homologandose as compensações declaradas. 6.4. No mais, se os esclarecimentos prestados e a documentação ofertada ainda não forem suficientes para comprovar a íntegra do Saldo Negativo de IRPJ de exercício 2007, pugna pela realização de diligência ou perícia, nos termos do art. 16, IV, Decreto Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 9 8 70.235/72, a fim de corroborar que efetivamente sofreu a totalidade das retenções na fonte alegadas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 7. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 8. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 9. Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, que o direito creditório não merece ser reconhecido. 10. Nos termos do artigo, art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 11. Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. 12. No mais, assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 13. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 14. Por mais que a Recorrente não tenha efetuado a retificação das declarações, tal circunstância não pode obstar o legítimo direito de crédito do contribuinte. Exceção à essa regra se dá justamente quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 15. Logo, somente diante da efetiva análise documental e mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar o motivo pelo qual as provas acostadas merecem ser desconsideras/ignoradas, que o direito creditório não deve ser reconhecido. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 10 9 16. Ademais, o direito creditório do contribuinte não pode ser inviabilizado pela conduta omissa da fonte pagadora. Não há na legislação pátria nenhuma norma que determine à pessoa jurídica que sofreu a retenção apresentar negativa expressa da fonte pagadora em fornecer o Informe de Rendimentos. Imaginemos a situação em que a fonte pagadora foi extinta, como o sujeito passivo obteria a negativas de fornecimento do informe por escrito? 17. De outra parte, é inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal poderá (i) condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios adicionais; (ii) realizar diligência fiscal no estabelecimento do contribuinte; (iii) oficiar aos órgãos da administração pública que efetuaram a retenção; e (iv) buscar informações através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL, com fundamento no artigo 65, da IN RFB 900/2005 e nos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999, verbis: IN RFB 900/2005 Art. 65. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 18. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 19. O atendimento dos pressupostos constantes dos itens 21 e 23 garante isonomia aos litigantes, o pleno exercício da boafé, da cooperação processual e do contraditório efetivo. São mecanismos importantes capazes levar à verdade material e trazer satisfatividade às decisões proferidas, conforme prevê os artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, verbis: Lei nº 13.105/2015 Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 11 10 ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. Lei nº 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 20. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência. 21. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila1 "para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 22. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para a própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 23. Outro aspecto relevante diz respeito à necessária aplicação do artigo 29, da Lei nº 9.784/992. Em que pese o interessado tenha o dever de provar os fatos que alega (artigo 36, da Lei n º 9.784/99), as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 24. Em termos práticos, as autoridades fiscais dispõem de eficientes meios para obtenção de determinadas provas, compartilham dados e informações entre órgãos da administração pública e possuem plataformas tecnológicas de dados alimentadas pelos órgãos e 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 12 11 pelos próprios contribuintes, capazes de viabilizar a segura tomada decisão pelo julgador, reduzir os custos procedimentais e estruturais, bem como garantir que os atos sejam realizados de modo menos oneroso às partes. 25. Não foi por acaso que a Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), em seu artigo 373, trouxe a possibilidade de distribuição diversa do ônus da prova diante da impossibilidade ou excessiva dificuldade da parte de cumprir o encargo. Essas medidas cooperativas trazem maior equilíbrio entre as partes, celeridade na condução e assertividade nas decisões. 26. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos novos Informes de Rendimentos localizados pela Recorrente 27. Diante das premissas supra e considerando que a contribuinte apresentou novos informes de rendimentos (fls. 1114/1140) relativos aos códigos de retenção 6190 e 6147 (órgãos públicos), bem como do código de retenção 1708 (Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica) e, para esse último caso, esclareceu que a retenção de retenção de R$ 78.576,80 foi informada, equivocadamente, no código de receita 1708 e na linha 13, quando na verdade se refere a serviços prestados ao Banco do Brasil (CNPJ raiz 00.000.00), acolho o pedido da contribuinte para que sejam devidamente apreciados e confirmados os valores apresentados, inclusive através dos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL e/ou através de ofício ao ente estatal, para fins de reconhecimento do direito creditório complementar, cujo valor indicado pela Recorrente é de R$ 266.499,81 (planilha de fls. 1093/1097). I. 2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP 28. Conforme acima esclarecido, meros erros de fato no preenchimento da DCOMP não podem preterir o direito creditório do contribuinte. 29. De acordo com a jurisprudência desse E. Conselho, é fundamental que o contribuinte comprove (i) a efetiva ocorrência da retenção e (ii) que tais rendimentos foram oferecidos à tributação. Essa, inclusive, parece a melhor interpretação da Súmula do CARF nº 80, segundo a qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." 30. No acórdão da DRJ (fls. 1012/1029) e mais precisamente às fls. 1021, restou consignado que a Recorrente atendeu ao primeiro requisito. 31. Quanto ao segundo, mesmo confirmando que a Recorrente sofreu as retenções de IRPJ relativas aos códigos 6190 e 6147 (órgãos públicos), vide tabela de fls. 1023/1029, a autoridade julgadora, nos casos em que a contribuinte não declarou alguns valores retidos ou declarou em valores inferiores aos localizados pelas autoridades fiscais, entendeu que não caberia a ela majorar de ofício o PER/DCOMP (fls. 1021). Logo, deixou de considerar complementarmente esses créditos (zerados). Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 13 12 32. Contudo, estamos tratando de saldo creditório decorrente de retenções efetuadas por órgãos públicos reconhecido pelas próprias autoridades fiscais, porém não considerados para fins de composição do Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário 2006. Desconsiderar tais valores não só afronta o princípio da verdade material como figura enriquecimento ilícito da União, real bis in idem. 33. Temos que, a desconsideração dos documentos apresentados pela Recorrente e dos valores confirmados pela própria autoridade fiscal, a par de não ser amparo legal, viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, especialmente quando estamos tratando dos códigos de retenção 6190 e 6147 que envolvem serviços prestados pela Recorrente aos próprios órgãos públicos. 34. Por meio da planilha segregada de incidências apresentada pela Recorrente às fls. 1098/1103 em cotejo com a tabela da DRJ de fls. 1023/1029, mesmo confirmando a ocorrência das retenções de IRPJ na monta total de R$ 417.853,55, não reconheceu esse montante. 35. Portanto, desde já devem ser reconhecidos os créditos já confirmados pela própria DRJ às fls. 1023/1029, descontada eventual diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. 36. Relativamente às demais incidências que geraram dúvidas (diferenças), caberia às autoridades fiscais adotar os procedimentos constantes do item 20 para fins de confirmar o direito creditório do contribuinte. 37. Há valores em que a Recorrente apresentou comprovantes (ex. fls. 431, 432) que foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa, bem como há valores declarados pelo contribuinte em valor superior ao reconhecido pelo fisco, cujas diferenças não foram por ele consideradas/verificadas em seus sistemas internos e/ou oficiado ao órgão público para esclarecimentos. 38. Sob aspecto, desde já acolho o pedido da Recorrente no sentido de que devem ser devidamente apreciadas e consideradas tais circunstâncias fáticas para fins de reconhecimento do direito creditório complementar. Portanto, cabível o pedido de diligência. II. Das retenções comprovadas mediante outros meios 39. Conforme já salientado, a efetiva ocorrência da retenção pode ser comprovada tanto através do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte como a partir das consultas aos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL, para a matriz e filiais, conforme códigos de receita 6147 e 6190 (retenções efetuadas por órgãos públicos, ofício das autoridades fiscais que efetuaram a retenção, por meio dos registros contábeis, fiscais e documentação que lhe sirva de suporte. 40. A Recorrente, relativamente à retenções efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas de direito privado, apresentou às fls. 578/938, para valores de maior relevância, cópia das faturas de serviços, notas fiscais nas quais constam expressamente a indicação do imposto a ser retido pelo tomador nos termos legais, com respectiva cópia do extrato bancário, atestando ter recebido valores líquidos. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 14 13 41. De fato, as autoridades fiscais, em caso de dúvidas acerca da idoneidade de documentação apresentada pela Recorrente, devem intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, realizar diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou buscar a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e/ou ofício aos órgãos da envolvidos para fins de resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 42. Nesse sentido, embora não acolha o pedido de perícia requerido pela Recorrente (fls. 1109), cujos quesitos foram formulados à luz da documentação de fls. 578/938, considero fundamental converter o julgamento em diligência para que a prova apresentada seja apreciada e sejam tomadas as providências que serão abaixo relacionadas. 