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Numero do processo: 13710.001289/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO.
Deve-se aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no ano-calendário.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202-002.756, de 13/08/2014, para dar provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO. Devese aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no anocalendário. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014, para dar provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 12 89 /2 00 6- 13 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 183 3 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, que descreve os fatos ocorridos até a decisão embargada, desta Turma do CARF. Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.25 a 29), relativa ao anocalendário 1999, para apurar imposto de renda suplementar no valor de R$32.921,45, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora e multa por atraso na entrega da DIRPF no valor de R$6.584,29. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte fls. 27. Impugnou o lançamento alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: · a peça defensória é tempestiva , uma vez que a informação prestada pelo CAC referente à data da ciência em 08/08/2005 não procede uma vez que não recebeu o auto de infração. Em relação à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte afirma que os valores declarados pela fonte pagadora foram recebidos pelo espólio de Jorge Schnaider e declarados em sua DIRPF, ocasionando bitributação. A 2ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II (RJ), conforme Acórdão 1327.164– de 17 de novembro de 2009 de fls. 62 e ss, julgou procedente o lançamento, nos termos das seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Cabe manter a dedução indevida do IRRF consignado na declaração de ajuste anual , quando não comprovada a sua retenção por meio hábil de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A ciência de tal julgado se deu em 24/03/2011, consoante termo ciência pessoal de fls. 54. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/04/2011, fls. 60. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Eis as alegações recursais: · Assevera que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider CPF 003.342.78791, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27 de abril de 1998 a Igreja Água Viva CNPJ 02.300.711/000107, por contrato daquela data, aditado em 1º de abril de 2003 (docs.1/4).de infração abrangido fatos geradores mensais do ano de 2001. Cita uma vasta jurisprudência visando fundamentar suas alegações. · No ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46 (cento e quarenta e três mil), quatrocentos e vinte e três reais e quarenta e seis centavos), retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48, como constante da Informação de Rendimentos Pagos, anexa (doc. 5). · Não obstante, o CPF constante desse Comprovante de Rendimentos foi o do inventariante do Espolio, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.52749), e não o do Espóliolocador, como devido (doc. 5). · Entregue a um contador os documentos do espolio e de seus herdeiros para a elaboração de suas declarações de ajuste do Exercício de 2000, esse profissional, inexplicavelmente, fez constar na declaração do ora recorrente aqueles rendimentos da locação que foram do Espolio, e não seus e o valor do imposto retido. · Acresce que o equivocado procedimento da locatária quanto aos comprovantes de rendimentos pagos repetiuse nos anos calendário de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005, o que a levou a retificações das informações originariamente prestadas (docs. 6/13). · Também no exercício de 2001 o profissional encarregado de elaborar a declaração de ajuste do suplicante procedeu da mesma forma, o que deu causa a autuação fiscal e à instauração do processo fiscal n° 13710. 1290/200648, no qual ficou demonstrada a indevida inclusão de rendimentos de terceiros e do imposto retido sobre os mesmos rendimentos. Decisão, então proferida, deu acolhida a impugnação apresentada pelo ora recorrente (doc. 14) · Com a juntada da documentação agora acostada fica evidenciado que os alugueres no valor de R$ 143.423,46 foram efetivamente pagos ao Espólio de Jorge Schnaider, ao qual incumbiam, e a ele diz respeito a retenção de tributo na fonte no montante de R$ 35.121,48, tudo constante do Comprovante emitido pela Igreja de Nova Vida do Catete (CGC 02.300.711/000107), nova designação da Igreja Água Viva. · É de suporse que a nãoidentificação de tal recolhimento deveuse ao fato de ao que se infere do documento n° 5 ter sido o mesmo efetivado sob o CPF do inventariante. · O proprietário do imóvel locado à entidade religiosa é o Espólio de Jorge Schnaider, e não seu herdeiro Rui Goldenstein, e a ele, Espólio, e não ao herdeiro, foram pagos os alugueres correspondentes · A inépcia constrangedora com que agiram as partes envolvidas, à toda evidência, não cria rendimento que não existiu e, conseqüentemente há matéria econômica a tributar. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 184 5 · Havendo pendência quanto ao exercício em questão, não é facultado ao contribuinte, no sistema da Receita Federal, retificar a declaração de ajuste correspondente, mas dos rendimentos declarados pelo suplicante, naquele documento, devem ser excluídos aqueles efetivamente percebidos por terceiro e, bem assim, o valor retido na fonte, que também não lhe é pertinente. QUANTO A MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO IRPF · O recorrente solicita que seja aplicado o valor mínimo É o relatório. Em petição entregue em 25 de agosto de 2011, o contribuinte, por meio de seu advogado, solicita a juntada de documento, emitido pela fonte pagadora, alegando que só lhe foi entregue recentemente (fls. 155 a 157). Em sessão de julgamento ocorrida em 13 de agosto de 2014, foi dado provimento ao recurso, cuja decisão, consubstanciada no acórdão 2202002.756, foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 Ementa: RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Devese reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações. Recurso Voluntário Provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs embargos de declaração, alegando obscuridade e omissão em relação aos seguintes pontos: a) Alega a embargante que a Turma entendeu que o lançamento já havia sido revisto de ofício, contudo o despacho decisório que o Colegiado utilizou como razão de decidir diz respeito a outro processo administrativo do contribuinte (fls. 105 e 106). Assim, em face da falta de clareza no fundamento de decidir, requer que seja sanada a obscuridade apontada. b) a PFN sustenta que a DRJ entendeu que se encontrava preclusa a matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF (fls. 50 e 51), pois não houve impugnação quanto a esse ponto. Afirma que, no entanto, a questão da definitividade da decisão de primeira instância não foi objeto de análise do Colegiado, configurando omissão a ser apreciada. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Tendo em vista que a relatora do Acórdão não mais compõe a Turma, fui designado pelo Presidente da Turma como relator ad hoc. No exame de admissibilidade, os embargos foram acolhidos para que sejam sanados os vícios revelados, conforme despacho às fls. 180 e 181. É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), relativos ao Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014. A Embargante afirma que no acórdão embargado a Turma entendeu que o lançamento já havia sido revisto de ofício, embora o despacho decisório que o Colegiado utilizou como razão de decidir seja relativo a outro processo administrativo do Contribuinte. Sustenta, ainda, a Embargante que na decisão de primeira instância se entendeu que a matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF se encontrava preclusa, pois não houve impugnação quanto a esse ponto, porém a questão da definitividade da decisão da DRJ não foi objeto de análise do Colegiado. Entendo que os embargos devem ser acolhidos para sanar os vícios apontados, posto que no acórdão embargado foi adotado como razão de decidir um despacho decisório referente a outro processo do contribuinte (fls. 105 e 106), assim como o Colegiado não se pronunciou a respeito da preclusão da matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF. O contribuinte fiscalizado, em seu recurso voluntário, alega que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider CPF 003.342.78791, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27/04/1998 à Igreja Água Viva CNPJ 02.300.711/000107. Afirma que, no ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46, retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48. Relata que a locatária informou indevidamente como beneficiário dos rendimentos o CPF do inventariante, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.52749), e não o do Espóliolocador. Aduz que, em virtude de equívoco do contador, constam das suas declarações de ajuste dos exercícios 2000 a 2005, os rendimentos da referida locação, os quais, na realidade, são do espólio. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 185 7 Informa que em relação ao exercício 2001, foi acolhida a impugnação, tendo sido reconhecida a indevida inclusão dos rendimentos do espólio e do imposto de renda retido na fonte. Após o recurso voluntário, o contribuinte apresentou um documento, emitido pela fonte pagadora, no qual consta que ela informou erroneamente o CPF do locador, tendo afirmado que efetuara a correção das cinco últimas DIRFs, porém não corrigira as DIRFs dos anoscalendário 1998 e 1999, por não estarem mais disponíveis para retificação. Entendo que deve ser acatado o documento acostado pelo contribuinte, embora entregue após o recurso voluntário. É que o referido documento vem corroborar as suas alegações, feitas tempestivamente, e somente lhe foi disponibilizado pela fonte pagadora posteriormente ao prazo recursal. Nesse caso, deve prevalecer o princípio da verdade material, além dos princípios da eficiência e da economia processual, posto que evita uma diligência a ser efetuada para buscar essa informação. Tendo em vista os documentos acostados aos autos, mais especificamente o contrato de locação (fls. 122 a 129), a Declaração de Ajuste Anual DAA do espólio de Jorge Schnaider dos anoscalendário 1999 a 2001 (fls. 130 a 132), o despacho decisório referente ao anocalendário posterior ano de 2000 (fls. 141 a 143) e a informação da fonte pagadora (fl. 156), entendo que restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua DAA rendimentos de aluguéis, os quais, na realidade, são do espólio de Jorge Schnaider. Assim, deve ser cancelado o lançamento referente ao imposto sobre a renda da pessoa física do anocalendário 1999. Quanto à multa por atraso na entrega da declaração, entendo que deva ser reduzida para o seu valor mínimo, R$ 165,74, considerando que não há imposto de renda devido relativo a esse anocalendário. A PFN alega que a decisão de primeira instância foi no sentido de que se encontrava preclusa essa matéria, pois não houve impugnação específica relativa a essa questão. Entretanto, tratase de uma multa cujo lançamento teve como base de cálculo justamente o valor do imposto apurado no procedimento fiscal e lançado de ofício. Cancelar o lançamento de ofício relativo ao imposto de renda e manter a multa tendo como base de cálculo o valor cancelado é, no mínimo, contraditório. Se a base do lançamento da multa foi anulada, não há como subsistir o lançamento da própria multa fundamentada naquele valor exonerado. Na lição de Dinamarco: Não há no direito brasileiro, como no italiano (c.p.c., art. 336), uma norma que autorizasse estender a devolução recursal aos capítulos de mérito inatacados, quando eles forem necessariamente dependentes do que houver sido objeto do recurso (prejudicialidade: supra, n. 15). Mesmo sem norma expressa, todavia, essa devolução a maior deve ocorrer, porque seria incoerente reunir em um processo duas ou mais pretensões e dizer que isso é feito em nome da economia e da harmonia entre os julgados, para depois renunciar a essa harmonia e permitir que a causa prejudicada (dependente) ficasse afinal julgada de modo discrepante do julgamento da prejudicial (dominante). Assim como não é necessário pedir juros e Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 outros acréscimos na demanda inicial (os chamados pedidos implícitos CPC, art. 293), assim também se dispensam esses pedidos na apelação referente ao capítulo principal com a consequência de que eventual omissão do recorrente não impedirá a devolução no tocante ao capítulo referente a eles. Seria também inaceitável manter a procedência da demanda indenizatória proposta em cúmulo com a de reintegração de posse, nos casos em que, julgadas ambas procedentes em primeiro grau, o réu interpusesse apelação exclusivamente quanto ao capítulo alusivo à possessória, deixando inatacado o outro capítulo. Em casos assim, onde é muito intensa a relação de prejudicialidade entre os diversos capítulos, é imperioso estender ao capítulo portador do julgamento de uma pretensão prejudicada, quando irrecorrido, a devolução operada por força do recurso que impugna o capítulo que julgou a matéria prejudicial. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de sentença. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 111112). (Os grifos são do original). Diante do exposto, acolho os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014, para DAR provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13502.720251/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico com vistas a melhor identificação do produto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico com vistas a melhor identificação do produto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário de IPI, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011, por falta de lançamento de imposto na saída de produto tributado devido à utilização indevida do instituto da suspensão, devido a erro na classificação fiscal, e devido à falta de recolhimento ou recolhimento a menor nos prazos legais. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização apurou saldo devedor no Livro Registro de Apuração de IPI, contabilizados no Livro Diário, sendo que declarou em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 25 1/ 20 14 -1 7 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 3 2 DCTF, nos meses de janeiro a julho, valores da ordem de 10 a 15% dos escriturados, e zerando a declaração nos meses de agosto a dezembro. Verificouse, ainda, que os arquivos de notas fiscais entregues no ambiente SPEDEFD estavam zerados e que não haviam sido retificados até o término da ação fiscal. Para esta infração, a multa foi qualificada em 150%. A infração relativa à suspensão indevida referiuse à saída de bobinas, rolos e sacolas de plásticos, classificadas nos códigos 3923.21.10 e 3923.21.90, por infringência aos requisitos estabelecidos no artigo 29 da Lei nº 10.637/2002 e na IN RFB nº 948/2009. Por fim, a fiscalização reclassificou os produtos descritos como “composto colorido”, “composto master branco” e “composto master branco especial”, do código NCM 3206.11.30 para o código 3901.20.19. Em decorrência da infração apenada com multa qualificada, foram responsabilizados os sóciosadministradores José Sanchez Oller e Túlio Monte Azul Pereira de Mello, em conformidade com o artigo 135, inciso III do CTN. Os recorrentes impugnaram o lançamento, alegando: 1. O cancelamento do lançamento por cerceamento de defesa em relação ao enquadramento legal das multas aplicadas; 2. A falta de motivação da infração falta de declaração/recolhimento do saldo devedor de IPI, o erro de subsunção dos fatos ao enquadramento legal da penalidade, sendo devida a multa moratória e a de 75% ou 150%; 3. Que possuía as declarações dos adquirentes e que se estes não preenchiam os requisitos estabelecidos para a suspensão, a recorrente não pode ser penalizada; alegou, ainda, a inaplicabilidade da multa de ofício, por falta de clareza na tipificação e propugnou pelo cancelamento do lançamento do tributo, ou, alternativamente, da multa de ofício; 4. A fiscalização procedeu à reclassificação dos produtos sem possuir conhecimento técnico específico, ao passo que deveria se socorrer de laudo técnico; repete as mesmas alegações quanto à multa de ofício; 5. A falta de comprovação do evidente intuito doloso para a qualificação da multa em 150%, devendo a mesma ser reduzida a 75%, ou mesmo cancelada em vista do já exposto relativamente ao enquadramento legal; 6. A falta de prova quanto a atos praticados pelos sócios administradores com abuso de poder e infração à lei capazes de justificar a atribuição de responsabilidade; que a responsabilidade do artigo 135 do CTN é pessoal, exclusiva ao sócio, somente se aplicando quando à revelia da sociedade; que a infração à lei é de natureza societária; 7. A não incidência de juros sobre multas; Pediram ao final, o cancelamento do lançamento, ou, sucessivamente, o afastamento das multas de ofício, o afastamento da qualificação, a conversão do julgamento em diligência, para que sejam coletadas as cópias das declarações que comprovem a suspensão e para que seja produzida a prova pericial relativa à classificação fiscal. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 4 3 A DRJ proferiu o Acórdão nº 0954.416, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Comprovada a objetividade, a coerência e a clareza da peça de lançamento, complementada por Termo de Verificação Fiscal com os mesmos atributos, não há de se falar em direito de defesa cerceado. IPI. INSUFICIÊNCIA DE VALORES DECLARADOS NA DCTF. DIFERENÇA A SER LANÇADA DE OFÍCIO. Deixar de recolher aos cofres públicos valores devidos não declarados em DCTF enseja lançamento de ofício do montante inadimplido nos termos do artigo 5º, §1º, do DL 2124/84. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DEVIDO. Reza o §1º do art.30 do Decreto nº 70.235/72 que a classificação fiscal de produtos não constitui aspecto técnico passível de exigir laudo técnico especializado, restando legítima, por conseqüência, a livre convicção do autuante, fundada sempre na observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado. IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. CONDICIONANTES. As saídas com suspensão a que alude o art.29 da Lei nº 10.637/2002 só serão legítimas se atendidas as condicionantes estatuídas no art.21, §1º, da IN SRF 948/2009, dentre elas a obrigatoriedade de que as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos para gozo do benefício. IPI. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO NOS CASOS DE DECLARAÇÃO A MENOR EM DCTF. Na qualificação da multa, a intenção do legislador foi proteger o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador a que se vincula todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Ocultar o fato ou retardar o seu conhecimento significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado, não se enquadrando em tal perfil a declaração a menor em DCTF, que bem pode gerar agravamento, mas não qualificação. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. OCORRÊNCIA DE DOLO GENÉRICO. A conduta da contribuinte ao preencher a menor, reiteradamente, as DCTFs atreladas aos meses de janeiro a dezembro de 2011 configurouse como ação dolosa de desafio a comandos legais específicos que tratam dessa obrigação acessória, o que autoriza a Fl. 540DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 5 4 responsabilização daqueles que detinham a administração da empresa ao tempo do ocorrido, tudo nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. Irresignados, os recorrentes interpuseram recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. As infrações imputadas à recorrente foram três: a falta de declaração e recolhimento do saldo devedor de IPI escriturado no Livro Registro de Apuração de IPI, a utilização indevida do instituto da suspensão e erro na classificação fiscal na saída de determinados produtos. Concernente à autuação decorrente de erro na classificação fiscal, a fiscalização reclassificou os produtos “composto master branco”, “composto master branco especial” e "composto" do código NCM nº 3206.11.30 para o código 3901.20.19. A recorrente defendeu em impugnação que a fiscalização não adotou qualquer critério técnico, em especial laudo técnico, para demonstrar a efetiva composição dos produtos para efetuar a reclassificação fiscal, tendo apenas visitado o estabelecimento e utilizado informações obtidas em outro processo de fiscalização de períodos anteriores. Aduziu que por os produtos possuírem composição química particular, seriam necessários conhecimentos específicos para empreender a classificação fiscal de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, não havendo prova hábil de que o produto se enquadrasse na Nota 3 do Capítulo 39, nem na Nota de Subposição 1, a), 3º da NESH e que, portanto, seria necessário um laudo técnico para definir a composição química e, consequentemente, a classificação correta. Em recurso voluntário, a recorrente adiciona ainda a ocorrência de erro na reclassificação procedida pela fiscalização, alegando que aplicandose a Regra Geral nº 1 e a Regra Geral Complementar nº 1 seria incorreta a reclassificação fiscal no código 3901.20.19. Aduz que o intuito da autoridade fiscal era puramente de autuar, que não questionou como era de fato produzido o composto master branco, induzindo a recorrente a apresentar uma planilha de insumos aplicados para a fabricação de tal composto. Continua reprisando as alegações de que a fiscalização não adotou qualquer critério técnico, não foram realizados laudos técnicos, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 6 5 tendo os elementos de convicção lastreados em sites de internet e processo de fiscalização anterior e que a própria fiscalização possuía dúvida quanto à correta classificação fiscal, vez que na planilha de apuração considerou o código 3901.10.91 ao passo que no Termo de Verificação Fiscal considerou o código 3901.20.19. Verificase que as alegações da recorrente são no sentido de descaracterizar a classificação fiscal pela falta de laudo técnico que pudesse corroborar as conclusões fiscais. Em momento algum, a recorrente defende a classificação fiscal no código utilizado ou apresenta as especificações e composições técnicas de forma a corroborar sua classificação fiscal. Por outro lado, a fiscalização intimou a recorrente no Termo de Intimação Fiscal nº 001, efls. 116 e 117, a informar, para os produtos "composto master branco" e "composto colorido" a função de cada insumo na fabricação, especificar as características de cada insumo e dos produtos (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez de resina, resistência química/térmica etc). Em resposta, a recorrente apresentou a ficha técnica do produto, efl. 219, reproduzida no Termo de Verificação Fiscal, sem especificar a quantidade de cada insumo, nem as características físicoquímicas dos insumos e dos produtos. Informou, ainda, a descrição do processo produtivo do produto "composto" na efl.86. Constatase que a fiscalização, diante das informações insuficientes, utilizouse das respostas prestadas em procedimento fiscal anterior relativa ao produto “composto”, ocasião em que a recorrente apresentou as quantidades de insumos utilizados para a fabricação do produto, efls. 363 a 366. Referido procedimento resultou em lavratura de auto de infração formalizado no processo de nº 13502.720832/201106, cujo julgamento foi convertido em diligência em 15/10/2014, conforme excerto abaixo reproduzido: “Vencido em minha proposta de nulidade do lançamento por falta da comprovação do conteúdo intrínseco do produto descrito pela Recorrente como “composto máster”, acompanhei ao final a proposta de diligência para elaboração de lado técnico específico, haja vista que entendo que a fiscalização demonstrou à saciedade que o produto não pode ser classificado na posição NCM nº 3206.11.30 (lanço mão das razões de decidir do Acórdão recorrido, nesse ponto). Contudo não há prova capaz de subsidiar a classificação fiscal indicada pelo Fisco como a mais adequada, tão somente a descrição apresentada pela Recorrente do seu processo produtivo, indicando a quantidade de matériasprimas utilizadas na industrialização, conforme planilha abaixo, com as matériasprimas utilizadas e suas proporções para fabricação do “composto máster”: [tabela de percentuais de composição dos insumos no produto composto master] Com base nessas informações e na evidente conclusão de que o produto não é um “composto máster”, entendeu o Fisco que as características extrínsecas dos produto (em grânulos, conter material corante, utilizado para moldagem) atendem àquelas previstas na Nota 3 do Capítulo 39 da NESH. Diz a fiscalização que: “a conclusão a que se chega é que o produto descrito pela empresa... deve ser definido como um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde forma adicionados em pequena quantidade, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálculo. Conforme tabelas de propriedades extraída do endereço eletrônico da Brasken, fornecedora do contribuinte, os polietilenos utilizados em maior proporção pela empresa (HF0144, HF 0146 e HF 0150), tem densidade superior a 0,94. Assim, a classificação fiscal que deve ser utilizada é a NCM 3901.20.19, assim definida: ‘Polímeros de etileno, em formas primárias. Polietileno de densidade igual ou superior a 0,94. Com carga. Outros’”. Resume a DRJ aduz: “O autuante, com base nas informações prestadas pela contribuinte e considerando a descrição do processo produtivo, os insumos utilizados Fl. 542DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 7 6 na composição do produto e os conceitos estabelecidos na NESH, conclui que o produto em comento é um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde foram adicionadas, em pequenas quantidades, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálcio.” Considerando que não e possível afirmar categoricamente que a densidade do produto final seja a mesma dos insumos acima referidos, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que seja designado perito técnico especializados para que analise o produto descrito pela Recorrente como “composto máster” com as composição de matériasprimas referidas no quadro acima, e responda: descreva o produto final industrializado pela Recorrente; tratase de um Polímeros de etileno, em formas primárias? A densidade final do produto é igual ou superior a 0,94? A Recorrente deverá ser intimada para, querendo indicar assistente técnico par acompanhar a perícia.” Concluise que a recorrente deixou de prestar as informações sobre as características físicoquímicas dos insumos e dos produtos, em evidente descumprimento do dever legal de colaboração estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.784/1999 e artigo 23 do Decreto 7.574/2011, deixando de apresentar informações que, certamente, possui a respeito dos produtos que fabrica. Como afirmado no voto do processo 13502.720832/201106, a classificação fiscal feita pela recorrente no código 3206.11.30 não é cabível, por se referir a preparações à base de matérias corantes, destinados a colorir qualquer matéria ou utilizados como ingredientes na fabricação de preparações corantes, contendo 80% ou mais de dióxido de titânio, tendo a fiscalização comprovado a aquisição de apenas 3,33%, em peso, de dióxido de titânio em comparação com a quantidade de produto vendido. Por outro lado, como afirmado no voto da resolução proferida no processo anterior, a partir das informações prestadas, não se pode afirmar, peremptoriamente, a classificação fiscal feita pela fiscalização, especialmente em relação à densidade indicada nos textos das subposições da TIPI. Assim, diante do descumprimento do dever de colaboração por parte da recorrente e em homenagem ao princípio da busca da verdade material, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, de acordo com os termos abaixo. A autoridade preparadora cientificará servidor, que servirá como assistente pela Fazenda Nacional, e a recorrente, para apresentarem quesitos adicionais aos formulados nesta resolução, se desejarem, e indicar a nomeação de peritos assistentes, no prazo de 5 (cinco) dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificação, conforme artigo 24 e parágrafo único da Lei 9.784/1999. Os quesitos abaixo formulados, juntamente com os adicionais formulados pelas partes, deverão ser encaminhados a perito técnico credenciado ou ao Instituto Nacional de Tecnologia para realização da perícia em relação aos produtos “composto máster branco”, “composto máster branco especial” e “composto colorido”: 1. Descrever o produto fabricado, com suas características físicoquímicas e (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez etc), bem como sua utilização comercial; 2. Descrever a composição em peso dos insumos utilizados e suas características físicoquímicas; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 8 7 3. Informar se os produtos podem ser classificados como polímeros de polietileno, em formas primárias, ou seja, sob as seguintes formas: a) Líquida ou pastosa. Tratase, geralmente, quer de polímeros de base que devem ainda ser submetidos a um tratamento, térmico ou outro, para formar a matéria acabada, quer de dispersões (emulsões e suspensões) ou de soluções de matérias não tratadas ou parcialmente tratadas. Além das substâncias necessárias ao tratamento (tais como endurecedores (agentes de reticulação) ou outros correagentes e aceleradores), estes líquidos ou pastas podem conter outras matérias tais como plastificantes, estabilizantes, cargas e corantes que se destinam, principalmente, a conferir ao produto acabado propriedades físicas especiais ou outras características desejáveis. Estes líquidos ou pastas devem ser trabalhados por vazamento, perfilagem (extrusão), etc., e são igualmente utilizados como produtos de impregnação, como indutos, bases de vernizes ou de tintas, como colas, como espessantes, como agentes de floculação, etc; ou b) Grânulos, flocos, grumos ou pós. Sob estas formas, estes produtos podem ser utilizados para moldagem, para fabricação de vernizes, colas, etc., como espessantes, agentes de floculação, etc. Podem consistir quer em matérias desprovidas de plastificantes, mas que se tornarão plásticas durante a moldação e tratamento a quente, quer em matérias às quais já tenham sido adicionados plastificantes. Estes produtos podem, além disso, conter cargas (farinha de madeira, celulose, matérias têxteis, substâncias minerais, amidos, etc.), matérias corantes ou outras substâncias enumeradas no número 1) acima. Os pós podem ser utilizados, particularmente, no revestimento de objetos diversos sob a ação do calor com ou sem a aplicação de eletricidade estática; ou c) Blocos irregulares, pedaços ou massas não coerentes contendo ou não matérias de carga, matérias corantes ou outras substâncias listadas no número 1), acima. Os blocos de forma geométrica regular não se consideram como formas primárias e são abrangidos pelos termos “chapas, folhas, películas, tiras e lâminas 4. Especificar a densidade final do produto e se é superior ou igual a 0,94. Após concluídas as etapas acima, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13971.005060/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006).
