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Numero do processo: 15586.001357/2009-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSO SUPERIOR. DESCUMPRIMENTO DA EXIGÊNCIA EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. INAPLICABILIDADE. MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu-se por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximir-se, considerando os termos dos art. 10 e 448 do Decreto-Lei 5452/1943 que instituiu a CLT. Nos termos da legislação trabalhista não pode a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, para enquadrar-se na exclusão legal. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 214, §4º, DO DECRETO Nº 3.048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Embora exista decisão do STJ em sede de recurso repetitivo sobre a incidência de contribuição sobre a verba 1/3 de férias, o processo encontra-se em sede de repercussão geral, devendo aguardar o julgamento da matéria com transito em julgado para que se possa excluir a verba do conceito de salário de contribuição. ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES DO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Existindo legislação específica que trata da definição do conceito de salário de contribuição, não se pode utilizar a legislação trabalhista para fins de exclusão de verbas da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não se enquadra na exclusão prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei 8212/91 a concessão de assistência médica aos dependentes dos empregados.
Numero da decisão: 9202-006.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9202­006.652  –  2ª Turma   Sessão de  21 de março de 2018  Matéria  CSP ­ AUXÍLIO EDUCAÇÃO ­ ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS ­  ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES  Recorrentes  ARACRUZ CELULOSE SA              FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  AUXÍLIO  EDUCAÇÃO.  CURSO  SUPERIOR.  DESCUMPRIMENTO DA  EXIGÊNCIA  EXTENSÍVEL  A  TODOS  OS  EMPREGADOS.  INAPLICABILIDADE.  MANUTENÇÃO  DE  BENEFÍCIO  CONCEDIDO  ANTES DE INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA.  O  fato  de  dar  continuidade  ao  plano  de  fornecimento  de  educação  aos  empregados  de  empresa  incorporada  não  é  capaz  de  determinar  o  descumprimento  da  exigência  “extensível  a  todos  os  empregados  e  dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu­se por força  legal e contratual,  a qual o autuado não poderia eximir­se,  considerando os  termos dos art. 10 e 448 do Decreto­Lei 5452/1943 que instituiu a CLT. Nos  termos da  legislação  trabalhista não pode  a  empresa  simplesmente  cessar  a  concessão do benefício, para enquadrar­se na exclusão legal.  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  ADICIONAL  DE  1/3  DE  FÉRIAS.  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 214,  §4º, DO DECRETO Nº 3.048/99.   A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII  do  art.  7º  da Constituição Federal  possuem natureza  remuneratória  e,  nessa  condição,  integram  o  salário  de  contribuição,  para  fins  de  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  nos  termos  expressos  no  §4º  do  art.  214  do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.  Embora  exista  decisão  do  STJ  em  sede  de  recurso  repetitivo  sobre  a  incidência de contribuição sobre a verba 1/3 de férias, o processo encontra­se  em  sede  de  repercussão  geral,  devendo  aguardar  o  julgamento  da  matéria  com  transito  em  julgado  para  que  se  possa  excluir  a  verba  do  conceito  de  salário de contribuição.     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 57 /2 00 9- 95 Fl. 1234DF CARF MF     2 ASSISTÊNCIA  MÉDICA  AOS  DEPENDENTES  DO  EMPREGADO.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  EXCLUSÃO.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO LEGAL  Existindo  legislação específica que  trata da definição do conceito de salário  de  contribuição,  não  se  pode  utilizar  a  legislação  trabalhista  para  fins  de  exclusão de verbas da base de cálculo de contribuições previdenciárias.  Não se enquadra na exclusão prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei  8212/91 a concessão de assistência médica aos dependentes dos empregados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  e,  no mérito,  em  negar­lhe  provimento. Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Heitor  de  Souza  Lima  Júnior,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho  (suplente  convocado)  e  Maria  Helena  Cotta  Cardozo. Manifestou  intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina  Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso  Especial  do  Contribuinte  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  negar­lhe  provimento,  vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa  da  Cruz  e  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri,  que  lhe  deram  provimento.  Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira.  Manifestou  intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício      (assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes – Relatora      (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,  Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.  Relatório  Os presentes Recursos Especiais  tratam de pedido de análise de divergência  motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2401­003.640, proferido  pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento.  Trata­se  o  Auto  de  Infração  (DEBCAD  n°  37.230.168­1),  no  valor  de  R$  168.400,04, acrescido de juros e multa, referente às contribuições devidas à Seguridade Social,  Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 10          3 correspondentes  às  contribuições  dos  segurados  empregados,  as  quais  deveriam  ter  sido  descontadas  pela  empresa,  no  período  compreendido  entre  01/2005  a  12/2005,  conforme  Relatório Fiscal de fls. 100 a 118.  O autuado apresentou impugnação às fls. 123/170.   A  DRJ,  às  fls.  396/406,  negou  provimento  à  defesa,  mantendo  o  crédito  tributário exigido.  O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 417/470.  A  1ª  Turma  Ordinária  da  4ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  às  fls.  971/1003,  DEU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário,  para:  I)  excluir  do  lançamento as diferenças de SAT;  II) excluir do  lançamento o  levantamento “seguro de vida  em grupo”, levantamentos SG6 e SG7; III) excluir do lançamento o levantamento CS6 – Curso  Superior. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  ­  SEGURADOS  EMPREGADOS  ­  PAGAMENTOS  INDIRETOS  ­ DESCUMPRIMENTO DA LEI  ­  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO  Uma  vez  estando  no  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  para  não  haver  incidência  é  mister  previsão  legal  nesse  sentido,  sob  pena  de  afronta  aos  princípios  da  legalidade e da isonomia.  SEGURADOS  EMPREGADOS  ­  CONTRIBUIÇÃO  DO  SEGURADO  NÃO  DESCONTADA  EM  ÉPOCA  PRÓPRIA  ­  ÔNUS DO EMPREGADOR  O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas  sempre  se  presume  feito  oportuna  e  regularmente  pela  empresa  a  isso  obrigada,  não  lhe  sendo  lícito  alegar  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância  que  deixou  de  receber  ou  arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.  DIFERENÇA  DE  FÉRIAS  ­  AUSÊNCIA  DE  IMPUGNAÇÃO  EXPRESSA ­ 1/3 DE FÉRIAS ­ RECURSO REPETITIVO STJ  Os valores  foram apurados no próprio  resumo de  férias, sendo  perfeitamente  possível  a  empresa  identificar  as  origens  dos  valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente  se tratavam de verbas com natureza indenizatória.  A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a  esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das  contas  G60  (férias  normais)  e  440  (complemento  de  férias  acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento.   Fl. 1236DF CARF MF     4 A alegação de tratar­se genericamente de verbas indenizatórias  não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o  recorrente  que  a  verbas  pagas  caracterizam­se,  por  exemplo  como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito  de salário de contribuição.  1/3  DE  FÉRIAS  INTERPOSIÇÃO  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  Nos  termos  do  art.  28,  §  9ºda  lei  8212/90,  não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho ­ CLT;  Embora  a  jurisprudência  venha  se  encaminhando  por  desconstituir  a  natureza  remuneratória  da  verba,  a  lei  12844/2013  que  alterou  a  10.522  ­  nos  casos  do  recursos  repetitivos  transitados  em  julgados,  deve  a  receita  observar  a  norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência  de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se  observa  no  presente  caso.  Assim,  não  há  como  afastar  a  incidência  da  contribuição  até  a  decisão  final  a  respeito  do  tema.  SEGURO  DE  VIDA  EM  GRUPO  ­  ATO  DECLARATÓRIO  12/2011, DE 20/12/2011  Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011,  o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor  do  grupo  de  empregados,  sem  que  haja  a  individualização  do  montante  que  beneficia  a  cada  um  deles  não  se  inclui  no  conceito  de  salário,  afastando­se,  assim  a  incidência  da  contribuição previdenciária sobre a referida verba.  AUXÍLIO EDUCAÇÃO ­ CURSO SUPERIOR ­ MANUTENÇÃO  DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO  Ao  contrário  do  que  entendeu  o  julgador,  a  legislação  trabalhista  é  clara  ao  descrever  nos  seus  art.  10  e  448  do  Decreto­Lei  5452/1943  que  instituiu  a  CLT,  que  alterações  na  estrutura  jurídica  (como  é  o  caso  da  incorporação)  ou mesmo  alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos.  Ou  seja,  nos  termos  da  legislação  trabalhista  não  poderia  a  empresa  simplesmente  cessar  a  concessão  do  benefício,  como  entendeu  o  julgador  para  enquadrar­se  na  exclusão  legal.  Vejamos  dispositivos:  O  fato  de  dar  continuidade  ao  plano  de  fornecimento  de  educação  aos  empregados  de  empresa  incorporada  não  é  capaz  de  determinar  o  descumprimento  da  exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo  em vista que a exclusividade da concessão deu­se por força legal  e  contratual,  a  qual  o  autuado  não  poderia  eximir­se,  considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a  permanência do benefício face a justiça do trabalho.  ASSISTÊNCIA MÉDICA ­ DEPENDENTES   Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 11          5 Para  que  os  benefícios  concedidos  aos  empregados  não  constituam  salário  de  contribuição  devem  constar  do  rol  de  exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valer­se da  legislação  trabalhista  (art.  458,  para  definir  o  conceito  de  salário de contribuição de contribuições previdenciárias.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  ­  DESCUMPRIMENTO  DOS  PRECEITOS  LEGAIS  –  ESTIPULAÇÃO  ­  EXISTÊNCIA  DE  ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES   Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as  comissões  possuíam  assinatura  do  respectivo  sindicato,  o  que  fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo­ se natureza salarial a verba PLR.  O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra  a existência de acordo com a participação do sindicato para sua  elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz  parte  de  acordo  coletivo.  A  fl.  606,  em  resposta  ao  termo  de  intimação  n.  5,  no  item  2.2,  a  empresa  informa  que  a  remuneração  variável  encontra­se  consubstanciado  em  acordo  coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos  acordos não foram apresentados).  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Às fls. 1006/1013, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando  divergência  jurisprudencial  em  relação  à  seguinte  matéria:  Incidência  de  contribuição  previdenciária sobre bolsas de estudo de ensino superior. O acórdão recorrido entendeu que  as  contribuições  previdenciárias  não  incidem  sobre  as  bolsas  de  estudo  de  ensino  superior  concedidas.  Contudo,  discutindo  casos  com  o  mesmo  perfil,  os  acórdãos  paradigmas,  analisando  a mesma  legislação  de  regência  –  Lei  nº  8.212/91,  em  particular  o  art.  28,  §  9º,  alínea  “t”  –  concluíram  que  a  verba  paga  a  título  de  bolsa  de  estudo  em  cursos  de  nível  superior,  possuem  natureza  remuneratória  e  como  tal  sujeitam­se  à  incidência  tributária.  Concluíram, em breve suma, que deve ser incluído, como salário de contribuição, o benefício  proveniente do  curso de nível  superior,  por não  consistir  em educação básica,  nem curso de  qualificação profissional como prevê a lei. Assim, merece consideração o disposto no art. 111,  inciso I, do CTN, no sentido de aplicar interpretação literal ao caso.  Ao  realizar  o  Exame  de  Admissibilidade  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional, às fls. 1044/1049, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao  recurso em relação à divergência arguida.   Intimado  à  fl.  1056,  o  Contribuinte  apresentou  Contrarrazões  às  fls.  1058/1064, alegando, preliminarmente, que a Recorrente não se desincumbiu de demonstrar a  divergência  entre  as  teses,  alegando  inexistir  precedentes  favoráveis  que  sustentem  a  tese  contrária. No mérito, pediu para manter a decisão proferida no acórdão recorrido.   Às  fls.  1068/1101,  o  Contribuinte  também  interpôs  Recurso  Especial,  alegando  divergência  jurisprudencial  em  relação  às  seguintes  matérias:  1.  Nulidade  de  autuação  ­  falta  de  descrição  adequada  dos  fatos  ou  da  indicação  da  regra­matriz  e  exigência  tributária  se  constitui  em  óbice  ao  direito  de  defesa  do  autuado.  O  acórdão  recorrido  considerou  que  a  fiscalização  não  precisa  separar  em  AI  cada  uma  das  rubricas  Fl. 1238DF CARF MF     6 apuradas durante o procedimento fiscal para que se  tornasse claro e preciso o  lançamento. A  obrigação  da  autoridade  fiscal  é  lavrar  o  AI  na  forma  prevista  na  lei  e  atos  normativos,  deixando claro ao autuado os fatos geradores e períodos a que se refere. Já nos dois paradigmas  restou evidente a interpretação dessa Corte em reconhecer a nulidade da autuação aos casos em  que a descrição não é completa. 2. Não possui natureza salarial os valores pagos a título de  férias, adicional de 1/3, assistência médica a dependente e PLR. Para contrapor o acórdão  recorrido, o Contribuinte anexou jurisprudência no sentido de que tais verbas citadas, por não  possuírem  natureza  salarial,  já  que  não  correspondem  à  contraprestação  pelo  trabalho,  não  estão sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias.  Ao  realizar  o  Exame  de  Admissibilidade  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  às  fls.  1191/1202,  a  4ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  DEU  PARCIAL  SEGUIMENTO  ao  recurso  em  relação  à  divergência  sobre  as  seguintes  matérias:  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre:  1.  1/3  constitucional  de  férias;  e  2.  assistência médica a dependentes.  O Contribuinte foi cientificado às fls. 1207.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  Contrarrazões  às  fls.  1222/1233,  combatendo as alegações do Contribuinte e pedindo pela manutenção do acórdão em relação à  matéria recorrida.  Vieram os autos conclusos para julgamento.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Ana Paula Fernandes ­ Relatora.  Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte  são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser  conhecidos.   Trata­se  o  Auto  de  Infração  (DEBCAD  n°  37.230.168­1),  no  valor  de  R$  168.400,04, acrescido de juros e multa, referente às contribuições devidas à Seguridade Social,  correspondentes  às  contribuições  dos  segurados  empregados,  as  quais  deveriam  ter  sido  descontadas  pela  empresa,  no  período  compreendido  entre  01/2005  a  12/2005,  conforme  Relatório Fiscal de fls. 100 a 118.  O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso voluntário.   Já o Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação  a não incidência de contribuição previdenciária sobre: 1. 1/3 constitucional de férias; e 2.  Assistência médica a dependentes.  O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a  divergência  jurisprudencial  no  tocante  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  bolsas de estudo de ensino superior.     Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 12          7 RECURSO DO CONTRIBUINTE  I  ­  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  SOBRE  O  TERÇO  CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS  As  Contribuições  Previdenciárias  possuem  uma  restrita  linha  de  aplicação,  conforme  bem  delimitado  pela  Constituição  Federal  e  pela  Lei  de  Custeio  estas  exações  se  referem  exclusivamente  a  valores  advindos  do  trabalho,  portanto,  verbas  de  natureza  remuneratória.  As  verbas  em  discussão  possuem  indiscutível  caráter  indenizatório,  o  que  excluí  as  mesmas  da  base  de  cálculo  do  salário  de  contribuição  para  fins  da  contribuição  previdenciária devida aos cofres públicos.  Nesse  sentido  aponta  a  doutrina  pátria  e  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal de Justiça, ressaltando que se deve levar em conta o caráter finalístico da verba como  fator preponderante para sua classificação em indenizatória ou remuneratória.  Observe­se  que  a  redação  do  artigo  28,  I  da  lei  8212/91  ao  disciplinar  o  conceito  de  salário  de  contribuição  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso  refere­se  a  totalidade  de  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados a retribuir o trabalho.  A finalidade do adicional de férias (1/3), não é o de remunerar o trabalhador,  mas  sim  o  de  garantir  um  extra  a  ser  usufruído  no  período  de  descanso,  uma  vez  que  seus  gastos  fixos  habituais  já  comprometem  a  remuneração mensal.  Do mesmo modo  ocorre  no  período  que  a  empresa  paga  os  primeiros  15  dias  de  atestado  médico,  pelos  mesmos  fundamentos, pois surge novamente aqui a ausência de trabalho. Logo, não há que se falar em  verba remuneratória, pois não há trabalho realizado, mas sim uma indenização recebida  Dessa  análise  pode­se  extrair  que  o  terço  constitucional  sobre  férias  e  os  primeiros 15 dias que antecedem o auxilio­doença não se encontram denominados no conceito  de salário de contribuição para fins previdenciários, motivo pelo qual não há que se falar em  literalidade da lei, quanto menos em aplicação da estrita legalidade.  Também não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas tão  somente  de  interpreta­la  em  consonância  com  os  próprios  ditames  constitucionais  que  expressamente definiram o trabalho como fato gerador da exação fiscal.  Cumpre  esclarecer  que,  a  presente  discussão  teve  início  dentro  do  Regime  Próprio  de  Previdência  Social,  conforme  podemos  verificar  no  voto  do  STJ  em  sede  de  uniformização de jurisprudência no qual determinou que a TNU adequasse seus julgados para  não incidência:    PETIÇÃO  Nº  7.296  ­  PE  (2009/0096173­6)  RELATORA  :  MINISTRA  ELIANA  CALMON  REQUERENTE  :  FAZENDA  NACIONAL  PROCURADOR  :  ROBERTA  CECÍLIA  DE  QUEIROZ  RIOS  E  OUTRO(S)  REQUERIDO  :  VIRGÍNIA  MARIA  LEITE  DE  ARAÚJO  ADVOGADO  :  CLAUDIONOR  BARROS  LEITÃO  ­  DEFENSOR  PÚBLICO  EMENTA  TRIBUTÁRIO  E  PREVIDENCIÁRIO  ­  INCIDENTE  DE  Fl. 1240DF CARF MF     8 UNIFORMIZAÇÃO  DE  JURISPRUDÊNCIA  DAS  TURMAS  RECURSAIS  DOS  JUIZADOS  ESPECIAIS  FEDERAIS  ­  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  ­  TERÇO  CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS ­ NATUREZA JURÍDICA ­  NÃO­INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  ­  ADEQUAÇÃO  DA  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ  AO  ENTENDIMENTO  FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO.  1. A Turma Nacional  de  Uniformização  de  Jurisprudência  dos  Juizados  Especiais  Federais  firmou  entendimento,  com  base  em  precedentes  do  Pretório Excelso, de que não incide contribuição previdenciária  sobre  o  terço  constitucional  de  férias.  2. A Primeira  Seção do  STJ  considera  legítima  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  terço  constitucional  de  férias.  3.  Realinhamento  da  jurisprudência  do  STJ  à  posição  sedimentada  no  Pretório  Excelso  de  que  a  contribuição  previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias,  verba que detém natureza indenizatória e que não se incorpora  à  remuneração  do  servidor  para  fins  de  aposentadoria.  4.  Incidente  de  uniformização  acolhido,  para  manter  o  entendimento  da  Turma  Nacional  de  Uniformização  de  Jurisprudência  dos  Juizados  Especiais  Federais,  nos  termos  acima explicitados.  Com referência ao Regime Geral de Previdência – INSS, o STJ inicialmente  teve entendimento diverso, de que se tratava de verba eminentemente remuneratória, pois seu  direito era adquirido em decorrência do período de exercício de trabalho remunerado, sendo,  portanto, devida a incidência da contribuição (RE 345.458, 2 Turma, Relatora Ellen Grace).  Contudo, este entendimento foi revisto pelo STJ, que passou a acompanhar o  entendimento  manifestado  pelo  STF,  no  sentido  de  que  as  verbas  que  possuem  natureza  indenizatória/compensatória,  assim o  terço  constitucional  sobre  férias  e  os  primeiros  15  dias  que  antecedem  o  auxílio­doença  não  devem  sofrer  incidência  da  referida  contribuição  previdenciária:  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.230.957  ­  RS  (2011/0009683­6)  RELATOR  :  MINISTRO  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  RECORRENTE  :  FAZENDA  NACIONAL  PROCURADOR  :  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  RECORRENTE  :  HIDRO  JET  EQUIPAMENTOS  HIDRÁULICOS  LTDA/  ADVOGADO  :  LUCAS  BRAGA  EICHENBERG  E  OUTRO(S)  RECORRIDO  :  OS  MESMOS  INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ­ ASBACE  ADVOGADO  :  FÁBIO  DA  COSTA  VILAR  E  OUTRO(S)  INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS  DE  ENSINO  SUPERIOR  ­  ABMES  ADVOGADO  :  FÁBIO DA  COSTA  VILAR  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSOS  ESPECIAIS.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DISCUSSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA  OU  NÃO  SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA  PAGA  NOS  QUINZE  DIAS  QUE  ANTECEDEM O AUXÍLIO­DOENÇA. 1. Recurso especial de  HIDRO  JET  EQUIPAMENTOS  HIDRÁULICOS  LTDA.  1.1  Prescrição.  O  Supremo  Tribunal  Federal  ao  apreciar  o  RE  Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 13          9 566.621/RS,  Tribunal  Pleno,  Rel.  Min.  Ellen  Gracie,  DJe  de  11.10.2011),  no  regime  dos  arts.  543­A  e  543­B  do  CPC  (repercussão  geral),  pacificou  entendimento  no  sentido  de  que,  "reconhecida a  inconstitucionalidade art.  4º,  segunda parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio  legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005" . No  âmbito  desta  Corte,  a  questão  em  comento  foi  apreciada  no  REsp  1.269.570/MG  (1ª  Seção,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543­C  do  CPC,  ficando  consignado  que,  "para  as  ações  ajuizadas  a  partir de 9.6.2005, aplica­se o art. 3º, da Lei Complementar n.  118/2005,  contando­se  o  prazo  prescricional  dos  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação em cinco anos a partir  do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN" .  1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional  de  férias  relativo  às  férias  indenizadas,  a  não  incidência  de  contribuição previdenciária  decorre  de  expressa  previsão  legal  (art.  28,  §  9º,  "d",  da  Lei  8.212/91  ­  redação  dada  pela  Lei  9.528/97).  Em  relação  ao  adicional  de  férias  concernente  às  férias  gozadas,  tal  importância  possui  natureza  indenizatória/compensatória,  e não constitui  ganho habitual  do  empregado,  razão  pela  qual  sobre  ela  não  é  possível  a  incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa).  A  Primeira  Seção/STJ,  no  julgamento  do  AgRg  nos  EREsp  957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010),  ratificando  entendimento  das  Turmas  de  Direito  Público  deste  Tribunal,  adotou  a  Documento:  34122204  ­  EMENTA  /  ACORDÃO  ­  Site  certificado  ­ DJe:  18/03/2014 Página  1 de 5  Superior  Tribunal  de  Justiça  seguinte  orientação:  "Jurisprudência  das  Turmas  que  compõem  a  Primeira  Seção  desta  Corte  consolidada  no  sentido  de  afastar  a  contribuição  previdenciária  do  terço  de  férias  também  de  empregados  celetistas  contratados  por  empresas  privadas"  .  1.3  Salário  maternidade.  O  salário  maternidade  tem  natureza  salarial  e  a  transferência  do  encargo  à  Previdência  Social  (pela  Lei  6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos  do  art.  3º  da  Lei  8.212/91,  "a  Previdência  Social  tem  por  fim  assegurar  aos  seus  beneficiários  meios  indispensáveis  de  manutenção,  por  motivo  de  incapacidade,  idade  avançada,  tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família  e  reclusão  ou  morte  daqueles  de  quem  dependiam  economicamente".  O  fato  de  não  haver  prestação  de  trabalho  durante  o  período  de  afastamento  da  segurada  empregada,  associado  à  circunstância  de  a maternidade  ser  amparada  por  um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido  de  que  o  valor  recebido  tenha  natureza  indenizatória  ou  compensatória,  ou  seja,  em  razão  de  uma  contingência  (maternidade),  paga­se  à  segurada  empregada  benefício  previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba  evidente  natureza  salarial.  Não  é  por  outra  razão  que,  atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente  que  o  salário  maternidade  é  considerado  salário  de  contribuição.  Nesse  contexto,  a  incidência  de  contribuição  Fl. 1242DF CARF MF     10 previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da  Previdência  Social,  decorre  de  expressa  previsão  legal.  Sem  embargo  das  posições  em  sentido  contrário,  não  há  indício  de  incompatibilidade  entre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  salário  maternidade  e  a  Constituição  Federal.  A  Constituição  Federal,  em  seus  termos,  assegura  a  igualdade  entre  homens  e  mulheres  em  direitos  e  obrigações  (art.  5º,  I).  O  art.  7º,  XX,  da  CF/88  assegura  proteção  do  mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,  nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por  opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus  referente  ao  pagamento  dos  salários,  durante  o  período  de  afastamento,  constitui  incentivo  suficiente  para  assegurar  a  proteção  ao  mercado  de  trabalho  da  mulher.  Não  é  dado  ao  Poder  Judiciário,  a  título  de  interpretação,  atuar  como  legislador  positivo,  a  fim  estabelecer  política  protetiva  mais  ampla  e,  desse  modo,  desincumbir  o  empregador  do  ônus  referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário  maternidade,  quando  não  foi  esta  a  política  legislativa.  A  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  salário  maternidade  encontra  sólido  amparo  na  jurisprudência  deste  Tribunal,  sendo  oportuna  a  citação  dos  seguintes  precedentes:  REsp  572.626/BA,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  José  Delgado,  DJ  de  20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ  de  29.11.2004;  REsp  803.708/CE,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min.  Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª  Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe  de  19.12.2008; REsp  891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de  21.8.2008;  AgRg  no  REsp  1.115.172/RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJe  de  25.9.2009;  AgRg  no  Ag  1.424.039/DF,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  21.10.2011;  AgRg  nos  EDcl  no  REsp  1.040.653/SC,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Arnaldo  Esteves  Lima,  DJe  de  15.9.2011;  AgRg  no  REsp  1.107.898/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  17.3.2010.  Documento:  34122204  ­  EMENTA  /  ACORDÃO  ­  Site  certificado  ­ DJe:  18/03/2014 Página  2 de 5  Superior Tribunal de Justiça 1.4 Salário paternidade. O salário  paternidade refere­se ao valor recebido pelo empregado durante  os  cinco  dias  de  afastamento  em  razão  do  nascimento  de  filho  (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, §  1º,  do  ADCT).  Ao  contrário  do  que  ocorre  com  o  salário  maternidade,  o  salário  paternidade  constitui  ônus  da  empresa,  ou  seja,  não  se  trata  de  benefício  previdenciário. Desse modo,  em  se  tratando  de  verba  de  natureza  salarial,  é  legítima  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  salário  paternidade.  Ressalte­se  que  "o  salário­paternidade  deve  ser  tributado,  por  se  tratar  de  licença  remunerada  prevista  constitucionalmente,  não  se  incluindo  no  rol  dos  benefícios  previdenciários"  (AgRg  nos  EDcl  no  REsp  1.098.218/SP,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  9.11.2009).  2.  Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa  ao  art.  535  do  CPC.  Não  havendo  no  acórdão  recorrido  omissão,  obscuridade  ou  contradição,  não  fica  caracterizada  ofensa  ao  art.  535  do  CPC.  2.2  Aviso  prévio  indenizado.  A  despeito  da  atual  moldura  legislativa  (Lei  9.528/97  e  Decreto  6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que  Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 14          11 não  correspondam  a  serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição  previdenciária.  A  CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por  prazo  indeterminado,  a  parte  que,  sem  justo  motivo,  quiser  a  sua  rescisão,  deverá  comunicar  a  outra  a  sua  intenção  com  a  devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce  para  o  empregado  o  direito  aos  salários  correspondentes  ao  prazo  do  aviso,  garantida  sempre  a  integração  desse  período  no  seu  tempo  de  serviço  (art.  487,  §  1º,  da  CLT).  Desse  modo,  o  pagamento  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio,  isto  é,  o  aviso  prévio  indenizado,  visa  a  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (REsp  1.221.665/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a  natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacam­se,  na doutrina, as  lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri  Mascaro  Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2ª  Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010;  REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de  1º.12.2010;  AgRg  no  REsp  1.205.593/PR,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  4.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Cesar  Asfor  Rocha,  DJe  de  29.11.2011.  2.3  Importância  paga  nos  quinze  dias  que  antecedem  o  auxílio­doença.  Documento:  34122204  ­  EMENTA  /  ACORDÃO  ­  Site  certificado  ­  DJe:  18/03/2014 Página 3 de 5 Superior Tribunal de Justiça No que  se  refere  ao  segurado  empregado,  durante  os  primeiros  quinze  dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de  doença,  incumbe  ao  empregador  efetuar  o  pagamento  do  seu  salário  integral  (art.  60,  § 3º,  da Lei 8.213/91 — com redação  dada  pela  Lei  9.876/99).  Não  obstante  nesse  período  haja  o  pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é  destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no  intervalo  dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de  trabalho,  ou  seja,  nenhum  serviço  é  prestado  pelo  empregado.  Nesse  contexto,  a  orientação  das  Turmas  que  integram  a  Primeira  Seção/STJ  firmou­se  no  sentido  de  que  sobre  a  importância  paga  pelo  empregador  ao  empregado  durante  os  primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não  incide  a  contribuição  previdenciária,  por  não  se  enquadrar  na  hipótese  de  incidência  da  exação,  que  exige  verba  de  natureza  remuneratória.  Nesse  sentido:  AgRg  no  REsp  1.100.424/PR,  2ª  Fl. 1244DF CARF MF     12 Turma,  Rel. Min.  Herman  Benjamin,  DJe  18.3.2010;  AgRg  no  REsp  1074103/SP,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz  Fux,  DJe  2.12.2009;  REsp  836.531/SC,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional  de  férias.  O  tema  foi  exaustivamente  enfrentado  no  recurso  especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os  argumentos  apresentados  pela  Fazenda  Nacional  em  todas  as  suas manifestações. Por  tal razão, no ponto,  fica prejudicado o  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.  3.  Conclusão.  Recurso  especial  de  HIDRO  JET  EQUIPAMENTOS  HIDRÁULICOS  LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de  contribuição  previdenciária  sobre  o  adicional  de  férias  (terço  constitucional) concernente às  férias gozadas. Recurso especial  da  Fazenda  Nacional  não  provido.  Acórdão  sujeito  ao  regime  previsto  no  art.  543­C  do  CPC,  c/c  a  Resolução  8/2008  ­  Presidência/STJ.    Observo  que  a  discussão  não  é  nova  neste  Tribunal  Administrativo/CARF,  pois  inclusive já há entendimentos nesse sentido, conforme julgado abaixo:    2402­003.564 Acórdão  Número do Processo: 10783.722724/2011­62  Data de Publicação: 21/06/2013  Contribuinte: CHOCOLATES GAROTO SA  Relator(a): RONALDO DE LIMA MACEDO  Ementa:  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/07/2009  a  31/12/2009  COMPENSAÇÃO.  VALORES  PAGOS  SOBRE  AS  VERBAS  TITULADAS  DE  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS  E  DOS  QUINZE  PRIMEIROS  DIAS  DE  AFASTAMENTO  POR  AUXÍLIO­DOENÇA  OU  ACIDENTE  DO  TRABALHO.  AUXÍLIO­CRECHE.  NATUREZA  INDENIZATÓRIA.  SÚMULA  Nº  310/STJ.  PARECER  PGFN  Nº  2.118/2011.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  VERBAS  QUE  NÃO  OSTENTAM  O  CARÁTER  REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas  as  compensações  efetuadas  com  valores  de  contribuições  devidas  pela  recorrente,  quando  se  pleiteia  o  seu  abatimento  com  valores  pagos  indevidamente  ou  a maior. No  caso,  devem  ser  considerados  como  direito  de  crédito  a  Recorrente  os  pagamentos  de  contribuições  a  maior  incidentes  sobre  o  terço/adicional  constitucional  de  férias  e  os  quinze  primeiros  dias  de  afastamento  do  trabalho  em  decorrência  de  auxílio­ doença  e  acidente  do  trabalho,  bem  como  os  pagamentos  referentes  ao  auxílio­creche.  Precedentes  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ).  Conforme  dispõe  o  Enunciado  nº  310  de  Súmula  STJ,  o  auxílio­creche  não  integra  o  salário  de  contribuição.  Em  decorrência  de  entendimento  pacífico  da  jurisprudência  e  orientação  constante  do  Parecer  da  Procuradoria da Fazenda Nacional, PGFN/CRJ/Nº 2.118/2011,  não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a  título de auxílio­creche VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO  JORNADA  E  ABONO  TURNO  FIXO.  AUSÊNCIA  DE  Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 15          13 PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As parcelas  pagas aos empregados a título de Abono Jornada e Abono Turno  Fixo,  em desacordo  com a  legislação  previdenciária,  integra  o  salário  de  contribuição.  As  importâncias  recebidas  à  titulo  de  ganhos  eventuais  e  abonos  não  integram  o  salário  de  contribuição  somente  quando  expressamente  desvinculados  do  salário  por  força  de  lei.  VERBA  PAGA  A  TÍTULO  DE  REEMBOLSO  DE  MATERIAL  ESCOLAR.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O reembolso  de  material  escolar  está  inserido  no  conceito  de  salário  de  contribuição previsto no art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, uma  vez  que  se  constitui  em  uma  vantagem  econômica  para  o  trabalhador,  auferida  como  retribuição  ao  trabalho  prestado,  caracterizando,  assim,  o  recebimento  de  uma  remuneração  indireta. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão  de  primeira  instância  está  devidamente  consubstanciada  no  arcabouço  jurídico­tributário,  o  recurso  de  ofício  será  negado.  Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.  Os  doutrinadores  têm  ressaltado  que  a  redação  do  texto  legal,  gera  o  questionamento de  inúmeras  situações. Não  resta dúvidas de que a CF/88 em seu artigo 195  “elegeu  o  trabalho  (atividade  laboral  remunerada)  como  fato  gerador  da  incidência  de  contribuição social previdenciária, no que foi seguida pela Lei 8212/91 (artigo 28), contudo, a  expressão “folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados” motiva a  discussão acerca do enquadramento destas verbas na base de cálculo das contribuições sociais.   MATÉRIA  DISCUTIDA  NOS  TRIBUNAIS  SUPERIORES  ­  VINCULAÇÃO AO CARF  Embora  se  trate  de matéria  recepcionada  pelo  STF  em  repercussão  geral  é  fato que no mundo jurídico a última interpretação sobre a questão é a do STJ, motivo pelo qual  esta deve ser prestigiada até que o STF se manifeste.  Isso  por  que  no  tocante  as  decisões  exaradas  pelos  Tribunais  Superiores  a  interposição de Recurso Extraordinário não possui efeito suspensivo, conforme se observa no  disposto no art. 321, § 4º "O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo".  Deste modo, até que o STF aborde a matéria interpreto que a decisão do STJ  goza  de  plena  aplicabilidade,  portanto,  dotada  de  caráter  vinculante  devendo  nos  termos  do  Regimento  CARF  ter  suas  posição  reproduzida  por  este  Conselho,  sob  pena  de  infringir  o  disposto no art. 67 do RICARF.  Para além disso defendo o posicionamento de que o Tribunal Administrativo  deve  ser  útil  à  sociedade, motivo  pelo  qual  deve  se  adequar  a  jurisprudência  dominante  do  Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas, mesmo que não esteja  adstrita  a  aplicação  dela  por  força  do  regimento,  uma  vez  que  a  jurisprudência  citada  não  procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF).  Diante do exposto acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo  STJ na ementa que transcrevi acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as  verbas  decorrentes  do  terço  constitucional  sobre  férias  nem  das  verbas  decorrentes  dos  primeiros quinze dias de afastamento que antecedem o auxílio­doença.  Fl. 1246DF CARF MF     14 II ­ ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES  A  Lei  8.212/91  que  disciplina  a  forma  de  organização  e  custeio  da  Seguridade  Social  dispõe  que  o  critério  material  das  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  (cota patronal) incidirá sobre as verbas destinadas a retribuir o trabalho efetivamente prestado  ou o tempo à disposição do empregado ao empregador.  O Auditor Fiscal em questão  Ocorre  que  a  Aracruz,  ao  conceder  a  assistência  médica  e  odontológica aos empregados e dirigentes, contemplou também  os seus dependentes. Arcou, portanto, a empresa, corn os custos  médicos  e  odontológicos  dos  familiares  dos  empregados  e  dirigentes. E, o que prevê o art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212, de  24107/1991,  é  que  a  cobertura  .do  plano  deve  abranger  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa,  restritivamente, não seus dependentes.  4.4.7. Ou seja, dos valores suportados peIA­ Aracruz relativos A  assistência  médica  e  odontológica,  apenas  os  recursos  destinados  A  ­  cobertura  da  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica dos seus empregados e dirigentes, não integram o  salário­de­contribuição.  A própria lei se encarregou de estabelecer as hipóteses de isenção do tributo,  impedindo  a  formação  da  relação  jurídica  tributária  com  o  consequente  vínculo  dos  sujeitos  envolvidos.  Nos  termos da  alínea  “q” do § 9º do  art.  28 da Lei nº 8.212, de 1991, não  integra  o  salário  de  contribuição“o  valor  relativo  à  assistência  prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico­hospitalares e outras similares, desde  que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”.  Da dicção da norma se extrai que o valor relativo à assistência prestada por  serviço médico ou odontológico, próprio da  empresa ou por  ela  conveniado, não  integrará o  salário­de­contribuição,  se  a  cobertura  abranger  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa.  Desta forma, para que o valor não integre a base de cálculo da contribuição é  necessário que a empresa disponibilize a todos os seus empregados e dirigentes um plano. Tal  exigência constitui requisito necessário e suficiente para que essa parcela não integre o salário  de contribuição, a teor do disposto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  A reclamação de outros requisitos, tais como, a exigência de planos de saúde  iguais e da mesma categoria a todos os funcionários ultrapassa as condições impostas pela lei e  viola o teor dos artigos 111, II e 176 do CTN, que determinam que as normas que disponham  sobre outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente e não comportam subjetivismos.  Não  é  obrigatório  à  empresa  disponibilizar  a  todos  os  seus  funcionários  planos  de  saúde  da mesma categoria,  pois  a  lei  não  faz  essa  exigência,  a  empresa  deve  sim  fornecer planos de saúde a todos os funcionários e esta é a única exigência para se configurar a  isenção da contribuição previdenciária.  Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 16          15 Esse posicionamento não  inova no mundo  jurídico, visto que a composição  anterior  da  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  julgava  neste  sentido  entendendo que:  “condição  estabelecida  no  art.  28,  §  9º,  alínea  ´q´  da  Lei  8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e  não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os  valores  relativos  à  assistência  prestada  por  serviço médico  ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  é  que  exista  cobertura  abrangente  a  todos  os  empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura  a  todos  os  empregados  e  dirigentes  da  empresa  é  diferente  de  exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A  condição  imposta  pelo  legislador  para  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  é,  simplesmente,  a  existência  de  cobertura que abranja a  todos os empregados e dirigentes, não  cabendo  ao  intérprete  estabelecer  qualquer  outro  critério  discriminativo”.  (Processo  11070.002845/2007­15,  Recurso  Especial  do  Procurador,  Data  da  Sessão  29/07/2014,  Acórdão  9202­003.256).  No  caso  em  tela  a  discussão  vai  mais  longe  trazendo  para  debate  a  possibilidade extensão do auxílio médico aos dependentes dos empregados sem ônus tributário  para a empresa, uma vez que a lei é omissa quanto a maiores condições, sendo assim abrangida  a situação pela norma imunizante.  O  caso  já  foi  discutido  no Colendo Superior Tribunal  de  Justiça – STJ, no  caso  REsp  nº  1.430.043/PR,  quando  a  Segunda  turma  entendeu  de  forma  favorável  aos  contribuintes, afirmando que a assistência médica paga pela empresa não integra o salário de  contribuição  dos  empregados,  independentemente  da  sistemática  de  concessão  do  benefício,  nesse sentido:  Nesse  contexto,  não  há  falar  em  ampliação  ou  violação  da  norma  isentiva,  pois,  como  bem  observado  pelo  Tribunal  de  origem, “embora não conste na folha de pagamento, trata­se em  verdade  de  forma  de  reembolso  dos  valores  despendidos  pelos  empregados com medicamentos”, sendo que tal sistema “apenas  evita  etapas do moroso procedimento  interno de  reembolso  via  folha de pagamento, que, com certeza, seria mais prejudicial ao  empregado  (...).  (Resp  nº  1.430.043/PR,  Relator:  Min.  Mauro  Cambell Marques, Segunda Turma, julgado: 25.2.2014)  O entendimento do STJ já é seguido por vários Tribunais Regionais Federais  – TRFs,  se manifestando  que  o  plano  de  saúde  concedido  a  empregados  e  dependentes  não  integra  o  conceito  de  salário  de  contribuição,  tudo  nos  termos  do  art.  28,  §9º,  Q,  da  Lei  8.212/91  (Apelação/Reexame  necessário  nº  424703,  TRF­2ª,  4ª  turma,  Dje  15/04.2014;  Apelação 2008.71.05.003324­7/RS, 2ª Turma, TRF­4ª, Dj. 30/06/2009).  Mantendo meu posicionamento  já  exarado anteriormente de que o Tribunal  Administrativo deve  ser  útil  à  sociedade, motivo pelo qual deve se  adequar  a  jurisprudência  dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas, mesmo  Fl. 1248DF CARF MF     16 que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência  citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF).  Diante do exposto acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo  STJ na ementa que transcrevi acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as  verbas decorrentes do auxílio médico concedido aos empregados e dependentes.  RECURSO DA FAZENDA NACIONAL  VALORES  PAGOS  A  TÍTULO  DE  AUXÍLIO­EDUCAÇÃO  (BOLSA  DE ESTUDO ENSINO SUPERIOR);  A Autuação Fiscal  em questão  se  deu  em  razão  dos Cursos  custeados  pela  ARACRUZ serem de ensino superior:  O Auditor Fiscal assim aduziu:  4.3.5.  De  acordo  com  o  dispositivo  legal,  Para  que  não  haja  incidência das • contribuições previdenciárias, os valores devem  ser  gastos  apenas  com  educação  básica  e  com  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais,  vinculados  As  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  não  englobando  educação  superior,  de  que  trata  os  arts.  43  a  57  da  Lei  n°  9.394/96.  4.3.8. A empresa informou que o beneficio foi pago apenas para  os  funcionários  da  filial  Guaiba,  pois  faz  parte  da  política  de  benefícios  adotada  pela  fábrica  de  Guaiba,  •  antes  de  sua  aquisição pela Aracruz Celulose.  4.3.9.  A  empresa  ao  disponibilizar  o  beneficio  apenas  para  os  funcionários  da  ­  •  filial  Guaiba,  está  impondo  um  óbice  à  extensão  a  todos  os  empregados  e  dirigentes  da  empresa,  contrariando  o  disposto  na  alínea  §  9°,  artigo  28,  da  Lei  n°.  8.212/91.  4.3.10. Diante do exposto, os recursos destinados pela empresa  para  fornecimento  de  Bolsa  Auxilio  Graduação  e  Pós­ Graduação  para  os  empregados  da  filial  Guaiba,  integram  o  salário­de­contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei  n° 8.212, de 24/07/1991.  As  Contribuições  Previdenciárias  possuem  uma  restrita  linha  de  aplicação.  Conforme  bem  delimitado  pela Constituição  Federal  e  pela  Lei  de Custeio  estas  exações  se  referem  exclusivamente  a  valores  advindos  do  trabalho,  portanto,  verbas  de  natureza  remuneratória.  O  acórdão  recorrido  orienta  a  questão  considerando  que  valores  pagos  relativos  à  educação  superior  (graduação e pós­graduação)  se  enquadram na hipótese de não  incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que  estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação  profissional  se  integra  aos diferentes níveis  e modalidades de  educação  e  inclui  graduação  e  pós­graduação.  Independentemente desta argumentação a qual aproveita o contribuinte  ter sido dada apenas na nova redação dada ao tema pela L. 11.741/2008 e que poderia ser  Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 17          17 considerada  possível  de  aplicação  para  eventos  passados  em  razão  de  ser  norma mais  favorável e razão de legiferar do legislador que representa a vontade do Estado, registro  o mesmo encaminhamento com a inclusão de outros argumentos.  Para dirimir  esta questão me aproveito de  alguns  entendimentos veiculados  no voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, nos termos que segue:  Segundo  afirma  o  jurista  mineiro  e  Ministro  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho,  Mauricio  Godinho  Delgado,  na  obra  "Curso  de  Direito  do  Trabalho",  2ª  ed.,  para  caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos.  O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento  do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de  ser  uma prestação de  repetição uniforme  em  certo  contexto  temporal. O  segundo  requisito  é  a  presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e  objetivos  envolvidos  no  fornecimento  da  utilidade  sejam  essencialmente  contraprestativo,  é  preciso  que  a  utilidade  seja  fornecida  preponderantemente  com o  intuito  retributivo,  como um  acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p.  712):  Nesse  quadro,  não  terá  caráter  retributivo  o  fornecimento  de  bens  ou  serviços  feito  como  instrumento  para  viabilização  ou  aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata,  restritivamente,  de  essencialidade  do  fornecimento  para  que  o  serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica,  é  o  aspecto  funcional,  prático,  instrumental,  da  utilidade  ofertada  para  o  melhor  funcionamento  do  serviço.  A  esse  respeito,  já  existe  clássica  fórmula  exposta  pela  doutrina  com  suporte  no  texto  do  velho  art.  458,  §2º  da  CLT:  somente  terá  natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para  o trabalho.  E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda  destaca que trata­se de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão  o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715):  O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a  alguém  pela  ordem  jurídica.  O  dever  não  necessariamente  favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como  a  relação  de  emprego);  neste  sentido  distingue­se  da  simples  obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela  de  interesse  de  outrem  reportar­se  a  uma  comunidade  indiferenciadas  de  favorecidos.  É  o  que  se  passa  com  as  atividades  educacionais,  por  exemplo.  O  empregador  tem  o  dever  de  participar  das  atividades  educacionais  do  país  ­  pelo  menos  o  ensino  fundamental  (art.  205,  212,  §5º,  CF/88).  Esse  dever não se restringe a seus exclusivos empregados ­ estende­se  aos  filhos  destes  e  até  mesmo  à  comunidade,  através  da  contribuição  parafiscal  chamada  salário­educação  (art.  212,  §5º, CF/88; Decreto­Lei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma  jurídica  heterônoma  do  Estado  (inclusive  na  Constituição)  um  dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo  menos  o  ensino  fundamental):  ou  esse  dever  concretiza­se  em  ações  diretas  perante  sues  próprios  empregados  e  os  filhos  Fl. 1250DF CARF MF     18 destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante  o  conjunto  societário,  através  do  recolhimento  do  salário­ educação. Está­se, desse modo, perante um dever jurídico geral ­  e não mera obrigação contratual.  Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata­ se  de  conduta  técnico­juridico  extremamente  controvertida,  o  Ministro  Delgado  admite  sua  aplicação em casos específicos (p. 718):  É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas  situações  em  que  fica  nítido  o  interesse  real  do  obreiro  em  ingressar  em  certos  programas  ou  atividades  subsidiados  pela  empresa.  Trata­se  de  atividades  ou  programas  cuja  fruição  é  indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo  custo econômico para o empregado é claramente favorável, em  decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações,  que  afastam  de  modo  patente  a  idéia  de  mera  simulação  trabalhista,  não  há  por  que  negar­lhe  relevância  ao  terceiro  requisito  ora  examinado.  Aliás,  a  quase  singularidade  de  tais  situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o  presente  requisito  apenas  em  alguns  poucos  casos  concretos  efetivamente convincentes.  Embora  haja  habitualidade  na  ofertada  das  bolsas  à  totalidade  dos  empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao  pagamento  da  parcela  da  mensalidade  devida,  e  salvo  na  hipóteses  de  realização  de  cursos  sucessivos,  teremos  uma  prestação  com  duração  delimitada  no  tempo  (período  letivo)  não  se  estendendo por todo contrato de trabalho.   Por  força  do  art. Art.  110  do CTN  a  lei  tributária  não  pode  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal  e  com  base  nessa  premissa  o  art.  195,  I,  alínea  a  da  Constituição  Federal  deve  ser  interpretado  utilizando­se  os  conceitos  construídos  pelo  Direito  do  Trabalho  o  qual,  no  entender  desta  Relatora,  seria  o  ramo  do  direito  competente  para  se manifestar  sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho.  Dispões o art. 195 da CF/88:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na forma da lei, incidentes sobre:  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício;  ...  Em  contrapartida  o  art.  458,  §2º,  inciso  II  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho assim define o salário:  Art.  458  ­  Além do  pagamento  em  dinheiro,  compreende­se  no  salário,  para  todos  os  efeitos  legais,  a  alimentação,  habitação,  Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 18          19 vestuário  ou  outras  prestações  "in  natura"  que  a  empresa,  por  fôrça  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado.  Em  caso  algum  será  permitido  o  pagamento  com  bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.  ...  §  2o Para  os  efeitos  previstos  neste  artigo,  não  serão  consideradas  como  salário  as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo empregador:  ...  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores  relativos  a  matrícula,  mensalidade, anuidade, livros e material didático;  ...  Ora,  se  os  benefícios  ofertados  aos  empregados  na  forma  de  educação  são  considerados pela CLT como verbas não  salariais,  não pode  a  fiscalização  interpretar  a norma  tributária  no  sentido  de  classificar  tais  vantagens  como  "salário  utilidade"  dando­lhes  caráter  remuneratório.  Embora o art. 28, §9º, alínea  't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em  situações  restritas,  tenha  admitido  a  exclusão  de  bolsas  de  estudos  do  conceito  de  salário  de  contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela  exclusão  de  tais  verbas  do  conceito  de  salário­de­contribuição.  Vale  citar  recente  decisão  monocrática  proferida  pela Ministra  Regina  Helena  Costa  no  Recurso  Especial  1.634.880/RS  (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda  Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte:  Acerca  da  contribuição  previdenciária,  esta  Corte  adota  o  posicionamento  segundo  o  qual  não  incide  essa  contribuição  sobre os valores pagos a título de auxílio­educação. Nessa linha:  PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II,  DO  CPC.  FALTA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  211/STJ.  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  NÃO  COMPROVADA.  SITUAÇÃO  FÁTICA  DIVERSA.  POSSIBILIDADE.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE VALE­TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA.  (...)  5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio­ educação,  embora  contenha  valor  econômico,  constitui  investimento  na  qualificação  de  empregados,  não  podendo  ser  considerado  como  salário  in  natura,  porquanto  não  retribui  o  trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do  empregado.  É  verba  utilizada  para  o  trabalho,  e  não  pelo  trabalho.  Portanto,  existe  interesse  processual  da  empresa  em  obter  a  declaração  do  Poder  Judiciário  na  hipótese  de  a  Fazenda  Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo.  Fl. 1252DF CARF MF     20 6.  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte  não  provido  e  Recurso  Especial  da  empresa provido.  (REsp  1586940/RS,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016);  PREVIDENCIÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  AUXÍLIO­ EDUCAÇÃO.  BOLSA  DE  ESTUDO.  VERBA  DE  CARÁTER  INDENIZATÓRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE  CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  "O  auxílio­educação,  embora  contenha  valor  econômico,  constitui  investimento  na  qualificação  de  empregados,  não  podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não  retribui  o  trabalho  efetivo,  não  integrando,  desse  modo,  a  remuneração  do  empregado.  É  verba  empregada  para  o  trabalho,  e  não  pelo  trabalho."  (RESP  324.178­PR,  Relatora  Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004).  2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destina­se  a  auxiliar  o  pagamento  a  título  de  mensalidades  de  nível  superior  e  pós­graduação  dos  próprios  empregados  ou  dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento  às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na  exigência  de  devolução  do  auxílio.  Precedentes:.  (Resp.  784887/SC.  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki.  DJ.  05.12.2005  REsp  324178/PR,  Rel.  Min.  Denise  Arruda,  DJ.  17.02.2004;  AgRg  no  REsp  328602/RS,  Rel.  Min.  Francisco  Falcão,  DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ.  18.03.2002).  3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  18/11/2010, DJe 01/12/2010)  In  casu,  tendo  o  acórdão  recorrido  adotado  entendimento  pacificado  nesta  Corte,  o  Recurso  Especial  não  merece  prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ.  Isto  posto,  com  fundamento  no  art.  557,  caput,  do  Código  de  Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.   Adotando  como  fonte  de  direito  o  jurisprudência  dominante  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  qual  melhor  interpreta  a  amplitude  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  concluo  que  as  bolsas  de  estudos  fornecidas  pela  instituição  aos  empregados  e  seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio  ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.”  Quanto  a  alegação  de  que  o  benefício  não  foi  estendido  a  todos  os  empregados,  mas  apenas  a  filial  de  Guaíba,  uma  vez  que  esta  foi  adquirida  pela  Contribuinte e os empregados já possuíam um conjunto de direito adquiridos entendo o  argumento como válido, pois caso não mantivesse a bolsa de estudos seria demandado na  esfera trabalhista.  Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 19          21 Por fim, defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo  deve  ser  útil  à  sociedade, motivo  pelo  qual  deve  se  adequar  a  jurisprudência  dominante  do  Poder  Judiciário,  a  fim  de  evitar  a  repetitiva  judicialização  de  demandas  (tão  nefasta  ao  orçamento  público), mesmo que  não  esteja  adstrita  a  aplicação  dela por  força do  regimento,  uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de  repercussão geral (STF).  Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios  para  a  concessão de bolsas de  estudo, bem como  suas  alterações  legais, mas  considerando o  princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no  âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência  do STJ uma das fontes do Direito, aplico­a como razão de decidir.   Não  se  trata  aqui  de  afastar  a  constitucionalidade  da  norma,  mas  sim  de  interpretar o ordenamento  jurídico  com base  em uma das  fontes do Direito previstas  em Lei  Específica do Processo Administrativo Federal,  tomando a máxima de que “a Lei  não prevê  palavras  inúteis”,  a  aplicação  acima  referida  está  permitida  dentro  do  âmbito  administrativo  fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal.  E  assim  acredito  que  a melhor  interpretação  seja  aquela  dada  pelo  STJ  na  ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre  as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas aos empregados, mesmo em se tratando  de ensino superior.  Contudo,  tendo  sido  acompanhada  pelas  conclusões  (por  qualidade)  em  relação a negativa de provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, descrevo abaixo,  os  termos  das  conclusões  ofertadas  em  declaração  de  voto  pela  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira:  "  Embora  tenha  me  filiado  a  tese  da  autoridade  fiscal  no  passado,  no  sentido  de  que  a  educação  superior  não  estaria  abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da  Lei  de  Diretrizes  Básicas  da  Educação,  Lei  9394/1996  e  analisando  o  texto  original  do  art.  28,  §  9º  da  Lei  n  °  8.212/1991,  não  vejo  a  impossibilidade  de  se  interpretar  a  educação  superior  como  uma  forma  de  capacitação  ou mesmo  qualificação profissional.   No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às  atividades desenvolvidas pela  empresa, possível  a  sua exclusão  do conceito de salário de contribuição, desde que cumpridos os  demais  requisitos  legais,  quais  sejam:  extensível  a  todos  os  empregados.  Note­se  que  não  estou  com  isso  afastando  toda  e  qualquer  fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito  de  salário  de  contribuição,  mas  tão  somente,  abrindo  a  possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso  esteja  amparada  na  exclusão  prevista  no  art.  28,  §º,  "t"  da  lei  8212/90  desde  que  cumprido  os  requisitos  ali  expostos,  mas  precisamente:  “e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela  Fl. 1254DF CARF MF     22 salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso  ao mesmo;  No  caso,  poderia  o  auditor  promover  o  lançamento  sobre  essa  rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso  superior  não  possuía  qualquer  relação  com  as  atividades  desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a  todos os dirigentes e empregados. Contudo, pela transcrição dos  trechos  do  relatório  fiscal,  não  é  possível  vislumbrar  ter  o  auditor  descrito  a  não  vinculação  do  curso  superior  as  atividades desenvolvidas pela empresa,  razão pela qual não há  como  dar  guarida  ao  entendimento  da  Fazenda  Nacional,  devendo  ser  negado  provimento  ao  seu  recurso  especial  nessa  parte.  [...]  Dessa forma, entendo que o fato de dar continuidade ao plano de  fornecimento  de  educação  aos  empregados  de  empresa  incorporada  não  é  capaz  de  determinar  o  descumprimento  da  exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo  em vista que a exclusividade da concessão deu­se por força legal  e  contratual,  a  qual  o  autuado  não  poderia  eximir­se,  considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a  permanência do benefício face a justiça do trabalho.  Apenas para esclarecer não estou me valendo do disposto no art.  458, § 2 da CLT, para determinar a exclusão da base de cálculo  (conforme argumentado pelo recorrente), posto que entendo que  a  legislação previdência, por  ser norma específica,  sobrepõem­ se a legislação trabalhista quando define os critérios de isenção.  Contudo,  não  podendo  o  empregador  (autuado)  cumprir  exigência legal por não ter sido ele instituidor do benefício, não  cabe a  fiscalização simplesmente penalizá­lo  sem verificar  se a  empresa  incorporada  isoladamente  (em  período  anterior),  preenchia os requisitos legais.     E sendo assim, voto pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela  Fazenda Nacional para no mérito negar­lhe provimento.    É o voto.    (assinado digitalmente)    Ana Paula Fernandes.  Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 20          23 Voto Vencedor  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada.  Recurso Especial do Contribuinte  Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes, para divergir do seu  entendimento quanto a exonerar o contribuinte da obrigação de recolhimento de contribuições  previdenciários em relação as verbas: 1/3 de férias e Assistência médica aos dependentes, por  entender  serem  fatos  geradores  expressamente  previstos  na  lei  8.112/90  e Decreto  3.048/99.  Aliás, quanto as matérias, repriso aqui a argumentação por mim trazida no acórdão recorrido e  vencedora nesta CSRF.  1/3 de férias ­ Natureza Salarial ­ Ausência de Decisão do STF com transito  em Julgado.  Primeiramente,  antes  de  seguir  com  a  apreciação  da  natureza  da  verba,  entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição.   De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado,  entende­se por  salário­de­contribuição  a  totalidade dos  rendimentos destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  No caso do 1/3 pago à titulo de adicional de férias, embora o pagamento das  verbas seja compulsório, dá­se simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral,  o qual o pagamento não se coaduna com verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada  mais  é  do  que  um  ganho,  não  uma  despesas  com  destinação  certa  e  provável.  Esse  ganho  também não  apenas  será  usufruído  pelo  empregado,  como  poderá  fazer  uso  da maneira  que  achar conveniente.  Conforme  descrito  anteriormente  a  alegado  afastamento  da  incidência  de  contribuição sobre essa parcela com base no disposto na alínea “d” do § 9. do art. 28 da Lei n.º  8.212/1991 não se sustenta. Vejamos o que dispõe a norma:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  Fl. 1256DF CARF MF     24 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:  (...)  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT;  (...)  Contudo referido tema tem sido alvo de grande discussão em face de decisão  do  STJ  acerca  do  tema.  Nos  autos  do  processo  nº35464.001960/2003­75  de  interesse  UNILEVER BRASIL LTDA assim me manifestei acerca do tema:  Referido entendimento já está pacificado pelo Superior Tribunal  de Justiça por meio da decisão proferida no Resp 1.230.957/RS,  julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Valendo citar  parte  do  voto  proferido  pelo  Relator,  o  Ministro  Mauro  Campbell:  1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional  de  férias  relativo  às  férias  indenizadas,  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  decorre  de  expressa previsão  legal  (art.  28,  §  9º,  "d",  da  Lei  8.212/91  ­  redação  dada  pela  Lei  9.528/97).  Em  relação  ao  adicional  de  férias  concernente  às  férias  gozadas,  tal  importância  possui  natureza  indenizatória/compensatória,  e não constitui  ganho habitual  do  empregado,  razão  pela  qual  sobre  ela  não  é  possível  a  incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa).  A  Primeira  Seção/STJ,  no  julgamento  do  AgRg  nos  EREsp  957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010),  ratificando  entendimento  das  Turmas  de  Direito  Público  deste  Tribunal,  adotou  a  seguinte  orientação:  "Jurisprudência  das  Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada  no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de  férias  também  de  empregados  celetistas  contratados  por  empresas privadas" .  ...  Nos termos do art. 7º, XVII, da CF/88, os trabalhadores urbanos  e rurais têm direito ao gozo de férias anuais remuneradas com,  pelo menos, um terço a mais do que o salário normal.  Com base nesse dispositivo  constitucional,  o Supremo Tribunal  Federal  firmou  orientação  no  sentido  de  que  o  terço  constitucional de férias tem por finalidade ampliar a capacidade  financeira  do  trabalhador  durante  seu  período  de  férias,  possuindo, portanto, natureza "compensatória/indenizatória".  Além disso,  levando em consideração o disposto no art.  201, §  11, da CF/88 — "os ganhos habituais do empregado, a qualquer  título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei" (parágrafo incluído pela EC 20/98) —  Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 21          25 pacificou entendimento no sentido de que "somente as parcelas  incorporáveis  ao  salário  do  servidor  sofrem  a  incidência  da  contribuição previdenciária" (AgR no AI 603.537/DF, 2ª Turma,  Rel. Min. Eros Grau, DJ de 30.3.2007). No mesmo sentido: AgR  no  RE  587.941/SC,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Celso  de  Mello,  DJe  21.11.2008;  AgR  no  AI  710.361/MG,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Cármen Lúcia, DJe de 8.5.2009.  Cumpre  observar  que  os  precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal referem­se a casos em que os servidores são sujeitos a  regime próprio de previdência.  Sem  embargo  dessa  observação,  não  se  justifica  a  adoção  de  entendimento diverso  em  relação aos  trabalhadores  sujeitos ao  Regime Geral da Previdência Social.  Isso  porque  o  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal  ampara­se, sobretudo, nos arts. 7º, XVII, e 201, § 11, da CF/88,  sendo  que  este  último  preceito  constitucional  estabelece  regra  específica do Regime Geral da Previdência Social.  Desse  modo,  é  imperioso  concluir  que  a  importância  paga  a  título  de  terço  constitucional  de  férias  possui  natureza  indenizatória/compensatória,  e não constitui  ganho habitual  do  empregado,  razão  pela  qual  sobre  ela  não  é  possível  a  incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa).  Sabemos  que  a  decisão  do  STJ  está  sobrestada  pelo  Recurso  Extraordinário  nº  593.068/SC,  cuja  repercussão  geral  foi  reconhecida ("Tema 163 ­ Contribuição previdenciária sobre  o terço constitucional de férias, os serviços extraordinários, o  adicional noturno e o adicional de insalubridade") e portanto  não  vincula  os  julgadores  deste  Conselho  Administrativo  de  Recurso  Fiscais.  De  toda  forma  entendo  que  a  mesma  traz  o  entendimento mais apropriado ao caso concreto.  Conforme  acima  transcrito,  embora  claro  o  posicionamento  ali  adotado,  sabemos que a decisão do STJ está sobrestada pelo Recurso Extraordinário nº 593.068/SC, cuja  repercussão geral foi reconhecida.  Contudo, ao contrário da relatora, no meu entender, apenas após o transito em  julgado da decisão, poderá  este  conselho excluir  as verbas do  adicional  de  férias da base de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias,  tendo  em  vista  o  art.  62  do Regimento  Interno  do  CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, senão vejamos:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.   §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:   I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva do Supremo Tribunal Federal.   Fl. 1258DF CARF MF     26 I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;  (Redação  dada pela Portar ia MF nº 39, de 2016)   II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  [...]  b)  Decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  julgamento  realizado  nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou  dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n  º 13.105, de 2015 ­ Código de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administ  ração  Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   [...]  e) Súmula da Advocacia­Geral da União, nos termos d o art. 43  da Lei Complementar nº 73, de 1993.  (Redação dada pela Por  taria MF nº 39, de 2016)   § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  do  s  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito d o CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de  2016)   Apenas esclareço que, em relação as manifestações transcritas nos autos dos  processos  judiciais sobre posições dos ministros do STF, entendo pertinente esclarecer que a  incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono de um terço de férias (adicional de  1/3 de férias) será incluído no salário de benefício do segurado empregado, tendo em vista que,  todas as contribuições apuradas em nome do segurado poderão ser utilizadas para cálculo de  seus benefícios.   Esse  fato,  tem  tratamento  diferente  em  relação  aos  servidores  públicos,  basicamente  pelo  fato  de  que  o  cálculo  do  benefício  dos  servidores  públicos  leva  em  consideração a última remuneração percebida pelo segurado e não o montante de contribuições  por ele recolhidas. Dessa forma, entendo que a manifestação dos ilustres ministros em relação  aos servidores públicos não traduz necessariamente o posicionamento a ser adotado em relação  aos empregados segurados da previdência social.  Embora  a  lei  nº  8212/91  não  seja  expressa  em  incluir  o  1/3  de  férias  no  conceito de salário de contribuição, o Decreto nº 3048/90 o fez, senão vejamos:   Art.214. Entende­se por salário­de­contribuição:   I­para  o  empregado  e  o  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 22          27 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;   II­para  os  segurados  empregado,  inclusive  o  doméstico,  e  trabalhador  avulso,  ao  piso  salarial  legal  ou  normativo  da  categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu  valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo  de  trabalho  efetivo  durante  o  mês.  (Incluído  pelo  Decreto  nº  3.265, de 1999)   §4º  A  remuneração  adicional  de  férias  de  que  trata  o  inciso  XVII  do  art.  7º  da  Constituição  Federal  integra  o  salário­de­ contribuição.  Isto  posto,  inexistindo  transito  em  julgado  que  determine  a  aplicação  da  decisão  do  STJ  nos  termos  do  art.  62  do  RICARF,  e  considerando  a  expressa  previsão  no  Decreto 3048/99 sobre a incidência de contribuições sobre a verba 1/3 de férias, voto por negar  provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.  Assistência médica aos dependentes  Em relação a assistência médica aos dependentes, da mesma forma como já  encaminhado no acórdão recorrido, entendo que não existe fundamento para sua exclusão do  conceito de salário de contribuição, ao analisarmos os termos da lei 8212/91.  Vejamos os termos do relatório fiscal acerca do caso concreto:  4.4.  ASSISTÊNCIA  MÉDICA  E  ODONTOLÓGICA  PARA  OS  DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES   4.4.1. Na operacionalização de suas atividades, como política de  recursos humanos, a empresa disponibiliza aos seus empregados  e  dirigentes,  extensivos  aos  dependentes,  plano  de  saúde,  de  assistência médica  e odontológica, através de  contrato  firmado  com  a  operadora  de  Plano  de  Saúde  MEDISERVICE.  Esse  contrato  é  extensivo  a  toda  a  empresa  com  exceção  da  filial  Guaiba cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e  com a UNIODONTO Porto Alegre.  4.4.2.  O  contrato  feito  .com  a  Mediservice  permite  que  os  empregados,  dirigentes  e  seus  dependentes  busquem  .atendimento médico,  hospitalar  e  odontológico,  "unto  rede  de  credenciados,  formada  por  profissionais  médicos,  dentistas,  hospitais, clinicas e laboratórios credenciados pela Mediservice.  4.4.3. O  referido  contrato  também permite que os  empregados,  dirigentes  e  seus  dependentes  busquem  atendimento  médico,  hospitalar e odontológico fora da rede credenciada. Neste caso,  a  Mediservice  reembolsa  os  empregados  e  dirigentes  pelas  despesas  realizadas,  de  acordo  com  uma  tabela  Pré­definida  pela  Aracruz.  O  valor  reembolsado  é  cobrado  diretamente  da  Aracruz.  4.4.4. O contrato  firmado com a Unimed Centro Sul Sociedade  Cooperativa de Trabalho Médico Ltda e com a Uniodonto Porto  Fl. 1260DF CARF MF     28 Alegre  Cooperativa  Odontológica  Ltda,  permite  que  os  empregados  e  seus  dependentes  busquem  atendimento  médico,  hospitalar  e  odontológico,  apenas  com  profissionais  pertencentes à rede credenciada.  4.4.5. Dispõe o art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212, de 24/07/1991,  na  redação  dada  pela  MP  n°  1.596­14,  de  10/11/1997,  convertida  na  Lei  n°  9.528,  de  10/12/1997,  que  os  valores  relativos  à  assistência  médica  e  odontológica  próprios  da  empresa  ou  por  ela  conveniada,  cuja  cobertura  abranja  a  totalidade dos empregados e dirigentes; não integram o salário­ de­contribuição.  4.4.6. Ocorre que a Aracruz, ao conceder a assistência médica e  odontológica aos empregados e dirigentes, contemplou também  os seus dependentes. Arcou, portanto, a empresa, com os custos  médicos  e  odontológicos  dos  familiares  dos  empregados  e  dirigentes. E, o que prevê o art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212, de  24107/1991,  é  que  a  cobertura  .do  plano  deve  abranger  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa,  restritivamente, não seus dependentes.  4.4.7. Ou seja, dos valores suportados peIa Aracruz relativos A  assistência  médica  e  odontológica,  apenas  os  recursos  destinados  A  ­  cobertura  da  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica dos seus empregados e dirigentes, não integram o  salário­de­contribuição.  4.4.8. Os recursos destinados à cobertura da assistência médica,  hospitalar  e  •  odontológica,  dos  dependentes  dos  segurados  empregados  e  dirigentes,  por  não  estarem  expressamente  previstos  no  art.  28,  §  9°,  "q",  integram  o  salário­de­.  contribuição,  nos  termos..  do  art.  28,  incisos  I  e  III,  ambos  da  Lei n° 8.212, de 24/07/1991.  4.4.9.  Os  dados  relativos  aos  fatos  geradores  ocorridos,  apurados  no  período  de  01/2005  a  12/2005,  baseiam­se  nas  informações,  prestadas  pela  própria  empresa'  dos  valores  mensais por ela suportados com os dependentes que usufruíram  dos benefícios ofertados pelo Plano de Saúde (dentro e  fora da  rede credenciada).  4.4.10.  Os  valores  mensais  custeados  pela  empresa,  referentes  As  despesas  com  assistência  médica  e  odontológica  dos  dependentes,  considerados  como base­de cálculo,  encontram­se  discriminados  por  estabelecimento  e  competência,  no  DD  — Discriminativo  do  Débito  (anexo  ao  presente  Al),  nos  levantamentos  "PS6"  e  "PS7".  Os  valores  discriminados  por  segurado encontram­se no anexo I.  4.4.11.  As  despesas  com  o  plano  de  saúde  dos  dependentes,  custeadas pelos  empregados  e dirigentes, não  foram objeto de  levantamento.      Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 23          29 Não  concordo  com  a  argumentação  do  recorrente  de  que  a  legislação  trabalhista não  restringe a concessão apenas aos empregados, mas descreve que a assistência  medica não é  considerado salário  in natura. Observa­se que  a  interpretação para exclusão de  parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito  tributário,  e  desse  modo,  interpreta­se  literalmente  a  legislação  que  disponha  sobre  esse  benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I  suspensão  ou  exclusão  do  crédito  tributário;  Assim,  onde  o  legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador   da  lei  estender  a  interpretação,  sob  pena  de  violar­se  os  princípios da reserva legal e da isonomia.  Analisando  os  dispositivos  legais,  entendo  que  razão  não  assiste  ao  recorrente, sendo que a extensão do benefício aos seus dependentes não encontra­se no rol de  exclusão previsto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei 8212/91:  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97)   Ao contrário do que entende o recorrente para que os benefícios concedidos  aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do  art.  28,  §  9  da  lei  8212/91,  não  podendo  valer­se  da  legislação  trabalhista  para  definir  o  conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias.  Da  mesma  forma,  o  conceito  de  salário  de  contribuição  abarca  todos  os  pagamentos feitos aos empregados, conforme previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para o  segurado empregado entende­se por salário­de­contribuição:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho  ou  sentença  normativa;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)­  Fl. 1262DF CARF MF     30  (grifo nosso.)  Segundo o  ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu  livro  Instituições de  Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o  significado do  termo  remuneração  deve ser assim interpretado:  No Brasil,  a  palavra  remuneração  é  empregada,  normalmente,  com  sentido  lato,  correspondendo  ao  gênero  do  qual  são  espécies principais os  termos salários,  vencimentos, ordenados,  soldo  e  honorários.  Como  salientou  com  precisão  Martins  Catharino,  “costumeiramente  chamamos  vencimentos  a  remuneração  dos  magistrados,  professores  e  funcionários  em  geral;  soldo,  o  que  os militares  recebem;  honorários,  o  que  os  profissionais  liberais  ganham  no  exercício  autônomo  da  profissão; ordenado,  o  que  percebem os  empregados  em  geral,  isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o  físico;  e  finalmente,  salário,  o  que  ganham  os  operários.  Na  própria  linguagem  do  povo,  o  vocábulo  salário  é  preferido  quando há prestação de trabalho subordinado.”  Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador  da  lei  estender  a  interpretação,  sob  pena  de  violar­se  os  princípios  da  reserva  legal  e  da  isonomia.   Conclusão  Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte,  para no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.      Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 24          31 Declaração de Voto  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  Recurso Especial da Fazenda Nacional  A  presente  declaração  tem  por  escopo  apenas  esclarecer  a  motivação  do  acompanhamento  da  ilustre  relatora  pelas  conclusões,  tendo  em  vista  que  a  tese  por  ela  defendida, quando da análise pontual das matérias em outros  julgados, apresenta­se diferente  da por mim defendida em relação a bolsa de estudos de nível superior.  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias,  seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da  Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo:  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao  mesmo;  (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  Fl. 1264DF CARF MF     32 No  caso,  quanto  a  verba  BOLSA  DE  ESTUDOS,  nos  termos  em  que  foi  concedida não constituir salário de contribuição, entendo ser possível a  interpretação adotada  no  acórdão  recorrido.  Isso  porque,  aproveitando  toda  a  análise  da  legislação  acima  descrita,  faz­se  necessário  agora  apreciar  a  procedência  do  lançamento  em  relação  à  concessão  de  auxílios de cursos superiores fornecidos pela empresa aos seus empregados.  Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora  sob análise:  4.3.  BOLSA  AUXILIO  EDUCAÇÃO  GRADUAÇÃO  E  PÓS­ GRADUAÇÃO (EDUCAÇÃO SUPERIOR)  4.3.1.  Neste  levantamento  encontram­se  os  pagamentos  feitos  aos  empregados,  referente  A  bolsa  auxilio  graduação  e  pós­ graduação (educação superior).  4.3.2.  No  exame  da  escrituração  contábil,  encontramos  pagamentos  feitos  aos  empregados,  referentes  A  bolsa  auxilio  graduação e pós­graduação (educação superior).  4.3.3. 0 artigo 28, § 9°, "V', da Lei n°. 8.212/91, estabelece que  não integra o salário­de­contribuição:  "O  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica,  nos  termos  do  art.  21  da  Lei  n°  9.394,  de  20  de  dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela  salarial  e que  todos os  empregados e dirigentes  tenham acesso  ao  mesmo;  (Redação  dada.  pela  Lei  n°9.711,  de  20.11.98)"  (grifo nosso)  4.3.4.  0  artigo  21  da  ,Lei  n°.  9.394/96,  divide:  .a  educação  escolar  em:  básica  (formada  pela  educação  infantil,  ensino  fundamental e ensino médio) e educacão superior.  4.3.5.  De  acordo  com  o  dispositivo  legal,  para  que  não  haja  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  os  valores  devem  ser  gastos  apenas  com  educação  básica  e  com  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais,  vinculados  As  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  não  englobando  educação  superior,  de  que  trata  os  arts.  43  a  57  da  Lei  n°  9.394/96.  4.3.6. Ou seja, ás despesas com educação superior. não estão  alcançadas pela exclusão prevista na alínea "t", § 9°, art. 28  da  terns:8.21  e  enquadrando  como  valor  pago,  devido  ou  creditado a "qualquer  titulo",..  conforme previsto no  inciso  I,  art. 28 da Lei n° 8.212/91.  4.3.7.  Analisando  a  cartilha  de  benefícios  da  empresa,  verificamos também que não existe previsão para fornecimento  desse beneficio aos empregados e dirigentes.  4.3.8.  A  empresa  informou  que  o  beneficio  foi  pago  apenas  para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política  Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 25          33 de  benefícios  adotada  pela  fábrica  de  Guaiba,  •  antes  de  sua  aquisição pela Aracruz Celulose.  4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os  funcionários  da  ­  filial  Guaiba,  está  impondo  um  óbice  à  extensão  a  todos  os  empregados  e  dirigentes  da  empresa,  contrariando  o  disposto  na  alínea  §  9°,  artigo  28,  da  Lei  n°.  8.212/91.  4.3.10. Diante do exposto, os recursos destinados pela empresa  para  fornecimento  de  Bolsa  Auxilio  Graduação  e  Pós­ Graduação  para  os  empregados  da  filial  Guaiba,  integram  o  salário­de­contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei  n° 8.212, de 24/07/1991.  •  4.3.11. Os dados  relativos aos  fatos  geradores ocorridos no período de 01/2005 a 41, 12/2005, foram  apurados  com  base  na  escrituração  contábil,  conta  321314 —  Bolsa de Estudo.  4.3.12. Os valores mensais considerados como base­de­cálculo,  encontram­se discriminados por estabelecimento e competência,  no DD — Discriminativo do Débito  (anexo ao presente Al),  no  levantamento  "CS6".  Os  valores  discriminados  por  empregado  encontram­se no anexo I.  Conforme  podemos  extrair  dos  pontos  descritos  no  relatório  fiscal,  a  base  para  o  lançamento  é  a  interpretação,  primeiramente,  da  autoridade  fiscal  de  que  o  ensino  superior não estaria abrangido no programa de capacitação e qualificação profissional previsto  no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/90:  t)o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao  mesmo;  (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de  que  a  educação  superior  não  estaria  abrangida  no  dispositivo  acima  transcrito,  revisitando  o  texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996 e analisando o texto original do  art.  28,  §  9º  da Lei  n  °  8.212/1991,  não  vejo  a  impossibilidade  de  se  interpretar  a  educação  superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional.   No  caso,  desde  que  a  educação  proporcionada  seja  vinculada  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  possível  a  sua  exclusão  do  conceito  de  salário  de  contribuição,  desde  que  cumpridos  os  demais  requisitos  legais,  quais  sejam:  extensível  a  todos  os  empregados.  Note­se que não estou  com  isso  afastando  toda e qualquer  fornecimento de  auxílio  educação de curso  superior do  conceito de  salário de contribuição, mas  tão  somente,  abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na  exclusão  prevista  no  art.  28,  §º,  "t"  da  lei  8212/90  desde  que  cumprido  os  requisitos  ali  expostos,  mas  precisamente:  “e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  não  seja  utilizado  em  Fl. 1266DF CARF MF     34 substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham acesso  ao  mesmo;  No caso, poderia o  auditor promover o  lançamento  sobre essa  rubrica, mas  teria  a  autoridade  fiscal  de  identificar  que o  curso  superior não possuía qualquer  relação  com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os  dirigentes  e  empregados.  Contudo,  pela  transcrição  dos  trechos  do  relatório  fiscal,  não  é  possível  vislumbrar  ter  o  auditor  descrito  a  não  vinculação  do  curso  superior  as  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  razão  pela  qual  não  há  como  dar  guarida  ao  entendimento  da  Fazenda Nacional, devendo ser negado provimento ao seu recurso especial nessa parte.  