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Numero do processo: 10820.001217/00-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1801-000.061
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana Barros Fernandes
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa em epígrafe foi autuada a recolher IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos a abril a dezembro de 1996 e aos quatro trimestres dos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, por omissão de receitas na atividade de bingo e na venda de mercadoria de bar/lanchonete, com cominação de multa aplicada na forma qualificada e juros moratórios, no valor total de R$ 437.097,99, nos termos do Auto de Infração de fls. 07 a 45 e Termo de Constatação Fiscal às fls. 46 a 62. Reproduzo, por oportuno, trecho do relatório do Acórdão nº 1.456/01 de fls. 355 a 367 para melhor historiar os fatos: “Conforme descrito no termo de constatação fiscal de fls. 46/62, que faz parte integrante do auto de infração, o lançamento decorreu do fato de a contribuinte, no período de 6 de abril de 1996 a 31 de dezembro de 1999, teria incorrido nas seguintes irregularidades: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 497 2 • infringido as disposições contidas na legislação federal, conforme relatado às fls. 46/53, pelo fato de realizar jogo de bingo, sendo que essa atividade é exclusiva de entidade desportiva credenciada pela Secretaria dos Negócios da Fazenda do Estado e não tinha autorização de nenhuma dessas entidades desportivas credenciadas para administrar o evento; • ter informado à SRF atividade econômica diversa daquela que explorava predominantemente, tendo optado pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 01/01/1997, indevidamente; • omissão de receita bruta relativa à exploração de bingo, em cada período mensal de abril a dezembro de 1996, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 63/70. Tal fato, reduziu a base de cálculo do lucro presumido e o valor do imposto devido nas datas e valores discriminados no auto de infração. Mesma conduta foi mantida nos períodosbase de 1997 a 1998 (conforme demonstrativo de fls. 63/97); • no período de 01/01/1997 a 31/12/1999, insuficiência de imposto incidente sobre as receitas de vendas do bar/lanchonete, tendo em vista que estas haviam sido indevidamente declaradas de acordo com o Simples. O lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) e, em decorrência, das contribuições, foi efetuado com base nas seguintes disposições legais: [...] Em conseqüência dos fatos apontados, foram formalizados, além do presente processo, o de n° 10820.001085/0007, referente à exclusão da contribuinte do Simples, e de n° 10820.001218/0009, relativo ao imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF). Ciente do lançamento em 24/08/2000, conforme se constata do auto de infração à fl. 07, a contribuinte ingressou, em 25/09/2000, com a impugnação de fls. 220/271. Relativamente ao IRPJ e tributação das contribuições decorrentes, a impugnante apresentou, em suma, as seguintes alegações: Inicialmente, ilegitimidade passiva. Não lhe poderiam ser atribuídas as irregularidades apontadas no termo de constatação fiscal nem ter auferido as vantagens econômicas dos fatos tidos irregulares. Os recursos obtidos pertenceriam ao Município de Araçatuba SP, portanto seria esse o sujeito passivo dos lançamentos do imposto e das contribuições que foram efetuados. O empreendimento pertenceria ao município e teria sido instituído por ele em prol da previdência social de seus servidores. Dessa forma, a contribuinte não teria relação pessoal e direta com os fatos geradores da obrigação tributária principal, como conceituado no CTN, art.121, I, parágrafo único. Ressaltou que a pessoa jurídica não pode agir com dolo, só é possível que alguém aja com dolo em seu nome. Que o inciso I do citado artigo dispõe que a responsabilidade é do agente, da pessoa que praticou a infração à legislação tributária, ressalvando: "salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato...". Considerou que deve responder pela multa aquele que determina a ação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 498 3 Refutou a cominação da penalidade prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art.44, II, multa de 150%, considerandoa igualmente ilegítima. Alegou que não poderia ser penalizada com a multa exigida, aplicável somente quando detectado o evidente intuito de fraude. Aduziu que a multa é pessoal, imputável ao agente. Que a conclusão quanto à prática de crime só poderá ser extraída contra quem represente a sociedade autuada, sob pena de se estar pretendendo que a penalidade passe da pessoa do infrator, contrariando o CTN, art. 137. Aduziu que não houve prática de infração conceituada como crime. Os atos inquinados de criminosos teriam sido praticados no exercício regular de administração, mandato de função. Uma ordem, que chamou de permissão, baixada por decreto municipal, terlheia autorizado a realização do bingo. Se o fisco considera que o Poder Legislativo do Município de Araçatuba não poderia ter aprovado a Lei n° 4.592, de 31 de dezembro de 1995, deveria ter tomado as providências quanto a declarar inconstitucional a lei ou medidas administrativas contra quem instituiu o serviço de bingo, beneficiouse dele e ficou com a correspondente renda e imposto retido na fonte, pois ambos teriam sido repassados ao município na forma do decreto municipal. Ressaltou que teve a preocupação de cumprir fielmente as normas aplicáveis, aduzindo que, no momento em que o Esporte Clube Coríntians de Araçatuba teve seu credenciamento cassado pela Secretaria da Fazenda Estadual, denunciou o contrato que mantinha com a instituição para não ficar na ilegalidade, voltando a atuar somente quando convidada pelo município, administrando os serviços de bingo por ele instituído em lei. Ainda, que a tributação não poderia prevalecer, por fundarse em pressupostos afrontosos ao direito e à legislação tributária, caracterizando confisco, dirigida contra quem não deu causa nem auferiu vantagens econômicas nos fatos imputados. Contestou o relatado no termo de constatação fiscal a respeito da natureza comercial da sociedade, alegando que a administração do jogo de bingo, se não for exercida pela própria entidade desportiva, só pode ser confiada a empresa comercial. Refutou a cobrança de juros com base na taxa referencial do sistema especial de liquidação (Selic), considerandoa inconstitucional. Alegou que a Constituição Federal (CF), art. 192, § 3°, prescreve a cobrança de doze por cento ao ano. Assim a cobrança de juros com base na Selic deveria ser substituída pela taxa de 1% (um por cento) ao mês, prevista no CTN, art. 161, § 1°. Para instrução processual, juntou os documentos de fls. 272 a 295, instrumento de mandato, alterações contratuais, tabela de código de atividade econômica, acórdão sobre Selic. Reaberto o prazo de trinta dias para manifestação após conhecimento do processo n° 108020.001085/0007 que trata da exclusão do Simples, apresentou sua manifestação, de fls. 322/324, na qual ratificou as razões da impugnação apresentada e solicitou que sejam considerados nulos os autos de infração relativos ao presente processo.” Acresço ao relatório elaborado pelo julgador a quo que a empresa somente tomou ciência do Ato Declaratório de Exclusão do Simples nº 17, expedido em 02 de agosto de 2000, com fulcro no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96, após haver tomado ciência dos Autos de Infração objetos deste processo administrativo (24 de agosto de 2000) razão pela qual Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 499 4 foi reaberto o prazo para oferecer manifestação de inconformidade contra o ato administrativo e para aditar a impugnação aos lançamentos tributários. A Notificação nº 564/2000, fls. 317, cancelou a anterior e promoveu a ciência da contribuinte do despacho proferido no processo nº 10820.001217/0038 – referente à exclusão do Simples –, em 22 de novembro de 2000 (fls. 316), e ressaltou a conexão entre os processos. A exclusão do Simples foi mantida em primeiro grau, consoante cópia da decisão pertinente às fls. 348 a 354 – Acórdão nº 1.454/01, pelo fato de a empresa haver praticado reiterada infração tributária. O aresto proferido em primeiro grau, relativo a este processo, manteve integralmente os lançamentos tributários. A empresa recorreu da decisão de primeiro grau às fls. 392 a 431, reprisando, em suma, os argumentos da defesa inicial. Deixo de relatar em minúcias as razões contestatórias por ter que tratarse primeiramente de matéria prejudicial. Em sessão realizada em 16 de outubro de 2002 no então Primeiro Conselho de Contribuintes, a 5ª Câmara resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 105 1.157 – fls. 454 a 457) para que fossem anexados ao presente processo informações sobre o conteúdo e andamento do processo nº 10820.001085/0007, dada a íntima relação entre os dois processos. Informado que o processo se encontrava no Terceiro Conselho de Contribuintes para a apreciação, em despacho circunstanciado, fls. 464, o processo foi devolvido ao órgão de origem para que somente após a decisão proferida pelo segundo grau retornasse a este órgão colegiado. Por sua vez, em atendimento à diligência solicitada, a unidade de jurisdição da contribuinte, juntou às fls. 477 a 494 a Resolução nº 30301.145 proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes pela qual decidiuse, de igual forma ao Primeiro Conselho, encaminhar os autos de exclusão do Simples para a unidade que jurisdiciona a recorrente e aguardar a decisão deste processo. Extraio trecho daquela Resolução, por oportuno: “Embora o presente processo trate de matéria da competência do Terceiro Conselho de Contribuintes, qual seja a exclusão de empresa do SIMPLES, ocorre que se trata aqui de processo reflexo, ou seja, a ocorrência de eventual exclusão do SIMPLES e sua análise, depende do julgamento a ser proferido em processos matrizes referentes a IRPJ e IRRF, cuja competência é do Primeiro Conselho, pendentes de julgamento. Senão vejamos: a) A medida saneadora da DRJ, de determinar nova intimação ao contribuinte para que tivesse conhecimento dos autos e tomasse ciência das infrações que lhe eram apontadas como motivadoras do ADE, reabrindo o prazo legal para impugnação, surtiu o efeito de permitir o contraditório e a ampla defesa. Ficou descaracterizado o cerceamento ao direito de defesa. b) A motivação da exclusão, exposta no ADE foi a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme previsto no art.14, V, da Lei 9.317/96. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 500 5 c) As infrações apontadas em representação fiscal (fls. 01/13) e acolhidas pela decisão recorrida foram: (1) informação errada à SRF quanto à atividade econômica explorada predominantemente, (2) omissão de receita relativa a exploração do bingo (o que motivou a lavratura de auto de infração relativo a IRPJ e seus reflexos), (3) falta de recolhimento do IRRF incidente sobre a distribuição de prêmios, (4) No período de abril/96 a dezembro/1999 explorou a atividade de bingo sem autorização e (5) a Lei 9.317/96, art. 90, XIII, determina a vedação de opção pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviço profissional de corretor/representante comercial, de forma que ainda que a interessada tivesse agido conforme a legislação que disciplina a atividade de bingo, com essa atividade similar a corretor/representante comercial, não poderia ter optado pelo SIMPLES. d) Ora, da causa (1) enumerada no item anterior deve ser dito que informação equivocada quanto à atividade preponderante não tem como conseqüência a exclusão do SIMPLES. Sobre as causas (2) e (3): a apontada omissão de receita, e a questão referente ao IRRF, estão pendentes de decisão administrativa do Primeiro Conselho. Há, por outro lado, a alegação da interessada de que 65% das receitas de bingo, bem como o IRRF, retido dos ganhadores, foram repassados à Prefeitura de Araçatuba, conforme determinação expressa em Decreto Municipal sob pena de multa à interessada. Neste processo haverá de se analisar, tão somente, o ato de exclusão do SIMPLES, e estando entre as infrações apontadas como motivadoras da exclusão tais omissões quanto ao IRRF, IRPJ e reflexos, de certa forma este processo tornouse, em parte dependente daqueles outros.Quanto à causa (4), entendo, em princípio, que a mera existência da Lei Municipal e, do Decreto Municipal, são suficientes para dar suporte à alegação de boafé da interessada com respeito à licitude da atividade de prestação de serviços de administração de bingo solicitada pela Prefeitura de Araçatuba, sem prejuízo quanto à apuração da responsabilidade tributária com base na lei aplicável à matéria (o que é objeto dos outros processos, matrizes). Aqui, neste processo, repitase, cumprirá apenas verificar a procedência, ou não, do Ato Declaratório de Exclusão. e) Apesar de constar na representação fiscal de fls. 01/13, como um dos motivos de exclusão, a alegação de vedação com base no art.9°,XIII, este artigo da Lei não foi evocado, isto é, não constou do ADE, e, portanto, não compõe a presente lide, sob pena de nulidade do ato de exclusão. f) As indicações de reiteradas infrações à legislação tributária se resumem, pois, à constatação de se houve, ou não, omissão de receitas resultantes da atividade de bingo; e se houve, ou não, apropriação indevida do IRRF retido dos ganhadores de bingo; fatos cuja ocorrência se encontram pendentes de julgamento. g) Faz sentido o pedido do interessado de que houvesse reunião destes autos aos dos processos n° 10820.001217/0038 e 10820.001.218/0009, formando um todo a ser apreciado. Vale dizer se forem procedentes as autuações relativas ao IRPJ (e reflexos) e quanto ao IRRF, e restar ultrapassado o limite de faturamento a que se submete a empresa optante pelo SIMPLES, a exclusão poderá ser um reflexo desta constatação. Se, por outro lado, resultarem improcedentes os autos de infração, então poderá não se confirmar o ato de exclusão. Portanto, as motivações informadas no Ato Declaratório de Exclusão (ADE), de reiteradas infrações à legislação tributária, se resumem, na verdade, à constatação de haver, ou não, omissão de receitas resultantes da atividade de bingo, e se houve, ou não, apropriação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (retido de ganhadores do jogo de bingo); fatos cuja ocorrência se encontram pendentes de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 501 6 julgamento administrativo, nos processos n° 10820.001217/0038 e n° 10820.001.218/0009, cujas decisões constituem condição prévia ao julgamento deste processo.” É o relatório. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Com efeito, concordo que os três processos estão intimamente conectados, sendo de bom avilte serem decididos conjuntamente. E, I) considerando que a competência atualmente para decidir sobre a exclusão do Simples Federal é desta 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, bem como também para dirimir conflitos que versem sobre o IRRF em procedimentos conexos referentes à exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para consubstanciar exação de IRPJ, nos termos do artigo 2º, incisos IV e V, do Anexo II do Regimento Interno do Carf (Ricarf): Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); II) considerando as disposições contidas no artigo 1º, inciso I, alíneas “ a” e “f”, c/c o art. 3º, ambos da Portaria RFB nº 666/08: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.001217/0038 Resolução n.º 180100.061 S1TE01 Fl. 502 7 Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) [...] Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Voto em converter o julgamento na realização de diligência, devendo retornar os autos à unidade de jurisdição da recorrente, com o objetivo de juntar a este, por anexação, os processos nºs 10820.001217/0038 e 10820.001.218/0009 para serem julgados concomitantemente, devendo após retornar a esta Relatora. No caso de verificarse que o processo relativo á exigência de IRRF já ter sido julgado/pago, anexar ao presente cópia da decisão ou despacho que encerrou o litígio. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10920.003874/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 38 74 /2 01 0- 71 Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.210 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.601, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de agosto de 2012 (efls. 1140 a 1171). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório.No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.211 3 privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa a totalidade dos fatos geradores em GFIP, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento pela não emissão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que argüiu de ofício a referida nulidade. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo contribuinte; b) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; c) declarar a decadência até a competência 11/2004; e d) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao levantamento referente a empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62. Declarouse impedido o conselheiro Igor Araújo Soares. Enviados em 03/12/2012 os autos à Fazenda Nacional para ciência (efl. 7841 do Proc. 10920.003212/201009, ao qual este se encontrava apensado), a PGFN apresentou, em 06/12/2012 (efl. 7927 do Proc. 10920.003212/201009, ao qual este se encontrava apensado), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1172 a 1183). Alegase, no pleito, divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido, em 18/10/2005, pela 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30130.894, bem como em relação ao decidido, em 09/11/2006, pela 3a. Câmara do referido 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30333.772, de ementas e decisões a seguir transcritas (A ementa do primeiro paradigma apresentado não se encontra no sítio deste CARF, tendo sido, porém, conferida através dos autos do processo 18336.000065/0010, fls. 126 a 130, em consulta ao sistema eprocesso): Acórdão 30130.894 Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.212 4 NORMAS PROCESSUAIS ACÓRDÃO CONDICIONADO NULIDADE A atividade judicante não pode expressarse de forma condicionada a fato futuro e incerto, em especial de processo administrativo fiscal pendente de julgamento, sob pena de não solucionar a lide proposta ou promover solução que não pode ser açambarcada pela ocorrência futura. Na impossibilidade de ser prolatada decisão considerando a interdependência de processos ou decorrência, é cabível a suspensão do julgamento para aguardar a solução da lide principal. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos para anular o Acórdão n.° 30130.894, de 01/12/2003, e suspender o julgamento até o trânsito em julgado do Processo Administrativo Fiscal n.° 18336.000729/200220. EMBARGO ACOLHIDO E PROVIDO Decisão: por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração, para anular o acórdão, nos termos do voto do Relator. Acórdão 30333.772 INTIMAÇÃO VICIADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. A intimação produzida para ciência da representação fiscal para exclusão do SIMPLES pretendeu noticiar ao mesmo tempo a expedição e publicação do ADE no DOU. Esta intimação foi feita em meio ao mesmo procedimento de fiscalização que resultou na lavratura de cinco autos de infração. O procedimento se iniciou oficialmente em 10/09/2003, por iniciativa dos mesmos auditores fiscais, e somente se concluiu, em 12/11/2003, com a ciência ao interessado dos autos de infração lavrados. Resta claro que tal maneira de proceder, para o efeito de cumprir a garantia especificada nos princípios da ampla defesa e do contraditório, não poderia substituir a contento uma específica intimação da empresa passível de exclusão, quanto à ciência do texto do ADE 102/2003 exarado pela DRF/Recife. O respeito devido à ampla defesa, ao contraditório e ao duplo grau de jurisdição, impõe que o mérito sobre a exclusão do SIMPLES deve ser enfrentado em primeira instância de julgamento. LANÇAMENTO DE COFINS DECORRENTE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Somente se vier a ser confirmada a exclusão da empresa do SIMPLES em decisão administrativa definitiva, a matéria reflexa relativa à COFINS, no período de 2000 a 2002, haverá de ser apresentada oportunamente ao Primeiro Conselho de Contribuintes por ser de sua competência. Decisão: Por unanimidade de votos, declarouse a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto que: Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.213 5 1) Nada obstante o acórdão recorrido ter entendido que não haveria motivo para anulação do lançamento, o fato é que determinou a exclusão de plano daqueles valores excluídos nas exigências correlatas. Ocorre que as decisões exaradas nos processos administrativos correlatos foram, nessa oportunidade, objeto de insurgência pela Fazenda Nacional. Logo, diante da possibilidade de alteração dos julgados conexos, não haveria como, de plano, determinar a exclusão do cálculo da multa dos valores relativos ao levantamento referente à empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62; 2) Sobre a questão posta em discussão, entende haver clara divergência jurisprudencial que, diante da mesma situação, qual seja, a aplicação de decisão proferida em processo vinculado, os órgãos julgadores decidiram de forma contrária. O acórdão recorrido se fundamentou exclusivamente em decisão proferida nos processos relativos à obrigação principal, desconsiderando o fato de que a referida deliberação não é definitiva e que pode vir a ser reformada por força de recurso especial interposto pela União, enquanto que a e. Primeira e a Terceira Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, acolheram a tese de que a decisão proferida em processo principal somente poderia ser aplicada aos seus decorrentes após ter se tornado definitiva; 3) Ressalta que a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes afirma que o trânsito em julgado da decisão proferida no processo principal seria condição, futura e incerta, para o julgamento da lide decorrente, razão pela qual configuraria um empecilho à atividade judicante no processo reflexo; 4) Entende a Fazenda Nacional que existe uma diferença latente em simplesmente concordar com alguns dos fundamentos adotados em outra decisão e utilizálos também como motivação, e adotar o decidido em outro processo como único fundamento para afastar a tributação sobre valores, cuja discussão não está encerrada na esfera administrativa. Nesta última hipótese, a decisão proferida em outro processo é a própria razão de decidir daquele que está sob análise. É o que geralmente ocorre com processos ditos decorrentes, cujo único pretexto de existência é o próprio processo principal. Neste diapasão, por ser decorrente de outro processo, é de se concluir que deverá ser dada a mesma solução a ambos processos, sob pena de se estar proferindo decisões contraditórias. Daí porque, normalmente, ao se decidir o processo decorrente, costumase determinar a aplicação, in casu, do que restou deliberado no processo principal; 5) Contudo, na hipótese dos autos, entende a recorrente que não foi isso o que aconteceu. Aqui, o colegiado a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao levantamento referente a empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62, sob o argumento de que tais valores haviam sido afastados da incidência das contribuições previdenciárias, fato este inverídico, sem a ressalva de que fosse adotada a solução que vier a ser dada, definitivamente, no processo principal; 6) Cita, a seguir os arts. 42 a 45 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, para defender que somente após o julgamento da insurgência nos autos de lançamento da obrigação principal é que poderá a decisão referente se tornar imutável, apta a produzir seus efeitos de forma ampla, inclusive no que tange à sua aplicabilidade ao presente processo. Antes disso, o contribuinte possui apenas uma expectativa de direito. Entende, assim, que a confirmação da decisão em sede de obrigação principal é evento futuro e incerto e, diante da impossibilidade de se efetivála na prática, não há como considerar que os valores excluídos não sofrem a incidência das contribuições previdenciárias; Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.214 6 7) Ressalta que, na eventualidade de se ter reformada a decisão proferida no processo em trâmite na Câmara Superior de Recurso Fiscais, o mesmo não poderá acontecer no presente feito, tendo em vista a impossibilidade de reversão da decisão nele proferida, se não acolhido o presente recurso. 8) Finalmente, entende que os valores referentes ao levantamento referente a empresa PL contábil e aos levantamentos 41 ao 56 e o 62, portanto, não podem ser expurgados do cálculo da multa, sob o único fundamento assentado em uma assertiva equivocada de que tais valores não mais comporiam o lançamento principal. Afastada esta argumentação, constatase que o aresto proferido se tornou deficitário em expor os fundamentos que motivaram a exoneração do crédito tributário, fato este que ocasiona a nulidade do julgado. 9) Requer assim, o conhecimento do recurso e seu provimento, a fim de que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Alternativamente, seja anulado o Acórdão recorrido e decretada a suspensão deste feito até que seja proferida decisão definitiva no(s) processo(s) principal(is). O recurso foi regularmente admitido, consoante despacho de efls. 1200 a 1203. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência ocorrida em 19/04/16 (efl. 1.207), esta não apresentou, nos presentes autos, contrarrazões ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto à admissibilidade porém, discordando do exame de admissibilidade de efls. 1200 a 1203, faço notar que: a) No caso em questão se está diante de auto de infração de descumprimento de obrigação acessória, com os autos apensos aos dos lançamentos de obrigação principal desde antes do julgamento do Recurso Voluntário pelo Colegiado a quo (vide efl. 607 dos presentes autos e efl. 1662 dos autos do Processo 10920.003214/201090). Assim, possibilitado, ou melhor, em meu entendimento recomendado e inevitável o julgamento conjunto dos feitos (visto que necessariamente conjuntamente pautados), tal como realizado pelo Colegiado a quo em 15 de agosto de 2012. b) Já no caso do primeiro paradigma (Acórdão 30130.894), se está diante de caso onde o julgamento dos autos estava dependente daquele a ser realizado no âmbito de outro Colegiado (3a. Cãmara do 3o. Conselho de Contribuintes), daí a suspensão do julgamento até o trânsito em julgado daquela outra decisão. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10920.003874/201071 Acórdão n.º 9202004.645 CSRFT2 Fl. 1.215 7 Ou seja, no presente caso, o que se tem é uma série de julgamentos a serem realizados simultaneamente, a partir da apensação dos autos dos lançamentos de obrigação principal e acessória decorrente, situação fática completamente diferente da deste primeiro paradigma, o que é evidenciado através do teste de aderência, que resultaria, a meu ver, em total inconsistência, caso se assumisse que o Colegiado paradigmático suspenderia o julgamento do presente AI, até que o trânsito em julgado dos processos de obrigação principal (repito, estando o presente AI aos autos dos processos de obrigação principal) transitassem em julgado, retomando o julgamento deste feito somente quando daquele trânsito em julgado dos autos, apensos. Não se trata, aqui, de decisão condicionada a evento futuro e incerto, mas de lançamento decorrente do lançamento de obrigação principal, os quais são apreciados conjuntamente até seu trânsito em julgado administrativo, em prol da economia processual e com plena coerência, inclusive, com a lavratura conjunta das NFLDs e do presente AI. No caso, a razão de decidir dos autos de obrigação principal vincula as razões de decidir do auto de obrigação acessória decorrente do descumprimento daquela, sem qualquer nulidade, uma vez devidamente fundamentada a decisão devidamente no lançamento de obrigação principal, como efetivamente se verifica nos presentes autos; c) O mesmo ocorre quanto ao segundo paradigma (Acórdão no. 30333.772), onde as duas matérias interdependentes, ali, agora se encontram repartidas entre diferentes Seções deste CARF, a partir da competência regimentalmente determinada, também, notese, não havendo que se cogitar, ali, de possibilidade de julgamento simultâneo conjunto. Entendo que para fins de caracterização da divergência interpretativa, in casu, deveria a Fazenda Nacional ter trazido caso onde, possibilitado o julgamento simultâneo conjunto dos autos por apensação ou por estarem as matérias interdependentes contidas nos mesmos autos e sujeitas a competência de um mesmo Colegiado, se sobrestou (suspendeu) o julgamento da matéria dependente até o trânsito em julgado da matéria principal, o que não é o caso dos paradigmas, repito. Destarte, diante da inexistência de similitude fática entre a situação do recorrido e as dos Acórdãos paradigmas trazidos aos autos, voto por não conhecer o Recurso da Fazenda Nacional, por não caracterizada a existência de divergência interpretativa. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955954/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1999
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1999 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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EFEITOS. Recorrente MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1999 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 54 /2 00 8- 11 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação formulada para a compensação de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito de COFINS. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada, do qual a empresa foi cientificada em 02/12/2008. Em 07/10/2009 a empresa apresentou sua Manifestação de Inconformidade cumulado com pedido de revisão do lançamento, apresentando cópia de DARF que corresponderia ao pagamento indevido ou a maior. Cientificada de Comunicado do qual foi informada da intempestividade de sua defesa, a empresa apresentou novo Recurso Administrativo requerendo a revisão do lançamento em razão da existência do DARF. Em resposta a estas petições foi emitido Despacho Decisório atestando a intempestividade e o correspondente não andamento do processo. Cientificada desse despacho, a empresa apresentou nova Petição de Revisão de Lançamento, recebida com exigibilidade suspensa por ordem judicial. Esta última petição foi analisada em novo Despacho Decisório de Revisão de Ofício que manteve a conclusão do Despacho Decisório Eletrônico, vez que respaldado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo na Declaração de Compensação. Fundamentando a não realização da revisão de ofício, foi ainda indicado que o crédito estaria decaído no momento do Pedido de Compensação. Em face deste último despacho, foi apresentada nova Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo informa que o crédito objeto da compensação declarada nesse processo já teria sido objeto de pedido anterior formulado em outro processo, que ainda estaria pendente de análise. Esta defesa, apresentada dentro de trinta dias do recebimento do Despacho Decisório de Revisão de Ofício, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento vez que maculada pela intempestividade da primeira Manifestação de Inconformidade. Transcrevese abaixo a ementa da referida decisão, no que interessa a presente análise: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada desta decisão e inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.438, de 22 de novembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10880.955937/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.438): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 07/10/2009, muitos meses após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico emitido nos presentes autos. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 5 4 No presente caso, a intempestividade é patente, vez que o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade quase um ano após sua regular intimação do Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada. Com isso, evidente que as petições e manifestações apresentadas pelo sujeito passivo após o Comunicado reconhecendo a intempestividade da Manifestação de Inconformidade não instauraram a fase litigiosa do procedimento, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifei) Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202 003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Importante mencionar que o último Despacho Decisório de Revisão de Ofício apresentado foi apenas uma resposta a uma das diversas petições apresentadas pela empresa, trazendo considerações específicas para manter o Despacho Decisório eletrônico emitido e, portanto, não alterar as suas razões. 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 6 5 Neste ponto, coaduno com as considerações trazidas na decisão de primeira instância, que assim se manifestou: "12. Posteriormente ao expressado acima, a Autoridade Administrativa proferiu despacho, fls. 74/5, intitulado de “despacho decisório – revisão de ofício”, a partir do qual ratificou a propalada NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação requerida, agora com fundamento em questão de direito material (decadência), reabrindo prazo para manifestação da Requerente. 12.1. Entretanto, é de ser observado que, de fato, o denominado “despacho decisório – revisão de ofício” tem como substância mera resposta à petição do Sujeito Passivo que requer em sua resistência, alternativamente, a revisão do lançamento fiscal na forma do art. 149 do CTN. 12.1.1. Vaticina o § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 12.1.2. Nesse diapasão, tal Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, dentro dos prazos que lhe são garantidos pelo ordenamento, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 12.2. Em adição, cumpre ressaltar que referido ato administrativo não efetuou nenhuma alteração no conteúdo ou efeitos do DD que reconheceu a preclusão temporal, e que, portanto, continua a sobejar de definitividade no âmbito administrativo. 12.2.1. Desta sorte, o propalado “despacho decisório – revisão de ofício” apenas demonstra que, fosse superada a questão processual da preclusão temporal do DD original, o que tal ato não admite nem mesmo como hipótese, o pleito do Contribuinte, em virtude da demonstrada e fundamentada decadência constatada no caso vertente, haveria de ser considerado carecedor de fundamento de direito substantivo, o que acarretaria como resultado, sob qualquer ângulo de análise, a não homologação da compensação demandada. 13. Em adição a tudo quanto articulado, insta esclarecer, neste ponto, que o indigitado despacho não revogou nem anulou, expressa ou tacitamente, o Despacho Decisório original, não tendo, assim, o condão de infirmálo ou sobrepôlo. Traduziuse em mera resposta à petição de resistência do Contribuinte. 13.1. Cumpre observar que o DD original transmudouse, a partir da já divulgada preclusão temporal, em ato jurídico perfeito e, portanto, albergado sob o manto da imutabilidade, ao menos enquanto não revisto pela própria Administração ou infirmado em juízo. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 7 6 13.2. Ademais, consoante preconizado no art. 53 da Lei nº 9.784/99, a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. 13.3. No “despacho decisório – revisão de ofício”, não consta qualquer alegação de ilegalidade verificada no DD original de fls. 4, bem como não há descrição de motivação que esclareça eventual conveniência ou oportunidade da Administração presente no caso a justificar a revogação do indigitado ato de nãohomologação da pretendida compensação por decurso de prazo. 13.4. Em adição, deve ser pontuado que ao analisar a comprovação de pagamento trazida ao processo, defendido como indevido pela Impugnante, donde a Autoridade Administrativa pode concluir pelo equívoco do Sujeito Passivo quando informando a data de arrecadação no PER/DCOMP sob apreciação e, ainda, a ocorrência da decadência expressada no “despacho decisório – revisão de ofício”, restou amplamente observado e respeitado o princípio da verdade material, basilar do processo administrativo fiscal. 