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Numero do processo: 13857.000501/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
Ementa:
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, a mão-de-obra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
ENQUADRAMENTO
O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento.
O enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra.
Para fins de enquadramento deve ser considerada cada edificação como uma unidade autônoma.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 Ementa: CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mão-de-obra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ENQUADRAMENTO O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. O enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra. Para fins de enquadramento deve ser considerada cada edificação como uma unidade autônoma. Recurso Voluntário Negado
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AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mãodeobra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ENQUADRAMENTO O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. O enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra. Para fins de enquadramento deve ser considerada cada edificação como uma unidade autônoma. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 05 01 /2 00 9- 11 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13857.000501/200911 Acórdão n.º 2302002.216 S2C3T2 Fl. 139 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 15/09/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 21/09/2009, de contribuições previdenciárias arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração de segurados que prestaram serviço em obra de construção civil de sua propriedade, apuradas através de ARO – Aviso de Regularização de Obra, obtido com informações prestadas pelo contribuinte na DISO – Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil, na competência 12/2008. Após a apresentação da defesa, Resolução de fls.74/75, baixou o processo em diligência para pronunciamento acerca do enquadramento da classificação da obra e para retificar o período decadente, frente a aplicação da Súmula n.º 08, do STF. Informação Fiscal de fls. 78/79, diz que foi procedido ao reenquadramento da obra, frente à constatação da presença de pilares e excluído o período decadente de 01/2003 a 12/2003, 07/2004 e 08/2004. Acórdão de fls. 93/101, julgou o lançamento procedente em parte, frente a reemissão do ARO e a exclusão do período decadente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, requerendo a convalidação de todos os elementos expostos na peça de defesa e argüindo em síntese: a) que vários valores recolhidos não foram considerados no AI, juntando planilha e dizendo que com estes recolhimentos e o reenquadramento da obra como galpão, o crédito está praticamente extinto; b) que a obra é um depósito fechado, uma particularidade do gênero “galpão”, o que é comprovado por laudo de engenheiro que foi ignorado pela decisão recorrida; c) que a obra foi construída com o fim específico de ser um depósito fechado de supermercado; d) que o imóvel não tem as destinações dos incisos I, II e III do artigo 437, da IN 03/2005; e) que o artigo 436, da citada IN diz que o enquadramento será feito conforme a destinação do imóvel e, no caso, a destinação é um depósito fechado, ou seja galpão; f) que a lei não veda que o galpão faça parte da edificação. Requer o provimento do recurso, a reforma da decisão, o cancelamento dos autos de infração e o arquivamento deste processo. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13857.000501/200911 Acórdão n.º 2302002.216 S2C3T2 Fl. 140 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. O lançamento referese às contribuições arrecadadas para os Terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil de propriedade da recorrente e foi apurada através de ARO – Aviso de Regularização de Obra, conforme as informações prestadas pela própria recorrente na DISO de fls.20/27, onde todos os recolhimentos efetuados e informados pelo contribuinte foram aproveitados para quitar a metragem da obra. A argüição da recorrente de que vários valores recolhidos não foram aproveitados não se sustenta, porque desprovida de qualquer prova. Não há qualquer apontamento ou indicação, por parte da recorrente, de qual valor recolhido não foi apropriado para a obra de construção civil aqui tratada. A simples alegação não tem o condão de ilidir ou retificar o lançamento. Quanto ao mérito do levantamento, as contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra empregada na construção civil são devidas por expressa determinação legal. O crédito foi lançado de acordo com o que prescreve o parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei n.º 8.212/91: §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo de mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Cabe ao fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável, procedimentos que foram adotados corretamente pela autoridade fiscal, conforme comprova o relatório fiscal e posteriormente a informação fiscal, que retificou a classificação da obra e excluiu o período alcançado pela fluência do prazo decadencial. Entretanto, o contribuinte se mostra inconformado com a não aceitação do enquadramento da obra como galpão, pois informa, veementemente, que a destinação de uma parte da obra é para depósito fechado de supermercado. Ocorre que de acordo com a Instrução Normativa n.º 03/2005, art.436, o enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra e o enquadramento será único por projeto, que será Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 considerado integralmente não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento: Art. 436. O enquadramento da obra de construção civil, em se tratando de edificação, será realizado de ofício, de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra, e tem por finalidade definir o CUB aplicável à obra e o procedimento de cálculo a ser adotado. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 24, de 30/03/2007) § 1º O enquadramento será único por projeto, ressalvado o disposto no § 3º do art. 437 e no § 3º deste artigo. § 2º O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. § 3º No caso de fracionamento do projeto conforme disposto nos § § 1º e 2º do art. 25, o enquadramento deverá ser efetuado em relação a cada bloco, a cada casa geminada ou a cada unidade residencial que tenha matrícula própria. § 4º As áreas comuns do conjunto habitacional horizontal serão enquadradas em um único projeto, ainda que nele constem edificações independentes entre si. Art. 437 (...) § 3º Caso haja, no mesmo projeto, construções com as características mencionadas nas tabelas previstas nos incisos I, II ou III e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V, todos do caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos na respectiva tabela, sendo que as obras referidas nas tabelas dos incisos IV ou V serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III, observado o disposto no §1° deste artigo e no art. 461. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 24, de 30/03/2007) No caso em questão, a área que a recorrente quer que seja designada como galpão não compõe uma unidade autônoma, ela está inserida no corpo da edificação que foi enquadrada como PROJETO COMERCIAL SALAS E LOJAS. A permissão contida no §3º do artigo 437, da IN N.º 03/2005, pressupõe a existência de uma edificação separada, autônoma, e não como no caso da presente obra, onde o depósito faz parte da área edificada do supermercado, apenas tendo a destinação de depósito de mercadorias, como diz a recorrente. Ademais, o Habitese de fls. 55, não faz qualquer menção à edificação GALPÃO e a recorrente não trouxe qualquer prova da existência de uma edificação autônoma destinada a depósito, que pudesse ser enquadrada como galpão. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13857.000501/200911 Acórdão n.º 2302002.216 S2C3T2 Fl. 141 7 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000078/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 21/12/2001
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADES VEDADAS
Manutenção de máquinas e equipamentos normalmente não são tarefas cujo nível de complexidade exija a intervenção de engenheiros ou profissionais assemelhados.
