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Numero do processo: 13987.000148/2002-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de análise de recurso especial contra decisão unânime interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão nº 20181352. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 NORMAS PROCESSUAIS. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento desbordando de sua competência. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo sido comprovada a existência e regularidade da medida judicial, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado. Recurso voluntário provido.” A Fazenda Nacional, com fundamento no inc. II do art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte c/c no inc. II do art. 7" do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, apresentou Recurso Especial solicitando a reforma da decisão proferida. Por meio do Despacho nº 2101043, fls. 204 e 205, deuse seguimento ao recurso na forma a seguir exposta: Consta do exame de admissibilidade (fls. 204 e 205) o seguinte: Quanto à divergência, a Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a decisão que motivou o cancelamento do lançamento fundamentado na falta de comprovação de existência de processo judicial informado em DCTF não teria fulcro na melhor análise da prova dos autos e da legislação pertinente. Alega que os fundamentos da autuação teriam sido a falta de recolhimento ou pagamento do principal ou a declaração inexata e que não houve cerceamento ao direito de defesa. Argumenta pela manutenção do lançamento para prevenir a decadência e discorda de que a fundamentação do lançamento tenha sido a falta de comprovação de processo judicial. Ademais, entende que como os créditos vinculados nas compensações apresentaram saldo a pagar igual a zero, devese, por força de lei, manter a autuação nessa parte. Para se contrapor à decisão recorrida, a Procuradoria apresentou como paradigmas os acórdãos 10194.649, 20310.006, 10247.809 e 20311.781. 8. Passemos à análise da divergência. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13987.000148/200218 Acórdão n.º 930301.696 CSRFT3 Fl. 215 3 8.1 Quando ao argumento de que o lançamento deve ser mantido para prevenir a decadência, os acórdãos 10194.649 e 203 10.006 estabelecem a divergência, uma vez que enfrentando situação idêntica decidiram que a existência de ação judicial não impede a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, com a finalidade de prevenir a decadência. 8.2 No que diz respeito ao entendimento de que os créditos vinculados nas compensações apresentaram saldo a pagar igual a zero, restando tributo a ser recolhido, devese, por força de lei, manter a autuação nessa parte, a recorrente apresentou como paradigmas os acórdãos 10247.809 e 20311.781. Em ambos foi decidido que os saldos a pagar de valores declarados em DCTF como pagos devem ser lançados de oficio. 8.2.1 Assim, verificase que os acórdãos estabeleceram a divergência quanto à questão. 8.3 No que diz respeito à inexistência de cerceamento ao direito de defesa de modo a ensejar a nulidade da decisão e à argumentação de que a motivação do lançamento não foi a falta de existência de processo judicial, a recorrente não apresentou acórdão paradigma. 9. Pelo exposto e sendo tempestivo o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: I — NEGO seguimento ao Recurso Especial, por falta de comprovação de divergência, quanto às questões mencionadas no item 8.4. II — RECEBO o recurso, por terem os acórdãos divergentes indicado suporte fático comum com o acórdão recorrido quanto à alegação de que deve ser mantido o lançamento para prevenir a decadência e de que tendo os créditos, vinculados nas compensações, apresentado saldo a pagar igual a zero devese, por força de lei, manter a autuação nessa parte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. ADMISSIBILIDADE Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Consta do recurso da d. Procuradora o que a seguir peço vênia para transcrever: II DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Para a perfeita caracterização da divergência jurisprudencial, é importante assentar algumas premissas a partir das quais se definirá em que aspectos o r. acórdão recorrido contraria os precedentes do Conselho de Contribuintes. Vejase: a) a razão subjacente ao lançamento, qual seja, a falta de recolhimento do tributo foi devidamente consignada no auto de infração; b) à época da autuação, faziase necessária a constituição do crédito tributário nas hipóteses em que o saldo a pagar declarado nas DCTFs fosse zero, haja vista que, nesses casos, não se tinha nenhum valor confessado; c) o Fisco tem o direito de constituir crédito tributário para prevenir decadência, independentemente de estar vigendo hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito; Todos os pontos acima detalhados convergem para que se conclua pela manutenção do lançamento, na esteira da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Urge reconhecer, por outro lado, que, em diversas oportunidades, este Eg. Conselho de Contribuintes reconhece o direito do Fisco de constituir o crédito tributário quando os saldos a pagar em DCTF são iguais a zero, para efeito de prevenir decadência do crédito tributário, mesmo que estes efeitos perseguidos não estejam expressos no auto de infração. Resta patente que a causa do lançamento e a sua fundamentação é a falta de recolhimento, o que não se confunde com os efeitos acessórios perseguidos. Descabe, por afronta aos princípios da eficiência e razoabilidade, exigir que o Fisco troque um lançamento por outro com o mesmo motivo "FALTA DE RECOLHIMENTO". Ao dispensar o lançamento, a r. decisão vergastada infringiu a orientação dos precedentes deste tribunal administrativo, afinal, independentemente da existência de causa de suspensão da exigibilidade do crédito, é possível que o Fisco proceda ao lançamento, ou mesmo que o preserve, para prevenir decadência. Esta é uma determinação da lei e da jurisprudência do Eg. Conselho de Contribuintes tão cristalina que se mostra desarrazoado o cancelamento da autuação para que outra idêntica seja efetuada em seu lugar. Confirase, inclusive, a perfeição com que o próximo paradigma colacionado se amolda ao caso concreto. Tratase de hipótese em que a causa primária do lançamento estava acobertada pela Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13987.000148/200218 Acórdão n.º 930301.696 CSRFT3 Fl. 216 5 ação judicial, mas entendeuse por bem mantêlo para efeito de evitar a decadência, verbis: "Acórdão 10194649 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA MULTA DE OFÍCIO Se no momento do lançamento o procedimento do sujeito passivo que lhe daria causa estiver ao abrigo de medida liminar ou de tutela antecipada concedida em ação judicial, a constituição do crédito tributário se destina a prevenir a decadência, não cabendo a exigência da multa de ofício." Percebese, ainda, que o r. acórdão recorrido não aplicou o escólio da jurisprudência do Conselho de Contribuintes, segundo o qual devese proceder à constituição do crédito tributário, quando as DCTFs apresentem saldo igual a zero. Calha transcrever mais estes paradigmas: "Acórdão nº 20310006 DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS. SALDOS NULOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO.PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de divida. Nos termos das IN SRF nº 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio." "Acórdão 10247809 DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA SALDO A PAGAR Somente o saldo a pagar informado na DCTF configurase em confissão de dívida, que não comporta lançamento de ofício e sim a cobrança desse saldo. Na hipótese de o contribuinte informar que o débito declarado teria sido integralmente extinto mediante pagamento, que em realidade não foi realizado, correta a lavratura de auto de infração para constituição do crédito tributário. Recurso negado." "Acórdão nº. 20311781 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS DECLARADA EM DCTF. INDEFERIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. Compensação com créditos de terceiros cujo direito não foi reconhecido ao cedente resta impossibilidade, pelo que cabe o lançamento do crédito tributário contra o cessionário, no valor correspondente ao débito compensado. PIS FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 01/1997 E 02/1997. VALORES DECLARADOS EM DCTF COM Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI Nº 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo a multa de ofício respectiva exonerada em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei nº 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso negado." Por óbvio, estes paradigmas também se enquadram na problemática discutida no presente processo, considerando que os créditos vinculados nas compensações apresentaram saldo a pagar zero, devendose, por força de lei, manter a autuação nesta parte. Quanto a estes períodos de ausência de pagamento, não houve a confissão da divida necessária para evitar o perecimento do crédito tributário. Com isso, demonstrouse, à exaustão, que a r. decisão guerreada afrontou a jurisprudência deste Eg. Conselho de Contribuintes, cancelando um auto de infração que, à luz dos precedentes transcrito, seria mantido, razão pela qual deve ser conhecido o presente recurso. (...) IV PEDIDO Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, em razão das divergências apontadas, e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido, restaurandose o lançamento promovido. Passo às considerações: Entendase por divergência a interpretação de maneira diversa a mesma norma a fatos iguais. Nos termos do então Regimento Interno (Portaria n.º 147/2007) e de acordo com o parágrafo 6º do art. 67, Anexo II, do atual RICARF, a divergência deve ser “demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Neste sentido, ao recurso especial de divergência cabe destacar especificamente os aspectos abordados pelo Acórdão recorrido e cotejálos com os enfrentados no Acórdão apontado como paradigma. Isto é, deve ser demonstrada, analiticamente, a divergência entre as razões de decidir do Acórdão recorrido com as razões de decidir do Acórdão dito paradigma. No caso em questão, a decisão recorrida cancelou o lançamento por entender que (SIC): “O presente lançamento decorre da declaração registrada em DCTF de compensação efetuada com supedâneo no Processo Judicial n2 96.60013272, sendo que a autoridade fiscal entende tratarse de "falta de recolhimento ou pagamento do principal, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13987.000148/200218 Acórdão n.