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Numero do processo: 10865.002278/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA.
Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3401-005.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que conhecia e negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA POR CONCOMITÂNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. Operada a concomitância não há como se conhecer do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que conhecia e negava provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 22 78 /2 00 9- 41 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão 0439.391 da 2a Turma da DRJ/CGE de piso (efls. 88 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Restituição em formulário (fl. 3) pelo qual pleiteava um crédito de R$ 134.910,88. Consta do referido formulário: Crédito de PIS Lei Complementar 07/70; artigo 6o, convertido em renda da União em 18/07/2006, conforme documentos em anexo; para compensação nos termos do artigo 34 da IN/RFB n° 900/2008. O pedido foi indeferido por meio do Despacho Decisório (fls. 58 e 59). A fundamentação foi a renúncia à esfera administrativa em face da opção pela via judicial, nos termos do ADN no 3/96: Embora reconhecidos os pagamentos a maior ao PIS, no intervalo PA de 08/1988 a 09/1995, no litisconsórcio, por dependência, Ação Ordinária Declaratória e de Repetição n° 92.00351409, tramitada perante a 17a V. F. em São PauloSP e transitada em julgado, em 13 de dezembro de 1996, os PA 03/1992 a 09/95, em questão, não foram recolhidos em DARF, mas objeto de depósitos judiciais. Por consequência, considerando serem os valores de conversão e de levantamento determinação do Poder Judiciário, conforme o Despacho/Decisão acima transcrito, propomos, nos termos do ADN 03/96, o indeferimento do Pedido de Restituição de folha 01. A ciência quanto à decisão ocorreu em 9 de setembro de 2011 (fl. 61). A contribuinte insurgiuse contra o despacho decisório alegando, em apertada síntese: a) no despacho decisório foi reconhecido o pagamento a maior da contribuição e, por consequência, há o direito à restituição; b) foram feitos depósitos judiciais do valor integral do PIS e, após o trânsito em julgado da ação, parte do valor foi convertida em renda da União e parte levantada pela contribuinte. Os valores convertidos em renda da União geraram créditos para a interessada, em face da conversão ter sido efetivada com base nos Decretosleis no 2.445/88 e 2.449/88, quando o correto seria com base tãosomente na Lei Complementar no 7/70; c) “a ora Requerente entende que, o levantamento de depósitos judiciais (oriundos de seu crédito devidamente reconhecido), dentro de uma avaliação fiscal, visando à quitação de tributos devidos, representa o mesmo que não haver quaisquer Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.002278/200941 Acórdão n.º 3401005.300 S3C4T1 Fl. 159 3 desembolsos para o pagamento desses tributos, cuja quitação darseá justamente pela compensação administrativa”; d) “a liquidação do valor devido, uma vez realizada, haverá a comparação com o valor depositado, convertendose em renda o valor devido”; e) “a ora Requerente, diante da disposição da Lei n° 11.941/09 entende que, o contribuinte pode utilizar os depósitos judiciais, vinculados a processos já transitados em julgado, para a quitação de débitos, ainda, de acordo com o artigo 156, I, do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário. Assim é o entendimento do recente julgamento do Recurso Repetitivo n° 1.251.513PR”; f) “ainda, cabe ressaltar que, o depósito judicial após o encerramento da lide e devidamente levantado pela União Federal serão transformados em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do tributo, nos termos do artigo 1o, § 3o, II, da Lei n° 9.703, de 17/11/1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais”; g) “o depósito judicial efetivado pela ora Requerente e convertido em renda da União Federal, é forma de quitação de débitos tributários, todavia, em face da inconstitucionalidade declarada (DecretosLei 2445/88 e 2449/88), gerou crédito de valores a serem restituídos/compensados ao contribuinte”; h) se houve trânsito em julgado da ação, não pode haver desistência e renúncias possíveis; i) “os depósitos judiciais efetuados com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88 que foram considerados inconstitucionais, portanto, os valores dos depósitos convertidos em renda da União, correspondentes à contribuição do PIS, devido no respectivo período, com base na LC 7/70 sem considerar a semestralidade da referida contribuição (art. 6º da LC 7/70), com o devido respeito, a ora Requerente entende que, a conversão dos depósitos em renda da União equiparase ao pagamento (Lei 9.703/98, art. 1°, § 3°, II), pois, a União Federal recebeu o valor que lhe era devido, desta forma, os valores referentes ao período de apuração de março/1992 à setembro/1995, devidamente depositados na data de seu vencimento, estabelecidos pelos considerados inconstitucionais DecretosLei 2445/88 e 2449/88, dá origem ao direito líquido e certo da ora Requerente ao crédito em face do pagamento do PIS considerandose o faturamento do sexto mês anterior, nos termos do artigo 6o, da LC 7/70”; j) “a ora Requerente comprovou a existência de processo judicial; que os depósitos foram efetivados em montante integral (inclusive, com base nos DecretosLei 2445/88 e 2449/88), portanto, na exatidão e liquidez de suas declarações, tão somente, almeja, o cumprimento pela esfera administrativa da decisão judicial que julgou ser inconstitucional a contribuição Fl. 160DF CARF MF 4 para o PIS, nos termos dos DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, através de compensação administrativa”; k) o cálculo do crédito deve levar em conta a chamada “semestralidade do PISFaturamento” nos termos do art. 6o da Lei Complementar no 7/70. Ao final é requerido o deferimento da compensação requerida. Há o protesto por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de documentos. Posteriormente ao protocolo da manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou documento em que informa que a pretensão se referia à restituição de “crédito de PIS, obtido após a conversão dos depósitos em renda da União, tendo em vista que quando das conversões dos referidos depósitos realizados pela ora Requerente, não foi observado o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador mas, sim, foram feitas as conversões com base nos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88 sobre as outras receitas”. (Negrito do Relator). Sobreveio a decisão da DRJ, a qual não conheceu a manifestação de inconformidade, a teor da ementa abaixo transcrita: PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário em 12/06/2015 (efl. 100), após ser cientificada da decisão proferida pela DRJ em 13/05/2015, efl.97. Nas razões do recurso sustenta, em síntese: Preliminarmente: que o objeto do presente processo administrativo não é o mesmo do processo judicial, pois neste se discutiu a inexistência de relação jurídicotributária sobre o recolhimento do PIS, nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. No presente feito, o pedido para compensar em extensão ao processo 10865.000229/200117 e seus créditos de IPI, gerados após a conversão dos depósitos em ação cautelar em renda a favor da União Federal; Que o valor convertido em renda da União não foi observado a semestralidade do PISFaturamento, nos termos do art. 6º da LC 07/70; Que não há violação da soberania do Judiciário; Tece argumento sobre a semestralidade do Pis; Aduz que possui direito líquido e certo ao crédito do Pis; Defende que se trata de pedido de compensação em extensão ao processo 1086500229/200117; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.002278/200941 Acórdão n.º 3401005.300 S3C4T1 Fl. 160 5 A reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Inicialmente conheço o recurso voluntário, diante do cumprimento dos requisitos legais. O núcleo do contencioso trazido pela contribuinte em seu voluntário é a questão preliminar de concomitância. Como se viu a DRJ entendeu pela concomitância, na medida em que "A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas". (negrito deste Relator). No caso dos autos, a Recorrente ingressou com ação judicial questionando a ilegalidade/inconstitucionalidade do PIS (DL 2.445/88 e 2.449/88). Logrou êxito e houve o trânsito em julgado. Depois disso é que buscou a compensação dos créditos gerados na ação judicial, por meio da via administrativa, fazer a compensação de seus débitos de PIS. Temse que se trata de caso de concomitância, e mais, que a matéria submetida ao presente contencioso não mais remanesce discussão, vez que submetida ao Poder Judiciário. Demais disso, vêse que o quantum foi objeto de decisão judicial, havendo conversão em renda e sem contestação disso por meio da Contribuinte, não cabendo ao CARF, neste estágio, decidir sobre o assunto. Por tais razões, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Fl. 162DF CARF MF 6 Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904241/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 41 /2 01 2- 31 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação onde solicita o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 5 4 retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.803, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10735.904236/2012 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.803): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 7 6 Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notasfiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10735.904241/201231 Acórdão n.º 1401002.808 S1C4T1 Fl. 8 7 O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.006273/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/03/2008
EX TARIFÁRIA
Exceção tarifária prevista para máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da pré-forma, e três estações injeção de pré-forma, estiramento e sopro, e extração, não se aplica a máquinas com quatro estações.
NULIDADE.
Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade.
DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS.
Indefere-se os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide.
Numero da decisão: 3302-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, Diego Weis Junior e Rafael Madeira Abad, que propunham a conversão do julgamento em diligência para elaboração de novo laudo pericial.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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NULIDADE. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeitase a alegação de nulidade. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Indeferese os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, Diego Weis Junior e Rafael Madeira Abad, que propunham a conversão do julgamento em diligência para elaboração de novo laudo pericial. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 62 73 /2 00 8- 43 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 3 2 José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório O objeto do presente processo versa sobre a classificação equivocada de duas máquinas automáticas em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 16 56.908, da 24ª Turma da DRJ/SP1, proferido na sessão de 09 de abril de 2014: "O importador, por meio da declaração de importação de n° 08/03702579 registrada em 10/03/2008, submeteu a despacho de importação duas máquinas automáticas para moldar termoplásticos com jogo de peças sobressalentes, conforme descrição detalhada da mercadoria na citada declaração de importação, classificáveis na posição 8477.59.90 da Tarifa Externa Comum (TEC), a qual determina a alíquota ad valorem do Imposto de Importação de 14%. No curso da análise documental da declaração de importação em questão, devido ao fato desta ter sido parametrizada automaticamente pelos sistemas da Receita Federal para o canal de seleção amarelo, constatouse que o importador pleiteava, dentro da posição 8477.59.90 da TEC, para as mercadorias em questão, a ex tarifária 24 aprovada pela Resolução CAMEX 73 de 20/12/2007, publicada em 24/12/2007 pelo Diário Oficial da União, que alterou para 2% a alíquota ad valorem do Imposto de Importação. No intuito de dirimir dúvidas quanto a possibilidade do enquadramento no citado extarifário e amparado pelo artigo 722 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543 de 26/12/2002 ) combinado com os artigos 1 e 2 da Instrução Normativa 157 de 22/12/1998, que dispõem sobre a assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar, solicitouse, em 08/04/2008, laudo técnico de perito credenciado pela Receita Federal. Em 14/05/2008, foi apresentado à fiscalização o laudo técnico elaborado pelo engenheiro mecânico Sr. Francisco Kogos, com as respostas referentes aos quesitos previamente formulados por esta fiscalização. Neste, com base no exame físico das mercadorias, na literatura técnica fornecida pelo importador e na literatura técnica obtida na Internet, o laudo é conclusivo quanto à existência de divergência entre as mercadorias examinadas pelo perito e as descritas pelo importador na declaração de importação. Esta divergência consiste no fato de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 4 3 que, enquanto na declaração de importação elaborada pelo importador constam três estações como componentes de cada uma das máquinas, o que enquadraria ,de fato, as mercadorias no EX 24 da posição 8477.59.90 da Tarifa Externa Comum (TEC), o perito expõe, em seu laudo técnico, que são quatro o número de estações presentes em cada uma das máquinas, o que descaracteriza o seu enquadramento neste EX. Ainda sobre o parecer conclusivo do laudo pericial de que as duas máquinas não se enquadram na exceção pleiteada pelo importador, a fiscalização concluiu, ao analisar a citada peça técnica, que o perito se baseou em dois aspectos ao tomar a sua decisão: 1) na análise física, constatouse que havia quatro estações por máquina e não três como alegado pelo importador pois, na máquina de quatro estações, duas destas estações, a Estação 1 e a Estação 2, executam o que apenas uma, a Estação 1, executa na máquina de três estações, e 2) em pesquisa realizada na Internet, existem dois modelos distintos para este tipo de máquina, com patentes diferenciadas para cada um deles, ou seja, a máquina de três estações e a de quatro estações. O modelo das máquinas examinadas pelo perito, o ASB70DPH, aparece como "4 station machines", ou seja, como possuidor de quatro ; estações. Desta forma, após a entrega do laudo técnico e apreciação do mesmo, a fiscalização, efetuou a interrupção do despacho em 16/05/2008, com o intuito da formalização de exigências e retificação da presente DI, conforme o art. 42 da IN 680/2006. Em decorrência do não enquadramento das máquinas no ex tarifário pleiteado e conseqüente alteração da alíquota do II para 14%, o que acarreta a elevação da base de cálculo dos demais tributos aduaneiros, foi feita exigência para o recolhimento da diferença dos tributos (II, PIS e COFINS) , acrescida da multa de 75% sobre esta; diferença, de acordo com o inciso I, artigo 44, da Lei 9430/96 e do recolhimento da multa por descrição inexata da mercadoria, conforme inciso III, parágrafo 2o , artigo 69 da Lei n° 10.833/03, totalizando R$ 201.859,91. Entendendo ser pertinente a exceção tarifária utilizada, a interessada apresentou impugnação onde alega, em síntese, que: o perito credenciado errou a interpretação do texto do ex. o texto do ex não exige que o condicionamento se dê na estação de injeção de preforma ou em qualquer outra, apenas exigindo que a função de condicionamento direto de temperatura seja aliada a três outras estações (injeção, estiramento e sopro, extração). o enquadramento no ex 24 do código NCM 84775990 foi correto. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 5 4 a ABIMAQ/SINDIMAQ atestou inexistência de produção nacional do equipamento em questão para enquadramento em ex tarifário. a reclassificação fiscal não encontra amparo em razão do que atestou a ABIMAQ/SINDIMAQ e o laudo do fabricante. requer a realização de nova perícia, indicando perito e quesitos, além de outras diligências adicionais à Alfândega e à CAMEX e a produção de prova documental adicional. requer o acolhimento da impugnação. É o Relatório. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2008 EX TARIFÁRIA Exceção tarifária prevista para máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da pré forma, e três estações injeção de preforma, estiramento e sopro, e extração, não se aplica a máquinas com quatro estações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, repete de forma idêntica todos os argumentos trazidos na impugnação, não inovando em suas razões, muito menos trazendo argumentos ou novos documentos, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Do suposto cerceamento de defesa e nulidade do autos de infração Pois bem. Em apertada síntese estamos diante de controvérsia sobre a possibilidade de enquadramento de máquina/equipamento importado, cuja especificações não são verificadas em nenhuma máquina fabricada em território brasileiro, em extarifário que Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 6 5 garantiria a redução do pagamento do Imposto de Importação II, com seus reflexos perante as demais exações tributárias, diretamente ligadas ao valor aduaneiro. Como podemos verificar as dúvidas relacionadas à possibilidade de aplicação do ex tarifário (ex 024), surgiram já no momento do desembaraço das mercadorias, oportunidade em que a autoridade fazendária veio a solicitar a confecção de laudo técnico, sendo ele expedido por perito credenciado junto a RFB sobre as especificações dos produtos, chegandose a conclusão de que não poderia ser enquadrado na posição utilizada pela contribuinte recorrente. Ressaltase que a perícia foi realizada com a verificação in loco das máquinas e equipamento e a análise de documentos encaminhados pelo próprio fabricante, a pedido do perito. Tendo em vista o ocorrido, considerando que pela classificação equivocada não houve o desembaraço da mercadoria, a contribuinte naquela oportunidade teve a oportunidade de desqualificar o laudo produzido pelo perito técnico credenciado pela RFB, em sede de manifestação de inconformidade (e.fls 43 e segs), contudo sem obter êxito. Passo seguinte, a própria contribuinte, visando a liberação da mercadoria, solicitou a lavratura do auto de infração, o que de fato ocorreu, abrindose novamente a possibilidade de defenderse e infirmar as alegações, agora, descritas em AI. Desta forma, como podemos observar foi garantido à contribuinte recorrente total acesso aos documentos que constam do processo, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Por duas vezes, lhe foi dada a possibilidade de trazer elementos que pudessem desqualificar o trabalho do perito, fato esse não configurado. Observese que a Autoridade Fiscal, e no sentir desse Conselheiro de forma acertada, entendeu não ser necessária a realização de nova perícia, pois todos os elementos para a formação de sua convicção já estavam disposto no processo. Vale ressaltar que até mesmo as respostas aos quesitos, posteriormente confeccionados pela recorrente, podem ser extraídas da perícia realizada a pedido da autoridade aduaneira, quando do desembaraço das mercadorias. No mesmo sentido, seguindo o que acima foi exposto, tendo em vista não ter ocorrido o suposto cerceamento de defesa, não há que se falar em eventual nulidade do auto de infração. Todo o direito de defesa à contribuinte recorrente foi garantido, assim como, foram motivadas as decisões que consideraram prescindíveis a realização da prova pericial requerida, pois, como dito, tal prova já foi realizada muito antes da instauração do contencioso administrativo, servindo de base inclusive para a lavratura do auto de infração. Desta feita, não ha que se falar em cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração, como que a recorrente. II Aplicação do ex tarifário aos equipamentos importados Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 7 6 Por todo o até aqui exposto, podemos afirmar que a celeuma apresentada para resolução, cingese quanto a (in)adequada classificação das máquinas/equipamentos importados pela contribuinte recorrente, classificados na declaração de importação na posição NCM 8477.59.90, ex 024, trazido pela Resolução CAMEX nº 73/2007. O extarifário mencionado foi versado da seguinte forma: 8477.59.90 Ex 024 – Máquinas automáticas para moldar termoplásticos, por injeção, estiramento e sopro, simultâneos, com condicionamento direto de temperatura da préforma, e três estações injeção de preforma, estiramento e sopro, e extração Segundo o art. 111, inc. II, do CTN a norma tributária que disponha sobre a outorga de isenção de um tributo, deve ser interpretada literalmente, observese: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Nesse sentido, propor a extensão do benefício trazido pelo ex 024 a máquina ou equipamento que não se enquadre nos requisitos exigidos para que se tenha o direito a obtenção do benefício é permitir que se faça tabua rasa das normas que versam sobre a situação fática apresentada. Observamos desde as primeiras folhas do presente processo que as características dos bens importados não eram passíveis de enquadramento no ex tarifário lançado na declaração de importação. A dúvida se fez presente logo no desembaraço das mercadorias, fato esse que levou a autoridade aduaneira lançar mão de permissivo legal vigente à época dos fatos, e requerer a feitura de laudo técnico conclusivo a respeito das características dos produtos, com o nítido propósito de se afastar qualquer tipo de incorreção que poderia prejudicar a atividade de arrecadação de tributos. Em que pese as alegações trazida pela contribuinte recorrente, o laudo técnico trazido aos autos, de lavra de perito devidamente credenciado junto à RFB, não deixa margem de dúvidas quanto ao não enquadramento dos produtos importados no ex tarifário 024. Digase de passagem que a perícia foi realizada com a verificação in loco dos equipamentos, bem como da análise das especificações técnicas das maquinas fornecidas pelo próprio fabricante, que não deixam dúvidas a respeito de serem ou não compostas de quatro estações (laudo fls 18 e segs). Assim, mesmo que tenhamos a declaração encartada aos autos de que o maquinário importado não possui similar de fabricação nacional, tal informação não serve como baliza para o enquadramento no ex tarifário como quer fazer crer a contribuinte recorrente. Os requisitos exigidos para a obtenção da redução do imposto devem ser observados de forma exata, não cabendo margem para seu alargamento, vale dizer, se o ex Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 8 7 tarifário determina que para a obtenção do benefício a máquina deve conter três estações, e não quatro conforme descrito nas especificações técnicas do fabricante, confirmadas pelo laudo técnico. Abaixo colamos a fls 63 do processo que demonstra de forma clara a existência de quatro estações ao invés de três, conforme alegado pela recorrente: Conforme demonstrado acima não há como se ter como válidas as alegações trazidas pela recorrente, uma vez não comprovado o atendimento as requisitos estabelecidos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10314.006273/200843 Acórdão n.º 3302005.788 S3C3T2 Fl. 9 8 para a obtenção do benefício fiscal, bem como não ter conseguido trazer provas, fatos ou normas que pudessem invalidar o lançamento tributário realizado no auto de infração. Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001811/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE.
Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação.
Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário.
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade
Numero da decisão: 1302-000.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. Inconstitucionalidade/Ilegalidade da tributação do lucro inflacionário. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. e relator Fl. 445DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 27/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, EDUARDO DE ANDRADE IRINEU BIANCHI e MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relatório O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 91/97, lavrado pela DFI Rio de Janeiro-RJ em 13/12/2005, por meio do qual está sendo exigido o crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, no valor de R$ 433.577,37, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrente das seguintes irregularidades apuradas: 001. Glosa de prejuízos compensados indevidamente. Saldos de Prejuízos Insuficientes. Glosa de prejuízos compensados indevidamente, em 31/12/2001, no valor de R$ 13.640,41, tendo em vista a inexistência de saldos de prejuízos compensáveis naquela data, conforme Sistema de Apuração do Prejuízo e Lucro Inflacionário-SAPLI, em face da utilização, em 31/12/2000, de todo o saldo de prejuízos compensáveis então existentes para compensação da autuação referente ao item seguinte. O lançamento teve como enquadramento legal os arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda- RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. 002. Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro inflacionário realizado – realização mínima. Falta de adição ao lucro líquido da realização anual mínima de lucro Inflacionário acumulado nos exercícios de 2001 e 2002, anos-calendário 2000 e 2001, no montante anual de R$ 1.007.210,61, equivalentes a 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31/12/1995, no valor de R$ 10.072,106,10, conforme SAPLI de fls. 109/114. O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 8º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995; artigos 6º e 7º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e arts 249, inciso I, e 449 do RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 12/01/2006, a impugnação de fls. 116/124, onde argüi a tempestividade, descreve a autuação e alega, em síntese: Que a problemática versadas no auto de infração cinge-se a equívoco por ela cometido quando da determinação do saldo de correção monetária aplicada aos seus Fl. 446DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 2 3 investimentos, informado na DIRPJ/1992, consistente no lançamento do resultado da avaliação por equivalência patrimonial na conta de “correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF”. Conforme planilha que junta ao autos, em razão do lançamento equivocado, teria sido apurado erradamente saldo credor a maior da diferença de correção monetária apurada com base no IPC e aquela calculada tendo-se em conta o BTNF, isso porque o valor original de Cr$ 1.198.032.567,03 foi indevidamente incluído na conta de correção monetária quando se trata de parte do resultado da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial do ano de 1991 . Assim, ao prestar as informações pertinentes ao ano de 1991 na DIRPJ/1992, informou dispor do valor de Cr$ 7.278.345.551 a título de saldo credor da diferença IPC/BTNF aí incluindo o valor de Cr$ 6.910.547.255 que se refere aos Cr$ 1.198.032.567,03 retrocitados corrigidos até 31/12/1991. Protesta que a fiscalização se baseou em tal declaração errônea, não as contrapondo aos respectivos lançamentos contábeis, assim, partindo de matriz equivocada, ou seja, a DIRPJ/1992, calculou o montante do lucro inflacionário chegando ao valor de R$ 10.072.106,10 (SIC) em 31/12/1995. Afirma que, percebendo-se do equívoco, procedeu ao estorno do montante indevido em janeiro de 1993, então no montante corrigido de CR$ 111.080.164,00, fato informado quando da entrega da DIRPJ daquele ano. Com o estorno que afirma ter realizado e informado à SRF na DIRPJ do ano de 1993, a interessada afirma que o saldo credor da diferença IPC/BTNF em 1995 era, então, insuficiente para ser realizado nos anos de 2000 e 2001 (processo nº 18471.001811/2005-60) e 2003 a 2005 (presente autuação), nos patamares fixados pela fiscalização, e que todas as informações alinhada são de facílima comprovação mediante a simples análise do seu Livro Diário nº 6 (páginas 5 e 6) e Lalur. Ressalta que, retificando as alegações postas, à exceção da inclusão do montante referido nos itens 7 e 8 (Cr$ 1.198.032.567,03) para fins de apuração do saldo de correção monetária, o valor histórico de Cr$ 2.065.739.650,00 (linha 33, colunas F e H da planilha que anexa à fl. 275, reflete que o saldo de seus investimentos em 31.12.1990 (linhas 28 e 32 das colunas F e H da planilha). Salienta que o valor de Cr$ 1.198.032.567,03 refere-se a parte do resultado de equivalência patrimonial do ano de 1991, daí porque ter sido escriturado como “Equiv. Patrim,”, conforme consta da página 2 do seu Livro Diário nº 6. Prossegue afirmando que o lançamento equivocado do valor de Cr$ 1.198.32.567,03 em nada interferiu no resultado do exercício do ano de 1991, uma vez que não há variação no valor do mesmo em função do lançamento na conta de Equivalência Patrimonial ou diferença IPC/BTNF, repetindo que efetuou o ajuste mediante estorno no ano de 1993. Resume as razões apresentadas e pede a improcedência do lançamento ante a impossibilidade de realização do lucro inflacionário nos patamares fixados pela fiscalização nos anos de 2000 e 2001 Requer perícia técnico contábil, amparada pelo inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal-PAF, expondo Fl. 447DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 como motivo a hipótese deste julgador entender que as razões alinhadas na impugnação carecem de comprovação, mediante necessária produção de prova pericial, formulando os quesitos às fls 195/196 e indicando o seu perito. Encerra pedindo seja declarada a improcedência do lançamento. Em atendimento à intimação DRJ/RJO nº 28, cientificada à interessada em 25/08/2008, a mesma juntou aos autos cópias autenticadas de seus Livros Diário de 1990 e 1991, Livro Razão do ano-calendário de 1991 e Livro Razão do ano-calendário de 1990, este emitido do sistema contábil em 26/08/2008, tendo em vista a sua não localização encadernado. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por força do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal-PAF, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. CORREÇÃO DE SUPOSTOS ERROS NA APURAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF EM 1991. INAPLICABILIDADE. Decaído o direito da Fazenda Pública apurar diferenças a seu favor no ano de 1991, não há, igualmente, que se falar em reconhecimento de suposto erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles objeto da autuação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Porém, na fixação do saldo do lucro inflacionário acumulado, o fisco deve levar em conta os valores mínimos de realização exigíveis nos períodos anteriores, já alcançados pela decadência, de forma a evitar a transferência da sua tributação para períodos posteriores. A recorrente tomou ciência do acórdão em 18/12/2009 e apresentou recurso em 15/01/2010. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, em especial, argumenta: - que houve cerceamento do direito de defesa no indeferimento e perícia pela decisão recorrida; Fl. 448DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 3 5 - que cometeu equívoco no preenchimento de sua DIRPJ/92, que consistiu no lançamento do resultado da avaliação por equivalência patrimonial na conta “correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF; - que, em razão do referido lançamento equivocado, foi apurado, erradamente, saldo credor a maior relativo à diferença de correção montaria apurada com base no IPC e àquela calculada tendo-se em conta o BTNF. Segundo se observa na planilha em referência, o valor original de, 1.198.032.567,03 (moeda da época -- 1991), foi indevidamente incluído na. 'conta de correção monetária da Recorrente, visto que se trata, antecipa-se, de parte do resUltado da avaliação de seus investimentos pelo método de equivalência patrimonial, no ano de 1991. De se, mencionar :- que, após procedida às devidas atualizações, o valor em referencia perfazia, em dezembro de 1991 O montante (moedas da época) de 6.910.547.255,00 e, em janeiro de 1993, 111.080.164,00. , - da impossibilidade da exigência de IRPJ sobre lucro inflacionário não realizado, segundo a jurisprudência do STJ. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Assim como na decisão recorrida, entendo desnecessária a perícia solicitada, pois os autos estão suficientemente instruídos para julgamento. Quanto ao mérito, também não assiste razão à recorrente. Transcrevo abaixo trecho do acórdão recorrido: O lançamento referente ao item 002 – “Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro inflacionário realizado – realização mínima” decorre de exigência de realização mínima, nos anos-calendário de 2000 e 2001, do saldo diferido de Lucro Inflacionário acumulado oriundo de exercícios anteriores, existente em 31/12/1995. De conformidade com a Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º, temos que, a partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI), à fl. 109/114, que embasou a autuação, em 31/12/1995, o saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar de períodos-base anteriores da interessada montava em R$ 10.072.106,10, ensejando, portanto, a realização mínima obrigatória anual, a partir de 1996, de 1/10 de seu valor, ou seja, R$ 1.007.210,61, Fl. 449DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 motivo da autuação a que se refere a cobrança do IRPJ resultante desta realização nos anos-calendário de 2000 e 2001. Tal lucro inflacionário é oriundo, segundo o mesmo SAPLI, do diferimento dos lucros inflacionários apurados em 1987, 1991, 1992 e dos meses de janeiro a agosto de 1993, corrigidos, inclusive com a diferença IPC/BTNF do ano de 1990, além do saldo credor da diferença IPC/BTNF, no montante corrigido de Cr$ 7.278.345.551,00 em 31/12/1991. Tal saldo diferido, segundo o mesmo demonstrativo, não teve qualquer realização após o ano-calendário de 1995, nem qualquer realização incentivada permitida. A interessada, em seu arrazoado, alega que estaria majorado o valor de seu Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995, constante do SAPLI, uma vez que o valor de seu saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido, em 31/12/1991, constante daquele mesmo demonstrativo e embutido no saldo de 31/12/1995, estaria majorado em Cr$ 6.910.547.255, referente a parte do resultado da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial do ano de 1991, afirmando, também, que tal valor majorado teria sido estornado em sua contabilidade em janeiro de 1993. Diferente de outros julgados desta Turma, em que o valor do Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF em 31/12/1991 foi ajustado, tendo em vista erro de fato na sua transcrição para a Declaração de Ajuste Anual daquele exercício, no caso em exame, observa-se que não houve erro na transcrição para a Declaração de valores constantes na contabilidade, mas sim, um suposto erro na própria apuração de tais valores na contabilidade. Naquele exercício, foi comum as empresas apurarem corretamente o saldo da diferença IPC/BTNF e, na ocasião de sua transcrição para a Declaração de Ajuste Anual respectiva, incorrerem em erro nos valores transcritos, ou, principalmente, em erro na eleição das linhas do “Anexo A” para tal transcrição. Tais erros sempre foram considerados por esta Turma, que, corrigindo-os, ajustou novos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF em 31/12/1991 e, consequentemente, de Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995 a ser realizado. Ocorre que, no presente caso, o suposto erro evocado pela interessada não se encontra na transcrição dos valores, mas sim, em sua própria apuração. Assim, os valores transcritos na Declaração de Ajuste Anual conferem com aqueles constantes da contabilidade do exercício de 1992, ano-calendário 1991, uma vez que o suposto erro se encontraria na própria contabilidade, especificamente na apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, consubstanciado em suposta inclusão de valores de ajuste pela equivalência patrimonial. De conformidade com o art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional-CTN, o direito da Fl. 450DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001811/2005-60 Acórdão n.º 1302-00.449 S1-C3T2 Fl. 4 7 Fazenda Publica apurar quaisquer diferenças na contabilidade da interessada e constituir o crédito tributário respectivo extingue-se em cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim sendo, quaisquer erros constantes na contabilidade da interessada no ano de 1991 estariam, nesta data, alheios a qualquer análise e apuração por meio da autoridade tributária, que não poderia hoje exigir quaisquer diferenças em virtude de erros na contabilidade daquele exercício, uma vez transcorridos quase dezoito anos de sua elaboração, mesmo que tais erros refletissem em lançamentos contábeis e fiscais do presente exercício, ou de exercícios ainda não alcançados pela decadência, como, por exemplo, se a interessada tivesse apurado saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991 em valor inferior ao correto. Assim sendo, não há também porque hoje, decaído o direito da Fazenda Pública apurar e exigir diferenças a seu favor no ano de 1991, esta reconhecer qualquer erro na apuração dos valores de Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991, como requer a interessada, afastando, por conseguinte, os seus efeitos em exercícios posteriores, mais especificamente naqueles da autuação objeto do presente processo. Acrescente-se que a contabilidade apresentada pela interessada somente foi registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro-RJ em 28/09/1999, bem como tanto sua Declaração de Rendimentos do ano-calendário de 1991, quanto sua Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 1993 somente foram apresentadas no ano de 1995, sendo incoerente, portanto, as alegações de que a interessada teria estornado o suposto erro alegado, mormente quando não apresentado quaisquer livros contábeis que demonstrasse tal suposto estorno que, não possui campo na Declaração de Ajuste Anual de 1993 para ser explicitado, não havendo, portanto, como aceitar a existência de tal estorno na contabilidade. Face a todo o exposto, não há que ser feito qualquer ajuste no valor do saldo credor da diferença IPC/BTNF corrigido em 31/12/1991 declarado pela interessada e constante do SAPLI, no valor de Cr$ 7.278.345.551,00, que resultou no Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/1995, no valor de R$ 10.072.106,10, cuja realização mínima obrigatória nos anos de 2000 e 2001 são o objeto da autuação do presente processo. Não há reparo a fazer à decisão recorrida. Não se trata de mero erro de fato ao preencher a declaração da recorrente, mas, conforme alega, de erro no registro contábil que refletiu na apuração do lucro inflacionário. Tal erro somente viria a ser corrigido em 1999 (data do registro da contabilidade), quando já transcorrido o prazo de cinco anos previsto na legislação para eventual retificação. Fl. 451DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Neste caso concreto, não se tratando de mero erro de fato, entendo que não há mais a possibilidade de retificação e, portanto, devem ser considerados corretos os registros do SAPLI, incluindo o lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Quanto à alegada ilegalidade da tributação do saldo de lucro inflacionário, também não assiste razão à recorrente. Além de não haver, como afirma, jurisprudência pacífica sobre o tema, dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Não havendo decisão do STF que considere inconstitucional a legislação de regência da matéria, não cabe a este colegiado deixar de aplicar lei ou decreto válidos, vigentes e eficazes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator Fl. 452DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10274.SBMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010 15:27:47. Documento autenticado digitalmente por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 27/12/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.10274.SBMT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3D303E764077738BCD2685A5777980EB6B265FE1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.001811/2005-60. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15586.001456/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação.
Consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportador
Numero da decisão: 3302-005.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davam-lhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que dava-lhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Recorrente GRANITO ZUCCHI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação. Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Jr que davamlhe provimento parcial para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação explicitadas no relatório fiscal do Auto de Infração e o Conselheiro Raphael Madeira Abad que davalhe provimento integral. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 56 /2 01 0- 19 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Sinteticamente, tratase de lançamento tributário e auto de infração lavrados em razão da Recorrente haver dado saída a mercadorias com o "Fim específico de Exportação", e por esta razão gozado do benefício tributário da suspensão do IPI, sem que, contudo, houvesse cumprido os requisitos legalmente exigidos para tanto. Isto porque a legislação admite a saída de bens com a suspensão do IPI, mas condiciona tal benefício à saída do bem diretamente para (i) o estabelecimento industrial para embarque de exportação ou (ii) para recintos alfandegados por conta e ordem de empresa comercial exportadora. A Recorrente, no entanto, descumpriu as formalidades legais, contudo demonstrou que os bens foram efetivamente exportados, merecendo transcrição o Relatório da DRJ, acostado às fls. 501, por ter retratado os fatos com precisão merece transcrição. Tratase de impugnação de lançamento (efls. 419 a 445) apresentada em 29 de novembro de 2010 contra auto de infração de IPI (efls. 384 a 396), relativo aos períodos de novembro de 2005 a março de 2006, maio e setembro a dezembro de 2006 e lavrado em 1º de novembro de 2010. Segundo o relatório que acompanhou o auto de infração (efls. 375 a 378), foram apuradas as seguintes irregularidades: Foram identificadas operações de exportações indiretas (para empresas comerciaisexportadoras); Nesses casos, a legislação permite a saída com suspensão do IPI (Ripi/2002, art. 42, V, “a”, § 1º), desde que seja efetuada diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; No caso concreto, a empresa comercializou granito, produto identificado apenas pelo nome comercial, dando saída ao Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 4 3 produto diretamente para o estabelecimento adquirente, de empresa coligada, que futuramente veio a incorporála; Foram apresentados (mas não para todas as notas fiscais) apenas memorandos de exportação, documentos previstos no Convênio ICMS n. 107, de 2001, para comprovar a exportação efetiva das mercadorias, não havendo previsão, na legislação do IPI, deste tipo de documento; “Segundo o inciso VII do art. 25 do RIPI/2002 a empresa comercial exportadora será obrigada ao pagamento do imposto como contribuinte em relação ao imposto que deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela adquiridos com fim especifico de exportação nas hipóteses em que não houver a exportação nos termos do disposto nas alíneas desse mesmo artigo.” Ademais, adquirente não cumpriu, em vários casos, o prazo de 180 dias para exportação (fls. 360 a 373);~ “A partir de tudo o que acima foi exposto, verificamos que as suposta vendas feitas as empresas comerciais exportadoras não se revestiam das formalidades normativas para poderem usufruir da saída com suspensão de IPI que autoriza o art. 42, V, "a", e que não há que se falar em crédito presumido já que não foram aceitos os valores de exportações indiretas, o que nos levou a lavratura deste auto de infração para cobrança dos valores não lançados nestas vendas e a glosa dos créditos presumidos referentes ao 10 trim/2006 e ao 40 trim/2005, escriturado em maio e outubro de 2006, respectivamente.” Em sua impugnação, a Interessada alegou o seguinte: Que a impugnação foi tempestiva; Que a exigibilidade do crédito tributário foi suspensa; Que teria havido “gritantes irregularidades” nas prorrogações, que teriam ocorrido sem a emissão de MPF complementares, devidamente assinados pelo Delegado da Receita Federal do Brasil e com ciência ao contribuinte; Que teria havido “gritante” erro na interpretação das disposições legais a respeito da matéria do auto de infração; Que a disposição legal dada como infringida direita respeito somente aos casos “em que a empresa industrial procede A exportação por meio de uma empresa comercial exportadora que não processe o despacho aduaneiro de exportação, o que não reflete o caso em tela”; Que se aplicaria ao caso o disposto no art. 42, V, “c”, do Ripi/2002, pois o despacho aduaneiro de exportação ocorreria no próprio estabelecimento da empresa adquirente; Que tal procedimento teria respaldo na IN SRF n. 28, de 27 de abril de 1994, arts. 10 e 11, III. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 5 4 Acrescentou que seriam indubitáveis as exportações realizadas e que a premissa adotada pela Fiscalização, de que o não envio direto das mercadorias a exportação ou a recinto alfandegado implicaria o não atendimento da legislação, seria ultrapassada. Ademais, tal entendimento nãop atenderia “em nada a finalidade de todo o restante do ordenamento jurídico brasileiro, ou seja, vai de encontro frontal e colidente com princípios e normas de mais alta hierarquia, como, por exemplo, aquelas advindas de nossa Constituição Federal.” Citou ementa de acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que considerou ilegal a IN SRF n. 03, de 2005, art. 245, § 2º. Na sequência, tratou dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, citando opinião da doutrina. Por fim, contestou a multa de ofício aplicada, alegando que se aplicaria ao caso a multa do art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996, à vista do disposto no art. 39, § 5º, “b”, da Lei n. 9.532, de 1997. Além disso, citou decisões do Supremo Tribunal Federal que trataram da multa de ofício e requereu o direito de produzir provas. É o relatório." A Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, sob o entendimento de que não se considera venda com “fim específico de exportação” a que seja efetuada a empresa comercial exportadora, sem a remessa direta à exportação ou à depósito alfandegado, bem como que o despacho de exportação realizado no estabelecimento da empresa exportadora, por depender de autorização da Receita Federal (fato futuro e incerto), não é compatível com a venda com o “fim específico de exportação”. Por esta razão classificou a operação como suspensão irregular, hipótese que implica a responsabilidade da empresa vendedora, com aplicação de multa de ofício. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual insurgese contra a decisão da DRJ sob o argumento de que apesar de confessamente não haver seguido as regras específicas constantes no artigo 42 do RIPI/2002, a Recorrente vendeu os produtos para outra empresa do seu grupo, que veio até a ser por ela incorporada, e que REALMENTE EXPORTOU as mercadorias, satisfazendo e cumprindo os objetivos da lei que, sinteticamente consiste em fomentar a exportação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, e a matéria é de competência deste colegiado. 2. Preliminares. Não há preliminares a serem apreciadas. 3. Mérito. O presente Recurso gravita em torno da possibilidade de se admitir que bens efetivamente exportados possam gozar de benefícios destinados a exportações revestidas de determinadas formalidades, mesmo quando tais formalidades não sejam cumpridas. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente afirma que durante os anos de 2005 e 2006 praticou operações com a suspensão do pagamento de IPI prevista no Decreto 4.544/2002 RIPI. Admite a regularidade das operações em razão do fato de que entende que foi cumprida a exigência de que as mercadorias tivessem sido destinadas à exportação por terem saído do estabelecimento industrial para empresas comercias exportadoras com o fim específico de exportação. Contudo, o RIPI estabelece outras exigências, especificamente que as mercadorias tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. "RIPI 2002. Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso 1); 1 0 No caso da alínea “a” do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°).Grifos não constantes do original. Pela leitura dos autos é possível aferir que a Recorrente não cumpriu fielmente as exigências do RIPI/2002, qual seja a remessa "... diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora." Contudo, segundo a própria DRJ em seu Acórdão sob exame, a exigência do RIPI/2002 é necessária para garantir que a exportação venha a efetivamente ocorrer, verbis. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 7 6 " A legislação permite, para a venda com o fim específico de exportação, a suspensão do imposto, por pressupor que, nesses casos, haverá a exportação e o IPI devido na operação será zero. (...) Entretanto, para que a suspensão incida, deve haver um procedimento específico, que é o previsto no § 1º citado, para que se tenha certeza de que a mercadoria vendida não possa sofrer qualquer tipo de desvio de destinação no mercado interno. Por isso tem que ser encaminhada diretamente a exportação ou a depósito alfandegado." (fls. 509) Ocorre que, como ficou demonstrado pela análise das Declarações de Imposto de Renda apresentadas ao fisco e trazidas aos autos pela própria Recorrente, praticamente toda (99%) receita da Granitos Zuchi Ltda (que recebeu os produtos) adveio de exportação. Merece destaque o fato de que o arquétipo constitucional da exoneração em tela é o artigo 153, IV, §3º, III, da própria Carta Maior que afirma que o imposto previsto no inciso IV (IPI) não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, com o nítido propósito de não onerar produtos destinados a outros países, fomentando a industrialização brasileira. Contudo, a legislação infraconstitucional foi se alterando a fim de aumentar as garantias de que os produtos seriam exportados, considerandose adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora Não restam dúvidas que estas exigências foram criadas pelo legislador com o único propósito de garantir que os produtos serão exportados. No caso concreto não há dúvidas que tais exigências foram descumpridas, contudo foram trazidas provas que demonstram, com grande grau de certeza, que não obstante descumpridos os mecanismos de controle, as mercadorias foram exportadas. Diante destes fatos postos, especialmente o cumprimento do fim maior da norma, qual seja a exportação dos produtos, é necessário investigar se é ou não possível aplicar o benefício tributário em foco. Analisando situação análoga, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou isentas das contribuições de PIS e COFINS vendas efetuadas com o fim específico de exportação, mas que de forma semelhante à presente, não foram remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, vejamos: " VENDA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 8 7 devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação." (Acórdão n. 9303004.233) Efetivamente os casos não são idênticos, mas semelhantes, pois tratam da dicotomia entre a verdade formal, representada pela ausência de cumprimento de requisitos legais instrumentais e a verdade real, que é a efetiva exportação dos bens, que os referidos requisitos instrumentais quiseram garantir. Neste sentido foi o voto do Relator, seguido por unanimidade pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: O ponto fulcral para o deslinde da lide está relacionado ao equívoco da Contribuinte no preenchimento da CFOP das notas fiscais que retratam as operações de venda com o fim específico de exportação. Desta forma, embora não tenha havido o cumprimento literal dos requisitos que visam garantir a exportação, ela foi demonstrada por outros meios, razão suficiente para admitir a aplicação do benefício tributário. 