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Numero do processo: 12466.004000/2004-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS NÃO ENFRENTADAS PELA TURMA A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Só podem ser objetos de recurso especial de divergência as matérias específicas decididas em deliberação pela turma julgadora recorrida. Se essas matérias não foram enfrentadas no acórdão recorrido ocorre a perda de objeto do recurso especial.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, DO CTN.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Estando comprovada a prática do ato infracional pela pessoa jurídica, a qual não possui ato de vontade, deve se atribuir a responsabilidade ao sócio-gerente, sobretudo se ele consta nos registros da Receita Federal nessa condição e não trouxe aos autos nenhum início de prova que não exercia essa função.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que o conheceram integralmente e deram-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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MATÉRIAS NÃO ENFRENTADAS PELA TURMA A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Só podem ser objetos de recurso especial de divergência as matérias específicas decididas em deliberação pela turma julgadora recorrida. Se essas matérias não foram enfrentadas no acórdão recorrido ocorre a perda de objeto do recurso especial. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Estando comprovada a prática do ato infracional pela pessoa jurídica, a qual não possui ato de vontade, deve se atribuir a responsabilidade ao sóciogerente, sobretudo se ele consta nos registros da Receita Federal nessa condição e não trouxe aos autos nenhum início de prova que não exercia essa função. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que o conheceram integralmente e deramlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 40 00 /2 00 4- 22 Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.969 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.970 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por Isaac Sverner (responsável solidário de Kapal Comércio Exterior Ltda ME) (fls. 3.781 a 3.807) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 310200.903 (fls. 3.599 a 3.650) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 04 de fevereiro de 2011, no sentido de dar parcial provimento aos recursos voluntários para excluir a multa por inexistência de fatura comercial. O acórdão foi ratificado pelo despacho s/nº (fls. 3.897 a 3.904), de 23 de abril de 2015, que não admitiu os embargos de declaração opostos pela autuada Kapal Comércio Exterior Ltda (fls. 3.661 a 3.689). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. LITISCONSÓRCIO PASSIVO. ATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizada a solidariedade de fato, por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124,I, do CTN), devem compor o pólo passivo da exigência fiscal o contribuinte e os responsáveis solidários. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza preterição do direito de defesa, a decisão administrativa de primeiro grau que contenha as razões de decidir de forma clara e coerente. A falta de análise, de forma pormenorizada, de todos os argumentos suscitados na peça impugnatória não implica cerceamento do direito de defesa, quando suficiente os fundamentos da decisão nela apresentados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO NO PREÇO. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. APLICAÇÃO DO 6º MÉTODO. FLEXIBILIDADE DO 2º E 3º MÉTODOS. POSSIBILIDADE. Caracterizada a impossibilidade de utilização do valor de transação (1º método), por se revelarem inidôneos (subfaturados) os preços declarados, e diante da impossibilidade de utilização dos métodos precedentes (2º ao 5º), é legítimo a adoção do 6º método de valoração, mediante a flexibilização dos critérios de valoração utilizados nos 2º e 3º métodos e utilização, como Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.971 4 paradigma, dos preços de produtos idênticos e similares das importações precedentes, disponíveis na base de dados da Administração aduaneira do País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 PRAZO DE DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se opera após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. POSSIBILIDADE. A prática de subfaturamento nos preços, mediante o uso de documentos inidôneos, com o fim de não pagar ou pagar valor a menor de tributos, caracteriza artifícios dolosos na prática de fraude, que justificam o agravamento da multa de ofício aplicada. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. COMPROVADO O SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO ADMITIDA. O subfaturamento dos preços dos produtos importados caracteriza a infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor diferença de preço subfaturada (art. 169, II, do Decretolei nº 37, de 1966). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa:. MULTA REGULAMENTAR. INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. REVOGAÇÃO. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. RELEVAÇÃO. Nos presentes autos, a infração por falta de apresentação de fatura comercial, prevista na alínea “a” do inciso IV do art. 106 do Decretolei nº 37, de 1966, encontrase devidamente materializada, todavia a dita infração foi expressamente revogada pelo inciso I do art. 94 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No presente caso, tratandose de ato não definitivamente julgado, com respaldo no princípio da retroatividade benigna, previsto na alínea “a” do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa aplicada deve ser relevada. Recurso Voluntário Provido em Parte. A controvérsia tem origem em procedimento de Revisão Aduaneira realizado pela Receita Federal, a qual apontou a existência de irregularidades nas importações de Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.972 5 mercadorias efetuadas por Kapal Comércio Exterior Ltda, com a informação de valores inverídicos e a adoção de conduta para ludibriar mecanismos de controle aduaneiro. Reportandose ao relato dos fatos encartado no acórdão de primeira instância, a decisão recorrida traz em detalhes retrospecto do presente processo administrativo, passando a integrar o presente relatório, in verbis: [...] Trata, o presente processo, de quatro Autos de Infração, lavrados para a exigência de Imposto de Importação, no valor de R$ 3.282.783,29, e de Imposto sobre Produtos Industrializados, no montante de R$ 3.185.760,21, acrescidos de multa agravada de 150% e juros de mora, bem como da multa por infração ao controle administrativo das importações, na quantia de R$ 11.574.856,33 e da multa por falta de fatura, no valor de R$ 354.900,77. Em todos os Autos de Infração, foram arrolados os seguintes responsáveis solidários: Rodrigo Cunha Lima – CPF 751.308.90787, Guy Alexandre Lemos Fernandes – CPF 829.699.65704, NHTP Assessoria Aduaneira Ltda. – CNPJ 03.119.273/000148, Jairo Dias de Souza – CPF 039.808.69822, Vera Regina Ribeiro Ferreira – CPF 272.531.63320, DM Eletrônica da Amazônia Ltda. – CNPJ 01.523.413/000113, Daniel Lewin – CPF 943.505.82800, Fisel Perl – CPF 458.230.14872, David Perl – CPF 132.938.88879, Isaac Sverner – CPF 004.843.85887. Segundo consta relatado nos quadros destinados à Descrição dos Fatos dos Autos de Infração de fls. 6 a 14, 47 a 55, 104 a 112, e 145 a 153, a autoridade lançadora, em ato de Revisão Aduaneira, apurou que a interessada efetuou importações de mercadorias informando valores inverídicos, além de adotar conduta com vista a burlar os mecanismos de controle aduaneiro. As declarações prestadas pelos administradores da autuada revelam que houve a cessão do uso do nome da empresa para acobertar operações de terceiros, caracterizandose a inidoneidade da documentação apresentada para o despacho aduaneiro, uma vez que tais documentos não refletem as transações efetivamente ocorridas. Por meio do Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA nº 01/2000 e seus anexos (fls. 229 a 454), a autoridade fiscal consignou as razões da não aceitação dos valores informados pela interessada nas declarações de importação. Cientificada do relatório, a contribuinte prestou esclarecimentos que, no entanto, foram considerados insuficientes pela autoridade fiscalizadora a fim de demonstrar a veracidade dos valores de transação declarados, bem como para demonstrar a regularidade das respectivas importações. A autoridade lançadora apontou diversas irregularidades, adiante detalhadas, as quais possibilitaram que 41 das 44 DI’s analisadas fossem direcionadas para o canal verde de conferência aduaneira: 97% das mercadorias importadas foram enquadradas em posição tarifária incorreta, nas quais não se exigia a informação de atributos NVE – Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.973 6 Nomenclatura de Valor Estatístico, conseqüentemente, as importações não eram selecionadas para o Canal Cinza; utilização de “unidade de medida” incorreta, que consistia em anotar, por exemplo, no campo destinado ao número de unidades de determinado produto, o número de caixas contendo o mesmo produto, burlando assim o controle que compara o valor de cada unidade com o valor de referência registrado no Siscomex. A autoridade lançadora constatou, também, que a interessada disponibilizou documentos próprios em favor de terceiros, efetuando importações de terceiros em seu próprio nome, com o objetivo de se valer dos incentivos financeiros do FUNDAP. Restou evidente que coube a NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. o gerenciamento, de fato, de todo o processo de importação e nacionalização das mercadorias, compreendendo os ajustes entre o exportador e o adquirente, os registros das DI’s no Siscomex, inclusive utilização de conta corrente da NHTP para o débito automático dos tributos devidos nas importações, o fornecimento das faturas comerciais e dos demais dados relativos a Kapal Comércio Exterior Ltda., para a emissão de notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, determinando valores, adquirentes ou consignantes, bem como o destino dos bens importados. A fiscalização esclarece que o despachante aduaneiro e seu ajudante, se efetuarem em nome próprio ou de terceiro, a importação e o comércio interno de mercadorias estrangeiras, sujeitamse ao pagamento dos tributos e das multas aplicáveis, caracterizandose a responsabilidade solidária, com o importador, da empresa NHTP e seus sócios Jairo Dias de Souza e Vera Regina Ribeiro Ferreira. A empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda. é apontada como a real importadora dos bens nacionalizados pela Kapal, implicando na sua responsabilidade pelos tributos devidos, em solidariedade com os seus sócios gerentes Daniel Lewin, Fisel Perl, David Perl e Isaac Sverner. Os bens nacionalizados, constituídos de aparelhos eletrônicos, são em sua maioria da marca Lenoxx Sound, importados e distribuídos no País pela Topmar até meados de 1999, quando então entrou em funcionamento a empresa DM Eletrônica, sucedendo de fato a primeira, passando a produzir, em tese, referidos produtos Lenoxx na Zona Franca de Manaus. Foram apuradas irregularidades no fechamento dos contratos de câmbio, pois em apenas três dos vinte e dois contratos formalizados entre o Banco do Brasil e a Kapal foram observadas as disposições normativas, onde mencionam que o pagamento do contravalor em moeda nacional deverá, obrigatoriamente, ser efetuado por meio de cheque ou débito em conta do próprio comprador da moeda. Os pagamentos irregulares foram debitados em uma conta transitória interna do Banco do Brasil, sem titularidade, a qual recebeu créditos de diversas fontes, demonstrando que a Kapal se prestou, tão somente, a ceder seu nome para a realização fraudulenta das operações em questão, não tendo participado da negociação que promoveu a compra e venda internacional, nem participado da revenda subseqüente das mercadorias no mercado interno, assim como do gerenciamento dos recursos que envolveram as respectivas importações. As faturas comerciais apresentadas, com exceção daquelas relativas às Declarações de Importação nº 99/06926864 e 99/06539739, não se Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.974 7 encontram assinadas, carecendo de formalidade essencial prevista em lei, fator este que somado a inexpressividade dos valores declarados e as irregularidades apontadas nos contratos de câmbio, demonstram a falta de idoneidade das referidas faturas comerciais. A autoridade autuante verificou, também, que nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas, emitidas pela empresa Kapal, figuram como principais clientes, responsáveis por 85% do valor consignado nesses documentos, três empresas, as quais não foram localizadas, por não existirem de fato. São empresas de “fachada”, utilizadas para ocultar o real comprador, a destinação dos bens, assim como os preços efetivamente praticados, comprovando, demonstrando, desta feita, a ocorrência de fraude. A autoridade lançadora assevera, ainda, que diante da comprovada ocorrência de sonegação, por meio da utilização de documentos ideologicamente falsos, que visam ocultar o verdadeiro valor das transações, e restando caracterizado o conluio das empresas DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. com a autuada, o prazo decadencial deve ser contado segundo estabelece o artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Tratando da valoração aduaneira das mercadorias importadas, no Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000, a autoridade arrola os motivos que a levaram a entender inaplicável o 1º Método de Valoração Aduaneira, os quais, examinados em conjunto, atestam que a documentação que amparou as importações é inidônea, não refletindo a transação comercial efetivamente ocorrida, conforme já tratado no presente relatório. É enfatizado, no mesmo relatório, que a quase totalidade dos preços praticados nas importações são absolutamente inverossímeis, e que a autuada adotou, de maneira deliberada/intencional, uma série de práticas com o claro intuito de burlar os mecanismos de controle do valor aduaneiro. Afastada a aplicação do 1º Método de Valoração Aduaneira, foram examinadas as condições para a aplicação dos métodos substitutivos, em ordem seqüencial, conforme a seguir demonstrado: 2º e 3º Métodos: a utilização de tais métodos pressupõe a existência de importações que tenham sido aceitas pela autoridade aduaneira como referências válidas de valor aduaneiro declarado, no entanto, ainda não foi concluída a construção de um banco de dados de declarações de importação paradigmas, razão pela qual não é possível a aplicação de tais métodos; 4º Método valor de revenda: a aplicação do método em apreço requer que a fiscalizada forneça elementos materiais que indiquem os compradores efetivos e os contratos firmados, para a determinação do valor de revenda praticado, no entanto, restou demonstrado que a interessada não efetuou, de fato, operações de revenda, revelandose inaplicável o 4º Método de Valoração Aduaneira; 5º Método: a utilização do método em referência é improvável, pois requer farta documentação produzida pelo fabricante dos bens e demais intervenientes no comércio internacional das mercadorias, os quais não estão obrigados a fornecêla, nos termos do item 2, do art. 6º, do Acordo de Valoração Aduaneira AVA; Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.975 8 6º Método: este método foi utilizado para a determinação do valor aduaneiro de 85 produtos, mediante flexibilização do 2º e 3º métodos, tendo sido atendidos todos os requisitos legais previstos no AVA. Para cada produto submetido a revaloração, foi indicado o modelo e a marca do produto similar utilizado como padrão de valor, respeitando os níveis comerciais praticados, as marcas envolvidas, e a obrigatoriedade de inexistir vinculação entre comprador e vendedor que afete o valor de transação, exceção feita aos poucos casos em que não foi possível identificar importações de bens idênticos ou similares, em tempo aproximado, do mesmo País, sendo então utilizada uma importação alternativa. Todas as informações a respeito das importações que serviram como paradigma constam no Anexo VII, juntado às fls. 275 a 376. Considerando que as práticas adotadas pela interessada resultaram em bases de cálculo dos tributos intencionalmente diminuídas, com vistas a ilidir o pagamento dos tributos, caracterizouse a ocorrência de subfaturamento, sujeitando a interessada à penalidade prevista no artigo 526, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030/85. Comprovado, ainda, o evidente intuito de fraude, a multa de ofício foi agravada para o percentual de 150%, e efetuada a “Representação Fiscal para Fins Penais”, nos termos do processo no 12466.004001/200477. Tendo sido a autuada e os responsáveis solidários cientificados dos lançamentos, apresentaram impugnações, as quais foram assim juntadas aos autos: DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 1.716 a 1.749), Isaac Sverner (fls. 1.822 a 1.854, 1.928 a 1.961, 2.017 a 2.048, e 2.120 a 2.152), NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. (fls. 2.211 a 2.243) e Kapal Comércio Exterior Ltda. (fls. 2.257 a 2.295). A empresa Kapal Comércio Exterior Ltda. alegou, em síntese, que: o dolo, fraude ou simulação não podem ser presumidos, mas devem ser provados, como de fato restou comprovado em relação aos reais importadores e destinatários das mercadorias, arrolados no presente processo, no entanto, em relação à impugnante e seus sócios não há prova de fraude, sendo inaplicável o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, tendo ocorrido a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento dos créditos tributários objeto do presente processo; somente foi validamente notificada em 06/01/2005, pois o Edital afixado em 13/12/2004 não foi precedido da intimação pessoal e por via postal, conforme determina o § 3º, do artigo 23, do Decreto no 70.235/72, tendo também por este aspecto ocorrida a decadência do crédito tributário; deve ser excluída, bem como seus sócios, do pólo passivo da obrigação tributária, pois agiu apenas na condição de empresa fundapiana, consignatária das mercadorias, conforme reconhece o próprio Fisco no Relatório da Fiscalização; as empresas DM Eletrônica e NHTP são contribuintes e não responsáveis solidários, pois a legislação estabelece que importador é qualquer pessoa que promove a entrada de mercadoria no território aduaneiro, e tendo referidas empresas efetuado a compra no exterior, a contratação do transporte, providenciado a documentação que instruiu o despacho e ainda Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.976 9 disponibilizado as mercadorias a seus destinatários finais, resta demonstrado que promoveram a entrada da mercadoria, como diz a lei; o fato de não ter informado, no campo próprio da DI, o CNPJ da empresa adquirente, é mero erro formal, que não pode se sobrepor à verdade material, de que os atos infracionários foram praticados pelas demais empresas autuadas, sem qualquer participação da impugnante; a inidoneidade das faturas, por falta de assinatura, não é da responsabilidade da impugnante, e sim, dos reais importadores e das empresas consignantes, que contrataram a Kapal para importar com os benefícios do FUNDAP; na condição de empresa fundapiana, funcionava em conformidade com o sistema, à época, em vigor, não lhe cabendo fiscalizar o destino das mercadorias importadas e seus adquirentes, assim, emitiu as notas fiscais de saída com base nos dados fornecidos pela empresa NHTP; na ocasião da contratação das importações, as empresas para as quais as mercadorias foram destinadas estavam com sua situação regular, não eram inaptas perante o CNPJ, portanto, se fraude houve, tal somente ocorreu depois das importações, não podendo alcançar a empresa fundapiana; o suposto dolo atribuído aos administradores da impugnante, sob o argumento de que conscientemente cederam o nome da empresa para acobertar operações de terceiros, não procede, pois o nome foi cedido ao amparo da legislação do FUNDAP; os sócios da impugnante devem ser excluídos do pólo passivo da presente exigência tributária por não preencherem as condições tipificadoras de sujeitos passivos, não podendo ser responsabilizados pelos tributos, e nem mesmo pelas infrações, tendo em vista que não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, e não promoveram nenhum despacho aduaneiro (inciso IV, do artigo 500, do RA); a rejeição dos valores de transação calcouse em presunções advindas de indícios, não havendo provas contundentes para amparar as conclusões que conduziram aos Autos de Infração; as relações ou operações comerciais entre vendedores e fabricantes no exterior e as reais importadoras são alheias à impugnante, para a qual o preço contratado e pago foi o constante nos documentos oficialmente prescritos: fatura comercial, contrato de câmbio e declaração de importação, sendo os indícios insuficientes para se concluir que ocorreram remessas complementares de numerário para pagamento de importações; não competiam às empresas fundapianas fiscalizar os atos das contratantes nem a idoneidade ou licitude de suas operações; o Fisco aplicou o Regulamento Aduaneiro vigente à época das importações, mas aplicou indevidamente a legislação penal/tributária editada posteriormente, que trata das importações por conta e ordem de terceiros; na época da ocorrência das infrações, o inciso III do artigo 526, do RA, que trata das infrações ao controle administrativo das importações, prescrevia a Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.977 10 multa de 100% da diferença por subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria, sem mencionar a palavra “importação”; a penalidade acima referida é a mesma tipificada no artigo 44, da Lei no 9.430/96, como infração tributária, tanto é assim que a autoridade autuante buscou os elementos fáticos e jurídicos para a sua cominação no Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000, que foi o mesmo que embasou a infração tributária de declaração inexata de valor (Valor de Transação incorreto); na importação, a infração administrativa atinente ao licenciamento, câmbio e controle de preços somente pode ocorrer na hipótese de superfaturamento, que acarreta remessa a maior de divisas, caracterizando lavagem de dinheiro; na exportação, a infração ocorre no subfaturamento, visando o menor ingresso de divisas, ficando o diferencial à disposição do exportador brasileiro no exterior; a multa de natureza administrativa é inaplicável ao caso, porque não foram transgredidas as normas administrativas de controle das importações, mas apenas apurada infração de natureza fiscal, praticada com o fim de reduzir a base de cálculo dos tributos, e também porque a apuração de base de cálculo nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira visa exclusivamente à percepção dos tributos incidentes na importação, não se reportando a parte cambial e administrativa das operações; à época da ocorrência do fato gerador, a legislação do Imposto de Importação previa penalidade específica para a inexatidão da declaração quanto ao valor, conforme artigo 524 do Regulamento Aduaneiro, não se aplicando ao caso, no que tange ao Imposto de Importação, a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no 9.430/96; conforme legislação em vigor, a apuração do valor aduaneiro era feita com base no que dispunha o artigo 2º do AVA, no entanto, a fiscalização efetuou um arbitramento nos moldes do disposto no artigo 88 da MP no 2.158/01, o qual é aplicável para situações que passaram a ser consideradas fraudulentas, as quais anteriormente não tinham essa conotação, como é o caso das operações por conta e ordem de terceiros; deve ser mantida a base de cálculo declarada nas importações do ano de 1999, pois indevido o arbitramento do valor aduaneiro na forma como feita pelo Fisco, afastandose a responsabilidade da impugnante pelos créditos tributários decorrentes das diferenças apontadas. A impugnante tece, ainda, considerações a respeito da aplicação do princípio da responsabilidade objetiva, o qual, no seu entender, fere o princípio da isonomia, ao tratar contribuintes zelosos e contribuintes que nunca cumprem suas obrigações tributárias de forma idêntica. Neste sentido, defende que não está sujeita à multa qualificada, pois as infrações originaramse de ações praticadas pelos reais importadores. Alega, também, que somente a partir de 2001 a legislação foi aperfeiçoada, dando efetividade ao princípio da subjetivação da responsabilidade no direito penal tributário. Por fim, a autuada (Kapal) requer a desconstituição total do crédito tributário lançado, através da decretação da improcedência dos Autos de Infração. Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.978 11 A responsável solidária NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda., em sua peça impugnatória, argumenta, em resumo, que: são nulos os Autos de Infração, pois não houve observância das formalidades previstas nos artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, segundo os quais é vedada a lavratura de vários Autos de Infração, em um mesmo processo, contra sujeitos passivos diferentes; não mantém qualquer vínculo, exceto eventual relacionamento comercial, com a empresa Kapal, não podendo a autoridade lançadora aproveitar os Autos de Infração lavrados contra a Kapal, estendendoos à empresa impugnante, criando assim um novo instrumento fiscal não previsto em lei; houve flagrante violação aos princípios do contraditório em ampla defesa, pois os Autos de Infração foram lavrados fora da jurisdição fiscal da impugnante, onde também tramita o processo administrativo, e os documentos que o embasaram pertencem à empresa Kapal, impossibilitando a adequada defesa da impugnante; para a lavratura dos Autos de Infração, a autoridade autuante não efetuou quaisquer diligências ou fiscalizações junto à impugnante, embasando os Autos de Infração exclusivamente nos documentos da empresa Kapal, caracterizando, também, por este aspecto, o cerceamento do direito de defesa, pois a impugnante não pode devassar os documentos da empresa Kapal, para elaborar sua defesa; cada pessoa jurídica tem autonomia em relação às demais, e é responsável pelos atos que pratica, também os estabelecimentos de uma mesma empresa são autônomos, para fins fiscais, não podendo o Fisco atribuir à impugnante responsabilidade por ato ilícito ou criminoso praticado por outra pessoa jurídica; é parte ilegítima, pois o PAF impede que os autuantes a “chamem ao processo”, ou a intimem para que forme, com a autuada Kapal, um esdrúxulo e anômalo “litisconsórcio”, não previsto na lei processual administrativa; inexiste a alegada responsabilidade tributária da impugnante, pois não há lei que caracterize tal solidariedade, pelo contrário, a legislação mencionada pela autoridade lançadora dispõe claramente que a responsabilidade tributária, como regra, é exclusiva da empresa importadora, no caso, a empresa Kapal, que deu causa a ocorrência do fato gerador; a situação examinada nos autos não se enquadra nas hipóteses de responsabilidade solidária previstas em lei, e nem mesmo a ela se aplica o inciso I, do artigo 124, do CTN, pois o “interesse comum” não é suficiente para caracterizar a solidariedade, que desta forma alcançaria sempre compradores e vendedores, ou prestadores de serviços e seus tomadores; o artigo 135 do CTN alcança somente as pessoas físicas que tenham cargo de gestão, tanto que não menciona sócios, e sim diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, atribuindolhes responsabilidade pessoal pela prática intencional de ilícitos de natureza subjetiva; no caso dos autos, não restou demonstrado que os sócios arrolados como responsáveis solidários praticassem atos de gerência, e que tivessem poderes Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.979 12 para tanto, e nem mesmo restou provada a autoria de ato ilícito, devendo ser afastados do pólo passivo da obrigação tributária; em relação à impugnante, foram feitas apenas acusações genéricas e vazias, sendo impossível defenderse de generalidades ou apresentar provas negativas; ao tratar da decadência, os autuantes não se referiram expressamente à defendente e seus sócios, mas apenas à empresa Kapal e seus sócios, pois efetivamente não há qualquer prova de que a impugnante tenha agido com dolo, fraude ou simulação, não se aplicando a exceção prevista no parágrafo 4º, do artigo 150, do CTN; o crédito tributário ora exigido foi extinto pela decadência, tendo em vista que a contagem do prazo se inicia na data da ocorrência do fato gerador; tendo em vista que as autuações foram baseadas em meras presunções, foi violado o princípio da verdade material, pois a simples desconfiança não tem o condão de gerar obrigação tributária, a lei exige a existência concreta de um fato; o Fisco tenta transferir para a impugnante o ônus da prova em sua integralidade, pois lhe autua sem lhe solicitar que apresente quaisquer documentos, ou mesmo sem fazer qualquer diligência em seu estabelecimento, impondolhe o encargo de provar que nada tem que ver com os atos praticados pela autuada Kapal; a responsabilidade pela emissão de notas fiscais ideologicamente falsas deve ser atribuída exclusivamente à empresa Kapal, pois a aplicação de punições, em nosso sistema jurídico, depende da prova concreta do fato e da sua autoria; define como ilegal e impertinente a menção que a autoridade lançadora faz a atos alheios a autuação, que os fiscais consideram ilícitos e que lhe imputam, pois os autos deveriam se restringir, tão somente, aos fatos apurados na presente fiscalização. Sobre outros ilícitos, a impugnante se reserva o direito de produzir a competente defesa no devido processo legal; tratandose da acusação de que exerceu a função de “gerenciamento de fato” de todo o processo de importação e nacionalização de bens em benefício da Kapal, aduz que esta é a sua função enquanto prestadora de serviço de assessoria aduaneira. Para caracterizar a infração, deveria o Fisco indicar, com detalhes, onde e porquê foi extrapolado o mandato que a Kapal lhe outorgou; não aceita que a autuação seja fundamentada em simples declaração de um dos administradores da Kapal, que com tal declaração procura se isentar de responsabilidades; não há nos autos um só ato atribuído ao despachante aduaneiro que possa ser considerado doloso ou ilícito, não podendo ser responsabilizados por eventuais documentos fiscais emitidos por terceiros que, embora formalmente legais, contenham algum dado incorreto. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.980 13 Ao final, a impugnante requer que, diante das preliminares argüidas, sejam aos Autos de Infração declarados nulos, e caso assim não entenda a autoridade julgadora, seja determinada a exclusão da impugnante e de seus sócios do presente processo. A empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda., em sua defesa, apresenta alegações tendentes a demonstrar a nulidade do lançamento, utilizando argumentos semelhantes aos apresentados na impugnação da empresa NHTP Assessoria Aduaneira Ltda. afirmando também que não tem qualquer vínculo com a empresa Kapal, a não ser eventual relacionamento comercial, não podendo ser responsabilizada por infrações cometidas por outra empresa. Afirma, igualmente, que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois o processo foi instaurado e tramita longe do seu domicílio tributário. A impugnante alega que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente relação jurídico processual, porque os Autos de Infração foram lavrados contra a empresa Kapal, com fundamento nos documentos e livros contábeis daquela empresa. Aduz que a responsabilidade solidária que a autoridade lançadora pretende lhe atribuir não tem respaldo na lei, e nem mesmo a responsabilidade por sucessão, que teria origem em indícios de que seus sócios eram titulares de uma outra empresa denominada Topmar. Prosseguindo em seus argumentos, a empresa DM afirma que não é sucessora da empresa Topmar, e que o Fisco não apresentou prova de que seus sócios façam parte do quadro societário das empresas CCE e Topmar, bem como não provou que tais sócios têm cargos de gerência e que, em decorrência de tais cargos, tenham praticado os atos mencionados nos Autos de Infração. Assim, entende que os artigos 132 e 133 do CTN não se enquadram no fato descrito, pois a impugnante não se originou de transformação ou alienação da empresa Topmar. Outrossim, alega que até mesmo a Topmar não tem a responsabilidade tributária que lhe está sendo atribuída, pois segundo os próprios fiscais “os bens nacionalizados... foram importados e distribuídos no País pela Topmar até meados de 1999”, e os fatos infracionários ocorreram durante todo o ano de 1999. A impugnante entende, com fundamento nos mesmos argumentos trazidos pela empresa NHTP, que se operou a decadência do direito de o Fisco exigir o crédito tributário em apreço, que a autuação foi baseada somente em presunções, e que a autoridade lançadora tenta transferir o ônus da prova para o autuado. O acusado conluio entre a autuada Kapal, a Topmar e a impugnante, que a autoridade autuante afirma estar evidenciado no fato de que os bens importados foram, de fato, revendidos pela Topmar e pela DM Eletrônica, não para os pretensos adquirentes informados nas notas fiscais de saída de mercadorias emitidas pela Kapal, mas sim para grande empresas nacionais, por valores superiores aos informados nas notas fiscais, não ocorreu. O fato descrito pela autoridade lançadora apenas confirma que a empresa Kapal emitiu notas fiscais suspeitas, não havendo qualquer prova de ajuste doloso com a impugnante. Diante do exposto, a impugnante requer seja o Auto de Infração declarado nulo, e não sendo este o entendimento da autoridade lançadora, seja determinada a exclusão da impugnante e de seus sócios do presente processo. Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.981 14 Também o responsável solidário Sr. Isaac Sverner apresentou impugnação, alegando, em resumo, que: as operações evidenciadas nos autos são de inteira responsabilidade da empresa Kapal, que em nada se relaciona com a empresa DM, e muito menos com o impugnante; não tem nenhuma vinculação com o fato gerador (desembaraço aduaneiro de mercadorias), sobre o qual se pretende exigir o imposto e acréscimos, não tendo legitimidade passiva para figurar como responsável solidário do Auto de Infração; não existem provas suficientes capazes de comprovar o suposto envolvimento entre as empresas Kapal e DM Eletrônica, baseandose as autuações em deduções e meros indícios, que maculam a ação fiscal de nulidade, ilegalidade e arbitrariedade; com meras alegações, o Fisco buscou envolver na infração o impugnante, que jamais fez parte do quadro societário da empresa Topmar, e sequer exercia poderes de gerência na empresa DM Eletrônica, restando afastada a aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN; os lançamentos referentes às importações realizadas no mês de maio de 1999 e seguintes são nulos, pois fulminados pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN; ainda que se aceite a equivocada suposição de que houve dolo quando do recolhimento do tributo, é de se esclarecer que o parágrafo único, do artigo 173, do CTN, determina que o prazo será contado a partir da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário, que no caso da importação de mercadorias é a data do registro da DI, operandose, também na hipótese examinada, a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário; caso se admitisse a existência de responsabilidade solidária atingindo a DM Eletrônica, esta não alcançaria as multas lançadas, pois nos termos do artigo 137 do CTN, a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; assim, tendo a empresa Kapal, enquanto importadora, tentado fraudar o Fisco, não há como atribuir responsabilidade solidária, com relação às multas, a outras empresas e pessoas físicas, por expressa determinação do CTN; a empresa DM foi constituída em outubro de 1996, e durante um longo período conviveu no mercado com a empresa Topmar, explorando, cada uma a sua maneira, o negócio de aparelhos eletrônicos, não procedendo à alegação de que a empresa DM sucedeu a Topmar, até porque a Topmar não foi extinta em 1999, não se tratando da hipótese prevista no artigo 132, § único, do CTN, de sócio remanescente de pessoa jurídica extinta que dá continuidade à exploração da atividade dessa; a responsabilização da empresa Topmar em relação às importações realizadas pela Kapal é uma nítida alusão à operação que atualmente foi denominada de “importação por conta e ordem”, cujas regras somente Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.982 15 entraram em vigor com a edição da Medida Provisória no 2.15835/01, e não podem alcançar importações efetuadas em data anterior; se, à época dos fatos, o ordenamento jurídico atribuísse à empresa Topmar responsabilidade pelas importações efetuadas pela Kapal, a legislação não precisaria ter sido alterada como ocorreu, razão pela qual impõese o afastamento da Topmar do pólo passivo da infração por total ilegitimidade; a regra do artigo 124, inciso I, do CTN, não pode ser aplicada à situação dos autos, por ser regra genérica sobre a qual prevalecem regras mais específicas, determinadas por Decretoslei que regem as operações de importação, mostrandose impossível responsabilizar o impugnante pela suposta infração; não existindo premissa da qual decorra a não aplicação do primeiro método de valoração aduaneira, o que certamente se aplica às operações tratadas nos presentes autos, e estando comprovado que o valor declarado pela importadora corresponde ao valor efetivamente pago, não pode o Fisco exigir diferenças, como pretendeu nos presentes autos, em decorrência da comparação entre o preço praticado em outras operações semelhantes; ainda que inaplicável o 1o Método de Valoração Aduaneira, é incorreta a forma com que os preços das mercadorias foram obtidos, mediante paradigmas insuficientes ou inadequados, que não retratam a realidade das operações no mercado. O impugnante conclui sua defesa requerendo o cancelamento das autuações lavradas, ou quando menos, a exoneração das multas aplicadas. Considerando o disposto no art. 22, § 2º, da Portaria MF nº 258, de 2001 a 1ª Turma de Julgamento desta delegacia, por maioria de votos, converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução DRJ/FNS no 0007/2005 (fls. 2.349), nos termos do despacho do relator designado (fls. 2.347/2.348), a fim de que a unidade de preparo diligenciasse junto ao proprietário do imóvel situado na rua Barão de Itapemirim, nº 209, sala 407, Centro, Vitória/ES, a fim de que seja demonstrada a autenticidade das informações constantes no contrato de locação, firmado em 01/09/2004 (fls. 2.336) e na 5ª Alteração do Contrato Social e Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (CNPJ), todos relativos à empresa Kapal Comércio Exterior Ltda., uma vez que referida contribuinte alega que somente foi notificada em 06/01/2005, haja vista que o edital afixado em 13/12/2004 não havia sido precedido de intimação pessoal e por via postal, tendo, portanto, decaído o direito de a Fazenda Federal constituir o crédito tributário. Quanto aos demais cientificados, argúem, também, a decadência do crédito tributário em litígio, porém, por razões outras. Tal demonstração se mostra imprescindível, haja vista que as informações colhidas pela fiscalização, por meio do Termo de Constatação de fls. 1.627, contradizem as veiculadas no retrocitado contrato de aluguel, na medida que demonstra que a autuada (Kapal) não se encontrava devidamente estabelecida no citado imóvel no período que a fiscalização aduaneira envidou esforços no sentido de proceder à ciência pessoal da autuação em trato. Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.983 16 Por conseqüência, a SEFIA/ALF/VIT/ES, determinou a execução do referido procedimento por meio do Mandado de Procedimento FiscalDiligência de nº 07.2.76.002005001782 de fls. 2.353, que ensejou a expedição do Relatório de Diligência de fls. 2.351/2.352, acompanhado dos documentos de fls. 2.354 a 2.380. Tendo em vista a solicitação de fls. 2.381, a Kapal, por meio de seu sócio gerente (Rodrigo Cunha Lima) obteve as cópias dos autos do processo (fls. 1.692 a 2.380). Por fim, a autoridade preparadora, por meio do despacho de fls. 2.384, uma vez mais, encaminhou, em 24/05/2005, os autos do presente processo para a DRJ/FNS/SC para prosseguimento e apreciação. Após as referidas Impugnações, sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificados a Autuada e os Responsáveis Solidários, nos termos das Intimações de fls. 2.415/2.425 (Vol. X). Irresignados com a decisão de primeiro grau, interpuseram Recurso a contribuinte (Kapal) e os seguintes Responsáveis Solidários: o Sr. Isaac Sverner (fls. 2.537/2.579 Vol. X) e a DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 2602/2637 Vol. XI). Da peça recursal da Autuada, a importadora Kapal Comércio Exterior Ltda. Em 01/09/2005, a Autuada foi cientificada do Acórdão recorrido (fl. 2.415v). Inconformada, em 29/09/2005 (fl. 2.426), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.427/2.482 (Vol. X), em que a Autuada reitera os argumentos de defesa aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, o seguinte: a) quanto a preliminar de decadência, alegou que: (i) a diligência realizada não logrou descaracterizar o caráter de ilegalidade da sua intimação por edital; (ii) houve descumprimento do disposto no § 3º do art. 23 do PAF, pois, não logrando êxito na intimação pessoal, a Fiscalização deveria ter feito uma segunda tentativa ou tentado a intimação pela via postal; (iii) a intimação por edital somente poderia ser utilizada como último recurso; (iv) a Turma de Julgamento de primeiro grau não aplicou a firme jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes, nem especificou porque discordava dos Acórdãos indicados; (v) a única ciência válida dos contestados Autos de Infração seria aquela ocorrida em 06/01/2005, quando o crédito tributário já se encontrava fulminado pela decadência; e (vi) a data do registro da DI seria o único termo inicial do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, fixado no § 1º do art. 150 CTN, combinado com o disposto no art. 3º da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005; b) quanto a inaplicabilidade do art. 173 do CTN, alegou que: (i) não se lhe aplicava a exceção prevista no § 4º, in fine, do art. 150 do CTN, pois não participou da negociação envolvendo a compra e venda internacional, da revenda subseqüente das mercadorias no Pais e do gerenciamento dos recursos gerados na importação; e (ii) a simulação fora praticada apenas pela Solidária DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e sua incorporada, a pessoa jurídica Topmar; c) quanto a ilegitimidade passiva, alegou que: (i) faltavalhe capacidade contributiva, pois, na condição de empresa fundapiana, não realizara, nem de Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.984 17 fato nem de direito, as referidas importações, mas apenas prestara serviços de intermediação, com fim de viabilizar o incentivo fiscal atinente ao Fundap; (ii) havia inadequação entre o fato jurídico in concretu (registro da DI) e o ato administrativo de lançamento que resultou no elevado crédito tributário apurado; e (iii) os presentes lançamentos seriam procedentes apenas em relação aos responsáveis solidários, autênticos sujeitos passivos; d) quando ao Fundap alegou que agira de conformidade com os atos editados pelos órgãos públicos incumbidos da sua regulamentação, vigentes na época das importações; e) quanto a vinculação com as demais solidárias alegou que: (i) no presente caso, não havia vinculo por interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois, na condição de empresa fundapeana, os seus interesses não eram coincidentes com os dos importadores contratantes dos seus serviços; e (ii) os únicos contribuintes, no caso, seriam as pessoas jurídicas que lhe contrataram para figurar na DI como importadora (consignatária), pois foram elas quem adquiriram a mercadoria no exterior, pagaram ao exportador e revenderam a mercadoria no mercado interno; e f) quanto ao mérito alegou que: (i) embora ainda não vigente a legislação que instituíra a importação por conta e ordem de terceiro, na condição de empresa fundapeana, as presentes importações teriam a mesma natureza; (ii) não houve o alegado conluio entre ela (Autuada) e as demais pessoas jurídicas solidárias, uma vez que os ilícitos descritos foram praticados por estas últimas e as pessoas jurídicas, para quem foram revendidas mercadorias no mercado interno, ainda estavam inaptas na época transações; (iii) não cometera a infração administrativa ao controle das importações por subfaturamento (art. 526, III, do RA/851), pois as fraudes, se ocorridas, não eram de seu conhecimento e foram perpetradas desde a origem, pelas empresas que negociaram as importações do exterior, emitiram as faturas, conhecimentos de carga, pagaram os fornecedores, etc.; e (iv) na condição de empresa fundapiana não teria possibilidade material de contestar os preços praticados, pois não fora ela quem realizou a transação comercial, nem negociara a mercadoria com o fornecedor estrangeiro e não os conhecia, sendo apenas titular da DI, cujos dados lhe foram fornecidos pela NHTP e pelos reais importadores. No final, requereu o provimento do seu Recurso, para que os presentes Autos de Infração fossem declarados insubsistentes em relação a ora Recorrente e aos seus sócios. Da peça recursal do Sr. Isaac Sverner (Responsável Solidário). Em 01/09/2005, o Sr. Isaac Sverner, na condição de Responsável Solidário, foi cientificado do Acórdão recorrido (fl. 2.416v). Inconformado, em 03/10/2005 (fl. 2.537), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.539/2.579 (Vol. X), em que reproduziu os argumentos de fato e de direito aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, o seguinte: a) no que tange à responsabilidade pessoal de sócio, alegou que: (i) a decisão recorrida havia inovado o fundamento legal dos lançamentos, ao asseverar que a legitimidade passiva do ora Recorrente teria fundamento no art. 124, I, ao invés do art. 135, ambos do CTN; (ii) seria ilegítima a inclusão do ora Recorrente no pólo passivo da presente autuação, independentemente do Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.985 18 enquadramento legal; (iii) o novo fundamento legal apresentado pelo Órgão julgador a quo seria um reconhecimento de que os presentes Autos de Infração não lhe alcançariam; (iv) jamais participou do quadro societário da pessoa jurídica Topmar, não podendo ser responsabilizado pelos atos praticados em nome dessa empresa; (v) somente a partir de maio de 1999, deuse a sua participação quadro societário da DM Eletrônica, porém, jamais atuara como seu gerente; e (vi) não poderia ser responsabilizado pelos atos da pessoa jurídica DM Eletrônica, com base no art. 135, III, do CTN, onde nunca exercera cargo de gerência; b) era descabida a alegação da fiscalização de que as atividades praticadas pela Topmar, supostamente extinta, foram assumidas pela DM Eletrônica. Argumento ainda que essa imputação somente lhe fora feita com o objetivo de configurar a responsabilidade prevista no art. 132, parágrafo único, do CTN; c) por falta de previsão legal, na época das mencionadas operações de importação, não poderia o Fisco responsabilizar pelo crédito tributário a Topmar e DM Eletrônica, mas apenas a importadora Kapal; somente a partir da vigência MP 2.15835, de 2001, que introduziu o regime de importação por conta e ordem de terceiro, a figura da responsabilidade tributária solidária foi estendida ao real importador; d) embora a responsabilidade solidária já fosse prevista expressamente no art.124, I, do CTN, por se tratar de regra genérica, seria inaplicável aos tributos e infrações aduaneiros, sujeito a regramento específico, prescrito no DL nº 37, de 1966, que também seria inaplicável ao caso, pois essa nova previsão legal somente entrou vigor a partir de agosto de 2001, data posterior ao período em que ocorrera as supostas infrações; e) carecendo de fundamento legal a responsabilização tributária da Topmar e da DM Eletrônica, relativamente às operações de importação realizadas pela Kapal, era também de se concluir pela impossibilidade de responsabilização do ora Recorrente; f) também inexistiria solidariedade com relação às multas lançadas, uma vez que a responsabilidade é pessoal quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente fosse elementar; g) ainda que a arguição de inexistência de solidariedade quanto à totalidade das multas lançadas não fosse acolhida, seria incabível a solidariedade em relação à multa por infração administrativa ao controle das importações, posto que as disposições do CTN restringirseiam apenas aos tributos e acessórios, não alcançando tais tipos de multa; h) ainda que a diferença de tributos fosse devida, a multa agravada aplicada na presente autuação não teria cabimento, pois não existiam nem indícios, muito menos prova de fraude praticada pelo ora Recorrente; i) a multa por falta de fatura (art. 521, III, do RA/85) não poderia ser aplicada, pois o próprio fisco admite que as faturas existem, porém, com irregularidades. Quando muito seria aplicada a multa por apresentação de fatura em desacordo com as exigências legais, prevista no art. 521, IV, do RA/85; e Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.986 19 j) em relação a decadência e ao método de valoração aduaneira, a Recorrente reafirmou os argumentos aduzidos na fase de impugnatória. No final, pede o provimento do Recurso em tela e o reconhecimento da insubsistência do lançamento contra o Recorrente. Da peça recursal do DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (Responsável Solidária). Em 06/09/2005, a Responsável Solidária em epígrafe foi cientificada do Acórdão recorrido (fl. 2.420v). Inconformado, em 03/10/2005 (fl. 2.609), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.603/2.637 (Vol. XI), em que reproduziu os argumentos de fato e de direito aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, as seguintes alegações: a) o Acórdão recorrido seria nulo, porque incorrera no mesmo erro formal da autuação, ao não observar os requisitos mínimos de validade, legitimidade e legalidade, previstos em nosso ordenamento jurídico, violando princípios constitucionais fundamentais; b) o Voto condutor do referido Acórdão seria uma “teratologia jurídica”, uma monstruosidade processual, uma vez que se refere genericamente a todas as impugnações apresentadas e não apreciou todas as alegações de defesa aduzidas na Impugnação; c) o Relator do citado Acórdão confundiu o motivo do ato de lançamento (ato lícito) com ato punitivo (infração cometida); d) fora mencionada uma absurda modalidade de “responsabilidade solidária de terceiro por infração”, pretendendo consolidar em uma só as responsabilidades previstas no art. 124 (solidária), no art.134 (de terceiro) e nos arts. 136 e 137 (por infração), todos do CTN; e) como não inexistia lei atribuindo “responsabilidade tributária solidária por infração”, o Relator apontou o DL 37/66, art.32, II, b, como suposta base legal para tal solidariedade “especial”, todavia, no art. 32 não existe alínea “b”, e o inciso II faz referência ao “transportador”, enquanto substituto tributário, que nada tem a ver com os fatos sob análise; f) ao utilizar o exemplo da responsabilidade solidária do transportador, o Relator procurou justificar a equivocada utilização da “interpretação extensiva”, repudiada pelo ordenamento jurídico tributário, no que concerne à exigência tributo e multa; g) não havia nos autos qualquer prova de conluio entre os responsáveis pela Kapal e pela Recorrente, mas apenas indícios, devendo ser aplicado ao caso o “in dubio pro reo”; h) o conluio, a fraude e o dolo seriam atribuíveis apenas às pessoas físicas. Seria uma aberração jurídica imputar tais infrações de natureza subjetiva à pessoa jurídica, porque esta seria uma mera ficção legal; i) o presente procedimento fiscal somente poderia ser instaurado contra a Kapal, logo, o litisconsórcio forçado na presente autuação, com o Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.987 20 beneplácito dos julgadores de primeiro grau, seria uma inovação nefasta, sem previsão no PAF, e j) somente uma prova inequívoca de cometimento do delito poderia autorizar a consideração de “coautoria”, termo originário do direito penal. No final, requereu o conhecimento e a procedência presente Recurso, a reforma do Acórdão recorrido, declarando a improcedência dos citados Autos de Infração e o cancelamento do crédito tributário lançado, bem como das multas e dos acréscimos legais decorrentes. Em atenção ao despacho de fls. 2.646 (Vol. XI), os presentes autos foram enviados ao extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e, em seguida, distribuído para a Terceira Câmara do citado Conselho, onde foi designado Relator, o Conselheiro Zenaldo Loibman (fl. 2.647 – Vol. XI). Na Sessão de 16 de outubro de 2007, por meio do Voto encartado na Resolução no 30301.369 (fls. 2.648/2.690 – Vol. XI), os membros da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteram o julgamento dos presentes Recursos em diligência à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de origem, para as seguintes providências, in verbis: 1. A autoridade aduaneira promova a intimação do Sr. Isaac Sverner, e também da empresa DM Eletrônica Ltda, para tomar ciência das irregularidades constatadas, e descritas no RVA SAFIA Nº 001/2000 (às fls.228/454, Volume 2), de modo a colocar o valor de transação sob suspeita da autoridade aduaneira, tendente a desconsiderar o valor de transação declarado. Deve ser concedido prazo para que tais interessados possam manifestar suas contrarazões e apresentar os documentos que a fiscalização julgar pertinentes, bem como aqueles outros que a seus critérios considerem válidos a elucidar o valor de transação efetivamente praticado nas operações de compra e venda internacional que originaram as importações sob exame, ou alternativamente, possam ser úteis à escolha do método de valoração substitutivo; 2. Também se deve requerer ao Sr. Isaac Sverner, em face da possibilidade de eventual não acatamento das contrarazões que vierem a ser apresentadas, com possibilidade de haver descarte do valor de transação declarado, que especifique as razões da sua alegação, feita no recurso voluntário, de serem os paradigmas considerados pela fiscalização aduaneira, na busca de valor aduaneiro por método substitutivo do primeiro, insuficientes e inadequados. O mesmo procedimento deve ser observado em relação à empresa DM Eletrônica Ltda; 3. Depois de obtidas as respostas dos interessados ou, na ausência delas dentro do prazo legal a ser concedido, deve a autoridade fiscal aduaneira apresentar suas conclusões de modo a especificar se é o caso de insistir no abandono do primeiro método de avaliação, e neste caso justificar o método substitutivo adotado bem como o valor aduaneiro considerado, expondo seus fundamentos. (os grifos são originais) Em atenção ao disposto na citada Resolução, a Autoridade Fiscal da Unidade da RFB de origem, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de fls. 2.694/2.697 (Vol. XI), intimou os mencionados Responsáveis Solidários a Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.988 21 apresentar, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, todos os documentos e elementos necessários aos esclarecimentos solicitados no referenciado pedido de diligência. Em resposta, os Responsáveis Solidários, no prazo estabelecido, assim se manifestaram sobre as questões que lhe foram apresentadas: Da resposta do Sr. Isaac Sverner. Na petição de fls. 2.704/2.727 (Vol. XI), o Sr. Isaac Sverner reapresentou as razões de defesa aduzidas na peça recursal (o que não lhe fora facultado). No que tange ao objeto da diligência, no item 4 da referida Petição (fls. 2.724/2.727), alegou que (i) os critérios de valoração utilizados pela Fiscalização foram desarrazoados e não correspondiam ou se aproximavam do verdadeiro valor da operação; (ii) a amostragem utilizada pela Fiscalização foi insignificante diante da elevada quantidade de mercadorias importadas; (iii) o motivo apresentado (inexistência de banco de dados), para não utilização dos 2º e 3º métodos de valoração