13.5. Cumpre esclarecer, ainda, que tal princípio encerra a idéia de possibilidade de comprovação inconteste do direito alegado pelo Contribuinte, emergindo do referido ato administrativo que, no caso sub examine, tal direito era inexistente vez que fulminado pela decadência. 14. Do quanto exposto, exsurge que o “despacho decisório – revisão de ofício” não expressa verdadeiro conteúdo de despacho decisório de não homologação da compensação a ser desafiado por manifestação de inconformidade, em consonância com a previsão do § 9º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, especialmente por que, não tendo sido infirmado por este, o DD original continua válido e apto a produzir seus naturais efeitos, sendo factível extrairse do contido no processo, até o momento do presente Voto, a ocorrência da preclusão consumativa para a Administração, desnudandose como inócuo pronunciamento que intenta repisar posicionamento acerca de questão definitivamente resolvida, ainda mais intentando a reabertura de processo administrativo fiscal encerrado. 15. Por corolário do raciocínio expendido, não se tratando de efetivo despacho decisório de não homologação de compensação, não há de se cogitar haver espaço para manifestação de inconformidade nem, tampouco, instauração do contencioso administrativo." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.955954/200811 Acórdão n.º 3402003.474 S3C4T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do primeiro Despacho Decisório emitido (Despacho Decisório Eletrônico)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721612/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini- Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini- Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 16 12 /2 01 2- 98 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 272 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n°. 0734.708, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 227/245), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DEBCAD nº 51.024.4998 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados e contribuinte individuais ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. SIMULAÇÃO A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DEBCAD 51.024.5005 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados e contribuinte individuais ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. SIMULAÇÃO A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DEBCAD nº 51.024.5013 INCLUIR TODOS OS SEGURADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO CFL 30. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados ao seu serviço nos padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Tratamse de Autos de Infração AI lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributários são descritos a seguir. AI DEBCAD nº. 51.024.4998 , com valor consolidado em 23/07/2012, de R$ 2.858.248,41, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, relativas às competências 01/2009 a 13/2011, parte da empresa. Bem como à exigência de contribuição a autônomos, avulsos e a contribuintes individuais, relativas às competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010, 01/2011 a 12/2011. AI DEBCAD nº. 51.045.5005, com valor consolidado em 23/07/2012, de R$ 713.734,83, referente à exigência de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros Salário Educação (FNDE), Incra, Senai, Sesi e Sebrae incidentes sobre a remuneração de empregados, relativas às competências 01/2009 a 13/2011. AI DEBCAD nº. 51.045.5013, com valor consolidado em 23/07/2012, de R$ 1.617,12, referente à exigência acessória de preparar folhas de pagamento de todos os segurados a seu serviço. Conforme relatório elaborado pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil (fls. 2/24), após fiscalizações realizadas na sede da recorrente, foi constatado que apesar de estarem devidamente registradas as pessoas jurídicas Ino Motores Ltda. CNPJ 06.300.244/000176 e Ino Máquinas Ltda. CNPJ 12.539.552/000151, prestadoras de serviço da Ino Inocêncio Ltda., na verdade tratase de simulação com o objetivo de elidir as contribuições previdenciárias dos empregados da verdadeira empregadora, ora recorrente, ao manter duas pessoas jurídicas no sistema de tributação simplificado. A fiscalização juntou cópia dos seguintes documentos: a) Cópia das Procurações Públicas da Ino Máquinas e Ino Motores à Pedro Alves Inocêncio e Antônio Manoel Inocêncio (fls. 32/42) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 273 5 b) Cópia dos contratos sociais e alterações da Ino Inocêncio, Ino Motores e Ino Máquinas (fls 43/83); c) Cópia dos Contratos entre Ino Inocêncio e as empresas Ino Motores e Ino Máquinas (fls. 105/114); e d) Cópia dos Balanços Patrimoniais, Demonstrações dos Resultados e Demonstrações de Lucros/Prejuízos do exercício de 2011 da Ino Inocêncio, Ino Motores e Ino Máquinas (fls. 140/154). Quanto aos elementos fáticos e fundamentos legais, reproduzo parte do relatório redigido pela DRJ: “Ainda, conforme o citado relatório, do resultado da análise documental e dos procedimentos de auditoria fiscal, restou caracterizado que: a) a despeito da aparente distinção formal entre o sujeito passivo e as pessoas jurídicas denominadas INO Motores Ltda., CNPJ 06.300.244/000176 e INO Máquinas Ltda. EPP, CNPJ 12.539.552/000151, tratase, de fato, de uma única empresa. Exploram a mesma atividade econômica recuperação elétrica e mecânica em motores elétricos (CNAE 3313901) com quadro único de empregados, sob gestão centralizada no empregador e sujeito passivo INO Inocêncio Ltda. As existências das pessoas jurídicas INO Motores e INO Máquinas, ainda que sob a roupagem de algum tipo de terceirização, estão na verdade limitadas a mera formalidade e singeleza do papel que tudo aceita. Destinamse apenas a abrigar formalmente os vínculos trabalhistas relativos aos empregados do sujeito passivo e verdadeiro empregador INO Inocêncio Ltda., e b) o emprego de simulação, com evidente objetivo de elidir a contribuição previdenciária, retira a validade do ato formal, devendo prevalecer a real situação fática, com base no princípio da verdade material. É inconcebível que o sujeito passivo, que congrega tal quantidade de trabalhadores e volume de faturamento, tenha usufruído indevidamente do sistema de tributação simplificado e favorecido instituído pela Lei Complementar n° 123/06 que não se destina a empreendimento deste porte. Desta forma, e para fins tributários, os segurados formalmente inseridos nas folhas de pagamento das pessoas jurídicas INO Motores Ltda e INO Máquinas Ltda EPP, foram considerados empregados do sujeito passivo INO Inocêncio Ltda, que se revelou o verdadeiro empregador. A proliferação de práticas desta natureza inviabilizaria em algum tempo a atual forma de financiamento da Seguridade Social, cuja principal base é a folha de salários. A Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil, ao constatar procedimentos desta natureza, cujo resultado é a evasão de contribuições devidas à Seguridade Social, tem o dever, sob pena de responsabilidade, de apurar os fatos, noticiálos às autoridades competentes e constituir os respectivos créditos. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 Prossegue relatando, pormenorizadamente, todo o procedimento efetuado no curso da ação fiscal, que restou por identificar a prática da simulação com o propósito do usufruto indevido do tratamento tributário simplificado e favorecido, instituído pela Lei Complementar nº 123/06 (Simples Nacional). Discorre sobre cada indício caracterizador da simulação (unicidade do sujeito passivo), tais como: outorga de poderes ao administrador e sócio (unicidade de comando); movimentação contratual; primazia da realidade material sobre a formal (idêntica atividade econômica, quadro comum de funcionários e mesmo endereço); e a atipicidade na gestão administrativa (indica como funcionários do mês os mesmos registrados nas outras pessoas jurídicas). Conclui que se trata de um só empreendimento econômico com idêntica atividade, mesma administração e quadro funcional, porquanto a distinção meramente formal com as pessoas jurídicas INO Motores e INO Máquinas foi uma estratégia utilizada, dolosa e reiteradamente, a fim de que o sujeito passivo pudesse usufruir indevidamente do tratamento tributário favorecido instituído pela Lei Complementar 123/2006 Simples Nacional, com o qual as empresas interpostas são optantes. Portanto, diante de tais condutas, procedeuse a baixa de ofício da inscrição no CNPJ das pessoas jurídicas INO Motores Ltda e INO Máquinas Ltda EPP, consoante hipótese contemplada no artigo 80, parágrafo 1º, inciso I da Lei de Ajuste Tributário nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por fim, esclarece que as circunstâncias descritas revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa, o que restou no agravam do valor da multa imposta, conforme disposições contidas no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º da lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964.” O contribuinte foi cientificado das autuações em 24/07/2012, terçafeira (Termo de Ciência Previdenciário fl. 160) e apresentou impugnações (fls. 196/217) aos Autos de Infração. No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente o lançamento, sendo proferido o Acórdão nº. 0734.708 (fls. 227/245), cuja ementa está reproduzida acima. Intimado do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC em 30/05/2014 (AR fl. 247), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 249/267 em 27/07/2014, alegando, em síntese: a) Que o que praticou foi apenas um ato de planejamento tributário, dentro dos limites da lei, e que a mera presunção de simulação não é prova suficiente para desconsiderar o ato jurídico; b) Que as multas de ofício e as taxas de juros aplicadas ao caso são confiscatórias, devendo ser aplicado o princípio da razoabilidade para reduzir o valor cobrado; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 274 7 c) Que na base de cálculo das contribuições previdenciárias não podem ser incididas as verbas indenizatórias; d) Ao final, restando todas as alegações improcedentes, requer o seu enquadramento no REFIS. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 8 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Juízo de admissibilidade Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Contudo, este pressuposto de admissibilidade – tempestividade – não se faz presente e o recurso voluntário não deve ser conhecido. O contribuinte foi intimado do Acórdão nº. 0734.708 de fls. 227/245 em 30/05/2014, sextafeira, conforme Aviso de Recebimento de fls. 247/248. O prazo recursal de 30 dias iniciouse no primeiro dia útil seguinte, 02/06/2014, segundafeira, encerrandose em 01/07/2014, terçafeira, conforme determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado na Agência da Receita Federal de Criciúma SC em 27/07/2014, conforme carimbo de recebimento à fl. 249. Ainda, o contribuinte não informa e, consequentemente, não prova a ocorrência de qualquer justa causa que o tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 183 do Código de Processo Civil: Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Portanto, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 para interposição do recurso voluntário, tampouco apresentada qualquer Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 11516.721612/201298 Acórdão n.º 2401004.486 S2C4T1 Fl. 275 9 justa causa que demonstrasse a impossibilidade de cumprimento do prazo legal, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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Numero do processo: 12259.000998/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.533
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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(Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da Terceira Câmara e da Segunda Seção de Julgamento na data da formalização. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR - Relator ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 20/12/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), THEODORO VICENTE AGOSTINHO. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 933 2 Conselheiro João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que engloba as contribuições a cargo da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços, além da incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O período do débito é de 02/2001 a 10/2004. Os fatos geradores considerados pela fiscalização, das contribuições previdenciárias, foram os pagamentos ou créditos efetuados a cooperativas de trabalho e aos segurados empregados e contribuintes individuais em virtude dos serviços prestados à empresa. A base de calculo das contribuições previdenciárias foram às remunerações pagas, devidas, ou creditadas, aos segurados empregados e contribuintes individuais, extraídas dos resumos das folhas de pagamento e dos livros Diário e Razão. No que se refere às cooperativas de trabalho, as bases de calculo foram extraídas do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Consta em Relatório Fiscal que a contribuinte impetrou Ação Ordinária junto à Terceira Turma da Vara Federal do Rio de Janeiro [Ação 99.00624939] pleiteando a compensação dos créditos decorrentes da retenção de 11%dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Em 31/03/2000 foi concedida a contribuinte, antecipação de tutela autorizando a contribuinte a compensar o eu pagou indevidamente a titulo de contribuição previdenciária. Essa decisão foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Diante da não definitividade da decisão do TRF 2ª Região, decidiu a fiscalização por sobrestar o lançamento do crédito tributário. Cumpre ressaltar que foi prolatada sentença em 18/09/2000 que manteve o entendimento da antecipação de tutela, e esta foi confirmada pelo Tribunal, por acórdão que transitou em julgado em 02/06/2005. No dia 23/05/2006 a Fazenda Nacional manifestou-se para: “no que se refere a contribuições que deixaram de ser colhidas a titulo de compensação realizada com base nas decisões proferidas em tal processo, cabe o cancelamento do crédito”. O relatório fiscal informa que os valores da NFLD decorrem de compensações efetuadas pelos diversos estabelecimentos da empresa de créditos provenientes da retenção de 11% sobre os serviços realizados mediante cessão de mão de obra em outros estabelecimentos. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 934 3 Em sede de impugnação a contribuinte alegou a impossibilidade da exigência de multa de mora, pela interpretação analógica do art. 63 da lei 9.430/96. Entretanto as alegações da contribuinte não foram acatadas, e a 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJI) decidiu por manter o lançamento, Acórdão nº 1223.678, proferido em 07/04/2009: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/02/2001 a 31/10/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL Incide contribuição para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados (art. 20, art. 22, I, da Lei 8.212/91) e aos segurados contribuintes individuais (art. 22, III, da L ei 8.212/91 e art. 4º, caput da Lei 10.666/2003). Lançamento Procedente. Intimada da decisão negativa da DRJ/RJ1 em 22/09/20111, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no dia 24/10/2011. A contribuinte requer o cancelamento da autuação, tendo em vista que esta foi lavrada apenas para prevenir a decadência. Alega ser nula a decisão da DRJ/RJ1 que manteve o lançamento por fundamento diverso da autuação existindo uma evidente mudança de critério jurídico. Segue trecho do Recurso Voluntário: De fato, o lançamento somente foi feito para prevenir a decadência e aguardar o final da ação judicial, razão por foi sobrestado. Ou seja, caso os pedidos formulados na ação fossem julgados improcedentes, a cobrança prosseguiria livremente. Se vitoriosa a Recorrente, o lançamento seria cancelado. Não há duvidas, nas palavras da própria fiscalização, que “os valores contidos nesta NFLD são decorrentes de compensações efetuadas pelos diversos estabelecimentos da empresa de créditos decorrentes da retenção de 11% sobre os serviços realizados mediante cessão de mão- de-obra (sic) em outros estabelecimentos, com base em decisão judicial em vigor”. Isto é, o auditor verificou toda a documentação referida nos termos de intimação expedidos ao longo da fiscalização e concluiu que as tais “diferenças” eram justamente os valores das retenções compensados entre estabelecimentos da Recorrente. Para assim, concluir, por evidente que o fiscal precisou confirmar a própria existência dos créditos (valores retidos), caso contrario, não teria sobrestado o lançamento, teria, sim, exigido normalmente os créditos, na medida em que faltaria à Recorrente pressuposto para que as compensações pudessem ter sido realizadas, qual seja, a existência de créditos, hipótese em que nem mesmo a decisão judicial impediria o prosseguimento da cobrança. Traz ainda, em suas alegações a informação de que mesmo diante de diligencia para analise dos documentos juntados pela recorrente, o agente autuante simplesmente ignorou tais documentos, bem como ignorou todas as informações postas nas planilhas de fls. 118 a 125. Diante disso, a recorrente pleiteia nova diligencia. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 935 4 Aduz que o caminho a ser trilhado pela NFLD após o transito em julgado da decisão judicial que autorizou as compensações não poderia ser outro senão o cancelamento, como, inclusive, determinado pela Procuradoria Federal do INSS. Complementa afirmando que o caso dos autos encontra óbice no artigo 146 do CTN e nos princípios do Direito Constitucional, na medida em que a decisão da DRJ configura inequívoca mudança de critério jurídico e redunda na mais absoluta violação à coisa julgada e aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Junta no Recurso Voluntário planilhas que trazem os valores compensados [fls. 335 – 347]. Por fim requer em se tratando dos pedidos: O reconhecimento da nulidade da decisão proferida pela DRJ, por violar o disposto no art. 146 do CTN, e nos incisos XXXV, LIV do artigo 5º da Carta Magna de 1988, haja vista a flagrante mudança de critério jurídico, e considerando que o lançamento foi perpetrado exclusivamente par prevenir a decadência e aguardar o resultado da ação judicial manejada pela Recorrente; Sucessivamente, requer que seja reconhecida a mais absoluta imprestabilidade do resultado da diligencia fiscal de fls. 224 a 229 para justificar a manutenção da integralidade da autuação, tendo em vista a cabal comprovação da regularidade das compensações e o fato de que a analise limitouse aos dados contidos nos sistemas de processamento de dados do INSS, ainda que, par tanto, seja necessária a realização da perícia técnico-contábil ou nova diligencia. É o relatório. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 12259.000998/2008-65 Resolução nº 2301-000.533 S2-C3T1 Fl. 936 5 Conselheiro João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao exame das razões recursais. A Ação Ordinária proposta pela contribuinte junto ao Poder Judiciário, ocorreu anteriormente a NFLD. A fiscalização, sabendo da existência da ação, decidiu por efetuar a NFLD a fim de prevenir a decadência, e para aguardar o resultado da ação judicial. Não encontramos, nos autos, a petição inicial,a fim de verificar se já identidade de objetos nos litígios judicial e administrativo, o que acarretaria a obediência a súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, para verificação de aplicação da súmula, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o Fisco junte aos autos a petição inicial da ação. Após a medida, deve ser dada ciência desta resolução ao contribuinte, para, caso desejar, apresente seus argumentos. DISPOSITIVO: Diante do exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. Foi assim que o Conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 935DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.731264/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1458.839/15, proferido pela 15ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, que decidiu manter os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendários de 2009 e 2010, consubstanciados nos Autos de Infração de efls. 435 a 454, lavrados em conformidade com os fatos explicitados no Termo de Verificação Fiscal de efls. 431 a 434. As infrações tributárias detectadas pela fiscalização consistem em despesas operacionais incorridas nos anos em questão consideradas indedutíveis dadas as suas naturezas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 31 26 4/ 20 13 -6 1 Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 3 2 A fiscalização constatou que a contribuinte, cuja atividade é extração de petróleo e gás natural, em consórcio com as empresas Petrobrás S/A e Amerada Hess Ltda., ganhou a concessão para a perfuração do bloco BMS22 (contrato nº 48610.010707/2001), sendo a responsável pela execução das operações relativas à exploração do referido bloco. Estando em fase préoperacional, nos anos em questão, contabilizou indevidamente a título de despesas operacionais, os valores de R$ 85.919.782,60, para 2009, e R$ 11.454.225,41, para 2010, sendo que o correto seria registrar estes valores, como despesas préoperacionais, no Ativo Diferido, pois referemse aos serviços relativos à exploração de poços e somente poderia apropriarse das despesas incorridas, a título de amortização, à medida que as receitas operacionais correlatas começassem a ser auferidas com a venda de petróleo ou gás. Também houve a glosa de 'outras despesas', nos valores de R$ 157.955.581,89, para 2009, e R$ 222.812.309,92, para 2010, em razão da empresa ter dado baixa de poços considerados secos (poços 1, 2 e 3), antes de a empresa haver enviado à ANP (Agência Nacional de Petróleo) o pedido de devolução integral da área recebida em concessão, em 03/04/2012, salientandose que a decisão da extinção somente ocorreu em 03/08/2012. As referidas infrações tributárias somaram valor tributável de R$ 243.875.364,49, para 2009, e R$ 234.266.535,33, para 2010, sendo que parte dos valores foram compensados com o saldo de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa acumulados da empresa, remanescendo o crédito tributário total de R$ 55.351,91 a pagar, a título de IRPJ e CSLL (com multa de ofício regular e juros moratórios). A empresa impugnou o feito fiscal argumentando as razões que a seguir transcrevo do relatório do acórdão recorrido, por bem minucioso: Depois de defender a tempestividade do oferecimento da peça contestatória e descrever os fundamentos das autuações questionadas, tece “considerações sobre as fases que compreendam a produção de petróleo e de gás natural”, o qual envolve três fases: • Exploração: conjunto de operações ou atividades destinadas a avaliar áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural; • Desenvolvimento: conjunto de operações e investimentos destinados a viabilizar as atividades de produção de um campo de petróleo ou gás natural; • Produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para a sua movimentação. Explica que, para a consecução dos seus objetivos sociais, realiza estudos e pesquisas com a finalidade de verificar a existência de jazidas de petróleo bem como a viabilidade econômica da exploração delas. É o que se denomina fase de exploração, “que têm início na obtenção, através de leilão, pela empresa concessionária, do direito à pesquisar/explorar uma determinada área (bloco)”. Sobre a fase de exploração, expõe que ela envolve a “perfuração de poços individuais tendo, cada um deles, dentro do bloco objeto da concessão, características próprias de geologia e requerimentos individuais de engenharia”. A individualidade decorre de exigência do contrato de concessão, o qual obriga o concessionário a comunicar, no prazo de 72 horas, qualquer descoberta de hidrocarbonetos naquele poço. “Da mesma forma, faculta que se faça, durante este período, devoluções parciais à Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 4 3 ANP das áreas nas quais não sejam identificadas reservas, mediante comunicação formal (Cláusula 3.3)”. Informa que, “nos casos de total insucesso em todos os poços perfurados” ou de inviabilidade econômica da produção, a área adquirida no leilão é devolvida. Assim, quando forem encontrados poços cuja produção seja economicamente viável, a concessionária comunica tal fato à Agência Nacional do Petróleo (ANP) por meio da intitulada Declaração de Comercialidade e dá início à fase de produção. Explana que, no caso em tela, a exploração do Bloco BMS22 foi iniciada em 29/08/2001, “conforme contrato de concessão, com o comprometimento de perfuração de 4 poços em dois períodos distintos, sendo encerrada em 06.08.2012, com a formalização da devolução integral da área concedida e consequente extinção do contrato (docs. 06), hajavista que em nenhum dos poços perfurados foram encontradas descobertas de petróleo quejustificassem investimentos para a próxima fase (produção)”. Informa que ao longo do processo de pesquisa efetuou quatro devoluções parciais: em 05/05/2009 (poço Azulão 1), 04/09/2009 (poços Guarani 1 e Guarani 1 desviado) e 10/03/2011 (poço Sabiá 1), as quais foram realizadas na forma facultada em contrato sem que a ANP tenha oferecido qualquer questionamento a respeito. Posteriormente, em 06/08/2012, a devolução total da área foi ratificada pela ANP. Tece comentários acerca do panorama mundial de exploração de petróleo, relatando que a média mundial de poços exploratórios mal sucedidos representa de 70% a 80% do total perfurado e que, no Brasil, a média tem sido de 80%. Estes poços, normalmente, são perfurados por empresas subcontratadas, cabendo ao concessionário “somente determinar o local da perfuração e o modelo de perfuração desejado”. Diz que esta teria sido exatamente a situação ocorrida. No entanto, a Fiscalização considerou indedutíveis os custos/despesas incorridos na fase de exploração de cada poço considerado seco. E argumenta: A Fiscalização partiu de premissa equivocada, desalinhada com as práticas internacionais contábeis e com a prática local da indústria de petróleo e gás natural – e também desalinhada com o Regulamento do Imposto de Renda, como se verá adiante. Entendeu a fiscalização que os custos e despesas com “poços secos” e despesas operacionais incorridos na fase de exploração deveriam ter sido contabilizados no ativo diferido, a serem amortizados a partir do primeiro ano em que fosse auferida receita operacional na venda de petróleo e gás e não como fez corretamente a Impugnante ao leválas a resultado, enquadrandoas como custos/despesas operacionais no período em que se confirmou a inexistência de expectativa de receitas oriundas daqueles investimentos. Na continuação, traz um arrazoado sobre os padrões internacionais de contabilidade utilizados na indústria petrolífera, com o objetivo de sustentar a improcedência da conclusão da Fiscalização. Inicia salientando que o Brasil não possui uma diretriz expressa sobre as práticas contábeis e fiscais para a indústria de O&G. No entanto, a seu ver, o movimento de alinhamento com os métodos contábeis internacionais promovido pela Lei nº 11.638, de Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 5 4 2007, permitiria trazer à discussão a prática internacional desta indústria, a qual estaria consolidada há décadas. Expõe: Basicamente, consolidaramse como melhores práticas da indústria os seguintes métodos contábeis para o reconhecimento e baixa de custos: método dos Esforços Bem Sucedidos Successful Efforts (SE) e o método do Custo Total Total – Full Cost (FC), previstos nas normas do Financial Accounting Standard Board (FASB) – Statement of Financial Accounting Standards (SFAS) nos. 19 e 25 (docs. 09); nas normas da Securities and Exchange Commission (SEC) Accounting Series Release (ASR) nos 257 e 258 e no Pronunciamento Técnico Contábil CPC n° 34, que muito embora não aprovado, serve de base para o entendimento do tratamento contábil dado pela Impugnante às despesas com “poços secos”. Antes de discutir as duas técnicas contábeis apresentadas, assevera que os gastos incorridos nas atividades de exploração de produção de petróleo e gás são classificados em quatro categorias, abaixo apresentadas: • Os custos de aquisição incluem os gastos incorridos para adquirir, alugar, usar ou qualquer outra forma de aquisição dos direitos de uso de determinada área e ainda abrange o bônus de assinatura, taxas de agenciamento/intermediação, taxas de registro, custos legais e outros; • Os custos de exploração envolvem os gastos incorridos na identificação de áreas potenciais e nos exames específicos de áreas com potencial de reserva de óleo e gás natural, incluindo perfuração de poços exploratórios e testes estratigráficos, bem como gastos com estudos topográficos, geológicos e geofísicos. Os gastos de exploração podem ocorrer tanto antes como depois da aquisição da área ou mesmo incorridos sem que a área nunca seja adquirida (no caso de pesquisas gerais); • Os custos de desenvolvimento são aqueles incorridos para obter acesso às reservas provadas e para prover instalações para extração, tratamento, recolhimento e estocagem do óleo e do gás natural e ainda os custos das instalações de produção, tais como linhas de escoamento, separadores, tratadores, aquecedores, tanques de estocagem, sistemas de recuperação e instalações de processamento de gás natural; • Os custos de produção são aqueles incorridos para a extração, como por exemplo os incorridos para transportar óleo e gás à superfície e coletálos, tratálos, processálos e armazenálos. De maneira geral são incorridas para a operação e manutenção de poços, equipamentos e instalações relacionados à produção. Apresentados os custos envolvidos na atividade, descreve os métodos contábeis utilizados pela indústria de O&G, os quais “podem gerar diferentes resultados temporais e efetivos nos lucros”: pelo método dos Esforços Bem Sucedidos, somente os custos e despesas resultantes da exploração de poços bem sucedidos (descoberta de reservas provadas de óleo e gás) é que são mantidos como ativos. Os custos e despesas referentes à exploração de poços que resultem em não descoberta ou aquelas inviáveis economicamente são tratados como custos/despesas, no momento em que for determinado o insucesso de cada poço perfurado. pelo método do Full Cost (Custo Total), estes custos e despesas, sejam relativos a poços com sucesso ou não, seriam totalmente capitalizados e lançados à resultado, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 6 5 via amortização a partir do Primeiro Óleo produzido ou baixados integralmente quando da Devolução total do Bloco. Acredita que a prática contábil adotada no exterior passará a ser seguida no Brasil, tendo em vista “a conhecida redação do CPC n° 34, ainda em fase de discussão, mas que expressamente avança nesta linha” e as orientações existentes no CPC 04 (intangível) e 27 (imobilizado), que expressamente excluem da sua aplicação as operações de O&G. Traduz o SFAS nº 19 da seguinte forma: Se o poço tiver reservas provadas, os respectivos custos de perfuração tornamse parte efetivados custos do poço e dos equipamentos e instalações relacionadas a ele. Se, entretanto, não forem encontradas reservas provadas mediante a perfuração deste poço, os custos e despesas capitalizados de perfuração, deduzidos todos os valores residuais, devem ser lançados no resultado. E argumenta que a US SEC acatou a recomendação e considerou que o método dos Esforços Bem Sucedidos é o mais adequado para contabilização das operações pela indústria do petróleo, principalmente para as empresas de grande porte. Registra a impugnante que esta orientação foi por ela seguida. Alega, em seguida, que, se adotasse o método de Custo Total, o qual “requer que todos os custos/despesas sejam alocados em centros de custos estabelecidos com base em empresas, países ou áreas geográficas”, haveria óbices ao seu controle interno e dificuldades de organização entre as empresas que participam de consórcios, muito comuns na exploração de petróleo no Brasil. Sintetiza em uma tabela como determinadas operações são contabilizadas pelos dois métodos: [tabela] Arremata a contribuinte: 57. Como exposto, e com base não só nas normas internacionais mas também seguindo a tendência das discussões locais sobre o tema, a Impugnante adotou como base de sua contabilização o método dos Esforços Bem Sucedidos (Successful Efforts SE), o qual considera os gastos exploratórios de “poços secos” como custos/despesas. 58. Assim a Impugnante, nos anoscalendários de 2009 e 2010, contabilizou como despesas operacionais os valores de R$ 157.955.581,89 e R$ 222.812.309,92, relativos a baixas dos “poços secos” na fase de exploração do Bloco BMS22, bem como despesas operacionais na fase de exploração os valores de R$ 85.919.782,60 (2009) e R$ 11.454.225,41 (2010), sendo uma parte baixada em junho de 2009 e outra em dezembro de 2010, ainda que a devolução total do bloco tenha sido formalizada perante a ANP em 06/08/2012, 11 anos após a obtenção de sua licença de Concessão. 59. Submetese à análise desta Turma de Julgamento o fato de que a forma de contabilização adotada parte da premissa de que, em decorrência da identificação de “poços secos”, o investimento feito em cada um dos poços perfurados não geraria qualquer receita futura, devendo os custos e despesas a eles inerentes serem imediatamente reconhecidos no resultado e deduzidos para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 7 6 Prossegue com argumentações sobre a influência da prática fiscal internacional no Brasil e da importância das Leis nos 11.638, de 2007, e 11.941, de 2009, no processo de mudança de paradigmas. Além disso, adotados os procedimentos internacionais, empresas brasileiras poderiam se lançar no mercado internacional de capitais, propiciando, também, um ambiente favorável para que sociedades estrangeiras investissem no mercado brasileiro. Entende, portanto, incabível que as autoridades fiscais e julgadoras ignorem essa influência e glosem as despesas em questão, considerando indevida a dedutibilidade dos valores despendidos. Considera, portanto, imprópria a premissa em que se baseou a Fiscalização. Transcreve ementa do acórdão nº 1401000.993 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento do CARF: ATIVO DIFERIDO. O objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase préoperacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização. Assim, o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas. REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. O registro de determinado dispêndio como ativo diferido demanda a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referir se a projetos cuja operação não tenha iniciado: 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras. Não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de um custo ou despesa (pré)operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Não é concebível alocar no ativo diferido os gastos das atividades operacionais (que já estão em andamento) e que nem se sabe se vão gerar receitas futuras. Destaca que, segundo o Conselheiro Relator, para que determinadas despesas sejam ativadas é necessário que haja “razoável segurança da realização de receitas futuras com o projeto”, o que não teria acontecido no caso concreto, em face da inexistência de hidrocarbonetos ou da verificação da não comercialidade de todos os poços explorados. Transcreve parte do voto exarado pelo mencionado Conselheiro: Enfim, há diversos gastos que contribuirão para a formação de exercícios futuros. Todavia, para classificar um gasto no ativo diferido é necessário uma relação direta, identificada e documentada entre os custos e despesas incorridos e as receitas a serem obtidas em períodos futuros. Este é o posicionamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil esboçado por meio da NPC VIII (Normas e Procedimentos de Contabilidade), que trata especificamente do grupo “Diferido” e somente foi revogada Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 8 7 em 24/05/2011, tendo em vista a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais. Confirase: O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, consequentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao princípio básico de conservadorismo. Daí é que a interpretação sistemática do dispositivo permite aferir que o conteúdo das contas que integram o Ativo Diferido têm relação a projetos futuros dos quais certamente irão decorrer receitas. Frisase: é necessária a vinculação direta, identificada e documentada entre os gastos que serão diferidos e as receitas que serão auferidas no futuro. Desta forma, é interessante notar que o próprio art. 325 do RIR dá essa ideia, pois o § 1°, que dispõe quando deveria iniciar a amortização do ativo diferido, remete ao início das operações do projeto cujas despesas foram registradas sob referida conta. Tendo em vista que os poços explorados não poderiam gerar receitas futuras, acredita a interessada que o procedimento por ela adotado está em consonância com o entendimento adotado pelo CARF. Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 9 8 Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 10 9 Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Este procedimento da empresa em optar deliberadamente pelo RTT afasta a possibilidade de admitirse que, Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 11 10 aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Este procedimento da empresa em optar deliberadamente pelo RTT afasta a possibilidade de admitirse que, contrariamente, sujeitese à qualquer outra forma de apurar Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 12 11 custos e resultados que não aquelas impostas pelas normas contábeis brasileiras, aplicáveis em 31/12/2007. Partindo desta premissa, passa o votocondutor a analisar se os gastos incorridos com a perfuração e exploração de poços/baixa destes devam, ou não, ser considerados nos resultados dos exercícios, ou ativados no diferido, sujeitandose às devidas amortizações. Aproveitando o acórdão administrativo citado pela recorrente, que traz ilações sobre o Ativo Diferido, e também apresentando a doutrina de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbeke, conclui que as despesas incorridas na fase de exploração deveriam ser contabilizadas no ativo diferido para posterior amortização, nos termos dos artigos 324 e 325 do RIR/99 (quando houver percepção das receitas futuras). Ao se concluir pelo fracasso do empreendimento, os bens ativados e gastos préoperacionais devem ser baixados na conta de resultados. Seguindo o raciocínio, conclui que, no caso dos poços secos, o procedimento da empresa demonstrariase correto em dar baixa na conta de resultados, dado restar frustrada qualquer geração de receita futura. Cita a cláusula 3.3 do contrato de concessão que prevê a devolução de parte da área adquirida em virtude da inviabilidade de produção e reproduz o artigo 43, inciso VI, da Lei nº 9.478/97, norma que rege a matéria (monopólio de exploração de petróleo e ANP). Passa a discorrer sobre a realização das diligências solicitadas para verificar as despesas relacionadas aos poços secos: Por conseguinte, qualquer poço que tenha sido perfurado em área devolvida não gerará lucros à empresa, podendo os gastos a ele relacionados ser baixados do ativo e transferidos para as despesas do período. Resta, agora, examinar quais os valores das despesas relacionadas aos poços secos, que poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real. Para isso, é necessário se analisarem as informações requisitadas na Resolução nº 2.968, a qual expressamente solicitou à impugnante que informasse os “gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. Notese que, na aludida resolução, não foram solicitados os gastos atinentes ao poço 3ESSO5SPS, pois, tendo em vista que a comunicação do seu abandono à ANP somente ocorreu em 04/03/2011, conforme Carta ESSO nº 017/2011/BMS22, a fls. 767, entendeu este relator, na oportunidade, que não havia, nos autos, elementos que permitissem concluir que o mencionado poço fosse tido como seco em 31/12/2010. Além de a devolução do poço ter sido comunicada à ANP em março de 2011 (fls. 767), o trecho abaixo transcrito do “Relatório Final sobre a Avaliação da Descoberta de Petróleo Poço 1ESSO3SPS Bloco BMS22 Bacia de Santos” (fls. 674) indica que, no encerramento do ano calendário 2010, ainda havia perfurações a serem realizadas, não havendo conclusão definitiva sobre a viabilidade econômica de sua exploração: A perfuração do poço 3ESSO5SPS foi iniciada em 11 de novembro de 2010 e concluída em 6 de janeiro de 2011 na PF=4536m em rochas vulcânicas da Fm. Camboriú. Uma notificação de descoberta de petróleo foi apresentada em 15 de dezembro de 2010. Depois de operações de teste de perfilagem e de teste a cabo, o poço foi tamponado e abandonado. As análises de perfis e os resultados de teste Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 13 12 a cabo (MDT) indicaram volumes de petróleo nãocomerciais na acumulação. Na resposta fornecida pela interessada, juntada aos autos a fls. 992/1044, foram apresentadas diversas planilhas, as quais demonstrariam como os valores informados na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, “outras despesas não relacionadas nas linhas anteriores”, estariam associadas aos três poços devolvidos em 2009. No entanto, as informações prestadas pela interessada são inconsistentes. Verificase que despesas que compuseram o valor informado na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 também contribuíram para a formação do valor informado na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011. Cito exemplos: [tabela descritiva] Acrescentase a isso que as despesas declaradas pela interessada na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, relativamente aos três poços devolvidos em 2009, têm valor superior ao declarado na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010, ou seja, declarou a interessada que a maior parte da baixa ocorreu no ano calendário seguinte à devolução dos poços. Diante das incoerências da explicação fornecida pela contribuinte em resposta a diligência fiscal requerida pela DRJ, não há como se considerar demonstrada a legitimidade das despesas declaradas em DIPJ. Não obstante a interessada tenha convencido este relator de que as despesas relacionadas aos poços secos poderiam compor o resultado auferido ao final do ano calendário, ela não trouxe aos autos, mesmo depois de intimada em diligência fiscal, elementos que comprovassem precisamente os valores informados na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, ônus que lhe é atribuído por força do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: [...] Por não terem sido apresentadas provas robustas que afastem o crédito tributário exigido pelo Fisco, é forçosa a conclusão pela manutenção dos lançamentos fiscais. Cumpre salientar, ao final, que, quanto às despesas operacionais indicadas nas DIPJ 2010 a 2011, a interessada, em resposta à diligência fiscal, não as vinculou aos três poços secos devolvidos em 2009. A contrário senso, podemos inferir que não há despesas operacionais relacionadas aos três poços. Sem provas de que as despesas informadas na linha 38 da Ficha 06A DIPJ 2010 (R$ 85.919.782,60) e na linha 40 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 11.454.225,41) estão relacionadas a poços considerados secos em 31/12/2010, as autuações devem remanescer nesta parte também, uma vez que a contribuinte, por não ter auferido receitas até àquele momento, deveria ter contabilizado tais gastos no ativo diferido para posterior amortização, como sói acontecer com as empresas em fase préoperacional, segundo as regras contábeis vigentes em 31/12/2007. Inviável, portanto, a dedutibilidade de tais despesas. Por fim, afasta a aplicação do artigo 416 do RIR/99 às demais empresas que desenvolvem a atividade de extração de petróleo e gás, entendendo que a ampliação do alcance da norma, para alcançar outras empresas privadas além da Petrobrás, após a Emenda Constitucional nº 9/95, é matéria de ordem constitucional e não pode ser discutida no âmbito administrativo. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 14 13 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 1128 a 1157, instruído com as planilhas de efls. 1175 a 1195, reiterando os termos da defesa exordial, e acrescentando: [...] [...] A recorrente apresenta, pois, duas novas planilhas demonstrando os gastos e baixas ao longo do tempo de cada um dos poços perfurados que influenciam no litígio, mês a mês, pretendendo afastar as argumentações do acórdão recorrido de que tais custos vinculados aos poços baixados do Ativo não foram comprovados, ou que haveria duplicidade nas despesas informadas nas DIPJ/09 e 10, em suma. Acrescenta que o documento intitulado "Relatório Final de Poço Exploratório" esclarece que o abandono definitivo do poço 3ESSO5SPS (poço Sabiá), bem como o término de operações ocorreu, na verdade, em 23 de dezembro de 2010, por ter sido declarado poço subcomercial, ou seja, cuja produção de petróleo e/ou gás natural é considerada deficitária à época da sua avaliação, em contrarresposta ao fundamento da decisão recorrida que os gastos atinentes a este poço não poderiam ser aproveitados em 2010 porque a 1 AR – 08/06/2015, efls. 1109; Recurso – 03/07/2015, efls. 1128 Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 15 14 comunicação de abandono do referido poço à ANP somente ocorreu em 2011. Reportase novamente às referidas planilhas que comprovam que todos os gastos com este determinado poço incorreram no período compreendido entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2010. Requer a aplicação do princípio da verdade material para o provimento do recurso voluntário. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 16 15 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Primeiramente, haja vista o extenso recurso apresentado, reiterando todas as matérias apresentadas na defesa inicial, cumpre destacar que, de plano, adotase as razões de decidir esposadas em primeira instância de julgamento a respeito dos critérios e metodologias contábeis que deveriam ter sido aplicados pela empresa nos anoscalendários de 2009 e 2010, ao invés da metodologia da contabilidade internacional EBS (Esforços Bem Sucedidos). Acrescento aos bem colocados argumentos decisórios que, se a empresa com toda experiência no ramo em que atua (O&G), com todo o cabedal de conhecimento que vem amplamente defender a aplicação do método contábil usualmente adotado internacionalmente, fez a opção consciente pela neutralidade tributária, pelo Regime Tributário de Transição2 na DIPJ/10 (visto que no ano subsequente estava sujeita, por lei, ao RTT), não pode após exercer a escolha aventar engano ou arrependimento. Desde o anocalendário de 2008 poderia ter medido as consequências de sua livre opção e rejeitado continuar aplicando as normas contábeis brasileiras vigentes em 31 de dezembro de 2007, porém optou pelo RTT e este regime deve ser observado, por conseguinte. Correto, pois, no plano geral, que as despesas préoperacionais, ainda que pertinentes ao específico caso das atividades de prospecção e extração petrolífera e do gás natural, sejam ativadas no então "Ativo Diferido" e apropriadas à medida que as receitas esperadas advindas da exploração dos produtos venham a ser auferidas. Irreparável, neste tópico, as autuações realizadas. Todavia, ao verificarse o insucesso do projeto que ensejou os gastos pré operacionais, de forma inequívoca, mais que justo que a baixa daqueles gastos seja efetivada contra a conta de resultado do exercício financeiro, assim como os bens que não serão mais úteis (que foram ativados), sejam devidamente baixados na contabilidade da empresa e componham o resultado. Este assunto foi amplamente discorrido pela recorrente e no acórdão recorrido, tornandose incontroversas as conclusões. Entendimento que se comunga, pois os ensinamentos a respeito dos registros contábeis a serem realizados no Ativo Diferido, dado a sua natureza, foram convincentes não havendo razão para manterse despesas, a serem amortizadas, nesta conta contábil que jamais gerarão receitas. A questão devolvida a esta fase recursal, relevante, centralizase, então, no momento em que estas despesas podem compor o resultado do exercício financeiro e o momento da baixa dos bens ativados que mostraramse improducentes, no caso, os tais poços secos, especificados como poços 1,2, 3 e 4: 1Esso3SPS, 3Esso4SPS, 3Esso4ASPS, 3 Esso5SPS. 2 O Regime Tributário de Transição tem por objetivo preservar o princípio da neutralidade fiscal por conta das mudanças inseridas no padrão contábil brasileiro. Na prática, o RTT é um modo de apuração da base de cálculo dos tributos no qual as alterações que modificaram o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício não terão efeitos para apuração do lucro real da pessoa jurídica, devendo ser considerados os métodos e critérios vigentes em 31 de dezembro de 2007.(http://basewd.pactum.com.br/) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 17 16 A primeira instância de julgamento, ao confrontar a acusação fiscal com a defesa da recorrente, baixou os autos em diligência, pois verificou que, de fato, a devolução da área toda do bloco dado em concessão para ser explorado em 03/04/2012, para a ANP, e a decisão da extinção da referida concessão tomada pela ANO, em 03/08/2012, não corresponde à constatação de que os poços abertos foram declarados abandonados ou não comerciais, podendo ter ocorrido em datas anteriores. Na minuciosa Resolução nº 2.968/14, efls. 963 a 986, foi destacado, em suma: a) a necessidade de comprovarse as datas de baixas dos poços 2 (como pretensamente ocorrida em junho de 2009), 3 e 1 (em dezembro de 2010), bem como relacionar esta numeração com aquela específica tratada no contrato de concessão (já acima referida), haja vista as cartas constantes dos autos informarem que os abandonos dos poços teriam ocorrido em 05/05/09 (1Esso3SPS) e 04/09/2009 (3Esso4SPS e 3Esso4ASPS), enquanto o poço 3Esso5SPS foi abandonado em 10/03/2011; b) comprovação dos gastos glosados, de forma inequívoca, estarem atrelados aos referidos poços secos (abandonados), nos seguintes termos: Há uma divergência de datas que gera dúvidas a respeito da informação de que os valores constantes na linha “outras despesas não relacionadas nas linhas anteriores” da Ficha 06A das DIPJ 2010 e 2011 corresponderiam, exatamente, à baixa de poços secos. Ante o exposto, entendo que os autos devam ser devolvidos à Fiscalização a fim de informe qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO 4ASPS, devolvidos em 2009. Para tanto, a contribuinte deve ser intimada a prestar informações detalhadas e precisas, apresentadas de forma segregada de modo a não deixar dúvidas sobre quais os valores lançados como despesas nas DIPJ que estão inequivocamente vinculados aos poços secos, justificando inclusive os valores negativos constantes na tabela abaixo: [reproduz os valores das fichas 06A das DIPJ/10 e 11 baixas de poços secos e bens do Ativo] Em resposta às diligências solicitadas, a empresa, às efls. 992, esclareceu: Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 18 17 Da análise das planilhas referenciadas, a autoridade designada à realização das diligências, restringiuse a relatar: Em resposta de 241120I4, o contribuinte enviou as planilhas (seis), nas quais foram demonstrados de forma segregada, por mês e por conta, os valores declarados nas DIPJ 2010 e 2011. Para cada planilha foi enviado também uma planilha complementar, detalhando, entre outros, os totais mensais por desembolso. Verificamos que os demonstrativos enviados estão de acordo com a solicitação fiscal, inclusive com os esclarecimentos sobre os valores negativos. Em função do exposto, damos ciência ao contribuinte do presente relatório e também da resolução da DRJ/RPO, anexa, concedendolhe o direito de manifestarse pelo prazo de 30(dias). Apesar da Turma Julgadora de Primeira Instância ter admitido como realizada a intento as diligências solicitadas, embora tenha chegado à conclusão que não fora suficiente para que a recorrente comprovasse os custos, ouso divergir que assunto de tamanha complexidade possa ter sido solucionado pala autoridade fiscal diligente de tal forma. Afinal, a recorrente afirma e reafirma que da concessão do bloco BMS22, as únicas atividades da empresa nos anoscalendários de 2009 e 2010 foram as perfurações dos poços nºs 1Esso3, 3Esso4, 3Esso4A, que mostraramse improducentes e, por esta razão, foram declarados secos e abandonados (ou sem comercialidade dada a baixa qualidade do produto encontrado). Indiscutivelmente a decisão final da ANP a respeito do abandono dos poços e devolução integral da área (presumese Bloco BMS22) ocorreu em 2012, mas comprovouse por todo o estudo debruçado sobre o assunto que esta devolução integral da área e a extinção da concessão ocorrem em momentos totalmente diversos da constatação dos poços serem secos ou sem comercialidade. Também é inadmissível, frente ao esforço da recorrente em apresentar documentos, desde a fiscalização, que a prospecção dos referidos poços tenha se dado a custo zero nos anos em questão e que estes custos sejam in totum desprezados, porque não se chega à Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 19 18 conclusão de estarem de fato relacionados aos declarados poços secos. E "quando" se verificou que estes poços não gerariam qualquer receita, por incontroversamente declarados 'secos'. A fiscalização em resposta à diligência simplesmente acatou a resposta da recorrente, sem sequer verificar a duplicidade de lançamentos que o relator do votocondutor reparou. Mas, observese, foi prontamente explicada, de forma plausível, no recurso voluntário, como sendo valores idênticos que se referem "(...) a serviços prestados e faturados em mesmos documentos, todavia com valores divididos igualmente para cada um dos poços que sofreram tais intervenções." A recorrente anexa nova planilha descritiva com os referidos valores na tentativa de elucidar os pontos de dúvida suscitados no acórdão recorrido. Pelo exposto, ao analisar o litígio temse por um lado, talvez, a apropriação de despesas de forma antecipada pela recorrente, pois não considerou as despesas de prospecção e perfuração de postos como ativáveis e diferíveis, mas sim despesas operacionais no ato de suas realizações. No entanto, temse de outro lado despesas relevantes que, de fato ocorreram, que não podem ser somente glosadas, porque não se consegue averiguar o momento da sua devida apropriação. As despesas não foram glosadas pela fiscalização por inexistentes, mas sim porque não poderiam ter sido consideradas incorridas naquele período fiscal. A questão é complexa e tortuosa e os valores muito significativos em torno de R$500.000.000,00 a ponto de, se os documentos apresentados pela recorrente ainda geram dúvidas, ser avaliado se a Agência Nacional de Petróleo não deva se manifestar a respeito das devoluções dos poços. Ademais, a autuação fiscal ocorreu em dezembro de 2013, quando, comprovadamente a área Bloco BMS22 já havia sido devolvida e extinta a concessão, o que justificaria a fiscalização haver realizado os ajustes necessários em razão de ter havido mera postergação do IRPJ e CSLL devidos, em se comprovando que, de fato, as despesas são pertinentes à exploração da referida área, uma vez já restar decidido que a empresa faz jus à baixa dos poços registrados no Ativo e às despesas correspondentes (inclusive às de reparação de área em momento posterior ao abandono dos poços) assim que constatado que não gerariam receita (poços secos). Em pesquisa a notícias sobre a exploração do Bloco BMS22 foi público e notório que alguns poços desta área foram constatados secos em 2009: Esclarecimento sobre BMS22 10/07/20093 Rio de Janeiro, 10 de julho de 2009 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em resposta ao oficio da Comissão de Valores Mobiliários CVM/SEP/GEA2/n.204/2009 esclarece sobre notícias veiculadas nos jornais O Globo e Valor Econômico, sob o titulo “Poço no pré sal não tem petróleo” e de “Papéis da Petrobras caem com notícia sobre poço seco”. O Bloco BMS22 localizado na Bacia de Santos, é operado pelo Consórcio formado pela Exxon Mobil (40% operadora), Hess Corporation (40%) e Petrobras (20%). Segundo cláusulas dos contratos do Consórcio (como o Joint Operation Agreements) e cláusula do contrato de concessão assinado pelo Consórcio junto a Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP somente o operador da área pode comunicar eventos, tais como resultado de perfuração de poços, ao ente regulador, assim como ao mercado em geral. 3 http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatosrelevantes/esclarecimentosobrebms22 Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 20 19 O Consórcio comunicou a ANP, através do Operador, a conclusão da perfuração do segundo poço na área do BMS22. Porém, como não foi detectado indícios de óleo, não se torna necessário o envio de nenhuma comunicação adicional à ANP, conforme determina a legislação vigente e nem ao mercado. Além disso, a Companhia vem informando ao mercado de forma recorrente a impossibilidade de se pronunciar sobre os blocos operados por outras empresas. É importante ressaltar que, em toda atividade exploratória do petróleo, existe o risco do poço ser seco (não se encontrar hidrocarbonetos em quantidade adequada à comercialização). Um poço seco, portanto, é algo recorrente da indústria do petróleo e não fato extraordinário. Adicionalmente, o resultado de um poço seco não torna conclusiva a comercialidade do bloco. (grifos não pertencem ao original) Exxon acha óleo no BMS22 17/12/20104 A ExxonMobil, através de sua subsidiária Esso Brasil, informou novamente à ANP indícios de petróleo no bloco BM S22, no cluster do présal da Bacia de Santos. A empresa está perfurando na área o poço de extensão 3ESSO5SPS, que atingirá profundidade final de 4.574 m, em lâmina d´água de 2.272 m. Os trabalhos são conduzidos pela sonda West Polaris, da Seadrill. Esta é a terceira vez que a petroleira indica a existência de petróleo no BMS22. Nas duas primeiras vezes em janeiro e fevereiro de 2009 os trabalhos não comprovaram a existência de uma descoberta. (grifos não pertencem ao original) As duas notícias veiculadas na imprensa, citadas por exemplo (e há outras), dão indícios que existiram poços secos em trabalhos desenvolvidos pela recorrente em 2009, bem como também indicam que o poço 3ESSO 5SPS ainda não havia sido declarado improducente, ou prestes a ser declarado abandonado em dezembro de 2010, mas, é claro, que estas notícias não tem qualquer valor probatório nem em favor, nem de forma contrária às pretensões da recorrida. Constituem somente indícios que não devem ser ignorados, por públicos e notórios. Destarte, requerse da fiscalização as seguintes diligências em face de tantas dúvidas e dos documentos e esclarecimentos apresentados pela recorrente, a serem confrontados com a contabilidade, em novo procedimento: 1) Intimar a Agência Nacional de Petróleo ANP a esclarecer, com vista em seus registros, a respeito do bloco BMS22, explorado pelo consórcio "Exxon/Hess/Petrobrás", contrato de concessão nº 48610.010707/2001, quais os poços que foram declarados secos e quando foi comunicada (por carta ou operador) pela primeira vez de cada inviabilidade da extração de petróleo/gás natural de cada poço, em si considerado (especificandoos); 2) intime a recorrente a esclarecer: 2.a) quantos poços foram abertos pela recorrente na área BMS22? 4 http://www.kincaid.com.br/clipping/6743/ExxonachaleonoB.html Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 21 20 2.b) quantos poços foram encontrados na condição de produzir/gerar receita? 2.b.1) em caso de resposta afirmativa, a autoridade fiscal deverá verificar se a contabilidade da recorrente permite segregar as despesas dos postos produtivos e dos declarados secos; 2.c) a autoridade fiscal deverá verificar se a contabilidade da recorrente permite distinguir se há outras atividades nos anoscalendários objeto da autuação, 2009 e 2010, que não a exploração da área BMS22; 2.c.1) em caso de resposta afirmativa, há segregação de receitas e despesas próprias de cada atividade? 2.d) a autoridade fiscal deverá se manifestar se as despesas que constaram das planilhas apresentadas às efls. 993 a 1044 devem ser admitidas como relacionadas aos poços secos "1Esso3, 3Esso4, 3Esso4A"? Há alguma vinculação destas despesas também com o poço 3Esso5? (todos os poços SPS) 3) tendo em vista que a área foi totalmente devolvida, em 2012, e no caso de haverse constatado que os poços que foram sendo abertos foram sendo declarados secos, intimar a recorrente a apresentar documentos/comunicações à ANP, relacionados a cada poço que comprove a exata data de abandono ou que foi constatada a inviabilidade comercial (consoante exigências das Resoluções ANP nºs 27/06 e 13/11); 4) intimar a contribuinte a discriminar, por poço e por mês, cada despesa incorrida com os poços secos; 4.1) a autoridade fiscal deverá conferir as informações prestadas com a contabilidade e documentos comprobatórios das despesas, a fim de afastar a utilização de mesma despesa em duplicidade, consoante aventado na decisão de primeira instância; 4.2) intimar a contribuinte a contrapor estas despesas à data efetiva das comunicações de abandono dos poços em questão; 4.3) em vista das respostas acima, a autoridade fiscal deverá proceder aos ajustes necessários para considerálas, enquanto não possível a baixa, ativadas no Ativo Diferido, e, em seguida, esclarecendo em que valores deveriam ter sido apropriadas, nos anos calendários de 2009, 2010, 2011 e 2012; 4.4) verificar a postergação do pagamento dos tributos exigidos nestes autos; 5) se a contabilidade e documentos apresentados pela recorrente inviabilizar a apuração dos fatos, prejudicando que a verdade material seja conhecida, resultando na impossibilidade da apuração das despesas incorridas com os poços secos, consoante defendido no acórdão recorrido, ou impedindo de apurarse a postergação dos tributos, a autoridade fiscal deverá esclarecer este ponto em relatório circunstanciado. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Conclusivo elaborado pela fiscalização e manifestarse a respeito em prazo regulamentar, se assim desejar. Após, os autos deverão retornar para julgamento. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1252DF CARF MF
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Numero do processo: 13975.000183/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 230 e seguintes, complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 05/11), no qual está sendo alterado o imposto de renda a restituir declarado pelo contribuinte no valor de R$ 1.849,44, para imposto de renda suplementar de R$ 10.392,78, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano calendário 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 00 18 3/ 20 10 -7 8 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 261 2 O lançamento fiscal é decorrente de glosa de despesas médicas, no valor de R$ 39.388,70, por não atendimento a intimação para prestar esclarecimento e consequente falta de comprovação. Consta também da exigência fiscal omissão de rendimentos, no valor de R$ 16.067,20, das seguintes fontes pagadoras: a) Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118, sendo que na Dirf apresentada pela fonte pagadora o rendimento foi de R$ 30.285,00, e a contribuinte informou em sua declaração o valor de R$ 15.142,50, o que resultou na omissão de R$ 15.142,50. b) Banco ABN AMRO REAL SA, CNPJ 33.066.408/000115, sendo que a fonte pagadora informou em Dirf o valor de R$ 28.093,72 e consta da declaração do contribuinte o valor de R$ 27.169,02, o que ensejou a omissão de R$ 924,70. (...) Com relação à omissão de rendimentos, alega que se trata de rendimentos de aluguel. Que em decorrência da ausência do competente Informe de Rendimentos, veio a ocorrer erro de fato na informação da receita auferida. Cita que computou os valores que possuía em seus controles com evidente erro de fato, motivado pelo locatário. Que a falta de fornecimento dos rendimentos pela fonte pagadora não deve resultar em exigência da multa de ofício. Com relação a despesas médicas, alega que em decorrência de seu estado precário, a contribuinte era tratada em sua residência, por profissionais de enfermagem, fisioterapeutas e médicos, alem das internações hospitalares. Cita que os comprovantes não foram apresentados oportunamente mas que são agora anexados, e que as despesas devem ser admitidas na declaração de ajuste. Apresenta, fl. 7, relação com diversos pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas, o que, a seu ver, totaliza um montante de R$ 63.406,70 e que por erro de fato informou valores menores em sua declaração, devendo ser aproveitados os valores não considerados.... Requer o cancelamento da exigência fiscal em sua integra e a retificação das despesas medicas de R$ 39.388,70 para R$ 63.406,70, conforme comprovantes em anexo. Em decorrência da ausência de atendimento à intimação por parte do contribuinte, o qual apresentou documentos somente em sede de impugnação, o processo foi encaminhado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, a qual emitiu Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, fls. 192/195. (...) Informa que após revisão da documentação anexada, do total declarado a titulo de despesas médicas, R$ 39.388,70, restou comprovado o valor de R$ 20.140,70, sendo que deve permanecer a glosa do montante de R$ 19.248,00. Apresenta demonstrativo do imposto devido após a revisão, fl. 193, o qual passa para imposto suplementar de R$ 4.854,10. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 262 3 Foi procedida a retificação do lançamento, conforme extrato de processo fl. 196. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, fls. 201/219, no qual, em síntese apresenta os seguintes argumentos, conforme segue. Informa que o contrato de locação comercial objeto do rendimento tido como omitido não foi celebrado somente com a impugnante. Cita que anexa cópia dos contratos de locação em que são partes Aurena Maria Krieck, CPF 277.324.44868 e Enaura Maria Krieck de Iasi, CPF 625.625.76853. Que as informações apresentadas pelo locatário estão equivocadas e que este deveria ter informado os pagamentos para cada locador, por seus respectivos CPFs. Que a impugnante apresentou a tributação o valor de 50% dos rendimentos, não sendo responsável pela parte das demais locadoras. Cita que o pagamento do imposto correspondente aos 50% dos demais locadores já foram oferecidos à tributação, conforme declarações apresentadas à Receita Federal. No caso das despesas médicas, cita que as despesas efetivamente ocorreram e devem ser admitidas na declaração de ajuste, posto se tratar de erro de fato no computo das mesmas. Cita que informou valores menores do que o efetivamente gasto e apresenta relação de despesas médicas, fls. 212/213, o que somam um total dedutível de R$ 67.554,40. Sustenta a tese de que no caso de erro de fato é aceitável a retificação da declaração de rendimentos e discorre sobre o tema. Por ultimo requer que seja mantido o valor do aluguel declarado e alterado o valor das despesas médicas informadas na declaração de ajuste para R$ 67.554,40. A DRJ ao analisar a impugnação da contribuinte, manteve o determinado pela revisão de ofício procedida pela Delegacia da Receita Federal, em resumo, nos seguintes termos: 1 Verificase, portanto, que deve ser mantida a glosa das deduções declaradas a título de despesas médicas, por ausência de previsão legal para a dedutibilidade, relativos à prestação de serviço de enfermagem domiciliar, ainda que seja um gasto necessário à pessoa idosa e/ou enferma. 2 Compulsando os autos, se constata que não foram apresentados para exame os citados contratos de aluguel. Não consta também qualquer elemento de comprovação de que Aurena Maria Krieck, e Enaura Maria Krieck de Iasi, sejam proprietárias do imóvel alugado para a locatária Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118. Por definitivo, se constata que a fonte pagadora não procedeu qualquer retificação com relação aos valores informados em sua Dirf. Assim, considerando as discrepâncias de informações apresentadas pela impugnante, bem como a precariedade de suas alegações, as quais se mostram desacompanhadas de elementos de provas documentais, considero que deve ser mantida a exigência com relação a este fato gerador. Cientificada dessa decisão em 20/05/2013 (AR na folha 240), a contribuinte, através de inventariante (fl. 16), apresentou recurso voluntário em 18/06/2013. Em sede de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 263 4 recurso, alega, em suma, que a contribuinte encontravase enferma e evidente que seu estado requeria cuidados médicos; que as despesas com enfermagem, no valor de R$ 19.248,00 devem ser acatadas; requer ainda que seja aumentado o valor das despesas medicas dedutíveis, apresentadas na DIRPF, em face dos comprovantes em valor superior apresentados no curso desta lide. Com relação aos rendimentos de aluguel, diz que "as declarações de imposto de renda do exercício de 2008 das proprietárias e beneficiárias" Enaura Terezinha Krieck de Biaggi e Aurena Maria Krieck de Iasi, tratam do rendimento considerado "não declarado" na notificação de lançamento aqui em discussão. Diz ser desnecessária sua juntada, uma vez que tais declarações estão "em poder do Fisco". É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Neste momento, antes de proferir qualquer juízo de valor sobre a questão das despesas médicas, inclusive aquelas que a recorrente pretende aditar à sua declaração, na fase litigiosa do procedimento, entendo necessário ser tratada a "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica" (rendimentos de aluguéis), descrita na Notificação de Lançamento, na folha 42. Como já assentou a DRJ, em relação à fonte ABN AMRO REAL S/A, não houve questionamento expresso e a questão está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em relação à fonte Drogaria e Farmácia Gemballa Ltda, a contribuinte declarou um rendimento de R$ 15.142,50, quando a locatária informou em DIRF (fl. 191) um pagamento de R$ 30.285,00. Como se pode observar, a relação é de exatos 50%. Desde a impugnação, como registrado pela DRJ, a alegação da recorrente é de que o imóvel alugado não lhe pertencia integralmente e que declarou apenas a parcela que lhe coube dos rendimentos de aluguel. A alegação não foi aceita porque, primeiro, em fase preliminar a contribuinte havia alegado "erro de fato" e na impugnação estava alterando seu argumento; segundo porque não apresentava qualquer documentação que pudesse subsidiar suas alegações, sobre a existência de terceiros interessados e beneficiários da relação locatícia. A recorrente aponta, no recurso, que os outros 50% dos rendimentos de aluguel foram recebidos e declarados por Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e por Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868. E razoável a alegação de que a DIRF tenha sido feita em nome apenas de um dos beneficiários, mesmo havendo três. Não seria a primeira vez que se veria situação como esta. Também admissível a alegação da recorrente de que não seria necessário que ela anexasse a declaração de rendimentos das outras duas beneficiárias, porque o Fisco as detém em seus arquivos. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 264 5 Assim sendo, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem providencie o seguinte: a) anexe a DIRPF/2008 da contribuinte recorrente, Helga Ana Cordeiro Krieck, que não localizei nestes autos; b) verifique nas DIRPF/2008 de Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868 se consta a informação de rendimentos recebidos da fonte DROGARIA E FARMACIA GEMBALLA LTDA, CNPJ: 85.778.611/000118 (fl. 42), e em que valores, elaborando relatório circunstanciado sobre as informações; c) verifique a existência de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, para a contribuinte Helga Ana Krieck, relativa ao ano calendário de 2007, anexandoa a estes autos; d) dê ciência à recorrente (através da inventariante) sobre o resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, inclusive com a apresentação do contrato de aluguel ou registro da propriedade do imóvel locado, a fim de subsidiar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13855.002820/2010-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
O recurso especial interposto, para ser conhecido, deve demonstrar, em cotejo entre a decisão recorrida e paradigma, que a legislação tributária foi interpretada de forma divergente. O descumprimento do requisito regimental, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, impede a admissibilidade do recurso.