APREENSÃO DE MERCADORIAS.
As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias.
INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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SIMPLES NACIONAL Recorrente AJ ESTRELA PRESENTES E PESCA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 50 60 /2 00 8- 49 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de manifestação inconformidade contra Ato Declaratório Executivo nº 008 de 08/02/2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que excluiu o contribuinte em epígrafe do Simples Nacional, com base no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inciso VII do art. 5º da Resolução CGSN nº 15/2007, com efeitos retroativos a 01/09/2008, às fls. 17. O motivo da exclusão foi a comercialização de mercadorias objeto de contrabando, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, às fls. 05/11, lavrado em 07/10/2008 e Termo de Lacração de Volumes, objeto do processo nº 13971.004216/200874, às fls. 65/102. Cientificado do Ato Declaratório de Exclusão, o contribuinte apresentou defesa em 10/03/2010, referente ao processo de exclusão do Simples Nacional, às fls. 31/102, alegando em síntese: a reclamante é pessoa jurídica de direito privado, com objeto social a exploração de ramo de loja de variedade de pequeno porte, comércio varejista de brinquedos, comércio varejistas de artigos de pesca, comércio varejista de bijuterias e comércio varejista de artigos de presentes. E seu comércio encontrase no chamado "camelôs" da Rua Nereu Ramos em Blumenau/SC. na data de 30 de setembro de 2008, deparouse com operação da Policia Federal em conjunto com a Receita Federal, advindos da Representação Criminal n 2008.72.05.0020085/ SC, que tinha como objetivo a investigação e formação de provas de supostos crimes de descaminho ou contrabando. Sublinhase que o Mandado de Busca e Apreensão tinha destinatários certos, e poderiam ser estendidos a outras pessoas jurídicas ou físicas, dependendo do caso, porém, ocorreu o fechamento de todas as bancas/Box, inclusive da reclamante. em 07/10/08 ocorreu a deslacração de mercadorias, através do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias (auto de infração 13971.004216/200874 em anexo), com a devolução de diversas mercadorias, por entender não Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 4 3 subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão, e retenção e guarda e o relatório anexo ao auto genérico e sem descrição de marca/modelo/número de série e origem das mercadorias. a reclamante aduz ainda que não apresentou impugnação ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, e diante deste transcurso de prazo, foi determinado o perdimento das mercadorias, conforme Termo anexo e com a posterior representação fiscal para exclusão de ofício da reclamante do Simples, por entender que as mercadorias em comercialização eram proveniente de objeto de contrabando ou descaminho, o que ensejaria a exclusão em concordância ao inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, e art. 5º, inciso VII, Resolução CGSN nº 15/07. no mérito, entende que existem vários motivos que macularam o Auto de Infração, bem como motivos jurídicos que geram a ilegalidade da exclusão da Reclamante do Simples Nacional, identificandose primeiramente o abuso de poder acometido pelos Fiscais juntamente com a Polícia Federal, visto que o mandado de busca e apreensão emitido pelo MM. Juiz da Vara de Execuções Fiscais e Criminal da Subseção Judiciária de Blumenau/SC, no processo de Representação Criminal nº 2008.72.05.0020085/ SC, tinha como objetivo a formação de provas contra a prática de crime de descaminho ou contrabando, especificadamente aos Boxes 01, 02, 04, 06, 10, 12 e 20, ou outros com a atividade ora em apuração, isso tudo em concordância com as provas já acostadas naqueles autos. o mandado de busca e apreensão não tinha o condão de “lacrar” o comércio dos outros boxes, mas assim fizeram e agiram com abuso de poder, o que maculou o ato. vale registrar que todo ato emanado de agente incompetente, ou realizado além dos limites de que dispõe a autoridade incumbida de sua prática, é inválido, por lhe faltar elemento básico de sua perfeição, qual seja, o poder jurídico para manifestar a vontade da Administração (Hely L. Meirelles, p. 141). rapidamente se demonstra o exercício arbitrário, desmensurado, abusivo e ilegal efetuado e não existiu o necessário Mandado de Procedimento Fiscal, na busca e apreensão ou em seu prazo máximo, o que selouse como ausência de início de procedimento fiscal/início de fiscalização, configurando a ilegalidade do ato. não se pode dizer que estavam albergados pelo Mandado de Busca e Apreensão, pois este foi emitido para que o Ministério Público Federal obtivesse prova, e a diligência da RFB, através de seus fiscais, fora determinado pelo MM. Juiz para o acompanhamento dos Policiais Federais. houve tempo entre a expedição do Mandado de Busca e Apreensão e o efetivo cumprimento, e se os Srs. Fiscais da RFB Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 5 4 tinham a intenção de fiscalizar, ou mesmo fazer colheita de provas, obrigatoriamente, para legalidade do ato, deveria expedir MPF, "D" ou "F", em concordância com sua vontade e intenção, ou ainda, poderia se utilizar do MPF" E", nos termos do artigo 5º da Portaria RFB nº 11.371/2007. o Auto de Infração emitido e que deu espeque ao processo de Exclusão do Simples é viciado na origem, e nulo por conseqüência dos atos ilegais praticados. E a nulidade deve ser alegada a primeira oportunidade da reclamante, e o prazo de defesa ditado era apenas quanto ao processo de apreensão, cujo prazo de defesa era de 20 dias, em concordância com o artigo 27, §1 do Decretolei 1.455/76. 29., prejudicando a defesa no prazo de 30 dias, estabelecida no Decreto n° 70.235/42. assim, diante da ausência do inicio de fiscalização, advindo pela ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca Apreensão, requer seja mantida a reclamante no Simples, já que os atos que motivaram a exclusão são totalmente maculados e ilegais. além disso, ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. O motivo da exclusão do Simples é a alegação que a reclamante comercializava mercadorias objetos de descaminho ou contrabando, porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inclusive não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração. assim sendo, não há o que se falar ou imputar que reclamante comercializava mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, sendo este um ponto salutar, pois nem a tipicidade foi declarada, havendo gigantesca diferença entre contrabando e descaminho. Simplesmente foi jogado ao ar que a reclamante comercializava mercadoria objeto de contrabando ou descaminho, porém, sua tipicidade não foi declarada, pois não foram averiguadas as mercadorias, como será visto. para correta e legal imputação do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, caso realmente existissem mercadorias objeto de contrabando e descaminho, deveria ter sido taxada cada uma das mercadorias apreendidas, e se essa era teoricamente objeto ou de contrabando ou de descaminho. a incerteza não pode gerar qualquer imputação de exclusão do Simples à Reclamante, pois não se sabe se essa foi excluída pois supostamente suas mercadorias seriam objeto de descaminho, seriam objeto de contrabando, ou ainda, objeto das duas tipicidades. destarte, diante não condenação da reclamante penalmente, com trânsito em julgado, bem como por não ser tipificado se as mercadorias apreendidas supostamente eram objeto de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 6 5 descaminho, eram objeto de contrabando, ou ainda, objeto das duas tipicidades, não há o que se falar em exclusão da reclamante do Simples através do artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006. o fato de não existirem ou não terem sido apresentadas notas fiscais, não tipifica que as mercadorias eram advindas de descaminho ou contrabando, o que deveria ser feito por meio de perícia, bem como, ao menos, da competente discriminação de cada mercadoria apreendida. a única hipótese de declaração de que a mercadoria é objeto de contrabando ou descaminho é o flagrante, seja no traslado da mercadoria, ou seja, na recepção destas, e tudo devidamente comprovado, sendo que o próprio auto não imputa a origem das mercadorias, ele não é conclusivo sobre isso, sendo genérico e sequer diz se é objeto de contrabando ou de descaminho, fazendo isso por não ter elementos suficientes de prova, pois o fato de não terem sido apresentadas notas fiscais não quer dizer que as mercadorias são estrangeiras, ou foram importadas irregularmente. não há como declarar que as mercadorias apreendidas eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando, pois o Auto de Infração que deu espeque à exclusão da reclamante do Simples, não declara a procedência das mercadorias, ele é abstrato sobre essa circunstância, que digase vital para a Exclusão do Simples. não há nos autos qualquer documento ou conclusão que traz que mercadoria "x" é objeto de descaminho por tal motivo, mercadoria "y" é objeto de contrabando. Simplesmente foram apreendidas mercadorias, não foram declaradas, discriminadas, tipificadas as mesmas, e fora declarado o perdimento por não apresentação de defesa. assim, não há como enquadrar a empresa Reclamante no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n 123/2006, pois não há provas ou parecer ou perícia ou ainda, discriminação das mercadorias com seu pais de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando. pugna ainda pelo princípio da irretroatividade jurídica, pois o ato declaratório ao retroagir os efeitos da exclusão a 01/09/2008, não observou o art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal/88, não podendo a lei retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica e por esses motivos é vedada a irretroatividade dos efeitos, in casu, efeitos da exclusão do Simples, caso persista o maculado e ilegal ato de exclusão, transcrevendose algumas decisões judiciais nesse sentido, nas quais se baseia para solicitar que os efeitos da exclusão se postergue até a data de cientificação da decisão final no processo de reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 008/2010. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 7 6 requerse, com base em todo o exposto, a reintegração da empresa Reclamante no SIMPLES, sendo de tudo e de todos os atos comunicada a reclamante. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0127.197, de 19 de setembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/09/2008 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO/DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando, entre outras hipóteses, constatarse a comercialização de mercadorias objeto de contrabando/descaminho. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A pessoa jurídica, cientificada da mencionada decisão em 13/12/2013 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 18/12/2013, o qual traz os mesmos argumentos acima relatados expendidos na Manifestação de Inconformidade, portanto desnecessário repetilos. Finalmente requer a reintegração da empresa Recorrente no SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Compulsandose os autos constatase que, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BLU N° 008, DE 08 DE FEVEREIRO DE 2010, fl.15, com efeitos retroativos à 1º de setembro de 2008 em virtude da verificação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, conforme disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e no inciso VII do art. 5° da Resolução CGSN no 15, de 23 de julho de 2007, ficando a interessada impedida de optar por esse regime especial pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Verificase às fls.04/10, cópia do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 13971.004.216/200874 ) em nome da Recorrente com a seguinte descrição dos fatos: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 8 7 No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, efetuamos a apreensão das mercadorias estrangeiras relacionadas na Relação de Mercadorias, anexa, de diversas origens estrangeiras, por se encontrarem sem documentação comprobatória de sua regular importação, ou comercialização. A retenção das referidas mercadorias ocorreu em 30 de setembro de 2008, em operação que envolveu a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Departamento de Policia Federal, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão epigrafado, expedido pela Vara de Execuções Fiscais e Juizado,... pecial Federal Criminal Adjunto de Blumenau. A proprietária da empresa, ora autuada, assumiu a propriedade das mercadorias em tela, acompanhou a deslacração dos volumes e a discriminação das mercadorias. Devolvemos, neste ato, as demais mercadorias, lacradas em 30/09/2008, por não subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão. ... Sobre o mencionado processo, consta do TERMO DE PERDIMENTO (fl.15) o seguinte: Não tendo o interessado apresentado impugnação à apreensão dos bens de que tratam os autos, foi tal circunstancia consignada mediante emissão do TERMO DE REVELIA. Assim, com base na competência que me foi atribuída pelo art.280, IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria M.F n° 125, de 4 de março de 2009, lavro, nesta data, o presente TERMO DE PERDIMENTO, mediante o qual APLICO A PENA DE PERDIMENTO das mercadorias de que tratam os autos. Blumenau, 30 de Dezembro de 2009. JOSÉ CARLOS DA VEIGA AFRFMatr. 859871 DELEGADO ADJUNTO DRF / BLUMENAU Toda a argumentação da Recorrente é no sentido de que o Auto de Infração emitido e que deu espeque ao processo de Exclusão do Simples é viciado na origem, e nulo por conseqüência dos atos ilegais praticados. A Recorrente argúi que: o fato de não existirem ou não terem sido apresentadas notas fiscais, não tipifica que as mercadorias eram advindas de descaminho ou contrabando, o que deveria ser feito por meio de perícia, bem como, ao menos, da competente discriminação de cada mercadoria apreendida. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 9 8 a única hipótese de declaração de que a mercadoria é objeto de contrabando ou descaminho é o flagrante, seja no traslado da mercadoria, ou seja, na recepção destas, e tudo devidamente comprovado, sendo que o próprio auto não imputa a origem das mercadorias, ele não é conclusivo sobre isso, sendo genérico e sequer diz se é objeto de contrabando ou de descaminho, fazendo isso por não ter elementos suficientes de prova, pois o fato de não terem sido apresentadas notas fiscais não quer dizer que as mercadorias são estrangeiras, ou foram importadas irregularmente. não há como declarar que as mercadorias apreendidas eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando, pois o Auto de Infração que deu espeque à exclusão da reclamante do Simples, não declara a procedência das mercadorias, ele é abstrato sobre essa circunstância, que digase vital para a Exclusão do Simples. Alega a Recorrente que, ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. E que o motivo da exclusão do Simples é a alegação que a reclamante comercializava mercadorias objetos de descaminho ou contrabando, porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inclusive não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração. Aduz que não há como enquadrar a empresa Reclamante no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n 123/2006, pois não há provas ou parecer ou perícia ou ainda, discriminação das mercadorias com seu pais de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando. Afirma que diante da ausência do inicio de fiscalização, advindo pela ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca Apreensão, requer seja mantida a reclamante no Simples, já que os atos que motivaram a exclusão são totalmente maculados e ilegais. Cabe observar que o trâmite do processo de apreensão das mercadorias é regulamentado pelo Decretolei nº 1.455/1976, cujo artigo 27 assim estabelece, in verbis: Art 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. § 1º Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia. § 2º Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 3º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado quando houver necessidade de diligências ou perícias, devendo a autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao Secretário da Receita Federal. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 10 9 § 4º Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em instância única. Com efeito, foi conferido ao contribuinte impugnar o Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias, por meio de rito próprio estabelecido pelo Decreto nº 1.455/76, no prazo de vinte dias. A nãoapresentação da defesa no prazo regulamentar implicou em revelia, tornando incontestável a infração constatada pela autoridade competente. Desse modo, não há falar em nulidade, visto que o procedimento (Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias) que antecede ao ato de exclusão da empresa do Simples Nacional observou a legislação em vigor relativa a ciência do interessado. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir qualquer vício por ventura ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 13971.004.216/200874 ). Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; ... § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos calendário seguintes. (...) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 11 10 GRIFEI Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) que deu ensejo à exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento. A Recorrente pugna ainda pelo princípio da irretroatividade jurídica, pois o ato declaratório ao retroagir os efeitos da exclusão a 01/09/2008, não observou o art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal/88, não podendo a lei retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica e por esses motivos é vedada a irretroatividade dos efeitos, in casu, efeitos da exclusão do Simples, caso persista o maculado e ilegal ato de exclusão, transcrevendose algumas decisões judiciais nesse sentido, nas quais se baseia para solicitar que os efeitos da exclusão se postergue até a data de cientificação da decisão final no processo de reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 008/2010. Sobre a exclusão do Simples Nacional e os seus efeitos, como transcrito acima, o § 1º da Lei Complementar nº 123/2006 determinou expressamente que no caso de exclusão de ofício pela comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, VII), a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a situação excludente, no caso setembro/2008. Portanto, não merece reparos à decisão recorrida que assim concluiu: ... As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de legitimidade até que sejam declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, na via direta, ou pelos demais órgãos do Poder Judiciário, inter partes, no controle difuso de constitucionalidade. De qualquer modo, somente o Poder Judiciário tem autorização constitucional para afastar a aplicação de lei regularmente editada. Concluise que as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da ilegalidade ou inconstitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, restando ao agente da Administração Pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n.º 2.346, de 1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que, efetivamente, não é o caso. Não cabe, pois, nesta esfera administrativa qualquer pronunciamento, acerca de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 123/2006, encontrando óbice, inclusive, na Súmula CARF Nº 2, verbis: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 12 11 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16327.720664/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que efetuou declaração de voto.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Declaração de voto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Ausente o Conselheiro Francisco José Barroso Rios que havia consignado o seu voto na sessão anterior.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 64 /2 01 3- 79 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 800 2 Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que efetuou declaração de voto. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Declaração de voto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Ausente o Conselheiro Francisco José Barroso Rios que havia consignado o seu voto na sessão anterior. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 801 3 Relatório De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 220/234, a recorrente foi autuada por ter alienado ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A sem ter apurado e recolhido o PIS e a Cofins incidentes sobre os valores auferidos nessa alienação. Também foi autuada para cobrança do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital incidente na troca de um título da Cetip por ações da Cetip S/A, por ocasião da desmutualização daquela entidade. Porém, por determinação da Resolução CARF nº 1301 000.091, fls. 674/679, de 03/10/2012, as exigências do PIS e da Cofins foram desmembradas do processo original nº 16327.720525/201183 para o presente processo. Ou seja, no presente processo só permanecem os autos de infração do PIS e da Cofins, que serão objetos do presente julgamento. Por essa razão neste relatório serão suprimidas, onde possível, as referências ao IRPJ e a CSLL. Por economia processual, transcrevo abaixo parte do relatório produzido pela decisão recorrida: 1. Introdução A contribuinte foi selecionada para ação fiscal (i) por ter alienado ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A sem o recolhimento o PIS e a Cofins incidentes sobre os valores auferidos nessa alienação; e (ii) por ter alienado um título da Cetip em troca de ações da Cetip S/A por ocasião da desmutualização daquela entidade em 2008, sem a correspondente tributação do valor recebido em ações, deduzido do custo de aquisição do título devolvido. A desmutualização foi o processo pelo qual Bovespa e BM&F (no segundo semestre de 2007), e a Cetip (no primeiro semestre de 2008), então associações sem fins lucrativos, se transformaram em sociedades empresariais constituídas como sociedades anônimas de capital aberto. Com a desmutualização, o vínculo jurídico que une a pessoa física ou jurídica a uma associação sem fins lucrativos, em que vigora o princípio da mutualidade, deixa de existir, e em seu lugar é construído novo vínculo, de caráter empresarial, por meio de uma sociedade empresarial, com todos os regramentos legais específicos aplicáveis às sociedades que visam o lucro. Como parte desse processo, o vínculo associativo é desfeito, devolvendose a parcela do patrimônio a que o associado tem direito, parcela essa utilizada para subscrever ações da nova sociedade empresarial que substituiu a antiga associação. Por meio do Termo de Início de Fiscalização de fls. 0304, foi solicitado à contribuinte (i) fornecer cópias do instrumento de formalização da venda de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A de propriedade da contribuinte, ocorrida em março e abril de 2008; (ii) informar o valor do custo de aquisição do título da antiga Cetip Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos, cindida em 01/07/2008 no processo de desmutualização daquela entidade, quando foi criada a atual Cetip S/A Balcão Organizado de Ativos e Derivativos (Cetip S/A). Fl. 802DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 802 4 2. Infração 1: falta de recolhimento do PIS e da Cofins na venda de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A. 2.1. Da incidência do PIS e da Cofins sobre o faturamento Anteriormente à desmutualização, as corretoras eram obrigadas a manter em seu patrimônio os títulos patrimoniais das Bolsas de Valores para poderem operar nessas entidades. Com a desmutualização houve a entrega das ações das Bolsas de Valores aos detentores dos títulos patrimoniais, como forma de devolução de capital, não mais subsistindo a exigência de manter os títulos patrimoniais para operar nas Bolsas. Assim, as ações das Bolsas de Valores, recebidas na desmutualização, podem ser negociadas livremente, pois não há necessidade de mantêlas no patrimônio das corretoras. A propriedade das ações alterou a essência dos direitos, obrigações e expectativas inerentes à titularidade do ativo. Se antes a contribuinte era associada das entidades sem fins lucrativos Bovespa e BM&F, após a desmutualização tornou se acionista de empresas com finalidade de lucro. A propriedade dos novos títulos deixou de ser essencial às atividades da empresa, prova é que, após a venda das ações da Bovespa e da BM&F, a contribuinte continuou suas atividades como corretora. 