aduaneira, era insuficiente, posto que o Fisco dispunha de outros meios para obtenção dos dados necessários para a realização do valoração, pois os produtos importados seriam comuns, inexistindo dificuldade para identificar outras operações de importação dos mesmos tipos de produto; (iv) o 6º método de valoração, utilizado pela fiscalização, além de ser o menos preciso de todos, seria insuficiente, subjetivo e arbitrário; e (v) apesar do 6º método fosse aceito, no caso presente, a Fiscalização utilizara paradigmas insuficientes e inadequados. Embora lhe tenha sido facultado a apresentação de documentos válidos a elucidar o valor de transação efetivamente praticado nas operações de importação sob exame, o peticionário não trouxe aos autos qualquer documento. Da resposta do DM Eletrônica da Amazônia Lida. Por intermédio da Petição de fls. 2.731/2.734 (Vol. XI), a pessoa jurídica em epígrafe reapresentou algumas considerações sobre o mérito da presente autuação (o que não lhe fora facultado). Em relação ao objeto da presente diligência, em síntese, alegou que (i) o Termo de Intimação que lhe fora entregue não veio acompanhado do Relatório de Valoração Aduaneira de SAFIA nº 001/2000 (fls. 228/454), o que tornaria impossível a ciência das irregularidades nele contidas e, por conseguinte, de se pronunciar sobre elas; e (ii) deixava de apresentar os novos documentos solicitados, porque não era parte legítima para integrar a presente relação jurídico processual. Da manifestação da Autoridade Fiscal. Por sua vez, a Autoridade Fiscal, através da Informação de fls. 2.736/2.738 (Vol. XI), apresentou as seguintes considerações: (i) de acordo com a Decisão nº 6.12 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC), em caso de apuração de fraude nos preços, como no caso em tela, a Administração aduaneira deve comunicar o fato apenas ao Importador, dandolhe oportunidade razoável para se manifestar a respeito; (ii) não havia previsão nem determinação para que oportunidade de manifestação fosse facultada aos demais interessados, incluindo; e (iii) foi dado a conhecer o inteiro teor do processo aos responsáveis solidários, Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.989 22 oportunizandolhes o amplo direito de defesa sobre todos os pontos da autuação, inclusive no tocante aos critérios de valoração, que fora exercido mediante as impugnações e os recursos apresentados. No que se refere aos resultados da diligência, a Autoridade Fiscal limitouse apenas em relatar as alegações suscitadas pelos Responsáveis Solidários, sem emitir juízo de valor acerca do assunto. No dia 06/06/2008, em cumprimento ao despacho de fl. 2.739, o presentes autos retornaram a este e. Conselho, para prosseguimento do julgamento do feito. Na Sessão do mês de junho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. [...] Conforme depreendese do relatório, apresentaram recurso voluntário a autuada Kapal Comércio Exterior Ltda e os seguintes responsáveis solidários: DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e o Sr. Isaac Sverner. Os demais, embora intimados do acórdão de primeiro grau, não recorreram. Os recursos voluntários das Contribuintes foram parcialmente providos pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 310200.903 (fls. 3.599 a 3.650), de 04 de fevereiro de 2011, ora recorrido, para excluir apenas a multa por inexistência de fatura comercial. O responsável solidário, Sr. Isaac Sverner, apresentou embargos de declaração, com pedido de efeitos modificativos, para sanar supostos vícios de omissão e contradição no acórdão nº 310200.903, os quais foram rejeitados nos termos do despacho s/nº, de 29 de maio de 2014 (fls. 3.592 a 3.597). Também a autuada Kapal Comércio Exterior Ltda. interpôs embargos de declaração objetivando sanar vícios de obscuridade, omissão e contradição no acórdão de julgamento dos recursos voluntários. Os embargos de declaração foram rejeitados por meio do despacho s/nº , de 23 de abril de 2015 (fls. 3.897 a 3.904). Nessa linha relacional, o Sr. Isaac Sverner, na condição de responsável solidário, interpôs recurso especial (fls. 3.781 a 3.807), alegando divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: (a) inovação da decisão da DRJ em relação ao auto de infração; (b) inaplicabilidade do art. 124, inciso I do CTN e (c) necessidade de atos de gestão para imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. Trouxe como paradigmas para as matérias impugnadas os acórdãos nºs 10192.978, 10323.649 e 1202 00.362, respectivamente. Em suas razões recursais, aduz que: (a) o fundamento da responsabilidade solidária imputada ao recorrente no auto de infração foi apenas o art. 135, inciso III do CTN, ocorrendo Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.990 23 inovação na decisão proferida pela DRJ ao consignar que a atribuição de responsabilidade aos sócios teria fulcro no art. 135, inciso III combinado com o inciso I do art. 124, do CTN; (b) a solidariedade do art. 124 do CTN não se confunde com aquela estampada no art. 135, pois enquanto na primeira a responsabilidade decorre de interesse comum na situação que constitui o fato gerador, sendo todos os envolvidos sujeitos passivos da obrigação, a segunda advém da prática de ato pessoal do agente com excesso de poderes ou de infração à lei, contrato social ou estatuto, sendo pessoalmente responsável pela obrigação em substituição ao próprio sujeito passivo; (c) a inovação dos fundamentos da autuação afronta os artigos 142 e 146, ambos do Código Tributário Nacional; (d) o art. 124, inciso I do CTN aplicase às hipóteses de sujeição passiva direta, e não a situações de responsabilidade de terceiro que não seja contribuinte. A expressão "interesse comum" constante no dispositivo exige a participação como agente formador do fato gerador. Diferentemente, a responsabilidade tributária decorre de um fato externo vinculado a um terceiro ou da própria determinação legal; (e) a condição de sócio por si só não é suficiente para a imputação da responsabilidade tributária com base no art. 135, inciso III do CTN, pois imprescindível a comprovação inequívoca que houve poderes de gestão/administração por parte deste sujeito constante do contrato social da pessoa jurídica; (f) por fim, faz arrazoado para afastar a responsabilidade solidária que lhe foi imputada, em razão da não incidência dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN, colacionando doutrina e jurisprudência para lastrear seus argumentos. Foi admitido o recurso especial de Isaac Sverner por meio do despacho s/nº, de 03 de agosto de 2015 (fls. 3.913 a 3.918), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 3.920 a 3.933) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 3991DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.991 24 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, centrase a controvérsia em três pontos relativos basicamente à responsabilidade solidária do recorrente Sr. Isaac Sverner: (a) a inovação da decisão de primeira instância proferida pela DRJ em relação à fundamentação constante do auto de infração; (b) a inaplicabilidade do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN; e (c) necessidade de atos de gestão para imputação da responsabilidade com base no art. 135, inciso III do CTN. Necessidade de atos de gestão para imputação da responsabilidade com base no art. 135, inciso III, do CTN No procedimento de revisão aduaneira, do qual resultou o auto de infração combatido neste processo administrativo, entendeu a Fiscalização ter ocorrido a intenção da autuada Kapal de burlar os mecanismos de controle aduaneiro, por meio do SISCOMEX, pela prática dos seguintes atos: [...] (a) classificação incorreta das mercadorias — 97% dos bens foram enquadrados em posição tarifária incorreta, para os quais não se exigia a informação de atributos NVE — Nomenclatura de Valor Estatístico, com vistas a fugir do Canal Cinza de conferência aduaneira, que verifica os valores declarados a partir de uma base estatística de dados; (b) utilização de "unidade de medida" incorreta — como o controle de valor conjuga a unidade de medida informada com o VUCV Valor Unitário na Condição de Venda, o importador descreveu os bens, a exemplo da Dl/Adição n. 2 99/03972725/001, como 408 caixas de rádio relógio ao preço de US$ 6,50 a caixa. Contudo, cada caixa continha 30 unidades do produto, o que implica dizer que o valor unitário era de US$ 021 (e não US$ 6,50 como se fez crer ao SISCOMEX, que interpretou este último valor como aceitável). Os procedimentos fraudulentos mencionados permitiram que 41 das 44 declarações de importação analisadas fossem direcionadas para o Canal Verde de conferência aduaneira, que possibilita a retirada automática das cargas pelo importador sem qualquer tipo de verificação (física, documental ou de valor) O total de bens importados saltou de 207.529 unidades declaradas para 489397, reduzindo ainda mais o valor unitário dos bens importados, que já se mostrava irrisório antes mesmo do ajuste de quantidades, conforme comprovado no Relatório de Valoração Aduaneira. [...] Pelas irregularidades apuradas na conduta da autuada, foram responsabilizadas solidariamente as empresas DM ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. e NHTP Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.992 25 ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA, com fulcro no art. 124, inciso I, do CTN, por terem demonstrado interesse comum na promoção das operações fiscalizadas, pois contribuíram com recursos financeiros e operacionais, in verbis: [...] XI Da Solidariedade Passiva Ao dispor sobre a responsabilidade solidária pelo pagamento do tributo ou penalidade pecuniária o Código Tributário Nacional informa: Art. 124— São solidariamente obrigadas: I — As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (grifo nosso); II — As pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único — A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A obrigação principal, nos termos do art. 121, caput, do mesmo diploma legal, diz respeito à. responsabilidade pelo pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. O fato gerador do imposto de importação, conforme definido no Decretolei n.° 37, de 1966, art. 1º, com a redação dada pelo Decretolei n.° 2.472, de 1988, art. 1°, ocorre com a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro. No caso do Imposto sobre produtos industrializados, o fato gerador se da com o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, consoante art. 2.° da Lei 4.502, de 1964. Depreendese do acima exposto, que as pessoas que tenham real e direto interesse, quer na entrada de mercadoria estrangeira no País, quer com seu o desembaraço, poderão assumir a condição de responsáveis solidários pelo pagamento de tributos e penalidades que decorram desses fatos. Entendemos plenamente demonstrado o interesse das empresas abaixo arroladas, que concorreram com recursos financeiros e operacionais na promoção das operações em comento, sem os quais não teria ocorrido a entrada e desembaraço dos bens no País, o que lhes impõe a condição de SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEIS pelo pagamento dos tributos e penalidades incidentes sobre as operações de comércio exterior realizadas em nome da KAPAL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA.: a) DM ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. b) NHTP ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA. De outro lado, foram pessoalmente responsabilizados os administradores das empresas KAPAL, NHTP, TOPMAR e DM ELETRÔNICA, forte na disposição contida no art. Fl. 3993DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.993 26 135, inciso III, do CTN, pois teriam praticado atos com infração de lei. Seguem os termos do auto de infração (fl. 68): [...] XII Da Responsabilidade Pessoal Assim dispõe o Código Tributário Nacional sobre o assunto: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributarias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (grifo nosso). Os fatos e provas até então apresentados não deixam dúvidas que os atos praticados pelos administradores das empresas KAPAL, NHTP, TOPMAR e DM ELETRÔNICA, abaixo identificados, foram cometidos com infração de lei, caracterizando, em tese, a prática de crimes contra a ordem tributaria, contra o sistema financeiro, de descaminho, de falsidade e de formação de quadrilha, razão pela qual são ora arrolados como RESPONSÁVEIS pelo pagamento dos tributos e penalidades devidos pela KAPAL COMERCIO EXTERIOR LTDA: a) RODRIGO CUNHA LIMA (KAPAL); b) GUY ALEXANDRE LEMOS FERNANDES (KAPAL); c) MIRO DIAS DE SOUZA (NHTP); d) VERA REGINA RIBEIRO FERREIRA (NHTP); e) PIS EL PERL (TOPMAR e DM ELETRÔNICA); O DANIEL LEWIN (TOPMAR e DM Fl ETRÔNICA); g) ISAAC SVERNER (DM ELETRÔNICA E CCE); h) DAVID PERL (DM ELETRÔNICA). Inequivocamente a atribuição de responsabilidade pessoal aos administradores das empresas citadas, dentre eles o Sr. Isaac Sverner, deuse com fundamento tão somente no art. 135, inciso III, do CTN. A responsabilização passiva solidária dos administradores foi justificada pela autoridade lançadora na descrição de irregularidades e infrações à lei, que culminaram com a lavratura do auto de infração em face da empresa KAPAL, não havendo qualquer referência ou descrição específica à condutas daqueles considerados como pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias e penalidades aplicadas. Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.994 27 Conforme o art. 135, inciso III do CTN, serão considerados como pessoalmente responsáveis "pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, [...] os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." A aplicação do art. 135 do CTN requer a individualização da conduta dos solidariamente responsáveis, com a indicação precisa do ato infracional que gerou o enquadramento naquele dispositivo de lei. Ainda, a infração à lei capaz de atrair a incidência da norma em comento deve ser de natureza societária, tendo em vista constituirse o objetivo da regra responsabilizar o administrador que atua à revelia dos interesses da pessoa jurídica. Na hipótese de o ato praticado pelo administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, o agente será a própria sociedade, e não o sócio/administrador, cabendo a esta responder pelo pagamento dos tributos e consectários legais resultantes da autuação. Com fulcro nesses argumentos e da análise dos autos do processo administrativo, depreendese não ter havido a identificação da prática de atos pelo administrador da DM ELETRÔNICA, o recorrente Sr. Isaac Sverner, a justificar a sua responsabilização solidária tratada no art. 135, inciso III do CTN. Por esta razão, há de ser dado provimento ao recurso especial para excluir o Sr. Isaac Sverner da relação jurídicotributária na qualidade de responsável solidário. Tendo em vista o afastamento da responsabilidade solidária do Sr. Isaac Sverner pelo art. 135, inciso III, do CTN, excluindoo da relação jurídicotributária dos presentes autos, resta prejudicado o exame das demais matérias aduzidas no recurso especial. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial do contribuinte, Sr. Isaac Sverner para excluílo do pólo passivo da autuação, por não se subsumir a situação fática à norma contida no art. 135, inciso III do CTN, restando prejudicado o exame das demais matérias. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.995 28 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator Designado Com a devida vênia ao voto da ilustre relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello, da análise dos autos minha conclusão é diferente da sua. Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte Conforme despacho de admissibilidade, o recurso especial foi recebido em relação às seguintes matérias: 1) mudança de critério jurídico da decisão da DRJ; 2) Divergência de entendimento quanto a aplicabilidade do art. 124 do CTN; e 3) Necessidade de atos de gestão para imputação da responsabilidade do art. 135, III do CTN. A conselheira relatora entendeu por conhecer das três matérias. Porém, da análise do presente processo e do acórdão recorrido, a primeira matéria, mudança de critério jurídico da decisão da DRJ, não foi objeto de enfrentamento específico do acórdão recorrido e, por essa razão, não pode ser objeto de julgamento em sede de recurso especial. O acórdão recorrido não possui matéria a ser rebatida quanto à suposta acusação de mudança de critério jurídico da decisão da DRJ. O que fez o acórdão foi afastar todas as alegações de nulidade apresentadas no recurso voluntário do recorrente. De fato, ao analisar a decisão da DRJ não se vislumbra que tenha havido mudança de critério jurídico quanto à responsabilização solidária do Sr. Isaac Sverner. O recorrente alega que a sua responsabilidade solidária foi trazida aos presentes autos com base no art. 135, inc. III do CTN e que a DRJ teria mudado a tipificação de sua responsabilidade para o art. 124 do CTN. É verdade que houve um pequeno equívoco por parte da DRJ ao fazer referência expressa ao art. 124 do CTN, mas sem dúvida ela manteve a responsabilidade dos sócios com base no art. 135, III do CTN, fato que pode ser confirmado pela leitura de parte da ementa do acórdão da DRJ, fl. 3111, abaixo transcrita: (...) RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE INFRAÇÕES. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.996 29 Ora, esse trecho da ementa coincide exatamente com a responsabilidade solidária prevista no art. 135, III do CTN. Confira a sua redação: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (destaquei) Portanto, apesar da referência incorreta da DRJ ao art. 124 do CTN, certo é que ela manteve a responsabilidade solidária do Sr. Isaac Sverner com base no art. 135, III do CTN, em consonância com o lançamento fiscal efetuado pela fiscalização. Por sua vez, o Acórdão nº 310200903, fls. 3495/3546, entendendo da mesma forma, manteve a responsabilidade solidária do Sr. Isaac Sverner com base no art. 135, III do CTN. Ou seja, confirmou o entendimento esposado no lançamento e na decisão da DRJ. Portanto não existe mudança de critério jurídico a ser debatido no presente processo. O que existe é a discussão se está correta ou não a imputação de responsabilidade do Sr. Isaac Sverner com base no art. 135, III do CTN que é objeto da terceira matéria do recurso especial. Por razão parecida também não deve ser conhecido o recurso especial em relação à segunda matéria, divergência de entendimento quanto a aplicabilidade do art. 124 do CTN. Acontece que essa matéria, a imputação de responsabilidade tributária com base no art. 124 do CTN está presente nos autos somente em relação às pessoas jurídicas envolvidas nas operações fraudulentas. Ela não está presente em relação ao Sr. Issac Sverner, autor do presente recurso especial. Como visto, no tópico anterior, a responsabilidade solidária foi aplicada ao recorrente com base no art. 135, III do CTN. Assim, o recurso especial do responsável solidário, Sr. Isaac Sverner, só deve ser conhecido em relação à terceira matéria, qual seja a imputação da responsabilidade solidária prevista no art. 135, III do CTN aos sócios administradores. Portanto voto por conhecer parcialmente o recurso especial apresentado pelo responsável solidário, Sr. Isaac Sverner. Mérito Responsabilidade solidária Art. 135, III do CTN De acordo com o recorrente para a imputação dessa responsabilidade é necessário que esteja comprovada a participação do sócio nos atos de gestão dos quais a pessoa jurídica teria incorrido nas fraudes. Na sua opinião deveria haver provas de que o mesmo exercia atividade de gerência, como, por exemplo, outorgava procuração, movimentava conta bancária da empresa, entre outras atividades que comprovariam a sua gestão. Acrescenta que é imprescindível que ele possua poder de gerência, não basta a qualidade de sócio. Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.997 30 Penso que as afirmativas acima não estão de todo incorretas. Para a imputação da responsabilidade do art. 135, III do CTN tem que haver a prova da infração à Lei, contrato social ou estatutos. Comprovado que a empresa ou a pessoa jurídica praticou estes atos há de se responsabilizar certamente a pessoa física que possua o poder de gerência. Penso que tal ideia é incontroversa, pois não é de se admitir a responsabilização de pessoas, mesmo que sócias, que não tinham qualquer poder de gerência na pessoa jurídica praticante do delito. Porém, os fatos constantes do presente processo, comprovam e isto não está mais em julgamento que a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda, da qual é sócio gerente o Sr. Isaac Sverner, praticou juntamente com outras pessoas jurídicas uma série de atos com fraudes a importação que levaram à constituição do crédito tributário constante do presente processo. Os fatos estão bem detalhados na acusação fiscal e foram objetos de julgamento administrativo tendo sido concluído definitivamente pela sua ocorrência. A título de ilustração, transcrevo abaixo parte da acusação constante do termo de verificação fiscal do auto de infração, fl. 64,: (...) Importante Importante frisar que em quatro Notas de Despesa da NHTP consta não a referência "TOP MAR", mas sim "CCE", seguramente referindose ao Grupo CCE, à época presidido por seu acionista, Sr. ISAAC SVERNER, também sócio da DM ELETRÔNICA, conglomerado esse composto por uma série de empresas (doc. 32), dentre as quais a CCE DA AMAZÔNIA S/A. Não se pode olvidar que os titulares da DM e CCE referenciados respondem pela prática, em tese de crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, descaminho e outros, pelo suposto envolvimento dessas duas empresas na fraude conhecida como "Maquiagem na Zona Franca de Manaus", desbaratada em 2002 em função de operação realizada pela Secretaria da Receita Federal e Polícia Federal, que resultou na apreensão de milhões de reais em bens de origem estrangeira (Hong Kong, Taiwan, China e Coréia), de "marcas" CCE e LENOXX, etiquetados e identificados como se produzidos na Zona Franca de Manaus fossem, conforme descrito nos artigos e consulta processual em anexo e (doc. 33). (...) Para complementar, segue também um pequeno trecho do voto, fl. 3521, do acórdão recorrido: (...) ... a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (Responsável Solidária), juntamente com a sucedida Topmar Eletrônica, apontadas como sendo as reais importadoras, mediante o fornecimento dos recursos financeiros indispensáveis para financiamento do esquema fraudulento em destaque. Assim, fica demonstrado que a participação de cada uma das pessoas jurídicas foi fundamental para concretização da fraude em apreço, a qual fora perpetrada com o nítido objetivo de não pagar os tributos devidos na operação de importação, também com grave prejuízo financeiro ao Fundap. É evidente a contribuição de cada participante na realização da presente empreitada fraudulenta, ficando clara a participação de cada integrante no esquema, seja fornecendo o conhecimento intelectual, indispensável para burlar os sistemas de Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.998 31 controle aduaneiro, cambial e administrativo das importações; seja fornecendo os recursos materiais, logísticos, financeiros e operacionais para realização dos negócios viciados; ou seja fornecendo o próprio nome, atuando como interposta pessoa, com a finalidade de ocultar os reais importadores. Usando de linguagem metafórica, poderseia afirmar que, nessa máquina de fraude, cada pessoa jurídica funcionava como uma peça essencial, sendo indispensável a participação de cada uma delas no funcionamento do esquema. Sem qualquer uma delas a referida engrenagem de fraude não funcionaria. (...) Restou comprovada então a participação ativa da empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda, da qual é sócio o Sr. Isaac Sverner que no recurso alega, sem trazer qualquer início de prova, que nunca participou da gerência da sociedade. Note que na acusação da fiscalização consta um elemento adicional esses fatos já não são mais objeto de discussão administrativa que entre os objetos da fraude estão produtos fabricados pela CCE, cujo grupo societário era presidido na época pelo acionista Isaac Sverner, que também era sócio de uma das empresas atuantes na fraude a DM Eletrônica da Amazônia Ltda. Do que consta dos autos entendo que está demonstrado que efetivamente, na data da ocorrência dos fatos geradores, 17/05 a 01/09/1999, o Sr. Isaac Sverner fazia parte do quadro societário da DM Eletrônica da Amazônia Ltda na condição de sóciogerente. Esta demonstração consta da ficha CNPJ da empresa junto à Receita Federal, fls. 1955 e 1976. Na ficha CNPJ consta que o Sr. Isaac Sverner é sóciogerente da DM Eletrônica da Amazônia Ltda desde 09/03/1999. O que se observa é que mesmo diante da gravidade da acusação, o Sr. Isaac Sverner não trouxe aos autos nenhum início de prova de que os registros constantes da Receita Federal estariam incorretos. Ressaltese que a alimentação desses registros é efetuada pelo próprio contribuinte, a DM Eletrônica da Amazônia Ltda da qual indubitavelmente o recorrente é sócio. O grau de influência do Sr. Isaac Sverner na referida empresa é tão significante que o próprio recorrente apresentou a relação de bens para arrolamento, fl. 3333, na qual relaciona empréstimo a ela no montante de R$ 4.645.628,78, valor esse que correspondia a cerca de 87,5% do seu patrimônio declarado total no anocalendário 2004. Observe que de certa forma, o STJ no julgamento do REsp 1104900 ES, julgado em 25/03/2009 no regime dos recursos repetitivos entendeu da mesma forma, de que cabe ao recorrente demonstrar que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 135 do CTN já que constava o nome do sócio na CDA. Portanto, coerentemente, se o próprio contribuinte incluiu nos registros da Receita Federal que era sócio gerente da DM Eletrônica da Amazônia Ltda, caberia a ele trazer elementos simples que pudessem afastar a evidência. Transcrevese abaixo a ementa do REsp 1104900 ES: 1. A orientação da Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que, se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de atos "com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos".(destaquei) Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.999 32 2. Por outro lado, é certo que, malgrado serem os embargos à execução o meio de defesa próprio da execução fiscal, a orientação desta Corte firmouse no sentido de admitir a exceção de préexecutividade nas situações em que não se faz necessária dilação probatória ou em que as questões possam ser conhecidas de ofício pelo magistrado, como as condições da ação, os pressupostos processuais, a decadência, a prescrição, entre outras. 3. Contudo, no caso concreto, como bem observado pelas instâncias ordinárias, o exame da responsabilidade dos representantes da empresa executada requer dilação probatória, razão pela qual a matéria de defesa deve ser aduzida na via própria (embargos à execução), e não por meio do incidente em comento. (REsp 1104900 ES, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/03/2009, DJe 01/04/2009) A pessoa física, quando pertencente ao quadro societário de uma determinada empresa, ao aceitar a atribuição de sócio administrador, passa a ser responsável pela sua gestão. Hora, estando comprovado à demasia que a empresa praticou atos com infração à lei consequentemente estes atos são atribuíveis à responsabilidade de quem a gerencia, sendo evidente que a pessoa jurídica não possui atos de vontade. Nestes termos fica caracterizada a responsabilidade tributária, estabelecida pelo inciso III do artigo 135 do CTN. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo recente julgado do CARF: SÓCIO DIRETOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III).(Acórdão nº 3301002917, de 26/04/2016, relatoria do Conselheiro Francisco José Barroso Rios, Processo nº 10580.723686/201494.) Assim, diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso especial apresentado pelo Sr. Isaac Sverner, e na parte conhecida por negarlhe provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Fl. 4000DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720643/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto..
