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Numero do processo: 13888.900421/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2011
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.459
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2011 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/08/2011 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 04 21 /2 01 4- 50 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.900421/201450 Acórdão n.º 3302004.459 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14050.578. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.900421/201450 Acórdão n.º 3302004.459 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900421/201450 Acórdão n.º 3302004.459 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907329/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 29 /2 00 9- 54 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.907329/200954 Acórdão n.º 1402002.582 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.907329/200954 Acórdão n.º 1402002.582 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.907329/200954 Acórdão n.º 1402002.582 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907329/200954 Acórdão n.º 1402002.582 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907329/200954 Acórdão n.º 1402002.582 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001158/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/08/2002 a 31/01/2006
IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO.
Exigível o imposto, na saída do produto do respectivo estabelecimento produtor, ainda que com finalidade de venda subseqüente ao exterior, salvo, valendo-se da suspensão legal permitida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-003.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Renato Vieira de Ávila, que votaram pela conversão em diligência.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila (Suplente).
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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STERN COMÉRCIO E INDÚSTRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2002 a 31/01/2006 IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. Exigível o imposto, na saída do produto do respectivo estabelecimento produtor, ainda que com finalidade de venda subseqüente ao exterior, salvo, valendose da suspensão legal permitida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Renato Vieira de Ávila, que votaram pela conversão em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 58 /2 00 7- 09 Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 18471.001158/200709 Acórdão n.º 3401003.797 S3C4T1 Fl. 1.662 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, lavrado e cientificado pessoalmente em 30/08/2007 (fls1. 600/603), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$1.102.902,98, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, por glosas de créditos indevidos, provenientes de estornos de impostos lançados na saída de produto do estabelecimento industrial (inc. II, art. 2º, da Lei nº 4.502/1964), no período compreendido entre 08/2002 a 01/2006, segundo Termo de Constatação Fiscal TCF, às fls. 592/594. No TCF, restou consignado tratarse de fiscalização de IPI, levada a efeito em contribuinte, com atividade principal de fabricação e comercialização de artigos de joalheria de uso pessoal e domestico, cuja matriz tem como característica a remessa de mercadorias, com destaque de IPI, para seus estabelecimentos varejistas, onde os mesmos são comercializados, inclusive para clientes estrangeiros, nesses casos, estornandose os valores do IPI registrado da escrituração, em razão das vendas de mercadorias à clientes estrangeiros ser equiparada a exportação e beneficiária da imunidade do tributo (art. 18, inc. II, do RIPI/2002). Tais procedimentos adotados pelo contribuinte foram considerados em desconformidade com a legislação vigente do IPI, não tendo sido informada ou encontrada a base legal para a realização dos respectivos estornos, a ação não foi aceita pela fiscalização e os valores do IPI, considerados a titulo de estorno por vendas a clientes estrangeiros, foram lançados de ofício. Afirma, ainda, a acusação fiscal ser necessário que a empresa apresente cada nota fiscal de remessa para o estabelecimento comercial, vinculada a respectiva nota de venda ao cliente estrangeiro, fato que a empresa não logrou comprovar, e ainda, se as vendas eram de destinação ao exterior, visto não ficar comprovado, simplesmente, pelo fato do comprador pessoa física ser estrangeiro. Cientificada pessoalmente do Auto de Infração, em 30/08/2007 (fl. 600), apresentou Impugnação, em 28/09/2007 (fls. 612/630), na síntese da decisão recorrida, verbis: "O impugnante ressalta que atua na industrialização, comercialização, importação e exportação de artefatos derivados de pedras e metais preciosos, dentre outros, contando com mais de 62 anos no mercado joalheiro. Relata que a fiscalização, apesar de reconhecer o cabimento dos estornos dos débitos lançados para as mercadorias exportadas, justificou a autuação pela falta de informação da respectiva previsão legal e pela falta de comprovação das alegadas exportações, independentemente da possibilidade de realização dos estornos. O impugnante discorda dessas afirmações, passando a sustentar seus pontos de vista. Com esse propósito, a defesa esclarece que a industrialização de suas mercadorias é realizada na matriz, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o nº 33.388.943/000192, com a conseqüente transferência para os estabelecimentos varejistas, com o devido destaque de IPI nas notas fiscais. Na seqüência, a filial destinatária, ao realizar uma operação de exportação, amparada no art. 153, § 3°, III, da Constituição da República, combinado com os arts. 18, II, do RIPI de 1998 e 18, II do RIPI de 2002, torna indevido, na visão da defesa, o 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 18471.001158/200709 Acórdão n.º 3401003.797 S3C4T1 Fl. 1.663 3 lançamento do IPI, realizado na transferência para a filial, o que justificaria o respectivo estorno. O impugnante pormenoriza o procedimento adotado, nos seguintes termos: 1) saída da matriz, estabelecimento industrial, a titulo de transferência para filial nãocontribuinte do IPI; 2) o IPI era registrado como custo da mercadoria e não era recuperável uma vez que uma etapa de sua cadeia de tributação se encerrava na transferência; 3) a filial, no entanto, em alguns casos, promovia uma saída não tributada, através da exportação; 4) a exportação é desonerada do IPI, motivo pelo qual a saída da matriz também deveria ter sido desonerada do imposto; 5) para corrigir essa distorção e considerando que a nota fiscal com destaque do imposto já havia sido emitida, o impugnante promovia o estorno do respectivo débito em relação à contabilização do mencionado custo. Segue o interessado, dizendo que a retificação do lançamento contábil consiste no processo técnico de correção de um registro realizado com erro na escrituração da entidade, sendo que uma das formas para se obter esta retificação é justamente através do estorno, a teor do que determina o art. 269, §2°, do RIR de 1999, e a Resolução 596 CFC/85, a qual aprovou a NBC T2.4. Adiante, o interessado empenhase em demonstrar a ocorrência das exportações dos produtos, discorrendo, em copioso arrazoado, sobre aspectos cambiais dessas operações. Para comprovação das alegações de defesa, o interessado afirma que seria imprescindível apresentar, caso a caso, a nota fiscal de transferência da indústria para o varejista, com o lançamento do IPI, bem assim a nota fiscal de venda para o exterior, com o registro de exportação e o respectivo despacho, além da ficha referente ao estorno do livro de apuração do IPI. Contudo, embora o impugnante tenha realizado esse procedimento apenas até o ano de 2003, o volume de documentos é muito grande, porque atualmente há em torno de 90 pontos de venda em todo território nacional, inviabilizando a apresentação no presente processo. Pelas razões expostas, o impugnante anexa três exemplos da operação de estorno, relacionando os documentos comprobatórios antes descritos, com respeito a três filiais distintas, em um período de referência. Exposta essa particularidade, requer a produção de prova pericial, com fulcro no art. 16, III, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, no sentido de que sejam analisados os documentos e livros fiscais comprobatórios das alegações de defesa, os quais se encontram disponíveis para a análise da autoridade administrativa competente na Rua São Luiz Gonzaga, 825, Freguesia de São Cristóvão, em dia e hora, previamente informando a impugnante, para viabilizar a separação de todos os documentos e facilitar a diligência. Nesse contexto, o interessado indica para o mister de assistente técnico, a Senhora Ana Paula Coelho de Freitas Bastos, portadora da cédula de identidade no 099307753, expedida pelo Detran/RJ, inscrita no Cadastro das Pessoas Físicas sob o no 037.402.30770, com endereço na Rua São Luis Gonzaga, 825, São Cristóvão, Rio de Janeiro/RJ. Os quesitos a serem respondidos achamse relacionados nas fls. 628 a 630. No arremate, a defesa pede o cancelamento da exigência." (grifei) A decisão de primeira instância, proferida em 20/02/2014 (fls. 1615/1619), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 18471.001158/200709 Acórdão n.º 3401003.797 S3C4T1 Fl. 1.664 4 Período de apuração: 31/08/2002 a 31/01/2006 FATO GERADOR DO IMPOSTO. Nas saídas no mercado interno, do estabelecimento produtor para estabelecimento varejista da mesma pessoa jurídica, é devido o IPI, não havendo previsão para estorno do imposto debitado na escrita fiscal do estabelecimento produtor, na hipótese de posterior exportação pelo estabelecimento varejista. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. Indeferese requerimento de perícia tendente a esclarecer matéria de fato incontroversa, a qual foi subsumida na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 1626), em 10/06/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 1630/1645, em 09/07/2014, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação, em razões recursais divididas em tópicos: 1) Da operação; 2) Da não incidência do IPI na exportação; 3) Da comprovação da exportação; 4) Da necessidade da conversão do julgamento em diligência. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche o requisito formal de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Da operação; Da não incidência do IPI na exportação; e Da comprovação da exportação Nesses pontos, conexos ao mérito, inicialmente, a ora recorrente, novamente, descreve a operação de transferência de mercadorias para suas filiais, com o destaque do IPI na nota fiscal, agora, estabelecendo uma distinção entre filiais exclusivamente varejistas (não contribuintes do IPI: imposto integra o custo) e filiais também atacadistas (contribuintes do IPI: imposto não integra o custo, assegurada a manutenção do crédito), essas últimas, equiparadas à industrial, por força do art. 9º, inc. VI, do RIPI/98, cadastradas no Siscomex via matriz e autorizadas à realizar operações de exportação, albergadas pela imunidade tributária, não existindo hipótese de incidência para fins de IPI sobre operação de exportação, entendendo descabida a autuação que diz respeito à saída do estabelecimento industrial para uma filial que realiza a exportação (fl. 1633), passando a discorrer sobre a não incidência do IPI na exportação, afirmando (fl. 1634), in verbis: Nesse aspecto da questão, parece a recorrente concordar com a decisão recorrida, em relação aos produtos destinados à exportação, sobre a alternativa existente à saída tributada das mercadorias pelo IPI, conforme fragmento do voto, abaixo transcrito (fl. 1618): Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 18471.001158/200709 Acórdão n.º 3401003.797 S3C4T1 Fl. 1.665 5 "Alternativamente, o art. 42, V, do mesmo RIPI de 2002 autoriza a saída com suspensão do imposto nas notas fiscais (sem débito, conseqüentemente) em relação aos produtos destinados a exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, ou para recintos alfandegados, ou para outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. O § 1º do mencionado art. 42 do RIPI de 2002 esclarece que se consideram adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 39)." (grifei) Porém, ainda que concorde com a existência de uma alternativa legal à saída tributada dos produtos destinados à exportação, insiste a recorrente numa terceira via, por ela mesmo criada, por uma questão de conveniência, afirmando (fl. 1634), in verbis: Além da conveniência, o procedimento de estorno do IPI lançado, atenderia ao princípio constitucional da isonomia, na medida em que os custos dos produtos seriam distintos entre as filiais, refletindo no IR e na CSLL, como se o princípio da autonomia dos estabelecimentos, aplicável ao IPI, fosse extensível aos tributos sobre o lucro e as filiais tributassem o resultado de forma individualizada, justificando o estorno (fl. 1637), in verbis: À conveniência e isonomia alegadas, contrapõese o princípio maior do estado de direito, em especial, nas relações jurídicotributárias: a legalidade. Não restam dúvidas, como esclarecido inicialmente no voto condutor da decisão recorrida (fl. 1618): "...que os procedimentos adotados pelo interessado estão em completa desconformidade com a legislação do IPI, porquanto, em se tratando de estabelecimento industrial, promoveu a saída de produto tributado pelo referido imposto, situação em que efetivamente ocorre o fato gerador do IPI, por força do que dispõe o art. 34, II, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI) de 2002, em vigor na época (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 2º)." Forte na autonomia dos estabelecimentos (art. 51, parágrafo único, CTN), no meu entendimento, no presente caso, não há uma terceira via para o IPI: ou a saída é com suspensão, para fins específicos de exportação, cumpridas as exigências da legislação específica; ou a saída é tributável. Para o estabelecimento industrial, não há nem mesmo que discutir se ocorreu ou não exportação, questão que seria objeto de prova, somente, no caso da saída com Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 18471.001158/200709 Acórdão n.º 3401003.797 S3C4T1 Fl. 1.666 6 suspensão, cumpridas as exigências da legislação, para fins específicos de exportação, o que efetivamente não ocorreu. Novamente, forte na autonomia dos estabelecimentos, o fato da comprovação da exportação, do Documento Especial de Exportação DEE e da matéria disciplinada no Decreto nº 92.472/90, não dizem respeito às saídas do estabelecimento industrial autônomo, mas, às saídas das filiais autônomas eventualmente exportadoras dos produtos. Absolutamente ilegal, não encontrando nenhum respaldo na legislação tributária nacional, dar saída à produto tributável, sem suspensão, com destaque do IPI na nota, depois, no caso de venda para cliente estrangeiro, estornar o lançamento, sob alegação de imunidade na exportação e, ainda, achar suficiente ao descabimento da autuação, provar a exportação, por todos os meios admissíveis em direito, rasgando toda a legislação que rege a matéria e criando um procedimento próprio por conveniência e isonomia entre suas filiais. Assim, no mesmo sentido da decisão recorrida, à vista disso, os estornos de débitos promovidos pelo estabelecimento industrial interessado ocorreram ao arrepio da legislação do IPI, restando correto o procedimento da fiscalização, de reverter os referidos estornos, lançando de ofício, os valores correspondentes, cuja exigência deve ser mantida. Da necessidade da conversão do julgamento em diligência Desde a impugnação, a recorrente requer a realização de perícia, objetivando mostrar a efetiva exportação dos produtos. Sem reparos ao concluído pela decisão recorrida, com respeito à perícia requerida pela ora recorrente, cumpre dizer, que se trata de medida absolutamente inócua para a solução do litígio, eis que não existe controvérsia a respeito das matérias de fato, seja porque, o fato objeto de prova é a saída de produto industrializado do respectivo estabelecimento produtor, fato incontroverso e subsumido à legislação de regência; seja por não ser objeto de prova o fato da destinação do produto à exportação. Como já afirmado, não há que discutir se ocorreu ou não a exportação, questão que somente seria objeto de prova, no caso de ter sido dada saída com suspensão para fins específicos de exportação, cumpridas as demais exigências da legislação, o que, de forma absoluta e incontroversa, não ocorreu. Assim, nos casos de exportação, onde a suspensão está condicionada à destinação do produto, dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse (inc. II, art. 37, Lei nº 9.532/97), cabendolhe provar a destinação dada à mercadoria, fazendo valer a suspensão inicial e o benefício final da não incidência. Notar que tratase de norma de exceção à regra matriz do art. 2º, da Lei nº 4.502/64: Constitui fato gerador do impôsto, quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. Se a saída não se deu com suspensão, mas, com destaque de IPI na nota fiscal e escrituração ordinária do fato gerador do imposto, inócua a prova da exportação, implemento de condição, a que estaria subordinada a suspensão, à resolver a obrigação tributária suspensa (art. 40 do RIPI/2002) Não há obrigação tributária suspensa, no presente caso, ao contrário, há obrigação tributária exigível e reconhecida nos documentos e registros contábeis e fiscais. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 18471.001158/200709 Acórdão n.º 3401003.797 S3C4T1 Fl. 1.667 7 De fato, a acusação fiscal afirma não demonstrada a exportação, argumento em acréscimo ao fato de não ter sido informada ou encontrada a base legal para a realização dos respectivos estornos, tendo sido a imputação feita por glosas de créditos indevidos, provenientes de estornos de impostos lançados na saída de produto do estabelecimento industrial (inc. II, art. 2º, da Lei nº 4.502/1964; inc. II, art. 32, do RIPI/1998; inc. II, art. 34, do RIPI/2002). Não há acusação sobre descumprimento de condições ou exigências da legislação na saída com suspensão para fins específicos de exportação, situação onde, alem das formalidades na emissão das notas fiscais de saída do estabelecimento produtor, exigese a prova da efetiva exportação, uma das condições à fruição do benefício da não incidência. E as condições são diversas, podendo sair com suspensão os produtos destinados à exportação que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532/97, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) recintos alfandegados; ou c) outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. Dentre as exigências, a emissão de nota fiscal de saída da indústria com a informação de imposto com suspensão: "Saído com Suspensão do IPI" (inc. III, art. 341, do RIPI/2002), no presente caso, ao contrário, o contribuinte demonstrou inequívoca intenção de dar saída tributável, inclusive, com destaque do IPI na nota fiscal e respectivo lançamento na escrituração, por tudo já dito, restando indevidos os estornos promovidos pelo estabelecimento industrial e inócua a conversão do julgamento em diligência, também, desnecessária, dentro do livre convencimento motivado, do art. 29 do PAF (Decreto nº 70.235/72). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1667DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001309/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. PROCEDÊNCIA.
Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, há de se manter a qualificação da multa aplicada.
