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Numero do processo: 13830.901092/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 92 /2 01 3- 49 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000251/2001-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Não será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 1401-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita, afastar a decadência de rever saldos negativos de períodos anteriores e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita, afastar a decadência de rever saldos negativos de períodos anteriores e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita, afastar a decadência de rever saldos negativos de períodos anteriores e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 02 51 /2 00 1- 74 Fl. 1282DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0644.852 da 2 ª Turma da DRJ Curitiba, que deu provimento em parte à Manifestação de Inconformidade da Interessada,. restando não compensados os débitos no total de R$161.243,05. O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Trata o processo do Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação (ambos em papel) de págs. 3/22, protocolizados em 30/03/2001, requerendo crédito de Saldo Negativo (SN) de IRPJ do ano calendário 1998, decorrente de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF a maior que o IRPJ devido na apuração anual (o contribuinte optou pelo regime de apuração de estimativa mensal com base em balanço/balancete de suspensão/redução), no seguinte valor: IRRF ...............................R$334.690,30 () IRPJ devido................R$ 59.161,14 = IRPJ pago a maior.......R$275.529,16 () IRPJ ac1999...............R$ 44.499,71 (+) Selic.........................R$109.205,91 = Valor rest/comp..........R$340.235,36 2. Os débitos a serem compensados foram informados como 2172 Cofins, 8109PIS, 2374 CSLL e 1097 IPI vincendos a partir do mês do protocolo, informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no total de R$340.235,36. 3. Após intimações ao contribuinte, a fim de que comprovasse o IRRF e o oferecimento à tributação das receitas financeiras correspondentes, e análise da documentação apresentada, a Seção de Arrecadação – Sarac da DRF em Camaçari/BA (DRF/CCI) emitiu o Despacho Decisório DRF/CCI nº 184/2007, de 26/09/2007, págs. 480/490: a. indeferindo a Solicitação de Compensação, porque na data de abertura do processo (30/03/2001) não houve pedido formal de compensação, uma vez que o contribuinte, embora tenha se utilizado do formulário específico, qual seja. "Pedido de Compensação", aprovado pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, em seu artigo 25, norma vigente à época, não obedeceu às disposições legais desta, porque não discriminou os débitos que desejava compensar (indicação do tributo, código de receita, PA, vencimento e valor), que tampouco foram corretamente indicados nas Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentadas no prazo normal fixado para tal providencia, uma vez que não vinculados a processo administrativo, e que, mesmo intimado para tanto em 27/10/2004, o contribuinte não formalizou a devida Declaração de Compensação – PER/Dcomp eletrônica, já vigente; b. deferindo em parte o Pedido de Restituição, reconhecendo o direito creditório de SN IRPJ de 31/12/1998 no valor de R$109.722,90, porque: Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.271 3 i. apurouse que somente foram oferecidas à tributação receitas financeiras suscetíveis de retenção na fonte no total de R$1.186.819,41 e não os R$1.939.866,61 correspondentes ao total de IRRF que pleiteou, ii. e ainda porque o valor de R$59.161,14 de IRRF mensal foi informado indevidamente como pagamentos de estimativas mensais – assim, restaram R$145.603,98 de SN IRPJ em 31/12/1998; iii. sendo que R$44.499,71 foram consumidos na compensação IRPJ ac 1999, restando, R$109.722,90 (valor original) de SN IRPJ em 31/12/1998 a restituir (págs. 477/479). 4. Cientificado em 08/10/2007, págs. 495/496, após pedir cópia do processo, apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva de págs. 524/541, em 07/11/2007, por meio de seus representantes legais de págs. 542/546, acompanhada dos documentos de págs. 547/621. Durante a análise da Manifestação de Inconformidade, a autoridade julgadora faz uma digressão dos fatos correlacionandoos com as alterações legislativas que regulamentavam o procedimento para o pedido de compensação há época e que serviram de fundamento para reconhecer, em obediência ao princípio da Verdade Material a existência de um crédito de R$109.722,90, porém insuficiente para quitar a totalidade dos débitos indicados à compensação, restando um saldo a compensar no valor de R$ 161.243,05, face o não reconhecimento da possibilidade de homologação tácita, os quais peço vênia para reproduzir, dada sua importância na contextualização da questão: 1 Síntese dos fatos. 20. Conforme ata datada de 01/05/2007, registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia em 30/07/2007, a Policarbonatos do Brasil S/A, CNPJ 27.515.154/000172, incorporou a Proquigel Química S/A, CNPJ 05.282.535/000116; e alterou a razão social para Proquigel Química S/A, CNPJ 27.515.154/000172. 2. Depois de ter protocolizado os Pedidos de Restituição e Compensação em 30/03/2001, o contribuinte foi intimado em 15/05/2002, pág. 28, a apresentar documentos relativos aos Pedidos de Restituição e Compensação e os apresentou às págs. 29/53. 3. O contribuinte foi também intimado pela DRF em Camaçari/BA, em 29/06/2004, págs. 58 e 86, Termo de Intimação nº 3519, a pagar débitos declarados em DCTF de Cofins, CSLL, IPI, IRRF, PIS, Pasep e IRPJ de períodos de apuração de 07/2000 a 06/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 55/56 e 83/85, ao argumento de que “na informação da DCTF, hora retificada, houve um equivoco, não sendo compensado com Darf e sim com pedido de compensação solicitado através dos processos nºs 13502.000309/200018, 13502.000251/200174 e 13502.000882/200193 e sem processo (débitos com vencimento em 30/03/2001 e 10/04/2001; e o contribuinte também foi intimado, Termo de Intimação nº 28624 de pág. 114, pela DRF de Osasco/SP, a pagar débitos declarados em DCTF de IPI de períodos de apuração de 02, 08 e 09/2000 e 03 e 11/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 111/113, ao argumento de que “houve um erro na informação da DCTF, não sendo compensado com Darf e sim com o processo informado abaixo”, sendo que os processos de compensação informados são: compensação sem processo (débitos de Fl. 1284DF CARF MF 4 10 e 08/2000, 03 e 04/2001), 13502.000309/200018, 13502.000238/200115, 13502.000234/200137 e 13502.000251/200174. 4. Ambas petições foram analisadas, págs. 149/151, conforme cientificado ao interessado em 27/10/2004, pág. 152, concluindose que a compensação devia ser considerada não declarada nos termos da IN SRF nº 432 de 22 de julho de 2007, art. 2º, IV, “c” e art. 4º; em função disso, o contribuinte foi intimado a sanar a falha mediante apresentação de declaração de Compensação PER/Dcomp eletrônica, caso quisesse pleitear a compensação. 5. Em 17/10/2005, o contribuinte protocolizou a Declaração de Compensação de págs. 171/172, porém no antigo formulário aprovado pela IN SRF nº 210, de 2002, informando serem os seguintes os débitos a compensar: 6. Em seguida foi proferido o Despacho Decisório, efetuada a diligência e o Relatório de Diligência, cujas contestações pelo contribuinte ora se analisa. 2 Homologação Tácita. Declaração de Compensação. 21. Uma vez transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos a partir da data de protocolização da declaração de compensação, considerase tacitamente homologada a compensação declarada. 7. A Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, art. 49, alterou o art. 74, § 2º e Lei nº 10.833, de 2003, alterou o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme segue: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifouse.) Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.272 5 8. A partir daí, passaram a valer essas alterações, que estão em consonância com o art. 150 do CTN, e delimitam o prazo em que o fisco pode invalidar o procedimento executado pelo sujeito passivo, no caso, as compensações de débitos declaradas. O termo inicial de contagem desse prazo está explícito na lei: é a data da entrega da declaração de compensação. 9. A Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, instituiu e regulamentou a Declaração de Compensação. 10. Anteriormente à edição da legislação supra, em 30/03/2001, o contribuinte entregou o Pedido de Compensação de pág. 5, nos moldes definidos pela Instrução Normativa SRF nº21, de 10 de março de 1997 e alterações: Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997 ) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. (...) Art. 25. Ficam aprovados os formulários "Pedido de Restituição", "Pedido de Ressarcimento", "Pedido de Compensação", "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros" e "Documento Comprobatório de Compensação", constantes dos Anexos I, II, III, IV e V, respectivamente. (Grifouse.) 11. Nesse Pedido de Compensação não detalhou os débitos, apenas declarou que eram vincendos a partir do mês do protocolo, informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no total de R$340.235,36; na DCTF entregue, declarou a compensação com valores de recolhimentos a maior, porém não vinculou ao processo referente ao Pedido de Compensação. 12. Por outro lado, o contribuinte protocolizou petições (de nulidade de intimações para pagamento de débitos declarados em DCTF) em 30/09/2004, informando que parte de tais débitos havia sido objeto de Pedido de Compensação no presente processo. 13. E somente em 17/10/2005, o contribuinte protocolizou a Declaração de Compensação de págs. 171/172, mesmo assim, não no meio eletrônico, como regulamentado nessa data, mas em formulário de papel aprovado pela IN SRF nº 210, de 2002, já revogada. 14. Tendo sido o Despacho Decisório cientificado ao contribuinte em 08/10/2007, não há que se falar em homologação tácita, dado que transcorridos apenas 2 (dois) anos da oficialização da compensação declarada, se é que se pode Fl. 1286DF CARF MF 6 assim denominar, dado que a Declaração de Compensação foi apresentada em meio inadequado nessa data. Nas razões de Recurso Voluntário, a recorrente reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade, com destaque para a necessidade de reconhecimento da homologação tácita em relação ao débito cujos créditos reconhecidos foram insuficientes para quitar. Voto Conselheiro Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologa se tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente pela decisão recorrida: Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.273 7 "Depois de ter protocolizado os Pedidos de Restituição e Compensação em 30/03/2001, o contribuinte foi intimado em 15/05/2002, pág. 28, a apresentar documentos relativos aos Pedidos de Restituição e Compensação e os apresentou às págs. 29/53. 3. O contribuinte foi também intimado pela DRF em Camaçari/BA, em 29/06/2004, págs. 58 e 86, Termo de Intimação nº 3519, a pagar débitos declarados em DCTF de Cofins, CSLL, IPI, IRRF, PIS, Pasep e IRPJ de períodos de apuração de 07/2000 a 06/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 55/56 e 83/85, ao argumento de que “na informação da DCTF, hora retificada, houve um equivoco, não sendo compensado com Darf e sim com pedido de compensação solicitado através dos processos nºs 13502.000309/200018, 13502.000251/200174 e 13502.000882/200193 e sem processo (débitos com vencimento em 30/03/2001 e 10/04/2001; e o contribuinte também foi intimado, Termo de Intimação nº 28624 de pág. 114, pela DRF de Osasco/SP, a pagar débitos declarados em DCTF de IPI de períodos de apuração de 02, 08 e 09/2000 e 03 e 11/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 111/113, ao argumento de que “houve um erro na informação da DCTF, não sendo compensado com Darf e sim com o processo informado abaixo”, sendo que os processos de compensação informados são: compensação sem processo (débitos de 10 e 08/2000, 03 e 04/2001), 13502.000309/200018, 13502.000238/200115, 13502.000234/200137 e 13502.000251/200174. 4. Ambas petições foram analisadas, págs. 149/151, conforme cientificado ao interessado em 27/10/2004, pág. 152, concluindose que a compensação devia ser considerada não declarada nos termos da IN SRF nº 432 de 22 de julho de 2007, art. 2º, IV, “c” e art. 4º; em função disso, o contribuinte foi intimado a sanar a falha mediante apresentação de declaração de Compensação PER/Dcomp eletrônica, caso quisesse pleitear a compensação. 5. Em 17/10/2005, o contribuinte protocolizou a Declaração de Compensação de págs. 171/172, porém no antigo formulário aprovado pela IN SRF nº 210, de 2002, informando os débitos a compensar: [...] 6. Em seguida foi proferido o Despacho Decisório, efetuada a diligência e o Relatório de Diligência, cujas contestações pelo contribuinte ora se analisa. Assim, se acordo com os fatos, a Recorrente apenas em 17/10/2005, apresentou Declaração de Compensação apta a produzir os efeitos pretendidos, portanto, entendo que em 08/10/2007, quando houve a ciência do despacho decisório de não homologação, ainda que parcial, as compensações não reconhecidas, manteriamse perfeitamente exigíveis, pois não transcorrido o lapso temporal de 5 (cinco) anos necessário ao reconhecimento da homologação tácita . Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de homologação tácita. Mérito Quanto ao mérito, correto o entendimento exarado pela decisão de piso ao afirmar que o crédito reconhecido foi insuficiente para quitar a totalidade dos débitos. Isto porque, conforme descreve: Fl. 1288DF CARF MF 8 Crédito Tributário. Valor do SN IRPJ 31/12/1998. 19. O contribuinte não contestou objetivamente o valor do SN IRPJ 31/12/1998 reconhecido no Despacho Decisório nº 184/2007, da DRF em Camaçari/BA. 20. Não contestou não ter oferecido a totalidade dos rendimentos financeiros à tributação, mas alegou que o valor do SN IRPJ 31/12/1998 foi apresentado na DIRPJ do ano calendário 1998, bem como contabilizado e há mais de 5(cinco) anos antes do Despacho Decisório e, por isso, tanto a DIRPJ como os registros contábeis já estariam tacitamente homologados, tendo também se configurado a decadência do direito de a Administração Tributária constituir o lançamento de crédito tributário. 21. Primeiramente, em relação à decadência do direito ao lançamento de ofício de crédito tributário pela Autoridade Fiscal, não há lançamento fiscal na presente situação; o contribuinte foi e continua sendo cobrado administrativamente por débitos confessados em DCTF, nas cobranças feitas pelas DRF Camaçari/BA e Osasco/SP já descritas. 22. No que tange à homologação tácita, seria aplicável aos débitos regularmente confessados em Declaração de Compensação, o que já foi analisado neste voto. 23. No que se refere à contabilidade, não houve qualquer revisão dos lançamentos contábeis do contribuinte, apenas se analisaram tais registros e documentos que os apoiavam, tendo concluído a diligência, repitase, que: (...) o contribuinte não logrou comprovar sequer o auferimento efetivo das supostas receitas financeira em 1996 e 1997 na sistemática pro rata, por não estarem os lançamentos contábeis lastreados em documentação hábil e idônea. Muito menos conseguiu demonstrar o efetivo vínculo entre essas supostas receitas e as DIRF referentes ao ano de 1998. 24. Quanto ao SN IRPJ 31/12/1998, requerido pelo interessado e apurado na DIRPJ, o interessado também postulou que teria oferecido à tributação nos anos anteriores as receitas financeiras correspondentes ao IRRF que resultou no SN 31/12/1998 que apurou de R$340.235,36 – contudo, essa afirmativa do litigante foi desmentida no Relatório de Diligência, conforme relatado – e o contribuinte não contestou essa conclusão, portanto, esse argumento foi rechaçado. 25. O Despacho Decisório DRF/CCI nº 184/2007, cientificado ao interessado em 08/10/2007, reconheceu o direito creditório no valor de R$109.722,90 de SN IRPJ 31/12/1998 e, à vista da improcedência dos argumentos apresentados, cabe confirmar esta conclusão. Portanto, em tendo a Recorrente se limitado a argumentar que seria ponto incontroverso nos autos a retenção do IRRF no valor de R$ 275.529 por ela trazidos como referentes à retenções competentes a períodos anteriores a 1998 oferecidos à tributação em época própria, o que não foi confirmado como esclarecido pelo resultado da diligência, a glosa deve ser mantida. Ante o exposto, afastada a preliminar, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.274 9 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 1290DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903536/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 36 /2 01 0- 16 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900603/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 03 /2 01 2- 24 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900603/201224 Acórdão n.º 1302002.136 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900603/201224 Acórdão n.º 1302002.136 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900603/201224 Acórdão n.º 1302002.136 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903349/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.990
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 49 /2 01 1- 55 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.517. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720238/2013-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ERRO PROCEDIMENTAL.