4. Mérito. Conclusivamente, pelas razões já expostas, voto por dar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator Designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário, sob a justificativa de que : "...embora não tenha havido o cumprimento literal dos requisitos que visam garantir a exportação, ela foi demonstrada por outros meios, razão suficiente para admitir a aplicação do benefício tributário.". Entendo que, não cumprido os requisitos prévios à exportação e não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. Ainda assim, para os que entendem possível superar o descumprimento dos requisitos prévios à exportação e provar a efetiva exportação posterior, no presente caso, tais provas não restaram demonstradas,. Diante dos fatos relatados, a acusação fiscal é de que a ora recorrente, descumpriu o disposto no art. 42, inc. V, alínea "a", § 1°, do Decreto n° 4.544/02 RIPI/2002, bem como no art. 39, inc. I, § 2°, da Lei n° 9.532/97, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, seguindo a mesma linha decisória adotada, por unanimidade, no precedente do Acórdão nº 3402003.879, de 28/03/2017, para avaliar se as operações de vendas efetuadas pelo “produtorvendedor”, ora recorrente, estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se examinar as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Nas palavras do Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, in verbis: "O benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do art. 149, da CF) para as operações de exportação, como sugere a recorrente, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o art. 40 do Decreto nº 2.637/98 e o art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, assim dispõem: (grifei) DECRETO N° 4.544/2002: Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 10 9 "Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) §1° No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art.39, § 2°). Destaca se que os dispositivos acima citados, regulamentaram o art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifouse). (...) Para melhor deslinde da questão tratado nestes autos, manifestouse a Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit nº 8, de 25 de agosto de 2004, da qual transcrevo na seqüência vários excertos, que foram adaptados ao caso por este Conselheiro, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Pois bem. Observase que o art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ao falar em empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei nº 1.248, de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 11 10 Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso tudo, e da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre no art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tão somente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no art. 2º do citado DecretoLei nº 1.248, de 1972, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria nº 438, de 26 de maio de 1992, do MF; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução nº 1.928, de 26 de maio de 1992, do Banco Central do Brasil. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitase às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o Decreto Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e legislação Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 12 11 complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo nº 42, de 1975, reconhecia que o DecretoLei nº 1.248, de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o seguinte: “[...] 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra.” Assim sendo, no caso desses autos, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deverá remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei no 1.248, de 1972 (trading), ela (a indústria) poderá enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o art. 14 da IN SRF nº 241, de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, não deixa margem de dúvidas. Vejase (grifei). Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...). § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 13 12 Nesse sentido, o art. 42, §1º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (já transcrito), que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001. Foi o art. 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (art. 40, inc. VI e § 2º, do Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/1998), e art. 42, inc. V e § 2º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço das empresas exportadoras, infringindo a determinação legal. Em fim, não pode prosperar a argumentação da Recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como pretende a Recorrente." Assim, no presente processo, não restou configurada imputação por meros erros formais ou negativa de confirmação das exportações e, ainda que a norma do art. 39, da Lei n° 9.532/97, sinalize a possibilidade do envio das mercadorias para outros locais, onde se processe o despacho aduaneiro de exportação, tais possibilidades necessitam estar regulamentadas, v.g., da Instrução Normativa SRF nº 241, de 6 de novembro de 2002 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), não restando configuradas e demonstradas, no presente processo, nem as situações de vendas ás comerciais exportadoras comuns (não trading), à embarque de exportação ou à recinto alfandegado, nem as situações de vendas à trading, do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e envio para recintos de uso privativo dessas comerciais exportadoras, de que trata a referida norma complementar, outros locais, igualmente, recintos alfandegados, regulamentados sob o regime especial de entreposto aduaneiro. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 14 13 Não existe autorização na legislação tributária ou aduaneira para remeter mercadorias, com suspensão de impostos, à qualquer outro local, indicado por empresa comercial exportadora, sem as características legais de local para embarque de exportação ou de recinto alfandegado, não eximindose o remetente de responsabilidade, pelo desconhecimento da legislação ou a certeza putativa de que os locais atendiam as exigências legais, infringindo determinações legais de responsabilização objetiva. Pelo exposto, concluise que a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou à recinto alfandegado, tratandose o envio de responsabilidade do produtorvendedor remetente, individualizada e independente da responsabilidade da comercial exportadora adquirente em comprovar o embarque para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da emissão da nota fiscal pelo vendedor, conforme disposto no artigo 9º, da Lei nº 10.833/2003. Tais exigências legais, cercando as operações de vendas com fim específico de exportação de garantias de que efetivamente as mercadorias serão destinadas ao mercado externo, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, são necessárias aos controles fiscais e aduaneiros de benefícios, evitando que produtos industrializados desonerados à exportação, sejam comercializados indevidamente no mercado interno, em desigualdade, inclusive concorrencial. Não tendo a autuada remetido os produtos diretamente, por conta e ordem das empresas comerciais exportadoras, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, guardada a possibilidade de enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora, de que trata o art. 14, da IN SRF nº 241/02 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), por conta e ordem da empresa comercial exportadora do DL nº 1.248/72 (trading), não restou, no presente caso, nem mesmo, caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação. Não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. No sentido da prova estampada na nota fiscal de venda, com o fim específico de exportação, a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/Disit n° 43, de 08 de fevereiro de 2008: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: SUSPENSÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para fins da suspensão do IPI, a pessoa jurídica que vende produtos por ela industrializados a empresa comercial exportadora deverá comprovar a venda com o fim específico de exportação, o que é feito mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias o embarque de exportação ou recintos alfandegados, não sendo hábil para essa comprovação, nem o Memorando de Exportação, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. (grifei) Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 15586.001456/201019 Acórdão n.º 3302005.642 S3C3T2 Fl. 15 14 Dispositivos Legais: Art. 14, incisos VIII e IX e § 1°, da MP n° 2.15835, de 2001; art. 5°, inciso III, da Lei n° 10.637, de 2002; art. 6°, inciso III, da Lei n° 10.833, de 2003; art. 39, incisos I e II, e §§ 1°e 2°, da Lei n° 9.532, de 1997; art. 42 do Decreto n° 4.544, de 2002 Reafirmando a assertiva inicial, ainda assim, para os que entendem possível superar o descumprimento dos requisitos prévios à exportação e provar a efetiva exportação posterior, no presente caso, tais provas não restaram demonstradas, sejam as indicadas pelo Relator, baseadas na simples análise das receitas de exportação informadas nas Declarações de Imposto de Renda, sejam as apontadas pelos que votaram pelo provimento parcial, para reconhecer o fim específico quanto às notas fiscais vinculadas aos Memorandos de Exportação, porém, sem prova da efetiva exportação com os respectivos RE Registros de Exportação. Assim, tendo as operações comercias autuadas infringindo as determinações e exigências legais, não podendo enquadrarse nas condições de suspensão do imposto, entendo, deva ser mantida a presente exigência do IPI não recolhido na saída dos produtos. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 1254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720525/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI.
Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO.
Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações.
SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA.
Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei.
AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes.
Numero da decisão: 1402-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 25 /2 01 3- 98 Fl. 4565DF CARF MF 2 tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que por unanimidade julgou pela improcedência da Impugnação, para rejeitar a preliminar de decadência e a alegação de nulidade, e, no mérito, manter as totalidades do IRPJ, da CSLL, da COFINS, do PIS, com os acréscimos legais correspondentes inclusive a multa qualificada de 150%, mantendo a responsabilidade solidária para os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: O presente processo trata dos autos de infração, de fls. 3887 a 3939, relativos ao Termo de verificação fiscal, de fls. 3490 a 4039, lavrados em 14/10/2013, que tiveram como fundamentos, principalmente: a omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, sendo que os lucros tributáveis nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 foram apurados pela sistemática do lucro real anual segundo DIPJ de fls. 4415 a 4429. Tais lançamentos tributários foram lavrados nos seguintes montantes: IRPJ (R$ 1.673.275,22), CSLL (R$ 628.299,08), COFINS (R$ 530.563,66) e PIS (R$ 115.188,18), os quais perfazem um montante em valores originais de R$ 2.947.326,14, sendo que tal valor acrescido de juros de mora e multas qualificadas de 150%, resultam em um montante de R$ 8.435.544,21. Para o entendimento dos motivos que ensejaram os lançamentos supracitados, será transcrito abaixo, parcialmente, o já citado Termo de Verificação Fiscal, como segue: No curso do procedimento fiscal objeto do MPFF n° 08.1.07.00201015984, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos Anoscalendário 2008, 2009 e 2010, junto ao contribuinte Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, constatamos o que segue descrito. Em decorrência da ação fiscal acima citada, foi também instaurado procedimento fiscal objeto do MPFF n° 08.1.07.002011013357, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física nos Anoscalendário 2008, 2009 e 2010 junto ao contribuinte Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, portador do CPF nº. 824.792.24872, que no referido período atuava como Administrador junto a Impugnante, com poderes outorgados através de procurações, requisitadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil junto ao Primeiro Cartório de Notas de Protestos de Letras e Títulos da Comarca de VotuporangaSP, pelo qual aquele intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de TODAS as contas mantidas por ele e seus dependentes, existentes em bancos no Brasil e no exterior, relativas ao período de 01/01/2008 à 31/12/2010. No dia 25112011, apresentou os extratos solicitados os quais correspondem aos bancos: Banco do Brasil, Santander, HSBC, Bradesco e Sicoob. Foi feita a exclusão dos valores de depósitos/créditos decorrentes de outras contas do próprio fiscalizado, referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências e estornos. No dia 25/06/2012, lavramos o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, do qual o contribuinte foi cientificado de forma pessoal, em 28/06/2012, para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos depósitos, de forma individualizada, conforme o referido Termo de Intimação Fiscal, no tocante aos recursos que ingressaram Fl. 4567DF CARF MF 4 nas contas bancárias de sua titularidade, relativos ao período de apuração de 2008 a 2010. No dia 28/06/2012, através do Termo de Devolução de Documentos nº. 1, procedemos à devolução dos extratos fornecidos pelo contribuinte, o qual tomou ciência de forma pessoal. Nos dias 18/09/2012 e 22/01/2013 o intimado apresentou justificativa, referenciando quanto a depósitos de cheques administrativos, cheques devolvidos, resgates de aplicações, empréstimos, doações, transferências e outros, bem como a existência de inúmeros lançamentos a crédito que são rendimentos das várias atividades do contribuinte, como atividade médica, empresarial, pecuarista, trabalho assalariado, locação de imóveis entre outras. Por fim, informa que os créditos que porventura não se enquadram nas condições descritas não se constituem em rendimentos do contribuinte. Em análise da documentação apresentada pelo contribuinte, foram excluídos os depósitos/créditos decorrentes de outras contas do fiscalizado, referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências, estornos, cheques administrativos e distribuição de lucros e os decorrentes das várias atividades do contribuinte. Após compilação das informações, verificamos que restavam créditos cujas origens ainda não haviam sido comprovadas, motivo pelo qual lavramos, em 15/07/2013, o Termo de Intimação Fiscal, do qual o contribuinte tomou ciência em 18072013, dando oportunidade para o contribuinte informar se os créditos cujas origens ainda não haviam sido comprovadas pertencem a terceiros, em caso positivo informar o nome completo, CPF/CNPJ e qual o fato jurídico que ensejou a circulação de tais valores em suas contas correntes. Em caso negativo, explicar o paradoxo ou a incoerência. Da análise de todos os documentos/esclarecimentos apresentados, concluímos que os créditos relacionados não tiveram suas origens comprovadas, vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos destas operações. Conforme consta no histórico dos respectivos extratos, os créditos são identificados constando o nome de seus remetentes. Também foi instaurado procedimento fiscal, objeto do MPFF n° 08.1.07.00 2011013322, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física nos Anos calendário 2008, 2009 e 2010, junto ao contribuinte José Antonio Cajuela Rodrigues, portador do CPF nº. 452.585.89820, que para o referido período atuava como Administrador junto à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, com poderes outorgados através de procurações (doc. Fls.67 à 82.) pelo o qual aquele intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de TODAS as contas mantidas por ele e seus dependentes, existentes em bancos no Brasil e no exterior, relativas ao período de 01/01/2008 à 31/12/2010. Ocorreram, em termos de intimações e justificativas, eventos e procedimentos semelhantes aos que ocorreram no caso do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, exceto no relativo aos extratos solicitados à este dos Bancos Bradesco S.A e HSBC. Tendo estes eventos a mesma conseqüência no PAF, ou seja, “Da análise de todos os documentos/esclarecimentos apresentados, concluímos que os créditos relacionados não tiveram suas origens comprovadas, vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos destas operações.”; e “Conforme consta no histórico dos respectivos extratos, os créditos são identificados constando o nome de seus remetentes.”