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Numero do processo: 10840.722967/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA.
Em se tratando de não apresentação de impugnação ao lançamento, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). A não apresentação da defesa, não instaura a fase litigiosa do procedimento.
ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR
O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1301-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica autuada em razão de intempestividade; b) NÃO CONHECER os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, em virtude de ausência de instauração de litígio (falta de apresentação de impugnação); e c) NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto por responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. Em se tratando de não apresentação de impugnação ao lançamento, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). A não apresentação da defesa, não instaura a fase litigiosa do procedimento. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica autuada em razão de intempestividade; b) NÃO CONHECER os recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, em virtude de ausência de instauração de litígio (falta de apresentação de impugnação); e c) NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto por responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 29 67 /2 01 1- 79 Fl. 20920DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 20921DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.921 3 Relatório TRANSBANDEIRANTE TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA E OUTROS, já qualificados nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e procedente os lançamentos de ofício. Pelos Autos de Infração (AIs) de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS constituiuse créditos tributários nos valores de R$ 1.828.072,78, R$ 1.133.585,71, R$ 3.159.895,63 e R$ 684.644,09, respectivamente, às seguintes razões, consoante os trechos abaixo do Termo de Conclusão Fiscal TCF, fls. 20.141 20.172: 23. A Fiscalizada não apresentou nenhum livro contábil nem os livros fiscais relativos a diversas de suas filiais, apesar de [...] intimada [...] e reintimada, por três vezes [...]. Só foram apresentados os livros fiscais Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração de ICMS relativos aos estabelecimentos Matriz de CNPJ [...] 000117 e a Filial de CNPJ [...] 000893. A empresa, também, apresentou apenas parte dos CTRC escriturados nos livros fiscais apresentados. 24. [...] em função dos documentos apresentados ao Fisco pelos tomadores de serviços da fiscalizada e dos valores registrados nos livros fiscais dos estabelecimentos de CNPJ [...]000117 e [...]000893, constatamos que a empresa auferiu receitas a título de prestação de serviços de transporte de carga, em todos os estabelecimentos abaixo relacionados, nos valores sintéticos discriminados no quadro abaixo (em referência à matriz e as filiais 0002 a 0008). [...] 25. [...] incluiu no cálculo dos tributos e contribuições devidos, durante todo o ano de 2006, valores parciais de receitas auferidas pelos estabelecimentos Matriz e a Filial de CNPJ [...] 000893. [...] apesar de ter auferido receitas de prestação de serviço de transporte de carga durante todo o AnoCalendário de 2006, em seus diversos estabelecimentos, [...], reiteradamente, mês após mês, apurou os tributos devidos sobre apenas dois de seus estabelecimentos e, ainda assim, sobre uma pequena parcela dos rendimentos recebidos por estes estabelecimentos durante todo o ano de 2006. 26. [...] os valores totais declarados [...] na DIPJ2007 são diferentes daqueles registrados nos livros fiscais dos estabelecimentos de CNPJ [...] 000117 e [...] 000893, conforme pode ser visto no quadro abaixo. [...] 27 – [...] não declarou em DCTF nem recolheu aos cofres públicos quaisquer valores a título de [...] (IRPJ), [...] (CSLL), [...] (PIS) e [...] (COFINS) referentes ao primeiro semestre de 2006. 28. Com relação ao segundo trimestre de 2006, [...] declarou os valores dos tributos e contribuições referidos no item 26 em DCTF. Para este período, apuramos a Omissão de Receita através da subtração dos valores das receitas apuradas pelo Fisco pelos valores das receitas efetivamente declaradas pela empresa. Fl. 20922DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 29. [...] a conduta dolosa de não oferecer à tributação os valores das receitas efetivamente auferidas no AnoCalendário de 2006 é a mesma que foi utilizada no AnoCalendário de 2005. Em fiscalização encerrada no ano de 2010, o Fisco efetuou procedimento fiscal junto à contribuinte que culminou com a lavratura Auto de Infração e de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme pode ser visto nos processos administrativos cadastrados sob os números 10840.720084/201043 e 15956.000039/201095. [...] 30. [...] a Transbandeirante, de forma reiterada, em todos os meses do ano calendário de 2006, escriturou e ofereceu à tributação apenas parte das receitas auferidas e, conseqüentemente, deixou de declarar ao Fisco todas as receitas auferidas com a intenção dolosa de alimentar os sistemas de cobranças da Receita Federal do Brasil com valores inferiores aos devidos e assim pagar menos impostos e contribuições à Receita Federal do Brasil. Às fls. 20.455 20.468, impugnação de FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO, excertos abaixo, em face do qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária TSPS de fls. 20.254 20.255: 10. [...] nunca foi administrador da pessoa jurídica fiscalizada, sendo responsável, por força de procuração, tão somente pela parte comercial da atividade desenvolvida pela Transbandeirante. [...] 15. [...] não havendo a mínima prova de fatos que permitissem a aplicação do art. 124, I, do CTN, resta ilegal o ato administrativo de sujeição passiva solidária [...]. 16. Também não está no inciso II do art. 124 do CTN a motivação para a sujeição passiva [...]. 17. [...] há patente cerceamento de defesa ao impugnante porque [...] o Sr. Auditor Fiscal não indicou qual dos incisos é aplicável ao caso dos acusados, impedindo o conhecimento real da acusação [...] conforme prevê o art. 59, II do Decreto 70.235/72. [...] 26. [...] imprescindível que o responsável tivesse poder de gestão com relação às receitas declaradas ou não ao fisco, em suma, necessário que o eleito como responsável tivesse poder de administração sobre as obrigações contábeis e fiscais da pessoa jurídica. 27. [...] o IMPUGNANTE representava os interesses da fiscalizada unicamente com relação aos aspectos comerciais da atividade empresarial, inexistindo qualquer relação sua com o fato gerador que se pretende cobrar. [...] 29. O agente lançador fundamentou sua decisão em informações prestadas por instituições financeiras [...] mera suposição sua, uma vez que as informações prestadas pelos bancos não são capazes de comprovar o pretendido. [...] 30. As mencionadas informações são, na verdade, cópia de Ficha Cadastral da pessoa jurídica fiscalizada, bem como cópia de procurações outorgadas pela mesma Fl. 20923DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.922 5 ao IMPUGNANTE, a qual lhe confere plenos poderes para representála junto à instituição financeira ou, ainda, para "tratar de todos os seus negócios comerciais e bancários". [...]. 32. Analisando as procurações outorgadas, verificamos que a fiscalizada outorgou poderes ao IMPUGNANTE "com o fim especial de gerir e administrar a firma outorgante". [...] 36. Em nenhum momento a empresa fiscalizada lhe outorgou poderes para administrála do ponto de vista contábil ou fiscal, em razão do que não poderá agora, ser responsabilizado por qualquer infração à legislação contábil e fiscal. 39. [...] não possui conhecimento do conteúdo de seus livros e escritas fiscais e, tampouco, de suas obrigações nessas áreas. [...] 45. [...] os documentos fornecidos pelas instituições bancárias, não possuem condições de provar o pretendido com relação ao período fiscalizado [...]. [...] 48. [...] conforme apuração realizada [...] e constantes das razões que ampararam o auto de infração [...], os clientes citados [...] representam apenas 15% da receita supostamente auferida pela [...] fiscalizada. Assim, diferentemente do que quer fazer crer, os nomes citados nem de longe representam os principais clientes da fiscalizada. 49. Assim, em um universo de clientes (100%), qual a força probatória que possui as afirmações por estes (15%) proferidas? Nenhuma ou, certamente, muito pouca! [...] 54. [...] a responsabilidade meramente comercial, não está dentre aquelas ensejadoras da responsabilização pessoal prevista no artigo 135, III, do CTN [...]. Às fls. 20.26320.289, impugnação da contribuinte protocolada em 21/12/2011 e intermediada por procuradores; razões de defesa abaixo articulada, por excertos: "2.1 CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE INTIMAÇÃO DE PROCURADOR REGULARMENTE CONSTITUÍDO NOS AUTOS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO [...] 2.2 CERCEAMENTO DE DEFESA POR INTIMAÇÃO DE PESSOA DIVERSA DO CONTRIBUINTE, DE SEUS REPRESENTANTES LEGAIS OU DE SEU PROCURADOR REGULARMENTE CONSTITUÍDO NOS AUTOS, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO [...] Fl. 20924DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 2.3 DA IMUNIDADE SOBRE AS RECEITAS ORIUNDAS DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO [...] há inúmeras, que se referem a prestação de serviços de transporte de produtos em exportação, o que a imuniza do recolhimento das contribuintes destinadas ao PIS/COFINS e CSLL (em alusão aos CTRC). 2.4 DA INEXISTÊNCIA DE RECEITA OMITIDA O Sr. Auditor de posse dos mesmos extratos bancários, conhecimentos de transporte fornecidos pela Impugnante e por seus clientes, computou no total das receitas do contribuinte, aqueles valores decorrentes de serviços de exportação, serviços cancelados, prestados por terceiros, empréstimos por Bancos e demais Instituições Financeiras e aqueles valores que foram transferidos de contas de titularidade do contribuinte para outras contas de sua própria titularidade. [...] 2.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO [...] não existe respaldo legal para o arbitramento do lucro [...] 2.6 DO ARBITRAMENTO [...] [...] 2.7 DA DESCARACTERIZAÇÃO DO DEPÓSITO EM CONTA CORRENTE COMO MEIO A DEFLAGRAR A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA [...] 2.8 DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% AUSÊNCIA DE SONEGAÇÃO FISCAL [...] Em seu 3. DO PEDIDO é requerida realização de perícia para apuração da real base de cálculo dos tributos. A DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, mantendo os lançamentos de ofício. sendo o respectivo acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. ADMINISTRADOR O terceiro, que for mandatário e administrador e cometer o ato ilícito no exercício do mandato e da administração da sociedade empresária, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Fl. 20925DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.923 7 Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Mantémse o lançamento de receitas de atividade omitidas, dado que não foram contabilizadas, não declaradas em DIPJ e em DCTF, nem recolhidas ou compensadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. No caso de evidente intuito de sonegação e fraude, além de conluio, ainda que em tese, será aplicada a multa de cento cinqüenta por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a eles, mudando o que deve ser mudado, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Através da Edital SECAT Nº 053/2013 (fls. 20.662), foi dada ciência ao Contribuinte em 23/12/2013 do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Desta forma, o prazo para interposição de Recurso Voluntário findou em 22/01/2014, sem que o interessado interpusesse recurso. Somente em 21/02/2014 fora protocolizado o referido recurso, portanto, intempestivo. Em 14/02/2014, através do Edital Eletrônico de nº 000637914, com fundamento no artigo 23, § 1º, inciso I, e § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelas Leis nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 e nº 11.941, de 27 de maio de 2009, foi cientificado do inteiro teor do acórdão o responsável solidário FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO. Em 31/01/2104, através dos Avisos de Recebimento de fls 20.697 e 20.700, os responsáveis solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos foram devidamente cientificados do inteiro teor do acórdão da DRJ/JFA. É o relatório. Fl. 20926DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Como tratamse de recursos distintos apresentados pela contribuinte e pelos pessoas físicas que foram tidas como solidariamente responsáveis, passo a analisar cada um dos recursos individualmente: TRANSBANDEIRANTE TRANSPORTE E SERVIÇOS LTDA O Recurso Voluntário é intempestivo, portanto dele não poderia conhecer. Através da Edital SECAT Nº 053/2013 (fls. 20.662), foi dada ciência ao Contribuinte em 23/12/2013 do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. A data da ciência por Edital foi considerada como tendo ocorrido em 23/12/2013. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 21/02/2014, portanto o mesmo é intempestivo, razão pela qual não o conheço. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. MARCOS ROBERTO CLARO ROSSAFA FÁBIO LUÍS CLARO DOS SANTOS Os Recursos Voluntários são tempestivos. Todavia, face à não apresentação da manifestação de inconformidade, atestada na certidão de fl. 20.830, foram lavrados Termos de Revelia para os senhores Fábio Luís Claro dos Santos (fl. 20.791) e Marcos Roberto Claro Rossafa (fl. 20.792). Assim, passa a ser fundamental a discussão nestes autos sobre a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo quando o(s) interessado(s) não apresentam a manifestação de inconformidade. A Fiscalização confirmou a não apresentação da impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, bem como da notificação da infração, além de ter corroborado o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo. É o que se infere da lavratura dos termos de revelia juntados aos autos. Com efeito, os arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/721, assim regulam o efeito e o prazo para a impugnação à notificação da infração em sede de procedimento administrativo fiscal. 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 20927DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.924 9 Destarte, pelo que se pode depreender da interpretação aos citados dispositivos legais, a falta da impugnação da exigência no prazo de trinta dias obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. Diante do exposto, porque não protocolizada a Manifestação de Inconformidade, entendo que não houve a formação da lide, razão pela qual deixo de conhecer os Recursos Voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Fábio Luís Claro dos Santos e Marcos Roberto Claro Rossafa. FRANCISO CLARO BERBEM FILHO Passo agora a analisar o recurso voluntário do responsável solidário Francisco Claro Berbem Filho. O recurso é tempestivo, portanto, dele conheço. Alega, inicialmente, não ser sócio da pessoa jurídica fiscalizada (seja de direito ou de fato). Contudo, valendose de informações prestadas pelo BankBoston (Itaú/Unibanco), pelo Banco Safra, pelo Banco do Brasil e pelo Banco Bradesco, bem como por três clientes da pessoa jurídica fiscalizada, quais sejam, Mosaic Fertilizantes do Brasil Ltda., Martins Comércio e Serviços de Distribuição S/A e Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia, supôs o agente lançador ter o interessado "exercido, de fato, no período fiscalizado, as funções de mandatário e responsável pela fiscalizada. Diz ainda que o agente lançador presumiu que o interessada tenha atuado como administrador da pessoa jurídica fiscalizada e, com fundamento nos artigos 124, II, 135, II e 137, I do CTN, responsabilizouo pessoalmente pelos fatos tidos por praticados pela pessoa jurídica. Ocorre que, nos dizeres do ora recorrente, a autuação contra si não se sustenta, na medida em que este nunca foi administrador da fiscalizada, sendo responsável, por força de procuração, tão somente pela parte comercial da atividade desenvolvida pela Transbandeirante. Aduz que as referidas procurações, que serviram de substrato para a autação, deixa consignado, claramente, que os poderes outorgados ao recorrente se limitam à poderes comerciais. Por fim, alega que a fiscalização não fez qualquer prova de que o recorrente tivesse poder de gerência sobre os fatos geradores da obrigação tributária constituída no auto de infração em epígrafe. Vejamos então o que diz o Termo de Conclusão Fiscal quanto à responsabilização solidária do Sr. Francisco Claro Berbem Filho, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 20928DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 10 [...] 37. Com base nos fatos acima expostos, constatamos que o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149, é: 1) procurador da Fiscalizada junto ao Banco Unibanco possuindo pleno poderes para gerenciar e administrar a Fiscalizada, conforme citado no item 40.a; 2) Avalista de Crédito da Fiscalizada em relação a Todos os Contratos de Créditos realizados com o Banco Safra, inclusive sua esposa a Sra. Maria Zila Ferreira C Berbem CPF 194.741.80172 também avalizou alguns contratos, conforme citado no item 40.b; 3) procurador da Fiscalizada junto ao Banco do Brasil possuindo pleno poderes para gerenciar e administrar a Fiscalizada, conforme citado no item 40.c; 4) procurador da Fiscalizada junto ao Banco Bradesco possuindo pleno poderes para gerenciar e administrar a Fiscalizada, conforme citado no item 40.d. O Banco Bradesco nos encaminhou uma procuração a qual o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149 aparece na condição de sócio da Fiscalizada outorgando poderes ao Sr. Roberto Carlos da Silva, a qual juridicamente está errado pois contratualmente ele não é sócio de direito. VIII.2 – INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AOS CLIENTES DA CONTRIBUINTE: 48. Através de Intimações fiscais, buscamos identificar o responsável pela Empresa Transbandeirante – Transp. Serviços Bandeirante Ltda junto a alguns dos maiores clientes da Fiscalizada, cujo resultado foi o seguinte. 48.1 MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA, CNPJ 61.156.501/000156: Apuramos através dos documentos apresentados pela empresa uma receita obtida pela fiscalizada pelos serviços prestados a esta empresa no valor de R$ 1.430.989,37. A empresa nos informou através de carta resposta que o responsável pela empresa Transbandeirantes é o Sr. Francisco Claro Berbem Filho. 48.2 MARTINS COMÉRCIO E SERVIÇOS DE DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 43.214.055/000107: Apuramos através dos documentos apresentados pela empresa uma receita obtida pela contribuinte pelos serviços prestados a esta empresa no valor de R$ 1.912.554,48. O Sr. Francisco Claro Berbem Filho assinou o contrato de prestação de serviços celebrado com a referida empresa. 48.3 COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DA REGIÃO DE ORLÂNDIA, CNPJ 53.311.361/000115: Apuramos através dos documentos apresentados pela empresa uma receita obtida pela Transbandeirante pelos serviços prestados a esta empresa no valor de R$ 637.014,02. Foram firmados 13 (treze) contratos de prestação de serviço com esta empresa. O Sr. Francisco Claro Berbem Filho assinou todos os contratos de prestação de serviços celebrados com a referida empresa em nome da Transbandeirante. Nos contratos ele assina representando o “Prestador”. 49. Podemos concluir, com base nos fatos expostos acima, através das informações fornecidas pelas Instituições Financeiras e por alguns dos principais clientes de fiscalizada, que o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.671 49, exerceu de fato, no período fiscalizado, as funções de mandatário e responsável pela Fiscalizada. Constatamos que lhe foram outorgados poderes amplos e irrestritos nas Procurações da empresa junto aos Bancos e que ele deve responder por todos os atos da contribuinte, sendo, portanto qualificado como pessoalmente responsável, Fl. 20929DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.925 11 conforme previsto no inciso II do artigo 135 do CTN, e solidariamente obrigado, de acordo com o disposto inciso II do artigo 124 do CTN. 50. Transcrevemos a seguir os mandamentos legais contidos nos artigos 124, II, 135, II, 137, I da Lei nº. 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), cujos teores permitem enquadrar o sócio Francisco Claro Berbem Filho como solidário pela obrigação tributária da Transbandeirante. Art. 124. São solidariamente obrigadas: ... II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... II os mandatários, prepostos e empregados; Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; ............... IX – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: 51. Será enviado ao Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149, na condição de sujeito passivo solidário, cópia dos Autos de Infração lavrados, juntamente com cópias dos demonstrativos citados neste Termo, assim como o respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária, em função do disposto no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº. 5.172, de 25 de Outubro de 1966, para que possa exercer normalmente os seus direitos de defesa garantidos pela Constituição Federal. X. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS: 52. A Lei nº. 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu como crimes contra a ordem tributária os fatos descritos em seus artigos 1º, incisos I e II e 2º, inciso I, a seguir transcritos. “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Fl. 20930DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 12 (...)”