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5821999 #
Numero do processo: 15540.720353/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15540.720353/2012­31  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2301­000.489  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  09 de outubro de 2014  Assunto  Contribuição Previdenciária  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  SOCIEDADE EDUCACIONAL PLÍNIO LEITE S/S LTDA E OUTROS    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter  o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex  Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 35 3/ 20 12 -3 1 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/2012­31  Resolução nº  2301­000.489  S2­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  crédito  tributário  lançado  pela  Fiscalização  em  desfavor  da  Recorrente, relativo às contribuições devidas aos terceiros e apurado sobre a remuneração de  segurados empregados declarada em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à  Previdência Social).   Informa o Relatório Fiscal que a ação fiscal  foi originada em conseqüência de  ação popular que tramitou na 4ª Vara Federal de Niterói, a qual suspende os efeitos do ato de  renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS no período de  2007 a 2009,  tendo  facultado ao  fisco que procedesse ao  lançamento dos créditos  tributários  respectivos, evitando­se m que a decadência se operasse sobre os mesmos.  O  fato  gerador  do  presente  lançamento  foi  apurado  com  base  na  remuneração  declarada em GFIP dos segurados empregados. Foram constituídos dois  levantamentos, GF e  GF2,  tendo  em  vista  a  o  resultado  da  comparação  da  multa  mais  benéfica,  após  mudança  legislativa.  Foram  anexados  ao  Relatório  Fiscal  documentos  comprobatórios,  tais  como  contratos  e  telas  do  sistema  informatizado.  Consta  também  em  anexo  o  ofício  de  nº  0674/2012/PSU/NRI/RJ de 28/02/2012 da Advocacia Geral da União, Procuradoria Seccional  da  União  em  Niterói,  o  qual  informa  o  encaminhamento  à  DRF  Niterói  de  documentos  referentes à Ação Popular nº 2011.51.02.0034229, sendo estes a petição inicial e a consulta à  intimação/citação.  Constatou­se  que  a  sociedade,  na  sua  2ª  alteração  contratual,  datada  de  21/01/2011, promoveu cisão parcial do seu patrimônio, com versão da parcela cindida para as  empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO  BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135.  Estas  empresas  foram  trazidas  ao  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  como  responsáveis solidárias,  tendo sido excluídos desta sujeição passiva solidária as contribuições  aos terceiros e os créditos relativos às obrigações tributárias acessórias.  As  empresas  Riga  Participações  Ltda  e  o  Colégio  Plínio  Leite  Ltda  (atual  denominação  de Xisto Educação Básica Ltda),  responsabilizadas  solidariamente  pelo  crédito  tributário apurado, apresentaram impugnação em uma mesma peça.  Devidamente  intimadas  do  lançamento  apresentaram  suas  impugnações,  cujas  quais forma em parte procedente, culminando em RO.  Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento.  É a síntese do necessário.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/2012­31  Resolução nº  2301­000.489  S2­C3T1  Fl. 4          3     Voto  Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator   O presente Recurso de Ofício acode todos os pressupostos de admissibilidade,  razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila.  Mas,  vejo  que  há  uma  anomalia  processual  que  deverá  ser  sanada  antes  de  qualquer julgamento.  Às fls 351 dos autos vê­se que somente uma das Recorrentes  foi notificada da  decisão de piso, no dia 10 de junho de 2013, sendo que nos autos, às fls. 356 há uma petição  requerendo a nulidade do  feito,  após  a decisão da DRJ,  isto por conta de nulidade diante da  defectibilidade da notificação em razão de endereço.  Em verdade, vejo que há um erro na notificação,  eis que  às  fls.  351,  somente  uma das Recorrentes foi noticiada de decisão de piso, o que contraria o disposto no Artigo 33  do Decreto 70.235/72, quanto se refere à decisão de primeira instância.‘In verbis’:   Art. 33. Da decisão caberá  recurso  voluntário,  total  ou parcial,  com  efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.  Neste diapasão, vejo que as empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ:  11.471.928/000170  e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ:  11.471.160/000135,  não  foram  notificadas da decisão da DRJ.  Desta  forma, em respeito aos princípios pétreos da Carta Maior, ampla defesa,  contraditório,  devido  processo  legal  e  legalidade,  penso  que  há  de  ser  diligenciado  pela  Unidade  Preparadora,  com  fim  de  esta  providenciar  a  notificação  das  empresas  acima  relacionadas.  CONCLUSÃO   Diante do acima exposto, por existir imperfeições procedimentais, vejo que há  necessidade  de  os  presentes  autos  retornarem  à  Unidade  Preparadora  com  fim  de  esta  providenciar  às  empresas  RIGA  PARTICIPAÇÕES  LTDA,  CNPJ:  11.471.928/000170  e  XISTO  EDUCAÇÃO  BÁSICA,  CNPJ:  11.471.160/000135,  notificação  da  decisão  de  piso,  para,  caso  queiram,  apresentem  os  seus  respectivos  Recursos  Voluntários  anatematizando  a  decisão singular, respeitando o prazo legal.  É como Voto.  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA ­ Relator   (assinado digitalmente)  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/2012­31  Resolução nº  2301­000.489  S2­C3T1  Fl. 5          4     Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA

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5863261 #
Numero do processo: 13204.000078/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 493          1 492  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13204.000078/2005­01  Recurso nº               Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9303­002.653  –  3ª Turma   Sessão de  14 de novembro de 2013  Matéria  RESSARCIMENTO ­ PIS  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL e IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A              FAZENDA NACIONAL e IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A              ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004  PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.  Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no  âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários  e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do  PIS e da COFINS não­cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada  na  legislação  oriunda  do  imposto  de  renda. A  corrente majoritária  sustenta  que  insumos  são  todos  os  itens,  inclusive  serviços,  consumidos  durante  o  processo  produtivo  sem  a  necessidade  de  contato  físico  com  o  produto  em  elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante  a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de  iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como  também  não  são  insumos  bens  e  serviços  que  beneficiarão  a  empresa  ao  longo  de  vários  ciclos  produtivos,  os  quais  devem  ser  depreciados  ou  amortizados;  é  a  correspondente  despesa  de  depreciação  ou  amortização,  quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito.  Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte  Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda Nacional;  e  II)  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial  do  sujeito  passivo  para  considerar  dedutível  o  combustível  utilizado  em  veículos.  Vencidos  os  Conselheiros  Nanci  Gama  (Relatora)  e  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  que  davam  provimento  parcial  em  maior  extensão  e,  ainda,  os  Conselheiros  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Maria  Teresa Martínez  López  e  Francisco Maurício     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 78 /2 00 5- 01 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 494          2 Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  que  davam  provimento  total.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.    Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente Substituto    Nanci Gama ­ Relatora    Júlio César Alves Ramos ­ Redator Designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Joel  Miyazaki,  Maria  Teresa  Martínez  López,  Francisco  Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.  Relatório  Trata­se  de  recursos  especiais  interpostos  pela  Fazenda  Nacional  e  pelo  contribuinte, em face do Acórdão nº 3403­00.720, proferido pela Terceira Turma Ordinária da  4ª  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  a  qual,  por  maioria  de  votos,  deu  provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que  se refere (i) aos gastos com os serviços de decapeamento, (ii) lavra, (iii) locação de máquinas e  equipamentos  e  (iv)  com  a  aquisição  de  óleo  combustível  tipo  A­BPF,  “utilizado  na  evaporação e secagem da água contida na polpa do caulim”.  Por  outro  lado,  a  Terceira  Turma  Ordinária  negou  parcial  provimento  ao  recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de  PIS/COFINS,  os  gastos  com  (v)  “serviços  de  alteamento  (consistente  no  aumento  de  capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”;  (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas;  (x)  de  fornecimento  de  jantar,  sob  entendimento  de  que  a  ausência  destes  serviços  não  inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria.  Adicionalmente,  também  negou  provimento  ao  recurso  voluntário  para  afastar  o  direito  creditório  sobre  os  gastos  com  (xi)  combustíveis,  nestes  compreendidos  a  gasolina  comum  e  o  óleo  diesel,  consumidos  nos  veículos  que  transportam  matéria­prima,  materiais  intermediários  e  produtos  finais  entre  os  diversos  setores  produtivos,  desde  a  extração,  produção  até  a  distribuição,  tendo,  para  tanto,  alegado  que  os  mesmos  não  são  utilizados na produção, mas sim na área produtiva.  Para tanto, foi considerado que a atividade realizada pelo contribuinte dividi­ se  na  extração  do  caulim  das  minas  e  o  seu  beneficiamento  no  parque  fabril  do  próprio  contribuinte,  tendo  sido  aduzido  que  “nem  todo  bem  ou  serviço  necessário  ao  processo,  tomado em sua integralidade, pode ser caracterizado como insumo, mas tão somente aqueles  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 495          3 que, além de  imprescindíveis,  são  consumidos ou aplicados diretamente na produção, ainda  que não tenham contato direto com o produto final”.  Quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade  relacionadas  ao  conceito  de  insumos, foi entendido que as mesmas, além de serem infundadas (“eis que a CF/88 não impôs  ela  própria  um  conceito  de  insumo  ou  mesmo  o  alcance  da  não  cumulatividade  para  estas  contribuições), também não poderiam ser suscitadas no âmbito do CARF, com base, para tanto,  na Súmula nº 2 do CARF.  O acórdão recorrido restou assim ementado:  “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004  PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.  ACEPÇÃO.  Consoante  dicção  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  consideram­se  insumos  os  bens  ou  serviços  utilizados  na  prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes, donde se depreende que aludida utilização deve se  dar de forma direta sobre o processo.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS.  DISCUSSÃO  ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se manifestar  acerca  de  inconstitucionalidade  de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido, ex vi  do  art.  26­A do Decreto  nº  70.235/72,  com a  redação alterada  pela Lei nº 11.941/09.  Recurso Voluntário Provido em Parte.”  Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face da parte  do  acórdão  que  reconheceu  o  direito  creditório  sobre  serviços  de  decapeamento,  lavra  e  locação,  bem como  sobre  a  aquisição  de  óleo  tipo A­BPF,  tendo  aduzido  que o  conceito  de  insumo  para  fins  da  não  cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS  deve  ser  o  mesmo  daquele  considerado  na  legislação  do  IPI.  Para  tanto,  utilizou,  para  embasar  a  divergência  de  entendimentos, o acórdão de nº 203­12.448, a seguir ementado:  “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 31/07/2003  IPI. CRÉDITOS.  Geram  o  direito  ao  crédito,  bem  como  compõem  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido,  além  dos  que  se  integram  ao  produto final (matérias­primas e produtos intermediários, stricto  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 496          4 sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam  durante  o  processo  produtivo  e  que  não  faça  parte  do  ativo  permanente,  mas  que  nesse  consumo  continue  guardando  uma  relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matéria­prima  ou  produto  intermediário:  exercer  na  operação  de  industrialização  um  contato  físico  tanto  entre  uma  matéria­ prima e outra, quanto da matéria­prima com o produto final que  se forma.  PIS/PASEP.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  GLOSA PARCIAL.  O  aproveitamento  dos  créditos  do  PIS  no  regime  da  não  cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas  pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN  SRF nº 247, de 2002,  com as alterações da  IN SRF nº 358, de  2003.  Incabíveis,  pois,  créditos  originados  de  gastos  com  seguros (incêndio, vendaval, etc), material de segurança (óculos,  jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral  (buchas  para máquinas, cadeado, disjuntos, calço para prensa, catraca,  correias,  cotovelo,  cruzetas,  reator  para  lâmpada),  peças  de  reposição de máquinas,  amortização de  despesas  operacionais,  conservação e limpeza, manutenção predial.  Recurso negado”  Suscitou a Fazenda Nacional que tal acórdão seria aplicado devido ao fato de  ter  sido  entendido, naquela ocasião  suscitada como paradigma, que  “a  legislação do  IPI é  a  mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos”.  E  como  é  sabido,  o  conceito  de  “insumos”  já  foi  consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito,  além  dos  insumos  que  se  integram  ao  produto  final  (matérias­primas  e  produtos  intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não  contabilizados  pelo  contribuinte  no  seu  ativo  permanente,  que  sofram,  em  função  de  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação,  ou  por  ele  diretamente  sofrida,  alterações tais como o desgaste, o dano ou a preda de propriedades físicas ou químicas”.  Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira  Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.  Regularmente  intimado,  o  contribuinte  também  interpôs  recurso  especial  contra a parte do acórdão recorrido que negou o restante dos seus créditos, suscitando que o  conceito  de  insumos  a  ser  aplicado  para  fins  da  não  cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS  deveria  ser  aquele  considerado  na  legislação  do  IRPJ  para  custos  e  despesas.  Para  tanto,  embasou a divergência  nos  acórdãos utilizados  como paradigmas de nºs 201­81.139 e 3202­ 00.226.  Abaixo  alguns  trechos  dos  acórdãos  utilizados  como  paradigmas  que  foram  selecionados pelo contribuinte, acrescidos de alguns selecionados por esta Conselheira:  Acórdão nº 201­81.139  “(...)  Mas  ainda,  a  vinculação  da  despesa  com  a  receita  de  exportação não guarda relação exclusivamente com o processo  produtivo.  A  despesa  pode  ser  incorrida  antes  ou  depois  de  realizada a produção do bem exportado.  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 497          5 No  caso  sob  exame,  foram  glosados  os  créditos  relativos  aos  combustíveis  e  lubrificantes  usados  na  frota  de  veículos  da  recorrente  e  aos  dispêndios  com  a  remoção  de  resíduos  industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo.  A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e  lubrificantes  porque  os  mesmos  são  usados  em  sua  frota  de  veículos,  que  transporta  produtos  e  insumos  entre  seus  estabelecimentos.  Para haver ressarcimento é necessário haver direito ao crédito  No  caso  dos  combustíveis  e  lubrificantes  usados  na  frota  de  veículo  ligados  à  atividade  industrial  geram,  no meu  entender,  direito  ao  crédito,  a  teor  do  inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637/2002.  E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e  serviços)  utilizado  pela  lei  não  é  igual  à  soma  de  matérias­ primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que  se  refere  a  legislação  do  IPI.  Insumos  são  todos  os  “custos,  despesas  ou  encargos”  vinculados  ao  produto  ou  serviço  vendido, como diz o art. 21 da IN SRF nº 460/2004. (...)”  Acórdão nº 3202­00.226  “(...) É de se concluir, portanto, que o termo “insumo” utilizado  para  o  cálculo  do  PIS  e  COFINS  não  cumulativos  deve  necessariamente compreender os cutos e despesas operacionais  da pessoa jurídica, na forma definida nos artugos 290 e 299 do  RIR/99,  e  não  se  limitar  apenas  ao  conceito  trazido  pelas  Instruções  Normativas  nº  247/02  e  404/04  (embasadas  exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI).  No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos  a  valores  de  despesas  que  a  Recorrente  houve  por  bem  classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção  de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos  mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda.   Ora,  constata­se  que  sem  a  utilização  dos  mencionados  materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar  seus  produtos  à  venda,  haja  vista  a  inviabilidade  de  utilização  das  máquinas.  Frise­se  que  o  material  utilizado  para  manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.”  Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira  Seção  de  Julgamento  do  CARF  deu  seguimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte.  Regularmente  intimada,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  suas  contrarrazões  requerendo  fosse  negado  provimento  ao  recurso  especial  de  divergência  interposto  pelo  contribuinte.  É o relatório.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 498          6 Voto Vencido  Conselheira Nanci Gama, Relatora  Os recursos especiais  interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte  são  tempestivos  e  após  refletir  com  meus  pares  sobre  a  configuração  do  requisito  da  divergência, conforme justificada pelos Recorrentes (Fazenda Nacional e contribuinte), passei  a entender que há divergência a sustentar o cabimento dos mesmos.   Primeiramente, quanto ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional,  veja­se  que  o  mesmo  pretende  afastar  o  direito  de  crédito  do  contribuinte,  oriundo  da  sistemática  da  não  cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  no  que  respeita  (i)  ao  serviço  de  decapeamento; (ii) ao serviço de lavra; (iii) à locação de máquinas e equipamentos e (iv) aos  gastos com aquisição de óleo combustível tipo A­BPF.  Quanto ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, veja­ se que a pretensão recursal é a de se ter reconhecidos os direitos de créditos não cumulativos de  PIS e COFINS sobre os dispêndios com serviços de (i) alteamento, (ii) limpeza; (iii) transporte;  (iv) vigilância patrimonial;  (v) melhoria de estradas;  (vi)  fornecimento de  refeições  e,  ainda,  sobre os gastos com (vii) combustíveis (gasolina comum e óleo diesel).  Inicialmente,  entendo  relevante  apontar  as  despesas  pleiteadas  no  processo  como insumos para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, em razão de  sua  participação  do  desenvolvimento  do  objeto  social  do  contribuinte,  conforme  por  ele  identificado ao pleitear o crédito em questão, a saber:  1.  SERVIÇO DE ALTEAMENTO:  consiste  no  aumento  da  capacidade  da  bacia de rejeitos.  2. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério  para permitir a passagem de veículos extratores de caulim.  3.  SERVIÇO  DE  LOCAÇÃO:  consiste  na  locação  de  equipamentos  para  extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de  minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado.  4. FORNECIMENTO DE  JANTAR: consiste no  serviço de  refeitório para os  funcionários, em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de  minério  desenvolvidas,  sendo  necessário  fornecer  aos  responsáveis  pela  produção da planta  industrial,  uma vez não existir  alternativa que não esta. 0  fornecimento  de  uma  segunda  refeição  diária  passa  a  integrar  a  atividade  produtiva, pois,  tratar­se de condição  intrínseca a manutenção do  fator mão­de­  obra da atividade.  5.  SERVIÇO DE DECAPEAMENTO:  consiste  na  retirada  de  vegetação  e  solo para expor o minério. Trata­se do primeiro passo necessário a atividade  extrativa mineral.   6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza.   7.  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE:  consiste  no  serviço  de  transporte  de  funcionários.   Fl. 498DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 499          7 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILÂNCIA: consiste no serviço de  segurança  patrimonial  dada  a  localização  geográfica  e  as  características  da  planta  produtiva,  de  forma  de  garantir  a  integridade  e  o  funcionamento  da  referida planta.   9.  SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS:  consiste  na manutenção  de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais, tendo em vista que a  produção estaria  inviabilizada  sem  rotas de  acesso,  adequadas  ao  acesso  de  homens e máquinas as fontes de minério.  10. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte  de  materiais.  Todo  o  deslocamento  de  material  utilizado  no  processo  produtivo é feito por meio de veículos movidos a gasolina.  11. ÓLE0 DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim, bem  como  para  o  transporte  de matéria­prima,  produtos  intermediários  entre  os  diversos setores da produção ou ainda da produção para a distribuição.   12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP A­BPF:  utilizado  na  fase  da  “evaporação”  (redução  do  teor  de  água  contida  na  polpa  através  de  passagem  por  evaporadores,  que  são  aquecidos  por  caldeiras  alimentadas  pela  queima  de  combustível).  A decisão recorrida, como informado no relatório, negou parcial provimento  ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos  de  PIS/COFINS,  os  gastos  com  (v)  “serviços  de  alteamento  (consistente  no  aumento  de  capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”;  (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas;  (x)  de  fornecimento  de  jantar,  e  (xi)  e  combustíveis  sob  o  entendimento  de  que  a  ausência  destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Despesas estas objeto de  recurso do contribuinte.  Por  conseguinte,  entendeu  como  insumos,  as  despesas  com  (i)  serviço  locação  de  equipamentos;  ii)  serviço  de  decapeamento,  iii)  serviço  de  lavra  e  iv)  óleo  combustível TP A­BPF.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  insurge­se  contra  a  decisão  que  reconheceu o direito de creditamento em relação aos serviços de decapeamento, de lavra, de  locação,  bem  como  o  referente  ao  óleo  tipo  A­BPF  sob  a  alegação  de  que  “a  Câmara  recorrida, que reconheceu como insumos determinados bens e serviços que neste conceito não  se  enquadram  para  fins  de  geração  de  créditos  de  COFINS  não­cumulativo,  conforme  determina  o  art.  3  o  da  Lei  n°  10.833/2003  (e  Lei  n°  10.637/2002,  para  o  PIS)  em  concomitância com o entendimento exposto na IN n° 404/2004.”  Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da  Lei 10.833, em matéria de COFINS, que, do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da  Lei 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador,  ao concessionário,  pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”.  (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004).  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 500          8 E  quais  são  esses  dispêndios,  denominados  insumos,  dedutíveis  do  PIS  e  COFINS  ditos  não  cumulativos?  Como  já  me  manifestei  em  outros  acórdãos  de  minha  relatoria,  entendo  que  sejam  todos  aqueles  relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao  PIS e COFINS. Veja­se o  texto da Lei: “(...)  créditos  calculados  em  relação a  ‘bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na  prestação  de  serviços  e  na  produção ou  fabricação de  bens  ou produtos  destinados à venda’.”.  O  dispêndio  para  se  consubstanciar  em  insumo,  suscetível  de  abatimento,  deve  ser  indispensável  à  produção  de  bens  ou  à  prestação  de  serviços  geradores  de  receitas  tributáveis pelo PIS ou pela Cofins.  E nesta linha de raciocínio é que entendo que a Instrução Normativa 247/02,  na  redação  da  pela  IN  SRF  358/03,  andou  mal  ao  limitar  a  extensão  do  referido  termo  a  interpretação  conferida  pela  legislação  do  IPI,.como  se  verifica  no  artigo  66,  parágrafo  5º,  segundo o qual:  Art.  66.  A  pessoa  jurídica  que  apura  o  PIS/Pasep  não­ cumulativo  com  a  alíquota  prevista  no  art.  60  pode  descontar  créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota,  sobre os valores:  § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende­ se como insumos:   I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.   A  impropriedade  do  conceito  de  insumo  adotado  pela  Instrução Normativa  247/02  se  destaca,  na  medido  que  o  mesmo,  inegavelmente,  encontra­se  associado  à  materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se  impõe, tratando­se de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Veja­se  que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens  que  venham  a  sofrer  “alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”.  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 501          9 Essas  ponderações  sobre  a  limitação  ao  termo  insumo  perpetrado  pela  Instrução Normativa 247/02 foi afastada pelo acórdão recorrido, a meu ver, acertadamente. Por  conseguinte, entendo que não assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional ao sustentar a  aplicação de referida Instrução em seu recurso, de modo a ver reformada a decisão recorrida no  tocante  às  despesas  com  decapeamento,  lavra,  locação  de  máquinas  e  equipamentos  e  com  aquisição de óleo combustível tipo A­BPF.  Por outro lado, ressalto também, que do mesmo modo que entendo que dão  direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos  à produção, geradores de receita  tributável pelas  referidas contribuições, não entendo correto  adotar,  como  sustentado  pelo  contribuinte  em  se  recurso,  o  conceito  de  insumo  aplicável  ao  imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto à produção.  Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material  administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de  seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da Cofins, eis que não  são indispensáveis para a sua produção, strictu senso.   Todavia,  apesar de não divergir do critério utilizado pelo acórdão  recorrido  ao  identificar as despesas  consideradas  insumos nos  termos do  artigo 3º,  inciso  II,  da Lei nº  10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei nº 10.833, em matéria de COFINS, entendo que, pela  características  e  afetação  à  produção  do  contribuinte,  compreendem  também  no  conceito  de  insumos  os  gastos  com  “serviços  de  alteamento  (consistente  no  aumento  de  capacidade  da  bacia  de  rejeitos)”;  “serviço  de  limpeza  e  passagem  (desobstrução  de  vias  de  acesso)”;  melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel).  Com efeito, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de  transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar.  E  ao  assim  me  posicionar  não  nego  a  necessidade  da  empresa  de  ter  que  suportar referidas despesas para viabilizar sua produção, em razão, como a mesma justifica, da  localização  da  mina,  de  sua  posição  geográfica.  Todavia,  não  reconheço  as  mesmas  como  insumos na produção, aqui considerada a extração e o beneficiamento de caulim.   Repito, a meu ver, insumos não são todas as despesas incorridas no processo  produtivo, mas aquelas que afetem, participem e sejam indispensáveis à produção, no sentido  estrito. De  forma a  ilustrar  a minha opinião,  caso  a mina de  caulim  fosse  situada próxima a  determinada área urbana, se possível fosse, o fornecimento de refeições, como o transporte de  funcionários  e  a  vigilância  patrimonial,  seriam  despesas  desnecessárias  à  extração  e  o  beneficiamento  do  caulim.  E  neste  sentido  que,  a  meu  ver,  nem  toda  despesa  necessária  é  indispensável à produção, em si considerada.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e  dar  provimento  parcial  ao  recurso  do  contribuinte  para  considerar  como  insumos  os  gastos  afetos aos serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”;  “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e  combustíveis (gasolina e óleo diesel).    Nanci Gama  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 502          10   Voto Vencedor  Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado  Já  foi  corretamente  delineado  pela  i.  relatora  que  a  divergência  que  se  estabeleceu  em  relação  a  seu  brilhante  voto  se  restringiu  tão­somente  ao  recurso  do  contribuinte, para o qual a maioria qualificada pelo voto do Presidente apenas deu provimento  quanto ao óleo empregado nos veículos que fazem o  transporte, dentro da área de produção,  dos insumos aí consumidos.  Tal divergência se deve não tanto a questões conceituais, as quais foram, em  meu  entender,  muito  bem  expostas  pela  n.  relatora.  De  fato,  não  prevalece mais  no  âmbito  deste colegiado a interpretação assaz restritiva intentada pela Fazenda Nacional com base nas  normas  expedidas  acerca do  IPI,  tanto que  ao  recurso  fazendário  foi  negado provimento por  unanimidade.   Além  das  razões  já muito  bem  apontadas  pela  dra.  Teresa,  e  das  quais  em  nada  divirjo,  vale  sempre  o  registro  de  que  a  legislação  específica  das  contribuições  expressamente  admitiu  o  cômputo  como  insumos  dos  serviços  consumidos  no  processo  produtivo.  Ora,  sabendo­se  que  não  contêm  eles,  de  regra,  o  atributo  da  materialidade  imprescindível  à  aplicação  do  critério  da  legislação  do  IPI  para  definir  matérias  primas,  produtos  intermediários  e material  de embalagem,  isto  é,  o  contato  físico  com o produto  em  elaboração, como se pode reivindicar que a elas se aplique o princípio daquele?  Tudo isso não obstante, o que ainda não é pacífico no colegiado é o alcance  que se deve dar ao conceito de  insumos uma vez afastadas  as  restrições  acima. De que há  a  necessidade de que o item físico em questão (ou mesmo o serviço, também previsto na norma  legal) seja consumido no processo produtivo não há dúvida. A dúvida se resume a demarcar a  abrangência da expressão “consumido no processo”.  Para  uma  primeira  corrente,  que  se  formou  concomitantemente  à  que  a  Fazenda  mais  uma  vez  pretende  seja  aplicada,  e  em  antítese  a  ela,  a  demarcação  devia­se  buscar nas normas  atinentes  ao  imposto  sobre  a  renda,  equiparando­se,  assim,  a  expressão  a  tudo  que  fosse  despendido,  de  forma  necessária,  seja  como  custo  ou  despesa.  Essa  posição  também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda  que  contabilmente  até  possa  ser  registrado  como  custo  ou  despesa,  é  verdadeiramente  consumido no processo.   Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo  ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o  processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a  “produção” de serviços. Afastam­se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de  iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção.  E por esse mesmo critério  também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios  em  bens  e  serviços  que  produzirão  efeito  ao  longo  de  diversos  ciclos  produtivos.  Tais  desembolsos  ocorrem,  no mais  das  vezes,  em  obras  ou  bens  permanentes,  hipótese  em  que  devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/2005­01  Acórdão n.º 9303­002.653  CSRF­T3  Fl. 503          11 depreciação  ou  amortização  podem  ser  deduzidas  como  créditos,  mas  apenas  nas  restritivas  condições demarcadas pela própria norma legal específica.  Aplicando­se tais balizas aos itens postulados pelo sujeito passivo, apenas o  óleo cumpre  todos os  requisitos: é utilizado no processo produtivo, nem antes nem depois,  e  consome­se em um único ciclo produtivo.  De fato, os serviços de alteamento, de remoção de minérios e de manutenção  de  estradas  são  gastos  que  devem  ser  ativados,  uma  vez  que  os  seus  resultados  ocorrem  ao  longo de vários ciclos produtivos. Já no que tange aos gastos com fornecimento de refeições e  de transporte para os funcionários, além da gasolina consumida para transportar o produto final  e  os  serviços  de  vigilância,  eles  não  ocorrem  no  processo  produtivo,  ainda  que  sejam  absolutamente relevantes ao desiderato empresarial.  Vale,  por  fim,  o  registro  de  que  a  própria  lei  expressamente  autorizou  o  direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete  do  produto  final,  armazenagem)  ou  relativas  a  gastos  que  beneficiam  mais  de  um  ciclo  produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de  insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal.  Foi  com  essas  considerações  que  o  colegiado  restringiu  o  provimento  do  recurso do contribuinte ao óleo consumido nos caminhões que movimentam a matéria­prima na  área de produção, sendo este o acórdão que me coube redigir.    Conselheiro Júlio César Alves Ramos                  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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5852812 #
Numero do processo: 10680.722351/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. A base de cálculo do PIS e da Cofins para as Instituições Financeiras e Seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício da atividade empresarial típica. Entendimento similar ao proferido no RE 585.2351/MG, submetido à Repercussão Geral. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Cláudio Monroe Masseti. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Jonathan Barros Vita acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1.025          1 1.024  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.722351/2011­88  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­002.853  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  PIS PERDCOMP  Recorrente  BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005  AFRONTA À COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA.  Afasta­se  a hipótese de  afronta  à coisa  julgada quando  se  constata  inexistir  coincidência  entre  a  decisão  proferida  de  maneira  incidental  pelo  STF  no  Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte na ação mandamental por  ela impetrada e a matéria sob litígio administrativo.  PRELIMINAR. INEXISTÊNCIA HIPÓTESES DE SOBRESTAMENTO  Inexiste previsão legal de sobrestamento de processo de restituição de valor  supostamente  recolhido  a  maior  até  que  ocorra  o  trânsito  em  julgado  de  decisões administrativas proferidas em outros processos administrativos nos  quais se discutem questão atinente à quitação, por meio de compensação, dos  respectivos tributos objetos do pedido de restituição sob litígio.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005  COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  Nos  termos do art. 170 do CTN, somente  são passíveis de compensação os  créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005  BASE DE  CÁLCULO.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ALCANCE  DA  EXPRESSÃO  RECEITA  BRUTA.  RECEITAS  ORIUNDAS  DO  EXERCÍCIO  DAS  ATIVIDADES  EMPRESARIAIS  TÍPICAS.  REPERCUSSÃO  GERAL  DO  RE  585.2351/MG.  APLICAÇÃO  DO  ARTIGO 62­A DO RICARF.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 23 51 /2 01 1- 88 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     2 A  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  para  as  Instituições  Financeiras  e  Seguradoras,  ainda  que  entendida  como  a  receita  bruta  derivada  exclusivamente  das  vendas  de mercadorias,  de mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza,  corresponde  à  receita  bruta  operacional  auferida no mês proveniente do exercício da atividade empresarial típica.  Entendimento  similar  ao  proferido  no  RE  585.2351/MG,  submetido  à  Repercussão Geral.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  da  relatora.  Vencido  o  conselheiro  Cláudio Monroe Masseti. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Jonathan Barros Vita  acompanharam a relatora pelas conclusões.  (Assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ ­ Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Walber  José  da  Silva(Presidente);  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Jonathan  Barros  Vita,  Cláudio  Monroe  Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó    Relatório  Na origem, cuidam os autos de procedimento para homologação de compensações  cujas  declarações  transmitidas  em  setembro  de  2006  têm  como  base  créditos  decorrentes  de  recolhimentos  ditos  como  tendo  sido  efetuados  a maior  a  título  do  Programa  de  Integração  Social(Pis), no valor consolidado inicial de R$ 23.380.203,13, referentes aos períodos de apuração  de janeiro de 2000 a outubro de 2005, lastreados em decisão judicial transitada em julgado (Mandado  de Segurança Individual n° 2000.38.00.004095­0).  Relata  a  autoridade  no  Despacho  Decisório  nº  791  ­  DRF/BHE  (e­fls  127/134)  que  a  contribuinte  formalizou  o  Pedido  de  Habilitação  de  Crédito  Reconhecido  Judicialmente  conforme  processo  n°  10680.002919/2006­83,  efetuado  com  base  na  mencionada  decisão  judicial  transitada  em  julgado  (Mandado  de  Segurança  Individual  n°  2000.38.00.004095­0), tendo sido o pedido inicialmente indeferido pelo Serviço de Controle e  Acompanhamento  Tributário(Secat)  desta  Delegacia,  conforme  Despacho  Decisório  n°  105/2006 constante do referido processo.  Porém,  diante  do  insucesso  do  contribuinte  no  âmbito  administrativo,  foi  impetrado o Mandado de Segurança n° 2006.38.00.020817­2 (Banco Mercantil do Brasil S/A e  outros)  objetivando  a  obtenção  de  ordem  judicial  para  que  a  autoridade  coatora  desse  Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.026          3 prosseguimento  aos  pedidos  de  habilitação  de  créditos  das  impetrantes  tendo  como  base  a  decisão  judicial  acima  mencionada,  dando­se  início  ao  procedimento  de  compensação  de  tributo recolhido a maior, tendo sido conceda a liminar requerida.  Em virtude da decisão judicial retro mencionada, foi deferido pelo Serviço de  Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) da Delegacia, no processo 10680.002919/2006­ 83,  o  Pedido  de  Habilitação  de  Crédito  Reconhecido  por  Decisão  Judicial  Transitada  em  Julgado,  o  que possibilitou  ao  contribuinte  a  transmissão  das DCOMP constantes  do  quadro  contido no mencionado Despacho Decisório e ora sob litígio.  A  autoridade  Administrativa  da  DRF/BHE,  por  meio  do  mencionado  Despacho Decisório nº 791 decidiu pela homologação parcial por ter entendido que, tendo em  vista  a  decisão  transitada  em  julgado,  em  09/12/2005,  no  Mandado  de  Segurança  nº  200.38.00.004095­0, a qual afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e  considerando as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, emitido em decorrência  de  consulta  formulada mediante  a Nota Técnica Cosit/SRF  nº  21,  de  2006,  são  exigíveis  os  valores do Pis apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2ºo da LC  70/91,  ou  seja,  "a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza",  permitidas  as  exclusões  determinadas  pela  legislação  não  atingida pela  inconstitucionalidade do § 1º do  art.  3º  da Lei n° 9.718/98;  conseqüentemente,  estão  extintos  os  valores  devidos  calculados  sobre  a  base  de  cálculo  ampliada,  no  que  excederem aos valores apurados nos termos supra, concluindo que o contribuinte teria direito  tão somente ao crédito relativo à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago  incidente  sobre  as  receitas  totais,  excluídas  as  receitas  não  operacionais,  conforme  quadro  elaborado com base nas informações do contribuinte.   A autoridade administrativa referindo ao quadro elaborado esclarece:  “A  coluna  ‘Diferença’,  refere­se  aos  valores  dos  créditos  efetivos  do  contribuinte,  cuja  soma  perfaz  R$  99.490,95,  esclarecendo  que  os  campos  preenchidos  com  o  valor  ‘0,00’,  excetuando­se o PA 03/2000, em que não foi apurada diferença  negativa,  dizem  respeito  aos  valores  de  débitos  objeto  de  compensação que se encontram pendentes em virtude do fato de  que  os  respectivos  processos  de  crédito  (10680.019436/99­09,  10680.011724/00­  e  10680.002644/2003­35)  se  encontram  aguardando  julgamento  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais(Carf) e, portanto, não podem compor o crédito  pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.”