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Numero do processo: 10805.904391/2011-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 43 91 /2 01 1- 92 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.904391/201192 Acórdão n.º 3002000.190 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa o pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 7.392,03, relativos ao período de apuração junho/2005, com débito também de Cofins (fls. 2 a 6). Por meio de despacho decisório à fl. 14, a Delegacia da Receita Federal em Santo André decidiu pela não homologação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais e requereu o reconhecimento do direito ao crédito decorrente de sua exclusão (fls. 18 a 24). Instruiu sua manifestação de inconformidade com cópia do despacho decisório, procuração, peças de identificação dos procuradores e contrato social (fls. 25 a 42). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0643.557 (fls. 48 a 52), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o julgamento pelo STF não atende aos requisitos legais para tornarse vinculante (o acórdão é de 2013, ao passo que o julgamento do mérito pelo STF deuse apenas em 2017), que há previsão legal para inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições e que o contribuinte não logrou demonstrar por meio de documentos fiscais ou contábeis a certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.904391/201192 Acórdão n.º 3002000.190 S3C0T2 Fl. 4 3 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 17/04/2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 57, e protocolizou seu recurso voluntário em 06/05/2014, conforme carimbo aposto ao envelope e à página inicial do recurso (fls. 58 e 60). O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de inconformidade. Assim, apenas repete a alegação de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. É de amplo conhecimento que o tema da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais encontrase sob o crivo dos Tribunais Superiores e que este Colegiado é vinculado às decisões definitivas de mérito que tenham sido proferidas em julgamentos afetados pela sistemática dos recursos repetitivos, conforme definido pelo § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf), in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifado) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.904391/201192 Acórdão n.º 3002000.190 S3C0T2 Fl. 5 4 O Supremo Tribunal Federal decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo no julgamento do RE 574.706/PR, afetado pela repercussão geral, cujo acórdão foi publicado em 02/10/2017 e está assim ementado: EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Entretanto, até a data desta sessão de julgamento, essa decisão ainda não transitou em julgado. Foram interpostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, visando à modulação de seus efeitos. Importa frisar que se trata de questão relevante, tendo em vista a segurança jurídica e a definitividade das decisões administrativas contrárias à Fazenda Nacional. Nesse contexto, partilho do entendimento prevalecente em diversos julgamentos realizados neste ano, no sentido de que tal situação não se enquadra na hipótese da decisão definitiva de mérito de que trata o § 2º do art. 62 do Ricarf vide Acórdãos nº 3301 004.397 do conselheiro Antônio Carlos, nº 3402004.699 da conselheira Maria Aparecida, nº 3201003.375 do conselheiro Paulo Moreira (voto vencedor) e nº 3201003.254 do conselheiro Marcelo Giovani, entre outros. A ausência de definitividade da decisão, na fase em que se encontra, se expressa até mesmo pelo Código de Processo Civil, haja vista: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.904391/201192 Acórdão n.º 3002000.190 S3C0T2 Fl. 6 5 Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. (...) Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterála: I para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; II por meio de embargos de declaração. (...) CAPÍTULO V DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA PELA FAZENDA PÚBLICA Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: I falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II ilegitimidade de parte; III inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; (...) § 5o Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considerase também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. § 6o No caso do § 5o, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, de modo a favorecer a segurança jurídica. (grifado) Certamente estáse diante de tema complexo e polêmico, que gera posicionamentos especialmente divergentes, mas entendo como certo que a fase atual do processo ainda permite alteração que pode afetar a temporalidade de sua aplicação. Nesse sentido, não é ainda definitiva. Todavia, a despeito da posição externada, as razões de decidir deste julgamento vão repousar sobre outro aspecto, qual seja, a ausência da demonstração do direito, uma vez que a recorrente nunca juntou ao processo qualquer documento para demonstrar se, de fato, o ICMS afetou o cálculo do Cofins por ele pago e em que extensão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.904391/201192 Acórdão n.º 3002000.190 S3C0T2 Fl. 7 6 Toda a defesa está centrada em questões de direito, sem abordar, em único momento, questões de fato. Não se sabe se incide ICMS sobre uma parte ou a totalidade das operações do contribuinte, não se sabe como contribuinte chegou ao montante que pretende compensar, não foi trazida uma memória de cálculo, não foram juntadas notas fiscais do período, enfim, não há nada a demonstrar a certeza ou a liquidez do crédito. A recorrente pede que este Colegiado lhe reconheça o direito de compensar um valor específico exclusivamente com base em uma decisão em tese do STF. Porém, a demonstração da liquidez e certeza é essencial para a autorização de uma compensação, condição essa firmada pelo CTN em seu art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) A essa condição se some que, o ônus probatório do direito alegado pertence ao requerente, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art.28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Dessa forma, entendo que, ainda que se adotasse a decisão proferida pelo STF, em acordo com a recorrente, como ao longo do processo nunca foram apresentados documentos fiscais ou contábeis visando conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado, resta sem comprovação o seu direito creditório. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923838/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.923838/201120 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.371 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 38 /2 01 1- 20 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.710, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.923838/201120 Acórdão n.º 3301004.371 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.000158/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS.
A omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário.
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL.
A pessoa jurídica que ultrapassou o limite da receita bruta determinado pela legislação, em 2005, será excluída do Simples a partir do ano-calendário subseqüente, sujeitando-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA.
Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1302-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausência momentânea do Conselheiro Julio Lima Souza Martins.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. A omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. A pessoa jurídica que ultrapassou o limite da receita bruta determinado pela legislação, em 2005, será excluída do Simples a partir do ano-calendário subseqüente, sujeitando-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. A omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. A pessoa jurídica que ultrapassou o limite da receita bruta determinado pela legislação, em 2005, será excluída do Simples a partir do anocalendário subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 01 58 /2 00 8- 75 Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 852 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausência momentânea do Conselheiro Julio Lima Souza Martins. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/POA, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2006 e de auto de infração lavrado para constituir crédito tributário referente ao Simples, anocalendário 2005, apurado a partir do confronto da escrituração contábil do sujeito passivo, a receita declarada à Receita Federal e depósitos havidos em suas contas correntes. O trabalho de auditoria teve início em 07/08/2007, quando o sujeito passivo foi intimado pessoalmente a apresentar os livros fiscais e comerciais, contrato social e extratos das contas bancárias mantidas pela empresa. Atendida a intimação, foi novamente o contribuinte intimado, mas desta vez para comprovar/explicar a origem dos recursos, no total de R$ 2.984.250,60, utilizados nos depósitos havidos em suas contas correntes e relacionados em planilha anexa ao termo. Consta do Relatório ter o sujeito passivo informado que “em 2.005 não tinha estabilidade financeira, motivo pelo qual recorreu diversas vezes as instituições bancárias a fim de promover antecipação de seus recebiveis; que fazia transferências entre suas contas correntes para honrar compromissos que a empresa havia contraído e que os créditos junto a CEF identificados como CR SICOBTD, COB DH AG e CR CH ELETRONICOS são decorrentes de descontos de títulos e depósitos de clientes. E, por fim, reconhece que não tem Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 853 3 controle sobre as diversas operações que geraram os créditos em suas contas correntes e que todos os lançamentos são oriundos de sua atividade comercial.” Do confronto entre a documentação recebida, os assentamentos contábeis e os valores oferecidos à tributação, a fiscalização concluiu ter a empresa cometido as seguintes infrações à legislação tributária: 1 omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada que superaram em larga escala as receitas escrituradas e as declaradas. Às fls. 336/337 estão relacionados os depósitos que foram excluídos quando do lançamento, pois referiamse a transferências entre suas contas correntes. No anocalendário de 2005 o somatório dos depósitos efetuados em contas correntes chegou a R$ 2.984.250,60. Descontada a receita declarada, no valor de R$ 1.041.884,36, a receita omitida foi de R$ 1.942.366,24; 2 insuficiência de recolhimento – à receita declarada foi adicionada a omissão apurada, acarretando uma diferença de imposto e contribuições a recolher devido ao aumento da alíquota incidente sobre a receita declarada. Como o somatório dos depósitos efetuados em contas correntes do contribuinte chegou a R$ 2.984.250,60, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Itajaí lavrou a Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples, fls. 276, por ter o sujeito passivo incorrido na hipótese de vedação prevista no artigo 9º, II, da Lei nº 9.317/1996, com efeitos a partir de 01/01/2006. Esta representação deu origem ao Ato Declaratório Executivo DRJ/ITJ nº 3, de 21/01/2008, de exclusão do Simples. O lançamento de ofício relativo ao Simples, período de 01/01/2005 a 31/12/2005 está consubstanciado nos autos de infração – Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, no valor de R$ 30.816,41; Contribuição para o PIS/Pasep – Simples, no valor de R$ 30.816,41; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Simples, no valor de R$ 50.673,73; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 101.347,63 e Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples, no valor de R$ 197.691,58; apurando o crédito tributário total no valor de R$ 411.345,76 (quatrocentos e onze mil, trezentos e quarenta e cinco reais e setenta e seis centavos), aí incluído o principal, multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 28/12/2007. Da Impugnação: O sujeito passivo foi cientificado pessoalmente do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 3/2008 e dos Autos de Infração em 30/01/2008 (fls. 280 e 333), e apresenta sua impugnação tempestiva de fls. 340/343 em 29/02/2008, fazendo alegações, dentre outras, de que o fisco deixou de considerar como diminuição dos depósitos em conta corrente os valores abaixo informados: Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 854 4 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 855 5 Anexa aos autos (1) cópias de canhotos de cheques, fls. 416/427 para justificar os depósitos entre contas, mês a mês; (2) apresenta planilhas das operações não deduzidas pela fiscalização, também mês a mês – transferências entre instituições bancárias, entre contas, empréstimos, duplicatas antecipadas, crédito/duplicidade recebido em janeiro/2005 no valor de R$ 754,61 e recebimento em janeiro e fevereiro/2005 referente a notas fiscais emitidas em 2004, da Prefeitura Municipal de Itajaí (fls. 428/472). Tendo em vista o fato do contribuinte, quando da protocolização da impugnação, ter trazido justificativas para comprovar a origem de parte dos recursos utilizados nos depósitos havidos em suas contas correntes, o processo foi encaminhado em Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 856 6 diligência para que a autoridade lançadora apreciasse e se manifestasse quanto à documentação apresentada apenas em sede de impugnação. Às fls. 669/671 dos autos consta o Termo de Encerramento de Diligência, onde o AuditorFiscal relata que: 1 com relação às transferências havidas entre suas contas bancárias representadas pelos canhotos de cheques anexados ao processo, foram utilizados três critérios para constatar a pertinência da alegação do contribuinte – se existiu o débito na conta de origem; se existiu o crédito no mesmo valor e na mesma data na conta de destino; e se a Transferência entrou na base de cálculo levada à tributação. Após análise de todas as alegadas transferências, algumas atenderam a esses critérios, a saber: em janeiro – cheque nº 000470 de 14/01, no valor de R$ 3.500,00 em março – cheques nºs 000547 e 000705 de 18/03, no valor de R$ 3.500,00 cada em abril – cheque nº 763 de 25/04, no valor de R$ 1.000,00 em maio – cheque nº 850352 de 10/05, no valor de R$ 1.000,00 em junho – cheque nº 000653 de 16/06, no valor de R$ 2.500,00 em outubro – cheque nº 010162 de 04/10, no valor de R$ 1.000,00 cheque nº 809 de 13/10, no valor de R$ 3.000,00 cheque nº 500125 de 26/10, no valor de R$ 5.000,00 em dezembro – cheque nº 000821 de 12/12, no valor de R$ 2.711,13 cheque nº 000822 de 14/12, no valor de R$ 1.000,00 2 sobre os valores referentes a desconto de duplicatas, não há indicação de quais notas fiscais estão vinculadas às duplicatas descontadas e, ainda, nas contas bancárias indicadas não se encontram creditados os valores pleiteados. Cita dois exemplos; 3 quanto aos depósitos em dinheiro, que o contribuinte sustenta ser referentes a recebimento de notas fiscais emitidas contra a Prefeitura de Itajaí, não foi apresentado nenhum indício comprobatório dessa afirmação: 4 no que respeita a empréstimos tomados junto a terceiros, o contribuinte não identificou esses terceiros e a devolução desses empréstimos não foi demonstrada; e 5 a empresa alega que os depósitos em dinheiro no Bradesco, em 24/11, 30/11 e 08/12 são transferências que devem ser excluídas da tributação, mas não justifica esta exclusão. Ao final o Auditor Fiscal propõe a alteração da receita tributada, em função do reconhecimento de algumas transferências relatadas no item 1, no montante de R$ 27.711,13. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 857 7 O contribuinte foi cientificado pessoalmente do resultado da diligência em 23/07/2014 (fls. 671) e em 19/08/2014 vem ao processo, desta vez para se manifestar sobre a diligência (fls. 673/674). Argumenta que: 1 os descontos de duplicatas devem ser considerados como empréstimos para giro rápido, em função de dificuldade financeira que a empresa atravessava. Referese aos dois exemplos que o fiscal citou; 2 mantém a afirmação de que os depósitos no valor de R$ 15.000,00 (em 25/01/2005 – BB) e R$ 19.857,75 (em 18/02/2005 BB) são provenientes de negociações realizadas com a Prefeitura Municipal de Itajaí em 2004. Anexa cópia das duas notas fiscais de venda de mercadorias e extrato da conta bancária com estes valores; e 3 os empréstimos foram realizados por pessoas físicas que sabiam da dificuldade financeira que a empresa vinha enfrentando. Cita um empréstimo no valor de R$ 90.000,00 junto ao Banco Bradesco, quitado através de um bem fornecido em nome do sócio da empresa. Ao final, requer seja reduzido o valor de base de cálculo ou cancelamento do auto de infração, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente documental, pericial e outras que se fizerem necessárias, assim como seja o procurador notificado de todos os atos administrativos praticados neste processo administrativo”. Após análise das razões apresentadas pela contribuinte, a 6ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos julgou IMPROCEDENTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, mantendo a exclusão do Simples a partir de 01/01/2016; bem como julgou PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo parcialmente os valores dos créditos tributários lançados, cujo valor do principal passou a R$ 197.663,45, devendo ser acrescidos os encargos legais. Vejamos a ementa do julgado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. A omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 858 8 A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Indeferese a produção de prova pericial, por se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete ao próprio interessado; e por não estar configurada situação a exigir conhecimentos técnicos ou científicos especializados para o deslinde da questão. INTIMAÇÃO A PROCURADORES. Indeferese o pedido de que as notificações sejam encaminhadas aos procuradores, uma vez que elas devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, de acordo com o Decreto nº 70.235/1997, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/1997, art. 67. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. A pessoa jurídica que ultrapassou o limite da receita bruta determinado pela legislação, em 2005, será excluída do Simples a partir do anocalendário subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário apenas reiterando as razões apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade, ou seja, de que o contribuinte não ultrapassou o teto de exclusão do Simples Federal no período fiscalizado. Nesse ponto, registrou que em razão das transações bancárias, as quais elevaram em muito o total da movimentação financeira, foram ajuizados processos judiciais, não esclarecendo o objeto dos processos, e anexando extratos dos referidos processos judiciais, extemporaneamente, e que nada comprovam. Também, foram juntadas Declarações de Receita Bruta da empresa para os anos de 2003, 2004, 2006 e 2007, as quais, além de não se referirem ao período fiscalizado, não se enquadram no conceito de documentação hábil e idônea. Não houve recurso de ofício quanto ao montante exonerado. É o relatório. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 859 9 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Lançando mão do disposto no art. 57, § 3º, do RICARF, adoto as razões de decidir do Acórdão recorrido, na medida em que se mostram suficientes a resolução do caso posto à apreciação a este Conselho, as quais passo a transcrever, verbis: “DO AUTO DE INFRAÇÃO O Sistema Simples que passou a integrar a legislação tributária a partir de 1997 (Lei nº 9.317/1996), dando efetividade aos artigos 170, inciso IX e 179, da Constituição Federal, foi instituído com vistas à simplificação e unificação da sistemática de arrecadação de tributos recolhidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte, implicando substancial redução de procedimentos e custos para as empresas beneficiadas. Para participar do Simples, as empresas deveriam submeterse às obrigações inerentes a este sistema de tributação, assim como a prescrita no art. 7º, parágrafo 1º da Lei nº 9.317/1996. Este artigo diz que as microempresas e as empresas de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Não há uma imposição legal à adesão a tal sistema, já que o ingresso é efetuado por opção do contribuinte, podendo o legislador tributário fixar as condições que devem ser atendidas. Algumas das condições estão acima transcritas e não foram atendidas pelo sujeito passivo. Manifestando seu desejo de ser optante pelo Simples, além das facilidades que obteria, também tinha as obrigações que não foram adimplidas. Ele próprio reconhece que não tinha controle sobre as diversas operações que geraram créditos em suas contas correntes (fls. 265). Passemos à análise de sua impugnação. O ponto central das alegações de mérito presentes na Impugnação são as transferências entre suas contas bancárias, desconto de duplicatas, empréstimos e recebimento da Prefeitura Municipal de Itajaí, de serviço realizado em 2004 e que o fisco deixou de considerar como diminuição dos depósitos em conta corrente. Para comprovar suas alegações, deveria o contribuinte ter trazido ao processo documentos hábeis e idôneos de suas afirmações. Documentos hábeis e idôneos são aqueles que, coincidentes em datas e valores, comprovem a origem plena, objetiva e inquestionavelmente dos recursos supridos. Em outras palavras, devem ser documentos revestidos de formalidades legais que possam comprovar a operação realizada. Agora vejamos cada um dos itens levantados pelo impugnante: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 860 10 1 transferências entre contas: após o processo ter baixado em diligência para análise dos documentos trazidos na impugnação, o Auditor Fiscal considerou algumas operações realizadas pela empresa, resultando numa diminuição no montante de R$ 27.711,13 dos valores a serem tributados. As transferências consideradas foram aquelas em que existia o débito na conta de origem, o crédito no mesmo valor e data na conta de destino e que a transferência entrou na base de cálculo levada à tributação. Após a ciência da diligência, o contribuinte não mais se manifestou sobre este item. Concordo com o trabalho realizado pelo Auditor Fiscal, reconhecendo que as transferências entre contas de mesma titularidade, devidamente comprovadas, deverão ser descontados da receita tributada; 2 desconto de duplicatas: o contribuinte não indica as notas fiscais vinculadas às duplicatas descontadas. Em sua manifestação de fls. 673, diz que deve ser considerado como grande parte do mesmo, empréstimos para giro rápido, mas não comprova, mais uma vez, com documentos hábeis a sua afirmativa. Dos dois exemplos trazidos aos autos, realmente o Auditor Fiscal errou ao indicar em uma de suas planilhas a importância de R$ 9.114,00, quando o correto seria R$ 9.785,00. Este valor consta do extrato do Banco do Brasil, fls. 44, na data de 12/01/2005, com o histórico de cobrança. mas não consta da “Ficha Controle de Duplicatas” apresentada pelo contribuinte às fls. 430. Quanto ao segundo exemplo, a empresa informa, em um primeiro momento, que em 13/04/2005 foram descontadas duplicatas no Bradesco, no montante de R$ 4.217,58. O extrato bancário registra, nesta data, um lançamento referente a tarifa, no valor de R$ 10,40 (fls. 180). O contribuinte informa que o valor do desconto comercial foi creditado no dia seguinte. Analisando o extrato bancário do Banco Bradesco não encontrei valor referente a desconto comercial, no dia 14/04, coincidente com este valor; 3 recebimento da Prefeitura Municipal de Itajaí: afirma o interessado que os depósitos no valor de R$ 15.000,00 em 25/01/2005 e de R$ 19.857,75 em 18/02/2005, ambos no Banco do Brasil, são provenientes de negociações realizadas com a Prefeitura Municipal de Itajaí. Quanto ao primeiro, o valor da venda, conforme nota fiscal que anexa aos autos às fls. 678, foi de R$ 34.151,20 em 01/09/2004, tendo recebido neste anocalendário um pagamento parcial e o restante em 25/01/2005. No extrato do Banco do Brasil, fls. 46, consta um depósito em dinheiro no valor de R$ 15.000,00 em 25/01/2005. Na execução da despesa pública (pagamento), a Prefeitura Municipal deve ter emitido um documento. E este documento não foi apresentado pelo contribuinte para comprovar suas alegações. No segundo pagamento, onde há coincidência de valor da nota fiscal com o depósito efetuado em 18/02/2005, também não foi apresentada a ordem bancária ou documento equivalente que comprovasse que o pagamento referiase a esta venda e não uma outra venda efetuada em 02/2005, de mesmo valor. Mais uma vez faltou a comprovação do alegado pelo interessado; 4 empréstimos realizados por pessoas físicas: quanto aos depósitos que o impugnante alega que teriam sido originados de operações de empréstimos ou suprimentos realizados por sócios ou não sócios, ele nada trouxe para comprovar. Quaisquer alegações de empréstimos são matérias de cunho exclusivamente probatório. Matéria esta que já foi extensamente examinada pelos tribunais administrativos e a jurisprudência firmouse mansa e pacificamente no sentido de não se acolher alegações não acompanhadas de provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo) e vice e versa (no pagamento do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes com o previsto no contrato. Como visto anteriormente, cabia ao impugnante demonstrar, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, a composição dos valores verificados nas contascorrentes de sua titularidade, especialmente os concernentes aos supostos empréstimos realizados por terceiros, presumidamente entendidos Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 861 11 como receitas omitidas, para que, somente então, fosse possibilitado o conhecimento e a apuração de sua efetiva receita bruta. Há de ser pontuado que todo o processo administrativo fiscal orientase pela busca da verdade real ou material, razão pela qual o defendente deveria, juntamente com a Impugnação, apresentar todos os documentos capazes de demonstrar a veracidade das matérias suscitadas, não podendo ser acatadas alegações desacompanhadas de provas. Ainda, reiterase que o impugnante não identificou, pontualmente, qualquer lançamento integrante de seus depósitos bancários que poderiam confirmar suas alegações, tampouco se preocupou em apresentar documentos hábeis a comprovar os alegados empréstimos. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A exclusão da empresa do Simples através do ADE DRF/ITJ nº 3, de 21/01/2008, com efeitos a partir de 01/01/2006 se deu em virtude do sujeito passivo ter extrapolado o limite de R$ 2.400.000,00 de receita bruta (previsto na Lei nº 9.317/96, artigo 2º, inciso II) no anocalendário de 2005. Uma vez constatado que a empresa auferiu receita no anocalendário de 2005 no montante de R$ 2.956.539,47, já descontadas as transferências de numerários havidas em suas contas bancárias, portanto superior ao limite de R$ 2.400.000,00 previsto no art. 9º, II, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, impõese a sua exclusão da sistemática de tributação simplificada, nos termos dos arts. 13, II, “a”, e 14, I, da citada Lei, com efeitos a partir de 01/01/2006, a teor do art. 15, IV, da Lei nº 9.317/1996. DA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS (...) DA PROVA PERICIAL O pedido de perícia é disciplinado pelos artigos 16 e 18 do Decreto n.º 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/1993: “Art. 16. A impugnação mencionará: (…) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (…) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (…)” Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10909.000158/200875 Acórdão n.º 1302002.680 S1C3T2 Fl. 862 12 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Esclareçase que a adoção do procedimento de perícia objetiva, única e tão somente, dirimir dúvidas com relação às provas anteriormente carreadas ao processo, não se prestando, portanto, a suprimir o encargo que cabe ao sujeito passivo quanto à formação da demonstração probatória que lhe compete. No caso concreto, entendo desnecessária a realização de perícia, já que as provas necessárias à defesa são de fácil obtenção, dependendo de providências do próprio contribuinte (seus livros e assentamentos contábeis e fiscais). Além do mais, não houve a indicação do perito e nem expostos os quesitos referentes aos exames desejados, contrariando o inciso IV do artigo 16 acima transcrito. Assim, fica indeferido o pedido de perícia formulado na impugnação, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972”. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendose a exclusão da recorrente do Simples Federal a partir de 01/01/2006, bem como para manter parcialmente os valores dos créditos lançados, nos termos do Acórdão n.º 10 51.646 da DRJ/POA. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 862DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.904323/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
Numero da decisão: 1401-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 23 /2 01 1- 98 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13603.904323/201198 Acórdão n.º 1401002.488 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da não homologação de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. 2. Foi emitido despacho decisório, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP objeto do presente lançamento. 3. O crédito transmitido pela via da compensação foi reconhecido como insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual se homologou o débito parcialmente. 4. O interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: · Que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação"; · Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; · Requereu o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para homologar a compensação declarada no PER/DCOMP, com o reconhecimento da extinção do crédito tributário objeto da compensação. Protestando, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, destacando que não juntou cópia de cada nota fiscal em virtude do volume de documentos. 5. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, no Despacho Decisório considerouse confirmado o IRRF em valor inferior ao declarado, não tendo sido considerada a Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13603.904323/201198 Acórdão n.º 1401002.488 S1C4T1 Fl. 4 3 totalidade das retenções informadas no PER/DCOMP em virtude da não confirmação em DIRF. 6. Por isso, “na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº. 119, de 2000”. 7. Considerou, que “não há crédito de saldo negativo de IRPJ do trimestre objeto de compensação, além do já reconhecido no despacho decisório”. 8. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a manifestação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões: · DO INDEFERIMENTO DE PROVAS: alega que “destacou em sua Manifestação de Inconformidade que não juntou cópia de cada nota fiscal objeto do pedido de compensação, pois o volume de documentos inviabilizaria o manuseio da mesma”. Mas, os livros de Notas Fiscais estariam à disposição; · NO MÉRITO, destaca que houve equívoco por parte da RFB na apuração dos valores relativos aos créditos compensados; · Argumenta que “o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme as tabelas anexadas”, destacando, que o total de retenções é superior aos valores compensados pela Recorrente. · Afirma que conforme os documentos e tabelas anexas ao presente recurso voluntário, demonstra a insubsistência e improcedência da homologação parcial da compensação declarada, com isso, requereu a extinção do crédito tributário com a consequente homologação da compensação declarada no PER/DCOMP em sua integralidade. 9. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.331, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904309/201194, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13603.904323/201198 Acórdão n.º 1401002.488 S1C4T1 Fl. 5 4 Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/01/2008 a 31/03/2008, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.331): "Sendo tempestivo, passo a analisar o Recurso Voluntário. No que se refere à preliminar de nulidade em razão do indeferimento da produção de provas entendo que a mesma não merece ser acolhida. Em regra geral, o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). A impugnação, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, constituindose ônus do contribuinte apresentar as provas de suas alegações. No caso concreto, até o presente momento, o contribuinte não traz aos autos, nem exemplificativamente ou por amostragem, parte das provas que amparam seu direito, simplesmente aduz que em razão do grande volume as mesmas encontramse à disposição. Tratamse de documentos que deveriam estar em posse do contribuinte e, mesmo tendo a sua manifestação de inconformidade indeferida, permanece sem fazer prova do que alega. Daí que não se admite que o pedido de realização de diligência seja usado como instrumento de coleta de provas que cabiam à parte interessada produzir, e muito menos transferir esse ônus à autoridade administrativa. Outrossim, o deferimento de diligência cabe à análise do julgador, de acordo com as razões e fundamentos apresentados nos autos. No caso concreto, diante da inexistência de contexto probatório hábil a dar suporte às razões do contribuinte, o julgador optou por indeferir a diligência, decisão com a qual me coaduno. Assim, não há o que se falar em desrespeito ao princípio da verdade material quando a parte interessada não demonstra, nem de forma exemplificativa, que há alguma verdade, diferente da dos autos, que deva ser alcançada. Face o exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Como visto, o crédito utilizado na compensação é de saldo negativo de IRPJ, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13603.904323/201198 Acórdão n.º 1401002.488 S1C4T1 Fl. 6 5 Portanto, o crédito utilizado nas compensações analisadas tem origem na dedução efetuada, de cuja confirmação depende a homologação pretendida. Na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 119, de 2000. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Assim, diante da inexistência de comprovação do saldo negativo, não dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015579/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS.