43. Ressaltese que, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/99, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 44. No mais, também em homenagem aos princípios acima citados, saliento que é dever da Recorrente apresentar com clareza, coerência e assertividade a composição dos valores e respectivos comprovantes que detém relativos às retenções por sofridas, de forma organizada e alinhada ao declarado em DCOMP ou apta a justificar eventuais erros de fato. 45. A documentação probatória contábil e fiscal (além das declarações, as notas fiscais podem fazer às vezes, por exemplo), deve ser suficiente para suprir a ausência do informe de rendimentos e cabe ao contribuinte justificar a ausência do referido documento. 46. A falta de declarações, esclarecimentos e provas eficientes sobre a composição dos montantes retidos que estejam exclusivamente em posse do contribuinte, acabam por dificultar sobremaneira a atividade da autoridade fiscal e dos julgadores, critérios estes serão observados quando do retorno dos autos para julgamento definitivo. 47. Diante do exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Aprecie e confirme os valores das retenções apresentados às fls. fls. 1114/1140, inclusive através dos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL e/ou através de ofício ao ente estatal, para fins de reconhecimento do direito creditório complementar, cujo valor indicado pela Recorrente é de R$ 266.499,81 (planilha de fls. 1093/1097). (ii) Informe o montante dos créditos comprovados e reconhecidos pela r. decisão da DRJ para fins de analisar se houve utilização da diferença recolhida a maior em outro PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. (iii) Reconheça os créditos já confirmados pela própria autoridade fiscal às fls. 1023/1029, segregados pela Recorrente às fls. 1098/1103, ainda que por erro de fato da contribuinte não constem da DCOMP ou constem a menor, descontada a diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16682.903278/201118 Resolução nº 1201000.389 S1C2T1 Fl. 15 14 (iv) Considere e compute no montante do crédito os informes de rendimentos apresentados pela Recorrente (ex. fls. 431, 432) que porventura tenham sido reportados como zerados, sem razão ou justificativa pela autoridade fiscal, bem como analise eventual diferença entre valores declarados pelo contribuinte em valor superior ao reconhecido pelo fisco, cujas diferenças não foram por ele consideradas/verificadas em seus sistemas internos e/ou oficiado ao órgão público para esclarecimentos. (v) Relativamente às retenções comprovadas por outros meios, aprecie a documentação de fls. 578/938 e, em caso de dúvidas: intime o contribuinte a prestar esclarecimentos assertivos, realize diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou busque a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e/ou ofício aos órgãos envolvidos, para fins de resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 48. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005085/2004-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
ADMISSIBILIDADE. PARADIGMA CONTRARIANDO SUMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Acórdão paradigma com entendimento amparado em dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal não poderá ser utilizado para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária, verificação que pode ser realizada na data da admissibilidade do recurso especial, inclusive pelo Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 67, § 12, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Recurso não conhecido.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO.
Operações empreendidas visando ocultar do Fisco deliberadamente a percepção de receitas, com escrituração a menor de valores de vendas para clientes, reiteradamente, contabilização deficiente dos ingressos auferidos e ocultação das notas fiscais, evidencia a presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e que é apenado com a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à decadência, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que conheceu do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso (ii) quanto à qualificação da multa de ofício e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo |(Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 ADMISSIBILIDADE. PARADIGMA CONTRARIANDO SUMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Acórdão paradigma com entendimento amparado em dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal não poderá ser utilizado para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária, verificação que pode ser realizada na data da admissibilidade do recurso especial, inclusive pelo Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 67, § 12, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Recurso não conhecido. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas visando ocultar do Fisco deliberadamente a percepção de receitas, com escrituração a menor de valores de vendas para clientes, reiteradamente, contabilização deficiente dos ingressos auferidos e ocultação das notas fiscais, evidencia a presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e que é apenado com a qualificação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à decadência, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que conheceu do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso (ii) quanto à qualificação da multa de ofício e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo |(Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.128 1 1.127 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.005085/200416 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.461 – 1ª Turma Sessão de 6 de março de 2018 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SHOP FRUTAS COM. ATAC. DE FRUTAS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 ADMISSIBILIDADE. PARADIGMA CONTRARIANDO SUMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Acórdão paradigma com entendimento amparado em dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal não poderá ser utilizado para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária, verificação que pode ser realizada na data da admissibilidade do recurso especial, inclusive pelo Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 67, § 12, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Recurso não conhecido. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas visando ocultar do Fisco deliberadamente a percepção de receitas, com escrituração a menor de valores de vendas para clientes, reiteradamente, contabilização deficiente dos ingressos auferidos e ocultação das notas fiscais, evidencia a presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e que é apenado com a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à decadência, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que conheceu do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso (ii) quanto à qualificação da multa de ofício e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 50 85 /2 00 4- 16 Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.129 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo |(Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 1058/1087) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10322.344 (efls. 1026/1054), pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 22/03/2006, no qual foi acolhida decadência relativa ao PIS e Cofins dos fatos geradores de janeiro a novembro de 1999 e dado provimento parcial ao recurso voluntário da SHOP FRUTAS COM. ATAC. DE FRUTAS LTDA ("Contribuinte") para reduzir a multa proporcional de 150% para 75%. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: PEDIDO DE EMISSÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA E DE EXCLUSÃO DO CADIN. Não se conhece do pedido de emissão de certidão negativa e de exclusão da recorrente do CADIN. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFíCIO. A interposição regular de recurso tempestivo já é o bastante para suspender a exigibilidade dos tributos lançados de ofício. PERíCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, que só depende de matéria contábil e argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. DECADÊNCIA. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O IRPJ, por ajustarse à disciplina do art. 150, 4°, do CTN, tem como marco definitivo ao lançamento de ofício o último dia após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a fraude, o Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.130 3 dolo ou a simulação. Portanto, para as pessoas jurídicas optantes pelo regime de apuração anual do tributo, a regra geral de caducidade estabelece que a contagem do lapso decadencial se inicia no último dia do encerramento do período de apuração. DECADÊNCIA. CSSL. Consoante a sólida jurisprudência administrativa, sem a comprovação de dolo, fraude ou simulação, a decadência do direito estatal de efetuar o lançamento de ofício da CSSL é regida pelo artigo 150, 4°, do CTN. MULTA. CONFISCO A multa constitui penalidade, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição da República. MULTA. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 2% DO ARTIGO 52, 1°, DO CDC, COM A REDAÇÃO DA LEI N° 9.298, DE 1996. IMPOSSIBILIDADE. O Direito Tributário é autônomo em relação aos demais ramos do Direito, motivo por que as normas punitivas veiculadas na legislação que lhe é própria afasta qualquer outra que lhe seja estranha, a exemplo daquela que prevê a sanção de 2%, no máximo, aplicáveis aos casos de inadimplência, nas relações de consumo. JUROS DE MORA TAXA SELlC É legítima a utilização da taxa SELlC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determina a sua adoção, com o respaldo do art. 161, 1°, do CTN. ARGÜiÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Se o Constituinte concedeu legitimação ao Chefe Supremo do Executivo Federal para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, não há amparo à tese de que as instâncias administrativas poderiam determinar o descumprimento de atos com força de lei, sob pena de esvaziar o conteúdo do art. 103, I,da Constituição da República. A PGFN interpôs recurso especial protestando (1) pelo restabelecimento da qualificação da multa de ofício, com fulcro no inciso I do art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998), decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (2) sobre a decadência, com fulcro no inciso II do art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998), decisão com interpretação da lei tributária divergente dada por outra Câmara do Conselho de Contribuintes ou pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contesta o entendimento da decisão recorrida em reconhecer a decadência para o PIS e Cofins aplicando a contagem para tributos sujeitos a lançamentos por homologação nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Pugnou a recorrente pela aplicação do então vigente art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais destinadas à seguridade social. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1095/1098) deu seguimento ao recurso especial. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.131 4 A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. As matérias devolvidas no recurso especial são a (1) decadência e o (2) restabelecimento da qualificação da multa de ofício (150%). Quanto à qualificação da multa de ofício, tratase de recurso em face de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, prevista no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, razão pela qual conheço da matéria. Em relação à decadência, há que se apreciar condição específica atinente aos recursos especiais interpostos junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais prevista no Regimento Interno do CARF. Discutese a decadência o PIS e Cofins, relativos aos meses de janeiro a novembro de 1999. A princípio, há que se esclarecer que, a respeito do exame de admissibilidade, o RICARF prevê sua operacionalização em dois momentos, ou dois atos processuais distintos: primeiro, por ocasião de análise inicial realizada pelo Presidente da Câmara, formalizado em despacho de exame de admissibilidade; segundo, em apreciação realizada pelo Colegiado da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O segundo exame não se vincula ao resultado do primeiro, tanto que o Colegiado da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais pode reformar o entendimento proferido pelo despacho de exame de admissibilidade. No caso dos autos, a PGFN interpôs recurso especial apresentando como paradigma o Acórdão nº 20306.655, com a ementa transcrita na parte que interessa ao litígio: EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS PRAZO DECADENCIAL O direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento da contribuição fenece em 10 (dez) anos, contados da data prevista para o seu recolhimento (arts. 102 do Decreto n° 92.698/86; 9° do DecretoLei n° 249/83 e 45 da Lei 8.212/91) Preliminar rejeitada. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal publicou a Súmula Vinculante nº 8 que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.132 5 O que se observa é que a decisão paradigma apresentada para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária aplicou dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. O regimento interno atual (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), dispõe, no art. 67, § 12, Anexo II: Art. 67. (...) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (Grifei) Merece especial destaque o termo "na data da análise da admissibilidade do recurso especial". Isso porque, na ausência da expressão, poderseia abrir debate sobre qual regimento deveria ser aplicado, o atual, ou o regimento vigente à época da interposição do recurso especial (Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, que não trazia a restrição prevista no § 12 do art. 67, Anexo II do regimento atual). Nos autos do processo nº 13840.000215/0018, discutiuse os efeitos da nova redação dada ao § 11 do art. 67 do Anexo II do RICARF. Votouse, por unanimidade (pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra) no sentido de que deveria se aplicar, para os recursos especiais interpostos sob a égide da norma processual anterior (que exigia transcrição integral da ementa do paradigma no recurso), o dispositivo regimental atual, que autorizou a reprodução parcial da ementa (quando da não apresentação das cópias integrais das decisões), desde que fosse a respeito da matéria devolvida, para fins de atendimento de requisito formal de admissibilidade. Nos presentes autos, entendo também pela aplicação do dispositivo regimental atual, mas por motivos diferentes do julgado mencionado. Fato é que o § 12 do art. 67 do Anexo II do RICARF é preciso ao determinar marco temporal para aplicação da norma, qual seja, a data da admissibilidade do recurso especial. Nesse contexto, percebese que a norma processual dispõe que, independente do ordenamento jurídico vigente à época da interposição do recurso, caso a lei que amparou o paradigma tenha sido declarada inconstitucional posteriormente (no caso, por ocasião de publicação de súmula vinculante do STF), o acórdão paradigma não poderá ser utilizado. É expressa na norma a dissociação entre a data de interposição do recurso e a data estabelecida para o exame da admissibilidade do recurso. A redação mostrase clara no sentido de aplicar a regra do regimento atual independente do cenário legislativo vigente à época da interposição do recurso. Ou seja, ainda que, na data de interposição do recurso, a parte tenha se valido de paradigma amparado em legislação com status de constitucionalidade, caso a legislação seja declarada inconstitucional posteriormente, prevalece determinação regimental no sentido de se desconsiderar a decisão paradigmática, em exame de admissibilidade. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.133 6 Podese entender que o dispositivo regimental parte da premissa de que, tendo sido declarada inconstitucional a norma, os efeitos são retroativos, tornandose inválida 1 sua aplicação mesmo em eventos pretéritos, inclusive, para ser utilizada como paradigma. Uma exceção poderia ser objeto de debate: caso em que o STF valesse da modulação dos efeitos da norma. No caso em tela, a Súmula Vinculante nº 8 teve seus efeitos modulados. Transcrevo excerto da ementa e da decisão do julgamento do RE 559.9434/RS sobre o tema: 4. Declaração de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, salvo para as ações judiciais propostas até 11.6.2008, data em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991. (...) Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto da relatora. (...) No caso, a modulação foi no sentido de que para as ações judiciais de repetição de indébito propostas a partir de 12/6/2008, a nulidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 teria efeito ex nunc. A situação aos presentes autos, que não trata de repetição de indébito, não foi abrangida pela modulação, ou seja, os efeitos de nulidade permanecem retroativos. Por isso, não obstante a interposição do recurso especial ter ocorrido quando a lei era constitucional, os efeitos ex tunc tornaram a lei inválida, retirando a possibilidade de decisão amparada no diploma declarado inconstitucional ser adotada como paradigma. E, no caso concreto, realizandose a admissibilidade do recurso especial, encontrase cenário no qual resta consumada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a decisão amparada no dispositivo não poderá servir de paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso. Portanto, não se deve conhecer da matéria relativa à decadência. Assim sendo, em relação à admissibilidade, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial da PGFN, em relação à matéria qualificação da multa de ofício. Passo ao exame do mérito. 1 Aqui se parte da premissa de que o Brasil adotou o modelo norte americano de controle de constitucionalidade, no qual a declaração de inconstitucionalidade atua no plano de validade, razão pela qual se fala em nulidade. Vale lembrar que o entendimento vem sofrendo atenuações no decorrer do tempo. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.134 7 O Relatório da Ação Fiscal (efls. 795/801) discorre sobre autuação no qual se constatou que as receitas declaradas pela contribuinte foram consideradas incompatíveis com sua movimentação financeira. Sendo optante do Lucro Real anual, em razão de ter apurado sucessivos prejuízos fiscais, não recolheu qualquer valor de IRPJ e CSLL. Na ação fiscal, foram apresentados pela contribuinte extratos bancários, cujos valores depositados não puderam ser identificados em razão de escrituração deficiente nos livros Diário e Razão. Foi intimada a Contribuinte a justificar a irregularidade e esclarecer a origem dos recursos creditados nas contas bancárias. A resposta foi assim informada pela autoridade autuante: Em resposta, a fiscalizada afirmou ter adotado esta prática para “simplificar” sua contabilidade , “devido ao grande número de notas, pois eram abastecidas todas as lojas do Supermercado Nacional”. Quanto aos recursos nelas creditados, reconheceu que “os valores transacionados nas contas eram provenientes das vendas dos produtos (...) de recebimentos de fretes (...) e de recursos da empresa” (fl. 182). Concluiu a autoridade autuante que, tendo a Contribuinte reconhecido que os valores creditados nas contas correntes tinham como origem receitas auferidas, e não foram comprovadas as origens dos recursos, restou tipificada infração com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presunção de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários com origem não comprovada. No que concerne à qualificação da multa, informou a autoridade autuante que intimou três das maiores clientes da Contribuinte, para que disponibilizassem as suas compras no período fiscalizado. Efetuando o cotejo entre os valores das compras registradas pelas clientes, e os valores das vendas escrituradas pela contribuinte, foi constatado que, na maioria das operações, o valores registrado como compra era superior ao contabilizado como venda. Isso sem dizer que a contribuinte, apesar de intimada duas vezes, não apresentou o livro de Registros de Saídas, enquanto que as clientes apresentaram todas as notas fiscais de compra. Concluiu a autoridade fiscal, nesse contexto, que nas vendas efetuadas, a contribuinte consignava, nos documentos fiscais que emitia, valores diferentes daqueles escriturados em sua contabilidade, caracterizando portanto o evidente intuito de reduzir suas receitas e as bases de cálculo dos tributos a pagar. Contudo, registra a Fiscalização que expediente conhecido como "nota calçada" não pode ser demonstrado porque a Contribuinte não apresentou as notas fiscais que lhe foram solicitadas. Diante dos fatos apurados, foi qualificada a multa de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996), por entender caracterizado o evidente intuito de fraude. Entendo não haver reparos ao entendimento dado pela Fiscalização. Independente a mudança na legislação, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no qual se retirou