. “Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...).” 53. No curso da ação fiscal ficou comprovado que a contribuinte deixou de contabilizar e declarar os valores das receitas correspondentes nas operações comerciais mantidas com as empresas tomadoras de serviços. Ou seja, restou caracterizada a prática reiterada de omissão dolosa, tendente a excluir as características essenciais do fato gerador do imposto e das contribuições devidos, com o propósito deliberado de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil e evitar o seu pagamento. 54. Portanto, foram identificadas situações que, em tese, configuram os crimes definidos nos artigos 1º, incisos I e II, e 2º, inciso I, da Lei nº. 8.137, de 27 de dezembro de 1990, abaixo relacionadas: 1 supressão ou redução de tributos proveniente da prática reiterada de omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; 2 omissão de receitas proveniente da prática reiterada de omissão de operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; 3 – omissão de declaração sobre rendas para eximirse de pagamento de tributo. 55. Desta forma esta fiscalização representará ao Ministério Público Federal, através de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS acompanhada dos respectivos elementos de prova, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº. 2.439, de 22/12/2010, os sócios da Fiscalizada à época dos fatos, Marcos Roberto Claro Rossafa, CPF 330.885.35153 e Fabio Luis Claro dos Santos, CPF 611.869.96153e o Sr. Francisco Claro Berbem Filho, CPF 149.383.67149, que atuou como mandatário e responsável pela Fiscalizada, pois formou convicção, pelos motivos já expostos, que são eles os responsáveis pela prática perpetrada pela fiscalizada de sonegação fiscal (omissão de receitas em declaração de informações fiscais à RFB e a conseqüente falta de pagamento de contribuições e impostos devidos). No caso destes autos, não vejo como acolher a pretensão do recorrente! Encontrase acostado farto e inequívoco conjunto probatório, que converge para a sintonia entre a realidade fática e sua tipificação no art. 124, inciso I e 135, III, do CTN, cujos detalhes, por demais importantes, encontramse transcritos acima. De um lado, é revelador que, os documentos apresentados pelas Instituições Financeiras revelam um padrão de procuração, pela qual a contribuinte, representada pelo sócio MARCOS ROBERTO CLARO ROSSAFA, outorga ao ora recorrente amplos e gerais poderes, para o fim especial de gerir e administrála, tratar de todos os seus negócios comerciais e bancários; podendo comprar e vender mercadorias de seu ramo de comércio; celebrar contratos comerciais, pagar e receber contas, representála junto a quaisquer agências bancárias, abrir e Fl. 20931DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.926 13 movimentar contas correntes, a prazo fixo, de caução e outras modalidades, emitir cheques, tomar saques, fazer financiamentos, requisitar talonários, fazer transferência de numerários, assinar sua correspondência bancária, emitir, endossar e descontar cheques, duplicatas, notas promissórias e outros títulos de valores, liquidar, encerrar e abrir novas contas, dar e aceitar quitação, etc. Ademais, das informações colhidas junto aos clientes da fiscalizada dá conta de que a Mosaic Fertilizantes do Brasil Ltda, a Martins Comércio e Serviços de Distribuição S/A e a Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia, das quais a contribuinte obteve receitas pela prestação de serviços contratados nos importes de R$ 1.430.989,13, R$ 1.912.554,48 e R$ 637.014,02, respectivamente, informaram que o Sr. FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO foi quem assinou os respectivos contratos em nome da contribuinte. Até aqui, não vejo nenhuma razão para responsabilização, pois, de fato, restaria dúvida, pelo menos no que tange ao convencimento deste julgador, se estamos diante de responsável de fato, ou se eram apenas poderes estritamente comerciais como alegado pelo interessado em suas razões recursais. Representar empresas perante bancos e perante clientes, podem sim ser atos de uma gestão tida como comercial, o que, a meu ver, levantaria dúvida quanto ao real alcance dos poderes do Sr. Francisco junto à Fiscalizada. Levantada tal dúvida, não restaria a este julgador se não aplicar o Princípio do in dubio pro reu. Ocorre que há um elemento que é capaz de afastar cabalmente qualquer dúvida: o fato do interessado, conjuntamente com sua mulher, ser avalista de várias operações de crédito da fiscalizada. Aqui, diferentemente do alegado, não vejo como afastar a hipótese de que o Sr. Francisco tinha interesses que iam muito além de uma representação para fins estritamente da gestão comercial das atividades da fiscalizada. Ao assumir, ainda que na qualidade de avalista, dívida da empresa, vejo que seus interesses iam muito além daqueles que estavam manifestados nos documentos de procuração. A meu ver, este é o elemento que derruba a hipótese construída pela defesa. Assim, minha compreensão, em síntese, é de que FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO é, sim, sujeito passivo solidário em face do crédito tributário constituído, com franco interesse comum nos termos do tipo previsto no inciso I do artigo 124 do CTN. Nesse sentido, o ensinamento abaixo transcrito, da lavra de Maria Rita Ferragut (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2005, p 69) sobre o fato típico e antijurídico previsto no inciso I do artigo 124 do CTN: O artigo 124, I e II, do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo da solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário; e (ii) designação expressa em lei. Iniciemos com o interesse comum. Muito embora o direito positivo não tenha elucidado o conteúdo semântico desse critério, entendemos como sendo a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. Não é necessário que os sujeitos encontremse no mesmo pólo da relação jurídica de direito privado, para que se obriguem mutuamente pelo pagamento da dívida tributária (tal como ocorre com o alienante do imóvel, que deseja vendêlo, e do adquirente que pretende comprálo). Fl. 20932DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 14 [...] Já o inciso II do artigo 124 do CTN prescreve que serão solidárias as pessoas expressamente designadas por lei. A regra não apresenta qualquer novidade, pois, em função do princípio da estrita legalidade, somente essa poderia ser a prescrição (não só para a solidariedade, mas para qualquer espécie de sujeição passiva). Qual a diferença, então, entre os incisos I e II do artigo 124? Entendemos que, no inciso II, as pessoas solidariamente obrigadas não têm interesse comum no fato jurídico tributário, já que, se tivessem, enquadrarseiam na hipótese contemplada no inciso I. Ainda o mesmo sentido, a síntese conclusiva a que chegou MARCOS VINICIUS NEDER em sua abordagem sobre o “Conceito de interesse comum” (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, 1 ed. São Paulo: Dialética, 2007, p. 47): 6) interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral, social, de proteção) e, no campo obrigacional, o interesse situase na proteção de deveres e direitos subjetivos existentes em uma situação jurídica ampla ou restrita; 7) as pessoas portadores de interesses comuns são vinculadas por circunstâncias externa formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que as une; enquanto, nos interesses coincidentes, o vínculo pessoal visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa); [...] 9) a situação a despertar o interesse comum referido no art. 124 do CTN é aquela consubstanciada na relação jurídica privada subjacente ao fato gerador do tributo; 10) o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. Resta dizer sobre a responsabilidade tributária daquele senhor, atribuída pelo fisco com suporte no art. 135 do CTN transcrito abaixo: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O recorrente, sujeito passivo solidário amoldase ao elemento pessoal do tipo previsto no caput daquele artigo, vez que, se não foi seu executor material, foi partícipe ou mandatário das infrações encontradas pelo fisco, tamanha sua representação em nome da sociedade empresária, notadamente, perante terceiros, os quais assim o legitimaram com esteio na aparência e na boa fé. Fl. 20933DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10840.722967/201179 Acórdão n.º 1301001.947 S1C3T1 Fl. 20.927 15 No entanto: a) não se ajusta ao tipo subjetivo do inciso I (as pessoas referidas no artigo anterior), essencialmente, porque não há prova nos autos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte de que tratou o caput do art. 134 do CTN. b) ajustase ao tipo subjetivo descrito no inciso II, na condição de mandatário, por ter agido como mandante, no entanto, enquanto nos limites das procurações outorgadas a ele pela contribuinte; c) ajustase ainda ao tipo subjetivo do inciso III, ao ter suplantado os limites objetivos conferidos, por várias condutas dolosas: c.1) aparentou ser o representante em face de clientes; c.2) figurou, vejam só, como um dos avalistas à frente dos vários contratos de abertura de crédito e de outras tantas cédulas de crédito bancário, junto ao Banco Safra, mesmo ante de vultosas quantias; c.3) embora possa não ter extrapolado os poderes amplos e gerais de que tratou a primeira procuração a ele outorgada pela contribuinte, representada pelo sócio MARCOS ROBERTO CLARO ROSSAFA (Bradesco), na segunda procuração o fez, com excesso de poderes, como se fosse dirigente da sociedade, ao outorgar procuração, de idêntico conteúdo ao daquela, a terceira pessoa física, ROBERTO CARLOS DA SILVA. Enfim, não foi diligente e probo no trato da administração, revelando o menosprezo com o propósito negocial da contribuinte insculpidos em seus atos constitutivos. A circunstância acima revela ainda verdadeiro conluio entre a contribuinte, nas pessoas dos sócios de direito e FRANCISCO CLARO BERBEM FILHO. Assim, sua inegável administração da sociedade coloca aquele senhor no mesmo patamar dos diretores a que aludem os incisos II e III do art. 135 do CTN. Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do responsável solidário, Sr. Francisco Claro Berbem Filho, mantendo, desta forma, sua sujeição passiva solidária. CONCLUSÕES Em conclusão, voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER o Recurso Voluntário da contribuinte, por ser o mesmo intempestivo; (ii) NÃO CONHECER também dos Recursos Voluntários dos Responsáveis Solidários Marcos Roberto Claro Rossafa e Fábio Luís Claro dos Santos, porque não protocolizadas a Manifestações de Inconformidade pelos mesmos, de tal sorte que não houve a formação da lide em relação a estes dois responsáveis; e Fl. 20934DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 16 (iii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do responsável solidário, Sr. Francisco Claro Berbem Filho, mantendo, desta forma, sua sujeição passiva solidária. Sala de Sessões, 01 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 20935DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 18471.000506/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002
INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A VENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS INSTALADAS EM ESTABELECIMENTOS DE CLIENTES. LEGITIMIDADE. FATO GERADOR DO ISSQN. IRRELEVÂNCIA.
A negociação, no mercado interno, de produtos importados, equipara o importador a estabelecimento industrial. Legítima, portanto, a exigência do IPI sobre a venda de mercadorias importadas, ainda que a instalação das mesmas em estabelecimentos de clientes seja fato gerador do ISSQN.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002 INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A VENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS INSTALADAS EM ESTABELECIMENTOS DE CLIENTES. LEGITIMIDADE. FATO GERADOR DO ISSQN. IRRELEVÂNCIA. A negociação, no mercado interno, de produtos importados, equipara o importador a estabelecimento industrial. Legítima, portanto, a exigência do IPI sobre a venda de mercadorias importadas, ainda que a instalação das mesmas em estabelecimentos de clientes seja fato gerador do ISSQN. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002 INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A VENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS INSTALADAS EM ESTABELECIMENTOS DE CLIENTES. LEGITIMIDADE. FATO GERADOR DO ISSQN. IRRELEVÂNCIA. A negociação, no mercado interno, de produtos importados, equipara o importador a estabelecimento industrial. Legítima, portanto, a exigência do IPI sobre a venda de mercadorias importadas, ainda que a instalação das mesmas em estabelecimentos de clientes seja fato gerador do ISSQN. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 06 /2 00 4- 70 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 548 2 Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 504/509), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento formalizado contra o sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/05/2000 a 31/03/2002 IPI. IMPORTAÇÃO.ESTABELECIMENTO EQUIPARADO. EFEITOS. A equiparação do importador a estabelecimento industrial prevalece ainda que a saída dos bens se dê a título de locação, comodato, uso, doação ou qualquer outro título, e mesmo que o importador não seja comerciante (PN 367/71). IPI. FATO GERADOR. NÃO VINCULAÇÃO. ISSQN. A ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados independe de estar ou não a atividade objeto do negócio jurídico prevista na lista de incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Em julgamento o auto de infração de fls. 20/35, lavrado diante da seguinte situação fática narrada pelo autuante na DESCRIÇÃO DOS FATOS: “A fiscalizada importa produtos tais como Thermalastic e Painéis Anti chamas, que são posteriormente vendidos para serem aplicados e afixados em instalações industriais de seus clientes, como vedação antichamas. Ao dar saída a estes produtos, a autuada está na realidade promovendo a revenda de produtos de importação própria, tributável pelo IPI por ser equiparado a estabelecimento industrial conforme o art. 9°, inciso I do RIPI/98. Ao emitir as notasfiscais de saída destes produtos, no entanto, a fiscalizada deixa de efetuar o devido destaque de IPI. Verificouse também, em sua DIPJ/2002, que apenas são oferecidas à tributação do IRPJ as receitas provenientes das notas fiscais de serviço emitidas, e que não consta naquela declaração nenhuma receita proveniente das referidas revendas de produtos importados. Efetuado o lançamento de ofício do IPI em auto de infração, consta na planilha em anexo à relação das notas fiscais que serviram de base a este lançamento, com as respectivas alíquotas, bem como as cópias destas notas fiscais, do livro Registro de Saídas e do Livro Registro de Apuração do IPI do período em tela. O livro Registro de Saídas demonstra que não houve lançamento de IPI nas referidas notas fiscais de saída, fato este também demonstrado pelo exame do livro RAIPI, mod. 8... Fl. 563DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 549 3 No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo." A contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 336/351), que assim vai resumida: “(..) ... a operação realizada pela Impugnante traduzia operação de simples remessa de mercadoria de seu estabelecimento a outro, não configurando, assim, fato típico a ensejar o recolhimento do IPI, seja pela ausência de proveito econômico, seja ainda pela inexistência de industrialização. ... a Impugnante adquire produtos estrangeiros de proteção contra fogo e recolhe, habitualmente, os tributos incidentes sobre a importação, dentre eles o IPI. No entanto, parte das produtos por ela importados são devidamente alienados a terceiros. Outra parte, objeto da autuação, utilizada na prestação de serviços de instalação de sistema antifogo. A partir desta constatação, resta fora de dúvida que a parte utilizada na prestação dos serviços é remetida diretamente pelo prestador ao estabelecimento tomador dos serviços, razão pela qual a mercadoria transportada é acompanhada de nota fiscal de simples remessa, tal como se comprova dos documentos constantes em anexo. O que se vê, portanto, é a atividade preponderante de prestação de serviços, inexistindo revenda das mercadorias importadas, onde, repitase, foi recolhido o IPI por ocasião do desembaraço. Clara a relação existente entre prestador e tomador dos serviços, assim como, a principalmente, acerca da efetiva operação realizada, onde não se constata a venda de qualquer mercadoria, tampouco a saída de mercadoria com fins comerciais. O IPI, segundo a doutrina e jurisprudência predominantes, pressupõe a configuração de dois requisitos inafastáveis, quais sejam: a industrialização e a venda da mercadoria industrializada no mercado interno. Restam, portanto, suficientemente evidenciadas as hipóteses onde poderia ser validamente cobrado o IPI, não se enquadrando a presente em nenhuma delas... O inciso I do art. 9º do RIPI/98 foi infeliz na caracterização da operação obrigatoriamente sujeita ao IPI, uma vez que a expressão “saída” pode ser entendida de forma muito genérica, a englobar a operação vislumbrada do caso concreto, frisese, despida de qualquer intuito comercial. Se não existe industrialização das mercadorias importadas remetidas do estabelecimento da Impugnante para o estabelecimento de terceiro e, igualmente, se não existe operação de venda a vincular sua saída, obviamente não há proveito econômico em tal operação, pelo que a cobrança de IPI é evidentemente desarrazoada. DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA ... poderseia defender a violação ao princípio da capacidade contributiva, na medida em que, caso procedente a autuação, se exigirá da Impugnante o pagamento de tributo sobre receita inexistente, ou seja, se houve uma simples remessa de bens de um estabelecimento para outro, não se materializou revenda e a Impugnante não auferiu qualquer valor por essa operação. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA ... vem a Impugnante requerer que o presente feito seja convertido em diligência para o fim de se proceder à verificação de sua escrituração fiscal a à análise (sic) da documentação que confirma o fato de que as mercadorias Fl. 564DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 550 4 remetidas a estabelecimento de terceiro não configuraram operação de revenda no mercado interno, porquanto o objeto contratado restringiase à prestação de serviços de instalação de sistema antifogo.” Tendo em vista a diligência de fls. 467, foram considerados pela fiscalização os créditos a que o contribuinte fazia jus em decorrência do disposto no art. 164, inciso V do RIPI/98. Por força do princípio constitucional da nãocumulatividade, e do disposto no artigo 147, inciso V, do RIPI/981, o acórdão recorrido reconheceu os créditos do IPI vinculado pago por ocasião do desembaraço das mercadorias. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 21/01/2011 (fls. 510v) uma sextafeira. Inconformada, a mesma apresentou, em 22/02/2011 (fls. 512), o recurso voluntário de fls. 512/531, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância em desfavor da legitimidade do crédito tributário formalizado contra si, eis que este foi constituído sobre as mercadorias utilizadas na prestação de serviços de instalação de sistema antifogo, sujeita à incidência do ISS. É o relatório. 1 Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): [...] V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; Voto O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A lide gira em torno da legitimidade ou não da incidência do IPI sobre mercadorias importadas instaladas em estabelecimentos de clientes, operação que, segundo a reclamante, estaria sujeita apenas ao ISS, não sendo devido, portanto, o IPI. Nesse diapasão, entendo ser legítima a exigência do IPI sobre as mercadorias importadas e posteriormente negociadas com seus clientes, mediante a instalação de sistemas antifogo em estabelecimentos industriais. Com efeito, como bem ressaltado pela instância a quo, os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira que dão saída a esses produtos se equiparam a estabelecimento industrial, como preconiza o artigo 9º, inciso I, do Regulamento do IPI à época vigente, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25/06/1998. E as notas fiscais acostadas aos autos, fls. 48/124, comprovam, efetivamente, a venda a terceiros dos produtos importados pelo sujeito passivo. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 18471.000506/200470 Acórdão n.º 3301002.758 S3C3T1 Fl. 551 5 Houve, no caso, uma comercialização do produto, ainda que sua instalação nas dependências dos clientes também seja fato gerador do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISSQN. Não obstante, mesmo em tal hipótese, ou seja, em que o negócio jurídico também é fato gerador do ISSQN, tal é irrelevante para fins de exigência do IPI, como, aliás, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o Decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. (Processo nº 10855.000135/200591. Acórdão nº 9303002.265. CSRF. 3ª Turma. Data da sessão de julgamento: 09/05/2013. Relator: Júlio César Alves Ramos) Correta, portanto, a formalização do crédito tributário, uma vez demonstrada a legitimidade da exigência do IPI em vista da equiparação da interessada a estabelecimento industrial, pela negociação, no mercado interno, dos produtos pela mesma importados. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004865/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. PERÍODO DE 1989 A 1995.