.  A  manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte  traz  os  argumentos  a  seguir sintetizados:  Preliminarmente:  Requer que o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado  dos  processos  administrativos  nºs  10680.019436/99­09,  10680.011724/00­  77  e  10680.002644/2003­35,  ao  menos  no  que  refere  às  competências  de  agosto/2000  a  outubro/2001, junho e setembro/2003 e fevereiro a abril/2004, que se encontram pendentes de  julgamento no Carf, nos quais se discute a compensação dos valores de PIS com créditos de  Finsocial  e  de  PIS­Decretos.  Caso  seja  reconhecida  no  Carf  a  legitimidade  dos  referidos  créditos,  os  valores  serão  considerados  líquidos  e  certos,  de  forma  que  o  PIS  estará  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     4 definitivamente quitado e poderá compor o crédito ora pleiteado,  independentemente da base  de cálculo a ser adotada. Destaca que o julgamento do PAF nº 10680.019436/99­09 foi a seu  favor  e  atualmente  aguarda  o  julgamento  do  Recurso  Especial  apresentado  pela  Fazenda  Nacional. Já os PAFs nºs 10680.011724/00­77 e 10680.002644/2003­35 aguardam julgamento  de embargos declaratórios nos quais se demonstrou que a mesma discussão foi objeto de Ação  Cautelar e Ação Rescisória por parte da Fazenda Nacional,  sendo que ambas  foram  julgadas  improcedentes, com trânsito em julgado.  No mérito:  Afronta à coisa Julgada: aduz que o valor exigido no Despacho Decisório se  refere  ao  PIS  incidente  sobre  receitas  que  não  correspondem  ao  sentido  estrito  de  “faturamento” adotado tanto na decisão transitada em julgado em seu favor quanto nos leading  cases sobre a matéria no STF. É juridicamente falha a argumentação de que a decisão judicial  que julgou procedente o seu pedido lhe teria sido desfavorável no tocante à incidência do PIS  sobre as receitas financeiras, pois além de o STF ter decidido com base no art. 557, §1º­A, nos  estritos  termos  dos  julgados  pacificadores  da  matéria,  também  declarou  que  o  conceito  de  faturamento  para  a  base  de  cálculo  do  PIS  é  a  receita  bruta  de  venda  de mercadorias  e  da  prestação de serviços.   Observa que a tentativa do Despacho Decisório de equiparar o faturamento a  todas  as  receitas decorrentes do  exercício das  atividades previstas no  contrato  social  implica  em  tributação  das  receitas  financeiras,  o  que  equivale  quase  à  totalidade  das  suas  receitas  auferidas, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os  efeitos da decisão transitada em julgado.  Subsidiariamente:  Argumenta  que  há  receitas  consideradas  pelo  Despacho  Decisório  que  extrapolam  o  entendimento  nele  sustentado,  isto  é,  de  que  a  base  de  cálculo  do  PIS,  com  o  afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deve ser composta por todas as receitas  que  “decorrem da  atividade­fim  da  empresa”.  Foi  adotado  o  entendimento  de  que  apenas  as  receitas  não  operacionais,  contabilizadas  na  conta  7.3.0.00.00­6,  deveriam  ser  excluídas  da  base  de  cálculo.  No  entanto,  existem  receitas  registradas  na  conta  7.1.9.99.00­9  ­  Outras  Rendas Operacionais,  cuja  descrição  do Cosif  é bastante  genérica,  que  não  decorrem da  sua  atividade operacional, o que pode ser verificado pela natureza das subcontas.  Caso sejam mantidas as glosas no crédito pleiteado, requer seja assegurado o  seu direito de recuperar os impostos que sobre ele incidiram indevidamente, pois esse crédito  foi  considerado  como  acréscimo patrimonial/lucro  e  tributado  como  tal.  Informa que  após  o  trânsito  em  julgado  do Mandado  de  Segurança,  contabilizou  o  crédito  de  PIS  em  conta  de  resultado,  afetando o  lucro  líquido  do  ano  base  2005,  o  qual  serviu  de  base de  cálculo  para  apuração  do  IRPJ  e  CSLL.  Assim,  caso  seja  mantido  o  Despacho  Decisório,  deve  ser  assegurado o seu direito de efetuar a recomposição da apuração do IRPJ e CSLL do ano base  de  2005,  bem  como  o  consequente  direito  de  recuperar  os  valores  pagos  a  maior  desses  tributos,  devidamente  atualizados,  e/ou  recompor  eventual  prejuízo  fiscal  do  referido  ano  calendário. Pede que tais ressarcimentos/recomposições possam ser efetuados na DIPJ do ano  calendário em que a questão restar decidida definitivamente, uma vez que já se passaram cinco  anos da entrega da respectiva DIPJ.  Por fim, requer que: o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em  julgado dos PAFs nºs 10680.019436/99­09, 10680.011724/00­77 e 10680.002644/2003­35, ao  menos  no  que  se  refere  às  competências  a  eles  relacionadas;  seja  cancelado  o  Despacho  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.027          5 Decisório  nº  791,  com  a  consequente  homologação  das  compensações  realizadas,  tendo  em  vista que o mesmo contraria a coisa julgada; sejam reconhecidos os equívocos no cálculo dos  valores  devidos  de  PIS  e  recalculado  o  crédito  apurado;  e  seja  autorizado  que  os  ressarcimentos/recomposições  relativos  à  apuração  do  IRPJ/CSLL  possam  ser  efetuados  na  DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente.  A autoridade Julgadora de 1ª Instância, por meio do Acórdão nº 02­37.201 ­ 1ª  Turma  da DRJ/BHE,  proferido  em  30  de  janeiro  de  2012,  por  unanimidade  de  votos,  julga  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  conforme  se  denota  pela  ementa  a  seguir  transcrita:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005   COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  Nos  termos do art. 170 do CTN, somente são passíveis de  compensação  os  créditos  líquidos  e  certos  do  sujeito  passivo contra a Fazenda Pública.  INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO.  A base de cálculo do PIS para as instituições financeiras e  assemelhadas,  ainda  que  entendida  como  a  receita  bruta  derivada  exclusivamente  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza,  compõe­se  da  receita  bruta  operacional  auferida  no  mês  proveniente  de  sua  atividade­fim,  o  que  inclui  as  receitas  advindas de intermediações financeiras.  ALEGAÇÕES. PROVAS.  As  alegações  constantes  da  manifestação  de  inconformidade  devem  ser  acompanhadas  de  provas  suficientes que as confirmem.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido.”  A  contribuinte  tomou  ciência  do  Acórdão  nº  02­37.201  ­  1ª  Turma  da  DRJ/BHE em 10/02/2012, conforme Aviso de Recebimento de e­fl. 588.   Assim,  devidamente  cientificada,  inconformada,  recorre  a  contribuinte,  em  13/03/2012,  insistindo  na  mesma  linha  de  argumentação  esboçada  na  manifestação  de  inconformidade  e  rebatendo  alguns  fundamentos  da  decisão  recorrida,  segundo  os  seguintes  itens e subitens de defesa:  I­  DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO   II­  DOS FATOS   Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     6 III­  PRELIMINAR – DA PREJUDICIALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM  RAZÃO  DOS  PAF  n°s  10680.019436/99­09;  10680.011724/00­77  e  10680.002644/2003­35   IV­  DO DIREITO   IV.1.  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  DE  ACORDO  COM  A  JURISPRUDÊNCIA DO STF   IV.2 ­ CONTRARIEDADE À COISA JULGADA   IV.3  –  POSICIONAMENTO  ATUAL  DO  STF  ACERCA  DA  BASE  DE  CÁLCULO DO  PIS  E  DA  COFINS  PARA AS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS  E  SEGURADORAS   IV.4  ­ RECEITAS A SEREM CONSIDERADAS NA BASE DE CALCULO DO  PIS  ­  EQUÍVOCO  NA  BASE  DE  CÁLCULO  ADOTADA  NO  DESPACHO  DECISÓRIO ­ EFETIVA COMPROVAÇÃO   V­  DIREITO  À  RECUPERAÇÃO  DO  IRPJ  E  CSLL  CALCULADOS  SOBRE  O  CRÉDITO DE PIS   VI ­ PEDIDO  Posteriormente,  em  Agosto  de  2013,  a  contribuinte,  por  seus  advogados  devidamente nomeados e constituídos, envia requerimento no qual noticia o julgamento proferido  em sede de recurso repetitivo pelo E. STJ no Resp 1118893 MG ­Recurso Especial 2009/0011135­9, na  forma do artigo 543­C do CPC, cuja juntada se requer, e ratifica as razões de recurso para reforma do  acórdão recorrido, visando, alega, a prevalência da coisa julgada.  O Requerimento e o Resp 1118893 MG foram anexados ao presente processo  às e­fls 809 a 839, conforme Despacho nº 3302­07/CAJ2013 de e­fl.840.  O presente processo foi pautado para julgamento na sessão de 27 de maio de  2014, ocasião em que os membros dessa turma, por maioria de voto, acordaram em converter o  julgamento  em  diligência,  mediante  a  Resolução  nº  3302000.417  –  3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária, nos termos do voto do redator designado, tendo sido vencidas as conselheiras Maria  da Conceição Arnaldo Jacó, relatora, e Mônica Elisa Lima.   Transcreve­se, a seguir, trecho conclusivo da referida resolução:  "Pleiteia a contribuinte que o conceito de faturamento que deve  ser observado pelas instituições financeiras quando da apuração  do PIS e da COFINS nos termos do caput do artigo 1° da Lei n°  9.718/98,  não  pode  ser  diverso  do  sentido  inequívoco  do  conceito  de  faturamento  atribuído  a  todas  as  outras  pessoas  jurídicas,  qual  seja,  ‘receita  bruta  das  vendas  de mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviço  de  qualquer  natureza.’  (artigo 2° da Lei Complementar 70/91).  Esta  afirmação  decorre  do  fato  de  que  o  conceito  fiscal  de  faturamento  é  ÚNICO  para  fins  de  incidência  tributária,  seja  para  uma  empresa  comercial,  seja  para  uma  prestadora  de  serviços ou para uma instituição financeira, não sendo possível  admitir,  em  qualquer  hipótese,  que  o  conceito  de  faturamento  Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.028          7 sofra variações de acordo com a qualificação do sujeito passivo  envolvido na incidência da hipótese tributária.  Tanto assim o seria que quando se intentou que a Contribuição  ao  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  englobasse  receitas  outras  além  do  faturamento  auferido  pelas  instituições  financeiras,  quais  sejam as  receitas  financeiras,  se  fez  editar  a  Emenda  Constitucional  de  Revisão  nº  1/94,  para  fazer  que  referida  contribuição  incidisse  ‘sobre  a  receita  bruta  operacional,  como  definida  na  legislação  do  imposto  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer  natureza’.  Ou  seja,  quando  se  pretendeu tributar as receitas típicas das instituições financeiras  pela contribuição ao PIS, alterou­se via emenda de revisão a sua  respectiva  base  de  cálculo,  uma  vez  que  o  artigo  195,  I  da  Constituição Federal não permitia tal incidência.  Diante dessa controvérsia, outrossim, penso que pode haver uma  terceira  via,  motivo  pela  qual  voto  no  sentido  de  baixar  o  presente processo em diligência, para que, querendo, os Ilustres  pares possam ou formar melhor a sua convicção ou seguir pelo  caminho “maniqueísta” com mais firmeza de propósito.  Explico.  Nesses processos, ao se considerar as receitas financeiras como  operacionais,  e  conseqüentemente  equipará­las  a  faturamento,  ou em sentido oposto, desconsiderar que as receitas financeiras  podem  ser  parte  da  atividade  de  uma  IF,  seguimos  o  caminho  estritamente jurídico, abandonando qualquer espécie de análise  econômica e contábil, que poderia auxiliar o julgador na busca  da verdade material.  Isso decorre do seguinte fato: uma instituição financeira não tem  100%  das  suas  receitas  financeiras  decorrentes  da  intermediação  financeira  ou  da  aplicação  de  recursos  de  terceiros,  captados  em  sua  atividade.  Parte  dos  recursos  aplicados,  o  são  por  obrigação  regulatória,  de  recursos  próprios,  que  têm  que  ser  mantido  na  instituição  por  força  dessas  mesmas  normas  regulatórias,  no  caso  brasileiro  não  apenas  do  Bacen  mas  em  observância  dos  Acordos  internacionais  denominados  Basiléia  I  e  II  (atualmente  até  mesmo da Basiléia III em alguns casos).  O exemplo mais claro disso é a existência do capital próprio, em  níveis  mínimos,  e  o  próprio  patrimônio  líquido  da  Instituição,  composto  por outras  reservas,  sejam  elas de  capital  ou mesmo  de  lucro.  Esses  são  inegavelmente  recursos  de  propriedade  do  Banco, e que lá ficam em determinado montante.  Isso posto, para esse Julgador faz todo o sentido que se busque  ‘separar’  ou  ‘distinguir’  o  que  são  receitas  de  intermediação  financeira  dos  seus  recursos  próprios,  e  daqueles  de  terceiros,  captados por meio de depósitos, CDB´s, Fundos, etc., que ai sim  são ‘girados’ no mercado obtendo­se parte significativa dos seus  lucros.  Independentemente  de  qualquer  opinião  jurídica  que  possa ter a respeito.  Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     8 Inclusive até por uma questão de justiça – ao prevalecer a  tese  da  PGFN,  as  IF´s  teriam  na  prática  um  resultado  distinto  daquele  obtido  pelas  demais  empresas  não­financeiras,  cuja  jurisprudência  reconhece  que  as  suas  receitas  financeiras  são  efetivamente ‘outras receitas’, eis que decorrentes da aplicação  recursos próprios na busca da melhor gestão empresarial.  Assim sendo, voto no sentido de converter o presente recurso em  diligência  para  que  o  contribuinte  seja  intimado  a  apresentar  cálculos que façam a distinção dos valores obtidos, para aqueles  períodos de apuração dessa  lide, e contabilizados nas contas  I)  Rendas  de  operações  de  créditos;  II)  Rendas  de  Aplicações  Interfinanceiras  de  Liquidez;  III)  Rendas  de  Títulos  e  Valores  Mobiliário;  IV)  Rendas  de  Prestação  de  Serviço;  e  V)  Outras  Receitas  Operacionais,  acompanhadas  da  demonstração  do  método utilizado para cada ‘distinção’ entre a) renda auferidas  de  recursos  próprios;  e  b)  rendas  auferidas  de  recursos  de  terceiros,  que  possa,  caso  oportuno,  ser  posteriormente  comprovada documentalmente para uma eventual liquidação de  um futuro resultado de julgamento que o considere.  Finalmente, que haja manifestação da Fiscalização acerca desse  método e dos cálculos apresentados pelo contribuinte."  A Unidade de origem, por meio do Parecer Fiscal de –e­fls 1012/1013, sem  emitir juízo de valor, assim descreve a resposta da contribuinte à intimação:  “Em  sua  manifestação  o  contribuinte  destaca  que  ‘não  há  no  mercado  financeiro  uma  metodologia  absoluta,  com  conceitos  uniformes,  que  permita  segregar  os  valores  de  rendas  provenientes  da  intermediação  de  recursos  de  terceiros  das  rendas  provenientes  de  da  aplicação  de  recursos  próprios’.  Afirma ainda que ‘considerando a complexidade das operações  financeiras  e  o  dinamismo  do  mercado  de  capitais  é  praticamente impossível  fazer uma conciliação harmônica entre  captações e aplicações, posto que há um contínuo fluxo e refluxo  entre  as  origens  e  os  destinos  de  recursos  no  âmbito  de  uma  instituição financeira’.  Assim,  o  contribuinte  decidiu,  conforme  planilhas  de  fls.  992/997), adotar o critério da proporcionalidade entre as contas  do  Passivo  (recursos  de  terceiros)  e  do  Patrimônio  Líquido  (recursos próprios), tomando­se os saldos de cada conta ao final  de cada mês e apurando a participação de cada um dos grupos  na soma de ambos.  Apuradas  as  proporções  mensais  acima,  o  contribuinte  as  aplicou sobre as receitas anteriormente consideradas como base  de  cálculo  do Pis,  apurando­se  a  parcela  da  receita  relativa  a  recursos próprios e a recursos de terceiros, além das receitas de  prestação de serviços, que não são objeto da lide.  Nas  mencionadas  planilhas  o  contribuinte  demonstra,  ainda,  o  tributo  que  seria  exigido  na  hipótese  de  exclusão  da  base  de  cálculo da parcela da receita relativa aos recursos próprios.”  É o Relatório.  Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.029          9 Voto             Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele  se conhece.  DA PRELIMINAR ARGÜIDA ­ Prejudicialidade do Despacho Decisório  em razão dos PAFs n°s 10680.019436/99­09; 10680.011724/00­77 e 10680 002644/2003­35.  Consoante  constata­se  do  Despacho  Decisório  nº  791  de  e­  fls  127/134,  a  autoridade Administrativa da DRF/BHE excluiu dentre os valores que a contribuinte declarou  no PER/DCOMP: 34804.18333.050906.1.3.57­1309 como sendo créditos de PIS passíveis de  restituição,  valores  de  PIS  os  quais  foram  objeto  de  compensações  que  se  encontravam  pendentes em virtude do fato de que os respectivos processos de crédito (10680.019436/99­09,  10680.011724/00­  e  10680.002644/2003­35)  se  encontravam  aguardando  julgamento  pelo  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­  CARF,  referentes  aos  períodos  de  agosto  de  2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004.  Entendeu  aquela  autoridade  administrativa  que  tais  valores  não  poderiam  compor o crédito pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.Tal entendimento foi  confirmado pela autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa.  A  contribuinte,  então,  recorre  de  tal  decisão  alegando  que  apenas  com  o  julgamento  definitivo  destes  processos  (PIS­Decretos  e  FINSOCIAL)  será possível  auferir  o  real  impacto  no  saldo  de  PIS,  ora  em  discussão,  solicitando  o  sobrestamento  até  que  seja  proferida  decisão  definitiva  nos  PAFs  n°s  10680.019436/99,  10680.011724/00­77  e  10680.002644/2003­35, para que o acórdão a ser proferido nestes autos esteja em consonância  com as decisões definitivas dos referidos processos.  Aduz que na hipótese de referidos créditos de PIS­ Decretos e FINSOCIAL  serem considerados insubsistentes, o Banco, ora recorrente, efetuará o pagamento do PIS­ Lei  nº 9.718/98, que tinha sido objeto de compensação nos mencionados processos, de modo que, a  nova cobrança do PIS, nestes autos, implicará em duplicidade de exigência. E, noutra direção,  se  for  reconhecida  pelo  CARF  a  legitimidade  de  referidos  créditos  do  PIS­  Decretos  e  FINSOCIAL, o PIS (Lei nº 9.718/98) compensado será considerado definitivamente quitado e  poderá  compor  o  crédito  ora  pleiteado,  independentemente  da  base  de  cálculo  a  ser  considerada.  Improcede a preliminar argüida.  Como é sabido, o Código Tributário Nacional ­ CTN (Lei nº 5.172, de 25 de  outubro de 1966) não divergiu da orientação do legislador civilista, quando dispôs, em seu art.  156, inciso II, que a compensação é modalidade de extinção de crédito tributário, no caso em  que o fisco e a contribuinte forem credores e devedores entre si.  Para que se realize a compensação de créditos tributários, o CTN estabeleceu  a  necessidade de  que  haja  lei  ordinária  específica  do  poder  tributante,  de qualquer  esfera  da  Federação, autorizadora de  sua aplicação, a qual  fixará  todos os pressupostos e  requisitos do  Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     10 ato administrativo autorizado, exigindo o CTN, porém, que a compensação seja efetuada com a  utilização de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública e, portanto,  incontrovertido, reconhecido pela administração pública.   É o que se depreende dos artigos abaixo transcritos:  CTN   “ Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  (...).  II. a compensação (...)”.  “Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  á  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifou­se)  Em face de tal exigência, na esfera federal, foi editada a Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996, cujo artigo 74, de acordo com a redação dada pela Lei nº 10.637, 30 de  dezembro  de  2002,  estabelece  que  o  sujeito  passivo  que  apurar  crédito  relativo  a  tributo  ou  contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição  ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de débitos próprios.  Assim,  em  conformidade  com  as  regras  legais  que  regem  a  matéria  de  compensação no âmbito federal, esta somente pode se dar com crédito líquido e certo, ou seja,  com crédito favorável à contribuinte em que não reste dúvidas sobre a sua validade e sobre o  valor a ser restituído e /ou ressarcido.  Deste  modo,  a  contribuinte  não  poderia  ter  incluído  em  seu  pedido  de  compensação, ora sob análise, crédito ainda ilíquido e incerto, posto que o PIS, nos períodos de  competência de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril  de 2004, teria sido objeto de compensação, ainda não homologados, em face de que os créditos  com  os  quais  teria  efetuado  tais  compensações,  referentes  à  PIS­  Decretos  e  FINSOCIAL,  ainda encontravam­se à época, como ainda se encontram, pendentes de ser reconhecidos pela  Administração  Pública,  por  meio  dos  processos  administrativos  nºs  10680.019436/99­09,  10680.011724/00­77 e 10680.002644/2003­35.  Portanto,  correta  a  decisão  de  1ª  instância  administrativa  quando  ressalvou  que somente após decisão administrativa transitada em julgado, a ser proferida nos processos  imediatamente acima mencionados  ,  caso  favorável à contribuinte,  é que serão calculados os  valores  de  créditos  de  Finsocial/PIS­Decretos  indevidamente  recolhidos  e  efetuada  a  compensação com débitos de PIS dos períodos em questão, a partir do montante reconhecido.  Assim,  somente  depois  de  homologada  a  compensação  do  PIS  naqueles  processos,  se  for  o  caso, ter­se­á o pagamento definitivo do PIS, a partir do qual, poderá a contribuinte requerer a  restituição  do  que  tiver  sido  recolhido  a maior  e,  uma vez  reconhecido  administrativamente,  estando  o  crédito  assim  líquido  e  certo,  poderá,  a  contribuinte,  a  partir  de  então,  solicitar  a  compensação com outros créditos tributários por ela devidos à Fazenda Pública Federal.  A  própria  contribuinte  reconhece  isso,  quando,  em  seu  recurso  voluntário,  alega que “apenas com o julgamento definitivo destes processos (PIS­Decretos e FINSOCIAL)  será possível auferir o real impacto no saldo de PIS, ora em discussão”.  Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.030          11 Acerca  de  seu  pedido  de  sobrestamento  deste  processo  até  que  ocorra  o  trânsito em julgado das decisões administrativas proferidas nos processos administrativos nºs  10680.019436/99­09,  10680.011724/00­77  e  10680.002644/2003­35,  é  de  se  ressalvar  a  inexistência de previsão legal neste sentido. Até porque, na verdade, a contribuinte, ao requerer  a  compensação  com  créditos  ainda  ilíquidos  e  incertos,  desatendeu  totalmente  a  legislação  específica em vigor.  Esclareça­se,  ainda,  que  se  encontra  equivocada  a  alegação  da  recorrente  quando  aduz  que  “na  hipótese  de  referidos  créditos  de  PIS­  Decretos  e  FINSOCIAL  serem  considerados  insubsistentes,  o  Banco,  ora  recorrente,  efetuará  o  pagamento  do  PIS­  Lei  nº  9.718/98, que tinha sido objeto de compensação nos mencionados processos, de modo que, a  nova  cobrança  do PIS,  nestes  autos,  implicará  em  duplicidade  de  exigência”.  É  que,  nestes  autos os valores atinentes ao PIS, nos períodos de competência de agosto de 2000 a outubro de  2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004, na verdade, foram excluídos pela  Autoridade  Administrativa  no  PER/DCOMP:  34804.18333.050906.1.3.57­1309  a  título  de  créditos de PIS passíveis de restituição, por serem créditos ilíquidos e incertos, não se tratando,  pois, de exigência em duplicidade de tais valores.  Desta forma, é de se negar a preliminar arguída.  DA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE À COISA JULGADA  Depois  de  defender  no  item  de  seu  recurso  denominado  “CONCEITO DE  FATURAMENTO DE ACORDO COM A  JURISPRUDÊNCIA DO  STF”  “que  o  Supremo  Tribunal Federal, nos julgamentos dos leading cases, não fez distinção sobre a variedade de  ramos  de  atividade  econômica  dos  contribuintes,  determinando,  de  forma  indistinta,  que  faturamento  equivale,  exclusivamente,  à  receita  decorrente  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação de serviços”, a recorrente, no sub  item do recuso voluntário “CONTRARIEDADE À  COISA  JULGADA”,  defende  que  a  decisão  proferida  no  Mandado  de  Segurança  nº  200.38.00.004095­0, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário por ela interposto foi  provido  pelo STF,  ou  seja,  o  seu  pedido  foi  integralmente  reconhecido  por meio  da  decisão  transitada  em  julgado  em  09/12/2005  e  que  não  pairam  quaisquer  dúvidas  quanto  ao  seu  direito, qual seja: seu PIS incidirá apenas sobre as receitas advindas das vendas de mercadorias  e serviços,  respeitada a definição do conceito  restrito de  faturamento,  imposto pelo Supremo  Tribunal, tendo, se operado a preclusão temporal da discussão trazida pelo Despacho Decisório  e Acórdão recorrido, visando mitigar a coisa julgada na esfera administrativa e então, afirma,  que o Despacho Decisório convalidado pela Decisão ora recorrida desconsiderou totalmente a  decisão  transitada em  julgado e pretende relativizar o conceito de “faturamento” para o caso  específico das instituições financeiras, em evidente confronto com a coisa julgada.  Neste  item  de  seu  recurso,  as  suas  argumentações  são  no  sentido  de  demonstrar que o STF decidiu pelo conceito restrito de faturamento, como base de cálculo do  PIS e COFINS, e que este não corresponde à receita operacional.  Pois bem, tendo­se em conta que se discute nos autos a definição do conceito  de  “faturamento”  para  as  Instituições  Financeiras,  ou  seja,  de  quais  receitas  auferidas  pelas  Instituições  Financeiras  integram,  ou  não,  o  faturamento  dessas  instituições,  defendendo  a  recorrente que “faturamento” não corresponde à “receitas operacionais”, passa­se à análise das  alegações  de  que  a  Autoridade  Administrativa,  por  meio  do  Despacho  Decisório  nº  791­ DRF/BHE, bem como a Autoridade  Julgadora de 1ª  instância  administrativa,  com o  acórdão  02­37.201  ­  1ª  Turma  da  DRJ/BHE  ora  recorrido,  teriam  afrontados  a  coisa  julgada  no  Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     12 Mandado de Segurança  nº  2000.38.00.004095­0,  transitado  em  julgado  em 09/12/2005,  para  concluir  se  realmente  ocorreu,  ou  não,  a  coisa  julgada  com  o  enfoque  pretendido  pela  recorrente.  Acerca  do  referido  Mandado  de  Segurança,  a  Belª  Érica  Mattos  Barbosa,  Diretora  de Secretaria  da 21ª Vara  da Seção  Judiciária de Minas Gerais,  conforme  cópia  da  Certidão à e­fl 30, certifica, in verbis :  “CERTIFICA, a requerimento de parte interessada, que, revendo  os  registros nesta Secretaria, verificou constar a  tramitação do  MANDADO DE SEGURANÇA, processo n° 2000.38.00.004095­ 0,  impetrado  pelo  BANCO  MERCANTIL  DO  BRASIL  S/A  E  OUTROS contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL  EM BELO HORIZONTE/MG, distribuído em 15/02/2000, em que  as  impetrantes,  instituições  financeiras,  pleiteiam  que  lhes  seja  garantido o direito ao não recolhimento da contribuição do PIS,  conforme  o  disposto  no  artigo  3º  da  Lei  n°  9.718/98,  sendo  autorizadas a efetuarem o recolhimento da referida contribuição  à alíquota de 0,65%, conforme artigo 1º da MP 1.991­14, sobre  o  efetivo  faturamento  das  impetrantes,  que  abrange  a  receita  decorrente  de  prestação  de  serviços  a  seus  clientes,  ou,  subsidiariamente,  que  possam  recolher  o  PIS,  a  partir  de  01/01/2000,  nos  termos  do  art.  3º,  §  2º,  da  Lei  Complementar7/70,  isto  é,  o  equivalente  a  5%  do  imposto  de  rendo devido (PIS­Repique).  Certifica  também  que,  em  15/12/2000,  foi  proferida  sentença  julgando improcedentes os pedidos e denegando a segurança, da  qual foi interposto recurso de apelação pela impetrante, ao qual  foi  negado  provimento.  Certifica,  finalmente  que,  a  Impetrante  interpôs  recurso  especial,  que  foi  inadmitido;  recurso  extraordinário,  que  foi  admitido  e  provido  para  afastar  a  aplicação do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98; que a decisão  transitou em julgado em 09/12/2005, que os autos retornaram a  esta  Instância  e  foram  recebidos  em  01/02/2006.  O  referido  é  verdade  e  dá  fé.  DADA  E  PASSADA  nesta  cidade  de  Belo  Horizonte,  aos 08  dias  do mês  de  fevereiro  de  2006. Eu,  .  .  .  .  (Vanilda Aparecida Ferreira), Analista Judiciária, a digitei e vai  devidamente assinada pela Diretora de Secretaria.”  Constata­se  que,  ao  contrário  do  alegado,  a  impetrante  não  questionou  explicitamente no mencionado Mandado de Segurança quais das suas  receitas decorrentes de  sua atividade típica comporiam, ou não, o conceito de faturamento para a base de cálculo das  contribuições do Pis e Cofins. Não se discutiu o conceito de faturamento para a atividade da  Recorrente e o pedido formulado no mandado de segurança foi realizado pela impetrante , em  relação a este tópico, de forma genérica: "direito de recolherem a contribuição ao PIS a partir  de 01/01/2000 à alíquota de 0,65% (art. 1o  da Medida Provisória n° 1.991­14) sobre o efetivo  faturamento  das  Impetrantes  (art.  195,  I,  da  Constituição  tal  como  redigido  à  época  da  promulgação da Lei n° 9.718/98), que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a  seus  clientes,  reconhecendo  incidentalmente  a  inconstitucionalidade  do  art.  3o  da  Lei  n°  9.718/98 (instituição de nova contribuição social ao arrepio da regulamentação constitucional  do  exercício  da  competência  residual  da União),  aplicando­se  tal  diploma  no  que  tange  ao  restante de suas disposições.”  Vê­se,  também, que  a decisão proferida de maneira  incidental  pelo STF no  Recurso Extraordinário n° 409.860, transitado em julgado em 09/12/2005, foi no sentido único  Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.031          13 de afastar a aplicação do §1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, por considerar  inconstitucional a  regra ali estabelecida, nos seguintes termos:  “DECISÃO:  Trata­se  de  recurso  extraordinário  interposto  com  fundamento  no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão no  qual ficou assentada a constitucionalidade do §1º do artigo 3º da  Lei nº 9.718, de 1998, em face do disposto no artigo 195,  I, da  Carta Magna, com a redação anterior à Emenda Constitucional  nº 20, de 16 de dezembro de 1998.   O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE  357.950, Rel. Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005,  decidiu em sentido contrário.   Assim, conheço e dou provimento ao recurso (art. 557, §1º­A, do  CPC),  para  afastar  a  aplicação  do  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718, de 1998.   Sem honorários (Súmula nº 512/STF).   Publique­se.   Brasília, 16 de novembro de 2005.   Ministro GILMAR MENDES Relator”   Portanto, ao contrário do argüido, na decisão do RE n° 409.860 o STF não se  pronunciou expressamente sobre a questão específica de quais receitas comporiam o conceito  de  faturamento  para  as  instituições  financeiras  contempladas  na  ação  mandamental  sob  julgamento.  A decisão ali proferida conforma­se, nos termos do art. 557, § 1°­A do CPC1,  com os estritos termos dos julgados, efetuados naquele colegiado, pacificadores da matéria.  Cabe, então, efetuar análise do que foi decidido no STF no julgamento do RE  357.950,  Rel.  Ministro  Marco  Aurélio,  sessão  de  09  de  novembro  de  2005,  em  face  da  referência feita pelo o relator Ministro Gilmar Mendes na decisão acima transcrita, com fins de  detectar a ocorrência, ou não, da alegada afronta à coisa julgada, destacando que o julgamento  do RE 357.950, tal qual se deu com o julgamento dos RE nº 346.084, 358.273 e 390.840, todos  julgados  na mesma  data  de  09  de  novembro  de  2005,  com  igual  teor,  embora  proferida  no  exercício  do  controle  difuso  de  Constitucionalidade,  aplicando­se,  portanto,  somente  às  empresas que integraram o pólo ativo da lide, constitui­se em verdadeiro leading case, que tem                                                              1 Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente,  prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do  Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior.  (Redação dada pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) § 1o­A   Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com  jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar  provimento ao recurso.  (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998)   Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     14 orientado outros julgamentos sobre a questão, a exemplo do que se deu com o julgamento do  Mandado de Segurança nº 2000.38.00.004095­0, da ora recorrente.  Pois  bem,  tal  como  ocorreu  no  julgamento  dos  RE  nº  346.084,  358.273  e  390.840, o STF no julgamento do RE 357.950 – 9 Rio Grande do Sul, que teve como relator, o  Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005,(DJ 15/08/2006) julgou pela inconstitucionalidade do  §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 , cuja ementa abaixo se transcreve:  Ementa   “CONSTITUCIONALIDADE  SUPERVENIENTE  ­  ARTIGO  3º,  §1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA CONSTITUCIONAL Nº  20, DE  15 DE DEZEMBRO  DE 1998. O sistema  jurídico brasileiro não contempla a  figura  da constitucionalidade superveniente.   TRIBUTÁRIO ­ INSTITUTOS ­EXPRESSÕES E VOCÁBULOS ­  SENTIDO.  A  norma  pedagógica  do  artigo  110  do  Código  Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio da realidade, considerados os elementos tributários.  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ­ PIS ­ RECEITA BRUTA ­ NOÇÃO ­  INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o  conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.”  Nos  debates  que  então  se  desenvolveram  na  sessão  do  Tribunal  Pleno  que  julgou  o  RE  nº  357.950  –  9/RS,  conforme  ementa  acima  transcrita,  bem  como  nos  votos  ­  vistas proferidos, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Cofins  no  sentido  da  identidade  entre  o  conceito  de  faturamento  e  a  receita  operacional  da  pessoa  jurídica, tida como resultante de sua atividade empresarial.  O  Acórdão  recorrido  fez  menção  aos  posicionamentos  dos  Ministros  explicitados no debate do julgamento do RE nº 346.084/PR, cujo teor do julgamento é similar  ao julgamento do RE 357.950­9/RS:  “O Ministro  César  Peluso,  no  RE  nº  346.084/PR,  expressou  o  entendimento  de  que  receita  bruta  é  sinônimo  de  faturamento,  como a soma das  receitas oriundas do exercício das atividades  típicas  da  empresa  e  acrescentou  que,  se  determinadas  instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial  típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como  faturamento, in verbis:  ‘Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da  Lei  9.718/98,  por  ampliar  o  conceito  de  receita  bruta  para  ‘toda  e  Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.032          15 qualquer  receita’,  cujo  sentido  afronta  a  noção  de  faturamento  pressuposta  no  art.  195,  I,  da Constituição  da República,  e,  ainda,  o  art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de  custeio da seguridade social.  Quanto  ao  caput  do  art.  3º,  julgo­o  constitucional,  para  lhe  dar  interpretação  conforme  à  Constituição,  nos  termos  do  julgamento  proferido  no  RE  nº  150755/PE,  que  tomou  a  locução  receita  bruta  como  sinônimo  de  faturamento,  ou  seja,  no  significado  de  ‘receita  bruta  de  venda  de  mercadoria  e  de  prestação  de  serviços’,  adotado  pela  legislação  anterior,  e  que,  a  meu  juízo,  se  traduz  na  soma  das  receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.  (...)  Se  determinadas  instituições  prestam  tipo  de  serviço  cuja  remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras,  isso  não  desnatura  a  remuneração  de  atividade  própria  do  campo  empresarial,  de  modo  que  tal  produto  entra  no  conceito  de  ‘receita  bruta igual a faturamento’.’ (grifou­se)  O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento,  no mesmo RE nº 346.084­6/PR, reproduzindo voto que proferira  anteriormente,  no  sentido  da  constitucionalidade  do  art.  3º  da  Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia  o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e  que a receita bruta, como sinônimo de  faturamento, refere­se à  atividade principal da empresa, in verbis:  ‘O  Tribunal  estabeleceu  a  sinonímia  “faturamento/receita  bruta”,  conforme  decisão  proferida  na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  nº  1­1/DF  ­  receita  bruta  evidentemente  apanhando a atividade precípua da empresa. (...)  Operacional. (...)’ (grifou­se)  Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE  nº  346.084­6/PR  a  identidade  entre  faturamento  e  receita  operacional,  esta  constituída  por  ingressos  que  decorrem  da  razão  social  da  empresa,  que  foi  o  sentido  de  faturamento  expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis:  ‘A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do  substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita.  Em que  sentido  separou as  coisas? No  sentido  de que  faturamento  é  receita operacional, e não receita total da empresa.  Receita  operacional  consiste  naquilo  que  já  estava  definido  pelo  Decreto­lei  2397, de 1987, art.  22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido  (...):  ‘Art. 22. (...)  §1º (...)  a)  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  de  mercadorias  e  serviços,  de  qualquer  natureza,  das  empresas  públicas  ou  privadas  definidas como pessoa  jurídica ou a elas equiparadas pela  legislação  do  Imposto  de  Renda;’  Por  isso,  estou  insistindo  na  sinonímia  Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     16 ‘faturamento’  e  ‘receita  operacional’,  exclusivamente,  correspondente  àqueles  ingressos  que  decorrem  da  razão  social  da  empresa,  da  sua  finalidade  institucional,  do  seu  ramo  de  negócio,  enfim.  (...)  Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional  foi  reproduzido  pela  Lei  Complementar  70/91,  cujo  artigo  2º  assim  dispõe (....).  Ou seja, mais claro, impossível.’(grifou­se)  Na  mesma  linha,  o  Ministro  Sepúlveda  Pertence,  no  RE  nº  346.084­6/PR,  pontuou  que  a  identidade  entre  receita  bruta  e  faturamento  deve  ser  buscada  na  legislação  do  Finsocial,  o  Decreto­lei nº 2.397, de 1987. O art. 22, caput, e a alínea b desse  Decreto determinavam que o Finsocial  (criado pelo Decreto­lei  nº 1.940, de 1982, e que antecedeu à Cofins)  incidiria sobre as  rendas  e  receitas  operacionais  das  instituições  financeiras  e  entidades  a  elas  equiparadas.  E  concluiu  que  a  lei  tributária  chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis:  ‘Recordem­se,  na  conformidade  do  referido  DL  2.397/87,  a  nova  redação do §1º  e  o §  4º  ­  esse,  então  acrescentado  ao  art.  1º  do DL  1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas:  ‘Art. 22 (...)  Parágrafo  1º  ­ A  contribuição  social  de que  trata  este artigo  será de  0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre:  (...);  b)  as  rendas  e  receitas  operacionais  das  instituições  financeiras  e  entidades a elas equiparadas (...);  c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras  e  entidades  a  elas  equiparadas.’  (...)  FINSOCIAL,  é  na  legislação  desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição  específica  da  respectiva  base  de  cálculo,  na  qual  receita  bruta  e  faturamento se  identificam:  (...),  essa é a  solução  imposta, no ponto,  pelo postulado da interpretação conforme a Constituição.  (...)  No prosseguimento da discussão, (...), acentuei ­ RTJ 149/287;  ‘(...)  .  O  que  tentei  mostrar  no  meu  voto,  a  partir  do  Decreto­lei  nº  2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL,  chamou  receita  bruta  o  que  é  faturamento.  E,  aí,  ela  se  ajusta  à  Constituição.’  Essa  interpretação  conforme  veio  a  ser  a  base  da  definição  de  receita  como  base  de  cálculo  da  COFINS,  na  Lei  Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1,  Moreira Alves.  (...)’” (grifou­se)  Portanto, constata­se que nos julgamentos dos  leading case, ao contrário do  argüido  e  de  acordo  com  o  entendimento  proferido  nos  votos  dos  Ministros­membros,  o  Supremo Tribunal Federal ­ STF expressou­se no sentido de que o faturamento, como base de  Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.033          17 cálculo  do  PIS  e  COFINS,  corresponde  à  receita  operacional  oriunda  do  exercício  das  atividades empresariais.  E  aqui,  cabe  registrar,  ­  em  vista  das  alegações  da  recorrente  de  que  as  posições individuais dos ministros foram defendidas apenas nos debates e que não compuseram  o voto vencedor do Ministro Marco Aurélio­, que se encontra evidente a convergência desse  entendimento,  proferidos  expressamente  nos  votos  vista  daqueles  que  a  requereram  e  não  apenas  mencionados  nas  discussões  verbais,  inclusive  do  próprio  relator  Marco  Aurélio,  consoante se demonstra com a transcrição já acima feita do voto­vista do ministro Cezar Peluso  e conforme se transcreve a seguir, a  título de exemplo,  trecho do voto­vista do ministro Eros  Grau no julgamento do RE 357.950/RS:  VOTO­VISTA DO MINISTRO EROS GRAU:  "(...);  Ora,  se  receita bruta  (=receita de  vendas de mercadorias  e de  prestação de serviços) coincide, qual afirmou esta corte, com a  noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito  ...‘receita’...no  texto  constitucional  há  de  estar  referindo  outro  conceito, que não o que coincide com a noção de ‘faturamento’.  Para  exemplificar,  sem  qualquer  comprometimento  com  a  conclusão: receita como a totalidade das receitas auferidas pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevante  para  a  determinação  dessa  totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação  contábil adotada para tais receitas.  