a expressão "evidente intuito de fraude", resta plenamente demonstrada a conduta dolosa da Contribuinte, mediante consciente, planejado e reiterado Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.135 8 procedimento de escriturar a menor as vendas que efetuava para seus clientes, fato comprovado mediante comparação entre as notas fiscais das empresas clientes e os valores escriturados na contabilidade da empresa fiscalizada. Somase ainda a não escrituração das receitas, intencionalmente para ocultar a percepção dos rendimentos auferidas na vendas, e a não apresentação das notas fiscais e do Livro Registros de Saídas, visando deliberadamente encobrir os atos dolosos. Vale transcrever excerto do voto vencido do acórdão recorrido: De tudo o que relatei e das provas coligidas e, ainda, consoante a imputação fática, saio convicto de que a inação da recorrente configura a sonegação descrita na autuação, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502/64. Por doze meses sucessivos, a fiscalizada frustrou as expectativas de sua coletividade, obtendo proveito ilícito com informações omitidas, não revelando a totalidade dos tributos que deveria recolher, na proporção das receitas que sabia ter auferido, afinal, emitiu notas fiscais de vendas com valores maiores que os registrados no livro fiscal. A recorrente, que era garantidora do Erário, lesou voluntariamente o Fisco, ao deixar de fornecer ao Estado o retrato fiel de sua realidade tributável. As notas emitidas reforçam a convicção de que suas vendas integram as realidades tributáveis referentes aos tributos aqui exigidos, os quais deveria apurar e informar ao Estado, mediante os instrumentos criados pela legislação tributária. Assim, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal que lhe incumbia, em sua inteireza, quis escondêla parcialmente do conhecimento do Fisco, como, de fato, escondeu. O dolo está visível, afinal, a escrituração do Livro de Saídas, por valor inferior ao das vendas praticadas, evidencia a consciência de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possivel, por efeito de sua vontade. O plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Não se trata de mero descumprimento do dispositivo legal. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o dolo, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT2: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 3 discorre com didática: 2 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 11065.005085/200416 Acórdão n.º 9101003.461 CSRFT1 Fl. 1.136 9 Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 4: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Nesse contexto, cabe ser restabelecida a multa qualificada, devendose dar provimento ao recurso especial da PGFN em relação à matéria. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial da PGFN em relação à qualificação da multa de ofício, e, no mérito, na parte devolvida, darlhe provimento. (assinatura digital) André Mendes de Moura 4 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 1136DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.008365/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Se a contribuinte, ao longo de cinco anos (1999/2003), apresenta sistematicamente declarações em branco à Secretaria da Receita Federal (ou mesmo nem as apresenta), e não efetua qualquer recolhimento quando ela própria sabia que tinha tributos a recolher, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
DECADÊNCIA. 1º, 2º e 3º TRIMESTRES DE 1999.
O restabelecimento da multa qualificada produz reflexos na questão da decadência. Isso porque a caracterização do dolo, por si só, desloca o prazo de decadência do art. 150, §4º, para o do art. 173, I, ambos do CTN. Não bastasse isso, os documentos e demonstrativos apresentados pela Fiscalização evidenciam que não houve qualquer recolhimento de CSLL ao longo do período fiscalizado. E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, já decidiu que se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para restabelecer a qualificação da multa no percentual de 150% e aplicar a Súmula Carf nº 72. Por maioria de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do termo a quo da contagem do prazo decadencial, caso entenda necessário, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Votaram pelas conclusões, em relação à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para restabelecer a qualificação da multa no percentual de 150% e aplicar a Súmula Carf nº 72. Por maioria de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do termo a quo da contagem do prazo decadencial, caso entenda necessário, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Votaram pelas conclusões, em relação à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Se a contribuinte, ao longo de cinco anos (1999/2003), apresenta sistematicamente declarações em branco à Secretaria da Receita Federal (ou mesmo nem as apresenta), e não efetua qualquer recolhimento quando ela própria sabia que tinha tributos a recolher, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA. 1º, 2º e 3º TRIMESTRES DE 1999. O restabelecimento da multa qualificada produz reflexos na questão da decadência. Isso porque a caracterização do dolo, por si só, desloca o prazo de decadência do art. 150, §4º, para o do art. 173, I, ambos do CTN. Não bastasse isso, os documentos e demonstrativos apresentados pela Fiscalização evidenciam que não houve qualquer recolhimento de CSLL ao longo do período fiscalizado. E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, já decidiu que se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 83 65 /2 00 4- 10 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para restabelecer a qualificação da multa no percentual de 150% e aplicar a Súmula Carf nº 72. Por maioria de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do termo a quo da contagem do prazo decadencial, caso entenda necessário, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Votaram pelas conclusões, em relação à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 (RICARF/2009) e art. 3º da Portaria MF nº 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10808.944, de 28/07/2006, por meio do qual a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de "reduzir a multa de 150% para 75% e, por decorrência, reconhecer a decadência para os fatos geradores até o 3° trimestre de 1999". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o principio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nos. 1265/1999 e 3007/2001. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA DESCABIMENTO Sobre os créditos apurados em procedimento de oficio só cabe a exasperação da multa quando restar tipificada a hipótese de incidência do artigo 1° inciso I da Lei Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 4 3 8137/1990. No caso dos autos se aplica a multa de oficio do inciso primeiro do artigo 44 da Lei 9430/1996. Sumula 14 do 1° CC. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARQUEZ & MARTINS LTDA. ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de 150% para 75% e, por decorrência, reconhecer a decadência para os fatos geradores até o 3° trimestre de 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca (Relator), Nelson Lósso Filho e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro que reduziam a multa de 150% para 75% apenas para o 2° trimestre de 2002. Designado o Conselheiro Margil Mourão Gil Nunes para redigir o voto vencedor. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, no que toca à redução da multa qualificada e ao reconhecimento da decadência. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado em 21/12/2004 o auto de infração às fls. 286/295, formalizando lançamento de oficio de CSLL, abrangendo os períodos de apuração de 31/03/1999 a 30/09/2003, incluindo juros de mora calculados até 30/11/2004 e multa qualificada de 150%, totalizando R$ 220.856,11; de acordo com a descrição dos fatos, a contribuinte apresentou à SRF, relativamente aos períodos de apuração examinados, declarações (DIRPJ e/ou DCTF) sem informações de tributos ou contribuições a recolher, enquanto seus assentamentos contábeis revelam obrigações da espécie a pagar, o que foi constatado em procedimento de verificações obrigatórias e ensejou a formalização do lançamento de oficio; ante a conduta da contribuinte de apresentar reiteradamente declarações omitindo da autoridade tributária os débitos fiscais apurados, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. De outra parte, por configurar a prática da fiscalizada, em tese, crime contra a ordem tributária capitulado na Lei n° 8.137, de 1990, o que implicou formalizar a representação fiscal para fins penais constante do processo etiquetado sob o n°. 10120.008370/200414; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 5 4 primeiramente é importante salientar que no caso em tela, não se aplica a Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, já que prática da conduta ilícita por cinco anos consecutivos demonstra inquestionavelmente o intuito de fraude do Recorrido; ao desqualificar a multa de oficio por maioria de votos, a Câmara a quo contrariou frontalmente o art. 44, §1° da Lei n° 9.430/96 (nova redação dada pela Lei n° 11.488/2007), pois ficaram evidenciados nos autos elementos suficientes à comprovação do intuito fraudulento do Recorrido ao longo de cinco anoscalendário; assim, a demonstração desse desígnio faz com que se tenha como aplicável, relativamente ao prazo decadencial, a regra do inciso I do artigo 173 do CTN. Portanto, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, data venia, violou ainda o referido comando do CTN; dessa forma, demonstrada a contrariedade a dispositivos de lei, encontram se presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 7°, I do RICSRF; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DA APLICAÇÃO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN PARA O CASO EM TELA. havendo, por parte do sujeito passivo, dolo, intuito de fraude ou de simulação, a disciplina da contagem do prazo decadencial deslocase daquela mais benéfica ao contribuinte, prevista no art. 150, §4° do CTN, e passa a recair na regra geral, prevista no art. 173, I, segundo a qual o prazo decadencial somente inicia seu fluxo no exercício seguinte àquele em que se torna possível ao Fisco efetuar o lançamento tributário; de acordo com De Plácido e Silva, em "Vocabulário Jurídico", Ed. Forense, o vocábulo fraudar significa toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possuindo, na técnica fiscal, a acepção de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação; registrese, ainda, que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com intuito de reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64, abaixo transcritos: [...]; verificase que a conduta praticada pelo contribuinte aliada aos resultados obtidos evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I do art. 71 da Lei n° 4.502/64; tratase o caso em questão, realmente, de um comportamento planejado com o propósito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador da contribuição pela autoridade fiscal. Logo, a disciplina da contagem do prazo decadencial passa a recair na regra geral, prevista no art. 173, I, do CTN; notese, ainda, que a aplicação do art. 173, I ,do CTN se impõe não apenas em razão da conduta dolosa acima evidenciada, mas também porque, no caso dos autos, houve lançamento de oficio (art. 149, V do CTN); Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 6 5 assim, para o fato gerador ocorrido no anocalendário de 1999, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2000, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1° de janeiro de 2001. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2005. Como a ciência do auto se deu em dezembro de 2004 (fls. 286), o lançamento não aconteceu a destempo; DA APLICABILIDADE DA MULTA DE 150%. o §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 determina que nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, o percentual de multa de que trata o inciso I do art. 44 será duplicado. Reza a Lei n° 4.502/64: [...]; a pessoa jurídica, ora Recorrida, durante anos consecutivos apresentou à SRF declarações omitindo informações de tributos a recolher. Com essa conduta, a Recorrida tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; ora, já se encontra exaustivamente demonstrado que a conduta do contribuinte enquadrase, com perfeição na previsão do art. 71 da Lei n° 4.502/64, possuindo o nítido intuito de burlar o Fisco e pagar, a menor, o tributo legalmente previsto; nesse processo fiscal, o fundamento da qualificação da multa é o dolo, é a vontade livre e consciente de omitir da autoridade fazendária o ganho auferido, muito embora tenha a obrigação legal de informar a ocorrência do fato gerador à administração pública. É certo que a linha entre o dolo ou a culpa é, muitas vezes, tênue. Todavia, nos autos, há elementos suficientes para caracterizarmos o dolo; o entendimento exposto é ratificado por outros julgamentos do Conselho de Contribuintes. Vejamos: [...]; desse modo, não resta dúvida de que a contribuinte buscou furtarse à sua obrigação tributária, omitindo reiteradamente da Administração, fatos geradores da obrigação tributária principal. Portanto, deve ser restabelecida a qualificação da multa de oficio; em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja restabelecida a qualificação da multa, bem como, seja afastada a decadência dos lançamentos apontados pela e. Oitava Câmara, vez que efetuados dentro do prazo legal. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 0.058/2009, exarado em 07/04/2009, deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] Analisando os pressupostos de admissibilidade do recurso especial, ditados pelo artigo 15 e seus parágrafos do RICSRF, faço as seguintes considerações: O recurso especial é tempestivo, visto que a PGFN tomou ciência do acórdão recorrido em 16/07/2008 e interpôs seu apelo em 17/07/2008. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 7 6 Vejo que se trata de decisão não unânime e que a recorrente demonstrou na peça de fls. 382/388 que a decisão recorrida contrariou a evidência de provas dos autos e que, portanto, contrariou também o disposto no art. 44, § 1° da Lei n° 9.430/96 e no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, presentes os requisitos necessários para a admissibilidade e de acordo com a competência do art. 15, § 6°, do RICSRF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Em 11/05/2009, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 10808.944, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 22/05/2009 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões, com os argumentos descritos a seguir: DA APLICAÇÃO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN a tese alegada pelo Recorrente não tem aplicabilidade no caso ora enfocado, já que seria necessária a absoluta certeza do evidente intuito de fraude do Recorrido, ou seja, a caracterização do dolo, fraude ou simulação por parte do mesmo, o que não foi comprovado pelo Recorrente, restando prejudicada a regra nuclear inserta no art. 150, § 4° do CTN; assim, acertada a decisão do Colendo Conselho de Contribuintes ao reconhecer a decadência dos 1°, 2° e 3° trimestres de 1999, bem como reduzir a multa aplicada de 150% para 75%, já que o Recorrido em nenhum momento agiu com emprego de dolo, fraude ou simulação, descabendo a aplicação prevista no § 4° do art. 50 do CTN, bem como a majoração da multa foi totalmente equivocada e descabida, pois a situação apresentada nos autos não se amoldava nos tipos descritos no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, mas sim à previsão contida no inciso I do mesmo dispositivo legal, conforme se demonstrará mais adiante; de outra parte, mesmo que fosse cabível a majoração da multa, hipótese que deslocaria a forma de contagem do prazo decadencial do art. 150, §4°, para o art. 173, I, do CTN, o que só se admite ad argumentandum tantum, mesmo assim o período 01/99 a 11/99 não mais poderia ter sido lançado, posto que também já haveria precluído, para o Fisco, o direito de fazêlo; o termo "exercício seguinte" constante do dispositivo legal em questão, art. 173, I do CTN, não mais pode, nos dias atuais, ser entendido como ano subseqüente, mas sim como período de apuração imediatamente posterior àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esta, registrase, é a interpretação teleológica que se faz no referido artigo; realmente, tal disposição legal (art. 173, I do CTN), quando implementada no CTN, aplicavase a tributos, em geral, da modalidade de "por declaração", situação em que só permitia a constituição do crédito tributário, pois somente depois da apresentação da DIPJ é que o fisco poderia, lançando mão das informações prestadas pelo sujeito passivo, proceder ao lançamento tributário. Eis, portanto, o motivo por que o prazo decadencial encetavase somente a partir do segundo ano subseqüente ao período base, isto é, o primeiro dia subseqüente ao ano de entrega da declaração que, por sua vez, ocorria no ano seguinte ao ano calendário de incidência do tributo; Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 8 7 ocorre que atualmente a maioria dos tributos estão sujeitos às regras dos lançamentos da modalidade de por homologação, como é o caso da CSLL, que é apurada mensalmente e o pagamento efetuada até o décimo quinto dia do mês subseqüente; assim, concluise que o termo "exercício seguinte" tenha sentido de "ano seguinte" quando relativo aos lançamentos por declaração. No presente caso, como se trata de lançamento por homologação, o conceito gravado no art. 173, I, se amoldou e, consequentemente, passou a ter sentido de "primeiro dia do período de apuração seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Logo, não há que se falar que o fato gerador no ano calendário de 1999, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2000, sendo descabida a alegação do Recorrente; DA APLICABILIDADE DA MULTA DE 150% cabe salientar que o Recorrido refuta por completo as alegações do Recorrente, já que restou evidente nos autos que a conduta do contribuinte não configurou crime de ordem tributária, que não caberia a aplicação da multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, já que para que haja aplicação da mesma seria necessária a absoluta certeza do evidente intuito de fraude; destacase que as alegações do Recorrente não se conformam com a letra da Lei supra, tampouco com o entendimento majoritário desse Colendo Conselho dos Contribuintes, entendimento esse, aliás, já pacificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme demonstra uma das decisões daquela Corte: [...]; de fato, o retardamento e/ou a redução do tributo supostamente devido, bem assim a falta de apresentação ou a apresentação de declarações inexatas, mesmo em situações reiteradas, por si só não são suficientes para caracterizar o tipo penal descrito nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964 e, por consequência, ensejar a aplicação da penalidade prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96, uma vez que isto não evidencia que o contribuinte tenha agido dolosamente; ademais, não se pode concluir pela acusação e pelos documentos trazidos ao processo, nem tampouco pela escrituração e documentos oferecidos durante a fiscalização, que tenha havido qualquer umas das figuras tributárias estampadas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Logo, tais fatos, não podem, por si só, caracterizar o evidente intuito de fraude; ora, senhores Conselheiros, para a situação da qual o contribuinte é acusado, qual seja: a prestação de informações inexatas, a própria Lei n° 9.430/96, em seu art. 44, I, já prevê multa específica, que é a de 75%, conforme também é o entendimento exarado no Acórdão prolatado; assim, ao acolher as alegações do Recorrente, de que para a situação em comento a multa aplicável é aquela prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, isto certamente será o mesmo que negar validade ao contido no inciso I daquele mesmo dispositivo legal, tornandoo inócuo; é de notarse, Senhores Conselheiros, que a suposta irregularidade praticada pelo Recorrido tem seu ponto na informação a menor das receitas constantes de seus livros "comerciais e fiscais” para aquelas constantes de suas DCTF e DIPJ, o que não representa uma modalidade de infração fraudulenta, mas simplesmente um caso de declaração inexata, para o Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 9 8 qual, conforme dito, o próprio art. 44, I da Lei n° 9.430/96 determina a aplicação da multa de 75%; de outra parte, cumpre esclarecer que a ação dolosa restaria caracterizada se houvesse sido constatada, nos autos, a distorção ilícita das formas jurídicas, que se materializaria com a falsidade ideológica ou material (falta de emissão de notas fiscais; notas fiscais "frias", "calçadas" e etc.). Isto, contudo, não ocorreu, posto que todas as notas fiscais foram emitidas corretamente e os livros fiscais do contribuinte estavam devidamente escriturados; assim, não deve prosperar as alegações do Recorrente, já que não demonstrou nos autos que a conduta do contribuinte enquadrase na previsão do art. 71 da Lei n° 