Alías, quanto a esse ponto, transcrevo trecho do voto apresentado quando do  julgamento na Câmara a quo enquanto relatora:  Assim,  podemos  destacar  que  dois  são  os  fundamentos  da  autoridade  fiscal,  o  primeiro  por  simplesmente  tratarse  de  educação superior e o segundo por não ser extensível a todos os  empregados.  Quanto  a  questão  da  educação  superior  valhome  de  trecho  da  decisão de primeira instância para fundamentar minha decisão.  Vejamos o trecho pertinente:  19.  Sobre  o  argumento  de  que  os  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  abrangem  os  cursos  superiores,  especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a  capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário,  o  art.  39,  abaixo  transcrito,  da  Lei  de  Diretrizes  e  Bases  da  Educação, Lei n° 9.394/96, seja em sua redação original, vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  como  na  dada  pela  Lei  n°  11.741/2008, vigente época da lavratura do Auto de Infração, de  fato  estabelece  a  possibilidade  de  os  cursos  superiores  abrangerem os cursos profissionais:  Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas  de  educação,  ao  trabalho,  a  ciência  e  à  tecnologia,  conduz  ao  permanente  desenvolvimento  de  aptidões  para  a  vida  produtiva.(redação original).  Parágrafo  único.  0  aluno  matriculado  ou  egresso  do  ensino  fundamental,  médio  e  superior,  bem  como  o  trabalhador  em  geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso a  educação profissional. (redação original)  Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento  dos  objetivos  da  educação  nacional,  integra­se  aos  diferentes  níveis  e modalidades  de  educação e  às  dimensões do  trabalho,  da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei n° 11.741, de  2008)  (..)  §  29  A  educação  profissional  e  tecnológica  abrangerá  os  seguintes cursos:(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008)  III — de educação profissional  tecnológica de graduação e pós  graduação.(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008)  Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 26          35 20. Ocorre que a empresa não  logrou êxito  em comprovar que  tais  cursos  eram,  de  fato,  capacitações  e  qualificações  PROFISSIONAIS,  ligadas  ás  atividades  desenvolvidas  pelos  empregados na empresa, ou se eram cursos do interesse pessoal  de  cada  trabalhador.  No  mais,  nunca  é  demais  relembrar  a  previsão  do  CIN  acerca  de  interpretação  no  que  concerne  à  outorga de isenção:  É  nesse  ponto  que  entendo  assistir  razão  ao  recorrente,  o  fundamento para não exclusão da verba como base de cálculo  de contribuição é que o recorrente não comprovou a correlação  entre  o  curso  de  graduação  e  pós  graduação  e  a  atividade  desenvolvida  por  cada  empregado.  Porém  não  foi  esse  o  fundamento para o lançamento, e sim o simples fato de tratar­ se de curso superior. Contudo, entendo que o órgão julgador só  poderia utilizar­se desse argumento se a imputação fiscal fosse  a  não  comprovação  por  parte  da  empresa  de  que  os  cursos  oferecidos possuíam relação com as atividades desenvolvidas.  Não  estou  com  isso  afirmando  que  os  cursos  oferecidos  enquadravam na exclusão prevista na alínea “t” do § 9. do art.  28  da  Lei  n.º  8.212/1991,  que  assim,  descreve:  “t)o  valor  relativo  a  plano  educacional,  ou  bolsa  de  estudo,  que  vise  à  educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que  vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação  profissional e  tecnológica de empregados, nos  termos da Lei nº  9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº  12.513, de 2011)”. O que entendo é que a imputação fiscal não  se  mostrou  clara  ao  descrever  esse  fundamento  como  lançamento,  e  não  acato  a  argumentação  do  julgador  que  competiria  a  empresa  o  ônus  de  provar  que  o  seu  benefício  enquadrava­se na exigência legal.  Porém,  conforme  transcrito  anteriormente,  o  auditor  descreveu  sim,  como  imputação de descumprimento legal, o fato da empresa não ser extensível a todos os dirigentes  e empregados, senão vejamos novamente:  4.3.6. Ou seja, ás despesas com educação superior. não estão  alcançadas pela exclusão prevista na alínea "t", § 9°, art. 28  da  terns:8.21  e  enquadrando  como  valor  pago,  devido  ou  creditado a "qualquer  titulo",..  conforme previsto no  inciso  I,  art. 28 da Lei n° 8.212/91.  4.3.7.  Analisando  a  cartilha  de  benefícios  da  empresa,  verificamos também que não existe previsão para fornecimento  desse beneficio aos empregados e dirigentes.  4.3.8.  A  empresa  informou  que  o  beneficio  foi  pago  apenas  para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política  de  benefícios  adotada  pela  fábrica  de  Guaiba,  •  antes  de  sua  aquisição pela Aracruz Celulose.  4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os  funcionários  da  ­  filial  Guaiba,  está  impondo  um  óbice  à  extensão  a  todos  os  empregados  e  dirigentes  da  empresa,  Fl. 1268DF CARF MF     36 contrariando  o  disposto  na  alínea  §  9°,  artigo  28,  da  Lei  n°.  8.212/91.  Contudo,  entendo  que  esse  ponto,  também  foi  devidamente  enfrentado  no  acórdão recorrido, conforme passo a transcrever novamente meu voto, lá ofertado.  O outro fundamento para o lançamento, é que não preenchido o requisito de  extensão a todos os empregados, nos termos da antiga redação do “t” do § 9. do art. 28 da Lei  n.º 8.212/1991: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos  do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação  profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado  em substituição de parcela salarial e que  todos os empregados e dirigentes  tenham acesso ao  mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  Quanto  a  este ponto,  devemos  identificar os  argumentos do  recorrente para  justificar a concessão do benefício a apenas parte de seus empregados:  No que se refere ao fato de que tais benefícios seriam concedidos  apenas  a  funcionários  da  filial  de  Guaíba  da  Recorrente,  imp8ese  registrar  que  tal  estabelecimento  foi  incorporado  pela  mesma pouco antes do advento do exercício objeto de autuação  (doc. 04 da Impugnação).  86. Tal informação se mostra essencial na medida em que todos  os  valores  autuados  se  resumem  a  bolsas  concedidas  anteriormente  a  tal  incorporação,  e  não  a  novas  solicitaq8es  posteriores  a  este  evento  societário,  de  modo  que  o  acesso  da  integralidade  dos  funcionários  e  dirigentes  da  empresa  incorporada a esses benefícios era fielmente observado, estando  os valores respectivamente quitados a titulo de financiamento de  cursos  de  graduação  e  pós  graduação  plenamente  de  acordo  com  o  cogitado  dispositivo  previdenciário  A  época  das  correspondentes concessões.  Significa dizer que, a despeito de não ter o costume de financiar  tais cursos a seus funcionários e dirigentes, a ora Recorrente, ao  incorporar  estabelecimento  que  assim  procedia  (registrese,  de  forma  plenamente  regular  com  os  requisitos  legalmente  tragados),  optou  por manter  os benefícios que  já  haviam  sido  concedidos antes da incorporação.  Novamente entendo que o argumento  trazido pelo  julgador não se mostra o  mais acertado, para que a empresa pudesse usufruir do benefício: “22. Na situação ocorrida, a  empresa tinha duas alternativas para tal  importância não  integrar o salário de contribuição, no que  tange a este aspecto, totalidade de acesso: estender à outras filiais o que já era praxe em Guaiba ou  encerrar tais pagamentos para os funcionários de tal unidade.”.  Realmente, a época do lançamento (2009), o exclusão descrita na alínea “t”  do § 9º do art. 28 da lei 8.212/91, determinava a extensão a todos os empregados e dirigentes  da empresa, porém, entendo que os argumentos do recorrente são pertinentes a que se diga que  nesse  ponto  também  o  lançamento  não  se  aperfeiçoou  para  que  se  possa  afirmar  que  o  recorrente  descumpriu  os  preceitos  legais  para  usufruir  do  benefício  de  exclusão  da  base  de  cálculo.  Nesse  ponto,  a  primeira  questão  a  ser  respondida  é:  “A  empresa  Aracruz  institui plano para  fornecer o benefício de educação superior e pós graduação a apenas parte  Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 27          37 dos seus empregados? Entendo que não. A mesma descreveu que o fornecimento deu­se face a  incorporação  de  empresa  da  cidade  de  Guaíba  (empresa  essa  que  sim,  possuía  plano  de  educação extensível a todos os empregados).  Ao contrário do que entendeu o  julgador,  a  legislação  trabalhista é clara ao  descrever nos seus art. 10 e 448 do Decreto Lei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações  na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não  afetam os contratos de  trabalhos. Ou seja, nos  termos da  legislação  trabalhista não poderia a  empresa  simplesmente  cessar  a  concessão  do  benefício,  como  entendeu  o  julgador  para  enquadrar­se na exclusão legal. Vejamos dispositivos:  Art. 10 Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não  afetará os direitos adquiridos por seus empregados.  (...)  Art. 448 A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da  empresa  não  afetará  os  contratos  de  trabalho  dos  respectivos  empregados.  Dessa  forma,  entendo  que  o  fato  de  dar  continuidade  ao  plano  de  fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar  o  descumprimento  da  exigência  “extensível  a  todos  os  empregados  e  dirigentes”,  tendo  em  vista que a exclusividade da concessão deu­se por força legal e contratual, a qual o autuado não  poderia eximir­se, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência  do benefício face a justiça do trabalho.  Apenas para esclarecer não estou me valendo do disposto no art. 458, § 2 da  CLT, para determinar a exclusão da base de cálculo (conforme argumentado pelo recorrente),  posto  que  entendo  que  a  legislação  previdência,  por  ser  norma  específica,  sobrepõem­se  a  legislação  trabalhista  quando  define  os  critérios  de  isenção.  Contudo,  não  podendo  o  empregador (autuado) cumprir exigência legal por não ter sido ele instituidor do benefício, não  cabe  a  fiscalização  simplesmente  penalizá­lo  sem  verificar  se  a  empresa  incorporada  isoladamente (em período anterior), preenchia os requisitos legais.   Conclusão   Face as considerações acima, acompanho a relatora pelas conclusões quanto a  negar provimento  ao Recurso Especial  da Fazenda Nacional  em  relação  ao  auxílio  educação  fornecido aos empregados para os cursos de educação superior.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  Fl. 1270DF CARF MF     38   Declaração de Voto  Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.  Após  o  voto  da  Redatora,  a  quem  rendo  as  minhas  homenagens,  ouso  divergir,  com  a  devida  vênia,  do  posicionamento  adotado, mormente  quanto  à  aplicação  do  Recurso Especial n.º 1.230.957 ­ RS, julgado sob a sistemática dos repetitivos, no qual consta a  seguinte ementa:  PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA.  REGIME  GERAL  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL.  DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA  PAGA  NOS  QUINZE  DIAS  QUE  ANTECEDEM O AUXÍLIO­DOENÇA. (...) No que se refere ao  adicional  de  férias  relativo  às  férias  indenizadas,  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  decorre  de  expressa  previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 ­ redação dada  pela  Lei  9.528/97).  Em  relação  ao  adicional  de  férias  concernente  às  férias  gozadas,  tal  importância  possui  natureza  indenizatória/compensatória,  e não constitui  ganho habitual  do  empregado,  razão  pela  qual  sobre  ela  não  é  possível  a  incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa).  A  Primeira  Seção/STJ,  no  julgamento  do  AgRg  nos  EREsp  957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010),  ratificando  entendimento  das  Turmas  de  Direito  Público  deste  Tribunal,  adotou  a  seguinte  orientação:  "Jurisprudência  das  Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada  no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de  férias  também  de  empregados  celetistas  contratados  por  empresas  privadas"  .  1.3  Salário  maternidade.  O  salário  maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo  à Previdência  Social  (pela  Lei  6.136/74)  não  tem  o  condão  de  mudar sua natureza. (...).  1.4  Salário  paternidade.  O  salário  paternidade  refere­se  ao  valor  recebido  pelo  empregado  durante  os  cinco  dias  de  afastamento  em  razão  do  nascimento  de  filho  (art.  7º,  XIX,  da  CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao  contrário  do  que  ocorre  com  o  salário  maternidade,  o  salário  paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de  benefício previdenciário. Desse modo, em se  tratando de verba  de  natureza  salarial,  é  legítima  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre o  salário paternidade. Ressalte­se que "o  salário­paternidade deve ser  tributado, por se tratar de  licença  remunerada  prevista  constitucionalmente,  não  se  incluindo  no  rol  dos  benefícios  previdenciários(...).  2.2  Aviso  prévio  indenizado.  A  despeito  da  atual  moldura  legislativa  (Lei  9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as  importâncias pagas a  título  de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem  a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência  Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 28          39 de  contribuição  previdenciária.  A  CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por  prazo  indeterminado,  a  parte  que,  sem  justo  motivo,  quiser  a  sua  rescisão,  deverá  comunicar  a  outra  a  sua  intenção  com  a  devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce  para  o  empregado  o  direito  aos  salários  correspondentes  ao  prazo  do  aviso,  garantida  sempre  a  integração  desse  período  no  seu  tempo  de  serviço  (art.  487,  §  1º,  da  CLT).  Desse  modo,  o  pagamento  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio,  isto  é,  o  aviso  prévio  indenizado,  visa  a  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (...)  2.3  Importância  paga  nos  quinze  dias  que  antecedem o auxílio­doença.  No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros  quinze  dias  consecutivos  ao  do  afastamento  da  atividade  por  motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento  do  seu  salário  integral  (art.  60,  §  3º,  da  Lei  8.213/91 —  com  redação  dada  pela  Lei  9.876/99).  Não  obstante  nesse  período  haja  o  pagamento  efetuado  pelo  empregador,  a  importância  paga  não  é  destinada  a  retribuir  o  trabalho,  sobretudo  porque  no  intervalo  dos  quinze dias  consecutivos  ocorre  a  interrupção  do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo  empregado.  Nesse  contexto,  a  orientação  das  Turmas  que  integram  a  Primeira  Seção/STJ  firmou­se  no  sentido  de  que  sobre  a  importância  paga  pelo  empregador  ao  empregado  durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de  doença  não  incide  a  contribuição  previdenciária,  por  não  se  enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba  de natureza remuneratória. (...).  Do  mencionado  Acórdão  podemos  extrair  o  entendimento  do  Superior  Tribunal de Justiça, inclusive, de modo reiterado, em razão do número de precedentes citados  no inteiro teor da decisão, no sentido da não incidência das contribuições previdenciárias sobre  as  rubricas  em  análise,  notadamente:  o  terço  constitucional  de  férias,  o  aviso  prévio  indenizado e a importância paga nos 15 primeiros dias que antecedem o auxílio­doença.  Convém destacar  que  foi  recebido Recurso Extraordinário  contra  a  decisão  do  REsp  n.º  1230.957  ­  RS,  no  Supremo  Tribunal  Federal,  no  qual  a  única  matéria  não  recebida,  por  ausência  de  repercussão  geral,  foi  o  aviso  prévio  indenizado,  pois  segundo  a  Corte Suprema não se trata de tema de cunho constitucional.  Fl. 1272DF CARF MF     40 Desse modo, houve a separação dos capítulos da sentença, de modo que uns  capítulos  estão  pendentes  de  julgamentos  e  um  capítulo  transitou  em  julgado,  qual  seja  o  capítulo referente ao aviso prévio.  Temos,  pela  Teoria  dos  capítulos  da  sentença,  aceita  doutrinariamente  e  prevista 523 do CPC, que, no dizer de Cândido Rangel Dinamarco, o capítulo da sentença é  toda unidade decisória autônoma contida na parte dispositiva de uma decisão judicial.  Complementa  Freddie  Didier  Jr.  que  essa  unidade  autônoma  tanto  pode  encerrar  uma  decisão  sobre  a  pretensão  ao  julgamento  de  mérito  (capítulos  puramente  processuais), como uma decisão sobre o próprio mérito (capítulos de mérito).  Além  da  previsão  geral  contida  no  CPC,  em  meu  entender,  o  Decreto  n.º  70.235/72,  norma  regente  do  processo  administrativo  fiscal,  aplica  a  teoria  dos  capítulos  da  sentença  ao  permitir  a  formação  de  autos  apartados  para  a  imediata  cobrança  do  objeto  não  contestado, no caso de impugnação parcial, de acordo com o disposto no art. 21, § 1º, abaixo  transcrito:  Art.  21.  Não  sendo  cumprida  nem  impugnada  a  exigência,  a  autoridade  preparadora  declarará  a  revelia,  permanecendo  o  processo  no  órgão  preparador,  pelo  prazo  de  trinta  dias,  para  cobrança amigável.  § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência  relativa  à  parte  não  litigiosa  do  crédito,  o  órgão  preparador,  antes  da  remessa  dos  autos  a  julgamento,  providenciará  a  formação  de  autos  apartados  para  a  imediata  cobrança  da  parte  não  contestada,  consignando  essa  circunstância  no  processo original.  Como  se  percebe,  o  que  faz  a  autoridade  preparadora  nada mais  é  do  que  cobrar  o  tributo  correspondente  ao  capítulo  da  decisão  transitada  em  julgado,  enquanto  as  demais matérias continuam em julgamento, pois oportunamente impugnadas.  Nota­se,  assim,  que  a  interpretação  adotada  tem  como  fundamento  de  validade  tanto  a  norma  específica  quanto  a norma geral  processual,  de  aplicação  supletiva  e  subsidiária ao processo administrativo, nos termos do art. 15 do Código de Processo Civil:  Art.  15.  Na  ausência  de  normas  que  regulem  processos  eleitorais,  trabalhistas  ou administrativos,  as  disposições  deste  Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.  Assim,  estamos  diante  do  seguinte  panorama  processual:  quanto  ao  aviso  prévio indenizado, capítulo integrante da decisão proferida em repetitivo, não lhe foi atribuída  repercussão geral para  fins de recebimento do RE  interposto, portanto, não se encontra mais  pendente de julgamento, tornando­se imutável e indiscutível a decisão proferida pelo Superior  Tribunal de Justiça, de modo definitivo, pois não cabe mais recurso (coisa julgada material); no  que  se  referem às demais  rubricas  objeto do RE,  que  representam os  outros  capítulos  do  Acórdão,  convém  destacar  que  encontram­se  pendentes  de  apreciação  pela  Corte  Suprema,  restando  suspensa  a  aplicação  do  repetitivo  sobre  tais  temas,  em  razão  da  atribuição  de  repercussão geral das matérias.  Desse  modo,  adoto  a  decisão  definitiva  sobre  o  aviso  prévio  indenizado,  proferida  dentro  do microssistema de  formação  concentrada de  precedentes  obrigatórios,  em  Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 15586.001357/2009­95  Acórdão n.º 9202­006.652  CSRF­T2  Fl. 29          41 razão do efeito vinculante, em obediência ao disposto no art. 62, § 2º, do Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais abaixo transcrito:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da  Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de  2016).  A respeito das demais rubricas (o terço de férias e os 15 primeiros dias que  antecedem  o  auxílio  doença),  ainda  que  eu  não  considere  o  Recurso  Especial  mencionado  como precedente obrigatório, nos termos do disposto no RICARF, tendo em vista a pendência  de análise pelo STF, entendo como razoável adotar o posicionamento do Superior Tribunal de  Justiça  sobre  os  temas,  como  expresso  no  REsp  n.º  1230.957  ­  RS,  em  razão  da  reiterada  jurisprudência da Corte Superior que se consubstancia em entendimento dominante.  Tal  aplicação  ocorre  com  base  no  que  a  doutrina  denomina  de  precedente  com eficácia persuasiva, na medida em que, segundo Fredie Didier, tal decisão constitui indício  de uma solução racional e socialmente adequada, pois emanada do Poder Judiciário, inclusive,  em reiteradas ocasiões.  Portanto,  entendo  pela  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre as o terço de férias, em obediência à razoabilidade e à segurança jurídica.  (assinado digitalmente)  Ana Cecília Lustosa da Cruz.    Fl. 1274DF CARF MF

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Numero do processo: 11516.722422/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. ALTERAÇÕES SEM EFEITOS MODIFICATIVOS DO JULGADO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a turma julgadora, deve ser acolhido os embargos para sanar vício identificado. Observada a contradição na ementa com o julgamento, deve ser corrigida com o intuito de sanar o vício no Acórdão, a fim de trazer harmonia ao julgamento anterior, sem efeito modificativos do julgado. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EXCLUÍDA. A empresa excluída do Simples Nacional deve recolher as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS INDEVIDAS OU A MAIOR. Em face do que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006 é permitida a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, consoante o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º). Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803-004.233, de 12/03/2015, registrar na ementa do acórdão que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA

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2301­005.548  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  EZATA COMERCIO DE CONFECCOES EIRELI EPP    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CABIMENTO.  ELEMENTOS  INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. ALTERAÇÕES SEM EFEITOS  MODIFICATIVOS DO JULGADO.  De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº  343/2015,  cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos,  ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a Turma.   Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e  no que concluiu a turma julgadora, deve ser acolhido os embargos para sanar  vício identificado.   Observada  a  contradição  na  ementa  com  o  julgamento,  deve  ser  corrigida  com  o  intuito  de  sanar  o  vício  no  Acórdão,  a  fim  de  trazer  harmonia  ao  julgamento anterior, sem efeito modificativos do julgado.  SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EXCLUÍDA.  A  empresa  excluída  do  Simples  Nacional  deve  recolher  as  contribuições  previdenciárias  devidas  à  Seguridade  Social  e  aquelas  por  ela  arrecadadas  para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe  prestem serviços, nos termos da legislação vigente.  COMPENSAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  RECOLHIDAS  INDEVIDAS OU A MAIOR.   Em  face  do  que  dispõe  o  art.  21,  §11,  da  Lei  Complementar  123/2006  é  permitida  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias  com  valor  recolhido  indevidamente  para  o  Simples  Nacional,  consoante  o  Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos  e Contribuições das Microempresas  e  Empresas de Pequeno Porte  (Simples),  instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de  dezembro de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 22 /2 01 3- 79 Fl. 194DF CARF MF     2 Embargos Acolhidos.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos. Acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando  os vícios apontados no Acórdão nº 2803­004.233, de 12/03/2015, registrar na ementa do acórdão  que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior – Presidente.  (assinado digitalmente)  Wesley Rocha ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Junior,  Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio  Nastureles, Wesley Rocha,  e  Reginaldo  Paixão  Emos. Ausente  justificadamente  a  conselheira  Juliana Marteli Fais Feriato.  Relatório  Trata­se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra Acórdão  de  julgamento  n.º  2803004.233,  julgado  em  12  de março  de  2015,  pela  3ª  Turma  Especial,  da  2ª  Seção, que verificou contradição na ementa lançada que assim ficou transcrita:  " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  SIMPLES. EMPRESA EXCLUÍDA.  A  empresa  excluída  do  Simples  deve  recolher  as  contribuições  previdenciárias  devidas  a  Seguridade  Social  e  aquelas  por  ela  arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos  os  segurados  que  lhe  prestem  serviços,  nos  termos  da  legislação  vigente.   COMPENSAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  RECOLHIDAS  INDEVIDAS OU A MAIOR  É vedada a  compensação de contribuições previdenciárias  com valor  recolhido  indevidamente para o Simples Nacional,  instituído pela Lei  Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema  Integrado de Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro  de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º)".  Ocorre  que,  conforme  a  embargante  cita,  a  decisão  do  colegiado  foi  no  sentido  de  acatar a posição do relator, que assim decidiu:  "III – Quanto ao pedido de compensação/abatimento dos valores pagos  a título do Simples, entendo que a Instrução Normativa justificada para  negativa teve sua leitura equivocada, em face do que dispõe o art. 21,  §11,  da  Lei  Complementar  123/2006,  que  permite  a  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11516.722422/2013­79  Acórdão n.º 2301­005.548  S2­C3T1  Fl. 3          3 compensação/abatimento entre o Simples com tributos do mesmo ente  federativo.  Assim,  a  fiscalização  na  apuração  das  diferenças  deve  considerar os valores pagos na forma do Simples, proporcionalmente à  parcela destinada à previdência social, e abater do crédito apurado".   Na parte dispositiva ficou constando exatamente o entendimento do voto proferido,  tendo o recurso seu parcial provimento à unanimidade de votos, nos termos do voto do Relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Wesley Rocha ­ Relator  Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF ­ Portaria  MF n.º 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe:  "Art.  64.  Contra  as  decisões  proferidas  pelos  colegiados  do  CARF  são  cabíveis  os  seguintes  recursos:  I  ­  Embargos  de  Declaração;  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  53  sobre  o  qual  deveria pronunciar­se a turma".  Os  embargos  de  declaração  se  prestam  para  sanar  contradição,  omissão  ou  obscuridade,  e não possui  efeitos modificativos da decisão  recorrida,  salvo  casos  específicos  que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser  considerado sensível em sua análise, uma vez que, excepcionalmente, pode contribuir com a  modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado.  Nesse  sentido,  os  embargos  servem  exatamente  para  trazer  compreensão  e  clarificação  pelo  órgão  julgador  ao  resultado  final  do  julgamento  proferido,  privilegiando  inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e  interessados de forma  clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador.  Como se sabe, “a contradição que autoriza o acolhimento dos aclaratórios é  aquela interna, havida entre a fundamentação e o dispositivo ou entre fragmentos da decisão  embargada, e não o descompasso entre a conclusão adotada pelo Tribunal e o entendimento  apresentado  pela  parte”  (Inq.  4106  ED,  Rel.  Min.  Alexandre  de  Moraes,  2ª  Turma,  DJ  19/02/2018).  No presente caso, observa­se que há contradição no que foi decidido e no que  foi lançado no dispositivo e na ementa do colegiado.  Conforme se constata do voto do relator, esse se pronunciou literalmente para  permitir a compensação de créditos verificados na sistemática do SIMPLES, e que estaria de  forma diversa da ementa, sendo que seu voto teve a seguinte fundamentação:  "III – Quanto ao pedido de compensação/abatimento dos valores  pagos  a  título  do  Simples,  entendo  que  a  Instrução Normativa  Fl. 196DF CARF MF     4 justificada para negativa teve sua leitura equivocada, em face do  que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006, que  permite a compensação/abatimento entre o Simples com tributos  do mesmo ente federativo. Assim, a fiscalização na apuração das  diferenças  deve  considerar  os  valores  pagos  na  forma  do  Simples,  proporcionalmente  à  parcela  destinada  à  previdência  social, e abater do crédito apurado.   Entendimento  esse  reconhecido  pelo  CARF/MF  de  forma  sumulada:   Súmula  CARF  nº  76:  Na  determinação  dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício  para  cada  tributo,  após  a  exclusão  do  Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma  unificada.   Assim, entendo que deve ser corrigido o lançamento neste ponto.  No mesmo sentido, o dispositivo do acórdão constou o seguinte:  "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso, nos  termos  do  voto  do  Relator,  no  sentido  de  revisar  a  decisão  recorrida  e  os  lançamentos  apenas  para  que  sejam  deduzidos  do  lançamento  eventuais  recolhimentos  ao  Simples,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma  unificada,  com  os  créditos  da  mesma  natureza  daqueles  efetuados nessa sistemática".  Assim,  a  nova  ementa  deve  passar  a  conter  que  foi  dado  provimento  ao  recurso voluntário, em especial o dispositivo e conclusão do colegiado, com o intuito de sanar  a contradição apontada.  Conclusão  Nessas  circunstâncias,  voto  por  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO  aos  embargos de declaração opostos pela Fazenda, para que conste que foi dado parcial provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator,  e  corrigindo­se  a  ementa  lançada,  nos  termos do presente julgamento que passa a integrar nova ementa no Acórdão n.º 2803004.233,  julgado em 12 de março de 2015.    (assinado digitalmente)  Wesley Rocha ­ Relator                             Fl. 197DF CARF MF

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Numero do processo: 12268.000378/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO ARBITRADO. O lançamento arbitrado de contribuições previdenciárias é próprio quando há indícios de que os documentos apresentados pelo contribuinte não correspondem à expressão da verdade. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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2202­004.727  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  OROS ENGENHARIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009  LANÇAMENTO ARBITRADO.   O lançamento arbitrado de contribuições previdenciárias é próprio quando há  indícios  de  que  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  não  correspondem à expressão da verdade.  PROVAS  JUNTADAS  EM  FASE  RECURSAL.  COMPLEXIDADE  DA  PROVA. PRECLUSÃO.  O  §4º  do  art.  16,  do  Decreto  70.235/72,  estabelece  que  a  prova  deve  ser  juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere  a  legislação  as  hipóteses  de  superação  deste momento  de  juntada. A  prova  que  se demonstre  complexa  e que possa ocasionar  a necessidade de perícia  contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal.  ÔNUS  DA  PROVA.  FATO  CONSTITUTIVO  DO  DIREITO.  INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.   Cabe  ao  interessado  a prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  não  tendo  ele  se  desincumbindo  deste  ônus.  Simples  alegações  desacompanhadas  dos meios  de prova que as justifiquem revelam­se insuficientes para comprovar os fatos  alegados.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 78 /2 00 9- 06 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 771          2 Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva  Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente  convocada),  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dilson  Jatahy  Fonseca Neto  e  Ronnie  Soares  Anderson.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  12268.000378/2009­06, em face do acórdão nº 02­40.723, julgado pela 6ª Turma da Delegacia  Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de  setembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente  a impugnação apresentada pelo contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os  relatou:  "Trata­se  de  exigência  de  contribuições  previdenciárias,  parte  patronal,  em  desfavor  da  OROS  ENGENHARIA  LTDA.,  cuja  apuração da massa salarial se deu através da área construída e  do padrão de obras de construção civil.  As  obras  de  construção  civil  dizem  respeito  ao  Conjunto  Habitacional ­ Joinville, à Escola Professora Nair S. Pinheiro e  ao Cine Teatro Imperial da Lapa.  O  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  com  os  seguintes  argumentos, às fls. 226/250:  Que  o  auditor  fiscal  não  expressou  qual  teria  sido  a  conduta  praticada pela impugnante a justificar a subsunção às normas de  arbitramento,  a  dizer,  os  §§  3º,  4º  e  6º  do  artigo  33  da  Lei  nº  8.212, de 1991.  Alega  isso  dizendo  que  o  auditor  fiscal  não  provou  que  a  impugnante  teria  recusado  a  apresentar  os  documentos  contábeis,  ou  tê­los  apresentado  de  forma  deficiente;  que  não  provou  que  deixou  de  haver  prova  regular  e  formalizada  do  montante dos salários pagos pela execução da obra; bem ainda  que não desclassificou a contabilidade da empresa.  Em verdade, segundo as palavras da impugnante, não se tratou  de  exame  individualizado  de  um dado  contribuinte, mas  de  um  trabalho  padronizado  que  é  utilizado  em  qualquer  fiscalização  de construtora ou de obra de construção civil.  Fl. 771DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 772          3 Prossegue  dizendo  que  sempre  colocou  à  disposição  da  fiscalização todos os documentos fiscais e contábeis, em perfeita  ordem, e todos com preenchimento fiel aos requisitos legais.  Não houve  desclassificação da  contabilidade,  porque  o  auditor  fiscal  não  provou  que  houve  vício  ou  irregularidade  que  a  tornasse imprestável para fins de fiscalização.  Ao  revés,  utilizou­se  amplamente  da  contabilidade  e  dos  documentos  da  empresa,  sem  apresentar  sequer  um  vício  ou  irregularidade.  Neste ponto,  requer a produção de prova pericial contábil, nos  termos  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  a  fim  de  comprovar  a  regularidade  da  sua  contabilidade  e  demais  registros  fiscais  e  comerciais  e,  bem  assim,  para  comprovar  a  total regularidade da mão­de­obra contabilizada e efetivamente  utilizada na execução das obras em questão.  Diz  que  não  foi  encontrado  nenhum  indício  de  sonegação  de  mão­de­obra,  mas,  sim,  que  o  auditor  fez  o  cruzamento  de  algumas  informações  fisco­contábeis  e  comparou­as  com  os  "critérios"  que  adotou,  cujo  resultado  não  revela  nenhuma  evidência de utilização de mão­de­obra sem registro, ou mesmo  que a obra, em exame, por suas características, não poderia ser  construída  com  o  montante  de  mão­de­obra  expresso  na  contabilidade.  Os critérios utilizados (CUB divulgado pelo Sinduscon/PR ­ para  o  projeto  padrão  previsto  na  NBR  12.721/99);  e  a  Tabela  de  Composições  de  Preços  para  Orçamentos  ­  TCPO  da  Editora  Pini ­ Tabela Pini) somente poderiam ser utilizados se houvesse  prova  de  que  a  impugnante  incorreu  em  uma  das  hipóteses  previstas nos §§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, o  que não ocorreu no caso.  O  fato,  segundo a  impugnante, é que o auditor  fez  foi  fundar a  necessidade de arbitramento no próprio arbitramento, de forma  circular, ou seja, o arbitramento  feito motiva a  si próprio,  sem  necessidade de descaracterização contábil.  Tratando da inaplicabilidade dos dispositivos legais, frisa que o  artigo  148  do  CTN  não  se  aplica  ao  caso,  senão  somente  às  hipóteses em que o  fato gerador do tributo é o preço dos bens,  direitos  serviços  ou  dos  atos  jurídicos,  tal  como  ocorre  com  o  ICMS,  IPI,  Impostos  sobre  Importação,  Exportação,  Transmissão de Propriedade, entre outros impostos que incidem  sobre o patrimônio e a circulação de mercadorias.  Para as contribuições sociais previdenciárias, que têm como fato  gerador a remuneração paga ou creditada, a qualquer título, ao  trabalhador  (Constituição  Federal,  artigo  195,  II,  "a";  Lei  nº  8.212, de 1991, artigo 22), o referido artigo 148 do CTN seria  inaplicável.  Fl. 772DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 773          4 Na sequência, e ainda tratando dos §§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da  Lei 8.212, de 1991, comenta que, ou bem a autoridade lançadora  demonstra  a  omissão  ou  inexistência  de  declarações,  esclarecimentos  ou  documentos,  ou  bem  demonstra  que  esses  não merecem fé, isto é, não correspondem à realidade tributável.  Acrescenta que é dever, a cargo da autoridade lançadora, fazer  a  rigorosa  demonstração  das  circunstâncias  que  impõem  o  abandono  da  aferição  direta  e  a  escolha  do  método  de  arbitramento.  Diz  que  a  aferição  indireta  não  é  uma  opção,  mas  uma  necessidade  que  se  origina  da  impossibilidade  de  acesso  aos  elementos diretamente relacionados ao fato gerador do tributo e  à sua base de cálculo.  Na  hipótese,  o  pagamento  de  salários  (fato  gerador  das  contribuições  ou  aspecto  material  da  hipótese  de  incidência)  deveria  ter  sido  pesquisado  por  meio  de  uma  série  de  diligências, tais como a busca de eventuais registros "paralelos"  do  próprio  empregador,  e  o  cruzamento  de  dados  e  de  informações de diversas fontes (contratantes de serviços, órgãos  públicos administrativos e jurisdicionais, etc), entre outras.  Fala que a aplicação do § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de  1991,  que  seria  o  único  que  poderia  fundamentar  a  presente  exigência, quando "a fiscalização constatar que a contabilidade  não registra o movimento real de remuneração dos segurados a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro",  deveria  contar  com  sólidas  bases  objetivas  ­  como  informações  prestadas  por  terceiros  ou  mesmo  documentos  paralelos  da  própria  empresa  que infirmem os registros contábeis.  Diz  que  os  critérios  com  base  no  CUB  e  na  Tabela  Pini  poderiam,  quando  muito,  servir  para  o  arbitramento  das  contribuições  previdenciárias,  mas  isso  após  estarem  devidamente caracterizadas as razões para tal procedimento.  No  caso,  escreve  que  não  foi  provada  qualquer  omissão  de  remuneração  como  premissa  para  o  arbitramento,  na  forma  apontada no § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991, ao revés,  o  auditor  fiscal  apenas  a presumiu Afirma  que o  auditor  fiscal  inverteu a ordem lógica contida no preceito legal, e presumiu a  prática  da  omissão  utilizando­se  de  "critérios"  que  somente  podem  ser  utilizados  para  se  presumir  a  base  de  cálculo  do  tributo.  Diz  que  o  que  deveria  ser  o  fato  provado  (omissão  de  remuneração)  é  mero  resultado  matemático  decorrente  do  confronto  entre  os  “critérios”  eleitos  pelo  auditor  fiscal  e  os  dados  contidos  na  contabilidade  da  empresa,  o  que  não  corresponde à hipótese legal.  Concluindo  que  não  é  idêntico  o  fato  provado  (omissão  de  remuneração)  e  o  probante  (omissão  de  900  empregados,  no  Fl. 773DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 774          5 caso em concreto), diz que também não teria ocorrido a hipótese  no tipo legal, sendo, assim, indevida a exigência.  Acrescenta  que,  quando  muito,  os  “critérios”  utilizados  pelo  auditor fiscal poderiam ser indícios para se dar continuidade ao  trabalho  investigatório  tendente  a  obter  provas  de  que  houve  omissão de receitas, e não a indicar para uma falsa premissa, a  própria omissão de receitas, que é um fato inexistente.  Na hipótese dos §§ 3º e 4º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991,  fala  que  deveria  o  auditor  fiscal  ter  provado  a  recusa  ou  sonegação  de  documento  ou  informação  (ou  sua  apresentação  deficiente) ou ter provado que a empresa deixou de comprovar,  por meios formais e regulares, o montante dos salários pagos.  Acrescenta,  para  essas  hipóteses,  que  a  fiscalização  deveria  desclassificar  a  escrita  da  empresa,  o  que  não  ocorreu  no  presente  caso  (e  nem  poderia  ter  ocorrido,  uma  vez  que  a  contabilidade  da  impugnante  é  boa  e  regular,  tanto  assim  que  está  requerendo  a  produção  de  perícia  contábil  para  provar  a  alegação).  Continuando,  diz  que  não  tendo  sido  provada  a  omissão  de  remuneração,  não  cabe  falar  da  faculdade  do  arbitramento  de  seu montante pela autoridade tributária, com base nos critérios  técnicos disponíveis.  Repete  que  o  auditor  fiscal  não  provou  qualquer  pagamento  à  margem da contabilidade da empresa.  Fala  que  os  documentos  foram  colocados,  a  tempo  e  modo,  à  disposição  do  agente  fiscalizador,  mas  foram  desconsiderados  sem qualquer justificativa.  Aponta pelo absurdo número sugerido pelo auditor  fiscal  (mais  de 900 empregados "por  fora"), o que a  levaria a  ser uma das  empresas  campeãs de  reclamatórias  trabalhistas  no Estado,  ou  mesmo no país.  Diz  que  o  auditor  deveria  considerar,  em  cada  uma  das  subempreiteiras,  a  quantidade  exata  de  mão­de­obra  para  chegar  a  uma  conclusão  mais  próxima  da  realidade  do  caso  concreto.  Fala  que,  encontrando­se  as  receitas,  custos,  despesas  e  resultados  da  impugnante  devidamente  registrados  em  sua  escrituração, declarados ao Fisco, e apoiados em documentação  cuja  idoneidade  não  foi  questionada,  a  imputação  de  novos  valores à conta de salários deveria trazer consigo a indicação da  fonte  de  receitas  ocultas  (que  cobririam  esses  custos)  ou  o  esclarecimento  se  as  despesas  e  os  custos  contabilizados  estariam sendo glosados e reclassificados como salários.  Considerando que todas as obras executadas são de propriedade  do Poder Público, e contratadas através de rigoroso processo de  licitação  regulamentado  na  Lei  Federal  nº  8.666,  de  1993,  Fl. 774DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 775          6 afirma que a contabilidade da  impugnante é  íntegra e  reflete a  realidade  dos  fatos,  ou  seja,  o  montante  real  que  foi  utilizado  para a remuneração da mão­de­obra.  Em outro tópico, a impugnante trata das soluções de engenharia  dizendo que a economia de mão­de­obra foi acentuada.  Para  tanto,  diz  que,  cada  dia  mais,  as  construtoras  buscam  soluções para  reduzir os custos de mão­de­obra, apostando em  matéria­prima pronta e de  fácil aplicação, e na contratação de  fornecedores  que  ofereçam a  opção de  contrato  do material  já  “aplicado". Por  isso,  a média geral  constante do CUB  ­ Custo  Unitário Básico, ditado pelos Sindicatos do Setor, e em tabelas  setoriais  (como  a  Tabela  Pini),  encontra­se  intensamente  defasada,  além de  não  ser  dotada  da  especificidade necessária  para aferir os gastos.  