2.2. Da classificação contábil das ações vendidas Segundo os incisos I e III do art.179 da Lei n° 6.404/76, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser classificados no Ativo Circulante, enquanto que as participações permanentes em outras sociedades, não classificáveis no Ativo Circulante, devem ser classificadas em Investimentos, ou seja, no Ativo Permanente. Por sua vez, o Parecer Normativo CST n° 108/78, dita que: 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 803 5 Portanto, para classificar contabilmente as ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A vendidas, deve ser verificada a intenção da contribuinte nos momentos em que recebeu tais ações em decorrência dos processos de desmutualização e reorganização societária das antigas Bolsas. Se a intenção fosse manter as ações em caráter permanente, a classificação seria no Ativo Permanente, caso contrário, deveriam compor o Ativo Circulante. Por meio do Ofício Circular 225/2007DG, de 18/09/2007 (fls. 189191), a Bovespa, de acordo com a legislação em vigor, orientou suas exassociadas a registrarem no Ativo Circulante o valor das ações que destinassem à venda como "títulos disponíveis para negociação ou venda", e registrarem no Ativo Permanente as ações que considerassem como investimento (não disponíveis para venda) e que iriam compor o patrimônio das corretoras como sociedades empresariais. A teoria contábil também é pacífica quanto aos requisitos necessários à classificação dos Investimentos no Ativo Permanente, incluindo aí somente os investimentos de aplicação de capital que não sejam temporários nem especulativos, e nos quais exista efetiva intenção de usufruir dos rendimentos do investimento. Para que não houvesse uma oferta excessiva de ações das novas sociedades anônimas, o que poderia causar uma queda acentuada nas cotações dessas ações, as Bolsas instituíram para os novos acionistas (as corretoras) a cláusula de "lock up" (trava), impedindoos de oferecer a totalidade das ações nas respectivas Ofertas Públicas Iniciais (IPO). Assim, as corretoras que pretendessem vender as ações não alienadas no IPO deveriam aguardar no mínimo 180 dias para então ofertálas. A venda imediata das ações pela contribuinte logo após o prazo contratual caracteriza a intenção de venda das ações como bens do ativo circulante, sujeitando a contribuinte ao recolhimento do PIS e da Cofins. O PIS e a Cofins incidem no momento em que a empresa aliena as ações havidas na desmutualização por valor superior àquele pelo qual as recebera. Essa diferença configura ganho de natureza operacional, em função da atividade social desempenhada, da natureza do ativo negociado e do papel desse ativo no contexto dos investimentos da empresa. Conforme o art.11 do DecretoLei nº 1.598/77, classificase como lucro operacional “o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica”. A venda das ações é coerente com o objeto social da empresa descrito em seu estatuto social (fls.19), cujo artigo 3º declara: A Sociedade tem por objeto: (...) b) comprar e vender títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Banco Central do Brasil; Portanto, a operação de compra e venda de ações próprias está prevista no estatuto da contribuinte, dentre as outras operações permitidas à sociedade. Além disso, a obtenção de ganhos por mera especulação tem natureza eminentemente Fl. 804DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 804 6 operacional, pois o objeto de toda e qualquer sociedade empresarial é a obtenção de lucro. Resta evidente que a compra e venda de ações de carteira própria está inserida no objeto social da contribuinte, compondo seu resultado operacional. Ademais, as corretoras, sendo instituições financeiras, sujeitamse a determinações de órgãos reguladores que as distinguem de outras sociedades empresariais. O Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que regula a atividade do setor, não permite a aquisição de bens que não sejam destinados ao uso próprio (art.12, inciso III, da Resolução Bacen nº 1.655/89). Assim, os títulos patrimoniais das Bolsas, enquanto necessários ao exercício das operações das corretoras, poderiam ser registrados no ativo permanente. Porém, a partir da desmutualização, não era mais exigível que as corretoras tivessem ações das Bolsas para que pudessem operar em tais entidades, razão pela qual as ações recebidas constituem bens que não se destinam à manutenção da atividade da empresa, na forma preconizada pelo art. 179, inciso III, da Lei nº 6.404/76, transcrito anteriormente. 2.3. Conclusão As novas Bolsas, constituídas com fins lucrativos e na forma de sociedades anônimas, distribuíram às antigas associadas ações proporcionalmente ao valor de cada título, ressarcindo as associadas pelo valor dos títulos devolvidos. Tais ações constituem valores mobiliários negociáveis, disponíveis para venda, não sendo requisito para operação em Bolsas de Valores. É irrelevante em qual conta se deu o registro das ações vendidas. O que importa é a natureza do ativo e sua função no contexto das atividades da empresa. As ações são ativos negociáveis e compõem o ativo circulante da empresa, destinado à realização de curto ou médio prazo, que foi o que aconteceu. Assim, as ações devem ser contabilizadas como investimentos temporários, podendo fazer parte do Disponível quando forem aplicações de liquidez imediata, ou do Ativo Circulante quando se tratar de aplicações com prazo de resgate de até 360 dias da data do balanço (no exercício social seguinte), ou de Investimentos Temporários a Longo Prazo (Realizável a Longo Prazo). A Lei n° 9.718/98 define o regime jurídicotributário aplicável às contribuições de PIS e Cofins para as instituições financeiras, não excluindo da base de cálculo dessas contribuições a venda das ações em questão. (...) Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou as impugnações de fls. 236263 (PIS e Cofins) e 283331 (IRPJ e CSLL), acompanhadas, respectivamente, dos documentos de fls. 263282 e 332344, alegando, em síntese: I. Impugnação dos autos de infração de PIS e Cofins I.1. Da natureza jurídica do negócio efetivamente ocorrido Fl. 805DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 805 7 A desmutualização das Bolsas ocorreu por meio de cisão seguida de incorporação, conforme os artigos 1116 e 2033 do Código Civil, art.16 da Lei nº 9.532/97 e artigo 227 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A). A associação Bovespa, por meio de cisão parcial, verteu parte de seu patrimônio para duas sociedades já existentes, a Bovespa Serviços e Participações S/A (Bovespa Serviços) e a Bovespa Holding S/A. Em decorrência da cisão, os associados da Bovespa permaneceram como associados no patrimônio residual. A parte cindida dos títulos patrimoniais foi substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding S/A. Em seguida, a Bovespa Holding S/A incorporou a totalidade das ações da Bovespa Serviços, tendo os titulares de ações da Bovespa Serviços suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding S/A. O mesmo ocorreu com a BM&F: seu patrimônio cindido foi absorvido pela BM&F S/A. As associações Bovespa e BM&F continuaram existindo com o patrimônio remanescente e tiveram suas designações sociais alteradas. Ou seja, os associados tiveram seus títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F substituídos por ações, respectivamente, da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, em uma troca de ativos sem troco em dinheiro. Assim, a impugnante transformou o valor contábil do antigo ativo permanente os títulos patrimoniais em valor contábil do novo ativo permanente ações das companhias abertas originárias da cisão. Ocorreu uma substituição de ativos, com a cisão parcial das associações sem fins lucrativos, seguida pela incorporação das parcelas vertidas ao patrimônio de sociedades de fins lucrativos. Houve mera troca de títulos registrados no ativo permanente por ações, que devem ostentar idêntica qualificação contábil, não havendo que se falar em qualquer devolução de patrimônio e extinção/dissolução de entidade. Os títulos patrimoniais foram substituídos por ações das novas empresas, verificandose a continuidade do mesmo ativo, sob outra roupagem jurídica, em razão dos efeitos da sucessão inerentes à incorporação. Conforme o art.229, §3º, da Lei nº 6.404/76, a operação de cisão seguida de incorporação regese pelas regras relativas à incorporação de sociedade. A parte incorporada é sucedida pela incorporadora em todos os direitos e obrigações com terceiros. A cisão seguida de incorporação leva à sucessão universal, transferindose todos os direitos, obrigações e responsabilidades dos negócios da empresa cindida para a incorporadora. Os títulos patrimoniais subsistem, em face da operação de cisão, não se tratando de ações novas acrescidas ao patrimônio líquido da impugnante, como ocorreria caso se tratasse de dissolução seguida de aquisição de ações. I.2. Da correta classificação contábil dos títulos patrimoniais: ativo permanente A fiscalização considerou que as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais deveriam estar registradas no ativo circulante, sem atentar para o regramento contábilfiscal e o Parecer Normativo CST n° 03/80, cujos itens 6 e 8 determinam: Fl. 806DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 806 8 6. (...) somente podem ser incluídos no ativo circulante os direitos de crédito e os que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio ou da indústria da companhia, além das disponibilidades e das aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (...) 8. (...) a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. Portanto, diante da substituição de títulos patrimoniais registrados no ativo permanente por ações que devem ostentar igual qualificação contábil, estas deviam continuar registradas no Ativo Permanente da empresa, até o momento da cessão ao adquirente. A conta prevista no Cosif para registro dos títulos patrimoniais de bolsas de valores está classificada no Ativo Permanente – Investimentos. O Comunicado Externo nº 225/2007DG emitido pela Bovespa referese apenas à possibilidade de negociação de ações, importando a intenção do agente na venda dos ativos com sentido mercantil. Diante do regramento contábil e do Parecer Normativo CST nº 03/80, só podem ser registrados no Ativo Circulante os ativos que, no momento de sua aquisição, estejam destinados à venda com sentido mercantil. No caso presente, não existe intenção de negociação em caráter mercantil, pois houve apenas a substituição de títulos patrimoniais, sendo equivocado o registro de tais bens em conta de ativo circulante, pois a norma em questão diz respeito a regras que devem ser observadas quando da aquisição de ativos, não em situações de substituição de bens do ativo permanente, nem de títulos que posteriormente seriam cedidos a terceiros. Ao aderir a um contrato em que havia a previsão de proibição da venda de ações pelo período de 180 dias (lock up), presumese que não havia intenção em vender as ações, devendo, por isso, serem mantidas no ativo permanente. A restrição de venda pelo período mínimo de 6 meses atesta a natureza de investimento das ações, tanto mais que a cessão de ações foi efetuada para empresa acionista da impugnante, ocorrendo fora de Bolsa, em reestruturação interna da empresa. Além disso, essa venda ocorreu durante o período de lockup: o início da distribuição no IPO ocorreu em 26/10/2007 (Bovespa Holding S/A) e 30/11/2007 (BM&F S/A), tendo as operações autuadas ocorrido, respectivamente, em 03/2008 e 04/2008. A transferência de ações para outra empresa (acionista da impugnante) foi uma operação de reestruturação interna, não havendo intenção de alienação das ações no mercado. E, ainda que houvesse intenção de alienação, o citado Parecer Normativo CST nº 03/80 não autoriza a exclusão de tais elementos do Ativo Permanente da empresa. No mesmo sentido decidiu a Solução de Consulta nº 36/2006 da 7ªRF. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 807 9 A intenção de alienação não muda a natureza de um bem de ativo permanente para circulante. Assim é que o Pronunciamento Técnico Contábil (CPC) 31 prevê, na destinação de bens à venda, a hipótese de registro no ativo não circulante mantido para venda. Portanto, está correta a classificação das ações recebidas em conta do ativo permanente. I.3. Da isenção de PIS e Cofins para as receitas de alienação de ativo permanente Com apoio no art.195 da CF, a União instituiu o PIS e a Cofins (Leis nº 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003), cujo fato gerador é o faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica). As receitas de venda de bens do ativo permanente, no entanto, estão fora da incidência dessas contribuições, a teor do art.3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. Como os títulos da Bovespa e BM&F tinham característica de bens do ativo permanente, a receita advinda da venda das ações não pode ser tributada. Se fosse verdadeiro o raciocínio da fiscalização, jamais haveria isenção do PIS e da Cofins na alienação de bens do ativo permanente, pois, antes da alienação, haveria a intenção de venda, e, consequentemente, o dever de reclassificação para o ativo circulante, cujas receitas, de acordo com a autoridade fiscal, estariam sujeitas às referidas contribuições. I.4. Da impossibilidade de tributação de receitas não operacionais As supostas receitas de alienação de ações não são operacionais, pois não são receitas da atividade usual da pessoa jurídica, nem constituem seu objeto social (intermediar a compra e venda de ações para outrem), pois não houve alienação e nem operações típicas de tesouraria na hipótese autuada. As receitas derivadas da cessão das ações tiveram caráter extraordinário. Assim, mesmo se contabilizadas no ativo circulante, essas receitas não se enquadrariam no conceito de faturamento objeto da materialidade do PIS e da Cofins, pois nem a operação ocorrida, nem aquela imputada à impugnante, guardam relação com sua atividade. A revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 confirma tal raciocínio, restringindo o conceito de faturamento às receitas operacionais, positivando o entendimento do STF de que não poderia haver a tributação. (...) Ao julgar referida impugnação a 10ª Turma da DRJ/São Paulo 1, proferiu o Acórdão nº 1634.770, de 17/11/2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 COFINS. FATO GERADOR. FATURAMENTO. O fato gerador da Cofins é o faturamento, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais Fl. 808DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 808 10 típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra a receita operacional dessa contribuinte. As exclusões permitidas são aquelas expressamente previstas na legislação. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados, no Ativo Circulante, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 PIS. FATO GERADOR. FATURAMENTO. O fato gerador da contribuição ao PIS é o faturamento, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra a receita operacional dessa contribuinte. As exclusões permitidas são aquelas expressamente previstas na legislação. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados, no Ativo Circulante, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 809 11 O conceito de receita bruta sujeita ao PIS compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repetiu basicamente os mesmos argumentos apresentados em sua impugnação e acrescentou matéria não impugnada relativa ao não cabimento dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em contrapartida a Fazenda Nacional opôs Contra Razões ao Recurso Voluntário, apresentando em síntese as seguintes ponderações: as operações societárias resultaram, em verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F. Em casos como estes, a regra aplicável não é outra senão o artigo 61 do Código Civil; as ações recebidas em devolução por conta da extinção das sociedades civis sem fins lucrativos Bovespa e BM&F deveriam ser registradas no ativo circulante da empresa; a alienação para terceiros das ações recebidas importa em faturamento das empresas cujo objeto alcança a compra e venda de ações, sendo, portanto, claramente receitas operacionais; e, é legal a incidência de juros sobre a multa de oficio lançada. Por fim, por meio do despacho de fls 715/716, a Primeira Seção de Julgamento do CARF declinou da competência do julgamento em favor da Terceira Seção, em face da matéria. É o relatório. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 810 12 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. A tributação pelo PIS e pela Cofins em decorrência das vendas das ações da Bovespa S/A e da BM&F S/A relativas ao processo denominado de desmutualização das bolsas de valores é uma matéria recorrente no âmbito do contencioso administrativo. Existem decisões antagônicas. As decisões que entendem pela impossibilidade da tributação, em apertada síntese, concluíram que o entendimento da fiscalização estava equivocado, na medida em que não houve uma devolução do patrimônio aos associados das antigas associações, mas uma cisão seguida de incorporação. Nessa circunstância, os antigos títulos patrimoniais teriam sido substituído por ações das novas companhias e permanecem no ativo permanente, não podendo, suas vendas, serem tributadas pelo PIS e pela Cofins, por disposição expressa constante do inc. IV do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Exemplo são os Acórdãos nº 3403003.447, de 10/12/2014, e 3403001.757, de 25/09/2012, o qual refere se ao mesmo sujeito passivo do presente processo (tributação pela venda da primeira parte das ações decorrentes do processo de desmututalização ocorridas durante a IPO da Bovespa S/A e da BM&F S/A). A outra linha decisória, a qual me filio, são representadas, a título de exemplo pelos Acórdãos nº 3302002.713, de 16/09/2014, e 3202001.178, de 24/04/2014. Por economia processual e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto o voto condutor do voto vencedor do Acórdão nº 3202001178, elaborado pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrosino Barbieri, utilizandoo como razão de decidir. Transcrevo abaixo trechos relevantes: (...) Do objeto da controvérsia Com todo respeito ao ilustre Conselheiro Relator Gilberto de Castro Moreira Junior, divirjo de seu entendimento quanto aos efeitos jurídicotributários do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A), conforme já ficou assentado em outros julgados desta Turma (Acórdãos nº 320200.707, 3202000.713, 3202000.706 e 3202000.711, todos julgados na sessão de 23/04/2013). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante” e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 811 13 Três questões precisam ser analisadas para definirmos quais os efeitos jurídicotributários decorrem da desmutualização das bolsas: 1ª Se a formatação adotada nessas operações societárias encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; 2º Se os títulos patrimoniais tem a mesma natureza jurídica das ações recebidas pelas corretoras no processo de desmutualização e, por conseguinte em qual grupo contábil as ações deveriam ser classificadas: Ativo Circulante ou Ativo Permanente? 3ª. E por fim, se a receita de vendas das ações recebidas pelas corretoras está sujeita a incidência do PIS e da Cofins ? Antes de posicionarmonos quanto aos efeitos jurídicos da “desmutualização” da Bovespa e da BM&F mostrase necessário compreender no que exatamente consistiu esse conjunto de operações societárias que culminou com a unificação da Bovespa com a BM&F para, ao final, restarem fundidas na BM&F Bovespa S/A. Da operação denominada “desmutualização” das bolsas Para uma melhor elucidação dos fatos ocorridos transcrevemos trechos do detalhado relato histórico constante do artigo “A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para PIS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013), muito embora já adiantamos não concordar com as conclusões nele trazidas quanto ao efeito jurídicotributário da operação: A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei n. 9.532/97. Assim, entendidos os requisitos dessa Lei, as associações eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução n. 1.655/1989). No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os Fl. 812DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 812 14 títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Em relação à BM&F, tal associação sofreu cisão parcial pela qual foi criada a sociedade anônima BM&F, em operação formalizada por meio do “Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadoria & Futuros BM&F, datado de 17 de setembro de 2007, e da “Ata de Assembleia Geral Extraordinária da BM&F S.A.”, de 20 de setembro de 2007, que aprovou a incorporação da parcela cindida do patrimônio da BM&F. Nos termos do Protocolo, a BM&F S.A. sucedeu a BM&F em todos os direitos e obrigações, bem como recebeu parcela de seu patrimônio. Por sua vez, a BM&F passou a exercer atividades de natureza assistencial, educacional e desportiva e ficou com um patrimônio residual. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A., atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, com base no balanço patrimonial da BM&F apurado no balancete de 31 de agosto de 2007. É importante salientar que, nos termos do item 7.1 do aludido Protocolo, a operação em discussão não deu direito de retirada aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F. A BOVESPA, por sua vez, teve sua cisão aprovada por Assembleias Gerais Extraordinárias (“AGE”) realizadas em 28 de agosto de 2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à BOVESPA HOLDING S.A. Por essa operação os direitos e obrigações da BOVESPA foram transmitidos para a Bovespa Serviços e para a BOVESPA HOLDING S.A., restando a BOVESPA (associação) com capital social residual. Na ata de AGE da BOVESPA HOLDING S.A., datada de 28 de agosto de 2007, foi aprovada a incorporação da parcela cindida da BOVESPA, nos termos do “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial da Bolsa de Valores de São Paulo com Incorporação das Parcelas Cindidas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”), Bovespa Serviços e Participações S.A e Bovespa Holding S.A.”, celebrado em 17 de agosto de 2007. Em outra ata de AGE, da mesma empresa e com mesma data, foi aprovada a incorporação da totalidade de ações da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (atual denominação da Bovespa Serviços e Participações S.A.) e da CLBC. Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, a alienação de um percentual de cerca Fl. 813DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 813 15 de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”). Em 14 de dezembro de 2007, foi constituída uma sociedade sob a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., com o objetivo social de participar em outras sociedades, como sócia ou acionista, no país ou no exterior (holding). Em 08 de abril de 2008, os acionistas dessa companhia aprovaram a alteração da sua denominação social, que passou a ser “Nova Bolsa S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008 entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A. resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: i) incorporação da BM&F S.A pela Nova Bolsa S.A., mediante versão à companhia do patrimônio líquido da BM&F; e ii) emissão de novas ações ordinárias, observando a proporção de 1 (uma) ação ordinária da Nova Bolsa S.A., para cada ação ordinária da BM&F S.A. O restante foi alocado como reserva de capital, de reavaliação, de lucros e estatutárias; Os acionistas da BM&F S.A, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa S.A., deliberam sobre a incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. da seguinte forma: iii) incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. pela Nova Bolsa S.A., a valor de mercado, sendo parte destinada ao capital social e o restante à formação de reserva de capital; e iv) emissão de novas ações ordinárias, na proporção de 1,42485643 ação ordinária da Nova Bolsa S.A para cada ação ordinária da BOVESPA HOLDING S.A., correspondendo a 50% das ações ordinárias da Nova Bolsa S.A. (permanecendo os outros 50% sob titularidade da BM&F S.A.) e novas ações preferenciais que foram entregues aos acionistas da BOVESPA HOLDING S.A.. As ações preferenciais foram resgatadas contra reserva de capital sem redução social da Companhia. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. (negritamos) Muito bem. Elucidadas as operações societárias ocorridas, passemos a análise e compreensão de seus efeitos à luz do nosso ordenamento jurídico. De antemão ressaltamos o nosso entendimento de que com a operação de desmutualização não houve uma “mera sucessão” da associação sem fins lucrativos pelas sociedades anônimas de capital aberto, por expressa vedação legal. Não há como aceitar a tese de que houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se trata de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a Recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas Fl. 814DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 814 16 jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.). Vejamos o dispositivo legal prescrito pelo artigo 61 do Código Civil que trata da dissolução das Associações para fins não econômicos: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. O artigo supramencionado prescreve que em caso de dissolução da associação o seu patrimônio remanescente será destinado à outra “entidade de fins não econômicos designada no estatuto”, ou, em caso de omissão estatutária, por deliberação dos associados o patrimônio deverá ser destinado à instituição municipal, estadual ou federal. O §1º possibilita, ainda, que por cláusula estatutária, ou no seu silêncio, por deliberação dos associados, antes da destinação do patrimônio como previsto no caput, seja restituída a parcela das contribuições que os associados tiverem prestado ao patrimônio da associação. Assim sendo, dissolvida a associação o destino do seu patrimônio deve ser aquele previsto no Código Civil, conforme dispositivo supratranscrito, não se podendo admitir destinação diversa. Não há, portanto, como reverter o patrimônio de uma Associação sem fins lucrativos a uma sociedade por ações. A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil. De outro lado, o artigo 1.113 não socorre a Recorrente, uma vez que se refere especificamente ao ato de transformação das sociedades (dentro do Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade: artigos 981/1.141), não se aplicando às Associações sem fins lucrativos (tratadas nos artigos 53 a 61), verbis: Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. (grifamos) Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 815 17 Reforça este entendimento a distinção feita no artigo 44 do mesmo Código, ao relacionar (e, portanto, distinguir) as pessoas jurídicas de direito privado, verbis: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada Quanto ao artigo 2.033 do Código Civil prestase apenas a reforçar o comando de que as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas de direito privado (inclusive as associações e sociedades), bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, serão regidas pelo Código, cada uma delas por normas específicas. Como já asseverado, a dissolução de Associação sem fins lucrativos é regida pelos dispositivos legais contidos no artigo 61. Portanto, as operações societárias conduzidas com base em convenções particulares não encontram respaldo, a meu ver, nem mesmo em normas do direito civil. E mais. Não há como acatar o argumento de que se a CVM – Comissão de Valores Mobiliários aceitou tais operações societárias, também devemos convalidá las na esfera tributária. Os efeitos jurídicotributários dessas operações não se inserem na esfera de competência da CVM. Não há como negar que a alegada “transformação” pretendida – de Associação sem fins lucrativos para sociedade anônima – implica em modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos: não são equivalentes os títulos patrimoniais das associações e as ações da pessoa jurídica resultantes. Houve substancial alteração no direito em questão, uma vez que a Recorrente não era, anteriormente, detentora de ações das novas sociedades (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A). Com isso, resta evidenciado que houve, sob a ótica de nosso ordenamento jurídico, devolução à Recorrente dos valores que correspondiam aos títulos patrimoniais que detinha, embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A). Este fato é evidente, muito embora todas as operações societárias tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Deste modo, não procede a argumentação de que a escrituração das ações recebidas deveria, necessariamente, continuar sendo feita no Ativo Permanente, assim como eram escriturados os títulos patrimoniais (as associações sem fins lucrativos). Esse entendimento restou assentado em diversos julgados proferidos pelo TRF da 3ª Região, embora todos tratando da incidência do IRPJ e da CSLL. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 816 18 Transcrevese a emenda constante da Apelação Cívil nº 0008706 05.2008.4.03.6100/SP: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 817 19 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembleia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. No mesmo sentido, os seguintes julgados do TRF3ª Região: Apelação Cívil Nº 000812150.2008.4.03.6100/SP; Apelação Cívil Nº 000238466.2008.4.03.6100/SP e Apelação Cívil Nº 000852215.2009.4.03.6100/SP. Da natureza da escrituração das ações recebidas em decorrência da desmutualização Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Se os títulos patrimoniais eram necessários para que as corretoras pudessem exercer sua atividade de operar nas bolsas, correta está sua caracterização como Ativo Permanente em função do princípio da continuidade. Entretanto, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários, possuindo características distintas dos títulos patrimoniais, não sendo necessário deter a posse dessas ações para que a empresa opere em bolsa. Essas Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 818 20 ações representam papéis negociáveis, e justamente por isso puderam ser vendidas pela Recorrente. Neste sentido, vejamos o que dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que trata da matéria: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Assim, tais ações recebidas deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, uma vez que se referiam a direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente... (...) A meu sentir, não há dúvidas que havia a intenção de negociar parte das ações recebidas no curso do ano subsequente, na verdade no curso do próprio ano de 2007, desde a data da criação da BM&F S.A, em setembro de 2007. Aliás, esse foi o intuito dessa genial operação, sob o aspecto financeiro, ao “substituir” títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos em ações negociáveis por valores substancialmente superiores. Toda a moldagem das operações societárias que culminaram com a chamada desmutualização visava à obtenção de lucro com a receita da venda de parcela das ações recebidas. E não há nada de errado nisso, ao contrário é salutar, desde que se recolham os tributos devidos decorrentes da obtenção das receitas auferidas. Ademais, são fatos notórios (artigo 334, inciso I, CPC), amplamente divulgados ao público em geral, a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007 e a Oferta Pública Inicial das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa”(site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml, consulta efetuada em 20/04/2013), em trechos abaixo transcritos: Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 819 21 Com o IPO, a Bolsa é a notícia. Seguindo à risca um cronograma rígido, a Bolsa de Valores de São Paulo transformouse em sociedade anônima em 28 de agosto de 2007, com o nome de Bovespa Holding S.A., tornouse uma empresa de capital aberto em 23 de outubro, incluída no Novo Mercado da própria Bolsa e três dias depois seus papéis – todos eles ordinários e nominativos – começaram a ser negociados. Foi uma estreia e tanto: mais de 50% de valorização no primeiro pregão, reflexo do interesse de investidores locais e internacionais. Mais do que a maior emissão do ano e recorde histórico no País, no montante de R$ 6,625 bilhões, a oferta pública inicial – também chamada de IPO (Initial Public Offering) – pode desde já ser batizada de a mais importante mudança nos 117 anos de história da instituição. (...) Assim, um ano e meio depois de começar efetivamente a desenvolver o projeto, dois meses após o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e encerrado um frenético roadshow de 16 dias pelo mundo, a Bovespa concluiu o processo de abertura de seu capital. A Bovespa Holding estreou no pregão exibindo conquistas que fazem justiça a todos os obstáculos dessa caminhada, permeada de minuciosos estudos, intensas negociações e acurada vigilância dos cenários macro, locais e globais. O IPO da Bolsa – como foi apelidado pela imprensa – não poderia ter sido mais bemsucedido. Foram colocadas no mercado 288 milhões de ações a um preço de emissão de R$ 23,00, o que propiciou uma captação de R$ 6,625 bilhões (cerca de US$ 3,7 bilhões), a maior da história no Brasil e a quinta do mundo, em 2007 (no topo do ranking global do ano, está a Petrochina, que levantou US$ 8,5 bilhões e estreou no começo de novembro em Xangai). A operação da Bovespa Holding representou mais que o dobro da captação da Ali Baba, empresa de internet chinesa, que ocorreu no mesmo período – equipes de ambas, por sinal, cruzaramse em Nova York, por conta dos roadshows simultâneos. Mas teve para a Bovespa ingredientes ainda mais saborosos: colocou 40,8% do capital no mercado, despertou o interesse de quase 70.000 investidores pessoas físicas (objeto de atenção especial), que ficaram com 10% do total ofertado, ao lado dos investidores institucionais brasileiros (20%) e estrangeiros (70%, porcentual em linha com os IPOs precedentes); a Bolsa de Nova York, por exemplo, levou 1%. Mais ainda, desconcentrou o capital: o maior acionista ficou com apenas 4,3% do capital da Bovespa. No dia da estreia em pregão, a ação da Bovespa Holding fechou cotada a R$ 34,99, uma alta de 52,13%. Foi “um Fl. 820DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 820 22 dia de glória, sucesso e realização”, resumiu Magliano Filho, presidente da Bovespa conduzido à presidência do Conselho de Administração da nova empresa. O IPO representou um momento culminante da estratégia de ampliação da base acionária – combinada com a popularização do mercado que democratiza o capital – iniciada no começo da década, quando Magliano assumiu o comando da entidade. (...) Já em meados deste ano, depois de dezenas de estudos, projeções, reuniões e conversações, ficou pronta a proposta. No dia 28 de agosto passado, realizouse a assembleia que aprovou por unanimidade a desmutualização e a consequente abertura de capital, incluídas todas as condições para a oferta pública e seu respectivo prospecto. Foram 3 horas e meia de uma reunião fatiada, na verdade, em sete assembleias, dada a agenda específica a ser cumprida. No dia seguinte, 29, a Bolsa apresentava à CVM o pedido de registro de companhia aberta para a Bovespa Holding acompanhado da solicitação da oferta pública (IPO). (...) Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que a Recorrente obteve, com a desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Reforça, ainda, este entendimento o Parecer Normativo CST nº 108/78, editado para dirimir dúvidas quanto à classificação de determinadas contas (embora tratando especificamente sobre os efeitos da correção monetária do balanço, à época exigida), verbis: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em Fl. 821DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 821 23 que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior." (grifamos) No mesmo sentido a doutrina abaixo transcrita que aborda os requisitos necessários à classificação das participações permanentes em outras sociedades no Ativo: Essas participações são os tradicionais investimentos em outras empresas, na forma de ações ou de quotas. Devem ter a característica de permanente, ou seja, incluemse aqui somente investimentos em outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos." (IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 6ª ed., São Paulo: Editora Atlas, 2006, pag. 147/148.) Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 a Recorrente deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Dos efeitos jurídicotributários da operação de “desmutualização” das bolsas Como relatado, as operações societárias foram conduzidas de modo a resultar na criação, cisão, incorporação e extinção de empresas, de acordo suas conveniências negociais. Entretanto, as convenções e os contratos particulares não têm o condão de vincular os efeitos tributários decorrentes dessas operações, em homenagem ao princípio da legalidade. Muito embora as operações societárias que resultaram na desmutualização das Bolsas tenham sido engendradas pelos partícipes das referidas entidades com a finalidade de maximizar a obtenção de lucro decorrente das receitas auferidas com as vendas das ações recebidas, como já argumentado, foram feitas em descompasso com prescrito no Código Civil, mais especificamente o artigo 61, não podendo, portanto, produzir os efeitos jurídicotributários almejados, qual seja a não incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 822 24 Ressaltese que não se está aqui pretendendo desconsiderar os negócios jurídicos, apenas se está aplicando os efeitos jurídicotributários previstos na legislação de regência. A autoridade fiscal fez o enquadramento legal das receitas auferidas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (efolhas 157 e 162), que têm a seguinte redação: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) As ações recebidas pela Recorrente devem ser classificadas no Ativo Circulante, como já demonstrado linhas atrás, deste modo, as receitas obtidas com a alienação destas ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência do PIS e da Cofins, como passamos a demonstrar. Em nosso ordenamento jurídico encontramos os termos “faturamento” e “receita bruta” bem delineados nos seguintes dispositivos legais: DecretoLei nº 1.598/77: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 823 25 Lei Complementar nº 70/91: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei nº 9.715/98: Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Também restou assentado no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF pelo STF que o faturamento referese a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (trecho do voto do Ministro Moreira Alves). Pois bem. As ações, no caso dos bancos, são os bens/mercadorias objeto das operações de compra e venda, portanto, a receita de venda destes bens/mercadorias enquadrase perfeitamente nas definições dos dispositivos supramencionados, devendo ser considerada como receita bruta/faturamento dessas empresas. Deste modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A de sua titularidade, decorrentes de atividade típica da Recorrente, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Os mencionados §§ 5º e 6º dispõem que as exclusões seriam as mesmas do PIS, previstas na Lei nº 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. (...) Complementando o raciocínio constante do transcrito voto, temse que o STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deixou evidente o entendimento de que o faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com Fl. 824DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 824 26 nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. Então passemos a verificar em que consistem as atividades fins das sociedades corretoras. O Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução nº 1.655/89 aprovou a regulamentação para o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários. O art. 2º do Regulamento determina o objeto social: Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social: I operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores; II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; Fl. 825DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 825 27 III intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; (...) Reproduzindo o disposto acima, o estatuto social da recorrente, fl. 19, em seu art. 3º, assim estabelece: Art.3º A Sociedade tem por objeto: (...) b) comprar e vender títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Banco Central do Brasil; Portanto, a venda de ações constitui uma das operações usuais típicas de uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, como é o caso da recorrente. O recorrente argumenta que a cláusula de lock up (uma espécie de trava que impedia as corretoras de oferecerem a totalidade de sua ações pelo período de 180 dias do IPO) é elemento de prova que milita a seu favor e, ao contrário da conclusão da fiscalização, tal fato é indicativo que não havia qualquer intenção em vender ações, mas sim mantêlas em seu ativo permanente. Afirma ainda que as vendas foram efetuadas antes mesmo do cumprimento do lock up, para a Sadia S/A, que era acionista da recorrente, "num contexto de reestruturação interna da empresa, FORA DE MERCADO". Tais fatos, na minha opinião, em nada alteram as conclusões antes expostas de que as ações ordinárias adquiridas em função do processo de desmutualização das bolsas de valores possuem natureza diversa dos títulos patrimoniais antes possuídos e que o produto de sua venda constitui receita de sua atividade operacional, e, portanto, submetida à tributação pelo PIS e pela Cofins. Todos os elementos constantes do presente processo, demonstram a nítida intenção da venda das ações, tanto é que foram vendidas todas as ações no curto prazo de 6 meses, sendo uma parte, nos IPO da Bovespa S/A e BM&F S/A e o restante após o cumprimento da cláusula de lock up. Tentando contradizer a informação da fiscalização, a recorrente afirma que foram vendidas antes mesmo do cumprimento da referida cláusula. Porém, o cumprimento ou não da referida cláusula não é matéria que interessa ao presente lançamento. A recorrente afirma que, por diretriz da diretoria, não realiza operações de renda variável com recursos da carteira própria o que afastaria a referida venda das ações como receitas típicas de sua atividade, ou seja, não estaria no conceito de faturamento para fins tributário. Não entendo assim. A determinação da diretoria em não operar em certas atividades não tem poder de alterar o objeto social da sociedade. Tratase na verdade de uma opção gerencial, a qual pode ser momentânea ou não. Nada impede que ela volte a atuar no segmento ou que possa em determinado momento, por conveniência própria, abrir exceções. Contudo tal determinação da diretoria só vem a confirmar que desde o primeiro momento, na aquisição ou Fl. 826DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 826 28 obtenção das referidas ações, sua intenção era efetivamente de vendêlas de imediato. Tratase portanto de admissão de que o tratamento correto de sua classificação contábil realmente era no ativo circulante. Portanto, correta a sua tributação pelo PIS e pela Cofins. Juros sobre a multa de ofício O recorrente defende que não é aplicável os juros Selic sobre a multa de ofício. Em seu recurso ele faz um estudo jurídico para concluir que não há previsão legal para esta incidência. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está Fl. 827DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 827 29 sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 828DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 828 30 Declaração de Voto Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto do Relator, acima indicados, ouso discordar das conclusões constantes do mesmo, consoante fundamentos a seguir explanados. Como é cediço, a matéria ora em análise (incidência do PIS e pela Cofins nas operações de vendas das ações da Bovespa S/A e da BM&F S/A relativas ao processo denominado de desmutualização das bolsas de valores) é recorrente neste Conselho Administrativo Fiscal, possuindo inúmeras decisões em ambos os sentidos (pela tributação e pela não tributação). Ao contrário do voto proferido pelo Relator deste julgado, filiome à corrente que entende pela não incidência do PIS e da COFINS sobre tais operações. Nesse sentido, trago à colação voto proferido pelo experiente Conselheiro Antonio Carlos Atulim, nos autos do Processo nº 16327.721734/201144 (Acórdão nº 3403 003.447, de 10/12/2014), cujas razões de decidir espelham o meu entendimento sobre o tema: Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 829 31 Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 830 32 Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigálo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim (Grifos apostos) Nesse mesmo sentido, trazse à colação teor do Acórdão nº 3403001.757, de 25/09/2012, relativo ao mesmo sujeito passivo da presente demanda, de Relatoria do Fl. 831DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 831 33 Conselheiro Ivan Allegretti, através do qual, corretamente, restou afastada a tributação pelo PIS e pela COFINS: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pelas segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. Ou seja, com base na análise das decisões supra transcritas, extraise que não havia impedimento na legislação pátria para que a operação fosse estruturada da forma que foi (por meio de cisão seguida de incorporação). Por outro lado, tampouco havia na legislação obrigatoriedade de que os bens em questão fossem reclassificados, quando da operação, de ativo permanente para circulante. Ao contrário, nos moldes do Parecer Normativo CST nº 3/801, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante. Nesse viés, constatase que a Receita Federal, ao vislumbrar uma operação que envolvia valores consideráveis, entendeu por buscar fundamentos no intuito de tributar tal operação, ainda que tivesse que se afastar de entendimento zelado e defendido pela mesma em outras situações. Há de se coibir, contudo, tal medida. Verificandose que a legislação pátria simplesmente não veda a estruturação da "desmutualização" da forma em que fora estruturada neste caso concreto, e que tampouco havia qualquer obrigatoriedade pelas normas contábeis, ou mesmo conforme entendimento da própria Receita Federal exposto no Parecer Normativo CST nº 3/801, de que os bens fossem reclassificados de ativo permanente para circulante, verificase que a desconsideração da operação nos moldes realizados pela fiscalização não busca combater medida reprovável por lei, mas apenas tributar operação que envolveu valores consideráveis (intuito meramente arrecadatório). Tal motivação, contudo, não deve ser acolhida por este órgão Julgador. Até porque, é válido mencionar que a conclusão pela não incidência do PIS e da COFINS sobre tais operações de "desmutualização" decorre, inclusive, de uma questão de lógica em relação a outros julgados relativos à incidência de tais contribuições. Isso porque, é válido lembrar que este Conselho, conforme entendimento da maior dos seus julgadores, ao tratar sobre o conceito de "faturamento" para fins de incidência do PIS e da COFINS, vem entendendo que incluir em tal conceito as receitas financeiras das Fl. 832DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 832 34 instituições financeiras, justamente sob o argumento de que estas representam receitas decorrentes da prática das operações típicas, desempenhadas regularmente por tais pessoas jurídicas, consoante previsto no seu objeto social. Acontece que, por este mesmo fundamento, não se poderia admitir a tributação das operações de "desmutualização", visto que estas não representam atividades típicas das corretoras, não são realizadas de forma regular pelas mesmas, e, em muitos casos, tampouco consta dos seus objetos sociais. Como é cediço, a "desmutualização" ocorreu em um determinado momento, representando uma operação pontual, que não voltará a se repetir. Logo, não há como entender tal operação como atividade típica, e, por não compor o conceito de "faturamento", não há como se admitir a tributação pelo PIS e pela COFINS. Forçoso reconhecer, inclusive, que este entendimento decorre de uma simples análise das normas contáveis aplicáveis ao caso concreto, conforme breve resumo abaixo indicado: 1. O Pronunciamento Técnico CPC nº 30, item 7, dispõe: "receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários"; 2. O Pronunciamento Conceitual Básico (R1) dispõe em seu item 4.29: "a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto os ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis. Na minha visão, não há qualquer dúvida de que a operação de "desmutualização", em razão do seu caráter pontual e extraordinário, não representa atividade ordinária ou mesmo usual das corretoras. Novamente, verificase que a Receita Federal, sem embasamento legal, mas com único intuito arrecadatório, modifica o seu entendimento sobre o conceito de "faturamento", estendendoo no intuito de tributar situação não prevista na legislação pátria, em nítido desrespeito ao princípio da legalidade. Ora, não se pode permitir que a Receita Federal traga interpretações dissonantes, a depender, senão exclusivamente, majoritariamente, dos seus interesses arrecadatórios. Para que se pudesse manter a autuação, seria necessário que a desconsideração da operação da forma em que fora estruturada, além de coerente com o próprio entendimento da Receita Federal em outros casos, possuísse lastro na legislação pátria, o que decerto não ocorreu no presente caso. Além dos argumentos supra expendidos, relevante trazer à colação, ainda, declaração de voto apresentada pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas nos autos do Processo nº 16327.000984/201066, as quais também adoto como razões de decidir, in verbis: Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre os fatos. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 833 35 A controvérsia dos autos referese à incidência do PIS e da COFINS sobre a receita derivada da venda de participação societária da Recorrente, em sociedades que passaram por processo de transformação (de associações transformaramse em sociedades anônimas). Vale destacar que a tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois a Recorrente é uma sociedade corretora (submetida às disposições de referida norma), norma esta que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta). O Fisco entende que as receitas advindas das vendas das participações que a Recorrente possuía na BOVESPA e na BM&F – pós transformação em sociedades anônimas – é tributável pelas referidas contribuições porque (i) tais participações não poderiam estar classificadas no ativo permanente da Recorrente, bem como porque (ii) advém do desenvolvimento de seu objeto social, qual seja, a compra e venda de títulos e valores mobiliários, compondo então sua receita do desenvolvimento das atividades empresariais, receita esta que corresponderia à base de cálculo do PIS e da COFINS. Passo a analisar os pontos debatidos. (i) Do Registro em Ativo Permanente Em primeiro lugar, deve ser analisado se procede o questionamento fiscal, quanto à classificação destas participações societárias em conta do ativo permanente da Recorrente. Para tanto é necessário analisar se, com a transformação das associações em sociedades anônimas as respectivas participações societárias deveriam sofrer reavaliação e reclassificação, sendo retiradas da conta de ativo permanente e transferidas para contas de ativo circulante – como alega a fiscalização. Vale destacar que não se discute, em momento algum nestes autos, quanto à adequação da classificação no ativo permanente das participações societárias mantidas pela Recorrente nas associações (antes da transformação da BOVESPA e da BM&F), representada pela propriedade de títulos patrimoniais (que lhes garantia a atuação como corretoras de valores perante as duas instituições). A controvérsia limitase, portanto, ao momento da transformação das associações, quando o Fisco desconsidera a operação societária da forma como realizada pela BOVESPA e BM&F. Assim, para melhor compreensão da matéria, mister se faz dividila em dois aspectos: a primeira questão a ser avaliada referese à (a) operação societária; a qual consequentemente gera efeitos na conclusão da (b) classificação contábil das ações. (i.a.) Da Operação Societária Conforme esclarecido, a premissa da fiscalização para realizar o lançamento fiscal foi interpretar que, em decorrência das operações societárias procedidas, ocorreu a devolução – à Recorrente do capital investido na então associação sem fins lucrativos. Este deixar de ser, este novo investimento, em decorrência das regras contábeis, teve que ser avaliado para poder adentrar ao patrimônio da nova sociedade e, uma vez que se tratava de ações, para as quais a Recorrente tinha intenção de venda, o registro contábil deveria ser realizado no ativo circulante. Em outras palavras, o Fisco entende que a conferência das ações das sociedades anônimas (pós transformação) aos associados da BOVESPA e da Fl. 834DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 834 36 BM&F, representou uma nova aquisição de participação societária o que implicou na necessidade de reavaliação (e eventual reclassificação) do ativo, quando então, segundo entendimento fiscal, as ações deveriam ser registradas no ativo circulante, pois a Recorrente tinha, naquele momento, a intenção de vender tais ações. A Recorrente, por sua vez, defende que não houve devolução de capital, tampouco “nova” aquisição de participação societária, mas a mera substituição de um tipo de participação (títulos patrimoniais), por outro tipo de participação (ações). O que, portanto, não demandaria a necessidade de nova avaliação ou reclassificação destes ativos. Por este raciocínio, temse que estes ativos seriam, em verdade, o mesmo ativo até então contabilizado, apenas sob uma forma/título diferente. Esta diferença de interpretação realizada pelo Fisco e contribuinte é extremamente relevante, pois na hipótese de tratarse de investimento novo e não de manutenção de investimento antigo, já classificado contabilmente não resta dúvida que haveria a necessidade de nova avaliação do ativo com a conseqüência de uma nova classificação contábil deste ativo. Resumidos os fatos, passo a analisar as opções apresentadas. De acordo com a interpretação da fiscalização, a operação realizada resultou na devolução do capital para os associados. Mister se faz discorrer sobre este fato. A devolução de capital ocorre quando alguém que detém participação na sociedade decide desligarse ou, ainda, quando uma sociedade se extingue. Em ambas as ocasiões, a sociedade devolve o capital investido ao participante (que deseja se retirar, ou a todos, no caso de extinção). Logo, temse que a devolução do capital alcança as situações em que ocorre a extinção do investimento, ainda que para aquele associado em particular. A devolução deste capital ao investidor, faz