Numero da decisão: 9101-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), Rafael Vidal de Araújo e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator e Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araujo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. O recurso especial interposto, para ser conhecido, deve demonstrar, em cotejo entre a decisão recorrida e paradigma, que a legislação tributária foi interpretada de forma divergente. O descumprimento do requisito regimental, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, impede a admissibilidade do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), Rafael Vidal de Araújo e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator e Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 28 20 /2 01 0- 15 Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.523 2 (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araujo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu). Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo parte do relatório da decisão recorrida, no que interessa à presente lide (efls. 1.401 a 1.432, destaques do original): Tratamse de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins dos anoscalendário de 2005 a 2008, conforme as descrições abaixo: [...]. 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Em razão disso, lavraramse as seguintes autuações: [...]. Vejamos o resumo dos fatos no Termo de Verificação Fiscal trazido pela decisão da DRJ: [...]. 3) Foi celebrado, em 13/12/2005, Contrato de Aliança Estratégica entre o ML, a Cardif e a Cardif do Brasil Seguros e Previdência (que posteriormente alterou sua razão social para Luizaseg), para a criação de joint venture entre uma rede de varejo e uma seguradora de expressão mundial. Nesse acordo, ficou estipulado que a Cardif pagaria para o ML um montante de R$ 50.000.000,00 como contrapartida pelos direitos de exclusividade. Inicialmente, previuse que o ML participaria da Luizaseg comprando metade das ações pelo valor nominal de R$ 3.683.957,00, ao valor de R$ 1,00, passando a deter metade do capital social. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.524 3 Em seguida, houve aumento de capital com a emissão de duas ações com valor nominal de R$ 1,00 cada, classificadas como preferencial classe A (direito de receber dividendo especial de 25% do valor equivalente ao benefício fiscal gozado pela Luizaseg relativamente à amortização do goodwill de R$ 50.000.000,00) e B (direito de dividendo especial de 75% sobre a mesma base). A ação classe B foi integralizada pelo ML e, na subscrição da ação preferencial classe A pela Cardif, houve o pagamento de ágio de R$ 50.000.000,00 pela NCVP (empresa controlada integralmente pela Cardif). O acertado entre as partes foi de que o ML receberia, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado pela Cardif, R$ 50.000.000,00 em espécie, e mais a participação societária de metade da seguradora formada Luizaseg, que atua nas dependências e com a clientela do ML. O desenho da realidade dos fatos indica que quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardif, de acordo com a página 5 do Contrato (fl. 331), no item Goodwill, para, em seguida, aportálo nos ativos da Luizaseg. Nessa operação foi que, a despeito de titularizar integralmente o direito de exclusividade, cede, a título contraprestacional, a metade do seu direito a fim de formar a “joint venture”. E, nessa ocasião, houve o acréscimo patrimonial do ML na metade da participação ganha na Luizaseg. Financeiramente, basta perceber que, no caixa da Luizaseg, a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e que, não obstante esta contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. Caso não houvesse a montagem da “joint venture”, o valor de venda do direito de exclusividade da clientela, a fim de que fossem oferecido os planos de seguro, seria outro, eis que na empresa que explorasse este direito, o ML não teria qualquer participação. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais, vale dizer: um monetário, de R$ 50.000.000,00; e outro não monetário, de R$ 25.000.0000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. Por fim, a descaracterizar a existência do ágio descrito no acordo, cabe trazer a informação da integralização, pelas duas acionistas da Luizaseg, da quantia de R$ 1.357.728,00, ocorrida em 14/08/2006. Na ocasião, houve a deliberação societária de aprovar o aumento de capital social em R$ 2.715.456,00, com a emissão de 2.715.456 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 1,00 (fl. 419). As partes integralizaram ações ao valor nominal em partes iguais, implicando igualdade de participação societária, fato completamente diferente daquele visto anteriormente em que uma paga ágio em favor da outra. [...]: Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.525 4 [...]. Intimada dos Autos de Infração em 24/11/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 23/12/2010, alegando, em síntese, que: [...]. • Aliança Estratégica com a Cardif Item 2.3 do Termo: O Magazine Luíza e a Cardif acordaram em estabelecer uma aliança estratégica, que se perfaz numa estrutura híbrida composta por: 1) uma joint venture, que se dedicará ao desenvolvimento, venda e administração de garantias estendidas para qualquer tipo de produto vendido no Brasil, por meio da rede de distribuição do Magazine Luiza S/A; e 2) uma parceria para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro, com exclusividade, por meio do telemarketing ou diretamente nos estabelecimentos do Magazine Luiza (conforme contrato de aliança estratégica anexo, doc. 08); Referida Joint venture deuse por meio de estrutura societária envolvendo a Cardif (que detinha integralmente as ações da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A), que tinha participação na NCVP. A Cardif, em assembléia da NCVP (doc. 09), aprovou aumento de capital desta sociedade em R$ 57.367.914,00 (com emissão de 57.367.914 ações ordinárias) e, ato subsequente, a NCVP vendeu 50% das ações na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para o Magazine Luiza S/A, ao valor de R$ 3.683.957,00 (doc. 10). Em seguida, o Magazine Luiza e a NCVP deliberaram o aumento de capital da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A num valor de R$ 2,00, mediante a emissão de 1 ação preferencial classe A e 1 ação preferencial classe B, cada uma valendo R$ 1,00 (doc. 11). A ação preferencial classe A foi integralizada pela NCVP, que pagou um ágio na subscrição de R$ 50 milhões, num total integralizado de R$ 50.000.001,00, e a ação preferencial classe B foi integralizada pelo Magazine Luiza por R$ 1,00. Tais ações dão direito a dividendo especial, relativo à distribuição de eventual benefício fiscal alcançado pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A na amortização do referido ágio. A Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, finalmente, tem sua razão social alterada para Luizaseg Seguros S/A, conforme Acordo de Acionistas datado de 13/12/2005 (doc. 12). A par do ágio pago na subscrição, a Cardif (sociedade francesa) se compromete a pagar R$ 50 milhões para o Magazine Luiza S/A, em remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas. O contrato de Aliança Estratégica, em sua cláusula 6.1, explicita que, embora a Cardif se comprometa a tal pagamento, considerando que será a Luizaseg quem será a beneficiada pelos direitos de Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.526 5 exclusividade, será esta a responsável pelo pagamento, que ocorrerá em duas parcelas de R$ 25 milhões. Desta maneira, a NCVP subscreve a ação preferencial classe A com ágio, e os recursos provenientes dessa subscrição serão utilizados pela sociedade investida (Luizaseg) para honrar o compromisso de remunerar o Magazine Luiza S/A pela cessão do direito de exclusividade. Notese que são dois momentos jurídicos distintos: 1) a subscrição com ágio pela NCVP na Luizaseg; e 2) o pagamento pela Luizaseg de R$ 50 milhões, em duas parcelas de R$ 25 milhões, ao Magazine Luiza. A fim de operacionalizar tal aliança estratégica, cinco são os documentos fundamentais: 1) Contrato de Aliança Estratégica; 2) Acordo de acionistas; 3) Acordo Operacional; 4) Contrato de Distribuição; 5) Contrato de Prestação de Serviços. • Subscrição com ágio e os efeitos no Magazine Luiza S/A: Equivalência Patrimonial A subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg, foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). O Magazine Luiza S/A, detentor de 50% da Luizaseg, avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real, e não deve ensejar efeitos tributários quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, esses dois últimos com fundamento nos arts. 1º , § 3º , V, “b”, das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002. • Da Remuneração pelo Direito de Exclusividade pago pela Luizaseg: o chamado “Goodwill”: “Goodwill”, nos termos do Contrato de Aliança Estratégica, é o montante de R$ 50 milhões pago pela Cardif ao Magazine Luiza S/A, em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro, ou seja, não se trata de ágio. Tal valor foi pago pela Luizaseg ao Magazine Luiza, e foi oferecido à tributação, conforme trânsito pelo resultado, em duas parcelas de R$ 25 milhões, atestado por seu Razão contábil (doc. 17). Assim, por tudo quanto exposto no que tange à Aliança Estratégica firmada, não há que prosperar a pretensão da fiscalização quanto à constituição dos créditos tributários pertinentes ao IRPJ e CSLL. [...]. A DRJ manteve o lançamento fiscal nos seguintes termos, reconhecendo inclusive como extintos os débitos fiscais pagos pela empresa no curso do processo administrativo: [...]. Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.527 6 Aliança Estratégica com a Cardif. A contribuinte alega que é detentora de 50% da Luizaseg e avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real e não deve ensejar efeitos tributários. A esse respeito, cabe registrar, conforme consta no TVF, que, na associação com a Cardif para a formação da “joint venture”, a contribuinte, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado por aquela empresa, receberia R$ 50.000.000,00 e mais a participação societária de metade da seguradora formada, a Luizaseg. Referido valor de R$ 50 milhões, pago em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro, conforme esclarece a contribuinte, foi oferecido à tributação, conforme trânsito pelo resultado, em duas parcelas de R$ 25 milhões, atestado por seu razão contábil (doc. 17). Informa o autuante que, na realidade, quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardif, conforme consta no contrato à fl. 331, para, em seguida, aportálo nos ativos da Luizaseg. Financeiramente, no caixa da Luizaseg a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e, não obstante essa contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. Relata a fiscalização que, caso não houvesse a montagem da “joint venture”, o valor de venda do direito de exclusividade da clientela, a fim de que fosse oferecido os planos de seguro, seria outro, pois, na empresa que explorasse este direito, o ML não teria qualquer participação. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais: um monetário, de R$ 50.000.00,00, e outro não monetário, de R$ 25.000.000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. Acrescenta que, descaracterizando a existência do ágio descrito no acordo, ocorreu a integralização, em 14/08/2006, em partes iguais, pelas duas acionistas da Luizaseg, da quantia de R$ 1.357.728,00, implicando igualdade de participação societária, fato completamente diferente daquele visto anteriormente. Constatou o autuante que a investidora NCVP não considerou, como ágio, a parcela de R$ 25.000.000,00, subscrita pela ação preferencial classe A, a despeito do contrato assim considerar, e considerou como indedutíveis as deduções anuais no valor de R$ 5.000.000,00, amortizadas do ágio, isso porque essa parcela do chamado “goodwill” foi acrescida ao patrimônio do ML sem a correspondente tributação. Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.528 7 Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação da “joint venture”, sujeita à tributação. Inicialmente, a riqueza da impugnante (ML) era constituída por 50% de 7.367.914 ações ao valor de R$ 1,00, ou seja, possuía 3.683.957 ações por R$ 3.683.957,00. No instante seguinte, passa a ser proprietária de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) em espécie, e ainda 50% de 7.367.916 ações, só que agora majoradas para R$ 57.367.916,00 de sorte que seus 50% correspondem a R$ 28.683.958,00. Ora, quando comparadas as riquezas que a contribuinte possuía antes e depois do momento aqui referido, é inequívoco que sua riqueza cresceu de R$ 3.683.957,00, para R$ 28.683.958,00, ou seja, adquiriu a disponibilidade econômica relativamente [à] importância de R$ 25.000.001,00. Correta, portanto, a sua tributação e a exigência do IRPJ e CSLL. [...]. A contribuinte foi intimada em 25 de julho de 2011. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário em 23 de agosto de 2011, alegando, em síntese, que: Fatos e acusação fiscal quanto ao item 2.3 do TVF Aliança Estratégica com a Cardif S/A (“Cardif”) Item 2.3 do Termo Conforme entendimento do Sr. AuditorFiscal, foi firmado Contrato de Aliança Estratégica, em 13.12.2005, entre a Recorrente, a Cardif e a Cardif do Brasil Seguros e Previdência S/A (“Cardif do Brasil”). Entendeu a Fiscalização tratarse de joint venture entre a rede de varejo, ora Recorrente, e uma seguradora de expressão mundial. Nestes termos, afirmouse que havia “de um lado, a rede varejista de escala nacional trouxe as centenas de pontos de venda de mercadorias e produtos financeiros presentes em vários estados com a sua clientela”, enquanto “de outra parte, a seguradora de origem francesa disponibilizará seus conhecimentos na área de seguros” (item 2.3 do Termo de Verificação Fiscal). Observou o Sr. AuditorFiscal, em sua análise, que, nos pontos de venda da Recorrente, ficou consignado o direito de exclusividade no oferecimento de produtos de seguro. Identificou também que ficou estabelecido o pagamento de montante sob a rubrica de “goodwill” pela Cardif à Recorrente por tal cessão de direito de exclusividade. A forma do pagamento de referida monta estaria descrita no Anexo D do Contrato de Aliança Estratégica. Nas palavras e no entendimento do Sr. Auditor Fiscal, assim teriam se dado os fatos: “Este pagamento direto da Cardif para a fiscalizada foi feito na forma preconizada no anexo D do Contrato de Aliança Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.529 8 Estratégica. Inicialmente previuse que o ML participaria da empresa Luizaseg, comprando a metade das ações de emissão da sociedade pelo valor nominal de R$ 3.683.957,00, ao valor de R$ 1,00 por ação, passando a deter metade do capital social. Em seguida, houve o aumento de capital com a emissão de duas ações emitidas com valor nominal de R$ 1,00 cada, classificadas como preferencial classe A e B. Cabe destacar que ambas possuem direitos distintos, pois a preferencial classe A tem direito a receber um dividendo especial de 25% do valor equivalente ao benefício fiscal gozado pela Luizaseg relativamente à amortização do goodwill pago de R$ 50.000.000,00. Já a preferencial classe B tem direito ao dividendo especial de 75% sobre a mesma base. Destarte, a ação preferencial classe B, integralizada pelo ML, tem valor significativamente maior do que a integralizada pela Cardif na contramão do ágio pago. Na subscrição da ação preferencial classe A houve o pagamento de ágio no valor de R$ 50.000.000,00 pela NCVP, empresa controlada integralmente pela Cardif. Por sua parte, o Magazine Luiza subscreveu a sua ação preferencial classe B pelo valor de R$ 1,00. Mesmo ao final desta subscrição, em que ambas aportaram quantias tão díspares, os investidores permaneceram com metade da participação societária. A diferença abissal foi o pagamento de ágio por apenas uma delas. Assim está descrito no citado Contrato de Aliança Estratégica.” (item 2.2.1 do Termo de Verificação Fiscal) Sob a perspectiva do Sr. AuditorFiscal, “o artificialismo fica claro”, na medida em que “soa desarrazoado imaginar tamanha perda de uma parte em detrimento do ganho de outra corporação”. Em sua leitura, referido ágio não é mais do que “parte do preço pago pela Cardif no Contrato de Aliança Estratégica”. De modo a respaldar seu racional, a Fiscalização traz à baila informações contábeis da NCVP Participações Societárias S/A (“NCVP”), publicadas no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Nelas se verifica que a NCVP reconheceu, como investimento, na Luizaseg Seguros S/A (“Luizaseg”), a quantia de R$ 25 milhões, sendo somente os R$ 25 milhões reconhecidos como ágio. Em seu entendimento, essa seria uma prova de que, em verdade, não houve subscrição da ação preferencial classe B pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões, justamente por não corresponder tal valor a efetivo ágio. Outro argumento utilizado pelo Sr. AuditorFiscal para sustentar seu ponto de vista, seria o fato de que a NCVP considerou indedutíveis as deduções anuais no valor de R$ 5 milhões, correspondentes à amortização do ágio então registrado. Por fim, sustentou a Fiscalização que o reflexo contábil da participação societária na Recorrente, como receita não operacional, registrada sob a rubrica “Receita de Equivalência Patrimonial”, está equivocado. Isto porque, em seu entender, Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.530 9 “não se trata de receita de equivalência patrimonial. Mas sim, consoante retro identificado, representa a parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg, negociada na aliança estratégica.” No que tange a este terceiro tópico, especificamente, foram constituídos os seguintes créditos tributários: [...]. II.2 Aliança Estratégica com a Cardif Item 2.3 do Termo A respeito deste tópico, entendeu a Turma Julgadora, no mesmo sentido das Autoridades Fiscais, que a Recorrente não ofereceu à tributação o montante de R$ 25 milhões, que teria acrescido ao seu patrimônio. Nesses termos, eis o que consignou a Turma Julgadora: “Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação de ‘joint venture’, sujeita à tributação. Inicialmente, a riqueza da Impugnante (ML) era constituída por 50% de 7.367.914 ações ao valor de R$ 1,00, ou seja, possuía 3.683.957 ações por R$ 3.683.957,00. No instante seguinte, passa a ser proprietária de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) em espécie, e ainda 50% de 7.637.916 ações, só que agora majoradas para R$ 57.367.916,00 de sorte que seus 50% correspondem a R$ 28.683.958,00. Ora, quando comparadas as riquezas que a contribuinte possuía antes e depois do momento aqui referido, é inequívoco que sua riqueza cresceu de R$ 3.683.957,00 para R$ 28.683.958,00, ou seja, adquiriu a disponibilidade econômica relativamente à importância de R$ 25.000.000,00.” (fls. 960 e 961 dos autos) Contudo, não pode subsistir a alegação da Turma Julgadora, haja vista que, como já expresso na impugnação, o montante de R$ 25 milhões, registrado na contabilidade da Recorrente, ao qual fazem referência a Autoridade Fiscal e os Srs. Julgadores, não configura receita tributável, e, sim, resultado positivo de equivalência patrimonial, sem quaisquer efeitos tributários. Ademais, o valor de R$ 50 milhões pago pela Luizaseg, em duas parcelas de R$ 25 milhões, como remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas, foi levado a resultado pela Recorrente, sendo devidamente tributado, conforme os ditames da legislação tributária. A Recorrente e a Cardif acordaram em estabelecer uma Aliança Estratégica (“Aliança Estratégica”), que se perfaz numa estrutura híbrida composta por: (i) uma joint venture, dedicada ao desenvolvimento, venda e administração de garantias estendidas para qualquer tipo de produto vendido no Brasil através da rede de distribuição (i.e. lojas) da Recorrente; e (ii) uma parceria para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.531 10 seguro, com exclusividade, por meio do telemarketing ou diretamente nos estabelecimentos da Recorrente (conforme Contrato de Aliança Estratégica que se encontra nos autos do processo administrativo de que se trata). Referida joint venture se deu por meio de estrutura societária envolvendo a Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, cujas ações eram inicialmente integralmente detidas pela Cardif e suas afiliadas. Além da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, a Cardif também tem participação societária na NCVP. A estrutura societária em comento tem início na aprovação, pela Cardif, em assembléia de acionistas da NCVP, de aumento de capital desta sociedade em R$ 57.367.914,00, mediante a emissão de 57.367.914 ações ordinárias. Tal montante seria integralizado (i) R$ 50 milhões em dinheiro; e (ii) R$ 7.367.914,00 por meio da transferência das ações então detidas pela Cardif na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para NCVP. Ato subsequente, a NCVP vendeu 50% das ações na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para a Recorrente, ao valor de R$ 3.683.957,00, operação que foi devidamente comprovada pela juntada do respectivo contrato aos autos do processo, em sede de impugnação. Uma vez adquiridos 50% das ações da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A pela Recorrente, esta e NCVP deliberaram o aumento de capital da referida sociedade num valor R$ 2,00, mediante a emissão de 1 ação preferencial classe A e 1 ação preferencial classe B, cada uma valendo R$ 1,00. A ação preferencial classe A foi integralizada pela NCVP, que pagou um ágio na subscrição de R$ 50 milhões, num total integralizado de R$ 50.000.001,00. Já a ação preferencial classe B foi integralizada por R$ 1,00 pela Recorrente. Tais ações dão direitos a dividendo especial, relativo à distribuição de eventual benefício fiscal alcançado pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A na amortização do referido ágio. A Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, finalmente, tem sua razão social alterada para Luizaseg Seguros S/A (já identificada para fins do presente recurso voluntário simplesmente como “Luizaseg”), conforme cláusula 3.3 do Acordo de Acionistas datado de 13.12.2005, devidamente juntado aos autos do presente processo administrativo. A par do ágio pago na subscrição, a Cardif (sociedade francesa) se comprometeu a pagar R$ 50 milhões para a Recorrente, em remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas. O Contrato de Aliança Estratégica, em sua cláusula 6.1, explicita que, embora a Cardif tenha se comprometido a tal pagamento, considerandose que a Luizaseg seria a empresa beneficiada pelos direitos de Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.532 11 exclusividade, a ela caberia a responsabilidade pelo pagamento, que ocorreria em duas parcelas de R$ 25 milhões. Desta maneira, NCVP subscreve a ação preferencial classe A com ágio, e os recursos provenientes dessa subscrição são utilizados pela sociedade investida (i.e. Luizaseg, antes Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A) para honrar o compromisso de remunerar a Recorrente pela cessão do direito de exclusividade. Notese que, embora possa se argumentar que “o dinheiro seja o mesmo”, dois momentos jurídicos distintos estão relacionados ao evento: (i) a subscrição com ágio pela NCVP na Luizaseg; e (ii) o pagamento pela Luizaseg de R$ 50 milhões, em duas parcelas de R$ 25 milhões, à Recorrente. Este ponto será retomado oportunamente. É importante, ainda, ter em mente que, a fim de operacionalizar tal Aliança Estratégica, cinco são os documentos fundamentais, os quais foram apresentados pela Recorrente no momento da impugnação: (i) Contrato de Aliança Estratégica, datado de 13.12.2005, firmado entre a Recorrente, Cardif e Cardif do Brasil, com o objetivo de desenvolver e distribuir produtos de seguro e garantias estendidas com exclusividade na rede de distribuição da Recorrente; (ii) Acordo de Acionistas (Anexo B ao Contrato de Aliança Estratégica), firmado entre a Recorrente e Cardif, que regula a relação de ambas no que tange às suas participações societárias na Luizaseg (atual razão social da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A); (iii) Acordo operacional, firmado entre a Recorrente e Cardif do Brasil para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro vendidos no Brasil através da rede de distribuição da Recorrente. Neste sentido, dentro do conceito de estrutura híbrida da Aliança Estratégica acima referido, este Acordo operacional perfaria a chamada parceria entre a Recorrente e Cardif; (iv) Contrato de Distribuição, firmado entre a Recorrente e Luizaseg (ainda antes da mudança de sua razão social para tal), de modo a regular o relacionamento entre ambas no que tange ao desenvolvimento, comércio e administração das garantias estendidas para qualquer produto comercializado na rede de distribuição da Recorrente. Tendo em mente a estrutura híbrida supra referida, tal Contrato de Distribuição está relacionado à joint venture, que é a própria Luizaseg; (v) Contrato de Prestação de Serviços, firmado entre Luizaseg (ainda antes da mudança da razão social) e Cardif do Brasil. Tal Contrato se justifica pelo fato de que a Luizaseg não tem sua própria estrutura para desenvolver as atividades que lhe competem dentro da Aliança Estratégica firmada. Desta forma, conta com a prestação de serviços da Cardif do Brasil para Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.533 12 atingir esse objetivo. Referida prestação abarca os seguintes serviços: backoffice, call center, processamento e manutenção de tecnologia da informação, gestão de contenciosos (jurídico), contabilidade e tesouraria, auditoria interna e atuariais. Mais uma vez, dentro da lógica da estrutura híbrida, este Contrato estaria relacionado à joint venture, que é a própria Luizaseg, tomadora dos serviços em questão. II.2.1 Da Subscrição com Ágio e os efeitos na Recorrente: Equivalência Patrimonial Como visto anteriormente, houve, de fato, a subscrição da ação preferencial A pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Referido valor foi contabilizado, como de fato é devido, pela Luizaseg (então sociedade investida), em reserva de capital. A questão que emerge, e que será enfrentada nos subtópicos seguintes, é o efeito que referida subscrição gera, reflexamente, por equivalência patrimonial, na Recorrente, detentora de 50% da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Equivocado está o Sr. AuditorFiscal, ao entender que referido valor é pagamento de preço pela Cardif à Recorrente. Da mesma forma, não procede a alegação da Turma Julgadora de que se está, no caso concreto, diante de “receita não operacional auferida na formação da ‘joint venture’, sujeita à tributação”. (fls. 960 dos autos) Em verdade, conforme descritivo supra, houve, sim, o pagamento de uma remuneração pela cessão do direito de exclusividade pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg) à Recorrente. E essa remuneração, como se demonstrará no tópico II.2.2 infra, foi efetivamente levada a resultado pela Recorrente e tributada nos termos da legislação em vigor. No entanto, os reflexos decorrentes da avaliação do investimento da Recorrente na Luizaseg, por equivalência patrimonial, são neutros fiscalmente. (...) Assim, os efeitos reflexos na Recorrente, em observância do MEP, pela variação do patrimônio líquido (no caso específico, registro de R$ 50 milhões em reserva de capital) da Luizaseg, sua coligada, não deve ensejar efeitos tributários de qualquer natureza (IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS), motivo pelo qual não podem prosperar as autuações fiscais em questão, tampouco as alegações da Turma Julgadora que as mantiveram. II.2.2 Da Remuneração pelo Direito de Exclusividade pago pela Luizaseg: o chamado “Goodwill” “Goodwill”, nos termos do Contrato de Aliança Estratégica, é o montante de R$ 50 milhões pago pela Cardif à Recorrente, em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.534 13 produtos de seguro e produtos ampliados de seguro; ou seja, não se trata do conceito decorrente da tradução literal do termo para o português: “ágio”. O mesmo Contrato, em sua cláusula 6.1, no entanto, estabelece que “tendo em vista que a Sociedade (Luizaseg, outrora Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A) é quem será beneficiada pelos direitos de exclusividade (...), a Sociedade então pagará ao ML o valor correspondente a tal Goodwill, em duas parcelas (...)”, tudo nos termos ainda mais explícitos do Anexo D do referido Contrato. Importante destacar, mais uma vez, que o pagamento realizado pela Luizaseg à Recorrente corresponde à remuneração desta pela cessão do direito de exclusividade na exploração da sua rede de distribuição na distribuição dos produtos de seguro. E referida remuneração foi devida e corretamente oferecida à tributação, conforme trânsito pelo resultado da Recorrente, em duas parcelas de R$ 25 milhões, tal como acordado entre as partes, e conforme atesta seu razão contábil, já juntado aos autos do processo administrativo ora discutido. Assim, por tudo quanto exposto no que tange à Aliança Estratégica firmada, não há que prosperar a pretensão da Fiscalização quanto à constituição de créditos tributários pertinentes a IRPJ e CSLL, devendo a decisão recorrida ser reformada por este E. Conselho. [...]. Em sessão de julgamento realizada por essa Colenda Turma, entendemos pela baixa dos autos em diligência, para certificarmos que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada. Vejamos a decisão: Antes de adentrar ao julgamento, a Recorrente aponta, em seus petitórios, a informação de que teria tributado, em duas oportunidades, os valores relativos ao pagamento da carteira de clientes paga pela Luizaseg, perfazendo o montante de R$ 50 milhões. Vejamos: Importante destacar, mais uma vez, que o pagamento realizado pela Luizaseg à Recorrente corresponde à remuneração desta pela cessão do direito de exclusividade na exploração da sua rede de distribuição na distribuição dos produtos de seguro. E referida remuneração foi devida e corretamente oferecida à tributação, conforme trânsito pelo resultado da Recorrente, em duas parcelas de R$ 25 milhões, tal como acordado entre as partes, e conforme atesta seu razão contábil, já juntado aos autos do processo administrativo ora discutido. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.535 14 A contribuinte juntou, em seus petitórios, cópia do Livro Razão, que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado, informando da tributação dos valores pagos à autuada. Não tenho dúvidas de que a autuação fiscal que exige os tributos objeto do lançamento se baseou em um desses dois pagamentos de R$ 25 milhões, pois os mesmos não foram contabilizados pela autuada. Já o valor relativo ao método de equivalência patrimonial, no mesmo montante de R$ 25 milhões, fora escriturada pela autuada, ou seja, houve o registro na contabilidade da Recorrente, não sendo esse o valor objeto da autuação, pois a acusação fiscal aponta a seguinte descrição: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Diante disso, como forma de termos a certeza de que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada, o primeiro pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 21 de dezembro de 2005 no Livro Razão, e o segundo pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 30 de junho de 2006, conforme informação extraída no documento 17 da defesa administrativa (fls. 942 e 943 dos autos), entendo pela baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização ateste e confirme a tributação desses dois pagamentos. Essa decisão foi duramente criticada pela fiscalização e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, considerando erro desses julgadores em considerar que foi autuado um dos R$ 25 milhões relativos ao ágio pago, ao invés de considerar o valor de R$ 25 milhões escriturado como não passível de tributação em razão do Método de Equivalência Patrimonial, apresentado relatório e petições nesse sentido. Com todo o respeito à fiscalização e à Procuradoria em relação aos seus comentários e indignações, mas a questão foi respondida pela fiscalização de forma muito econômica no sentido de considerar que a Recorrente levou à conta de resultado e tributou os dois valores de R$ 25 milhões cada, pagos a título de ágio, a despeito de tentar sustentar que a autuação se deu em relação ao valor não tributado em razão do MEP. A resposta dada pela diligência é suficiente para a formação da convicção e julgamento por este Relator. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1201001.070, de 26 de agosto de 2014, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente, no que interessa à presente lide (efls. 1.400 e 1.401): ERRO NO LANÇAMENTO QUANTO À RECEITA NÃO OPERACIONAL NÃO ESCRITURADA Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.536 15 A fiscalização autuou, como receita não operacional não escriturada, valores que passaram pela conta de resultado decorrentes de ágio. Se a intenção da fiscalização era autuar ganho patrimonial registrado nos termos do Método de Equivalência Patrimonial, não descreveu dessa forma no lançamento fiscal. [...]. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, MANTIVERAM a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos o Relator e os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Designado o conselheiro Roberto Caparroz de Almeida para redigir o voto vencedor. Quanto às demais questões, por unanimidade de votos, DERAM provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Da referida decisão, destaco os seguintes trechos de seu voto condutor, quanto à matéria em litígio, no que interessa à presente lide (efls. 1.432 e 1.440): O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Apenas para fins de limitar o escopo do que restou nos autos para serem julgados, cumpre registrar que o presente acórdão enfrentará os seguintes argumentos trazidos pelo Recorrente, sendo que os demais decorrem de parte do débito fiscal quitado pela contribuinte, não fazendo mais parte desta presente lide. Ficaram para ser analisados neste Recurso: [...]; c) Aliança com a Cardif Item 2.3 do TVF, em que se analisa a subscrição com ágio e a remuneração do direito de exclusividade; [...]. Seguiremos a ordem acima mencionada: [...]