. A Fiscalização analisou que a escrituração contábil da Impugnante e constatou que os nomes dos remetentes dos créditos nas contas bancárias dos dois Fl. 4568DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.113 5 procuradores supracitados correspondem a nomes dos clientes (pessoas físicas ou jurídicas) da Impugnante, listados a seguir: Fl. 4569DF CARF MF 6 Através de Mandados de Procedimento FiscalDiligência, foram diligenciados diversos desses remetentes, os quais foram intimados a informar com relação a tais remessas, o motivo/fato jurídico que justificou as transferências de créditos para os mesmos, bem como anexar documentos que comprovem os fatos. Os intimados informaram que referidos créditos correspondem a quitações de transações comerciais realizadas com a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. CONCLUSÃO Face a todo o exposto, conclusivamente e de forma inequívoca, constatase que os administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, movimentaram em contas bancárias de sua titularidade, valores financeiros Fl. 4570DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.114 7 decorrentes de transações comerciais realizadas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de sua atividade econômica, o que caracteriza omissão de receitas da empresa, em consonância com o artigo 42, parágrafos 1.º, 3.°, inc. I, e § 5.º, da lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A base de cálculo para a elaboração do Auto de Infração foi apurada tomandose por base os valores mensais creditados em contas bancárias do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, conforme já mencionado oriundos de transações comerciais realizadas entre os remetentes dos referidos créditos com a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, constantes nos demonstrativos extraídos dos extratos bancários apresentados. Da aplicação aplicação da multa de ofício Em decorrência dos fatos constatados, elevamos a multa de oficio para 150%, incidente sobre os valores devidos, em cumprimento ao que determina o parágrafo 1.° do artigo 44 da Lei n.9.430, de 1996, por restar configurado que a empresa fiscalizada agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Autoridade Fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, mediante os atos praticados por seus dirigentes, visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Da sujeição passiva solidária No curso da ação fiscal levada a efeito junto aos contribuintes EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA, FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES, constatamos que restou caracterizada a condição de sujeição passiva solidária das pessoas físicas acima especificadas, Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, com base nos artigos 124, inciso I, e 135 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, ficando os referidos sujeitos passivos responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias a serem apuradas junto à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, conforme passamos a demonstrar. O inciso I, do art. 124, do CTN, prevê a responsabilidade solidária para pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum nas situações e fatos que derem azo a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico, 2a Ed., Editora Saraiva, assim define solidariedade: SOLIDARIEDADE. 1. Na linguagem jurídica em geral: a) qualidade de solidário; b) estado em que duas ou mais pessoas assumem igualmente as responsabilidades de uma empresa ou negócio, obrigandose todas por uma ou uma por todas; c) mutualidade de interesses; d) por inteiro; e) dependência recíproca. 2. Sociologia geral, a) condição grupal que resulta na comunhão de atitudes, fazendo com que o grupo seja sólido e resistente às forças exteriores; b) dever moral de assistência entre os membros de uma mesma sociedade, enquanto considerados com um todo. Os referidos conceitos, "todas por uma ou uma por todas", "mutualidade de interesses", "ligação mútua", "comunhão de atitudes", se aplicam perfeitamente aos administradores na condução dos negócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, pois os mesmos se beneficiaram diretamente pelos valores dos créditos realizados em contas bancárias de suas titularidades, créditos esses remetidos por clientes da pessoa jurídica, além de visar driblar o Fisco, com propósito de ocultar informações, utilizando suas contas bancárias para movimentar receitas da pessoa jurídica que administram, qual seja, Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, realizando conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador, Fl. 4571DF CARF MF 8 visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Rubens Gomes de Souza (Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3a Edição) ensina que é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. E a pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributário. Ou seja, a já narrada conduta dos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues pela qual utilizaram suas contas bancárias como forma de encobrir fatos geradores realizados pela pessoa jurídica caracteriza o interesse comum. A Fiscalização enquadrou as pessoas naturais supracitadas como responsáveis solidárias por serem representantes da Impugnante e por terem praticado atos em infração a Lei, como determinam o caput e o inciso III, do art. 135, do CTN. Quanto à natureza da responsabilidade do administrador, o Código Civil, no artigo 1016, a seguir transcrito preconiza: Artigo 1016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. No entendimento dos tribunais, a lei citada no art. 135 do CTN (responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei) poderá ser civil, comercial ou tributária. A lei referida é todo e qualquer enunciado prescritivo relacionado ao funcionamento e desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica. Nesse contexto, notase que os administradores, responsáveis pelos negócios da pessoa jurídica, permitiram a prática de atos com infração de lei tributária, visto que não há dúvidas de que o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, infringiram dispositivos legais, pois permitiram e movimentaram recursos financeiros pertencentes à pessoa jurídica que administram, em suas contas bancárias, revelando evidente intenção de acobertar as operações daquela pessoa jurídica, visando o beneficio tributário pelo não pagamento de tributos a cargo da empresa, incidentes sobre receitas. Ou seja, os administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues utilizamse de suas contas bancárias para movimentar recursos financeiros pertencentes à empresa por eles administrada, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, impedindo ou dificultando, assim, que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Ante todo o exposto, inferese responsabilidade solidária e pessoal pelos créditos tributários abaixo discriminados, no tocante aos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela, com fundamento no art. 124, inciso I, combinado com o art. 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 28/10/2013 (fl. 4294) e apresentou impugnação, de fls. 4355 a 4382, em 25/11/2013, alegando, em síntese, que: 1) Da Nulidade por Quebra do sigilo fiscal e bancário O Fisco promoveu a "quebra" do sigilo de dados bancários do Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues e do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, perante o Banco HSBC, sendo que estes foram denominados, incorretamente, de administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, durante toda a fiscalização. Fl. 4572DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Isso não é verdade, a administração até 2010 cabia exclusivamente ao Sr. José Rodrigues. Somente a partir de 2011, com o óbito do Sr. José é que referidos senhores passaram a fazer parte da administração da empresa. Conforme afirma o próprio Auditor, através de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira, foi solicitado ao Banco HSBC a apresentação de relatório referente às individualizações dos recebimentos de cobranças creditadas a favor dos cedentes José Antonio e Florindo Miguel. O Banco apresentou os documentos requeridos, anexados sob fls. 630 a 1061, 1252 a 1363 e 1375 a 1486. Ocorre que não consta do presente processo que a Impugnante ou os Sr. José Antônio e Florindo Miguel tenham autorizado a autoridade fiscal a requisitar e tampouco analisar informações intrínsecas às suas operações bancárias, e tampouco existe nos autos autorização de qualquer ordem, mormente do Poder Judiciário, determinando ou autorizando a análise de dados relacionados à movimentação bancária dos contribuintes. Ressaltese que sequer encontrase nos autos a dita Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira, o que, por si só, implica na nulidade do procedimento de fiscalização. É o que se pede. Considerando que dados da movimentação financeira dos anos de 2008 a 2010, foram descortinados sem autorização judicial, toda a atividade fiscalizatória restou contaminada. De tal sorte, está contaminada a validade do procedimento fiscal, uma vez fundado em prova absolutamente ilícita. Vale dizer: a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira deve ser expedida pela autoridade competente, em regular processo administrativo, depois de o contribuinte ter sido intimado a prestar tais formações, sem que o tenha feito por justa razão, e, deverá estar baseada em relatório circunstanciado elaborado pelo Auditorfiscal ou por seu chefe imediato, com a explicitação, "com clareza e precisão", da monção. A inobservância de todas essas exigências que são cumulativas a nulidade da RMF. A Impugnante ainda afirma que é de observar que não foi anexada a escrituração contábil e nem as cópias das declarações no processo, falta que por si só implica em nulidade dos trabalhos fiscais. É o que se pede. Por conseguinte, são NULOS os Autos de Infração ora impugnados, e assim devem ser declarados. 2) Da decadência A exigência fiscal compreende os fatos geradores de janeiro a setembro do anocalendário de 2008, dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Com relação a tais fatos geradores, todavia, o fisco não mais poderia formular a exigência do suposto crédito tributário, vez que foram atingidos pela decadência, estatuída no Código Tributário Nacional. Afirma que teria ocorrido a decadência no período supracitado, visto que a regra a ser seguida é a estatuída pelo § 4º, do art. 150, do CTN, ou seja, o prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador. E para que o lançamento fiscal seja válido, deve ser finalizado antes do decurso do prazo de cinco anos. Assim não procedendo, o ato do contribuinte que determinou a matéria tributável e calculou o montante do tributo devido é tacitamente homologado. E ocorrendo a homologação tácita nos termos do dispositivo supra, é defeso ao fisco exigir quaisquer diferenças. Afirma, ainda, que a Fiscalização desconsiderou, erroneamente, tal decadência, visto que considerou que a Contribuinte agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal, considerando, desta forma, que o prazo decadencial seria deslocado para o primeiro dia do exercício Fl. 4573DF CARF MF 10 seguinte àquele que em que o lançamento poderia ser efetuado, conforme propala o inciso I, art. 173, do CTN. 3) Do mérito 3.1) A fiscalização, ao levantar suspeita sobre operações de crédito nos Bancos Bradesco e HSBC, adotou o critério de confronto entre informações prestadas por clientes adquirentes de produtos da Impugnante e valores transferidos a crédito da conta bancária dos Srs. José Antonio e Florindo. Entendeu que todos os créditos constantes das planilhas de fls. 4011 são oriundos de omissão de receitas, conforme descrito no item 10 do Termo de Verificação e Constatação. É inegável que o procedimento do AuditorFiscal não condiz com a verdade. Primeiro que diligenciou sobre quantidade ínfima de clientes da empresa, tanto que do item 7 do Termo de Verificação, às fls. 3998, afirma que "através de MPF Diligência foram intimadas diversas dessas pessoas jurídicas". Logo, dentro do universo de clientes, as tais diversas pessoas jurídicas representam um dado insignificante. Mas, partindo do confronto com esse pequeno grupo de clientes, o Fisco generalizou que a suposta irregularidade se aplica a todos os créditos identificados nas planilhas de fls. 4011/4033, como se originado dos demais clientes. O que é um absurdo. Isso não coaduna e afronta o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, que define o lançamento como "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Além do mais, considerando que o parágrafo único do referido artigo estabelece que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional', obviamente que a "verdade material" há de ser objeto de prova inequívoca a ser produzida pela autoridade administrativa, a quem a Constituição Federal e o CTN atribuem a função de aplicar a lei tributária. Portanto, cabe à fiscalização comprovar caso a caso (o ônus da prova é do auditor), e não por amostragem, que os créditos listados das contas dos Sr. José Antonio e Florindo, tiveram origem em operações comerciais da empresa; e que todos eles não por amostragem pelos registros fiscais e contábeis da fiscalizada. Está claro que o AuditorFiscal assim não fez, pois não demonstrou que todos os créditos naquelas contas são de operações realizadas pela empresa. Até por que, em resposta à intimação do Fisco, a fiscalizada respondeu que créditos oriundos de sua relação comercial com clientes diligenciados, citados no Termo de Intimação, foram remetidos por estes à conta do José Antonio e do Florindo; e que se tratava de entrada e ou sinal de pedidos de compra, sendo as respectivas notas fiscais emitidas na entrega efetiva dos produtos; assim os valores creditados estariam contidos nas respectivas notas fiscais emitidas pela empresa. Ressaltese que a resposta da empresa não se referiu a todos os créditos apontados nas planilhas de fls. 4011/4033, mas tão somente com relação aos clientes diligenciados, citados no Termo de Ciência e Intimação Fiscal, pelo nobre Auditor. Em suma, a fiscalização não trouxe aos autos, prova segura e incontestável de que todos os créditos daquelas contas são de operações realizadas pela empresa, e que não passaram pela sua contabilidade. Ademais, é ilegal considerar que créditos bancários constituemse em sinônimo de renda, contrariamente ao disposto no CTN (Lei 5.172/66), art. 43, e incisos. Movimentação bancária não caracteriza receita auferida, pois em princípio registra valores patrimoniais ativos, sem qualquer influência na apuração do resultado. Fl. 4574DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.116 11 Logo, a presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que têm força de lei complementar, no caso o Código Tributário Nacional, o que afrontaria, inclusive, a expressa determinação de seu artigo 110. 3.2) Da multa agravada no percentual de 150% Pelo que consta dos autos do processo, verificase que a fiscalizada não ocultou coisa alguma do conhecimento da fiscalização. Tanto que apresentou os livros Diários e Razões, Notas Fiscais de Saídas, formulando as respostas e apresentando farta documentação. Atendeu a tudo que foi solicitado pelas autoridades fiscais, nada omitindo, pelo contrário, sempre operou no sentido de facilitar o desenvolvimento dos trabalhos fiscais. Além disso, omissão de receita decorrente de declarações inexatas, que sequer foram anexadas ao processo, não caracteriza o intuito de fraude requerido pela legislação. Enquanto se baseada em créditos ou depósitos bancários como se de origem não comprovada, é configurada sob o prisma da presunção legal. Ocorre que a aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, fato este não comprovado pela fiscalização. 