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Numero do processo: 16682.720595/2011-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESISTÊNCIA INTEGRAL APRESENTADA APÓS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Tendo sido apresentada desistência pela contribuinte dos valores de lançados de ofício contestados em recurso voluntário, antes de se iniciar a leitura do relatório na sessão de julgamento, não há que se conhecer do recurso da contribuinte.
MATÉRIA REMANESCENTE. RECURSO DE OFÍCIO.
Diante da desistência dos valores lançados de ofício contestados em recurso voluntário, remanesce litígio acerca da matéria devolvida ao tribunal em sede de recurso de ofício.
DESPESAS. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE.
Cabe à contribuinte comprovar que as despesas escrituradas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Mero registro contábil não faz, por si só, prova de que os dispêndios são dedutíveis, sendo o comando do art. 923 do RIR/99 preciso ao dispor que a contabilidade faz prova a favor da empresa desde que os eventos estejam comprovados por documentação hábil.
GLOSA DE DESPESAS. BEM ESTAR DE FUNCIONÁRIOS. LANÇAMENTO CONTÁBIL EM DUPLICIDADE.
Demonstrado nos autos que o registro contábil foi lançado em duplicidade, tendo sido inclusive objeto de glosa em outra infração tributária, a glosa da despesa deve ser afastada.
GLOSA DE DESPESAS DE VIAGEM COM TRANSPORTE AÉREO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO.
Diante de glosa efetuada pela autoridade fiscal sem fundamento, por falta de material probatório, resta caracterizada a falta de motivação do ato administrativo, requisito essencial para a sua validade, conforme artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e artigo 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (processo administrativo fiscal), razão pela qual deve ser afastada a exigência fiscal.
GLOSA DE DESPESAS RELATIVAS A MUDANÇA DE COLABORADORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CONTRIBUINTE.
Não foram comprovadas que as despesas incorridas foram em benefício de funcionários da empresa, e tampouco se estavam relacionadas com as atividades operacionais, razão pela qual a glosa deve ser mantida.
GLOSA DE DESPESAS. REVERSÃO DE PROVISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO.
Elementos trazidos aos autos não se mostram conclusivos para determinar se o lançamento contábil da contribuinte, questionado pela autoridade autuante, trata de provisão, e se teve efetivamente, como desdobramento, uma redução na base de cálculo do tributo, razão pela qual a glosa de despesa deve ser afastada.
GLOSA DE DESPESAS COM SERVIÇOS BANCÁRIOS. ESTORNO NÃO COMPROVADO.
Documentação apresentada pela contribuinte não comprova a ocorrência de estorno referente a lançamento contábil a débito em conta de resultado, motivo pelo qual a glosa de despesas de serviços bancários deve ser mantida.
DESPESAS COM VIAGEM. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO
Os requisitos de dedutibilidade das despesas restaram comprovados à vista de fortes e harmônicos indícios que autorizam, em juízo de verossimilhança, concluir que as viagens realizadas por determinada pessoa física relacionaram-se com as atividades empresariais do contribuinte.
Numero da decisão: 1103-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as parcelas da exigência relativas a (i) "Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 - dispêndios com mudança de colaboradores da empresa (infração 9) R$ 4.990,00", por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva, e a (ii) "Glosa de despesas (serviços - despesas bancárias), conta contábil 07.15.06 (infração 13) R$ 850.000,00", por unanimidade. Negou-se provimento por maioria quanto à matéria relativa a "Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 - despesas de viagem de Arthur Rizoli (infração 5) - R$ 83.740,77", vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator) e Cristiane Silva Costa. As demais matérias do recurso de ofício tiveram provimento negado por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(Assinado Digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(Assinado Digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Tendo sido apresentada desistência pela contribuinte dos valores de lançados de ofício contestados em recurso voluntário, antes de se iniciar a leitura do relatório na sessão de julgamento, não há que se conhecer do recurso da contribuinte. MATÉRIA REMANESCENTE. RECURSO DE OFÍCIO. Diante da desistência dos valores lançados de ofício contestados em recurso voluntário, remanesce litígio acerca da matéria devolvida ao tribunal em sede de recurso de ofício. DESPESAS. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE. Cabe à contribuinte comprovar que as despesas escrituradas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Mero registro contábil não faz, por si só, prova de que os dispêndios são dedutíveis, sendo o comando do art. 923 do RIR/99 preciso ao dispor que a contabilidade faz prova a favor da empresa desde que os eventos estejam comprovados por documentação hábil. GLOSA DE DESPESAS. BEM ESTAR DE FUNCIONÁRIOS. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 95 /2 01 1- 92 Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.006 2 Diante de glosa efetuada pela autoridade fiscal sem fundamento, por falta de material probatório, resta caracterizada a falta de motivação do ato administrativo, requisito essencial para a sua validade, conforme artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e artigo 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (processo administrativo fiscal), razão pela qual deve ser afastada a exigência fiscal. GLOSA DE DESPESAS RELATIVAS A MUDANÇA DE COLABORADORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CONTRIBUINTE. Não foram comprovadas que as despesas incorridas foram em benefício de funcionários da empresa, e tampouco se estavam relacionadas com as atividades operacionais, razão pela qual a glosa deve ser mantida. GLOSA DE DESPESAS. REVERSÃO DE PROVISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO. Elementos trazidos aos autos não se mostram conclusivos para determinar se o lançamento contábil da contribuinte, questionado pela autoridade autuante, trata de provisão, e se teve efetivamente, como desdobramento, uma redução na base de cálculo do tributo, razão pela qual a glosa de despesa deve ser afastada. GLOSA DE DESPESAS COM SERVIÇOS BANCÁRIOS. ESTORNO NÃO COMPROVADO. Documentação apresentada pela contribuinte não comprova a ocorrência de estorno referente a lançamento contábil a débito em conta de resultado, motivo pelo qual a glosa de despesas de serviços bancários deve ser mantida. DESPESAS COM VIAGEM. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO Os requisitos de dedutibilidade das despesas restaram comprovados à vista de fortes e harmônicos indícios que autorizam, em juízo de verossimilhança, concluir que as viagens realizadas por determinada pessoa física relacionaramse com as atividades empresariais do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as parcelas da exigência relativas a (i) "Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa (infração 9) – R$ 4.990,00", por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva, e a (ii) "Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06 (infração 13) – R$ 850.000,00", por unanimidade. 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Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.007 3 (Assinado Digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Relator (Assinado Digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2626/2647 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 2519/2558), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, se o fiscal autuante observa os procedimentos previstos na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de realização de diligência, quando os autos encontramse adequadamente instruídos, com os elementos necessários para que o julgador forme sua convicção. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.008 4 Considerase definitivamente constituída, na esfera administrativa, a parcela do crédito tributário relativa à matéria não impugnada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS COM CONSULTORIA. Para se comprovar uma despesa com prestação de serviço de consultoria, de modo a tornála dedutível, não basta demonstrar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável provar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido. Cabível, portanto, a glosa, quando o interessado deixa de apresentar documentos hábeis, como contratos, relatórios e outros elementos capazes de comprovar a efetiva prestação dos serviços. GLOSA DE DESPESAS COM IMÓVEIS E VEÍCULOS UTILIZADOS POR FUNCIONÁRIOS (IPTU, VAGA DE GARAGEM E ALUGUEL). As despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis só serão admitidas como dedutíveis quando tais ativos forem intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços da pessoa jurídica (art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995). GLOSA DE DESPESAS COM REMANEJAMENTO DE EMPREGADOS. Reputamse necessárias, e portanto dedutíveis para fins de apuração do lucro real, as despesas incorridas com o remanejamento de empregados para trabalhar em outras unidades da federação. GLOSA DE DESPESAS COM VIAGENS DE FUNCIONÁRIOS. As despesas com viagens de funcionários só serão consideradas dedutíveis quando ficar comprovado que foram efetuadas a serviço da empresa e no interesse do desenvolvimento de seus objetivos sociais. GLOSA DE DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E AQUISIÇÃO DE BRINDES. As despesas com brindes e almoços, referentes a festas de confraternização, são indedutíveis na apuração do lucro real, já que constituem mera liberalidade, não sendo necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora. GLOSA DE “PERDAS DE ESTOQUE”. Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.009 5 Não tendo sido comprovado que a pessoa jurídica aproveitouse da despesa para reduzir o lucro líquido, cumpre cancelar a glosa. GLOSA DE DESPESAS BANCÁRIAS. ESTORNO. Restando comprovado que a pessoa jurídica estornou a despesa considerada não necessária, descabe a glosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, e não havendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem. Dos Fatos. No decorrer da ação fiscal, a autoridade autuante tipificou glosas sobre despesas variadas, vez que não restou justificado pela contribuinte a necessidade dos gastos para manutenção da fonte produtora, relacionadas a seguir: (Infração 1) Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 – dispêndios com festa de confraternização de final de ano. (Infração 2) Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830022 – gastos com brindes para funcionários e terceiros. (Infração 3) Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 – gastos com serviços de confraternização de final de ano. (Infração 4) Glosa de despesas com benefícios (vale transporte), conta contábil 80061330 – dispêndios com aluguel de vagas de garagem. (Infração 5) Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 – despesas de viagem de Arthur Rizoli. (Infração 6) Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. (Infração 7) Glosa de despesas de viagem (todos os outros custos), conta contábil 80262000 – dispêndios com aluguel de veículos. (Infração 8) Glosa de despesas com impostos municipais – pagamentos de quotas de IPTU do diretor Viajay. (Infração 9) Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 – dispêndios com mudança de colaboradores da empresa. Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.010 6 (Infração 10) Glosa de despesas com emprego/recrutamento, conta contábil 80360000 – dispêndios com serviços de consultoria. Efetuou também a Fiscalização glosa de despesas por falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, dos lançamentos contábeis da contribuinte que reduziram a base de cálculo do IRPJ e CSLL: (Infração 11) Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01 SUCATA/REFUGONÃO ESPECIFICADO. (Infração 12) Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTARIOREAVALIAÇÃO DIFERIDA. Enfim, foram glosadas despesas por falta de justificativa da contribuinte da necessidade para a manutenção da fonte produtora, assim como pela não apresentação de documentação hábil e idônea apta a lastrear os lançamentos contábeis: (Infração 13) Glosa de despesas (serviços – despesas bancárias), conta contábil 07.15.06. (Infração 14) Glosa de despesas (taxa de serviço técnico), conta contábil 07.18.09. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL de fls. 905/923, acompanhados do Termo de Verificação Fiscal de fls. 924/931. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou em 26/09/2011 impugnação de fls. 943/979, e em seguida petição de fls. 2452/2454, no qual reconheceu a procedência dos lançamentos fiscais referentes às infrações 11 (Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01 SUCATA/REFUGONÃO ESPECIFICADO) e 14 (Glosa de despesas de taxa de serviço técnico, conta contábil 07.18.09), efetuando o pagamento por meio de DARF dos correspondentes valores lançados de ofício. A impugnação foi apreciada pela 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em sessão realizada no dia 03/07/2013. O Acórdão nº 12057.433 de fls. 2519/2558 julgou a impugnação procedente em parte, no sentido de: 1) afastar a glosa de R$15.300,00, relativa à infração 3, por ser lançamento em duplicidade pela Fiscalização; 2) afastar a glosa de R$83.740,77 (24.272,31+26.805,83+32.662,63), relativa à infração 5, por considerar as despesas com viagem de Arthur Rizoli relacionadas às atividades operacionais da pessoa jurídica; 3) afastar a glosa de R$97.939,75, relativa à infração 6, por ser valor não registrado na contabilidade da empresa; 4) afastar a glosa de R$4.990,00 (2.700,00 + 2.290,00), relativa à infração 9, por restar comprovado que as despesas decorreram de interesse da empresa, em razão da mudança de colaboradores de local de trabalho; Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.011 7 5) afastar a glosa de R$3.094.032,79, relativa à infração 12, por não restar demonstrada pelo Fisco, na contabilidade, a dedução do lucro líquido a título de perdas de estoque; 6) afastar a glosa de R$850.000,00, relativa à infração 13, por ter sido demonstrado o estorno da despesa na contabilidade; 7) informa que, para fins de ajuste dos sistemas internos da Receita Federal, foi elaborado o Formulário de Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário – FAPLI e o Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social – FACS. Em razão da exoneração de crédito tributário superior ao limite da alçada, a autoridade competente da DRJ interpôs Recurso de Ofício conforme art. 34, inciso I do Decreto 70.235, de 1972 (com redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Por sua vez, a decisão foi cientificada à contribuinte em 25/07/2013 (“AR” de fl. 1676), que, irresignada, interpôs Recurso Voluntário de fls. 1678/1717 em 27/08/2013 (Despacho da Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes Demac/RJ, fl. 2870), no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. informa sobre a desistência parcial referentes à glosa de "valores não contabilizados", "despesas com remanejamento de empregados", "despesas com confraternização e brindes de cesta de Natal a empregados, e que efetuará os correspondentes pagamentos das exigências fiscais; discorre sobre a ilegalidade da glosa de despesas necessárias, usuais e normais às suas atividades, comprovadas por meio de documentação comprobatória hábil e idônea; sobre as despesas com recrutamento (R$61.741,32), alega que é diretamente relacionada ao desenvolvimento da atividade empresarial, tendo em vista a exigência de alta especialização e qualificação de mão de obra da indústria de petróleo, razão pela qual contratou os serviços de consultoria prestados pela Michael Page, devidamente demonstrado nos autos; sobre despesas com locação de imóveis, locação de veículos e locação de vagas de garagem, afirma que, apesar de serem gastos incorridos em favor de administradores, diretores e gerentes, constituindose em benefícios indiretos e integrando a remuneração dos beneficiários quando para uso particular, se forem utilizados para fins de servir às atividades operacionais da pessoa jurídica, devem ser considerados como operacionais e dedutíveis; sobre despesas de IPTU, foram incorridas como aluguel de imóveis a expatriado que vem para o Brasil exclusivamente para prestar serviços à Recorrente, sendo dedutíveis, tanto que as despesas com aluguel foram consideradas dedutíveis pela própria autoridade fiscal; em relação à despesas com viagens, referemse à compra de passagens aéreas e reserva de hospedagem a seus colaboradores, contratadas, como acontece em qualquer pessoa jurídica do porte da empresa, por meio de agência de viagens, e cujo pagamento, conforme praxe, foi realizado através de débito em cartão de crédito corporativo, sendo os documentos acostados aos autos suficientes para comprovar que as despesas ocorreram e foram relacionadas às atividades da empresa e manutenção da fonte produtora. Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.012 8 Na petição de fls. 2769, acompanhada dos demonstrativos e cópias de Comprovantes de Arrecadação, detalha as infrações no qual requer a desistência parcial, conforme exposto no recurso voluntário. Posteriormente, apresentou petição de fls. 2874, para comunicar a modificação de sua razão social para ONESUBSEA DO BRASIL SERVIÇOS SUBMARINOS LTDA. Consta ainda petição de fls. 2963/2966, no qual informa a contribuinte sobre a desistência dos créditos remanescentes discutidos no recurso voluntário. Enfim, antes de ter sido iniciado a leitura do presente relatório, durante a sessão de julgamento, a recorrente apresentou uma outra petição, do qual foi acostada aos autos à fl. 2978, oportunidade em que veio requerer a desistência total do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. I Introdução A princípio, os presentes autos tratavam de recurso de ofício e de recurso voluntário de fls. 1678/1717, interpostos em face da decisão proferida no Acórdão nº 12 057.433, pela 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em sessão realizada no dia 03/07/2013. Ocorre que, imediatamente antes do início do julgamento dos presentes autos, no decorrer da sessão de julgamento, a contribuinte apresentou uma petição no qual informou que estava desistindo integralmente do recurso voluntário. Vale registrar que, em momentos processuais distintos, a recorrente já havia apresentado duas petições, versando sobre desistência parcial relativa aos créditos tributários em litígio no recurso voluntário. Ao final, consumouse a desistência total do recurso voluntário, mediante a apresentação das petições de fls. 2963/2966 e 2978, esta apresentada durante a sessão de julgamento. Portanto, cabe não conhecer do recurso voluntário interposto pela contribuinte às fls. 1678/1717. Dessa maneira, remanesce para apreciação no presente julgamento apenas o recurso de ofício. Em razão das desistências apresentadas pela recorrente, cumpre delimitar a matéria litigiosa que deve ser analisada. A autuação fiscal tratou de várias glosas de despesas, listadas em sua totalidade no Quadro_1, mantendo, por questões didáticas, a mesma numeração adotada no relatório. Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.013 9 Infração Descrição Data Valor (R$) 05/12/2007 15.300,00 23/11/2007 15.300,00 1 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 dispêndios com festa de confraternização de final de ano. 18/12/2007 44.124,95 18/12/2007 1.000,00 28/09/2007 1.530,60 07/12/2007 3.100,00 2 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830022 gastos com brindes para funcionários e terceiros. 26/12/2007 4.162,73 08/10/2007 1.000,00 23/11/2007 15.300,00 10/12/2007 8.417,40 19/12/2007 1.300,00 17/12/2007 1.400,00 03/09/2007 1.650,00 3 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano. 15/12/2006 1.878,60 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 31/12/2007 440,00 03/12/2007 1.101,94 08/11/2007 500,00 01/11/2007 1.050,34 4 Glosa de despesas com benefícios (vale transporte), conta contábil 80061330 dispêndios com aluguel de vagas de garagem. 01/11/2007 1.248,00 16/02/2007 24.272,31 17/04/2007 26.805,83 5 Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli. 03/07/2007 32.662,63 26/02/2007 20.348,56 20/02/2007 103.089,23 6 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. 