Afirma  que  os  “critérios”  utilizados  pelo  auditor  fiscal  não  podem  ser  considerados  para  toda  e  qualquer  obra,  e  isto  por  duas razões básicas:  1) A  primeira,  porque  tanto  o CUB  como  a  Tabela Pini  ainda  não  agregaram  todas  as  técnicas  construtivas  modernas  e  industrializadas,  atendo­se  a  técnicas  que  são  utilizadas  em  pequenas  obras  ou  por  construtores  que  ainda  não  detém  a  especialização necessária à execução de obras industrializadas;  2)  A  segunda,  porque  tanto  o  CUB  como  a  Tabela  Pini  consideram  fatores  que  podem  ou  não  ocorrer  em  uma  obra,  entre eles a mão­de­obra necessária para  transporte interno de  materiais na obra, a necessidade de ajudantes (serventes, p.ex.)  para  auxiliar  várias  funções  (pedreiro,  pintor,  azulejista,  etc),  que  antes  deles  necessitavam  e  que  hoje  não  mais  são  necessários,  tendo  em  vista  a  utilização  de  equipamentos  modernos.  Comenta  que  a  fiscalização  utilizou  a  tabela  PINI  ­  TCPO  (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos ­ Editora  Pini) e considerou o valor obtido para determinar os valores que  deveriam  ter  sido  recolhidos  a  título  de  contribuição  previdenciária.  Todavia,  segundo  a  impugnante,  a  TCPO  apresenta  para  suas  composições  estimativas  de  coeficientes  de  produtividade  de  cada  operário,  sendo  que  a  própria  tabela,  nos  seus  capítulos  referentes  à  produtividade  variável,  deixa  clara  a  grande  variação  que  pode  ocorrer  na  produtividade  da  mão­de­obra  conforme  variam  as  condições  (diversas  tecnologias  de  execução,  diversos  ambientes  de  trabalho  ­  maior  ou  menor  utilização  de  equipamentos,  diversos  níveis  de  treinamento  de  operários, diversos níveis de controle de desperdício de tempo de  execução, entre outras peculiaridades.  Com  isso,  para  algumas  atividades  em  obra  de  construção,  a  impugnante  exemplifica  grandes  variações  de  produtividade  concluindo que a própria tabela considerada já  Fl. 775DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 776          7 deixaria  claro  que  o  resultado  obtido  pela  aplicação  dos  coeficientes  da  TCPO  não  poderia  ser  considerado  como  verdade absoluta como fez a fiscalização no presente caso.  Em  seu  pedido,  requer  a  improcedência  do  auto  de  infração  determinando o seu arquivamento.  Requer, ainda, a produção de prova pericial contábil, nos termos  artigo  do  16,  IV,  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  a  fim  de  comprovar  a  regularidade  de  sua  contabilidade  e  demais  registros  fiscais  e  comerciais  e,  bem  assim,  para  comprovar  a  total regularidade da mão­de­obra contabilizada e efetivamente  utilizada na execução da obra em questão.  Por  fim,  protesta  pela  apresentação  de  razões  complementares  tendo  em  vista  que  no  exíguo  prazo  de  impugnação  não  foi  possível ultimar os trabalhos  técnicos que visavam contestar as  conclusões contidas no auto de infração.  O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte,  tendo  em  vista  a  Portaria SUTRI nº 3.237, de 12.08.2011, publicada no DOU de  15.08.2011.”  A DRJ de origem entendeu pela  improcedência da  impugnação apresentada  pelo  contribuinte,  mantendo,  assim  o  crédito  tributário  lançado,  na  integralidade.  O  contribuinte,  inconformado com o resultado do  julgamento, apresentou recurso voluntário, às  fls.  434/456,  reiterando,  as  alegações  expostas  em  impugnação.  Junta,  em  anexo  ao  recurso,  documentos às fls. 458/762.  Na  fl.  765  o  contribuinte  apresentou  Petição  Complementar  ao  Recurso  Voluntário, devido ao erro material nele contido.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.   1. Documentos juntados em fase recursal.   A perícia e as diligências requeridas foram indeferidas pela DRJ de origem,  com  fundamento  no  art.  18  do  Decreto  n°  70.235/1972,  com  as  alterações  da  Lei  n°  8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos  todos  os  elementos  necessários  ao  julgamento.  Além  disso,  não  foram  cumpridas  as  determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente  feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72.   Fl. 776DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 777          8 Ademais, a solicitação para produção de provas não encontra amparo  legal,  uma vez que, de modo diverso, o art. 16,  inciso  II do Decreto 70.235/72, com redação dada  pelo  art.  1º  da  Lei  8.748/93,  determina  que  a  impugnação  deve mencionar  as  provas  que  o  interessado  possuir,  de  modo  que  o  onus  probandi  seja  suportado  por  aquele  que  alega.  Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, ainda, a inversão do ônus da prova.  Os documentos juntados pelo contribuinte em fase recursal, às  fls. 458/762,  demandariam  análise  pela  primeira  instância,  podendo  inclusive,  antes  do  julgamento  de  primeira instância, ser determinada perícia ou diligências. No entanto, a chegada aos autos de  documentos, com mais de 300 páginas, que demandariam uma análise contábil, impedem que  sejam recebidos como prova do alegado.  Ocorre que o Decreto nº 70.235/72 estabelece no 4º do seu art. 16 que:  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.   (grifou­se)  Não  sendo demonstrado  pela  contribuinte  alguma das  hipóteses  das  alíneas  acima, entendo por não receber os documentos nesta fase recursal, por preclusão. No presente  caso,  não  há  como  superar  o  disposto  no  art.  16,  §4º,  do  Decreto  70.235/72  em  razão  do  princípio da verdade material ou do formalismo moderado, haja vista a complexidade da prova  juntada,  que  deveria  ter  sido  previamente  apreciada  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância, sob pena de violação inclusive do duplo grau de jurisdição.  2. Mérito  A contribuinte alega que o auditor fiscal não desclassificou a contabilidade da  empresa (não apresentou sequer um vício ou irregularidade); não encontrou nenhum indício de  sonegação de mão­de­obra; bem como não provou que a empresa teria recusado a apresentar os  documentos  contábeis,  ou  tê­los  apresentado  de  forma  deficiente.  De  fato,  quanto  à  contabilidade da empresa, o auditor não a desclassificou, mas verificou que a mesma, a partir  de julho de 2005, passou a contabilizar os custos das obras, objeto do lançamento, em contas  genéricas.   Entendeu a DRJ de origem, em relação às obras em questão, a documentação  da  empresa  já  seria  deficiente  a  provar  a  seu  favor,  consideração  o  conceito  de  deficiente  previsto na legislação previdenciária (§ 3º do art. 33 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c o  parágrafo  único  do  art.  233  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999), bem assim o que prescreve o art. 226 do Código Civil  (Lei  10.406,  de  10  de  janeiro  de  2002),  vez  que  a  escrita  do  contribuinte  apresentaria  vício  intrínseco, contrário ao estabelecido no inciso II do art. 32 da citada Lei 8.212, a impossibilitar  Fl. 777DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 778          9 à  fiscalização  a  perfeita  identificação  dos  fatos  geradores,  no  caso,  a  real  mão­de­obra  empregada na execução das obras de construção civil.  O voto da DRJ de origem é abaixo transcrito, no tocante a este ponto:  "(...)  podemos  dizer  que  o  trabalho  fiscal  não  foi  calcado  em  meras  ocorrências  de  vícios  formais  na  escrita  contábil  do  contribuinte, mas por esta ser omissa e não merecer fé quanto à  real mão­de­obra utilizada.  Assim, com base nos §§ 3º,  4º  e 6º do art.  33 da Lei 8.212, de  1991, e em razão da contabilidade do contribuinte não registrar  a  real  remuneração dos  segurados,  é  que  se  aferiu o montante  dos  salários  pagos  em  execução  de  obra  de  construção  civil  mediante  cálculo  da  mão­de­obra  empregada,  proporcional  à  área  construída,  e  conforme  critérios  estabelecidos  pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do § 4º do  referido artigo 33.  Mas  qual  foi  o  motivo  de  a  contabilidade  do  contribuinte  não  merecer fé?  Não  foi,  de  acordo  com  os  autos,  por  falta  de  lançamento  de  documentos  de  despesas  encontrados  na  empresa,  e  nem  por  existência de escrita paralela comprovada, mas pela constatação  da  impossibilidade  de  execução  das  obras  de  construção  civil  por meio dos empregados declarados em GFIP’s e em folhas de  pagamento,  sendo  isso  respaldado,  também,  pela  letra  “c”  do  inciso IV do artigo 597 da Instrução Normativa nº 03, de 14 de  julho de 2005.  De  acordo  com  o  princípio  “da  universidade  dos  fenômenos  patrimoniais”,  a  escrita  contábil  deve  ser  a  expressão  da  realidade para o conhecimento da sociedade, e não uma ilusão  com  meros  contornos  daquilo  que  interessa  apenas  ao  empresário.  Partindo  dessa  premissa,  não  há  impedimento  de  que  a  fiscalização busque a verdade, que, através do conhecimento do  provável (projeto padrão previsto na NBR 12.721, de 1999, e na  Tabela de Composições de Preços para Orçamentos ­ TCPO da  Editora  Pini),  possa  se  conhecer  o  verdadeiro  fato  jurídico,  considerando que não se é possível conhecer a coisa em si, mas  como  ela  se  manifesta,  o  fenômeno  (Teoria  da  verdade  pelo  fenomenalismo).  Observa­se  que  aqui  a  regra  é  a  da  presunção  legal  relativa,  admitida  no  Sistema  Tributário Nacional  para  conferir  certeza  jurídica a algo que é provável, mas, todavia, de difícil realização  de sua prova direta.  Nessa razão, basta ao fisco apresentar os fatos indiciários, e ao  contribuinte demonstrar o desacerto fiscal.  A hipótese, pois, é de suspeita da veracidade das declarações do  sujeito  passivo,  e,  como  tal,  a  administração  tributária  tem  o  Fl. 778DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 779          10 dever­poder  de  arbitrar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais previdenciárias.  Esse dever­poder encontra­se previsto na combinação dos §§ 3º,  4º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, considerando, à vista  dos  elementos  técnicos  apresentados  pela  fiscalização,  não  merecer fé os documentos da empresa auditada.  Pois bem, para o caso em análise, e para todas as obras objeto  da autuação, a fiscalização apurou baixa mão­de­obra utilizada  em  comparação  com  o  padrão  SINDUSCON  ­  PR,  bem  assim  baixo índice de horas alocadas necessárias para a execução dos  serviços,  segundo  a  Tabela  de  Composições  de  Preços  para  Orçamentos ­ TCPO da Editora Pini.   Ainda,  consoante  o  trabalho  fiscal,  os  índices  de  custo  e  de  produtividade demonstrados pela empresa auditada chegaram à  ordem de 64% (sessenta e quatro por cento) e de 80%  (oitenta  por cento) abaixo dos padrões necessários à execução das obras.  Percebê­se,  então,  que  o  procedimento  de  aferição  não  foi  motivado por si mesmo, porque não se arbitrou em razão de que  os  índices  não  corresponderiam  ao  previsto  nos  padrões  SINDUSCON  ­  PR  e/ou  TCPO  da  Editora  Pini,  mas  sim  em  razão  do  alto  desvio  padrão  em  relação  à  mão­de­obra  necessária para a execução de todos os serviços contratados.  Com  isso,  entender  a  impugnante  que  seria  um  absurdo  o  número sugerido pelo auditor fiscal de mais de 900 empregados  por fora não significa desacerto da fiscalização, pelo contrário,  significa  que  existem  indícios  fortes  de  que  a  mão­de­obra  necessária para as execuções dos  serviços não  foi  formalmente  declarada,  autorizando,  pois,  o  procedimento  de  aferição  com  base na área construída e no padrão da obra.  Passado  a  fase  dos  motivos  que  deram  suporte  à  aferição,  estabelecendo,  assim,  o  possível  fato  jurídico,  chegamos  à  fase  de presunção e certeza do crédito tributário, que comporta prova  em contrário, segundo o parágrafo único do art. 204 do Código  Tributário Nacional  ­ CTN  (Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966)  c/c  os  citados  parágrafos  do  art.  33  da Lei  nº  8.212,  de  1991.  Todavia, a defesa, para  firmar que é plena a contabilização da  mão­de­obra utilizada, apenas diz que as obras executadas são  todas de propriedade do Poder Público, e que, portanto, existem  documentos  formais,  emitidos  pelos  Municípios  contratantes  quanto  pela  empresa  executora,  que  refletem  a  realidade  específica da cada obra, não sendo pertinente que se utilize um  índice,  como  o  CUB,  em  substituição  aos  dados  oficiais  constantes  dos  editais  de  licitações  e  dos  contratos  de  empreitada firmados pelo próprio poder público.  Ora,  se  os  índices  de  Custo  Unitário  Básico  ­  CUB,  dos  SINDUSCON,  são  utilizados  por  empresas  de  engenharia  para  um orçamento inicial em obras de edificação, e até como índice  de  reajuste  de  contratos,  por  qual  razão  os  valores  apurados  Fl. 779DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 780          11 pela  fiscalização  são  tão  discrepantes  da  “realidade”  da  impugnante?  Segundo  a  impugnante,  é  em  razão  de  que,  para  as  obras  em  exame,  houve  acentuada  redução  de  mão­de­obra  através  de  modernas soluções de engenharia, essas ainda não previstas na  tabela CUB e na tabela Pini.  Já  que  é  assim,  caberia  a  impugnante  ter  demonstrado  quais  foram essas soluções de engenharia, efetivamente utilizadas em  suas obras, e que desqualificariam todo o trabalho técnico fiscal,  muito  embora  isso  seja  de  difícil  comprovação,  vez  que  não  existem  equipamentos  a  substituir  a mão­de­obra  na confecção  de formas de madeira para estruturas em concreto, na elevação  de alvenaria em tijolo, no revestimento de paredes, bem assim no  trabalho de pintura em obras de edificações típicas, como são as  situações apresentadas nos anexos fiscais de fls. 60/137.  Dito isso, não podemos afastar os critérios da fiscalização pela  utilização do CUB e da Tabela Pini,  uma vez que não estamos  diante  de  técnica  construtiva  moderna  e  industrializada  de  engenharia  civil,  a  exemplo  de  edificações  pré­fabricadas  (industrializadas),  em  estruturas,  e/ou  em  paredes  de  fechamento.  A  impugnante ainda argumenta que seria  inadequada a Tabela  Pini  ­  TCPO  em  razão  de  a  mesma  apresentar  variações  em  função de diversas tecnologias de execução, diversos ambientes  de  trabalho  ­  maior  ou  menor  utilização  de  equipamentos,  diversos  níveis  de  treinamento  de  operários,  diversos  níveis  de  controle  de  desperdício  de  tempo  de  execução,  entre  outras  peculiaridades,  não  podendo,  assim,  ser  verdade  absoluta  os  coeficientes daquela tabela na realização do trabalho fiscal.  Voltamos a aqui dizer que o trabalho fiscal não tem contornos de  prova absoluta, e que ainda admite prova em contrário. Todavia,  a impugnante não foi capaz de demonstrar que as horas orçadas,  segundo a Tabela Pini ­ TCPO, não foram condizentes com a sua  situação,  que,  inclusive,  dizem  respeito  a  obras  típicas  de  construção civil.  Logo,  não  será  a  mera  alegação  de  defesa,  e  sem  elementos  consistentes, que irá desabonar a fiscalização, mas sim trabalhos  técnicos a demonstrar que a mão­de­obra declarada em GFIP’s  e  em  folhas  de  pagamento  está  de  acordo  com  a  realidade  da  empresa."  Compartilho do entendimento adotado pela DRJ de origem. Compreendo que  não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no  artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, deve­se manter sem reparos o acórdão  recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o  ônus  de  provar  a  veracidade  do  que  afirma  é  do  interessado,  in  casu,  do  contribuinte  ora  recorrente.  Conclusão.  Fl. 780DF CARF MF Processo nº 12268.000378/2009­06  Acórdão n.º 2202­004.727  S2­C2T2  Fl. 781          12 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator                            Fl. 781DF CARF MF

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Numero do processo: 13830.000266/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: VALCIR GASSEN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen

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3301­005.078  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de agosto de 2018  Matéria  IPI  Recorrente  IND E COM DE COLCHÕES CASTOR LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  IPI.  CRÉDITO  BÁSICO.  PERIODICIDADE  TRIMESTRAL.  TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO.  O  ressarcimento  de  IPI  e/ou  sua  compensação  com  débitos  de  tributos  e  contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos  créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que  se  refere.  Se,  no  saldo  credor  apurado  ao  final  do  trimestre  de  referência,  houver  valores  acumulados  relativos  a  trimestres  anteriores,  tais  quantias  serão  excluídas  do  pedido/declaração  e  deverão  ser  solicitadas  em  PER/DCOMP próprio.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Valcir Gassen ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 02 66 /2 00 5- 44 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13830.000266/2005­44  Acórdão n.º 3301­005.078  S3­C3T1  Fl. 426          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa  Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão  Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira  Duro e Valcir Gassen    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 403 a 406) interposto pelo Contribuinte,  em 17 de janeiro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14­38.626 (fls. 387 a  391), de 19 de setembro de 2012, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de  votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 348 a 366).   Visando  a  elucidação  do  caso  e  a  economia  processual  adoto  e  cito  o  relatório do referido Acórdão:  Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que  parcialmente  reconheceu  o  montante  do  saldo  credor  a  ser  ressarcido  e,  consequentemente, homologou apenas parte das compensações declaradas.   Segundo a manifestante a glosa de parte do saldo credor não tem fundamento legal,  pois,  são  créditos  líquidos  e  certos  apurados  em  trimestre  anterior  e  regularmente  transferidos  para  o  trimestre  em  questão,  ademais,  ainda  que  houvesse  qualquer  vedação ao aproveitamento de créditos apurados em trimestre anterior, conforme sua  análise e interpretação da legislação.   Ademais,  o  ato  administrativo  seria  nulo  pela  existência  de  má­fé  na  conduta  administrativa, in verbis:   A Lei n° 9.784/99, já citada, traz em seu art. 49, o seguinte designo:   "Art.  49.  Concluída  a  instrução  de  processo  administrativo,  a  Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação  por igual período expressamente motivada."   (destaques da Manifestante)   No presente caso, a intimação do contribuinte ora Manifestante percorreu o  interregno de mais de seis (06) meses, desde a data da decisão proferida no  Despacho Decisório DRF/MRA n° 2007/890 (30110/2007) e a efetiva ciência,  em 30/04/2008.   Ocorre que  tal  lapso provocou a fluência do prazo decadencial disposto no  art. 168, inc. I, do CTN, nos seguintes termos:   "Art. 168. 0 direito de pleitear a  restituição extingue­se com o decurso do  prazo de 5 (cinco) anos, contados:   I  ­  nas  hipótese  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção  do  crédito tributário;" (destaques da Manifestante)   Assim, é factível se afirmar a existência de má­fé por parte da administração  no  presente  processo,  pois  o  Despacho  Decisório  DRF/MRA  n°  2007/890,  que não homologou a compensação,  foi proferido em 30/10/2007, e se fosse  prontamente  comunicado,  tal  como  manda  o  art.  49,  da  Lei  n°  9.784/99,  Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13830.000266/2005­44  Acórdão n.º 3301­005.078  S3­C3T1  Fl. 427          3 permitiria  que  o  contribuinte  ingressasse  com  novo  PER/DCOMP,  exclusivamente  relativo  ao  1°  Trimestre  de  2003,  para  regularizar  o  procedimento de aproveitamento dos créditos de/ I PI.   Av kin Naulma, 1490 Conj. 1400  ­ CE.P 01311  ­  ,)2e,  são Pa:;k3­s  ,P  ­re!'  (i'03262•1023 Fm'. ) 3a:1­1230 (3 GONCALVES ADVOGADOS Todavia, se  verifica pela  leitura do art. 168,  inc.  I, do CTN, esse prazo se esgotou, por  pura  desídia  da D.  Autoridade Fiscal.  0  crédito  tributário  se  extingue  com  pagamento,  ou  seja,  ao  final  de  cada  mês­calendário,  quando  se  apura  eventual  saldo  do  IPI.  A  partir  dessa  data,  inicia­se  o  prazo  para  eventual  compensação desse saldo com outros tributos devidos à Secretaria da Receita  Federal.   Porém,  fácil  observar  que,  como  a  intimação  somente  foi  realizada  em  30/04/2008,  transcorreu  o  prazo  qüinqüenal  para  se  realizar  essa  compensação, uma vez que os saldos se referem ao 1º Trimestre de 2003, ou  seja, de janeiro a março do citado ano.   Ora, houvesse a D. Autoridade Fiscal cumprido a lei, qual seja, o art. 45, da  Lei n° 9.784/99,  e nenhum prejuízo  seria  imposto ao contribuinte,  tal como  ocorre no presente caso, com a glosa dos  valores  relativos ao saldo de  IPI  apurado no 1º Trimestre de 2003.   Frente  a  negativa  do  pleito  pela  decisão  ora  recorrida,  o  Contribuinte  ingressou com o Recurso Voluntário para reformar a referida decisão.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Valcir Gassen ­ Relator  O  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  da  decisão  consubstanciada  no  Acórdão nº 14­38.626 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo  pelo qual deve ser conhecido.  O  ora  analisado  recurso  pretende  reformar  decisão  que  possui  a  seguinte  ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  IPI.  CRÉDITO  BÁSICO.  PERIODICIDADE  TRIMESTRAL.  TRIMESTRES  ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO.  O  ressarcimento  de  IPI  e/ou  sua  compensação  com  débitos  de  tributos  e  contribuições,  efetuado  por  meio  de  PER/DCOMP,  deve  se  referir  apenas  aos  créditos  decorrente  de  aquisições  efetivadas  e  escrituradas  no  trimestre  a  que  se  refere.  Se,  no  saldo  credor  apurado  ao  final  do  trimestre  de  referência,  houver  valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do  pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13830.000266/2005­44  Acórdão n.º 3301­005.078  S3­C3T1  Fl. 428          4 A  questão  central  refere­se  ao  pedido  de  ressarcimento  de  IPI  e/ou  compensação com débitos de tributos efetuado por intermédio de PER/DCOMP, referente ao 2º  trimestre  de  2003  no  valor  de R$  450.114,62,  sendo  glosado  pela  autoridade  administrativa  fiscal  o  valor  de R$  135.610,44,  valor  este  referente  ao  saldo  acumulado  do  1º  trimestre  de  2003.  O Contribuinte em seu recurso assim expõe textualmente (fl. 405):  (...)          Já  o  entendimento  da  administração  fiscal  é  no  sentido  contrário  e  cito  trechos para bem elucidar sua posição e como razões para decidir (fls. 389 e seguintes):   A legislaca̧õ de regência do IPI (Decreto no 2.637/98) determina que o saldo credor  de um período de apuraca̧õ pode ser transferido a período seguinte, para ser utilizado  Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13830.000266/2005­44  Acórdão n.º 3301­005.078  S3­C3T1  Fl. 429          5 no  abatimento  de  débitos  de  IPI  de  períodos  posteriores. No  entanto,  a  utilizacã̧o  deste  saldo para  ressarcimento e  compensacã̧o não  está  estipulada no  regulamento  do  IPI  e  sim no artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996,  e nos  atos  legais  (Instruções  Normativas) que regulamentam o ressarcimento e a compensação.   O  dispositivo  legal  que  autoriza  a  utilização  de  saldo  credor  de  IPI  para  ressarcimento  e  compensação  com  débitos  de  outros  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  consta  do  art.  11  da  Lei  no  9.779/1999, in verbis:   Art.  11.  O  saldo  credor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  acumulado  em  cada  trimestre­calendário,  decorrente  de  aquisição  de  matéria­  prima,  produto  intermediário  e material  de  embalagem,  aplicados  na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero,  que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros  produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e  74 da Lei no 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria  da Receita Federal ­ SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei)   Atendendo ao comando do supracitado dispositivo, a Secretaria da Receita Federal  editou uma  série de  atos normativos,  regulamentando os pedidos de  ressarcimento  de créditos de IPI e a sua compensação com outros tributos e contribuicõ̧es.   Na vigência da Instrução Normativa (IN) no 21, de 1997, não havia qualquer obste  ao  aproveitamento  de  saldos  credores  de  períodos  anteriores  ao  trimestre  de  apuração.   No  entanto,  com  as  mudanças  legislativas  no  instituto  do  ressarcimento  e  da  compensação feitas com a edição da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de  2002 (convertida na Lei no 10.637/2002), houve alteração neste quadro.   A Instrução Normativa (IN) SRF no 210, de 4 de outubro de 2002, (vigente à época  da transmissão do PER/DCOMP objeto da homologação parcial de compensação de  que trata o presente processo), trazia em seu art. 14 e parágrafos:   Art.  14.  Os  créditos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  escriturados  na  forma  da  legislacã̧o  específica,  poderão  ser  utilizados  pelo  estabelecimento  que  os  escriturou  na  dedução,  em  sua  escrita  fiscal,  dos  débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados.   §1o  Os  créditos  do  IPI  que,  ao  final  de  um  período  de  apuração,  remanescerem  da  dedução  de  que  trata  o  caput  poderão  ser  mantidos  na  escrita  fiscal  do  estabelecimento,  para  posterior  dedução  de  débitos  do  IPI  relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro  estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI,  caso se refiram a:   (...)   §  2o Remanescendo,  ao  final  de  cada  trimestre­calendário,  créditos  do  IPI  passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput  e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF  o  ressarcimento  de  referidos  créditos  em  nome  do  estabelecimento  que  os  apurou,  mediante  utilização  do  "Pedido  de  Ressarcimento  de  Créditos  do  IPI",  bem  assim  utilizá­los  na  forma  prevista  no  art.  21  desta  Instrução  Normativa. (grifamos)   § 3o São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a  que se refere o inciso I do § 1o, apurados no trimestre­calendário, excluídos  os  valores  recebidos  por  transferen̂cia  da  matriz,  e  os  cred́itos  relativos  a  Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13830.000266/2005­44  Acórdão n.º 3301­005.078  S3­C3T1  Fl. 430          6 entradas  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  para  industrialização,  escriturados  no  trimestre­calendário.  (grifamos)   Posteriormente, a IN SRF no 210/2002 foi revogada pela IN SRF no 460, de 2004,  que manteve, em seu art. 16 e parágrafos, as mesmas regras anteriores. Sucedendo a  IN SRF no 460,  sobrevieram as  instruções normativas no 600, de 2005, e 900, de  2008, todas elas dispondo que, dos créditos relativos a entradas de matérias­primas,  produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, somente são  passíveis  de  ressarcimento  aqueles  escriturados  no  trimestre­calendário  referente  à  solicitação.   Portanto,  após  a  entrada  em  vigor  da  IN  no  210/2002,  somente  é  passível  de  ressarcimento o saldo credor composto pelos créditos escriturados no  trimestre em  referência. Ou seja, o saldo credor acumulado de trimestres anteriores não pode ser  utilizado para ressarcimento relativamente àquele trimestre a que se refere o pedido.  Assim,  cada  PER/DCOMP  deve  ter  como  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  apenas  aquele  do  trimestre  indicado  como  trimestre  de  referência  (trimestre  de  apuração).   A época da entrega à Receita Federal do PER/DCOMP pela contribuinte já vigia a  Instruçaõ  Normativa  SRF  no  210,  de  2002,  onde  se  estabelecia  a  limitaçaõ  do  ressarcimento de créditos de IPI ao trimestre­calendário. Além disso, as normas que  regem  o  programa  PER/DCOMP  são  esclarecedoras  quanto  às  regras  de  preenchimento.   Conclui­se,  então,  que  o  mecanismo  de  apuraçaõ  do  saldo  credor,  aplicado  pela  autoridade fiscal, está de acordo com a legislacã̧o em vigor, conforme já discorrido  em detalhes.   Para bem precisar os fatos, assim constou no Despacho Decisório DRF/MRA  nº 2007/690, de 30 de outubro de 2007 (fls: 320):  Assim,  do  total  de  R$  450.114,62,  do  crédito  aventado  como  ressarcimento  —  consignado no PER/DCOMP ­ aquela Seção, A vista das informações e documentos  (fisco­ contábeis) exigidos do interessado e das pesquisas diversas efetuadas, opinou  pela legitimidade parcial do saldo credor de IPI, acumulado no 2° trimestre de  2003,  no  importe  de  R$  314.504,18,  porquanto  R$  135.610,44  sendo  objeto  de  credito  glosado,  conforme  informação  fiscal  exarada  As  fls.  299/300,  a  qual  transcrevemos em parte:   "3­  0  presente  processo  tem  por  objeto  as  PER/DCOMP(s)  para  aproveitamento do saldo credor de IPI do 2° trimestre/2003 que, de acordo ...  de IPI é de RS 314.504,18, entretanto, o contribuinte está pleiteando o valor  de R$ 450.114,62. Confrontando as informações constatamos que a diferença  de  RS  135.610,44  entre  o  saldo  credor  do  2°  trimestre  e  o  ressarcimento  solicitado,  refere­se  ao  saldo  credor  do  período  de  apuracã̧o  anterior,  ou  seja,  do  1º  trimestre/2003,  que  o  contribuinte  erroneamente  incluiu  neste  processo  sem  que  antes  houvesse  formalizado  uma  PER/DCOMP  do  1º  trimestre,  onde  seriam  prestadas  as  informações  obrigatórias  e  indispensáveis à análise  fiscal,  como a relação das notas  fiscais de entrada  do 1° trimestre e a discriminacã̧o dos registros do Livro de IPI do período."  (destacamos)   (...)  Posto isso, PROPOMOS:   Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13830.000266/2005­44  Acórdão n.º 3301­005.078  S3­C3T1  Fl. 431          7 ­  O RECONHECIMENTO  PARCIAL  do  direito  creditório  do  contribuinte  no  valor  de RS  314.504,18  (trezentos  e  catorze  reais  e  quinhentos  e  quatro  reais  e  dezoito  centavos),  correspondente  ao  saldo  credor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (IPI), acumulado no 2° trimestre de 2003, arrimado no artigo 11, da  Lei n° 9.779/1999, disciplinado pela IN SRF n° 33/1999, consentâneo à informação  fiscal da SAFIS (antiga FIANA), as fls. 299/300; sendo­lhe glosado o importe de RS  135.610,44 (cento e  trinta e cinco mil e seiscentos e dez  reais e quarenta e quatro  centavos), vez que o interessado pretendia ser correspondente ao saldo credor do IPI,  acumulado  no  aludido  trimestre,  com  base  no  artigo  11,  da  Lei  n°  9.779/1999,  disciplinado pela  IN SRF n° 33/1999, contudo essa  importância  refere­se ao saldo  credor do periodo de apuração anterior (1° trimestre de 2003), conforme informaçaõ  fiscal da SAFIS, as fls. 299/300; (grifou­se).  Constata­se  na  análise do  processo  que de  fato  o Contribuinte  cometeu um  erro procedimental, o que admite em seu recurso, em solicitar um pedido de ressarcimento e ou  compensação referente ao saldo credor do 2º trimestre de 2003 e neste incluir saldo credor do  período de apuração anterior, no caso do 1º trimestre de 2003.   Assim entendo correto a glosa efetuada no Despacho Decisório, pois não há  como  a  autoridade  administrativa  fiscal  neste  processo  concernente  ao  2º  trimestre  de  2003  aferir,  com a devida análise das notas  fiscais e dos  registros do Livro de  IPI, de um período  sem que houvesse a formalização em uma PER/DCOMP.  Portanto, de acordo com os autos do processo e da legislação aplicável, voto  por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte.  (assinado digitalmente)  Valcir Gassen                             Fl. 431DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.949440/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.452  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  RESSARCIMENTO IPI  Recorrente  BRACOL HOLDING LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Não há  ofensa  à  garantia  constitucional  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  quando  todos  os  fatos  estão  descritos  e  juridicamente  embasados,  possibilitando  à  contribuinte  contestar  todas  razões  de  fato  e  de  direito  elencadas no despacho decisório.  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA.  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO.  Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência ou perícia.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  O  indeferimento  de  pedido  de  diligência  ou  perícia  não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  por  cerceamento  ao  direito  de  defesa,  nos  casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra que a produção da prova pericial e  realização da diligência eram  desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO  CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de  ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte  autor pedido.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 40 /2 00 8- 18 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 3          2 RESSARCIMENTO  DE  CRÉDITOS  DE  IPI.  SALDO  CREDOR  RESSARCÍVEL  DO  PERÍODO  TOTALMENTE  ABSORVIDO  POR  DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.  O  valor  do  ressarcimento  limita­se  ao menor  saldo  credor  apurado  entre  o  encerramento  do  trimestre  e  o  período  de  apuração  anterior  ao  da  protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento  totalmente absorvido por débitos de  trimestres  subsequentes, o menor saldo  credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Aparecida  Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz,  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).      Relatório  Trata  o  presente  processo  de  análise  de  PER/DCOMP  apresentado  pela  interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI.   A  autoridade  administrativa  prolatou  Despacho  Decisório  eletrônico,  por  meio  do  qual  indeferiu  o  pedido  de  ressarcimento  apresentado  no  PER/DCOMP,  com  a  seguinte fundamentação:  Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo  credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre  em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP.  O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a  reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese:  · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  não  pela  autoridade  competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005;  · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se  manifestar sobre o fim da instrução;  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 4          3 · nulidade  do  despacho  decisório  pela  inexistência  de  motivação  demonstrando  as  razões  do  indeferimento  do  pedido,  resultando  em  cerceamento do direito de defesa.  · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento;  · requer a correção do ressarcimento pela SELIC;  · requer  a  realização  de  perícia  e  diligência,  informando  que  não  juntou  os  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório  por  serem  em  grande  quantidade.  Por meio do acórdão nº 14­035.091,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as  razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP.   Regularmente  cientificado,  o  contribuinte  tempestivamente  apresentou  seu  Recurso  Voluntário,  repisando  as  alegações  de  sua  manifestação  de  inconformidade,  em  síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de  perícia  e  diligência  e  pela  falta  de  apreciação  de  relevante  questão;  (ii)  incompetência  do  AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv)  inexistência de motivação;  (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito,  alega  (vi) o  seu  direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência  e perícia.   Requer  o  acolhimento  e  provimento  do  recurso,  para  reconhecimento  do  direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e  a  emissão de nova decisão;  cancelamento do Acórdão  recorrido por  ter  negado  seu direito  à  realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor  dos créditos do  IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações  realizadas até o  montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente.  O  processo  foi  encaminhado  a  este  Conselho  para  julgamento  e  posteriormente distribuído a este Relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo  art.  47,  §§ 1º  e 2º,  do  anexo  II  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.440  de  24  de  julho  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.933860/2009­63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­005.440):  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 5          4 "O Recurso Voluntário  é  tempestivo e  atende aos  demais  requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido.   A questão  trazida a este colegiado cinge­se sobre direito  creditório  não  reconhecido  pela  constatação  de  utilização  integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos  subsequentes  ao  trimestre  em  referência,  até  a  data  da  apresentação do PER/DCOMP.  Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade  da decisão recorrida e do Despacho Decisório.  Preliminar de nulidade da decisão recorrida  A  recorrente  alega  nulidade  do  acórdão  recorrido  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  baseada  em  dois  argumentos:  (i)  indeferimento  dos  pedidos  de  perícia  e  diligência  formulados;  e  (ii)  não  apreciação  de  parte  dos  argumentos de defesa.  Referente  ao  primeiro  argumento,  a  recorrente  alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência  formulado  na  impugnação  cerceou  seu  direito  de  defesa,  especialmente  pela  quantidade  de  documentos  envolvidos  que  inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega  que  tais  documentos  dariam  suporte  documental  para  o  reconhecimento de seu direito creditório.  A  turma  julgadora  a  quo  entendeu  que  não  se  encontrava  presente  as  condições  para  o  deferimento  dos  pedidos de diligência e produção pericial formulados, com  fundamento  nos  artigos  18  e  28  do  Decreto  70.235/72,  a  seguir transcritos:  Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância  determinará,  de  oficio  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observado  o disposto no art. 28,  in fine. (redação dada pelo art.  1° da Lei n° 8.748/93).  Art.  28.  Na  decisão  em  que  for  julgada  questão  preliminar  será  também  julgado  também  o  mérito,  salvo  quando  incompatíveis,  e  dela  constará  o  indeferimento  fundamentado do pedido de diligência  ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da  Lei n° 8.748/93)  Perfeitamente  fundamentada  a  decisão,  não  há  que  se considerar qualquer nulidade na decisão.  O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a  perícia  solicitada  pela  impugnante,  por  entendê­la  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 6          5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recorde­se que  a realização de perícia somente se justifica se a análise do  acervo  probatório  exige  conhecimento  técnico  especializado.  E  essa  condição,  inequivocamente,  não  se  vislumbra  no  caso  em  tela,  uma  vez  que  as  provas  necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado  cingem­se  a  documentos  fiscais  e  contábeis,  cuja  análise  prescinde do parecer de especialista.  Quanto  ao  segundo  argumento,  de  nulidade  da  decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na  Manifestação  de  Inconformidade  (item  II.1.1  ­  A  Incompetência  do  AFRFB  e  item  II.1.3  ­  A  Inexistente  Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta  expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no  subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma  julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura  do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa  do  crédito,  conforme  constata­se  pela  simples  leitura  dos  seguintes excertos da decisão:  “A  manifestante  requer  a  nulidade  do  despacho  decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando  cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a  motivação para a glosa dos créditos.  Improcedente  a  alegação  da  contribuinte,  pois  não  houve  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  ampla  defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela  criação  de  embaraços  ao  conhecimento  dos  fatos  e  das razões de direito à parte contrária. [...]  Também não procede a alegação de que o Despacho  Decisório  é  nulo  porque  não  foi  assinado  por  autoridade  competente.  Como  se  verifica  à  fl.  40,  o  Despacho  foi  assinado  pelo  titular  da  DERAT/São  Paulo.  O  que  confundiu  a  manifestante  é  que  os  cargos  de  Delegado  são  ocupados  por  auditores  da  Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário  do Despacho é também o titular da DERAT.”  Portanto,  rejeita­se  as  preliminares  de nulidade  da  decisão recorrida.  Preliminar de nulidade do Despacho Decisório  A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório  com  base  em  dois  argumentos:  (i)  incompetência  do  AFRFB;  (ii)  falta  da  intimação  para  a  recorrente  se  manifestar sobre o fim da instrução; e (iii)  inexistência de  motivação e cerceamento do direito de defesa.  Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 7          6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do  AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento  da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do  Brasil,  visto  que  a  autoridade  administrativa  titular  da  unidade  (DERAT/SP)  é  um  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  e,  por  isso,  consta  tal  cargo  no  Despacho  Decisório  emitido  pela  unidade.  Ou  seja,  o  documento  foi  assinado  pela  autoridade  competente  (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB.   A recorrente alega  também a nulidade pela  falta de  intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução,  fato  que  teria  descumprida  uma  formalidade  essencial  prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis:  Art.  44.  Encerrada  a  instrução,  o  interessado  terá  o  direito de manifestar­se no prazo máximo de dez dias,  salvo  se  outro prazo for legalmente fixado.  Também neste ponto não assiste razão à recorrente,  visto  que  a  norma  específica  que  rege  o  Processo  Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicando­se  apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No  caso  em  questão,  inexiste  tal  determinação  no  PAF,  que  dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo  para a impugnação em seu artigo 15.  Quanto  à  alegação  de  nulidade  do  Despacho  Decisório pela  inexistência de motivação, a decisão a quo  já  destacou  sua  total  improcedência,  e  nenhuma  outra  razão foi trazida à lide.  Expressamente  o  Despacho  Decisório  informa  o  fundamento  da  negativa  do  direito  creditório  pleiteado:  “Constatação  de  utilização  integral  ou  parcial,  na  escrita  fiscal,  do  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  em  períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data  da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos  autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração  após  o  período  do  ressarcimento",  detalhando  como  ocorreu  a  utilização  do  saldo  credor  do  trimestre  no  abatimento de débitos em períodos subsequentes.   Dessa  forma, nenhum vício de motivação ou mesmo  qualquer  cerceamento  de  direito  de  defesa  pode  ser  imputado  ao  Despacho  Decisório,  que  trouxe  as  informações  necessárias  para  o  pleno  conhecimento  das  razões do fisco no indeferimento do pleito.  Portanto,  rejeita­se  as  preliminares  de nulidade  do  Despacho Decisório.  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 8          7 Mérito  No  mérito,  a  recorrente  alega  seu  direito  ao  ressarcimento  do  crédito  do  IPI  pleiteado  no  Pedido  de  Ressarcimento e a devida correção pela SELIC.  Entretanto,  não  apresenta  nenhuma  prova  de  seu  direito.  Conforme  já  exposto,  a  glosa  ocorreu  pela  constatação de utilização integral saldo credor passível de  ressarcimento  entre  o  encerramento  do  trimestre  e  o  período  de  apuração  anterior  à  data  de  transmissão  da  PER/DCOMP,  conforme  demonstrativo  de  apuração  emitido juntamente com o Despacho Decisório.  Transcrevo  excerto  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  que  traz  a  apreciação  do  julgador  acerca  da  questão, fundamentos que adoto no presente voto:  “A  verificação  eletrônica  da  legitimidade  do  valor  pleiteado  pelo  contribuinte  consiste  no  cálculo  do  saldo  credor  de  IPI  passível  de  ressarcimento  apurado  ao  fim  do  trimestre­ calendário  a  que  se  refere  o  pedido.  Outra  verificação consiste em analisar se esse saldo se  mantem  na  escrita  até  o  período  imediatamente  anterior  ao  da  transmissão  do  PER/DCOMP.  Constatada  a  utilização  integral  ou  parcial  do  saldo  credor  existente  no  final  do  trimestre,  glosa­se a diferença encontrada.  O  fundamento  para  tal  procedimento  está  baseado no sistema de apuração e utilização dos  créditos  do  imposto,  em  conformidade  com  o  artigo 195, do RIPI/2002:  Art.  195.  Os  créditos  do  imposto  escriturados  pelos  estabelecimentos  industriais,  ou  equiparados  a  industrial,  serão  utilizados  mediante  dedução  do  imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos  estabelecimentos  (Constituição,  art.  153,  §3º,  inciso  II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49).   §1º.  Quando,  do  confronto  dos  débitos  e  créditos,  num  período  de  apuração  do  imposto,  resultar  saldo  credor,  será este  transferido para o período  seguinte,  observado o disposto no §2º.  (Lei n°5.172, de 1996,  art.  49,  parágrafo  único,  e Lei  n°9779,  de  1999,  art.  11).  §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em  cada trimestre­calendário, decorrente de aquisição de  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 9          8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive  de  produto  isento  ou  tributado  à  alíquota  zero  ou  imunes,  que  o  contribuinte  não  puder  deduzir  do  imposto  devido  na  saída  de  outros  produtos,  poderá  ser  utilizado  de  conformidade  com  o  disposto  nos  arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela  SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11).  Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um  determinado trimestre e utilizado para abatimento  de  débitos  de  trimestres  posteriores  exaure­se  e,  por  conseguinte,  não  pode  ser  ressarcido.  Caso  contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles  débitos  que  foram  compensados  com  referidos  créditos.  Conforme  se  verifica  no  "DEMONSTRATIVO  DA  APURAÇÃO  APÓS  O  PERÍODO  DO  RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do  saldo  credor  existente  no  final  do  trimestre  em  referência,  e  que  foi  objeto  do  presente  PER/DCOMP,  foi  consumido  no  abatimento  de  débitos  e  não  poderia  ser  incluído  no  pedido  de  ressarcimento,  estando  corretos  a  glosa  e  o  indeferimento  realizados  pela  delegacia  de  origem.”  Não  foi  trazido  aos  autos  nenhum  elemento  que  poderia  modificar  a  decisão,  que  permanece  válida  em  todos os seus fundamentos.  Quanto  ao  direito  à  correção  dos  créditos  pela  SELIC,  nada  há  que  ser  decidido  pela  inexistência  de  qualquer  direito  creditório  passível  de  ser  ressarcido  e  corrigido.   Dessa  forma,  rejeita­se as alegações da  recorrente,  também no mérito.  Por  fim,  rejeita­se  também  os  pedidos  de  perícia  e  diligência  apresentados  na  peça  recursal,  cujas  razões  foram as mesmas suscitadas na  fase processual anterior e  já  rechaçada  pela  DRJ,  sob  o  fundamento  que  seria  desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento.  Destaca­se  o  disposto  no  artigo  29  do  PAF,  que  dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade  julgadora,  na  apreciação  da  prova,  caso  entenda  necessárias.  Entretanto,  destaca­se  que  a  recorrente  não  apresentou qualquer documento  comprobatório do  crédito  pleiteado,  nem  na  fase  de  impugnação,  nem  nesta  fase  recursal,  em  descumprimento  do  artigo  15  do  PAF  que  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.949440/2008­18  Acórdão n.º 3402­005.452  S3­C4T2  Fl. 10          9 determina  a  instrução  dos  documentos  comprobatórios  juntamente com a impugnação.   Não  procede  qualquer  alegação  que  poderia  justificar a total ausência de provas por parte daquele que  requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de  documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos  autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no  momento oportuno.  Portanto,  indefere­se  os  pedidos  de  diligência  e  perícia,  rejeita­se  os  pedidos  de  cancelamento  do  Despacho Decisório  e do acórdão  recorrido, pelas  razões  acima expostas  Ante  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário do sujeito passivo."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  anexo  II  do  RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 162DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.721562/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE - DIREITO DE DEFESA O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro lugar, porque corresponde à fase inquisitiva; em segundo lugar, porque concretamente os fundamentos fáticos e jurídicos foram levados ao conhecimento do acusado. DECADÊNCIA - DOLO Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DOLO - MULTA QUALIFICADA Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõe-se a qualificação da multa de ofício. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes

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1401­002.181  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de fevereiro de 2018  Matéria  IRRF  Recorrente  GOURMAITRE COZINHA INDUSTRIAL E REFEIÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2007, 2008, 2009  NULIDADE ­ DIREITO DE DEFESA  O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro  lugar,  porque  corresponde  à  fase  inquisitiva;  em  segundo  lugar,  porque  concretamente  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  foram  levados  ao  conhecimento do acusado.  DECADÊNCIA ­ DOLO  Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial,  mesmo em relação aos tributos  lançados por homologação, deve ser aferido  pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN.  DOLO ­ MULTA QUALIFICADA  Tendo  sido  caracterizado  o  caráter  intencional  da  conduta,  impõe­se  a  qualificação da multa de ofício.  SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO  FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.   Os  sócios,  administradores  e  empresas  que  compõe  o  grupo  econômico,  sejam  formais  ou  de  fato,  com  ou  sem  procuração  para  representar  o  contribuinte, que praticam, de  forma comissiva ou omissiva, conjuntamente  com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito  tributário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  para,  no  mérito,  negar  provimento  aos  recursos  voluntários  da  Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 62 /2 01 3- 41 Fl. 4304DF CARF MF     2   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  de  Souza  Goncalves  (Presidente),  Luciana  Yoshihara  Arcangelo  Zanin,  Guilherme  Adolfo  dos  Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa  Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.      Relatório  Trata­se  de  recursos  voluntários  oferecidos  pelo  contribuinte  e  por  responsáveis tributários contra decisão da DRJ às fls. 3.842­3.861.  Para  as  peças  iniciais  do  feito,  tomo  de  empréstimo  o  relatório  da  decisão  recorrida:   Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração  de  IRRF  (fls.  874/881),  lavrado  por  conta  da  existência de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. O total do crédito tributário  atingiu o montante de R$ 12.000.099,40 na data do lançamento.   Do  Relatório  de  Verificação  Fiscal  (fls.  793/870)  retiramos  os  seguintes  fatos,  entendidos  como  mais relevantes:   ­  Foram  apontados  como  responsáveis  tributários  os  Srs.  Sílvio  Marques,  CPF  938.083.138­20;  Hélio  Vieira,  CPF  087.991.608­70;  Eloizo  Afonso  Gomes  Durães,  CPF  806.302.868­68;  e  as  pessoas  jurídicas  SP  Alimentação  e  Serviços  Ltda,  CNPJ  02.293.852/0001­40  e  Verdurama  Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., CNPJ 00.567.949/0001­78, pois, conforme os registros na  ficha  cadastral  da  JUCESP  nº  073.172/005,  sessão  de  24/05/2000,  o  grupo  “SP  Alimentação”  iniciou  suas  operações  via Gourmaitre,  introduzindo  a Verdurama  como  sócia,  representada  pela  Sra.  Maria  de  Lourdes  Dalazoana,  exesposa  do  Sr.  Eloizo.  Os  sucessivos  registros  na  JUCESP  apontam a troca de sócios como os Srs. Edvaldo Leite dos Santos, Sílvio Marques, Helio Vieira e a  própria Sra. Maria de Lourdes Dalazoana, todos ligados ao grupo SP Alimentação.   ­ Consta na ficha cadastral da JUCESP, registro nº 855.418/11­44, sessão de 27/09/2011, o bloqueio  judicial pelo Sr. Juiz de Direito de Jandira/SP, vinculando a Gourmaitre ao grupo SP Alimentação,  bem  como  os  Srs.  Eloizo  Gomes  Afonso  Durães,  Antônio  Marques  Franco,  SP  Alimentação,  Verdurama e Ceazza Distrib. de Frutas, Verduras e Legumes Ltda.   ­ Conforme  investigações efetuadas pelo GEDEC/Secretaria da Fazenda Estadual,  foram  lavrados  autos  de  infração  contra  os  contribuintes  SP  Alimentos  e  Serviços  Ltda.  (CNPJ  02.293.852/0001­40)  e  Verdurama  Comércio  Atacadista  de  Alimentos  Ltda.  (CNPJ  00.567.949/001­78),  onde  ficou  evidenciado  que  estas  duas  empresas,  juntamente  com  a  Gourmaitre, faziam parte do grupo SP Alimentação,  tendo em vista que (a), no período de 2007 a  2009, houve intensa movimentação financeira entre as três empresas. A análise das solicitações para  a  realização  de  transferências  bancárias  entre  as  empresas,  possibilitou  identificar  que  foram  assinados  cheques  por  Sílvio  Marques  (sócio  da  Gourmaitre)  e  Antonio  Marques  Franco,  que  assinaram na mesma época  autorizações/solicitações  para  transferências  bancárias  da Gourmaitre,  Fl. 4305DF CARF MF Processo nº 19515.721562/2013­41  Acórdão n.º 1401­002.181  S1­C4T1  Fl. 4.305          3 SP Alimentação e Serviços Ltda. e Ceazza Distribuidora de Frutas e Legumes Ltda.; (b) há registro  na  contabilidade  de  operações  de  empréstimos  com  a  Verdurama  e  SP  Alimentação;  (c)  o  atual  sócio da Gourmaitre, Sr. Silvio Marques,  já  foi  sócio da SP Alimentação;  (d) a Verdurama  já  foi  sócia da Gourmaitre; (e) o sócio da SP Alimentação, Sr. Eloizo Gomes Afonso, foi sócio fundador  da  Verdurama;  (f)  movimentação  de  contas  bancárias  por  pessoas  comuns  às  empresas,  destacando­se  Antonio  Marques  Franco  e  Silvio  Marques;  (g)  o  motoboy  Gilmar  da  Silva,  encarregado dos saques na “boca do Caixa” dos bancos foi o mesmo que sacava os cheques da SP  Alimentação  e  da  Verdurama.  Todas  as  informações  deste  tópico  encontram­se  detalhadas  na  denúncia oferecida pelo Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômico do Ministério Público  de São Paulo a 10ª Vara Criminal da Comarca da Capital/SP (Apenso 1 ­ fls. 2496/2574 do presente  processo).   –  Em  razão  do  conhecimento  por  parte  da  Receita  Federal  de  fraudes  fiscais  praticados  por  empresas  suspeitas  de  praticarem  fraudes  nas  licitações  de  merenda  escolar,  dentre  elas  a  Gourmaitre,  por meio  do Ofício/Defis/SPO/Comº/nº  075/2011,  endereçado ao Delegado Regional  Tributário – DRTC II (fls. 277/278), foram solicitados relatórios acerca da apuração da inidoneidade  de  empresas  tidas  como  fornecedoras  das  empresas  envolvidas  na  operação  acima  relatada.  A  secretaria  da  Fazenda  do  Estado  de  São  Paulo  repassou  cópia  dos  relatórios  das  empresas  fornecedoras da Gourmaitre, mas comprovadamente inidôneas, sendo (a) Cenco Central de Com. de  Gêneros  Alimentícios  Ltda.,  CNPJ  05.042.077/0001­36;  (b)  Cerealista  Guimarães  Ltda.,  CNPJ  06.184.172/0001­49;  (c)  Comércio  varejista  de  Hortifrutigranjeiro  Vila  Sonia  Ltda.,  CNPJ  67.893.362/0001­20;  (d)  CPA  Comércio  de  Produtos  Alimentícios  Ltda.,  CNPJ  07.061.726/0001­83; (e) Moema Hortifruti Granjeiro Ltda.; CNPJ 01.616.391/0001­36; (f) Vinculo  Distrib. de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda., CNPJ 08.795.471/0001­45 e ( g) Genova Agro  Comercial Ltda., CNPJ 05.422.205/0001­89.   ­  Essas  empresas,  ou  encontravam­se  inativas  (a,  b,  e),  ou  não  efetuaram  operações  com  a  Gourmaitre (c, g), ou serviram somente como fornecedora de notas fiscais inidôneas (d), ou tiveram  seu nome utilizado para a confecção de notas fiscais falsas (f).   –  Na  denúncia  oferecida  pelo Ministério  Público  Estadual,  em  05/03/2012,  IP  nº  050.07.095123­3  (fls. 2496/2574), contra diversas pessoas, dentre eles a Gourmaitre e seus sócios, foi consignado que  o  responsável  pela  obtenção  das  notas  fiscais  inidôneas  foi  o  Sr.  Baltazar  Luiz  de  Melo,  CPF  232.623.626,20, que  tem endereço e domicílio em Belo Horizonte,  fato que explica o porque das  empresas  utilizadas  para  a  emissão  de  notas  fiscais  inidôneas  e  utilizadas  pela Gourmaitre  terem  endereço nas cidades mineiras de Betim, Contagem e Belo Horizonte.   –  Depois de várias intimações à empresa, sócios e ex­contadores, foram obtidos os livros e arquivos  magnéticos da contabilidade do ano de 2007, estes em padrão PDF, fora dos padrões estabelecidos  pela  legislação  em  regência.  A  escrituração  digital  dos  anos  de  2008  e  2009  foi  obtida  junto  ao  Sistema Público de Escrituração Digital – SPED (fls. 2575/3571).   –  Foram  constatadas  infrações  à  legislação  tributária,  relacionadas  aos  custos  relativos  aos  fornecedores  inidôneos,  pagamentos  sem  causa,  à  apuração  do  PIS  e  da  Cofins,  falta  de  recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL (Anexo 1 – fls. 1145/1978).   –  O presente processo trata de IRRF incidente sobre os pagamentos sem causa, de sorte que os fatos  relacionados às demais infrações, quando não interessarem à solução do presente litígio, não serão  relatados.   Os  autuantes  apontam  que  ao  analisarem  a  rubrica  contábil  “Fornecedores”  foram  identificados  registros  de  pagamentos  em  nome  das  empresas  relacionadas  acima,  tidas  como  inidôneas,  nos  montantes de R$ 1.059.945,50, em 2007, R$ 3.930.678,12, em 2008, e R$ 2.578.258,44.   Na  análise  dos  pagamentos  das  compras,  foi  apurado  que  nenhum  dos  cheques  relacionados  no  Razão  (Anexo  2  –  Pagamentos  Sem  Causa  IRRF  ­  Planilhas  e  Razão  –  fls.  1979/2035)  foi  efetivamente destinado às  referidas empresas, pelo contrário,  foram destinados  a pessoas  físicas  e  jurídicas  sem qualquer vínculo  com os  supostos  fornecedores  constantes  na  escrituração contábil,  acarretando fraudes. As fraudes incidentes em simulação de pagamentos a fornecedores inexistentes  acarretam  em  crimes  contra  o  erário  Público,  que  deixa  de  tributar  os  reais  beneficiários  dos  recursos desviados.   Devido  aos  inúmeros  repasses  enquadrados  nessa  situação,  foi  considerada  como  data  de  pagamento, para efeito do  IRRF,  a data do último dia do mês de efetivo pagamento. Os  registros  contábeis e as cópias dos cheques referentes aos pagamentos encontram­se no Anexo 3 – Cópias de  Cheques Ref. Pagamentos a Fornecedores Inidôneos (fls. 2036/2335).   Como não foram comprovadas as operações ou as respectivas causas dos pagamentos, foi efetuado  o lançamento do imposto de renda na fonte, conforme determina o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.   Fl. 4306DF CARF MF     4 – Foi aplicada a multa de 150%, conforme previsto no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois parte  das  compras  contabilizadas  pelo  contribuinte  não  existiram,  sendo  lastreadas  em  documentos  inidôneos (notas frias). O contribuinte procurou com este subterfúgio aumentar indevidamente seus  custos  e  despesas  e  a  consequente  redução  das  bases  de  cálculo  e  valores  de  IRPJ  e  CSLL,  procedimento  que  caracteriza  sonegação  fiscal,  nos  termos  do  inc.  I  e  caput  do  art.  71  da Lei  nº  4.502, de 1964.   – Foi  atribuída  responsabilidade  solidária  dos  créditos  tributários  a  Eloizo  Afonso  Gomes  Durães,  CPF  806.302.868­68;  aos  sócios  Sílvio  Marques,  CPF  938.083.138­20  e  Hélio  Vieira,  CPF  087.991.608­70, e as pessoas jurídicas SP Alimentação e Serviços Ltda, CNPJ 02.293.852/0001­40  e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., CNPJ 00.567.949/0001­78, nos termos dos  arts.  124  e  135  do  Código  Tributário  Nacional.  Os  Termos  de  Declaração  de  Sujeição  Passiva  Solidária encontram­se às folhas 871 a 873.   O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 3594 a 3601, alegando, em síntese, o seguinte:   ­ Nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa  incompetente,  nos  termos do  art.  59,  inc.  I,  do Decreto nº 70.235, de 1972,  em  razão da  falta de  assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal,  conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto.   ­ Embora o fisco afirme sobre a  inexistência de empresas vendedoras, inabilitando os documentos  fiscais  da  época  em  que  ocorreram  as  transações  comerciais,  não  foi  o  que  vivenciou,  pois  os  respectivos documentos  foram entregues  pelos  fornecedores,  bem como adotou  todas  as  cautelas,  verificando a idoneidade das empresas vendedoras.   ­  Os  relatórios  fiscais  elaborados  pela  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  de  São  Paulo  foi  que  serviram de base para a declaração de  inidoneidade das notas  fiscais, sendo que somente algumas  notas foram declaradas inidôneas.   ­  Por  mais  elementos  que  apresentasse,  jamais  seriam  suficientes  ao  convencimento  da  Receita  Federal  de  que  houve  boa­fé  nos  atos  ali  praticados.  Mesmo  que  outros  documentos  ou  nomes  fossem apresentados, todo o trabalho apresentado pela Receita Federal poderia ser entendido como  verdade absoluta, marginalizando o fato de que  fora vítima de um ardil.  Isto porque as operações  foram efetivadas e as notas fiscais apresentadas. Não tendo o poder ou competência para fiscalizar  atos de terceiros, limitou­se, todavia, a agir com prudência em suas transações.   ­  É  contribuinte  de  boa­fé,  por  ser  presumível  da  situação  fática  que  as  operações  efetivamente  ocorreram, por isso não poderia ser penalizado com as multas ora impostas.   ­ Como o fisco somente pode tomar conhecimento da prática da ação inidônea do contribuinte no  momento  em  que  a  ação  está  sendo  praticada,  ou  posteriormente,  e  se  a  administração  pública  declara  esta  situação  somente  depois  de  um  exaustivo  trabalho,  como  poderia  o  contribuinte  se  antecipar  aos  fatos?  Dessa  forma  restaria  comprovada  a  sua  boa­fé,  o  que  excluiria  a  responsabilidade  pela  inidoneidade  das  notas  fiscais.  Nesse  sentido,  cita  ementas  do  Superior  Tribunal de Justiça relativas aos Resp 623.335/PR, 246.134/MG e 176.270/MG.   ­ De acordo com o art. 5º, inc. II, da Constituição Federal, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de  fazer alguma coisa senão em virtude de lei, daí que não lhe caberia fazer buscas, pesquisas ou outras  investigações no sentido que a Secretaria da Fazenda quer fazer parecer, pois só a ela caberia fazer.   ­ Do art. 59, § 1º, item 3, do RICMS­00, do Estado de São Paulo, pode ser retirado o entendimento  de boa­fé dos atos praticados, pois este dispositivo estabelece que o documento fiscal emitido por  contribuinte  regular  perante  o  fisco  é  documento  fiscal  hábil,  como  no  caso  das  referidas  notas  fiscais.   ­  Outra  conclusão  não  se  pode  existir,  inclusive  pela  exegese  do  art.  112  do  Código  Tributário  Nacional, que dispõe que a  lei  tributária que define  infrações, ou comine penalidade,  interpreta­se  de maneira mais  favorável  ao  acusado em caso  de dúvida  quanto  à natureza ou  às  circunstâncias  materiais do fato, ou à natureza ou extensões dos seus efeitos.   ­ Os pagamentos sem causa serviram de base para agravar as multas, sendo que seu aproveitamento  contábil para IRRF não se deu com dolo, mas sim em virtude de mera consequência contábil, pois  se  os  pagamentos  foram  contabilizados  como  aquisição  de  insumo,  consequentemente  seriam  aproveitados como créditos de IRRF, portanto, devem ser desagravadas de tais multas.   Por fim, requer que sua defesa seja julgada procedente, declarando insubsistente o auto de infração,  e que a multa de ofício seja reduzida para 75%.   Eloizo  Gomes  Afonso  Durães  apresentou  a  impugnação  de  folhas  3628  a  3647,  alegando,  em  síntese:   ­ Nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa  incompetente,  nos  termos do  art.  59,  inc.  I,  do Decreto nº 70.235, de 1972,  em  razão da  falta de  assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal,  conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto.   ­ Cerceamento do direito de defesa por não  ter recebido os apensos que acompanham os autos de  infração e o Termo de Verificação fiscal. Com esta atitude o fisco tornou deficiente a instrução do  Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 19515.721562/2013­41  Acórdão n.º 1401­002.181  S1­C4T1  Fl. 4.306          5 processo,  ferindo  flagrantemente  os  princípios  do  contraditório,  da  ampla  defesa  e  da  segurança  jurídica.   ­  Uma  vez  que  não  recebeu  cópia  de  todos  os  documentos  que  deveriam  instruir  os  autos  de  infração, viu­se impossibilitado de verificar as informações constantes no processo para poder aditar  documentos  e  prestar  esclarecimentos  que  poderiam  mudar  o  curso  da  defesa  contra  a  injusta  imposição que lhe foi feita.   ­  As  informações  contidas  no  auto  de  infração  não  são  suficientes  para  apresentar  uma  defesa  precisa,  tomando  essa  atitude  o  fisco  tornou  deficiente  a  instrução  do  processo,  ferindo  flagrantemente o princípio do contraditório.   ­ Em razão desses fatos, requer que lhe seja entregue uma cópia dos documentos que instruíram o  presente processo ou que lhe seja disponibilizada vista dos autos, com a consequente devolução do  prazo a fim de elaborar e apresentar sua defesa com perfeição.   ­  Que  jamais  pertenceu  ao  quadro  societário  da  Gourmaitre,  como  jamais  a  administrou,  não  podendo ser penalizado com a lavratura do termo de sujeição passiva solidária. O fato de ter sido  sócio  da  Verdurama  não  significa  que  tenha  sido  sócio  ou  administrador  da  Gourmaitre,  simplesmente pelas meras alegações do Ministério Público Paulista, que até agora nada comprovou  daquilo que fora alegado, lembrando que à todos os réus de qualquer processo criminal é conferida a  presunção de inocência.   ­  O  art.  128  do  Código  Tributário  Nacional  dispõe  que  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade pelo  crédito  tributário  à  terceira pessoa,  vinculada  ao  fato gerador da  respectiva  obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo o  cumprimento  total  ou  parcial  da  referida  obrigação.  Contudo,  dentro  da  classificação  da  responsabilidade tributária, está a responsabilidade de terceiros, dentre estes a dos sócios, prevista  nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional, que pode ser solidária e subsidiária.   ­ A responsabilidade solidária está descrita no art. 124 do Código Tributário Nacional e, através de  sua leitura, resta evidente não existir qualquer compatibilidade com a sujeição passiva solidária que  lhe foi atribuída, eis que não é sócio administrador do sujeito passivo e não se enquadra em nenhum  dos incisos existentes na referida norma.   ­ O  art.  134  do Código Tributário Nacional  deixa  claro  que  só  existe  solidariedade  nos  casos  da  impossibilidade de exigência e cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, o que não é o  caso,  já  que  o  sujeito  passivo  é  empresa  constituída  e  o  sócio  compareceu  para  atender  o  procedimento fiscal.   ­ Cita entendimento de Eduardo Marcial Ferreira Jardim (Manual de Direito Financeiro e Tributário,  Saraiva, 1999 p. 232), no  sentido de que a  responsabilização de  terceiros, prevista no art. 134 do  Código  Tributário  Nacional,  se  condiciona  a  dois  requisitos  indispensáveis  que  seriam  a  impossibilidade  de  o  contribuinte  satisfazer  o  débito  e  a  circunstância  de  o  responsável  solidário  praticar ato omissivo ou comissivo no  tocante ao fato  jurídico tributário. Assim, não havendo um  desses  requisitos, não  lhe pode ser estendida a obrigação do sujeito passivo principal, pois nem é  sócio da empresa autuada e não é procurador que possui poderes de gerência na sociedade.   ­ No  caso  de  prevalecer  a  responsabilização  tributária,  conforme  previsto  no  art.  134  do Código  Tributário  Nacional,  esta  somente  se  aplica  às  penalidade  moratórias  e  não  às  penalidades  decorrentes da infração praticada pelo contribuinte, ressalvada a hipótese de existência de dolo do  responsável tributário, o que não ocorreu no caso em tela.   ­ Segundo o  disposto no  art. 112 do Código Tributário Nacional,  não  é  suficiente  e,  por  que não  dizer justo, que lhe impute os fatos alegados pelo único fato de o Ministério Público Paulista afirmar  a  existência  de  um  grupo  econômico  supostamente  organizado  pelo  impugnante,  sem  que  o  processo judicial sequer  tenha sido julgado em primeira instância. Logo, o auto de infração prima  pela  inconsistência dos fatos descritos e pelo obscurantismo jurídico, visto que baseado em meras  suposições,  que  não  encontram  respaldo  no  mundo  jurídico,  já  que  o  que  se  busca  em  todo  e  qualquer processo, seja administrativo, seja judicial, é a verdade material dos fatos.   ­ A questão de se saber quem deve pagar o crédito tributário é exclusivamente processual e deve ser  decidida  em  sede  de  processo  executivo,  jamais  em  sede  de  procedimento  administrativo,  cuja  finalidade  é  definir  a  existência  ou  não  do  direito  material  do  entre  tributante.  Logo,  quem  tem  competência exclusiva para apurar, processar e julgar fraudes fiscais é a Justiça Criminal.   ­  Se  o  processo  administrativo  busca  a  verdade  real  ou  material,  como  lhe  imputar  a  sujeição  passiva,  se  apenas  foi  baseada  em  alegações  de  um  processo  criminal  cujas  provas  sequer  foram  apreciadas? O Ministério Público finca sua tese em depoimentos de um sujeito que diz e apenas diz,  fazendo uso da delação premiada que sequer foi homologada pelo Poder Judiciário. Se ele pode vier  a ser o delator, somente ele é que assume a culpa por qualquer delito então praticado até o trânsito  em julgado do processo.   Fl. 4308DF CARF MF     6 ­ Decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano­calendário de 2007.   Por  fim,  requer  (i)  que  seja  acolhida  a  preliminar  de  nulidade  do  procedimento  fiscal;  (ii)  ou,  se  assim  não  for  entendido,  que  lhe  sejam  entregues  os  documentos  que  acompanham  o  auto  de  infração ou a disponibilização dos autos para vista com devolução do prazo para a defesa e (iii) seja  declarado insubsistente o termo de sujeição passiva solidária.   Silvio Marques e Helio Vieira apresentaram as impugnações de folhas 3688 a 3697 e 3711 a 3720,  alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem  sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972,  em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação  de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto.   No  mérito,  apresentam  os  mesmos  argumentos  já  apresentados  pela  próprio  sujeito  passivo,  relacionadas à boa­fé dos atos praticados pela Gourmaitre, à  interpretação das normas de maneira  mais  favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do  fato, ou à natureza ou extensões dos seus efeitos, e ao agravamento da multa de ofício.   Por  fim,  requerem  que  sejam  julgadas  procedentes  suas  defesas  para  declarar  insubsistentes  os  Termos de Sujeição Passiva Solidária e reduzir a multa de ofício para 75%.   SP Alimentos e Serviços Ltda. apresentou a impugnação de folhas 3735 a 3748, tecendo os mesmos  argumentos  já apresentados pela própria Gourmaitre, apenas acrescentando que é evidente o vício  formal  no  agravamento  da  multa,  pois  a  Gourmaitre  transacionou  com  as  empresas  vendedoras,  recebeu as mercadorias, os documentos fiscais hábeis foram escriturados e contabilizados, tudo nos  moldes da legislação vigente. E mais, à época dos fatos as empresas vendedoras existiam de fato e  de direito e os documentos fiscais que ampararam as transações comerciais eram hábeis e, por isso,  não poderiam ser glosadas.   Acrescenta  que  o  agravamento  não  deve  prevalecer,  pois  decorre  de  escrituração  contábil,  e  é  entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a hipótese de agravamento da  multa de ofício deve ser  interpretada  restritivamente, e aplicada somente nos casos de  fraude, em  que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente.   Alega  ter  ocorrido  a  decadência  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­calendário  de  2007.   Alega que o processo administrativo busca a verdade real ou material, como lhe imputar a sujeição  passiva,  se  apenas  baseada  em  alegações  de  um  processo  criminal  cujas  provas  sequer  foram  apreciadas? O Ministério Público finca sua tese em depoimentos de um sujeito que diz e apenas diz,  fazendo uso da delação premiada que sequer foi homologada pelo Poder Judiciário. Se ele pode vier  a ser o delator, somente ele é que assume a culpa por qualquer delito então praticado até o trânsito  em julgado do processo.   Por  fim,  requer  que  seja  acolhida  a  preliminar  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  e,  alternativamente, que a multa de ofício seja reduzida para 75%.   Verdurama  Comércio  Atacadista  de  alimentos  Ltda.  apresentou  a  impugnação  de  folhas  3797  a  3800, alegando ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores do mês de julho de 2007  para trás.   Alega nulidade do auto de infração por descumprimento da norma do art. 11 do Decreto nº 70.235,  de 1972, tendo em vista que o auto de infração não está assinado pelo Delegado da Receita Federal,  como, também, não há nenhuma autorização à funcionários para a lavratura destes autos.   Alega que a presente acusação está amparada em indícios que não condizem com os fatos, uma vez  que o demandado agiu de acordo com a  lei. Os documentos apontados como inidôneos foram, de  fato,  entregues  pelos  fornecedores,  tendo  o  demandado  adotado  as  cautelas  de  praxe  quanto  a  idoneidade das empresas vendedoras.   As sanções impostas pela inidoneidade de algumas notas fiscais, das quais acreditava serem válidas,  não  podem  prosperar,  devendo  ser  canceladas,  pois  o  demandado  é  contribuinte  de  boa­fé  pelas  operações que efetivamente ocorreram.   Alega que não  caberia  ao  demandante  fazer buscas,  pesquisas  ou outras  investigações  no  sentido  que a Secretaria da Fazenda quer fazer parecer.   Alega que os pagamentos tidos como sem causa, serviram de base para agravar as multas. Contudo,  o  seu  aproveitamento  contábil  para  o  IRRF  não  se  deu  com  dolo,  mas  sim  em  virtude  de  mera  consequência  contábil,  pois  se  os  pagamentos  foram  contabilizados  com  aquisição  de  insumos,  consequentemente  seriam  aproveitados  como  créditos  de  IRRF,  devendo,  portanto,  serem  desagravadas tais multas.   Por  fim,  requer  que  seja  declarado  insubsistente  o  auto  de  infração,  com  a  redução  da multa  de  ofício para 75%.     DA DECISÃO RECORRIDA   Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 19515.721562/2013­41  Acórdão n.º 1401­002.181  S1­C4T1  Fl. 4.307          7 A Delegacia  de  Julgamento,  por  meio  da  decisão  de  fls.  3.842­3.861,  deu  provimento  parcial  apenas  para  reconhecer  a  decadência  de  alguns  períodos,  nos  termos  da  ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF   Ano­calendário: 2007, 2008, 2009   DECADÊNCIA. DOLO.   Nos  casos  de  tributos  com  lançamento  por  homologação,  tendo  ocorrido  as  hipóteses  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  inicia­se  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.   NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO TERMO DE SUJEIÇÃO   PASSIVA POR AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO CHEFE DO ÓRGÃO.   A  falta  da  assinatura  do  chefe  do  órgão  local  da  Receita  Federal  no  lançamento  não  é  causa  de  nulidade, tendo em vista que a competência para lavratura do Auto de Infração é do Auditor­Fiscal  da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal.   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.   Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando o  lançamento proporciona ao  contribuinte o  pleno conhecimento das acusações que lhe são imputadas, expondo a realidade dos fatos e provas  que fundamentaram o direito de a Fazenda Pública exigir o crédito tributário, notadamente, quando  a  defesa  demonstra,  por  meio  de  sua  substanciosa  argumentação,  que  entendeu  perfeitamente  a  infração que lhe foi imputada.   IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA.   Incide  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  os  pagamentos  efetuados  por  conta  de  aquisições  bens,  direitos  e  mercadorias  ou  de  utilização  de  serviços  quando  o  sujeito  passivo  não  comprova  a  operação ou causa do pagamento.   SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE.  RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.   Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato,  com  ou  sem  procuração  para  representar  o  contribuinte,  que  praticam,  de  forma  comissiva  ou  omissiva,  conjuntamente  com  o  contribuinte  os  crimes  de  sonegação  e  fraude,  respondem  pelo  crédito tributário.   MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.   É  cabível  o  agravamento  da  multa  de  ofício  quando  presentes  os  elementos  abrangidos  pelos  conceitos  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  relacionados  às  operações  que  deram  causa  ao  lançamento tributário.     Em razão do provimento parcial, recorreu de ofício da sua decisão.      DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS    Foram apresentados recursos voluntários por (i) GOURMAITRE COZINHA  INDUSTRIAL  E  REFEIÇÕES  LTDA,  na  condição  de  contribuinte  (fls.  3.926­3.941;  peça  repetida duas vezes às fls. 4.037­4.102 e 4.237­4.252) e os responsáveis SP ALIMENTAÇÃO  E SERVIÇOS LTDA (fls. 3.984­4.002) Eloízo Gomes Afonso Durães (fls. 4.039­4.057), Sílvio  Marques (fls. 3.880­3.897; peça repetida às fls. 4.193­4.210) e Hélio Vieira (fls. 4.146­4.164).  Todos os recursos repetem as mesmas razões apresentadas nas impugnações;  aliás, são praticamente cópias literais de peças inaugurais de defesa.      É o relatório.    Fl. 4310DF CARF MF     8   Voto             Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator  DO RECURSO DE OFÍCIO  O  valor  do  crédito  exonerado  foi  de  R$  1.127.976,80  (IRRF  de  R$  451.190,72 + multa de ofício de R$ 676.786,08), acima do limite de alçada da época que era de  R$ 1.000.000,00.  Esse limite, porém, deve ser aferido na data da análise do recurso. Assim, o  recurso  não  deve  ser  conhecido,  uma  vez  que  o  limite  atualmente  é  de  R$  2.500.000,00,  conforme a Portaria MF nº 63/2017.    DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS    Preliminar de decadência  Apesar de ter sido afastada parte da autuação em razão da decadência  (cujo  recurso  de  ofício  não  conhecemos  acima),  alega­se  novamente  esse  instituto.  A  decisão  recorrida não reconheceu a decadência na extensão pedida, pois adotou o prazo do art. 173 do  CTN e não o previsto no § 4º, art. 150 da mesma codificação.  Nada  temos  a  reparar  à  decisão  recorrida,  uma  vez  que  se  caracterizou  o  caráter doloso da infração, o que impede a aplicação da regra mais favorável ao contribuinte.  Abaixo, trataremos do caráter doloso ao analisarmos a aplicação da multa qualificada de 150%.  Nego, pois, a preliminar suscitada de decadência.    Demais preliminares  Antes  de  passarmos  à  análise,  vale  registrar  o  que  dispõe  o  art.  57  do  RICARF, especialmente seu parágrafo 3º:  Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem:   I ­ verificação do quórum regimental;   II ­ deliberação sobre matéria de expediente; e   III ­ relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta.   §  1º A  ementa,  relatório  e  voto  deverão  ser  disponibilizados  exclusivamente  aos  conselheiros  do  colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico.   § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a  ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata.   § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância,  se  o  relator  registrar  que  as  partes  não  apresentaram  novas  razões  de  defesa  perante  a  segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela  Portaria MF nº 329, de 2017)  (Nosso destaque)  Pois  bem,  conforme  registramos  no  relatório,  todos  os  recursos  não  só  reiteraram  as  mesmas  razões  das  impugnações,  como  correspondem  a  peças  literalmente  iguais.  Passamos, assim, à transcrição do voto condutor da decisão recorrida na parte  das preliminares:  Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 19515.721562/2013­41  Acórdão n.º 1401­002.181  S1­C4T1  Fl. 4.308          9 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA   Não  procedem  as  alegações  de  nulidade  do  auto  de  infração  e  nos  termos  de  sujeição  passiva,  fundadas  no  fato  de  não  haver  outorga  de  poderes  pelo  Delegado  da  Receita  Federal  aos  auditores­fiscais que subscrevem o auto de infração, em face do disposto no art. 11 do Decreto nº  70.235, de 1972.   O referido Decreto dispõe no art. 9º que a exigência do crédito tributário deve ser formalizada por  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distintos  para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade.  Nos  arts.  10  e  11,  estabelece  os  requisitos  formais  que  devem  ser  observados  pelas  autoridades administrativas quando da lavratura de auto de infração e de notificação de lançamento.   Tanto  o  auto  de  infração,  como  a  notificação  de  lançamento,  são  atos  administrativos  que  formalizam a exigência do crédito tributário, mas são atos distintos, na medida em que refletem a  forma como as autoridades administrativas  tomaram conhecimento da infração tributária cometida  pelo contribuinte. Portanto, é importante distingui­las.   Na  notificação  de  lançamento  a  autoridade  administrativa  toma  conhecimento  da  infração  à  legislação  tributária  no  âmbito  da  verificação  realizada  a  partir  das  informações  prestadas  pelo  próprio contribuinte, que tem obrigação de prestar ao órgão de administração tributária um grande  número  de  informações  sobre  suas  operações  e  estabelecimentos,  bem  como  por  sistemas  informatizados, que tornam cada vez mais possível a identificação da prática de infrações tributárias  sem que se  realize procedimentos de  fiscalização junto aos contribuinte. Nessas hipóteses, por  ter  sido  a  infração  identificada  pelo  órgão,  a  autoridade  competente  para  formalizar  a  exigência  do  crédito tributário é o titular do órgão que administra o tributos, no caso o Delegado ou Inspetor da  Receita Federal do Brasil, conforme prevê o art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo:   Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá  obrigatoriamente:   I ­ a qualificação do notificado;   II  ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação;   III  ­ a disposição legal infringida, se for o caso;   IV  ­ a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação  de seu cargo ou função e o número de matrícula.   Parágrafo  único.  Prescinde  de  assinatura  a  notificação  de  lançamento  emitida  por  processo  eletrônico. (Grifamos)   O  auto  de  infração  difere  tecnicamente  da  notificação  de  lançamento  porque  a  autoridade  administrativa toma conhecimento da infração tributária no curso de procedimento de fiscalização,  que é a atividade  investigatória desenvolvida pelo Estado visando  identificar a ocorrência do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  e  que  permite  ao  agente  fiscal  ampla  liberdade  investigatória  e  probatória, inerente à função estatal, fundamentalmente no poder de polícia que ao Estado compete  exercer  com  discricionariedade,  auto­executoriedade  e  coercitibilidade,  conforme  art.  142  do  Código Tributário Nacional e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.   Neste  caso,  a  autoridade  competente  é  o  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme  previsto pelo  art.  6º,  I, a, da Lei  nº 10.593,  de 2002,  com a  redação  dada pela Lei nº 11.457, de  2007, cuja atividade é vinculada pelos arts 3º e 142 do Código Tributário Nacional.   Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil:   I ­ no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:   a)  constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;   b)  elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo­fiscal, bem  como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de  reconhecimento de benefícios fiscais;   c)  executar  procedimentos  de  fiscalização,  praticando  os  atos  definidos  na  legislação  específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias,  livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados;   d)  examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades,  fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190  a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal;   e)  proceder  à  orientação  do  sujeito  passivo  no  tocante  à  interpretação  da  legislação  tributária;   f)  supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte;   II  ­  em  caráter  geral,  exercer  as  demais  atividades  inerentes  à  competência  da  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil.   Fl. 4312DF CARF MF     10 No  caso  dos  autos,  a  infração  à  legislação  tributária  foi  identificada  em  procedimento  de  fiscalização, portanto, a autoridade competente para assinar o auto de infração é o Auditor­Fiscal da  Receita Federal do Brasil incumbido do procedimento, como também os termos de sujeição passiva,  e não o chefe do órgão que administra o tributo.   Portanto, não são nulos, por  incompetência do agente, o auto de  infração e os  termos de  sujeição  passiva de que tratam os autos.   (...) [Suprimimos a parte relativa à análise da decadência]  3 . CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA   A alegação de cerceamento de defesa somente foi  feita pelo responsável  tributário Eloizio Gomes  Afonso Durães, argumentando que não teria recebido cópia dos apensos do Auto de Infração e do  termo de verificação fiscal. Em razão disso, requer que lhe seja fornecida cópia dos documentos que  instruíram o processo ou que lhe seja disponibilizada vista aos autos.   Primeiro destaca­se que existem dois apensos nos autos. O apenso 1 próprio processo em si, trata­se  de  cópia  da  denúncia  do  Ministério  Público  de  São  Paulo  na  qual  o  Sr.  Eloizo  é  um  dos  denunciados. O apenso 2 contém o razão contábil da própria empresa relativo aos anos­calendário  de  2007,  2008  e  2009.  E  as  informações  retiradas  desse  razão  contábil  estão  devidamente  discriminadas no relatório fiscal.   Todas  as  referências  aos  anexos  e  apensos  no  termo  de  verificação  fiscal  foram  feitas  indicando  pertencerem ao “presente e­processo”.   De  acordo  com  o  aviso  de  recebimento  de  fls.  3572/3573,  foram  enviados  ao  Sr.  