com que este adquira total liberdade sobre o destino deste novo capital, o que significa disponibilidade econômica e jurídica. Logo, a operação deve ter a forma e a substância de extinção. Na situação em tela, contudo, formalmente não ocorreu nem uma nem outra hipótese (devolução do capital para todos os associados ou para um associado em particular). Conforme consta dos autos a Associação BOVESPA, em agosto/2007, se submeteu a uma operação societária que resultou na versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Nos termos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, proferido nos autos do processo administrativo nº16327.001339/201061, que discutiu matéria idêntica à presente: “Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a ‘Desmutualização’).” A primeira questão a ser avaliada, portanto, referese à operação societária ocorrida. É possível à associação sem fins lucrativos submeterse a processo de cisão? Mais do que isso, é possível, à fiscalização desconsiderar o procedimento da forma como realizado? Ainda, é possível o entendimento apresentado pela fiscalização? Fl. 835DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 835 37 No que se refere a possibilidade de uma associação sem fins lucrativos proceder à cisão, passo a análise dos dispositivos específicos referentes a este assunto. A fiscalização entendeu que, por ser tratar de associação sem finalidade lucrativa, aplicase ao caso o artigo 61 do Código Civil, o qual da seguinte forma determina, verbis: “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” – destacamos. Ao interpretar o dispositivo legal citado, a fiscalização concluiu que não seria possível, à uma associação sem fins lucrativos, transferir patrimônio para uma sociedade com finalidade lucrativa. Por outro giro, em vista desta impossibilidade, o agente fiscal considerou que a operação realizada pela BOVESPA gerou a devolução do patrimônio investido na associação para o associado, o qual procedeu a novo investimento, agora em sociedade com fins lucrativos. Alguns aspectos apresentamse relevantes. O primeiro é: pode ser realizada a cisão? Neste ponto divirjo do entendimento apresentado pela fiscalização. Data vênia, entendo que sim, é possível proceder a cisão, ainda que a parte cindida seja vertida para a constituição de uma sociedade lucrativa. É que entendo que a obrigatoriedade de versão do patrimônio para outra entidade sem fins lucrativos se aplica apenas no caso de dissolução da entidade, isto é, de extinção da personalidade jurídica. Este entendimento está pautado na interpretação dos termos da lei, verbis: “Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, (...) será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes” Vale salientar que não houve extinção das pessoas jurídicas, mas sim transformação. A transformação, por sua vez, de acordo com o Código Civil (artigo 1.1131) e a Lei das S/A (Lei nº 6.404/76 artigo 220), é meio de reorganização societária que se dá independentemente da dissolução ou liquidação da sociedade. Aliás, por tratarse de mera alteração do tipo da sociedade, esta não poderia, mesmo, extinguirse ou liquidarse, sob pena de não restar pessoa jurídica para ter seu tipo alterado. Por outro giro, a possibilidade de cisão está prevista no Código Civil, artigo 2.033, que expressamente se refere às entidades sem fins lucrativas, a saber: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Neste sentido, determina o artigo 44 do mencionado Código: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos; VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação Fl. 836DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 836 38 interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” Confesso que o procedimento adotado pela BOVESPA suscitou dúvidas nesta relatora, mas não encontrei na legislação a limitação interpretada pela fiscalização, ao contrário, outras entidades sem fins lucrativos como clubes, entidades de ensino, etc já realizaram este procedimento, passando a auferir lucros e apurar tributos na pessoa jurídica cindida. Neste diapasão, é de meu entendimento que a cisão poderia ter sido realizada e que não houve extinção da pessoa jurídica, como interpretou a fiscalização. Imperioso esclarecer que, com isso não estou validando procedimentos societários abusivos realizados por associados. O ilustre Procurador Federal, ao proceder à sustentação oral em defesa do lançamento da forma como realizado, argumentou que as associações são constituídas e mantidas com incentivo público e que consiste abuso, após a associação estar consolidada justamente por contar com estes incentivos públicos, converter quase totalidade deste patrimônio para a iniciativa privada. Neste particular concordo com a Procuradoria. Realmente, ao proceder a análise sistemática do ordenamento, pareceme abusivo permitir que alguns particulares se aproveitem de patrimônio constituído e consolidado com base em incentivos públicos. A lei permite a cisão, mas não o abuso, operação com este supedâneo deve ser desconstituída por abuso de forma e até mesmo erro de substância. Todavia, in casu o auto de infração não foi lavrado com base na ocorrência de fraude, tanto é assim que não houve majoração de multa para o percentual de 150%. Da mesma forma, não houve alegação/comprovação, por parte da Fazenda, de que as operações societárias ocorreram com abuso de forma ou da ocorrência de lesão ao patrimônio público. Em conseqüência deste raciocínio, passemos ao próximo ponto, sendo a cisão ilegal para entidades sem fins lucrativos, a fiscalização poderia desconsiderála da forma como desconsiderou? Entendo que não. É importante ponderar que a operação societária foi efetivamente realizada, que os documentos societários foram devidamente registrados na Junta Comercial e que não houve desvio de finalidade por parte dos contribuintes envolvidos na operação societária, uma vez que os documentos de cisão demonstram claramente o objetivo pretendido pelos associados da BOVESPA. Não resta dúvida que a operação de cisão foi formalmente realizada e aceita. Tais aspectos são relevantes porque, conforme mencionado, a fiscalização desconsiderou a operação da forma como realizada para considerar como ocorrida outra realidade, qual seja, a restituição do capital investido e o novo investimento na pessoa jurídica que procedeu ao IPO. Todavia, esta desconsideração precisa ser justificada. Que os fatos ocorreram – ainda que formalmente desta maneira, não resta dúvida, assim, como é que poderiam ser desconsiderados? De acordo com a jurisprudência deste Tribunal, os atos podem ser desconsiderados se o propósito negocial, a razão que os justificam, não forem verdadeiras. Na hipótese da formalização do procedimento destoar com a realidade dos fatos. Ocorre que este não é o caso dos autos. Os fatos demonstram que os contribuintes pretendiam proceder a desmutualização e posterior abertura de capital Fl. 837DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 837 39 da BOVESPA, e para atingir este objetivo procederam à cisão parcial. Não houve alteração em relação ao propósito negocial pretendido. Na hipótese de a fiscalização entender que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal, deveria rever o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN). Entretanto, o ato da desmutualização, que gerou efeito na contabilidade da Recorrente, não foi revisto. A operação societária realizada até o momento, pelas informações contidas nos autos – consiste em negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderada enquanto válida. Com este raciocínio, a meu sentir, somente seria possível desconsiderar os efeitos da desmutualização para a Recorente se a própria operação societária tivesse sido desconsiderada. O ato jurídico que deve ser analisado e, se o caso, desconsiderado, é a operação realizada pela própria BOVESPA. Caso o fato em si – a cisão da BOVESPA – não seja desconsiderado, tem que ser admitido como válido pelo Fisco, uma vez que foi devidamente formalizado e registrado nos órgãos competentes. Esclareço que com isso não estou dizendo que a JUCESP tem o poder de validar atos nulos ou ilegais, apenas que um ato jurídico perfeito tem que ser devida e justificadamente desconsiderado para deixar de surtir efeitos no mundo jurídico. Desta feita, haja vista que a cisão foi realizada, registrada e validada, que não há razão que fundamente a desconsideração do procedimento realizado posto que o propósito negocial foi devidamente atendido, entendo que não é permitido à fiscalização simplesmente desconsiderar a operação societária de cisão, interpretando que “na verdade” o que ocorreu foi uma devolução de capital com sucessivo investimento em nova sociedade. Ademais, e agora adentrando no aspecto da substância pretendida pelo Fisco, os investidores não tiveram, entre a desmutualização e a criação na nova sociedade, a disponibilidade jurídica dos valores investidos na entidade sem fins lucrativos, tanto é assim que não tinham opção de investir em outra sociedade qualquer. Este fato não ocorreu e não pode ser presumido. Portanto, concluo que a alegação do Fisco de que as ações recebidas quando da transformação da BOVESPA e da BM&F se deu em razão de devolução de capital, não se sustenta. No mesmo sentido, não há de se falar em “novas” empresas ou “novas” participações. As empresas sofreram alteração do tipo societário, modificando a forma de se organizar. O Fisco utiliza este argumento – de que houve devolução do capital – também para justificar seu entendimento de que as ações detidas pela Recorrente não se confundem com os títulos patrimoniais que detinha. Em decorrência do raciocínio acima apresentado, concluo que as premissas adotadas pelo Fisco estão equivocadas. Em primeiro lugar porque, como dito, não houve devolução de patrimônio e, em segundo lugar, porque justamente a equivalência das ações e dos títulos patrimoniais anteriormente detidos, no que se refere aos valores, bem como o fato de ter havido uma transformação do tipo societário, evidenciam que não se trata de nova aquisição de participação, mas mera substituição de um tipo de participação por outro, em razão da transformação das entidades. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 838 40 Tanto assim, que como bem observou o Fisco, quando da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações, foi necessário conferir ações que representassem o mesmo valor dos títulos patrimoniais anteriormente detidos. Esta equivalência também evidencia se tratar de mera substituição de um tipo de título representativo de capital por outro. Por esta razão, a interpretação fiscal de que deveria ter sido registrado na contabilidade uma devolução capital, distribuição de superávit, incorporação de bens e obrigações ao patrimônio da Recorrente, com posterior aquisição de novas participações em “outras” sociedades anônimas, não se mantém pois esta realidade não ocorreu. (i.b.) Da Classificação Contábil das Ações A questão da operação societária é absolutamente relevante para a análise da classificação contábil das ações recebidas como troca pelos títulos que a Recorrente possuía da entidade sem fins lucrativos. Isso porque pelo raciocínio da fiscalização, como houve um novo investimento, necessária se faria uma nova classificação. Neste sentido, se a classificação contábil correntemente se faz no momento em que o ativo é adquirido, claro que a constituição de uma nova sociedade é o momento de classificação do ativo, assim, no instante da constituição da BM&F, antes da venda das ações, deveria ser verificada a intenção do contribuinte para com o ativo, classificandoo como permanente (se a intenção era de manutenção do investimento a longo prazo) ou circulante (se a intenção era disponibilizar as ações para venda). Todavia, conforme esclarecido, discordo deste posicionamento, no sentido de que a meu ver não se trata de novo investimento mas de manutenção de investimento antigo, haja vista que não coaduno com a interpretação de que houve a devolução do capital investido mas procedimento de cisão. Neste diapasão, a questão que me parece relevante é saber se haveria, para a Recorrente, no momento da desmutualização ou em qualquer outro instante antes da venda das ações, obrigação de reclassificar o ativo, alterando a forma de contabilização de permanente para circulante. É de se observar que os títulos foram adquiridos para o fim de investimento, sem que houvesse a intenção, por parte de Recorrente, de utilizálos para obtenção de lucros. Até porque, à época, a obtenção do título era requisito para a que a Corretora pudesse operar na Bolsa de Valores. Neste sentido, imperioso relembrar que, como bem esclarece o Parecer Normativo nº 03/80, citado pela Recorrente em sua defesa, temse como regra que a classificação contábil é determinada no momento da aquisição deste bem. Neste sentido, destaco trecho do citado Parecer, verbis: "5. Por conseguinte, tendo em vista os reflexos da alteração pretendida na apuração dos resultados da pessoa jurídica, é evidente que o contribuinte não tem faculdade de classificar as contas, ou reclassificálas, segundo critérios subjetivos de sua conveniência. Ao contrário, impõe se a rigorosa observância dos preceitos da lei comercial e fiscal. 6. Os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação do § 4° do art. 70 do DecretoLei n° 1.598/77. No caso sob exame, a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado fere frontalmente disposições do art. 179 da Lei n° Fl. 839DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 839 41 6.404/76. Segundo a alínea I desta norma, somente podem ser incluídos no ativo circulante os direitos de crédito e os que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio ou da indústria da companhia, além das disponibilidades e das aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem." (destaquei) Assim, no momento da desmutualização, não resta dúvida que os títulos estavam registrados no ativo permanente da Recorrente e que esta classificação estava correta. Da mesma forma, pareceme claro que a classificação do bem deve obedecer à intenção de seu proprietário no momento de sua aquisição2, o que aliás, é confirmado pela boa técnica contábil, que determina a avaliação do bem no momento de seu registro na contabilidade da empresa. Tanto é assim que a fiscalização, para justificar a necessidade de nova classificação do bem, entendeu que houve uma devolução de patrimônio com investimento em nova sociedade, pois sem dúvida neste momento – realização de nova contabilidade – deve ser realizado o registro contábil, bem como deve ser questionada a intenção do contribuinte para referido o bem (se investimento permanente ou não). A dúvida, a meu sentir, é: a modificação de “título” para “ação” é condição suficiente para demandar a revisão/alteração do registro contábil ? Existe um momento para a reavaliação do registro contábil ? As ações são mercadorias ? A fiscalização cita, para justificar a autuação, informação da BOVESPA a todos os associados no sentido de que as ações “trocadas” deveriam ser registradas: no Ativo Circulante, em subconta especifica da conta Títulos. de Renda Variável, se a decisão for a de alienar as ações e no Ativo Permanente, em subconta especifica da conta Ações e Cotas se a decisão for a de .considerar essas ações como investimento. Fato é que não consta da nomenclatura jurídica uma regra clara que determine o momento de reclassificação do patrimônio na contabilidade. Neste sentido não se determina que a alteração tenha que ser realizada durante o ano calendário, no exato momento em que a empresa entende pela venda do ativo. 2 No presente caso, quando os títulos patrimoniais das entidades foram adquiridos a intenção da Recorrente era mantêlos, até porque deles dependia o desenvolvimento de sua atividade de corretora de valores, na medida em que era condição para o exercício de tal atividade a propriedade de tais títulos. Aliás, não se discute nestes autos o fato de que estes títulos foram adequadamente classificados como ativo permanente, visto que a fiscalização e DRJ concordaram expressamente com esta classificação Ao buscar as normas complementares que esclarecerem os dispositivos legais e constitucionais, localizei o Parecer Normativo 108/78 – PN que da seguinte forma determina verbis: 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a Fl. 840DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 840 42 constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” A permanência do bem no patrimônio se presume na hipótese de o bem não ser vendido no mesmo exercício em que foi adquirido. In casu, o bem permaneceu no ativo da Recorrente durante muitos anos, o que demonstra que, neste aspecto, a “intenção de permanência” quando o bem foi adquirido está clara. Podese dizer que a alteração desta intenção de permanência se iniciou em agosto de 2007, quando realizados os procedimentos societários para desmutualização da BOVESPA. Isso porque o Protocolo de Intenções da cisão esclareceu o objetivo de transformação da parte da sociedade cindida em sociedade privada, bem como a posterior abertura de capitais. No caso em análise a venda das ações ocorreu nos meses subseqüentes ao IPO, ainda no ano de 2007. Todavia, ainda assim entendo que não se trata de venda de mercadorias, mas efetiva venda de ativos. É que o fato de o contribuinte tomar providências para que seu ativo fique mais valioso não significa que transformou este ativo em mercadoria. Não vejo como possível a mudança de substancia do bem, a meu ver este bem sempre foi um ativo, um investimento próprio. Por outro giro, a legislação expressamente exclui, da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, o valor referente à venda do ativo permanente. Logo, claro está que é possível realizar a venda de bens classificados no ativo permanente, no sentido de que não é preciso transferir o bem para o ativo circulante para proceder à sua venda. Os investimentos em discussão iniciaram o ano como título patrimonial e ficaram assim desde a existência da bolsa. O fato de a BOVESPA ter sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido mais ao final do ano não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não, justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Raciocínio inverso levaria à conclusão de inexistência/impossibilidade de opção de venda de ativo permanente. Isto porque, se as empresas forem obrigadas à reclassificação contábil do bem sempre que houver a intenção de venda do ativo, não haverá venda de ativo permanente, posto que antes da venda ocorrerá mudança de rubrica contábil (de circulante para permanente ou de permanente para circulante). Neste sentido está a já citada redação do Parecer Normativo CST nº 3/80, a saber: “8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a Fl. 841DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 841 43 cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” No mais, vale perscrutar qual é a essência do negócio jurídico em discussão. Da análise que faço, entendo que desde o início a Recorrente pretendeu vender seu ativo permanente, mesmo que na forma de ações e em procedimento de IPO. Para tal objetivo realizou a permuta de participações societárias (título x ação), sendo que corrobora esta interpretação o fato de serem sociedades com mesmo capital, mesmos investidores e mesma atividade econômica. Inicialmente cumpre registrar que a Deliberação CVM nº 29/86 esclarece que a contabilidade se baseia na essência e não na forma jurídica dos institutos, verbis: “(...) 2º) A contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos jurídicos que cercam o patrimônio, mas, não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a essência econômica. Nessas situações deve a Contabilidade guiarse pelos seus objetivos de bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés da forma.” (destaquei) No mesmo sentido, a Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade determina que nos registros contábeis devem seguir a essência do ato jurídico: “Art. 1º. (...) §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.” (destaquei) As ações não foram adquiridas com a finalidade de mercancia, mas de investimento. E ainda que a desmutualização tenha ocorrido com o aval da Recorrente – os atos societários da cisão denotam que os associados estavam de acordo com o procedimento de alteração do tipo societário exatamente para alcançar a finalidade de proceder ao IPO – isso não significa, em minha interpretação, que o título se transformou em produto, ao contrário, significa que a Recorrente pretendia tornar seu ativo permanente bom para venda. Claro que o título ganhou “mais valia”, mas o fato de terse tornado mais valioso não mudou a situação e natureza de ser investimento próprio da Recorrente, inclusive registrado em seu próprio patrimônio. Por outro giro, o fato de terse transformado um investimento valioso justifica o interesse da Recorrente na venda do bem. Ademais, mister se faz avaliar os instrumentos assinados pela Recorrente no sentido de se comprometer com a alienação de parte das ações que receberia após a transformação das entidades em sociedades anônimas. Este fato faz com que tais ações devessem estar registradas no ativo circulante da Recorrente? Algumas considerações, neste particular, precisam ser realizadas. A Recorrente – assim como todas as demais associadas da BOVESPA e da BM&F – precisou se comprometer a vender parte das ações que receberia (em substituição aos títulos patrimoniais), como condição da realização da própria transformação das associações em sociedades anônimas. Na ocasião todas as corretoras que participavam da BOVESPA e da BM&F através de investimentos em títulos patrimoniais se comprometeram a alienar parte das ações substitutivas que viriam a receber, como forma de possibilitar a realização da própria transformação social. Quer dizer, para que as entidades pudessem se Fl. 842DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 842 44 transformar em uma sociedade anônima, e considerando ainda que antes era uma entidade sem finalidade lucrativa, precisaria apresentar ao mercado uma oferta de ações, de modo a viabilizar a operação societária (abertura do capital). Assim, cada associado precisou se comprometer a alienar uma parte das ações que lhes caberia, em substituição aos títulos patrimoniais que até então detinham, para que pudesse ser aberto (ofertado) o capital das entidades, sob pena de a transformação não ocorrer (na hipótese, por exemplo, de nenhum dos associados às entidades, ofertar/vender as ações que receberiam). Por isso as associadas (inclusive a Recorrente) tiveram de assinar um instrumento através do qual se comprometiam a realizar a venda de parte das ações que receberiam em substituição aos títulos patrimoniais das associações, como forma de garantir a realização da transformação societária. Ainda, para garantir o sucesso da operação, as corretoras assinaram, também junto às entidades, termos através dos quais se comprometiam a alienar uma parcela das ações diretamente a um determinado fundo, que de acordo com negociações prévias com a BOVESPA e com a BM&F, garantiria a liquidez das operações, e o sucesso (mínimo) da abertura do capital (referido fundo comprometeuse a realizar a aquisição de parte do capital das entidades, no momento da abertura do capital, como forma de garantir a transformação das associações em sociedades anônimas). Portanto, a alienação destas participações societárias foi realizada como condição da realização da própria transformação societária que se realizaria. Este fato se comprova da análise dos instrumentos através dos quais a Recorrente se comprometeu a fazêlo, que foi assinado com as próprias entidades, e não com o potencial comprador (fls. 15/22). Registro ainda que, por mais que a Recorrente, neste momento, apresentasse a firme intenção de venda, isso não desnaturaria, a meu ver, a característica de investimento do patrimônio em comento, o qual foi adquirido com intenção de permanência no patrimônio. Significa, outrossim, que houve existe a intenção de venda do ativo imobilizado. Reiterando que a tese de que a Recorrente recebeu as ações em devolução de capital, o que justificaria nova avaliação contábil, com dito anteriormente, a meu sentir não procede, sendo que entendo que efetivamente houve a substituição dos títulos patrimoniais. Em relação à outra parcela das ações vendidas, também não se pode concluir que no momento da obtenção destes ativos a Recorrente visava sua venda, pois ainda que tais vendas tenham sido realizadas por liberalidade das corretoras (e da própria Recorrente), a venda da participação claramente não foi a razão pela qual tais participações adentraram o patrimônio das empresas. As ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. A meu ver, são O motivo pelo qual a Recorrente decidiu vender as ações foi porque elas foram valorizadas, não porque foram transformadas em mercadorias. Diante deste cenário – e mesmo que por hipótese se admita, apenas ad argumentandum, que se tratasse de aquisição de novos/outros bens – é evidente que também neste caso as ações não teriam sido adquiridas com a finalidade de serem alienadas. As ações teriam sido adquiridas, então, para substituir o capital investido nas entidades – ou seja, como afirma o Fisco, para recuperação do capital anteriormente investido. Aliás, ainda que fossem adotadas as alegações da autoridade fiscal, de que se trata de conferência de ações como forma de devolução de capital, mister constatar que, se devolução de capital é, então não poderia ser aquisição de ações para Fl. 843DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 3301002.839 S3C3T1 Fl. 843 45 revenda. E, assim, sendo, não poderiam ser (re)classificados tais bens no ativo circulante da Recorrente, como pretendia a fiscalização. Com estas considerações, posto que adotada a premissa de que os bens em comento integram ao ativo permanente, cabe razão à Recorrente quanto à não incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado das alienações de tais bens, na medida em que há previsão legal expressa na Lei nº 9.718/98 afastando a tributação sobre tais receitas. Ante o exposto, conheço do recurso apresentado para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Fabiola Cassiano Keramidas Com base nos fundamentos supra expendidos, voto no sentido de dar integral provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte, no sentido de afastar a tributação do PIS e da COFINS neste caso concreto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Declaração de voto. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000506/2006-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996
Embargos de Declaração. Contradição.