No período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. PERÍODO DE 1989 A 1995. No período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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RESGATE. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. PERÍODO DE 1989 A 1995. No período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 65 /2 00 3- 63 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 164 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância administrativa (fl. 120 deste processo digital), reproduzido a seguir: Trata o presente processo de pedido de restituição do imposto de renda referente a rendimentos provenientes de resgate de benefícios de previdência privada, originalmente declarados como tributáveis e que foram reclassificados como isentos, mediante DIRPF retificadora. A autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, por meio do despacho decisório retificador de fls. 100/101, indeferiu o pedido de restituição. Fundamentou na assertiva de que somente são isentos os benefícios oriundos do resgate relativos às contribuições cujo ônus tenha sido do participante e este, apesar de intimado, não comprovou que os resgates eram referentes às suas próprias contribuições. Regularmente cientificado do despacho decisório retificador de fls. 100/101, em 17/10/2011 (fl. 105), o interessado, por meio de representante (procuração à fl. 89), ingressou, em 27/10/2011, com a manifestação de inconformidade de fls. 106/110. Informa que conta com mais de sessenta anos e requer prioridade na tramitação do processo. Discorre sobre os fundamentos da decisão impugnada, inquinandoa de equivocada. Alega que a decisão “oculta, maliciosamente, o disposto no inciso VIII, do artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que confere isenção a verbas desta natureza, mesmo quando o ônus tenha sido do empregador”, transcrevendo o dispositivo e asseverando que “pouco importa se a contribuição foi vertida pelo Impugnante ou por seu empregador”. Acrescenta que a isenção, quando o ônus da contribuição foi do impugnante, está prevista no artigo 6º, inciso VII, alínea ‘b’ da Lei 7.713, de 1988, e, quando foi do empregador, no citado inciso VIII desse mesmo artigo. Por fim, requer o processamento regular da manifestação de inconformidade, a prioridade no julgamento e, no mérito, “seja julgada totalmente procedente a presente impugnação, reformandose a decisão denegatória impugnada para, por ato declaratório, ser reconhecida a isenção das verbas recebidas à título de previdência privada, das contribuições ocorridas no período de 05.11.1993 a 06.10.1995, independentemente de quem tenha suportado a contribuição para a formação do fundo – empregador ou empregado/Impugnante (art. 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incisos VIII e VII, b, respectivamente)”. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 165 3 A Manifestação de Inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 119/122 deste processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RESGATES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ISENÇÃO. Os resgates de benefícios da previdência privada são tributáveis, exceto o valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/12/2011 (fl. 125), o Interessado interpôs, em 12/01/2012, o recurso de fls. 126/134. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Optou pela adesão a um plano de previdência privada firmado entre o conglomerado BAMERINDUS e a Prever S/A Seguros e Previdência. Tal plano foi instituído mediante permissivo contido nas Leis n.°s 6.919 e 8.036, de 02/06/81 e 15/05/90, respectivamente, tendo recebido a denominação de Plano Especial de Garantia de Tempo de Serviço Bamerindus, consistindo na substituição do depósito mensal do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS em conta vinculada pela aplicação em um fundo denominado Fundo Gerador de Benefícios FGB, mantido o percentual legal de 8% (oito por cento) da remuneração percebida por cada participante do plano, a título de prólabore, ou seja, o mesmo va1or base para o cálculo do então FGTS. Nessas condições, passou a recolher ao FGB como se fosse ao FGTS, com todas as suas particularidades, inclusive benefícios fiscais e tributários. Se insere numa categoria de exfuncionários alçados ao cargo de diretores que, em razão desta relação jurídica empregatícia preexistente, passaram a ter seu patrimônio acrescido, como todo e qualquer empregado, pelas quantias mensalmente depositadas pelo seu empregador (BAMERINDUS) a um fundo equiparado, por lei, ao FGTS. Aplicandose o princípio constitucional da isonomia, da mesma forma como não se podia tributar o saque do FGTS de qualquer trabalhador, uma vez que todos gozam de isenção legal (Art. 39, inciso XX, do Decreto nº 3.000, combinado com o artigo 28, da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990 e artigo 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988), não se poderia, também, tributar aquelas quantias resultantes da migração, ou seja, que foram sacadas do FGTS e foram depositadas no FGB. A própria Receita Federal, ao editar o Regulamento do Imposto de Renda, reconheceu a não incidência destas verbas (RIR/1999, art. 623, caput c/c art. 39, XXXVIII). Os depósitos efetuados pelo BAMERINDUS, beneficiando o Recorrente em período anterior a vigência da Lei 9.250/1995 (01/01/1996), não poderiam, não podem e não Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 166 4 poderão ser tributados (gozam de isenção legal), diante do permissivo inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ao final, requer: a) prioridade na tramitação do presente recurso, conforme art. 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso); b) seja julgado totalmente procedente o presente recurso, reformandose a decisão recorrida para, por ato declaratório, ser reconhecida a isenção das verbas recebidas a título de previdência privada, das contribuições ocorridas no período de 05.11.1993 a 06.10.1995, independentemente de quem tenha suportado a contribuição para a formação do fundo empregador ou empregado/Impugnante (art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incisos VIII e VII, b, respectivamente); c) seja deferida a retificação da declaração do Recorrente, com a necessária restituição do imposto indevidamente retido, corrigido monetariamente. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Tratase de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte pela entidade de previdência privada PREVER S/A Seguros e Previdência, cujo resgate foi solicitado pelo Recorrente em 20/10/1995, conforme “Informativo de Pagamento de Resgate” acostado aos autos em fl. 16 e “Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte” de fl. 17. Observo, por primeiro, que não merece acolhida a tentativa do Recorrente de equiparar, para fins de isenção de imposto de renda, o resgate de contribuições destinadas a regime de previdência privada ao recebimento do FGTS. São institutos jurídicos distintos. O FGTS é um fundo criado por lei, destinado ao aporte de contribuições compulsórias, a cargo do empregador, ao passo que a previdência privada tem natureza complementar e facultativa, sendo regida por contrato de natureza civil. Pois bem. O Interessado pretende seja reconhecida a isenção dos valores recebidos a título de resgate de previdência privada independentemente de quem tenha suportado a contribuição para a formação do fundo empregador ou empregado. Para tanto, sustenta que seu pleito encontra amparo no art. 6º da Lei nº 7.713/1988, incisos VIII e VII, “b”. Afastase, de logo, a aplicação, ao caso concreto, da isenção prevista no art. 6º, VII, “b”, da Lei nº 7.713/1988, haja vista que o próprio Recorrente informa, na peça recursal, que as quantias vertidas ao fundo eram suportadas pelo seu empregador. Confira: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 167 5 Temse, portanto, em relação aos depósitos efetuados pelo BAMERINDUS beneficiando o Recorrente, em período anterior a vigência da Lei n.° 9.250/95 (01011996) não poderiam, não podem e não poderão ser tributados (gozam isenção legal), diante do permissivo inciso VIII, do artigo 6o da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Em outras palavras: a isenção prevista no art. 6º, VII, “b”, da Lei nº 7.713/1988, na redação vigente à época dos fatos, alcançava apenas os rendimentos percebidos por pessoas físicas de entidades de previdência privada relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus era do participante, desde que os rendimentos produzidos pelo patrimônio da entidade tivessem sido tributados na fonte. Na espécie, as contribuições vertidas ao fundo eram suportadas pelo empregador, de modo que não se pode cogitar da aplicação do referido dispositivo legal ao caso em análise. Também não se aplica ao caso concreto, em meu entendimento, a hipótese prevista no inciso VIII do mesmo dispositivo, cujo teor é o seguinte: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VIII as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes; A leitura do trecho em destaque evidencia que a isenção ali prevista referese às contribuições vertidas pelos empregadores para o fundo de previdência dos seus empregados e dirigentes. Justamente por isso é que a tributação ocorre no momento dos resgates das contribuições ou benefícios. Em poucas palavras: a isenção contempla os aportes efetuados pelo empregador, e não os resgates feitos pelos beneficiários do plano. A jurisprudência do STJ é pacífica em relação a esse tema. Confira: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ARTIGO 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELO EMPREGADOR. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. A Corte de origem decidiu as questões devolvidas na apelação de forma fundamentada, não subsistindo no aresto omissão, contradição ou obscuridade. Conforme jurisprudência assente, incide o imposto de renda quando do resgate de contribuições vertidas pelo empregador às entidades de previdência privada. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1202549 / SC, julgado em 02/08/2011) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. RATEIO DO PATRIMÔNIO DE Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 168 6 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÕES COM ÔNUS DO PARTICIPANTE, EFETUADAS NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 7.713/88. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. GANHOS ORIUNDOS DE INVESTIMENTOS DA ENTIDADE. INCIDÊNCIA. 1. O imposto de renda não incide sobre a complementação de aposentadoria quanto aos resgates e benefícios decorrentes de contribuições cujo ônus tenha sido exclusivamente dos participantes do plano de previdência privada, sob o regime da Lei 7.713/88 (janeiro de 1989 a dezembro de 1995), não abrangendo, todavia, as contribuições vertidas pelo empregador e os ganhos oriundos de investimentos e lucros da entidade, ex vi do artigo 6º, VII, "b", da referida lei. 2. Precedentes do STJ: EREsp 510.118/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ 13.08.2007; AgRg no AgRg nos EDcl no Ag 865.743/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJ 03.04.2008; AgRg no REsp 989.062/GO, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, DJ 25.02.2008. 3. Impende salientar que, quer se trate de resgates e benefícios decorrentes de contribuições, quer de rateio do patrimônio de extinta entidade de previdência privada, somente não há incidência do Imposto de Renda sobre o resgate de valores decorrentes das contribuições efetuadas pelo participante sob a égide da Lei 7.713/88. Quanto aos montantes pagos pelo empregador e aos ganhos provenientes de investimentos e lucros da entidade, há a incidência da exação. Precedente: AgRg nos EREsp 608.357/PR, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 908732 / DF, julgado em 16/09/2008) Em resumo: no período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 o imposto de renda não incidia sobre os resgates de contribuições recolhidas aos planos de previdência privada cujo ônus tivesse sido exclusivamente dos participantes, não abrangendo, contudo, as contribuições vertidas pelo empregador. Nesse contexto, voto por negar provimento recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.004865/200363 Acórdão n.º 2201002.930 S2C2T1 Fl. 169 7 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10950.721738/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR ERRO DE FATO PRESENTE.
Constatado erro de fato, acolhem-se os embargos para fins sanar a decisão exarada em decorrência de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e, no mérito, provê-lo com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à matéria objeto dos embargos e ratificar o teor do acórdão 1402-001.530 quanto às demais matérias, nos termos do relatório que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ACOLHIMENTO PARA SANAR ERRO DE FATO PRESENTE. Constatado erro de fato, acolhemse os embargos para fins sanar a decisão exarada em decorrência de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e, no mérito, provêlo com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à matéria objeto dos embargos e ratificar o teor do acórdão 1402001.530 quanto às demais matérias, nos termos do relatório que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 38 /2 01 1- 90 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 425 2 Relatório Trata o presente de EMBARGOS INOMINADOS interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, contra o Acórdão 1402001.530, proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que deu parcial provimento ao recurso voluntário. Designado para pronunciarme sobre a admissibilidade dos embargos, assim me pronunciei: "Sr. Presidente da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção do CARF. Na apreciação do recurso voluntário interposto pela interessada K S TELECOMUNICACOES LTDA, esta turma julgadora prolatou o Acórdão 1402 001.530, de fls. 385/415, com resultado transcrito a seguir: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base tributável dos lançamentos do PIS e da Cofins. Ao tentar implementar o resultado do julgamento, a unidade de origem percebeu que não havia lançamento relativo a receitas financeiras para o PIS e a Cofins. Em decorrência, lavrou o despacho de fl. 422 retornando o processo ao CARF para verificação. De fato, apenas o lançamento de IRPJ (fls. 108/119) contempla omissão de rendimentos de aplicações financeiras (infração 004, fl. 117). Nos decorrentes relativos ao PIS e à Cofins, respectivamente às fls. 120/129 e 130/142, não há lançamento contemplando omissão de rendimentos de aplicações financeiras. Com efeito, prescreve o art. 65 do Regimento Interno do CARF: "Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." No presente caso, entretanto, tratase de erro de fato. Não obstante, de acordo com Didier Junior “há uma tendência jurisprudencial de ampliação do cabimento dos embargos de declaração, admitindoos para dar ensejo à correção de 'equívocos manifestos', além do erro material, tais como o erro de fato e até decisão ultra petita” (Didier Junior, Da Cunha e Carneiro in Curso de Direito Processual Civil. Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. 8a ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2010, vol. 3, p. 182) O Ministro Sydney Sanches muito bem definiu erro de fato: De todos os ensinamentos se pode extrair a conclusão: o erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. 485, n. IX), colhido do italiano, decorre de inadvertência do juiz, que, lendo os autos, neles vê o que não está, ou não vê o que está. Erro dos sentidos, de percepção, eventualmente de reflexão, de raciocínio, mas nunca de interpretação ou valoração da prova. (SANCHES, Fl. 425DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 426 3 Sydney, in Da Rescisória por Erro de Fato. Revista dos Tribunais n° 501. 1977. p. 1531.) Ante o exposto, venho requerer a Vossa Senhoria que admita os presentes embargos para sanar o erro de fato ora detectado, devolvendome os presentes autos para relato e inclusão em pauta de julgamento." O I. Presidente desta Turma aprovou o despacho, admitindo os embargos na forma apresentada acima, retornando os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. Dessa forma, passo à análise do caso, transcrevendo, por oportuno, o relatório do acórdão recorrido. "K.S. Telecomunicações Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (fls. 108/151), relativos ao ano calendário 2008, decorrentes de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 06/15: Quanto ao lançamento do IRPJ: Omissão de Receitas. Receitas de Prestação de Serviços: no período de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal no art. 528 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Receitas da Atividade. Receita Bruta Mensal sobre Prestação de Serviços: nos períodos de 03/2008, 06/2009, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 224, 518, §1°, inciso III, “a”, e §§ 4° a 7°, e 519 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Receitas da Atividade. Receita de Revenda de Mercadorias: nos períodos de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 224 e 518 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Rendimentos de Aplicações Financeiras de Renda Fixa: nos períodos de 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos art. 521 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Outras Receitas. Receitas de Bonificação Recebida: nos períodos de 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos art. 521 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Quanto ao lançamento da CSLL: Falta de Recolhimento da CSLL: no período de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§, e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 427 4 CSLL sobre Receitas não Operacionais: no período de 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§, e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art 29, inciso II da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. CSLL – Prestadora de Serviços: no período de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Quanto ao lançamento do PIS: Falta de recolhimento do PIS: nos períodos de 01/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2°, inciso I, “a”, e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. PIS sobre omissão de receita – Falta de recolhimento do PIS: nos períodos de 02/2008, 03/2008, 05/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, inciso I, “a”, e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Quanto ao lançamento da Cofins: Falta/insuficiência de recolhimento da Cofins: nos períodos de 01/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Omissão de Receitas: nos períodos de 02/2008, 03/2008, 05/2008 a 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Cientificada dos lançamentos, apresentou tempestivamente impugnação de fls. 154/204 trazendo os seguintes argumentos: DOS CONTRATOS CELEBRADOS COM A EMPRESA CLARO S.A. · Quanto aos contratos firmados com a empresa CLARO S.A., esclarece que, em 16 de maio de 2008, foram celebrados (i) o Termo de Investimento Parceria Comercial e o (ii) Contrato de Constituição de Relações Comerciais. O primeiro regulamenta as condições técnicas e comerciais para a venda de produtos e serviços da CLARO no Estado do Paraná; já o segundo, disciplina as relações comerciais estabelecidas entre os pactuantes; · Em relação ao primeiro contrato (Termo de Investimento Parceria Comercial), explica que alguns dos itens desse instrumento referemse às despesas que devem ser arcadas unicamente pelo agente autorizado no caso, a Impugnante, v.g., itens 1.1 e 4, verbis: Item 1.1: “O Agente Autorizado obrigase a obter todas as licenças necessárias para regularização da fachada comodatada pela CLARO, arcando com todos os custos necessários para obtenção das licenças e autorizações necessárias junto aos órgãos públicos competentes”; Item 4: “O Agente Autorizado obrigase a pagar as despesas de conservação necessárias para uso e gozo dos móveis comodatados, não sendo tais despesas reembolsáveis pela CLARO”; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 428 5 · Acrescenta que o item 1.1 ainda estipula que o agente autorizado (Impugnante) deve, obrigatoriamente, "manter durante toda a vigência do Contrato de Constituição de Relações Comerciais, no mínimo 7 (sete) pontos de vendas ativos para comercialização de produtos e serviços da CLARO." · Segue narrando que o investimento inicial da parceria (custo para produção) foi concedido pela CLARO sob a rubrica de bonificação com cláusula de condição suspensiva, e transcreve os seguintes trechos: (c): “Em razão da parceria comercial estabelecida entre as partes, a CLARO cederá ao Agente Autorizado, em comodato, conjuntos de mobiliário para os Pontos de Vendas (lojas) do Agente Autorizado, além de conceder uma bonificação equivalente à quantia bruta de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais) na forma prevista no presente instrumento.” ... 6: “O Agente Autorizado, por força do presente instrumento, obrigase a cumprir uma meta mínima de vendas de 100.800 (cem mil e oitocentos) acessos no prazo de vigência do Contrato de Constituição de Relações Comerciais (60 meses) firmado entre as partes nesta mesma data, devendo cumprir, no mínimo, 20% (vinte por cento) em ativações de pós pago.” ... 14: “O Agente Autorizado fornece à CLARO, no ato da assinatura do presente instrumento, 01 (uma) nota promissória, no valor global de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), única e exclusivamente para a garantia do cumprimento da meta mínima de venda de 100.800 (cem mil e oitocentos) acessos por parte do Agente Autorizado na forma prevista no presente instrumento.” 14.1: “A nota promissória será devolvida ao Agente Autorizado somente mediante o cumprimento integral da meta mínima de vendas mencionada no item 14 acima; · Infere que, embora já tenha sido concedida, a bonificação de R$ 2.300.000,00 somente integrará efetivamente o patrimônio (receita) da Impugnante se as metas estipuladas no termo de parceria forem cumpridas no prazo estipulado (60 meses a serem contados a partir da assinatura do contrato); e que, no mesmo sentido, o implemento da bonificação dos funcionários está atrelado ao preenchimento de certos requisitos, consoante se verifica do item 12: 12: “A CLARO promoverá, ainda, a título de incentivo, durante o prazo de vigência do Contrato de Constituição de Relações Comerciais, uma campanha exclusiva para os Pontos de Vendas do Agente Autorizado, mediante condições expressamente deliberadas pela própria CLARO, tais como fornecimento de aparelhos celulares adicionais, brindes promocionais, viagens, dentre outros, a critério único e exclusivo da CLARO. A CLARO disponibilizará ao Agente Autorizado a participação no projeto de bonificação por atingimento de metas da CLARO denominado ‘Premium’"; · Aduz que todas essas disposições foram inteiramente repisadas no Contrato de Constituição de Relações Comerciais item (ii). No que se refere à bonificação com cláusula de condição suspensiva, por exemplo, o referido instrumento assim dispôs, em sua cláusula oitava: 8.1.1: “Caso o Agente Autorizado denuncie, rescinda ou dê causa à rescisão do presente contrato, por qualquer motivo, antes do prazo inicial de 60 (sessenta) meses de vigência do mesmo, deverá ressarcir à CLARO a quantia de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), além das demais penalidades previstas no presente instrumento e demais termos firmados entre as partes, bem como perdas e danos a que, eventualmente, vier a dar causa.” Fl. 428DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 429 6 8.1.2: “Nas hipóteses previstas no item 8.1.1 e sem prejuízo das demais penalidades previstas contratualmente, o Agente Autorizado deverá, também, ressarcir à CLARO o valor das ativações não realizadas considerando a meta mensal de 100.800 (cem mil e oitocentas) ativações e o efetivamente realizado pelo Agente Autorizado. O valor será calculado com base na diferença a ser cumprida, multiplicada por R$ 21,30 (vinte e um reais e trinta centavos) por cada acesso.”; · Afirma que o Capítulo V desse contrato estipulou, também, as metas anuais de habilitação; o Capítulo VI, por sua vez, reiterou a obrigação da Impugnante em manter, no mínimo, sete pontos de vendas ativos para a comercialização de produtos e serviços da CLARO. Conclui que, da análise das mencionadas cláusulas contratuais (bem como dos itens do Termo de Investimento ) verificase que o cumprimento de muitas das obrigações celebradas pela Impugnante independe do exercício de suas atribuições. De fato, a manutenção de sete pontos de vendas, ou o alcance de 10.800 acessos decorre muito mais da competitividade da CLARO no mercado do que do trabalho realizado por agentes autorizados (caso da Impugnante); · Alega que, como a preferência dos consumidores está voltada para outras duas empresas de telefonia móvel (TIM e VIVO), está tendo reais dificuldades em honrar o que foi compactuado. Para tanto, cita a seguinte matéria de jornal (doc 4): “Claro muda foco para recuperar crescimento. Espremida pela concorrência da TIM, a operadora de telefonia móvel Claro anunciou ontem uma mudança em seu posicionamento. (...) A estratégia é ocupar um meiotermo entre a imagem de operadora com serviços mais sofisticados, explorada pela Vivo, e a identidade popular que a TIM construiu com sua aposta no prépago. (...) (*, Claro muda foco para recuperar crescimento, B2 Valor Sextafeira e fim de semana, 17,18 e 19 de junho de 2011).” MÉRITO. Das Infrações Da Anulação dos Autos de Infração (AnoCalendário 2008). Receitas Escrituradas (e supostamente) Não Declaradas. RECEITA DA REVENDA DE MERCADORIA E RECEITA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS IRPF, CSLL, PIS E COFINS · Contesta o entendimento do fiscal, que fundamentou o lançamento com base no “Valor da receita bruta não declarada, caracterizada pela diferença entre a receita contabilizada e o valor da receita declarada”; · Discorda do posicionamento da fiscalização, segundo o qual os impostos sob comento (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) devem ser calculados sobre a receita bruta; · Tece comentários doutrinários acerca dos conceitos de receita bruta e faturamento; · Infere que o vínculo obrigacional entre o contribuinte e o ente fazendário somente restará estabelecido se preenchidas as hipóteses previstas no antecedente da norma pertinente (descrição normativa dos fatos). Uma vez ocorrido tal evento, passase a falar no nascimento do fato jurídico tributário. Aplicando as mencionadas premissas ao caso vertente, temse que os impostos em análise possuem diferentes hipóteses de incidência; mas nenhuma delas se coaduna com o aferimento da receita bruta (ao contrário do disposto nos autos de infração); · Anota que, no caso do PIS e da COFINS, que têm por hipótese de incidência (e base de cálculo) o faturamento mensal da empresa, esse termo faturamento é advindo do direito privado, cujo conceito pode ser assim sumarizado: o valor total recebido com a venda de produtos ou serviços de uma empresa; entram ainda nesta conta os ganhos obtidos com aplicações financeiras ou Fl. 429DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 430 7 venda de ativos. Essa definição não se coaduna com o instituto da receita bruta, que compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o resultado auferido nas operações de conta alheia e o preço dos serviços prestados. (RIR/1999, art. 279 e parágrafo único). A diferenciação dos referidos termos é de tal forma palmar que o próprio Constituinte, ao modificar a redação do art. 195 (CF/88), espancou quaisquer dúvidas remanescentes. É que a redação primitiva do citado dispositivo previa que a Seguridade Social seria custeada (apenas) pela folha de salários, pelo faturamento e pelo lucro. Com o advento da EC n.