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Numero do processo: 10954.000049/2004-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA.
Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 49 /2 00 4- 89 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10954.000049/200489 Acórdão n.º 9303005.933 CSRFT3 Fl. 344 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3403001.596, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS REGIME NÃOCUMULATIVO CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da PIS NãoCumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativos ao terceiro trimestre de 2004, e Declarações de Compensações Dcomps eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações e Despacho Decisório, os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte. A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente na decisão de primeira instância. A 3ª TO da 4ªCâmara da Terceira de Julgamento do CARF, assim decidiu: (i) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10954.000049/200489 Acórdão n.º 9303005.933 CSRFT3 Fl. 345 3 aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; e (ii) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência em relação ao conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, questionando o direito creditório relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS. Enquanto a Egrégia Turma aplicou uma interpretação própria para o termo “insumo” na legislação de PIS e COFINS para fins de creditamento, ao admitir que movimentação e descarga de carvão, movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria são passíveis de gerar crédito da contribuição, porque estes bens se enquadrariam no conceito de "insumo", os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, empregando um alcance mais restritivo do termo “insumo”, que guardaria correspondência com o obtido da legislação do IPI. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. Os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o Fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10954.000049/200489 Acórdão n.º 9303005.933 CSRFT3 Fl. 346 4 embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a nãocumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10954.000049/200489 Acórdão n.º 9303005.933 CSRFT3 Fl. 347 5 Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê, que demandam intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo (minério de quartzo, carvão mineral, cavaco, material lenhoso, tijolos, argamassa e tubos). Constam nos autos diversas notas fiscais de empresas que prestaram serviços de (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Também consta do laudo técnico apresentado informação que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério. Em atendimento ao já referido conceito intermediário de insumo, dentro do critério da essencialidade, considero que tanto as matériasprimas e produtos intermediários utilizadas no processo produtivo do silíciometálico e da SilicaFumê, ou seja, o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, argamassa e tubos, quanto os serviços vinculados a tais itens, ou seja, o serviço de carregamento e descarga de carvão, a movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria, são considerados como insumos do processo produtivo. Geram, portanto, direito a crédito na sistemática nãocumulativa das contribuições. Assim, considerase como insumo, por se tratar de gastos incorridos essenciais e diretamente ligados ao processo produtivo, os serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de dispêndios compreendidos na despesa operacional da Recorrida, necessárias para a regular execução de sua exploração mineral e fabricação do silíciometálico e da SilicaFumê, nas diversas etapas de produção. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobre as despesas incorridas acima relacionadas, no mesmo sentido que decidiu o julgador a quo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.019245/2009-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 92 45 /2 00 9- 53 Fl. 372DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2302003.047 que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as verbas pagas a título de "Abono de Férias" recebidos nos moldes dos artigos 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, por estarem ao abrigo das excludentes do salário de contribuição, conforme artigo 9º, letra "e", item 6 da Lei n.º 8.212/91. Quanto à multa, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso, devendo ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida, na parte que nos interessa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. A Fazenda trouxe como paradigmas: Acórdãos 230100.283 e 240100.120, requerendo: seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O Contribuinte, intimado apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 9202006.644 CSRFT2 Fl. 373 3 Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 04/12/2009, de contribuições previdenciárias relativas à cota do segurados empregado incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de “ABONOS”, no período de 01/2006 a 12/2007. Referese, também às contribuições relativas à cota do segurado contribuinte individual incidentes sobre valores pagos em reclamações trabalhistas, no mesmo período, AIOP nº. 37.237.7734. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes todos os requisitos de tempestividade e divergência fática suficiente para conhecimento do presente. No mérito, a discussão cingese à controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 374DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 9202006.644 CSRFT2 Fl. 374 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 376DF CARF MF 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 9202006.644 CSRFT2 Fl. 375 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 378DF CARF MF 8 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 9202006.644 CSRFT2 Fl. 376 9 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso para determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904217/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 17 /2 01 2- 72 Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10746.904217/201272 Acórdão n.º 3301004.297 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.866, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.591. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10746.904217/201272 Acórdão n.º 3301004.297 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10746.904217/201272 Acórdão n.º 3301004.297 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10746.904217/201272 Acórdão n.º 3301004.297 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 977DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901844/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 18 44 /2 00 8- 19 Fl. 463DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 24058.69584.150205.1.7.040279. (efls. 02/06) através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ estimativa nov/2004, R$ 7.054,63) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (nov/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775572791 (efl. 05), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório atestando que os pagamentos relacionados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13), em que alegou que: "... houve lapso do responsável pelo preenchimento que solicitou a compensação de darf recolhido ou seja Pagamento Indevido ou a Maior, apurado em 30 de novembro de 2003, código 5993, valor R$ 6.984,78 (seis mil, novecentos e oitenta e quatro reais e setenta e oito centavos, recolhida em 30 de dezembro de 2003. O Correto é Saldo negativo do Imposto de Renda R$ 9.651,01 valor principal R$ 7.054,63 saldo do crédito R$ 2 . 596, 38..".. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 14 36.628 6 ª Turma da DRJ/RPO, e fl. 90/95) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis confirmando o direito ao crédito. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ, o saldo negativo de IRPJ apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações do IRPJ devido nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de IRPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/10/2012 (efl. 92) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/11/2012 (efl. 94), através da qual anexa documentos no intuito de garantir a veracidade do crédito. Defende que: Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10865.901844/200819 Acórdão n.º 1001000.534 S1C0T1 Fl. 464 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação manifestação de inconformidade, efls. 12/13) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações Fl. 465DF CARF MF 4 prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10865.901844/200819 Acórdão n.º 1001000.534 S1C0T1 Fl. 465 5 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo o § 5º transcrito, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Neste sentido, e em caso que se referia a restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos Fl. 467DF CARF MF 6 hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10865.901844/200819 Acórdão n.º 1001000.534 S1C0T1 Fl. 466 7 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: Fl. 469DF CARF MF 8 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10865.901844/200819 Acórdão n.º 1001000.534 S1C0T1 Fl. 467 9 Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. Fl. 471DF CARF MF 10 De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10865.901844/200819 Acórdão n.º 1001000.534 S1C0T1 Fl. 468 11 assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Fl. 473DF CARF MF 12 Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.011398/2008-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 13 98 /2 00 8- 84 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal lavrada em face do contribuinte acima qualificado, relativa ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2005, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no montante de R$ 6.916,45, acrescidos de juros de mora e mais multa de ofício de 75%. O crédito tributário guerreado resultou da revisão fiscal da Declaração de Ajuste Anual – DAA do período, em que, conforme consta no demonstrativo denominado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, integrante da Notificação Fiscal (fl.07), a fiscalização glosou R$25.150,74 do valor das despesas médicas deduzidas na DAApara a apuração da base de cálculo do IRPF, vez que as considerou indevidas por falta de comprovante e, em outros casos, comprovante sem formalidade do endereço. Cientificado da Notificação de Lançamento, em 27/08/2008, o contribuinte apresentou, em 29/09/2008, impugnação tempestiva alegando que cuidou de entrar em contato com os profissionais da saúde para suprir a exigência legal, listando, em seguida, os endereços de Marluce do Amaral Menezes, Jorge Luiz P. Soares e Marilea A. M. Pereira. Assim sendo, na análise da impugnação do Contribuinte pela DRJ Rio de Janeiro II, esta manteve a glosa de despesas médicas por entender que não atendiam ao quanto determinado pela lei para a devida dedução. Paralelamente, foi acrescida a informação de que deveria ser apreciado pela unidade de origem, o processo em apenso, de nº 10730.001961/201110. O processo apenso foi formalizado em 17/02/2011, tendo sido requerida a revisão da declaração de imposto de renda pessoa física ano calendário 2005, exercício 2006. Em síntese, o Contribuinte alega fazer jus à isenção prevista na Lei nº 7.713/1988, desde 22/11/2002. Com o objetivo de comprovar sua condição de aposentado, apresenta ato da Secretaria de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, publicado no diário oficial em 1993, declarando sua aposentadoria, além da publicação ilegível, do Jornal O Fluminense de 13/12/2003, da Fundação Municipal de Saúde de Niterói, onde consta seu nome. Quanto às demais fontes, não há outros documentos além dos comprovantes de rendimentos. A MF/SRFB/SRRF07/SECAT/DRF/Niterói passou a analisar a questão da admissibilidade da revisão de ofício no presente caso, em conformidade com o que estabelece o artigo 145, do Código Tributário Nacional, que alia esta possibilidade, aos requisitos exigidos pelo artigo 149 do mesmo diploma legal. Segundo a SRFB, de acordo com o que dispõe o Parágrafo único, do artigo 149, do Código Tributário Nacional, a revisão do lançamento só poderá ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Considerando que se estava diante de discussão que envolve rendimentos auferidos no ano de 2005, nenhum valor eventualmente devido poderia ser objeto de novo lançamento, após janeiro de 2011, razão pela qual, incabível iniciar uma revisão de ofício. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10730.011398/200884 Acórdão n.º 2001000.065 S2C0T1 Fl. 3 3 Assim, por entender que se encontrava fulminado pela decadência o direito de a Fazenda Pública efetuar novos lançamentos, relativos aos rendimentos auferidos no ano de 2005, constatase que o pedido ora em análise não dava ensejo à revisão de ofício do lançamento. Portanto, não foi efetuada nenhuma alteração em relação ao resultado do julgamento da DRJ, cuja conclusão foi pela improcedência da impugnação. No momento da apresentação do Recurso Voluntário, o contribuinte, preliminarmente, suscita a nulidade do julgamento do processo até o final do julgamento do processo em apenso, ou suspensão da exigência do pagamento do imposto cobrado no processo. No mérito, sustenta que a RFB o intimou para informar os endereços que não constaram dos recibos, o qual foi integralmente atendido. Sendo assim, suplica, ao final, que preliminarmente se anule ou suspenda o acórdão recorrido até o julgamento do processo apenso ou que se reforme o acórdão recorrido para determinar nova notificação ao Recorrente para que apresente as declarações mencionadas no acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar – nulidade e/ou suspensão A sentença poderá ser considerada nula em situações como falta de assinatura do juiz, falta de especificação dos fundamentos de fato e de direito que justificam a decisão, quando o juiz deixe de pronunciarse sobre questões que devesse apreciar ou conheça de questões de que não podia tomar conhecimento, dentre algumas outras hipóteses práticas que evidenciem falta de cumprimento de normas jurídicas ou princípios fundamentais do direito. Já no que se refere à suspensão do processo, deve ocorrer quando verificase a morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador; a convenção das partes; arguição de impedimento ou de suspeição; admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; quando a sentença de mérito: depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, Fl. 70DF CARF MF 4 requisitada a outro juízo; por motivo de força maior; quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo; nos demais casos que CPC e legislação extravagante regulam. Tendo em vista que o presente caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade ou suspensão do processo de acordo com norma processual civil, entende esse juízo que deve ser analisado o mérito da questão. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos médicos, com identificação clara do beneficiário do tratamento, especificação do serviço prestado, e na maioria com a informação detalhada do endereço do local da prestação. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Salientese que os fatos que ensejam dedução da base de cálculo do imposto devem ser devidamente comprovados com elementos Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10730.011398/200884 Acórdão n.