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Numero do processo: 15540.720353/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720353/201231 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.489 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de outubro de 2014 Assunto Contribuição Previdenciária Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida SOCIEDADE EDUCACIONAL PLÍNIO LEITE S/S LTDA E OUTROS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 35 3/ 20 12 -3 1 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/201231 Resolução nº 2301000.489 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização em desfavor da Recorrente, relativo às contribuições devidas aos terceiros e apurado sobre a remuneração de segurados empregados declarada em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). Informa o Relatório Fiscal que a ação fiscal foi originada em conseqüência de ação popular que tramitou na 4ª Vara Federal de Niterói, a qual suspende os efeitos do ato de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS no período de 2007 a 2009, tendo facultado ao fisco que procedesse ao lançamento dos créditos tributários respectivos, evitandose m que a decadência se operasse sobre os mesmos. O fato gerador do presente lançamento foi apurado com base na remuneração declarada em GFIP dos segurados empregados. Foram constituídos dois levantamentos, GF e GF2, tendo em vista a o resultado da comparação da multa mais benéfica, após mudança legislativa. Foram anexados ao Relatório Fiscal documentos comprobatórios, tais como contratos e telas do sistema informatizado. Consta também em anexo o ofício de nº 0674/2012/PSU/NRI/RJ de 28/02/2012 da Advocacia Geral da União, Procuradoria Seccional da União em Niterói, o qual informa o encaminhamento à DRF Niterói de documentos referentes à Ação Popular nº 2011.51.02.0034229, sendo estes a petição inicial e a consulta à intimação/citação. Constatouse que a sociedade, na sua 2ª alteração contratual, datada de 21/01/2011, promoveu cisão parcial do seu patrimônio, com versão da parcela cindida para as empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135. Estas empresas foram trazidas ao pólo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidárias, tendo sido excluídos desta sujeição passiva solidária as contribuições aos terceiros e os créditos relativos às obrigações tributárias acessórias. As empresas Riga Participações Ltda e o Colégio Plínio Leite Ltda (atual denominação de Xisto Educação Básica Ltda), responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário apurado, apresentaram impugnação em uma mesma peça. Devidamente intimadas do lançamento apresentaram suas impugnações, cujas quais forma em parte procedente, culminando em RO. Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. É a síntese do necessário. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/201231 Resolução nº 2301000.489 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator O presente Recurso de Ofício acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila. Mas, vejo que há uma anomalia processual que deverá ser sanada antes de qualquer julgamento. Às fls 351 dos autos vêse que somente uma das Recorrentes foi notificada da decisão de piso, no dia 10 de junho de 2013, sendo que nos autos, às fls. 356 há uma petição requerendo a nulidade do feito, após a decisão da DRJ, isto por conta de nulidade diante da defectibilidade da notificação em razão de endereço. Em verdade, vejo que há um erro na notificação, eis que às fls. 351, somente uma das Recorrentes foi noticiada de decisão de piso, o que contraria o disposto no Artigo 33 do Decreto 70.235/72, quanto se refere à decisão de primeira instância.‘In verbis’: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Neste diapasão, vejo que as empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135, não foram notificadas da decisão da DRJ. Desta forma, em respeito aos princípios pétreos da Carta Maior, ampla defesa, contraditório, devido processo legal e legalidade, penso que há de ser diligenciado pela Unidade Preparadora, com fim de esta providenciar a notificação das empresas acima relacionadas. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, por existir imperfeições procedimentais, vejo que há necessidade de os presentes autos retornarem à Unidade Preparadora com fim de esta providenciar às empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135, notificação da decisão de piso, para, caso queiram, apresentem os seus respectivos Recursos Voluntários anatematizando a decisão singular, respeitando o prazo legal. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/201231 Resolução nº 2301000.489 S2C3T1 Fl. 5 4 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000078/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.
Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 78 /2 00 5- 01 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 494 2 Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 340300.720, proferido pela Terceira Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, a qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que se refere (i) aos gastos com os serviços de decapeamento, (ii) lavra, (iii) locação de máquinas e equipamentos e (iv) com a aquisição de óleo combustível tipo ABPF, “utilizado na evaporação e secagem da água contida na polpa do caulim”. Por outro lado, a Terceira Turma Ordinária negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, sob entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Adicionalmente, também negou provimento ao recurso voluntário para afastar o direito creditório sobre os gastos com (xi) combustíveis, nestes compreendidos a gasolina comum e o óleo diesel, consumidos nos veículos que transportam matériaprima, materiais intermediários e produtos finais entre os diversos setores produtivos, desde a extração, produção até a distribuição, tendo, para tanto, alegado que os mesmos não são utilizados na produção, mas sim na área produtiva. Para tanto, foi considerado que a atividade realizada pelo contribuinte dividi se na extração do caulim das minas e o seu beneficiamento no parque fabril do próprio contribuinte, tendo sido aduzido que “nem todo bem ou serviço necessário ao processo, tomado em sua integralidade, pode ser caracterizado como insumo, mas tão somente aqueles Fl. 494DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 495 3 que, além de imprescindíveis, são consumidos ou aplicados diretamente na produção, ainda que não tenham contato direto com o produto final”. Quanto às alegações de inconstitucionalidade relacionadas ao conceito de insumos, foi entendido que as mesmas, além de serem infundadas (“eis que a CF/88 não impôs ela própria um conceito de insumo ou mesmo o alcance da não cumulatividade para estas contribuições), também não poderiam ser suscitadas no âmbito do CARF, com base, para tanto, na Súmula nº 2 do CARF. O acórdão recorrido restou assim ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ACEPÇÃO. Consoante dicção das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, consideramse insumos os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, donde se depreende que aludida utilização deve se dar de forma direta sobre o processo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face da parte do acórdão que reconheceu o direito creditório sobre serviços de decapeamento, lavra e locação, bem como sobre a aquisição de óleo tipo ABPF, tendo aduzido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deve ser o mesmo daquele considerado na legislação do IPI. Para tanto, utilizou, para embasar a divergência de entendimentos, o acórdão de nº 20312.448, a seguir ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base de cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto Fl. 495DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 496 4 sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matéria prima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval, etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntos, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado” Suscitou a Fazenda Nacional que tal acórdão seria aplicado devido ao fato de ter sido entendido, naquela ocasião suscitada como paradigma, que “a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumos” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a preda de propriedades físicas ou químicas”. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte também interpôs recurso especial contra a parte do acórdão recorrido que negou o restante dos seus créditos, suscitando que o conceito de insumos a ser aplicado para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deveria ser aquele considerado na legislação do IRPJ para custos e despesas. Para tanto, embasou a divergência nos acórdãos utilizados como paradigmas de nºs 20181.139 e 3202 00.226. Abaixo alguns trechos dos acórdãos utilizados como paradigmas que foram selecionados pelo contribuinte, acrescidos de alguns selecionados por esta Conselheira: Acórdão nº 20181.139 “(...) Mas ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 497 5 No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver direito ao crédito No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os “custos, despesas ou encargos” vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 21 da IN SRF nº 460/2004. (...)” Acórdão nº 320200.226 “(...) É de se concluir, portanto, que o termo “insumo” utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os cutos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artugos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 498 6 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Os recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte são tempestivos e após refletir com meus pares sobre a configuração do requisito da divergência, conforme justificada pelos Recorrentes (Fazenda Nacional e contribuinte), passei a entender que há divergência a sustentar o cabimento dos mesmos. Primeiramente, quanto ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vejase que o mesmo pretende afastar o direito de crédito do contribuinte, oriundo da sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, no que respeita (i) ao serviço de decapeamento; (ii) ao serviço de lavra; (iii) à locação de máquinas e equipamentos e (iv) aos gastos com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Quanto ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, veja se que a pretensão recursal é a de se ter reconhecidos os direitos de créditos não cumulativos de PIS e COFINS sobre os dispêndios com serviços de (i) alteamento, (ii) limpeza; (iii) transporte; (iv) vigilância patrimonial; (v) melhoria de estradas; (vi) fornecimento de refeições e, ainda, sobre os gastos com (vii) combustíveis (gasolina comum e óleo diesel). Inicialmente, entendo relevante apontar as despesas pleiteadas no processo como insumos para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, em razão de sua participação do desenvolvimento do objeto social do contribuinte, conforme por ele identificado ao pleitear o crédito em questão, a saber: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. 2. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. 3. SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. 4. FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários, em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas, sendo necessário fornecer aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. 0 fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratarse de condição intrínseca a manutenção do fator mãode obra da atividade. 5. SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. Tratase do primeiro passo necessário a atividade extrativa mineral. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de funcionários. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 499 7 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILÂNCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial dada a localização geográfica e as características da planta produtiva, de forma de garantir a integridade e o funcionamento da referida planta. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso, adequadas ao acesso de homens e máquinas as fontes de minério. 10. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo é feito por meio de veículos movidos a gasolina. 11. ÓLE0 DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim, bem como para o transporte de matériaprima, produtos intermediários entre os diversos setores da produção ou ainda da produção para a distribuição. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP ABPF: utilizado na fase da “evaporação” (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A decisão recorrida, como informado no relatório, negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, e (xi) e combustíveis sob o entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Despesas estas objeto de recurso do contribuinte. Por conseguinte, entendeu como insumos, as despesas com (i) serviço locação de equipamentos; ii) serviço de decapeamento, iii) serviço de lavra e iv) óleo combustível TP ABPF. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese contra a decisão que reconheceu o direito de creditamento em relação aos serviços de decapeamento, de lavra, de locação, bem como o referente ao óleo tipo ABPF sob a alegação de que “a Câmara recorrida, que reconheceu como insumos determinados bens e serviços que neste conceito não se enquadram para fins de geração de créditos de COFINS nãocumulativo, conforme determina o art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 (e Lei n° 10.637/2002, para o PIS) em concomitância com o entendimento exposto na IN n° 404/2004.” Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei 10.833, em matéria de COFINS, que, do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 500 8 E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS e COFINS ditos não cumulativos? Como já me manifestei em outros acórdãos de minha relatoria, entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: “(...) créditos calculados em relação a ‘bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda’.”. O dispêndio para se consubstanciar em insumo, suscetível de abatimento, deve ser indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela Cofins. E nesta linha de raciocínio é que entendo que a Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, andou mal ao limitar a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 501 9 Essas ponderações sobre a limitação ao termo insumo perpetrado pela Instrução Normativa 247/02 foi afastada pelo acórdão recorrido, a meu ver, acertadamente. Por conseguinte, entendo que não assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional ao sustentar a aplicação de referida Instrução em seu recurso, de modo a ver reformada a decisão recorrida no tocante às despesas com decapeamento, lavra, locação de máquinas e equipamentos e com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Por outro lado, ressalto também, que do mesmo modo que entendo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos à produção, geradores de receita tributável pelas referidas contribuições, não entendo correto adotar, como sustentado pelo contribuinte em se recurso, o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto à produção. Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da Cofins, eis que não são indispensáveis para a sua produção, strictu senso. Todavia, apesar de não divergir do critério utilizado pelo acórdão recorrido ao identificar as despesas consideradas insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei nº 10.833, em matéria de COFINS, entendo que, pela características e afetação à produção do contribuinte, compreendem também no conceito de insumos os gastos com “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Com efeito, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar. E ao assim me posicionar não nego a necessidade da empresa de ter que suportar referidas despesas para viabilizar sua produção, em razão, como a mesma justifica, da localização da mina, de sua posição geográfica. Todavia, não reconheço as mesmas como insumos na produção, aqui considerada a extração e o beneficiamento de caulim. Repito, a meu ver, insumos não são todas as despesas incorridas no processo produtivo, mas aquelas que afetem, participem e sejam indispensáveis à produção, no sentido estrito. De forma a ilustrar a minha opinião, caso a mina de caulim fosse situada próxima a determinada área urbana, se possível fosse, o fornecimento de refeições, como o transporte de funcionários e a vigilância patrimonial, seriam despesas desnecessárias à extração e o beneficiamento do caulim. E neste sentido que, a meu ver, nem toda despesa necessária é indispensável à produção, em si considerada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos aos serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Nanci Gama Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 502 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Já foi corretamente delineado pela i. relatora que a divergência que se estabeleceu em relação a seu brilhante voto se restringiu tãosomente ao recurso do contribuinte, para o qual a maioria qualificada pelo voto do Presidente apenas deu provimento quanto ao óleo empregado nos veículos que fazem o transporte, dentro da área de produção, dos insumos aí consumidos. Tal divergência se deve não tanto a questões conceituais, as quais foram, em meu entender, muito bem expostas pela n. relatora. De fato, não prevalece mais no âmbito deste colegiado a interpretação assaz restritiva intentada pela Fazenda Nacional com base nas normas expedidas acerca do IPI, tanto que ao recurso fazendário foi negado provimento por unanimidade. Além das razões já muito bem apontadas pela dra. Teresa, e das quais em nada divirjo, vale sempre o registro de que a legislação específica das contribuições expressamente admitiu o cômputo como insumos dos serviços consumidos no processo produtivo. Ora, sabendose que não contêm eles, de regra, o atributo da materialidade imprescindível à aplicação do critério da legislação do IPI para definir matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isto é, o contato físico com o produto em elaboração, como se pode reivindicar que a elas se aplique o princípio daquele? Tudo isso não obstante, o que ainda não é pacífico no colegiado é o alcance que se deve dar ao conceito de insumos uma vez afastadas as restrições acima. De que há a necessidade de que o item físico em questão (ou mesmo o serviço, também previsto na norma legal) seja consumido no processo produtivo não há dúvida. A dúvida se resume a demarcar a abrangência da expressão “consumido no processo”. Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 503 11 depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. Aplicandose tais balizas aos itens postulados pelo sujeito passivo, apenas o óleo cumpre todos os requisitos: é utilizado no processo produtivo, nem antes nem depois, e consomese em um único ciclo produtivo. De fato, os serviços de alteamento, de remoção de minérios e de manutenção de estradas são gastos que devem ser ativados, uma vez que os seus resultados ocorrem ao longo de vários ciclos produtivos. Já no que tange aos gastos com fornecimento de refeições e de transporte para os funcionários, além da gasolina consumida para transportar o produto final e os serviços de vigilância, eles não ocorrem no processo produtivo, ainda que sejam absolutamente relevantes ao desiderato empresarial. Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Foi com essas considerações que o colegiado restringiu o provimento do recurso do contribuinte ao óleo consumido nos caminhões que movimentam a matériaprima na área de produção, sendo este o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.722351/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005
BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
A base de cálculo do PIS e da Cofins para as Instituições Financeiras e Seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício da atividade empresarial típica.
Entendimento similar ao proferido no RE 585.2351/MG, submetido à Repercussão Geral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Cláudio Monroe Masseti. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Jonathan Barros Vita acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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INEXISTÊNCIA. Afastase a hipótese de afronta à coisa julgada quando se constata inexistir coincidência entre a decisão proferida de maneira incidental pelo STF no Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte na ação mandamental por ela impetrada e a matéria sob litígio administrativo. PRELIMINAR. INEXISTÊNCIA HIPÓTESES DE SOBRESTAMENTO Inexiste previsão legal de sobrestamento de processo de restituição de valor supostamente recolhido a maior até que ocorra o trânsito em julgado de decisões administrativas proferidas em outros processos administrativos nos quais se discutem questão atinente à quitação, por meio de compensação, dos respectivos tributos objetos do pedido de restituição sob litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 23 51 /2 01 1- 88 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 2 A base de cálculo do PIS e da Cofins para as Instituições Financeiras e Seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício da atividade empresarial típica. Entendimento similar ao proferido no RE 585.2351/MG, submetido à Repercussão Geral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Cláudio Monroe Masseti. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Jonathan Barros Vita acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Na origem, cuidam os autos de procedimento para homologação de compensações cujas declarações transmitidas em setembro de 2006 têm como base créditos decorrentes de recolhimentos ditos como tendo sido efetuados a maior a título do Programa de Integração Social(Pis), no valor consolidado inicial de R$ 23.380.203,13, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a outubro de 2005, lastreados em decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Individual n° 2000.38.00.0040950). Relata a autoridade no Despacho Decisório nº 791 DRF/BHE (efls 127/134) que a contribuinte formalizou o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido Judicialmente conforme processo n° 10680.002919/200683, efetuado com base na mencionada decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Individual n° 2000.38.00.0040950), tendo sido o pedido inicialmente indeferido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) desta Delegacia, conforme Despacho Decisório n° 105/2006 constante do referido processo. Porém, diante do insucesso do contribuinte no âmbito administrativo, foi impetrado o Mandado de Segurança n° 2006.38.00.0208172 (Banco Mercantil do Brasil S/A e outros) objetivando a obtenção de ordem judicial para que a autoridade coatora desse Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.026 3 prosseguimento aos pedidos de habilitação de créditos das impetrantes tendo como base a decisão judicial acima mencionada, dandose início ao procedimento de compensação de tributo recolhido a maior, tendo sido conceda a liminar requerida. Em virtude da decisão judicial retro mencionada, foi deferido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) da Delegacia, no processo 10680.002919/2006 83, o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, o que possibilitou ao contribuinte a transmissão das DCOMP constantes do quadro contido no mencionado Despacho Decisório e ora sob litígio. A autoridade Administrativa da DRF/BHE, por meio do mencionado Despacho Decisório nº 791 decidiu pela homologação parcial por ter entendido que, tendo em vista a decisão transitada em julgado, em 09/12/2005, no Mandado de Segurança nº 200.38.00.0040950, a qual afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e considerando as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, emitido em decorrência de consulta formulada mediante a Nota Técnica Cosit/SRF nº 21, de 2006, são exigíveis os valores do Pis apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2ºo da LC 70/91, ou seja, "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza", permitidas as exclusões determinadas pela legislação não atingida pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98; conseqüentemente, estão extintos os valores devidos calculados sobre a base de cálculo ampliada, no que excederem aos valores apurados nos termos supra, concluindo que o contribuinte teria direito tão somente ao crédito relativo à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago incidente sobre as receitas totais, excluídas as receitas não operacionais, conforme quadro elaborado com base nas informações do contribuinte. A autoridade administrativa referindo ao quadro elaborado esclarece: “A coluna ‘Diferença’, referese aos valores dos créditos efetivos do contribuinte, cuja soma perfaz R$ 99.490,95, esclarecendo que os campos preenchidos com o valor ‘0,00’, excetuandose o PA 03/2000, em que não foi apurada diferença negativa, dizem respeito aos valores de débitos objeto de compensação que se encontram pendentes em virtude do fato de que os respectivos processos de crédito (10680.019436/9909, 10680.011724/00 e 10680.002644/200335) se encontram aguardando julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais(Carf) e, portanto, não podem compor o crédito pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.”. A manifestação de inconformidade da contribuinte traz os argumentos a seguir sintetizados: Preliminarmente: Requer que o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado dos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/00 77 e 10680.002644/200335, ao menos no que refere às competências de agosto/2000 a outubro/2001, junho e setembro/2003 e fevereiro a abril/2004, que se encontram pendentes de julgamento no Carf, nos quais se discute a compensação dos valores de PIS com créditos de Finsocial e de PISDecretos. Caso seja reconhecida no Carf a legitimidade dos referidos créditos, os valores serão considerados líquidos e certos, de forma que o PIS estará Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 4 definitivamente quitado e poderá compor o crédito ora pleiteado, independentemente da base de cálculo a ser adotada. Destaca que o julgamento do PAF nº 10680.019436/9909 foi a seu favor e atualmente aguarda o julgamento do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. Já os PAFs nºs 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335 aguardam julgamento de embargos declaratórios nos quais se demonstrou que a mesma discussão foi objeto de Ação Cautelar e Ação Rescisória por parte da Fazenda Nacional, sendo que ambas foram julgadas improcedentes, com trânsito em julgado. No mérito: Afronta à coisa Julgada: aduz que o valor exigido no Despacho Decisório se refere ao PIS incidente sobre receitas que não correspondem ao sentido estrito de “faturamento” adotado tanto na decisão transitada em julgado em seu favor quanto nos leading cases sobre a matéria no STF. É juridicamente falha a argumentação de que a decisão judicial que julgou procedente o seu pedido lhe teria sido desfavorável no tocante à incidência do PIS sobre as receitas financeiras, pois além de o STF ter decidido com base no art. 557, §1ºA, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, também declarou que o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Observa que a tentativa do Despacho Decisório de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas financeiras, o que equivale quase à totalidade das suas receitas auferidas, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os efeitos da decisão transitada em julgado. Subsidiariamente: Argumenta que há receitas consideradas pelo Despacho Decisório que extrapolam o entendimento nele sustentado, isto é, de que a base de cálculo do PIS, com o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deve ser composta por todas as receitas que “decorrem da atividadefim da empresa”. Foi adotado o entendimento de que apenas as receitas não operacionais, contabilizadas na conta 7.3.0.00.006, deveriam ser excluídas da base de cálculo. No entanto, existem receitas registradas na conta 7.1.9.99.009 Outras Rendas Operacionais, cuja descrição do Cosif é bastante genérica, que não decorrem da sua atividade operacional, o que pode ser verificado pela natureza das subcontas. Caso sejam mantidas as glosas no crédito pleiteado, requer seja assegurado o seu direito de recuperar os impostos que sobre ele incidiram indevidamente, pois esse crédito foi considerado como acréscimo patrimonial/lucro e tributado como tal. Informa que após o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, contabilizou o crédito de PIS em conta de resultado, afetando o lucro líquido do ano base 2005, o qual serviu de base de cálculo para apuração do IRPJ e CSLL. Assim, caso seja mantido o Despacho Decisório, deve ser assegurado o seu direito de efetuar a recomposição da apuração do IRPJ e CSLL do ano base de 2005, bem como o consequente direito de recuperar os valores pagos a maior desses tributos, devidamente atualizados, e/ou recompor eventual prejuízo fiscal do referido ano calendário. Pede que tais ressarcimentos/recomposições possam ser efetuados na DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente, uma vez que já se passaram cinco anos da entrega da respectiva DIPJ. Por fim, requer que: o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado dos PAFs nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, ao menos no que se refere às competências a eles relacionadas; seja cancelado o Despacho Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.027 5 Decisório nº 791, com a consequente homologação das compensações realizadas, tendo em vista que o mesmo contraria a coisa julgada; sejam reconhecidos os equívocos no cálculo dos valores devidos de PIS e recalculado o crédito apurado; e seja autorizado que os ressarcimentos/recomposições relativos à apuração do IRPJ/CSLL possam ser efetuados na DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente. A autoridade Julgadora de 1ª Instância, por meio do Acórdão nº 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE, proferido em 30 de janeiro de 2012, por unanimidade de votos, julga improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se denota pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõese da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas advindas de intermediações financeiras. ALEGAÇÕES. PROVAS. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE em 10/02/2012, conforme Aviso de Recebimento de efl. 588. Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 13/03/2012, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na manifestação de inconformidade e rebatendo alguns fundamentos da decisão recorrida, segundo os seguintes itens e subitens de defesa: I DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO II DOS FATOS Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 6 III PRELIMINAR – DA PREJUDICIALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM RAZÃO DOS PAF n°s 10680.019436/9909; 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335 IV DO DIREITO IV.1. CONCEITO DE FATURAMENTO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF IV.2 CONTRARIEDADE À COISA JULGADA IV.3 – POSICIONAMENTO ATUAL DO STF ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS IV.4 RECEITAS A SEREM CONSIDERADAS NA BASE DE CALCULO DO PIS EQUÍVOCO NA BASE DE CÁLCULO ADOTADA NO DESPACHO DECISÓRIO EFETIVA COMPROVAÇÃO V DIREITO À RECUPERAÇÃO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS SOBRE O CRÉDITO DE PIS VI PEDIDO Posteriormente, em Agosto de 2013, a contribuinte, por seus advogados devidamente nomeados e constituídos, envia requerimento no qual noticia o julgamento proferido em sede de recurso repetitivo pelo E. STJ no Resp 1118893 MG Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC, cuja juntada se requer, e ratifica as razões de recurso para reforma do acórdão recorrido, visando, alega, a prevalência da coisa julgada. O Requerimento e o Resp 1118893 MG foram anexados ao presente processo às efls 809 a 839, conforme Despacho nº 330207/CAJ2013 de efl.840. O presente processo foi pautado para julgamento na sessão de 27 de maio de 2014, ocasião em que os membros dessa turma, por maioria de voto, acordaram em converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3302000.417 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, nos termos do voto do redator designado, tendo sido vencidas as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora, e Mônica Elisa Lima. Transcrevese, a seguir, trecho conclusivo da referida resolução: "Pleiteia a contribuinte que o conceito de faturamento que deve ser observado pelas instituições financeiras quando da apuração do PIS e da COFINS nos termos do caput do artigo 1° da Lei n° 9.718/98, não pode ser diverso do sentido inequívoco do conceito de faturamento atribuído a todas as outras pessoas jurídicas, qual seja, ‘receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.’ (artigo 2° da Lei Complementar 70/91). Esta afirmação decorre do fato de que o conceito fiscal de faturamento é ÚNICO para fins de incidência tributária, seja para uma empresa comercial, seja para uma prestadora de serviços ou para uma instituição financeira, não sendo possível admitir, em qualquer hipótese, que o conceito de faturamento Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.028 7 sofra variações de acordo com a qualificação do sujeito passivo envolvido na incidência da hipótese tributária. Tanto assim o seria que quando se intentou que a Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) englobasse receitas outras além do faturamento auferido pelas instituições financeiras, quais sejam as receitas financeiras, se fez editar a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, para fazer que referida contribuição incidisse ‘sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza’. Ou seja, quando se pretendeu tributar as receitas típicas das instituições financeiras pela contribuição ao PIS, alterouse via emenda de revisão a sua respectiva base de cálculo, uma vez que o artigo 195, I da Constituição Federal não permitia tal incidência. Diante dessa controvérsia, outrossim, penso que pode haver uma terceira via, motivo pela qual voto no sentido de baixar o presente processo em diligência, para que, querendo, os Ilustres pares possam ou formar melhor a sua convicção ou seguir pelo caminho “maniqueísta” com mais firmeza de propósito. Explico. Nesses processos, ao se considerar as receitas financeiras como operacionais, e conseqüentemente equiparálas a faturamento, ou em sentido oposto, desconsiderar que as receitas financeiras podem ser parte da atividade de uma IF, seguimos o caminho estritamente jurídico, abandonando qualquer espécie de análise econômica e contábil, que poderia auxiliar o julgador na busca da verdade material. Isso decorre do seguinte fato: uma instituição financeira não tem 100% das suas receitas financeiras decorrentes da intermediação financeira ou da aplicação de recursos de terceiros, captados em sua atividade. Parte dos recursos aplicados, o são por obrigação regulatória, de recursos próprios, que têm que ser mantido na instituição por força dessas mesmas normas regulatórias, no caso brasileiro não apenas do Bacen mas em observância dos Acordos internacionais denominados Basiléia I e II (atualmente até mesmo da Basiléia III em alguns casos). O exemplo mais claro disso é a existência do capital próprio, em níveis mínimos, e o próprio patrimônio líquido da Instituição, composto por outras reservas, sejam elas de capital ou mesmo de lucro. Esses são inegavelmente recursos de propriedade do Banco, e que lá ficam em determinado montante. Isso posto, para esse Julgador faz todo o sentido que se busque ‘separar’ ou ‘distinguir’ o que são receitas de intermediação financeira dos seus recursos próprios, e daqueles de terceiros, captados por meio de depósitos, CDB´s, Fundos, etc., que ai sim são ‘girados’ no mercado obtendose parte significativa dos seus lucros. Independentemente de qualquer opinião jurídica que possa ter a respeito. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Inclusive até por uma questão de justiça – ao prevalecer a tese da PGFN, as IF´s teriam na prática um resultado distinto daquele obtido pelas demais empresas nãofinanceiras, cuja jurisprudência reconhece que as suas receitas financeiras são efetivamente ‘outras receitas’, eis que decorrentes da aplicação recursos próprios na busca da melhor gestão empresarial. Assim sendo, voto no sentido de converter o presente recurso em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar cálculos que façam a distinção dos valores obtidos, para aqueles períodos de apuração dessa lide, e contabilizados nas contas I) Rendas de operações de créditos; II) Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez; III) Rendas de Títulos e Valores Mobiliário; IV) Rendas de Prestação de Serviço; e V) Outras Receitas Operacionais, acompanhadas da demonstração do método utilizado para cada ‘distinção’ entre a) renda auferidas de recursos próprios; e b) rendas auferidas de recursos de terceiros, que possa, caso oportuno, ser posteriormente comprovada documentalmente para uma eventual liquidação de um futuro resultado de julgamento que o considere. Finalmente, que haja manifestação da Fiscalização acerca desse método e dos cálculos apresentados pelo contribuinte." A Unidade de origem, por meio do Parecer Fiscal de –efls 1012/1013, sem emitir juízo de valor, assim descreve a resposta da contribuinte à intimação: “Em sua manifestação o contribuinte destaca que ‘não há no mercado financeiro uma metodologia absoluta, com conceitos uniformes, que permita segregar os valores de rendas provenientes da intermediação de recursos de terceiros das rendas provenientes de da aplicação de recursos próprios’. Afirma ainda que ‘considerando a complexidade das operações financeiras e o dinamismo do mercado de capitais é praticamente impossível fazer uma conciliação harmônica entre captações e aplicações, posto que há um contínuo fluxo e refluxo entre as origens e os destinos de recursos no âmbito de uma instituição financeira’. Assim, o contribuinte decidiu, conforme planilhas de fls. 992/997), adotar o critério da proporcionalidade entre as contas do Passivo (recursos de terceiros) e do Patrimônio Líquido (recursos próprios), tomandose os saldos de cada conta ao final de cada mês e apurando a participação de cada um dos grupos na soma de ambos. Apuradas as proporções mensais acima, o contribuinte as aplicou sobre as receitas anteriormente consideradas como base de cálculo do Pis, apurandose a parcela da receita relativa a recursos próprios e a recursos de terceiros, além das receitas de prestação de serviços, que não são objeto da lide. Nas mencionadas planilhas o contribuinte demonstra, ainda, o tributo que seria exigido na hipótese de exclusão da base de cálculo da parcela da receita relativa aos recursos próprios.” É o Relatório. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.029 9 Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. DA PRELIMINAR ARGÜIDA Prejudicialidade do Despacho Decisório em razão dos PAFs n°s 10680.019436/9909; 10680.011724/0077 e 10680 002644/200335. Consoante constatase do Despacho Decisório nº 791 de e fls 127/134, a autoridade Administrativa da DRF/BHE excluiu dentre os valores que a contribuinte declarou no PER/DCOMP: 34804.18333.050906.1.3.571309 como sendo créditos de PIS passíveis de restituição, valores de PIS os quais foram objeto de compensações que se encontravam pendentes em virtude do fato de que os respectivos processos de crédito (10680.019436/9909, 10680.011724/00 e 10680.002644/200335) se encontravam aguardando julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, referentes aos períodos de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004. Entendeu aquela autoridade administrativa que tais valores não poderiam compor o crédito pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.Tal entendimento foi confirmado pela autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa. A contribuinte, então, recorre de tal decisão alegando que apenas com o julgamento definitivo destes processos (PISDecretos e FINSOCIAL) será possível auferir o real impacto no saldo de PIS, ora em discussão, solicitando o sobrestamento até que seja proferida decisão definitiva nos PAFs n°s 10680.019436/99, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, para que o acórdão a ser proferido nestes autos esteja em consonância com as decisões definitivas dos referidos processos. Aduz que na hipótese de referidos créditos de PIS Decretos e FINSOCIAL serem considerados insubsistentes, o Banco, ora recorrente, efetuará o pagamento do PIS Lei nº 9.718/98, que tinha sido objeto de compensação nos mencionados processos, de modo que, a nova cobrança do PIS, nestes autos, implicará em duplicidade de exigência. E, noutra direção, se for reconhecida pelo CARF a legitimidade de referidos créditos do PIS Decretos e FINSOCIAL, o PIS (Lei nº 9.718/98) compensado será considerado definitivamente quitado e poderá compor o crédito ora pleiteado, independentemente da base de cálculo a ser considerada. Improcede a preliminar argüida. Como é sabido, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) não divergiu da orientação do legislador civilista, quando dispôs, em seu art. 156, inciso II, que a compensação é modalidade de extinção de crédito tributário, no caso em que o fisco e a contribuinte forem credores e devedores entre si. Para que se realize a compensação de créditos tributários, o CTN estabeleceu a necessidade de que haja lei ordinária específica do poder tributante, de qualquer esfera da Federação, autorizadora de sua aplicação, a qual fixará todos os pressupostos e requisitos do Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 10 ato administrativo autorizado, exigindo o CTN, porém, que a compensação seja efetuada com a utilização de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública e, portanto, incontrovertido, reconhecido pela administração pública. É o que se depreende dos artigos abaixo transcritos: CTN “ Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...). II. a compensação (...)”. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir á autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifouse) Em face de tal exigência, na esfera federal, foi editada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo artigo 74, de acordo com a redação dada pela Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002, estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Assim, em conformidade com as regras legais que regem a matéria de compensação no âmbito federal, esta somente pode se dar com crédito líquido e certo, ou seja, com crédito favorável à contribuinte em que não reste dúvidas sobre a sua validade e sobre o valor a ser restituído e /ou ressarcido. Deste modo, a contribuinte não poderia ter incluído em seu pedido de compensação, ora sob análise, crédito ainda ilíquido e incerto, posto que o PIS, nos períodos de competência de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004, teria sido objeto de compensação, ainda não homologados, em face de que os créditos com os quais teria efetuado tais compensações, referentes à PIS Decretos e FINSOCIAL, ainda encontravamse à época, como ainda se encontram, pendentes de ser reconhecidos pela Administração Pública, por meio dos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335. Portanto, correta a decisão de 1ª instância administrativa quando ressalvou que somente após decisão administrativa transitada em julgado, a ser proferida nos processos imediatamente acima mencionados , caso favorável à contribuinte, é que serão calculados os valores de créditos de Finsocial/PISDecretos indevidamente recolhidos e efetuada a compensação com débitos de PIS dos períodos em questão, a partir do montante reconhecido. Assim, somente depois de homologada a compensação do PIS naqueles processos, se for o caso, terseá o pagamento definitivo do PIS, a partir do qual, poderá a contribuinte requerer a restituição do que tiver sido recolhido a maior e, uma vez reconhecido administrativamente, estando o crédito assim líquido e certo, poderá, a contribuinte, a partir de então, solicitar a compensação com outros créditos tributários por ela devidos à Fazenda Pública Federal. A própria contribuinte reconhece isso, quando, em seu recurso voluntário, alega que “apenas com o julgamento definitivo destes processos (PISDecretos e FINSOCIAL) será possível auferir o real impacto no saldo de PIS, ora em discussão”. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.030 11 Acerca de seu pedido de sobrestamento deste processo até que ocorra o trânsito em julgado das decisões administrativas proferidas nos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, é de se ressalvar a inexistência de previsão legal neste sentido. Até porque, na verdade, a contribuinte, ao requerer a compensação com créditos ainda ilíquidos e incertos, desatendeu totalmente a legislação específica em vigor. Esclareçase, ainda, que se encontra equivocada a alegação da recorrente quando aduz que “na hipótese de referidos créditos de PIS Decretos e FINSOCIAL serem considerados insubsistentes, o Banco, ora recorrente, efetuará o pagamento do PIS Lei nº 9.718/98, que tinha sido objeto de compensação nos mencionados processos, de modo que, a nova cobrança do PIS, nestes autos, implicará em duplicidade de exigência”. É que, nestes autos os valores atinentes ao PIS, nos períodos de competência de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004, na verdade, foram excluídos pela Autoridade Administrativa no PER/DCOMP: 34804.18333.050906.1.3.571309 a título de créditos de PIS passíveis de restituição, por serem créditos ilíquidos e incertos, não se tratando, pois, de exigência em duplicidade de tais valores. Desta forma, é de se negar a preliminar arguída. DA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE À COISA JULGADA Depois de defender no item de seu recurso denominado “CONCEITO DE FATURAMENTO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF” “que o Supremo Tribunal Federal, nos julgamentos dos leading cases, não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que faturamento equivale, exclusivamente, à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços”, a recorrente, no sub item do recuso voluntário “CONTRARIEDADE À COISA JULGADA”, defende que a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 200.38.00.0040950, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário por ela interposto foi provido pelo STF, ou seja, o seu pedido foi integralmente reconhecido por meio da decisão transitada em julgado em 09/12/2005 e que não pairam quaisquer dúvidas quanto ao seu direito, qual seja: seu PIS incidirá apenas sobre as receitas advindas das vendas de mercadorias e serviços, respeitada a definição do conceito restrito de faturamento, imposto pelo Supremo Tribunal, tendo, se operado a preclusão temporal da discussão trazida pelo Despacho Decisório e Acórdão recorrido, visando mitigar a coisa julgada na esfera administrativa e então, afirma, que o Despacho Decisório convalidado pela Decisão ora recorrida desconsiderou totalmente a decisão transitada em julgado e pretende relativizar o conceito de “faturamento” para o caso específico das instituições financeiras, em evidente confronto com a coisa julgada. Neste item de seu recurso, as suas argumentações são no sentido de demonstrar que o STF decidiu pelo conceito restrito de faturamento, como base de cálculo do PIS e COFINS, e que este não corresponde à receita operacional. Pois bem, tendose em conta que se discute nos autos a definição do conceito de “faturamento” para as Instituições Financeiras, ou seja, de quais receitas auferidas pelas Instituições Financeiras integram, ou não, o faturamento dessas instituições, defendendo a recorrente que “faturamento” não corresponde à “receitas operacionais”, passase à análise das alegações de que a Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório nº 791 DRF/BHE, bem como a Autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa, com o acórdão 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE ora recorrido, teriam afrontados a coisa julgada no Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950, transitado em julgado em 09/12/2005, para concluir se realmente ocorreu, ou não, a coisa julgada com o enfoque pretendido pela recorrente. Acerca do referido Mandado de Segurança, a Belª Érica Mattos Barbosa, Diretora de Secretaria da 21ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais, conforme cópia da Certidão à efl 30, certifica, in verbis : “CERTIFICA, a requerimento de parte interessada, que, revendo os registros nesta Secretaria, verificou constar a tramitação do MANDADO DE SEGURANÇA, processo n° 2000.38.00.004095 0, impetrado pelo BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A E OUTROS contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE/MG, distribuído em 15/02/2000, em que as impetrantes, instituições financeiras, pleiteiam que lhes seja garantido o direito ao não recolhimento da contribuição do PIS, conforme o disposto no artigo 3º da Lei n° 9.718/98, sendo autorizadas a efetuarem o recolhimento da referida contribuição à alíquota de 0,65%, conforme artigo 1º da MP 1.99114, sobre o efetivo faturamento das impetrantes, que abrange a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, ou, subsidiariamente, que possam recolher o PIS, a partir de 01/01/2000, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar7/70, isto é, o equivalente a 5% do imposto de rendo devido (PISRepique). Certifica também que, em 15/12/2000, foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos e denegando a segurança, da qual foi interposto recurso de apelação pela impetrante, ao qual foi negado provimento. Certifica, finalmente que, a Impetrante interpôs recurso especial, que foi inadmitido; recurso extraordinário, que foi admitido e provido para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98; que a decisão transitou em julgado em 09/12/2005, que os autos retornaram a esta Instância e foram recebidos em 01/02/2006. O referido é verdade e dá fé. DADA E PASSADA nesta cidade de Belo Horizonte, aos 08 dias do mês de fevereiro de 2006. Eu, . . . . (Vanilda Aparecida Ferreira), Analista Judiciária, a digitei e vai devidamente assinada pela Diretora de Secretaria.” Constatase que, ao contrário do alegado, a impetrante não questionou explicitamente no mencionado Mandado de Segurança quais das suas receitas decorrentes de sua atividade típica comporiam, ou não, o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições do Pis e Cofins. Não se discutiu o conceito de faturamento para a atividade da Recorrente e o pedido formulado no mandado de segurança foi realizado pela impetrante , em relação a este tópico, de forma genérica: "direito de recolherem a contribuição ao PIS a partir de 01/01/2000 à alíquota de 0,65% (art. 1o da Medida Provisória n° 1.99114) sobre o efetivo faturamento das Impetrantes (art. 195, I, da Constituição tal como redigido à época da promulgação da Lei n° 9.718/98), que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3o da Lei n° 9.718/98 (instituição de nova contribuição social ao arrepio da regulamentação constitucional do exercício da competência residual da União), aplicandose tal diploma no que tange ao restante de suas disposições.” Vêse, também, que a decisão proferida de maneira incidental pelo STF no Recurso Extraordinário n° 409.860, transitado em julgado em 09/12/2005, foi no sentido único Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.031 13 de afastar a aplicação do §1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, por considerar inconstitucional a regra ali estabelecida, nos seguintes termos: “DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão no qual ficou assentada a constitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em face do disposto no artigo 195, I, da Carta Magna, com a redação anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 357.950, Rel. Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005, decidiu em sentido contrário. Assim, conheço e dou provimento ao recurso (art. 557, §1ºA, do CPC), para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Sem honorários (Súmula nº 512/STF). Publiquese. Brasília, 16 de novembro de 2005. Ministro GILMAR MENDES Relator” Portanto, ao contrário do argüido, na decisão do RE n° 409.860 o STF não se pronunciou expressamente sobre a questão específica de quais receitas comporiam o conceito de faturamento para as instituições financeiras contempladas na ação mandamental sob julgamento. A decisão ali proferida conformase, nos termos do art. 557, § 1°A do CPC1, com os estritos termos dos julgados, efetuados naquele colegiado, pacificadores da matéria. Cabe, então, efetuar análise do que foi decidido no STF no julgamento do RE 357.950, Rel. Ministro Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005, em face da referência feita pelo o relator Ministro Gilmar Mendes na decisão acima transcrita, com fins de detectar a ocorrência, ou não, da alegada afronta à coisa julgada, destacando que o julgamento do RE 357.950, tal qual se deu com o julgamento dos RE nº 346.084, 358.273 e 390.840, todos julgados na mesma data de 09 de novembro de 2005, com igual teor, embora proferida no exercício do controle difuso de Constitucionalidade, aplicandose, portanto, somente às empresas que integraram o pólo ativo da lide, constituise em verdadeiro leading case, que tem 1 Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. (Redação dada pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) § 1oA Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao recurso. (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 14 orientado outros julgamentos sobre a questão, a exemplo do que se deu com o julgamento do Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950, da ora recorrente. Pois bem, tal como ocorreu no julgamento dos RE nº 346.084, 358.273 e 390.840, o STF no julgamento do RE 357.950 – 9 Rio Grande do Sul, que teve como relator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005,(DJ 15/08/2006) julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 , cuja ementa abaixo se transcreve: Ementa “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE nº 357.950 – 9/RS, conforme ementa acima transcrita, bem como nos votos vistas proferidos, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Cofins no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade empresarial. O Acórdão recorrido fez menção aos posicionamentos dos Ministros explicitados no debate do julgamento do RE nº 346.084/PR, cujo teor do julgamento é similar ao julgamento do RE 357.9509/RS: “O Ministro César Peluso, no RE nº 346.084/PR, expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento, in verbis: ‘Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.032 15 qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’.’ (grifouse) O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE nº 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: ‘O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)’ (grifouse) Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.0846/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis: ‘A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...): ‘Art. 22. (...) §1º (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 16 ‘faturamento’ e ‘receita operacional’, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....). Ou seja, mais claro, impossível.’(grifouse) Na mesma linha, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE nº 346.0846/PR, pontuou que a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser buscada na legislação do Finsocial, o Decretolei nº 2.397, de 1987. O art. 22, caput, e a alínea b desse Decreto determinavam que o Finsocial (criado pelo Decretolei nº 1.940, de 1982, e que antecedeu à Cofins) incidiria sobre as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. E concluiu que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis: ‘Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do §1º e o § 4º esse, então acrescentado ao art. 1º do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas: ‘Art. 22 (...) Parágrafo 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.’ (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ 149/287; ‘(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei nº 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição.’ Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1, Moreira Alves. (...)’” (grifouse) Portanto, constatase que nos julgamentos dos leading case, ao contrário do argüido e de acordo com o entendimento proferido nos votos dos Ministrosmembros, o Supremo Tribunal Federal STF expressouse no sentido de que o faturamento, como base de Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.033 17 cálculo do PIS e COFINS, corresponde à receita operacional oriunda do exercício das atividades empresariais. E aqui, cabe registrar, em vista das alegações da recorrente de que as posições individuais dos ministros foram defendidas apenas nos debates e que não compuseram o voto vencedor do Ministro Marco Aurélio, que se encontra evidente a convergência desse entendimento, proferidos expressamente nos votos vista daqueles que a requereram e não apenas mencionados nas discussões verbais, inclusive do próprio relator Marco Aurélio, consoante se demonstra com a transcrição já acima feita do votovista do ministro Cezar Peluso e conforme se transcreve a seguir, a título de exemplo, trecho do votovista do ministro Eros Grau no julgamento do RE 357.950/RS: VOTOVISTA DO MINISTRO EROS GRAU: "(...); Ora, se receita bruta (=receita de vendas de mercadorias e de prestação de serviços) coincide, qual afirmou esta corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito ...‘receita’...no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de ‘faturamento’. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos ai receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico... isto é, proveniente das operações do seu objeto social..., aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (...)” (grifei) Temse como equivocada a afirmação da recorrente de que o STF declarou a inconstitucionalidade da equiparação do termo receita bruta e faturamento. Vimos acima, pela transcrição dos votos e da ementa do julgamento do RE 357.950, que os ministros entendem que as expressões receita bruta e faturamento são sinônimas, considerando “receita bruta” como “receita operacional”, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. E, ademais, tal equiparação consta da redação do próprio caput do art. 3° da Lei nº 9.718/98, que não foi julgada inconstitucional: ““Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.” O que se afastou com a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, foi a ampliação do conceito de receita bruta para além da receita Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 18 operacional da empresa, tida como resultante de sua atividade empresarial, no sentido de envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Verificase, pois, que a decisão proferida no referido Mandado de Segurança, foi, unicamente, no sentido de afastar a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tendo em vista a jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade, unicamente, do referido parágrafo e não do integral art. 3o da Lei n° 9.718/98, conforme requerido pela impetrante, em conformidade com a regra contida no art 557, § 1°A, do CPC. Vêse, ainda, que nos julgamentos dos leading case não se adentrou na discussão sobre a composição de faturamento para o caso específico das instituições financeiras. Tanto é assim que, em conseqüência da declarada inconstitucionalidade pelo STF da regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, as instituições financeiras passaram a questionar as inclusão de algumas receitas operacionais na base de cálculo do PIS e Cofins, estando hoje, esta questão específica submetida à Repercussão Geral assim declarada pelo o STF no RE 609.096 que trata de recursos extraordinários interpostos pela a União e pelo o Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Portanto, o recurso voluntário, no concernente à preliminar de ofensa do Despacho Decisório e do acórdão recorrido à coisa julgada, não merece provimento, haja vista verificarse que o Acórdão 0237.201 , prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, convalidando o Despacho Decisório nº 791DRF/BHE, decidiu pela exclusão na base de cálculo do PIS das receitas não operacionais, tendo em vista exatamente a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendo a incidência do PIS apenas sobre a receita bruta, justificando que esta corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim, tudo em conformidade com o decidido no Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950, com a jurisprudência firmada pelo o STF, com o disposto no Parecer da PGFN/CAT/Nº 2.77 e com a Lei nº 9.718/88. Aqui cabe ressaltar que, não obstante haja coincidência da matéria sob repercussão geral acima mencionada com a matéria sob litígio neste processo, haja vista que aqui se discute a definição da amplitude do conceito de “faturamento” para as Instituições Financeiras, ou seja, de quais receitas auferidas pelas Instituições Financeiras integram, ou não, como receitas operacionais, o faturamento dessas instituições não mais se pode sobrestar o julgamento do recurso neste colegiado, em face da recente alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Assim sendo, não havendo questionamento pela contribuinte, ora recorrente, na esfera judicial de igual matéria ora sob litígio na esfera administrativa e não mais podendo este colegiado sobrestar o julgamento de matéria que esteja submetida à Repercussão Geral no STF, esta tem que ser analisada e decidida pela autoridade julgadora administrativa. Registrese ainda que a recorrente no sub item “IV.3 – POSICIONAMENTO ATUAL DO STF ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS” noticia sobre tal Repercussão Geral da matéria no RE 609.096 e argúi que, ainda que o Supremo alargue a base de cálculo do PIS e da COFINS para o conceito de receitas decorrentes da atividade empresarial, como sustentado Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.034 19 pela r. decisão recorrida, não haverá qualquer possibilidade jurídica de aplicação, com efeitos ex tunc, à decisões transitadas em julgado que tenham por fundamento entendimento contrário ao eventual novo posicionamento do Tribunal, como se dá no caso concreto do Recorrente. Em razão dessas alegações e, tendo em vista, ainda, a requisição posterior da recorrente de juntada do acórdão proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, nos autos do REsp 1.1 18.893/MG, na qual ressalta ser inconteste a imutabilidade da base de cálculo do PIS tal como requerido e deferido por decisão transitada em julgado, cabe ressalvar, porém, que não tendo a coisa julgada, em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0040950, o enfoque pretendido pela ora recorrente, haja vista que, repitase, a decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE n° 409.860/MG foi unicamente para afastar a aplicação do § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718, de 1998 e não para esmiuçar o conceito de faturamento das instituições financeiras, não cabe, no presente caso, a aplicação da decisão proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1118893 MC Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC. NO MÉRITO Passase assim, ao mérito da questão, qual seja, analisar e decidir qual exatamente a composição da base de cálculo do PIS das empresas financeiras, a partir da edição da Lei nº 9.718/88. Até a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS e da COFINS era o faturamento, cujo conceito restringiase às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, nos termos do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pretendeu ampliar esse conceito para nela fazer inserir toda e qualquer receita, de qualquer natureza. O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Tal pretensão levou o judiciário a pronunciarse sobre a jurisprudência já firmada acerca do conceito de faturamento para incidência do PIS e da Cofins, em decorrência das diversas ações impetradas pelos contribuintes, entre eles as empresas do setor financeiro e seguradoras, que não se conformaram com o término da isenção que possuíam até a edição dessa lei. Assim é que o STF, nos julgamentos dos RE 346.0846 Paraná, RE 358.273, RE 390.840 e RE 357.950 – 9 Rio Grande do Sul, que teve como relator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005 (DJ 15/08/2006), julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, cuja ementa foi acima transcrita. Mas, entendeu constitucional a regra Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 20 do caput do art 3º de referida lei, acima transcrito, interpretando a expressão receita bruta, de forma genérica, sobre a qual já se tinha jurisprudência firmada, consoante acima demonstrado. Como já ressaltado, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 409.860 no MANDADO DE SEGURANÇA, processo n° 2000.38.00.0040950, da ora recorrente, declarou inconstitucional, de maneira incidental, o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos seguintes termos: “(...) Assim, conheço e dou parcial provimento ao recurso (art. 557, §1ºA, do CPC) para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. (...)”. Mas, não afastou os demais artigos dessa lei, cujas regras permanecem válidas, inclusive a do art. 2º e a do caput do art. 3º, que prescrevem: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo do PIS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, consideradas exclusivamente as decorrentes da atividade empresarial típica. É que, como se viu acima, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, proferida nos julgamentos dos recursos extraordinários considerados como leading cases, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade empresarial típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. DO RE 585.2351/ MG REPERCUSSÃO GERAL Por fim, a sinonímia do termo faturamento e receita bruta abarcando a receita decorrente do exercício da atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reafirmada a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa e Acórdão: “EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.035 21 ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso –Relator” No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei). Destarte, restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ressaltese que a repercussão geral reconhecida no referido RE 585.2351/MG implica sua reprodução nos julgamentos administrativos no âmbito do CARF, conforme disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/20092. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 22 Entendendose o alcance do conceito de receita bruta como sendo faturamento no sentido de venda de mercadoria e serviços, verificase que o conceito dado pelo STF, à luz da Lei nº 9.718, de 1998, e da LC nº 70, de 1991, é, definitivamente, o de receita operacional oriunda do exercício das atividades empresariais típicas. Da mesma forma, a jurisprudência dos Tribunais Regionais era de que faturamento era compreendido como Receita Bruta, assim entendida a receita originária empresarial, de acordo com o objetivo societário, excluindose as receitas financeiras, conforme se extrai dos trechos a seguir. Vejamos: No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.01.00.024444.5/DF, cuja relatora era a Exma. juíza Eliana Calmon, na qual se discutia o aumento de alíquota e ampliação da base de cálculo estabelecido pela Lei nº 9.718/98, a mesma ressalvou que: “Receita bruta é sinônimo de faturamento pelo o STF, entendendose como tal o total das vendas, de serviços e de mercadorias e serviços (Precedentes do STF – RE 150.746, RE 150.755, ADCnº01/DF). Em outras palavras, tudo o que se originar da atividade empresarial, de acordo com o seu objetivo societário é Receita Bruta ou faturamento. Fora do contexto ficavam o emprego do capital empresarial em investimentos mobiliários, ou especulação cambial, porque tais ganhos não poderiam ser rubricados como Faturamento ou Receita Bruta. Era uma zona ‘gris’, que sofria a tributação do Imposto de Renda, naturalmente, mas escapava à incidência da Cofins. Com a Lei nº 9.718/98 não somente pretendeuse estabelecer em diploma legislativo a identidade já assumida pelo o STF – Receita Bruta – Faturamento – mas ampliarse o conceito de Receita bruta para nela abrigar os investimentos mobiliários e de Câmbio. E, tanto é verdadeira a assertiva, que foi preciso explicitar o que se incluía no conceito de Receita Bruta (operações em mercados futuros e operações de câmbio). Consequentemente, a alteração ocorreu no sentido de darse ao conceito Receita Bruta, interpretada até então como o só resultado empresarial de suas atividades.” No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.04.01.0022003.0/SC, cuja relatora era a Exma. juíza Tânia Escobar, do TRF da 4º região, DJU 2, de 31/05/1999, p.269, a mesma menciona que: “...mesmo considerando que foi com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 20/98 que formalmente se viabilizou a criação de contribuições sociais sobre a receita bruta, a cargo do empregador, já no regime anterior à referida emenda a Cofins já incidia sobre receitas, não decorrentes de faturamento, ex vi do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, tendo essa sistemática sido convalidada pela Suprema Corte no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1 1/DF, onde prevaleceu o entendimento de que ‘conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.036 23 acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão somente nas vendas mercantis a prazo.’ (trecho do voto do relator, Ministro Moreira Alves, citando o votto do Ministro Ilmar Galvão no julgamento do RE 150.764/PE).” Assim, é de se entender, em conformidade com a jurisprudência firmada, que, de forma geral, o termo “faturamento”, ao longo de sua utilização na legislação tributária e das discussões doutrinárias e jurisprudenciais, afastouse do seu sentido inicial meramente mercantil, considerado como o ato de faturar, para alcançar as receitas decorrentes de todas as vendas de mercadorias, não só as faturadas, de mercadorias e serviços e de serviços, decorrentes das atividades típicas da empresa, que, em regra, são aquelas constantes do objetivo social da empresa. A Lei n° 9.718, de 1998, por meio de seus §5º e §6° do art. 3° abaixo transcritos, introduzidos pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2º da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001), determinou a base de cálculo do PIS e da Cofins devidos pelas instituições financeiras e assemelhadas: “§5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. §6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge;” (...) A Instrução Normativa (IN) SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, normatizando o dispositivo legal citado, explicitou em seus arts. 27 e 95: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 24 “Art. 27. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor: ( Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012 ) I – das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; II – dos encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais ou de direito privado; III – das despesas de câmbio, observado o disposto no § 2º do art. 10; IV – das despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; V – das despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; VI – do deságio na colocação de títulos; VII – das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e VIII – das perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge . Parágrafo único. A vedação do reconhecimento de perdas de que trata o inciso VII aplicase às operações com ações realizadas nos mercados à vista e de derivativos (futuro, opção, termo, swap e outros) que não sejam de hedge (...) Planilhas para o Cálculo das Contribuições “Art. 95. As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive as associações de poupança e empréstimo, deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com a planilha de cálculo constante do Anexo I.” ( Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012 ) Conforme bem destacado pelo o Acórdão ora recorrido, da leitura dos dispositivos acima, depreendese que, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as instituições financeiras podem efetuar uma série de deduções necessárias ao auferimento das receitas derivadas da exploração de sua atividadefim, resultando que, ao final, tributase, basicamente, o resultado ou ganho líquido, e não a totalidade da receita. Tratase de situação sui generis, devido às especificidades e particularidades da atividade econômica desenvolvida pela ora recorrente, totalmente diversa da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.037 25 Especificamente sobre a composição do faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, para pessoa jurídica incluída no rol do §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991 (instituições financeiras e assemelhadas), o acórdão recorrido traz à lume a decisão prolatada pela 2ª Turma do STF em 29/11/2005 (DOU de 09/12/2005), de lavra do Ministro Cézar Peluso, nos autos do RE nº 400.479, que traduz o entendimento do Excelso Pretório acerca da aplicação da inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, para aquelas pessoas, isto é, instituições financeiras e assemelhadas , no tocante à incidência das contribuições sociais para o PIS e Cofins e que se transcreve a seguir: “1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). (...) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.” (grifouse) Tal decisão foi objeto de agravo, sob os argumentos de que: a) a lide revela especificidades que não se exaurem com a decisão alcançada pelo o Plenário da Corte declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; b) a limitação do conceito de faturamento às receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços resultou na isenção das empresas seguradoras das contribuições para o PIS e COFINS, exatamente por não apresentarem nenhuma dessas receitas; c) as receitas de prêmio não podem ser tributadas pela COFINS por não integrarem sua base de cálculo, o contrato de seguro não envolve vendas de mercadorias e nem tão pouco prestação de serviços. O relator do agravo, o Ministro Cezar Peluso, apresenta, em 10/10/2006, o seu voto nos seguintes termos: “1. A decisão agravada invocou e resumiu o entendimento invariável da Corte, cujo teor subsiste invulnerável aos Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 26 argumentos do recurso, os quais nada acrescentaram à compreensão e ao desate da quaestio iuris. Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas do contrato de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência para as contribuições para o PIS e a COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo o Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544,§§ 3º e 4º , e no art.557, ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau da autoridade que o ordenamento jurídico atribui, em nome da segurança jurídica, às súmulas e, posto que não sumuladas, à jurisprudência dominante, sobretudo desta Corte, as quais não podem ser desrespeitadas e nem controvertidas sem graves razões jurídicas capazes de lhes autorizar revisão ou reconsideração. De modo que o inconformismo sistemático, manifestado em recursos carentes de fundamentos novos, não pode deixar de ser visto senão como abuso do poder recursal. Ao presente recurso, que não traz argumentos consistentes para editar eventual releitura da orientação assentada pela Corte, não sobra, pois, senão caráter abusivo. 2. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão agravada pelos seus próprios fundamentos”.(grifei). Inferese das diversas manifestações dos Ministros do STF, inclusive no RE 585.2351/MG, no qual foi reconhecida a repercussão geral que, ao contrário do argumentado pela ora recorrente, o faturamento ou receita bruta que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998 elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde, de forma genérica, à receita operacional da pessoa jurídica, independentemente da atividade por ela exercida, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade empresarial típica. Também, diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pelo o STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu o entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais devem compor a base de cálculo das contribuições, conforme consta da Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação: “Considerando que o artigo 195 da Constituição Federal, em sua redação originária, anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, somente previa a incidência de contribuição sobre o faturamento, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que conceituou o termo ‘faturamento’ como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da classificação fiscal ou contábil adotada. Em resumo, o STF decidiu que, sob o sistema constitucional em que aquela Lei foi promulgada, a base de cálculo da Contribuição para o Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.038 27 PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) era o faturamento, aí compreendido o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da emissão de fatura. Dessa forma, a partir da referida decisão, a interpretação possível é a de que, no período de vigência da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas financeiras, dentre outras que não se caracterizem como receitas de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, deixaram de compor a base de cálculo das contribuições. (...); 3. Após a decisão do STF, diversos questionamentos foram levantados sobre a aplicação da referida decisão às instituições financeiras e às seguradoras, sob o argumento de que tais entidades não possuem ‘faturamento’, propriamente dito, pois argumentam as entidades que a palavra faturamento teria acepção própria, tecnicamente construída, e corresponderia, taxativamente, ao conjunto de receitas obtidas pela pessoa jurídica na venda de mercadorias e na prestação de serviços. Não se confundiria, nem se equipararia, com receitas outras, como as receitas financeiras das pessoas jurídicas que se dedicam à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. 4. Como decidido pela Suprema Corte, foi afastada a ampliação da base de incidência definida no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Entretanto, resta equivocado o entendimento dado pelas instituições do setor financeiro, com base no argumento referido no item 3 desta Nota, no sentido de que deverão recolher esses tributos apenas sobre as tarifas de emissão de extratos ou de talões de cheque, entre outras assemelhadas, considerandoas unicamente como receitas de serviços. 4.1. As instituições financeiras, em sustentação de sua tese, alegam que a maior parte de suas receitas não decorrem da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mas sim de atividades estritamente financeiras. Argumentam, ainda, que não importa que essas receitas financeiras sejam consideradas operacionais, já que o conceito de faturamento não é maleável a ponto de sofrer ampliações em função da natureza das atividades do contribuinte, visto que, como já decidiu o STF, tratase de conceito obtido em ciência própria, que como tal deve ser respeitado. (...). 6. Ocorre que a interpretação lógica decorrente da citada decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins sobre receitas que não compõem o seu faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços. 6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil inclusive empresas de arrendamento Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 28 mercantil (leasing), por terem sido consideradas como instituições financeiras enquadradas no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero de CPMF, transitada em julgado não devem ser consideradas na apuração da base de cálculo as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tais como rendas de aluguel e outras rendas não operacionais. Entretanto, receitas da atividade própria dessas instituições se constituem no próprio faturamento destas, reconhecidas inclusive como operacionais pelo próprio Cosif. 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. 7. O fato da incidência dessas contribuições sobre a totalidade das receitas somente ter sido autorizada com o advento da Emenda Constitucional nº 20/98 é pouco relevante para as instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades continuam sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998. 8. Portanto, são frágeis os argumentos das instituições financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas contribuições sobre suas receitas financeiras, sem que antes seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação às suas atividades. 9. Com efeito, o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. 9.1. O Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) pode ser subdivido em dois grandes blocos. O primeiro é o próprio texto do Acordo contendo as regras e as obrigações aplicáveis a todos os Membros da OMC. O segundo é composto pelos anexos que tratam de problemas específicos de alguns setores. São eles: o anexo referente ao movimento de pessoas físicas fornecedoras de serviço, o anexo sobre os serviços de transportes aéreos e os de transportes marítimos, o anexo sobre serviços financeiros, e, finalmente, os anexos concernentes a telecomunicações. 9.2. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS (em anexo), em seu item 5, efetua as seguintes determinações: ‘5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.039 29 serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: (...) Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hipotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: • instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); • divisas; • produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; • instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; • valores mobiliários negociáveis; • outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 30 xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública; (...)’ 10. Assim, entendese que, sendo essas atividades caracterizadas como serviços, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ 12. Por todo o exposto, propõese o encaminhamento de consulta à PGFN para avaliação da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz da decisão do STF.” (grifouse) Instada a dar o seu parecer sobre a base de cálculo da Cofins a ser utilizada pelas instituições financeiras e assemelhadas, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, emitiu, em 13 de dezembro de 2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, nos seguintes termos: “61.O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica.A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.040 31 62.O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §Iº do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Constatando, pois, que o termo “faturamento” ou “receita bruta” que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde à receita operacional da pessoa jurídica, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade típica, tornase relevante, exatamente em sentido oposto ao defendido pela recorrente, as disposições contidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro NacionalCOSIF, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, que em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, Item 3, explicita que as rendas obtidas tanto com as operações ativas quanto com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais, consoante se demonstra a seguir: “3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais.” (grifouse) Consoante destacado no acórdão recorrido, bem como no recurso voluntário, no Cosif, as contas de receitas operacionais das instituições financeiras referentes à suas atividades típicas são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 32 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais Conforme bem destacou a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: “as receitas operacionais são aquelas desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica. No caso das instituições financeiras, as receitas operacionais são as receitas de serviços decorrentes das operações de intermediação financeira e de outros serviços bancários ou financeiros. No mesmo sentido, acrescentese que a legislação fiscal fixou, a exemplo dos artigos 40, 41 e 43, da Lei nº 4.506, de 1964, e art. 11, do Decretolei nº 1.598, de 1977, que o lucro operacional da pessoa jurídica é o resultado das atividades normais da empresa, ou seja, as que constituem seu objeto. Se assim é, o conceito operacional está vinculado ao conceito de atividade normal, típica da empresa, consoante estabelecida em seus estatutos. Portanto, a receita operacional, de onde se extrai o lucro operacional, decorre necessariamente das atividades típicas da empresa. Nesse sentido, os ingressos decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras constituem receitas operacionais, sujeitas à tributação da Cofins e do PIS. (...)