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Numero do processo: 13896.903145/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Inferese dos autos, que o contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP), alegando direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 03 14 5/ 20 09 -1 5 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 232 2 Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório pleiteado e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que informou, equivocadamente, que o débito de IRPJ devido no mês de outubro de 2004 seria R$ 5.193.320,00, porém, o valor realmente devido no mencionado período para o IRPJ era de R$ 5.049.765,17, conforme consta em sua DIPJ do período. Aduz que como já havia recolhido o primeiro valor, através de DARF e compensação efetuado em Per/Dcomp, tal fato gerou um crédito oriundo de pagamento indevido no montante de R$ 143.554,83. Menciona ainda que ao perceber o equívoco, retificou a DCTF do 4º trimestre de 2004, para fazer constar como valor devido (PA outubro de 2004) o valor que considera correto, sendo o crédito resultante no valor de R$ 143.554,83 utilizado no Perd/Comp em discussão para quitar o débito de IRPJ com vencimento em novembro de 2005. Na oportunidade fez juntada dos documentos que julgou necessários para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Estes argumentos e provas foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgar a manifestação de inconformidade improcedente, com o seguinte ementário: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde faz juntada de novas provas e apresenta argumentos que serão a seguir analisados. O presente processo foi indicado como paradigma para um lote de processos repetitivos, e após sua inclusão em pauta, o contribuinte atravessa petição de fls. 207 e 208 requerendo alteração de paradigma, sendo o pedido deferido. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 233 3 Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares, quais sejam, apuração da IRPJ do mês de outubro de 2004, o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e o balancete de verificação que lhe suporta, entre outros. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Da conversão do julgamento em diligência Em sede de prejudicial de mérito, requer o contribuinte conversão do julgamento em diligência, com base no princípio da verdade material, para que se possa confirmar a existência do crédito, por dois motivos: i) no caso deste colegiado considerar os documentos juntados na impugnação insuficientes para comprovar o direito creditório alegado; ii) caso não sejam admitidas as provas juntadas em 2ª instância que demonstram tal direito. Em que pese suas razões, não há que se determinar conversão em diligência, na hipótese do julgador considerar insuficientes os documentos colacionados pelas partes, pois não compete ao julgador e sim as partes, trazerem aos autos provas que sustentam suas alegações. A avaliação da necessidade de se realizar diligência é atividade de discricionariedade do julgador. Nesse sentido, são os precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho: PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 234 4 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2 Câmara 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência, tal como formulado pela recorrente. Não obstante essas razões, entendo que deve ser convertido o julgamento em diligência, porém por outros fundamentos. Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização não aprofundou sua investigação acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado, quando desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte, que comparada com o DARF de recolhimento, indicava saldo credor, ainda que em descompasso com a Dcomp apresentada. Ora, a Administração Tributária não pode limitar, na sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp, já que existiam informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DComp) e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações. O contribuinte questiona a ausência de intimação, no caso. De fato, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. Por sua vez, a Administração Tributária consciente deste problema modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 235 5 contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescese a isso, que em tópico anterior deste decisium, foi admitido juntada dos documentos trazidos pela recorrente em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e a decisão recorrida não reconheceu seu direito creditório, por entender que os documentos juntados, no caso, a DIPJ, DCTF retificadoras e originais, DARF´s, seriam insuficientes para comprovar o crédito que informavam. Da análise dos anteditos documentos, observo que eles se propõem a reforçar os argumentos aduzidos pelo contribuinte em sua manifestação inicial, e, em tese, possuem o condão de comprovar que a retificação efetuada refletia a realidade empresarial da pessoa jurídica, reputandose, por isso, segundo penso, de extrema importância na investigação da certeza e liquidez do direito creditório compensado. Uma vez acostados os documentos, entendo ser necessário que a RFB manifestese sobre eles, antes da deliberação sobre o mérito do direito creditório perseguido pelo contribuinte. Assim, conduzo meu VOTO no sentido de que sejam os autos convertidos em diligência, para que a Delegacia de Origem adote as seguintes providências: I) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação, através do exame dos documentos apresentados, seja na impugnação, seja no recurso voluntário; II) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; III) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; IV) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. V) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 236 6 Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15169.000003/2016-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE LEGALIDADE. COMPETÊNCIA DOS ORGÃOS JULGADORES PARA DECIDIR SOBRE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA
Cabe ao fisco, tanto no ato de lançamento, quanto no processo de controle de legalidade deste ato, identificar contra quem promoverá a cobrança do tributo. Os órgãos julgadores em primeira e segunda instâncias administrativas, devem decidir quanto à responsabilização dos sujeitos passivos pelo cumprimento da obrigação tributária.
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
Anula-se a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestar-se, devendo outra ser prolatada.
Numero da decisão: 1302-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno à DRJ para apreciação da impugnação dos responsáveis solidários arrolados, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE LEGALIDADE. COMPETÊNCIA DOS ORGÃOS JULGADORES PARA DECIDIR SOBRE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA Cabe ao fisco, tanto no ato de lançamento, quanto no processo de controle de legalidade deste ato, identificar contra quem promoverá a cobrança do tributo. Os órgãos julgadores em primeira e segunda instâncias administrativas, devem decidir quanto à responsabilização dos sujeitos passivos pelo cumprimento da obrigação tributária. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Anula-se a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestar-se, devendo outra ser prolatada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno à DRJ para apreciação da impugnação dos responsáveis solidários arrolados, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.897 1 2.896 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15169.000003/201673 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.318 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria IRPJ Recorrente COMERCIAL DE CAFÉ E CERAIS ILHA BELA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE LEGALIDADE. COMPETÊNCIA DOS ORGÃOS JULGADORES PARA DECIDIR SOBRE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA Cabe ao fisco, tanto no ato de lançamento, quanto no processo de controle de legalidade deste ato, identificar contra quem promoverá a cobrança do tributo. Os órgãos julgadores em primeira e segunda instâncias administrativas, devem decidir quanto à responsabilização dos sujeitos passivos pelo cumprimento da obrigação tributária. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Anulase a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse, devendo outra ser prolatada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno à DRJ para apreciação da impugnação dos responsáveis solidários arrolados, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 00 03 /2 01 6- 73 Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.898 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da DRJRJ1, complementandoo ao final, litteris: “Cuida, o presente processo, dos autos de infração de fls. 1745/1807, lavrados em 14.12.2009, pela DRF Vitória ES, contra Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda, relativos aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 1.555.228,44, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 732.252,79, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 2.034.035,51 e a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 440.707,55, todos acrescidos da multa proporcional de 150% e dos juros de mora. Foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário, com base no artigo 124 do CTN (Lei nº 5.172/66), as empresas Licafé Com. Imp. E Exp. de Café Ltda e Giucafé Exp. e Imp. Ltda, bem como as pessoas físicas: Darli Moro, José Carlos Moro, José Anailson Moro, Aguina Lucia Moro Medeiros, Josemar Moro, Jovania Aparecida Moro Magnaco, Júlio César Galon Moro, Alfredo Giuberti, Pedro Giuberti e Noé Bergamaschi (fls. 1708/1743). De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1607/1706, o lançamento derivou das seguintes constatações, em síntese: a) Foi caracterizada omissão de receitas porque o autuado foi intimado mas não comprovou a origem dos depósitos feitos nas contas bancários de sua titularidade no Bradesco e na Sicoob (Cooperativa de Crédito Norte Litorânea do ES), que somaram R$ 11.419.685,60 em 2004, R$ 25.511.745,13 em 2005 e R$ 30.869.759,32 em 2006; b) O autuado apresentou declaração de inatividade em relação aos anos calendário 2004 e 2005 e esteve omisso (sem declaração) quanto ao de 2006; c) O autuado não apresentou à fiscalização os livros Diário, Razão e/ou caixa, registro de empregados, alvará de funcionamento nem o talonário de notas fiscais, sob a alegação de extravio, razão pela qual seu lucro foi arbitrado; d) Foram colhidos depoimentos dos sócios, do procurador e do porteiro do prédio da empresa autuada, dos sócios e empregados das empresas Licafé e Giucafé Exp. e Imp., de funcionários das agências do Bradesco e da Sicoob (em que o autuado mantinha contascorrentes), de produtores rurais de café (de quem o autuado comprava café) e de empregado da FMV transportes; e) A empresa autuada resultou da alteração, em 2001, da razão social e do objeto social da Beabá Papelaria e Livraria Ltda, por seus sócios Marcus Vinicius de Castro Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.899 3 Barcellos e sua esposa, Deiseane Xavier Pereira, por proposta, e também com o auxílio, do sr. Noé Bergamaschi, passando a atuar no comércio de café, dentre outros; f) A empresa autuada tinha seu endereço numa sala “acanhada”, não possuía empregados e não realizava operações bancárias típicas (aplicações financeiras, resgates, empréstimos ou contratos); g) Os sócios constantes do contrato social do