Temos  ai  receita  bruta,  termo  de  um  conceito,  e  receita  bruta,  termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é  enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas  e  serviços  do  agente  econômico,  isto  é,  proveniente  das  operações do seu objeto social. No segundo, receita que envolve,  além  da  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  do  agente  econômico...  isto  é,  proveniente  das  operações  do  seu  objeto  social...,  aquela  decorrente  de  operações  estranhas  a  esse  objeto.  (...)” (grifei)  Tem­se como equivocada a afirmação da recorrente de que o STF declarou a  inconstitucionalidade da equiparação do termo receita bruta e faturamento. Vimos acima, pela  transcrição dos votos e da ementa do  julgamento do RE 357.950, que os ministros entendem  que  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  são  sinônimas,  considerando  “receita  bruta”  como “receita operacional”, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da  empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.  E, ademais, tal equiparação consta da redação do próprio caput do art. 3° da  Lei nº 9.718/98, que não foi julgada inconstitucional:  ““Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.”  O que se afastou com a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  foi  a  ampliação  do  conceito  de  receita  bruta  para  além  da  receita  Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     18 operacional  da  empresa,  tida  como  resultante  de  sua  atividade  empresarial,  no  sentido  de  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.   Verifica­se, pois, que a decisão proferida no referido Mandado de Segurança,  foi, unicamente, no sentido de afastar a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tendo  em  vista  a  jurisprudência  dominante  do  Supremo  Tribunal  Federal  acerca  da  inconstitucionalidade,  unicamente,  do  referido  parágrafo  e  não  do  integral  art.  3o  da  Lei  n°  9.718/98,  conforme  requerido  pela  impetrante,  em  conformidade  com  a  regra  contida  no  art  557, § 1°­A, do CPC.  Vê­se,  ainda,  que  nos  julgamentos  dos  leading  case  não  se  adentrou  na  discussão  sobre  a  composição  de  faturamento  para  o  caso  específico  das  instituições  financeiras. Tanto é assim que, em conseqüência da declarada inconstitucionalidade pelo STF  da  regra  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  as  instituições  financeiras  passaram  a  questionar as  inclusão de algumas  receitas operacionais na base de  cálculo do PIS e Cofins,  estando hoje,  esta questão  específica  submetida  à Repercussão Geral  assim declarada pelo  o  STF  no RE  609.096  que  trata  de  recursos  extraordinários  interpostos  pela  a União  e  pelo  o  Ministério  Público  Federal  contra  acórdão  que  entendeu  que  as  receitas  financeiras  das  instituições  financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de  incidência  da COFINS e da contribuição para o PIS.   Portanto,  o  recurso  voluntário,  no  concernente  à  preliminar  de  ofensa  do  Despacho Decisório e do acórdão recorrido à coisa julgada, não merece provimento, haja vista  verificar­se que o Acórdão 02­37.201 ­, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, convalidando o  Despacho Decisório  nº  791­DRF/BHE,  decidiu  pela  exclusão  na base  de  cálculo  do PIS  das  receitas não operacionais, tendo em vista exatamente a declaração de inconstitucionalidade do  §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendo a incidência do PIS apenas sobre a receita  bruta,  justificando  que  esta  corresponde  à  receita  bruta  operacional  auferida  no  mês  proveniente  do  exercício  de  sua  atividade­fim,  tudo  em  conformidade  com  o  decidido  no  Mandado  de  Segurança  nº  2000.38.00.004095­0,  com  a  jurisprudência  firmada  pelo  o  STF,  com o disposto no Parecer da PGFN/CAT/Nº 2.77 e com a Lei nº 9.718/88.  Aqui  cabe  ressaltar  que,  não  obstante  haja  coincidência  da  matéria  sob  repercussão geral acima mencionada com a matéria sob litígio neste processo, ­ haja vista que  aqui  se  discute  a  definição  da  amplitude  do  conceito  de  “faturamento”  para  as  Instituições  Financeiras, ou seja, de quais receitas auferidas pelas Instituições Financeiras integram, ou não,  como  receitas  operacionais,  o  faturamento  dessas  instituições­  não mais  se  pode  sobrestar  o  julgamento do recurso neste colegiado, em face da recente alteração do Regimento Interno do  CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º  revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62­A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de  22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado.  Assim sendo, não havendo questionamento pela contribuinte, ora recorrente,  na esfera judicial de igual matéria ora sob litígio na esfera administrativa e não mais podendo  este colegiado sobrestar o julgamento de matéria que esteja submetida à Repercussão Geral no  STF, esta tem que ser analisada e decidida pela autoridade julgadora administrativa.   Registre­se ainda que a recorrente no sub item “IV.3 – POSICIONAMENTO  ATUAL DO STF ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PARA AS  INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS” noticia sobre tal Repercussão Geral da  matéria no RE 609.096 e argúi que, ainda que o Supremo alargue a base de cálculo do PIS e da  COFINS  para  o  conceito  de  receitas  decorrentes  da  atividade  empresarial,  como  sustentado  Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.034          19 pela r. decisão recorrida, não haverá qualquer possibilidade jurídica de aplicação, com efeitos  ex tunc, à decisões transitadas em julgado que tenham por fundamento entendimento contrário  ao eventual novo posicionamento do Tribunal, como se dá no caso concreto do Recorrente.   Em razão dessas alegações e, tendo em vista, ainda, a requisição posterior da  recorrente de juntada do acórdão proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede  de  recurso  repetitivo,  nos  autos  do  REsp  1.1  18.893/MG,  na  qual  ressalta  ser  inconteste  a  imutabilidade da base de cálculo do PIS tal como requerido e deferido por decisão transitada  em julgado, cabe ressalvar, porém, que não tendo a coisa julgada, em face da decisão proferida  nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.004095­0, o enfoque pretendido pela ora  recorrente,  haja  vista  que,  repita­se,  a  decisão  proferida  no  âmbito  do  Supremo  Tribunal  Federal, nos autos do RE n° 409.860/MG foi unicamente para afastar a aplicação do § 1o do  artigo  3o  da  Lei  n°  9.718,  de  1998  e  não  para  esmiuçar  o  conceito  de  faturamento  das  instituições financeiras, não cabe, no presente caso, a aplicação da decisão proferida pelo STJ  no julgamento do REsp 1118893 MC ­Recurso Especial 2009/0011135­9, na forma do artigo  543­C do CPC.  NO MÉRITO  Passa­se  assim,  ao  mérito  da  questão,  qual  seja,  analisar  e  decidir  qual  exatamente  a  composição  da  base  de  cálculo  do  PIS  das  empresas  financeiras,  a  partir  da  edição da Lei nº 9.718/88.  Até a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS e da COFINS  era  o  faturamento,  cujo  conceito  restringia­se  às  “vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e de  serviços de qualquer natureza”,  nos  termos do  art.  2º  da Lei Complementar nº  70/91.   O  §1º  do  art.  3º  da Lei  nº  9.718,  de  1998  pretendeu  ampliar  esse  conceito  para nela fazer inserir toda e qualquer receita, de qualquer natureza.  O  referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o  conceito de receita bruta, assim dispunha:  “Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.   §  1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas.”  Tal  pretensão  levou  o  judiciário  a  pronunciar­se  sobre  a  jurisprudência  já  firmada acerca do conceito de faturamento para incidência do PIS e da Cofins, em decorrência  das diversas ações impetradas pelos contribuintes, entre eles as empresas do setor financeiro e  seguradoras,  que  não  se  conformaram  com  o  término  da  isenção  que  possuíam  até  a  edição  dessa lei.   Assim é que o STF, nos julgamentos dos RE 346.084­6 Paraná, RE 358.273,  RE 390.840 e RE 357.950 – 9 Rio Grande do Sul, que teve como relator, o Ministro Marcos  Aurélio, em 09/11/2005 (DJ 15/08/2006), julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da  Lei nº 9.718, de 1998, cuja ementa foi acima transcrita. Mas, entendeu constitucional a regra  Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     20 do caput do art 3º de referida lei, acima transcrito, interpretando a expressão receita bruta, de  forma genérica, sobre a qual já se tinha jurisprudência firmada, consoante acima demonstrado.  Como  já  ressaltado,  o  STF,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  n°  409.860  no  MANDADO  DE  SEGURANÇA,  processo  n°  2000.38.00.004095­0,  da  ora  recorrente, declarou inconstitucional, de maneira incidental, o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de  1998,  nos  seguintes  termos:  “(...) Assim,  conheço  e  dou  parcial  provimento  ao  recurso  (art.  557, §1º­A, do CPC) para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998.  (...)”. Mas, não afastou os demais artigos dessa lei, cujas regras permanecem válidas, inclusive  a do art. 2º e a do caput do art. 3º, que prescrevem:  “Art.  2º  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  serão  calculadas  com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações  introduzidas  por  esta  Lei.  (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da  Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001).”   Afastada  a  regra  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  mas  permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas  de  que  se  encontra  afastada  a  possibilidade  de  se  tributar  como  base  de  cálculo  do  PIS  as  receitas da  contribuinte  que não  sejam  receitas operacionais,  consideradas  exclusivamente  as  decorrentes da atividade empresarial típica.  É que, como se viu acima, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do  §1º do  art.  3º  da Lei 9.718, de 1998, proferida nos  julgamentos dos  recursos  extraordinários  considerados como leading cases, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de  incidência  da COFINS/PIS  como  o  resultado  econômico  da  atividade  empresarial  vinculada  aos  seus  objetivos  sociais.  Ao  revés,  apenas  firmou  o  entendimento  de  que  não  é  qualquer  receita  que  pode  ser  considerada  faturamento  para  fins  de  incidência  da  COFINS/PIS  (v.g.  Receitas  de  Capital  de  locadora  de  veículos),  mas  apenas  aquelas  vinculadas  à  atividade  empresarial  típica  da  empresa,  como  é  o  caso  das  operações  bancárias  das  instituições  financeiras.  DO RE 585.2351/ MG ­ REPERCUSSÃO GERAL   Por fim, a sinonímia do termo faturamento e receita bruta abarcando a receita  decorrente do exercício da atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no  qual  foi  reconhecida  a  repercussão  geral  do  tema  concernente  ao  alargamento  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  prevista  no  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98  e  reafirmada  a  jurisprudência  consolidada pela Corte Suprema  nos  leading  cases.  Transcreve­se  a  ementa  e  Acórdão:  “EMENTA.  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  DE  1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006).  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.035          21 ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  ACÓRDÃO   Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária,  sob  a  Presidência  do  Senhor  Ministro  Gilmar  Mendes,  na  conformidade  da  ata  de  julgamento  e  das  notas  taquigráficas,  por  unanimidade,  em  resolver  questão  de  ordem no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional,  reafirmar  a  jurisprudência  do  Tribunal  acerca  da  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98  e  negar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  tudo  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido,  parcialmente,  o  Senhor  Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão  do  processo  em  pauta.  Em  seguida,  o  Tribunal,  por  maioria,  aprovou proposta do Relator para edição de  súmula vinculante  sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões,  vencido  o  Senhor  Ministro  Marco  Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade  de  encaminhamento  da  proposta  à  Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a  Senhora  Ministra  Ellen  Gracie  e,  neste  julgamento,  o  Senhor  Ministro Joaquim Barbosa.  Brasília, 10 de setembro de 2008   Ministro Cezar Peluso –Relator”  No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou:  “1.  O  recurso  extraordinário  está  submetido  ao  regime  de  repercussão  geral  e  versa  sobre  tema  cuja  jurisprudência  é  consolidada  nesta  Corte,  qual  seja,  a  inconstitucionalidade  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta,  violando,  assim,  a  noção  de  faturamento  pressuposta  na  redação  original  do  art.  195,  I,  b,  da  Constituição  da  República,  e  cujo  significado  é  o  estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer  natureza,  ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei).  Destarte, restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º  do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das  atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Ressalte­se  que  a  repercussão  geral  reconhecida  no  referido  RE  585.2351/MG  implica  sua  reprodução nos  julgamentos  administrativos no  âmbito do CARF,  conforme disposto no art. 62­A do Anexo  II do Regimento  Interno do CARF, aprovado pela  Portaria MF nº 256/20092.                                                              2 Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal  de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de  Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     22 Entendendo­se  o  alcance  do  conceito  de  receita  bruta  como  sendo  faturamento no sentido de venda de mercadoria e serviços, verifica­se que o conceito dado pelo  STF, à luz da Lei nº 9.718, de 1998, e da LC nº 70, de 1991, é, definitivamente, o de receita  operacional oriunda do exercício das atividades empresariais típicas.  Da  mesma  forma,  a  jurisprudência  dos  Tribunais  Regionais  era  de  que  faturamento  era  compreendido  como  Receita  Bruta,  assim  entendida  a  receita  originária  empresarial,  de  acordo  com  o  objetivo  societário,  excluindo­se  as  receitas  financeiras,  conforme se extrai dos trechos a seguir.  Vejamos:  No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.01.00.024444.­5/DF, cuja  relatora  era  a  Exma.  juíza  Eliana  Calmon,  na  qual  se  discutia  o  aumento  de  alíquota  e  ampliação da base de cálculo estabelecido pela Lei nº 9.718/98, a mesma ressalvou que:  “Receita  bruta  é  sinônimo  de  faturamento  pelo  o  STF,  entendendo­se  como  tal  o  total  das  vendas,  de  serviços  e  de  mercadorias e serviços (Precedentes do STF – RE 150.746, RE  150.755,  ADCnº01/DF).  Em  outras  palavras,  tudo  o  que  se  originar da atividade empresarial, de acordo com o seu objetivo  societário  é  Receita  Bruta  ou  faturamento.  Fora  do  contexto  ficavam  o  emprego  do  capital  empresarial  em  investimentos  mobiliários,  ou  especulação  cambial,  porque  tais  ganhos  não  poderiam  ser  rubricados  como  Faturamento  ou  Receita  Bruta.  Era  uma  zona  ‘gris’,  que  sofria  a  tributação  do  Imposto  de  Renda, naturalmente, mas escapava à incidência da Cofins. Com  a  Lei  nº  9.718/98  não  somente  pretendeu­se  estabelecer  em  diploma  legislativo  a  identidade  já  assumida  pelo  o  STF  –  Receita  Bruta  –  Faturamento  –  mas  ampliar­se  o  conceito  de  Receita  bruta  para  nela  abrigar  os  investimentos mobiliários  e  de  Câmbio.  E,  tanto  é  verdadeira  a  assertiva,  que  foi  preciso  explicitar  o  que  se  incluía  no  conceito  de  Receita  Bruta  (operações  em  mercados  futuros  e  operações  de  câmbio).  Consequentemente, a alteração ocorreu no sentido de dar­se ao  conceito  Receita  Bruta,  interpretada  até  então  como  o  só  resultado empresarial de suas atividades.”  No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.04.01.0022003.­0/SC, cuja  relatora era a Exma. juíza Tânia Escobar, do TRF da 4º região, DJU 2, de 31/05/1999, p.269, a  mesma menciona que:  “...mesmo  considerando  que  foi  com  a  entrada  em  vigor  da  Emenda Constitucional nº 20/98 que formalmente se viabilizou a  criação de  contribuições  sociais  sobre a  receita bruta,  a  cargo  do  empregador,  já  no  regime  anterior  à  referida  emenda  a  Cofins já incidia sobre receitas, não decorrentes de faturamento,  ex  vi  do  art.  2º  da  Lei  Complementar  nº  70/91,  tendo  essa  sistemática sido convalidada pela Suprema Corte no julgamento  da  Ação  Direta  de  Constitucionalidade  nº  1­  1/DF,  onde  prevaleceu o entendimento de que ‘conceito de receita bruta das  vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com  o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido  como  o  produto  de  todas  as  vendas,  e  não  apenas  das  vendas                                                                                                                                                                                           11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no âmbito do CARF.  Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.036          23 acompanhadas  de  fatura,  formalidade  exigida  tão  somente  nas  vendas mercantis a prazo.’ (trecho do voto do relator, Ministro  Moreira  Alves,  citando  o  votto  do  Ministro  Ilmar  Galvão  no  julgamento do RE 150.764/PE).”  Assim, é de se entender, em conformidade com a jurisprudência firmada, que,  de forma geral, o termo “faturamento”, ao longo de sua utilização na legislação tributária e das  discussões  doutrinárias  e  jurisprudenciais,  afastou­se  do  seu  sentido  inicial  meramente  mercantil, considerado como o ato de faturar, para alcançar as receitas decorrentes de todas as  vendas  de  mercadorias,  não  só  as  faturadas,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviços,  decorrentes  das  atividades  típicas  da  empresa,  que,  em  regra,  são  aquelas  constantes  do  objetivo social da empresa.   A  Lei  n°  9.718,  de  1998,  por  meio  de  seus  §5º  e  §6°  do  art.  3°  abaixo  transcritos, introduzidos pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999  (atualmente, art. 2º da MP n° 2.158­35, de 24 de agosto de 2001), determinou a base de cálculo  do PIS e da Cofins devidos pelas instituições financeiras e assemelhadas:   “§5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art.  22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para  fins  da  COFINS,  as  mesmas  exclusões  e  deduções  facultadas  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para o PIS/PASEP.  §6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para  o PIS/PASEP  e COFINS, as  pessoas  jurídicas  referidas  no  §1º  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  além  das  exclusões  e  deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir:  I  ­  no  caso  de  bancos  comerciais,  bancos  de  investimentos,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras  de  títulos  e  valores  mobiliários,  empresas  de  arrendamento  mercantil  e  cooperativas de crédito:  a)  despesas  incorridas  nas  operações  de  intermediação  financeira;  b)  despesas  de  obrigações  por  empréstimos,  para  repasse,  de  recursos de instituições de direito privado;  c) deságio na colocação de títulos;  d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações;  e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de  hedge;”  (...)  A  Instrução  Normativa  (IN)  SRF  nº  247,  de  21  de  novembro  de  2002,  normatizando o dispositivo legal citado, explicitou em seus arts. 27 e 95:  Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     24 “Art. 27. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras  de  títulos  e  valores  mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas  de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito  da  apuração  da  base  de  cálculo  das  contribuições,  podem  deduzir  da  receita  bruta  o  valor:  (  Revogado  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012 )   I  –  das  despesas  incorridas  nas  operações  de  intermediação  financeira;   II  –  dos  encargos  com  obrigações  por  refinanciamentos,  empréstimos  e  repasses  de  recursos  de  órgãos  e  instituições  oficiais ou de direito privado;   III – das despesas de  câmbio, observado o disposto no § 2º do  art. 10;   IV  –  das  despesas  de  arrendamento  mercantil,  restritas  a  empresas e instituições arrendadoras;   V – das despesas de operações especiais por conta e ordem do  Tesouro Nacional;   VI – do deságio na colocação de títulos;   VII – das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com  ações; e   VIII  –  das  perdas  com  ativos  financeiros  e  mercadorias,  em  operações de hedge .   Parágrafo único. A vedação do reconhecimento de perdas de que  trata  o  inciso VII  aplica­se  às operações  com  ações  realizadas  nos  mercados  à  vista  e  de  derivativos  (futuro,  opção,  termo,  swap e outros) que não sejam de hedge   (...)  Planilhas para o Cálculo das Contribuições   “Art.  95.  As  instituições  financeiras  e  demais  instituições  autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive  as  associações  de  poupança  e  empréstimo,  deverão  apurar  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  de  acordo  com  a  planilha  de  cálculo  constante  do  Anexo  I.”  (  Revogado  pela  Instrução  Normativa  RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012 )   Conforme  bem  destacado  pelo  o  Acórdão  ora  recorrido,  da  leitura  dos  dispositivos acima, depreende­se que, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da  Cofins,  as  instituições  financeiras  podem  efetuar  uma  série  de  deduções  necessárias  ao  auferimento das receitas derivadas da exploração de sua atividade­fim, resultando que, ao final,  tributa­se, basicamente, o resultado ou ganho líquido, e não a totalidade da receita. Trata­se de  situação  sui  generis,  devido  às  especificidades  e  particularidades  da  atividade  econômica  desenvolvida  pela  ora  recorrente,  totalmente  diversa  da  atuação  das  pessoas  jurídicas  eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços.  Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.037          25 Especificamente sobre a composição do faturamento, base de cálculo do PIS  e da Cofins, para pessoa  jurídica  incluída no rol do §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de  Julho  de  1991  (instituições  financeiras  e  assemelhadas),  o  acórdão  recorrido  traz  à  lume  a  decisão  prolatada  pela  2ª  Turma  do  STF  em  29/11/2005  (DOU de  09/12/2005),  de  lavra  do  Ministro Cézar  Peluso,  nos  autos  do RE  nº  400.479,  que  traduz  o  entendimento  do Excelso  Pretório  acerca  da  aplicação  da  inconstitucionalidade  do  §1°  do  art.  3°  da  Lei  n°  9.718,  de  1998,  para  aquelas  pessoas,  isto  é,  instituições  financeiras  e  assemelhadas  ­,  no  tocante  à  incidência das contribuições sociais para o PIS e Cofins e que se transcreve a seguir:  “1.  Trata­se  de  recurso  extraordinário  interposto  contra  acórdão  proferido  por  Tribunal  Regional  Federal,  acerca  da  constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98.  2. Consistente, em parte, o recurso.   Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência  com  a  orientação  da  Corte,  cujo  Plenário,  em  data  recente,  consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento  de  inconstitucionalidade  apenas  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta,  violando  assim a noção de  faturamento pressuposta na  redação original  do  art.  195,  I,  b,  da  Constituição  da  República,  e  cujo  significado  é  o  estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer natureza,  ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades  empresariais  (cf.  RE  nº  346.084­PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO;  RE  nº  357.950­RS,  RE  nº  358.273­RS  e  RE  nº  390.840­MG,  Rel. Min. MARCO AURÉLIO,  todos  julgados  em  09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1).  (...)  3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1º­A, do  CPC,  conheço  do  recurso  e  dou­lhe  parcial  provimento,  para,  concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de  incidência  do  PIS  e  da  COFINS,  receita  estranha  ao  faturamento  da  recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.”  (grifou­se)  Tal decisão foi objeto de agravo, sob os argumentos de que: a) a lide revela  especificidades  que  não  se  exaurem  com  a  decisão  alcançada  pelo  o  Plenário  da  Corte  declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; b) a limitação do conceito  de faturamento às receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços resultou na  isenção das empresas seguradoras das contribuições para o PIS e COFINS, exatamente por não  apresentarem nenhuma dessas receitas; c) as receitas de prêmio não podem ser tributadas pela  COFINS por não integrarem sua base de cálculo, o contrato de seguro não envolve vendas de  mercadorias e nem tão pouco prestação de serviços.  O  relator  do  agravo,  o Ministro Cezar Peluso,  apresenta,  em 10/10/2006,  o  seu voto nos seguintes termos:  “1.  A  decisão  agravada  invocou  e  resumiu  o  entendimento  invariável  da  Corte,  cujo  teor  subsiste  invulnerável  aos  Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     26 argumentos  do  recurso,  os  quais  nada  acrescentaram  à  compreensão e ao desate da quaestio iuris.  Seja qual  for a  classificação que  se dê às  receitas oriundas do  contrato de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não  implica  na  sua  exclusão  da  base  de  incidência  para  as  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS,  mormente  após  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98  dada  pelo  o  Plenário  do  STF.  É  que,  conforme  expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito  de  receita  bruta  sujeita  à  exação  tributária  em  comento  envolve, não  só aquela decorrente da  venda de mercadorias e  da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do  exercício das atividades empresariais.  É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544,§§ 3º e 4º ,  e no art.557, ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau  da autoridade que o ordenamento jurídico atribui, em nome da  segurança  jurídica,  às  súmulas  e,  posto  que  não  sumuladas,  à  jurisprudência  dominante,  sobretudo  desta Corte,  as  quais  não  podem  ser  desrespeitadas  e  nem  controvertidas  sem  graves  razões  jurídicas  capazes  de  lhes  autorizar  revisão  ou  reconsideração.  De  modo  que  o  inconformismo  sistemático,  manifestado  em  recursos  carentes  de  fundamentos  novos,  não  pode deixar de ser visto senão como abuso do poder recursal.  Ao presente recurso, que não traz argumentos consistentes para  editar  eventual  releitura  da  orientação  assentada  pela  Corte,  não sobra, pois, senão caráter abusivo.  2.  Isto posto,  nego provimento ao  recurso, mantendo a decisão  agravada pelos seus próprios fundamentos”.(grifei).  Infere­se das diversas manifestações dos Ministros do STF, inclusive no RE  585.2351/MG, no qual foi reconhecida a repercussão geral que, ao contrário do argumentado  pela ora recorrente, o faturamento ou receita bruta que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de  1998 elegeram como base de  cálculo da Cofins e do PIS,  corresponde,  de  forma genérica,  à  receita operacional da pessoa jurídica, independentemente da atividade por ela exercida, a qual  equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade empresarial típica.  Também, diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da  Lei nº 9.718, de 1998 pelo o STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu o  entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais devem compor a base de  cálculo das contribuições, conforme consta da Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de  2006, elaborada pela Coordenação­Geral de Tributação:  “Considerando  que  o  artigo  195  da  Constituição  Federal,  em  sua redação originária, anterior à Emenda Constitucional nº 20,  de  15  de  dezembro  de  1998,  somente  previa  a  incidência  de  contribuição  sobre  o  faturamento,  o  plenário  do  Supremo  Tribunal Federal  (STF)  julgou  inconstitucional o §1º do art. 3º  da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que conceituou o  termo  ‘faturamento’  como  sendo  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  classificação  fiscal  ou  contábil  adotada.  Em  resumo,  o  STF  decidiu que, sob o sistema constitucional em que aquela Lei  foi  promulgada,  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.038          27 PIS/Pasep  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social  (Cofins) era o  faturamento, aí compreendido  o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços,  independentemente da emissão de fatura. Dessa forma, a partir  da  referida  decisão,  a  interpretação  possível  é  a  de  que,  no  período  de  vigência  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  as  receitas  financeiras, dentre outras que não se caracterizem como receitas  de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, deixaram  de compor a base de cálculo das contribuições.  (...);  3.  Após  a  decisão  do  STF,  diversos  questionamentos  foram  levantados sobre a aplicação da referida decisão às instituições  financeiras  e  às  seguradoras,  sob  o  argumento  de  que  tais  entidades  não  possuem  ‘faturamento’,  propriamente  dito,  pois  argumentam  as  entidades  que  a  palavra  faturamento  teria  acepção  própria,  tecnicamente  construída,  e  corresponderia,  taxativamente,  ao  conjunto  de  receitas  obtidas  pela  pessoa  jurídica  na  venda  de  mercadorias  e  na  prestação  de  serviços.  Não  se  confundiria,  nem  se  equipararia,  com  receitas  outras,  como  as  receitas  financeiras  das  pessoas  jurídicas  que  se  dedicam à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços.  4. Como decidido pela Suprema Corte, foi afastada a ampliação  da base de incidência definida no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718,  de  1998.  Entretanto,  resta  equivocado  o  entendimento  dado  pelas  instituições do setor  financeiro, com base no argumento  referido  no  item  3  desta  Nota,  no  sentido  de  que  deverão  recolher  esses  tributos  apenas  sobre  as  tarifas  de  emissão  de  extratos  ou  de  talões  de  cheque,  entre  outras  assemelhadas,  considerando­as unicamente como receitas de serviços.  4.1.  As  instituições  financeiras,  em  sustentação  de  sua  tese,  alegam  que  a  maior  parte  de  suas  receitas  não  decorrem  da  prestação de  serviços ou da venda de mercadorias, mas sim de  atividades estritamente financeiras. Argumentam, ainda, que não  importa  que  essas  receitas  financeiras  sejam  consideradas  operacionais, já que o conceito de faturamento não é maleável a  ponto  de  sofrer  ampliações  em  função  da  natureza  das  atividades  do  contribuinte,  visto  que,  como  já  decidiu  o  STF,  trata­se  de  conceito  obtido  em  ciência  própria,  que  como  tal  deve ser respeitado.  (...).  6.  Ocorre  que  a  interpretação  lógica  decorrente  da  citada  decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e  de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para  o PIS/Pasep e a Cofins  sobre  receitas que não compõem o seu  faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de  serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que  não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços.  6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco  Central  do  Brasil  ­  inclusive  empresas  de  arrendamento  Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     28 mercantil  (leasing),  por  terem  sido  consideradas  como  instituições  financeiras  enquadradas  no  inciso  III  do  art.  8º  da  Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior  Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero  de CPMF,  transitada em julgado ­ não devem ser consideradas  na  apuração  da  base  de  cálculo  as  receitas  não  operacionais  previstas  no  Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema  Financeiro  Nacional  (Cosif),  tais  como  rendas  de  aluguel  e  outras  rendas  não  operacionais.  Entretanto,  receitas  da  atividade  própria  dessas  instituições  se  constituem no  próprio  faturamento destas,  reconhecidas  inclusive como operacionais  pelo próprio Cosif.  6.2.  No  caso  de  instituições  regulamentadas  pela  Superintendência  de  Seguros  Privados,  não  devem  ser  consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de  recursos próprios.  7. O  fato da  incidência dessas contribuições  sobre a  totalidade  das  receitas  somente  ter  sido  autorizada  com  o  advento  da  Emenda  Constitucional  nº  20/98  é  pouco  relevante  para  as  instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades  continuam  sujeitas  à  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei  nº 9.718, de 1998.  8.  Portanto,  são  frágeis  os  argumentos  das  instituições  financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas  contribuições  sobre  suas  receitas  financeiras,  sem  que  antes  seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação  às suas atividades.  9.  Com  efeito,  o  enquadramento  da  atividade  de  bancos  e  de  seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado  no Acordo Geral  sobre Comércio  de  Serviços  (GATS),  firmado  durante  a  rodada  de  negociações  multilaterais  promovidas  no  âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT  1994) ­ Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de  30 de dezembro de 1994.  9.1. O Acordo Geral  sobre Comércio de Serviços  (GATS) pode  ser  subdivido  em  dois  grandes  blocos. O  primeiro  é  o  próprio  texto do Acordo contendo as regras e as obrigações aplicáveis a  todos os Membros da OMC. O segundo é composto pelos anexos  que tratam de problemas específicos de alguns setores. São eles:  o anexo referente ao movimento de pessoas físicas fornecedoras  de serviço, o anexo sobre os serviços de transportes aéreos e os  de transportes marítimos, o anexo sobre serviços financeiros, e,  finalmente, os anexos concernentes a telecomunicações.  9.2. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS  (em anexo),  em seu item 5, efetua as seguintes determinações:  ‘5. Definições:  Para os fins do presente Anexo:  a)  Por  serviço  financeiro  se  entende  todo  serviço  financeiro  oferecido  por  um  prestador  de  serviço  de  um  Membro.  Os  Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.039          29 serviços  financeiros  incluem  os  serviços  de  seguros  e  os  relacionados  com  seguros  e  todos  os  serviços  bancários  e  demais  serviços  financeiros  (excluídos  seguros).  Os  serviços  financeiros incluem as seguintes atividades:  (...)  Serviços  bancários  e  demais  serviços  financeiros  (excluídos  seguros)  v)  Aceitação  de  depósito  e  outros  fundos  reembolsáveis  do  público;  vi)  Empréstimos  de  todo  tipo,  inclusive  de  créditos  pessoais,  créditos  hipotecários,  factoring  e  financiamento  de  transações  comerciais;  vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing);  viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária,  inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques  de viagem e letras bancárias;  ix) Garantias e compromissos;  x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja  em  bolsa,  em  mercado  não  cotado  (over­the­market)  ou,  em  outros casos, no que se segue:  •  instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques,  letras  de câmbio, certificados de depósito);  • divisas;  •  produtos  derivados,  tais  como,  mas  não  exclusivamente,  futuros e opções;  •  instrumentos  do  mercado  cambial  e  monetário,  tais  como  “swaps” e acordos a prazo sobre juros;  • valores mobiliários negociáveis;  • outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis,  inclusive  metal;  xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários,  inclusive  a  subscrição  e  colocação  como  agentes  (pública  ou  privadamente)  e  a  prestação  de  serviços  relacionados  com  tais  emissões;  xii) Corretagem e câmbios;  xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em  efetivo  (cash  management)  ou  de  carteira,  administração  de  investimentos  coletivos  em  todas  as  formas,  administração  de  fundos  de  pensão,  serviços  de  depósitos  e  custódia  de  serviços  fiduciários;  Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     30 xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos  financeiros,  inclusive  valores mobiliários,  produtos derivados  e  outros instrumentos negociáveis;  xv)  Provisão  e  transferência  de  informação  financeira  e  processamento  de  dados  financeiros  e  “software”  por  prestadores de outros serviços financeiros;  xvi)  Consultoria,  intermediação  e  outros  serviços  financeiros  auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i)  a  (xv),  inclusive  informação  e  análise  de  créditos,  estudos  e  consultoria  sobre  investimentos  e  carteiras  de  valores  e  consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia  empresarial;  b)  Um  prestador  de  serviços  financeiros  significa  qualquer  pessoa  física  ou  jurídica  de  um Membro  que  preste  ou  deseje  prestar  um  serviço  financeiro,  mas  o  termo  “prestador  de  serviço financeiro” não inclui uma entidade pública;  (...)’  10.  Assim,  entende­se  que,  sendo  essas  atividades  caracterizadas como serviços, as receitas delas provenientes são  receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento.  11. Ressalte­se que o impacto dos tratados internacionais sobre  a  legislação  tributária  é  disciplinado  pelo  art.  98  da  Lei  nº  5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional,  in verbis:  ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou  modificam  a  legislação  tributária  interna,  e  serão  observados  pela que lhes sobrevenha.’   12. Por todo o exposto, propõe­se o encaminhamento de consulta  à  PGFN  para  avaliação  da  natureza  jurídica  das  receitas  decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz  da decisão do STF.” (grifou­se)  Instada a dar o seu parecer sobre a base de cálculo da Cofins a ser utilizada  pelas  instituições  financeiras  e  assemelhadas,  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  emitiu, em 13 de dezembro de 2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, nos seguintes termos:  “61.O  relevante  para  a  norma  é  a  identidade  entre  a  receita  bruta  operacional  e  a  atividade  mercantil  desenvolvida  nos  termos  do  objeto  social  da  pessoa  jurídica.A  declaração  de  inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718,  de  1998,  não  alterou,  nesse  particular,  o  critério  definidor  da  base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico  da  atividade  empresarial  vinculada  aos  seus  objetivos  sociais.  Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer  receita  que  pode  ser  considerada  faturamento  para  fins  de  incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora  de  veículos),  mas  apenas  aquelas  vinculadas  à  atividade  mercantil  típica  da  empresa,  como  é  o  caso  das  operações  bancárias das instituições financeiras.  Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.040          31 62.O Ministro Cezar  Peluso,  relator  do  Agravo  Regimental  no  Recurso  Extraordinário  400.479­8  Rio  de  Janeiro,  expôs  com  clareza  meridiana  o  pensamento  que  vem  sendo  defendido  no  presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar  que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas  dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal  não  implica  na  sua  exclusão  da  base  de  incidência  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS,  mormente  após  a  declaração de  inconstitucionalidade do art.  3º,  § 1º,  da Lei nº  9.718/98  dada  pelo  Plenário  do  STF.  É  que,  conforme  expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito  de  receita  bruta  sujeita  à  exação  tributária  em  comento  envolve, não  só aquela decorrente da  venda de mercadorias e  da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do  exercício das atividades empresariais.   