Constatado erro na Declaração de Ajuste Anual Retificadora (reclassificação de rendimentos, de tributáveis para isentos, sem o registro do respectivo IRRF), gerando a exigência indevida de devolução de restituição já recebida, é de se cancelar o lançamento, mormente quando, conforme orientação do Plantão Fiscal e da DRJ, já foi apresentada nova retificação, desta feita com o registro do IRRF.
Numero da decisão: 9202-005.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ERRO PROCEDIMENTAL. Constatado erro na Declaração de Ajuste Anual Retificadora (reclassificação de rendimentos, de tributáveis para isentos, sem o registro do respectivo IRRF), gerando a exigência indevida de devolução de restituição já recebida, é de se cancelar o lançamento, mormente quando, conforme orientação do Plantão Fiscal e da DRJ, já foi apresentada nova retificação, desta feita com o registro do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 02 38 /2 01 3- 45 Fl. 103DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em 02/03/2012, a Contribuinte apresentou a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2012, anocalendário de 2011, na modalidade de desconto simplificado, registrando rendimentos tributáveis no valor de R$ 57.191,94 e IRRF de R$ 6.505,17, apurando Imposto a Restituir no valor de R$ 2.551,09 (fls. 14 a 18). Em 03/01/2013, a Contribuinte apresentou a Declaração Retificadora de fls. 19 a 23, reclassificando os rendimentos acima como isentos, por ser portadora de moléstia grave, porém sem que fosse reiterado o valor do IRRF, o que gerou a Notificação de Lançamento Eletrônica de fls. 04, por meio da qual foi cobrado o valor da restituição, que teria sido recebido indevidamente, acrescido de juros de mora, já que na retificadora nada fora apurado (nem imposto a pagar nem a restituir). Em 10/01/2013, a Contribuinte apresentou nova Declaração Retificadora, desta feita registrando o IRRF e apurando Imposto a Restituir no valor de R$ 6.505,17 (fls. 50 a 55), que foi cancelada, tendo em vista a existência de Notificação de Lançamento (fls. 59/60). Em 17/01/2013, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 2, visando o cancelamento da Notificação de Lançamento. Na oportunidade, informou a apresentação da Declaração Retificadora em 10/01/2013, por meio da qual apurara Imposto a Restituir no valor de R$ 6.505,17. Em 05/03/2013, a DRJ em Curitiba/PR proferiu acórdão assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. ABRANGÊNCIA. A declaração retificadora substitui a declaração original, de forma que todas as informações vinculadas a essa última deixam de existir, para efeitos de apuração do imposto. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. SALDO DE IMPOSTO A RESTITUIR INEXISTENTE. Cabe manter a exigência imposta quando a declaração retificadora apresentada pela contribuinte não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento do débito fiscal reclamado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" No voto a Julgadora assim assevera: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 104 3 "A declaração retificadora apresentada pela contribuinte, em 03/01/2013 (fls. 19/23), não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição de indébito de imposto será requerida pela pessoa física à RFB mediante apresentação de DIRPF e que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, cabe a contribuinte apresentar nova declaração retificadora para acerto da sua declaração de ajuste anual e formalização do pedido de restituição, que será apreciado pela autoridade competente." Cientificada da decisão da DRJ, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 39, em que explica o erro cometido quando da apresentação da primeira Declaração Retificadora (deixou de registrar o IRRF), informa que apresentou nova Declaração Retificadora registrando o IRRF, conforme orientação do Plantão Fiscal, porém dita retificação fora cancelada. Ao final pede que essa segunda retificadora, em que efetivamente apura a restituição pleiteada, seja considerada. Em sessão plenária de 27/01/2016, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2402004.910 (fls. 70 a 78), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 NORMAS GERAIS. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. MATERIAL. São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. A ausência de clareza na descrição do fato gerador e na matéria tributável impede que o contribuinte exerça, de forma plena, seus direito à defesa, o que caracteriza vício. O vício constante na descrição do fato gerador é de natureza material, pois se refere ao objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o lançamento fiscal por vício material." O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 08/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 79). Conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, o prazo Fl. 105DF CARF MF 4 para interposição de Recurso Especial expiraria em 22/04/2016. Em 19/04/2016, foi interposto o Recurso Especial de fls. 80 a 90 (Despacho de Encaminhamento de fls. 91). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a declaração de nulidade do lançamento natureza do vício. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nº 2302000386 e 240100018. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 17/06/2016 (fls. 93 a 98). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a decisão ora recorrida determinou a anulação por vício material do lançamento por ausência de descrição clara e detalhada do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física; sabese que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração e da notificação de lançamento nos arts. 10 e 11, nos seguintes termos: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” pela leitura dos dispositivos dantes transcritos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 105 5 com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório (cita doutrina de Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, Marcelo Caetano e Luiz Henrique Barros de Arruda); assim, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. na hipótese em apreço, a descrição deficiente do fato gerador no sentido de que o relatório da notificação traria motivação insuficiente para o exercício do direito de defesa, não pode ser considerado como de tal natureza e intensidade a ponto de determinar a exclusão dos valores do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato) nunca existiu; com efeito, não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação; a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram; já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato; no caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte; tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo, portanto de vício de forma; a propósito, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns de seus requisitos, como a descrição dos fatos geradores, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma (cita jurisprudência do CARF); por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constitui causa para exclusão pura e simples dos respectivos valores do lançamento, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar, portanto, a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal); em se tratando de vício relacionado à motivação, este que se revela como requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99; a convalidação in casu é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, só determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vício de incompetência; b) preterição do direito de defesa; patente no caso que, se vício houve no lançamento, este seria de natureza formal, acarretando, por conseqüência, apenas e tãosomente a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal). Fl. 107DF CARF MF 6 logo, por todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento em sua integralidade. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o recurso seja conhecido e provido para reformar o acórdão atacado de forma a manter o lançamento em sua integralidade. Caso assim não entenda este colegiado, que o vício que anulou o Auto de Infração seja considerado de natureza formal. Cientificada em 16/09/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 101), a Contribuinte quedouse silente (Despacho de Encaminhamento de fls.102). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Não foram oferecidas Contrarrazões. No acórdão recorrido tratouse de pedido de cancelamento de Notificação de Lançamento, gerada por erro no preenchimento de Declaração Retificadora apresentada em 03/01/2013 (reclassificação de rendimentos, de tributáveis para isentos, sem o registro do respectivo IRRF), combinado com pedido de revalidação de uma segunda Declaração Retificadora, apresentada em 10/01/2013, que corrigira o erro, porém fora cancelada, tendo em vista a existência da Notificação de Lançamento relativa à primeira retificação. No acórdão recorrido, declarouse a nulidade do lançamento por vício material, enquanto que a Fazenda Nacional defende que não haveria vício e, ainda que houvesse, este seria formal. Antes de analisar o Recurso Especial propriamente dito, é necessário que se pontue as particularidades ocorridas no decorrer do processo, para que se possa compreender a decisão que aqui será adotada. Primeiramente, importa salientar que se trata de caso simples de erro material devido a lapso manifesto, cometido pela Contribuinte: ela apresentou Declaração de Ajuste Anual na modalidade de desconto simplificado, registrou os rendimentos como tributáveis e o respectivo IRRF, apurando Imposto a Restituir no valor de R$ 2.551,09 (fls. 14 a 18); posteriormente, deuse conta de que teria direito a isenção por moléstia grave e, em 03/01/2013, apresentou Declaração Retificadora, reclassificando os rendimentos como isentos, porém por lapso não registrou o IRRF correspondente, o que gerou automaticamente Notificação de Lançamento exigindo o imposto já restituído, acrescido apenas de juros de mora; antes de receber a Notificação de Lançamento, compareceu ao Plantão Fiscal, oportunidade em que tomou conhecimento da exigência e foi orientada a apresentar nova Declaração Retificadora, desta vez com o registro do IRRF, o que foi feito em 10/01/2013; ocorre que essa última Retificadora foi cancelada, exatamente pela existência da Notificação de Lançamento decorrente da primeira Retificadora. Tal situação teria sido facilmente resolvida em sede de julgamento em Primeira Instância, caso a DRJ tivesse atentado para a informação que claramente constara da Impugnação, qual seja, a de que em 10/01/2013 a Contribuinte já havia apresentado a segunda Declaração Retificadora, bastando assim que essa última fosse validada, o que automaticamente tornaria sem efeito a primeira Declaração retificadora, bem como suas Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 106 7 consequências (Notificação de Lançamento). Ao invés disso, a DRJ concentrouse na primeira Declaração Retificadora, que já estava superada pela segunda retificação, e orientou a Contribuinte a fazer exatamente o que ela já havia feito em 10/01/2013, ou seja, a apresentar nova Declaração Retificadora. Confirase o voto da DRJ: "A declaração retificadora apresentada pela contribuinte, em 03/01/2013 (fls. 19/23), não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição de indébito de imposto será requerida pela pessoa física à RFB mediante apresentação de DIRPF e que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, cabe a contribuinte apresentar nova declaração retificadora para acerto da sua declaração de ajuste anual e formalização do pedido de restituição, que será apreciado pela autoridade competente." (grifei) Tudo o que foi até agora exposto consta claramente no Recurso Voluntário, de sorte que seria plenamente justificável a declaração de nulidade da decisão de Primeira Instância, que não se deu conta de que o comando dado à Contribuinte, no sentido de pleitear a restituição por meio de uma segunda Declaração Retificadora, já havia sido cumprido, e era exatamente isso que a Contribuinte estava submetendo à sua apreciação. Entretanto, no acórdão recorrido, primeiramente declarouse a nulidade da decisão de Primeira Instância, não pela motivação acima aventada, mas por supostamente não ter dado prazo para manifestação da Contribuinte, uma vez que ela fora intimada em 21/01/2013 e apresentara Impugnação em 17/01/2013. Ora, a própria Contribuinte relatou que tomara ciência de sua situação ao comparecer ao Plantão Fiscal e, obviamente para acelerar o procedimento, apresentou logo a Impugnação e a segunda Declaração Retificadora, mesmo antes de ser intimada. Com efeito, esse não seria motivo para nulidade da decisão de Primeira Instância, já que a iniciativa de antecipar a resolução do litígio foi da própria Contribuinte. O que a DRJ fez foi receber a Impugnação, no momento em que ela foi apresentada. Na sequência de análise de supostas nulidades, o acórdão recorrido declarou a nulidade do lançamento efetuado por meio da Notificação de Lançamento, por deficiência na descrição dos fatos, já que o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata de exigência por meio de Auto de Infração, requereria esse elemento. Entretanto, a exigência em questão foi formalizada por meio de Notificação de Lançamento Eletrônica, disciplinada pelo art. 11 do mesmo Decreto, que sequer menciona esse elemento. Confirase: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 109DF CARF MF 8 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Assim, a nulidade do lançamento declarada no acórdão recorrido apenas conduz a Contribuinte ao status quo anterior à primeira Declaração Retificadora, ou seja, impede que ela tenha de devolver a restituição já recebida, acrescida de juros de mora, porém a questão da revalidação da segunda Declaração Retificadora, o que efetivamente faria com que a Contribuinte recebesse a diferença de Imposto a Restituir no valor de R$ 3.954,08 (R$ 6.505,17 menos R$ 2.551,09), restou sem resposta. Em face de tal contexto, ausente a oposição de Embargos de Declaração, o que se tem é a declaração de nulidade do lançamento por vício material, pela ausência de detalhada descrição do fato gerador, o que teria suporte no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse passo, a Fazenda Nacional apresentou dois paradigmas que, embora tratem de Contribuições Sociais Previdenciárias, demonstram efetivamente a divergência arguida, uma vez que em ambos declarase a nulidade por vício formal, por falha na descrição dos fatos. Assim, conheço do Recurso Especial, cuja demonstração da divergência jurisprudencial autoriza a rediscussão acerca da natureza do vício do lançamento, se formal ou material. Entretanto, no que tange ao mérito do recurso propriamente dito, constatase que a Fazenda Nacional aborda matéria previdenciária, absolutamente estranha ao caso ora tratado, conforme evidenciam os seguintes trechos: "A decisão ora recorrida determinou a “exclusão dos valores relativos aos prestadores de serviços para os quais não se comprovou a cessão de mão de obra”, por ausência de detalhamento os serviços analisados a fim de comparálo ao conceito previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91. (...) Por sua vez, o art. 37, da Lei nº 8.212/91 prescreve, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 107 9 notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (...) No caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte, em razão da não comprovação dos requisitos caracterizadores da cessão de mão de obra. Tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vício de forma. (...) Por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento por falta de demonstração de todos os requisitos ensejadores da cessão de mão de obra constitui causa para exclusão pura e simples dos respectivos valores do lançamento, eis que se vício existe no lançamento quanto à matéria em que restou sucumbente a Fazenda Nacional, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar, portanto, a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal)." Assim, não há como sequer enfrentar as razões recursais, eis que abordam matéria previdenciária, mais especificamente, a questão da falta de demonstração dos requisitos ensejadores da cessão de mãodeobra. Ademais, assim consta no pedido da Recorrente: "(a) (...) (b) seja dado total provimento ao presente recurso para reformar o acórdão recorrido de forma manter o lançamento em sua integralidade. (c) caso assim não entenda este egrégio colegiado “ad quem”, que o vício que anulou o auto de infração seja considerado de natureza formal, conforme já exaustivamente demonstrado na fundamentação supra." (grifei) Ora, todo o Recurso Especial trata da natureza do vício, se formal ou material, e essa foi a discussão que foi alçada à rediscussão na Instância Especial. Com efeito, os dois paradigmas apresentados e analisados no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial são no sentido da declaração de nulidade do lançamento por existência de vício formal. Com efeito, se a Fazenda Nacional intentasse discutir a própria existência de vício, teria de apresentar paradigma em que, em face de situação semelhante à do acórdão recorrido, a conclusão fosse pela inexistência de vício, restabelecendose a autuação, na sua integralidade. Entretanto, repitase que nos dois paradigmas apresentados foi declarada a nulidade do lançamento por vício formal. Assim, não serão consideradas as razões recursais, eis que estranhas ao contexto do acórdão recorrido, tampouco será sequer aventada a hipótese de ausência de vício. Fl. 111DF CARF MF 10 Adentrando ao mérito do recurso, entende esta Conselheira que o vício apontado no acórdão recorrido não ocorreu, uma vez que o inciso III, do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, tratase de formalidade inerente a Auto de Infração. Não obstante, no presente processo não existe Auto de Infração e sim Notificação de Lançamento Eletrônica, sujeita às formalidades previstas no art. 11, do mesmo diploma legal, que não exige descrição dos fatos. Por outro lado, há que ser mantida a declaração de nulidade desse lançamento, já que a exigência que ele contém foi gerada por um erro de fato, devido a lapso manifesto, cometido pela Contribuinte quando da elaboração da Declaração Retificadora apresentada em 03/01/2013 (fls. 19 a 23). Por oportuno, esclareçase que, uma vez cancelado o lançamento oriundo do erro cometido pela Contribuinte na primeira Declaração Retificadora, não há qualquer óbice à consideração, para análise, da segunda Declaração Retificadora, apresentada em 10/01/2013 (fls. 50 a 55) e indevidamente cancelada (fls. 59/60), já que não visava garantir espontaneidade em procedimento fiscal, e sim corrigir erro cometido na retificação anterior, até porque o lançamento restringiuse à exigência do imposto já restituído, acrescido apenas de juros, sem aplicação de multa de ofício (fls. 04). Reiterase que a segunda Declaração Retificadora foi apresentada, conforme orientação de duas instância da RFB: Plantão Fiscal e DRJ. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digialmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721880/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO
As razões para a glosa da amortização do ágio foram duas: falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio e duplicação do ágio. Com relação à primeira razão, a própria autoridade se contradiz, pois faz referência à laudo de rentabilidade futura. No tocante à segunda razão, não houve duplicação de ágio, mas sim transferência de registro da incorporada para a incorporadora, operação absolutamente usual mesmo quando é a investida que incorpora a investidora.