º 2001000.065 S2C0T1 Fl. 4 5 que não deixem margem a dúvida quanto existência do direito do contribuinte. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Em vista disto, não é de se considerar a simples informação dos endereços dos profissionais de saúde, dada pelo próprio interessado na impugnação, como prova bastante dos alegados endereços. No caso em pauta, o documento hábil para sanar a falta do endereço dos prestadores nos recibos por eles emitidos seria uma declaração de cada profissional, devidamente assinada, prestando a informação faltante e ratificando aquelas contidas nos recibos glosados. Diante do exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário, devendo o presente processo ser encaminhado à Unidade de Origem para a manifestação sobre o de nº 10730.001961/201110 a este em apenso. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a boafé e a intenção do contribuinte, ora Recorrente, em comprovar todas as suas despesas, em contribuir para o esclarecimento e inclusive a sua atitude proativa em aclarar a sua situação de aposentado por doença grave, conforme resta detalhado no processo em apenso a este. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Tendo em vista que os limites desta lide, ora em questão, estão circunscritos à comprovação de despesas médicas e ao pedido de apresentação de declarações dos prestadores de serviços, a fim de desconstituir a glosa das despesas, e consequente crédito tributário, entendo que são perfeitamente razoáveis e em consonância com a verdade material os pedidos do Recorrente. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar, e no mérito, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar a juntada das declarações supra mencionadas, pleiteadas pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 72DF CARF MF 6 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.901020/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 48912854 emitido eletronicamente em 04/04/13, referente ao PER/DCOMP nº 24770.88653.280110.1.3.046800. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, no valor de R$ 251.138,67, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/08, no valor de R$ 792.780,38. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 01 02 0/ 20 13 -3 7 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que apurou saldo de IRPJ (lucro presumido) no valor de R$ 792.780,38, recolhido em Darf, em 31/01/2008. que equivocadamente informou a existência do crédito decorrente de IRPJ, no valor original de R$ 630.400,42 quando o valor correto era R$ 792.780,38. que transmitiu inicialmente dois PerDcomp, um homologado totalmente e o outro parcialmente, conforme extrato de sua impugnação, fl. 4. Em seguida, indaga: “se foi reconhecido por homologação o pagamento indevido/a maior da Requerente no montante de R$ 792.780,38, sendo utilizado desse crédito somente a quantia de R$ 396,63, sobrando um saldo remanescente de R$ 792.383,76, como esse não foi suficiente para o pagamento de um débito de R$ 227.624,30 disposto no Despacho Decisório aqui guerreado?”. Requer a reavaliação do Despacho Decisório”. A Manifestação de Inconformidade fora julgada improcedente por unanimidade de votos, como denota a ementa do Acórdão n º 02065.700 a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os motivos invocados pela DRJ foram os seguintes, verbis: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: Pagamento de parte dos débitos discutidos, conforme tabela abaixo: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 5 4 No anocalendário de 2007, a Recorrente adotou a apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido trimestral, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/1996. Assim, ao final de cada período de apuração trimestral, a Recorrente apurou o recolheu o IRPJ devido, conforme estabelece a legislação em vigor. Assim, durante o anocalendário de 2007, a Recorrente sofreu diversas retenções de IRRF em todos os meses do ano, no valor total de R$ 627.962,35, tal como se infere da planilha juntada na r. decisão ora recorrida. Contudo, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ devido em cada trimestre do anocalendário de 2007 sem deduzir o imposto retido sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Ou seja, houve evidente recolhimento a maior de imposto em cada trimestre pela Recorrente pela falta de dedução do IRRF já retido. Por exemplo, no quarto trimestre de 2007, a Recorrente havia apurado e declarado na DCTF nº 100200720081830175278 o valor devido a título de IRPJ de R$ 792.780,38, sem a dedução do valor de IRRF de R$ 149.399,66 retido nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Tal montante foi recolhido pela Recorrente em DARF no dia 31/01/2008. Posteriormente, a Recorrente apresentou a DIPJ nº 0831765 declarando o valor da IRPJ devida no mesmo valor de R$ 792.780,38. Contudo, apenas em 11/07/2008, a Recorrente identificou que havia deixado de deduzir, dos valores devidos a título de IRPJ em cada trimestre de 2007, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Por conta disso, a Recorrente apresentou, em 11/07/2008, a DCTF retificadora nº 100200720081810394915 declarando o valor de IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 no montante de R$ 162.186,84 (e não mais de R$ 792.780,38). Logo em seguida, em 29/07/2008, a Recorrente também apresentou a DIPJ retificadora nº 1797536, também alterando o valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 de R$ 792.780,38 para R$ 162.186,84. A diferença do montante originalmente declarado a título de IRPJ no quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 792.780,38, e o valor efetivamente devido a título de IRPJ após a dedução do imposto de renda pago a maior durante todo o anocalendário, de R$ 162.186,84, é justamente o crédito que ora se discute, qual seja, R$ 630.593,54. De fato, considerando que a Recorrente já havia recolhido indevidamente o valor de R$ 792.780,38 em 31/01/2008, quando retificou sua DCTF e sua DIPJ em 11/07/2008 e 29/07/2008, respectivamente, para declarar o valor correto de IRPJ a pagar naquele Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 6 5 período, após a dedução do imposto de renda pago a maior dos períodos de apuração anteriores, apurou um crédito de IRPJ no valor de R$ 630.593,54. Para não deixar dúvidas sobre os fatos, datas e valores acima descritos, cumpre transcrever o quadro elaborado pela própria decisão recorrida com todas as informações necessárias para o deslinde da questão: Tal crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ no quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de 630.593,54, foi utilizado para compensação de diversos débitos, originando, em razão disso, os 21 processos administrativos acima mencionados. Contudo, para surpresa da Recorrente, o V. Acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual reconheceu apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007. Para melhor compreensão de tal questão, foi elaborada a planilha abaixo demonstrando o IRRF retido no ano de 2007 por trimestre: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 7 6 O fundamento utilizado pela r. decisão recorrida para não reconhecer o total do crédito de IRPJ apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2007 e compensado pela Recorrente com outros débitos foi de que: "Por óbvio, do imposto devido no 4º trimestre, cabe deduzir apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido nesse mesmo período de apuração. É de se rejeitar, portanto, o valor do imposto de renda a pagar do 4º trimestre, retificado pela interessada, através da dedução de imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro presumido nos trimestre anteriores”. Desse modo, segundo o V. Acórdão recorrido, apenas foi possível reconhecer a dedução de IRRF referente ao 4º Trimestre de 2007 (R$ 149.399,66), uma vez que não haveria previsão legislativa para que a Recorrente abatesse do imposto a pagar no 4º Trimestre de 2007 os valores que não foram deduzidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano fiscal (R$ 478.562,68). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.541, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.901005/201399. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.541): Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao aproveitamento do imposto de renda retido na fonte referente aos 1, 2 e 3 trimestres, que foram aproveitados para deduzir do imposto de renda devido no 4º trimestre, gerando, por conta disso, um pagamento indevido no 4 trimestre a titulo de IRPJ, o qual foi utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em períodos posteriores. O argumento utilizado pela decisão recorrida para reduzir o montante do direito creditório pleiteado pelo contribuinte foi o seguinte: “o contribuinte não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual deve ser reconhecido apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007." É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação as receitas que geraram a retenção na fonte do Imposto de Renda referente aos 1, 2 e 3 trimestres de 2007, na conformidade das planilhas abaixo: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 8 7 EXTRATO DAS FONTES PAGADORES COM A RESPECTIVA RETENÇÃO INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DCTF E DIPJ DEMONSTRATIVO DO IRFONTE POR PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 9 8 Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos para a comprovação do saldo remanescente dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito, se faz necessário que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, deverá ser elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Barueri/SP), para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, elaborar relatório de diligência, contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 10 9 e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724748/2016-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99.
Numero da decisão: 2002-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ELMAR PEREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 48 /2 01 6- 38 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 77 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2015, ano calendário 2014, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/8), indicando a juntada de documentação comprobatória da despesa glosada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Impugnação (fls. 31/34), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. Admitida a dedução apenas quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade. Cientificado dessa decisão em 1/9/2016 (fl.40), o contribuinte formalizou, em 26/9/2016 (fl.50), Recurso Voluntário (fls. 50/57, anexado novamente às fls. 61/68), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicia seu recurso elaborando um resumo dos fatos. Explica que, no curso da ação fiscal, atendeu a solicitação da autoridade tributária e apresentou os recibos que comprovam as despesas médicas com fisioterapia, e, ainda assim, essas despesas foram glosadas. Argumenta que o entendimento da autoridade fiscal é contrário ao previsto no ordenamento jurídico brasileiro. Destaca que o direito tributário se utiliza de outros institutos existentes nos demais ramos do Direito para se efetivar a exigência tributária. Assentada tal premissa, afirma que o recibo devidamente lavrado pelo credor libera o devedor, sendo bastante para comprovar o pagamento efetuado. Reproduz os artigos 315, 320 e 324 do Código Civil Brasileiro. Em seguida, analisa o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda, para concluir que, no tocante às despesas médicas, prevalece a regra de apresentação do recibo. Acrescenta que, inexistindo este, pode ser apresentado o cheque nominativo, constituindo esta, na sua visão, uma mera exceção à regra. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 78 3 Defende que as despesas são comprovadas mediante apresentação do comprovante de pagamento, sendo este o recibo passado pelo credor. Reproduz orientação da Receita Federal do Brasil contida no Manual de Perguntas e Respostas 2016. Apregoa que, em que pesem os poderes atribuídos à Administração Tributária na fiscalização dos contribuintes, não se pode derrogar institutos já consagrados em outros ramos do Direito, bem como afrontar direitos e garantias individuais. Defende que o contribuinte tem assegurado seu direito de deduzir as despesas médicas devidamente comprovadas por recibos passados pelos profissionais da saúde. Além desse entendimento, extraído do Código Civil e da legislação tributária, aponta que é preciso verificar que a boafé se presume, enquanto a má fé precisa ser comprovada, não ao contrário, como pretende a autoridade tributária. Diz ser inegável que as deduções estão sujeitas à comprovação e justificação, mas argumenta que o limite do Fisco está no próprio Regulamento, que imporia a comprovação por outros meios em caráter excepcional. Entende que apenas na falta dos recibos, ou quando estes não preencherem os requisitos legais, é que a comprovação poderia ser exigida mediante apresentação de outros documentos complementares. Pontua que as Delegacias de Julgamento e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem acatando as despesas ratificadas por declarações dos profissionais emissores dos recibos, enaltecendo a boafé dos contribuintes. Indica que existem decisões no sentido de que, em sendo apresentadas provas que permitam identificar a prestação dos serviços e o pagamento, inclusive com documentos passados pelos profissionais, atestando a autenticidade dos recibos, o ônus da prova caberá ao Fisco, já que a ele aproveita a contra prova do fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário refletido no lançamento. Reproduz ementa de julgado do CARF (acórdão nº 2802003.318). Menciona que os Tribunais Federais Regionais vem entendendo no sentido de acatar os recibos apresentados pelo contribuinte, presumindose a sua boafé. Reproduz ementas de dois julgamentos e aduz que o entendimento esposado é pacífico no ordenamento jurídico brasileiro e nas decisões dos Tribunais Federais. Explica que não acostou declaração do profissional aos autos porque o profissional se encontra em viagem para fora do País. Solicita desde já prazo para apresentar declaração com o objetivo de serem sanadas quaisquer dúvidas sobre os recibos apresentados. Afirma que os recibos anexados aos autos são idôneos e atendem as exigências da legislação civilista e tributária, devendo ser acatados pela autoridade tributária. Ao final, requer o acolhimento de seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fls.73/74). É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 79 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 80 5 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 81 6 No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento das despesas declaradas com Marcio Rubem Salgado de Castro, não tendo havido resposta a essa intimação (fl. 19). Em sua impugnação, o contribuinte juntou os recibos emitidos pelo profissional. A DRJ manteve a autuação. Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida, citando dispositivos do Código Civil e decisões administrativas e judiciais sobre a matéria. Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 82 7 ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil, citado pela contribuinte em seu recurso, também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906812/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. AUTOS DE INFRAÇÃO CONEXOS.