28/05/2007 36.562,21 Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.014 10 Infração Descrição Data Valor (R$) 27/06/2007 60.550,60 20/07/2007 48.375,80 17/07/2007 25.703,62 20/08/2007 24.905,78 20/09/2007 82.283,14 20/11/2007 97.939,75 21/09/2007 29.788,20 28/09/2007 26.130,00 28/09/2007 3.575,27 7 Glosa de despesas de viagem (todos os outros custos), conta contábil 80262000 dispêndios com aluguel de veículos. 29/10/2007 4.167,54 09/04/2007 415,20 08/05/2007 415,20 06/06/2007 415,20 8 Glosa de despesas com impostos municipais pagamentos de quotas de IPTU do diretor Viajay. 06/03/2007 415,20 29/01/2007 2.700,00 03/05/2007 2.290,00 9 Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa. 05/07/2007 4.039,68 10 Glosa de despesas com emprego/recrutamento, conta contábil 80360000 dispêndios com serviços de consultoria. 27/12/2006 61.741,32 11 Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01 SUCATA/REFUGONÃO ESPECIFICADO. 31/12/2007 74.166,69 12 Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTARIO REAVALIAÇÃO DIFERIDA. 31/12/2007 3.094.032,79 13 Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06. 31/12/2007 850.000,00 14 Glosa de despesas (taxa de serviço técnico), conta contábil 07.18.09. 31/12/2007 1.468.485,35 QUADRO_1 – MATÉRIA DA AUTUAÇÃO FISCAL Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.015 11 Como já dito, determinados valores lançados de ofício foram objeto de desistência, conforme petições encaminhadas pela recorrente. Para fins didáticos, o presente voto denomina a de fls. 2452/2454 como 1ª Petição, a de fls. 2769 como 2ª Petição e as últimas, de fls. 2963/2966 e 2978 como 3ª Petição. Informa a unidade preparadora, no Despacho de fl. 2870, que foi localizado um outro pagamento de R$48.182,40, que também foi alocado aos presentes autos. Os lançamentos objeto de desistência encontramse relacionados no Quadro_2. Infração Descrição Data Principal (R$) Desistência 1ª Petição Desistência 2ª Petição Desistência 3ª Petição 05/12/2007 15.300,00 15.300,00 23/11/2007 15.300,00 15.300,00 1 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 dispêndios com festa de confraternização de final de ano. 18/12/2007 44.124,95 44.124,95 18/12/2007 1.000,00 1.000,00 28/09/2007 1.530,60 1.530,60 07/12/2007 3.100,00 3.100,00 2 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830022 gastos com brindes para funcionários e terceiros. 26/12/2007 4.162,73 4.162,73 08/10/2007 1.000,00 1.000,00 10/12/2007 8.417,40 8.417,40 19/12/2007 1.300,00 1.300,00 17/12/2007 1.400,00 1.400,00 03/09/2007 1.650,00 1.650,00 3 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano. 15/12/2006 1.878,60 1.878,60 08/11/2007 500,00 500,00 03/12/2007 1.101,94 1.101,94 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 01/11/2007 1.050,34 1.050,34 01/11/2007 1.248,00 1.248,00 4 Glosa de despesas com benefícios (vale transporte), conta contábil 80061330 dispêndios com aluguel de vagas de garagem. 31/12/2007 440,00 440,00 28/05/2007 36.562,21 36.562,21 6 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. 27/06/2007 60.550,60 60.550,60 Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.016 12 Infração Descrição Data Principal (R$) Desistência 1ª Petição Desistência 2ª Petição Desistência 3ª Petição 20/07/2007 48.375,80 48.375,80 20/08/2007 24.905,78 24.905,78 20/09/2007 82.283,14 82.283,14 26/02/2007 20.348,56 20.348,56 20/02/2007 103.089,23 103.089,23 17/07/2007 25.703,62 25.703,62 21/09/2007 29.788,20 29.788,20 28/09/2007 26.130,00 26.130,00 28/09/2007 3.575,27 3.575,27 05/07/2007 4.039,68 4.039,68 7 Glosa de despesas de viagem (todos os outros custos), conta contábil 80262000 dispêndios com aluguel de veículos. 29/10/2007 4.167,54 4.167,54 09/04/2007 415,20 415,20 08/05/2007 415,20 415,20 06/06/2007 415,20 415,20 8 (Infração 8) Glosa de despesas com impostos municipais pagamentos de quotas de IPTU do diretor Viajay. 06/03/2007 415,20 415,20 10 Glosa de despesas com emprego/recrutamento, conta contábil 80360000 dispêndios com serviços de consultoria. 27/12/2006 61.741,32 61.741,32 11 Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01SUCATA/REFUGO NÃO ESPECIFICADO. 31/12/2007 74.166,69 74.166,69 14 Glosa de despesas (taxa de serviço técnico), conta contábil 07.18.09. 31/12/2007 1.468.485,35 1.468.485,35 TOTAL 1.542.652,04 419.775,24 219.861,07 QUADRO_2 – MATÉRIA OBJETO DE DESISTÊNCIA DA CONTRIBUINTE Na decisão de primeira instância, foram afastadas as exigências do Quadro_3, que, por serem de valor superior ao limite de alçada, serão apreciadas em sede de recurso de ofício: Infração Descrição Data Principal (R$) Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.017 13 3 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano. 23/11/2007 15.300,00 16/02/2007 24.272,31 17/04/2007 26.805,83 5 Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli. 03/07/2007 32.662,63 6 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. 20/11/2007 97.939,75 29/01/2007 2.700,00 9 Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa. 03/05/2007 2.290,00 12 Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTARIOREAVALIAÇÃO DIFERIDA. 31/12/2007 3.094.032,79 13 Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06. 31/12/2007 850.000,00 TOTAL 4.146.003,31 QUADRO 3 – MATÉRIA OBJETO DE RECURSO DE OFÍCIO A princípio, em se tratando do mérito da autuação, há que se destacar que, ao se tratar de glosas de despesas, o registro contábil da pessoa jurídica não faz, por si só, prova de que são dispêndios dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vale transcrever os artigos 923 e 299, do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). ......................................................................... Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.018 14 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Tratase de situação em que cabe à contribuinte comprovar que as despesas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Não poderia ser mais precisa a referência colocada no voto de primeira instância (lição de Antônio da Silva Cabral, Processo Administrativo Fiscal, ed. Saraiva, p. 298): Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: a quem alega alguma coisa, compete provála. (...) Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. Diante das diretrizes expostas, passemos à apreciação das glosas de despesas que são objeto do recurso de ofício. II Recurso de Ofício II.1 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano (infração 3) Tratase de glosa de despesas de R$15.300,00, referente a serviços prestados pela NUTRIEMPRESARIAL, conforme nota fiscal 074 de 23/11/2007 (fl.684). O valor foi afastado pela DRJ, uma vez que constatou que a despesa já havia sido glosada em outra infração (Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 dispêndios com festa de confraternização de final de anoinfração 1). Entendo que não há reparos a fazer na decisão de primeira instância, que afastou a glosa para evitar o lançamento em duplicidade. Portanto, deve ser mantido o afastamento de glosa de R$15.300,00 relativa à infração 3. Cabe, assim, para a glosa analisada, negar provimento ao recurso de ofício. II.2 Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli (infração 5) Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.019 15 A DRJ decidiu afastar a glosa de despesas no valor de R$83.740,77 (24.272,31+26.805,83+32.662,63), por considerar os dispêndios com viagem de Arthur Rizoli comprovados e relacionadas às atividades operacionais da pessoa jurídica. Verificando a documentação acostada à impugnação (fls. 1637/1807), entendo que restou comprovada apenas a efetiva ocorrência das despesas. Contudo, não restou demonstrado, primeiro, que o Arthur Rizoli era efetivamente funcionário da empresa, e, segundo, que as viagens estiveram relacionadas com as atividades operacionais. Não há nenhum documento que demonstre o objetivo da viagem. Aduz a contribuinte na impugnação que a realização de viagens seria necessária para expandir negócios, captar novos clientes e participar de reuniões com as demais empresas do grupo empresarial. Contudo, nos autos não é possível identificar nenhuma documentação apta a lastrear as argumentações expostas, com atas de reuniões, plano de negócios, apresentações de slides, dentre outros. Nesse sentido, entendo que não restou demonstrado pela contribuinte que as despesas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Portanto, as glosas de despesas da infração 5 no valor de R$83.740,77 devem ser restabelecidas. Cabe, assim, para a glosa analisada, dar provimento ao recurso de ofício. II.3 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500 (infração 6) A DRJ decidiu afastar a glosa de R$97.939,75, relativa à infração 6, por se tratar de valor não registrado na contabilidade da empresa, e, por consequência, não ter sido deduzido na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Entendo que a análise da decisão de primeira instância não merece reparos. De fato, conforme demonstrativo elaborado à fl. 2552, não é possível localizar a documentação acostada pela Fiscalização para dar suporte à glosa no valor de R$97.939,75 (fls. 872/899). Tratase, portanto, de situação no qual a glosa efetuada pela autoridade fiscal não se encontra fundamentada, por falta de material probatório. A motivação do ato administrativo mostrase como requisito essencial para a sua validade, tanto que lhe foi atribuída a condição de princípio pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.(grifei) Na mesma toada, predica o art. 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (processo administrativo fiscal): Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.020 16 notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). § 1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. (grifei) Estando ausente a comprovação do fato motivador da exigência, não há como subsistir a infração tipificada pela autoridade fiscal. Portanto, deve ser mantido o afastamento de glosa de R$97.939,75 relativa à infração 6. Cabe, assim, para a glosa analisada, negar provimento ao recurso de ofício. II.4 Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa (infração 9) Decidiu a DRJ afastar a glosa de R$4.990,00 (2.700,00 + 2.290,00), vez que entendeu que restou comprovado que as despesas decorreram de interesse da empresa, em razão da mudança de colaboradores de local de trabalho. Verificando a documentação acostada à impugnação (fls. 1592/1599), entendo que restou comprovada apenas a efetiva ocorrência das despesas. Contudo, não foi demonstrado, primeiro, que Mario Paris e Wilson eram efetivamente funcionários da empresa, e, segundo, que as mudanças foram relacionadas com as atividades operacionais. Nesse sentido, entendo que não restou demonstrado pela contribuinte que as despesas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Portanto, as glosas de despesas da infração 9 no valor de R$4.990,00 devem ser restabelecidas. Cabe, assim, para a glosa analisada, dar provimento ao recurso de ofício. II.5 Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTÁRIOREAVALIAÇÃO DIFERIDA (infração 12) Para analisar a infração, transcrevo as razões da autoridade autuante, apresentadas no Termo de Verificação Fiscal às fls. 929/930. a empresa procede ao registro na conta 07.09.07.01 SUCATA/REFUGO NÃO ESPECIFICADO, conta essa pertencente as despesas operacionais, grupo de despesas de materiais, valores a debito, que influenciaram na apuração do resultado, contra valores a credito de produtos acabados, conta 01.01.06.01.02, onde também são lançados valores a credito, procedendo a uma operação típica de um contascorrentes, Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.021 17 restando um saldo devedor no final do ano de R$ 74.166,69, que transitou por resultado. Na mesma operação, efetuou também a contabilização do valor de 3.094.032,79, a credito, e a debito da conta 01.01.06.01.24 AJUSTE DE INVENTARIO REAVALIAÇÃO DIFERIDA, com o histórico " reclassificação conforme email Michele Baker 24/04/2007." Após leitura do art. 291 do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda , onde temos e a título citamos: OBSOLESCÊNCIA Somente serão computáveis na determinação do lucro real as perdas de capital resultantes da obsolescência de bem do ativo permanente quando a baixa contábil do bem corresponder a sua efetiva saída do patrimônio da empresa ( Ac. 1º CC 1052.024/86 Resenha Tributaria, Jurisprudência IR, Vol. 1.2.2, pág. 88 ). QUEBRAS E PERDAS LAUDO DA AUTORIDADE FISCAL No tocante aos bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável, hipótese tratada na letra " c", do inciso II, o laudo da autoridade fiscal é fundamental para justificar a dedução da perda. GLOSA DE DESPESAS DESTRUIÇÃO DE MERCADORIAS SEM LAUDOS ajustes no estoque decorrentes de incineração/inutilização não comprovados por laudo/certificado da autoridade competente, bem como sua dedução do lucro operacional, são considerados indedutíveis, passíveis de tributação por adição ao lucro tributável do respectivo exercício. Recurso provido em parte 1º CC – 1ª Câmara ACÓRDÃO 10194164 16/04/2003. Publicado no DOU em 03/06/2003. Entretanto, quando questionado sobre o procedimento adotado no momento da baixa, foi informado que: que não possui laudo de autoridade fiscal; que a baixa do material é feito um ajuste de inventario pelo pessoal do almoxarifado, sempre suportado por um Relatório de Não Conformidade RNC. Desta forma, o contribuinte foi intimado a no prazo de 10 ( dez) dias a contar da ciência deste termo a: apresentar a documentação hábil e idônea que deu lastro a baixa dos bens; justificar e comprovar através de documentação hábil e idônea a reclassificação de R$3.094.032,79, relativa ao ajuste de inventario efetuado. Considerando que em sua carta resposta datada de 27 de abril de 2011, o contribuinte não apresentou justificativas, bem como documentação que comprovasse os lançamentos questionados, procedemos a sua glosa por falta de comprovação, conforme preceitua o art. 291 do Decreto 3.000/99. (grifei). Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.022 18 Por sua vez, o voto da primeira instância apresentou a seguinte análise sobre o ponto em debate: Quanto à primeira operação, não há dúvida de que tratouse de lançamento a débito na conta 07.09.07.01 Sucata/Refúgio, no valor de R$ 74.166,69, referente a baixa de inventário por quebras e perdas, com a qual a empresa concordou e inclusive pagou os tributos correspondentes, como consta no relatório. No que se refere ao segundo lançamento, o autuante não se elucida em que conta foi efetuado o lançamento a crédito. Como se utiliza do termo “na mesma operação”, fica a impressão de que o lançamento credor se deu na conta 07.09.07.01 SUCATA/REFUGO NÃO ESPECIFICADO. Portanto, ao que parece, uma reavaliação positiva dos estoques. Não haveria assim matéria tributária a lançar. Esta impressão é reforçada pelo documento de fl. 1059. No entanto as contas indicadas são outras: 1) a que teve o valor lançado a débito – 1383000 – ajuste de inventário e, 2) a que teve o valor lançado a crédito – 8062000 – sucata/refugo. A despeito desta diferença quanto ao número da conta, da leitura do documento inferese ter havido uma reavaliação positiva de estoque. Este o ponto é justamente atacado pela impugnante, que sustenta que se “o Agente Fiscal tivesse se dado ao trabalho de analisar, ainda que rapidamente, o razão da conta (doc. 8 – fl. 1059) por ele mencionado no Termo de Verificação Fiscal, teria facilmente concluído que o registro contábil questionado, em hipótese alguma, poderia ter impactado negativamente o lucro líquido do período de apuração, correspondendo, ao contrário, a um acréscimo tanto no Ativo, quanto no Resultado da Impugnante, como não poderia ser diferente.” Vale destacar que o termo utilizado pelo autuante na descrição – “reavaliação” – guarda melhor conexão com um resultado positivo do que com resultado negativo, usualmente designados como perda. Explica ainda o contribuinte que na verdade procedeu a uma reversão da provisão da perda de estoque, razão pela qual procedeu ao ajuste de inventário, o que melhor se afina com as provas juntadas aos autos. Examinei ainda os documentos de fls. 607/611 que instruíram a autuação, além de demais elementos juntados aos autos e não encontrei provas convincentes de que o contribuinte tenha deduzido do lucro líquido o valor de R$ 3.094.032,79, a título de perdas de estoque. Todavia, a empresa não nega a dedução da despesa a título de perda de estoques, mas destaca que a glosa efetuada foi de um lançamento a débito no ativo, o que de fato não tem razão de ser, com base no documento de fl. 1059. Não foram juntados aos autos laudo relativo a esta primeira baixa, o que implicaria na adição ao lucro líquido, em virtude de Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.023 19 sua dedução indevida. Quer nos parecer, todavia, que a empresa solucionou contabilmente a questão através da reversão da provisão de perda de estoque, não constando o LALUR de fls. 1063/1064 registro no valor em questão a título de adição ou exclusão do lucro líquido. Todos estes fatores me levam a crer que não restou inequivocamente demonstrado pelo Fisco que a empresa tenha infringido o artigo 291 do RIR/1999, razão pela qual sou pelo cancelamento da glosa no valor de R$ 3.094.032,79. Entendo que não há reparos a fazer na avaliação da DRJ. De fato, a motivação da autoridade autuante para o lançamento fiscal mostrase confusa e inconclusiva. Há evidência de que se trata de uma reversão de provisão, no qual ocorre o lançamento a débito em conta redutora do ativo e a crédito em conta de resultado, e ajuste no LALUR para excluir o valor do lucro real, de modo a manter a base de cálculo do tributo inalterada. No caso em tela, conforme demonstra o extrato da contabilidade à fl. 1059, ocorreu lançamento a débito em conta de ajuste (redutora) do ativo e a crédito em conta de resultado. Contudo, da análise da planilha demonstrativa do LALUR às fls. 1060/1061, e da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral da DIPJ à fl. 09, não há como concluir se de fato ocorreu o ajuste da provisão no LALUR, qual seja, a baixa do valor para ser excluído do lucro real. Portanto, não há como saber, com precisão, se o lançamento trata, efetivamente, de reversão de provisão. De qualquer forma, a autoridade autuante considerou lançamento a débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado como ocorrência de uma despesa, que teria reduzido a base de cálculo na apuração do IRPJ e CSLL, o que não faz nenhum sentido. Deveria ter sido mais clara a motivação da autuação fiscal, de maneira a demonstrar, em tese, que o lançamento contábil em questão seria, na realidade, parte de uma sequência de registros contábeis que ao final teria como desdobramento uma redução no resultado tributável. Nesse sentido, deve ser mantido o afastamento de glosa de R$3.094.032,79 relativa à infração 12. Cabe, assim, para a glosa analisada, negar provimento ao recurso de ofício. II.6 Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06 (infração 13) A DRJ decidiu afastar a glosa de R$850.000,00, relativa a lançamento a débito na conta 07.15.06 – SERVIÇOS – DESPESAS BANCÁRIAS, que não teve na fase inquisitória nenhuma justificativa quanto à sua necessidade para a manutenção da fonte produtora, por ter sido demonstrado o estorno da despesa na contabilidade. Discorre a decisão de primeira instância: Em sua defesa o contribuinte alega que estornou a despesa, o que se encontra comprovado pelos documentos de fl. 1242, onde se vê que em 15/02/2007 o lançamento de uma despesa no valor de R$ 850.000,00 e, em 23/02/2007 o seu estorno. Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.024 20 Analisando o documento de fl. 1242, não entendo que houve o estorno da conta. São apresentados dois lançamentos, ambos no qual se pode observar lançamento a débito na conta “Serviços – Despesas” e a crédito na conta “BANCO SANTANDER AG”, no valor de R$850.000,00. O primeiro tem com data de lançamento 23/02/2007, e o segundo 15/02/2007. Há menção no segundo lançamento de “Estornado por ....”, e no primeiro “Doc. Estorno p/ ...”. Não há como identificar os números de documentos, por estarem ilegíveis. Verificase que se trata de um extrato de sistema informatizado de contabilidade da contribuinte. Contudo, inferese que, mesmo em um programa de computador, a visualização dos lançamentos contábeis deve obedecer à ordem geral, qual seja, o primeiro registrando o débito, e o segundo o crédito da conta contábil. Portanto, o lançamento contábil de 23/02/2007, para efetivar o estorno do lançamento de 15/02/2007, deveria registrar débito na conta “BANCO SANTANDER AG” e crédito na conta “Serviços – Despesas”, o que não restou demonstrado. Vale transcrever fragmento da NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE – ITG 2000 (R1), de 05/12/2014, que alterou a Interpretação Técnica ITG 2000, que foi aprovada pela Resolução CFC N.