4) Do pedido Em face do acima exposto, as autuações aqui contestadas não têm procedência nem amparo legal, razão pela qual requer o acolhimento da presente Impugnação e que seja julgado improcedente o lançamento e extinto o crédito tributário em constituição. E se assim não for, que seja desqualificada a multa agravada e acolhida a decadência arguida, conforme plenamente justificado na presente impugnação. Os Srs. José Antonio Cajuela Rodrigues e Florindo Miguel Cajuela Rodrigues tomaram ciência dos autos de infração em 28/10/2013 (fl. 4303 e 4304) e apresentaram impugnações, de fls. 4308 a 4329, e 4330 a 4352, em 22/11/2013, alegando, em síntese, que: 5) Verificase, pelo próprio contexto transcrito acima, que o senhor auditor fiscal não aponta no "Termo de Sujeição Passiva" quais os fatos que embasaram/motivaram a imputação de responsabilidade solidária ao impugnante. O referido Termo carece de fundamentação, sendo esta, imprescindível a todos os atos da Administração Pública, cuja falta caracteriza afronta aos princípios da Constitucional Federal. Sendo assim, a anulação dos atos praticados sem motivação é inafastável, por ferir, inclusive, o direito constitucional ao devido processo legal. Ignorar a jurisprudência dominante sem nenhuma justificativa é motivo para fulminar o Termo (nulidade), extinguindo a responsabilização. 6) Cumpre esclarecer que os impugnantes JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES e Florindo Miguel Cajuela Rodrigues não eram sócios da empresa autuada, nem gestores dos seus negócios. Os impugnantes simplesmente assinavam (por meio de procuração) alguns documentos por procuração, a pedido de seu pai José Rodrigues, sócio da empresa autuada, pois se encontrava doente, o que lhe impossibilitava de realizar algumas tarefas da empresa. E ninguém mais confiável que seus filhos para assinar os documentos da empresa, e nada mais, pois toda gestão da empresa era do Sr. José Rodrigues. Desta feita, a responsabilização tributária solidária dos impugnantes pelos débitos lançados contra a empresa autuada é absolutamente absurda. Os impugnantes somente passaram a ser sócios da empresa "Equipamentos Rodoviários, compulsoriamente, por herança após o falecimento de seu pai em 2011”. Fl. 4575DF CARF MF 12 No caso em questão, não se tem verificado nenhum fato que leve à vinculação do Impugnante com os fatos geradores do crédito tributário lançado, tampouco com relação à empresa autuante. Não há provas do "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, conforme determina de forma expressa o art. 124 do CTN. Resta sobremaneira demonstrado que no caso em apreço, os Impugnantes jamais tiveram qualquer relação direta com a administração da autuada nos períodos de 2008, 2009 e 2010, pois repitase, seu pai Sr. José Rodrigues que era o sócio e administrador da empresa autuada, o impugnante somente tinha procuração de seu pai para assinar, devido sua impossibilidade, como já fartamente demonstrado, inexistindo com isso qualquer hipótese que atraia aplicação do art. 124, I do CTN. Não se pode imputar ao Impugnante, terceira pessoa totalmente desvinculada aos fatos geradores supostamente ocorridos, o dever solidário de recolher tributos de empresa da qual não fazia parte, não tinha ingerência, sem qualquer comprovação de fraude, conluio ou outras práticas ilícitas, nos termos em que previstos no art. 135 e 137 do CTN. Não há qualquer fato ou ato concreto que resulte na conclusão apontada no auto de infração para sujeição passiva solidária dos Impugnantes, que sequer eram sócios da Autuada e não tinha qualquer vinculação direta com aquela empresa nos períodos de 2008, 2009 e 2010. 7) DO PEDIDO Diante dos argumentos e das provas incontestes, pedese o integral acolhimento da presente impugnação com o respectivo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária do impugnante, e sua consequente exclusão processo. Após analisar a impugnação, a r. DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 DECADÊNCIA. DOLO. PRAZO. Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. Fl. 4576DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.117 13 SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário em que sustenta preliminarmente a nulidade dos autos de infração a não inclusão do RMF e nem do relatório circunstanciado no PAF. Sustenta ainda a decadência dos fatos geradores relativos ao período de janeiro a setembro de 2008 e a ilegalidade da quebra do sigilo bancário dos sócios, sem a autorização do poder judiciário. Sustentase que os senhores Florindo e José Antonio não eram administradores da empresa até 2010, que era até então exercida pelo Sr. José Rodrigues. Que somente em 2011, quando o seu falecimento é que os dois primeiros passaram a compor a administração da empresa. Reitera que não se encontra nos autos do processo cópia da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, o que implicaria na nulidade do PAF. Alegase ainda que a ausência de autorização judicial implica na ilicitude da prova, o que contaminaria o lançamento e, portanto, acarretaria em sua nulidade. Aponta jurisprudência do e. STF em que se afirma a absoluta invalidade da prova ilícita. Afirma a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo dos dados bancários dos contribuintes. O Decreto nº 3.724 impõe que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira deve ser precedida da intimação do contribuinte para prestar tais informações e deve ser baseada em relatório circunstanciado, elaborado pelo auditor fiscal ou seu chefe imediato com a explicitação, “com clareza e precisão, da motivação. A ausência desses documentos, inclusive da própria requisição de informações, acarreta na nulidade do auto de infração. Fl. 4577DF CARF MF 14 Ainda em sede preliminar, indica a decadência dos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2008, pois não há conduta dolosa a enseja o prazo previsto no art. 173, I do CTN. No mérito, alega que depósitos bancários por si só não configuram obtenção de receitas. Que a fiscalização cotejou as informações sobre movimentações bancárias com informações prestadas por apenas uma parcela de seus clientes, tendo generalizado a ocorrência de algumas irregularidades ao total das receitas apontadas na planilha de fls. 4011/4033. Que se trata de presunção sem lastro em elementos convincentes que permitissem a tributação de referidos valores. O que consistiria ainda em violação ao art. 142 do CTN. Afirma ainda que valores que transitaram pelas contas dos Senhores Florindo Miguel e José Antonio eram sinais de operações cujas notas fiscais somente foram emitidas posteriormente com a efetiva entrega do produto. Afirma ainda que a fiscalização não demonstrou que todos aqueles créditos são de operações realizadas pela empresa, e que não passaram por sua contabilidade, até porque não teriam sido juntadas cópias de suas declarações e escrituração contábil, o que ensejaria a nulidade do processo. O fisco teria se amparado em presunção não prevista em lei, visto que o art. 42 da Lei 9.430/96 deveria ser interpretado em harmonia com os arts. 43 e 142 do CTN. A presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não poderia violar o conceito de renda estabelecido no CTN. Afirma ainda não existir prova de omissão de receita, pois o fisco não teria provado que os valores contidos na planilha são originários de omissão de receita. Em relação à multa de 150%, reiterando a ilegalidade do lançamento baseado em presunção e quebra de sigilo, invoca a aplicabilidade das Súmulas 14 e 25 do CARF. Afirma a decorrência dos demais tributos. Os sujeitos passivos solidários apresentaram ambos Recursos Voluntários com a pretensão de afastamento da responsabilidade (art.135, III, CTN) sob a alegação de que apenas atuaram em prol do senhor seu pai portador do "mal de parkison"; o que o impedia de firmar documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINARMENTE: 2.1. DA QUEBRA DE SIGILO E DA ILICITUDE DA PROVA Fl. 4578DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.118 15 O Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar n. 105/01 nos autos do RE n. 601.314SP com repercussão geral, o que vincula este tribunal administrativo nos termos do art. 62, §2º do RICARF. E ainda que assim não o fosse, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e da Súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como muito bem fundamentado na DRJ. Por este motivo deixo de conhecer dos argumentos lançados contra a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01, e que poderiam acarretar na ilicitude das provas juntadas aos autos. Ademais, temse que todos os argumentos suscitados pela recorrente sucumbem no mérito diante do reconhecimento da Constitucionalidade pelo E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, em acórdão que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao Fl. 4579DF CARF MF 16 item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL ¬ MÉRITO DJe¬198 DIVULG 15¬09¬2016 PUBLIC 16¬09/2016) Diante do exposto não conheço dos argumentos de (in)constitucionalidade veiculados pelo recorrente, e porventura, ultrapassada tal questão julgoos improcedentes diante da posição firmada pelo STF. 2.2. DA DECADÊNCIA A questão envolvendo a decadência confundese com o mérito, motivo pelo qual tratarei da matéria junto ao mérito. 3. DO MÉRITO: 3.1. Da presunção de omissão de receitas. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430/1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, aplicável também na sistemática do Simples Nacional. Desta forma, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Ante as intimações fiscais, cumpriria ao contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, juntamente com os documentos que lhe dão suporte, com vistas a elidir a presunção de omissão de receitas. Assim correto o enquadramento legal da omissão de receitas no art. 42 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que resta evidenciado que o contribuinte não comprovou a origem de todos os valores integrados às suas contas correntes, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita a tributação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunçõ es no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta conduto ra da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fa tos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do Fl. 4580DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.119 17 jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. No caso, relata a DRJ que: a) da análise dos anexos de fls. 89 a 98, 105 a 109, nos quais constam 426 depósitos bancários de origem não identificada de contas no banco Bradesco, pertencentes a Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues, respectivamente, constatase, como demonstrado na tabela abaixo, que existem 382 depósitos que são relativos a operações efetuadas entre a Impugnante e seus clientes, sendo estes clientes citados em lançamentos contábeis existentes em sua escrituração contábil (livro razão fls. 1507 a 1995). Também há 44 ocorrências de depósitos de mesma natureza, relativas a compras de equipamentos/produtos da Impugnante por intermédio de clientes seus, como a Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários Ltda EPP, a Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA, e MAMBRA TRUCK IMPLEMENTOS LTDA. Fl. 4581DF CARF MF 18 . Sendo assim, concluise que tais depósitos bancários correspondem a quitações de operação de compras efetuadas junto à impugnante por meio de análise pormenorizada das fls. 3959 a 3988 do já citado termo de verificação fiscal em conjunto com as respostas a intimações, de fls. 2295 a 2773, 3021 a 3213, às pessoas jurídicas que se encontram sublinhadas na tabela acima, e que, em sua totalidade, informam de maneira cabal e objetiva que tais depósitos bancários presentes nas intimações são relativos a operações de compra com a Impugnante apresentando também notas fiscais, boletos bancários, etc. Fl. 4582DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.120 19 Nesta esteira, informam que nunca efetuaram nenhum negócio diretamente com os Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues e sim com a Impugnante, porém foram orientados a efetuar os depósitos em suas contas bancárias; e b) nos anexos de fls. 99 a 103, 110 a 113, constam 456 depósitos bancários de origem não identificada efetuados em contas no banco HSBC sem o nome do sacado em seus históricos, porém todos possuem o seguinte trecho “COBRANÇA HSBC”, sendo que as contas pertencem a Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues, respectivamente. A Fiscalização intimou o Banco HSBC a apresentar a descrição daquelas operações supracitadas e este apresentou os demonstrativos de fls. 630 a 699, 839 a 1056, 1.252 a 1363, 1375 a 1486, nos quais informou, uma a uma, as pessoas jurídicas que efetuaram tais depósitos. De posse destas informações a autoridade fiscal (fls. 2774 a 3020, 3214 a 3385 – intimações e respostas) circularizou 15 (quinze) destas empresas, intimandoas a justificarem 157 depósitos, ou seja, parte do total dos depósitos supracitados no montante de 456, sendo que estas apresentaram vasta documentação comprobatória de que seriam obrigações relativas a operações de compra realizadas junto às empresas Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários LTDA EPP, Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA e House Distribuidora de Produtos Automotivos LTDA, créditos estes negociados por estas com os Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antônio Cajuela Rodrigues. As cedentes supracitadas foram intimadas pela Fiscalização (fls. 3386 a 3500 – intimações e respostas) a apresentarem a justificativa para cessão dos seus créditos aos senhores supracitados, e informaram à Fiscalização que realizaram todas as 157 operações a mando da Impugnante (Equipamentos Rodoviários Rodrigues LTDA) com o fito de quitar as operações de compra de equipamentos efetuadas junto a esta, e vendidos às tais 15 empresas intimadas. Cabe ressaltar que as cedentes informaram nas respostas a suas intimações que nunca realizaram negócios diretamente com os seus administradores de fato e sim com a Impugnante. Assim, vêse que o fiscal atuou com zelo, intimando as fiscalizadas e suas clientes para verificar se se trava de omissão de receitas de fato, depurando eventuais equívocos do lançamento. De sua parte, entretanto, a Recorrente pouco atuou para juntar documentação idônea e suficiente a afastar a presunção estabelecida pela lei no art. 42 da Lei 9.430/96. Motivo pelo qual reconheço a validade do procedimento fiscal e voto pela manutenção do auto de infração no tocante ao principal e suas decorrências. 3.2 Da multa de ofício Em relação à multa de ofício, em que pese a Recorrente invocar o teor das Súmula 14 e 25 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 4583DF CARF MF 20 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Isto porque, no caso concreto, os administradores utilizaram de sua conta pessoal para omitir receitas da Recorrente. O que comprovaria o evidente intuito de fraude, haja vista a ausência de razões econômicas válidas para que esse dinheiro fosse depositada na conta dos administradores invés de diretamente na conta da Recorrente. Bem explicita a DRJ: Além de ter omitido receitas não as oferecendo à tributação durante os anos calendário de 2008, 2009 e 2010 e não as tendo escriturado em sua contabilidade oficial, conforme já restou comprovado neste voto, a Impugnante utilizou contas de bancárias dos Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, seus administradores de fato, e com a anuência destes foram creditados pagamentos de seus clientes relativos a compras por estes efetuadas, com o objetivo de impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas durante o período fiscalizado, incorrendo no disposto nos artigos 71 e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais trazem nos seus bojos as definições de sonegação e concluio. Ressaltase que, circularizadas, suas clientes além de informarem a Fiscalização que não tinham negócios efetuados diretamente com os senhores supracitados, mas sim com a Impugnante, também informaram que foram orientadas por esta a depositar os valores a pagar nas contas correntes daqueles senhores, como no exemplo abaixo (fl. 3138): 1. A empresa efetuou depósitos bancários em favor do Sr. José Antônio Cajuela Rodrigues para acertos de compras junto à empresa EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA. (...) 