A partir da alteração do art. 40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao RGPS, como segurados empregados.
Numero da decisão: 2301-005.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. A partir da alteração do art. 40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao RGPS, como segurados empregados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
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VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. A partir da alteração do art. 40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao RGPS, como segurados empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 55 79 /2 00 8- 77 Fl. 486DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0224.422, exarado pela 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 429 a 442). O sujeito passivo é titular do Cartório do 3º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Belo Horizonte, e o crédito tributário em discussão, relativo às competências compreendidas entre 01/2004 a 13/2004, no valor de R$30.481,40, referese aos valores das contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos relativas ao Salário Educação, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados que estiveram a serviço do equiparado a empresa, conforme parágrafo único do artigo 15 da Lei n° 8.212/91. De acordo com a autoridade lançadora: (a) não houve apresentação de atos de nomeação que identificassem como servidores públicos titulares de cargo de provimento efetivo em relação aos empregados Carlos Alberto dos Santos, Claudemir Pereira da Silva, Cláudio Fernando Queiroz, Elza Feliciano Ottone, Gessimel Gomes Mendes, João Batista Pereira, Luiz Carlos dos Santos, Maria da Conceição Grossi Azevedo, Niny Pinheiro Bolívar Moreira, Silvana Maria Bolívar Moreira Menicucci e Tânia Silvia Pires Bolívar Moreira, os quais não são servidores públicos titulares de cargo efetivo e, por isso, pertencem ao Regime Geral de Previdência Social (relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa, efls. 08 e 10); (b) os referidos funcionários não são detentores de cargo efetivo nem possuem regime próprio de previdência social e, portanto, são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social; (c) o titular do cartório, segundo o parágrafo único do art. 15 da Lei n° 8.212/91, é equiparado a empresa em relação ao segurado que lhe presta serviço. O crédito tributário apurado foi constituído por meio do levantamento FPS Folha de Pagamento de Segurados sem Regime Próprio, o qual inclui toda remuneração paga ou creditada aos segurados empregados considerados como estatutários pela fiscalizada, baseado nas folhas de pagamento apresentadas para o período de 01/2004 a 13/2004. Para a apuração dos montantes de remuneração dos segurados empregados foram analisadas folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações A Previdência Social (GFIP), Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), Livro Caixa; não houve redução da multa em razão da falta de informação da ocorrência dos fatos geradores na Gfip. Na impugnação foi alegado, em síntese (efls. 42 a 66), que: o autuado não é obrigado a arrecadar tais contribuições, eis que os funcionários que foram relacionados no auto de infração são regidos pelo Regime Próprio de Previdência e Assistência Social dos servidores públicos do Estado de Minas Gerais, de acordo com o que determina o inciso V, do art. 3º, da Lei Complementar Estadual n° 64, de 2002 e art. 48 da Lei Federal n° 8.935, de 1994; Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15504.015579/200877 Acórdão n.º 2301005.231 S2C3T1 Fl. 3 3 por disposição expressa do art. 13 da Lei n° 8.212, de 1991 os servidores citados estão excluídos do Regime Geral de Previdência Social; todos os funcionários citados no auto de infração foram contratados anteriormente ao ano de 1994; a Informação GP 666/2002, encaminhada pelo Presidente do IPSEMG e solução de consulta formulada pelo próprio autuado, onde no item 4 é reconhecido que os escreventes e auxiliares contratados antes de 21/11/1994 não são regidos pelo Regime Geral de Previdência Social; segundo o art. 48 da Lei n° 8.935/94, os notários, registradores, escreventes e auxiliares poderiam optar por permanecer no regime estatuário ou mudar para o celetista e, não o fazendo, persistiriam subordinados ao regime estatutário ou especial; para a lavratura do presente auto de infração e cobrança da multa, seria necessário comprovação de que os funcionários do autuado fizeram a opção pelo regime previsto na legislação trabalhista, prova essa que cabe ao fisco e não foi feita; em matéria de processo administrativo federal, cabe ao julgador se ater aos elementos trazidos aos autos, e, na falta de elemento fundamental para caracterização de uma infração, não pode a mesma subsistir por mera alegação do agente administrativo, conforme ordena o art. 9º do Decreto n° 70.235/72; a Portaria MPAS n° 2.701/95 corrobora o que até aqui já foi exposto; o assunto já foi matéria de discussão judicial em casos análogos; não há ocorrência dos fatos geradores a motivar a incidência da contribuição social (obrigação principal), uma vez que nem regidos pelo Regime Geral de Previdência Social são os funcionários citados, ou seja, o autuado não é obrigado a recolher tal exação principal, e, assim, também não há a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória. Em 26/12/2008, a autoridade preparadora elaborou relatório fiscal complementar (efls. 117 a 121), aludindo que, por problemas de processamento eletrônico, o crédito tributário foi erroneamente classificado como ocorrido em período anterior à implantação da GFIP, ocasionando cálculo a menor da multa aplicada, comunicando à autuada o valor correto do total do débito, devidamente corrigido, alcançando a cifra de R$33.134,97. Intimado, o contribuinte reiterou os termos da impugnação. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 488DF CARF MF 4 ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. Enquadramse como segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social os escreventes e auxiliares de cartório, independentemente da contratação ter sido efetivada antes da Lei n° 8.935/94, ainda que tenha havido opção por permanecer no regime estatutário. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Regime Próprio de Previdência Social, para que assim seja considerado, tem que prever, em lei, a concessão a seus filiados dos benefícios de aposentadoria e pensão por morte. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. Aos juízes federais compete processar e julgar as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no art. 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da dívida. A ciência dessa decisão ocorreu em 10/12/2009 (efl. 449). Em 22/12/2009, foi apresentado recurso voluntário (efls. 451 a 473), reiterando as razões da impugnação. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido ordenando a baixa e arquivamento do auto de infração. Em 07/05/2014, o contribuinte peticionou trazendo à baila as modificações legislativas introduzidas pela IN RFB 1.453, de 2014, art. 6º, XXI e XXIII (efls. 480 a 483). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Registro que a matéria relativa aos critérios para aplicação da retroatividade benigna das multas, consignados no acórdão atacado, não foi objeto de recurso voluntário, pelo qual a questão não será conhecida. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15504.015579/200877 Acórdão n.º 2301005.231 S2C3T1 Fl. 4 5 O cerne do recurso repousa na alegação de que os escreventes e auxiliares notariais não seriam segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pois, segundo o recorrente, eles estariam vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Estado de Minas Gerais. Do regime jurídico aplicável aos escreventes e auxiliares notariais O artigo 236 da Constituição Federal estabelece que “os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público”: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. § 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. (Grifouse.) Esse dispositivo demonstra que a intenção do legislador foi excluir o Estado da condição de empregador. O art. 20 da Lei nº 8.935, de 1994, editada para concretizar as disposições do art. 236 da Constituição, trilhou no mesmo sentido, deixando para os notários e os oficiais de registro a tarefa de contratar seus auxiliares e escreventes pelo regime celetista: Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 20. Os notários e os oficiais de registro poderão, para o desempenho de suas funções, contratar escreventes, dentre eles escolhendo os substitutos, e auxiliares como empregados, com remuneração livremente ajustada e sob o regime da legislação do trabalho. (Grifouse.) Resta claro, portanto, que os notários e os registradores são os responsáveis pelas obrigações trabalhistas decorrentes da relação de trabalho no âmbito das atividades notarial e registral. A seu turno, o art. 40 da Lei 8.935, de 1994, preceitua que os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são segurados obrigatórios do RGPS: Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. (grifos nossos) Dessa maneira, os escreventes e auxiliares admitidos após a vigência da Lei nº 8.935, de 1994 são contratados pelos notários e oficiais de registro na qualidade de Fl. 490DF CARF MF 6 empregados e sob o regime da legislação do trabalho, sendo obrigatoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Porém, de acordo com o art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, no caso específico dos escreventes e os auxiliares de cartório contratados até 20/11/1994, data de início da vigência dessa lei, somente continuaram vinculados ao RPPS e, por conseguinte, excluídos do RGPS, aqueles que, à época da promulgação da lei em tela, já eram titulares de cargo público de provimento efetivo ou em regime especial e desde que não tenham feito a opção de que trata o art. 48 da Lei n° 8.935, de 1994: Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. §1º Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. §2º Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. (Grifouse.) Nesse sentido, também o Decreto nº 3049, de 1999, art. 9º, inciso I, letra “o”: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I – como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; (Grifouse.) Entendese como titulares de cargos efetivos aqueles que contam com a nomeação em caráter definitivo, permanente e com prévia aprovação em concurso público, estando vinculados à Administração Pública direta (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), incluídos também os servidores de suas autarquias e fundações públicas, estas instituídas na modalidade de pessoa jurídica de direito público, nos termos do art. 37, II da Constituição Federal. Já cargos de natureza especial são cargos cujas atribuições tornam impossível ou não recomendável o provimento por concurso público, como assentou o Min. Joaquim Barbosa no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n.º 199.649/SC. E, certamente, os escreventes e os auxiliares das serventias de justiça não oficializadas não executam atribuições singulares, tecnicamente especializadas, que Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15504.015579/200877 Acórdão n.º 2301005.231 S2C3T1 Fl. 5 7 desaconselhem ou desautorizem o certame público: exercem, isso sim, funções marcadas pela sua natureza generalista, como descrito no Processo nº 2012/41723 – Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo (https://www.26notas.com.br/blog/?p=6004). Pois bem, quanto à questão inerente ao regime previdenciário, o caput e § 13 do art. 40 da Constituição Federal, a contar da promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998 (EC 20), reservou os Regimes Próprios de Previdência Social, exclusivamente, aos servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. Eis o texto: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Grifouse.) Assim, a Lei 9.717, de 1998, editada já sob o regime jurídico imposto pela EC 20, de 1998, estabeleceu como requisito essencial para a vinculação a RPPS que o segurado seja (a) servidor público titular de cargo efetivo do ente estatal respectivo ou (b) militar: Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998 Art.1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; (Grifouse.) Trilhando no mesmo sentido, o art. 13 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.876, de 1999, cuidou de se adequar às disposições da Constituição Federal, tratando da exclusiva inserção em RPPS dos servidores públicos titulares de cargo efetivo, ficando os demais automaticamente vinculados ao RGPS. Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, Fl. 492DF CARF MF 8 bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei 9.876, de 1999). (Grifouse.) Assim, os escreventes e auxiliares devem ser considerados segurados obrigatórios do RGPS se (a) à época da publicação da EC 20, de 1998, não detivessem titularidade de cargo público em provimento efetivo, ou por outro lado, (b) se à época da entrada em vigor da Lei 8.935, de 1994, tais trabalhadores, mesmo sendo titulares de cargo efetivo, tenham optado pelo regime celetista na forma assentada no art. 48 da Lei 8.935, de 1994. Nesse contexto, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em caso análogo, se assentou, em julgamento de ação concentrada, pela inconstitucionalidade material de norma estadual que inclua como segurados obrigatórios de seu RPPS os cartorários extrajudiciais (notários, registradores, oficiais maiores e escreventes juramentados) admitidos antes da vigência da Lei federal 8.935/94: PREVIDENCIÁRIO E CONSTITUCIONAL. LEI ESTADUAL QUE INCLUIU NO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SEGURADOS QUE NÃO SÃO SERVIDORES DE CARGOS EFETIVOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 40 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. 1. O art. 40 da Constituição de 1988, na redação hoje vigente após as Emendas Constitucionais 20/98 e 41/03, enquadra como segurados dos Regimes Próprios de Previdência Social apenas os servidores titulares de cargo efetivo na União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, ou em suas respectivas autarquias e fundações públicas, qualidade que não aproveita aos titulares de serventias extrajudiciais. 2. O art. 95 da Lei Complementar 412/2008, do Estado de Santa Catarina, é materialmente inconstitucional, por incluir como segurados obrigatórios de seu RPPS os cartorários extrajudiciais (notários, registradores, oficiais maiores e escreventes juramentados) admitidos antes da vigência da Lei federal 8.935/94 que, até 15/12/98 (data da promulgação da EC 20/98), não satisfaziam os pressupostos para obter benefícios previdenciários. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente, com modulação de efeitos, para assegurar o direito adquirido dos segurados e dependentes que, até a data da publicação da ata do presente julgamento, já estivessem recebendo benefícios previdenciários juntos ao regime próprio paranaense ou já houvessem cumprido os requisitos necessários para obtêlos. (STF, ADI 4641; Rel: Min. Teori Zavascki) (Grifouse.) A seu turno, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que com o advento da Emenda Constitucional 20, de 1998, ao modificar o teor da redação do art. 40 da Constituição Federal, passou a restringir o regime próprio de previdência somente aos titulares de cargos efetivos, tendo sido esta redação mantida pela Emenda Constitucional 41, de 2003, com a indicação, no seu art. 3º, de que deveriam ser preservados somente os direitos daqueles que já estivessem em condição de fruição destes: Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15504.015579/200877 Acórdão n.º 2301005.231 S2C3T1 Fl. 6 9 CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CARTÓRIO. REGIME PREVIDENCIÁRIO. POSTULAÇÃO DE MANUTENÇÃO NO REGIME PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 40 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. 1. Cuidase de recurso ordinário em mandado de segurança no qual delegatários notários e registradores de cartório pleiteiam a sua manutenção de vínculo previdenciário ao regime estatal próprio e se insurgem contra sua migração ao regime geral de previdência social; alegam violação do direito adquirido e à segurança jurídica. 2. O advento da Emenda Constitucional n. 20/1998, ao modificar o teor da redação do art. 40 da Constituição Federal, passou a restringir o regime próprio de previdência somente aos titulares de cargos efetivos, tendo sido esta redação mantida pela Emenda Constitucional n. 41/2003, com a indicação, no seu art. 3º, de que deveriam ser preservados somente os direitos daqueles que já estivessem em condição de fruição destes. 3. A modificação jurídica evidenciou que os notários e registradores, por força de alteração do texto constitucional, tiveram efetivada uma mudança no seu regime previdenciário; se tivessem atingido os requisitos para aposentadoria compulsória, poderiam requerêla com base no regime anterior e, em caso contrário, haveria a sua migração ao regime geral de previdência social. Precedentes: RMS 28.394/RS, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 8.10.2013; RMS 28.362/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 6.8.2012; e RMS 30.378/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 30.8.2011. (STJ ROMS 201303838958 DJE DATA:13/08/2014) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. VINCULAÇÃO DE TABELIÃES A REGIME PREVIDENCIÁRIO PRÓPRIO DOS SERVIDORES PÚBLICOS E PERCEPÇÃO DE VENCIMENTOS E VANTAGENS PAGAS PELO COFRES PÚBLICOS. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO NÃO CONFIGURADO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da orientação jurisprudencial do STJ, os notários e os registradores não possuem direito de serem mantidos no regime próprio dos servidores públicos, com exceção das hipóteses com as seguintes especificidades: i) o atendimento de todos os requisitos para a aposentadoria em época anterior à EC n. 20/98; ii) a não cumulação do regime próprio dos servidores com o geral. 2. Na hipótese dos autos, a leitura da sentença e do acórdão a quo indica a ausência desses dois requisitos capazes de excepcionar a regra da ausência de direito adquirido à manutenção no regime próprio dos servidores. Fl. 494DF CARF MF 10 3. Agravo regimental não provido. (AGRESP 201202550620 STJ DJE DATA:16/06/2015) (Grifouse.) À mesma conclusão se chega, no caso concreto, mesmo que nos atenhamos ao texto da Lei 8.935, de 1994, que no 3§ do art. 48 (já transcrito) define que “os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo”, no caso de não ter realizado a opção pelo regime celetista. Ocorre que o contribuinte foi intimado a apresentar o ato de nomeação dos detentores de cargo efetivo, amparado pelo regime próprio da Previdência Social (efl. 40), quedandose silente. Ora, não é possível, como quer o contribuinte, inverter o ônus da prova para entender que cabe ao fisco a realização da prova (negativa) de que os seus funcionários não são detentores de cargo efetivo. Por outro lado, não provada a existência de qualquer funcionário detentor de cargo efetivo, por si só já obriga a filiação destes trabalhadores ao RGPS, o que é suficiente para justificar o lançamento. A Instrução Normativa RFB 1.453, de 2014, art. 6º, XXI e XXIII, somente vem a reforçar o entendimento aqui manifestado, ao dispor que: Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XXI o escrevente e o auxiliar contratados até 20 de novembro de 1994 por titular de serviços notariais e de registro, sem investidura estatutária ou de regime especial; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) (...) XXIII o contratado por titular de serventia da justiça, sob o regime da legislação trabalhista; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) (Grifouse.) No mesmo sentido, a Solução de Consulta nº 9 – Cosit, de 8 de março de 2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AUXILIAR DE CARTÓRIO. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL – (RGPS). A partir da alteração do art.40 da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, apenas os servidores públicos efetivos da Administração Pública Direta, suas autarquias e fundações, são vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Desde então, os escreventes e o auxiliares de cartório contratados pelos serviços notariais ou de registro, inclusive os estatutários e de regime especial que não fizeram a opção pelo regime celetista de que trata o §2º do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994, são vinculados ao (RGPS), como segurados empregados, conforme a alínea “a”, inciso I, art.12 da Lei nº 8.212, de 1991, Fl. 495DF CARF MF Processo nº 15504.015579/200877 Acórdão n.º 2301005.231 S2C3T1 Fl. 7 11 devendo ser declarados na GFIP no código de recolhimento 115. (Grifouse.) A seu turno, diferentemente do que entendeu o recorrente, o item 4 da solução de consulta por ele formulada (efls. 148 a 154) não reconhece que os escreventes e auxiliares contratados antes de 21/11/1994 não são regidos pelo RGPS, mas que escreventes e auxiliares contratados a partir de 21/11/1994 são regidos pelo RGPS: Já a Portaria MPAS n° 2.701/95, define tão somente que “A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notariais e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social” (art. 2º). Não analisa o caso particular dos filiados ao IPSMG nem dispõe sobre o regime aplicável, à época (1995, ou seja, anteriormente à publicação da EC 20, de 1998) os escreventes e auxiliares contatados antes de 21 de novembro de 1994. não socorre, pois, o contribuinte. Desse modo, por qualquer ângulo que examinemos a questão, são os escreventes e auxiliares notariais em questão filiados obrigatórios do RGPS. Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901896/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 96 /2 00 8- 55 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.628, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.904181/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.331
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 81 /2 01 2- 27 Fl. 1042DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0352.830, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.555. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante dessa Resolução, em parte: Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso (sic) foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.830, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.043 3 Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Fl. 1044DF CARF MF 4 Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº (sic), por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215). Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri (sic) Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.044 5 Complemento o relato, com trechos do voto da Resolução, na qual se decidiu pela diligência, apoiandose na busca pela verdade material: A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9.784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, [...] Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendolhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Fl. 1046DF CARF MF 6 Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Por fim, reproduzo trecho da informação emanada da dita diligência: 1. [...]No Quadro 01, estão as informações relativas ao PER transmitido pela interessada. [...] 8. Conforme legislação explanada no item 7 (sobretudo, art. 58B da Lei 10.833, de 2003, combinado com os arts. 58A e 58V, do mesmo diploma legal) e considerando a vigência dos atos nela inserida, os comerciantes varejistas e atacadistas dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03 da Tabela de Impostos sobre Produtos Industrializados TIPI (Quadro 02) podem aplicar a alíquota reduzida a zero sobre a receita de tais vendas. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.045 7 9. Consoante documentos fiscais (notas fiscais de saída e levantamento digital de dados) acostados ao processo administrativo fiscal em comento, a interessada planilhou as suas mercadorias vendidas em cada período de apuração, identificandoas no tocante à descrição da NCM/TIPI. Para explicitar o batimento entre as informações constantes no DACON e as decorrentes dos documentos fiscais supracitados, ambas vinculadas ao PER constante no Quadro 01, optouse por expor tais informações nos Quadros 03, 04 e 05. Fl. 1048DF CARF MF 8 CONCLUSÃO 10. Diante dos fatos expostos e dos autos constantes no processo epigrafado, considerando QUE a contribuinte está sujeita às penas da Lei n' 4.729, de 14 de julho de 1965, e da Lei n' 8.137, de 27 de dezembro de 1990, caso as informações prestadas em seu PER e na resposta à Intimação Fiscal não correspondam à expressão da verdade, QUE foi observado o prazo prescricional de extinção do direito creditório (inciso I do artigo 168 do CTN), QUE foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), a autoridade fiscal, in fine subscrita, propõe, perante o CARF, o indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025. (Grifos do original). Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente". Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.046 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A Fl. 1050DF CARF MF 10 recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.04 9025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.047 11 Fl. 1052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002458/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2006, 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE DADOS EXTRAÍDOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. VALIDADE. É suficiente para manutenção do lançamento de ofício, a utilização de dados extraídos do sítio do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, para exigir contribuições para o PASEP que deixaram de ser recolhidas, mormente quando o contribuinte não apresenta os balancetes solicitados pela fiscalização nem apresenta, na fase de impugnação, provas cabais de sua inconsistência.
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.
FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição
Numero da decisão: 3401-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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UTILIZAÇÃO DE DADOS EXTRAÍDOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. VALIDADE. É suficiente para manutenção do lançamento de ofício, a utilização de dados extraídos do sítio do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, para exigir contribuições para o PASEP que deixaram de ser recolhidas, mormente quando o contribuinte não apresenta os balancetes solicitados pela fiscalização nem apresenta, na fase de impugnação, provas cabais de sua inconsistência. BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 24 58 /2 01 0- 28 Fl. 682DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 649 e seguintes), contra decisão da DRJ/DF, referente a lançamento de ofício da Contribuição Social para o PASEP devida pela Recorrente entre 2006 e 2008. Do Lançamento de Ofício Naquela ocasião, foi lavrado auto de infração (fls. 2/16) para a exigência da contribuição para o Pasep referente aos períodos mensais de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, em face da constatação fiscal de falta/insuficiência de recolhimento da referida contribuição, com fundamento nos arts. 1º, 2º, 3º e 4º da Lei Complementar nº 08, de 1970, Portaria MF nº 142, de 1982, e arts. 67, 70, 73 e 93 do Decreto Federal nº 4.524, de 2002. Naquela oportunidade, foram as seguintes razões que levaram ao lançamento de ofício: 1) Intimada, a Recorrente não atendeu à solicitação para apresentar os balancetes com valores mensais das receitas, relativos aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, razão pela qual a D. Fiscalização extraiu os dados diretamente do website do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás – TCMGO (fls. 29/53), e do sítio do Banco do Brasil – referente às retenções efetuadas a título de PASEP. 2) A autoridade fiscal constatou divergências entre os valores recolhidos/declarados e os efetivamente devidos e efetuou o lançamento compensando os valores efetivamente pagos/retidos, conforme planilha de fls. 27. 3) Por outro lado, a Recorrente apresentou as DCTF dos referidos períodos sem informar débitos de Pasep. Porém, como a contribuinte efetuara recolhimentos mensais de Pasep referentes aos citados períodos de apuração (fls. 213/247), a autoridade a intimou a entregar as competentes DCTF com inclusão desses recolhimentos, nos termos do art. 10 da IN RFB nº 974, de 2009. 4) Não vindo a ser atendida a citada intimação, o agente fiscal promoveu o lançamento com multa de ofício. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 682 3 Da Impugnação O Contribuinte interpôs Impugnação (fls 261 e seguintes), alegando, em síntese, a nulidade do lançamento efetuado pelas seguintes motivações: 1) Não houve indicação do fato gerador objeto do lançamento de ofício, que “descreveu de forma sucinta a base de cálculo dos valores lançados.” 2) A Lei Complementar nº 8, de 1970 teria sido revogada pela Constituição Federal de 1988, de modo que o lançamento não teria fundamentação; da mesma forma, alega que a Portaria MF nº 142, de 1982 não constava no sítio da Receita Federal. 3) O Recorrente tem a obrigação de recolher contribuições ao PASEP apenas sobre as receitas correntes próprias e as transferências correntes e de capital recebidas do Estado, pois as transferências correntes e de capital recebidas da União são creditadas pelo seu valor líquido, já descontada a contribuição ao Pasep, conforme estabelece o art. 2º, § 6º, da Lei Federal nº 9.715, de 1998. 4) Alega que elaborava balancetes parciais de cada unidade vinculada, consolidandoos no balancete do Município, o que fez com que as transferências da administração aos órgãos vinculados figurassem contabilmente como receitas, gerando assim duplicidade. 5) Como o Município contribui para o Fundo de Previdência dos seus servidores (RPPS), o valor contabilizado em balancete específico da Instituição Previdenciária é também contabilizado como receita do Município, integrando indevidamente a base de cálculo do Pasep. 6) Sobre os repasses recebidos do Estado de Goiás, provenientes da participação no ICMS, é feita a dedução de 15% para ser destinada à formação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), cujo valor, ao ser distribuído ao Recorrente, constitui receita com finalidade específica, não podendo compor a base de cálculo do Pasep. 7) O valor da participação do Município nos tributos federais é transferido pela União ao Estado de Goiás, que, por sua vez, repassao ao Recorrente. Nessa transferência, já é feita a dedução do valor do Pasep, não cabendo sua inclusão na base de cálculo do Pasep devido pelo Município. 8) O Recorrente recebeu valores decorrentes de restituição de despesas pagas anteriormente, tendo contabilizado tais valores a título de Outras Restituições, não se constituindo como receita do Município e somente figurando no balancete para fins de controle contábil. Ao fim, anexou planilha denominada “Demonstrativo da Receita Mensal Realizada” (fls. 274/283), referente apenas aos meses de maio/2008 a dezembro de 2008, além da planilha denominada de “Resumo de Valores devidos Mensalmente” (fls. 284/285), Fl. 684DF CARF MF 4 referente aos meses de janeiro/2006 a dezembro de 2008, sem, no entanto, anexar qualquer documentação comprobatória do alegado na Impugnação. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acordão 0343.972 (fls. 580 e seguintes), exarado pela DRJ/DF, mantendo integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE DADOS EXTRAÍDOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. VALIDADE. É válido o lançamento, a partir de dados extraídos do sítio do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, para exigir contribuições para o Pasep que deixaram de ser recolhidas, mormente quando o contribuinte não apresenta os balancetes solicitados pela fiscalização nem apresenta, na fase de impugnação, provas cabais de sua inconsistência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: (a) Sobre a preliminar de nulidade pela ausência de informação quanto ao fato gerador: A uma porque o Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal da União, não determina que a autoridade fiscal indique o fato gerador, conforme se depreende da leitura do seu art. 10, verbis: (...) A duas porque o relatório fiscal de fls. 24 é parte integrante do auto de infração e esclarece com detalhes todo o procedimento fiscal realizado. (b) Sobre a preliminar de nulidade por ausência de capitulação legal válida A despeito das muitas alterações sofridas ao longo de mais de quarenta anos, inclusive pela própria Constituição Federal, a Lei Complementar nº 8, de 1970, subsiste, na medida em que se constitui no ato que instituiu a contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, ainda que sua atual destinação seja diversa. Também não macula de nulidade o lançamento pelo fato de o teor de determinada portaria ministerial não ser encontrada no sítio da Receita Federal, pois outros repositórios poderiam ser consultados. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 683 5 (c) Sobre a alegação de que as bases de valores utilizadas pela Fiscalização eram equivocadas (...) a contribuinte sustenta ainda que o Município tem a obrigação de recolher contribuições ao Pasep apenas sobre as receitas correntes próprias e as transferências correntes e de capital recebidas do Estado, pois as transferências correntes e de capital recebidas da União são creditadas pelo seu valor líquido, já descontada a contribuição ao Pasep, conforme estabelece o art. 2º, § 6º, da Lei nº 9.715, de 1998. Não obstante assistir razão à impugnante nesse ponto, cabe lembrar que a contribuinte não atendeu à intimação da fiscalização para apresentar os balancetes com valores mensais das receitas, relativos aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2008. Ao assim proceder o sujeito passivo, não restou à fiscalização alternativa senão a de utilizarse de dados extraídos do sítio do TCMGO (Portal do Cidadão), bem como de dados extraídos do sítio do Banco do Brasil, estes no que concerne às retenções efetuadas a título de Pasep. Vale dizer, o lançamento teve como pressuposto, além das receitas correntes, todas as transferências correntes e de capital recebidas da União e do Estado, descontandose a contribuição ao PASEP já retida. Alega também a impugnante que elaborava balancetes parciais de cada unidade vinculada, consolidandoos no balancete do Município, o que fez com que as transferências da administração aos órgãos vinculados figurassem contabilmente como receitas, gerando assim duplicidade, e ainda que o valor contabilizado em balancete específico da Instituição Previdenciária era também contabilizado como receita do Município, integrando indevidamente a base de cálculo do PASEP. Ora, repitase, a contribuinte teve a oportunidade durante a fiscalização de esclarecer esses aspectos de sua contabilidade, mas preferiu não atender à intimação fiscal. De todo modo, mesmo agora, na fase de impugnação, o sujeito passivo limitouse a elaborar uma planilha, que ele mesmo denomina “resumo”, na qual apenas informa para cada um dos trinta e seis períodos de apuração qual seria o valor da contribuição para o PASEP ainda devida. O somatório totaliza R$ 114.861,69, contra R$ 688.221,95 apurado pelo Fisco. (d) Sobre a alegação de que a Fiscalização deveriam efetuar descontos e exclusões da base de cálculo apurada É certo que a contribuinte também elaborou, para oito períodos de apuração, apenas para os meses de maio/2008 a dezembro de 2008, demonstrativos do que seria a sua receita mensal realizada. Ocorre que os referidos demonstrativos, além de não permitirem confirmar o alegado, padecem de vício grave na medida em consideram como parcela redutora os valores de Pasep retidos pelo Banco do Brasil, mas não incluem os valores das transferências correntes e de capital feitas pela União. Fl. 686DF CARF MF 6 Pelos mesmos motivos acima, não podem ser acolhidas as alegações de que o valor da participação do Município nos tributos federais IPI/Importação e CIDE já teriam sofrido anterior incidência da contribuição para o Pasep, bem como de que esta contribuição estaria incidindo sobre valores decorrentes de restituição de despesas pagas anteriormente. Por fim, também não assiste razão à impugnante quando sustenta que os repasses recebidos do Estado, provenientes da participação no ICMS, destinados à formação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), não poderiam compor a base de cálculo do Pasep por constituírem receitas com finalidade específica. Ora, referidos repasses se caracterizam indubitavelmente como recursos financeiros recebidos de pessoa jurídica de direito público destinados ao atendimento de despesas correntes ou de capital, razão pela qual estão sob o campo de incidência da contribuição para o Pasep, consoante estabelece o art. 67 do Decreto nº 4.524, de 2002 Por fim, a decisão reconheceu ter havidos recolhimentos não incluídos no cálculo do lançamento, decidindo pela imputação dos pagamentos ao valor total do auto de infração: Não obstante todo exposto, considerando que cabe à repartição de origem, promover a alocação dos pagamentos realizados pelo contribuinte, consoante extratos de fls. 213/247, voto no sentido de deferir parcialmente a impugnação apresentada, mantendose em parte o crédito tributário lançado, observada a não incidência da multa de ofício sobre os aludidos valores da contribuição pagos. Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 507 e seguintes) em 24.12.2016, reprisando os argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Das Preliminares Diante dos fatos narrados no Relatório, não entendo haver vício capaz de ser enquadrado no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 684 7 Conforme aduzido na decisão ora recorrida, o relatório fiscal faz parte da instrução do lançamento efetuado e havia clareza quantos aos fatos geradores ensejadores do crédito impugnado. Da mesma forma, não há como aceitar o argumento de que a Lei Complementar 8, de 1970, não fora recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, não merecendo prosperar a tese levantada pelo Recorrente, nego provimento às preliminares de nulidade suscitadas. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se resume, à definição da extensão da base de cálculo do PASEP e à possibilidade de o agente público se utilizar de outros documentos licitamente obtidos para efetuar o lançamento de ofício. Assim, irei examinálos a seguir. Sobre a base de dados utilizados pelo auditor fiscal A decisão recorrida foi muito clara e acertada em lembrar que “a contribuinte não atendeu à intimação da fiscalização para apresentar os balancetes com valores mensais das receitas, relativos aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2008”. De tal modo quem não poderia o contribuinte ser beneficiado com a inércia no cumprimento da intimação exarada pela autoridade fazendária, causandolhe embaraço – que, inclusive, poderia ser objeto de penalidade específica. Por outro lado, o Recorrente não se esforçou suficientemente em demonstrar qual seria a base de cálculo impugnada em nenhum do presente processo. Diante desse cenário, a Receita Federal pode lançar mão de outros meios para obter as informações necessárias para efetuar o lançamento de ofício, desde que obedecidos os preceitos do devido processo legal, inclusive aqueles previstos no Código Tributário Nacional, especialmente nos artigos 197 e 199: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; Fl. 688DF CARF MF 8 V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. (...) Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. Sobre a base de cálculo da Contribuição Social ao PASEP Embora instituída pela Lei Complementar 8, a base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original (a inserção data de 2013), de modo que não havia previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Frisese que, com relação à inteligência do artigo supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 685 9 de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Ainda, a Recorrente deseja ter os recursos destinados ao Fundo de Previdência Municipal e ao FUNDEB excluídos da base de cálculo. Em ambos os casos, não estamos falando de destinação a pessoa jurídica diversa. Em especial, lembramos que o FUNDEB foi instituído pela Lei Federal 11.494/20072, para alcançar a efetividade da obrigação prevista no artigo 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Portanto, o FUNDEB, é um fundo especial composto por recursos da União, dos Estados e dos municípios, tendo natureza meramente contábil, Não é, portanto, uma entidade dotada de personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Por fim, restando claro pelos autos que a fiscalização veio a deduzir da base de cálculo todas as retenções, não há o que se falar de exclusão adicional nesse ínterim. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo pretendidas pela Recorrente. 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. (...) I pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino; II pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. Art. 2º Os Fundos destinamse à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação, incluindo sua condigna remuneração, observado o disposto nesta Lei. Fl. 690DF CARF MF 10 Tiago Guerra Machado Relator Fl. 691DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.000202/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e que não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida.
CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO.
As pessoas físicas listadas na Relação de Co-Responsáveis - CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal - PAF.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO.
Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante registrado na contabilidade da empresa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando consta dos autos todos os elementos necessários à exteriorização das irresignações do sujeito passivo.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN.
À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicam-se as regras previstas no Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Para os casos em que não houver antecipação de pagamento deve-se observar a disciplina do art. 173, I do Codex Tributário.
REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VALORES ESCRITURADOS NA CONTABILIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Constatada a partir das demonstrações contábeis da empresa a existência de valores pagos a contribuintes individuais em relação aos quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, é lícito que a autoridade autuante proceda o lançamento respectivo.