° 20/98, entretanto, a CF/88 passou a admitir a instituição de nova contribuição, a ser baseada na receita bruta/resultado da comercialização da produção; · Resume que o PIS e a COFINS tem como base de cálculo o faturamento; a nova contribuição, a ser (ainda) instituída e regulamentada pelo legislador (infraconstitucional), poderá ser calculada sobre a receita bruta. Se os conceitos de faturamento e receita bruta fossem realmente equivalentes, o legislador constituinte não deveria ter tido o trabalho de editar a sobredita Emenda n.° 20; · Lembra que ao intérprete e ao aplicador da lei tributária é defeso alterar o conceito de termos próprio de direito privado, sob pena de afronta ao art. 110, do CTN; · Cita doutrina e jurisprudência; · No que se refere ao IRPJ e à CSLL, contesta o cálculo dos supostos créditos embasada na sobredita base de cálculo (receita bruta), alegando que tanto a hipótese de incidência quanto a base imponível desses impostos subsumemse à renda disponibilizada (jurídica/economicamente) e ao lucro líquido (apurado antes de realizado o aprovisionamento para o recolhimento do IR), respectivamente (cf. art. 43 do CTN e art. 195, I, c, da CF/88). Vale dizer, a receita bruta não se coaduna com a base de cálculo próprias do IRPJ nem da CSLL, de forma que não pode basear as mencionadas exações; · Conclui que, por qualquer ângulo que se analise a questão, as cobranças não devem prosperar, uma vez que afrontam, a um só tempo, a sistemática constitucional atinente ao tema (cf. edição da EC n.° 20/98), a letra dos arts. 43 e 110, do CTN e do art. 195, I, c, da CF/88; Receita (supostamente) Omitida. RECEITA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E RECEITA DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. · Questiona o lançamento de créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com as "informações constantes das Declarações de Imposto de Renda na Fonte (DIRF), apresentadas pelas fontes pagadoras" (TIM Celular S/A, CLARO S/A, Itaú Unibanco S/A e Banco Bradesco S/A); · Entende que os tributos pertinentes a essas operações já foram recolhidos pelas fontes pagadoras, na forma retida. Com efeito, são elas (e não a Impugnante) que têm a responsabilidade de proceder ao mencionado adimplemento como de fato foi realizado, consoante se verifica dos documentos anexados nesse processo administrativo; · Pugna pela improcedência do vertente auto de infração, a fim de que as exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes à suposta omissão de receita (prestação de serviços e aplicações financeiras de renda fixa) sejam declaradas inexigíveis; RECEITA DE BONIFICAÇÃO RECEBIDA IRPJ E CSLL Fl. 430DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 431 8 · Discorda do entendimento disposto no Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual a Impugnante teria se "apropriado à razão de 1/60 (um sessenta avos) por mês, referente à bonificação recebida decorrente do Contrato de Constituição de Relações Comerciais e do Termo de Investimento Parceria Comercial, celebrados com a empresa CLARO S/A., com prazo de duração de 60 (sessenta) meses, contados a partir de 16/05/2008."(fl. 03); · Remete ao exposto no início da defesa, e afirma que a empresa CLARO S/A. disponibilizou uma bonificação no valor de R$ 2.300.000,00, a fim de auxiliar no custeio do empreendimento da Impugnante; · Enfatiza que esse benefício somente será efetivamente pago se preenchidos alguns pressupostos contratuais: (i) alcance de meta mínima de venda de 100.800 acessos; (ii) 20% (mínimo) em ativações de póspago (ambos no prazo de 60 meses); (iii) vigência do contrato por mais de 60 meses, contados de 16/05/2008 (docs.03); · Pondera que isso significa dizer que o sobredito montante não estará econômica ou juridicamente disponível à Impugnante, até que sobrevenha o atendimento dos requisitos acima enumerados (fato que deverá ocorrer apenas no ano de 2013). Em outras linhas, essa bonificação possui natureza jurídica de pagamento sob condição suspensiva (evento futuro e incerto): caso a Impugnante não obedeça às determinações contratuais, será compelida à devolução do valor estipulado; · Repisa a cláusula 8.1.1 do Contrato de Constituição de Relações Comerciais e do item 14 do Termo de Investimento (docs. 03), cujos teores comprovam os argumentos acima expostos; 8.1.1: “Caso o Agente Autorizado denuncie, rescinda ou dê causa à rescisão do presente contrato, por qualquer motivo, antes do prazo inicial de 60 (sessenta) meses de vigência do mesmo, deverá ressarcir à CLARO a quantia de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), além das demais penalidades previstas no presente instrumento e demais termos firmados entre as partes, bem como perdas e danos a que, eventualmente, vier a dar causa. “ ... 14: “O Agente Autorizado fornece à CLARO, no ato da assinatura do presente instrumento, 01 (uma) nota promissória, no valor global de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), única e exclusivamente para a garantia do cumprimento da meta mínima de venda de 100.800 (cem mil e oitocentos) acessos por parte do Agente Autorizado na forma prevista no presente instrumento.” 14.1: “A nota promissória será devolvida ao Agente Autorizado somente mediante o cumprimento integral da meta mínima de vendas mencionada no item 14 acima, (grifou se)”; · Assevera que seria inviável sustentar a exigibilidade da cobrança de Imposto de Renda sobre o referido bônus, uma vez que, de acordo com o art. 43 do CTN, a hipótese de incidência desse tributo é justamente a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda; · Salienta que o IRPJ simplesmente não incide sobre a renda que esteja indisponível, embaraçada; isso é, que não tenha, de fato, composto o patrimônio do contribuinte. Esse, como visto, é exatamente o quadro que se afigura no caso dos autos, já que o montante de R$ 2.300.000,00 somente passará à titularidade da Impugante se ocorridos os eventos futuros e incertos aduzidos nos contratos firmados com a empresa CLARO S/A; · Acrescenta que esses fundamentos abarcam, inclusive, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, porque, como bem disposto no sítio da Receita Federal, "aplicamse à CSLL as Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 432 9 mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas"; · Argumenta que, inexistindo a configuração de receita (antes da ocorrência dos requisitos impostos pelos contratos firmados), também não há que se falar em lucro líquido, já que, de que forma poderseia cogitar do valor do suposto lucro líquido se o montante de 2.300.000,00 ainda nem foi integralizado ao patrimônio da Impugnante?! Este fato impede, portanto, a incidência da CSLL; · Cita decisão do TRF4, para concluir que, considerando que o montante de R$ 2.300.000,00 somente poderá ser objeto de tributação se as condições contratuais foram integralmente atendidas ou seja, quando o pagamento se tornar certo e definitivo; e, tendo em vista que esses eventos somente ocorrerão em 2013 (60 meses a partir da assinatura dos contratos), evidencia se a impossibilidade jurídica de ser perfazer à cobrança de IRPJ e de CSLL sobre tais valores, ante a patente nãoincidência dos impostos, nos termos do art. 195, I, c, e do art. 43, do CTN; · Anota que o fato de a Impugnante ter deixado de realizar a contabilização desse valor (como recebimento condicional, v.g.) não pode implicar na exação dos referidos impostos (obrigação principal). É que neste caso, como a bonificação não pode ser classificada com uma receita ou como lucro líquido, a ausência de escrituração deve, no máximo, acarretar o lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória; Princípio da eventualidade. Multa. Confisco · Argumenta que as sanções administrativas têm finalidade educativa e punitiva, de forma que a respectiva fixação deve levar em conta esses dois parâmetros, a fim de que o suposto infrator entenda a necessidade do cumprimento das regras estabelecidas, e, ao mesmo tempo, sintase desencorajado a reincidir; · Por outro lado, entende que a autoridade administrativa deve pautarse na proporcionalidade ao aplicar a pena, sob pena de ocasionar um gravame excessivo ao patrimônio do infrator; · Cita decisão do STJ; · Reclama que os auditores fiscais aplicaram multa de 75% a todas as supostas infrações cometidas pela Impugnante, de forma que o valor dos créditos tributários lançados foi majorado de forma exorbitante (v.g. IRPJ, imposto...R$ 232.725,88; multa (75%)...R$ 174.544,39); · Anota que, num sistema em que há previsão de juros (para indenizar) e correção monetária (para manter o cunho liberatório da moeda), a imposição de multas elevadas como as presentes leva a verdadeiro confisco do patrimônio da Impugnante; · Com base em doutrina, defende que o princípio da capacidade contributiva do contribuinte e a vedação do confisco são hoje princípios constitucionais expressos em matéria tributária (art. 145, § 1.°, e art. 150, IV, da CF/88). Embora dirigidos literalmente aos impostos (princípio da capacidade contributiva) e aos tributos (vedação de utilizálos com efeito de confisco), tais postulados se espraiam por todo o sistema tributário, atingindo por inteiro o crédito tributário na sua acepção mais lata, como conceituado pelo art. 133 e seus parágrafos do Código Tributário Nacional. Em síntese: eles atingem tanto as penas fiscais quanto os tributos; · Pugna pela exclusão dessas multas vultosas, por infringir o princípio da capacidade contributiva e, por via indireta tornar um confisco, comprometendo fatalmente a Reclamante, ou, alternativamente, pela sua redução ao mínimo legal (máximo 2%); Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 433 10 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS · Menciona o art. 151, III, do Código Tributário Nacional, que preceitua que a exigibilidade dos créditos deve restar suspensa quando houver protocolo de impugnações ou recursos administrativos: · Cita decisão do STJ, no sentido de que, uma vez protocoladas reclamações em sede administrativa, os créditos não podem ser cobrados, até que a decisão seja definitiva; · Acrescenta que, além da suspensão da exigibilidade dos créditos, a apresentação de impugnação administração também acarreta na concessão de certidões positivas com efeito de negativa (cf. art. 206, do CTN); · Pugna pela suspensão da exigibilidade dos créditos e pela concessão da referida certidão, uma vez que todos os termos dos autos de infração foram impugnados, nos termos dos artigos 151, III e 206, ambos do CTN; DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS · Ao final, pede, com relação à primeira infração, i) o cancelamento dos créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que embasados na receita bruta, tem total afronta à letra do art. 195, I, c, da CF/88 e dos artigos 43 e 110, do CTN. Com relação à segunda, ii) julgar improcedentes os Autos de Infração, uma vez que os créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS são inexigíveis, ante aos recolhimentos efetuados pelas fonte pagadoras (TIM Celular S/A, CLARO S/A, Itaú Unibanco S/A e Banco Bradesco S/A); iii)julgar improcedentes os Autos de Infração, tendo em vista que a bonificação concedida pela empresa CLARO S/A ainda não foi integralizada ao patrimônio da Impugnante, inexistindo, portanto, a configuração dos fatos jurídicos tributários do IR e da CSLL, nos termos do art. 195, I, c, da CF/88 e do art. 43, do CTN; · Pede ainda: iv) o cancelamento da multa aplicada ou reduzila (ao limite de 2%), uma vez que excessiva e nitidamente confiscatória; · Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos e, por conseguinte, a concessão de certidão positiva com efeito de negativa, nos termos dos arts. 151, III e 206 do CTN. A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 0637.310 (fls. 324351) de 14/06/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. Correto o lançamento do IRPJ, lucro presumido, com Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 434 11 base de cálculo obtida mediante simples cotejo entre as receitas escrituradas e as declaradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DIRF. Correto o lançamento do IRPJ, com base em omissão de receitas, identificada por informações constantes em DIRFs, de fontes pagadoras por prestação de serviços e de rendimentos financeiros. RECEITA DE BONIFICAÇÃO. FATO GERADOR DO IRPJ. PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. O fato gerador do IRPJ alcança os proventos de qualquer natureza que venham a acrescer o patrimônio do contribuinte, independentemente da denominação que se atribua ao valor recebido, ou da forma de recebimento, o que legitima o lançamento com base em receita de bonificação, prevista contratualmente. RECEITA DE BONIFICAÇÃO. LIVRE DISPONIBILIDADE E EXERCÍCIO DO DIREITO SOBRE A COISA. AQUISIÇÃO SOB CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INCOMPATIBILIDADE. Se o contribuinte recebe receita de bonificação, sobre a qual tem livre disponibilidade e exerce direitos, então é titular da coisa recebida, o que torna insustentável a alegação de aquisição sob condição suspensiva, em que a parte só pode exercer direitos após o advento da condição. RECEITA DE BONIFICAÇÃO. CLÁUSULA PENAL. INDENIZAÇÃO EM VALOR COINCIDENTE. AQUISIÇÃO SOB CONDIÇÃO SUSPENSIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Cláusula penal prevendo o ressarcimento de valor coincidente ao recebido a título de receita de bonificação, em caso de inadimplemento ou rescisão contratual, não é apta para justificar aquisição do rendimento sob condição suspensiva, eis que tal cláusula possui natureza punitiva e reparatória, destinada, inclusive, a ressarcir o credor dos investimentos realizados. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 21/06/2012 (A.R. de fl. 357) a interessada interpôs recurso voluntário em 20/07/2012 (fls. 358374) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação." É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 435 12 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar A questão diz respeito a erro de fato cometido no acórdão embargado, que deu provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base tributável dos lançamentos do PIS e da Cofins. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão embargado, na parte de interesse, fls. 399/404. "... Das receitas escrituradas e não declaradas. O crédito tributário lançado decorre do cotejo entre as receitas escrituradas no Livro Diário e aquelas declaradas em DIPJ pela contribuinte. As diferenças são apresentadas nas tabelas constantes no TVF às fls. 06/07. A Recorrente não questiona diretamente o levantamento elaborado pela Fiscalização. Para o IRPJ e a CSLL, alega que tanto a hipótese de incidência quanto a base imponível desses tributos subsumemse, respectivamente, à renda disponibilizada, jurídica/economicamente (art. 43 do CTN) e ao lucro líquido, apurado antes de realizado o aprovisionamento para o recolhimento do IR (art. 195, I, c, da CF/88). Há que se esclarecer, de início, que o fato gerador do IRPJ é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, de renda ou proventos de qualquer natureza (art. 43 e incisos do CTN) e que a correspondente base de cálculo é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou proventos tributáveis (art. 44 do CTN). Para o regime do lucro presumido, do qual a Recorrente é optante, o legislador definiu a base de cálculo mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta, auferida em cada trimestre. No caso da Contribuinte, foram utilizados os percentuais de 8% para a revenda de mercadorias e de 32% para a prestação de serviços, conforme os correspondentes artigos 518 e 519 do RIR/99. Nesse sentido, não merece reparos o levantamento elaborado pelo Fisco, constante do demonstrativo de apuração presente no auto de infração IRPJ à fl. 108. Já a CSLL tem como fato gerador a auferição de lucro, com previsão expressa diretamente na Constituição Federal (art. 195, inciso I, “c”). A base de cálculo é composta pelo percentual de doze por cento da receita bruta, para a revenda de mercadorias, e trinta e dois por cento da receita bruta, para a prestação de serviços, conforme prescrito no art. 29 da Lei n° 9.430/96 c/c arts. 15 e 20 da Lei n° 9.249/1995. Também aqui entendo não merecer reparos o lançamento, conforme demonstrativo de apuração constante do auto de infração CSLL à fl. 140. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 436 13 Quanto ao PIS e a Cofins, constatase, do enquadramento legal trazido nos autos de infração, que o lançamento se deu, quanto ao conceito de base de cálculo utilizada, sob a égide do art. 10 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, in verbis. Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º). [...] (grifei) Nessa esteira, a base de cálculo dos lançamentos do PIS e da Cofins teria como suporte legal o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e seria o “valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas”. A Recorrente, em resumo, alega que essas contribuições têm como base de cálculo o faturamento, e que apenas uma nova contribuição, a ser ainda instituída e regulamentada pelo legislador infraconstitucional, poderia ser calculada sobre a receita bruta; e que, se os conceitos de faturamento e receita bruta fossem realmente equivalentes, o legislador constituinte não deveria ter tido o trabalho de editar a Emenda Constitucional n.° 20/98. Vêse, nesse caso, que a Recorrente traz aos autos a discussão travada no STF quando do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prescrita no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC nº 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto que deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4º, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 437 14 ressaltese, da EC nº 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 438 15 seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF nº 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Conseqüentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Ocorre que a autuação, quanto a esse ponto, se deu pelo levantamento de receitas escrituradas e não declaradas referentes a revenda de mercadorias e a prestação de serviços, receitas essas operacionais da Autuada. Por todo o exposto, entendo descabidas as razões de defesa quanto a esse ponto. Da omissão de receitas de prestação de serviços e omissão de receitas financeiras. A interessada questiona o lançamento de créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com as "informações constantes das Declarações de Imposto de Renda na Fonte (DIRF), apresentadas pelas fontes pagadoras" (TIM Celular S/A, CLARO S/A, Itaú Unibanco S/A e Banco Bradesco S/A). Entende que os tributos pertinentes a essas operações já foram recolhidos pelas fontes pagadoras, na forma retida. Com efeito, são elas (e não a Recorrente) que têm a responsabilidade de proceder ao mencionado adimplemento como de fato foi realizado, consoante se verifica dos documentos anexados ao processo. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 439 16 Pugna pela improcedência dos autos de infração, a fim de que as exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes à suposta omissão de receita (prestação de serviços e aplicações financeiras de renda fixa) sejam declaradas inexigíveis. Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, constatase do TVF ter sido apurada com base nos dados informados em DIRF, por duas tomadoras de serviço do contribuinte: A Tim Celular S/A e a Claro S/A. ... Quanto à omissão de receitas financeiras, constatase do TVF ter sido apurada como decorrência de o contribuinte ter deixado de declarar rendimentos financeiros, identificados em dados extraídos das DIRFs enviadas pelas fontes pagadoras Itaú Unibanco e Banco Bradesco, nos seguintes montantes: ITAÚ 3426 BRADESCO 3426 TOTAIS MESES RECEITA IRF RECEITA IRF Receita IRF abr/08 35,87 7,97 35,87 7,97 mai/08 21,87 4,80 21,87 4,80 jun/08 36,10 8,00 36,10 8,00 jul/08 594,49 133,40 594,49 133,40 ago/08 5.191,69 1.167,97 5.191,69 1.167,97 set/08 3.711,40 834,89 7.555,36 1.699,95 11.266,76 2.534,84 out/08 55,26 12,31 4.082,14 918,48 4.137,40 930,79 nov/08 84,07 18,73 84,07 18,73 dez/08 138,55 31,02 138,55 31,02 TOTAL 9.869,30 2.219,09 11.637,50 2.618,43 21.506,80 4.837,52 Alega a Recorrente que os tributos pertinentes a essas operações já teriam sido recolhidos pelas fontes pagadoras por retenção na fonte e que seriam das instituições financeiras, e não da Defendente, a responsabilidade pelo pagamento. De se esclarecer, nesse ponto, que as retenções efetuadas pelos tomadores de serviço e pelas instituições financeiras são simples antecipações do imposto de renda da Fiscalizada, de modo que não se configuram como tributação definitiva. Os respectivos rendimentos, tendo sido auferidos pela Contribuinte, devem fazer parte da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conforme as previsões legais citadas no item anterior. Como observado na decisão recorrida, as retenções pagas foram devidamente deduzidas, conforme demonstrativo de fl. 110. Assim, não tendo sido oferecido tais rendimentos à tributação, corretos os lançamentos, efetuados com a devida dedução das retenções. A jurisprudência desse Conselho é assente nestes casos. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 440 17 IRPJ E DECORRENTES OMISSÃO DE RECEITAS CONFRONTO DIRF X DIRPJ – Remanescendo diferença entre os valores efetivamente recebidos pela empresa e aqueles que ela consegue provar a contabilização, mantémse parcialmente as exigências derivadas da acusação de omissão de receitas (Acórdão 10709.282, de 24/01/2008) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não comprovado pelo interessado que a DIRF apresentada pela fonte pagadora era incorreta, devese manter o lançamento de omissão de rendimentos. (Acórdão 10249.282, de 11/09/2008) Por fim, quanto ao lançamento do PIS e da Cofins, há que se considerar, conforme análise anterior, que não é legítima a exigência dessas contribuições sobre receitas outras que não as da atividade, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das omissões de receitas financeiras. ... CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado para excluir da base tributável dos lançamentos do PIS e da Cofins as infrações relativas à omissão de receitas de aplicações financeiras, mantendo os demais lançamentos conforme constituídos nos autos de infração." (sublinhei). Ao tentar implementar o resultado do julgamento, a unidade de origem percebeu que não havia lançamento relativo a receitas financeiras para o PIS e a Cofins. Em decorrência, lavrou o despacho de fl. 422 retornando o processo ao CARF para verificação. De fato, apenas o lançamento de IRPJ (fls. 108/119) contempla omissão de rendimentos de aplicações financeiras (infração 004, fl. 117). Nos decorrentes, relativos ao PIS e à Cofins, respectivamente às fls. 120/129 e 130/142, em que pese haver alegações de defesa quanto à matéria, não há lançamento contemplando omissão de rendimentos de aplicações financeiras. Com efeito, prescreve o art. 65 do Regimento Interno do CARF: "Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." No presente caso, entretanto, tratase de erro de fato. Não obstante, de acordo com Didier Junior “há uma tendência jurisprudencial de ampliação do cabimento dos embargos de declaração, admitindoos para dar ensejo à correção de 'equívocos manifestos', além do erro material, tais como o erro de fato e até decisão ultra petita” (Didier Junior, Da Cunha e Carneiro in Curso de Direito Processual Civil. Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. 8a ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2010, vol. 3, p. 182) O Ministro Sydney Sanches muito bem definiu erro de fato: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.721738/201190 Acórdão n.º 1402001.962 S1C4T2 Fl. 441 18 De todos os ensinamentos se pode extrair a conclusão: o erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. 485, n. IX), colhido do italiano, decorre de inadvertência do juiz, que, lendo os autos, neles vê o que não está, ou não vê o que está. Erro dos sentidos, de percepção, eventualmente de reflexão, de raciocínio, mas nunca de interpretação ou valoração da prova. (SANCHES, Sydney, in Da Rescisória por Erro de Fato. Revista dos Tribunais n° 501. 1977. p. 1531.) Assim, caracterizado o erro material aventado, entendo pela necessidade de sanálo, pelo que encaminho meu Voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, no mérito, provêlo com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário apresentado, quanto à matéria embargada. Ratificase o acórdão embargado quanto às demais matérias, por não terem sido objeto de embargos. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13839.003026/00-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995