4.502/64, bem como restou comprovado que o Recorrido em nenhum momento agiu de forma fraudulenta; deste modo, incabível é a aplicação da multa pleiteada pelo Recorrente, pois consoante tem decidido esse Egrégio Conselho de Contribuintes, "não se aplica a penalidade nos casos em que, embora a empresa tenha feito declaração inexata, informando receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados em livros fiscais" (Acórdão n° 10192700); com efeito, os artigos citados no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 têm um elemento em comum: o dolo. Portanto, para se agravar a multa, necessariamente tem que estar presente, de forma inequívoca, a figura dolosa; pois bem, em situações opostas à presente estão os casos em que são emitidas notas fiscais calçadas, notas fiscais frias (...), onde a vontade livre e consciente do contribuinte em ilidir o fisco é patente. Naqueles casos, não restam dúvidas, é perfeitamente cabível a aplicação da multa majorada de 150%; todavia, no presente processo não restou comprovado, de forma inconteste, que o contribuinte tenha agido dolosamente. Pelo contrário, o que se constatou foi a licitude na sua conduta, vez que os seus livros fiscais estavam corretamente escriturados e, ademais, foram fornecidos prontamente à fiscalização, sem qualquer empecilho de sua parte. Aliás, o contribuinte muniu à fiscalização até mesmo com informações a que não estava obrigada a entregar, como é o caso, do demonstrativo de "INFORMAÇÕES À SRF" apensado aos autos; por isto, as alegações e acusações da Recorrente contra o Recorrido, de cometimento de crime contra a ordem tributária não deve prosperar, devendo, ser mantido o acórdão, o qual entendeu que não foi caracterizado o intuito de fraude pelo contribuinte e reduziu a multa de 150% para 75%, bem como reconheceu a decadência para o 1º, 2º e 3° trimestres de 1999. Finalmente, é oportuno registrar que a contribuinte, além das contrarrazões acima mencionadas, também apresentou recurso especial contra a parte do Acórdão nº 108 08.944 que lhe foi desfavorável, mas esse recurso não foi admitido, conforme o despacho exarado em 09/06/2015 pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (e fls. 490/496). Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 10 9 E a negativa de seguimento desse recurso especial da contribuinte foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 15/06/2015 (efls. 497/501). É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, no que toca à redução da multa qualificada (para todos os períodos de apuração) e ao reconhecimento da decadência para os fatos geradores até o 3° trimestre de 1999. O lançamento em questão foi realizado para exigência de CSLL, apurada no regime do lucro real trimestral, relativamente aos seguintes períodos de apuração: 1º, 2º e 3º trimestres de 1999; 1º, 2º e 3º trimestres de 2000; 1º trimestre de 2001; 2º trimestre de 2002; e 3º trimestre de 2003. De acordo com a Fiscalização, para alguns períodos de apuração, a contribuinte apresentou declarações em branco à Secretaria da Receita Federal (SRF). Para outros períodos, ela nem mesmo entregou as correspondentes declarações, e nada recolheu a título da referida contribuição social ao longo de todo o período fiscalizado (1999 a 2003). Essa foi a motivação para o lançamento com a multa qualificada de 150%. Cabe desde já registrar que o recurso especial não alcança a redução da multa para a exigência relativa ao 2º trimestre de 2002, porque em relação a esse período, a redução da multa foi determinada por decisão unânime. Portanto, o debate sobre a redução da multa abrange todos os períodos autuados, com exceção do 2º trimestre de 2002. Já a controvérsia sobre a decadência abrange apenas o 1º, 2º e 3º trimestres de 1999. Devese examinar primeiro a questão da multa qualificada, porque a configuração ou não do dolo, via de regra, repercute diretamente na definição da regra para contagem do prazo decadencial. Nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o termo subjetivo (evidente intuito de fraude) demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 12 11 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. As expressões "inequivocamente comprovado", "minuciosamente comprovada", "certeza absoluta do dolo", "plena comprovação", utilizadas numa velha jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários ao sonho de Tartarim1 de Tarascon, personagem do clássico francês escrito por Alphonse Daudet em 1872, sonho este que consistia em caçar leões pelos corredores da casa, onde, 1 Homem que carrega “a alma de Dom Quixote” e “o corpo barrigudo e atarracado” de Sancho Pança, personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal: “Dom Quixote”. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 13 12 porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto à correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). Não obstante essas diretrizes, há ainda excludentes do dolo, não tanto excludentes na intenção, mas sim muito mais na consciência do ilícito; que, para sua configuração, exige que haja: i) o reconhecimento da intenção do que foi praticado; e ii) a existência de uma justificativa plausível para se ter adotado determinado comportamento (a exemplo de dúvida na interpretação de norma legal, erro de cálculo no qual possa ser identificado a imprecisão na fórmula do cálculo e que seja coerente com os valores daí decorrentes, etc). Na mesma linha (na verdade, na sua origem) da aferição a partir dos critérios da relevância e da recorrência (ou reiteração), situase o Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, fundamentado em voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, o qual reflete, a meu juízo, a mais evoluída e moderna jurisprudência sobre o tema. Confirase a ementa do mesmo, na parte pertinente: CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por três anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 14 13 erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Vale também transcrever trechos do voto que orientou o Acórdão nº 1201 000.841, de 06/08/2013, da lavra do mesmo conselheiro acima mencionado: "Mas antes de arrolar as razões pelas quais entendo haver sido comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível qualificarse a multa de ofício em casos de presunção de omissão de receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia afirmam que haveria "presunção da presunção". Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula 25 do CARF, que expressamente admite a qualificação da multa em infrações apuradas por presunção legal, desde que comprovada a ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mas não é só. ..., os elementos de prova juntados em qualquer processo não são propriamente "prova" dos fatos alegados pelas partes enquanto o órgão julgador não disser estar convencido de que aqueles elementos "provam" o fato alegado. ... A questão, portanto, recai sobre o "grau" de convencimento do julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado. As afirmações acima são particularmente importantes quando o fato a ser provado é o dolo do agente. ... Nesse sentido, o julgador dirá que está convencido de que os elementos indiretos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado quando atingido determinado grau de convencimento." O voto vencedor que orientou o já referido Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que subsidiou a ementa transcrita acima, traz outros referenciais sobre o tema em pauta: "Iniciemos então o exame do julgado da DRJ pela afirmação de que " [A] princípio, o dolo não se presume...'". Como é cediço, dolo é a vontade livre e consciente de uma pessoa se conduzir contrariamente ao estabelecido pela ordem jurídica. E uma vez que a vontade é algo interno à consciência humana, não pode ser ela provada por meios diretos, a não ser pela declaração prestada pelo próprio agente. Isso posto, ao contrário do afirmado pela DRJ, o dolo do agente, no mais das vezes, somente poderá ser provado por meios indiretos, em especial mediante presunção tomada a partir da experiência comum ou pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). Somente na (raríssima) hipótese de confissão do agente é que se pode falar em prova direta do dolo. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 15 14 A outra afirmação do órgão a quo que merece comentário é a que diz respeito à exigência de prova "inconteste e cabal" do dolo. É que, ao contrário do alegado pela DRJ, o direito [qualquer ramo do direito] não exige que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" atinja o grau de "certeza". Admite que o convencimento se dê com base apenas em verossimilhança, ou seja, que seja provável, ainda que não seja absolutamente inconteste, que a "verdade dos fatos" seja essa e não aquela. Tratase aqui de um dos aspectos do princípio do livre convencimento motivado. Mesmo sem adentrarmos nos alicerces teóricos dessa afirmação2, é intuitivo que, no mais das vezes, o direito se contente com mero juízo de verossimilhança. Seja porque, por vezes, o grau de certeza é impossível de ser alcançado no caso concreto. Seja porque, mesmo nos casos em que teoricamente isso seja possível, a dificuldade para alcançálo tornaria o processo infindável. Apenas para ilustrar o que acima foi dito, a prova pericial lastreada em exame de DNA de duas pessoas distintas poderá concluir, com probabilidade superior a 99,99%, mas não de 100%, que uma delas é o pai biológico da outra. Acaso o direito exigisse que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" devesse alcançar o grau de "certeza", o juiz não poderia proferir sentença declarando a paternidade. Outro exemplo. No rumoroso caso Nardoni é inquestionável que, mesmo diante de um conjunto probatório robusto, não foi possível aos membros do Tribunal do Juri alcançar um convencimento com grau de "certeza" acerca da culpa dos réus. Não há dúvida de que a alegação da defesa, segundo à qual o autor do crime teria sido uma terceira pessoa que se encontrava no apartamento quando os acusados lá chegaram, apesar de improvável, não chegou a ser cabalmente afastada. Apesar disso, o Juri concluiu pela culpa dos réus, o que claramente foi feito com base em juízo de verossimilhança. Os exemplos acima referidos estão longe de ser incomuns. Em verdade os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são bastante freqüentes em todos os ramos do direito. Não me surpreenderia, inclusive, se uma eventual pesquisa sobre o assunto revelasse que os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são em número bem superior àqueles tomados em juízo de certeza. 