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Numero do processo: 15586.720988/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/11/2011
COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. GLOSA.
Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e multa de mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA Recorrente MUNICÍPIO DE AFONSO CLÁUDIO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/11/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. GLOSA. Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e multa de mora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 09 88 /2 01 3- 93 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.005 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.006 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de negar provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1267.146 (fls. 964/968): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/11/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte, hipótese que enseja a glosa integral dos valores indevidamente compensados. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 10/17, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 51.031.8444, relativo à glosa de compensação de contribuição previdenciária, indevidamente realizada pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial, nas competências 07 a 08/2011 e 10 a 11/2011, acrescida de juros e multa de mora. 2.1 A compensação referese a recolhimentos efetuados a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios percebidos pelos detentores de mandato eletivo municipal, no período de fev/98 a set/2004. 2.2 Segundo a fiscalização, em 9/6/2010, antes de iniciar a compensação, o município ajuizou ação judicial, cadastrada sob o nº 000089898.201.4.02.5002 (nº antigo 2010.50.02.0008984), com a finalidade de obter a declaração do direito de compensar os valores pagos a título de contribuição social incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos sem observar os limites preconizados pela legislação (Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, e Portaria MPS nº 133, de 2 de maio de 2006). 2.3 Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente, reconhecendo o direito à compensação, respeitado, porém, o disposto no art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 2.4 Dessa sentença foi interposta apelação pelas partes, recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, estando o feito pendente de julgamento na data da lavratura do auto de infração, em 20/11/2013. 2.5 Tendo buscado a via judicial, concluiu a autoridade fiscal que o contribuinte não aguardou o trânsito em julgado da decisão para realizar a compensação, em afronta ao prescrito no art. 170A do CTN. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.007 4 3. Cientificado da autuação por via postal em 21/11/2013, às fls. 944, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 948/956). 3.1 Em síntese, alega a desnecessidade de aguardarse o trânsito em julgado na hipótese de compensação amparada na disciplina do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Vale dizer que evidenciado o recolhimento indevido, legitimase a compensação por parte do contribuinte. 3.2 Ainda segundo o autuado, o art. 170A do CTN não se aplica à compensação relacionada aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. 3.3 E, por fim, a própria Administração Tributária, a exemplo da Portaria MPS nº 133, de 2006, já reconheceu a existência de indébito nos pagamentos incidentes sobre subsídios dos agentes políticos. 4. Intimado em 8/8/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 973, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 5/9/2014, em que repete os argumentos expendidos em sua impugnação e solicita a declaração de improcedência do auto de infração, bem como a reforma do Acórdão nº 1267.146 (fls. 975/987). É o relatório. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.008 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Preliminarmente, destaco que o Fisco relata, apoiado em prova documental, a interposição de ação judicial pelo recorrente com a finalidade de obter a declaração do direito de compensar valores recolhidos indevidamente decorrentes de exigência tributária declarada posteriormente inconstitucional. 6.1 Ao optar por seguir o caminho da via judicial, o sujeito passivo não aguardou o trânsito em julgado da decisão para iniciar a compensação, bem como desrespeitou o comando da sentença proferida em primeiro grau. 7. Com relação a esse fato alegado pela acusação fiscal, isto é, que houve compensação de tributo pelo sujeito passivo objeto de discussão judicial antes do respectivo trânsito em julgado, não há contestação, tratandose de fato incontroverso. 8. Pois bem. Estabelece o art. 170 do CTN que a compensação no direito tributário depende de lei específica que a autorize, podendo esta inclusive prever condições e limites ao seu exercício. Eis a redação desse dispositivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 8.1 Pautado em critérios de conveniência da política fiscal de cada ente político, o legislador pode estipular, ou delegar à autoridade administrativa que estipule, condições e garantias à compensação de créditos tributários com crédito líquidos e certos, ou mesmo instituir limites ao seu exercício. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.009 6 8.2 Em que pese a possibilidade de se implantar restrições à compensação, haverá sempre a opção pela repetição do indébito mediante o procedimento administrativo ou judicial de restituição. 9. Com a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, foi introduzido o art. 170A no CTN, que prescreve a impossibilidade da compensação de tributo objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Transcrevo sua redação: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 9.1 Dispõe o art. 170A nada mais que ressaltar a necessidade, para fins do direito à compensação, de haver certeza quanto à existência do crédito do sujeito passivo, nos termos estabelecidos no art. 170 do mesmo Código, antes reproduzido. 9.2 Como regra geral, quando o direito creditório amparase em indébito tributário judicialmente contestado, em que o sujeito passivo busca um pronunciamento definitivo pela via judicial, pairam dúvidas sobre a própria existência da dívida, cuja certeza virá apenas com o reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado. 10. Em contraponto, sustenta o recorrente que a compensação no âmbito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por prescindir do prévio reconhecimento da liquidez e certeza, dispensa o trânsito em julgado da decisão judicial. 11. Não me parece correto tal ponto de vista, dado que o art. 170A do CTN, ao exigir que não mais haja discussão judicial acerca dos créditos, não distingue a compensação de tributos lançados por homologação das demais modalidades de lançamento. 12. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é firme nessa mesma linha de pensamento: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. MATÉRIA PACIFICADA. SÚMULA N.º 168/STJ. 1. Nas ações ajuizadas após a publicação da Lei Complementar n.º 104/2001, que acrescentou o art. 170A ao CTN, somente se admite a compensação tributária depois do trânsito em julgado da sentença. Precedentes da Seção. 2. A jurisprudência da Corte não diferencia a compensação no âmbito do lançamento por homologação (art. 66 da Lei n.º 8.383/90) das demais hipóteses de compensação para efeito de incidência do disposto no art. 170A do CTN. (grifei) (...) 4. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 755.567/PR; Relator Ministro Castro Meira, 1ª Seção, Data de publicação em 13/3/2006) Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.010 7 13. Impõese a vedação do art. 170A do CTN, inclusive, às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, porque a norma jurídica não faz menção, tampouco faz qualquer restrição quanto à origem ou causa do indébito tributário a que se pretende submeter à compensação. 14. Colaciono, novamente, a pacífica jurisprudência do STJ, desta feita um julgamento na sistemática do recurso repetitivo (art: 543C do Código de Processo Civil): TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. (grifei) 2.. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Recurso Especial nº 1.167.039/DF; Relator Ministro Teori Albino Zavascki, 1ª Seção, Data de Publicação: 2/9/2010) 15. Por outro lado, é certo que cabe ao contribuinte, por sua iniciativa, apurar seu crédito e efetuar a compensação quando vinculada ao regime de tributos lançados por homologação, ficando esse encontro de contas sujeito a revisão fiscal. Por isso, se diz que essa espécie de compensação prescinde de prévia autorização administrativa ou judicial. 16. Acertadamente também aduz a recorrente que o Fisco já reconheceu, no plano abstrato, por meio da edição da Portaria MPS nº 133, de 2006, e da Instrução Normativa SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, a possibilidade de restituição e compensação de valores arrecadados pela Previdência Social em relação aos exercentes de mandato eletivo, cujos recolhimentos indevidos deramse por força da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. Esse dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 17. Contudo, como registra o votocondutor do acórdão recorrido, ao submeter ao crivo do Poder Judiciário a sua pretensão de compensação, o sujeito passivo vinculase ao desfecho da ação judicial. 17.1 Resultado dessa opção, fica compelido a aguardar a expedição da norma individual e concreta, revestida dos efeitos da coisa julgada material, para poder exercer o seu direito. Após o trânsito em julgado, a norma expedida pelo Poder Judiciário autorizará a extinção do crédito tributário, nos termos e condições ali fixados. 18. Embora o recorrente afirme que a compensação em questão não exige autorização judicial, enxergo contradição nesse ponto do apelo, porque optou exatamente em ingressar em juízo para discutir tal encontro de contas. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.011 8 18.1 Não é aceitável que interponha, de um lado, ação judicial visando à obtenção de um pronunciamento definitivo pelo Poder Judiciário, e, de outro, aproveite a sistemática no âmbito do lançamento por homologação para compensar, segundo os seus critérios, o crédito objeto de contestação judicial. 19. É bom anotar ainda que a ação ajuizada pela recorrente não se limita a discutir meros critérios de compensação, mas também a não incidência da prescrição nos pagamentos realizados, matéria que repercute diretamente na relação de direito material litigiosa (fls. 77/85). 20. De maneira que, ao levar a questão à apreciação do Poder Judiciário, há evidências de não estar configurada a indispensável certeza quanto ao crédito pleiteado pelo sujeito passivo, porque incerta a própria possibilidade de exigir o indébito do devedor. Pendendo controvérsia judicial sobre a existência do crédito, devese implementar a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial. 21. De mais a mais, a conduta do recorrente de iniciar e manter a compensação antes do trânsito em julgado, além de contrariar o art. 170A do CTN, é igualmente contrária ao próprio pronunciamento judicial, porque o magistrado, na sentença de primeiro grau, proferida em jun/2011, vincula a compensação ao trânsito em julgado (fls. 82/84). 22. Em suma, considerando a acusação, devidamente comprovada, de haver desobediência ao art. 170A do CTN, deverá ser mantida, integralmente, a glosa da compensação, acrescida de multa e de juros de mora (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 16682.721089/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2009
Ementa:
LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
Tendo sido confirmados que o estorno e a transferência foram efetuados devidamente, bem como que os valores excluídos tinham sido oferecidos à tributação, correta a exoneração da correspondente parcela do crédito tributário no lançamento, o qual fora efetuado sob a fundamentação de exclusão indevida da base de cálculo das contribuições sociais para o PIS e Cofins.
Recurso de Ofício negado
Numero da decisão: 3402-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ 117.908.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2009 Ementa: LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. Tendo sido confirmados que o estorno e a transferência foram efetuados devidamente, bem como que os valores excluídos tinham sido oferecidos à tributação, correta a exoneração da correspondente parcela do crédito tributário no lançamento, o qual fora efetuado sob a fundamentação de exclusão indevida da base de cálculo das contribuições sociais para o PIS e Cofins. Recurso de Ofício negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ 117.908. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. Tendo sido confirmados que o estorno e a transferência foram efetuados devidamente, bem como que os valores excluídos tinham sido oferecidos à tributação, correta a exoneração da correspondente parcela do crédito tributário no lançamento, o qual fora efetuado sob a fundamentação de exclusão indevida da base de cálculo das contribuições sociais para o PIS e Cofins. Recurso de Ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ 117.908. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 89 /2 01 1- 11 Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Trata o processo de autos de infração referentes a fatos geradores no período de janeiro de 2007 a junho de 2009, para a exigência de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), multa proporcional e juros de mora, conforme tabela abaixo: Consta no Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização identificou lançamentos a débito em contas de Receita que reduziram indevidamente a base de cálculo do PIS e da Cofins, nos seguintes termos: (...) A SUL AMERICA SEGURO SAÚDE S/A incluise entre as entidades relacionadas no § 1o do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, as quais apuram as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) segundo legislação específica. O PIS/PASEP e a COFINS incidem sobre o faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua classificação contábil ou da atividade social exercida. A legislação prevê diversas exclusões/deduções da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo, sendo algumas gerais, e outras específicas para cada tipo de atividade. No período objeto da presente fiscalização, a base de cálculo das seguradoras é definida pela Lei 9.701/98, art. 1o, e Lei 9.718/98 nos seus artigos 2o e 3o, com redações alteradas pelas Medidas Provisórias 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.158 35/2001 e suas reedições, cujos trechos pertinentes transcrevemos a seguir: (...) V DA ANÁLISE FISCAL Em decorrência da análise de toda documentação apresentada pela fiscalizada, constatamos infrações à legislação do PIS e da COFINS, referentes ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2007 a 30 de junho de 2009. 1. DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS E DA COFINS EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO Cofins PIS CONTRIBUIÇÃO R$ 37.828.715,18 R$ 6.147.166,12 JUROS DE MORA R$ 18.068.753,03 R$ 2.936.172,25 MULTA PROPORCIONAL R$ 28.371.536,31 R$ 4.610.374,51 VALOR R$ 84.269.004,52 R$ 13.693.712,88 Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.721089/201111 Acórdão n.º 3402002.867 S3C4T2 Fl. 3.672 3 Na análise dos registros contábeis da fiscalizada, no período de 01 de janeiro de 2007 a 30 de junho de 2009, foram identificados, pela fiscalização, lançamentos a débito em contas de Receita, relacionadas no Termo de Intimação Fiscal n° 04, os quais reduziram indevidamente a Base de Cálculo do PIS e da COFINS. A exclusões na base de cálculo do PIS e da COFINS realizadas pelos lançamentos à débitos, elencados a seguir, violam as leis dos referidos tributos, cujas exclusões permitidas estão exaustivamente dispostas nos artigos 2o, art. 3o e art. 3o §5° e 6o, II da lei 9718/98 para a COFINS e artigo art. 1o, IV da lei 9701/98 e art 2o, art. 3o e art. 3o §6o, II da lei 9718/98 para o PIS. Vale acrescentar que tanto para o PIS quanto para a COFINS, as exclusões permitidas em lei estão reguladas pelos artigos 22 e 27 do Decreto 4.524 de 17/12/2002. Foram identificados ao todo 14 (quatorze) [rubricas de] registros contábeis de contas de receita com lançamentos à débito que se enquadram na hipótese da infração acima descrita e cujas análises individualizadas restam discriminadas a seguir: (...) Concluímos que a fiscalizada promoveu a redução da base de cálculo das contribuições através de lançamentos a débito indevidos e não comprovados nas contas de receita. Foi elaborada, a seguir, a planilha geral contendo todos os lançamentos a débito não justificados nas contas de receita e indevidamente excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins. Em síntese, a fiscalização considerou indevidas as exclusões da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, discriminadas a seguir: · Em relação ao item 1 não houve comprovação pela fiscalizada; Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 · Em relação aos itens 2, 3 e 4 do TVF a interessada informou que os valores referemse a rendimento negativo no Fundo de Renda Fixa, contudo, não foram identificados rendimentos negativos nas respectivas aplicações financeiras, além do que não havia, segundo a fiscalização, previsão legal para a exclusão desses valores da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins para as empresas de seguros privados. · Em relação aos itens 5, 6, 7, 8, 9 e 10 do TVF, a interessada informou que os valores foram transferidos para outras contas de receita em virtude de alteração do plano de contas, contudo, a fiscalização não identificou tais transferências; · Em relação ao item 11 do TVF, a interessada alegou que reclassificou o valor para as contas 461199000000002 Despesa com seguro saúde/diretoria e 461549000000003 Seguro Saúde, entretanto não foi apresentada documentação hábil e idônea comprobatória. · Em relação ao item 12 do TVF, a interessada alegou transferência para a conta nº 3411194000000002, entretanto, a fiscalização não considerou comprovada tal transferência; · Em relação ao item 13 do TVF, a interessada não apresentou resposta; · Em relação ao item 14 do TVF, a interessada alegou transferência para a conta nº 3412199000000006, contudo, a fiscalização não considerou comprovada a transferência. Cientificado do lançamento de Cofins e PIS/Pasep, o sujeito passivo apresentou a impugnação, alegando e requerendo, conforme consta na decisão recorrida, que: (...) a) efetuará o pagamento relativo às infrações relativas aos itens 1, 12 e 14; b) quanto aos itens 5, 6, 7, 8, 9 e 10 os valores deduzidos na conta de receita, não são exclusões da base de cálculo, e sim transferência para outra conta de receita em virtude de alteração do plano de contas em obediência às Instruções Normativas da ANS nº 08/2006 e 09/2007; e que tais transferências foram efetuadas por soma dos valores, e não individualmente; c) em relação ao 3º caso, o sistema de processamento eletrônico de dados da impugnante, que controla as posições das suas aplicações financeiras, registrou indevidamente, em 15/01/2008 crédito de R$ 12.342.178,34 a título de rendimento negativo de aplicações financeiras na subconta 3411493000000002, e no mesmo dia, esse valor foi estornado; d) em relação ao valor de R$ 76.776,39 que compõe o 3º item do TVF, cabe esclarecer que a impugnante lança diariamente as oscilações dos investimentos, assim sendo, o valor citado é ajuste negativo produzido por queda no valor das quotas do fundo GRPMULT, escriturado em 07.03.2008, ou seja, durante o mês de março, que foi absorvido dentro do próprio mês, cujo resultado final foi positivo e esse resultado positivo foi computado nas bases de cálculo do PIS e da COFINS; Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.721089/201111 Acórdão n.