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Numero do processo: 10073.901246/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 46 /2 01 3- 23 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10073.901246/201323 Acórdão n.º 1301003.338 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10073.901246/201323 Acórdão n.º 1301003.338 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente ao período de apuração de 30/09/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10073.901246/201323 Acórdão n.º 1301003.338 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10073.901246/201323 Acórdão n.º 1301003.338 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002173/2009-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/12/2003
PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL.
Não se tratando de indébito lastreado em decisão judicial apropriada, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal extingue-se após cinco anos contados da data de seu pagamento.
Numero da decisão: 9303-007.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1999 a 30/12/2003 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL. Não se tratando de indébito lastreado em decisão judicial apropriada, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal extingue-se após cinco anos contados da data de seu pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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TERMO INICIAL. Não se tratando de indébito lastreado em decisão judicial apropriada, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal extinguese após cinco anos contados da data de seu pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 21 73 /2 00 9- 98 Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.251 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n°3402003081, que negou provimento ao Recurso Voluntário, que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 30/11/2003 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL. Não se tratando de indébito lastreado em decisão judicial apropriada, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, extinguese após cinco anos contados da data de seu pagamento. Recurso negado. Ciente do referido acórdão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados por ausência de contradição, obscuridade e omissão. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, aponta dissídio interpretativo em relação as seguintes matérias: (i) Nulidade por cerceamento do direito de defesa, quanto à ausência de apreciação de questão relevante da defesa do contribuinte; (ii) Nulidade por cerceamento do direito de defesa, quanto à impossibilidade de julgamento “extra petita”; (iii) Nulidade por cerceamento do direito de defesa, quanto à impossibilidade de “supressão de instância”; (iv) Termo inicial para recuperar tributos declarados inconstitucionais em mandado de segurança impetrado pelo contribuinte; (v) Interrupção do prazo decadencial/prescricional em razão da impetração de mandado de segurança pelo contribuinte. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nsº CSRF/0303.358 e 2401002.846. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu parcial seguimento ao Recurso, especialmente quanto ao termo inicial para recuperar tributos declarados inconstitucionais em mandado de segurança impetrado pela Contribuinte e a interrupção do prazo decadencial/prescricional em razão da impetração de mandado de segurança, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls.1175/1184. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.252 3 Nada obstante, a Contribuinte agravou despacho proferido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, o Presidente do CARF rejeitou o agravo, confirmou o seguimento parcial do Recurso Especial. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, às fls.1238/1247, pugna pelo improvimento do Recurso interposto. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de Pedido de Restituição de importâncias pagas a título de COFINS, cujo pagamento indevido ou a maior da contribuição, segundo entendimento do Contribuinte, possibilitou a apresentação das Declarações de Compensação 29518.53717.301009.1.7.040006 (fls. 385/388, vol. 2), com débitos do IRPJ – R$ 7.690.287,44, e CSLL – R$ 2.842.483,00, e 13597.58807.301009.1.3.049842 (fls. 475/478, vol. 3), igualmente com débitos do IRPJ – R$ 667.113,22 e CSLL – R$ 246.804,05. O pleito, formalizado em 25/09/2009, segundo a Contribuinte (Vol. 1 fls. 02/12), teve por fundamento o Mandado de Segurança preventivo nº 99.00057457 (cópia da inicial às fls. 281/304 do vol. 2), transitado em julgado em 12/8/2008 (fl. 320), "que declarou a inconstitucionalidade de ampliação da base de cálculo do PIS e da COIFNS, prevista pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98", e pediu, em resumo, a restituição de "todos os valores recolhidos a partir de agosto de 1999, com base na sistemática estabelecida pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, realizados indevidamente", aduzindo que o prazo para a restituição "se inicia com o trânsito em julgado da ação". Formulou o pedido em formulário papel (fl. 13/105), alegando que "o § 2º do art. 3º da IN SRF 900/2008 admite a utilização dos formulários nas hipóteses, como a presente, em que a restituição de crédito não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à RFB mediante a utilização do programa PER/DCOMP". Anexou ao seu pedido planilha demonstrativa dos valores "que pretende restituir" (R$ 15.069.403,65), mas consignou que "o presente pedido de restituição tem por objeto exclusivamente os valores indevidamente quitados por DARFs" (fl. 371), incluindo nos cálculos "os juros e multa eventualmente recolhidos em conjunto com o valor das contribuições a serem restituídas". Por meio do Despacho Decisório de fl. 488, a Delegada da DRF Vitória, em 17/03/2010, considerou não formulado o pedido de restituição e não homologou as compensações devido à prescrição que alcançou os pagamentos em que se baseia o crédito (CTN, art. 168, I), com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 714 (fls. 479/488), de 05 de março de 2010. Com efeito, a 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Ilustre Relator Jorge Olmiro Lock Freire, com sua argúcia habitual, voto digno de nota, negou provimento ao Recurso Voluntário, Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.253 4 por entender que o direito à repetição do indébito não teria nascido com o trânsito e julgado do mandado de segurança, por este não ter natureza declaratória ou condenatória. Assevera, ainda, que o início do prazo decadencial teria como dies a quo o trânsito em julgado em ação declaratória mas não em mandado de segurança. Por outro lado, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, apresentou declaração de voto, ao meu juízo carente de fundamentação legal, no sentido de que: "a sentença proferida em sede de mandado de segurança tem cunho declaratório, cujo conteúdo não pode ser amesquinhado, sob pena de ilegitimamente diminuirse os efeitos da tutela jurisdicional proferida mediante instrumento tão caro ao ordenamento jurídico pátrio, alçado dentre as garantias fundamentais do artigo 5º da Constituição Federal. É, portanto, legítima a utilização da sentença do mandado de segurança que reconhece a inexistência de determinada relação jurídica/tributária em razão de inconstitucionalidade da norma instituidora da exação, como título judicial para requerer a restituição dos valores anteriores à sua impetração". Nada obstante, a Contribuinte alega que o prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação teria início somente com o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 99.00057457, impetrado para discutir a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por conseguinte, a inexigibilidade da Cofins com a base de cálculo ampliada, o que no seu entender, teria ocorrido apenas em 12/08/2008. Analisando a quaestio, a Contribuinte impetrou mandado de segurança preventivo (cópia da inicial às fls. 281/304 do vol. 2) contra a ampliação da base imponível da COFINS (§ 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98), com pedido expresso da suspensão de exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da aplicação dos artigos 3º, parágrafo primeiro e artigo 8º(alíquota de 2% para 3% da COFINS) da lei nº 9.718/98. Quanto aos valores recolhidos a maior, a Contribuinte ajuizaria ação própria e adequada para repetir o indébito tributário (ação ordinária). Do pedido junto aos autos do Mandado de Segurança, sobreveio a sentença ratificando a liminar para determinar autoridade impetrada que se abstenha de exigir da impetrante qualquer crédito tributário decorrente da alteração da base de cálculo da COFINS e do PIS, bem como da elevação da alíquota da COFINS, tal como previsto na lei nº 9.718/98, devendo aplicarse á impetrante a sistemática anterior ( lei complementar nº 70/91 e lei nº 9.715/98, respectivamente). Vejamos: Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.254 5 Como se vê, a Contribuinte foi ao judiciário por meio de mandado de segurança requerer exclusivamente a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, IV do Código Tributário Nacional CTN, decorrente da aplicação dos artigos 3º, parágrafo primeiro e artigo 8º(alíquota de 2% para 3% da COFINS) da lei nº 9.718/98, com sentença transitada e julgada sem efeito declaratório ou condenatório. No que tange a repetição do indébito recolhido em tese a maior, a própria Contribuinte indicou nos autos do mandado de segurança que seria ajuizada uma ação própria e adequada para repetir o indébito, que por obvio, seria por meio de uma ação que desconstituísse a relação jurídica tributária, não por Mandado de Segurança. De minha análise do feito, verifico que a Contribuinte impetrou o mandado de segurança com pedido peremptório de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, embora tenha anexado planilhas de cálculo e DARF' s do suposto pagamento a maior, digase de passagem de qualquer modo, equivocouse em sua tentativa frustrada de levar a erro o jurisdicionado, o que por via reflexa a tentativa futura de rediscutir, ressuscitar o mandado de segurança com a falsa premissa de que havia préconstituída prova do indébito, e que sentença assecuratória, também haveria de declarar o direito à compensação do pagamento a maior anterior a impetração do mandado de segurança. Contudo, o Magistrado teve o cuidado de fundamentar seu decisum no sentido de que: "o mandado de segurança não se presta para fazer as vezes de ação declaratória, nos termos pretendido pela Impetrante. A ação mandamental deve ter sempre por objeto a emissão, pelo magistrado, de uma ordem dirigida à autoridade apontada coatora. Pode ser uma ordem de não fazer, determinando a abstenção da prática de qualquer ato que se repute lesivo ao direito líquido é certo do autor, ou pode constituir numa ordem de fazer, determinado a prática de qualquer ato, quando lesiva seja a omissão. O mero pedido de declaração de inexistência de relação jurídica tributária e de inconstitucionalidade de normas legais é, pois, inadequado e incompatível com a via especialíssima do "mandamus". Sem embargo, rechaço a tese da Contribuinte, bem como a declaração de voto contida na decisão recorrida, para melhor esclarecer, á título de boa técnica jurídica, ao invés da Contribuinte de modo açodado sair compensando valores sem autorização judicial, após um ano do transito em julgado do mandado de segurança que assegurou apenas a suspensão da Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.255 6 exigibilidade do crédito tributário, buscou a via administrativa para legitimar o crédito tributário sem