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Numero do processo: 12259.000919/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 06/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 09 19 /2 00 8- 16 Fl. 325DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 06/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 326 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurados empregados, assim caracterizados pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 35/39, o levantamento tem origem na caracterização como empregados dos segurados RONILSON MAJUSTE e ANDRE FERNANDES MAGALHÃES considerados pela notificada como microempresários, por verificados os requisitos da relação de emprego, definidos no art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8212/91 c/c art. 30 da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que os segurados constituíram em 20/06/01 a empresa RM CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, passando a emitir, a partir de 08/2001, mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada A atividade fim da empresa. Ressalta, ainda, a autoridade lançadora que o vinculo foi reconhecido pela empresa pelo fato de os segurados cumprirem rigorosamente jornada de trabalho estabelecida com hora de entrada, almoço e saída (conforme documento Relatório de Horas), além de que ao segurado André Fernandes Magalhães foi paga parcela salarial pertinente apenas aos segurados empregados (premium card). 3. O lançamento foi efetuado em 08/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 09352474F00, de fls. 25 , e seus complementares, de fls. 26/28, compatível com os períodos de fiscalização e apuração do crédito, com a devida ciência do contribuinte. Fl. 327DF CARF MF 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 327 5 A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A autoridade administrativa não comprovou a habituaiidade e exclusividade da prestação de serviços, bem como a dependência, do que decorre não ter sido provada a relação de emprego; Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 329DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 328 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2005 Fl. 331DF CARF MF 8 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 329 9 fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar o mérito. Decadência Embora não tenha sido alegada, por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida em quaisquer das fases do processo. Assim, passo a análise. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 333DF CARF MF 10 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram Fl. 334DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 330 11 tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Constatase através do documento apresentado pela fiscalização sob o título de discriminativo analítico do débito que não houve pagamento parcial em relação ao segurado empregado objeto do lançamento e que a fiscalização encaminhou ao ministério público federal representação fiscal para fins penais. Assim, deve ser acolhida de ofício a decadência para exclusão dos valores relativos aos meses 01/06/2001 a 30/11/2001 e o décimo terceiro salário do mesmo ano. Como a obrigação de pagamento da contribuição relativa ao mês de dezembro tem vencimento no ano seguinte, o termo quo é 01/01/2003, logo ainda não decaída. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos: a) formalmente, os segurados eram sócios gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) os segurados percebiam participação nos lucros ou resultados juntamente com os segurados formalmente inscritos como empregados da recorrente; A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: os segurados são empregados da recorrente e prestavam serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador, cumprimento o horário de trabalho tal como os demais empregados. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Fl. 335DF CARF MF 12 Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal e sem auxílio de outros empregados. Isso comprova pessoalidade e subordinação. Em todo o período o segurado se submetia ao cumprimento do horário de trabalho e o serviço era prestado diretamente por ele, que inclusive percebia verbas próprias de segurados empregados. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário quanto à decadência de parte do período lançado. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.003662/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IND. E COMÉRCIO LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 5 a 181, com ciência ao sujeito passivo em 21/05/2001 (fl. 5), para exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade social (COFINS), de outubro de 1997 a dezembro de 1998, no montante original de R$ 225.754,59, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%) decorrentes de insuficiência de recolhimento, como demonstrado em Relatório de Ação Fiscal (RAF). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 03 66 2/ 20 01 -1 0 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 236 2 No RAF (fls. 9 a 11), a fiscalização narra que: (a) a análise fiscal decorre de processos administrativos de restituição (de FINSOCIAL) e compensação (no 10830.002288/0011 e no 10830.002290/0062); (b) os pedidos de restituição foram indeferidos, em função do decurso de prazo do direito de pleitear restituição, previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional (5 anos do recolhimento); e (c) foram apurados débitos não declarados em DCTF no período de outubro de 1997 a dezembro de 1998, motivando a autuação. A empresa apresenta impugnação em 12/06/2001 (fls. 111 a 118), na qual sustenta que: (a) os valores relativos aos débitos de COFINS lançados pela fiscalização estão todos confessados pela empresa, porque informados nas Declarações de Imposto de Renda (de 1997 e 1998), bem como nos formulários de compensação, sendo passíveis de imediata cobrança, do que decorre a nulidade da autuação; (b) a autuação foi notificada à empresa quando ainda estava pendente de decisão o pedido formulado pela empresa no processo de restituição no 10830.002290/0062, e em análise de manifestação de inconformidade o pedido formulado no processo no 10830.002288/0011; (c) os débitos confessados e declarados não se sujeitam a multa de ofício; e (d) é incabível a aplicação de juros de mora pela Taxa SELIC. Às fls. 131 a 145 a empresa anexa ainda cópia da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo no 10830.002288/0011. Em 14/03/2002 é proferida a decisão de primeira instância (fls. 153 a 157), na qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento, entendendose que a entrega de declaração de rendimentos e a apresentação de pedido de restituição/declaração de compensação não são impeditivas do lançamento (sendo cabível a multa de ofício), e que a ausência de julgamento definitivo dos processos referentes a restituição também não obsta o seguimento do processo de lançamento, noticiando que o processo administrativo de no 10830.002290/0062 foi julgado de forma desfavorável à empresa, e já se encontra arquivado. Sobre os juros de mora, informa o julgador de piso não deter competência para afastar comando legal vigente em apreciação de constitucionalidade. Após ciência ao acórdão de primeira instância (fl. 162) em 26/06/2002 a empresa apresentou, em 22/07/2002, o recurso voluntário de fls. 163 a 173, basicamente reiterando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentando, sobre o processo já arquivado, que o que importa é sua situação no momento da lavratura da autuação, e que desconhece os motivos do arquivamento do processo, visto que sequer foi cientificada da decisão, pelo que já demandou o devido desarquivamento (anexando cópia do pedido à fl. 177). Por meio da Resolução no 20300.385 (fls. 182 a 185), de 13/08/2003, o então Conselho de Contribuintes, unanimemente, converteu o julgamento em diligência, fundamentado em julgamento análogo, do processo administrativo no 10830.003667/200134, da mesma empresa, para que a unidade local da RFB aguardasse o julgamento definitivo dos processo administrativos que tratavam de restituição, enviandoos ao colegiados apenados ao presente, ou apenas juntando cópias das respectivas decisões aos autos, com os devidos demonstrativos de imputação atualizados. São, então, juntados aos autos cópias o despacho decisório no processo administrativo no 10830.002290/0062 (fls. 192 e 193), indeferindo o pleito, e no de no 10830.002288/0011 (fls. 212 a 215), com deferimento parcial, provocando, no presente processo, as consequências de imputação descritas na informação de fl. 227. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 237 3 A empresa, já com sua nova denominação (Planalto Agrosciences LTDA) foi intimada a respeito da diligência e das imputações por edital afixado nas dependências da unidade local da RFB, informando esta terem sido improfícuas as tentativas de intimação pela via postal (fl. 231). Em 19/05/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo sido os pressupostos referentes à admissibilidade do recurso já avaliados na conversão em diligência, passase diretamente à análise do contencioso. 1. Do (não) cumprimento da diligência pela unidade local A conversão em diligência, recordese, demandou, em 13/08/2003, a seguinte tarefa à unidade local da RFB (fl. 185): Recordese, ainda, que eram dois os processos administrativos vinculados à presente autuação: o de no 10830.002290/0062 (no qual havia notícia, nos autos, do indeferimento do pleito, e de que estava arquivado, alegando a recorrente que sequer teve ciência do resultado do despacho decisório da unidade local), e o de no 10830.002288/0011 (no qual se noticia nos autos que houve apresentação de manifestação de inconformidade em relação ao despacho decisório proferido pela unidade local). A unidade local até começa bem o trabalho, verificando, em 23/10/2003, onde estavam os processos (fl. 187): Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 238 4 A proposta inicial da unidade local era a de aguardar o retorno do processo que estava sendo julgado, e, posteriormente, enviar o processo à SAORT/SRF/TSR, para dar cumprimento à diligência no que se referia ao outro (fl. 189). Mas a SAORT/SRF/TSR sugeriu, em 12/12/2003 (fl. 191) inverter a ordem, da seguinte forma (fl. 191): Não haveria problemas em inverter a ordem. Contudo, o que se demandou à unidade não foi, simplesmente, a anexação do despacho decisório proferido no processo administrativo de no 10830.002290/0062, mas a apensação do processo ou a juntada da “decisão final”. Decisão final, endossese, é aquela da qual não mais cabe recurso, seja porque esgotadas as instâncias administrativas, ou porque a empresa, regularmente cientificada de uma decisão, optou pela revelia. Mas a própria unidade local, após anexar o despacho decisório datado de 06/12/2000 (fls. 192/193), informou (fl. 194) que havia sido apresentada manifestação de inconformidade, ainda que intempestiva, remetida à DRJ, por haver discussão sobre a tempestividade (que, como se verá adiante, atestou falha na ciência efetuada pela unidade local). Depois disso, nenhuma notícia mais traz a unidade sobre o referido processo. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 239 5 Sobre o outro processo, de no 10830.002288/0011, a unidade local apenas junta despacho decisório, datado de 06/06/2013 (fls. 212 a 215), acatando parcialmente as compensações, termo de ciência referente a processo diverso (no 10830.003662/200110 fl. 228), e cópia de AR ilegível que alega ter sido devolvido. Vejase, no entanto, que no AR de fls. 229/230 sequer consta tentativa de entrega ou motivação da devolução: Após o referido AR, junta a unidade local edital que foi afixado nas dependências da repartição, para efeito de ciência à empresa, em 10/07/2013 (fl. 231). A possível causa do insucesso no recebimento do AR consta à fl. 233, na qual se percebe que a empresa foi baixada, por inaptidão (art. 54 da Lei no 11.941/2009): Com esses elementos, não é possível formar convicção sobre estarem os referidos processos com “decisão final” administrativa. Para evitar novo envio desnecessário dos autos à unidade local, passo a analisar o andamento dos referidos processos no sistema eprocessos, em nome da verdade material. 2. Do processo no 10830.002290/0062 Em consulta ao sistema eprocessos, percebese que trata de pedido efetuado em 15/03/2000, para restituição de FINSOCIAL recolhido de setembro de 1989 a outubro de 1991, Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 240 6 tendo em vista decisão do STF pela inconstitucionalidade de sua majoração de alíquota, no valor de R$ 294.583,90. O pedido é cumulado com demanda de compensação. No despacho que consta às fls. 69/70 daquele processo (numeração eletrônica), o pedido é indeferido por exceder a demanda o prazo de cinco anos, previsto no art. 168. I do CTN, em 06/12/2000. Em 25/01/2001, o processo foi encaminhado para cobrança, havendo cópia de AR (também sem indicação de recebimento, ou de tentativas/motivação) à fl. 74, seguida de edital (fl. 75). Em 12/06/2001, é proposto (e aceito) o arquivamento do processo, tendo em vista o aqui exposto e que os débitos referidos no processo estariam sendo controlados pelo processo administrativo no 10830.002288/0011, e transferidos para o de no 10830.000688/200106, entre outros. Pela complexidade da proposta de arquivamento, optase aqui por transcrevêla a seguir: Houve registro de vista do processo a representante da empresa em 22/07/2002, e de fornecimento a esta de cópias do processo, em 26/07/2002, tendo a empresa apresentado, em 12/08/2002, “impugnação” contra o despacho decisório que indeferiu a restituição. Na sequência dos autos, foi juntada decisão da DRJ, datada de 14/03/2002, no processo administrativo no 10830.003663/200156, que aprecia auto de infração lavrado em relação a restituições demandadas nos processos administrativos no 13840.000111/0012 e no 10830.002290/0062 (justamente o mesmo processo que serve de base à autuação agora Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 241 7 analisada). Sobre tais processos, a decisão da DRJ, que manteve o lançamento, seguiu a mesma linha da adotada em relação ao presente processo (fl. 142): (...) Há pedido de desarquivamento, por parte da empresa, datado de 07/06/2002. Após a tela com o novo endereço da empresa (fl. 146), a unidade local encaminha o processo à DRJ, para análise. A decisão de piso, datada de 22/10/2004, foi no sentido de dar seguimento à análise da intimação (por não ter sido esgotada a possibilidade de notificação pessoal ou por via postal) e de não reconhecer o direito de crédito (em função do decurso do prazo para pedir, conforme Ato Declaratório SRF no 96/1999). Em 21/05/2005, a empresa peticionou à unidade local demandando o prosseguimento do processo, visto que dele dependia o julgamento, no CARF, do processo no 10830.003663/200156, conforme Resolução no 20300190. A unidade local então tenta, por diversas vezes, cientificar a empresa do resultado do julgamento de piso, em seu endereço fornecido à RFB, sem sucesso, como demonstra o AR que consta à fl. 171 daquele processo. Mas, dessa vez, a unidade local, diante do insucesso em notificar a empresa, decide notificar a pessoa física responsável, logrando êxito em 04/10/2005. Após a ciência, a empresa apresentou, em 04/11/2005, o recurso voluntário que consta às fls. 165 a 193 daqueles autos, atestado como tempestivo pela unidade local. O então Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu, unanimemente, converter em diligência o julgamento, por meio da Resolução no 30301.239, para que a unidade local confirmasse se era realmente tempestivo o recurso, visto que, em sua contagem, deveria ter sido apresentado até 03/11/2005. Em 30/03/2007, a unidade local propõe considerar o recurso tempestivo, pelas seguintes razões (fl. 228): Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 242 8 O processo é, então, julgado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, acordando os conselheiros, por maioria de votos, em afastar a decadência do direito de pedir restituição, devolvendo o processo à unidade local, novamente, para apreciação das questões de mérito: A Procuradoria da Fazenda Nacional, cientificada em 05/10/2007 da decisão, apresentou recurso especial em 08/10/2007, e a ele foi dado seguimento por despacho datado de 07/01/2008. A unidade local, então, anexa tela que registra ser a empresa inapta por inexistência de fato, e, antes de tentar cientificar o responsável legal (como havia feito, com sucesso, anteriormente), afixa em suas dependências o Edital SEORT no 11/2008, com o seguinte teor: Aproximadamente três anos depois da desafixação do edital para que a empresa apresentasse contrarrazões ao recuso especial da Fazenda, se assim desejasse, o processo continuava na unidade local, tendo sido registrada vista a representante da empresa em 08/04/2011. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 243 9 Por fim, em 09/11/2015, o processo retornou ao CARF, para apreciação do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que ainda não ocorreu até o presente momento. Portanto, tal processo ainda não possui uma “decisão final” administrativa. 3. Do processo no 10830.002288/0011 Em consulta ao sistema eprocessos, percebese que trata de pedido efetuado em 15/03/2000, para restituição de FINSOCIAL recolhido de setembro de 1989 a outubro de 1991, tendo em vista decisão do STF pela inconstitucionalidade de sua majoração de alíquota, no valor de R$ 106.971,21. O pedido é cumulado com demanda de compensação. No despacho que consta às fls. 268/269 daquele processo (numeração eletrônica), o pedido é indeferido por exceder a demanda o prazo de cinco anos, previsto no art. 168. I do CTN, em 06/12/2000. Não consta ciência da decisão à empresa nos autos daquele processo, mas o despacho de fl. 302 reconhece como tempestiva a manifestação de inconformidade apresentada em 19/01/2001, e que foi apreciada pela DRJ em 18/04/2001, em decisão pelo indeferimento do pleito, endossando a tese do despacho decisório, pelo decurso de prazo. Em 01/08/2001 foi interposto recurso voluntário, pela empresa, tendo a unidade loca, após a interposição do recurso, juntado AR com a ciência da decisão da DRJ, datada de 18/07/2001. A unidade local, no despacho que consta à fl. 344 daqueles autos, informa que excluiu todos os débitos referentes ao processo, e que estariam sendo controlados em processos diversos, como o analisado neste momento pelo colegiado: A própria unidade local, no documento que serviria para atestar a ciência da interessada no encaminhamento dado ao processo, registra, manualmente, a mensagem “AR não encontrado”. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 244 10 Solicitada vista do processo pela empresa, em 24/10/2002, e fornecidas a esta cópias de documentos, em 29/10/2002, foi demandado o desarquivamento dos autos, para que prosseguisse o julgamento do recurso voluntário apresentado. O processo foi então desarquivado e encaminhado para julgamento, em 19/05/2003, tendo sido apreciado pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, que, no Acórdão no 30331.382, de 15/04/2004, seguiu a mesma linha adotada no outro processo aqui investigado, de afastar a decadência do direito de pedir, devolvendo o processo à unidade local, para análise das demais questões de mérito: A Procuradoria da Fazenda Nacional, cientificada em 07/07/2004 da decisão, apresentou recurso especial em 08/07/2004, e a ele foi dado seguimento por despacho datado de 18/08/2004. A unidade local notifica a empresa sobre a decisão e a interposição do recurso especial em 30/09/2004, e esta apresenta contrarrazões em 05/10/2004, sendo o processo apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 09/08/2005, decidindose, por maioria de votos, no Acórdão no 0304.540, negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. A Fazenda apresenta, em 25/07/2008, recurso extraordinário, demandando a análise do processo pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), o que é acolhido pelo despacho no 209/08, que dá seguimento ao recurso. A empresa, por sua vez, cientificada da nova interposição de recurso pela Fazenda, apresenta contrarrazões em 26/11/2008. A CSRF aprecia o recurso extraordinário por meio do Acórdão no 9900000.453, de 29/08/2012, no qual se decide unanimemente pelo provimento parcial, nos seguintes termos: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 245 11 Após todo esse iter, a unidade local da RFB profere o Despacho Decisório no 344, de 06/06/2013 (o único documento apresentado pela unidade local em resposta à diligência), reconhecendo parcialmente o crédito nos seguintes termos: A unidade local tenta, sem sucesso, cientificar a empresa a respeito do acórdão do pleno da CSRF e de sua nova decisão, alertando sobre o prazo para interposição de manifestação de inconformidade. Os correios informam, no envelope (fl. 611 daqueles autos) que o endereço é insuficiente, pois falta o número. A unidade local da RFB resolve, então, em 10/07/2013, notificar a empresa por edital afixado em suas dependências, na mesma notificação utilizada para o processo que aqui se está a julgar, de final 3662/200110, mesclando os prazos para ciência em ambos os processos e interposições de manifestação de inconformidade (sequer citada expressamente na notificação) e recurso voluntário (que erroneamente designa, inicialmente, de recurso hierárquico). O último despacho que se encontra no processo, datado de 17/09/2013, é o seguinte: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 246 12 Tal processo, assim, se considerada regular a ciência efetuada por edital afixado na unidade, possuiria uma “decisão final”, visto que a empresa teria optado por não apresentar manifestação de inconformidade em relação ao processo no 10830.002288/0011. Mas há que se discutir, aqui, a regularidade desta e de outras ciências, por parte da unidade local da RFB, à empresa. E, em tal empreitada, nada melhor que endossar as palavras do julgador de piso no processo de no 10830.002290/0062, mencionado no tópico anterior deste voto: Preciso o comentário do julgador de piso, que encontra ressonância no seio deste CARF. Não pode a unidade, comodamente (ainda que no caso de empresa que se revela inapta, e é depois baixada, como a aqui tratada), partir para a citação por edital após frustrada uma Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 247 13 única tentativa de intimação para um dos endereços da empresa e, ainda, por insuficiência de endereço. Não se considera, então, aqui, ter sido emitida uma decisão definitiva no processo no 10830.002288/0011, visto que sequer foi aberto prazo para apresentação de manifestação de inconformidade, seja porque a unidade local efetuou uma única tentativa de intimação pela via postal, com endereço revelado como insuficiente pelos correios, ou ainda porque na intimação por edital sequer se menciona a possibilidade de interposição de manifestação de inconformidade em relação ao processo no 10830.002288/0011. Revelase preocupantemente deficiente o procedimento de notificação pela unidade local da RFB, que, indubitavelmente, merece aprimoramento, em prestígio do devido processo legal. Não se pode, nestes autos, tomar nenhuma decisão em relação a processo diverso. Assim, os comentários retro, em relação ao processo no 10830.002288/0011, devem ser lidos apenas como uma recomendação à unidade local, para que se certifique da regularidade da notificação (endossandoa ou retificandoa), evitando novo pedido de desarquivamento pela empresa, que só contribuirá para a morosidade no julgamento do presente processo. 4. Das considerações finais Pelo exposto, nenhum dos processos que motivou a baixa em diligência chegou, efetivamente a uma “decisão final”. Indevido, assim, o retorno dos autos a este CARF. Não se pode apreciar a autuação decorrente da negativa de restituição se sequer foi definitivamente apreciada a negativa de restituição. Deve ser o julgamento, então, novamente convertido em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde a decisão definitiva administrativa nos processos citados, e contribua para que a decisão seja efetivamente definitiva, certificandose da regularidade de suas intimações, evitando os reiterados lapsos, arquivamentos e desarquivamentos que aqui restaram patentes. Aproveitase a oportunidade para demandar esclarecimentos em relação a eventuais duplicidades de exigência, visto que, como se noticiou na análise aqui empreendida, os valores lançados no processo administrativo no 10830.003663/200156 também fazem referência ao pedido de restituição efetuado no processo no 10830.002290/0062. Deve a unidade local, assim, em relatório circunstanciado, indicar quais os valores demandados a título de restituição que estão sendo objeto de lançamento em cada processo, de modo a individualizar o crédito tributário que é objeto de contencioso. Por fim, deve a unidade local dar ciência do relatório de diligência à empresa, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011, abrindose prazo para manifestação. Após a ciência e a eventual manifestação da empresa, os autos devem ser devolvidos a este CARF, para julgamento. Rosaldo Trevisan Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002654/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO - A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
Numero da decisão: 1402-002.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, ratificando-se integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-001.862. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por converter o julgamento em diligência para analisar a documentação acostada aos autos no dia anterior ao julgamento dos embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, ratificandose integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402001.862. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por converter o julgamento em diligência para analisar a documentação acostada aos autos no dia anterior ao julgamento dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 26 54 /2 00 8- 15 Fl. 8390DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 8391DF CARF MF Processo nº 11080.002654/200815 Acórdão n.º 1402002.437 S1C4T2 Fl. 8.365 3 Relatório Conforme despacho regimental, a interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.862 que teria incorrido em omissão por não analisar as razões de defesa apresentadas no recurso voluntário contra a tributação dos depósitos bancários matéria que não estaria abrangida pelo pedido de desistência. O despacho assim tratou da questão: [...] De um lado, houve de fato um equívoco na avaliação do pedido de desistência parcial, o que pode ser atestado, por exemplo, ao se examinar a exigência referente ao anocalendário de 2005. Parte da autuação desse período corresponde a depósitos bancários não comprovados (item 001 do Auto de Infração) mas não há indicação de qualquer mês ou trimestre de 2005 no pedido de desistência. Por outro lado, o pedido de desistência não esclarece a qual(is) item(ns) da autuação correspondem o valores informados. O auto de infração contém 7 (sete) itens e os períodos de apuração são comuns a vários deles. Mesmo nos embargos de declaração, o sujeito passivo suscitou o equívoco mas não se preocupou em apresentar informações complementares que esclarecessem com precisão o alcance do pedido de desistência. De qualquer forma, para evitar qualquer prejuízo à defesa, a matéria não apreciada quando do julgamento do recurso voluntário será submetida ao colegiado. De todo o exposto, declaro procedentes as alegações suscitadas e ADMITO os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo para que o colegiado aprecie EXCLUSIVAMENTE as razões de defesa contra a autuação decorrente de extratos bancários. [...] É o relatório Fl. 8392DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Conforme explicitado no relatório, por entender equivocadamente que o pedido de desistência recursal do sujeito passivo abrangeria a tributação referente à omissão de receita por depósitos bancários não comprovados, o acórdão 1402001.862 não analisou as razões de defesa nessa matéria. Cabe agora fazêlo. Em sustentação oral, a interessada requer que seja examinada farta documentação trazida aos autos no dia anterior ao julgamento destes embargos de declaração. O fato dos documentos terem sido apresentados às vésperas do julgamento já seria motivo suficiente para que fossem apreciados. Entretanto, a razão principal não é essa. A questão relevante consiste no fato de que está sendo julgado o recurso de embargos de declaração que não se presta à apreciação de novas provas. Não se pode cogitar de omissão, obscuridade ou contradição do Acórdão em relação a elementos de prova que não constavam dos autos quando do julgamento do recurso voluntário. Sendo assim, rejeitase o pedido feito da tribuna. Quanto ao mérito dos embargos, a peça recursal não traz qualquer tentativa de comprovação da origem de algum depósito tributado, apenas exaustivas razões teóricas e doutrinárias contra a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 e contra as normas sobre a quebra de sigilo bancário contidas na Lei Complementar n° 105/2001. Afirma A fl. 3163 que a presunção do art. 42 "colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais (...)". Quanto A LC 105/2001, defende que "o conjunto de normas embasadoras da atividade fiscal" é inconstitucional. Ademais, invoca jurisprudência de que "a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda seus adicionais e as contribuições sociais". O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Fl. 8393DF CARF MF Processo nº 11080.002654/200815 Acórdão n.º 1402002.437 S1C4T2 Fl. 8.366 5 Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no .430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) Registrese que em recente julgamento (24/02/2016) o STF manifestouse em repercussão geral pela constitucionalidade das normas que autorizam a disponibilização pelas instituições financeiras de informações bancárias ao Fisco (RE 601314/SP): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às Fl. 8394DF CARF MF 6 instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento O sujeito passivo sustenta a impossibilidade de tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento do art. 42, da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Registrese que a jurisprudência administrativa apresentada pela recorrente analisou casos anteriores ao advento do diploma legal supra mencionado. Não há que se falar na necessidade de comprovação dos valores depositados como renda consumida. Vejase a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em relação à inconstitucionalidade da norma legal, é matéria cuja apreciação foge à competência deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, impossível negarse aplicação a dispositivos legais plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio o que joga por terra todo o vasto arcabouço teórico apresentado pela interessada. Do exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração e ratificar integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402001.862 (assinado digitalmente ) Leonardo de Andrade Couto Fl. 8395DF CARF MF Processo nº 11080.002654/200815 Acórdão n.º 1402002.437 S1C4T2 Fl. 8.367 7 Fl. 8396DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.001536/2004-24
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Exercício: 2003
Ementa: ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS.
A falta de apresentação à fiscalização dos livros e documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99.
ARBITRAMENTO CONDICIONAL.
A apresentação de livros e documentos da escrituração contábilfiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex officio, cujo fundamento foi a falta de apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexiste arbitramento condicional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos.
Numero da decisão: 1803-000.690
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2003 Ementa: ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A falta de apresentação à fiscalização dos livros e documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos da escrituração contábilfiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex officio, cujo fundamento foi a falta de apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexiste arbitramento condicional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Em ação fiscal, foi lavrado, contra a empresa acima, auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 04), voltado a exigir total de crédito tributário equivalente a R$ 58.386,86 (cinquenta e oito mil, trezentos e oitenta e seis reais e oitenta e seis centavos), calculado até 30/11/2004. No bojo de labores investigatórios desenvolvidos para apuração das obrigações referentes ao IPI, foi a empresa intimada, em 13/10/2004, a apresentar, entre outros documentos, seus Livros Contábeis (Diário e Razão) e balancetes mensais, relativos ao período de 01/1999 a 06/2004, ou, alternativamente, os Livros Caixa do interregno (fls. 10/11), num prazo de 05 dias. Em 25/11/2004 – mais de um mês depois da primeira solicitação –, foi a peticionária reintimada a apresentar parte dos mesmos documentos (fls. 12/14) – mormente, os livros contábilfiscais do anobase de 2002 –, também no prazo de 05 dias, com a advertência de que a nãoapresentação implicaria o arbitramento de seu lucro. Em 27/12/2004, foram devolvidos à empresa, entre outros, os livros Diário 17, 18 e 19 (fls. 15). Em 28/12/2004, foi retido o Livro Diário n° 21, sem registro na Junta Comercial (fls. 17). A ciência do auto de infração ocorreu em 30/12/2004, mesma data em que a empresa teria entregado ao fisco via do Livro Diário nº 20. No termo de devolução, o auditor fiscal diz que devolveu o livro em virtude de ele não constituir impugnação ao lançamento. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11040.001536/200424 Acórdão n.º 1803000.690 S1TE03 Fl. 2 3 Em sua defesa, o contribuinte diz que o arbitramento se deu em função de não ter apresentado o Livro Diário nº 20. Alega que foi intimado, em 13/10/2004, a apresentar, em cinco dias, documentos contábilfiscais. Diz que atendeu parcialmente à intimação, com a entrega de diversos documentos – entre eles os Livros Diários n. 17, 18 e 19 e, supostamente, o de n. 20, correspondentes aos anosbase de 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente (fls. 64). Em 25/11/2004, tomou ciência de reintimação, para entregar livros diários, que já supunha ter entregado. Teria tentado contato pessoal com o fiscal autuante. Em 28/12/2004, “ciente da previsão do término da auditoria fiscal, que, até então, deveria aterse especificamente ao IPI, e após inúmeras e infrutíferas buscas nos arquivos, optouse pela impressão de uma 2ª via do Livro Diário n. 20, já que haveria tempo hábil para a sua análise caso o IRPJ fosse incluído na fiscalização” (fls. 65). Assim, teria protocolado, em 30/12/2004, uma 2ª via completa do Livro Diário n° 20. Teria ficado surpresa ao receber, horas depois, Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, incluindo o IRPJ do períodobase de 2002 na auditoria, com entrega simultânea do auto de infração ora em discussão. Contesta o procedimento adotado pelo Fisco e diz que houve agressão ao princípio da eficiência (caput do art. 37 da Constituição Federal). Assevera que o arbitramento do lucro somente pode ser usado quando apuradas deficiências absolutamente incontornáveis. Continua dizendo que “esta não foi a situação presente, pois como visto anteriormente, na dúvida quanto ao extravio do Livro Diário n. 20 e ainda num prazo factível para a conclusão da auditoria fiscal (arte 04/02/2005), foi imprimida uma 2° via daquele livro e entregue à fiscalização, que, posteriormente, devolveuo sem ter sido analisado”. Mais incompreensível se tornaria a situação, em razão de estar em andamento apenas a auditoria relativa ao IPI. Afirma que o processo administrativo fiscal deve buscar a verdade real ou material e que o IRPJ deve buscar o real acréscimo patrimonial ocorrido. O lançamento ofenderia, também, o princípio da razoabilidade. Traz jurisprudência acerca da excepcionalidade da aplicação do arbitramento. Junto com a impugnação, veio cópia do termo de devolução do Livro Diário n° 20 e a 2ª via do Livro Diário n°20. A 5ª TURMA – DRJ EM PORTO ALEGRE – RS, ao julgar a impugnação formulada, manteve integralmente o lançamento debatido, ementando sua decisão nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A falta de apresentação de escrituração autoriza o arbitramento do lucro. Como não existe arbitramento condicional, o lançamento não é modificável pelo posterior aparecimento da escrituração. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Não há impedimento em que seja emitido na mesma data em que cientificada a exigência tributária.” Cientificado da decisão em 07/03/2008, interpôs o contribuinte, em 07/04/2008, recurso a este conselho, aduzindo razões símiles às aventadas na instância precedente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Cuidam os presentes autos de debate a respeito do cabimento ou do descabimento do mecanismo de arbitramento do lucro tributável, face à aduzida omissão, ensejada pelo contribuinte, na entrega dos livros obrigatórios atinentes ao anobase de 2002, prescritos pelo artigo 527 do RIR vigente (Decreto nº 3.000/99). Os trabalhos de investigação fiscal se iniciaram com o encaminhamento de intimação ao contribuinte, em 13/10/2004, para apresentação, dentre outras, de cópias dos Livros Diário ou Razão ou, alternativamente, do Livro Caixa da empresa, relativamente ao lapso compreendido entre janeiro de 1999 e junho de 2004. Atendida em parte a solicitação, remanesceram não entregues, no entanto, os livros comerciais respeitantes aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004 (primeiro semestre). Lavrouse, por conseguinte, em 25/11/2004 – mais de 40 (quarenta) dias depois –, nova intimação, postulando a disponibilização dos elementos ausentes. Às fls. 15/16 dos autos, consta Termo de Devolução de Documentos, por meio do qual se descreveu o retorno dos Livros Diário nº 17, 18, e 19, tocantes aos anos calendários de 1999 a 2001, sem que se fizesse menção alguma ao livro pertinente ao período base de 2002 – pedido ao contribuinte por duas vezes. Em relação a 2003, por seu turno, jaz entranhado, à fl. 17, Termo de Retenção, que indica a apreensão e o exame do Livro Diário correlato. A despeito da noticiada omissão do contribuinte em munir a Fazenda dos dados incrustados nos livros contábilfiscais devidos, nos termos dos dispositivos legais e regulamentares que a tanto compelem, asseverou a peticionária que o Livro Diário nº 20 teria, sim, sido apresentado, ainda que esta circunstância tivesse passado despercebida pelo agente autuante. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11040.001536/200424 Acórdão n.º 1803000.690 S1TE03 Fl. 3 5 Em todo caso, segundo manifestado na peça recursal, teria a postulante, alegadamente, intentado sanar a confusão, mediante entrega de nova impressão do livro. Ocorre, contudo, que, no mesmo dia, teria ela sido surpreendida pela recepção do auto infracional em estudo, por meio do qual se deu relato do arbitramento ora cuidado. Pois bem. A despeito das alegações erigidas pelo contribuinte, não vislumbro, no trabalho fazendário, qualquer irregularidade. Primeiramente, é importante consignar que a mera alegação de disponibilização do Livro Diário nº 20 não auxilia a autuada, vez inexistir, nos autos, qualquer prova que ratifique esta versão. Ao que consta, o auditorfiscal competente não obteve citado livro – razão pela qual fez constar, na segunda intimação, novo pedido de sua apresentação. Para que prevaleçam as aduções do sujeito passivo, devem ser trazidos a lume elementos probatórios que, de algum modo, infirmem a versão fiscal, dotada de fé pública. Fosse verdade que a escrituração atinente ao anocalendário de 2002 tivesse sido entregue, bastaria à fiscalizada, quando novamente reintimada, entregála ao Fisco, evitando a eventual adoção do mecanismo arbitral. Não foi este, todavia, o caso, eis que, mais uma vez, omitiuse ela no atendimento ao pleito fazendário. Ao final da investigação, notou o agente autuante que, passados mais de 75 (setenta e cinco) dias da primeira intimação formalizada, não fora a ele disponibilizado nenhum dos livros contábilfiscais básicos da autuada, capaz de evidenciar os dados de apuração do lucro tributável. Foi por este motivo, então, que o fiscal optou por exercitar o mecanismo de arbitramento, com correto e irretocável arrimo no artigo 530, III, do RIR/99, in verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” Não parece haver dúvidas de que o arbitramento empreendido obedece, fielmente, aos ditames regulamentares que permeiam a matéria. Nem modifica esse cenário, cabe ressaltar, o fato de o contribuinte ter apresentado o Livro Diário nº 20 no mesmo dia em que recepcionou a peça acusatória. Assim é, com efeito, porquanto nada comprova que o contribuinte tenha entregado o livro antes de cientificado do AIIM (e não depois). Parece lícito supor que, na realidade, tentou o contribuinte sanar sua omissão somente quando realizada a autuação, a despeito de todo o tempo que teve, anteriormente, para disponibilizar os devidos escritos. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 6 Não cabe, aqui, falar em desrespeito à busca pela verdade real. Se é verdade que este escopo norteia toda a atividade administrativa julgadora, é também certo que inexiste a figura do “arbitramento condicional”, repetidamente rechaçada por este colegiado. Uma vez verificada qualquer das hipóteses autorizativas do arbitramento, não há como se admitir que o contribuinte venha aos autos, posteriormente, para cumprir determinações que deveria ter observado antes de formalizado o lançamento. Por fim, é ainda de se lembrar que eventuais aduções respeitantes a nulidades nos MPF’s não têm o condão de invalidar o auto infracional. É irrelevante o fato de o contribuinte só ter recepcionado Mandado Complementar, relativo ao IRPJ, no momento da ciência do AIIM, em adição ao outrora lavrado, pertinente apenas ao IPI. As normas que regem a emissão dos MPF’s dizem respeito, primacialmente, a controle interno das atividades desenvolvidas pela Receita Federal do Brasil. Ainda que a constituição do Mandado possa, indiretamente, servir para informar o investigado das medidas instrutórias a serem tomadas, é função precípua do instrumento somente azeitar a administração interna corporis dos órgãos fiscalizadores. Observemse alguns precedentes desta Corte: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. (Ac. 1º CC – 10422.087/06)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PORTARIA SRF Nº 1.265/99, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – INSTRUMENTO DE CONTROLE O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. (Ac. 1º CC – 10248.251/07)” Em todo caso, as circunstâncias que tornam nulas as peças acusatórias são apenas aquelas subsumíveis ao artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, de um lado, ou as que se originarem da desobediência aos requisitos do artigo 10 do mesmo diploma, de outro lado. Seguem os dois indigitados dispositivos, para ratificação do exposto: “Art. 59. São nulos: Fl. 123DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11040.001536/200424 Acórdão n.º 1803000.690 S1TE03 Fl. 4 7 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Outros eventuais vícios ou omissões só ensejariam a nulidade do trabalho fiscal ou da autuação decorrente se deles resultassem prejuízo à defesa do contribuinte – o que, por óbvio, não é o caso, já que o interessado teve amplo acesso às informações do processo, em perfeita observância do contraditório administrativo. Nessa esteira, vejase também o teor do artigo 60 do citado Decreto nº 70.235/72: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em Fl. 124DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 8 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Está claro que a mera emissão irregular de MPF, alegadamente verificada no caso, jamais invalidaria, se fosse o caso, o procedimento fiscal. Tal fato não representa vício insanável do auto de infração lavrado, como afirmado nas razões recursais. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 125DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720921/2015-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DIRPF. ERRO DE FATO CARACTERIZADO.
Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato.
Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 2201-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 11/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente).
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ERRO DE FATO CARACTERIZADO. Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato. Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 21 /2 01 5- 49 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fl.3, relativamente ao ano calendário 2011. 2. A Notificação de Lançamento decorrente da DIRPF processada, não foi apurado imposto a restituir, resultando na cobrança do valor já restituído na declaração anterior, no total de R$ 1.013,91, acrescido de juros de mora e saldo de imposto a pagar de R$ 329,99, código 0211. (...). Em sua impugnação de fls. 2, o contribuinte alega, em síntese, que: A Tendo recebido rendimentos como tributáveis do ano calendário 2011, exercício 2012, derivados de rendimentos recebidos acumuladamente (precatório), veio a receber notificação de lançamento acima citada. Solicito o cancelamento do lançamento ocorrido no exercício 2012, ano calendário 2011, sendo que o contribuinte declarou os valores recebidos da Pessoa Jurídica, no campo errado: B) pela análise que for feita na documentação apresentada, ficará constatado a veracidade da mesma, não restando dúvida da boafé, quanto ao pleito ora colocado nesta impugnação. II. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec. 70.235/72) Estão anexados a esta impugnação os seguintes documentos: Cópia dos comprovantes de rendimentos da Procuradoria Geral do Estado, recebidos somente no corrente ano, cópia da Notificação acima descrita, cópia da cédula de identidade. III. 2 Conclusão À vista do exposto, demonstrada parcialmente pela improcedência da Notificação de Lançamento, espera e requer o impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido o cancelamento e arquivamento desta notificação. 3.1 No sentido de comprovar suas alegações anexou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, emitido pela fonte pagadora Procuradoria Geral do Estado, fls. 5. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10840.720921/201549 Acórdão n.º 2201003.505 S2C2T1 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. É irretratável a opção do contribuinte de integrar o total dos rendimentos recebidos acumuladamente à base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reiterou, em síntese, os argumentos aduzidos em fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, o contribuinte auferiu rendimentos recebidos acumuladamente, em outubro do ano de 2011, e, ao transmitir sua DIRPF/2012 retificadora, o interessado incluiu os referidos rendimentos no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular" e não na ficha própria para os "Rendimentos Recebidos Acumuladamente". A decisão recorrida consignou entendimento no sentido de que o recorrente exerceu sua opção irretratável de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente integrando a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário do recebimento, nos termos seguintes: Não é cabível a retificação da declaração de ajuste anual do contribuinte para fins de mudança da forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Dessa forma, sendo irretratável a opção pela tributação no ajuste, não cabe à esta instância de julgamento alterar a opção do contribuinte, ainda que este apresente os documentos relativos aos rendimentos atrasados recebidos acumuladamente. Fl. 67DF CARF MF 4 Aduz o contribuinte que declarou no campo errado os rendimentos recebidos acumuladamente e para comprovar o alegado efetuou a juntada da cópia do comprovante de rendimentos da Procuradoria Geral do Estado. Mostrase incontroverso nos autos que houve erro no preenchimento da declaração e, na verdade, os rendimentos declarados foram recebidos acumuladamente. Assim, houve demonstração da plausibilidade do engano que gerou equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar erro de fato, de modo que com base no princípio da verdade material, tornase possível a revisão da declaração pela autoridade julgadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.720051/2015-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2000
PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA EM RELAÇÃO A UMA EMPRESA INTEGRANTE.
Depende a inclusão de determinada empresa em grupo econômico de fato, caracterizado quando da ação fiscal, de comprovação de sua vinculação comercial, operacional, patrimonial e/ou contábil ao grupo, a partir de uma unidade de direção ou comando. De outra forma, não se pode cogitar a inclusão da empresa no grupo econômico assim caracterizado.
Numero da decisão: 9202-005.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2000 PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA EM RELAÇÃO A UMA EMPRESA INTEGRANTE. Depende a inclusão de determinada empresa em grupo econômico de fato, caracterizado quando da ação fiscal, de comprovação de sua vinculação comercial, operacional, patrimonial e/ou contábil ao grupo, a partir de uma unidade de direção ou comando. De outra forma, não se pode cogitar a inclusão da empresa no grupo econômico assim caracterizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
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E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2000 PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA EM RELAÇÃO A UMA EMPRESA INTEGRANTE. Depende a inclusão de determinada empresa em grupo econômico de fato, caracterizado quando da ação fiscal, de comprovação de sua vinculação comercial, operacional, patrimonial e/ou contábil ao grupo, a partir de uma unidade de direção ou comando. De outra forma, não se pode cogitar a inclusão da empresa no grupo econômico assim caracterizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 72 00 51 /2 01 5- 11 Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 15922.720051/201511 Acórdão n.º 9202005.314 CSRFT2 Fl. 2.491 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.174, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de agosto de 2013 (efls. 2367 a 2386). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir do polo passivo a Cia. União Empreendimentos e Participações, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2000 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO FÁTICA EM RELAÇÃO A UMA EMPRESA INTEGRANTE. Somente quando demonstrados e comprovados todos os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, poderá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Inexistindo a comprovação da vinculação comercial entre uma das empresas pretensamente integrante com a notificada, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, não se pode cogitar na caracterização do grupo econômico de fato entre referidas empresas. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 15922.720051/201511 Acórdão n.º 9202005.314 CSRFT2 Fl. 2.492 3 Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da Cia União Empreendimentos e Participações, para excluíla do pólo passivo. II) Por unanimidade de votos, quanto aos demais recursos voluntários: a) rejeitar as preliminares suscitadas; e b) no mérito, negar provimento aos recursos. Cientificada a Fazenda Nacional em 05/12/2013 (efl. 2414), sua Procuradoria apresenta, em 06/12/2013 (efl. 2387), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 2387 a 2413). Ali, após defender a existência de divergência interpretativa em relação ao paradigma (por se tratar da mesma ação fiscal, com as mesmas provas e conclusões da autoridade lançadora e com o oferecimento da mesma defesa apresentada pela Cia. União no caso paradigmático, tendo a responsabilidade solidária da Cia. União sido ali mantida), a Fazenda Nacional alega que aqui o Colegiado não poderia ter excluído a Cia União de Empreendimentos e Participações do pólo passivo da relação jurídico tributária. Cita o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 24 de junho de 1991 e farta jurisprudência, defendendo, assim a existência de solidariedade de direito, com fulcro no referido dispositivo e que, in casu, houve a caracterização do grupo econômico, uma vez que: a) para caracterizar grupo econômico, é necessário haver a conjugação dos seguintes elementos: 1) composição de entidades estruturadas como empresas; 2) que, entre elas, haja um nexo relacional; b) No tocante a esse último requisito, uns entendem que essa relação deve ser ordem hierárquica. Mas há quem entenda que, para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja administradora da outra ou que possua grau hierárquico ascendente, sendo suficiente uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos, que é o entendimento moderno. Entende a recorrente que a situação sob análise atende todas essas definições dadas, como se verifica nos inúmeros fatos levantados pela fiscalização, posteriormente confirmados pela DRJ onde, podese concluir a formação de um grupo econômico de fato, em face de um poder de controle único, que se encontra reunido nas mãos dos Srs. Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha. c) Cabe apontar, ainda, a incessante transferência patrimonial e alteração da estrutura societária dessas empresas. Isso demonstra que, entre as empresas, há um nexo relacional. Ou seja, no entendimento da recorrente, diante de tudo que foi relatado, verificase que todas as empresas (incluindo a Cia União) encontramse sob um único comando, ou melhor, sob gestão comum dos Srs. Mauro Suaiden, Geraldo Antonio Prearo e Ney Agilson Padilha e que, entre elas, existe uma relação interempresarial, pois os negócios são conduzidos tendo em vista interesses desse grupo, e não os de cada uma das diversas Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 15922.720051/201511 Acórdão n.º 9202005.314 CSRFT2 Fl. 2.493 4 sociedades, o que torna essa separação societária de índole apenas formal. intuito único e exclusivo de prejudicar credores e efetivar a sonegação fiscal. Isso demonstra o abuso da personalidade jurídica. Ademais, a fiscalização concluiu, inevitavelmente, que foram perpetradas inúmeras fraudes, como a descapitalização de empresas, a utilização de sócios fictícios, com o intuito único e exclusivo de prejudicar credores e efetivar a sonegação fiscal. Isso demonstra o abuso da personalidade jurídica. Portanto, resta caracterizado a formação do grupo econômico de fato e a conseqüente responsabilização solidária de todas as empresas dele integrantes, inclusive a empresa Cia União Empreendimentos e Participações. Por todo o exposto, requer a recorrente a reforma do acórdão recorrido, restabelecendose a decisão de primeira instância de forma a manter o lançamento em sua inteireza. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 04/02/2009, no Acórdão 20601.818, de lavra de da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 20601.818 Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CUSTEIO AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA. É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Toda pessoa jurídica que adquire produção rural de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores. GRUPO ECONÔMICO. Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.Recurso Voluntário Negado. Decisão: I) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência de inobservância de prazos legais referentes ao MPF. Vencidos os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a nulidade da NFLD. II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 2418 a 2421. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 15922.720051/201511 Acórdão n.º 9202005.314 CSRFT2 Fl. 2.494 5 Cientificada a contribuinte em 08/01/2015 (efl. 2435) esta apresentou contrarrazões de efls. 2442 e seguintes onde alega que: a) o paradigma citado não possua qualquer ascensão ou vinculação com o entendimento atacado, pretende impor a obrigatoriedade de sua aplicação sobre o presente julgado. na tentativa exclusiva e não justificada de reformálo. para, com isso. obter vantagens não lhe concedidas por Lei; b) a recorrente se restringe a repetir tese de suposta participação da Recorrida no também suposto grupo econõmico. e, em que pese reprisar o conteúdo das presunções tiradas de laudos impugnados. que, no aspecto ora tratado, carecem totalmente de provas, não apontando, em momento algum, onde estaria a prova documental, ou elemento fático conclusivo que corrobore seus argumentos. É de se observar que, conquanto repita. cansativamente, suposta participação da Recorrida em grupo econômico, e, em que pese os autos contarem com dois milhares de páginas. não aponta, no feito, onde estariam as provas documentais do alegado. Resulta indiscutível a ausência de provas nesse sentido. constando do acórdão combatido a devida e correta apreciação dos elementos dos autos, fato que. por si só, torna exigível sua total manutenção; c) por fim, aclara, que, até onde se tem conhecimento, o Recurso Extremo, ora debatido, não permite reexame de provas, estando limitado estritamente aos aspectos legais da demanda. não havendo. pois, que sequer ser recebido. Requer, assim, o desprovimento do Recurso, para que seja integralmente mantido o Acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à argumentação trazida em sede de contrarrazões oferecendo óbice ao conhecimento do Recurso, faço notar que tenho me posicionado no sentido de que em se tratando o Acórdão recorrido e o paradigma de casos com plena identidade fáticoprobatória, tal como no caso em questão, tenho conhecido do pleito, seja este fazendário ou do contribuinte, de forma a que possa este Colegiado evitar que, em casos idênticos, se mantenham decisões conflitantes ou, em casos como o presente, totalmente divergentes. Em que pese reconhecer a função fundamental do Recurso Especial como uniformizador de divergências jurisprudenciais, sem que se realize uniformização de valorações probatórias diversas, creio que, na hipótese supra, deva este Colegiado se manifestar, sob pena de, para casos idênticos, emanarem do Tribunal Administrativo decisões definitivas diversas. Assim, com base no acima disposto e caracterizada a plena identidade fático e probatória entre os Acórdãos recorrido e paradigmático, conheço do Recurso, Quanto ao mérito, faço notar que a questão sob análise se refere não à caracterização de grupo econômico ou não na situação sob análise, para fins de Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 15922.720051/201511 Acórdão n.º 9202005.314 CSRFT2 Fl. 2.495 6 estabelecimento de responsabilidade solidária, mas sim à abrangência do grupo econômico assim caracterizado, mais especificamente se tal caracterização (responsabilidade solidária) abrangeria ou não a Cia. União de Empreendimentos e Participações, à luz dos elementos de prova carreados aos autos. A propósito, em que pese todo o esforço levado a cabo pela Recorrente, entendo, repitase, com base nos elementos de prova constantes dos autos, não lhe assistir razão. A propósito, em plena coincidência com o teor do voto condutor do recorrido, noto, a partir da análise probatória, que o único elemento de prova constante dos autos capaz de vincular a Cia União de Empreendimentos e Participações ao grupo econômico aqui caracterizado são as atas de efls. 696 a 723, onde há coincidência entre sócio daquela empresa e um dos que dirigiriam o referido grupo econômico (Sr. Ney Agilson Padilha), bem como presença de sua cônjuge e de seu sogro no quadro societário da referida Cia. União. Noto, a respeito, que todos os outros elementos que foram reunidos pela Fiscalização, bastante convincentes quanto à existência de grupo econômico de cuja direção participava o Sr. Ney Padilha (a saber, depoimentos de empregados, caracterização de sócios figurativos, transferência patrimonial intragrupo excetuada aqui a transferência para constituição da Cia União e posterior alteração societária das empresas, cessão de mão de obra entre as empresas, contratos de arrendamento e posição de garantidores em empréstimos contraídos no exterior) em nenhum momento permitem vincular a referida Cia União, conforme, inclusive, pode ser confirmado pela fundamentação recursal de efls. 2405 a 2412, onde a única citação à Cia. referese às atas aqui citadas. Diante de tal constatação, também entendo que o indício trazido aos autos de presença do Sr. Ney Padilha e de sua cônjuge, Tania Padilha. bem como de seu sogro, Alexandre Elias, no quadro societário da Cia. União, ainda que desde sua constituição, não é elemento suficiente que permitase concluir pertencer àquela Cia. ao grupo econômico aqui caracterizado, imputandolhe, assim, responsabilidade solidária quanto ao débito objeto do presente lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 2495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000753/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA.
Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do credito presumido.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS.
As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes.
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência do FOMENTAR - Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992 e Lei Estadual nº 13.436, de 1998, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA.
Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do credito presumido.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS.
As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Pis, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes.
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência do FOMENTAR - Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992 e Lei Estadual nº 13.436, de 1998, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso conforme Art. 42 do Decreto 70.235/72.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos deu-se parcial provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA E TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do credito presumido. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS. As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência do FOMENTAR - Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992 e Lei Estadual nº 13.436, de 1998, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA. Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do credito presumido. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS. As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Pis, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência do FOMENTAR - Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992 e Lei Estadual nº 13.436, de 1998, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso conforme Art. 42 do Decreto 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA. Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do credito presumido. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS. As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 07 53 /2 00 9- 14 Fl. 2509DF CARF MF 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência do FOMENTAR Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992 e Lei Estadual nº 13.436, de 1998, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA. Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do credito presumido. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS. As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Pis, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência do FOMENTAR Fundo de Participação e Fomento à Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.510 3 Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992 e Lei Estadual nº 13.436, de 1998, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso conforme Art. 42 do Decreto 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA E TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Fl. 2511DF CARF MF 4 Tratase de Recurso de Ofício do valor exonerado e Recurso Voluntário de fls 2490 em face da decisão de primeira instância da DRJ/DF de fls 2455 que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte de fls 1062. Este processo trata de lide administrativa fiscal originada do Auto de Infração de fls. 1006 lavrado sobre a suspeita de insuficiência de recolhimento em operações que geraram crédito de Pis e Cofins não cumulativos e crédito presumido na industrialização de produtos farmacêuticos. Como é costume desta Turma de julgamento a transcrição do mesmo relatório da decisão de primeira instância, segue para apreciação: “A princípio, mostrase pertinente registrar que o presente relatório e voto, ao fazerem referência à numeração de folhas, tomaram como base os autos do processo em papel. No caso de a referência ter sido a numeração dos autos digitais, ela estará expressa. Nesse contexto, cumpre esclarecer que, com a digitalização do processo, serão encontradas divergências de numeração quando forem compulsados os autos digitais. Em 16/04/2009, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep, atinentes ao período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2006, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$9.108.669,30, assim discriminados por exação fiscal: Em procedimento da Fiscalização de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foi constatada a ocorrência de infrações e a necessidade de promover ajustes na base de cálculo apurada pela contribuinte. No que concerne as infrações, a primeira referese a dedução a maior do crédito presumido previsto no art. 3º da Lei nº 10.147/2000, apurado sobre a receita decorrente da venda de produtos farmacêuticos, haja vista que para os produtos indicados na tabela às fl. 954/955 o sujeito passivo não comprovou ter apresentado pedido de fruição do benefício fiscal do crédito presumido junto à CMED/Anvisa, nos termos do disposto pelo art. 63/64 da IN SRF nº 247/2002. Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.511 5 A segunda trata da dedução indevida de créditos decorrentes de despesas de armazenagem e fretes em operação de venda. Intimado o fiscalizado a comprovar quais os serviços efetivamente prestados pela transportadora emitente das notas fiscais, bem assim a apresentar cópia do contrato de prestação de serviços, apresentou apenas o referido contrato, que se refere a prestação de serviços de logística e agenciamento de cargas. Por sua vez, as notas fiscais referemse a serviços de agenciamento e operador logístico/logística interna, ou seja, ocorridos dentro do estabelecimento industrial e, portanto, não se enquadrando no disposto no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Na terceira, constatou a autoridade tributária que determinados créditos apurados nos demonstrativos do contribuinte já haviam sido objeto de pedido de ressarcimento de PER/DCOMP, razão pela qual foram excluídos. A quarta infração referese à falta de tributação das receitas de subvenções para investimentos, decorrentes de benefício concedido pela Lei nº 13.436/98, no qual reduziu o saldo devedor do ICMS, condicionando o contribuinte a ampliar e/ou modernizar seu parque industrial. Entendeu a Fiscalização que tais ingressos não são tributáveis apenas para o IRPJ e a CSLL, tendo em vista o tratamento recebido pela subvenção de investimentos no art. 443 do RIR/99. Por outro lado, não há previsão legal de exclusão de receitas dessa natureza da base de cálculo da Cofins e do PIS, na forma do art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003, e do art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.637/2002. Por isso, o valor de R$20.556.980,91 foi incluído na base de cálculo das contribuições sociais. Dentre os ajustes na base de cálculo, foram efetuados pela Fiscalização com o objetivo antecipar a utilização dos créditos e, com isso, reduzir as infrações apuradas nos primeiros meses do anocalendário de 2006. O primeiro ajuste foi promovido nos créditos de despesas de energia elétrica, referente ao período de 08/2004 a 12/2005, que haviam sido utilizados pelo sujeito passivo na apuração referente a julho de 2006. A autoridade fiscal antecipou o aproveitamento dos créditos para os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho, de acordo as despesas incorridas na compra de energia elétrica pela contribuinte. O mesmo procedimento foi adotado para os créditos decorrentes de fretes sobre aquisições, no qual a Fiscalização antecipou o seu aproveitamento, transferindo o valor apurado pela contribuinte de julho de 2006 para janeiro de 2006. Enfim, o contribuinte apurou créditos decorrentes das devoluções de vendas da lista negativa durante o período de 08/2004 a 12/2005 mediante a aplicação de alíquota de 1,65%, quando o correto seria creditarse de alíquota de 2,1%. Assim, ao perceber o equívoco, aproveitouse do creditamento em julho de 2006. Por Fl. 2513DF CARF MF 6 sua vez, a Fiscalização antecipou a utilização de tais créditos para o mês de janeiro. Cientificada dos lançamentos, em 17/04/2009 (Ciência do Sujeito Passivo nos Autos de Infração), a interessada apresentou a impugnação de fls. 1046/1088 e 1119/1147, em 28/04/2011 (carimbos de recepção às fls. 1051 e 1119). Apoiadas nos documentos já acostados aos autos, as peças defensivas discorrem sobre os seguintes pontos, resumidos a seguir. Vendas Lista Positiva x Lista Negativa. Valeuse a Fiscalização de informação obtida junto à CMED/ANVISA, de que não haviam sido protocolizados os pedidos necessários para fruição do benefício fiscal para determinados medicamentos, razão pela qual foram excluídos da Lista Positiva e os correspondentes créditos presumidos foram excluídos. Ocorre que houve um desencontro de informações, tendo em vista que o Impugnante comprovou, por meio dos requerimentos protocolizados junto à ANVISA, que todos os produtos relacionados na Lista Positiva atenderam aos benefícios legais para o aproveitamento dos créditos presumidos. A IN/SRF 247/2002 dispõe que “o regime especial de crédito presumido poderá ser utilizado a partir da data de protocolização do pedido na CMED, ou de sua renovação, há hipótese do § 5º do art. 63, observado o disposto no art. 3º do Decreto nº 3.803, de 2001”. Ou seja, observase que a responsabilidade do Impugnante cingese a formalizar o pedido junto à CMED, conforme ocorreu no caso concreto. Não pode o administrado ficar à mercê do descontrole ou de qualquer conduta desidiosa, precisamente o caso em questão, no qual resta caracterizada a ausência de um controle adequado da CMED/ANVISA. Nesse sentido, o Impugnante submete à DRJ todos os requerimentos protocolizados, sustentando que são idôneos e que os originais encontramse em seu poder para eventuais diligências, o que se requer desde já, no sentido de intimar a CMED/ANVISA para averiguar os protocolos e termos de recebimentos acostados aos autos. Despesas de Energia Elétrica e Fretes sobre Aquisições. Por ser matéria considerada pela Fiscalização, inexiste razão para sua contestação. Todavia, insta esclarecer que ajuste efetuado, no sentido de antecipar o aproveitamento dos créditos, deuse em razão de glosa de créditos objeto desta impugnação. Ou seja, caso tais créditos sejam restabelecidos, os créditos deverão voltar ser utilizados no período original. Diferença Referente Às Devoluções – Alíquota Usada a Menor nos Meses de 08/2004 a 12/2005. Não há razão para contestação, vez que o resultado da apuração efetuada pela Fiscalização favorece o sujeito passivo. Pedidos de Ressarcimento. O Impugnante não conseguiu identificar os PER/DCOMP informados na autuação fiscal, razão pela qual requer nova análise sobre a titularidade dos documentos ali relacionados. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.512 7 Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Venda. Dentre os créditos da nãocumulatividade encontramse relacionados aqueles decorrentes de despesas com frete e armazenagem, conforme previsão do art. 3º, inciso IV da Lei nº 10.833, de 2003, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (..) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso vertente, os gastos submetidos à restrição fiscal referem se à despesa com armazenamento de produtos, realizado por operador logístico, que é uma nova atividade relacionada a prestação de serviços, que surgiu nos últimos anos para socorrer as empresa que optam por não imobilizar capital, reservando seus recursos para capital de giro (circulante). Assim, por tal atividade, compreendese o armazenamento de produtos (estoque) e respectiva movimentação de carga e descarga, ou seja, situandose no permissível legal para o aproveitamento do crédito. A atividade “operador logístico” compreende basicamente dois tipos de serviços, o armazenamento e o transporte de mercadorias. No caso concreto, o que consta nos documentos fiscais e no contrato firmado junto à empresa World Press Ltda consiste em despesa de armazenagem, razão pela qual deve ser revisto o aproveitamento dos créditos. Das Subvenções Para Investimento. O Estado de Goiás promoveu programa de incentivo fiscal condicionado à expansão do empreendimento, o FOMENTAR, conforme Lei Estadual nº 13.436, de 1998. Optando o contribuinte pela liquidação do contrato de financiamento com desconto, deverá tal valor ser integralmente aplicado na ampliação e/ou modernização do seu parque industrial, no prazo de vinte anos. Assim, tratase de incentivo concedido pelo agente estatal condicionado à expansão do empreendimento, caracterizando SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, cuja contabilização darseá em conta do patrimônio líquido, reservas de capital, nos termos do art. 443 do RIR/99, não entrando na apuração do Lucro Real. Como o lançamento fiscal referese ao anocalendário de 2006, ainda não se esgotou o aludido prazo de vinte anos. Ainda, por se tratar de subvenção condicionada, caso a empresa deixe de cumprir a condição, o valor do desconto deverá ser pago ao Estado de Goiás e, como tal, jamais integrará o patrimônio do Impugnante. Ou seja, tais valores não podem ser considerados como receita bruta, já que a subvenção para investimento não representa fato gerador do PIS e da Cofins, conforme inclusive decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Apelação em MS nº 98.02.327069/RJ. Ademais, ainda que o desconto obtido em razão da liquidação antecipada do contrato não seja considerado subvenção para investimento, tem natureza de receita financeira, que se submete Fl. 2515DF CARF MF 8 o tratamento conferido pelo Decreto nº 5.164, de 2004, ou seja, é submetida à alíquota zero para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime nãocumulativo. Essa DRJ em recente decisão manifestouse nesse sentido, no Acórdão 03 30.124 – 2ª Turma da DRJ/BSA, no qual reconheceu expressamente a aplicação da alíquota zero sobre as receitas financeiras decorrentes da liquidação antecipada do contrato de financiamento do FOMENTAR, a partir de 02 de agosto de 2004. Como o presente lançamento referese a fatos geradores supervenientes, do anocalendário de 2006, cabe a exação fiscal relativa a essa matéria ser exonerada. Do Pedido. Requer seja recebida e conhecida a presente impugnação por tempestiva para na preliminar ser afastado o lançamento relativo ao período anterior a 17/04/2004 em razão da decadência e no mérito ser julgado improcedente o lançamento fiscal. Em razão das alegações do impugnante referentes a possíveis problemas de formalização adequada de processos pela CMED/ANVISA, na apreciação dos requerimentos de inclusão dos medicamentos na lista de produtos beneficiados pelo aproveitamento de créditos presumidos, foi encaminhada pela DRJ/Brasília diligência para a unidade preparadora, de fls. 1110/1112. Coube à DRF/Anápolis/GO oficiar a CMED/Anvisa a se pronunciar sobre lista elaborada às fls. 1113/1115, para esclarecer se os produtos farmacêuticos relacionados teriam sido objeto de requerimento visando a fruição do benefício. A CMED/Anvisa manifestouse sobre os vinte e um produtos relacionados pela DRJ/Brasília, no qual relacionou três situações distintas. Na primeira, esclarece que para os produtos relacionados na tabela PRODUTOS SEM PEDIDO DE ADITAMENTO, de fl. 1158, nenhuma providência foi tomada pelo contribuinte para a obtenção do crédito presumido. Na segunda, na tabela PRODUTOS COM PEDIDO DE ADITAMENTO APRESENTADO EM 02/02/2006, reconhece a CMED/Anvisa que os requerimentos foram protocolizados em 02/02/2006. Na terceira situação, informou que o Impugnante somente deu entrada no pedido de aditamento dos produtos relacionados na tabela PRODUTOS COM PEDIDO DE ADITAMENTO APRESENTADO EM 10/07/2009, de fls. 1153, em 10/07/2009. Nesse contexto, a autoridade tributária, tomando como base a informação disponibilizada pela CMED/Anvisa, elaborou novas planilhas demonstrativas de apuração do PIS e da Cofins de fls. 1171/1192, para incluir na apuração dos créditos presumidos aqueles produtos relacionados na tabela PRODUTOS COM PEDIDO DE ADITAMENTO APRESENTADO EM 02/02/2006. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.513 9 Cientificada do Relatório de Diligência Fiscal, o contribuinte apresentou petição de fls. 1196/1198, no qual alega que, para os produtos relacionados na tabela PRODUTOS SEM PEDIDO DE ADITAMENTO elaborada pela CMED/Anvisa, apresentou os devidos pedidos de aditamento, com exceção do produto PENTOXIN 400MG DRG CT BL AL PLAS INC X 20, conforme cópia dos protocolos acostados aos autos às fls. 1199/1332. Por sua vez, para os medicamentos da tabela PRODUTOS COM PEDIDO DE ADITAMENTO APRESENTADO EM 10/07/2009 de fls. 1153, informa o impugnante que, apesar de ter feito pedido inicial de aditamento em 10/01/2006, teve que efetuar novos requerimentos de habilitação, a pedido da CMED/Anvisa, em 02/02/2006, 14/05/2009 e 10/07/2009, como restou demonstrado nos documentos anexos à petição. É o relatório." A ementa desta decisão de primeira instância administrativa fiscal da DRJ/DF foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA. Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do creditamento presumido. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES. TRANSPORTE INTERNO. CREDITAMENTO NÃO UTILIZADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Dispêndios decorrentes de contrato de prestação de serviços celebrado com transportadora, no qual consta como objetivo a prestação de serviços de logística e agenciamento de cargas, caracterizam transporte interno, que não encontram previsão Fl. 2517DF CARF MF 10 legal para integrar base de cálculo na apuração de créditos não cumulativos, inclusive aqueles referentes a despesas com armazenagem de mercadoria e fretes na operação de venda previstos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. FOMENTAR. CONTRATO DE FINANCIAMENTO. LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA. DESCONTO. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. Demonstrada liquidação antecipada de empréstimo que gerou para o sujeito passivo um desconto, restou caracterizada percepção de receita financeira, que se encontra submetida à alíquota zero a partir de 02 de agosto de 2004 para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa do PIS e da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA DE PROTOCOLIZAÇÃO EM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL CONTROLADOR. MEDICAMENTOS. LISTA POSITIVA. LISTA NEGATIVA. Os medicamentos submetidos ao regime monofásico que estejam classificados na tabela TIPI nas posições relacionadas pelo art. 3º da Lei º 10.147, de 2000, e que atendam às condições estabelecidas pelos artigos 63 e 64 da IN SRF nº 247, de 2002, com redação dada pela IN SRF nº 464, de 2004, proporcionam ao importador ou o industrializador o direito de apurar os créditos presumidos e integram a denominada lista positiva. Por outro lado, aqueles produtos também submetidos à incidência monofásica, mas que não perfazem as condições necessárias para integrar a lista positiva, devem compor a lista negativa e não conferem ao contribuinte o direito de utilização do creditamento presumido. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES. TRANSPORTE INTERNO. CREDITAMENTO NÃO UTILIZADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Dispêndios decorrentes de contrato de prestação de serviços celebrado com transportadora, no qual consta como objetivo a prestação de serviços de logística e agenciamento de cargas, caracterizam transporte interno, que não encontram previsão legal para integrar base de cálculo na apuração de créditos não cumulativos, inclusive aqueles referentes a despesas com armazenagem de mercadoria e fretes na operação de venda previstos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. FOMENTAR. CONTRATO DE FINANCIAMENTO. LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA. DESCONTO. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.514 11 Demonstrada liquidação antecipada de empréstimo que gerou para o sujeito passivo um desconto, restou caracterizada percepção de receita financeira, que se encontra submetida à alíquota zero a partir de 02 de agosto de 2004 para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa do PIS e da Cofins. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deve ser conhecido o tempestivo Recurso Voluntário. A alegação da fiscalização de "insuficiência de recolhimento" da contribuição em tela (PIS/COFINS) que motivou o lançamento é decorrente de creditamentos supostamente indevidos no regime não cumulativo de apuração das contribuições. Após decisão de primeira instância, Recurso de Ofício e Voluntário, subiram para apreciação neste conselho somente os casos de créditos considerados em armazenagem dos produtos, crédito presumido na industrialização de produtos farmacêuticos e subvenções para investimentos. Em Recurso voluntário o contribuinte não contestou a decisão da DRJ que afirmou não ser possível utilizar os créditos dos Per/Dcomps de fls. 508 a 517 porque já foram ressarcidos. Logo, em razão do disposto na legislação do procedimento administrativo fiscal, não há como apreciar a matéria. Da mesma forma, com relação ao lançamento sobre o crédito presumido e os requerimentos de fruição do benefício, verificase que o contribuinte recorreu de forma genérica assunto superado de forma específica pela DRJ em fls 2467, oportunidade em que esta Delegacia analisou os documentos de fls. 1199/1332, como solicitou o contribuinte em impugnação e manifestação (fls. 1215) após da diligência da DRF de fls. 1175 (parcialmente favorável), e apresentou tabela que tratou de forma individualizada a respeito das datas dos requerimentos e dos documentos. Fl. 2519DF CARF MF 12 Segue a conclusão da decisão de primeira instância neste tópico, conforme fls. 2468: "Portanto, mediante análise probatória dos documentos apresentados pelo impugnante, verificase que também os produtos relacionados no Quadro 02 devem ser mantidos na lista negativa para o caso concreto. Nesse sentido, não há reparos a fazer no procedimento adotado pela Fiscalização, mantendose a apuração do crédito presumido demonstrada no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1156/1160 e nas planilhas de fls. 1161/1170." Dessa forma, com fundamento no Art. 16 do Decreto 70.235/72 e nos termos do disposto pelo art. 62, 63, 64 e 77 da IN SRF nº 247/2002, não merece provimento a alegação genérica do contribuinte e não merece reforma a decisão de primeira instância, neste tópico que tratou do crédito presumido na industrialização de produtos farmacêuticos, de forma que o contribuinte fez jus somente aos créditos presumidos tomados nas operações que estão acompanhadas dos requerimentos da CMED/ANVISA. No que se refere à glosa dos créditos apurados pelo contribuinte em relação às despesas com fretes de serviços de "armazenagem" e "operação de venda" dos produtos farmacêuticos (com fundamento no Art. 3.º, IX, Lei 10.833/03), a alegação da empresa é a de que, em resumo, o gasto seria necessário e se enquadraria no conceito de insumo e até mesmo no de armazenagem, ainda que se fale em "transporte interno". É importante registrar que este conselho, na sua Câmara Superior, recentemente proferiu o Acórdão 9303004.318 que reconheceu o direito a crédito nas despesas com frete entre estabelecimentos. Segue a parte da Ementa que trata do assunto: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. Recurso Especial da Contribuinte provido. (...)” Destacase também, conforme citação deste precedente, que nos autos do processo administrativo nº 13984.001511/200587, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama apresentou seu entendimento a respeito do conceito de insumo, transcrito a seguir: Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.515 13 " Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Fl. 2521DF CARF MF 14 Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.516 15 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 2523DF CARF MF 16 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a. matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b. os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.517 17 [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Fl. 2525DF CARF MF 18 Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.518 19 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de pre questionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de pre questionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n.247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despes Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida Fl. 2527DF CARF MF 20 imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não cumulativos." Verificase na autuação, conforme relatório, que a fiscalização identificou que as notas fiscais juntadas (World Press de fls. 433 a 450) seriam de operadores internos, serviços de frete dentro do estabelecimento industrial e, por isto, não poderiam ser considerados como fretes possíveis de gerar créditos, como nos casos de armazenagem ou operações de venda. Em momento algum foi contestada a comprovação ou veracidade dos serviços de logística. A Câmara Superior deste conselho, por sua vez, reconheceu o crédito em situação que certamente poderia ser considerada mais complexa do que a apresentada nestes autos, oportunidade em que o voto vencedor deixou claro que o frete de partes e peças para montagem de veículos, entre estabelecimentos, poderia gerar crédito porque, além de serem necessários e essenciais às atividades da empresa, compõem um conceito de processo produtivo mais abrangente. Ou seja, não necessariamente o processo produtivo, para fins de geração de crédito sobre as contribuições no regime não cumulativo, precisa ser somente aquele interno da empresa. Diante do apresentado, adotase o conceito de insumo apresentado e as fundamentações do precedente citado da CSRF, para reverter a glosa sobre os descontos decorrentes dos gastos com transporte interno. Portanto, merece provimento a alegação do contribuinte neste tópico. Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.519 21 Com relação ao Recurso de Ofício em face dos valores exonerados que foram objeto do Auto de Infração, não há motivo para reformar esta exoneração, visto que a glosa foi realizada, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1010, em razão da autoridade de origem considerar que, para subvenções para investimentos, nos casos de lançamentos de PIS e COFINS, não há como discutir a natureza da receita (fls. 1033) e com isso deduzir os valores da base de cálculo. O contribuinte alegou que o desconto concedido em decorrência da liquidação antecipada, tem natureza de receita financeira, independentemente de ser considerado ou não subvenção para investimento e, conforme o artigo 1.º e 2.º do Decreto 5.164/2004, tal receita possui alíquota zero a partir de agosto 2004. "Art. 1.º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica As receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Art. 2.º 0 disposto no art. 1 aplicase, também, as pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa." Corroborando as alegações do contribuinte, assim concluiu a decisão de primeira instância em fls. 2472: A princípio, cumpre esclarecer que o FOMENTAR, Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, regulado pelo Decreto nº 3.822, de 10 de julho de 1992, do Governo do Estado de Goiás, tinha como objetivos, dentre outros, o estímulo à industrialização e apoio ao desenvolvimento de empreendimentos industriais, mediante a concessão de apoios financeiro e tecnológico. Por sua vez, a Lei Estadual nº 13.436/1998 veio dispor sobre uma nova opção de adimplemento dos contratos de financiamento do FOMENTAR, a critério da empresa, que poderia liquidar antecipadamente o empréstimo contraído, sob a condição de que a destinação dos recursos liberados continuasse direcionada à implantação ou expansão do empreendimento econômico, como se pode observar da leitura do art. 1º do diploma legal: Art. 1º Os contratos de financiamento com recursos do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares e; ainda, as seguintes condições: (...) IV a utilização do benefício desta lei é condicionada à realização dos investimentos fixados decorrentes de projetos Fl. 2529DF CARF MF 22 objeto dos respectivos contratos, nos termos do Regulamento FOMENTAR;” (grifos nossos) Compulsando os autos, observase que a autoridade tributária intimou o contribuinte a justificar, por meio do Termo de Constatação Fiscal, fls. 455/457: 2 – Falta de inclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins do desconto obtido com a liquidação antecipada do contrato de financiamento firmado com o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás – FOMENTAR, no leilão realizado em 26/06/2006, no valor de R$20.556.980,91, registrado nos livros contábeis como reserva de capital – subvenção p/ investimentos; Ou seja, constatase que o impugnante aproveitouse da opção prevista pela Lei Estadual nº 13.436/1998 para liquidar, de maneira antecipada, o empréstimo contraído pela adesão do programa FOMENTAR, obtendo um desconto no montante de R$20.556.980,91, como se pode observar pelo conteúdo dos documentos acostados às fls. 436/442. Tratase precisamente do valor que a autoridade fiscal acrescentou na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, já que entendeu que não haveria nenhuma hipótese de exclusão legal para receitas dessa natureza. Ocorre que a Lei nº 10.865, de 2004, veio dispor no art. 27, §2º, o seguinte: Art. 27. O Poder Executivo poderá autorizar o desconto de crédito nos percentuais que estabelecer e para os fins referidos no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativamente às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, inclusive pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2o O Poder Executivo poderá, também, reduzir e restabelecer, até os percentuais de que tratam os incisos I e II do caput do art. 8o desta Lei, as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de nãocumulatividade das referidas contribuições, nas hipóteses que fixar. Nesse contexto, com amparo legal, o Decreto nº 5.164/2004 tratou de reduzir para a alíquota zero a tributação sobre a receitas financeiras, com efeitos a partir de 02 de agosto de 2004, sob determinadas condições trazidas pelo seus artigos 1º e 2º: Art.1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.520 23 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Art.2º O disposto no art. 1o aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Em seguida, o dispositivo transcrito foi revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, redisciplinando a matéria nos seguintes termos: “Art.1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: Inão se aplica aos juros sobre o capital próprio; IIaplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.” Buscando a definição de receita financeira na legislação vigente, vale recorrer ao artigo 373 do RIR/99: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). O Manual de Contabilidade Das Sociedades Por Ações, de Sérgio Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, em sua sétima edição, apresenta a seguinte definição: Como receitas financeiras, há: Descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos.(...) No caso concreto, cumpre observar que o impugnante liquidou antecipadamente uma obrigação, qual seja, o empréstimo contraído junto ao agente público. Em decorrência do pagamento antecipado, beneficiouse de um desconto financeiro. As receitas auferidas constituemse, portanto, em receitas financeiras, submetidas à alíquota zero a partir de 02 de agosto de 2004 para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência Fl. 2531DF CARF MF 24 nãocumulativa do PIS e da Cofins, exatamente a situação do contribuinte. Nesse sentido, cabe ser afastada a inclusão do valor de R$20.556.980,91 da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins referentes ao mês de junho de 2006.” Não merece reforma este tópico porque o lançamento deve permanecer cancelado, contudo, é importante observar a matéria sobre outro ponto de vista. Não são todos os casos em que tal dispositivo pôde ser aplicado, o que levou inúmeros julgamentos deste Conselho a debater a natureza das subvenções de investimento para fins de incidência das contribuições sob o regime não cumulativo e decidir pela possibilidade da exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins (a exemplo os recentes Acórdãos 910100.566 CSRF, 3402003.042, 3301002.970 e 3402002904). Possui uma lógica nobre entender que um incentivo fiscal concedido por um Estado, para o desenvolvimento de uma região, não seja tributado pela União. É exatamente esta a situação presente nos autos, situação em que a União pretende incluir na base de cálculo das contribuições de sua competência um incentivo fiscal concedido pelo Estado de Alagoas. Tais valores representam mero ingresso na contabilidade do contribuinte, com roupagem de ressarcimento e não de receita, porque o contribuinte adianta o investimento da construção e instalação do parque fabril e o Estado lhe assegura o reembolso dos valores gastos através dos incentivos. Diante de alguns precedentes deste Conselho, como os 20313.634, 203.13 050 e 3401001.976, assim como diante da legislação e das normas de Direito Tributário correlatas e da semântica tributária e contábil, é possível concluir que os incentivos tributários são redutores de despesas (do saldo devedor), recuperações de custos e não receita ou faturamento, ainda mais se feitos de forma escritural, como é o caso do contribuinte. Considerando o disposto no Art. 113 do CTN, tal valoração do fato apresentada é mais importante do que meras questões contábeis, se a subvenção deverá ser registrada como receita ou não, por exemplo. Mesmo porque a legislação é complexa e a jurisprudência neste Conselho não é definida por uma posição ou outra, como se pode verificar dos seguintes precedentes: 9101001.798, 9101002.329, 9101001.094 e 9101002.335. Neste Conselho de discutiu se a subvenção foi mantida em reserva de capital ou distribuída, se é subvenção para custeio ou de investimento, se ocorreu em tempo e concomitância com a fruição do benefício e investimento, se houve contrapartida e sanção no descumprimento das regras do benefício, se os requisitos para ser considerado subvenção de investimento foram cumpridos (intenção do estado, efetiva aplicação e titularidade do empreendimento) e se o investimento foi realizado em bens e direitos do ativo imobilizado. Contudo, o que se verifica diante destas constatações é que a União, por meio das autuações fiscais, trabalha para ter um controle dos incentivos fiscais estaduais de forma que possa verificar se as mencionadas subvenções, para investimento ou custeio, ocorreram e se o Pis e Cofins estão sendo corretamente adimplidos ou não. O procedimento da União é correto porque esta é competente, contudo, a indefinição da jurisprudência neste Conselho e a definida jurisprudência no âmbito judicial, em especial do STJ Resp 1.025.833/RS de 2008 e REsp 596212 / PR de 2014, deixa claro que o crédito presumido de ICMS não constitui receita, mas sim recuperação de custo. Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.521 25 Assim, realmente parecem ser poucas as situações em que ocorreu uma mera subvenção para custeio, sem quaisquer contrapartidas exigidas pelo Estado, sem que tais incentivos sejam para fomentar o empreendedorismo, a criação de empregos e o aquecimento da economia do Estado concessor dos benefícios. De forma socioeconômica e estrutural, parece ter pouca valia a diferenciação de subvenção para custeio ou de investimento como faz crer o antigo Parecer Normativo 112 de 1978, uma vez que a legislação do Pis e da Cofins sob o regime não cumulativo (Leis 10833/03 e 10637/02 com alterações da 12973 de 2014) são claras em delimitar que a base de cálculo é a Receita bruta. Assim, além da base de cálculo ser limitada ao conceito de Receita bruta, a legislação expressamente exclui da base de cálculo as subvenções para investimento, conforme pode ser verificado a seguir: “Lei 10833/03: Art. 1.º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 3.º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei 10637/02: Art. 1.º A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 3.º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência).” Por serem posteriores, por ser Lei e por ser mais benéfica, sua aplicação ao caso em questão é correta e permite a exclusão das subvenções de investimento da base de cálculo das contribuições. Fl. 2533DF CARF MF 26 As alterações nas leis 10.637/02 e 10.833/03 em 2014 foram um avanço normativo que permite concluir o contrário do levantando na fiscalização quando afirmou que não há disposição expressa que permita excluir da base de cálculo da Pis e Cofins as subvenções de investimento. E como já explicado, dentro de uma análise sistêmica, legislativa, jurisprudencial, econômica e social, as possibilidade de existirem incentivos estatais sem quaisquer contrapartidas são poucas e definitivamente, como já demonstrado, não é o caso dos autos, de forma que a subvenção em questão não possa ser configurada como uma subvenção para custeio, nos moldes do Art. 44 da Lei 4506 de 1964 que definiu o conceito de receita bruta para fins de tributação do imposto de renda e incluiu as subvenções para custeio. É importante considerar, que inclusive para fins de Imposto de Renda, a diferenciação entre subvenção para custeio e para investimento, para fins de incidência do tributo, não encontra fundamento sólido e muito menos consolidado, como pode ser verificado nos seguintes trechos extraídos dos "Fundamentos do Imposto de Renda", de Ricardo Mariz de Oliveira (Capítulo II.8): Assim sendo, as indagações que restam são as seguintes: neste quadro, considerando os ditames das referidas leis ordinárias fiscais, é possível identificar uma natureza jurídica para as subvenções de custeio de operações, que seja distinta da natureza jurídica das subvenções para investimento? Justificase uma diferença de natureza jurídica, se é que existe, tãosomente porque essas duas subespécies de subvenções econômicas se distinguem pelas diversas destinações particulares que têm? Como tanto as subvenções para investimento quanto as para custeio de operações são aportes de recursos externos que provêm de fora do patrimônio empresarial, e não são produtos deste, há alguma justificação jurídica para apenas as primeiras não serem consideradas receitas por essas leis fiscais? Pela mesma razão, ante a modificação introduzida pela Lei n. 11638 na contabilidade das pessoas jurídicas por ela regidas, há alguma razão para também as subvenções para investimento deixarem de ser consideradas transferências patrimoniais? Estas indagações ainda se completam com mais esta: haverá alguma razão específica para a Lei n. 6404 e para a lei do imposto de renda terem distinguido uma subespécie da outra, e, em caso positivo, essa razão teria alguma relevância para também justificar que apenas uma subespécie não seja considerada receita (ou agora, ambas) ou, ao contrário, a despeito dessa razão, ambas não devem se caracterizar como receita? Em princípio, e considerando a sua identidade essencial, bem como o gênero e a espécie a que pertencem, ambas as subespécies possuem a mesma natureza jurídica e não devem ser consideradas como receitas, uma vez que receita é o incremento patrimonial que a empresa produz, e não o que vem de fora dela a título de transferência patrimonial, inclusive a título de subvenção para investimento ou de subvenção para custeio de operações. Mas por fim, é importante registrar que tratase, no caso dos autos, de um incentivo fiscal, concedido pelo estado no formato de crédito presumido de ICMS com Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 13116.000753/200914 Acórdão n.º 3201002.638 S3C2T1 Fl. 2.522 27 exigências e contrapartidas, de forma que possa sim, ser configurada como uma subvenção para investimento e fomento da região e não como uma subvenção para custeio. É relevante lembrar que esta própria Turma de julgamento já tratou da matéria e reconheceu que as subvenções para investimento podem ser deduzidas da base de cálculo do Pis e Cofins por não se enquadrarem no conceito de receita bruta ou mesmo de faturamento, conforme Acórdãos 3201002.228 , 3201002.229. E por fim, a respeito da materialidade da incidência das contribuições sociais, dentro da análise sistêmica apresentada neste voto, é importante lembrar que a Carta Magna também a limitou em receita ou faturamento, conforme pode ser verificado no Art. 195, I, b, transcrito a seguir: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).” Merece provimento a alegação do contribuinte neste tópico do lançamento, de forma que devese manter cancelada a cobrança das contribuições sobre as subvenções de investimento. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício, para manter os valores exonerados e exonerar o lançamento e cancelar as multas sobre as despesas com fretes internos. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2535DF CARF MF 28 Fl. 2536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910976/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.921
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 6/ 20 11 -6 8 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.910976/201168 Resolução nº 3402000.921 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.120, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.910976/201168 Resolução nº 3402000.921 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.910976/201168 Resolução nº 3402000.921 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004030/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981/95. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO E CAPITULAÇÃO. NULIDADE. DESQUALIFICAÇÃO.