2 Na doutrina pátria vide, dentre outros, Luiz Guilherme Marinoni, in Formação da Convicção e Inversão do Ônus da Prova Segundo as Peculiaridades do Caso Concreto (artigo acessado no sítio http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Luiz%20G%20Marinoni(15)%20formatado.pdf). Entre os muitos trabalhos estrangeiros sobre o assunto confira James Q. Whitman in The Origins of "Reasonable Doubt" (artigo acessado no sítio http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1000&context=fss_papers). Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 16 15 Bem, mas se é inescusável o fato de que o convencimento do julgador poderá ser validamente alcançado com base em juízo de verossimilhança, então a questão a ser discutida resumese ao grau desse convencimento. Embora a jurisprudência pátria ainda não tenha expressamente estabelecido os padrões (standards) de grau de convencimento que devam ser adotado em cada caso concreto, é indiscutível que em processos penais os julgadores, ainda que intuitivamente, exigem um grau de verossimilhança alto para se declararem convencidos acerca da "verdade dos fatos" em caso de condenação. Esse padrão de grau de convencimento alto por nós empregado no âmbito do direito penal em caso de condenação é denominado no direito norte americano de evidência para além de qualquer dúvida razoável (evidence beyond a reasonable doubt)3. Em resumo, o emprego desse padrão implica que, para condenar o réu, o julgador somente se considerará convencido sobre a "verdade dos fatos" quando houver um alto grau de verossimilhança entre as alegações feitas pela acusação e aquilo que for possível concluir com base nos elementos de prova presentes nos autos. Havendo dúvida razoável, julgador deverá considerarse não convencido. Todavia, incertezas que extrapolem o limite do razoável devem ser desprezadas, tal como o foram nos exemplos antes referidos (paternidade e caso Nardoni). É certo que esse grau de convencimento alto, no mais das vezes, não é possível de ser determinado de maneira exata, comportando assim um certo subjetivismo. Em outras palavras, diante de um mesmo caso concreto, um julgador poderá se considerar convencido, para além de qualquer dúvida razoável, acerca da culpa do acusado, enquanto outro poderá entender que ainda restam dúvidas razoáveis que impossibilitam a condenação. Esse subjetivismo, entretanto, é minimizado pela necessária motivação da decisão e pelo duplo4 grau de jurisdição." Dito isso, adoto neste julgamento esse rigoroso parâmetro/critério de grau de convencimento que me permita afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o dolo do agente. Em outras palavras, segundo esse critério, os elementos de prova "provarão" o dolo se, e somente se, me proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu dolosamente. 3 Esse padrão de grau de convencimento alto é também adotado nas cortes norte americanas nos julgamentos de processos penais. Existem, todavia, outros padrões de convencimento lá empregados, todos com grau mais baixo do que o do evidence beyond a reasonable doubt. Uma explanação bastante resumida da aplicação de cada um desses padrões pode ser encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Legal_burden_of_proof. 4 Essa minimização do subjetivismo é maior ainda quando se considera que o processo administrativo fiscal ainda poderá ser submetido à apreciação judicial. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 17 16 Pois bem, a autoridade tributária informa o seguinte na peça fiscal: Durante o procedimento de verificações obrigatórias, no período de 01/01/199 a 31/12/2003, foram constatadas falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e recolhimentos efetuados. A forma de tributação do lucro adotado pela empresa foi o Lucro Real Trimestral, conforme Demonstrações de Resultado apuradas trimestralmente e ajustadas no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), todas anexadas ao presente. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referentes aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 1999, 2000 e 2001; aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2003; foram todas entregues em branco à Secretaria da Receita Federal (SRF), ou seja, não informaram qualquer crédito tributário devido. Além das DCTF, a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2000, 2001 e 2002), referentes aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, foram entregues em branco, sem qualquer informação ao fisco. As DCTF referentes aos trimestres: 1º, 2º, 3º e 4º, de 2002 e 1º de 2003, bem como as DIPJ/2003 e 2004, referentes aos anos calendário de 2002 e 2003, até a data de início desta fiscalização não tinham sido entregues à SRF. A fiscalização aplicou a multa de ofício agravada, de 150%, prevista no Artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, por ter a empresa entregue à Secretaria da Receita Federal as DCTF e DIPJ, citadas acima, sem qualquer informação ao fisco. Sendo que no período citado, houve CSLL devida, conforme demonstrações de resultado anexadas ao presente, o que em tese configura crime contra a ordem tributária. A fiscalização efetuou a compensação das Bases de Cálculo Negativas trimestrais; apuradas conforme demonstrativo denominado DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS, que integra o presente, nos limites estabelecidos pelo art. 58 da Lei no. 8981/95, resultando no lançamento do crédito tributário a seguir discriminado: [...] Os fatos apontados configuram evidências suficientes para me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, de que a infração apurada tem a marca do dolo da contribuinte. Pois não é razoável admitirse que tenha sido fruto de mero erro ou negligência o fato de a pessoa jurídica, ao longo de cinco anos (1999/2003), apresentar sistematicamente declarações em branco à Secretaria da Receita Federal (ou mesmo nem apresentálas), e não efetuar qualquer recolhimento quando ela própria sabia que tinha tributos a recolher. Há relevância na infração, porque a contribuinte simplesmente não declarava o tributo à Receita Federal. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 18 17 declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. E também há recorrência, porque essa forma de proceder foi constatada ao longo dos cinco anos fiscalizados. O entendimento defendido pela contribuinte em sede de contrarrazões, no sentido de que o dolo só poderia ser caracterizado diante de situações envolvendo a comprovação da falta de emissão de notas fiscais; ou da comprovação de emissão de notas fiscais "frias", "calçadas", etc., não mais está em consonância com a atual jurisprudência administrativa. Aliás, relativamente à conduta reiterada em omitir informações do Fisco, que se caracteriza como elemento para convencimento dos julgadores quanto ao dolo que conduz à qualificação da multa de ofício, não é de hoje que a jurisprudência desta Turma da Câmara Superior (bem como de outros colegiados do CARF) vem admitindoa, conforme se depreende dos precedentes abaixo: MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte defraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. (Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, da relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho). MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, que teve por relatora a Conselheira Karem Jureidini Dias). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de oficio qualificada de 150% naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (Acórdão nº 910100.320, sessão de 25/08/2009, relator o Conselheiro Antônio Praga). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. (Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, relatora a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Moteiro). Logo, pelas circunstâncias descritas neste processo, estando presentes o elemento subjetivo (dolo de omitir/retardar o conhecimento do Fisco do fato gerador) e o elemento objetivo (ausência de recolhimento dos tributos devidos), decido que a infração apurada nos anos de 1999 a 2003 se amolda perfeitamente à hipótese descrita no art. 71 da Lei Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 19 18 nº 4.502/1964 (sonegação), o que leva ao restabelecimento da multa qualificada no percentual de 150% (com exceção do 2º trimestre de 2002). O restabelecimento da multa qualificada produz reflexos na questão da decadência. Isso porque a caracterização do dolo, por si só, desloca o prazo de decadência do art. 150, §4º, para o do art. 173, I, ambos do CTN. Não bastasse isso, os documentos e demonstrativos apresentados pela Fiscalização evidenciam que não houve qualquer recolhimento de CSLL ao longo do período fiscalizado. Partindo da base de cálculo apurada (resultado do exercício), chegouse ao valor devido, sem nenhuma dedução a título de pagamento realizado. Não houve exigência para alguns trimestres dos referidos anos, apenas em razão de apuração de resultado negativo. Mas pagamento não houve. É essa a informação que se colhe dos autos. E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, já decidiu que se não houve nenhum pagamento e nem declaração /confissão de parte do tributo, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Ademais, deve ser observada a súmula CARF nº 72: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Assim, mesmo que não estivesse sendo restabelecida a multa qualificada, não haveria decadência para os referidos trimestres de 1999. O lançamento para os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1999 poderia ter sido realizado no próprio ano de 1999. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi 01/01/2000, e o prazo final para o lançamento era o dia 01/01/2005. Como a contribuinte foi cientificada da autuação fiscal em 22/12/2004, não houve decadência. Em suas contrarrazões, a contribuinte argumenta que o termo "exercício seguinte" constante do art. 173, I, do CTN, não mais pode, nos dias atuais, ser entendido como ano subseqüente, mas sim como período de apuração imediatamente posterior àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como se trata de períodos de apuração trimestrais, o argumento da contribuinte serviria apenas para antecipar o termo inicial da contagem da decadência para o 1º e o 2º trimestres de 1999. Para o 3º trimestre, o termo inicial continuaria sendo o dia 01/01/2000, sem modificação na contagem feita acima. Entretanto, o argumento (na verdade é uma matéria autônoma) que ela apresenta não foi apreciado pela turma de origem, tendo em vista que restou prejudicado àquela ocasião. Essa matéria foi trazida apenas no recurso voluntário, itens 2.2.6 a 2.2.12, mas não constou da impugnação. No item 2.2.1 o sujeito passivo informa que: “a decadência, conforme se vê dos autos, não foi arguida na fase impugnatória. Contudo, por se tratar de matéria de ordem pública, pode ser ela suscitada a qualquer tempo, em qualquer fase Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10120.008365/200410 Acórdão n.