No julgamento dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI, deve ser aplicado o resultado do julgamento do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI. Aplicação dos resultados dos processos n° 10830.725456/2012-17 e n° 10830.726826/2013-14.
AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO.
Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratando-se, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. AUTOS DE INFRAÇÃO CONEXOS. No julgamento dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI, deve ser aplicado o resultado do julgamento do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI. Aplicação dos resultados dos processos n° 10830.725456/2012-17 e n° 10830.726826/2013-14. AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratando-se, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. Recurso voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. AUTOS DE INFRAÇÃO CONEXOS. No julgamento dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI, deve ser aplicado o resultado do julgamento do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI. Aplicação dos resultados dos processos n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratandose, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 68 12 /2 01 4- 48 Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.317 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, o qual segue transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 3783 a 3813 – demais documentos até a efl. 4288) apresentada em 22 de março de 2016 contra despacho decisório de 17 de fevereiro de 2016 (efls. 3764 e 3765), cientificado em 19 de fevereiro de 2016 (efl. 3781), que não homologou as compensações com créditos de IPI do 3º trimestre de 2011, contidas em declarações de compensação apresentadas a partir de 20 de março de 2014. De acordo com a informação fiscal (efls. 3759 a 3762), foi lavrado auto de infração em relação aos períodos de julho de 2011 a outubro de 2014 (processo administrativo n° 10830.723689/201510). A redução a zero do saldo de créditos resultou dos procedimentos da devolução à escrita fiscal dos estornos de crédito efetuados pela Interessada, da inclusão dos valores lançados de ofício no auto de infração, do estorno de créditos não ressarcíveis (consumo dos saldos pelos PER apresentados em períodos anteriores e pelos autos de infração dos processos 10830.725456/201217 e 10830.726826/201314) e da anulação do saldo credor inicial. Na manifestação de inconformidade, a Interessada aponta erro na informação fiscal, nos seguintes termos: No entanto, o que se verifica é que os ajustes da Informação Fiscal apresentam erros que influenciaram na análise do saldo credor de IPI em favor da Manifestante. Em caráter preliminar de análise, temos que o ajuste da Coluna K3, de anulação do crédito inicial de R$ 208.765.190,19, mostrase indevido, uma vez que tem amparo na suposta glosa de créditos de IPI havida em decorrência dos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. No entanto, ambos os processos ainda estão sendo discutidos na esfera administrativa e, assim, as glosas lá havidas não podem ser consideradas definitivas para fins de apuração do crédito existente para a Manifestante. Já com relação ao ajuste da Coluna E1, de inclusão dos valores do crédito indevido de IPI lançados no Auto de Infração n° 10830.723689/201510 como débito apurado, há novo equívoco, visto que a Manifestante pagou o IPI e os créditos indevidos lançados naquela autuação, fazendo jus aos créditos correspondentes a estes pagamentos (ou seja, o alegado "débito" que diminuiria o valor do saldo credor a ressarcir foi, efetivamente, pago pela Manifestante antes mesmo da análise do PER). E por fim, temos que, considerados os necessários ajustes acima descritos, quais sejam, a (i) devolução dos lançamentos do Auto de Infração n° 10830.723689/201510 e (ii) da devolução do valor inicial de R$ 208.765.190,19, haveria saldo credor de IPI em favor da manifestante à época da transmissão do PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257. E mesmo se considerados os indevidos ajustes propostos pela Manifestante no parágrafo acima (Colunas E1 e E3), ainda assim, a Manifestante apresentaria um saldo credor de R$ 8.722.758,99 à época da transmissão do pedido de ressarcimento, como demonstra a Coluna L para o 3° trimestre de 2011, não havendo que se falar em indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação das compensações declaradas. Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.318 3 Na sequência, apresentou alegações preliminares quanto à necessidade de julgamento conjunto da manifestação de inconformidade com os autos de infração contidos nos processos n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, que teria fundamento na Portaria RFB n. 354, de 2016, art. 3º, e nas disposições do novo Código de Processo Civil. Também citou ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Ainda preliminarmente, alegou que o auto de infração que lastreou o despacho decisório seria precário, "em razão da violação e não observância, por parte do Auditor Fiscal, do artigo 142 do Código Tributário Nacional ('CTN') [...]". A seguir, afirmou haver efetivamente saldo credor de IPI para ressarcimento, iniciando sua análise pelas seguintes afirmações: Nos anos de 2012 e 2013, a Manifestante foi alvo de fiscalizações e autuações por parte do Fisco em razão de supostas irregularidades no aproveitamento do benefício fiscal previsto na Lei n° 8.248/91, alterada pelas Leis n° 10.176/2001 e 11.077/2004 ("Lei da Informática" e "Processo Produtivo Básico"). Contra a Manifestante foram lavrados os Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. No primeiro processo, parte do IPI entendido como devido foi lançada, e parte foi coberta por saldo credor de IPI, que acabou sendo glosado da escrita fiscal da Manifestante na monta de R$ 23.360.431,26. Já no segundo processo, todo o IPI supostamente devido foi coberto com saldo credor, também glosado da escrita, no total de R$ 20.424.126,57. Em razão das glosas acima expostas, o Despacho Decisório entendeu que deveria desconsiderar os valores de R$ 23.360.431,26 e R$ 20.424.126,57 do crédito passível de ressarcimento para Manifestante, visto que eles teriam sido utilizados para o pagamento do IPI devido naqueles processos: Asseverou, a seguir, que os estornos propostos pela Fiscalização não seriam definitivos, "porque a Manifestante ainda discute administrativamente os Autos de Infração [...]". No mérito, alegou a "necessidade de devolução à escrita fiscal dos lançamentos havidos no auto de infração n. 10830.723689/201510". Acrescentou o seguinte: Como se vê do próprio relatório, tendo a Manifestante utilizado crédito indevido, o Fisco lançou estes valores no Auto de Infração, cobrando da Manifestante pelo uso do crédito que era indevido. E, concordando com tal conclusão do Fisco, a Manifestante providenciou o pagamento do Auto de Infração por meio do Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELTT). [...] Ocorre que o art. 6° da Lei n° 13.202/15 e o art. 7° da Portaria PGFN/RFB n° 1.037/15, criada para regulamentação do PRORELIT, previam que a adesão ao programa e a consequente quitação do crédito tributário pelo pagamento com créditos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa implicavam a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de sua posterior homologação: "Art. 6° A quitação na forma disciplinada nos arts. 1° ao 5e extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação." (grifamos) "Art. 7° A quitação na forma disciplinada nesta Portaria Conjunta extingue o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação." (grifamos) [...] Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.319 4 Ou seja, para fins de apuração do valor de IPI passível de ressarcimento, no mínimo o Despacho Decisório deveria ter considerado o crédito no valor de R$ 21.966.578,45, face ao pagamento integral do Auto de Infração n° 10830.723689/2015 10 via PRORELIT. Ou seja. equivocadas são as conclusões do Despacho Decisório e da planilha do processo que indevidamente estornam da escrita da Manifestante o montante de R$ 21.432.966,32 de crédito de IPI. 6 O valor de R$ 21.966.578,45 abrange no Auto de Infração n° 10830.723689/201510, a glosa de julho de 2011 a abril de 2014 (período discutido neste Despacho Decisório), mais os meses de maio, junho, julho, agosto e outubro de 2014. [...] Vejase que o procedimento correto seria o Fisco ter unicamente glosado estes créditos indevidos na escrita da Manifestante, na oportunidade do Auto de Infração n° 10830.723689/201510, o que atualmente impactaria no PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283. Mas não houve a glosa, houve lançamento dos valores creditados para cobrança, os quais foram devidamente quitados pela Manifestante e agora estão habilitados a gerar o crédito pleiteado no pedido de ressarcimento! Passou a tratar da forma de apuração dos saldos, alegando que teria ocorrido erro. Tomando o mês de julho de 2011 como exemplo, a Interessada chegou a um valor positivo de créditos, nos seguintes termos: Assim, em julho de 2011, havia saldo credor no valor de R$ 8.722.758,99, exatamente o valor de saldo credor representado na Coluna L da planilha "Demonstrativo" para o mês de julho de 2011. Pois bem. Assumamos esta mesma sistemática, agora na hipótese de a Manifestante fazer jus aos créditos indevidamente estornados porque glosados nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, créditos os quais seriam devolvidos à sua escrita fiscal e manteriam o saldo inicial de RS 208.765.190,19, bem como aos créditos indevidamente estornados porque lançados como débito do Auto de Infração n° 10830.723689/201510, já quitado. Neste cenário, por não haver anulação do saldo inicial não seriam computados nenhum dos estornos feitos pela planilha "Demonstrativos" na Coluna D, e, portanto, não seriam devolvidos os pedidos de ressarcimento processados antes do período analisado (Coluna C). Bastaria, assim, o confronto entre créditos e débitos (Colunas A e B). [...] O que se comprova com esta demonstração é que, caso a Manifestante vença a discussão nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, haverá evidente saldo credor de IPI passível de ressarcimento. Por esta razão, estando a discussão ainda pendente e não havendo definição sobre a manutenção da glosa, impossível aceitarse a conclusão da Informação Fiscal pela inexistência de saldo credor de IPI para processamento no PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257. Impossível que se mantenha, portanto, um Despacho Decisório que conclui pela inexistência de saldo credor de IPI quando se revela que ainda está em discussão a existência de saldo credor mais do que suficiente (R$ 39.356.084,29) para processar o pedido de ressarcimento no valor efetivamente estornado da escrita da Manifestante (R$ 14.272.349,03). E ainda nesta última hipótese sobrariam R$ 8.949,13 Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.320 5 de diferença entre o valor baixado da escrita e o valor processado nas quatro DCOMP ora em apreço! E vejase que, mesmo na hipótese de não serem devolvidos à escrita fiscal da Manifestante os créditos de IPI glosados nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, ainda assim haveria saldo credor se considerados os créditos lançados e já quitados no Auto de Infração n° 10830.723689/201510. [...] Pelo que se vê, também nesta hipótese, no momento da transmissão do PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257, em março de 2014, havia crédito em favor da Manifestante no montante de R$ 40.665.333.20. E depois do processamento do PER, com a baixa na escrita fiscal, continuou a Manifestante tendo crédito no montante de R$ 24.024.312,19. Neste segundo cenário, fica evidente a existência de saldo credor passível de ressarcimento no PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257 mesmo antes de definida a glosa nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, ou seja, apenas com o reconhecimento evidente de que a Manifestante faz jus aos créditos dos lançamentos do Auto de Infração n° 10830.723689/201510. E por fim, mas não menos evidente, temse que as conclusões da própria planilha "Demonstrativo" e, portanto, da Informação Fiscal que acompanha o Despacho Decisório evidenciam a existência de saldo credor a ser integralmente ressarcido no PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257. A seguir, alegou ser necessária a produção de prova pericial, apresentando os quesitos e indicando o perito: Por esta razão, a Manifestante requer expressamente a realização de prova pericial contábil no processo, para que os peritos do Fisco e da Manifestante respondam aos quesitos que seguem: 1) Qual o saldo inicial de crédito básico de IPI da Manifestante para o período analisado no Despacho Decisório (junho de 2011)? 2) A partir do saldo inicial, favor apresentar a planilha de créditos e débitos apurados durante todo o período analisado pelo Despacho Decisório (junho de 2011 a abril de 2014) e sem os lançamentos a débito referentes ao Auto de Infração n° 10830.723689/201510. 3) Quantos e quais foram os pedidos de ressarcimento transmitidos pela Manifestante no período analisado pelo Despacho Decisório (Junho de 2011 a abril de 2014)? 4) Dos pedidos de ressarcimento listados na resposta ao item 3, favor elaborar planilha com a relação entre o valor solicitado ao ressarcimento e o valor efetivamente baixado da escrita fiscal da Manifestante. 5) Quais pedidos de ressarcimento transmitidos pela Manifestante no período mencionado no quesito 3 ainda não foram analisados pela Receita Federal e não são objeto de Despacho Decisório? 