. B.2) DA ALIANÇA COM A CARDIF Quanto à aliança com a CARDIF, cumpre analisar alguns pontos da operação. A recorrente alega que é detentora de 50% da Luizaseg e avaliou esse investimento pelo MEP, ressaltando que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real e não deve ensejar efeitos tributários. Os fatos denotam que a Recorrente, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado pela Cardif, Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.537 16 receberia R$ 50 milhões e mais a participação societária de metade da seguradora Luizaseg. O razão contábil da empresa atesta que os R$ 50 milhões foram pagos em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro. A baixa em diligência atestou, inclusive, que a Recorrente levou à tributação os R$ 50 milhões pagos, em conta de resultado, sofrendo, portanto, a tributação, pois o valor entrou como receita do exercício e compôs a apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Ao analisarmos a acusação fiscal, a fiscalização é clara em autuar o valor não registrado pela Recorrente, que é justamente os R$ 50 milhões decorrentes da aquisição dos direitos de exclusividade na distribuição de produtos do seguro, pois os outros R$ 25 milhões foram registrados e contabilizados sem tributação, em razão da sistemática do Método de Equivalência Patrimonial. Diante disso, se, em algum momento, a fiscalização tributou o valor dos R$ 25 milhões relativos ao ganho quanto ao MEP, não constou essa descrição no lançamento fiscal, pois, ao nos depararmos com a imputação fiscal e descrição do fato jurídico tributado no lançamento, a autuação se deu em relação à receita não operacional não escriturada: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Portanto, se a fiscalização pretendeu, em algum momento, tributar o acréscimo patrimonial ou ganho na empresa autuada, o fez de forma errada, pois descreveu fatos que não condizem com os fundamentos e descrições trazidas no lançamento fiscal, tratando o valor como receita não operacional não escriturada de forma incorreta. Foram interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (efls. 1.446 a 1.450), não admitidos (efls 1.456 a 1.462). Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese (efls. 1.464 a 1.471): a) que é nula a decisão recorrida, em virtude da falta de fundamentação; b) que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, embora não tenha se manifestado expressamente no voto sobre os fatos arguidos pela Fazenda Nacional no documento de efls. 1.389; c) que a Turma rejeitos os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional, questionando essa omissão; Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.538 17 d) que a decisão recorrida divergiu de acórdãos paradigmas que defendem a anulação da decisão que não aprecia todas as razões de inconformidade; e) que, no caso dos acórdãos paradigmas, a decisão anulada foi a proferida pela DRJ, no entanto, o mesmo raciocínio cabe para o CARF; f) que este Tribunal tem a obrigação de apreciar as razões levantadas pela União, sob pena de violação do direito de ampla defesa; g) que, como a Turma não se manifestou expressamente sobre o requerimento de efls. 1.389, concluise, levando em consideração o entendimento dos paradigmas, que o item B.2 do julgado recorrido deve ser anulado, por cerceamento do direito de defesa da União; e h) que, na remota hipótese dessa Câmara não acolher o entendimento anterior, o julgamento recorrido divergiu também do posicionamento de outras Câmaras que defendem que a imprecisão na descrição dos fatos geradores, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN, gera nulidade por vício formal; e i) que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois a falha apontada pelo relator acarreta a anulação por vício formal do item 002 do auto de infração (que corresponde ao item “B.2 Da aliança com a CARDIF” do acórdão recorrido), e não o seu cancelamento. O recurso foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Do correspondente despacho de exame de admissibilidade de recurso especial, transcrevo o seguinte trecho (efls. 1.478 e 1.479): NULIDADE POR OMISSÃO Compulsando os autos, observase que o primeiro exame do recurso voluntário resultou na Resolução nº 1201000.111, de 07/08/2013, demandando realização de diligência pela Delegacia de origem (efls. 1226/1255). Cumprida a diligência, a contribuinte apresentou manifestação em relação às suas conclusões (efls. 1279/1384), complementando o recurso voluntário que havia interposto anteriormente. Da mesma forma, após ser cientificada do resultado da diligência, a PGFN ingressou com petição para registrar os esclarecimentos que entendia pertinentes ao caso. Essa manifestação, às efls. 1389/1397, configura contrarrazões ao recurso voluntário, conforme previsto no § 2º do art. 48 do RI CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. O atual regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, também prevê essas contrarrazões, em dispositivo com a mesma numeração. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.539 18 A PGFN alega que o voto que orientou o acórdão recorrido não se manifestou expressamente sobre os fatos por ela arguidos nas contrarrazões ao recurso voluntário, e que a decisão sobre os embargos de declaração (em despacho monocrático) não reconheceu a presença desse vício, que deveria ensejar a nulidade do acórdão recorrido. Os embargos de declaração da PGFN, na verdade, foram rejeitados porque foi julgado o seu mérito. A decisão monocrática não reconheceu o vício de nulidade gerado pela não apreciação dos argumentos trazidos nas referidas contrarrazões ao recurso voluntário. Vêse que os acórdãos paradigmas, diante de situação semelhante, reconheceram a nulidade de decisão por vício de omissão na apreciação dos argumentos trazidos pela parte interessada (vício que resulta na violação do contraditório). Vale ressaltar que, no caso sob exame, a alegada omissão envolve toda uma petição de contrarrazões. Embora a parte final do relatório contido no acórdão recorrido tenha feito menção às “duras críticas” apresentadas pela PGFN (contrarrazões), o voto que orientou essa decisão realmente não examinou o conteúdo da referida peça processual. Nesse contexto, concluo que a primeira divergência está comprovada, devendose admitir o recurso especial da PGFN em relação à nulidade por vício de omissão e violação do contraditório. Devidamente cientificado (efls. 1.483 a 1.485), o contribuinte não apresentou contrarrazões (efls. 1.510 e 1.511). É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese, de início, à existência, ou não, no presente processo, de cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório da Fazenda Nacional por parte da decisão recorrida. Adianto, desde logo, o meu posicionamento no sentido de ter havido, inegavelmente, esse cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório da Fazenda Nacional, no presente caso. Explico. Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.540 19 Conforme se verifica dos autos, por meio da Resolução nº 1201000.111, de 7 de agosto de 2013, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF deliberou por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (efls. 1.226 a 1.255). Do relatório de diligência elaborado pela repartição fiscal (efls. 1.257 a 1.260), foi devidamente reaberto o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação pela autuada, o que se deu pela petição de efls. 1.279 a 1.293. O primeiro cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório se deu, a meu ver, pela não abertura de prazo para a manifestação da Fazenda Nacional, após a devida oitiva do sujeito passivo sobre os resultados da diligência procedida. Por meio da petição de efls. 1.387, requereu a Fazenda Nacional, por seu procurador, em abril de 2014, que o julgamento do recurso interposto no presente processo administrativo fosse adiado para a sessão ordinária do mês de junho de 2014, bem como fosse concedida vista dos autos fora da secretaria da Câmara, a fim de que pudesse analisar os documentos constantes dos autos e elaborar os memoriais com as suas razões e a sustentação oral. Como decorrência, pois, exclusivamente da iniciativa da Fazenda Nacional, apresentou esta as contrarrazões de efls. 1.389 a 1.397, das quais extraio o seguinte excerto (destaques do original): “Data maxima venia” ao entendimento da E. Turma exposto na Resolução nº 1201000.111, a qual determinou a diligência cujo resultado ora se comenta, correta é a conclusão do Auditor de que, a despeito da questão que lhe foi proposta (confirmar se os pagamentos em dinheiro recebidos pelo autuado foram tributados), a controvérsia que envolve a aliança estratégica com a Cardif NÃO ABRANGE os pagamentos de R$ 25 milhões feitos em dinheiro, MAS SIM o valor de R$ 25 milhões que o contribuinte reconheceu a título de RECEITA DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL, o qual a Fiscalização considerou como “PAGAMENTO NÃO MONETÁRIO”. Portanto, em que pese esta Turma ter ressaltado, quando da elaboração da Resolução, a “certeza” de que a autuação fiscal acerca da aliança estratégica com a Cardif recai sobre um dos pagamentos em dinheiro no valor de R$ 25 milhões, requerse que este EQUÍVOCO seja reavaliado, a fim de que a real controvérsia seja resolvida. Nesse sentido, será aqui reforçado o que foi ressaltado pela diligência quanto à conclusão fiscal, demonstrando que não houve qualquer tentativa de “salvar” o lançamento, assim como o total e completo conhecimento pelo contribuinte da autuação que lhe fora imposta, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento por violação a qualquer dos direitos fundamentais do autuado. O segundo cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório se deu, a meu ver, pela total falta de análise do conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, por parte da decisão recorrida. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.541 20 Constou do voto condutor da decisão recorrida, quanto à matéria em litígio, o seguinte (efls. 1.432, negritei): Apenas para fins de limitar o escopo do que restou nos autos para serem julgados, cumpre registrar que o presente acórdão enfrentará os seguintes argumentos trazidos pelo Recorrente, sendo que os demais decorrem de parte do débito fiscal quitado pela contribuinte, não fazendo mais parte desta presente lide. Pergunto: e quanto aos “argumentos trazidos” pela Fazenda Nacional, em suas contrarrazões? Não deveriam, também, no presente caso, ter sido devidamente “enfrentados” pela decisão recorrida? A única alusão feita às contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional constou, não no voto condutor do acórdão recorrido, quanto à matéria em litígio, mas em seu relatório (efls. 1.432, destaquei): Essa decisão foi duramente criticada pela fiscalização e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, considerando erro desses julgadores em considerar que foi autuado um dos R$ 25 milhões relativos ao ágio pago, ao invés de considerar o valor de R$ 25 milhões escriturado como não passível de tributação em razão do Método de Equivalência Patrimonial, apresentado relatório e petições nesse sentido. Com todo o respeito à fiscalização e à Procuradoria em relação aos seus comentários e indignações, mas a questão foi respondida pela fiscalização, de forma muito econômica, no sentido de considerar que a Recorrente levou à conta de resultado e tributou os dois valores de R$ 25 milhões cada, pagos a título de ágio, a despeito de tentar sustentar que a autuação se deu em relação ao valor não tributado em razão do MEP. A resposta dada pela diligência é suficiente para a formação da convicção e julgamento por este Relator. Nenhuma referência, entretanto, ao conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional... Nenhuma transcrição extraída de sua peça de nove páginas... Nada! Ora, o fato de a decisão tomada na Resolução nº 1201000.111, de 7 de agosto de 2013, pela Turma julgadora, ter sido “duramente criticada pela fiscalização e pela Procuradoria da Fazenda Nacional” não exime o relator, e o respectivo Colegiado, de enfrentar, também, os “argumentos trazidos” por ambos, como, aliás, foi feito com os “argumentos trazidos pelo Recorrente”. Apenas afirmar, a decisão recorrida, que, “com todo o respeito à fiscalização e à Procuradoria em relação aos seus comentários e indignações”, a questão teria sido “respondida pela fiscalização” no atendimento ao questionado na Resolução, equivale a nada “enfrentar”, uma vez que aqueles “comentários e indignações” se dirigiram, precipuamente, não contra o questionamento em si, mas contra a premissa sobre a qual se assentou aquele questionamento. E essa premissa está estampada na ementa que encimou a decisão recorrida (efls. 1.401): Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.542 21 ERRO NO LANÇAMENTO QUANTO À RECEITA NÃO OPERACIONAL NÃO ESCRITURADA A fiscalização autuou, como receita não operacional não escriturada, valores que passaram pela conta de resultado decorrentes de ágio. Se a intenção da fiscalização era autuar ganho patrimonial registrado nos termos do Método de Equivalência Patrimonial, não descreveu dessa forma no lançamento fiscal. Embora não seja necessário, em face de se limitar a discussão, nesta Câmara Superior, apenas à existência, ou não, no presente processo, de cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório da Fazenda Nacional por parte do acórdão recorrido — o que, creio, tenha ficado cabalmente demonstrado acima —, peço licença aos meus Pares para avançar ainda mais um pouco no exame deste caso. E o faço tendo em vista a fundamentação que constou no despacho de admissibilidade de embargos, de efls. 1.456 a 1.462, relatado por integrante da mesma Turma prolatora do acórdão recorrido, no sentido de que (efls. 1.461): Ademais, conforme jurisprudência pacífica, seja judicial seja administrativa, o órgão julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Convém ressaltar que o julgador, ao decidir, não está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato e de direito trazidos à discussão, podendo conferir aos fatos qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, não se encontrando, pois, obrigado a responder a todas as suas alegações, cumprindo a ele entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. Sucede, porém, que, como bem deixou expresso o art. 489, § 1º, inciso IV, do novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015): Art. 489. [...]: [...]; § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: [...]; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Contudo, estou convicto de que os argumentos deduzidos no processo são capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo Colegiado recorrido, por envolver — como no caso do Acórdão nº 2301002.150, de 2011, citado como paradigma pela Fazenda Nacional — aspectos fundamentais ao deslinde do litígio (efls. 1.466, grifei): Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.543 22 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância. Decisão Recorrida Nula Nem é preciso ir muito longe para se chegar a essa convicção. Ainda que abstendome de analisar o conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, do próprio relatório da decisão recorrida, já lido anteriormente, destaco os seguintes trechos (negritei): Tratamse de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins dos anoscalendário de 2005 a 2008, conforme as descrições abaixo: [...]. 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. [...]. Vejamos o resumo dos fatos no Termo de Verificação Fiscal trazido pela decisão da DRJ: [...]. O desenho da realidade dos fatos indica que quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardif, de acordo com a página 5 do Contrato (fl. 331), no item Goodwill, para, em seguida, aportálo nos ativos da Luizaseg. Nessa operação foi que, a despeito de titularizar integralmente o direito de exclusividade, cede, a título contraprestacional, a metade do seu direito a fim de formar a “joint venture”. E, nessa ocasião, houve o acréscimo patrimonial do ML na metade da participação ganha na Luizaseg. Financeiramente, basta perceber que, no caixa da Luizaseg, a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e que, não obstante esta contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. [...]. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais, vale dizer: um monetário, de R$ 50.000.000,00; e outro não monetário, de R$ Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.544 23 25.000.0000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. É indubitável que se está a tratar — tanto no auto de infração, quanto no respectivo Termo de Verificação Fiscal — do “acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg”, ou seja, “metade da participação ganha na Luizaseg”, correspondendo ao acréscimo patrimonial “não monetário, de R$ 25.000.0000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP”. Dessa conclusão, aliás, não diverge a própria autuada, não só em sua Impugnação (trecho extraído do próprio relatório da decisão recorrida, já lido anteriormente, destaquei): A subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg, foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). O Magazine Luiza S/A, detentor de 50% da Luizaseg, avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real, e não deve ensejar efeitos tributários quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, esses dois últimos com fundamento nos arts. 1º , § 3º , V, “b”, das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002. como também em seu Recurso Voluntário (trechos extraídos do próprio relatório da decisão recorrida, já lido anteriormente, grifei): Por fim, sustentou a Fiscalização que o reflexo contábil da participação societária na Recorrente, como receita não operacional, registrada sob a rubrica “Receita de Equivalência Patrimonial”, está equivocado. Isto porque, em seu entender, “não se trata de receita de equivalência patrimonial. Mas sim, consoante retro identificado, representa a parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg, negociada na aliança estratégica.” No que tange a este terceiro tópico, especificamente, foram constituídos os seguintes créditos tributários: [...]. [...]. A respeito deste tópico, entendeu a Turma Julgadora, no mesmo sentido das Autoridades Fiscais, que a Recorrente não ofereceu à tributação o montante de R$ 25 milhões, que teria acrescido ao seu patrimônio. Nesses termos, eis o que consignou a Turma Julgadora: “Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação de ‘joint venture’, sujeita à tributação. [...].” Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.545 24 Contudo, não pode subsistir a alegação da Turma Julgadora, haja vista que, como já expresso na impugnação, o montante de R$ 25 milhões, registrado na contabilidade da Recorrente, ao qual fazem referência a Autoridade Fiscal e os Srs. Julgadores, não configura receita tributável, e, sim, resultado positivo de equivalência patrimonial, sem quaisquer efeitos tributários. [...]. A questão que emerge, e que será enfrentada nos subtópicos seguintes, é o efeito que referida subscrição gera, reflexamente, por equivalência patrimonial, na Recorrente, detentora de 50% da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Equivocado está o Sr. AuditorFiscal, ao entender que referido valor é pagamento de preço pela Cardif à Recorrente. Da mesma forma, não procede a alegação da Turma Julgadora de que se está, no caso concreto, diante de “receita não operacional auferida na formação da ‘joint venture’, sujeita à tributação”. (fls. 960 dos autos) [...]. No entanto, os reflexos decorrentes da avaliação do investimento da Recorrente na Luizaseg, por equivalência patrimonial, são neutros fiscalmente. (...) Assim, os efeitos reflexos na Recorrente, em observância do MEP, pela variação do patrimônio líquido (no caso específico, registro de R$ 50 milhões em reserva de capital) da Luizaseg, sua coligada, não deve ensejar efeitos tributários de qualquer natureza (IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS), motivo pelo qual não podem prosperar as autuações fiscais em questão, tampouco as alegações da Turma Julgadora que as mantiveram. Ou seja, a matéria em discussão — por parte da autuada — se relaciona, iniludivelmente, à “subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg”, tratado por ela “pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP)”, entendimento do qual divergem a Fiscalização e a turma julgadora da DRJ, considerando tributável a respectiva receita como “parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg” e “pagamento de preço pela Cardif à Recorrente”. Nada a ver, portanto, com a matéria referente ao acréscimo monetário de R$ 50 milhões pago pela Luizaseg, em duas parcelas de R$ 25 milhões, à autuada, a título de remuneração pela cessão do direito de exclusividade, pela exploração da sua rede de distribuição, na distribuição das garantias estendidas (o contratualmente denominado goodwill), equivocadamente considerada pela decisão recorrida. Por outro lado, causa espécie o seguinte trecho da Resolução nº 1201 000.111, de 7 de agosto de 2013, proferida pelo Colegiado recorrido (efls. 1.254, negritei): Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.546 25 A contribuinte juntou, em seus petitórios, cópia do Livro Razão, que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado, informando da tributação dos valores pagos à autuada. Não tenho dúvidas de que a autuação fiscal que exige os tributos objeto do lançamento se baseou em um desses dois pagamentos de R$ 25 milhões, pois os mesmos não foram contabilizados pela autuada. Ora, se a contribuinte juntou, em seus petitórios, “cópia do Livro Razão, que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado”, como pode o relator “não ter dúvidas” de que estes pagamentos “não foram contabilizados pela autuada”? O livro Razão, por acaso, não faz parte da contabilidade? E, mais adiante, naquela mesma Resolução (efls. 1.254 e 1.255, destaque do original): Já o valor relativo ao método de equivalência patrimonial, no mesmo montante de R$ 25 milhões, fora escriturada pela autuada, ou seja, houve o registro na contabilidade da Recorrente, não sendo esse o valor objeto da autuação, pois a acusação fiscal aponta a seguinte descrição: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Ora, o “valor relativo ao método de equivalência patrimonial” foi, sim, escriturado pela autuada, mas em conta de reserva de capital — não em conta de resultados, como as duas parcelas de R$ 25 milhões anteriormente citadas —, conforme trechos da Impugnação e do Recurso Voluntário, respectivamente, extraídos do próprio relatório da decisão recorrida (destaquei): A subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg, foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). [...]. Referido valor foi contabilizado, como de fato é devido, pela Luizaseg (então sociedade investida), em reserva de capital. Ou seja, tratase, efetivamente, esse valor, relativo ao método de equivalência patrimonial — como bem descreveu a fiscalização — de “receita não operacional não escriturada” (não escriturada em conta de resultados, esclareço). Já as duas parcelas de R$ 25 milhões, anteriormente citadas, pagas a título de remuneração pela cessão do direito de exclusividade na distribuição das garantias estendidas, foram, ao contrário, escrituradas em conta de resultados. Por fim, vejase, por oportuno — afugentandose quaisquer dúvidas que ainda remanescessem a esse respeito —, o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, ao indicar o fato gerador da exigência fiscal (efls. 66, grifei): Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.547 26 Destarte, será considerada como fato gerador a receita não operacional ganha com a aquisição da participação societária na empresa Luizaseg, no valor de R$ 25.000.000,00, ocorrido em 13/12/2005, com a subscrição, pelas partes, do Acordo de Acionistas, fato que resultou em acréscimo patrimonial não declarado. Assim, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida em sua ementa, “a intenção da fiscalização era autuar ganho patrimonial registrado nos termos do Método de Equivalência Patrimonial”, tendo sido descrito dessa forma no lançamento fiscal. Por sinal, muito distante da realidade estava o Colegiado recorrido, ao pretender ter, como fato gerador da exigência fiscal, valor referente a datas diversas (Resolução nº 1201000.111, de 7 de agosto de 2013, efls. 1.255, negritei): Diante disso, como forma de termos a certeza de que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada, o primeiro pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 21 de dezembro de 2005 no Livro Razão, e o segundo pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 30 de junho de 2006, conforme informação extraída no documento 17 da defesa administrativa (fls. 942 e 943 dos autos), entendo pela baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização ateste e confirme a tributação desses dois pagamentos. Reitero que todas essas elucubrações se fizeram necessárias apenas no sentido de demonstrar que os “argumentos trazidos” pela Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, devem, também, no presente caso, ser devidamente “enfrentados” pela decisão recorrida, por serem, como visto, capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo Colegiado recorrido, por envolver aspectos fundamentais ao deslinde do litígio. Como decorrência do acima explanado, fica prejudicado o pedido subsidiário da Fazenda Nacional, de ser considerado vício formal a suposta falha apontada pela decisão recorrida no lançamento fiscal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para anular o item “B.2 – Da Aliança com a Cardif”, da decisão recorrida (efls. 1.440 e 1.441) , para que outra seja proferida, quanto a essa parte, com a devida análise do conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, de efls. 1.389 a 1.397. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.548 27 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Não obstante as considerações substanciosas expostas pelo relator quanto ao mérito, entendo que cabe um exame mais detalhado a respeito da admissibilidade. Vale destacar a legislação divergente apontada pela PGFN: art. 93, IX da CF; art. 59, II do Decreto nº 70.235/72; art. 142 do CTN: CF/1988 Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; .............................................................. PAF Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. .............................................................. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.549 28 Discorre a recorrente que a decisão recorrida teria incorrido em nulidade, nos seguintes termos: A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, embora não tenha se manifestado expressamente no voto sobre os fatos arguidos pela Fazenda Nacional no documento de efls. 1389. A e. Turma rejeitou os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional questionado essa omissão. Portanto, verificase que a decisão recorrida divergiu dos acórdãos paradigmas nºs 2301002.150 e 340101.271, na medida em que esses defendem a anulação da decisão, que não aprecia todas as razões de inconformidade.(...) Ou seja, entendeu que a decisão recorrida não se manifestou expressamente sobre todos os fatos do processo, e, por isso, ao não ter apreciado todas as razões de inconformidade, teria divergido dos acórdãos paradigma, que defendem a anulação da decisão que não aprecia todas as razões de inconformidade. Parte a recorrente de uma premissa, de que a decisão recorrida não teria se manifestado sobre todas as razões de inconformidade, para concluir que, por isso, a decisão seria nula, de acordo com a conclusão apresentada pelos acórdãos paradigma de que decisão que não aprecia todas as razões de inconformidade é eivada de nulidade. Ora, caso prevalecesse a premissa suscitada pela PGFN, todas as decisões proferidas pela câmara baixa poderiam ser reapreciadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Bastaria a recorrente entender, por si só, que sua razões não foram integralmente apreciadas pela turma a quo, e apresentar paradigma afirmando o óbvio, de que o princípio do contraditório e ampla defesa deve ser respeitado sob pena de nulidade. O que se verifica no presente caso é um inconformismo da recorrente em face da decisão da turma da câmara baixa. E a situação já foi enfrentada pela turma recorrida em sede de embargos, que foram rejeitados. E, no presente momento, pretende a recorrente transformar o inconformismo em uma divergência na interpretação da legislação tributária, para se adequar ao requisito previsto no art. 67, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Os acórdãos paradigma aplicam, de maneira correta, os princípios do contraditório e da ampla defesa, reproduzidos na Lei Maior e legislação processual. Contudo, não se amoldam ao caso tratado nos presentes autos. Isso porque já partem de um fato consumado, detectado pelo Colegiado, e decidido pelo Colegiado, qual seja, de que efetivamente ocorreu o cerceamento do direito de defesa e, por isso, haveria nulidade na decisão proferida. No caso em tela, o efetivo cerceamento do direito de defesa não é fato consumado. Pelo contrário, tem origem em uma interpretação exclusiva extraída pela PGFN. Na realidade, pretende a recorrente assumir a posição do julgador. Com a devida vênia, compete às partes apresentar a argumentação e razões de defesa. A outra etapa, de se construir a decisão, cabe à autoridade julgadora. Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.550 29 Tampouco se aplica o vício formal por nulidade. Vale transcrever o que relata a recorrente: A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o item 002 do lançamento (B.2 Da aliança com a CARDIFF), em virtude de deficiência na descrição dos fatos imputados à contribuinte. Vejamos: Ao analisarmos a acusação fiscal, a fiscalização é clara em autuar o valor não registrado pela Recorrente, que é justamente os R$ 50 milhões decorrentes da aquisição dos direitos de exclusividade na distribuição de produtos do seguro, pois os outros R$ 25 milhões foram registrados e contabilizados sem tributação em razão da sistemática do Método de Equivalência Patrimonial. Diante disso, se em algum momento a fiscalização tributou o valor dos R$ 25 milhões relativos ao ganho quanto ao MEP, não constou essa descrição no lançamento fiscal, pois ao nos depararmos com a imputação fiscal e descrição do fato jurídico tributado no lançamento, a autuação se deu em relação a receita não operacional não escriturada: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardiff, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Portanto, se a fiscalização pretendeu em algum momento tributar o acréscimo patrimonial ou ganho na empresa autuada, o fez de forma errada, pois descreveu fatos que não condizem com os fundamentos e descrições trazidas no lançamento fiscal, tratando o valor como receita não operacional não escriturada de forma incorreta. (Destaque nosso) Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que a falha na descrição do fato gerador, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, chegaram a conclusões divergentes. Enquanto um cancelou parte do auto de infração, os outros anularam, por vício de forma. Observase, com isso, que a e. Turma recorrida ao se deparar com uma falha na motivação do lançamento, interpreta de modo divergente o art. 142 do CTN, pois cancelou a exigência em vez de anular. Ocorre que os paradigmas tratam de situações diferentes da decisão recorrida. No paradigma n° 320100.248, falase em confusa contextualização dos elementos de prova, e no de nº 20309.332, em imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.551 30 No caso dos presentes autos, o que se fala é em incorreta subsunção do fato à norma. Vale transcrever o excerto da decisão: Diante disso, se em algum momento a fiscalização tributou o valor dos R$ 25 milhões relativos ao ganho quanto ao MEP, não constou essa descrição no lançamento fiscal, pois ao nos depararmos com a imputação fiscal e descrição do fato jurídico tributado no lançamento, a autuação se deu em relação a receita não operacional não escriturada: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardiff, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Portanto, se a fiscalização pretendeu em algum momento tributar o acréscimo patrimonial ou ganho na empresa autuada, o fez de forma errada, pois descreveu fatos que não condizem com os fundamentos e descrições trazidas no lançamento fiscal, tratando o valor como receita não operacional não escriturada de forma incorreta. Cumpre destacar ainda que nos termos dos artigos 384 e 387 do RIR/99, as pessoas jurídicas investidoras deverão avaliar pelo valor de patrimônio líquido, em cada balanço, os investimentos relevantes em sociedades controladas e coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% ou mais do capital social. Por conta disso, para fins de determinação do resultado de investimento aviado pelo MEP, haverá ao final de cada período definido na legislação aplicável uma comparação entre (a) o valor do patrimônio líquido da subsidiária, nesta data, devidamente convertido para a moeda nacional; com (b) o montante registrado como investido a esta época pela Investidora. Da comparação destes dois valores resultará um valor positivo ou negativo (receita ou despesa) a ser registrado na contabilidade da Investidora no Brasil como resultado de equivalência patrimonial. A contrapartida em resultado do ajuste de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial não deve compor o Lucro Real, não servindo inclusive de base de cálculo para o Pis e a Cofins, nos termos do artigo 1º, parágrafo 3º, inciso V, alínea “b” das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nestes termos, entendo pelo cancelamento do lançamento fiscal nessa parte. (grifei) De acordo com a decisão recorrida, tratase de erro de direito na autuação fiscal. Interpretouse incorretamente o fato, aplicouse indevidamente a legislação, o que deu ensejo ao afastamento da infração tributária. E, nos paradigmas, falase em imprecisão da descrição dos fatos e confusa contextualização dos elementos de prova. Definitivamente, não Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.552 31 há que se falar em divergência de interpretação de legislação tributária entre parâmetros de comparação que não se comunicam. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso da PGFN. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.553 32 Declaração de Voto Tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo 1. 