liquidez. Deveria ter instruído o mandado de segurança de modo correto, com pedido de compensação, até porque á época havia a discussão de que após a concessão da segurança, era possível apenas a execução dos valores que foram indevidamente pagos após a impetração do mandado de segurança em sintonia com as súmulas 269 e 2711 do STF. Em que pese, na época dos fatos, os precedentes que originaram as súmulas nºs 269 e 271, diziam respeito à compensação de tributos, todos ligados a provimentos condenatórios a pagamentos. De fato, após a aprovação da súmula 2132 do Superior Tribunal de Justiça STJ, essa mesma Corte teve oportunidade de se pronunciar outras vezes sobre a matéria: Precedentes: EDcl no REsp 77.226MG (2ª T, 10.02.1998 – DJ 02.03.1998) REsp 119.155SE (2ª T, 07.08.1997 – DJ 20.10.1997) REsp 137.790PA (2ª T, 05.02.1998 – DJ 02.03.1998) REsp 145.138SP (1ª T, 03.11.1997 – DJ 15.12.1997) REsp 148.742SP (1ª T, 10.02.1998 – DJ 13.04.1998) REsp 148.824PB (2ª T, 16.10.1997 – DJ 17.11.1997). Sem embargo, no mandado de segurança a época, a declaração do direito à compensação, segundo o STJ, no julgamento do REsp 1.111.164/BA (julgado sob o rito repetitivo), poderia ocorrer de duas formas: 1) o pedido para ser reconhecido o direito de compensar que tem como pressuposto um ato da autoridade de negar a compensabilidade, mas sem fazer juízo específico sobre os elementos concretos da própria compensação"; e 2) a impetração "à declaração de compensação " que agrega "pedido de juízo específico sobre os elementos da própria compensação" e "pedido de outra medida executiva que tem como pressuposto a efetiva realização da compensação". Quanto a primeira situação pressupõe dois fatos jurídicos administrativos concretos: o primeiro, a existência de um processo administrativo prévio proposto pelo contribuinte perante o órgão público, a fim de se restituir/compensar tributo que entende ser indevido, já o segundo, a existência de um ato administrativo ilegal de indeferimento do referido processo. Destarte, o mandado de segurança, nessa ocasião, impetrado em face do ato administrativo que negou o direito à compensação, não se discutindo, na hipótese, a forma em que será realizada a compensação, o índice corretivo, o indébito compensável, o prazo de prescrição, irrelevante, nesse caso, segundo posicionamento do STJ naquela oportunidade, a existência de provas préconstituídas dos elementos concretos da compensação, mas apenas da existência do processo e da negativa da autoridade coatora. 1 Súmula 269: O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança. Súmula 271: Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. 2 Súmula 213.O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.256 7 Já na segunda situação, pressupõese apenas um ato da administração pública, que, em tese pode ser a cobrança indevida de um tributo, renovada periodicamente (anual/trimestral/mensalmente). Nessa ocasião, apesar de não ser necessária a liquidação da quantia compensável, para o STJ, é indispensável a prova préconstituída dos elementos concretos da compensação, o que se faz por meio de provas como DCTF's e DARF'S. Frente as provas devidamente préconstituídas, a sentença assecuratória, ao declarar o direito à compensação, embora não liquide a quantia a ser compensada, deve fixar a forma em que será realizada a compensação, por exemplo decadência e prescrição. Como visto, essa hipótese não se confunde com vedação prevista nas súmulas 269 e 271 do STJ, até porque essa declaração do direito à compensação não produz efeitos patrimoniais pretéritos, mas sim futuros. In caso, hipoteticamente a Contribuinte tivesse a cautela de adotar os procedimentos de modo correto, após concedida a segurança pleiteada, deveria postular junto a Receita Federal do Brasil á previa habilitação do crédito. Como não o fez, cabe o Fisco no prazo de 5 (cinco) anos, fiscalizar se os valores compensados eram cabíveis, bem como se os procedimentos adotados para compensação foram realizados segundo os ditames legais. Do contrário, cabe a autoridade administrativa lavrar Auto de Infração, como fez. No presente caso, a sentença proferida nos autos do mandado de segurança constou expressamente que o MS em questão não se prestava à declaração de inexistência de relação jurídica tributária, dessa forma, concluise que essa decisão não pode ser enquadrada na hipótese disposta no Parecer PGFN/CRJ/nº 1177/2013, considerando que esse contemplou apenas as sentenças de mandado de segurança, que reconhecem a inexistência de relação jurídicotributária, quanto à compensação dos créditos pretéritos ao ajuizamento da ação mandamental. Ademais, a título de esclarecimento, a lei nº 12.016, promulgada em 07 de agosto de 2009, ao regular o Mandado de Segurança, em especial, às questões tributárias, restringe a compensação de créditos tributários por via mandamental. Neste sentido, irretocável a decisão recorrida. Quanto ao termo inicial para recuperar tributos declarados inconstitucionais em mandado de segurança impetrado pela Contribuinte, bem como interrupção do prazo decadencial, também não lhe assiste razão. A decisão que tomou como termo inicial para a repetição, in casu, como sendo a data do eventual pagamento, incidindo, portanto, na hipótese, o art. 168, I, do CTN, pois não se trata de valor oriundo de decisão judicial em ação declaratória/condenatória (repetição de indébito). Como bem delineado pela decisão recorrida, "nem se fale na tese dos 5 + 5 porque na data do protocolo do pedido judicial e administrativo já vigia a LC 118/2005, de acordo com a jurisprudência que veio a cristalizarse. Em resumo, sua incidência teve como marco inicial a data de 09/06/2005, ou seja 120 dias da publicação da LC 118 (EREsp 327.043/DF). Por isso, despropositado arguir tal tese". Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 9303007.256 CSRFT3 Fl. 1.257 8 Portanto, resta decaído o direito ao crédito, considerando que o pedido de restituição foi protocolado em 25/09/2009, o prazo para a repetição é de cinco anos e ele deve ser contado da data em que ocorreu o pagamento antecipado. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1257DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.903744/2009-28
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário nos limites do Relatório de Diligência DRF Aracaju/SE, e-fls. 200-204.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário nos limites do Relatório de Diligência DRF Aracaju/SE, efls. 200204. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 37 44 /2 00 9- 28 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 212 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 41906.93455.171106.1.3.043501 em 17.11.2006, efls. 0104, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, no valor original de R$1.041,05 arrecadado em 10/12/2002, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 09, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.041,05. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. [...] CÓDIGO DE RECEITA: 6106 [...] DATA DA ARRECADAÇÃO: 10/12/2002 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1526.931, de 26.04.2011, fl. 30: COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 16.06.2011, efl. 44, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.07.2011, efls. 4564, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I DOS FATOS [...] 2 Alega também que em 2002 e 2003 não houve qualquer recolhimento de tributos relativos ao AC 2002 devidos pelas empresas submetidas à apuração do imposto de renda pelo lucro presumido, dizendose que foram recolhidos apenas DARF com código 6106 referente ao SIMPLES. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 213 3 II DA DEFESA 1 A recorrente foi excluída do SIMPLES a partir do dia 01/01/2002 através do Ato Declaratório Executivo DRF/AJU n° 464.517 de 07/08/2003. Baseado neste fato, a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica válida para o contribuinte no AC 2002 é a DIPJ Lucro Presumido entregue em 16/09/2003 e não a DSPJ Simples apresentada em 27/05/2003 como alega a DRFB de Julgamento em Salvador/BA. 2 Em virtude da exclusão do SIMPLES, a recorrente optou pelo Parcelamento Especial PAES / Lei n° 10.684/03 de todos os tributos devidos pela empresa no AC 2002 (PIS/COFINS/CSLL/IRPJ), conforme documentos comprobatórios apensos. Concernente ao pedido expõe que: Diante dos fatos apresentados, ladeados por documentos, a recorrente comprova a improcedência das razões pleiteadas por este Conselho, requerendo o reconhecimento do direito creditório e a homologação da PER/DCOMP, bem como reconhecer os recolhimentos dos tributos federais, os quais foram devidamente parcelados e quitados dentro do prazo estabelecido pela RFB, tornando procedente a Manifestação de Inconformidade. O julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 1802 000.339, de 08.10.2013, efls. 8590, para: Com efeito, a persistir a contenda tratada nos presentes autos, os mesmos devem retornar a DRF de Aracaju para, cumprindo a diligência requerida por este colegiado, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao ano calendário de 2002. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem Aracaju/ SE, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 214 4 fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. O Relatório de Diligência DRF Aracaju/SE, efls. 200204, foi emitido e regularmente notificado a Recorrente em 15.01.2018, efl. 206, que permaneceu silente. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 215 5 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Relatório de Diligência DRF Aracaju/SE, efls. 200204, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): A pessoa jurídica acima identificada apresentou Declaração de Compensação eletrônica (DCOMP) 41906.93455.171106.1.3.043501, às fls. 02/05, por meio da qual extingue débito de Simples PA 10/2006, com o crédito originário do pagamento indevido de Simples PA 11/2002, no valor de R$ 3.744,40. Consoante Despacho Decisório eletrônico nº de Rastreamento 842623927, de 22/06/2009, às fls. 10/11, a compensação declarada não foi homologada uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o pagamento discriminado na DCOMP foi integralmente utilizado na quitação do débito do Simples PA 11/2002. Inconformado com a decisão, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 13, remetida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) para apreciação, onde alega que foi excluída do Simples no ano calendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, entregue em 16/09/2003. Porém, mesmo após a apresentação da declaração correta, a DIPJ 2003, novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 216 6 o DARF do crédito, por erro nos sistemas da RFB, continuava vinculado à Declaração Simplificada DSPJ, apresentada em 27/05/2003 e cancelada em virtude da apresentação posterior da DIPJ. Por fim, solicita, diante dos fatos, “a desvinculação dos SIMPLES pagos referentes ao anocalendário 2002 para que a PER/DCOMP acima mencionada seja homologada e assim seja suspensa a cobrança do débito contida no referido Despacho Decisório, por ser improcedente”. A DRJ de Salvador (BA), através do Acórdão 1526.931 – 4ª Turma da DRJ/SDR, de 26/04/2011, às fls. 41/42, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo “o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado”, conforme consubstanciado na ementa. Irresignada com a decisão, da qual tomou ciência em 16/06/2011 (fl. 43), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 14/07/2011, às fls. 45/46, onde argumenta que foi excluída do Simples a partir do dia 01/01/2002, através do Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 464.517, de 07/08/2003. Expõe ainda que, como conseqüência, a DIPJ do Lucro Presumido é a declaração válida para o AC 2002, tendo os tributos devidos nessa modalidade sido incluídos no Parcelamento Especial – PAES (Lei 10.684/2003). Na oportunidade, requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a compensação efetuada pela recorrente. Em 07/05/2013, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através da Resolução nº 1802000.211 – 2ª Turma Especial (fls. 67/72), entendeu a necessidade de comprovação do indébito do pagamento do Simples em face da afirmação da contribuinte de que foi excluída do Simples retroativamente a 01/01/2002, fato esse não refutado pela DRJ de Salvador (BA). Para tanto, baixou o processo em diligência para que esta Delegacia: a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar. Em 23/07/2013, antes de concluída a diligência acima, a contribuinte apresentou, à fl. 75, requerimento de desistência da ação administrativa constante nos processos administrativos abaixo relacionados: 10510.903.786/200969; 10510.903.872/200971; 10510.903.873/200916. No Despacho de Encaminhamento ao CARF para apreciação do pedido de desistência, à fl. 83, esta DRF salientou que, na petição apresentada, foram informados “os processos de débitos relativos às compensações não homologadas, no entanto o que se encontra em julgamento de Recurso Voluntário são os respectivos processos de Crédito, conforme tabela abaixo”. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 217 7 PROCESSO DE COBRANÇA PROCESSO DE CRÉDITO EM JULGAMENTO 10510903.786/200969 10510903.633/200911 10510903.872/200971 10510903.743/200983 10510903.873/200916 10510903.744/200928 Como a contribuinte apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário em relação ao processo de cobrança eletrônico nº 10510.903873/200916 e não, do processo nº 10510.903744/200928, em que se discute o crédito vinculado na DCOMP 41906.93455.171106.1.3.043501, o CARF, através da Resolução nº 1802 000.339 – 2ª Turma Especial, de 08/10/2013, às fls. 85/90, decidiu, em virtude da inexistência de mérito a ser analisado, pelo retorno dos autos a esta Delegacia para, em cumprimento à diligência requerida, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao anocalendário de 2002; d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. O CARF solicita ainda que, concluída a diligência, seja elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao Conselho para prosseguimento do julgamento. Nesse sentido, cumprenos emitir relatório conclusivo quanto à existência de crédito passível de homologação da compensação declarada, do qual deverá ser cientificado o interessado, que poderá se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, prestando ainda as informações solicitadas pelo CARF, como segue. a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente Inicialmente, passamos ao exame da situação da empresa no anocalendário de 2002 a fim de aferir se o pagamento do Simples referente ao mês de maio/2002 foi indevido. Dessa forma, perscrutando os sistemas da RFB, constatamos que a contribuinte fora realmente excluída do Simples em 11/11/2003, com data de efeito retroativo a 01/01/2002, conforme consultas às fls. 93/94. A exclusão se deu através da emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 464517, de 17/08/2003, cópia à fl. 95, em face de o sócio ou o titular participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassar o limite legal. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 218 8 Por oportuno, destaquese que a empresa foi excluída do Simples a partir do anocalendário 2002, voltando a aderir ao regime simplificado nos anoscalendário 2004 a 2006, conforme se depreende da consulta ao histórico do Simples Federal às fls. 96/98, onde se lê que os códigos de evento 302 e 311 são de exclusão e o código 301 é de opção ao regime unificado de pagamento dos tributos, de acordo com a tabela de eventos à fl. 99. Salientamos ainda que a contribuinte nunca foi optante do Simples Nacional, conforme consulta a optantes à fl. 100. b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002 Em face do recebimento do ADE de exclusão do Simples, em 27/08/2003, a empresa apresentou, em 16/09/2003, a DIPJ 2003 (cópia às fls. 101/133) pelo regime de tributação do Lucro Presumido no anocalendário 2002, onde apurou os tributos de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, os quais foram declarados em DCTF e lançados no sistema da RFB, conforme extrato de débitos e créditos às fls. 134/137. Os débitos referentes ao mês de novembro/2002 foram declarados na DCTF do 4º Trimestre/2002 (fls. 138/149). c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao anocalendário de 2002 Os débitos referentes ao anocalendário de 2002 de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS declarados em DCTF não foram pagos, mas foram incluídos no Parcelamento Especial – PAES, em 28/08/2003. A conta PAES encontrase na situação de “ENCERRADA POR LIQUIDAÇÃO” e o processo de parcelamento 10510.452492/200451 se encontra “ENCERRADO POR QUITAÇÃO PARCELAMENTO”, de acordo com os extratos às fls. 150/180. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo Vide as alegações da alínea “a” anterior. A cópia do Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 464517, de 17/08/2003, foi acostada à fl. 95. e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido A DIPJ do Lucro Presumido foi indevidamente cancelada pela malha cadastro em 21/10/2003, enquanto que a Declaração do Simples (cópia às fls. 181/184) foi liberada, de acordo com as consultadas das declarações às fls. 185/190, em virtude de o sistema SIVEX ainda não ter processado a exclusão do Simples, que só se deu em 11/11/2003 como vimos na alínea “a”. Como conseqüência de a Declaração do Simples permanecer ativa, os débitos de Simples não foram excluídos do sistema Conta Corrente PJ nem os respectivos pagamentos foram liberados, segundo consultas às fls. 191/192. Portanto, o crédito em questão não foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB Como os pagamentos permaneceram alocados aos débitos do Simples, não houve quaisquer vinculações desses pagamentos com outro tributo administrado pela RFB. g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10510.903744/200928 Acórdão n.º 1003000.174 S1C0T3 Fl. 219 9 As cópias da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente ao 4º Trimestre/2002 foram acostadas ao presente processo às fls. 101/133 e 138/149, respectivamente. Dessa forma, constatase a existência de crédito oriundo do pagamento indevido de R$ 3.744,40, realizado em 10/12/2002 (fl. 192), porquanto inexiste débito de Simples PA 11/2002 uma vez que a empresa foi excluída do Simples no anocalendário de 2002. Por conseguinte, consideramos as planilhas de cálculo elaboradas com o crédito utilizado de R$ 1.041,05 na DCOMP 41906.93455.171106.1.3.043501, nos termos dos demonstrativos de fls. 07/09, e constatamos que o referido crédito dá lastro à homologação da compensação realizada via Declaração de Compensação eletrônica 41906.93455.171106.1.3.043501, às fls. 02/05. Salientese que do total do crédito disponível de R$ 3.744,40 foi utilizado, além do valor de R$ 1.041,05 na DCOMP ora em análise, o valor de R$ 2.703,35 na DCOMP 38667.27943.201006.1.3.046290, conforme consultas às fls. 193/194 e extrato da DCOMP 38667.27943.201006.1.3.046290 às fls. 195/199. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário nos limites do Relatório de Diligência DRF Aracaju/SE, efls. 200204. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903869/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 150 1 149 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.903869/201343 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.626 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria PIS Recorrente UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 69 /2 01 3- 43 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego o relatório desenvolvido no acórdão n. 0133.546 (fls. 135/140), desenvolvido pela DRJ de Belém/PA, o que passo a fazer nos seguintes termos: Cuida o presente da Pedido de Restituição 00802.08619.280613.1.2.047806, em face de pagamento indevido ou a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS, código de receita 8301, período de apuração 31/07/2008, data de arrecadação 20/08/2008, sendo o valor do crédito pleiteado, R$ 831,21. Através do despacho decisório de fl. 130, aludida restituição restou indeferida, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada em 21 de janeiro de 2014, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, em 19 de fevereiro de 2014, por meio da qual alega: I DOS FATOS 1) Em 28 de Junho de 2013, 19 de Julho de 2013, 22 de Julho de 2013 e, 21 de Agosto de 2013 respectivamente, a Unimed Pato Branco Cooperativa de Trabalho Médico encaminhou "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO" através de envio de PER/DCQMP Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação, referente a contribuições de PIS sobre Folha de Pagamento recolhidas no período Julho de 2008 a Dezembro de 2012, por pagamento indevido ou a maior. 2) Em 27 de Junho de 2013 e, 19 de Julho de 2013 respectivamente, a Unimed Pato Branco Cooperativa de Trabalho Médico encaminhou "retificação" do DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociaisr das competências: Julho/2008 a Dezembro/2012; 3) Em 20 de Janeiro de 2014, a Cooperativa foi cientificada através dos Despachos Decisórios em epígrafe, nos quais está relatado que fora "INDEFERIDO" o pedido de restituição pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento no Art. 165 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). 4) A Unimed Pato Branco Cooperativa de Trabalho Médico, não se conformando com as decisões proferidas nos referidos Despachos Decisórios pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, efetuou visita a Agência da Receita Federal em Pato Branco onde foi orientada pelo servidor desta de que, além dos procedimentos declarados nos itens 2 e 3 supra mencionado, seria necessário efetuar também, a retificação das DCTF's do mesmo período. Assim, a Unimed Pato Branco, reconhecendo a omissão deste procedimento quando do pedido Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10935.903869/201343 Acórdão n.º 3402005.626 S3C4T2 Fl. 151 3 inicial, na data de 18 de Fevereiro de 2014/ efetuou a retificação de todas as DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, do período de Julho de 2008 a Dezembro de 2012. Na tentativa de retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 2o Semestre/2008 o sistema não aceitou a retificação da mesma, todavia, como o processo está sob judice, estamos anexando ao presente cópia da referida Declaração. Anexa extrato da DCTF do 2º trimestre de 2008 e recibo de entrega das DCTF´s retificadas. Ao final, requer que o cancelamento do Despacho Decisório e a ratificação e homologação do Pedido de Restituição. (...). 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. DACON. RETIFICAÇÃO.PROVA. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do despacho decisório, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 146/147, oportunidade alegou ter promovido a retificação das DCTF's para o período em análise, exatamente como aventado na decisão recorrida. 4. É o relatório. Voto Conselheir Diego Diniz Ribeiro I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto Fl. 152DF CARF MF 4 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.004572/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Constitui infração deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do art. 32, I, da Lei n° 8.212/91, c.c. art. 225, I, § 9º, do Decreto n° 3.048/99.