º 930301.696 CSRFT3 Fl. 217 7 declaração inexata", sob a ocorrência de processo judicial não comprovado. A decisão recorrida, com base na Informação Fiscal de fls. 39/40, considerou que a contribuinte não fez parte da indigitada ação judicial. Por outro lado, a ora recorrente, conforme relatado, apresentou o extrato de consulta junto à internet, de modo a demonstrar sua participação na demanda judicial. (...) Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81). Assim, tendo em vista que o lançamento não teve como motivação a ausência de crédito tributário para a compensação pretendida, originandose, tãosomente, de processo judicial não comprovado, até porque o processo não foi objeto de análise prévia, e tendo sido, posteriormente, demonstrada a regular existência de medida judicial correspondente, repisese, não pode a autoridade julgadora suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora; agravando a exigência, modificando os argumentos, fundamentos e motivação do auto, nem tampouco aprimorar o lançamento. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para acolher o cancelamento do auto de infração, e seus consectários. Mantêmse os débitos existentes em DCTF, na forma declarada pela contribuinte. Com efeito, carece o recurso especial em tela do requisito básico de admissibilidade, como sendo, a demonstração de similitude fática entre o Acórdão recorrido e os apontados como divergentes. Sem haver similitude fática não há como contestar que a solução aplicada de forma diversa em um e em outro Acórdão, uma vez que para fatos diferentes, aos dispositivos legais emprestase outra interpretação, conforme o Direito aplicado. Não há como contrapor Acórdãos em que as causae petendi apresentamse distintas. De fato, é isso o que ocorre no Recurso ora em julgamento. Deveria, com a máxima vênia, ter trazido aos autos, como paradigma, Acórdão em que tivesse ocorrido mudança na fundamentação legal e ainda assim, mantido o lançamento. Este é o fulcro da decisão recorrida. Não foi a questão “da prevenção da decadência”, e nem sequer a questão de “ vinculação de créditos, vinculados nas compensações, apresentado saldo a pagar igual a zero”. Além do mais, contém do Despacho de admissibilidade, contradição/erro, ao se referir ao item 8.4, omisso no referido documento, conforme transcrição no relatório, a seguir Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 transcrito novamente (SIC): I NEGO seguimento ao Recurso Especial, por falta de comprovação de divergência, quanto às questões mencionadas no item 8.4. Inexiste no caso, a demonstração de similitude fática entre o acórdão recorrido e os apontados como divergentes. CONCLUSÃO: Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos com o pedido pela recorrente, não há como se conhecer do recurso especial. Maria Teresa Martínez López Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000114/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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score : 1.0
Numero do processo: 15165.002600/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Tratando-se de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e a aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindo-lhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.015
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral Dr. Adriano Digiácomo, OAB/SC 14.097.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratando-se de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e a aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindo-lhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratandose de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e a aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindolhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral Dr. Adriano Digiácomo, OAB/SC 14.097. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 26 00 /2 01 0- 87 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 659 3 Relatório Tratam os autos de auto de infração aduaneiro, relativo a Imposto de Importação, IPI, PISImportação e COFINSImportação no valor consolidado de R$26.950.705,93 (vinte e seis milhões, novecentos e noventa mil, setecentos e cinco reais e noventa e três centavos), incluindo principal, multa (proporcional e regulamentar) e juros, calculados até 30/07/2010, referente à reclassificação fiscal de várias Declarações de Importação registradas entre 01/2006 a 03/2010. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 482 (numeração eletrônica), em procedimento de fiscalização foram apuradas incorreções na informação do número de classificação fiscal de diversos tipos de processadores importados pelo sujeito passivo, havendo divergência no fato de serem os mesmos considerados placas de microprocessamento montadas com diversos componentes, dentre os quais um microprocessador (Classificação NCM 8473.30.43 – com cooler e 8473.30.49 – sem cooler) ou circuitos integrados híbridos (cujos diversos componentes não formam um todo indissociável – classificação NCM 8542.31.20). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 03/05/2010, através do Termo de Ciência de fls. 505 (numeração eletrônica), o contribuinte apresentou em 14/10/2010, as fls. 516 (numeração eletrônica), sua Impugnação Administrativa, alegando, em resumo, os seguintes fundamentos: Que o intuito do Auditor Fiscal era puramente autuar a empresa e não levantar a verdade material dos autos, pois que o mesmo questionou o contribuinte se as mercadorias “formavam um todo indissociável”, enquanto que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) classifica o item importado pela Impugnante como “praticamente indissociável”, induzindo a mesma a uma resposta tendenciosa, uma vez que não se pode afirmar que “todo indissociável” seja o mesmo que “praticamente indissociável”; Que pode ser confirmado por perícia o fato de que o componente por ela importado é praticamente indissociável, seguindo a NESH; Que há contradição nos argumentos motivadores do lançamento, uma vez que a Autoridade Administrativa afirma não ter observado na documentação apresentada pelo contribuinte, em sede de fiscalização, se os produtos por ela importados são compostos de componentes passivos ou ativos, ao mesmo tempo em que afirma que os “capacitores são componentes passivos que compõe o produto”; Que a fiscalização deveria ter citado a íntegra da NESH, na qual constam as exceções das exclusões da posição 8542, pois que nela se pode verificar que as combinações “praticamente indissociáveis”, como é o caso de seu produto, estão excetuadas das exclusões da mencionada posição; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Que os próprios fabricantes dos produtos cuja classificação está sendo questionada nos autos já mencionaram ter inicialmente utilizado a classificação 8542.31.90, contudo, tendo a DRF Campinas imposto que o mesmo readequasse sua classificação para a posição 8542.31.20, alteraramna conforme orientado, o que demonstra que nem mesmo os Auditores Fiscais possuem um entendimento único acerca da correta classificação a ser exigida dos contribuintes; Que foram alterados os critérios jurídicos da classificação discutida, não se impondo ao mesmo retroativamente sua obediência; Que em sites de outros fabricantes de computadores, através da lista de insumos lá relacionada, podese verificar que os processadores por estes utilizados possuíam a mesma classificação utilizada pela Impugnante, qual seja, 8542.31.20; Que o Auditor Fiscal, apesar de defender que a classificação fiscal é regida pelo artigo que lhe confere a característica essencial, reconhece que o produto importado pela impugnante é um “processador” e que este é o “cérebro do microcomputador”, não aplicando sua própria máxima ao caso em tela; Que a classificação fiscal correta para o produto é a de nº. 8542.31.20, tendo a mesma sido efetuada conforme dispõem as regras gerais para Interpretação de Sistemas Harmonizados e amparadas pela NESH; Solicitou ao final perícia técnica, formulando os quesitos entendidos como pertinentes. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (DRJ/FNS), houve por bem em considerar procedente a Impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0726.981, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 FALTA DE PROVAS. E ônus do Fisco instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Em apertada síntese a DRJ julgadora houve por bem em cancelar a autuação discutida, por entender que para a formação da convicção quanto ao correto e adequado enquadramento do código NCM de um produto, é indispensável conhecer, com detalhes, todas as suas características, sendo que a fiscalização lastreou sua convicção apenas em seus próprios argumentos, sem a devida comprovação documental, não sendo possível dispensar a apresentação de documentos comerciais, técnicos, laudos e pareceres – emitidos por profissionais qualificados/habilitados, hábeis a fazer o pronunciamento sobre os aspectos Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 660 5 técnicos necessários à correta identificação das mercadorias, tendo sido falha a fiscalização neste tocante. DO RECURSO DE OFÍCIO Por ter sido atingida a alçada prevista na Portaria Ministerial da Fazenda nº. 03/2008 houve recurso de ofício pela DRJ/FNS. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 volumes, numerado até a folha 657 (seiscentos e cinqüenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Considerando que os valores exonerados superam a alçada, atualmente fixada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conheço do Recurso do Ofício. Trata este processo administrativo de Auto de Infração em que se exige os tributos aduaneiros (II, IPI, Pis e CofinsImportação e multas), em função de revisão aduaneira na qual a Administração reclassificou os produtos importados pela Recorrente para as Posições NCM´s 8473.30.43 (Placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, inclusive em cartuchos) e 8473.30.49 (Outros), divergindo da classificação que vinha sendo empregada pelo contribuinte, na Posição NCM 8542.31.20 (Processadores e controladores , mesmo combinados com memórias, conversores, circuitos lógicos, amplificadores, circuitos temporizadores e de sincronização, ou outros circuitos – Montados ou próprios para montagem em superfícies). Em apertada síntese, entendeu a autoridade autuante, que os produtos importados pelo contribuinte não formariam um “todo indissociável”, eis que poderia ser considerado como uma parte ou componente, ainda que seja o principal (processador), mas que na verdade deveria acoplarse a outros componentes elétricos ou eletrônicos. Logo, por entender que não formaria um todo indissociável, entendendo tratarse de um parte, ainda que seja a principal do processador, houve por bem em reclassificar o produto importado. Por sua vez, o sujeito passivo, também em apertada síntese e naquilo que respeita