º 1.330/11, que trata da retificação de lançamentos contábeis. Retificação de lançamento contábil 31. Retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro realizado com erro na escrituração contábil da entidade e pode ser feito por meio de: a) estorno; b) transferência; e c) complementação. 32. Em qualquer das formas citadas no item 31, o histórico do lançamento deve precisar o motivo da retificação, a data e a localização do lançamento de origem. 33. O estorno consiste em lançamento inverso àquele feito erroneamente, anulandoo totalmente. 34. Lançamento de transferência é aquele que promove a regularização de conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro para a conta adequada. 35. Lançamento de complementação é aquele que vem posteriormente complementar, aumentando ou reduzindo o valor anteriormente registrado. Fl. 3024DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.025 21 36. Os lançamentos realizados fora da época devida devem consignar, nos seus históricos, as datas efetivas das ocorrências e a razão do registro extemporâneo. (grifei) Diante dos elementos apresentados nos autos, entendo que não há certeza quanto ao estorno. Não há como firmar convicção se o lançamento do dia 23/02/2007, foi efetivamente um estorno, ou se foi um novo lançamento a débito em conta de resultado. Portanto, a glosa de despesa da infração 13 no valor de R$850.000,00 deve ser restabelecida. Cabe, assim, para a glosa analisada, dar provimento ao recurso de ofício. II.7 – Conclusão do Recurso de Ofício Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as glosas de despesas no valor de: (1) R$83.740,77, da infração 5; (2) R$4.990,00 da infração 9; (3) R$850.000,00 da infração 13, nos termos do presente voto. III. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, e dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as glosas de despesas no valor de: (1) R$83.740,77, da infração 5; (2) R$4.990,00 da infração 9; (3) R$850.000,00 da infração 13, nos termos do presente voto. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 3025DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.026 22 Voto Vencedor Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado. Inicialmente, reconhecese a excelência da análise realizada pelo I. Relator, Cons. André Mendes de Moura, que tão bem detalhou ao colegiado as inúmeras particularidades do caso. À exceção da glosa relativa às despesas de viagem do Sr. Arthur Rizoli (item 1.9 do Termo de Verificação Fiscal), no valor de R$ 83.740,77, que entendi improcedente pelas razões abaixo, adoto aqui os fundamentos constantes do voto vencido quanto às demais matérias. Pois bem. Quanto à efetividade das despesas com tais viagens, restou devidamente comprovada pela documentação acostada à impugnação (fls.1.637/1.807), consoante constatou o I. Relator. Acerca dos demais requisitos que autorizam a dedutibilidade das despesas, é possível, com a devida vênia aos Conselheiros que entenderam contrariamente, verificar, a partir do mesmo caderno probatório, que estão presentes no caso concreto. Os fortes e harmônicos indícios – v.g., confirmação de bilhetes aéreos, recibos de despesas com hospedagem, controles de despesas, comprovantes de depósitos e de ordens de crédito relativos a ressarcimentos, comprovantes de cartões de crédito com a indicação do contribuinte – autorizam, em juízo de verossimilhança, concluir que as viagens realizadas pelo Sr. Arthur Rizoli relacionaramse com as atividades empresariais do Recorrente, mormente quando se constata que a maioria teve como destino a cidade norteamericana de Houston (Estado do Texas), em que o Grupo Cameron possui unidades, como se verifica do seu sítio eletrônico na internet 1: 3505 W, Sam Houston Pkwy. N.,Houston, TX 77043 11236 Brittmoore Park Dr., Houston, TX 77041 6500 Brittmore Rd., Houston, TX 77041 1333 West Loop S., Suite 1700, Houston, TX 77027 6401 W. Sam Houston Pkwy. N., Houston, TX 77041 6750 Bingle Road, Houston, TX 77092 11210 Equity Drive, Houston, TX 77041 8820 Meldru Ln., Houston, TX 77085 11323 Tanner Road, Houston, TX 77041 1 https://www.cam.com/contactus/locations. Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.027 23 A documentação acima mencionada inicialmente havia sido apreciada pelos Julgadores de primeira instância, que chegaram à idêntica conclusão de afastar a glosa fiscal, verbis: “Examinei a documentação apresentada e verifiquei que somente as despesas com viagem do Sr. Arthur Rizoli podem ser reputadas como relacionadas aos interesses da empresa, estando sua composição nos demonstrativos citados nas folhas acima e comprovados pela documentação constante do anexo XIII. Por tais razões, não prevalece a glosa relacionada às despesas com viagens do Sr. Arthur Rizoli, no total de R$ 83.740,77 (item 1.9 do Termo de Verificação Fiscal), devendo ser mantida a decisão a quo. Pelo exposto, voto no sentido de: a) NÃO CONHECER do recurso voluntário; b) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer as glosas com: “Remanejamento transporte de aparelhos, conta 8035002” (infração 9 do voto vencido; item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal), no valor de R$4.990,00; e “Serviços – Despesas Bancárias, conta 07.15.06” (infração 13 do voto vencido; item 5 do Termo de Verificação Fiscal), no valor de R$ 850.000,00. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 19740.000206/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004
INCLUSÃO EM PARCELAMENTO - CONFISSÃO DE DÍVIDA - NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO
A inclusão do presente processo e das obrigações correlatas em parcelamento importa confissão de dívida e por conseguinte, renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual deixo de conhecer o presente recurso. Nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata a referida Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por perda de objeto, face à inclusão do mesmo em parcelamento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004 INCLUSÃO EM PARCELAMENTO - CONFISSÃO DE DÍVIDA - NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO A inclusão do presente processo e das obrigações correlatas em parcelamento importa confissão de dívida e por conseguinte, renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual deixo de conhecer o presente recurso. Nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata a referida Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por perda de objeto, face à inclusão do mesmo em parcelamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
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Nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata a referida Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por perda de objeto, face à inclusão do mesmo em parcelamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 06 /2 00 3- 55 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do Contribuinte, BANCO NACIONAL SA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL., foi lavrado auto de infração referente à DCTF do terceiro e quarto trimestres de 1998, lavrado pela Deinf/RJ, atual Demac/RJO. No auto de infração foi formalizada a exigência de IRRF, no valor de R$5.138.914,54, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2003. Conforme descrição dos fatos, enquadramento legal e anexos do auto de infração, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna de DCTF na qual foi apurado que, em determinados períodos do ano de 1998, ocorreu falta ou recolhimento a menor de IRRF, códigos 0561, 0588, 1708 e 8045, conforme Anexo I, Anexo II, e Anexo III. Inconformada com o lançamento, a Interessada apresentou impugnação em 01/08/2003, após ciência ocorrida em 04072003, alegando que os débitos objetos do lançamento foram anteriormente compensados através do processo 10305.000299/9863, sendo que os débitos foram por equívoco e inadvertidamente, transferidos para os processos: 10768.012491/200111, 10768.012495/200191, 10768.012494/200146, 10768.012493/200100, 10768.012492/200157, 10768.012490/200168, 10768.012521/200181, 10768.012520/200136, 10768.012519/200110. O processo foi remetido à EQCOR/DIORT da DemacRJ, para que fossem analisadas as compensações acima mencionadas. Às fls.79, há petição da Interessada requerendo que fosse declarada a insubsistência do referido auto de infração, cancelando os lançamentos efetuados, para desconstituir o crédito tributário ora lançado, e, ao final arquivado, uma vez que já se passaram 08 (oito) anos, por ocasião da apresentação da Impugnação e o processo em destaque continua com a situação fiscal suspensa aguardando julgamento da Impugnação. Nos autos consta cópia das decisão que tratou da referida compensação. No parecer e despacho de revisão de ofício, consta que: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19740.000206/200355 Acórdão n.º 2202002.902 S2C2T2 Fl. 3 3 no processo 10305.000299/9863 foi reconhecido direito creditório a favor da interessada conforme cópia da decisão às fls. 33/40; da tal saldo credor foi compensado com os débitos controlados pelos processos acima mencionados e também com os processos 10768.012517/200112 e 10768.012518/200167, todos cadastrados por transferência de débitos do processo 10305.000299/9863, e inscritos em Dívida Ativa da União, conforme fls.42/66; o crédito foi suficiente para liquidar as inscrições em dívida ativa, restando saldo credor a ser utilizado em futuras compensações, conforme despacho decisório no processo de compensação; objetivando verificar quais parcelas do auto de infração foram quitadas por compensação, foi elaborada a planilha de cálculo de fls.272/299 com base nos extratos dos processos de fls.97/271, em que foram separados os valores constantes no sistema PROFISC em cada coluna por vencimento do débito, considerando que cada vencimento corresponde a um determinado período de apuração (PA), ao final de cada coluna consta em negrito o somatório dos seus valores; na planilha de cálculo de fls.300 foram deduzidos dos valores lançados de ofício as parcelas confirmadas como compensadas de acordo com o vencimento do período; se o valor compensado excedia o valor lançado de ofício, foi considerado como zero o valor mantido do auto de infração. No despacho decisório consta que após a revisão de ofício foi reduzido o valor total do débito conforme planilha de fls.300. Interessada conforme cópia da decisão às fls. 33/40. A DRJ – Rio de Janeiro ao apreciar as razões do interessado, julgou a julgar improcedente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 1998 DCTF. IRRF. COMPENSAÇÃO PARCIAL. Mantém se o lançamento do IRRF quando comprovado que parte dos débitos não foi compensada anteriormente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde enfatiza em especial os seguintes pontos: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Da preliminar de ilegalidade do lançamento de ofício da constituição do crédito tributário por declaração (Auto de Lançamento via DCTF); Da cobrança em duplicidade – inscrição em divida ativa e posterior lavratura de auto de infração – Débito extintos. Da cobrança indevida de juros e da multa punitiva aplicada após a decretação da liquidação extrajudicial. Esta turma decidiu converter o processo em diligência em março de 2013. É o relatório. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19740.000206/200355 Acórdão n.º 2202002.902 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Em se tratando de retorno de diligência comandado por esta Turma, despicienda a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. Após retorno do presente processo da diligência, deparamonos com a informação de fls 554 e 555 de que o débito objeto do presente demanda foram incluídos em parcelamento especial da lei 11.941. A confissão de dívida importa renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual deixo de conhecer o presente recurso, nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, que assim estabelece: Art. 5 o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Face o exposto voto por não conhecer o recurso, por perda de objeto, face a inclusão do mesmo em parcelamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 572DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10510.003484/2007-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/2002
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Neste sentido, observa-se também a Súmula CARF no 99.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2403-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em Acolher parcialmente os Embargos propostos para retificar o dispositivo do Acórdão, para conter a seguinte decisão: "CONHECER do Recurso Voluntário, DAR-LHE PROVIMENTO, para, em Preliminar, se reconhecer a decadência total até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN".
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Neste sentido, observase também a Súmula CARF no 99. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em Acolher parcialmente os Embargos propostos para retificar o dispositivo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 34 84 /2 00 7- 27 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Acórdão, para conter a seguinte decisão: "CONHECER do Recurso Voluntário, DARLHE PROVIMENTO, para, em Preliminar, se reconhecer a decadência total até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN". Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 169 3 Relatório Tratase de embargos propostos pelo Procurador da Fazenda Nacional por entender que o Acórdão nº 240301.239 possui omissão entre a decisão a sua fundamentação. O processo nº 10510.003484/200727 em questão se refere a Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1514.073 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.087.8710. O Acórdão nº 240301.239 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, cujo I. Relator foi o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato, teve como resultado do julgamento: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Em relação à omissão apontada pela Embargante: A 3ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento acolheu a preliminar de decadência até a competência 07/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN c/c 173, I do CTN, sob o argumento de que este período já estaria decaído ao tempo do lançamento, cientificado ao sujeito passivo em 29/08/2007. Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão em sua fundamentação. Isto porque, ao reconhecer a decadência do lançamento, não se analisou a existência de pagamento parcial das contribuições devidas nas aludidas competências (de 12/2001 a 07/2002). Com efeito, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem consolidado o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente diante da existência de pagamento parcial do tributo devido. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN, (...) Assim, depreendese do Discriminativo Analítico de Débito (DAD), fls. 02/08, que em relação às competências 12/2001 a 07/2002 não houve recolhimento antecipado de tributo. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Ora, se inexiste pagamento parcial nas competências 12/2001 a 07/2002, aplicase a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN. Sob tal perspectiva, as competências ocorridas a partir de 12/2001 poderiam ter sido lançadas em 2002. Logo, 01/01/2003, primeiro dia do exercício seguinte, é o termo inicial da contagem do prazo decadencial, que somente se encerra em 01/01/2008. Como o contribuinte foi cientificado em 29/08/2007, o crédito tributário foi regular e tempestivamente constituído em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2001. Nesse sentido, inexistindo pagamento parcial (competências 12/2001 a 07/2002), conforme se depreende dos autos, impõese a aplicação da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Assim, a Fazenda Nacional requer que sejam recebidos e providos os embargos de declaração para sanar os vícios apontados, analisandose a aplicação do art. 173, I, CTN. Face aos argumentos apresentados pela Embargante, quanto à omissão no acórdão que resultou em aplicar o critério decadencial do art. 150, §4°, do CTN c/c art. 173, I, CTN , entendo que lhe assiste razão. Conforme se observa de trecho do Acórdão do Recurso Voluntário, decidiu se pela aplicação decadencial dos art. 150, § 4º, c/c art. 173, I, ambos do CTN: In casu, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, c/c artigo 173, I , ambos do CTN. Conforme Relatório Fiscal de fls. o período das irregularidades compreendeu a competência 01/07/1997 a 31/07/2002, NFLD n° 37.087.8710 lavrada em 29/08/2007. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, compreendido entre: 01/07/1997 a 31/07/2002 (nos termos do art. 150, § 4º, c/c artigo 173, I, ambos do CTN), conforme explicado. Acolho a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário, extinguindose o crédito tributário. CONCLUSÃO Ante todo o exposto e do mais que nos autos consta, conheço do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO aplicando a Sumula Vinculante n. 8 do STF, reconhecendo a Decadência total, com base no artigo 150, § 4º c/c artigo 173, I , ambos do CTN, extinguindose o crédito tributário, nos termos dos fundamentos supra. A Recorrente teve ciência da NFLD em 29.08.2007, conforme fls. 01. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 07/1997 a 07/2002. Constatase que há competências (competência 12.2001, inclusive até a competência 07.2002) na qual não incide a decadência se utilizado o art. 173, I, CTN, posto Fl. 719DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 170 5 que o período objeto da autuação foi 07.1997 a 07.2002 e a ciência do contribuinte ocorreu em 29.08.2007. Outrossim, o Voto do Relator foi no sentido de se dar provimento aplicando a Sumula Vinculante n. 8 do STF, reconhecendo a Decadência total, com base no artigo 150, § 4º c/c artigo 173, I, ambos do CTN, extinguindose o crédito tributário. Portanto, como as decisões emanadas do Colegiado devem ser claras, não omissas e não contraditórias, de forma que entendo deve ser sanada a hipótese de competências não alcançadas pela aplicação da regra decadencial do art. 173, I, CTN. Então foram admitidos os Embargos de Declaração, de forma a entrar em Pauta de Julgamento nesta Colenda Turma. É o Relatório. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Com fulcro no art. 64, I do Anexo II do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o Procurador da Fazenda Nacional, propôs, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240301.239 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Preliminar Da decadência Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 171 7 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de Fl. 722DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório do Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, às fls. 30, apresenta, como documentos examinados, COMPROVANTES DE RECOLHIMENTOS feitos pelo contribuinte, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação, ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com Fl. 723DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 172 9 fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Ademais, neste sentido de se considerar os recolhimentos parciais para a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, CTN, há a Súmula CARF no 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A Recorrente teve ciência da NFLD em 29.08.2007, conforme fls. 01. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 07/1997 a 07/2002. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Diante do exposto, em função da decadência total reconhecida nos termos do art. 150, § 4º, CTN, afastase a possibilidade de aplicação da regra decadencial do art. 173, I, CTN, conforme o suscitado pela Embargante. Outrossim, acolhese em parte os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda para que se retifique o dispositivo do Acórdão de forma a se prover o Recurso Voluntário pelo reconhecimento da decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 CONCLUSÃO Voto no sentido de Acolher parcialmente os Embargos propostos para retificar o dispositivo do Acórdão, para conter a seguinte decisão: "CONHECER do Recurso Voluntário, DARLHE PROVIMENTO, para, em Preliminar, se reconhecer a decadência total até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN". É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 725DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000329/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2006, 2007
LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.º 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.º 70.235/72.
CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA DETERMINAÇÃO. CUSTO IGUAL A ZERO.
Sendo impossível a determinação do custo de aquisição de bens, este será considerado igual a zero por observância do art. 129, IV, do Dec. 3.000/99 (RIR/99).
Numero da decisão: 1302-001.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE MERA INTERMEDIAÇÃO DE OPERAÇÕES COMERCIAIS. A mera alegação do contribuinte de que apenas intermediava as operações de compra e venda de veículos, sem qualquer amparo probatório, não é hábil a desconstituir o lançamento tributário em seu desfavor sobre o valor total das vendas realizadas. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.º 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.º 70.235/72. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA DETERMINAÇÃO. CUSTO IGUAL A ZERO. Sendo impossível a determinação do custo de aquisição de bens, este será considerado igual a zero por observância do art. 129, IV, do Dec. 3.000/99 (RIR/99). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2006, 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 03 29 /2 01 0- 96 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.115 3 Relatório Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 917.293,34), CSLL (R$ 346.892,72), PIS (R$ 122.501,93) e COFINS (R$ 565.395,66), resultando em um montante de R$ 1.952.083,65, incluindo multa de oficio (150%) e juros de mora (fl. 04/11). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante no Termo de Verificação Fiscal (fl. 990/1.004): a) Em 14/08/2009, deu se inicio ao procedimento fiscal n° 09.2.03.002009 004878, com o fim de verificar o regular cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, dos períodos de 01/2006 a 31/12/2007, (fls. 64/66). b) Ao contribuinte foi solicitado a apresentação de documentos, tais como: extratos de contas bancárias mantidas em seu nome no período de 2006 a 2007, além dos livros contábeis obrigatórios, livros de registros de entradas e saídas, contratos de intermediações de financiamentos, empréstimos, leasing, contrato social e alterações, por fim, documentos pessoais dos administradores e do responsável pela escrita contábil da sociedade. c) Em 11/09/2009, pelo Termo de Intimação Fiscal — TIF n°0001 (fls. 118/119), a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar os extratos bancários de contas mantidas junto a Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S/A, e, junto A Cooperativa de Crédito Maxi Alfa de Livre Admissão de Associados SICOOB, todos relativamente aos anos de 2006 e 2007. d) Em 25/09/2009, pelo TIF n° 0002 (fls. 286/287), a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar notas fiscais e esclarecimentos quanto à origem dos créditos e a forma em que se deu a escrituração contábil das receitas ali listadas. e) Em 10/11/2009, pelo TIF n° 0003 (fls. 310/311), houve a reintimação quanto à apresentação das notas fiscais de operações de vendas de veículos, comprovação das origens de alguns créditos ainda não comprovados documentalmente pelo contribuinte, e manifestação deste acerca da prestação de serviços, conforme retenções apuradas em DIRFs (fls. 323/326). f) A recorrente, a partir dos TIFs n° 0002 e 0003 apresentou documentos como relatório de pagamentos, emitido pela Financeira BV, com operações em que fora intermediadora do crédito para venda de seus veículos usados, extrato de comissões recebidas do Banco ABNAMROREAL, planilha Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 indicativa da origem dos créditos oriundos das prestações de serviços, sem, contudo, juntar as notas fiscais dessas prestações (fls. 621), dentre outros. g) Em 08/12/2009, pelo TIF n° 0004 (fls. 622/645), foi reintimado o contribuinte para apresentar a documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários ainda não comprovados, como também apresentar as notas fiscais que fundamentam as receitas auferidas por prestações de serviços e apontar a forma que se deu o registro contábil dessas receitas, e para que houvesse a manifestação acerca dessas operações de financiamento ali indicadas. h) Em 18/12/2009, manifestouse o contribuinte (fls. 658), limitandose a declarar que os documentos solicitados pela Fiscalização já foram entregues e que a sua escrita contábil está dentro das normas tributárias que regem a matéria. Afirmou que a movimentação financeira extraída do relatório de pagamentos normais emitido pelo Banco BV eram decorrentes de atividades de "intermediação na aprovação de créditos", e assim sendo, as comissões dessa fonte foram recebidas. i) Em 04/02/2010, pelo TIF n° 0005 (fls. 659/666), a Fiscalização, intimou o contribuinte a apresentar os documentos que fundamentam os lançamentos contábeis relacionados no anexo àquela intimação, pois estes não condizem com a real operação financeira promovida na conta "caixa", uma vez que os históricos dos lançamentos nos extratos bancários são incoerentes com os históricos dos mesmos na escrituração contábil. j) A Fiscalização identificou ainda que os lançamentos constantes dos extratos bancários do contribuinte relativamente ao Banco ABN AMRO REAL S/A foram em todo o período fiscalizado registrado em contabilidade, e, aqueles constantes dos extratos bancários junto ao Banco SANTANDER S/A, foram reconhecidos na contabilidade só a partir do mês 08/2007, contudo, ambos apresentaram a incoerência acima indicada quanto aos históricos das operações. Diante disto a Fiscalização desclassificou a contabilidade apresentada, pois entendeu que esta não espelha a real operação financeira da recorrente. k) Em 08/03/2010, pelo TIF nº 0006 (fls. 667/702), intimouse o contribuinte a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias e os custos de aquisições e de revendas dos veículos, quando cabível; informações das receitas decorrentes de prestações de serviços (listadas em anexo) conforme apuração em DIRFs de seus tomadores (fls. 782/798); a apresentação dos documentos hábeis que comprovariam os custos de aquisições e os valores de revendas de veículos, conforme relatório emitido pelo Banco BV e apresentado pelo próprio contribuinte, e por fim os documentos que deram suportes a contabilização dos recursos na conta ‘caixa’, pois pela análise contábil indicam estar equivocados e propositadamente contabilizados. l) Em 16/03/2010, o contribuinte apresentou expediente (fls.703) destacando que os recursos relacionados ao TIF n° 0005, são decorrentes de operações de financiamento que foram viabilizados e que a escrita contábil é de responsabilidade de seu profissional contador, tendo os documentos já sido entregues ao Fisco. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.116 5 m) A Fiscalização não obteve por parte do contribuinte a comprovação da origem da totalidade dos créditos identificados. Foram juntados demonstrativos de comissões recebidos pela recorrente das instituições bancárias financiadoras e as respectivas retenções de IRF. n) Diante do que o contribuinte apresentou a fiscalização, quanto aos anos de 2006 e 2007, concluiuse que houve omissão de receitas oriundas de atividades de agenciamentos (prestação de serviços), com relação a integralidade dos valores identificados nas DIRFs das fontes pagadoras. o) As retenções sofridas a titulo de IR foram consideradas pela Fiscalização como créditos em favor do contribuinte, apesar de não contabilizadas tais receitas e respectivas retenções, conforme se pode observar no auto de infração, (fls. 04/19). Destacou o AFRFB que o contribuinte não emitiu notas fiscais que dariam suportes a esses recebimentos, ou seja, entendeu o AFRFB que em tese houve a intenção em promover a omissão dessas receitas. p) Verificouse, também, que a fiscalizada foi titular de movimentação bancária junto aos Bancos Santander S/A, ABN AMRO REAL S.A, CEF e SICOOB. Intimada a comprovar os recursos que ingressaram em suas contas correntes (TIFs 02, 03 e 04), apenas conseguiu comprovar com documentos hábeis a origem de parte dos lançamentos, sendo que se considerou omissão de receitas os depósitos de origem não comprovados, consoantes fls. 975/978. q) Que pela mencionada desclassificação da contabilidade do contribuinte, a Fiscalização promoveu o lançamento com base no lucro arbitrado dessas receitas omitidas, aplicandose o percentual de 32% para determinação da base de cálculo a ser tributada, acrescidos de 20%, frente ao arbitramento, na apuração do IRPJ. r) Que no procedimento fiscal verificaramse operações de compra e venda de veículos onde o custo não ficou comprovado, por deficiência documental. O contribuinte não conseguiu juntar provas e documentos que indicariam os custos de cada veiculo revendido. s) Sabendo a Fiscalização que tais receitas são decorrentes da atividade do contribuinte (comércio de veículos), aplicarseia 32% sobre a diferença entre a entrada e saída (venda e custo) dos veículos, contudo, na falta de prova documental do custo de cada veiculo, ou seja, custo não comprovado, assumirseia custo "zero", e por assim dizer, haveria incoerência, na medida em que a norma que existe para favorecer acabaria por prejudicar o contribuinte nessa hipótese. Assim, a Fiscalização promoveu o lançamento com base no lucro presumido dessas receitas omitidas, aplicandose o percentual de 8% para determinação da base de cálculo a ser tributada, acrescida de 20% em face do arbitramento para a apuração do IRPJ. t) A Fiscalização identificou depósitos realizados nas contas bancárias do contribuinte, decorrentes de financiamentos que não tiveram os custos de aquisições dos veículos comprovados, o que restaria atribuir como custo zero. Com fundamento no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, entendeu como Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 omissão de receitas os créditos cuja origem foi comprovada mas não considerados na determinação da base de cálculo dos tributos devidos. Assim, da mesma forma da apuração acima, a Fiscalização promoveu o lançamento com base no lucro presumido dessas receitas omitidas, aplicandose o percentual de 8% para determinação da base de cálculo a ser tributada, acrescida de 20% em face do arbitramento para a apuração do IRPJ. u) O AFRFB entendeu como omissão de receita com base no artigo 528 do RIR/99 todos os casos. Contudo, foram adotados dois percentuais para lavrar o auto de infração, ambos acrescidos de 20% em face do arbitramento: i) 32% sobre as receitas obtidas pelas prestações de serviços de agenciamento de compra e venda de veículos e aquelas decorrentes de depósitos de origem não comprovada, e, ii) 8% sobre as receitas decorrentes de comercialização de veículos com custos não comprovados, extraídos da planilha informativa do Banco BV e dos históricos bancários que permitiram o entendimento de operações de compra e revenda de veículos, cuja documentação foi deficiente ou sem a apresentação desta, uma vez que estas decorrem de atividades reconhecidamente vinculadas ao ramo de atividade do contribuinte. v) Foi aplicada multa de oficio qualificada (150%), pois entendeu o AFRFB que a conduta do contribuinte em omitir receitas referentes à prestação de serviços, vendas de veículos e depósitos bancários efetuados em contas correntes de sua titularidade teve por finalidade impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas pelo autuado. w) Destacou o AFRFB que o contribuinte obteve um percentual de quase 100% de suas receitas omitidas, ou seja, sonegou em tese quase que a totalidade de suas receitas ao conhecimento e tributação do Fisco Federal, chegando às proximidades de R$ 6,75 milhões (seis milhões, setecentos e cinquenta mil) em receitas omitidas, sendo a maior parte oriunda dos mencionados depósitos bancários. x) Deste modo, o autuado incorreu no disposto no artigo 71, da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual trás no seu bojo a definição de sonegação, que por consequência incorreu na prática de sonegação e fraude, estando sujeito à multa prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória n°351/2007. Na sequência, apresentou impugnação em 20/04/2010 (fl. 1.013/1.035), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ/CGE) que adiante segue transcrita (fl. 1.055/1.073): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se o contribuinte pode entender o que lhe foi imputado. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Os preceitos constitucionais são endereçados ao legislador e a análise de Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.117 7 normas segundo esses princípios é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser juntadas à impugnação e o pedido de diligência/perícia só é deferido quando estas forem necessárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. O Lucro Arbitrado é obtido pela aplicação dos percentuais previstos para o Lucro Presumido acrescidos de vinte por cento e, para que seja considerado o custo dos veículos, no caso de vendas de veículos usados, há a necessidade de apresentação da documentação fiscal hábil e idônea. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO E QUALIFICAÇÃO. A qualificação da multa de ofício ocorre nos casos de apuração de evidente intuito de fraude e seu percentual está previsto na legislação, não havendo se falar em efeito confiscatório. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 16/10/2013 (fls. 1.092), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 18/11/2013 (fl.1.095/1.098), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que é o sujeito passivo indireto o responsável pelo pagamento do tributo, ou seja, aquele que tem relação indireta com o fato tributável. (ii) Que devido o disposto no artigo 121 CTN, a obrigação tributária é atribuida a uma pessoa diversa daquela relacionada com o ato ou negócio jurídico, sendo neste caso a própria lei que substitui o sujeito passivo direto pelo indireto. (iii) Que possuía empresa onde celebrava contratos de financiamento, e era comum terceiros solicitarem a aprovação do cadastro junto a financeiras, ou seja, por diversas vezes se realizou o cadastro e somente após sua aprovação teve o dinheiro liberado em conta, cujos valores eram imediatamente repassados ao efetivo vendedor, desta forma não era o contribuinte o responsável pela venda, por conseguinte não poderia responder pela obrigação tributária dela decorrente visto que a venda era realizada por terceiro. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 (iv) Que por conta dos motivos acima requereu a intimação dos bancos Santander, CEF, Cooperativa de Crédito Maxi Alfa e ABN para que apresentassem cópia dos contratos de financiamento intermediário, e a intimação do Banco Itaú para fornecer todos os dados das transferencias e TEDS realizados, indicando os destinatários. (v) Que teve dificuldades em obter tais documentos, e que os mesmos poderiam identificar quem de fato praticou o fato gerador. (vi) Que mesmo em sede administrativa deve ter o direito de ampla defesa e contraditório, para produzir provas que entende necessário, sob pena de cerceamento de defesa. (vii) Que a administração se mostrou indiferente perante as provas produzidas, e nem ao menos se manifestou diante das mesmas. (viii) E por fim, que seja feita uma nova análise nos documentos já juntados, para que ao final seja cancelado o débito lançado. É o relatório. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.118 9 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Falta de Comprovação da Sujeição Passiva Indireta. Da Regularidade do Lançamento Tributário. Alega a recorrente que celebrava contratos de financiamento em nome de terceiros e que, logo após a aprovação e liberação do crédito em sua conta, o mesmo era repassado ao efetivo vendedor. Deste modo, argumenta que apenas realizou papel de intermediário e, assim, não poderia ser responsabilizado pelo tributo sobre a venda realizada. Ressaltase que a recorrente foi autuada em decorrência das seguintes infrações verificadas durante o procedimento fiscal: a) omissão de receitas da revenda de mercadorias sem emissão de notas fiscais; b) omissão de receitas de prestação de serviços gerais; c) depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à omissão de receitas por revenda de mercadorias sem emissão de notas (item a), estas não merecem ser analisadas neste tópico, pois como já ficou claro, o cerne da presente discussão é a suposta prestação de serviços como mero intermediário. É possível observar nos autos que a recorrente foi diversas vezes intimada a comprovar (fls. 285; 310; 622; 667) a origem das receitas que ingressaram em suas contas bancárias, inclusive valores que teriam origem em liberação de financiamentos para aquisição de veículos. Em seu favor, a recorrente alegou durante o procedimento fiscal, e também em seu recurso voluntário, que teve dificuldades para obter os contratos e demais documentos junto às instituições financeiras que poderiam amparar suas alegações de que teria agido como mero intermediário em diversas operações de compra e venda de veículos, nas quais apenas recebia uma comissão pela realização da operação, mas não tinha qualquer custo com a aquisição do veículo ou maiores ganhos com a venda. Observando o TVF, temse que o AFRFB procedeu da seguinte maneira quanto às receitas a que se refere a recorrente neste ponto: i) com relação às informações lançadas nas DIRFs (fls. 782/798) das instituições bancárias (fls. 968/971), relacionadas a pagamentos feitos para a recorrente, estas receitas foram efetivamente consideradas como valores recebidos a título de comissão, nos termos em que argumentou a recorrrente, Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 as quais foram consideradas como receitas omitidas uma vez que não escrituradas na contabilidade da recorrente; ii) por outro lado, no tocante às demais receitas que ingressaram em suas contas bancárias e não tiveram sua origem comprovada (fls. 975/978), com fundamento no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, também foram consideradas omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada. O art. 42, da Lei n° 9.430/96, apresenta a presunção legal de omissão de receita quando se verifica o ingresso de valores na conta bancária do contribuinte e, devidamente intimado, este não comprova sua origem, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...] Sendo assim, em virtude da presunção legal disposta acima, ocorre a inversão do ônus da prova e, portanto, cabe à recorrente nestes autos a comprovação da origem dos valores que ingressaram em sua conta bancária, demonstrando com documentos hábeis quais receitas pertencem a terceiros e que apenas transitam em sua conta. Importante considerar, ainda, que a recorrente não carreou aos autos qualquer documentação que venha a servir de arrimo inconteste às alegações tecidas, sendo que, por isso, não há como se esperar que este Conselho desconstitua ato administrativo devidamente fundado em apreciação documental da própria empresa contribuinte sem que, para tanto, haja robusta matéria probatória a sustentar suas alegações. Dessa feita, ainda que tomemos em conta o princípio da verdade material, que deve sempre prevalecer em matéria tributária, não há como acatar a alegação de que existiram recursos que apenas transitaram nas contas bancárias da recorrente, posta a ausência de documentação comprobatória de tais alegações. Noutros dizeres, tal como ocorre em casos relacionados ao reconhecimento de direito creditório do contribuinte, a efetivação do mencionado princípio da verdade material requer a apuração da concretude dos fatos alegados através de documentação hábil, não sendo autorizado prevalecer a mera alegação genérica de qualquer das partes envolvidas. Assim, tal princípio não se presta a compensar a inércia da recorrente na apresentação dos meios probatórios necessários para convalidar suas arguições. Notese, outrossim, que tal entendimento se coaduna com a inteligência exarada por este Conselho, conforme se nota das ementas a seguir: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.119 11 PAGAMENTO A MAIOR. VERDADE MATERIAL. PROVA. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL. NECESSIDADE. O princípio da verdade material, que informa o Processo Administrativo Fiscal, não se compraz com a mera alegação trazida na defesa, tendo em vista dirimir a questão controvertida nos autos, carecendo de provas que a demonstrem, fundadas na escrita contábil e admissíveis na fase recursal. (CARF, Acórdão n. 3803004.287 do processo n. 10830.901516/200658, Cons. Rel. BELCHIOR MELO DE SOUSA, data da publicação: 18/12/2013). (grifo não original). COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Simples afirmações, sem que haja qualquer tipo de comprovação, mesmo sendo o processo administrativo regido pelo Princípio da Verdade Material, não tem o condão de referendar o direito creditório invocado. Processo. Voluntário Negado. (CARF, Acórdão n. 3801002.159 do processo n. 10875.908139/200912, Cons. Rel. MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, data da publicação: 06/11/2013). (grifo não original). COFINS.COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente. (CARF, Acórdão n. 3201 001.524 do processo n. 10880.944218/200829, Cons. Rel. ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, data da publicação: 28/01/2014). Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto, posto que as arguições da recorrente estão desprovidas de provas suficientes a desconstituir a omissão de receita apontada. 2. Da Insurgência Genérica Quanto ao Acórdão da DRJ. Aplicação do Art. 17, do Dec. 70.235/72. A Recorrente se insurge contra decisão proferida DRJ de maneira totalmente genérica, fazendo mera referência às suas razões lançadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, intentando assim a alteração do entendimento no que tange à constatação pelo AFRFB de omissão de receitas e ganho de capital referente à alienação de veículos sem os custos comprovados. Portanto, a recorrente limitase a argumentar de forma genérica suas razões de direito lançadas no recurso voluntário e não ataca o mérito, o que não lhe favorece. Entendo, assim, que a própria motivação do lançamento deixou de ser pontualmente infirmada pela ausência de impugnação específica quanto o decidido pela DRJ e Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 da fundamentação do próprio auto de infração, na forma prescrita pelo art. 17, do Decreto 70.235/72, a seguir transcrito: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste mesmo sentido já se manifestou este Conselho em casos análogos: (...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitase a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. (CARF. Acórdão n.º 2803003.947. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014) AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. (...) Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar expressamente o fato de ter apresentado as GFIP’s com a ausência de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o lançamento é incontroverso, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. (CARF. Acórdão n.º 2402 003.164. Rel. Lourenço Ferreira do Prado. Sessão de 17/10/2012) Ademais, mesmo que assim não fosse, as alegações da recorrente não merecem razão, posto que, tal como se verificou em tópico antecedente, inexiste suporte probatório suficiente para sustentalas. A recorrente não comprovou a origem de diversas receitas que ingressaram em suas contas bancárias; não comprovou que realizava operações como mero intermediador e quais as receitas oriundas das mesmas a título de comissão, salvo aquelas declaradas e conhecidas através das DIRFs das instituições financeiras; não comprovou os custos das mercadorias revendidas sem emissão de notas fiscais e da prestação de serviços. Nesse sentido, releva ainda mais consignar que a recorrente insiste em confundir o real motivo que embasou a lavratura do auto em comento, qual seja a falta de comprovação da origem de recursos e da não escrituração das receitas oriundas de sua atividade comercial (revenda de veículos e prestação de serviços). No que se trata do custo de aquisição considerado pelo AFRFB, temse que o mesmo procedeu de maneira adequada, em conformidade com artigo 129, VI do Decreto 3.000 de 1999, o qual determina: Art. 129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.120 13 IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Importa ressaltar que o AFRFB efetuou diversas vezes a devida intimação do recorrente (fls. fls. 285; 310; 622; 667) para demonstrar o ganho de capital ora tratado, de forma a oportunizar o exercício da ampla defesa e do contraditório. Entretanto, em que pese tais intimações, não houve qualquer resposta da empresa contribuinte. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto para manter incólume o lançamento tributário. 3. Da Conclusão Ante ao todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10283.909716/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 16 /2 00 9- 45 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909716/200945 Acórdão n.º 3202001.575 S3C2T2 Fl. 378 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.918252/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros deste colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros deste colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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(assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 18 25 2/ 20 10 -6 2 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Tratase da manifestação de inconformidade interposta em face do Despacho Decisório n° 863125851 (fl. 25), datado de 19/05/2010, referente a não homologação da PER/DCOMP (com Demonstrativo de Crédito) n° 09786.74986.180906.1.7.022333 e DCOMPs vinculadas, por inexistência de crédito de saldo negativo na DIPJ/2005, ano calendário 2004. 0 contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 25/05/2010 (fl. 30) e apresentou em 23/06/2010 a manifestação de inconformidade de fls. 31 a 43, alegando em síntese que: Realizou apuração do IRPJ pelo regime de suspensão e redução. Conforme a ficha 11 da DIPJ 2005, apurou prejuízo nos meses de janeiro a novembro e lucro em dezembro e saldo de IRPJ a pagar de R$ 2.656.668,67; Em 2004 sofreu retenções a titulo de imposto de renda no montante total de R$ 14.398.934,65 que estão absolutamente confirmadas por intermédio dos informes de rendimentos acostados. Deste valor utilizou R$ 2.656.668,67 para quitação do imposto de renda de dezembro, restando um saldo de R$ 11.742.265,98, suficiente para homologação de todas as compensações realizadas por intermédio das DCOMPs identificadas no Despacho Decisório; Para espancar quaisquer dúvidas, efetuamos o cotejo dos valores descritos na ficha 53 da DIPJ 2005 e ao lado colocamos os valores e respectivos informes de rendimentos para composição do montante de R$ 14.398.934,65 (segue demonstrativo); Pelas razões tecidas, nenhum valor é devido pela impugnante de tributo, pois as glosas perpetradas não encontram fundamento fáticojurídico, não exigido nenhum valor a titulo de multa; Ainda que algum valor a titulo de juros de mora pudesse prevalecer — o que se admite apenas para argumentar — não poderiam os mesmos ser calculados com base na taxa Selic; A Selic é calculada diariamente pelo Banco Central, resultado das negociações de títulos públicos e variação de seus valores de mercado. Este sistema de cálculo fere o preceituado no art. 161, § 1o. do CTN, bem assim no art. 192, § 3o. da Constituição Federal, tendo em vista tratarse de taxas remuneratórias; Os Tribunais Administrativos tem reconhecido a inaplicabilidade da Selic, a exemplo da decisão proferida pela la Câmara Especial do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, nos autos do Recurso Ordinário n° 1.089/00. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 13 3 Verificase que às fls. 230 a 245 dos autos foram anexadas cópias dos documentos de fls. 107 a 122 do processo n° 16306.000052/201061, utilizados na análise do direito creditório. A DRJ/SÃO PAULO decidiu a matéria por meio do Acórdão 1629.618, de 16/02/2011 (fls. 247), julgando a manifestação de inconformidade improcedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUTIBILIDADE DO IRRF. 0 imposto de renda retido na fonte sobre receitas, rendimentos ou ganhos somente poderá ser deduzido na declaração da pessoa jurídica se tais rendimentos integraram o lucro real. Encontrando se "zeradas" as linhas correspondentes às informações sobre rendimentos de Operações de Swap e Operações Day Trade na DIPJ 2005, ficam mantidas as glosas sobre as correspondentes deduções de IRRF. Não tendo sido apresentadas provas escriturais de que os rendimentos recebidos decorrentes de Ações Judiciais foram tributados na declaração de rendimentos, cabe manter a glosa sobre a dedução deste IRRF na declaração. Havendo comprovação nos autos de que os rendimentos sobre serviços prestados foram oferecidos à tributação, cabe restabelecer o respectivo IRRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. Sobre o valor do tributo ou contribuição, não adimplido no prazo estabelecido pela legislação, será acrescido multa de mora, calculada taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais. É o relatório. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do voto recorrido: Inicialmente, é necessário examinarmos o motivo pelo qual, da retenção do imposto de renda na fonte no valor total de R$ 14.398.934,65 que compõem as Parcelas de Composição do Crédito informadas no Per/Dcomp, somente foram confirmados o montante de R$ 1.602.649,68, o que resultou em saldo negativo indisponível conforme Despacho Decisório, item 3. ... Notese que ao final desta mesma folha consta a informação de que os documentos considerados na análise do direito creditório estão arquivados no processo n° 16306.000052/201061, fls. 107 a 122 na Delegacia da Receita Federal da jurisdição do sujeito passivo. Assim, verificase que os valores de IRRF informados pelo contribuinte, cujas correspondentes receitas não foram oferecidas à tributação foram desconsiderados no Despacho Decisório. Os códigos de receita não confirmados correspondem aos seguintes: 5273 — Operações de Swap; 8468 — Day Trade (Operações em Bolsa); 1708 — Remuneração de Serviços prestados por PJ; 8045 — IRRF Demais Rendimentos. As receitas tributáveis deveriam ser informadas na DIPJ do exercício 2005, na ficha 06 A — Demonstração do Resultado — PJ em Geral (anexada as fls. 56 e 232), onde determinadas receitas possuem linhas próprias para sua informação (Operações Swap: Linha 21 e esta encontrase zerada, igualmente a Linha 22 das Operações Day Trade). Em relação ao valor glosado de IRRF de R$ 50.200,60, no código 8045 — IRRF Demais Rendimentos, constatase que o impugnante apresentou o Atestado de Rendimentos Pagos — Ano Base 2004 do D.A.E.E. Departamento de Águas e Energia Elétrica (fl. 220), com a informação de que a natureza do rendimento referese à Rendimentos Recebidos Decorrentes de Ações Judiciais, onde o total dos Rendimentos Tributáveis corresponde à R$ 1.004.012,23 e o IRRF à R$ 50.200,60, sendo os demais rendimentos considerados isentos e não tributáveis. Ao analisarmos os documentos extraídos do processo n° 16306.000052/201061 e utilizados para a análise do direito creditório, verificamos que não consta da pesquisa Dirf efetuada (fl. 235), a fonte pagadora D.A.E.E. Departamento de Águas e Energia Elétrica. 0 contribuinte trouxe à colação o documento de fl. 220, em atendimento ao que determina a Lei n° 7.450, de 1985 (art. 55), que disciplina também a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração. No entanto, não foram apresentadas provas escriturais de que os correspondentes rendimentos foram devidamente tributados. Observase que a linha 43 — Outras Receitas Não Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 15 5 Operacionais, da ficha 06A registra o valor de R$ 2.336.145,82, o que seria suficiente para suportar o rendimento informado. Contudo, somente a apresentação dos registros contábeis indicativos da composição desta conta seria capaz de fazer prova a favor do interessado, o que não ocorreu. Portanto, deve ser mantida a decisão do Despacho Decisório. Por fim, não foi confirmada, no Despacho Decisório, a retenção no valor de R$ 6.213,18, no código 1708 — Remuneração de Serviços prestados por PJ, da fonte pagadora com CNPJ 10.620.540/000121. A pesquisa Dirf (fl. 235) efetuada pela autoridade fiscal não informa a entrega desta DIRF pela fonte pagadora, porém o contribuinte apresentou às fls. 223/224, o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica (Ano calendário 2004), da fonte pagadora Nordesclor S/A, CNPJ 10.620.540/000121, no código de retenção 1708, com rendimento total de R$ 414.212,21 e imposto retido no valor total de R$ 6.213,18. Ao exame da linha 08 — Receita da Prestação de Serviços, da ficha 06, verifica se um valor declarado de R$ 414.212,21, confirmandose, assim, a tributação deste rendimento. Portanto, cabe considerar confirmado somente o IRRF de R$ 6.213,18 correspondente a este rendimento, exonerandose esta glosa. Destarte, do valor total confirmado de IRRF de R$ 1.602.649,68 cabe acrescentar o valor de R$ 6.213,18, resultando no montante de RS 1.608.862,86 de Imposto de Renda Retido na Fonte confirmado. Restando, no cálculo do SNIRPJ (F.12A da DIPJ) um imposto a pagar no valor de R$ 1.047.805,81. Portanto, continua correta a decisão do Despacho Decisório que concluiu: "Valor do Saldo Negativo disponível: R$ 0,00". No recurso apresentado a recorrente traz as seguintes alegações. I DA SUFICIÊNCIA DO SALDO CREDOR APURADO PELA RECORRENTE PARA A REALIZAÇÃO COMPENSAÇÃO. Pois bem. No ano de 2004, a Recorrente sofreu retenções a titulo de imposto sobre a renda no montante total de R$ 14.398.934,65 que, conforme restará amplamente demonstrado, estão absolutamente confirmadas por intermédio dos informes de rendimento acostados á presente manifestação de inconformidade. Deste valor, utilizou o montante de R$ 2.656.668,67 para quitação do imposto sobre a renda de dezembro de 2004, restando um saldo de R$ 11.742.265,98, constante das declarações retificadoras 29776.33973.230805.1.7.029440 e 09786.74986.180906.1.7.022333 (docs. 05 e 06 da manifestação de inconformidade). Este saldo é suficiente para a homologação de todas as compensações realizadas por intermédio das PERDCOMPS identificadas no despacho decisório objeto da presente manifestação de inconformidade. Elabora, a seguir, um "Quadro Demonstrativo" contendo os valores descritos na Ficha 53 da DIPJ/2005 e os respectivos valores retidos (conforme informes de rendimentos), totalizando R$ 14.398.934,85. II DO OFERECIMENTO DAS RECEITAS DE OPERAÇÕES DE SWAP E DAY TRADE À TRIBUTAÇÃO Diferentemente do que restou consignado na r. decisão recorrida, as receitas a titulo de operações de Swap e operações Day trade foram oferecidas à tributação. Vejamos. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 16 6 De fato, a Impugnante, por mero equivoco no preenchimento, não consignou, nas linhas 21 e 22 da ficha 6A da DIPJ/2005, os ganhos a titulo de operações de swap e day trade apurados no anocalendário 2004, muito embora tenha indicado, na ficha 53 de tal DIPJ, as retenções efetuadas. Outrossim, nas linhas 33 (Perdas Incorp. Merc. Renda Variável, exceto Day trade) e 34 (perdas em operações de Daytrade) encontramse, por lapso, zeradas, conforme é possível se observar na ficha 6A, da aludida DIPJ. Nada obstante, verificase da linha 46, da mesma ficha 6A, que o valor do confronto entre os ganhos (linhas 21 e 22) e perdas (linhas 33 e 34) foi informado. É dizer, o valor liquido, a titulo de ganho nas operações subtraído das perdas, compõe o resultado do período de apuração, tendo sido oferecido à tributação, diferentemente do que restou consignado na r. decisão recorrida. Para que não restem dúvidas acerca do fato de que o valor da diferença entre ganhos e perdas, a titulo de operações de swap foram informadas, a Recorrente requer a juntada dos seguintes documentos: i) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de ganhos e perdas de operações de swap, referentes ao período em análise (doc. 03); ii) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de juros de swap, referentes ao período em análise (doc. 03A). Os referidos juros também compõem o valor apontado na linha 33, da ficha 06A, da DIPJ, a titulo de Perdas Incorp. Merc. Renda Variável, exceto Daytrade; iii) balancete no qual, na conta 3.4.7.35.1.06 — swap, resta consignado o valor de R$ 19.735.162,21, o qual corresponde ao total liquido auferido a titulo de operações com swap no período em questão (doc. 03B). Tal montante compõe o valor do resultado informado na linha 46, da ficha 06A, da DIPJ. Destarte, da perfunctória análise da documentação acima descrita, inferese que: i) a despeito de, por mero equivoco, terem restado zeradas a linhas 21 e 33 da ficha 06 A da DIPJ, tais movimentações existiram, sendo que as ganhas e perdas incorridas restam perfeitamente caracterizadas no livro razão da Recorrente; ii) 0 anexo balancete (doc. 03B) consigna o valor liquido, a titulo de operações de swap, montante este que compõe o valor do resultado do período de apuração, afastando qualquer dúvida que possa existir acerca do fato de que a receita foi efetivamente oferecida à tributação. No que tange As operações de Day trade, a Recorrente vem apresentar os seguintes documentos, que comprovam o oferecimento das receitas à tributação: i) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de ganhas e perdas de operações de Day trade, referentes ao período em análise (doc. 04); ii) Fls. do livro razão comprovando o ingresso dos valores nas instituições financeiras, as quais retiveram o imposto sobre a renda incidente (doc. 04A); Tabela em que elucida todos os valores que compõe as variações cambiais ativas e passivas (linhas 20 e 32, da Ficha 6A, da DIPJ). Logo, a despeito, por lapso, não ter restado consignado o montante dos ganhos e das perdas a titulo de operações com swap e Day trade, o fato é que o saldo Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 17 7 de tais operações (ganhos — perdas) compõe o resultado informado na linha 46, da Ficha 6A, da DIPJ/2005, além do fato de que todas as retenções incorridas foram devidamente informadas. Portanto, não restam dúvidas de que, diferentemente do que restou registrado na r. decisão ora recorrida, todos os valores a titulo de operações de swap e day trade, foram oferecidos a tributação. ... Destaquese, por oportuno que é uníssona a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes, atual E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim como das Delegacias de Julgamento, no sentido de que o mero equivoco no preenchimento de documentos não é suficiente para elidir o direito do contribuinte ao crédito. Vejamos, dentre as várias existentes, as seguintes decisões (...). III — DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÕES JUDICIAIS. Observase, da Decisão recorrida, que o i. Julgador analisou o Atestado de Rendimentos Pagos — Anos Base 2004 do D.A.E.E. — Departamento de Águas e Energia Elétrica e entendeu que este seria insuficiente para comprovar o oferecimento da receita à tributação. Nada obstante, o próprio julgador admite que havendo comprovação nos autos de que os rendimentos sobre serviços prestados foram oferecidos à tributação, cabe restabelece o respectivo IRRF. Devese ressaltar que, diferentemente do que assevera o i. julgador, o Atestado de Rendimentos Pagos em questão (fls. 220 dos autos) é prova suficiente do oferecimento da receita à tributação, uma vez que nele vem consignado o total de rendimentos auferidos e o valor do imposto de renda retido na fonte. Nada obstante, apenas para que não reste qualquer dúvida acerca do fato de que tal valor foi efetivamente oferecido à tributação, a ora Recorrente requer a juntada das anexas folhas do seu Livro razão, nas quais resta comprovado o ingresso do valor de R$ 2.051.377,44, referente à receita auferida por intermédio dos processos 164787978/9 e 987/92, bem como resta registrada a conta bancária do Itaú onde se encontra a contrapartida do crédito do DAEE, no dia 02/04/2004, no valor de R$ 2.051.377,44 (docs.05 E 05A). 