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 64 3/ 20 08 -6 3 Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.364 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no Acórdão nº 0114.684 da da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 025030 e 033 038, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 35.578.212,37, incluindo o principal (IRPJ e CSLL), a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/05/2008. O(a) contribuinte tomou ciência do(s) lançamento(s) em 02/07/2008 (fls. 25 e 33). De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): 1.Custos não comprovados — decorrente da falta de comprovação, por parte do sujeito passivo, da parcela do custo dos produtos vendidos informado na DIPJ 2004, ac 2003; 2.Falta de adição dos excessos de custos relativos ao preço de transferência — decorrente da falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, da diferença positiva entre o preço dos insumos/mercadorias importados de pessoas vinculadas e o preço parâmetro calculado com base no método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). O(a) contribuinte apresentou sua(s) impugnação(ões) ao(s) lançamento(s) em 25/07/2008 (fls. 314368), na(s) qual(is) alegou em síntese que: Da falta de fundamentação do lançamento 1.Não há no lançamento fundamentos que justifiquem as exações, isto porque o AFRFB deixou de analisar as respostas e documentos apresentados; 2.Com relação aos custos não comprovados, apresentou todos os documentos que suportam os valores informados na DIPJ. Contudo o AFRFB, sem analisar os documentos, efetuou a glosa de parte do custo com base na simples afirmação de haver divergência entre os valores lançados na DIPJ e no Balancete de Conferência Sintético; 3.No que diz respeito aos excessos de custos relativos ao preço de transferência, apresentou as planilhas de cálculo de acordo com os métodos (PIC, PRL e CPL) que lhe seriam mais favorável, bem como os documentos que os suportam, conforme se depreende das repostas apresentadas em 22/04/2008 e 13/06/2008. Dessa forma, o AFRFB não poderia ter desconsiderado os métodos utilizados, sem apresentar justificativa para tanto; 4.Em nenhum momento o AFRFB contestou os valores apresentados pela Impugnante ou solicitou novas informações para sanar eventuais dúvidas; Da ausência da verdade material 5.Tendo em vista que o AFRFB não comprovou (i) a inexistência de custos declarados na DIPJ e (ii) a necessidade de Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.365 3 adição de valores mais gravosos de preços de transferência, o auto de infração deve ser cancelado por ofensa ao principio da verdade material; Da glosa de custos 6.Na apuração do lucro do ano 2003, incorreu em custos (conta 41) de R$ 117.107.695,27 e despesas (conta 42) de R$ 126.690.879,14, contabilizados no Balancete de Conferência Sintético; 7.As despesas, por sua vez, foram divididas em despesa produtivas, no valor de R$ 19.166.665,21, e outras despesas, no valor de R$ 107.524.213,93; 8.Quando do preenchimento da DIPJ 2004 (ac 2003), incluiu as despesas produtivas nos custo do produto vendido; 9.Ao somar as despesas produtivas o saldo da conta custos, chegase ao valor e R$ 136.274.360,40, que é maior que o declarado na Linha 18 da DIPJ 2004; 10.Dessa forma, o AFRF deixou de considerar, na verificação dos custos, o valor de R$ 19.166.665,21, relativo as despesas de produção; Do preço de transferência 11.No que se refere a escolha do método de cálculo do preço parâmetro, apresentou planilhas de cálculo contendo a aplicação de todos os métodos, indicando o que lhe seria mais benéfico, conforme cartas respostas de 26/10/07, 22/04/08 e 13/06/08. Todavia o AFRFB alterou, sem fundamento, os métodos indicados pela impugnante; 12. Uma vez que apurou o preço parâmetro por todos métodos, tem direito ao uso do mais benéfico, nos termos do ar. 18, § 4o, da Lei n° 9.430/96 e art. 4o, §2°, da IN SRF n° 243/2002; 13.0 Autoridade Lançadora tinha a obrigação de apurar e demonstrar o método mais benéfico a ser aplicado ao caso. O que não foi feito. Nesse sentido o AC. 103 22.017 do Conselho de Contribuintes; 14. Os valores apurados pela fiscalização apresentam os seguintes erros: a.No cálculo do preço praticado, a fiscalização não somou o saldo existe em estoque no início do período de apuração com o custo CIF + II das importações ocorridas no ano, conforme determina o § 3o do art. 12 da IN SRF 243/2002; b.Para cada produto final em que há participação da matériaprima importada de vinculada foi apurado um preço parâmetro, contrariando, assim, o disposto nos artigos 4o e 12 da IN SRF n° 243/2002, que determina que o preço parâmetro deva ser calculado como a média aritmética ponderada sobre a participação da matériaprima nos preços de venda do bem produzido, apurando um único PRL60; c.O ajuste fiscal foi aplicado a itens importados em anos anteriores, mas que ainda estavam em estoque, pois apurado por meio da multiplicação do ajuste unitário pela quantidade vendida, quando deveria multiplicar a quantidade importada no ano menos a quantidade que permanecia em estoque, contrariando, assim, o disposto no art. 5o da IN SRF n° 243/2002; d.Não foi considerada a margem de divergência de 5% estabelecida no art. 38 da IN SRF n° 243/2002; Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.366 4 15.A fiscalização apurou o preço parâmetro com base na IN SRF n° 243/2002. Todavia este diploma normativo criou um nova metodologia de cálculo não prevista na Lei n° 9.430/96, restando maculada de ilegalidade; 16.Como o Autoridade Lançadora se baseou em dados/informações incompletos para apurar a suposta glosa de custos, bem como de preços parâmetros completamente distorcidos, o auto de infração é nulo por absoluta falta de liquidez e certeza; 17.A DRJ, ao reconhecer a inconsistência da aplicação dos métodos PRL 20 e PRL 60, não poderá refazer as autuações em questão com o intuito de constituir eventuais créditos tributários decorrentes da aplicação de outros métodos de preços de transferência; Da taxa de juros SEL1C 18.A taxa SELIC não pode ser utilizada como juros moratórios, uma vez que possui natureza jurídica remuneratório e, não, moratória; 19.A referida taxa foi não foi criada por lei, mas por Resolução do BACEN, o que ofende o princípio constitucional da legalidade; 20.Nos termos do art. 161, § Io, do CTN, não existindo lei ordinária criando a taxa SELIC, os juros a serem aplicado ao lançamento deveriam se limitar a 1% ao mês. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa editada pela autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. GLOSA DE CUSTO. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o contribuinte transferiu parcela das despesas operacionais de Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.367 5 produção ao custo do produto vendido, o valor transferido deve ser considerado na comprovação respectivo custo. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS BENÉFICO. Na hipótese de utilização de mais de um método de cálculo do preço parâmetro por parte do contribuinte, a fiscalização deve escolher, dentre os utilizados, aquele mais benéfico ao contribuinte, desde que este forneça toda a documentação hábil e idônea de suporte dos cálculos. PREÇO PRATICADO DE TRANSFERÊNCIA. Na determinação da média ponderada dos preços praticados, devem ser computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (art. 12, §3°, da IN SRF 243/2002). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. O excesso relativo ao preço do bem importado de vinculada deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL até a alienação ou baixa do bem. Não sendo o excesso adicionado ao lucro no período de aquisição, ele deve ser mantido em subconta própria e fica sujeito a adição de ofício se o contribuinte não o fizer até a alienação ou baixa do bem. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MARGEM DE DIVERGÊNCIA. Nenhum ajuste será exigido do preço praticado na importação, cujo excesso não seja superior cinco por cento (art. 38 da IN SRF n° 243/2002). SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua inconstitucionalidade. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. No caso, a DRJ cancelou parte da autuação, nos seguintes termos: (i) a parte dos custos glosados que o contribuinte logrou demonstrar terem sido extraídos da despesa operacional, com redução desta na mesma proporção; (ii) a necessidade de se considerar os valores e quantidades relativos aos estoques de bens/insumos importados existentes no início do período de apuração, para a correta determinação da média ponderada dos preços praticados; (iii) à inexigibilidade de ajuste, nos casos em que a diferença entre o preçoparâmetro e o preço praticado seja inferior a 5%, conforme o art. 38 da IN SRF n° 243/2002. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.368 6 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação na parte mantida, reforçando a defesa da infração relacionada à glosa de custos apontando, nos seguintes termos: Sustenta a Recorrente que a Turma Julgadora apesar de ter reconhecido o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, teria efetuado a análise de maneira incompleta e superficial, deixando de analisar a correta correspondência entre os valores apurados pela Recorrente e os valores declarados, considerando remanescente o saldo de R$ 7.395.970,80 supostamente não comprovado. De acordo com o Recorrente a ficha 05A contém mais uma linha que não compõe a conta de Despesas Operacionais (conta 4201), e deveria ter sido excluída pela DRJ. Tratase da linha 05A/21 — Perdas em Operações de Créditos (R$ 7.933.989,98), que compõe a conta 42060104 (integrante do grupo 4206 — Despesas não Operacionais). A este valor, segundo a Recorrente, deveria ser acrescido o montante de R$ 538.019,18, que foi declarado na ficha 06A, linha 06A/48 a título de participação de Empregados. Se tal medida fosse implementada, segundo a Recorrente, teria chegado a DRJ ao valor comprovado de R$ 18.796.267,43 como diferença entre o valor constante da conta 4201 Despesas Operacionais (R$ 91.774.919,78) e o valor declarado na DIPJ a título de Despesas Operacionais (R$ 72.978.652,35). O processo foi então baixado em diligência através da Resolução n. 1401 000.235 a fim de investigar acerca da ocorrência de erro material no valor da glosa de custos remanescente R$ 7.395.970,80 (sete milhões, trezentos e noventa e cinco mil novecentos e setenta reais e oitenta centavos). O processo retornou com resultado de diligência favorável à Recorrente na parte relativa a glosa de custos. É o relatório. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.369 7 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admitido os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conforme relatado, a exigência foi parcialmente provida pela DRJ/BEL, que deu provimento a irresignação quanto: (i) à parte dos custos glosados que o contribuinte logrou demonstrar terem sido extraídos da despesa operacional, com redução desta na mesma proporção; (ii) à necessidade de se considerar os valores e quantidades relativos aos estoques de bens/insumos importados existentes no início do período de apuração, para a correta determinação da média ponderada dos preços praticados; (iii) à inexigibilidade de ajuste, nos casos em que a diferença entre o preçoparâmetro e o preço praticado seja inferior a 5%, conforme o art. 38 da IN SRF n° 243/2002. Foco da Diligência O Foco da diligência limitase apenas ao Recurso voluntário: aos ajustes relativos ao excesso de custos em operações vinculadas (preços de transferência), e mais especificamente aos produtos que a Recorrente afirma que também calculou pelos ouros métodos alternativos que não o PRL (20 E 60), ou seja, pelos métodos PIC e CPL, o que não geraria ajustes, logo, mais benéfico a ela. Tabela 1 Produtos calculados pelo método PIC e PRL Produto Descrição Preço PIC médio apurado pelo contribuinte (em R$) Preço PRL médio , apurado pelo contribuinte (em R$) 000000000700163279 MASTERROLL FUJIC.PRO VALUE 200 135F 27,95 20,70 000000000700168238 MAGAZINE PARA PAPEL MG180Y 15008919 1.772,20 1.076,56 000000000700191116 SCANNER E PROCESS.DE IMAGEM SP2000 220.220,26 73.169,51 000000000700192600 MAQ.PROCESSADORA FILMES FP363FA AL 55.272,14 35.115,82 000000000701000452 MASTERROLL FUJICOLOR QUALITY 100 135 24,88 13,91 000000000701000641 MASTERROLL FUJIC. SUPERIA/400135F D 42,60 22,23 000000000701000812 PAPEL COL. CRY ARCH BRIL TYPE ONE P 4,24 1.72 000000000701000813 PAPEL COL. CRY ARCH BRIL TYPE ONE G 4,24 1,84 000000000701000822 PAPEL COL. CRY ARCH MATT TYPE ONE P 4,26 1,71 000000000701000842 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE MATTE N 4,26 1,78 000000000701000843 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE BRILHANTE N 4,24 1,81 000000000701001022 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE BRILHO 4,24 1,73 000000000701001023 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE MATTE N 4,26 1,69 000000000701001063 PAPEL COL. CA TYPE ONE BRILHO FA NEW 4,24 1,75 000000000705002114 SCANNER E IMPRESSORA LASER SLP 800 SC 544.748,88 116.746,02 Tabela 2 Produtos calculados pelo método CPL e PRL Produto Descrição ; Preço CPL médio apurado pelo ' contribuinte (em R$) Preço PRL médio ; apurado pelo contribuinte (em R$) 000000000701000992 MASTERROLL FUJIC. SUPERIA NE/400 135 25,82 17,81 Obs: Valores extraídos do arquivo eletrônico D4_Planilhas e memórias de calculo_09.06.2008.xls do CD à fl. 307 e planilha impressa à fl. 134 do Anexo I. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.370 8 O motivo da diligência é obter um melhor esclarecimento dos fatos e provas de forma a permitir a formação de convicção deste julgador a respeito da lide. Em seu recurso, em resumo o contribuinte alega: Falta de motivação no lançamento e ofensa ao princípio da verdade material, por não ter o fiscal justificado a desconsideração dos cálculos pelos métodos PIC apresentados nas planilhas do contribuinte; A fiscalização teria, sem nenhuma fundamentação, alterado os métodos escolhidos pela fiscalizada; A fiscalizada equivocouse ao preencher a DIPJ, apurando apenas durante a fiscalização que os métodos PIC lhe seriam mais benéficos; A escolha do método a ser aplicado é uma faculdade para o contribuinte, mas é dever funcional do Fisco apurar e demonstrar o método que melhor aproveita ao fiscalizado, o que não ocorreu na hipótese; Em resumo, para o que interessa, a Recorrente alega que apurou o preço parâmetro por todos os métodos, por isso teria direito ao uso do mais benéfico nos termos do art. 18, § 4o, da Lei n° 9.430/96 e art. 4o, §2°, da IN SRF n° 243/2002. Em seu Recurso apresenta as tabelas abaixo para demonstrar seu direito, elaborada, segundo ela, pela Errest & Young: Tabela comparativa Elaborada pela Ernst & Young (doc. anexado à impugnação) PRL60 Vs. P ICeCPL Cálculo Fujifllm (cálculo apresentado em 22 de abril de 2008 fls lidos autos) Cálculo Fiscalização Documentos que Suportaram os cálculos (does. apresentados à fiscalização em 13 de junho de 2008 fls 21 dos autos) Item do Auto de InfracSo Cod. Material Método Selecionado Ajuste Fiscal Método Selecionado Ajuste Fiscal Origem das Invoces Número das Invoces „ 2 700163279 PIC 0 PRL 60 1.134.066,30 Japão 91201092/ 91238506/ 91382594/ 91406330 3 701000452 PIC 0 PRL 60 3.623.305,17 Japão 91162789/ 91201094/ 91382596/ 91406331/ 91201091 4 701000641 PIC 0 PRL 60 103.989,57 Japão 91201093/ 91344721 5 701000812 PIC 0 PRL 60 3.033.250,56 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/ 3594813 6 701000813 PIC 0 PRL 60 7.721.266,02 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/3594813 7 701000822 PIC 0 PRL 60 2.536.862,64 Alemanha 2491541/ 3594812/ 3594813 8 701000842 PIC 0 PRL 60 786.302,23 Alemanha 2491541/ 3594812/ 3594813 9 701000843 PIC 0 PRL 60 2.744.779,24 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/3594813 11 701001022 PIC 0 PRL 60 3.135.488,97 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/3594813 12 701001023 PIC 0 PRL 60 209.681,57 Alemanha 2491541/ 3594812/ 3594813 13 701001063 PIC 0 PRL 60 15.528,59 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/ 3594813 Total 0 25.044.520,86 cálculo Fujifilm Cálculo Fiscalização Item do ■ Auto de Infração Cód. Material Método Selecionado Ajuste Fiscal Método Selecionado Ajuste Fiscal Diferença 10 701000992 CPL 0 PRL 60 681,99 681,99 Total 0 681,99 681,99 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.371 9 Tabela comparativa Elaborada pela Ernst & Young (doc. anexado à impugnação) PRL 20 Vs. PIC Cálculo Fujifilm (cálculo apresentado em 22 de abril de 2008 fls lidos autos) Cálculo Fiscalização Documentos que Suportaram os cálculos , (does. apresentados â fiscalização em 13 de junho de • , , ' 2008fls 21 dos autos) .^X > '■' Item do Autode Infração Cód. Material Método Selecionado Ajuste Fiscal Método Selecionado Ajuste Fiscal Origem das Invoces Número das Invoces¿ , 6 700168238 PIC 0 PRL 20 18.574,15 Tailândia 0927632/ 0924745/ 0924742/ 0916297/0912861/ 0912846/ 0910606/ 0909974/ 0902147/ 0898601/ 0897312/ 0897062/ 11 700191116 PIC 0 PRL 20 122.025,85 Espanha 843525/ 862435/ 879695/ 883573/ 919075/ 926745 13 700192600 PIC 0 PRL 20 31.970,54 Canadá 90700107/ 90711939/ 90725763/ 90774077/90811085/90815445 14 705002114 PIC 0 PRL 20 34.733,87 Canadá 90710798/ 90720844/ 90793468/ 90768577/90794873/90941137 Total 0 207.304,41 Em princípio,, a DRJ não discorda desse entendimento, verbis: Sobre o assunto, é entendimento desta unidade julgadora que, na hipótese de utilização de mais de um método de cálculo do preço parâmetro por parte do contribuinte, a fiscalização deve escolher, dentre os utilizados, aquele mais benéfico ao contribuinte, desde que este forneça toda a documentação hábil e idônea de suporte dos cálculos. A DRJ, por sua vez, contrariando ao que sustenta a Recorrente, aponta algumas inconsistência, mas fundamentalmente para o que interessa afirma que: Para os produtos listados nas Tabelas 1 e 2, a que o contribuinte teria utilizado os métodos PIC ou CPL, não há nos autos documentos que dêem suporte a estas metodologias de cálculo. Em outras palavras, não há evidências que a recorrente tenha entregue a fiscalização os documentos de suporte dos métodos PIC e CPL, tão pouco que tenha anexada a sua impugnação tais elementos. Ou seja, a DRJ, não afasta as alegações de direito da contribuinte, pelo contrário, dá a entender que elas seriam admissíveis, todavia, não as aceitou por falta de provas. A Recorrente, por sua vez, tanto em recurso voluntário como em memorial alega que "...em diversas respostas apresentadas à Fiscalização (26/10/07, 22/04/08 e 13/06/08, fls. 11, 21 e 22 dos autos), a Recorrente apresentou planilhas de cálculo demonstrativas dos métodos adotados, acompanhadas dos respectivos documentos de suporte, nos exatos termos do artigo 40 da então vigente Instrução Normativa SRF nº 243/02. " Averiguando tais folhas dos autos, verifiquei apenas que foi entregue CD em que a Recorrente indica que conteria memorial de cálculo para a apuração do preço de transferência, conforme abaixo: Arquivos com Planilhas e Memórias de Cálculo referente ao Preço de Transferência ano 2003 conforme abaixo: Relação das PJ ou PF Vinculadas; Relação das PJ ou PF domiciliadas em paises com tributação favorecida; Relação Importação de Vinculadas; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.372 10 .Planilhas e memórias de cálculo; Termo de fiscalização de 08 de agosto de 2007 com: Relação dos Fornecedores Estrangeiros Vinculados e Não vinculados, e Relação dos Produtos Fabricados. Porém, tais dados não estão acessíveis no eprocesso para se fazer a devida avaliação dos mesmos. Diante desse contexto ainda de incerteza em relação aos fatos e provas constantes dos autos bem assim em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, inclinome pela conversão do julgamento em diligência, para que seja a fiscalização: Esclareça os fatos acima referidos, a respeito da afirmação da DRJ de que "... não há evidências que a recorrente tenha entregue a fiscalização os documentos de suporte dos método PIC e CPL, tão pouco que tenha anexada a sua impugnação tais elementos." Se for o caso, a depender da resposta do quesito anterior, justificar o porquê desconsiderou os outros métodos alternativos para os produtos constantes das Tabelas 1 e 2 acima. Se for o caso, anexar aos autos a transcrição do conteúdo do referido CD naquilo que for pertinente, fazer a validação do método mais favorável ao contribuinte (PIC) art. 8ª a 11 da IN nº 243/2002, se de fato consta dos autos todos os documentos necessários para a validação, bem assim refazer as bases de cálculo dos tributos; O Autuante pode trazer aos autos quaisquer outras informações que entenda importantes para o deslinde da matéria. Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11075.720472/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/01/2009 a 16/12/2011
NULIDADES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO CALCADO NA DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL.