PIS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150, § 4º e 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso conhecido e provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Carlos de Lima Junior e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e, no mérito, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto que integra o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes , Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150, § 4º e 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 30 26 /0 0- 36 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 2 ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Carlos de Lima Junior e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e, no mérito, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto que integra o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes , Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso extraordinário de fls. 340/344, ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/0105.615 (fls. 275/282), que por maioria de votos, afastou a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Traz como paradigma cópia da ementa do Acórdão CSRF/0201.722. A matéria objeto do recurso especial referese ao prazo decadencial do PIS, estando o julgado ora vergastado assim ementado: "PIS/PASEP DECADÊNCIA – Frente à Constituição, o prazo de decadência das contribuições sociais é de 5 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no art. 150, par. 4. do CTN, não se lhes aplicando o art. 45 da Le n°. 8.212/91. A Primeira Turma da CSRF ao apreciar o tema, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição ínsita no artigo 150, § 4°, do CTN. Fundamenta a Recorrente que no Acórdão CSRF/0201.722, acostado por cópia da respectiva ementa, decidiuse pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/91 (dez anos), para as contribuições destinadas à seguridade social. Invoca divergência jurisprudencial na interpretação do comento. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ Processo nº 13839.003026/0036 Acórdão n.º 9900000.857 CSRFPL Fl. 7 3 A ementa do acórdão paradigma possui a seguinte redação: "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. " O acórdão recorrido afastou a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, adotando o prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no CTN e, especificamente, o § 4 °, do artigo 150. O paradigma, por sua vez, entende que o prazo decadencial das contribuições para a seguridade social e de 10 anos, previsto no artigo 45, da Lei 8.212/91, tendo como termo de início o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter ocorrido (art. 173). Por meio do Despacho 040/2008, de fls. 294, sob o entendimento de ter sido comprovado o dissídio jurisprudencial, deuse seguimento o recurso interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a decisão prolatada no Acórdão CSRF/0105.615 que, por maioria de votos negou provimento ao recurso especial de sua autoria, com amparo no art. 9 ° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007, retorna aos autos, tempestivamente, com o recurso extraordinário, instruído com cópia da ementa do Acórdão CSRF/0201.722, apresentado ao dissídio, objetivando a reforma do acórdão recorrido em sede de Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Data da ciência do auto de infração: 30 de novembro de 2000. Data dos Fatos Geradores: 01/01/91 a 30/09/95. A controvérsia cingese em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado “lançamento por homologação”, deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei nº 8.212/91. No mais, superada essa questão, qual a regra que deverá prevalecer (art. 150, § 4º ou a do art. 173, do CTN). Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado da súmula vinculante nº 8, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006, em 20 de junho de 2008: “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 4 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” A adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC nº 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a norma objeto da declaração de inconstitucionalidade. Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, não há como considerar ser de dez anos o prazo para efetuar o lançamento. Assim a fundamentação legal passa a ser com base no CTN, obrigatoriamente. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ Processo nº 13839.003026/0036 Acórdão n.º 9900000.857 CSRFPL Fl. 8 5 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). (...) (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem o seguinte comando nos seu artigo 62A : Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 6 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso dos autos, deverá a autoridade competente, verificar os meses em que houver inexistência de pagamento, para a aplicação do prazo previsto no art. 173 do CTN, motivo pelo qual Voto pelo provimento parcial do recurso. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda em face da jurisprudência consolidada. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ
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Numero do processo: 10907.721803/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Marcelo Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036 e Oscar Freitas e Castro, OAB/RJ nº 32.641.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Marcelo Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036 e Oscar Freitas e Castro, OAB/RJ nº 32.641. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de procedimento fiscal de revisão aduaneira que culminou na lavratura dos autos de infração para exigência das diferenças dos tributos devidos nas importações do produto cujo nome comercial é MICROVIT D3 PROMIX 500. O contribuinte tomou ciência dos autos de infração por via postal em 26/12/2012, conforme AR de fl. 1964, em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 30/05/2008 e 30/01/2012. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, foi realizada perícia técnica em uma amostra da mercadoria denominada comercialmente como MICROVIT D3 PROMIX 500, importada por meio da DI nº 11/12903587 Adição 02, registrada em 13/07/2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .7 21 80 3/ 20 12 -9 3 Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 6 2 O contribuinte vinha classificando esse produto sob o código NCM 2936.2921, informando que se tratava de VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL), NÃO MISTURADA, alíquota do Imposto de Importação de 2%. Segundo a fiscalização, a perícia revelou que o produto não é uma vitamina D3 isolada, mas sim uma preparação constituída de Vitamina D3 contendo excipientes orgânicos, sendo: óleo, amido, gelatina e sacarose, além do excipiente inorgânico a base de dióxido de silício, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração (fl. 1942). A fiscalização afirmou que em resposta ao quesito 8 do laudo, o perito designado afirmou que os excipientes foram adicionados à vitamina D3 para um fim específico, qual seja, o de tornar o composto uma preparação para entrar na composição de ração animal. Segundo a fiscalização, a adição dos excipientes amido e sílica possui a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem de vitaminas nas rações animais e proteger química e fisicamente as vitaminas durante o processo de mistura com outros componentes na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal). Diante do que foi constatado no laudo técnico, concluiu a fiscalização que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à posição 2936 não autorizam a classificação deste tipo de preparação como uma simples vitamina, uma vez que a adição de substâncias inorgânicas à base de sílica e outras substâncias orgânicas, tornaram o produto apto para um fim específico de preferência à sua aplicação geral, a saber: a utilização exclusiva na produção de ração animal, e, assim sendo, os excipientes encontrados não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas na NESH da posição 2936, in verbis: "Os produtos da presente posição [da posição 2936] podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas, ou por absorção em susbtâncias apropriadas (ácido sílico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral." Prossegue a fiscalização narrando que as Notas Explicativas à posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação de alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Conclui a fiscalização que segundo a NESH, uma preparação constituída de vitamina e excipientes é suscetível de Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 7 3 enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos "completos" ou "complementares" para nutrição animal: Esta posição [2309] compreende não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, destinados: 1) quer a fornecer ao animal uma alimentação diária racional e balanceada (alimentos completos); 2) quer a completar os alimentos produzidos na propriedade agrícola, por adição de algumas substâncias orgânicas ou inorgânicas (alimentos complementares); 3) quer a entrar na fabricação dos alimentos completos ou dos alimentos complementares. Incluemse nesta posição os produtos dos tipos utilizados na alimentação dos animais, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais e que, por esse fato, perderam as características essenciais da matéria de origem, por exemplo, no caso dos produtos obtidos a partir de matérias vegetais, os que tenham sido sujeitos a um tratamento, de forma que as estruturas celulares específicas das matérias vegetais de origem já não sejam reconhecíveis ao microscópio. (...) C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS “COMPLETOS” OU “COMPLEMENTARES” DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados “aditivos”), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). A concentração, nestas preparações, dos elementos referidos em 1) acima e a natureza do suporte são determinadas, especialmente, de Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 8 4 forma a conseguirse uma repartição e uma mistura homogêneas desses elementos nos alimentos compostos a que essas preparações serão adicionadas. (...)" Com base na RGI nº 1; na RGC nº 1, na Nota 1 do Capítulo 23, nos textos da posição 2309 e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado às posições 2936 e 2309, a fiscalização concluiu que o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 deve ser classificado sob o código NCM 2309.9090 outras preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, tributada pelo Imposto de Importação com alíquota de 8%. A partir dessa constatação, a fiscalização levantou todas as Declarações de Importação registradas pelo contribuinte que continham importações consignado o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 com a mesma descrição e, com base na presunção relativa do art. 68 da Lei nº 10.833/2003, efetuou o lançamento de ofício das diferenças dos tributos incidentes sobre a importação com os acréscimos legais pertinentes ao lançamento de ofício. Foi lançada a multa regulamentar de 30% do valor aduaneiro em virtude das importações terem ocorrido ao desamparo de licença de importação. Segundo a fiscalização, a análise laboratorial passou a exigir uma nova licença de importação porque a licença obtida pelo contribuinte amparava a mercadoria descrita nas DI (Vitamina D3 isolada) e não a preparação que foi efetivamente importada. Tendo em vista que o contribuinte omitiu das descrições nas DI o termo "PREPARAÇÃO", entendeu o fisco ser inaplicável ao caso concreto o Ato Declaratório COSIT nº 12/97. Foi lançada a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão das mercadorias terem sido classificadas incorretamente pelo importador no código NCM 2936.29.21 VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL). Tendo em vista que a perícia permitiu o reenquadramento da mercadoria importada no código NCM 2302.90.90, ficou comprovado o erro de classificação fiscal. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) Os autos de infração são improcedentes porque a classificação utilizada pelo contribuinte nas importações estava correta. A classificação da vitamina D3 no código NCM 2936 foi chancelada pela DINON por meio da Decisão COANA nº 004, de 29 de abril de 1999, proferida em processo de consulta formulada pelo SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL SINDIRAÇÕES; 2) A revisão da importação foi efetuada muitos anos após as importações, sendo que no momento do despacho aduaneiro nenhum questionamento foi levantado quanto a qualquer irregularidade nas importações. Se houve algum erro na classificação da mercadoria no momento da importação, tratouse de erro de direito e não de fato. Sendo assim, a revisão aduaneira não poderia ter sido efetuada neste caso, pois o art. 149 do CTN não autoriza a revisão de ofício por erro de direito e a Súmula 227 do TFR veda ao fisco a revisão do lançamento por mudança de critério jurídico; 3) Atacou a multa regulamentar imposta com base no erro de classificação fiscal. Disse que mesmo na hipótese de constatação de erro de direito na classificação fiscal da mercadoria, a multa não pode ser imposta sem que seja verificada a culpabilidade do Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 9 5 contribuinte. Se não for comprovado o dolo do importador por esse erro, não há como se impor legitimamente a multa; 4) As multas aplicadas são confiscatórias porque chegam a 120% do valor do tributo lançado, violando o art. 150, IV, da Constituição Federal. Por meio do Acórdão nº 53.925, de 10 de dezembro de 2013, a 23ª Turma da DRJ São Paulo1, julgou a impugnação improcedente. Entendeu a Turma de Julgamento a quo que o produto que foi objeto de consulta formulada pelo SINDIRAÇÕES era diferente do produto que foi reclassificado pela fiscalização neste processo, sendo inaplicável ao caso concreto o enquadramento preconizado pela COANA. No que tange à classificação fiscal propriamente dita, entendeu a DRJ que o laudo técnico comprovou que o produto é uma preparação contendo a vitamina D3 e não a vitamina D3 isolada. A DRJ chancelou a reclassificação fiscal com base nas mesmas regras e justificativas utilizadas pela fiscalização. A DRJ entendeu que no caso concreto foi cabível a revisão aduaneira, com base no art. 149, IV, do CTN, pois houve erro do contribuinte quanto a elemento definido como de declaração obrigatória. As multas foram mantidas, sob a justificativa de que não cabe a análise de alegação de inconstitucionalidade em sede de julgamento administrativo. Entendeu a DRJ que as multas não podem ser revistas com base em juízos de razoabilidade e proporcionalidade entre a infração e a intensidade da pena, pois a lei não permite a dosimetria da pena em matéria tributária. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 24/01/2014 (fl. 2061), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/02/2014 alegando, em síntese, o seguinte: 1) Não existe diferença essencial entre o produto objeto da Decisão COANA nº 04/1999 e o produto importado por meio da DI autuada. Nos dois casos o composto Vitamina D3 é protegido por uma mistura, por uma preparação, um revestimento de gelatina, carboidratos e antioxidantes, sempre contendo no mínimo 500.000 unidades de Vitamina D3. Os produtos apresentam o mesmo componente ativo (a vitamina D3) e diferem apenas em relação aos revestimentos que são ligeiramente diferentes, mas ambos se destinam ao mesmo objetivo, que é estabilizar o componente ativo. Portanto, é insustentável a decisão recorrida quando tenta manter a autuação, sob o fundamento de se tratarem de produtos diferentes; 2) No momento da importação o fisco não levantou qualquer questionamento. Apenas muitos anos depois resolveu a Fazenda Nacional imputar ao contribuinte o cometimento de infrações em relação a fatos geradores efetivamente consumados. Na pior das hipóteses houve erro de direito, e não erro de fato. A revisão do lançamento por erro de direito é vedada não só pelo art. 149 do CTN, mas também pela Súmula 227 do TFR; 3) Quanto à imposição das multas, reiterou que diante da hipótese de erro de direito e da falta de verificação da culpabilidade do contribuinte, é ilegal a imposição de qualquer multa. Contestou a decisão recorrida na parte em que não aplicou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para a exclusão ou redução das multas, pois no caso concreto a penalidade excessiva afronta os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco. Para melhor instrução do processo, e com base no disposto nos arts. 36 e 37 da Lei nº 9.784/99, este relator obteve no Sistema Decisões a Decisão COANA nº 04/1999, que ora se junta aos autos. Muito embora a defesa tenha feito referência ao nome do autor da Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 10 6 consulta, este relator, em homenagem ao art. 198 do CTN, apagou os dados do cabeçalho da referida decisão, os quais permitiam a identificação do consulente. É o relatório. Voto Conforme relatado, a fiscalização desenquadrou o MICROVIT D3 PROMIX 500 da posição 2936, específica para vitaminas, para a posição 2309 destinada a preparações para alimentação animal. A principal razão de mérito lançada pela defesa contra o auto de infração foi a Decisão da COANA nº 4, de 29/04/1999, por meio da qual um produto semelhante teria sido classificado na mesma posição adotada pelo contribuinte quando realizou as importações. Comparandose as composições do MICROVIT D3 PROMIX 500 (laudo técnico) com os produtos MICROVIT D3 PROSOL 500 e ROVIMIX D3 500, submetidos à consulta da COANA, constatase de plano que não existe diferença significativa que permita afirmar com segurança que os produtos são diferentes. A DRJ São Paulo afirmou que os produtos são diferentes, em razão dos nomes comerciais serem diferentes, com o que não se pode concordar. Recordando das aulas de química básica do longínquo segundo grau, considero temerária a razão de decidir utilizada pela DRJ com base nos nomes comerciais dos produtos. Os elementos de discrímen para se aferir a existência de semelhança ou de diferença entre dois produtos químicos não pode recair no nome comercial, mas sim no que efetivamente são os produtos. Em outras palavras: a comparação deve recair sobre os nomes técnicos e científicos dos produtos. Observem senhores conselheiros que na Decisão COANA nº 04/1999, os produtos denominados MICROVIT D3 PROSOL 500 e ROVIMIX D3 500, apesar de serem originados de fabricantes distintos e de possuírem nomes comerciais completamente diferentes, possuem exatamente os mesmos nomes técnicos e os mesmos nomes científicos: Nome técnico: Colecalciferol ou 7dehidrocolesterol ativado. Nome científico: 9,10 secocholesta 5,7,10 (19)trien3betaol. Além disso, a comparação da composição dos produtos submetidos à consulta da COANA é muito semelhante à composição química encontrada no laudo trazido aos autos pela fiscalização. Com efeito, na fl. 20 do processo, o laudo técnico relaciona os seguintes componentes e percentuais em peso do MICROVIT D3 PROMIX 500: Vitamina D3, 1,64%; óleo, 4,55%; BHT, 0,50%; Amido, 65,49%; Gelatina + sacarose, 23,96%; e óxido de silício SiO2, 3,86% Já a Decisão COANA nº 04/1999 relaciona para o MICROVIT D3 PROSOL 500 a seguinte composição: Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 11 7 "No mínimo 500.000 unidades internacionais de vitamina D3 (cada unidade internacional desta vitamina correspondente a 0,025 mg) o que equivale a 12,5 mg por grama de sólido. Isto significa que há, no mínimo, 1,25% em peso de vitamina D3 (composto químico puro) e, evidentemente, 98,75% em peso de revestimento protetor/antioxidante. Ou de outra forma: 3,45% de vitamina D3 (na forma oleosa), 0,75% do oxidante butilhidroxitolueno (BHT) e 95,8% de uma mistura de gelatina e lactose." (Grifei) Observem senhores conselheiros que os percentuais de vitamina D3, BHT e de gelatina e lactose, do MICROVIT D3 PROSOL 500 são muito semelhantes ao do MICROVIT D3 PROMIX 500, que foi submetido à perícia pela fiscalização. A mesma constatação pode ser feita em relação ao ROVIMIX D3 500, onde a COANA descreveu o seguinte: "No mínimo 500.000 unidades internacionais de vitamìna D3 por grama de sólido, o que equivale a 1,25% em peso da vitamina D3 (composto químico puro) e 98.75% em peso do sólido protetor, composto por amido de milho, maltodextrina e etoxiquina (6etoxi1 ,2 dihidro2,2.4trimetilquinolina)." Ou seja, cerca de 98% de cada um dos produtos é constituído pelos excipientes e menos de 2% constitui o princípio ativo, ou seja, a vitamina D3. Na solução de consulta da COANA ficou entendido que os produtos objeto da consulta não podiam ser classificados na posição 2309 (pretendida pela fiscalização neste processo) pelos seguintes motivos: 1) porque eles não seriam uma mistura de diversos elementos nutritivos; e 2) porque os dois produtos seriam insumos para a produção de pré misturas e os revestimentos adicionados não modificam o caráter da vitamina D3 e nem o tornaram particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação original. A fiscalização, partindo das constatações do laudo técnico, principalmente da resposta ao quesito 8, tentou enquadrar o MICROVIT D3 PROMIX 500 em uma ressalva existente em uma hipótese de exclusão das vitaminas da posição 2936. O texto onde as vitaminas são excluídas expressamente da posição 2903 é o seguinte: Excluemse da presente posição: (...) e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). (Grifei) Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 12 8 Ou seja, se os excipientes adicionados à vitamina D3 tornaremna apta para um uso específico, ela não poderia ser classificada na posição 2936. A fiscalização considerou que o produto em questão poderia ser enquadrado na ressalva acima grifada com base na resposta ao quesito nº 8 do laudo técnico, cujo teor é o seguinte: Entendo que a resposta do Senhor Perito não foi conclusiva, pois ao tentar explicar o "sim", ele acabou justificando a adição dos excipientes com a mesma justificativa que permite a classificação do produto na posição 2936. As Notas Explicativas são claríssimas quando afirmam que os produtos da posição 2936 podem estar misturados a outros produtos (excipientes), desde que estes excipientes não alterem as vitaminas e nem torne a preparação particularmente apta para usos específicos. Ao dizer que os excipientes presentes na amostra periciada garantem a estabilidade da vitamina D3 e facilitam o controle da dosagem do produto, o Senhor Perito aparentemente, reafirmou o que já tinha afirmado na resposta ao quesito 7, quando definiu o que são e para que servem os excipientes. Ora, se o papel desempenhado pelos excipientes encontrados na amostra é apenas a garantia da estabilidade da vitamina D3 e a facilitação do controle da dosagem do produto, garantido seu melhor aproveitamento, então a resposta ao quesito 8 deveria ter sido negativa e não afirmativa, pois esses excipientes não tornaram a vitamina D3 especificamente apta para aplicação em rações para animais. As garantias da estabilidade e da facilitação do controle de dosagem se prestam às mais variadas aplicações da vitamina D3 e não especificamente à sua aplicação na fabricação de rações para animais. Reforça este entendimento o conteúdo da Decisão mº 04/1999 da COANA, onde o parecerista deixou claro seu entendimento no sentido de que os excipientes não modificaram a vitamina D3 e nem a tornaram apta para um uso específico. Portanto, diante da semelhança da composição do produto periciado e do que foi submetido à consulta da COANA e diante das respostas dadas pelo Senhor Perito aos quesitos 1 a 7, considero obscura a resposta dada ao quesito 8 do laudo técnico, pois no meu entendimento essa resposta não permite enquadrar de forma conclusiva o produto na ressalva contida na alínea "e" das exclusões à posição 2903 das Notas Explicativas à posição 2903. Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 13 9 Com esses fundamentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a Autoridade Administrativa solicite ao Senhor Perito que complemente o laudo técnico presente nos autos, de modo a eliminar a obscuridade da resposta ao quesito 8, mediante a resposta aos seguintes quesitos complementares: 1) Solicitase ao Senhor Perito que informe o nome técnico e o nome científico do produto MICROVIT D3 PROMIX 500, objeto do LTA 15/11 (26/08/2011), se isso for possível com os dados existentes no referido laudo técnico. 2) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as quantidades ou as espécies de excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, modificam ou não o caráter da vitamina D3. 3) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as espécies de excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, possuem alguma propriedade nutritiva que se agrega à vitamina D3. Este órgão de julgamento deseja saber se o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 é uma preparação constituída pela mistura de vários elementos nutritivos ou se apenas a vitamina D3 é o elemento nutritivo. 4) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as quantidades dos excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, superam ou não as quantidades normalmente necessárias para a conservação ou o transporte da vitamina D3. 5) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se as quantidades ou as espécies de excipientes discriminados na resposta ao quesito 3, do referido laudo técnico, são suficientes para tornar o MICROVIT D3 PROMIX 500 de uso exclusivo e específico para a fabricação de rações destinadas à alimentação animal. A forma como a Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.721803/201293 Resolução nº 3402000.726 S3C4T2 Fl. 14 10 vitamina D3 se encontra preparada no referido produto fez com que ela perdesse seu caráter geral de uso? 6) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se o produto MICROVIT D3 PROMIX 500, da forma como apresentado, possui outras aplicações que não exclusivamente a produção de rações para animais. 7) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se duas substâncias que apresentem o mesmo nome técnico podem ou não serem consideradas iguais. 8) Solicitase ao Senhor Perito que esclareça, conclusivamente, se duas substâncias que apresentem o mesmo nome científico podem ou não serem consideradas iguais. 9) A autoridade administrativa deverá intimar o contribuinte a apresentar a comprovação de que se encontra vinculado ao SINDIRAÇÕES. Este colegiado esclarece que não está requerendo ou determinando uma nova perícia no produto, apenas está solicitando uma complementação dos quesitos formulados pela fiscalização no laudo original, com o fim de enquadrar o produto na Nomenclatura com melhor precisão. As respostas aos quesitos acima deverão ser fornecidas apenas com base nas informações já obtidas no laudo técnico anexado pela fiscalização. O perito deverá ser informado dos quesitos complementares acima e do laudo técnico original ao qual se referem. O contribuinte deverá ser notificado do inteiro teor desta resolução e das respostas aos quesitos complementares acima formulados, abrindoselhe o prazo de trinta dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Após o atendimento das providências acima solicitadas, os autos deverão retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento da lide. Antonio Carlos Atulim Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10725.003161/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Demonstrado através de documentação hábil e idônea que o contribuinte não auferiu a totalidade dos rendimentos informados pela Fonte Pagadora na DIRF, não subsiste a omissão de rendimentos apurada.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior Presidente