0 valor tributável de R$ 1.004.012,23, constante as fls. 220 dos autos, é a soma dos rendimentos tributáveis auferidos por meio dos referidos processos (164787978/9, rendimento tributável = R$ 194.201,31 e 987/92, rendimento tributável =R$ 809.810,92). Assim, resta cabalmente comprovado o registro contábil do oferecimento do valor à. tributação, não havendo como persistir a glosas perpetrada pela r. decisão ora atacada. Por fim, ao contrário do que consignou a r. decisão, deve restar afastada a aplicação da multa e da taxa SELIC, nos termos em que pleiteado na manifestação de inconformidade. Compulsando os autos constatase que da retenção do imposto de renda na fonte no valor total de R$ 14.398.934,65 que compõem as Parcelas de Composição do Crédito informadas no Per/Dcomp, somente foram confirmados pela autoridade fiscal o montante de Fl. 478DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 18 8 R$ 1.602.649,68 sob a alegação de que as receitas a titulo de operações de Swap e operações Day trade não foram oferecidas à tributação, o que resultou em saldo negativo indisponível conforme Despacho Decisório, item 3. Por outro lado, a recorrente admite que por mero equivoco no preenchimento não consignou, nas linhas 21 e 22 da ficha 6A da DIPJ/2005, os ganhos a titulo de operações de swap e day trade apurados no anocalendário 2004, muito embora tenha indicado, na ficha 53 de tal DIPJ, as retenções efetuadas. Além do que na linha 46, da mesma ficha 6A, consta o valor do confronto entre os ganhos (linhas 21 e 22) e perdas (linhas 33 e 34) no que resulta em oferecimento à tributação das receitas a título de swap e day trade. Como prova cabal a recorrente requer a juntada dos seguintes documentos (juntamente com o recurso voluntário): i) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de ganhos e perdas de operações de swap, referentes ao período em análise (doc. 03); ii) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de juros de swap, referentes ao período em análise (doc. 03A). Os referidos juros também compõem o valor apontado na linha 33, da ficha 06A, da DIPJ, a titulo de Perdas Incorp. Merc. Renda Variável, exceto Daytrade; iii) balancete no qual, na conta 3.4.7.35.1.06 — swap, resta consignado o valor de R$ 19.735.162,21, o qual corresponde ao total liquido auferido a titulo de operações com swap no período em questão (doc. 03B). Tal montante compõe o valor do resultado informado na linha 46, da ficha 06A, da DIPJ. O fato é que o contribuinte trouxe provas do seu direito junto ao recurso voluntário, em especial provas contábeis. O § 4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que regula o processo administrativo fiscal, determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe novas provas para reforçar seu direito. Assim, no caso concreto, a apresentação das provas no voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão, pois sequer o contribuinte foi intimado a apresentar os registros contábeis quando da análise de seu direito creditório ou posteriormente ao Despacho Decisório. Ademais, seria por demais gravoso e, contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 19 9 No caso constato, também, que a documentação apresentada pela contribuinte revela bons indícios de lançamentos contábeis relativos as operações swap e day trade, no entanto, para que tais registros confirmem suas alegação, resta a prova cabal, qual seja o suporte documental. De se ressaltar o seguinte fragmento da decisão recorrida: "somente a apresentação dos registros contábeis indicativos da composição desta conta seria capaz de fazer prova a favor do interessado." Pelo exposto, depreendese a necessidade de complementação da instrução processual em observância ao princípio da verdade material, como anteriormente assinalado, orientador do processo administrativo tributário, devolvendose os autos à unidade de origem para realização de diligência na qual a autoridade fiscal deverá adotar as providências adiante relacionadas: a) dar ciência desta resolução à recorrente, entregandolhe cópia; b) analisar a composição dos valores relativos as receitas conforme informado na linha 46, da ficha 06A, da DIPJ em confronto com os registros contábeis (razão e balancete no qual, na conta 3.4.7.35.1.06 — swap, resta consignado o valor de R$ 19.735.162,21, segundo afirma a recorrente corresponde ao total liquido auferido a titulo de operações com swap no período em questão (doc. 03B) e documentação probatória; c) mesmo procedimento com relação às operações day trade (doc. 04B) d) por fim, resta analisar o Livro razão apresentado, com os registros do ingresso no valor de R$ 2.051.377,44, referente à receita auferida em ações judiciais por intermédio dos processos 164787978/9 e 987/92, bem como resta registrada a conta bancária do Itaú onde se encontra a contrapartida do crédito do DAEE, no dia 02/04/2004, no valor de R$ 2.051.377,44 (docs.05 E 05A). 0 valor tributável de R$ 1.004.012,23, constante as fls. 220 dos autos, é a soma dos rendimentos tributáveis auferidos por meio dos referidos processos (164787978/9, rendimento tributável = R$ 194.201,31 e 987/92, rendimento tributável =R$ 809.810,92). A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá (i) examinar a comprovação apresentada pela contribuinte, (ii) elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, indicando de forma individualizada os itens cuja comprovação foi acolhida ou rejeitada, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessárias, (iii) entregar cópia do relatório à contribuinte e (iv) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de contrarrazões em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 480DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.001455/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1999
DEPÓSITO RECURSAL.
O CARF não é competente para decidir sobre a devolução de depósito recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por se tratar de requerimento de devolução do depósito recursal.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O CARF não é competente para decidir sobre a devolução de depósito recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por se tratar de requerimento de devolução do depósito recursal. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 14 55 /2 00 7- 23 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratavase de crédito lançado pela fiscalização contra a recorrente na condição de responsável solidária e a empresa prestadora de serviços TC Montagens Industriais Ltda, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento e a Quarta Câmara de Julgamento do CRPS anulou o lançamento por vício insanável em razão da falta de indicação do dispositivo legal para o arbitramento. Embora a fiscalização tenha requerido revisão do lançamento e uniformização da jurisprudência, a nulidade foi mantida, tornandose a decisão definitiva. O presente processo tem por objeto a devolução do depósito recursal, fls. 591 e 689: Tratase de requerimento do representante do sujeito passivo, protocolizado em 15 de janeiro de 2010, requerendo a devolução do depósito recursal relativo ao processo Debcad n°35.612.441 0, ao fundamento de que a Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, anulou a NFLD (fls.647/648). ... 4. Assim, o processo deverá retomar à EqrestPJ, em face da competência prevista no inciso I do subitem 2.2 da Ordem de Serviço DRF/BHE n°, de 29/10/2007, para análise e resposta ao sujeito passivo. 5. Após, os autos devem vir para a Eqprof, para encaminhamento à CARF, já que existe recurso voluntário ao processo Debcad 37.077.2199, ao qual este processo está apensado. É o Relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001455/200723 Acórdão n.º 2402004.597 S2C4T2 Fl. 692 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De acordo com o Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, a competência do órgão para julgar em segunda instância processos de restituição ou reembolso está delimitada pela natureza tributária do objeto do requerimento. A devolução do depósito recursal segue procedimento específico no âmbito da SRFB: Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. O despacho às fls. 689 noticia a existência de outro processo ao qual este se encontra apensado. No caso, apenas o processo que tenha por objeto o lançamento substitutivo do anulado anterior será julgado neste CARF. O que trata da devolução do depósito recursal deve retornar à origem para que lá seja decidido acerca do pedido do recorrente para, após, retornar a este CARF a fim de trazer as informações do lançamento anulado para instruir o processo relativo ao lançamento substitutivo. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário que tenha por objeto a devolução do depósito recursal, com retorno à origem para que proceda conforme solicitação acima e o despacho às fls. 689. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001524/86-22
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quando a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 101-78.696
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à DRF em Brasilia-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovações introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Urgel Pereira Lopes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T13:31:24Z; Last-Modified: 2009-07-08T13:31:25Z; dcterms:modified: 2009-07-08T13:31:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T13:31:25Z; meta:save-date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T13:31:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T13:31:24Z; created: 2009-07-08T13:31:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-08T13:31:24Z; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T13:31:24Z | Conteúdo => PROCESS!-N9 10.166-001.524/86-22 "7114 `‘~ MINISTÉRIO DA FAZENDA JAN Sessão de 24 de maio - 89 101-78.696de 19 ACÓRDÃO N2 Recurso n2 93.914 — IRPJ — EX: DE 1984 Recorrente FLÕRICE S/A - FLORESTAMENTO ,INDOSTRIA, E comEncio E EXPORTAÇÃO Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BRASÍLIA (DF) IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quan- do a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do du pio grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por FLUICE S.A. - FLORESTAMENTO, INDÚSTRIA, E COMÉR- CIO E EXPORTAÇÃO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribtlifites, por unanimidade de votos, determinar a remessadce autos à DRF em Brasília-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovaçaes introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess6es (DF), em 24 de maio de 1989 URGEL * Lo*ES - PRESIDENTE E RELATOR L. VISTO EM AFONSO *O ER-REIRA- P- CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: R pvim NACIONAL Participaram,ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, . CRISTÓVÃO - ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRI- GUES NEUBER e JOSn EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.166-001.524/86-22 RECURSO N9: 93.914 ACORDÃON9: 101-78.696 RECORRENTE= FLORICE S/A- FLORESTAMENTO, INXISIRIA,E COMÉRCIO E EnDoluAçAD RELATORIO FLORICE S.A. FLORESTAMENTO, INDCSTRIA, COM2RCIO E EX PORTAÇÃO, empresa jurisdicionada à DRF em Brasilia-DF, recorre a es te Conselho inconformada com a decisão de primeiro grau. 2. Em consequência de revisão efetuada na sua deCiara- ção de rendimentos do exercicio de 1984, a contribuinte sofreu lan- çamento suplementar, conforme o Demonstrativo de fls. 59: "Lucro inflacionário realizado menor que o apurado em conformidade com a legislação vigente, conforme de- monstra mapa de apuração do lucro inflacionário em , anexo. Quadro 14, item 08 Valor declarado Valor apurado: 90.171.562 Redução calculada em valor maior que o apurado por incentivos fiscais Quadro 15, item 07 Valor declarado: 33.380,52 ORTN Valor apurado: 24.029,27 ORTN Imposto e PIS em ORTN Imposto PIS Valor apurado 21.390,00 796,09 Valor declarado 3,06 60,70 Lançamento Suplementar 21.386,94 735,39 /45 DMF DF/19 C C - Secgraf - 1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 AcOrdão n9 101-78.696 3. A contribuinte preencheu SRLS, sem êxito. Em tem po, apresentou a impugnação de fls. 06/13 e anexos'. Quanto ao lucro inflacionário, onde se trata da realização a menor da parcela de Cr$ 90.171.562, diz que é parte' do saldo que vinha sendo diferida de exercícios anteriores, posto que o lucro inflacionário apurado no exercício de 1984, no montan— te de Cr$ 426.816.128, foi integralmente oferecido à tributação com isenção do imposto de renda. Sobre o tratamento a ser dado ao saldo advindo do exercício de 1983, surgiram dúvidas, na ocasião, que podem ser apresentadas na forma que segue. O lucro inflacionário objeto do diferimento dos exercícios anteriores, era proveniente das invers6es que foram feitas para a implantação dos seus empreendimentos na área da SU- DENE. De conformidade com o entendimento firmado pelo PN-CST n9 29, "o lucro inflacionário corresponde ao exercício da atividade beneficiada com isenção ou redução é insuscetível de diferimento na mesma proporção do favor a que a atividade tem di- reito". vista desse entendimento a impugnante não teve dúvidas de que o lucro inflacionário apurado durante a fase de implantação dos seus empreendimentos posteriormente amparados pe- la isenção, estava isento do imposto de renda. Ocorreu â impugnante: (a) realizar, integralmen- te, o lucro inflacionário do exercício de 1984, com isenção do imposto; (b) omitir-se quanto ao saldo de lucro inflacionário di- ferido dos exercícios anteriores, e (c) consultar, nos termos do art. 46 do Decreto n9 70.235/72, sobre o tratamento a ser dado ao mencionado saldo, ou seja, se poderia ser realizado no exercício' financeiro de 1984, que era o primeiro exercício de gozo da isen- ção, mediante a retificação da respectiva declaração de rendimen- tos. 4 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Ac6rdão n9 101-78.696 Formulada a consulta, foi ela solucionada com ba se no entendimento de que o referido saldo somente poderia ser realizado, com isenção, a partir do exercício de 1985, nos termos da IN 91/84. Em obediencia ã referida decisão, a impugnante , ao apresentar sua declaração de rendimentos do exercício de 1985, realizou todo o saldo do lucro inflacionário que fora diferido de exercícios anteriores ao de 1984. Agiu em harmonia com ato norma- tivo da SRF, para aplicação a seu caso concreto, pela decisão n9 001/85 do Superintendente da Receita Federal da la. R.F. A segunda imputação feita à impugnante diz res- peito à alegada redução do valor da isenção a que a defendentet.em direito, por valor superior ao apurado por incentivos fiscais,tam - bem o -revisor se equivocou. Cita e transcreve o parágrafo único do art. 444 do RIR/80. Alega que a separação, com exatidão e clareza,dos re- sultados do exercício dos empreendimentos instalados na área da SUDENE, tem por objeto determinar o valor dos resultados do eiTt.t preendimento incentivado, sobre os quais deverá incidir a norma isentiva., A impugnante, conhecedora da norma legal, apurou em sua contabilidade os resultados do seu empreendimento incentivado na área da SUDENE, separadamente dos resultados dos empreendimentos' não incentivados. Dai o valor de Cr$ 562.545.803, declarado no item 12, quadro 04, do Anexo 02, já está separado de todos os resultados não amparados pela isenção, que constaram no item 18 , do mesmo quadro. Aduz que a pretendida exclusão, pelo Fisco, do lucro declarado como isento, da parcela de Receitas Financeiras ' que ultrapassou as Despesas Financeiras, é inaplicável ao caso, pelo fato de já terem estas rubricas integrado a apuração dos re- sultados não incentivados. Invoca o Ac. n9 103-04.798. 4. Foram realizadas diligencias para verificar se a contabilidade da contribuinte é feita separadamente conforme a- legado na SRLS. 5 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Acórdão ne 101-78.696 5. Vieram os mapas de fls.4 e ,--aapreciação de fls. 115/122. 6 Decisão de primeiro grau a fls. 128/137, indefe rindo a impugnação. 7. Ciente em 20.01.89 a contribuinte interpós o recurso voluntário de fls. 143/144, protocolizado em 16.02.89. Sustenta que, embora mantendo sua escrituração contábil centrali zada nos mesmos livros, mantem , no seu Plano de Contas, regis- tro.contbeis específicos em relação ás atividades incentivadas' com a isenção do imposto e em relação às demais atividades. Que o lapso em que incorreu o Fisco decorreu do fato de o autor da diligencia haver confundido a separação dos registros contábeis com a separação dos livros contábeis, o _que são coisas distintas. O que a lei impõe é a separação dos regis- tros e não a separação dos registros contábeis. Sendo esta imputação um fato novo, que não po- dia ser impugnado , requer a este Colegiado que determine a rea- lização de diligencia especifica para dirimir esta dilvida. No mais, ratifica sua impugnação. n o relatório. 6 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Ac6rdão n9 101-78.696 VOTO Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, relatar: A recurso e tempestivo. No lançamento suplementar exigia-se o imposto de 21.386,94 ORTN's e o PIS de 735,39 ORTN's. A decisão de primeiro grau exije o imposto de 24.331,38 OTN's e o PIS de 954,95 OTN's. Tudo isso em função da diligencia efetuada na fase preparat6ria do julgamento de primeira instância. Aliãs, essa diligencia trouxe ao debate aspectos novos, em bom número, nomeadamente quanto a temas relacionados I com a escrituração da contribuinte. Tudo isso, a rigor, impunha rabertura do prazo para nova impugnação , em homenagem ao duplo grau de jurisdição e como medida acautelatd-ria dos direitos em disputa. A esta altura, voto no sentido de se fazer retor nar os autos à repartição de origem a fim de ser reaberto o prazo para impugnação, alertando-se a contribuinte de que ela pode apre sentar novas razões, ou ratificar seu recurso de fls. 142/144 co- mo impugnação. Se a contribuinte silenciar, apreciar-se-á esse recurso como impugnação. URGEL • 'EI' , LOP S - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10384.902420/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF.