Numero da decisão: 1301-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 10 1 9 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13974.000078/200743 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria SIMPLES/EXCLUSÃO Recorrente KSM MANUTENÇÃO DE VEICULOS FERROVIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 21/12/2001 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADES VEDADAS Manutenção de máquinas e equipamentos normalmente não são tarefas cujo nível de complexidade exija a intervenção de engenheiros ou profissionais assemelhados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 00 78 /2 00 7- 43 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Relatório A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo n°. 530.119, de 02 de agosto de 2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em Joinville SC, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 21/12/2001, data em que aderiu à sistemática, informando como causa do evento a atividade econômica vedada à opção, no caso, "reparação de veículos ferroviários — CNAE 35238/00", previsto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317, de 1996. 2. Cientificada, apresentou a SRS de f1.23/34, onde discorda da exclusão, por entender que sua atividade não se encontra entre aquelas mencionadas no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996. A autoridade fiscal indeferiu a SRS com base no disposto na legislação que regula as atividades dos profissionais de engenharia, mais especificamente na Resolução Confea n° 218/1973 (f1.49). 3. Na manifestação de inconformidade fls. 01/16, o sujeito passivo apresentou as mesmas razões da SRS, onde afirma que sua atividade não encontra similaridade, semelhança ou equiparação à aquelas mencionadas no enquadramento legal que deu sustentação à sua exclusão; que suas atividade prescindem de engenheiros e não são vedadas ao Simples; que presta serviços à ALLAmérica Latina Logística, cujos profissionais habilitados para o exercício da atividade de engenharia mecânica e tecnólogos são por ela mantidos; que lhe foi aplicado indistintamente o disposto no inciso XIII do artigo 9o., uma vez que tem por objeto social a manutenção e reparação mecânica de veículos ferroviários, serviços estes praticados por pessoas que aprenderam o ofício pela prática e que para sua atividade não há lei reguladora, código de ética, organismo fiscalizador ou órgão de classe para defender seus interesses. 4. Na tentativa de afastar o ato de exclusão transcreve alguns julgados do então Conselho de Contribuintes, para enfatizar que sua atividade não está, taxativamente relacionada no inciso XIII e que a SRF a excluiu sem provar porque a atividade é vedada ao Simples e mais uma vez traz julgados do Conselho de Contribuintes, do STJ, dos Tribunais Regionais e, por fim transcreve o voto de um Acórdão proferido por essa Turma de Julgamento, para enfatizar que para o exercício da atividade de reparação de veículos ferroviários não se exige firmação universitária, sendo necessário apenas treinamento e habilidade. Conclui afirmando que a exclusão afronta o artigo 179 da Constituição Federal e pede a anulação do ato ora atacado. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/CTA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0624.949, de 17/12/2009 (fls. 55), julgando improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 21/12/2001 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13974.000078/200743 Acórdão n.º 1301001.086 S1C3T1 Fl. 11 3 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO EM VAGÕES, LOCOMOTIVAS E TRENS. EXECUÇÃO DE FORMA ESPECÍFICA. COMPLEXIDADE. EXIGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO TÉCNICA. INCOMPATIBILIDADE COM O SIMPLES. Os serviços de manutenção em vagões, locomotivas e trens, quando prestados de forma específica, de acordo com especificações e necessidades do cliente, envolvendo alguma complexidade, exigem qualificação técnica, tornandoos incompatíveis com o regime privilegiado do Simples. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS Compete ao contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com todos os meios de prova necessários, nos termos da Lei; o não cumprimento desta premissa acarreta o indeferimento do pleito. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100 do CTN. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois, não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. p. 1 É o relatório. Passo ao voto. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso ora apreciado é tempestivo e merece ser acolhido. A discussão travada nos autos cingese a exclusão do contribuinte do Sistema de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, mediante o Ato Declaratório Executivo da DRF/JOINVILE/SC, motivado pela prática de atividade impeditiva constante em seu cadastro fiscal, qual seja: “reparação de veículos ferroviários — CNAE 35238/00", previsto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317, de 1996, com efeitos a partir de sua opção em 21/12/2001. A recorrente argumenta que de fato tem como objeto social à "manutenção e reparação de máquinas e equipamentos ferroviários, automotores e industriais, controle de almoxarifado e escritório, serviço de torno, solda e manobreiro", afirmando, ainda, que os serviços não são executados por engenheiros, mas, por funcionários com prática para tal. A autoridade fiscal entendeu que por se tratar de serviços prestados de forma específica, em consonância com as necessidades do cliente, envolvendo complexidades, exigem qualificação técnica e, portanto, incompatível com o regime privilegiado do SIMPLES, não se enquadrando na exceção trazida pela Lei 11.051 de dezembro de 2004. Por outra banda, encontro declaração nos autos (fl. 85) do seguinte teor: “ALL — AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA DO BRASIL S/A, pessoa jurídica, inscrita no CNPJ 01.258.944/000550, estabelecida à Rua Emílio Bertolini, 100, Vila Oficinas, Curitiba, Paraná, CEP 82920030, declara que a TRILHOS — MECANICA GERAL LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o n 02.980.028/000168, estabelecida à Rua Leonardo Arbigaus, 166, sala A, Estação Nova, Rio Negro, Paraná, CEP 83.880000, presta serviços para esta empresa, desenvolvendo atividades rotineiras e impessoais, que prescindem de profissionais de engenharia para sua execução.” Pois bem, entendo que a restrição da legislação está para o exercício da atividade impeditiva e não para descrição da mesma no objeto social da empresa, razão pela qual, há de se verificar se de fato a recorrente exerceu ou não a referida atividade e em que grau de complexidade. Isto porque a nota fundamental há de ser a complexidade do serviço a ser executado, a necessidade de conhecimentos e técnicas próprios ou assemelhados à função graduada exercida por engenheiros. Nesse diapasão, entendo que os serviços prestados pela recorrente (repitase: manutenção e reparação de máquinas e equipamentos ferroviários, automotores e industriais, controle de almoxarifado e escritório, serviço de tomo, solda e manobreiro) não são tarefas de complexidade semelhante às normalmente executadas por técnicos de nível superior. Outro ponto fundamental no caso em exame é que não encontro nos autos qualquer referencia que demonstre a averiguação pela autoridade fiscal de que a ora recorrente, de fato, presta os serviços conforme explicitado nos recursos administrativos ou mesmo os Fl. 98DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13974.000078/200743 Acórdão n.º 1301001.086 S1C3T1 Fl. 12 5 serviços constante de seu cadastro fiscal de “Reparação de Veículos Ferroviários”, não há nos autos, sequer, uma amostragem, por exemplo, nota fiscal emitida. Evidente que pode haver manutenção e reparos em máquinas cuja complexidade resulte na necessidade de intervenção de engenheiros ou assemelhados, mas não há prova nos autos que tenha acontecido ao caso concreto. Não obstante o inciso XIII do artigo 9° da Lei n°. 9.317, de 05/12/1996, em vigor à época dos fatos, a seguir transcrito: "Art. 9° Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: (.) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" Mesmo assim, no meu entender, ao contrário do decidido na r. decisão recorrida, tenho o particular entendimento de que não há semelhança alguma entre a prestação de serviços de engenheiro ou técnico legalmente habilitado e as atividades exercidas pela Recorrente. Neste passo, como já visto, a atividade de fato conforme descrita pela empresa referese a manutenção de máquinas e é exercida por funcionários com prática para tal, portanto, prescinde dos serviços específicos de engenheiros, logo não importa em vedação ao Simples, mesmo sob a ótica da nova legislação. Destarte, não é cabível a exclusão do Simples, em razão dos motivos aduzidos no Ato Declaratório e decisão de primeiro grau. Diante desses argumentos, DOU PROVIMENTO, ao recurso voluntário. (Documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10240.003058/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: AUTO-DE-INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias, os quais devem ser consistentes. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: AUTO-DE-INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias, os quais devem ser consistentes. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias, os quais devem ser consistentes. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 30 58 /2 00 8- 00 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em desfavor do recorrente, em 16/10/2008, e cientificado através de registro postal em 23/10/2008, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, por ter apresentado os registros contábeis sem a movimentação financeira e sem a contabilização da real remuneração dos segurados a seu serviço, no período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls.20/21, através dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, foi possível averiguar a movimentação financeira da empresa com as instituições Banco Bradesco S/A, Banco da Amazônia S/A, Banco do Brasil S/A, Banco Itaú S/A, Banco Mercantil de São Paulo S/A e Cooperativa de Crédito Rural de Porto Velho, enquanto a contabilidade registrou apenas a movimentação financeira com o Bradesco S/A. Foram solicitados documentos para comprovar as despesas que originaram a emissão de cheques para os referidos bancos, como notas fiscais, faturas e extratos bancários, mas nada foi apresentado. O fisco também faz referência à reclamação trabalhista com reconhecimento de vínculo empregatício, sem qualquer registro do segurado reclamante na contabilidade. Após a impugnação, despacho de fls. 142/143, dispõe sobre a remessa ao contribuinte dos extratos disponibilizados pelos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, nos quais se baseou o lançamento, com abertura de prazo para manifestação. Informação fiscal de fls.148, junta as informações solicitadas e é dada ciência ao contribuinte, que se manifesta às fls.156/159, após o que Acórdão de fls.162/167, pugna pela procedência da autuação, embora retire a não apresentação dos documentos como notas fiscais , faturas e extratos bancários, por já fazerem parte de outro auto de infração, número DEBCAD 37.164.3627, lavrado na mesma ação fiscal por ter a empresa ter deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma por ela estabelecida pela legislação, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização. Ainda inconformado, o contribuinte apresenta recurso voluntário, onde diz que repisa as alegações apresentadas na defesa de que houve bis in idem, o qual foi reconhecido pela decisão recorrida, mas que surpreendentemente manteve a autuação. Por fim, requer a insubsistência do auto de infração por estar eivado de vícios insanáveis. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003058/200800 Acórdão n.º 2302001.988 S2C3T2 Fl. 178 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente foi autuada por não apresentar documentos exigidos pelo Fisco, como folhas de pagamento de contribuintes individuais e por ter apresentado Livros Diário, sem as formalidades intrínsecas e extrínsecas, já que não estavam encadernados e registrados no registro competente, os lançamentos não obedeciam ordem cronológica, não havia registro de prestação de serviços, não havia registros de impostos e contribuições, além de outras irregularidades descritas no relatório fiscal da autuação, à fl. 10. Ao agir desta forma, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 233, parágrafo único, o que se considera documento deficiente: .Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 077 de 11/03/2008, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. No que se refere a alegação de bis in idem a decisão recorrida já se manifestou acertadamente, não havendo reparos a fazer. Foram retirados deste auto de infração as ocorrências que já constavam do Auto de Infração DEBCAD 37.164.3627, lavrado na mesma ação fiscal por ter a empresa ter deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma por ela estabelecida pela legislação, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003058/200800 Acórdão n.º 2302001.988 S2C3T2 Fl. 179 5 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000296/2010-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CCT. ABONO DE FÉRIAS. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A discussão entre o fisco e o contribuinte diz respeito às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados empregados e não descontadas de suas remunerações e não declaradas em GFIP, incidentes sobre os valores pagos aos referidos segurados por meio da rubrica Abono de Férias CCT, por força de Convenção Coletiva de Trabalho - CCT.
De acordo com o Relatório Fiscal, bem como o acórdão recorrido, as verbas são alcançadas pela tributação, em razão de a CCT afrontar a Lei de Custeio, considerando que o abono de férias em questão está vinculado à remuneração dos empregados que implementarem as condições previstas na referida norma.
A verba conhecida como abono ou gratificação de férias do artigo 144 da CLT, desde que não excedente a 20 dias do salário, a princípio, não integra o salário de contribuição. Neste dispositivo, a CLT pretende resguardar os abonos pagos por liberalidade do empregador, sem vinculação com o trabalho, não decorrentes de premiação.
Entretanto, se a concessão for vinculada a fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, tal parcela integra o salário de contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CCT. ABONO DE FÉRIAS. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A discussão entre o fisco e o contribuinte diz respeito às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados empregados e não descontadas de suas remunerações e não declaradas em GFIP, incidentes sobre os valores pagos aos referidos segurados por meio da rubrica Abono de Férias CCT, por força de Convenção Coletiva de Trabalho - CCT. De acordo com o Relatório Fiscal, bem como o acórdão recorrido, as verbas são alcançadas pela tributação, em razão de a CCT afrontar a Lei de Custeio, considerando que o abono de férias em questão está vinculado à remuneração dos empregados que implementarem as condições previstas na referida norma. A verba conhecida como abono ou gratificação de férias do artigo 144 da CLT, desde que não excedente a 20 dias do salário, a princípio, não integra o salário de contribuição. Neste dispositivo, a CLT pretende resguardar os abonos pagos por liberalidade do empregador, sem vinculação com o trabalho, não decorrentes de premiação. Entretanto, se a concessão for vinculada a fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, tal parcela integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CCT. ABONO DE FÉRIAS. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. A discussão entre o fisco e o contribuinte diz respeito às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados empregados e não descontadas de suas remunerações e não declaradas em GFIP, incidentes sobre os valores pagos aos referidos segurados por meio da rubrica Abono de Férias CCT, por força de Convenção Coletiva de Trabalho CCT. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, bem como o acórdão recorrido, as verbas são alcançadas pela tributação, em razão de a CCT afrontar a Lei de Custeio, considerando que o “abono de férias” em questão está vinculado à remuneração dos empregados que implementarem as condições previstas na referida norma. 3. A verba conhecida como abono ou gratificação de férias do artigo 144 da CLT, desde que não excedente a 20 dias do salário, a princípio, não integra o salário de contribuição. Neste dispositivo, a CLT pretende resguardar os abonos pagos por liberalidade do empregador, sem vinculação com o trabalho, não decorrentes de premiação. 4. Entretanto, se a concessão for vinculada a fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, tal parcela integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 02 96 /2 01 0- 75 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000296/201075 Acórdão n.º 2803001.924 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000296/201075 Acórdão n.º 2803001.924 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes a contribuição dos segurados empregados não descontadas no período de 01/2007 a 12/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24e fevereiro de 2011, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ABONO DE FÉRIAS. A parcela paga pela empresa sob a denominação de Abono de Férias CCT, com concessão vinculada ao fator assiduidade, mesmo que estabelecida em convenção coletiva de trabalho, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Consta no Relatório Fiscal do auto de Infração em tela, que a Recorrente teria deixado de recolher a contribuição de terceiros supostamente incidente sobre o abono de férias (retorno de férias CCT) pago aos seus empregados por força de Convenção Coletiva. A decisão merece ser reformada. Os ilustres julgadores entenderam que “a previsão em acordo coletivo não serve para elidir a incidência de contribuição, porque as cláusulas constantes em convenção ou acordo não podem sobreporse a preceitos de ordem pública”. Não há que se falar em descumprimento de preceitos de ordem pública, uma vez que o art. 144 da CLT é bem claro ao se referir a duas espécies de abonos distintos. As normas coletivas cumpridas pela Recorrente estão em perfeita harmonia com a legislação. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000296/201075 Acórdão n.º 2803001.924 S2TE03 Fl. 5 4 A obediência às normas de uma Convenção Coletiva é imperativa, tornandose evidente que o pagamento de abono pela Recorrente ocorreu por imposição legal, cujo descumprimento seria ilegítimo e passível, inclusive, de sanções aplicáveis tanto pelo Judiciário quanto pelo Ministério do Trabalho. É infundada a alegação de que o abono estaria “uma forma de premiar ou gratificar os seus empregados”, como sustentado no Relatório Fiscal, haja vista que o número de faltas do funcionário é uma questão eminentemente objetiva, alheia a qualquer pessoalidade. Ou seja, o abono é eventual, pois nem sempre será devido, e desvinculado do salário, posto que existe um valor certo e determinado indicado na própria Convenção Coletiva. Não consta na legislação pátria qualquer dispositivo que proíba o pagamento de abono com o intuito de incitar a assiduidade do empregado. Não é a Convenção Coletiva que está a “excluir” a incidência da Contribuição Previdenciária, mas sim a lei. A Recorrente em momento algum deixou de cumprir com suas obrigações tributárias, e, a parcela que está sendo exigida erroneamente no presente auto de infração, não foi paga porque a lei determina que não deve ser paga, sendo esse o entendimento de esmagadora doutrina e jurisprudência, onde a Recorrente lastreia também o seu entendimento. Diante do exposto, a Recorrente requer seja totalmente reformado o Acórdão nº 0231.102 proferido pela d. 