autuado, Marcus Vinicius de Castro Barcellos e sua esposa, Deiseane Xavier Pereira, eram tãosomente “sócios de direito”, um casal simples, de condição financeira incompatível com os negócios da empresa, desconhecido do porteiro do edifício que abriga a sede da empresa e não geria a empresa; h) O sr. Marcus Vinicius era operador de máquinas da empresa Chocolates Garoto de 2004 a 2009, recebia comissão “como de favor” em troca de sua assinatura em documentos do autuado e assinava cheques em branco e entregava para o sr. Noé Bergamaschi; i) O sr. Noé Bergamaschi era responsável pela parte contábil e fiscal do autuado até 2007, tinha endereço comercial no mesmo endereço do autuado, movimentava suas contas bancárias e tinha procuração para representálo em órgãos públicos, RFB, instituições privadas, podendo abrir e encerrar contas bancárias, assinar e endossar cheques e duplicatas, dentre outros poderes; j) A gestão da empresa autuada, a movimentação de suas contascorrentes e outros serviços eram feitos pelo sr. Noé Bergamaschi e por sócios, gerentes e funcionários das empresas Licafé Com. Imp. E Exp. de Café Ltda; k) Os empregados dos bancos praticamente só tratavam dos assuntos da empresa autuada com empregados da empresa Licafé; l) Os cheques emitidos pelo autuado eram assinados pelo sr. Marcus Vinicius ou por Noé Bergamaschi; m) Os produtores rurais de café negociavam as vendas do produto com os sócios, gerentes e funcionários da Licafé nos escritórios dessa empresa, as notas fiscais de venda ora tinham como destinatário a Licafé, ora o autuado, mas a venda era sempre para a Licafé (alguns produtores vendiam exclusivamente para a Licafé) e o local de descarga era a Licafé, enquanto que o preço era pago por meio dos cheques emitidos pelo autuado; o mesmo procedimento acontecia com a empresa Giucafé Exp. e Imp.; n) Alguns produtores rurais afirmaram que nunca haviam vendido café para o autuado e nem sequer conheciam a empresa autuada, seus sócios ou gerentes; o) As notas fiscais de compra e de venda de café e os talões de cheques vinham das empresas Licafé e Giucafé Exp. e Imp. para a empresa autuada por meio de malotes dos correios, todos os dias; p) Praticamente a totalidade dos cheques emitidos pelo autuado eram sacados na “boca do caixa” e, em seguida, seus valores eram depositados em várias contas correntes, normalmente de titularidade dos produtores rurais de café; q) Os sócios de direito do autuado serviram de interpostas pessoas para as atividades da empresa e os verdadeiros beneficiários econômicos foram terceiras pessoas, que são responsáveis solidários pelo crédito tributário, por aplicação do art. 124 do CTN; r) Os fatos narrados, sobretudo a intenção de suprimir tributos com a omissão contumaz de receitas e com a utilização de interpostas pessoas (“laranjas”) visando Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.900 4 encobertar os reais beneficiários, caracterizam fraude, implicam a qualificação da multa de ofício para 150% e representam, em tese, crime contra a ordem tributária; Foram cientificados do lançamento, a empresa autuada e os responsáveis solidários, entre 14 e 16.12.2009 (fls. 1809/1821). A empresa Licafé apresentou a petição de fls. 1825/1827, em 21.12.2009, alegando que não pôde ter vista dos autos e requerendo prazo para vista e cópia dos autos para que pudesse se defender. O sr. Noé Bergamaschi apresentou a impugnação de fls. 1833/1839, em 13.01.2010, com as seguintes alegações, em síntese: a) Só prestou serviços de contabilidade na área fiscal estadual e municipal, à empresa autuada, até 2003 e não detém qualquer livro ou documento; b) Seus serviços limitavamse à contabilidade, tudo que fez foi a mando do sr. Armando Guerra Miranda e não tinha qualquer interesse na empresa autuada; c) Embora seu endereço coincidisse com o do autuado, também atendia à outras empresas; d) A procuração que tinha foi revogada em 2006 e só assinou os cheques por seis meses a um ano; e) Conforme depoimentos dos empregados dos bancos, os malotes com pagamentos, duplicatas, cheques etc eram entregues aos boys da Licafé, e a Giucafé Exp. e Imp. também tinha interesse nas operações; e f) Não é o beneficiário das atividades do autuado, não teve acréscimo patrimonial no período e deve ser excluído da responsabilidade pelo débito fiscal. O autuado apresentou a impugnação de fls. 1889/1896, em 13.01.2010, com as seguintes alegações, em síntese: a) Atua como representante comercial, intermediando a venda de café e cereais para outras empresas, assim sendo, os recursos depositados nas contascorrentes não são receita, mas sim movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor (produtor rural); b) Só poderia ser autuado sobre as comissões recebidas, que são suas receitas; c) Registrou duas contas transitórias para controlar esse repasse de pagamentos, no Livro Diário e no Razão, juntados aos autos; d) Nunca emitiu notas fiscais de compra e venda, fazendo somente o agenciamento através da empresa Licafé; e e) Os depósitos bancários são indícios, que, para se tornarem presunção válida, necessitam de uma prova para consubstanciar omissão de receitas. A empresa Giucafé Exp. e Imp., Alfredo Giuberti e Pedro Giuberti apresentaram a petição de fls. 1919/1920, em 04.01.2010, alegando que não conseguiram obter cópia dos autos e pedindo prorrogação do prazo para se defenderem. Em 13.01.2010, essas três pessoas apresentaram sua impugnação (fls. 1928/1979, com as seguintes alegações, em síntese: a) Quando conseguiu cópia dos autos, restavam só oito dias do prazo de impugnação, motivo pelo qual deve ser reaberto o prazo; Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.901 5 b) Decaiu o direito de lançar os tributos relativos ao ano de 2004, já que a devedora principal foi cientificada do auto de infração em 14.12.2009; c) Apenas duas empresas tinham interesse na comercialização de café pelo autuado: a Miranda Café e a Licafé, de acordo com os depoimentos colhidos – dos 34 produtores rurais ouvidos, apenas nove citaram a Giucafé Exp. e Imp. e nenhuma das instituições financeiras a citaram; d) A quantidade e os valores das operações relacionadas aos produtores que citaram a Giucafé Exp. e Imp. são insignificantes; e) Não tem acesso à conta bancária do autuado via “home banking”; f) Não foi a Giucafé Exp. e Imp., mas, sim, o sr. Pedro Giuberti que providenciou o pagamento do débito de um produtor rural junto à Kurumá Veículos; g) Não há prova de que o café vendido pelos produtores ao autuado (conforme NF) era, na verdade, vendido à Giucafé Exp. e Imp.; h) A questão de os funcionários da Giucafé Armazéns Gerais preencherem, em seu escritório, as NF de venda dos produtores rurais está ligada ao fato de as corretoras, intermediárias, conhecerem os dados dos compradores do café; i) Não foi provado o interesse jurídico dos impugnantes nos negócios do autuado; j) Não foi individualizada a conduta dos impugnantes de forma a amparar sua responsabilidade; e k) A multa só pode ser majorada para 150% quando for provada a fraude, o que significa não existir dúvidas quanto ao propósito doloso do contribuinte; A empresa Licafé e as pessoas físicas: Darli Moro, José Carlos Moro, José Anailson Moro, Aguina Lucia Moro Medeiros, Josemar Moro, Jovania Aparecida Moro Magnaco e Júlio César Galon Moro apresentaram a impugnação de fls. 2197/2307, com as seguintes alegações, em síntese: a) Foi negada a vista aos autos antes do encerramento dos trabalhos de fiscalização, o que gerou cerceamento do direito de defesa; b) São imprestáveis diversos depoimentos de terceiros porque não foram colhidos ou assistidos pelos auditores que conduziram a ação fiscal e porque neles não consta o número do MPF (mandado de procedimento fiscal); c) Os MPF iniciais foram extintos por decurso de prazo, assim sendo, o novo MPF emitido não poderia contar com a participação do mesmo auditor; d) Apesar de ter intimado o sr. Josemar Moro, responsável solidário, em 08.12.2009, a prestar esclarecimentos em cinco dias, a fiscalização encerrou o termo de verificação fiscal no dia 11.12.2009; e) Solicitam diligência para que se ouçam novamente todas as pessoas que prestaram depoimento, agora com a possibilidade de os impugnantes fazerem perguntas; f) Solicitam que se intime a FMV transportes a juntar documentos; g) Solicitam perícia nos documentos da FMV transportes para comprovar a remessa física das mercadorias; Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.902 6 h) Solicitam perícia dos documentos bancários para que sejam apuradas as receitas e despesas, a fim de determinar a receita tributável; i) Relacionam as intimações assim como os quesitos que entende necessários; j) Anexam planilha, na forma de “caixa contábil”, que mostra que na movimentação bancária juntada pela fiscalização, não houve só créditos, mas também débitos para aquisição de mercadorias e, assim, “o resultado é completamente diferente” e “a receita passível de tributação é muito menor do que a apontada e sugerida pelo AFRFB emissor da autuação”; k) A maioria dos créditos recebidos na contacorrente do autuado na Sicoob era proveniente de transferência de sua conta no Bradesco; l) Os recursos depositados nas contas do autuado têm sua origem (fornecimento de mercadorias) comprovada tanto pelo histórico dos próprios extratos bancários, como se vê, por exemplo, pelos 22 casos relacionados, quanto por notas fiscais, sem falar nos documentos das transportadoras; m) Houve, se muito, omissão de escrituração e de declarações fiscais, mas, não, receita omitida, pelo chamado caixa 2, pelo contrário, toda a movimentação se deu pelo sistema bancário; n) Não há proibição legal para se administrar uma empresa por procuração, para ser sócio de uma empresa e empregado de outra, ou de operar junto a instituições financeiras por meio de procuradores ou prepostos; o) A condição financeira do sócio não determina a utilização de interpostas pessoas; os produtores rurais não tinham que conhecer os representantes do autuado pois negociavam com intermediários; pessoas não são obrigadas a contrair empréstimos ou efetuar investimentos para ter uma atividade que seja considerada regular e legal; p) Depósito bancário não é disponibilidade de renda, tanto que o Decreto nº 2.471/88 determinou o cancelamento dos débitos baseados exclusivamente em extratos bancários; q) Se a fiscalização concluiu tratarse de interpostas pessoas e desconsiderou a contabilidade da Ilha Bela, não deveria ter autuado a Ilha Bela, mormente por constatar que seus sócios não possuíam condição financeira, mas deveria autuar as (aos olhos do Fisco) interpostas pessoas, ora impugnantes, por força do art. 42, §5º, da Lei nº 9.430/96; r) As cópias dos extratos bancários e dos cheques fornecidas pelas instituições financeiras são inidôneas, já que não estão autenticadas, consoante art. 3º e 5º do Decreto nº 3.724/2001; s) A fiscalização impôs idéias e coagiu os depoentes; t) Os impugnantes, além de comerciantes, também atuam como intermediários na compra e venda de café e cacau, assim, quando muito, intermediaram compras do autuado junto a produtores rurais de café; u) De acordo com os depoimentos da FMV, documentos da Secretaria de Fazenda – ES e com documentos do Bradesco, o autuado efetivamente vendia mercadoria, recolhia ICMS e recebia os pagamentos em sua contacorrente, e, de acordo com os depoimentos dos produtores rurais, é certo que ele comprava café, recebia o produto e pagava Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.903 7 pela compra e, ainda, que, seja por si, seja por intermediários, como os impugnantes, arcava com custo de buscar o café; essa atividade