Alice Grecchi Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Demonstrado através de documentação hábil e idônea que o contribuinte não auferiu a totalidade dos rendimentos informados pela Fonte Pagadora na DIRF, não subsiste a omissão de rendimentos apurada. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior – Presidente Alice Grecchi – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 31 61 /2 00 8- 07 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de Notificação de Lançamento nº 2005/607451018384124, lavrada em 09/06/2008 (fls. 03/07), contra a contribuinte acima qualificada, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2005, anocalendário de 2004, que implicou o lançamento de imposto suplementar de R$ 1.199,55, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, no valor tributável de R$ 3.952,01, relativo a fonte pagadora Macaé Prefeitura, conforme descrição dos fatos, à fl. 05 e b) glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 410,00, relativa ao estabelecimento Pechal Empre. Esportivos Ltda, conforme descrição dos fatos, à fl. 04. Cientificada da exigência tributária em 18/12/2008, através de Edital (fls. 18/28), e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a interessada apresentou impugnação (fl. 01), recepcionada na unidade local da SRFB, em 12/12/2008, aduzindo o que se segue: “Eu, Vera Lúcia Vasconcelos, CPF: 00196224730, venho por meio desta, apresentar solicitação de impugnação para a Notificação de Lançamento, n° 2005/607451018384124, apesar de não estar de posse dos documentos exigidos por esta Delegacia. O recibo da Projex está sendo retificado e o comprovante de rendimento da Prefeitura Municipal de Macaé, foi solicitado com as devidas alterações. Comprometome a apresentar a documentação exigida assim que estiver pronta. Esclareço ainda, que em 28 de março de 2008, me apresentei a esta Secretaria para apresentar documentação do mesmo período, ou seja, exercício 2005, ano calendário 2004, conforme Termo de Intimação n° 2005/607270263881108 (anexo). Nesses termos, pede deferimento.” A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos do voto abaixo transcrito: “[...]No mérito, a defesa não logrou demonstrar a improcedência da ação fiscal. Com efeito, a interessada limitou se, em sua impugnação, a alegar que não estava de posse dos documentos necessários à comprovação de suas alegações, requerendo a posterior entrega dos mesmos. Não obstante, decorridos de 32 (trinta e dois) meses, contados da data da apresentação da impugnação, a interessada não providenciou a juntada aos autos de nenhum documento apto a comprovar suas alegações. Do exposto, considerando ainda o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), a exigir que a impugnação seja instruída com a documentação em que se fundamenta, constatase a improcedência da impugnação. [...]” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1336.741 da 3ª Turma da DRJ/RJ2 em 29/09/2011 (fl. 38). Sobreveio Recurso Voluntário em 19/10/2011 (fls. 40/41), acompanhado dos documentos de fls. 42/64. Em síntese, a contribuinte alegou que: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10725.003161/200807 Acórdão n.º 2301004.501 S2C3T1 Fl. 88 3 “Desde 2004 a requerente tem tido sérios transtornos e dissabores em sua vida, em virtude de tal vínculo empregatício. A requerente começou a desempenhar função pública junto ao Município de Macaé, em março de 1997, quando assumiu o cargo público de professor C, e a exerceu regularmente até março de 2004, quando foi acometida de doença grave que a impediu de continuar se deslocando de sua residência no município de Campos dos Goytacazes, até seu local de trabalho no município de Macaé. Tal enfermidade não foi reconhecida pelo município empregador, a partir de 04/2004, que em várias oportunidades no decorrer de um longo processo administrativo, negou concessão de licenças médicas à requerente. A divergência (R$ 3.952,01) objeto do lançamento fiscal, consiste no valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos valores recebidos pelos meses de janeiro/2004 (R$ 2.192,73), fevereiro/2004 (R$ 1.199,82) e março de 2004 (R$ 609,89), conforme contra cheques e extrato bancário juntos, e o valor informado pelo município pagador de R$ 7.894,08, que além dos meses supra mencionados, ainda leva em conta valores pagos referentes aos meses de maio/2004 (R$ 1.029,94), junho/2004 (R$ 347,05) e julho/2004 (R$ 1.952,99) e agosto/2004 (765,21), que efetivamente não foram pagos à requerente, como se pode observar através do já mencionado extrato bancário do ano de 2004 em anexo e declarações também em anexo de que a requerente não exerceu suas atividades no período. Ou seja, desde o mês de abril de 2004, cujo contra cheque foi emitido zerado (em anexo) que a requerente nada mais recebeu do Município de Macaé. [...]a desorganização do órgão municipal responsável pelas informações à RFB, fica patente ao se verificar que a princípio foi informado no exercício 2004 o montante de R$ 11.778,69 (doc. J) a título de rendimentos tributáveis, tendo sido corrigido depois de reclamações da requerente para R$ 7.894,68 (doc. J). Pelo exposto requer a Vossa Senhoria que seja reconsiderada a decisão proferida no Acórdão e seja desconstituído o crédito tributário ora atacado.” Em sessão realizada em 15 de abril de 2014, o presente julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 2102000.186, conforme excertos do voto proferido por esta relatora na ocasião: "[...] Alega a recorrente que a divergência concernente ao valor de R$ 3.952,01, se dá pelo valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, respectivamente nos valores de R$ 2.192,73, 1.199,82 e 609,89, e que o valor informado pela Prefeitura Municipal de Macaé de R$ 7.894,08, inclui além dos rendimentos supracitados, os meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, os quais afirma que não foram pagos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Dá análise dos documentos acostados no presente recurso, verificase que os extratos bancários relativos ao período de janeiro/julho, constantes em fls. 52/56, apontam tão somente “crédito vencimentos” depositados nos meses de janeiro à março, exatamente nos valores informados pela interessada no recurso (jan. R$ 2.192,73 fev. R$ 1.199,82 mar. R$ 609,89). Ademais, a fim de corroborar suas alegações, a recorrente acosta aos autos “FOLHA INDIVIDUAL DE PONTO” da Prefeitura Municipal de Macaé, RJ, (fls. 59/60), relativa aos meses de maio e julho de 2004, que não constam anotação alguma de freqüência da contribuinte. No que concerne ao mês de agosto, o qual não está compreendido nos extratos bancários e anotação de folha ponto, a declaração de fl. 61, da Secretária Municipal de Educação, comunica que a contribuinte, Professora C, não exerceu as suas funções durante o mês de agosto/2004. O documento de fl. 62, expedido pela Coordenador do RH – SEMAD, denota que a recorrente estava em situação irregular por não gozar de condições plenas de saúde, pois estava impossibilitada de viajar com freqüência da cidade de Goytacazes à Macaé, vindo a requerer em diversas oportunidades licença saúde. Cabe esclarecer que o mês de abril, conforme costa do “Demonstrativo de Pagamento de Salário” em fl. 47, foi emitido zerado, conforme alegou a contribuinte no presente recurso. Verificase que a declaração de fl. 42 foi retificada pela de fl. 43, alegando a recorrente que houve equívoco da Prefeitura de Macaé, RJ, ao declarar rendimentos pagos em valor superior ao efetivamente recebido, e para corroborar tais alegações, a contribuinte acosta aos autos cartões ponto, contracheques e especialmente declaração da secretaria de educação de fl. 61, que contradiz a declaração de fl. 43 em relação ao mês de agosto. Salientase ainda, que na declaração de fl. 43, em relação ao mês de janeiro está incluído junto aos rendimentos o 13º salário que tem tributação exclusiva (fl. 44), ocorre que no mês de julho, esse mesmo 13º foi excluído (conforme contracheque de fl. 50), portanto resta comprovado que também há equívocos na declaração de fl. 43. Assim, considerando que nos extratos bancários trazidos pela recorrente não há comprovação do efetivo recebimento dos rendimentos relativos aos meses de maio à agosto, nesse sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Prefeitura de Macaé seja intimada a esclarecer as controvérsias no que concerne aos valores pagos à contribuinte. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja intimada a Prefeitura de Macaé, RJ, para apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados na DIRF à fl. 43, relativo ao anocalendário de 2004." Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10725.003161/200807 Acórdão n.º 2301004.501 S2C3T1 Fl. 89 5 A Prefeitura de MacaéRJ foi cientificada da Resolução através de Carta A.R. em 03/09/2014 (fl. 77), e reintimada em 03/11/2014 (fl. 83), no entanto, deixou de atender a referida diligência, conforme despacho de fl. 85, de modo que, retornaramse os autos a esta relatora para julgamento do recurso. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase a controvérsia acerca da apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no valor tributável de R$ 3.952,01. Alega a recorrente que a divergência concernente ao valor de R$ 3.952,01, se dá pelo valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, respectivamente nos valores de R$ 2.192,73, 1.199,82 e 609,89, e que o valor informado pela Prefeitura Municipal de MacaéRJ de R$ 7.894,08, inclui além dos rendimentos supracitados, os meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, os quais afirma que não foram pagos pela Prefeitura. A fim de buscar a verdade material no presente julgamento, fora convertido o feito em diligência para que a Prefeitura de MacaéRJ fosse intimada à apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados pela mesma na DIRF, constante em fl. 43, relativamente ao anocalendário de 2004. Todavia, conforme extraise do Despacho de fl. 85, embora intimada e reintimada acerca da Diligência requerida por esta Turma, a Prefeitura de MacaéRJ, deixou de atender a mesma. Assim, diante do não atendimento da diligencia requerida, passase ao exame do mérito, com base nos documentos constantes dos autos. Embora esta julgadora tenha entendido à época que, para o devido deslinde do feito, seria essencial a Prefeitura de MacaéRJ apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados na DIRF (fl. 43), relativamente à contribuinte fiscalizada (ano calendário 2004), verificase a partir da documentação acostada pela Recorrente que, assiste razão à mesma. Com efeito, vislumbrase que os extratos bancários relativos ao período de janeiro/julho, constantes em fls. 52/56, apontam tão somente “crédito vencimentos” depositados nos meses de janeiro à março, exatamente nos valores informados pela contribuinte no recurso (jan. R$ 2.192,73 fev. R$ 1.199,82 mar. R$ 609,89). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Ademais, a fim de corroborar suas alegações, a recorrente acostou aos autos “FOLHA INDIVIDUAL DE PONTO” da Prefeitura Municipal de MacaéRJ, (fls. 59/60), relativamente aos meses de maio e julho de 2004, que não constam anotação alguma de freqüência da contribuinte. No que concerne ao mês de agosto, o qual não está compreendido nos extratos bancários e anotação de folha ponto, a declaração de fl. 61, da Secretária Municipal de Educação, comunica que a contribuinte, Professora C, não exerceu as suas funções durante o mês de agosto/2004. O documento de fl. 62, expedido pela Coordenador do RH – SEMAD, denota que a recorrente estava em situação irregular por não gozar de condições plenas de saúde, pois estava impossibilitada de viajar com freqüência da cidade de Goytacazes à Macaé, vindo a requerer em diversas oportunidades licença saúde. Cabe esclarecer que o mês de abril, conforme costa do “Demonstrativo de Pagamento de Salário” em fl. 47, foi emitido zerado, conforme alegou a contribuinte no presente recurso. Ademais, verificase que a declaração de fl. 42 foi retificada pela de fl. 43. Afirma a recorrente que houve equívoco da Prefeitura de MacaéRJ, ao declarar rendimentos pagos em valor superior ao efetivamente recebido, e para corroborar tais alegações, a contribuinte acosta aos autos cartões ponto, contracheques e especialmente declaração da secretaria de educação de fl. 61. Salientase ainda, que na declaração de fl. 43, em relação ao mês de janeiro está incluído junto aos rendimentos o 13º salário que tem tributação exclusiva (fl. 44), ocorre que no mês de julho, esse mesmo 13º foi excluído (conforme contracheque de fl. 50), portanto resta comprovado que também há equívocos na declaração de fl. 43, informada pela Prefeitura de MacaéRJ. Assim, considerando que a documentação acostada aos autos corrobora as alegações da Recorrente, a qual não auferiu rendimentos nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, é de ser provido o presente recurso. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10980.729160/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
CONEXÃO PROCESSUAL NÃO RECONHECIDA. COMPETÊNCIAS DE SEÇÕES DISTINTAS. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Não se reconhece a conexão quando são distintos os órgãos competentes para julgamento dos processos referentes ao IRRF e à CIDE, em virtude da competência por matéria estabelecida pelo Regimento Interno do CARF.
TRATADO BRASIL-FRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO PERMANENTE. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.
São características do estabelecimento permanente a existência de uma instalação material, com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a qual deve exercer a sua atividade nesta instalação ou por meio desta instalação. Na existência de um estabelecimento permanente, os lucros podem ser tributados na fonte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso na parte relativa à multa de ofício aplicada, vencida a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, que a conhecia. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão com o processo referente à CIDE. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO que deram provimento integral. Em relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que davam provimento. Acompanhou o julgamento, pelo contribuinte, o advogado Gustavo Lorentz Gomes Barbosa, OAB/DF nº 36.927.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 CONEXÃO PROCESSUAL NÃO RECONHECIDA. COMPETÊNCIAS DE SEÇÕES DISTINTAS. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não se reconhece a conexão quando são distintos os órgãos competentes para julgamento dos processos referentes ao IRRF e à CIDE, em virtude da competência por matéria estabelecida pelo Regimento Interno do CARF. TRATADO BRASILFRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO PERMANENTE. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. São características do estabelecimento permanente a existência de uma instalação material, com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a qual deve exercer a sua atividade nesta instalação ou por meio desta instalação. Na existência de um estabelecimento permanente, os lucros podem ser tributados na fonte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 91 60 /2 01 2- 43 Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso na parte relativa à multa de ofício aplicada, vencida a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, que a conhecia. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão com o processo referente à CIDE. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO que deram provimento integral. Em relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que davam provimento. Acompanhou o julgamento, pelo contribuinte, o advogado Gustavo Lorentz Gomes Barbosa, OAB/DF nº 36.927. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão nº 0641.639, da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA , por bem resumir os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 09.1.01.002012 00715, foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Auto de Infração de IRRF 2. O auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 24972500), exige o recolhimento de R$ 2.810.948,13 de imposto, R$ 2.108.211,10 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 911.078,45 de juros de mora. 3. O lançamento fiscal referese ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos de assistência técnica a residentes ou domiciliados no exterior, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 24882495) e detalhado na planilha de fls. 24832487, com infração ao disposto nos arts. 682, 685, 708 e 710 do RIR de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999): . 30/06/2009 ....................................................................................... R$ 2.117.621,56 Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.785 3 . 31/10/2009 .......................................................................................... R$ 691.961,80 . 30/11/2009 .............................................................................................. R$ 1.364,77 Impugnação 4. Regularmente intimada em 12/12/2012, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 2536), apresentou, em 29/09/2010, a tempestiva impugnação de fls. 25072532, instruída com os documentos de fls. 25372660, cujo teor é sintetizado a seguir: a) no tópico “Fatos” relata que se dedica à fabricação, comércio, importação, exportação e distribuição de autopeças em geral, e à prestação de serviços voltados à pesquisa e desenvolvimento de produtos e análises técnicas da indústria automotiva; que integra um grupo de empresas que se dedicam às atividades da indústria automotiva em diversas partes do mundo, dentre elas a Faurecia Sieges D’Automobile e a Faurecia Automotive Holdings, sociedades estabelecidas na República Francesa; b) argumenta que, na regular consecução de suas atividades, celebrou Contratos de Prestação de Serviços (“Services Agreement”) com a Faurecia Sieges D’Automobile e a Faurecia Automotive Holdings (docs. 03 e 04); nos termos de referidos documentos, a impugnante contratou serviços de administração em geral, comunicações, vendas e marketing, administração de programa, contabilidade, controle e impostos, tesouraria, questões legais, seguro, imóveis, administração do sistema da informação, recursos humanos, administração da organização de compras, assessoria para compra de itens relacionados à produção e não ligados à produção, assessoria para melhoria da eficiência no processo de fabricação e assessoria para melhoria da qualidade; c) que não há incidência de imposto de renda na fonte sobre as remessas ao exterior efetuadas nos meses junho e outubro/2009 (docs. 05 a 10), tendo em vista a sua qualificação inequívoca como “lucros empresariais”, conforme previsto no art. VII da Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Francesa para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos Sobre o Rendimento, de 1971, aprovada pelo Decreto Legislativo nº 87, de 1971, e promulgada pelo Decreto nº 70.506, de 1972; d) no tópico “Reconhecimento da procedência parcial da exigência” aduz que reconhece a procedência do IRRF de R$ 1.364,77 com fato gerador ocorrido em 30/11/2009, cujo valor foi liquidado mediante pagamento com Darf (fl. 11); e) no tópico “Conexão entre o presente processo e o processo administrativo nº 10980.729161/201283” requer que o julgamento da presente impugnação seja realizado conjuntamente com o do processo 10980.729161/201298, referente à exigência de CIDERemessas ao Exterior, por tratarem exatamente da mesma matéria; que os arts. 47 e 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, dispõem que os processos conexos devem ser distribuídos e poderão ser julgados conjuntamente; f) no tópico “Natureza dos serviços prestados: serviços gerais/puros com absoluta ausência de transferência de tecnologia” assevera que as faturas objeto da presente autuação se referem a “Management Fees”, decorrentes dos contratos de prestação de serviços, com tradução juramentada (docs. 03 e 04); mesmo tendo, de forma conservadora, procedido ao recolhimento da CIDE, não se tratam efetivamente de “serviços técnicos” em face de não haver transferência de tecnologia; ainda que se Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 entenda que após a instituição da CIDE teria sido criada uma nova categoria de serviços, denominada de “serviços técnicos sem transferência de tecnologia”, a exigência ainda assim seria totalmente indevida porquanto não poderia ser caracterizado como royalties; g) no tópico “Enquadramento dos rendimentos no artigo VII do Tratado Brasil França” alega os rendimentos considerados pela autoridade fiscal se enquadram como “lucros das empresas”; que a doutrina é uníssona em sustentar que a competência para tributação dos rendimentos pagos a residentes no exterior, que não tenham estabelecimento permanente no Brasil, é do Estado de residência; que não deve ser aplicado o ADN nº 1, de 2000, pois contraria o disposto na convenção firmada com a República Francesa e no art. 98 do CTN, conforme já reconhecido pela jurisprudência do STJ e dos TRF’s; que essa convenção sequer contempla o art. 21 do Modelo da OCDE, relativo aos “rendimentos não expressamente mencionados” e que o ADN aplica analogia para cobrança de tributo, o que é expressamente vedado pelo art. 108, § 1º, do CTN; mesmo que os serviços contratados se enquadrassem como “serviços técnicos sem transferência de tecnologia”, não se configuram como “royalties” (art. XII, item 3, da convenção); h) no tópico “Aplicação do Tratado para evitar a dupla tributação Prevalência dos tratados sobre a legislação: artigo 98 do CTN” aduz que o art. 98 do CTN estabelece que os tratados e as convenções internacionais, no âmbito tributário, prevalecem sobre a legislação interna; i) no tópico “Da impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício” argumenta que deve ser afastada a cobrança de juros moratórios sobre as multas constituídas no auto de infração, tendo em vista que afronta: (i) o art. 161 do CTN, pois somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros; (ii) o princípio da legalidade (art. 5º da CF e art. 97 do CTN), cuja regra não está sendo observada pela Fiscalização ao adotar os arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, na apuração do crédito em discussão; (iii) o art. 2º, I, da Lei nº 9.784, de 1999, tendo em vista que os atos da Autoridade Administrativa estão totalmente vinculados à lei; (iv) os arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e, por conseguinte, ofensa ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LV, da CF), pois tal penalidade não foi objeto de regular lançamento; j) ao final requer seja recebida e acolhida a presente impugnação, para ser cancelada a exigência fiscal na parte impugnada, a título de IRRF, multa de ofício, juros e demais encargos acrescidos ao principal. 