66. Têm­se,  então, que a natureza das  receitas decorrentes das  atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada  como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência  das  contribuições  em  causa,  na  forma  dos  arts.  2º,  3º,  caput  e  nos  §§5º  e  6º  do mesmo  artigo,  exceto  no  que  diz  respeito  ao  “plus”  contido  no  §Iº  do  art.  3º  da  Lei  n°  9.718,  de  1998,  considerado  inconstitucional  por  meio  do  Recurso  Extraordinário  357.950­9/RS  e  dos  demais  recursos  que  foram  julgados na mesma assentada.” (grifou­se)  Constatando, pois, que o termo “faturamento” ou “receita bruta” que a LC nº  70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS,  corresponde à receita operacional da pessoa jurídica, a qual equivale aos ingressos decorrentes  de  sua  atividade  típica,  torna­se  relevante,  exatamente  em  sentido  oposto  ao  defendido  pela  recorrente,  as disposições  contidas no Plano Contábil  das  Instituições do Sistema Financeiro  Nacional­COSIF,  instituído  pela  Circular  do  Banco  Central  do  Brasil  nº  1.273,  de  29  de  dezembro de 1987, que em seu Capítulo 1 ­ Normas Básicas, Seção 17 ­ Receitas e Despesas,  Item 3, explicita que as rendas obtidas tanto com as operações ativas quanto com a prestação de  serviços, ambas referentes a atividades  típicas,  regulares e habituais da  instituição financeira,  são classificadas como operacionais, consoante se demonstra a seguir:  “3 ­ As rendas operacionais representam remunerações obtidas  pela  instituição  em  suas  operações  ativas  e  de  prestação  de  serviços,  ou  seja, aquelas  que  se  referem  a  atividades  típicas,  regulares e habituais.” (grifou­se)  Consoante destacado no acórdão recorrido, bem como no recurso voluntário,  no  Cosif,  as  contas  de  receitas  operacionais  das  instituições  financeiras  referentes  à  suas  atividades típicas são divididas em:  7.1 ­ RECEITAS OPERACIONAIS  7.1.1.00.00­1 Rendas de Operações de Crédito  7.1.2.00.00­4 Rendas de Arrendamento Mercantil  7.1.3.00.00­7 Rendas de Câmbio  Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     32 7.1.4.00.00­0 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez  7.1.5.00.00­3  Rendas  com  Títulos  e  Valores  Mobiliários  e  Instrumentos  Financeiros Derivativos  7.1.7.00.00­9 Rendas de Prestação de Serviços  7.1.8.00.00­2 Rendas de Participações  7.1.9.00.00­5 Outras Receitas Operacionais  Conforme  bem  destacou  a  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  administrativa:  “as  receitas  operacionais  são  aquelas  desenvolvidas  em  conformidade  com  o  objeto  social  da  pessoa  jurídica. No  caso  das  instituições  financeiras,  as  receitas  operacionais  são  as  receitas de serviços decorrentes das operações de intermediação  financeira e de outros serviços bancários ou financeiros.   No mesmo sentido, acrescente­se que a legislação fiscal fixou, a  exemplo dos artigos 40, 41 e 43, da Lei nº 4.506, de 1964, e art.  11, do Decreto­lei nº 1.598, de 1977, que o lucro operacional da  pessoa  jurídica  é  o  resultado  das  atividades  normais  da  empresa, ou  seja,  as que constituem seu objeto. Se assim  é,  o  conceito  operacional  está  vinculado  ao  conceito  de  atividade  normal,  típica  da  empresa,  consoante  estabelecida  em  seus  estatutos.  Portanto,  a  receita  operacional,  de  onde  se  extrai  o  lucro  operacional,  decorre necessariamente  das  atividades  típicas  da  empresa. Nesse sentido, os ingressos decorrentes das atividades  típicas  das  instituições  financeiras  constituem  receitas  operacionais, sujeitas à tributação da Cofins e do PIS.  (...)(grifos meus).  Desta forma, mesmo considerando o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº  9.718,  de  1998,  e  diante  do  que  foi  acima  exposto,  pode­se  inferir  que  relativamente  às  instituições financeiras, as receitas vinculadas às operações ativas e à prestação de serviços,  em  conformidade  com  o  Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema  Financeiro  Nacional­ COSIF, são receitas operacionais decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras  que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins e, ao contrário do que alega a recorrente,  devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição.  No caso específico de instituição financeira o recebimento de receita, mesmo  que denominada de receita financeira (por exemplo, recebimento de juros como remuneração  de  um  empréstimo  concedido,  seja  com  recursos  próprios  ou  não,  a  outra  instituição  financeira),  sendo  esta  decorrente  de  sua  atividade  típica,  constitui  o  próprio  faturamento  da  empresa  e  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS.  Somente  as  receitas  financeiras  de  natureza não­operacional, posto que não decorrentes de suas atividades  típicas,  estão  fora do  faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços.  Em assim sendo, destaca­se ser inconsistente a limitação que pretende fazer o  contribuinte no sentido de que o faturamento supõe a existência de um preço recebido no bojo  Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.041          33 de uma relação contraprestacional e que, no caso da prestação de serviços, os ingressos devem  consubstanciar “obrigação de fazer”.  Sob outro ângulo também improcedem as alegações da recorrente. Vejamos:  A  recorrente  ainda  contesta  a  conclusão  da  decisão  recorrida  emitida  com  base  na  transcrição  da  Nota  Técnica  nº  21,  de  28  de  agosto  de  2006,  elaborada  pela  Coordenação­Geral de Tributação da RFB, quanto à natureza  jurídica das  receitas  típicas das  instituições financeiras, a qual segundo o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS)  constituem receitas de serviços financeiros, aduzindo que sendo o GATS um acordo celebrado  com diversos países que têm história, experiência e tradições distintas, os termos utilizados o  são numa amplitude que atenda a uma multiplicidade de experiências e que permita às partes  chegarem a algum tipo de consenso, mas, limitam­se ao âmbito do próprio acordo, como nele  está expressamente dito.   Relativamente à esta questão, a própria Nota Técnica nº 21, de 28 de agosto  de 2006 efetua ressalva sobre a aplicação dos tratados internacionais, in verbis:  11. Ressalte­se que o impacto dos tratados internacionais sobre  a  legislação  tributária  é  disciplinado  pelo  art.  98  da  Lei  nº  5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional,  in verbis:  ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou  modificam  a  legislação  tributária  interna,  e  serão  observados  pela que lhes sobrevenha.’  Desta forma, conclui­se correta a aplicação dos dispositivos do Acordo Geral  sobre  Comércio  de  Serviços  (GATS),  no  sentido  de  que  as  atividades  das  instituições  financeiras  são  caracterizadas  como  serviços  e,  conseqüentemente,  as  receitas  delas  provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento.  A justificar o entendimento de que as atividades das instituições financeiras  enquadram­se  como  serviços,  o  acórdão  recorrido  faz  menção  à  decisão  proferida  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  (ADIn)  nº  2.591­1/DF,  a  partir  da  qual  o  STF  estabeleceu  a  aplicação do CDC às atividades das instituições financeiras, entendendo constitucional o §2º do  art. 3º da Lei nº 8.078, de 1990, assentando que a atividade financeira constitui­se de serviços  disponibilizados aos clientes. Aqui, a recorrente contesta alegando que “não se pode estender o  conceito de serviços, utilizado pelo STF na ADIn n° 2.591­1/DF, para o  fim exclusivo de  se  reconhecer  a  aplicação  do Código  de Defesa  do Consumidor  às  instituições  financeiras  em  geral, para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento”.   Não é de se concordar com tal entendimento, haja vista que inexiste conceito  constitucional para o termo “faturamento”. A concepção conceitual desse termo foi construído  ao longo dos tempos pela doutrina e jurisprudência.  E,  neste  aspecto,  embora  não  conste  em  seu  recurso,  convém  tecer  considerações  acerca  da  notícia  trazida  em memorial  apresentado  pela  contribuinte,  sobre  o  advento da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, publicada no DOU de 12 de  novembro de 2013, bem como do entendimento por  ela proferido  sobre  a  edição de  referida  norma,  por  ser  fato  superveniente  à  interposição  de  seu  recurso  voluntário.  Entende  a  contribuinte que essa norma, não sendo norma interpretativa, ao alterar o art. 12 do Decreto­lei  Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     34 nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ampliando o conceito de “receita bruta” para albergar as  receitas  das  instituições  financeiras  alheias  ao  tradicional  conceito  de  vendas  de  bens  e  serviços,  demonstra  que  tais  receitas  financeiras  só  incluem­se  no  faturamento  a  partir  da  mesma e que não poderiam sê­lo antes, vez que ausente a norma.  No entanto, sobre tal questão, cabe entender que a edição de referida medida  provisória reflete o esforço da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB em tornar  expresso o entendimento doutrinário e jurisprudencial já construído, visando assim atingir um  de seus objetivos estratégicos, qual seja, “Reduzir litígios tributários e aduaneiros”, tal qual se  dá nos presentes autos.  DAS  RECEITAS  A  SEREM  CONSIDERADAS  NA  BASE  DE  CALCULO  DO  PIS  –  ALEGAÇÃO  DE  EQUÍVOCO  NA  BASE  DE  CÁLCULO  ADOTADA NO DESPACHO DECISÓRIO ­ EFETIVA COMPROVAÇÃO   Neste sub item de recurso a contribuinte argúi que, em caso de se considerar  que  o  termo  faturamento  equivale  às  receitas  operacionais,  nas  receitas  incluídas  na  base  de  cálculo pela fiscalização há verbas que extrapolam o próprio conceito de receita operacional, as  quais devem ser excluídas.   A título meramente exemplificativo, em sua manifestação de inconformidade  aponta as seguintes contas e sub contas:  1)  7.1.9.99.00­9 ­ Outras Rendas Operacionais, onde a sub  conta 7.1.9.99.00.9.1.04 ­ Variações Monetárias Ativas  registra  valores  referentes  a  juros  sobre  depósitos  judiciais (fiscais/trabalhistas) e correção de créditos de  tributos  a  recuperar.  Também  haveria  valores  contabilizados  nas  sub  contas  7.1.9.99.00.9.1.11  ­  Rendas  de  Juros  ao  Capital  Outras  Empresas  e  7.1.9.99.00.9.1.15  ­  Rendas  de  Juros  ao  Capital  Ligadas,  que  representam  verbas  que  remuneram  o  investimento do acionista em uma sociedade anônima;  e  2)  7.1.9.30.00­6 ­ Recuperação de Encargos e Despesas.   A DRJ teria mantido a incidência do PIS sobre referidas receitas por falta de  provas  das  alegações  aduzidas  na  manifestação  de  inconformidade,  ou  seja,  falta  de  documentos  suficientes  à  comprovação  do  efetivo  recebimento  de  tais  receitas,  precluindo  o  direito à apresentação de quaisquer documentos posterior.  Tal fundamento, entretanto, foi rebatido pela recorrente que alegou que “nos  autos  do  presente  processo  estão  todas  as  Planilhas  demonstrativas  das  receitas  auferidas  pelo Recorrente nos anos de 2000 a 2005 (período abrangido pelo pedido de compensação),  elaboradas nos termos da IN SRF 247/2002. Ou seja, os valores escriturados em cada uma das  contas  são,  presumidamente  verdadeiros,  tendo  em  vista  que  tais  planilhas  tratam­se  de  documento  contábil  oficial  emitido  pelo  Recorrente,  as  quais  foram  utilizadas  pela  própria  fiscalização para a análise das receitas auferidas pelo Recorrente e elaboração do Despacho  Decisório,  sendo que,  em nenhum momento, a  fiscalização contestou a natureza dos valores  escriturados ou a própria escrituração das receitas ali realizadas”.   Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.042          35 E conclui: “o montante das receitas auferidas pela empresa, que extrapolam  o  conceito  de  faturamento  adotado  pela  fiscalização,  pode  ser  verificado  de  uma  simples  análise destes documentos”.  Para melhor entendimento da questão, extrai­se trecho constante do relatório  do Despacho Decisório n° 791 ­ DRF/BHE:  “Intimado  a  apresentar  demonstrativos  da  base  de  cálculo  do  Pis  e  da  Cofíns  no  período  coberto  por  este  processo,  o  contribuinte  apresentou  as  planilhas  constantes  do  processo  15504.001548/2010­537,  com base nas quais  foram elaboradas  as  planilhas  resumo  das  receitas  não  operacionais  e  que  não  compõem a base de cálculo do Pis e da apuração dos créditos do  Pis.  Verifica­se, pelas planilhas apresentadas, que a quase totalidade  das receitas que compuseram inicialmente a base de cálculo do  Pis  devido  pertencem  a  5  rubricas,  todas  dentro  do  grupo  Receitas Operacionais:  Rendas de operações de créditos   Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez   Rendas de Títulos e Valores Mobiliários   Rendas de Prestação de Serviços   Outras Receitas Operacionais   Em seu pleito, o contribuinte entende como devido apenas o Pis  incidente  sobre  as  Rendas  de  Prestação  de  Serviços.  Seus  créditos  decorreriam  da  diferença  entre  os  valores  recolhidos  com base na receita bruta total e os débitos apurados com base  nas chamadas "Rendas de Prestação de Serviços­conta contábil  7.1.7.00.00­9.  (...)  Resumindo,  para  a PGFN,  a  base  de  cálculo  da Cofins  devida  pelas  instituições  financeiras,  segundo  as  decisões  judiciais  sobre a matéria e a jurisprudência do STF, é a receita bruta da  pessoa  jurídica,  excluídas  as  receitas  não  operacionais  e  as  demais exclusões previstas na legislação de regência, vale dizer,  as que constam dos parágrafos 2º  , 4º, 6º e 8º do art. 3º da Lei  9.718/98, além daquelas admitidas para o PIS, nos termos do §5º  desse mesmo artigo, combinado com o art. 1º e incisos da Lei n°  9.701/98.  Portanto, são exigíveis os valores do Pis apurados com base no  faturamento mensal tal como definido pelo art. 2º da LC 70/91,  ou  seja,  ‘a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza’,  permitidas  as  exclusões  determinadas  pela  legislação  não  atingida  pela  inconstitucionalidade  do  §1º  do  art.  3º  da Lei  n°  9.718/98;  conseqüentemente,  estão  extintos  os  valores  devidos  Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     36 com  base  na  base  de  cálculo  ampliada,  no  que  excederem  aos  valores apurados nos termos supra.  Isto posto, conclui­se que o contribuinte teria direito tão somente  ao  crédito  relativo  à  parcela  dos  recolhimentos  que  dizem  respeito  ao  tributo  pago  incidente  sobre  as  receitas  totais,  excluídas as receitas não operacionais, conforme quadro abaixo,  elaborado com base nas informações do contribuinte "(grifos do  original)  Vê­se  que,  de  fato,  a  fiscalização  não  contestou  a  natureza  dos  valores  escriturados ou a própria escrituração das receitas ali realizadas. Simplesmente, com base nas  planilhas apresentadas pela contribuinte, apurou a base de cálculo do PIS excluindo da mesma  unicamente  as  receitas  não  operacionais,  haja  vista  o  entendimento  de  que  o  “faturamento  mensal”, tal como definido pelo art. 2º da LC 70/91, compreende “a receita bruta das vendas de  mercadorias, de mercadorias e  serviços e de  serviços de qualquer natureza”, que  equivale às  receitas  operacionais  da  instituição,  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais,  vinculadas aos seus objetivos sociais.  Desta  forma,  se a contribuinte escriturou  receitas como sendo operacionais,  advindas  de  sua  atividade  típica,  sem que  fossem efetivamente,  o  ônus  da prova  em  sentido  contrário ao escriturado compete à quem alega, no caso, a contribuinte.  Da análise das planilhas demonstrativas da base de cálculo do PIS e COFINS  efetuadas  com  base  nos  livros  Razão,  cópias  anexadas  às  e­fls  210  a  489,  constata­se  a  escrituração da sub­conta “RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS – conta COSIF  7.1.9.30.00­6”, bem como da sub­conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS conta COSIF  7.1.9.99.00­9”,  ambas  inseridas  na  conta  “OUTRAS  RECEITAS OPERACIONAIS  –  conta  COSIF 7.1.9.00.00­5”, sem maiores detalhes de sua composição.  Como dito  pela própria  recorrente,  as  planilhas  demonstrativas  das  receitas  por ela auferidas nos anos de 2000 a 2005 (período abrangido pelo pedido de compensação),  elaboradas nos termos da IN SRF 247/2002, tratam­se de documento contábil oficial emitido  pelo  Recorrente  e  nesta  condição  demonstram  o  aferimento  de  receita  operacional,  base  de  cálculo do PIS. Para afastá­la precisa a recorrente comprovar o equívoco alegado.  Entretanto,  a  recorrente  apenas  apresenta  alegações  desprovidas  de  provas,  sob  a  alegação  de  impossibilidade  física  de  se  anexar  aos  autos  as  documentações  comprobatórias de escrituração de valores que não correspondem à receita operacional em cada  uma das contas, devido o seu volume.   Rejeitando  a  preclusão  prevista  no  art.  16,  §  4o  do  Decreto  n°  70.235,  de  1972, sob o argumento de se mitigar um dos princípios mais caro ao processo administrativo,  em suas palavras, que é o da verdade material, junta ao recurso (e­fls 654/676), apenas a título  de exemplo, cópia do  razão contábil  relativo à  subconta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio",  dos  anos  de  2000  a  2005,  que  demonstram,  segundo  a mesma,  o  efetivo  recebimento,  pela  Recorrente,  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  que  são  verbas  que  remuneram  o  investimento  do  acionista  em  uma  sociedade  anônima  e  não  podem  ser  confundidas com receitas decorrentes de operações bancárias em geral.  Como não poderia deixar de  ser,  a  contribuinte  segue o Plano Contábil das  Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF.  Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.043          37 Pois  bem,  como  já  se  destacou  anteriormente,  o  Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema  Financeiro  Nacional,  instituído  pela  Circular  do  Banco  Central  do  Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 ­ Normas Básicas, Seção  17 ­ Receitas e Despesas, Item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas quanto  com  a  prestação  de  serviços,  ambas  referentes  a  atividades  típicas,  regulares  e  habituais  da  instituição financeira, são classificadas como operacionais.   E,  nesta  questão,  corroboro  com  o  entendimento  proferido  pelo  o Acórdão  recorrido no sentido de que: “a menos que se demonstre o contrário, todos os grupos contábeis  classificados pelo Cosif como ‘receitas operacionais’ devem compor a base de cálculo do PIS,  devendo ser efetuadas as exclusões e deduções especificadas no Anexo I da IN SRF nº 247, de  2002, além da exclusão das receitas não operacionais.”  Passa­se,  então,  à  análise  apenas  das  sub  contas  contestadas  no  recurso  voluntário.  DA  SUB  CONTA  “OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS  conta  COSIF  7.1.9.99.00­9”  Relativamente  aos  títulos  genéricos  de  receitas,  tais  como  OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS,  o  item  10  da  Seção  17  do  Capítulo  1  ­  Normas  Básicas  do  COSIF estabelece:  “10­  Em  relação  aos  títulos  genéricos  de  receitas  e  despesas,  tais  como  OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS,  OUTRAS  DESPESAS  ADMINISTRATIVAS  e  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS,  a  instituição  deve  adotar  subtítulos  de  uso  interno para  identificar a natureza dos  lançamentos efetivados.  (Circ 1273)”  Conforme estabelece o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro  Nacional,  a  função  da  sub  conta  “OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS  ­  7.1.9.99.00­9”  inserta  na  conta  “7.1.9.00.00­5  Outras  Receitas  Operacionais”,  é  registrar  as  rendas  operacionais  que  constituam  receita  efetiva da  instituição, no período, para  cuja  escrituração  não exista conta específica, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados  por  contas  de  resultado  de  natureza  devedora,  decorrentes  do  registro  da  variação  cambial  incidente  sobre  operações  passivas  com  cláusula  de  reajuste  cambial,  devendo  a  instituição  manter o controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza.  SUB  CONTA  7.1.9.99.00.9.1.15  "RENDAS  DE  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL PRÓPRIO",  A  recorrente,  por meio do Razão dos  anos de 2000 a 2005 anexado ao seu  recurso voluntário às e­fls 654 A 676, demonstra que uma das sub contas que compõe a conta  “OUTRAS  RENDAS OPERACIONAIS  ­  7.1.9.99.00­9”  é  a  sub  conta  7.1.9.99.00.9.1.15  "Rendas  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio",  explicando  que  a  mesma  demonstra  o  efetivo  recebimento, pelo Recorrente, dos juros sobre o capital próprio, que são verbas que remuneram  o investimento do acionista em uma sociedade anônima.  Cabe ressaltar que, conforme o Estatuto da empresa (e­fls. 192/207), art. 2º:  “Constitui  objeto  da  Sociedade  a  realização  de  operações  bancárias  em  geral,  podendo,  Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     38 inclusive, com as competentes autorizações previstas em Lei, operar em câmbio, em compra e  venda de títulos públicos e participar de outras sociedades”. (grifos nossos).  E ainda, como é sabido, a aferição de juros constitui  receita que decorre da  atividade típica das instituições financeiras e é exatamente por esta razão que a sua escrituração  dá­se em conta de resultado credora, a título de receitas operacionais, constituindo­se, no caso,  base  de  cálculo  do  PIS,  em  conformidade  com  o  já  analisado  anteriormente,  posto  que  a  declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS não  afastou a possibilidade de tributação de parcela sob comento.  Portanto,  a  sub  conta  7.1.9.99.00.9.1.15  "Rendas  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio" representa receita decorrente de sua atividade típica, constante de seu objeto social, e,  desta forma, é receita operacional, base de cálculo do PIS.  Embora  não  mencionada  no  recurso  voluntário,  à  sub  conta  7.1.9.99.00.9.1.11 ­ Rendas de Juros ao Capital Outras Empresas aplica­se o acima exposto.  SUB CONTA 7.1.9.99.00.9.1.04 ­ VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS  Já,  quanto  à  sub  conta  7.1.9.99.00.9.1.04  ­  Variações  Monetárias  Ativas,  também  inserida  na  sub  conta  “OUTRAS  RENDAS  OPERACIONAIS  ­  7.1.9.99.00­9”,  a  recorrente  afirma  que  nesta  registra  valores  referentes  a  juros  sobre  depósitos  judiciais  (fiscais/trabalhistas) e correção de créditos de tributos a recuperar e aduz que a própria RFB,  por meio da Solução de Consulta n° 14, de 23 de janeiro de 2012 (DISIT 8ªRF), já reconheceu  que tais variações monetárias ativas não se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS por não  se constituir em receita da atividade  empresarial das  seguradoras,  equiparadas  às  instituições  financeiras.  De  antemão,  é  preciso  esclarecer  que,  consoante  a  disciplina  estabelecida  pelos  artigos  48  a  51  do  Decreto  no  70.235,  de  1972,  os  efeitos  das  soluções  de  consulta  emanadas  por  esta  RFB  circunscrevem­se  aos  consulentes,  não  havendo  qualquer  tipo  de  vinculação deste colegiado à decisões preferidas em Soluções de Consultas alheias à recorrente  e ao fato específico ora sob análise.  Não obstante, possa ou não ser procedente a sua argüição quanto ao mérito, o  fato é que a recorrente apenas apresenta alegações sem provar quais as composições dessa sub  conta.  E, desta forma, tem razão o Acórdão recorrido quando assevera que “o dever  de prova é tanto do agente fiscal (art. 9º do PAF), que fundamentou o Despacho Decisório em  tela  nos  dispositivos  legais  nele  contidos,  baseando­se  nas  bases  de  cálculo  do  PIS  apresentadas pela própria empresa, assim como também é do manifestante  (arts. 15 e 16 do  PAF), que deve comprovar suas alegações com esclarecimentos e documentos hábeis.”  Assim,  estando  tal  sub  conta  escriturada  no  rol  da  sub  conta  “OUTRAS  RENDAS OPERACIONAIS ­ 7.1.9.99.00­9”, esta, por sua vez, inserta na conta “7.1.9.00.00­5  Outras Receitas Operacionais”, tudo em conformidade com a determinação contida no o Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema Financeiro Nacional,  instituído  pela Circular  do Banco  Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, sem que a recorrente tenha conseguido  comprovar as suas alegações de que ali se encontram inseridas receitas não decorrentes de sua  atividade típica, deve­se manter o decidido no Acórdão 02­37.201 ­, prolatado pela 1ª Turma  da DRJ/BHE.  Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.044          39 DA  SUB  CONTA  7.1.9.30.00­6  ­  RECUPERAÇÃO  DE  ENCARGOS  E  DESPESAS  Sobre  a  alegação  da  recorrente  no  sentido  de  que  a decisão  do  STJ  ­ Resp  1.011.725,  citada  no  acórdão  recorrido,  apenas  corrobora  tese  por  ela  defendida  de  que  os  serviços  bancários  remunerados  por  taxas  e  tarifas,  são  tributados  pelo  ISS,  posto  que  compõem  o  faturamento,  sendo  tributado  também  pelo  PIS,  enquanto  que  as  receitas  financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora  do conceito de  faturamento, ou seja, não sofrem a  incidência do  tributo municipal e nem da  referida  contribuição  social,  cabe  ressalvar  que  tal  questão  já  foi  acima  abordada  e  fundamentada em sentido oposto, sendo desnecessária repetir a fundamentação neste sub item.  Ademais,  registre­se,  que  o  acórdão  recorrido  mencionou  tal  decisão  como  ilustração  para  demonstrar  que  tal  sub  conta  caracteriza­se  como  receitas  de  prestação  de  serviços,  submetendo­se à incidência do ISS.  Tal sub conta pode, sim, constituir­se em recebimento de valores integrantes  da  remuneração  de  seus  serviços.  Em  função  disto,  o  Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema Financeiro Nacional – COSIF determina a sua escrituração inserta na conta 7.1.9.00.00­5  Outras Receitas Operacionais.  Portanto,  a  alegação  genérica  de  que  tal  sub  conta  7.1.9.30.00­6  ­  Recuperação de Encargos e Despesas não registra valores que se referem à sua atividade­fim,  desprovida da devida prova, não tem o condão de afastar a previsão determinada pelo o Plano  Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF. A recorrente, em nenhum  momento identificou exatamente a composição desta sub conta e assim não logrou comprovar  suas alegações.  Convém registrar que a fiscalização, quando da apuração da base de cálculo  do  PIS,  por  haver  detectado,  efetuou  exclusões  de  valores  atinentes  à  receitas  que  não  se  referiam às suas atividades típicas, conforme foi ressaltado no Acórdão ora recorrido, in verbis;  “Registre­se, por outro lado, pela análise dos demonstrativos de  apuração  da  base  de  cálculo  anexados  às  fls.  410/489,  que  já  foram  consideradas  exclusões  de  valores  contabilizados  nas  seguintes sub contas: 7.1.9.30.00­6­1.40 ­ RECUPERAÇÃO DE  ENCARGOS E DESPESAS ­ CSLL MAJOR. ALÍQ.1999 A 2002  MP1.807/99;  7.1.9.99.00.9.1.04  ­  VARIAÇÃO  MONETÁRIA  ATIVA  ­  DEPÓSITO  JUDICIAL  COFINS  1%  ­  CI  12;  e  7.1.9.30.00.6.1.40  ­  RECUP.  ENCARGOS  E  DESPESAS  ­  OUTROS RESSARCIMENTOS PIS LEI 9.718/98 ­ CI 4.”  Para  que  houvesse  novas  exclusões,  como  argúi  a  recorrente,  fazia­se  necessário que esta comprovasse ainda haver  receitas não decorrentes de sua atividade  típica  inseridas nas referidas sub contas, o que não logrou fazê­lo.  A  recorrente  ainda  argúi  a  nulidade  do  lançamento  em  observância  ao  art.  146  do  CTN,  que  visa  vedar  a  aplicação  retroativa  de  novo  critério  jurídico.  Tal  alegação  constitui­se em equívoco da recorrente, posto que os autos não se refere à lançamento de ofício  e sim à não reconhecimento integral da restituição requerida e de homologação parcial.  Portanto, também neste sub item do recurso, não merece reforma o Acórdão  02­37.201 ­, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE.  Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     40 Em resumo, a base de cálculo utilizada para o cálculo do PIS pago a maior,  apurada por meio dos valores consignados nas planilhas conforme informações fornecidas pela  contribuinte,  está de acordo com a decisão  judicial  que o  ampara e  com o Parecer PGFN nº  2.773,  de  2007,  já que  não  foi  incluída  nenhuma  receita  não  operacional,  ou  seja,  o  cálculo  contemplou  apenas  a  receita  operacional  bruta  da  empresa,  assim  entendida  a  decorrente  do  exercício de suas atividades empresariais típicas, em conformidade com a jurisprudência acima  mencionada.  DO PRECEDENTE DESTA TURMA  Mediante  o  Acórdão  nº  3302­002.768,  em  julgamento  de  igual  matéria  referente  à  Instituição  Financeira  proferido  na  sessão  do  dia  12  de  novembro  de  2014,  os  membros desta Turma, por unanimidade de votos, acordaram em negar provimento ao recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator,  o  Conselheiro  Walber  José  da  Silva,  consoante  ementa que se transcreve:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005   PROCESSUAL  CIVIL.  PEDIDO.  FATOS  E  FUNDAMENTOS.  CONDIÇÃO.  Na ação civil,  regra geral, a  lide  se estabelece em relação aos  fatos descritos e juridicamente fundamentados na petição inicial  e o pedido está relacionado a esses fatos descritos (art. 282, III e  IV, do CPC).  PROCESSUAL  CIVIL.  LIMITES  OBJETIVOS  DA  COISA  JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO.  Naquilo  que  foi  objeto  de  recurso,  a  decisão  de  segundo  grau  substitui integralmente a decisão recorrida.  BASE  DE  CÁLCULO.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DO  §1º  DO  ART.  3º  DA  LEI  Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.  As  receitas  operacionais  decorrentes  das  atividades  do  setor  financeiro  (serviços  bancários  e  intermediação  financeira)  estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que  se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado  pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei  nº 9.718/98.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  NÃO HOMOLOGADA   A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do  crédito  objeto  de  compensação  não  homologada  encontra­se  expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo  defeso  ao  órgão  de  julgamento  administrativo  afastá­la.”  (Grifos nossos).  DO PRECEDENTE DA CSRF  Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.045          41 Por  oportuno,  traz­se  à  lume,  recente  julgado  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  –  CSRF  –  o  qual  negou  provimento  a  recurso  especial  do  contribuinte  no  Acórdão  nº  9303­002.934,  processo  10675.720829/2010­23,  julgado  em  04/06/2014,  cuja  ementa transcreve­se:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 31/01/2004   PIS/PASEP.  BASE  DE  CÁLCULO.  LEI  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO  GERAL.  As  decisões  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  reconhecidas  como  de  Repercussão Geral,  sistemática  prevista  no  artigo  543­B  do  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  no  julgamento  do  recurso  apresentado  pelo  contribuinte.  Artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  Declarado  inconstitucional  o  §1º  do  caput  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98,  integra  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  e  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  o  faturamento  mensal,  representado  pela  receita  bruta  advinda  das  atividades  operacionais típicas da pessoa jurídica.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.”  DA DILIGÊNCIA REALIZADA  Tendo por base a análise acima efetuada, convém ressaltar que, para fins de  incidência do PIS/Cofins, com base nas decisões emitidas pelo o Supremo Tribunal Federal, o  que importa é saber a origem das receitas, se receitas derivadas da exploração de sua atividade­ fim (operações típicas), previstas em seus objetos sociais, ditas como receitas operacionais, ou  se decorrentes de receitas não operacionais.   A origem dos recursos (se próprios ou captados de terceiros) aplicados pela  Instituição  Financeira  em  suas  atividades  operacionais  (atividades  empresariais  típicas)  não  interfere na tributação a título de PIS e COFINS incidentes sobre as suas receitas operacionais  daí decorrentes.  Para  melhor  esclarecimento,  exemplifica­se:  os  juros  auferidos  pela  Instituição  financeira como remuneração de  atividade operacional de  empréstimos  a clientes,  por  decorrerem  de  sua  atividade  típica,  são  tributáveis  por  caracterizar  receita  operacional,  independentemente do fato de os recursos emprestados serem recursos próprios da instituição  ou captados de terceiros.   Em sendo assim, desnecessário efetuar a segregação de receitas operacionais  da  contribuinte  que  seriam  decorrentes  de  aplicação  de  recursos  próprios  ou  de  recursos  de  terceiros.  DO DIREITO À RECUPERAÇÃO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS  SOBRE O CRÉDITO DE PIS   Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA     42 A  recorrente  repete  a  arguição  de  que,  caso  sejam  mantidas  as  glosas  no  crédito  do  PIS  deve­lhe  ser  assegurado  o  direito  de  efetuar  a  recomposição  da  apuração  do  IRPJ e CSLL do ano base de 2005, bem como o consequente direito de recuperar os valores  pagos a maior desses tributos, devidamente atualizados, e/ou recompor eventual prejuízo fiscal,  a  partir  do  preenchimento  DIPJ  do  ano  calendário  em  que  a  questão  restar  decidida  definitivamente,  posto  que  o  crédito  em  questão  foi  considerado  como  acréscimo  patrimonial/lucro e tributado como tal.  E, em face de a decisão recorrida não ter efetuado análise dessa questão, sob  o argumento de se constituir matéria estranha à lide, a recorrente aduz que não terá condições  de retificar a DIPJ por já ter transcorrido mais de cinco anos da sua efetiva entrega e que o não  reconhecimento do seu pleito implica em enriquecimento ilícito da União Federal.  Não  merece  reforma  o  acórdão  recorrido,  posto  que,  de  fato,  no  presente  processo, o litígio refere­se à composição da base de cálculo do PIS e do conseqüente direito à  restituição  do  valor  do  PIS  pago  a maior  e  da  compensação  de  PIS  pleiteada  por meio  das  declarações  de  compensação  apresentadas  e,  portanto,  o  seu  pleito  foge  à  matéria  ora  sob  litígio.   Transitada  em  julgado  a  decisão  administrativa  proferida  nestes  autos,  a  análise do efetivo reflexo dessa decisão na apuração do  IRPJ e CSLL, do ano base de 2005,  deverá  ser  objeto  de  procedimento  próprio  a  ser  adotado  pela  contribuinte  e  sob  a  sua  responsabilidade, tudo de acordo com legislação de regência desses tributos, a partir do qual a  administração analisará o mérito e, inclusive, a perda ou não de seu direito.  CONCLUSÃO   Creio  que  as  considerações  feitas  acima  são  elucidativas  o  bastante  para  concluir pela procedência do decidido no acórdão recorrido, no qual os fundamentos utilizados  foram extensivos, claros, e, por corroborar com os mesmos, adoto­os e ratifico­os, com fulcro  no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99.   Portanto, conclui­se que o acórdão recorrido em nada merece ser alterado.   Tendo  em  conta  a  análise  e  fundamentos  efetuados  acima,  bem  como  os  fundamentos  proferidos  no  voto  do  acórdão  recorrido,  conduzo  o  meu  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar  de  ofensa  pelo  acórdão  recorrido  à  coisa  julgada  e  no  mérito,  negar  provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  MARIA  DA  CONCEIÇÃO  ARNALDO  JACÓ  ­  Relatora                           Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/2011­88  Acórdão n.º 3302­002.853  S3­C3T2  Fl. 1.046          43     Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA

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5844212 #
Numero do processo: 10283.902812/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2   Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  na  qual  o  contribuinte  apresenta  como crédito valor de  recolhimento  a maior de Contribuição para o Programa de  Integração  Social (PIS) em relação ao fato gerador ocorrido em 31/05/2005.  Foi  negada  homologação  à  compensação  por meio  de  Despacho Decisório  Eletrônico  –  DDE  (fl.  7),  pelo  fundamento  de  que  “A  partir  das  características  do  DARF  discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados para quitação de débitos  do  contribuinte,  não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”.   A notificação aconteceu em 06/04/2009 (fl. 10).  O  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  11/17)  sustentando, em síntese, que depois de ter apresentado a DCTF­original é que veio a verificar a  existência de equívoco na apuração do tributo devido, quando, então, solicitou a restituição e  compensação,  alem  de  que,  teria  posteriormente  retificado  a  DCTF.  Alega,  também,  que  a  existência  do  indébito  decorre  da  verdade material,  a  qual  estaria  retratada  nas  informações  contidas no Dacon.  Com  a  impugnação  o  contribuinte  apresentou  cópia  da DCTF­original  (fls.  20/40),  na  qual  consta  a  confissão  de  PIS  no  valor  de  R$  40.619,50  (fl.  37),  e  da  DCTF­ retificadora (fls. 41/61), transmitida em 23/04/2009, na qual consta a confissão da PIS e valor  de R$ 27.607,51 (fl. 58).   Também  apresenta  cópia  do DACON­original,  apresentado  em  06/02/2006  (fls. 91/112), no qual consta a apuração da Cofins para o período de julho de 2005.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio  do  Acórdão  nº  01­18.286,  de  1  de  julho  de  2010  (fls.  123/126),  negou  provimento  à  manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO  Ano­calendário: 2006  CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO.  O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de  confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o  caso da DCTF.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.  Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação  apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a  existência  do  crédito  apontado  como  compensável.  Nas  declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos  ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Fl. 567DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902812/2009­62  Acórdão n.º 3403­003.568  S3­C4T3  Fl. 567          3 Direito Creditório Não Reconhecido  O  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls.  128/139)  sustentando  a  nulidade  do  acórdão  recorrido  por  falta  de motivação  sobre  as  provas  produzidas,  visto  que  acostou aos autos o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), por meio  do qual se demonstra o patente equívoco do recolhimento que realizou, além de que, a DCTF  retificadora apresentadas nos autos teria sido ignorada.   Reiterou que o voto  condutor do  acórdão da DRJ  faz parecer que não  teria  trazido qualquer outro documento além da DCTF­retificadora, quando apresentou o DACON,  que constituiria documento fiscal hábil e idôneo para demonstrar a apuração das contribuições  do período.  Este  Conselho,  por meio  da Resolução  nº  3403­000.202,  de  2  de  junho  de  2011  (fls.  167/171),  concluiu  “pela  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Delegacia  de  origem  verifique  se  a  contabilidade  do  contribuinte  confirma  as  informações  declaradas na DACON, confirmando o montante da contribuição apurada nesta Declaração  ou, se o caso, indicando qual o valor efetivamente devido e o valor da diferença eventualmente  recolhida a maior”.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM (DRF) apresentou  o resultado da diligência por meio de Informação Fiscal (fls. 549/551), descrevendo a seguinte  constatação:    1.  Visando  elucidar  os  questionamentos  determinados  na  Resolução no3403­000.202 da 4a Câmara / 3a Turma Ordinária,  do  CARF,  emitimos  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  SEORT/DRF/MNS  No00230/2013,  cujos  documentos  em  resposta  encontram­se  integrados  de  forma  inseparável  ao  presente e­Processo.  2.  Anexamos  ao  presente  e­Processo  a  DCTF  no  1000.000.2009.1830303011.  3.  Anexamos  ao  presente  e­Processo  a  DACON  no  0000100200600056615.  4.  De  posse  dessas  informações  foi  elaborada  Planilha  com  o  demonstrativo  denominado  “SONOPRESS  –  RESUMO  DE  APURAÇÃO”  onde  procuramos  explicitar  de  forma  cabal  os  valores de Tributos devidos e indevidos e que são o objetivo da  presente Diligencia Fiscal. Tudo anexado de  forma inseparável  ao presente e­Processo.  CONCLUSÃO:  Diante do acima exposto, e tendo em vista toda a documentação  anexada ao presente Processo Administrativo Fiscal, nada mais  tendo a cumprir no âmbito deste SEORT/DRF/MNS.  Fl. 568DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4   Intimado  do  resultado  da  diligência,  o  contribuinte  manifestou  sua  aquiescência com a diligência, destacando que confirmou a existência da diferença recolhida a  maior no período (fls. 558/561).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator  O  recurso  voluntário  foi  protocolado  no  dia  10/09/2010  (fl  128),  dentro  do  prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu no dia 11/08/2010  (fl. 127).  Por  ser  tempestivo e conter  fundamentos de  reforma contra o entendimento  do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso.  O resultado da diligência fiscal determinada por este Conselho, e promovida  pela Delegacia de origem, demonstrou que  a  contabilidade confirma os  dados declarados no  DACON,  certificando  a  correção  da  apuração  da  contribuição  nele  apresentada  e,  assim,  concluindo  pela  existência  de  recolhimento  indevido,  cujo  valor  corresponde  exatamente  àquele indicado pelo contribuinte como crédito na DCOMP.  Confirmada a existência do  indébito pela diligência fiscal,  apenas cumpre a  este Conselho ratificar tais constatações e conclusão.  Voto  pelo  provimento  do  recurso  para  reconhecer  o  direito  de  indébito  e  homologar a compensação conforme os valores apurados na diligência fiscal.   (assinado digitalmente)   Ivan Allegretti                              Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902812/2009­62  Acórdão n.º 3403­003.568  S3­C4T3  Fl. 568          5   Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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5874013 #
Numero do processo: 10855.722655/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO. Sujeita-se à multa isolada de 75% quem declara compensação com crédito de natureza não tributária.