justifica, plenamente, a origem dos depósitos bancários; v) Os impugnantes não têm interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, mas, quando muito, compraram café de produtores rurais, para e em nome do autuado; w) Se existe uma pessoa que tinha interferência sobre os atos praticados pelo autuado, era o sr. Armando Guerra Miranda e, não, os impugnantes, como confessado pelos sócios do autuado; x) A responsabilidade atribuída a terceiros só abrange o tributo e os acréscimos moratórios, não as multas pecuniárias, com base no art. 137 do CTN; y) A Licafé orientava os produtores rurais a preencher as notas fiscais em nome da Ilha Bela, porque esta era a verdadeira compradora, enquanto que a Licafé atuava com intermediária; z) Os AFRFB não entenderam como funciona o mercado de café há mais de 200 anos: “no mercado de balcão organizado do comércio de café, assim como ocorre nas bolsas de valores e mercadorias futuras, um “lote” de mercadoria pode circular por diversas “mãos”, sempre na modalidade de intermediação, sendo certo que somente será emitida nota fiscal de venda, quando vencer a obrigação de entrega da mercadoria”; aa) Quando operou como corretora na venda dos produtores rurais para o autuado, a Licafé, a fim de zelar por seu nome comercial, no muito, acompanhou a liquidação da operação de compra, principalmente quando essa operação dependia de repasse de valores para terceiros que eram credores dos produtores; bb) Se houve omissão de receita do autuado foi no ato da venda, operação que não é intermediada pela Licafé, o que afasta tanto a relação direta quanto o interesse comum na situação que constitua o fato gerador, exigidos pelos art. 121 e 124 do CTN; cc) O sr. Darli Moro nunca integrou o quadro societário da Licafé e sempre atuou como intermediador/corretor; dd) Aguina Lucia Moro Medeiros e Josemar Moro não possuíam poderes de administração e gestão na Licafé, só foram sócios entre 06.10.2005 e 13.11.2006 e não foram citados por qualquer dos depoimentos; ee) A sra. Jovania Aparecida Moro Magnaco só ingressou na sociedade da Licafé em 06.10.2005 e só passou a responder pela administração em 16.11.2006; ff) O sr. José Anailson Moro ingressou na sociedade da Licafé em 06.10.2005 e retirouse em 16.11.2006, período em que compartilhou a gestão, mas também não foi citado em qualquer dos depoimentos; gg) O sr. José Carlos Moro foi sócio da Licafé de 1991 a 16.11.2006, mas só respondeu pela gestão até 1994; hh) O sr. Júlio César Galon Moro foi sócio fundador e geriu a Licafé até 2008, realizava operações de compra para o autuado junto aos produtores rurais, sempre tratando com os srs. Armando guerra Miranda e Noé Bergamaschi, mas sem exclusividade e sem poder de interferência na empresa autuada; ii) Não são verdadeiros os depoimentos dos funcionários da Sicoob de que se reportavam à Licafé para tratar de assuntos da empresa autuada; Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.904 8 jj) O sr. Júlio César Galon Moro ou qualquer outro sócio ou funcionário da Licafé jamais tiveram autorização para acessar dados bancários do autuado na Sicoob; kk) A cobrança de débitos de empresa só pode invadir o patrimônio dos sócios nos casos de dolo, excesso, dissolução irregular ou outros atos ilícitos e, antes de cobrar das pessoas físicas, deve ficar evidenciada a incapacidade financeira do devedor principal; ll) As alterações quanto à solidariedade trazidas pela Lei nº 11.941/09 bem como o entendimento mostrado na recente jurisprudência impedem que a cobrança repercuta no patrimônio dos sócios e exsócios da Licafé, uma empresa solvente; mm) Contestam a representação para fins penais; e nn) Requerem prazo de 30 dias para juntar novos documentos e vistas dos autos para manifestação em face das demais impugnações. Em 17.05.2010, esta Delegacia de Julgamento determinou a reabertura do prazo para vista, cópia e aditamento de defesa, para a Licafé, a Giucafé Exp. e Imp., o sr. Alfredo Giuberti e sr. Pedro Giuberti. Em 28.06.2010, a Licafé, após ter vista dos autos, apresentou, em seu nome e no das pessoas que haviam produzido defesa em conjunto com ela, a petição de fls. 2.610/2.613, na qual reiteram as razões antes aduzidas. Em 30.09.2010, a empresa Giucafé Imp e Exp., Alfredo Giuberti e Pedro Giuberti interpuseram nova impugnação (fls. 2.622/2.682), na qual, além de repisarem os argumentos anteriores, acrescentaram os seguintes, em síntese: a) De acordo com recente acórdão do CarfMF, a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro compete exclusivamente à PFN, no bojo da cobrança executiva, e é nula tal imputação quando efetuada pela fiscalização por falta de competência; b) Assim sendo, os atos de responsabilizar são nulos e representam abuso de autoridade, face ao art. 4º da Lei nº 4.898/65; c) Por isso, deve o Carf dar início aos processos disciplinar e penal para punição dos abusos além de extirpar dos autos qualquer menção ao nome dos impugnantes e desentranhar os documentos a eles relacionados; d) A imposição da responsabilidade é tão genérica que, não sabendo qual seria o interesse jurídico nas atividades do autuado, os impugnantes não podem se defender; e) Também não podem se defender porque não têm acesso aos livros e às movimentações bancárias do autuado; e f) A imposição da totalidade do ônus tributário aos impugnantes implica violação do artigo 42, §5º, da Lei nº 9.430/96;” No julgamento das impugnações do autuado e responsáveis, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, por voto de qualidade, resolveu afastar a preliminar de imprescindibilidade do enfrentamento das questões relativas à imputação de responsabilidade e, no mérito, por unanimidade de votos, negaram provimento às impugnações, conforme a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.905 9 Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza receita omitida a falta de apresentação de documentos que comprovem as operações que motivaram os depósitos em conta bancária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública encarregado da execução fiscal, donde resulta ser inócua a apreciação do tema pela Delegacia de Julgamento. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. A prática de atos intencionais e com máfé, com fim de evitar o pagamento de tributo e desviar eventual cobrança dos reais beneficiários da renda, justifica o agravamento da multa para 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformados, os responsáveis GIUCAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., ALFREDO GIUBERTI e PEDRO GIUBERTI, interpuseram recurso voluntário da referida decisão, reforçando os argumentos aduzidos em suas peças impugnatória, e acrescentando as seguintes preliminares de nulidade do acórdão recorrido: (i) Omissão quanto à análise dos argumentos trazidos na impugnação; (ii) Nulidade do ato de responsabilizar, da violação do direito à privacidade e da lesão à honra subjetiva dos recorrentes por servidor incompetente e do abuso de autoridade; (iii) Cerceamento da ampla defesa; Da impossibilidade de imputação genérica do ônus tributário; Da necessidade da individualização das condutas e da violação do art. 42, §5º, da Lei 9.430/96 e da aplicação do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se detrai do relatório, tratase de auto de infração e imposição de multa em razão de apuração de omissão de receitas nos anos de 2004, 2005 e 2006, lavrado em face de Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda., além dos responsáveis solidários pessoas jurídicas (Licafé Com. Imp. E Exp. de Café Ltda e Giucafé Exp. e Imp. Ltda), e pessoas físicas (Darli Moro, José Carlos Moro, José Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.906 10 Anailson Moro, Aguina Lucia Moro Medeiros, Josemar Moro, Jovania Aparecida Moro Magnaco, Júlio César Galon Moro, Alfredo Giuberti, Pedro Giuberti e Noé Bergamaschi). O autuado e todos os responsáveis foram devidamente notificados, tendo apresentado razões de defesa em impugnação tempestiva. Ocorre que, quanto aos questionamentos dos responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, por voto de qualidade, deixou de conhecer a matéria, sob fundamento de que lhe falecia competência para decidir sobre a responsabilização dos indicados pela fiscalização. Concluiu, ainda, que sua apreciação teria caráter meramente opinativo. Vejamos trechos do voto: “Quanto aos questionamentos acerca da condição de responsável solidário pelo crédito tributário constituído, que foi imputada a terceiras pessoas, na forma do artigo 124 do Código Tributário Nacional, entendo que a identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública encarregado da execução fiscal. (...) Levando em conta que às Delegacias de Julgamento falece competência para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela fiscalização, porque esse juízo cabe à PFN, a matéria não faria coisa julgada perante a Fazenda Nacional, sendo a apreciação por esta Turma meramente opinativa, motivo pelo qual deixo de conhecer desta matéria.” Ora, com a devida vênia, devese discordar desse entendimento. O processo administrativo fiscal deve ser visto como controle da legalidade do lançamento tributário, ocasionado pela discordância do administrado em relação a esse ato administrativo. Logo, este processo se notabiliza por ser uma etapa litigiosa do percurso de formalização da obrigação tributária no âmbito administrativo. Sendo assim, formalizada a lide fiscal através do fornecimento de impugnação, o até então procedimento fiscal, transmutase em Processo Tributário e passam a incidir na formalização definitiva do crédito tributário, as garantias inerentes ao devido processo legal, ampla defesa e contraditório. A garantia de acesso a ampla defesa e contraditório, nas palavras de ODETE MEDAUAR (Processualidade no Direito Administrativo, RT, São Paulo, 1993, pp. 105107) afirma que “a Constituição Federal de 1988 alude, não ao simples direito de defesa, mas sim, à ampla defesa. O preceito da ampla defesa reflete a evolução que reforça o princípio e denota a elaboração acurada para melhor assegurar a observância. Significa, então, que a possibilidade de rebater acusações, alegações, argumentos, interpretações de fatos, interpretações jurídicas, Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.907 11 para evitar sanções ou prejuízos, não pode ser restrita, no contexto em que se realiza. Daí a expressão final do inciso LV ‘com os meios e recursos a ela inerentes’ englobados na garantia, refletindo todos os desdobramentos, sem interpretação restritiva.” No processo administrativo fiscal, especificamente, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, em seu artigo 2º, inciso X, prescreve: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;” Sendo o órgão administrativo competente para averiguar a legalidade do lançamento tributário, compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ’s, bem como ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a revisão do ato administrativo. Nesse ímpeto, os órgãos julgadores mencionados não fazem outra coisa, senão verificar se determinada regra foi (ou não) produzida de acordo com o que prescreve o direito e se seu conteúdo atende os requisitos prescritos pela norma de superior hierarquia que autorizou sua produção. In casu, a DRJRJ1 foi instada pelos diversos responsáveis tributários a verificar a legalidade do termo de sujeição passiva solidária, os quais aduziram vários argumentos que, em seu entender, denotam a ausência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributário e, em decorrência, afastaria a aplicação do artigo 124 do CTN, além de sua responsabilização. Ora, não vejo motivo para que a primeira instância administrativa se exima do julgamento da matéria impugnada. Ao contrário, era sua obrigação de apresentar os motivos ensejadores da decisão, de forma clara, congruente, indicando os fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram, como disciplina o art. 50, da Lei nº 9.784/99. No entanto, os motivos apresentados, ou seja, a falta de competência das Delegacias de Julgamento para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela fiscalização, não é motivo razoável para que a autoridade julgadora se exima de sua função de analisar a legalidade da autuação. O órgão julgador é competente para revisão dos atos administrativos, e sua omissão não pode resultar em uma supressão do direito assegurado aos litigantes – in casu, os responsáveis solidários – a oportunidade de terem seus argumentos de defesa analisados administrativamente. Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.908 12 Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça – STJ é assente quanto à competência do fisco para identificar contra quais sujeitos passivos promoverá a cobrança do tributo. Vejamos: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA CDA PARA MODIFICAÇÃO DO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 392/STJ. (...) 3. Independentemente de a lei contemplar mais de um responsável pelo adimplemento de uma mesma obrigação tributária, cabe ao fisco, no ato de lançamento, identificar contra qual(is) sujeito(s) passivo(s) ele promoverá a cobrança do tributo, nos termos do art. 121 combinado com o art. 142, ambos do CTN, garantindose, assim, ao(s) devedor(es) imputado(s) o direito à apresentação de defesa administrativa contra a constituição do crédito. Por essa razão, não é permitido substituir a CDA para alterar o polo passivo da execução contra quem não foi dada oportunidade de impugnar o lançamento, sob pena de violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, também assegurados constitucionalmente perante a instância administrativa. 4. A esse respeito: "'Quando haja equívocos no próprio lançamento ou na inscrição em dívida, fazendose necessária alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros critérios, imputação de pagamento anterior à inscrição etc., será indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda viável em face do prazo decadencial, oportunizandose ao contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vício apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente substituirse a CDA.' (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka, in "Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Livraria do Advogado, 5ª ed., Porto Alegre, 2009, pág. 205)" (Recurso Especial Representativo de Controvérsia 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/12/2009). (...) Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.909 13 6. Embargos de divergência providos.” (EREsp 1115649/SP; Primeira Seção; Relator Ministro Benedito Gonçalves) Como amplamente exposto no relatório acima, os responsáveis, especificamente aqueles que interpuseram recurso voluntário, alegaram múltiplos argumentos em sua defesa, tais como: a decadência do direito de lançar os tributos; a violação dos §§ 5º e 6º, do artigo 42, da Lei 9.430/96; que o ato de responsabilizar em si; quando lavrado pela Fiscalização, é ato abusivo e ilegal, que viola o direito à privacidade e à honra subjetiva dos Recorrentes (lº Conselho de Contribuintes, la. Câmara, Acórdão 10196.739, em 28.05.2008); a impossibilidade de utilização do artigo 135 para impor responsabilidade tributária a pessoa jurídica; a impossibilidade de imputação genérica do ônus tributário; da necessidade da individualização das condutas e a ausência de provas do envolvimento dos recorrentes no suposto esquema de sonegação. Nenhum desses argumentos foi analisado na decisão recorrida, o que impossibilitou o acesso à ampla defesa e contraditório constitucionalmente assegurados aos litigantes em processo administrativo. Ressaltase que este Conselho, sempre que necessário, se pronuncia sobre a matéria. Vejamos: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE PESSOA JURÍDICA. O sócio, é responsável solidário pelos débitos desta autuação, em razão de ter cometido sonegação fiscal e da dissolução irregular da sociedade, caracterizada pelo fato de a empresa ter se mudado do endereço que constava como seu domicílio fiscal nas bases de dados da RFB, sem a correspondente atualização do cadastro. (Acórdão CARF n.º 1302002.122; Data da Sessão 16/05/2017) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE DE FATO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inexistindo elementos suficientes para justificar a atribuição de responsabilidade à recorrente, seja com base no art. 124, I (interesse comum), seja pelo art. 135, III do CTN (como sócio gerente de fato da empresa), esta deve ser afastada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIAGERENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A simples falta de recolhimento de tributos à menor, ainda que em face de apuração de omissão de receitas, realizada por presunção legal, não é suficiente para caracterizar as hipóteses de responsabilização do sóciogerente, nos termos do art. 135, III do CTN. Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.910 14 RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. Tendo o Fisco demonstrado a empresa imputada assumiu as operações da empresa, que exercia as atividades no complexo hoteleiro, inclusive com a transferência dos empregados para aquela, resta caracterizado que sucedeu a interessada em sua exploração comercial. Tal responsabilidade é subsidiária, uma vez que a empresa sucedida continuou a explorar a atividade em outro endereço. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SUCESSÃO NÃO CARACTERIZADA. NÃO CABIMENTO. O art. 133 do CTN trata da responsabilidade da empresa sucessora que continua a exercer a mesma atividade da empresa sucedida, sendo inadequada a utilização do dispositivo para fundamentar a imputação feita, invertendose tal ordem, para responsabilizar a sucedida pelos débitos da sucessora. (Acórdão CARF n.º 1302001.986; Data da sessão: 15/09/2016) Sendo assim, devese observar a disposição do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, onde afirma que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, inclusive, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF n.º 0103.281, proferido nos autos do processo administrativo n.º 10580.013930/9934, conforme ementa abaixo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA NULIDADE Anulase a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse, devendo outra ser prolatada. Preliminar acatada. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACATAR a preliminar suscitada pela relatora, para ANULAR o Acórdão n° 10611.393, de 13 de julho de 2000, e retornar os autos à Câmara de origem para que nova decisão seja prolatada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Nesse sentido é a súmula CARF n.71, litteris: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.911 15 Conclusão Em face dos argumentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para acatar a nulidade da decisão de 1 instância quanto a preterição do direito de defesa dos responsáveis solidários que apresentaram impugnação tempestivamente, determinando a nulidade parcial do Acórdão n.º 1234.467, de 29 de novembro de 2010, devendo retornar os autos deste processo à DRJRJ1 para apreciação das razões recursais dos responsáveis solidários. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2911DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000531/2010-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Souza Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 05 31 /2 01 0- 18 Fl. 44DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 4° trimestre de 2004, no valor de R$500,00. Constam do auto de infração/notificação, que a DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004 foi apresentada em 15/06/2009, ao passo que o prazo máximo para entrega, sem o acréscimo de multa, era, em 18/02/2005. Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2005, no valor total original de R$ 3.050,72, cujo prazo para entrega era em 07/10/2005 e foi apresentada em 15/06/2009. Não se conformando com o lançamento, a ora recorrente apresentou a impugnação na qual alegava, em síntese, que: foi intimada a apresentar, em 11/06/2009, no prazo de cinco dias, DCTF e DIPJ referentes a períodos em que fora optante pelo Simples Federal e Nacional, mas dos quais fora excluída em razão de processo fiscal;como só ficou obrigada a apresentar as declarações fiscais em 2009 e o prazo foi cumprido arisca, a multa deve ser cancelada. A DRJ publicou o seguinte acórdão: O fato de a contribuinte ter sido intimada de decisão que a excluiu do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, bem como a apresentar, para o respectivo período, as declarações fiscais exigidas das demais pessoas jurídicas tributadas pelos outros regimes de tributação, não significa que essa obrigação acessória apenas teria surgido a partir do momento em que recebida a notificação. A contribuinte, caso satisfeitos os requisitos para opção do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, não precisaria entregar DIPJ e DCTF.. Mas se à época não preenchia os requisitos, deveria ter observado as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, optando pelo regime tributário adequado, inclusive, cumprindo os regulares prazos prescritos na legislação para entrega das obrigações acessórias. Assim, a intimação não fez surgir a obrigação, mas apenas alertou a contribuinte que ela precisava apresentar as declarações que deixaram de ser entregues em época própria. E, caso ela não tivesse observado o prazo de cinco dias estabelecido nas intimações para apresentar as DIPJ e DCTF, além da multa aplicada, poderia ainda ficar sujeita a outras sanções e regime específicos de fiscalização. Caso assim não se entendesse, estarseia estimulando contribuintes a optarem indevidamente pelo regime diferenciado, pois se fossem descobertos, saberiam que teriam uma oportunidade de regularizar sua situação fiscal, antes da aplicação da multa, o que seria um contrassenso, dado que a mesma chance não é conferida àquele contribuinte que se submete às regras ordinárias de tributação (presumido ou real), ou mesmo aquele que opta regularmente pelo regime diferenciado, mas incorre em atraso na entrega de suas declarações. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13982.000531/201018 Acórdão n.º 1001000.135 S1C0T1 Fl. 3 3 Ademais, não há previsão legal para atender à pretensão da Impugnante. Diante do exposto, voto no sentido de considerar a impugnação IMPROCEDENTE e, por consequência, manter o crédito tributário exigido, Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em sua defesa, que foi excluída do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigada a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples a recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 46DF CARF MF 4 Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721370/2014-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 70 /2 01 4- 31 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de agosto de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721370/201431 Acórdão n.º 1001000.110 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901408/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E COM DÉBITO EXTINTO PELA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. STJ. RECURSO REPETITIVO.