DECADÊNCIA. DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, a contagem do prazo decadencial se subsume à hipótese do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, resolve conhecer dos embargos, dando-lhe efeitos infringentes para, suprindo as omissões constatadas na decisão embargada, completar seus fundamentos e seu dispositivo, dando parcial provimento ao recurso voluntário apenas em relação à decadência dos lançamentos de PIS, COFINS e IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos até novembro/2002 e do IRPJ e CSLL relativos aos períodos de apuração dos anos de 2001 e 2002. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. PROCEDÊNCIA. Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, há de se manter a qualificação da multa aplicada. DECADÊNCIA. DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, a contagem do prazo decadencial se subsume à hipótese do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, resolve conhecer dos embargos, dandolhe efeitos infringentes para, suprindo as omissões constatadas na decisão embargada, completar seus fundamentos e seu dispositivo, dando parcial provimento ao recurso voluntário apenas em relação à decadência dos lançamentos de PIS, COFINS e IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos até novembro/2002 e do IRPJ e CSLL relativos aos períodos de apuração dos anos de 2001 e 2002. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 09 /2 00 7- 20 Fl. 12863DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ lavrado contra o recorrente acerca de omissão de receitas relativas a recursos indevidamente mantidos no exterior e de PIS, COFINS, CSLL e IRRF reflexos decorrentes da mesma omissão. Da extensa análise realizada pela DRJ, resultou na seguinte decisão: Fl. 12864DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.928 S1C4T1 Fl. 12.864 3 Da decisão proferida pela DRJ o contribuinte apresentou recurso voluntário onde, novamente requereu a realização de diligência e a análise da extensa documentação apresentada assim como laudo de auditoria que, em seu entendimento, comprovaria que os recursos utilizados no Brasil não teriam sido omitidos de sua contabilidade. Após a realização de diligência para a análise dos documentos, foi emitida decisão pelo CARF no seguinte sentido: Novamente irresignado, agora contra a decisão do CARF, o contribuinte apresentou Embargos de declaração solicitando o seguinte saneamento da decisão: Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 12859/12861, no entanto a admissão dos embargos restringiuse aos itens ii e iii solicitados pelo contribuinte. Assim, realizaremos a análise sobre o mérito dos embargos apenas destes dois pontos. Fl. 12865DF CARF MF 4 É o relatório Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Passemos a realizar a análise dos pontos requeridos pela embargante e admitidos em despacho de admissibilidade. Quanto à reiteração do patrono em sustentação oral de que haveria a comprovação da origem dos valores, entendo que este está tentando que seja julgado novamente o mérito pela alegada obscuridade. O presidente desta câmara no despacho que acolheu os embargos não admitiu os embargos neste sentido. Esta também é minha opinião. O motivo principal da autuação foi analisado e, conforme voto vencedor emitido pelo Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos de fls. 12806/12816. No meu entender o voto vencedor ilustrou devidamente os fatos ocorridos e apresentou os elementos necessários à convalidação do seu entendimento. Tal entendimento foi aceito por maioria pela turma julgadora e, assim, demonstrase que houve o esgotamento da análise dos argumentos e fatos apresentados no recurso. Fl. 12866DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.928 S1C4T1 Fl. 12.865 5 1) Omissão da decisão recorrida relativamente à análise do afastamento da multa agravada de 150% Em relação à multa agravada assim tratou a decisão atacada sobre o caso: A decisão embargada efetivamente se omitiu a este respeito, em nada tratando a respeito do pedido de desqualificação da mesma. Devemos então considerar, neste ponto, que a qualificação da multa decorreu da verificação da prática reiterada de manutenção ilegal no exterior de recursos não declarados objetivando retardar ou impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação. No caso a qualificação da multa se demonstrou pelo processo de utilização de agentes de câmbio fora do sistema financeiro, para evitar o conhecimento das operações pelo Banco Central e a possibilidade de seu rastreamento. Ora, tais atos somente podem ser praticados com a efetiva intenção de obter vantagem com a participação de terceiros, tal ação importa em conluio para fraudar o pagamento de tributos, ação esta que está qualificada dentre as hipóteses de qualificação da multa. Com relação ao ponto em que o embargante alega que o termo de verificação foi omisso quanto à alegação de imposição da qualificação da multa, entendo que apesar de não constar no referido TVF não constar o detalhamento da imputação da qualificação, os fatos apresentados pelo fiscal demonstram que houve a ocorrência de fatos suficientes a demonstrar atos de fraude e conluio destinados a evitar a imposição tributária. Ora ao cometer as fraudes contra o sistema financeiro nacional, não há como se duvidar que estas mesmas fraudes concorreram para a configuração da omissão de receitas objeto da autuação. Não há como se dissociar as práticas realizadas pelo contribuinte neste caso. As fraudes concorreram para os dois delitos, tanto para os contra o sistema financeiro, quanto para com a legislação tributária e, assim, tem de ser sujeitas às punições em ambas as esferas. Assim, tal prática configura sim o intuito de fraude suficiente para aplicação das normas do art. 72, da Lei nº 4.502/64. Não vemos outra solução, senão a de manter a qualificação da multa de acordo com o decidido pela Decisão atacada verificada a conformidade da autuação da recorrente baseada na análise dos atos praticados ante à hipótese legal de qualificação. Fl. 12867DF CARF MF 6 2) Omissão da decisão recorrida relativamente à aplicação do art. 62, § 2º, do RI/CARF em face da existência de recurso repetitivo ( RESP 973.733/SC) que trata do assunto (decadência) Vejamos o que foi apresentado no voto relativamente à questão da decadência: Nada obstante, como fui vencido nesse entendimento, fui instado a me pronunciar sobre a questão da decadência. Como relatado, a DRJ havia proferido uma decisão (fls. 11338 a 11377) que reconhecia a decadência para o IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2000 e para o PIS, a COFINS e o IRRF dos anoscalendário de 2000 e 2001 (exceto, para este último, o mês de dezembro). No entanto, tal decisão foi cancelada e substituída por outra (antes da ciência do contribuinte), ao que tudo indica, porque a instância a quo resolveu abraçar uma tese segundo a qual o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso da hipótese prevista no artigo 173, I, do CTN, não poderia ter ocorrido antes de o Poder Judiciário autorizar o compartilhamento das informações bancárias do exterior com a RFB, ou seja, antes de 2004, de forma que o prazo de cinco anos para lançar teria se iniciado em 01/01/2005. Sem embargo, não concordo com essa tese. Quando constatado dolo (conforme entendimento da maioria da Turma), a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício, de acordo com a ressalva contida no § 4º do artigo 150 do CTN, deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do mesmo Código, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. Fl. 12868DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.928 S1C4T1 Fl. 12.866 7 Não há nenhuma previsão na lei sobre situações que impeçam o Fisco de ter conhecimento acerca dos fatos necessários para o lançamento. A própria conduta do contribuinte (dolosa, com fraude a lei ou simulação) tendente a impedir o Fisco de ter esse conhecimento já o penaliza com o deslocamento do termo do prazo decadencial para a regra do artigo 173, I. Portanto, uma vez vencido no mérito da questão principal, voto por acolher a decadência quanto aos períodos afastados pelo acórdão cancelado na DRJ (fls. 11338 a 11377). O entendimento da embargante a este respeito baseiase numa interpretação diferente apresentada pelo STJ, conforme abaixo: Fl. 12869DF CARF MF 8 Transcrevemos, abaixo, o teor da tese firmada com o referido aresto que se transformou na Súmula STJ nº 555. Fl. 12870DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.928 S1C4T1 Fl. 12.867 9 Eis o teor da Súmula aprovada pelo STJ 1.1.1.1 Súmula 555 1.1.1.2 Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO 1.1.1.3 Data do Julgamento 09/12/2015 1.1.1.4 Data da Publicação/Fonte DJe 15/12/2015 1.1.1.5 Enunciado Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Na verdade o embargante está, por meio destes embargos, tentando reviver a decisão da DRJ, já cancelada, de fls. 11442/11481 que, ao tratar da decadência, mesmo considerando a necessária aplicação do art. 173, do CTN, entendeu por considerar decaídos os lançamentos relativos a todos os fatos geradores do ano 2000. A decisão do STJ por ele mencionada não traz qualquer novidade acerca das hipóteses de contagem do prazo decadencial. Ocorre que referida decisão foi cancelada pela própria DRJ, antes mesmo da ciência à empresa, e substituída pela decisão de fls. 11483/11520, que não considerou decaído nenhum período objeto de lançamento. Entretanto, para efeitos práticos, efetivamente o acórdão do recurso voluntário não decidiu a este respeito. Portanto é necessário sanar a omissão e decidir acerca da ocorrência da decadência em relação aos débitos objeto de lançamento. Fl. 12871DF CARF MF 10 Neste sentido, com relação à aplicação da regra do art. 173, do CTN, não restam dúvidas quanto à sua possibilidade de aplicação. Até mesmo o embargante a admite, apenas considerando que o prazo seja contado do fato imponível. Por isso, cabe a esta câmara fixar o período de decadência para cada tipo de tributo, posto que diferentes são as contagens. De início verificase que o lançamento foi cientificado ao contribuinte apenas em 30/04/2008. A regra do art. 173, I, do CTN define que a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na decisão de Piso, objeto do Recurso Voluntário, àquela delegacia entendeu que, como no presente caso os recursos estavam no exterior, impedindo o conhecimento e ação do fisco, como, mais ainda, o juízo competente para a apuração dos ilícitos somente disponibilizou a documentação relativa às infrações cometidas em 29/04/2004, então considerou que somente no em 2004 os lançamentos poderiam ter sido realizados. Assim, considerou que o marco inicial do prazo de decadência somente ocorreu em 01/01/2005 e, assim, somente se encerraria em 31/12/2009. Efetivamente verificamos, por meio do despacho judicial de fls. 74/78, onde em seu item 26, consta a expressa autorização de compartilhamento das informações com a Receita Federal e Banco Central e COAF. Neste ponto, restanos produzir a seguinte análise: A norma do art. 173, I do CTN que autoriza a postergação do início da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, permite que este marco inicial seja considerado como o marco do conhecimento, por parte da Receita Federal, dos atos e documentos que configuram o ilícito tributário ou que este seria, em todos os casos, o genérico primeiro exercício após o encerramento do período de apuração do fato gerador do tributo. Ocorre que, infelizmente, não se pode interpretar a regra de decadência a partir da ocorrência de cada detalhe de cada processo. O prazo decadencial estabelece um marco a partir do qual a Fazenda Nacional não mais pode realizar lançamentos. Por óbvio a Lei não poderia prever todas as hipóteses futuras de irregularidades puníveis com o lançamento, entretanto, não pode o intérprete suprir esta impossibilidade da formação legislativa com a extensão da contagem do prazo decadencial desprovida de embasamento normativo. Até mesmo porque no caso da contagem da decadência já existe uma regra de extensão nos casos de dolo, fraude e simulação, regra esta já aplicável neste mesmo processo. Por tal razão, entendo neste processo ser cabível apenas aplicação da regra do art. 173, I do CTN, restando por considerados decaídos os autos de infração relativos aos seguintes períodos: Por isso, meu voto é no sentido de conhecer dos embargos para, suprindo as omissões constatadas na decisão embargada, completar seus fundamentos e dispositivo para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas em relação à decadência dos lançamentos de PIS, COFINS e IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos até novembro/2002 e do IRPJ e CSLL relativos aos períodos de apuração dos anos de 2001 e 2002. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 12872DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.928 S1C4T1 Fl. 12.868 11 Fl. 12873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13793.720067/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF.GLOSA. DESPESAS COM PAGAMENTO DE PENSÃO
Decisão judicial que não impõe o pagamento de pensão. As quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução são dedutíveis sob a forma de despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais.