º 3402002.867 S3C4T2 Fl. 3.673 5 e) Em relação ao item 2 do TVF, tratase da mesma situação acima esclarecida, e o lançamento foi anulado pelo lançamento de rendimentos positivos auferidos no mesmo mês; f) Em relação ao item 4 do TVF, tratase da mesma situação esclarecida acima; g) Em relação ao item 13 do TVF, os lançamentos são meros ajustes contábeis para que a receita mensal de correção monetária de seus investimentos em Notas do Tesouro Nacional (NTNB) fosse corretamente reconhecida com base nos índices oficiais do IPCA (aplicável às NTNB), tendo em vista que a IMPUGNANTE, por excesso de zelo e obediência ao princípio do conservadorismo, corrigia monetariamente aquelas aplicações financeiras pro rata die, com base em estimativas prévias do índice em questão, que não refletiram as receitas realmente auferidas. As correções monetárias das NTNB eram contabilizadas diariamente com base em expectativas dos índices que as representavam. Ao final do período, quanto o índice oficial era conhecido, a IMPUGNANTE ajustava o valor contabilizado, complementandoo, ou nos meses em que se constatou índice menor que o previsto, creditando a conta do ativo representativa das aplicações e debitando a conta de receita correspondente, no valor suficiente a adequálo à realidade, conforme se observa da cópia do seu Livro Razão referente à citada conta, no período de janeiro a junho de 2009 (doc. 50); h) Em relação ao item 11 do TVF, a impugnante esclarece que, como seguradora especializada em segurosaúde, confere aos seus empregados, administradores e familiares, cobertura de assistência médica, hospitalar e laboratorial. Diferentemente, contudo, dos negócios celebrados com terceiros, não cobra dessas pessoas prêmios fixos e mensais, as quais, por outro lado, pagam apenas uma pequena parcela dos valores despendidos com as despesas que efetuarem. Nessa espécie de cobertura, então, a própria IMPUGNANTE paga ao prestador de serviços médicos, hospitalares ou laboratoriais utilizado pelo beneficiário o preço com ele pactuado, adiantando, inclusive, a parcela da participação desses beneficiários em tais despesas e, posteriormente, cobra dos beneficiários a sua participação, que contabiliza a crédito das subcontas relativas às despesas pagas, reduzindoas aos seus verdadeiros valores. Paralelamente, porém, e apenas para fins de controle administrativo, a IMPUGNANTE levantava a quantidade e o perfil dos beneficiários daquelas coberturas, calculava o quanto cobraria de prêmio caso negociasse com terceiros cobertura equivalente em apólice coletiva, contabilizava este valor hipotético a crédito da subconta de receita em questão (3111211002306001), lançando, em contrapartida, débito de igual valor na subconta 1231112100000001 ("Prêmios a receber pré MH PJ"), do grupo do ativo circulante. A seguir, como aquela conta do ativo não representava direito de crédito algum, a IMPUGNANTE baixava seu saldo proporcionalmente a débito da subcontas de despesas 4611990000000002 ("Desp. Com seguro Saúde Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Diretoria") e 4615490000000003 ("Seg. saúde Custo Empregados"), preservando o lucro líquido, o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido inalterados. Em junho de 2009, todavia, a IMPUGNANTE verificou que sua conduta, quanto aos lançamentos descritos acima não mais se coadunava com as normas contidas na Instrução Normativa n° 24 (doe. 46), da ANS, publicada no ano anterior para, entre outras providências, disciplinar de maneira global o tratamento contábil dispensado a benefícios de assistência médico hospitalar concedidos a empregados e administradores. Esse fato levou a IMPUGNANTE a, no dia 28.06.2009, abandonar tal prática, estornando a débito na subconta 3111211002306001 o valor de R$ 3.027.542,35, correspondente ao somatório dos lançamentos efetuados, nesta rubrica, como comprovam a folha do Livro Razão daquele mês (doc. 47), creditando, em contrapartida, as subcontas de despesas 4611990000000002 (R$ 211.092,95 R$ 266.130,29 = R$ 55.037,34) e 4615490000000003 (R$ 2.972.505,01), como evidenciam agora as folhas do Livro Razão (doc. 48) e a planilha que demonstra as somas dos valores lançados nas 3 (três) contas ora mencionadas (doc. 49). Vêse, enfim, tratarse de procedimento sem implicação patrimonial, muito menos de receita. Encerra a impugnação requerendo que seja esta seja julgada procedente, com a exoneração das exigências tributárias, e em caso de entendimento pela insuficiência de elementos necessários para formar a convicção sobre as matérias requer perícia. (...) Mediante o Acórdão nº 1248.708, de 09 de agosto de 2012, a 17ª Turma da DRJ/RJI julgou a impugnação da contribuinte procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2009 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Compete à autoridade julgadora decidir sobre a realização de perícia, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2009 LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado o estorno e a transferência efetuados, com o oferecimento a tributação dos valores devidos, cancelase o lançamento efetuado sob a fundamentação de exclusão indevida da base de cálculo. LANÇAMENTO. ESTORNO. COMPROVAÇÃO. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.721089/201111 Acórdão n.º 3402002.867 S3C4T2 Fl. 3.674 7 Não basta comprovar que estornou o valor, devese comprovar que o estorno é devido, que não serviu apenas para reduzir o valor a ser tributado do PIS e da COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2009 LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado o estorno e a transferência efetuados, com o oferecimento a tributação dos valores devidos, cancelase o lançamento efetuado sob a fundamentação de exclusão indevida da base de cálculo. LANÇAMENTO. ESTORNO. COMPROVAÇÃO. Não basta comprovar que estornou o valor, devese comprovar que o estorno é devido, que não serviu apenas para reduzir o valor a ser tributado do PIS e da COFINS. Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância, mas não apresentou recurso voluntário dentro do prazo legal e efetuou o recolhimento da parte da exigência fiscal mantida, conforme informações da DEMAC/RJO (fl. 1642) e documentos de folhas 1634 a 1641. Mediante a Resolução nº 3402000.537, de 24 de abril de 2013, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: (...) O recurso em exame cingese à parte da exigência cuja descrição dos fatos está identificada como 5°, 6°, 7°, 8°, 9° e 10° casos no TVF. A instância recorrida fundamentou sua decisão no exame de cópias do livro Razão da contribuinte, que atestariam o fato de que os lançamentos a débito nas contas de receita identificadas pela fiscalização possuiriam a contrapartida, com lançamentos a crédito em outras contas de receita que teriam sido consideradas pela própria contribuinte na composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, confirmandose tratar de mera transferência para outra conta de receita, em virtude de alteração do plano de contas. A análise das provas trazidas em sede de impugnação contrasta com a análise feita pela fiscalização no curso do procedimento fiscal, visto que, no TVF, afirmase que, diante das justificativas dos lançamentos a débito feitas pela contribuinte, examinouse a contabilidade e apenas alguns lançamentos foram acolhidos como legítimos. Vale dizer: as justificativas foram aceitas apenas parcialmente e procedeuse ao lançamento de ofício da Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 parte relativa aos débitos cuja justificativa não teria sido comprovada pelo exame dos livros contábeis. Em face disso, considerando as cópias do livro razão apreciadas pela recorrente, julgo de bom alvitre que a fiscalização as examine, bem como solicite da recorrente os demais elementos de prova que julgar necessário à comprovação de que os lançamentos a débito dos casos 5 a 10 tratados no TVF configuram, de fato, mera transferência de receita de uma conta para outra, em virtude de alteração do plano de contas, e de que tais receitas foram efetivamente computadas na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins pela contribuinte. Solicitase que, após o exame desses elementos de prova para as justificativas apresentadas, seja elaborada planilha demonstrativa, por período de apuração, da parte da exigência cuja justificativa foi comprovada e que, portanto, deve ser mantido o cancelamento feito pela DRJ/RJOI. Outrossim, pedese que sejam anexadas a estes autos cópias das normas expedidas pela Agência Nacional de Saúde (ANS) referidas pela contribuinte em sua peça impugnatória e que, dessa diligência e do seu resultado seja dada ciência ao sujeito passivo para que, querendo, possa se manifestar, no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso de ofício em diligência. (...) Os autos retornaram ao CARF da repartição de origem com seguinte conclusão: (...) IX DA CONCLUSÃO 27. Pelo exposto, constatouse que: 1º. Em relação aos valores objeto de registros a débito em contas de receita 1 (col.1 da Planilha I), objeto da presente Diligência Fiscal (item 3.1 deste Termo), foi constatado terem sido transferidos para as contas de receita 2 (col.2 da Planilha I), tendo a diligenciada adotado como metodologia: a) Transferência de parte dos valores diretamente às contas de receita 2 b) Transferência de parte dos valores indiretamente às contas de receita 2, através de conta transitória patrimonial conta n° 2188890000000006 c) Transferência de parte dos valores indiretamente às contas de receita 2, através de registros a crédito e posteriormente a débito em contas de prêmios cancelados e contas de despesa. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.721089/201111 Acórdão n.º 3402002.867 S3C4T2 Fl. 3.675 9 2º. Dos valores objeto de registros a débito em contas de receita 1 (col.1 da Planilha I), foi constatado o oferecimento à tributação relativamente ao PIS e à COFINS. (...) Intimada a se manifestar, a recorrente informou que: (...) SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A, devidamente qualificada e representada nos autos do processo em epígrafe, vem, por seus advogados que esta subscrevem, requerer se dignem V.S.as julgar preferencialmente o recurso de ofício nele interposto, negandolhe provimento para manter a decisão recorrida, tendo em vista o valor envolvido, bem como o fato de que, em cumprimento da diligência requerida pela Resolução n° 3402000.537, dessa Colenda Turma, a própria autora do lançamento reconheceu que os valores lançados a débito das contas de receita em discussão no presente feito foram transferidos para outras contas de receita tendo, por conseguinte, sido computados nas bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, nos termos do relatório da sua lavra, aprovado pelo despacho de fls. 3652, que confirmara as alegações aduzidas na impugnação. (...) É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 3/2008, devendo o recurso de ofício ser conhecido. A lide delimitase à parcela do crédito tributário exonerada pela decisão recorrida, que se refere aos 2º, 3º e 4º Casos e também aos 5º ao 10º Casos. 2º Caso: Apurou a fiscalização a exclusão indevida da base de cálculo das contribuições sociais no montante de R$1.492.274,30, relativamente aos meses de janeiro a dezembro de 2007, na conta 3411493000000002, vez que não teriam sido identificados rendimentos negativos nas aplicações financeiras de renda fixa, além de não haver previsão legal para a exclusão desses valores da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins para as empresas de seguros privados. Na sua impugnação esclareceu a impugnante que, no caso do PIS e da Cofins, é no último dia de cada mês que o contribuinte deve determinar se as aplicações financeiras produziram rendimentos ou perdas, em face do aspecto temporal do fato gerador. Não obstante Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 isso, a impugnante avaliava, em face dos seus controles internos, as quotas dos fundos diariamente, registrando as respectivas oscilações positivas e negativas. No entanto, os lançamentos intermediários relativos às oscilações negativas diárias eram abatidos pelos lançamentos dos rendimentos positivos do mesmo mês, resultando em saldo positivo todos os meses de 2007, conforme comprovam os documentos anexados à impugnação (docs. 41 a 43). Assim, em conclusão da sua argumentação, a impugnante afirmou que, realmente, não obteve rendimentos negativos nas aplicações de renda fixa nos meses de janeiro a dezembro de 2007, como afirmado pela fiscalização, entretanto, não os computou diminuindo as bases de cálculo daquelas contribuições, como equivocadamente concluíra a fiscalização. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte tinha aplicações financeiras nos fundos de investimentos: SAM GREEN TULIP FI, SAM PLATINUM FI MULT, SAM GREEN II FI RF, GRUPAL FIM, GRUPAL CASH FI RF e GRUPAL FI RF. Apurou o julgador de primeira instância com a planilha da fl. 1222 que os investimentos SAM GREEN TULIP FI, SAM PLATINUM FI MULT, GRUPAL FIM, GRUPAL FI RF integravam a conta 3411493000000002 e SAM GREEN II FI RF e GRUPAL CASH FI RF integravam a conta 3411493000000001. Assim, para o presente Caso, relativamente à conta 3411493000000002, cotejandose o somatório dos rendimentos dos investimentos que compunham essa conta com os valores registrados no livro razão mês a mês, apurouse, na decisão recorrida, a diferença total de R$ 32.740.559,06 lançado na conta 3411493000000002, conforme tabela abaixo: 2007 SAM GREEN TULIP FI SAM PLATINUM FI MULT GRUPAL FIM GRUPAL FI RF TOTAL RAZÃO DIFERENÇA jan 2.844.662,10 180.982,12 3.025.644,22 3.025.644,14 0,08 fev 2.126.791,10 120.233,58 2.247.024,68 2.247.024,69 mar 15.826.317,79 122.449,68 15.948.767,47 15.948.767,36 0,11 abr 807.190,27 224.711,53 1.031.901,80 1.031.901,79 0,01 mai 1.110.706,12 79.783,42 1.190.489,54 1.030.922,71 159.566,83 jun 1.059.035,92 338.420,12 1.397.456,04 1.397.456,07 jul 1.164.427,63 203.410,58 1.367.838,21 1.367.838,17 0,04 ago 844.991,93 158.434,69 124.330,80 339.501,93 1.467.259,35 1.467.259,58 set 191.575,64 921.730,54 1.113.306,18 1.113.306,73 out 192.647,35 1.161.817,41 1.354.464,76 1.354.465,36 nov 184.916,45 1.036.468,10 1.221.384,55 1.221.385,18 dez 413.150,34 1.121.436,32 1.534.586,66 1.534.587,28 TOTAL 32.900.123,46 32.740.559,06 Verificando o levantamento efetuado pela fiscalização fls. 68/71, observase que o valor de R$ 32.740.559,06 lançado na conta 3411493000000002 foi apropriado como receita. De forma que correta a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, na parcela exonerada da base do lançamento de R$ 32.740.559,06, relativamente aos rendimentos mensais dos investimentos em renda fixa que integravam a conta 3411493000000002 que já tinham sido apropriados como receita, e não se tratavam de Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.721089/201111 Acórdão n.º 3402002.867 S3C4T2 Fl. 3.676 11 diminuições indevidas da base de cálculo do PIS e da Cofins, restando mantida na base de cálculo das contribuições, relativamente ao 2º Caso, somente o montante de R$159.567,07. 3º Caso: Do mesmo modo, apurou a fiscalização a exclusão indevida da base de cálculo das contribuições sociais no montante de R$12.418.954,73, conforme tabela abaixo, relativamente aos meses de janeiro, março e abril de 2008, também na conta 3411493000000002, vez que não teriam sido identificados rendimentos negativos nas aplicações financeiras de renda fixa, além de não haver previsão legal para a exclusão desses valores da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins para as empresas de seguros privados. VALORES LANÇADOS janeiro 12.292.359,40 março 95.355,47 abril 31.239,86 TOTAL 12.418.954,73 Esclareceu a impugnante que, como no 2º Caso, avaliava, em face dos seus controles internos, as quotas dos fundos diariamente, registrando as respectivas oscilações positivas e negativas. No entanto, os lançamentos intermediários relativos às oscilações negativas diárias eram abatidos pelos lançamentos dos rendimentos positivos do mesmo mês, conforme revelam os lançamentos diários na conta 3411493000000002 ("Rend. C Quotas de FRF Vinc") de março a abril de 2008, os extratos dos fundos (doc. 39) e o Demonstrativo do Rendimento de Cota de Fundo GRPMULT (doc. 40). Apurou o julgador de primeira instância que, no período de janeiro a abril de 2008, os investimentos GRUPAL FIM e GRUPAL FI RF compunham a conta 3411493000000002 e o investimento GRUPAL CASH FI RF integrava a conta 3411493000000001. Assim, para o 3º Caso, no período de janeiro a abril de 2008, relativamente à conta 3411493000000002, cotejandose o somatório dos rendimentos dos investimentos que compunham essa conta com os valores registrados no livro razão mês a mês, apurouse os seguintes valores: 2008 GRUPAL FIM GRUPAL FI RF TOTAL RAZÃO DIFERENÇA Jan 491.808,46 631.435,93 1.123.244,39 728.415,00 394.829,39 fev 1.178.685,65 69.227,83 1.247.913,48 1.247.914,08 mar 1.677.943,64 18.913,71 1.696.857,35 1.696.857,85 abr 1.377.696,12 43.134,54 1.420.830,66 1.420.831,37 TOTAL 5.488.845,88 5.094.018,30 Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização confirmou a informação fornecida pela contribuinte de que o valor de R$ 393.282,46, registrado na conta 3411493000000002, foi transferido para a conta 3411493000000001, que foi incluído na base de cálculo das contribuições sociais. Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Assim, apurouse na decisão de primeira instância diferença de R$1.546,93 para o mês de janeiro de 2008, que restou mantida na base de cálculo do lançamento, na seguinte forma: Total dos Rendimentos de aplicação financeira ..............R$ 1.123.244,39 Valor Contabilizado na conta 3411493000000002 ............R$ 728.415,00 Valor Contabilizado na conta 3411493000000001 ............R$ 393.282,46 DIFERENÇA ..........................................................................R$ 1.546,93 De forma que correta a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, na parcela exonerada da base do lançamento relativamente ao rendimento de janeiro de 2008 dos investimentos em renda fixa que integravam as contas 3411493000000002 e 3411493000000001, que já tinham sido apropriados como receita (fls. 68/71), e não se tratavam de diminuições indevidas da base de cálculo do PIS e da Cofins. 4º Caso: A fiscalização verificou também a exclusão indevida da base de cálculo das contribuições sociais no montante de R$111.911,37, conforme tabela abaixo, relativamente aos meses de maio a dezembro de 2008, na conta 3411493000000003, vez que não teriam sido identificados rendimentos negativos nas aplicações financeiras de renda fixa, além de não haver previsão legal para a exclusão desses valores da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins para as empresas de seguros privados. 2008 VALORES LANÇADOS maio 111.910,02 junho 0,11 julho 0,09 setembro 1,12 outubro 0,02 dezembro 0,01 TOTAL 111.911,37 A impugnante esclareceu, como nos 2º e 3º Casos, que avaliava, em face dos seus controles internos, as quotas dos fundos diariamente, registrando as respectivas oscilações positivas e negativas. No entanto, os lançamentos intermediários relativos às oscilações negativas diárias eram abatidos pelos lançamentos dos rendimentos positivos do mesmo mês, conforme comprovam os documentos juntados na impugnação (docs. 44 e 45). Apurou o julgador de primeira instância que, nesse período, a conta 3411493000000003 era composta pelos fundos GRUPAL FIM e GRUPAL CASH FI RF. De forma que, cotejandose o somatório dos rendimentos desses investimentos com os valores registrados no livro razão mês a mês, apurouse os seguintes valores: 2008 GRUPAL FIM GRUPAL CASH TOTAL RAZÃO DIFERENÇA mai 1.171.653,69 842.735,32 2.014.389,01 2.014.389,02 jun 890.848,34 509.470,16 1.400.318,50 1.400.318,49 0,01 jul 1.286.925,81 641.837,75 1.928.763,56 1.928.763,53 0,03 ago 1.321.223,03 723.859,26 2.045.082,29 2.045.082,28 set 1.390.375,50 803.955,45 2.194.330,95 2.194.329,91 1,04 Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.721089/201111 Acórdão n.º 3402002.867 S3C4T2 Fl. 3.677 13 out 1.004.083,02 1.086.747,69 2.090.830,71 2.316.715,49 nov 1.157.454,77 775.264,38 1.932.719,15 1.932.719,25 dez 1.761.100,27 688.040,60 2.449.140,87 2.468.842,70 16.055.575,04 16.301.160,67 1,08 Verificando o levantamento efetuado pela fiscalização nas fls. 68/71, observase que o valor de R$ 16.301.160,67 lançado na conta 3411493000000003 foi apropriado como receita, razão pela qual correta a decisão recorrida ao exonerar essa parcela da base do lançamento. Casos 5º ao 10º: O julgador de primeira instância assim fundamentou a sua decisão nesses Casos para exonerar integralmente os seus valores da base do lançamento: (...) V – 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10º casos do Termo de Verificação Fiscal A fiscalização apurou débitos nas contas relacionadas na coluna conta (1) da planilha. A interessada informou que tais valores teriam sido transferidos para as contas listadas na coluna conta (2) da planilha. Contudo, a fiscalização confirma apenas parte da transferência e lança a diferença apurada na planilha abaixo: CASOS CONTA (1) DEBITO CONFIRMADO CONTA (2) LANÇADO 5º 3111211012202001 9.157.215,68 1.547.784,64 3111211002302001 7.609.431,04 6º 3111211012206001 934.645.880,77 159.631.609,31 3111211002306001 775.014.271,46 7º 3111211011202001 549.851,44 89.074,04 3111211001302001 460.777,40 8º 3111211011206001 168.624.909,82 29.499.050,52 3111211001306001 139.125.859,30 9º 3112211011204001 700.854,72 115.219,21 3112211001304001 585.635,51 10º 3112211012204001 5.435.346,36 0,00 3112211002304001 5.435.346,36 Observase que a fiscalização apenas apurou valores lançados a crédito das contas relacionadas na coluna conta (2) lançados em maio de 2007. Na impugnação, foram apresentadas cópias do RAZÃO. Analisando as cópias apresentadas (fls. 923/1223) constatase que os valores debitados nas contas relacionados na coluna “CONTA (1)” da planilha foram creditados nas contas relacionadas na coluna “CONTA (2)” da planilha. Segundo a planilha apresentada (fl. 1.222) foram apropriados como receita os valores lançados nas conta (2) da planilha. Diante disso, cancelase os lançamentos relativos aos casos 5 a 10 do Termo de Verificação Fiscal. (...) O processo retornou em diligência para a verificação se os lançamentos a débito dos casos 5 a 10 tratados no TVF configurariam mera transferência de receita de uma Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 conta para outra e se tais receitas teriam sido computadas na determinação da base de cálculo das contribuições, o que foi confirmado pela fiscalização da Unidade de Origem. Apurou a fiscalização, na diligência, que além das transferências diretas entre as contas de receita, a contribuinte utilizava de conta transitória (“Transferências Diversas” – conta n° 21888900000000 06") para efetuar transferências de valores entre as contas de “receita”, metodologia que não tinha sido informada à fiscalização anteriormente, no procedimento fiscal original. Também foi apurado na diligência outra forma de transferência indireta entre as contas de receita 1 e 2, com utilização de registros a crédito, e posteriormente a débito, em contas de prêmios cancelados e contas de despesa, resultando na transferência dos referidos valores às contas de Receita 2, tendo sido tais valores também oferecidos à tributação do PIS e da Cofins. De forma que, relativamente aos casos 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10º do Termo de Verificação Fiscal, foi reconhecido pela própria fiscalização na diligência que os valores lançados a débito das contas de receita foram transferidos para outras contas de receita, de forma direta ou indireta, tendo, portanto, sido computados nas bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, razão pela qual não merece reforma a decisão recorrida também nesta parte. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15504.001245/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004
NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT.
Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício.
Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes.
CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL.
O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos.
No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador.
TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4.
A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT. Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes. CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL. O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos. No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4. A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 12 45 /2 00 7- 35 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.340 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.341 3 Relatório 1. O presente processo administrativo fiscal referese à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD Nº 35.488.2740, lavrada contra a contribuinte ESMETAL LTDA., na qual são exigidas as contribuições previdenciárias não recolhidas no período de 01/04/1999 a 31/05/2004, correspondentes aos adicionais para o financiamento das aposentadorias especiais, de que trata o art 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. 2. De acordo com o apontado no RELATÓRIO FISCAL DE LANÇAMENTO (fls. 220/238), a empresa teria deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e os riscos ocupacionais existentes. 3. A documentação analisada pela autoridade fiscal lançadora, dentre outros, foram os Programas de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, e os Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, com base nos agentes nocivos listados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social – RPS (aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999). 4. Ao analisar a documentação supra, a fiscalização verificou diversas irregularidades praticadas pela empresa, consubstanciadas em não apresentação ou realização de Medidas de Proteção Coletiva – EPC; a não apresentação de relatório que especifique ou demonstre a periodicidade de troca de Equipamentos de Proteção Individual – EPI; apresentação de Fichas de Controle de Fornecimento de EPI com periodicidade de substituição superior a indicada no PPRA (como os protetores auriculares tipo “plug”); e que os funcionários não teriam recebido treinamento para a utilização dos EPI’s, conforme registrado por Engenheiro de Segurança do Trabalho quando da avaliação do PPRA. 5. Ao demonstrar seu inconformismo com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 245/295), tendo sido a NFLD nº 35.488.2740 julgada procedente, conforme Acórdão nº 0217.106, prolatado pela 8ª Turma da DRJ/BHE, em 13/02/2008 e anulado pelo CARF, em 10/06/2010, por cerceamento de defesa, nos termos do Acórdão nº 240200.937 4ª Câmara / 2" Turma Ordinária (fl. 1265), verbis: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O acórdão DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.342 4 DECISÃO RECORRIDA NULA.." 6. Para melhor evidenciar os fatos geradores que ensejaram a presente autuação, trago a colação parte do relatório apresentado a este Conselho pelo Conselheiro relator à época: "(...). As atividades desenvolvidas pelos empregados que estavam expostos a agentes nocivos a sua saúde ou integridade física são as de: soldador, frisador planador e torneiro mecânico, zelador de ferramentas, caldeireiro, auxiliar de caldeiraria, ajustador mecânico, trançador, encarregado de ajustagem, chefe geral de oficina, ferramenteiro, encarregado de maquinas, mecânico de manutenção e auxiliar de manutenção mecânica. O lançamento compreende o período de 04/1999 a 05/2004, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 30/09/2004. Ofertada impugnação (fls. 718), foi determinada a realização de diligencia fiscal para averiguação dos documentos apresentados possuírem força para a modificação do lançamento, principalmente os PPP's que não haviam sido analisados na fase de fiscalização. Resposta do fiscal as fls. 720, no sentido de que a documentação apresentada não possui o condão de alterar quaisquer dos fundamentos do lançamento. Logo após, as fls. 722/732, verificase que o Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRF Belo Horizonte, propôs consulta a equipe de auditoria dos riscos ocupacionais no Ambiente de Trabalho, sobre como efetuarse o enquadramento do agente nocivo químico cromo para fins de cobrança da contribuição prevista no inciso II do art.22 da Lei 8.212/91. Sobreveio, então, resposta de fls. 735/740, tendo sido o processo administrativo enviado a DRJ de Belo Horizonte para julgamento em primeira instancia. Mantida, pois a integralidade da notificação, fora interposto recurso voluntário, por meio do qual, sustenta o contribuinte: • que a caracterização da hipótese de incidência do adicional para aposentadoria especial dos empregados expostos a agentes nocivos está condicionada a submissão dos mesmos a tais riscos de forma permanente e não intermitente; • que a recorrente fornece EPI a todos os empregados, • que os PCMSO 's, apesar de evidenciarem, em algumas situações, a exposição a agentes nocivos em diferentes graus e intensidades, também apontam que não houve qualquer indicativo de doença que leve a incapacidade laboral; Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.343 5 • que mesmo que se considere que os empregados estivessem expostos a ruídos acima do nível de tolerância, o que não ocorreu, a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda da capacidade labora; • que a fiscalização efetuou o lançamento com base em meras presunções e em desacordo com o art. 142 do CTIV, motivo que enseja a nulidade da NFLD; e • inaplicabilidade da taxa SELIC; (...)." 7. A seguir tabela ilustrativa, cujos dados constam do Relatório Fiscal (Fls. 221 e ss), contendo as funções dos trabalhadores expostos a riscos ambientais, evidenciando assim a motivação do lançamento: FUNÇÃO DATA DO PPRA RISCOS FUNDAMENTOS Soldador 1999 Físicos – 94,1 dB 9ª) para 8 horas trabalhadas Químicos – fumos metálicos PPRA não informa se a exposição é habitual e permanente a ficha de controle de fornecimento de EPI, constatou se que o equipamento de proteção não foi devidamente fornecido aos empregados; empregado João Bosco Quintão recebeu um protetor auricular em 08/98, outro em 08/99; outro protetor entre 09 e 11/99 (na ficha não consta data nem assinatura do empregado) e outro apenas em 09/02. O empregado fazia parte do quadro da empresa até o encerramento da ação fiscal, ou seja, 05/2004. o certificado que consta na ficha de controle de fornecimento de EPI referese a protetor auditivo pré moldado de espuma de PVC, tipo inserção, com pequeno pino no interior, quando no PPRA o técnico em segurança do trabalho da empresa contratada para elaborar o PPRA informa que os protetores auriculares tipo plug; a empresa não apresentou cronograma de substituição de EPIs; concluiuse que o EPI fornecido ao empregado não atendia à sua finalidade de proteger o trabalhador do agente nocivo; a empresa apresenta para a função, um Certificado de Análise que consta a análise dos fumos metálicos constando a presença do elemento químico cromo; conclui que, tendo em vista que o cromo está relacionado no anexo 13 da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE e como este anexo não determina limite de tolerância, bastando a sua presença para se caracterizar o agente nocivo, considerouse o empregado exposto aos riscos físicos (ruído acima do limite de tolerância) e agentes químicos 9fumos metálicos, cromo) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.344 6 11/01/2001 Químicos – fumos metálicos Físicos – ruído de 86 dB nível de ruído abaixo do nível de tolerância, mas o empregado continua exposto, pois a empresa não elaborou outro laudo de análise do fumo metálico, assim para o referido período, foi considerado o laudo anterior, onde consta a presença do cromo. 02/07/2002 Químicos fumos metálicos Físicos ruído de 90,8dB Empresa apresentou Laudo Técnico Ambiental elaborado em 26.03.2002 no laudo não consta análise do cromo e demonstra concentração para o chumbo; o PPRA caracteriza como exposição intermitente ao agente químico e o laudo caracteriza exposição como contínua, durante toda a jornada de trabalho; nível de ruído acima do limite de tolerância (90dB) o parecer técnico Conclusivo do PPRA atesta que o ruído ultrapassou o limite de tolerância devendo ser adotado medias de caráter coletivo, como enclausuramento de fontes ruidosas, isolamento acústico e fornecimento do equipamento de proteção individual a empresa não adotou nenhuma medida de caráter coletivo e o fornecimento do equipamento de proteção individual se mostrou deficiente; 16/12/2003 Químicos fumos metálicos habitual e permanente Físicos ruido/ radiação nãoionizante habitual e permanente a empresa não apresentou outro laudo para a análise dos fumos metálicos; não consta medição do nível do ruído; o parecer técnico informa que “a atividade é considerada insalubre de grau médio (anexo 01 ruído continuo e intermitente da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE); não restou demonstrado no item 8.1.1 o uso adequado do EPI Mandrilhador Fresador Plainador e Torneiro Mecânico PPRA de 1999 Químicos – hidrocarbonetos Físicos – ruídos 83 dB insalubridade caracterizada por hidrocarbonetos e outros compostos de carbono pois são usados como solvente ou em limpeza de peças; a empresa contratada para elaborar o PPRA, confirma que existe contato com o hidrocarboneto e indica o uso do creme protetor para pele resistente a água; ao analisar a ficha de controle de EPI de dez destes profissionais apenas um empregado (torneiro mecânico) recebeu um pote de creme paras as mãos. Ele foi contratado em 17/01/2001 e somente recebeu o EPI em 04/08/2003; concluiu configurada a exposição ao agente nocivo hidrocarboneto, para as funções até a elaboração o PPRA de 2002. 02/07/2002 Químicos – óleo de corte sintético – exposição intermitente nível de ruído acima do limite de tolerância; José Turibo – a partir de 01/01/200 a empresa não forneceu mais o protetor auricular para o empregado. Na Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.345 7 Físicos – 92,8m dB – exposição contínua ficha do empregado consta apenas fornecimento de botina em 12/99, luva de raspa em 01/200 e respirador em 01/2001; Dirson Magela Pereira A partir do ano de 2001 passou a receber apenas um protetor a cada ano. Foi admitido em 02/11/1998 na função de plainador e continua trabalhando na empresa até 05/2004. Marcos Filix da Cruz o empregado recebeu um protetor em 01/2001 e o outro apenas 12/2003, três anos depois, tempo muito superior ao previsto para troca do equipamento, conforme informação da empresa contratada para elaboração do PPRA; Cláudio Mauricio Soares maior período que ficou sem receber o equipamento foi 11/98 a 05/99, o que ainda é aceitável. Todavia, após 03/2000 ficou mais de 02 anos sem receber o equipamento. Recebeu protetores apenas em 13/09/2002, em 14/07/2003, em 15/08/2003 e outro em 09/02/2004. Praticamente um protetor a cada ano. Foi admitido em 01/04/1998 e demitido em 05/02/2003, na função de fresador e foi readmitido 14/07/2003. Em 01/08/2003 sua função foi alterada para mandrilhador. Lausdinei Fernandes do Amaral recebeu um protetor auricular tipo plug em 07/99, 02 (dois) entre 07/1999 e 07/2002 (na ficha não consta a data de entrega), outro em 12/2002, mais um em 07/2003 e outro apenas em 03/2004. Renato Viana Caldeira até 08/1999 recebia o equipamento de proteção com certa regularidade, de quatro em quatro meses. A partir de 08/99 a situação mudou, recebeu dois protetores entre 08/1999 e 10/2002 (na ficha não consta a data de entrega), outro protetor em 12/2002 e outro apenas em 02/2004. Esteve afastado da empresa no período de 05/03 a 10/03, e só recebeu outro equipamento em 02/02/2004. Foi admitido em 01/10/1997 na função de mandrilhador, saiu em15105/2003 e retornou a empresa em 01/10/2003, na mesma função. Rafael Alves Neves recebeu protetor auricular em 01/2001; 08/2001; 12/2002; 09 e , 10/2003; 01, 02 e 04/2004. Na ficha do empregado não consta entrega do equipamento de proteção individual entre 08/2001 e 12/2002, portanto, o mesmo ficou 16 meses usando o mesmo equipamento. Foi admitido em 17/01/2001, como torneiro mecânico. Helvio Carneiro consta entrega de um protetor auricular tipo plug em 01/2000, 02 (dois) protetores entre 01/2000 e 08/2001 (na ficha não consta a data da entrega), um em 07/2003, 09/2003, 12/2003, 03/2004, 06/2004 e 07/2004. O empregado ficou sem trocar o seu equipamento no período de 08/2001 ate 07/2003, portanto todo o ano de 2002 e mais quase sete meses em 2003. Foi admitido em 04/09/1996, foi demitido em 11/10/1999 e readmitido em 12/01/2000, sempre na função de torneiro mecânico. Sirley de Lima até 02/99 recebeu um protetor auricular todo mês. Todavia, não recebeu nenhum protetor no período de 2000 a 2002. Recebeu 02 protetores no ano de 1999, mas na ficha não consta a data de entrega. Consta apenas entrega de botina em 17/09/1999, entrega de 02 protetores (sem data) e em 18/01/1999 entrega de outro protetor auricular. A ficha está fora de ordem cronológica, mas comprova a falta de troca do equipamento no período de 2000 a 2002, uma vez que consta registro de troca de protetor Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.346 8 auricular apenas em 05/09/2002, 10/2002, 02 e 09/2003. Foi admitido em 01/12/1998 e demitido em 19/01/2004, na função de torneiro mecânico. João Carlos Ferreira recebeu o protetor auricular em 09/2001 e outro apenas em 08/2003, quase 24 meses depois. O Ultimo protetor que recebeu foi em 01/2004. Foi admitido em 12/09/2001 na função de torneiro mecânico. a empresa não apresentou cronograma de substituição de EPIs. Segundo o Técnico em segurança do Trabalho da empresa contratada para elaborar o PPRA os protetores auriculares tipo plug deveriam ser substituídos de mês em mês, no máximo. o EPI fornecido ao empregado não atendia à sua finalidade, ou seja proteger o trabalhador do agente nocivo. 16/12/2003 Químicos – poeira metálica e óleo mineral Físicos – ruído 85,1 dB – habitual e permanente o ruído está cima do nível de tolerância; o equipamento de proteção individual não foi regularmente fornecido par ao empregado, não restando provada a sua eficácia; Zelador de ferramentas 1999 Risco químico nenhum Risco físico nenhum Apesar desta função constar da mensagem enviada à empresa notificada, informando que existe contato com o hidrocarboneto, não efetuamos o levantamento dos empregados desta função, tendo em vista informação do PPRA que não identifica exposição a agente químico. 11/01/2001 Riscos Químicos DGN (desengraxante) Hidrocarboneto Riscos Físicos 86 DB o único empregado na função não recebeu nenhum pote de creme de proteção para as mãos, apesar de estear em contato com o Hidrocarboneto. concluise que a partir dessa data o empregado estava exposto, tendo em vista constar no PPRRA a exposição ao agente químico e a mensagem enviada à empresa em 07/125/2001; 02/01/2002 Riscos Químicos DGN (desengraxante) intermitente Riscos Físicos 92,8 DB de forma continua empregado continua exposto; ruído em nível acima do limite de tolerância de forma contínua; Geraldo Ferreira da Silva – recebeu um protetor auricular por ano. empregado permanece prestando serviço na empresa e continua usando o mesmo protetor auricular desde 03/2002, hi 25 meses (considerando a última comp. fiscalizada 05/04), sendo totalmente incompatível com a informação da necessidade de se trocar o equipamento a cada mês; 16/12/2003 Riscos Químicos DGN (desengraxante) intermitente Riscos Físicos ruído habitual e permanente parecer conclusivo do PPRA atesta que" a atividade é caracterizada como Insalubre de grau médio, tendo em vista a exposição ao hidrocarboneto; a empresa não adotou nenhuma medida de controle geral e quanto ao Equipamento de Proteção Individual, este sequer foi entregue ao empregado; no ano de 2002, consta do PPRA um nível de ruído de 92,8 dB para esta função, e como para 2003 não foi feita a medição, considerouse o empregado exposto ao agente Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.347 9 ruído tendo por base a medição apresentada no ano anterior. Caldeireiro 1999 Esta função não estaca exposta a agente nocivo 11/01/2001 Não consta informação a função de caldeireiro 02/07/2002 consta nível de ruído de 90,8 dB e no PPRA de 16/12/2003 consta nível de ruído de 95 dB, considerou se que no ano de 2001 (sobre o qual não constam informações), o caldeireiro também esteve exposto ao ruído, acima do nível de tolerância. A empresa tem dois empregados nesta função e analisando as fichas de EPI constatamos que para o Sr. Jairo César Rosa o Ultimo protetor auricular foi entregue em 02/2000. O empregado continua trabalhando até 05/2004, portanto usando o mesmo protetor há quatro anos. O Sr. Reinaldo Edson de Almeida, trocou o protetor auricular em 10/99 e s6 recebeu outro em 12/2003, permanecendo quatro anos com o mesmo equipamento. Auxiliar de Caldeiraria 1999 Esta função não estaca exposta a agente nocivo 01/11/2001 Não consta informação a função de caldeireiro considerouse este profissional exposto, no período de 01/2001 ate 07/2001 (quando de sua promoção para a função de caldeireiro) tendo em vista a falta de informação para o ano de 2001 e os argumentos utilizados no item anterior. Ajustador mecânico 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos Óleo de corte sintético exposição intermitente Riscos Físicos ruído de 101,4 dB exposição continua nível do ruído acima da tolerância (90 dB); Luciano Lopes Teixeira recebeu o último protetor auricular em 01/11/1999 (data em que foi readmitido na empresa) e desta data até o dia 26.08.2004 (data em que esta fiscalização carimbou as fichas) o empregado não trocou o equipamento; Duas outras fichas analisadas apresentaram entrega de protetor auricular em 09 e 11/2002 e somente em 02 e 07/2004, respectivamente, os protetores foram trocados, caracterizando um longo período com o mesmo equipamento, restando comprovada a exposição do trabalhador a agente nocivo. 16/12/2003 Riscos Químicos poeira metálica, desengraxante industrial, óleo mineral e graxa exposição habitual, não ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído de 87 dB exposição habitual e permanente nível de ruído acima da tolerância; longo período com o mesmo equipamento; Traçador 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição Marcos Pasqual de Abreu O empregado permaneceu com o mesmo equipamento, sem trocálo por 32 meses, entre 03/01 até 10/03. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.348 10 continua 16/12/2003 Riscos Químicos desengraxante industrial e óleo mineral ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído habitual e permanente como a empresa não efetuou a medição do nível de ruído, considerouse a medida anterior, ou seja, 92,8 dB, acima do limite de tolerância. quanto ao hidrocarboneto "a atividade é caracterizada como Insalubre de grau médio Encarregado de Ajustagem 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua Uilson Miranda de Souza – o mesmo recebeu um protetor auricular em 02/2000 e outro apenas em 07/2003, mais de 03 anos depois. Recebeu outro protetor somente em 02/2004. O empregado exerce a função de encarregado de ajustagem a desde 16/07/2001. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído habitual e permanente parecer conclusivo do PPRA atesta que no tocante ao ruído, a caracterização deste agente será feita após a medição quantitativa no ambiente do trabalho pelo método dosimétrico. No entanto as medidas propostas para o controle da exposição do trabalhador devem ser implementadas; o equipamento de proteção individual, não foi devidamente fornecido ao empregado. Chefe Geral de Oficina/Chefe de Produção 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua Vander Célio Gomes que ocupa esta função desde 01/11/2000, recebeu o último protetor auricular em 11/2000 e como continuava trabalhando na empresa até o encerramento da ação fiscal, ou seja, 05/2004 utiliza o mesmo equipamento há 43 meses, tempo muito superior ao considerado necessário. Neste caso considerouse o empregado exposto. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos físicos – ruído – habitual e permanente a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Ferramenteiro 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos fumos metálicos exposição eventual Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua empregado exposto de forma contínua a nível de ruído acima do limite considerado tolerável pelo MTE, o protetor auricular, não foi fornecido de forma adequada; 16/12/2003 Riscos Químicos poeira metálica, fumos metálicos exposição ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído habitual e a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.349 11 permanente Encarregado de Maquinas Operatrizes/Enc arregado de Usinagem 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição contínua Antônio Jorge Abreu Silva recebeu um protetor auricular em 04/2003 e outro em 08/2004. Foi admitido em 04/03 e permaneceu sem trocar o equipamento de segurança por mais de um ano. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído habitual e permanente a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Mecânico de manutenção o único profissional da empresa nesta função foi admitido em 01/02/2001. No PPRA deste ano não consta exposição. 02/07/2002 Riscos Químicos poeira metálica, óleo de corte sintético e graxa exposição intermitente Riscos Físicos ruído de 101,4 dB exposição contínua Leopoldo José Silva Souza recebeu apenas um protetor auricular em 01/02/2001. Foi admitido em 01/02/2001 e permaneceu sem trocar o equipamento de segurança até o encerramento da ação fiscal.. 16/12/2003 Riscos Químicos óleo mineral, graxa, desengraxante industrial Riscos físicos – ruído de 87 dB – exposição habitual e permanente empregado exposto, tendo em vista que o uso do equipamento de segurança não ter se mostrado eficaz; Auxiliar de Manutenção Mecânica ruído acima da tolerância (87dB); empregado recebeu apenas um protetor auricular quando de sua admissão (admitido em 01/10/2003) 8. A recorrente foi regularmente cientificada da decisão de segunda instância que anulou o Acórdão a quo, proferido em 13/02/2008 (fls. 781/800), reabrindose o prazo de defesa de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para apresentação de manifestação a respeito de Diligência Fiscal, anteriormente efetuada ,conforme consignado às fls. 749/752 dos autos. 