O erro no enquadramento legal da multa causa deficiência na motivação do lançamento, prejudicando, sobremaneira, a ampla defesa e contraditório da contribuinte, pois esta necessita conhecer as razões e fundamentos que lhes estão sendo imputados a fim de exercer o seu direito de defesa garantido constitucionalmente. Desqualificação da multa de 150% para a multa de 75% aplicada de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa qualifica aplicada. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981/95. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO E CAPITULAÇÃO. NULIDADE. DESQUALIFICAÇÃO. O erro no enquadramento legal da multa causa deficiência na motivação do lançamento, prejudicando, sobremaneira, a ampla defesa e contraditório da contribuinte, pois esta necessita conhecer as razões e fundamentos que lhes estão sendo imputados a fim de exercer o seu direito de defesa garantido constitucionalmente. Desqualificação da multa de 150% para a multa de 75% aplicada de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa qualifica aplicada. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 20/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981/95. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO E CAPITULAÇÃO. NULIDADE. DESQUALIFICAÇÃO. O erro no enquadramento legal da multa causa deficiência na motivação do lançamento, prejudicando, sobremaneira, a ampla defesa e contraditório da contribuinte, pois esta necessita conhecer as razões e fundamentos que lhes estão sendo imputados a fim de exercer o seu direito de defesa garantido constitucionalmente. Desqualificação da multa de 150% para a multa de 75% aplicada de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa qualifica aplicada. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 30 /2 00 8- 67 Fl. 320DF CARF MF 2 Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 20/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 303/314, interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 289/297, que julgou procedente o lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF de fls. 241/252 dos autos, lavrado em 13/06/2008, relativo ao período de 05/02/2003 a 18/12/2003, com ciência da RECORRENTE em 13/06/2008, conforme nota de ciente do procurador da RECORRENTE no próprio rosto do Auto de Infração (fl. 248). Procuração acostada às fls. 07/08. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 3.245.160,25 (três milhões, duzentos e quarenta e cinco mil, cento e sessenta reais e vinte e cinco centavos), já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício qualificada de 150%, aplicada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Termos de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 253/265, parte integrante do lançamento, a autoridade fiscal constatou os seguintes fatos relevantes ao caso: Foi solicitada Documentação Contábil/Fiscal Referente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, especificamente a respeito dos valores colocados à disposição dos beneficiários, Pessoas Físicas e/ou Jurídicas, através do cartão de débito eletrônico utilizado como meio de pagamento de premiação através do UNIBANCO S/A, denominado SIM CLUB, administrado pela empresa SIM INCENTIVE MARKETINK S/C LTDA – CNPJ n° 03.745.219/000108, detalhada com no mínimo os seguintes dados: Relação dos Beneficiários empregados, gerentes, diretores, ou qualquer pessoa física ou jurídica do relacionamento comercial da intimada, com os valores colocados à disposição (data do crédito da "carga" ou "recarga" do cartão) identificados mês a mês por beneficiário. Após sucessivos pedidos de dilação de prazo, a RECORRENTE apresentou os seguintes documentos (fls. 12/93): a) Cópia e original com as justificativas pela não apresentação dos demais documentos (contrato e relação dos beneficiários dos pagamentos) elaborada pelo Sr. Jefferson E. D. Borges (fls. 13/18), afirmando, em síntese, que as informações sobre o SIM INSENTIVE MARKETING S/C LTDA., estão inclusas nos autos dos Recursos nº 153074 e 153080 (descreveu as folhas onde supostamente estariam os documentos), em trâmite perante o Conselho de Contribuintes, e que não foi possível providenciar cópia dos documentos Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 321 3 tendo em vista que os mesmos estavam em processos pautados para julgamento e encontravamse com o relator; b) Cópia do Razão Consolidado — conta 2861 — 3.05.01.001.001 — Salários e Ordenados (fls. 19); c) Cópia do Razão Consolidado — conta 1287— 3.03.02.001.001 — Salários (fls. 20); d) Cópia do Razão Consolidado — conta 5530 — 2.01.04.003.001 — Sim Incentive Marketing (fls. 21/22); e) Cópia do Razão Consolidado — conta 1258 — 3.05.05.001.001 — Anúncios e Publicidades (fls. 23); f) Cópia das Notas Fiscais emitidas pela SIM INCENTIVE MARKETING LTDA e dos respectivos comprovantes de transferência eletrônica bancária, onde constam as remessa dos valores realizadas pela fiscalizada à emitente das notas fiscais (fls. 24/93). Mais uma vez, a RECORRENTE foi intimada para apresentar o Contrato celebrado com a SIM INCENTIVE MARKETING LTDA e a relação dos beneficiários dos pagamentos, o que deixou de fazer sob a mesma justificativa (processos pautados para julgamento no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda). Assim, a fiscalização enviou através do correio eletrônico (notes) da RFB, solicitação das folhas do processo que a RECORRENTE alegou serem dos documentos solicitados (fl. 166). O Conselho de Contribuintes, encaminhou cópias das folhas do processo nº 11516.000766/200513. (fls. 167/184). Ao analisar tal documentação, a autoridade lançadora constatou que os mesmos foram todos emitidos em 2001, portanto, não são do anocalendário ora em fiscalização (2003). Após nova intimação, a RECORRENTE apresentou aos autos cópia da a 14ª Alteração Contratual Consolidada (fls. 103/111) e fotocópias de fax os seguintes documentos: a) Esclarecimentos apresentados pelo Sr. Jefferson E.D. Borges, advogado (fls. 116/117); b) Regulamento denominado "Programa de Reconhecimento — PROSUL" (fl. 118/145); c) Doc. 08 — Nota fiscal de serviços n° 000606 (fls. 146/147); d) Doc. 09 — Envelope lacrado (fls. 148/149); e) Doc. 10 — Manual SIM (fls. 150/157); f) Doc. 11 — Cartões resgatados (fls. 158/159); g) Doc. 12 — Envelope lacrado do Unibanco com uma senha (fls. 160/162); h) Contrato de Prestação de Serviços (fls. 163/165). Através dos esclarecimentos de fls. 116/117, a RECORRENTE alegou: Fl. 322DF CARF MF 4 “Em face da especialidade da fiscalizada, que conta em seu quadro funcional com mais de 60 (sessenta) engenheiros, e técnicos especializados, impôs a diretoria da PROSUL que em vez implantado o plano nos moldes em anexo, a diretoria, não se envolveria direta ou indiretamente na distribuição, pontuação, ou qualquer outra forma na aplicação dos recursos relativos ao programa. Destaquese: Os diretores na empresa JAMAIS participaram, receberam, ou utilizaram dos cartões do programa de incentivo, ficando alheios ao processo, limitandose tão somente em pagar as faturas da empresa contratada. (...) Embora o período fiscalizado neste momento seja diverso do período já em fase do RECURSO VOLUNTÁRIO, a matéria é similar, donde se deflui que a Única empresa detentora da relação dos participantes do programa contratado é a empresa UNIBANCO S A — SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA — CNPJ 03.745.219/000108. (...). Reafirmase que com relação aos participantes do programa bem como os valores repassados nos custos de desenvolvimento do programa contratado e reconhecido como válido pelos MDs. Conselheiros da 5' Câmara, são de conhecimento exclusivo da contratada SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA. Uma vez que fiscalizada (PROSUL), limitouse a repassar os valores apresentados nas faturas emitidas por aquela empresa. (...)”. Em relação aos demais documentos apresentados, a fiscalização extraiu os seguintes pontos relevantes (indicação das folhas alteradas em razão da renumeração das mesmas): “2.1) Do Programa de Reconhecimento — PROSUL (fls. 121): PÚBLICO ALVO Colaboradores internos Diretoria administrativa; Diretoria Técnica; Engenheiros e projetistas. Colaboradores externos Consultores; Prestadores de serviços. As fls.134/135, estão dois quadros denominados "Sustentação — Desempenho x Salário", onde estão demonstrados que o desempenho por parte dos beneficiários para atingir os objetivos e metas estabelecidas (fls. 122/127) os fará atingir a pontuação Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 322 5 (fls. 139) que será convertida em ganhos salariais através do cartão SIM CLUB, com todas as suas vantagens (fls. 140/142 152/157). Ora, o que fica evidente da simples análise dos documentos apresentados, e aqui transcritos em síntese, é de que os pagamentos realizados aos beneficiários do programa foram previamente determinados pela própria fiscalizada por atingirem metas individuais e globais de trabalho, conforme esta definido na letra "A", Cláusula Terceira do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 163). Além disso, as afirmações de que a empresa não se envolveu direta ou indiretamente no programa tendo se limitado a repassar os valores apresentados nas faturas emitidas pela SIM INCENTIVE, e que os diretores na empresa JAMAIS participaram, receberam, ou utilizaram dos cartões do programa de incentivo, ficando alheios ao processo, caem por terra quando confrontamos com o que está escrito nos próprios documentos apresentados pela contribuinte: As pessoas beneficiárias: funcionários, diretores, consultores externos, prestadores de serviços, são do próprio relacionamento da fiscalizada, o que comprova que é ela que têm total conhecimento sobre essas pessoas, se estão executando alguma atividade, se foram demitidas, se ainda são diretores, etc (fls. 116121163/164). A afirmativa de que os diretores jamais foram beneficiários também não pode prosperar, pois no próprio regulamento do programa as diversas diretorias constam como público alvo (fls. 121). Os valores dos cartões SIM CLUB são definidos previamente pela Contratante — Prossul (fls. 164).” Face ao exposto, a autoridade lançadora afirmou que o fato acima narrado “não passou de um planejamento engendrado ardilosamente para remunerar os funcionários, diretores, e demais entes relacionados à empresa, sem o pagamento dos tributos devidos, principalmente o imposto de renda retido na fonte, e posteriormente os impostos sujeitos as declarações das pessoas físicas e jurídicas beneficiárias”. Ademais, entendeu que a RECORRENTE pretendeu dificultar a fiscalização ao afirmar que a relação de beneficiários é de exclusivo conhecimento da SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, pois tal empresa atuou no processo somente como intermediária dos pagamentos, recebendo para isso comissão, no caso, denominada de honorários. No entender da fiscalização “caso essa modalidade de remuneração fosse aceita sem qualquer tributação, em pouco tempo não haveria mais salários ou pagamentos por serviços prestados, o que fulminaria o imposto de renda, pois todos, empresas e pessoas físicas receberiam seus rendimentos através de um cartão de incentivo como o aqui descrito”. A SIM INCENTIVE MARKETING LTDA foi intimada para apresentar os documentos relativos ao contrato com a RECORRENTE, porém respondeu que todos os seus documentos, incluindo os relacionados a PROSUL, foram destruídos por incêndio, ocorrido em 24/12/2007, no armazém onde estavam seus arquivos. Anexou à resposta, documentos para Fl. 324DF CARF MF 6 provar suas afirmações, tais como: Contrato de Aluguel celebrado com a empresa proprietária do espaço, Boletim de Ocorrência lavrado na Delegacia de Polícia (185/221). Ainda foram carreados ao processo os elementos e/ou informações a seguir especificados, constantes do seu dossiê ou produzidos pela fiscalização: a) Fotocópia da Representação Fiscal formalizada pela DRF Cuiabá/MT e do documento intitulado "Opinião Legal" (fls. 221/234); b) Fotocópia de Denúncia Anônima encaminhada ao MPF/PR e do Oficio n° 0715/2006 — NUCICRIM — Procuradoria da República no Estado do Paraná dando ciência ao MPF/SC da instauração de procedimento criminal (fls. 235/237); c) Fotocópia do Oficio n° 027/2007PECCO/SC, de 14 de março de 2007, da Procuradoria da República no Estado de Santa Catarina dando ciência a RFB da instauração de Procedimento Administrativo Criminal pela utilização de empresas de nossa região do cartão "FLEXCARD" (fls. 238); d) Demonstrativo de Apuração de Imposto de Renda Devido — Exclusivo na Fonte — Beneficiários Não Identificados (fls. 239/240); a) Demonstrativo de Apuração — IRRF (fls. 241/243); b) Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (fls. 244/246); c) Auto de Infração (fls. 247/248); d) Folha de Continuação do Auto de Infração (fls. 249/251); e) Instruções ao contribuinte (fls. 252). Após tecer comentários acerca da pratica do uso de flexcards como forma de pagamento a funcionários, pessoas físicas sem vínculo empregatício e empresas de seu relacionamento comercial, a autoridade fiscal entendeu que, no presente caso a RECORRENTE, descumpriu normas inerentes ao imposto de renda na fonte, por se tratar Remuneração Indireta Paga a Beneficiários não Identificados. Do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 163/166), extraiu o seguinte: CLAUSULA PRIMEIRA — OBJETIVO DO CONTRATO 1.1. O objetivo do presente contrato é a elaboração, pela CONTRATADA, de uma campanha de incentivo à pessoas e empresas relacionadas com a CONTRATANTE anexa a este e parte integrante deste instrumento ("Proposta e Campanha"). 1.2. A Campanha incluirá a criação e desenvolvimento de um site exclusivo aos participantes cadastrados da CONTRATANTE ("Site") e a atribuição, a cada um desses participantes, de um cartão de débito eletrônico utilizado como meio de pagamento de premiação (SIM CLUB), através do qual o participante receberá créditos e com o qual o participante terá acesso ao conteúdo do site, além de outras vantagens, conforme descritas a seguir: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 323 7 O premiado terá direito de até 4 (quatro) saques por premiação, através do Banco 24 horas, Unibanco 30 horas, ou ainda efetuar saques em qualquer caixa do Banco Unibanco • O premiado poderá efetuar transferência bancária através de DOC em qualquer agência dos Bancos Unibanco • O premiado poderá efetuar compras de produtos como roupas, calçados, eletrodomésticos, remédios ou ainda realizar suas compras em mais de 150 redes de supermercados através do Cheque Eletrônico e Redeshop. • (...). 