Numero da decisão: 2202-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS COM PAGAMENTO DE PENSÃO Decisão judicial que não impõe o pagamento de pensão. As quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução são dedutíveis sob a forma de despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 3. 72 00 67 /2 01 5- 11 Fl. 122DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, acostado às fls. 06/10, relativo ao Exercício de 2014, ano calendário 2013, que diminuiu o imposto a restituir de R$ 1.046,46 para R$ 117,82. 2. O lançamento decorreu da apuração da seguinte infração: a) Dedução indevida de dependentes (R$ 4.127,28). Glosa dos dependentes, Stephanie Martins de Sousa e Karoline Martins de Sousa. 3. Cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, fl. 02/03, anexando os documentos de fls. 13/34. “Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES Nome: STEPHANIE MARTINS DE SOUSA. Valor da infração: R$ 2.063,64. Estou questionando o valor de R$ 2.063,64. A glosa é indevida, pois o dependente é filho(a) ou enteado(a) universitário ou que está cursando escola técnica de segundo grau, com idade até 24 anos. Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES Nome: KAROLINNE MARTINS DE SOUSA. Valor da infração: R$ 2.063,64. Estou questionando o valor de R$ 2.063,64. A glosa é indevida, pois o dependente é filho(a) ou enteado(a) universitário ou que está cursando escola técnica de segundo grau, com idade até 24 anos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 EMENTA Podem ser dependentes, para efeito do imposto sobre a renda, irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13793.720067/201511 Acórdão n.º 2202003.954 S2C2T2 Fl. 123 3 Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 79), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 81/82, no qual informa que Stephanie Martins de Souza e Karolinne Martins de Souza que constaram como dependentes são suas filhas. Requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Certidão de casamento e divorcio com Vilma Maria de Oliveira (fls.87); b) Certidão de Nascimento das filhas Stephanie Martins de Souza (fls.88) e Karolinne Martins de Souza (fls 89); c) Declaração e histórico escolar de Stephanie, fornecido pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) (fls.90/91) d) Declaração do CEFETMG Centro Federal de Educação Tecnológico de Minas Gerais) Diretoria de Ensino Superior sobre Karolinne Martins de Souza (fls. 95); e) Cópia do Divórcio com Vilma Maria de Souza, com a determinação das despesas escolares (fls. 96/98). f) Certidão de casamento com Luzia Alves Martins (fls. 102) g) Cópia das intimações da Receita Federal. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço De acordo com a DRJ " O contribuinte informou que detinha a dependência incluída no item “4” acima,ou seja, “irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho”. Mas, não apresenta documento comprovando a guarda em seu nome". Todavia, em seu recurso, o contribuinte esclarece que os valores deduzidos referemse às despesas com instrução de suas filhas Stephanie Martins de Souza e Karolinne Martins de Souza. Para provar a filiação e a obrigação de pagar as despesas com instrução promove a juntada, em grau de recurso, das certidões de nascimento (fls. 88/89), bem como histórico escolar e declarações das instituições de ensino. Como se vê pela sentença homologatória do acordo proferida pela 2ª vara de família e sucessões de Contagem/MG (fls. 99): As partes nesta assentada entabularam acordo com os seguintes termos: 1 o cônjuge varão arcará com as mensalidades Fl. 124DF CARF MF 4 escolares das duas filhas do casal, bem como com o plano de saúde das mesmas; 2 a guarda ficará com a cônjuge varoa, sendo que o cônjuge varão ficará com as filhas aos sábados e domingos das 08:00 ás 18:00, permanecendo o direito das filhas, caso queiram, de pernoitar com o pai; 3 o cônjuge varoa voltará a usar o nome de solteira; 4 as partes recíprocamente renunciam o prazo recursal e à pensão alimentícia; 5 os bens móveis serão partilhados posteriormente. Todavia, ainda que se admita as despesas com educação, é necessário que o Recorrente traga aos autos os comprovantes das referidas despesas. Isso porque as duas instituições de ensino mencionadas (CEFET e UFOP) são públicas. Além disso, o Recorrente menciona despesas com transporte, moradia, livros e materiais escolares que não estão abrangidas nas despesas com instrução, conforme se verifica pelo item 376 do "perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil: 376 O limite global para a dedução de despesas com instrução compreende somente o pagamento de mensalidade e anuidade escolar? Sim. Não se enquadram no conceito de despesas com instrução, por exemplo, as efetuadas com uniforme, transporte, material escolar e didático, com a aquisição de máquina de calcular e microcomputador. (Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, art. 92) Em face do exposto, nego provimento ao recurso, uma vez que a obrigação relativa ao pagamento de pensão alimentícia, não foi comprovada pela decisão judicial juntada aos autos. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001381/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 29/07/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 29/07/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 81 /2 01 0- 21 Fl. 256DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Erro material da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10715.001381/201021 Acórdão n.º 3402004.162 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que Fl. 258DF CARF MF 4 estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10715.001381/201021 Acórdão n.º 3402004.162 S3C4T2 Fl. 4 5 obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá Fl. 260DF CARF MF 6 pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000034/2003-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1990 a 31/03/1992
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
No presente caso, como o pedido foi apresentado após transcorridos mais de dez anos do fato gerador, não há o direito à restituição (Súmula CARF nº 91).
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.036
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente CRAI AGROINDUSTRIAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1990 a 31/03/1992 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). No presente caso, como o pedido foi apresentado após transcorridos mais de dez anos do fato gerador, não há o direito à restituição (Súmula CARF nº 91). Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 34 /2 00 3- 19 Fl. 450DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 310200.618, de 17/03/2010, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1990 a 30/11/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que ocorre com o pagamento, segundo o art. 168, I do CTN, com a interpretação autêntica do art. 3o da Lei Complementar n° 118, de 2005. Recurso Voluntário Negado. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao prazo prescricional para pleitear a restituição dos valores recolhidos a maior de Finsocial. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 30131.656, de 28/01/2005. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 442/444. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 446/448). É o Relatório. Voto Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13204.000034/200319 Acórdão n.º 9303005.036 CSRFT3 Fl. 451 3 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Consoante se demonstrou no seu exame, o recurso comprovou o dissídio jurisprudencial, uma vez que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que a contagem do prazo para pleitear a restituição dos valores de Finsocial recolhidos a maior iniciarseia da data do pagamento, o acórdão paradigma concluiu, ao trata do mesmo tributo, que o prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de sua alíquota seria de 5 (cinco) anos contados da data de 12/06/1998, quando publicada a Medida Provisória nº 1.62136/1998. O cerne da questão, portanto, diz com a extinção do direito de se pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação. No caso ora em exame, o tributo fora recolhido no período de fevereiro de 1990 a novembro de 1991. Como o pedido foi protocolado em 11/06/2003, a pretensão encerrava, para a Câmara baixa, direito já irremediavelmente fulminado pela prescrição, por aplicação do art. 168, I, do CTN. Ocorre que esta Corte administrativa vem chancelando, por imposição do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, o entendimento consolidado no âmbito do Poder Judiciário no sentido de que, aos pedidos formulados até 9/6/2005 – data da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 –, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação (como no caso), continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco”. À guisa de ilustração: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/1991 a 31/03/1992 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. Fl. 452DF CARF MF 4 NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. (Pleno da CSRF, Acórdão n.º 9900000.608, de 29/08/2012). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1991 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido. (Pleno da CSRF, Acórdão n.º 9900000.379, de 22/04/2013). Daí que a matéria encontrase hoje sumulada no Verbete nº 91 de jurisprudência do CARF: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”. Este entendimento, aliás, independe de o tributo ter ou não ter sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça STJ, nos autos do Recurso Especial nº 1.110.578/SP, julgado em 12/05/2010 (julgamento submetido à sistemática do art. 543C do CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13204.000034/200319 Acórdão n.º 9303005.036 CSRFT3 Fl. 452 5 de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (g.n.) Contudo, no caso em exame, ainda que o pedido de restituição tenha sido apresentado em data anterior a 9/6/2005, o prazo decenal quanto ao direito à restituição do Finsocial pago a maior em novembro de 1991 – último período de apuração objeto do pedido – já havia se extinguido ao final do ano de 2001, de modo que nada há o que restituir à Recorrente. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 454DF CARF MF 6 Fl. 455DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.902174/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 74 /2 01 2- 51 Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10820.902174/201251 Acórdão n.º 3401003.596 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10820.902174/201251 Acórdão n.º 3401003.596 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902174/201251 Acórdão n.º 3401003.596 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902174/201251 Acórdão n.º 3401003.596 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1082DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720064/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
PREÇO PARÂMETRO. INSUMO REVENDIDO E UTILIZADO NA PRODUÇÃO. APURAÇÃO.