9. A autuada não se manifestou acerca da referida Diligência Fiscal, tendo limitadose em apresentar requerimento, onde pede a apreciação da defesa (fls. 246/295) administrativa então apresentada. 10. O julgador a quo ao reanalisar a defesa apresentada em 15/10/2004 (fl. 245) decidiu pela procedência do lançamento, cuja decisão (fls. 1295/1314) restou ementada nos seguintes termos: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.350 12 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 RISCOS OCUPACIONAIS. ADICIONAL PARA O CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL .ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM VIGOR. O gerenciamento adequado do ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, é condição para afastar a cobrança do adicional de contribuição destinada à aposentadoria especial prevista no artigo 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. No processo administrativo fiscal, não cabe apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de norma. Impugnação Improcedente." 11. A contribuinte tomou ciência da decisão supra em 17/09/2013 (fls. 1317 AR) e, demonstrando sua irresignação com o resultado do julgamento de primeira instância, a empresa, tempestivamente, e, basicamente com os mesmos argumentos apresentados na defesa inicial, interpôs Recurso Voluntário, às fls. 1318/1333, no qual, em síntese, aduz que: a) o lançamento deve ser anulado, eis que está fundado em "(...) meras presunções, e não de fatos concretos que espelhem os efetivos riscos ocupacionais, bem como se apóiam em circunstâncias que não tem relação de pertinência com os fatos concretos". Tal fato macula de vício o auto de infração a teor do art. 142 do CTN; b) a fiscalização não se desincumbiu do ônus de exaurir a matéria tributável, nos termos do referido artigo 142, limitandose a tentar descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada, sem sequer conhecer ou analisar as instalações da Recorrente, sob o argumento de que o "levantamento está embasado nos documentos apresentados pela empresa, ou seja, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA”; c) não está configurada a situação na qual os empregados da recorrente estejam submetido a risco à saúde ou integridade física, inclusive, em virtude de medidas preventivas e corretivas adotadas não haverá hipótese de sujeição do empregado à aposentadoria especial, resultando na desnecessidade de pagamento do adicional ora exigido; d) sempre adotou e exigiu de seus funcionários a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), tais como botas, luvas, óculos de proteção, capacetes, máscaras descartáveis, protetores auriculares, cremes de proteção, dentre outros, conforme depreendese dos demonstrativos de Estoque de Material à Disposição em Almoxarifado, Notas Fiscais de Compra de Material para EPI’s e relação de EPI’s entregues, anexados aos autos por ocasião da apresentação da impugnação; Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.351 13 e) o uso constante dos EPI’s fornecidos pela recorrente pode ainda ser evidenciado pelas declarações individuais de cada um de seus funcionários que atestam a aplicação dos equipamentos; f) além de adquirir os equipamentos adequados à atenuação e/ou neutralização de riscos ocupacionais, exerce a devida fiscalização quanto à utilização, através de controle de entrega de EPI’s, complementado pela imposição de ordens internas a este respeito e pela realização periódica de treinamento dos empregados, como se apura dos documentos já apresentados; g) o controle quanto à utilização e gerenciamento dos EPI’s pode ser comprovado pela realização, desde 1999, de diversas palestras e treinamentos, através da qual a recorrente forneceu orientações gerais e específicas para a adequada utilização dos referidos equipamentos, bem como no que se refere às demais medidas de segurança no trabalho, jogando por terra a afirmação da fiscalização de que os funcionários não receberam treinamento para a utilização de EPI’s; h) seus funcionários não estavam expostos a riscos permanentes e contínuos, haja vista que se dedica a fabricação de produtos diversos, sendo certo que ela não trabalha sob um sistema de produção em série; i) a análise dos PCMSO evidencia que apesar da existência em determinadas situações, de exposição a agentes nocivos em diferentes graus de intensidade, não houve qualquer indicativo de doença ou condição que leve à incapacidade, ainda que parcial; j) a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda de capacidade laboral; k) no caso, é inaplicável a taxa SELIC, visto ter esta natureza remuneratória, sendo sua utilização, inclusive, contrária ao disposto no artigo 192, § 3o, da C.F./88. 11. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos foram remetidos a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.352 14 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. PRELIMINARES 2. Embora não tenham sido suscitadas, explicitamente, como preliminares na peça recursal, considerando os supostos vícios apontados pela recorrente na busca da anulação do lançamento e da decisão a quo, de início, no entanto, registro que no procedimento adotado pela fiscalização para a formalização da autuação foram observados todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...). Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.353 15 3. Ademais, a recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)." 4. No que tange à decisão a quo, notese que esta também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que eventualmente pudesse em resultar na nulidade do referido ato. "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)." 5. Assim, pelas razões anteriormente apontadas, da análise dos autos, não identifico quaisquer vícios que possam tornar nulo, quer o lançamento ou a decisão proferida em primeira instância, até porque na elaboração dos referidos atos administrativos não foram detectadas nenhuma causa de nulidade, conforme previsto no art. 59, do Dec. nº 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." DA CONFIGURAÇÃO DO RISCO 6. Insta mencionar que a controvérsia está posta no fato de que o auditor fiscal identificou circunstância fática que autoriza o recolhimento de contribuições previdenciárias, relativas ao adicional do SAT, destinadas ao custeio do benefício de aposentadoria especial de determinados empregados que estão expostos a risco ambientais do trabalho. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.354 16 7. A empresa autuada possui como objeto social a reparação e fabricação sob encomenda de peças e equipamentos de reposição para a indústria siderúrgica e de mineração. 8. Segundo o relatório fiscal os lançamentos constantes no auto de infração sob análise, referemse ao adicional à contribuição social relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (art. 22, inciso II, da Lei n. 8.212/91), destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos arts. 57 e 58 da Lei n. 8.213/91. 9. Esta contribuição incide, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos sendo às alíquotas: a) 1% para as empresas em cuja atividade preponderante do risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% paras as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. 10. Os agentes nocivos compreendem a situação combinada, ou não, de substâncias e de demais fatores de risco capazes de ocasionar danos à saúde ou à integridade física em função de sua natureza, sua concentração e sua intensidade ou da exposição do segurado aos mesmos. 11. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou a associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física do segurado que ensejam a concessão da aposentadoria especial consta no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº. 3.048/99). 12. Os agentes nocivos consubstanciados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social são meramente ilustrativos. Desse modo, caso seja constatada a efetiva exposição do segurado a um determinado agente nocivo não previsto no respectivo regulamento, o segurado, ainda assim, terá direito à contagem do tempo de serviço especial. 13. In casu, a empresa teria deixado de (i) comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de (ii) controlar os riscos ocupacionais existentes e de (iii) dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. 14. O lançamento foi lavrado com base no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) no que se refere às seguintes funções: soldador, frisador planador e torneiro mecânico, zelador de ferramentas, caldeireiro, auxiliar de caldeiraria, ajustador mecânico, trançador, encarregado de ajustagem, chefe geral de oficina, ferramenteiro, encarregado de maquinas, mecânico de manutenção e auxiliar de manutenção mecânica. 15. A empresa garante que os riscos derivados da exposição a agentes nocivos são atenuados ou até mesmo eliminados por conta da adoção de medidas protetivas. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.355 17 Isso porque, sempre exigiu de seus empregados a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Segundo a empresa, o uso constante dos EPI’s fornecidos pode ser evidenciado não só pelos demonstrativos de Estoque de Material à Disposição em Almoxarifado, Notas Fiscais de Compra de Material para EPI’s e relação de EPI’s entregues, mas também pelas declarações individuais de cada um de seus funcionários que atestam a aplicação dos equipamentos. 16. Entretanto, segundo laudo da Clinica Médica Engenharia e Saúde do Trabalho Ltda. (CLIMEST), empresa que a própria recorrente contratou para realizar a Avaliação Anual do PPRA, ficou constado que muitas das funções exercidas realmente estavam expostas a riscos e, inclusive, foram dadas orientações para a recorrente, no sentido de fazer cumprir o disposto na legislação vigente de Segurança e Medicina do Trabalho. 17. Cabe ressaltar que as avaliações do PPRA eram realizadas anualmente e ficou evidenciado que a empresa deixou seus empregados expostos a agentes nocivos. Isso porque, com base nas avaliações feitas pela CLIMEST (ff. 123 a 219), muitas das situações de risco, no decorrer dos anos, permaneceram idênticas e algumas delas até chegaram a piorar, como se mostra a seguir: FUNÇÃO DATA DA AVALIAÇÃ O DO PPRA RISCOS LEVANTADOS ORIENTAÇÕES CARACTERIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO Soldador. 1999 Físicos – Radiação não ionizante. Ruído: 94,1 dB (A) para 8 horas trabalhadas. Químicos – fumos metálicos. Ergonômicos – exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies aquecidas, projeção de partuculas. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor; Óculos maçariqueiro; Mascara para soldador; , Mascara para fumos metálicos, semifacial, sem manutenção; Avental, luva de raspa cano longo, manga e perneira de raspa; Creme de proteção para soldador; Botina de segurança com biqueira de aço. Soldador 2001 Químicos – fumos metálicos. Físicos – Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas, radiação nãoionizante Ergonômicos – exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda , de materiais sobre membros superiores e inferiores, eletricidade, contato com superfície aquecida, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra fragmentos de escória; Óculos para macariqueiro com filtros de luz adequado; Máscara facial para soldador com lentes adequadas; Respirador para retenção de fumos e poeiras metálicas, semifacial, sem manutenção tipo P1; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Habitual e permanente, não eventual nem intermitente ao agente físico ruído e intermitente ao agente radiação não ionizante durante, a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não eventual e intermitente ao agente químico fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Plainador, Fresador, 2001 Químicos – Óleo de Corte sintético Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de Habitual e permanente, não eventual e nem intermitente Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.356 18 Mandrilhador e Torneiro mecânico. Físicos – Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada, monotonia e repetitividade Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de aço. ao agente físico ruído, não eventual e intermitente ao agente químico óleo de corte sintético Spilcort SFM"C" durante a jornada de trabalho. Zelador de Ferramentas 2001 Químicos – Desengraxante de uso industrial (DGN) Físicos Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes e queda de ferramentas sobre membros inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Creme protetor para a pele águaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não eventual nem intermitente ao agente físico ruído, não eventual e intermitente ao agente químico durante a jornada de trabalho. Mecânico Ajustador 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético Físicos Ruído: 101,4 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele águaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de ago. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição intermitente ao agente químico óleo de corte sintético durante a jornada de trabalho; Exposição continua ao agente físico ruído durante a jornada de trabalho. Traçador 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com biqueira de ago. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Exposição continua ao agente físico ruído durante a jornada de trabalho. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.357 19 cortantes Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Plainador, Fresador, Mandrilhador e Torneiro mecânico 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada, monotonia e repetitividade Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes e aquecidas Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico óleo de corte sintético Spilcort SFM "C" durante a jornada de trabalho. Encarregado de Maquinas Operatrizes/ Encarredado de Ajustagem 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Projeção de partículas, queda de materiais sobre membros superiores e inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Chefe Geral de Oficina 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Projeção de partículas, queda de materiais sobre membros superiores e Inferiores, acidentes de trânsito próprio e de terceiros Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.358 20 trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Zelador de Ferramentas 2002 Químicos – Desengraxante de uso industrial (DGN) Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Contato com. superfícies perfurocortantes e queda de ferramentas sobre membros inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho. Ferramenteiro 2002 Químicos – Fumos Metálicos Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas/ Radiação não ionizante Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Eletricidade, projeção de partículas, contato com superfície aquecida Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Máscara facial para soldador com lentes adequadas; Protetor auricular tipo plug; Respirador semifacial para retenção de fumos e poeiras metálicas, sem manutenção, tipo P2; Avental, luva de cano longo manga e perneira de raspa; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente ruído , durante a jornada de trabalho; Exposição eventual ao agente físico radiação não ionizante durante a jornada de trabalho; Exposição eventual ao agente químico fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Mecânico de Manutenção 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético e graxa (componentes mecânicos) Físicos Ruído: 101,4 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos segurança lente incolor; Protetor auricular tipo plug ou concha; Máscara respiratória semifacial Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.359 21 Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes, prensamento das mãos, projeção de partículas. sem manutenção tipo P1 para esmerilhar pegas; Creme protetor para pele óleo resistente; Botina de segurança com biqueira de ago e elástico. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Soldador 2002 Químicos – fumos metálicos. Físicos Ruído: 90,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, choque elétrico, contato com material incandescente, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos para soldador com lentes adequadas; Máscara facial para soldador; Máscara semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Exposição intermitente ao agente químico fumos metálicos, durante a jornada de trabalho; Exposição continua ao agente fisico ruldo, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente físico radiação não ionizante, durante a jornada de trabalho. Mecânico Ajustador, Mecânico de manutenção, Auxiliar de Manutenção 2003 Químicos – Poeira metálica, desengraxante industrial, óleo mineral e graxa (componentes mecânicos). Físicos Ruído: 87,0 dB(A) e dose de 150,2% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superficies aquecidas e perfurocortantes, prensamento de membros superiores, projeção de partículas, queda de material sobre o trabalhador Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos segurança lente incolor contra impactos; Protetor auricular tipo plug; Respirador respiratória semi facial valvulado sem manutenção tipo P1 para esmerilhar peças; Creme protetor para pele óleo resistente, Botina de segurança com biqueira de ago. Óculos para magariqueiro (durante o aquecimento de pegas através do maçarico); Protetor Facial (para uso do esmeril) Habitual, não ocasional e intermitente aos agentes químicos durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho. Traçador 2003 Químicos – desengraxante industrial, óleo mineral Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico durante a Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.360 22 Físicos Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento de membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele óleoresistente; Botina de segurança com biqueira de aço. Bota, avental e luva de PVC (quando: Atividade: Lavagem das peças). jornada de trabalho. Ocasional e intermitente ao agente químico durante a jornada de trabalho. Encarregado de ajustagem 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico durante a jornada de trabalho. Plainador, Fresador, Mandrilhador e Torneiro mecânico 2003 Químicos – Poeira metálica, óleo mineral (óleo mineral e fluído de corte) Físicos – Ruído médio ponderado no tempo de 85,1 dB (A) e dose de 115,6% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento de membros superiores e inferiores, projeção de partículas, contato com arestas perfurocortantes, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos lente incolor contra projeção partículas; Protetor auricular tipo plug; Luva de raspa ou vaqueta para contato com arestas perfuro cortantes; Creme protetor para pele óleo resistente; Protetor facial (durante a afiação das ferramentas de corte no esmeril); Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Habitual, não ocasional e intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Encarregado de máquinas operatrizes/ Encarregado de Usinagem 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança lente incolor contra impacto; Protetor auricular tipo plug; Botina de segurança com biqueira de ago. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Chefe Geral de Oficina 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador, acidente de transito Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança lente incolor contra impacto; Protetor auricular tipo plug; Botina de segurança com biqueira de ago. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Zelador de Ferramentas 2003 Químicos – DGN (desengraxante industrial) Físicos – Ruído Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug ou concha; Habitual, não ocasional e intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.361 23 Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes, queda de ferramentas sobre membros inferiores, projeção de partículas. Óculos de segurança lente incolor contra respingos, no manuseio do DGN; Creme de proteção para a pele óleoresistente; Luva de PVC ou Nitrilica para contato com DGN; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Ferramentaria 2003 Químicos – poeira metálica, fumos metálicos. Físicos – Ruído / radiação não ionizante Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – projeção de partículas, contato com superfície aquecida. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Mascara facial para soldador com lentes com filtro conforme o tipo de solda a ser utilizada: Protetor auricular tipo plug; Respirador semifacial para retenção de fumos e poeiras metálicas, sem manutenção, tipo P2 (nos trabalhos com solda); Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa (nos trabalhos com solda); Botina de segurança com biqueira de aço. Protetor facial (durante a afiação das ferramentas de corte no esmeril) Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Ocasional e intermitente ao agente físico radiação não ionizante durante a jornada de trabalho; Ocasional e intermitente aos agentes químicos poeira metálica e fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Mecânico de manutenção 2003 Químicos – Óleo mineral, Graxa, desengraxante industrial. Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortante, prensamento das mãos, projeção de partículas, queda em nível diferente, eletricidade. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de proteção contra impactos; Protetor auricular tipo plug; Bota, avental e luva de PVC (durante a limpeza do separador de óleo e agua); Creme protetor para pele óleo resistente; Botina de segurança com biqueira de aço; Cinto de segurança tipo paraquedista com 03 pontos de ancoragem para os trabalhos de manutenção da ponte rolante e nos trabalhos com mais de 02 metros de altura; Capacete de proteção com jugular em trabalhos em altura Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente aos agentes químicos, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho. Soldador 2003 Químicos – fumos metálicos Físicos – Ruído / Radiação nãoionizante Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, choque elétrico, contato com superfície aquecida, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores, probabilidade de explosão e ou incêndio, queda de materiais sobre trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos para soldador com lentes filtrantes com tonalidade adequada ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Máscara facial para soldador com lentes filtrantes com tonalidade adequada ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; . Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente aos agentes físicos, durante a jornada de trabalho Caldeireiro 2003 Químicos – fumos metálicos / Poeira metálica Físicos –Radiação não ionizante / Ruído médio Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Atividade de Montagem Óculos para soldador com Habitual, não ocasional e intermitente aos agentes químicos, durante a jornada de trabalho; Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.362 24 ponderando no tempo de 95,0 dB(A) e dose de 453,6% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – contato com superfície aquecida e perfurocortante, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores, queda de materiais sobre trabalhador. lentes filtrantes com tonalidade adequadas ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Máscara facial para soldador com lentes adequadas ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de ago. Atividade: Esmerilhamento Óculos de Proteção com lente incolor; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de poeira metálico, tipo P1 Protetor auricular tipo plug; Avental, luva e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de aço e elástico; Protetor Facial (durante a utilização de esmeril de bancada). Habitual, não ocasional e intermitente a radiação ionizante, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao ruido, durante a jornada de trabalho; 18. Analisando os programas elaborados pela CLIMES e os documentos anexos à NFLD, a fiscalização constatou a existência dos agentes nocivos, ruído acima do limite de tolerância, fumos metálicos de Chumbo e de Cromo, e Hidrocarbonetos. Isto é, os documentos ambientais elaborados pela empresa atestam a presença dos agentes físicos e químicos em nível superior ao tolerável previsto no anexo IV do RPS/99. 19. Contudo, a recorrente insiste que além de adquirir os equipamentos adequados à atenuação e/ou neutralização de riscos ocupacionais, exerce a devida fiscalização quanto à utilização, através de controle de entrega de EPI’s, complementado pela imposição de ordens internas a este respeito e pela realização periódica de treinamento dos empregados, através do qual a recorrente forneceu orientações gerais e específicas quanto à utilização dos referidos equipamentos. 20. Todavia, com base na tabela exposta no relatório acima, verificase que os EPI’s não eram entregues com a frequência necessária e tampouco entregues a todos os funcionários que estavam expostos aos riscos. 21. A meu ver, restou comprovado que a empresa apresentou Fichas de Controle de Fornecimento de EPI’s com periodicidade de substituição superior a indicada no PPRA, e que os funcionários não receberam treinamento para a utilização dos EPI’s, conforme registrado por Engenheiro de Segurança do Trabalho quando da avaliação do PPRA. 22. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que restou configurada a existência, no ambiente de trabalho dos empregados, não só de agente nocivos diversos (agentes químicos, físicos) constantes no anexo IV do RPS99, mas também riscos ergonômicos, mecânicos e de acidentes. Da mesma forma, podese constatar o ineficiente gerenciamento dos riscos ambientais por parte da empresa, fato incontroverso nos pareceres da empresa contratada para avaliar os riscos ambientais do trabalho. 23. Assim, ao analisar o conjunto probatório trazido pela fiscalização e pela recorrente em suas razões recursais, concluo que o lançamento deve ser mantido. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.363 25 DA EXPOSIÇÃO AO RISCO EVENTUALIDADE 24. A recorrente sustenta ainda que seus funcionários não estavam expostos a riscos permanentes e contínuos. Entretanto, conforme pareceres da empresa contratada para avaliar os riscos ambientais do trabalho, ficou comprovado que os riscos eram habituais. 25. Cabe ressaltar o art. 151 da Instrução Normativa INSS/PR nº 99/2003 ratifica que a permanência significa a presença do agente nocivo de maneira indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço em decorrência do mando que se submete o trabalhador, in verbis: Art. 151. O núcleo da hipótese de incidência tributária, objeto do direito à aposentadoria especial, é composto de: I – nocividade, que no ambiente de trabalho é entendida como situação combinada ou não de substâncias, energias e demais fatores de riscos reconhecidos, capazes de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador; II – permanência, assim entendida como o trabalho não ocasional nem intermitente, durante quinze, vinte ou vinte cinco anos, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço, em decorrência da subordinação jurídica a qual se submete. § 1º Para a apuração do disposto no inciso I, há que se considerar se o agente nocivo é: I) apenas qualitativo, sendo a nocividade presumida e independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13A e 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15) do Ministério do Trabalho e Emprego MTE e no Anexo IV do RPS, para os agentes iodo e níquel; II) quantitativo, sendo a nocividade considerada pela ultrapassagem dos limites de tolerância ou doses, dispostos nos Anexos 1, 2, 3, 5, 8, 11 e 12 da NR15 do MTE, por meio da mensuração da intensidade ou da concentração, consideradas no tempo efetivo da exposição no ambiente de trabalho. § 3º Quanto ao disposto no inciso II, não quebra a permanência o exercício de função de supervisão, controle ou comando em geral ou outra atividade equivalente, desde que seja exclusivamente em ambientes de trabalho cuja nocividade tenha sido constatada. [grifos próprios]. 26. A recorrente defende, também, que a análise dos PCMSO evidencia que apesar da existência em determinadas situações, de exposição a agentes nocivos em diferentes graus de intensidade, não houve qualquer indicativo de doença ou condição que leve à Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.364 26 incapacidade, inclusive, sustenta que a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda de capacidade laboral. 27. Ocorre que, os Relatórios Anuais dos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da recorrente não são conclusivos quanto ás condições ambientais de trabalho, uma vez que devem estar articulados com as demais NR’s, conforme dispõem os subitens 7.2.1 e 7.2.4 da Norma NR7, e por isso não podem ser utilizados como prova. Em outras palavras, o PCMSO pode indicar uma exposição a agentes nocivos à saúde, mas o não indicativo de doença não infere, obrigatoriamente, que o trabalhador não está ou esteve exposto a agentes nocivos. 28. Dessa forma, entendo que no presente caso os riscos eram habituais, e não eventuais como alega a recorrente. DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 29. A recorrente entende que as observações da autoridade fiscal partem de meras presunções e não de fatos, bem como se apoiam em circunstâncias que não tem relação de pertinência com os fatos concretos. 30. Segundo a recorrente, a fiscalização tenta descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada, sem sequer conhecer ou analisar as instalações da recorrente, sob o argumento de que o “levantamento está embasado nos documentos apresentados pela empresa, ou seja, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA”. 31. Diante de todo o exposto, entendo não caber razão à recorrente, visto que os argumentos da fiscalização foram fundados em fatos, podendo utilizar como prova, inclusive, documentos apresentados pela própria recorrente. 32. A meu ver a fiscalização agiu corretamente e em nenhum momento tenta descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada. DA TAXA SELIC 33. O contribuinte suscita que não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre suposto débito tributário, calculado mediante a aplicação de taxa com natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios. 34. Quanto a tais argumentos, restrinjome a reproduzir a súmula CARF n.º 4, destacando que a utilização da taxa Selic têm por suporte leis tributárias dotadas de vigência plena. “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 35. Nesse contexto, correta é a aplicação da taxa SELIC como juros de mora. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.365 27 CONCLUSÃO 36. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos delineados. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 11444.001728/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007
REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO.
Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão.
CPMF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A Súmula Vinculante n° 8, do STF, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212/91, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais.
No presente caso, em que não houve pagamento, a regra a ser seguida é a do artigo 173, I, do CTN, o qual estabelece que o prazo para a constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser exigido.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da CPMF, correta formalização da exigência, com os acréscimos legais (juros e multas), contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. CPMF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A Súmula Vinculante n° 8, do STF, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212/91, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. No presente caso, em que não houve pagamento, a regra a ser seguida é a do artigo 173, I, do CTN, o qual estabelece que o prazo para a constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser exigido. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da CPMF, correta formalização da exigência, com os acréscimos legais (juros e multas), contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 17 28 /2 00 8- 11 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ em Campinas – SP (fls. 104/110 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, cujo crédito tributário provém da lavratura do Auto de Infração relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF (fls. 02/53). O feito é relativo a fatos geradores ocorridos de janeiro de 2004 a novembro de 2007. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 04/52 (a numeração referese sempre à da versão digitalizada dos autos). O feito, relativo a fatos geradores ocorridos de janeiro de 2004 a novembro de 2007, constituiu crédito tributário no montante de R$ 2.060,76, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. No corpo do auto de infração, a autoridade autuante relata que os valores exigidos referemse à CPMF não retida à época dos fatos geradores por força de medida judicial e que remanesceu em aberto mesmo após a queda da proteção. Os débitos exigidos de ofício foram apurados com base nas informações fornecidas pela instituição financeira junto à qual o fiscalizado mantinha conta corrente. Notificado do lançamento em 01/12/2009 (fl. 62), em 15/01/2009 o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 64/73 argumentando em síntese o que segue: 1. foi beneficiário de medida liminar obtida em ação de Mandado de Segurança Coletivo impetrado por sindicato representativo de sua categoria profissional que determinou que Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11444.001728/200811 Acórdão n.º 3402002.884 S3C4T2 Fl. 147 3 as instituições financeiras suspendessem a retenção da CPMF nas movimentações financeiras dos representados; a liminar foi confirmada em decisão de primeiro grau; 2. a decisão foi reformada pelo TRF da 3ª Região no julgamento do Recurso de Apelação interposto pela União Federal, após o que as instituições bancárias retomaram a retenção da CPMF nas movimentações financeiras, inclusive as praticadas pelo impugnante; 3. o crédito exigido foi remitido em face da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008 que concedeu anistia aos débitos de até R$ 10.000,00; 4. a responsabilidade pela retenção da CPMF cabia às instituições financeiras, não havendo o contribuinte voluntariamente contribuído para o não recolhimento do tributo, não havendo motivo para a imposição da multa de 75%. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007 REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da referida decisão em 29/01/2013 (fl. 132), o interessado, em 28/02/2013 (fl. 133), apresentou o recurso voluntário de fls. 133/144, com as alegações resumidas abaixo: a) que foi beneficiário de medida liminar obtida em ação de Mandado de Segurança Coletivo (MSC) impetrado por sindicato representativo de sua categoria profissional que determinou que as instituições financeiras suspendessem a retenção da CPMF nas movimentações financeiras dos representados. A liminar foi confirmada em decisão de primeiro grau. A decisão foi reformada pelo TRF da 3ª Região no julgamento do Recurso de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Apelação interposto pela União Federal, após o que as instituições bancárias retomaram a retenção da CPMF nas movimentações financeiras, inclusive as praticadas pelo Recorrente; b) diante disso, preliminarmente, que seja declarada a remissão/anistia do lançamento de ofício objeto desta impugnação, declarandose a inexigibilidade do crédito tributário, vez que o valor é inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), de acordo com o artigo 14 da Medida Provisória 449, de 03/12/ 2008; c) alternativamente, seja excluída a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), vez que não se verifica a presença do elemento subjetivo intencional de sonegação; d) que seja reconhecida e declarada a decadência do direito da Autoridade Fazendária de efetuar o lançamento da CPMF, juros de mora e multa relativamente ao período de janeiro a novembro/ 2004, excluindo os respectivos lançamentos do Auto de Infração. Diante do exposto, requer que seja conhecido e provido este Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Admissibilidade do recurso A recorrente foi cientificada da referida decisão em 29/01/2013 (fl. 132), o interessado, em 28/02/2013 (fl. 133), apresentou o recurso voluntário de fls. 133/144, portanto tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Ressaltese que o recorrente não nega a sua condição de contribuinte de fato da CPMF, e nem poderia fazêlo, a teor da clara determinação nesse sentido do artigo 4° da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Quanto à responsabilização pelo recolhimento da contribuição nos casos em que não tenha havido a sua retenção, sejam quais tenham sido seus motivos, pode ser ela identificada na leitura no § 3° do artigo 5° da Lei n°9.311, de 1996, ou seja, é do contribuinte, em caráter supletivo. Preliminar de remissão dos débitos Alega o recorrente, preliminarmente, que o crédito tributário lançado no Auto de Infração, foi anistiado/remitido, em face da edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, que concedeu anistia aos débitos de contribuintes até o limite de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Assim, de forma direta, passase a analisar o que quedouse estabelecido no art. 14 da citada Lei em relação aos valores anistiados: Lei nº 11.941, de 2009 Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11444.001728/200811 Acórdão n.º 3402002.884 S3C4T2 Fl. 148 5 § 1º O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) ...(grifouse). Como se vê, uma das condições para que o débito seja anistiado é que, em 31/12/2007 esteja vencido há mais de cinco anos, situação que não se configura no caso sob exame no qual os créditos mais antigos datam de 07/01/2004. Não resta dúvida que a remissão prevista beneficia exclusivamente os débitos vencidos até 31/12/2002, isto é, cinco anos anteriores (ou mais) a 31/12/2007, o que não é o caso do presente auto, que alcança fatos geradores cujos vencimentos ocorreram a partir de 07/01/2004. Portanto, a situação em tela não se amolda à hipótese de remissão prevista na Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Rejeito, assim, pelo fundamento acima, a preliminar suscitada. Da decadência O recorrente foi cientificado da lavratura do Auto de Infração em 01/12/2009, ocasião em que ocorreu o lançamento da CPMF do período de 01/2004 a 11/2007. Alega, portanto, já extinto o crédito tributário referente às competências anteriores a 01/12/2004, em face do transcurso do prazo decadencial previsto no parágrafo 4o, do artigo 150, do Código Tributário Nacional, em relação ao período de janeiro a novembro de 2004. Pois bem. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Deste julgamento resultou a edição da Súmula Vinculante n° 8, com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DO de 20/6/2008, p. 1.). Afastada a aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, toma seu lugar, para fins de definição do termo inicial do prazo decadencial, são dois os dispositivos legais a serem consultados, quais sejam, (i) o artigo 173, inciso I, e (ii) o art. 150, § 4°, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). No presente caso, em que não houve pagamento da CPMF, a regra a ser seguida é a do artigo 173, I, do CTN, o qual estabelece que o prazo para a constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser exigido. O fato gerador mais antigo ocorreu em 07/01/2004, de maneira que o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2005. O lançamento, no entanto, aconteceu em 01/12/2009, portanto, antes de transcorrer o prazo de 05 (cinco) anos. Cumpre destacar que a existência de decisão suspendendo a exigibilidade do crédito tributário de maneira alguma interfere na contagem do prazo decadencial. Por todos os ângulos, como visto, não configurase o transcurso do prazo decadencial para deixar de constituir o crédito tributário, devendose por isso confirmar o entendimento adotado pelo Fisco. Rejeito, assim, pelos fundamentos acima, a ocorrência da propalada decadência. Da multa de ofício aplicada (de 75%) O recorrente aduz em seu recurso, que somente deixou de recolher a CPMF em virtude de decisão judicial, inicialmente por força de medida liminar e depois em razão de decisão de mérito, proferida pela 7ª Vara Cível Federal de São Paulo (SP). Portanto, não houve qualquer intenção em fraudar, frustrar o sonegar o recolhimento do tributo, vez que imediatamente após a reforma da decisão de primeiro grau, as instituições financeiras voltaram a descontar normalmente e a recolher a CPMF aos cofres da Fazenda Nacional. Nestas circunstâncias, não tendo havido a prática de qualquer ato voluntário do recorrente que pudesse ser considerado como fraude ou sonegação, não há que se cogitar na aplicação da multa de ofício de 75%, imposta no Auto de Infração. Em relação à multa de ofício aplicada e os juros de mora, estão prevista na própria Lei que instituiu a CPMF (artigo 13 e 14, da Lei n° 9.311/96) e devem ser mantidos. Vejase: Art. 13. A contribuição não paga nos prazos previstos nesta Lei será acrescida de: I juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento da obrigação até o último dia do Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11444.001728/200811 Acórdão n.º 3402002.884 S3C4T2 Fl. 149 7 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento; II multa de mora aplicada na forma do disposto no inciso II do art. 84 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art.14. Nos casos de lançamento de ofício, aplicarseá o disposto nos arts. 44, 47 e 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifouse). A Instrução Normativa SRF nº 89, de 2000, assumindo o instituto da responsabilidade supletiva do contribuinte pela CPMF não retida pela instituição bancária, reafirmou o dever do lançamento da contribuição, acrescida de multa de ofício e juros de mora, contra a própria contribuinte caso a CPMF não seja retida, mesmo nas situações em que a falta de retenção tenha se justificado por força de medida judicial posteriormente levantada: Instrução Normativa nº 89, de 2000: Art. 3º A não retenção da contribuição, nas hipóteses estabelecidas nesta Instrução Normativa sujeita o contribuinte a lançamento de ofício. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será acrescida de: I – juros de mora, determinados de conformidade com o inciso I do § 2º do art.2º (juros equivalente à taxa SELIC) II – multa de lançamento de ofício, de 75% a 225%, conforme o caso. Assim, não tendo havido retenção da CPMF por parte das instituições financeiras, deve o Fisco exigir do contribuinte, devedor principal e responsável supletivo por dívida própria, a satisfação do crédito tributário. Ainda quanto à pretensão de exclusão da multa de ofício, há que se observar primeiramente o que determina o mandamento expresso no art. 63, § 2º., da Lei nº. 9.430, de 1996, verbis: Art. 63 (...). § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Do dispositivo acima, interpretandose literalmente, resta claro que não haveria incidência sequer de multa de mora se o sujeito passivo houvesse efetuado o recolhimento da obrigação que se encontrava com a exigibilidade suspensa em até trinta dias após a publicação da decisão judicial que considerou devida a contribuição. No caso sob exame, entendo que corretamente, a fiscalização enquadrouo no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifouse). Ainda no que respeita à imposição da multa de ofício, cumpre esclarecer que a responsabilidade por infrações da legislação tributária possui caráter objetivo, independendo da intenção do sujeito passivo. Em outras palavras, basta para caracterizála a prática do ato que infringe a norma tributária, sendo irrelevantes os motivos que eventualmente possam ter contribuído para tal conduta. Tratase de princípio consagrado no próprio CTN, cujo art. 136 dispõe: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No caso destes autos, a multa de ofício foi lançada como penalidade porque o recorrente, na qualidade de responsável suplente pelo adimplemento da CPMF, deixou de efetuar o pagamento da obrigação. Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares e no mérito negar provimento ao recurso, mantendo integralmente o decidido pela DRJ em Campinas. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11444.001728/200811 Acórdão n.º 3402002.884 S3C4T2 Fl. 150 9 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11020.001505/2003-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/05/1998 a 31/08/1998
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO.
Devem ser sanados os erros materiais constatados em Acórdão e apontados pela embargante.