Numero da decisão: 2402-006.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe parcial provimento, reconhecendo a ocorrência de decadência até a competência 12/2001, inclusive.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e que não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de CoResponsáveis CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal PAF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO. Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante registrado na contabilidade da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 02 /2 00 8- 26 Fl. 403DF CARF MF 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta dos autos todos os elementos necessários à exteriorização das irresignações do sujeito passivo. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicamse as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Para os casos em que não houver antecipação de pagamento devese observar a disciplina do art. 173, I do Codex Tributário. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VALORES ESCRITURADOS NA CONTABILIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Constatada a partir das demonstrações contábeis da empresa a existência de valores pagos a contribuintes individuais em relação aos quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, é lícito que a autoridade autuante proceda o lançamento respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e darlhe parcial provimento, reconhecendo a ocorrência de decadência até a competência 12/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1672.768, da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO (fls. 318/359), que julgou procedente em parte impugnação relacionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada sob o Debcad nº 37.010.1952, para a apuração de diferenças de contribuições sociais previdenciárias relativas a remunerações pagas a contribuintes individuais, no período de 02/1998 a 05/2002. Impugnação Em sede impugnatória, alegase, em síntese, que: a emissão e a remessa da notificação fiscal ocorreram em período não coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF e suas prorrogações; Não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte; o MPF teve seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 16/01/2007 foram postadas parte das Notificações fiscais, 5 (cinco) para um total de 18 (dezoito) com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 18/01/2007; as notificações fiscais não foram devidamente formalizadas até a data final do MPF, passaramse mais de 30 dias do vencimento do MPF e o contribuinte não as recebeu; a ação fiscal está viciada e é nula, posto que preterido o disposto na Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005 (arts. 12, 13 e 15); no período de fevereiro de 1998 a maio de 2002 a Impugnante remunerou prestadores de serviço pessoa jurídica e pessoas físicas contribuintes individuais; aos pagamentos dos contribuintes individuais correspondeu o pagamento de contribuições previdenciárias, de acordo com a Lei Complementar 84/96 até 02/2000, alíquota de 15%, e com alíquota de 20% a partir de 03/2000, conforme estabeleceu a Lei 9.876/1999; o relatório fiscal não se presta como documento para validar a presente notificação fiscal; lançamento fala de diferença de autônomos, mas não especifica quem seriam esses autônomos; é evidente o cerceamento da defesa, porquanto o, lançamento é totalmente omisso; os Auditores Fiscais não procederam à emissão de Auto de Infração, mas formalizaram lançamento como não declarado em GFIP; a partir de 01/1999 a todo lançamento de salário de contribuição não declarado em GFIP deve corresponder um auto de infração, nos termos do art. 32, IV da Lei nº 8.212/1991; Fl. 405DF CARF MF 4 a NFLD e o Auto de Infração devem ser julgados em conjunto e a Impugnação também deve ser efetuada no mesmo ato; no Auto de Infração e para a emissão da NFLD necessário se faz a nomeação dos autônomos ou contribuintes individuais, mês e mês e que não foram relacionados no RL – Relatório de Lançamentos; todos os pagamentos a autônomos e contribuintes individuais foram objeto de recolhimento; os valores constantes do DAD – Discriminativo Analítico de Débito, na coluna com ‘Créditos Considerados” estão incorretos; é necessário que a Fiscalização demonstre todos os fatos geradores das competências, os valores recolhidos e os valores não cobertos; no ano de 1998 não foi considerado nenhum crédito e no período seguinte os créditos considerados não estão corretos. Apresenta quadro com valores que diz ter declarado em GFIP e recolhido por meio de GRPS e GPS. Reproduz excertos doutrinários; a Lei n° 8.212/199, art. 28 § 9°, alínea “q”, não exigiu o cumprimento de dever instrumental para que a Impugnante pudesse ser beneficiada com o incentivo fiscal ali estatuído e nem estabeleceu a penalidade no descumprimento deste dever instrumental; em nenhum momento a auditoria fiscal demonstrou que os pagamentos de assistência médica são exclusivos dos dirigentes, não se anexando qualquer nota fiscal de prestador de serviços. Reproduz doutrina e jurisprudência; o lançamento é inadequado, porquanto não discrimina o salário de contribuição devido, o salário de contribuição reconhecido pelo contribuinte, a contribuição efetivamente recolhida e a diferença de recolhimento; a titulo de amostragem, na competência 01/1999 foi considerado crédito de R$ 6.831,88 quando o contribuinte impugnante recolheu R$ 271.983,05 e na competência 04/1999 foi considerado crédito de R$ 5.256,84 quando o contribuinte recolheu R$ 278.457,97; o ônus da demonstração da diferença a recolher é do Fisco, posto que o impugnante entende inclusive que recolheu valor a maior, tendo direito a restituição ou compensação; a cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários da Impugnante, que foi acrescida, com diferença de autônomos é absurda, não demonstrada de maneira alguma, e os créditos não foram considerados ou lançados apenas em parte; não é possível o arbitramento, considerandose que sequer foi emitido auto de infração por falta de apresentação de folha de pagamento com discriminativo dos segurados e a composição do salário de contribuição; não existe memória de cálculo, necessária a demonstração do salário de contribuição anterior, do novo salário de contribuição, com o limite de contribuição do segurado e os novos valores que foram lançados; não foram considerados os limites do salário de contribuição para os segurados com outros vínculos e salário base; não consta TIAD solicitando documentos específicos para as contas lançadas; o lançamento é nulo, tendo em vista tratarse de exação fiscal com arbitramento de contribuições de segurados contribuintes individuais; Fl. 406DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 4 5 não existem as condições para arbitramento, tendo em vista que sequer foi emitido auto de infração pela não apresentação de documentos relativos a folhas de pagamento de seus resumos, bem como escrituração contábil, apresentada inclusive em meio magnético; os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê o arbitramento das contribuições de contribuintes individuais; não se verificou a ocorrência da materialização do fato jurídico tributável no caso concreto; os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional contribuição do art. 21 da Lei número 8.212/91 não estão presentes nesta notificação fiscal de lançamento de débito. não ficou comprovada a materialidade da exação, com a nominação dos respectivos contribuintes, mês a mês, com a remuneração individual; é descabida a aplicação da multa de mora; é ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa Selic para o cômputo dos juros de mora; no caso concreto, a Fazenda Nacional perdeu o direito ao lançamento de créditos relativo a períodos a anteriores a 01/2002. Reproduz decisões administrativas; outro viício verificado na NFLD é quanto à imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário aos sócios e procuradores da empresa, o que não se pode aceitar, conforme estabelecido na Relação de Co Responsáveis que compõe a NFLD; o procedimento fiscal é nulo tendo em vista, conforme relatório fiscal, a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no art. 8º da Lei 10.666/2003 e é obrigação da fiscalização também apresentar ao contribuinte os arquivos digitais dos relatórios fiscal, conforme disposto no art. 663 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005. Reproduz decisões administrativas que diz fundamentar as razão trazidas na impugnação. Requer seja cancelada a NFLD lavrada e homologada a extinção do respectivo crédito tributário, excluídos da condição de coresponsável pelo pagamento do crédito tributário os sócios e procuradores arrolados na relação de coresponsáveis e deferidas as diligências que se fizerem necessárias, para fins de comprovação do exposto na impugnação. Protesta pela juntada de outros documentos fiscais que foram considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. Diligência O julgamento foi convertido em diligência (fl. 150) para esclarecimentos do Auditor Fiscal notificante quanto ao seguinte: o motivo do lançamento: se a folha de pagamento dos contribuintes individuais não foi apresentada ou se foi, se estava incompleta e, se julgar pertinente, a razão da diferença entre os créditos considerados; e Fl. 407DF CARF MF 6 o motivo de conta contábil 310106020030 Serviços Prestados Pessoa Jurídica ter sido considerada como remuneração de contribuintes individuais. Em atendimento à diligência demandada pela DRJ/SPO, foi emitida a Informação Fiscal de fls 204/226 segundo a qual: os pagamentos efetuados aos trabalhadores indicados no anexo Discriminativo Mensal das Bases de Cálculo foram apurados através do exame da escrituração contábil do contribuinte, por ele apresentada em meio digital; do confronto entre os totais mensais destes pagamentos e os valores recolhidos (GPS) apurouse a diferença de recolhimento; o contribuinte, solicitado a apresentar as folhas de pagamento de seus colaboradores autônomos, deixou de apresentálas, razão pela qual, em 22/12/2006, foi lavrado o auto de infração Debcad nº 37.066.6054 sobre os valores das remunerações, apuradas no exame da escrituração contábil, foram aplicadas as alíquotas de 15% , até o mês de fevereiro de 2000, de acordo com o inciso I do artigo 1 ° da Lei Complementar 84/1996, e de 20% a partir de março de 2000, conforme inciso III do artigo 22 da Lei n° 8.212/1991, com as alterações introduzidas pela Lei N° 9.876/99; no anexo “Guias de Recolhimento Apropriadas” estão indicados todos os recolhimentos efetuados pela empresa, relativos à unidade São Severo, CNPJ 62.461.140/000548; os documentos de números 2,7,13,17,22,27 e 28, por se referirem exclusivamente a importâncias recolhidas sobre folhas de pagamento, e o de número 32 por tratarse de recolhimento de importância devida em reclamação trabalhista, não foram abatidos das contribuições apuradas. Foram emitidos em conjunto com a Informação Fiscal os relatórios Discriminativo Mensal das Bases de Cálculo, Demonstrativo de Apropriação de Créditos, Guias de Recolhimento Apropriadas. Procedeuse à retificação do lançamento em razão de diferença verificada na contabilidade em relação à competência 05/2005 e de decadência em razão da aplicação da Súmula Vinculante do STF nº 08/2008. Cientificado da Informação Fiscal decorrente da diligência demandada pela DRJ/SPO, a contribuinte apresentou a manifestação quanto: a preclusão temporal do processo administrativo; prescrição e decadência; anulação do lançamento pela não demonstração de que os contribuintes individuais atuaram como segurados empregados Além disso, fezse considerações sobre questões trazidas na manifestação do Fisco. A DRJ/SPO considerou a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002 Ementa: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 5 7 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA. PRORROGAÇÕES. Inexiste previsão legal para ciência do sujeito passivo relativamente às prorrogações e complementação do Mandado de Procedimento Fiscal inicial, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento fiscal. A cientificação do lançamento ao sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA PARCIAL. Declarada pelo STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo de prescrição contase a partir da constituição definitiva do crédito, isto é, da data em que não mais se admita a Fazenda Pública discutir a seu respeito em procedimento administrativo. PRAZO PARA JULGAMENTO DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. INOCORRÊNCIA. O prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 tem natureza de prazo impróprio, não ensejando preclusão temporal a não emissão de decisão administrativa no referido prazo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. Fl. 409DF CARF MF 8 O anexo CORESP Relação de CoResponsáveis não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por ocasião do Recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação, além de outras alegações que serão reproduzidas e analisadas em conjunto com o voto que ora se apresenta. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Conhecimento O recurso é tempestivo, mas deve ser conhecido apenas parcialmente, eis que há matérias alheias à lide, além de alegações que não foram objeto de impugnação ou da decisão recorrida. De saída há que se esclarecer que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD não faz qualquer referência à isenção prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que trata de isenção tributária em relação a valores despendidos em benefício dos segurados para assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado. Do mesmo modo, não consta da NFLD nenhum lançamento de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nominada na peça recursal como SAT. Também não foram objeto de lançamento contribuições destinadas a outras entidade ou fundos, os denominados Terceiros, sendo absolutamente inoportunas as alegações da apelante a esse respeito. Referidas matérias também no foram suscitadas de impugnação ou na decisão recorrida. Ademais, com relação às alegações apresentada pelo contribuinte, dispõem o inciso III do art. 16 e o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da leitura dos dispositivos acima, vêse que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o recurso e os pontos de discordância que possuir o autuado deverão ser apresentados, via de regra na impugnação, admitindose que novas razões sejam trazidas no recurso voluntário somente quando essas se prestam a contrapor a decisão de primeira instância administrativa. Dessa forma, os argumentos insertos no recurso voluntário a respeito da isenção prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 e de contribuições para o SAT e Terceiros não serão objeto de análise por trataremse de matérias que não têm qualquer relação com o lançamento e, nesse último caso (contribuições para o SAT e Terceiros), de questões não suscitadas na impugnação ou na decisão recorrida. Fl. 411DF CARF MF 10 Coresponsáveis Sobre relação de coresponsáveis que integra o auto de infração, cabe esclarecer que esta tem por finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional CTN e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5° art. 2° da Lei n° 6.830/1980, in verbis: Art. 2° Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal [...] § 5° O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I – o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros. [...] Esclareçase que as pessoas físicas listadas na Relação de Coresponsáveis – CORESP não integram o pólo passivos da lide tributária. O auto de infração fora lavrado exclusivamente contra a pessoa jurídica, tendo o CORESP finalidade exclusivamente informativa, não atribuindo responsabilidade a que quer que seja, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Em razão disso, não conheço do pedido. Diligência Constam dos autos todos elementos necessários ao julgamento do feito fiscal, por essa razão indefiro a diligência requerida. Nulidades MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Infere a recorrente que o lançamento seria nulo, pois a emissão e remessa da NFLD teriam ocorrido em período não coberto por Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Outra questão aventada na peça recursal é que a ação fiscal não poderia ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação ao contribuinte. O MPF é documento emitido pela Administração para que o sujeito passivo, objeto de algum procedimento fiscal, seja intimado de que tal procedimento emana e será realizado por autoridade competente. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 7 11 O que se verifica no caso concreto é que o prazo previsto no MPF inicial não foi suficientes para a conclusão da ação fiscal, o que levou à emissão de MPF Complementares no sentido de prorrogar o período de fiscalização. O procedimento de prorrogação dos MPF é previsto na legislação e o fato de o contribuinte ser cientificado da prorrogação após terminado o prazo do MPF anterior não é razão para nulidade do lançamento. Segundo a recorrente, ao término de cada MPF imaginava que a ação fiscal havia sido encerrada sem qualquer lançamento e em seguida era surpreendida pela entrega do MPF Complementar. Ora, eventual prejuízo à recorrente decorreria da execução de uma ação fiscal não precedida de MPF, esta sim, situação que poderia ensejar nulidade. No entanto, os MPF existem e ao recebêlos à época em que foram apresentados, a reclamante tomou ciência de que o procedimento fiscal não havia sido encerrado o que permitiu que o Fisco continuasse os trabalhos de fiscalização, afastando qualquer alegação futura de prejuízo sob tal argumento. Tampouco se pode considerar que a ciência do lançamento efetuada após o prazo de encerramento do MPF seja motivo de nulidade, uma vez que a finalidade de existência do mandado já teria sido efetivamente cumprida. De resto, estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, não há que se falar em irregularidades no lançamento se foram seguidas as disposições legais pertinentes à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 660 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, vigente à época do lançamento. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o entendimento que tem prevalecido no âmbito deste Conselho é no sentido de que supostas irregularidades no MPF não ensejam nulidade do lançamento, conforme se depreende do Acórdão n° 9202003.956, de 22/04/2016, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Fl. 413DF CARF MF 12 Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades no procedimento fiscal, cabendo afastar a preliminar visto não se vislumbrar a nulidade alegada. ARBITRAMENTO Outra nulidade apontada na peça recursal diz respeito ao que a recorrente chama de “exação fiscal com arbitramento de contribuições de segurados contribuintes individuais”. Segundo infere: i) não existem as condições para arbitramento, tendo em vista que sequer foi emitido auto de infração pela não apresentação de documentos relativos a folhas de pagamento e seus resumos, bem como pela não entrega de escrituração contábil, apresentada inclusive em meio magnético; ii) a autoridade autuante não teria especificado o dispositivo legal que prevê o arbitramento das contribuições de contribuintes individuais. Sobre o arbitramento, o dispositivo a lhe dava respaldo era o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época lançamento: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] Notese que para que o Fisco se utilize do permissivo legal que respalda o lançamento por referida modalidade (arbitramento), é necessário que haja recusa ou sonegação de documento ou ainda sua apresentação deficiente. Acontece que o indigitado dispositivo não foi suscitado pela autoridade lançadora porque o lançamento não foi feito por arbitramento, mas sim com base nas diferenças de remunerações pagas a contribuintes individuais, devidamente registradas na contabilidade da empresa e sobre os quais não foram recolhidas as contribuições devidas. O Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.010.1952 (fls. 208/2009) identifica os códigos das contas contábeis de onde foram extraídos tais valores. Sem razão mais uma vez a reclamante. CERCEAMENTO DE DEFESA Reclama o sujeito passivo do conteúdo do Relatórios Fiscal, visto se tratar o lançamento de diferenças de contribuições de autônomos sem contudo relacionar esses autônomos. Queixase de informação contida no relato fiscal sobre levantamento extraído de Fl. 414DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 8 13 conta contábil que registra “Serviços Prestados Pessoa Jurídica”. Reputa lastimável a conduta da autoridade autuante de não efetuar lançamento em razão da não declaração de fatos geradores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, “nos termos do artigo 32, IV da Lei de Custeio”, o que teria cerceado seu direito de defesa. De início, é preciso esclarecer que os fatos geradores extraídos da conta contábil “Serviços Prestados Pessoa Jurídica” são referentes ao ano de 1999 e, por conseguinte, os lançamentos advindos desses registros contábeis foram excluídos da NFLD por virtude da decadência, não cabendo qualquer outra digressão a esse respeito. Os registros contábeis cujos valores remanesceram na autuação referemse, dentre outros, a valores pagos a título de honorários advocatícios e serviços prestados por autônomos, como se pode conferir no Discriminativo de fls. 208/209. Sobre a relação, mês a mês, dos contribuintes individuais, convém registrar que os documentos necessários para tal não foram apresentados pela recorrente que, ao que parece, imaginava que, ao não apresentálos, sairia ileso do lançamento da obrigação principal, sujeitandose apenas a auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Senão vejamos as asserções extraídas do apelo recursal nesse sentido: A não apresentação de folha de pagamento de contribuintes individuais, mesmo quando estes inexistem, propiciaria apenas o lançamento de auto de infração de obrigação acessória, não de obrigação principal, devendo no caso, a auditoria fiscal comprovar o pagamento e o trabalho de contribuintes individuais, que não poderiam ser deduzidos a partir das contas contábeis que deram suporte ao lançamento fiscal. Aliás, contrariando a legislação vigente, sequer foi emitido o auto de infração de obrigação acessória pela não apresentação da folha de pagamento da filial 05, conforme artigo 32, I da Lei 8.212/91. De se admirar o denodo da recorrente, de não somente imaginar, mas de sugerir no recurso voluntário que não apresentou folha de pagamento para prevenir o lançamento das contribuições empresariais incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais. É certo que uma vez não apresentada a folha de pagamento e nem elementos probatórios que pudessem infirmar os registros contábeis, as informações contidas nessas demonstrações são suficientemente hábeis à constituição do crédito tributário, diferentemente do que imagina o sujeito passivo. O que se tem aqui não é cerceamento de direito de defesa e sim uma ineficaz construção argumentativa da recorrente no intuito de se beneficiar de sua própria torpeza, o que não é admissível. Sobre a afirmação de que não foi emitido auto de infração por não apresentação de folha de pagamento. Não sei se por descuido ou se por pura aleivosia, a recorrente traz “informação” no recurso voluntário não condiz com a realidade. No procedimento fiscal em que foi lavrada a NFLD em análise, foi também emitido auto de infração por não apresentação de folha de pagamento e isso pode ser facilmente constatado a partir do Acórdão 2402001.714, de 11/05/2011, proferido por esta mesma Turma de Julgamento, nos autos do Processo nº 19515.000573/200827, o qual já inclusive transitou em julgado na esfera administrativa, e em desfavor da recorrente. A seguir, trecho do relatório de referido acórdão: Fl. 415DF CARF MF 14 Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 2), a empresa, embora intimada, deixou de apresentar a folha de pagamento dos trabalhadores autônomos. (Grifei) Sobre o cerceamento de defesa decorrente da hipotética omissão da autoridade autuante em não emitir auto de infração pela falta de informação acerca da remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, seria importante que a recorrente explicasse em que medida a conjecturada omissão do Fisco poderia ter lhe causado prejuízo se do processo ora analisado constam todas as informações e documentos necessários à exteriorização de suas irresignações. Sem essas explicações, as alegações recursais mostramse desprovidas de qualquer traço de lógica, o que impossibilita o seu adequado exame. E mais, a recorrente novamente desvirtua a verdade dos fatos quanto afirma não ter sido lavrado contra si auto de infração por não informação de fatos geradores em GFIP. De se asseverar que a “técnica” adotada pelo representante do sujeito passivo, de trazer aos autos informações que não encontram amparo na verdade dos fatos, em tudo reprovável no contexto da discussão jurídica, labora em desfavor de quem a utiliza por lançar em descrédito todos os demais argumentos de defesa. O auto de infração por não inclusão em GFIP, de parte dos valores pagos segurados a serviço da empresa, foi lavrado no mesmo procedimentos fiscal em que se constituiu o crédito tributário que aqui se discute e será também analisado na presente sessão de julgamento. Tratase do Processo nº 35366.000566/200751, de cujo o Anexo IV ao Auto de Infração (fl. 33 daquele processo) constam as informações que abaixo se reproduz: 3 AUTÔNOMOS As folhas de pagamento dos trabalhadores autônomos não foram apresentadas pela empresa, razão pela qual contra a empresa foi lavrado o auto de infração 37.066.6054. A apuração dos valores baseouse no exame da escrituração contábil, disponibilizada pela em empresa em meio digital, conforme disposto no artigo 8 da Lei 10.666, de 08/05/2003. Dos totais mensais apurados — especificamente no exame das contas abaixo discriminadas foram deduzidos os valores declarados em GFIP e os valores identificados na D1RF ( salários tipo 1 e tipo 2 ). Sobre a diferenças apuradas aplicadas as alíquotas de contribuição de 15% ( até fev/2000 ) c de 20% ( meses posteriores a fev/2000). Segue anexo "consolidação mensal dos salários não incluídos em GFIP". Sobre a suscitada nulidade em razão de o sujeito passivo não ter recebido os arquivos da fiscalização em meio digital, também não vejo no que essa suposta ocorrência possa ter ocasionado qualquer um tipo de prejuízo, eis que todos os documentos relacionados Fl. 416DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 9 15 ao lançamento foram disponibilizados à recorrente, possibilitandolhe o pleno exercício à ampla de defesa e o contraditório. Por todas essas razões, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. Decadência Com relação à decadência, verificase que, no caso em apreço, o lançamento foi realizado com fundamento no art. 45 da Lei nº 8.212/1991, segundo o qual prazo decadencial das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08, estendo os efeitos da decisão aos contribuintes em geral. A seguir, transcrevese a parte final do voto que decretou a inconstitucionalidade das mencionadas disposições legais e o intero teor da Súmula Vinculante: Parte final do voto condutor da decisão do STF Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Os efeitos da Súmula Vinculante encontramse previstos no artigo 103A da Constituição Federal: Art. 103A O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, Fl. 417DF CARF MF 16 após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. O dispositivo constitucional foi regulamentado pela Lei n° 11.417/2006 que estabelece os contornos a respeito da edição, revisão e do cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal. Em face do texto constitucional e da Lei nº 11.417/2006, temse que a partir da publicação na imprensa oficial do enunciado da Súmula Vinculante nº, 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados à sua aplicação. Em razão disso e, uma vez afastado por inconstitucionalidade o art. 45 da Lei n° 8.212/1991, cabenos então verificar a regra inscrita no Código Tributário Nacional CTN aplicável ao caso concreto, se seu art. 150, § 4º ou art. 173, I. Abaixo reproduzidos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Sobre a regra de decadência aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, proferida no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, e portanto de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em virtude do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, é no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 418DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 10 17 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 419DF CARF MF 18 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifos do original) O REsp 766.050/PR encontrase entre os precedentes da decisão consubstanciada no REsp 973.733/SC e tem seu entendimento transcrito no repetitivo do STJ. Segundo esse entendimento, (...) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador” (...) Assim, com base nos nas disposições contidas no CTN, o STJ esclareceu que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo das contribuições previdenciárias, o art. 173, I aplicase nas seguintes situações: a) caso não tenha havido antecipação de pagamento; b) nas situações em que se verificar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e c) na ausência de declaração prévia do débito. De modo distinto, ocorrendo pagamento antecipado, ainda que em montante inferior ao devido, a regra decadencial a ser considerada é o § 4º do art. 150 do CTN, a menos se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação ou, caso o pagamento tenha sido efetuado após a adoção, pelo Fisco, de regras preparatórias ao lançamento. Sobre a ocorrência de pagamento antecipado, a Súmula CARF nº 99, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, esclarece: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vejase que a Súmula CARF nº 99 é clara no sentido de que, para as contribuições previdenciárias, o pagamento antecipado restará caracterizado no caso de recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado devido na competência do fato gerador a que se referir a autuação, “mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. No caso concreto, o sujeito passivo foi cientificado da NFLD em 27/01/2007 (vide Aviso de Recebimento – AR da NFLD de fl. 366). Desse modo, a depender do dispositivo do CTN em que se enquadrar o lançamento, ou parte dele, considerandose que o Fl. 420DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 11 19 fato imponível das contribuições previdenciárias, via de regra, considerase perfectibilizado no último dia de cada mês, teremos uma das seguintes situações: art. 150, § 4º (com base no qual o lançamento pode ser efetuado em até 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador): o lançamento pode abranger fatos geradores ocorridos a partir do 01/2002; e art. 173, I (prazo decadencial contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado): a NFLD alcança fatos relativos às competências a partir de 12/2001, tendo em vista que o prazo para o pagamento das contribuições relacionadas à competência 12/2001 somente vence no mês 01/2000, ou seja, a decadência de opera em relação às competências até 11/2001. O quadro constante do Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fl. 204/207) demonstra as competências e os levantamentos que permaneceram no lançamento após a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF pelo Fisco: Mês lançamento Principal Juros Multa Total 12/2001 AU2 8.016,50 6.824,45 2.404,95 17.245,90 01/2002 AU2 161,35 135,34 48,41 345,10 01/2002 AU3 6.706,28 5.625,23 1.005,94 13.337,45 02/2002 AU3 4.913,46 4.954,10 737,02 10.604,58 03/2002 AU3 4.711,83 3.818,00 706,77 9.236,60 04/2002 AU3 2.136,69 1.701,23 320,50 4.158,42 05/2002 AU3 2.420,27 1.894,83 363,04 4.678,14 Total 29.066,38 24.953,18 5.586,63 59.606,19 Dessarte, considerandose que para os levantamentos que remanescem na NFLD (AU2 e AU3) houve o recolhimento de contribuições patronais relativas a contribuintes individuais, conforme se verifica dos relatório “DAD Discriminativo Analítico de Débito” (fls. 9/15), RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 28/33) e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apropriados (fls. 34/43), o dispositivo aplicável ao caso é o art. 150, § 4º do CTN, o que nos impõe reconhecer que também a competência 12/2001 restou fulminada pela decadência. Neste ponto, dou provimento ao recurso voluntário Mérito Antes iniciar a análise das questões de mérito, convém prestar alguns esclarecimento acerca de alegações contidas no apelo da recorrente. Não serão feitas considerações sobre fatos geradores já declarados decadentes, visto se tratar de matéria fora do contexto do litígio. Primeiramente, compete noticiar que o Processo nº 14485.000203/200871, NFLD lavrada sob o Debcad nº 37.010.1960, não tem qualquer relação com o presente feito fiscal, posto tratarse de situação em que houve caracterização do vínculo empregatício dos segurados considerados pela recorrente como contribuintes individuais. Assim, embora aquele PAF também integre a pauta de julgamento desta sessão, não há conexão entre este processo e aquele, não havendo necessidade de julgamento conjunto. Fl. 421DF CARF MF 20 De outra parte, o relatório de fls. 208/209 (que detalha os registros contábeis de onde foram extraídos os valores objeto de autuação) mostra a impertinência das alegações recursais de que as contas contábeis que deram respaldo ao lançamento tratamse de registros que se referem a pagamentos de pessoas jurídicas: Ainda sobre esse assunto, o fato de tais valores não terem sido incluídos em DIRF, como sugere o recurso, somente evidencia o cometimento de mais uma infração à lei tributária. A respeito da propalada inobservância do limite sobre o qual podem incidir as contribuições previdenciárias, os lançamentos aqui discutidos referemse a contribuição devida pela empresa e, nesse caso, a base de cálculo da contribuição não está sujeita ao limite máximo do saláriodecontribuição dos contribuintes individuais, pois o tributo incide sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a esses segurados (Lei nº 8.212/1991, art. 22, inciso III). Inexiste, pois, a necessidade de qualquer comprovação no sentido de que tais limites teriam ou não sido considerados, tampouco que os segurados teriam outros vínculos além daquele estabelecido com a empresa autuada. No que concerne à obrigação do Fisco em relacionar, mês a mês, os contribuintes individuais em relação aos quais foram efetuados os lançamentos, esclareceuse alhures que essa tarefa mostrouse impossibilitada pela recusa da contribuinte em apresentar os documentos necessários para tal. De todo modo, restou evidenciado que os lançamentos foram regularmente efetuados com base na escrita contábil da empresa a qual não foi desconstituída no decorrer do processo administrativo fiscal. Ressaltese, por necessário, que se não houve questionamento quanto a escrituração dos fatos geradores das contribuições previdenciárias em títulos próprios porque a autoridade fiscal considerou que os lançamentos contábeis estavam corretos, tanto assim que utilizou os valores contabilizados para a determinação da base de cálculo do tributo. De mais a mais, o art. 12 da Lei nº 8.212/1991 estabelece serem contribuintes individuais quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. O inciso III do art. 22 da mesma lei define a forma de cálculo da contribuição das empresas que contratam esse tipo de segurado: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Vejase que, com base em referidos dispositivos legais a autoridade autuante, ao se deparar com valores registrados na escrita contábil da empresa, sobre os quais não haviam sido recolhidas as contribuições devidas, efetuou o lançamento nos estritos termos da lei. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 12 21 Registrese que as contribuições lançadas à luz da Lei Complementar nº 84/1996 foram excluídas do lançamento por terem sido fulminadas pela decadência. Quanto aos erros que a recorrente diz existir no DAD – Discriminativo Analítico de Débito, não vislumbro sua ocorrência. O Discriminativo Mensal das Bases de Cálculo (fls. 208/209) evidencia o total devido a título de contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, o quantum efetivamente recolhido (devidamente apropriado no DAD) e a diferença apurada (contribuição não recolhida). Observese que os valores destacados no recurso voluntário são exatamente os mesmos apresentados pelo Fisco por meio do “conta corrente” da empresa (fl. 210) e detalhados a partir das Guias de Previdência Social GPS de fls. 210/225. É evidente que de referidas GPS consta tudo aquilo que fora pago pela empresa a título contribuições previdenciárias, tendo sido apropriado no lançamento somente as quantias referentes a contribuições empresarias incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais. Há ainda a afirmação recursal de que o “Acórdão de Impugnação, mormente no item 3 fls. 14 é claro no sentido de que não foram apropriadas guias de recolhimento que referiamse à folha de pagamento”. Cabe mencionar que, nessa parte, a decisão fustigada somente reproduz em seu relatório elementos trazidos na Informação Fiscal decorrente de diligência demandada pelo colegiado a quo. Não há no citado item 3 qualquer juízo de valor a respeito de apropriação de GPS no lançamento. Além do que, a informação prestada pelo Fisco é de que as GPS nº 2,7,13,17,22,27 e 28 (constantes do anexo “Guias de Recolhimento Apropriadas”) não foram abatidas do lançamento por se referirem exclusivamente a folha de salários de empregados (o que pode ser facilmente constatado na comparação entre os valores declarados em GFIP e recolhidos por meio de GPS). Do mesmo modo, o documento de nº 32 também não foi apropriado por se tratar de recolhimento relativo a reclamatória trabalhista, cujo código de recolhimento é inclusive diverso daquele alusivo das contribuições em geral. Sem razão a recorrente quanto ao mérito. Decisões Administrativas e Doutrina Relativamente às decisões administrativas exaustivamente transcrita no apelos da contribuinte, há que se dizer que essas se aplicam às partes envolvidas nas lide a que se referem e que, por terem sido adotadas em contextos fáticos diversos, não acodem à recorrente. O mesmo se aplica à doutrina suscitada. Fl. 423DF CARF MF 22 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a ocorrência de decadência até a competência 12/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904383/2012-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
Numero da decisão: 3002-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 43 83 /2 01 2- 81 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 12.111,34, relativos ao período de apuração setembro/2011, com débitos de CSLL. O Per/Dcomp foi transmitido em janeiro/2012 (fls. 2 a 6). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a DRF/São José do Rio Preto decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, preliminarmente, nulidade do despacho decisório por falta de motivação e cerceamento de defesa e, em relação ao mérito, que teria direito à compensação por ter recolhido a contribuição sobre base de cálculo alargada, cuja inconstitucionalidade já havia sido reconhecida pelo STF. Por fim, requereu o direito à apresentação oportuna de provas, por motivo de força maior (fls. 10 a 23). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração, peças de identificação dos procuradores e contrato social (fls. 24 a 50). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 54.620 (fls. 55 a 63), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista a inocorrência das nulidades alegadas e, também, a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/10/2011 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 4 3 Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.§ 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo plenário do STF, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543B do CPC, e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº 1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir em suas decisões o entendimento adotado pelo STF, ou seja, que o PIS/Pasep e a Cofins devem incidir somente sobre o faturamento, escapando da incidência dessas contribuições as demais receitas. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 5 4 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 05/12/2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 69, e protocolizou seu recurso voluntário em 05/01/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 70. O recurso voluntário é cópia da manifestação de inconformidade, apenas com alguns endereçamentos atualizados, ao qual se juntou os mesmos documentos contratuais e de representação (fls. 71 a 93). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Alega a recorrente nulidade da decisão da DRJ/RPO por ausência de análise do direito da recorrente ao crédito e de motivação da decisão, o que acarreta a preterição do seu direito de defesa e a consequente nulidade do ato, nos termos do art. 59 do PAF. Ainda, o cerceamento de defesa também se manifestou pela ausência de intimação para que a empresa esclarecesse os motivos de seu pedido de compensação. A mera leitura da ementa do Acórdão DRJ já demonstra, sem sombra de dúvida, que todas as alegações da recorrente foram consideradas e que a decisão encontrase claramente fundamentada. Nela são abordadas oito matérias, todas extensamente desenvolvidas no voto, entre preliminares de nulidade à preclusão para a produção de provas, diligência, força probatória da DCTF, inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ônus probatório nos pedidos de compensação e liquidez e certeza na compensação de tributos. A alegação de falta de análise e de motivação da decisão da DRJ está totalmente desconectada da realidade. Em tendo a referida decisão sido lavrada por autoridade competente e tendo considerado todos os argumentos arguidos pelo contribuinte, não cabe falar em nulidade da decisão por descumprimento do art. 59 do PAF, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 6 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao eventual cerceamento de defesa por ausência de intimação para que a empresa esclareça suas razões de pedir, tenta a recorrente inverter o ônus da prova que lhe cabe. Tratase de matéria pacífica que a demonstração da certeza e liquidez, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) O contribuinte teve duas oportunidades para apresentar suas razões e provas, mas nada fez, sendo completamente descabido falarse em cerceamento de defesa quando o que se constata é apenas inércia de sua parte. Assim, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Mérito O contribuinte alega que teria direito à compensação por ter se utilizado de uma base de cálculo alargada na apuração da Cofins, na qual foram incluídas receitas que não a deveriam ter integrado, como se tal fato tivesse sido fundamento de decidir no Acórdão de primeira instância. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins é decisão definitiva do STF, em julgamento afetado pela repercussão geral, o que a torna vinculante para este Colegiado por força de Regimento Interno do CARF. Quanto a esse ponto, é de se ressaltar que não houve qualquer divergência ao longo deste processo, pois essa questão jamais foi trazida pela Administração Fazendária como fundamento para a não homologação do crédito. Ao contrário, na ementa do Acórdão da DRJ consta o reconhecimento de vinculação da Receita Federal à decisão do STF. Assim, tratase de alegação descabida. Dessa forma, temse que o ponto central desta lide reside na ausência de demonstração, pelo contribuinte, do seu alegado direito creditório. Não está a Fazenda autorizada a restituir ou a compensar um crédito pleiteado pelo contribuinte que esteja em contradição com sua própria declaração de débitos perante a Receita Federal e que não esteja amparado por nenhuma documentação que demonstre a ocorrência de erro. No caso em tela, a DCTF jamais foi retificada, permanecendo em desacordo com a declaração de compensação, e nenhum documento foi juntado com o intuito de demonstrar que haveria algum erro a ser corrigido. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 7 6 A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, e sua eventual retificação deve vir acompanhada por suporte probatório, como dispõe o CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) A isso se some, com igual importância, que a compensação somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Dessa forma, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo, regra geral, é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 8 7 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Não obstante a clareza do dispositivo, nenhum preceito foi atendido. Ao longo deste processo, o contribuinte se limita a repisar os mesmos argumentos, ao mesmo tempo em que alega cerceamento de defesa. Nos §§ 4º e 5º do art. 16 do PAF, acima transcritos, estão explicitadas as hipóteses em que, mediante petição fundamentada, podese aceitar a apresentação de prova documental após a manifestação de inconformidade: quando impossível a sua apresentação oportuna, por força maior; quando se refira a fato ou direito superveniente; ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. O contribuinte não realizou o mínimo esforço para produzir provas do seu direito, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, apenas repetindo o pedido para vir a produzilas em momento posterior, por motivo de força maior, sem explicar que força maior o haveria impedido de desempenhar o papel que lhe cabia na contenda. A alínea “a” do § 4º dispõe de forma clara que a prova documental pode ser apresentada após a impugnação quando ficar demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior. A mera alegação, sem quaisquer esclarecimentos ou evidências, não se presta a demonstrar nada. Em não se configurando que a recorrente foi impossibilitada de apresentar provas por motivo de força maior, está precluso do direito de produzilas. Da mesma forma, Tendo em vista a omissão do contribuinte em todas as fases processuais e a ausência de justificativa sobre essa omissão, determinar diligência neste momento, como requerido, estendendo por tempo indefinido este julgamento, significaria prolongar esta lide sem motivação legal. Concluise que a recorrente não demonstrou o seu direito ao crédito e que está configurada a preclusão para a produção de provas, uma vez não demonstrada a ocorrência da exceção prevista na alínea “a” do § 4º do art. 16 do PAF. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 9 8 Fl. 103DF CARF MF
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