No caso de insumo revendido e utilizado na produção o que implica na apuração do preço parâmetro com base no PRL-20 e PRL-60, deve prevalecer o maior valor obtido dentre os métodos utilizados, nos termos do § 4º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. que votaram por dar-lhe provimento parcial para cancelar a exigência apurada através do PRL-60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. PREÇO PARÂMETRO. INSUMO REVENDIDO E UTILIZADO NA PRODUÇÃO. APURAÇÃO. No caso de insumo revendido e utilizado na produção o que implica na apuração do preço parâmetro com base no PRL-20 e PRL-60, deve prevalecer o maior valor obtido dentre os métodos utilizados, nos termos do § 4º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. que votaram por dar-lhe provimento parcial para cancelar a exigência apurada através do PRL-60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 64 /2 01 1- 76 Fl. 7334DF CARF MF 2 PREÇO PARÂMETRO. INSUMO REVENDIDO E UTILIZADO NA PRODUÇÃO. APURAÇÃO. No caso de insumo revendido e utilizado na produção o que implica na apuração do preço parâmetro com base no PRL20 e PRL60, deve prevalecer o maior valor obtido dentre os métodos utilizados, nos termos do § 4º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. que votaram por darlhe provimento parcial para cancelar a exigência apurada através do PRL 60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Fl. 7335DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.335 3 Relatório Tratamse de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2006 nos montantes de R$ 8.175.905,21 e R$ 950.636,54 aí incluídos juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. A autuação foi decorrente de ajustes de preços de transferência. Foi constatado que a interessada utilizou, para apuração do preço parâmetro para efeito de ajuste de preços de transferência nas operações de importação com pessoas vinculadas, o método PRL 20 e PRL60. Na apuração pelo método PRL60, a fiscalizada não seguiu a IN/SRF nº 243/2010 o que implicou na apuração de diferenças tributáveis. Apurouse a utilização indevida do PRL20 para insumos que sofreram agregação de valor e deveriam ter sido submetidos ao PRL60 implicando no recálculo sob essa sistemática. Nas situações em que o mesmo insumo foi revendido e utilizado no processo produtivo, a Fiscalização utilizou a média ponderada dos preços parâmetro obtidos. Em impugnação a interessada tece as considerações abaixo sintetizadas: 1 Faz considerações sobre a forma correta de aplicação do método PRL60 e o princípio da estrita legalidade que teria sido ofendido pela IN SRF nº 243/2010 ao estabelecer metodologia em desacordo com a Lei nº 9.430/96; 2 O agente fiscal realizou os cálculos do preço praticado utilizando o valor CIF, com inclusão de fretes e seguros, e não pelo valor FOB que foi o efetivamente pago; 3 A Fiscalização desconsiderou a possibilidade de cálculo do PIC nos casos em desconsiderou o método adotado pela impugnante e lançou o tributo com base exclusivamente no PRL; 4 Por falta de amparo legal, não caberia a utilização da média aritmética ponderada quando a mesma matéria prima é revendida e utilizada no processo produtivo; 5 Houve apuração incorreta do valor do saldo inicial do estoque que deveria ter sido deduzido de outros elementos como frete interno, armazenagem, etc.; 6 Para fins de cálculo da quantidade a ser ajustada foram consideradas apenas as matérias primas contidas em produtos acabados e não levou em consideração os itens semielaborados; 7 Não houve consulta prévia sobre a dedução do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL; Fl. 7336DF CARF MF 4 8 Reclama pela conexão com o processo 13807.003144/200173 e requer que o julgamento seja sobrestado até julgamento definitivo daquele; e: 9 – Suscita a inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF prolatou o Acórdão 0365.505 pelo qual considerou a impugnação inteiramente improcedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória É o relatório. Fl. 7337DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.336 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado motivo pelo qual dele conheço. 1) Método PRL 60 – Lei nº 9.718/96 e IN/SRF nº 243/2010: Quanto ao método PRL60, a IN/SRF nº 243/2010 regulamentou o art. 18, da Lei nº 9.430/96 de forma a evitar distorções na apuração tendo como parâmetro principal o fato de que a operação a ser objeto de avaliação é a importação do insumo. Sob esse prisma, a sistemática de apuração deve ter como base uma fórmula com escopo na apuração do preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Registrese que, mesmo desconsiderandose a existência da IN/SRF nº 243/2010, a interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18, da Lei nº 9.430/96 mostrase equivocada. Isso porque, na visão do sujeito passivo, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Esse entendimento parte de uma leitura equivocada do inciso II do mencionado art. 18 abaixo transcrito (destaques acrescidos): II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Na redação do item 1, a utilização da contração gramatical da preposição ("de") com o artigo ("o") implica dizer que o valor agregado deve ser diminuído na apuração do preço parâmetro da mesma forma que os descontos, impostos e comissões; e não da margem de lucro como quer ver o sujeito passivo. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente sobre o preço de revenda após deduzidos os valores mencionados Fl. 7338DF CARF MF 6 Admitese que a redação do dispositivo não foi das mais felizes. Nesse sentido, vale transcrever as observações da PGFN com base em voto pelo I. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 [...] Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” . (grifos nossos) 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 7339DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.337 7 Assim, antes mesmo de se adentrar na proporcionalidade trazida pela IN/SRF 243/2010 já se pode definir como equivocada a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, na ótica até aqui exposta o ajuste obtido ainda merece aprimoramento. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Daí porque se justifica a aplicação da proporcionalidade regulamentada na IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12 que, além de deixar claro que não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No que se refere à ilegalidade da IN SRF 243/2010, o estudo da PGFN traz um comparativo com a revogada IN SRF nº 32/2001 para concluir que as opções interpretativas do art. 18 da Lei nº 9.430/96 conduzem à necessidade de regulamentação interpretativa mais específica sem que isso possa implicar em violação ao texto legal: [...] Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, Fl. 7340DF CARF MF 8 não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. [...] Alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa. O legislador pode muito bem reformular o texto legal apenas para não deixar dúvidas sobre a interpretação mais adequada de uma dada norma. Isso, de maneira nenhuma, significa que se deva interpretar o texto pretérito em sentido contrário. Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a CSRF tem reformado todas as decisões proferidas pela ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 como pode ser exemplificado pelo Acórdão 9101002.514, em julgamento recente. Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jurisprudencial determinada por Tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). Para corroborar os argumentos de que a IN SRF 243/2002 não traz qualquer ilegalidade ou aumento de carga tributária, trago, pelo caráter didádico, os exemplos contidos em forma de Anexos ao Acórdão 9101002.514: Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: Fl. 7341DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.338 9 VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: Fl. 7342DF CARF MF 10 PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%* VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLV) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Fl. 7343DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.339 11 Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 Interp. do Contrib. Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Fl. 7344DF CARF MF 12 ML = 60%*(PLVVA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLVML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV) 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLVMLVA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI → PP – ML, conforme art. 12, § 11, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI → PP, conforme art. 12, § 11, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI → PP 60%* PartBI → PP (3C) PParam = 40%* PartBI → PP, onde: PartBI → PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI → PP = %PartBI> PP*PLV, onde: %PartBI> PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI> PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Fl. 7345DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.340 13 Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat –40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. Fl. 7346DF CARF MF 14 No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI> PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Fl. 7347DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.341 15 Lei 9.430/96 Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 2) Exclusão dos valores referentes a frete e seguro no preço praticado: No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete e seguro na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada no § 4º, do art. 4º, da IN/SRF 242/2002, com a redação vigente na época dos fatos geradores. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, Fl. 7348DF CARF MF 16 seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Diferentemente do suscitado na peça de defesa, a jurisprudência administrativa recente consolidase na linha do entendimento aqui esposado, como se vê nos julgamentos recentes da CSRF: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. (Acórdão 9101002.317, sessão de 03/06/2016 ) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preçoparâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. (Acórdão 9101002.524, sessão de 12/12/2016) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. (Acórdão 9101002.512, sessão de 12/12/2016) Na impossibilidade de se utilizar o valor FOB como suscitado pela recorrente, as supostas diferenças de ajuste trazidas na peça de defesa não merecem respaldo. Recurso negado nesse item. Fl. 7349DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.342 17 3) Adequação do método: Em relação à adequação do método de apuração dos ajustes de preços de transferência a recorrente reclama nos seguintes moldes: Esclareçase de imediato que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização dos métodos adotados pela recorrente. A apuração feita pelo PRL não foi questionada pelo Fisco A divergência dirigiuse à sistemática de apuração e também, em casos específicos, a utilização do PRL20 quando se entendeu pela ocorrência de agregação de valor cabendo então o PRL60. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Mesmo que se pudesse suscitar da desconsideração de algum método o que, ratificase, não ocorreu, somente por abuso de interpretação se poderia extrair do texto legal, o corolário de que a fiscalização, ao desconsiderar um método adotado pelo sujeito passivo por descumprimento das normas, teria o dever de buscar o método mais favorável 4) Falta de previsão legal para adoção da média ponderada entre os métodos PRL20 e PRL60: Nesse item a defesa contesta a utilização da média aritmética ponderada nos casos em que o mesmo insumo importado é usado na produção de mais de um produto e também revendido. Segundo a interessada, deveria ter sido utilizado o menor preço parâmetro obtido. Nas situações onde o mesmo insumo importado é usado na produção de mais de um produto e também revendido, a Fiscalização utilizou o PRl20 ou o PRL60, conforme o caso e a seguir a média entre os preços parâmetros obtidos em cada método. Fl. 7350DF CARF MF 18 De fato, não há base legal para o procedimento adotado pelo Fisco. Ao contário, o § 4º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, deixa clara a dedutibilidade do maior valor apurado nos casos de utilização de mais de um método. Assim, em cada uma das apurações com utilização dos dois métodos, deve prevalecer o maior valor apurado. Sob essa ótica, em função do preço parâmetro apurado pelo método PRL20 ser maior que o preço praticado, não há ajustes a serem feitos para os produtos 505585302 e, e 511928279. Retirase da base tributável o montante de R$ 59.744,53 (R$ 49.944,21 + R$ 9.800,32). 4) Erro na apuração do saldo inicial de estoque: A interessada alega que na apuração do Fisco foi considerado o valor total lançado no estoque inicial sem levar em consideração que esse montante é composto por outros elementos que não correspondem ao valor de importação. Com raciocínio análogo àquele feito no item 2 deste voto, fica claro que o contribuinte considerou, na formação do preço de revenda, todos os custos por ela assumidos, que, agregados ao custo do produto importado, compuseram o valor do produto em estoque. Assim, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos. Para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a título de preço de transferência será nulo. Negase provimento ao recurso neste item. 5) Quantidade a ser ajustada – Produtos semielaborados: Nesse item a recorrente suscita que a Fiscalização, para fins de cálculo da quantidade a ser ajustada, teria considerado apenas as matérias primas contidas em produtos acabados e não levou em consideração os itens semielaborados. A decisão recorrida negou provimento à impugnação quanto a essa matéria, tendo em vista que a interessada não teria apresentado qualquer prova das alegações. Na peça recursal foi indicada uma tabela com indicação dos itens que supostamente teriam sido utilizados tanto para consumo como para a formação de produtos semielaborados. Dos itens mencionados, apenas dois foram objeto de ajuste pelo Fisco: 5 11928279 e 505585302. A defesa não se manifestou expressamente quanto ao item 5 05585302. Em relação ao insumo 511928279, a peça recursal afirma que a quantidade utilizada pela Fiscalização numa das operações (396) não levaria em consideração o fato de ter sido usado na produção de outro produto acabado. Pelo exame da planilha “Quantidade a ser ajustada” elaborada pela autoridade lançadora, verificase que o valor de 396 unidades foi computado numa operação de revenda e não na fabricação de produtos. Não há como acatar o pleito da defesa. Fl. 7351DF CARF MF Processo nº 16561.720064/201176 Acórdão n.º 1402002.506 S1C4T2 Fl. 7.343 19 A planilha foi elaborada com base em informações fornecidas pela recorrente em meio magnético e através de chaves de pesquisa utilizando o nome do insumo, obtendose aí todas as operações com ele realizadas. Correto, destarte o procedimento fiscal. 6) Utilização de saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL: Em sentido contrário ao suscitado pela recorrente, a dedução do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na base tributável não é uma opção mas dever da Fiscalização, pois o procedimento fiscal envolve fundamentalmente uma adequação do resultado apurado pelo sujeito passivo à norma tributária. Sob essa ótica, o resultado tributável deve se expurgado de resultados negativos apurados em períodos anteriores e ainda não utilizados. Seria estranha uma opção do sujeito passivo em pagar tributo sabendo que dispõe de valores dedutíveis que poderiam reduzir ou extinguir esse montante. No que se refere ao processo 16327.720456/201027, importa que esteja no mesmo estágio de julgamento que o presente. Sob essa ótica, o recurso voluntário lá interposto foi julgado improcedente pelo Acórdão 180100.160. Sendo assim, no momento deste julgamento não há qualquer fato que implique em alteração da apuração fiscal aqui realizada, no que se refere a saldo de prejuízos e de base de cálculo negativa da CSLL. Cabe apenas o registro de que a execução da presente decisão deve aguardar a apreciação do recurso especial interposto contra o Acórdão 180100.160 e aplicar aqui eventual mudança de entendimento lá ocorrido. 7) Juros de mora sobre a multa de ofício: A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado Fl. 7352DF CARF MF 20 à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). 8) Resumo; De todo o exposto, em resumo, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 7353DF CARF MF
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Numero do processo: 13154.000311/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. PESSOAS JURÍDICAS PRODUTORAS DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL. SOJA DESTINADA À ALIMENTAÇÃO HUMANA. BENEFICIAMENTO OBRIGATÓRIO.