Numero da decisão: 1803-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes acompanhou pelas conclusões. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. 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O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes acompanhou pelas conclusões. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 23217.84847.210507.1.3.038371, em 21.05.2007 utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$13.518,50 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado não foi possível confirmar a apuração do crédito pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$13.518,50 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$36.392,14 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1 ° do art. 8° e art. 28 da Lei 9.430, de 1998. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 05.12.2008, fl. 18, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0204, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: DO DIREITO O despacho decisório emitido de forma unilateral e por meio eletrônico sem a analise dos fatos ou mesmo da origem dos crédito indicados e utilizados nas diversas Per/DComp, vem, e estar distorcendo a compensação de tributos pelo contribuinte no momento em que o Auditor apesar de descrever formalmente em seu despacho Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 84 3 que existe o crédito, não o utiliza para fins de sua análise, se existe a dúvida da forma de compensação o mais lógico seria a intimação do contribuinte para o esclarecimento das dúvidas por ventura existente, no processe em referencia existe saldo negativa da CSLL declarado na DIPJ, conforme afirmado pelo Auditor Fiscal [...] no valor de R$36.392,41 [...], porém no entanto foi compensado apenas o valor de R$13.518,50 [...], deixando o contribuinte de compensar o seu saldo remanescente, ora Sr. Julgador este valor compensado é apenas parte dos créditos compensados nas Per/DComp objeto deste Despacho Decisório e mesmo que fosse a menos o contribuinte estaria abdicando da compensação do saldo do credito não há motivo para emissão deste ato, com a alegação que o contribuinte compensou valores menores do que os existentes na DIPJ, mesmo que isso fosse verdade será que é proibido ao contribuinte utilizar apenas parte do seu crédito para compensação de tributos através da Declaração de Compensação. O que houve na realidade foi uma análise superficial das Declarações para a emissão deste Despacho Decisório. A análise das declarações de compensação, por parte da Receita Federal, no limite da decadência do crédito tributário, vem trazendo insegurança do meio empresarial que possui créditos a compensar, que muitas vezes é surpreendido com despacho como este, não dando mais direito a refazer ou retificar as Declarações de Compensações enviadas anteriormente. DO PEDIDO A vista de todo o exposto requer: Que seja julgada procedente a presente reclamação, para o fim de decretar a nulidade do Despacho Decisório, em razão da existência do credito por saldo negativo da CSLL e ao mesmo mande homologar a Per/DComp de número 23217.84847.210507.1.3.038371. Protesta pela apresentação de todos os meios de prova em direito admitidos e que seja este recurso conhecido e provido, integralmente, para declarar nulo todos os registros inerentes ao referido Auto de Infração, por ser de direito e da mais lídima justiça. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08 028.116, de 05.12.2013, fls. 3942: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA DIPJ X PER/DCOMP. Homologase parcialmente a compensação até o limite do saldo negativo comprovado de acordo com os dados extraídos das pesquisas nos sistemas internos da RFB. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 85 4 Notificada em 20.01.2014, fl. 44, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.02.2014, fls. 4552, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II DO DIREITO Preliminar da Prescrição Os fatos geradores que implicaram nos presentes autos foram realizados no anocalendário de 2003 e que resultaram na não homologação da compensação declarada via Per/DComp e utilizada no valor de R$13.392,41, que, conforme o Despacho Decisório de 24/11/2008, a exigência a recolher seria de R$23.069,57 e por força deste, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade de 06/01/2009, tendo esta sido julgada procedente em parte pelo Acórdão n° 08028.116 de 05/12/2013, com ciência pela Recorrente em 21/01/2014, em vista de tais fatos, merecem sejam estes examinados à luz do instituto da prescrição tributária. Analisando o aspecto temporal, com balizamento nas datas em destaque,constatase que: a) contado da data dos fatos geradores (anocalendário de 2003), para até o Despacho Decisório de 24/11/2008, indiscutivelmente tal ato administrativo foi realizado do em tempo hábil para a não caracterização do instituto da decadência, previsto no art. 173 do CTN; b) contado igualmente da data dos fatos geradores (anocalendário de 2003), para até o julgamento de primeira instância (05/12/2013) ou da ciência do Acórdão, em 21/01/2014, foram transcorridos mais de 9 (nove) anos. Ora, não se concebe a não definição de um processo administrativo fiscal por mais de cinco anos, como é o caso em discussão. Situação que obriga o contribuinte a permanecer, como acusado de devedor ao Fisco, por tão longo tempo, sem que o processo tenha uma solução, o que traz sérios prejuízos para a chamada segurança jurídica, além de obstaculizar o escopo da paz social e de locupletamento indevido do credor. De qualquer modo, além da precisa dicção do caput do art. 174, do CTN (A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da sua constituição definitiva), permitir a paralisação de um processo por mais de cinco anos sem que o sujeito ativo cuide de cobrar aquilo que supõe lhe ser devido é aceitar, sem restrições, que uma pendência entre o contribuinte e o fisco se estenda ad perpetuam. Neste ponto cabe indagar: o que é, segundo dispõe o caput do art. 174 do CTN, crédito tributário definitivamente constituído, posto que o próprio CTN não o define? Dizer que o crédito tributário está definitivamente constituído quando se esgotam todas as possibilidades de revisão do lançamento nas vias administrativas, ou seja, quando não couber mais nenhum recurso administrativo é tese pretoriana e de doutrina, apenas. Mas, tem a jurisprudência õu a doutrina o poder de suprir a lei complementar o CTN? Para tentar aclarar o entendimento da matéria, é oportuno ter em mente, dois institutos jurídicos insertos no bojo do focado CTN. O primeiro deles é suspensão 4 da exigibilidade do crédito tributário (art. 151) e o segundo é a prescrição (art. 174), Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 86 5 que são figuras jurídicas distintas. Dentro desse quadro jurídico, há de se encaixar a interrupção da prescrição, prevista no parágrafo único do citado art. 174. Assim posta a matéria, importante se faz lembrar que os casos de interrupção da descrição elencados no parágrafo único do art. 174 do CTN, são: (a) a citação pessoal feita ao devedor; (b) o protesto judicial; (c) qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; (d) qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Analisando o dispositivo em questão, observase que nele não há qualquer previsão sobre o instituto da prescrição. O próprio CTN não faz referência ao mesmo em nenhum de seus dispositivos. Nas hipóteses de interrupção da prescrição, elencadas no citado parágrafo único, não constam impugnações e recursos administrativos, de onde se extrair que aperfeiçoado o ato jurídico do lançamento com a ciência ao sujeito passivo, iniciase a contagem do prazo prescricional de cinco anos para a cobrança do crédito tributário. Dentro desse raciocínio, cabe referir: realizado o fato gerador, nasce a obrigação tributária, e se o crédito tributário não for constituído pelo lançamento, a hipótese é de decadência, em face da qual a administração tributária fica impedida de constituílo validamente. A partir da constituição definitiva do crédito tributário, ainda que sob a modalidade de auto de infração, iniciase a contagem do prazo prescricional, inclusive para efeito da denominada prescrição intercorrente, que poderá vir a ser decretada se o processo administrativo fiscal não for ultimado no qüinqüênio legal. E a prescrição intercorrente dáse quando, suspensa ou interrompida a exigibilidade, o processo administrativo ou judicial fica paralisado por incúria da Fazenda Pública, ou seja, a prescrição se verifica no curso do processo.[...] Nesse ponto, cabe trazer à colação o preceito estatuído no do art. 156,inciso V do CTN ("Extinguem do crédito tributário: ...V a prescrição e a decadência;"),que determina seja extinto o crédito tributário no caso previsto nesta Preliminar, de prescrição, que é o que se quer, mas, se assim a Colenda Câmara não entender, que o mérito seja examinado. Mérito O Acórdão que se combate adota por fundamento para julgar pela procedência em parte da Manifestação de Inconformidade, a não tipificação tributária da compensação de débito fiscal com saldo negativo de CSLL não comprovado, o que pode ser contornado por efetiva e criteriosa consulta aos valores demonstrados no Per/DComp [...]. Com efeito, o saldo negativo de CSLL se verifica quando, ao final do ano calendário, a pessoa jurídica, contrapondo o IRPJ e a CSLL devidos e os valores antecipados ao longo do ano, identifica que pagou mais tributo do que deveria. Esse pagamento a maior configura indébito passível de compensação, nos termos da Lei nº 9.430/96, após o encerramento do anocalendário. Como se sabe, na composição do saldo negativo da CSLL são incluídas todas as parcelas pagas pelo contribuinte (ou por terceiros em seu nome, no caso de retenções) por antecipação ao longo do anocalendário, tais como: a) retenções na fonte de IR e CSLL; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 87 6 b) pagamento de estimativas mensais com DARF; c) pagamento de estimativas mensais via Per/DComp. Cabe destacar, neste particular, que atualmente a legislação e as instruções normativas da Receita Federal não vedam o pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL via compensação. A Medida Provisória 449/08 chegou a tentar criar essa restrição, incluindo o inciso IX no §3° do art. 74 da Lei 9.430/96, mas esse dispositivo foi suprimido na conversão da medida provisória na Lei nº 11.941/09. Aliás, o art. 156, inciso II, do CTN elegeu a compensação (ao lado do pagamento, da prescrição, da decadência, etc.) como modalidade de extinção do crédito tributário. Dessa forma, tendo o contribuinte quitado determinado débito por compensação, o mesmo deve ser considerado extinto para todos os fins. Dessa forma, concluise que não é lícito à autoridade fiscal reduzir o crédito fiscal que tem como origem saldo negativo de CSLL ao singelo argumento de que o mesmo é formado por outras compensações ainda pendentes de análise. E mais, conforme os §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei 9.430/9617, os recursos aviados contra o despacho decisório que não homologa a compensação têm efeito suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o débito pretendido devido de CSLL compensado tem sua exigibilidade suspensa, de modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o que também impede a cobrança indireta desse débito mediante redução do saldo negativo apurado ao final do período de apuração. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: De final remate, materializada a situação factual de que a recorrente não se descuidou das suas obrigações tributárias, no anocalendário de 2003, inclusive acusando o saldo negativo de CSLL de R$13.267,74 de tal modo que, promovera, rigorosamente quanto ao instituto jurídico da compensação, de conformidade com as exigências burocráticas estabelecidas na legislação tributária aplicável. Pelo exposto, demonstrada a insubsistência da procedência apenas em parte da sua Manifestação de Inconformidade, espera e requer: Seja acolhido o presente recurso para o fim de ser: a) declarado nulo o Acórdão [...], e, em consequência, a extinção dos efeitos do Despacho Decisório [...] face tipificação da prescrição, ou, se assim não for decidido; b) que, no mérito, seja reformada a,decisão do focado Acórdão, no sentido de ser devidamente reconhecido o valor efetivamente compensado pela Recorrente, de R$13.518,50. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 88 7 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 89 8 operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 07 e o Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08028.116, de 05.12.2013, fls. 3942, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente defende que o pedido de compensação foi alcançado pela homologação tácita. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003 ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório6. No presente caso verificase que o Per/DComp foi formalizado em 21.05.2007 e a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório em 05.12.2008, fl. 18. Dessa sorte não transcorreu o prazo de cinco anos e assim não há que se falar em homologação tácita 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 90 9 das compensações dos débitos confessados no Per/DComp. Além disso, tem cabimento a aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 11, que determina que "não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". A pretensão da defendente, por esta razão, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 7. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais8. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário verificar a liquidez e certeza mediante um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 91 10 receitas computadas na determinação da base de cálculo, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensada no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9. Sobre a possibilidade jurídica de utilização da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, objeto de extinção sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação, para dedução da CSLL devida no cálculo do saldo negativo apurado no encerramento do período, a Procuradoria da Fazenda Nacional mediante Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 manifestouse no seguinte sentido: PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. I OBJETO DA CONSULTA Tratase de consulta cuja origem remonta a Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido encaminhada para manifestação acerca da ratificação ou retificação dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, os quais trataram da impossibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada. 2. A consulta, realizada por meio da Nota Cosit nº 31, de 20 de novembro de 2013, propugna pela revisão dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, nos seguintes termos: “a) dada a regra geral de que a estimativa não paga não é passível de cobrança, excepcionalmente a estimativa estaria sujeita a cobrança e inscrição em DAU, quando objeto de parcelamento inadimplido ou de compensação não homologada ou considerada não declarada; b) se a lei permite a compensação de estimativa por meio de DComp, pode advir decisão administrativa de não homologação, com posterior manifestação de inconformidade, bem como de suspensão do débito; c) sendo possível, ao final da análise da DComp e do julgamento pela CRJ e pelo CARF, manterse não homologada a 9 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 92 11 compensação de valores de estimativa, temse, por consequência lógica, a possibilidade de sua cobrança após o ajuste anual; d) se a lei especial admite o parcelamento de valores de estimativa informados em DComp não homologada, eventual inadimplência levará à sua cobrança e execução por parte da PGFN; e) do contrário, a manter o entendimento dos referidos pareceres, que se pronuncie quanto aos questionamentos constantes dos itens 48 e 52.” 3. A angústia dos consulentes reside na preocupação quanto ao fato de não saberem como proceder na hipótese de manutenção dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, como pode ser percebido do item (e) acima, o qual faz referência aos itens 48 e 52, cujo teor transcrevemos: “48. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que os valores de estimativas devidos foram confessados em DComp e que, após o encerramento do anocalendário, não há mais que se falar em estimativa, pois as antecipações passam a revestir o caráter de tributo, tanto que passam a compor o resultado apurado no final do anobase, questionase: a) Na hipótese de o contribuinte utilizar como dedução na apuração anual do tributo valores de estimativas que tenham sido confessadas em DComp, cuja compensação não tenha sido homologada, a RFB não pode efetuar a cobrança da diferença devida com base na DComp, cobrando esse valor como tributo e não mais como estimativa, mesmo que seja após a ocorrência do fato gerador (31 de dezembro)? b) Qual seria o marco para início da incidência dos acréscimos legais: (i) o vencimento da estimativa não paga (último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir), ou (ii) o vencimento do tributo (último dia útil do mês de março do ano calendário subsequente ao ano base)? c) Qual seria o termo inicial do prazo de que a Fazenda disporia para efetuar a cobrança dos valores confessados e indevidamente deduzidos do ajuste anual? Seria a data da confissão do débito de estimativa em DComp, considerando, ainda, que o prazo prescricional não corre no período que medeia a entrega da DComp e a não homologação da compensação? d) Em se mantendo o entendimento de que as estimativas não são créditos tributários, por isso não podem ser cobradas com base na DComp não homologada, mas devem ser objeto de lançamento de ofício, perguntase: não sendo crédito tributário, as estimativas poderiam ser compensadas, uma vez que a legislação sempre trata da compensação entre créditos tributários líquidos e certos? ...omissis... Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 93 12 52. Importante mencionar, todavia, que dos R$ 169 bilhões relativos aos créditos de saldos negativos, R$ 930 milhões (0,55%) referese a estimativas parceladas. Sendo assim, diante da existência de permissão legal, tanto que existente crédito tributário nessa situação, questionase: a RFB pode, por ato infralegal, restringir o direito do contribuinte, vedando a inclusão de tais antecipações no parcelamento simplificado, com base no argumento de que, ao final do anobase, as estimativas são substituídas pelo tributo apurado? E quando o parcelamento for de estimativas cuja compensação não foi homologada e se der depois de 31/12 do anocalendário a que correspondem as antecipações?” 