Numero da decisão: 1101-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.722655/2013­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1101­001.269  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de março de 2015  Matéria  Multa ­ Compensação Indevida  Recorrente  ITABA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA.  CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO.  Sujeita­se à multa isolada de 75% quem declara compensação com crédito de  natureza não tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice­presidente), Edeli  Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 26 55 /2 01 3- 68 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 3          2   Relatório  ITABNA  INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA,  já qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE  a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em  21/08/2013,  exigindo  crédito  tributário no valor total de R$ 15.125.559,50.  Consta a seguinte descrição dos fatos no auto de infração (fl. 5):  0001  DEMAIS  INFRAÇÕES  À  LEGISLAÇÃO  DOS  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES   COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA   Por  meio  do  processo  10166.003743/2009­49,  protocolizado  em  13/04/2009,  o  contribuinte  pretendeu  compensar  diversos  débitos  vencidos  ­  de  valor  total  R$  20.167.412,67, que discrimina em formulário de Declaração de Compensação­ com  crédito  que  detalha  em  outro  processo,  10166.003742/2009­02,  protocolizado  na  mesma  data.  Tal  alegado  crédito  é  proveniente  de  debêntures  da  VALE,  a  que  o  contribuinte  atribui  o  valor  de  R$  42.000.285,60  à  época  da  protocolização  do  Pedido de Restituição objeto do processo.  A  compensação  foi  considerada  NÃO  DECLARADA  por  meio  do  Parecer  Seort/DRF/BRE  nº  222/2009,  com  base  no  disposto  na  alínea  "e"  do  inciso  II  do  parágrafo 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004).  O  contribuinte  foi  devidamente  cientificado  da  decisão,  em  13/07/2009.  O  contribuinte apresentou recurso hierárquico em 22/07/2009, que foi encaminhado à  DISIT  da  8ª  Região  Fiscal  que,  por  meio  do  Despacho  Decisório  nº  243  ­  SRF08/Disit manteve a decisão da DRF Barueri. O contribuinte foi cientificado da  decisão sobre o recurso por meio de Edital, em 05/09/2012.  A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabelece em seu art. 18, parágrafo 4º,  que  será  exigida  multa  isolada  sobre  o  valor  total  dos  débitos  indevidamente  compensados quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses  do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, aplicando­se o percentual previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicado  na  forma  de  seu  §  1º,  quando  for  o  caso  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488, de 15 de junho de 2007). Este percentual é de 75%.  A  IN  RFB  nº  1.300/2012,  no  parágrafo  8º  do  seu  art.  46,  determina  que  o  lançamento da multa será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil  da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação.  O  mesmo  dispunha  a  IN  RFB  nº  900/08,  vigente  à  época  em  que  o  contribuinte  protocolizou as Declarações de Compensação (parágrafo 8º do art. 39).  Lavra­se este Auto de Infração para atender o citado comando legal, aplicando­se a  multa  de  75%  sobre  os  valores  dos  débitos  discriminados  pelo  contribuinte  no  processo 10166.003743/2009­49, cuja compensação foi considerada não declarada.  Fato Gerador   Multa   13/04/2009    15.125.559,50   Enquadramento Legal   Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 4          3 Fatos geradores ocorridos entre 13/04/2009 e 13/04/2009:  Art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.051/04, com redação dada  pela Lei nº 11.488/07 Art.44, caput e inciso I da Lei nº 9.430/96. com redação dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007  Art.  74,  §  12,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  incluído  pela  Lei  nº  11.051/04,  com  alterações  dadas  pela  Medida  Provisória nº 449/08  Impugnando  a  exigência,  a  contribuinte  alegou  que  a  penalidade  é  desproporcional e confiscatória, discorreu sobre as características das debêntures compensadas  e  observou  que  a  União  Federal  é  acionista  da  Vale  S/A,  reportou­se  a  princípios  constitucionais e pleiteou a redução da multa para o percentual de 50%.  A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 13/04/2009   IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. MULTA ISOLADA.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA VEDADA. UTILIZAÇÃO DE DEBÊNTURES.  Cabível a aplicação e exigência de multa isolada sobre o valor do débito tributário  objeto de compensação indevida, considerada “não declarada” por utilização de  direito creditório não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  16/04/2014  (fl.  66),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/04/2014 (fls. 68/83), no qual  reprisa os argumentos apresentados na impugnação.  Correlaciona a exigência com a compensação de débitos realizada pela ora  Recorrente  no  montante  de  R$  20.167.412,67  (vinte  milhões,  cento  e  sessenta  e  sete  mil,  quatrocentos  e  doze  reais  e  sessenta  e  sete  centavos)  com  créditos  proveniente  de  128.206  (cento e vinte e oito mil  e duzentos e  seis) debêntures da VALE,  tipo CVRDA6, emitidas  em  julho  de  1997,  com  valor  total  de  R$  42.000.285,60  (quarenta  e  dois  milhões,  duzentos  e  oitenta e cinco reais e  sessenta centavos),  e assevera que apesar dos  fundamentos e da  farta  jurisprudência  apresentada  sobre  a  ilegalidade  da  aplicação  da  multa  isolada  em  casos  análogos aos  trazidos, o  lançamento em testilha  foi mantido pela pueril alegação de que “a  compensação  foi  considerada  não  declarada  porque  o  crédito  não  se  referia  a  tributos  ou  contribuições administradas pela Secretaria da Fazenda Federal.” (...) “Logo, o lançamento  da multa Isolda está correto.”  Afirma correta a compensação promovida, pois as debêntures consistem em  títulos  extrajudiciais,  nos  termos  do  art.  585,  I,  do  Código  de  Processo  Civil,  sendo  considerada, portanto, no ordenamento jurídico como títulos de crédito. Cita o art. 72 da Lei  nº 6.404/76, aduz que as debêntures de sua titularidade possuem as características ali descritas,  e  assim  confere  a  seus  acionistas,  inclusive  à  União  Federal,  a  participação  em  benefícios  futuros, auferidos pela Vale, a partir de recursos minerais não valorados para fins de fixação  do preço mínimo da Vale, objeto do leilão de privatização. Complementa que:  A  Recorrente  adquiriu  debêntures  auferidas  pela  Companhia  Vale  do  Rio  Doce,  pessoa jurídica de capital misto, ou seja, em razão disto a União Federal é acionista  da  referida  empresa e,  consequentemente,  tais  títulos de  crédito por  ela auferidos  possuem  legitimidade  para  serem  utilizados  na  compensação  de  débitos  com  a  União Federal.   Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 5          4 As  debêntures  foram  atribuídas  aos  acionistas  da  companhia  em  pagamento  do  valor  de  resgate  das  ações  preferenciais  classe  B  emitidas,  em  bonificação,  na  proporção  de  01  (uma)  ação  detida  pelos  detentores  de  ações  ordinárias  e  preferenciais classe "A" àquela época. Assim as debêntures,  nos  termos do artigo  72, da Lei n° 6 .404/76, equivalem a títulos de crédito mesmo quando emitidas com  vencimento  indeterminado,  e,  por  serem dotados  de  cotação  em bolsa  de  valores,  não  podem  ser  tomados  como  bens  de  difícil  alienação,  principalmente,  quando  emitidas por  empresa, de  sociedade mista,  como é o  caso da Companhia Vale do  Rio Doce (CVRD).  Frise­se,  ainda,  que  as  referidas  debêntures  encontram­se  custodiadas  no  Banco  Bradesco  S/A  e  esta  instituição  bancária  pode  proceder  a  sua  transferência  mediante emissão de uma ordem de  transferência de ativos escriturais, conferindo  segurança no negócio  jurídico, como garantia de qualquer execução, mesmo para  compensação de débitos com os tributos administrados pela Receita Federal.  Conclui  que,  sendo  a  Companhia  Vale  do  Rio  Doce  uma  empresa  de  economia  mista,  a  recorrente  é  credora  da  União  Federal  e  a  compensação  promovida  tem  amparo no Código de Processo Civil e na legislação especial citada, sendo totalmente indevida  a não consideração da compensação e consequentemente a imposição da multa isolada.   Acrescenta que observou o procedimento de compensação previsto no art. 74  da  Lei  nº  9.430/96,  inicialmente  pleiteando  restituição  do  crédito  e  posteriormente  apresentando  pedidos  de  compensação  com  os  créditos  de  natureza  federal.  Compara  tais  créditos com precatórios devidos pelo Estado, e defende que para não haver confusão entre a  reciprocidade  entre  credores  e  devedores,  a  legislação  nacional  autoriza  uma  espécie  de  encontro de contar contas que, em suma, se traduz numa compensação, citando o art. 30 da Lei  nº  12.431/2011,  os  arts.  347  e  349  do  Código  Civil  e  o  art.  108  do  CTN,  em  que  pese  as  alterações decorrentes da Emenda Constitucional nº 62/2009.  Reporta­se  ao  art.  100,  §11  da  Constituição  Federal  para  afirmar  que  os  precatórios,  aos  quais  equipara  outros  direitos  creditórios,  são  reconhecidos  como  ordem  de  pagamento  em  dinheiro,  apto  a  liquidar  obrigações  fiscais,  dado  o  seu  poder  liberatório.  Novamente invoca o art. 108, inciso I do CTN. Assim, como há autorização legal para o uso de  créditos de precatórios em compensações, não há motivo para não ser admitida a compensação  em comento.  De  toda  sorte,  a  penalidade  aplicada  seria  ilegal,  porque  abusiva  ao  ser  mensurada em 75% do débito declarado, desrespeitando os limites da proporcionalidade e da  razoabilidade  em  face  da  atitude  lesiva  que  se  pretende  punir.  Discorre  sobre  os  princípios  referidos e assevera que como o pedido não foi aceito pelo Fisco,  resta claro que não houve  prejuízos  aos  cofres  públicos,  cabendo  mera  sanção  corretiva.  Acrescenta  que  a  não  homologação das compensações declaradas já enseja a cobrança dos débitos não compensados  com acréscimo de multa  de mora de  20% e  juros SELIC,  fato  este  que  já  é  suficiente para  penalizar a eventual ilegitimidade ou insuficiência do crédito utilizado.  Argumenta  que  a  inequívoca  desproporção  entre  o  desrespeito  à  norma  tributária e sua consequência jurídica ­ a multa ­, evidencia o caráter confiscatório da punição,  invocando  a  vedação  constitucional  deste  sentido,  vez  que  a  penalidade  tributária  tem  a  finalidade de corrigir, e não de destruir. Enfatiza que a multa supera R$ 15 milhões e causará  graves dados à recorrente que sequer se encontra em atividade.   Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 6          5 Acrescenta que  tais penalidades estão sendo aplicadas de forma automática,  por  força  do  §3º  do  art.  18  da  Lei  nº  10.833/2003,  sem  o  prévio  procedimento  destinado  a  apontar a matéria tributável, identificar o correto sujeito passivo, apurar o montante devido e  aplicar  a  correta  penalidade.  Afirma  que  assim  ocorreu  no  presente  caso,  observa  que  a  investigação  fiscal  deveria  ter  sido  iniciada  mediante  a  expedição  de  Mandado  de  Procedimento Fiscal ­ MPF, e aponta ofensa ao art. 142 do CTN. Arremata que:  Partindo­se  da  verdadeira  premissa  de  que  a  aplicação  indistinta  e  genérica  da  multa instituída pela Lei nº 12.249/10 é absolutamente abusiva e inconstitucional, o  contribuinte  responsável  pela  transmissão  de  declaração  de  compensação  não  homologada somente poderá suportar qualquer sanção caso seja constatada, após a  instauração  e  desenvolvimento  adequado  do  procedimento  fiscalização,  a  existência  má­fé  ou  dolo  em  tal  conduta,  objetivando  a  postergação  do  adimplemento  do  débito  compensado,  o  que  não  ocorreu  no  presente  caso,  caracterizando ofensa ao artigo 142 do Diploma Tributário.  Pede,  assim,  o  acolhimento  do  recurso  voluntário,  vez  que  suficientemente  demonstrado  o  direito  creditório  pleiteado,  ou  alternativamente  o  afastamento  da  multa  aplicada. Subsidiariamente requer ao menos a redução da multa aplicada, de forma a retroagir  a multa isolada constante no artigo 62 da Lei 12.249/2010 para o presente caso, nos termos  do artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 7          6 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A  recorrente  argumenta  discorre  sobre  o  direito  creditório  utilizado  nas  compensações em referência, critica a decisão recorrida que manteve a multa aplicada apenas  em  razão  de  o  crédito  não  se  referir  a  tributos  administrados  pela Receita Federal,  e  invoca  dispositivos da legislação processual civil, societária e civil (embora ressalvando as alterações  da  Emenda  Constitucional  nº  62/2009)  para  afirmar  seu  direito  de  crédito  contra  a  União  Federal, passível de utilização em compensação com tributos federais.   Ocorre  que os  créditos  de natureza  não  tributária  nunca  foram passíveis  de  compensação  com  tributos  e  contribuições.  Tal modalidade  de  extinção  de  crédito  tributário  somente  poderia  ser  autorizada  por  lei,  e  nos  exatos  limites  fixados  pelo Código  Tributário  Nacional:  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Neste  contexto,  a  Lei  nº  8.383/91,  posteriormente  alterada  pela  Lei  nº  9.065/95, apenas autorizou a compensação entre débitos e créditos de mesma natureza, ou seja:  débitos tributários com créditos tributários e débitos de receitas patrimoniais com créditos de  receitas  patrimoniais.  Ainda,  a  referida  Lei  determinou  que  os  débitos  e  créditos  tributários  deveriam  corresponder  à  mesma  espécie  de  tributo  ou  contribuição,  na  medida  em  que  a  compensação  era  feita  sem  pedido,  e  somente  com  esta  limitação  não  haveria  reflexos  na  repartição de receitas tributárias:  Art.  66.  Nos  casos  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributos,  contribuições  federais,  inclusive  previdenciárias,  e  receitas  patrimoniais,  mesmo  quando  resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o  contribuinte  poderá  efetuar  a  compensação  desse  valor  no  recolhimento  de  importância correspondente a período subseqüente.  § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas  da mesma espécie.  § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição.  §  3º  A  compensação  ou  restituição  será  efetuada  pelo  valor  do  tributo  ou  contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.  §  4º  As  Secretarias  da  Receita  Federal  e  do  Patrimônio  da  União  e  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS  expedirão  as  instruções  necessárias  ao  cumprimento do disposto neste artigo.  Com a Lei nº 9.430/96,  somente foi acrescida a permissão de compensação  entre tributos de espécies diferentes. Os créditos continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis  de restituição ou ressarcimento, e sempre referentes a um tributo ou contribuição, na forma do  inciso I do art. 73 daquela lei, ao qual se reporta o art. 74, alegado pelo impugnante:  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 8          7 Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decreto­lei nº 2.287, de 23 de julho de  1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de  seus débitos serão  efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o  seguinte:  I ­ o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo  ou da contribuição a que se referir;  II  ­ a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável  será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição.  Art.74. Observado o disposto no artigo anterior,  a Secretaria da Receita Federal,  atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos  a  serem  a  ele  restituídos  ou  ressarcidos  para  a  quitação  de  quaisquer  tributos  e  contribuições sob sua administração.  E, mais  uma  vez,  com  a  alteração  do  art.  74  da Lei  nº  9.430/96  em  2002,  nenhum acréscimo se fez quanto à possibilidade de compensação de créditos de natureza não  tributária.  Ao  contrário,  sua  utilização  permaneceu  não  autorizada,  mas  agora  por  expressa  vedação, a partir do momento em que a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito  tributário, por ocasião de sua declaração à SRF, nos termos da Medida Provisória nº 66/2002,  convertida na Lei nº 10.637/2002:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em  julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  § 1º A  compensação de que  trata o caput  será  efetuada mediante a  entrega, pelo  sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos  utilizados e aos respectivos débitos compensados.  § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito  tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.  §  3º  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de  cada  tributo  ou  contribuição, não poderão ser objeto de compensação:  I ­ o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda  da Pessoa Física;  II ­ os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração  de Importação.   §  4º  Os  pedidos  de  compensação  pendentes  de  apreciação  pela  autoridade  administrativa  serão  considerados  declaração  de  compensação,  desde  o  seu  protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.  § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.  Demais  disso,  a  conduta  aqui  punida  foi  praticada muito  tempo  depois  de  editada  a  Medida  Provisória  nº  135,  de  30  de  outubro  de  2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003,  que  não  só  reiterou  a  impossibilidade  de  compensação  de  créditos  que  não  tivessem natureza tributária, ou que fossem de terceiros, como também fixou penalidade para a  inobservância desta regra:  Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da Medida  Provisória  nº  2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição de multa isolada sobre  as  diferenças  apuradas  decorrentes  de  compensação  indevida  e  aplicar­se­á  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 9          8 unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação  por  expressa disposição  legal,  de  o  crédito  ser  de  natureza  não  tributária,  ou  em  que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº  4.502, de 30 de novembro de 1964.  §  1º  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito  indevidamente  compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.  § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º  do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso.  §  3º  Ocorrendo  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este  artigo,  as  peças  serão  reunidas  em  um  único  processo  para  serem  decididas  simultaneamente.  Como se vê, o caput originalmente previa a aplicação de multa  isolada se a  compensação fosse indevida em razão de o crédito ser de natureza não tributária ou em que  ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro de 1964. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa  se  faria nos mesmos  percentuais previstos no  art.  44 da Lei nº 9.430/96,  sendo que para  as hipóteses de evidente  intuito de fraude a referida lei assim dispunha:  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:  [...]  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos  arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.   §  2º  Se  o  contribuinte  não  atender,  no  prazo marcado,  à  intimação  para  prestar  esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser  de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por  cento, respectivamente.  Já  com  a  Lei  nº  11.051/2004,  a  estipulação  da  penalidade  passou  a  estar  assim redigida:  Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da Medida  Provisória  nº  2.158­35, de 24 de agosto de 2001,  limitar­se­á à  imposição de multa  isolada em  razão  da  não­homologação  de  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo  nas  hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a  73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.  .............................................................................................  § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual  previsto  no  inciso  II  do  caput  ou  no  §  2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, conforme o caso, e  terá como base de cálculo o valor total do  débito indevidamente compensado.  .............................................................................................  §  4º  A  multa  prevista  no  caput  deste  artigo  também  será  aplicada  quando  a  compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do  art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 10          9 A  alteração  da  redação  se  fez  necessária  em  razão  do  novo  procedimento  imposto às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros ou de natureza não  tributária:  Art. 74................................................................................................  [...]  § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:  [...]  II ­ em que o crédito:  a) seja de terceiros;  b) refira­se a "crédito­prêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto­Lei nº 491, de 5 de  março de 1969;  c) refira­se a título público;  d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou  e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita  Federal ­ SRF.  § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas  no § 12 deste artigo.  Naqueles  termos,  a  multa  isolada  para  a  hipótese  de  não­declaração  de  compensação com crédito de natureza não tributária (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art.  74,  §  12,  II,  “e”  da  Lei  nº  9.430/96)  passou  a  ser  a  mesma  aplicável  aos  casos  de  não­ homologação com evidente intuito de fraude (art. 18, caput da Lei nº 10.833/2003). Para além  disso,  a  inovação  legislativa  operou  efeitos  significativos  no  campo  da  exigibilidade  dos  débitos  compensados,  a  qual,  em  razão  da  nova  redação  dada  ao  §13  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso  contra a  inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de não­declaração, e não  mais de não­homologação.  Mais  à  frente,  a  Lei  nº  11.196/2005 deu  nova  redação  ao  art.  18  da Lei  nº  10.833/2003, nos seguintes termos:  Art. 18. ........................................................................................  .............................................................................................................  § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente  compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses  do  inciso  II  do  §  12  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicando­se os percentuais previstos:  I ­ no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996;  II ­ no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos  casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  § 5º Aplica­se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR)  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 11          10 [...]  Referida  alteração  esclareceu  que  a  multa  isolada  por  compensação  não  declarada  somente  se  sujeitaria  a  multa  qualificada  se  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  e  adotou  outra  forma  de  redação:  ao  invés  de  tomar  por  empréstimo  os  percentuais  aplicáveis  à  penalidade  prevista  para  os  casos  de  não­homologação  de  compensação  com  evidente intuito de fraude, prevista no § 2o do art. 18, trouxe a indicação, no próprio inciso II  do § 4o do percentual aplicável. Além disso, no inciso I do §4º, passou a cogitar de casos de  não­declaração de compensação sujeitos a multa sem qualificação.   A  infração em tela  foi cometida em 13/04/2009, quando o art. 18 da Lei nº  10.833/2003  já  sofrera  outra  alteração,  decorrente  da  nova  redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O art.  18 da Lei nº 10.833/2003, então, passou a ter a seguinte redação, vigente até hoje:  Art.  18. O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da Medida  Provisória  no  2.158­35, de 24 de agosto de 2001,  limitar­se­á à  imposição de multa  isolada em  razão  de  não­homologação  da  compensação  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de  2007)  §  1o  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito  indevidamente  compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro  de 1996.  § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual  previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  aplicado  em  dobro,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   §  3o  Ocorrendo  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este  artigo,  as  peças  serão  reunidas  em  um  único  processo  para  serem  decididas  simultaneamente.  § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente  compensado quando a  compensação  for considerada não declarada nas hipóteses  do  inciso  II  do  §  12  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicando­se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicado  na  forma  de  seu  §  1o,  quando  for  o  caso.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   § 5o Aplica­se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007)  Não  há  dúvida,  portanto,  que  a  não  declaração  da  compensação,  fundamentada  nas  hipóteses  do  inciso  II  do  §12  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  é  motivo  suficiente para  a aplicação da multa  isolada minimamente no percentual de 75%. Somente o  cancelamento da DCOMP, promovido espontaneamente pelo sujeito passivo antes de qualquer  intimação fiscal, poderia  impedir a aplicação da penalidade, pois em regra este procedimento  desfaz a extinção do débito compensado e permite sua cobrança por parte do Fisco, caso ele  esteja,  por  outro meio,  declarado. Outras  condutas  do  sujeito  passivo,  ainda que  tendentes  à  extinção  definitiva  dos  débitos  irregularmente  compensados,  não  produzem  o mesmo  efeito,  pois  enquanto  a  DCOMP  estiver  ativa,  os  débitos  estarão  extintos  por  compensação,  e  a  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 12          11 segunda extinção do mesmo débito poderia, a qualquer momento, ser arguida como indevida,  inclusive com pedido de repetição dos valores eventualmente pagos.  Nestes  termos,  a  penalidade  aqui  aplicada  decorre,  justamente,  da  contribuinte  ter  observado  o  procedimento  de  compensação  previsto  no  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96  em  circunstâncias  ali  expressamente  vedadas.  Irrelevante,  assim,  se  houve  pedido  prévio de restituição, porque a compensação que o seguiu espraiou seus efeitos extintivos sobre  os  débitos  compensados,  caracterizando  a  infração  aqui  punida.  Por  fim,  em  nada  socorre  a  interessada a comparação do crédito utilizado com aqueles decorrentes de precatórios devidos  pelo Estado, porque estes  também não  têm natureza  tributária, e eventual encontro de contas  com  os  tributos  devidos  à  União  somente  poderia  ser  cogitada  por  meio  de  dação  em  pagamento,  e  nunca  por  meio  de  DCOMP.  Ademais,  inaplicável  o  art.  108  do  CTN  se  há  legislação específica regendo a compensação, como forma de extinção do crédito tributário, no  âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal.   A recorrente ainda argumenta que a penalidade aplicada seria ilegal, porque  abusiva  ao  ser  mensurada  em  75%  do  débito  declarado,  desrespeitando  os  limites  da  proporcionalidade e da razoabilidade em face da atitude lesiva que se pretende punir. Cogita do  cabimento,  apenas,  de  mera  sanção  corretiva  e  observa  que  a  não  homologação  das  compensações declaradas já enseja a cobrança dos débitos não compensados com acréscimo de  multa de mora de 20% e juros SELIC,  fato este que já é suficiente para penalizar a eventual  ilegitimidade ou insuficiência do crédito utilizado.  Cumpre  esclarecer,  apenas,  que  a  penalidade  aqui  exigida  não  decorre  do  descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de  Compensação  ­ DCOMP como meio  extintivo do  crédito  tributário. A  falta  de  recolhimento  dos débitos compensados sujeita­se a multa de mora se eles estiverem declarados, ou à multa  de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com  falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma  outra  infração a ser punida com multa  isolada,  independentemente das providências adotadas  para satisfação da obrigação tributária principal.  Esta  distinção  fica  evidente,  desde  a  edição  da  Medida  Provisória  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003,  que  determinou  duas  providências  em  face  da  inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP:  Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação:  "Art. 74. .................................................................................  [...].  §  7º  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa  deverá  cientificar  o  sujeito  passivo  e  intimá­lo  a  efetuar,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  ato  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente compensados.  §  8º  Não  efetuado  o  pagamento  no  prazo  previsto  no  §  7º,  o  débito  será  encaminhado à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida  Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º.  [...]  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 13          12 Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da Medida  Provisória  nº  2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição de multa isolada sobre  as  diferenças  apuradas  decorrentes  de  compensação  indevida  e  aplicar­se­á  unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação  por  expressa disposição  legal,  de  o  crédito  ser  de  natureza  não  tributária,  ou  em  que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº  4.502, de 30 de novembro de 1964.  §  1º  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito  indevidamente  compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro  de 1996.  § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º  do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso.  §  3º  Ocorrendo  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este  artigo,  as  peças  serão  reunidas  em  um  único  processo  para  serem  decididas  simultaneamente.  [...]  Nestes  termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve  promover:  a  cobrança  dos  débitos  indevidamente  compensados  e  o  lançamento  de  ofício  de  multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurado, dentre outras  hipóteses,  que  o  crédito  utilizado  não  era  passível  de  compensação  por  expressa  disposição  legal,  ou  se  ficar  caracterizada  a  prática  das  infrações  previstas  nos  arts.  71  a  73  da  Lei  nº  4.502, de 30 de novembro de 1964.  A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz­ se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de  mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é  incompatível  com  a  aplicação  de  multa  isolada,  pois  esta  não  representa  exigência,  em  separado,  do  acréscimo  que  seria  aplicável  ao  débito,  em  lançamento  de  ofício,  se  ele  não  estivesse declarado. Trata­se,  sim, de penalidade específica,  e decorrente do uso  indevido da  DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas.  De  fato,  não  é  possível  cogitar  que um mesmo  débito  sofra  a  aplicação  de  multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na  exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora,  como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça:  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  COM  ATRASO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  INEXISTÊNCIA.  MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA.  Nega­se  provimento  ao  agravo  regimental,  em  face  das  razões  que  sustentam  a  decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento  por  homologação,  não  há  configuração  de  denúncia  espontânea  quando  o  contribuinte  declara  e  recolhe  com  atraso  o  seu  débito  perante  a  Administração  Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão)  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  EM  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  CTN,  ART.  138.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA.  SÚMULA  168/STJ.  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 14          13 [...]  2.  Deveras,  pacificou­se  a  jurisprudência  da  Primeira  Seção  no  sentido  de  "não  admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento  por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a  destempo,  à  vista  ou  parceladamente."  (AgRg  no  EREsp  636.064/SC,  Rel.  Min.  CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340  – MG, Rel. Min. Luiz Fux)  Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de  recolhimento  do  tributo  declarado,  infração  que  mereça  penalidade  específica,  e  isolada,  na  medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios.  Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da  Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre  do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que  autorizou sua utilização.  E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a  essência  da  compensação,  que  somente  se  efetiva  por  meio  dela  (art.  74,  §  1o  da  Lei  nº  9.430/96,  com a  redação  dada  pela Lei  nº  10.637/2002),  formalizando  a  extinção  do  crédito  tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada  pela Lei nº 10.637/2002).  Aliás,  a  evidenciar  a  distinção  entre  as  hipóteses  de  aplicação  da multa  de  ofício  em  acréscimo  ao  principal  e  da multa  isolada,  destaque­se  ser possível,  até mesmo,  a  coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida.  De  fato,  a multa  isolada por  compensação  indevida,  nas hipóteses de não­declaração criadas  com  a Lei  nº  11.051/2004  (mediante  inclusão  do  §  12  no  art.  74  da Lei  nº  9.430/96),  pode  conviver com o  lançamento de ofício dos débitos  compensados, dado que a DCOMP, nestes  casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96  pela  Lei  nº  11.051/2004),  e  o  valor  compensado  pode  não  ter  sido  confessado  em  outra  declaração.   Em  tais  condições  fica  evidente  que  duas  condutas  estão  sendo  punidas:  a  falta  de  declaração  e  recolhimento  do  tributo  (da  qual  decorre  o  lançamento  de  ofício  do  principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como  meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada).  Veja­se  que  é  admissível,  inclusive,  a  aplicação  da multa  de  ofício  isolada  sobre  valor  representativo  de  multa  de  mora,  nos  casos  em  que  a  compensação,  mediante  DCOMP, se faça com débito em atraso, dado que a multa por compensação indevida tem por  base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até  mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado  de ofício  for objeto de  compensação,  e  reste  caracterizado o  abuso de  forma ou  a  fraude na  apresentação da DCOMP.   A  multa  isolada  pune  o  uso  indevido  da  DCOMP,  quando  presentes  as  circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual  seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já  se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº  10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 15          14 tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total  do débito indevidamente compensado.  Logo, a exigência da multa  isolada por compensação indevida é compatível  com  a  exigência  de  multa  (moratória  ou  de  ofício)  sobre  os  débitos  indevidamente  compensados.  E, quanto ao caráter confiscatório da multa, importa apenas reiterar que a lei  estipula o percentual aplicado, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente  para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.   Esclareça­se,  também,  que  não  houve  qualquer  aplicação  "automática"  da  penalidade, e ainda que a autoridade lançadora assim tivesse procedido, o fato é que a infração,  a data de sua ocorrência e a base de cálculo da penalidade (valores dos débitos discriminados  pelo  contribuinte  no  processo  10166.003743/2009­49),  assim  como  seu  percentual,  estão  claramente  expostos  no  Auto  de  Infração  de  fls.  02/09.  Ademais,  está  pacificado  neste  Conselho que:  Súmula  CARF  nº  46.  O  lançamento  de  ofício  pode  ser  realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário.   Imprópria,  assim,  a  pretensão  da  recorrente  de  invalidar  o  lançamento  por  ausência de MPF prévio e ofensa ao art. 142 do CTN.   Por fim, registre­se a inadequação das referências à Lei nº 12.249/2010, que  não  se  prestou  como  fundamento  da  exigência,  dado  que  por meio  dela  foi  instituída  outra  multa isolada, prevista nos §§ 15 a 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e destinada a punir pedidos  de ressarcimento que venham a ser indeferidos, ou compensações não homologadas, ainda que  sem evidências de falsidade. O caso presente é de compensação com crédito de natureza não  tributária,  sujeita  a  não  declaração  e  a  penalidade  prevista  no  art.  18,  §4º  da  Lei  nº  10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, inexistindo qualquer possibilidade  de  aplicação de  retroatividade benigna, porque diferentes  as  infrações previstas nas  referidas  normas sancionatórias.  Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao recurso voluntário.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                            Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/2013­68  Acórdão n.º 1101­001.269  S1­C1T1  Fl. 16          15     Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10950.004970/2002-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000 APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementá-lo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79). Recurso voluntário parcialmente provido. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20. EXCLUSÕES LEGAIS. ESTOQUE. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 830          2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE  AGRÍCOLA.  O valor das aquisições de matérias­primas, produtos intermediários, materiais  de embalagem, combustíveis e  lubrificantes empregados na fase agrícola do  processo produtivo (cultivo da cana­de­açúcar) devem ser excluídos da base  de cálculo do crédito presumido.  CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.  Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam  consumidos  no  processo  produtivo  mediante  contato  físico  direto  com  o  produto  em  fabricação  e  que  não  sejam  passíveis  de  ativação  obrigatória  (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79).  Recurso voluntário parcialmente provido.  CRÉDITO PRESUMIDO DO  IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI,  instituído  pela  Lei  nº  9.363,  de  1996,  condiciona­se a que os  produtos  estejam dentro do  campo de  incidência do  imposto,  não  estando,  por  conseguinte,  alcançados  pelo  benefício,  os  produtos  não  tributados  (NT),  conforme  entendimento  pacífico  consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula  CARF n° 20.  EXCLUSÕES LEGAIS. ESTOQUE.  No  último  trimestre  em  que  houver  efetuado  exportação,  ou  no  último  trimestre  de  cada  ano,  deverão  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  o  valor  das  matérias­primas,  dos  produtos  intermediários  e  dos  materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e  dos produtos acabados, mas não vendidos.  Recurso voluntário parcialmente provido.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário.       Irene Souza da Trindade Torres Oliveira ­ Presidente      Gilberto de Castro Moreira Junior ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade  Torres  Oliveira,  Luis  Eduardo  Garrossino  Barbieri,  Gilberto  de  Castro  Moreira  Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori  Migiyama.    Fl. 830DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 831          3 Relatório    Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido  pela DRJ/Ribeirão Preto:     Trata­se  de manifestação  de  inconformidade,  apresentada  pela  requerente,  ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do  Brasil em Maringá, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do  crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n2 9.363, de 13 de dezembro de  1996, referente aos 2% 3° e 4° trimestres do ano de 2000, solicitado no valor  de R$ 385.444,36.  A  DRF  de  origem  deferiu  parcialmente  o  pedido,  no  montante  de  R$  61.685,28, pelas razões a seguir dispostas:  1.  Não  consideração  das  devoluções  de  compras  (nas  aquisições)  no  montante  do  estoque  (insuetos)  considerado  e,  por  conseguinte,  no  cálculo  do crédito presumido; e pelo fato de parte do montante usado como estoque  de  matérias  primas  serem  aquisições  que  não  dão  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI,  por  serem  aquisições  de  pessoa  física  ou  não  se  enquadrarem no conceito de insumos ou por serem produtos NT:  a.  aquisições  de  matéria­prima  —  cana  de  açúcar  não  onerada  pelas  contribuições para o PIS e Cofins, de pessoas físicas e cooperativas que, de  acordo com o art. 2 0 da Instrução Normativa SRF n. 23, de 13 de março de  1997, não geram direito ao crédito presumido de IPI (R$ 10.684.312,22);  b.  aquisições  de  combustíveis  (lenha),  energia  elétrica,  insumos  agrícolas,  mudas  de  cana,  lubrificantes,  partes  integrantes  do  ativo  imobilizado  (rolamentos,  retentores,  parafusos,  arruelas,  correias,  etc),  peças  para  manutenção  de  veículos  (automóveis,  caminhões,  tratores),  materiais  de  segurança e proteção (botas, capacetes, luvas, uniformes, etc), materiais de  conservação e reparo (areia, cimento, tijolos), materiais de informática e de  higiene  que,  de  acordo  com  o  Parecer  Normativo  CST  n.  65,  de  31  de  outubro  de  1979  não  geram  direito  a  crédito  presumido  de  IPI,  por  não  caracterizarem  matéria  prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem (R$ 2.926.999,38).  2. Exclusão da base de cálculo o valor dos insumos utilizados nos produtos  acabados e não vendidos  (R$ 1.690.929,53). Este valor consta na memória  de cálculo da DCP apresentada pelo contribuinte;  Regularmente  cientificada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  requerendo o deferimento  integral do crédito,  referente ao  pedido  de  ressarcimento,  e  a  correção monetária  deste  valor,  por meio  da  Selic,  alegando  que  as  exclusões  feitas  pela  fiscalização  não  têm  previsão  legal, sendo ilegítima qualquer exclusão com base em normas de hierarquia  inferior, conforme resumo das alegações a seguir:  1. As Instruções Normativas 23, de 1997, e 103, de 30 de dezembro de 1997,  teriam  inovado  indevidamente  quando  estabeleceram  que  o  crédito  presumido de IPI seria calculado, exclusivamente, em relação às aquisições  efetuadas  de Pessoas  Jurídicas  sujeitas  às  contribuições  para  a Cofins  e  o  Fl. 831DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 832          4 PIS, pois a Lei 9.363, de 1996, não havia determinado esta restrição. Neste  sentido, a contribuinte cita jurisprudência administrativa.  2. É correta a apuração do crédito presumido relativo a aquisição de itens  como  rolamentos,  lubrificantes,  uniformes,  materiais  e  equipamentos  de  proteção  e  lenha  (denominados  de  produtos  intermediários),  por  estarem  sendo  utilizados  no  processo  industrial  e,  conforme  apresentado  a  seguir,  estariam de acordo com o disposto na Lei 9.363, de 1996,  conforme  laudo  pericial  anexo ao presente que demonstram  todas as  fases da produção de  açúcar e álcool;  3. Os materiais de manutenção e reposição industriais aplicados no processo  produtivo,  desde  que  não  representem  aumento  de  vida  útil  para  o  bem,  podem  ser  considerados  MP  ou  PI,  de  acordo  com  o  entendimento  do  próprio Conselho de Contribuintes;  4. A empresa além de produção de açúcar e álcool possui também atividade  econômica  de  "importação  e/ou  compra  no  mercado  interno  de  sementes,  adubos,  fertilizantes,  insumos  agrícolas  e  derivados,  para  revenda  e  comercialização a terceiros. As vendas destes produtos foram feitas a preço  reduzido para beneficiar seus fornecedores de modo a incentivá­los e a dar  continuidade  e  preferência  na  venda  de  sua  produção  à  própria  empresa.  Sendo assim, os valores destas vendas integram a receita de exportação para  o  cálculo do  crédito presumido de  IPI,  que  fora  vedada  somente  com a  IN  313,  de  2003.  