Eloízio  os  seguintes documentos:   ­ Termo  de  verificação  fiscal:  com  o  relatório  completo  de  todo  o  procedimento  fiscal  e  de  suas  constatações.   ­ Auto de infração: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF.   ­ Termo de sujeição passiva solidária: envolvimento do contribuinte dentro dos ilícitos apurados.   ­ Termo de entrega de documentos.   Tais documentos demonstram detalhadamente como foi realizada a fiscalização, com as análises do  fisco  e  suas  respectivas  intimações;  abrangência da  fiscalização;  apuração  da  existência  do  grupo  econômico; existência de fornecedores inidôneos; registros das operações irregulares; apuração dos  tributos devidos; glosas de custos e de créditos;  registros de pagamentos  sem causa; aplicação da  multa  isolada  e  qualificada;  enquadramento  legal;  representação  fiscal  para  fins  penais;  termos  lavrados; envolvimento do contribuinte como responsável solidário; entre outros.   O contribuinte, inclusive, defende­se desses aspectos em sua impugnação.   Como  é  sabido,  a  Constituição  Federal  assegura  o  direito  à  ampla  defesa,  ao  contraditório  e  ao  devido  processo  legal.  Nesse  sentido,  nas  “orientações  ao  sujeito  passivo”,  documento  que  acompanhou  o  auto  de  infração  encaminhado  ao  contribuinte  (fls.  883),  consta  a  orientação  no  sentido de que a vista do processo, no caso de optante pelo DTE, poderia ser feita por intermédio do  Portal e­CAC com certificado digital, ou presencialmente no endereço da DERAT – São Paulo, rua  Luis Coelho, nº 197, Consolação – São Paulo/SP, ou em qualquer outra unidade da Receita Federal  do Brasil.   Aliás,  em  se  tratando  de  defesa  elaborada  por  procurador  advogado,  cabe  registrar  que  a  Lei  nº  8.906, de 4 de julho de 1994, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados  do Brasil, em seu art. 7º, inc. XIII, garante o direito ao advogado examinar, em qualquer órgão dos  Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos  ou em andamento, com procuração quando sujeitos a sigilo, conforme é o caso dos autos, além de  assegurar  a  obtenção  de  cópias  dos  mesmos,  legislação  que,  obviamente,  é  de  conhecimento  do  patrono do impugnante.   Assim, caso entendesse necessário vistas ao processo para formulação de sua defesa, o contribuinte  deveria  ter  acessado  o  processo  via  Portal  e­CAC  ou  ter  solicitado,  dentro  do  prazo  legal  de  impugnação, cópia ou vistas aos autos em qualquer repartição da Receita Federal do Brasil.   Não há nenhuma omissão  no  relatório de verificação  fiscal a ensejar o cerceamento do direito de  defesa  e  todos  os  elementos  que  fundamentam  a  autuação,  referidos  no  nesse  relatório,  encontram­se  nos  autos. Nessas  condições,  o  pedido  de  vistas  dos  autos  toma  caráter meramente  protelatório  e dilatador do prazo,  já que o  impugnante não agiu  com a diligência  necessária para  obter os elementos necessários à sua defesa dentro do prazo legal de impugnação.   Portanto, não ocorreu cerceamento de defesa no caso dos autos.     Os  recursos  repetem  as  mesmas  razões  das  impugnações  e  não  dialogam  com  a  decisão  atacada. Assim, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas  razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF).    Mérito  Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 19515.721562/2013­41  Acórdão n.º 1401­002.181  S1­C4T1  Fl. 4.309          11 Também quando ao mérito, tal qual fiz em relação às preliminares, transcrevo  o  teor  da  decisão  recorrida  para  adotar  as  suas mesmas  razões,  por  concordar  integralmente  com elas:  4 . DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE   A  questão  relativa  ao  imposto  de  renda  incidente  na  fonte  sobre  pagamentos  sem  causa  ou  a  beneficiário não  identificado,  lançado em  face da  inidoneidade do documento  fiscal ou da pessoa  jurídica fornecedora de bens ou serviços deve ser analisada levando­se em conta os seguintes artigos  do RIR/99:   Art. 217. Além das demais hipóteses de  inidoneidade de documentos previstos na  legislação, não  produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa  jurídica  cuja  inscrição  no CNPJ  tenha  sido  considerada  ou  declarada  inapta  (Lei  nº  9.430,  de  1996, art.82).   Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens,  direitos  e  mercadorias  ou  o  tomador  de  serviços  comprovarem  a  efetivação  do  pagamento  do  preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei  nº 9.430, de 1996, art.82, parágrafo único).   Art.  674. Está  sujeito  à  incidência  do  imposto,  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  trinta  e  cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61).   §  1º  A  incidência  prevista  neste  artigo  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º).   § 2º Considera­se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de  1995, art. 61, § 2º).   § 3º O  rendimento  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).   (grifos nossos)   Primeiro,  a  leitura  do  parágrafo  único  do  art.  217,  deixa  claro  que  na  hipótese  de  haver  a  comprovação do pagamento e do recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos  serviços  o  documento  fiscal  produzirá  efeitos  tributários, mesmo que  seja  inidôneo ou  tenha  sido  emitido por pessoa jurídica inapta. Se assim não fosse, ficaria prejudicado o terceiro adquirente de  boa­fé,  que  consegue  comprovar  que  houve  a  efetivação  do  pagamento  do  preço  respectivo  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos  e mercadorias  ou  a  utilização  dos  serviços. Nessas  condições  não  haveria em que se falar de incidência do imposto de renda na fonte a incidir sobre os pagamentos.   Segundo, a  leitura do art. 674 e seus parágrafos, permite concluir que a  incidência do  imposto de  renda na fonte somente está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de  um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.   É  o  caso  dos  autos,  que  trata de  registros  contábeis de  aquisição  de mercadorias de  fornecedores  que, comprovadamente, encontravam­se inativos (Cenco Central de Com. de Gêneros Alimentícios  Ltda.,  Cerealista  Guimarães  Ltda.  e  Moema  Hortifruti  Granjeiro  Ltda.),  que  não  efetuaram  operações com o contribuinte (Comércio varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sonia Ltda. e Genova  Agro Comercial Ltda), serviram somente de fornecedores de notas fiscais inidôneas (CPA Comércio  de Produtos Alimentícios Ltda.) ou que tiveram seu nome utilizado para a confecção de notas fiscais  falsas (Genova Agro Comercial Ltda.), e cujos pagamentos foram efetuados por meio de cheques,  em sua maioria, nominais à própria Gourmaitre.   O  anexo  2  (fls.  1979/2035)  traz  planilhas  de  resumo  dos  pagamentos  contabilizados  a  serem  tributados  pelo  irrf  –  pagtos  sem  causa  e  demonstrativo  dos  pagamentos  contabilizados­  razão.  Neste último demonstrativo o autuante relaciona todos os pagamentos relativos às notas fiscais dos  referidos  fornecedores,  identificando  a  data,  conta,  histórico  do  lançamento  onde  é  indicado  o  número da nota fiscal o nome do fornecedor e o número do cheque correspondente ao pagamento,  número  do  lançamento  e  linha  do  razão  e  o  valor.  Esse  demonstrativo  é  completo,  não  omite  nenhum elemento necessário para que o contribuinte identificasse com precisão qual o pagamento  foi  considerado  sem  causa  e  assim  pudesse  produzir  prova  do  recebimento  dos  bens,  direitos  e  mercadorias  ou  a  utilização  dos  serviços  consignados  nas  notas  fiscais  e  que  o  pagamento  foi  realizado ao respectivo fornecedor.   Não  houve  essa  prova.  Tanto  o  contribuinte,  como  os  responsáveis  solidários,  não  apresentaram  nenhum documento ou indicaram elementos dos autos suficientes para afastar a acusação fiscal.   O anexo 3 (fls. 2036/2335) traz cópias de cheques relativos aos pagamentos em questão, nos quais  se  constata  que  quase  a  totalidade  deles  tem  como  beneficiário  a  própria  Gourmaitre,  sem  que  Fl. 4314DF CARF MF     12 houvesse a contabilização do  ingresso dos recursos na conta caixa. Esse procedimento permite ao  contribuinte destinar os  recursos para  terceiros,  pessoas  físicas  ou  jurídicas  sem qualquer  vínculo  com os ditos fornecedores, o que afasta qualquer dúvida quanto a efetividade do pagamento.   Tal  fato  reforça  a  certeza  de  que  os  registros  de  aquisição  de  bens,  mercadorias  e  serviços,  relacionados no Anexo 2, serviram unicamente para gerar custos, despesas, créditos e para dar causa  a pagamentos  a beneficiários não  identificados ou  para  entrega de  recursos  a  terceiros  ou  sócios,  sem que tenha havido uma operação com a pessoa jurídica.   Por isso deve ser mantida a exigência do imposto de renda na fonte na forma em que foi efetuado o  lançamento.      5 . SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA   Embora a lei instituidora do tributo defina sempre quem deve figurar no pólo passivo da obrigação  tributária, o Código Tributário Nacional estatui a possibilidade de alcançar aqueles que, embora não  incluídos expressamente no rol dos obrigados a arcar com o tributo ou contribuição, praticam atos  ou negócios com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, conforme prevê  o art. 135 do Código Tributário Nacional, abaixo:    Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;   II ­ os mandatários, prepostos e empregados;   III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (gn)   O pressuposto para a incidência desta norma é a prática de atos com excesso de poderes ou infração  à  lei,  ao  contrato  ou  ao  estatuto  social  pelo  gestor  ou  representante  da  empresa.  Os  elementos  trazidos aos autos pelos autuantes (itens 6, 7 e 8 do termo de verificação fiscal –fls. 798/801) são  provas  sólidas,  obtidas  do  próprio  contribuinte  mediante  intimações,  em  diligências,  em  depoimentos e informações de outros órgãos públicos, como a Secretaria da Fazenda do Estado de  São  Paulo  e  o Ministério  Público  do  Estado  de  São  Paulo,  que  identificaram  irregularidades  em  licitações para fornecimento de merendas a escolas públicas, em atuação que ficou conhecida como  “Operação Pratos Limpos”. Estas últimas informações foram utilizadas apenas de forma subsidiária,  e não como base para o lançamento.   Reproduz­se parte das conclusões do PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, que trata da responsabilidade  solidária:   k) a análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade solidária dos  administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem  solidariamente  perante  terceiros  (inclusive  o Estado)  pela  prática  de  atos  ilícitos;  não  haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum;   l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza  (licitude  ou  ilicitude  do  fato  jurídico),  ao  nascimento  (momento  do  surgimento)  e  à  cobrança  (exigência  simultânea ou não), mas é  subordinada no que  tange à  existência,  validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe  da obrigação do responsável no que tange a esses elementos;   ...   q)  Quando  incide o art. 135,  III, do CTN, não se  tem uma obrigação solidária,  senão duas ou mais obrigações solidárias;  trata­se de solidariedade  imprópria, em que  obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento.   r) Por se  tratar de solidariedade  imprópria, que não se dá entre contribuintes, mas sim  entre  contribuinte  e  responsável,  não  precisa  este  último  estar  mencionado  no  lançamento do crédito tributário como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se  disse, pode ser atestada em ato apartado ...   Ficou comprovada a relação entre as pessoas físicas e jurídicas discriminadas no Termo de Sujeição  Passiva Solidária com a Gourmaitre (Senhores Eloízio Durães, Sílvio Marques e Hélio Vieira, e as  empresas SP Alimentação e Verdurama), a partir do momento em que ficou caracterizado o grupo  econômico  formado com estrutura hierárquica e empresarial no intuito de fraudar as  licitações e o  erário público.   Essa ligação está respaldada pelos seguintes elementos: a) intensa movimentação financeira entre as  três  empresas;  b)  transferências  bancárias  assinadas  por  sócios das  empresas  na mesma época;  c)  plano de contas com previsão de empréstimos entre elas; d) sócios com atuação em mais de uma  dessas empresas; e) empresa sócia de outra  (Verdurama para com a Gourmaitre);  f) sócio de uma  empresa fundador de outra (Sr. Sílvio Marques, sócio da Gourmaitre fundou a SP Alimentação); g)  contas bancárias das empresas movimentadas por pessoas comuns, como os Srs. Antônio Marques  Franco e Sílvio Marques); h) declaração do Sr. Gilmar da Silva (moto­boy) que sacava cheques nos  Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 19515.721562/2013­41  Acórdão n.º 1401­002.181  S1­C4T1  Fl. 4.310          13 bancos para todo o grupo, entregando o dinheiro sacado conforme determinação para o pessoal da  diretoria ou do departamento financeiro das mesmas.   Além da  formação de grupo econômico da Gourmaitre  junto com as empresas SP Alimentação e  Verdurama,  temos  os  sócios  solidários  com  participação  efetiva  no  esquema:  a)  Eloízio  Gomes  Afonso Durães  –  sócio­administrador  da  SP  Alimentação  e  Serviços  Ltda.;  b)  Sílvio Marques  –  sócio da Gourmaitre; c) Hélio Vieira – sócio da Gourmaitre.   Aliás, a constatação da existência desse grupo econômico  formado pelas  três empresas não foi  só  alvo  do  Estado  de  São  Paulo,  como  no  caso  desses  autos,  mas  também  de  outras  investigações,  como por  exemplo no Estado  do Rio Grande do Sul. Apurou o Ministério Público do RS que  as  empresas Gourmaitre e Verdurama são coligadas da SP Alimentação, em questões envolvendo os  municípios de Canoas e de Sapucaia do Sul 1, em fraude similar a desse processo:   Ação civil pública aponta fraudes, favorecimento na licitação e enriquecimento ilícito do prefeito e  de outros envolvidos   O  procurador  da  República  no  município  de  Canoas  (RS)  Adriano  dos  Santos  Raldi  pediu  liminarmente que o prefeito de Sapucaia do Sul, Marcelo Machado, o vice­prefeito, Gilberto Alves,  além  de  secretários,  envolvidos  no  caso  da  merenda  escolar,  sejam  afastados  dos  cargos  até  o  julgamento final da ação.   O requerimento faz parte da ação civil pública, cumulada com ação de improbidade administrativa,  protocolada hoje, 25 de novembro, na Justiça Federal de Canoas. A investigação desenvolvida pelo  Ministério  Público  Federal  apurou,  também,  o  enriquecimento  ilícito  do  prefeito  e  sua  mulher,  Ivete Beatriz da Rocha, após o início do mandato, em janeiro de 2005.   O pedido de afastamento, de acordo com o procurador da República,  se  faz necessário devido à  gravidade dos elementos reunidos no processo, composto por 48 volumes, totalizando mais de nove  mil páginas. O MPF requer, ainda, a suspensão do contrato de terceirização da merenda em curso  atualmente  (com  a  empresa  Verdurama)  e  a  proibição  de  as  empresas  SP  Alimentação,  Verdurama e Gourmaitre celebrarem contratos com o município de Sapucaia do Sul.   O procurador destaca que o procedimento investigatório instaurado no MPF deu origem a ação de  improbidade administrativa contra o atual prefeito, seu vice, secretários municipais, as empresas  SP  Alimentação  e  Serviços  Ltda.,  Verdurama  Comércio  Atacadista  de  Alimentos  Ltda  e  Gourmaitre  Cozinha  Industrial  e  Refeições  Ltda,  entre  outros.  No  total,  20  réus  deverão  responder por atos de improbidade administrativa decorrentes de fraudes no processo de licitação  e na contratação para fornecimento da merenda escolar em Sapucaia do Sul.   "À  semelhança  do  caso  da  merenda  escolar  em  Canoas,  a  investigação  em  Sapucaia  do  Sul  apontou favorecimento à empresa SP Alimentação, de São Paulo, bem como o envolvimento das  empresas  coligadas  Verdurama  e  Gourmaitre,  em  processo  licitatório  fraudulento,  superfaturamento do contrato e até mesmo baixa qualidade na merenda servida aos alunos da rede  municipal de ensino", explica Raldi.   ...   O número do processo na Justiça Federal é 2008.71.12004434­4.   Assessoria de Comunicação   Procuradoria da República no Rio Grande do Sul   Portanto, deve­se manter a sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas relacionadas no  termo de sujeição passiva solidária de folhas 871 a 873.     6 . DA MULTA DE OFÍCIO   Dispõe o art. 44, inc. I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, o seguinte:   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  (Redação dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)   I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos  previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)   Para o agravamento da multa de ofício, conforme previsto no § 1º do art. 44, acima transcrito, deve  estar  presente  o  dolo  na  conduta  do  sujeito  passivo,  que  é  o  elemento  que  se  relaciona  com  a  consciência e a vontade de agir, presente em todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de                                                                Fl. 4316DF CARF MF     14 1964 (arts. 71, 72 e 73), ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subseqüente obtenção do  resultado.  Deve  estar  claro  que  a  conduta  foi  praticada  conscientemente,  voltada  a  suprimir  ou  reduzir  o  pagamento  do  tributo  ou  contribuições  devidos  e  a  esconder  da  fazenda  pública  a  ocorrência dos fatos geradores.   Esses  elementos  estão  presentes  no  caso  do  presente  processo. O  autuante  demonstrou  de  forma  consistente  que  os  integrantes  do  grupo  SP  Alimentação  buscaram  de  forma  dolosa  benefícios  tributários,  mediante  fraude  e  sonegação  fiscal.  Para  tanto,  conforme  descrito  no  termo  de  verificação fiscal (fls. 793/870), praticaram um conjunto de irregularidades assim resumidas:   ­  alguns  fornecedores  estavam com as  atividades  paralisadas,  outros desativadas,  nos períodos de  emissão das notas fiscais;   ­ fornecedores declararam nunca ter operado com a Gourmaitre;   ­ existência de carimbos falsos em nome dos mesmos;   ­  impressão de  talonários e notas  fiscais  junto a Gourmaitre eram inidôneas, visto que não batiam  com os dados constantes nos fornecedores;   ­ incompatibilidade entre o que foi fornecido no histórico da operação das notas fiscais e a estrutura  que alguns dos fornecedores possuíam;   ­ inexistência de empresa nos endereços cadastrais;   ­ atividades de fornecedor somente no mercado varejista e não atacadista;   ­ adulteração de notas fiscais;   ­ falsificações de dados nos documentos em geral;   ­ inexistência de registros das notas fiscais nos órgãos estaduais;   ­  nos  pagamentos  a  esses  supostos  fornecedores  através  de  cheques,  constatou­se  que  os  valores  foram na verdade destinados a outras pessoas físicas e jurídicas.   Esses  fatos  configuram,  sem dúvida,  a  conduta dolosa  com o  propósito de  impedir ou  retardar,  o  conhecimento por parte da autoridade  fazendária,  da ocorrência do  fato gerador,  ou de excluir ou  modificar as suas características, enquadrando­se nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e  72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964.   Portanto, deve­se manter o agravamento da multa de ofício.       Com  base  no  parágrafo  3º,  art.  57  da  Portaria  MF  343/2015  (RICARF)  adotamos as mesmas razões de decidir para manter a exigência principal, a multa qualificada e  as imposições de responsabilidade tributária.      CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto,  voto,  quanto  aos  recursos  voluntários,  para  rejeitar  as  preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento a todos.    (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes                                Fl. 4317DF CARF MF

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Numero do processo: 11516.723076/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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1001­000.680  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  05 de julho de 2018  Matéria  Simples Nacional  Recorrente  TUBARÃO CONFECÇÕES EIRELI ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  EXCESSO DE RECEITA BRUTA.  Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei  Complementar nº  123,  de  2006,  a  pessoa  jurídica  cujo  sócio  ou  titular  seja  administrador  ou  equiparado  de  outra  pessoa  jurídica  com  fins  lucrativos,  desde que a  receita bruta global ultrapasse o  limite  legalmente estabelecido  para opção pelo referido sistema.  Constatado  que  a  administração  da  pessoa  jurídica  foi  transferida  para  a  figura  de  administrador,  que  administra  todas  as  empresas  de  um  mesmo  grupo,  com características de grupo de  fato, atuando como  longa manus de  todas  elas,  como  sócio  administrador,  ainda  que  de  direito  não  conste  dos  quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo  para fins de apuração do limite legal de opção.  PRÁTICA  REITERADA  DE  INFRAÇÃO  À  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  A  prática  reiterada  de  infração  à  legislação  tributária,  caracterizada  pela  omissão de  receitas  e o  excesso de  receita bruta  são  causas de  exclusão da  pessoa jurídica do Simples Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 76 /2 01 5- 16 Fl. 653DF CARF MF     2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado Rodrigues.    Relatório  Trata­se de Ato Declaratório Executivo  (ADE) DRF/FNS n° 293, de 11  de  novembro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos  e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com  efeitos a partir de 01/01/2011 (e­fl. 555), "por ter sido constatada prática reiterada de infração e  excesso  de  receita  do  grupo  econômico  sob  unicidade  administrativa,  fatos  que  importam  a  exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29,  incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006....". O ADE fixou os efeitos a partir 01/01/2011,  e vedou a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos­calendário seguintes, nos termos do  art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006.  Os  fatores  que  inicialmente  indicaram  que  as  empresas  componentes  do  grupo  formado pela Recorrente  e  por Nacale Comércio  de Tecidos  e Confecções Ltda EPP,  Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, J.  R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo  Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e New Modas Comércio de  Confecções Ltda. ME incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n°  123/2006 foi a existência de procurações públicas (e­fls. 66/139 e 140/163), emitidas por todas  as  empresas  envolvidas,  outorgando  totais  poderes  de  administradores  (inclusive  de  movimentação bancária) aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins  Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho).   Mas  o  conjunto  de  elementos  colhidos  e  descritos  na  Representação  para  Exclusão  do  Simples  Nacional  (e­fls.  02/26)  mostraram  que  as  empresas  citadas  formavam  também grupo econômico de fato, valendo­se de unicidade gerencial e confusão patrimonial e  financeira, o que reforçou a subsunção das optantes pelo Simples Nacional na hipótese legal de  exclusão. Por bem descrever o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida:  Relatório   Trata­se de  exclusão da  Interessada  (Tubarão Confecções  Ltda ME)  do  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e  Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional,  efetuada  por meio  do Ato Declaratório Executivo  nº  293,  de  11  de  novembro  de  2015,  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Florianópolis/SC  (fl.  555),  “por  ter  sido  constatada prática reiterada de infração e excesso de receita  do  grupo  econômico  sob  unicidade  administrativa,  fatos  que  importam  a  exclusão  de  ofício  do  Simples  Nacional,  com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos  V, da Lei Complementar nº 123/2006”.  Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 654          3 A Interessada, segundo descrito na representação administrativa  que  resultou  na  emissão  do  ato  de  exclusão  (fls.  02  a  26),  compõem grupo econômico de  fatojuntamente com as empresas  KCS  Confecções  Ltda  –  EPP,  Empório  Duhomem  Indústria,  Comércio  e  Serviços  Ltda  – ME,  Eduardo  Decorações  Ltda  –  EPP,  J.R.  Dandolini  Artigos  do  Vestuário  Ltda  –  ME,  New  Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio  de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli  EPP  e  Nacale  Comércio  de  Tecidos  e  Confecções  Ltda  EPP,  visto que todas elas, além de serem controladas e administradas  por pessoas da mesma família  (Evaldo Nandi Calegari, Márcia  Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai,  irmã,  esposa e  filho),  atuam de  forma  integrada e  coordenada,  constituindo  na  realidade  uma  única  empresa  (na  acepção  de  empreendimento).  A  conclusão  de  que  existiu,  no  período  de  2009  a  2015,  grupo  econômico  de  fato,  está  amparada,  em  síntese,  de  acordo  com  o  auditor­fiscal  que  emitiu  a  representação  administrativa de fls. 02 a 26, pelas seguintes constatações  e elementos de prova:  a)  a  constatação  de  que  as  empresas  exercem  a  mesma  atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de  confecções);  b)  a  constatação  de  que  o  comando  administrativo  e  financeiro  das  empresas  é  exercido  pelo mesmo  grupo  de  pessoas  com  laços  familiares  (Evaldo  Nandi  Calegari,  Márcia  Calegari,  Raquel  Martins  Farias  e  Rafael  Nandi  Calegari  –  pai,  irmã,  esposa  e  filho),  seja  devido  a  participação delas no quadro societário da empresa como  sócio administrador, seja por força de procuração;  c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de  uma das  empresas,  além de  se  identificarem  em  carimbos  como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços  de forma indistinta para as outras empresas;  d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções  Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao  declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu  nome  de  fantasia  é  uma  das  marcas  utilizadas  pelos  componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi);  e)  a  constatação  de  que  existia  Programa  de  Relacionamento  (Fidelidade)  que  englobava  todas  as  empresas;  f)  a  constatação  de  que  as  empresas  eram  representadas  pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho;  Fl. 655DF CARF MF     4 g)  a  constatação  de  que  o  próprio  Sr.  Rafael  Nandi  Calegari  se  apresenta  na  rede  social  linkedin  como  “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”;  h)  a  constatação  de  que  o  Sr.  Rafael  Nandi  Calegari  é  o  proprietário  de  todos  os  sites utilizados  pelas  empresas  e  da  marca  “Clube  Maiores  Lojistas”,  que  se  refere  ao  programa  de  relacionamento  que  engloba  todas  as  empresas.  A  autoridade  fiscal  que  emitiu  a  mencionada  representação  administrativa  ressalta,  ainda,  que  a  receita  bruta  global  da  Interessada  e  das  outras  empresas  que  compõem  o  grupo  econômico  de  fato  ultrapassou,  nos  anos  de  2010  a  2014,  o  limite  de  que  trata  o  inciso  II  do  caput  do  artigo  3º  da  Lei  Complementar  nº  123/2006,  conforme  demonstrado  na  tabela  abaixo:        Diante destas constatações, a autoridade fiscal que emitiu o ato  de  exclusão,  assim  como  a  que  emitiu  a  representação  administrativa  de  fls.  02  a  26,  entenderam  que  restou  configurada  a  hipótese  de  vedação  ao  usufruto  do  Simples  Nacional  prevista  no  artigo  3º,  §  4º,  inciso  V,  da  Lei  Complementar nº 123/2006, assim como a prática  reiterada de  infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006  (artigo  29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006).  A exclusão, conforme registrado no Ato Declaratório Executivo  nº  293,  de  11  de  novembro  de  2015,  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil  em Florianópolis/SC, “surtirá  efeitos  a partir  01/01/2011, sendo vedada a opção pelo Simples Nacional pelos 3  (três)  anos­calendário  seguintes,  nos  termos do  art.  29, § 1º,  da  Lei Complementar nº 123/2006”.  Devidamente  intimada  da  emissão  do  mencionado  Ato  Declaratório  Executivo  em  09/12/2015  (fl.  558),  a  Interessada  apresentou  tempestivamente  (fl.  604),  nos  autos  do  processo  11516.723413/2015­67  (processo  onde  constam  autos  de  infração  lavrados  em  decorrência  da  emissão  do  ato  de  exclusão),  a  impugnação  de  fls.  579  a  590,  instruída  com  os  documentos reproduzidos às fls. 591 a 600, trazendo argumentos  tanto  para  contestar  o  ato  de  exclusão  como  outros  pontos  específicos relativos a autos de infração que foram lavrados em  decorrência deste (ato de exclusão).  Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 655          5 Ressalta  que  a  presente  impugnação,  por  força  do  disposto  no  artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspende a  exigibilidade do crédito tributário.  Lembra que o artigo 75, § 3º, da Resolução do Comitê Gestor do  Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, determina  que “na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão,  este  se  tornará  efetivo  quando  a  decisão  definitiva  for  desfavorável ao contribuinte”.  Assevera  que  a  impugnação  ao  termo  de  exclusão  do  Simples  Nacional  obsta  a  realização  do  lançamento  e  a  exclusão  do  regime  diferenciado,  tendo  ainda  o  contribuinte  o  direito  de  obter certidão positiva de tributos com efeitos de negativa, a teor  do disposto no art. 206 do Código Tributário Nacional.  No ponto, aduz ainda que a impugnação ao termo de exclusão do  Simples  Nacional  possui  o  condão  de  sustar,  mesmo  que  provisoriamente,  a  exigibilidade  do  crédito,  inibindo  assim,  o  Poder Público de inscrever a dívida e socorrer­se do Judiciário  para cobrá­la coativamente. Afirma que entendimento diverso do  exposto  nos  dois  parágrafos  acima  acarretaria  em  afronta  aos  princípios da ampla defesa e do contraditório. Alega que carece  de qualquer sentido a alegação de que integra grupo econômico.  Diz  que,  consoante  o  previsto  no  §2º  do  artigo  2º  da  Consolidação  das  Leis  Trabalhistas,  a  constituição  de  grupo  econômico  de  fato  pode  ser  definida  quando  duas  ou  mais  empresas  estão  sob  a  direção,  controle  ou  administração  de  outra,  compondo,  assim,  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica.  Frisa que o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009  adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei  trabalhista,  pois  preceitua  que  “caracteriza­se  grupo  econômico  quando  (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a  administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial ou de qualquer outra atividade econômica”.  Aduz que a lei é clara ao dispor que o requisito essencial para o  reconhecimento  de  grupo  empresarial  é  a  relação  de  subordinação entre uma empresa principal  e as demais,  o que,  no seu entendimento, não se caracterizou no presente caso. Diz  que  eventual  parentesco  entre  os  sócios  de  duas  empresas  não  possui  o  condão  de  estabelecer  relação  de  grupo  econômico  entre as mesmas. Cita  julgado do Superior Tribunal de Justiça  (REsp 824667) onde restou asseverado que a redação do §2º do  artigo 2º da CLT é “clara ao exigir, para a configuração do grupo  econômico  a  existência  de  uma  ou mais  empresas  que  estejam  sob  a  direção,  controle  ou  administração  de  outra  empresa  principal”.  Diz  que  para  a  configuração  de  grupo  econômico  não  basta  a  demonstração da unidade de comando na pessoa de um sócio ou  administrador,  pois,  o  que  se  exige  é  a  subordinação  empresarial  que,  no  caso  dos  autos,  não  restou  demonstrada.  Afirma  que  o  Tribunal  Superior  do  Trabalho,  em  decisão  Fl. 657DF CARF MF     6 unânime  e  transitada  em  julgado  no  processo  nº  191700­ 17.2007.5.15,0054, entendeu que a mera existência de sócios em  comum  e  de  relação  de  coordenação  entre  as  empresas  não  constitui  elemento  suficiente  para  caracterização  de  grupo  econômico.  Cita  julgado  da  Subseção  I  Especializada  em  Dissídios  Individuais  do  TST  onde  restou  asseverado  que  “para  a  configuração de grupo econômico, não basta a mera situação de  coordenação  entre  as  empresas”;  que  para  tal  configuração“é  necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo  controle de uma empresa sobre as outras”; e que “o simples fato  de  haver  sócios  em  comum  não  implica  por  si  só  o  reconhecimento do grupo econômico”.  Assevera  que  a  autoridade  fiscal  não  indicou  qual  seria  a  empresa principal no suposto grupo econômico que alega existir.  Frisa  que  a  existência  de  grupo  econômico  pressupõe  uma  relação de subordinação, onde duas ou mais empresas estão sob  a direção, controle ou administração de outra.  Aduz  que  as  empresas  relacionadas  pela  autoridade  fiscal  não  compõem  “grupo  composto  por  coordenação”,  este  também  definido como uma espécie de “grupo econômico”, pois todas as  empresas  citadas  se  encontram  estabelecidas  em  endereços  diversos, possuindo sede e administração próprias.  Assevera  que  não  há  qualquer  relação  entre  as  empresas  em  questão, uma vez que prestam atividades diversas e as exercem  de maneira totalmente independente entre si.  Cita o endereço e o objeto social das empresas KCS Confecções  Ltda  –  EPP,  Calegari  Comércio  de  Decorações  Ltda  –  EPP,  Empório Duhomem – Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME,  Eduardo  Decorações  Ltda  –  EPP,  J.R.  Dandolini  Artigos  do  Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda  – ME,  Tubarão  Confecções  Eireli  – ME, Costa  Esmeraldino  –  Confecções Eireli  e Nacale Comércio  de Tecidos  e Confecções  Ltda EPP.  Alega que a página da internet em que consta o perfil de “Rafael  Nandi”  no  Linkedin,  como  gerente  de  Marketing  do  grupo  Nandi,  não  faz  prova  da  existência  de  grupo  econômico,  visto  que  tal  perfil  não  pertence  ao  Sr.  Rafael  Nandi  Calegari,  administrador  da  empresa  Tubarão  Confecções,  mas  sim  de  Rafael Nandi Marcelino, que  é gerente de marketing da “Casa  Nandi”  e  não  do  “grupo  Nandi”,  e  que  não  tem  qualquer  relação  de  administração  com  qualquer  das  empresas  em  questão.  Afirma que, diante do exposto, resta claro que deve ser afasta a  responsabilidade solidária, pois não se encontra caracterizada a  situação prevista  no artigo  124,  inciso  I,  do Código Tributário  Nacional.  Diz que mesmo que o grupo econômico em questão estivesse, de  fato,  constituído,  tal  fato  não  ensejaria  por  si  só  a  responsabilidade solidária das pessoas jurídicas componentes do  grupo,  vez  que  a  solidariedade  tributária  se  encontra  pautada  Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 656          7 em  critérios  objetivos,  motivo  pelo  qual  não  se  admite  presunções.  Cita  julgado  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  onde  restou  asseverado que “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam  ao  mesmo  grupo  econômico,  por  si  só,  não  enseja  a  responsabilidade  solidária,  na  forma  prevista  no  art.  124  do  CTN”.  Assevera  que “eventual  caracterização  de  grupo  econômico  em  relação a outras  empresas não  faz presumir que  todas  empresas  de  um  grupo  familiar  pertençam  ao  mesmo  grupo  econômico,  pois, conforme já salientado, não se admite presunções em sede  de responsabilidade solidária tributária”.  Diz  que  a  sua  exclusão  do  Simples  Nacional  carece  de  razão,  pois  não  restaram  preenchidos  os  requisitos  ensejadores  da  configuração de grupo econômico ou empresarial.  Requer,  por  fim,  a  sua  manutenção  no  Simples  Nacional  e  a  declaração  de  improcedência  do  lançamento  efetuado.  Requer,  ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante  o processamento da presente impugnação.  Em  04  de  abril  de  2016  (fls.  578  e  604),  a  Interessada  apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 564 a 577,  onde  basicamente  reitera  as  alegações  já  apresentadas  na  impugnação  de  fls.  579  a  590  contra  o  Ato  Declaratório  Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da  Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC.  Em  26  de  abril  de  2016,  a  Interessada  apresentou  o  requerimento  de  fls.  602/603,  endereçado  ao  auditor­fiscal  titular (Delegado) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em  Florianópolis, solicitando que fosse informada via sistema que, a  partir de 01/01/2015, a empresa é optante do Simples Nacional.  É o relatório.  A  decisão  de  primeira  instância  (Acórdão  n°  07­40.301  ­  6ª  Turma  da  DRJ/FNS,  e­fls.  607/634)  julgou  a  Manifestações  de  Inconformidade  improcedente,  entendendo, em resumo, que os fatos enquadram­se na hipótese de exclusão consignada no art.  3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006 e confirmando os efeitos  a  partir  01/01/2011  e  a  vedação  de  nova  opção  pelo  Simples  Nacional  pelos  3  (três)  anos­ calendário  seguintes,  nos  termos  do  art.  29,  §  1º,  da  Lei  Complementar  nº  123/2006.  Isto  porque  as  referidas  empresas  constituem  grupo  econômico  de  fato  sob  unicidade  administrativa, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite  legal  de  permanência  no Simples Nacional,  tendo  a  impugnante  usufruído  indevidamente  da  tributação favorecida do Simples Nacional. Confirmou que a impugnação do ato de exclusão  obsta a sua efetividade; todavia, sendo mantida a exclusão, deverão ser observados os efeitos  fixados no ADE.  Cientificada da decisão  de primeira  instância  em 07/09/2017  (e­fl.  635)  a  Interessada  interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/10/2017 (e­fl. 649), em aduz:  Fl. 659DF CARF MF     8 O Decreto  n°  70.235/72,  (que  regula  o  PAF)  determina  que  o  RECURSO  VOLUNTÁRIO  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário;  e  suspende  a  fluência  do  prazo  prescricional  para  propositura da execução fiscal.  O procedimento fiscal está eivado de vícios formais, razão pela  qual deve ser anulado.  Ressalta­se que durante a fiscalização a autoridade autuante em  nenhum  momento  solicitou  documentos  que  seriam  úteis  e  favoráveis  ao  contribuinte,  e  apenas  enxergou  o  que  lhe  era  conveniente,  o  que  reforçava  a  sua  tese  e  não  a  verdade  dos  fatos.  ­  Basta  notar  que  não  desqualificou  a  contabilidade,  e  sequer desconsiderou a personalidade jurídica de cada empresa.  Também,  de  forma  flagrante,  violou  o  que  está  previsto  no  Código  Tributário  Nacional,  relativo  ao  prazo  de  fiscalização  (início e prazo máximo).  2.4   A  autoridade  fiscal  não  obedeceu  ao  que  está previsto na  legislação,  não  individualizou  o  procedimento  para  cada  empresa,  e  assim  agindo,  partiu  do  principio  (equivocado)  de  que estava diante de grupo econômico, e sempre tentando provar  a sua tese, e portanto, deixou de ser imparcial.  2.5   Também  sequer  colheu  assinatura  dos  contribuintes  de  forma  individualizada,  e  por  isso  deve  ser  anulado  o  procedimento.  2.6  ­  Deixou  de  solicitar  documentos  importantes  e  que  provariam  que  sua  tese  (de  grupo  econômico)  estava  equivocada, e tudo em flagrante violação ao CTN, artigo 197.  2.7  ­  E  atuando  deste modo,  deixou  de  considerar  os  acordos  comerciais  e  de  rateios  entre  as  empresas,  que  certamente  deixaria evidente NÃO SE TRATAR DE GRUPO ECONÔMICO.  2.8  ­  O  fiscal  deveria  descaracterizar  o  imposto  de  renda  das  pessoas físicas e jurídicas, sequer provou que ocorreu confusão  patrimonial ou financeira entre estas.  3 ­ DO MÉRITO  3.1  ­ Como o dito anteriormente, não poderia o fiscal, partindo  de sua  tese de grupo econômico, sem, contudo,  individualizar o  procedimento de fiscalização para cada empresa, e se realmente  acreditou  estar  diante  de  um  grupo,  deveria  desconsiderou  a  personalidade jurídica de cada uma.  3.2   Outro  ponto,  relativo  à  caracterização  do  grupo  econômico,  o  CARF,  até  mesmo  em  caso  de  participação  societária  não  considerou  tratar­se  de  grupo  econômico,  conforme a ementa abaixo...  3.2   Importante ressaltar que em momento algum ficou provado  o  comando  único  capaz  de  caracterizar  o  grupo  econômico,  tampouco se constatou a formação de caixa único.  3.4   A relação entre a recorrente e a autoridade fiscal, se dá na  medida  em  que  o  mesmo  tem  a  autoridade  para  retificar  o  Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 657          9 lançamento,  e  ou  mediante  ato  vinculado  promover  novo  lançamento.  3.5   É evidente que a Magna Carta não deu a autoridade fiscal  uma  carta  em  branco,  esse  exercício  de  competência  se  faz  mediante ato administrativo, vinculado e motivado. Não basta a  vontade da autoridade para  lançar  é necessário que a  conduta  esta prevista em norma hipotética.  3.6   Logo  o  que  se  assiste  na  intenção da  autoridade  fiscal,  e  mantida pelo julgador é realizar o arbitramento, sem base legal  que o sustente.  3.7  ­ A produção de prova poderia  inclusive  ser  realizada pelo  julgador,  ainda  que  a  legislação  que  regula  o  processo  o  permita:  (...)  3.8 ­ Como se percebe a sede de arrecadar é bem maior do que  construir  a  verdade  dos  fatos,  pelos meios  legais  previstos  nos  texto, a tal ponto de se desprezar toda e qualquer construção de  meio probante previsto em lei.  3.9  ­ A  obrigação  tributária  não  nasce da  presunção  ficcional,  onde se pretende transladar a obrigação quando a mesma possui  como nexo causal, o fato de ser o mesmo despachante. Somente  a Lei  pode  isso  fazer,  é  o que  se  conclui  na  leitura  do Código  Tributário Nacional:(...)  3.10  ­  O  exercício  da  fiscalização,  é  antes  de  mais  nada,  um  exercício de competência legal, logo a ação fiscal é um direito­ dever,  do  agente  público,  é  evidente  que  isso  não  é  uma  carta  branca,  mas  muitas  vezes  a  autoridade  acaba  por  construir  alguma arbitrariedade, sempre com o pretexto de seguir o que é  melhor para fiscalização.  (...)  Em  nome  da  eficiência,  o  agente  fiscal  não  pode  se  distanciar  também  da  razoabilidade,  do  ato  administrativo,  sob  pena  de  viciar o lançamento.  (...)  À vista de todo o exposto, demonstrada que a ação fiscal merece  ser anulada, por vícios formais do procedimento fiscal, espera e  requer /.a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim  de assim ser decidido, cancelando­se o débito fiscal reclamado,  com  a  reforma  da  decisão  atacada  e  a manutenção/retorno  da  recorrente ao SIMPLES NACIONAL.  Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Relator  Fl. 661DF CARF MF     10 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço.  Trata­se de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 293, de 11 de novembro  de 2015, que excluiu a Recorrente do Simples Nacional a contar de 01/01/2011, motivado pela  constatação de excesso de receita através da formação de grupo de fato com outras empresas,  sob unicidade administrativa, hipótese de exclusão prevista e regulada no artigos 3º, §4º, inciso  V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006.  A  princípio  cabe  rejeitar  a  sugestão  da  Recorrente  de  que  há  nulidade  no  procedimento, tendo­se em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência da hipótese dos  artigos  59  e  60  do Decreto  n.º  70.235,  de  06/03/1972.  Ou  seja,  não  houve  cerceamento  do  direito de defesa, tendo­se em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão  pela  qual  o  próprio  contribuinte  trouxe  à  discussão  todos  os  argumentos  de  defesa. Mesmo  antes  de  apresentar  a  manifestação  de  inconformidade,  quando  ainda  não  havia  litígio  e  contencioso, e a fiscalização ainda estava em curso, a empresa ora recorrente foi intimada de  forma individualizada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de  Fiscalização de 10/07/2015 (e­fls. 49/50) e Termo de Intimação de 01/09/2015 (e­fls. 51/52).  