4. A grande diferença das consultas anteriores é que essa ressalta o questionamento em relação aos valores da estimativa que foram contabilizados após o ajuste anual, ou seja, não seriam mais estimativas, mas valores que foram contabilizados no ajuste como tributos efetivamente pagos ou compensados, portanto, os valores seriam parte do tributo que teve sua compensação não homologada, como é possível constatar em trecho da Nota Técnica Cosit n.º 31/2013: “Entretanto, a PGFN não considerou a possibilidade de que as estimativas parceladas fossem aquelas objeto de compensação nãohomologada e, quase sempre, efetuado o parcelamento depois de anocalendário encerrado. Ou seja, as estimativas parceladas podem ser aquelas que compuseram o ajuste anual do imposto apurado e deste foi deduzido por compensação que veio a ser nãohomologada” 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. II TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO 6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da Constituição Federal, estabelecendo princípios para sua regência no § 2º do mesmo artigo, além dos já previstos nos Arts. 150 e 151 da Carta Magna, porém, o delineamento do tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 94 13 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” 7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer a lição a seguir a respeito do conceito de renda: “...o acréscimo de valor patrimonial, representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou simples aumento do valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente esta separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente líquido, e que pode ser de índole monetária ou em espécie.” 8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a renda, o interstício temporal, a partir da combinação de acréscimos e decréscimos patrimoniais relevantes, que vão apontar o ganho de renda do sujeito passivo num determinado período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado: “em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo” 9. Mesmo o fato que enseja à incidência do imposto de renda ocorrendo apenas ao final do ano, a legislação estabelece o pagamento de valores mensais, cujo valor real se apresentará apenas no ajuste anual, com a apuração do lucro real, a qual Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 95 14 ocorrerá em 31 de dezembro, consoante definido no Art. 2º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” 10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro, estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor, superando as antecipações de recolhimento designadas como estimativa. Vejamos o dispositivo: “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 96 15 I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” 11. Esse pagamento a que nos referimos acima se assemelha a antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte, a qual tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de Aliomar Baleeiro: “Generalizouse a retenção do imposto de renda na fonte. Com o advento da Lei nº 7713/88, a partir de 01.01.1988, todos os rendimentos de pessoa física, recebidos de pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo quando pagos em juízo. Incluemse, portanto, no rol, os rendimentos pagos ao trabalho assalariado (salários, remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo, aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões. ...omissis.. Originariamente, o imposto de renda (fonte) incidia apenas sobre os rendimentos ao portador e dos residentes e domiciliados no exterior. Surgiu, portanto, por razões de praticidade ou pelas limitações territoriais da lei brasileira, como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores reter e recolher o tributo as repartições competentes. ...omissis... Posteriormente, estendeuse o imposto de fonte a outras hipóteses, até a ampla generalização que tem hoje. Não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido. Se, ao final do anobase em que está periodizado (ver comentários seguintes, no tópico 13), o imposto não for devido, em decorrência de saídasdespesas elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.” 12. O entendimento quanto à natureza de antecipação do imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a seguir colacionadas: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 97 16 EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS EFETUADOS PELO PODER PÚBLICO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. INSUFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA. DISCUSSÃO ACERCA DE SEUS REQUISITOS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do art. 21, § 1º do RISTF, cabe ao relator negar seguimento aos pedidos ou aos recursos manifestamente improcedentes. Nestes casos, devese preservar a possibilidade de recurso ao Colegiado, pela exposição precisa dos fundamentos da decisão monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a sistemática de retenção na fonte como instrumento de antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção na fonte como mecanismo de tributação definitiva), para que fosse possível bem compreender a alegada dimensão constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas a norma de retenção, mas também a contramedida de compensação, destinada a reconduzir a carga tributária ao patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente discussão sobre elemento essencial do modelo, as razões recursais são ineficazes para promover o debate constitucional da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviamse de outro elemento determinante para o controle da validade da tributação, que referese aos limites à mensuração da carga tributária que pode ser exigida em antecipação. Como há a previsão para o reequilíbrio da carga tributária com a compensação, a questão de fundo deixa de ser propriamente a violação imediata do conceito de renda, para se desdobrar em duas: (a) a razoabilidade e a proporcionalidade dos valores retidos, considerado o direito constitucional ao exercício de atividade econômica lícita e (b) a eficácia do mecanismo de compensação para reconduzir a carga tributária ao patamar permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe061 DIVULG 30032011 PUBLIC 31032011 EMENT VOL0249301 PP00194) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. ANTECIPAÇÃO. “DUODÉCIMOS”. VALIDADE. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem está devidamente fundamentado, ainda que com sua conclusão não concorde a parteagravante. Ausência de violação do art. 93, IX da Constituição. 2. A orientação firmada por esta Corte considera válida a cobrança do IRPJ pela modalidade de antecipação conhecida como “duodécimos” (DecretoLei 2.354/1987 e Lei 7.787/1989). A suposta violação do princípio da vedação do uso de tributo com efeito confiscatório depende do exame de provas específicas, relativas ao caso concreto. Ausente quadro probatório capaz de confirmar a alegação da Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 98 17 parteagravante. Impossibilidade de revisão de fatos e provas (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 255379 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011, DJe060 DIVULG 29032011 PUBLIC 30032011 EMENT VOL02492 01 PP00043) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2° c.c. art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 99 18 definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no anocalendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 100 19 dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 101 20 renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (grifos acrescentados) Podese concluir que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Voto Condutor do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08 028.116, de 05.12.2013, fls. 3942: Analisandose a DIPJ do contribuinte do exercício 2004, ano calendário 2003 (fl. 28), verificase que ele declara saldo negativo de CSLL no valor de R$36.392,41, assim apurado: CSLL Devida 2.782,46 CSLL Mensal Paga por Estimativa 39.174,87 CSLL a Pagar 36.392,41 As estimativas de CSLL declaradas como pagas (liquidadas) no ano calendário estão assim discriminados na DIPJ: PA Estimativa Jan 3.459,80 Fev 3.506,12 Mar 3.355,13 Abr 2.748,70 Mai 3.118,21 Jun 3.227,49 Jul 3.047,12 Ago 2.661,36 Set 2.648,16 Out 3.811,79 Nov 4.020,53 Dez 3.479,86 Total 39.174,87 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 102 21 Confrontando os valores acima com os dados disponíveis nos sistemas internos de controle da RFB, constatase que: a) as estimativas referentes aos meses de janeiro a abril foram liquidadas por pagamento (fl. 29); b) as estimativas referentes aos meses de maio, junho e outubro a dezembro foram liquidadas por compensação (fls. 30 a 34); e c) as estimativas de julho a setembro não foram liquidadas. Rastreando as compensações referidas na alínea “b” acima, constatamos que as mesmas foram realizadas através dos Per/DComp abaixo discriminados: PA Estimativa Per/DComp Mai 3.118,21 1628442332.140803.1.3.034749 Jun 3.227,49 0227711967.140803.1.3.034041 Out 3.811,79 1188829001.130204.1.3.039379 Nov 4.020,53 1135019912.130204.1.3.030075 Dez 3.479,86 1993555204.130204.1.3.030445 [Total] [17.657,88] De acordo com consulta no sistema PER/DCOMP, tais compensações, por sua vez, foram não homologados (fls. 35 a 37), tendo sido as respectivas exigências formalizadas no processo nº 1038.4900450/200694, o qual se encontra arquivado desde 22/07/2009 (fl. 38). Diante das constatações acima, concluise que o saldo negativo apurado pelo contribuinte na DIPJ deve ser recomposto, considerandose apenas as estimativas efetivamente pagas, quais sejam as dos meses de janeiro a abril, que totalizaram R$13.465,75, de sorte que o saldo negativo reconhecido é de R$10.683,29, conforme abaixo demonstrado: CSLL Devida 2.782,46 CSLL Mensal Paga por Estimativa 13.465,75 CSLL a Pagar 10.683,29 Isso posto, julgo procedente em parte a manifestação de inconformidade para homologar parcialmente a compensação até o limite do valor originário de R$10.638,29, saldo negativo reconhecido nesta decisão. Assim, consideramse efetivamente pagos os valores de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada objeto de compensações solicitadas por meio dos Per/DComp nºs 1628442332.140803.1.3.034749, 0227711967.140803.1.3.034041, 1188829001.130204.1.3.039379, 1135019912.130204.1.3.030075 e 1993555204.130204.1.3.030445 formalizados no processo nº 1038.4900450/200694 no total R$17.657,88 no anocalendário de 2003, conforme demonstrado na Tabela 1. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902420/200884 Acórdão n.º 1803002.577 S1TE03 Fl. 103 22 Tabela 1 Parcelas da composição do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 AnoCalendário 2004 (A) Valores Reconhecidos Despacho Decisório R$ (B) Valores Reconhecidos Segunda Instância de Julgamento R$ (B) CSLL Devida 2.782,46 2.782,46 () CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo Estimada Paga com Darf (13.465,75) (13.465,75) () CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo Estimada Paga com Per/DComp 0,00 (17.657,88) Saldo de CSLL (10.683,29) (28.341,17) Por conseguinte, deve ser reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$2.835,31 (R$13.518,50 – R$10.683,29), ou seja, decorrente da diferença entre o valor pleiteado e o valor já reconhecido em sede de primeira instância de julgamento, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$2.835,31 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10680.720924/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.458
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 20 92 4/ 20 10 -5 8 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/201058 Resolução nº 2401000.458 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AIOP, lavrado sob o n. 37.242.5070 em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho — RAT apurados com base nas informações contidas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP entregues pelo contribuinte, no período de 01/2006 a 13/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 248 e seguintes, a fundação apresentou os seguintes documentos: · Atestado de Registro no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, datado em 20 de maio de 1997; · Certidão do CNAS, onde consta o deferimento do pedido de renovação do Certificado, período 01/01/2004 a 31/12/2006, com base no artigo 37 da Medida Provisória 446 de 07/11/2008. Embora regularmente intimada, a fundação não apresentou à fiscalização o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária. Mas declara em sua GFIP, o código FPAS 639, reservado às entidades com isenções deferidas, o que inibe o cálculo da contribuição patronal e das destinadas a outras entidades/fundos. No entanto, o contribuinte vem realizando depósitos judiciais relativos ao Mandado de Segurança n° 2002.34.00.0366979, no qual postula a isenção das contribuições previdenciárias constantes do artigo 195, 87° da Constituição Federal. 0 processo encontrase em fase recursal tendo em vista que as postulações do contribuinte não foram atendidas pela Justiça Federal, em primeira instancia. Dessa forma, por encontrarse o crédito com a exigibilidade suspensa, em razão dos depósitos judiciais efetuados, o presente lançamento tem por finalidade a prevenção da decadência, ficando suspensos os atos de execução da divida. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/04/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/06/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 258 e seguintes. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 289. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/201058 Resolução nº 2401000.458 S2C4T1 Fl. 4 3 A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo. A entidade deverá requerer o reconhecimento da isenção perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição de seu estabelecimento matriz. A isenção requerida, caso deferida, produz efeitos a partir da data do protocolo do pedido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentaram recurso, onde destacam os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam: 1. que, conforme relatado pela Fiscalização, vem realizando depósitos judiciais relativos ao Mandado de Segurança n° 2002.34.00.0366979 no qual postula a isenção das Contribuições Previdenciárias; 2. que cumpre todos os requisitos necessários à fruição da isenção do pagamento de contribuições previdenciárias nos termos da lei, "razão pela qual reitera sua discordância em relação à exigência em foco"; 3. que o presente crédito encontrase com exigibilidade suspensa em razão dos depósitos judiciais efetuados; 4. que o presente Auto de Infração AI foi lavrado para prevenir a decadência com a incidência de juros, contudo a exigência desses juros não pode prosperar uma vez que o valor principal já está sendo remunerado com base na tabela da Justiça Federal; 5. que requer o cancelamento do presente Auto de Infração haja vista conter exigência indevida como acima demonstrado; 6. que caso não seja deferido o cancelamento seja o mesmo sobrestado até o julgamento definitivo da ação judicial acima referida, decotandose os juros acrescidos ao débito originário. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/201058 Resolução nº 2401000.458 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Cumpre observar, primeiramente, que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Identificada a conexão entre os processos, e sendo ambos julgados na mesma oportunidade o encaminhamento darseá no mesmo sentido do processo principal em relação aos fatos geradores que constituem base de cálculo da contribuição destinada a terceiros. Destacase de pronto, que a única matéria a ser apreciada diz respeito ao pretendido sobrestamento e exclusão de juros, tendo em vista concomitância do lançamento com ação judicial sobre mesmo fundamento, conforme descrito no relatório. Contudo, embora tenha constado no relatório fiscal, que o lançamento tem por base depósitos judiciais, não restou claro se ocorreu o depósito do montante integral dentro do prazo de vencimentos de cada uma das contribuições previdenciárias. Vejamos, os termos do relatório, fls. 248: 4 — Embora regularmente intimada, a fundação não apresentou à fiscalização o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária. Mas declara em sua GFIP, o código FPAS 639, reservado às entidades com isenções deferidas, o que inibe o cálculo da contribuição patronal e das destinadas a outras entidades/fundos. 5 — No entanto, o contribuinte vem realizando depósitos judiciais relativos ao Mandado de Segurança n° 2002.34.00.0366979, no qual postula a isenção das contribuições previdenciárias constantes do artigo 195, 87° da Constituição Federal. 0 processo encontrase em fase recursal tendo em vista que as postulações do contribuinte não foram atendidas pela Justiça Federal, em primeira instancia. Dessa forma, por encontrarse o crédito com a exigibilidade suspensa, em razão dos depósitos judiciais efetuados, o presente lançamento tem por finalidade a prevenção da decadência, ficando suspensos os atos de execução da divida. 6 Alguns depósitos judiciais foram recolhidos centralizadamente, da forma que se segue: D Filial 001382 recolhido no CNPJ 000220; D Filial 001110 recollhido no CNPJ 000491; D Filial 002940 recolhido no CNPJ 000220; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10680.720924/201058 Resolução nº 2401000.458 S2C4T1 Fl. 6 5 D Filial 004136 recolhido no CNPJ 000300; D Filial 001463 recolhido no CNPJ 000491. 7 Algumas contribuições relativas à competência 13 foram recolhidas na competência 11., Conforme descrito no relatório fiscal, tratase de lançamento de diferenças de contribuições por responsabilidade solidária tendo o débito sido lançado no tomador dos serviços, bem como no prestador, tendo ambos sido cientificados e apresentado a correspondente defesa, conforme destaco no relatório deste voto. Assim, entendo que, antes mesmo de apreciar o argumento em relação a exclusão de juros, deva a DRFB manifestarse acerca dos valores depositados, indicando se representam o montante integral da contribuição devida em cada competência, bem como se os mesmos foram realizados na época oportuna de vencimento das contribuições previdenciárias, especialmente em relação a indicação do recolhimento centralizado e de depósito de 13 salário em competência diversa. Tão logo, sejam prestados os esclarecimentos, deve o processo retornar ao CARF para continuidade do julgamento, conferindose vistas ao recorrente, para entendendo cabível manifestarse. CONCLUSÃO Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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