ATENUAÇÃO OU RELEVAÇÃO DA PENALIDADE.
Não solicitada na peça de defesa a relevação da multa aplicada, nem corrigida a falta até o termo final do prazo para impugnação, requisitos cumulativos previstos no art. 291 e seu § 1º do Decreto nº 3.048/99, não há que se falar em atenuação ou relevação da penalidade.
Numero da decisão: 2402-006.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice- presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Constitui infração deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do art. 32, I, da Lei n° 8.212/91, c.c. art. 225, I, § 9º, do Decreto n° 3.048/99. ATENUAÇÃO OU RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. Não solicitada na peça de defesa a relevação da multa aplicada, nem corrigida a falta até o termo final do prazo para impugnação, requisitos cumulativos previstos no art. 291 e seu § 1º do Decreto nº 3.048/99, não há que se falar em atenuação ou relevação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 45 72 /2 00 8- 01 Fl. 947DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1527.020, da 7ª Turma da DRJ de Salvador (fls. 141/147), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.174.3940 para a imposição de multa por ter a contribuinte deixado de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária no período de 01/01/2003 a 31/12/2003, infringindo o art. 32, I, da Lei n° 8.212/91 c.c art. 225, I, § 9º do Decreto nº 3.048/99. Em função disso, foi aplicada multa no valor de R$ 1.254,89 (um mil e duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), conforme disciplinam os arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e 283, I, “a” do Decreto nº 3.048/99. Informa o auditor que não foram configuradas circunstâncias atenuantes ou agravantes, nem caracterizada reincidência. A recorrente apresentou impugnação arguindo prescrição e decadência da multa lançada, bem como das obrigações principais objeto de outros autos de infração. No mérito, alega multa deve ser relevada, uma vez que não houve dolo ou culpa de sua parte no cometimento da incorreção que, ademais, atingiu apenas o patamar procedimental. Afirma que não houve nenhuma defasagem em relação ao valor devido e o que foi pago, de modo que a contribuinte recolheu a contribuição devida e apenas por falhas no próprio sistema, o recolhimento restou demonstrado de forma divergente. A DRJ em Salvador julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PREPARAR FOLHASDEPAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS PREVISTOS EM LEGISLAÇÃO PREVDDENCIÁRIA. Constitui infração deixar de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso I, § 9º, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. MULTA. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no art. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso I "a" e art. 373 do RPS. Fl. 948DF CARF MF ATENUAÇÃO OU INOCORRÊNCIA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. Não solicitada na peça de defesa a relevação da multa aplicada e nem corrigida a falta até o termo final do prazo para impugnação, não há que se falar no instituto da atenuação ou relevação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão aos 29/06//2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário a 01/08/2012, repetindo exatamente os mesmos argumentos de mérito já tecidos em sua impugnação, no sentido de que não houve dolo, culpa ou máfé no cometimento da infração, de que a incorreção foi apenas procedimental e não implicou em redução no valor do pagamento do tributo devido. Desse modo, insiste que a multa deve ser relevada, conforme prevê o art. 291 e seu § 1º do Decreto nº 3.048/99. Cita precedente do TRF2 que entende amparar essa sua pretensão Requer, por fim, o provimento do recurso, para anular a multa imposta. Sem contrarrazões. Encaminhados os autos a este Conselho para julgamento do recurso, constatou o então relator que a presente autuação estaria relacionada à exigência das contribuições previdenciárias consubstanciadas nos Procedimentos Administrativos Fiscais de nºs 18050.004559/200844 (DEBCAD nº 37.174.3915), 18050.004560/200879 (DEBCAD nº 37.174.3907), 18050.004561/200813 (DEBCAD nº 37.174.3923), 18050.004562/200868 (DEBCAD nº 37.174.3931) e 18050.004574/200892 (DEBCAD nº 37.174.3974). Nesse contexto, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem providenciadas cópias dos autos dos PAF’s em questão por entender o relator que o julgamento das infrações por descumprimento de obrigações principais, então pendentes de análise perante a DRJ em Salvador, poderiam impactar diretamente no desfecho desta demanda, uma vez que, no seu entendimento, caso fosse reconhecido que os valores constituídos naquelas notificações fiscais não são devidos, poderia haver a exclusão total da multa aplicada neste processo. Cumprida a diligência e vindo aos autos as cópias solicitadas, o processo retornou, então, a este E. Conselho para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 949DF CARF MF 4 Considerando que o recurso voluntário não trouxe nenhum argumento novo visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador e contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, com os quais estou de pleno acordo: Da infração. Da multa aplicada. Consoante Relatório Fiscal da Infração, às fls. 17/19, o presente Auto de Infração foi lavrado em razão de a empresa ter deixado de preparar as folhas de pagamento as remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (empregados e contribuintes individuais), de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, referentes ao período de 01/2003 a 12/2003. Nos termos da legislação previdenciária a empresa é obrigada a: Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: 1 preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Decreto 3.048/99 Art.225. A empresa é também obrigada a: Ipreparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (grifos nossos). § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99) III – destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; IV – destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; V – indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Da análise do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 17/19) e dos dispositivos legais anteriormente transcritos, verificase que a empresa autuada não agiu conforme exige a lei, deixando de cumprir a obrigação acessória prevista art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso I, § 9º, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, incorrendo, assim, na falta apontada pelo Auditor. Fl. 950DF CARF MF Com efeito, está a empresa obrigada a preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados empregados e aos contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. A não preparação das folhas de pagamento, na forma estipulada pelo órgão competente, enseja a lavratura de Auto de Infração com aplicação da multa correspondente. Por ter incorrido em tal infração à legislação previdenciária, foi aplicada a multa prevista no art. 283, inciso I, alínea "a", atualizada nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, DOU de 12 de março de 2008, de acordo com as regras de reajuste estabelecidas no art. 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e art. 373 do Decreto n° 3.048, de 1999, perfazendo o total de R$ 1.254,89 (um mil e duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). Da não relevação ou atenuação da multa. As punições constantes da legislação previdenciária são passíveis de atenuação ou relevação, mediante certas condições, consoante o que prevê o Regulamento da Previdência Social (RPS), alterado pelo Decreto n° 6.032, de 01 de fevereiro de 2007, em seu artigo 291, caput, e parágrafo 1º, abaixo transcritos. Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Os requisitos arrolados no parágrafo 1º do artigo 291 do RPS são cumulativos e não podem ser desprezados para o gozo do benefício da relevação. Neste sentido, nos termos do Decreto n° 6.032, de 01 de fevereiro de 2007, para que o sujeito passivo obtenha a relevação da multa aplicada, além de ser primário e não ter incorrido em circunstâncias agravantes, fazse mister a formulação do pedido e a correção da falta dentro do prazo de impugnação. Para que o contribuinte obtenha a atenuação da multa imposta, basta que corrija a falta até o termo final do prazo para impugnação. No caso em destaque, o contribuinte foi cientificado em 24/07/2008, data posterior a publicação do Decreto n° 6.032, de 01 de fevereiro de 2007, e embora seja primário, não tenha incorrido em circunstâncias agravantes, não solicitou na peça de defesa a relevação da multa aplicada nem corrigiu a falta apontada no presente Auto de Infração até o termo final do prazo para impugnação, conforme art. 291, caput e § l° do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1991, alterado pelo Decreto n° 6.032, de 2007. Dessarte, não será relevada ou atenuada a multa cominada. Por tudo exposto, em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, voto no sentido de que seja julgado procedente o lançamento consubstanciado no presente Auto de Infração, perfazendo a multa aplicada o valor de R$ 1.254,89 (um mil e duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), referente ao período de 01/2003 a 12/2003. DO PRECEDENTE DO TRF2 Por derradeiro, para o fim de ratificar o acerto da decisão recorrida, à qual aderimos, cumpre esclarecer que o precedente do E. Tribunal Regional Federal da 2ª Região Fl. 951DF CARF MF 6 citado pela recorrente no seu recurso, que, no seu entendimento, ampararia seu pedido de relevação da multa, versa hipótese distinta da tratada nos presentes autos. Com efeito, pelo teor da ementa transcrita no recurso voluntário, o precedente em questão (AC 200002010066180) trata de hipótese de imposição de multa processual em caso de Embargos de Declaração entendidos protelatórios pelo julgador “a quo”. Naquele processo, o Tribunal “ad quem” (no caso, o TRF2) entendeu que a imposição de multa por oposição de embargos declaratórios com intuito procrastinatório é penalidade grave, que demanda manifesto intuito de retardar o feito, sendo ferramenta de coibição do “abuso que beire a máfé processual”, o que o Tribunal entendeu não ter se verificado naquele caso concreto. Assim, houve por bem, conforme ementa do julgado, “relevar” a penalidade. Pois bem. A multa tratada naquele caso estava prevista, à época, no art. 538, p. ún., do CPC/73 (prevista, atualmente, no art. 1026, § 2º do NCPC), que assim dispunha: Art. 538. Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por qualquer das partes. Parágrafo único. Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal, declarando que o são, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios, a multa é elevada a até 10% (dez por cento), ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo. Conforme se constata do teor do parágrafo único do dispositivo acima reproduzido, o juiz ou tribunal condenará o embargante a pagar ao embargado multa de 1% (um por cento) sobre valor da causa quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração. Ou seja o intuito protelatório dos embargos de declaração (e a máfé subjacente a essa conduta) é requisito para a aplicação da multa na hipótese tratada no CPC 538 p. ún. Disso deflui que quando o E. TRF2 alude a “relevar” a multa, sabendo que, como nos ensina o léxico, relevar significa “perdoar” e perdoar, por sua vez, é “renunciar à punição”, o que fez aquele tribunal, em verdade, foi cancelar a multa aplicada posto que, uma vez que se verificou, como expresso na ementa, a não ocorrência no caso do “abuso que beire a máfé processual”, não estava satisfeito o requisito legal exigido para a punição. Em outros termos, não houve perdão da punição (ou seja, “relevação” da pena) uma vez que ela sequer poderia ter sido aplicada porque não havia causa legal para isso. Daí seu cancelamento (e não relevação!) pelo Tribunal. Diferente é a situação tratada nestes autos. Aqui, a multa é a pena pela prática da infração verificada. O requisito para a aplicação da pena é a prática da infração, e não ter havido, ou não, máfé. Por sua vez, as hipóteses de relevação da penalidade estão expressamente previstas na norma, qual seja o art. 291, § 1º do Decreto nº 3.048/99, que não prevê a boafé ou a ausência de máfé como requisito isolado para tanto. Ao contrário, para que a multa possa ser relevada, é necessário que sejam cumpridos os seguintes requisitos, cumulativamente: que Fl. 952DF CARF MF seja formulado pedido nesse sentido, seja corrigida a falta cometida dentro do prazo para impugnação, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Atentemos para o fato de que, nos termos do art. 292, II do Decreto nº 3.048/99, agir com dolo, fraude ou máfé é circunstância agravante da pena: “Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) II agido com dolo, fraude ou máfé; (...).” Ou seja, nesse contexto, a máfé se trata, portanto, de “requisito negativo”, que não pode estar presente, que, aliado aos outros três previstos no §1º do art. 291, todos satisfeitos conjuntamente, ensejam a relevação da penalidade. É dizer, o fato de não ter agido com máfé apenas não impediria a relevação da multa, caso cumpridos os demais requisitos do § 1º do art. 290 pela recorrente (o que, de fato, não ocorreu), mas não é causa que, isoladamente, a autorizaria, de modo que o precedente colacionado pela recorrente não é hábil a amparar suas razões visando à relevação da multa que lhe foi imposta. CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 953DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17698.001477/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PERÍCIA. NÃO CABIMENTO.