ao mérito, sustenta que seu produto, por sua própria natureza, é definido como sendo “praticamente indissociável”, e, como tal, preenche o requisito da NESH de ser classificado como um “todo indissociável”, trazendo elementos comprobatórios de suas afirmações e requerendo a produção da prova pericial com a indicação de quesitos. A matéria, à obviedade, e preponderantemente técnica, no sentido de se identificar se os produtos importados pelo sujeito passivo formam mesmo um todo indissociável, sua aplicabilidade e atributos, ou se, ao contrário, não preenchem esses requisitos técnicos e portanto, deve prevalecer a reclassificação fiscal atribuída pela Fiscalização. Em assim sendo, verificase que a decisão unânime proferida pela DRJ/FNS, acabou por entender que a Administração Tributária não comprovou os aspectos técnicos que permitiriam efetivar a reclassificação fiscal das mercadorias importadas pelo contribuinte, tendo apenas lastreado o lançamento nos argumentos contidos no Termo de Verificação Fiscal, confeccionado pelo próprio fiscal autuante. Vejamos o que de essencial se colhe da decisão objeto de reexame de ofício: “A fiscalização lastreou o seu lançamento nos argumentos apresentados no ´Termo de Verificação Fiscal´ (fls. 479 a 488), documento lavrado pela própria fiscalização. As informações técnicas e descritivas das mercadorias que estão consignadas neste documento carecem da devida comprovação documental. Dada a natureza das mercadorias em apreço, e todos os aspectos inerentes à classificação fiscal da mesma, não e ́ possível ser dispensada a apresentação dos documentos comerciais, técnicos, laudos ou pareceres, estes últimos emitidos Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 661 7 por profissional qualificado e habilitado a fazer o pronunciamento sobre os aspectos tećnicos necessários à correta identificação das mercadorias. A fiscalização não juntou aos autos cópia dos documentos relacionados aos despachos de importação que deram origem ao lançamento lavrado. Portanto, com base nos documentos existentes nos autos sequer é possível aferir qual a descrição das mercadorias efetivamente utilizada, pela interessada, nas operações de importação. Por outro lado, considerando a hipótese de a listagem contida no ´Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação n° 2´ (fls. 489 a 495verso) apresentar descrição das mercadorias contidas nas declarações de importação, a situação se agrava, pois o que se vislumbra é que se tratam de dezenas (ou centenas) de mercadorias com descrições divergentes (´microprocessadores´ e ´processadores´ de diversos modelos), dado que haveria de se levar em conta as especificidades da tecnologia aplicada nos diversos modelos.” – Grifei. Assim sendo, entendeu a DRJ que não cumpriu a Fiscalização com o ônus que lhe incumbia de lastrear o lançamento com a prova de que a classificação que pretendia empregar estava tecnicamente correta, em detrimento daquela empregada pelo contribuinte. Vejamos mais uma passagem da decisão: “O caso dos autos é daqueles em que não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a natureza das mercadorias, o caso não se limita interpretação da descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, mas à própria natureza da mercadoria importada: sua composição e constituição. Assim, não basta apenas que a Descrição do Fato, requisito obrigatório do auto de infração nos termos do inciso III, do artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, contenha a necessária concatenação de idéias que permitam fazer a ligação entre todos os elementos que compõem a autuação. E imprescindível que os elementos de prova sejam apresentados e atestem que os fatos atribuídos ao contribuinte se alinham com os dispositivos legais relacionados ao caso.” Entendo ter agido corretamente a decisão sob reexame de ofício. Isso porque, como bem se sabe, é ônus de quem alega a prova do direito de que se diz titular. Assim o estabelece o art. 333 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo tributário: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Assim, assiste razão a decisão proferida pela DRJ/FNS, pois que em sede de Auto de Infração, em que a Administração impinge ao sujeito passivo a prática do fato gerador ou de uma infração, exigindolhe o tributo e aplicandolhe a penalidade correspondente, é ônus dela comprovar o fato constitutivo do direito ao crédito tributário correspondente. Discorrendo sobre o ônus da prova em sede fiscal, PAULO CELSO BERGSTROM BONILHA, em sua obra “Da Prova no Processo Administrativo Tributário” (Ed. LTR, 1992, p. 93), assim explicita: “De fato, com a obra de Gian Antonio Micheli, os efeitos processuais da presunção de legitimidade dos atos administrativos foram devidamente equacionados, evidenciando se a imprestabilidade dos argumentos que o invocaram para justificar a exoneração da prova da administração. Eis a lição do grande mestre peninsular: Não pode ser, ao reverso, invocada a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de dúvida’. Como bem salientou o saudoso e ilustre professor que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma ‘relevatio ab onere agendi’ e não uma ‘relevatio ab onere probandi’, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas este atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” – grifei. Assim sendo, considerando que não bastava a articulação de argumentos no Termo de Verificação Fiscal, sem que estivesse corroborados por prova técnica hábil e capaz para demonstrar trataremse os produtos importados, de produtos dissociáveis uns dos outros, como afirmado pela Administração, realmente padece de higidez o lançamento, por contrariar ao disposto no art. 9º, do Decreto nº 70.235/1972, assim vazado: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” (grifamos) Inclusive em caso perfeitamente análogo ao ora sob exame, o qual versava sobre auto de infração lavrado em face de NOVA SOLUÇÕES DE INFORMATICA AS, empresa esta incorporada pela ora recorrente e que sofreu procedimento fiscal similar, a 1ª turma ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção do CARF proferiu julgamento assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 17/04/2006 a 03/04/2008 FALTA DE PROVAS. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15165.002600/201087 Acórdão n.º 3402002.015 S3C4T2 Fl. 662 9 É ônus do Fisco instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Em se tratando de um auto de infração relativo à classificação de mercadorias, fazse imperiosa a instrução do lançamento com as declarações de importação e outras provas que corroborem a nova classificação imposta pela fiscalização. CIRCUITOS INTEGRADOS HÍBRIDOS. Restando demonstrado que as mercadorias importadas pela Interessada atendem aos requisitos previstos no texto da NESH referente à posição NCM 8542, é de se concluir que as premissas aduzidas pela fiscalização não devem prosperar, quer no plano formal, quer no plano material. (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão 3201001.170. Sessão de 27 de novembro de 2012). Do trecho do acórdão do relator conselheiro Daniel Mariz Gudiño constatase que o mesmo inclusive adentrou um pouco mais na analise do produto em si,como se vê pelos trechos abaixo transcritos: Mesmo que fosse possível superar essa deficiência do lançamento, convém ressaltar que a NESH da posição NCM 8473 estabelece textualmente que “Excluemse também desta posição [...] e) Os circuitos integrados (posição 85.42).” Logo, para que pudesse prevalecer a classificação fiscal proposta pela fiscalização, seria necessário descaracterizar as mercadorias importadas pela Interessada como circuito integrado. Porém, o motivo pelo qual a fiscalização entendeu que as mercadorias importadas pela Interessada não poderiam ser enquadradas como circuito integrado híbrido – existência de um dissipador de calor – decorre de uma interpretação também equivocada acerca da NESH da posição NCM 8542, [...] Segundo a fiscalização, o fato de as mercadorias importadas pela Interessada possuírem um dissipador de calor caracterizariam um conjunto obtido pela adição de um dispositivo a uma microestrutura eletrônica, e, por essa razão, não poderiam ser classificadas na posição NCM 8542. Ocorre que esse mesmo texto exclui dessa exceção os circuitos integrados híbridos, ou seja, é possível classificar na posição NCM 8542 os circuitos integrados híbridos obtidos pela adição de um dispositivo a uma microestrutura eletrônica, inclusive quando esse dispositivo é um dissipador de calor. Para afastar a classificação das mercadorias importadas pela Interessada na posição NCM 8542, a fiscalização deveria ter descaracterizado a própria natureza de circuito integrado híbrido, o que foi tentado também. De acordo com o “Termo de Verificação Fiscal”, a fiscalização entendeu que os componentes ativos e passivos das mercadorias em questão estavam dispostos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 de forma que poderiam ser removidos, o que contraria a conceituação de circuito integrado híbrido nos termos da NESH da posição NCM 8542, que, por sua vez, exige que tais componentes sejam “praticamente indissociáveis”. [...] Ora, afirmar que não é rentável o investimento em ferramentas para montar e testar o circuito integrado híbrido é o mesmo que afirmar que a retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam rentáveis. Em termos mais objetivos, é dizer que as mercadorias importadas pela Interessada são praticamente indissociáveis, e, portanto, são, sim, circuitos integrados híbridos. Resta demonstrado, pois, que as premissas que levaram à fiscalização a reclassificar as mercadorias importadas pela Interessada não se sustentam, quer no plano formal, quer no plano material. Em face do que se viu, embora, se para Administração não é possível refazer a classificação atribuída pelo sujeito passivo sem se verificar o produto, e também não seja possível para o órgão julgador firmar categoricamente que o produto correspondeu a descrição aposta nas DI’s (já que se trata de revisão aduaneira de importações de produtos já internalizados), resta claro que realmente a matéria prescindiria de avaliação técnica dos produtos. Assim sendo, entendo ter agido com correição a DRJ de Florianópolis, pelo que deve ser mantida a decisão pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001808/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Quando a impugnação não apresenta argumentos contrários ao lançamento, esta não pode ser conhecida. O recurso que insiste em não combater o lançamento deve ter igual destino. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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score : 1.0
Numero do processo: 13884.003382/2005-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR.
MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos
casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos.
Numero da decisão: 9101-001.393
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, recurso provido em parte, para restabelecer a multa qualificada em relação às receitas oriundas de aplicações financeiras de renda fixa e variável e sobre o ganho de capital (TDA).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR. MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos.
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PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR. MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, recurso provido em parte, para restabelecer a multa qualificada em relação às receitas oriundas de aplicações financeiras de renda fixa e variável e sobre o ganho de capital (TDA). (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente), Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Em face do contribuinte IPCAIsmael Pulga Consultores Associados Ltda. foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, para tributação de receitas operacionais apuradas com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/96, receitas de rendimentos em aplicações financeiras não oferecidas à tributação, bem como de ganhos de capital em operações de cessão de direitos creditórios de títulos da dívida agrária. Foi lançada multa qualificada no percentual de 150% para todas as infrações, ao argumento de que o contribuinte teria agido com evidente intuito de fraude, incidindo no tipo do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Instaurado o litígio com a impugnação tempestivamente apresentada, os lançamentos foram integralmente mantidos na primeira instância. O recurso voluntário interposto foi incluído em pauta de julgamento na sessão de 24 de janeiro de 2007, não tendo sido conhecido pela Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por perempto (Ac.10516.231). Os embargos de declaração interpostos foram acolhidos e, em sessão de 05 de dezembro de 2007, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão nº 10516.793, integrado pelo Acórdão 10517.121. de 13/08/2008, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, no mérito: (a) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a tributação em relação ao PIS e COFINS, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Waldir Veiga Rocha; (b) reduziu a multa de oficio para 75% em relação aos itens 1, 2 e 3 da autuação, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães que só reduzia em relação ao item 1. É a seguinte a ementa da decisão: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ERRO MATERIAL Demonstrada a tempestividade do recurso voluntário, é de se conhecer e retificar o acórdão embargado para declararlhe a tempestividade e conhecêlo. DECADÊNCIA TERMO INICIAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, comprovado que o contribuinte agiu com dolo, a contagem do prazo decadencial para constituição de crédito tributário dáse na forma do art 173, I do CTN. Solução aplicável para todo o crédito lançado, dada a impossibilidade lógica de se segregar, para fins de contagem do prazo decadencial, uma infração das demais, quando todas se referem aos mesmos períodos de apuração. PIS E COFINS TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENÁRIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS APLICAÇÃO DO ART. 1°, DECRETO 2.346/97 – A Lei nº. 9.718/98, ao determinar a tributação de receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que, à Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 4 época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. lrrelevância da Emenda Constitucional n. 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vício insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional ingressou com recurso especial alegando que o Acórdão: (a) quanto ao afastamento da tributação relativa ao PIS e à Cofins, afrontou o art. 1°, §§ 2° e 3° e art. 4°, caput e parágrafo único, todos do Decreto nº 2.346/97, bem assim o art. 195, inciso I, "b", da Constituição Federal e art. 30 , § 10, da Lei n.° 9.718/98; (b) quanto à desqualificação da multa de ofício lançada, afrontou o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Pondera a Fazenda que a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi pronunciada em controle difuso, não se tendo conhecimento da edição de Resolução do Senado Federal que suspendesse a execução da referida norma do Ordenamento Jurídico, nos termos do que lhe permite o art. 52, X da Constituição de 1988. Quanto à qualificação da multa diz que, no presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da multa pelo fato de terem sido comprovadas diversas práticas que evidenciam o claro objetivo de se furtar ao recolhimento dos tributos devidos, citando as práticas de (i) omissão na escrituração contábil de vultosa movimentação bancária, só levada ao conhecimento do fisco pelas Instituições Financeiras; (ii) não inclusão na base de cálculo do IRPJ do rendimento oriundo de aplicações financeiras de renda fixa e variável; (iii) omissão de ganho de capital referente a operações de cessão de direitos creditórios; (iv) omissão de ganhos com CDC. O recurso especial foi admitido. O contribuinte novamente opôs embargos declaratórios que não foram acolhidos, vez que repisavam alegações esposadas no recurso voluntário e devidamente apreciadas no voto de fls. 698/718, além de aduzir razões e anexar documentos não oferecidos por ocasião da interposição da peça recursal. O contribuinte, em seguida, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda, e apresentou recurso especial de divergência não admitido. É o relatório. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Como visto do relatório, duas são as questões que a Fazenda Nacional pretende sejam revistas, sob alegação de que a decisão recorrida contraria a lei e/ou às provas dos autos. A primeira dela se refere aos lançamentos de PIS e COFINS. A Câmara cancelouos nos termos do voto do Relator, cuja motivação se traduz na ementa: “A Lei nº 9.718/98, ao determinar a tributação de receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional nº 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vício insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97. A Procuradoria da Fazenda Nacional alega que o § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, continua vigorando com presunção de sua conformidade com a ordem constitucional vigente, pelo que deve a norma em apreço continuar sendo aplicada pelo intérprete, já que inexiste dispositivo legal que autorize a sua não aplicação, estando os órgãos integrantes da Administração Pública Federal Direta obrigados a cumprila. Argumenta que a norma proclamada inconstitucional em controle difuso, ainda que pelo STF, apenas atinge os participantes da demanda judicial, não sendo capaz de estender seus efeitos aos demais outros sujeitos. Aduz que o parágrafo único do art. 4º do Decreto n o 2.346/97 não autoriza o Conselho de Contribuintes a acolher alegação de inconstitucionalidade fora dos casos previstos no art. 1º e 4º, caput, do mesmo Decreto. Afirma que os conceitos de receita bruta e faturamento estão sendo rediscutidos pelo Supremo Tribunal Federal, razão pela qual uma decisão em sede de controle difuso de constitucionalidade não pode espraiar seus efeitos indiscriminadamente, em afronta ao Decreto nº 2.346/97 e ao inc. X, do art. 52 da Constituição Federal. Com todo o respeito aos judiciosos argumentos da Fazenda Nacional, é preciso ter em conta que o Regimento Interno do CARF admite que as decisões do STF em controle difuso sejam estendidas aos julgados administrativos. É o que preceitua o art. 62, inciso I, do Anexo II do regimento aprovado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Disposição de igual teor constava do artigo 49 do regimento anterior. Por outro lado, a jurisprudência do STF quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS foi mantida pela Corte em julgamento submetido ao regime do art. 543B do CPC, conforme noticia o Informativo STF n° 519, de 8 a 12 de setembro de 2008. O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. RE 585235 QO/MG, rel. Min. Cezar Peluso, 10.9.2008. (RE 585235) Esse fato afasta qualquer discussão sobre a matéria, à luz do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à multa, três foram as infrações para as quais a Câmara entendeu inaplicável sua exacerbação, quais sejam: (a) Omissão de receitas caracterizada por depósitos cujos recursos não tiveram sua origem comprovada: Fato Gerador Valor (R$) 30/06/2000 244,00 30/09/2000 100,00 30/09/2000 450,00 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 4 7 (b) Omissão de receitas referentes a rendimentos decorrentes de aplicações de financeiras de renda fixa Data do resgate Rendimento tributável IRRF 06/01/00 25.700,61 5.140,12 11/02/00 24.857,44 4.971,48 20/06/00 26.410,19 5.282,03 25/08/00 186.636,61 37.327,32 (c) Omissão de receitas referentes a rendimentos decorrentes de aplicações de financeiras de renda variável Data do resgate Resultado da operação IRRF 06/01/00 6.596,77 1.319,35 11/02/00 6.107,49 1.221,49 20/06/00 4.929,00 985,80 25/08/00 31.113,79 6.222,75 Como assinala a Fazenda Nacional em sua peça recursal. “a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou de uma ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública. Traduzse, portanto, em um propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária.” (negritos acrescentados). A análise das circunstâncias justificadoras da imposição da multa qualificada é casuística, e a intenção dolosa deve ser inequívoca. Essa análise foi feita pelo ilustre Conselheiro Relator do voto condutor do acórdão guerreado, que assim expôs suas razões: “A multa qualificada foi lançada para todas as infrações acima, estando fundamentada, em relação às três primeiras, com base nas disposições do art. 71 da Lei 4.502/64, basicamente ao argumento de que a contribuinte teria omitido em sua escrituração contábil toda sua vultosa movimentação bancária (créditos em contacorrente no valor total de R$ 4.532.099,28, conforme planilhas de folhas 114 e 155), movimentação essa da qual o Fisco tomou conhecimento apenas devido às informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas respectivas instituições financeiras”. Segundo a autoridade lançadora, este conjunto fático denotaria que a contribuinte teria demonstrado "evidente intuito de fraude, definido no art. 