Numero da decisão: 1401-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO As razões para a glosa da amortização do ágio foram duas: falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio e duplicação do ágio. Com relação à primeira razão, a própria autoridade se contradiz, pois faz referência à laudo de rentabilidade futura. No tocante à segunda razão, não houve duplicação de ágio, mas sim transferência de registro da incorporada para a incorporadora, operação absolutamente usual mesmo quando é a investida que incorpora a investidora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 80 /2 01 1- 41 Fl. 1658DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas referentes aos anoscalendário (AC) 2006 a 2009, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e CSLL, por meio dos quais constituiuse crédito tributário no importe de R$51.940.014,32, aí incluídos os valores do imposto, contribuição, multa de ofício (75%) e dos juros de mora (estes calculados até 30/11/2011). 2. Em 28/11/2011, a DEFIS/SP lavrou Termo de Verificação Fiscal – TVF, que assim descreve, resumidamente (fls. 658 a 665). I Descrição dos Fatos 2.1. Em fiscalização desenvolvida junto ao contribuinte acima identificado, VERIFICAMOS, em exame de sua escrita comercial e fiscal, bem como dos documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis do período de Janeiro2006 a Setembro 2009, a ocorrência dos fatos abaixo relacionados, que por irregulares, culminaram na constituição do crédito tributário lavrado através do competente Auto de Infração, conforme se segue. 2.2. A empresa fiscalizada, Cinemark Brasil S.A. (“Cinemark Brasil”) incorporou, na data de 30/09/2004, a empresa Cinemark Empreendimentos e Participações LTDA (“Cinemark Empreendimentos”), CNPJ n° 00.764.390/000176. 2.3. Com a finalidade da análise dos valores patrimoniais contabilizados e absorvidos pela fiscalizada, em virtude da incorporação realizada, foram verificados os livros: Diário, Razão e LALUR da empresa “Cinemark Empreendimentos”. 2.4. A pessoa jurídica incorporada, “Cinemark Empreendimentos”, apresentou declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o AC, até o último dia do mês subsequente ao evento, isto é, do período de 01/01/2004 a 30/09/2004 (cópia anexa). 2.5. Antes de ser incorporada, em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu as participações que as empresas “Kristal” e “Venture II” possuíam na “Cinemark Brasil”, contabilizando como ágio o valor de R$58.262.515,83. 2.6. Também em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu a totalidade das quotas da NN Participações LTDA (“NN”), como forma de adquirir a participação de 18,90% que esta empresa detinha no Capital da “Cinemark Brasil”. 2.7. Em 29/09/2004, a “Cinemark Empreendimentos” incorporou a empresa “NN”. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.623 3 2.8. Assim se resume a reorganização do grupo Cinemark no Brasil: 2.8.1. Em Julho de 2004, as quotas da “Cinemark Brasil” eram detidas pelas empresas “Cinemark Empreendimentos” (52,75%), “Venture II” (18,76%), “Kristal” (9,59%) e “NN” (18,90%); 2.8.2. Em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu as quotas das empresas “Venture II” e “Kristal”, pagando o preço de R$52.972.317,44 e R$27.070.110,56, respectivamente, o que totalizou R$80.042.428,00; 2.8.3. Em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu a totalidade das quotas da “NN”, pagando o preço de R$53.750.664,74; 2.8.4. Em 29/09/2004, a “Cinemark Empreendimentos” incorporou a “NN”, passando assim a deter 100% das ações da “Cinemark Brasil”; 2.8.5. Em 30/09/2004, a “Cinemark Brasil” incorporou a “Cinemark Empreendimentos”. II. Lançamentos Contábeis 2.9. Verificamse os lançamentos contábeis que se seguem: 2.9.1. Débitos efetuados em 30/09/2004 Acervo da incorporação Ágio Cinemark Brasil R$58.262.515,83 Acervo da incorporação Ágio NN Participações R$38.809.418,58 2.9.2. Os Investimentos no Ativo Permanente da “Cinemark Empreendimentos” foram contabilizados conforme se demonstra: (...) III. Contratos Sociais 2.10. Foram analisados os contratos da “Cinemark Empreendimentos” e da “Cinemark Brasil”, suas alterações, protocolos das incorporações das sociedades, justificativas das incorporações, laudos de avaliações e balanços patrimoniais das empresas incorporadas, anexos ao presente processo, onde observase que o critério de avaliação do acervo líquido utilizado para fins da incorporação, corresponde ao valor do Patrimônio Líquido pelo seu valor contábil, conforme atestam os balanços patrimoniais das empresas incorporadas, bem como encontramse definidos este critério de avaliação, nos protocolos das incorporações, isto é, prevaleceu o critério contábil. Fl. 1660DF CARF MF 4 2.11. Entretanto, no mês de Agosto/2004, com base no Balanço Patrimonial do mês de Julho/2004, da “Cinemark Brasil”, a empresa “Cinemark Empreendimentos” procede a uma avaliação nos investimentos que possui na “Cinemark Brasil” e na “NN PARTICIPAÇÕES” conforme lançamentos contábeis demonstrados pela mesma: (...) 2.12. As operações relativas à aquisição das ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” e à aquisição da “NN”, geraram o registro de ágio pela “Cinemark Empreendimentos”, adquirente de referidas participações societárias. 2.13. Tendo em vista que o preço pago nessas operações foi superior ao valor do Patrimônio Líquido da fiscalizada proporcional às participações societárias adquiridas, a “Cinemark Empreendimentos” desdobrou o custo de aquisição dessas participações em valor de patrimônio líquido da respectiva participação societária adquirida e ágio. Da análise dos Investimentos 2.14. Investimento da “Cinemark Empreendimentos” na “Cinemark Brasil”: 2.14.1. Da análise dos valores contabilizados a título de ágio pela empresa “Cinemark Empreendimentos”, decorrente da participação societária na “Cinemark Brasil”, concluise a ocorrência das inconsistências a seguir enumeradas: 2.14.1.1. O contribuinte apresenta uma explicação datada de 04/06/2009, em que anexa os documentos a seguir enumerados, que, foram analisados por esta fiscalização, a saber: 2.14.1.1.1. Contrato de Compra e Venda de Ações (“Cinemark Brasil” 28,35%) 2.14.1.2. Contrato de Compra e Venda de Ações (“NN” 100,00%) 2.14.1.3. Balancetes “Cinemark Empreendimentos”: junho/julho/agosto 2004 2.14.1.4. Balancetes “Cinemark Brasil”: junho/julho/agosto/2004 2.14.1.2. Referidos contratos não foram registrados no órgão competente para suas finalidades, bem como não foram comprovadas as alegações de que: “o preço total de compra pago aos vendedores, foram suportados em estudo de rentabilidade da empresa, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. V. Das contabilizações referentes ao ágio na aquisição dos investimentos: 2.15. Conforme dito anteriormente, as operações relativas à aquisição das ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” e à aquisição da “NN”, geraram o registro de ágio pela Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.624 5 “Cinemark Empreendimentos”, adquirente de referidas participações societárias. 2.16. Tendo em vista que o preço pago nessas operações foi superior ao valor do Patrimônio Líquido da fiscalizada proporcional às participações societárias adquiridas, a “Cinemark Empreendimentos” desdobrou o custo de aquisição dessas participações em valor de patrimônio líquido da respectiva participação societária adquirida e ágio. 2.17. Indicou como fundamento do ágio pago em ambas as operações a previsão de resultados em exercícios futuros, baseada em laudo de rentabilidade futura preparado pelo Deutsche Bank à época das aquisições. 2.18. Com a Incorporação da “NN” na “Cinemark Empreendimentos” e desta pela fiscalizada, “Cinemark Brasil”, a mesma iniciou a amortização do ágio para fins tributários, reconhecendo como despesa dedutível para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, os valores referentes a amortização do ágio originalmente registrado pela “Cinemark Empreendimentos”, à razão de até um sessenta avos por mês. VI. Do tratamento tributário: 2.19. Glosa da amortização do ágio Despesa desnecessária: 2.19.1. Em que pese a lei permitir a dedução de amortização de ágio absorvido em incorporação, não restou comprovado pelo contribuinte o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela incorporada com ágio elevado, o que autoriza considerar a despesa desnecessária e, por conseguinte, indedutível para fins de apuração do lucro real. 2.20. Incorporação às avessas Empresa controlada incorporando a empresa controladora Ágio de si próprio na incorporação Indedutibilidade Abuso de Direito: 2.20.1. O ágio se origina de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição da participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora imediatamente após esta ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporado de ágio de si próprio, por faltarlhe os pressupostos do ágio. A contabilização pelo incorporador deste valor chamado de ágio em conta de ativo diferido, em contrapartida de uma conta de reserva (patrimônio líquido), configura uma duplicação do ágio já contabilizado pelo investidor original. VII. Da atividade administrativa do lançamento: 2.21. Como o parágrafo único do art° 142 do C.T.N. esclarece que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, cumprindo Fl. 1662DF CARF MF 6 o disposto nos art°s. 904, 905, 911 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99 (RIR/99), efetuamos de ofício, o presente lançamento, conforme prevê o art° 926 do mesmo diploma legal, com o fim precípuo de promover a constituição do crédito tributário do fato já relatado. VIII. Do procedimento fiscal: 2.22. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos do art° 926 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999(RIR/99), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados no Auto de Infração lavrado nesta data: Adição não computada na apuração do lucro real, bem como da Base de Cálculo da CSLL decorrente de amortização do ágio decorrente de aquisição de participação societária, indedutível por faltarlhe os pressupostos do ágio. Valor Tributável Total: RS72.803.950,65. (...) IX. Do enquadramento legal: 2.23. Conforme descrito no Auto de Infração do IRPJ e da CSLL, anexos e partes integrantes deste Termo de Verificação Fiscal. (...) XI. Do encerramento: 2.24. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo de Verificação Fiscal, em 03 (três) vias de igual forma e teor (...) . 3. O contribuinte teve ciência dos Autos de Infração em 05/12/2011 (AR; fl. 701), e deles discordando, em 03/01/2012, impugnouos (fls. 704 a 732), nos seguintes termos, resumidamente. I. SUMÁRIO 3.1. O presente processo administrativo versa sobre a dedutibilidade de parcelas de amortização de ágio registradas pela Impugnante no curso dos anoscalendário de 2006 a 2009. 3.2. De um lado, as dd. autoridades fiscais alegam que esse ágio não seria dedutível por ser decorrente de operações de aquisição de participação societária sem fundamento econômico e envolvendo incorporação “às avessas”. 3.3. A Impugnante, por outro lado, vem demonstrar que o ágio questionado pelas dd. autoridades fiscais foi decorrente de operações comerciais de aquisição de participação societária, absolutamente legítimas, executadas entre partes não relacionadas e com pagamento de preço em dinheiro, além de claro propósito negocial no desenvolvimento das atividades do grupo Cinemark no Brasil. Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.625 7 II. DOS FATOS 3.4. O grupo Cinemark foi fundado em 1984 nos Estados Unidos da América com a inauguração de uma cadeia de cinemas em Salt Lake City. Em dois anos, o grupo conseguiu grande expansão no oeste e centrooeste dos Estados Unidos, com a aquisição de salas na Califórnia, Oregon, Utah e Texas. 3.5. No início da década de 90, o grupo Cinemark decidiu expandir seus negócios em nível mundial. Na América Latina, o grupo inaugurou a primeira sala de cinema no Chile em 1993, chegando ao Brasil em 1997. 3.6. No Brasil, o grupo Cinemark foi o pioneiro na implantação das chamadas salas multiplex, ou seja, conjuntos de 8 ou mais salas de cinema em um mesmo espaço (notadamente shoppings centers), com qualidade superior de som e imagem. 3.7. Apesar de atualmente o conceito de salas multiplex ser praticamente sinônimo de cinema no Brasil, a proposta do grupo Cinemark em 1997 que, até então, não tinha qualquer atuação no Brasil consistia em uma total revolução do mercado de salas de cinema, o que envolvia grande investimento inicial e, também, um significante risco nesse investimento. 3.8. Nesse cenário, o ingresso do grupo Cinemark no Brasil foi realizado por meio de uma joint venture com investidores não relacionados interessados nesse mercado em expansão. Assim, em 1997, o grupo Cinemark organizou uma empresa holding no Brasil, a Cinemark Empreendimentos e Participações Ltda. (“Cinemark Empreendimentos”), e essa empresa, juntamente com os investidores Venture II Equity Holdings Corporation (“Venture II”), Kristal Holdings Limited (“Kristal”) e NN Participações Ltda. (“NN”), organizaram a empresa operacional Cinemark Brasil S.A. (“Cinemark Brasil” ou Impugnante). 3.9. A organização da “Cinemark Brasil” com a participação do grupo Cinemark e dos terceiros investidores foi devidamente registrado por meio de Contrato de Joint Venture e de Acordo de Acionistas, que previam detalhadamente os direitos e obrigações das partes no âmbito da joint venture, especialmente as situações que implicariam o seu encerramento. 3.10. Em 2004 ou seja, mais de sete anos após a criação da joint venture os investidores decidiram exercer seu direito de venda de suas ações na “Cinemark Brasil”, em vista da ocorrência de um dos eventos previstos no Acordo de Acionistas. Nesse momento, o grupo Cinemark adquiriu a totalidade dessas ações, de forma que as atividades no Brasil fossem concentradas dentro do grupo. 3.11. Assim, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu as ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” na “Cinemark Brasil” e adquiriu a totalidade das quotas da “NN”. Nessas operações, o preço foi baseado em laudo elaborado pelo Fl. 1664DF CARF MF 8 Deutsche Bank com base em expectativa de rentabilidade futura e pago em dinheiro aos investidores. Foi superior ao valor patrimonial das participações societárias adquiridas. Dessa forma, a “Cinemark Empreendimentos” registrou ágio, nos termos do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda. 3.12. Subsequentemente e como, com a saída dos terceiros investidores e a extinção do Acordo de Acionistas, não havia mais razão para a manutenção da “Cinemark Empreendimentos”, esta empresa incorporou a “NN” e, em seguida, a “Cinemark Brasil”, por ser a empresa operacional, incorporou a “Cinemark Empreendimentos”. Assim, as participações societárias adquiridas com ágio foram liquidadas mediante incorporação e, nos termos do artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), a “Cinemark Brasil” passou a ter o direito de amortizar esse ágio para fins fiscais. 3.13. O referido ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura foi amortizado em 5 anos, à razão de um sessenta avos por mês, nos anos de 2004 a 2009. É a amortização desse ágio para fins fiscais, especialmente nos anos de 2006 a 2009, que consiste no objeto do presente processo administrativo. 3.14. Em suma, as dd. autoridades fiscais concluíram que o ágio gerado em operações de aquisição de participação societária realizadas entre partes não relacionadas e com pagamento em dinheiro do preço determinado em estudo de terceiros baseado em expectativa de rentabilidade futura da empresa não seria dedutível para fins fiscais. 3.15. Na tentativa de suportar essa absurda conclusão, as dd. autoridades fiscais alegam, sem qualquer embasamento, que (i) a Impugnante não teria comprovado que o preço pago aos investidores pela aquisição, direta ou indiretamente, da participação societária na Cinemark Brasil teria sido suportado em estudo de rentabilidade da empresa com base em expectativa de rentabilidade futura; (ii) a Impugnante não teria comprovado “o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela incorporada com ágio elevado”; e (iii) a existência de “incorporação às avessas”. 3.16. Nesse cenário, as dd. autoridades fiscais determinaram a glosa integral das despesas de amortização do ágio relativas aos anoscalendário de 2006 a 2009 e, consequentemente, exigem o recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) acrescidos de juros de mora e de multa de ofício de 75%. 3.17. A Impugnante, no entanto, não pode concordar com as alegações e conclusões das dd. autoridades fiscais, uma vez que elas foram baseadas em uma análise totalmente equivocada (ou enviesada) das operações em exame. É o que se passa a demonstrar. III. DAS RAZOES DE DEFESA III.1. Das operações em exame Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.626 9 3.18. Para que os Ilustres Julgadores possam fazer um juízo completo e imparcial do lançamento fiscal em análise, a Impugnante apresenta breve relato das operações envolvendo a dissolução da joint venture da Cinemark no Brasil. III.1.a. Situação até julho de 2004 3.19. Até julho de 2004, a situação da Impugnante podia ser sumarizada da seguinte forma: (i) Terceiros Investidores => Venture II = (18,76%) => Cinemark Brasil (ii) Terceiros Investidores => Kristal = (9,59%) => Cinemark Brasil (iii) Brasil Holdings LLC + Cinemark LLC => Cinemark Empreendimentos = (52,75%) => Cinemark Brasil (iv) Prona + Pessoas Físicas => NN Participações = (18,90%) => Cinemark Brasil Obs1: Exterior: “Terceiros Investidores”; “Venture II”; “Kristal”; “Brasil Holdings LLC”; “Cinemark LLC”; “Prona”. Obs2: Brasil: “Cinemark Empreendimentos”; “Pessoas Físicas”; “NN Participações”; “Cinemark Brasil”. 3.20. Então, no AC de 2004, após mais de sete anos da constituição da joint venture, decidiuse encerrála com os parceiros existentes à época, de forma que as atividades do grupo “Cinemark no Brasil” passaram a ser desenvolvidas somente em uma empresa operacional (a Impugnante) detida diretamente por empresas do grupo Cinemark no exterior. 