A perícia constitui providência que se mostra cabível somente quando o Julgador entender que os fatos, provas ou circunstâncias relacionadas ao litígio necessitam de maiores esclarecimentos para sua devida compreensão e valoração. Quando ausente esta necessidade, ou seja, na hipótese do Julgador reunir condições para julgar a lide tal como instruída, eventual pedido de perícia deve ser indeferido.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TRANSPORTE.
Os tributos devidos pela pessoa jurídica inscrita no SIMPLES devem ser calculados com base na aplicação de percentuais sobre a receita bruta mensal auferida, excluindo-se as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e eventuais impostos não cumulativos sob certas condições.
Para as empresas prestadoras de serviços de transporte, também é possível deduzir da receita bruta os valores a título de pedágios, conforme previsão legal expressa (artigo 2º da Lei nº 10.209/2001). Outros custos ou despesas, ainda que terceirizados e considerados essenciais à atividade explorada, não são dedutíveis da base de cálculo por falta de previsão legal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável.
SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL.
A lei veda a participação no Simples de pessoa jurídica - empresa de pequeno porte - que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, no caso 2004, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO.
De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO.
A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida por ocasião do lançamento.
Numero da decisão: 1201-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Mareques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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NÃO CABIMENTO. A perícia constitui providência que se mostra cabível somente quando o Julgador entender que os fatos, provas ou circunstâncias relacionadas ao litígio necessitam de maiores esclarecimentos para sua devida compreensão e valoração. Quando ausente esta necessidade, ou seja, na hipótese do Julgador reunir condições para julgar a lide tal como instruída, eventual pedido de perícia deve ser indeferido. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. Os tributos devidos pela pessoa jurídica inscrita no SIMPLES devem ser calculados com base na aplicação de percentuais sobre a receita bruta mensal auferida, excluindose as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e eventuais impostos não cumulativos sob certas condições. Para as empresas prestadoras de serviços de transporte, também é possível deduzir da receita bruta os valores a título de pedágios, conforme previsão legal expressa (artigo 2º da Lei nº 10.209/2001). Outros custos ou despesas, ainda que terceirizados e considerados essenciais à atividade explorada, não são dedutíveis da base de cálculo por falta de previsão legal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 14 77 /2 00 8- 70 Fl. 3013DF CARF MF 2 diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável. SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. A lei veda a participação no Simples de pessoa jurídica empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, no caso 2004, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida por ocasião do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Mareques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório O presente processo administrativo é decorrente: (i) de Autos de Infração (fls. 20/58) que exigem tributos na sistemática do Simples Federal (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 17698.001477/200870 Acórdão n.º 1201002.370 S1C2T1 Fl. 3 3 INSS), referentes ao anocalendário de 2004, em razão da apuração de omissão de receitas; e (ii) da exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005, formalizado através do Ato Declaratório Executivo (ADE n. 12, de o2 de Abril de 2009 fls. 2.721), que foi emitido como conseqüência da autuação em questão. De acordo com o Relatório Verificação Fiscal (fls. 3/7): 3. Diferença de base de cálculo: Analisando o Livro Caixa da empresa, constatamos que a contribuinte registrava o valor das receitas nas contas 00113 e 00114 receitas de serviço. Os valores assim registrados, a partir do mês de abril/2004 correspondem aos somatórios mensais registrados no livro Registro de Saídas. Os valores das saídas registrados referemse à prestação de serviço de transporte (CFOP 5.352 e 6.352), conforme Informado nas GIAs e correspondem ao somatório dos valores dos conhecimentos de transportes registrados no livro de registro de saídas. Confrontandose os valores mensais das receitas e saídas escrituradas com as receitas mensais informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ), referente ao ano calendário 2.004 (ND 7624341), verificase que aqueles são superiores às receitas mensais declaradas, conforme demonstrado na planilha a seguir: Fl. 3015DF CARF MF 4 Face às divergências assim apuradas, foi a contribuinte regularmente intimada a justificar, mediante documentação hábil e idônea tais diferenças. Em 04/12/2008, foi protocolizada carta (em anexo) justificando as divergências apontadas no Termo de Intimação Fiscal 36/08. Na carta a empresa informa: A empresa esclarece que o valor apresentado em livros fiscais em Valor Contábil e Gias em Faturamento, é o valor do pagamento total do frete (Receita), sendo incluso o valor pago ao agenciador (empresa), do qual representa aproximadamente 20%, e o valor pago ao motorista que representa aproximadamente 80% do total da receita. Sendo assim o valor escriturado e declarado, não representa o faturamento total da empresa e o valor declarado na DSPJ é o valor real de seu faturamento (Receita Líquida da empresa). Anexou à referida carta alguns conhecimentos de transporte rodoviário de cargas, recibos de pagamento de frete e planilha exemplificando o cálculo utilizado. Para justificar as diferenças apuradas por esta fiscalização, a empresa alega que sua receita seria o valor pago ao agenciador (à contribuinte, no caso), que corresponderia a aproximadamente 20% do total do frete pago pelo tomador do serviço. Ou seja, sua receita corresponderia à diferença entre o valor total de emissão dos conhecimentos de transporte e a do valor pago a caminhoneiros terceirizados, constante das cartas de frete (recibos). Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 17698.001477/200870 Acórdão n.º 1201002.370 S1C2T1 Fl. 4 5 Em relação ao esclarecimento prestado pela empresa devese observar que: No requerimento de empresário apresentado, bem como no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) junto a RFB, consta como atividade da empresa o transporte rodoviário de cargas em geral, por caminhões, intermunicipal, interestadual e internacional. Os conhecimentos acostados pela contribuinte são emitidos pela própria empresa. Conforme dispõe o Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002), em seus artigos abaixo transcritos, ao receber a mercadoria o transportador deverá emitir o conhecimento de frete ou de carga. Este é o documento que prova o recebimento da mercadoria pelo transportador e que serve para a retirada da mesma por parte do destinatário. Art. 730. Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas. Art. 744. Ao receber a coisa, o transportador emitirá conhecimento com a menção dos dados que a identifiquem, obedecido o disposto em lei especial. Art. 749. O transportador conduzirá a coisa ao seu destino, tomando todas as cautelas necessárias para mantêla em bom estado e entregála no prazo ajustado ou previsto. Art. 750. A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, começa no momento em que ele, ou seus prepqstos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado. Sendo o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) documento emitido pelo transportador, o fato da empresa emitir o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, como ocorre no presente caso, a caracteriza como transportadora. O fato de a empresa transportadora efetuar o transporte em veículo próprio ou de terceiros não a descaracteriza como transportador, pois ao emitir o CRTC, a empresa assume a responsabilidade de conduzir a mercadoria a seu destino tomando todas as cautelas para mantêla em bom estado e entregála ao destinatário. Se os serviços de transportes são realizados em nome da contribuinte, por sua conta e risco, sua receita bruta corresponde ao produto da venda de serviços, ou seja, aos valores dos fretes constantes nos CTRC por ela emitidos. Conforme disposto no § 2o do art. 2o da Lei n° 9.317/96, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços Fl. 3017DF CARF MF 6 nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Desta forma, o valor que a empresa pagou a terceiros para que estes executassem o transporte não constitui parcela a ser excluída da base de cálculo do Simples 4. Insuficiência de recolhimento: Continuando a análise, verificamos, que a contribuinte ao apurar a base de cálculo do Simples, deixou de incluir o valor total escriturado como receitas (demonstrado no item 3 deste relatório). Fazse necessário, então, a adequação dos percentuais utilizados quando da apuração do Simples levando se em consideração a receita bruta acumulada efetivamente auferida (escriturada). Desta forma, verificase que a contribuinte deixou de recolher a título de Simples, sobre as receitas declaradas, a diferença apurada no "demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos" constante dos autos de infração dos quais este relatório faz parte. Em 09/01/2009, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 177/215) aos Autos de Infração; e, em 08/05/2009, apresentou manifestação de inconformidade em face do referido ato de exclusão do regime simplificado. Com relação aos Autos de Infração, alega, em resumo: (i) que a fiscalização está autuando com base no valor que não se consubstancia efetivo faturamento da empresa, que sempre utilizou como base de cálculo o seu real faturamento. Alega que como utilizase de contratação de terceiros para efetivar o transporte de mercadorias, registra na contabilidade somente os valores que realmente "ficam no caixa", o que corresponde a 20% do valor pago pelo serviço. O restante (80%) pertence e é repassado a terceiros, não integrando o seu patrimônio; (ii) que os valores referentes ao ICMS não podem ser considerados como faturamento nem receita da empresa para fins de tributação de PIS e COFINS; (iii) que é inconstitucional a majoração da base de cálculo das aludidas contribuições; (iv) que o art. 110 do Código Tributário Nacional foi violado com a edição das Leis n°s 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003, legislação esta que desvirtuou completamente o conceito de faturamento; (v) que também houve afronta ao art. 195, parágrafo 4o da Constituição Federal, uma vez que a contribuição ao INSS ora cobrada corresponde a uma nova fonte de custeio da seguridade social através de mera lei ordinária; (vi) é indevida a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC; (vii) que a multa de ofício de 75% é confiscatória e sua aplicação violaria os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 17698.001477/200870 Acórdão n.