2. Com um bom relacionamento comercial, os pagamentos eram feitos com depósitos em contas indicadas pelo fornecedor, mantendo uma espécie de conta corrente com o mesmo. Os depósitos questionados foram efetuados para o pagamento parcial e/ou total das aquisições de mercadorias feitas através das notas fiscais abaixo informadas. Também resta comprovada a anuência dos senhores supracitados com a utilização de suas contas bancárias por meio das aquisições de créditos a receber pertencentes à intermediários (no caso a Mabrini Equipamentos Rodoviários Ltda) que revendiam os seus produtos e equipamentos, como segue (fl. 2986): Informamos que sempre adquirimos carroceirias, baús entre outros implementos, da Mabrini Equipamentos Rodoviários Ltda, CNPJ 29.792.280/000108, e da Mbra Truck Implementos Ltda, CNPJ 04.182.403/000150, e após compra efetuada, em alguns casos, recebíamos correspondências informando que as duplicatas relativas tinham sido negociadas com o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, cujos boletos vinham como sacador avalista, a Mabrini ou a MBRA. Ao incorrer nas práticas de sonegação e conluio, a Contribuinte se sujeita à multa prevista no inciso I, § 1º, do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96 (multa qualificada de 150%). Sendo assim, mantenho a aplicação da multa qualificada. Fl. 4584DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.121 21 Comprovado o intuito de fraude, entendo que não se caracterizou a decadência, uma vez que seria aplicável ao caso o art. 173, I e não o art. 150, §4, ambos do CTN. 3.2 Da atribuição de responsabilidade passiva. A análise dos fatos, faz mister a inclusão dos Senhores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Transcrevo excerto do acórdão proferido pela DRJ ao qual me alinho: Não prosperará à alegada falta de motivação nos termos de sujeição passiva solidária, de fls. 4040 a 4165, 4166 a 4291, já que pela simples transcrição de trechos destes percebese que foram motivados de forma ampla e correta, como segue: Da motivação para aplicação do art. 124, Inciso I. I Os referidos conceitos, "todas por uma ou uma por todas", "mutualidade de interesses", "ligação mútua", "comunhão de atitudes", se aplicam perfeitamente aos administradores na condução dos negócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, pois os mesmos se beneficiaram diretamente pelos valores dos créditos realizados em contas bancárias de suas titularidades, créditos esses remetidos por clientes da pessoa jurídica, além de visar driblar o Fisco, com propósito de ocultar informações, utilizando suas contas bancárias para movimentar receitas da pessoa jurídica que administram, qual seja, Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, realizando conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador, visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Ou seja, a, já narrada, conduta dos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues pela qual utilizaram suas contas bancárias como forma de encobrir fatos geradores realizados pela pessoa jurídica caracteriza o interesse comum. Da motivação para a aplicação do art. 135, Inciso III. Nesse contexto, notase que os administradores, responsáveis pelos negócios da pessoa jurídica, permitiram a prática de atos com infração de lei tributária, visto que não há dúvidas de que o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, infringiram dispositivos legais, pois permitiram e movimentaram recursos financeiros pertencentes à pessoa jurídica que administram, em suas contas bancárias, revelando evidente intenção de acobertar as operações daquela pessoa jurídica, visando o beneficio tributário pelo não pagamento de tributos a cargo da empresa, incidentes sobre receitas. Ou seja, os administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues utilizamse de suas contas bancárias para movimentar recursos financeiros pertencentes à empresa por eles administre da, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, impedindo ou dificultando, assim, que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Logo, resta comprovada que houve motivação nos referidos termos de sujeição passiva solidária. Quanto à alegação de que os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues não seriam administradores da empresa na época dos fatos geradores esta também não prosperará, visto que: Fl. 4585DF CARF MF 22 por meio de procurações de fls. 67 a 82 foram delegadas aos referidos senhores plenos poderes de gestão, administração, comprar e vender mercadorias do ramo de atividade da Impugnante, podendo assinar autorização para transferência de veículo, assinar recibos de compra ou transferência, fazer pagamentos e receber quitação, representar a Impugnante diante dos fiscos estadual, municipal e federal, cobrar, caucionar, etc. como já comprovado no item deste voto relativo a multa qualificada de 150%, restou comprovada a anuência e a participação direta dos referidos senhores na realização dos fatos que ensejaram a ocorrência dos fatos geradores, já que foram por suas contas bancárias que trafegaram os depósitos bancários de origem não identificada os quais configuraram a já citada omissão de receitas. Tal fato resta comprovado pela compra diretamente pelos administradores de fato supracitados de créditos pertencentes às empresas Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários LTDA EPP, Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA e House Distribuidora de Produtos Automotivos LTDA, que revenderam equipamentos oriundos da Impugnante para pessoas jurídicas circularizadas pela Fiscalização, obrigações estas quitadas por meio das contas bancárias dos tais adminstradores; a própria Impugnante reconhece os referidos senhores como seus administradores, conforme trecho de resposta (fls. 114 a 188) à intimação de fls. 85 a 113: “vimos esclarecer que de fato mantínhamos relação comercial nos períodos de 2008 à 2010, com os clientes diligenciados, citados no termo acima, e que os referidos clientes, cada um a sua maneira, mantinham pagamentos direcionados à empresa via depósitos e ou cessão de créditos, em conta de dirigentes da empresa na época dos fatos geradores”; a pessoa jurídica, Construtora Metropolitana S/A, afirma em resposta (fls. 2517 a 2518) à intimação de fls. 2513 a 2515, que duplicatas relativas a compras efetuadas junto à Manbra Truck Implementos Ltda forma negociadas diretamente pelo Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues; e resta comprovado pela resposta (fls. 3192 a 3195) à intimação de fls. 3187 a 3199, que a De Nigris Distribuidora de Veículos Ltda (compradora) foi cientificada por Termo de cessão de crédito da Bauchar Comércio Rep. Equipamentos Ltda – EPP (vendedora e cedente) para o adquirente de tal direito, o Sr. José Antônio Cajuela. A De Nigris percebeu a negociação como sendo referentes a títulos entre a Baucar e o Sr. José Antônio Cajuela, o que resta comprovado pelos boletos de pagamentos todos em nome do referido senhor (fl. 3322). Sendo assim, resta comprovado que os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, eram administradores de fato da Impugnante na época da ocorrência dos fatos geradores em lide. Quanto à responsabilização solidária atribuída pela Fiscalização aos administradores da Impugnante (pessoas físicas) com fundamento no inciso III, do art. 135, do CTN, decido pela sua correção, visto que, pela função desempenhada pelos referidos senhores na administração de fato da empresa e sua participação nos fatos acima narrados, aqueles não podem alegar o desconhecimento dos fatos que ensejaram a ocorrência do fato gerador do IRPJ, cuja análise neste voto já configurou em tese sonegação fiscal pela utilização dolosa de suas contas bancárias para encobrir do fisco o auferimento de receitas tributáveis pela Impugnante. Ademais, comprovada a sonegação fiscal, só resta a este julgador manter a sujeição passiva solidária, relativa ao o inciso III, do art. 135 supracitado, a medida que o Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009, em seu item 60, “d” assim define, in verbis: d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação Fl. 4586DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.122 23 fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade. Cabe ressaltar que os administradores de fato da Impugnante, não podem alegar desconhecimento dos fatos aqui narrados, visto que é dever de um administrador de empresa inteirarse do que ocorre a sua volta e gerir a empresa inclusive no relativo aos seus aspectos fiscais. Logo, mesmo que não restasse comprovado o conhecimento dos fatos acima narrados, o que não aconteceu, estaria configurada culpa pela negligência do agente, sendo esta suficiente para o seu enquadramento no art. 135, inciso III, do CTN (responsabilidade tributária solidária), como resta esclarecido no já citado Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009, o qual confirma que não é necessário que ocorra o dolo do agente para enquadramento em tal artigo, bastando para tanto a ocorrência da culpa, entendimento este compatível com a súmula 435 do STJ, o que aumenta a abrangência da aplicação do referido artigo, visto que não pode o agente alegar desconhecimento do fato, pois a culpa restaria caracterizada pela negligência. Cabe ressaltar que a sujeição passiva, relativa ao art. 135, do CTN não é pessoal e sim solidária, conforme afirma a alínea “u” do já referido parecer o qual confirma tal entendimento: u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. Sendo assim, mantenho a sujeição passiva solidária dos administradores de fato supracitados com base no inciso III, do art. 135, do CTN. Mantida a sujeição passiva solidária dos administradores de fato da Impugnante, resta inócuo enfrentar a responsabilização solidária com base no inciso I, do art. 124, do CTN, visto que esta trata de solidariedade, assunto já discutido e mantido na análise do inciso III, do art. 135, do CTN, conforme alínea “u” do já citado parecer. Assim, entendo pela manutenção dos administradores no polo passivo do lançamento tributário. 3.3 Lançamentos reflexos Reconhecida a omissão de receita, devem ser mantidos os lançamentos reflexos dela decorrentes. Fl. 4587DF CARF MF 24 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário com a manutenção do auto de infração em sua integralidade, inclusive no que diz respeito a multa de 150%, a sujeição passiva e aos lançamentos reflexos. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 4588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10331.000219/2003-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA.
Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido.
Numero da decisão: 2002-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO A DESTEMPO Recorrente ELIANE MARIA MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA. Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 00 02 19 /2 00 3- 71 Fl. 81DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Pedido de Restituição Trata o presente processo de pedido de restituição, efls. 01 a 20, referente a multa de mora arcada pela contribuinte quando do pagamento de IRPF, sob alegação que a denúncia espontânea afasta as penalidades previstas no artigo 138 do CTN. Decisão DRJ O pedido de restituição foi apreciado na 1ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 20/10/2008, no acórdão 0814.275, às efls. 46 a 55, indeferiu o pleito. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 59 a 77, no qual reitera a possibilidade de restituição dos valores relativos a multa de mora pela aplicação do artigo 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 10/11/2008, efls. 58, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/12/2008, efls. 59, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A questão posta no presente processo é se o instituto da denúncia espontânea é capaz de afastar a incidência da multa de mora. Conforme artigo 138 do CTN, temos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, necessário definir se a multa de mora possui natureza jurídica de infração ou não. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10331.000219/200371 Acórdão n.º 2002000.234 S2C0T2 Fl. 82 3 De acordo com Hugo de Brito Machado, "a denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui qualquer penalidade, inclusive a multa de mora." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 161) Continua o autor, "assim, se alguém faz sua declaração de rendimentos fora do prazo legal, mas o faz espontaneamente, porque antes de qualquer procedimento fiscal, nenhuma penalidade é cabível." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 161) Já José Eduardo Soares de Melo é mais contido quanto ao afastamento da multa de mora na denúncia espontânea. Para o autor: (...) se a violação cometida tiver patente a implicação como fato gerador do tributo, acarretando a falta de seu pagamento, não basta a simples confissão. Nesse caso, além de retratar o ilícito cometido, impõemse o prévio recolhimento do tributo (não lançado, ou sonegado), e dos juros de mora (atraso na sua liquidação), sendo questionável a exigibilidade de multa de mora, salvo se não tiver condição de apurar com exatidão o débito tributário, caso em que competirá ao Fisco proceder ao regular arbitramento de seu montante,q ue deverá ser objeto de depósito (MELO, José Eduardo Soares de. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2001, pg. 210). Para Paulo de Barros Carvalho: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª edição. Saraiva, 2009, p.597) Logo, como se vê, não há consenso na doutrina pátria quanto a incidência da multa de mora na denúncia espontânea. Instado a se manifestar, o Poder Judiciário também oscilou de entendimento em diversos julgados, ora no sentido de afastar a multa de mora, ora no sentido de aplicála. Para dirimir as jurisprudências conflitantes o Superior Tribunal de Justiça exarou a seguinte decisão, submetida ao regime dos artigos 1.036 e 1.037 do Novo CPC (antigo artigo 543C), cuja aplicação deve ser observada por este CARF: Fl. 83DF CARF MF 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO E CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, O CPC. TRIBUTÁRIO. RPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR OMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência e diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10331.000219/200371 Acórdão n.º 2002000.234 S2C0T2 Fl. 83 5 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Logo, a contribuinte apresentou a retificação de sua DAA em 12/03/03, efls. 65, porém não quitou prontamente o valor devido, conforme comprovantes de pagamento de e fls. 16 a 18, não sendo cabível o afastamento da multa de mora. Conforme decisão colacionada, para que se configure a denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a retificação e pagar o tributo prontamente, o que não é o caso dos autos. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, sendo devida a multa de mora, já que não houve pagamento do tributo simultaneamente a retificação de sua DAA. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.003565/2010-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/02/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 9303-007.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 65 /2 01 0- 66 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3301001.692, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de que é aplicável o instituto da denúncia espontânea para excluir a citada multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVAADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduz divergência de interpretação referente ao instituto da instituto da denúncia espontânea é aplicável às penalidades administrativas aduaneiras. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 3802000.556 e 3802001.128. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 124/138. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 1698/1709. No essencial é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 184 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea para excluir a multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. Quanto esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração1. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 1 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 186DF CARF MF 4 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 185 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a conseqüente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, Fl. 188DF CARF MF 6 no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 186 7 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera Fl. 190DF CARF MF 8 prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contra senso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 187 9 O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. Fl. 192DF CARF MF 10 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 188 11 de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, com retorno dos autos ao colegiado a quo para analise do mérito do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000095/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES – NULIDADE – NÃO APLICÁVEL.
O ato foi assinado por autoridade competente e foi devidamente citado ao contribuinte, esclareceu as razões de fato e direito da exclusão do Simples, dando pleno direito de defesa ao contribuinte, não havendo qualquer causa de nulidade que o desabone.
ENSINO MÉDIO – SIMPLES – ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal
verificou que o recorrente desempenhava atividade de ensino médio vedada para o regime Simples desde 2003. Embora o contribuinte alegue que só exerce atividade de ensino fundamental, não logrou comprovar esse fato.