71 da Lei 4.502”. A suposta omissão desta movimentação financeira, além da omissão dos próprios rendimentos, é utilizada para justificar a aplicação da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento) Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI 8 nas três primeiras infrações objeto das autuações, acima referidas. A contribuinte, relativamente a essa movimentação bancária, sustenta no apelo voluntário que "os depósitos bancários de mais de quatro milhões de reais, insistentemente citados pelo autor do feito no relatório fiscal, como justificativa para o agravamento da multa, foram praticamente todos comprovados, restando incomprovados apenas R$ 794,50 (setecentos e noventa e quatro reais)”. Tenho que assiste razão à contribuinte neste particular. De fato, a simples constatação de omissão de receita, quase que totalmente referentes a rendimentos tributados na fonte, de per si não autoriza se presuma tenha agido dolosamente, não servindo de comprovação de alegada conduta dolosa o fato de se atribuir à contribuinte omissão de movimentações bancárias em valor superior a quatro milhões de reais, quando, desse total, restar sem comprovação depósitos bancários correspondentes a menos de mil reais. Tenho, pois, por improcedente o lançamento da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) relativamente às seguintes infrações: (i) omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada; (ii) omissão de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa; e (iii) omissão de rendimentos de aplicações financeiras de renda variável. É inegável que a insignificância dos depósitos bancários de origem não comprovada (numa movimentação bancária total de R$ 4.532.099,28, não logrou comprovar a origem de menos de R$ 800,00) não é suficiente para indicar intuito doloso de omitir receitas operacionais, especialmente por se tratar de omissão apurada por presunção. Não obstante, a meu juízo, essa assertiva não respalda a conclusão do voto condutor, de que “a simples constatação de omissão de receita, quase que totalmente referentes a rendimentos tributados na fonte, de per se não autoriza se presuma tenha agido dolosamente, não servindo de comprovação de alegada conduta dolosa o fato de se atribuir à contribuinte omissão de movimentações bancárias em valor superior a quatro milhões de reais, quando, desse total, restar sem comprovação depósitos bancários correspondentes a menos de mil reais”. A constatação de que a totalidade (praticamente) dos depósitos tem origem comprovada não é suficiente para afastar o dolo, se essa origem indica rendimentos (embora não oriundos de receitas da atividade operacional) omitidos. O conjunto dos fatos, a meu ver, demonstra a intenção dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Com efeito, toda a movimentação bancária do contribuinte, que compreendeu créditos em contacorrente no valor total de R$ 4.352.099,28, não era contabilizada, e dela o fisco só tomou conhecimento em razão das declarações das instituições financeiras relativas à CPMF. Essa vultosa movimentação financeira abrigava operações financeiras de renda fixa e de renda variável e operações de contratos de cessão de direitos creditórios de títulos da dívida agrária (TDA), responsáveis por rendimentos que não foram declarados à Receita Federal nem contabilizados. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão n.º 9101001.393 CSRFT1 Fl. 5 9 Considerandose apenas os rendimentos omitidos que estão contidos na movimentação financeira não contabilizada, a situação é assim retratada: 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre Base de cálculo declarada 30.144,00 29.376,00 41.664,00 Receitas aplicações. financeiras omitida 63.262,31 31.339,19 217.113,79 Ganho de capital (CDC) omitido 1.491.290,80 71.435,90 152.075,30 Omissão total 1.554.553,11 102.775,09 369.198,09 IRRF s/ aplicações financeiras 12.652,44 6.267,83 43.550,07 Sobre os rendimentos omitidos incidiria uma carga tributária de 33% (15% de IRPJ alíquota normal, 10% de adicional e 8% de CSLL). Não vejo nenhuma razoabilidade em concluir que o contribuinte não agiu com dolo ao omitir os rendimentos de aplicação financeira e teve intenção dolosa ao omitir os ganhos de capital com a cessão de direitos creditórios. As situações são idênticas. Nos dois casos os ganhos não declarados (e não contabilizados) só puderam ser conhecidos a partir da movimentação bancária que não estava contabilizada. Pelo acima exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional, para restaurar a multa de 150 % sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e variável e sobre o ganho de capital (TDA). É como voto. Sala das Sessões, em 17 17 de julho de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13807.000032/99-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2001
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – IRRF – SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Uma vez não comprovado o recolhimento em duplicidade do IRRF, que
supostamente gerou saldo negativo, restituível e compensável, mesmo dada oportunidade legal em diligência para tal comprovação, inexiste suposto direito creditório.
Numero da decisão: 1202-000.801
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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(ATUAL DENOMINAÇÃO DE GW GERENCIAMENTO DE FRETES DO BRASIL LTDA). Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – IRRF – SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Uma vez não comprovado o recolhimento em duplicidade do IRRF, que supostamente gerou saldo negativo, restituível e compensável, mesmo dada oportunidade legal em diligência para tal comprovação, inexiste suposto direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. ( documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente ( documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nélson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13807.000032/9901 Acórdão n.º 120200.801 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição, cumulado com Pedido de Compensação, protocolados em 05.01.99, objetivando o aproveitamento de créditos do IRRF – Aplicações Financeiras, Comissões e Serviços Prestados, relativos a retenções efetuadas durante os anos calendários de 1995, 1996 e 1997, no valor de R$38.852,24, com vistas à quitação de débitos do IRPJ do período do período de apuração de 1998 e 1999. Após apreciação preliminar do pedido de restituição, em atendimento à intimação de fls. 92, a contribuinte apresentara cópia autenticada dos informes de rendimentos do Imposto de Renda Retido na Fonte nos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997 deduzidos em suas DIRPJ/96, DIRPJ/97 e DIRPJ/98. Em seqüência, por meio do despacho decisório datado de 22.09.03, fls. 170/173, e cientificado ao contribuinte em 17.02.04, a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DERAT da DRF São Paulo/SP indeferiu o pedido do contribuinte e, consequentemente, não homologou os pedidos de compensação, sob a alegação de que o montante retido a título de IRRF não foi suficiente para gerar saldo negativo passível de restituição. Eis o trecho da decisão que sintetiza a razão do indeferimento do pleito, consistente na existência, no ano de 1997, de valores constantes dos informes de rendimentos (pagamento a maior) inferiores aos valores de IRPJ devidos por estimativas: “Depreendese da tabela acima que, na Ficha 09, no mês de junho de 1997 (vencimento julho), o total de fonte lançado na linha 06 correspondente ao saldo credor do anocalendário de 1996 foi R$1.259,34, restando ainda R$10.596,05 do total lançado para o qual deverá ser utilizado IRRF do ano calendário de 1997 (linha 06 da Ficha 09). Considerando que durante o ano de 1997 o contribuinte comprovou ter IRRF no valor total de R$26.678,23, tendo deduzido R$10.596,05 em junho, R$899,99 em julho e R$42.577,13 em dezembro, verifica se que os valores não foram suficientes para compensar os valores devidos da estimativa do IRPJ; sendo assim, não há que se falar em restituição.” Inconformada com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentara, em 16.03.04, manifestação de inconformidade, esclarecendo, preliminarmente que os créditos tributários foram declarados mediante DCTF entregue em 01.02.99 e, posteriormente, alterada, em 29.03.99, por meio da entrega de DCTF complementar e não de DCTF retificadora. Tendo, tal equívoco, sido constatado apenas nessa oportunidade, em 09.03.04 fora protocolada DCTF retificadora, a qual reflete os valores dos débitos apresentadas na equivocada DCTF complementar, os quais devem ser objetos da compensação. No mérito, a contribuinte alega que a decisão proferida reconhecera integralmente a existência e a validade dos valores apresentados pelo contribuinte, oriundos de IRRF retido e não deduzidos do IRPJ devido mensalmente a título de antecipação do devido ao final do períodobase; subsistindo apenas a divergência relativa aos valores devidos por estimativa. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13807.000032/9901 Acórdão n.