3.21. Nesse contexto, as partes negociaram os termos do encerramento da joint venture, tendo negociado o preço das ações vendidas, mediante elaboração de laudo de avaliação a mercado das participações societárias a serem adquiridas, e outras formalidades previstas no Acordo de Acionistas. Com esse objetivo em vista, foram realizadas as operações descritas abaixo. III.1.b. Aquisição pela Cinemark Empreendimentos das ações detidas pela Venture II e pela Kristal 3.22. Em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu a totalidade das ações da Impugnante detidas pelas empresas estrangeiras “Venture II” e “Kristal”, tal como evidencia o respectivo Contrato de Compra e Venda de Ações (Doc. 04). 3.23. As ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” correspondiam a 28,35% do capital da Impugnante e o preço total pago pela “Cinemark Empreendimentos” para a aquisição dessas ações foi de R$80.042.428,00. 3.24. Considerando que o patrimônio líquido da Impugnante, com base em balancete levantado em 31 de julho de 2004 (Doc. 05), correspondia a RS76.824.448,79, temse que (i) o valor da participação adquirida (ou seja, 28,35% do patrimônio liquido Fl. 1666DF CARF MF 10 da Impugnante) foi de R$21.779.912,17; e (ii) o ágio registrado (ou seja, a diferença entre o preço pago e o valor patrimonial do investimento adquirido) foi de R$58.262.515,83. III.1.c. Aquisição da NN Participações pela Cinemark Empreendimentos 3.25. A “NN” era uma empresa brasileira constituída por investidores com o propósito especifico de deter investimento na Impugnante e de participar como sócia no Acordo de Acionistas. Assim, no cenário de dissolução da joint venture e atendendo à solicitação de tais investidores, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu, em 18/08/2004, a totalidade das quotas da “NN” como forma de adquirir a participação de 18,90% por esta detida no capital da Impugnante. 3.26. O Contrato de Compra e Venda de Quotas celebrado pela Cinemark Empreendimentos e os quotistas da NN Participações (Doc. 06) determinou o pagamento do preço total de R$53.750.664,74 (USD 18.061.379,28; o preço por ação foi de US$0,006: R$0,178), divididos entre os sócios da “NN” proporcionalmente à participação societária de cada um detida na referida empresa (Prona Global Ltd., Edgar Gleich, Riccardo Arduini, Moises Pinsky, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin). 3.27. Considerando que o patrimônio líquido da “NN” correspondia a R$14.943.503,53 (Doc. 07), temse que (i) o valor da participação adquirida foi de R$14.943.503,53 (há uma diferença imaterial de R$2.275,25 entre o valor mencionado e o valor utilizado como base de cálculo do ágio. O PL da “NN” era principalmente composto por seu investimento na Impugnante, no valor de R$14.519.326,86: participação de 18,90% sobre o PL da Impugnante em 31/07/2004, de R$76.824.448,79); e (ii) o ágio registrado (ou seja, a diferença entre o preço pago e o valor patrimonial do investimento adquirido) foi de R$38.809.418,58. III.1.d. Incorporação da NN Participações pela Cinemark Empreendimentos 3.28. Então, em 29/09/2004, a “Cinemark Empreendimentos” incorporou a “NN” (Doc. 08), passando, assim, a deter, diretamente, a totalidade das ações da Impugnante. III.1.e. Incorporação da Cinemark Empreendimentos pela Impugnante 3.29. Por fim, em 30/09/2004, a Impugnante incorporou a “Cinemark Empreendimentos” (Doc. 09), de forma que a estrutura societária do grupo passou a ser a seguinte: Brasil Holdings LLC + Cinemark LLC => Cinemark Brasil 3.30. Assim, as operações resultaram no encerramento da joint venture com os parceiros nãorelacionados e na consolidação das atividades do grupo Cinemark no Brasil em empresa operacional (a Impugnante). Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.627 11 3.31. Sob o ponto de vista fiscal, as participações societárias adquiridas pela “Cinemark Empreendimentos” na Impugnante e na “NN” foram liquidadas mediante incorporação, de forma que a empresa sobrevivente, a Impugnante, passou a ter direito a amortizar o ágio registrado nas referidas aquisições, conforme demonstrado no laudo de avaliação preparado por Deutsche Bank baseado em expectativa de rentabilidade futura. III.2. Da improcedência das acusações fiscais 3.32. O Termo de Verificação Fiscal tem oito páginas, das quais quatro contêm descrições dos fatos e três contêm planilha com o valor do ágio amortizado no período autuado e outras formalidades do lançamento fiscal. Ou seja, toda a motivação do lançamento fiscal foi apresentada em uma única página; aliás, mais especificamente, em três parágrafos. 3.33. No primeiro, as dd. autoridades fiscais alegam que os Contratos de Compra e Venda de Ações não foram registrados “no órgão competente” e que não “não foram comprovadas as alegações de que o preço total de compra pago aos vendedores foram suportados em estudo de rentabilidade da empresa, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. 3.34. No segundo, as dd. autoridades fiscais alegam que não há “fato econômico” para justificar as operações em exame. Simplesmente fazem tal alegação sem apresentar absolutamente qualquer fundamentação e/ou indício que indicasse a ausência de propósito negocial para as operações, a despeito de claramente se tratar de operações entre terceiros não relacionados. 3.35. E, por fim, em um parágrafo, as dd. autoridades fiscais alegam que o ágio seria decorrente de uma incorporação às avessas e que, portanto, a empresa incorporadora, a Impugnante, não poderia registrar “ágio de si próprio”. Como se vê, as dd. autoridades fiscais sequer colocaram esforço em fundamentar o lançamento fiscal. 3.36. De fato, é fácil compreender a razão pela qual as dd. Autoridades fiscais não apresentaram razões mais detalhadas para suportar o lançamento fiscal: não existem razões válidas para fundamentar a glosa de despesas de amortização de ágio decorrente de operações de aquisição de participação societária, entre partes não relacionadas, com pagamento em dinheiro de preço fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e com incorporação da empresa detentora da participação societária. 3.37. De qualquer modo, visando a afastar qualquer dúvida que possa existir com relação à absoluta regularidade das operações em exame e do respectivo tratamento fiscal, a Impugnante passa a demonstrar a improcedência das alegações fiscais. III.2.a. Registro dos contratos Fl. 1668DF CARF MF 12 3.38. As dd. autoridades fiscais alegam que os Contratos de Compra e Venda de Ações celebrados entre a “Cinemark Empreendimentos” e os parceiros investidores não teriam sido “registrados no órgão competente para as suas finalidades”. 3.39. Em primeiro lugar, vale mencionar que as dd. autoridades fiscais não mencionam, em nenhum momento, qual seria o “órgão competente” para registro dos referidos contratos de compra e venda. Assumindo a hipótese de que referidos contratos deveriam ter sido registrados em cartório de registro de títulos e documentos, cumpre ressaltar que tal registro não é obrigatório, sendo uma faculdade para as partes envolvidas. 3.40. Nesse sentido, vale relembrar o valioso princípio pacta sunt servanda, ou seja, que o contrato faz lei entre as partes. Ainda mais especificamente sobre contratos de compra e venda, o Código Civil dispõe claramente que sua validade só depende do acordo entre as partes com relação a objeto e preço, vejase: “Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço.” 3.41. Além disso, a transferência das ações da Impugnante pela “Venture II” e pela “Kristal” para a “Cinemark Empreendimento” e das ações da “NN” por seus sócios para a “Cinemark Empreendimentos” foram devidamente registradas nos livros societários da Impugnante e da “NN”, em especial no Livro de Registro de Ações Nominativas (Doc. 10), tal como previsto no artigo 31 da Lei n.° 6.404/76, em estrito cumprimento com a legislação comercial, não havendo qualquer irregularidade nesse procedimento. III.2.b. Da existência de pagamento de preço pela aquisição das participações societárias 3.42. A Impugnante apresenta os Recibos assinados por todos os vendedores das participações societárias, reconhecendo o recebimento do pagamento realizado pela Cinemark Empreendimentos (Doc. 12). III.2.c. Da existência de propósito negocial 3.43. As dd. autoridades fiscais alegam, ainda, que não houve “fato econômico” para justificar as operações descritas acima, ou seja, que as aquisições de participação societária não teriam claro propósito negocial. Essa alegação, no entanto, além de imotivada no lançamento fiscal, claramente foi feita sem qualquer análise das características das operações em exame. 3.44. Com efeito, tal como narrado acima, o grupo Cinemark decidiu, em 1997, por razões estratégicas, iniciar suas operações no Brasil por meio da formação de uma joint venture com empresas não relacionadas. 3.45. O Contrato de Joint Venture, em conjunto com seus Apêndices, foi assinado em 23/10/1997, estabelecendo todos os deveres e direitos das empresas participantes, inclusive as situações em que as empresas poderiam exercer “Opção de Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.628 13 Compra e Venda” das ações (o que foi confirmado na Alteração do Acordo de Acionistas datado de 13/11/2001). 3.46. Então, decorridos sete anos da criação e operação da referida joint venture, a Cinemark USA notificou as empresas “Venture II”, “Kristal” e “NN” da venda por Lee Roy Mitchel e por The Mitchell Special Trust de parcela significativa das ações na Cinemark Inc (que era a empresa holding do grupo Cinemark domiciliada nos Estados Unidos da América). Conforme previsto no Acordo de Acionistas, esse evento daria o direito das empresas (terceiros investidores) de exercerem sua “Opção de Venda” de suas ações na Impugnante. 3.47. A “Venture II”, “Kristal” e “NN” decidiram exercer sua “Opção de Venda” e, nesse cenário, iniciouse negociação para a aquisição das ações detidas por estas na “Cinemark Brasil” e para o encerramento da joint venture. Então, em 18/08/2004, foram celebrados Contratos de Compra e Venda de Quotas formalizando a compra da totalidade das ações da Impugnante pela “Cinemark Empreendimentos”. 3.48. Visando a esclarecer o claro e inquestionável propósito negocial dessa operação, vale transcrever o Preâmbulo desses Contratos (que têm a mesma redação): “Preâmbulo Cinemark USA, Inc., Lee Roy Mitchell, Venture II Equity Holdings Corporation Inc ('Venture II'), Krital Holdings Limited ('Kristal ') e NN Participações Ltda. ('NN') são partes de um certo Contrato de Opção e Voto celebrado em 13 de novembro de 2001, conforme alterado (o 'Contrato de Opção), de acordo com o qual a Venture II, a Kristal e a NN possuiriam o direito de fazer com que a Cinemark USA, Inc. e/ou Lee Roy Mitchell adquirissem as ações da Cinemark Brasil S.A. detidas pela Venture II, Kristal e pela NN (a 'Opção de Venda’) mediante a ocorrência de determinados eventos. B. A Cinemark USA notificou a Venture II, a Kristal e a NN da ocorrência de evento que acionou a Opção de Venda. C. A Venture II, a Kristal e a NN exerceram a Opção de Venda conforme os termos do Contrato de Opção. D. As Partes do presente instrumento já acordaram o preço por ação a ser pago pelas ações da Cinemark Brasil S.A. E. As Partes concordam que a Compradora será a sociedade responsável pela aquisição da totalidade das quotas emitidas pela NN. F. Os Vendedores concordam em vender tais quotas à Compradora, de acordo com os termos e condições do presente Contrato.” 3.49. As operações questionadas pelas dd. autoridade fiscais são justamente decorrentes dos Contratos de Compra e Venda de Quotas mencionados acima, celebrados em 2004 no contexto de encerramento da joint venture criada em 1997 no início das atividades do grupo Cinemark no Brasil. Fl. 1670DF CARF MF 14 3.50. Não houve ágio interno ou “ágio de si próprio”, mas ágio decorrente de operações entre partes não relacionadas no âmbito da dissolução de joint venture criada há mais de sete anos para o desenvolvimento do mercado de salas de exibição no Brasil. 3.51. Como se vê, a acusação de ausência de propósito negocial nessas operações não possui qualquer embasamento a garantirlhe validade. O propósito negocial está presente e comprovado nestes autos, sendo facilmente extraído através da simples análise dos documentos acima mencionados e anexados aos presentes autos. III.2.d. Da inexistência de relação entre as empresas 3.52. Com base na exposição acima, fica absolutamente claro que as operações que deram origem ao ágio não foram realizadas entre empresas ligadas. Sim, pois, apesar de a Impugnante e a Cinemark Empreendimentos serem empresas relacionadas à época, as operações de aquisição de participação societária que geraram o ágio em exame não foram realizadas entre elas. 3.53. Repitase que as operações objeto do presente processo foram realizadas, de um lado, pela “Cinemark Empreendimentos” (compradora) e, do outro lado, pela “Venture II”, “Kristal” e quotistas da “NN”, sendo todas as empresas independentes, sem qualquer vínculo com o grupo Cinemark. 3.54. A Impugnante, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre o assunto, apresenta: (i) os Contratos Sociais da “Venture II”, “Kristal” e “Prona” (principal quotista da “NN”) registrados perante as autoridades públicas das Ilhas Virgens Britânicas (Doc. 13) e (ii) Declaração firmada por Michael Cavalier (Sênior Vice President General Counsel) atestando a inexistência de qualquer relação entre as empresas e o grupo Cinemark (Doc. 14). 3.55. A inexistência de vínculos entre essas empresas e seus sócios com o grupo Cinemark é demonstrada pela própria existência do Contrato de Joint Venture, Acordo de Acionistas, Contratos de Compra e Venda de Quotas (este inclusive publicado pelo grupo Cinemark perante a US Securities and Exchange Comission, como se verifica no “link” http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1173463/000095013404 017056/dl9972exvl0w20xby.htm) e todos os demais atos, claramente praticados mediante negociação entre as partes. III.2.e. Da irrelevância da incorporação “às avessas” 3.56. Como mencionado acima, a última operação praticada no contexto do encerramento da joint venture entre o grupo Cinemark e terceiros nas atividades no Brasil consistiu na incorporação da “Cinemark Empreendimentos” pela Impugnante. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.629 15 3.57. As dd. autoridades fiscais qualificam essa operação como “incorporação às avessas”. Sobre essa alegação fiscal, vale mencionar, inicialmente, que a “incorporação às avessas” que realmente é objeto de discussões nos tribunais administrativos e judiciais consiste na incorporação de empresa superavitária por empresa deficitária e/ou dormente, nos casos em que a empresa sobrevivente continua utilizando prejuízos fiscais acumulados. 3.58. A discussão nesses casos, portanto, recai sobre qual seria, sob o enfoque da substância, a empresa sobrevivente e se essa empresa teria direito a utilizar os prejuízos fiscais acumulados. 3.59. Além disso, é importante mencionar que a própria legislação pertinente à possibilidade de amortização de ágio registrado na aquisição de participações societárias autoriza expressamente a incorporação da empresa controladora pela controlada. 3.60. Por fim, cumpre mencionar que não há qualquer duplicação do valor do ágio; a empresa detentora do ágio foi incorporada e, nos exatos termos da legislação contábil e fiscal, o ágio foi transferido para a empresa incorporadora, que passou a ter direito de amortizar esse valor para fins fiscais. Dessa forma, a incorporação realizada pela Impugnante também não poderia ter sido objeto de qualquer questionamento pelas dd. autoridades fiscais. III.2.f. Conclusão 3.61. Em vista do exposto, resta claro que as operações em exame foram realizadas com claro propósito negocial, entre pessoas jurídicas não relacionadas, com pagamento de preço suportado em laudo de avaliação baseado em expectativa de rentabilidade futura e em hipótese expressamente prevista na legislação. III.3. Da impossibilidade de modificação de critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais 3.62. O auto de infração ora combatido não é o primeiro lavrado contra a Impugnante com relação à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio registrado nas operações descritas acima. 3.63. Com efeito, o Processo Administrativo (PA) n.° 19515.002126/200993, atualmente pendente de julgamento perante o CARF, versa sobre o mesmo tema, tratando especificamente do AC 2004. A existência de dois lançamentos fiscais sobre um mesmo assunto por si só não causa estranheza, especialmente por se tratar de amortização de ágio que tem efeitos fiscais em, no mínimo, cinco AC. 3.64. Não obstante, a presente situação merece uma especial atenção, uma vez que os dois lançamentos fiscais que versam sobre a dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio Fl. 1672DF CARF MF 16 foram baseados em fundamentos fáticos e legais totalmente distintos. 3.65. Com efeito, no auto de infração relativo ao PA 19515.002126/200993 (Doc. 15), as dd. autoridades fiscais reconheceram que as operações em exame geravam o direito de registro e amortização de ágio, na medida em que o preço pago pela “Cinemark Empreendimentos” para aquisição das participações societárias na “Cinemark Brasil” e na “NN” foi superior ao valor patrimonial de referidas participações societárias, que existia laudo com base em expectativa de rentabilidade futura e que se tratava de operações entre partes não relacionadas. 3.66. No entanto, como se depreende claramente da leitura do auto de infração, as dd. autoridades fiscais acusaram a Impugnante de ter deduzido, para fins de apuração do lucro real, “valores de ágio em investimentos, em valores superiores aos apurados, em conformidade com os exames realizados na escrituração da investidora e das investidas, bem como em seus documentos de suporte” (destaque da Impugnante). 