Numero da decisão: 1302-000.497
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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O ato foi assinado por autoridade competente e foi devidamente citado ao contribuinte, esclareceu as razões de fato e direito da exclusão do Simples, dando pleno direito de defesa ao contribuinte, não havendo qualquer causa de nulidade que o desabone. ENSINO MÉDIO – SIMPLES – ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal verificou que o recorrente desempenhava atividade de ensino médio vedada para o regime Simples desde 2003. Embora o contribuinte alegue que só exerce atividade de ensino fundamental, não logrou comprovar esse fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, por parte do contribuinte CENTRO EDUCACIONAL DE PRESIDENTE PRUDENTE, visando sua inclusão no regime do Simples Federal. O Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão fundamentase na constatação do exercício da atividade de professor, vedada na sistemática de tributação do Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. O processo administrativo originouse em representação da Secretaria da Receita Previdenciária, na qual se infere ao contribuinte o desenvolvimento de atividade de ensino médio desde 15/04/2003. Observado que os documentos anexados aos autos faziam referência ao anocalendário de 2005, apenas, foi realizada diligência a fim de determinar precisamente quando o contribuinte iniciou as atividades de ensino médio. Concluiu a autoridade, com base no relatório de diligência fiscal de fls. 206/210, que operavam, no mesmo endereço, os colégios Centro Educacional de Presidente Prudente e Colégio Meta, sem que fosse possível fazer distinção entre os dois, visto que tinham o mesmo dirigente e operavam no mesmo endereço, não raro faturando os serviços em conjunto indistintamente entre os estudantes de ensino médio e fundamental. Assim, não foi possível, da análise de documentos anexados ao relatório de diligência, separar a atividade desenvolvida pelos dois colégios, inferindose então o inicio das atividades de ensino médio ao Centro Educacional de Presidente Prudente a 2003, durando até 2005. Inconformado, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 229/236, com as seguintes alegações, em apertada síntese. I. O CNPJ e o nome do interessado no presente processo não correspondem aos verdadeiros, ficando impossível determinar qual dos dois foi excluído do Simples, erro material que vicia o processo e é causa de nulidade. II. Nos termos do Decreto 70.235/72, assiste ao servidor publico o prazo de 8 dias para execução dos atos processuais, prazo este desrespeitado devendo abrirse novo processo para averiguação dos fatos alegados. III. Os indícios de envolvimento do contribuinte com as atividades de ensino médio datam de 2005 (fls. 45/51), de forma que, se mantida a exclusão, esta deve referirse apenas do ano 2005 em diante. IV. O contribuinte desenvolve atividade de ensino fundamental, não se enquadrando na hipótese vedada pela sistemática do Simples, consideradas as alterações promovidas no art. 9º da Lei nº 9.317/96, pela Lei nº 10.034/2000 e pela Lei nº 10.684/2003. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10835.000095/200604 Acórdão n.º 1302000.497 S1C3T2 Fl. 151 3 V. A exclusão do contribuinte do regime do Simples, conforme art. 15, VI, da Lei nº 9.317/96, só pode gerar efeitos a partir do ano calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório da exclusão. VI. Tendo a notificação da exclusão ocorrido em 2006, apenas em 2007 tal exclusão poderia gerar efeitos. VII. Por fim, requer o contribuinte que seja admitida sua permanência no Simples. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto, reconhecida a tempestividade da manifestação, acordou, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido do contribuinte, conforme consta na fundamentação do voto do relator aqui reproduzida de maneira sintetizada. VIII. Não procede a alegação de que há divergência entre o CNPJ e o nome do contribuinte excluído do Simples, direcionado ao CENTRO EDUCACIONAL DE PRESIDENTE PRUDENTE, havendo apenas menções ao Colégio Meta por conta de documentos identificados durante o curso da diligência fiscal. IX. Quanto à alegação do contribuinte de que decaiu o direito de prosseguir com os atos processuais, ultrapassado o prazo de 8 dias, a norma legal invocada pelo contribuinte, art. 4º do Decreto 70.235/72, descreve em seu corpo prazo impróprio, sendo assim destinado à autoridade local, para a prática de atos de condução do processo, e não as partes envolvidas. X. Com relação às demais alegações aduzidas pelo contribuinte, resta esclarecido, por conta da diligência fiscal realizada, o desenvolvimento de atividade de ensino médio por parte do interessado, haja visto a operação no mesmo endereço, o fato de possuírem o mesmo endereço e a confusão na identificação do sujeito passivo, entre as 2 entidades educacionais, nos contratos de prestação de serviço de ensino médio analisados pela fiscalização. XI. Por último, com relação à alegação do contribuinte de que sua exclusão do regime do Simples apenas poderia produzir efeitos a partir do ano de 2007, a regra aplicada é a do art. 15 da Lei nº 9.317/96, que enquadra exatamente a situação do interessado, não cabendo à autoridade administrativa apreciar alegações de validade de lei, pois tem sua atividade vinculada. Cientificado em 15/05/2009, o contribuinte, através do recurso voluntário de fls. 313 e seguintes, com o protocolo datado de 17/06/2009, apresentou, a este conselho, reforço aos argumentos despendidos em sua Manifestação de Inconformidade, objetivando o arquivamento do presente processo e o reconhecimento do interessado como contribuinte optante pelo regime do simples. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade sendo que dele tomo conhecimento. O contribuinte alega erro na identificação do CNPJ e no nome do interessado bem como nulidade pelo descumprimento do prazo de 8 dias para execução de atos processuais. Indefiro a preliminar de nulidade. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples é formalmente válido, foi executado por autoridade competente, contém a descrição do contribuinte, dos fatos e do direito aplicável, e no mais atende a todos os requisitos do artigo 10 e 59 do Decreto 70.235/72. O contribuinte demonstra pleno conhecimento das razões de sua exclusão do Simples e efetuou sua defesa ao longo deste processo, não havendo qualquer outra causa de nulidade. Não entendo que o fato de dois contribuintes dividirem o mesmo endereço e terem o mesmo sócio seja em si suficiente para descaracterizar suas personalidades jurídicas ou para considerar ambos um único e mesmo contribuinte para fins tributários. Tanto mais se estivéssemos falando de dois colégios, cada um com sua folha de pagamentos, sua diretoria e seus alunos, seus controles administrativos, gerenciais e contábeis distintos. Mais do que isso, o respeito à individualidade fiscal dos colégios ficaria preservado na medida em que cada um desempenhasse uma especialidade de ensino, como por exemplo, um atuasse comprovadamente no ensino fundamental e o outro no ensino médio, o que poderia ser demonstrado pela relação de clientes alunos, presença, relatórios de programa de aulas, relação de professores e currículos, relatórios de aulas, registros ou fiscalizações de órgãos de educação, etc. Por outro lado, neste caso, essa divisão entre os colégios não restou nada clara. Os indícios levantados vão além da divisão do endereço e do sócio. A autoridade fiscal identificou contratos de prestação de serviços em que ambos os colégios receberam valores sem segregação e decorrentes de Ensino Médio. As provas montam do ano de 2003 em diante. Nesse sentido, embora o contribuinte alegue que desenvolve unicamente atividade de ensino fundamental e que no máximo teria se envolvido na atividade de ensino médio a partir de 2005, não comprova o quanto alega, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. A atividade de ensino médio apurada pelo fisco, por sua vez, exige professor bastante qualificado, logo, está vedada para opção de Simples. Nos termos do art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, o ADE de Exclusão do Simples gera efeitos na a partir do ano em que se verificou o exercício da atividade vedada. Neste caso, o contribuinte exerceu atividade de ensino médio desde o ano de 2003, logo, a exclusão do Simples dáse a partir desse ano. Não há qualquer respaldo jurídico ou legal para protelar a eficácia do ADE para o ano de 2005 ou 2007, nos termos em que pretende o contribuinte interessado. Nessa medida, concluo que está correta a exclusão do Simples ora combatida e nego provimento ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10835.000095/200604 Acórdão n.º 1302000.497 S1C3T2 Fl. 152 5 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902335/2008-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003;
2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 02 33 5/ 20 08 -2 1 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 93 2 Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Trata o presente processo de declaração de compensação no 22231.86096.160704.1.3.042770 (fls. 23/28) em que o interessado aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL código 23721 referente ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 4.184,07. O pagamento foi efetuado em 30/01/2004 (fls. 26). Com o referido crédito o interessado compensou débito CSLL do código 2372 1 PA 2º trim/2004, com vencimento em 30/07/2004, no valor de R$ 495,72 (fl. 27). A declaração de compensação foi entregue em 16/07/2004. O Despacho Decisório n° 790540439, de 09/09/2008 (fl. 02), não reconheceu o crédito em questão, uma vez que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, constatouse que o pagamento informado já foi utilizado para pagamentos de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, e não homologou a compensação declarada. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 19/09/2008 (doc. fls. 19), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 29/09/2008 (fl. 01), alegando em síntese que: • a origem inicial do crédito utilizado nas PER/DCOMP esta caracterizada na DCTF do 4° trimestre de 2003, juntada aos autos, tendo o valor pago R$ 9.319,68, valor do débito de R$ 3.494,88, valor pago indevidamente a maior de R$ 5.824,80; • a partir da disponibilidade deste crédito, foi o mesmo utilizado na geração do PER/DCOMP nº 3330.09985.160404.1.3.048522, em 16/04/2004, para compensar com o débito no valor de R$ 1.701,93, restando um saldo de R$ 4.184,07; • foi gerada nova compensação a partir da disponibilidade original através do PER/DCOMP nº 22231.86096.160704.1.3.040770, com valor original do crédito de R$ 4.184,07, para compensar débitos no valor de R$ 495,72, restando um saldo credor de R$ 3.772,00. • Portanto, conforme evolução das compensações entendese ter demonstrado a disponibilidade dos créditos citados, conforme a documentação juntada; • solicitase o cancelamento do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, conforme acórdão n. 1236.829, de 19 de abril de 2011 (efl. 45), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 94 3 DIREITO CREDITÓRIO. MATÉRIA JÁ EXAMINADA EM OUTRO PROCESSO. A decisão de primeira instância que examina, em determinado processo, o direito creditório pleiteado pelo interessado, aplicase, também, a todos os demais processos que estejam vinculados ao mesmo crédito. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não comprovada a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, deixase de homologar a compensação declarada. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 53), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "A origem inicial do crédito objeto das PER/DCOP anexa se deu através da Instrução Normativa nr. 390 no inciso I do Artigo 89, que determina o percentual da Receita Bruta a ser considerado para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL seria de 12% e não de 32% a partir de 01 de Setembro de 2003 para: 'Prestação de serviços em geral, exceto serviços hospitalares e de transporte'." Destaca que "o cálculo da CSLL do período de Outubro de 2003 a Dezembro de 2003 foi realizado com a aplicação da base de cálculo de 32% e não de 12% conforme determina a citada IN nr. 390 e demonstração dos valores pagos a maior cfe. Anexo 1." Sustenta que "A partir da origem inicial do crédito caracterizada na DCTF Retificadora do 4 trimestre de 2003 e respectiva DIPJ do período , utilizamos o saldos na PER/DCOMP anexa". Apresenta demonstrativo de cálculo, DARF e DCTF retificadora relativos ao crédito pleiteado. Ao final, conclui que as compensações foram realizadas na forma da lei, solicitando o cancelamento do acórdão de Manifestação de Inconformidade. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 22231.86096.160704.1.3.042770, sob a alegação de que o crédito de R$ 4.184,07, nele informado, já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código de receita 2372 (CSLL de Pessoa Jurídica optante pelo lucro presumido), do período de apuração de 31/12/2003, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 95 4 A decisão a quo pontuou que o Recorrente não teve reconhecido no processo nº 13005.9005351200840 o crédito de origem no PERD/COMP 3330.09985.1604.1.3.048522 e que, por isso, não haveria que se falar em disponibilidade de crédito para o pleito ora em análise, conforme excerto abaixo: O interessado em sua Manifestação de Inconformidade, constante do processo n° 13005.9005351200840, solicita a retificação do débito informado em DCTF para o 4º trim/2003, com o código receita 23721 (CRI PJ optantes pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado), do valor de R$ 9.319,68, para o valor de R$ 3.494,88, conforme DCTF retificadora juntada às fls. 08/18, resultando, desse modo, em pagamento a maior no valor de R$ 5.824,80. Na Manifestação de Inconformidade constante do processo em tela, alega o interessado, que o crédito utilizado no PER/DCOMP constante dos autos, tem origem no citado valor. Porém, conforme o Acórdão DRJ/RJ1 n° 12036.82812011 (doc. fls. 43/47), o pleito não foi homologado, pois a retificação da DCTF ocorreu em data posterior ao início do procedimento administrativo, fato não permitido pela legislação que trata da matéria. Sendo assim, como o interessado no processo n° 13005.90053512008 40 não teve o crédito reconhecido, não há que se falar em disponibilidade de crédito com origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.048522, para o pleito ora em análise. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pelo Recorrente fundamentase em uma DCTF retificadora recepcionada em 27/05/2008 (efls. 32), e que o crédito de origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.04 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 96 5 8522, constante do processo n° 13005.9005351200840, não foi reconhecido por conta da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 ter sido apresentada em data posterior à de emissão do despacho decisório eletrônico de não homologação constante daquele processo, ocorrida em 24/04/2008. Naquela oportunidade, a decisão a quo pontuou que a retificação da declaração de compensação só poderia ser admitida enquanto o pedido estivesse pendente de decisão administrativa à data do envio do documento de retificação, lastreandose na legislação de regência. Em que pese a existência do óbice normativo apontado para apuração do crédito postulado pelo Recorrente, constato haver verossimilhança nas suas alegações, fundada no fato de que apresentou DCTF retificadora dos créditos que compuseram o PERD/COMP não homologado no processo n° 13005.9005351200840, a qual, em sendo deferida, faria cair por terra o motivo da não homologação, eis que a totalidade dos créditos postulados pelo Recorrente estariam confirmados, o que permitiria a verificação da suficiência (ou não) dos créditos constantes do PERD/COMP do processo ora em análise. Assim, ancorado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) da aceitação na base de dados da Receita Federal do Brasil da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 recepcionada em 27/05/2008, bem como do batimento das informações nela colhidas com a escrituração contábilfiscal do Recorrente e com outras declarações do mesmo período apresentadas pelo Recorrente, mormente a DIPJ e o DACON. No presente caso alguns desses documentos e declarações não foram juntados aos autos e não se tem certeza de que as declarações juntadas prevaleceram nos sistemas de controle da RFB ou se foram retificadas, motivo porque voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 96DF CARF MF
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