Os mesmos  argumentos  foram  utilizados  para  as  vendas  de  mudas de cana de açúcar, energia elétrica, óleo diesel e peças;  5.  A  empresa  reconhece  que  os  produtos  descritos  como  material  de  conservação e reparos, materiais de expediente, material de higiene, não dão  direito ao crédito presumido de IPI, motivo pelo qual pede sua exclusão;  6. O beneficio é dirigido a empresa produtora e exportadora de mercadorias  nacionais.  O  produto  industrializado  é  uma  mercadoria.  Se  o  legislador  quisesse contemplar apenas produtos  industrializados  teria usado, ao  invés  de  "mercadorias",  "produtos  industrializados".  Usando  a  palavra  mercadorias  deve­se  abranger  toda  sorte  de  mercadorias,  mesmo  àquelas  que não são produtos industrializados ou produtos NT.  7.  A  empresa  já  havia  excluído  os  insumos  utilizados  na  produção  de  produtos  acabados  em  estoque  e  a  Receita  Federal  não  pode  excluí­los  novamente.  Concluiu,  alegando  ser  devida  a  atualização  monetária  dos  créditos  presumidos  ora  pleiteados  para  evitar  o  enriquecimento  sem  causa  do  Estado, juntando jurisprudência judicial e administrativa.  É o relatório    A ementa do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto é a seguinte:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2000 a 31/12/2000  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA.  Os  valores  referentes  às  aquisições  de  insumos  de  pessoas  fisicas,  não­ contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins,  não  integram o  cálculo do  crédito  presumido.  Fl. 832DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 833          5 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO.  Os  conceitos  de  produção,  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não  abrangendo  os  produtos  que  não  tiveram  contato  físico  direto,  nem  exerceram diretamente ação, no produto industrializado.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.  Operação  que  resulta  em  produto  não­tributável,  não  é  considerada  operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI.  EXCLUSÕES LEGAIS.  No  último  trimestre  em  que  houver  efetuado  exportação,  ou  no  último  trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito  presumido  o  valor  das matérias­primas,  dos  produtos  intermediários  e  dos  materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados  e dos produtos acabados, mas não vendidos.  RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA  TAXA SELIC.  É  incabível  a  atualização  monetária  de  valores  referentes  a  créditos  do  imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora  calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados.    Inconformada  com  tal  decisão,  a Recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde repisa os argumentos anteriormente apresentados.     É o Relatório.  Voto               Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator    O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  pressupostos  de  admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento.    Crédito presumido de IPI. SELIC    Em  relação  ao  crédito  presumido  de  IPI  na  aquisição  de  pessoas  físicas,  reproduzo meu voto no acórdão 3202­000.471 que sintetiza meu entendimento,  inclusive em  relação à correção monetária pela SELIC:    ...  Instruções Normativas não  são  instrumentos normativos hábeis a  inovar  ou modificar o texto legal ao qual estão adstritos, mas apenas complementá­ lo, sem promover alteração no seu conteúdo e alcance.  Ora,  se  a  própria  lei  que  instituiu  o  crédito  presumido  de  IPI,  Lei  n.  9.363/1996,  não  excluiu  da  base  de  cálculo  as  aquisições  de  fornecedores  que  não  são  contribuintes  de  PIS  e  COFINS,  não  pode  a  Instrução  Normativa fazer tal restrição.  Na mesma  linha  caminha o  entendimento  do  Superior Tribunal  de  Justiça,  que apreciou o assunto  em sede de  recurso representativo da controvérsia.  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 834          6 Vejamos o trecho da ementa do Ministro Luiz Fux, no julgamento do Recurso  Especial n. 993.164 – MG, em 13/12/2010:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO PARA  RESSARCIMENTO  DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES  SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF. OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter  sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato  normativo  secundário,  que  não  pode  inovar  no  ordenamento  jurídico,  subordinando­se aos limites do texto legal.  2. A Lei 9.363/96  instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do  valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro  de  1970,  8,  de 3  de  dezembro  de  1970,  e de  dezembro  de 1991,  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo  .  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos  casos  de  venda a  empresa  comercial  exportadora  com o  fim  específico de exportação para o exterior."  3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro  de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento  do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para  apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à  definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios  dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador".  4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a  Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido  instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a  expedir  normas  complementares  necessárias  à  implementação  da  aludida  portaria (artigo 12).  5. Nesse  segmento,  o  Secretário  da  Receita  Federal  expediu  a  Instrução  Normativa 23/97  (revogada,  sem  interrupção de  sua  força normativa,  pela  Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela  Instrução  Normativa  419/2004),  assim  preceituando:  "Art.  2º Fará  jus  ao  crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e  exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido  aplica­se  inclusive:  I  Quando  o  produto  fabricado  goze  do  benefício  da  alíquota  zero;  II  nas  vendas  a  empresa  comercial  exportadora,  com  o  fim  específico  de  exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 835          7 oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12 de abril de 1990, utilizados como matéria­prima, produto intermediário  ou  embalagem,  na  produção  bens  exportados,  será  calculado,  exclusivamente,  em  relação  às  aquisições,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ."  6.  Com  efeito,  o  §  2º,  do  artigo  2º,  da  Instrução  Normativa  SRF  23/97,  restringiu  a  dedução  do  crédito  presumido  do  IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no  mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  PIS/PASEP e à COFINS.  7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos  secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos  normativos  primários  a  que  se  subordinam  (leis,  tratados,  convenções  internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma  exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar­se­ ão  de  ilegalidade  e não  de  inconstitucionalidade  (Precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal:  ADI  531  AgR,  Rel.  Ministro  Celso  de  Mello,  Tribunal  Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro  Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991).  8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que  extrapolou  os  limites  impostos  pela  Lei  9.363/96,  ao  excluir,  da  base  de  cálculo  do  benefício  do  crédito  presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria­prima  e de  insumos de  fornecedores não sujeito à  tributação pelo PIS/PASEP e  pela  COFINS  (Precedentes  das  Turmas  de  Direito  Público:  REsp  849287/RS,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.06.2009,  DJe  25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  01.04.2008,  DJe  11.04.2008;  REsp  767.617/CE,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).  9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­ exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o  Decreto  2.367/98  Regulamento  do  IPI,  posterior  à  Lei  9.363/96,  não  fez  restrição às aquisições de produtos  rurais"  ; e  (iii) "a base de cálculo do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN).  ...  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008” (grifamos)  Vejamos, ademais, outros precedentes do Superior Tribunal de Justiça:  “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTARIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇAO  AO ART. 535 DO CPC. NAOOCORRENCIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 836          8 LEI  N.º  9.363/96.  INSTRUÇAO  NORMATIVA  SRF  N.º  23/97.  ILEGALIDADE.  1. O incentivo cognominado crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n.º  9.363/96,  revela  como  ratio  essendi,  desonerar  as  exportações do  valor do  PIS/PASEP e  da COFINS  incidentes  ao  longo  de  toda  a  cadeia  produtiva,  independentemente  do  fato  de  estar  ou  não  o  fornecedor  direto  do  exportador sujeito ao pagamento destas contribuições.  2.  Conseqüentemente,  o  não  pagamento  do  PIS  e  da  COFINS  pelo  fornecedor  dos  insumos  não  pode  impedir  o  nascimento  do  crédito  presumido.  3. Deveras, este ressarcimento, que por ser presumido e estimado na forma  da  lei,  refere­se  às  possíveis  incidências  das  contribuições  em  todas  as  etapas  anteriores  à  aquisição  dos  insumos  e  à  exportação.”  (STJ,  REsp  767617  / CE, Relator Ministro Luiz Fux, Órgão Julgador Primeira Turma,  Sessão de 12/12/2006) (grifamos)  “TRIBUTARIO.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  IN/SRF  23/97  ILEGALIDADE. 1. O crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96  teve  por  objetivo  desonerar  as  exportações  do  valor  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente  de  estar  ou  não  o  fornecedor  direto  do  exportador  sujeito  ao  pagamento  dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do  art. 2º, 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual "o crédito presumido relativo a  produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº  8.023,  de  12  de  abril  de  1990,  utilizados  como  matéria­prima,  produto  intermediário  ou  embalagem,  na  produção  de  bens  exportados,  será  calculado,  exclusivamente,  em  relação  às  aquisições  efetuadas  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  às  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS".  Precedente:  RESP  586.392/RN,  2ª  Turma,  Min.  Eliana  Calmon,  DJ  de  06.12.2004.  2.  Recurso especial a que se nega provimento.” (STJ, REsp 617733/CE, Relator  Teorio  Albino  Zavascki,  Órgão  Julgador  Primeira  Turma,  Sessão  de  03/08/2006) (grifamos)  “TRIBUTARIO.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  INDUSTRIALEXPORTADOR.  RESSARCIMENTO  DE  PIS  E  COFINS  EMBUTIDOS  NO  PREÇO  DOS  INSUMOS.  INCLUSAO  NA  BASE  DE  CALCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96.  PRECEDENTES. 1. "De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o  benefício  fiscal  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  do  IPI,  como  ressarcimento  do  PIS  e  da  COFINS,  é  relativo  ao  crédito  decorrente  da  aquisição  de mercadorias  que  são  integradas  no  processo  de  produção  de  produto  final  destinado  à  exportação.  Portanto,  inexiste  óbice  legal  à  concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado  a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter  havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração  posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI "  (REsp  nº  576857/RS,  Rel.  Min.  Francisco  Falcão,  DJ  de  19/12/2005).  2.  "Mesmo quando as matérias­primas ou insumos forem comprados de quem  não  é  obrigado  a  pagar  as  contribuições  sociais  para  o  PIS/PASEP,  as  empresas  exportadoras  devem  obter  o  creditamento  do  IPI"  (REsp  nº  763521/PI,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  07/11/2005)  3.  O  crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 837          9 uma  importância  para  corrigir  o  custo. O motivo  da  existência  do  crédito  são  os  insumos  utilizados  no  processo  de  produção,  em  cujo  preço  foram  acrescidos os  valores do PIS  e COFINS,  cumulativamente,  os quais devem  ser devolvidos ao industrial­exportador.  4.  Precedentes  das  egrégias  1ª  e  2ª  Turmas  desta  Corte.  5.  Recurso  nãoprovido.” (STJ, REsp 813280/SC, Relator Ministro José Delgado, Órgão  Julgador Primeira Turma, Sessão de 06/04/2006) (grifamos).  Ainda  na  mesma  direção  foi  o  posicionamento  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho de Contribuintes:  “IPI CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  determinada  mediante  a  aplicação,  sobre o valor  total das aquisições de MP, PI e ME, referidos no art. 1° da  Lei n° 9.363/96, do percentual correspondente à  relação entre a  receita de  exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art.2° da  Lei  n°  9.363/96).  A  lei  mencionada  refere­se  a  "valor  total"  e  não  prevê  qualquer exclusão. As IN SRF n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n°  9.363/96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI  será calculado,  exclusivamente,  em  relação  às  aquisições  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN SRF n° 23/97) não  geram  direito  ao  crédito  presumido  (IN  SRF  n°  103/97).  Tais  exclusões  somente poderiam ser feitas mediante lei, pois as instruções normativas são  normas complementares (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou  modificar  o  texto  das  normas  que  complementam.  Na  verdade,  o  crédito  presumido  de  IPI  na  exportação  utiliza  o  princípio  da  praticibilidade,  que  usa a presunção como o meio mais simples e viável de se atingir o objetivo  da lei, dando à administração o alívio do fardo da investigação exaustiva de  cada  caso  isolado,  dispensando­o  da  coleta  de  provas  de  difícil,  ou  até  impossível,  configuração.  A  apuração  por  presunção  utiliza  um  cálculo  padronizante,  que  abstrai  o  individual,  o  específico,  o  único,  em  favor  do  geral,  cria­se  uma  abstração  generalizante,  imposta,  ex  dispositionis  legis,  ao contribuinte, desprezando­se os desvios individuais.” (CSRF, Acórdão n.  0201.707, Relator Manoel Antonio Gadelha Dias, Sessão de 11.05.2004)  “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES  DE  PESSOAS  FÍSICAS  E  COOPERATIVAS  A  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  determinada mediante a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários,  e  material  de  embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita  operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei  citada refere­se a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções  Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96,  ao  estabeleceram  que  o  crédito  presumido  de  IPI  será  calculado,  exclusivamente,  em  relação  às  aquisições  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas  à  COFINS  e  às  Contribuições  ao  PIS/PASEP  (IN  nº  23/97),  bem  como  que  as  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  adquiridos  de  cooperativas  não  geram  direito  ao  crédito  presumido  (IN  nº  103/97).  Tais  exclusões  somente  poderiam  ser  feitas  mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são  normas  complementares das  leis  (art.  100 do CTN) e não podem  transpor,  inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (CSRF, Acórdão  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 838          10 n.  0201.653,  Relator  Dalton  César  Cordeiro  de  Miranda,  Sessão  de  10/05/2004)  O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente  pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus  artigos 62 e 62A:  “Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo  único.  O  disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional,  lei ou ato normativo:  I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva  do Supremo Tribunal Federal; ou  II que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­ Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de  19 de julho de 2002;  b)  súmula  da  Advocacia­Geral  da  União,  na  forma  do  art.  43  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.  Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de  janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou  por provocação das partes.”  Pelo  exposto,  além  de  entender  que  a  Recorrente  tem  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI  de  que  trata  a  Lei  n.  9.363/1996,  mesmo  quando  os  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  ao  mercado  externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS, como é o  caso  das  aquisições  feitas  de  pessoas  físicas  e  cooperativas,  a  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  Federal  no  Recurso  Especial  n.  993.164/MG  deve  ser  reproduzida  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF.  DA TAXA SELIC  A  Recorrente  alega  que  tem  direito  à  atualização  do  ressarcimento  dos  créditos presumidos de IPI pela Taxa Selic, e como fundamento de seu pleito  cita  o  art.  39,  §4°,  da  Lei  n.  9.250/1995  e  o  Decreto  n.  2.138/1997,  que  reconheceu  que  os  institutos  jurídicos  da  restituição  e  do  ressarcimento  devem receber o mesmo tratamento. Entendo que razão assiste à Recorrente.  Com relação ao tema, verifica­se também que o Superior Tribunal de Justiça  já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543­C do Código  de  Processo  Civil,  ou  seja,  através  da  análise  dos  chamados  recursos  representativos da controvérsia.  Fl. 838DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 839          11 Trata­se  do  mesmo  precedente  anteriormente  mencionado  (REsp  993164/MG), cujo trecho da ementa tratando da matéria é o seguinte:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO PARA  RESSARCIMENTO  DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES  SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF. OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.  ...  12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação  do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido  crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado  pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência  de  correção monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação  analógica  do  precedente  da Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de  Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação  da  Taxa  SELIC  (a  partir  de  janeiro  de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).  ...  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.” (grifamos).  A decisão acima foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de  ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que  trata a  lei  n. 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão  na  base  de  cálculo  do  incentivo  das  compras  realizadas  junto  a  pessoas  físicas e cooperativas.  No mesmo sentido também foi proferida a decisão no REsp 1035847/RS, cuja  ementa abaixo reproduzo:  “PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos  escriturais),  por  ausência de previsão legal.  Fl. 839DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 840          12 2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte em sua escrita contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele  o  contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância que acarreta demora  no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos  judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09.2005, DJ  10.10.2005; EREsp  613.977/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp  430.498/RS,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel.  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao  regime do artigo 543_C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Restou  consolidado,  assim,  no  âmbito  do  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de  IPI pela  taxa SELIC.  Verifica­se, portanto, que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal  de  Justiça  devem  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  Dessa  forma,  adoto  o  entendimento  do  Egrégio Superior Tribunal de Justiça  em relação aos créditos de IPI, para  inclusão  na  base  de  cálculo  dos  valores  referentes  às  aquisições  de  fornecedores não contribuintes de PIS  e COFINS, bem como em  relação à  aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento.  Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso  Voluntário interposto pela Recorrente, concedendo direito ao crédito de IPI  com  relação  aos  valores  referentes  às  aquisições  de  insumos  de  não  contribuintes de PIS e COFINS, e para a aplicação da Taxa Selic aos valores  objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito ...    A Primeira Seção do STJ também já decidiu acerca da correção dos créditos  quando do julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo n° 1.220.942, verbis:    4. Situação do crédito escritural: Deve­se negar ordinariamente o direito à  correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um  período  de  apuração  e  utilizados  em  outro  (sistemática  ordinária  de  aproveitamento), ou seja, de créditos  inseridos na escrita fiscal da empresa  em  um  período  de  apuração  para  efeito  de  dedução  dos  débitos  de  IPI  decorrentes  das  saídas  de  produtos  tributados  em  períodos  de  apuração  Fl. 840DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 841          13 subseqüentes.  Na  exceção  à  regra,  se  o  Fisco  impede  a  utilização  desses  créditos escriturais, seja por entendê­los inexistentes ou por qualquer outro  motivo,  a  hipótese  é  de  incidência  de  correção  monetária  quando  de  sua  utilização,  se  ficar  caracterizada a  injustiça desse  impedimento  (Súmula n.  411/STJ).  Por  outro  lado,  se  o  próprio  contribuinte  acumula  tais  créditos  para  utilizá­los  posteriormente  em  sua  escrita  fiscal  por  opção  sua  ou  imposição  legal,  não  há  que  se  falar  em  correção  monetária,  pois  a  postergação  do  uso  foi  legítima,  salvo,  neste  último  caso,  declaração  de  inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento.  5.  Situação  do  crédito  objeto  de  pedido  de  ressarcimento:  Contudo,  no  presente  caso  estamos  a  falar  de  ressarcimento  de  créditos,  sistemática  diversa  (sistemática  extraordinária  de  aproveitamento)  onde  os  créditos  outrora  escriturais  passam  a  ser  objeto  de  ressarcimento  em  dinheiro  ou  ressarcimento  mediante  compensação  com  outros  tributos  em  virtude  da  impossibilidade  de  dedução  com  débitos  de  IPI  decorrentes  das  saídas  de  produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota  zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por  lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados  na  escrita  fiscal para uso  exclusivo no abatimento do  IPI devido na  saída.  São  utilizáveis  fora  da  escrita  fiscal.  Nestes  casos,  o  ressarcimento  em  dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá  mediante requerimento  feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das  vicissitudes  burocráticas  do  Fisco,  demora  a  ser  atendido,  gerando  uma  defasagem  no  valor  do  crédito  que  não  existiria  caso  fosse  reconhecido  anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a  sistemática ordinária de aproveitamento.  Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da  Controvérsia REsp. nº 1.035.847 ­ RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux,  julgado  em  24.6.2009,  onde  foi  reconhecida  a  incidência  de  correção  monetária.   6.  A  lógica  é  simples:  se  há  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI,PIS/COFINS  (em  dinheiro  ou  via  compensação  com  outros  tributos)  e  esses  créditos  são  reconhecidos  pela  Receita  Federal  com  mora,  essa  demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto  que  caracteriza  também  achamada  "resistência  ilegítima"  exigida  pela  Súmula  n.  411/STJ.  Precedentes:REsp.  n.  1.122.800/RS,  Segunda  Turma,  Rel. Min. Mauro Campbell Marques,julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. n.  1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. n.1088292/RS, Segunda Turma, Rel.  Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011.  7.  O  Fisco  deve  ser  considerado  em  mora  somente  a  partir  da  data  do  protocolo dos pedidos de ressarcimento.    No  mesmo  sentido  é  o  acórdão  3402­001.967  de  relatoria  do  ilustre  Conselheiro João Carlos Cassuli Junior:    PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  CORREÇÃO MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXEGESE  DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ.  Fl. 841DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 842          14 A  partir  do  julgamento,  pelo  STJ,  do  REsp  1.035.847/RS,  de  relatoria  do  Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C),  foi  firmado  entendimento  no  sentido  de  que  é  devida  a  atualização  pela  SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por  resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora  na  análise  do  respectivo  processo  administrativo. Direito  a  atualização do  crédito  ressarciendo  desde  o  protocolo  do  pedido  até  o  efetivo  aproveitamento, via restituição ou compensação.     Materiais aplicados na produção de cana­de­açúcar     A  fiscalização  excluiu  o  valor  das  aquisições  de  insumos  e  defensivos  utilizados  na  formação  e  no  cultivo  da  cana­de­açúcar.  A  Recorrente  aceitou  a  glosa  das  aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, mas questionou a glosa dos materiais  aplicados no cultivo de cana­de­açúcar própria, por se tratar de atividade agroindustrial.    O  §  5º,  do  artigo  1º,  da  Lei  nº  10.276/2001  determinou  que  se  aplica  ao  regime  alternativo  de  aproveitamento  do  crédito  presumido  de  IPI  todas  as  demais  noras  estabelecidas na Lei nº 9.363/96.  (...)  §  5o  Aplicam­se  ao  crédito  presumido  determinado  na  forma  deste  artigo  todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996.    A Lei nº 9.363/96, por sua vez, determina que:    Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7,  de  7  de  setembro  de  1970,  8,  de  3  de  dezembro  de  1970,  e  70,  de  30  de  dezembro de 1991,  incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem para utilização no processo produtivo.   (...)  Art.  3º  Para  os  efeitos  desta  Lei,  a  apuração  do  montante  da  receita  operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias­primas,  produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos  das  normas  que  regem  a  incidência  das  contribuições  referidas  no  art.  1º,  tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida  pelo fornecedor ao produtor exportador.  Parágrafo único. Utilizar­se­á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de  Renda  e  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  para  o  estabelecimento,  respectivamente,  dos  conceitos  de  receita  operacional  bruta e de produção, matéria­prima, produtos intermediários e material de  embalagem. (grifamos)    A matéria  foi  objeto  de  análise  no  acordão  3301­002.406,  conforme  trecho  abaixo:    Fl. 842DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 843          15 Portanto  está  claro  que  este  é  um  benefício  fiscal  instituído  pela  Lei  nº  9.363/96,  a  qual  delimitou  a  sua  utilização. Assim,  o  crédito  presumido  de  IPI  é  calculado  sobre  as  aquisições  de  matéria­prima,  produtos  intermediários e material de embalagem utilizadas no processo produtivo do  produto  exportado, que aqui  no  caso  é o açúcar. A própria  lei  determinou  que os conceitos de insumos e de produção são os definidos na legislação do  IPI.  Por sua vez a legislação do IPI, art. 82, inc. I do Decreto nº 87.981/82, cuja  redação  foi  mantida  nos  regulamentos  posteriores,  estabeleceu  que  se  incluem no conceito de matéria­prima e produto intermediário os bens que,  embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo  de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente.  O  Parecer  Normativo  CST  nº  65,  de  06/11/79,  colacionado  no  acórdão  recorrido,  firmou  o  entendimento,  amplamente  adotado  por  este  órgão  julgador,  de  que  além  das  matérias­primas  e  produtos  intermediários  “stricto sensu”, também se integram no conceito, gerando direito ao crédito,  aqueles  que  se  consumirem  em  decorrência  de  uma  ação  direta  sobre  o  produto em fabricação. Ou seja, o conceito de insumo na legislação do IPI é  restrito  às matérias­primas  e produtos  intermediários  que  se  consomem de  maneira direta no processo produtivo.  Diante desta premissa, não há como acatar créditos decorrentes de insumos  utilizados  na  produção  própria  da  cana­de­açúcar,  por  absoluta  falta  de  previsão legal. A Lei nº 9.363/96 não autorizou crédito presumido de IPI na  aquisição  de  quaisquer  insumos,  não  estando  amparadas  as  aquisições  de  produtos  não  relacionados  diretamente  com  a  fabricação  do  produto  exportado.    Não se tratando o cultivo da cana de uma operação de industrialização, quer  me  parecer  que  não  haveria  direito  de  aproveitamento  do  crédito  presumido  em  relação  aos  custos incorridos nesta fase como muito bem apontado no acórdão 3403­001.953, de relatoria  do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, verbis:    CRÉDITO  PRESUMIDO.  REGIME  ALTERNATIVO.  ATIVIDADE  AGRÍCOLA.  O  valor  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem,  combustíveis  e  lubrificantes  empregados  na  fase  agrícola  do  processo  produtivo  (cultivo  da  cana­de­açúcar)  devem  ser  excluídos da base de cálculo do crédito presumido.    Razão, portanto, não assiste a Recorrente em relação a este tema.    Crédito presumido de produtos intermediários    Analisando  a  manifestação  de  inconformidade  de  Recorrente  é  possível  verificar  que  os  itens  glosados  pela  fiscalização  dizem  respeito  a:  MATERIAIS  DE  MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO  INDUSTRIAL  —  LUBRIFICANTES  INDUSTRIAIS  —  ENERGIA ELÉTRICA — SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO/  INSTALAÇÃO  — MATERIAIS  DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO  DE  AUTOS  E  LUBRIFICANTES —  MATERIAIS DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO E UNIFORMES.  Fl. 843DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 844          16   Por primeiro, a Súmula CARF n° 19 determina que “Não integram a base de  cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia  elétrica  uma  vez  que  não  são  consumidos  em  contato  direto  com  o  produto,  não  se  enquadrando nos conceitos de matéria­prima ou produto intermediário”.    Diante disso, entendo que fica afastada de plano a possibilidade de crédito de  combustíveis e lubrificantes.    Em relação aos demais itens, é importante frisar que, no intuito de dirimir as  controvérsias  então  existentes  naquela  época,  a  Administração  Tributária  baixou  o  Parecer  Normativo CST nº 65/79, com a seguinte ementa:    A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram  direito  ao  crédito  ali  referido,  além  dos  que  se  integram  ao  produto  final  (matérias­primas  e  produtos  intermediários  "stricto  sensu",  e  material  de  embalagem),  quaisquer  outros  bens,  desde  que  não  contabilizados  pelo  contribuinte  em  seu  ativo  permanente,  que  sofram,  em  função  de  ação  exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.  Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência  do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74.    Diante  das  disposições  contidas  nos  Pareceres  Normativos  nºs  181/74  e  65/79, a decisão recorrida conclui no seguinte sentido:    Assim sendo, nos termos dos Pareceres retro citados e em consonância com  o  inciso  I  do  art.  82  do  RIPI/1982,  geram  direito  ao  credito,  além  das  matérias­primas,  produtos  intermediários  "stricto­sensu"  e  material  de  embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens ­ desde  que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente  ­ que se  consumam  por  decorrência  de  um  contato  físico,  ou  melhor  dizendo,  que  sofram,  em  função  de  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação,  ou  vice­versa,  proveniente  de  ação  exercida  diretamente  pelo  bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  restando  definitivamente  excluídos  aqueles  que  não  se  integrem  nem  sejam  consumidos  na  operação  de  industrialização,  como  e  o  caso  dos  produtos  listados  pela  própria  requerente,  Assim,  excluem­se  os  lubrificantes  e  combustíveis,  as  pecas  e  materiais de manutenção  industrial, e os materiais diversos. Em relação as  transferências,  não  se  trata  de  aquisição  de  insumo,  e  portanto,  não  há  qualquer  previsão  legal  para  a  inclusão  desses  valores  no  calculo  do  beneficio.     Só geram, portanto, direito ao crédito presumido os materiais intermediários  que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em  fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória.    Fl. 844DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 845          17 Produtos classificados na TIPI como NT    Essa  matéria  foi  objeto  de  recurso  especial  por  parte  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, que na sessão de  julgamento  realizada  em  15  de  outubro  de  2007,  decidiu,  por  meio  de  acórdão  da  CSRF/02.02.805, no sentido de que a exportação de produtos não tributados não confere direito  ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação.    Ademais, veja­se o que dispõe a Súmula n° 13, aprovada por esse Segundo  Conselho de Contribuintes, na sessão plenária realizada no dia 18 de setembro de 2007, verbis:    Não  há  direito  aos  créditos  de  IPI  em  relação  ás  aquisições  de  insumos  aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT    No mesmo sentido é a Súmula CARF n° 20, ao dispor que:    Não  há  direito  aos  créditos  de  IPI  em  relação  às  aquisições  de  insumos  aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.    Exclusão de estoque      Conforme  explicitado  na decisão  recorrida,  os  ajustes  no  estoque  efetuados  pelo fisco estão previstos no artigo 3° da Portaria MF 38/97 que regulamentou o cálculo e a  utilização do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96:    Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que  houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora  com o fim especifico de exportação.  (...)  § 3° No último  trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último  trimestre  de  cada  ano.  deverá  ser  excluído  da  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  o  valor  das matérias­primas.  dos  produtos  intermediários  e  dos  materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e  dos produtos acabados mas não vendidos.  § 4° O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano,  será  acrescido  à  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  correspondente  ao  primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. (grifamos)    E continua a decisão a quo:    Cabe ressaltar que o Fisco, ao realizar a correção dos cálculos do crédito  presumido,  o  fez  com  base  nos  valores  indicados  pela  contribuinte  e  não  consta  do  processo  qualquer  documento  que  explicite  que  do  valor  do  estoque  total a empresa  já  teria excluído os valores referentes aos  insumos  utilizados na produção de produtos em questão. O Fisco somente fez o ajuste  no  valor  do  estoque,  ou  seja,  das  compras  de  MP,  MI  e  embalagem,  utilizados  no  processo  de  industrialização  (valor  das  compras  totais  diminuído do montante das devoluções de compras),  exclui­se os utilizados  Fl. 845DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/2002­79  Acórdão n.º 3202­001.596  S3­C2T2  Fl. 846          18 na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não  vendidos. Portanto,  não  houve  dupla  exclusão,  já  que  o  cálculo  partiu  dos  valores totais iniciais contidos na escrita fiscal da empresa.    Não há, portanto, como ser acatada esta alegação da Recorrente.    Diante  do  exposto,  voto  no  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  concedendo  direito  ao  crédito  de  IPI  com  relação  aos  valores  referentes  às  aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como para a aplicação da Taxa Selic aos valores  objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito.        Gilberto de Castro Moreira Junior                              Fl. 846DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

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Numero do processo: 10166.721050/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA. É correta a glosa dos custos de mercadorias vendidas contabilizados em valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento comprobatório da operação. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, quando o contribuinte não apresenta documentos ou justificativas hábeis, mormente quando o lançamento baseia-se em sua própria contabilidade. DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA. Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
Numero da decisão: 1201-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T16:26:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-18T16:26:51Z; Last-Modified: 2015-02-18T16:26:51Z; dcterms:modified: 2015-02-18T16:26:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:b8327dea-036a-4632-b38b-f754f4e8f85a; Last-Save-Date: 2015-02-18T16:26:51Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T16:26:51Z; meta:save-date: 2015-02-18T16:26:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T16:26:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-18T16:26:51Z; created: 2015-02-18T16:26:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2015-02-18T16:26:51Z; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T16:26:51Z | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.721050/2013­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­001.145  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2014  Matéria  Auto de Infração  Recorrente  ATACADISTA E DISTRIBUIDORA SANTA LUZIA LTDA.  ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo­o  para o contribuinte, que pode refutá­la mediante a oferta de provas hábeis e  idôneas.  A  ausência  de  tal  providência  valida  o  lançamento  regularmente  efetuado.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de  depósito  mantida  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA.  É  correta  a  glosa  dos  custos  de  mercadorias  vendidas  contabilizados  em  valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento  comprobatório da operação.  SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES  NÃO COMPROVADAS.  O  saldo  credor de  caixa caracteriza  a presunção de omissão de  receitas  em  montante  equivalente,  quando  o  contribuinte  não  apresenta  documentos  ou  justificativas  hábeis,  mormente  quando  o  lançamento  baseia­se  em  sua  própria contabilidade.   DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA.  Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e  necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção  da  respectiva  fonte  produtora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 10 50 /2 01 3- 18 Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 3          2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.  Tratando­se de  tributação  reflexa decorrente de  irregularidades  apuradas  no  âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam­se  ao  PIS,  à  COFINS  e  à  CSLL,  por  relação  de  causa  e  efeito,  os  mesmos  fundamentos do lançamento primário.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE.  A  perícia  só  se  faz  necessária  quando  o  procedimento  for  essencial  para  a  compreensão dos fatos e o convencimento dos  julgadores. Quando ausentes  tais  requisitos,  ante  a  comprovação  de  que  constam  dos  autos  elementos  suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo – Presidente     (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rafael  Vidal  de  Araujo,  Marcelo  Cuba  Neto,  Rafael  Correia  Fuso,  Roberto  Caparroz  de  Almeida,  André  Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.    Relatório  Trata­se de Autos de Infração de IRPJ e reflexos do ano­calendário de 2009,  decorrentes de diversas infrações, a seguir reproduzidas:  1.  Omissão de receitas de vendas e serviços, não contabilizadas;   Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 4          3 2.  Omissão de receitas decorrente de saldos credores de Caixa;   3.  Omissão  de  receitas  por  presunção  legal  caracterizada  pela  falta  de  contabilização de depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada;  4.  Glosa de despesas operacionais;   5.  Glosa de custos;   6.  Exclusão indevida da base de cálculo ajustada da CSLL.  A  ação  fiscal  solicitou  ao  Contribuinte  toda  a  documentação  relativa  às  operações do ano­calendário de 2009.  Em razão das muitas divergências constatadas, o Contribuinte foi intimado a  apresentar os extratos bancários da conta movimentada no período, bem como documentos em  meio digital.  No  intuito  de  confirmar  os  custos  incorridos  pela  fiscalizada  em  suas  operações  com  terceiros,  foram  emitidos  Termos  de  Intimação  Fiscal,  em  15/06/2012,  para  seus  quatro  maiores  fornecedores  de  mercadorias  no  ano  de  2009,  a  saber:  Laticínios  Bela  Vista  Ltda.  (CNPJ  sob  o  nº  02.089.969/0001­06), Kraft  Foods  Brasil  Ltda.  (CNPJ  sob  o  nº  33.033.028/0001­84),  Nestlé  Brasil  Ltda.  (CNPJ  sob  o  nº  60.409.075/0001­52)  e  Unilever  Brasil  Ltda.  (CNPJ  sob  o  nº  61.068.276/0001­04).  Os  elementos  solicitados  nos  referidos  termos ­ relação das notas fiscais de vendas emitidas em nome da fiscalizada no ano de 2009 –  foram apresentados em 28/06/2012  (Nestlé), 03/07/2012  (Kraft e Unilever)  e em 05/07/2012  (Laticínios Bela Vista).  Sobre os documentos colacionados, assim se manifestou a autoridade fiscal:  Analisando­se  as  informações  apresentadas  pela  empresa  em  resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, verificou­se (1) que  os  valores  informados,  referentes  às  Outras  Despesas  Operacionais,  não  coincidiam  com  aqueles  demonstrados  na  DIPJ  2010  da  fiscalizada  e  (2)  que  os  registros  fiscais  apresentados em meio magnético, referentes às notas  fiscais de  entrada,  estavam  visivelmente  incompletos,  não  refletindo,  portanto, o conjunto de operações com terceiros registrados na  conta Compras de Mercadorias, presente nos registros contábeis  da  empresa  (dados  da  Escrituração  Contábil  Digital  obtida  mediante  acesso  ao  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  ­  SPED).  Dessa forma, passou­se a considerar – para fins de confirmação  dos custos e despesas incorridos pela empresa – tão­somente as  informações constantes de seus registros contábeis.  Como  resultado  da  análise  conjugada  dos  registros  contábeis,  das declarações e dos extratos bancários, a empresa foi intimada  por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001,  de  09/07/2012,  a  apresentar  os  seguintes  esclarecimentos  /  elementos:  Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 5          4 – Divergências entre os valores totais de lançamentos a crédito  nos seus extratos bancários e aqueles lançados a débito na conta  Banco BRB S/A constante dos seus registros contábeis;  – Divergências  entre  valores  de  impostos  e  contribuições  registrados  na  sua  contabilidade  e  aqueles  informados  nas  declarações por ela apresentadas;  – Documentação  comprovando  as  transações  (vendas)  relacionadas  com  os  depósitos  bancários  mais  relevantes  presentes  nos  seus  extratos  bancários,  e  não  contabilizados  (Anexo I);  – Documentação  comprovando  as  transações  (compras)  relacionadas  com  os  suprimentos  de  caixa  ­  lançamentos  a  débito  na  conta  Caixa­Movimento  tendo  como  contrapartida  a  conta  Banco  BRB  S/A  ­  mais  relevantes  presentes  na  sua  contabilidade (Anexo II);  – Informações  sobre  os  lançamentos  que  foram  objeto  de  estornos  na  conta  Caixa­Movimento  em  23/05/2009  e  21/12/2009;  – Apresentação  de  notas  fiscais  de  entrada,  e  respectivos  comprovantes  de  pagamento,  selecionadas  –  por  critérios  de  relevância e amostragem – a partir das  informações constantes  dos lançamentos registrados na conta Compras de Mercadorias,  presente na sua contabilidade (Anexo III);  – Apresentação de documentação que amparasse determinadas  despesas  relevantes  registradas  na  conta  Despesas  Operacionais, constante de sua contabilidade (Anexo IV);  – Informações sobre empréstimo contraído pela empresa.  