1 Conforme Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, art. 63, §§ 6º e 7º: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1553DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000175/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência., nos termos do voto do Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência., nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Por bem relatar o processo, adoto o relatório da DRF de Porto Alegre, constante às fls. 1099/1123, complementandoo ao final, para adequada síntese do processo. Vejamos: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Camaçari, que através do Despacho Decisório 017/2009 emitido pelo seu titular, indeferiu parcialmente os pedidos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 17 5/ 20 08 -7 3 Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.794 2 de compensação abaixo relacionados, que objetivavam a quitação de débitos de tributos federais com o saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 11.330.633,95, apurado no anocalendário de 2003. O presente processo foi formalizado em 14/02/2008 para análise e tratamento manual da PERDCOMP n º 23598.61 138.270204.1.3.029621 (fls. 02 a 10). Foram localizadas e juntadas ao presente processo cópias de outros PER/DCOMP relativos ao crédito acima mencionadas demonstradas na tabela abaixo, com valores apresentados em reais: Esclarece a Autoridade Fiscal designada para analisar a procedência do pleito, que segundo a DIPJ apresentada pelo próprio contribuinte, no final do período no balanço de ajuste anual do anocalendário de 2003, a ficha 12 A de Cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Real, apresentava o seguinte quadro: Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.795 3 Em seu despacho de fls. 1004 a 1015, a Autoridade Fiscal convalida todos os valores utilizados na dedução do IRPJ devido, glosando, entretanto, parte do valor informado como estimativa paga no período (de R$ 15.087.056,84 para R$ 12.147.319,89) bem como o valor informado como dedução relativa ao IRPJ retido na fonte (de R$ 9.897.944,85 para R$ 3.990.218,41). As citadas glosas reduziram o saldo negativo informado pelo contribuinte de R$ () 11.330.633,92 para R$ () 2.483.170,53, montante efetivamente reconhecido como direito creditório passível de compensação. O não reconhecimento pela fiscalização dos valores referentes ao IRPJ retido na fonte e está nativa pagas no período, teve sustentação nos seguintes argumentos: 1 O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE "O interessado informou na DIPJ/2004, Ficha 12A, às fls. 21, linha 13Imposto e Renda Retido na Fonte o valor de R$ 9.897.944,85 que somado ao valor utilizado para reduzir o saldo a pagar do IRPJ, estimativas mensais, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, fls. 17 a 20, PA Janeiro a maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2003, de R$ 9.135.911,28, perfaz o total de R$ 19.033.856,13 (dezenove milhões, trinta e três mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e treze centavos)". 2 COMPOSIÇÃO DA FICHA 53 DEMONSTRATIVO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE "Foi indicado pelo interessado na DIPJ/2004, Ficha 53, às fls. 23 a 25, o valor de R$ 95.169.280,75 (noventa e cinco milhões, cento e sessenta e nove mil, duzentos e oitenta reais e setenta e cinco centavos) a título de receitas financeiras e R$ 19.033.856,15 (dezenove milhões, trinta e três mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e quinze centavos) a título de IRRF, conforme demonstra a tabela abaixo. Por meio de consulta as DIRF, entregues pelas fontes pagadoras, cópia às fls. 26 a 33, bem como dos informes de rendimentos trazidos aos autos pelo interessado após intimação, foram confirmados, a título de IRRF, o montante de R$ 18.677.703,73”. 3 COMPOSIÇÃO DA LINHA 24 / FICHA 06A DIPJ 2004 OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.796 4 "De forma a se confirmar a tributação da totalidade das receitas acima indicadas, verificouse na Ficha 06A, DIPJ 2004, linha 24 Outras Receitas Financeiras, anexada ao presente às fls. 13, a informação de R$ 25.753.796,55 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e três mil, setecentos e noventa e seis reais e cinquenta e cinco centavos). Outras Receitas Financeiras DIPJ12004 Ficha 06 Linha 24(Reais) Var Mon Depósitos para Recursos conta 362101 48.181,87 Juros sI Aplicações Financeiras conta 36220 I 65.630.576,54 Juros de Mora Clientes conta 362206 380.231,17 Outros Juros Ativos conta 362299 1.36$.263 ,72 Descontos Financeiros Obtidos conta 362301 236.706,42 Resultado Operações SWAP 362303 5.014 .312,73 Resultado Operações Hedge Cambial: 362304 36.895.850,44 Total 25.753.796,55 "Intimado, conforme fls. 121 e 122, a demonstrar a tributação da totalidade das receitas formadas na Ficha 53, DIPJ/2004, alegou o interessado na petição de fls. 124 a 129, que o montante de R$ 25.753.796,55 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e três mil, setecentos e noventa e seis reais e cinquenta e cinco centavos) representa o total líquido de outras receitas financeiras", em razão de ter obtido resultados negativos nas operações de Swap e Hedge Cambial e que a diferença entre o valor total das receitas, indicado na referida ficha (R$ 95.169.280,75), e o indicado na tabela acima como Juros SI Aplicações Financeiras (R$ 65.630.576,54) decorre do fato de que parte das receitas financeiras percebidas pelo interessado teria sido apropriada em exercícios anteriores, em conformidade com o regime de competência". "De forma a comprovar o resultado negativo suscitado pelo interessado, em atenção à intimação de fls. 245 e 246, foram anexados ao presente os seguintes documentos: Fls. 258 a 322 resumo das operações mensais (novas contratações e resgate) de operações de Swap e Hedge, no ano de 2003, acompanhadas de amostras de confirmações de operação, contratos e extratos de liquidação; Fls. 325 a 406 cópias do Livro Razão, das quais constam os lançamentos correspondentes às operações de Swap e Hedge, relativas ao ano de 2003; Fls. 407 a 888 cópias de contratos e extratos de liquidação correspondentes às operações de Swap e Hedge". "A presente análise tem, portanto, como objetivo apenas identificar o montante das receitas, sujeitas ao IRRF relativo ao ano calendário de 2003, que foram levadas à tributação, cabendo reconstituição do resultado do referido período a procedimento fiscalizatório diverso". "Não obstante os valores indicados pelo interessado na composição da referida linha 24, referentes a operações de Swap e de Hedge Cambial, terem sido originados Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.797 5 do saldo indicado no Livro Razão, contas 362303 e 362304, fls. 229 e 232, respectivamente, a composição dessas contas e as declarações do interessado não demonstram a devida tributação dos resultados positivos obtidos". "Conforme exposto pelo interessado, às fls. 910, os resultados das operações em comento, quando do seu vencimento, eram apropriados nas referidas contas e, em observância ao regime de competência, levandose em consideração valores já apropriados em períodos anteriores, essas contas eram ajustadas, conforme o explicitado na referida folha 910, de forma a manter em seu saldo apenas o valor das apropriações de resultados relativos às operações ainda em andamento. Não foi indicado, contudo, em que período os resultados positivos desses contratos, tributados na fonte em 2003, foram efetivamente contabilizados". Conforme o intimado pelo interessado, da composição da mencionada linha 24, Ficha 06, DIPJ/2004, consta também o valor de R$ 65.630.576,54(sessenta e cinco milhões, seiscentos e trinta mil, quinhentos e setenta e seis reais e quatro centavos) referente a juros sobre aplicação financeira”. "Em reposta a intimação de fls. 121 e 122, o interessado informou às fls 128 que a diferença entre o valor acima referido (R$ 65.630.576,54) e a totalidade de receitas informadas na Ficha 53 DlPJ/2004 (R$ 95.169.208,75), decorre da apropriação dos resultados de alguns investimentos também ter se dado por regime de competência. Por essa razão parte da receita teria sido apropriada em exercício anterior à liquidação e o restante no momento do resgate, incidindo com o IRRF sobre a totalidade da sua receita”. “Conforme a intimação de fls.900, foi o interessado solicitado a apresentação de forma detalhada, os investimentos e valores relativos ao ano de 2003, que sofrem apresentação em exercícios anteriores, com indicação, inclusive, da linha e Ficha da DIPJ e que os referidos valores teriam sido levados à tributação”. "Em resposta, o interessado, às fls. 912 a 916, item 04, indicou como origem de tais receitas operações de SWAP e hedge, demonstrando a forma de apropriação dos resultados dessas operações, referentes ao ano calendário de 2003, algumas com vencimento inclusive no ano de 2004, digase, alegando, contudo, ser inviável a demonstração da apropriação deste tipo de resultado em períodos anteriores. Cabe aqui citar, por oportuno, que das receitas informadas na Ficha 53, DIPJ/2004, no total de R$ 95.169.280,00, o montante de R$ 88.921.275,25 (IRRF vinculado de R$ 17.784.255,03) corresponde a receitas decorrentes de aplicações financeiras: de renda fixa (cód. 3426) e em fundos de investimentos renda fixa (cód. 6800), portanto, totalmente diversas das operações de SWAP e Hegde cambial, citadas pelo contribuinte como origem das receitas reconhecidas em exercícios anteriores”. "Dessa forma, face às informações imprecisas e genéricas, prestadas pelo interessado e não tendo sido demonstrada a tributação da diferença entre o valor acima referido (R$ 65.630.576,54) e a totalidade de receitas informadas na Ficha 53, DlPJ/2004 (R$ 95.169.280,75), qual seja, R$ 29.538.632,21, resta impossibilitada a utilização de todo o IRRF relativo à diferença de receitas acima referida, no montante de R$ 5.907.726,44 correspondente a 20% das receitas cuja tributação não restou demonstrada, conforme alíquota prevista no MAFON Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.798 6 2003, atendendo o quanto disposto no art. 2°, § 4°, inc. lII, da Lei nº 9.43011996": "Após a dedução do valor descrito no parágrafo acima, temse como IRRF disponível à utilização pelo interessado na DIPJ12004 a quantia de R$ 13.126.129,69 (treze milhões, cento e vinte e seis mil, cento e vinte e nove reais e sessenta e nove centavos), correspondente à diferença entre o IRRF confirmado, no valor de R$ 18.677.703,73 (vide parágrafo 18) e a parcela glosada, no valor de R$ 5.907.726,44, conforme parágrafo anterior". 4 DO IRPJ PAGO POR ESTIMATIVA MENSAL 4.1 ESTIMATIVAS MENSAIS/IRRF "Cumpre destacar que o valor da dedução efetivada pelo interessado, a título de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa linha 17, Ficha 12A, DIPJ/2004 (fl. 21), foi originado das parcelas de estimativa mensal do anocalendário de 2003 efetivamente quitadas, somadas ao IRRF do próprio período, utilizado para reduzir o saldo a pagar dessas parcelas, totalizando o montante de R$ 15.087.056,84 (quinze milhões, oitenta e sete mil, cinquenta e seis reais e oitenta e quatro centavos), conforme tabela a seguir ( em Reais)”. "As parcelas de estimativas mensais com PA Janeiro, fevereiro, março e parte da parcela de abril de 2003, conforme o demonstrado acima, foram compensadas com Saldo Negativo de IRPJ/2002, cuja análise foi realizada no processo n° 13501.000297/200284, sendo a ele anexados ao processo n° 13502.000493/200320 e a Dcomp nº 18806.08862.310703.1.3.024103, conforme se infere do Parecer DRF/CCI/SAORT n º173/2006, cópia às fls. 942 a 948". "Por meio do Despacho Decisório DRF/CCI nº 0173/2006, cópia às fls. 949 e 950, a compensação da parcela de estimativa referente ao PA de Jan/2003 foi parcialmente homologada, no valor de R$ 449.047,76 (quatrocentos e quarenta e nove mil, quarenta e sete reais e setenta e seis centavos), sendo que não foram homologadas as demais parcelas de estimativas relativas ao ano calendário de 2003. O referido Despacho Decisório foi confirmado pela 2 3 Turma da DRJ/SDR, conforme o Acórdão n° 1512.665, cuja cópia encontrase anexada às fls. 951 a 965". "As estimativas mensais de IRPJ, parcela de abril/2003 no valor de R$ 667.313,13, e a de maio/2003 no valor de Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.799 7 R$ 1.895.047,72, incluídas na Dcomp n° 34401.01468.310703.1.3.026520, tratada no processo administrativo n° 13502.9001281200660, conforme Parecer DRF/CCUSAORT nº 201/2006, cópia às fls. 995 a 1001, por sua vez, tiveram sua compensação integralmente homologada, conforme se infere do Despacho Decisório DRF/CCI nº 20112006, cópia às fls. 1002 a 1003". "Após as confirmações acima descritas, a tabela abaixo demonstra O valor a ser levado para a Ficha 12A, linha 17, da DIPJ em apreço, referente às parcelas de estimativa mensal efetivamente quitadas". 5 DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Conforme se infere do parágrafo 14, procedeu o interessado à dedução do IRPJ/2004 devido, o valor de R$ 9.897.944,85 (nove milhões, oitocentos e noventa e sete mil, novecentos e quarenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos) inserido na linha 13 – Imposto de Renda na fonte, da Ficha 12ª, DIPJ/2004. Após as confirmações relativas às retenções e tributações das respectivas receitas, concluise, no parágrafo 34, pela utilização por parte do interessado na DIPJ/2004 da quantia de R$ 13.129,69 (treze milhões, cento e vinte e seis mil, cento e vinte e nove reais e sessenta e nove centavos), a título de IRRF. O Interessado, ao longo do ano calendário de 2003, utilizou se de R$ 9.135.911,28 (nove milhões, cento e trinta e cinco mil, novecentos e onze reais e vinte e oito centavos) para reduzir o IRPJ, estimativas mensais, conforme o exposto no parágrafo 41, do presente Parecer. Dessa forma, pode ser utilizado na linha 13, da Ficha 12ª, DIPJ/2004, apenas o valor de R$ 3.990.218,41 (três milhões, novecentos mil, duzentos e noventa mil, duzentos e dezoito reais r quarenta e um centavos). Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.800 8 Nesses termos, refizemos o demonstrativo de apuração do imposto de renda sobre o lucro real, a partir das informações prestadas pelo contribuinte na respectiva DIPJ, observados, ainda, os valores acima demonstrados, que foram objeto de confirmação: DIPJ/2003. Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF os seguintes questionamentos: a) "A requerente é empresa sujeita à Lei das SIA e deve registrar seus lançamentos contábeis de acordo com o regime de competência (Lei 6.404/76, art. 177). A NPC (Norma e Procedimento de Contabilidade) n. 27 do IBRACON confirma essa obrigação, ao dispor que "as entidades devem elaborar suas demonstrações contábeis em conformidade com o regime de competência; b) O regime de competência preconiza que as receitas e despesas devem ser apropriadas no período em que incorridas, independentemente do efetivo recebimento, no caso das receitas, ou desembolso, no caso das despesas; c) No Regulamento do Imposto de Renda (Dec. 3.000/99), diversos são os dispositivos que atrelam a tributação dos resultados que influenciam a formação do lucro real ao princípio da competência; d) Em obediência aos referidos dispositivos, a requerente registra em sua contabilidade, a cada mês, os rendimentos de suas aplicações financeiras de renda fixa, bem como o resultado líquido de suas operações de swap e hedge, independentemente de ter havido (i) resgate ou efetivo creditamento de rendimentos sobre as aplicações financeiras de renda fixa ou (ii) liquidação das posições nos contratos de swap e hedge; e) Para exemplificar, suponhase que a empresa tenha realizado duas aplicações financeiras no ano de 2003, uma com resultado final positivo no ano e outra com resultado negativo, mas que, mensalmente, os rendimentos dessas aplicações tenham sido ora negativos, ora positivos; e que tenha firmado dois contratos de swap/hedge, ambos apresentando, no encerramento do exercício, resultados finais negativos, muito embora, no decorrer do ano, tenham Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.801 9 registrado resultados positivos. Suponhase, ainda, que as aplicações de renda fixa não tenham sido resgatadas e que os contratos de swap/hedge não tenham sido liquidados, ou seja, que no encerramento do ano, todos permaneçam em curso; f) Em ambos os casos (aplicações de renda fixa e operações de swap/hedge), mesmo que não haja liquidação das posições, a contabilidade da empresa deverá apurar os respectivos rendimentos e resultados líquidos do mês e levá los em conta para fins de apuração do IRPJ a pagar; g) Independente e paralelamente à contabilização dos resultados das aplicações de renda fixa, o titular da carteira ou o administrador do respectivo fundo deverá proceder à retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre os respectivos rendimentos. Essa retenção ocorre por ocasião do pagamento dos rendimentos de aplicações em renda fixa ou quando da alienação do título em que se baseia a aplicação (resgate), como preconiza o art. 732, II do RIR; h) Já nas operações de swap/hedge, a retenção do IRRF será feita na data da liquidação do respectivo contrato (art. 756, § 50 do RlR/99). Vêse, desde logo, que os valores registrados na contabilidade da empresa, que levam em conta os rendimentos das aplicações em renda fixa e os resultados líquidos das operações de swap e hedge independentemente de ter havido ou não resgate ou liquidação (ou seja, registram, em conformidade com o regime de competência, receitas tanto das operações em curso como aquelas encerradas no período), não serão iguais aos valores sobre os quais as fontes calculam o lRRF o que, nas aplicações em renda fixa, ocorre apenas no resgate ou no momento em que são creditados os rendimentos e no casos de swap/hedge, verificase quando são liquidadas as posições; i) Assim, o valor indicado na linha 24 da ficha 6A da DIP J/2004 referente a "outras receitas financeiras" contempla, dentre outros, (i) os rendimentos das aplicações financeiras da requerente em renda fixa (ii) e os resultados líquidos de suas operações de swap e hedge cambial. E ambos incluem não só os valores relativos às aplicações e operações resgatadas/liquidadas no próprio ano, mas também quantias referentes a aplicações e operações a serem resgatadas/liquidadas em anos posteriores; j) Por outro lado, o valor indicado na ficha 53 da DIPJ/2004 (R$95.169.280,65) referese aos rendimentos e resultados líquidos positivos auferidos pela empresa, desde o início das aplicações financeiras em renda fixa e operações de swap/hedge (ainda que contratadas em períodos anteriores a 2003), tributados na fonte quando de seu resgate ou liquidação, em 2003; k) Tudo isso foi explicado pela requerente nas manifestações que antecederam a decisão ora combatida, nas quais se esclareceu, em última análise, que:(i) o valor apontado na DIPJ/04 ficha 53 (R$95.168.280,75) diz respeito à totalidade das receitas financeiras que serviram de base à retenção de IRF pelas fontes pagadoras e que foram apropriadas pela empresa não só em 2003 ,mas também em períodos anteriores (por força do regime de competência); e (ii) o valor de R$65.630.576,54, que compõe o resultado apontado na DIPJ/04 Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.802 10 ficha 06 (R$25.753.796,55),correspondente exclusivamente às receitas decorrentes de aplicações financeiras apropriadas em 2003 l) Portanto, a diferença entre os valores acima apontados é fruto da contabilização, via regime de competência, dos resultados das aplicações financeiras em renda fixa e das operações de cobertura (swap/hedge), que contemplam não só as receitas apropriadas em 2003, mas também aquelas apropriadas em períodos anteriores e, acertadamente, não incluídas na DIPJ/04. Todavia, a DRFB/Camaçari entendeu que a requerente teria que ter demonstrado em que períodos os resultados das suas operações financeiras (aplicações em renda fixa e operações de cobertura via swap/hedge) resgatadas e liquidadas em 2003 teriam sido contabilizados e tributadas; m) Não obstante, ao atender às intimações da DRFB/Camaçari, toda a sistemática de contabilização e tributação das receitas financeiras foi demonstrada pela requerente, tomando como exemplo as operações de swap e hedge no mês de mar/2003. Às fls, a requerente discriminou, mês a mês, produto por produto, os rendimentos de suas aplicações financeiras de renda fixa e de suas operações de cobertura (swap/hedge) do ano de 2003. Em seguida, atendendo à indagação específica da DRFB/Camaçari, a requerente detalhou a composição dos resultados das operações de cobertura de swap/hedge também com base no mês de mar/2003; n) Ao saldo inicial daquele mês calculado a partir do saldo final de fev/2003, igualmente discriminado pela requerente foram computados os resgates e os resultados das contas de swap e hedge formandose, assim, o saldo final do mês, levado à tributação com base no regime de competência. O valor das operações liquidadas no mês foi obtido a partir da discriminação de cada um dos contratos resgatados, em quadro demonstrativo indicando o banco onde realizado o investimento, as datas de sua realização e de seu vencimento, o vencimento da ponta ativa e o vencimento da ponta passiva; o) Na sequência, a requerente decompôs o valor da linha 24 da ficha 6A da DIPJ/2004, de modo a comprovar a inclusão das receitas das aplicações como um todo na base tributável do ano de 2003. Para respaldar suas informações, a requerente juntou cópias dos Livros Razão de mar/2003 indicativas das contas de onde foram extraídos os resultados que instruíram sua manifestação; p) A demonstração por amostragem pautouse no mês de mar/2003, sem prejuízo de a fiscalização examinar os demais meses do ano que julgasse conveniente, eis que a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear. Não obstante, como a DRFB/Camaçari entendeu que a prova deve ser minuciosa, mês a mês, contrato a contrato, aplicação por aplicação, afigurase mais apropriada a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil, fiscal e de tesouraria; q) Assim, caso essa DRJ entenda insuficientes os documentos já apresentados e necessária a demonstração detalhada das operações financeiras da empresa, requerse desde logo a realização de perícia técnica, indicandose como assistente da requerente o Sr. Reginaldo Luís Turci, brasileiro, administrador, Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.803 11 casado, com endereço comercial na Av. Brigadeiro Luís Antônio, n. 1.343, 80 andar, ala B, telefone: (11) 31776474, email rturci@ultra.com.br, portador do RG 12.314.3238, SSP/SP e CPF 032.525.81809 e formulandose os quesitos anexados à presente; r) Além das supostas inconsistências nos valores de receitas financeiras declarados pela requerente, a auditoria discordou igualmente do valor de IRPJ estimativa pago no decorrer do ano de 2003. Sustentou que no PAF I 3502.000493/200320 e na Dcomp 18806.08862.310703.1.3.024103, anexados ao PAF 13501.000297/200284, indicados pela requerente para fins de quitação do IRPJestimativa dos períodos de apuração de janJ03, fev/03, mar/03 e parte de abr/03, a compensação fora apenas parcialmente homologada. Diante disso, a fiscalização concluiu que o IRPJ pago por estimativa pela requerente não teria sido de R$15.087.056,84, mas sim, de R$12.l47.319,89. Ou seja, a auditoria partiu do pressuposto equivocado de que aquelas compensações não teriam sido autorizadas por decisão administrativa proferida no PAF nº 13501.000297/200284. s) Erro que não existe decisão administrativa final contrária ao contribuinte os autos do PAF nº 13501.000297/200284, inexistindo, portanto, causa que autorize o restabelecimento do suposto débito. É que referido processo administrativo de compensação encontrase em andamento, aguardando julgamento de recurso voluntário interposto pela empresa em 31/07/2007 (doc. 04). Inalterado esse status (doc. 05), os valores lançados permanecem extintos, a não ser que sobrevenha eventual decisão definitiva contrária aos pedidos de compensação. t). Nesse sentido, no que pretendeu, por vias indiretas, constituir crédito fiscal objeto de pedido de compensação em andamento em outro processo, o despacho decisório é desprovido de qualquer validade e eficácia. É que a compensação feita pelo contribuinte extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 156, II do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96). Ou seja, as compensações surtiram efeitos desde o momento em que declaradas. Apenas sobrevindo decisões não homologatórias, em definitivo, é que as compensações deixariam de ter esse efeito extintivo do crédito, a teor do art. 156, 11 e § único do CTN; art. 74, § 20, da Lei 9.430/96 e art. 26, § 20, da IN SRF 600/05. u) Nem se diga que o pedido de compensação (PAF 13501.000297/200284) poderia ter sido desconsiderado pela auditoria ao argumento de que já teria sido indeferido, pois a exigibilidade desse crédito permanece suspensa pela apresentação da manifestação de inconformidade (e subsequente recurso voluntário) (art. 151, IlI, do CTN), que segue os mesmos trâmites do processo administrativo fiscal federal (Dec. 70.235/72), podendo ser levada a julgamento até a última instância administrativa, consoante o art. 74 da Lei 9.430196, com redação dada pela Lei 10.833/02. v) Ao desconsiderar o recurso interposto pela requerente nos autos do mencionado processo de compensação, a DRFB/Camaçari atropelou os trâmites do próprio processo administrativo, ferindo todos os direitos da Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.804 12 requerente à ampla defesa e ao contraditório, constitucionalmente assegurados pelo art. 50, inc. LV da CF/88, e, ainda, o direito à compensação "que é decorrência natural da garantia dos direitos de crédito, que consubstanciam parcelas do direito de propriedade, combinada com outros preceitos constitucionais". w) E não é só. Admitir a existência de processo administrativo (como o presente) desconsiderando a compensação objeto de outro procedimento implica, no mínimo, a possibilidade de decisões contraditórias. Basta verificar que na hipótese aventada apenas para argumentar de ser mantida a decisão que desconsidera a compensação nestes autos e de, paralelamente, ao final do processo de compensação (PAF 13501.000297/200284), ser homologado o procedimento adotado pela requerente, ocorrerá verdadeiro conflito de decisões administrativas: uma homologando a extinção do crédito e outra tendo o crédito por não extinto. Por essas razões, é de rigor a reforma do despacho decisório para que sejam igualmente reconhecidos os créditos que são objeto do referido processo administrativo de compensação, ainda pendentes de decisão final. x) Demonstrativos do IR Fonte O despacho decisório consignou, ainda, que apesar de ter sido "indicado pelo interessado na DIPJ/2004, Ficha 53, o valor de R$19.033.856,15 (dezenove milhões, trinta e três mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e quinze centavos) a título de IRRF", "por meio de consulta às DIRF, entregues pelas fontes pagadoras bem como dos informes de rendimentos trazidos aos autos pelo interessado após intimação, foram confirmados, a título de IRRF, o montante de R$18.677. 703, 73". Ou seja, o auditor fiscal entendeu que a requerente teria deixado de comprovar a retenção de IRF no importe de R$356.152,42 (R$19.033.856,15 R$18.677.703,73). y) Sem embargo das evidencias já produzidas em suas manifestações anteriores, dando contas da retenção da totalidade dos valores informados na DIPJ/04 (R$19.033.856,15), a requerente logrou obter novo "Informe de Rendimentos Financeiros" emitido pelo Banco Itaú (doe. 06), referente ao "AnoCalendário 2003", onde consta expressamente, entre outros, o recolhimento de TRRF nos importes de R$7.968,41 (mai/03) e R$348.183,99 (jull03), cuja soma totaliza exatamente os R$356.152,40 não localizados pela auditoria. De rigor, pois, sejam esses valores também devidamente considerados na apuração do saldo negativo de IRPJ objeto das compensações em causa. z) Por essas sobejas razões, não pode prevalecer a decisão da DRFB/Camaçari que homologou apenas parcialmente a compensação do saldo negativo de IRPJ apurado do anocalendário de 2003. Requerse, pois, o acolhimento da presente manifestação de inconformidade e a homologação integral da referida compensação. Caso assim não entenda essa I. DRJ, requerse a realização de perícia para comprovar que as receitas financeiras do anocalendário de 2003 foram integralmente tributadas e que todo o TRRF declarado na DIPJ/2004 pode ser usado na composição do saldo negativo de IRPJ de 2003 que representa o crédito cuja compensação se requer no presente procedimento. Termos em que, requerendo, ainda, a produção das demais provas pertinentes, notadamente a juntada de documentos". Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.805 13 A DRJ ao julgar a Manifestação de Inconformidade da recorrente, deu parcial provimento, afim de retificar a apuração do saldo negativo do contribuinte do anocalendário de 2003, para inclusão dos valores glosados a título de estimativas pagas (R$ 2.939.736,95). Vejamos o voto do relator. VOTO I DA LIDE Conforme já relatado, a presente lide envolve o pedido de restituição e consequente compensação, do saldo negativo do ano calendário de 2003. O contribuinte alega ser credor perante a Fazenda Pública Nacional, do valor de R$ 11.330.633,92 relativo a apuração do IRPJ do já citado ano calendário, cujo saldo negativo decorreu de pagamentos excesso de estimativas e retenções na fonte. Segundo informações da respectiva DIPJ, a empresa teria deduzido do IRPJ apurado os valores de R$ 19.033.856,13 a título de IRPJ retido na fonte e R$ 15.087.056,84 a título de estimativas pagas no período. A Autoridade Fiscal encarregada da análise do direito creditório confirmou apenas os valores de R$ 13.126.129,69 e 12.147.319,89 como recolhimentos efetivos de IRRF e estimativas mensais respectivamente, reduzindose assim, o saldo negativo de R$ 11.330.633,92 para R$ 2.483 .170,53. Sobre tal diferença (R$ 8.847.463,39) instaurase o contraditório e definese os limites do presente julgamento. II IR, RETIDO NA FONTE SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS Com referência ao IRPJ retido na fonte, há que se esclarecer que a autoridade efetivou a glosa de parte dos valores que o contribuinte utilizou como dedução do IRPJ apurado no anocalendário de 2003 R$ (5.907.726,44), convalidando apenas R$ 13.126.29,69 dos R$ 19.033.856,13 informados pelo contribuinte em sua DIPJ. A glosa é justificada pelo fato de que, para utilização do IRPJ retido na fonte como dedução do IRPJ apurado no ajuste anual, se faz necessário que as receitas correspondentes também tenham sido oferecidas à tributação. Para utilizarse integralmente do IRPJ retido na fonte no montante de R$ 19.033.856,13, o contribuinte deveria comprovar o oferecimento à tributação de receitas financeiras correspondentes no montante de R$ 95.169.280,75 quando no anocalendário de 2003, declarou receitas Financeiras de apenas R$ 65.630.576,54. Em razão da diferença constatada (R$ 29.538.632,21) o contribuinte foi intimado em 10109/2008 (fls. 121/123) para, entre outras coisas, apresentar" discriminação detalhada da composição da Linha 24 Outras Receitas FinanceirasFicha 06 A da DIPJ de 2004, na qual foi declarado o valor de R$ Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.806 14 25.753.796,55". Em resposta apresenta a planilha abaixo reproduzida (fls. 199), com seguinte composição: Intimado em 20103/2008 (fls. 121 e 122), a demonstrar a tributação da totalidade das receitas informadas na Ficha 53, DIPJ12004, alegou o interessado na petição de fls. 124 a 129, que o montante de R$ 25.753.796,55 representa o total líquido de "outras receitas financeiras", em razão de ter obtido resultados negativos nas operações de SWAP e Hedge Cambial e que a diferença entre o valor total das receitas, indicado na referida Ficha 53 (R$ 95.169.280,75), e o indicado na tabela acima como Juros S/ Aplicações Financeiras (R$ 65.630.576,54) decorre do fato de que parte das receitas financeiras percebidas pelo interessado teria sido apropriada em exercício anteriores, em conformidade com o regime de competência. Considerando a informação de que parte das receitas financeiras obtidas, teriam sido apropriadas em exercícios anteriores, em 10/09/2008 o contribuinte foi novamente intimado para "apresentar demonstrativo detalhado indicando os investimentos e valores, relativos ao anocalendário de 2003, cuja tributação tenha ocorrido em exercícios anteriores a 2004 (contrato a contrato), a DIPJ em que foi declarada a respectiva receita, bem como a composição detalhada da respectiva linha (da DIPJ), acompanhada dos Livros Razão respectivos “( fls 900/901). Em atendimento à intimação, o contribuinte informa às fls. 912 a 916, item que as receitas são originárias de operações de SWAP e hedge. Demonstra a forma de apropriação dos resultados dessas operações, referentes ao ano calendário de 2003 detalhando, apenas o mês de março, algumas com vencimento inclusive no ano de 2004, concluindo ao final "que a composição detalhada da DIPJ que abrange a declaração dessas receitas apropriadas periodicamente em exercícios anteriores, demandaria levantamento e análise impraticáveis de múltiplas operações de SWAP e HEDGE da empresa, iniciadas e finalizadas em diferentes momentos, eis que, como demonstrado, em cada período de apuração diversas operações são contratadas, enquanto outras são resgatadas, e outras, ainda, remanescem de períodos anteriores, não havendo pois, como delimitar essa demonstração apenas a vista do resgate dessas operações no ano de 2003". Ressaltese, que consta no Despacho Decisório, a informação de que "das receitas informadas na Ficha 53, DIPJ/2004, no total de R$ 95.169.208,75, o Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.807 15 montante de R$ 88.921.275,25 (IRRF vinculado de R$ 17.784.255,03) corresponde a receitas decorrentes de aplicações financeiras: de renda fixa (cód. 3426) e em fundos de investimentos renda fixa (cód. 6800), portanto, totalmente diversas das operações de SWAP e Hegde cambial, citadas pelo contribuinte como origem das receitas reconhecidas em exercícios anteriores. Percebese assim, que 93, % das fontes utilizadas pelo contribuinte em 2003, referemse a receitas de outras aplicações financeiras diferentes de Hegde e Swap, não sendo razoável a justificativa apresentada”. Conclui a Autoridade Fiscal que "face às informações imprecisas e genéricas, prestadas pelo interessado e não tendo sido demonstrada a tributação da diferença entre o valor acima referido (R$ 65.630.576,54) e a totalidade de receitas informadas na Ficha 53, DIP J/2004 (R$ 95.169.208,75), qual seja, R$ 29.538.632,21 , resta impossibilitada a utilização de todo o IRRF relativo à diferença de receitas acima referida, no montante de R$ 5.907.726,44 (cinco milhões, novecentos e sete mil, setecentos e vinte e seis reais e quarenta e quatro centavos; correspondente a 20% das receitas cuja tributação não restou demonstrada, conforme alíquota prevista no MAFON 2003)". A matéria é tratada nos arts 231, 770 e 773 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/I 999, da seguinte forma: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): I Dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II Dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III Do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV Do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitamse à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei n2 8.981, de 1995, art. 76, § 22, Lei n2 9.317, de 1996, art. 32, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 51): I Integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; II Serão tributados de forma definitiva no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.808 16 mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e 11, Lei nº9.317, de 1996, art. 3E, § 3°, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I Deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II(...) Como se vê, a regra geral é que os valores referentes ao IRPJ retidos na fonte, só poderão ser utilizados como dedução do IRPJ a pagar, se as receitas correspondentes já estiverem sido oferecidas à tributação mediante sua inserção na apuração do lucro real. Por outro lado, dispondo sobre receitas e despesas financeiras, o art. 373 do RlR/1999 ao tratar das operações ou títulos com vencimento posterior ao período de apuração, determina que a apuração destas receitas se faça pro rata tempore: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que compelirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). No anocalendário de 2003 a impugnante deduziu do seu IRPJ a pagar o montante de R$ 19.033.856,13 a título de IRPJ retido na