3.67. Dito de outro modo, de acordo com o TVF do PA 19515.002126/200993, as dd. autoridades fiscais concluíram que a “Cinemark Empreendimentos” teria cometido equívocos no cálculo matemático do valor do ágio registrado na aquisição de participações societárias na Impugnante e na “NN”, o que teria resultado na apropriação de ágio em valor superior que o devido. 3.68. Com relação à aquisição da participação societária detida pelas empresas “Venture II” e “Kristal”, a Impugnante registrou ágio no valor de R$58.262.515,83, mas as dd. autoridades fiscais concluíram que a Impugnante somente faria jus a ágio no valor de R$39.517.531,26, de forma que a diferença de RS18.744.984.57 deveria ser glosada. 3.69. As dd. autoridades fiscais reconheceram as operações praticadas pela Impugnante tal como foram realizadas e somente questionaram o cálculo do ágio registrado nessas operações. Ou seja, a discordância das dd. autoridades fiscais com relação ao procedimento adotado pela Impugnante era meramente matemática. 3.70. As dd. autoridades fiscais não podem adotar um determinado critério para qualificar juridicamente um fato e, em momento posterior, qualificar o mesmo fato com base em outros critérios jurídicos. Esperase um mínimo de coerência por parte das autoridades públicas, de forma a garantir a segurança dos contribuintes e proteger a confiança destes na Administração Pública, conforme veiculado no artigo 146 do CTN. Traz doutrina em socorro de sua tese. 3.71. A vedação a este tipo de atitude do Fisco é também reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de 2007: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.630 17 “EMENTA: ‘TRIBUTÁRIO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTOS ANTERIORES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. (...). 1. O reenquadramento de contribuinte pelo Fisco de autarquia para empresa pública, em decorrência de decisão do Supremo, que examinou a natureza jurídica da entidade, não autoriza a cobrança das diferenças tributárias porventura existentes antes dessa alteração. Incidência do art. 146 do CTN. 2. A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento' (Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos) (...). VOTO O INSS pretende cobrar as diferenças decorrentes do reenquadramento do contribuinte de autarquia para empresa pública. O artigo 146 do Código Tributário Nacional CTN prescreve: 'Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua efetivação'. O novo enquadramento do contribuinte como empresa pública implicou na alteração de regra técnica e, portanto, deve ser considerado como alteração do critério jurídico para fins de proteção do artigo 146 do CTN, pois o próprio Pretório Excelso foi chamado a deliberar a respeito de sua natureza jurídica. Essa norma proíbe a revisão ou a realização de outro lançamento tributário pelo Fisco para alterar aquele já realizado segundo os critérios jurídicos praticados anteriormente, em nome do princípio da segurança jurídica". (...) Assim, todas as revisões dos lançamentos tributários constantes da NFLD de 21.12.99 não podem prevalecer, pois esse ato administrativo constituiu o marco da modificação introduzida de oficio pela autoridade administrativa relativamente aos critérios jurídicos adotados no lançamento tributário." (STJ, 2a Turma, Recurso Especial n° 881.804, Processo n° 2006/01339600, Data da Sessão 15/02/2007, Relator: Ministro Castro Meira). 3.72. O extinto Tribunal Federal de Recursos havia cristalizado esse entendimento na Súmula 227, assim redigida: “A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento”. 3.73. Em vista do exposto acima, concluise que os fundamentos utilizados pelas dd. autoridades fiscais no lançamento fiscal em exame não podem ser admitidos pela Impugnante, em face da imutabilidade dos critérios jurídicos utilizados pelas autoridades fiscais no exercício do lançamento tributário. Fl. 1674DF CARF MF 18 IV. DO PEDIDO 3.74. Requer seja reconhecida a total improcedência do lançamento fiscal, tendo em vista a absoluta regularidade do registro e amortização de ágio decorrente de aquisição de participação societária realizada entre partes não relacionadas e com pagamento em dinheiro de preço determinado com base em estudo de expectativa de rentabilidade futura e posterior incorporação da detentora da participação societária. 3.75. Requer, ainda, seja reconhecida a impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos para qualificar um fato, tal como pretendido pelas dd. autoridades fiscais. 4. O presente processo foi encaminhado a esta DRJ, que após análise e consultas efetuadas aos sistemas da RFB (Receita Federal do Brasil), decidiu encaminhálo em diligência à DEFIS/SP, nos seguinte termos, sinteticamente. 4.1. Consulta ao Sistema CNPJ indica que a “Cinemark Empreendimentos” (CNPJ n° 00.764.390/000176), se encontra na situação “Ativa” (conforme pesquisa anexa). 4.2. Pesquisa da “Ficha Cadastral Completa” da “Cinemark Empreendimentos” no site da JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo), em 19/10/2012 (conforme anexo), indica que não há informação de sua incorporação, diferentemente da empresa “NN” (CNPJ nº 02.193.625/000142), que aparece como incorporada pela “Cinemark Empreendimentos”. 4.3. Em face do exposto, encaminho o presente processo à DEFIS/SP para que se diligencie junto à Impugnante, no sentido de esclarecer: (i) se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário; contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc); (ii) se as partes nele envolvidas são independentes: e (iii) se a JUCESP averbou o registro da incorporação da “Cinemark Empreendimentos” pela “Cinemark Brasil”, ou seja, se a “Cinemark Empreendimentos” foi, oficialmente, incorporada. Após, apresentar relatório conclusivo sobre estas e outras questões que entender pertinentes. 5. A DEFIS/SP recebeu o presente processo. A Impugnante foi intimada (fls. 1.313 a 1.315) e cientificada em 07/03/2013 (AR; fl. 1.316), respondeu à intimação (fls. 1.320 a 1.322). Foi emitido “Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal” (fls. 1.436 a 1.446) nos seguintes termos, sinteticamente. IV. DAS INTIMAÇÕES Das intimações feitas pela autoridade fiscalizadora e atendimento pela parte recorrente 5.1. A Diligenciante reproduz breve histórico sobre as intimações e respostas efetuadas. DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 5.2. O primeiro item a ser diligenciado a pedido da instância julgadora é: Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.631 19 (i) se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário; contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc) 5.3. O contribuinte, desde o início da fiscalização, até o presente momento, NÃO apresentou quaisquer extratos bancários ou documento hábil e idôneo que pudesse comprovar, EFETIVAMENTE, que o numerário foi pago e por quem foi pago. 5.4. Pelos documentos apresentados pelo contribuinte, podese intuir que: Os extratos emitidos pelo BACEN indicam operações de câmbio realizadas em 2004 para pagamento das empresas estrangeiras Kristal, Venture II e Prona; bem como da C.Br. Porém, o mais importante para demonstrar e comprovar as operações realizadas entre as empresas faltou, ou seja, falta mostrar, só e tão somente, de onde saiu o numerário para este pagamento. Os documentos apresentados tais como extratos emitidos pelo BACEN, telas do SISBACEN NÃO são documentos hábeis, e por si só, não servem como prova. Ademais, livros contábeis e fiscais não são prova SEM a presença da documentação de suporte hábil e idônea. 5.5. Persiste por parte do contribuinte, a total falta na apresentação de documentos, uma vez que: NÃO apresentou os extratos bancários para comprovar que o dinheiro saiu da empresa para pagamento de aquisição de cotas; (prova crucial) NÃO apresentou contratos de fechamento de câmbio, apenas telas da internet do site do SISBACEN; A escrituração de lançamento contábil, por si, não é prova. Apenas o é, com a presença de documentação lastreando o que se contabiliza. A impugnante não apresenta provas capazes de comprovar as despesas computadas nos seus custos, insistindo em justificativas: "Infelizmente, a sociedade está tendo dificuldades em obter junto às instituições financeiras os extratos de conta corrente refletindo tais operações, por se tratarem de operações ocorridas há mais de cinco anos." 5.6. Uma empresa formalmente constituída não deixa de manter em seus arquivos, para dar suporte à contabilidade, documentos importantíssimos como os extratos bancários, emitidos pela instituição financeira (pois não basta ter "telas" de internet para demonstrar movimentação bancária). 5.7. Uma empresa que tem ações judiciais em andamento, deve e tem obrigação de manter os documentos que provam o que ela quer demonstrar. No caso em questão, a empresa deve Fl. 1676DF CARF MF 20 demonstrar, inequivocamente, que os pagamentos a que ela se refere vem de suas contas bancárias regularmente escrituradas na sua contabilidade. 5.8. Para que uma despesa seja dedutível deve ser lastreada com documentação de terceiros, ou seja, não basta ter prova de lavra própria, provinda de fonte meramente interna. Este tipo de documentação não confere segurança e liquidez à operação. 5.9. A empresa CINEMARK não comprova que o numerário saiu de contacorrente constante de sua contabilidade. 5.10. Ainda, a ausência de apresentação de documentos comprobatórios da escrita contábil e fiscal, contrariando as disposições das leis comerciais e fiscais, demonstramse inócuas e impossibilitam a dedutibilidade das despesas questionadas. 5.11. Assim, ante a falta de apresentação de documentos comprobatórios de que realmente o numerário foi debitado de contacorrente escriturada, pela ausência de elementos que comprovem a eficácia do quanto alegado no intuito de corroborar o procedimento fiscal, não há como esta fiscalização aceitar as argumentações apresentadas pelo contribuinte, por incomprovadas e não justificadas, sugerindo à Autoridade Julgadora, que considere procedente a autuação fiscal. 5.12. O segundo item a ser diligenciado a pedido da instância julgadora é: (ii) se as partes nele envolvidas são independentes 5.13. As partes envolvidas são dependentes, são acionistas entre si, conhecedoras de seus negócios. Veja pelos documentos abaixo: 5.13.1. A Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 06/07/2001, da “Cinemark Brasil”, versa como acionistas da “Cinemark Empreendimentos”, dentre muitos, a empresa Venture II Equíty Holdings Corporation (“Venture II”), NN Participações Ltda (“NN”) e Kristal Holdings Limited (“Kristal”). 5.13.2. O Boletim de Subscrição de Ações da “Cinemark Brasil”, conforme aumento de capital autorizado da Sociedade aprovado na Assembléia Geral Extraordinária em 06/07/2001, tem como subscritores as empresas: “NN” (30.344 ações subscritas em 06/07/2001), “Kristal” (45.515 ações subscritas em 06/07/2001). 5.13.2. No Contrato de Compra e venda de quotas, datado de 18/08/2004, celebrado entre a “Cinemark Empreendimentos” (compradora) e a “Prona” (vendedora), onde ocorre que a “Prona”, sociedade localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, aliena a totalidade das quotas que detém do capital da “NN”, constando na cláusula 4.13 do mesmo contrato, que a empresa “NN” não possui, direta ou indiretamente, ações do capital social de qualquer pessoa, exceto da “Cinemark Brasil”. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.632 21 5.14. O último item a ser diligenciado a pedido da Instância julgadora é: (iii) se a JUCESP averbou o registro da incorporação da “C.E.P.” pela “C.Br.”, ou seja, se a “C.E.P.” foi, oficialmente, incorporada 5.15. Com relação à Incorporação da “Cinemark Empreendimentos” pela “Cinemark Brasil”, a empresa apresenta: A 17ª alteração do Contrato Social de Cinemark Empreendimentos e Participações Ltda, que reflete sua extinção por incorporação na Cinemark Brasil S/A, registrada na JUCERJA em 31/03/2005 (Doc. 02); Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Cinemark Empreendimentos e Participações Ltda, registrada na JUCESP em 25/10/2004 (Doc. 03). 5.16. E justifica que por um lapso o CNPJ da “Cinemark Empreendimentos” continua ativo, mas está tomando as medidas necessárias para a devida baixa de tal registro, uma vez que a “Cinemark Empreendimentos” foi extinta por incorporação em 30/09/2004. 5.17. Além disso, a extinção da “Cinemark Empreendimentos” não estava registrada na JUCESP, pois esta empresa estava sediada no Estado do Rio de Janeiro, estando sob a jurisdição da JUCERJA. 5.18. Assim, para comprovar definitivamente a incorporação da “Cinemark Empreendimentos”, a requerente apresenta a Certidão emitida pela JUCERJA, comprovando o arquivamento da 17ª Alteração do Contrato Social (Doc.04) e as telas do website da JUCERJA (Doc.05) indicando tratarse de empresa extinta. VI DAS DESPESAS DEDUTÍVEIS 5.19. O Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, traduz nos seus artigos 299 e 300, definições do que são despesas necessárias à atividade da empresa e aceita como dedutível do lucro tributável. Despesa dedutível é aquela normal, usual e necessária. 5.20. Despesa dedutível é aquela que tem documentação que comprove, inequivocamente, que a despesa é normal, usual e necessária. Além disso, esta documentação deve ser hábil e idônea. (Uma cópia de um documento idôneo não é hábil, posto que é só uma cópia; original de um documento inidôneo é crime; um documento pode ser hábil, mas não servir ao que se quer provar; documento hábil mostra todos os elementos necessários para se conseguir ver se a despesa é normal, usual e necessária). 5.21. Uma despesa pode ser legítima, mas indedutível. 5.22. Podemos concluir que esses pagamentos, se existentes, carecem da comprovação de sua origem e efetividade, uma vez Fl. 1678DF CARF MF 22 que falta comprovar de que contacorrente da empresa ocorreu o desembolso, que seria demonstrado e comprovado através dos extratos bancários, senão, não há que se falar em despesa dedutível. VII DO DIREITO LEGAL DE DEDUZIR O ÁGIO 5.23. Já que o contribuinte não comprovou que pagou, a despesa já é indedutível. 5.24. Mesmo assim, se o pagamento do ágio tivesse sido comprovado saindo da conta corrente da empresa com valores e datas coincidentes, com comprovação de contratos de câmbio etc, poderíamos rebater a despesa com ágio, pois, em que pese a lei permitir a dedução de amortização de ágio absorvido em incorporação, não restou comprovado pelo contribuinte o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela incorporada com ágio elevado, o que autoriza considerar a despesa desnecessária e, por conseguinte, indedutível para fins de apuração do lucro real. 5.25. O ágio se originou de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. 5.26. Na incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora imediatamente após ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio, por faltarlhe os pressupostos do ágio. 5.27. A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de ágio. 5.28. No presente caso ocorreu reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios, uma vez que as partes são dependentes, são acionistas entre si, conhecedoras de seus negócios. 5.29. O ágio se origina e tem como pressupostos a aquisição societária em incorporação às avessas, onde o controlado incorpora a sua controladora, imediatamente após ter adquirido suas quotas de capital. 5.30. Do ponto de vista econômicocontábil o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. 5.31. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. 5.32. No presente caso, o reconhecimento de acréscimo de riqueza, econômica e contabilmente, ocorre em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. É descabida a Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.633 23 amortização de ágio interno, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação, da falta de pagamento na aquisição das participações societárias e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. 5.33. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa controlada à qual se reporta. 5.34. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um “ágio de si mesmo”. 5.35. Existe de fato o ágio, pago por alguém que adquiriu de outrem determinada participação societária, o que não acontece neste caso concreto, onde o ágio foi simplesmente estipulado pelos proprietários do empreendimento. 5.36. Além disso, o contribuinte se apega aos aspectos formais da operação que não é ponto relevante para o deslinde da questão. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.37. Considerando ter respondido aos quesitos formulados pela autoridade julgadora, face aos fatos acima expostos, consideradas as argumentações e provas apresentadas pela impugnante, lavro o presente “Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal”, para cumprimento do despacho n° 10 da 4ª Turma da DRJ/SP1, PA 19.515.721.880/201141. 6. A Impugnante tomou ciência do resultado da diligência em 05/05/2014 (AR; fl. 1.448). Sobre ele assim se pronunciou, em 09/05/2014 (fls. 1.452 a 1.458), abreviadamente. 6.1. Visando ao cumprimento da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento, as dd. autoridades fiscais intimaram a Impugnante a apresentar grande volume de documentos para comprovar, mais uma vez, a regularidade das operações de aquisição de participação societária. 6.2. Mais uma vez, no entanto, e mesmo tendo recebido provas contundentes de que não há qualquer razão para questionar o ágio gerado nessa operação, as dd. Autoridades fiscais concluíram seu trabalho rogando pela manutenção integral do lançamento fiscal. 6.3. Com o devido respeito às dd. autoridades fiscais, fica claro no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (TEDF) assim como no auto de infração que deu origem ao presente processo Fl. 1680DF CARF MF 24 administrativo que as dd. autoridades fiscais simplesmente decidiram que deveriam glosar o ágio registrado pela Impugnante e estão buscando manter tal glosa, mesmo sem qualquer fundamento legal ou fático para tanto. 