º 120200.801 S1C2T2 Fl. 3 3 Após tecer considerações sobre a sistemática de apuração do IRPJ, destacando a possibilidade de dedução do montante devido o IRRF e o cumprimento integral das formalidades exigidas para esse procedimento, a contribuinte, cita que na DIPJ/98 não fora apurado IR a pagar e, portanto, teria direito à restituição do IRRF e, dessa forma, compensálo com tributos de períodos subseqüentes. Reitera a inexistência de controvérsia sobre os valores apresentados, destacando a prova de que, no períodobase de 1997, o IRPJ devido mensalmente foi deduzido de recolhimentos, compensações de saldos credores de anos anteriores e IRRF. Afirmando ser o IRPJ tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150, do CTN, a contribuinte aponta a ocorrência da homologação tácita e, consequentemente, a decadência do direito do Fisco lançar a insuficiência de recolhimento apurada na DIRPJ/98 apenas nesta oportunidade. Conclui, então, que qualquer redução do valor apresentado em decorrência da indicação de créditos tributários até então inexistentes representa inequívoca pretensão de constituição do crédito tributário. Ressaltando, também, a impossibilidade do Fisco ter procedido à compensação de ofício, conforme previsto no art. 24 da IN 210/02, pois o prazo de 15 dias para manifestação da contribuinte nunca fora concedido. Alega, ainda, a inconstitucionalidade e ilegalidade da decisão em questão, em virtude da não observância do princípio da moralidade pública, insculpido no art. 37, da Constituição Federal, seja ao rever lançamento homologado tacitamente; ao constituir crédito tributário por via oblíqua ou ao considerar a análise parcial de informações acessíveis ao Fisco. Por fim, solicita a perícia dos livros contábeis com vistas à constatação de que o valor do IRRF objeto deste processo não foi deduzido do IRPJ devido mensalmente a título de estimativa. Antes do julgamento da manifestação de inconformidade, a contribuinte apresenta explicações a respeito dos supostos débitos indicados, reiterando os esclarecimentos sobre a apresentação de DCTF retificadora, a qual aponta os valores dos débitos tributários que devem ser considerados no presente pleito. Em vista aos argumentos apresentados pela impugnante, a DRJ – São Paulo/SP manifestouse, em fls. 529/541, no sentido de indeferir o pedido de restituição do indébito do presente processo, sob o fundamento de que o IRRF não pode ser aproveitado para compensar débitos de outros tributos ou contribuições, apenas o saldo negativo apurado nas declarações poderia ser objeto de compensação com o IRPJ e o IRRF de períodos subseqüentes. No que tange às alegações concernentes à decadência tributária dos valores devidos por estimativa e que não foram liquidados durante o anocalendário de 997, reconhece que não são passíveis de lançamento em decorrência do prazo decadencial de 05 anos, previsto no art. 150, §4º, do CTN. Todavia, esclarece que não houve constituição do crédito tributário, mas apenas a verificação da existência do crédito tributário. Rejeitadas as argüições de inconstitucionalidade, também é afastado o pedido de perícia formulado pela contribuinte, sob a justificativa de que constam nos autos os Fl. 624DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13807.000032/9901 Acórdão n.º 120200.801 S1C2T2 Fl. 4 4 elementos necessários para formulação da livre convicção do julgador, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Esclarece, ao final, que a alegação de duplicidade de débitos vinculados ao presente processo, decorrentes do não cancelamento da declaração complementar, após a apresentação da DCTF retificadora em substituição àquela, deverá ser objeto de novo pedido à DIORT/DERAT, haja vista que o presente pleito é restrito ao julgamento do pedido de restituição e de compensação. Em, 10.01.05, o contribuinte, tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário, reafirmando as alegações aduzidas em sua peça inicial de defesa, bem como tecendo as seguintes considerações: Necessário determinar à DERAT/DIORT que considere a última DCTF entregue para fins de determinação do valor do crédito tributário da contribuinte a ser homologado neste pedido de compensação; O Acórdão recorrido reconhece integralmente a existência e a validade dos valores apresentados pela contribuinte, ou seja, reconhece que as retenções existiram e não foram utilizadas para a redução do IRPJ devido nos anoscalendário em que as receitas que os originaram foram submetidas à incidência do IRPJ; A autoridade de julgamento de 1ª Instância reconhece ter fluído o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao ano de 1997 e, incoerentemente, afirma que apenas houve a verificação da existência do crédito tributário; Na tentativa de salvar o despacho decisório, a autoridade julgadora de 1ª instância indica, de modo insubsistente, que a contribuinte poderia deduzir o imposto em qualquer período posterior e não considerálo como pagamento indevido ou a maior. O processo foi a julgamento e, mediante a Resolução nº.10800.483, de 06 de março de 2008, da antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, foi o mesmo convertido em diligência para o seguinte: “Portanto, diante da total influência dos valores constantes da DCTF para o julgamento do presente pleito, sou por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de a autoridade preparadora verifique a duplicidade alegada pela contribuinte na entrega da DCTFretificadora e complementar, nas respectivas datas, assim como verificar na contabilidade do contribuinte a correspondência dos débitos em DCTF, abrindose prazo para manifestação do contribuinte.” Assim o processo retorna a julgamento, em face a diligência acima. A Recorrente, em sua manifestação, argúi que as provas se encontram em sua contabilidade e que protesta pelo cumprimento efetivo de tal auditoria em sua contabilidade, o que não foi realizado pela autoridade diligenciante. É o relatório. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13807.000032/9901 Acórdão n.º 120200.801 S1C2T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relator Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal dele tomo conhecimento. Preliminarmente, há de ser destacado a particularidade que envolve o presente caso, no que tange à existência de DCTF retificadora entregue para fins de determinação do valor do crédito tributário a ser homologado no pedido de compensação que ainda não havia sido processada pela DERAT/DIORT na oportunidade da análise de seu pleito inicial. De acordo com as explicações da Recorrente (fls. 546): “... por ocasião da Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente explicou, exaustivamente, que foi cometido o equívoco de entrega de uma Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF “complementar” quando se pretendia entregar uma “retificadora”. Deste modo, os créditos foram lançados em dobro no sistema da SRF, acarretando na insuficiência de créditos da Recorrente (oriundos do IRRF não utilizado em 199567 – objeto desse Pedido de Restituição) para a extinção dos créditos tributários por compensação. Para tanto a ora Recorrente protocolou em 09 de março de 2004, junto a SRF uma DCTF “retificadora”, sob o nº 09.83.43.88.99, para substituir as entregues em 1º de fevereiro de 1999, sob n° de controle 1.398.621.096 (original) e em 29 de março de 1999, sob o nº de controle 1.551.178.936 (“complementar”) Tais alegações foram abordadas pela Recorrente na ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, bem como foram objeto de petição esclarecedora, fls. 525/527, protocolada antes do julgamento pela autoridade julgadora de 1ª instância. Todavia, quando do julgamento da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu o pedido de restituição do indébito e não homologou os pedidos de compensação e fez constar em seu despacho que a alegação da Recorrente acerca da existência de duplicidade de débitos deveria ser objeto de pedido à DIORT/DERAT, nos seguintes termos: “Cabe esclarecer que a contribuinte afirma em sua peça impugnatória a presença de duplicidade de débitos vinculados ao presente processo em virtude de não ter sido cancelada a declaração complementar, uma vez que, segundo a impugnação, por seu equívoco houve a entrega de DCTF complementar e não de DCTF retificadora. Dessa forma, segundo afirma a interessada, estariam sendo cobrados débitos em duplicidade, ou seja, os débitos da DCTF retificadora apenas substituiu a DCTF original. Em sendo análise do presente pleito restrito ao julgamento do pedido de restituição e de compensação caberá Fl. 626DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13807.000032/9901 Acórdão n.º 120200.801 S1C2T2 Fl. 6 6 ao contribuinte encaminhar o pedido à Diort;Derat, órgão competente para analisar o pleito.” Contudo, ouso discordar desse entendimento, por entender que o processamento da DCTF retificadora é imprescindível para o julgamento do pedido de restituição e do correlato pedido de compensação. De fato, é por meio da análise da DCTF que se obtém o valor do crédito tributário do contribuinte a ser homologado no pedido de compensação. Havendo retificação no valor declarado, haverá, indubitavelmente, alteração no valor a ser reconhecido para fins de compensação. Portanto, diante da total influência dos valores constantes da DCTF para o julgamento do presente pleito, o julgamento foi convertido em diligência, a fim de a autoridade preparadora verifique a duplicidade alegada pela contribuinte na entrega da DCTFretificadora e complementar, nas respectivas datas, assim como verificar na contabilidade do contribuinte a correspondência dos débitos em DCTF, abrindose prazo para manifestação do contribuinte. Isto posto, eis a resultado da diligência, fls.600 e seguintes : 03. Causa estranheza a alegação de duplicidade de débitos na DCTF do 1º trim./1998, pois os débitos do presente processo são exatamente os informados pelo interessado no seu “Pedido de Compensação” e anexos, fls. 79/83, conforme pesquisa “Extrato do Processo”, fls. 588/590. 04. Também de acordo com os sistemas da RFB, pesquisa Portal DCTF, “Relação de Declarações”, fl. 593, a DCTF original e a complementar do 4º trimestre de 1998 encontramse inativas, nas situações O/I e C/I, onde O=Original, C=Complementar e I=Inativa, estando em vigor apenas a retificadora, de nº 000.100.2004.18035962, na situação R/A, onde R=Retificadora e A=Ativa, cujos débitos estão resumidos na pesquisa “Resumo Geral de Débitos e Créditos da Declaração”, fls. 594/595. 05. A pesquisa “Extrato do Processo”, fls. 588/590, demonstra os débitos que estão sendo tratados no presente procedimento segundo os sistemas da RFB, constando valores devidos em períodos de apuração de 1998 e 1999, exatamente como solicitado pelo contribuinte em seu pedido de compensação e anexos, de fls. 79/83, que, para o período discutido, 4º trimestre de 1998, são também exatamente como lançados na DCTF retificadora do período, fls. 594/595. 06. Comparando os débitos do presente procedimento, “Extrato do Processo”, fls. 588/590, com os débitos declarados na DCTF retificadora do período discutido, fls. 594/595, fica evidente que não consta nenhum valor em duplicidade. 07. Exaustivamente demonstrada a insubsistência das alegações do contribuinte, com a comprovação da inexistência de qualquer valor em duplicidade, entendemos, s.m.j., não haver a necessidade de verificação contábil. 08. Apenas como complemento, anexamos também as DCTFs do 1º trimestre de 1999, fls. 596/599, que, apesar de não discutidas, contém informações sobre parte dos débitos constantes do pedido de compensação de fls. 79/83. 09. É o que temos a relatar. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13807.000032/9901 Acórdão n.