(grifos meus). Desta forma, mesmo considerando o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e diante do que foi acima exposto, podese inferir que relativamente às instituições financeiras, as receitas vinculadas às operações ativas e à prestação de serviços, em conformidade com o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, são receitas operacionais decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins e, ao contrário do que alega a recorrente, devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição. No caso específico de instituição financeira o recebimento de receita, mesmo que denominada de receita financeira (por exemplo, recebimento de juros como remuneração de um empréstimo concedido, seja com recursos próprios ou não, a outra instituição financeira), sendo esta decorrente de sua atividade típica, constitui o próprio faturamento da empresa e compõe a base de cálculo do PIS e COFINS. Somente as receitas financeiras de natureza nãooperacional, posto que não decorrentes de suas atividades típicas, estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços. Em assim sendo, destacase ser inconsistente a limitação que pretende fazer o contribuinte no sentido de que o faturamento supõe a existência de um preço recebido no bojo Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.041 33 de uma relação contraprestacional e que, no caso da prestação de serviços, os ingressos devem consubstanciar “obrigação de fazer”. Sob outro ângulo também improcedem as alegações da recorrente. Vejamos: A recorrente ainda contesta a conclusão da decisão recorrida emitida com base na transcrição da Nota Técnica nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, quanto à natureza jurídica das receitas típicas das instituições financeiras, a qual segundo o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) constituem receitas de serviços financeiros, aduzindo que sendo o GATS um acordo celebrado com diversos países que têm história, experiência e tradições distintas, os termos utilizados o são numa amplitude que atenda a uma multiplicidade de experiências e que permita às partes chegarem a algum tipo de consenso, mas, limitamse ao âmbito do próprio acordo, como nele está expressamente dito. Relativamente à esta questão, a própria Nota Técnica nº 21, de 28 de agosto de 2006 efetua ressalva sobre a aplicação dos tratados internacionais, in verbis: 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ Desta forma, concluise correta a aplicação dos dispositivos do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), no sentido de que as atividades das instituições financeiras são caracterizadas como serviços e, conseqüentemente, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. A justificar o entendimento de que as atividades das instituições financeiras enquadramse como serviços, o acórdão recorrido faz menção à decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 2.5911/DF, a partir da qual o STF estabeleceu a aplicação do CDC às atividades das instituições financeiras, entendendo constitucional o §2º do art. 3º da Lei nº 8.078, de 1990, assentando que a atividade financeira constituise de serviços disponibilizados aos clientes. Aqui, a recorrente contesta alegando que “não se pode estender o conceito de serviços, utilizado pelo STF na ADIn n° 2.5911/DF, para o fim exclusivo de se reconhecer a aplicação do Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras em geral, para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento”. Não é de se concordar com tal entendimento, haja vista que inexiste conceito constitucional para o termo “faturamento”. A concepção conceitual desse termo foi construído ao longo dos tempos pela doutrina e jurisprudência. E, neste aspecto, embora não conste em seu recurso, convém tecer considerações acerca da notícia trazida em memorial apresentado pela contribuinte, sobre o advento da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, publicada no DOU de 12 de novembro de 2013, bem como do entendimento por ela proferido sobre a edição de referida norma, por ser fato superveniente à interposição de seu recurso voluntário. Entende a contribuinte que essa norma, não sendo norma interpretativa, ao alterar o art. 12 do Decretolei Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 34 nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ampliando o conceito de “receita bruta” para albergar as receitas das instituições financeiras alheias ao tradicional conceito de vendas de bens e serviços, demonstra que tais receitas financeiras só incluemse no faturamento a partir da mesma e que não poderiam sêlo antes, vez que ausente a norma. No entanto, sobre tal questão, cabe entender que a edição de referida medida provisória reflete o esforço da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB em tornar expresso o entendimento doutrinário e jurisprudencial já construído, visando assim atingir um de seus objetivos estratégicos, qual seja, “Reduzir litígios tributários e aduaneiros”, tal qual se dá nos presentes autos. DAS RECEITAS A SEREM CONSIDERADAS NA BASE DE CALCULO DO PIS – ALEGAÇÃO DE EQUÍVOCO NA BASE DE CÁLCULO ADOTADA NO DESPACHO DECISÓRIO EFETIVA COMPROVAÇÃO Neste sub item de recurso a contribuinte argúi que, em caso de se considerar que o termo faturamento equivale às receitas operacionais, nas receitas incluídas na base de cálculo pela fiscalização há verbas que extrapolam o próprio conceito de receita operacional, as quais devem ser excluídas. A título meramente exemplificativo, em sua manifestação de inconformidade aponta as seguintes contas e sub contas: 1) 7.1.9.99.009 Outras Rendas Operacionais, onde a sub conta 7.1.9.99.00.9.1.04 Variações Monetárias Ativas registra valores referentes a juros sobre depósitos judiciais (fiscais/trabalhistas) e correção de créditos de tributos a recuperar. Também haveria valores contabilizados nas sub contas 7.1.9.99.00.9.1.11 Rendas de Juros ao Capital Outras Empresas e 7.1.9.99.00.9.1.15 Rendas de Juros ao Capital Ligadas, que representam verbas que remuneram o investimento do acionista em uma sociedade anônima; e 2) 7.1.9.30.006 Recuperação de Encargos e Despesas. A DRJ teria mantido a incidência do PIS sobre referidas receitas por falta de provas das alegações aduzidas na manifestação de inconformidade, ou seja, falta de documentos suficientes à comprovação do efetivo recebimento de tais receitas, precluindo o direito à apresentação de quaisquer documentos posterior. Tal fundamento, entretanto, foi rebatido pela recorrente que alegou que “nos autos do presente processo estão todas as Planilhas demonstrativas das receitas auferidas pelo Recorrente nos anos de 2000 a 2005 (período abrangido pelo pedido de compensação), elaboradas nos termos da IN SRF 247/2002. Ou seja, os valores escriturados em cada uma das contas são, presumidamente verdadeiros, tendo em vista que tais planilhas tratamse de documento contábil oficial emitido pelo Recorrente, as quais foram utilizadas pela própria fiscalização para a análise das receitas auferidas pelo Recorrente e elaboração do Despacho Decisório, sendo que, em nenhum momento, a fiscalização contestou a natureza dos valores escriturados ou a própria escrituração das receitas ali realizadas”. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.042 35 E conclui: “o montante das receitas auferidas pela empresa, que extrapolam o conceito de faturamento adotado pela fiscalização, pode ser verificado de uma simples análise destes documentos”. Para melhor entendimento da questão, extraise trecho constante do relatório do Despacho Decisório n° 791 DRF/BHE: “Intimado a apresentar demonstrativos da base de cálculo do Pis e da Cofíns no período coberto por este processo, o contribuinte apresentou as planilhas constantes do processo 15504.001548/2010537, com base nas quais foram elaboradas as planilhas resumo das receitas não operacionais e que não compõem a base de cálculo do Pis e da apuração dos créditos do Pis. Verificase, pelas planilhas apresentadas, que a quase totalidade das receitas que compuseram inicialmente a base de cálculo do Pis devido pertencem a 5 rubricas, todas dentro do grupo Receitas Operacionais: Rendas de operações de créditos Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez Rendas de Títulos e Valores Mobiliários Rendas de Prestação de Serviços Outras Receitas Operacionais Em seu pleito, o contribuinte entende como devido apenas o Pis incidente sobre as Rendas de Prestação de Serviços. Seus créditos decorreriam da diferença entre os valores recolhidos com base na receita bruta total e os débitos apurados com base nas chamadas "Rendas de Prestação de Serviçosconta contábil 7.1.7.00.009. (...) Resumindo, para a PGFN, a base de cálculo da Cofins devida pelas instituições financeiras, segundo as decisões judiciais sobre a matéria e a jurisprudência do STF, é a receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as receitas não operacionais e as demais exclusões previstas na legislação de regência, vale dizer, as que constam dos parágrafos 2º , 4º, 6º e 8º do art. 3º da Lei 9.718/98, além daquelas admitidas para o PIS, nos termos do §5º desse mesmo artigo, combinado com o art. 1º e incisos da Lei n° 9.701/98. Portanto, são exigíveis os valores do Pis apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2º da LC 70/91, ou seja, ‘a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza’, permitidas as exclusões determinadas pela legislação não atingida pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98; conseqüentemente, estão extintos os valores devidos Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 36 com base na base de cálculo ampliada, no que excederem aos valores apurados nos termos supra. Isto posto, concluise que o contribuinte teria direito tão somente ao crédito relativo à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago incidente sobre as receitas totais, excluídas as receitas não operacionais, conforme quadro abaixo, elaborado com base nas informações do contribuinte "(grifos do original) Vêse que, de fato, a fiscalização não contestou a natureza dos valores escriturados ou a própria escrituração das receitas ali realizadas. Simplesmente, com base nas planilhas apresentadas pela contribuinte, apurou a base de cálculo do PIS excluindo da mesma unicamente as receitas não operacionais, haja vista o entendimento de que o “faturamento mensal”, tal como definido pelo art. 2º da LC 70/91, compreende “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, que equivale às receitas operacionais da instituição, oriundas do exercício das atividades empresariais, vinculadas aos seus objetivos sociais. Desta forma, se a contribuinte escriturou receitas como sendo operacionais, advindas de sua atividade típica, sem que fossem efetivamente, o ônus da prova em sentido contrário ao escriturado compete à quem alega, no caso, a contribuinte. Da análise das planilhas demonstrativas da base de cálculo do PIS e COFINS efetuadas com base nos livros Razão, cópias anexadas às efls 210 a 489, constatase a escrituração da subconta “RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS – conta COSIF 7.1.9.30.006”, bem como da subconta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS conta COSIF 7.1.9.99.009”, ambas inseridas na conta “OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS – conta COSIF 7.1.9.00.005”, sem maiores detalhes de sua composição. Como dito pela própria recorrente, as planilhas demonstrativas das receitas por ela auferidas nos anos de 2000 a 2005 (período abrangido pelo pedido de compensação), elaboradas nos termos da IN SRF 247/2002, tratamse de documento contábil oficial emitido pelo Recorrente e nesta condição demonstram o aferimento de receita operacional, base de cálculo do PIS. Para afastála precisa a recorrente comprovar o equívoco alegado. Entretanto, a recorrente apenas apresenta alegações desprovidas de provas, sob a alegação de impossibilidade física de se anexar aos autos as documentações comprobatórias de escrituração de valores que não correspondem à receita operacional em cada uma das contas, devido o seu volume. Rejeitando a preclusão prevista no art. 16, § 4o do Decreto n° 70.235, de 1972, sob o argumento de se mitigar um dos princípios mais caro ao processo administrativo, em suas palavras, que é o da verdade material, junta ao recurso (efls 654/676), apenas a título de exemplo, cópia do razão contábil relativo à subconta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de Juros sobre o Capital Próprio", dos anos de 2000 a 2005, que demonstram, segundo a mesma, o efetivo recebimento, pela Recorrente, dos juros sobre o capital próprio, que são verbas que remuneram o investimento do acionista em uma sociedade anônima e não podem ser confundidas com receitas decorrentes de operações bancárias em geral. Como não poderia deixar de ser, a contribuinte segue o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.043 37 Pois bem, como já se destacou anteriormente, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, Item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas quanto com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. E, nesta questão, corroboro com o entendimento proferido pelo o Acórdão recorrido no sentido de que: “a menos que se demonstre o contrário, todos os grupos contábeis classificados pelo Cosif como ‘receitas operacionais’ devem compor a base de cálculo do PIS, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções especificadas no Anexo I da IN SRF nº 247, de 2002, além da exclusão das receitas não operacionais.” Passase, então, à análise apenas das sub contas contestadas no recurso voluntário. DA SUB CONTA “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS conta COSIF 7.1.9.99.009” Relativamente aos títulos genéricos de receitas, tais como OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, o item 10 da Seção 17 do Capítulo 1 Normas Básicas do COSIF estabelece: “10 Em relação aos títulos genéricos de receitas e despesas, tais como OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS e OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, a instituição deve adotar subtítulos de uso interno para identificar a natureza dos lançamentos efetivados. (Circ 1273)” Conforme estabelece o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, a função da sub conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009” inserta na conta “7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais”, é registrar as rendas operacionais que constituam receita efetiva da instituição, no período, para cuja escrituração não exista conta específica, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados por contas de resultado de natureza devedora, decorrentes do registro da variação cambial incidente sobre operações passivas com cláusula de reajuste cambial, devendo a instituição manter o controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza. SUB CONTA 7.1.9.99.00.9.1.15 "RENDAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO", A recorrente, por meio do Razão dos anos de 2000 a 2005 anexado ao seu recurso voluntário às efls 654 A 676, demonstra que uma das sub contas que compõe a conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009” é a sub conta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de Juros sobre o Capital Próprio", explicando que a mesma demonstra o efetivo recebimento, pelo Recorrente, dos juros sobre o capital próprio, que são verbas que remuneram o investimento do acionista em uma sociedade anônima. Cabe ressaltar que, conforme o Estatuto da empresa (efls. 192/207), art. 2º: “Constitui objeto da Sociedade a realização de operações bancárias em geral, podendo, Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 38 inclusive, com as competentes autorizações previstas em Lei, operar em câmbio, em compra e venda de títulos públicos e participar de outras sociedades”. (grifos nossos). E ainda, como é sabido, a aferição de juros constitui receita que decorre da atividade típica das instituições financeiras e é exatamente por esta razão que a sua escrituração dáse em conta de resultado credora, a título de receitas operacionais, constituindose, no caso, base de cálculo do PIS, em conformidade com o já analisado anteriormente, posto que a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS não afastou a possibilidade de tributação de parcela sob comento. Portanto, a sub conta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de Juros sobre o Capital Próprio" representa receita decorrente de sua atividade típica, constante de seu objeto social, e, desta forma, é receita operacional, base de cálculo do PIS. Embora não mencionada no recurso voluntário, à sub conta 7.1.9.99.00.9.1.11 Rendas de Juros ao Capital Outras Empresas aplicase o acima exposto. SUB CONTA 7.1.9.99.00.9.1.04 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS Já, quanto à sub conta 7.1.9.99.00.9.1.04 Variações Monetárias Ativas, também inserida na sub conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009”, a recorrente afirma que nesta registra valores referentes a juros sobre depósitos judiciais (fiscais/trabalhistas) e correção de créditos de tributos a recuperar e aduz que a própria RFB, por meio da Solução de Consulta n° 14, de 23 de janeiro de 2012 (DISIT 8ªRF), já reconheceu que tais variações monetárias ativas não se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS por não se constituir em receita da atividade empresarial das seguradoras, equiparadas às instituições financeiras. De antemão, é preciso esclarecer que, consoante a disciplina estabelecida pelos artigos 48 a 51 do Decreto no 70.235, de 1972, os efeitos das soluções de consulta emanadas por esta RFB circunscrevemse aos consulentes, não havendo qualquer tipo de vinculação deste colegiado à decisões preferidas em Soluções de Consultas alheias à recorrente e ao fato específico ora sob análise. Não obstante, possa ou não ser procedente a sua argüição quanto ao mérito, o fato é que a recorrente apenas apresenta alegações sem provar quais as composições dessa sub conta. E, desta forma, tem razão o Acórdão recorrido quando assevera que “o dever de prova é tanto do agente fiscal (art. 9º do PAF), que fundamentou o Despacho Decisório em tela nos dispositivos legais nele contidos, baseandose nas bases de cálculo do PIS apresentadas pela própria empresa, assim como também é do manifestante (arts. 15 e 16 do PAF), que deve comprovar suas alegações com esclarecimentos e documentos hábeis.” Assim, estando tal sub conta escriturada no rol da sub conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009”, esta, por sua vez, inserta na conta “7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais”, tudo em conformidade com a determinação contida no o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, sem que a recorrente tenha conseguido comprovar as suas alegações de que ali se encontram inseridas receitas não decorrentes de sua atividade típica, devese manter o decidido no Acórdão 0237.201 , prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.044 39 DA SUB CONTA 7.1.9.30.006 RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS Sobre a alegação da recorrente no sentido de que a decisão do STJ Resp 1.011.725, citada no acórdão recorrido, apenas corrobora tese por ela defendida de que os serviços bancários remunerados por taxas e tarifas, são tributados pelo ISS, posto que compõem o faturamento, sendo tributado também pelo PIS, enquanto que as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora do conceito de faturamento, ou seja, não sofrem a incidência do tributo municipal e nem da referida contribuição social, cabe ressalvar que tal questão já foi acima abordada e fundamentada em sentido oposto, sendo desnecessária repetir a fundamentação neste sub item. Ademais, registrese, que o acórdão recorrido mencionou tal decisão como ilustração para demonstrar que tal sub conta caracterizase como receitas de prestação de serviços, submetendose à incidência do ISS. Tal sub conta pode, sim, constituirse em recebimento de valores integrantes da remuneração de seus serviços. Em função disto, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF determina a sua escrituração inserta na conta 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais. Portanto, a alegação genérica de que tal sub conta 7.1.9.30.006 Recuperação de Encargos e Despesas não registra valores que se referem à sua atividadefim, desprovida da devida prova, não tem o condão de afastar a previsão determinada pelo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF. A recorrente, em nenhum momento identificou exatamente a composição desta sub conta e assim não logrou comprovar suas alegações. Convém registrar que a fiscalização, quando da apuração da base de cálculo do PIS, por haver detectado, efetuou exclusões de valores atinentes à receitas que não se referiam às suas atividades típicas, conforme foi ressaltado no Acórdão ora recorrido, in verbis; “Registrese, por outro lado, pela análise dos demonstrativos de apuração da base de cálculo anexados às fls. 410/489, que já foram consideradas exclusões de valores contabilizados nas seguintes sub contas: 7.1.9.30.0061.40 RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS CSLL MAJOR. ALÍQ.1999 A 2002 MP1.807/99; 7.1.9.99.00.9.1.04 VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA DEPÓSITO JUDICIAL COFINS 1% CI 12; e 7.1.9.30.00.6.1.40 RECUP. ENCARGOS E DESPESAS OUTROS RESSARCIMENTOS PIS LEI 9.718/98 CI 4.” Para que houvesse novas exclusões, como argúi a recorrente, faziase necessário que esta comprovasse ainda haver receitas não decorrentes de sua atividade típica inseridas nas referidas sub contas, o que não logrou fazêlo. A recorrente ainda argúi a nulidade do lançamento em observância ao art. 146 do CTN, que visa vedar a aplicação retroativa de novo critério jurídico. Tal alegação constituise em equívoco da recorrente, posto que os autos não se refere à lançamento de ofício e sim à não reconhecimento integral da restituição requerida e de homologação parcial. Portanto, também neste sub item do recurso, não merece reforma o Acórdão 0237.201 , prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 40 Em resumo, a base de cálculo utilizada para o cálculo do PIS pago a maior, apurada por meio dos valores consignados nas planilhas conforme informações fornecidas pela contribuinte, está de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita não operacional, ou seja, o cálculo contemplou apenas a receita operacional bruta da empresa, assim entendida a decorrente do exercício de suas atividades empresariais típicas, em conformidade com a jurisprudência acima mencionada. DO PRECEDENTE DESTA TURMA Mediante o Acórdão nº 3302002.768, em julgamento de igual matéria referente à Instituição Financeira proferido na sessão do dia 12 de novembro de 2014, os membros desta Turma, por unanimidade de votos, acordaram em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, o Conselheiro Walber José da Silva, consoante ementa que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO. FATOS E FUNDAMENTOS. CONDIÇÃO. Na ação civil, regra geral, a lide se estabelece em relação aos fatos descritos e juridicamente fundamentados na petição inicial e o pedido está relacionado a esses fatos descritos (art. 282, III e IV, do CPC). PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Naquilo que foi objeto de recurso, a decisão de segundo grau substitui integralmente a decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei nº 9.718/98. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála.” (Grifos nossos). DO PRECEDENTE DA CSRF Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.045 41 Por oportuno, trazse à lume, recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – o qual negou provimento a recurso especial do contribuinte no Acórdão nº 9303002.934, processo 10675.720829/201023, julgado em 04/06/2014, cuja ementa transcrevese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o §1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado.” DA DILIGÊNCIA REALIZADA Tendo por base a análise acima efetuada, convém ressaltar que, para fins de incidência do PIS/Cofins, com base nas decisões emitidas pelo o Supremo Tribunal Federal, o que importa é saber a origem das receitas, se receitas derivadas da exploração de sua atividade fim (operações típicas), previstas em seus objetos sociais, ditas como receitas operacionais, ou se decorrentes de receitas não operacionais. A origem dos recursos (se próprios ou captados de terceiros) aplicados pela Instituição Financeira em suas atividades operacionais (atividades empresariais típicas) não interfere na tributação a título de PIS e COFINS incidentes sobre as suas receitas operacionais daí decorrentes. Para melhor esclarecimento, exemplificase: os juros auferidos pela Instituição financeira como remuneração de atividade operacional de empréstimos a clientes, por decorrerem de sua atividade típica, são tributáveis por caracterizar receita operacional, independentemente do fato de os recursos emprestados serem recursos próprios da instituição ou captados de terceiros. Em sendo assim, desnecessário efetuar a segregação de receitas operacionais da contribuinte que seriam decorrentes de aplicação de recursos próprios ou de recursos de terceiros. DO DIREITO À RECUPERAÇÃO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS SOBRE O CRÉDITO DE PIS Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 42 A recorrente repete a arguição de que, caso sejam mantidas as glosas no crédito do PIS develhe ser assegurado o direito de efetuar a recomposição da apuração do IRPJ e CSLL do ano base de 2005, bem como o consequente direito de recuperar os valores pagos a maior desses tributos, devidamente atualizados, e/ou recompor eventual prejuízo fiscal, a partir do preenchimento DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente, posto que o crédito em questão foi considerado como acréscimo patrimonial/lucro e tributado como tal. E, em face de a decisão recorrida não ter efetuado análise dessa questão, sob o argumento de se constituir matéria estranha à lide, a recorrente aduz que não terá condições de retificar a DIPJ por já ter transcorrido mais de cinco anos da sua efetiva entrega e que o não reconhecimento do seu pleito implica em enriquecimento ilícito da União Federal. Não merece reforma o acórdão recorrido, posto que, de fato, no presente processo, o litígio referese à composição da base de cálculo do PIS e do conseqüente direito à restituição do valor do PIS pago a maior e da compensação de PIS pleiteada por meio das declarações de compensação apresentadas e, portanto, o seu pleito foge à matéria ora sob litígio. Transitada em julgado a decisão administrativa proferida nestes autos, a análise do efetivo reflexo dessa decisão na apuração do IRPJ e CSLL, do ano base de 2005, deverá ser objeto de procedimento próprio a ser adotado pela contribuinte e sob a sua responsabilidade, tudo de acordo com legislação de regência desses tributos, a partir do qual a administração analisará o mérito e, inclusive, a perda ou não de seu direito. CONCLUSÃO Creio que as considerações feitas acima são elucidativas o bastante para concluir pela procedência do decidido no acórdão recorrido, no qual os fundamentos utilizados foram extensivos, claros, e, por corroborar com os mesmos, adotoos e ratificoos, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, concluise que o acórdão recorrido em nada merece ser alterado. Tendo em conta a análise e fundamentos efetuados acima, bem como os fundamentos proferidos no voto do acórdão recorrido, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de ofensa pelo acórdão recorrido à coisa julgada e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.046 43 Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10283.902812/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2005
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO.
Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendose reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 12 /2 00 9- 62 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação ao fato gerador ocorrido em 31/05/2005. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 7), pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A notificação aconteceu em 06/04/2009 (fl. 10). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/17) sustentando, em síntese, que depois de ter apresentado a DCTForiginal é que veio a verificar a existência de equívoco na apuração do tributo devido, quando, então, solicitou a restituição e compensação, alem de que, teria posteriormente retificado a DCTF. Alega, também, que a existência do indébito decorre da verdade material, a qual estaria retratada nas informações contidas no Dacon. Com a impugnação o contribuinte apresentou cópia da DCTForiginal (fls. 20/40), na qual consta a confissão de PIS no valor de R$ 40.619,50 (fl. 37), e da DCTF retificadora (fls. 41/61), transmitida em 23/04/2009, na qual consta a confissão da PIS e valor de R$ 27.607,51 (fl. 58). Também apresenta cópia do DACONoriginal, apresentado em 06/02/2006 (fls. 91/112), no qual consta a apuração da Cofins para o período de julho de 2005. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0118.286, de 1 de julho de 2010 (fls. 123/126), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 567DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902812/200962 Acórdão n.º 3403003.568 S3C4T3 Fl. 567 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 128/139) sustentando a nulidade do acórdão recorrido por falta de motivação sobre as provas produzidas, visto que acostou aos autos o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), por meio do qual se demonstra o patente equívoco do recolhimento que realizou, além de que, a DCTF retificadora apresentadas nos autos teria sido ignorada. Reiterou que o voto condutor do acórdão da DRJ faz parecer que não teria trazido qualquer outro documento além da DCTFretificadora, quando apresentou o DACON, que constituiria documento fiscal hábil e idôneo para demonstrar a apuração das contribuições do período. Este Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.202, de 2 de junho de 2011 (fls. 167/171), concluiu “pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem verifique se a contabilidade do contribuinte confirma as informações declaradas na DACON, confirmando o montante da contribuição apurada nesta Declaração ou, se o caso, indicando qual o valor efetivamente devido e o valor da diferença eventualmente recolhida a maior”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM (DRF) apresentou o resultado da diligência por meio de Informação Fiscal (fls. 549/551), descrevendo a seguinte constatação: 1. Visando elucidar os questionamentos determinados na Resolução no3403000.202 da 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, do CARF, emitimos o Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/MNS No00230/2013, cujos documentos em resposta encontramse integrados de forma inseparável ao presente eProcesso. 2. Anexamos ao presente eProcesso a DCTF no 1000.000.2009.1830303011. 3. Anexamos ao presente eProcesso a DACON no 0000100200600056615. 4. De posse dessas informações foi elaborada Planilha com o demonstrativo denominado “SONOPRESS – RESUMO DE APURAÇÃO” onde procuramos explicitar de forma cabal os valores de Tributos devidos e indevidos e que são o objetivo da presente Diligencia Fiscal. Tudo anexado de forma inseparável ao presente eProcesso. CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, e tendo em vista toda a documentação anexada ao presente Processo Administrativo Fiscal, nada mais tendo a cumprir no âmbito deste SEORT/DRF/MNS. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Intimado do resultado da diligência, o contribuinte manifestou sua aquiescência com a diligência, destacando que confirmou a existência da diferença recolhida a maior no período (fls. 558/561). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado no dia 10/09/2010 (fl 128), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu no dia 11/08/2010 (fl. 127). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma contra o entendimento do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. O resultado da diligência fiscal determinada por este Conselho, e promovida pela Delegacia de origem, demonstrou que a contabilidade confirma os dados declarados no DACON, certificando a correção da apuração da contribuição nele apresentada e, assim, concluindo pela existência de recolhimento indevido, cujo valor corresponde exatamente àquele indicado pelo contribuinte como crédito na DCOMP. Confirmada a existência do indébito pela diligência fiscal, apenas cumpre a este Conselho ratificar tais constatações e conclusão. Voto pelo provimento do recurso para reconhecer o direito de indébito e homologar a compensação conforme os valores apurados na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902812/200962 Acórdão n.º 3403003.568 S3C4T3 Fl. 568 5 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10855.722655/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA.
CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO. Sujeita-se à multa isolada de 75% quem declara compensação com crédito de natureza não tributária.