Numero da decisão: 3401-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os Embargos de Declaração.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO. Devem ser sanados os erros materiais constatados em Acórdão e apontados pela embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os Embargos de Declaração. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 15 05 /2 00 3- 21 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Trata este de Embargos ingressado pela Procuradoria da Fazenda Nacional que questiona o Acórdão cuja Ementa reproduzo a seguir: Acórdão n.º 340101.748 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Recursos: De Ofício e Voluntário ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/1998 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS CONTADOS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. É de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para proceder ao lançamento de oficio de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Entendimento pacificado no STJ e adotado pelo Carf por força do disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/1998 a 31/08/1998 NULIDADE. MATÉRIA JÁ JULGADA DEFINITIVAMENTE EM OUTRO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. Não se conhece de matéria que já se encontra definitivamente julgada na esfera administrativa e que foi debatida no processo administrativo que deu origem e que dá suporte ao auto de infração constante deste processo. NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. NÃO ENFRENTAMENTO DE QUESTÕES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Claramente explicitadas no voto as razões do não enfrentamento de questões da impugnação, por conta de referiremse a matérias pertinentes a outro processo administrativo, de se afastar argüição de nulidade do julgamento. DCTF. DÉBITO DECLARADO. SALDO A PAGAR ZERO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Havendo disposição específica no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, no sentido de que os débitos declarados em DCTF e cujas compensações não tenham sido homologadas pela autoridade fiscal deviam ser exigidos mediante o procedimento de lançamento de oficio, de se desprezar, por lhe conflitar e lhe ser hierarquicamente inferior, a disposição contida na IN SRF n° 126, de 1998, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF n° 16, de 14/02/2000, que considerava aqueles débitos como confessados e permitia a sua exigência por meio de mera cobrança. Somente com a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, posteriormente regulamentada pela IN SRF n° 480, de 2004, é que não só os Saldos a Pagar, mas, também, quaisquer diferenças encontradas nos procedimentos de compensação informados em DCTF, passaram a ser considerados como confissão de dívida, de modo que a sua exigência não mais passou a depender de lançamento de oficio. No caso, o auto de infração foi lavrado ainda na vigência do artigo 90 da MP 2.15835, de 2001. MULTA DE OFICIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. De se rejeitar a convolação de multa de oficio de 75% em multa de mora de 20% feita pela instância de julgamento de primeira instância, por lhe faltar competência para promover alterações nos dispositivos legais que sustentam o lançamento de oficio. No caso, ao transformar uma multa de oficio em multa de mora, a DRJ acabou por proceder a um novo lançamento, o que lhe é vedado. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11020.001505/200321 Acórdão n.º 3401002.996 S3C4T1 Fl. 3 3 Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, e reconhecer, de ofício, a decadência do lançamento relacionado ao segundo decêndio de agosto de 1998, e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a multa. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Emanuel Carlos Dantas de Assis, que fará declaração de voto. Júlio César Alves Ramos Presidente; Odassi Guerzoni Filho Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Como já exposto no despacho de admissibilidade, a Embargante alega a decisão embargada contém erro material e contradição verificados em seu conteúdo: ela propõem o reconhecimento de ofício de decadência do lançamento em discussão, entretanto, ora se refere ao período de apuração do segundo decêndio de maio de 1998, e ora ao segundo decêndio de agosto de 1998. Em face destes elementos, a Embargante requereu fosse conhecido e providos os Embargos, para o fim de sanar a contradição e o erro material apontado neste recurso. Os Embargos foram admitidos e vieram a apreciação neste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O recurso foi considerado tempestivo e legítimo. Conforme o relator do voto condutor do Acórdão em discussão, Ilmo Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, este processo se refere ao seguinte objeto: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 28/05/2003 para a exigência de IPI relativo aos períodos de apuração do segundo e terceiro decêndios de maio, e dos três decêndios de junho, julho e agosto, todos de 1998, no valor de R$ 5.363.981,11, nele incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 Segundo o autor do procedimento, a exigência se deu em face de os referidos débitos ora lançados terem sido objeto de declarações de compensações lastreadas em um crédito de IRPJ e de CSLL (Processo n° 11020.001133/9812, de 29/05/98, fls. 22/37) cujo reconhecimento não foi referendado pela DRF em Caxias do Sul (Despacho Decisório de 09/05/2003, fls. 82 e 83). Vemos na Ementa que, de fato, foi reconhecida de ofício decadência de determinado período de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/1998 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS CONTADOS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. É de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para proceder ao lançamento de oficio de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Entendimento pacificado no STJ e adotado pelo Carf por força do disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. (GRIFO NOSSO) Ao analisarmos o texto do voto condutor podemos verificar que ele realmente afirma a decadência para dois períodos de apuração. Vejamos: Embora a decadência parcial do lançamento não tenha sido suscitada pela Recorrente, façoo de oficio, por se tratar de matéria de ordem pública, já que, tendo sido o presente lançamento cientificado ao sujeito passivo em 28/05/2003, não mais poderia ser constituído de oficio o débito de IPI do segundo decêndio de maio de 1998. ... Temse, então, que a aplicação deste ou daquele dispositivo, depende da existência ou não do pagamento antecipado, o que, no presente caso, efetivamente ocorreu, consoante se observa em relação ao referido período de apuração na DCTF constante à fl. 11. De se cancelar, portanto, o lançamento correspondente ao segundo decêndio de agosto de 1998, em face da decadência. A ciência, pelo contribuinte, da autuação ocorrida em 28/05/2003, define o termo inicial da decadência. Sendo assim, por certo que a decadência decidida pelo colegiado naquela ocasião se refere ao segundo decêndio de maio de 1998, e não consegue alcançar o período posterior a ele no caso o segundo decêndio de agosto de 1998. Portanto, há um erro material e contradição do texto do voto condutor que deve ser sanado. A decadência reconhecida de ofício se refere ao período do 2º decêndio de maio de 1998 somente. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11020.001505/200321 Acórdão n.º 3401002.996 S3C4T1 Fl. 4 5 Com razão a Procuradoria da Fazenda Nacional com seus Embargos, motivo por que proponho que ele seja acolhido, para corrigir o texto, quando ele se refere a decadência do 2º decêndio de agosto de 1998. Submeto esta proposta à consideração deste colegiado. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721805/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 05 /2 01 2- 61 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721805/201261 Acórdão n.º 2402005.063 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por S&AA MARKETING LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 51.010.1062 (CFL 34), lavrado par a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de lançar de forma discriminada em títulos próprios de sua contabilidade, os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Constou do relatório fiscal da infração que com relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, a recorrente transferia o saldo indicado na conta n. 41208 (Serviços Prestados por Pessoas Físicas) para a conta 41209 (Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas). O lançamento se refere ao período de 01/2008 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 16/10/2012. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que não pode produzir prova a defenderse durante o procedimento fiscal, bem como houve a descabida inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte; 2. que não lhe foram fornecidas as planilhas de cálculo do fiscal durante a ação fiscal, de forma a produzir corretamente seus apontamentos sobre os termos de intimação que recebera em tal período; 3. que a autoridade lançadora deixou de fazer constar no acórdão recorrido a devida fundamentação a justificar o lançamento; 4. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Antes mesmo de passar as demais razões de decidir, pontuou que a recorrente utilizou como razões de defesa, as mesmas objeto dos lançamentos principais correlatos. Passo, portanto, a sua análise. Nulidade do Lançamento A recorrente sustenta ter sido cerceada em seu direito de defesa, na medida em que não lhe fora oportunizada a possibilidade de produzir prova em seu favor durante a ação fiscal levada a efeito, além do ônus da prova ter sido indevidamente invertido em desfavor do contribuinte. Em que pesem os esforços, tenho que o pedido merece ser rejeitado. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento das contribuições não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 218DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 19515.721805/201261 Acórdão n.º 2402005.063 S2C4T2 Fl. 4 5 Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. A todo o momento a fiscalização intimou a contribuinte para apresentação de toda a documentação que entendia pertinente avaliar para concluir a auditoria, tendoa intimada de todos os termos e atos seja durante a ação fiscal, seja durante o presente processo administrativo. É de bom alvitre esclarecer que durante a fase de ação fiscal cabe ao contribuinte atender todas as solicitações realizadas pela fiscalização tributária, desde que não absolutamente sejam impertinentes ao objeto da fiscalização, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, até porque a fase litigiosa do procedimento só se inicia com a impugnação do lançamento formalizado. Também não houve qualquer situação de indevida inversão do ônus da prova, pois o lançamento fora efetuado com base na documentação apresentada pela contribuinte, a saber suas GFIP´s, folhas de pagamento e contabilidade apresentadas. Por tais motivos, não se pode decretar a nulidade do lançamento, seja em face da alegação do cerceamento do direito de defesa, seja em face da ausência de fundamentação. MÉRITO Quanto a mérito, a recorrente apenas se insurge no tocante a excessividade da multa aplicada no presente caso e que a sua cobrança ofende ao princípio do nãoconfisco, não tendo impugnado o seu fato gerador, no caso a existência das transferências dos pagamentos em sua escrituração contábil, e, por consequência, a existência da infração imputada. Tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Fl. 219DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001486/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
SERVIDORES PÚBLICOS ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO APÓS A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988. FILIAÇÃO OBRIGAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS).
Os servidores públicos admitidos sem concurso público após a publicação da Carta Política de 1988 filiam-se obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social.
PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco, tal como a inclusão em parcelamento administrativo de parte do crédito tributário exigido em notificação fiscal, compete a quem invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão.
SALÁRIO-FAMÍLIA E/OU SALÁRIO-MATERNIDADE. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Admite-se o aproveitamento dos valores pagos a título de salário-família e/ou salário-maternidade para fins de dedução do crédito tributário exigido em notificação fiscal, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência fiscal, manifesta-se expressamente no sentido da retificação do lançamento que deixou de considerar tais parcelas.
COMPENSAÇÃO FINANCEIRA ENTRE REGIMES DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. REGIME GERAL. REGIME PRÓPRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
A compensação financeira entre regimes de previdência social, de modo a que sejam aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluído em notificação fiscal, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2401-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para permitir o aproveitamento dos valores pagos a título de salário-família e/ou salário-maternidade, conforme discriminado pela fiscalização às fls. 153/178, deduzindo-os das contribuições previdenciárias lançadas.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 SERVIDORES PÚBLICOS ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO APÓS A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988. FILIAÇÃO OBRIGAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). Os servidores públicos admitidos sem concurso público após a publicação da Carta Política de 1988 filiam-se obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social. PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco, tal como a inclusão em parcelamento administrativo de parte do crédito tributário exigido em notificação fiscal, compete a quem invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão. SALÁRIO-FAMÍLIA E/OU SALÁRIO-MATERNIDADE. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Admite-se o aproveitamento dos valores pagos a título de salário-família e/ou salário-maternidade para fins de dedução do crédito tributário exigido em notificação fiscal, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência fiscal, manifesta-se expressamente no sentido da retificação do lançamento que deixou de considerar tais parcelas. COMPENSAÇÃO FINANCEIRA ENTRE REGIMES DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. REGIME GERAL. REGIME PRÓPRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A compensação financeira entre regimes de previdência social, de modo a que sejam aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluído em notificação fiscal, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 294 1 293 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.001486/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.947 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. Recorrente ESTADO DO ACRE PROCURADORIAGERAL DO ESTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 SERVIDORES PÚBLICOS ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO APÓS A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988. FILIAÇÃO OBRIGAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). Os servidores públicos admitidos sem concurso público após a publicação da Carta Política de 1988 filiamse obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social. PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco, tal como a inclusão em parcelamento administrativo de parte do crédito tributário exigido em notificação fiscal, compete a quem invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão. SALÁRIOFAMÍLIA E/OU SALÁRIOMATERNIDADE. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Admitese o aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade para fins de dedução do crédito tributário exigido em notificação fiscal, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência fiscal, manifestase expressamente no sentido da retificação do lançamento que deixou de considerar tais parcelas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 86 /2 00 7- 13 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 295 2 COMPENSAÇÃO FINANCEIRA ENTRE REGIMES DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. REGIME GERAL. REGIME PRÓPRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A compensação financeira entre regimes de previdência social, de modo a que sejam aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluído em notificação fiscal, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para permitir o aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, conforme discriminado pela fiscalização às fls. 153/178, deduzindoos das contribuições previdenciárias lançadas. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 296 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), cujo dispositivo considerou improcedente em parte a impugnação, reconhecendo a decadência para as competências de 03 a 05/1999 e mantendo o restante do crédito tributário não decadente. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0116.075 (fls. 238/257): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 NFLD n° 35.818.1283. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar O prazo decadencial de cinco anos. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VICIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, II CTN. No lançamento substitutivo, em que O anterior foi anulado por vício formal, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso II, do CTN. O direito da Fazenda Pública constituir O crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN não abrange o direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias “ já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído, pela ocorrência da decadência. ÓRGÃO PÚBLICO. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Aplicase a exegese literal do art. 40 da Constituição da República aos servidores admitidos no serviço público após a promulgação da Constituição de 1988, somente sendo aplicável o regime previdenciário próprio previsto no caput do citado artigo aos servidores nomeados para cargo de provimento efetivo. FALTA DE CONCURSO PÚBLICO. CONTRATO NULO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, a teor do art. 118, inciso I do Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 297 4 CTN. Havendo a disponibilidade da força de trabalho esta deverá ser devidamente recompensada, gerando direito à remuneração e produzindo reflexos no enquadramento do prestador de serviço como segurado obrigatório do RGPS. DEDUÇÃO DE SALÁRIO FAMÍLIA E SALÁRIO MATERNIDADE. O pagamento e o reembolso de saláriofamília e salário maternidade estão condicionados à apresentação da documentação legalmente definida, nos termos dos art. 67 e 72 da Lei n° 8.213/91, devendo a empresa conservar tais documentos durante 10 (dez) anos, para exame pela fiscalização da Previdência Social. COMPENSAÇÃO. A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. Somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição. ÔNUS PROBATÓRIO. O crédito previdenciário lavrado em conformidade com o art. 37 da Lei n° 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do C.T.N, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. . Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 65/73, que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.818.1283, relativa às contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre remunerações de segurados empregados, compreendendo as contribuições patronais, bem como as contribuições dos segurados empregados, no período de 01/1999 a 12/2003. 2.1 Segundo a fiscalização, os fatos geradores decorrem de pagamentos efetuados a servidores contratados a partir da vigência da Constituição da República de 1988, sem submeteremse a concurso público, os quais estão filiados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), e não ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). 2.2 A notificação fiscal foi lavrada em substituição a de nº 35.677.1962, tornada nula por decisão definitiva em 19/7/2005, por vício formal, devido a erro na identificação do sujeito passivo. 3. Cientificado por via postal da autuação em 5/12/2005, às fls. 74/75, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 77/95). 4. Na sequência, o processo foi baixado em diligência para que o Fisco se pronunciasse sobre as alegações e os documentos trazidos com a defesa (fls. 150). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 298 5 4.1 Na Informação Fiscal, acostada às fls. 177/178, entre outros pontos, a auditoria declarou que: i) os débitos apurados relativos à fiscalizada não haviam sido incluídos pelo Estado do Acre em nenhum acordo de parcelamento; e ii) de fato, não houve a dedução de cotas de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, devendo ser retificado o débito exigido, conforme discriminado na relação nominal de beneficiários (fls. 153/176). 4.2 Oportunizado o contraditório ao contribuinte, constam dos autos o aditamento da sua impugnação (182/203). 5. Intimada em 11/3/2010, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 269/270, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/3/2010, em que aduz os seguintes argumentos de defesa (fls. 274/287): i) a partir da vigência do regime estatutário do Estado do Acre, instituído pela Lei Complementar nº 39, de 29 de dezembro de 1993, os servidores ocupantes de cargos públicos, mesmo os admitidos sem concurso público, estão amparados pelo RPPS; ii) o art. 40 da Carta da República de 1998 não representa óbice a esse entendimento, porquanto a expressão "cargo efetivo" empregada pelo texto constitucional contrapõese a cargos de natureza temporária (cargo em comissão e temporário), mencionados no § 13, e não relativamente à condição de efetividade ostentada pelo servidor; iii) o Parecer nº GM030, de 4 de abril de 2002, emitido pela Advocacia Geral da União, aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial, concluiu que os servidores não estáveis nem efetivados possuem direito ao mesmo regime próprio dos servidores titulares de cargos efetivos; iv) parte dos valores apurados na ação fiscal, referentes às competências 01 a 02/1999 e 06 a 08/1999, já foram incluídos em parcelamentos feitos pela administração direta; v) o pedido para aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e saláriomaternidade para fins de dedução do crédito tributário foi acatado pelo agente fiscal, porém a decisão de piso desconsiderou tal posicionamento; e vi) caso se entenda pela manutenção do lançamento, a transmudação entre os regimes previdenciários exige a compensação financeira entre os institutos de previdência. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 299 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Vínculos dos servidores públicos 7. Até a Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, não havia restrições à filiação de servidores públicos a RPPS. 8. A partir da promulgação desta Emenda, que deu nova redação ao art. 40 da Constituição da República de 1998, a possibilidade de filiação ao RPPS ficou restrita ao servidores ocupantes de cargos efetivos: Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (...) 9. Os cargos efetivos revestemse da característica de permanência, em que a ocupação pelo servidor não se dá em caráter transitório ou temporário. Criados para receberem ocupantes em caráter definitivo, os cargos são providos por concurso público de provas ou de provas e títulos. 1 10. No caso sob exame, os servidores arrolados no débito fiscal foram admitidos após a Carta Política de 1988, irregularmente efetivados por lei estadual segundo o que prescreve a mesma Constituição, pois o seu ingresso não se deu por concurso público (fls. 46/64). 1 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 18ª ed. São Paulo:Malheiros, 2005, p. 281. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 300 7 11. Pela nossa compreensão da legislação, ao não haver a nomeação para cargo de provimento efetivo, pela via do concurso público, haverá necessária vinculação dos trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), por falta de amparo no caput do art. 40 da Carta Magna. 12. Por sua vez, os órgãos e entidades da administração pública são equiparados a empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 12.1 Aquele que presta serviço de caráter não eventual à empresa, sob sua subordinação e mediante remuneração, é considerado segurado empregado do RGPS, consoante alínea "a" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991. 12.2 Daí porque, embora guarde semelhança ao conceito da legislação trabalhista, a definição previdenciária não atrai apenas os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 12.3 Enquadramse como segurado empregado também o ocupante de cargo e emprego público, excluindose apenas o amparado por regime próprio, ocupante de cargo efetivo ou mesmo de cargo vitalício, tais como os magistrados, por força do que prevê o texto da Carta constitucional (art. 93, inciso VI). 13. No tocante ao Parecer nº GM30, de 2002, aprovado pelo Presidente da República, sua abrangência diz respeito à aplicação do mesmo regime previdenciário dos servidores estáveis e efetivados ao servidores públicos estabilizados nos termos do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), além daqueles que, mantidos no serviço público e sujeitos ao regime estatuário, não preencheram os requisitos estabelecidos na referida disposição transitória. Desta maneira, alcançam igualmente os servidores não estáveis nem efetivados que foram admitidos no serviço público antes de 1988. 13.1 De tal sorte que o efeito vinculante à administração federal, que obriga a lhe dar fiel cumprimento, por força do § 1º do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, tem seu limite jungido ao contexto normativo específico em que submetido o exame da matéria pelo AdvogadoGeral da União, ou seja, à situação de todos os servidores públicos estatutários admitidos no serviço público anteriormente à promulgação da Constituição da República de 1988, em razão da implantação pelo poder constituinte originário de uma nova ordem constitucional no País. 13.2 Destarte, sintome confortável para não utilizar quaisquer das conclusões do Parecer, não só pela falta de vinculação ao caso concreto em julgamento, mas pela própria inaplicabilidade dos seus fundamentos assim penso aos servidores que foram admitidos no serviço público sem concurso público após a promulgação da Constituição de 1988, como ora cuida a autuação fiscal sob exame. b) Existência de valores incluídos em parcelamentos 14. Assim como no tópico precedente, entendo correta a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, com base na fundamentação desenvolvida. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 301 8 15. A mera alegação de existência de parcelamentos de valores relacionados às folhas de pagamento do servidores públicos que prestaram serviço à notificada, ainda que verificada a identidade entre os períodos apurados, não é elemento suficiente para acatar o pleito de dedução dos valores contidos em parcelamentos. 16. Como bem destacou a decisão de piso, é improvável que o litigante tenha confessado e parcelado espontaneamente contribuições previdenciárias incluídas na notificação fiscal em exame, quando discorda veementemente da acusação fiscal e afirma que os valores correspondentes aos segurados nominados às fls. 46/64 estão sendo recolhidos há anos ao RPPS do Estado do Acre. 17. De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco compete à recorrente, que invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão. Deveria demonstrar, portanto, que o parcelamento realizado pelo Estado do Acre guarda consonância em relação aos elementos do lançamento de ofício que pretende ver desconstituído, o que não restou nem de perto provado na impugnação e/ou recurso voluntário. c) Dedução de saláriofamília e/ou saláriomaternidade 18. Em sede de diligência fiscal, a fiscalização pronunciouse a favor das deduções a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, tendo elaborado uma planilha contendo os nomes dos segurados beneficiários, competência e valor do benefício (fls. 153/162 e 163, respectivamente), além do preenchimento de um demonstrativo com as deduções, por competência, conforme campo "79 Deduções" (fls. 164/176). 19. O órgão de primeira instância desconsiderou a retificação promovida pela autoridade lançadora, sob a alegação de que, no relatório fiscal, o Fisco havia afirmado que as deduções das cotas não foram consideradas por irregularidades relacionadas à falta de apresentação do atestado de vacinação obrigatória e à comprovação de frequência escolar do filho ou equiparado, não tendo o auditor notificante, por ocasião da diligência realizada, reportado que a documentação encontravase de acordo com o que determinava a legislação previdenciária. 20. Essa recusa do julgador de promover a retificação do débito, nos termos propostos pela auditoria, não me parece adequada. Explico. 20.1 Após reexaminar as informações referentes aos valores pagos a título de salário família e saláriomaternidade, a autoridade fiscal manifestouse expressamente pela retificação do crédito previdenciário, mediante dedução dos valores pagos pela recorrente. 20.2 Vale dizer que, ao concordar com o direito às deduções, ainda que implicitamente o agente fiscal reconhece que o pagamento do benefício previdenciário observou às normas vigentes, equivalendo, portanto, a uma anuência para a revisão da acusação fiscal. 20.3 A despeito da manifestação da fiscalização, o julgador "a quo" afirmou carecerem de consistências as deduções do saláriofamília e saláriomaternidade, parecendome sugerir essa manifestação que o agente fiscal desconheceria a legislação de regência que condiciona o pagamento do saláriofamília à regularidade documental do filho ou equiparado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 302 9 Avaliada nesse caso concreto, tal suposição evidencia uma interferência inapropriada na função reservada ao órgão fiscalizador. 20.4 Mais que isso, ao optar por deixar de acatar as deduções pugnadas pela fiscalização, a decisão colegiada indiretamente acaba agravando a exigência fiscal, se tomado como parâmetro o montante do crédito tributário reconhecido legítimo pela autoridade lançadora após a diligência fiscal. 21. Assim, entendo que devam ser deduzidas do crédito tributário lançado as parcelas que constam das planilhas de fls. 153/163 e que foram consolidadas, por competência, no documento de fls. 164/176, referentes ao saláriofamília e/ou saláriomaternidade (campo "79 Deduções"). d) Compensação 22. Como bem afirmou a decisão de piso, o pleito de compensação financeira entre regimes previdenciários, assim como a compensação de valores recolhidos indevidamente aos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no período de 01 a 03/1994, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal. 23. Dessa feita, a compensação entre o RGPS e RPPS, de modo a que aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluso na notificação fiscal, não merece acolhimento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para permitir o aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, conforme discriminado pela fiscalização às fls. 153/178, deduzindoos das contribuições previdenciárias lançadas. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 16004.001137/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO.