6.4. Nesse infeliz cenário, à Impugnante só resta apresentar seus comentários sobre as conclusões das dd. autoridades fiscais sobre cada um dos quesitos da diligência: I. Se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário; contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc.) 6.5. As dd. autoridades fiscais concluíram que não há prova do pagamento do ágio. 6.6. De acordo com o TEDF, o extrato emitido pelo Banco Central (BACEN) das operações de câmbio para pagamento das empresas “Kristal”, “Venture II” e “Prona”, o Contrato de Câmbio 04/037696 relativo ao pagamento à empresa “Kristal”, as telas do SISBACEN demonstrado a alienação dos investimentos detidos pelas empresas “Kristal” e “Prona”, o Razão Contábil Geral indicando os pagamentos a todos os vendedores (“Kristal”, “Venture II”, “Prona”, Edgar Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin) e os recibos de pagamento emitidos por esses vendedores não seriam prova suficiente de que houve efetivo pagamento pela aquisição de participação societária. 6.7. As dd. autoridades fiscais apegaramse no fato de a Impugnante não ter conseguido localizar seus extratos bancários do período para desconsiderar toda a documentação acima que, se devidamente analisada, comprova cabalmente a efetividade dos pagamentos realizados pela “Cinemark Empreendimentos” em beneficio dos vendedores das participações societárias. 6.8. Ao contrário do alegado pelas dd. autoridades fiscais, os documentos apresentados não são de “lavra própria, provinda de fonte meramente interna”. É certo que a Impugnante apresentou seu Razão Geral demonstrando os registros contábeis das operações de aquisição de participação societária (o que obviamente faz prova em seu favor), mas não foi esse o único documento apresentado. Apresentou documentos oficiais emitidos pelo BACEN demonstrando claramente as remessas realizadas ao exterior pela “Cinemark Empreendimentos” a título de aquisição de participação societária, bem como a respectiva liquidação dos investimentos anteriormente detidos pelas empresas “Kristal” e “Venture II”. 6.9. E mais, a Impugnante apresentou os recibos emitidos por cada um dos vendedores atestando, para todos os efeitos, o efetivo recebimento dos valores relativos à venda das ações na “Cinemark Brasil”. Assim, fica claro o total descabimento da afirmação fiscal de que “persiste por parte do contribuinte a total falta na apresentação de documentos”. 6.10. Com base nos documentos acima, é possível afirmar com absoluta segurança que a “Cinemark Empreendimentos” realizou pagamentos a “Kristal”, “Venture II”, “Prona”, Edgar Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.634 25 Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin pela aquisição de participação societária na Cinemark S.A., o que considerando que o preço pago foi superior ao valor patrimonial da empresa, em virtude de expectativa de rentabilidade futura atestada em estudo próprio gera direito à amortização de ágio. II. Se as partes nele envolvidas são independentes; 6.11. As dd. autoridades fiscais concluíram que “as partes envolvidas são dependentes, são acionistas entre si, conhecedoras de seus negócios”. Para suportar essa conclusão, as dd. autoridades fiscais citam atos societários da Impugnante comprovando que as empresas vendedoras tinham participação societária na Impugnante (“Cinemark Brasil”). 6.12. Mais uma vez, a Impugnante não pode concordar com a absurda conclusão acima. Sim, a “Cinemark Empreendimentos” e os vendedores (“Kristal”, “Venture II”, “Prona”, Edgar Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin) tinham participação societária na “Cinemark Brasil”, já que se tratava de uma joint venture no Brasil como exaustivamente demonstrado em sede de impugnação. 6.13. No entanto, certamente isso não significa que a “Cinemark Empreendimentos” e os vendedores fossem partes relacionadas. O fato de as empresas terem participação na “Cinemark Brasil” só significa que elas tinham esse empreendimento conjunto, mas não que fossem partes relacionadas e, muito menos, que fossem “acionistas entre si” como alegam incorretamente as autoridades fiscais. 6.14. A única relação entre “Cinemark Empreendimentos” e os vendedores consistia na participação societária na “Cinemark Brasil”, que, especialmente diante do fato de serem empresas e pessoas físicas não relacionadas, foi devidamente regulado por Contrato de Joint Venture. 6.15. Como já dito inúmeras vezes: não há qualquer relação entre a “Cinemark Empreendimentos” (e o grupo Cinemark como um todo) e os vendedores (que eram investidores externos na “Cinemark Brasil”). As empresas não são controladas nem coligadas nos termos da legislação societária; as empresas não têm controle direto ou indireto em comum; não há relação de parentesco entre as pessoas físicas envolvidas. Tanto isso é verdade que sequer as dd. autoridades fiscais tentam fazer prova nesse sentido. 6.16. Fica claro, portanto, que se está diante de operações entre partes não relacionadas, sendo improcedente qualquer alegação no sentido de que o ágio gerado em tais operações seria um “ágio interno”. Fl. 1682DF CARF MF 26 III. Se a JUCESP averbou o registro da incorporação da Cinemark Empreendimentos pela Cinemark Brasil, ou seja, se a Cinemark Empreendimentos foi oficialmente incorporada. 6.17. As dd. autoridades fiscais concluíram que a “Cinemark Empreendimentos” foi oficialmente incorporada pela “Cinemark Brasil”, de acordo com a 17ª Alteração do Contrato Social da “Cinemark Empreendimentos”, devidamente registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (“JUCERJA”) e extrato atualizado emitido pela JUCERJA. 6.18. Nesse ponto, a Impugnante concorda com a conclusão das dd. autoridades fiscais, que não poderia ser outra diante da clara comprovação da extinção da “Cinemark Empreendimentos” por incorporação na “Cinemark Brasil”. 6.19. A Impugnante volta a insistir que as operações em exame foram realizadas com o claro propósito negocial de encerramento da joint venture que existiu por mais de 7 anos no Brasil entre o grupo Cinemark e investidores independentes. 6.20. A geração do ágio foi mera decorrência das legítimas operações de compra e venda de participação societária, que teriam sido realizadas mesmo sem ágio ou com deságio. Isso porque o objetivo das operações em exame consistia na aquisição, pelo grupo Cinemark, da totalidade da participação societária na “Cinemark Brasil”, que era detida por investidores externos, e não a geração de ágio. 6.21. Pelas claras razões negociais descritas acima além do fato de restar comprovado o efetivo pagamento pela aquisição das participações societárias e o fundamento econômico do ágio é incontestável o direito da Impugnante ao registro e amortização do ágio para fins fiscais, nos exatos termos dos artigos 385 e 386 do RIR. 6.22. Cumpre ressaltar, ainda, a improcedência da afirmação das dd. autoridades fiscais no sentido de que “na incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora imediatamente após ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio, por faltarlhe os pressupostos do ágio”. 6.23. Essa alegação é absurda por duas razões (i) no presente caso estão presentes todos os pressupostos do ágio, quais sejam a aquisição de participação societária, o pagamento de preço e o fundamento em expectativa de rentabilidade futura; e (ii) a própria lei permite o registro de ágio em casos de incorporação da empresa controladora pela empresa controlada. 6.24. Por fim, cumpre mencionar que o PA 19515.002126/2009 93 (já citado em sede de impugnação e que se refere exatamente às mesmas operações em exame, mas ao ágio amortizado no anocalendário de 2005) foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF na sessão de março de 2014, sendo que o lançamento fiscal foi integralmente cancelado por unanimidade de votos. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.635 27 6.25. O acórdão está pendente de formalização, mas fica claro que o CARF reconheceu a regularidade das operações de aquisição de participação societária em exame, bem como a regularidade do registro e amortização do respectivo ágio. 6.26. Diante dos esclarecimentos acima, a Impugnante espera que seja reconhecida, já em primeira instância administrativa, a total e absoluta improcedência do lançamento fiscal, sendo canceladas as respectivas exigências fiscais. Da decisão de primeiro grau A decisão recorrida (fls. 1.466 a 1.523) negou provimento à impugnação nos termos que se seguem. No início do voto, tece aprofundada exposição teórica acerca da tributação do ágio e das operações de reorganização societária. Todavia, o primeiro ponto que diz respeito concretamente aos fatos é relativo ao pagamento. Nas palavras do julgador: 12. Quanto ao mérito, há, de início, um fato crucial para a análise do presente processo: até o momento apesar da fiscalização ter se iniciado em 27/04/2011 (ciência em 12/05/2011; AR fl. 06), e da diligência efetuada – a Impugnante não apresentou os extratos bancários ou outros documentos hábeis e idôneos que comprovassem o efetivo pagamento do ágio, de onde saiu o dinheiro e seu beneficiário. E conclui dois parágrafos depois: 12.2. Assim, sem prova do efetivo pagamento do ágio ora sob exame, não há como deduzilo como despesa. A seguir trata em termos teóricos acerca da indedutibilidade do ágio interno, analisa os fatos e conclui que se trata dessa figura. Nesse ponto, vale destacar a seguinte passagem: 13.5.5.1. nesse ponto, resta claro que a partir do momento em que essas pessoas, físicas e jurídicas, se juntam para criar uma empresa e explorarem essa atividade, elas deixam de ser independentes; 13.5.5.2. além disso, o fato das empresas estrangeiras (sócias na joint venture) terem sido constituídas nas Ilhas Virgens Britânicas dificulta o acesso à informação sobre seus verdadeiros sócios (fato não esclarecido na diligência), o que não permitiria afirmar que se trata de partes independentes. Ao longo do parágrafo 15 e de seus desdobramentos discorre sobre a inexistência de propósito negocial. As passagens abaixo merecem destaque: Fl. 1684DF CARF MF 28 15.6. Nesse ponto, surgem algumas perguntas: se, para o grupo Cinemark atuar no Brasil, bastava criar uma empresa operacional (como alega ser o caso da “Cinemark Brasil”), qual a necessidade de criação da empresa “Cinemark Empreendimentos”, em 1995? Se havia necessidade de existirem as duas, por qual razão uma delas foi extinta (embora, como já informado, conste ainda como “ATIVA” no cadastro da RFB)? Se não houvesse a previsão legal do benefício fiscal de amortização do ágio baseado em rentabilidade futura, teria ocorrido a incorporação da controlada pela controladora? 15.7. A partir desses questionamentos, a lógica nos leva a concluir que, efetivamente, a reorganização societária levada a efeito pelo grupo Cinemark não possui propósito negocial (mesmo na hipótese, não provada, de independência entre as partes), restando claro que a incorporação às avessas efetuada não teria sido realizada se não houvesse o benefício fiscal sob exame, ou seja, ela não possui motivação econômica e, portanto, não está ao albergue da legislação. Quanto ao processo 19515.002126/200993, aduz que a autoridade não teria se atentado para a inexistência de comprovação dos efetivos pagamentos. Por isso, não há que se falar em manutenção do mesmo critério de lançamento com base no art. 146 do CTN. Do recurso voluntário O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 655 a 669. Nele, reiterou (na maioria das vezes, literalmente) razões apresentadas na impugnação. Teceu, porém, considerações específicas quanto à decisão de primeiro grau. Abaixo, relatamos tais especificidades. Em primeiro lugar, considera que a decisão da DRJ inovou os critérios adotados para o lançamento, competência de que não dispõe. Aduz ainda que, no processo nº 19515.002126/200993, sobre os mesmos fatos, a autoridade julgadora de primeiro grau adotou idêntico procedimento, que foi rechaçado pelo CARF. Assim, requer a nulidade da decisão recorrida. Quanto ao mérito, aduz que a autoridade julgadora comparou o início com o fim das operações, sem analisar toda a explicação do Contribuinte. Nas suas palavras: (...) as dd. autoridades julgadoras simplesmente desconsideraram toda a explicação em sede de impugnação e compararam a situação antes da formação da joint venture com a situação após a extinção dela e concluíram que a única diferença entre esses dois cenários seria a geração do ágio. Prossegue: (...) as dd. autoridades simplesmente “esqueceram” que entre 1995 e 2004, houve a formação da joint venture, com envolvimento de investidores independentes e, depois, a extinção dessa joint venture, que foi justamente o fato que gerou o reconhecimento do ágio. Repitase (apesar de parecer óbvio): a Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.636 29 Cinemark Empreendimentos adquiriu a participação societária na Cinemark Brasil detida pelos investidores não para gerar ágio, mas para extinguir a joint venture e manter as operações brasileiras integralmente dentro do grupo Cinemark. Se não houvesse previsão para amortização fiscal do ágio ou, ainda, que não houvesse a geração de ágio (se o preço de aquisição fosse inferior ao valor patrimonial), as operações teriam sido realizadas exatamente da mesma forma”. Quanto aos pagamentos, discorre sobre os documentos que apresentou para comproválos: Com efeito, de acordo com o narrado nos itens 12 e 13 da decisão recorrida, as dd. autoridades julgadoras concluíram que os seguintes documentos não seriam suficientes para comprovar o pagamento aos vendedores: extrato emitido pelo Banco Central das operações de câmbio para pagamento das empresas Kristal e Prona, o Razão Contábil Geral indicando os pagamentos a todos os vendedores (Kristal, Venture II, Prona, Edgar Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin) e os recibos de pagamento emitidos pelo vendedores. Especificamente sobre os recibos devidamente assinados pelos vendedores atestando o recebimento do preço acordado nos contratos de compra e venda de ações, as dd. autoridades julgadoras alegaram que não poderiam considerar tais documentos, por estarem em inglês. Em que se pese a possibilidade de argumentar que recibos – por serem documentos bastante simples e comuns – poderiam ser perfeitamente compreendidos, a Recorrente apresenta tradução juramentada desses documentos (doc. 02). Portanto, tais documentos, por si só, são hábeis e idôneos para comprovar o montante recebido pelos vendedores pela alienação da participação societária na Recorrente. Os únicos documentos que não puderam ser apresentados pela Recorrente foram os extratos bancários da época, pois as operações foram realizadas pelo Bank Boston que, após a incorporação pelo Banco Itaú, não conseguiu os arquivos da época. Não obstante, ao contrário do que alegado na decisão recorrida, a falta dos extratos bancários não é suficiente para que se alegue que não há prova do pagamento do ágio, uma vez que a extensa documentação apresentada pela Recorrente no curso do presente processo administrativo certamente demonstra tais pagamentos. Fl. 1686DF CARF MF 30 Contrarazões Às fls. 1605 a 1612, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta contra razões, conforme abaixo relatamos. Não tem razão a defesa quanto ao pedido de nulidade da decisão de primeiro grau, uma vez que o fiscal também destacou como razão para a glosa do ágio, a falta de comprovação do seu pagamento. Aduz que a autoridade fiscal, a despeito da sua "brevidade", pautou a acusação em três pontos. Abaixo, reproduzo as palavras originais: Em que pese a sua brevidade, a Fiscalização justificou a sua conclusão com base em três aspectos: primeiro, falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio; segundo, falta de comprovação do pagamento do ágio; e terceiro, duplicação do ágio. Depois passa a tecer minuciosa análise acerca dos documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar o pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminar Conforme art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, são nulas as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A inovação dos fundamentos da acusação pode, de certo modo, se enquadrar em ambas as hipóteses. No entanto, passaremos a analisar essas questões no mérito por força do § 3º do mesmo artigo: "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Mérito Como aduziu a defesa e foi reconhecido até pela Procuradoria, o termo de verificação fiscal é de uma simplicidade ímpar. A sua singeleza não é uma característica negativa em si mesma. Se um fato pode ser descrito de duas formas, é a mais simples que deve ser empregada. Nada obstante, de uma descrição simples não se pode ir além da potencialidade semântica das suas palavras. A interpretação pode resultar em várias possibilidades significativas, mas não em todas. Ao se ler um texto, não pode o intérprete lhe atribuir significado que dele não se pode erigir. Isso deixa de ser interpretar e passa a ser o que Umberto Eco chamava de "superinterpretar". Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.637 31 Pois bem, é atividade privativa da autoridade fiscal realizar o lançamento, do qual faz parte a verificação da ocorrência do fato gerador e a determinação da matéria tributável. São os fatos erigidos pela linguagem da autoridade fiscal aposta no seu termo de verificação que delimitam todo o curso do processo administrativo fiscal. As autoridades julgadoras tem a competência para rejeitar tais fatos, mas não para incorporar outros. Daí, a necessidade de verificarmos qual foi a exata acusação. Não podemos perder de vista ainda que o significado de um texto é determinado por suas palavras, mas também, sem extravasar as possibilidades semânticas desses vocábulos, pelo seu contexto. E o contexto imediato de uma peça processual é justamente o conjunto desse processo. Usaremos isso para analisar o termo de verificação. Pois bem, a decisão recorrida manteve o lançamento por três razões: (i) não pagamento das transações que ensejaram o ágio por ausência de comprovação satisfatória, (ii) falta de propósito negocial e (iii) ágio interno. Passamos a abordar cada um dos fundamentos em face da decisão de primeiro grau. Depois passaremos a analisar especificamente a acusação. Ausência de pagamento Quanto à ausência de pagamento, a Procuradoria também se esforça para demonstrar que este também teria sido um dos fundamentos da glosa. Nada obstante, a leitura do termo e das demais peças processuais afasta qualquer possibilidade nesse sentido. Em primeiro lugar, em momento algum a autoridade afirmou que não teria havido pagamento ou que este não teria sido provado. Ora, essa é uma acusação muito simples, que exige pouquíssimas palavras, as quais estariam presentes numa peça de acusação, caso essa tivesse sido a intenção do seu elaborador. Ademais, existem passagens no termo de verificação que aponta no sentido oposto. Numa delas, a autoridade fiscal aduz: "tendo em vista que o preço pago nessas operações" (meu destaque). Noutra, assevera: "Indicou como fundamento do ágio pago" (meu destaque). A autoridade, repito, jamais afirmou que as operações não foram pagas e usa expressões com a qualificação de "pago" e não de "supostamente pago", "pretensamente pago" e similares. Nada obstante, não nos apegamos apenas à lavra literal da referida peça. Investigamos também o seu contexto. O termo de verificação é o resultado de um processo constituído por diversas peças, sendo as intimações aquelas de maior relevância, pois nos possibilita verificar o que a autoridade estava a investigar. Assim, se a acusação fosse a de não comprovação de pagamentos, necessariamente, deveria haver uma intimação em que a autoridade requeresse ao contribuinte fazer tal prova. Todavia, intimação com esse conteúdo não há. As únicas duas constam das fls. 4 e 5 (no próprio termo de início de ação fiscal) e da fl. Fl. 1688DF CARF MF 32 342. Nelas são pedidos livros e documentos sem qualquer relação com o pagamento de transações. Não podemos perder de vista ainda que a autoridade julgadora de primeiro grau baixou o feito em diligência para que fosse adotada a seguinte providência: (...) encaminho o presente processo à DEFIS/SP para que a diligencie junto à Impugnante, no sentido de esclarecer: (i) se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário;contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc); O pedido da autoridade julgadora não é para dirimir alguma dúvida acerca de uma eventual acusação de não pagamento, mas sim para investigar de forma inaugural a questão. A acusação fiscal não pode ser suplementada pela autoridade julgadora. Logo, a razão de ausência de prova do pagamento das operações relativas ao ágio não pode servir para a manutenção da autuação. Falta de propósito negocial A Cinemack Empreendimentos e Participações foi criada em 1997 e extinta, por incorporação, em 30/09/2004. A DRJ, desconsiderando as etapas de venda de participações em "Cinemark Brasil" e aquisição posterior, extrai duas fotos de todo o processo e, daí, indaga: se foi necessário extinguir a "Cinemark empreendimentos", por que razão foi criada inicialmente? E se precisava ser criada, por que foi extinta? Ora, a resposta nos parece bem simples: o tempo passou... E não foi pouco. Foram 7 (sete) anos. Em muitos processos de glosa de amortização de ágio em que votamos pela manutenção da exigência, o lapso temporal é de apenas alguns poucos dias; meses, no máximo. A duração efêmera de uma sociedade (ou o seu uso efêmero quando as denominadas empresas de gaveta, criadas há anos, são transferidas a grupos econômicos para que logo a seguir sejam extintas com o fim de cumprir um desiderato evasivo) é um indício forte para identificarmos reorganizações societárias que buscam apenas economias tributárias sem qualquer motivação de outra ordem. Por outro lado, a sua existência e o uso perene de uma sociedade dentro da lógica do empreendimento econômico, nos aponta o sentido oposto. Só esse prazo já seria suficiente para abalar as conclusões da decisão recorrida. Todavia, além disso, a defesa carreia aos autos minuciosa explanação acerca do seu Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.638 33 plano de negócios com investimentos de terceiros, o que põe no chão as conclusões da decisão recorrida. Aliás, vale aqui já deixar consignado, o que trataremos mais adiante com mais vagar, que nem a fiscalização acusou que "Kristal", "Venture II" e "NN participações" eram vinculadas, nem a DRJ conseguir colher elementos capazes de sustentar essa afirmação. De todo modo, a falta de propósito negocial, seja lá em relação a que (a criação da Cinemark Empreendimentos, a sua posterior extinção, a alienação e aquisição de participações na Cinemark Brasil ou todo esse conjunto de operações, dentre outras possibilidades), não corresponde a qualquer acusação feita pela autoridade fiscal. Aliás, a própria Procuradoria também não identificou a falta de propósito negocial como uma das razões acusatórias. Ao formular suas contrarazões aduz que as razões acusatórias foram "falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio; segundo, falta de comprovação do pagamento do ágio; e terceiro, duplicação do ágio" e discorre exclusivamente acerca da suposta ausência de pagamento. Desse modo, a ausência de propósito negocial também não pode prosperar como fundamento do auto de infração. Ágio interno O terceiro fundamento da decisão recorrida foi de "ágio interno". A autoridade julgadora de primeiro grau, sobre esse tema, discorre longamente entre os parágrafos 13.5.4.1. ao 13.5.5.5. E aqui devemos verificar, uma vez mais, se este também foi um dos fundamentos da autuação. Pelas contrarazões apresentadas, a Procuradoria entende que não, pois não indicou esse como um dos fundamentos da autuação. Mas como a D. Procuradoria deixou de consignar nas suas contrarazões esse fundamento acusatório se a própria autoridade fiscal usou a expressão "ágio de si próprio"? Explico. É que a autoridade denomina por "ágio de si próprio" aquele que já estava registrado na incorporada (Cinemark empreendimentos) relativamente ao investimento no incorporador (Cinemark Brasil). Assim, quando o incorporador (Cinemark Brasil) passa a registrar em sua contabilidade um ágio, esse ágio é relativo a um investimento que foi feito nele mesmo. Por isso, a autoridade fiscal chamou o valor de "ágio de si próprio", ou seja, com um sentido completamente diverso do que denominamos "ágio interno", que corresponde àquele cujo valor é formado em decorrência de negociação entre sociedades de um mesmo grupo econômico. E ao falar de "ágio de si próprio" aduziu ter havido a sua duplicação, que foi uma das razões apontadas pela D. Procuradoria, mas não sustentada em sua peça. Fl. 1690DF CARF MF 34 Pois bem, foi esse último tipo de ágio que o julgador de primeiro grau entendeu (ou quis entender) como fundamento da acusação e daí enveredou para buscar provas da relação entre Cinemark Empreendimentos e "Kristal", "Venture II" e "NN participações". Por isso, de forma semelhante à questão do pagamento, também baixou o feito com o propósito de investigar a relação entre as partes, nos seguintes termos: (...) encaminho o presente processo à DEFIS/SP para que se diligencie junto à Impugnante, no sentido de esclarecer: (...) (ii) se as partes nele envolvidas são independentes E, do resultado da diligência, sobre o qual não mereceria nem sequer ser tratado, uma vez que trata de fundamento inexistente na acusação, não surgiu uma única prova de que as partes eram relacionadas. Ora, a participação de duas sociedades numa terceira, sobretudo quando o objeto da transação é a alienação de uma dessas participações, não pode ser considerada como um vínculo capaz de macular a veracidade do preço, porque cada uma defende interesses próprios e antagônicos entre si. Por evidência, uma quer que o preço seja maior e a outra que seja menor. Ademais, não cabe ao contribuinte fazer prova de que a operação foi realizada entre partes independentes, como pretendeu a DRJ, é ônus do fisco provar a relação. Não deve prosperar a acusação de ágio interno como fundamento da acusação. Da acusação fiscal Tecidas todas essas considerações acerca da decisão recorrida e como adotou fatos não descritos na peça fiscal acusatória, passamos a verificar e enfrentar as suas razões efetivas. As acusações são duas e constam também corretamente das contrarazões da PFN: (i) falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio, e (ii) duplicação do ágio. Na verdade, como já discorremos anteriormente, a PFN aponta uma terceira ausência da comprovação do pagamento sobre a qual já tratamos. Pois bem, em relação às efetivas acusações constantes do termo de verificação, a DRJ não trata e a PFN não despende qualquer esforço para defendêlas, porque são totalmente equivocadas. Com relação à primeira, a própria fiscal se contradiz, pois faz referência a "laudo de rentabilidade futura preparado pelo Deutsche Bank à época das aquisições". No tocante à segunda, é obvio que não houve duplicação de ágio, mas sim a sua transferência de registro da incorporada para a incorporadora, operação absolutamente usual mesmo quando é a investida que incorpora a investidora, tanto que prevista sem ressalvas pela legislação do imposto sobre a renda , conforme o art. 386, § 6º, II do RIR: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.639 35 participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): (...) II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.911275/2009-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-004.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 12 75 /2 00 9- 89 Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3202001402, de 12/11/2014, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido. Defende a recorrente, em apertada síntese, que não existe previsão legal para a inclusão da industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Os fatos decorrem de negativa de ressarcimento e não homologação das compensações apresentadas pelo contribuinte. Os fundamentos para tal negativa estão consubstanciados no Termo de Conclusão Fiscal, efls. 606/626, elaborado pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão PretoSP. De acordo com referido termo o contribuinte industrializa sucos de laranja para exportação. Ela adquire os insumos e 100% do suco é elaborado por encomenda da fábrica do mesmo grupo empresarial denominada CoinbraFrutesp Industrial Ltda. Ainda de acordo com referido termo: "a fiscalizada não produzia e nem produz absolutamente nada, funciona apenas como compradora de insumos e exportadora, não possuindo funcionários, nem estrutura física, Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 4 3 possuindo apenas uma sala de 20 metros quadrados funcionando apenas como centro administrativo..." O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho de efls. 861/864. O contribuinte apresentou contrarrazões ao referido recurso especial no qual defende o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, que seja negado provimento em razão dos argumentos de mérito que apresenta. Consta das efls. 892/896, Mandado de Intimação efetuado pelo Juiz Federal da 15ª Vara Cível de BrasíliaDF contra o Presidente do CARF, determinando o julgamento do presente recurso especial no prazo improrrogável de 30 dias. Em face desta determinação, o processo foi levado a sorteio na última reunião durante a sessão realizada no dia 15/02/2017. Tendo sido a mim sorteado, o processo foi indicado para a pauta da sessão realizada em 21/03/2017, primeira após a determinação judicial, porém o processo saiu com vistas ao Conselheiro Charles, tendo retornado à pauta da primeira sessão subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial apresentada pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais para o seu conhecimento. Cumpre, no entanto, enfrentar as alegações apresentadas em contrarrazões pelo contribuinte no sentido de que o recurso especial não deveria ser conhecido. Em síntese, alega que não estaria comprovada a divergência pois as situações fáticas do presente processo seriam diferentes em relação aos acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional. Ele afirma que o crédito presumido lhe foi negado na origem, não somente em razão da alegada impossibilidade de seu aproveitamento em razão da industrialização por Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 5 4 encomenda, mas também porque a fiscalização entendeu que ele não seria estabelecimento industrial e que, portanto nada produzia, não podendo fazer jus ao benefício previsto na Lei nº 9.363/96. Embora seja verdadeira esta alegação, o fato é que o acórdão recorrido debruçouse somente sobre esta questão de direito que resumese à possibilidade legal de se apropriar do crédito presumido de IPI em relação aos serviços realizados na industrialização por encomenda na sistemática prevista pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96. Assim não há dúvida de que está estabelecida a divergência, uma vez que o acórdão recorrido entendeu, com base na mesma legislação, que é possível este aproveitamento, os acórdãos paradigmas entenderam de maneira diametralmente oposta. Neste sentido, voto pelo conhecimento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Mérito Como o acórdão recorrido entendeu que seria suficiente para o deslinde do direito ao crédito presumido do IPI a análise quanto a legalidade do direito da apropriação do referido crédito sobre os valores decorrentes da industrialização por encomenda, penso que está superada toda a discussão atinente à conclusão da fiscalização de que o contribuinte sequer era um estabelecimento industrial. O fato é que o acórdão recorrido foi omisso em relação à acusação da fiscalização de que o requerente do referido crédito presumido sequer era um estabelecimento industrial. Como não houve apresentação de embargos para sanar a omissão é de se concluir que o presente julgamento deve ser efetuado somente sobre a questão de direito devolvida ao colegiado, qual seja, a possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, os valores pagos a título de industrialização por encomenda. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 6 5 tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 7 6 Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 8 7 presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. O acórdão recorrido decidiu ser possível esse creditamento, porém ao decidir utilizouse de fundamentos que não são aplicáveis ao presente processo. De fato, ele decidiu pela possibilidade do creditamento entendendo em síntese que a industrialização por encomenda seria somente uma forma de aquisição de matériaprima a ser utilizada no processo produtivo do encomendante gerando o produto acabado para exportação. Esse entendimento pode ser extraído da própria ementa do acórdão recorrido: Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 9 8 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Ocorre que esta não é a situação dos presentes autos. Conforme consta do Termo de Conclusão Fiscal, efls. 606/626, o contribuinte em questão adquire os insumos remetendoos para produção do suco de laranja concentrado que é devolvido ao encomendante para exportação direta. Ou seja, não retorna ao encomendante matériaprima e sim o próprio produto final que é exportado. Então afastase a tese defendida no acórdão recorrido de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no processo produtivo do beneficiário. Melhor dizendo, afastase a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/96. Importante ressaltar que no voto do acórdão recorrido citase, também como razão de decidir, uma decisão do STJ nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 10 9 Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. (...) (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 (grifamos) Cristalino que essa decisão também não é aplicável ao presente caso, pois o STJ manifestou entendimento que não há óbice ao aproveitamento dos custos para beneficiamento do insumo que será utilizado no processo produtivo do encomendante. Ressalto que a permanecer o entendimento exarado no presente voto não há que haver o retorno do processo para a Câmara recorrida para análise não apreciada pelo acórdão recorrido quanto à inexistência do crédito, pois a inexistência do direito é prejudicial em relação à verificação da materialidade do crédito. Por todo o exposto voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 11 10 Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Como fomos o relator do acórdão recorrido, mas aqui seguiremos o voto proposto pelo relator do recurso especial – o qual, como se viu, encarta conclusão diversa da que naquele propusemos –, julgamos necessário tecer algumas considerações. A primeira é que, de fato, somos favoráveis à tese, por ausência de óbice legal, de que todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados, pelo estabelecimento encomedante, na determinação do crédito presumido estatuído pela Lei nº 9.363, de 1996, em consonância, ademais, com decisões administrativas e judiciais (p. ex., Acórdãos CARF/3ª Turma nº 9303001.721, de 07/11/2011, e 930301.623, de 29/09/2011, e STJ, AgRg no REsp nº 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011). A segunda é que, a despeito de concordarmos com a tese, não percebemos que a contribuinte – no caso aqui, a encomendante – nada industrializa (assim constatouse em diligência), razão por que, se contribuinte de IPI não se tratava, a ela nada deveria ter sido conferido no Despacho Decisório (concedeuse uma pequena parte do crédito requerido), ainda que a título de ressarcimento de PIS/Cofins. O reconhecimento parcial do valor pretendido decerto nos levou a reconhecer, equivocadamente, o direito da contribuinte ao crédito presumido de IPI com origem na industrialização por encomenda, uma vez que nos fez crer na natureza industrial do seu estabelecimento. Não é a sua realidade, porém. Por tais razões, alteramos o nosso entendimento, para acompanhar, nesta assentada, o voto proferido pelo il. ConselheiroRelator. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 907DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.722930/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. SENTENÇA JUDICIAL. ISENÇÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS.