Numero da decisão: 1101-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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MULTA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO. Sujeitase à multa isolada de 75% quem declara compensação com crédito de natureza não tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 26 55 /2 01 3- 68 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ITABNA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 21/08/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 15.125.559,50. Consta a seguinte descrição dos fatos no auto de infração (fl. 5): 0001 DEMAIS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA Por meio do processo 10166.003743/200949, protocolizado em 13/04/2009, o contribuinte pretendeu compensar diversos débitos vencidos de valor total R$ 20.167.412,67, que discrimina em formulário de Declaração de Compensação com crédito que detalha em outro processo, 10166.003742/200902, protocolizado na mesma data. Tal alegado crédito é proveniente de debêntures da VALE, a que o contribuinte atribui o valor de R$ 42.000.285,60 à época da protocolização do Pedido de Restituição objeto do processo. A compensação foi considerada NÃO DECLARADA por meio do Parecer Seort/DRF/BRE nº 222/2009, com base no disposto na alínea "e" do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). O contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, em 13/07/2009. O contribuinte apresentou recurso hierárquico em 22/07/2009, que foi encaminhado à DISIT da 8ª Região Fiscal que, por meio do Despacho Decisório nº 243 SRF08/Disit manteve a decisão da DRF Barueri. O contribuinte foi cientificado da decisão sobre o recurso por meio de Edital, em 05/09/2012. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabelece em seu art. 18, parágrafo 4º, que será exigida multa isolada sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Este percentual é de 75%. A IN RFB nº 1.300/2012, no parágrafo 8º do seu art. 46, determina que o lançamento da multa será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. O mesmo dispunha a IN RFB nº 900/08, vigente à época em que o contribuinte protocolizou as Declarações de Compensação (parágrafo 8º do art. 39). Lavrase este Auto de Infração para atender o citado comando legal, aplicandose a multa de 75% sobre os valores dos débitos discriminados pelo contribuinte no processo 10166.003743/200949, cuja compensação foi considerada não declarada. Fato Gerador Multa 13/04/2009 15.125.559,50 Enquadramento Legal Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 4 3 Fatos geradores ocorridos entre 13/04/2009 e 13/04/2009: Art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.051/04, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 Art.44, caput e inciso I da Lei nº 9.430/96. com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 Art. 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 11.051/04, com alterações dadas pela Medida Provisória nº 449/08 Impugnando a exigência, a contribuinte alegou que a penalidade é desproporcional e confiscatória, discorreu sobre as características das debêntures compensadas e observou que a União Federal é acionista da Vale S/A, reportouse a princípios constitucionais e pleiteou a redução da multa para o percentual de 50%. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/04/2009 IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA VEDADA. UTILIZAÇÃO DE DEBÊNTURES. Cabível a aplicação e exigência de multa isolada sobre o valor do débito tributário objeto de compensação indevida, considerada “não declarada” por utilização de direito creditório não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/04/2014 (fl. 66), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/04/2014 (fls. 68/83), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Correlaciona a exigência com a compensação de débitos realizada pela ora Recorrente no montante de R$ 20.167.412,67 (vinte milhões, cento e sessenta e sete mil, quatrocentos e doze reais e sessenta e sete centavos) com créditos proveniente de 128.206 (cento e vinte e oito mil e duzentos e seis) debêntures da VALE, tipo CVRDA6, emitidas em julho de 1997, com valor total de R$ 42.000.285,60 (quarenta e dois milhões, duzentos e oitenta e cinco reais e sessenta centavos), e assevera que apesar dos fundamentos e da farta jurisprudência apresentada sobre a ilegalidade da aplicação da multa isolada em casos análogos aos trazidos, o lançamento em testilha foi mantido pela pueril alegação de que “a compensação foi considerada não declarada porque o crédito não se referia a tributos ou contribuições administradas pela Secretaria da Fazenda Federal.” (...) “Logo, o lançamento da multa Isolda está correto.” Afirma correta a compensação promovida, pois as debêntures consistem em títulos extrajudiciais, nos termos do art. 585, I, do Código de Processo Civil, sendo considerada, portanto, no ordenamento jurídico como títulos de crédito. Cita o art. 72 da Lei nº 6.404/76, aduz que as debêntures de sua titularidade possuem as características ali descritas, e assim confere a seus acionistas, inclusive à União Federal, a participação em benefícios futuros, auferidos pela Vale, a partir de recursos minerais não valorados para fins de fixação do preço mínimo da Vale, objeto do leilão de privatização. Complementa que: A Recorrente adquiriu debêntures auferidas pela Companhia Vale do Rio Doce, pessoa jurídica de capital misto, ou seja, em razão disto a União Federal é acionista da referida empresa e, consequentemente, tais títulos de crédito por ela auferidos possuem legitimidade para serem utilizados na compensação de débitos com a União Federal. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 5 4 As debêntures foram atribuídas aos acionistas da companhia em pagamento do valor de resgate das ações preferenciais classe B emitidas, em bonificação, na proporção de 01 (uma) ação detida pelos detentores de ações ordinárias e preferenciais classe "A" àquela época. Assim as debêntures, nos termos do artigo 72, da Lei n° 6 .404/76, equivalem a títulos de crédito mesmo quando emitidas com vencimento indeterminado, e, por serem dotados de cotação em bolsa de valores, não podem ser tomados como bens de difícil alienação, principalmente, quando emitidas por empresa, de sociedade mista, como é o caso da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Frisese, ainda, que as referidas debêntures encontramse custodiadas no Banco Bradesco S/A e esta instituição bancária pode proceder a sua transferência mediante emissão de uma ordem de transferência de ativos escriturais, conferindo segurança no negócio jurídico, como garantia de qualquer execução, mesmo para compensação de débitos com os tributos administrados pela Receita Federal. Conclui que, sendo a Companhia Vale do Rio Doce uma empresa de economia mista, a recorrente é credora da União Federal e a compensação promovida tem amparo no Código de Processo Civil e na legislação especial citada, sendo totalmente indevida a não consideração da compensação e consequentemente a imposição da multa isolada. Acrescenta que observou o procedimento de compensação previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, inicialmente pleiteando restituição do crédito e posteriormente apresentando pedidos de compensação com os créditos de natureza federal. Compara tais créditos com precatórios devidos pelo Estado, e defende que para não haver confusão entre a reciprocidade entre credores e devedores, a legislação nacional autoriza uma espécie de encontro de contar contas que, em suma, se traduz numa compensação, citando o art. 30 da Lei nº 12.431/2011, os arts. 347 e 349 do Código Civil e o art. 108 do CTN, em que pese as alterações decorrentes da Emenda Constitucional nº 62/2009. Reportase ao art. 100, §11 da Constituição Federal para afirmar que os precatórios, aos quais equipara outros direitos creditórios, são reconhecidos como ordem de pagamento em dinheiro, apto a liquidar obrigações fiscais, dado o seu poder liberatório. Novamente invoca o art. 108, inciso I do CTN. Assim, como há autorização legal para o uso de créditos de precatórios em compensações, não há motivo para não ser admitida a compensação em comento. De toda sorte, a penalidade aplicada seria ilegal, porque abusiva ao ser mensurada em 75% do débito declarado, desrespeitando os limites da proporcionalidade e da razoabilidade em face da atitude lesiva que se pretende punir. Discorre sobre os princípios referidos e assevera que como o pedido não foi aceito pelo Fisco, resta claro que não houve prejuízos aos cofres públicos, cabendo mera sanção corretiva. Acrescenta que a não homologação das compensações declaradas já enseja a cobrança dos débitos não compensados com acréscimo de multa de mora de 20% e juros SELIC, fato este que já é suficiente para penalizar a eventual ilegitimidade ou insuficiência do crédito utilizado. Argumenta que a inequívoca desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica a multa , evidencia o caráter confiscatório da punição, invocando a vedação constitucional deste sentido, vez que a penalidade tributária tem a finalidade de corrigir, e não de destruir. Enfatiza que a multa supera R$ 15 milhões e causará graves dados à recorrente que sequer se encontra em atividade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 6 5 Acrescenta que tais penalidades estão sendo aplicadas de forma automática, por força do §3º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, sem o prévio procedimento destinado a apontar a matéria tributável, identificar o correto sujeito passivo, apurar o montante devido e aplicar a correta penalidade. Afirma que assim ocorreu no presente caso, observa que a investigação fiscal deveria ter sido iniciada mediante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, e aponta ofensa ao art. 142 do CTN. Arremata que: Partindose da verdadeira premissa de que a aplicação indistinta e genérica da multa instituída pela Lei nº 12.249/10 é absolutamente abusiva e inconstitucional, o contribuinte responsável pela transmissão de declaração de compensação não homologada somente poderá suportar qualquer sanção caso seja constatada, após a instauração e desenvolvimento adequado do procedimento fiscalização, a existência máfé ou dolo em tal conduta, objetivando a postergação do adimplemento do débito compensado, o que não ocorreu no presente caso, caracterizando ofensa ao artigo 142 do Diploma Tributário. Pede, assim, o acolhimento do recurso voluntário, vez que suficientemente demonstrado o direito creditório pleiteado, ou alternativamente o afastamento da multa aplicada. Subsidiariamente requer ao menos a redução da multa aplicada, de forma a retroagir a multa isolada constante no artigo 62 da Lei 12.249/2010 para o presente caso, nos termos do artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argumenta discorre sobre o direito creditório utilizado nas compensações em referência, critica a decisão recorrida que manteve a multa aplicada apenas em razão de o crédito não se referir a tributos administrados pela Receita Federal, e invoca dispositivos da legislação processual civil, societária e civil (embora ressalvando as alterações da Emenda Constitucional nº 62/2009) para afirmar seu direito de crédito contra a União Federal, passível de utilização em compensação com tributos federais. Ocorre que os créditos de natureza não tributária nunca foram passíveis de compensação com tributos e contribuições. Tal modalidade de extinção de crédito tributário somente poderia ser autorizada por lei, e nos exatos limites fixados pelo Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste contexto, a Lei nº 8.383/91, posteriormente alterada pela Lei nº 9.065/95, apenas autorizou a compensação entre débitos e créditos de mesma natureza, ou seja: débitos tributários com créditos tributários e débitos de receitas patrimoniais com créditos de receitas patrimoniais. Ainda, a referida Lei determinou que os débitos e créditos tributários deveriam corresponder à mesma espécie de tributo ou contribuição, na medida em que a compensação era feita sem pedido, e somente com esta limitação não haveria reflexos na repartição de receitas tributárias: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Com a Lei nº 9.430/96, somente foi acrescida a permissão de compensação entre tributos de espécies diferentes. Os créditos continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento, e sempre referentes a um tributo ou contribuição, na forma do inciso I do art. 73 daquela lei, ao qual se reporta o art. 74, alegado pelo impugnante: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 8 7 Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. E, mais uma vez, com a alteração do art. 74 da Lei nº 9.430/96 em 2002, nenhum acréscimo se fez quanto à possibilidade de compensação de créditos de natureza não tributária. Ao contrário, sua utilização permaneceu não autorizada, mas agora por expressa vedação, a partir do momento em que a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, por ocasião de sua declaração à SRF, nos termos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Demais disso, a conduta aqui punida foi praticada muito tempo depois de editada a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que não só reiterou a impossibilidade de compensação de créditos que não tivessem natureza tributária, ou que fossem de terceiros, como também fixou penalidade para a inobservância desta regra: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 9 8 unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se vê, o caput originalmente previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida em razão de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que para as hipóteses de evidente intuito de fraude a referida lei assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Já com a Lei nº 11.051/2004, a estipulação da penalidade passou a estar assim redigida: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 10 9 A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento imposto às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros ou de natureza não tributária: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Naqueles termos, a multa isolada para a hipótese de nãodeclaração de compensação com crédito de natureza não tributária (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “e” da Lei nº 9.430/96) passou a ser a mesma aplicável aos casos de não homologação com evidente intuito de fraude (art. 18, caput da Lei nº 10.833/2003). Para além disso, a inovação legislativa operou efeitos significativos no campo da exigibilidade dos débitos compensados, a qual, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de nãodeclaração, e não mais de nãohomologação. Mais à frente, a Lei nº 11.196/2005 deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ ............................................................................................................. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 11 10 [...] Referida alteração esclareceu que a multa isolada por compensação não declarada somente se sujeitaria a multa qualificada se caracterizado o evidente intuito de fraude, e adotou outra forma de redação: ao invés de tomar por empréstimo os percentuais aplicáveis à penalidade prevista para os casos de nãohomologação de compensação com evidente intuito de fraude, prevista no § 2o do art. 18, trouxe a indicação, no próprio inciso II do § 4o do percentual aplicável. Além disso, no inciso I do §4º, passou a cogitar de casos de nãodeclaração de compensação sujeitos a multa sem qualificação. A infração em tela foi cometida em 13/04/2009, quando o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já sofrera outra alteração, decorrente da nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, então, passou a ter a seguinte redação, vigente até hoje: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há dúvida, portanto, que a não declaração da compensação, fundamentada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é motivo suficiente para a aplicação da multa isolada minimamente no percentual de 75%. Somente o cancelamento da DCOMP, promovido espontaneamente pelo sujeito passivo antes de qualquer intimação fiscal, poderia impedir a aplicação da penalidade, pois em regra este procedimento desfaz a extinção do débito compensado e permite sua cobrança por parte do Fisco, caso ele esteja, por outro meio, declarado. Outras condutas do sujeito passivo, ainda que tendentes à extinção definitiva dos débitos irregularmente compensados, não produzem o mesmo efeito, pois enquanto a DCOMP estiver ativa, os débitos estarão extintos por compensação, e a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 12 11 segunda extinção do mesmo débito poderia, a qualquer momento, ser arguida como indevida, inclusive com pedido de repetição dos valores eventualmente pagos. Nestes termos, a penalidade aqui aplicada decorre, justamente, da contribuinte ter observado o procedimento de compensação previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 em circunstâncias ali expressamente vedadas. Irrelevante, assim, se houve pedido prévio de restituição, porque a compensação que o seguiu espraiou seus efeitos extintivos sobre os débitos compensados, caracterizando a infração aqui punida. Por fim, em nada socorre a interessada a comparação do crédito utilizado com aqueles decorrentes de precatórios devidos pelo Estado, porque estes também não têm natureza tributária, e eventual encontro de contas com os tributos devidos à União somente poderia ser cogitada por meio de dação em pagamento, e nunca por meio de DCOMP. Ademais, inaplicável o art. 108 do CTN se há legislação específica regendo a compensação, como forma de extinção do crédito tributário, no âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal. A recorrente ainda argumenta que a penalidade aplicada seria ilegal, porque abusiva ao ser mensurada em 75% do débito declarado, desrespeitando os limites da proporcionalidade e da razoabilidade em face da atitude lesiva que se pretende punir. Cogita do cabimento, apenas, de mera sanção corretiva e observa que a não homologação das compensações declaradas já enseja a cobrança dos débitos não compensados com acréscimo de multa de mora de 20% e juros SELIC, fato este que já é suficiente para penalizar a eventual ilegitimidade ou insuficiência do crédito utilizado. Cumpre esclarecer, apenas, que a penalidade aqui exigida não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. A falta de recolhimento dos débitos compensados sujeitase a multa de mora se eles estiverem declarados, ou à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma outra infração a ser punida com multa isolada, independentemente das providências adotadas para satisfação da obrigação tributária principal. Esta distinção fica evidente, desde a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determinou duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 13 12 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve promover: a cobrança dos débitos indevidamente compensados e o lançamento de ofício de multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurado, dentre outras hipóteses, que o crédito utilizado não era passível de compensação por expressa disposição legal, ou se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é incompatível com a aplicação de multa isolada, pois esta não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, em lançamento de ofício, se ele não estivesse declarado. Tratase, sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas. De fato, não é possível cogitar que um mesmo débito sofra a aplicação de multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora, como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Negase provimento ao agravo regimental, em face das razões que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há configuração de denúncia espontânea quando o contribuinte declara e recolhe com atraso o seu débito perante a Administração Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. SÚMULA 168/STJ. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 14 13 [...] 2. Deveras, pacificouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de "não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340 – MG, Rel. Min. Luiz Fux) Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de recolhimento do tributo declarado, infração que mereça penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que autorizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Vejase que é admissível, inclusive, a aplicação da multa de ofício isolada sobre valor representativo de multa de mora, nos casos em que a compensação, mediante DCOMP, se faça com débito em atraso, dado que a multa por compensação indevida tem por base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado de ofício for objeto de compensação, e reste caracterizado o abuso de forma ou a fraude na apresentação da DCOMP. A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 15 14 tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Logo, a exigência da multa isolada por compensação indevida é compatível com a exigência de multa (moratória ou de ofício) sobre os débitos indevidamente compensados. E, quanto ao caráter confiscatório da multa, importa apenas reiterar que a lei estipula o percentual aplicado, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Esclareçase, também, que não houve qualquer aplicação "automática" da penalidade, e ainda que a autoridade lançadora assim tivesse procedido, o fato é que a infração, a data de sua ocorrência e a base de cálculo da penalidade (valores dos débitos discriminados pelo contribuinte no processo 10166.003743/200949), assim como seu percentual, estão claramente expostos no Auto de Infração de fls. 02/09. Ademais, está pacificado neste Conselho que: Súmula CARF nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Imprópria, assim, a pretensão da recorrente de invalidar o lançamento por ausência de MPF prévio e ofensa ao art. 142 do CTN. Por fim, registrese a inadequação das referências à Lei nº 12.249/2010, que não se prestou como fundamento da exigência, dado que por meio dela foi instituída outra multa isolada, prevista nos §§ 15 a 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e destinada a punir pedidos de ressarcimento que venham a ser indeferidos, ou compensações não homologadas, ainda que sem evidências de falsidade. O caso presente é de compensação com crédito de natureza não tributária, sujeita a não declaração e a penalidade prevista no art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, inexistindo qualquer possibilidade de aplicação de retroatividade benigna, porque diferentes as infrações previstas nas referidas normas sancionatórias. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 16 15 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10950.004970/2002-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA
SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS.
A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementá-lo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio
constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte
em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79).
Recurso voluntário parcialmente provido.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20.
EXCLUSÕES LEGAIS. ESTOQUE.