A aquisição de soja de pessoas físicas, posteriormente destinadas à comercialização, também são aptas à geração do crédito presumido se - e somente se - restar demonstrado que se submeteram a processo industrial.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE VENDAS. CRÉDITO AUTORIZADO NO TEMPO PELA LEGISLAÇÃO.
A legislação veio a declarar o direito ao crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que somente entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MÉTODO PROPORCIONAL DE CÁLCULO.
Na determinação da proporcionalidade das receitas, para fins de cálculo do crédito presumido, considerando que se deve adotar receita de exportação e receita bruta, as receitas decorrentes de exportação de produtos de terceiros ingressam no dividendo na receita bruta de exportação e no divisor, como integrante da receita bruta. A vedação ao cálculo proporcional incluindo os produtos adquiridos de terceiros com destino a exportação apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo, conforme a tese que prevaleceu no julgamento.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ILEGALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF.
Não se conhece de argumento relacionado à ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei por ausência de atribuição ao CARF, conforme inclusive a Súmula 2 do CARF - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. CORREÇÃO COMENTÁRIA. TAXA SELIC.
A vedação à correção monetária dos créditos apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa em relação ao rateio proporcional (referente a créditos de exportação de produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação) e para admitir a atualização dos créditos decorrentes de tal afastamento de glosa, a partir do pedido, pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Jorge Freire quanto à correção pela taxa Selic. O Conselheiro Rosaldo Trevisan acompanhou o relator pelas conclusões em relação ao rateio e à taxa selic. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Jorge Freire acompanharam o relator pelas conclusões em relação ao rateio. O relator incorporou ao seu voto, na forma do art. 63, § 9º, do RICARF, os fundamentos lançados pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em relação ao rateio, os quais constituem a tese majoritária pelo voto de qualidade. Esteve presente ao julgamento o Sr. Everdon Schlindwein, CRC nº 018557/0-8 T-PR.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Luiz Rogério Sawaya Batista
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. PESSOAS JURÍDICAS PRODUTORAS DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL. SOJA DESTINADA À ALIMENTAÇÃO HUMANA. BENEFICIAMENTO OBRIGATÓRIO. A aquisição de soja de pessoas físicas, posteriormente destinadas à comercialização, também são aptas à geração do crédito presumido se - e somente se - restar demonstrado que se submeteram a processo industrial. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE VENDAS. CRÉDITO AUTORIZADO NO TEMPO PELA LEGISLAÇÃO. A legislação veio a declarar o direito ao crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que somente entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MÉTODO PROPORCIONAL DE CÁLCULO. Na determinação da proporcionalidade das receitas, para fins de cálculo do crédito presumido, considerando que se deve adotar receita de exportação e receita bruta, as receitas decorrentes de exportação de produtos de terceiros ingressam no dividendo na receita bruta de exportação e no divisor, como integrante da receita bruta. A vedação ao cálculo proporcional incluindo os produtos adquiridos de terceiros com destino a exportação apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo, conforme a tese que prevaleceu no julgamento. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ILEGALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. Não se conhece de argumento relacionado à ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei por ausência de atribuição ao CARF, conforme inclusive a Súmula 2 do CARF - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. CORREÇÃO COMENTÁRIA. TAXA SELIC. A vedação à correção monetária dos créditos apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. PESSOAS JURÍDICAS PRODUTORAS DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL. SOJA DESTINADA À ALIMENTAÇÃO HUMANA. BENEFICIAMENTO OBRIGATÓRIO. A aquisição de soja de pessoas físicas, posteriormente destinadas à comercialização, também são aptas à geração do crédito presumido se e somente se restar demonstrado que se submeteram a processo industrial. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE VENDAS. CRÉDITO AUTORIZADO NO TEMPO PELA LEGISLAÇÃO. A legislação veio a declarar o direito ao crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que somente entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MÉTODO PROPORCIONAL DE CÁLCULO. Na determinação da proporcionalidade das receitas, para fins de cálculo do crédito presumido, considerando que se deve adotar receita de exportação e receita bruta, as receitas decorrentes de exportação de produtos de terceiros ingressam no dividendo na receita bruta de exportação e no divisor, como integrante da receita bruta. A vedação ao cálculo proporcional incluindo os produtos adquiridos de terceiros com destino a exportação apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo, conforme a tese que prevaleceu no julgamento. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ILEGALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 03 11 /2 00 5- 80 Fl. 1385DF CARF MF 2 Não se conhece de argumento relacionado à ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei por ausência de atribuição ao CARF, conforme inclusive a Súmula 2 do CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. CORREÇÃO COMENTÁRIA. TAXA SELIC. A vedação à correção monetária dos créditos apenas entrou em vigor posteriormente aos fatos geradores constantes no presente processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa em relação ao rateio proporcional (referente a créditos de exportação de produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação) e para admitir a atualização dos créditos decorrentes de tal afastamento de glosa, a partir do pedido, pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Jorge Freire quanto à correção pela taxa Selic. O Conselheiro Rosaldo Trevisan acompanhou o relator pelas conclusões em relação ao rateio e à taxa selic. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Jorge Freire acompanharam o relator pelas conclusões em relação ao rateio. O relator incorporou ao seu voto, na forma do art. 63, § 9º, do RICARF, os fundamentos lançados pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em relação ao rateio, os quais constituem a tese majoritária pelo voto de qualidade. Esteve presente ao julgamento o Sr. Everdon Schlindwein, CRC nº 018557/08 TPR. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Ivan Allegretti. Relatório Considerando que o relator originário deste processo, Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, deixou o CARF antes da assinatura deste acórdão, valhome do disposto no art. 17, III, do RICARF1, para efetuar a formalização na condição de relator ad hoc. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3403003.658 S3C4T3 Fl. 6 3 Para tanto, valhome da minuta entregue pelo ilustre conselheiro por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "Trata o presente caso, de processo de declarações de compensação em formulário, protocoladas em 19/09/2005, de supostos créditos de PisNão Cumulativo de Exportação, relativos ao 1º trimestre de 2003, no valor de R$ 1.088.121,44. Em despacho decisório o crédito da Recorrente foi homologado em parte, reconhecendose o valor de R$ 771.060,22, afirmandose na decisão a não incidência de juros compensatórios. Crédito Presumido Agroindústria PIS Produção De acordo com a Autoridade Fazendária os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no país, quando aplicados na produção de mercadorias classificadas nos códigos NCM especificados no artigo 3º, § 10, da Lei nº 10.637/2002, geram crédito presumido da agroindústria. Em procedimento de diligência constatouse que a empresa compra de pessoas físicas soja em grãos, parte da qual é destinada à comercialização e parte à industrialização. Quando destinada à industrialização, a soja é transferida pelas filiais às unidades produtoras, CuiabáMT e ItacoatiaraAM, através da emissão de notas fiscais de transferência para industrialização. O montante transferido corresponde a insumos utilizados na produção, sobre o qual é apurado o crédito presumido (fls. 949, item 6, 545/596). Dessa forma, a Autoridade Fazendária apenas admitiu o crédito presumido dos valores de insumos transferidos para a produção. Fretes sobre Vendas 01.02.2004 Sobre os fretes sobre vendas, a Lei nº 10.637/2002, a Autoridade Fazendária aduziu que a Lei ao disciplinar a contribuição para o PIS – Não Cumulativo, relaciona em seu artigo 3º todas as hipóteses geradoras de créditos, dentre as quais não constam serviços de fretes nas operações de vendas. As despesas com frete nas citadas operações, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, somente foram admitidas na base de cálculo dos créditos básicos pelo artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, cujos efeitos foram estendidos através do artigo 15 c/c artigo 93 às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência nãocumulativa do PIS/PASEP a partir de 01/02/2004. E por essa razão os fretes nas operações de venda, classificados nos CFOPs 1353/2353 – Aquisição de Serviço de transporte por Estabelecimento Comercial, não podem figurar na base de cálculo dos créditos básicos de PIS anocalendário 2003 por inexistência de autorização legal, conforme acima explanado (fls. 753/803, 954, item 8.1). Compras com fim específico à exportação (exportação de terceiros) atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1387DF CARF MF 4 Conforme a Autoridade Fazendária, com relação às exportações de terceiros, prevê o artigo 5º, caput e § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que as empresas que efetuarem vendas a comercial exportadora com o fim especifico de exportação estão desoneradas das contribuições para o PIS, podendo utilizar os créditos vinculados àquelas receitas na dedução do valor da contribuição a recolher, compensação com outros débitos administrados pela RFB ou ressarcimento em espécie. Concluise assim que as empresas que recebem com fim especifico de exportação e exportam não podem calcular créditos vinculados a referidas operações, pois a mesma mercadoria não pode gerar benefício de exportação novamente. Nesse sentido, o artigo 6º, § 4º da Lei nº 10.833/2003, aplicável à contribuição para o PISnão cumulativo segundo artigo 15 da mencionada norma, veda a apuração de créditos vinculados à receita de exportação pelas empresas comerciais exportadoras nas hipóteses de aquisição de mercadorias com o fim especifico de exportação. No despacho decisório, a DRF afirmou que os procedimentos de diligência e o serviço de fiscalização por ela constatado demonstrou que em 2003 o interessado realizou operações de compra com fim especifico de exportação em volume incompatível com as vendas classificadas no CFOP 7501 – Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação (exportação de terceiros). Intimado a informar os valores mensais das exportações de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação (fls. 933/934) o contribuinte alegou não dispor dessa informação. Dessa forma, foi feita solicitação de cálculo cujo valor estimado com base nas informações disponíveis, atendida mediante apresentação de demonstrativos por produto e consolidado anexados às folhas 935/940. Como no referido demonstrativo consolidado a empresa considerou que todas as mercadorias recebidas com fim especifico de exportação saíram no próprio mês, o diligenciador promoveu ajustes a fim de distribuir os valores proporcionalmente às receitas de exportação de cada mês, evitando assim distorções (fls. 952, item 9). Após citados ajustes, foram obtidos novos montantes a título de receitas de exportação de terceiros, tendo sido apurados percentuais distintos de rateio dos créditos vinculados à exportação. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, após relato dos fatos e de discorrer sobre o histórico legal da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, alegou que: i) São desenvolvidas atividades de produção de mercadorias para a alimentação humana e animal, conforme processo descrito; ii) As mercadorias e o processo produtivo enquadramse nas disposições legais, fazendo jus a contribuinte ao crédito presumido de que trata o § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; iii) O cálculo do “crédito presumido da agroindústria” foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei nº 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM; iv) Não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicados a mercadorias exportadas, Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3403003.658 S3C4T3 Fl. 7 5 não podendo a Receita Federal restringir o benefício por conta de instruções normativas, portarias ou atos declaratórios; v) Não há expressa proibição do crédito relativo a fretes sobre vendas, não prosperando a restrição efetuada; vi) A intenção do legislador ao introduzir a norma contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 era estabelecer dúvidas de interpretação, uma vez que já estava claro que o benefício em questão visa desonerar de tributos todas as mercadorias nacionais exportadas de forma direta ou através de empresas comerciais exportadoras; vii) Foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte; viii) Os créditos devem ser corrigidos pela Selic; ix) Requer que seja suspensa a exigibilidade dos débitos. A DRJ decidiu por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto a tempestividade, a DRJ diz que o litígio a ser discutido por versar somente sobre a decisão anterior do delegado ou inspetor no que tange ao nãoreconhecimento do direito creditório ou à nãohomologação da compensação, não cabe manifestação sobre a suspensão de exigibilidade do crédito tributário indicado para compensação. Esta decorre de lei, e deve ser operacionalizada pelo órgão a quo: a delegacia ou inspetoria da Receita Federal da circunscrição do sujeito passivo. Quanto a inconstitucionalidade e ilegalidade arguidas pelo contribuinte sobre atos emitidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo ao assunto, cabe salientar que a atividade do agente do fisco é absolutamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência à lei e às normas infralegais. Desde que haja norma formalmente editada, encontrandose em vigor, cabe o seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Quanto ao mérito, como pode ser visto no despacho decisório, as glosas de créditos ocorreram em face de: a) Divergências de valores de crédito presumido agroindústria; b) Inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas; c) Ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação. Relativamente a letra “a”, a contribuinte alegou que o cálculo do “crédito presumido agroindústria” foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei nº 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da Fl. 1389DF CARF MF 6 aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 11 da NCM. Além disso, que não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicadas a mercadorias exportadas. A produção há de ser empreendida pela própria contribuinte. Adquiridos os produtos de pessoas físicas, há que ser efetuada uma segregação de forma a permitir a identificação de que tais produtos foram utilizados no processo próprio, após o qual as mercadorias poderiam ser utilizadas na alimentação humana ou animal. Entretanto, na manifestação não há qualquer demonstrativo quanto a isso, mas uma alegação geral e equivocada de que não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicados a mercadorias exportadas. O equívoco está em que, nesses casos, o crédito só pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep devida em cada período de apuração. No que tange a letra “b”, os argumentos da contribuinte foram de que não há expressa proibição do crédito relativo a fretes sobre vendas, não prosperando a restrição efetuada e que a intenção do legislador ao introduzir a norma contida no inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 era esclarecer dúvidas de interpretação, uma vez que já estava claro que o benefício em questão visa desonerar de tributos todas as mercadorias nacionais exportadas de forma direta ou através de empresas comerciais exportadas. Portanto, vêse que o art. 15 da Lei nº 10.833/2003 não é meramente interpretativo, não tendo efeito retroativo. Dessa forma, o crédito nesses casos (frete na operação de venda) só é possível a partir de 1º de fevereiro de 2004. Por fim, quanto à letra “c”, alegou a contribuinte que foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, diferentemente do adotado pela contribuinte. Quanto ao assunto, apontou o auditor responsável pela diligência que as entradas e saídas de mercadorias adquiridas com o fim especifico de exportação não podem afetar o cálculo das operações de exportação que geram direito a crédito. E, pela verificação por ele efetuada, havia um grande volume de compras com o fim especifico de exportação sem contudo um volume correspondente de saídas (exportações) dessas mercadorias. Foi solicitado à contribuinte que informasse os valores mensais dessas saídas, não tendo havido sucesso. Em face disso, houve nova solicitação para que fosse informado o valor das entradas (aquisições com o fim especifico de exportação), o valor das saídas e o preço médio das vendas (demonstrativos às fls. 933 a 940). Ocorre que nesse demonstrativo a contribuinte considerou que todo o volume de mercadorias adquiridas com o fim especifico de exportação saiu (foi exportado) no próprio mês da aquisição. Nos documentos apresentados não havia como se apurar o valor dessas saídas, mês a mês. Tendo em vista essa situação, o auditor procedeu da forma mais favorável à contribuinte, distribuindo o valor das exportações das mercadorias recebidas com esse fim específico proporcionalmente ao das receitas de exportação em casa mês. Por fim, relacionado a aplicação da taxa Selic, a DRJ diz que a forma de apuração de créditos, bem como sua valoração, devem observar o contido nas instruções Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3403003.658 S3C4T3 Fl. 8 7 normativas. No caso especifico a IN SRF nº 460/2004 (art. 51, § 5º) e as que lhe sucederam (IN SRF nº 600/2005, art. 52, § 5º, e IN SRF nº 900/2008, art. 72, § 5º), que prescrevem que não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que reitera os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório." Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator ad hoc Para o fim de formalizar o presente acórdão, adoto os fundamentos lançados pelo ilustre relator originário na minuta por ele entregue na ocasião do julgamento, in verbis: "O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A matéria controvertida está bem delineada nos presentes autos, restringindo se: (i) divergências de valores de crédito presumido agroindústria; (ii) inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas; e (iii) ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação. Crédito a Agroindústria Pois bem. No tocante ao crédito presumido da agroindústria, a discussão reside no fato de que a Autoridade Fazendária apenas considerou os estabelecimentos produtores da Recorrente, para os quais remetida produtos mediante nota de transferência (CuiabáMT e ItacoatiaraAM). Isso porque, a Recorrente, conforme afirmado pela Autoridade Fazendária, em seu Despacho Decisório (fls. 1017 Vol. V), adquire de pessoas físicas soja em grãos e destina parte para industrialização e parte para comercialização: Em procedimento de diligência constatouse que a empresa compra de pessoas físicas soja em grãos, parte da qual é destinada à comercialização e parte à industrialização. Quando destinada à industrialização, a soja é transferida pelas filiais às unidades produtoras, CuiabáMT e ItacoatiaraAM, através da emissão de notas fiscais de transferência para industrialização. O montante transferido corresponde a insumos utilizados na produção, sobre o qual é apurado o crédito presumido (fls. 949, item 6, 545/596). Aduz a Recorrente que faz jus ao crédito presumido em relação à totalidade de suas aquisições, não apenas àquelas destinadas à industrialização propriamente dita, pois a Fl. 1391DF CARF MF 8 soja adquiria para comercialização (exportação) passaria por processo de beneficiamento, equiparado a uma produção. Sem esse beneficiamento, ressalta a Recorrente, seria impossível que o produto se destinasse à alimentação humana ou animal, sendo condição para exportação, e que, portanto, a Recorrente preencheria todos os requisitos para a utilização do crédito presumido, pois seria pessoa jurídica produtora das mercadorias constantes nas classificações fiscais relacionadas pela legislação (capítulos 8 a 12, 23 e 15.07 da NCM), sendo que tais mercadorias se destinam à alimentação animal. Com efeito, a redação então vigente da Lei nº 10.637/2002, mais especificamente, o parágrafo 10 do artigo 3º , efetivamente tratou do crédito presumido a agroindústria, posteriormente veiculado pela Lei nº 10.925/2004, dispondo expressamente que o referido crédito cabe às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal sobre o valor dos bens e serviços utilizados referidos no inciso II, do artigo, que, por sua vez, dispõe sobre: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3403003.658 S3C4T3 Fl. 9 9 II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Nessa linha de raciocínio, nada mais natural do que adotar os estabelecimentos produtores da Recorrente como aptos à geração do crédito presumido do PIS, conforme procedido pela Autoridade Fazendária. Contudo, assiste razão parcial à Recorrente, pois as mercadorias destinadas à comercialização também são aptas à geração do crédito presumido se e somente se restar demonstrado que se submeteram a processo industrial. Desse modo, o ponto controvertido reside no saber se a Recorrente