5. É o relatório. A Primeira Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 0641.639, cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 CONVENÇÃO PARA ELIMINAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. REMESSAS PARA O EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS PROFISSIONAIS SEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Os pagamentos efetuados a residentes ou domiciliados na França a título de rendimentos de prestação de serviços técnicos profissionais sem transferência de tecnologia (knowhow) estão sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 15%, porquanto o artigo VII (Lucros das empresas) da Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Francesa para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos Sobre o Rendimento não contém Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.786 5 previsão específica sobre a tributação de rendimentos, de forma isolada, mas tão somente na qualidade de componente do lucro de uma empresa ou de um estabelecimento permanente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 1º/07/2013 (fl. 2.678), a contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 30/07/2013 (fls. 2.679 a 2.716), no qual repisa os argumentos da impugnação e acrescenta as seguintes alegações, pugnando pela inaplicabilidade da multa de ofício: a própria Administração, em duas Soluções de Consulta, chegou a se pronunciar favoravelmente ao procedimento adotado pela impugnante, ao considerar a não incidência do IRRF sobre os pagamentos, ao amparo da Convenção (Decisões nºs 11/99 da 9ª Região Fiscal e 336/99 da 7º Região Fiscal), despertando confiança no contribuinte, que agiu de boafé e não pode sofrer sanções; apesar do caso presente se tratar de IRRF, a legislação do IPI prevê expressamente a inaplicabilidade de multa àqueles que tenha agido em conformidade com o entendimento firmado em decisão irrecorrível de última instância administrativa; deve ser, portanto, cancelada a multa de ofício, pois a Recorrente agiu em conformidade com a orientação da própria Administração. Cita doutrina e um julgado do CARF relativo ao IPI. Ao final, requer a reforma integral do acórdão recorrido, com o cancelamento da exigência fiscal na sua totalidade. Em 19/03/2014, a Recorrente apresentou petição, por meio de seus advogados, requerendo a juntada do Parecer/PGFN/CAT nº 2363/2013, com as seguintes alegações (fls. 2.740 a 2.770): a decisão de primeira instância é diametralmente oposta à Convenção BrasilFrança e ao entendimento corroborado pelo referido Parecer; a conclusão da PGFN foi no sentido de que as remessas ao exterior decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia melhor se enquadram no artigo 7º (Lucros das Empresas), sendo tributados somente no país de residência da empresa estrangeira; o Parecer foi exarado em conformidade com a decisão do STJ nos autos do RESP nº 1.161.467/RS, já mencionado na peça inaugural do presente processo, não trazendo, assim, qualquer inovação quanto aos fundamentos e pedidos formulados desde a impugnação; a Convenção BrasilFrança não possui em seu Protocolo nenhum tipo de reserva equiparando os serviços técnicos e de assistência técnica a royalties (art. 12). A Recorrente apresentou outra petição em 24/09/2014, por intermédio de seus advogados, requerendo a juntada do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5, de Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 16/06/2014, que revogou o Ato Declaratório Interpretativo COSIT nº 01/2000 (fls. 2.772 a 2.778). Segundo a Contribuinte, na nova interpretação manifestada pela RFB, as remessas e pagamentos ao exterior não deveriam ser enquadradas como "Rendimentos Não Mencionados Expressamente" (artigo 21), mas sim como "Lucro de Empresas" (artigo 7º), salvo nas situações em que o Tratado contenha disposição expressa de que os serviços técnicos devem ser enquadrados no artigo 12 (royalties) ou no artigo 14 (profissões independentes), o que não é o caso do Tratado BrasilFrança. Para preservação do contraditório, os autos foram encaminhados à PFN, para ciência dos documentos adicionais apresentados pela Recorrente após o recurso voluntário (fls. 2.780 e 2.781). A PFN tomou ciência do despacho em 25/03/2015, porém não apresentou manifestação (fl. 2.782). É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF , pelo qual se exige o recolhimento de R$ 2.810.948,13 de imposto, R$ 2.108.211,10 a título de multa de ofício de 75%, e R$ 911.078,45 de juros de mora, calculados até 12/2012, totalizando R$ 5.830.237,68, decorrente da infração "Imposto de Renda na Fonte Sobre Royalties e Pagamentos de Assistência Técnica de Residentes ou Domiciliados no Exterior", conforme Auto de Infração de fls. 2.497 a 2.502 e Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 2.488 a 2.495. A tributação foi efetuada sobre o valor das seguintes faturas, referentes a cobrança de taxas de administração: Data Fatura Valor (em euros) 05/06/2009 Facture 01042511 da Faurecia Sieges D’Automobile: Management fees for FY 2008 (fls. 1454, 15131514 e 2656) 1.395.308,00 05/06/2009 Facture 01042512 Faurecia Sieges D’Automobile: Management fees for FY 2009 (fls. 1459, 15151516 e 2657) 500.000,00 10/07/2009 Facture/Invoice 2009060032 da Faurecia Automotive Holdings: Management Fees SI 2009 (fls. 1464, 1523 e 2658) 818.200,00 09/07/2009 Facture/Invoice 2009060108 da Faurecia Automotive Holdings: Management Fees S2 2008 (fls. 1449, 1524 e 1.663.100,00 Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.787 7 2655) 23/10/2009 Facture 01044082 da Faurecia Sieges D’Automobile: Management fees for FY 2009 (fls. 1436, 1525 e 2659) 659.561,00 23/10/2009 Facture/Invoice 2009100158 da Faurecia Automotive Holdings: Management Fees S2 2009 (fls. 1469, 15171518 e 2660) 849.200,00 Preliminar de conexão entre processos A Recorrente alega que é essencial o julgamento em conjunto com o Processo Administrativo Fiscal nº 10980.729161/201283, referente à exigência de CIDE Remessas ao Exterior, por serem: (i) do mesmo período de apuração; (ii) relativo às mesmas operações de pagamento ao exterior; (iii) em decorrência da mesma fiscalização; e (iv) objeto do mesmo Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. Segundo as normas que regem o curso do Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelecidas pelo Decreto nº 70.235/1972, a origem comum da situação fática contempla a possibilidade do julgamento conjunto dos processos via conexão, porém, não de forma absoluta e determinante. O objetivo é de se evitar decisões divergentes envolvendo situações fáticas comuns, porém, nas situações em que se mostrar concretamente executável. No âmbito da Segunda Instância Administrativa, sob a égide do Decreto nº 70.235/1972, o Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, ao definir a competência de seus órgãos julgadores, adotou expressamente o critério da matéria objeto do processo, conforme seu art. 1º, parágrafo único, do Anexo II: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. Assim, consoante o teor dos artigos 3º e 4º do Regimento Interno, a princípio, não são os mesmos os órgãos competentes para julgamento dos processos referentes ao IRRF e à CIDE: Art. 3° À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II IRRF; [...] Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Art. 4° À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: [...] VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); Em regra, os processos são distribuídos para relatoria aos conselheiros mediante sorteio realizado em sessão pública de julgamento. Em caráter excepcional, com vistas a possibilitar o julgamento conjunto e se evitar decisões contraditórias, o Regimento admite a sua distribuição a um mesmo relator, independente de sorteio. O artigo 6º do RICARF assim dispõe: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. [...] (destaquei) A conexão pretendida pela Recorrente não se aplica ao presente caso, pois, embora se trate dos mesmos fatos as mesmas operações de pagamento ao exterior , a competência estabelecida para julgamento no CARF é por matéria e não há previsão específica para conexão entre processos de IRRF e CIDE, assim como há para processos cuja apuração dos fatos serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ (artigo 2º, IV, do Anexo II, do RICARF). Ademais, o processo referente à CIDE encontrase ainda pendente de julgamento na primeira instância. Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.788 9 Assim, não é o caso de conexão entre o presente processo e aquele que trata da tributação da CIDE. Mérito Pagamentos a residentes ou domiciliados no exterior O lançamento fiscal é relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a residentes ou domiciliados no exterior relativos à prestação de serviços de assistência técnica, sem transferência de tecnologia. A Recorrente alega que os rendimentos considerados pela autoridade fiscal se enquadram como “lucros das empresas”, cuja competência para tributação dos rendimentos pagos a residentes no exterior, que não tenham estabelecimento permanente no Brasil, é do Estado de residência, conforme previsto no artigo 7º da Convenção BrasilFrança para evitar a dupla tributação. Sustenta que não deve ser aplicado o ADN nº 1, de 2000, pois este contraria o disposto na convenção firmada com a República Francesa e no art. 98 do CTN, conforme já reconhecido pela jurisprudência do STJ e dos TRF’s. Defende que essa convenção sequer contempla o art. 21 do Modelo da OCDE, relativo aos “rendimentos não expressamente mencionados”. De fato, a própria Administração Tributária reconheceu que as remessas provenientes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia não podem ser classificados como rendimentos não expressamente mencionados (artigos 21 ou 22 dos Tratados), tendo revogado o Ato Declaratório COSIT nº 01/2000 por meio do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5, de 16/06/2014, que assim dispõe: Art. 1º O tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica residente no exterior pela prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil será aquele previsto no respectivo Acordo ou Convenção: I no artigo que trata de royalties, quando o respectivo protocolo contiver previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica recebam igual tratamento, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil; II no artigo que trata de profissões independentes ou de serviços profissionais ou pessoais independentes, nos casos da prestação de serviços técnicos e de assistência técnica relacionados com a qualificação técnica de uma pessoa ou grupo de pessoas, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil, ressalvado o disposto no inciso I; ou III no artigo que trata de lucros das empresas, ressalvado o disposto nos incisos I e II. Art. 2º Publiquese no Diário Oficial da União. Art. 3º Revoguese o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 1, de 5 de janeiro de 2000. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Reconhecese, portanto, que os rendimentos auferidos pela prestação de serviços técnicos ou de assistência técnica podem ser classificados como lucros das empresas (artigo 7º dos Tratados), desde que afastadas as hipóteses de enquadramento em rendimentos equiparáveis a royalties (artigo 12 dos Tratados) ou rendimentos decorrentes de serviços profissionais independentes (artigo 14 dos Tratados). O artigo 7º da Convenção Modelo da OCDE estabelece: ARTIGO 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade desse modo, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ai situado, serão imputados, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento permanente os lucros que este obteria se constituísse uma empresa distinta e separada que exercesse atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionasse com absoluta independência com a empresa da qual é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a realização dos fins perseguidos por esse estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os gastos gerais de administração igualmente realizados. 4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento permanente pelo simples fato de esse estabelecimento permanente comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. O parágrafo 5º afasta a aplicação do artigo 7º quando houver previsão de tratamento específico, em outros artigos da convenção, a determinados rendimentos que compreendem o lucro das empresas. Conforme a doutrina de Alberto Xavier: O conceito de lucro tributável é definido pelas diversas legislações internas. Como, porém, a noção geral de lucro de empresa abrange uma pluralidade de rendimentos imputáveis a uma unidade de exploração rendimentos esses sujeitos, por vezes, a regimes tributários específicos (como é o caso dos dividendos, juros) regidos por outros preceitos das convenções , as convenções esclarecem que tais regimes especiais não serão afetados pelo regime genérico dos lucros, traçado no art. 7º do Modelo. É o que podemos designar por princípio da prevalência dos regimes especiais ou do caráter residual da noção de lucro de empresa". (XAVIER, Alberto. Direito tributário internacional do Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 552, grifos do original). Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.789 11 Desse modo, no caso de a remessa para o exterior puder ser enquadrada em qualquer outro preceito do acordo, a incidência do artigo 7º deve ser afastada, em respeito ao "princípio da prevalência dos regimes especiais". A Convenção Modelo da OCDE assim dispõe sobre a tributação sobre o pagamento de royalties: ARTIGO 12 Royalties 1. Os royalties provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses "royalties" podem também ser tributados no Estado Contratante de que provêm e de acordo com a legislação desse Estado, mas, se o beneficiário efetivo dos "royalties" for um residente do outro Estado Contratante, o imposto assim exigido não poderá exceder de 15 por cento do montante bruto dos "royalties". 3. O termo "royalties" empregado neste Artigo compreende as importâncias de qualquer natureza pagas pelo uso ou pela concessão do uso de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou científicas (inclusive os filmes cinematográficos e os filmes, fitas e outros meios de reprodução de imagem e de som, de gravação de programas de televisão ou radiodifusão), de patentes, marcas de indústria ou comércio, desenhos ou modelos, planos, fórmulas ou procedimentos secretos ou outra propriedade intangível, assim como pelo uso ou concessão do uso de equipamentos industriais, comerciais ou científicos e por informações relativas a experiências industriais, comerciais ou científicas. Considerandose os comentários ao Modelo da Convenção da OCDE, observase que não é todo e qualquer serviço prestado que tem a sua remuneração enquadrada nessa categoria de royalties. É necessário que envolva transferência de tecnologia, ou seja, a prestação de informações correspondentes à experiência adquirida, à transmissão de conhecimento, de knowhow. Assim, os rendimentos decorrentes dos contratos de prestação de serviços geralmente incidem no artigo 7º da Convenção Modelo, considerados como lucro da empresa e tributados no país de residência dessa empresa. No entanto, alguns Tratados assinados pelo Brasil contemplam Protocolos anexos que dispõem sobre a equiparação a royalties de pagamentos referentes a contratos de prestação de assistência técnica e serviços técnicos. Por esses Tratados, cujos Protocolos que o acompanham prevêem essa extensão do conceito de royalties, não se deve enquadrar esses pagamentos no conceito de lucro das empresas previsto no artigo 7º. No entanto, esse não é o caso do acordo Brasil França, no qual não existe um protocolo que equipara a royalties a prestação de serviços técnicos. Assim, tornase necessário verificar a existência de estabelecimento permanente da empresa estrangeira no Brasil, em virtude da ressalva que consta do parágrafo 1º do artigo 7º do referido acordo, que estabelece o seguinte: 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade desse modo, seus lucros poderão ser tributados no outro Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento permanente. (destaquei) O artigo 5º da referida convenção assim dispõe sobre Estabelecimento Permanente: 1. Para efeitos da presente Convenção, a expressão "estabelecimento permanente" significa uma instalação fixa de negócio em que a empresa exerça toda ou parte de sua atividade. 2. A expressão "estabelecimento permanente" compreende especialmente: a) uma sede de direção; b) uma sucursal; c) um escritório; d) uma fábrica; e) uma oficina; f) uma mina, uma pedreira ou qualquer outro local de extração de recursos naturais; g) um canteiro de construção ou de montagem cuja duração exceda seis meses. 3. Um estabelecimento não será considerado permanente se: a) as instalações forem utilizadas unicamente para fins de armazenagem, exposição ou entrega de mercadorias pertencentes à empresa; b) as mercadorias pertencentes à empresa forem armazenadas unicamente para fins de depósito, exposição ou entrega; c) as mercadorias pertencentes à empresa forem armazenadas unicamente para fins de transformação por uma outra empresa; d) uma instalação fixa de negócios for utilizada unicamente para fins de comprar mercadorias ou de reunir informações para a empresa; e) uma instalação fixa de negócios for utilizada pela empresa unicamente para fins de publicidade, de fornecimento de informações, de pesquisas científicas ou de atividades análogas que tenham caráter preparatório ou auxiliar. 4. Uma pessoa que atue num Estado Contratante por conta de uma empresa do outro Estado Contratante desde que não seja um agente que goze de um status independente, contemplado no parágrafo 5 é considerada como "estabelecimento permanente" no primeiro Estado, se tiver nesse Estado poderes que aí exerça habitualmente e que lhe permitam concluir contratos em nome da empresa, a não ser que a atividade dessa pessoa seja limitada à compra de mercadorias para a empresa. 5. Uma empresa de seguros de um Estado Contratante é considerada como tendo um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante desde o momento que, por intermédio de um representante, ela receba prêmios no território desse último Estado ou segure riscos situados nesse território. 6. Não se considera que uma empresa de um Estado Contratante tenha um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante pelo simples fato de exercer a sua atividade nesse outro Estado por intermédio de um corretor, de um comissário geral ou de qualquer outro agente independente, desde que essas pessoas atuem no âmbito normal de suas atividades. 7. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro Estado (quer seja através de um estabelecimento Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.790 13 permanente, quer de outro modo) não é, por si, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento permanente da outra. Pela análise dos autos, verificase que a empresa brasileira FAURECIA AUTOMOTIVE DO BRASIL LTDA., ora Recorrente, possuía como únicas sócias no ano de 2009, objeto desse lançamento, as empresas espanholas FAURECIA INTERIOR SYSTEMS ESPAÑA S.A e FAURECIA INTERIOR SYSTEMS SALC ESPAÑA S.L, conforme as 34ª e 35ª Alterações do Contrato Social (fls. 189 a 219). Essas empresas espanholas pertencem ao grupo FAURECIA (fl. 1.491), assim como a Recorrente (fl. 1.484). As empresas beneficiárias das remessas, FAURECIA SIEGES D’AUTOMOBILE e FAURECIA AUTOMOTIVE HOLDINGS, sediadas na França, são também do grupo FAURECIA, conforme se observa pelo contratos às fls. 1.473 a 1.496. Os serviços contratados eram de administração em geral, comunicações, vendas e marketing, administração de programa, contabilidade, controle e impostos, tesouraria, questões legais, seguro, imóveis, administração do sistema da informação, recursos humanos, administração da organização de compras, compra de itens relacionados à produção e não ligados à produção, auxílio no processo de fabricação e assessoria para melhoria da qualidade. Portanto, pela abrangência dos serviços contratados, que englobam desde a administração em geral (inclusive planejamento estratégico), tesouraria, vendas, marketing, recursos humanos e até a atuação nas três etapas da fabricação (preparação, controle e execução), constatase que as empresas FAURECIA SIEGES D’AUTOMOBILE e FAURECIA AUTOMOTIVE HOLDINGS, beneficiárias dos rendimentos, exerciam na realidade as suas atividades no Brasil por meio da empresa brasileira, consistindo em um verdadeiro estabelecimento permanente das empresas francesas neste país, o que lhe propiciavam manter a prestação do serviço do modo como contratado. Desse modo, são aplicáveis a esses contratos as regras da tributação do IRRF nas remessas feitas pela contratante ao exterior, conforme ressalva do parágrafo 1º do artigo 7º do Tratado, em relação a existência de estabelecimento permanente no país da tributação. Nesse sentido temos a seguinte decisão do TRF da 2ª Região, nos autos da AMS nº 2002.51.01.0027010, relator Des. Federal Luiz Antonio Soares, que se amolda ao presente caso. A ementa foi assim redigida: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. TRATADO BRASILFRANÇA. DUPLA TRIBUTAÇÃO. OCDE. INTERPRETAÇÃO. ADN/COSIT Nº 01/2000. APLICAÇÃO. 1. Pelo Contrato Social da impetrante, PCI do Brasil LTDA, figuram como sócios a empresa PCI Argentina S/A e Process Conception Ingenierie S/A (PCI S.A.), sediadas respectivamente na Argentina e na França. 2. Os tratados e convenções que buscam evitar a dupla tributação internacional celebrados pelo Brasil, em linhas gerais, se baseiam em um mesmo modelo, o qual foi desenvolvido pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). [...] Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 7. Consta, ainda, dos autos que pelo Contrato Social da impetrante, PCI do Brasil LTDA, figuram como sócios a empresa PCI Argentina S/A e Process Conception Ingenierie S/A (PCI S.A.), sediadas respectivamente na Argentina e na França, sendo que esta possui 99,99% das cotas da apelante. Desse modo, a PCI S.A. é inegavelmente a grande controladora da PCI do Brasil LTDA, de maneira que a desproporcionalidade de cotas entre as sócias da empresa brasileira traduz a forte influência da empresa francesa no Brasil, que, apesar de não possuir estabelecimento juridicamente constituído em território nacional, dispõe de apoio semelhante e de fundamental importância para execução de seus serviços. 8. Nesse caso, não poderá haver uma simulação, tal qual transparece nos autos, em que a PCI S.A. cria pessoa jurídica diversa no Brasil para realizar suas atividades no país sem que, com isso, seja onerada com a responsabilidade tributária relativa ao Imposto de Renda, o que estaria ferindo claramente o princípio do estabelecimento permanente, de maneira que, renovase, sem a existência desse estabelecimento a prestação de serviços ficaria seriamente prejudicada. 