Cientificada  do ADE  em  09/12/2015  (e­fl.  558)  teve  a  oportunidade  de  apresentar  todos  os  documentos adicionais que julgasse suficientes para afastar a  imputação contida nestes autos.  Desta forma, repito, não houve cerceamento do direito de defesa.   Adianto que a Representação para Exclusão do Simples Nacional é resultado  da  fiscalização  sobre  contribuições  previdenciárias  tendo­se  em  vista  que  estes  tributos  são  costumeiramente  inadimplidos  através  do  uso  indevido  da  adesão  ao  Simples,  como  se  comprovou  nestes  autos.  Desta  forma  não  vislumbro  conteúdo  arrecadatório  ou  desproporcional do procedimento, como afirma a Recorrente, mas cumprimento do dever legal,  como previsto no art. 142 do CTN. Adianto  também que não se versou nesta Representação  citada  sobre  "desconsideração  de  pessoa  jurídica",  como  sugere  a  Recorrente,  mas  sobre  a  exclusão da pessoa jurídica Recorrente do regime simplificado citado.  É  claro  que  sendo  a  apuração  concernente  a  averiguação  de  formação  de  grupo de fato por diversas empresas sob unicidade administrativa, as diligências nestas outras  tornaram­se indispensável, como se deu.  Determina o art. 196 do CTN que a legislação aplicável fixará prazo máximo  para a conclusão da fiscalização. Neste sentido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que  delimita  a  fiscalização,  segundo  a  Portaria  RFB  nº  1.687/2014,  terá  o  prazo  máximo  de  validade de 120 (cento e vinte) dias, sendo que a prorrogação deste prazo poderá ser efetuada  pela autoridade outorgante,  tantas vezes quantas necessárias, segundo a mesma norma. Desta  forma,  e  considerando­se  as datas das  intimações  acima, não  houve  excesso de prazo,  como  sugeriu a Recorrente.  Determina  ainda  o  art.  196,  parágrafo  único,  que  os  termos  devam  ser,  preferencialmente,  lavrados  num  dos  livros  obrigatórios  do  fiscalizado.  Na  impossibilidade,  prevê  supletivamente  o  CTN  que  o  termo  seja  lavrado  em  papel  separado  (como  se  deu),  notificando  ­se o  fiscalizado, mediante entrega de cópia. Esta exigência de  formalização dos  diversos atos recebe detalhamento no art. 7º do Dec. 70.235/72.  Protesta a Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário e  da  fluência  do  prazo  prescricional  para  propositura  da  execução  fiscal.  A  respeito  do  litígio  destes autos, nos  termos do §3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional  (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011,  a  impugnação do ato de  exclusão do Simples  Nacional tem efeito suspensivo, com as ressalvas do art. 76.  Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 658          11 Os  fatores  que  inicialmente  indicaram  que  as  empresas  (componentes  do  grupo formado por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem  Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções  Ltda.  ME,  Calegari  Comércio  de  Decorações  Ltda.  EPP,  Eduardo  Decorações  Ltda.  EPP,  Costaesmeraldino  Confecções  Eireli  EPP,  J.R.  Dandolini  Artigos  do  Vestuário  Ltda  e  New  Modas Comércio de Confecções Ltda. ME) incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da  Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas, emitidas por todas as  empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores aos senhores Evaldo Nandi  Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e  filho).   Mas  o  conjunto  de  elementos  colhidos  e  descritos  na  Representação  para  Exclusão  do  Simples  Nacional  (e­fls.  02/26)  mostraram  que  as  empresas  citadas  formavam  efetivamente  grupo  de  fato,  valendo­se  de  unicidade  gerencial  e  confusão  patrimonial  e  financeira,  o  que  reforçou  a  subsunção  na  hipótese  de  exclusão  das  optantes  pelo  Simples  Nacional (artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006). Neste  mesmo  sentido  decidiu  a  decisão  de  piso,  razão  pela  qual  pedimos  vênia  para  reproduzir  as  razões correspondentes descritas naquela:  No presente  caso,  verifica­se da análise dos autos que,  em que  pese  as  alegações  apresentadas  na  manifestação  de  inconformidade/impugnação de  fls.  579 a 590, não há como  se  negar  que  a  Interessada  (Tubarão  Confecções  Ltda  ME),  juntamente  com  as  empresas  KCS  Confecções  Ltda  –  EPP,  Empório Duhomem  Indústria, Comércio  e Serviços Ltda – ME,  Eduardo  Decorações  Ltda  –  EPP,  J.R.  Dandolini  Artigos  do  Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda  –  ME,  Calegari  Comércio  de  Decorações  Ltda  EPP,  Costa  Esmeraldino  Confecções  Eireli  EPP  e  Nacale  Comércio  de  Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de  fato,  visto  que  todas  elas,  além  de  serem  controladas  e  administradas  por  pessoas  da  mesma  família  (Evaldo  Nandi  Calegari,  Márcia  Calegari,  Raquel  Martins  Farias  e  Rafael  Nandi  Calegari  –  pai,  irmã,  esposa  e  filho),  atuam  de  forma  integrada  e  coordenada,  constituindo  na  realidade  uma  única  empresa (na acepção de empreendimento).  Entre  as  provas  coletadas  e  as  constatações  efetuadas  pela  autoridade  fiscal  que  demonstram  que  as  referidas  empresas  compõem  grupo  econômico  de  fato,  deve­se  destacar  as  seguintes:  a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade  ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções);  b) a constatação de que o comando administrativo e  financeiro  das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços  familiares  (Evaldo  Nandi  Calegari,  Márcia  Calegari,  Raquel  Martins  Farias  e  Rafael Nandi  Calegari  –  pai,  irmã,  esposa  e  filho), seja devido a participação delas no quadro societário da  empresa  como  sócio  administrador,  seja  por  força  de  procuração,  conforme  demonstrado  nos  seguintes  excertos  da  representação administrativa de fls. 02 a 26:  Fl. 663DF CARF MF     12 4. DA DOCUMENTAÇÃO ANALISADA  4.1. Documentos obtidos junto ao 1° Tabelionato de Notas  e Protestos de Tuharão­SC.  4.1.1. Em atendimento aos Oficios Sefis/DRF/FNS nº 059  de  09/03/2015  e  nº  076  de  23/04/2015  (Doc.  16),  o  Iº  Tabelionato de Notas e Protestos apresentou os seguintes  documentos:  a)  Certidões  de  registros  de  procurações  emitidas  pelas  empresas  abrangidas  pela  auditoria,  outorgando  aos  senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari  total  poder  para  gerir  e  administrar  as  empresas  auditadas (Doc. 17);  b)  Certidões  de  registros  de  procurações  emitidas  por  empresas  abrangidas  pela  auditoria,  outorgando  ao  senhor  Rafael  Nandi  Calegari  e  às  senhoras  Raquel  Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir  contas­correntes  bancárias  de  propriedade  das  empresas  outorgantes (Doc. 18).  (...)  5.1. Da referida análise,  foram extraídas informações, as  quais  foram  compiladas  nos  quadros  a  seguir,  com  as  conclusões pertinentes:  ­  Dos  documentos  obtidos  junto  ao  1º  Tabelionato  de  Notas e Protestos de Tubarão­SC (Item 4.1.):  • Quadro 1A ­ Das certidões de registros de procurações  emitidas  pelas  empresas  abrangidas  pela  auditoria,  outorgando  aos  senhores  Eraldo  Nandi  Calegari,  Rafael  Nandi  Calegari,  Raquel  Martins  Farias  e  Márcia  Calegari, total poder para gerir c administrar as empresas  auditadas:  (...)  • ­ Quadro 1B ­ Das certidões de registros de procurações  emitidas  por  empresas  abrangidas  pela  auditoria,  outorgando  ao  senhor  Rafael  Nandi  Calegari  e  às  senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari,  total  poder  para  gerir  contas­correntes  bancárias  de  propriedade das empresas outorgantes.  Percebe­se,  nas  procurações  acima  listadas,  no  que  diz  respeito  às  que  outorgam  poderes  de  total  gerência  e  administração (Quadro 1A acima), cujas cópias são aqui  anexadas  (Doc.  17),  que  os  Senhores  Evaldo  Nandi  Calegari  e  Rafael Nandi Calegari  e  as  Senhoras Márcia  Calegari  e  Raquel  Martins  Farias,  além  de  serem  contratualmente, os titulares de uma ou mais empresas do  grupo aqui caracterizado, são também procuradores, com  todos  os  poderes  para  gerir  e  administrar  as  demais  empresas  componentes  do  mesmo  grupo,  fato  que  os  equipara a administradores das mesmas, caracterizando a  Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 659          13 existência  de  grupo  econômico  de  fato,  com  unicidade  gerencial c poder de decisão centralizado.  No que diz respeito às procurações que outorgam poderes  de movimentação de contas bancárias de propriedade das  empresas  outorgantes  (Quadro  1B  acima),  cujas  cópias  seguem em anexo (doc. 18), estas reforçam a constatação  da  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  uma  vez  que  delegam poderes de gerenciamento  financeiro às pessoas  do Sr. Rafael Nandi Calegari e Senhoras Raquel Martins  Farias e Márcia Calegari.  Constata­se  assim,  que  a  gerência  administrativa  e  financeira  das  empresas  componentes  do  grupo  econômico  aqui  caracterizado,  fica  a  cargo  do  grupo  familiar  composto  pelo  Senhor  Evaldo  Nandi  Calegari,  sua esposa a Senhora Raquel Martins Farias, seu  filho o  Senhor  Rafael  Nandi  Calegari  e  sua  irmã  a  Senhora  Márcia Calegari. Este comando é mais intenso a partir do  ano  de  2008,  com  os  Senhores Evaldo Nandi Calegari  e  Rafael Nandi Calegari.  Em  um  tópico  mais  adiante,  perceberemos  que  a  supremacia da família aqui citada, se dá também de forma  contratual,  através  da  análise  da  movimentação  contratual e da titulação societária (Quadro 2A).  Constata­se  também,  que  os  mesmos  administram  as  referidas empresas desde o ano de 2007 até os dias atuais,  conforme discriminado nas planilhas abaixo.  Discriminamos abaixo, as empresas e os períodos em que  os membros da família Nandi Calegari são nomeados por  procuração  e  as  empresas  e  períodos  em  que  constam  como administradores através de contrato social:  ­  Evaldo  Nandi  Calegari:  Atuou  como  administrador,  conforme  contratos  sociais  e  alterações,  na  empresa  Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 08/1999  a 11/2000 e 08/2005 a 05/2010.  (...)  ­  Rafael  Nandi  Calegari:  Atuou  como  administrador,  conforme  contratos  sociais  e  alterações,  na  empresa  Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 02/2001  a  08/2005  c  10/2011  a  01/2013  e  na  empresa  Empório  Duhomem Ind. Com. e Serviços Ltda. EPP no período de  07/2006 a 02/2008.  (...)  ­  Raquel  Martins  Farias:  Atua  como  administradora,  conforme  contrato  social  e  alterações,  na  empresa  New  Modas Com. De Confec. Ltda. ME desde 05/2007.  (...)  Fl. 665DF CARF MF     14 ­ Márcia Calegari: Atuou como administradora, conforme  contratos  sociais  e  alterações,  na  empresa  Nacale  Com.  de  Tec.  e  Confec.  Ltda  EPP,  no  período  de  10/1991  a  03/2005,  na  Empresa  Costa  Esmeraldino  Confecções  Eireli EPP nos períodos de 06/1998 a 08/1999 e 07/2010  a  09/2015,  na  empresa  JR  Dandolini  Artigos  do  Vest.  Ltda.  ME  desde  04/2013  e  na  empresa  Tubarão  Confecções Ltda. EPP desde 12/201 Deve­se atentar para  o  fato  que,  em  algum  momento  da  existência  do  grupo  econômico  ora  analisado,  o  Senhor  Rafael  Nandi  Calegari,  a  Senhora Raquel Martins Farias  e  a  Senhora  Márcia  Calegari,  que  compõem  o  grupo  familiar  acima  citado,  fizeram parte da  sociedade de  uma das  empresas  do  grupo  econômico,  como  sócios  administradores.  De  maneira  que  denota  o  forte  vínculo  existente  entre  as  empresas que compõem o grupo econômico, uma vez que  os  mesmos,  gerenciam  financeiramente,  com  total  poder  de movimentação de contas bancárias, empresas das quais  não fizeram e nem fazem parte do quadro social.  A  delegação  de  total  poder  de  gerenciamento  e  administração,  por  procuração  pública,  aos  senhores  Evaldo  Nandi  Calegari  e  Rafael  Nandi  Calegari,  e  a  maneira  como  são  distribuídos,  também  por  procuração  pública, os cargos de gerenciamento financeiro, com total  poder de movimentação das  contas bancárias,  ao  senhor  Rafael  Nandi  Calegari  e  às  senhoras  Raquel  Martins  Farias e Márcia Calegari, demonstra o claro objetivo de  criação  de  um  grupo  de  empresas,  no  intuito  de  obter  melhores  resultados  econômico­financeiros.  Esta  união  entre  as  empresas  com  objetivos  sociais  iguais  ou  correlatos,  caracteriza  a  existência  de  grupo  econômico  de fato com unicidade gerencial e comando  centralizado.  (...)  ­  Dos  documentos  apresentados  pelas  empresas  abrangidas pela auditoria (item 4.2.).  •  Contratos  e  alterações  contratuais  registrados  na  JUCESC (Doc. 19 a Doc. 27):  Dos  contratos  sociais  e  alterações,  devidamente  registradas  na  Junta  Comercial  do  Estado  de  Santa  Catarina­ JUCESC extraímos as informações inseridas no  resumo  denominado  Movimentação  Contratual  e  no  quadro denominado Titulação Societaria:  MOVIMENTAÇÃO CONTRATUAL  A  seguir  um  resumo  da  movimentação  contratual  do  sujeito  passivo  e  demais  pessoas  jurídicas  abrangidas,  conforme  atos  constitutivos  e  alterações  contratuais  levadas ao registro perante a Junta Comercial do Estado  de Santa Catarina — JUCESC (cópias cm anexo).  (...)  Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 660          15 • Quadro 2A – TITULAÇÃO SOCIETÁRIA  (...)  Percebe­se,  a  partir  da  análise  do  resumo  da  movimentação  contratual  e  do  Quadro  2A­  Titulação  Societária, que a família Nandi Calegari, sempre esteve a  frente  do  comando  das  empresas  abrangidas  por  esta  auditoria.  Este  comando  era  oficializado  por  contrato  social  devidamente  registrado  na  Junta  Comercial  do  Estado de Santa Catarina, porém a partir dos anos 2007 e  2008, com surgimento de novas empresas, novos membros  da  família  eram  incluídos  nas  administrações,  o  poder,  então,  passou  a  se  concentrar  em  quatro  membros  da  família, quais sejam, os Senhores Evaldo Nandi Calegari e  Rafael Nandi  Calegari  e  as  Senhoras Márcia Calegari  e  Raquel Martins Farias. Forma­se assim, o grupo familiar  que  comanda,  até  os  dias  atuais  o  grupo  econômico  de  fato,  de  cunho  familiar,  composto  pelo  senhor  Evaldo  Nandi  Calegari,  juntamente  com  sua  irmã,  a  senhora  Márcia  Calegari,  seu  filho  o  senhor  Rafael  Nandi  Calegari e sua esposa Senhora Raquel Martins Farias.  Com  já comentado anteriormente, o poder de comando é  oficializado  por  contrato  social  e/ou  delegado  por  procurações aos membros da família Nandi Calegari aqui  citados, e conforme se constata nos quadros acima, há um  revezamento de comando entre os mesmos, permanecendo  esta  supremacia  ate  os  dias  atuais,  conforme  quadro  resumo abaixo:  (...)    Como já foi dito, o quadro acima demonstra que o poder  de administrar está concentrado nas pessoas dos Senhores  Evaldo  Nandi  Calegari  e  Rafael  Nandi  Calegari,  estabelecido  através  de  contrato  social  e/ou  de  Fl. 667DF CARF MF     16 procurações públicas, iniciando­se o grupo econômico no  ano de 2007 e existente ate os dias atuais.  Verifica­se ainda, analisando a movimentação contratual,  os  quadros  que  relacionam  as  procurações  públicas,  denominados  de  “Quadro  1A”  e  “Quadro  1B”,  o  “Quadro  2A­Titulação  Societária” que,  a  cada mudança  no  quadro  social,  através de  alterações  contratuais,  com  introdução  de  um  novo  sócio  administrador,  este  novo  sócio  administrador,  em  ato  contínuo,  delega  através  de  procuração pública, totais poderes de gerir e administrar,  aos  senhores  Evaldo  Nandi  Calegari  e  Rafael  Nandi  Calegari.  Este  fato  torna  clara  a  existência  do  grupo  econômico  de  fato  de  cunho  familiar,  sem  qualquer  sombra de dúvida.  c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma  das  empresas,  além  de  se  identificarem  em  carimbos  como  funcionários  do  “Grupo  Nandi”,  prestavam  serviços  de  forma  indistinta para as outras empresas, conforme demonstrando nos  seguintes  trechos  da  representação  administrativa  de  fls.  02  a  26:  •  ­  Notas  Fiscais  de  Entrada  de  Mercadorias  (Doc.  40)  Foram  apresentadas,  pelas  empresas  abrangidas  pela  auditoria,  notas  fiscais  de  entrada  de  mercadorias,  das  quais,  anexamos  cópias,  por  amostragem.  Das  referidas  notas  fiscais  extraímos  as  seguintes  informações,  que  comprovam  nossa  constatação,  ou  seja,  da  existência  de  grupo econômico de fato, senão vejamos:  a)  em  diversas  notas  fiscais  de  compra  de  mercadorias  para  revenda,  cujas  empresas  compradoras  são Tubarão  Confecções  Ltda.  ME,  Empório  Duhomem  Ind.  Com.  e  Serv.  Ltda.  EPP,  KCS  Confecções  Ltda.  EPP,  JR  Dandolini  Art.  do  Vestuário  Ltda. ME,  consta  a  rubrica  identificada  como  sendo  do  senhor  Wagner  de  Souza  Nunes,  atestando  o  recebimento/lançamento  das  mercadorias  relacionadas,  no  corpo  das  notas.  Deve­se  atentar  para  o  fato  de  que  o  senhor  Wagner  de  Souza  Nunes, foi sócio administrador da empresa Calegari Com.  De Decorações Ltda. EPP, empresa esta, componente do  grupo  econômico  em  questão,  no  período  de  01/2011  a  11/2012  e  que  o  mesmo  também  foi  empregado  da  empresa Empório Duhomem Ind. Com. E Serv. Ltda. EPP  no  período  de  01/06/2009  a  21/03/2013,  sendo  que  as  notas  fiscais  aqui  referidas  e  anexadas  por  amostragem  referem­se ao ano de 2011;  b) na nota  fiscal de  compra de material e  equipamentos,  NF­e  nº  4.666  Serie  1  de  14/04/2011,  da  fornecedora  Nautec  Eletrônica  Ltda.,  consta  como  responsável  pela  compra, o Senhor Jose Roberto Dandolini, que a assina e  em cujo carimbo consta que o mesmo é administrador do  Grupo  Nandi  trazendo  ainda  o  endereço  de  e­mail  “dandolini@casanandi.com.br. Neste caso, o senhor Jose  Roberto  Dandolini,  que  naquela  data,  era  sócio  administrador da empresa Tubarão Confecções Ltda ME,  Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 661          17 atesta  em  seu  carimbo,  a  existência  do  Grupo  Nandi  e,  conforme  endereço  eletrônico  (e­mail)  resta  comprovado  a utilização da marca “Casa Nandi”.  (...)  ­  Da  documentação  apresentada  pelo  Sindicato  dos  Comerciários de Tubarão­SC. (Item 4.4).  ­  Em  atendimento  ao  Ofício  Sefis/DRF/FNS  nº  111  de  31/08/2015  (Doc.  30),  o  Sindicato  dos  Comerciários  de  Tubarão­SC, apresentou os seguintes documentos:  a)  documentos  referentes  à  homologações  de  rescisões  contratuais de empregados das empresas componentes do  Grupo Nandi (Doc. 31, 32 e 33);  b)  correspondências  por  carta,  solicitando  abertura  das  lojas do grupo Nandi em horário especial (Doc. 34);  c)  correspondências  por  e­mails  enviados  pelo  Grupo  Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das  lojas participantes (Doc. 35).  A  documentação  apresentada  pelo  sindicato,  confirma  a  existência  de  grupo  econômico,  pois  comprova  que  empregados administrativos de uma empresa componente  do grupo, são utilizados indistintamente, por duas ou mais  empresas.  Estes  empregados  são  identificados  como  prepostos  de  duas ou mais empresas, chefes de RH do Grupo Nandi ou  Supervisores  do  Grupo  Nandi,  como  veremos  nos  documentos aqui anexados e relatados, por amostragem a  seguir:  a)  Documentos  referentes  a  homologações  de  rescisões  contratuais:  a.1) Cartas de prepostos (Doc. 31) — Trata­se de Cartas  de  Prepostos  emitidas  pelas  empresas  envolvidas  na  auditoria  componentes  do  grupo  econômico,  em  que  se  percebe  que  os  prepostos  nomeados,  representam  ao  mesmo  tempo  as  diversas  empresas  aqui  citadas,  sendo  funcionários de apenas uma delas, conforme demonstrado  no quadro a seguir:  (...)  Percebe­se,  no  quadro  acima,  que  as  funcionárias Karla  Konig  Leal  e  Priscila  Ramos  Marcos,  embora  estejam  registradas  como  empregadas  da  empresa  Empório  Duhomem  Ind.  Com.  e  Serv.  Ltda.  são  nomeadas  representantes de diversas empresas. Ou seja, um total de  7 (sete) empresas, nomeiam duas funcionárias registradas  em  uma  delas,  representantes  de  todas,  perante  o  Sindicato  dos  Trabalhadores  no Comércio. Desta  forma,  Fl. 669DF CARF MF     18 fica  claro  que  as  diversas  empresas  relacionadas  no  quadro  acima,  estão  unidas,  no  intuito  de  minimizar  custos  e  obter  melhores  resultados,  caracterizando­se  assim como grupo econômico de fato.  a.2)  Aviso  Prévio  do  empregador  para  dispensa  do  empregado  (Doc.  32)  ­  Trata­se  de  avisos­prévios  de  empregador  para  dispensa  de  empregado,  os  quais  compõem  a  documentação  de  homologação  de  rescisão  contratual,  apresentada  ao  Sindicato  dos  Trabalhadores  no  Comércio  de  Tubarão/SC.  Da  análise  destes  documentos, retira­se as seguintes informações:  1) são avisos­prévios de dispensa de empregados, emitidos  pelas  empresas  KCS  Confecções  Ltda..  Empório  Duhomem Ltda,  Tubarão Confecções  Ltda ME, Calegari  Com.  Dec.  Ltda  EPP,  Costaesmeraldino  Ltda  Nacale  Com.  Confec.  Ltda.  e  J.R.  Dandolini  Ltda.,  em  diversos  meses dos anos de 2010 e 2011;  2)  todos  os  documentos  foram  assinados  pela  senhora  Karla  Konig  Leal,  que  fora  nomeada  representante,  através  de  carta  de  preposto,  por  todas  as  empresas  componentes do grupo econômico; e  3)  em  alguns  desses  avisos­prévios  de  dispensa  de  empregado, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar,  apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome  e  os  termos  “Recursos  Humanos”  e  “Grupo  Nandi”,  ficando  claro  que  se  trata  de  uma  funcionária  que  representa, não só as empresas do grupo, como também o  setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi.  Resta comprovado, também aqui, sem nenhuma dúvida, a  existência de grupo econômico de fato, denominado pelos  próprios como Grupo Nandi.  a.3) Termos  de Rescisão  do Contrato  de  Trabalho  (Doc.  33)  ­  Foram  apresentadas  também,  pelo  Sindicato  dos  Comerciários, cópias de Termos de Rescisão do Contrato  de Trabalho devidamente homologadas, sendo que destes  documentos, extraímos as seguintes informações:  1  )  são  Termos  de  Rescisão  do  Contrato  de  Trabalho,  referentes  a  ex­empregados  das  empresas  KCS  Confecções Ltda., Empório Duhomem 2) os termos foram  assinados  pelas  senhoras  Karla  Konig  Leal  e  Priscila  Ramos Marcos, as quais foram nomeadas representantes,  através  de  carta  de  preposto,  por  todas  as  empresas  componentes do grupo econômico; e  3)  em  um  desses  termos  de  rescisão  do  contrato  de  trabalho,  a  senhora  Karla  Konig  Leal,  além  de  assinar,  apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome  e  os  termos  “Recursos  Humanos”  e  “Grupo  Nandi”,  ficando  claro  que  se  trata  de  uma  funcionária  que  representa, não só as empresas do grupo, como também o  setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi.  Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 662          19 Mais uma vez, sem qualquer sombra de dúvida, comprova­ se  a  existência  de  grupo econômico  de  fato,  denominado  pelos próprios como Grupo Nandi.  b)  Correspondências  por  carta,  solicitando  abertura  das  lojas  do  grupo Nandi  em horário  especial  e  por  e­mails,  enviados  pelo  Grupo  Nandi  comunicando  o  evento  de  Feirões com listagem das lojas participantes:  b.1)  Cartas  com  solicitação  de  abertura  em  horário  especial  (Doc.  34)  ­  Foram  apresentadas  pelo  Sindicato  dos Comerciários de Tubarão­SC cópias de cartas em que  as  empresas  do  Grupo  Nandi,  informam  sobre  a  realização  de  “feirões  de  vendas”,  com  aberturas  das  lojas  em  horários  especiais.  Na  planilha  abaixo,  relacionamos os documentos enviados:  (...)  Dos  documentos  acima  relacionados  e  anexados  à  presente  representação,  extraímos  as  seguintes  informações:  1)  todas  as  empresas  remetentes  das  cartas,  fazem  parte  do Grupo Nandi, conforme já mencionado anteriormente:  2) todas as correspondências foram assinadas pelo senhor  José Roberto Dandolini,  sócio gerente, à época, de outra  empresa do grupo, denominada Tubarão Confecções Ltda.  ME;  3)  o  senhor  Jose  Roberto  Dandolini  assina  todas  as  correspondências  e,  se  identifica,  logo  abaixo  de  sua  assinatura, como Supervisor Grupo Nandi, representando  todas as empresas remetentes; e 4) percebe­se que, desde  o ano de 2009, todas as empresas do grupo, fazem uso das  marcas  NANDI,  EMPÓRIO  DUHOMEM  e  LOJÃO  VITÓRIA.  As  informações  extraídas,  comprovam  mais  uma  vez  e  existência de fato, do grupo econômico, denominado pelos  seus  componentes  de  GRUPO  NANDI,  desde  o  ano  de  2009.  c)  E­mails  enviados  pelo  Grupo  Nandi  comunicando  a  execução  de  Feirões  (Doc.  35)  ­  Também  através  de  e­ mails,  o  Grupo  Nandi  comunica  ao  Sindicato  dos  Comerciários,  a  execução  de  feirões,  com  abertura  das  lojas cm horários especiais.  Das  cópias  de  e­mails  analisados,  e  aqui  anexados,  extraímos as seguintes informações:  I)  O  remetente  dos  e­mails,  datados  de  23  de  março  de  2009  e  24  de  julho  de  2009,  é  o  senhor  José  Roberto  Dandolini, identificado ao pé dos e­mails como Supervisor  do  Grupo  Nandi,  utilizando  um  endereço  de  e­mail  Fl. 671DF CARF MF     20 corporativo  do  Grupo  Nandi  (dandolini@casanandi.com.br).  Vale  lembrar  novamente  que o senhor José Roberto Dandolini era sócio gerente, à  época,  de  outra  empresa  do  Grupo  Nandi,  denominada  Tubarão Confecções Ltda. ME; e  2)  no  corpo  dos  e­mails,  o  supervisor  do  Grupo  Nandi  informa  sobre  o  evento  denominado  Feirão  e  lista  por  nome de  fantasia,  as  lojas  do  grupo que  participarão  do  feirão. Abaixo relacionamos as lojas listadas no corpo dos  emails,  pelo  nome  de  fantasia,  respectiva  razão  social  e  número de CNPJ:  (...)  Toda  a  documentação  apresentada  pelo  Sindicato  dos  Comerciários de Tubarão­SC, aqui comentada, comprova  a  existência  de  um  grupo  econômico  de  fato,  na medida  em  que  um  grupo  de  empresas,  utilizam­se  de  funcionários, umas das outras, indistintamente, denotando  unicidade  gerencial,  na  área  de  recursos  humanos,  ou  seja,  a  existência  de  um  organismo  administrativo  único  para  todas  as  empresas  analisadas,  não  deixando  qualquer dúvida quanto a existência do grupo econômico  de fato.  d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda  ter  atestado  sua  participação  no  grupo  econômico  ao  declarar  na  ficha  de  abertura  de  contas  bancárias  que  seu  nome  de  fantasia  é  uma  das  marcas  utilizadas  pelos  componentes  do  referido  grupo  econômico  (Casa  Nandi),  conforme  exposto  no  seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26:  • ­ Contratos de Abertura de Conta­corrente (Doc. 41) O  contribuinte  apresentou  contratos  de  abertura  de  conta­ corrente.  Nestes  contratos  firmados  entre  a  empresa  Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda. e o Banco do  Brasil S/A e a Caixa Econômica Federal, a empresa atesta  sua  participação  no  grupo  econômico  de  fato  aqui  caracterizado, ao declarar na ficha de abertura de contas  que seu nome de fantasia é “Casa Nandi”, sendo esta uma  das  marcas  utilizadas  pelos  componentes  do  referido  grupo econômico.  Mais  uma  vez  resta  comprovado,  através  da  documentação  apresentada  pelas  empresas  auditadas,  a  existência de grupo econômico de fato.  e)  a  constatação  de  que  existia  Programa  de  Relacionamento  (Fidelidade) que englobava todas as empresas, conforme exposto  no seguinte  trecho da representação administrativa de  fls. 02 a  26:  ­ Dos documentos obtidos junto ao Oficio de Registros das  Pessoas  Naturais  e  Interdições  e  Tutelas  das  Pessoas  Jurídicas  e  de  Títulos  e  Documentos  da  Comarca  de  Tubarão/SC (Item 4.3).  Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 663          21 Em  atendimento  ao  Ofício  Sefis/DRF/FNS  nº  066  de  30/03/2015  (Doc.  28),  o  Ofício  de  Registros  Civis  das  Pessoas Naturais  e  de  Interdições  e Tutelas  das Pessoas  Jurídicas  e  de  Titulos  e  Documentos  da  Comarca  de  Tubarão/SC,  forneceu  a  esta  auditoria  cópia  do  Regulamento  do  Programa  de  Relacionamento  Clube  Maiores Lojas (Doc. 29).  O referido documento trata da criação de um programa de  fidelidade,  para  clientes  em  compra  em  lojas  que  pertencem ao grupo de empresas que constituem o grupo  econômico de fato, ora comprovado.  O  regulamento  do  programa  de  relacionamento  foi  rubricado e assinado pelo senhor Rafael Nandi Calegari,  representando  todas  as  empresas  componentes  do  grupo  econômico,  e  registrado  no  cartório  em  19/03/2010,  no  livro  B­158,  folha  104  do  Ofício  de  Registros  Civis  das  Pessoas Naturais  e  de  Interdições  e Tutelas  das Pessoas  Jurídicas  e  de  Títulos  e  Documentos  da  Comarca  de  Tubarão­SC.  A  criação  do  programa  de  relacionamento,  a  citação  do  grupo  econômico,  com  a  listagem  das  empresas  que  o  compõe,  a  assinatura  do  senhor  Rafael  Nandi  Calegari,  exercendo o poder que  lhe é delegado pelas procurações  citadas no Quadro 1A acima, representando todas as lojas  do  “Clube Nandi”,  não  deixa  qualquer  dúvida  quanto  a  real existência do grupo econômico de fato.  f)  a  constatação de  que  as  empresas  eram representadas  pelas  mesmas  pessoas  perante  a  Justiça  do  Trabalho,  conforme  exposto  no  seguinte  trecho  da  representação  administrativa  de  fls. 02 a 26:  ­  Dos  documentos  obtidos  junto  à  Justiça  do  Trabalho  (Item 4.5) Foram obtidos, junto à Justiça do Trabalho de  Santa Catarina, primeira e segunda varas do trabalho de  Tubarão­SC,  cópias  de  partes  de  processos  trabalhistas  (Doc.  36),  em  que  figuram  como  partes,  empresas  abrangidas  por  esta  auditoria,  dos  quais  extraímos  as  informações  que  corroboram  com  a  caracterização  de  grupo econômico de fato, conforme quadro a seguir  (...)  g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se  apresenta na rede social  linkedin como “Gerente de Marketing  do  Grupo  Nandi”,  conforme  exposto  no  seguinte  trecho  da  representação administrativa de fls. 02 a 26:  b) Perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas  abrangidas pela auditoria:  Fl. 673DF CARF MF     22 ­  Na  rede  social  “linkedin”  https://www.linkedin.com),  o  senhor Rafael Nandi Calegari se identifica como “Gerente  de Marketing do Grupo Nandi” (Doc. 38).  Neste documento estão relacionadas as marcas utilizadas  pelas  empresas  componentes  do  Grupo  Nandi  (Lojão  Vitória,  Casa  Nandi,  Empório  Duhomem  e  Nandi  Decorações).  Isto  comprova  a  existência  do  Grupo  Econômico  Nandi  e  a  estrutura  organizacional  que  se  utiliza de um gerente de marketing para todo o grupo de  empresas.  h)  a  constatação  de  que  o  Sr.  Rafael  Nandi  Calegari  é  o  proprietário  de  todos  os  sites  utilizados  pelas  empresas  e  da  marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de  relacionamento  que  engloba  todas  as  empresas,  conforme  exposto no seguinte excerto da representação administrativa de  fls. 02 a 26:  ­ Da documentação e Informações obtidas através da rede  mundial de computadores (Internet) (Item 4.6)  Em  pesquisa  junto  a  rede  mundial  de  computadores,  obtivemos  informações  e  documentos,  que  representam  evidências e provas da existência do grupo econômico de  fato,  com  unicidade  gerencial  e  comando  centralizado.  Dentre  as  informações  e  documentos  obtidos  relacionamos as seguintes:  a)  páginas  iniciais  de  sites  na  internet  e  informações  relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria  (Doc. 37);  b) perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas  abrangidas pela auditoria (Doc. 38);  c) Whois Registro de Domínios (Doc. 39): e  d) INPI (registro de marcas) (Doc. 42).  a)  Páginas  iniciais  de  sites  na  internet  e  informações  relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria:  ­ Na rede mundial de computadores, encontra­se a página  “http://www.lojaovitoria.com.br/cartão”. Esta é a página  de  divulgação  do  programa  de  relacionamento  “Clube  Maiores  Lojas”,  citado  no  item  4.3,  onde  novamente  é  citado o “Clube Nandi” como administrador do programa  (Doc.  37).  Nesta  divulgação  aparecem  exemplos  de  cartões do programa de relacionamento com os logotipos  das  empresas  com  as  marcas  Lojão  Vitória,  Empório  Duhomem  e  Casa  Nandi.  Estas  são  as  marcas  usadas  pelas  empresas  componentes  do  grupo  econômico  denominado “GRUPO NANDI”.  (...)  c)  Informações  através  do  “Whois”  (Protocolo  para  consulta sobre domínios (sites) na internet):  Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 664          23 ­  Com  a  utilização  do  “WHOIS”,  que  funciona  como  protocolo  para  consulta  sobre  propriedade  de  domínios  (sites) na  rede mundial  de  computadores,  localizamos  os  registros  dos  sites  “casanandi.com.br”  criado  em  24/03/1998, “lojaovitoria.com.br” criado cm 27/07/2000,  “lojasnandi.com.br”  criado  em  09/08/2011,  “emporioduhomem.com.br”  criado  em  20/01/2009,  “nandidecorações.com.br”  criado  em  20/01/2009  e  “clubemaioreslojas.com.br”  criado  em  30/11/2009  (Doc.  39).  Todos  os  domínios  aqui  citados,  são  amplamente  usados pelas empresas componentes do grupo econômico  e  por  seus  funcionários,  fato  facilmente  comprovado  em  qualquer  busca  efetuada  na  rede  mundial  de  computadores. Nos  registros  dos  referidos  domínios,  que  constam  no  site  “registro.br”,  está  identificado  como  proprietário  dos  referidos  sites,  o  senhor  Rafael  Nandi  Calegari,  ou  seja,  mais  uma  comprovação  que  o  senhor  Rafael  Nandi  Calegari  é  o  proprietário  destes  sites  e  os  mesmos  são  utilizados  pelas  empresas  componentes  do  Grupo  Nandi,  sem  qualquer  ônus,  o  que  caracteriza  confusão  patrimonial  e  usufruto  coletivo  por  empresas  componentes  do  grupo  econômico  aqui  identificado.  Importante salientar que o senhor Rafael Nandi Calegari  é  o  administrador,  por  procuração,  das  empresas  aqui  mencionadas.  d)  Registro  de  Marcas  ­  INPI  Instituto  Nacional  de  Propriedade Industrial:  ­  Junto  ao  Instituto  Nacional  de  Propriedade  Industrial,  foram  encontrados  documentos  de  registro  de  uso  de  marcas  (Doc.  42),  os  quais  nos  fornecem  as  seguintes  informações:  1)  as  marcas  “NANDI”  e  “LOJÃO  VITÓRIA”  são  utilizadas  pelas  empresas  componentes  do  grupo  econômico  de  fato,  aqui  caracterizado,  tanto  de maneira  formal  quanto  informal,  conforme  fartamente  comprovado: e  2) a marca “CLUBE MAIORES LOJAS” que da nome ao  programa  de  relacionamento  referido  no  item  4.3,  é  de  propriedade do senhor Rafael Nandi Calegari, sendo que  o  mesmo,  é  administrador  por  força  de  contrato  social  e/ou  por  procuração,  de  todas  as  empresas  componentes  do  grupo  econômico  ora  caracterizado,  conforme  amplamente  demonstrado  no  decorrer  da  presente  representação.  Percebem­se  aqui,  mais  uma  vez,  claras  evidências  da  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  pela  constatação  da  unicidade  gerencial,  implícita  na  divulgação  na  internet,  de um programa de  fidelidade  chamado “Clube  maiores  Lojas”  em  que  participam  diversas  empresas  componentes  do  grupo  econômico  aqui  caracterizado,  Fl. 675DF CARF MF     24 pela  divulgação  do  próprio  perfil,  divulgado  também  na  rede mundial de computadores, pelo Senhor Rafael Nandi  Calegari,  em  que  o  mesmo  se  intitula  “Gerente  de  Marketing na Grupo Nandi” e pela constatação que o Sr.  Rafael  Nandi  Calegari,  procurador  das  empresas  do  Grupo  Nandi,  é  o  titular  dos  domínios  “lojasnandi.com.br”  e  “lojaovitoria.com.br”  que  são  os  endereços  eletrônicos  (e­mails)  utilizados pelas empresas  que compõem o referido grupo econômico.  Como  se  vê,  a  análise  conjunta  das  provas  e  constatações  discriminadas  acima  não  deixa  dúvidas  de  que  a  Interessada  (Tubarão  Confecções  Ltda  ME),  juntamente  com  as  empresas  KCS  Confecções  Ltda  –  EPP,  Empório  Duhomem  Indústria,  Comércio  e  Serviços  Ltda  – ME,  Eduardo  Decorações  Ltda  –  EPP,  J.R.  Dandolini  Artigos  do  Vestuário  Ltda  –  ME,  New  Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio  de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli  EPP  e  Nacale  Comércio  de  Tecidos  e  Confecções  Ltda  EPP,  compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de  serem  controladas  e  administradas  por  pessoas  da  mesma  família  (Evaldo  Nandi  Calegari,  Márcia  Calegari,  Raquel  Martins  Farias  e  Rafael Nandi  Calegari  –  pai,  irmã,  esposa  e  filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na  realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento).  Cabe observar que esses elementos de prova e constatações, se  forem  analisados  individualmente,  podem  até  não  demonstrar,  por  si  só, a existência de grupo econômico de  fato, no entanto,  quando  apreciados  todos  em  conjunto,  comprovam  que  foi  correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram  que a todas as empresas citadas no parágrafo anterior, além de  serem comandadas pelo mesmo grupo familiar, atuam de forma  integrada e coordenada.  É  importante  frisar  que  todas  as  alegações  apresentadas  pela  Interessada  na  tentativa  de  demonstrar  a  falta  de  força  probatória  dos  elementos  de  prova  e  constatações  enumeradas  acima não procedem.  De  fato,  a  relação  de  parentesco  entre  sócios  de  empresas  diferentes,  por  si  só,  não  é  suficiente  para  comprovar  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato.  Sucede  que  a  participação  societária  de  integrantes  do  grupo  familiar Nandi  Calegari  em  diversas  das  empresas  citadas  é  apenas  um  dos  diversos  elementos  de  prova  que,  quando  analisados  em  conjunto,  não  deixam  dúvida  a  respeito  da  caracterização  de  grupo econômico de fato.  Já o  fato das empresas  terem endereços próprios,  ao  contrário  do que entende a Interessada, não tem o condão de comprovar a  incorreção das conclusões das autoridades fiscais, porquanto tal  fato, além de não contradizer nenhum dos elementos de prova ou  constatações arroladas, não é incompatível com a existência de  grupo econômico de fato.  A alegação de que as empresas prestam atividades diversas e as  exercem  de  maneira  totalmente  independente  entre  elas  não  Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723076/2015­16  Acórdão n.º 1001­000.680  S1­C0T1  Fl. 665          25 condiz  com  a  realidade,  conforme  demonstrado  pelas  autoridades fiscais.  A  alegação  de  que  o  perfil  na  rede  social  Linkedin  a  que  faz  referência  o  documento  de  fls.  507/508  é  do  Sr.  Rafael  Nandi  Marcelino e não do Sr. Rafael Nandi Calegari, por sua vez, não  pode  ser  aceita,  visto  que  não  foi  apresentada  nenhuma  prova  que a ampare.  Cabe ressaltar, porém, que mesmo que o referido perfil fosse de  Rafael  Nandi  Marcelino,  o  que  não  foi  provado,  tal  fato  não  tiraria a força probatória de tal documento, já que o mesmo faz  expressa  menção  ao  grupo  econômico  de  fato,  pois  registra  a  existência do cargo de Gerente de Marketing do “Grupo Nandi”.  Diante  de  todo  exposto,  portanto,  entendo  que  as  autoridades  fiscais agiram corretamente ao considerar a existência de grupo  econômico  de  fato  nos  anos  de  2009  a  2015  para  fins  de  apuração da ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do  Simples  Nacional  prevista  no  artigo  3º,  §  4º,  inciso  V,  da  Lei  Complementar nº 123/2006, que assim preceitua:  (...)  Fica  evidente,  portanto,  que,  ao  contrário  do  que  alega  a  Interessada,  restou  plenamente  configurada  a  ocorrência  da  hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no  artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, nos  anos de 2010 a 2014, já que a receita bruta global das empresas,  nesses anos, ultrapassou o limite máximo previsto na legislação,  conforme demonstrado na tabela abaixo:  (...)  Por fim, prevê o §1° do art. 29 que nas hipóteses previstas nos incisos II a X  do caput a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a  opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três)  anos­calendário seguintes. No caso discutido nestes autos há subsunção dos fatos a dois incisos  do  art.  29  (I  ­  verificada  a  falta  de  comunicação  de  exclusão  obrigatória  e V  ­  tiver  sido  constatada  prática  reiterada  de  infração),  razão  pela  qual  confirmamos  o  impedimento  de  adesão  para  os  três  anos  posteriores.  Adicione­se  que  as  autoridades  administrativas  estão  obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação  de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.  Pelo  exposto,  voto  por  rejeitar  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa e no mérito negar provimento ao recurso.   (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa               Fl. 677DF CARF MF     26                   Fl. 678DF CARF MF

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7419554 #
Numero do processo: 10314.720749/2016-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do Relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, sendo substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca), Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