A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, por vício material, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que votaram no sentido de negar provimento, por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal de fls. 154/171. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que discordou do relator apenas em relação à natureza do vício, entendendo que se trata de vício formal e não material. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael de Paula, OAB/DF nº 26.345.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO CALCADO NA DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, por vício material, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que votaram no sentido de negar provimento, por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal de fls. 154/171. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que discordou do relator apenas em relação à natureza do vício, entendendo que se trata de vício formal e não material. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael de Paula, OAB/DF nº 26.345. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 04 72 /2 01 2- 77 Fl. 2021DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 27/03/2012, lavrado para exigir o imposto sobre a importação, relativo às importações do produto denominado "herbicida a base de glifosato", efetuadas junto à Atanor SCA da Argentina, no período compreendido entre maio de 2009 e dezembro de 2011. Segundo o Relatório de Fiscalização de fls. 154/171, o contribuinte importou do fornecedor Atanor SCA, localizado na Argentina, o produto "herbicida a base de glifosato", classificado na NCM 3808.93.24 com os benefícios do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18, aprovado pelo Decreto nº 550/92 (redução integral do imposto de importação). Para tanto, o contribuinte instruiu os despachos de importação com os Certificados de Origem do Mercosul arrolados às fls. 172/197, emitidos pela Argentina. Entretanto, para que o produto possa ser importado com tratamento tributário preferencial para mercadorias originárias dos Estados Partes do Mercosul, ele deve satisfazer os requisitos de origem estabelecido no XLIV (quadragésimo quarto) Protocolo Adicional ao ACE nº 18, Anexo I, quais sejam: a) mudança de posição tarifária e 60% de valor agregado regional. No caso concreto, com base na IN SRF nº 149/2002, a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA) instaurou o procedimento aduaneiro de investigação de origem, cujo objetivo é verificar o cumprimento das regras de origem para determinada mercadoria, quando houver suspeitas de irregularidade relacionada à veracidade ou observância das disposições do Regime de Origem do Mercosul (ROM). O procedimento de investigação de origem foi instaurado por meio do Ato Declaratório Executivo COANA (ADE) nº 02, de 23 de março de 2011 e encerrado por meio do ADE COANA nº 22, de 21 de dezembro de 2011, cuja transcrição parcial é feita a seguir: O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos artigos 27 e 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18 ACE 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 02 de junho de 2005, e nos artigos 19 e 20, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1º Concluída, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinom nº 2011/2, o Processo Aduaneiro de Investigação de Origem da mercadoria "herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., na Argentina, aberto por meio do ADE Coana nº2, de 23 de março de 2011, e prorrogado pelo ADE Coana nº14, de 22 de setembro de 2011. Art. 2º Desqualificados os Certificados de Origem, abaixo relacionados, com conseqüente exclusão do tratamento tarifário Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 3 3 preferencial, por ter sido comprovado que a mercadoria por eles amparada não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 Anexo I: [Relação de Certificados: omissis...] Art. 3º Desqualificados os Certificados de Origem, abaixo relacionados, por não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados neles contidos: [Relação de certificados: omissis...] Art. 4º Com base no art. 32 do Anexo do ROM, denegar o tratamento preferencial para o desembaraço aduaneiro de novas importações referentes a herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., na Argentina até que se demonstre que as condições de produção foram modificadas de forma a cumprir as regras do Regime de Origem do Mercosul. (Grifei) Em face da desqualificação dos Certificados de Origem do Mercosul apresentados para a instrução dos despachos aduaneiros do "herbicida à base de glifosato", entendeu a fiscalização que o imposto de importação tornouse devido, pois a desqualificação dos certificados excluiu o tratamento tributário preferencial anteriormente concedido. Foi lançado o imposto de importação acrescido de multa de mora e juros de mora. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, em virtude de falta de motivação e de prova acerca de quais requisitos foram descumpridos pela recorrente e também pela falta de indicação de quais informações que não teriam sido prestadas para determinar a veracidade dos dados contidos nos certificados de origem; b) violação do art. 29 do XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18, que obriga a autoridade competente do Estado Parte importador a comunicar ao importador o encerramento da investigação, bem como a medida adotada em relação à origem da mercadoria, com exposição dos motivos que determinaram a decisão; c) cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa no processo de investigação de origem, pois o contribuinte dele não participou e desconhece os motivos que conduziram à desqualificação dos certificados apresentados; d) nulidade em razão da prorrogação do processo de investigação de origem ter ocorrido com violação do art. 15 da IN SRF nº 149/2002; e) impetrou Mandado de Segurança nº 000419443.2012.4.01.3400/DF buscando a decretação de nulidade dos Atos Declaratórios da COANA e de todo o processo administrativo de investigação de origem; f) inexistência de concomitância entre este processo e o Mandado de Segurança, pois os objetos são distintos; g) foi concedida liminar suspendendo os efeitos do ADE COANA nº 22/2011; h) impossibilidade de aplicação de penalidade, de correção da base de cálculo do tributo e de aplicação de juros de mora, em razão da incidência do art. 100, III, do CTN. Tendo em vista que o desembaraço aduaneiro foi efetuado normalmente pela Receita Federal com base nas declarações prestadas, ai incluída a redução tarifária decorrente do ACE 18, houve homologação expressa do lançamento e prática reiterada da administração. Requereu a suspensão do processo administrativo até que sobrevenha o desfecho do mandado de segurança ou que seja julgada procedente a impugnação para o fim de que seja reconhecida a Fl. 2023DF CARF MF 4 nulidade do auto de infração. Sucessivamente, que sejam afastadas as multas, juros e atualização monetária da base de cálculo do tributo, com base no art. 100, III, do CTN. Por meio do Acórdão nº 29.396, de 27 de junho de 2012, a 1ª Turma da DRJ FLORIANÓPOLIS julgou a impugnação improcedente, ficando decidido o seguinte: a) os argumentos quanto à validade do ADE COANA nº 22/2011 não podem ser apreciados na via administrativa, em razão de concomitância com o processo judicial; b) os argumentos voltados ao ataque do processo de investigação de origem não podem ser considerados na via administrativa porque aquele processo não está sujeito ao rito do PAF. Sendo assim, só cabe ao julgador administrativo observar o ADE COANA nº 22/2011 sem tecer considerações sobre a sua validade; c) que o fato de o Relatório Fiscal não ter declinado os motivos e fundamentos que levaram à desqualificação dos Certificados de Origem não maculam o auto de infração de nulidade; d) a motivação do auto de infração consiste na retirada do benefício da alíquota preferencial, em razão da desqualificação dos certificados de origem; e) o despacho aduaneiro de importação não configura homologação do lançamento; f) o art. 100, III, do CTN é inaplicável ao caso concreto. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 05/07/2012 (AR de fls. 1899/1900), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/08/2012 (fl. 1926), no qual reprisou as alegações de impugnação, contestando pontos específicos das razões de decidir adotadas pelo acórdão da DRJ. Por meio da Resolução nº 3402000.687, o julgamento foi convertido em diligência à repartição fiscal de origem, por proposta do então relator Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, a fim de que fossem juntados a este processo as cópias de todos os documentos que embasaram a expedição do Ato Declaratório Executivo COANA nº 22/2011. Os autos retornaram com a informação fiscal de fls. 2004/2009 emitida pela COANA, dando conta de que as informações contidas no processo de investigação de origem são confidenciais e que, por falta de dispositivo legal permissivo, não há amparo para o fornecimento de todos os documentos que instruíram a expedição do Ato Declaratório Executivo COANA nº 22/2011, nos moldes solicitados na diligência. Entretanto, considerando que o objetivo da diligência solicitada é apurar a natureza jurídica do ato administrativo de desqualificação dos certificados de origem, a fim de avaliar seus efeitos (se ex tunc ou ex nunc), foi aberto processo de acesso sigiloso nº 10168.720847/201469, apensado a estes autos, no qual foi anexado o Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinon nº 2011/2, tomandose a cautela de ocultar as informações sensíveis. A COANA informou, ainda, que os documentos sigilosos do processo de investigação de origem foram anexados ao Mandado de Segurança interposto, o qual passou a tramitar em segredo de justiça. A referida ação foi julgada extinta sem julgamento de mérito, por ilegitimidade ativa da impetrante. A documentação sigilosa foi desentranhada. A impetrante, Atanor SCA da Argentina, apelou ao TRF da 1ª Região e o recurso aguarda julgamento. Em sede de Medida Cautelar Inominada nº 0034207 69.2014.4.01.0000/DF, foi concedida liminar que revigorou a liminar originariamente concedida no Mandado de Segurança 419443.2012.4.01.3400/DF, suspendendo os efeitos do ADE COANA nº 22/2011 até o julgamento final da ação. Com a renúncia ao mandado do Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, o processo foi sorteado à Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Em virtude do término do mandado da referida conselheira antes de que o processo fosse colocado em pauta, houve novo sorteio tendo sido contemplado este relator. É o relatório. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme deflui do relatório, realmente não existe concomitância entre o Mandado de Segurança 419443.2012.4.01.3400/DF e este processo administrativo, em razão dos seguintes motivos: a) no Mandado de Segurança a impetrante é a ATANOR SCA da Argentina (exportador), enquanto que neste processo o sujeito passivo é a ATANOR DO BRASIL S/A (importador); e b) o objeto do writ é a concessão de segurança para anular o processo administrativo de investigação da origem e os atos declaratórios da COANA, ao passo que o objeto deste processo administrativo é a exigência do imposto de importação, com fundamento na desqualificação dos certificados de origem. Tratandose de processos nos quais as partes e os objetos são distintos, não há que se cogitar de uma relação de concomitância entre eles, pois essa relação pressupõe a existência de identidade entre as partes e os objetos dos processos judicial e administrativo. O que existe entre o Mandado de Segurança e este processo administrativo é uma relação de prejudicialidade, pois se ao final do processo judicial a segurança for concedida nos moldes em que fora pleiteada pelo exportador, o ADE COANA nº 22/2011 será declarado nulo, fato que tornará insubsistente o auto de infração albergado neste processo. Por outro lado, se a segurança for denegada com julgamento de mérito, a higidez do ADE COANA nº 22/2011 estará declarada com a eficácia da coisa julgada, fato que por si não implica a manutenção automática do auto de infração em julgamento, pois nos recursos administrativos existem outros argumentos voltados exclusivamente ao ataque da autuação. Nos recursos apresentados neste processo a defesa bateu firme no auto de infração e no processo administrativo de investigação de origem. Mas os argumentos voltados ao ataque do processo de investigação de origem e do ADE COANA nº 22/2011 não podem ser apreciados no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, com razão a turma de julgamento da DRJ na parte em que deixou de conhecer dos argumentos relativos ao processo de investigação de origem e dos Atos Declaratórios expedidos pela CONA, pois aquele processo não está sujeito ao rito do Decreto nº 70.235/72. Se o contribuinte não tem direito de participar daquele processo e nem de impugnar o ADE que desqualificou os certificados de origem, não há sentido em que a DRJ ou o CARF tomem conhecimento de tais argumentos, pois nenhum desses órgãos possui competência legal para alterar a decisão contida no ADE COANA nº 22/2011. Fl. 2025DF CARF MF 6 A competência dos órgãos administrativos de julgamento (DRJ e CARF) limitase à aferição da legalidade do auto de infração albergado neste processo, com base no litígio que foi instaurado pelo contribuinte ao impugnálo (art. 15 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, cabe apenas a análise dos argumentos voltados diretamente ao ataque do auto de infração, quais sejam: a) nulidade por cerceamento de defesa; b) suspensão deste processo com base na liminar deferida no Mandado de Segurança até o desfecho da ação judicial; e c) exclusão dos acessórios por aplicação do art. 100, III, do CTN. No que se refere à nulidade por cerceamento de defesa, o art. 5º, LV, da Constituição estabelece que a garantia do contraditório e da ampla defesa se aplica tanto aos processos judiciais quanto aos administrativos. Concretizando essa garantia, o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 determinam a indicação dos fatos e fundamentos que lastreiam a expedição de atos administrativos, bem como que a motivação seja clara, explícita e congruente. No caso concreto, a fiscalização motivou o lançamento de ofício do imposto de importação em outro ato administrativo (o ADE COANA nº 22/2011), por meio do qual a Administração Tributária desqualificou os certificados de origem apresentados pelo contribuinte em razão de dois fatos a saber: a) ter sido comprovado que a mercadoria amparada por parte dos certificados de origem não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 Anexo I (art. 2º); e b) por não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados contidos em outra parcela dos certificados de origem (art. 3º). Observem senhores conselheiros que o art. 2º do ADE COANA nº 02/2011 não especifica qual foi o requisito estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 que deixou de ser cumprido pelo exportador. Segundo a transcrição abaixo, a fiscalização apenas indicou quais são os requisitos estabelecidos no XLIV do Protocolo Adicional ao ACE 18, mas não declinou qual deles não teria sido cumprido pelo exportador e nem as razões pelas quais a Administração considerou que o requisito não teria sido cumprido (fl. 158): "(...) (...)" Relativamente aos certificados desqualificados pelo art. 3º do ADE COANA nº 02/2011, verificase que nem o seu texto e nem o texto do Relatório de Fiscalização declinaram quais teriam sido as informações necessárias que não foram prestadas e nem quem teria deixado de prestálas. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 5 7 Portanto, este relator entende que o ato administrativo de lançamento tributário foi efetuado sem motivação, fato que não permitiu ao contribuinte exercer plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que é impossível contestar fatos desconhecidos que não foram mencionados explicitamente no lançamento. É flagrante a violação frontal do art. 10, III, do PAF e do art. 50, II, § 1º da Lei nº 9.784/99, caracterizando nítido cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/88 e art. 59, II, do PAF). Não se pode concordar com o acórdão recorrido na parte em que consignou que o lançamento de oficio estaria motivado na desqualificação dos certificados promovida pelo ADE COANA nº 02/2011, porquanto, conforme a informação prestada pela própria COANA, o processo de investigação da origem é sigiloso e o contribuinte ora autuado dele não participou. Tivesse o contribuinte participado e exercido o direito de defesa no processo de investigação de origem, ai sim estaria correto o entendimento da DRJ, mas como aquele processo é confidencial, o direito de defesa só pode ser exercido pelo contribuinte neste processo de auto de infração. Por tal motivo é que se torna imprescindível que os fatos e as razões que levaram a Administração Tributária a desqualificar os certificados de origem sejam declinados de forma explícita, clara e congruente na motivação deste lançamento. O cerne da violação do direito ao contraditório e à ampla defesa neste processo de auto de infração reside na omissão dos fatos e dos motivos que levaram à desqualificação daqueles certificados, pois tal omissão impediu o contribuinte de opor defesa de mérito contra a questão de fundo que sustenta o lançamento. O raciocínio engendrado pelo Acórdão da DRJ pressupõe a infalibilidade da Administração, pois toma como verdade absoluta o conteúdo do ADE COANA nº 02/2011. O problema é que além de a experiência demonstrar que Administração é falível, no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários o contribuinte não está obrigado a aceitar nenhuma afirmação do fisco com caráter de verdade absoluta, a teor do art. 5º, LV, da CF e dos arts. 16 e 33 do PAF. Este colegiado, com a composição anterior a março de 2015, baixou o processo em diligência com o objetivo de ter acesso ao processo de investigação de origem. A leitura da Resolução nº 3402000.687 revela que o relator à época provavelmente se inspirou no voto vencido do Acórdão 310200.218, da ilustre Conselheira Beatriz Veríssimo Sena, pois pretendia colher subsídios que permitissem a fixação da eficácia no tempo do ADE nº 22/2011. Esclareço que este relator jamais teria concordado em baixar este processo em diligência para tal fim. A diligência solicitada é desnecessária ao deslinde deste processo de auto de infração. A uma porque a aferição da eficácia no tempo do ADE nº 22/2011 só seria exigida caso se superasse a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. E a duas, porque a teoria dos motivos determinantes1 impede que a ausência de motivação, a motivação errada 1 “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos Fl. 2027DF CARF MF 8 ou a motivação deficiente sejam supridas por meio de diligência, uma vez que nos atos administrativos motivados, a autoridade sempre fica vinculada à existência e à validade dos motivos expostos por ocasião da expedição do ato. No caso de auto de infração, tratase de um ato administrativo que se enquadra na categoria dos atos vinculados, e, assim, a existência de motivação é requisito necessário para que se possa efetuar o controle de legalidade e para que o contribuinte possa se defender. Se a motivação é inexistente ou insuficiente, o ato deve ser considerado nulo, não sendo passível de convalidação por meio de diligência solicitada em segunda instância de julgamento. Por tais motivos é que a juntada tardia do Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinon nº 2011/2, que se encontra anexado ao processo de acesso sigiloso apensado a estes autos, não supre a falta de motivação do lançamento, sendo de rigor a declaração de nulidade do auto de infração em debate. Verificada a nulidade do lançamento, é preciso declinar se é caso de nulidade por vício formal ou de nulidade por vício material, a teor do Acórdão nº 9303004.325, relatado pela ilustre Conselheira Vanessa Cecconello, por meio do qual foi provido recurso especial da Fazenda Nacional, restando decidido que é dever dos colegiados indicar a natureza do vício invocado como causa de nulidade dos lançamentos. A discussão sobre a distinção entre vícios materiais e formais dos atos administrativos é daquelas que estão longe de serem solucionadas pela doutrina. No âmbito do CARF existem basicamente duas grandes correntes. A primeira considera que os requisitos formais do lançamento de ofício se encontram no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, entendimento encampado pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 08/2013. Qualquer defeito em um desses elementos caracterizaria o vício formal, conforme se pode conferir nos Acórdãos nº 3102 00.554, 310200.780, 1402000.538 e 180100.157. Por sua vez, a segunda corrente, que predomina na Segunda Seção do CARF, considera que se o vício estiver contido em um dos elementos relacionados no art. 142 do CTN será o caso de vício material, a exemplo dos Acórdãos nº 2401004.145 e 2402004.950, colhidos na página de jurisprudência do CARF entre centenas de outros. A crítica que este relator faz a essas duas correntes é que certos requisitos constam tanto do art. 142 do CTN, quanto dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, o que não resolve o problema de distinguir o que é vício material e o que é vício formal. Este relator filiase a entendimento próximo ao da segunda corrente, mas com os fundamentos declinados pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no Acórdão nº 110300.015, os quais adoto como se aqui estivessem transcritos (art. 50, § 1º, da Lei nº 9784/99), e cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto: Normas Geris de Direito Tributário indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Hely Lopes Meirelles. Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 6 9 NULIDADE VICIO FORMAL E MATERIAL O lançamento tributário pode ser visto como ato administrativo, cujo conteúdo expressa uma norma individual e concreta. A produção desse ato pressupõe um procedimento formal regido pela legislação tributária. Assim, a disciplina do lançamento compõese de normas substanciais (que descrevem o fato jurídico tributário e estabelecem os elementos do vinculo obrigacional) e outras formais (que tratam do procedimento para produção da norma substancial). São perspectivas distintas da mesma ação: uma estática e outra dinâmica. O exame da norma individual e concreta introduzida pelo ato de lançamento e do preenchimento dos critérios da regra matriz de incidência permite entender as causas de invalidade dos lançamentos tributários. Qualquer violação de um desses critérios constituirá razão necessária e suficiente para que o julgador administrativo invoque vicio substancial do lançamento tributário, para decretar a sua nulidade. No caso objeto de análise, o vicio do lançamento original referese a quantificação do tributo, dimensão que expressa o critério quantitativo da regra matriz de incidência. Logo, não falar em vicio formal, pois o descumprimento a lei se localiza no próprio conteúdo da obrigação tributária que tem natureza substancial. Recurso de oficio negado Mutatis mutandis, no caso concreto o vício do lançamento ocorreu na motivação do ato administrativo, a qual se identifica com o critério material contido no antecedente da regramatriz de incidência tributária e que, neste caso, também interfere na fixação do critério quantitativo contido no consequente normativo, uma vez que a constatação ou não da validade da desclassificação dos certificados de origem, determina ou não o afastamento da aplicação da alíquota de 14% de imposto de importação, que normalmente incidiria sobre o produto. Portanto, tratase de vício material, uma vez que afeta os critérios material e quantitativo da regramatriz de incidência, maculando a substância do ato administrativo de lançamento. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração por cerceamento do direito de defesa, em razão de vício material decorrente da inexistência de motivação. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2029DF CARF MF 10 Fl. 2030DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720245/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que consonância com a legislação de regência se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Numero da decisão: 2201-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso quanto à manutenção da glosa dos valores de R$ 3.374,10 e R$ 300,00.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que consonância com a legislação de regência se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso quanto à manutenção da glosa dos valores de R$ 3.374,10 e R$ 300,00. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 02 45 /2 01 5- 41 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13161.720245/201541 Acórdão n.º 2201003.365 S2C2T1 Fl. 122 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2014, ano calendário 2013, procedeuse ao lançamento de ofício, que resultou na Notificação de Lançamento com Imposto Suplementar 974,68. O lançamento foi motivado pela glosa do valor de R$ 4.127,28, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Não foram apresentadas as certidões de nascimento de José Gabriel Gomes da Silva e Alfredo Gomes da Silva Neto. Foi glosado o valor de R$ 3.230,46, relativo à despesas com Instrução por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Consta, ainda, glosa do valor de R$ 5.050,33, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Por fim, foi glosado o valor de R$ 15.206,30, indevidamente deduzido a título de despesas Médicas por falta de comprovação. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/04, alegando, em síntese, que: No que concerne à dedução indevida de dependentes informa que José Gabriel Gomes da Silva e Alfredo Gomes da Silva Neto são filhos ou enteados com até 21 anos de idade; Em relação à dedução indevida com despesa de instrução aduz que o valor referese a despesas de instrução de filho ou enteado, com idade até 21 anos, José Gabriel Gomes da Silva; Em relação à dedução indevida de pensão alimentícia judicial, informa que concorda com essa infração”; Em relacão à glosa da dedução indevida de despesas médicas informa: 1. despesas com LEILA DAHER MOREIRA – referemse aos dependentes José Gabriel Gomes da Silva e Alfredo Gomes da Silva Neto; Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13161.720245/201541 Acórdão n.º 2201003.365 S2C2T1 Fl. 123 3 2. despesas com UNIMED CAMPO GRANDE MS Cooperativa de Trabalho Médico referemse ao dependente Alfredo Gomes da Silva Neto (R$ 3.374,10), ao alimentando Fausto Tezzari da Silva (R$ 3.374,10) 3. despesas com CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS DE MATO GROSSO DO SUL, o valor referese a despesas do próprio contribuinte; 4. despesas com EUFLÁSIO GIROTTO JÚNIOR, o valor referese a despesas do próprio contribuinte; 5. despesas com ELDECASTRO SEVILHA, o valor referese a despesas do próprio contribuinte; 6. despesas com CELSO FETTER HILGERT, as despesas pertencem a seu dependente José Gabriel Gomes da Silva; 7. despesas com SANDRA REGINA PASSOS DA SILVA STEFANELLO, o valor referese a despesas do próprio contribuinte; anexa documentos e solicita análise da impugnação. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em decisório a seguir ementado: DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. Devem ser restabelecidas as deduções relativas aos dependentes cuja relação de dependência foi devidamente comprovada. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. Comprovadas nos autos, mediante documentação hábil, as despesas com instrução, informadas na declaração de rendimentos do exercício fiscalizado, deve ser restabelecida a dedução relativa à despesa comprovada. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA PARCIAL. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os recibos emitidos devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. A despesa médica cujo pagamento não restou provado de ter ocorrido é indedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a infração apontada no lançamento que o contribuinte não tenha expressamente contestado. Cientificado do acórdão da DRJ em 16/11/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 01/12/2015, no qual alega, em síntese, que: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13161.720245/201541 Acórdão n.º 2201003.365 S2C2T1 Fl. 124 4 A decisão recorrida foi mantida pelo fato de o recorrente ter apresentado recibos sem a comprovação dos pagamentos. Não foram considerados os recibos, ainda que assinados por profissionais devidamente inscritos nos respectivos órgãos de classe. Esse entendimento fere a dignidade humana, pois imputa ao contribuinte uma suposta declaração falsa à Receita Federal e atribui ao profissional de saúde a feitura de um recibo sem ter executado o procedimento. A própria lei citada (art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995) prevê que somente na falta de documentação, pode ser feita a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento da despesa. Entretanto, sem maiores delongas, faz a juntada dos cheques nominais aos profissionais de saúde cujas glosas de despesas médicas restaram mantidas pelo acórdão recorrido. Requer, por fim, a retirada das glosas e restituição do valor a que faz jus. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da dedução das despesas médicas As deduções de despesas médicas encontram previsão legal no art. 8º, inciso II, alíneas "a", e §2º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13161.720245/201541 Acórdão n.º 2201003.365 S2C2T1 Fl. 125 5 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Inicialmente, impende ressaltar que o recurso voluntário restringese à alegada comprovação dos pagamentos de despesas médicas aos profissionais de saúde, a saber: Leila Daher Moreira (dependente José Gabriel Gomes da Silva) R$ 460,00 , Leila Daher Moreira (dependente Alfredo Gomes da Silva Neto) R$ 460,00 , Eldecastro Sevilha (Dependente) R$ 300,00 , Celso Fetter Hilgert (Titular) R$ 300,00 , Sandra Regina Passos da Silva Stefanello (Titular) R$ 260,00 . O recorrente manifesta inconformismo pelo fato de os recibos firmados pelos mencionados profissionais não terem sido valorados e acolhidos pela decisão de primeira instância. Entretanto, para não alongar o deslinde do feito faz menção de estar anexando cópias de seis cheques nominais comprobatórios das despesas médicas glosadas. Em relação às cópias dos cheques nominais juntados por ocasião do presente apelo, entendo que a juntada se destina a contrapor os argumentos ventilados na decisão recorrida, que não aceitou os recibos de pagamentos como prova da regularidade das deduções perpetradas. Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13161.720245/201541 Acórdão n.º 2201003.365 S2C2T1 Fl. 126 6 ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifouse). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifouse). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se vê, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 determina o momento processual para juntada de prova documental, sob pena de ocorrer a preclusão. No caso que se cuida, depreendese que o sujeito passivo entendeu que a apresentação dos recibos de despesas médicas seria prova cabal para demonstrar a regularidade da dedução efetuada. O sujeito passivo junta no presente momento processual os cheques nominais que lastrearam os multicitados recibos. A prova apresentada permite um fácil e rápido convencimento do julgador acerca do direito que detém o contribuinte de efetuar as deduções de despesas médicas mencionadas no recurso voluntário. Contudo, inferese do exame do caderno processual que não há cópia do mencionado cheque nominal no valor de R$ 100,00, que se destinou ao pagamento do odontólogo Euflásio Girotto Júnior. É certo que o mero recibo de pagamento tem presunção relativa, ainda que firmado pelo profissional de saúde e preenchendo todos os requisitos legais para sua validade. Todavia, a autoridade lançadora, a meu ver, deverá apontar os motivos que a levaram a não dar valor probatório aos documentos apresentados. Exemplifico. Valores vultosos, incompatíveis com o cobrado pelo mercado, recibos firmados por profissionais reconhecidamente inidôneos, Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13161.720245/201541 Acórdão n.º 2201003.365 S2C2T1 Fl. 127 7 dedução de valores exagerados, que representem significativo percentual em relação aos rendimentos declarados, tratamentos de saúde incompatíveis com a pessoa do contribuinte e seus dependentes, dentre outras inúmeras situações. No caso concreto, em relação ao recibo específico de R$ 100,00 (cem reais), entendo que, além de preencher todos os requisitos da legislação de regência, obedece rigorosamente ao esforço argumentativo constante do parágrafo precedente. Assim, em relação à glosa de despesas médicas originariamente empreendida pela autoridade lançadora, permanecem hígidos somente os valores de R$ 3.374,10 paga a UNIMED CAMPO GRANDE MS, relativa ao alimentado Fausto Tezzari Da Silva, cuja obrigatoriedade ao pagamento não restou demonstrada, e o valor de R$ 300,00 pago para adaptação de lente de contato, em que não há previsão legal para dedução. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908663/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.284
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 63 /2 01 2- 14 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908663/201214 Acórdão n.º 3201002.284 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.557, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908663/201214 Acórdão n.º 3201002.284 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908663/201214 Acórdão n.º 3201002.284 S3C2T1 Fl. 5 4 "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908663/201214 Acórdão n.º 3201002.284 S3C2T1 Fl. 6 5 que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908663/201214 Acórdão n.º 3201002.284 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908663/201214 Acórdão n.º 3201002.284 S3C2T1 Fl. 8 7 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11330.000997/2007-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN.
Nos casos de contribuições sujeitas a lançamento por homologação, a regra decadencial será apreciada a luz do art. 150, §4º, quando restar demonstrada a existência de recolhimento antecipado de contribuições fundamentadas sobre o mesmo fato gerador.
Numero da decisão: 9202-004.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. Nos casos de contribuições sujeitas a lançamento por homologação, a regra decadencial será apreciada a luz do art. 150, §4º, quando restar demonstrada a existência de recolhimento antecipado de contribuições fundamentadas sobre o mesmo fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 09 97 /2 00 7- 67 Fl. 261DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, nº 37.104.5045, lavrado contra o contribuinte identificado acima, e tem por finalidade apurar e constituir as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), apuradas segundo informações declaradas pela empresa em GFIP e nas folhas de pagamento, relativas ao 13° salário. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgado o lançamento procedente, fls. 206/210. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 218/224, o Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhou por dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para declarar a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive. Portanto, em sessão plenária de 08/6/2011, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 280300.854, assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN quando se referirem a débitos devidamente declarados em GFIP. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 9202004.567 CSRFT2 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP. As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados. Recurso Voluntário Provido em Parte Cientificado da decisão proferida, a PGFN opôs, tempestivamente, Embargos de Declaração alegando que a decisão atacada incorreu em contradição/omissão ao não observar que, pelo exame dos documentos acostados aos autos constata se que nas competências que foram declaradas decadentes não há qualquer pagamento antecipado, somente houve pagamento para competência de 11/2004 (fls. 39 relatório de documentos apresentados). Tais embargos foram rejeitados fls. 231/234. Cientificado da decisão proferida, a PGFN interpôs, tempestivamente, em 20/9/2012, Recurso Especial, cumprindo, portanto, o prazo legal de 15 (quinze) dias estipulado pelo Regimento Interno do CARF (RICARF). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 378/380, da Quarta Câmara, de 02/10/2012. A recorrente traz como alegações, que: · o acórdão recorrido destoa da jurisprudência consolidada em outras câmaras do CARF, que vem determinando a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas, não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. · Argumenta que os relatórios e discriminativos apresentados pela fiscalização demonstram que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual tornase necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN e não, do art. 150, § 4º do CTN. · Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para reconhecer a decadência somente para aquelas contribuições apuradas até novembro de 2000. Cientificado do Acórdão nº 280300.854, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 30/11/2011, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 251. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO A questão objeto do recurso, referese ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência, para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, considerando que a Câmara a quo aplicou a regra decadência a luz do art. 150, §4º do CTN. Antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 9202004.567 CSRFT2 Fl. 4 5 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Fl. 265DF CARF MF 6 No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Todavia, não podemos perder de vista que em relação ao critério da decadência, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, devemos aplicar o REsp 761.908 SC em observância ao art. 62 do RICARF Regimento Interno do Carf. Conforme descrito no relatório deste voto, tratase de lavratura de NFLD com o objetivo de apurar e constituir as contribuições previdenciárias, incidentes sobre: sobre as remunerações pagas aos seus empregados destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), apuradas segundo informações declaradas pela empresa em GFIP e nas folhas de pagamento, relativas ao 13° salário. Dessa forma, entendo pertinente as colocações da ilustre procuradora, que destacou em trecho do próprio relatório fiscal que inxistiam recolhimentos para o período objeto do lançamento. Dessa forma, inexistindo recolhimento antecipado, a decadência deve ser operada a luz do art. 173, I do CTN, razão pela qual procedentes suas alegações. Ao lermos o início do acórdão pode nos parecer que foram lançadas apenas diferenças de contribuições, contudo, o auditor ao longo de sua narrativa, nos descreve indícios que nos permitem concluir pela inexistência dos pagamentos. Senão vejamos: 1. Esta ação visou verificar o devido recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa, providenciando o levantamento das diferenças porventura encontradas, a partir do cruzamento entre as informações contidas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, nos Resumos Mensais de GFIP por Estabelecimento informados no Sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais em 15/05/2007, e os valores efetivamente recolhidos em Guias da Previdência Social GPS. 2. Considerando se tratar de fiscalização de veri ficação de divergência através de análise de GFIP X GPS, conforme definida no Mandado de Procedimento FiscalMPF, analisamos somente as Folhas de Pagamento dos empregados relativas aos 13° salários do período 1999 a 2004, tendo em vista a não obrigatoriedade de entrega da GFIP referente ao 130 salário para o período assinalado. 3. Foram analisados os seguintes documentos: 3.1 Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP; 3.2 Folhas de pagamento relativas aos 13° salários; [...] VIII. DOS RECOLHIMENTOS. A relação das guias de recolhimento consideradas nesta fiscalização encontrase no Relatório de Documentos Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 9202004.567 CSRFT2 Fl. 5 7 Apresentados — RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados—RADA. Dessa informação constatamos que apenas na competência 11/2004, existem recolhimentos antecipados, sendo que, os valores informados em GFIP, à época do lançamento não constituíam confissão automática de dívida, razão pela qual não há como considerálos recolhimentos antecipados face inexistir comprovação ou parcelamento em relação aos mesmos. Notese que no relatório DAD são lançados os fatos geradores, porém apenas existem recolhimentos em 11/2004, razão pela qual a decadência deve ser aplicada de acordo com o art. 173, I do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 06/8/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Os fatos geradores lançados referemse ao período de 01/1999 a 03/2005, dessa forma, a luz do art. 173, I do CTN, encontrarseiam decadentes os fatos geradores até 11/2001, razão pela qual deve ser afastada a decadência decretada, restabelecendo o lançamento. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915660/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO PROVENIENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA 91 DO CARF.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1302-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a preliminar de prescrição e determinar o retorno dos autos para unidade de origem para prosseguir na análise do mérito do pedido, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO PROVENIENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a preliminar de prescrição e determinar o retorno dos autos para unidade de origem para prosseguir na análise do mérito do pedido, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915660/200848 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.976 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria Restituição/Compensação Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO PROVENIENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a preliminar de prescrição e determinar o retorno dos autos para unidade de origem para prosseguir na análise do mérito do pedido, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 56 60 /2 00 8- 48 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.915660/200848 Acórdão n.º 1302001.976 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O Despacho Decisório nº 808289435, DERAT/SP, emitido em 24.11.2008, constatou que na data da transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso de prazo de cinco anos entre a data da transmissão do PER/COMP e a data da apuração do saldo negativo e desta forma, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 12840.57185.221104.1.3.027950 e indeferiu o pedido de restituição nos PER/DCOMP 40666.83288.300104.1.2.029321 e 04472.29956.300104.1.2.022162. Em 30/12/2008, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 22/31), expondo razões que em síntese pontuase: Pugna pelo seu direito de pleitear a Restituição dos créditos oriundos da apuração de saldo negativo de IRPJ, no anocalendário 1998 (PER/DCOMP n° 40666.83288.300104.1.2.029321), que não se encontrava extinto em face da inocorrência do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão da PER/DCOMP (30/01/2004) e a data da entrega da declaração de rendimentos em 1999 (DIPJ), qual seja, 03/03/1999 ( vide does.03 e 04); Além disso, aduz que, os créditos utilizados na Declaração de Compensação n° 12840.57185.221104.1.3.027950, são efetivamente passíveis de devolução, porquanto originários de saldo negativo de IRPJ (vide doc. 05); Com relação ao Per/DCOMP Pedido de Restituição n° 04472.29956.300104.1.2.02 2162, a ora Requerente não tem legitimidade passiva para defendese por meio da presente Manifestação de Inconformidade, vez que a autora do pleito em comento é a Editora Abril S/A, CNPJ n° 02.183.757/000193 e não a Abril Comunicações S/A, CNPJ n° 44.597.052/000162, tratamse de duas empresas distintas. Desse modo, a fim de evitar o cerceamento do direito de defesa da Editora Abril S/A, esta douta autoridade deverá excluir do processo administrativo n° 10880915.660/200848 o Per/DCOMP n°. 04472,29956.300104.1.2.022162 e reabrir um novo processo para este fim,: apresentando novo despacho decisório relativamente à Per/DCOMP n° 04472.29956.300104.1.2.022162, bem como retificando o contribuinte solicitante; Entende que, apresentase equivocado o entendimento corroborado no despacho decisório, segundo o qual, o termo inicial de contagem de prazo seria a data de apuração do saldo negativo, ou seja, 31/12/1998; Considerou, ainda que, por serem perfeitamente legítimos os créditos oriundos do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 1998 (Pedido de Restituição n° 40666.83288.300104.1.2.029321), carecendo de motivação a NÃO homologação da Declaração de Compensação n° 12840.57185.221104.1.3.027950, a fim de, consequentemente, deferir o pedido de Restituição n° 40666.83288.300104.1.2.02 9321, bem como, homologar a Declaração de Compensação n° 12840.57185.221104.1.3.02 7950. Esclarece que ao realizar o levantamento interno do Pedido de Restituição nº 40666.83288.300104.1.2.029321, nada foi localizado, e, somente diligenciando junto à SRF verificou que o pedido de restituição estaria em nome da Editora Abril S/A. e não em nome da Abril Comunicações S/A, sendo esta última parte ilegítima para sequer examinar os autos. Desta forma, requereu a exclusão do Pedido de Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.915660/200848 Acórdão n.º 1302001.976 S1C3T2 Fl. 4 3 Restituição do presente processo administrativo, a fim de evitar o cerceamento de defesa da Editora Abril S/A; No que se refere às provas, entende que a provas trazidas aos autos não teriam a capacidade de por si só demonstrar todo o alegado, requerendo a determinação de diligência integral da compensação efetuada; Não obstante as alegações da recorrente, o Acórdão nº 1650.550, lavrado pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo I, de 19 de setembro de 2013, entendeu que: Do crédito referido no PER/DCOMP nº 04472.29956.300104.1.2.022162, o contribuinte não teria, realmente, legitimidade para defenderse, visto que, o pedido fora formalizado pela Editora Abril S.A. (sucessora de parte do patrimônio da contribuinte consta do PER/DCOMP, fl. 07, teria havido cisão parcial, vertendo 66,14% do patrimônio da contribuinte para a Editora Abril), sendo que à época da transmissão dos PER/DCOMP e da ciência do Despacho Decisório, tratavamse de duas empresas distintas e ativas; Quanto ao termo inicial da contagem do prazo, a 5ª Turma da DRJ/SP1 aduziu que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação consideram se extintos ante o exercício de seu pagamento antecipado, estabelecendo, portanto, o início da contagem do prazo decadencial e produzindo todos os efeitos legais que lhe são próprios, sob a condição resolutória de a autoridade competente aprovar a legitimidade e suficiência do recolhimento efetuado pelo contribuinte para fins de extinção do respectivo crédito tributário confessado na forma da legislação aplicável; Define que, quanto ao caso em apreço, o marco para contagem do prazo decadencial inaugurouse a partir da data de encerramento do exercício financeiro, em conformidade com os artigos 150, § 4º, e 165, inciso I, do CTN, c/c o § 3º do artigo 2º da Lei nº 9.430/96, consequentemente, denotando a representação deste interstício conforme quadro abaixo: Período base Marco Inicial Marco Final Início da decadência 1998 31/12/1998 31/12/2003 01/01/2004 Acrescentou que, na ocasião em que foi transmitido o pedido de restituição consubstanciado no PER/DCOMP nº 40666.83288.300104.1.2.029321 (30/01/2004), a contribuinte não dispunha de prerrogativa ou outorga para demandar a restituição ou mesmo para exercer a compensação de tributos baseada em valores remanescentes do pretenso saldo negativo de IRPJ, ficando, desse modo, patente a prescrição do direito à pretensão nele veiculado. O mesmo se aplica ao pedido de compensação firmado no PER/DCOMP nº 12840.57185.221104.1.3.027950 (transmitido em 22/11/2004, vinculado ao supracitado PER/DCOMP nº 40666.83288.300104.1.2.029321). Logo, expõe a manifesta caracterização da decadência do direito da contribuinte pleitear a restituição; No tocante ao pedido de diligência, a autoridade fiscal informou que os elementos constantes dos autos foram suficientes à formação da convicção da turma julgadora quanto à decadência. E, declarada a decadência não caberia a análise do mérito do pedido, tornandose desnecessária a diligência. Ante o exposto, votou no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.915660/200848 Acórdão n.º 1302001.976 S1C3T2 Fl. 5 4 Intimada do acórdão (fls. 130), o termo de abertura de documento dispõe que o contribuinte tomou conhecimento do teor decisório em 24/09/2013. Desta forma, em 16.10.2013, a contribuinte interpôs recurso voluntário, cujas razões são: A recorrente afirma que a turma julgadora, ao analisar o pedido de compensação em comento não demonstrou satisfatoriamente as razões pelas quais o crédito não seria passível de utilização, entendendo que o prazo para formalização do exercício do direito de compensação ou de restituição vinculados ao crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ, encerrase com decurso do prazo de 5 anos contados a partir da data de encerramento do período de apuração do imposto, consoante disciplina a legislação de regência; Aduz que a negativa ao pedido de diligência fere o exercício da ampla defesa e do contraditório, além de violar o princípio da verdade material. Nesse sentido, requereu a declaração da nulidade do despacho decisório recorrido, ante a sua total falta de clareza, ou alternativamente, fosse reformada a decisão de primeira instância, reconhecendose o valor probatório da documentação acostada aos autos, bem como sendo baixado o feito em diligência para verificação dos demais elementos probatórios do crédito da Recorrente, em estrita observância ao princípio da verdade material; Quanto ao direito de pleitear a restituição dos créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 1998, menciona o art. 6º, §1º inciso II da Lei 9.430/1996, elucidando que somente após a entrega da Declaração de rendimentos o contribuinte poderá requerer a restituição do montante pago a maior, isto porque somente com a efetiva apresentação da DIPJ perante a SRF, a autoridade fiscal terá ciência, ou poderá aferir/ ratificar se os pagamentos por estimativa mensal foram efetuados a maior do que o devido; Explica o recorrente que, como a DIPJ foi entregue em 03/03/1999, o prazo findariase no dia 03/03/2004, sendo que apresentou o Pedido de Restituição em 30/01/2004. E, reforça que, por serem perfeitamente legítimos os créditos oriundos do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 1998 (Pedido de Restituição n° 40666.83288.300104.1.2.029321), carecendo de motivação a NÃO homologação da Declaração de Compensação n° 12840.57185.221104.1.3.027950, a fim de, consequentemente, deferir o pedido de Restituição n° 40666.83288.300104.1.2.02 9321, bem como, homologar a Declaração de Compensação n° 12840.57185.221104.1.3.02 7950. Quanto à ilegitimidade passiva relativa ao PER/DCOMP – Pedido de Restituição n 04472.29956.300104.1.2.022162, afirma que cabe à DERAT/SP proferir outro Despacho Decisório, regularmente cientificado à Abril Comunicações S.A., facultandolhe a possibilidade de contestálo através de manifestação de inconformidade; Ao final, requer a procedência do Recurso Voluntário, com o consequente reconhecimento do direito creditório e a respectiva homologação integral da compensação efetuada. É o relatório. Voto Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.915660/200848 Acórdão n.º 1302001.976 S1C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente e está regularmente representada. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. O debate gira em torno da análise do prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição dos tributos pagos indevidamente ou a maior, e sua aplicação no caso de crédito proveniente de saldo negativo de Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica. Desta forma, fazse importante destacar o prazo prescricional em sede de controle concentrado, com efeitos vinculantes e erga omnes, o termo a quo é a data da publicação do acórdão do STF que declarou a inconstitucionalidade, e, o controle difuso, com efeito inter partes, com termo a quo sendo a data da publicação da resolução do Senado que suspender, erga omnes, o dispositivo declarado inconstitucional incidenter tantum pelo STF. A discussão abrange divergências quanto ao prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetir o indébito, especificamente, no que tange ao termo a quo deste prazo. A DRJ/SP1 entende que, o prazo para formalização do exercício do direito de compensação ou de restituição vinculados ao crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ, encerrase com decurso do prazo de 5 anos contados a partir da data de encerramento do período de apuração do imposto, consoante disciplina a legislação de regência. O recorrente, em seu recurso voluntário, defende que somente após a entrega da declaração de rendimentos o contribuinte poderá requerer a restituição do montante pago a maior, isto porque somente com a efetiva apresentação da DIPJ perante a SRF, a Autoridade Fiscal terá ciência, ou ainda, poderá aferir/ratificar se os pagamentos por estimativa mensal foram efetuados a maior do que o devido. Ocorre que, o CARF já se pronunciou com relação ao termo inicial da contagem do prazo prescricional, insta salientar o que dispõe a súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim, ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, contados da data em que se deu a homologação tácita, pois, devendose aplicar o disposto pela Súmula nº 91 do CARF. Logo, no caso vertente, a contribuinte protocolizou pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ, em 30/01/2004, e se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, temse o fato gerador ocorrido no encerramento dos períodosbase, nos termos do artigo 35 da Lei n 7.713/88, ou seja, no presente caso, ocorreu em 31/12/1998. Destarte, deve ser afastada a prescrição, vez que decorrido menos de 10 (dez) anos da data do fato gerador, e, logo, estaria sob a égide do decurso do prazo decenal. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.915660/200848 Acórdão n.º 1302001.976 S1C3T2 Fl. 7 6 Com relação ao PER/DCOMP nº 04472.29956.300104.1.2.022162, restou configurada a ilegitimidade passiva da recorrente, e desta forma, acertadamente aduziu a DRJ/SP1 ao atribuir à DERAT/SP a responsabilidade de proferir outro Despacho Decisório acerca do referido PER/DCOMP, cientificando a Recorrente e facultandolhe a possibilidade de contestálo, nos termos da legislação vigente. Ressaltese que essa matéria já foi exaurida em primeira instância. A DRJ acolheu o pedido da recorrente, quanto à referida ilegitimidade. Não há razão para a recorrente devolver essa matéria à apreciação em segunda instância administrativa, eis que já havia sido conhecida e provida. No que se refere às provas, os elementos constantes dos autos são suficientes para formar a convicção acerca do julgamento da demanda. Assim, diante do conjunto probatório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, modificando o entendimento proferido no acórdão recorrido para afastar a prescrição, aplicandose o prazo de 10 (dez) anos, contados do fato gerador e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição originária para análise quanto à existência ou não de crédito em favor da recorrente. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003873/2006-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS.