No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.596
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO Recorrente VALE DO IVAÍ S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000 APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementálo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 49 70 /2 00 2- 79 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 830 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79). Recurso voluntário parcialmente provido. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20. EXCLUSÕES LEGAIS. ESTOQUE. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 831 3 Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão Preto: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n2 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente aos 2% 3° e 4° trimestres do ano de 2000, solicitado no valor de R$ 385.444,36. A DRF de origem deferiu parcialmente o pedido, no montante de R$ 61.685,28, pelas razões a seguir dispostas: 1. Não consideração das devoluções de compras (nas aquisições) no montante do estoque (insuetos) considerado e, por conseguinte, no cálculo do crédito presumido; e pelo fato de parte do montante usado como estoque de matérias primas serem aquisições que não dão direito ao crédito presumido de IPI, por serem aquisições de pessoa física ou não se enquadrarem no conceito de insumos ou por serem produtos NT: a. aquisições de matériaprima — cana de açúcar não onerada pelas contribuições para o PIS e Cofins, de pessoas físicas e cooperativas que, de acordo com o art. 2 0 da Instrução Normativa SRF n. 23, de 13 de março de 1997, não geram direito ao crédito presumido de IPI (R$ 10.684.312,22); b. aquisições de combustíveis (lenha), energia elétrica, insumos agrícolas, mudas de cana, lubrificantes, partes integrantes do ativo imobilizado (rolamentos, retentores, parafusos, arruelas, correias, etc), peças para manutenção de veículos (automóveis, caminhões, tratores), materiais de segurança e proteção (botas, capacetes, luvas, uniformes, etc), materiais de conservação e reparo (areia, cimento, tijolos), materiais de informática e de higiene que, de acordo com o Parecer Normativo CST n. 65, de 31 de outubro de 1979 não geram direito a crédito presumido de IPI, por não caracterizarem matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem (R$ 2.926.999,38). 2. Exclusão da base de cálculo o valor dos insumos utilizados nos produtos acabados e não vendidos (R$ 1.690.929,53). Este valor consta na memória de cálculo da DCP apresentada pelo contribuinte; Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o deferimento integral do crédito, referente ao pedido de ressarcimento, e a correção monetária deste valor, por meio da Selic, alegando que as exclusões feitas pela fiscalização não têm previsão legal, sendo ilegítima qualquer exclusão com base em normas de hierarquia inferior, conforme resumo das alegações a seguir: 1. As Instruções Normativas 23, de 1997, e 103, de 30 de dezembro de 1997, teriam inovado indevidamente quando estabeleceram que o crédito presumido de IPI seria calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de Pessoas Jurídicas sujeitas às contribuições para a Cofins e o Fl. 831DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 832 4 PIS, pois a Lei 9.363, de 1996, não havia determinado esta restrição. Neste sentido, a contribuinte cita jurisprudência administrativa. 2. É correta a apuração do crédito presumido relativo a aquisição de itens como rolamentos, lubrificantes, uniformes, materiais e equipamentos de proteção e lenha (denominados de produtos intermediários), por estarem sendo utilizados no processo industrial e, conforme apresentado a seguir, estariam de acordo com o disposto na Lei 9.363, de 1996, conforme laudo pericial anexo ao presente que demonstram todas as fases da produção de açúcar e álcool; 3. Os materiais de manutenção e reposição industriais aplicados no processo produtivo, desde que não representem aumento de vida útil para o bem, podem ser considerados MP ou PI, de acordo com o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes; 4. A empresa além de produção de açúcar e álcool possui também atividade econômica de "importação e/ou compra no mercado interno de sementes, adubos, fertilizantes, insumos agrícolas e derivados, para revenda e comercialização a terceiros. As vendas destes produtos foram feitas a preço reduzido para beneficiar seus fornecedores de modo a incentiválos e a dar continuidade e preferência na venda de sua produção à própria empresa. Sendo assim, os valores destas vendas integram a receita de exportação para o cálculo do crédito presumido de IPI, que fora vedada somente com a IN 313, de 2003. Os mesmos argumentos foram utilizados para as vendas de mudas de cana de açúcar, energia elétrica, óleo diesel e peças; 5. A empresa reconhece que os produtos descritos como material de conservação e reparos, materiais de expediente, material de higiene, não dão direito ao crédito presumido de IPI, motivo pelo qual pede sua exclusão; 6. O beneficio é dirigido a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O produto industrializado é uma mercadoria. Se o legislador quisesse contemplar apenas produtos industrializados teria usado, ao invés de "mercadorias", "produtos industrializados". Usando a palavra mercadorias devese abranger toda sorte de mercadorias, mesmo àquelas que não são produtos industrializados ou produtos NT. 7. A empresa já havia excluído os insumos utilizados na produção de produtos acabados em estoque e a Receita Federal não pode excluílos novamente. Concluiu, alegando ser devida a atualização monetária dos créditos presumidos ora pleiteados para evitar o enriquecimento sem causa do Estado, juntando jurisprudência judicial e administrativa. É o relatório A ementa do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 833 5 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. EXCLUSÕES LEGAIS. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Crédito presumido de IPI. SELIC Em relação ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, reproduzo meu voto no acórdão 3202000.471 que sintetiza meu entendimento, inclusive em relação à correção monetária pela SELIC: ... Instruções Normativas não são instrumentos normativos hábeis a inovar ou modificar o texto legal ao qual estão adstritos, mas apenas complementá lo, sem promover alteração no seu conteúdo e alcance. Ora, se a própria lei que instituiu o crédito presumido de IPI, Lei n. 9.363/1996, não excluiu da base de cálculo as aquisições de fornecedores que não são contribuintes de PIS e COFINS, não pode a Instrução Normativa fazer tal restrição. Na mesma linha caminha o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que apreciou o assunto em sede de recurso representativo da controvérsia. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 834 6 Vejamos o trecho da ementa do Ministro Luiz Fux, no julgamento do Recurso Especial n. 993.164 – MG, em 13/12/2010: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos Fl. 834DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 835 7 oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (grifamos) Vejamos, ademais, outros precedentes do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTARIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇAO AO ART. 535 DO CPC. NAOOCORRENCIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 836 8 LEI N.º 9.363/96. INSTRUÇAO NORMATIVA SRF N.º 23/97. ILEGALIDADE. 1. O incentivo cognominado crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n.º 9.363/96, revela como ratio essendi, desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. 2. Conseqüentemente, o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do crédito presumido. 3. Deveras, este ressarcimento, que por ser presumido e estimado na forma da lei, referese às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação.” (STJ, REsp 767617 / CE, Relator Ministro Luiz Fux, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 12/12/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE. 1. O crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual "o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS". Precedente: RESP 586.392/RN, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 06.12.2004. 2. Recurso especial a que se nega provimento.” (STJ, REsp 617733/CE, Relator Teorio Albino Zavascki, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 03/08/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. INCLUSAO NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96. PRECEDENTES. 1. "De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 2. "Mesmo quando as matériasprimas ou insumos forem comprados de quem não é obrigado a pagar as contribuições sociais para o PIS/PASEP, as empresas exportadoras devem obter o creditamento do IPI" (REsp nº 763521/PI, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 07/11/2005) 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É Fl. 836DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 837 9 uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas desta Corte. 5. Recurso nãoprovido.” (STJ, REsp 813280/SC, Relator Ministro José Delgado, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 06/04/2006) (grifamos). Ainda na mesma direção foi o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho de Contribuintes: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME, referidos no art. 1° da Lei n° 9.363/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art.2° da Lei n° 9.363/96). A lei mencionada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As IN SRF n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363/96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN SRF n° 23/97) não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante lei, pois as instruções normativas são normas complementares (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto das normas que complementam. Na verdade, o crédito presumido de IPI na exportação utiliza o princípio da praticibilidade, que usa a presunção como o meio mais simples e viável de se atingir o objetivo da lei, dando à administração o alívio do fardo da investigação exaustiva de cada caso isolado, dispensandoo da coleta de provas de difícil, ou até impossível, configuração. A apuração por presunção utiliza um cálculo padronizante, que abstrai o individual, o específico, o único, em favor do geral, criase uma abstração generalizante, imposta, ex dispositionis legis, ao contribuinte, desprezandose os desvios individuais.” (CSRF, Acórdão n. 0201.707, Relator Manoel Antonio Gadelha Dias, Sessão de 11.05.2004) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (CSRF, Acórdão Fl. 837DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 838 10 n. 0201.653, Relator Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 10/05/2004) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Pelo exposto, além de entender que a Recorrente tem direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS, como é o caso das aquisições feitas de pessoas físicas e cooperativas, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Federal no Recurso Especial n. 993.164/MG deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DA TAXA SELIC A Recorrente alega que tem direito à atualização do ressarcimento dos créditos presumidos de IPI pela Taxa Selic, e como fundamento de seu pleito cita o art. 39, §4°, da Lei n. 9.250/1995 e o Decreto n. 2.138/1997, que reconheceu que os institutos jurídicos da restituição e do ressarcimento devem receber o mesmo tratamento. Entendo que razão assiste à Recorrente. Com relação ao tema, verificase também que o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 839 11 Tratase do mesmo precedente anteriormente mencionado (REsp 993164/MG), cujo trecho da ementa tratando da matéria é o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. ... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifamos). A decisão acima foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei n. 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. No mesmo sentido também foi proferida a decisão no REsp 1035847/RS, cuja ementa abaixo reproduzo: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 840 12 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543_C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. Verificase, portanto, que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, adoto o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça em relação aos créditos de IPI, para inclusão na base de cálculo dos valores referentes às aquisições de fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS, bem como em relação à aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento. Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, e para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito ... A Primeira Seção do STJ também já decidiu acerca da correção dos créditos quando do julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo n° 1.220.942, verbis: 4. Situação do crédito escritural: Devese negar ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro (sistemática ordinária de aproveitamento), ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração Fl. 840DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 841 13 subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária quando de sua utilização, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento (Súmula n. 411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima, salvo, neste último caso, declaração de inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento. 5. Situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. São utilizáveis fora da escrita fiscal. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a sistemática ordinária de aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6. A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI,PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também achamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes:REsp. n. 1.122.800/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. n. 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. n.1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 7. O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. No mesmo sentido é o acórdão 3402001.967 de relatoria do ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 842 14 A partir do julgamento, pelo STJ, do REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C), foi firmado entendimento no sentido de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora na análise do respectivo processo administrativo. Direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. Materiais aplicados na produção de canadeaçúcar A fiscalização excluiu o valor das aquisições de insumos e defensivos utilizados na formação e no cultivo da canadeaçúcar. A Recorrente aceitou a glosa das aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, mas questionou a glosa dos materiais aplicados no cultivo de canadeaçúcar própria, por se tratar de atividade agroindustrial. O § 5º, do artigo 1º, da Lei nº 10.276/2001 determinou que se aplica ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI todas as demais noras estabelecidas na Lei nº 9.363/96. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. A Lei nº 9.363/96, por sua vez, determina que: Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifamos) A matéria foi objeto de análise no acordão 3301002.406, conforme trecho abaixo: Fl. 842DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 843 15 Portanto está claro que este é um benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, a qual delimitou a sua utilização. Assim, o crédito presumido de IPI é calculado sobre as aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas no processo produtivo do produto exportado, que aqui no caso é o açúcar. A própria lei determinou que os conceitos de insumos e de produção são os definidos na legislação do IPI. Por sua vez a legislação do IPI, art. 82, inc. I do Decreto nº 87.981/82, cuja redação foi mantida nos regulamentos posteriores, estabeleceu que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. O Parecer Normativo CST nº 65, de 06/11/79, colacionado no acórdão recorrido, firmou o entendimento, amplamente adotado por este órgão julgador, de que além das matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu”, também se integram no conceito, gerando direito ao crédito, aqueles que se consumirem em decorrência de uma ação direta sobre o produto em fabricação. Ou seja, o conceito de insumo na legislação do IPI é restrito às matériasprimas e produtos intermediários que se consomem de maneira direta no processo produtivo. Diante desta premissa, não há como acatar créditos decorrentes de insumos utilizados na produção própria da canadeaçúcar, por absoluta falta de previsão legal. A Lei nº 9.363/96 não autorizou crédito presumido de IPI na aquisição de quaisquer insumos, não estando amparadas as aquisições de produtos não relacionados diretamente com a fabricação do produto exportado. Não se tratando o cultivo da cana de uma operação de industrialização, quer me parecer que não haveria direito de aproveitamento do crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase como muito bem apontado no acórdão 3403001.953, de relatoria do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, verbis: CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. Razão, portanto, não assiste a Recorrente em relação a este tema. Crédito presumido de produtos intermediários Analisando a manifestação de inconformidade de Recorrente é possível verificar que os itens glosados pela fiscalização dizem respeito a: MATERIAIS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO INDUSTRIAL — LUBRIFICANTES INDUSTRIAIS — ENERGIA ELÉTRICA — SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO/ INSTALAÇÃO — MATERIAIS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO DE AUTOS E LUBRIFICANTES — MATERIAIS DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 844 16 Por primeiro, a Súmula CARF n° 19 determina que “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. Diante disso, entendo que fica afastada de plano a possibilidade de crédito de combustíveis e lubrificantes. Em relação aos demais itens, é importante frisar que, no intuito de dirimir as controvérsias então existentes naquela época, a Administração Tributária baixou o Parecer Normativo CST nº 65/79, com a seguinte ementa: A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74. Diante das disposições contidas nos Pareceres Normativos nºs 181/74 e 65/79, a decisão recorrida conclui no seguinte sentido: Assim sendo, nos termos dos Pareceres retro citados e em consonância com o inciso I do art. 82 do RIPI/1982, geram direito ao credito, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização, como e o caso dos produtos listados pela própria requerente, Assim, excluemse os lubrificantes e combustíveis, as pecas e materiais de manutenção industrial, e os materiais diversos. Em relação as transferências, não se trata de aquisição de insumo, e portanto, não há qualquer previsão legal para a inclusão desses valores no calculo do beneficio. Só geram, portanto, direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 845 17 Produtos classificados na TIPI como NT Essa matéria foi objeto de recurso especial por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, que na sessão de julgamento realizada em 15 de outubro de 2007, decidiu, por meio de acórdão da CSRF/02.02.805, no sentido de que a exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Ademais, vejase o que dispõe a Súmula n° 13, aprovada por esse Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão plenária realizada no dia 18 de setembro de 2007, verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação ás aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT No mesmo sentido é a Súmula CARF n° 20, ao dispor que: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Exclusão de estoque Conforme explicitado na decisão recorrida, os ajustes no estoque efetuados pelo fisco estão previstos no artigo 3° da Portaria MF 38/97 que regulamentou o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96: Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. (...) § 3° No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano. deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas. dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. § 4° O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. (grifamos) E continua a decisão a quo: Cabe ressaltar que o Fisco, ao realizar a correção dos cálculos do crédito presumido, o fez com base nos valores indicados pela contribuinte e não consta do processo qualquer documento que explicite que do valor do estoque total a empresa já teria excluído os valores referentes aos insumos utilizados na produção de produtos em questão. O Fisco somente fez o ajuste no valor do estoque, ou seja, das compras de MP, MI e embalagem, utilizados no processo de industrialização (valor das compras totais diminuído do montante das devoluções de compras), excluise os utilizados Fl. 845DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 846 18 na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. Portanto, não houve dupla exclusão, já que o cálculo partiu dos valores totais iniciais contidos na escrita fiscal da empresa. Não há, portanto, como ser acatada esta alegação da Recorrente. Diante do exposto, voto no DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 846DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.721050/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE.
A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA.
É correta a glosa dos custos de mercadorias vendidas contabilizados em valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento comprobatório da operação.
SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES
NÃO COMPROVADAS.
O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, quando o contribuinte não apresenta documentos ou justificativas hábeis, mormente quando o lançamento baseia-se em sua própria contabilidade.
DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA.
Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
Numero da decisão: 1201-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA. É correta a glosa dos custos de mercadorias vendidas contabilizados em valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento comprobatório da operação. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, quando o contribuinte não apresenta documentos ou justificativas hábeis, mormente quando o lançamento baseia-se em sua própria contabilidade. DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA. Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante a oferta de provas hábeis e idôneas. A ausência de tal providência valida o lançamento regularmente efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA. É correta a glosa dos custos de mercadorias vendidas contabilizados em valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento comprobatório da operação. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, quando o contribuinte não apresenta documentos ou justificativas hábeis, mormente quando o lançamento baseiase em sua própria contabilidade. DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA. Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 10 50 /2 01 3- 18 Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e reflexos do anocalendário de 2009, decorrentes de diversas infrações, a seguir reproduzidas: 1. Omissão de receitas de vendas e serviços, não contabilizadas; Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 4 3 2. Omissão de receitas decorrente de saldos credores de Caixa; 3. Omissão de receitas por presunção legal caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada; 4. Glosa de despesas operacionais; 5. Glosa de custos; 6. Exclusão indevida da base de cálculo ajustada da CSLL. A ação fiscal solicitou ao Contribuinte toda a documentação relativa às operações do anocalendário de 2009. Em razão das muitas divergências constatadas, o Contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários da conta movimentada no período, bem como documentos em meio digital. No intuito de confirmar os custos incorridos pela fiscalizada em suas operações com terceiros, foram emitidos Termos de Intimação Fiscal, em 15/06/2012, para seus quatro maiores fornecedores de mercadorias no ano de 2009, a saber: Laticínios Bela Vista Ltda. (CNPJ sob o nº 02.089.969/000106), Kraft Foods Brasil Ltda. (CNPJ sob o nº 33.033.028/000184), Nestlé Brasil Ltda. (CNPJ sob o nº 60.409.075/000152) e Unilever Brasil Ltda. (CNPJ sob o nº 61.068.276/000104). Os elementos solicitados nos referidos termos relação das notas fiscais de vendas emitidas em nome da fiscalizada no ano de 2009 – foram apresentados em 28/06/2012 (Nestlé), 03/07/2012 (Kraft e Unilever) e em 05/07/2012 (Laticínios Bela Vista). Sobre os documentos colacionados, assim se manifestou a autoridade fiscal: Analisandose as informações apresentadas pela empresa em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, verificouse (1) que os valores informados, referentes às Outras Despesas Operacionais, não coincidiam com aqueles demonstrados na DIPJ 2010 da fiscalizada e (2) que os registros fiscais apresentados em meio magnético, referentes às notas fiscais de entrada, estavam visivelmente incompletos, não refletindo, portanto, o conjunto de operações com terceiros registrados na conta Compras de Mercadorias, presente nos registros contábeis da empresa (dados da Escrituração Contábil Digital obtida mediante acesso ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED). Dessa forma, passouse a considerar – para fins de confirmação dos custos e despesas incorridos pela empresa – tãosomente as informações constantes de seus registros contábeis. Como resultado da análise conjugada dos registros contábeis, das declarações e dos extratos bancários, a empresa foi intimada por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001, de 09/07/2012, a apresentar os seguintes esclarecimentos / elementos: Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 5 4 – Divergências entre os valores totais de lançamentos a crédito nos seus extratos bancários e aqueles lançados a débito na conta Banco BRB S/A constante dos seus registros contábeis; – Divergências entre valores de impostos e contribuições registrados na sua contabilidade e aqueles informados nas declarações por ela apresentadas; – Documentação comprovando as transações (vendas) relacionadas com os depósitos bancários mais relevantes presentes nos seus extratos bancários, e não contabilizados (Anexo I); – Documentação comprovando as transações (compras) relacionadas com os suprimentos de caixa lançamentos a débito na conta CaixaMovimento tendo como contrapartida a conta Banco BRB S/A mais relevantes presentes na sua contabilidade (Anexo II); – Informações sobre os lançamentos que foram objeto de estornos na conta CaixaMovimento em 23/05/2009 e 21/12/2009; – Apresentação de notas fiscais de entrada, e respectivos comprovantes de pagamento, selecionadas – por critérios de relevância e amostragem – a partir das informações constantes dos lançamentos registrados na conta Compras de Mercadorias, presente na sua contabilidade (Anexo III); – Apresentação de documentação que amparasse determinadas despesas relevantes registradas na conta Despesas Operacionais, constante de sua contabilidade (Anexo IV); – Informações sobre empréstimo contraído pela empresa. Como a empresa não apresentou a documentação completa solicitada, foram emitidos vários outros termos de intimação ao longo dos trabalhos de auditoria. Segundo a fiscalização, a análise dos documentos, o cruzamento das informações de terceiros e a verificação dos registros contábeis demonstrou a ocorrência de diversas infrações à legislação tributária, que redundaram nos autos de infração ora debatidos. Com a ciência das infrações a interessada apresentou impugnação, cujos termos, em síntese, podem ser assim relatados: 1 Socorrese de autores diversos para afirmar que a legislação brasileira filiou a definição de renda tributável à teoria do acréscimo patrimonial, conforme define o Código Tributário Nacional; 2 Discute a definição de despesas e gastos necessários, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a fim de apurar o acréscimo patrimonial e o lucro; transcreve Parecer Normativo SRF nº 32, de 1981, e cita autor no sentido de que é inconstitucional a lei que define como base de cálculo a receita Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 6 5 bruta ou percentual dessa receita ou que prescreva vedação à dedução de custos necessários para auferir a receita que permite apurar o lucro real, ou seja, se necessária a despesa, ela é dedutível; 3 Acusa que, além disso, o lançamento se baseia em presunção da ocorrência do fato gerador, que afirma ser mecanismo odioso (por legitimar a conclusão fiscal de fraude ou sonegação, sem prova concreta) e covarde (por autorizar o lançamento a partir do nada), e transferir o ônus probante para o contribuinte fiscalizado; destaca que o ônus da prova é do fisco que lança e não do contribuinte que se defende. 4 Sobre os depósitos bancários afirma que três operações bancárias no total de R$ 1.152.090,03 foram corretamente imputadas ao resultado, a crédito da receita, o que importou, necessariamente, a incidência dos tributos sobre o lucro; 5 Acerca dos saldos credores de Caixa (Anexo I), afirma, sobre o 1º trimestre, que está corretamente registrado saldo devedor e não credor; sobre o 4º trimestre, que o autuante registrou, indevidamente, vendas a prazo que, na realidade, foram à vista, assim valores a receber passam para o Caixa, recompondo o saldo devedor; acusa que este lançamento padece de ilegalidade, devendo ser anulado; 6 Classifica de indevida a glosa de custos porque a simples não apresentação da nota fiscal é insuficiente para presumir que o custo não existiu; diz que os seus fornecedores entregaram à fiscalização documentos hábeis e planilhas comprobatórias das operações de aquisição de mercadorias junto a eles; assim, a regular contabilização das operações e consideração desses custos torna sem sentido a glosa, já que as operações existiram, sendo que a base de cálculo do IRPJ é o lucro líquido ajustado conforme a legislação tributária, a partir do lucro contábil apurado; 7 No que tange a glosa de despesas operacionais, reclama que, não obstante a efetiva existência dos gastos, consubstanciados nos extratos bancários e recibos emitidos em seu nome, a fiscalização simplesmente optou por desconsiderar todos os elementos de prova e glosou aproximadamente R$ 3 milhões; destaca que se o gasto é necessário à atividade e à manutenção da respectiva fonte pagadora, deve ser reconhecido; 8 Reclama da aplicação de multa de ofício de 75% sobre R$ 2.619.700,99 que o contribuinte fez constar na linha 53 (Outras exclusões) da Ficha 17 da DIPJ 2010/2009 e que, intimado, confessou ter sido erro material; reclama que erro de informação não pode ser considerado como infração à legislação tributária, a teor do art. 136 do CTN; diz que a multa aplicada a essa infração é ilegal e deve ser anulada. 9 – Requer perícia da sua movimentação contábil e fiscal. Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 7 6 Em sessão de 26 de setembro de 2013 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Curituba, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, de forma a aceitar como despesas necessárias aquelas relativas a comprovantes de pagamento e e DANFE´s acostados aos autos, por se tratarem de gastos com empresas de transporte e combustível. As demais despesas não foram aceitas, por falta de documentos comprobatórios. Com a ciência da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual repete, basicamente, os argumentos formulados na impugnação. Não apresentou, junto com o recurso, qualquer documento ou prova do alegado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano, ressaltase que a Recorrente reproduz no voluntário os termos aduzidos na impugnação, sem qualquer alteração nos argumentos ou apresentação de documentos complementares. Nesse contexto, passamos a analisar, por tópicos, as alegações formuladas pela defesa, na ordem em que apresentadas. 1. Pedido de perícia Pretende a Recorrente a produção de prova pericial contábil, para que seja avaliado o fechamento das notas fiscais emitidas no exercício de 2009 com as movimentações bancárias e seu respectivo cruzamento com as apurações do IRPJ e da CSLL. É cediço que a perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido, conforme autoriza o artigo 18, do Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 8.748/93: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifamos) Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 8 7 A análise do processo nos permite concluir que a autoridade fiscal já verificou os registros contábeis da empresa e os cotejou com as notas fiscais emitidas, de forma que não há qualquer motivo ou necessidade para a realização de perícias, dado que todos os elementos necessários para o deslinde da questão constam dos autos, razão pela qual indefiro a solicitação. 2. Depósitos não comprovados A Recorrente assevera que os três depósitos autuados, de pág. 1.972 e 2.008 teriam sido contabilizados como receitas declaradas e submetidas à tributação. Todavia, como já apontado pela decisão recorrida, percebese que, embora tais créditos constem dos extratos do Banco de Brasília – BRB, a análise do Razão da conta bancária, de fls. 502 a 551 demonstra que nenhum deles foi escriturado. Como bem destacou a decisão de 1a instância: No Razão da conta Venda de Mercadorias em Geral, em que pesem registros de inúmeras notas fiscais de venda, não há como estabelecer nexo entre as notas fiscais escrituradas e esses depósitos, pois nenhuma coincide em valor; tampouco o contribuinte cita ou apresenta registros ou as notas fiscais que, alegadamente, corresponderiam a estes recebimentos. Assim, ante a ausência de documentos comprobatórios ou de indícios que pudessem estabelecer a correlação entre os depósitos e eventuais vendas faturadas, não há como aceitar as alegações da Recorrente. 3. Saldo credor de caixa A Recorrente afirma que para o 1o trimestre de 2009 o saldo registrado seria devedor (e não credor), o que afastaria a imputação fiscal. Contudo, a análise do Anexo I, mencionado pela interessada, indica que tratase de extratos bancários, que em nada permitem confirmar tal alegação. No mesmo sentido, a empresa não indica ou anexa ao processo qualquer documento capaz de confirmar suas alegações, de forma que os seus argumentos, neste ponto, não podem prosperar. Quanto ao 4o trimestre de 2009, aduz a Recorrente que a autoridade fiscal registrou indevidamente vendas a prazo que teriam sido realizadas à vista, circunstância que recomporia o saldo devedor, pois os valores migrariam das “contas a receber” para o “caixa”. Ocorre que a fiscalização efetivamente intimou a empresa a justificar os saldos credores apurados, a fim de que esta comprovasse a origem dos recursos financeiros constantes da Tabela 1 – Saldo Credor de Caixa. A interessada, à época, apenas se limitou a responder que houve equívoco no lançamento de aproximadamente seis milhões de reais, que teria sido objeto de estorno. Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 9 8 Contudo, em relação aos argumentos expendidos pelo Contribuinte, assim concluiu a autoridade fiscal: Em sua resposta, a empresa se limitou a informar – sem apresentar qualquer documentação comprobatória – que a ocorrência de saldos credores no mês de dezembro/2009 teria sido motivada por ter havido um equívoco no estorno ocorrido na conta CaixaMovimento em 21/12/2009 – uma vez que as vendas teriam realmente sido feitas à vista –, e demonstrou ainda como seria a composição dos saldos da referida conta, até o dia 30/12/2009, após a desconsideração, tanto do aludido estorno quanto do lançamento ora mencionado. Percebese claramente que a empresa se contradiz nas respostas encaminhadas a esta fiscalização. Num primeiro momento, quando questionada no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001 sobre os estornos ocorridos na conta CaixaMovimento em 23/05/2009 e 21/12/2009, ela informa, em 24/08/2012, que foram decorrentes de vendas efetuadas a prazo, porém contabilizadas indevidamente como sendo à vista, e relaciona cada um dos lançamentos correspondentes aos aludidos estornos. Frisese que todos esses lançamentos encontramse devidamente escriturados na contabilidade da empresa, nos exatos valores indicados por ela. Momento seguinte, quando da resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002, ocorrida em 21/11/2012, a empresa sustenta exatamente o oposto do que havia antes informado: que as vendas, cujos lançamentos indevidos ocasionaram o estorno ocorrido em 21/12/2009, foram efetuadas realmente à vista e não a prazo, o que tornaria o estorno indevido. Ou seja, num espaço de pouco menos de três meses a empresa presta uma determinada informação – amparada em sua contabilidade – e logo após a desfaz, sem apresentar qualquer tipo de documentação comprobatória que sustente sua nova versão dos fatos. Diante da contradição demonstrada pela fiscalizada, e considerando a completa ausência de documentação hábil e idônea que justifique a ocorrência de saldos credores na conta CaixaMovimento na contabilidade da empresa, e que comprove a origem dos recursos envolvidos nessas operações, os referidos saldos credores serão considerados como omissão de receitas por presunção legal, com fundamento nos arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do RIR/99, sendo adicionadas ao lucro real (IRPJ) e à base de cálculo da CSLL apurados trimestralmente. Quanto ao lançamento a débito na conta CaixaMovimento, tendo como contrapartida a conta Créditos com Clientes– Vendas, ocorrido no dia 31/12/2009 – objeto do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002 – a empresa também o Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 10 9 considera como um estorno, que estaria associado ao estorno – este sim escriturado como tal ocorrido em 21/12/2009. Em resumo, na argumentação da fiscalizada, ambos os lançamentos (tanto o estorno ocorrido em 21/12/2009, quanto o lançamento ocorrido em 31/12/2009) estariam relacionados com aquelas vendas escrituradas indevidamente à vista, posteriormente estornadas na contabilidade por terem sido efetuadas a prazo, e novamente consideradas como sendo à vista, na resposta à mencionada intimação. Enfim, novamente a fiscalizada somente traz informações desacompanhadas de documentação hábil e idônea que possa sustentálas. Ressaltese, inclusive, que a composição do saldo em caixa demonstrada pela empresa em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002 sequer traz o dia 31/12/2009, data do lançamento objeto desta intimação. Diante do exposto, e mais uma vez considerando a contradição demonstrada pela empresa, bem como a ausência de documentação comprobatória, o lançamento ocorrido em 31/12/2009 será glosado, o que implicará na recomposição do saldo da conta CaixaMovimento. A Tabela Única constante do Anexo III ao presente TVF, demonstra, por trimestre, os saldos credores diários da conta CaixaMovimento retirados da contabilidade da empresa –, com a recomposição decorrente da glosa do lançamento ocorrido em 31/12/2009, bem como os valores considerados como omissão de receitas. Cumpre registrar que os saldos credores foram tributados no momento de sua apuração, sendo que foram excluídos dos saldos seguintes os valores já tributados nos momentos anteriores. Percebese, portanto, que os lançamentos tributários decorrentes do saldo credor de caixa foram devidamente fundamentados pela fiscalização. Ademais, a Recorrente não apresentou qualquer documento capaz de comprovar suas alegações, do mesmo modo que não o fizera ao tempo dos trabalhos de auditoria, de sorte que os valores autuados devem ser mantidos. 4. Glosa de custos Alega a Recorrente que a “simples ausência de apresentação da nota fiscal não pode ser subsidio bastante para a presunção de que o custo atribuído não existiu”. Entretanto, a autoridade lançadora demonstrou claramente as divergências apuradas entre as notas fiscais de entrada e os registros contábeis da empresa, bem como indicou os critérios para a mensuração dos valores glosados: Como resultado da análise da documentação apresentada, foi elaborada a Tabela Única constante do Anexo IV ao presente TVF, onde encontramse demonstrados a situação e o tipo de Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 11 10 divergência dos documentos fiscais (notas fiscais de entrada) relacionados aos lançamentos que os referenciam. Cumpre esclarecer que, para fins de glosa dos valores dos mencionados lançamentos, serão aplicados os seguintes critérios: – Nota fiscal pendente: Glosa total do valor lançado; – Nota fiscal entregue, porém com valor inferior ao lançado: Glosa da parcela do valor lançado que excedeu ao da nota fiscal; – Nota fiscal entregue, porém referente a destinatário diverso: Glosa total do valor lançado; – Nota fiscal entregue, porém sem comprovação do respectivo pagamento, e cujos valor e fornecedor divergem dos constantes do lançamento correspondente: Glosa total do valor lançado. Também como já mencionado, identificadas divergências entre as informações prestadas pelos quatro maiores fornecedores da fiscalizada e os lançamentos referentes às notas fiscais de entrada (compras) presentes na sua contabilidade, a empresa foi intimada, mediante o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002, a apresentar determinadas notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamento que sustentassem os referidos lançamentos. Finalmente, aplicandose os critérios mencionados para glosa dos valores dos lançamentos relacionados nos Anexos IV e V, elaborouse a Tabela Única constante do Anexo VI ao presente TVF, que consolida, por trimestre, os valores dos custos (compras) efetivamente glosados, com fundamento nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 289, 290, 292 e 300 do RIR/99, que serão adicionados ao lucro real (IRPJ) e à base de cálculo da CSLL apurados trimestralmente. A análise dos documentos e das tabelas elaboradas pela fiscalização, constantes dos Anexos mencionados, nos permite concluir pela correção das glosas de custos efetuadas. 5. Glosa de despesas operacionais Neste passo, conforme já relatado, a decisão de 1a instância considerou parcialmente procedente a pretensão da interessada, para excluir as glosas relativas a despesas com transportes e aquisição de combustíveis, relacionadas, portanto, à atividade da empresa e devidamente comprovadas pelos documentos acostados ao processo. As demais despesas, relativas à ocupação e à aquisição de materiais, não estão, como já anotado na decisão recorrida, adequadamente comprovadas nos autos. Como a Recorrente não apresentou qualquer novo documento ou informação acerca disso, pugnando Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 12 11 apenas genericamente pela improcedência dos lançamentos, não há como subsistir sua pretensão. Por fim, quanto à cominação da multa de 75%, é cediço que o gravame deve necessariamente acompanhar os lançamentos de ofício, conforme determinação do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, sendo irrelevante o argumento da Recorrente de que houve erro, até porque o alegado artigo 136 do Código Tributário Nacional justamente ressalta que a responsabilidade por infrações é objetiva, visto que independe da vontade do agente. Assim, a dedução indevida de montantes da base de cálculo da CSLL enseja a aplicação da multa de ofício. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904911/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF)
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904911/200834 Acórdão n.º 210202.050 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 0099.23294.160604.1.3.040059, transmitida eletronicamente em 16 de junho de 2005, relativo a crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação foi considerada não homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904911/200834 Acórdão n.º 210202.050 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10680.722995/2010-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES.