6) Considerando todos os pedidos de ressarcimento listados na resposta ao quesito 3, favor apresentálos pela ordem cronológica dos trimestrescalendário solicitados para ressarcimento dentro da planilha de resposta ao quesito 2, baixandose do saldo credor da Manifestante os valores efetivamente baixados na sua escrita fiscal, listados na resposta ao quesito 4. 7) Considerandose os valores efetivamente baixados na escrita fiscal da Manifestante para os pedidos de ressarcimento transmitidos no período, é possível Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.321 6 afirmar que havia saldo credor para reconhecimento de cada pedido de ressarcimento no montante em que efetivamente baixado pela Manifestante? 8) Quantas e quais foram as declarações de compensação transmitidas especificamente para os pedidos de ressarcimento de PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283 e PER n° 06423.90318.200314.1.1.01 0257? 9) Com base na resposta ao quesito 7 e considerandose as declarações de compensação da resposta ao quesito 8, há saldo credor para serem deferidos os pedidos de ressarcimento de PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283 e PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257 e consequentemente totalmente homologadas as declarações de compensação deles decorrentes? Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão nº 14.61711, com a seguinte ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VALOR REDUZIDO EM FUNÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DECORRÊNCIA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Ao julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deixou de reconhecer parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência exclusiva de infrações apuradas em autos de infração já julgados em primeira instância administrativa, devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nos respectivos processos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratandose, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. OUTROS CRÉDITOS ESCRITURAIS. O pedido de ressarcimento de IPI referese àqueles créditos escriturados no trimestrecalendário, que não tenham sido absorvidos pelos débitos do mesmo período. Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.322 7 Não é possível, dessa forma, substituir os créditos que foram objeto do pedido por créditos que permaneceram na escrituração, especialmente quando tais créditos sofram os efeitos de autos de infração lavrados em relação a períodos anteriores. Manifestação de Inconformidade Improcedente. A Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual repisa as razões de sua manifestação de inconformidade e combate ponto a ponto a decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme esclarecido no relatório, a redução do saldo inicial do mês de abril de 2010 deveuse às infrações apuradas em autos de infração dos processos administrativos n° 10830.726826/201314 (que tratou dos períodos de janeiro de 2009 a junho de 2011) e n° 10830.725456/201217 (períodos de março de 2007 a dezembro de 2008). Por conseguinte, diante da vinculação deste julgamento aos autos de infração, há que se aplicar as decisões proferidas nesses processos. Já, quanto ao processo n° 10830.723689/201510 e seus reflexos no presente processo, concordo e adoto os fundamentos da DRJ, no sentido de que o auto de infração pago não acarreta o restabelecimento de créditos: No tocante ao processo 10830.723689/201510, enganase a Interessada em seu raciocínio de que "o alegado 'débito' que diminuiria o valor do saldo credor a ressarcir foi, efetivamente, pago pela Manifestante antes mesmo da análise do PER". Além disso, enfatizou a Interessada que "o procedimento correto seria o Fisco ter unicamente glosado estes créditos indevidos na escrita da Manifestante [...]". Tais assertivas baseiamse em dois equívocos. O primeiro deles é considerar que a apuração de débitos pela Fiscalização implica duas consequências, quais sejam a lavratura de auto de infração exigindo os débitos e o aproveitamento de créditos na dedução dos débitos no livro de apuração do imposto. O que ocorre com os valores de débitos apurados pela Fiscalização é um desses resultados isoladamente. Assim é que, se o contribuinte tiver crédito legítimo (que não é passível de glosa) em sua escrituração, esse valor de crédito será deduzido do IPI apurado pela Fiscalização (que não foi lançado pelo contribuinte no livro de apuração do IPI). Nessa hipótese, o auto de infração terá três consequências: constituir o crédito tributário (débito do contribuinte) que não foi lançado em nota fiscal, reduzir o saldo escritural de créditos (pela dedução dos débitos lançados) e aplicar a multa (de forma isolada) por falta de lançamento do imposto em nota. Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.323 8 Por outro lado, se não houver créditos legítimos em sua escrituração, que permitam cobrir o montante dos débitos apurados pela Fiscalização, será lançado o imposto (débitos apurados pela Fiscalização) e a multa proporcional. Caso o montante de créditos escriturais legítimos seja inferior ao dos débitos apurados, uma parte do débito sofrerá o primeiro tratamento e a outra o segundo. Por exemplo, suponhase que, em determinado período de apuração, um contribuinte tenha apurado créditos escriturais de 300 e débitos de 100. O saldo credor apurado ao final do período será de 200. Desses 200, ao final do trimestre, suponhase ainda que ele tenha requerido, meses depois, 100 de ressarcimento e deixado os 100 restantes na escrituração. Portanto, ao final do período, haveria um saldo credor de 200, pois o pedido de ressarcimento seria apresentado futuramente. Diante desse quadro, suponhase que a Fiscalização tenha apurado 200 de IPI não lançado em notas fiscais. Refazendo a escrituração da Interessada, a Fiscalização iria apurar saldo nulo. Consequentemente, seria lavrado auto de infração para reduzir o saldo do período a zero e para aplicar a multa isolada sobre os 200 de débitos não lançados, que foram acobertados com os créditos escriturados. Além disso, o ressarcimento do contribuinte seria indeferido, uma vez que aquele valor de 100 foi utilizado para cobrir parte do débito de IPI lançado. A alternativa que a Interessada pode ter imaginado, ao apresentar a alegação de que teria o direito de que os créditos retornassem à escrituração, seria a de, no lançamento, a Fiscalização não considerar os 100 do pedido de ressarcimento e, portanto, em vez de apurar saldo nulo no período, apurar um saldo devedor de 100. Mas, como está claro pelos exemplos acima, ou haveria aproveitamento escritural dos créditos (o que não se confunde com glosa de créditos), implicando anulação do saldo a ressarcir, ou a diferença de IPI não absorvida por créditos teria que ser exigida. Entretanto, somente a primeira hipótese acima aventada é permitida pela legislação, pois a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, somente permite o ressarcimento do saldo credor que não for utilizado na compensação com os débitos do período. O segundo grande equívoco nas alegações da Interessada é a desconsideração de que a maior parte do auto de infração do processo 10830.723689/201510 resultou da glosa de créditos ilegítimos e que não poderiam ter sido escriturados. Ao glosar os créditos, o que ocorre é que surge saldo de débitos na escrituração fiscal (RAIPI). Vale dizer, os débitos escriturados pelo próprio contribuinte (e não os apurados pela Fiscalização) que, anteriormente, estavam acobertados por créditos, geram o saldo de débitos. Portanto, não é o débito que diminui o saldo credor, mas a glosa de créditos, que é definitiva, é que faz surgir o saldo devedor. Vejase que o auto de infração não cobra "crédito indevido", mas, sim, débitos já escriturados pelo contribuinte, que tenham ficado a descoberto pela glosa de créditos, e débitos apurados pela Fiscalização. Dessa forma, os débitos que são cobrados no auto de infração são aqueles líquidos dos créditos legítimos e seu pagamento não implica o restabelecimento de crédito ilegítimo algum. Embora se trate de conceitos elementares da legislação do IPI, demonstrase a seguir o que foi apurado no auto de infração do processo 10830.723689/201510. Naquele auto de infração, foram apuradas as seguintes infrações: 1Saída de produto sem lançamento de IPI (equiparação a estabelecimento industrial): apuração de débitos nos períodos de outubro de 2011 a outubro de 2014, no valor total (base de cálculo dos débitos apurados) de R$ 9.249.683,08, com imposto não lançado de R$ 924.968,30; 2 Saída de produto sem lançamento de IPI (classificação fiscal ou alíquota incorretas): setembro de 2011 a junho de 2013, no valor total (base de cálculo dos débitos apurados) de R$ 5.232.697,21, com imposto total devido de R$ 523.269,72 e imposto não lançado no valor de R$ 262.780,08 (descontados os valores de IPI escriturados pelo próprio contribuinte, conforme demonstrativo "débitos apurados de IPI não lançado"); Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.324 9 3 Créditos básicos indevidos: setembro de 2011 a julho de 2014, no valor total (de créditos glosados) de R$ 8.048.546,10; 4 Créditos indevidos (demais modalidades): dezembro de 2012 e fevereiro de 2014, no valor total (de créditos glosados) de R$ 12.730.283,93. O total dos débitos apurados pela Fiscalização foi de R$ 1.187.748,42 (infrações 1 e 2) e o total dos créditos glosados foi de R$ 20.778.830,03 (infrações 3 e 4). Os valores acima mencionados totalizam o montante do IPI lançado de R$ 21.966.578,44. Nesse contexto, a razão por que se reconstitui a escrita fiscal, conforme descrito no auto de infração, é exatamente apurar os valores dos novos saldos devedores, após a glosa de créditos e a inclusão dos débitos apurados. Dessa forma, observase, por exemplo, que no período de janeiro de 2014, o total dos débitos apurados e de créditos glosados foram os seguintes: Entretanto, o valor do IPI lançado correspondente ao período de janeiro de 2014 foi de R$ 16.058.868,75 (demonstrativo "diferenças a cobrar"). Esse fato decorreu de terem sido glosados créditos nos períodos anteriores que não implicaram, naqueles períodos, o desacobertamento de débitos escriturados (todos os períodos até dezembro de 2013). Basta que se analise o "demonstrativo dos saldos da escrita fiscal", que constou do auto de infração, abaixo reproduzido: Assim, as glosas de créditos somente tiveram efeito sobre o desacobertamento de débitos escriturados, mais precisamente, conforme o demonstrativo "diferenças a cobrar" a partir de fevereiro de 2014: Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.325 10 Portanto, os valores lançados são os relativos aos débitos já escriturados pela Interessada, e desacobertados pelos créditos glosados, e aos débitos apurados pela Fiscalização. O pagamento do auto de infração, portanto, no que se refere às glosas de créditos (ressalvese ainda o IPI não lançado), representa apenas o pagamento do IPI apurado pelo próprio contribuinte e que ficou desacobertado de créditos. Não há, assim, que se falar em "créditos" diminuídos por débitos, mas de débitos indevidamente acobertados por créditos indevidos. Feitos esses esclarecimentos básicos sobre a forma de apuração do IPI lançado no auto de infração, podese concluir que não existe mais litígio a respeito das glosas de créditos implementadas por meio daquele auto de infração. Conforme anteriormente esclarecido, o Decreto n° 70.235, de 1972, art. 9º, caput, determina que o auto de infração (ou a notificação de lançamento) é o ato administrativo primário para a exigência de crédito tributário e aplicação de multa isolada. Portanto, a discussão administrativa sobre a legitimidade dos créditos glosados somente seria possível no âmbito daquele processo, pois todas as glosas de créditos efetuadas implicaram a apuração de saldo devedor e não houve créditos para acobertar sequer parte do IPI não lançamento em nota fiscal (apurado pela Fiscalização). Em relação ao erro de apuração alegado pela Interessada, também não lhe cabe razão alguma. Primeiramente, porque os créditos escriturais de IPI, conforme já esclarecido, somente podem ser objeto de pedidos de ressarcimento (com ou sem compensação) quando não aproveitados na compensação com débitos escriturados. Assim, a glosa de créditos em auto de infração implicará a redução do saldo disponível para ressarcimento. Não é possível adotar o entendimento de que as glosas não poderiam atingir os pedidos de ressarcimento enquanto não julgados definitivamente os outros dois autos de infração. Se fosse esse o caso, as compensações declaradas seriam homologadas tacitamente e os valores de ressarcimento seriam pagos ao contribuinte, sendo que o valor dos créditos ressarcidos, ao mesmo tempo, seriam utilizados para reduzir o imposto lançado nos autos de infração. Ademais, a lavratura de autos de infração, por si só, retira a presunção de liquidez e certeza dos créditos requeridos, razão suficiente para que não sejam ressarcidos. Por outro lado, caso os autos de infração sejam, ao final, julgados improcedentes, e na medida de sua improcedência, os créditos de que tratam os processos de ressarcimento serão reconhecidos. Ainda em relação ao alegado erro, a Interessada não tem razão ao afirmar que haveria saldo de créditos ainda que não fossem devolvidos os créditos à escrituração. A hipótese que a Interessada aventou na manifestação de inconformidade decorre de dois equívocos. O primeiro diz respeito a desconsiderar que os saldos de créditos ressarcíveis em cada trimestrecalendário correspondem à parcela dos créditos escriturados nesse trimestrecalendário que não tenham sido utilizados no abatimento de débitos. É o que dispõe o já citado art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, ao referirse ao "saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário". O segundo equívoco é que os saldos de créditos de outros períodos de apuração foram absorvidos pelos três autos de infração. Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.326 11 Portanto, em relação ao auto de infração pago pela Interessada, inexiste possibilidade de aproveitamento de créditos (pelos vários motivos já expostos até aqui). Os dois autos de infração que ainda são objeto de discussão administrativa somente terão o efeito pretendido pela Interessada se, eventualmente, forem considerados improcedentes. Conforme já esclarecido, tratase de créditos considerados ilegítimos (auto de infração pago) ou desprovidos de liquidez e certeza (autos de infração ainda em discussão). Como dito acima, no julgamento do presente processo, diante do não reconhecimento de parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência de infrações apuradas nos autos de infração dos processos n° 10830.725456/201217 e 10830.726826/2013 14 devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nesses processos. Quanto ao processo n° 10830.725456/201217, o acórdão n° 3301004.179, prescreveu o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. Se após a reconstituição da escrita fiscal no RAIPI, houver créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, apto a atrair a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Logo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrando que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. Recurso voluntário provido. Por sua vez, no processo n° 10830.726826/201314, o acórdão n° 3301004.180, determinou: Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.327 12 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrado que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido. Diante disso, como todo pedido de ressarcimento depende da existência de um crédito, o qual deve ser reconhecido na exata medida de sua comprovação, a Recorrente deve ter seu direito creditório analisado e apurado pela unidade de origem, dentro dos limites da decisão proferida nos dois autos de infração acima citados, já julgados pelo CARF. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, aplicandose os resultados dos processos n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.328 13 Fl. 4328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.720359/2014-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 03 59 /2 01 4- 11 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foi constatado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, gerando , assim, um saldo de imposto de renda a recolher de R$6.753,17, com juros de mora e multa de ofício calculados até março de 2014. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave, e que é portador da moléstia desde 2012, conforme devidamente comprovado através de laudo médico emitido por serviço médico oficial. No que se refere ao valor de R$5.016,26, foi equivocadamente lançado como dedução à previdência oficial, quando deveria ter sido lançado como dedução de despesas médicas. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o impugnante não logrou êxito em comprovar a sua situação de isento para fins fiscais e nem comprovou as despesas médicas alegadas.. A infração lavrada deveria subsistir, integralmente, portanto. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação, cita base legal para corroborar suas alegações e traz todos os documentos necessários para respaldar plenamente as suas alegações. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia Grave O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de rendimento recebido e declarado como isento em função de moléstia grave. Entende a DRJ que o contribuinte não logrou teria direito a isenção por ser caso de Reserva Remunerada. Vejamos: A teor dos dispositivos transcritos, percebese que para fazer jus à isenção do imposto de renda, o contribuinte deve satisfazer, ao mesmo tempo, duas condições: ser portador de moléstia grave, prevista em lei, e receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão (inclusive complementações). Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10315.720359/201411 Acórdão n.º 2001000.439 S2C0T1 Fl. 3 3 Inferese da Descrição dos Fatos, à fl. 20, que a autoridade fiscal já reconheceu que o contribuinte era portador de moléstia grave no anocalendário de 2011, tendo contestado o fato de ele não ser militar reformado, mas, sim, pertencente à reserva remunerada, e, como tal, não faz jus à isenção por ele pretendida. Com todo o respeito à interpretação feita pelo impugnante ao texto do dispositivo legal que trata da isenção em comento, com ela (a interpretação) não se pode concordar. Olvidouse o requerente do art. 111, inciso II, do art. do Código Tribunal Nacional – CTN, segundo o qual “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Ou seja, na espécie, não há que se fazer elucubrações. E nesse ponto agiu acertadamente a autoridade fiscal, haja vista que o militar integrante da reserva remunerada efetivamente não faz jus ao benefício da isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do RIR/1999, em que pesem os reclamos passivos. Desta feita, no anocalendário em discussão, ou seja, 2011, há que se considerar que o contribuinte não satisfazia as condições exigidas para fazer jus à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do Comando da Aeronáutica, porquanto era integrante da reserva remunerada, já que não houve a comprovação de sua transferência para a reforma. Em relação à isenção dos proventos de aposentadoria auferidos por portadores de moléstia grave, a matéria sob análise está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a Fl. 71DF CARF MF 4 doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis d controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de uma das moléstias previstas em lei. A título de comprovação de sua isenção, o contribuinte traz aos autos todos os documentos exigidos por lei . Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10315.720359/201411 Acórdão n.º 2001000.439 S2C0T1 Fl. 4 5 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na total comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave , nos termos da lei, bem como a comprovação de que o valor de R$5.016,26 se refere a despesa médicas, conforme documento acostado aos autos, emitido pela Petros, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário considerados os rendimentos como isentos para fins fiscais. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a situação de isenção fiscal do Contribuinte por ser portador de moléstia grave e, por conseqüência, considerar os seus rendimentos como isentos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF 6 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722956/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos de admissibilidade, inclusive no que tange à demonstração da divergência interpretativa, a matéria suscitada deve ser conhecida. Por outro lado, não se conhece de matéria que, embora suscitada em sede recursal, não foi tratada no acórdão recorrido. Tampouco deve ser conhecido Recurso Especial cujo pedido não logra alterar o resultado do julgamento do apelo da parte contrária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituir-se em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
Numero da decisão: 9202-006.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que conheceu do recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, inclusive no que tange à demonstração da divergência interpretativa, a matéria suscitada deve ser conhecida. Por outro lado, não se conhece de matéria que, embora suscitada em sede recursal, não foi tratada no acórdão recorrido. Tampouco deve ser conhecido Recurso Especial cujo pedido não logra alterar o resultado do julgamento do apelo da parte contrária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituir-se em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que conheceu do recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, inclusive no que tange à demonstração da divergência interpretativa, a matéria suscitada deve ser conhecida. Por outro lado, não se conhece de matéria que, embora suscitada em sede recursal, não foi tratada no acórdão recorrido. Tampouco deve ser conhecido Recurso Especial cujo pedido não logra alterar o resultado do julgamento do apelo da parte contrária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituirse em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 29 56 /2 01 1- 15 Fl. 1801DF CARF MF 2 conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que conheceu do recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo trata do Debcad 51.005.3270 (AI78), lavrado em razão de a empresa ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a autuada deixou de informar em GFIP a remuneração paga aos segurados empregados, proveniente de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Em sessão plenária de 18/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.550 (fls. 1.546 a 1.562), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2007 DIREITO DOS TRABALHADORES EM TEREM PLR CF/ 88 A Carta Maior de 1988 contempla o direito dos trabalhadores em participarem ativamente do PLR da empresa empregadora. Entretanto, este deve ser moldado à Lei 10.101/2000, mormente quando ao cumprimento das regras e metas claras com a participação ativa dos sindicatos das categorias envolvidas dentro de sua base territorial. METAS E REGRAS CLARAS DO PLR. INADMISSIBILIDADE DE DIFERENCIAÇÃO NA CONTEMPLAÇÃO. Qualquer categoria de trabalhador poderá participar do PLR, desde que se tenha metas e regras claras, não podendo haver diferenciação na contemplação. No presente caso foi apresentado aditivo ao PLR, no final do ano letivo, para os empregados que ocupavam o cargo de supervisão, sendo que havia contemplação diferenciada. ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO AS DEMAIS LOCALIDADES DA Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.802 3 EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical e ao da territorialidade, não pode um sindicato abranger o PLR dos demais empregados que são abrangidos por outro sindicato, em face de incompetência dele. No caso em tela o sindicato dos empregados da região de São Caetano do Sul/SP, participou e homologou PLR extensivo as demais localidades do empregador, atingindo todos os empregados, independente da região." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade, excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores; d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Mario Lucena. OAB: 131.630/RJ." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/11/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.074 do processo principal) e, em 27/11/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.563 a 1.576 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.089 do processo principal), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: a) aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR; Fl. 1803DF CARF MF 4 b) periodicidade mínima para pagamento de PLR; e c) aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 873/2013, de 16/12/2013 (fls. 1.577 a 1.582). Relativamente à matéria PLR, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: inicialmente, verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos para a aquisição do benefício, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício e existência de regras previamente ajustadas; tais requisitos são decorrentes da interpretação teleológica do art. 2° da Lei 10.101, de 2000, encontrandose epistemologicamente ligados, eis que para adquirir o benefício, o trabalhador precisa alcançar metas, resultados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, mediante fixação de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, nos termos de acordo ou convenção coletiva, obviamente, fixados em caráter prévio ao período em que vão ser apurados os lucros e resultados; diante dos elementos sob exame, é indiscutível que houve vulneração do art. 2.º da Lei nº 10.101, de 2000, face à patente invalidade da convenção firmada entre empregador e empregados; no caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição, haja vista a ausência de acordo prévio ao exercício, a inexistência de regras previamente ajustadas e a distribuição dos valores em periodicidade inferior a um semestre civil (janeiro e maio de 2007); o próprio art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212, de 1991, é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos; logo, o pagamento de PLR em desacordo com os dispositivos da Lei nº 10.101, de 2000, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212, de 1991, o que se verificou nos autos. No que tange à retroatividade benigna, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa do art. 35, II, da norma revogada, ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da MP nº 449, de 2008. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 19/05/2014 (Termo de Ciência de fls. 1.583), a Contribuinte, em 26/05/2014, ofereceu as Contrarrazões de fls. 1.633 a 1.647 e opôs os Embargos de Declaração Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.803 5 de fls. 1.623 a 1.632, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2301004.773, de 13/07/2016 (fls. 1.651 a 1.663) assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE OMISSÃO CONTRADIÇÃO De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, contradição acolhida. No entanto, a via recursal adotada não é adequada, na parte em que pretende, a renovação de julgamento que ocorreu regularmente. Embargos Acolhidos em Parte." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos embargos no seguinte sentido: (a) não conhecer dos embargos em relação incidência da multa sobre os créditos tributários referentes à apontada omissão relativa ao item da territorialidade; vencido o relator, que conhecia dos embargos nessa questão e dava provimento parcial aos embargos e, e (b) conhecer dos embargos quanto à contradição entre a ementa e dispositivo do acórdão relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR, para, neste item, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Acompanhou o julgamento o Dr. Mario Salles Pereira de Lucena, OAB/RJ 137.630." Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: Da ausência de divergência jurisprudencial da análise do Recurso Especial em apreço, resta evidenciado que a Fazenda Nacional não logrou êxito em demonstrar qualquer similitude entre os fundamentos do acórdão recorrido e dos acórdãos supostamente divergentes, nºs 20601.344 e 240100.545; isso porque o Acórdão recorrido aborda a PLR definitivamente formalizada e celebrada antes da aferição das metas, ao passo que os acórdãos "paradigmas" tratam exclusivamente da PLR formalizada após a aferição das metas e seu respectivo período de apuração; a partir dessas premissas, constatase ser inequívoca a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas colacionados, na medida em que a PLR não foi celebrada após o período de aferição das metas; Fl. 1805DF CARF MF 6 com efeito, ainda que assim não se entenda, cumpre ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já teve, inclusive, a oportunidade de pacificar a questão, ao fixar o entendimento de que "A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido." (Acórdão nº 9202002.485, 2a Turma); em sendo assim, à luz do disposto no Regimento Interno do CARF artigo 67, §10 a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, também por esse motivo, não merece prosperar: "O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado." Da prévia deliberação das metas pactuadas ainda que seja apreciada a suposta divergência acerca da previsibilidade das metas, o frágil argumento trazido pela Fazenda Nacional arvorase unicamente na necessidade de "(...) existência de acordo prévio ao exercido e existência de regras previamente ajustadas" (fl. 2085); além de não encontrar ressonância na legislação, tal argumento sucumbe diante da robusta matéria probatória dos autos; isso porque os acordos coletivos que oficializaram a PLR pactuada pela Contribuinte com seus funcionários, em conjunto com os sindicatos, foram fruto de incessante negociação desde o princípio de cada ano; a jurisprudência do CARF também tem reiterado o entendimento de que a data de celebração formal do acordo da PLR sequer possui o condão de desqualificar sua natureza (cita jurisprudência do CARF): a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já teve, inclusive, a oportunidade de pacificar a questão ao fixar o entendimento de que "A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido" (Acórdão 9202002.485, 2a Turma); diante desse quadro, levandose em consideração que a negociação da PLR sob análise precedeu inequivocamente o pagamento, não há que se falar em qualquer descumprimento à Lei nº 10.101, de 2000, pelo fato dos acordos coletivos terem sido definitivamente formalizados durante o período de aferição das metas. Da aplicação da multa mais benéfica em que pese o entendimento sustentado pela Fazenda Nacional, cumpre observar que a penalidade de 75% (multa de ofício), prevista na Lei nº 9.430, 1996, artigo 44, não encontrava ressonância na legislação previdenciária anteriormente à Lei nº 11.9141, de 2009; Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.804 7 isso porque a penalidade aplicada no lançamento fiscal sob análise trata exclusivamente da multa de mora, anteriormente prevista no artigo 35, caput da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.876, de 1999; ou seja, o instituto da multa de ofício não existia à época dos supostos fatos geradores objeto do lançamento fiscal; nesse sentido, a multa de mora anteriormente prevista na legislação previdenciária veio a ser modificada pela atual redação do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, dada pela Lei 11.941, de 2009; assim, a multa de mora prevista no artigo 35, caput, da Lei 8.212, de 1991, teve o seu limitador alterado de 100% do valor devido a título de obrigação principal para 20%, sendo inequívoca a atenuação da penalidade; ao revés, a multa de ofício, também introduzida pela Lei 11.941, de 2009, trouxe uma profunda inovação para a legislação previdenciária que, tal qual a legislação dos demais tributos federais, passou a incidir quanto ao fatos geradores ocorridos a partir de seu advento; ocorre que o princípio da retroatividade benéfica do Contribuinte, positivado no CTN, artigo 106, é peremptório em admitir a retroatividade da legislação tributária tão somente nos casos em que a penalidade lhe seja mais favorável; assim, ainda que se mantenha a exigibilidade da obrigação principal indevidamente constituída pelo lançamento fiscal impugnado, deve ser mantida a decisão recorrida a fim de que o cotejo entre as penalidades mais benéficas ocorra exclusivamente entre a redação anterior e a atual do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, inteligência do CTN, artigo 106, inciso II, alíneas "a" e "c". Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Cientificada do Acórdão de Embargos nº 2301004.773, a Fazenda Nacional ratificou o Recurso Especial interposto em face do Acórdão nº 2301003.550 e pleiteou o saneamento de possível equívoco na admissibilidade do seu Recurso Especial (fls. 1.664). Entretanto, o Despacho de Saneamento de 30/12/2016 (fls. 1.665/1.666) quedouse silente sobre a questão. Cientificada do Acórdão de Embargos em 11/04/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.669), a Contribuinte, em 26/04/2017, interpôs o Recurso Especial de fls. 1.673 a 1687 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.671). Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 09/06/2017 (fls. 1.765 a 1.776), admitindose a rediscussão das matérias: a) extensão dos efeitos da PLR da matriz aos empregados não abrangidos pela base territorial do sindicato signatário do acordo; e Fl. 1807DF CARF MF 8 b) inexigibilidade de comprovação do acompanhamento das metas pactuadas na PLR. Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: Da extensão do acordo coletivo da matriz entendeu o acórdão recorrido pela validade do lançamento fiscal pelo simples fato de que deve “(...) respeitar os princípios da unicidade sindical e da territorialidade é proteção do trabalhador para que ele seja ´defendido´ por um sindicato que esteja perto dos seus problemas.”; entretanto, conforme muito bem pontuado pelos acórdãos divergentes, “Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz para empregados que prestam serviços em localidade fora da abrangência do sindicato.”; ou seja, a limitação territorial da abrangência do sindicato não possui um caráter absoluto na medida em que comporta exceções, mormente quando para proteger e tutelar interesses do trabalhador; isso porque essa premissa de limitação territorial da abrangência do Sindicato não possui um caráter absoluto, posto que o próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no exercício de sua competência, já relativizou a aludida regra quando em confronto com preceitos constitucionais do trabalhador; por mais forte razão, em sendo a PLR parte integrante do contrato de trabalho, a sua interpretação deve, inexoravelmente, se dar de forma mais favorável ao trabalhador, nos termos da CLT, artigo 620; ou seja, essa regra fica ainda mais relativizada no caso concreto, visto que o sindicato signatário do acordo coletivo estendido a esses funcionários da Recorrente possui notória credibilidade perante o território nacional; e foi justamente em função dessa credibilidade que a PLR pactuada foi estendida às demais unidades da Contribuinte, a fim de contemplar o maior número possível de funcionários, conforme orgulhosamente noticiado pelo Sindicato no sentido de que “Os acordos firmados (...) têm servido como referência para outras categorias profissionais pelo Brasil afora"; além do mais, os funcionários beneficiados com a extensão da PLR firmada pela matriz encontramse lotados em pequenos escritórios regionais da Contribuinte, o que, por si só, justificaria esse “empréstimo” em razão dos altos custos inerentes à prescindível mobilização de outros sindicatos ; para corroborar esse entendimento, vale transcrever acórdão deste CARF em caso da própria Contribuinte (PLR de 2009) traduzida no paradigma trazido no presente recurso especial de divergência: PLR. ACORDO FIRMADO NA MATRIZ. EXTENSÃO PARA EMPREGADOS QUE PRESTAM SERVIÇO FORA DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO SINDICATO. POSSIBILIDADE. Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.805 9 para empregados que prestam serviços em localidade fora da abrangência do sindicato. (Acórdão nº. 2401003.895, de 12/02/2015 Cons. Rel. Kleber Ferreira de Araújo 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara da 2ª Seção/CARF) dessa forma, as divergências comprovadas pela Recorrente demonstram que o Acórdão recorrido não emprestou a melhor interpretação à legislação tributária na medida em que a extensão do acordo coletivo da PLR da matriz não tem o condão de atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias e de terceiros sobre esses pagamentos; pelo princípio da eventualidade, caso o argumento acima suscitado reste por ultrapassado, necessária se faz, ao menos, a exclusão da exigência fiscal sobre a PLR auferida pelos funcionários abrangidos pelos acordos homologados pelos sindicatos de São José dos Campos e Região; Gravataí; Sorocaba; e São Paulo/Mogi das Cruzes ao restringir a exoneração ao Município de São Caetano do Sul; isso porque a autuação fiscal, tal qual a PLR de São Caetano do Sul, também incluiu a PLR dos funcionários abrangidos pela jurisdição desses sindicatos nos levantamentos relativos à PLR pagas aos funcionários de estabelecimentos com acordo coletivo, o que tornaria ilegal a exigência fiscal nessas condições. Da ausência de previsão legal apta a exigir a comprovação do efetivo acompanhamento das metas da PLR conforme já asseverado pelos acórdãos divergentes, não existe comando legal que obrigue que o contribuinte a comprovar o efetivo acompanhamento das metas da PLR regular e legitimamente pactuadas com seus funcionários, sendo ônus da fiscalização a comprovação e eventual prejuízo ao trabalhador; tal como nos anos posteriores, a PLR objeto de autuação atendeu a todos os requisitos materiais disciplinados pela Lei nº. 10.101, de 2000, ante a inteligibilidade das metas estabelecidas com expressa previsão dos seus mecanismos de acompanhamento, tanto o é que prontamente atendidas e refletidas em recordes de produção no ano de 2007; entretanto, desconsiderando o fato do atingimento das metas pactuadas, o acórdão recorrido julgou ilegítima a PLR para os estabelecimentos em que não teria havido efetiva comprovação do seu acompanhamento sob o, data venia, subjetivo ponto de vista adotado pela Fiscalização; entretanto, conforme consta da Lei nº. 10.101, de 2000, artigos 1º e 2º, apenas há a determinação de que os “... instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período da vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerado, entre outros, os seguintes critérios: I – índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II – programa de metas, resultado e prazos, pactuados previamente”; em outras palavras, a lei não faz qualquer exigência dos padrões de conduta a serem exercidos “acompanhamento mensal das metas” muito pelo contrário, apenas faz menção de que as os acordos apresentados deverão constar as regras para o pagamento da PLR Fl. 1809DF CARF MF 10 com a discriminação das metas a serem atingidas, o que de fato foi realizado nos presentes autos; a toda evidência, a motivação adotada para o lançamento fiscal afigurase como demasiadamente subjetiva e não encontra respaldo na legislação, o que vulnera os limites legais do ato administrativo disciplinados pela CRFB em seu artigo 37, caput; ademais, a autoridade fiscal não se desincumbiu de seu inafastável ônus de comprovação de eventual prejuízo ao trabalhador apto a desnaturar a natureza imune da PLR paga pelo simples fato do contribuinte não haver comprovado o efetivo acompanhamento das metas previamente estabelecidas; para corroborar esse entendimento, vale transcrever os Acórdãos deste CARF em casos da própria Recorrente (PLR’s de 2008/2009) traduzido nos paradigmas trazidos no presente Recurso Especial de divergência: "O levantamento traz como uma das razões para o PLR integrar a remuneração, o não acompanhamento mensal das metas propostas. Todavia, entendo que pelos documentos juntados e análise da legislação vigente, não existe a obrigatoriedade da demonstração por parte do contribuinte, do acompanhamento mensal das metas." (Acórdão nº. 2302003.138, de 13/05/2014, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara da 2ª Seção/CARF) "(...) A meu ver também inexiste uma demonstração cabal do fisco de que as metas não eram acompanhadas. Não há, por exemplo, um documento emitido por um dos sindicatos envolvidos de que a empresa sonegava informações acerca do acompanhamento das metas. (...)Mesmo que a empresa não tenha comprovado que fez esses comunicados mensalmente, não se pode inferir que houve prejuízo aos trabalhadores em razão deste fato, além de que na Lei da PLR inexiste dispositivo que obrigue a empresa a divulgar mês a mês os dados relativos às metas/índices negociados entre patrões e empregados." (Acórdão nº. 2401003.895, de 12/02/2015 Cons. Rel. Kleber Ferreira de Araújo 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara da 2ª Seção/CARF) (grifos da Contribuinte) enfim, em sendo inequívoca a regularidade e legitimidade das metas da PLR previa e democraticamente pactuadas pela Recorrente com seus funcionários ao ditames da Lei nº 10.101, de 2000, há de prevalecer a jurisprudência desse Conselho, concretizada nos paradigmas trazidos pela Recorrente, no sentido de que a legislação não obriga o contribuinte a comprovar o efetivo acompanhamento das metas inequivocamente atingidas, sendo ônus da fiscalização demonstrar eventual prejuízo ao trabalhador; ademais, ainda que assim não se entenda, necessária ao menos a exclusão da PLR paga aos funcionários abrangidos pelos acordos de PLR homologados pelos sindicatos de São José dos Campos e Região e São Paulo, ante a inequívoca comprovação do efetivo acompanhamento das metas estabelecidas destacadas no voto vencido de fls. 2.193/2.199. Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reconhecendose a improcedência do lançamento fiscal. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.806 11 Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 20/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.326 do processo principal), a Fazenda Nacional ofereceu, em 22/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.333 do processo principal), as Contrarrazões de fls. 1.777 a 1.782, com os seguintes argumentos: Do juízo de admissibilidade inicialmente, convém registrar que o Recurso Especial não deve ser conhecido, pois não preencheu o requisito previsto no art. 67, §1º do novo RICARF; § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016). (Destaque da Procuradoria) pela análise do Recurso interposto, não se verifica a indicação dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento. Do pagamento de PLR empregados/base territorial do sindicato a condição imposta na norma transcrita no art. 2º da Lei n.º 10.101, de 2000, restou vulnerada na medida em que não há qualquer comprovação de que o sindicato dos empregados da respectiva base territorial tenha participado efetivamente das negociações; nesse sentido, ainda que se tratem de pequenos escritórios regionais nas unidades de Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro, Indaiatuba, Curitiba, Salvador o que já causaria estranheza de não haver entidades sindicais constituídas, devido ao porte das referidas cidades, é de ausência de representação, de negociação e de assistência em razão da impugnante não envolver um representante sindical na negociação das PRLs, mesmo que através de federações, que também poderiam celebrar os acordos em nome dos trabalhadores, conforme o § 2º do artigo 611 da CLT; isso porque, conforme destacado no acórdão nº 2301003.550, há necessidade de respeito ao princípio da territorialidade quando se trata da “competência” de sindicatos para negociar e celebrar acordos; ora, a sobredita extensão de um acordo celebrado em outra base territorial retira a legitimidade do sindicato signatário, desrespeita os procedimentos previstos para a celebração de convenções e acordos coletivos, fere a “competência” do sindicato verdadeiramente legítimo para firmar o acordo porque vinculado à respectiva base territorial e, desse modo, não contribui para a pacificação entre capital e trabalho; a manifestação a posteriori do sindicato ou o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical não têm o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas, isso porque o sindicato “legítimo” não participou das negociações e não teve oportunidade de, afinado com as pretensões da categoria daquela respectiva região, propor e aceitar cláusulas e condições mais harmônicas com sua realidade social, econômica e local. Do pagamento de PLR empregados/acompanhamento de metas Fl. 1811DF CARF MF 12 cumpre lembrar que, em diversos estabelecimentos, não obstante houvesse a assinatura do acordo coletivo prevendo a Participação nos Lucros ou Resultados, não foi demonstrado o acompanhamento das metas celebradas, ou seja, deixouse de comprovar que a PLR foi instrumento de integração do trabalho com o capital, assim, nestes casos a isenção tributária estaria descartada; a celebração do acordo coletivo e o pagamento de PLR sem que os trabalhadores tenham se envolvido no esforço para atingimento das metas não atendem a Lei nº 10.101, de 2000, posto que tal documento, tamanha a sua artificialidade, apenas simula a participação dos empregados nos resultados da empresa. Nesta situação, o acordo coletivo tornase mero instrumento formal garantidor, no máximo, de prêmios; cumpre trazer à baila, decisão do TRF da 4ª Região tratando dos requisitos necessários à fruição da isenção fiscal, segundo a ementa do acórdão referente ao Recurso Especial nº 865.489: Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. se deve haver mecanismos de aferição dos resultados é porque estes resultados devem ser aferidos; os acordos em questão, portanto, nada mais são que tentativas de transformar um prêmio, com natureza remuneratória, em PLR, isenta de contribuições sociais. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado conhecimento ao Recurso Especial da Contribuinte e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. A despeito do seguimento total do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, no Despacho de Admissibilidade de 16/12/2013 não foi examinada a matéria "b" periodicidade mínima para pagamento de PLR, para a qual foi indicado como paradigma o Acórdão nº 240101.619. Distribuído o processo na Instância Especial, o lapso foi identificado e, por meio do Despacho de Saneamento de fls. 1.783 a 1.786, foi solicitada a elaboração do Despacho Complementar de Admissibilidade de 26/02/2018 (fls. 1.787 a 1.799), em que se negou seguimento a esta matéria. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou Agravo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Em julgamento Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Tratase do Debcad 51.005.3270 (AI78), lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.807 13 Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas. O mesmo procedimento fiscal gerou os Debcads 37.347.7384, 37.347.7392, 37.347.7406, 37.347.741 4, 37.347.7422 e 37.347.7430 (processo nº. 10805.722955/201171), que tratam das obrigações principais, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 79 a 102. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o apelo das seguintes matérias que obtiveram seguimento: aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando, em relação à primeira matéria, que a situação fática do acórdão recorrido não guardaria similitude com a dos paradigmas. Ademais, assevera que os paradigmas indicados não poderiam ser aceitos, conforme art. 67, § 10, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Quanto à alegação de falta de similitude entre o acórdão recorrido e os paradigmas, convém examinar as situações fáticas retratadas nos julgados em confronto. No caso do acórdão recorrido, conforme o próprio voto condutor do julgado, assim é descrito o contexto da autuação: "Diz a Fiscalização que recebeu primeiramente apenas o Acordo Coletivo sobre a Participação nos Resultados firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Eletrônico, Siderúrgicas, Veículos e de Autopeças de São Caetano do Sul/SP, datado de 25 de maio de 2007, com vigência para todo o ano civil de 2007. E, na cláusula segunda do mencionado acordo, estabeleceram–se quais os valores que seriam pagos a título de PLR para os empregados, mensalistas/horistas, e para os menores aprendizes. Na cláusula quarta criouse um adicional no caso de cumprimento da meta GDS. E, no parágrafo primeiro da citada cláusula, condicionouse o pagamento da verba ao cumprimento das metas estabelecidas. No parágrafo segundo, foram excluídos os empregados com “nível de líderes de grupo e acima”, facultandose à empresa estabelecer condições especiais que serão integradas ao acordo celebrado. Na cláusula Terceira foi fixado um adiantamento mediante depósito bancário a ser realizado em 18 de maio de 2007. Neste ponto, a Fiscalização após chamar a atenção para que o pagamento previsto para o dia 18 constou na folha de Fl. 1813DF CARF MF 14 pagamento como efetivados em 11 de maio, lembrando que o acordo foi assinado apenas no dia 25. Na cláusula quarta estão fixadas as metas e as regras de pagamento proporcional conforme o cumprimento ou não destas metas bem como valores adicionais pagos em caso de superação. Diz ainda a Fiscalização que a cláusula quinta, depois de apurados os resultados, o pagamento da participação é realizado em 15 de janeiro de 2008." (grifouse) Em face de tal contexto, o Ilustre Relator em momento algum infirmou os fatos descritos na autuação, mas sim relativizou as infrações apontadas ao dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: "Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, i) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade; excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul; ii) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul; iii) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente; iv) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos; v) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta, mantendo na íntegra as exigências dos lançamentos dos AI's nas demais regiões". (grifouse) Visando demonstrar a alegada divergência em relação à questão do aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR, a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 240100.545 e 20601.344, colacionando os seguintes trechos: Acórdão 240100.545 “O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91” Acórdão n° 20601.344 “Quando se fala em mecanismos de aferição do cumprimento do acordado fica evidente que o acordo de participação nos lucros deve estabelecer as regras a serem observadas pelos empregados, bem como a forma de verificação do cumprimento das mesmas, de tal sorte a restar devidamente caracterizado o Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.808 15 implementado do direito ao recebimento do beneficio pelo empregado. Evidente que um acordo firmado para distribuição de lucros de período pretérito não observou o disposto na lei. Não se pode perder de vista que a participação nos lucros é um instrumento de integração entre capital e trabalho, bem como uma forma de associar a iniciativa do empregado aos seus rendimentos. Relativamente a tal iniciativa é que a lei exige regas claras e objetivas e que existam mecanismos de aferição do cumprimento do acordado. A meu ver, o pagamento a título de PLR, cujo acordo é firmado posteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado se transforma em um simples bônus, cujo pagamento se dá de forma incondicionada, uma vez que não houve qualquer estímulo ao trabalhador em buscar melhores resultados. A Lei n° 10.101/2000 e as medidas provisórias que a antecederam vieram justamente condicionar o recebimento do lucro ou resultado, de tal sorte que, o empregado quando recebe a participação merecida e préacordada, sabe que a mesma ocorreu em face da observância do implemento da condição negociada com o empregador. Tal entendimento pode ser observado no julgado da r Câmara de Julgamentos do CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social, do qual transcrevo trecho: "Acórdão 2.259/2004, de 15/12/2004 — 2ª Câmara de Julgamentos NFLD 35.231.0324 In casu, a Autarquia afirma que: o acordo que prevê a PPR foi levado a termo, após o inicio do pagamento das parcelas a seus trabalhadores; o acordo não contém regras claras e objetivas, vez que não estão definidas metas a serem cumpridas pelos trabalhadores; e, a parcela paga a título de PPR, a bem da verdade, caracterizase como "gratificação de produtividade". Em que pesem as irregularidades apontadas pela Autarquia, a verificação de apenas uma delas é assaz à invalidação do PPR do recorrente, razão pela qual detenhome às regras do art. 2.° da Lei n.° 10.101/2.000, que converteu a MP n.