A Declaração de Compensação após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), extingue o crédito tributário, sem acréscimo da multa de mora, caracterizando a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o Recurso Especial nº1.149.022, julgado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça com efeito repetitivo.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-001.834
Decisão: (assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente
(assinando digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: Rafael Gasparello Lima
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E COM DÉBITO EXTINTO PELA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. STJ. RECURSO REPETITIVO. A Declaração de Compensação após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), extingue o crédito tributário, sem acréscimo da multa de mora, caracterizando a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o Recurso Especial nº1.149.022, julgado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça com efeito repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
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decisao_txt : (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente (assinando digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E COM DÉBITO EXTINTO PELA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. STJ. RECURSO REPETITIVO. A Declaração de Compensação após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), extingue o crédito tributário, sem acréscimo da multa de mora, caracterizando a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o Recurso Especial nº1.149.022, julgado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça com efeito repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente (assinando digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 14 08 /2 01 0- 74 Fl. 693DF CARF MF 2 Relatório Em Despacho Decisório nº 863077728 (fl. 03), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES deferiu a integralidade do crédito original de pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), porém, homologou parcialmente a Declaração de Compensação (DCOMP) do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), diversos períodos de apuração entre janeiro e outubro de 2004 (fl. 35 a 37). O Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram declarados à compensação após seu vencimento, somente com acréscimo de juros pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). A Declaração de Compensação (DCOMP), versão original, foi transmitida em 29 de dezembro de 2005 e, justificando a ausência de multa de mora, a Recorrente declarou sua denúncia espontânea à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, mediante correspondência própria (fls. 38 e 39), ressaltando "que até a presente data não houve o antecedente procedimento administrativo fiscal e que também não se encontra sob ação fiscal". A Recorrente impugnou o mencionado Despacho Decisório através da sua Manifestação de Inconformidade (fls. 4 a 13), que foi julgada improcedente pelo acórdão nº 0948.618 (fls. 64 a 66), prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, a data de valoração do(s) crédito(s) e débito(s), é a data de transmissão da Declaração de Compensação. Além disso, sobre o(s) débito(s) compensados fora do prazo legal de vencimento, deve incidir multa e juros moratórios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Em síntese, quanto à denúncia espontânea, preceituada no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN), o acórdão recorrido concluiu que "não quitados dentro do prazo legal exigido pela legislação, deve incidir multa e juros moratórios". (fl. 66). Em 20 de janeiro de 2014, a Recorrente foi intimada do acórdão nº 09 48.618, interpondo seu Recurso Voluntário em 18 de fevereiro de 2014, reiterando a inexigibilidade da multa de mora pela denúncia espontânea, citando o artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN), a doutrina e a jurisprudência. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10783.901408/201074 Acórdão n.º 1201001.834 S1C2T1 Fl. 683 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, frisese que a multa moratória foi constituída, exclusivamente, pela transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP) após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A denúncia espontânea é um procedimento que antecede qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, que exclui a responsabilidade do contribuinte pelo inadimplemento tributário, exigindo o pagamento devido com o acréscimo de juros de mora, consoante o artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Os precedentes deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) excluem a responsabilidade pela multa de mora na hipótese dos autos, como adiante exemplificado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO ANTES DE PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. OCORRÊNCIA EFICAZ. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração apenas parcial de um débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo adimplemento, procede voluntariamente (antes de qualquer procedimento de fiscalização) à quitação do valor remanescente, simultânea ou posteriormente noticiando ao Fisco da existência daquela diferença. Matéria julgada pelo E. STJ (REsp nº 1.149.022/SP), na sistemática dos recursos repetitivos. (acórdão nº 1402002.420, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, sessão de 22/03/2017) Fl. 695DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea. (acórdão nº 3301003.218, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/02/2017) Por sua vez, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) uniformizou a jurisprudência sobre o tema, quando do julgamento do Recurso Especial (Resp) nº 1.149.022, apreciado com efeito repetitivo, segundo o artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC/1973), in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA. MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10783.901408/201074 Acórdão n.º 1201001.834 S1C2T1 Fl. 684 5 reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Finalmente, considerando a exposição acima, não há aplicabilidade da Súmula nº 49, editada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), vez que restrita à "penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para excluir a multa de mora, homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) até o limite do crédito deferido. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900234/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. DUPLICIDADE DE CRÉDITO INFORMADO.
Havendo apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) e, em momento posterior, de Pedido de Restituição (PER) que engloba o mesmo crédito, a compensação perde o objeto, ainda mais quando o segundo pleito, ou seja, a restituição, já foi deferida, processada e disponibilizada ao contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luia Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 13/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. DUPLICIDADE DE CRÉDITO INFORMADO. Havendo apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) e, em momento posterior, de Pedido de Restituição (PER) que engloba o mesmo crédito, a compensação perde o objeto, ainda mais quando o segundo pleito, ou seja, a restituição, já foi deferida, processada e disponibilizada ao contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. DUPLICIDADE DE CRÉDITO INFORMADO. Havendo apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) e, em momento posterior, de Pedido de Restituição (PER) que engloba o mesmo crédito, a compensação perde o objeto, ainda mais quando o segundo pleito, ou seja, a restituição, já foi deferida, processada e disponibilizada ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luia Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 34 /2 00 8- 06 Fl. 419DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP (fls. 2/6), por meio do qual declarou a compensação de crédito oriundo de estimativa de IRPJ relativo à competência de março/2003, no montante de R$ 41.011,28, com débito de COFINS apurado no mês de abril de 2004, de R$ 50.554,60. O Despacho Decisório (fls. 7) não homologou a compensação, sob a alegação de que a Recorrente não possuiria crédito suficiente, uma vez que o valor do crédito informado já teria sido alocado para liquidação da própria estimativa, não havendo saldo insuficiente. A contribuinte apresentou, então, manifestação de inconformidade (fls. 11/16). Sustenta que: (i) na verdade, apurou crédito de saldo negativo no AC 2003, devidamente informado em DIPJ; (ii) houve equívoco no preenchimento da DCOMP, mais precisamente no campo "Tipo do Crédito", o qual constou a informação "pagamento Indevido ou a Maior", vinculando ao Darf da estimativa de março, e não "Saldo Negativo de IRPJ", como seria o correto; e (iii) o crédito não foi utilizado em nenhum outro processo. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1429.133 (fls. 113/121), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 124/130). Reitera os argumentos da manifestação de inconformidade e anexa a documentação contábil considerada como carente pela decisão de piso. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1802000.299 (fls. 351/360), que assim determinou: É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10865.900234/200806 Acórdão n.º 1201001.917 S1C2T1 Fl. 3 3 o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Em seguida a autoridade competente emitiu despacho (fls. 379/380), informando que o contribuinte entregou, em 23/06/2009, pedido de restituição desse mesmo alegado crédito de Saldo Negativo de IRPJ do AC 2003, o que evidenciaria uma tentativa do contribuinte de induzir o Julgador a erro. Por esta razão, os autos foram encaminhados diretamente ao CARF para que seja confirmada a necessidade da diligência em face do pedido de restituição apresentado. Por meio de nova Resolução (fls. 382/390), foi reiterada a necessidade da referida diligência, para que a unidade de origem atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.299, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013. Ocorre que, em despacho de fls. 394/395, a autoridade responsável se certificou de que o pedido de restituição já teria sido deferido e que o contribuinte inclusive já teria recebido a restituição do valor do crédito que ora busca compensar. Por esta razão os autos foram novamente remetidos ao CARF para julgamento do recurso. Já o contribuinte apresentou petição (fls. 399/400), esclarecendo que de fato recebeu a devolução dos montantes em 20/05/2014, que a restituição foi requerida apenas para afastar o risco de decadência e que reuniu esforços para devolver os valores aos cofres públicos (fls. 401 e 406/), mas que não obteve sucesso. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. Fl. 421DF CARF MF 4 É incontroverso, nos presentes autos, que o contribuinte, em um primeiro momento, buscou compensar créditos oriundos de Saldo Negativo de IRPJ referente ao AC 2003. Ocorre que, em momento posterior à entrega da DCOMP que formalizou a referida compensação, o contribuinte incluiu este mesmo crédito em pedido específico de restituição (PER), o qual, aliás, já foi deferido e pago. Ora, havendo apresentação de DCOMP e, em momento posterior, de PER que engloba o mesmo crédito, a compensação perde o objeto, ainda mais quando o segundo pleito, ou seja, a restituição, já foi deferida, processada e disponibilizada ao contribuinte. E ainda que o contribuinte alegue que reuniu esforços para devolver os valores, o fato é que isso nunca ocorreu, o que ratifica a preclusão da DCOMP. Nesse sentido invoco o precedente do CARF abaixo: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DÉBITO EXTINTO MEDIANTE COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO. A inexistência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do respectivo direito creditório e a não homologação da compensação. PER/DCOMP APRESENTADA EM DUPLICIDADE. Havendo a apresentação de PER/DCOMP em duplicidade, onde se figuram os mesmo débitos e créditos e a primeira tendo sido analisada, está precluso o direito da Recorrente de ver sua repreciação, contudo a segunda declaração deve ser cancelada, tendo em vista a perda de objeto. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.902621/2009-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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COMPENSAÇÃO Recorrente DICAVE GARTNER DIST CATARINENSE DE VEICULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 26 21 /2 00 9- 04 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803002.649, de 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE PROVA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O início do procedimento fiscal retira a espontaneidade do contribuinte em relação aos atos jurídicos anteriores. Desta feita, a retificação da DCTF em momento posterior ao despacho decisório não possui o condão, por si só, de produzir efeitos retroativos em relação à compensação anteriormente declarada. Sendo a DCTF confissão de dívida, correto está a decisão que não homologou a compensação por insuficiência de crédito em razão do contribuinte não ter produzido provas suficientes à desconstituição do crédito tributário pretendido. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento com relação aos efeitos da DCTF retificadora entregue após despacho decisório de não homologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após proferido o despacho é hábil ou não para que se promova a revisão do direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 10517.303. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 67/69. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 72/76) É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. No caso tratado nos acórdãos recorrido e paradigma, as DCTF retificadoras foram apresentadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que, a despeito da similitude dos fatos, os Colegiados respectivos adotaram soluções diversas: enquanto nos presentes autos, a falta de apresentação de documentação comprobatória do indébito levou ao desprovimento do recurso voluntário, no paradigma entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local apurasse se o débito declarado na DCTF retificadora correspondia ao efetivamente devido, "intimandose a contribuinte para se manifestar acerca do relatório da diligência." Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10909.902621/200904 Acórdão n.º 9303005.741 CSRFT3 Fl. 80 3 Todavia, intimada do relatório da diligência que concluiu que o débito declarado na DCTF retificadora não correspondia ao valor devido, a contribuinte não se manifestara. O Colegiado prolator do acórdão paradigma, sem fazer qualquer referência expressa à diligência, propôs o provimento parcial do recurso voluntário, com base nos seguintes e exclusivos fundamentos: Na DCTF originariamente apresentada, a recorrente declarou débito de IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1999 no valor de R$ 1.007,14, enquanto que na DCTF retificadora o débito declarado é de R$ 463,09, o que resultaria em um recolhimento a maior de IRPJ da ordem de R$ 544,05, a quanto equivale o direito creditório em questão. A receita bruta da recorrente no mês de março de 1999, a partir do qual foi excluída do SIMPLES, foi de R$ 16.543,74 relativos à prestação de serviços e de R$ 5.503,54 relativos à venda de mercadorias. Na apuração da base de cálculo do IRPJ declarado na DCTF retificadora, a recorrente aplicou sobre a receita proveniente da prestação de serviços o percentual de 16%, do qual não poderia fazer uso, dado que somente aplicável às pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 e a recorrente, no anocalendário de 1999, auferiu receitas desta atividade que ascenderam a R$ 184.595,78. Aplicados os percentuais de 32% sobre a receita de serviços e de 8% sobre a receita de vendas, a base de cálculo do IRPJ é de RS 5.734,28 e o IRPJ devido corresponde a R$ 860,14, o que reduz o direito creditório a R$ 147,00. Diante disso, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de RS 147,00, com os devidos acréscimos legais, correspondente ao pagamento efetuado a maior a titulo de IRPJ e homologada a compensação desse crédito com débitos de sua responsabilidade, passíveis de compensação, relacionados no "Demonstrativo dos Débitos Indicados para Compensação", até o montante em que se compensem. Portanto, foi possível verificar, na diligência (é o que supomos!), que, ao menos em parte, cabia restituir à contribuinte uma parcela do que houvera pago, em face de um erro de aplicação dos percentuais do lucro presumido. Observese que o entendimento a ser cotejado com o recorrido, e com este supostamente divergente, é aquele que se extrai do voto condutor do acórdão paradigma, parte integrante do acórdão em que se encontram os fundamentos da decisão colegiada. A nosso juízo, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do Fl. 81DF CARF MF 4 recurso especial. Em nenhum momento, firmouse o entendimento, como comprova a transcrição literal do voto do relator, de que, ainda que nada se traga de provas documentais nos recursos interpostos, os autos sempre devem ser enviados à unidade de origem para diligenciar junto ao contribuinte. Se o Colegiado prolator do acórdão paradigma resolveu, em assentada anterior, determinar a diligência, fêlo em vistas das razões recursais e das informações que se encontravam colacionadas aos autos, a partir das quais concluiu a necessidade de sua realização. Isso, contudo, não firma uma tese jurídica, uma interpretação divergente da legislação tributária, a ponto de permitir o seu cotejo com outras que, aparentemente, lhe sejam confrontantes. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001406/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.
A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento.
Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG).
Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito.
DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO.
O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.001406/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.779 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria PIS/PASEP Recorrente MACEIO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 14 06 /2 00 9- 88 Fl. 278DF CARF MF 2 pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de Crédito da Contribuição para o PASEP, no valor original de R$ 17.247.967,99, juntamente com a entrega de Declarações de Compensação (DCOMP) nº 25279.42023.180309.1.3.040312, 00354.02351.130409.1.3.049536, 16046.98781.200509.1.3.04 8505, 21287.56636.190609.1.3.049735 e 26025.51562.230709.1.3.048473 (fls. 1130). O sujeito passivo informou no Pedido de Restituição que o valor pleiteado se referia ao pagamento realizado no ano de 1995, atualizado até 1999. 2. A autoridade competente não reconheceu o crédito informado no Pedido de Restituição e não homologou as Declarações de Compensação, ao concordar com os fundamentos expostos no Parecer SaortDRFB/MAC nº 272/2012 (fl. 3134), no qual consta que o direito creditório foi Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10410.001406/200988 Acórdão n.º 3402004.779 S3C4T2 Fl. 112 3 fulminado pela decadência, pois o contribuinte teria o prazo de cinco anos a partir do pagamento de cada DARF para pleitear a restituição de eventuais diferenças pagas a maior. 3. Devidamente cientificado da decisão em 20/06/2012 (fl. 38), o contribuinte apresentou em 18/07/2012, por intermédio do ProcuradorChefe da Fazenda Municipal, a manifestação de inconformidade de fls. 3947, a seguir resumida: 3.1. Afirma que o entendimento consagrado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 435.835/SC, era de que o prazo prescricional nas ações de repetição de indébito ou compensação tributária iniciarseia após o decurso dos primeiros cinco anos a contar do fato gerador, acrescidos, no caso de homologação tácita, de mais um qüinqüênio (tese dos cinco mais cinco). 3.2. Assevera que o legislador, por meio da LC nº 118, de 2005, intentou mudar este entendimento, estabelecendo que o inicio do fluxo do prazo prescricional contavase do efetivo pagamento e não de sua homologação. 3.3. Aduz que a regra veiculada detém nítido caráter meramente interpretativo, situação em que apenas poderia irradiar seus efeitos sobre as ações ajuizadas posteriormente à sua vigência, em respeito ao princípio da irretroatividade, vigente em matéria tributária. 3.4. Cita decisões judiciais do STJ (Resp nº 329.892) para afirmar que a Medida Provisória n° 1.523, de 1997, não se cingiu a interpretar preceito anterior, mas veiculou norma restritiva do direito do contribuinte, de forma que "tratandose de norma nova e mais gravosa, não há que se falar em caráter retroativo, o que apenas se poderia supor no caso de ser o conteúdo expressamente interpretativo". 3.5. Sustenta que, no caso, a decadência não pode ter sua esfera majorada em razão da incidência da citada LC nº118, sob pena de ofensa a ditames constitucionais da mais alta relevância, citando decisões do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) para amparar sua assertiva. 3.6. Ao final requer o acolhimento de suas alegações e provas ora apresentadas, para reformar o despacho decisório proferido, no sentido de que seja considerado o entendimento do colendo STF no que tange ao disposto na LC nº 118, de 2005, quanto à fluência do prazo decadencial, prevalecendo a tese decenal na repercussão dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo a que seja declarado o direito do pleiteante para compensar os débitos declarados nas DCOMP. 4. Em sede de análise pela 2a Turma da DRJ/Recife (PE), o processo foi encaminhando para a unidade de origem, na forma da Resolução 1855, em 27/02/2013, para que fosse providenciado o seguinte: Fl. 280DF CARF MF 4 4.1. Intimar o contribuinte para juntar comprovantes do pagamento/retenção na fonte do alegado direito creditório. 4.2. Intimar o contribuinte para apresentar demonstrativo onde conste os valores pagos/retidos, datas de recolhimento/retenção e os períodos de apuração do pretendido direito creditório. 5. Providências efetuadas pela DRF/Maceió (AL), conforme fls. 84249. Vale registrar que o ente municipal interessado, após algumas solicitações de prorrogação de prazo para atendimento à intimação, esclareceu que o crédito foi pago diretamente, parte através de DARF com código de receita 3703, no período de apuração janeiromarço e setembronovembro de 1995, e parte mediante parcelamento realizado em 16/10/1995, para pagamento em 60 parcelas, sendo a primeira parcela em novembro/1995 e a última em outubro/2000. Juntou demonstrativos e comprovantes. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Recife/PE, cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 Ementa: INDÉBITO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do pagamento, inclusive para os casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Ainda irresignada com a negativa do direito ao crédito, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 265 a 275, repisando sua argumentação sobre a aplicação da tese dos "cinco mais cinco anos" para a contagem do seu prazo para a restituição do indébito. Outrossim, aponta que o Acórdão recorrido não se debruçou sobre outra linha de argumentação esposada pela Recorrente: a de que o seu prazo possui como dies a quo a data da publicação da Resolução do Senado n. 10/2005. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificado do julgamento a quo em 26 de dezembro de 2013, conforme AR de 260, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 23 de janeiro de 2014. Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10410.001406/200988 Acórdão n.º 3402004.779 S3C4T2 Fl. 113 5 Conforme se depreende do relato acima, a questão a ser aqui solucionada cingese à ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito. Sobre o direito, é válido lembrar que a questão do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas jurisprudenciais. Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011, julgado sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC), 1 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. 1 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei Fl. 282DF CARF MF 6 Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n. 1.269.570/MG: Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10410.001406/200988 Acórdão n.º 3402004.779 S3C4T2 Fl. 114 7 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 23/05/2012, Data da Publicação/Fonte, DJe 04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.) Pois bem. No presente caso, o contribuinte indicou no Pedido de Restituição que o indébito pleiteado era referente a pagamentos efetuados entre os anos de 1995 a 2000. Todavia, o pedido de restituição da Municipalidade somente foi formalizado em 18/03/2009. Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 2 prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, concluise que está de fato decaído o direito da Recorrente. Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 18/03/2009, vale dizer, em data posterior à março de 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data para a qual já se utiliza o prazo de cinco anos para a contagem do prazo decadencial. Como não há nenhum pagamento posterior a 18/03/2004, todo o montante requerido por meio do presente processo administrativo está decaído. No que tange à argumentação da Recorrente a respeito da utilização da Resolução do Senado como dies a quo do prazo decadencial de seu direito, melhor sorte não lhe assiste. A Resolução do Senado foi positivada no artigo 52, inciso X da atual Constituição, nos seguintes termos: “compete privativamente ao Senado Federal: […] suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.” Tal instrumento está presente no direito brasileiro desde a promulgação da Constituição de 1934. Tratase, paralelamente à “súmula vinculante” e à “repercussão geral”, de forma a dar eficácia ampla às decisões proferidas em grau de recurso com caráter definitivo 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 284DF CARF MF 8 pelo controle de constitucionalidade incidental (difuso e concreto) do STF. Assim, os efeitos que eram somente inter partes passam a ser erga omnes, depois de editada a resolução do Senado. 3 Nesse sentido, a resolução do Senado constitui meio de reconhecimento do indébito tributário, como decorrência da declaração de inconstitucionalidade da lei que institui o tributo, com efeito erga omnes e, por isso, já foi tida pela jurisprudência, tanto judicial (REsp 553.887/RJ; Agravo Regimental no REsp 267.718/DF; REsp 509.897/DF) como administrativa (Acórdão 10246584, Acórdão 201.78172), como marco inicial para a contagem do prazo de do direito à restituição de indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade de lei, nos moldes do artigo 168 do CTN. Contudo, aqui mais uma vez o entendimento das Corte Superiores e do CARF foi alterado. Com efeito, conforme os EmbDiv no Resp 435.835 e Resp 617.536, o STJ passou a entender que a decisão de inconstitucionalidade não tem o condão de renovar prazos extintivos, haja vista que tal efeito geraria enorme insegurança jurídica, contrariando, inclusive, a lógica da própria existência desses tipos de prazo (decadência e prescrição), bem como a literalidade do artigo 168, inciso I do CTN, que fala da "data da extinção do crédito tributário", a qual é justamente o pagamento do tributo (artigo 156, inciso I) e não a sua declaração de inconstitucionalidade. Vejase: RECURSO ESPECIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃOAPLICAÇÃO DO ART. 3º DA LC N. 118/2005 ÀS AÇÕES AJUIZADAS ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA MENCIONADA LEI COMPLEMENTAR. ENTENDIMENTO DA COLENDA PRIMEIRA SEÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIVERSOS SOMENTE APÓS O ADVENTO DA LEI N. 10.637/2002. COMPENSAÇÃO COM PARCELAS VENCIDAS E VINCENDAS. CABIMENTO. No entender deste Relator, nas hipóteses de restituição ou compensação de tributos declarados inconstitucionais pelo Excelso Supremo Tribunal Federal, o termo a quo do prazo prescricional é a data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenhase dado em controle difuso de constitucionalidade (vejase, a esse respeito, o REsp 534.986/SC, Relator p/acórdão este Magistrado, DJ 15.3.2004, entre outros). A egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, porém, na assentada de 24 de março de 2004, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para 3 Com os novos instrumentos para a expansão dos efeitos da decisão proferida em ações individuais julgada pelo Supremo, atualmente é raro o uso resolução do Senado. Todavia, não foi sempre assim. A Resolução n. 10/2005, citada pela Recorrente, é um exemplo do uso desse instrumento. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10410.001406/200988 Acórdão n.º 3402004.779 S3C4T2 Fl. 115 9 adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos à homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita (EREsp 435.835/SC, Rel. p/acórdão Min. José Delgado – cf. Informativo de Jurisprudência do STJ 203, de 22 a 26 de março de 2004). Salientese, outrossim, que é inaplicável à espécie a previsão do artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 9 de fevereiro de 2005, uma vez que a douta Seção de Direito Público deste Sodalício, na sessão de 27.4.2005, sedimentou o posicionamento segundo o qual o mencionado dispositivo legal se aplica apenas às ações ajuizadas posteriormente ao prazo de cento e vinte dias (vacatio legis) da publicação da referida Lei Complementar (EREsp 327.043/DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha). Dessarte, na hipótese em exame, em que a ação foi ajuizada anteriormente ao início da vigência da LC n. 118/2005, deve sermantido o entendimento da Corte de origem, que fixou o prazo prescricional qüinqüenal a partir da homologação tácita ou expressado lançamento. […] Recurso especial provido em parte, a fim de afastar a compensação do FINSOCIAL com tributos de natureza diversa.” (Recurso Especial 741.272/PE. Relator: Ministro Franciulli Netto. Julgamento: 09 ago. 2005. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DJ, 21 mar. 2006, p. 119). O CARF também passou a proferir decisões segundo as quais “o direito à restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, seja qual for o motivo (inconstitucionalidade de lei tributária, pagamento indevido por erro do sujeito passivo, etc.) extinguese o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do artigo 168, I do CTN.” (Acórdão 20401422). Inclusive este Colegiado já decidiu por unanimidade nesse sentido, conforme se depreende da ementa do Acórdão a seguir colacionado: Ementa(s) REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO Período de apuração: 01/03/1994 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A decadência do direito de pleitear o reconhecimento de direito creditório, para fins de restituição/compensação, ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e retirada do mundo jurídico por Resolução do Senado Federal. COMPENSAÇÃO REQUISITOS Fl. 286DF CARF MF 10 Só há que se falar em compensação quando os eventuais créditos do contribuinte são certos quanto à sua existência e líquidos quanto ao seu valor. (Processo 10805.000948/200576, Data da Sessão 03/02/2010, Relator(a) Jorge Lock Freire, Acórdão 3402 00.436) Sobre o acerto do citado entendimento, este já foi anteriormente objeto de minha manifestação, a qual reproduzo a seguir4 O dever de o Fisco restituir tributos inconstitucionais está contido no artigo 165, inciso I do Código Tributário, dentre as espécies de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido”, o que torna imperiosa a utilização da regra estampada no artigo 168 inciso I do CTN para a contagem do referido prazo, haja vista que este último expressamente impõe sua utilização para as hipóteses de indébito previstas no artigo 165, inciso I. A leitura conjunta dos dispositivos em comento esclarece o ponto. (...) Em suma: por se tratar de caso de restituição de tributo inconstitucional, constante do artigo 165, inciso I do CTN, imperiosa se faz a utilização do artigo 168, inciso I, do mesmo Codex para a contagem do prazo de prescrição. Por conseguinte, necessariamente há de se contar a partir do extinção do crédito tributário” os cinco anos estabelecidos como limite antes da ocorrência do fenômeno da prescrição. (...) Dentre as causas extintivas do crédito tributário, o “pagamento” foi o marco escolhido pelo sistema jurídico para delimitar o início do prazo prescricional das ações de repetição de indébito, inclusive aquelas advindas de pagamento de exações inconstitucionais. Dessarte, mais uma vez constatase a decadência in casu, uma vez que a existência de Resolução do Senado sobre a matéria não altera o prazo decadencial do contribuinte requerer administrativamente a restituição do indébito tributário decorrente de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Dispositivo Ex positis, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015, p. 263 a 266. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10410.001406/200988 Acórdão n.º 3402004.779 S3C4T2 Fl. 116 11 Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13768.720076/2012-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1001-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 07) para o ano calendário 2012, tendose em vista a existência de débitos (de números 395287898, 395287944, 395288002 e 395288010) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 72 00 76 /2 01 2- 77 Fl. 57DF CARF MF 2 natureza previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 17/19) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender: 5. Verificase que as parcelas com vencimento entre 31/01/2011 e 30/01/2012, conforme fls. 12 e 13, foram recolhidas em 10/02/2012, em data posterior à data limite para regularização de suas dívidas junto ao fisco, que foi no dia 31/01/2012. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 03/11/2012 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 04/12/2012 (efl. 22), em que aduz, em resumo, que as parcelas de 31/01/2011 a 31/01/2012 foram pagas de acordo com as datas de liberação, dentro do prazo limite de recolhimento da parcela: (...) NORTFIBRA IND. E COM. LTDA ME, CNPJ n° 02.048.242/000180 com sede à Rua Manoel Luiz Correia, n° 158, Planalto, 29.906510, Linhares ES, vem através do seu representante legal, Nailson dos Santos Graciotti, inscrito no CPF sob o n° 653.331.28715, não se conformando com o comunicado 93/2012, vem, respeitosamente, no prazo legal, apresentar seu recurso, pelos motivos que se seguem. No item 5 do comunicado citado, foi verificado através do relator que: as parcelas com vencimento entre 31/01/2011 e 30/01/2012 conforme fls. 12 e 13 foram recebidas em 10/02/2012, em data posterior à data limite para regularização de suas dividas junto ao fisco, que foi no dia 31/01/2012. Originário do processo N° 13768.720076/201277. Esta conclusão do item 5 não está de acordo com o acontecido, pois as parcelas de 31/01/2011 a 31/01/2012 foram pagas de acordo com as datas de liberação da parcela, dentro do prazo limite de recolhimento, as mesmas parcelas que neste processo estão sendo afirmadas que foram pagas no dia 10/02/2012 conforme relatório tirado junto a Previdência Social. Afirmo que a primeira parcela referente ao vencimento 31/01/2011 recolhida no seguinte dia: 27/01/2011 antes do período de recolhimento, as outras parcelas foram recolhidas de acordo com a liberação do sistema da Receita Federal, sendo este o motivo desta impugnação venho também contestar o item 6 do mesmo comunicado 93/2012. Após todas as argumentações solicito inclusão da empresa no Simples Nacional, não há como deixar a empresa excluída por não constar nenhuma irregularidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 07) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13768.720076/201277 Acórdão n.