º 1201002.370 S1C2T1 Fl. 5 7 Requer, no final, a produção de prova pericial, indicando perito. No tocante à exclusão do Simples, a contribuinte alega, em síntese: (i) que a decisão de excluir a empresa do Simples por ter auferido uma renda bruta superior a estabelecida na legislação não deve prosperar, pois não levou cm conta sua real renda bruta; e (ii) que a empresa não dispõe de quantidade de veículos suficientes para realizar o transporte de todas as cargas que lhe são conferidas, utilizandose da contratação de terceiros para efetivar o transporte. Assim, a empresa registra na contabilidade somente os valores que integram seu patrimônio e que correspondem a 20% do valor do serviço prestado. A Delegacia da Receita Federal, portanto, desrespeitou o conceito de receita e a excluiu indevidamente. A DRJ/FNS julgou as defesas improcedentes por meio de decisão de fls. 2.929/2.941, que restou assim ementada: SIMPLES. EXCLUSÃO. TRANSPORTE DE CARGA. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. CONFISCO. MULTA. PERÍCIA CONTÁBIL. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. A vedação deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 3019DF CARF MF 8 Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados que não sejam do domínio dos participantes do processo. Cientificada da decisão em 09/12/2010 (AR de fls. 2.946), a contribuinte, em 29/12/2009, interpôs recurso voluntário (fls. 2.947/2.988), reiterando as razões de defesa contra os Autos de Infração e contra o ADE de exclusão do Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Perícia A produção de prova pericial deve ser determinada apenas quando imprescindível à solução da lide. Nesses termos dispõe o artigo 18 do Decreto n. 70.235/1972, verbis: "Artigo 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]". Como se nota, a realização de perícia constitui expediente do qual as autoridades julgadoras podem se valer em prol de sua livre convicção acerca da lide. Tratase, a perícia, de medida que se mostra cabível somente quando o Julgador entender que os fatos, provas ou circunstâncias relacionados ao litígio necessitam de esclarecimentos complementares para sua devida compreensão e valoração. Quando ausente essa necessidade, ou seja, na hipótese do Julgador já reunir condições para julgar a lide tal como instruída, eventual pedido de perícia deve ser indeferido. Nesse contexto, entendo que a matéria de fato e de direito aqui discutida, qual seja, o direito ou não do contribuinte deduzir determinados custos da base de cálculo do Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 17698.001477/200870 Acórdão n.º 1201002.370 S1C2T1 Fl. 6 9 Simples, não gera dúvidas ou necessidade que demandem a realização de uma perícia ou diligência. Indefiro, contudo, o pedido de perícia e não vejo nisso nenhum prejuízo ao direito de defesa e contraditório do contribuinte. Omissão de receitas No mérito, a Recorrente não nega a existência da diferença apurada, questionando apenas a origem, uma vez que, no seu entender, a receita passível de tributação seria a líquida, e não a bruta. Defende, assim, um direito de deduzir os montantes repassados aos motoristas subcontratados (terceirizados). A receita bruta, na verdade, foi extraída do Livro Registro de Apuração do ICMS e do Livro Caixa da empresa. A planilha de fl. 03 evidencia o valor declarado na DSPJ, a receita bruta acumulada efetivamente auferida (escriturada no Livro Caixa) e o valor constante do Livro Registro Saídas do ICMS. Diferentemente do vale pedágio, no qual há disposição legal expressa para dedução direta da receita1, não há previsão legal para abatimento de nenhum outro custo ou despesa na base de cálculo das empresas transportadoras que aderem ao Simples. Com efeito, a Recorrente é empresa de transporte de cargas e por isso incorre em uma série de custos e despesas diretas, dentre os quais de combustível, locação, lubrificantes, peças de reposição e motoristas. São gastos necessários, usuais e operacionais, podendo ser pagos para empregados ou não empregados (terceirizados), mas que não estão contemplados na legislação como redutores da receita bruta. A defesa da Recorrente sustenta que, por razões da atividade econômica que explora, a base sobre a qual deveria ser aplicado o percentual para fins de apuração do valor do recolhimento unificado dos tributos deveria corresponde ao montante líquido (lucro de 20%), mas não indica qual a base legal que sustentaria a conclusão. Ao contrário do que alega, não há, na legislação de regência, nenhum permissivo para que o contribuinte optante do Simples, e não pelo Lucro Real, possa expurgar da receita bruta os valores relativos a custos ou despesas da atividade. Tendo optado pelo Simples, a apuração do lucro efetivo (lucro real) é substituída pela aplicação de uma alíquota sobre a totalidade da receita bruta. Neste regime, os custos e despesas acabam sendo "desprezados" para fins de apuração da base de cálculo, em contrapartida de um tratamento tributário simplificado. A adesão ao SIMPLES é facultativa para as empresas que preencham os requisitos legais. Esta escolha gera uma não necessidade de comprovação e não aproveitamento de custos e despesas, cabendo ao contribuinte recolher os tributos devidos em face de sua receita mensal bruta. 1 Artigo 2º, da Lei nº 10.209/2001. Fl. 3021DF CARF MF 10 A Recorrente, portanto, ao lançar como receita somente o valor líquido relativo aos fretes, não adimpliu com as obrigações assumidas por ocasião da sua opção pelo Simples. Dessa forma, considero correta a omissão de receita caracterizada. Base de cálculo Nessa situação particular, considerando que a omissão de receitas apurada pelo autuante ensejou aumento da base de cálculo na sistemática do Simples, necessária e correta a elevação das correspondentes alíquotas e, por conseqüência, a formalização de proposta de exclusão no regime, como fez a autoridade fiscal responsável. Não cabem as alegações, portanto, de redução de base de cálculo ou exclusão de determinados tributos reflexos da exigência constituída. Isso porque, verificada falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da diferença de todos os tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável. Em relação à alegação de que a Lei nº 9.718/1998 e sucessivas alterações legislativas seriam ilegais, e que a contribuição previdenciária seria inconstitucional, cumpre reiterar que argumentos que implicam análise de constitucionalidade não deveriam ter sido opostas em razão da incompetência do CARF (Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Juros de Mora. Taxa Selic Em relação à aplicação da SELIC, a matéria já encontrase sumulada no CARF, nos seguintes termos: (Súmula CARF n° 4: a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.). O recurso voluntário, contudo, também não merece acolhimento nesse item. Da multa de ofício de 75% Quanto à incidência da multa de ofício no percentual de 75%, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 17698.001477/200870 Acórdão n.º 1201002.370 S1C2T1 Fl. 7 11 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” No presente caso, uma vez que a fiscalização apurou diferença de tributo pago a menor, exigiu também a correspondente multa de ofício, no percentual de 75%, como determina a lei. A multa de ofício de 75%, portanto, possui previsão legal e foi aplicada corretamente pela autoridade fiscal autuante. Quanto a seu caráter confiscatório, matéria de cunho constitucional, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta que cabe tão somente ao Poder Judiciário. Dessa forma, a multa de ofício de 75% deve ser mantida. Da exclusão do Simples A lei veda a participação no Simples de pessoa jurídica empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, no caso 2004, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais). Veja o art. 9° da Lei no 9.317/1996: Das vedações a opção Art. 9 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória n°218949, de 2001) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido. no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a RS 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória n. 218949, de 2001). Nesse contexto, cumpre observar que a circunstância material que deu origem à exclusão foi justamente a percepção de receita bruta no AC 2004 no montante de R$ 2.928.155,48, conforme demonstrado no termo de verificação fiscal, montante este que extrapolou o limite legal do regime simplificado. Correta, portanto, a exclusão do contribuinte do Simples. Fl. 3023DF CARF MF 12 Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS, mantendo integralmente os valores dos créditos tributários lançados e o Ato Declaratório Executivo no 012/2009. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 3024DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906951/2009-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO.