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1302­000.629  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  14 de agosto de 2018  Assunto  IRPJ ­ GLOSA DE DESPESAS  Recorrentes  SAINT­GOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA  CONSTRUÇÃO LTDA              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relatório  e  voto  do  Relator.  Declarou­se  impedido  de  participar  do  julgamento  o  conselheiro  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  sendo  substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Carlos  Cesar  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Breno  do  Carmo  Vieira  (suplente  convocado  em  substituição  ao  conselheiro  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca),  Flávio  Machado  Vilhena  Dias,  Maria  Lúcia  Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.   Relatório   Tratam­se de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentados em relação  ao Acórdão nº 14­63.458, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 33.148 a 33.209), que julgou procedente em parte a  impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 20 74 9/ 20 16 -6 2 Fl. 45047DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.048          2 "ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ   Ano­calendário: 2011   GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS E INCOMPROVADAS.  Correta  a  glosa  de  despesas  que  não  atendem  aos  critérios  de  dedutibilidade para fins de apuração do IRPJ e CSLL.  GLOSA DE DESPESAS. PERDAS.  Correta  a  glosa  de  despesas  com  alegadas  perdas  no  processo  produtivo  que  não  restaram  devidamente  comprovada,  especialmente  quanto a destinação dos resíduos.  GLOSA DE DESPESAS.  BENS COM VIDA ÚTIL  SUPERIOR A UM  ANO.  Os gastos acima de R$ 326,61 com bens de vida útil superior a um ano,  exceto manutenção ou reposição, devem ser contabilizados no ativo.  ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO  CONFISCO.  Não  compete  ao  julgador  administrativo  conhecer  de  pretensa  ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em pleno  vigor, pelo que confirma­se a exigência da multa de oficio e Selic."  O processo  tem por objeto autos de  infração  lavrados contra a Recorrente  (fls.  2.092 a 2.104), para a exigência de  IRPJ e CSLL, em relação ao ano­calendário de 2011, no  montante total de R$ 70.340.918,32 (juros de mora calculados até 04/2016).  As  conclusões  do  procedimento  fiscal  se  encontram  detalhadas  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF)  de  fls.  1.972  a  2.028,  tendo  sido  constatadas  as  infrações  de:  1)  custos  de  aquisição  de  bens  do  ativo  permanente  deduzidos  como  custos  ou  despesas  operacionais;  2)  despesas  não  necessárias;  3)  despesas  não  comprovadas;  4)  custos/despesas  indedutíveis  não  adicionadas  na  determinação  do  Lucro  Real,  em  um  valor  total  de  R$  95.180.830,89, conforme detalhados no arquivo anexado à fl. 2.030.  Cientificado do  lançamento, o sujeito passivo apresentou a  Impugnação de fls.  2.107 a 11.529 (renovada às fls. 11.533 a 33.138), por meio da qual sustentou:  a) em primeiro lugar, que havia apresentado todos os documentos necessários à  comprovação  da  existência  e  dedutibilidade  dos  custos  e  despesas,  mas  que  os  referidos  documentos não  teriam sido  juntados ao processo, nem haveria evidência de que teriam sido  analisados pela  autoridade  fiscal,  o que violaria  a ampla defesa  e o  contraditório,  razão pela  qual os apensou à sua peça impugnatória;  b) que atua no  ramo  industrial  e comercial, por meio de diversas divisões, em  linhas de negócios não exaustivas, de modo que, devido à variada gama de atividades, não se  poderia afastar uma despesa sob a argumentação de que não seria necessária, por não parecer  usual à atividade operacional;  Fl. 45048DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.049          3 c) em relação à glosa de despesas com bens de natureza permanente, que o art.  301  do  RIR/99  permite  a  dedução  de  bens  com  vida  útil  inferior  a  um  ano,  entretanto,  a  fiscalização  teria procedido a glosa exclusivamente na vedação de dedução de bens de valor  inferior a R$ 326,61;  d)  quanto  ao moldes  (conta  contábil  nº  8300010),  a  glosa  teria  se  baseado no  fato de se tratarem de bens do ativo permanente, porém os valores ali escriturados se referem a  custos e despesas para fabricação de moldes para utilização pelas montadoras na fabricação de  automóveis,  não  sendo,  portanto,  bens  do  ativo  da  fiscalizada, mas  das  citadas montadoras.  Não se aplicaria deste modo o art. 301 do RIR/99, e os custos/despesas seriam dedutíveis, com  amparo no art. 299 do RIR/99;  e) em relação às despesas consideradas não necessárias, que teria sido utilizado  um critério  subjetivo, por parte da autoridade fiscal, para  reputar as  referidas despesas como  pagamentos  efetuados  por  liberalidade  pela  autuada. Repisa,  ainda,  que  tais  despesas  seriam  necessárias em face da grande gama de atividades por ela desempenhada;  f) especificamente, em relação às despesas com viagens e ajudas de custo, que,  ainda  que  se  refiram  a  não  funcionários,  tais  valores  podem  ser  admitidos  como  dedutíveis,  conforme  Solução  de  Consulta  SRRF/04  nº  40/12.  Os  valores  glosados  se  destinariam  a  pagamento de serviços de consultoria para suporte ao desligamento do funcionário Fernando de  Castro, de modo a garantir a continuidade das operações e a confidencialidade e o sigilo das  negociações;  g) em relação às despesas com propaganda e publicidade, que seriam dedutíveis,  conforme Acórdão CARF nº 1302­001.064, de 09 de abril de 2013;  h)  no  que  diz  respeito  às  despesas  consideradas  não  comprovadas,  que  os  documentos comprobatórios foram apresentados durante o procedimento fiscal;  i) especificamente sobre a conta aluguéis (conta contábil nº 0008350006), que os  comprovantes foram apresentados em resposta ao Termo nº 09;  j)  quanto  aos  royalties  pagos  a  empresas  ligadas,  que  foram  apresentados  os  contratos e os certificados de averbação no INPI;  k) em relação à conta contábil nº 8810017 (outras perdas excepcionais), que o  valor de R$ 1.728.748,29 foi adicionado no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), de modo  que não devem ser glosados, para evitar a dupla tributação;  l) no que  tange à conta contábil nº 8350011 (serviços prestados ­ PJ), que, em  resposta  ao  Termo  nº  12,  foi  esclarecido  que  se  trata  de  assessoria  contábil  e  fiscal  e  foi  apresentada  a  nota  fiscal  de  serviços.  Em  adição,  junta  à  Impugnação  comprovação  dos  serviços prestados e proposta comercial;  m)  no  que  diz  respeito  a  valores  de  quebra  de  estoque,  que  o  seu  processo  produtivo "compreende uma série de fatores e elementos  técnicos, de forma que a análise de  sua  produção  não  pode  ser  feita  apenas  com  base  no  volume  de  insumos  e  no montante  da  produção, muito menos em meras diferenças consideradas 'quebras' não justificadas";  Fl. 45049DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.050          4 n) que as quebras decorreriam de processos normais de sua atividade, conforme  atestariam relatórios que apensa à Impugnação;  o)  que  adicionou  ao  Lalur  os  valores  das  contas  contábeis  nº  4390011  e  1990003, como ajuste da conta de quebra de estoques, de modo que tais valores não poderiam  ser glosados, sob pena de dupla tributação;   p)  quanto  ao  valores  de  gastos  de  paradas  excepcionais  (conta  contábil  nº  8810001), que os montantes registrados dizem respeito a parada da produção de vidros, com o  intuito de reduzir o estoque, mas sem desligar o forno, para evitar o endurecimento da matéria­ prima e perda total do maquinário;  q) que  todos os  argumentos  apresentados  em  relação ao  IRPJ  são  aplicáveis  à  CSLL;  r)  em  relação  à  multa  de  ofício,  que  seria  abusiva,  não  razoável  e  desproporcional,  conforme  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  e  Supremo  Tribunal Federal (STF);  s) que seria inaplicável juros equivalentes à Taxa Selic aos créditos tributários,  posto que essa taxa não teria sido criada para fins tributários, conforme julgado do STJ;  t)  que,  ainda  que  se  admita  a  incidência  dos  juros  de mora  sobre  os  tributos  lançados, não deve ocorrer a aplicação sobre os valores da multa de ofício, posto que isso não  teria amparo no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme  julgados do CARF e da Câmara  Superior de Recursos Fiscais (CSRF).  A decisão de primeira instância  (fls. 33.148 a 33.209)  rejeitou as alegações de  arbitrariedade ou excesso no procedimento fiscal, bem como de prejuízo à defesa pela falta de  juntada aos autos dos documentos que teriam sido apresentados durante o procedimento fiscal.  Manteve ainda a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, com fulcro  no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; e a exigência de juros de mora equivalentes à taxa Selic,  inclusive sobre a multa de ofício, amparada no art. 161 do CTN c/c os arts. 113, §1º, e 139 do  mesmo diploma legal.  Com relação aos valores das glosas, com base nos elementos de prova juntados  pelo  sujeito  passivo,  considerou  comprovada  a  efetividade  e  a  dedutibilidade  de  diversos  custos/despesas,  em  um  total  de  R$  10.881.651,80,  conforme  detalhadamente  analisados  no  Acórdão.  Por força do valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF.   Após  a  ciência,  o  sujeito  passivo  apresentou  o  Recurso  Voluntário  de  fls.  33.225 a 33.264, no qual:  a)  repete  as  alegações  de  violação  ao  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  uma  vez  que  os  documentos  por  ele  apresentados,  ao  longo  do  procedimento  fiscal, não teriam sido juntados ao processo; acrescentando também a alegação de violação ao  princípio da economia processual, uma vez que teria sido obrigado a novamente comprovar as  despesas não admitidas;  Fl. 45050DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.051          5 b)  repisa  vários  argumentos  trazidos  na  Impugnação,  quanto  à  diversidade  de  atividades,  às  despesas  com  viagens,  aos  bens  de  natureza  permanente,  quebras  de  estoque,  gastos  de  paradas  excepcionais,  moldes,  serviços  prestados  PJ,  aluguéis,  royalties,  e  outras  perdas  excepcionais,  acrescentando,  em  alguns  casos,  que  teria  juntado  a  documentação  comprobatória necessária;  c)  sustenta  que  os  critérios  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade,  de  que  trata o art. 299 do RIR/99 não são cumulativos;  d) quanto às despesas referentes a material promocional (brindes, propagandas,  publicidade), alega que são despesas de publicidade voltadas ao incremento das vendas, e que o  valor  de  R$  240.000,00  teria  sido  comprovado,  conforme  comprovantes  juntados  com  a  Impugnação;  e)  quanto  às  despesas  com  propaganda  e  veiculação,  também  sustenta  a  necessidade,  por  se  destinarem  ao  incremento  das  vendas,  e,  especificamente,  em  relação  a  despesa com software, que se tratou de despesa com aquisição e manutenção de aplicativos;  f)  ainda  em  relação  aos  bens  de  natureza  permanente,  irresigna­se  contra  o  exame por amostragem dos documentos juntados, sustentando que, independente da forma de  apresentação,  apresentou  todos  os  comprovantes  necessários,  além  do  que  haveria  a  comprovação de bens de valor inferior a R$ 326,61;  g) no que  tange aos valores  lançados na conta contábil nº 0008710005  (outras  despesas  eventuais),  argumenta  que  apresentou  as  justificativas  necessárias,  tratando­se  de  despesas de CIDE sobre pagamento de royalties, despesas de assistência médica, odontológica  e de seguro de vida dos funcionários;  h) a mesma justificativa é apresentada em relação às despesas com materiais e  acessórios, com o detalhamento de que valores estariam lançados a tal título;  i) afirmou que os valores referentes a despesas com multas (contas contábeis nº  0008390015, 0008390016 e 0008390017)  foram adicionados para  fins de apuração do Lucro  Real, conforme demonstraria o Lalur, de modo que não devem ser glosadas;  j) em relação às despesas com amostras grátis, assevera que foram juntados os  documentos comprobatórios e que "o  fato de o  valor não corresponder não significa que as  despesas não existiram ou que não estão comprovadas";  k) também alega simplesmente que juntou os documentos que comprovariam as  despesas com congressos e convenções, conservação de móveis e utensílios, materiais e pneus  para  veículos,  outras  ferramentas,  despesas  com  veículos,  serviços  prestados  PJ,  software  ­  licença / manutenção de aplicativos, software ­ aquisição de aplicativos, representação, hotéis  nacionais e outras perdas excepcionais;  l) o mesmo fundamento é apresentado em relação às despesas com conservação  de áreas e edifícios, acrescendo que se tratam de despesas de vida útil inferior a um ano, razão  pela qual seriam dedutíveis, à luz do art. 301 do RIR/99;  m)  aponta,  ainda,  que  o  Acórdão  recorrido  entende  que  deveriam  ser  considerados como bens do ativo permanente valores relativos a serviços;  Fl. 45051DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.052          6 n) no que diz  respeito à despesas  com  licenças de  software,  aduz que não são  passíveis de registro no ativo permanente de acordo com as regras contábeis e fiscais;  o)  sustenta  que  as  despesas  com  passagens  aéreas  foram  devidamente  esclarecidas e comprovadas;  p) repete, por fim, os argumentos quanto à CSLL, multas e juros já trazidos na  Impugnação.  Após a remessa do processo para julgamento pelo CARF, por meio do Despacho  de  fl.  40.269,  a  Recorrente  apresentou  mais  comprovantes,  a  serem  acrescentados  ao  seu  Recurso Voluntário (fls. 40.270 a 44.958).  Já  em  26  de  março  de  2018,  após  o  sorteio  do  processo  a  este  Relator,  a  Recorrente  apresentou  planilhas  com  a  identificação  das  provas  já  juntadas,  bem  como  os  novos elementos de prova constantes das fls. 45.000 a 45.046, que, segundo sustenta, reiteram  os argumentos de fato e de direito apresentados em seu Recurso Voluntário.  É o relatório.  Voto   Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo ­ Relator   I ­ DO RECURSO VOLUNTÁRIO   I.1. Do conhecimento do Recurso   O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 13 de março de 2017  (fl.  33.220),  tendo  apresentado  Recurso  Voluntário,  em  10  de  abril  de  2017  (fls.  33.222  a  33.264), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235,  de 6 de março de 1972.   O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 2.138  a 2.142.  A  matéria  objeto  do  Recurso  está  contida  na  competência  da  1ª  Seção  de  Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno  do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.  Como relatado, o sujeito passivo faz juntada de novas provas documentais com  o Recurso Voluntário, bem como apresenta novos elementos mesmo após a protocolização do  referido recurso.  A juntada de prova documental após a Impugnação é vedada pelas normas que  regem  o  processo  administrativo  fiscal,  sendo  admitidas  tão­somente  quanto  presentes  as  situações excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972:  " Art. 16.   (...)  Fl. 45052DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.053          7 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)   a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna,  por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)   b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei  nº 9.532, de 1997)   c)  destine­se a  contrapor  fatos ou  razões posteriormente  trazidas aos  autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)   § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida  à  autoridade  julgadora, mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas  do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)   §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso,  serem  apreciados  pela  autoridade  julgadora  de  segunda  instância.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacou­se)  Tratando  acerca  da  possibilidade  de  flexibilização  de  tais  regras,  Maria  Rita  Ferragut  (As  provas  e  o  Direito  Tributário,  3ª  ed.  São  Paulo:  Saraiva,  2016,  pp.  64­65)  é  categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção:  "Entendemos  que  o  limite  temporal  é  inflexível.  Tal  inflexibilidade  contempla,  entretanto,  o  recebimento  de  provas  após  a  impugnação,  nas duas e somente duas, situações a seguir:  (i) Se a prova não  tiver  sido  juntada antes pelas  razões previstas nas  alíneas a,b e c do §4º acima.  (ii)  Pela  impossibilidade  de  o  sujeito  passivo  defender­se  de  forma  plena, considerando a complexidade da autuação versus o  tempo que  lhe  foi  legalmente  conferido  para  apresentação  da  defesa.  Trata­se,  nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender  no prazo legal."  No  meu  julgar,  a  hipótese  veiculada  pela  doutrinadora,  na  verdade,  já  é  albergada  pela  alínea  "a"  do  §4º,  na  medida  em  que  poderia  ser  entendido  como  um  acontecimento  inevitável  e  para  o  qual  o  sujeito  passivo  não  concorreu  ainda  que  culposamente,  para  contemplar  os  requisitos  previstos  por Maria Helena Diniz  para  a  força  maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747­748).  Entendo,  ainda,  que  esta  é exatamente  a  situação dos  autos,  em que, devido à  grande quantidade de despesas glosadas, tornou­se hercúlea a instrução probatória a cargo do  sujeito passivo, com a necessidade de juntada de milhares de comprovantes.  Ademais,  é  necessário  que  se  destaque  que  os  elementos  juntados  após  o  Recurso  Voluntário  são  apenas  planilhas  que  correlacionam  as  glosas  com  os  documentos  juntados  pela  Recorrente  ao  processo,  não  se  tratando,  efetivamente,  de  nova  prova  documental.  Fl. 45053DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.054          8 Deste  modo,  entendo  que  os  referidos  documentos  devem  ser  acolhidos  e  apreciados.   Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade,  portanto, dele tomo conhecimento.  I.2. Da preliminar de nulidade   Embora  não  requeira  explicitamente  a  declaração  de  nulidade,  a  Recorrente  suscita  suposta  violação  aos  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  uma  vez  que  a  documentação  comprobatória  por  ela  apresentada  no  curso  do  procedimento  fiscal  não  teria  sido  juntada  aos  autos  e  sequer  analisada  pela  autoridade  responsável  pela  constituição  do  crédito tributário.  Alega,  ainda,  que  não  saberia  "em  que  documentos  e  elementos  se  funda  a  acusação da D. Fiscalização" e que "sequer há explanações a respeito dos motivos que (sic) as  provas apresentadas não teriam sido consideradas ou consideradas inábeis".  As  alegações  da Recorrente  poderiam,  se  comprovadas,  levar  à  declaração  de  nulidade dos autos de infração lavrados. Contudo, como bem apontado no Acórdão recorrido, a  descrição não corresponde ao que se observa nos autos.  A  autoridade  fiscal  detalhou  exaustivamente  o  procedimento  fiscal,  juntou  diversos  documentos  comprobatórios  que  entendeu  necessários  para  comprovar  as  infrações  apontadas (fls. 1.835 a 1.965) e apontou, para todas as despesas glosadas, a razão pela qual  não se admitia a sua dedutibilidade, conforme planilha junta à fl. 2.030.  A autoridade  julgadora, por sua vez, ao contrário do alegado, demonstra haver  analisado todos os documentos juntados pela Recorrente.  Não há qualquer fundamento, portanto, para a argumentação do sujeito passivo,  sendo que o fato de este juntar repetidamente milhares de folhas dos mesmos documentos aos  autos, em lugar de ser decorrência de suposta violação ao princípio da economia processual por  parte  da  autoridade  fiscal,  como  sustentado,  somente  proporciona  tumulto  processual  e  dificulta  o  exame  das  provas.  É  que  a  observação  dos  autos  revela,  em  vários  casos,  a  desnecessária e exaustiva repetição dos mesmos documentos.  A par disso, apenas após a apresentação do Recurso Voluntário é que o sujeito  passivo  juntou  aos  autos  planilhas  realizando  a  correlação  entre  as  despesas  glosadas  e  as  provas apresentadas.  Constata­se, portanto, que eventual deficiência na apreciação das provas teve a  colaboração do próprio sujeito passivo, não implicando, em absoluto, em qualquer espécie de  nulidade.  I.3. Do pedido de diligência   A Recorrente insere no seu apelo, como já havia realizado na Impugnação, um  requerimento de diligência,  caso os  julgadores  entendam "pela necessidade de  se  reapreciar  dados fiscais, outros apontamentos ou que persistam dificuldades em analisá­los".  Fl. 45054DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.055          9 O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento  de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis:  "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  No mesmo  sentido, o  art.  29 do  citado Decreto  dispõe que  "Na apreciação da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias".  Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São  Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona:  "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da  impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  apreciar  os  requerimentos  de  produção  de  provas,  apreciar  sua  pertinência  e  determinar a realização daquelas que ­ seja em virtude de  terem sido  requeridas  ou  por  deliberação  ex  officio  da  autoridade  de  primeira  instância ­ sejam necessárias para que a instrução se complete.  O  juízo de pertinência probatória  será  feito principalmente  com base  nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade."  O  Acórdão  recorrido  rejeitou  o  pedido  formulado  pelo  sujeito  passivo,  nos  seguintes termos:  "No caso  concreto,  entendo desnecessária a  realização de diligência,  já  que  as  provas  necessárias  à  defesa  são  de  fácil  obtenção,  dependendo  de  providências  do  próprio  contribuinte  (seus  livros  e  assentamentos  contábeis  e  fiscais),  já  exaustivamente  solicitados pela  fiscalização  através  de  sucessivas  intimações  no  decorrer  do  procedimento  fiscal  e,  posteriormente  à  lavratura  dos  autos  de  infração, na  impugnação, momento em o contribuinte pode  exercer o  seu pleno direito ao contraditório e a ampla defesa, já que ciente dos  motivos  porque  estava  sendo  autuado.  Na  impugnação,  ademais,  o  contribuinte  deveria  incluir  todos  os  documentos  comprobatórios  necessários para a procedência de  seu pleito, sob pena de preclusão,  conforme determina o § 4º do art. 16 do PAF.  Assim,  rejeito  o  pedido  de diligência  suscitado pelo  contribuinte,  por  desnecessário à solução da lide."  De  fato,  pelas  justificativas  apresentadas  pela  Recorrente,  não  vislumbro  no  presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. A autoridade  fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram  ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para  afastar as infrações a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa.  Há,  contudo,  razões  que,  efetivamente,  demandam  a  conversão  do  presente  julgamento em diligência.  Fl. 45055DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.056          10 Em  primeiro  lugar,  constata­se  falha  no  sistema  e­processo,  onde  o  mesmo  número de folha é atribuído a mais de um documento.  A  falha se verifica a partir do documento de numeração 4.023, cujo número é  atribuído  a  três  documentos  distintos  (todos  intitulados  "Termo  de  Solicitação  de  Juntada  ­  TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA").  Por exemplo, o documento intitulado "Documentos comprobatórios ­ outro ­ 85"  apresenta  a  numeração  de  fls.  4.630  a  4.714;  enquanto  o  documento  de  título  "Documentos  comprobatórios ­ outro ­ 96" apresenta a numeração de fls. 4.630 a 4.860", sendo que as folhas  de numeração coincidente possuem teor diverso, conforme demonstram as imagens a seguir.  O  mesmo  fato  se  constata  entre  os  documentos  intitulados  "Documentos  comprobatórios ­ outro ­ 89" (fls. 4.858 a 4.868) e "Documentos comprobatórios ­ outro ­ 97"  (fls. 4.861 a 4.924).    Documentos comprobatórios ­ Outros ­ 85 (fls. 4.630 a 4.714)    Fl. 4630 do documento "Documentos comprobatórios ­ Outros ­ 85"  Fl. 45056DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.057          11   Documentos comprobatórios ­ Outros ­ 96 (fls. 4.630 a 4.860)    Fl. 4630 do documento "Documentos comprobatórios ­ Outros ­ 96"  Tal  fato  ocasiona,  ainda,  que  na  escolha  do  índice  sequencial,  para  a  visualização  dos  documentos,  estes  sejam  apresentados  fora  de  ordem.  Por  exemplo,  "Documentos  comprobatórios  ­  Outros  ­  78"  (fls.  4.077  a  4.141)  seguido  do  documento  "Documentos comprobatórios ­ Outros ­ 91" (fls. 4.041 a 4.110).  A inconsistência em pauta se estende até o documento de fl. 5.797.  A  par  disso,  como  dito,  com  a  Impugnação  e  com  o  Recurso  Voluntário,  o  sujeito  passivo  juntou milhares  de  documentos  ao  processo,  com  o  intuito  de  comprovar  as  despesas glosadas no procedimento fiscal.  Em  rápida  análise,  vários  documentos  apresentados,  de  fato,  comprovam  as  despesas contestadas na autuação e mesmo no julgamento de primeira instância.  Por outro lado, após o Recurso Voluntário, a Recorrente,  finalmente,  junta aos  autos planilhas que correlacionam as glosas aos elementos de prova apresentados.  Fl. 45057DF CARF MF Processo nº 10314.720749/2016­62  Resolução nº  1302­000.629  S1­C3T2  Fl. 45.058          12 Deste modo,  entendo  ser necessária  a conversão do  julgamento  em diligência,  no sentido de serem esclarecidas e solucionadas as inconsistências diagnosticadas no sistema e­ processo,  bem  como  para  possibilitar  a  análise  dos  novos  elementos  de  prova  reunidos  ao  processo.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência,  para que o processo retorne à Unidade de origem (DERAT/SP), para que:  a) verifique a razão de o sistema e­processo haver atribuído mesma numeração  de folhas a diferentes documentos;  b) solucione a inconsistência verificada, de modo que cada documento constante  do  processo  receba  numeração  exclusiva  e  diversa  de  todos  os  demais  documentos.  Caso  a  douta autoridade preparatória entenda pertinente, poderá promover a transferência de todos os  documentos para um novo processo administrativo, como forma de solucionar a inconsistência;  c) ao fim, elabore­se relatório de diligência contendo as informações acerca das  providências acima requeridas, bem como a análise de todos elementos de prova apresentados  pelo  sujeito  passivo  nos  autos,  em  cotejo  com  as  constatações  registradas  no  Termo  de  Verificação e Constatação Fiscal de fls. 1.972 a 2.028;  d)  dê­se  ciência  do  resultado  da  diligência  ao  sujeito  passivo,  concedendo­lhe  prazo para, querendo, manifestar­se nos autos.  Após, reencaminhe­se o processo à este Colegiado.  (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo  Fl. 45058DF CARF MF

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Numero do processo: 13851.000694/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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3201­004.238  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de setembro de 2018  Matéria  COFINS  Recorrente  E.JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 10/06/1999  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  DE  PIS.  PRESCRIÇÃO.  10  ANOS  (5+5).  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  SÚMULA  91/CARF.  CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF  Nos  termos  do  Art.  6.,  §1º,  I,  Anexo  II  do  RICARF,  não  é  obrigatório  o  Julgador reunir os processos por Conexão.   O pedido  de  restituição  (PER)  de  tributo  por  homologação,  que  tenha  sido  pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05,  o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.  SÚMULA  No.  91  ­  CARF  ­  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos, contado do fato gerador.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade  Acordam os membros  do  colegiado,  por  unanimidade de votos,  em dar  provimento  parcial ao Recurso Voluntário,  para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.   CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente  (assinado digiltamente)  LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator  (assinado digiltamente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 94 /2 00 5- 29Fl. 140DF CARF MF     2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz  Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)    Relatório  Trata­se  de  pedido  de  Restituição  de  COFINS  pago  indevidamente  no  período  de Março de 1999, protocolado em 07/06/05 na DRF de Araraquara/SP, conforme  constante  no Pedido  de Restituição.  Por  traduzir  a  realidade  dos  fatos,  adoto o Relatório da  DRJ:  (...)  Trata  o  presente  de  pedido  de  restituição,  protocolizado  em  07/06/2005,  referente  à  suposto  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido  a  título  de  Cofins  efetuado  em  09/04/1999  pela  empresa  Brasil  Warrant  Venture  Capital  Ltda,  CNPJ  n°  62.355.698/0001­15, . incorporada pelo interessado.  A Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em Araraquara, por  meio  do  Despacho  Decisório  de  fls.  30/35,  indeferiu  o  pedido,  com  fundamento  na  ocorrência  da  decadência  do  direito  de  pedir  e  na  falta  de  comprovação  documental  da  existência  do  alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir  a aferição de sua liquidez e certeza.  Cientificado  em  04/05/2009,  fls.  85,  o  interessado  apresentou  manifestação  de  inconformidade  em  03/06/2009,  fls.  37/48,  alegando, em breve síntese:  a)  Que,  através  do  Mandado  de  Segurança  n°  1999.61.02.007037­5,  obteve  provimento  jurisdicional  que  lhe  autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o  alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n°  9.718, de 1998;  b)  Que,  nos  meses  de  março  a  junho  de  1999,  _auferiu  unicamente  receitas  financeiras  e  outros  tipos  de  rendimentos  não  oriundos  da  venda  de  bens  e  serviços,  conforme  demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as  correspondentes  alíquotas  do  PIS  e  Cofins,  efetuando  o  recolhimento.  .  c) Que  o  provimento  jurisdicional  transitou  em  julgado  e  lhe assegurou  o  direito  de  calcular o PIS  e a Cofins  com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC)  n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindo­ se as demais  receitas não caracterizadas  como  senda da venda  de mercadorias ou serviços;  A  partir  da  exposiçao  dos  fatos  que  originaram  o  alegado  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  contesta  o  decidido  pela  DRF em Araraquara, a saber:  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.000694/2005­29  Acórdão n.º 3201­004.238  S3­C2T1  Fl. 142          3 Inicialmente  alega  que  houve  uma  distorção  do  instituto  da  decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu  direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrencia  no caso.  Alega  que  conforme  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  nos  casos  de  lançamento  por  homologação,  o  prazo  prescricional  é  cinco  contados  a  panir  da  homologação  tácita,  ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador.  Que  o  art.  3°  da  LC  118,  de  2005  modificou,  e  não  apenas  interpretou o Código Tributário Nacional ­ CTN ~ e, assim, não  pode  ser  aplicado  aos  pedidos  apresentados  anteriormente  à  entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005.  Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal  ­  10  anos,  conforme  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  que  declarou  a  inconstitucionalidade  do  art.  4°,  segunda  parte,  da  LC  n°  118,  de  2005,  que  determina  a  aplicação retroativa de seu art. 3°.  Ainda,  alega  que  o  ajuizamento  do  Mandado  de  Segurança  importou  em  causa  interruptiva  da  prescrição,  nos  temos  do  artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época.  Uma  vez  que  o  trânsito  emjulgado  da  ação  ocorreu  em  30/05/2008,  não  ha  em  que  se  falar  em  ocorrência  do  prazo  prescricional,  uma  vez  que  este  esteve  interrompido  até  o  referido trânsito em julgado.  Continua,  alegando  que  tem  direito  à  restituição  aos  recolhimentos  efetuados  nos meses  de março  a  junho  de  1999,  que  se  afiguram  indevidos,  uma  vez  que  as  únicas  receitas  auferidas  pelo  Requerente  nesse  período  corresponderam  a  receitas  financeiras e outras receitas não oriundas da venda de  bens  e  prestação  de  serviços,  estas  as  únicas  passíveis  de  tributação  pelo  PIS  e  Cofins,  conforme  o  provimento  jurisdicional conquistado.    Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o  pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que  sintetiza os fundamentos:    ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Data  do  fato  gerador:  09/04/1999  DECADÊNCIA.  INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005.  O direito de pleitear a restituição extingue­se com O decurso de  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário  que,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de  que trata O § 1° do art. 150 do CTN.  Fl. 142DF CARF MF     4 ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  Data  do  fato  gerador:  09/04/1999  PAF.  PROVA  DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO.  A  prova  documental  Será  apresentada  na  impugnação  (manifestação  de  inconfomiidade),  precluindo  O  direito  de  ser  apresentada em outro momento processual.  RESTITUIÇAO.  NAO  COMPROVAÇÃO  DA  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  DIREITO  CREDITORIO.  INDEFERIMENTO  Não  comprovada  a  existência  do  direito  creditório  do  sujeito  passivo, condição essencial nos  termos do disposto no art. 170,  do CTN, é de se indeferir O pedido de restituição.  Manifestaçao  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório Não Reconhecido  Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário,  requerendo reforma por entender:   a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se  trata de lançamento por  homologação;  b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei  Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005;  c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05;  d) pede reunião de demais processos;  É o relatório.    Voto             Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR  O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido.  Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma  faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o  sítio  eletrônico  do  CARF,  verifica­se  que  alguns  processos  indicados  pelo  Contribuinte  já  foram  julgados  nesse CARF,  assim,  não  existindo  qualquer  prejudicialidade  na  ausência  de  conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em  razão do pedido de conexão.  É de se trazer a baila que o pleito do Contribuinte é o Pedido de Restituição  (PER) de COFINS pago a maior no período de Março de 1999, requerido em 07/06/05.  Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o  PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação  estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05.  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13851.000694/2005­29  Acórdão n.º 3201­004.238  S3­C2T1  Fl. 143          5 Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05,  inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da  aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra­ se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos:    Súmula CARF nº 91  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes de 9 de  junho de 2005, no caso de  tributo  sujeito a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.   De tal sorte, deve­se afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não  decorreu  o  período  de  10  (dez)  anos  do  lançamento,  e  o  pleito  sendo  anterior  a  09/06/05,  ressalta­se  que  nos  termos  do  Art.  75,  §  2º,  Anexo  II,  do  RICARF,  a mencionada  súmula  encontra­se com efeito vinculante.  Diante  disso,  deve­se  ser  anulado  o  Despacho  Decisório  para  afastar  a  prescrição.  Concluo,  o  voto  é  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário,  para  que  a  unidade  preparadora,  ultrapassada  a  questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.  LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR ­ Relator  (assinado digiltamente)                                Fl. 144DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.963671/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­001.407  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de agosto de 2018  Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  DIANA PARTICIPAÇÕES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Marcelo  Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo  Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 67 1/ 20 09 -1 5 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.963671/2009­15  Resolução nº  3201­001.407  S3­C2T1  Fl. 3            2     Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto contra decisão de primeira  instância  que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão  da  repartição  de  origem  de  não  homologar  a  compensação  de  créditos  da  contribuição  (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que  os pagamentos declarados  já haviam sido  integralmente utilizados na quitação de débitos do  contribuinte.  Em  sua Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  havia  alegado  que  o  crédito pleiteado decorrera do recolhimento  indevido da Contribuição e que a Administração  tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado.  Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da  decisão de primeira  instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo  cerceamento do direito  de defesa,  por  falta de demonstração por parte do  julgador a quo  do  motivo  para  declarar  a  insuficiência  dos  documentos  acostados  aos  autos  (DARF,  DIPJ,  Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material.  No  mérito,  requereu  o  Recorrente,  com  base  nos  documentos  acostados  aos  autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificando­se que,  por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF.  Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3201­001.393, de 29/08/2018, proferida no  julgamento do  processo nº 10880.913528/2009­82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3201­001.393):  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei,  razão pela qual dele se conhece.  Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.963671/2009­15  Resolução nº  3201­001.407  S3­C2T1  Fl. 4            3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário.  Cerceamento  do  Direito  de  Defesa  e  da  Inobservância  do  Princípio  da  Verdade Material  Afasta­se  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa.  A  recorrente  teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas  instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de  juntar documentos,  razão contábil, no presente  recurso de  segunda  instância.  Nesse sentido, observe­se jurisprudência do CARF.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  Acórdão  nº  3301­003.976  do  Processo 15586.001130/2007­88 ­ Data  30/08/2017  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  CONTRADITÓRIO.  AMPLA  DEFESA.  NULIDADE Não há nulidade quando  se constata em  todas as  fases processuais  o  exercício  do  direito  ao  contraditório  e  de  ampla  defesa,  não  caracterizando  o  cerceamento de defesa.  Em  referência  a  argumentos  fundados  nos  princípios  constitucionais,  aplica­se a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”  Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de  sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte.  Preliminares indeferidas.  Mérito  A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de  crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente  utilizado para a quitação de débitos do  contribuinte,  que estavam declarados  em DCTF.  A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da  manifestação  de  inconformidade,  a  documentação  apresentada  em  primeira  instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada  insuficientes. Cita­se trechos do relatório da DRJ:  Ressalte­se  que  a Declaração  de Débitos  e Créditos Tributários Federais  ­ DCTF,  instituída  pela  Instrução Normativa  SRF  n°  126,  de  30  de  outubro  de  1998,  6. O  documento  apresentado  pelo  contribuinte  para  prestar  à  autoridade  fazendária  as  informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os  respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação,  etc.), constituindo­se cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a  exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto­ lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (e­fl. 92)  (...)  Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de  erro  nas  informações  prestadas  em  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  ­  DCTF,  para  fins  de  homologação  da  compensação  efetivada  pelo  contribuinte. (e­fl. 92)  No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil  e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a  compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF.  Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.963671/2009­15  Resolução nº  3201­001.407  S3­C2T1  Fl. 5            4 Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  Acórdão  nº  3002­000.234  do  Processo 10880.674831/2009­54 ­ Data  13/06/2018  COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  PROVA  INSUFICIENTE  QUANDO  DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA.  A  retificação  da  DCTF  após  despacho  decisório  que  nega  a  homologação  da  compensação  não  impede  o  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  desde  que  acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido  no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não  constitui prova suficiente.  A  retificação  da  DCTF,  depois  de  prolatado  o  despacho  decisório  não  impede  o  deferimento  do  pedido  de  compensação,  quando  acompanhada  de  provas  comprovando  o  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração  original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN.  Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de  terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade  administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.  § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a  reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que  se funde, e antes de notificado o lançamento.  Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  Acórdão  nº  9303­006.266  do  Processo 13896.902360/2008­18 ­ Data: 25/01/2018  Assunto: Normas Gerais  de Direito Tributário Período  de  apuração:  01/08/2003  a  31/08/2003  COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  POSTERIOR  AO  DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.  A  retificação  da  DCTF  depois  de  prolatado  o  despacho  decisório  não  impede  o  deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando  a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).  Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada  comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive  por meio  de  planilhas,  documentos  contábeis,  cópias  de  documentos,  cupons,  recibos  e  tantos  outros.  O  princípio  da  verdade  material,  alegado  pela  recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos.  Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil  ­  provisão  COFINS  a  recolher  em  31/07/2004,  onde  demonstra  de  janeiro  a  dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verifica­se  que  o  valor  a  recolher,  relativo  a  COFINS,  em  julho  de  2004,  seria  de  R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso ­ e­fls. 182/183).  A  escrituração  do  razão  contábil  em  conjunto  com  o  balancete  são  documentos  contábeis/fiscais  oficiais  que  fazem  prova  de  verdade.  Os  documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para  garantir  o  direito.  A  recorrente  também  alega  que  efetuou  a  retificação  na  DCTF original.  Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de  documentos  contábeis/fiscais  resta  demonstrado  o  valor  devido  do  tributo  e,  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.963671/2009­15  Resolução nº  3201­001.407  S3­C2T1  Fl. 6            5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o  devido.  Finalmente,  cabe  repetir  que  o  artigo  151,  III  do  Código  Tributário  Nacional  determina  que  as  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo  suspendem  a  exigibilidade  do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode,  se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e  incluir  o  contribuinte  no  Cadastro  Informativo  de  Débitos  não  quitados  de  Órgãos e Entidades Federais — CADIN.  Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da  verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido,  entendo  que  o  julgamento  deva  ser  convertido  em  diligência,  a  fim  de  que  o  Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil.  Após,  deve  a  recorrente  ser  instada  a  manifestar­se,  se  o  desejar,  com  o  retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento.  Destaque­se  que,  não  obstante  o  processo  paradigma  se  referir  unicamente  à  Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS.  Importa  registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e  jurídica  encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento  lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto, aplicando­se  a decisão do paradigma ao presente processo,  em razão  da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu  converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos  autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil.  Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o  retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza  Fl. 176DF CARF MF

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