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em belo Horizonte/MG, para que, seja cancelado integralmente o Auto de Infração nº 37.282.8965 Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000296/201075 Acórdão n.º 2803001.924 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A discussão entre o fisco e o contribuinte diz respeito às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados empregados e não descontadas de suas remunerações e não declaradas em GFIP, incidentes sobre os valores pagos aos referidos segurados por meio da rubrica Abono de Férias CCT, por força de Convenção Coletiva de Trabalho – CCT. De acordo com o Relatório Fiscal, bem como o acórdão recorrido, as verbas são alcançadas pela tributação, em razão de a CCT afrontar a Lei de custeio, considerando que o “abono de férias” em questão está vinculado à remuneração dos empregados que implementarem as condições previstas na referida norma. Por seu turno, o contribuinte defende posicionamento contrário e afirma que a CCT está em perfeita conformidade com a Lei de Custeio, bem como com o texto celetista. Além disto, o contribuinte defende sua tese sustentandose em posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais. De imediato, podese afirmar com absoluta segurança que a verba em discussão tem total vinculação com o salário dos empregados da recorrente. Da leitura dos artigos 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, não é possível chegar à mesma conclusão do contribuinte. No ponto, restou correta a afirmação contida no acórdão recorrido (fl. 103) de que: A verba conhecida como abono ou gratificação de férias do artigo 144 da CLT, desde que não excedente a 20 dias do salário, a princípio, não integra o salário de contribuição. Neste dispositivo, a CLT pretende resguardar os abonos pagos por liberalidade do empregador, sem vinculação com o trabalho, não decorrentes de premiação. Entretanto, se a concessão for vinculada a fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, tal parcela integra o salário de contribuição. Vêse, portanto, que a decisão recorrida está correta e deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000296/201075 Acórdão n.º 2803001.924 S2TE03 Fl. 7 6 Como o julgador a quo, também entendo que as jurisprudências trazidas pela recorrente não tem o condão de alterar a realidade deste processo. Apesar de tratar de assunto próximo, nenhuma delas tem efeito vinculante, podendo e devendo o julgador na esfera administrativa consolidar o seu próprio ponto de vista. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001400/98-88
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 207 1 206 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10835.001400/9888 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.458 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria FINSOCIAL DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida AGRO PECUÁRIA PRUDENTINA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 14 00 /9 8- 88 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório A Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 175 a 189, visando a uniformização de decisões, em face dos Acórdãos 0305.460 e 0202.088, da Terceira e Segunda Turmas, respectivamente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido 0305.460 apresenta a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O termo a quo para o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos é a data da publicação da Medida Provisória n. 1.110/95, findandose 05 (cinco) anos após. Precedentes do Segundo Conselho de Contribuintes. Afastada a decadência do prazo para pleitear a restituição requerida, e para determinar o retorno do processo à DRJ de origem para apreciar o mérito do pedido no tocante aos demais aspectos concernentes ao processo de restituição/compensação. Recurso especial negado. (CSRF; Terceira Turma; Recurso n° 303128064, Rel. Cons.Carlos Henrique Klaser Filho, Ac. 0304.540, Sessão de 09 de agosto de 2005) Para configurar a divergência, a recorrente apresentou como paradigma o Acórdão 0202.088, cuja ementa é reproduzida abaixo: ACÓRDÃO PARADIGMA "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data." Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10835.001400/9888 Acórdão n.º 9900000.458 CSRFPL Fl. 208 3 (CSRF; Segunda Turma; Recurso n° 201121066, Rel. Cons.Henrique Pinheiro Torres, Ac. 0202.088, Sessão de 17.10.2005) O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 199/200. Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, o reconhecimento da decadência do direito à restituição/compensação do FINSOCIAL, uma vez que o contribuinte formalizou o seu pedido quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 28/10/2008, o contribuinte não ofereceu contrarazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787 e 7.894, ambas de 1989, e 8.147, de 1990. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10835.001400/9888 Acórdão n.º 9900000.458 CSRFPL Fl. 209 5 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 28/07/1998, concluise que os pagamentos relativos a fatos geradores que ocorreram após 28/07/1988 são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores do FINSOCIAL que ocorreram após 28/07/1988 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10245.000786/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 45 .0 00 78 6/ 20 07 -2 1 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.000786/200721 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.416 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório REMIDIO NONAI MONTESSI, contribuinte inscrito no CPF/MF 286.241.142 68, com domicílio fiscal na cidade de Boa Vista, Estado de Roraima, à Rua das Margaridas, nº 185, Bairro Pricumã, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Boa Vista RR, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 40/43, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 53/54. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Boa Vista RR, em 09/04/2005, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 25/27), com ciência através de AR, em 19/04/2007 (fl. 30), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 11.097,76 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005 onde a autoridade lançadora entendeu haver compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995; §§ 1º e 2º dos arts. 70, 87, inciso IV, § 2º, e 841, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 – RIR, de 1999. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através da própria Notificação de Lançamento (fls. 25/27), entre outros, os seguintes aspectos: que regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data; que em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 7.663,11, indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes. Em sua peça impugnatória de fl. 02/03, instruída pelos documentos de fls.04/24, apresentada, tempestivamente, em 11/05/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que em momento algum foi deixado de recolher o imposto em questão pela fonte pagadora; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.000786/200721 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.416 S2C2T2 Fl. 4 3 que apenas houve recolhimento mensal em um único DARF, para todos os sócios da empresa, conforme demonstrativo para melhor analise. (folha a parte). Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que consta nos autos, a autoridade julgadora fica com a convicção de que deve ser mantida a glosa referente ao IRRF, haja vista que não foram acostados aos autos pelo sujeito passivo a documentação comprobatória da retenção do Imposto de Renda pela fonte pagadora, tais como contracheques e extratos bancário, capazes de respaldar seu pleito; que do exame da peça impugnatória e analisandose a documentação ínsita às fls. 04/20, verificase que o impugnante não logrou comprovar a retenção pleiteada a título de Imposto de Renda na Fonte, no valor de R$ 7.663,11 (sete mil, seiscentos e sessenta e três reais e onze centavos), na sua Declaração de IRPF, exercício de 2005, anocalendário de 2004; que efetuei pesquisas nos sistemas online da Receita Federal e constatei que a fonte pagadora AMATUR AMAZÔNIA TURISMO LTDA., CNPJ n° 34.805.903/000161 não apresentou, até o momento, DIRF relativa às retenções efetuadas: Além disso, o impugnante limitouse a anexar o demonstrativo de fl. 04, os esclarecimentos de fl. 05 e os DARFs de fls. 06/20, em nome de José Laurindo Pereira, CPF n° 157.043.44368, os quais não se constituem em elementos de prova a favor do sujeito passivo, antes pelo contrário, como se constata do simples exame dos comprovantes; que o litigante deveria ter sido zeloso em guardar os contracheques, extratos bancários, etc. Poderia também solicitar da fonte pagadora retro que encaminhasse à Receita Federal DIRF onde constassem as retenções de IRF relativas aos seus rendimentos tributáveis, anexar cópia dos livros fiscais e outros elementos capazes de sustentar seu pleito, o que in casu não aconteceu; que a ação de provar constituise no direito de comprovar a ocorrência de um evento, que a princípio é ônus de quem alega o fato objeto da prova. Provar, nesse sentido, é o ato de demonstrar que ocorreu ou deixou de ocorrer determinado evento; que, além disso, a apresentação da declaração de rendimentos é uma obrigação tributária acessória e como tal, nos termos dos artigos 113, § 2° e 115 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), decorre da legislação tributária; que desta forma, no que tange à dedução indevida a titulo de IRRF, foi fatal para o contribuinte a falta de comprovação da retenção do tributo pela fonte pagadora, nos valores pleiteados em sua DIRPF/2005, não tendo como acatar tal dedução prevista nos moldes do art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995, devendo ser mantida a glosa. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2005 IRRF. VALOR CONSTANTE DE DIRF. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.000786/200721 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.416 S2C2T2 Fl. 5 4 Não tendo sido comprovadas com documentos hábeis, as asseverações do contribuinte, há de ser mantida a exigência tributária apurada com base nas informações prestadas pela fonte pagadora dos rendimentos. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/05/2009, conforme Termo constante à fl. 48, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (15/06/2009), o recurso voluntário de fls. 53/54, instruído pelos documentos de fls. 55/57, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pela consideração que de acordo com o exposto, deve ser revisto o processo, e constatado que as explicações condizem com a verdade, de que, houveram as retenções, a meu favor e que é de direito a dedução das mesmas, os recolhimentos existem como a própria RFB reconhece, porém como já fora explicado foram recolhidos em um único DARF para todos os sócios, conforme consta relatório na fl. 04, discriminando o valor de cada sócio, e não em favor de Jose Laurindo Pereira como defende a RFB. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.000786/200721 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.416 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, correspondente ao ano calendário de 2004, onde a autoridade lançadora entendeu haver compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995. Observase, da análise dos autos, que o recorrente entendeu que as explicações condizem com a verdade, de que, houveram as retenções, a seu favor e que é de direito a dedução das mesmas, os recolhimentos existem como a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece, porém como já fora explicado foram recolhidos em um único DARF para todos os sócios, conforme consta relatório na fl. 04, discriminando o valor de cada sócio, e não em favor de Jose Laurindo Pereira como defende a autoridade fiscal lançadora. A decisão recorrida manteve o lançamento sob o seguinte argumento base: “Efetuei pesquisas nos sistemas online da Receita Federal e constatei que a fonte pagadora AMATUR AMAZÔNIA TURISMO LTDA., CNPJ n° 34.805.903/000161 não apresentou, até o momento, DIRF relativa às retenções efetuadas: Além disso, o impugnante limitouse a anexar o demonstrativo de fl. 04, os esclarecimentos de fl. 05 e os DARFs de fls. 06/20, em nome de José Laurindo Pereira, CPF n° 157.043.44368, os quais não se constituem em elementos de prova a favor do sujeito passivo, antes pelo contrário, como se constata do simples exame dos comprovantes”. O recorrente, na fase recursal, apresentou, às fls. 56, uma cópia do documento denominado de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF (anocalendário 2004) e continua insistindo que os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte utilizado em sua Declaração de Ajuste Anual, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao ano calendário de 2004, foram, de fato, retidos e recolhidos aos cofres da União pela fonte pagadora. Sem dúvidas, se o documento de fls. 56 for autêntico e na linha do pensamento lógico, é de se concluir que o contribuinte teria razão. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Nesta linha de pensamento, é de se observar que à exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos legais que permitam a livre formação de convicção do julgador. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.000786/200721 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.416 S2C2T2 Fl. 7 6 Assim sendo, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Nesse contexto, e levando em conta, que nos autos do processo não se encontra cópia do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, relativo matéria em discussão, e no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido do julgamento seja convertido em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Que a autoridade se manifeste sobre a autenticidade da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, relativo ao anocalendário de 2004, apresentada na fase recursal (fls. 56), se por ventura, for autêntica, intimar a contribuinte Amatur Amazônia Turismo Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 34.805.90361 a apresentar uma DIRF retificadora, tendo em vista que o CPF do contribuinte Remídio Monai Montessi, consta com inversão de números, ao invés de sair com o CPF nº 286.241.14268, saiu com o CPF nº 286.142.24168; Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.000786/200721 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.416 S2C2T2 Fl. 8 7 2 intime a contribuinte, AMATUR AMAZÔNIA TURISMO LTDA., CNPJ n° 34.805.903/000161, a apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, relativo ao anocalendário de 2004, referente ao empregado REMIDIO NONAI MONTESSI, inscrito no CPF/MF 286.241.14268, com domicílio na cidade de Boa Vista, Estado de Roraima, à Rua das Margaridas, nº 185, Bairro Pricumã; 3 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 4 Que a autoridade se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10380.913375/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 5/ 20 09 -1 2 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 65 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 20/06/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 39640.08901.200608.1.3.049120 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: COFINS não cumulativa, código de receita 585601, período de apuração Maio/2008, data de vencimento 20/06/2008, R$ 253.697,70; PIS não cumulativo, código de receita 691201, período de apuração Mai/2008, data de vencimento 20/06/2008, R$ 55.151,68; b) crédito original utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 226.279,86; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 736.664,50. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 66 3 (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente à apuração realizada no mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do período de apuração anual — em 2005 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar no ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do imposto de renda, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório); Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 67 4 As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, não obstante ter efetuado o pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74, período de apuração julho 2005, apurou que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/57); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, com outros valores a pagar do ano de 2008 e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou de parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB pelo despacho decisório já citado, sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a decisão recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 68 5 do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou comprovado nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do mês de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão recorrida agindo, dessa forma, negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Em relação à antecipação de pagamento de imposto estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido do imposto desse período. Nesse sentido, a contribuinte juntou as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ –Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, onde informou, para o período de apuração julho/2005, Imposto de Renda a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 11; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação do IRPJ Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74 (fl.42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório, nestes autos, parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 226.279,86 (valor original), Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 70 7 alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, a importância de R$ 736.664,50 (valor original) – fl. 02. Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito do IRPJ estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 1.876.090,74. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de antecipação de pagamento por estimativa mensal como crédito, sendo permitido apenas o aproveitamento do saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento do IRPJ do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) consta cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Ou seja, sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) não há cópia nos autos da Ficha 12 –Cálculo do IR sobre o Lucro Real. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas citadas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir nos sistemas internos de controle da RFB (sistemas informatizados) uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora juntada aos autos para o período de apuração relativo ao direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 71 8 d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913375/200912 Resolução nº 1802000.127 S1TE02 Fl. 72 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11065.001372/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/12/2002 a 18/07/2006
NULIDADE DE DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Inexiste vício de nulidade no despacho decisório que não reconheceu a legitimidade de crédito pleiteado, após realizar diligência junto à empresa pleiteante, e não homologou todas as declarações de compensação vinculadas ao referido crédito.
RECEITA DE VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO.
A receita da venda de planos de saúde são, e sempre foram, tributadas pelo pela Cofins, nos termos da legislação específica.
INTIMAÇÕES. DESTINATÁRIO.
Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser emitidas em nome do sujeito passivo e endereçadas ao domicílio fiscal por ele eleito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Inexiste vício de nulidade no despacho decisório que não reconheceu a legitimidade de crédito pleiteado, após realizar diligência junto à empresa pleiteante, e não homologou todas as declarações de compensação vinculadas ao referido crédito. RECEITA DE VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. A receita da venda de planos de saúde são, e sempre foram, tributadas pelo pela Cofins, nos termos da legislação específica. INTIMAÇÕES. DESTINATÁRIO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser emitidas em nome do sujeito passivo e endereçadas ao domicílio fiscal por ele eleito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 72 /2 00 8- 81 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de Cofins e declarações de compensação de diversos tributos. O crédito pleiteado decorre de pagamentos realizados entre dezembro de 2002 e julho de 2006 que a recorrente entende realizados a maior por ter incluído na base de cálculo da exação a receita de plano de saúde, que entende não se enquadrar no conceito de faturamento. A DRF em Novo Hamburgo RS indeferiu o pedido da recorrente, alegando que as Operadoras de Planos de Assistência à Saúde (ramo de atividade do contribuinte de acordo com o contrato social, fl 43) prestam serviços e que as receitas auferidas são receitas de prestação de serviços e devem, assim, ser incluídas na base de cálculo da Cofins, conforme Despacho Decisório e Parecer de flse. 67/72. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1031.326, de 06/05/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: PRELIMINAR DE NULIDADE INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA . Não ocorre a preliminar de cerceamento de nulidade por cerceamento de defesa quando a contribuinte já se pronunciou sobre os suposto valores que acarretariam o indébito, não sendo necessário repetir o ato de intimação sobre o mesmo assunto. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. PLANOS DE SAÚDE RECEITAS TRIBUTAÇÃO DE PIS E COFINS. A receita de planos de saúde são tributadas pelo PIS e pela COFINS, nos termos da legislação específica. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.001372/200881 Acórdão n.º 3302001.779 S3C3T2 Fl. 3 3 A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/08/2011, conforme AR de fle. 173, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 27/09/2011, com o recurso voluntário de fls. 174/201, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese: 1 a nulidade do despacho decisório, visto que analisou pedidos de compensação estranhos aos analisados no Termo de Intimação para Comparecimento nº 776/2008, indo de encontro aos princípios do contraditório e ampla defesa, bem como por ausência de motivação na decisão administrativa; 2 a possibilidade da administração tributária apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de leis está disposta no art. 62 do Regimento Interno do CARF, que autoriza as Turmas de Julgamento a afastar a aplicação de lei, ao argumento da inconstitucionalidade, quando a mesma já tenha sido assim declarada por decisão plenária definitiva do STF; 3 as receitas decorrentes da venda de segurosaúde não estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, por não se enquadrar no conceito de serviço, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (RE 115.308), portanto, não dizem respeito ao faturamento da recorrente; 4 o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não pode ser desconsiderado pela Administração Pública, após a decisão plenária do STF, a quem foi conferida a competência de interpretar e proteger a Carta Constitucional, que julgou inconstitucional o referido dispositivo; 5 a norma contida no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não se encontra mais vigente no ordenamento jurídico, haja vista ter sido expressamente revogada pela Lei nº 11.941/09 Ao final, requer o sobrestamento do julgamento e que as intimações sejam endereçadas aos procuradores da recorrente, inclusive para fins de sustentação oral. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando a restituição de Cofins sob a alegação de que a receita decorrente da venda de segurosaúde não está sujeita à Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 incidência desta exação, por não se enquadrar no conceito de serviço e, consequentemente, de faturamento. Alega a recorrente, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter incluído declarações de compensação não citadas no Termo de Intimação para Comparecimento nº 776/2008. Sem razão a recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, as declarações de compensação não homologadas pela autoridade da RFB utilizaram o mesmo crédito da Cofins objeto de discussão nestes autos, do qual a recorrente foi intimada a prestar informações. Todos os débitos compensados com o crédito pleiteado neste processo são líquidos e certos e sobre eles não há litígios. Portanto, para formar a sua convicção sobre a legitimidade da compensação declarada, a autoridade utiliza os elementos que entender suficientes, não havendo necessidade de prévia intimação ao contribuinte para decidir sobre homologação de compensação, especialmente quando já formou sua convicção sobre a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte para efetuar a compensação declarada. Portanto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, suscitada pela recorrente. Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. Como bem disse a decisão recorrida e o despacho decisório, cujos fundamentos adoto e ratifico, está, e sempre esteve, sujeita à incidência da Cofins a receita da venda de segurosaúde auferida pelas operadoras de planos de assistência à saúde e tal receita se enquadra, como sempre se enquadrou, no conceito de faturamento. É necessário dizer que, ao contrário do argumentado pela recorrente, que a receita de venda de segurosaúde não é uma daquelas “outras receitas” acrescidas à base de cálculo da Cofins pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e, consequentemente, não há que se falar em descumprimento de decisão do STF que declarou inconstitucional o referido dispositivo legal. Há que se indeferir o pedido de sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário a uma porque a recorrente não trouxe nenhum argumento para tal e nem demonstrou que o caso em tela se enquadra na previsão contida no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF; e a duas porque este Conselheiro Relator desconhece decisão do STF sobrestando o julgamento de algum recurso extraordinário, submetido ao rito do art. 543 B do CPC, versando sobre a mesma matéria objeto destes autos. A pretensão de que as intimações sejam encaminhadas para o endereço do patrono da recorrente não deve ser aceita por falta de amparo legal; pois, em se tratando de intimação no Processo Administrativo Fiscal, a legislação de regência determina que a intimação seja entregue no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte (art. 23 do Decreto no 70.235/72, com as alterações efetuadas pelas Leis no 9.532/97 e no 11.196/2005). Por fim, não há previsão regimental para intimar a recorrente, ou seu procurador, para fazer sustentação oral quando do julgamento do recurso voluntário. A inclusão em pauta e o julgamento do recurso voluntário obedece as regras contidas nos arts. 52 a 62 do Regimento Interno do CARF e o pedido de sustentação oral deve ser feito, sem nenhuma formalidade, durante a sessão de julgamento. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.001372/200881 Acórdão n.º 3302001.779 S3C3T2 Fl. 4 5 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tomei vista destes autos para melhor me inteirar sobre os fatos discutidos. Conforme constatei, tratase de operadora de saúde que pretende a restituição do valor recolhido a titulo de COFINS em vista de entender que sua atividade não está sujeita a esta contribuição. Entendo a tese apresentada pela Recorrente. A questão trazida referese ao fato de que a natureza do contrato firmado entre a Recorrente e seus beneficiários ser de seguro, e não de prestação de serviços. Por outro giro, nos termos do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal – STF – no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084, leading case que analisou a (in)constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, pretendido pelo artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, o conceito de faturamento legal e constitucional não é o de “totalidade de receitas”, mas sim o simples faturamento entendido como a “receita de vendas de mercadorias e/ou serviços”. Aqui está a controvérsia trazida aos autos. A Recorrente não presta serviços, mas fornece seguros e a Cofins incide apenas sobre a venda de mercadorias e serviços. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 De fato, a Recorrente, ao firmar contratos com seus clientes (doravante chamados associados), obrigase a cobrir eventuais gastos e despesas que estes incorram a titulo de médicos, exames, hospitais, etc, sendo que estes custos podem ou não vir a ocorrer. Em troca, seus clientes pagam um valor fixo a titulo de premio. Em síntese, quando a Recorrente celebra contratos de planos de saúde fica obrigada a suportar as despesas médicohospitalares de seus associados na eventualidade da ocorrência de eventos aleatórios, mediante o pagamento mensal de importância fixa (premio), sem correspondência com as respectivas indenizações. Não tenho duvidas que este contrato possui nítida natureza de contrato de seguro. O contrato de seguro é aquele em que uma parte se obriga com a outra a defender seus interesses na ocorrência de riscos prédeterminados, mediante o recebimento de um pagamento. Percebese, portanto, que a principal característica do contrato de seguro é exatamente o pagamento desta indenização acerca do prejuízo resultante da ocorrência dos eventos previstos no contrato. Indiscutível que, ao contrario do contrato de prestação de serviços, o contrato de seguro é contrato aleatório, pois uma das prestações é sempre incerta, podendo inclusive não ocorrer, vez que sua ocorrência depende de evento futuro. Neste sentido ecoa a doutrina: “é o aleatório o contrato em que as prestações de uma ou de ambas as partes são incertas, porque a sua quantidade ou extensão esta na dependência de um fato futuro e imprevisível (alea) e pode redundar em numa perda, ao invés de lucro. Exemplos: o contrato de seguro...” (Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, Direito das Obrigações, Vol. II, Saraiva, 1967, pag.30) “Contrato aleatório, por excelência, é o seguro, e que a prestação do segurado é certa e do segurador incerta, dependendo da realização de uma condição.” (Arnold Wald, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 1969, pag.196) A meu sentir, a característica de seguro de um contrato de saúde pode ser facilmente constatado: (i) interesse segurável – saúde, (ii) risco – acontecimento futuro e incerto, suscetível de causar dano a saúde, (iii) premio – montante mensalmente recebido pela Recorrida de suas associadas, (iv) indenização – despesas medico hospitalares. Admitida esta premissa, sendo atividade da Recorrente típica de seguro, cabível a tese pleiteada. Conforme ementa do acórdão proferido na ocasião do julgamento do leading case (Recurso Extraordinário nº 346.084), resta evidente o conceito de faturamento atualmente admitido pelo Supremo Tribunal Federal, para tributação por meio da Lei nº 9.718/98, verbis: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.001372/200881 Acórdão n.º 3302001.779 S3C3T2 Fl. 5 7 expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (destaquei) Neste sentido, uma vez que a Suprema Corte apresentou entendimento, pelo Pleno de seu Tribunal, no sentido que faturamento é apenas receita de venda de “produtos e serviços”, plausível o entendimento trazido pela Recorrente. Todavia, existe um senão no caso em análise. A questão é que a venda de planos de saúde está prevista da lista de serviços da Lei Complementar 116/05, sendo, portanto, passível de exigência de ISS pelos Municípios. Desta forma, e uma vez que é defeso a este tribunal administrativo julgar a constitucionalidade de lei, voto com o Conselheiro Relator, ainda que pelas conclusões, para negar o pedido de restituição apresentado pela Recorrente. E como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10469.721417/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009
Consolidado em 31/08/2010
Valor de R$ 1.771.670,07
Ementa.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Caracteriza cerceamento de defesa a decisão singular que não permite a realização de perícia requerida oportunamente, conforme preconiza o Decreto 70.235/72. Necessidade de anular decisão de primeiro grau
No presente caso a perícia contábil foi requerida na conformidade da lei, ou seja, com a impugnação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros, Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Parros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Voluntário Acórdão nº 2301002.850 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE JARDIM DE PIRANHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 Consolidado em 31/08/2010 Valor de R$ 1.771.670,07 Ementa. CERCEAMENTO DE DEFESA Caracteriza cerceamento de defesa a decisão singular que não permite a realização de perícia requerida oportunamente, conforme preconiza o Decreto 70.235/72. Necessidade de anular decisão de primeiro grau No presente caso a perícia contábil foi requerida na conformidade da lei, ou seja, com a impugnação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 14 17 /2 01 0- 46 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros, Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Parros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10469.721417/201046 Acórdão n.º 2301002.850 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializado pelo n° 37.275.0672, consolidado em 31/08/2010, em desfavor da Prefeitura Recorrente por ter compensado valores indevidos, inclusive 13° Salário. A ação fiscal, além de ter consultado os sistemas informatizados da SRFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil examinou também os documentos apresentados pela ora Recorrente, sendo eles: Lei Orgânica do Munbicípio; Ata de posse do prefeito; Folhas de Pagamento da PMJP de 02/1998 à 09?2004; Folhas de Pagamento da Câmara Municipal no mesmo período acima; Planilhas dos valores salariais dos agentes políticos e índices de correção; A Fiscalização observou que o Recorrente inseriu em GFIP’s de março de 2009 à julho e setembro à dezembro de 2009, inclusive 13° salário, valores de compensação, conforme consta no Sistema Plenus MF/RFB. O Recorrente apresentou a Planilha “Contribuições Previdenciárias – Base de Cálculo”, na qual estão relacionados valores correspondentes as remunerações dos cargos de Prefeito, Vice, Secretários Municipais, no período de 03/1998 a 09/2004. Não apresentou ação judicial relacionada à compensação de Contribuição Previdenciária recolhidas indevidamente, mesmo tendo sido intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal. O Recorrente alegou crédito de Contribuição Previdenciária, sendo que a Fiscalização consultou as GFIP’s do período reclamado, com a finalidade de exclusão dos cargos políticos/eletivo, e constatou que ele não apresentou a retificação da GFIP. O Recorrente solicitou dilação de prazo para apresentar documentos faltantes e a Fiscalização indeferiu por não encontrar respaldo legal. Diz a Fiscalização que ao deixar de excluir em GFIP todos os exercentes de mandato eletivo, o Contribuinte não cumpre com o preceito básico para usufruir a compensação pretendida, segundo, elencada no artigo 4°, inciso I, da Portaria MPS n° 133/2006, e no artigo 6°, inciso I e § 4° da IN MPS/SRP n° 16/2006. Alega a fiscalização que o direito à compensação ocorre em cinco anos a contar da data do pagamento indevido, conforme artigo 168, I do CTN combinado com o artigo 253, Inciso I, do Decreto 3.048/99 – RPS. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 Considerou que o contribuinte iniciou a compensação em 03/2009, e constatouse que a prescrição já ocorrera em relação aos pagamentos efetuados até o dia 28/02/2004. Portanto, o crédito que o contribuinte alega existir estaria restrito apenas aos valores das contribuições relativas às remunerações de Prefeito, Vice e Vereadores cujos recolhimentos tenham ocorrido a partir de 01 de março de 2004. O Relatório analisa os anexos, mormente o segundo onde o contribuinte compensou em GFIP valores lá discriminados referente ao período lançado, pois nele comprovouse que houve a compensação indevida, e foi efetuada a glosa de tais valores, com o conseguinte lançamento do débito, sendo: Glosa Compensação Mandato Eletivo; Multa Isolada; Da mesma ação fiscal foi ainda formalizado o Auto de Infração n° 37.275.0699, porque o sujeito passivo deixou de apresentar a documentação solicitada no TIF 001, bem como Representação Fiscal para fins penais. Inconformada apresentou em 01.10.2010 Impugnação, sendo que tempestiva porque recebeu o AI em 01 de setembro do mesmo ano, alegando: Desnecessidade de depósito; Inconstitucionalidade das multas aplicadas: Inadequação do tipo aplicado; Não subsunção entre a situação apreciada e tipificação legal que embasa a multa; Efeito confiscatório; Direito de compensar pagamentos sobre remuneração de agentes políticos; Ausência de Prejuízo à Previdência Social. No entanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão n° 1134.853 da 7ª Turma da DRJ/REC1527099, julgou a impugnação improcedente, portanto, mantendo o crédito tributário, conforme ementário abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovado o recolhimento indevido de contribuições, não se evidencia qualquer crédito em favor do contribuinte, sendo cabível a glosa das compensações efetuadas. DECLARAÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10469.721417/201046 Acórdão n.