º 9101003.479 CSRFT1 Fl. 20 19 processual e em qualquer instância, devendo, inclusive, ser reconhecida de ofício pela própria autoridade julgadora, quando for o caso.”. De fato, a decisão recorrida julgou decadência, acolheu a alegação de que se trata de matéria de ordem pública e superou a preclusão de que trata o art. 17 da Lei do Processo Administrativo Fiscal, Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Ocorre que agora se trata de uma tese subsidiária uma vez superada a tese do prazo da decadência, é outra matéria, tratase de se definir o termo a quo da contagem do prazo decadencial constante no art. 173, I, do CTN. A decisão recorrida superou a preclusão quanto a tese principal (prazo), mas não chegou a apreciar a tese subsidiária (termo a quo), pois naquele momento se fazia desnecessário. Entretanto, agora a decisão quanto ao prazo da decadência restou reformada e a tese subsidiária permanece não apreciada. O colegiado de origem pode tanto aplicar preclusão (não está obrigado a superar a preclusão feita pelo Acórdão nº 10808.944, de 28/07/2006) como decidir julgar essa tese subsidiária relativa à decadência por entender que também é matéria de ordem pública. A minha proposta é que a turma de origem receba o processo, decida a preliminar se entende que se trata de matéria de ordem pública (não está vinculada, portanto, à decisão anterior que afastou a preclusão) e, uma vez superando a preclusão, julgue o termo a quo do art. 173, I, do CTN. Assim, neste ponto, voto por determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação do termo a quo da contagem do prazo decadencial, caso entenda necessário (na hipótese de superar a preclusão da matéria/tese subsidiária). Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a multa qualificada no percentual de 150% (com exceção do 2º trimestre de 2002), aplicar a Súmula CARF nº 72 (afastando a decadência que havia sido declarada para o 1º, 2º e 3º trimestres de 1999) e determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do termo a quo da contagem do prazo decadencial, caso entenda necessário (na hipótese de superar a preclusão). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 529DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721413/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir a omissão apontada sem atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.202
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,.por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma, e, no mérito, acolhê-los para o fim de sanar a omissão e o erro de fato apontados, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,.por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma, e, no mérito, acolhê-los para o fim de sanar a omissão e o erro de fato apontados, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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OMISSÃO Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir a omissão apontada sem atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 14 13 /2 01 1- 42 Fl. 465DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado,.por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma, e, no mérito, acolhêlos para o fim de sanar a omissão e o erro de fato apontados, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10825.721413/201142 Acórdão n.º 2401005.202 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.920 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 04 de julho de 2017 (fls. 353/363), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. Existindo decisão judicial que suspendia decisão anterior que conferiu ao contribuinte o direito ao crédito, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal, por ausência de permissão legal, via ação judicial, para a realização das compensações por parte do contribuinte. A postulante apresentou embargos de declaração alegando (i) omissão no julgado pois não houve pronunciamento quanto à alegação de nulidade do acórdão da DRJ por inovação ao fundamento jurídico do lançamento; (ii) omissão/erro de fato quanto à premissa adotada pelo voto condutor quanto à decisão proferida em sede de embargos; (iii) omissão quanto ao direito creditório reconhecido em sede de mandado de segurança; (iv) omissão quanto ao atual status dos embargos à execução. Em despacho do dia 14 de novembro de 2017 (fls.456/461), os embargos de declaração foram admitidos parcialmente com relação à omissão no pronunciamento de alteração de critério jurídico pela DRJ e para saneamento do erro de fato apontado. O processo devolvido a esta Relatora para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Fl. 467DF CARF MF 4 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Da omissão do julgado quanto ao pronunciamento da alegação de nulidade do acórdão da DRJ por inovação ao fundamento jurídico do lançamento Assevera a contribuinte que ocorreu a nulidade do Acórdão proferido pela DRJ, pois a decisão trouxe novo fundamento jurídico para o indeferimento das compensações, qual seja, a contrariedade ao art. 170A do CTN. Aduz que o lançamento denega as compensações por entender que a empresa somente teria direito à restituição do crédito reconhecido judicialmente e não a sua compensação. Passo, assim, à análise. O Relatório Fiscal de lançamento assevera que a empresa, via execução do julgado, requereu e aguarda decisão definitiva acerca da compensação. Assim, procedeu a glosa das compensações realizadas, por entender que não existia autorização judicial expressa para fazêla, na medida em que a demanda judicial tinha como objeto a restituição e não a compensação. A decisão da DRJ enfrenta a questão colocada em julgamento sob a ótica estabelecida no lançamento de que a restituição não se confunde com a compensação e, por força da nulidade da execução em que se pleiteava a compensação, não havia amparo para efetivála, conforme se destaca do trecho da decisão de piso: [...] a autuada promoveu ação judicial no sentido de ver reconhecido seu direito à restituição, tão somente, dos valores recolhidos indevidamente. A sentença condenou o então IAPS a restituir as parcelas indevidamente recolhidas: [...] Como sabido o instituto da restituição não se confunde com o da compensação. Tanto é que a autuada ingressou com ação de execução objetivando que o ressarcimento de R$ 6.808.181,90 fosse feito pela via de compensação de indébito. No entanto, em relação a esta pretensão (que a repetição de indébito fosse feita pelo instituto da compensação) foram opostos embargos à execução que foram julgados procedentes em 1ª Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10825.721413/201142 Acórdão n.º 2401005.202 S2C4T1 Fl. 4 5 Instância, decretando a nulidade da execução, face a ausência de reexame necessário do processo de repetição de indébito. Além da nulidade da execução, a sentença judicial tornou sem efeito a certidão de trânsito em julgada, determinando a imediata remessa dos mesmos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para o reexame necessário. Como se verifica, o procedimento de compensação realizado pela autuada não estava amparado por sentença judicial. Nem sequer o pedido de repetição de indébito feito pela autuada estava assegurado, face à determinação judicial que tornou a certidão de trânsito em julgado sem efeito. [...] O fato da DRJ ter se pronunciado sobre os argumentos trazidos na impugnação da contribuinte acerca da não aplicação do artigo 170A do CTN, não enseja a nulidade do Acórdão, pois não se trata de alteração de critério jurídico, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira instância. Dessa forma, resta sanada a omissão apontada. Do erro de fato quanto à decisão judicial proferida em sede de embargos Segundo a Embargante, o processo administrativo trata de indeferimento de compensações realizadas pela contribuinte, sendo que a decisão mencionada pelo voto condutor que impôs óbice à compensação, somente fora publicada em 13/05/2009. Alega erro de fato, pois não havia, à época das compensações, efetuadas entre 07/2005 a 12/2007, decisão judicial que retirasse o efeito da sentença que reafirmou o direito creditório da embargante. Com efeito, os embargos à execução interpostos pelo INSS, foram julgados procedentes para declarar a nulidade da execução da sentença promovida pela contribuinte em razão da ausência de reexame necessário da sentença proferida na ação ordinária de repetição de indébito, com publicação ocorrida em 13/05/2009. Ocorre que o Voto condutor do julgado aduziu que à época das compensações realizadas, a contribuinte tinha óbice judicial para a apresentação das mesmas ante a existência de sentença nos embargos que anulava a decisão judicial que reconheceu o direito creditório da recorrente. Realmente, há um erro de fato na informação prestada no voto vencedor que deve ser corrigido, cabendo, nesse caso, o saneamento e a integralização da decisão embargada, com a fundamentação aqui desenvolvida. Destarte, a maioria do colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário decidindo pela manutenção do lançamento, efetuado em 16/6/2010. Fl. 469DF CARF MF 6 O fundamento do voto condutor será ora esclarecido. A contribuinte pleiteou junto ao poder judiciário, o reconhecimento, especificamente, do seu direito de efetuar a compensação dos valores reconhecidos como recolhidos indevidamente. A decisão judicial existente favorável à contribuinte foi no sentido de determinar ao INSS restituir os valores considerados como indevidos, razão porque a empresa optou por requerer judicialmente a compensação. Justamente por tal motivo, teria que aguardar a decisão judicial pleiteada na execução do título em que requereu a autorização para compensar. A primeira decisão que teve no processo foi a proferida dos embargos de declaração. Assim, somente após o trânsito em julgado da decisão é que ficará definido o seu direito a compensação, razão porque a maioria do colegiado firmou entendimento pela manutenção do lançamento. Resta assim sanado o erro de fato/omissão no julgado. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, para, na parte conhecida DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão e erro de fato apontados, sem atribuirlhe efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 470DF CARF MF
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