Tendo restado comprovado que os valores em questão são isentos por força de decisão judicial transitada em julgado, não há falar em cobrança de imposto suplementar.
Numero da decisão: 2301-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SENTENÇA JUDICIAL. ISENÇÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS. Tendo restado comprovado que os valores em questão são isentos por força de decisão judicial transitada em julgado, não há falar em cobrança de imposto suplementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 30 /2 01 4- 25 Fl. 126DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0736679, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Florianópolis (efls. 48 a 50 – numeração dos autos eletrônicos). A notificação de lançamento (efls. 04 a 08) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos recebidos da PETROS, uma vez que do total recebido de R$107.052,16 teriam sido declarados R$87.662,53 e omitidos R$19.389,63. São citados como enquadramento legal os arts. 1º a 3º e §§ da Lei 7.713, de 1988; arts. 1º a 4º da Lei 8.134, de 1990; arts. 1º e 15 da Lei 10.451, de 2002; e arts. 43 e 45 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99). Consta do relatório do acórdão recorrido: Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, alegando, em síntese, que do valor recebido de R$ 107.052,16 foi descontado a importância de R$ 19.389,63 por tratarse de parcela isenta, de acordo com sentença da justiça federal no processo n.º 200585000050297, que transitou em julgado em 18/03/2011. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que não recebeu ementas. A ciência dessa decisão ocorreu em 16/04/2015 (aviso de recebimento EBCT, efl. 53). Em 24/04/2015, foi apresentado recurso voluntário, sendo reiterados os argumentos apresentados por ocasião da impugnação. Foi pedido o cancelamento do débito fiscal. Em 14/04/2016 esta Turma solicitou diligência, nos seguintes termos: Penso, assim, que para o deslinde da questão, é necessário descobrir quais verbas estariam sujeitas à isenção reconhecida na sentença. Nesse sentido, os cálculos presentes na ação judicial podem ajudar, uma vez que houve, na execução da sentença, o reconhecimento de um critério, que deu origem aos valores que foram restituídos (R$15.603,82). Assim sendo, voto por converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao contribuinte a juntada aos autos dos cálculos dos valores que lhe foram restituídos, indicando quais foram os critérios utilizados naqueles cálculos. O contribuinte foi intimado, apresentou petição acompanhada de documentos (efls. 109 a 121) e foi emitido relatório de diligência (efl. 122). É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10510.722930/201425 Acórdão n.º 2301005.085 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou ter sido julgada parcialmente procedente sua demanda judicial (processo 2005.85.00.0050297), reconhecendo como isenta do IRPF a complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995. Foram consideradas sujeitas ao IRPF a complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1973 a 1988, anterior à entrada em vigor da Lei 7713, de 1988 e de janeiro de 1996 a 06/11/2000, data da aposentadoria do recorrente (efl. 36). A seu turno, a decisão recorrida (efl. 50) julgou improcedente a impugnação pelo seguintes fundamentos: (a) a sentença judicial não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria e (b) falta de comprovação de que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário 2012 corresponderiam às contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Analisemolos separadamente. DA EFICÁCIA DA SENTENÇA DO PROCESSO Nº 2005.85.00.0050297 Consta no acórdão recorrido (efl. 50): Ocorre que em execução do julgado, os valores retidos a titulo de IRRF correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo contribuinte, no período de 1.º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, foram pagos ao exeqüente em 22/02/2011, no montante de R$ 15.603,82, como comprova o Recibo de Sacado de Depósito Judicial vinculado ao processo n.º 2005.85.00.005029, documento este extraído do processo n.º 10510.723334/201381 do mesmo contribuinte (fls. 45 a 47). Como se vê, contrariando o que alega a defesa, a sentença judicial não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria, mas determinou que fosse excluído da tributação o valor correspondente às contribuições vertidas pelo beneficiário, no período de 1989 a 1995, decretando a devolução dos valores indevidamente retidos a esse titulo. Dado que o contribuinte já recebeu judicialmente a devolução do montante considerado indevidamente retido a esse titulo, nada mais resta a ser pago via administrativa. (Grifouse.) Ou seja, o acórdão recorrido parte do pressuposto que a sentença não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria, mas, tão somente, determinou que fosse excluído da tributação o valor correspondente às contribuições vertidas pelo beneficiário, no período de Fl. 128DF CARF MF 4 1989 a 1995, decretando a devolução dos valores indevidamente retidos a esse titulo, que se concretizaria com o levantamento judicial do valor de R$15.603,82 pelo recorrente. Por primeiro, registro que a restituição dos valores retidos a título de IRPF no período considerado isento (1989 a 1995), foi paga ao contribuinte por meio de RPV, matéria que é litigiosa no processo administrativo 10510.723334/201381 (que trata da omissão de rendimentos), julgado por esta Turma em 14/04/2016, no qual se decidiu pela falta de competência do CARF para se manifestar originariamente sobre provas novas, sobre as quais não há manifestação da instância ad quem, e encaminhar os processo para novo julgamento pela instância de origem (Acórdão 2301004.641). A sentença, dado o seu caráter declaratório, também possui eficácia quanto as parcelas futuras de aposentadoria complementar, matéria objeto do presente processo. Registro, por oportuno, que a pesquisa no endereço eletrônico da Seção Judiciária do Sergipe (https://consulta.jfse.jus.br/Consulta/resconsproc.asp) demonstra que a sentença transitou em julgado ainda em 2008, tendo iniciado o cumprimento de sentença em 26/09/2008; assim, quando do percebimento dos rendimentos sob questionamento (2012) o contribuinte já estava sob o amparo da coisa julgada. Extraio do referido endereço eletrônico o seguinte despacho, que delimita a matéria objeto do trânsito em julgado: 01/02/2010 17:34 Despacho. Usuário: MKP Em análise, execução de sentença que determina a restituição à parte autora de quantia referente à Imposto de Renda indevidamente pago à União. (...) Às fl. 174/175, reside a delimitação exata do título judicial transitado em julgado. Transcrevo: Aposentandose em 6 de novembro de 2000 (f. 82), o demandante procedeu aos recolhimentos, para custear a aposentadoria privada, em parte, sob a regência da lei 7.713, de forma que faz jus ao recebimento da parcela, atinente a aposentadoria complementar, sempre e sempre, sem se submeter ao desconto do imposto de renda, no que se refere às contribuições do interregno de janeiro de 1989 a 31.12.1995, incidindo o imposto de renda, apenas, sobre os intervalos de 1973 a 1988 e sobre o que se inicia em janeiro de 1996 e vai até 6 de novembro de 2000. (...) Por este entender, extingo o feito com resolução do mérito, para acolher, em parte, a pretensão, declarando ilegal a incidência do Imposto de Renda sobre a aposentadoria complementar do demandante, relativa ao recolhimentos efetuados sob a vigência da lei 7.713, excluindose da condenação as parcelas referente ao período de vigência da lei 7.713, ou seja, de 1.1.89 a 31.12.95, condenando a ré à devolução do quantum foi recolhido indevidamente a este título, acrescentadose juros de mora com o trânsito em julgado e correção monetária mês a mês, a incidir a partir do momento em que cada desconto ocorreu, aplicandose a UFIR de janeiro de 1992 a dezembro de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10510.722930/201425 Acórdão n.º 2301005.085 S2C3T1 Fl. 4 5 1995, seguindo em janeiro de 1996 da taxa SELIC, sem prejuízo de poder ser utilizado outro índice que venha a legislação indicar ou a jurisprudência consagrar. Condeno a ré, ainda, à restituição das custas processuais e a honorários advocatícios que arbitro em dez por cento sobre o valor a ser apurado em execução de sentença. Assim, foi afastada a incidência de IR sob os resgates e benefícios decorrentes de contribuições vertidas durante a vigência da Lei 7.713/88, pouco importando o momento em que o recebimento de tais prestações venha a ocorrer. Tem relevância apenas a época de recolhimento das contribuições para formação da complementação de aposentadoria. Quem se aposentou ainda sob a égide da Lei 7.713/88 não deve sofrer nenhuma retenção quanto à complementação de aposentadoria. Agora, quem recolheu sob os dois regimes, tem direito apenas a ver excluída da base de cálculo os valores proporcionais aos recolhimentos havidos naquele regime. Por essas considerações, expeçase ofício à PETROS para que passe a realizar a retenção de imposto de renda na fonte sobre os proventos do autor, conforme a legislação tributária pátria, excluindo da base de cálculo da retenção do IRPF parte dos valores da complementação, correspondente ao período de contribuição sob a sistemática da Lei 7.713/88. Para esse cálculo, deve ser levada em consideração a relação entre a quantidade de anos de recolhimento sob aquele regime em função do período total de contribuição. Oficiese a CEF para que transfira em definitivo os valores depositados pela PETROS, vinculados a este feito, em face do trânsito em julgado do título judicial. Intimemse. (Grifouse.) Assim, entendo que o montante de R$15.603,82, (recibo de sacado de depósito judicial vinculado ao processo n.º 2005.85.00.005029, extraído do processo n.º 10510.723334/201381 do mesmo contribuinte, efls. 45 a 47) referese à devolução do quantum recolhido indevidamente a título de imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF), matéria que não se confunde com o objeto do presente processo, no qual o contribuinte alega e demonstra possuir direito à isenção de IRPF referente à complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995. Objeto de questionamento – tendo sido objeto de diligência – é o cálculo do montante isento, o qual será analisado oportunamente. DOS VALORES LANÇADOS COMO OMITIDOS Passo à segunda razão pela qual a impugnação foi julgada improcedente: Ademais disso, o impugnante apenas alega mas não comprova que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário Fl. 130DF CARF MF 6 2012, corresponderiam às contribuições efetuadas exclusivamente pelo participante no período de 1.º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, aliás, nenhum documento referente às contribuições foi apresentado pelo impugnante. O objeto da diligência foi o esclarecimento dessa questão. Em decorrência, foram juntado aos autos cálculos do contador, no quais podemos verificar os seus critérios (e fls. 111 a 121), as quais já estavam presentes às efls. 60 a 93. Se pode verificar que o critério adotado pelo Poder Judiciário, já transcrito, foi o de “ser levada em consideração a relação entre a quantidade de anos de recolhimento sob aquele regime em função do período total de contribuição” (efls. 69, 78 e 114). Assim, nos cálculos do contador foi considerada 07/06/1973 como data de início das contribuições à Petros e como data de início da aposentadoria 16/12/1998, perfazendo o total de 307 meses. Como o período abrangido pela isenção soma 84 meses (01/1989 a 12/1995), foi aplicada a proporção 84/307 x 100 = 27,36% (e fls. 72, 73 e 121), que traduz a proporção dos rendimentos isentos recebidos pelo recorrente da Petros. É evidente o erro material nesse cálculo: enquanto a sentença transitada em julgado afirmou ser a data de aposentadoria 06/11/2000 (efls. 78, 82 e 116), o perito considerou a data de 16/12/1998. Assim, para corrigir o erro deve ser somado ao cálculo o número de meses faltantes, ou seja, 23, totalizando 330 meses trabalhados (de 06/1973 a 11/2000). Excluindo os 84 meses amparados pela isenção temos que 84/330 x 100 = 25,45% (proporção dos rendimentos isentos recebidos pelo recorrente da Petros). Como o total recebido a título de rendimentos da Petros foi de R$107.052,16, o montante a ser considerado isento é de (25,45% x R$107.052,16 =) R$27.249,64, e o valor a ser oferecido à tributação é (R$107.052,16 R$27.249,64 =) R$79.802,52. Como o contribuinte ofereceu à tributação o valor de R$87.662,53 (efl. 06), nada resta a ser tributado como omissão de receitas. Pelos fundamento retroexpostos, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904998/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 98 /2 01 2- 49 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.459. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 138DF CARF MF
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