Como a empresa não apresentou a documentação completa solicitada, foram  emitidos vários outros termos de intimação ao longo dos trabalhos de auditoria.  Segundo  a  fiscalização,  a  análise  dos  documentos,  o  cruzamento  das  informações  de  terceiros  e  a  verificação  dos  registros  contábeis  demonstrou  a  ocorrência  de  diversas infrações à legislação tributária, que redundaram nos autos de infração ora debatidos.  Com  a  ciência  das  infrações  a  interessada  apresentou  impugnação,  cujos  termos, em síntese, podem ser assim relatados:  1 ­ Socorre­se de autores diversos para afirmar que a legislação  brasileira  filiou  a  definição  de  renda  tributável  à  teoria  do  acréscimo  patrimonial,  conforme  define  o  Código  Tributário  Nacional;  2  ­  Discute  a  definição  de  despesas  e  gastos  necessários,  dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a fim de apurar  o  acréscimo  patrimonial  e  o  lucro;  transcreve  Parecer  Normativo SRF nº 32, de 1981, e cita autor no sentido de que é  inconstitucional a lei que define como base de cálculo a receita  Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 6          5 bruta  ou  percentual  dessa  receita  ou  que  prescreva  vedação  à  dedução de custos necessários para auferir a receita que permite  apurar  o  lucro  real,  ou  seja,  se  necessária  a  despesa,  ela  é  dedutível;  3 ­ Acusa que, além disso, o lançamento se baseia em presunção  da ocorrência do fato gerador, que afirma ser mecanismo odioso  (por  legitimar  a  conclusão  fiscal  de  fraude  ou  sonegação,  sem  prova concreta) e covarde (por autorizar o lançamento a partir  do  nada),  e  transferir  o  ônus  probante  para  o  contribuinte  fiscalizado; destaca que o ônus da prova é do fisco que lança e  não do contribuinte que se defende.  4  ­  Sobre  os  depósitos  bancários  afirma  que  três  operações  bancárias  no  total  de  R$  1.152.090,03  foram  corretamente  imputadas  ao  resultado,  a  crédito  da  receita,  o  que  importou,  necessariamente, a incidência dos tributos sobre o lucro;  5 ­ Acerca dos saldos credores de Caixa (Anexo I), afirma, sobre  o 1º trimestre, que está corretamente registrado saldo devedor e  não  credor;  sobre  o  4º  trimestre,  que  o  autuante  registrou,  indevidamente, vendas a prazo que, na realidade, foram à vista,  assim  valores  a  receber  passam  para  o  Caixa,  recompondo  o  saldo devedor; acusa que este lançamento padece de ilegalidade,  devendo ser anulado;  6 ­ Classifica de indevida a glosa de custos porque a simples não  apresentação da  nota  fiscal  é  insuficiente  para  presumir  que o  custo  não  existiu;  diz  que  os  seus  fornecedores  entregaram  à  fiscalização documentos hábeis e planilhas comprobatórias das  operações  de  aquisição  de  mercadorias  junto  a  eles;  assim,  a  regular  contabilização  das  operações  e  consideração  desses  custos torna sem sentido a glosa, já que as operações existiram,  sendo que a base de cálculo do IRPJ é o lucro líquido ajustado  conforme  a  legislação  tributária,  a  partir  do  lucro  contábil  apurado;  7 ­ No que tange a glosa de despesas operacionais, reclama que,  não  obstante  a  efetiva  existência  dos  gastos,  consubstanciados  nos  extratos  bancários  e  recibos  emitidos  em  seu  nome,  a  fiscalização  simplesmente  optou  por  desconsiderar  todos  os  elementos  de  prova  e  glosou  aproximadamente  R$  3  milhões;  destaca que se o gasto é necessário à atividade e à manutenção  da respectiva fonte pagadora, deve ser reconhecido;  8  ­ Reclama da aplicação de multa de ofício de 75% sobre R$  2.619.700,99 que o contribuinte fez constar na linha 53 (Outras  exclusões)  da  Ficha  17  da  DIPJ  2010/2009  e  que,  intimado,  confessou  ter  sido  erro  material;  reclama  que  erro  de  informação  não  pode  ser  considerado  como  infração  à  legislação tributária, a teor do art. 136 do CTN; diz que a multa  aplicada a essa infração é ilegal e deve ser anulada.  9 – Requer perícia da sua movimentação contábil e fiscal.  Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 7          6 Em  sessão  de  26  de  setembro  de  2013  a  2a  Turma  da  Delegacia  de  Julgamento de Curituba, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação,  de forma a aceitar como despesas necessárias aquelas relativas a comprovantes de pagamento e  e  DANFE´s  acostados  aos  autos,  por  se  tratarem  de  gastos  com  empresas  de  transporte  e  combustível. As demais despesas não foram aceitas, por falta de documentos comprobatórios.  Com  a  ciência  da decisão,  a  empresa  interpôs Recurso Voluntário,  no  qual  repete, basicamente, os argumentos formulados na impugnação. Não apresentou, junto com o  recurso, qualquer documento ou prova do alegado.  Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator   O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele  conheço.  De  plano,  ressalta­se  que  a  Recorrente  reproduz  no  voluntário  os  termos  aduzidos  na  impugnação,  sem  qualquer  alteração  nos  argumentos  ou  apresentação  de  documentos complementares.  Nesse  contexto,  passamos  a  analisar,  por  tópicos,  as  alegações  formuladas  pela defesa, na ordem em que apresentadas.    1. Pedido de perícia  Pretende  a Recorrente  a  produção  de  prova  pericial  contábil,  para  que  seja  avaliado o fechamento das notas fiscais emitidas no exercício de 2009 com as movimentações  bancárias e seu respectivo cruzamento com as apurações do IRPJ e da CSLL.  É  cediço  que  a  perícia  só  se  faz  necessária  quando  o  procedimento  for  essencial  para  a  compreensão dos  fatos  e o  convencimento dos  julgadores. Quando ausentes  tais  requisitos,  ante  a  comprovação  de  que  constam  dos  autos  elementos  suficientes  para  a  resolução  da  controvérsia,  deve  o  pedido  ser  indeferido,  conforme  autoriza  o  artigo  18,  do  Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 8.748/93:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (grifamos)  Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 8          7 A  análise  do  processo  nos  permite  concluir  que  a  autoridade  fiscal  já  verificou os registros contábeis da empresa e os cotejou com as notas fiscais emitidas, de forma  que não há qualquer motivo ou necessidade para a  realização de perícias, dado que  todos os  elementos necessários para o deslinde da questão constam dos autos, razão pela qual indefiro a  solicitação.    2. Depósitos não comprovados  A Recorrente assevera que os três depósitos autuados, de pág. 1.972 e 2.008  teriam sido contabilizados como receitas declaradas e submetidas à tributação.  Todavia,  como  já  apontado  pela  decisão  recorrida,  percebe­se  que,  embora  tais créditos constem dos extratos do Banco de Brasília – BRB, a análise do Razão da conta  bancária, de fls. 502 a 551 demonstra que nenhum deles foi escriturado.  Como bem destacou a decisão de 1a instância:  No  Razão  da  conta  Venda  de  Mercadorias  em  Geral,  em  que  pesem registros de inúmeras notas fiscais de venda, não há como  estabelecer  nexo  entre  as  notas  fiscais  escrituradas  e  esses  depósitos,  pois  nenhuma  coincide  em  valor;  tampouco  o  contribuinte cita ou apresenta registros ou as notas fiscais que,  alegadamente, corresponderiam a estes recebimentos.  Assim,  ante  a  ausência  de  documentos  comprobatórios  ou  de  indícios  que  pudessem  estabelecer  a  correlação  entre  os  depósitos  e  eventuais  vendas  faturadas,  não  há  como aceitar as alegações da Recorrente.    3. Saldo credor de caixa  A Recorrente afirma que para o 1o trimestre de 2009 o saldo registrado seria  devedor  (e  não  credor),  o  que  afastaria  a  imputação  fiscal.  Contudo,  a  análise  do Anexo  I,  mencionado pela interessada, indica que trata­se de extratos bancários, que em nada permitem  confirmar  tal  alegação.  No  mesmo  sentido,  a  empresa  não  indica  ou  anexa  ao  processo  qualquer  documento  capaz  de  confirmar  suas  alegações,  de  forma  que  os  seus  argumentos,  neste ponto, não podem prosperar.  Quanto  ao  4o  trimestre  de  2009,  aduz  a Recorrente  que  a  autoridade  fiscal  registrou  indevidamente  vendas  a prazo que  teriam  sido  realizadas  à vista,  circunstância que  recomporia o saldo devedor, pois os valores migrariam das “contas a receber” para o “caixa”.  Ocorre  que  a  fiscalização  efetivamente  intimou  a  empresa  a  justificar  os  saldos  credores  apurados,  a  fim  de  que  esta  comprovasse  a  origem  dos  recursos  financeiros  constantes da Tabela 1 – Saldo Credor de Caixa. A interessada, à época, apenas se limitou a  responder que houve equívoco no lançamento de aproximadamente seis milhões de reais, que  teria sido objeto de estorno.  Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 9          8 Contudo,  em  relação  aos  argumentos  expendidos  pelo  Contribuinte,  assim  concluiu a autoridade fiscal:  Em  sua  resposta,  a  empresa  se  limitou  a  informar  –  sem  apresentar  qualquer  documentação  comprobatória  –  que  a  ocorrência  de  saldos  credores  no  mês  de  dezembro/2009  teria  sido motivada por  ter havido um equívoco no estorno ocorrido  na  conta  Caixa­Movimento  em  21/12/2009  –  uma  vez  que  as  vendas  teriam  realmente  sido  feitas  à  vista  –,  e  demonstrou  ainda como seria a composição dos saldos da referida conta, até  o  dia  30/12/2009,  após  a  desconsideração,  tanto  do  aludido  estorno quanto do lançamento ora mencionado.  Percebe­se claramente que a empresa se contradiz nas respostas  encaminhadas a esta fiscalização.  Num  primeiro  momento,  quando  questionada  no  Termo  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal  nº  001  sobre  os  estornos  ocorridos  na  conta  Caixa­Movimento  em  23/05/2009  e  21/12/2009, ela informa, em 24/08/2012, que foram decorrentes  de  vendas  efetuadas  a  prazo,  porém  contabilizadas  indevidamente  como  sendo  à  vista,  e  relaciona  cada  um  dos  lançamentos  correspondentes  aos  aludidos  estornos.  Frise­se  que  todos  esses  lançamentos  encontram­se  devidamente  escriturados  na  contabilidade  da  empresa,  nos  exatos  valores  indicados por ela.  Momento  seguinte,  quando  da  resposta  ao  Termo  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal  nº  002,  ocorrida  em  21/11/2012,  a  empresa  sustenta  exatamente  o  oposto  do  que  havia  antes  informado:  que  as  vendas,  cujos  lançamentos  indevidos ocasionaram o estorno ocorrido em 21/12/2009, foram  efetuadas  realmente  à  vista  e  não  a  prazo,  o  que  tornaria  o  estorno indevido.  Ou seja,  num espaço de pouco menos de  três meses a  empresa  presta  uma  determinada  informação  –  amparada  em  sua  contabilidade  –  e  logo  após  a  desfaz,  sem apresentar  qualquer  tipo  de  documentação  comprobatória  que  sustente  sua  nova  versão dos fatos.  Diante  da  contradição  demonstrada  pela  fiscalizada,  e  considerando  a  completa  ausência  de  documentação  hábil  e  idônea que  justifique a ocorrência de  saldos  credores na  conta  Caixa­Movimento na contabilidade da empresa, e que comprove  a origem dos recursos envolvidos nessas operações, os referidos  saldos  credores  serão  considerados  como  omissão  de  receitas  por  presunção  legal,  com  fundamento  nos  arts.  247,  248,  249,  inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do RIR/99,  sendo adicionadas ao  lucro real  (IRPJ) e à base de cálculo da  CSLL apurados trimestralmente.  Quanto  ao  lançamento  a  débito  na  conta  Caixa­Movimento,  tendo  como  contrapartida  a  conta  Créditos  com  Clientes– Vendas,  ocorrido  no  dia  31/12/2009  –  objeto  do  Termo  de  Constatação e de Intimação Fiscal nº 002 – a empresa também o  Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 10          9 considera como um estorno, que estaria associado ao estorno –  este  sim  escriturado  como  tal  ­  ocorrido  em  21/12/2009.  Em  resumo, na argumentação da fiscalizada, ambos os lançamentos  (tanto o  estorno ocorrido  em 21/12/2009, quanto o  lançamento  ocorrido  em  31/12/2009)  estariam  relacionados  com  aquelas  vendas  escrituradas  indevidamente  à  vista,  posteriormente  estornadas na contabilidade por terem sido efetuadas a prazo, e  novamente  consideradas  como  sendo  à  vista,  na  resposta  à  mencionada intimação.  Enfim,  novamente  a  fiscalizada  somente  traz  informações  desacompanhadas  de  documentação  hábil  e  idônea  que  possa  sustentá­las.  Ressalte­se,  inclusive,  que  a  composição  do  saldo  em  caixa  demonstrada pela  empresa  em  resposta  ao  Termo  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal  nº  002  sequer  traz  o  dia  31/12/2009, data do lançamento objeto desta intimação.  Diante do exposto, e mais uma vez considerando a contradição  demonstrada  pela  empresa,  bem  como  a  ausência  de  documentação  comprobatória,  o  lançamento  ocorrido  em  31/12/2009  será  glosado,  o  que  implicará  na  recomposição  do  saldo da conta Caixa­Movimento.  A  Tabela  Única  constante  do  Anexo  III  ao  presente  TVF,  demonstra,  por  trimestre,  os  saldos  credores  diários  da  conta  Caixa­Movimento  ­  retirados  da  contabilidade  da  empresa  –,  com  a  recomposição  decorrente  da  glosa  do  lançamento  ocorrido  em  31/12/2009,  bem  como  os  valores  considerados  como  omissão  de  receitas.  Cumpre  registrar  que  os  saldos  credores  foram tributados no momento de  sua apuração,  sendo  que foram excluídos dos saldos seguintes os valores já tributados  nos momentos anteriores.  Percebe­se,  portanto,  que  os  lançamentos  tributários  decorrentes  do  saldo  credor  de  caixa  foram devidamente  fundamentados  pela  fiscalização. Ademais,  a Recorrente  não apresentou qualquer documento capaz de comprovar suas alegações, do mesmo modo que  não o fizera ao tempo dos trabalhos de auditoria, de sorte que os valores autuados devem ser  mantidos.    4. Glosa de custos  Alega a Recorrente  que  a  “simples  ausência  de  apresentação  da  nota  fiscal  não pode ser subsidio bastante para a presunção de que o custo atribuído não existiu”.  Entretanto,  a  autoridade  lançadora  demonstrou  claramente  as  divergências  apuradas  entre  as  notas  fiscais  de  entrada  e  os  registros  contábeis  da  empresa,  bem  como  indicou os critérios para a mensuração dos valores glosados:  Como  resultado  da  análise  da  documentação  apresentada,  foi  elaborada  a  Tabela  Única  constante  do  Anexo  IV  ao  presente  TVF,  onde  encontram­se  demonstrados  a  situação  e  o  tipo  de  Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 11          10 divergência  dos  documentos  fiscais  (notas  fiscais  de  entrada)  relacionados aos lançamentos que os referenciam.  Cumpre  esclarecer  que,  para  fins  de  glosa  dos  valores  dos  mencionados  lançamentos,  serão  aplicados  os  seguintes  critérios:  – Nota fiscal pendente: Glosa total do valor lançado;  – Nota  fiscal  entregue,  porém  com  valor  inferior  ao  lançado:  Glosa  da  parcela  do  valor  lançado  que  excedeu  ao  da  nota  fiscal;  – Nota  fiscal entregue, porém referente a destinatário diverso:  Glosa total do valor lançado;  – Nota  fiscal  entregue, porém  sem  comprovação do  respectivo  pagamento, e cujos valor e  fornecedor divergem dos constantes  do lançamento correspondente: Glosa total do valor lançado.  Também  como  já mencionado,  identificadas  divergências  entre  as informações prestadas pelos quatro maiores fornecedores da  fiscalizada  e  os  lançamentos  referentes  às  notas  fiscais  de  entrada (compras) presentes na sua contabilidade, a empresa foi  intimada,  mediante  o  Termo  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal  nº  002,  a  apresentar  determinadas  notas  fiscais  e  respectivos  comprovantes  de  pagamento  que  sustentassem  os  referidos lançamentos.  Finalmente,  aplicando­se  os  critérios  mencionados  para  glosa  dos  valores  dos  lançamentos  relacionados  nos  Anexos  IV  e  V,  elaborou­se a Tabela Única constante do Anexo VI ao presente  TVF,  que  consolida,  por  trimestre,  os  valores  dos  custos  (compras) efetivamente glosados, com fundamento nos arts. 247,  248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 289, 290, 292 e 300 do RIR/99,  que serão adicionados ao lucro real (IRPJ) e à base de cálculo  da CSLL apurados trimestralmente.  A  análise  dos  documentos  e  das  tabelas  elaboradas  pela  fiscalização,  constantes dos Anexos mencionados, nos permite concluir pela correção das glosas de custos  efetuadas.    5. Glosa de despesas operacionais  Neste  passo,  conforme  já  relatado,  a  decisão  de  1a  instância  considerou  parcialmente procedente a pretensão da interessada, para excluir as glosas relativas a despesas  com transportes e aquisição de combustíveis, relacionadas, portanto, à atividade da empresa e  devidamente comprovadas pelos documentos acostados ao processo.  As  demais  despesas,  relativas  à  ocupação  e  à  aquisição  de  materiais,  não  estão, como já anotado na decisão recorrida, adequadamente comprovadas nos autos. Como a  Recorrente não  apresentou  qualquer  novo documento  ou  informação  acerca  disso,  pugnando  Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/2013­18  Acórdão n.º 1201­001.145  S1­C2T1  Fl. 12          11 apenas  genericamente  pela  improcedência  dos  lançamentos,  não  há  como  subsistir  sua  pretensão.  Por fim, quanto à cominação da multa de 75%, é cediço que o gravame deve  necessariamente acompanhar os lançamentos de ofício, conforme determinação do artigo 44 da  Lei n. 9.430/96, sendo irrelevante o argumento da Recorrente de que houve erro, até porque o  alegado artigo 136 do Código Tributário Nacional  justamente ressalta que a responsabilidade  por infrações é objetiva, visto que independe da vontade do agente.  Assim, a dedução indevida de montantes da base de cálculo da CSLL enseja  a aplicação da multa de ofício.   Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGAR­LHE  provimento.  É como voto.    (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator                                Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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Numero do processo: 10166.904911/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF) Fato Gerador: 25/04/2001 IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS   2 Participaram do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Giovanni  Christian  Nunes  Campos  (Presidente),  Francisco  Marconi  de  Oliveira,  Núbia  Matos  Moura,  Acácia  Sayuri  Wakasugi  e  Roberta  de  Azeredo  Ferreira  Pagetti.  Ausente  justificadamente  o  Conselheiro Atilio Pitarelli.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904911/2008­34  Acórdão n.º 2102­02.050  S2­C1T2  Fl. 2          3 Relatório  Trata­se  da  Declaração  e  Compensação  (Dcomp)  de  nº  0099.23294.160604.1.3.04­0059, transmitida eletronicamente em 16 de junho de 2005, relativo  a crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte.  Na  Per/Dcomp  a  requerente  declarou  a  existência  de  crédito  decorrente  do  seguinte pagamento indevido ao a maior:  Período de apuração  Código  Valor do DARF (R$)  Data da arrecadação  21/04/2001  5204  787.500,00  25/04/20001  A  Declaração  de  Compensação  foi  considerada  não  homologada  pela  DRF  Brasília,  tendo  em  vista  não  ter  sido  confirmada  a  existência  do  crédito  informado,  pois  o  DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.  A  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade,  no  prazo  regulamentar, alegando que:  a)  O  crédito  foi  gerado  em  decorrência  do  acordo  consubstanciado  na  Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16  de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar  o  montante  de  R$  15.750.000,00  ao  Grupo  OK  Construção  e  Incorporação,  que  teria  sido  contabilizado  como  receita  própria.  Em  decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia  de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à  folha 61;  b)  cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de  renda  como  dedução  do  imposto  devido  no  primeiro  trimestre  do  ano  calendário, como saldo negativo de IRPJ;  c)   a  negativa  da RFB  em  homologar  a  compensação  frente  às  evidências  apresentadas  caracterizaria  uma  tentativa  de  enriquecimento  ilícito  do  Estado,  no  sentido  de  que  a  receita  correspondente  teria  sido  tributada  juntamente  com  os  demais  rendimentos  e  o  valor  retido  não  teria  sido  utilizado até o envio das Declarações de Compensação.   d)  a  doutrina  corrobora  com  o  seu  entendimento  e  que  a  administração  tributária  deveria  pautar  sua  atuação  pelo  Princípio  da  Moralidade,  prevalecendo o Princípio da Verdade; e  e)  o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação  de outros débitos da contribuinte.  A  DRJ  Brasília  considerou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não  poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp.  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS   4 Cientificado da decisão,  a  recorrente  interpôs  recursos voluntário, por meio de  procuradores legalmente habilitados, com os seguintes argumentos:  a)  o  crédito  concernente  ao  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  IRRF  foi  gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação  sob  Condição  Suspensiva,  firmada  16  de  abril  de  2001,  no  qual  foi  recebido  R$  15.750.000,00  com  retenção  de  R$  787.00,00  de  imposto  retido na fonte;  b)  a  requerente  não  cometeu  nenhum  erro,  contrariamente  ao  afirmado  na  Manifestação  de  Inconformidade,  de  não  haver  incluído  como  antecipação do  imposto devido no primeiro  trimestre do  ano calendário  de  2001,  pois  era  optante  pela  tributação  do  IRPJ  e  da  CSLL  na  modalidade  de  lucro  presumido,  não  tendo  nada  adicionar  à  base  de  cálculo para a apuração dos impostos;  c)  não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp  e que a RFB  tem o dever de ofício de verificar  a existência do  referido  crédito;  d)  o  DARF  foi  originalmente  recolhido  no  código  5204  (IRRF  juros  indenizações  e  lucros  cessantes)  que  foi  alterado  unilateralmente  e  sem  justificativas  pela  fonte  pagadora,  por  meio  de  Redarf,  para  o  código  1708  (IRRF  remuneração  de  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica),  penalizando  a  recorrente  em  face  da  não  localização  do  referido  documento de arrecadação;  e)  a  administração  tributária  deve  pautar  sua  atuação  pelo  Princípio  da  Moralidade  e  não  fazendo  a  compensação  estaria  se  locupletando  indevidamente do valor retido pela fonte pagadora;  f)  a  compensação  está  de  acordo  com  o  art.  74  da Lei  nº  9.430,  de  1996,  tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e  g)  a  análise  do  pedido  de  compensação  deve  levar  em  conta  a  verdade  material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial.  Anexa  aos  autos  uma  contra­notificação  extrajudicial  da  BASF  S/A  e  os  comprovantes  de  arrecadação  emitidos  pela RFB,  e,  por  fim,  requer  que  seja  determinado o  deferimento  de  diligência  para  verificação  da  existência,  nos  sistemas  da  RFB,  do  crédito  demonstrado, com a consequente quitação, homologando­se a referida compensação.  É o relatório.    Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904911/2008­34  Acórdão n.º 2102­02.050  S2­C1T2  Fl. 3          5   Voto                   Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira   Declara­se a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão  de  primeira  instância  e  interpôs  o  recurso  voluntário  no  prazo  regulamentar.  Atendidos  os  demais requisitos legais, passa­se a apreciar o recurso.  Os  autos  tratam  de  Dcomp  não  homologada  pela  DRF  Brasília  por  não  confirmação  do  crédito  informado,  pois  o  DARF  citado  não  foi  localizado  nos  sistemas  da  Receita Federal.   A  DRJ  Brasília  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  pois  entendeu  que  a  requerente  pretendia  a  retificação  das  informações  prestadas  no  PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o  que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o  objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp.  O  requerente,  no  recurso,  rebate  o  argumento  da DRJ dizendo que  “a  decisão  proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na  Manifestação  de  Inconformidade”  e  “o  procedimento  de  utilizar  o  crédito  como  ‘pagamento  indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime  fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”.  Compulsando os autos, observa­se que a discussão gira em torno da retenção na  fonte  sobre  receita  tributada  na  pessoa  jurídica,  que  o  contribuinte  pretende  compensar  com  débitos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia  28  de  novembro  de  2003,  em  atraso,  e  a Receita  em questão,  de R$ 15.750.000,00,  não  foi  declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas  R$ 1.882.642,13.   Entretanto,  por  se  tratar  de  antecipação  do  IRPJ,  deve  ser  aplicado  aqui  o  disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta  Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão.  Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o  recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da  Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF.    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Francisco Marconi de Oliveira – Relator              Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS   6                 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS

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Numero do processo: 10680.722995/2010-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para a decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para a decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada,  prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do Colegiado,  preliminarmente:  por  unanimidade  de votos,  em  rejeitar  a  tese de decadência. No mérito:  a) por unanimidade de votos,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  determinar  a  exclusão  dos  levantamentos  PR  e  PR1  correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de  ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa  de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela  Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o  conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa      Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari  (Presidente),  Marcelo  Magalhães  Peixoto,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma  Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.   Fl. 304DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/2010­95  Acórdão n.º 2403­002.943  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.493  da 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação.  A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido:    Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  contra  a  Manufatura  Alefra  Artefatos  e  Calçados  Ltda  e  Outros,  no  montante de R$1.839,93 (um mil oitocentos e trinta e nove reais  e  noventa  e  três  centavos),  consolidado  em  31/08/10,  que,  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  44/63,  refere­se  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social  correspondentes  à  parte  dos  segurados,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados,  não  declaradas  em  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  GFIP, apuradas sobre os seguintes fatos geradores:  · pagamentos efetuados pela empresa a  seus empregados  a  título  de  "Participação  nos  Lucros",  conforme  discriminado no Anexo I Levantamentos PR e PR1;   · parcelas pagas pela empresa a seus empregados a título  de "Prêmio Férias" ou "Prêmio Assiduidade", conforme  discriminado no Anexo II Levantamentos PF e PF1.  Conforme esclarece o relatório fiscal, a empresa foi excluída do  SIMPLES  pelo  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/BHE  n°  0317/2010,  de  13/08/2010,  com efeitos  a partir  de  27/02/2004,  por  se  dedicar,  de  acordo  com  os  elementos  consignados  no  processo  n°  15504.012605/201020,  à  atividade  de  locação  de  mão  de  obra,  ou  seja,  forma  de  prestação  de  serviços  expressamente  impedida  de  opção  pelo  SIMPLES,  de  acordo  com o inciso XII, alínea " f do artigo 9o da lei 9.317/96 e ainda  por  ter  sido constituída por desmembramento da empresa OTO  CALÇADOS LTDA, a quem presta serviços de forma exclusiva.  Foi excluída do SIMPLES NACIONAL pelo Ato Declaratório  Executivo DRF/BHE n° 0319/2010, de 13/08/2010, com efeitos  a  partir  de  01/07/2007,  por  se  dedicar,  de  acordo  com  os  elementos  consignados  no  processo  de  Representação  Fiscal  para Exclusão do Simples Nacional n° 15504.012587/201086, à  atividade de locação de mão de obra, ou seja forma de prestação  de  serviços  expressamente  impedida  de  opção  pelo  SIMPLES  NACIONAL,  conforme  inciso  XII  do  artigo  17  da  Lei  Complementar n° 123/2006, e ainda por ter sido constituída por  desmembramento da empresa OTO CALÇADOS LTDA, a quem  presta  serviços  de  forma  exclusiva,  que  exclui  a  empresa  do  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 tratamento  jurídico diferenciado, de acordo com o  inciso IX do  parágrafo 4o do artigo 3 o da Lei Complementar n° 123/2006.  Foram arroladas as seguintes empresas, componentes do Grupo  Econômico:  •  Injeton  Componentes  Para  Calçados  LtdaCNPJ  05.654.993/000139   • Oto Calçados Ltda CNPJ 16.638.900/000107   • Via Mazzoni Manufatura de Calçados e Acessórios Ltda CNPJ  07.525.106/0001­58   Foram  formalizados  processos  de  "Representação  Fiscal  para  Fins  Penais",  tendo  em  vista  que  foram  constatados  fatos  que,  "em  tese",  configuram  crimes  contra  a  Seguridade  Social  e  contra  a  Ordem  Tributária,  definidos  no  artigo  Io  da  lei  n°  9.983,  de  14/07/2000,  que  acrescentou  o  artigo  "337A",  inciso  III,  ao DecretoLei  n°  2.848,  de  07/12/1940 Código Penal  e  no  artigo I o da Lei n° 8.137/90.    Inconformada com a decisão, a ALEFRA apresentou recurso voluntário, onde  alega, em síntese, que:  · regularidade  da  conduta  empresarial  da  Impugnante  –  exclusão  do  SIMPLES e Simples Nacional;   · não incidência de contribuições previdenciárias sobre férias prêmio e  PLR (verbas indenizatórias);   · não incidência de contribuição previdenciária patronal calculada sobre  a  folha de pagamento em razão da opção da empresa pelo simples e  posteriormente pelo simples nacional; ∙  · discute  administrativamente  a  exclusão  do  SIMPLES  e  do  Simples  Nacional;   · decadência.    A  INJETON,  a  OTO  CALÇADOS  e  a  VIA  MAZZONI  também  apresentaram recurso onde, praticamente, repetem os argumentos apresentados pela ALEFRA.  O processo baixou em diligência para verificar a existência de parcelamento.  A DRF Belo Horizonte  respondeu  que  “não  foi  constatada  a  existência  de  parcelamento para o crédito n° 37.268.817­9.”  É o relatório.  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/2010­95  Acórdão n.º 2403­002.943  S2­C4T3  Fl. 4          5     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.  Observo  que  este  lançamento  refere­se  às  contribuições  dos  segurados  pessoas físicas e não da patronal, motivo pelo qual algumas questões apresentadas nos recursos  não serão analisadas.      DECADÊNCIA    Está  pacificada  a  questão  da  decadência  qüinqüenal  para  as  contribuições  previdenciárias.  O período do lançamento é de 06/2006 a 10/2008.  A ciência do lançamento ocorreu em 26/10/2010.  Constato que o crédito lançado não foi atingido pela decadência.      PARTICIPAÇÃO NO LUCROS OU RESULTADOS ­ PLR    Também  para  a  PLR,  a  recorrente  argumenta  que  a  verba  é  indenizatória e não passível de incidência da contribuição e que pagou os benefícios nas  exatos termos da Convenção Coletiva de Trabalho.  Novamente não entendi o que se está indenizando.  Segundo  o  Relatório  Fiscal,  a  autuação  se  deu  por  “ausência  de  comprovação de programas de metas,  resultados  e prazos pactuados previamente, bem  como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado”.    Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 6.2 ­ A empresa apresentou Convenção Coletiva de Trabalho de  2006,  2007  e  2008  celebrada  entre  os  Sindicatos  Patronal  e  Profissional.  Na  cláusula  terceira  do  referido  documento  a  mesma visa estabelecer o Sistema de Participação nos Lucros ou  Resultados para todos os empregados das indústrias de calçados  e correlatos.  6.3 ­ Em linhas gerais, este Instrumento, além de dispor sobre a  data  de  pagamento,  estabeleceu  que  o  valor  da  participação  corresponderá  o  percentual  do  salário  nominal  de  cada  empregado, distribuída em duas parcelas iguais.  ...  6.11  ­  Sendo  assim,  os  pagamentos  efetuados  pela  empresa  a  seus empregados, a título de "Participação nos Lucros", face à  ausência de comprovação de programas de metas, resultados e  prazos  pactuados  previamente,  bem  como  da  falta  de  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  acordado,  não  se  enquadram  no  previsto  no  art.  214,  §  9o  ,  inciso  X  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999.    Apresento  abaixo,  a  cláusula  correspondente  da  Convenção  de  1º/03/2007,  folhas 123 a 139.    TERCEIRA  ­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  ­  Tendo  em  vista  o  estabelecido  na  Lei  no.  10.101,  de  19/12/2000,  as  empresas  deverão  pagar  a  seus  empregados um valor a título de PLR ­ Participação nos Lucros  ou Resultados da empresa, de acordo com os seguintes critérios:  a) O valor a ser pago será equivalente a 20 % (vinte por cento)  dos  salários  de  março  de  2007,  no  limite  máximo  de  R$  1.500,00  (hum  mil  e  quinhentos  reais),  em  duas  parcelas  iguais, sendo a primeira em 31/08/07 e a segunda em 28/02/08.  b)  Para  receber  a  1ª  parcela  o  empregado  deverá  alcançar  a  meta de freqüência de 90% dos dias  efetivamente  trabalhados  na empresa no período de 01/03/07 a 31/08/07.  c)  Para  receber  a  2ª  parcela  o  empregado  deverá  alcançar  a  meta de freqüência de 90% dos dias  efetivamente  trabalhados  pela empresa no período de 01/09/07 a 28/02/08.  d) Para  apuração da  freqüência não poderão  ser  computadas  as faltas legais e as previstas nesta convenção coletiva.  e)  Os  empregados  admitidos  após  1o  de  março  de  2007  e  os  afastados  por  qualquer  motivo  durante  o  período  de  vigência  desta  convenção,  terão  direito  a  1/12  (um  doze  avos)  do  valor  aqui combinado, por mês ou fração igual ou superior a 15 dias  efetivamente  trabalhados,  considerando­se  também  como  trabalhado  o  período  de  licença  gestante  e  de  licença  por  acidente do trabalho (até 6 meses).  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/2010­95  Acórdão n.º 2403­002.943  S2­C4T3  Fl. 5          7 f) Os  empregados desligados antes do pagamento da parcela a  que fizer jus, deverão recebê­lo proporcionalmente, junto com as  parcelas rescisórias, em recibo à parte.  g) Os valores pagos pelas empresas em cumprimento do disposto  na presente cláusula serão compensados, caso sejam obrigadas  ao pagamento de qualquer parcela a  título de participação nos  lucros  ou  resultados,  em  decorrência  de  legislação  ou Medida  Provisória superveniente ou por decisão da Justiça.  h)  Estão  excluídas  da  obrigatoriedade  de  cumprimento  do  disposto  na  presente  cláusula,  as  empresas  que  já  possuem  programas  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  para  o  período  desta Convenção, desde que  de  acordo  com  legislação  vigente.  i) As empresas que se  interessarem poderão negociar com uma  comissão  escolhida  pelas  partes  um  plano  específico  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  respeitando  os  critérios  estabelecidos  na  legislação.  O  Sindicato  profissional  indicará  um representante para integrar a comissão e arquivará o Acordo  Coletivo  celebrado,  o  qual  deverá  estar  assinado  até  o  dia  30/07/07.  j) Conforme legislação,  se  for o caso, os valores pagos a  título  de  PLR  serão  tributados  na  fonte  em  separado  dos  demais  rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de  renda  devido  na  declaração  de  rendimentos  do  empregado,  competindo à  empresa a  responsabilidade pela  retenção e pelo  recolhimento do imposto.  k) Conforme art. 7o da Constituição Federal, art. 3° da Lei no.  10.101,  de  19/12/2000  e  art.  20"  da  Lei  9.711,  de  20/11/98,  o  pagamento  previsto  nesta  cláusula  não  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista  ou  previdenciário,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.    A  Lei  8.212/91  estabelece  que  a  PLR,  quando  paga  de  acordo  com  a  Lei  10.101/2000 não integra o salário de contribuição.    Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  § 9º Não integram o salário­de­contribuição:   j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.     A Lei 10.101/2000 determina o estabelecimento de regras claras e objetivas,  inclusive mecanismos de aferição.  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8   Art.2oA  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I  ­  comissão paritária escolhida pelas partes,  integrada,  também, por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria;(Redação  dada  pela  Lei  nº  12.832,  de  2013)(Produção  de  efeito)  II­convenção ou acordo coletivo.  §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I­índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II­programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.    Discordo da autuação. A convenção estabelece meta clara: “o empregado  deverá  alcançar  a  meta  de  freqüência  de  90%  dos  dias  efetivamente  trabalhados  pela  empresa”  e  também  mecanismo  de  aferição:  “d)  Para  apuração  da  freqüência  não  poderão ser computadas as faltas legais e as previstas nesta convenção coletiva.”    Entendo  por  excluir  do  lançamento  os  levantamentos  PR  e  PR1  correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados.    PRÊMIO FÉRIAS E PRÊMIO ASSIDUIDADE    Argumenta  a  recorrente  que  a  verba  é  indenizatória  e  não  passível  de  incidência  da  contribuição  e  que  pagou  os  benefícios  nas  exatos  termos  da Convenção  Coletiva de Trabalho.    Apresento abaixo como a questão é apresentada na Convenção:    Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/2010­95  Acórdão n.º 2403­002.943  S2­C4T3  Fl. 6          9 7.4 – Para melhor entendimento transcrevemos a seguir cláusula  décima nona e alguns itens da Convenção de 31/03/2007.  CLAUSULA DÉCIMA NONA ­ RETORNO DE FÉRIAS OU  PRÊMIO ASSIDUIDADE.  As  empresas  asseguram  a  todos  os  seus  empregados,  sem  prejuízo  do  abono  concedido  pelo  art.  7°.,  inc.  XVII,  da  Constituição  Federal  o  pagamento  de  um  prêmio  assiduidade,  quando  do  retorno  de  férias,  nas  seguintes  bases:  a) No valor correspondente a 35% (trinta e cinco por cento)  do  salário  nominal,  desde  que  o  empregado,  durante  o  período  aquisitivo  respectivo  não  tenha  faltado  ao  serviço  por  mais  de  dois  dias,  justificadamente  ou  não.  O  valor  máximo do benefício a ser pago será de R$216,00 (duzentos  e dezesseis reais).  b)  No  valor  correspondente  a  20%  (vinte  por  cento)  do  salário nominal, desde que o empregado, durante o período  aquisitivo respectivo, não tenha faltado ao serviço por mais  de quatro dias, justificadamente ou não. O valor máximo a  ser pago será de R$156,00 (cento e cinqüenta e seis reais).    Não consegui identificar o que se está indenizando.  Entendo  que  esses  valores  decorrem  de  fatores  de  ordem  pessoal  relativas ao trabalho.   A regra geral, artigo 28, I, da Lei 8.212/91, é a tributação da totalidade  do rendimento.    Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)    Entendo a verba sujeita à tributação.   Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   10   MULTA DE OFÍCIO    Estabelece o CTN que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou  revogada.    Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Constata­se que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para  as contribuições previdenciárias.  Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das  contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício.    Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).    No  caso  do  presente  processo,  que  trata  de  contribuições  previdenciárias,  à  época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia.   Por  essa  inexistência  à  época  dos  fatos  geradores,  entendo  que  a multa  de  ofício não poderia ser aplicada  Entendo  ser  esse  motivo  suficiente  para  determinar  sua  exclusão  do  lançamento.    Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/2010­95  Acórdão n.º 2403­002.943  S2­C4T3  Fl. 7          11 Multa de mora  A multa  de mora  aplicada  teve  por  base  o  artigo  35  da  Lei  8.212/91,  que  determinava  aplicação de multa que progredia  conforme a  fase  e o decorrer do  tempo e que  poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse  artigo  foi  alterado  pela  Lei  11.941/2009,  que  estabeleceu  que  os  débitos  referentes  a  contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora  nos  termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que  estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%.  Visto  que  o  artigo  106  do  CTN  determina  a  aplicação  retroativa  da  lei  quando,  tratando­se de ato não definitivamente  julgado,  lhe comine penalidade menos severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática,  princípio  da  retroatividade  benigna,  impõe­se o  cálculo da multa  com base no  artigo 61 da Lei 9.430/96 para  compará­la  com  a  multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito  lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:      I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados;       II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:      a) quando deixe de defini­lo como infração;      b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;      c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.      CONCLUSÃO    Voto pelo provimento parcial do recurso, na preliminar, rejeitando a tese da  decadência  e,  no  mérito,  determinando  a  exclusão  dos  levantamentos  PR  e  PR1  correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados, determinando a exclusão da multa  de  ofício  e  determinando  o  recálculo  da multa  de mora,  com  base  na  redação  dada  pela  lei  11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte e por  fim,   Carlos Alberto Mees Stringari    Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   12                               Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10830.006853/2006-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO. Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no ano-calendário de 2001, R$ 34.269,71 no ano-calendário de 2002, R$ 19.143,16 no ano-calendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO. Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 699          2 decorrem  de  atividades  declaradas,  mas  sem  a  apresentação  de  vinculação  com os depósitos objeto da autuação fiscal.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU  INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE  R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA.  Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais),  cujo  somatório  não  ultrapasse  R$  80.000,00  (oitenta  mil  reais)  no  ano­ calendário,  não  podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  no  caso  de  pessoa  física  (Súmula  CARF  nº  61).  Quando  se  tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um  dos titulares.  CARNÊ­LEÃO.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONCOMITÂNCIA.  Descabe  a  aplicação  da multa  isolada  por  falta  de  recolhimento mensal  do  imposto  de  renda  devido  a  título  de  carnê­leão  concomitantemente  com  a  multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos  de fontes do exterior.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  base de  cálculo  do  lançamento  o  valor  de R$  8.044,74 no ano­calendário de 2001, R$ 34.269,71 no ano­calendário de 2002, R$ 19.143,16  no  ano­calendário  de  2003  e  para  cancelar  a  aplicação  da  multa  isolada  no  valor  de  R$  30.519,24, nos termos do voto do Relator.  Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente.   Assinado digitalmente   Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Adriano  Keith  Yjichi  Haga,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida  e Marcio  Henrique  Sales  Parada.  