A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Para a decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA
Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.943
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para a decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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SIMPLES. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para a decadência, aplicase às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 95 /2 01 0- 95 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.493 da 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda e Outros, no montante de R$1.839,93 (um mil oitocentos e trinta e nove reais e noventa e três centavos), consolidado em 31/08/10, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 44/63, referese a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, apuradas sobre os seguintes fatos geradores: · pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados a título de "Participação nos Lucros", conforme discriminado no Anexo I Levantamentos PR e PR1; · parcelas pagas pela empresa a seus empregados a título de "Prêmio Férias" ou "Prêmio Assiduidade", conforme discriminado no Anexo II Levantamentos PF e PF1. Conforme esclarece o relatório fiscal, a empresa foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 0317/2010, de 13/08/2010, com efeitos a partir de 27/02/2004, por se dedicar, de acordo com os elementos consignados no processo n° 15504.012605/201020, à atividade de locação de mão de obra, ou seja, forma de prestação de serviços expressamente impedida de opção pelo SIMPLES, de acordo com o inciso XII, alínea " f do artigo 9o da lei 9.317/96 e ainda por ter sido constituída por desmembramento da empresa OTO CALÇADOS LTDA, a quem presta serviços de forma exclusiva. Foi excluída do SIMPLES NACIONAL pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 0319/2010, de 13/08/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007, por se dedicar, de acordo com os elementos consignados no processo de Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional n° 15504.012587/201086, à atividade de locação de mão de obra, ou seja forma de prestação de serviços expressamente impedida de opção pelo SIMPLES NACIONAL, conforme inciso XII do artigo 17 da Lei Complementar n° 123/2006, e ainda por ter sido constituída por desmembramento da empresa OTO CALÇADOS LTDA, a quem presta serviços de forma exclusiva, que exclui a empresa do Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 tratamento jurídico diferenciado, de acordo com o inciso IX do parágrafo 4o do artigo 3 o da Lei Complementar n° 123/2006. Foram arroladas as seguintes empresas, componentes do Grupo Econômico: • Injeton Componentes Para Calçados LtdaCNPJ 05.654.993/000139 • Oto Calçados Ltda CNPJ 16.638.900/000107 • Via Mazzoni Manufatura de Calçados e Acessórios Ltda CNPJ 07.525.106/000158 Foram formalizados processos de "Representação Fiscal para Fins Penais", tendo em vista que foram constatados fatos que, "em tese", configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a Ordem Tributária, definidos no artigo Io da lei n° 9.983, de 14/07/2000, que acrescentou o artigo "337A", inciso III, ao DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940 Código Penal e no artigo I o da Lei n° 8.137/90. Inconformada com a decisão, a ALEFRA apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · regularidade da conduta empresarial da Impugnante – exclusão do SIMPLES e Simples Nacional; · não incidência de contribuições previdenciárias sobre férias prêmio e PLR (verbas indenizatórias); · não incidência de contribuição previdenciária patronal calculada sobre a folha de pagamento em razão da opção da empresa pelo simples e posteriormente pelo simples nacional; ∙ · discute administrativamente a exclusão do SIMPLES e do Simples Nacional; · decadência. A INJETON, a OTO CALÇADOS e a VIA MAZZONI também apresentaram recurso onde, praticamente, repetem os argumentos apresentados pela ALEFRA. O processo baixou em diligência para verificar a existência de parcelamento. A DRF Belo Horizonte respondeu que “não foi constatada a existência de parcelamento para o crédito n° 37.268.8179.” É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Observo que este lançamento referese às contribuições dos segurados pessoas físicas e não da patronal, motivo pelo qual algumas questões apresentadas nos recursos não serão analisadas. DECADÊNCIA Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal para as contribuições previdenciárias. O período do lançamento é de 06/2006 a 10/2008. A ciência do lançamento ocorreu em 26/10/2010. Constato que o crédito lançado não foi atingido pela decadência. PARTICIPAÇÃO NO LUCROS OU RESULTADOS PLR Também para a PLR, a recorrente argumenta que a verba é indenizatória e não passível de incidência da contribuição e que pagou os benefícios nas exatos termos da Convenção Coletiva de Trabalho. Novamente não entendi o que se está indenizando. Segundo o Relatório Fiscal, a autuação se deu por “ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado”. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 6.2 A empresa apresentou Convenção Coletiva de Trabalho de 2006, 2007 e 2008 celebrada entre os Sindicatos Patronal e Profissional. Na cláusula terceira do referido documento a mesma visa estabelecer o Sistema de Participação nos Lucros ou Resultados para todos os empregados das indústrias de calçados e correlatos. 6.3 Em linhas gerais, este Instrumento, além de dispor sobre a data de pagamento, estabeleceu que o valor da participação corresponderá o percentual do salário nominal de cada empregado, distribuída em duas parcelas iguais. ... 6.11 Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de "Participação nos Lucros", face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9o , inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Apresento abaixo, a cláusula correspondente da Convenção de 1º/03/2007, folhas 123 a 139. TERCEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Tendo em vista o estabelecido na Lei no. 10.101, de 19/12/2000, as empresas deverão pagar a seus empregados um valor a título de PLR Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, de acordo com os seguintes critérios: a) O valor a ser pago será equivalente a 20 % (vinte por cento) dos salários de março de 2007, no limite máximo de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), em duas parcelas iguais, sendo a primeira em 31/08/07 e a segunda em 28/02/08. b) Para receber a 1ª parcela o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados na empresa no período de 01/03/07 a 31/08/07. c) Para receber a 2ª parcela o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados pela empresa no período de 01/09/07 a 28/02/08. d) Para apuração da freqüência não poderão ser computadas as faltas legais e as previstas nesta convenção coletiva. e) Os empregados admitidos após 1o de março de 2007 e os afastados por qualquer motivo durante o período de vigência desta convenção, terão direito a 1/12 (um doze avos) do valor aqui combinado, por mês ou fração igual ou superior a 15 dias efetivamente trabalhados, considerandose também como trabalhado o período de licença gestante e de licença por acidente do trabalho (até 6 meses). Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 5 7 f) Os empregados desligados antes do pagamento da parcela a que fizer jus, deverão recebêlo proporcionalmente, junto com as parcelas rescisórias, em recibo à parte. g) Os valores pagos pelas empresas em cumprimento do disposto na presente cláusula serão compensados, caso sejam obrigadas ao pagamento de qualquer parcela a título de participação nos lucros ou resultados, em decorrência de legislação ou Medida Provisória superveniente ou por decisão da Justiça. h) Estão excluídas da obrigatoriedade de cumprimento do disposto na presente cláusula, as empresas que já possuem programas de participação nos lucros ou resultados para o período desta Convenção, desde que de acordo com legislação vigente. i) As empresas que se interessarem poderão negociar com uma comissão escolhida pelas partes um plano específico de participação nos lucros ou resultados, respeitando os critérios estabelecidos na legislação. O Sindicato profissional indicará um representante para integrar a comissão e arquivará o Acordo Coletivo celebrado, o qual deverá estar assinado até o dia 30/07/07. j) Conforme legislação, se for o caso, os valores pagos a título de PLR serão tributados na fonte em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos do empregado, competindo à empresa a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. k) Conforme art. 7o da Constituição Federal, art. 3° da Lei no. 10.101, de 19/12/2000 e art. 20" da Lei 9.711, de 20/11/98, o pagamento previsto nesta cláusula não constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. A Lei 8.212/91 estabelece que a PLR, quando paga de acordo com a Lei 10.101/2000 não integra o salário de contribuição. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A Lei 10.101/2000 determina o estabelecimento de regras claras e objetivas, inclusive mecanismos de aferição. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Discordo da autuação. A convenção estabelece meta clara: “o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados pela empresa” e também mecanismo de aferição: “d) Para apuração da freqüência não poderão ser computadas as faltas legais e as previstas nesta convenção coletiva.” Entendo por excluir do lançamento os levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados. PRÊMIO FÉRIAS E PRÊMIO ASSIDUIDADE Argumenta a recorrente que a verba é indenizatória e não passível de incidência da contribuição e que pagou os benefícios nas exatos termos da Convenção Coletiva de Trabalho. Apresento abaixo como a questão é apresentada na Convenção: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 6 9 7.4 – Para melhor entendimento transcrevemos a seguir cláusula décima nona e alguns itens da Convenção de 31/03/2007. CLAUSULA DÉCIMA NONA RETORNO DE FÉRIAS OU PRÊMIO ASSIDUIDADE. As empresas asseguram a todos os seus empregados, sem prejuízo do abono concedido pelo art. 7°., inc. XVII, da Constituição Federal o pagamento de um prêmio assiduidade, quando do retorno de férias, nas seguintes bases: a) No valor correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) do salário nominal, desde que o empregado, durante o período aquisitivo respectivo não tenha faltado ao serviço por mais de dois dias, justificadamente ou não. O valor máximo do benefício a ser pago será de R$216,00 (duzentos e dezesseis reais). b) No valor correspondente a 20% (vinte por cento) do salário nominal, desde que o empregado, durante o período aquisitivo respectivo, não tenha faltado ao serviço por mais de quatro dias, justificadamente ou não. O valor máximo a ser pago será de R$156,00 (cento e cinqüenta e seis reais). Não consegui identificar o que se está indenizando. Entendo que esses valores decorrem de fatores de ordem pessoal relativas ao trabalho. A regra geral, artigo 28, I, da Lei 8.212/91, é a tributação da totalidade do rendimento. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Entendo a verba sujeita à tributação. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 7 11 Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, na preliminar, rejeitando a tese da decadência e, no mérito, determinando a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados, determinando a exclusão da multa de ofício e determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte e por fim, Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.006853/2006-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO.
Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4).
DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA.
Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares.
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no ano-calendário de 2001, R$ 34.269,71 no ano-calendário de 2002, R$ 19.143,16 no ano-calendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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PRAZO. TERMO A QUO. Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 68 53 /2 00 6- 30 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 699 2 decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. CARNÊLEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no anocalendário de 2001, R$ 34.269,71 no anocalendário de 2002, R$ 19.143,16 no anocalendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 281/285 do processo físico), reproduzido a seguir: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 700 3 Do Lançamento Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 197.306,55 (cento e noventa e sete mil, trezentos e seis reais e cinquenta e cinco centavos), por OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR VALORES RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR e MULTAS ISOLADAS PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO, anoscalendário 2001, 2002 e 2003 sendo R$ 70.299,21 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 52.724,39 referentes à multa de oficio proporcional, R$ 43.763,71 referentes aos juros de mora (calculados até 30/11/2006) e R$ 30.519,24 de multa isolada, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 04/18, com fundamento legal especificado, às fls. 09 e 10. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no próprio Auto de Infração, fls. 05/09 e nos da conta dos seguintes aspectos: O enfoque dos procedimentos ficou restrito à análise das informações constantes da Representação Fiscal relacionada à movimentação financeira no exterior no ano de 2000, atendendo a demanda requisitória da Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná processo n.° 2003.70000303334; Da análise das informações repassadas pela Justiça Federal, constatouse que o fiscalizado foi apontado nos documentos de cadastros apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova York como responsável, conjuntamente com outras duas pessoas físicas, pela movimentação da conta denominada de "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank, com sede na cidade de Nova York/NY/EUA. A referida conta foi utilizada para a movimentação de recursos financeiros nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, num total de US$ 1.841.489,48; Intimado o contribuinte reconhece ser titular da conta sob análise, conjuntamente com Joaquim de Paula Barreto Filho e Cristiane Barreto Fonseca Antunes de Oliveira. Alega que a maioria dos créditos efetuados na conta sob análise provém de resgates de aplicações financeiras cujos valores já foram objeto de tributação em sua declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Não informa, porém, quais são estes valores que já foram objeto de tributação pelo Imposto de Renda e quando isto aconteceu, não apresentando qualquer documentação que lastreasse sua alegação. Informa o contribuinte que com relação aos demais ingressos, aqueles que não se referem a resgate de aplicação financeira, são de pequena monta, referindose a valores de reembolsos de gastos de viagens pela participação em congressos e outros eventos; Informa a autoridade fiscal que examinando os extratos bancários constatase que, parte dos ingressos realizados na conta denominada de "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank NY, no período de 2001 a 2003, referese a resgates/retornos de Fl. 700DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 701 4 aplicação financeira vinculada a conta, perfazendo um total de US$ 1.569.240,04, não representando assim, efetivos ingressos no referido período. A outra parte, US$ 272.249,44, referese a efetivos ingressos no período, conforme demonstrado nos autos; Que examinando as Declarações de Ajuste Anual apresentadas pelo Fiscalizado, bem como aquelas apresentadas pelos demais titulares da conta, constatouse que nem os saldos da conta em questão, nem as aplicações financeiras a ela vinculadas foram declarados; Assim, concluiuse que o contribuinte obteve disponibilidade de renda no exterior nas datas e valores relacionados, que não comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses recursos, que omitiu as informações referentes ao recebimento dos recursos à Secretaria da Receita Federal; A conta "Shorcut" n° 605.235, conforme já mencionado, tem como responsáveis o Fiscalizado conjuntamente com mais dois titulares. Desta forma, uma vez que as declarações de rendimentos dos titulares foram apresentadas em separado, e não houve comprovação da origem dos recursos ingressados nesta conta, os valores foram imputados a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares, conforme demonstrado nos autos; As transações financeiras foram convertidas em Reais do Brasil de acordo com a IN SRF n.° 73/98, artigo 16, § 2°, conforme prescrito no Manual do Imposto de Renda Pessoa Física/Manual de Preenchimento Declaração de Ajuste Anual. Foram cobradas multas, exigidas isoladamente, pela falta de recolhimento do carnêleão, referentes aos rendimentos recebidos no exterior. A base legal para o lançamento encontrase nos artigos 1º, 2°, 3° e §§ e 8° da Lei nº 7.713/88, artigos 1° a 4° da Lei n.° 8.134/90 e artigos 55, inciso VII, e 995 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 3.000/99 e artigo 1° da Lei n.° 9.887/99. Da Impugnação Recebido o Auto de Infração, em 20/12/2006, fls.04, o contribuinte apresentou impugnação, em 18/01/2007, fls.154/195, alegando, em síntese, que: Das preliminares • O acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados; • O processo judicial n° 2003.70000303334 foi ajuizado com o escopo de verificar as eventuais práticas de condutas fraudulentas perpetradas pelas instituições financeiras sob investigação e não quebra de sigilo de seus correntistas; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 702 5 • A fiscalização se valeu de dados sigilosos do Impugnante, tendo por base apenas e tão somente uma decisão judicial em que o contribuinte nem mesmo é parte; • A quebra do sigilo bancário não seguiu os requisitos constantes na Lei Complementar n° 105/2001 e Decreto n° 3.724/2001, os quais determinam que as autoridades fiscais poderão examinar dados bancários e fiscais dos contribuintes, independentemente de prévia autorização judicial, desde que exista prévio procedimento administrativo em curso, e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente; • Em verdade, a fiscalização somente foi iniciada por conta da quebra do sigilo bancário do Impugnante, foram aqueles dados que motivaram o inicio dos trabalhos pela SRF; • Considerando o termo inicial do prazo de decadência como sendo a data da ocorrência do fato gerador que in casu é mensal verificase que o período abrangido pela autuação, referente ao fatos geradores de 31/06/2001 e 30/11/2001, já se encontra atingido pela decadência, nos termos do disposto no § 4° do artigo 150 do CTN; • Com relação à multa isolada lançada pelo Fisco, e que foi calculada com base nos fatos geradores do imposto apurado, também a parcela que se refere ao anocalendário 2001 foi extinto pela decadência. Do mérito • Os depósitos bancários constantes da conta corrente de titularidade do Impugnante possuem origem comprovada. Pelos dados das declarações apresentadas a Secretaria da Receita Federal, resta certo que ao longo de sua vida este obteve ganhos suficientes que lhe garantem, por meio de aplicações financeiras, rendimentos perfeitamente harmônicos com o seu nível de vida, tudo sempre declarado ao Fisco; • No que pertine à conta corrente denominada "Shorcut", importante consignar que esta foi iniciada pelo Impugnante ainda na década de 60, quando este morou nos Estados Unidos da América, para fins de estudos acadêmicos, e que resultou na criação de vínculos com Universidades e Academias Médicas, sendo que, até os dias de hoje, o Impugnante frequentemente retorna ao EUA, na qualidade de Professor Visitante, para fins de participação de congressos, bem como, para ministrar palestras médicas, sendo inclusive, membro de algumas instituições naquele país; • Os depósitos bancários não têm o condão de, de per si, configurarem efetiva comprovação de disponibilidade de renda pelo Impugnante. No caso em tela, a fiscalização parte do pressuposto, com dados obtidos de meros extratos bancários, que o Impugnante deixou de informar ao fisco, por meio das competentes declarações de renda, a ocorrência do "fato Fl. 702DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 703 6 gerador" do imposto, bem assim de comprovar o respectivo pagamento; • Ocorre que, in casu, resta comprovada, ainda que por via indireta, a origem dos valores movimentados pelo Impugnante, eis que, tais montas se constituíram a partir de resgates de aplicações financeiras; reembolso de despesas e numerários obtidos por conta da atividade do Impugnante, devidamente declaradas nas DIRPF por ele apresentadas à SRF; • Nada obstante isso, tal procedimento deixou de seguir os ditames do artigo 42, § 3º, II, da Lei n° 9.430, com as alterações precedidas pela Lei 9.481/97, a qual reza que, para fins de apuração de omissão de receitas, não será considerado o crédito de valor individual de R$ 12.000,00, desde que a somatória de todos eles, dentro do mesmo anocalendário, não seja superior a R$ 80.000,00; • Ilegalidade da aplicação da multa isolada cumulativamente com a multa punitiva. A multa isolada tem por objeto efetuar punição ao contribuinte que deixar de efetuar o recolhimento do carnêleão. É dizer, o objetivo da presente multa não é a cobrança do crédito tributário em si, mas sim, a imputação de penalidade ao cidadão que deixar de cumprir obrigações acessórias a ele inerentes; • Entretanto, a fiscalização já imputou ao contribuinte multa punitiva por conta de sua conduta omissiva, no percentual de 75% do valor do suposto IRPF devido. Percebese que houve uma dupla incidência de multa punitiva sob o mesmo fato gerador e sob a mesma base de cálculo; • Requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração e Imposição de Multa e determinado o seu cancelamento e arquivamento. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 280/294 do processo físico, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 QUEBRA DE SIGILO. Em se tratando de autuação lastreada em dados obtidos mediante quebra de sigilo bancário por via judicial, descabem os argumentos sobre violação de quebra de sigilo bancário por autoridade administrativa em processo administrativo fiscal. A decisão judicial transferiu o sigilo bancário do Impugnante para o fisco, que passou a ser depositário dos dados sigilosos, devendo utilizálos em seu mister constitucional. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 704 7 Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. São tributáveis os rendimentos recebidos de fontes no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Inteligência do artigo 55, VII, do RIR/99. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO SIMULTANEIDADE. E cabível o lançamento da multa isolada sobre carnêleão não recolhido concomitante à multa de oficio sobre o imposto apurado de oficio na declaração inexata, visto que se trata de infrações distintas. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/12/2008 (fls. 296/297), o Interessado interpôs, em 22/01/2009, o recurso de fl. 298/335. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial Os julgadores da instância de piso, equivocadamente, entenderam que a quebra de sigilo bancário do Recorrente foi escorada em decisão judicial, proferida no processo nº 2003.70000303334, em trâmite perante a 2ª Vara Federal de Curitiba. Ocorre que o referido processo judicial foi ajuizado com o escopo de verificar as eventuais práticas de condutas fraudulentas perpetradas pelas instituições financeiras sob investigação (Banestado e outras), consubstanciada na formação de esquemas de remessas de dinheiro ao exterior sem autorização do Banco Central do Brasil. A conduta delitiva a ser apurada por meio da quebra de sigilo fiscal era a das instituições financeiras, não de seus correntistas. O próprio Auditor responsável informou no relatório fiscal que tais operações foram rastreadas por conta dos resultados de investigações levadas a cabo pela Polícia Federal acerca das operações realizadas pelo DELTA BANK NY, em virtude de conexão entre os responsáveis pelas contas ali mantidas e outras administradas por "Beacon Hill Services Corporation", Banco Safra NY, MTB Bank e Merchats Bank, todas estas analisadas pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito CPMI do Banestado. Objetivando a verificação de tais operações, em 23.11.2004 a Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Federal em Curitiba, a quebra de sigilo bancário no exterior das contas bancárias movimentadas no Delta Bank NY, pedido este que foi acatado pelo MM. Juízo em 24.11.2004. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 705 8 Posteriormente, em 14.02.2005, o Juízo da 2ª Vara Federal de Curitiba proferiu nova decisão, desta vez autorizando o compartilhamento com a Secretaria da Receita Federal dos dados obtidos pela CPMI do Banestado, chegando ao conhecimento da Delegacia de Campinas que o ora Recorrente, conjuntamente com mais dois cotitulares, seria responsável por conta bancária junto ao Delta Bank NY, denominada de "Shorcut", e que, nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003, movimentou a monta de US$ 1.841.489,48. Assim, o procedimento da fiscalização que embasou o presente Auto de Infração é ilegal e arbitrário, posto que a quebra de sigilo bancário do Recorrente, e que embasou as atividades da RFB, foi realizada sem qualquer ordem judicial existente nesse sentido, posto que, em nenhum momento, constou da decisão judicial oriunda da Justiça Federal de Curitiba o nome do Recorrente. Os correntistas pessoas físicas nem mesmo estão apontados como partes do referido processo judicial. A decisão judicial proferida em 24.11.2004 em momento algum cita o nome do Recorrente, apesar de citar o nome de outros correntistas, determinando a quebra do sigilo bancário dos mesmos. Não há como permitir que a fiscalização se valha de dados sigilosos do Recorrente tendo por base apenas e tão somente uma decisão judicial em que o contribuinte nem mesmo é parte. Quebra de sigilo sem os requisitos da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001 O artigo 6° da Lei Complementar 105/2001 determina que as autoridades fiscais poderão examinar dados bancários e fiscais dos contribuintes, independentemente de prévia autorização judicial, (i) desde que exista prévio procedimento administrativo/fiscal em curso, e que (ii) tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente. O artigo 2° do Decreto nº 3.724/2001, repetindo o artigo 6° da Lei Complementar, determinou que a quebra do sigilo bancário somente poderia ser realizada no curso de procedimento de fiscalização, desde que indispensáveis para o deslinde do caso. Em seu § 2° define como "procedimento de fiscalização" aquele compreendido nos termos do artigo 7° e seguintes do Decreto nº 70.235/1972, qual seja, o procedimento de fiscalização federal, devidamente iniciado com a instauração de Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Percebese, assim, que o sigilo bancário do contribuinte somente poderá ser violado se, e somente se, houver a prévia instauração de MPF, e que, no decorrer dos trabalhos, a fiscalização entenda ser indispensável tal diligência. In casu, o Auditor, antes mesmo de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, já dispunha dos dados bancários do Recorrente. Em verdade, a fiscalização somente foi iniciada por conta da quebra do sigilo bancário do Recorrente, é dizer, foram aqueles dados que motivaram o inicio dos trabalhos pela RFB. Como permitir que extratos bancários, oriundos da quebra de sigilo anterior, possam motivar a instauração de Mandado de Procedimento Fiscal se, de acordo com a própria legislação de regência, a requisição de violação dos dados bancários somente poderá ser realizada dentro de MPF já existente? Para que um agente fiscal possa requisitar informações às instituições bancárias deverá ser formalizada a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira Fl. 705DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 706 9 – RMF, que deverá ser precedida da intimação do sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira (Decreto nº 3.724/2001, art. 4º, § 2º). No curso da fiscalização que ensejou esta autuação em momento algum o Recorrente foi intimado acerca da quebra de sigilo bancário realizada. Decadência do Fisco em constituir parte do crédito tributário O IRPF consubstanciase num tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, modalidade de tributo cujo pagamento é realizado de forma antecipada pelo contribuinte, cabendo a autoridade administrativa competente a posterior homologação de referido pagamento, consoante art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. Sendo certo que o IRPF consiste num tributo sujeito ao lançamento por homologação, emerge certa a necessidade de observância ao prazo decadencial previsto no § 4° do artigo 150 do CTN. Assim, considerandose o termo inicial do prazo de decadência como sendo a data da ocorrência do fato gerador que in casu é mensal verificase que o período abrangido pela autuação, referente aos fatos geradores de 31.06.2001 e 30.11.2001, já se encontra atingido pela decadência, posto que decorridos 5 (cinco) anos a contar da data dos fatos geradores (a cientificação do contribuinte acerca da lavratura do lançamento tributário se deu em 20.12.2006). Importante consignar que, além do crédito tributário referente ao período de 31.06.2001 a 30.11.2001 ter sido extinto pela decadência, o mesmo ocorreu com parte da multa isolada lançada. Em consonância com os dados constantes do relatório do Auto de Infração o valor da multa isolada, referente à falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão, foi calculada de acordo com os valores depositados na conta "Shorcut", de titularidade do Recorrente. A multa isolada é decorrente da falta de recolhimento mensal do IRPF, ou seja, seu fato gerador é mensal. E, da mesma forma que o tributo principal, o seu lançamento é regido pela sistemática do artigo 150, §4°, do CTN. Logo, o Fisco terá o prazo de cinco anos, contados do fato gerador da multa isolada para efetuar o competente lançamento tributário, sob pena de ocorrer a decadência de seu direito. MÉRITO Origem comprovada dos depósitos bancários O Recorrente comprovou que os recursos originaramse de: (i) resgates de aplicações financeiras; (ii) reembolso de despesas e (iii) numerários obtidos por conta da atividade devidamente declarada nas DIRPF apresentadas à RFB. Especificamente no que concerne à conta corrente denominada "Shorcut", mantida junto ao Delta Bank NY, importante consignar que esta foi iniciada ainda na década de 60, quando o Recorrente morou nos Estados Unidos da América. Atualmente retorna aos EUA, na qualidade de Professor Visitante, para fins de participação em congressos, bem como para ministrar palestras médicas, sendo inclusive, membro de algumas instituições naquele país. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 707 10 Por conta das frequentes visitas ao exterior, para fins de trabalho, o Recorrente sempre recebeu valores a título de reembolso de despesas, por suas participações em tais eventos. E, por consequência, nos períodos em que esteve naquele país, houve a movimentação da conta "Shorcut" para pagamento de despesas percebidas em função de sua estadia no exterior. Uma análise mais atenta dos extratos demonstra que parte dos créditos tem origem em resgates de aplicações financeiras, as quais já foram objeto de tributação em sua pessoa física à época em que os mesmos foram por ele percebidos. O histórico de rendimentos do Recorrente, o qual pode ser facilmente verificado em suas declarações de imposto de renda, evidencia que este sempre manteve em suas contas bancárias rendimentos suficientes para justificar os ingressos de valores na conta corrente do exterior. Resta inequívoca a necessidade de análise dos dados acima mencionados para o deslinde do caso, vez que um dos mais significativos preceitos que devem nortear o processo administrativo é o Principio da Verdade Material. Depósitos bancários não configuram, de per si, disponibilidade de renda A fiscalização, sem trazer aos autos qualquer prova ou indicio plausível, simplesmente com base em extratos bancários isolados do Recorrente, presumiu a ocorrência do fato gerador do IRPF, mesmo tendo o Recorrente comprovado a origem de tais recursos. O Recorrente não pode admitir a manutenção de exigência que atribua, sem qualquer respaldo fático ou legal, a qualidade de "renda" aos valores movimentados em sua conta corrente, de forma indistinta e despreocupada à efetiva realidade, fato este que corrobora o descabimento da aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Necessidade de exclusão dos valores inferiores a R$ 12.000,00 No anocalendário 2003 a Fiscalização aponta em tabela especifica que o Recorrente teria percebido R$ 58.555,09 a titulo de depósitos bancários em sua conta corrente. E, com base nestes depósitos bancários, os considerou como "omissão de receitas", procedendo ao lançamento tributário. Tal procedimento deixou de seguir os ditames do artigo 42, § 3°, II, da Lei nº 9.430, com as alterações procedidas pela Lei nº 9.481/97, a qual reza que, para fins de apuração de omissão de receitas, não será considerado o crédito de valor individual de R$ 12.000,00, desde que a somatória de todos eles, dentro do mesmo anocalendário, não seja superior a R$ 80.000,00. Desta forma, inconteste o erro perpetrado pela fiscalização ao glosar tais valores como "omissão de receitas", posto que, por expressa determinação legal, estas não deveriam ter sido relacionadas no lançamento tributário perpetrado. Ilegalidade de aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de 75% Fl. 707DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 708 11 A multa isolada tem sua base legal no artigo 8° da Lei nº 7.713/88, bem como nos artigos 43 e 44 da Lei n. 9.430/96, e tem por objeto efetuar punição ao contribuinte que deixar de efetuar o recolhimento do carnêleão. É dizer, o objetivo da presente multa não é a cobrança do crédito tributário em si, mas sim, a imputação de penalidade ao cidadão que deixar de cumprir obrigações acessórias a ele inerentes. Entretanto, temse que a fiscalização, no exercício de suas atribuições, já imputou ao contribuinte multa punitiva por conta de sua conduta omissiva, no percentual de 75% do valor do suposto IRPF devido. Tal atitude revelase descabida, posto que configura verdadeiro confisco ao Recorrente que teve contra si a imputação de duas multas idênticas, com a mesma base de cálculo, fato gerador e com o mesmo objetivo, qual seja, penalizar o contribuinte por ato omissivo contrário à lei. Pedidos Ao final, requer o Recorrente o acolhimento das razões recursais, afim de que seja declarado insubsistente o Auto de Infração e Imposição de Multa, determinandose o seu cancelamento e arquivamento. Pleiteia, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a juntada de novos documentos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo físico. Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, constatada em virtude da não comprovação da origem de recursos depositados em instituição financeira alienígena, bem como à aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. PRELIMINARES Acesso aos dados bancários do contribuinte Alega o Recorrente que o procedimento de fiscalização foi ilegal e arbitrário, posto que a quebra de seu sigilo bancário se deu sem qualquer ordem judicial existente nesse sentido. Segundo o Interessado, em nenhum momento constou o seu nome na decisão judicial oriunda da Justiça Federal de Curitiba. Sem razão o Recorrente. A decisão do MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, às fls. 25/27, evidencia que houve a quebra do sigilo bancário sobre contas mantidas no Delta Bank, por solicitação da Polícia Federal do Paraná. Confira o item 18 da decisão: Fl. 708DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 709 12 18. Portanto, com base no exposto, decreto a quebra do sigilo bancário sobre as contas relacionadas no oficio 002/04/FT/CC5/NY e mantidas no Delta Bank e no Banco Safra em Nova York e cujo material respectivo foi disponibilizado pela Promotoria Distrital de Nova York. A autoridade policial deverá providenciar a obtenção e cópia da documentação pelos meios mais fáceis, servindose do auxilio, se necessário, de Promotoria Distrital do Condado de Nova York e ainda do Consulado brasileiro. O “Relatório de Identificação de Titulares de Contas Delta National Nank”, acostado aos autos em fl. 36, revela que Joaquim de Paula Barreto Fonseca, ora Recorrente, era um dos titulares das contas mantidas no Delta Bank. Confira: Em trabalho de análise documental da conta acima identificada, mantida junto ao Delta National Bank and Trust Company, nos Estados Unidos da América, foi(ram) identificado(s) como titular(es) da mesma o(s) contribuinte(s): Joaquim de Paula Barreto Fonseca, CPF nº 014.262.73800, Joaquim de Paula Barreto Fonseca Filho, CPF nº 184.254.41870 e Cristiane Barreto Fonseca Antunes de Oliveira, CPF nº 035.356.62842, todos residentes na cidade de Campinas/SP, em conformidade com os documentos abaixo citados: No ofício de fl. 32, enviado à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB pela Justiça Federal do Paraná, consta a informação de que “Na presente data, foi proferida decisão autorizando o compartilhamento de tal material para fins tributários com a Receita Federal”. Da referida decisão extraise as seguintes passagens, nas partes que aqui interessa: Cabe, por outro lado, especialmente a Receita Federal extrair a consequências administrativas de eventual omissão dos titulares de contas ou ativos, depositantes ou beneficiários de pagamentos efetuados através das referidas contas. É possível aventar a prática de crimes tributários pelos titulares das contas ou pelos ordenantes e beneficiários das transações, caso não tenham declaradoas à Receita Federal, o que é provável visto que as contas, aparentemente, seriam controladas por doleiros brasileiros. Neste caso, o auxilio da Receita Federal é ainda mais imprescindível, não só para verificar a regularidade da relação Fisco/contribuinte, mas também para a eventual caracterização de crime tributário, considerando o atual entendimento do STF de que fazse necessário o lançamento definitivo. (...) Portanto, ante todo o exposto, defiro o requerido pela autoridade policial, autorizando o compartilhamento dos documentos e arquivos eletrônicos obtidos no exterior pela Força Tarefa Policial CC5 relativamente às contas mantidas no Banco Audi, Lespan, Delta Bank e no Banco Safra em Nova York. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 710 13 Verificase, assim, que o acesso aos dados bancários do Interessado se deu regularmente, mediante autorização do Poder Judiciário, motivo pelo qual entendo que a primeira preliminar suscitada deve ser rejeitada. Requisitos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001 Entende o Interessado que a quebra do sigilo ocorreu sem o atendimento dos seguintes requisitos previstos no art. 6° da Lei Complementar nº 105/2001: (i) existência de prévio procedimento administrativo/fiscal em curso e (ii) que os exames sejam considerados indispensáveis pela Autoridade competente. Sem razão o Interessado. É que o 6º da Lei Complementar nº 105/2001 cuida do exame de documentos, livros, registros e contas de depósitos em instituições financeiras por iniciativa do Fisco, hipótese em que o procedimento fiscal prévio é imprescindível. Na espécie, a RFB recebeu os extratos bancários por determinação judicial, “não só para verificar a regularidade da relação Fisco/contribuinte, mas também para a eventual caracterização de crime tributário, considerando o atual entendimento do STF de que fazse necessário o lançamento definitivo”, ou seja, os dados bancários foram repassados ao Fisco por intermédio de Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte (art. 4º do Decreto nº 3.724/2001). Nesse cenário, sou pela rejeição da segunda preliminar suscitada pelo Interessado. Inexistência de decadência do Fisco em constituir parte do crédito tributário Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Recorrente alega que o termo inicial do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador, que, in casu, seria mensal. Logo, o período abrangido pela autuação referente aos fatos geradores de 30.06.2001 e 30.11.2001 já se encontraria atingido pela decadência. Mais uma vez, sem razão o Recorrente. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 711 14 Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e houve recolhimento durante o anocalendário de 2001, conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 119/122. Aplicável, portanto, conforme a orientação do STJ, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador. A Súmula CARF nº 38 explicita quando se deve considerar ocorrido o fato gerador do imposto de renda nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, verbis: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 04, revela que o mesmo foi lavrado em 18/12/2006 e a intimação pessoal do Procurador do Interessado se deu em 20/02/2006 (parte inferior da fl. 04). Considerando que o termo a quo do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2001, descabe falar em decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário (tributo e multas) relativo ao anocalendário de 2001. Nesse contexto, sou pela rejeição da terceira preliminar suscitada pelo Interessado. MÉRITO Depósitos com origem não comprovada Dispõe o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Nesse diapasão, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre Fl. 711DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 712 15 prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Na espécie, a Recorrente não explica, de forma satisfatória, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, insistindo em afirmar que os recursos originaramse de resgates de aplicações financeiras, reembolso de despesas e numerários obtidos por conta da atividade devidamente declarada nas DIRPF apresentadas à RFB. Ocorre que para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada (§ 3º do referido dispositivo legal), não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. Demais disso, a Autoridade lançadora exclui os resgates de aplicações financeiras da base de cálculo do lançamento e examinou as declarações de ajuste anual do Interessado, chegando as seguintes conclusões (“Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 07/08): 12. Considerando as alegações do fiscalizado, em relação aos ingressos na referida conta, e a cópia do demonstrativo emitido pelo Delta Bank com descrição dos históricos utilizados no extrato bancário (doc. de fls. 87/88), bem como do extrato do saldo das aplicações financeiras em 29/12/2000 (doc. de fls. 150/152), examinamos mais uma vez os extratos e constatamos que: 12.1 Parte dos ingressos realizados na conta denominada de "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank NY, no período de 2001 a 2003, referese a resgates/retornos de aplicação financeira vinculada a conta, perfazendo um total de U$$ 1.569.240,04, não representando assim, efetivos ingressos no referido período; 12.2 A outra parte, U$$ 272.249,44, referese a efetivos ingressos no período, conforme relação abaixo: (...) 13. Examinamos as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física apresentada pelo fiscalizado para os referidos anos, bem com aquelas apresentadas pelos demais titulares da conta e constatamos que nem os saldos da conta em questão, nem as aplicações financeiras a ela vinculadas foram declarados. 14. Por todo exposto e pelo fato do fiscalizado, com relação aos valores discriminados no item 12.2, limitarse a alegar que: "as operações que não são referentes ao resgate, crédito ou transferência de aplicação financeira da própria conta são de pequena monta, referindose a valores de reembolso de gastos de viagens pela participação em congressos outros eventos científicos", sem apresentar qualquer documentação que comprove esta alegação, concluímos que o fiscalizado: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 713 16 14.1 obteve disponibilidade de renda no exterior nas datas e valores relacionados no item 12.2; 14.2 não comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses recursos; 14.3 omitiu as informações referentes ao recebimento dos recursos à Secretaria da Receita Federal. Nesse panorama, penso que a tentativa de comprovação da origem dos recursos mediante alegações genéricas e em descompasso com o disposto na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” também não merece acolhida. Valores inferiores a R$ 12.000,00 cujo somatório não ultrapassou o montante de R$ 80.000,00 dentro de cada anocalendário O Recorrente alega que a Fiscalização deixou de seguir os ditames do art. 42, § 3º, II, na medida em que os créditos de valor individual a R$ 12.000,00, dentro do mesmo anocalendário, não ultrapassaram R$ 80.000,00. Sobre este ponto, adiro aos fundamentos delineados no voto do Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, quando do julgamento do recurso voluntário interposto no bojo do Processo nº 10830.006852/200695, cujo sujeito passivo era a filha do Recorrente, cotitular da conta "Shorcut". Assim, evitase decisões conflitantes dentro da mesma Turma de julgamento e a preservase a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. São deles as palavras abaixo: Entretanto, verifico que há um rol de depósitos dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, conforme interpretação dada pela Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Apesar de entender que a leitura sistemática do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, na ordem em que se apresentam seus parágrafos, impende à conclusão de que esses limites referemse à conta corrente e não a cada cotitular (após divisão proporcional dos valores), curvome ao entendimento já expresso pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, em observância aos princípios da eficiência, segurança e confiança dos julgamentos administrativos. Neste sentido, citese o Acórdão 9202002.621, proferido justamente para resolver divergência entre entendimentos de Câmaras/Turmas do Conselho, julgado na sessão de 23 de abril de 2013, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 713DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 714 17 Anocalendário: 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES. Os limites legalmente estabelecidos para a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 3ª, II) devem ser aplicados de modo a respeitar a devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta. A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta. Recurso especial negado Naquele voto, explicou o Relator: Entendo que a melhor aplicação do dispositivo, no caso de conta conjunta (de dois titulares, in cant) está em somar os depósitos de valor nominalmente inferior a R$ 12.000,00; dividir essa soma por 2; verificar se o resultado ultrapassa R$ 80.000,00; se não ultrapassar, excluir os depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 da atribuição proporcional. Assim, devem ser excluídos da tributação, por anocalendário, os seguintes depósitos: Anocalendário de 2001: R$ 8.044,74; Anocalendário de 2002: R$ 2.384,00 + R$ 10.201,53 + R$ 8.919,39 R$ 10.637,32 + R$ 2.127,47 = R$ 34.269,71; Anocalendário de 2003 : R$ 6.746,46 + R$ 6.750,03 + 4.884,33 + R$ 762,34 = R$ 19.143,16; Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 715 18 Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202 002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no anocalendário de 2001, R$ 34.269,71 no anocalendário de 2002, R$ 19.143,16 no anocalendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 715DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 716 19 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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