beneficia ou não a soja adquirida de pessoas físicas que é remetida aos estabelecimentos diversos de (CuiabáMT e ItacoatiaraAM). Pois bem. Conforme o disposto no artigo 4º no Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, o beneficiamento constitui uma das formas de industrialização, pois modifica a utilização e o acabamento do produto (soja): Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 1393DF CARF MF 10 De acordo com a Recorrente, cuja qualificação como empresa agroindustrial é clara nos presentes autos, o beneficiamento da soja adquirida de pessoa física é um imperativo da própria legislação que exige a classificação dos produtos a serem destinados à alimentação humana ou animal. Contudo, não existe prova de que a soja remetida a outros estabelecimentos da Recorrente foi submetida a processo industrial pela Recorrente, pois uma vez que a Recorrente adquire soja de terceiros há a possibilidade que os vendedores a tenham industrializado, daí porque correto o julgamento da DRJ. Frete sobre Vendas Relativamente ao crédito de frete sobre vendas, a Decisão de primeira instância afastou o crédito presumido, sob o fundamento de que a legislação apenas veio possibilitar o crédito do PIS não cumulativo após a alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, pelo artigo 26 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Referido dispositivo passou a ter validade a partir da publicação da Lei, ocorrida em 30 de novembro de 2004, porém em razão da alteração do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, que, por sua vez, entrou em vigor em 1 de fevereiro de 2004, válida a interpretação que passou a ter eficácia nesta data. Tendo em vista que os créditos da Recorrente se referem ao primeiro trimestre de 2003, eles não seriam alcançados pela então novel legislação, motivo pelo qual, na seara administrativa, não haveria como se reconhecer o pleito da Recorrente. O argumento de que o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 não proíbe expressamente o crédito é um tema muito debatido no âmbito do Carf, sobretudo quando se analisa o crédito de insumo. A respeito de crédito e, ainda, de frete tenho posicionamento particular, e venho adotando interpretação mais ampla, devidamente fundamentada, àquela majoritariamente adotada pelo Carf. De qualquer maneira, a interpretação sempre parte da legislação em vigor, emanando da Constituição em direção a patamares legais e infralegais presentes em andares inferiores do sistema normativo. Diversamente do que defende a Recorrente, não vejo como tal crédito possa ser entendido como uma espécie de insumo, uma vez que ele se dá posteriormente à fase em que se daria o beneficiamento, pela Recorrente. De qualquer maneira, não deixa de ser intrigante que a Lei nº 10.637/2002 e a 10.833/2003 apenas tenham previsto o crédito de frete sobre vendas a partir de 1 de fevereiro de 2004, o que me leva a questionar a forma de nãocumulatividade adotada pelo legislador. E nessa linha de raciocínio, acaso persistir o entendimento de que os contribuintes apenas teriam direito ao frente após 1 de fevereiro de 2004, como defendido pela Autoridade Fazendária, referido crédito acaba por se enquadrar como um verdadeiro favor fiscal, uma liberalidade do legislador ao permitir essa forma de creditamento, em vigor até os dias atuais. Não me parece que o crédito sobre frete seja uma benesse concedida pelo legislador, mas sim um imperativo do regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, daí Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3403003.658 S3C4T3 Fl. 10 11 porque, em meu pensar, a alteração legislativa teria efeitos apenas declaratórios e não constitutivos do direito da Recorrente. De qualquer maneira, o Regimento do CARF impede o reconhecimento desse crédito, pois se assim o fizer estaria negando vigência a dispositivo de Lei Federal, válido, e plenamente em vigor, daí porque no âmbito do presente processo administrativo há que ser mantida a Decisão da DRJ. Saídas de Mercadorias com fim específico de exportação (exportação de terceiros) De acordo com o Despacho Decisório, às fls. 1018/1019, o procedimento adotado pela Autoridade Fazendária para evitar "supostas" distorções, distribuiu as mercadorias proporcionalmente às receitas de exportação de cada mês, uma vez que, segundo seu entendimento, haveria um volume muito maior de compra com fim específico de exportação em comparação à própria exportação realizada: 20. Nos procedimentos de diligência o serviço de fiscalização desta delegacia constatou que em 2003 o interessado realizou operações de compras com fim específico de exportação em volume incompatível com as vendas classificadas no CFOP 7501 Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação (exportação de terceiros). Intimado a informar os valores mensais das exportações de mercadorias recebidas com fim específico de exportação (fls. 933/934) o contribuinte alegou não dispor dessa informação. Dess forma, foi feita solicitação de cálculo do valor estimado com base nas informações disponíveis, atendida mediante apresentação de demonstrativos por produto e consolidado anexados às folhas 935/940. 21. Como no referido demonstrativo consolidado a empresa considerou que todas as mercadorias recebidas com fim específico de exportação saíram no próprio mês, o diligenciador promoveu ajustes a fim de distribuir os valores proporcionalmente às receitas de exportação de cada mês, evitando assim distorções (fl. 952, item 9). Ora, me parece que tanto o Despacho Decisório como a própria Decisão de Primeira Instância incidiram em fragilidade na fundamentação do procedimento adotado, eis que o método proporcional de cálculo, adotado pela Recorrente, não leva em conta necessariamente as mercadorias que ingressaram com fim específico de exportação e as distribui em conformidade com a exportação realizada, mas sim toma a receita de exportação em proporção à receita bruta. Por mais que me esforce não consigo enxergar a denominada distorção nomeada pela Autoridade Fazendária, pois a própria legislação determina que no método proporcional devese considerar a receita sujeita à incidência não cumulativa da receita bruta total, conforme o disposto no parágrafo 8º , do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002: § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos Fl. 1395DF CARF MF 12 vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A Autoridade Fazendária asseverou que a Recorrente não tem direito ao crédito das aquisições realizadas com fim específico de exportação, o que, em verdade, decorre do parágrafo 4º , do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, e a própria Recorrente, como não poderia ser diferente, reconhece como verdadeiro. Porém, o que a Recorrente verdadeiramente pretende, e insiste nesse ponto tanto em sua Manifestação de Inconformidade, como em seu Recurso Voluntário, é simplesmente ter direito ao crédito das aquisições tributadas e realizar o cálculo da proporcionalidade em conformidade com tais operações. Assim, adotando como referência a própria legislação, no cálculo da proporcionalidade do crédito presumido, em que há a manutenção de crédito de PIS em decorrência de exportação, a medida mais adequada consistiria na adoção da receita de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor. Nessa forma de cálculo, as receitas decorrentes de aquisições com fim específico de exportação ingressam tanto no dividendo, integrantes da receita de exportação, como no próprio divisor, incluídas na receita bruta, evitandose, efetivamente, distorção pela exclusão desses valores do dividendo e manutenção no divisor. Nesse sentido, reconheço o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito presumido à agroindústria, decorrente da manutenção do crédito de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor. Conforme discussão havida em Sessão, no entanto, a tese que prevaleceu foi a do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no sentido de que o parágrafo 4º, do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, passou a viger apenas por meio da Lei nº 10.833/2003, em 1º de fevereiro de 2004, não abarcando, portanto, os fatos geradores constantes no presente processo. Matéria Constitucional A Recorrente, em seu Recurso, reitera sua argumentação, bradando sobre princípios e violações à Constituição, citando doutrina autorizada e, em alguns pontos, jurisprudências com temas próximos ao discutido nos presentes autos. Bem sabe a Recorrente que no âmbito administrativo esses pleitos não podem ser reconhecidos, pois implicam reconhecimento de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de atos normativos válidos e vigentes, estritamente observados pelas Autoridades Fazendárias. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 13154.000311/200580 Acórdão n.º 3403003.658 S3C4T3 Fl. 11 13 Bem por isso que foi editada a Súmula nº 2 do CARF, que consolida a jurisprudência deste Órgão sob o preceito de que não detém de competência legal para se pronunciar sobre inconstitucionalidade, conforme abaixo transcrita, motivo pelo qual não há como se reconhecer desses argumentos. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa SELIC No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial nº 1.037.847RS, julgado na sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciária, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lítima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precdents daPrimeira Seção: ERsp 490.547/PR, Rel. Minstro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; ERsp 613.97/RS, Rel. Minstro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; ERsp 495.3/PR, Rel. Minstra Denise Aruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; ERsp 52.796/PR, Rel. Minstro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; ERsp 430.498/RS, Rel. Minstro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; eERsp 605.921/RS, Rel. Minstro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). Fl. 1397DF CARF MF 14 5. Recurso espcial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Importante ressaltar que a tese que prevaleceu, no presente caso, leva em conta que a vedação legal expressa, presente no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual não há atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores referentes ao crédito presumido ali disciplinado. De qualquer maneira, tal vedação apenas entrou em vigor em 1º de fevereiro de 2003, não abarcando, pois, os fatos geradores de que trata o presente processo administrativo, motivo pelo qual deve ser aplicada a correção monetária sobre o crédito reconhecido no presente processo. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário quanto às alegações de inconstitucionalidade e na parte conhecida dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito presumido à agroindústria, decorrente da manutenção do crédito de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor, bem como reconheço o direito à correção monetária dos créditos. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista" Antonio Carlos Atulim Fl. 1398DF CARF MF
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