A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
Numero da decisão: 3001-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte negase a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 51 /2 00 9- 11 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 197 2 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.910, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 13.09.2012 (efls. 95 a 102), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: (...) Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 198 3 A Recorrente utilizouse do crédito em questão, devidamente atualizado pela Taxa Selic, como permite a legislação federal, para compensar com inúmeros débitos. A planilha e os demais documentos anexo dão conta do valor original do crédito, de suas atualizações pela Taxa Selic e suas correspondentes atualizações para compensação, em momentos distintos, sendo que a mera análise das informações constantes nas DCOMPs, com os acréscimos legais ao crédito da Taxa Selic, dão conta de que o mesmo crédito é suficiente/disponível para a integral quitação/compensação do débito declarado na DCOMP 01422.00161.181104.1.3.049638. Isso indica que a r. decisão de não homologação sobreveio sem que a D. fiscalização checasse a integralidade das DCOMPs vinculadas ao aludido crédito, devidamente atualizado pela Taxa Selic, acabando por tão somente indeferilos (não homologandoos) devido a incongruências de seu sistema. (...) Dessa forma, deve buscar a D. Administração a verdade real, não podendo deixar de homologar a declaração de compensação da Recorrente em razão de incongruências formais no sistema ou por não realizar os batimentos/cálculos acerca da atualização de crédito pela Taxa Selic, pois, como se prova com os documentos anexos, a Recorrente tem o direito à compensação e o crédito é sim suficientes para a quitação integral tanto dos débitos declarados na aludida DCOMP como em todas as demais, nos termos que demonstra a planilha ora juntada, e inclusive, isto já deveria ter sido verificado pelo próprio sistema da Receita Federal as declarações e recolhimentos feitos pela Recorrente; dever da D. Administração. (...) Assim, requer a Recorrente, fazendo uso do Diploma acima, seja reconsiderada a r. decisão recorrida para que seja reconhecido como suficiente o crédito, devidamente atualizado, apurado pela Recorrente e por conseguinte homologada a respectiva DCOMPs por ela apresentada, com baixa dos respectivos processos de débitos correlatos. (...) Com o protocolo desta e até sua final decisão, nos termos do inciso I do § 3º do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a exigibilidade dos débitos objeto do presente pedido de compensação deverá ser suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (...) (...) Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 199 4 Da ementa do acórdão recorrido A 8ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF e em DCOMP. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 117), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Com vista a demonstrar a identidade das alegações suscitadas em ambas as peças de defesa, evidencio os argumentos ora apresentados, que: 1 o crédito em questão, decorrente de pagamento a maior que o devido, referente ao PIS da competência de JUL/2003, foi utilizado para efetuar diversas Per/Dcomp, cuja planilha elaborada informa haver saldo suficiente para a compensação dos débitos nelas indicado, tanto que com relação ao Per/Dcomp em apreço, referido quadro aponta o crédito original de R$ 220,23, resultado obtido da subtração do crédito original com os débitos compensados no Per/Dcomp enviadas anteriormente, evidenciando a legalidade da origem do crédito utilizado para a compensação e a existência de saldo suficiente para a quitação dos débitos apontados em cada Per/Dcomp; 2 seu único lapso foi ter deixado de relacionar todos os Per/Dcomp enviadas, conforme descritas na referida planilha, o que poderia ter dado ensejo a não homologação da presente declaração de compensação; 3 no caso concreto não foi observado o princípio da verdade material, uma vez que o fisco não confirmou as demais compensações realizadas pelo contribuinte, bem como a origem de seus créditos; Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 200 5 4 da análise da documentação trazida na manifestação de inconformidade e reapresentada neste recurso voluntário as compensações efetuadas deveriam ter sido homologadas; 5 ainda em respeito ao princípio da verdade material, deveria o fisco ter aprofundado na análise dos apontamentos realizados no intuito de constatar a veracidade das informações e fundamentações trazidas aos autos pelo contribuinte, porém, de forma ilegal e abusiva, em desrespeito aos princípios que regem o PAF, não foi o que ocorreu, pois o acórdão recorrido aduziu "que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido", eivandoo de nulidade. Diante do exposto, requer seja reconhecido como suficiente o crédito apresentado para a quitação dos débitos indicados no Per/Dcomp em questão, homologandose a compensação realizada, ou alternativamente que o processo seja baixado em diligência, para que a autoridade fiscal confira as demais compensações realizadas e a origem do respectivo crédito, e que as futuras intimações sejam efetuadas em nome do contribuinte e também de seus patronos, em seu endereço profissional, sob pena de nulidade. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 11.01.2013 (efl. 195), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 07.11.2012, conforme depreendese do carimbo aposto na sua "folha de rosto", depois da ciência ocorrida em 16.10.2012, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 105), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I Sem embargo, antes tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 201 6 pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno deste Carf Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Preâmbulo II Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, tão somente depois da efetiva desconstituição total ou parcial da dívida confessada, pela supressão ou diminuição dos débitos informados no documento de confissão, haveria, ao menos em tese, a possibilidade de a Administração deferir eventual pedido de restituição ou homologar compensação, sujeitandose o contribuinte, todavia, à legislação de regência e aos critérios temporais, atinentes à retificação do documento de confissão DCTF, que forem aplicáveis, aliada à efetiva demonstração da existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Portanto, a questão é que, como a origem do crédito está jungida à necessidade da evidenciação das circunstâncias acima delineadas, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Esclareço, não encontro óbices para considerar as informações prestadas após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros, limitandose a apresentar uma mera planilha informativa. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 202 7 não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Como o contribuinte abstevese de produzir, ainda de minimamente, as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto que rege o processo administrativo fiscal federal, como também o princípio da isonomia. Preâmbulo III Os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Mérito A legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Per/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o despacho decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, o recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ele própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 203 8 Com a apresentação da manifestação de inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro patamar de aferição, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O recorrente, como relatado, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, limitouse a apresentar uma planilha e as cópias de diversas PER/DComp, além de cópia do comprovante de arrecadação Darf dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, como já atestado no voto condutor do acórdão recorrido, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito é não aquele que foi inclusive confessado na DCTF apresentada. Reprisando, não procede, também, a alegação trazida no recurso voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que a simples reapresentação dos mesmos elementos de prova apresentados na manifestação de inconformidade nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam, como já dito, a uma mera planilha e às cópias de diversas Per/Dcomp. Digase, tais elementos sequer são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo; estando, portanto, longe de conferir a liquidez e certeza necessária, o que confere absoluta razão ao voto condutor do acórdão recorrido quanto este expressamente afirma que o contribuinte deveria, pra tal finalidade, apresentar sua escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, uma vez que é significativa a disparidade entre os valores confessados em DCTF e aqueles posteriormente indicados no Per/Dcomp e questão. Assim, temse a mesma situação em que se encontrou a DRJ recorrida, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo, posto que os elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? O recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos, deixando, transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10830.906951/200911 Acórdão n.º 3001000.462 S3C0T1 Fl. 204 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC), verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter por seus exatos termos a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901523/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO
Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-002.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 15 23 /2 01 3- 62 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10875.901523/201362 Acórdão n.º 1302002.948 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: “O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação [...], na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (cód. receita 2484 CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/03/2009. O contribuinte foi cientificado, [...]do Despacho Decisório [...]: [...] Irresignado, o contribuinte apresentou [...] a Manifestação de Inconformidade [...], alegando que havia incorreção em sua DCTF, cuja correção foi providenciada mediante DCTF retificadora [...]. Solicita, assim, sejam consideradas as correções propostas, pois seu direito creditório estaria assegurado com os recolhimentos efetuados por Darf”. Após analisada a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, a Turma Julgadora a quo julgoua improcedente, sob o argumento de que pleiteado a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Abaixo, segue a transcrição do Acórdão n.º 1665.757 DRJ/SPO: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10875.901523/201362 Acórdão n.º 1302002.948 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho. Em sua peça, a recorrente traz documentos que reputa serem suficientes à comprovação de seu direito creditório, aduzindo para tanto, o que segue: A estimativa referente a março 2009 foi quitada através do DARF em 30/04/2009. Ocorre que o valor recolhido no mencionado DARF corresponde ao valor de R$ 241.387,65 declarados na DCTF transmitida em 13/05/2009, que veio a ser retificada pela DCTF transmitida em 05/09/2013, para refletir o correto valor da CSLL apurada na competência março 2009, ou seja, R$ 177.599,44. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.946, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901528/2013 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de março 2009. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, relativa ao mês de março 2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.946): "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão de Manifestação de Inconformidade que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Com relação ao direito creditório objeto deste processo, a Recorrente esclarece que efetuou o recolhimento de R$ 668.372,08 (cf. Comprovante de Arrecadação, Doc. 07 do recurso); porém, posteriormente, em decorrência de revisões internas, verificou que o valor devido a título de IRPJ por estimativa para o mês de março de 2009 era, na verdade, de R$ 472.200,79, tendo declarado este valor (e não aquele) na Ficha 11 da DIPJ 2010 (cf. Doc. 04 do recurso). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10875.901523/201362 Acórdão n.º 1302002.948 S1C3T2 Fl. 5 4 Em razão disso, a contribuinte apresentou o PER/DCOMP 18535.63848.250211.1.3.048801 no valor de R$ 196.171,29 (cento e noventa e seis mil, cento e setenta e um reais e vinte e nove centavos) que corresponde à diferença entre os valores discriminados no parágrafo anterior; sendo esta a origem do direito creditório objeto deste processo. Pontua, inclusive, que a DCTF nº 17.66.37.5747 (Doc. 08), onde constava a declaração do débito de R$ 668.372,08, foi retificada pela DCTF nº 13.88.68.20.27 (Doc. 09) para consignar que a estimativa de IRPJ devida no mês de março de 2009 era, na verdade, R$ 472.200,79, uma vez que isto não havia sido procedido anteriormente. Pois bem. Cabe destacar a alegação da recorrente de que, apesar de ter declarado em DCTF o valor de R$ 668.372,08, declarou na DIPJ do exercício seguinte o valor de R$ 472.200,79 (cf. Doc. 04). No mesmo sentido, verificase que ainda que a retificação da DCTF tenha sido procedida após remetido o PER/DCOMP em tela, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise de crédito do contribuinte. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10875.901523/201362 Acórdão n.º 1302002.948 S1C3T2 Fl. 6 5 Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, por intermédio de sua DCTFretificadora, cópia do documento de arrecadação federal e DIPJ. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte, em primeira análise, foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior, o qual , aparentemente, surgiu após a retificação de sua DCTF. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: Entretanto, o contribuinte não juntou aos autos nenhum elemento comprobatório ou indiciário do alegado erro e nem tampouco explica as circunstâncias e os motivos que o levaram a efetuar, segundo alega, o pagamento indevido ou a maior. (...) Sendo assim, cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10875.901523/201362 Acórdão n.º 1302002.948 S1C3T2 Fl. 7 6 após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. No caso em tela, entendo que a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720105/2014-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para o reconhecimento da isenção sobre os proventos de aposentadoria/pensão a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em que conste o período que se quer ter a isenção reconhecida. Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2201-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento da isenção sobre os proventos de aposentadoria/pensão a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em que conste o período que se quer ter a isenção reconhecida. Recurso Voluntário a que se nega provimento.