9. Apelação não provida. Transcrevo excerto do voto condutor da decisão em comento: O impetrante/apelante sustenta que celebrou contrato de prestação de serviços com empresa situada na França, relacionado ao estudo, fabricação e instalação de equipamentos necessários à linha de soldagem de carrocerias de veículos, e que tal contrato se dá unicamente para obter apoio administrativo e comercial no âmbito da prestação de serviço a que se destina, não se caracterizando como serviço técnico com transferência de tecnologia. Pelo Contrato Social da impetrante, PCI do Brasil LTDA, figuram como sócios a empresa PCI Argentina S/A e Process Conception Ingenierie S/A (PCI S.A.), sediadas respectivamente na Argentina e na França, sendo que, esta, possui 99,99% das cotas da apelante. Desse modo, aduz que, considerando que a impetrante e a empresa contratada (Process Conception Ingenierie S/A), constituem sociedades sediadas no Brasil e na França, os pagamentos efetuados pela impetrante para a empresa francesa estariam sujeitos ao regime tributário previsto no Artigo VII da Convenção Brasil França. Argumenta, para tanto, que era nesse sentido que orientavam as Superintendências Regionais da Receita Federal das 7ª e 9ª Regiões Fiscais, ou seja, para se evitar a dupla tributação, as receitas da empresa com sede na França não poderiam sofrer retenções na fonte de Imposto de Renda. [...] Consta, ainda, dos autos que pelo Contrato Social da impetrante, PCI do Brasil LTDA, figuram como sócios a empresa PCI Argentina S/A e Process Conception Ingenierie S/A (PCI S.A.), sediadas respectivamente na Argentina e na França, sendo que esta possui 99,99% das cotas da apelante. Desse modo, a PCI S.A. é inegavelmente a grande controladora da PCI do Brasil LTDA, de maneira que a desproporcionalidade de cotas entre as sócias da empresa brasileira traduz a forte influência da empresa francesa no Brasil, que, apesar de não possuir estabelecimento juridicamente constituído em território nacional, dispõe de apoio semelhante e de fundamental importância para execução de seus serviços. Pela regra geral do art. 7º do Modelo OCDE, o direito de tributar os lucros das empresas é objeto de atribuição exclusiva dos Estados de que essas empresas estão resididas. Essa regra derivase do princípio do estabelecimento permanente, que consagra, ainda, uma competência cumulativa do Estado da Fonte, mas somente se Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.791 15 no seu território se encontrar instalado um estabelecimento permanente e unicamente na medida em que os lucros são imputáveis a esse estabelecimento. Importa, nesse caso, estabelecer o conceito de estabelecimento permanente. As Convenções sobre dupla tributação, que se alinham ao art. 5º da OCDE, consagram a teoria da pertença econômica para definir estabelecimento permanente. Segundo Alberto Xavier, ilustre professor da PUCSP e da Universidade de Lisboa: “Com efeito, aí se define estabelecimento permanente 'a instalação fixa de negócios em que a empresa exerça toda ou parte da sua atividade'. São pois características do estabelecimento permanente a existência de uma instalação material, com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a qual deve exercer a sua atividade nesta instalação ou por meio desta instalação. Mas já não são requisitos essenciais do conceito os atributos da produtividade ou da rentabilidade.1” (grifo nosso). Notese, portanto, que a PCI do Brasil LTDA atua, de fato, como grande intermediadora entre os contratantes no Brasil e a PCI francesa, intermédio esse que, sem o qual, a prestação dos serviços ficaria plenamente prejudicada ou inviabilizada. Esse fato se pode extrair do próprio contrato de prestação de serviços entre a PCI e a PCI do Brasil. Sem embargo, podese dizer que é dever de todo administrador maximizar os lucros e minimizar as perdas. Por essa razão, o planejamento tributário é um instrumento tão necessário de gestão de negócios, quanto qualquer outro planejamento, seja de marketing, de vendas, de qualificação de pessoal, de comércio exterior etc. Porém, não se pode valer, a PCI, de artifício que induza a uma situação de fato que difere da realidade. Em verdade, pelo que acima foi visto como conceito de estabelecimento para efeitos de aplicação das convenções internacionais sobre dupla tributação, que seguem o modelo OCDE, o pleno controle da PCI do Brasil pela PCI S.A. e o modus operandi pelo qual os serviços são prestados (como se pode perceber pelo contrato de prestação de serviços), concluise que a empresa brasileira funciona como uma espécie de estabelecimento permanente da empresa francesa, até porque, pela configuração societária da sociedade nacional e pelo objeto social da mesma, dificilmente se vislumbraria a hipótese de ser contratada empresa diversa da PCI S.A. Nesse caso, não poderá haver uma simulação, tal qual transparece nos autos, em que a PCI S.A. cria pessoa jurídica diversa no Brasil para realizar suas atividades no país sem que, com isso, seja onerada com a responsabilidade tributária relativa ao Imposto de Renda, o que estaria ferindo claramente o princípio do estabelecimento permanente, de maneira que, renovase, sem a existência desse estabelecimento a prestação de serviços ficaria seriamente prejudicada. (destaquei) Para que não restem dúvidas sobre a aplicação desse entendimento em relação às remessas de recursos à empresa no exterior, trago a decisão do TRF da 2ª Região, nos autos da AMS nº 2001.51.01.0224788, relator Des. Federal Luiz Antonio Soares, nesse mesmo sentido: 1 XAVIER, Alberto. Direito Tributário Internacional do Brasil. 6ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007. Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 REMESSA DE RECURSOS A EMPRESA NO EXTERIOR, COMO REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS. CONVENÇÃO CONTRA A DUPLA TRIBUTAÇÃO. NORMA DA LEGISLAÇÃO INTERNA QUE SE MOSTRA POSTERIOR E MAIS ESPECÍFICA. 1. Pretensão cabível em sede de mandado de segurança, pois visa a afastar os efeitos concretos decorrentes de ato normativo. Legitimidade da impetrante, que figura como responsável tributário pelo recolhimento do tributo e, portanto, possui relação tributária com o Fisco. [...] 7. Em se tratando, nestes autos, de prestação de serviços constante e duradoura, em razão da necessidade de nãointerrupção do trabalho de manutenção realizado pela empresa, constatase a existência de estabelecimento permanente da empresa estrangeira em nosso território, corroborando a inexistência de bitributação. 8. Apelação improvida. Transcrevo a seguir trechos do relatório e do voto vencedor dessa decisão: Relatório Tratase de apelação em mandado de segurança interposta por EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A, nos autos de mandado de segurança em que objetiva o reconhecimento de seu direito líquido e certo de não reter o imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), de que trata o art. 7º da Lei n. 9.779/99, sobre todos os pagamentos, vencidos e vincendos, a serem realizados ao abrigo dos contratos objeto da presente demanda, bem como de quaisquer outros contratos cujo objeto seja a prestação de serviços técnicos, sem transferência de tecnologia, para países com os quais tenha o Brasil firmado tratado de dupla tributação nos moldes da Convenção Modelo da OCDE. [...] Voto [...] Acrescento, ainda, questão sustentada pela Douta Procuradora da Fazenda Nacional por ocasião da sessão de julgamento, incrementando a discussão neste processo. Diz respeito ao fato de que, tratandose de empresa que presta serviços permanentemente no Brasil, seria o caso de reconhecer a existência de um estabelecimento permanente em nosso território, o que traria o afastamento da existência de dupla tributação. Nesse sentido, colaciono os seguintes excertos das notas taquigráficas: “DF LUIZ ANTÔNIO SOARES (RELATOR): [...] Quer dizer, essas questões não são novas. Mas há uma questão nova que não estava no debate e a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional está trazendo da tribuna. É a questão da permanência do estabelecimento estrangeiro no Brasil a partir da situação de fato que indica a necessidade da não interrupção do trabalho de manutenção realizado pela empresa, o que vai trazer como consequência – essa é a única questão que não foi objeto de debate, por isso que estou me estendendo um pouco e vou incluir no voto , a necessidade da interpretação acerca do que seja estabelecimento permanente. Temos hoje, a partir da ideia da manifestação de vontade, disciplinando essa ideia como um marco principiológico da sua concepção, da sua Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.792 17 compreensão, a questão da boafé objetiva. Na manifestação de vontade, nós temos que compreender que as partes contratantes têm essa vontade a partir da sua exteriorização, porque nas negociações o princípio da declaração prevalece sobre o princípio da vontade, até porque nós temos as negociações jurídicas objetivas que são, depois, submetidas também à sua apreciação sob o aspecto estrutural, nessa situação, se o estabelecimento presta um serviço em que não há solução de continuidade, a negociação que serve de base para a tributação nesse caso também deve levar em conta este fato: se o serviço é permanente, nós temos uma empresa permanentemente no Brasil prestando esse serviço, o que vai ao encontro das colocações acerca do tema que já foi tratado na sessão passada, no julgamento passado, cujo voto, eu observei, veio acompanhando o memorial apresentado pela Fazenda [AMS n. 2002.51.01.0027010]. Dentro dessa linha e com esse acréscimo que irei reproduzir no voto já por escrito, abordando a questão da negociação jurídica, a questão do relacionamento entre as partes, a questão da probidade, que é fundamental, principalmente em um País em que um dos objetivos da República é essa relação solidária, dentro dessa colocação, apresentarei no voto essa questão, que é nova e está sendo apresentada aqui por ocasião do julgamento, e essa manifestação acerca da interpretação da negociação, à luz da boafé objetiva, à luz da situação de fato apresentada. Com esses breves acréscimos, estou negando provimento ao recurso”. [...] “DF LANA REGUEIRA: Em outras duas hipóteses, andei pedindo vista do processo. Ainda não reexaminei a matéria porque confesso que fiquei com dúvidas, desde as outras épocas, sobre esta interpretação dos dois conceitos – rendimento e lucro – na aplicação desses contratos internacionais quando não há a permanência. Na hipótese de hoje, o que me chamou atenção, primeiro, foi o pedido dito pela digna Procuradora em sua sustentação brilhante aqui na tribuna. A Doutora Procuradora alertou que o pedido, de certa forma, era pedido de decisão normativa, o que é absolutamente indevido em qualquer matéria, especialmente em matéria tributária. Nesta hipótese, não tenho nenhuma dúvida da aplicação e da incidência do imposto de renda, por causa da permanência. Acompanho, independentemente de um reexame quanto às condições e quanto à conceituação de rendimento e de lucro na aplicação desses contratos internacionais, porque, na realidade, há uma previsão expressa de que se houver a permanência não existirá bitributação porque a tributação de um país contratante é uma e a tributação do outro é outra, com serviços completamente separados. Acompanho”. Reproduzo, por oportuno, excerto do voto citado na sessão de julgamento, que tratou sobre a questão do estabelecimento permanente (AMS n. 2002.51.01.002701 0): [...] Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 De maneira similar, portanto, em se tratando, nestes autos, de prestação de serviços constante e duradoura, em razão da necessidade de nãointerrupção do trabalho de manutenção realizado pela empresa, tornase aplicável, aqui, o raciocínio desenvolvido no voto acima transcrito, corroborando a conclusão quanto à improcedência do pedido autoral. Posto isso, nego provimento à apelação. No presente caso, portanto, as remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea a, do Decreto nº 3000/1999, que regulamenta o disposto no art. 7º da Lei nº 9.779/1999, in verbis: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitas à incidência na fonte: II à alíquota de vinte e cinco por cento: a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços; A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes foi reduzido para 15% pelo artigo 2ºA da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000: Art. 2ºA. Fica reduzida para 15% (quinze por cento), a partir de 1º de janeiro de 2002, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011). Dessa forma, deve ser mantida a exigência relativa ao imposto de renda na fonte incidente sobre os pagamentos efetuados a residentes ou domiciliados no exterior. Multa de ofício aplicada A Recorrente insurgese contra a aplicação da multa de ofício, sob o argumento de que agiu em conformidade com a orientação da própria Administração, a qual, em duas soluções de consulta, chegou a se pronunciar favoravelmente ao procedimento adotado pela impugnante, despertando confiança no contribuinte, que agiu de boafé e não pode sofrer sanções. Aduz, ainda, que a legislação do IPI prevê expressamente a inaplicabilidade de multa àqueles que tenha agido em conformidade com o entendimento firmado em decisão irrecorrível de última instância administrativa. Essa matéria encontrase fora do litígio e não será apreciada, posto que o contribuinte não a contestou expressamente no momento oportuno, ou seja, quando da apresentação da sua impugnação ao lançamento. O artigo 17 do Decreto 70.235/72 (PAF) dispõe: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Nesse entendimento estão os seguintes julgados deste Conselho: Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.793 19 Assunto: CSSL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. (Acórdão 910100.540, Data de publicação: 29/06/2010, Rel. Leonardo de Andrade Couto). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme artigo 17, do PAF (Acórdão 2801003.924, Data de Publicação: 27/01/2015, Rel. Marcio Henrique Sales Parada). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. (Acórdão 2101002.658, Data de Publicação: 15/12/2014, Rel. Alexandre Naoki Nishioka). Juros de mora sobre a multa de ofício Sobre a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012, os grifos não são do original). TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009, os grifos não são do original). Portanto, é de se subsistir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.729160/201243 Acórdão n.º 2202003.114 S2C2T2 Fl. 2.794 21 Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso na parte relativa à multa de ofício aplicada; na parte conhecida, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721603/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente LUIZ ALVES GONZAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 03 /2 01 0- 94 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo espólio de Luiz Alves Gonzaga contra o Acórdão n. 1533.346 exarado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) n. 2009/774594708374773, na qual é exigido o crédito tributário no valor consolidado em 31/03/2010 de R$ 3.127,99, relativo ao anocalendário 2008. Cientificado do lançamento em 24/03/2010, fl. 15, o sujeito passivo apresentou impugnação na qual alegou que é portador de moléstia grave (CID G20), a qual foi constatada desde 26/08/2001, conforme atestado médico juntado. Suscita que ao tomar conhecimento, no ano de 2009, de que era beneficiário da isenção do IRPF em razão de sua doença, promoveu a retificação da declaração do ano calendário de 2008. A DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que o laudo pericial oficial apresentado estipula como data de início da moléstia 14/07/2009. Enfatizase no acórdão recorrido que há nos autos um atestado médico que indica que o contribuinte é portador da doença de Parkinson desde 2003, todavia, tal documento não foi aceito porque, malgrado tenha sido preenchido em receituário da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, não apresenta as características legais necessárias ao reconhecimento da isenção, uma vez que mero atestado sem indicar sequer a matrícula do profissional de saúde na instituição oficial não se equipararia ao laudo previsto na lei. No recurso, a inventariante a afirmou que com o objetivo de sanear a inexistência da referência ao início da doença incapacitante, foi acostado laudo emitido por médica perita do INSS, fls. 55/67, o qual esclarece que o contribuinte é portador da moléstia codificada como CID G20 desde 01/10/2003. Suscitou que este documento não foi considerado no julgamento da DRJ, não tendo o órgão a quo justificado a preterição desta prova. Por fim, requer o provimento do seu recurso com o acatamento da retificação da DIRPF do anocalendário de 2006. Posteriormente foi juntada pelo sujeito passivo petição dando conta que a impugnação apresentada no processo n. 10530.721601/201003 foi julgada procedente pela DRJ do Rio de Janeiro, assim, por se basear nos mesmos elementos de prova, o destino do presente feito deve ser idêntico. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10530.721603/201094 Acórdão n.º 2402004.960 S2C4T2 Fl. 117 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 18/09/2013 (fl. 93), tendo a peça recursal sido apresentada em 16/10/2013 (fl. 95), assim, por ter sido interposto no prazo legal, o recurso merece conhecimento. Direito à isenção O documento hábil e exclusivo previsto na Lei para comprovação de moléstia que dá direito a isenção tributária é o laudo pericial emitido por serviço de saúde oficial do governo federal, municipal ou estadual. A data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando indicada no laudo, como determina expressamente o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): "§ 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifei) Não há dúvida que o documento de fl. 56, atende aos requisitos normativos para o reconhecimento da isenção. Tratase de laudo emitido por perito do INSS, o qual atesta a data de início da Doença de Parkinson CID G20. Vale a pena reproduzir os termos do documento: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Sendo esta a prova que faltava para reconhecimento da isenção, forçoso concluir pela sua validade do mesma, de modo que deve ser acatada a retificação da DIRPF relativa ao anocalendário de 2008. Conclusão Voto por conhecer do recurso para darlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000214/2004-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO.
Diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei no 9.718/98, a base de cálculo da contribuições sociais devidas pelas empresas comerciais passou a ser a receita bruta de vendas de bens e serviços, o que foi respeitado pela fiscalização, uma vez que nos autos de infração não foram tributadas receitas diversas do faturamento.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
À luz do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78 o ICMS integra a receita bruta porque é imposto incidente sobre vendas, inexistindo amparo legal para sua exclusão das bases de cálculo.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade.
MULTA DE OFÍCIO.
Tratando-se do lançamento de diferenças não declaradas e não recolhidas, apuradas em procedimento de ofício, incide a multa de 75% sobre o valor dos débitos apurados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos de apuração encerrados até julho de 1999, em razão da decadência do direito do fisco. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. Diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei no 9.718/98, a base de cálculo da contribuições sociais devidas pelas empresas comerciais passou a ser a receita bruta de vendas de bens e serviços, o que foi respeitado pela fiscalização, uma vez que nos autos de infração não foram tributadas receitas diversas do faturamento. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. À luz do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78 o ICMS integra a receita bruta porque é imposto incidente sobre vendas, inexistindo amparo legal para sua exclusão das bases de cálculo. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 02 14 /2 00 4- 62 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratandose do lançamento de diferenças não declaradas e não recolhidas, apuradas em procedimento de ofício, incide a multa de 75% sobre o valor dos débitos apurados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos de apuração encerrados até julho de 1999, em razão da decadência do direito do fisco. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 24/08/2004, lavrados para exigir as diferenças das contribuições ao PIS e COFINS, acrescidas de multa de ofício e de juros de mora, em relação aos períodos de apuração compreendidos entre maio de 1999 e junho de 2004. Segundo os termos de verificação fiscal, o contribuinte declarou e recolheu a menor os valores das contribuições ao PIS e COFINS nos períodos de apuração abarcados pelos autos de infração, conforme demonstrativos de fls. 15/16 e 17/22 (COFINS) e de fls. 67/68 e 69/74 (PIS). Em sede de impugnação, alegou, em síntese, o seguinte: a) a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) questionou a inflição da multa de ofício no patamar de 75%, pleiteando a aplicação da multa de 20%, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96; c) contestou a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, pois supera os 12% ao ano. Por meio do Acórdão nº 18.176, de 28 de maio de 2008, a 3ª Turma da DRJ Curitiba, julgou as impugnações improcedentes. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 19/06/2008 (fl. 116), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/07/2008, no qual reprisou as alegações das impugnações, acrescentando o seguinte: 1) que a questão da Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13973.000214/200462 Acórdão n.º 3402002.898 S3C4T2 Fl. 3 3 inconstitucionalidade não foi apreciada pela DRJ; 2) que o STF julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS; e 3) que é ilegal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme se verifica nos autos o contribuinte foi autuado no dia 24/08/2004 em relação a fatos geradores que remontam ao ano de 1999, cabendo a análise de ofício da decadência, por se tratar de matéria de ordem pública. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No caso dos autos, os demonstrativos elaborados pela fiscalização às fls. 15/16 (COFINS) e fls. 67/68 (PIS) informam a existência de pagamentos antecipados das contribuições em todos os períodos de apuração. Portanto, a regra aplicável para a contagem do prazo de decadência é a do art. 150, § 4º, do CTN. Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do auto de infração no dia 24/08/2004, o fisco já havia decaído do direito de efetuar o lançamento da contribuição relativa aos períodos de apuração encerrados até julho de 1999, os quais devem ser excluídos do auto de infração, por força do art. 150, § 4º , combinado com o art. 156, V, do CTN. A defesa reclamou do fato de a DRJ não ter analisado o argumento sobre a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento. Verificando o acórdão recorrido, constatase que a não apreciação da questão constitucional foi fundamentada pela turma de julgamento curitibana com o conhecido argumento de que a Administração não pode usurpar a competência exclusiva do STF. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13973.000214/200462 Acórdão n.º 3402002.898 S3C4T2 Fl. 4 5 Estando esse entendimento de acordo com a Súmula CARF nº 2, não há nenhum reparo a fazer na decisão de primeira instância. No mérito, verificase que realmente o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário no 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento perpetrada pelo art. 3º, § 1º, da Lei no 9.718/98. À luz daquele julgado, para as empresas comerciais, somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins. Entretanto, a declaração de inconstitucionalidade veiculada pelo RE 357.950 não tem nenhuma influência sobre os valores lançados no caso concreto, pois nos demonstrativos de apuração de fls. 17/22 (COFINS) e 69/74 (PIS), se pode constatar que o fisco só tributou as receitas provenientes da venda de mercadorias, não tendo incluído nenhuma outra. Insurgiuse a recorrente quanto ao fato do fisco não ter excluído o ICMS das bases de cálculo das contribuições. Entende a defesa que o ICMS não é receita do contribuinte, pois é cobrado do consumidor e repassado aos cofres públicos estaduais. Não tem razão a recorrente. Embora sob o ponto de vista econômico seja possível sustentar que o ICMS é um mero repasse aos cofres estaduais, do ponto de vista jurídico o ICMS integra o preço das mercadorias, ou seja, é receita tributável pelo PIS e pela COFINS. E sendo a incidência tributária um fenômeno jurídico, o que importa considerar é o aspecto jurídico da questão e não o econômico. Vejamos. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente à época dos fatos geradores, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decretolei/del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: "(...) 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/Pesquisa.htm) Portanto, desde tempos imemoriais o ordenamento jurídico considera que o ICMS integra o preço das mercadorias, constituindo receita bruta da pessoa jurídica, devendo ser deduzido como despesa operacional para o fim de apurar a receita líquida. Como se vê, não tem fundamento a alegação de que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições seria ilegal, pois ela está prevista expressamente no art. 12, § 1º do Decretolei nº 1.598/78. Embora a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições seja uma questão em relação à qual foi decretada a repercussão geral no RE nº 574.906, o STF ainda não julgou em definitivo a matéria, fato que impede a aplicação do art. 62 do RICARF ao caso concreto. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. No que concerne aos consectários do lançamento de ofício, o caso concreto não pode ser penalizado com a multa de mora do art. 61 da Lei nº 9.430/96, como pretende a defesa, pois as diferenças lançadas de ofício não foram declaradas em DCTF. As aludidas diferenças foram apuradas em procedimento de ofício, que excluiu a espontaneidade do contribuinte, a teor do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72. Sendo assim, a penalidade cabível é a multa de ofício na forma posta nos lançamentos. No que tange aos encargos da mora, a questão encontrase pacificada nesta casa: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13973.000214/200462 Acórdão n.º 3402002.898 S3C4T2 Fl. 5 7 Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir dos lançamentos os períodos de apuração encerrados até julho de 1999, em razão da decadência do direito do fisco. Antonio Carlos Atulim Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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