Ausente  o  Conselheiro  Flavio  Araujo  Rodrigues  Torres.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adota­se  o  “Relatório”  da  decisão  de  primeira  instância (fls. 281/285 do processo físico), reproduzido a seguir:  Fl. 699DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 700          3 Do Lançamento   Em ação  levada a  efeito  no  contribuinte  acima qualificado,  foi  constituído crédito tributário no valor de R$ 197.306,55 (cento e  noventa  e  sete  mil,  trezentos  e  seis  reais  e  cinquenta  e  cinco  centavos),  por  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA POR VALORES RECEBIDOS DE FONTES  NO  EXTERIOR  e  MULTAS  ISOLADAS  PELA  FALTA  DE  RECOLHIMENTO DO IRRF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ­ LEÃO, anos­calendário 2001, 2002 e 2003 sendo R$ 70.299,21 a  titulo  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  R$  52.724,39  referentes  à  multa  de  oficio  proporcional,  R$  43.763,71  referentes  aos  juros  de mora  (calculados  até  30/11/2006)  e R$  30.519,24  de  multa  isolada,  consubstanciado  no  Auto  de  Infração de fls. 04/18, com fundamento legal especificado, às fls.  09 e 10.  A  infração  apurada,  que  resultou  na  constituição  do  crédito  tributário  referido,  encontra­se  relatada  no  próprio  Auto  de  Infração, fls. 05/09 e nos da conta dos seguintes aspectos:  ­  O  enfoque  dos  procedimentos  ficou  restrito  à  análise  das  informações  constantes  da Representação Fiscal  relacionada  à  movimentação financeira no exterior no ano de 2000, atendendo  a demanda requisitória da Justiça Federal ­ Seção Judiciária do  Paraná ­ processo n.° 2003.7000030333­4;  ­ Da  análise  das  informações  repassadas pela  Justiça Federal,  constatou­se  que  o  fiscalizado  foi  apontado nos  documentos  de  cadastros  apresentados  pela  Promotoria  do  Distrito  de  Nova  York como responsável, conjuntamente com outras duas pessoas  físicas,  pela movimentação da conta denominada de "Shorcut",  n°  605.235,  no  Delta  Bank,  com  sede  na  cidade  de  Nova  York/NY/EUA.  A  referida  conta  foi  utilizada  para  a  movimentação  de  recursos  financeiros  nos  anos­calendário  de  2001, 2002 e 2003, num total de US$ 1.841.489,48;  ­  Intimado  o  contribuinte  reconhece  ser  titular  da  conta  sob  análise,  conjuntamente  com  Joaquim  de Paula Barreto Filho  e  Cristiane  Barreto  Fonseca  Antunes  de  Oliveira.  Alega  que  a  maioria dos créditos efetuados na conta  sob análise provém de  resgates de aplicações financeiras cujos valores já foram objeto  de  tributação  em  sua  declaração  do  Imposto  de Renda Pessoa  Física. Não informa, porém, quais são estes valores que já foram  objeto  de  tributação  pelo  Imposto  de  Renda  e  quando  isto  aconteceu,  não  apresentando  qualquer  documentação  que  lastreasse sua alegação. Informa o contribuinte que com relação  aos demais  ingressos,  aqueles que não  se  referem a  resgate de  aplicação  financeira,  são  de  pequena  monta,  referindo­se  a  valores de reembolsos de gastos de viagens pela participação em  congressos e outros eventos;  ­  Informa  a  autoridade  fiscal  que  examinando  os  extratos  bancários  constata­se  que,  parte  dos  ingressos  realizados  na  conta  denominada  de  "Shorcut",  n°  605.235,  no  Delta  Bank  ­  NY, no período de 2001 a 2003, refere­se a resgates/retornos de  Fl. 700DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 701          4 aplicação  financeira vinculada a conta, perfazendo um  total de  US$  1.569.240,04,  não  representando  assim,  efetivos  ingressos  no referido período. A outra parte, US$ 272.249,44, refere­se a  efetivos ingressos no período, conforme demonstrado nos autos;  ­ Que examinando as Declarações de Ajuste Anual apresentadas  pelo Fiscalizado, bem como aquelas apresentadas pelos demais  titulares da conta, constatou­se que nem os saldos da conta em  questão,  nem  as  aplicações  financeiras  a  ela  vinculadas  foram  declarados;  ­ Assim, concluiu­se que o contribuinte obteve disponibilidade de  renda  no  exterior  nas  datas  e  valores  relacionados,  que  não  comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses  recursos,  que  omitiu  as  informações  referentes  ao  recebimento  dos recursos à Secretaria da Receita Federal;  ­  A  conta  "Shorcut"  n°  605.235,  conforme  já  mencionado,  tem  como  responsáveis  o Fiscalizado  conjuntamente  com mais  dois  titulares.  Desta  forma,  uma  vez  que  as  declarações  de  rendimentos  dos  titulares  foram  apresentadas  em  separado,  e  não  houve  comprovação  da  origem  dos  recursos  ingressados  nesta conta, os valores foram imputados a cada titular mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  pela  quantidade  de  titulares, conforme demonstrado nos autos;  ­  As  transações  financeiras  foram  convertidas  em  Reais  do  Brasil  de  acordo  com  a  IN  SRF  n.°  73/98,  artigo  16,  §  2°,  conforme  prescrito  no  Manual  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física/Manual  de  Preenchimento  Declaração  de  Ajuste  Anual.  Foram  cobradas  multas,  exigidas  isoladamente,  pela  falta  de  recolhimento  do  carnê­leão,  referentes  aos  rendimentos  recebidos no exterior.  A base  legal para o  lançamento encontra­se nos artigos 1º, 2°,  3°  e  §§  e  8°  da  Lei  nº  7.713/88,  artigos  1°  a  4°  da  Lei  n.°  8.134/90  e  artigos  55,  inciso  VII,  e  995  do  Regulamento  do  Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 3.000/99 e artigo  1° da Lei n.° 9.887/99.  Da Impugnação   Recebido  o  Auto  de  Infração,  em  20/12/2006,  fls.04,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  em  18/01/2007,  fls.154/195, alegando, em síntese, que:  Das preliminares   • O  acesso  ao  sigilo  bancário  do  contribuinte  sem autorização  judicial  fere  os  direitos  e  garantias  individuais  constitucionalmente assegurados;  • O processo judicial n° 2003.7000030333­4 foi ajuizado com o  escopo  de  verificar  as  eventuais  práticas  de  condutas  fraudulentas  perpetradas  pelas  instituições  financeiras  sob  investigação e não quebra de sigilo de seus correntistas;  Fl. 701DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 702          5 •  A  fiscalização  se  valeu  de  dados  sigilosos  do  Impugnante,  tendo  por  base  apenas  e  tão  somente  uma  decisão  judicial  em  que o contribuinte nem mesmo é parte;  •  A  quebra  do  sigilo  bancário  não  seguiu  os  requisitos  constantes  na  Lei  Complementar  n°  105/2001  e  Decreto  n°  3.724/2001,  os  quais  determinam  que  as  autoridades  fiscais  poderão  examinar  dados  bancários  e  fiscais  dos  contribuintes,  independentemente  de  prévia  autorização  judicial,  desde  que  exista  prévio  procedimento  administrativo  em  curso,  e  que  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  competente;  • Em verdade, a  fiscalização somente  foi  iniciada por conta da  quebra do sigilo bancário do Impugnante,  foram aqueles dados  que motivaram o inicio dos trabalhos pela SRF;  •  Considerando  o  termo  inicial  do  prazo  de  decadência  como  sendo  a  data  da  ocorrência  do  fato  gerador  ­  que  in  casu  é  mensal  ­  verifica­se  que  o  período  abrangido  pela  autuação,  referente ao  fatos geradores de 31/06/2001 e 30/11/2001,  já  se  encontra atingido pela decadência, nos termos do disposto no §  4° do artigo 150 do CTN;  •  Com  relação  à  multa  isolada  lançada  pelo  Fisco,  e  que  foi  calculada  com  base  nos  fatos  geradores  do  imposto  apurado,  também  a  parcela  que  se  refere  ao  ano­calendário  2001  foi  extinto pela decadência.  Do mérito   •  Os  depósitos  bancários  constantes  da  conta  corrente  de  titularidade do Impugnante possuem origem comprovada. Pelos  dados  das  declarações  apresentadas  a  Secretaria  da  Receita  Federal, resta certo que ao longo de sua vida este obteve ganhos  suficientes que lhe garantem, por meio de aplicações financeiras,  rendimentos perfeitamente harmônicos com o seu nível de vida,  tudo sempre declarado ao Fisco;  •  No  que  pertine  à  conta  corrente  denominada  "Shorcut",  importante  consignar  que  esta  foi  iniciada  pelo  Impugnante  ainda na década de 60, quando este morou nos Estados Unidos  da América, para fins de estudos acadêmicos, e que resultou na  criação  de  vínculos  com  Universidades  e  Academias  Médicas,  sendo  que,  até  os  dias  de  hoje,  o  Impugnante  frequentemente  retorna ao EUA, na qualidade de Professor Visitante, para fins  de  participação  de  congressos,  bem  como,  para  ministrar  palestras  médicas,  sendo  inclusive,  membro  de  algumas  instituições naquele país;  •  Os  depósitos  bancários  não  têm  o  condão  de,  de  per  si,  configurarem  efetiva  comprovação de  disponibilidade  de  renda  pelo  Impugnante.  No  caso  em  tela,  a  fiscalização  parte  do  pressuposto,  com  dados  obtidos  de  meros  extratos  bancários,  que  o  Impugnante  deixou  de  informar  ao  fisco,  por  meio  das  competentes  declarações  de  renda,  a  ocorrência  do  "fato  Fl. 702DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 703          6 gerador"  do  imposto,  bem  assim  de  comprovar  o  respectivo  pagamento;  •  Ocorre  que,  in  casu,  resta  comprovada,  ainda  que  por  via  indireta,  a  origem dos valores movimentados  pelo  Impugnante,  eis  que,  tais  montas  se  constituíram  a  partir  de  resgates  de  aplicações  financeiras;  reembolso  de  despesas  e  numerários  obtidos  por  conta  da  atividade  do  Impugnante,  devidamente  declaradas nas DIRPF por ele apresentadas à SRF;  •  Nada  obstante  isso,  tal  procedimento  deixou  de  seguir  os  ditames do artigo 42, § 3º, II, da Lei n° 9.430, com as alterações  precedidas  pela  Lei  9.481/97,  a  qual  reza  que,  para  fins  de  apuração de omissão de receitas, não será considerado o crédito  de  valor  individual de R$ 12.000,00, desde que a  somatória de  todos eles, dentro do mesmo ano­calendário, não seja superior a  R$ 80.000,00;  •  Ilegalidade  da  aplicação  da  multa  isolada  cumulativamente  com  a  multa  punitiva.  A  multa  isolada  tem  por  objeto  efetuar  punição ao contribuinte que deixar de efetuar o recolhimento do  carnê­leão.  É  dizer,  o  objetivo  da  presente  multa  não  é  a  cobrança  do  crédito  tributário  em  si, mas  sim, a  imputação de  penalidade  ao  cidadão  que  deixar  de  cumprir  obrigações  acessórias a ele inerentes;  •  Entretanto,  a  fiscalização  já  imputou  ao  contribuinte  multa  punitiva  por  conta  de  sua  conduta  omissiva,  no  percentual  de  75%  do  valor  do  suposto  IRPF  devido.  Percebe­se  que  houve  uma  dupla  incidência  de  multa  punitiva  sob  o  mesmo  fato  gerador e sob a mesma base de cálculo;  •  Requer  seja  declarado  insubsistente  o  Auto  de  Infração  e  Imposição  de  Multa  e  determinado  o  seu  cancelamento  e  arquivamento.  O  lançamento  foi  julgado  procedente  por  intermédio  do  acórdão  de  fls.  280/294 do processo físico, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF   Ano­calendário: 2001, 2002, 2003   QUEBRA DE SIGILO.  Em  se  tratando  de  autuação  lastreada  em  dados  obtidos  mediante quebra de sigilo bancário por via judicial, descabem os  argumentos  sobre  violação  de  quebra  de  sigilo  bancário  por  autoridade  administrativa  em  processo  administrativo  fiscal.  A  decisão judicial transferiu o sigilo bancário do Impugnante para  o  fisco,  que  passou  a  ser  depositário  dos  dados  sigilosos,  devendo  utilizá­los  em  seu  mister  constitucional.  Preliminar  rejeitada.  DECADÊNCIA.  Fl. 703DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 704          7 Tratando­se  de  lançamento  ex  officio,  a  regra  aplicável  na  contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do  Código Tributário Nacional, iniciando­se o prazo decadencial a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO  EXTERIOR.  São  tributáveis  os  rendimentos  recebidos  de  fontes  no  exterior,  transferidos  ou  não  para  o  Brasil,  decorrentes  de  atividade  desenvolvida  ou  de  capital  situado  no  exterior.  Inteligência  do  artigo 55, VII, do RIR/99.  MULTA  ISOLADA  SOBRE  CARNÊ­LEÃO  E  MULTA  DE  OFÍCIO ­ SIMULTANEIDADE.  E cabível o  lançamento da multa  isolada  sobre  carnê­leão não  recolhido  concomitante  à  multa  de  oficio  sobre  o  imposto  apurado  de  oficio  na  declaração  inexata,  visto  que  se  trata  de  infrações distintas.   Cientificado da decisão de primeira instância em 24/12/2008 (fls. 296/297), o  Interessado  interpôs,  em  22/01/2009,  o  recurso  de  fl.  298/335.  Na  peça  recursal  aduz,  em  síntese, que:  PRELIMINARMENTE  Acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial  ­  Os  julgadores  da  instância  de  piso,  equivocadamente,  entenderam  que  a  quebra de sigilo bancário do Recorrente foi escorada em decisão judicial, proferida no processo  nº 2003.7000030333­4, em trâmite perante a 2ª Vara Federal de Curitiba.  ­  Ocorre  que  o  referido  processo  judicial  foi  ajuizado  com  o  escopo  de  verificar  as  eventuais  práticas  de  condutas  fraudulentas  perpetradas  pelas  instituições  financeiras sob investigação (Banestado e outras), consubstanciada na formação de esquemas  de  remessas de dinheiro  ao  exterior  sem autorização do Banco Central  do Brasil. A conduta  delitiva a ser apurada por meio da quebra de sigilo fiscal era a das instituições financeiras, não  de seus correntistas.  ­  O  próprio  Auditor  responsável  informou  no  relatório  fiscal  que  tais  operações  foram  rastreadas  por  conta  dos  resultados  de  investigações  levadas  a  cabo  pela  Polícia  Federal  acerca  das  operações  realizadas  pelo  DELTA  BANK  ­  NY,  em  virtude  de  conexão  entre os  responsáveis  pelas  contas  ali mantidas  e outras  administradas  por  "Beacon  Hill  Services  Corporation",  Banco  Safra  NY,  MTB  Bank  e  Merchats  Bank,  todas  estas  analisadas pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito ­ CPMI do Banestado.  ­  Objetivando  a  verificação  de  tais  operações,  em  23.11.2004  a  Polícia  Federal  solicitou  ao  Juízo  da  2ª  Vara  Federal  em  Curitiba,  a  quebra  de  sigilo  bancário  no  exterior das contas bancárias movimentadas no Delta Bank ­ NY, pedido este que foi acatado  pelo MM. Juízo em 24.11.2004.  Fl. 704DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 705          8 ­  Posteriormente,  em  14.02.2005,  o  Juízo  da  2ª  Vara  Federal  de  Curitiba  proferiu nova decisão, desta vez autorizando o compartilhamento com a Secretaria da Receita  Federal dos dados obtidos pela CPMI do Banestado, chegando ao conhecimento da Delegacia  de  Campinas  que  o  ora  Recorrente,  conjuntamente  com  mais  dois  co­titulares,  seria  responsável por conta bancária junto ao Delta Bank ­ NY, denominada de "Shorcut", e que, nos  anos­calendários de 2001, 2002 e 2003, movimentou a monta de US$ 1.841.489,48.  ­  Assim,  o  procedimento  da  fiscalização  que  embasou  o  presente  Auto  de  Infração  é  ilegal  e  arbitrário,  posto  que  a  quebra  de  sigilo  bancário  do  Recorrente,  e  que  embasou  as  atividades  da  RFB,  foi  realizada  sem  qualquer  ordem  judicial  existente  nesse  sentido,  posto  que,  em  nenhum  momento,  constou  da  decisão  judicial  oriunda  da  Justiça  Federal  de Curitiba o nome do Recorrente. Os correntistas pessoas  físicas nem mesmo estão  apontados como partes do referido processo judicial.  ­ A decisão judicial proferida em 24.11.2004 em momento algum cita o nome  do Recorrente, apesar de citar o nome de outros correntistas, determinando a quebra do sigilo  bancário dos mesmos. Não há como permitir que a fiscalização se valha de dados sigilosos do  Recorrente  tendo por base  apenas  e  tão  somente uma decisão  judicial  em que o  contribuinte  nem mesmo é parte.  Quebra  de  sigilo  sem  os  requisitos  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  e  Decreto nº 3.724/2001  ­ O artigo 6° da Lei Complementar 105/2001 determina que as  autoridades  fiscais  poderão  examinar  dados  bancários  e  fiscais  dos  contribuintes,  independentemente  de  prévia autorização judicial, (i) desde que exista prévio procedimento administrativo/fiscal em  curso, e que (ii) tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente.  ­  O  artigo  2°  do  Decreto  nº  3.724/2001,  repetindo  o  artigo  6°  da  Lei  Complementar, determinou que a quebra do sigilo bancário somente poderia ser  realizada no  curso de procedimento de fiscalização, desde que indispensáveis para o deslinde do caso. Em  seu  §  2°  define  como  "procedimento  de  fiscalização"  aquele  compreendido  nos  termos  do  artigo  7°  e  seguintes  do  Decreto  nº  70.235/1972,  qual  seja,  o  procedimento  de  fiscalização  federal, devidamente iniciado com a instauração de Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF.  ­ Percebe­se, assim, que o sigilo bancário do contribuinte somente poderá ser  violado se, e somente se, houver a prévia instauração de MPF, e que, no decorrer dos trabalhos,  a fiscalização entenda ser indispensável tal diligência.  ­  In  casu,  o  Auditor,  antes  mesmo  de  ter  iniciado  qualquer  procedimento  fiscal, já dispunha dos dados bancários do Recorrente. Em verdade, a fiscalização somente foi  iniciada por conta da quebra do sigilo bancário do Recorrente, é dizer, foram aqueles dados que  motivaram o inicio dos trabalhos pela RFB.  ­ Como permitir que extratos bancários, oriundos da quebra de sigilo anterior,  possam motivar a instauração de Mandado de Procedimento Fiscal se, de acordo com a própria  legislação  de  regência,  a  requisição  de  violação  dos  dados  bancários  somente  poderá  ser  realizada dentro de MPF já existente?  ­  Para  que  um  agente  fiscal  possa  requisitar  informações  às  instituições  bancárias deverá ser formalizada a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira  Fl. 705DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 706          9 –  RMF,  que  deverá  ser  precedida  da  intimação  do  sujeito  passivo  para  apresentação  de  informações sobre movimentação financeira (Decreto nº 3.724/2001, art. 4º, § 2º). No curso da  fiscalização que ensejou esta autuação em momento algum o Recorrente foi intimado acerca da  quebra de sigilo bancário realizada.  Decadência do Fisco em constituir parte do crédito tributário  ­  O  IRPF  consubstancia­se  num  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação, ou seja, modalidade de tributo cujo pagamento é realizado de forma antecipada  pelo contribuinte, cabendo a autoridade administrativa competente a posterior homologação de  referido pagamento, consoante art. 150 do Código Tributário Nacional ­ CTN.  ­  Sendo  certo  que  o  IRPF  consiste  num  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação, emerge certa a necessidade de observância ao prazo decadencial previsto no § 4°  do artigo 150 do CTN.  ­ Assim, considerando­se o termo inicial do prazo de decadência como sendo  a  data  da  ocorrência  do  fato  gerador  ­  que  in  casu  é  mensal  ­  verifica­se  que  o  período  abrangido  pela  autuação,  referente  aos  fatos  geradores  de  31.06.2001  e  30.11.2001,  já  se  encontra  atingido  pela  decadência,  posto  que  decorridos  5  (cinco)  anos  a  contar da  data dos  fatos geradores (a cientificação do contribuinte acerca da lavratura do lançamento tributário se  deu em 20.12.2006).  ­ Importante consignar que, além do crédito tributário referente ao período de  31.06.2001 a 30.11.2001 ter sido extinto pela decadência, o mesmo ocorreu com parte da multa  isolada lançada. Em consonância com os dados constantes do relatório do Auto de Infração o  valor da multa isolada, referente à falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê­leão,  foi  calculada  de  acordo  com  os  valores  depositados  na  conta  "Shorcut",  de  titularidade  do  Recorrente.  ­ A multa isolada é decorrente da falta de recolhimento mensal do IRPF, ou  seja, seu fato gerador é mensal. E, da mesma forma que o tributo principal, o seu lançamento é  regido pela sistemática do artigo 150, §4°, do CTN. Logo, o Fisco terá o prazo de cinco anos,  contados do fato gerador da multa isolada para efetuar o competente lançamento tributário, sob  pena de ocorrer a decadência de seu direito.  MÉRITO  Origem comprovada dos depósitos bancários  ­ O Recorrente comprovou que os recursos originaram­se de: (i) resgates de  aplicações  financeiras;  (ii)  reembolso  de  despesas  e  (iii)  numerários  obtidos  por  conta  da  atividade devidamente declarada nas DIRPF apresentadas à RFB.  ­ Especificamente no que concerne  à conta  corrente denominada  "Shorcut",  mantida junto ao Delta Bank ­ NY, importante consignar que esta foi iniciada ainda na década  de 60, quando o Recorrente morou nos Estados Unidos da América. Atualmente  retorna  aos  EUA, na qualidade de Professor Visitante, para fins de participação em congressos, bem como  para  ministrar  palestras  médicas,  sendo  inclusive,  membro  de  algumas  instituições  naquele  país.  Fl. 706DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 707          10 ­  Por  conta  das  frequentes  visitas  ao  exterior,  para  fins  de  trabalho,  o  Recorrente sempre  recebeu valores  a  título de reembolso de despesas, por suas participações  em  tais  eventos.  E,  por  consequência,  nos  períodos  em  que  esteve  naquele  país,  houve  a  movimentação da conta  "Shorcut" para pagamento de despesas percebidas  em função de  sua  estadia no exterior.  ­ Uma análise mais atenta dos extratos demonstra que parte dos créditos tem  origem em  resgates de  aplicações  financeiras,  as quais  já  foram objeto de  tributação em sua  pessoa física à época em que os mesmos foram por ele percebidos.  ­  O  histórico  de  rendimentos  do  Recorrente,  o  qual  pode  ser  facilmente  verificado em suas declarações de  imposto de  renda, evidencia que este  sempre manteve em  suas contas bancárias  rendimentos suficientes para  justificar os  ingressos de valores na conta  corrente do exterior.  ­ Resta  inequívoca  a  necessidade  de  análise  dos  dados  acima mencionados  para  o  deslinde  do  caso,  vez  que  um  dos mais  significativos  preceitos  que  devem  nortear  o  processo administrativo é o Principio da Verdade Material.  Depósitos bancários não configuram, de per si, disponibilidade de renda  ­ A  fiscalização,  sem  trazer  aos  autos  qualquer  prova  ou  indicio  plausível,  simplesmente com base em extratos bancários isolados do Recorrente, presumiu a ocorrência  do fato gerador do IRPF, mesmo tendo o Recorrente comprovado a origem de tais recursos.  ­ O Recorrente não pode admitir a manutenção de exigência que atribua, sem  qualquer  respaldo  fático  ou  legal,  a  qualidade de  "renda"  aos  valores movimentados  em  sua  conta corrente, de forma indistinta e despreocupada à efetiva realidade, fato este que corrobora  o descabimento da aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96.  Necessidade de exclusão dos valores inferiores a R$ 12.000,00  ­ No ano­calendário 2003 a Fiscalização  aponta  em  tabela  especifica que o  Recorrente teria percebido R$ 58.555,09 a titulo de depósitos bancários em sua conta corrente.  E, com base nestes depósitos bancários, os considerou como "omissão de receitas", procedendo  ao lançamento tributário.  ­ Tal procedimento deixou de seguir os ditames do artigo 42, § 3°, II, da Lei  nº  9.430,  com  as  alterações  procedidas  pela  Lei  nº  9.481/97,  a  qual  reza  que,  para  fins  de  apuração  de  omissão  de  receitas,  não  será  considerado  o  crédito  de  valor  individual  de  R$  12.000,00,  desde  que  a  somatória  de  todos  eles,  dentro  do mesmo  ano­calendário,  não  seja  superior a R$ 80.000,00.  ­ Desta  forma,  inconteste  o  erro  perpetrado  pela  fiscalização  ao  glosar  tais  valores  como  "omissão  de  receitas",  posto  que,  por  expressa  determinação  legal,  estas  não  deveriam ter sido relacionadas no lançamento tributário perpetrado.  Ilegalidade de aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de  75%  Fl. 707DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 708          11 ­ A multa  isolada  tem  sua  base  legal  no  artigo  8°  da Lei  nº  7.713/88,  bem  como nos artigos 43 e 44 da Lei n. 9.430/96, e tem por objeto efetuar punição ao contribuinte  que deixar de efetuar o recolhimento do carnê­leão. É dizer, o objetivo da presente multa não é  a  cobrança  do  crédito  tributário  em  si, mas  sim,  a  imputação  de  penalidade  ao  cidadão  que  deixar de cumprir obrigações acessórias a ele inerentes.  ­ Entretanto,  tem­se  que  a  fiscalização,  no  exercício  de  suas  atribuições,  já  imputou ao  contribuinte multa punitiva por  conta de  sua  conduta omissiva,  no percentual de  75% do valor do suposto IRPF devido.  ­ Tal atitude revela­se descabida, posto que configura verdadeiro confisco ao  Recorrente  que  teve  contra  si  a  imputação  de  duas multas  idênticas,  com  a mesma  base  de  cálculo,  fato  gerador  e  com  o  mesmo  objetivo,  qual  seja,  penalizar  o  contribuinte  por  ato  omissivo contrário à lei.  Pedidos  ­ Ao final,  requer o Recorrente o acolhimento das  razões recursais,  afim de  que seja declarado insubsistente o Auto de Infração e Imposição de Multa, determinando­se o  seu  cancelamento  e  arquivamento.  Pleiteia,  ainda,  a  produção  de  todas  as  provas  em  direito  admitidas, especialmente a juntada de novos documentos.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  As folhas citadas neste voto referem­se à numeração do processo físico.  Cinge­se a controvérsia  à  infração de omissão de  rendimentos  recebidos de  fontes  no  exterior,  constatada  em  virtude  da  não  comprovação  da  origem  de  recursos  depositados em instituição financeira alienígena, bem como à aplicação de multa isolada pela  falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê­leão.  PRELIMINARES  Acesso aos dados bancários do contribuinte  Alega o Recorrente que o procedimento de fiscalização foi ilegal e arbitrário,  posto que a quebra de seu sigilo bancário se deu sem qualquer ordem judicial existente nesse  sentido. Segundo o Interessado, em nenhum momento constou o seu nome na decisão judicial  oriunda da Justiça Federal de Curitiba.  Sem razão o Recorrente.  A decisão do MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, às  fls.  25/27,  evidencia  que  houve  a  quebra  do  sigilo  bancário  sobre  contas mantidas  no Delta  Bank, por solicitação da Polícia Federal do Paraná. Confira o item 18 da decisão:  Fl. 708DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 709          12 18.  Portanto,  com base  no  exposto,  decreto  a  quebra  do  sigilo  bancário  sobre  as  contas  relacionadas  no  oficio  002/04/FT/CC5/NY e mantidas no Delta Bank e no Banco Safra  em Nova York e cujo material respectivo foi disponibilizado pela  Promotoria Distrital de Nova York. A autoridade policial deverá  providenciar  a obtenção  e  cópia  da  documentação pelos meios  mais fáceis, servindo­se do auxilio, se necessário, de Promotoria  Distrital  do  Condado  de  Nova  York  e  ainda  do  Consulado  brasileiro.  O “Relatório de Identificação de Titulares de Contas Delta National Nank”,  acostado aos autos em fl. 36, revela que Joaquim de Paula Barreto Fonseca, ora Recorrente, era  um dos titulares das contas mantidas no Delta Bank. Confira:  Em trabalho de análise documental da conta acima identificada,  mantida junto ao Delta National Bank and Trust Company, nos  Estados  Unidos  da  América,  foi(ram)  identificado(s)  como  titular(es)  da  mesma  o(s)  contribuinte(s):  Joaquim  de  Paula  Barreto  Fonseca,  CPF  nº  014.262.738­00,  Joaquim  de  Paula  Barreto  Fonseca  Filho,  CPF  nº  184.254.418­70  e  Cristiane  Barreto Fonseca Antunes  de Oliveira, CPF  nº  035.356.628­42,  todos  residentes  na  cidade  de  Campinas/SP,  em  conformidade  com os documentos abaixo citados:  No ofício de fl. 32, enviado à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB  pela  Justiça Federal  do Paraná,  consta  a  informação de que “Na presente data,  foi  proferida  decisão autorizando o  compartilhamento de  tal material  para  fins  tributários  com a Receita  Federal”. Da referida decisão extrai­se as seguintes passagens, nas partes que aqui interessa:  Cabe, por outro lado, especialmente a Receita Federal extrair a  consequências administrativas de eventual omissão dos titulares  de contas ou ativos, depositantes ou beneficiários de pagamentos  efetuados  através  das  referidas  contas.  É  possível  aventar  a  prática de crimes tributários pelos titulares das contas ou pelos  ordenantes  e  beneficiários  das  transações,  caso  não  tenham  declarado­as  à  Receita  Federal,  o  que  é  provável  visto  que  as  contas,  aparentemente,  seriam  controladas  por  doleiros  brasileiros.  Neste  caso,  o  auxilio  da  Receita  Federal  é  ainda  mais  imprescindível,  não  só  para  verificar  a  regularidade  da  relação  Fisco/contribuinte,  mas  também  para  a  eventual  caracterização  de  crime  tributário,  considerando  o  atual  entendimento  do  STF  de  que  faz­se  necessário  o  lançamento  definitivo.  (...)  Portanto,  ante  todo  o  exposto,  defiro  o  requerido  pela  autoridade  policial,  autorizando  o  compartilhamento  dos  documentos  e  arquivos  eletrônicos  obtidos  no  exterior  pela  Força Tarefa Policial CC5 relativamente às contas mantidas no  Banco  Audi,  Lespan,  Delta  Bank  e  no  Banco  Safra  em  Nova  York.  Fl. 709DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 710          13 Verifica­se,  assim, que o  acesso  aos dados bancários do  Interessado  se  deu  regularmente,  mediante  autorização  do  Poder  Judiciário,  motivo  pelo  qual  entendo  que  a  primeira preliminar suscitada deve ser rejeitada.  Requisitos  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  e  do  art.  4º  do  Decreto nº 3.724/2001  Entende o Interessado que a quebra do sigilo ocorreu sem o atendimento dos  seguintes  requisitos  previstos  no  art.  6°  da Lei Complementar nº  105/2001:  (i)  existência  de  prévio procedimento  administrativo/fiscal  em curso  e  (ii)  que os  exames  sejam considerados  indispensáveis pela Autoridade competente.  Sem razão o Interessado.  É  que  o  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  cuida  do  exame  de  documentos, livros, registros e contas de depósitos em instituições financeiras por iniciativa do  Fisco, hipótese em que o procedimento fiscal prévio é imprescindível.   Na espécie, a RFB recebeu os extratos bancários por determinação  judicial,  “não  só  para  verificar  a  regularidade  da  relação  Fisco/contribuinte,  mas  também  para  a  eventual caracterização de crime tributário, considerando o atual entendimento do STF de que  faz­se  necessário  o  lançamento  definitivo”,  ou  seja,  os  dados  bancários  foram  repassados  ao  Fisco  por  intermédio  de  Autoridade  judiciária  no  interesse  da  justiça,  sendo  desnecessário,  nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001,  assim como a formalização de Requisição de  Informações sobre Movimentação Financeira –  RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte (art. 4º do Decreto nº 3.724/2001).  Nesse  cenário,  sou  pela  rejeição  da  segunda  preliminar  suscitada  pelo  Interessado.  Inexistência de decadência do Fisco em constituir parte do crédito tributário  Já  decidiu  o  STJ,  em  sede  de  recurso  repetitivo  (Recurso  Especial  nº  973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação:  a)  existindo  pagamento  do  tributo  por  parte  do  contribuinte  até  a  data  do  vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o  recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, §  4).   b)  inexistindo  pagamento  até  a  data  do  vencimento,  aplica­se  a  regra  geral  (CTN, artigo 173,  I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício  seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado.  O Recorrente alega que o  termo  inicial do prazo de decadência é a data da  ocorrência do fato gerador, que, in casu, seria mensal. Logo, o período abrangido pela autuação  referente  aos  fatos  geradores  de  30.06.2001  e  30.11.2001  já  se  encontraria  atingido  pela  decadência.  Mais uma vez, sem razão o Recorrente.  Fl. 710DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 711          14 Na  espécie,  o  débito  refere­se  ao  imposto  de  renda,  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  e  houve  recolhimento  durante  o  ano­calendário  de  2001,  conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 119/122. Aplicável,  portanto, conforme a orientação do STJ, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é  a data da ocorrência do fato gerador.  A Súmula CARF nº 38 explicita quando se deve considerar ocorrido o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  nos  casos  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  verbis:  Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda  da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a  partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre  no dia 31 de dezembro do ano­calendário.  A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 04, revela que o mesmo foi lavrado  em  18/12/2006  e  a  intimação  pessoal  do  Procurador  do  Interessado  se  deu  em  20/02/2006  (parte  inferior da  fl.  04). Considerando que o  termo a quo  do prazo decadencial  ocorreu  em  31/12/2001,  descabe  falar  em  decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  crédito  tributário  (tributo e multas) relativo ao ano­calendário de 2001.  Nesse  contexto,  sou  pela  rejeição  da  terceira  preliminar  suscitada  pelo  Interessado.  MÉRITO  Depósitos com origem não comprovada  Dispõe o caput  do  artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  A  leitura  do  caput  do  art.  42  revela  que  o  legislador  estabeleceu  uma  presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos.  Como  se  percebe,  o  legislador  oportuniza,  ao  titular  da  conta  em  que  encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e  idônea,  o  que  evidencia  tratar­se  de  presunção  legal  relativa  que  apenas  se  desfaz  com  a  justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias.  Nesse  diapasão,  uma  vez  caracterizado  o  fato  jurídico  que  dá  suporte  à  presunção  legal,  cumpre  ao  contribuinte  demonstrar  a  regular  procedência  dos  valores  depositados,  mediante  a  apresentação  de  documentos  que  demonstrem  o  liame  lógico  entre  Fl. 711DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 712          15 prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este  reputado como rendimento omitido.  Na  espécie,  a  Recorrente  não  explica,  de  forma  satisfatória,  a  origem  dos  valores  depositados  em  suas  contas  bancárias,  insistindo  em  afirmar  que  os  recursos  originaram­se  de  resgates  de  aplicações  financeiras,  reembolso  de  despesas  e  numerários  obtidos por conta da atividade devidamente declarada nas DIRPF apresentadas à RFB.  Ocorre  que  para  afastar  a  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  amparada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 a comprovação há de  ser  individualizada  (§ 3º do  referido dispositivo legal), não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm  origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores  decorrem de  atividades  declaradas, mas  sem  a  apresentação  de  vinculação  com os  depósitos  objeto da autuação fiscal.  Demais  disso,  a  Autoridade  lançadora  exclui  os  resgates  de  aplicações  financeiras  da  base  de  cálculo  do  lançamento  e  examinou  as  declarações  de  ajuste  anual  do  Interessado, chegando as seguintes conclusões (“Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”,  às fls. 07/08):  12.  Considerando  as  alegações  do  fiscalizado,  em  relação  aos  ingressos na referida conta, e a cópia do demonstrativo emitido  pelo  Delta  Bank  com  descrição  dos  históricos  utilizados  no  extrato  bancário  (doc.  de  fls.  87/88),  bem  como  do  extrato  do  saldo  das  aplicações  financeiras  em  29/12/2000  (doc.  de  fls.  150/152),  examinamos mais uma vez os  extratos  e  constatamos  que:  12.1  Parte  dos  ingressos  realizados  na  conta  denominada  de  "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank ­ NY, no período de 2001 a  2003,  refere­se  a  resgates/retornos  de  aplicação  financeira  vinculada  a  conta,  perfazendo  um  total  de  U$$  1.569.240,04,  não representando assim, efetivos ingressos no referido período;  12.2  A  outra  parte,  U$$  272.249,44,  refere­se  a  efetivos  ingressos no período, conforme relação abaixo:  (...)  13. Examinamos as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de  Renda  Pessoa  Física  apresentada  pelo  fiscalizado  para  os  referidos  anos,  bem  com  aquelas  apresentadas  pelos  demais  titulares da conta e constatamos que nem os saldos da conta em  questão,  nem  as  aplicações  financeiras  a  ela  vinculadas  foram  declarados.  14. Por todo exposto e pelo fato do fiscalizado, com relação aos  valores discriminados no item 12.2, limitar­se a alegar que: "as  operações  que  não  são  referentes  ao  resgate,  crédito  ou  transferência  de  aplicação  financeira  da  própria  conta  são  de  pequena monta, referindo­se a valores de reembolso de gastos de  viagens  pela  participação  em  congressos  outros  eventos  científicos",  sem  apresentar  qualquer  documentação  que  comprove esta alegação, concluímos que o fiscalizado:  Fl. 712DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 713          16 14.1  obteve  disponibilidade  de  renda  no  exterior  nas  datas  e  valores relacionados no item 12.2;  14.2  não  comprovou,  com  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem desses recursos;  14.3  omitiu  as  informações  referentes  ao  recebimento  dos  recursos à Secretaria da Receita Federal.  Nesse  panorama,  penso  que  a  tentativa  de  comprovação  da  origem  dos  recursos mediante alegações genéricas e  em descompasso com o disposto na “Descrição dos  Fatos e Enquadramento Legal” também não merece acolhida.  Valores inferiores a R$ 12.000,00 cujo somatório não ultrapassou o montante  de R$ 80.000,00 dentro de cada ano­calendário  O Recorrente alega que a Fiscalização deixou de seguir os ditames do art. 42,  § 3º,  II, na medida em que os créditos de valor  individual a R$ 12.000,00, dentro do mesmo  ano­calendário, não ultrapassaram R$ 80.000,00.  Sobre este ponto, adiro aos fundamentos delineados no voto do Conselheiro  Marcio Henrique Sales Parada, quando do julgamento do recurso voluntário interposto no bojo  do Processo nº 10830.006852/2006­95, cujo sujeito passivo era a filha do Recorrente, co­titular  da  conta  "Shorcut".  Assim,  evita­se  decisões  conflitantes  dentro  da  mesma  Turma  de  julgamento e a preserva­se a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ CSRF.  São deles as palavras abaixo:  Entretanto,  verifico  que  há  um  rol  de  depósitos  dentro  dos  limites  do  art.  42,  §  3º,  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  os  quais  não  poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa  previsão legal, conforme interpretação dada pela Súmula CARF  nº 61:  Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores  a R$ 12.000,00  (doze mil reais),  cujo  somatório não ultrapasse  R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano­calendário, não podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física.  Apesar de entender que a leitura sistemática do artigo 42 da Lei  nº  9.430,  de  1996,  na  ordem  em  que  se  apresentam  seus  parágrafos, impende à conclusão de que esses limites referem­se  à  conta  corrente  e  não  a  cada  co­titular  (após  divisão  proporcional  dos  valores),  curvo­me  ao  entendimento  já  expresso  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  deste  CARF, em observância aos princípios da eficiência, segurança e  confiança dos julgamentos administrativos. Neste sentido, cite­se  o  Acórdão  9202­002.621,  proferido  justamente  para  resolver  divergência  entre  entendimentos  de  Câmaras/Turmas  do  Conselho,  julgado  na  sessão  de  23  de  abril  de  2013,  que  foi  assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF   Fl. 713DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 714          17 Ano­calendário: 2001   IRPF.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  ORIGEM  COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES.  Os  limites  legalmente  estabelecidos  para  a  tributação  de  depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996,  art.  42,  §  3ª,  II)  devem  ser  aplicados  de  modo  a  respeitar  a  devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta.  A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo  desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta.  Recurso especial negado   Naquele voto, explicou o Relator:  Entendo que a melhor aplicação do dispositivo, no caso de conta  conjunta (de dois  titulares,  in cant) está em somar os depósitos  de  valor  nominalmente  inferior  a  R$  12.000,00;  dividir  essa  soma por 2; verificar se o resultado ultrapassa R$ 80.000,00; se  não  ultrapassar,  excluir  os  depósitos  de  valor  inferior  a  R$  12.000,00 da atribuição proporcional.  Assim,  devem  ser  excluídos  da  tributação,  por  ano­calendário,  os  seguintes  depósitos:   Ano­calendário de 2001: R$ 8.044,74;   Ano­calendário  de  2002:  R$  2.384,00  +  R$  10.201,53  +  R$  8.919,39  R$  10.637,32 + R$ 2.127,47 = R$ 34.269,71;  Ano­calendário de 2003 : R$ 6.746,46 + R$ 6.750,03 + 4.884,33 + R$ 762,34  = R$ 19.143,16;  Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício  Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de  determinadas condutas, torna­se importante investigar se a penalidade prevista para punir uma  delas pode absorver a outra.  No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnê­leão  pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do ano­calendário.  A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda.  Com efeito, o bem jurídico mais  importante é, sem dúvida, a efetividade da  arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano­calendário,  e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê­ leão.  Em  se  tratando  de  aplicação  de  penalidades,  aplica­se,  aqui,  a  lógica  do  princípio  penal  da  consunção.  Pelo  critério  da  consunção,  ao  se  violar  uma  pluralidade  de  normas, passando­se de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso  em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave.  Fl. 714DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 715          18 Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de  recolhimento  mensal  do  imposto  de  renda  devido  a  título  de  carnê­leão  concomitantemente  com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes  no exterior. Cobra­se apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido.   Acrescento  que  a  cobrança  da  multa  isolada  referente  aos  rendimentos  sujeitos  ao  carnê­leão,  concomitantemente  com  a  multa  de  ofício  de  75%,  penaliza  o  contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas.  A  jurisprudência  deste Conselho  é pacífica  em  relação  a não  imputação  de  dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse  sentido, oportuna é a  transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202­ 002.073,  proferido  pela Câmara Superior  de Recursos Fiscais,  na  sessão  de  22  de março  de  2012,  por  intermédio  do  qual  se  negou  provimento  a  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria da Fazenda Nacional:  “O  entendimento  que  tem  prevalecido  é  o  de  que  havendo  lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de  lançamento de ofício  juntamente com o  tributo  (multa de ofício  normal),  não  havendo  que  se  falar  na  aplicação  de  multa  isolada.  Por  outro  lado,  quando  o  imposto  apurado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  houver  sido  pago,  mas  havendo  omissão  quanto  ao  recolhimento  do  carnê­leão,  dever  ser  lançada a multa isolada, e somente ela”.  Na mesma linha: Acórdão nº 9202­001.976 da CSRF.  Em  resumo:  a  denominada  "multa  isolada"  do  art.  44,  II,  “a”  da  Lei  nº  9.430/1996  apenas  deve  ser  aplicada  aos  casos  em  que  não  possa  ser  a  multa  exigida  em  conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento  concomitante das multas de ofício e isolada.  Conclusão  Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base  de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no ano­calendário de 2001, R$ 34.269,71 no  ano­calendário de 2002, R$ 19.143,16 no ano­calendário de 2003 e para cancelar a aplicação  da multa isolada no valor de R$ 30.519,24.   Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                            Fl. 715DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/2006­30  Acórdão n.º 2801­003.912  S2­TE01  Fl. 716          19     Fl. 716DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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