1.3. O SIM CLUB inclui o SIM SAQUE e o SIM Compras, que permitirão ao funcionário, respectivamente: a) sacar o valor do seu prêmio em mais de 1670 terminais eletrônicos do Banco 24 horas, em mais de 1500 agências do Unibanco S/A em todo o Brasil; além de 30 horas conveniência de atendimento, 24 horas por dia; b) compras em 20282 estabelecimentos da rede instalada e compras virtuais. (...) CLAUSULA TERCEIRA: OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE A CONTRATANTE, obrigase a, A) Definir previamente os valores dos cartões SIM CLUB, respeitandose os valores mínimos de cada um deles, sendo informados pela CONTRATADA. B) (...). C) (...). D) Orientar os favorecidos dos cartões SIM CLUB, quanto a sua correta utilização junto a Rede Bancária credenciada pela CONTRATADA. (...). Sendo assim, concluiu que “as importâncias pagas configuram remuneração indireta paga a beneficiário não identificado, sujeitas à incidência do Imposto de Renda Exclusivo na Fonte à alíquota de 35% sobre as diferenças apuradas, entre os valores identificados e o total pago a SIM Incentive Marketing Ltda, a título de "Pagamento a Beneficiários não Identificados", conforme definido no artigo 674 e 675 do RIR/99 (art. 61, da Lei n° 8.981/95)”. Foi elaborado o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DEVIDO EXCLUSIVO NA FONTE", acostado às fls. 239/240, onde aponta o imposto devido foi calculado sobre base reajustada, uma vez que que o rendimento pago foi Fl. 326DF CARF MF 8 considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recaiu o imposto (arts. 675 e 725, do RIR/99). DA IMPUGNAÇÃO Intimada em 13/06/2008, a RECORRENTE apresentou a Impugnação de fls. 271/280, oportunidade em que alegou, resumidamente, a seguinte matéria de defesa: Os atos administrativos como é cediço, apresentam características que objetivam, simultaneamente, conferir garantia aos administradores e prerrogativas à Administração. Dentre elas, releva destacar a presunção de legalidade, caracterizando presunção júris tantum de validade. Essa presunção, entretanto, não exime a Administração do dever de comprovar a ocorrência do fato jurídico, bem como das circunstancias em que este se verificou; Além da presunção dos fatos terem ocorrido como o relatado no Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração, houve por bem a Autoridade Administrativa em agravar o fato, com multa de 150% sobre o valor do imposto “devido” e atualizado, caracterizando assim DOLO; com a devida vênia DOLO não se presume, se comprova de maneira cabal, o que não acontece neste processo; a ausência de provas de cunho doloso é verificado a todo instante; A campanha Publicitária e Motivacional contratada tinha como um de seus objetivos norteadores a propagação da empresa RECORRENTE, cuja evolução e crescimento se deve em parte pelo trabalho de divulgação, marketing, propaganda e motivação desenvolvida pela SIM INCENTIVE — UNIBANCO; Em busca da verdade material, um dos princípios do Direito tributário, a Autoridade Fiscal oficiou conforme se infere às fl. 182 "Termo de Intimação Fiscal n° 01/2008", intimação esta direcionada para a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA., com o objetivo de comprovação das manifestações da RECORRENTE de que a documentação relativa a todo contrato entre as partes aqui noticiada estaria em PODER EXCLUSIVO da intimada SIM INCENTIVE; uma vez que a RECORRENTE já havia se manifestado expressamente de que a empresa CONTRATADA SIM INCENTIVE é que detinha tais documentos, bem como a isenção dos sócios e diretores da impugnante na campanha publicitária e motivacional contratados; Em resposta à INTIMAÇÃO FISCAL 01/2008, a empresa SIM INCENTIVE, atualmente SIM GROUP Soluções de Reconhecimento, afirmou que a cópia do contrato de prestação de serviço e demais documentos vinculados à empresa RECORRENTE, encontravamse em um arquivo localizado em São Paulo, na Rua Mariana Ciufuli Zanfelice, 280, na Lapa, conforme contrato de locação de espaço, firmado com a empresa ARMAZÉNS GERAIS FURUSHO E SALZANO LTDA. [fls. 194/205]. No entanto, em 24/12/2007 ocorreu um incêndio no local onde se estabelecia o armazém, conforme comunicado enviado pela locadora em 28/12/2007 (fl. 206) juntamente com o Boletim de Ocorrência lavrado na 7ª Delegacia Policial da Lapa (fl. 214/215), ocasião em que o Box onde se encontravam os arquivos do RECORRENTE foi totalmente consumido pelo incêndio, Dessa forma, todos os documentos da SIM que se encontravam arquivados no Armazém Geral incendiado, entre eles notas fiscais dos exercícios de 2000 a 2007, relatórios de faturamento, correspondências, recibos, etc., foram perdidos no incêndio, conforme relação anexa ao Boletim de Ocorrência lavrado na 15ª Delegacia de Polícia do Itaim Bibi, noticiado por uma das sócias da SIM (fls. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 324 9 216/219 e fls. 207/213). Juntou também cópia de Publicação em jornal dando conta do Incêndio ocorrido (fl. 220); As presunções que não conseguem estabelecer relação de causalidade entre o indício e o fato presumido são insuficientes para fundamentar os lançamentos tributários e autuações fiscais; Exigirse da empresa que mesma apresente documentos que estavam em poder da empresa contratada, posto que, esta era responsável por força de contrato, é exigirse o impossível, em face das provas existentes nestes autos; Que o Boletim do Ocorrência da 7° D.P. Lapa SP. (fls. 214/215) resume os fatos da seguinte forma: a) Vitima: Armazéns Gerais FURUSHO e SALZANO LTDA. b) Representante: Valter Ferreira da Silva c) Condutor: Leandro Ferreira de Faria Policial Militar d) Histórico: " Noticia o Condutor acima que se encontrava em patrulhamento pela área...quando foi acionado pelo COPOM para atender ocorrência... No local dos fatos, o responsável pelo combate ao incêndio era o Major, viatura Bombeiro ASE17, também responsável pelas unidades de Bombeiros que se encontravam no local.... Foi requisitado perícia para o local junto a instituto de criminalística,... fora encaminhado pelo próprio IC no nr do Laudo 01/040/63222/07." Assim, ao contrário do que narra e afirma a autoridade lançadora, não se trata de um simples Boletim de Ocorrência SUBJETIVO e ou Mera Afirmação da ocorrência de fato a Autoridade Policial. O conteúdo do Boletim de Ocorrência é de lavra de Policial Militar em serviço, que atendeu a ocorrência, sem qualquer ingerência do representante da Vítima do sinistro; Ademais, estaria diligenciando junto às Autoridades competentes, para se possível obter o laudo pericial do sinistro em questão. Requereu, portanto, a posterior juntada de documentos para elucidar o caso, pois se trata de documento de terceiros com as inerentes dificuldades em sua obtenção por particular; Afirmou que a prova emprestada, em matéria tributária, é entendida apenas e tão somente como informação fornecida por qualquer das Fazendas Públicas, não configura prova de fato jurídico em sentido estrito; Alega que em momento algum afigurase com as desastrosas comparações (prova emprestada) de terceiros, totalmente estranhos à RECORRENTE, sendo inadmissíveis na espécie, posto que agridem os princípios do Direito tributário Brasileiro; requereu, assim, a retirada das peças de fls. 221/238 deste processo, pois os conteúdos de tais documentos não dizem respeito à RECORRENTE, não se podendo permitir que fatos ocorridos com outros contribuintes sirvam de fundamentação para autuação de outrem; Fl. 328DF CARF MF 10 a) Fotocópia da Representação Fiscal formalizada pela DRF Cuiabá/MT e do documento intitulado "Opinião Legal" (fls. 221/234); b) Fotocópia de Denúncia Anônima encaminhada ao MPF/PR e do Oficio n° 0715/2006 — NUCICRIM — Procuradoria da República no Estado do Paraná dando ciência ao MPF/SC da instauração de procedimento criminal (fls. 235/237); c) Fotocópia do Oficio n° 027/2007PECCO/SC, de 14 de março de 2007, da Procuradoria da República no Estado de Santa Catarina dando ciência a RFB da instauração de Procedimento Administrativo Criminal pela utilização de empresas de nossa região do cartão "FLEXCARD" (fls. 238); Reitera que a PROSUL apresentou todos os documentos solicitados pela Receita Federal do Brasil, não criou nenhum obstáculo que dificultasse a fiscalização, ao contrário, sempre agiu no sentido de prover a Auditoria de plano, não forneceu os relatórios relativos a empresa SIM INCENTIVE, posto que tais documentos encontravamse de posse desta empresa, que confirma e ratifica expressamente as afirmativas da impugnante. Inexistem quaisquer indícios de prática de dolo, a justificar a multa de 150% (a chamada multa agravada); Transcreve excertos de lavra do MD. Auditor Fiscal, no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls.265 "De acordo com a determinação contida no MPF citado neste termo, foi realizada por amostragem as 'Verificações Obrigatórias', referentes ao período ali definido, não tendo a fiscalização encontrado nenhuma irregularidade. (03/2005 a 01/2008); DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 289/297 dos autos, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 05/02/2003 a 18/12/2003 Pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/02/2003 a 18/12/2003 Multa de Oficio. Qualificada. Aplicabilidade Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 325 11 Constatado que, à conduta do contribuinte esteve associada a prática de sonegação fiscal, é aplicável a multa de oficio qualificada de 150%. Lançamento Procedente Nas razões do voto do referido julgamento, rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, mantendo o lançamento de IRRF objeto do presente processo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 15/12/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 301, apresentou seu recurso voluntário de fls. 302/314 em 12/01/2008. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as afirmações de sua impugnação, acrescentando à sua defesa alegações de que não houve prova de qualquer fraude ou dolo, nem mesmo ocorrência de indícios dos mesmos. Neste sentido, argumentou o seguinte: “No caso em questão, o procedimento do ora recorrente não revela qualquer ajuste doloso que pudesse trazer como resultado supressão de tributo devido, fraudando o fisco. (...) Apesar da afirmativa do fisco da ocorrência de dolo, que ocorre quando a empresa omite das autoridades fiscais dados importantes do seu diaadia, fazendo com que as mesmas incorram em erro, o conceito de dolo é consiste na vontade deliberada do agente em alcançar seu objetivo e deve ser provado pela disposição do contribuinte em fugir ao cumprimento da obrigação tributária. (...) A título de ilustração, citamos Silva, De Plácido e, Vocabulário Jurídico 1 1° ed. Rio de Janeiro, Forense, 1993: "por fraude, derivado do latim fraus, fraudis (engano, má fé, logro), entendese geralmente engano malicioso ou ação astuciosa, promovidos de má fé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. E a prova da fraude se faz por todos os meios permitidos em Direito, admitindose mesmo sua evidência em face de indícios e conjecturas, tanto bastando a verificação do prejuízo ocasionado a outrem pela prática do ato oculto ou enganoso. A fraude, assim, firmase na evidência do prejuízo causado intencionalmente, pela oculta maquinação." (...) Não se ocultou da administração tributária qualquer dado de suas operações. A falta de indicação dos beneficiários dos incentivos não decorreu de ato de vontade da recorrente. O sinistro em empresa de "guarda de documentos", que não tem qualquer relação ou vínculo com a recorrente, nem mesmo com Fl. 330DF CARF MF 12 a contratante desta (SIM INCENTIVE), não pode caracterizar evidente intuito de fraude. Tratase simplesmente de falta de apresentação de documentos, que, na forma da lei poderia ensejar, ou a glosa de despesa, ou a tributação como posta nos autos. Reafirmase que, a falta de entrega de documentos não foi deliberada pela recorrente, mas caso fortuito, sem qualquer culpa por omissão ou negligência da contribuinte, ora recorrente. A despeito dos esforços já empreendidos para identificar os beneficiários dos prêmios, a recorrente está em contato não só com a contratante, mas também com o cartão UNIBANCO, fornecendolhe a lista de funcionários, para que se possa receber informações a respeito dos valores utilizados pelos funcionários. Assim que estiver de posse dessas informações fará a devida comunicação, protestando pela posterior anexação aos autos do resultado então obtido.” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Do lançamento do IRRF sobre pagamento efetuado pela RECORRENTE a beneficiário não identificado. Conforme relatado acima, a RECORRENTE foi intimada diversas vezes durante a fiscalização para apresentar Documentação Contábil/Fiscal com todos os valores colocados à disposição dos beneficiários, Pessoas Físicas e/ou Jurídicas, através do cartão de débito eletrônico utilizado como meio de pagamento de premiação através do UNIBANCO S/A, denominado SIM CLUB, administrado pela empresa SIM INCENTIVE MARKETINK S/C LTDA., assim como o contrato celebrado entre ambos e notas fiscais emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETINK S/C LTDA, que deram coberturas às despesas realizadas. Através de solicitação interna dirigida ao Conselho de Contribuintes, a autoridade fiscal obteve as folhas do processo nº 11516.000766/200513 que a RECORRENTE alegou serem dos documentos solicitados pela fiscalização (fls. 167/184). Dentre tais documentos, encontrase o contrato firmado pela RECORRENTE (CONTRATANTE) a SIM Incentive Marketing S/C Ltda. (CONTRATADA). Referido contrato possui as seguintes cláusulas (fls. 174/177): Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 326 13 CLAUSULA PRIMEIRA — OBJETIVO DO CONTRATO 1.1. O objetivo do presente contrato é a elaboração, pela CONTRATADA, de uma campanha de incentivo à pessoas e empresas relacionadas com a CONTRATANTE anexa a este e parte integrante deste instrumento ("Proposta e Campanha"). 1.2. A Campanha incluirá a criação e desenvolvimento de um site exclusivo aos participantes cadastrados da CONTRATANTE ("Site") e a atribuição, a cada um desses participantes, de um cartão de débito eletrônico utilizado como meio de pagamento de premiação (SIM CLUB), através do qual o participante receberá créditos e com o qual o participante terá acesso ao conteúdo do site, além de outras vantagens, conforme descritas a seguir: • O premiado terá direito de até 4 (quatro) saques por premiação, através do Banco 24 horas, Unibanco 30 horas, ou ainda efetuar saques em qualquer caixa do Banco Unibanco • O premiado poderá efetuar transferência bancária através de DOC em qualquer agência dos Bancos Unibanco • O premiado poderá efetuar compras de produtos como roupas, calçados, eletrodomésticos, remédios ou ainda realizar suas compras em mais de 150 redes de supermercados através do Cheque Eletrônico e Redeshop. • (...). 1.3. O SIM CLUB inclui o SIM SAQUE e o SIM Compras, que permitirão ao funcionário, respectivamente: a) sacar o valor do seu prêmio em mais de 1670 terminais eletrônicos do Banco 24 horas, em mais de 1500 agências do Unibanco S/A em todo o Brasil; além de 30 horas conveniência de atendimento, 24 horas por dia; b) compras em 20282 estabelecimentos da rede instalada e compras virtuais. (...) CLÁUSULA SEGUNDA: OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA (...) C) Fornecer à CONTRATANTE os cartões SIM CLUB nos valores e quantidades requisitados. D) Colocar à disposição da CONTRATANTE os cartões SIM CLUB no prazo máximo de 5 (cinco) dias úteis, contados da data do recebimento do pedido, salvo motivo de força maior ou caso fortuito alheio à vontade da CONTRATADA. Após o pagamento da Nota Fiscal, os créditos estarão liberados nos cartões no prazo de 48 horas. Fl. 332DF CARF MF 14 (...) G) A CONTRATANTE deverá efetuar os pagamentos na conta bancária da CONTRATADA destinada exclusivamente aos depósitos de incentivos que serão distribuídos aos beneficiários, conforme segue: Banco UNIBANCO, Agência 0591, Conta Corrente 1326121 CLAUSULA TERCEIRA: OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE A CONTRATANTE, obrigase a, A) Definir previamente os valores dos cartões SIM CLUB, respeitandose os valores mínimos de cada um deles, sendo estes informados pela CONTRATADA. (...) D) Orientar os favorecidos dos cartões SIM CLUB, quanto a sua correta utilização junto a Rede Bancária credenciada pela CONTRATADA. (...) CLÁUSULA QUARTA: COMISSÃO DE SERVIÇOS A comissão de serviços será de 6% (seis por cento) sobre o valor de cada pedido na entrega centralizada, sendo que, nesta não está contido o valor disponível no cartão SIM CLUB. (...) Dentre a documentação apresentada pela RECORRENTE, destacamse as cópia das Faturas/Notas Fiscais emitidas pela SIM Incentive Marketing S/C Ltda. e dos respectivos comprovantes de transferência eletrônica bancária, onde constam as remessa dos valores realizadas pela RECORRENTE à SIM Incentive (fls. 24/93), as fichas “razão” indicando que toda a operação foi contabilizada (fls. 19/23), a slides da do "Programa de Reconhecimento — PROSUL" (fl. 118/145) e o Manual SIM (fls. 150/157). Da análise dos documentos acima relacionados, interpretase que o valor pago pela RECORRENTE para a SIM Incentive foram destinados exclusivamente aos depósitos de incentivos distribuídos aos beneficiários da RECORRENTE (cláusula segunda, alínea “g” do contrato de prestação de serviços), sendo que a própria RECORRENTE tinha a obrigação de definir previamente os valores dos cartões SIM CLUB (cláusula terceira, alínea “a” do contrato de prestação de serviços). Conforme indica o Programa de Reconhecimento — PROSUL" (fl. 118/145), o público alvo de tal programa são: Colaboradores internos diretoria administrativa; diretoria técnica; engenheiros e projetistas. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 327 15 Colaboradores externos consultores; prestadores de serviços. O mesmo Regulamento estipula, de forma genérica, a distribuição de pontos em razão das metas alcançadas por departamento, sendo os prêmios distribuídos por meio do cartão SIM CLUB. Ou seja, os beneficiários do programa SIM CLUB foram, portanto, funcionários da RECORRENTE Conforme estipula o contrato, o valor destinado a cada beneficiário era pré definido pela RECORRENTE que, portanto, tinha (ou deveria ter) conhecimento do exato montante recebido por cada um. Assim, cai por terra o argumento da RECORRENTE prestado durante a fiscalização, de que “a diretoria não se envolveria direta ou indiretamente na distribuição, pontuação, ou qualquer outra forma na aplicação dos recursos relativos ao programa” e de que “a Única empresa detentora da relação dos participantes do programa contratado é a empresa UNIBANCO S A — SIM INCENTIVE MAKETTNG S/C LTDA.” Ademais, da análise das Faturas/Notas Fiscais emitidas pela SIM Incentive e dos respectivos comprovantes de transferência (fls. 24/93), verificase que a RECORRENTE realizava o “pagamento” das notas fiscais emitidas pela SIM Incentive, acrescida do percentual de 6% sobre o valor dos serviços. Este percentual (classificado como honorários) seria a quantia destinada à SIM Incentive pela comissão de serviços, conforme cláusula quarta do contrato de prestação de serviços celebrado com a RECORRENTE. Na descrição dos serviços consta o seguinte: “VLR. REF. A REEMBOLSO SIM CLUB CAMP.MARKETING DE INCENTIVOS”. Notese que a conta bancária de destino das transferências dos pagamentos (indicada nos diversos comprovantes de transferência) é a mesma citada na cláusula segunda, alínea “g” do contrato de prestação de serviços, cuja redação é válida transcrever novamente: G) A CONTRATANTE deverá efetuar os pagamentos na conta bancária da CONTRATADA destinada exclusivamente aos depósitos de incentivos que serão distribuídos aos beneficiários, conforme segue: Banco UNIBANCO, Agência 0591, Conta Corrente 1326121 Assim, está claro que o “valor dos serviços” explicitado em cada nota era o desembolso realizado pela RECORRENTE correspondente ao total da quantia distribuída aos beneficiários, a qual era definida previamente pela RECORRENTE (nos termos da cláusula terceira, alínea “a”, e da cláusula segunda, alínea “g”, do contrato de prestação de serviços), ao passo que a remuneração da SIM Incentive era de 6% sobre o valor distribuído. Tanto é que este valor da comissão era acrescido ao valor da nota, e não era um percentual contido no valor dos “serviços”, pois esta última quantia pertencia a outros destinatários (os beneficiários). Com essas considerações, entendo que o valor dos serviços explicitados nas notas não tinha como destinatário a empresa SIM Incentive, mas sim outros beneficiários relacionados à RECORRENTE. A SIM Incentive era destinatária tãosomente do valor correspondente a 6% ao montante distribuídos aos beneficiários (percentual este calculado “por fora”, ou seja, não contido no valor disponibilizado no cartão SIM CLUB aos beneficiários). Fl. 334DF CARF MF 16 O art. 61 da Lei nº 8.981/95 estipula o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Conforme acima exposto, o pagamento efetuado sob a rubrica “valor dos serviços” estipulados nas notas fiscais não eram destinados à empresa SIM Incentive. Na realidade, tais valores eram repassados pela SIM Incentive aos beneficiários apontados pela RECORRENTES, revestindose em verdadeiros pagamentos. Não basta identificar os pagamentos na contabilidade ou ainda apontar o terceiro a quem cabia distribuir os valores. É necessário identificar os reais beneficiários dos valores. Neste sentido, não consta nos autos documentação comprobatória dos beneficiários dos pagamentos realizados pela RECORRENTE. A RECORRENTE alegou em seu Recurso Voluntário que estaria em contato com a SIM Incentive e também com o UNIBANCO, para receber informações a respeito dos valores utilizados pelos funcionários e que juntaria aos autos tais informações. No entanto, desde a apresentação do recurso (2008) até a presente data não houve nova documentação acostada pela RECORRENTE. Portanto, diante da falta de comprovação dos destinatários dos pagamentos efetuados pela RECORRENTE, entendo que foi correto o enquadramento realizado através do presente lançamento, devendo ser exigido o percentual de 35% a título de IRRF calculado sobre a base reajustada do rendimento bruto, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 8.981/95. Da multa qualificada. Por outro lado, entendo que deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. Explico De acordo com o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fl. 264), “a multa aplicada foi capitulada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, ante as circunstâncias de qualificação já declinadas acima”. O demonstrativo de multa e juros de mora (fl. 246) também aponta que o enquadramento legal da multa é o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11516.004030/200867 Acórdão n.º 2201003.437 S2C2T1 Fl. 328 17 Em princípio, verificase que a autoridade lançadora não apresentou a necessária fundamentação da multa qualificada de forma detalhada. Ao afirmar tãosomente que as circunstancias qualificadoras estariam delineadas no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, deixou de motivar a razão pela qual entendia que deveria ser cobrada a multa de 150%. Não bastam alegações de que tal prática se constituiria em sonegação, dolo ou fraude. É preciso haver a devida comprovação, pela autoridade fiscal, da intenção da contribuinte em praticar tal ato com a finalidade de fraudar o recolhimento de tributos. A ausência de firmes e expressas comprovações não permite a qualificação do lançamento. A RECORRENTE pode ter sido simplesmente mal instruída em relação aos reflexos tributários da operação, sem necessariamente haver intuito de fraude na operação. Ademais, a qualificação do lançamento não pode ser embasada em no documento intitulado "Opinião Legal" (fls. 223/234), em Denúncia Anônima encaminhada ao MPF/PR (fls. 235/237) e em Oficio do MPF/SC comunicando a instauração de Procedimento Administrativo Criminal pela utilização do cartão "FLEXCARD" por empresas de Santa Catarina (fls. 238), pois referidos documentos são de casos genéricos, devendo a multa qualificada ser analisada caso a caso. Além do exposto, a autoridade fiscal apontou o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 como enquadramento legal da multa. Ora, conforme abaixo exposto, a redação do referido dispositivo é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ora, é evidente que houve a incorreta capitulação legal da multa qualificada, visto que o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 converge para a aplicação da multa de 50% exigida isoladamente. A redação do referido artigo foi dada pela lei nº 11.488/2007, que entrou em vigor na data de sua publicação (15/06/2007). Portanto, quando da lavratura do presente auto de infração, a redação do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 era a acima transcrita, e não mais tratava da multa qualificada de 150%. O erro no enquadramento legal da multa causou deficiência na motivação do lançamento, prejudicando, consequentemente, na ampla defesa e contraditório da RECORRENTE, pois esta necessita conhecer as razões e fundamentos que lhes estão sendo imputados a fim de exercer o seu direito de defesa garantido constitucionalmente. Assim, entendo que deve haver a desqualificação da multa pela nulidade da aplicação da multa de 150%, tendo em vista que ela não foi devidamente capitulada em um dos dispositivos apontados pelo art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, encontrandose mal fundamentada pela autoridade lançadora. Este é o entendimento do CARF, conforme excerto abaixo: Fl. 336DF CARF MF 18 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 (...) MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO E CAPITULAÇÃO. NULIDADE. DESQUALIFICAÇÃO. Apesar de ter havido presumidamente omissão de receitas em valores 50% acima dos declarados pela contribuinte, o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal carecem de fundamentação e de devida capitulação legal, devendo ser mantida a desqualificação da multa. Recurso de Ofício Negado (Processo nº 19515.722088/201111; Primeira Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF; julgado em 04/02/2016) Em substituição à multa qualificada, deve ser aplicada ao caso a multa de 75%, a qual incide automaticamente em todo lançamento realizado de ofício pelo Fisco, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Conclusão Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para desqualificar a multa aplicada em 150% para o percentual de 75%, devendo ser mantido integralmente o lançamento de IRRF. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720038/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora proceda à juntada dos documentos em que sujeito passivo requereu a anexação através de CD. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Ronaldo Luiz Costa, OAB/MT nº 12.091/A.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora proceda à juntada dos documentos em que sujeito passivo requereu a anexação através de CD. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Ronaldo Luiz Costa, OAB/MT nº 12.091/A. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 0432.641, da 4ª Turma da DRJ Campo Grande (fls.210/224), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes lançamentos: DEBCAD n° 51.012.4046, referente às contribuições previdenciárias correspondente à parte da empresa, alíquota de 2,6%, sendo 2,5% para financiamento da previdência social e 0,1% para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau deincapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT/SAT), incidentessobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural própria,conforme Lei 8.212/91, artigo 22, inciso I e II combinados com o artigo 25, incisos I e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 03 8/ 20 12 -1 7 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 14098.720038/201217 Resolução nº 2201000.234 S2C2T1 Fl. 342 2 II da Lei 8.870/94 (com a redação dada pela Lei 10.256/2001), contribuições essas não declaradas em GFIP e não recolhidas. DEBCAD n° 51.012.4054, referente à contribuição destinada ao SENAR, alíquota de 0,25%, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria, conforme Lei 8.870/94, artigo 25, parágrafo 1º, com as alterações da Lei 10.256/2001, contribuição essa não declarada em GFIP e não recolhida. A recorrente se insurgiu contra o lançamento alegando substancialmente que a exação ao FUNRURAL e ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural própria não tem fundamento constitucional, motivo pelo qual jamais poderia ser exigida. Não bastasse a inconstitucionalidade que macula por completo a contribuição que se pretende exigir da Impugnante por meio da presente autuação, também será demonstrado que o Agente Fiscal, por um equívoco, incluiu na base de cálculo apurada, indevidamente, a receita advinda das exportações diretas e indiretas realizadas pela recorrente, o que, por sua vez, também não encontra respaldo constitucional A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E PARA O SENAR. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA JURÍDICA. CONSTITUCIONALIDADE. O fato gerador das contribuições em questão é a comercialização da produção rural que ocorre com a venda ou a consignação dessa produção; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, elementos da hipótese de incidência previsto na Lei n.º 8.870/1994. Na redação do inciso I, “b”, do artigo 195 da CF/88, acrescentada pela EC nº20/98, temse como base de cálculo, além do faturamento, a receita. Portanto, legítima a incidência. PRODUÇÃO RURAL VENDIDA NO MERCADO INTERNO COM DESTINO À EXPORTAÇÃO. As receitas advindas de comercialização realizada no mercado interno, mesmo que de produtos que se destinem à exportação, não estão amparadas pela imunidade contida no inciso I do §2º do artigo 149 da CF. A imunidade alcança apenas as receitas decorrentes de exportação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO Havendo valores pagos, além dos aproveitado pela fiscalização, deve o contribuinte elaborar demonstrativo, em comparação com o resultado da apuração realizada pela auditoria fiscal, por competência. Restando valores pagos em montante superior ao aproveitado, mediante comprovação, serão acolhidos. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 14098.720038/201217 Resolução nº 2201000.234 S2C2T1 Fl. 343 3 RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS A Relação de Vínculos no processo tem o condão de informar os nomes dos Representantes Legais da empresa, à época da ocorrência dos fatos geradores, servindo para fins de cadastro e possível responsabilização nos casos em que a lei determina. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, devese limitar aplicála, não tendo competência para declarar norma inconstitucional. Cientificado do inteiro teor da decisão em 22/11/2013 (fl. 261), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 23/12/2013 (fls. 227/257), alegando, em síntese, que: A tese do acórdão recorrido é inapropriada, pois a recorrente em momento algum sustentou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 10.256/2001. Sempre cumpriu com as obrigações de recolhimento para o FUNRURAL, independentemente de ele ser constitucional ou não. A recorrente se insurge contra a cobrança do FUNRURAL incidente sobre a receita decorrente das exportações diretas e indiretas que efetua, uma vez que estas receitas são imunes às contribuições sociais, haja vista a norma imunizadora prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. A contribuição ao SENAR, instituída pela Lei nº 8.870/94, é inconstitucional, vez que o art. 62 do ADCT da Constituição Federal de 1988 estabelece que a contribuição deve incidir sobre a folha de salários. Assim, há expressa violação ao art. 40 da CF/1988 e 62 do ADCT, vez que não se sustenta o fato de a contribuição ao SENAR decorrer da receita bruta da comercialização da produção rural. As contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural no mercado interno foram quitadas. Deve o julgador administrativo, mesmo não tendo competência para declarar a inconstitucionalidade da norma, aplicar os princípios jurídicos e conceitos para que a supremacia constitucional não seja abalada. Os representantes legais da recorrente foram indevidamente arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário, mesmo não restando configuradas as hipóteses dos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional. Por fim, requer seja a presente autuação julgada totalmente improcedente. É o relatório. Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Fl. 291DF CARF MF Processo nº 14098.720038/201217 Resolução nº 2201000.234 S2C2T1 Fl. 344 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Incidente Processual Compulsandose os autos, verificase à fl. 208 que a Unidade preparadora informa que faz parte da impugnação um CD que não foi digitalizado por não encontrarse em formato PDF. Não houve ciência desse fato por parte do sujeito passivo. Constou, ainda, a informação que a referida mídia digital ficou arquivada no SECATPrevidenciário/MT. Às fls. 210/224 foi proferido o acórdão de primeira instância, o qual não fez alusão aos documentos contidos no mencionado CD. A fim de que não fique caracterizado cerceamento ao direito de defesa, os documentos devem ser juntados ao presente processo pela Unidade preparadora, ressalvando que, na eventualidade de persistir a impossibilidade digitalizar os documentos, deve o sujejto passivo ser intimado para apresentálo em formato compatível. Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora proceda à juntada dos documentos em que sujeito passivo requereu a anexação através de CD. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 292DF CARF MF
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