O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse.
Numero da decisão: 9202-004.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores semterra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 73 /2 00 6- 21 Fl. 639DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2002, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" (NIRF 0.752.990 2), localizado no Município de Aripuanã/MT. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Utilização Limitada e de Exploração Extrativa. Em sessão plenária de 20/11/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801002.771 (fls. 513 a 523), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). AUSÊNCIA. O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. ITR. CONTRIBUINTE. ÁREA INVADIDA. Estando devidamente comprovado nos autos que, em virtude do seu imóvel ter sido invadido por terceiros, o recorrente não detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR, a posse ou o domínio útil do bem, e não podia exercer quaisquer dos direitos inerentes à condição de proprietário, não se pode considerálo contribuinte do ITR em relação ao respectivo imóvel. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido." O processo foi enviado à PGFN em 07/01/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 524). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 21/02/2013, o que foi feito em 06/02/2013 (fls. 536 a 545), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 546. O apelo visa rever a questão da sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/11/2013 (fls. 548 A 550). Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 639 3 No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a questão nuclear versa sobre a condição do proprietário de imóvel rural como contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Rural, diante da invasão do imóvel por terceiros, ensejando a perda da posse do imóvel; transcrevo a seguir as hipóteses de incidência constantes os dispositivos legais que se subsumem ao fato concreto, para melhor elucidação do tema: CTN “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer título.” “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Lei n° 9.393/96 Fl. 641DF CARF MF 4 “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse.” “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” no caso em comento, verificase a ocorrência dos aspectos de incidência tributária, referentes à relação jurídicotributária do ITR, quais sejam, aspectos material (o que fato gerador), espacial (onde território em que ocorrendo o fato terá repercussão tributária), temporal (quando momento em que se deve considerar ocorrido o fato gerador), pessoal (quem sujeito ativo e passivo da relação tributária) e quantitativo (quanto critérios para cálculo da prestação devida: base de cálculo e alíquota); o ITR possui fato gerador continuado, que não se consubstancia num ato ou negócio jurídico, mas numa situação jurídica: a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel situado fora da zona urbana do Município; assim, verificase o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural, diante da concretização da situação jurídica, referente à aquisição de propriedade, posse ou domínio útil, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, segundo preceitua o art. 116 do CTN; quanto ao aspecto temporal, temos que o fato gerador do ITR é do tipo continuado, ou seja, situação que se perdura no tempo; o aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR consta, ainda, no art. 1° da Lei 9.393/96, que estabelece como fato gerador a “propriedade, o domínio útil ou a posse (...) em 1º de janeiro de cada ano”, sendo o imposto, por força desta disposição, exigido anualmente (periodicidade); quanto ao aspecto territorial consiste no território nacional, eis que se trata de tributo de competência da União, logo, verificada a propriedade de imóvel situado em zona rural no território nacional, em 1° de janeiro de cada ano, surge a obrigação de pagar o ITR; no que concerne ao aspecto quantitativo, o art. 30 do CTN estabelece seu arquétipo, dispondo acerca da perspectiva dimensível do fato gerador; nos termos do art. 11 da Lei 9.393/96, a base de cálculo do ITR consiste no valor da terra nua tributável (VTNt); as alíquotas, por sua vez, constam na tabela de alíquotas anexa à Lei 9.393/96, variando conforme o tamanho o imóvel, em hectares, e o grau de utilização; o aspecto pessoal consiste no sujeito ativo e passivo da relação obrigacional; sujeito ativo é a União, segundo, inclusive, o art. 15 da Lei 9.393/96; quanto aos sujeitos passivos, questão nuclear dos presentes autos, dispõem os arts. 4° e 5° da Lei 9.393/96, em que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor qualquer título; Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 640 5 pois bem, alega a interessada não ser sujeito passivo da relação tributária por ter perdido a posse do imóvel pela invasão de trabalhadores sem terra; ocorre que, ainda que detentor de apenas um dos aspectos da propriedade, caberá ao contribuinte o recolhimento do Imposto Territorial Rural, nos termos do artigo 29 e do artigo 31 do Código Tributário Nacional, que determina que o “contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”; a propriedade, o domínio útil e a posse são conceitos que o Direito Tributário vai buscar no Direito Civil, segundo art. 110 do CTN, para o fim de definir precisamente os fatos geradores do ITR; de acordo com a legislação civil, o proprietário do bem é aquele que pode dele fazer uso, pode perceberlhe os frutos, e pode dele desfazerse como bem desejar, salvo cláusula específica de inalienabilidade, de origem legal ou contratual; nestes termos, o conceito de propriedade não está expresso na legislação, defluindo de preceito do Código Civil, que consagra o direito de propriedade, ao dispor que “o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla de quem quer que injustamente a possua ou detenha”; portanto, ainda que o contribuinte, proprietário do imóvel rural, tenha sofrido turbação de sua posse por terceiros, pelo fato de o registro do imóvel ter como titular da propriedade seu nome, nos termos do Registro do Imóvel, legítima e legal é a exação tributária do ITR, mormente quando a declaração para fins de reforma agrária se deu somente em 2003, bem como o Mandado de Imissão na posse expedido em 2004; ademais, teria a interessada salvaguarda na legislação de regência, para propor medida judicial com fito de proteger seu direito de propriedade, do qual se infere o direito de reavêlo de quem quer que injustamente a possua ou detenha; ressaltese que a lei dispôs que o ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse; a mens legis é de que o ITR incide sobre propriedade até a perda da posse pela imissão do prévia ou provisória do Poder Público ou até a data a perda do direito da propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público; ora, segundo interpretação do bom direito, podese afirmar que no ano calendário de 2001, exercício de 2002, a interessada era proprietária do imóvel rural do qual decorreu o auto de infração, não tendo havido, ainda, desapropriação propriamente dita, nem a imissão prévia na posse em favor da expropriantes, bem como não havia sido declarado de utilidade ou necessidade pública ou interesse social, para fins de reforma agrária; assim, configurada como contribuinte do ITR, já que proprietária do imóvel; finalmente, no sentido do exposto no que concerne ao sujeito passivo do ITR, citase entendimento também da antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que afastou a preliminar de ilegitimidade passiva, para o contribuinte que argumentou, como preliminar, não ser o sujeito passivo da obrigação tributária, alegando que, apesar de ter adquirido o imóvel, nunca obteve a posse do mesmo, posto que este sempre Fl. 643DF CARF MF 6 esteve na posse de terceiros de boafé, além de invadida por integrantes do Movimento dos Sem Terra MST: Processo nº 13116.000247/200593 Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, afastouse a preliminar de ilegitimidade passiva. Por voto de qualidade, deu se provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência relativa à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nanci Gama e Nilton Luiz Bartoli, relator, que afastavam também a exigência da área de preservação permanente, e o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que negava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. SUJEITO PASSIVO. Rejeitada a preliminar quanto à argüição de ilegitimidade da parte passiva, posto que o contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos dos artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional. ÁREAS DE PASTAGEM, VALOR TOTAL DO IMÓVEL E VALOR DA TERRA NUA. (...)ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). (...)ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. (...).” desse modo, há que ser reformado o acórdão vergastado para afastar a preliminar de ilegitimidade passiva. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, reconhecendose a legitimidade passiva do autuado mesmo diante da turbação da posse. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 22/01/2014 (fls. 02 a 04), o Contribuinte ofereceu, em 28/01/2014, as Contrarrazões de fls. 561 a 572, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não deve merecer provimento, a despeito de atender ao requisito de sua admissibilidade quanto a haver a decisão recorrida dado interpretação à lei tributária divergente da que lhe fora dada por outra câmara; não se compadece com a melhor forma de distribuir justiça a decisão que, de forma incondicional, só pelo fato de existir decisão conflitante, decidir no mesmo sentido do julgado paradigma; isso uniformizaria as decisões por um de dois caminhos igualmente possíveis, sem se preocupar com as peculiaridades de cada caso; é perfeitamente admissível que na decisão paradigma, diante da situação fática específica, o melhor entendimento tenha sido o de considerar a legitimidade passiva do Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 641 7 recorrente, e que, no caso dos autos, tendo em vista igualmente a especial situação de fato, o melhor entendimento seja considerar a ilegitimidade do Contribuinte; no presente caso está claro que a exigência não pode ser mantida, pelo fato evidente e sobejamente comprovado de que o Contribuinte não tinha a posse do imóvel nem condição de exercer qualquer das faculdades inerentes à propriedade, como a de usar ele próprio o bem, de gozar da condição de proprietário, v.g. arrendandoo, de dele dispor, visto que seria ilusória a tentativa de querer alienálo, e, por fim, de usar o direito de reavêlo dos invasores, que injustamente o detinham, pois todas as tentativas nesse afã, até mesmo pela via judicial e obtenção de sentença nesse sentido, foram infrutíferas; deveras, está registrado e comprovado nos autos que nem mesmo medidas policiais e sentença de manutenção de posse tiveram força para desalojar os invasores; eis o que a respeito consta da petição de recurso do sujeito passivo (assim mesmo, em caracteres azuis): "Repisando o que expôs este contribuinte na petição de resposta à intimação anterior ao lançamento, vêse pela cópia do Boletim de Ocorrência (B.O.) n° 168/98, lavrado em 8 de setembro de 1998 pela Delegacia Metropolitana de Polícia Judiciária Civil de Cuiabá, que no dia 25 de agosto de 1998 o imóvel foi invadido por grande número de pessoas ligadas a movimento de semterras, as quais estavam munidas de armas e ferramentas e passaram a fazer demarcações e a construir barracos no local. Como líder ou entre os cabeças do movimento encontravase Antônio Pires Moreira, referido no B.O. como Antônio Pires, em outro documento contido nos autos, da lavra do Sr. Prefeito Municipal de Aripuanã, o Sr. Antônio Pires Moreira está qualificado como brasileiro, desquitado, residente e domiciliado no município de Aripuanã (MT), titular da cédula de identidade RG n° 36437510 (SSPPR), CPF n° 524.554.75972. Em razão da invasão, ocorrida no dia 25 de agosto de 1998, o impugnante ingressou, em 9 de setembro de1998, na Justiça Estadual da Comarca de Juína (MT), jurisdicionante do município de Aripuanã, com ação de manutenção de posse, conforme cópia da inicial nos autos. Como se colhe dos termos de outra petição, de 9 de novembro de 1998, em nome deste contribuinte dirigida por advogado à MMa Juíza da causa, igualmente com cópia nos autos, foi deferido mandado de manutenção de posse, cumprido por oficial de justiça em 7 de outubro de 1998. Contudo, os invasores não desocuparam o imóvel, como noticia a petição. Aliás, nunca mais saíram dele, e o reclamante nunca mais nele entrou, para não pôr sua vida em risco. Vêse da cópia da carta, juntada na resposta a intimação, que em 26 de julho de 1999 o requerente endereçou a autoridade do INCRA, Sr. Sérgio Paganini, Chefe do Departamento de Aquisição de Assentamento, que já naquela época havia 470 famílias de invasores no local. (...)) Fl. 645DF CARF MF 8 "Estando o impugnante desapossado do imóvel, sem condições de ao menos nele entrar, pena de pôr sua vida em risco, como foi alertado na ocasião da invasão, além de não ter assim a posse do imóvel, ficou sem poder exercer qualquer dos atributos inerentes ao domínio, tais o de dispor, usar, fruir e reaver o bem de quem injustamente o possua ou detenha. Dispor não podia, porque a alienação seria inquinada de nula, e se pudesse seria inútil, visto que o adquirente ficaria na mesma situação de impotência em que se encontra ele impugnante; tentar usar o imóvel seria um suicídio; fruir de suas utilidades, como v.g. arrendálo, impossível; reavêlo de quem, como é o caso, injustamente o detém (como atestado pela decisão judicial), está provado ser impossível, diante das forças que, embora à margem da lei, a isso se opõem." por certo o ilustre Procurador da Fazenda, em meio à sua azáfama, não terá tido o tempo necessário para se deter na análise do caso dos autos e tomar ciência do verdadeiro calvário por que passou o Contribuinte durante o episódio que levou à usurpação de seu imóvel rural pelos invasores, e das injustiças que padeceu; se tivesse em mente todos esses percalços sofridos pelo Contribuinte, por certo teria concluído que aplicar a decisão paradigma ao seu caso seria forma de afrontar princípios constitucionais que condicionam a administração pública, previstos no caput do artigo 37 da Carta; um desses princípios suscetíveis de afetação é o da legalidade, visto no seu aspecto mais amplo, abrangendo o direito, entidade jurídica que está acima da lei; o fato de o Superior Tribunal de Justiça, a mais alta instância na matéria, vir reiteradamente decidindo sobre a ilegitimidade do Contribuinte para responder pelo Imposto Territorial Rural lançado sobre o imóvel invadido demonstra como se deve interpretar a lei nesta parte; e o caso do Contribuinte, na sua condição de proprietário alijado de seu imóvel, é de uma gravidade incomparavelmente maior do que todos os exemplos a que se referem as decisões do E. STJ; em caso semelhante aos dos autos, e ao que parece com o mesmo potencial ofensivo aos direitos do contribuinte, temos o de que trata aresto da Segunda Turma do E. Superior Tribunal de Justiça, publicado em 14/12/2009, Recurso Especial n° 963.499 / PR, Relator o Ministro Herman Benjamin, julgado de 19/03/2009, DJe de 14/12/2009, cuja ementa é transcrita abaixo, em seu inteiro teor: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ITR. IMÓVEL INVADIDO POR INTEGRANTES DE MOVIMENTO DE FAMÍLIAS SEM TERRA. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. FATO GERADOR DO ITR. PROPRIEDADE. MEDIDA LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE NÃO CUMPRIDA PELO ESTADO DO PARANÁ. INTERVENÇÃO FEDERAL ACOLHIDA PELO ÓRGÃO ESPECIAL DO TJPR. INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PERDA ANTECIPADA DA POSSE SEM O DEVIDO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO. ESVAZIAMENTO DOS ELEMENTOS DA PROPRIEDADE. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 642 9 DESAPARECIMENTO DA BASE MATERIAL DO FATO GERADOR. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA BOAFÉ OBJETIVA. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico de que se aplica o prazo prescricional do Decreto 20.910/1932 para demanda declaratória que busca, na verdade, a desconstituição de lançamento tributário (caráter constitutivo negativo da demanda). 3. O Fato Gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil, ou a posse, consoante disposição do art. 29 do Código Tributário Nacional. 4. Sem a presença dos elementos objetivos e subjetivos que a lei, expressa ou implicitamente, exige ao qualificar a hipótese de incidência, não se constitui a relação jurídicotributária. 5. A questão jurídica de fundo cingese à legitimidade passiva do proprietário de imóvel rural, invadido por 80 famílias de sem terra, para responder pelo ITR. 6. Com a invasão, sobre cuja legitimidade não se faz qualquer juízo de valor, o direito de propriedade ficou desprovido de praticamente todos os elementos a ele inerentes: não há mais posse, nem possibilidade de uso ou fruição do bem. 7. Direito de propriedade sem posse, uso, fruição e incapaz de gerar qualquer tipo de renda ao seu titular deixa de ser, na essência, direito de propriedade, pois não passa de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade legal negada pela realidade dos fatos. 8. Por mais legítimas e humanitárias que sejam as razões do Poder Público para não cumprir, por 14 anos, decisão judicial que determinou a reintegração do imóvel ao legítimo proprietário, inclusive com pedido de Intervenção Federal deferido pelo TJPR, há de se convir que o mínimo que do Estado se espera é que reconheça que aquele que diante da omissão estatal e da dramaticidade dos conflitos agrários deste Brasil de grandes desigualdades sociais não tem mais direito algum não pode ser tributado por algo que só por ficção ainda é de seu domínio. 9. Ofende o Princípio da Razoabilidade, o Princípio da BoaFé Objetiva e o bom senso que o próprio Estado, omisso na salvaguarda de direito dos cidadãos, venha a utilizar a aparência desse mesmo direito, ou o resquício que dele restou, para cobrar tributos que pressupõem a sua incolumidade e existência nos planos jurídico (formal) e fático (material). 10. Irrelevante que a cobrança do tributo e a omissão estatal se encaixem em esferas diferentes da Administração Pública. Fl. 647DF CARF MF 10 União, Estados e Municípios, não obstante o perfil e personalidade próprios que lhes conferiu a Constituição de 1988, são parte de um todo maior, que é o Estado brasileiro. Ao final das contas, é este que responde pela garantia dos direitos individuais e sociais, bem como pela razoabilidade da conduta dos vários entes públicos em que se divide e organiza, aí se incluindo a autoridade tributária. 11. Na peculiar situação dos autos, considerando a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos da propriedade sem o devido processo de Desapropriação, é inexigível o ITR ante o desaparecimento da base material do fato gerador e a violação dos Princípios da Razoabilidade e da Boa Fé Objetiva. 12. Recurso Especial parcialmente provido somente para reconhecer a aplicação da prescrição quinquenal." nessa ementa, lendo cada um dos seus itens 3 a 11, constatase a similitude, em todos os seus detalhes, do caso de que trata a ementa comparado com o destes autos; essas semelhanças revelamse nos seguintes aspectos: no fato gerador das obrigações tributárias discutidas (item 3); na ausência dos elementos da hipótese da incidência do Imposto Territorial Rural (item 4); na questão da ilegitimidade passiva do dono do imóvel invadido (item 5); na perda, resultante da invasão, dos elementos constitutivos do direito de propriedade (item 6); na incapacidade de o direito de propriedade, quando desprovido de seus elementos constitutivos, gerar renda (item 7); na decisão judicial de reintegração descumprida (item 8); na ofensa aos princípios da razoabilidade, da boafé objetiva, do bom senso, resultante do fato de o Estado omisso na proteção dos direitos do cidadão pretender cobrar tributo com base na mera aparência de seu direito (item 9); na irrelevância de a cobrança de tributo partir de outra esfera da Administração que não a que incorreu na omissão prejudicial ao administrado (item 10); e na peculiar situação dos autos, de privação antecipada da posse e do esvaziamento do direito de propriedade sem o devido processo legal (item 11). os argumentos que vêm sendo apresentados pelo contribuinte nestes autos, desde a sua impugnação ao lançamento, ajustamse, como mão na luva, aos contidos na ementa do E. Superior Tribunal de Justiça acima reproduzida; outro princípio constitucional que vincula a administração pública e resultará desatendido é o da eficiência; Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 643 11 sabido que, mantida a exigência na esfera administrativa, ela não passaria incólume pela judicial, insistir na manutenção do lançamento seria, desnecessariamente, acarretar ao Poder Público gastos inúteis com o tempo e os serviços a serem despendidos pelos servidores públicos, os gastos com sucumbência, e causa de mais atravancamento do Judiciário; por fim, haveria igualmente afronta ao princípio da moralidade; de fato, tangeria as raias da imoralidade se o Poder Público, que se omitiu em sua obrigação de garantir ao administrado o direito de propriedade, pudesse cobrar imposto sobre a propriedade do bem durante o tempo da invasão que não evitou nem saneou; o administrado ficou privado do bem e de seu uso e do direito de dispor da coisa; falhou o Poder Público competente, que não impediu o esbulho e não cumpriu a ordem judicial de desocupação pelos invasores; não é demais repisar que se omitiram as autoridades competentes, e que para a espoliação do administrado concorreram políticos interessados nos votos vislumbrados nos numerosos invasores e familiares deles; o administrado, por sua vez, sofreu ameaças de morte e teve sua vida em efetivo risco, e, mesmo com ordem judicial, não conseguiu que as autoridades do Poder Executivo recobrassemlhe a posse do imóvel; sendo assim, seria mesmo imoral esse Poder Público vir ainda cobrarlhe tributo pela "propriedade" do imóvel. são quatro os processos administrativos de constituição de créditos de Imposto Territorial Rural sobre o mesmo imóvel que pertencera ao contribuinte, todos já julgados pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. as quatro decisões foram favoráveis ao sujeito passivo, uma por três de cinco votos, duas por unanimidade, e uma por seis de sete votos. Nesta última, o voto discrepante foi proferido pelo Conselheiro Presidente, que, no entanto, explicou a todos que não discordava das razões do sujeito passivo, mas que votara contra com o propósito de levar determinado aspecto processual a discussão na Câmara Superior de Recursos Fiscais; na decisão menos favorável ao contribuinte, proferida por três votos a dois, seu advogado ligou de Araçatuba (SP), cidade situada a 530 km de São Paulo (SP), informando que compareceria, juntamente com o filho do contribuinte, para fazer sustentação oral, que entendia absolutamente necessária diante da complexidade do caso e de seus incontáveis incidentes e detalhes; todavia, compareceram ao local no horário marcado, 14 horas, mas o julgamento houvera sido antecipado para as 9 horas daquele dia; acredita o Contribuinte que, com as explicações que poderiam ter sido feitas por seu advogado, o resultado do julgamento poderia ter sido mais favorável, como o dos três outros processos. Fl. 649DF CARF MF 12 obviamente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais é soberana em seu poder de deliberação, mas vêse que, pelos resultados dos julgamentos proferidos pelo CARF, uma decisão desfavorável que vier a ser proferida por essa mais alta instância administrativa de julgamento desafiará o entendimento manifestado por um grande número de Conselheiros, entre eles quatro que integram esse Sodalício; a decisão desfavorável que viesse a ser proferida nos autos deste processo implicaria ocorrência de decisões divergentes sobre casos que, exceto quanto ao exercício financeiro de cada um, nos demais aspectos são todos, para lá de semelhantes, absolutamente idênticos; um dos quatro processos administrativos recebeu decisão final favorável ao contribuinte, estando, pois, extinto o crédito tributário (processo nº 10820.720006/200609, do exercício de 2004); nesse processo do ITR/2004, contra a decisão do CARF a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, que, todavia, não foi admitido, conforme despacho proferido em 09/12/2013; estando assim definitivamente cancelado um dos quatro créditos tributários constituídos contra este contribuinte, o do ITR do exercício de 2004, nenhuma outra decisão, prolatada em processo de outro Contribuinte e que tenha mantido o crédito tributário, pode servir de modelo para amparar Recurso Especial da Fazenda Nacional; primeiro porque nenhum processo tendo por objeto tributação de outros Contribuintes, outros imóveis, outros fatos e circunstâncias, poderá ser mais adequado a comparação do que os do próprio Contribuinte, pela identidade do sujeito passivo, do imóvel, e dos fatos que permeiam os lançamentos; ademais, eventual decisão que confirmar a procedência de qualquer dos três demais processos deste contribuinte resultará em decisão conflitante; decisões divergentes sobre discussões que versem o mesmo pedido ou a mesma causa de pedir são motivo de desprestígio para o órgão julgador, por isso, no Poder Judiciário constitui preocupação constante procurar evitar esse desgaste, e exatamente para prevenir esse mal é que existe o instituto da conexão das causas com identidade de pedido ou de causa de pedir. Ao final, o Contribuinte pede a manutenção da decisão recorrida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2002, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" (NIRF 0.752.990 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 644 13 2), localizado no Município de Aripuanã/MT. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Utilização Limitada e de Exploração Extrativa. O tributo foi exigido do proprietário do imóvel, que alegou ilegitimidade passiva, tendo em vista a área encontrarse invadida por trabalhadores semterra. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega a legitimidade passiva da proprietária. A Lei nº 5.172, de 1966 CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. (...) Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. (grifei) A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem, no que tange ao contribuinte do ITR. Nesse passo, ressaltase que o próprio Contribuinte qualificouse como tal, ao apresentar a DITR/2002 em seu nome, apurando inclusive o tributo que considerou devido (fls. 13/14). Com efeito, a irresignação acerca da sujeição passiva somente ocorreu quando dele foi exigida a diferença de imposto. Assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva, já que o Contribuinte detinha a propriedade do imóvel, o que já é suficiente para, no presente caso, caracterizar a sujeição passiva. Quanto ao acórdão recorrido, o fundamento para a declaração de ilegitimidade passiva foi o fato de, à época do fato gerador, a Fazenda encontrarse na posse de trabalhadores semterra, sendo que, por meio de Decreto de 24/11/2005 (fls. 252/253), o imóvel foi declarado de interesse social, para fins de reforma agrária. Entretanto, a Lei nº 9.393, de 1996, assim determina: Fl. 651DF CARF MF 14 "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." No caso em apreço, tratase do ITR/2002, sendo que o imóvel somente foi declarado de interesse social para fins de reforma agrária em 24/11/2005 (fls. 252/253), portanto após a ocorrência do fato gerador. Assim, conforme o dispositivo legal acima destacado, somente a partir dessa data poderia se cogitar de não exigência do tributo em face do autuado, e mesmo assim caso restasse comprovada a imissão prévia na posse. Destarte, a sujeição passiva, no caso do ITR, não comporta benefício de ordem, sendo que a regra geral é a exigência do ITR em face do proprietário, enquanto não transferida a propriedade, o que no presente caso legitima o Contribuinte como sujeito passivo do ITR/2002. Com efeito, ao tempo de ocorrência do fato gerador, o imóvel em questão não se enquadrava na excepcionalidade que eximiria o proprietário da exigência do tributo: imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária com imissão prévia do Poder Público na posse. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte apresenta uma série de argumentos que, a despeito de sua legitimidade, não possuem o condão de afastar a lei, cujo cumprimento vincula o julgamento administrativo. Quanto às decisões exaradas pelo STJ, estas não se revestem da característica de efeito repetitivo, que vincularia os Conselheiros do CARF (art. 62 do RICARF). No que tange aos princípios da moralidade, da boafé, do bomsenso, e outros que se entenda aplicáveis ao presente caso, ressaltese que ao Julgador Administrativo é vedado afastar a lei, e esta é clara no sentido de que o autuado possui legitimidade passiva, relativamente ao ITR/2002. Sobre o princípio da eficiência, evitandose custos com eventual ação judicial, argumento também oferecido em sede de Contrarrazões, esclareçase que tal juízo de oportunidade e conveniência não cabe ao Julgador Administrativo, adstrito à lei, e sim à parte envolvida, Fazenda Nacional, que até o momento não exarou qualquer ato nesse sentido. Com efeito, ao Julgador Administrativo cabe aplicar a legislação que rege a matéria, e esta não autoriza posicionamento diverso do adotado no presente voto. Finalmente, no que tange e eventuais decisões divergentes acerca da mesma matéria, tratase de situação inerente aos tribunais, cabendo à Instância Especial dirimir eventual divergência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, afastando a ilegitimidade passiva e determinando o retorno dos autos ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões objeto do Recurso Voluntário. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 645 15 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 653DF CARF MF
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Numero do processo: 13501.000205/99-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO - CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INOCORRÊNCIA
O § 4º do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de
compensação então pendentes de apreciação em declarações de
compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Apenas com a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003 (convertida na Lei n° 10.833, publicada em 30/12/2003), e a alteração promovida por seu art. 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes(atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), apresentados contra a não-homologação de compensação, passaram a ter o condão de suspender a exigibilidade do débito compensado. Contudo, essa determinação somente é aplicada quando se tratar de débitos confessados pelo contribuinte mediante declaração de compensação, a qual somente passou a ter caráter de confissão de dívida a partir da referida medida provisória. O pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros não se confunde com a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1202-000.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Orlando Jose Gonçalves Bueno que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Valeria Cabaral Géo Verçoza
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO s. Processo n° 13501.000205/99-91 Recurso n° 163.805 Voluntário Acórdão n° 1202-00.234 — 2 Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S.A Recorrida i a Turma / DRJ - Salvador /BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO - CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INOCORRÊNCIA O § 40 do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1 0 do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Apenas com a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003 (convertida na Lei n° 10.833, publicada em 30/12/2003), e a alteração promovida por seu art. 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes(atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), apresentados contra a não-homologação de compensação, passaram a ter o condão de suspender a exigibilidade do débito compensado. Contudo, essa determinação somente é aplicada quando se tratar de débitos confessados pelo contribuinte mediante declaração de compensação, a qual somente passou a ter caráter de confissão de dívida a partir da referida medida provisória. O pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros não se confunde com a declaração de compensação. ÇO-- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Orlando Jose Gonçalves Bueno que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NELSON L SS LHO - Presidente. ik - , , ' ) VALERIA CABRAL GEO VERÇOZA - Relatora. EDITADO EM: ‘3 2 311 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente da Turma), Cândido Rodrigues Neuber, José Sergio Gomes (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada), Valeria Cabral Géo Verçoza, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da numa). 2 1 Processo n° 13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 252.414,24 formulado por Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A com base no imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras relativas ao ano de 1997. O pedido foi protocolizado em 14/10/1999. (fl. 01) Em 12/11/1999 a empresa protocolizou Pedido de Compensação no valor de R$ 52.609,91 (fl. 05) e em 02/02/2000 novo pedido de compensação no valor de R$ 3.813,94(fl. 06) Além disso, foram juntados ao processo pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros às fls. 318, 322, 323, 324, todos protocolados em 1999. O Despacho Decisório (fls. 338 a 345) indeferiu a Declaração de compensação nos seguintes termos: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO (SALDO CREDOR) DE IRPJ. Ano calendário: 1997 A dedução do valor correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, para apuração de eventual saldo negativo de Imposto de Renda no ajuste anual, está condicionada à apresentação de documentos comprobatórios da retenção. Identificada a inexistência de saldo negativo a favor do contribuinte, fenece, por via de consequência, o direito de compensar o crédito 'correspondente com débitos por ele indicados. Solicitação indeferida. Devidamente intimada da decisão contida no Despacho Decisório, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade às fls. 351 a 371, alegando, em síntese, que teria havido a homologação tácita dos pedidos de compensação protocolizados no ano de 1999 e fevereiro de 2000, uma vez que a ciência do Despacho Decisório se deu em 30/10/2006, transcorridos, portanto, mais de 5 anos. Em 24 de agosto de- 2007, a l a . Turma da DRJ de Salvador acordou, por unanimidade de votos, deferir em parte a solicitação da contribuinte, reconhecendo a homologação das compensações por expressa determinação legal relativa aos débitos próprios no valor de R$ 56.423,85 e negar a suspensão da exigibilidade dos débitos de terceiros, determinando o prosseguimento da sua cobrança no valor original de R$ 197.770,10, - juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Do voto condutor da decisão de 1'• Instância destacamos os seguintes aspectos (fls. 378-79): „rJ9 3 O contribuinte, na sua defesa, não contesta o indeferimento do pedido de restituição proferido no Despacho Decisório DRF/CCI n° 130/2006 (fls. 343 e 344), no qual não é reconhecido o direito creditório pleiteado no valor de R.S 252.414,24, tratando-se, portanto, de matéria não impugnada, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto n°70.235, de 1972. (---) Assim, o direito creditório indeferido e não impugnado não será aqui discutido, constituindo assim matéria preclusa. (.--) O contribuinte alegou que os pedidos de compensação foram protocolados em 12/11/1999 e 02/02/2000, e, portanto, nos termos do art. 74, § 5 0, da Lei 9.430/1996 deveria ter sido reconhecida a homologação tácita das compensações declaradas. Aduz ainda, que não há como afastar a conversão dos pedidos de compensação de crédito com débito de terceiro, sob análise, em declarações de compensação. Em relação à conversão em DCOMP dos pedidos de compensação e conseqüente homologação tácita, verifica-se que à época dos pedidos de compensação (12/11/1999 e 02/02/2000) estava em vigor o texto antigo do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e a 1N 21/97 (revogada pela IN 41/2006), com a seguinte redação: (---) Posteriormente, veio a Lei n° 10.637, de 2002, que ao alterar o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 — que originalmente tratava de pedido de compensação e autorização pela SRF da utilização de créditos a serem restituídos para quitação de débitos de impostos e contribuições instituiu a declaração de compensação, com exigências e requisitos próprios: (.--) A nova sistemática de compensação, nascida com a edição do mencionado diploma legal é aplicável tanto às Declarações de Compensação (DCOMP) apresentadas a partir de 01 de outubro de 2002, quanto aos pedidos de compensação convertidos, por força do art. 74, § 4°, da Lei n° 9.430, de 1996, introduzido pela Medida Provisória n° 66, de 2002. Criou-se um novo instituto: a declaração de compensação, inconfundível com o anterior "pedido", para o qual se estabeleceram parâmetros, características próprios. Logo, será declaração de compensação a atividade regida pelo artigo 74, supra, e seus parágrafos. Com base apenas no § 40 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, o contribuinte pretende ver transformado seu pedido em Declaração de Compensação. Assim, em que pese o § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei 10.637, de 2002, peimitir a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em DCOMP, há que' se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tão-somente aqueles que possibilitassem a compensação de débitos próprios. (.--) Desta forma, como o pedido original do contribuinte trata de compensação de débitos próprios e débitos de terceiros (fl. 340), a compensação pleiteada desses últimos débitos que constam do seu requerimento inicial não podem ser 4 Processo n° 13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 3 transformados em declaração de compensação na forma prevista no § 4° do art. 74, porque não atende às exigências que caracterizam o instituto da declaração de compensação instituído pela Lei n° 10.637, de 2002, novo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas se tratar de compensação de crédito com débitos próprios. (--.) Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário alegada pela contribuinte em razão da apresentação da manifestação de inconformidade, o i. Relator do voto da decisão de l a. Instância assim se pronunciou (fl. 382-83): A manifestação de inconformidade até a edição da Medida Provisória n° 135, de 29 de dezembro de 2003 era regulada pela IN 21/2002 e não tinha efeito suspensivo. Como o CTN condiciona a suspensão da exigibilidade, no caso de interposição de reclamações ou recursos, à existência de lei reguladora do processo administrativo tributário, necessário foi criar por meio de lei reguladora, nova modalidade de manifestação de inconformidade para atender a determinação contida no CTN, a de suspender a exigibilidade. (--.) Assim, a manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo, só teve previsão legal a partir da Lei n° 10.833, de 2003, que alterou o art. 74, da Lei n° 9.430/1996, e se restringiu a não-homologação de compensação. A não- homologação está necessariamente vinculada a uma declaração de compensação (DCOMP) instituída pela Lei 10.637, de 2002, o que não se confunde com o indeferimento de um pedido de compensação com débitos de terceiros, que não foram convertidos. Portanto, somente a manifestação de inconformidade relativa à declaração de compensação (DCOMP) tem o efeito legal de suspender a exigibilidade do crédito tributário, ao contrário do alegado pelo contribuinte (fl. 363). A manifestação regida pela IN 21/97, relativa aos pedidos de compensação, não tem este efeito, por falta de previsão legal exigida pelo Código Tributário Nacional. Desta forma, indefiro o pedido de suspensão de exigibilidade, devendo prosseguir a cobrança dos débitos constantes no pedido de compensação de débitos de terceiros, os quais estão discriminados no item 12 do Despacho Decisório DRF/CCl/SAORT/ N° 0130/2006 (ft 340). Intimada da decisão de l a. Instância em 25 de setembro de 2007, a contribuinte apresentou, em 22 de outubro de 2007, recurso voluntário (fls. 389 a 401) reiterando os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade nos seguintes aspectos: - homologação tácita dos lançamentos; - homologação tácita dos pedidos de compensação; - previsão legal para compensação; - conversão do pedido de compensação em declaração de compensação; Acrescenta aos seus argumentos aspectos relacionados à segurança jurídica afirmando que a apreciação dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não pode perdurar indefinidamente. (6 5 Ao final requer a recorrente a refomia parcial do acórdão de l a• Instância para reconhecer a extinção do crédito tributário relativo às compensações com débitos de terceiros, seja pela homologação tácita dos lançamentos ou das compensações. É o relatório. 6 Processo n° 13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 4 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Após o julgamento de 1 a• Instância restou em discussão somente a possibilidade de conversão, em Declaração de Compensação, do "Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros" bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em razão da existência de tal pedido, uma vez que não houve por parte da contribuinte qualquer manifestação quanto à falta de comprovação da existência de saldo negativo em seu favor, que motivou o indeferimento da compensação. No meu entender, o voto condutor da decisão de 1'. Instância não merece qualquer reparo. Não há possibilidade de se considerar homologados, por decurso de prazo, os • pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, pois tal procedimento, hoje vedado, não foi alcançado pelas novas disposições trazidas pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96. Vejamos decisão do extinto Conselho de Contribuintes: N° Recurso 151406 Número do Processo 13807.001186/00-18 Turma 7" Câmara Contribuinte COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS -Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/11/2008 Relator(a) Luiz Martins Valer° N° Acórdão 107-09564 Tributo / Matéria IRF- que ã versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.) Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito crédito pleiteado no valor de R$ 5.721.940, 71. A Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto se declara impedida Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE - A sistemática relacionada à Declaração c)/ 7 de Compensação, inclusive a conversão de pedidos de compensação efetuados ainda no antigo regramento, só se aplica às compensações de débitos próprios, motivo pelo qual aos pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n.° 21, de 1997, é aplicável o regramento antes vigente.(grifo nosso) (.. -) Assim, sendo impossível considerar homologado o pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros, passamos à análise da suspensão da exigibilidade do crédito tributário considerado no pedido de compensação não homologado. Também nesse aspecto entendo que a decisão de 1'. Instância foi acertada. Do voto condutor da decisão de 1a• Instância destacamos o seguinte trecho: No tocante à suspensão de exigibilidade, o Código Tributário Nacional, art. 151, inciso III, dispõe que as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 1— omissis,- — omissis; III — as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV—omissis; V—omissis. A manifestação de inconformidade até a edição da Medida Provisória n° 135, de 29 de dezembro de 2003 era regulada pela IN 21/2002 e não tinha efeito suspensivo. Como o CTN condiciona a suspensão da exigibilidade, no caso de interposição de reclamações ou recursos, à existência de lei reguladora do processo administrativo tributário, necessário foi criar por meio de lei reguladora, nova modalidade de manifestação de inconformidade para atender a determinação contida no CTN, a de suspender a exigibilidade. Com a MP n° 135, de 2003, (Lei n° 10.833, de 2003), instituiu-se, por meio de lei reguladora, as exigências e os critérios do novo instituto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO e as normas processuais pertinentes aos processos referentes a essas declarações de compensações, atribuindo-se à manifestação de inconformidade o efeito suspensivo. (---) Assim, a manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo, só teve previsão legal a partir da Lei 10.833, de 2003, que alterou o art. 74, da Lei n° 9.430/1996, e se restringiu a não-homologação de compensação. A não- homologação está necessariamente vinculada a uma declaração de compensação (DCOMP) instituída pela Lei 10.637, de 2002, o que não se confunde com o indeferimento de um pedido de compensação com débitos de terceiros, que não foram convertidos em DCOMP. Processo n°13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 5 Portanto, somente a manifestação de inconformidade relativa à declaração de compensação (DCOMP) tem o efeito legal de suspender a exigibilidade do crédito tributário, ao contrário do alegado pelo contribuinte (fl. 363). A manifestação regida pela 1N 21/97, relativa aos pedidos de compensação, não tem esse efeito, por falta de previsão legal exigida pelo Código Tributário Nacional. É no mesmo sentido de não suspensão da exigibilidade o voto do Conselheiro Luiz Antônio de Paula no acórdão 106-15.764, cujo trecho transcrevo abaixo: É certo que, dada a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003 (convertida na Lei n° 10.833, publicada em 30/12/2003), e a alteração promovida por seu art. 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes, apresentados contra a não-homologação de compensação, passaram a ter o condão de suspender a exigibilidade do débito compensado. Contudo, essa determinação somente é aplicada quando se tratar de débitos confessados pelo contribuinte, ainda mais, mediante declaração de compensação, a qual somente passou a ter caráter de confissão de divida a partir da referida medida provisória. No presente caso, tratando-se de pedidos de compensação anteriores à Medida Provisória n.° 135, de 2003, não se verifica a suspensão da exigibilidade do crédito lançado. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão de P.Instância. É como voto. ?4, • C)f Valéria Cabral deo Verçoza 9
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Numero do processo: 10469.905507/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.265
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 07 /2 00 9- 54 Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10469.905507/200954 Acórdão n.º 3402003.265 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.034, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10469.905507/200954 Acórdão n.º 3402003.265 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2926DF CARF MF
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