º 2301002.850 S2C3T1 Fl. 4 5 Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no. 9.430/96 aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação Improcedente Em 30.SET.2011 (sextafeira) recebeu a notificação e no dia 1° de novembro do mesmo ano, inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, Recurso Voluntário (fls. 142 e seguintes) alegando, além da tempestividade do recurso e da desnecessidade de recolhimento de depósito recursal, as mesmas argumentações expendidas na Impugnação. Eis o relato dos fatos. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa , Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. O recurso merece provimento no que concerne a alegação de cerceamento de defesa e lesão ao princípio da ampla defesa e ao contraditório, tendo em vista que a autoridade fiscal indeferiu de forma sumária a realização de prova pericial postulada pela recorrente e em muitas oportunidades fundamenta a manutenção do AI em fatos que poderiam ser facilmente elididos com a realização da prova. Vêse que ao apresentar a impugnação administrativa, a Recorrente requereu a dilação de prazo, justificadamente para apresentação de documentos que comprovariam a compensação, que a fiscalização indeferiu. Todavia, ao se manifestar a respeito do requerimento de provas a decisão recorrida simplesmente mantevese calada. Em razão do inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal que prescreve o princípio da ampla defesa e do contraditório e permite ao contribuinte provar o seu direito utilizandose de todos os meios de prova em direito permitido, não cabe a autoridade fiscal negar o pedido de prova pericial da recorrente, nada alegando com substância real para não permitir a realização de novos documentos. Não pode a Administração se sobrepor ao contribuinte e decidir por este qual é a melhor maneira de realizar sua prova, a ela cabe somente a análise e valoração das provas produzidas. As formalidades processuais não devem se sobrepor ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, ainda mais quando a própria autoridade fiscal utilizase da suposta falta de provas para embasar a legalidade do lançamento. Vejase: “Ademais, cumpre observar que existe a suspeita de que os débitos já foram lançados na compensação e vêm sendo pagos regularmente, quiçá, já extintos. Assim não pode a administração receber duas vezes, sendo imperativo em nome do princípio da moralidade que se realize a prova pericial.” Insta salientar que a Administração Pública, em razão do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, deve buscar a verdade substancial dos fatos. Neste sentido é a lição de Celso Antonio Bandeira de Mello: “36. (VIII) Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10469.721417/201046 Acórdão n.º 2301002.850 S2C3T1 Fl. 5 7 procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve buscar a verdade substancial. Ou autor citado escora esta assertiva no dever administrativo de realizar o interesse público.” (in Curso de Direito Administrativo 21ª Edição – Editora Malheiros – São Paulo – 2006 – pág. 481) O referido autor deixa claro que o princípio deve ser aplicado a TODOS OS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS, portanto, inclusive este: “27 .No ordenamento jurídicopositivo brasileiro podem ser identificados 11 princípios obrigatórios, com fundamento explícito ou implícito na Constituição. Oito destes princípios são aplicáveis a todo e qualquer tipo de procedimento e apenas três deles deixam de ser aplicados a certas espécies de procedimento. São os seguintes: (I) princípio da audiência do interessado; (II) princípio da acessibilidade aos elementos do expediente; (III) princípio da ampla instrução probatória; (IV) princípio da motivação; (V) princípio da reversibilidade; (VI) princípio da representação e acessoramento; (VII) princípio da lealdade e boafé; (VIII) princípio da verdade material; (IX) princípio da oficialidade; (X) princípio da gratuidade e (XI) princípio do informalismo. 28. Os oito primeiros aplicamse a todo e qualquer procedimento.” (in Curso de Direito Administrativo – 19ª Edição – Editora Malheiros – São Paulo – 2005 – pg. 469/470). E o Superior Tribunal de Justiça já pacificou seu entendimento no sentido de que OS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS (tributário, fiscal, militar, dentre outros) devem observância ao princípio da verdade material, in verbis: (...) Por força do princípio da verdade material, plenamente aplicável no âmbito do processo administrativo enquanto garantia da indisponibilidade do interesse público, conforme ensina Adilson Abreu Dallari e Sérgio Ferraz, ‘MESMO NO SILÊNCIO DA LEI, E ATÉ MESMO CONTRA ALGUMA ESDRÚXULA DISPOSIÇÃO NESSE SENTIDO, NEM HÁ QUE SE FALAR EM CONFISSÃO E REVELIA, COMO OCORRE NO PROCESSO JUDICIAL. NEM MESMO A CONFISSÃO DO ACUSADO PÕE FIM AO PROCESSO; SEMPRE SERÁ NECESSÁRIO VERIFICAR, PELO MENOS, SUA VEROSSIMILHANÇA, POIS O QUE INTERESSA, EM ÚLTIMA ANÁLISE, É A VERDADE, PURA E COMPLETA’ (Ob. cit., p. 87). Recurso ordinário provido.” Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 8 (STJ – ROMS nº 12105 – Min. Rel. Franciulli Netto – Segunda Turma – d. 03.03.2005 – p. 20.06.2005) CONCLUSÃO CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta e diante do exposto, tenho que o recurso aviado atende todos os requisitos processuais, por isto conheço dele, e no mérito julgo que houve o cerceamento de defesa por não permitir a realização de perícia quando requerido em tempo oportuno, razão pela qual se deve anular a decisão recorrida, baixandose os autos em diligência para que seja realizada a prova pericial conforme requerida pelo contribuinte, ato contínuo, nova decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 11065.909475/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
O saldo credor de IPI postulado em pedido de ressarcimento deve ser comprovado mediante a apresentação de documentação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O saldo credor de IPI postulado em pedido de ressarcimento deve ser comprovado mediante a apresentação de documentação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 94 75 /2 00 8- 91 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, que indeferiu todos os termos da Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada em face do Despacho Decisório Eletrônico que não reconhecera integralmente o crédito e, consequentemente, não homologara todas as compensações, ambos indicados em PER/Dcomp entregue em janeiro de 2005. A DRJ explicou que uma das razões do indeferimento do pleito (glosa de créditos tidos como indevidos, por conta da indicação de nota fiscal cujo CNPJ consta na situação de “cancelado” e de nota fiscal de empresa optante do SIMPLES) não fora contestada pela interessada na sua Manifestação de Inconformidade, o que levou aquela instância de piso a invocar a regra do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, segundo a qual “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Impugnante.” Quanto ao outro motivo utilizado pela DRF para o indeferimento do pleito da interessada (constatação de que o saldo credor existente era inferior ao montante constante do pedido), informou a DRJ que a Impugnante se limitara a afirmar possuir o direito ao crédito e a indicar os documentos nos quais isso poderia ser atestado, argumentos esses que não foram confirmados segundo a análise que efetuou. No Recurso Voluntário a Recorrente limitouse a repetir os termos de sua Manifestação de Inconformidade. No essencial, é o Relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.909475/200891 Acórdão n.º 3401001.991 S3C4T1 Fl. 206 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 28/03/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 24/04/2012. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Com a devida vênia, a Recorrente demonstrou pouco ou nenhum interesse em apresentar argumentos para contestar a decisão contra a qual apresentou seu Recurso Voluntário, porquanto limitouse a afirmar que possuía o crédito a ser ressarcido e indicou como “prova” a mesma PER/Dcomp que já fora objeto de análise, tanto pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil, quanto pela instância ora recorrida. Nada de novo em seu favor trouxe a Recorrente nesta fase processual, o que impossibilita o provimento ao seu recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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