° 794/94 e suas reedições: (...) É de fácil compreensão o dispositivo legal. Devem ser claras e objetivas as regras que definam os direitos de participação dos trabalhadores nos lucros e/ou resultados (direitos substantivos) e os procedimentos de apuração do cumprimento de metas/objetivos pelos trabalhadores, a periodicidade da distribuição, o período de vigência do PPR e o prazo para sua revisão (regras adjetivas)." Fl. 1815DF CARF MF 16 Pelas razões expostas, concluo que o pagamento a título de participação nos lucros efetuado pela recorrente não obedeceu às disposições da Lei n° 10.101/2000.” (destaques da Fazenda Nacional) Conforme os trechos colacionados, nos paradigmas identificouse como irregularidade a inexistência de acordo prévio ao período de apuração e de regras previamente ajustadas. Assim, comparandose as situações retratadas nos julgados em confronto, constata se que, no caso do acórdão recorrido, foi aceito acordo firmado em maio de 2017 com vigência para todo o exercício. Por outro lado, os paradigmas concluíram que acordos firmados para distribuição de lucros de período pretérito não observam o disposto na lei. Especificamente quanto ao paradigma nº 240100.545, este registra expressamente que "a existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas" é requisito para a não incidência de contribuições previdenciárias, revelando claramente a divergência suscitada. Quanto à segunda razão aventada pela Contribuinte para o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, tratase de suposta aplicabilidade do § 10, do art. 67, do Anexos II do RICARF vigente à época de interposição do Recurso Especial, que assim estabelecia: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado." De plano, esclareçase que a interpretação da expressão "tese superada", no contexto do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, correspondia a teses que não mais podiam ser aplicadas pelos Conselheiros, por força de impedimento regimental, a saber: teses que contrariavam Súmulas do CARF ou as decisões vinculantes, nos termos do antigo art. 62A, do Anexo II, do RICARF. Como exemplo citase a matéria relativa a retroatividade benigna das multas previdenciárias que, apesar de milhares de pronunciamentos da CSRF no sentido da tese que ficou conhecida como "cesta de multas", ainda comporta seguimento de Recurso Especial do Contribuinte defendendo tese. Tal como essa matéria, poderiam ser citadas muitas outras que, apesar de decisões reiteradas da CSRF em um determinado sentido, a ausência de Súmula CARF ou de outra espécie de decisão que vincule os Conselheiros do CARF resguarda o direito ao seguimento do apelo. Com estas considerações, logo se conclui que a matéria em questão, longe de comportar a conclusão no sentido de que estarseia tratando de tese superada, ainda é objeto de grandes discussões, de sorte que não há que se falar em aplicação do § 10, do art. 67, do Anexo II, do RICARF vigente à época da interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Resta esclarecer que o atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, não deixa dúvidas quanto à possibilidade de descarte de paradigma por defender tese superada, conforme o § 12, do art. 67, do Anexo II: Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.809 17 "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; e IV decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)" Quanto à segunda matéria a que se deu seguimento aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 dela não conheço, uma vez que no acórdão recorrido nada consta sobre o tema. Com efeito, no presente processo não se trata de AI68 e sim de AI78, que não comporta a discussão acerca da aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assim, demonstrada a divergência jurisprudencial em relação à primeira matéria, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR e passo a analisarlhe o mérito. A Constituição Federal assim estabelece: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" (grifei) Fl. 1817DF CARF MF 18 Destarte, não há dúvida de que a Carta Magna delegou à lei a atribuição de definir as regras acerca da participação nos lucros ou resultados, o que foi feito por meio da Lei nº 10.101, de 2001, que assim determina: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." (grifei) Do conjunto de regras acima estabelecidas, deduzse que o cumprimento do §1º, do art. 2º, ou seja, o estabelecimento de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição, e principalmente a fixação prévia de metas e resultados, requer que o pacto ocorra antes do início do exercício a que se refere o acordo, do contrário os empregados sequer saberiam o quanto teriam de se esforçar, e qual seria a compensação por esse esforço. A expressão "pactuados previamente" comporta diversas interpretações, inclusive aquela adotada pela Contribuinte e aplicada no acórdão recorrido. Entretanto, no entender desta Conselheira, não há como validar um pacto ou acordo, senão por meio da assinatura das partes, portanto não há que se falar em acordo válido, quando ele sequer foi assinado. Ademais, a interpretação no sentido de que a assinatura do acordo tem de ser anterior ao exercício ao qual ele se refere, guarda lógica com todas os demais dispositivos da Lei nº 10.101, de 2001, já que permite ao empregado saber exatamente qual o nível de esforço suficiente a atingir as metas prefixadas. Assim, a despeito das alegações oferecidas em sede de Contrarrazões, no sentido de que os empregados já conheceriam as metas, entende esta Conselheira que os pagamentos referentes às PLR não foram objeto de negociação prévia, assim entendida como a negociação que resulta em acordos efetivamente assinados previamente, sendo que no presente caso os acordos somente foram assinados após decorridos 5 meses do períodobase (fls. 1.651 a 1.659 do processo principal). Destarte, obviamente que no momento em que o pagamento de PLR foi efetuado, já haviam ocorrido as variáveis que determinaram o lucro e os resultados obtidos pela empresa, sem qualquer possibilidade de aferição acerca do alcance de eventuais metas pelos Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.810 19 empregados. E não se pode perder de vista que se trata de exclusão de base de cálculo de tributo, portanto a interpretação tem de ser restritiva, a teor do art. 111, do CTN. Quanto aos julgados colacionados pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, tratase de jurisprudência que vem sendo revista no CARF, mormente no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte em que foi conhecido, restabelecendo a incidência das Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de PLR. Em tendo sido dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional relativamente ao descumprimento de pressuposto referente a PLR, resta prejudicado o Recurso Especial da Contribuinte. Isso porque, no presente caso, o descumprimento dos requisitos de formalização do acordo antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados, acarretou a tributação de todos os pagamentos a título de PLR. Nesse passo, ainda que fosse dado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto aos requisitos da abrangência territorial do sindicato e da comprovação do acompanhamento de metas o que se admite apenas para argumentar a verba continuaria sendo tributável, visto que o atendimento aos requisitos da PLR deve ser cumulativo. Por oportuno, esclareçase que os posicionamentos aqui esposados já foram adotados quando da prolação do Acórdão nº 9202005.978, de 26/09/2017, de interesse da mesma Contribuinte. O julgado foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. PLR. PERIODICIDADE. OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL. Nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando o pedido não logra alterar a decisão recorrida." Fl. 1819DF CARF MF 20 Acrescentese que, relativamente à segunda matéria suscitada inexigibilidade de comprovação do acompanhamento das metas pactuadas na PLR há um fundamento adicional que impede o seu conhecimento, conforme será explicitado na sequência. Resta claro que, nesta segunda matéria, a Contribuinte visa rever a questão da territorialidade, estendendo à Região de São José dos Campos, Campo de Provas de Cruz Alta e São Paulo o mesmo tratamento dado à Região de São Caetano do Sul, no que tange à exclusão, da tributação, dos pagamentos efetuados a título de PLR. Entretanto, de plano se verifica que, no que tange ao acompanhamento de metas, no acórdão recorrido deuse provimento ao Recurso Voluntário, conforme consta ao final da parte dispositiva do julgado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade; excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores; d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Mario Lucena. OAB: 131.630/RJ..)" (grifei) Com efeito, a questão da abrangência da territorialidade almejada pela Contribuinte foi negada com base em outros fundamentos, que não a questão do acompanhamento de metas. Confirase o acórdão recorrido (de Recurso Voluntário): "iii) DA LEGITIMA EXTENSÃO DO ACORDO COLETIVO PARA AS DEMAIS UNIDADES DA RECORRENTE E DO EFETIVO ATENDIMENTO DAS METAS É de conhecimento geral que os sindicatos são referendados pelo principio da unicidade sindical, cujo qual está no caput do artigo 8° da Constituição Federal de 1988, sendo sua base territorial mínima o município conforme deliberação da assembléia geral, no qual todos os afiliados são convocados ao voto para referendar o estatuto. Sendo assim, caso seja eleito o município como base territorial mínima de uma categoria à Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.811 21 atividade econômica não poderá ser criado outro sindicado nesta mesma base, mas somente em outro município. No mesmo diapasão temos o princípio da territorialidade onde, para a legislação tributária vale, em princípio, nos limites do território da pessoa jurídica que edita a norma ou a regra, e, no caso as regras e metas de um PLR. Sendo assim para o princípio da territorialidade no direito tributário implica dizer que, se a competência é de âmbito federal, a norma vale apenas dentro do território brasileiro; no âmbito municipal, dentro do município e, assim, sucessivamente. Entretanto, pode excepcionalmente a norma atingir sujeitos passivos fora do Estado Federal, do Município ou Estado, conforme reza o artigo 102 do Código Tributário Nacional. ‘In verbis’: (...) Mas, esta excepcionalidade do Código Tributário Nacional só é válida se houver convênio entre as pessoas jurídicas de Direito Público interno interessadas (Distrito Federal, Estados e Municípios), ou desde que existam tratados ou convenções firmados pela União. Desta forma, como no caso não se está tratando diretamente de pessoas jurídicas de direito público interno, mas sim de sindicatos de bases territoriais diferenciadas, onde, não olvidemos a sua natureza jurídica é pertencente ao terceiro gênero, pois não é nem ente público e tão pouco privado, sendo, portanto, pessoa jurídica de direito social, e como tal exerce em determinados momentos o múnus público e por isto admite a aplicação do supramencionado artigo. Até admitirseia a valia do PLR homologado pelo sindicado de São Caetano do Sul /SP se houvesse nos autos um convênio entre ele e os demais sindicatos envolvidos, o que não tem. Razão pela qual, não considero extensiva as regras e metas do PLR de São Caetano do Sul / SP nas demais localidades envolvidas. De mais a mais, temos que o objeto de se respeitar os princípios da unicidade sindical e da territorialidade é proteção ao trabalhador para que ele seja ‘defendido’ por um sindicato que esteja perto de seus problemas e conhecendo as possíveis soluções, trazendo para si a segurança que necessita para valer se diante do poder empregante. Mas, não é só, eis que a criação de bases territoriais também tem como fim a proteção de enfrentamento de diferentes problemas e soluções existentes num país continente como é o caso do Brasil, haja vista que, muitas vezes, o que se enfrenta em Porto Alegre / RS não é a mesma coisa que se enfrenta em Belém / PA, como costumes, tradições, climas e outros quejandos. Fl. 1821DF CARF MF 22 Pode até a Recorrente alegar que não está na legislação dispositivo que assim determine, mas, de qualquer forma está consubstanciada a agressão a regra insculpida pela Lei 10.101/2000, pois, se um sindicato negociou todo o PLR de todas as unidades da Recorrente no Brasil, claro ficou que não houve a participação do sindicato da base de outras localidades e tão pouco dos trabalhadores que não fossem de São Caetano do Sul /SP. Por isto, tenho que ilegítimo o acordo coletivo celebrado no sindicato de São Caetano do Sul, extensivo às demais unidades da Recorrente, servindo tão somente para aquela localidade. Sendo assim, mesmo havendo no PLR contemplação diferenciada para os que ocupam o cargo de supervisor, admiti se a valia do PLR para os funcionários que são abrangidos pelo sindicato de São Caetano do Sul / SP." Em face de tal constatação, é de se perguntar de onde teriam sido extraídos os trechos atribuídos ao acórdão recorrido, no cotejo elaborado pela Contribuinte, já que de forma alguma constam do voto vencedor do Acórdão de Recurso Voluntário. Pois bem na verdade esses trechos foram extraídos da Declaração de Voto do Acórdão de Recurso Voluntário e do Voto Vencido do Acórdão de Embargos, sendo que essa matéria sequer foi conhecida quando do julgamento dos aclaratórios. Com efeito, o primeiro trecho cotejado com os paradigmas consta do terceiro parágrafo de fls. 16 da Declaração de Voto do Acórdão de Recurso Voluntário recorrido: "Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo." Quanto ao segundo trecho atribuído ao acórdão recorrido e cotejado com os paradigmas, este consta às fls. 06/07 do Acórdão de Embargos e corresponde ao Voto Vencido, reiterandose que essa matéria sequer foi conhecida: "Todavia, nem todos esses acordos cumpriram com as especificações estabelecidas pelo acórdão embargado. Embora esses acordos tenham sido assinados pelo sindicato local da categoria, a Embargante somente conseguiu comprovar o acompanhamento de metas para alguns deles, mais especificamente para os estabelecimentos de São José dos Campos (abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta) e de São Paulo, conforme segue: (...) Já com relação aos estabelecimentos de Mogi das Cruzes, Gravataí e Sorocaba, com metas locais de desempenho, a Embargante não conseguiu comprovar nos presentes autos o acompanhamento de metas previsto no acordo e exigido pela decisão embargada:" (destaques da Contribuinte) Destarte, uma vez que no acórdão recorrido nada consta sobre eventual falta de comprovação do acompanhamento de metas, esta segunda matéria suscitada no Recurso Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.812 23 Especial da Contribuinte tem um fundamento adicional para não ser conhecida, além da prejudicialidade já tratada no presente voto. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, dele conheço parcialmente, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, doulhe provimento, restabelecendo a tributação dos pagamentos a título de PLR. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1823DF CARF MF
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