fonte, valor correspondente a receitas financeiras de R$ 95.169.280,75. Ocorre que neste período, foi oferecido à tributação, apenas R$ 65.630.576, 54.Intimada a se manifestar sobre a diferença apontada R$ (29.538.632,21), a empresa esclarece que a diferença entre o valor informado pelos bancos e o que foi efetivamente apropriado como receita financeira no período, decorreu do fato de ter oferecido tais receitas à tributação segundo o regime de competência, ocorrendo a efetiva retenção do IRPJ na fonte, em momento diferente, ou seja, no resgate da aplicação. Da legislação acima citada, depreendese que o procedimento adotado pela empresa ao apropriar suas receitas financeiras pelo regime de competência tem respaldo na legislação tributária, e tais valores não precisam necessariamente guardar relação com os valores de IRPJ retidos na fonte em um determinado anocalendário, já que as apropriações ocorrem nos momentos distintos das efetivas retenções. Entretanto, os livros e documentos contábeis ao contribuinte, deverão estar habilitados para espelhar de forma clara insofismável, o efetivo oferecimento à tributação, mesmo que em períodos anteriores, de receitas apropriadas em outros períodos, cuja fonte está sendo integralmente utilizada num determinado anocalendário. No caso específico, a Autoridade Fiscal intimou o contribuinte em 20/03/2008 (fis. 121 e 122) e em 10/09/2008 (fl. 900), a demonstrar a tributação da totalidade das receitas cuja fonte estava utilizando como dedução no ano calendário de 2003. Em atendimento às intimações, este respondeu que "a Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.809 17 demonstração por amostragem pautouse no mês de mar/2003, sem prejuízo de a fiscalização examinar os demais meses do ano que julgasse conveniente, eis que a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear. Não obstante, como a DRFB/Camaçari entendeu que a prova deve ser minuciosa, mês a mês, contrato a contrato, aplicação por aplicação, afigurase mais apropriada a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil, fiscal e de tesouraria". Observase assim, que a impugnante já tinha conhecimento desde 20/03/2008, da imprescindibilidade da demonstração da apropriação em períodos anteriores, das receitas financeira cuja fonte utilizou integralmente no anocalendário de 2003. Tais comprovações ainda poderiam ser apresentadas na defesa, cujo protocolo ocorreu em 06/03/2009, praticamente 01 anos depois, onde a impugnante, além de não trazer nenhuma prova, limitouse a reafirmar que " a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear", requerendo a realização de perícia técnica para demonstração da liquidez e certeza do seu crédito tributário objeto do pedido de compensação. Este também é o entendimento do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme decisões abaixo: ACÓRDÃO 10809.163 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara 1º Conselho de Contribuintes /8a. Câmara / ACÓRDÃO 10809.163 em 07.12.2006 IRPJ EXS. 1998 a 2002 PAF ÔNUS DA PROVA Cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações. Não prospera o argumento de que: "A própria Secretaria da Receita Federal poderia ter verificado em seus arquivos e documentos e comprovado a certeza e liquidez da existência do montante do crédito alegado". ACÓRDÃO 10517.266 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes / 5ª. Câmara 1º Conselho de Contribuintes /5a. Câmara / ACÓRDÃO 105 17.266 em 15/10/2008. IRPJ EX: 1999 e 2000 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercícios: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ AUSÊNCIA DE. CERTEZA E LIQUIDEZ – Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte. Assim, verificase incabível o pedido de perícia que visa a produzir prova documental que deveria ter sido apresentada no decorrer do procedimento fiscalizatório ou no momento da impugnação, no caso da manifestação de inconformidade, especialmente quando não foi demonstrada a impossibilidade de produzila por motivo de força maior, não se refira a fato ou direito superveniente e não se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos atos. Dessa forma, pela competência atribuída pelo artigo 18 e em consonância com o art.16, § 1º do PAF, acima transcrito, indefiro o pedido de realização de perícia. IV. DAS ESTIMATIVAS Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.810 18 Com referência às estimativas pagas no período, a Autoridade Fiscal efetivou a glosa de parte dos valores que o contribuinte utilizou como dedução do IRPJ apurado no anocalendário de 2003 (R$ 2.939.736,95) convalidando apenas R$ 12.147.319,89 dos R$ 15.087.056,84 informados pelo contribuinte em sua DIPJ. A Autoridade Fiscal justifica a glosada efetuada, pelo fato de que as parcelas de estimativas mensais com período de apuração Janeiro, fevereiro, março e parte da parcela de abril de 2003, foram compensadas com Saldo Negativo de IRPJ/2002, cuja análise foi realizada no processo n° 13501.000297/200284. Através do "Despacho Decisório DRF/CCI n° 0173/2006, cópia às fls. 949 e 950, a compensação da parcela de estimativa referente ao PA de Jan/2003 foi parcialmente homologada, no valor de R$ 449.047,76, sendo que não foram homologadas as demais parcelas de estimativas relativas ao ano calendário de 2003. O referido Despacho Decisório foi confirmado pela 2ª Turma da DRJ/SDR, conforme o Acórdão nº 1512.665, cuja cópia encontrase anexada às fls. 951 a 965". Em sua defesa O contribuinte argumenta que "não existe decisão administrativa final contrária nos autos do PAF nº 13501.000297/2002 84, inexistindo, portanto, causa que autorize o restabelecimento do suposto débito. É que referido processo administrativo de compensação encontrase em andamento, aguardando julgamento de recurso voluntário interposto pela empresa em 31/07/2007 (doc. 04). Inalterado esse status (doc. 05), os valores lançados permanecem extintos, a não ser que sobrevenha eventual decisão definitiva contrária aos pedidos de compensação". De fato, a compensação declarada a Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, na forma do que dispõe o § 2° do art. 49 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.63 7, de 2002) § 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluindo pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º (...) § 4º (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5(cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.811 19 O processo 13501.000297/200284 foi protocolado em 20/11/2002 e efetivamente extinguiu os débitos declarados até ulterior deliberação da Receita Federal do Brasil o que ocorreu através do Despacho Decisório DRF/CCI nº 0173/2006, (fls. 949 e 950), de 17/12/2006 operandose assim a condição resolutória, momento a partir do qual, estariam tais débitos em condição de exigibilidade e consequente cobrança. O referido Despacho Decisório foi confirmado pela 2ª Turma da DRJ/SDR, conforme o Acórdão nº 1512.665, cuja cópia encontrase anexada às fls. 951 a 965". Os recursos apresentados pelo contribuinte aos órgãos julgadores, suspendem a exigibilidade do crédito a que tem direito a Fazenda Pública Federal, mas não devolvem aos débitos do contribuinte, a sua condição de extintos, por já ter havido deliberação da RFB negando a sua homologação. A suspensão da exigibilidade também não confere ao crédito tributário, a liquidez e certeza que o tomaria habilitado a operar a compensação. Ocorre, entretanto, que em 12 de março de 2009, julgando o recurso voluntário do contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda reformou a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, proferindo o seguinte acórdão: 5 RECEITAS FINANCEIRAS APROVEITAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Restando comprovado que o contribuinte ofereceu à tributação a integralidade das receitas financeiras auferidas no período, descabe negarlhe o aproveitamento também integral do imposto de renda retido na fonte sobre essas receitas. Eventual questionamento sobre a comprovação de perdas em operações de cobertura (hedge) não pode alterar esse direito: a uma, porque trazido somente por ocasião do julgamento de primeira instância; a duas, porque o imposto de renda retido na fonte não diz respeito a receitas auferidas nessas operações. (Recurso Voluntário 160.943, Acórdão 130100.043 3a Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 12 de março de 2009). Assim, considerandose a decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, há que se restituir ao contribuinte, os valores glosados referentes às estimativas cujas compensações não foram acatadas em função do processo 13501.0002971200284 (R$ 2.939.736,95), considerandose como estimativas pagas período, o montante de R$ 15.087.056,84 na forma da planilha a ser inserida ao final deste voto. 6 DA DIFERENÇA ENTRE OS VALORES INFORMADOS EM DIRF E INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Em seu Despacho Decisório, informa a Autoridade Fiscal, que o contribuinte informou como IRRF no anocalendário de 2003, o montante de R$ 19.033.856,15 mas foram confirmados em DIRF R$ 18.677.703,73, havendo assim uma diferença de R$ 356.152,42. Entretanto ao refazer o novo demonstrativo de apuração do IRPJ em função das glosas efetuadas, a fiscalização não levou em conta a diferença encontrada (R$ 356.152,42), já partiu do valor total informado pelo contribuinte a título de fonte (R$ 9.897.944,85) para dedução do IRPJ anual. Como a empresa já tinha utilizado Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.812 20 R$ 9.135.911,28 para pagamento das estimativas mensais, nenhuma glosa foi efetuada em função da citada diferença. Em sua defesa o contribuinte traz ao PAF "novo Informe de Rendimentos emitido pelo Banco Itaú, referente ao anocalendário 2003, onde consta expressamente, entre outros, o recolhimento de IRRF nos importes de R$7.968,41 (maio/03) e R$348.183,99 jul/03), cuja soma totaliza exatamente os R$356.152,40 não localizados pela auditoria. De fato, no informe de rendimentos emitido pelo Banco Itaú (fls. 1.062), constam as retenções informadas pelo contribuinte, suprindo assim, a diferença apontada pela fiscalização. Conforma anteriormente informado, tal diferença não foi a causa determinante da glosa efetuada neste PAF, e sua retificação não provocará nenhuma alteração nos valores, cuja glosa decorreu da não comprovação do oferecimento das respectivas receitas financeiras à tributação em anoscalendário anteriores, motivo pelo qual acato as alegações da defesa para considerar o informe de rendimentos apresentado apenas para fins escriturais, já que sua retificação não interfere nos valores apurados na presente decisão. 7 CONCLUSÃO Assim, em decorrência das razões acima apresentadas, há que se retificar a apuração do saldo negativo do contribuinte do anocalendário de 2003, para inclusão dos valores glosados a título de estimativas pagas (R$ 2.939.736,95), decorrentes da aplicação da decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferida no processo 13501.0002971200284 através do Acórdão 130100.043, pelo que reconheço o direito creditório relativo ao saldo negativo de 2003 no valor de R$ 5.422.907,48, conforme planilha abaixo: . Diante do indeferimento do seu pedido de perícia contábil para confirmar que suas receitas financeiras foram oferecidas à tributação em períodos anteriores, a recorrente apresentou recurso voluntário requerendo a produção de prova técnica, “para oferecer os elementos de evidência que a decisão recorrida reputou necessários e que jamais poderiam ser Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.813 21 amealhados sem o envolvimento de vários profissionais, nem em curto lapso temporal.” (vide fls. 1.140 a 1.145 dos autos). No dia 16 de dezembro de 2010, a recorrente atravessou petição às folhas 1.157 a 1.162 dos autos, noticiando que havia finalizado seus levantamentos afim de demonstrar o seu direito creditório perante a União Federal, e com base no princípio da verdade material, pleiteou que fosse recebida a documentação anexa a referida peça, a qual comprovaria de fato que fora oferecida a tributação toda a receita financeira das aplicações resgatadas no exercício de 2003. (vide fls. 1.163 e seguintes). É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. O recurso é tempestivo, portanto, dele conheço. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao IRRF relativo à diferença de receitas financeiras consideradas tributadas pela fiscalização (R$ 65.630.576,54 Ficha 53, DIPJ/2004) e o consequente aproveitamento do IRRF, e a totalidade de receitas financeiras que a fiscalização entendeu ser necessário (R$ 95.169.208,75) para a recorrente ter direito a quantia de IRRF conforme pleiteado, no valor de R$ 19.033.856,13, sendo convalidado pela fiscalização somente a quantia de R$ 13.126.129, 69, gerando uma diferença de R$ 5.907.726,44 (cinco milhões, novecentos e sete mil, setecentos e vinte e seis reais e quarenta e quatro centavos, decorrente da aplicação do percentual de 20% sobre a quantia de R$ 29.538.32,21 (R$ 95.169.208,75 R$ 65.630.576,54)). O argumento utilizado pela decisão recorrida para aceitar a glosa efetuada pela fiscalização foi a seguinte: “a impugnante já tinha conhecimento desde 20/03/2008, da imprescindibilidade da demonstração da apropriação em períodos anteriores, das receitas financeiras cuja fonte utilizou integralmente no anocalendário de 2003. Tais comprovações ainda poderiam ser apresentadas na defesa, cujo protocolo ocorreu em 06/03/2009, praticamente 01 anos depois, onde a impugnante, além de não trazer nenhuma prova, limitouse a reafirmar que " a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear", requerendo a realização de perícia técnica para demonstração da liquidez e certeza do seu crédito tributário objeto do pedido de compensação”. Como se percebe da descrição acima, a controvérsia gira em torno da comprovação do oferecimento à tributação das receitas de aplicações financeiras. Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.814 22 Já é conhecido por esta Primeira Seção do CARF dos problemas de aproveitamento do IRRF no resgate de aplicações financeiras em razão do descompasso existente entre o reconhecimento das receitas de aplicações financeiras, que ocorre pelo regime de competência, e o aproveitamento do IRRF por ocasião do resgate dessas aplicações, que se dá pelo regime de caixa. É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e esclarecimentos posteriores faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação a receita financeira glosada pela fiscalização em períodos anteriores ao resgate, quando efetivouse a retenção integral do IR. Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos sobre os documentos apresentados (inclusive posteriormente à manifestação de inconformidade) para a comprovação do saldo dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito mister é que a recorrente seja intimada a: a) apresentar nova planilha analítica das receitas financeiras auferidas que serviram para justificar o aproveitamento do IRRF na composição do saldo negativo do Imposto de Renda do anocalendário de 2003, apontando as folhas do Razão em que foram contabilizadas, bem como juntandoas aos autos ou informando em quais folhas elas se encontram já anexadas; b) decompor, analiticamente, os valores informados nos campos próprios ("outras receitas financeiras") nas DIPJ´s dos referidos exercícios anteriores, destacando os valores que compõe a rubrica devidamente contabilizados (apontando novamente as folhas do Razão); c) de posse destas planilhas e livros contábeis da recorrente, a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá elaborar um relatório fiscal demonstrando a veracidade, ou não, das alegações suscitadas de que a integralidade das receitas financeiras auferidas em virtude de aplicações financeiras (montante de R$ 95.169.208,75), vinculadas ao IRRF em análise nestes autos, foram efetivamente oferecidas à tributação, ainda que em períodos anteriores; A recorrente deverá tomar a devida ciência deste Relatório Fiscal, podendo se manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro, após expirarse o prazo. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA – Relator. Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 11080.723702/2010-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO.
Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Hélio Eduardo de Paiva Araújo, que lhe negaram provimento. O Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo votou apenas quanto ao mérito em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga da Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez, que já havia proferido seu voto em sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Hélio Eduardo de Paiva Araújo, que lhe negaram provimento. O Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo votou apenas quanto ao mérito em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga da Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 37 02 /2 01 0- 19 Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.709 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1.515/1.547), contra o acórdão de nº 110100.709 (efls. 1.446/1.512), que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da decisão cuja ementa ora colaciono: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. 0 fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.710 3 DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. 0 conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. 0 lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. 0 fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas só pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão 130100.058, cuja ementa, na parte afeta à matéria, ora transcrevo: DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. Fundamenta o seu recurso, em apertada síntese, na impossibilidade de aproveitamento de ágio que foi gerado artificialmente, entre empresas que estavam sob controle comum, vez que as operações ocorreram entre as seguintes pessoas jurídicas: a) Gerdau S.A; b) Siderúrgica Riograndense AS (alterada para Gerdau Participações S.A); c) Gerdau Açominas S.A; e d) Gerdau Comercial de Aços S.A. A Fazenda descreve os fatos analisados pela Fiscalização desde a aquisição, em 2001, pela Gerdau S.A, de participação na Aço Minas Gerais S.A. Tal participação teria sido aumentada em 2002, e reestruturada em 2003, com a transferência de alguns ativos da Gerdau S.A para a Açominas, depois denominada Gerdau Açominas S.A. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.711 4 Aduz a Recorrente que: a) em 2004 foi iniciada a reorganização societária do grupo Gerdau, sendo o primeiro passo a reativação da Siderúrgica Riograndense, que estava praticamente desativada, mas recebeu um aporte de capital com integralização de ações efetuada pela Gerdau S.A., passando tal siderúrgica a se denominar Gerdau Participações S.A.; b) o capital dessa siderúrgica foi aumentado de R$ 422.360,00 para R$ 15.227.078.630,00, por meio de ações que a Gerdau S.A tinha na Gerdau Açominas S.A. e na Gerdau Internacional Empreendimentos Ltda.; c) antes da integralização, essas ações foram reavaliadas, por meio de um Laudo de Avaliação Econômica fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, elaborado em 22/12/2004; d) a Gerdau S.A., que teve o seu patrimônio aumentado em decorrência dessas reavaliações, não reconheceu ganho de capital, em razão do diferimento que era autorizado por meio do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002; e) em 28 de abril de 2005, a Gerdau S.A, a Gerdau Participações S.A e a Gerdau Açominas S.A., firmaram “Protocolo de Intenções” pactuando a futura incorporação da Gerdau Participações S.A pela Gerdau Açominas S.a, que iria se efetivar no dia 9 de maio de 2005; f) em 9 de maio de 2005, a Gerdau Açominas S.A. incorporou a Gerdau Participações, passando seu capital a ser aumentado em R$ 1.224.645.638, 74, havendo, ainda, sido constituída uma Reserva Especial de Ágio no montante de R$ 3.134.243.953,83; g) a partir desta incorporação, a incorporadora Gerdau Açominas S.A passou a amortizar o ágio (esta amortização está sendo discutida por meio do PAF 10680.724392/201028); h) três meses após essa incorporação, a Gerdau Açominas S. A foi cindida parcialmente, havendo o seu patrimônio sido vertido para quadro novas sociedades: Gerdau Aços Especiais S.A., Gerdau Aços Longos S.A., Gerdau América do Sul Participaçoes S.A., e Gerdau Comercial de Aços S.A. Em resumo, a Recorrente argumenta que o aumento de capital na Gerdau Participações pela Gerdau S.A, utilizandose de suas participações societárias na Gerdau Açominas S.A e na Gerdau Internacional Empreendimentos Ltda, “não teve qualquer respaldo fáticonegocial, consistindo, nas palavras da Fiscalização, artifício contábil.”, já que a Gerdau Participações serviu de empresa veículo para tãosomente reduzir o lucro tributável da Gerdau Açominas S.A, porque foi criada com “o único objetivo de criar artificialmente um ágio a ser deduzido” e destaca a proximidade temporal entre a reativação da antiga Siderúrgica Riograndense (que virou a Gerdau Participações) e sua incorporação (vida efêmera de 5 meses). Rebate os argumentos da recorrida no tocante às suas justificativas para a operação, colaciona doutrina de Luís Eduardo Schoueri a respeito de Planejamento Tributário e Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.712 5 Propósito Negocial, transcreve parte do voto vencido da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa, bem como outros acórdãos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Além disso, a Recorrente aponta erro no voto condutor do acórdão recorrido, haja vista que este afirmou que a Fiscalização, ao basear o lançamento em artigo doutrinário de Eliseu Martins, não reproduziu com fidelidade o entendimento do ilustre professor e o texto do professor defende que a contabilidade não pode se dissociar dos valores éticos, concluindo, ao contrário do voto vencedor do acórdão recorrido, que o professor Eliseu Martins repudia a contabilidade “manipulável e nefasta” e interpreta que o professor entende que o “ágio em si mesmo” deve ser expurgado da contabilidade, pois não encontra guarida nas regras e nos princípios que governam os registros contábeis. Assim, estaria completamente equivocado o voto condutor do acórdão recorrido porque entendeu, em outras palavras, que “a lei teria causado, de modo proposital, a erosão tributária mediante a criação de despesas artificiais!”. Ao final, pede que seja reformado o acórdão recorrido, restabelecendose a decisão de primeira instância. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara por meio do Despacho de efls. . 1.550/1.553, do qual transcrevo o seguinte trecho: “Verificase ser idêntico o contexto fático entre as situações contrapostas. Com efeito, em ambas houve a presença de empresa controladora (ou grupo controlador) que subscreveu (eram) capital social em empresa ‘veículo’ com ações da controlada avaliadas por valor maior do que o patrimonial, gerando ágio com base em rentabilidade futura naquela ‘veículo”. Em ato de incorporação societária posterior a empresa veículo’ é absorvida pela controlada, que passa a contabilizar a amortização do ágio”. A contribuinte devidamente cientificada desse despacho apresenta Contrarrazões de fls 1.601/1.647, por meio da qual refuta, não só a admissibilidade, como também o mérito do recurso da Fazenda. No que diz respeito à admissibilidade, afirma que, ainda que a matéria fática em ambos os acórdãos seja reorganização societária com aproveitamento de ágio nela gerado, enquanto no acórdão paradigma é questionada a existência do próprio ágio, no acórdão recorrido, o fundamento econômico da avaliação do ágio é inquestionável, daí porque inexistiria dissídio jurisprudencial. Por oportuno, destaco trecho que reproduz uma síntese de seus argumentos: “No Acórdão Paradigma, a Terceira Câmara examinou e decidiu por não admitir os efeitos fiscais almejados com o ‘planejamento tributário engendrado pela Recorrente’.No Acórdão Paradigma, a Terceira Câmara não apreciou, particularmente, o alcance, tampouco interpretou as regras jurídicas dos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, à vista de carência de fundamento econômico para a avaliação suficiente à existência de ágio. No Acórdão Recorrido, a Primeira Câmara apreciou o alcance, interpretou e decidiu sobre a aplicação das normais inseridas nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 na hipótese de ‘denominado ágio interno”. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.713 6 No mérito, contraargumenta a Fazenda, aduzindo que não existe no caso concreto qualquer ofensa aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, pois a única motivação para o lançamento foi o ágio interno, ou seja, o fato de “os efeitos contábeis da geração do ágio amortizado ter sido gerado em operações efetuadas entre pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo econômico”, e tal fato restou evidenciado no acórdão recorrido como “irrelevante ao comando legal inserido no art. 7º da Lei 9.532/97”. Acrescenta que quando a Recorrente chama a reorganização das empresas de “operações estruturadas”, ela está se afastando e inovando a motivação dos lançamentos, até porque os AuditoresFiscais não contestaram os objetivos de sua reestruturação, não contestaram o fundamento econômico do laudo, nem sua veracidade, tendo, portanto, o laudo de avaliação sido admitido como verdadeiro e eficaz, e que a Recorrente não logrou infirmar tal laudo, tampouco o fundamento econômico que gerou o ágio. A respeito das referências à doutrina do prof. Eliseu Martins, aduz que ele mesmo esclareceu, em obra posterior, que não estava dizendo que o que se fazia contrariava norma em vigor, de forma que o mencionado professor rechaçava a interpretação dos AuditoresFiscais; também cita trechos da obra de Luis Eduardo Schoueri, na parte que faz referência aos profissionais Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Júnior. Defende que a lei aplicase a qualquer pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, nas condições enumeradas, e que no caso houve a subscrição e integralização de capital social na Gerdau Participações S.A pelo Banco Itaú BBA S.A, e, que o princípio da legalidade obsta a utilização da chamada interpretação econômica pelo aplicador da lei, que foi feita pelos AuditoresFiscais. Sustenta que o próprio STJ já se pronunciou que é impossível, em função do princípio da legalidade, ampliar a base de cálculo de tributo por meio de interpretação jurisprudencial, como está a pretender a Recorrente em suas razões recursais. Por fim, requer que seja negado conhecimento ou, no mínimo, negado provimento ao recurso especial da Fazenda, em razão dos argumentos acima aduzidos. É o relatório. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.714 7 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. Pressupostos de Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo porém, como a Recorrida traz em contrarrazões argumentos no sentido do seu não conhecimento, passo a analisálos. A síntese dos argumentos da Recorrida no que toca ao conhecimento diz respeito à ausência de dissídio jurisprudencial, porque entende que no acórdão paradigma o laudo foi questionado e, no acórdão recorrido, o laudo não foi questionado. Entretanto este entendimento está equivocado por duas razões: i) a motivação para o acórdão paradigma não aceitar como dedutível a despesa de amortização do ágio decorreu de situações que se encontram presentes no acórdão recorrido. O fato de a Fiscalização, no caso do acórdão paradigma, trazer à tona ressalva feita pela empresa de consultoria responsável pelo laudo quanto ao seu conteúdo foi encarado pelo relator como sem tanta relevância, pois ele apenas citou o laudo como “discutível” mas, sem sombra de dúvidas, o que foi decisivo para o julgamento foi o fato de as operações terem sido realizadas entre empresas sob controle comum e do ágio ter sido gerado artificialmente, conforme trechos do voto do acórdão paradigma e, na seqüência, conforme a própria ementa do acórdão, por meio da qual normalmente o relator resume a essência do seu voto: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como ÁGIO, e, a partir daí, reduzir o lucro tributável. ......................................................................................................... O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. ........................................................................................................ A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária.(Grifei) Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.715 8 Ementa: DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. ii) na acusação fiscal do acórdão recorrido, ao contrário do que afirma a recorrida, o fundamento econômico do laudo foi questionado, sim, indiretamente, porque se diz que o ágio é sem substrato econômico, artificial. Questionase algo bem anterior ao próprio laudo, conforme trechos que do Termo de Verificação Fiscal ora colacionados (efls. 1.802 e seguintes): ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.716 9 ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ Assim, quando a Recorrida quer dizer que ninguém questionou o fundamento do seu ágio, ela na verdade está querendo já adentrar no mérito da questão, para defender a legalidade das despesas que efetuou. Mas não se pode dizer que essas não foram questionadas, porque o foram e de forma bastante contundente. Não há como conceber que a Fiscalização validou e considerou correto o ágio, porque, a partir do momento que ela questiona o seu surgimento, o seu artificialismo, ela está criticando algo até maior do que o seu fundamento econômico. Aliás, a discussão se a despesa é dedutível ou não, no caso do recorrido, é uma decorrência de como surgiu esse ágio. Assim, quando, em suas contrarrazões, apresenta um quadro comparando as decisões, na verdade, a Recorrida está comparando duas decisões que, de fato, deram entendimentos diversos, porque quem não questiona o laudo e o fundamento econômico do seu Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.717 10 surgimento é a decisão recorrida e é justamente por isso que a Fazenda tenta demonstrar a divergência jurisprudencial. Portanto, conforme demonstrado, ambos os colegiados se debruçaram sobre uma acusação fiscal de impossibilidade de dedutibilidade da despesa de amortização de um ágio que teria sido criado em operações entre empresas sob o mesmo controle, sem que houvesse qualquer dispêndio, posto que para nenhum deles a Fiscalização identificou que houve pagamentos, e em ambos, a Fiscalização também identificou ter havido o uso de “empresas veículos": no paradigma, a Magenta, no recorrido, a Gerdau Participações S.A. A similitude decorrente do controle comum e de ambos os casos não ter havido o pagamento é tão flagrante, que o próprio voto vencido no acórdão recorrido, quando aduz que para haver ágio propriamente dito, tem que haver pagamento, cita o próprio acórdão paradigma: No mesmo sentido são as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães ao analisar caso semelhante, expressas no Acórdão n° 130100.058 e acolhidas por unanimidade pela 1a Turma Ordinária da 3 a Camara desta 1a Seção de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de unia avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender uni único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa.(..) Saliento que vislumbro similitude fática, inclusive, pelo fato de no acórdão recorrido a Fiscalização não ter questionado o propósito negocial da operação de reorganização societária como um todo, e idêntica situação ter ocorrido no acórdão paradigma, como destaco do acórdão nº 130100.058: Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. Ou seja, até sob esse aspecto (não questionamento, pela Fiscalização, do propósito negocial das operações de reorganização societária), os casos são semelhantes. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.718 11 Em razão disso, afasto a alegação de ausência de dissenso jurisprudencial e conheço do recurso. Análise do mérito No mérito, entendo que assiste razão à Fazenda Nacional porque a Lei nº 9.532, de 1997, em seus artigos 7º e 8º, jamais pode ser interpretada como permissiva de dedutibilidade de uma despesa que foi “inventada”! E aqui chamo a atenção que o que classifico de “invenção” é incontroverso pois, em que pese a recorrente dizer que o ágio é legítimo, em nenhum momento a Recorrida demonstrou que houve pagamento ou qualquer transferência de recursos relativa ao ágio que aproveitou. A discussão que se trava aqui é se a lei exige ou não pagamento, custo, onerosidade, e partes independentes. Recapitulando um pouco a operação de onde surgiu o ágio, verificase: 1 – Siderúrgica Riograndense, empresa praticamente inativa, com capital social de R$ 422.360,00 passa a se chamar Gerdau Participações e a deter um capital de R$ 15.227.078.630,00. E a primeira pergunta que surge: como se deu este aumento de capital? 2 – Gerdau S.A subscreveu ações que Siderúrgica Riograndense emitiu. E como subscreveu? 3 – Subscreveu com as ações que Gerdau S.A tinha na Gerdau Açominas, no valor de R$ 13.698.283.480,00 (subscreveu com a totalidade das ações que detinha na Açominas) e na Gerdau Internacional, no valor de R$ 1.528.372.790,00 (aqui só usou 22,8% da participação que detinha). E como surge a Gerdau Comercial de Aços S.A? 4 – Foi constituída em 15/04/2005, com capital social de R$ 10.000,00, subscrito por Gerdau Açominas S/A (R$ 9.900,00) e Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda (R$ 100,00). E como surge o ágio na Gerdau Comercial de Aços S.A? 5 – Em 30/07/2005, Gerdau Açominas é cindida parcialmente, e uma parte do seu patrimônio vai para a Gerdau Aços Especiais (de acordo com o laudo, a ora autuada incorporou R$ 517.835.604,32 dos bens, direitos e obrigações da cindida). Portanto houve uma cisão, seguida de incorporação. 6 – Desse valor, R$ 359.177.779,52 corresponde, segundo a Fiscalização, ao ágio herdado pela Gerdau Açominas, quando incorporou a Gerdau Participações. É que, em 2004, o investimento que a Gerdau S.A tinha na Gerdau Açominas estava contabilizado por R$ 4.479.918.909,94. Mediante um Laudo de Avaliação Econômica na Gerdau Açominas, esse investimento passou a ser avaliado por R$ 4.479.918.909,94, acrescido de um “goodwill” de R$ 13.698.283.480,00. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.719 12 Quando Gerdau S.A subscreveu o capital de Gerdau Participações S.A com a totalidade das ações da Gerdau Açominas, Gerdau Açominas passou a ser controlada de Gerdau Participações, que por sua vez era controlada de Gerdau S.A, ou seja, o controle de tudo continuou com Gerdau S.A. Na contabilidade de Gerdau Participações S.A é registrado o valor contábil da Gerdau Açominas, acrescido do ágio decorrente da reavaliação. Quando Gerdau Açominas incorpora Gerdau Participações, passa a amortizar uma parte desse ágio, e quando é cindida e incorporada pela Gerdau Aços Especiais, o ágio é transferido. Logo, quem recebeu este ativo reavaliado, que foi a Gerdau Participações S. A, nada entregou à Gerdau S.A, senão suas próprias ações, as quais apenas permitiram à suposta alienante manter o controle que já detinha sobre a Gerdau Açominas. Assim, Gerdau Participações S.A tem contabilizado um ágio sem ter tido qualquer dispêndio para aquisição das ações. E quando a ora autuada (Gerdau Aços Especiais S.A) passa a amortizar o ágio? 7 – Quando ela incorpora parte de Gerdau Açominas (a partir de agosto de 2005). Isso aconteceu cinco meses após Gerdau Participações S.A ter surgido como tal (conforme item 1 acima). A Recorrida alega que isso ocorreu em razão de ser um estágio intermediário do processo de reorganização societária. A Fiscalização diz que não questiona quais são os objetivos maiores da reorganização do Grupo Gerdau, mas aduz que isso não afasta o fato de Gerdau Participações S.A ter servido de veículo para transferência de um ágio, porque, consultando as DIPJs, verificou que essa empresa até então apresentava resultados irrisórios, foi alçada à condição de holding, com expressivo capital, para logo depois ser extinta. Entendo que a discussão se Gerdau Participações S.A foi ou não empresa veículo é um argumento pequeno em relação ao que considero muito mais grave neste processo, que é alguém deduzir uma despesa de amortização de um ágio que foi artificialmente criado. Isso porque considero desarrazoado alguém conceber que a legislação permite uma erosão de base tributável de forma tão flagrante! O argumento de que como o legislador não vedou o ágio surgido de operações intragrupo, tudo seria possível, é mais absurdo ainda, porque a Lei nº 9.532, de 1997 trata expressamente de participações adquiridas com ágio ou deságio e ágio pressupõe um pagamento (ou que se arque com um dispêndio) maior do que um valor contabilizado (como deságio pressupõe pagamento a menor), reforçandose ainda, quando o caput do art. 7º faz referência ao DecretoLei nº 1.598, de 1977, o qual, também de forma expressa, define o ágio como diferença entre custo de aquisição e o valor do PL ao tempo dessa aquisição: Lei nº 9.532, de 1997 Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.720 13 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ......................................................................................................... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998).(Negritei) Decretolei nº 1.598, de 1977 (redação vigente ao tempo dos fatos geradores) Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I.(Negritei) É oportuno registrar que não se está aqui a ampliar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como quis fazer crer a Recorrida em suas contrarrazões, mas simplesmente interpretando o que dispôs o legislador. E nem mesmo a se fazer uma interpretação econômica dos fatos ou da lei. É que não faz o menor sentido tratar como “custo” o que não representou qualquer dispêndio! Até ouso dizer que o que está a se fazer aqui é uma interpretação literal da lei, porque sequer consigo vislumbrar custo diferente de dispêndio e dispêndio diferente de se arcar com um ônus. Aliás, a definição de Custo de Aquisição trazida pelo Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações elaborado pela FIPECAFI (item 10.3.2.a, da 7ª ed., 2008), não deixa dúvidas: “a) CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição é o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital, ou ainda pela compra de ações de terceiros, quando a base do custo é o preço total pago. Vale lembrar que esse valor pago é reduzido dos valores recebidos a título de distribuição de lucros (dividendos), dentro do período de seis meses após a aquisição das cotas ou ações da investida.” (Grifei) Ou seja, os valores a serem registrados como custo de aquisição, como preço pago, deve corresponder ao valor despendido, pago, nas transações com agentes externos, para obtenção do investimento. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.721 14 Ainda do referido Manual, 7ª ed., destaco todas as menções feitas a valor pago e aquisição de ações, no sentido de demonstrar o que a teoria contábil considera custo de aquisição e ágio: “11.7.1 – Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta.(...) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a)GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, às vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas; a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.(...) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.722 15 Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta específica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio CONTABILIZAÇÃO V – Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio líquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.723 16 Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B.” É de se observar, ainda, que mesmo na subscrição de ações, falase em preço e pagamento de valor. É bem verdade que no item 38.6.1.2, ao tratar da Incorporação Reversa com Ágio Interno, o referido Manual, ao analisar o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, aduz que o referido diploma legal admitia a reavaliação de participações societárias, quando da integralização de ações subscritas, com o diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL e concluem os autores da obra: “Questionase, desse modo, a racionalidade econômica do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, pelo lado do ente tributante, que permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de ‘sociedades veículos’, que surgem e são extintas em curso lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas ‘casca’, com finalidade meramente elisiva. Do ponto de vista tributário, à luz do art. 36, e dependendo da forma pela qual a operação é realizada, a Fazenda pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL e difere a tributação do ‘ganho de capital’ registrado pela companhia que subscreve e integraliza aumento de capital em ‘sociedade veículo’ ou de participação ‘casca’, a ser em seguida incorporada”. Com a devida vênia aos autores, é de se verificar e como a própria Recorrida aduz em suas Contrarrazões, que existe permissão legal, sim, de integralização de capital social com ações de outra empresa, que há permissão legal de avaliação de investimentos em sociedades coligadas e controladas com o desdobramento do custo de aquisição em ágio; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.724 17 contudo, o que não há é autorização legal para, em virtude dessa integralização, lançar em contrapartida o desdobramento do custo como ágio, pois, em operações internas, sem que um terceiro se disponha a pagar uma maisvalia, não há ágio; a contrapartida é uma reavaliação de ativos. E é isso que os autores confundem quando tratam do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, porque essa lei sequer fala em ágio. Assim, o que tal dispositivo tratava é da possibilidade de diferimento do ganho de capital, quando uma companhia A, que possui participação societária em B, resolve constituir C, subscrevendo capital com ações reavaliadas de B. Ocorre que essa reavaliação de B é puramente uma reavaliação, quando as operações ocorrem dentro de um mesmo grupo. A lei não autoriza que a contrapartida da reavaliação seja uma conta de ágio. Só existe ágio se um terceiro se dispõe a reconhecer esse sobrepreço e a pagar por ele. Sem onerosidade, descabe falar em maisvalia. E é nessa linha que os autores acabam concluindo às fls. 599 e 600 da 7ª edição: “Para admitirse o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, devese enxergála tecnicamente, abstraindo outras questões, similarmente a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social. Poderseia advogar que seu registro encontra amparo no fato de haver uma evidência persuasiva de sua substância econômica: um diploma legal que corrobora o seu surgimento. E ainda dentro dessa corrente de pensamento, seria admitido como critério de mensuração contábil inicial, por analogia, o mesmo dispensado a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social, qual seja, mensuração a valores de saída, utilizando o método do fluxo de benefícios futuros trazidos a valor presente, no limite de benefícios nominais projetados para dez anos. Por outro lado, haveria também como refutar o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, ao se enxergála tecnicamente como um intangível gerado internamente. Dentro do Arcabouço Conceitual Contábil em vigor, considerando a mensuração a valores de entrada, não se admite o reconhecimento de um ativo que não seja por seu custo de aquisição. Um intangível gerado internamente, como no caso em comento, embora gere benefícios econômicos inquestionáveis para uma dada entidade, tem o seu reconhecimento contábil obstado por uma simples razão: a ausência de custo para ser confrontado com benefícios gerados e permitir, com isso, a apuração de lucros consentâneos com a realidade econômica da entidade. (...) Só que, no caso desses créditos tributários derivados de operações societária entre empresas sob controle comum, não há, na essência, e também na figura das demonstrações consolidadas, qualquer desembolso que lhes dê suporte. Direitos obtidos sem custo, como direitos autorais, por exemplo, não são contabilizados; o goodwill (fundo de comércio) desenvolvido sem custo ou com custo diluído ao longo de vários anos na forma Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.725 18 de despesas já reconhecidas também não é contabilizado; patentes criadas pela empresa são registradas apenas pelo seu custo etc. Por que os direitos de pagar menos tributos futuros, advindos de operações com ausência de propósito negocial e permeadas por abuso de forma, seriam registrados? Essas seriam discussões no campo técnico e conceituai a serem travadas. Contudo, estimulando um pouco mais o debate, deve se atentar para uma questão sobremaneira crucial para a Contabilidade. Do ponto de vista institucional e moral da profissão contábil, e por que não político, admitirse o registro do ativo fiscal implica estimular o surgimento de uma indústria do ágio? Assim, à parte possíveis controvérsias conceituais, o procedimento mais adequado, técnica e eticamente, é não se proceder ao reconhecimento do ativo fiscal diferido nessas operações."(Grifei) Por oportuno, trago ainda a versão do Manual de Contabilidade Societária, após as normas internacionais e os pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (edição de 2010, pág. 442), que reforça ainda mais o que entendiam os autores do Manual: "Considerando que na época não havia uma normatização contábil similar ao CPC 15, a consequência direta da prática desse tipo de incorporação (reversa) era a geração de um benefício fiscal bem como o reconhecimento contábil de um ágio gerado internamente (contra o qual, nós, os autores deste Manual, sempre nos insurgimos). Dessa forma, era fortemente criticada a racionalidade econômica do art. 36 da Lei ne 10.637/02, que permitia que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios (sob controle comum) criassem artificialmente ágios internamente por intermédio da constituição de "sociedades veículo", que surgem e são extintas em curto lapso de tempo, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Nesse sentido, vale lembrar que a CVM vedava fortemente esse tipo de prática (vide OfícioCircular CVM SNC/SEP nQ 01/2007), uma vez que a operação se realizava entre entidades sob controle comum e, portanto, careciam de substância econômica (nenhuma riqueza era gerada efetivamente em tais operações). Além disso, o ágio fundamentado em rentabilidade futura (goodwill) proveniente de combinações entre entidades sob controle comum era eliminado nas demonstrações consolidadas da controladora final, tornando inconsistente o reconhecimento desse tipo de ágio gerado internamente (na ótica do grupo econômico não houve geração de riqueza). Atualmente, o art. 36 da Lei na 10.637/02 foi revogado pela Lei na 11.196/05 (art. 133, inciso III), bem como com a entrada em vigor do CPC 15, para fins de publicação de demonstrações contábeis, não mais será possível reconhecer contabilmente um ágio gerado internamente em combinações de negócio envolvendo entidades sob controle comum." Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.726 19 Convém observar que tudo isso foi escrito antes mesmo da MP nº 627, de 2013! É importante também destacar que o próprio Conselho Federal de Contabilidade estabeleceu, por meio da Resolução nº CFC nº 750, de 1993, que as essências das transações devem prevalecer sobre a forma, e que a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser efetuada com base nos valores de entrada, considerandose como tais aqueles resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes, senão vejamos: Art. 1º. Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. § 1º. A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). § 2º. Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. (...) Art. 7º. Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único. Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.” (Grifei) O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 para aprovar a NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aplicável Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.727 20 aos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008, cujo item 120 determina expressamente: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, também repudiou o ágio interno por meio do CPC nº 04, aprovado em 2010, que, ao se manifestar sobre ativo intangível, dedicou os itens 48 a 50 para tratar do “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente”, deixando bastante claro que tal ágio sequer deve ser reconhecido como ativo: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo.(Grifei) Também em 2010, o Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução CFC nº 1.303, de 2010, aprovou a NBC TG 04, que tem como base o mencionado Pronunciamento Técnico CPC 04 já acima transcrito : Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.728 21 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade. (Grifei) Também a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 2007, no item 20.1.7 tratou o ágio interno nos seguintes termos: 20.1.7“Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (Grifei) Em 2011, inclusive, o Comitê quando aprova o CPC nº 15, que trata das demonstrações contábeis acerca da combinação de negócios e seus efeitos, deixa expresso que Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.729 22 o Pronunciamento não alcança a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum: Objetivo 1. O objetivo deste Pronunciamento é aprimorar a relevância, a confiabilidade e a comparabilidade das informações que a entidade fornece em suas demonstrações contábeis acerca de combinação de negócios e sobre seus efeitos. Para esse fim, este Pronunciamento estabelece princípios e exigências da forma como o adquirente: (a) reconhece e mensura, em suas demonstrações contábeis, os ativos identificáveis adquiridos, os passivos assumidos e as participações societárias de não controladores na adquirida; (b) reconhece e mensura o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill adquirido) advindo da combinação de negócios ou o ganho proveniente de compra vantajosa;e (c) determina quais as informações que devem ser divulgadas para possibilitar que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a natureza e os efeitos financeiros da combinação de negócios. ........................................................................................................ Combinação de negócios de entidades sob controle comum – aplicação do item 2(c) B1. Este Pronunciamento não se aplica a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum. A combinação de negócios envolvendo entidades ou negócios sob controle comum é uma combinação de negócios em que todas as entidades ou negócios da combinação são controlados pela mesma parte ou partes, antes e depois da combinação de negócios, e esse controle não é transitório. B2. Um grupo de indivíduos deve ser considerado como controlador de uma entidade quando, pelo resultado de acordo contratual, eles coletivamente têm o poder para governar suas políticas financeiras e operacionais de forma a obter os benefícios de suas atividades. Portanto, uma combinação de negócios está fora do alcance deste Pronunciamento quando o mesmo grupo de indivíduos tem, pelo resultado de acordo contratual, o poder coletivo final para governar as políticas financeiras e operacionais de cada uma das entidades da combinação de forma a obter os benefícios de suas atividades, e esse poder coletivo final não é transitório. E não é só isso: até este voto do acórdão recorrido, a jurisprudência do CARF também trilhava o mesmo caminho, isto é, o CARF não admitia a dedutibilidade da amortização de ágio surgido em operações internas ao grupo econômico, nem com o uso de Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.730 23 empresas veículos, conforme acórdãos trazidos pela Fazenda em seu Recurso, todos de decisões unânimes na matéria ágio: 10196724, 10323.290, 10517.219. Por conseguinte, não se pode afirmar agora, como suscitado da sessão passada, que o ágio interno só deixou de ser dedutível a partir da Lei nº 12.973, de 2014, ou melhor, da MP nº 627, de 2013, da qual referida lei resultou por conversão. Na verdade, a nova lei, ao dispor expressamente assim, nada mais fez do que esclarecer que, por óbvio, ágio pressupõe sobrepreço pago por partes independentes, ou seja, a indedutibilidade do ágio interno para fins fiscais decorre do fato de ele não ser aceito sequer contabilmente. Aliás, é nesta linha que se verifica já na própria exposição de motivos da MP nº 637, de 2013, que ora colaciono: EM nº 00187/2013 MF Brasília, 7 de Novembro de 2013 Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Submeto à apreciação de Vossa Excelência a Medida Provisória que altera a legislação tributária federal e revoga o Regime Tributário de Transição RTT instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como dispõe sobre a tributação da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, com relação ao acréscimo patrimonial decorrente de participação em lucros auferidos no exterior por controladas e coligadas e de lucros auferidos por pessoa física residente no Brasil por intermédio de pessoa jurídica controlada no exterior; e dá outras providências. 1. A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades por Ações, modificando a base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. A Lei nº 11.941, de 2009, instituiu o RTT, de forma opcional, para os anoscalendário de 2008 e 2009, e, obrigatória, a partir do anocalendário de 2010. 2. O RTT tem como objetivo a neutralidade tributária das alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. O RTT define como base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP, e da COFINS os critérios contábeis estabelecidos na Lei nº 6.404, de 1976, com vigência em dezembro de 2007. Ou seja, a apuração desses tributos tem como base legal uma legislação societária já revogada. 3. Essa situação tem provocado inúmeros questionamentos, gerando insegurança jurídica e complexidade na administração dos tributos. Além disso, traz dificuldades para futuras alterações pontuais na base de cálculo dos tributos, pois a tributação tem como base uma legislação já revogada, o que motiva litígios administrativos e judiciais. 4. A presente Medida Provisória tem como objetivo a adequação da legislação tributária à legislação societária e às normas contábeis e, assim, extinguir o RTT e estabelecer uma nova forma de apuração do IRPJ e da CSLL, a partir de ajustes que Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.731 24 devem ser efetuados em livro fiscal. Além disso, traz as convergências necessárias para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) 15.9. O art. 20, com o intuito de alinhálo ao novo critério contábil de avaliação dos investimentos pela equivalência patrimonial, deixando expressa a sua aplicação a outras hipóteses além de investimentos em coligadas e controladas, e registrando separadamente o valor decorrente da avaliação ao valor justo dos ativos líquidos da investida (maisvalia) e a diferença decorrente de rentabilidade futura (goodwill). O § 3º determina que os valores registrados a título de maisvalia devem ser comprovados mediante laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deve ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos até o último dia útil do décimo terceiro mês subsequente ao da aquisição da participação. Outrossim, em consonância com as novas regras contábeis, foi estabelecida a tributação do ganho por compra vantajosa no período de apuração da alienação ou baixa do investimento; (...) Os arts. 19 e 20 dispõem sobre o tratamento tributário a ser dado à mais ou menosvalia que integrará o custo do bem que lhe deu causa na hipótese de fusão, incorporação ou cisão da empresa investida. Tendo em vista as mudanças nos critérios contábeis, a legislação tributária anterior revelouse superada, haja vista não tratar especificamente da mais ou menosvalia, daí a necessidade de inclusão desses dispositivos estabelecendo as condições em que os valores poderão integrar o custo do bem para fins tributários. Os referidos dispositivos devem ser analisados juntamente com o disposto nos arts. 35 a 37. 32. As novas regras contábeis trouxeram grandes alterações na contabilização das participações societárias avaliadas pelo valor do patrimônio líquido. Dentre as inovações introduzidas destacamse a alteração quanto à avaliação e ao tratamento contábil do novo ágio por expectativa de rentabilidade futura, também conhecido como goodwill. O art. 21 estabelece prazos e condições para a dedução do novo ágio por rentabilidade futura (goodwill) na hipótese de a empresa absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com goodwill, apurado segundo o disposto no inciso III do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Esclarece que a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes. (Grifei) É importante destacar que esse novo regramento contido na Lei nº 12.973/2014 é decorrente dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, e pelos pronunciamentos contábeis decorrentes. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.732 25 No que diz respeito à questão de ágio, ocorreram mudanças significativas, como a nova definição de coligada (alteração do art. 243 da Lei nº 6.404/76), a alteração sobre o Método da Equivalência Patrimonial (art. 248 da Lei nº 6.404/79), além da edição de atos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC sobre o assunto (em especial, o CPC nº 18 – “Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto” e CPC nº 15 – “Combinação de Negócios”, já citada acima). De acordo com essa nova concepção contábil, o ágio (que passou a ser denominado de goodwill) é determinado como sendo o excedente pago, após os ativos líquidos da investida serem avaliados a “valor justo” (conceito que aliás é bem mais amplo do que “valor de mercado”). Em razão dessa alteração, o custo de aquisição do investimento passou a ser desdobrado em: a) valor do patrimônio líquido da investida; b) mais ou menos valia; e c) ágio por rentabilidade futura (goodwill) ), conforme destaco: Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput; e(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) III ágio por rentabilidade futura (goodwill), que corresponde à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o somatório dos valores de que tratam os incisos I e II do caput.(Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) Por tudo isso, é de se perceber que não é possível se fazer uma associação exata entre a nova sistemática de identificação e apuração do ágio com a anterior. De forma que, o que era ágio antes, pode ser agora somente “mais valia”, mesmo que anteriormente tivesse sido identificado como decorrente de expectativa de rentabilidade futura. A possibilidade de se apurar uma “menos valia” também influi na existência ou não do ágio. Além disso, as situações em que o Método da Equivalência Patrimonial se torna obrigatório também foram alteradas, o que tem influência direta sobre a necessidade ou não de se determinar a existência de ágio. Portanto, é um grande equívoco de interpretação se utilizar das disposições contidas no art. 7º da Lei 9.532/1997, a partir do constante nos arts. 20 a 22 da Lei nº 12.973/2014, uma vez que disciplinam efeitos tributários de procedimentos contábeis totalmente distintos. Não fossem apenas essas diferenças, mas o fato mais curioso ainda é que o próprio conceito de partes dependentes estabelecido pelo art. 25 da Lei nº 12.973, de 2014 é bem mais amplo do que o conceito de ágio interno: Art. 25. Para fins do disposto nos arts. 20 e 22, consideramse partes dependentes quando: (Vigência) Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.733 26 I o adquirente e o alienante são controlados, direta ou indiretamente, pela mesma parte ou partes; II existir relação de controle entre o adquirente e o alienante; III o alienante for sócio, titular, conselheiro ou administrador da pessoa jurídica adquirente; IV o alienante for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro das pessoas relacionadas no inciso III; ou V em decorrência de outras relações não descritas nos incisos I a IV, em que fique comprovada a dependência societária. Ou seja, não apenas as operações que envolvem duas pessoas jurídicas sob controle comum caracterizamse como partes dependentes: a nova lei incluiu as pessoas físicas, com situações, por exemplo, em que o alienante é parente ou afim até o terceiro grau do sócio acionista da empresa. Assim, passa a ser possível a existência de um ágio contábil (diferente do ágio interno), mas que ao teor da nova legislação, a sua dedutibilidade fica vedada. Por oportuno, também considero equivocado o entendimento de quem concebe que existe um ágio fiscal e um ágio contábil, ou que a legislação societária permitiu algo diferente da contabilidade nesse aspecto. É que a legislação tributária, no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, trata do ágio apurado na aquisição de participações em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido nos seguintes termos (destaque acrescido): Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.734 27 Essas disposições contidas no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 estão em perfeita sintonia com as normas contábeis contemporâneas à expedição do Decretolei nº 1.598/77, conforme se pode constatar no disposto na Instrução CVM nº 01 de 27 de abril de 1978, conforme destaco: (...) Desdobramento do custo de aquisição de investimento XX Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada ou em controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: a) equivalência patrimonial baseada em balanço patrimonial ou em balancete de verificação levantado até, no máximo, sessenta dias antes da data da aquisição pela investidora ou pela controladora, consoante o disposto no Inciso XI b) ágio ou deságio na aquisição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. XXI o ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou: a) diferença para mais ou para menos entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil desses mesmos bens na coligada ou na controlada; b) diferença para mais ou para menos na expectativa de rentabilidade baseada em projeção do resultado de exercícios, futuros; c) fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. XXII O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil na coligada ou na controlada desses mesmos bens deverá ser amortizado na proporção em que for sendo realizado na coligada ou na controlada por depreciação, por amortização ou por exaustão dos bens, ou por baixa em decorrência de alienação ou de perecimento desses mesmos bens. XXIII O ágio ou o deságio decorrente da expectativa de rentabilidade deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento antes de haver terminado o prazo estabelecido para amortização. (...) Portanto, o ágio a que se refere a legislação fiscal é exatamente o mesmo tratado pela legislação societária, possuindo conteúdo puramente econômico/contábil. Analisando o voto vencedor do acórdão recorrido, verificase que ele afirma que é um “grave erro confundir fundamento econômico com pagamento”. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.735 28 O Decretolei nº 1.598, de 1977, por sua vez, abordava fundamento econômico no §2º do art. 20 (redação vigente à época dos fatos), nos seguintes termos: § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico : a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.(Negritei) Como se pode depreender, o legislador chamou de “fundamento econômico” do lançamento contábil do ágio, as três “justificativas” acima listadas, e, de fato, não é a partir dessa definição que se está a dizer que é preciso haver pagamento, ou melhor, que é preciso ter havido um custo arcado. A razão para existência do pagamento, ou de um custo arcado, está no próprio conceito de ágio, cujo inciso II, do art. 20 definiu como diferença entre custo de aquisição e o valor que consta do PL. E continua o voto vencedor: “Pagamento é a contrapartida da compra e venda, uma das formas de aquisição da participação”. Com efeito, compra e venda é apenas uma das formas de aquisição. Porém, “custo de aquisição”, seja qual for a forma como se dá essa aquisição, pressupõe “ônus”, “dispêndio”. E é aqui que está o equívoco deste voto vencedor: conceber que a lei não exige “ônus”, “dispêndio” para quem está adquirindo a participação societária. E conclui o exconselheiro Carlos Guerreiro, relator do voto vencedor: De qualquer modo, fica evidenciado os equívocos teóricos constante da autuação: 1 0) limitar o conceito de aquisição ao de compra; 2°) confundir fundamento econômico do ágio com pagamento de compra ou entrega de ações, por terceiros estranhos ao grupo. Sem mencionar a pretensão de impor para fins fiscais percepções de cunho exclusivamente contábil. Pois bem, a Fiscalização não limitou o conceito de aquisição à compra e sequer confundiu fundamento econômico do ágio com pagamento de compra e entrega de ações. O que ela disse foi que o ágio não existiu e quando cita o que vislumbrou como equivocado, o faz de forma indistinta, usando expressões como “ausência de desembolso real”, “ausência de suporte econômico”, “não ingresso de recursos”, além, é claro, de “ausência de pagamentos”, conforme trechos que mais uma vez colaciono: Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.736 29 ......................................................................................................................................................... No item 5 do Relatório da Ação Fiscal intitulado “Da impossibilidade do surgimento de ágio interno em grupo societário”, os AuditoresFiscais afirmaram expressamente que “é necessário que haja dispêndio”: Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.737 30 Como se vê, é bastante forçoso dizer que houve “equívoco teórico” por parte da Fiscalização, porque ela mencionou, sim, “ausência de dispêndio”, de forma que o equívoco se encontra é na decisão recorrida. Assim, ao contrário do que aduz a Recorrida em suas contrarrazões, a Fiscalização questionou de forma bastante contundente a formação do ágio nas operações, que, como já dito na admissibilidade do recurso, é um argumento maior e anterior ao próprio laudo, já que esse não tem como respaldar uma operação entre partes não dependentes, de forma que nem o laudo, nem o registro contábil do ágio fazem prova dos fatos escriturados pelo contribuinte. Isso porque o laudo representa tão somente uma reavaliação de ativos e nenhum registro contábil faz prova a favor de quem o escritura, sem a documentação comprobatória que o lastreia, nos termos do art. 923 do RIR/99 (art. 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977). E, ainda assim, é preciso observar a já citada Resolução nº CFC nº 750, de 1993, que as essências das transações devem prevalecer sobre a forma. Ora, qual o valor de um laudo que reflete uma rentabilidade futura, sem que haja um terceiro que reconheça essa projeção e arque com o ônus de pagar um valor maior? Como se pode defender isso entre partes pertencentes a um mesmo grupo? E aqui cumpre esclarecer que quando a Fiscalização diz que o ágio é artificial, e glosa a sua amortização, ela não o faz pelo simples fato de ser em operações envolvendo sociedades sob controle comum, mas sim porque, em razão de ser entre empresas sob o mesmo controle, não ter havido aquisição, não ter havido dispêndio. Uma coisa está associada a outra. É importante também esclarecer que, em relação à subscrição e integralização de capital pelo Banco Itaú BBA S.A, conforme está consignado nos autos desde a decisão de primeira instância, não houve qualquer pagamento de ágio, porque o patrimônio da Gerdau Participações S.A já estava, naquela ocasião, avaliado a valor de mercado. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.738 31 O fato também de o Banco ter adquirido as participações societárias já com o valor atualizado não tem o condão de “validar” a dedutibilidade da amortização do ágio, vez que o que se está discutindo nos autos é a dedutibilidade de um ágio que surgiu dentro de uma operação interna a um grupo econômico, em que nem incorporada, nem incorporadora arcaram com qualquer ônus sobre qualquer valor. O Banco Itaú BBA S.A não fazia parte das pessoas jurídicas relacionadas às operações de surgimento, transferência e amortização do ágio. No que tange aos argumentos da Recorrida de que a Recorrente teria inovado, no Recurso Especial, ao falar em falta de “respaldo fáticonegocial” e de “affectio societatis nas operações”, pondero que não se trata de uma inovação propriamente dita porque o que a PFN fez foi destacar o trecho do TVF que comenta o “estágio intermediário” da criação da Gerdau Participações S.A, e nesta parte a Fiscalização disse que não tinha dúvida de que tal empresa seria uma empresa veículo, “ainda que esse ‘ estágio intermediário’ esteja incluído num contexto maior cujos objetivos não são contestados no presente relatório. “ Ao transcrever essa parte, a Recorrente fez essa interpretação de que a Fiscalização estava demonstrando não ter havido qualquer affectio societatis. E sob esse aspecto, a Fiscalização afirmou mesmo se tratar de uma empresa veículo. Contudo, essas afirmações da PFN estão longe de serem uma inovação no critério jurídico, até porque o cerne da discussão sequer passou, desde o lançamento, e passa, no presente voto, pelos propósitos negociais da reorganização societária. Em essência, o que não se pode aceitar e validar nos autos ora em análise é que um Grupo Econômico, por meio de um laudo de reavaliação de ativos com base em rentabilidade futura, aumente o valor de seus ativos, crie o ágio, transfira esse ágio, e depois deduza a amortização desse ágio do IRPJ e da CSLL sem ter, sequer, efetuado qualquer dispêndio sobre esse ágio. É inimaginável aceitar isso como uma mens legis! E se não é essa a “mens legis”, como dizer que o contribuinte agiu conforme a lei? Por essas razões, entendo que o lançamento de ofício deve ser restabelecido. Conclusão Em face a todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Adriana Gomes Rêgo Relatora. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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