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento da isenção sobre os proventos de aposentadoria/pensão a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em que conste o período que se quer ter a isenção reconhecida. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 01 05 /2 01 4- 99 Fl. 102DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 38/39, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), de fls. 30/32, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente de Proventos de Aposentadoria ou Pensão isentos por comprovação de moléstia grave no exercício 2010. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 26.260,07 (vinte e seis mil, duzentos e sessenta reais e sete centavos), já incluídos os juros e a multa. Diante da clareza do relatório da decisão recorrida, adotoo: Mediante Notificação de Lançamento de fls. 05/08, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa e juros no valor total de R$ 26.260,07, calculados até 29/11/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, anocalendário 2009. Conforme informação prestada pela fiscalização às fls. 06, foi constatada omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave – não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, no valor de R$ 146.891,98. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 2/3, alegando que é portador de moléstia grave e, por esse motivo, os proventos de sua aposentadoria são isentos. . Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 30): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento da isenção sobre os proventos de aposentadoria/pensão a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. Do Recurso Voluntário Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15504.720105/201499 Acórdão n.º 2201004.655 S2C2T1 Fl. 103 3 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 36/37, apresentou o recurso voluntário de fls. 38/39 em 24/04/2015. Em sede de Recurso Voluntário, apresentou em sede de preliminar argumentos de que: A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ é unânime no sentido de que o fato de a junta médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura, não justifica a revogação/concessão do benefício à isenção, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifício dos aposentados que é caso do recorrente. No caso dos presentes autos o recorrente, além de não ter o benefício reconhecido, está sendo cobrado novamente de um imposto que já foi pago quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, portanto o lançamento é absolutamente indevido e injusto. Com relação ao mérito propriamente dito, reafirmou os argumentos da impugnação, juntando: 1 – cópias dos laudos médicos emitidos pela junta médica da SUPERINTENDENCIA CENTRAL DE PERÍCIA MÉDICA E SAÚDE OCUPACIONAL DA SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DE MINAS GERAIS e pelo Prof. CARLOS EDUARDO CORRADI FONSECA, chefe do SENUR do Hospital das Clínicas da UFMG, 2 – Cópia de várias decisões sobre a matéria em questão proferidas pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – STJ. 3 – Cópias dos comprovantes de arrecadação extraídos do ecac da Receita Federal do Brasil, referentes aos pagamentos do imposto pago nos exercícios 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014, correspondentes aos anos calendários de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, respectivamente. 4 – Cópia carta de concessão de aposentadoria pelo INSS e Demonstrativo de pagamento de aposentadoria da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado de Minas Gerais. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Fl. 104DF CARF MF 4 Isenção do imposto de renda por moléstia grave Com o Recurso Voluntário a Recorrente juntou 2 (dois) extratos de laudo médico expedidos pela Superintendência Central de Perícia Médica e Saúde Ocupacional (fls. 44/45), ambos datados de 29/05/2014 e um atestado emitido em 13 de maio de 2013. Analisando detidamente mencionados documentos temos: Extrato informando que o Recorrente é portador de patologia que se enquadra na lei de isenção de imposto de renda, no conceito de Neoplasia Maligna – CID: C61 temporariamente por 5 (cinco) anos, a partir de outubro de 2000 – fl. 45; Extrato informando que o Recorrente é portador de patologia que se enquadra na lei de isenção de imposto de renda, no conceito de Neoplasia Maligna – CID: C44, temporariamente por 2 (dois) anos a partir de dezembro de 2006; e Atestado informando que o Recorrente teve o diagnóstico de neoplasia maligna de próstata e que foi submetido a cirurgia em 18/10/2000. Apesar de os extratos datarem de 29/05/2014 e o atestado ter sido emitido em 13/05/2013, todos fazem menção a período anterior ao exercício autuado. Em outros termos, o Recorrente, pelos documentos juntados aos autos, teve o direito reconhecido no período de outubro de 2000 a outubro de 2005 e dezembro de 2006 a dezembro de 2008, não sendo possível afirmar que no período autuado, teria o direito à isenção prevista no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988: Artigo 6 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n°11.052, de 2004) (grifos nossos) Apesar de a patologia do Recorrente estar expressamente prevista no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988, os documentos juntados aos presentes autos limitam os períodos em que seria agraciado pela isenção, objeto de discussão nos presentes autos. Este entendimento está em conformidade com o disposto no artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, que assim determina: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15504.720105/201499 Acórdão n.º 2201004.655 S2C2T1 Fl. 104 5 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (grifos nossos) Nem mesmo haveria de se cogitar a aplicação das súmulas CARF nºs 43 e 63, verbis: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Como ressaltado anteriormente, o conjunto probatório juntado aos presentes autos, não servem para confirmar que o recorrente teria direito à isenção do Imposto sobre a Renda. Entretanto, devemos reconhecer que o contribuinte pagou no momento certo o valor do tributo conforme comprovantes de arrecadação constante às fls. 49/56. Deste modo, a unidade preparadora deve descontar os valores pagos a título de Imposto de Renda, desde que o Recorrente não tenha solicitado e conseguido restituir o valor que foi pago. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 106DF CARF MF 6 Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005208/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FASE LITIGIOSA.
Com a apresentação tempestiva da manifestação de inconformidade inicia-se a fase litigiosa, passando então a vigorar, na instância administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS (DOCUMENTOS). APRESENTAÇÃO COMPROVAÇÃO. VALIDADE.
A alegação de que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou as provas apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, por si só, não implica nulidade da decisão proferida por ela. Cabe ao contribuinte indicar e identificar os documentos fiscais e contábeis juntados à manifestação de inconformidade e que não foram apreciados pela autoridade a quo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
Numero da decisão: 9303-007.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FASE LITIGIOSA. Com a apresentação tempestiva da manifestação de inconformidade inicia-se a fase litigiosa, passando então a vigorar, na instância administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS (DOCUMENTOS). APRESENTAÇÃO COMPROVAÇÃO. VALIDADE. A alegação de que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou as provas apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, por si só, não implica nulidade da decisão proferida por ela. Cabe ao contribuinte indicar e identificar os documentos fiscais e contábeis juntados à manifestação de inconformidade e que não foram apreciados pela autoridade a quo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.913 1 1.912 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.005208/200926 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.289 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria PER/DCOMP COFINS Recorrente BUNGE ALIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FASE LITIGIOSA. Com a apresentação tempestiva da manifestação de inconformidade iniciase a fase litigiosa, passando então a vigorar, na instância administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS (DOCUMENTOS). APRESENTAÇÃO COMPROVAÇÃO. VALIDADE. A alegação de que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou as provas apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, por si só, não implica nulidade da decisão proferida por ela. Cabe ao contribuinte indicar e identificar os documentos fiscais e contábeis juntados à manifestação de inconformidade e que não foram apreciados pela autoridade a quo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 08 /2 00 9- 26 Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 9303007.289 CSRFT3 Fl. 1.914 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial apresentado tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3302003.206, de 19/05/2016, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas, inclusive da decisão da DRJ, a realização de perícia e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao litígio: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 9303007.289 CSRFT3 Fl. 1.915 3 No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais." Intimado desse acórdão, o contribuinte apresentou recurso especial, suscitando divergência quanto (i) ao princípio da verdade material e (ii) ao direito de se aproveitar créditos sobre as despesas de fretes incorridas com o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos e para depósito fechado e armazém geral. Segundo seu entendimento, decisão de primeiro grau é nula pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância não ter apreciado a documentação (fiscal e contábil) apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade. Já em relação às glosas, as despesas referemse a fretes na operação de venda e se enquadram no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e, consequentemente, geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor devido sobre o faturamento mensal. Por meio do despacho às fls. 1888e/1891e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu o recurso especial do contribuinte. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e de sua admissão, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A suscitada preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, consequentemente, a devolução dos autos à DRJ de origem para nova decisão, sob o argumento de que a documentação apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade não teria sido apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, não procede. Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulos somente os despachos e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59 São nulos: [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 9303007.289 CSRFT3 Fl. 1.916 4 O art. 14 desse mesmo decreto preceitua: “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Mutatis mutandis, com a apresentação da manifestação de inconformidade o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a ineficácia da compensação efetuada pelo sujeito passivo, fundando sua pretensão de receber os débitos indevidamente compensado e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da manifestação de inconformidade. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. No entanto, do exame da manifestação de inconformidade às fls. 174e/214e, verificamos que nenhum documento fiscal e contábil foi indicado, identificado e apresentado pelo contribuinte naquela fase. Sequer informou quais documentos fiscais e contábeis apresentados por ele que não foram analisados pela autoridade julgadora de primeira instância. A titulo de informação, ressaltese que apresentou a destempo, juntamente com o recurso voluntário, os documentos fiscais indicados e discriminados na planilha "DOCUMENTOS QUE INSTRUEM O RECURSO" às fls. 1788e. Contudo todos se referem a fatos geradores ocorridos em 2005, períodos de competência estranhos ao PERDcomp em discussão neste processo no qual o contribuinte reclama créditos referentes aos fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 2006. Portanto, ainda que se afastasse a preclusão, tais documentos não aproveitaria ao pedido do contribuinte. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância. Quanto à matéria de mérito em discussão, nesta fase recursal, o litígio se restringe ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre as despesas de fretes incorridas com o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos e para depósito fechado e armazém geral. O acórdão recorrido considerou que tais despesas não geram créditos passiveis de desconto da contribuição devida mensalmente por falta de previsão expressa na lei que instituiu o regime não cumulativo da Cofins. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 9303007.289 CSRFT3 Fl. 1.917 5 classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]." As despesas com fretes para o transporte de produtos acabados os estabelecimentos do próprio contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral constituem despesas na operação de venda. Assim, de conformidade com o disposto no art. 3º, caput e inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, a glosa dos créditos sobre os fretes incorridos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e para depósitos fechados e armazém geral, devidamente comprovados, mediante documentação fiscal (conhecimentos de transporte rodoviário de carga e/ ou notas fiscais de prestação de serviços), deve ser revertida. À luz do exposto, rejeito a suscitada preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para reconhecer seu direito de aproveitar créditos da Cofins sobre as referidas despesas de fretes incorridas com a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e para depósitos fechados e armazém geral, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 9303007.289 CSRFT3 Fl. 1.918 6 Fl. 1918DF CARF MF
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