º 120200.801 S1C2T2 Fl. 7 7 10. Dar ciência ao contribuinte e abrir prazo, conforme fl. 583. Após, retornar o processo ao CARF para prosseguimento. À consideração do Senhor Supervisor da EQPIR desta DIORT/SPO” Isto posto, não obstante a manifestação da Recorrente, em face ao resultado da diligência em comento, mesmo aberta a oportunidade, em contraditório, e garantida sua ampla defesa, para trazer aos autos a comprovação do suposto recolhimento do IRRF em duplicidade, a Recorrente apenas limitouse em argüir tal existência dessa mesma duplicidade e protestou pelo cumprimento efetivo da diligência, desprezando a real possibilidade de juntar aos autos comprovação que sustentasse seus argumentos defensivos. Assim sendo, restando esclarecida, pela diligência, inexistir duplicidade de recolhimentos à título de IRRF, que poderia justificar o pagamento a maior e o saldo negativo no final do período, a embasar o pedido de restituição/compensação, não há como dar guarida a pretensão da Recorrente, sendo correta a decisão de primeira instância. Deste modo, é de se negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/07/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 11080.002061/2001-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1996 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. ITR. IMUNIDADE. Reconhecido que o recorrente cumpriu os requisitos legais para fazer jus à imunidade do art. 150, VI, “c”, da CR88 (vedação de instituição de imposto sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei), inviável manter o lançamento do ITR sobre os imóveis da entidade afetados ao fim estatutário. Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ITR. IMUNIDADE. Reconhecido que o recorrente cumpriu os requisitos legais para fazer jus à imunidade do art. 150, VI, “c”, da CR88 (vedação de instituição de imposto sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei), inviável manter o lançamento do ITR sobre os imóveis da entidade afetados ao fim estatutário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foram emitidas as Notificações de Lançamento de fl. 03/14, relativas a ITR e Contribuições, exercício 1996, do imóvel rural com números na Receita Federal NIRF n° 2.009.7069, localizado no município de Riozinho (RS), e nos imóveis nºs NIRF 2.009.7174, 2.009.7107, 2.009.7085, 3.254.1376, 2.009.709 3, 2.009.7123, 2.009.7166, 2.009.7140, 2.009.7131, 2.009.7158 e 2.009.7115, localizados no município de Santo Antônio da Patrulha (RS). Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação (fl. 01/02), em que aduz, em síntese, que goza de imunidade em relação ao ITR, em função de ser entidade de caráter beneficente e de utilidade pública, sem fins lucrativos. A 1ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 4.287, de 10 de setembro de 2004, com o seguinte fundamento (fl. 64), verbis: (...) 9. No caso do presente processo, não existem, nos Autos, elementos comprobatórios de que os imóveis estejam diretamente vinculados às finalidades da entidade. Não há nenhuma prova de que a totalidade das áreas guarda pertinência com os fins buscados pela entidade. Não basta a previsão estatutária genérica para comprovar que está sendo dada ao imóvel rural a utilização diretamente afetada às finalidades essenciais da pessoa jurídica. Se alguma parcela do imóvel for utilizada em atividade que não guarde relação direta com a finalidade essencial da entidade, não pode ser invocada a imunidade do 1TR, em função do mandamento constitucional. (...) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 17/03/2005. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 13/04/2005 (fl. 73) e fez o depósito recursal de fl. 84. No voluntário, o recorrente traz relatórios com o intuito de vincular os imóveis rurais auditados ao fim social da entidade, para reconhecimento da imunidade constitucional. Em sessão plenária de 25 de janeiro de 2007, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, pela Resolução nº 3011.787, determinando que a Repartição de origem confirmasse o enquadramento da entidade no § 2º do artigo 14 do CTN c/c o artigo 12 da Lei nº 9.532/97, que uma vez confirmado lhe proporcionaria o benefício previsto no art. 150, VI, “c”, da CR88. Executada a diligência, assim se pronunciou a autoridade fiscal que a presidiu (fl. 101), verbis: (...) Verificouse, examinando os lançamentos contábeis de 1996, bem como do período posterior, até a presente data, que a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.002061/200174 Acórdão n.º 2102002.257 S2C1T2 Fl. 2 3 instituição União Fraterna Próterras — UNIFRATER, efetivamente cumpre as exigências de que trata o § 2° do artigo 14 do CTN c/c o artigo 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Ante o exposto, constatei que efetivamente a UNIFRATER faz jus ao benefício de que trata o art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 17/03/2005, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 13/04/2005 (fl. 73), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 18/04/2005, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Aqui tomo como minhas as considerações da Resolução nº 3011.787, que já reconhecera que a fiscalizada prestava serviços de educacionais e sociais, com vinculação dos imóveis a tal finalidade (fl. 96), verbis: (...) Nessa linha, verificando a documentação colacionada pela recorrente, às fls. 25, 26, 82 e 83, constato que esta anexou Atestado da Prefeitura Municipal de Porto Alegre; Declaração do Secretário de Estado da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul; Declaração do Escritório Municipal da Emater/Ascar/RS e Declaração de Antônio Schneider, material probatório hábil para demonstrar que realmente presta serviços educacionais e sociais. Ademais, às fls 75/77, a contribuinte comprova as vinculações dos imóveis, objetos da presente lide, com a realização da finalidade essencial, identificando cada um com os dados da Receita Federal. (...) Indo mais além, na diligência restou reconhecido que o recorrente cumpriu os requisitos legais para fazer jus à imunidade do art. 150, VI, “c”, da CR88 (vedação de instituição de imposto sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei). Ante o exposto, comprovado que os imóveis do recorrente se encontravam albergados pela imunidade tributária do art. 150, VI, “c”, da CR88, voto no sentido de DAR Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 provimento ao recurso, enfatizando que deve a autoridade fiscal, se ainda não o fez, devolver o depósito recursal. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 127DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13804.001170/97-86
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 11 70 /9 7- 86 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 18/07/1997, SOTEFE Sociedade Técnica de Ferramentas por meio dos documentos de fls. 01/55, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes ao 0,5% relativo ao período de 09/1989 a 03/1992. A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0305.770, que se encontra às fls. 204/208 e cuja ementa é a seguinte: “FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada l inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precendentes: AC. CSRF/0304.227, 30131.406, 30131404 e 30131.321. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13804.001170/9786 Acórdão n.º 9900000.408 CSRFPL Fl. 9 3 Intimada do acórdão em 22/09/2008 (fls. 209) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 214/223, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 399/2008 de 08/10/2008 (fls. 232/234). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou contrarazões (fls. 249/256). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito preenche os requisitos de admissibilidade. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” Verifico que a divergência está caracterizada na interpretação, dada pelos julgadores da Segunda e Terceira Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da norma que define o prazo e seu termo inicial de contagem, para o exercício do direito de restituição de indébito tributário. O dissídio jurisprudencial resta claro ante o confronto das referidas decisões enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal circunstância. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13804.001170/9786 Acórdão n.º 9900000.408 CSRFPL Fl. 10 5 Nos termos da decisão acima referida, temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandoselhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteoricopratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13804.001170/9786 Acórdão n.º 9900000.408 CSRFPL Fl. 11 7 data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 18/07/1997, verificase que de fato não ocorreu a decadência em relação a recolhimentos de FINSOCIAL relativos às competências de 09/1989 (fato gerador de 30/09/1989) até 03/1992 (fato gerador de 31/03/1992), haja vista que ocorreu o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11634.000282/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a
legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E
JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI
9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrente ADEX IND E COM DE TINTAS E VERNIZES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.000282/200951 Acórdão n.º 140200.965 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ADEX IND E COM DE TINTAS E VERNIZES LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Os presentes autos referemse ao processo administrativo em que foi lavrado auto de infração contra o contribuinte ADEX – INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TINTAS E VERNIZES LTDA, de agora em diante designado simplesmente como “contribuinte”, referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ –, no valor total de R$ 57.200,75; e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – , no valor total de R$ 26.599,77. Os valores englobam o principal, os juros de mora e a multa de ofício, e somam R$ 83.800,52. 2. O Termo de Verificação e Encerramento Fiscal, fls. 51/53, descreve a apuração das irregularidades e fornece a fundamentação da autuação, também complementada nos demais campos e nas planilhas auxiliares constantes dos autos. Desses elementos, extraise a seguinte síntese dos fundamentos da autuação. 3. O contribuinte, ao apurar o Lucro Real do anocalendário 2005, compensou prejuízo fiscal de períodos anteriores em limites superiores ao permitido segundo o art. 15 da Lei nº 9.065/95. Não tendo apresentado justificativa válida, sob intimação, foi efetuada a glosa da compensação indevida. O mesmo aconteceu em relação à base de cálculo da CSLL do mesmo período, baseandose no art. 58 da Lei nº 8.981/95. 4. Tendo sido cientificado da exação em 17/06/2009, o contribuinte apresentou impugnação em 07/07/2009, na qual se insurge contra a autuação, apresentando os seguintes argumentos, em síntese. 5. A limitação de compensação de prejuízos é ilegal e inconstitucional. 6. A multa de 75% é indevida e confiscatória. 7. Houve a lavratura de apenas um auto de infração para tributos e multa, infringindo a recente alteração feita pela Lei nº 11.941/09. O índice de correção monetária é ilegal. A decisão recorrida está assim ementada: FISCALIZAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE. PROIBIÇÃO ÀS DRJS. Na esteira do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.000282/200951 Acórdão n.º 140200.965 S1C4T2 Fl. 0 3 AUSÊNCIA DE MULTA ISOLADA. A exigência de lavratura de autos de infração distintos para as penalidades isoladas não é aplicável às multas que são consectárias do lançamento do tributo e, pois, não são isoladas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do CARF) Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes ternos: É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.000282/200951 Acórdão n.º 140200.965 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Passo a apreciação das matérias em litígio. Limitação da compensação de prejuízos fiscais Nos termos do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, de maneira que deixo de apreciar a questão de inconstitucionalidade da lei limitadora do direito de o contribuinte reduzir a base de cálculo dos tributos em tela. A matéria é sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a impossibilidade da compensação de prejuizos fiscais acima de 30% do lucro real.. Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Da multa de 75% e Juros a taxa Selic No que concerne às alegações de que a aplicação da multa – e dos juros de mora – representaria confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva, este Conselho é incompetente para analisar a constitucionalidade das leis. Tal qual as DRJ, este Conselho também não é competente para analisar questões de ilegalidade de atos normativos infralegais. Tratase, inclusive de matéria sumulada no CARF: A exigência da multa de oficio 75% e juros de mora a taxa Selic estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.000282/200951 Acórdão n.º 140200.965 S1C4T2 Fl. 0 5 Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10920.002262/2001-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62-A do RICARF, inclui-se na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62-A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Os fretes não cobrados ou debitados nas notas fiscais de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem estão expressamente excluídos da apuração do crédito presumido por força do disposto no art. 3º da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
Numero da decisão: 3403-001.577
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, deu-se provimento não só para reconhecer o direito de o contribuinte incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, mas também o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido e negou-se provimento quanto aos fretes; II) por maioria de votos, negou-se provimento quanto à inclusão do valor da industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Os fretes não cobrados ou debitados nas notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem estão expressamente excluídos da apuração do crédito presumido por força do disposto no art. 3º da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, deuse provimento não só para reconhecer o direito de o contribuinte incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, mas também o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido e negouse provimento quanto aos fretes; II) por maioria de votos, negouse provimento quanto à inclusão do valor da industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Por meio do Acórdão no 25.851, de 26 de agosto de 2009, da 2ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, negou o direito à inclusão dos valores correspondentes às aquisições de energia elétrica, combustíveis, aquisições de pessoas físicas, serviços de industrialização prestados por terceiros no cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96. Foi negado também o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Regularmente notificada daquele acórdão em 07/10/2009, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/11/2009, alegando, em síntese, que: 1) o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não veda a inclusão das aquisições de pessoas físicas no cálculo do benefício; 2) tem direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido a energia elétrica, os combustíveis, os fretes e os serviços de industrialização por encomenda, pois a lei não estabelece qualquer vedação nesse sentido; 3) que tem direito à aplicação da taxa Selic sobre o ressarcimento porque o STF decidiu que mesmo na hipótese de créditos escriturais, o direito existe se o contribuinte for ressarcido a destempo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de analisar o direito de apurar o crédito presumido de IPI sobre aquisições de energia elétrica, fretes, industrialização por encomenda, aquisições de pessoa física e correção do ressarcimento pela taxa Selic. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.002262/200170 Acórdão n.º 3403001.577 S3C4T3 Fl. 2 3 EENNEERRGGIIAA EELLÉÉTTRRIICCAA Relativamente à energia elétrica, incide a Súmula CARF nº 19, na consolidação efetuada por meio da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, verbis: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Tratandose de matéria sumulada, deve ser aplicado obrigatoriamente o entendimento consolidado no âmbito administrativo, em razão de disposição regimental. FFRREETTEESS No que tange aos fretes, depreendese da impugnação apresentada que os fretes pleiteados pela recorrente não foram cobrados ou debitados nas notasfiscais de aquisição das matériasprimas, produtos intermediários e de materiais de embalagem. Assim, sendo evidente que pertencem à categoria que não se enquadra nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, têm a sua exclusão determinada pelo comando do art. 3º da Lei nº 9.363/96, a saber: “Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (...)” (Grifei) É certo que o frete, na situação em exame, não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS, Pasep e Cofins no que diz respeito às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos pelo produtor exportador e nem compõe o valor a ele faturado pelos respectivos fornecedores desses produtos. Ressaltese, ainda, que não importa o fato de os fretes em comento integrarem o custo das mercadorias exportadas e de o faturamento das empresas transportadoras serem onerados por contribuições sociais, considerando que a lei não os contemplou pelas razões acima expostas. IINNDDUUSSTTRRIIAALLIIZZAAÇÇÃÃOO PPOORR EENNCCOOMMEENNDDAA Conforme bem apontou a decisão recorrida, de fato, inexiste previsão legal para a inclusão dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido. Os dispositivos legais aplicáveis à espécie são os arts. 1º, 3º e parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, que para maior comodidade vão transcritos a seguir: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 (...) parágrafo único – omissis. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) (Os grifos não constam do original) A matériaprima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor, pois deve prevalecer o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor, a teor do caput do art. 3º acima transcrito. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços é, juntamente com o valor da matériaprima, um dos componentes do valor total do produto acabado, não sendo, por isso, possível simplesmente incorporálo ao valor da matériaprima como se dela fizesse parte. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições ao PIS e Cofins que deram origem ao incentivo, não se trata de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, tais como conceituados pela legislação do IPI (como exige o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96), cujos valores são os únicos a integrarem a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Não se trata de questão a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca os insumos que geram direito ao crédito, deles não fazendo parte a prestação de serviços. Portanto, considerar que outra hipótese de fato houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes, significa tomar o lugar do legislador para estender o benefício a uma situação claramente não contemplada na lei, o que foge à competência desse Tribunal Administrativo. DDAASS AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPEESSSSOOAASS FFÍÍSSIICCAASS EE DDAA CCOORRRREEÇÇÃÃOO DDOO RREESSSSAARRCCIIMMEENNTTOO PPEELLAA TTAAXXAA SSEELLIICC As questões relativas às aquisições de pessoas físicas e à correção do ressarcimento pela taxa Selic estão pacificadas nesta instância em face do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.002262/200170 Acórdão n.º 3403001.577 S3C4T3 Fl. 3 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Desse modo, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo STJ, sob a sistemática do art. 543C do CPC, Recurso Especial nº 993.164, verbis: “RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA ADVOGADO : ADRIANO FERREIRA SODRÉ E OUTRO(S) RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO EVERTON LOPES NUNES E OUTRO(S) RECORRIDO: OS MESMOS EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.002262/200170 Acórdão n.º 3403001.577 S3C4T3 Fl. 4 7 Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Com base nesta decisão do STJ, extraída da página de jurisprudência do Tribunal, e no art. 62A do RICARF os Conselheiros do CARF devem obrigatoriamente aplicar tal entendimento a este caso concreto. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e à correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Observo que a correção pela taxa Selic limitase ao valor do crédito presumido que está sendo deferido em razão da inclusão das aquisições de pessoas físicas no cálculo, não alcançando valores em relação aos quais a administração tributária não tenha oposto óbices ao aproveitamento. Antonio Carlos Atulim Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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