º 1001000.151 S1C0T1 Fl. 58 3 ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Está comprovado que o contribuinte parcelou os débitos de números 395287898, 395287944, 395288002 e 395288010, com data do deferimento do parcelamento em 27/01/2011, conforme extrato do sistema Dataprev datado de 29/02/2012 (efls. 10/11). O mesmo extrato indica que os parcelamentos estavam ativos naquela data (29/02/2012). É suficiente para a adesão ao Simples Nacional, no ano de 2012, que os débitos da requerente estivessem com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012 (artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V da Resolução CGSN nº 4/2007). Desta forma, concluo que não havia impedimento para a adesão. Mas, não havia regularidade nos pagamentos relativos ao parcelamento citado. Pelos extratos (efls. 10/11) as parcelas de 31/01/2011 a 31/01/2012 teriam sido pagas todas em 10/02/2012, enquanto os comprovantes de pagamento juntados pelo contribuinte indicam pagamentos correspondentes aos vencimentos (efls. 35/55). Entendo que eventual irregularidade das datas de pagamento implicava rescisão do parcelamento, conforme disposto no art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 15/2009. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 59DF CARF MF 4 Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.001523/2010-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
DIMOB. MULTA POR ATRASO. EXTINÇÃO DA EMPRESA. PRAZO.
A entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias - Dimob, após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, nos termos da legislação de regência. No caso de extinção da empresa, o prazo para entrega da Dimob é até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA.
Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação.
Numero da decisão: 1001-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 DIMOB. MULTA POR ATRASO. EXTINÇÃO DA EMPRESA. PRAZO. A entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias - Dimob, após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, nos termos da legislação de regência. No caso de extinção da empresa, o prazo para entrega da Dimob é até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação.
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DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS – DIMOB Recorrente BRACOURT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DIMOB. MULTA POR ATRASO. EXTINÇÃO DA EMPRESA. PRAZO. A entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob, após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, nos termos da legislação de regência. No caso de extinção da empresa, o prazo para entrega da Dimob é até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 15 23 /2 01 0- 98 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão nº 0429.992, de 13 de novembro de 2012 (efls. 31/34), objetivando a reforma do referido julgado. Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: A empresa acima qualificada foi autuada a recolher a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, ano calendário 2009, cujo prazo de entrega era até 30/12/2009 e foi entregue em 25/02/2010, dois meses de atraso, no valor total de R$ 10.000,00, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; conforme Notificação de Lançamento de fls. 13 14. Apresentou impugnação em 29/03/2010 (fls. 0212), por meio do seu representante legal, alegando em síntese, que toda e qualquer obrigação tributária deve ser estabelecida em lei, e aqui a aplicação da multa foi baseado no art. 16 da Lei 9.779, art. 57 da MP 2.15835/2001 e art. 4º da IN/SRF 694/2006, arguindo a legalidade da instituição de obrigação tributária por meio de simples instrução normativa, conforme transcreve e cita a legislação, doutrina e jurisprudência favoráveis à sua tese. Entende, que, se a entrega da DIMOB foi feita no dia 25/02/2010, estava, portanto, dentro do prazo previsto na legislação, e, ainda que tenha encerrado suas atividades em 30/11/2009, a entrega da DIMOB dentro do prazo normal concedido as empresas em atividade poderia ser feita sem qualquer incidência de multa, até 26/02/2010. Não há, portanto, razão alguma para que seja punida por tentar cumprir a norma. Por fim destaca que a cobrança de multa de R$ 5.000,00 por mês de atraso se mostra totalmente abusiva, tomando contornos de verdadeiro confisco, conforme doutrina citada. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 69 3 DIMOB. MULTA POR ATRASO. EXTINÇÃO DA EMPRESA. PRAZO. A entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob, após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, nos termos da legislação de regência. No caso de extinção da empresa, o prazo para entrega da Dimob é até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. Ciente da decisão de primeira instância em 07/03/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 42, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/04/2016 (efls. 44/56), conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada à efl. 65. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni Os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na tempestividade da entrega da DIMOB, na abusividade do valor da multa, com natureza confiscatória, algo vedado pela Constituição Federal e na ilegalidade e inconstitucionalidade da multa imposta, pois a obrigação tributária foi instituída por meio de Instrução Normativa. Em complemento, pede a aplicação do princípio da retroatividade benigna, devido a redução nos valores da multa por lei editada após a data da autuação fiscal e cita o acórdão do CARF nº 1803002.588. Tempestividade da entrega da DIMOB Quanto à tempestividade da entrega da DIMOB, este argumento foi fundamentadamente afastado em sede de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Com relação ao prazo de entrega, não procede a alegação da impugnante de que não há razão da aplicação da penalidade porque mesmo encerrando suas atividades em 30/11/2009 poderia entregar a declaração até o final de fevereiro de 2010. Isto porque, no caso de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento que, no caso, era 30/12/2009, conforme estabelece o § 2º do art. 1º da mencionada INSRF nº 694/2006. Multa Confiscatória Insurgese também a recorrente contra os valores das multas aplicadas, contra a onerosidade excessiva da multa, que por isto estaria ferindo os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e do não confisco tributário. Por sua ótica, esses montantes teriam efeito confiscatório, afrontando assim princípios constitucionais. Assim reza o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 70 4 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a Súmula nº. 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 2 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em inconstitucionalidade de lei. Ilegalidade da Multa Imposta Quanto à suposta ilegalidade da multa imposta, transcrevo o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão do CARF nº 1803002.588, citado pela recorrente, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Fl. 70DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 71 5 Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. (art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional) No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003 com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas (a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim, (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis, (c) que realizarem sublocação de imóveis e (d) e ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. (Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006 e Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010.) A Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006, prevê: Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 72 6 II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. [...] Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >. Parágrafo único. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I deste artigo tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob. A Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, determina: Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 73 7 IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento. [...] Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 1º Para a apresentação da Dimob referente aos fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital, exceto para as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). § 2º O recibo de entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II 5% (cinco por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem, por termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Sobre a matéria, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, com alterações introduzidas pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, assim determina: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Fl. 73DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 74 8 Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 75 9 § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4º Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Retroatividade benigna Quanto à pleiteada retroatividade benigna, transcrevo o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão do CARF nº 1803002.588, citado pela recorrente, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013 (Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/ PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 18 out. 2017), que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 18186.001523/201098 Acórdão n.º 1001000.031 S1C0T1 Fl. 76 10 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. [...] (iv) Como ficam as multas envolvendo o Simples? [...] 7.9. Para as pessoas jurídicas inscritas no Simples, a multa do art. 57, incisos II e III (o aspecto quantitativo [valor] do inciso I torna a sua aplicação impossível a elas) está vigente para outras situações que não se tratem de multa por atraso na entrega da declaração (Maed), principalmente quando em procedimento de fiscalização feita pela RFB (nesse caso pode ser feita por lei ordinária por se tratar de atividade federal de competência da União, e não nacional), com a redução constante do § 1º. (grifos acrescentados) Desta forma, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra “c”, do Código Tributário NacionalCTN, como a interessada apresentou, de forma espontânea, a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, do anocalendário 2009, com dois meses de atraso, deve a multa objeto do presente processo ser ajustada para o montante de R$ 3.000,00, previsto na alínea “b”, do inciso I, do art. 57 da Medida Provisória 2.15835/ 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e com a redução prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo, resultando no montante de R$ 1.500,00. Posto isto e tudo mais que consta dos autos, VOTO pela procedência parcial da impugnação, para manter em parte o crédito tributário de multa por atraso na entrega do FCONT, ajustandoa para o valor de R$ 1.500,00. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 76DF CARF MF
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