Apresentar a GFIP sem declarar a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA.
O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral, bem como a sua declaração na GFIP.
PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA.
São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizar-se de evidências narradas em inquérito policial.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias.
GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada.
Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluí-lo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negar-lhes provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem declarar a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral, bem como a sua declaração na GFIP. PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA. São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizar-se de evidências narradas em inquérito policial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. Recursos Voluntários Providos em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluí-lo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negar-lhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem declarar a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime tornase obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral, bem como a sua declaração na GFIP. PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA. São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizarse de evidências narradas em inquérito policial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 37 /2 00 8- 47 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluílo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negarlhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 687 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.570 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.7862. Lançamento A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da empresa haver declarado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP sem informar o montante das contribuições correspondente à cota patronal. Segundo o fisco, tal fato se deu em razão da empresa indevidamente haver se declarado optante pelo Simples, incorrendo em conduta punível com multa administrativa. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas João Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãode obra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurando lhes o exercício do direito de defesa. O presente encontrase apensado ao processo 16004.001134/200811. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” Impugnações As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência, que teria se dado mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. Alega ainda que, em relação ao preenchimento da GFIP, não pode ser autuada, haja vista que declarou a guia conforme o enquadramento tributário existente quando da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 688 5 Sustentou por fim que a multa imposta possui caráter de confisco, O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía com o Grupo Mozaquatro era o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Eis a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE • FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. Em se tratando de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória, a lavratura da autuação se sujeita ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. SIMPLES. EXCLUSÃO. IRREGULARIDADES. Eventual argüição de irregularidades ocorridas na exclusão do SIMPLES devem ser formuladas nos autos do processo que trate dessa exclusão, não importando tal possibilidade, em óbice ao lançamento de contribuições decorrentes da exclusão, nem ao prosseguimento do processo administrativo fiscal decorrente. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 RELEVAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITO. NÃO CABIMENTO. A correção da falta no prazo previsto na legislação representa requisito indispensável para a concessão do beneficio da relevação da multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária acessória. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo, assegurandose o contraditório e a ampla defesa aos litigantes, só se podendo falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o principio da substância sobre a forma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo auditorfiscal da RFB. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua previsão legal e à necessidade formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 689 7 De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim, não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4.º do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo ao direito de defesa da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, requerendo que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca da cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 do mencionado processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. Nova diligência foi determinada para que os devedores fossem cientificados da informação fiscal relativa à diligência anterior. Conforme documentos de fls. 586/609 a irregularidade processual foi saneada. Não houve a apresentação de novas manifestações pela empresas arroladas no polo passivo. É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 690 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. O lançamento Conforme relatado, o lançamento referese à aplicação de multa pelo fato da empresa não haver declarado na GFIP às contribuições da empresa, por se declarar indevidamente optante pelo Simples, ferindo assim o § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. A ocorrência dos fatos geradores de contribuições é incontroversa, posto que a empresa declarou em GFIP as remunerações e recolheu a contribuição dos segurados, deixando de adimplir as contribuições da empresa, por se valer da opção pelo Simples. Do relatório se extrai que em 10/06/2008 o sujeito passivo foi excluído do regime simplificado por exercer atividade incompatível. A exclusão do Simples, com efeitos retroativos a 11/06/2003, deuse mediante o Ato Declaratório Executivo ADE n.º 59, de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), que compõe o processo n.º 16004.000454/200846, o qual foi apensado ao processo sob apreciação. Observase que a empresa foi cientificada da sua exclusão do Simples em 01/07/2008, não tendo se manifestado no prazo regulamentar. Assim, ocorreu o trânsito em julgado do processo de exclusão, não cabendo a essa turma discutir sobre as questões ali tratadas. Considerandose que a única alegação questionado a ocorrência da infração referiuse à possível falta de ciência do contribuinte do ADE n.º 59, a verificação do processo de n.º 16004.000454/200846 elimina qualquer dúvida acerca da regularidade da intimação da exclusão da empresa do Simples Federal. Tal constatação me leva a concluir que a autuação é procedente, uma vez que não declaradas são efetivamente devidas, pois o principal efeito da exclusão do regime simplificado é tornar obrigatório para o sujeito passivo o recolhimento dos tributos dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. Nulidade utilização de provas obtidas em procedimento de busca e apreensão As principais conclusões do fisco acerca da responsabilidade tributária de terceiros para com o crédito lançado foram lastreadas em provas documentais obtidas em procedimentos de busca e apreensão levados à efeito na "Operação Grandes Lagos" pela Polícia Federal, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 As recorrentes alegam que essas provas seriam inválidas e contaminariam todo o procedimento fiscal, acarretando na nulidade do lançamento. Alegase que, não tendo o Poder Judiciário dado a palavra final sobre a lisura do procedimento de colheita de provas no inquérito policial, os papéis ali obtidos não poderiam ter sido utilizados para fundamentar a lavratura fiscal. Não vejo como dar razão às recorrentes, posto que o fisco federal obteve autorização para extrair cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. Não há dúvida que se a administração tributária foi oficiada pelo juízo processante a lançar as contribuições devidas em razão da fraude descoberta a partir de diligências policiais, nada mais natural de que ao fisco, para fundamentar o lançamento, fosse permitida a utilização das provas obtidas em procedimentos de busca e apreensão. Acerca dos elementos obtidos para subsidiar a ação fiscal, o fisco assim se pronunciou no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I): "1.2.1 DOS MANDADOS JUDICIAIS NA SEGUNDA BUSCA E APREENSÃO PROCESSO N° 2007.61.24.0012673 Em conseqüência da resistência imotivada dos responsáveis pela contabilidade (na investigação inicial foram identificados como "colaboradores") e dos contribuintes —pessoas jurídicas e físicas envolvidos no Grupo Mozaquatro, em atender as requisições do fisco federal, no curso das auditorias em andamento iniciadas por força da demanda judicial foram solicitadas buscas autorizada pelo Poder Judiciário da 16.ª Vara Federal de Jales e através do processo n° 2007.61.24.0012673 em curso, foram expedidos MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO, para cumprimento em 05/10/2007, nos seguintes locais: (...) Efetuadas as buscas e apreensões, acompanhando os Mandados e o Auto Circunstanciado, foram juntados: Termos de Retenção; Nota Técnica de Autenticação —Arquivos Magnéticos; Termo de Recibo de Arquivos Digitais; Termo de Declaração, Retirada de Elementos e Lacração, referentes informações colhidas em HD ("hard disc") de computadores e documentos retidos para análise. (União doc.fls. 918 a 941 e CM4 doc.fls. 946 a 964)." Notase assim que os elementos utilizados pelo fisco para embasar o lançamento foram obtidos regularmente, sendo lícito que, dentre as provas consideradas na acusação fiscal, algumas fossem extraídas peças do inquérito policial. Todo esse conjunto probatório foi posto à disposição das pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo do lançamento, não havendo o que se falar em atropelo ao princípio do contraditório, posto que todos os interessados puderam se contrapor aos aspectos fáticos e jurídicos apresentados no relatório fiscal. Muito bem lembrado pela decisão recorrida que o procedimento fiscal é fase que precede o contencioso e ocorre a pratica dos atos de oficio necessárias à verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo e, se cabível, a constituição do crédito tributário e/ou aplicação de penalidades. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 691 11 O procedimento fiscal caracterizase como etapa oficiosa ou não contenciosa, onde a autoridade administrativa coleta dados, examina documentos, solicita esclarecimentos do contribuinte, procede à auditagem dos dados contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária. Os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização não havendo que se falar em processo. Qualquer intervenção do contribuinte tem caráter de mero cumprimento de obrigação informativa. Com a ciência do contribuinte do lançamento tributário, encerrase a fase inquisitória e, caso o contribuinte não concorde com o resultado do trabalho fiscal, tem a faculdade de dar início ao contencioso mediante a apresentação da impugnação. Nesse sentido, somente há de se falar em cerceamento ao direito de defesa quando o fisco não apresenta ao sujeito passivo a descrição fática da situação que deu ensejo ao lançamento e as provas que foram utilizadas para tal mister, impossibilitando o contribuinte de compreender a imputação na sua inteireza. Não assiste razão ao sujeito passivo quando alega a nulidade do procedimento fiscal, em razão da utilização de prova emprestada. A jurisprudência do CARF tem afastado esse entendimento como se pode ver da ementa do Acórdão n.º 2301004.269, de 04/12/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. (...) Oportuno ainda esclarecer que o fato da ação penal contra os responsáveis pela empresa não ter tido trânsito em julgado, não invalida a citação pelo fisco de trechos de relatório do inquérito policial. Embora as instâncias penais e tributárias não se confundam, a utilização de elementos do procedimento policial para fundamentar o lançamento é plenamente aceitável, desde que todos os fatos narrados e as provas produzidas sejam apresentadas pelo fisco ao sujeito passivo, de modo que este possa se defender com amplitude. Afasto, portanto, a nulidade suscitada. Decadência Na alegação recursal acerca da decadência, afirmase que a norma a ser aplicada para contagem do prazo decadencial seria o § 4.º do art. 150 do CTN, uma vez que o fisco não teria demonstrado a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O órgão de primeira instância não aderiu a essa tese, entendeu que o prazo deveria ser contado com esteio no inciso I do art. 173 do CTN, haja vista se tratar de aplciação de multa por descumprimento de obrigação acessória. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Diante dessas considerações e tratando o caso de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória no período de 07/2003 a 12/2005, encaminho por afastar a decadência suscitada, uma vez que a ciência mais tardia aos devedores, efetuada por edital, ocorreu em 30/12/2008, ou seja, quinze dias após a sua publicação, conforme preceitua o inciso IV do § 2.º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/1972 (ver fl. 263 do processo n.º 16004.001134/200811). Fl. 697DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 692 13 Responsabilidade solidária As fundamentações fática e jurídica para vincular pelo laço da solidariedade passiva as empresas e pessoas físicas listadas no relatório fiscal encontramse detalhadas no Anexo I, denominado Relatório de Grupo Econômico de Fato Grupo Econômico Mozaquatro. Passamos a relatar os principais fatos narrados no citado relatório, na parte que interessa para a solução da presente lide. Ali informase que, desde o ano de 2001, a Administração Tributária Federal vinha recebendo denúncias de um grandioso esquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, mormente nos municípios de Jales e Fernandópolis. Para averiguar os fatos denunciados, foram abertas ações fiscais que culminaram com a lavratura de inúmeros autos de infração, todavia, os créditos tributários não eram satisfeitos em razão das empresas, nem seus sócios, possuírem qualquer patrimônio. Daí surgiram evidências de que o quadro societário das empresas era composto por "laranjas", que se reportavam aos verdadeiros donos dos negócios. No final do ano de 2005, a Receita Federal solicitou apoio da Polícia Federal para o aprofundamento das investigações com vistas a identificar os reais proprietários das empresas e desbaratar as quadrilhas especializadas em sonegação fiscal. Citase que o inquérito policial decorrente deu ensejo à representação ao Poder Judiciário, que culminou com a expedição de mandados de busca e apreensão necessários à deflagração da "Operação Grandes Lagos". No decorrer da investigação policial foram identificados vários núcleos de atuação da suposta quadrilha, sendo que a empresa autuada compunha o chamado "Núcleo Mozaquatro", cuja forma de atuação foi assim descrita no relatório da Polícia Federal: "O Núcleo Mozaquatro é voltado principalmente à prática de crimes fiscais e contra a organização do trabalho. Seu "modus operandi" consiste me constituir empresas em nome de "laranjas" através dos quais movimenta a maior parte do faturamento do grupo sem pagar os tributos incidentes sobre as operações. Outras empresas, também abertas em nome de "laranjas", tem como objetivo servir de anteparo entre o grupo e ações trabalhistas movidas por seus empregados, através de contratos simulados de fornecimento de mãodeobra, crime que detalharemos mais adiante. Há evidências da prática de crime de estelionato contra a Fazenda Pública, num esquema de liberação de créditos de ICMS que não são devidos à empresa." Mais adiante o fisco passa a mencionar trechos do relatório policial, onde são tratadas as participações das pessoas físicas que seriam os "chefes" da organização, os quais gozariam de autonomia ampla de dariam a palavra final em todos os negócios do grupo. Eis a transcrição: "...Já o Grupo Mozaquatro tem quatro: Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzlin Mozaquatro, Patrícia Buzlin Mozaquatro e João Pereira Fraga. É nítida, no entanto, a Fl. 698DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 ascendência do primeiro sobre os demais, em que pese todos serem proprietários dos negócios da quadrilha e gozarem de autonomia decisória no subgrupo que comandam. Marcelo e Patrícia, por exemplo, gozam de autonomia sobre a empresa Friverde; João Pereira Fraga, decide sobre os negócios da empresa Coferfrigo de Fernandópolis. Ambas são empresas colocadas em nomes de "laranjas". Apesar de todos serem considerados "cabeças", Alfeu coordena as atividades, ao passo que Marcelo e Patrícia a gerenciam. O que todos têm em comum é o fato de serem os donos do empreendimento e os principais beneficiários das fraudes (...)". Continuando o fisco afirma que a empresa CM4 Participações Ltda, empresa ostensiva do Grupo Mozaquatro, arrendava suas instalações industriais frigoríficas para as empresas constituídas em nome de "laranjas", de modo a evitar que os bens fossem penhorados em eventuais ações fiscais e trabalhistas. Alega que os idealizadores do esquema fraudulento eram os membros da família Alfeu, seus filhos Patrícia e Marcelo, além do cunhado Djalma Buzolin. Ao lado desses é citado também João Pereira Fraga. Segundo o fisco, todos participavam ativamente da administração de todas as empresas abertas em nome de sócios de fachada. Na sequência, narrase a participação das pessoas físicas chamadas a responder pelo débito. Eis o trecho do relatório: "Alfeu Crozato Mozaquatro oficialmente é proprietário da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação), Mapra Veículos e Peças Ltda (com 99% de participação), Indústrias Reunidas CMA Ltda (com 95% de participação) e CMA Indústria de Subprodutos Bovinos Ltda (com 10% de participação). Marcelo Buzolin Mozaquatro oficialmente consta como sócio da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação), como sócioadministrador da M4 Logística Ltda e como administrador das Indústrias Reunidas CMA Ltda (sem participação no capital social). Patrícia Buzolin Mozaquatro consta como sócia da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação) e como administradora das Indústrias Reunidas CMA Ltda (sem participação no capital social). Extraoficialmente, Alfeu, Patrícia e Marcelo são também proprietários das empresas Coferfrigo, Friverde, Transverde, Mega Boi, Caromar, Nogueira e Poggi, Pedretti e Magri, Wood Comercial e Atual Carnes, todas colocadas em nomes de sócios "laranja". Alfeu foi também proprietário de outras empresas abertas em nomes de" laranjas", como o Frigorífico Boi Rio, a Comercial de Carnes Boi Rio e a Distribuidora São Luiz (...)" O fisco relata ainda que o grupo lançou mão de empresas criadas em nome de interpostas pessoas, geralmente seus exempregados, com a finalidade exclusiva de executar a prestação de serviços nas atividadesfim dos frigoríficos. Essas empresas, ao dissimular seu verdadeiro objeto social optaram irregularmente pelo Simples. Nesse contexto, situase a Comercial Reis de Bovinos (a autuada), a qual foi criada exclusivamente para fornecer mãode obra para as Indústrias Reunidas CMA Ltda, substituindo a empresa Frigorífico Caromar que anteriormente cumpria essa função. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 693 15 Acerca da autuada, informase que a mesma não foi inicialmente objeto de investigação na fase preliminar no inquérito policial, todavia, no curso da ação fiscal verificou se a sua ligação com o Grupo Mozaquatro, posto que registrada em nome de José Roberto Barbosa, que já havia atuado como sócio de fachada em outra empresa do Grupo (Coferfrigo), e Nilza Alves Reis, cônjuge de Nelson Pimenta dos Reis, exempregado das Indústrias Reunidas CMA Ltda. Afirmase que esta empresa atuou no período de 07/2003 a 11/2005 com uma média de 70 empregados exclusivamente para fornecer mãodeobra para a empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O fisco cita ainda uma condenação trabalhista sofrida pela CMA em reclamação postulada por empregado da Comercial Reis. Citase também que a empresa de contabilidade Contábil União Ltda atendia, além das empresas registradas em nome dos membros da família Mozaquatro, àquelas constituídas pelo Grupo Mozaquatro em nome de terceiros. A partir dos fatos apresentados, a auditoria fiscal passa a vincular as empresas integrantes do Grupo Mozaquatro como responsáveis solidárias, com base no inciso II do art. 124 do CTN combinado com o IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. São citados ainda dispositivos da CLT e da Lei n.º 6.404/1976 para reforçar o conceito de grupo econômico. Por fim, é apresentado um conjunto de decisões administrativas tratando de responsabilidade solidária para empresas integrantes de grupo econômico. a) Responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Além do contribuinte, o CTN prevê a possibilidade de que possam ser incluídas como responsáveis pela satisfação do crédito tributário outras pessoas que são tratadas ali como responsáveis. Esses responsáveis em determinadas situação podem ser colocados no polo passivo da relação jurídica tributária como devedores solidários e, nesses, casos o fisco pode exigir o cumprimento da obrigação tanto do contribuinte como do responsável. Essa situação encontrase delineada no art. 124 do Códex Tributário, onde se prevê duas formas de solidariedade, uma decorre do interesse comum na situação que configura o fato gerador (solidariedade de fato), a outra depende unicamente da vontade do legislador que pode estabelecer em lei hipóteses em que um terceiro pode ser chamado a responder solidariamente com aquele que realizou fato gerador, o contribuinte (solidariedade legal). A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 Para as contribuições previdenciárias, o legislador achou por bem criar a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes de grupo econômico Essa norma encontrase inserta no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. A lei previdenciária não traz o conceito do que seja grupo econômico, mas é possível localizálo na lei trabalhista, onde o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais enfático ao positivar: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Da conjugação dos dispositivos citados, é possível inferir que a caracterização de grupo econômico não pressupõe necessariamente que as empresas envolvidas tenham constituído formalmente um conglomerado econômico. A solidariedade em questão requer tão somente que empresas, mesmo que de fato, estejam submetidas a um comando unificado e atuem no sentido de juntar esforços visando a um ganho para todo o grupo. No caso sob testilha, verificase que a autuada foi criada em nome de pessoas que serviam apenas de anteparo para encobrir os reais proprietários do negócio, tendo feito a opção pelo Simples com o único intuito de ceder mãodeobra para a empresa Indústria Reunidas CMA, a qual pertence de fato e de direito à família Mozaquatro, que efetivamente dirige os empreendimentos. A farta documentação colacionada permite a afirmação segura de que a Comercial Reis era uma das empresas de fachada criada para favorecer a supressão do Fl. 701DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 694 17 pagamento de tributos por parte do grupo econômico de fato composto por empresas ostensivas e por empresas constituídas em nome de "laranjas". As evidências são muitas. Utilização de estrutura administrativa única, o que é demonstrado pela envio das declarações da autuada por empregada da CMA; sócios que pertenciam ao quadro funcional da CMA antes de depois do funcionamento da Comercial Reis, empregados desta que declararam que efetivamente trabalhavam para a empresa formalmente pertencente ao Grupo Mozaquatro. Todos os fatos narrados no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I do processo n.º 16004.001134/200811), onde está evidenciada toda interligação entre as diversas empresas integrantes do Grupo Mozaquatro, deixamme à vontade para concluir pela existência de grupo econômico de fato. Tal constatação inexoravelmente implica na conclusão de que a responsabilidade solidária atribuídas às pessoas jurídicas é procedente, devendo ser mantido o que ficou decidido na DRJ quanto a essa questão. a) Responsabilidade solidária das pessoas físicas Foram arroladas na condição de devedoras solidárias as pessoas físicas Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e João Pereira Fraga. A fundamentação jurídica para incluílos no polo passivo diverge daquela utilizada para vincular as empresas. Aqui nos Termos de Sujeição Passiva lançouse mão de dois dispositivos do CTN, quais sejam o inciso I do art. 124 e o inciso III do art. 135, os quais passo a transcrever: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A luz da doutrina e da jurisprudência não vejo como se possa atribuir a responsabilidade solidária a um sócio ou administrador meramente com base no inciso I do art. 124 do CTN, o qual exige interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A apreciação dessa questão envolve a pesquisa do que o legislador quis atribuir ao que chamou "interesse comum". Pareceme que para a doutrina majoritária o significado do termo vinculase ao interesse jurídico, não ao mero interesse econômico. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 Nesse sentido os interessados devem ser partícipes da mesma relação jurídica, a qual no caso do Direito Tributário referese à formação do ato que dá ensejo à obrigação tributária. Explicando melhor, uma sociedade quando pratica o fato gerador faz nascer uma relação jurídica entre ela e a Fazenda, passando a ser sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. O mesmo não se pode dizer do sócio, posto que este não faz parte da relação tributária, portanto, não é correto afirmar que a pessoa física integrante do quadro social da empresa possua "interesse comum" na situação que configure o fato gerador. Percebese assim que, embora o sócio possua interesse econômico na consecução dos fins empresariais, não há de sua parte o interesse jurídico exigido para caracterizar a solidariedade tratada no inciso I do art. 124 do CTN. O mestre Rubens Gomes de Souza não me deixa falando sozinho, quando leciona sobre o tema: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador." (SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed. 1960, p 67) A jurisprudência também caminha nesse sentido, como se pode observar de decisão do Egrégio STJ onde fica patente o entendimento de que o interesse econômico de uma pessoa quanto à ocorrência do fato gerador é insuficiente para caracterizar a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Vejamos: "Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível." STJ REsp 884845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIM EIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009 Feitas essas considerações, entendo que deva ser afastada a responsabilidade solidária das pessoas físicas arroladas pelo fisco feita com base no inciso I do art. 124 do CTN. Passo agora a apreciar a outra fundamentação legal lançada nos Termos de Sujeição Passiva. O inciso III do art. 135 do CTN, que trata de responsabilidades de terceiros, vincula como responsáveis pelo crédito os diretores, gerentes ou representantes das empresas, quando a obrigação de pagar o tributo decorrer de atos praticados com excesso de poderes ou mediante infração à lei ou aos atos constitutivos da sociedade. No presente lançamento observase claramente que houve burla à lei comercial e à lei tributária na constituição da empresa Comercial Reis Ltda em nome de sócios de fachada, com opção por um regime tributário que vedava a inclusão de empresas dedicadas à cessão de mãodeobra. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 695 19 Não há dúvida também de que a administração da empresa autuada era feita em evidente afronta ao seu contrato social da autuada, posto que as pessoas que efetivamente geriam o negócio eram estranhas ao seu quadro social e não constavam como seus mandatários ou prepostos. Assim, de acordo com a jurisprudência do CARF, é certo que nesses casos cabe a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 Acórdão n.º 1402001.601, de 11/03/2014 ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela CDA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A não observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN. Acórdão n.º 1301001.536, de 03/06/2014 A luz do entendimento de que os terceiros podem ser chamados a responder pelo crédito tributário na hipótese do inciso III do art. 135 do CTN e que a situação sob análise pede a aplicação deste dispositivo, devemos nos debruçar sobre a posição de cada uma das pessoas físicas arroladas pelo fisco, de modo a decidir se é cabível a atribuição de responsabilidade imputada. a) Alfeu Crozato Mozaquatro É apontado como o líder do Grupo, que é sócio de direito da empresa Indústrias Reunidas CMA, a qual foi a beneficiária da criação da Comercial Reis em nome de "laranjas" e exclusivamente para lhe ceder mãodeobra. É evidente que a atuação de Alfeu Mozaquatro gerindo empresa criada em nome de sócios de fachada representa atropelo ao ordenamento jurídico, o que caracteriza a fraude tributária já tratada alhures. A gerência de fato da empresa autuada sem o correspondente respaldo no contrato social é, fora de dúvida, ato ilícito que contraria os atos constitutivos da empresa Comercial Reis, atraindo a regra do inciso III do art. 135 do CTN. É justa, portanto, a imputação de responsabilidade tributária a esta pessoa. b) Patrícia e Marcelo Buzolin Mozaquatro Fl. 705DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001137/200847 Acórdão n.º 2402004.846 S2C4T2 Fl. 696 21 Filhos de Alfeu Mozaquatro, foram admitidos como administradores não sócios da Indústrias CMA e participavam da gestão da empresa. Para dar uma ideia da forma como essas duas pessoas atuavam no Grupo Mozaquatro, colo trecho do Relatório Fiscal de Grupo Econômico (Anexo I) No recurso apresentado não há nenhuma argumentação no sentido de infirmar a narrativa do fisco acerca da participação da família Mozaquatro nos atos de constituição da Comercial Reis em nome de "laranjas". Os autos demonstram cabalmente que Alfeu Mozaquatro e seus filhos Patrícia e Marcelo autuaram como administradores de fato de uma sociedade em que não figuravam formalmente como sócios ou integrantes da administração. Tal fato, conforme já mencionei, é suficiente para vincular os três na condição de devedores solidários, conforme o inciso III do art. 135 do CTN. c) João Pereira Fraga Passo inicialmente a apresentar excerto do Relatório de Grupo Econômico (Anexo I do processo n.º 16004.001134/200811), que trata da atuação de João Pereira Fraga: "4.1.1.2.2. João Pereira Fraga Também é um dos "cabeças" e proprietário de fato da Coferfrigo, beneficiandose das fraudes assim como Alfeu. Segundo apontam as conversas interceptadas, João Pereira Fraga é proprietário da filial da empresa em Fernandópolis, enquanto Alfeu Crozato Mozaquatro é proprietário da filial de São José do Rio Preto. Em que pese ambos serem chefes no esquema, Alfeu tem certa ascendência sobre Fraga. Foi indiciado em dois inquéritos e denunciado em três processos criminais, havendo registro de condenação em dois deles." Observase das afirmações acima e do conjunto dos fatos trazidos ao processo pelo fisco que a atuação de João Pereira Fraga era circunscrita a um dos empreendimentos do Grupo, o Frigorífico Coferfrigo. Portanto, não se pode dizer que este atuou na constituição da empresa autuada, tampouco em sua gestão. Nesse sentido, não se pode atribuir à João Pereira Fraga a responsabilidade prevista no inciso III do art 135 do CTN, posto que não se comprovou que ele tenha incorrido, em relação à empresa fiscalizada, em nenhum ato ilícito contrário à lei ou aos atos constitutivos. Encaminho, portanto, por afastar a responsabilidade solidária atribuída a João Pereira Fraga. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e a decadência e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluílo do polo passivo do lançamento e para os demais negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 14766.000298/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/2003-55, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202-000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Relatório
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS CIV Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/200355, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS CIV contra acórdão proferido pela DRJ/Recife que concluiu pela improcedência da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 66 .0 00 29 8/ 20 10 -9 1 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 165 2 manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: 2. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. 38, os PER/DCOMPs não foram homologados, ao fundamento de que os créditos pleiteados já foram integralmente aproveitados pela interessada em compensações anteriores, conforme decisão prolatada por esta DRJ nos autos do processo administrativo n.º 10480.001609/200355. 3. No prazo legal, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 42/45, por meio da requer o sobrestamento da cobrança dos débitos, sob a alegação de que o processo administrativo n.º 10480.001609/200355 não está definitivamente concluído ou encerrado, encontrandose, atualmente, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pendente de julgamento de recurso voluntário. Afirma que a decisão, por basearse noutra ainda não definitivamente julgada, está equivocada. O processo n.º 10480.001609/2003 55 tem relação direta com o objeto do processo administrativo n.º 19647.003321/200510, também pendente de apreciação pelo CARF. 4. Apensos ao presente processo, encontramse os de n.ºs 10480.721471/201114 e 10480.721472/201169, que trazem cópias dos PER/DCOMPs analisados. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 4ª Turma da já mencionada DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1139.150, de 14 de dezembro de 2012, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Considerou que a impugnante não contestou o fato de que os créditos reconhecidos no outro processo administrativo já haviam sido integralmente aproveitados em compensações anteriores. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual sustenta que há mais créditos a compensar por conta do processo nº 10480.001609/200355 e que o reconhecimento desse direito dependeria da decisão final proferida no processo nº 19647.003321/200510. Ambos, na época em que foi interposto o recurso, estariam inclusos em pauta de julgamento na 2ª Turma da 2ª Câmara desta Casa. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 166 3 Com efeito, os processos de nº 10480.001609/200355 e 19647.003321/200510 foram objeto de julgamento na 2ª Turma da 2ª Câmara desta Casa. O primeiro processo, que trata dos créditos de IRPJ e CSLL (anocalendário de 2002) com os quais os débitos do presente processo pretendem ser compensados, teve compensações homologadas até um limite inferior ao que empresa alegou ter direito. Isso se deu por causa do auto de infração consubstanciado no segundo processo que reduziu aqueles créditos em razão de glosa de despesas não comprovadas. Ao analisar a questão, a mencionada Turma reconheceu que a análise da compensação pretendida no primeiro processo dependia diretamente do resultado do julgamento do segundo processo. Tratavase, portanto, de processo decorrente. Como a decisão proferida no segundo processo estaria ainda sujeita a eventual recurso especial, a Turma resolveu converter o julgamento do primeiro processo em diligência para que a unidade de origem aguardasse a decisão definitiva a ser exarada no segundo processo. De fato, o contribuinte interpôs recurso especial nos autos do segundo processo, para o qual foi dado parcial seguimento no exame de admissibilidade (despacho datado de 17/11/2015). Considerando que o presente processo é diretamente decorrente do primeiro processo (e indiretamente do segundo) há que se reconhecêlo (o primeiro) como principal dessa relação. Assim, impõese a aplicação do artigo 6º, § 4º, do Anexo II, do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 167 4 Diante do exposto, proponho a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/200355, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10280.720682/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 379 1 378 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720682/200891 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.356 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de dezembro de 2015 Assunto Compensação. Recorrente PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA contra acórdão proferido pela DRJ/Belém que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 68 2/ 20 08 -9 1 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 380 2 compensação de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003. A empresa protocolou seu pedido com base nos valores informados em sua DIPJ/2004, os quais apontavam o seguinte: . CSLL a pagar: R$ 80.088,05 . () CSLL antecipadas por estimativas compensadas: R$ 241.245,05 . Saldo negativo: R$ 161.157,00 A unidade de origem consolidou as estimativas compensadas naquele ano calendário numa tabela, contendo treze itens (fls. 109 e 110 do processo eletrônico), que foi elaborada no Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009. De acordo com essa tabela, as estimativas consideradas efetivamente compensadas totalizaram um valor de R$ 98.040,11 e correspondem aos seus itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7. Por sua vez, as estimativas correspondentes aos itens 8, 10, 11, 12 e 13 não foram incluídas naquela totalização. Segundo o Parecer, todos essas estimativas referemse aos créditos suscitados no processo nº 10280.001636/201384, porém, somente as indicadas no primeiro conjunto de itens foram efetivamente compensadas no processo. Quanto às estimativas correspondentes aos itens 6 e 9 daquela mesma tabela, o Parecer informa que suas compensações não foram homologadas conforme decisões proferidas pela DRJ/Bélem, respectivamente, nos autos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319. Assim, considerando que sua verificação apurou que o valor das estimativas efetivamente compensadas (R$ 98.040,11) superou a CSLL a pagar em apenas R$ 17.952,06, a unidade de origem homologou a compensação pleiteada no presente processo até esse limite. A empresa, então, apresentou manifestação de inconformidade questionando o não reconhecimento da totalidade do crédito apontado. Basicamente, argumentou que: (i) enquanto não proferida uma decisão final, o pedido contido nos autos do processo nº 10280.001636/201384 alcançaria todas as compensações a ele vinculadas, incluindo os itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7 (homologadas pela decisão originária) e os itens 8, 10, 11, 12 e 13 (pendentes de análise pela DRJ/Belém); (ii) o mesmo se diga em relação às compensações vinculadas aos processos nº 10280.001575/200355 (item 6) e 10280.001574/200319 (item 9), os quais encontravamse ainda pendentes de análise pela segunda instância de julgamento; e (iii) os débitos referentes às compensações não homologadas serão cobrados no âmbito dos respectivos processos, de modo que permanecerá o direito à compensação da totalidade do saldo negativo pleiteado no presente processo. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Belém proferiu, então, o Acórdão nº 01 27.007, de 29 de agosto de 2013, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 381 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO.COMPENSAÇÃO. compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO.COMPENSAÇÃO.ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. não havendo ulterior homologação da extinção do crédito tributário através da compensação, a manifestação de inconformidade não tem a natureza jurídica de extinção, mas de recurso administrativo, portanto, de suspensão do crédito tributário exigido. Apesar de não se manifestar acerca das compensações pendentes de julgamento no processo nº 10280.001636/201384, a DRJ foi categórica em afirmar que os recursos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319 foram improvidos tanto na 1ª quanto na 2ª instância administrativa. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repete as razões de defesa da manifestação de inconformidade. Acrescenta, ainda, que as compensações das estimativas vinculadas ao processo nº 10280.001636/201384, que se encontrava pendente de análise (itens 8, 10, 11, 12 e 13), restaram homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém. Por sua vez, o débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6), apesar de ter sua compensação não reconhecida administrativamente, já é objeto de cobrança através da inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971. Quanto ao débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), sua cobrança estava suspensa pois ainda estaria em discussão administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Quanto aos débitos vinculados aos processos nº 10280.001636/201384 (itens 8, 10, 11, 12 e 13) e 10280.001575/200355 (item 6), considero que a recorrente juntou provas suficientes para afastar qualquer insurgência ao seu pleito. Com efeito, as PER/DCOMP listadas nos itens 8, 10, 11, 12 e 13 da tabela (fls. 109 e 110 do processo eletrônico) do Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009 fazem parte do conjunto de declarações de compensação homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém (vide a Tabela 1 fls. 361 e 376 do processo eletrônico a qual foi integralmente contemplada no voto condutor da decisão recorrida fls. 372 do processo eletrônico). Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 382 4 Quanto à estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6 da mesma tabela daquele Parecer), de fato, o valor originário de R$ 15.008,80 é objeto da cobrança contida na inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971 (fls. 373 e 374 do processo eletrônico). No que se refere ao débito de estimativa vinculado ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), no valor de R$ 11.917,29, verifico que foi negado seguimento ao recurso especial impetrado pela empresa (conforme despacho de admissibilidade datado de 16/09/2015). Portanto, de acordo com as decisões da primeira e segunda instâncias administrativas, a compensação do referido debito não foi homologada. Nada obstante, em 16/11/2015, aquele processo foi encaminhado para a unidade de origem e ainda não há confirmação de que, tal como aconteceu com a estimativa do item 6, seu valor originário está inscrito em dívida ativa. Destarte, por prudência e também porque não vislumbro prejuízo para as partes, entendo que deva se aguardar a confirmação da inscrição em dívida ativa do débito daquele último processo. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a inscrição em dívida ativa do débito contido no processo de nº 10280.001574/200319, retornando o presente processo para a conclusão do seu julgamento após confirmada a mencionada providência. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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