Verificada a contradição que ensejou a interposição dos declaratórios, deve-se proceder à correção do erro, de modo a se harmonizar a decisão com seus fundamentos.
Prazo parra Repetição de Indébito.
O prazo de 5 anos, veiculado no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que deu interpretação autêntica ao art. 168 do Código Tributário Nacional, aplica-se à repetição de indébito pleiteada a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, deve-se negar provimento ao recurso do Sujeito Passivo, onde se pleiteou restituição, após o transcurso de 5 anos contado do pagamento indevido. Recurso Negado
Embargos providos.
Numero da decisão: 9303-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, e reconhecer que o prazo para repetição de indébito, no caso presente, é de 5 anos, contado do pagamento indevido, e, com isso, o resultado do julgamento passa de recurso parcialmente provido para recurso negado.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996 Embargos de Declaração. Contradição. Verificada a contradição que ensejou a interposição dos declaratórios, deve-se proceder à correção do erro, de modo a se harmonizar a decisão com seus fundamentos. Prazo parra Repetição de Indébito. O prazo de 5 anos, veiculado no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que deu interpretação autêntica ao art. 168 do Código Tributário Nacional, aplica-se à repetição de indébito pleiteada a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, deve-se negar provimento ao recurso do Sujeito Passivo, onde se pleiteou restituição, após o transcurso de 5 anos contado do pagamento indevido. Recurso Negado Embargos providos.
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Contradição. Verificada a contradição que ensejou a interposição dos declaratórios, deve se proceder à correção do erro, de modo a se harmonizar a decisão com seus fundamentos. Prazo parra Repetição de Indébito. O prazo de 5 anos, veiculado no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que deu interpretação autêntica ao art. 168 do Código Tributário Nacional, aplicase à repetição de indébito pleiteada a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, devese negar provimento ao recurso do Sujeito Passivo, onde se pleiteou restituição, após o transcurso de 5 anos contado do pagamento indevido. Recurso Negado Embargos providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, e reconhecer que o prazo para repetição de indébito, no caso presente, é de 5 anos, contado do pagamento indevido, e, com isso, o resultado do julgamento passa de recurso parcialmente provido para recurso negado. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 06 /2 00 6- 00 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face ao acórdão de nº 9303002.919, que deu provimento parcial ao recurso especial interposto pela Contribuinte, conforme verificase da sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso especial parcialmente provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, fls. 370 a 372, acusando a decisão de conter vício de omissão e contradição acerca da reprodução do decidido pelo STF no RE nº 566.621/RS, haja vista que, em se tratando de pedido administrativo de repetição de indébito formulado em 24/02/2006, não se lhe poderia deferir prazo prescricional superior a cinco anos, contados da data dos pagamentos indevidos. Conclui, requerendo o saneamento dos vícios apontados, conferindo efeitos infringentes ao recurso. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11543.000506/200600 Acórdão n.º 9303003.412 CSRFT3 Fl. 381 3 O Presidente deste Colegiado conheceu dos embargos, sob o fundamento de que: embora tenha feito expressa referência à data de 9 de junho de 2005, o voto omitiuse na análise da data e que o pleito ora sub judice foi proposto. Em decorrência dessa omissão, reconheceuse implicitamente prazo prescricional superior ao estabelecido pelo art. 4° da Lei Complementar nº 118, de fevereiro de 2005, e determinou que se incluísse em lote para sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Os embargos foram interpostos no prazo regimental e, a teor do relatado, o acórdão padece de vício de procedimento, passível de correção pela via dos presentes embargos. Examinando o acórdão embargado, verificase que o colegiado reconheceu que o pedido de repetição de indébito foi protocolizado após a entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, e que, portanto, aplicarseia o novo prazo de 5 anos, a partir da vigência desse diploma legal. Vejase excerto do voto condutor do acórdão: Mas a ele somente cabe dar parcial provimento quanto ao mês de fevereiro de 1996, pois, como se vê, todos os demais períodos de apuração incluídos no pedido administrativo ocorreram há mais de dez anos de sua protocolização, além do que o pedido é posterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005. Destarte, a ele se aplica exatamente a tese aventada na decisão recorrida, como já reconhecido pelo e. Supremo Tribunal Federal, que apenas afastou a aplicação retroativa do entendimento nela expresso ao considerar inconstitucional o seu art. 4º (RE 566.621/RS (relatora a ministra Ellen Gracie). Nele, afirmou a Ministra: Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (destaquei). Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 Com essas considerações, voto por dar parcial provimento em relação ao mês de fevereiro de 1996 com retorno. Ora, a contradição entre os fundamentos e a decisão é cristalina, pois, como se verifica do excerto acima transcrito, consignouse no acórdão que o novo prazo de 5 anos, veiculado no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, aplicavase à repetição de indébito pleiteada a partir de 9 de junho de 2005, conforme decidira o STF em Recurso com repercussão geral, a que alude o art. 543B do CPC, mas, contraditoriamente, aplicouse o prazo de 10 anos, mesmo constando, expressamente desse acórdão que o pedido de repetição fora protocolado após a entrada em vigor dessa lei complementar. Verificada a contradição que ensejou a interposição dos declaratórios, deve se proceder à correção do erro, de modo a se harmonizar a decisão com seus fundamentos. Por conseguinte, devese negar provimento ao recurso do sujeito passivo, onde se pleiteou repetição de indébito, após o transcurso de 5 anos contado do pagamento indevido. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração, atribuindolhes efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, e reconhecer que o prazo para repetição de indébito, no caso presente, é de 5 anos, contado do pagamento indevido, e, com isso, o resultado do julgamento passa de recurso parcialmente provido para recurso negado. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.001245/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004
NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT.
Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício.
Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes.
CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL.
O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos.
No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador.
TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4.
A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT. Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes. CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL. O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos. No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4. A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Natanael Vieira dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-11T10:03:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-11T10:03:53Z; Last-Modified: 2016-03-11T10:03:53Z; dcterms:modified: 2016-03-11T10:03:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:03bddea8-db6e-4473-8b08-cdbc90889ae5; Last-Save-Date: 2016-03-11T10:03:53Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-11T10:03:53Z; meta:save-date: 2016-03-11T10:03:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-11T10:03:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-11T10:03:53Z; created: 2016-03-11T10:03:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2016-03-11T10:03:53Z; pdf:charsPerPage: 2423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-11T10:03:53Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.339 1 1.338 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.001245/200735 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.056 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA Recorrente ESMETAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 NFLD. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA O RAT. Os adicionais destinados ao custeio de aposentadoria especial serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária ao ensejo da concessão do referido benefício. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais pertinentes. CONFIGURAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. APOSENTADORIA ESPECIAL. O artigo 58 da Lei nº 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos. No caso concreto, restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação desses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. TAXA SELIC. SÚMULA CARFNº 4. A partir de 01 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 12 45 /2 00 7- 35 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.340 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.341 3 Relatório 1. O presente processo administrativo fiscal referese à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD Nº 35.488.2740, lavrada contra a contribuinte ESMETAL LTDA., na qual são exigidas as contribuições previdenciárias não recolhidas no período de 01/04/1999 a 31/05/2004, correspondentes aos adicionais para o financiamento das aposentadorias especiais, de que trata o art 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. 2. De acordo com o apontado no RELATÓRIO FISCAL DE LANÇAMENTO (fls. 220/238), a empresa teria deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e os riscos ocupacionais existentes. 3. A documentação analisada pela autoridade fiscal lançadora, dentre outros, foram os Programas de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, e os Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, com base nos agentes nocivos listados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social – RPS (aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999). 4. Ao analisar a documentação supra, a fiscalização verificou diversas irregularidades praticadas pela empresa, consubstanciadas em não apresentação ou realização de Medidas de Proteção Coletiva – EPC; a não apresentação de relatório que especifique ou demonstre a periodicidade de troca de Equipamentos de Proteção Individual – EPI; apresentação de Fichas de Controle de Fornecimento de EPI com periodicidade de substituição superior a indicada no PPRA (como os protetores auriculares tipo “plug”); e que os funcionários não teriam recebido treinamento para a utilização dos EPI’s, conforme registrado por Engenheiro de Segurança do Trabalho quando da avaliação do PPRA. 5. Ao demonstrar seu inconformismo com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 245/295), tendo sido a NFLD nº 35.488.2740 julgada procedente, conforme Acórdão nº 0217.106, prolatado pela 8ª Turma da DRJ/BHE, em 13/02/2008 e anulado pelo CARF, em 10/06/2010, por cerceamento de defesa, nos termos do Acórdão nº 240200.937 4ª Câmara / 2" Turma Ordinária (fl. 1265), verbis: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O acórdão DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.342 4 DECISÃO RECORRIDA NULA.." 6. Para melhor evidenciar os fatos geradores que ensejaram a presente autuação, trago a colação parte do relatório apresentado a este Conselho pelo Conselheiro relator à época: "(...). As atividades desenvolvidas pelos empregados que estavam expostos a agentes nocivos a sua saúde ou integridade física são as de: soldador, frisador planador e torneiro mecânico, zelador de ferramentas, caldeireiro, auxiliar de caldeiraria, ajustador mecânico, trançador, encarregado de ajustagem, chefe geral de oficina, ferramenteiro, encarregado de maquinas, mecânico de manutenção e auxiliar de manutenção mecânica. O lançamento compreende o período de 04/1999 a 05/2004, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 30/09/2004. Ofertada impugnação (fls. 718), foi determinada a realização de diligencia fiscal para averiguação dos documentos apresentados possuírem força para a modificação do lançamento, principalmente os PPP's que não haviam sido analisados na fase de fiscalização. Resposta do fiscal as fls. 720, no sentido de que a documentação apresentada não possui o condão de alterar quaisquer dos fundamentos do lançamento. Logo após, as fls. 722/732, verificase que o Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRF Belo Horizonte, propôs consulta a equipe de auditoria dos riscos ocupacionais no Ambiente de Trabalho, sobre como efetuarse o enquadramento do agente nocivo químico cromo para fins de cobrança da contribuição prevista no inciso II do art.22 da Lei 8.212/91. Sobreveio, então, resposta de fls. 735/740, tendo sido o processo administrativo enviado a DRJ de Belo Horizonte para julgamento em primeira instancia. Mantida, pois a integralidade da notificação, fora interposto recurso voluntário, por meio do qual, sustenta o contribuinte: • que a caracterização da hipótese de incidência do adicional para aposentadoria especial dos empregados expostos a agentes nocivos está condicionada a submissão dos mesmos a tais riscos de forma permanente e não intermitente; • que a recorrente fornece EPI a todos os empregados, • que os PCMSO 's, apesar de evidenciarem, em algumas situações, a exposição a agentes nocivos em diferentes graus e intensidades, também apontam que não houve qualquer indicativo de doença que leve a incapacidade laboral; Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.343 5 • que mesmo que se considere que os empregados estivessem expostos a ruídos acima do nível de tolerância, o que não ocorreu, a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda da capacidade labora; • que a fiscalização efetuou o lançamento com base em meras presunções e em desacordo com o art. 142 do CTIV, motivo que enseja a nulidade da NFLD; e • inaplicabilidade da taxa SELIC; (...)." 7. A seguir tabela ilustrativa, cujos dados constam do Relatório Fiscal (Fls. 221 e ss), contendo as funções dos trabalhadores expostos a riscos ambientais, evidenciando assim a motivação do lançamento: FUNÇÃO DATA DO PPRA RISCOS FUNDAMENTOS Soldador 1999 Físicos – 94,1 dB 9ª) para 8 horas trabalhadas Químicos – fumos metálicos PPRA não informa se a exposição é habitual e permanente a ficha de controle de fornecimento de EPI, constatou se que o equipamento de proteção não foi devidamente fornecido aos empregados; empregado João Bosco Quintão recebeu um protetor auricular em 08/98, outro em 08/99; outro protetor entre 09 e 11/99 (na ficha não consta data nem assinatura do empregado) e outro apenas em 09/02. O empregado fazia parte do quadro da empresa até o encerramento da ação fiscal, ou seja, 05/2004. o certificado que consta na ficha de controle de fornecimento de EPI referese a protetor auditivo pré moldado de espuma de PVC, tipo inserção, com pequeno pino no interior, quando no PPRA o técnico em segurança do trabalho da empresa contratada para elaborar o PPRA informa que os protetores auriculares tipo plug; a empresa não apresentou cronograma de substituição de EPIs; concluiuse que o EPI fornecido ao empregado não atendia à sua finalidade de proteger o trabalhador do agente nocivo; a empresa apresenta para a função, um Certificado de Análise que consta a análise dos fumos metálicos constando a presença do elemento químico cromo; conclui que, tendo em vista que o cromo está relacionado no anexo 13 da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE e como este anexo não determina limite de tolerância, bastando a sua presença para se caracterizar o agente nocivo, considerouse o empregado exposto aos riscos físicos (ruído acima do limite de tolerância) e agentes químicos 9fumos metálicos, cromo) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.344 6 11/01/2001 Químicos – fumos metálicos Físicos – ruído de 86 dB nível de ruído abaixo do nível de tolerância, mas o empregado continua exposto, pois a empresa não elaborou outro laudo de análise do fumo metálico, assim para o referido período, foi considerado o laudo anterior, onde consta a presença do cromo. 02/07/2002 Químicos fumos metálicos Físicos ruído de 90,8dB Empresa apresentou Laudo Técnico Ambiental elaborado em 26.03.2002 no laudo não consta análise do cromo e demonstra concentração para o chumbo; o PPRA caracteriza como exposição intermitente ao agente químico e o laudo caracteriza exposição como contínua, durante toda a jornada de trabalho; nível de ruído acima do limite de tolerância (90dB) o parecer técnico Conclusivo do PPRA atesta que o ruído ultrapassou o limite de tolerância devendo ser adotado medias de caráter coletivo, como enclausuramento de fontes ruidosas, isolamento acústico e fornecimento do equipamento de proteção individual a empresa não adotou nenhuma medida de caráter coletivo e o fornecimento do equipamento de proteção individual se mostrou deficiente; 16/12/2003 Químicos fumos metálicos habitual e permanente Físicos ruido/ radiação nãoionizante habitual e permanente a empresa não apresentou outro laudo para a análise dos fumos metálicos; não consta medição do nível do ruído; o parecer técnico informa que “a atividade é considerada insalubre de grau médio (anexo 01 ruído continuo e intermitente da NR 15 da Portaria 3.214/78 do MTE); não restou demonstrado no item 8.1.1 o uso adequado do EPI Mandrilhador Fresador Plainador e Torneiro Mecânico PPRA de 1999 Químicos – hidrocarbonetos Físicos – ruídos 83 dB insalubridade caracterizada por hidrocarbonetos e outros compostos de carbono pois são usados como solvente ou em limpeza de peças; a empresa contratada para elaborar o PPRA, confirma que existe contato com o hidrocarboneto e indica o uso do creme protetor para pele resistente a água; ao analisar a ficha de controle de EPI de dez destes profissionais apenas um empregado (torneiro mecânico) recebeu um pote de creme paras as mãos. Ele foi contratado em 17/01/2001 e somente recebeu o EPI em 04/08/2003; concluiu configurada a exposição ao agente nocivo hidrocarboneto, para as funções até a elaboração o PPRA de 2002. 02/07/2002 Químicos – óleo de corte sintético – exposição intermitente nível de ruído acima do limite de tolerância; José Turibo – a partir de 01/01/200 a empresa não forneceu mais o protetor auricular para o empregado. Na Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.345 7 Físicos – 92,8m dB – exposição contínua ficha do empregado consta apenas fornecimento de botina em 12/99, luva de raspa em 01/200 e respirador em 01/2001; Dirson Magela Pereira A partir do ano de 2001 passou a receber apenas um protetor a cada ano. Foi admitido em 02/11/1998 na função de plainador e continua trabalhando na empresa até 05/2004. Marcos Filix da Cruz o empregado recebeu um protetor em 01/2001 e o outro apenas 12/2003, três anos depois, tempo muito superior ao previsto para troca do equipamento, conforme informação da empresa contratada para elaboração do PPRA; Cláudio Mauricio Soares maior período que ficou sem receber o equipamento foi 11/98 a 05/99, o que ainda é aceitável. Todavia, após 03/2000 ficou mais de 02 anos sem receber o equipamento. Recebeu protetores apenas em 13/09/2002, em 14/07/2003, em 15/08/2003 e outro em 09/02/2004. Praticamente um protetor a cada ano. Foi admitido em 01/04/1998 e demitido em 05/02/2003, na função de fresador e foi readmitido 14/07/2003. Em 01/08/2003 sua função foi alterada para mandrilhador. Lausdinei Fernandes do Amaral recebeu um protetor auricular tipo plug em 07/99, 02 (dois) entre 07/1999 e 07/2002 (na ficha não consta a data de entrega), outro em 12/2002, mais um em 07/2003 e outro apenas em 03/2004. Renato Viana Caldeira até 08/1999 recebia o equipamento de proteção com certa regularidade, de quatro em quatro meses. A partir de 08/99 a situação mudou, recebeu dois protetores entre 08/1999 e 10/2002 (na ficha não consta a data de entrega), outro protetor em 12/2002 e outro apenas em 02/2004. Esteve afastado da empresa no período de 05/03 a 10/03, e só recebeu outro equipamento em 02/02/2004. Foi admitido em 01/10/1997 na função de mandrilhador, saiu em15105/2003 e retornou a empresa em 01/10/2003, na mesma função. Rafael Alves Neves recebeu protetor auricular em 01/2001; 08/2001; 12/2002; 09 e , 10/2003; 01, 02 e 04/2004. Na ficha do empregado não consta entrega do equipamento de proteção individual entre 08/2001 e 12/2002, portanto, o mesmo ficou 16 meses usando o mesmo equipamento. Foi admitido em 17/01/2001, como torneiro mecânico. Helvio Carneiro consta entrega de um protetor auricular tipo plug em 01/2000, 02 (dois) protetores entre 01/2000 e 08/2001 (na ficha não consta a data da entrega), um em 07/2003, 09/2003, 12/2003, 03/2004, 06/2004 e 07/2004. O empregado ficou sem trocar o seu equipamento no período de 08/2001 ate 07/2003, portanto todo o ano de 2002 e mais quase sete meses em 2003. Foi admitido em 04/09/1996, foi demitido em 11/10/1999 e readmitido em 12/01/2000, sempre na função de torneiro mecânico. Sirley de Lima até 02/99 recebeu um protetor auricular todo mês. Todavia, não recebeu nenhum protetor no período de 2000 a 2002. Recebeu 02 protetores no ano de 1999, mas na ficha não consta a data de entrega. Consta apenas entrega de botina em 17/09/1999, entrega de 02 protetores (sem data) e em 18/01/1999 entrega de outro protetor auricular. A ficha está fora de ordem cronológica, mas comprova a falta de troca do equipamento no período de 2000 a 2002, uma vez que consta registro de troca de protetor Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.346 8 auricular apenas em 05/09/2002, 10/2002, 02 e 09/2003. Foi admitido em 01/12/1998 e demitido em 19/01/2004, na função de torneiro mecânico. João Carlos Ferreira recebeu o protetor auricular em 09/2001 e outro apenas em 08/2003, quase 24 meses depois. O Ultimo protetor que recebeu foi em 01/2004. Foi admitido em 12/09/2001 na função de torneiro mecânico. a empresa não apresentou cronograma de substituição de EPIs. Segundo o Técnico em segurança do Trabalho da empresa contratada para elaborar o PPRA os protetores auriculares tipo plug deveriam ser substituídos de mês em mês, no máximo. o EPI fornecido ao empregado não atendia à sua finalidade, ou seja proteger o trabalhador do agente nocivo. 16/12/2003 Químicos – poeira metálica e óleo mineral Físicos – ruído 85,1 dB – habitual e permanente o ruído está cima do nível de tolerância; o equipamento de proteção individual não foi regularmente fornecido par ao empregado, não restando provada a sua eficácia; Zelador de ferramentas 1999 Risco químico nenhum Risco físico nenhum Apesar desta função constar da mensagem enviada à empresa notificada, informando que existe contato com o hidrocarboneto, não efetuamos o levantamento dos empregados desta função, tendo em vista informação do PPRA que não identifica exposição a agente químico. 11/01/2001 Riscos Químicos DGN (desengraxante) Hidrocarboneto Riscos Físicos 86 DB o único empregado na função não recebeu nenhum pote de creme de proteção para as mãos, apesar de estear em contato com o Hidrocarboneto. concluise que a partir dessa data o empregado estava exposto, tendo em vista constar no PPRRA a exposição ao agente químico e a mensagem enviada à empresa em 07/125/2001; 02/01/2002 Riscos Químicos DGN (desengraxante) intermitente Riscos Físicos 92,8 DB de forma continua empregado continua exposto; ruído em nível acima do limite de tolerância de forma contínua; Geraldo Ferreira da Silva – recebeu um protetor auricular por ano. empregado permanece prestando serviço na empresa e continua usando o mesmo protetor auricular desde 03/2002, hi 25 meses (considerando a última comp. fiscalizada 05/04), sendo totalmente incompatível com a informação da necessidade de se trocar o equipamento a cada mês; 16/12/2003 Riscos Químicos DGN (desengraxante) intermitente Riscos Físicos ruído habitual e permanente parecer conclusivo do PPRA atesta que" a atividade é caracterizada como Insalubre de grau médio, tendo em vista a exposição ao hidrocarboneto; a empresa não adotou nenhuma medida de controle geral e quanto ao Equipamento de Proteção Individual, este sequer foi entregue ao empregado; no ano de 2002, consta do PPRA um nível de ruído de 92,8 dB para esta função, e como para 2003 não foi feita a medição, considerouse o empregado exposto ao agente Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.347 9 ruído tendo por base a medição apresentada no ano anterior. Caldeireiro 1999 Esta função não estaca exposta a agente nocivo 11/01/2001 Não consta informação a função de caldeireiro 02/07/2002 consta nível de ruído de 90,8 dB e no PPRA de 16/12/2003 consta nível de ruído de 95 dB, considerou se que no ano de 2001 (sobre o qual não constam informações), o caldeireiro também esteve exposto ao ruído, acima do nível de tolerância. A empresa tem dois empregados nesta função e analisando as fichas de EPI constatamos que para o Sr. Jairo César Rosa o Ultimo protetor auricular foi entregue em 02/2000. O empregado continua trabalhando até 05/2004, portanto usando o mesmo protetor há quatro anos. O Sr. Reinaldo Edson de Almeida, trocou o protetor auricular em 10/99 e s6 recebeu outro em 12/2003, permanecendo quatro anos com o mesmo equipamento. Auxiliar de Caldeiraria 1999 Esta função não estaca exposta a agente nocivo 01/11/2001 Não consta informação a função de caldeireiro considerouse este profissional exposto, no período de 01/2001 ate 07/2001 (quando de sua promoção para a função de caldeireiro) tendo em vista a falta de informação para o ano de 2001 e os argumentos utilizados no item anterior. Ajustador mecânico 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos Óleo de corte sintético exposição intermitente Riscos Físicos ruído de 101,4 dB exposição continua nível do ruído acima da tolerância (90 dB); Luciano Lopes Teixeira recebeu o último protetor auricular em 01/11/1999 (data em que foi readmitido na empresa) e desta data até o dia 26.08.2004 (data em que esta fiscalização carimbou as fichas) o empregado não trocou o equipamento; Duas outras fichas analisadas apresentaram entrega de protetor auricular em 09 e 11/2002 e somente em 02 e 07/2004, respectivamente, os protetores foram trocados, caracterizando um longo período com o mesmo equipamento, restando comprovada a exposição do trabalhador a agente nocivo. 16/12/2003 Riscos Químicos poeira metálica, desengraxante industrial, óleo mineral e graxa exposição habitual, não ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído de 87 dB exposição habitual e permanente nível de ruído acima da tolerância; longo período com o mesmo equipamento; Traçador 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição Marcos Pasqual de Abreu O empregado permaneceu com o mesmo equipamento, sem trocálo por 32 meses, entre 03/01 até 10/03. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.348 10 continua 16/12/2003 Riscos Químicos desengraxante industrial e óleo mineral ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído habitual e permanente como a empresa não efetuou a medição do nível de ruído, considerouse a medida anterior, ou seja, 92,8 dB, acima do limite de tolerância. quanto ao hidrocarboneto "a atividade é caracterizada como Insalubre de grau médio Encarregado de Ajustagem 1999/2001 Não consta exposição a agentes nocivos 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua Uilson Miranda de Souza – o mesmo recebeu um protetor auricular em 02/2000 e outro apenas em 07/2003, mais de 03 anos depois. Recebeu outro protetor somente em 02/2004. O empregado exerce a função de encarregado de ajustagem a desde 16/07/2001. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído habitual e permanente parecer conclusivo do PPRA atesta que no tocante ao ruído, a caracterização deste agente será feita após a medição quantitativa no ambiente do trabalho pelo método dosimétrico. No entanto as medidas propostas para o controle da exposição do trabalhador devem ser implementadas; o equipamento de proteção individual, não foi devidamente fornecido ao empregado. Chefe Geral de Oficina/Chefe de Produção 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua Vander Célio Gomes que ocupa esta função desde 01/11/2000, recebeu o último protetor auricular em 11/2000 e como continuava trabalhando na empresa até o encerramento da ação fiscal, ou seja, 05/2004 utiliza o mesmo equipamento há 43 meses, tempo muito superior ao considerado necessário. Neste caso considerouse o empregado exposto. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos físicos – ruído – habitual e permanente a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Ferramenteiro 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos fumos metálicos exposição eventual Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição continua empregado exposto de forma contínua a nível de ruído acima do limite considerado tolerável pelo MTE, o protetor auricular, não foi fornecido de forma adequada; 16/12/2003 Riscos Químicos poeira metálica, fumos metálicos exposição ocasional e intermitente Riscos Físicos ruído habitual e a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.349 11 permanente Encarregado de Maquinas Operatrizes/Enc arregado de Usinagem 1999/2001 não consta exposição a agentes nocivos. 02/07/2002 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído de 92,8 dB exposição contínua Antônio Jorge Abreu Silva recebeu um protetor auricular em 04/2003 e outro em 08/2004. Foi admitido em 04/03 e permaneceu sem trocar o equipamento de segurança por mais de um ano. 16/12/2003 Riscos Químicos nenhum Riscos Físicos ruído habitual e permanente a empresa não apresentou a medição para o nível de ruído e o uso do EPI não se mostrou eficaz para minimizar os riscos à saúde do trabalhador, considerou se o empregado exposto. Mecânico de manutenção o único profissional da empresa nesta função foi admitido em 01/02/2001. No PPRA deste ano não consta exposição. 02/07/2002 Riscos Químicos poeira metálica, óleo de corte sintético e graxa exposição intermitente Riscos Físicos ruído de 101,4 dB exposição contínua Leopoldo José Silva Souza recebeu apenas um protetor auricular em 01/02/2001. Foi admitido em 01/02/2001 e permaneceu sem trocar o equipamento de segurança até o encerramento da ação fiscal.. 16/12/2003 Riscos Químicos óleo mineral, graxa, desengraxante industrial Riscos físicos – ruído de 87 dB – exposição habitual e permanente empregado exposto, tendo em vista que o uso do equipamento de segurança não ter se mostrado eficaz; Auxiliar de Manutenção Mecânica ruído acima da tolerância (87dB); empregado recebeu apenas um protetor auricular quando de sua admissão (admitido em 01/10/2003) 8. A recorrente foi regularmente cientificada da decisão de segunda instância que anulou o Acórdão a quo, proferido em 13/02/2008 (fls. 781/800), reabrindose o prazo de defesa de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para apresentação de manifestação a respeito de Diligência Fiscal, anteriormente efetuada ,conforme consignado às fls. 749/752 dos autos. 9. A autuada não se manifestou acerca da referida Diligência Fiscal, tendo limitadose em apresentar requerimento, onde pede a apreciação da defesa (fls. 246/295) administrativa então apresentada. 10. O julgador a quo ao reanalisar a defesa apresentada em 15/10/2004 (fl. 245) decidiu pela procedência do lançamento, cuja decisão (fls. 1295/1314) restou ementada nos seguintes termos: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.350 12 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2004 RISCOS OCUPACIONAIS. ADICIONAL PARA O CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL .ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM VIGOR. O gerenciamento adequado do ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, é condição para afastar a cobrança do adicional de contribuição destinada à aposentadoria especial prevista no artigo 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. No processo administrativo fiscal, não cabe apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de norma. Impugnação Improcedente." 11. A contribuinte tomou ciência da decisão supra em 17/09/2013 (fls. 1317 AR) e, demonstrando sua irresignação com o resultado do julgamento de primeira instância, a empresa, tempestivamente, e, basicamente com os mesmos argumentos apresentados na defesa inicial, interpôs Recurso Voluntário, às fls. 1318/1333, no qual, em síntese, aduz que: a) o lançamento deve ser anulado, eis que está fundado em "(...) meras presunções, e não de fatos concretos que espelhem os efetivos riscos ocupacionais, bem como se apóiam em circunstâncias que não tem relação de pertinência com os fatos concretos". Tal fato macula de vício o auto de infração a teor do art. 142 do CTN; b) a fiscalização não se desincumbiu do ônus de exaurir a matéria tributável, nos termos do referido artigo 142, limitandose a tentar descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada, sem sequer conhecer ou analisar as instalações da Recorrente, sob o argumento de que o "levantamento está embasado nos documentos apresentados pela empresa, ou seja, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA”; c) não está configurada a situação na qual os empregados da recorrente estejam submetido a risco à saúde ou integridade física, inclusive, em virtude de medidas preventivas e corretivas adotadas não haverá hipótese de sujeição do empregado à aposentadoria especial, resultando na desnecessidade de pagamento do adicional ora exigido; d) sempre adotou e exigiu de seus funcionários a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), tais como botas, luvas, óculos de proteção, capacetes, máscaras descartáveis, protetores auriculares, cremes de proteção, dentre outros, conforme depreendese dos demonstrativos de Estoque de Material à Disposição em Almoxarifado, Notas Fiscais de Compra de Material para EPI’s e relação de EPI’s entregues, anexados aos autos por ocasião da apresentação da impugnação; Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.351 13 e) o uso constante dos EPI’s fornecidos pela recorrente pode ainda ser evidenciado pelas declarações individuais de cada um de seus funcionários que atestam a aplicação dos equipamentos; f) além de adquirir os equipamentos adequados à atenuação e/ou neutralização de riscos ocupacionais, exerce a devida fiscalização quanto à utilização, através de controle de entrega de EPI’s, complementado pela imposição de ordens internas a este respeito e pela realização periódica de treinamento dos empregados, como se apura dos documentos já apresentados; g) o controle quanto à utilização e gerenciamento dos EPI’s pode ser comprovado pela realização, desde 1999, de diversas palestras e treinamentos, através da qual a recorrente forneceu orientações gerais e específicas para a adequada utilização dos referidos equipamentos, bem como no que se refere às demais medidas de segurança no trabalho, jogando por terra a afirmação da fiscalização de que os funcionários não receberam treinamento para a utilização de EPI’s; h) seus funcionários não estavam expostos a riscos permanentes e contínuos, haja vista que se dedica a fabricação de produtos diversos, sendo certo que ela não trabalha sob um sistema de produção em série; i) a análise dos PCMSO evidencia que apesar da existência em determinadas situações, de exposição a agentes nocivos em diferentes graus de intensidade, não houve qualquer indicativo de doença ou condição que leve à incapacidade, ainda que parcial; j) a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda de capacidade laboral; k) no caso, é inaplicável a taxa SELIC, visto ter esta natureza remuneratória, sendo sua utilização, inclusive, contrária ao disposto no artigo 192, § 3o, da C.F./88. 11. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos foram remetidos a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.352 14 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. PRELIMINARES 2. Embora não tenham sido suscitadas, explicitamente, como preliminares na peça recursal, considerando os supostos vícios apontados pela recorrente na busca da anulação do lançamento e da decisão a quo, de início, no entanto, registro que no procedimento adotado pela fiscalização para a formalização da autuação foram observados todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...). Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.353 15 3. Ademais, a recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)." 4. No que tange à decisão a quo, notese que esta também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que eventualmente pudesse em resultar na nulidade do referido ato. "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)." 5. Assim, pelas razões anteriormente apontadas, da análise dos autos, não identifico quaisquer vícios que possam tornar nulo, quer o lançamento ou a decisão proferida em primeira instância, até porque na elaboração dos referidos atos administrativos não foram detectadas nenhuma causa de nulidade, conforme previsto no art. 59, do Dec. nº 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." DA CONFIGURAÇÃO DO RISCO 6. Insta mencionar que a controvérsia está posta no fato de que o auditor fiscal identificou circunstância fática que autoriza o recolhimento de contribuições previdenciárias, relativas ao adicional do SAT, destinadas ao custeio do benefício de aposentadoria especial de determinados empregados que estão expostos a risco ambientais do trabalho. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.354 16 7. A empresa autuada possui como objeto social a reparação e fabricação sob encomenda de peças e equipamentos de reposição para a indústria siderúrgica e de mineração. 8. Segundo o relatório fiscal os lançamentos constantes no auto de infração sob análise, referemse ao adicional à contribuição social relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (art. 22, inciso II, da Lei n. 8.212/91), destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos arts. 57 e 58 da Lei n. 8.213/91. 9. Esta contribuição incide, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos sendo às alíquotas: a) 1% para as empresas em cuja atividade preponderante do risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% paras as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. 10. Os agentes nocivos compreendem a situação combinada, ou não, de substâncias e de demais fatores de risco capazes de ocasionar danos à saúde ou à integridade física em função de sua natureza, sua concentração e sua intensidade ou da exposição do segurado aos mesmos. 11. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou a associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física do segurado que ensejam a concessão da aposentadoria especial consta no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº. 3.048/99). 12. Os agentes nocivos consubstanciados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social são meramente ilustrativos. Desse modo, caso seja constatada a efetiva exposição do segurado a um determinado agente nocivo não previsto no respectivo regulamento, o segurado, ainda assim, terá direito à contagem do tempo de serviço especial. 13. In casu, a empresa teria deixado de (i) comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de (ii) controlar os riscos ocupacionais existentes e de (iii) dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. 14. O lançamento foi lavrado com base no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) no que se refere às seguintes funções: soldador, frisador planador e torneiro mecânico, zelador de ferramentas, caldeireiro, auxiliar de caldeiraria, ajustador mecânico, trançador, encarregado de ajustagem, chefe geral de oficina, ferramenteiro, encarregado de maquinas, mecânico de manutenção e auxiliar de manutenção mecânica. 15. A empresa garante que os riscos derivados da exposição a agentes nocivos são atenuados ou até mesmo eliminados por conta da adoção de medidas protetivas. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.355 17 Isso porque, sempre exigiu de seus empregados a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Segundo a empresa, o uso constante dos EPI’s fornecidos pode ser evidenciado não só pelos demonstrativos de Estoque de Material à Disposição em Almoxarifado, Notas Fiscais de Compra de Material para EPI’s e relação de EPI’s entregues, mas também pelas declarações individuais de cada um de seus funcionários que atestam a aplicação dos equipamentos. 16. Entretanto, segundo laudo da Clinica Médica Engenharia e Saúde do Trabalho Ltda. (CLIMEST), empresa que a própria recorrente contratou para realizar a Avaliação Anual do PPRA, ficou constado que muitas das funções exercidas realmente estavam expostas a riscos e, inclusive, foram dadas orientações para a recorrente, no sentido de fazer cumprir o disposto na legislação vigente de Segurança e Medicina do Trabalho. 17. Cabe ressaltar que as avaliações do PPRA eram realizadas anualmente e ficou evidenciado que a empresa deixou seus empregados expostos a agentes nocivos. Isso porque, com base nas avaliações feitas pela CLIMEST (ff. 123 a 219), muitas das situações de risco, no decorrer dos anos, permaneceram idênticas e algumas delas até chegaram a piorar, como se mostra a seguir: FUNÇÃO DATA DA AVALIAÇÃ O DO PPRA RISCOS LEVANTADOS ORIENTAÇÕES CARACTERIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO Soldador. 1999 Físicos – Radiação não ionizante. Ruído: 94,1 dB (A) para 8 horas trabalhadas. Químicos – fumos metálicos. Ergonômicos – exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies aquecidas, projeção de partuculas. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor; Óculos maçariqueiro; Mascara para soldador; , Mascara para fumos metálicos, semifacial, sem manutenção; Avental, luva de raspa cano longo, manga e perneira de raspa; Creme de proteção para soldador; Botina de segurança com biqueira de aço. Soldador 2001 Químicos – fumos metálicos. Físicos – Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas, radiação nãoionizante Ergonômicos – exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda , de materiais sobre membros superiores e inferiores, eletricidade, contato com superfície aquecida, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra fragmentos de escória; Óculos para macariqueiro com filtros de luz adequado; Máscara facial para soldador com lentes adequadas; Respirador para retenção de fumos e poeiras metálicas, semifacial, sem manutenção tipo P1; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Habitual e permanente, não eventual nem intermitente ao agente físico ruído e intermitente ao agente radiação não ionizante durante, a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não eventual e intermitente ao agente químico fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Plainador, Fresador, 2001 Químicos – Óleo de Corte sintético Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de Habitual e permanente, não eventual e nem intermitente Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.356 18 Mandrilhador e Torneiro mecânico. Físicos – Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada, monotonia e repetitividade Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de aço. ao agente físico ruído, não eventual e intermitente ao agente químico óleo de corte sintético Spilcort SFM"C" durante a jornada de trabalho. Zelador de Ferramentas 2001 Químicos – Desengraxante de uso industrial (DGN) Físicos Ruído: 86 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes e queda de ferramentas sobre membros inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Creme protetor para a pele águaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não eventual nem intermitente ao agente físico ruído, não eventual e intermitente ao agente químico durante a jornada de trabalho. Mecânico Ajustador 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético Físicos Ruído: 101,4 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele águaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com biqueira de ago. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição intermitente ao agente químico óleo de corte sintético durante a jornada de trabalho; Exposição continua ao agente físico ruído durante a jornada de trabalho. Traçador 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com biqueira de ago. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Exposição continua ao agente físico ruído durante a jornada de trabalho. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.357 19 cortantes Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Plainador, Fresador, Mandrilhador e Torneiro mecânico 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada, monotonia e repetitividade Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, prensamento dos membros superiores e inferiores, contato com superfícies ou arestas perfuro cortantes e aquecidas Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico óleo de corte sintético Spilcort SFM "C" durante a jornada de trabalho. Encarregado de Maquinas Operatrizes/ Encarredado de Ajustagem 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Projeção de partículas, queda de materiais sobre membros superiores e inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Chefe Geral de Oficina 2002 Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Projeção de partículas, queda de materiais sobre membros superiores e Inferiores, acidentes de trânsito próprio e de terceiros Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.358 20 trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Zelador de Ferramentas 2002 Químicos – Desengraxante de uso industrial (DGN) Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Contato com. superfícies perfurocortantes e queda de ferramentas sobre membros inferiores. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo concha; Creme de proteção para a pele aguaresistente contra o ataque agressivo de produtos solúveis em água; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho. Ferramenteiro 2002 Químicos – Fumos Metálicos Físicos Ruído: 92,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas/ Radiação não ionizante Ergonômicos – exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Eletricidade, projeção de partículas, contato com superfície aquecida Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Máscara facial para soldador com lentes adequadas; Protetor auricular tipo plug; Respirador semifacial para retenção de fumos e poeiras metálicas, sem manutenção, tipo P2; Avental, luva de cano longo manga e perneira de raspa; Botina de segurança com elástico e biqueira de aço. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico. Exposição continua ao agente ruído , durante a jornada de trabalho; Exposição eventual ao agente físico radiação não ionizante durante a jornada de trabalho; Exposição eventual ao agente químico fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Mecânico de Manutenção 2002 Químicos – Óleo de Corte sintético e graxa (componentes mecânicos) Físicos Ruído: 101,4 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos segurança lente incolor; Protetor auricular tipo plug ou concha; Máscara respiratória semifacial Exposição continua ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.359 21 Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes, prensamento das mãos, projeção de partículas. sem manutenção tipo P1 para esmerilhar pegas; Creme protetor para pele óleo resistente; Botina de segurança com biqueira de ago e elástico. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Soldador 2002 Químicos – fumos metálicos. Físicos Ruído: 90,8 dB(A) para 08 horas diárias trabalhadas Ergonômicos exigência de postura inadequada, movimentos repetitivos Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, choque elétrico, contato com material incandescente, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos para soldador com lentes adequadas; Máscara facial para soldador; Máscara semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Medidas administrativas e de organização no trabalho: Redução do tempo de exposição; Adequação do ritmo de trabalho; Funcionamento de maquinas em períodos com menor numero de trabalhadores; Controle médico. Medidas de caráter coletivo: Enclausuramento de fontes ruidosas; Isolamento acústico Exposição intermitente ao agente químico fumos metálicos, durante a jornada de trabalho; Exposição continua ao agente fisico ruldo, durante a jornada de trabalho; Exposição intermitente ao agente físico radiação não ionizante, durante a jornada de trabalho. Mecânico Ajustador, Mecânico de manutenção, Auxiliar de Manutenção 2003 Químicos – Poeira metálica, desengraxante industrial, óleo mineral e graxa (componentes mecânicos). Físicos Ruído: 87,0 dB(A) e dose de 150,2% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superficies aquecidas e perfurocortantes, prensamento de membros superiores, projeção de partículas, queda de material sobre o trabalhador Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos segurança lente incolor contra impactos; Protetor auricular tipo plug; Respirador respiratória semi facial valvulado sem manutenção tipo P1 para esmerilhar peças; Creme protetor para pele óleo resistente, Botina de segurança com biqueira de ago. Óculos para magariqueiro (durante o aquecimento de pegas através do maçarico); Protetor Facial (para uso do esmeril) Habitual, não ocasional e intermitente aos agentes químicos durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho. Traçador 2003 Químicos – desengraxante industrial, óleo mineral Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico durante a Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.360 22 Físicos Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento de membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Creme de proteção para a pele óleoresistente; Botina de segurança com biqueira de aço. Bota, avental e luva de PVC (quando: Atividade: Lavagem das peças). jornada de trabalho. Ocasional e intermitente ao agente químico durante a jornada de trabalho. Encarregado de ajustagem 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug; Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico durante a jornada de trabalho. Plainador, Fresador, Mandrilhador e Torneiro mecânico 2003 Químicos – Poeira metálica, óleo mineral (óleo mineral e fluído de corte) Físicos – Ruído médio ponderado no tempo de 85,1 dB (A) e dose de 115,6% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, prensamento de membros superiores e inferiores, projeção de partículas, contato com arestas perfurocortantes, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos lente incolor contra projeção partículas; Protetor auricular tipo plug; Luva de raspa ou vaqueta para contato com arestas perfuro cortantes; Creme protetor para pele óleo resistente; Protetor facial (durante a afiação das ferramentas de corte no esmeril); Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Habitual, não ocasional e intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Encarregado de máquinas operatrizes/ Encarregado de Usinagem 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança lente incolor contra impacto; Protetor auricular tipo plug; Botina de segurança com biqueira de ago. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Chefe Geral de Oficina 2003 Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, projeção de partículas, queda de materiais sobre o trabalhador, acidente de transito Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança lente incolor contra impacto; Protetor auricular tipo plug; Botina de segurança com biqueira de ago. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Zelador de Ferramentas 2003 Químicos – DGN (desengraxante industrial) Físicos – Ruído Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Protetor auricular tipo plug ou concha; Habitual, não ocasional e intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.361 23 Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortantes, queda de ferramentas sobre membros inferiores, projeção de partículas. Óculos de segurança lente incolor contra respingos, no manuseio do DGN; Creme de proteção para a pele óleoresistente; Luva de PVC ou Nitrilica para contato com DGN; Botina de segurança com biqueira de aço. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho Ferramentaria 2003 Químicos – poeira metálica, fumos metálicos. Físicos – Ruído / radiação não ionizante Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – projeção de partículas, contato com superfície aquecida. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de segurança com lente incolor contra impactos; Mascara facial para soldador com lentes com filtro conforme o tipo de solda a ser utilizada: Protetor auricular tipo plug; Respirador semifacial para retenção de fumos e poeiras metálicas, sem manutenção, tipo P2 (nos trabalhos com solda); Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa (nos trabalhos com solda); Botina de segurança com biqueira de aço. Protetor facial (durante a afiação das ferramentas de corte no esmeril) Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico ruído, durante a jornada de trabalho; Ocasional e intermitente ao agente físico radiação não ionizante durante a jornada de trabalho; Ocasional e intermitente aos agentes químicos poeira metálica e fumos metálicos durante a jornada de trabalho. Mecânico de manutenção 2003 Químicos – Óleo mineral, Graxa, desengraxante industrial. Físicos – Ruído Ergonômicos exigência de postura inadequada. Mecânicos ou Acidentes – contato com superfícies perfurocortante, prensamento das mãos, projeção de partículas, queda em nível diferente, eletricidade. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos de proteção contra impactos; Protetor auricular tipo plug; Bota, avental e luva de PVC (durante a limpeza do separador de óleo e agua); Creme protetor para pele óleo resistente; Botina de segurança com biqueira de aço; Cinto de segurança tipo paraquedista com 03 pontos de ancoragem para os trabalhos de manutenção da ponte rolante e nos trabalhos com mais de 02 metros de altura; Capacete de proteção com jugular em trabalhos em altura Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente aos agentes químicos, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente físico, durante a jornada de trabalho. Soldador 2003 Químicos – fumos metálicos Físicos – Ruído / Radiação nãoionizante Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – Queda de materiais sobre membros superiores e inferiores, choque elétrico, contato com superfície aquecida, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores, probabilidade de explosão e ou incêndio, queda de materiais sobre trabalhador. Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Óculos para soldador com lentes filtrantes com tonalidade adequada ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Máscara facial para soldador com lentes filtrantes com tonalidade adequada ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva de cano longo, manga e perneira de raspa; . Botina de segurança com biqueira de aço e elástico. Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao agente químico, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente aos agentes físicos, durante a jornada de trabalho Caldeireiro 2003 Químicos – fumos metálicos / Poeira metálica Físicos –Radiação não ionizante / Ruído médio Devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual: Atividade de Montagem Óculos para soldador com Habitual, não ocasional e intermitente aos agentes químicos, durante a jornada de trabalho; Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.362 24 ponderando no tempo de 95,0 dB(A) e dose de 453,6% para exposição diária de 09 horas. Ergonômicos exigência de postura inadequada Mecânicos ou Acidentes – contato com superfície aquecida e perfurocortante, projeção de partículas, prensamento de membros superiores e inferiores, queda de materiais sobre trabalhador. lentes filtrantes com tonalidade adequadas ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Máscara facial para soldador com lentes adequadas ao tipo de eletrodo a ser utilizado; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de fumos metálicos, tipo P2; Protetor auricular tipo plug; Avental, luva e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de ago. Atividade: Esmerilhamento Óculos de Proteção com lente incolor; Respirador semifacial, sem manutenção para retenção de poeira metálico, tipo P1 Protetor auricular tipo plug; Avental, luva e perneira de raspa; Botina de segurança com biqueira de aço e elástico; Protetor Facial (durante a utilização de esmeril de bancada). Habitual, não ocasional e intermitente a radiação ionizante, durante a jornada de trabalho; Habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente ao ruido, durante a jornada de trabalho; 18. Analisando os programas elaborados pela CLIMES e os documentos anexos à NFLD, a fiscalização constatou a existência dos agentes nocivos, ruído acima do limite de tolerância, fumos metálicos de Chumbo e de Cromo, e Hidrocarbonetos. Isto é, os documentos ambientais elaborados pela empresa atestam a presença dos agentes físicos e químicos em nível superior ao tolerável previsto no anexo IV do RPS/99. 19. Contudo, a recorrente insiste que além de adquirir os equipamentos adequados à atenuação e/ou neutralização de riscos ocupacionais, exerce a devida fiscalização quanto à utilização, através de controle de entrega de EPI’s, complementado pela imposição de ordens internas a este respeito e pela realização periódica de treinamento dos empregados, através do qual a recorrente forneceu orientações gerais e específicas quanto à utilização dos referidos equipamentos. 20. Todavia, com base na tabela exposta no relatório acima, verificase que os EPI’s não eram entregues com a frequência necessária e tampouco entregues a todos os funcionários que estavam expostos aos riscos. 21. A meu ver, restou comprovado que a empresa apresentou Fichas de Controle de Fornecimento de EPI’s com periodicidade de substituição superior a indicada no PPRA, e que os funcionários não receberam treinamento para a utilização dos EPI’s, conforme registrado por Engenheiro de Segurança do Trabalho quando da avaliação do PPRA. 22. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que restou configurada a existência, no ambiente de trabalho dos empregados, não só de agente nocivos diversos (agentes químicos, físicos) constantes no anexo IV do RPS99, mas também riscos ergonômicos, mecânicos e de acidentes. Da mesma forma, podese constatar o ineficiente gerenciamento dos riscos ambientais por parte da empresa, fato incontroverso nos pareceres da empresa contratada para avaliar os riscos ambientais do trabalho. 23. Assim, ao analisar o conjunto probatório trazido pela fiscalização e pela recorrente em suas razões recursais, concluo que o lançamento deve ser mantido. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.363 25 DA EXPOSIÇÃO AO RISCO EVENTUALIDADE 24. A recorrente sustenta ainda que seus funcionários não estavam expostos a riscos permanentes e contínuos. Entretanto, conforme pareceres da empresa contratada para avaliar os riscos ambientais do trabalho, ficou comprovado que os riscos eram habituais. 25. Cabe ressaltar o art. 151 da Instrução Normativa INSS/PR nº 99/2003 ratifica que a permanência significa a presença do agente nocivo de maneira indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço em decorrência do mando que se submete o trabalhador, in verbis: Art. 151. O núcleo da hipótese de incidência tributária, objeto do direito à aposentadoria especial, é composto de: I – nocividade, que no ambiente de trabalho é entendida como situação combinada ou não de substâncias, energias e demais fatores de riscos reconhecidos, capazes de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador; II – permanência, assim entendida como o trabalho não ocasional nem intermitente, durante quinze, vinte ou vinte cinco anos, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço, em decorrência da subordinação jurídica a qual se submete. § 1º Para a apuração do disposto no inciso I, há que se considerar se o agente nocivo é: I) apenas qualitativo, sendo a nocividade presumida e independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13A e 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15) do Ministério do Trabalho e Emprego MTE e no Anexo IV do RPS, para os agentes iodo e níquel; II) quantitativo, sendo a nocividade considerada pela ultrapassagem dos limites de tolerância ou doses, dispostos nos Anexos 1, 2, 3, 5, 8, 11 e 12 da NR15 do MTE, por meio da mensuração da intensidade ou da concentração, consideradas no tempo efetivo da exposição no ambiente de trabalho. § 3º Quanto ao disposto no inciso II, não quebra a permanência o exercício de função de supervisão, controle ou comando em geral ou outra atividade equivalente, desde que seja exclusivamente em ambientes de trabalho cuja nocividade tenha sido constatada. [grifos próprios]. 26. A recorrente defende, também, que a análise dos PCMSO evidencia que apesar da existência em determinadas situações, de exposição a agentes nocivos em diferentes graus de intensidade, não houve qualquer indicativo de doença ou condição que leve à Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.364 26 incapacidade, inclusive, sustenta que a perda auditiva não caracteriza evento que implique na perda de capacidade laboral. 27. Ocorre que, os Relatórios Anuais dos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da recorrente não são conclusivos quanto ás condições ambientais de trabalho, uma vez que devem estar articulados com as demais NR’s, conforme dispõem os subitens 7.2.1 e 7.2.4 da Norma NR7, e por isso não podem ser utilizados como prova. Em outras palavras, o PCMSO pode indicar uma exposição a agentes nocivos à saúde, mas o não indicativo de doença não infere, obrigatoriamente, que o trabalhador não está ou esteve exposto a agentes nocivos. 28. Dessa forma, entendo que no presente caso os riscos eram habituais, e não eventuais como alega a recorrente. DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 29. A recorrente entende que as observações da autoridade fiscal partem de meras presunções e não de fatos, bem como se apoiam em circunstâncias que não tem relação de pertinência com os fatos concretos. 30. Segundo a recorrente, a fiscalização tenta descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada, sem sequer conhecer ou analisar as instalações da recorrente, sob o argumento de que o “levantamento está embasado nos documentos apresentados pela empresa, ou seja, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA”. 31. Diante de todo o exposto, entendo não caber razão à recorrente, visto que os argumentos da fiscalização foram fundados em fatos, podendo utilizar como prova, inclusive, documentos apresentados pela própria recorrente. 32. A meu ver a fiscalização agiu corretamente e em nenhum momento tenta descredenciar a completude e complexidade da documentação apresentada. DA TAXA SELIC 33. O contribuinte suscita que não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre suposto débito tributário, calculado mediante a aplicação de taxa com natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios. 34. Quanto a tais argumentos, restrinjome a reproduzir a súmula CARF n.º 4, destacando que a utilização da taxa Selic têm por suporte leis tributárias dotadas de vigência plena. “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 35. Nesse contexto, correta é a aplicação da taxa SELIC como juros de mora. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15504.001245/200735 Acórdão n.º 2402005.056 S2C4T2 Fl. 1.365 27 CONCLUSÃO 36. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos delineados. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000316/2001-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/07/2001 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração que preenchem os requisitos de admissibilidade e sanada a contradição apontada, atribuindo-lhes os respectivos efeitos infringentes para modificação da decisão embargada.
Numero da decisão: 9303-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e retificar o acórdão nº 9303-01.408 para declarar prejudicado o exame do recurso especial do Contribuinte.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
VANESSA MARINI CECCONELLO - Relatora
EDITADO EM: 05/02/2016
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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CONTRADIÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração que preenchem os requisitos de admissibilidade e sanada a contradição apontada, atribuindolhes os respectivos efeitos infringentes para modificação da decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e retificar o acórdão nº 930301.408 para declarar prejudicado o exame do recurso especial do Contribuinte. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente VANESSA MARINI CECCONELLO Relatora EDITADO EM: 05/02/2016 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 03 16 /2 00 1- 13 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 05/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 930301.408, com fulcro no art. 65, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de julho de 2009, buscando sanar vício de contradição existente no julgado. O acórdão recorrido deu provimento aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo. Alega a Embargante em suas razões que a contradição se dá em razão de ter sido reconhecida a correção pela taxa Selic de ressarcimento de crédito presumido de IPI, o qual foi justamente negado ao Contribuinte pelo Colegiado, ao prover o recurso especial da Fazenda Nacional (efls. 445 e 446). Por fim, requer o acolhimento dos embargos de declaração para ver sanada a contradição apontada. Os embargos de declaração da Fazenda Nacional foram admitidos em despacho de efls. 447 a 450, do qual são extraídos os seguintes trechos: Em sessão de julgamento realizada em 4 de abril de 2011, a 3ª Turma do CSRF julgou o recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL e por BUDDEMEYER S/A, exarando o Acórdão nº 930301.408, fls. 434 a 4411, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 05/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13976.000316/200113 Acórdão n.º 9303003.416 CSRFT3 Fl. 453 3 Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Provido. A Fazenda Nacional volta aos autos, desta feita para interpor embargos de declaração, fls. 445 e 446, acusando a decisão de ter admitido a correção do valor do ressarcimento de créditos de IPI pela taxa Selic sem que qualquer montante tivesse sido reconhecido ao contribuinte Conclui, requerendo o saneamento dos vícios apontados. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Com a intimação da decisão embargada ocorrendo em 02/03/2012 (cfe. Termo de Intimação, fl. 442, o recurso, interposto em 07/03/2012 (cfe. RM nº 11.172, fl. 444), é francamente tempestivo. [...] Compulsando os autos, às fls. 228 a 236, constato que o Acórdão nº 20216.830, ao apreciar o recurso voluntário contra a decisão de primeira instância que ratificou o total indeferimento do pleito de ressarcimento de crédito presumido do IPI, deulhe parcial provimento, admitindo a inclusão dos valores da industrialização por encomenda na base de cálculo do benefício. O recurso especial interposto pela PGFN objetivou, justamente, a reversão desse provimento. Tendo sido provido, nada há a ressarcir ao contribuinte. Nada obstante, a decisão embarga proveulhe o direito de corrigir o valor do ressarcimento pela taxa Selic. A contradição merece saneamento pela via dos presentes embargos. [...] Fl. 454DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 05/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Conheço dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional por serem tempestivos e atenderem aos demais requisitos de admissibilidade. A Fazenda Nacional aponta a existência de contradição no acórdão nº 9303 01.408, ao prover o recurso especial da Fazenda, determinando a não inclusão dos valores dos serviços de industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido de IPI e, ao mesmo tempo, dar provimento ao apelo especial da Contribuinte para reconhecer a possibilidade de correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic. Da análise do inteiro teor da decisão embargada, verificase que, na apreciação dos recursos pelo Colegiado, por voto de qualidade, foi dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a inclusão dos valores da industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI, tendo restado vencido o voto do Relator. Frisese que o acolhimento do apelo especial da Fazenda afastou o direito da Contribuinte a todo o crédito tributário pleiteado no presente processo administrativo e que havia sido deferido no julgamento do recurso voluntário, não existindo parcela remanescente que tenha sido reconhecida. Afastandose o direito ao creditamento pleiteado pela Contribuinte, consectário lógico é que seja declarada prejudicada a análise de pedido de correção do valor a ser ressarcido, constante no apelo especial do Sujeito Passivo, o que de fato não foi observado no acórdão embargado, caracterizandose o vício da contradição, que deve ser reparado, passando a ementa e o dispositivo a terem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. Recurso Especial do Procurador Provido. Recurso Especial do Contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 05/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13976.000316/200113 Acórdão n.º 9303003.416 CSRFT3 Fl. 454 5 provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; e II) por unanimidade de votos, em declarar prejudicado o recurso especial do sujeito passivo. [...](grifouse) Diante dos argumentos expostos, voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração interpostos, atribuindolhes os efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e retificar o acórdão nº 930301.408 para declarar prejudicado o exame do recurso especial da Contribuinte, tendo em vista que com o provimento do recurso especial da Fazenda Nacional não há crédito a ser ressarcido e, portanto, não há de se falar em correção monetária do mesmo. É como voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 05/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12448.736152/2011-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA.
Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora quando há comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis.
Hipótese em que a alegada observância da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não tem o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemene, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada.
Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9202-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 04/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA. Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora quando há comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. Hipótese em que a alegada observância da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não tem o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemene, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada. Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.238 1 1.237 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12448.736152/201135 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202003.700 – 2ª Turma Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IRPF Recorrentes Fazenda Nacional e Ricardo Takao Kobayashi Fazenda Nacional e Ricardo Takao Kobayashi ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2006, 2009 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA. Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora quando há comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. Hipótese em que a alegada observância da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não tem o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemene, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 61 52 /2 01 1- 35 Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.239 2 Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 04/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a alegação, pela autoridade lançadora, de simulação levada a cabo pelo autuado quando da alienação, à UBS Brasil Participações Ltda., de 14.175.971 ações de sua propriedade, de emissão de Banco Pactual S/A (CNPJ 30.306.294/000145), alienação esta ocorrida em 01/12/2006, conforme auto de infração de efls. 105 a 113 e Termo de Verificação de efls. 65 a 104. Através do referido auto, se constituiu crédito tributário decorrente do recebimento, pelo autuado, no anos calendários de 2006 e 2009, de parcelas decorrentes da referida alienação. Tal alienação resulta de contrato firmado em 09/05/2006 (efls. 774 a 896) entre a então controladora direta do referido Banco Pactual S/A, a saber Pactual S.A., CNPJ 02.220.758/000160, e o investidor estrangeiro UBS AG, onde o sócio pessoa física autuado foi incluído como parte, visto que então detentor de participação societária indireta no referido Banco Pactual S/A, rezando o referido contrato que a alienação final (ou seja, nos termos do contrato, “o fechamento”) já deveria ter como partes o comprador UBS AG e os sócios pessoas físicas, já então titulares de todas as ações emitidas pelo referido Banco Pactual, transformandose assim a participação indireta do sócio em participação direta no referido Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.240 3 Banco, através de uma etapa prévia que se denominou no referido contrato de “Reorganização” (vide efls. 783/784). Concluída tal etapa intermediária, com o respectivo “fechamento do negócio” em dezembro de 2006, o referido sócio fez jus a um recebimento de parcela decorrente da alienação ainda em 2006 (quando do fechamento), bem como de parcela recebida em 2009, ambas objeto do presente litígio. Elemento chave para a análise da autuação é a sequência de eventos societários que compuseram esta etapa de reorganização, muito bem relatadas pela autoridade julgadora de 1a. instância às efls. 952 e seguintes, as quais envolveram, além das soceidades já citadas, as empresas Pactual Participações Ltda., CNPJ 02.244.808/000190. Nova Pactual Participações Ltda (antiga Pactual Participações S.A.), CNPJ 02.220.756/000171 e Pactual Holdings S.A, CNPJ 02.220.757/000116, verbis: “ (...) Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda. nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactual Participações Ltda. é incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A é incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.241 4 Em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactual S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Entendeu a fiscalização a propósito, que, no caso em questão, houve “majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda., Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A”. Entende estar a irregularidade evidenciada pelo fato do sujeito passivo ter recebido novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção sequencial da Nova Pactual Participações Ltda. e da Pactual S/A, mantendo, porém, em sua propriedade, sempre a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, aumentando também o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A. Entende a fiscalização que as operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídico contábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A. Acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda., nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.242 5 Defendeu, assim, a autoridade autuante, que o custo da ação alienada por cada acionista deveria ter como base a participação de cada um deles no Capital Social da Pactual S/A, em 01/12/2006. Todavia, como o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos, deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A. Por isso, esta parcela deveria ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte arbitrado pela fiscalização, que é de R$ 10.687.671,25, correspondente a 1,25% do total do acervo líquido da sociedade, líquido dos dividendos distribuídos. Por sua vez, tendo o Contribuinte recebido em 2006, pela venda das ações, R$ 25.474.251,10, correspondentes a 38,8651% do valor total da venda, de R$ 65.545.252,68, foi considerado como custo das ações relativo à parcela da venda recebida em 2006, R$ 4.153.774,12, com os restantes R$ 6.533.897,13 sendo alocados à parcela recebida em 2009. Entendeu a autoridade fiscal que, com os procedimentos adotados pelos ex acionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art. 72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço teria sido montado no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos 1o e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia de que não há direito ilimitado. Cientificado do Termo de Verificação de efls. 65 a 104 e do auto de infração de efls. 105 a 113, apresentou o contribuinte impugnação de efls. 909 a 943, onde alegou, adotandose aqui em sua totalidade o relatório detalhado produzido pela autoridade de 1a. instância: “(...) 1. Antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 1,28% da Nova Pactual Participações Ltda (NPP), sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A. (PSA), também uma sociedade holding e titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual. Os demais 21,82% do capital social da NPP eram de propriedade de Pactual Holdings S.A., sociedade holding na qual o Impugnante não tinha qualquer participação. 2. Após a implementação da reestruturação, o Impugnante considerou que o custo de seus investimentos no Banco Pactual passou a ser de R$ 31.751.166,44 e esse foi o valor utilizado como base para a quantificação de seu ganho de capital. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.243 6 3. O Auto de Infração indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, entretanto, não há a indicação do dispositivo legal que teria sido infringido, o que nem poderia ser feito, pois os efeitos da reestruturação decorreram justamente da aplicação dos dispositivos legais em vigor. Das Operações que Precederam a Venda do Banco Pactual e do Propósito das Mesmas 4. O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos e constituídas em uma época em que os acionistas sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual. Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados. Dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias. 5. O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico dentre todos disponíveis, sendo o acréscimo do custo de seus investimentos mera consequência de aplicação das normas em vigor. 6. Havia algumas opções para a realização do negócio diretamente pelos acionistas, tendo sido a opção pela incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal. Desde que o art. 8º da Lei n° 9.532/1997 definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária. A rapidez com que as holdings foram eliminadas bem demonstra a eficiência da opção adotada pelos acionistas. 7. Assim, não procede a assertiva constante do TVF de que a Reestruturação foi realizada com o objetivo de ser utilizada pelos acionistas para aumentar indevidamente o custo de aquisição de seus investimentos no Banco Pactual. Dos Efeitos das Incorporações Inversas 8. A Lei n° 6.404/1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I). 9. A incorporadora recebe um conjunto patrimonial e paga aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas do aumento de seu capital. Não se apuram resultados na Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.244 7 substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação. 10. O conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido. 11. A parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação. Por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados. 12. Nas incorporações inversas, a capitalização de lucros das incorporadas nos processos de incorporação por vezes não é perceptível de imediato, pois pode ocorrer de o capital da incorporadora permanecer o mesmo antes e depois da operação. Com efeito, tomese, por exemplo, situação em que: (i) a incorporadora/controlada tenha sido constituída no ano I, com o capital de RS 100.000,00; (ii) sua única acionista seja a incorporada/controladora, uma empresa sem nenhum passivo cujo único ativo sejam os investimentos na incorporadora/controlada (R$ 100.000,00); (iii) a incorporadora/controlada tenha auferido lucros de R$ 50.000,00 e promovido a capitalização dos mesmos. 13. Na incorporação, caberia à incorporadora/controlada aumentar seu capital em R$ 150.000,00 (valor de patrimônio líquido da incorporada/controladora), atribuindo as ações representativas desse aumento aos acionistas da incorporada/controladora; em contrapartida desse aumento, os ativos da incorporada/controladora seriam transferidos à incorporadora/controlada mas, como a legislação brasileira não confere às ações representativas do capital da própria emitente a natureza de um ativo, as referidas ações seriam declaradas extintas e o capital social da incorporadora/controlada permaneceria inalterado. Assim, a situação patrimonial da incorporadora/controlada seria exatamente a mesma, antes e depois da incorporação. 14. Mesmo quando o capital da incorporadora/controlada permanece inalterado após a incorporação, ocorre aumento de seu capital e desaparecem as contas que refletem os lucros e reservas da controladora/incorporada, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo de custo para seus acionistas. 15. Antes da incorporação, os acionistas da investidora/incorporada seriam titulares de ações de empresa apta a distribuir dividendos no valor de R$ 50.000,00, quando tivesse disponibilidades de caixa, e em condições de capitalizar Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.245 8 seus lucros, elevando para RS 150.000,00 o custo dos investimentos. 16. Com a incorporação da investidora/incorporada, seus acionistas passariam a participar de empresa (a investida/incorporadora) sem lucros disponíveis e com capital social de RS 150.000,00. Assim, se o custo dos investimentos dos acionistas da investidora/incorporada não fosse elevado para R$ 150.000,00, eles perderiam, com a incorporação, a oportunidade de receber dividendos ou mesmo bonificações que possibilitassem o aumento do custo de seus investimento até o montante do patrimônio líquido da invertida/incorporadora; ou seja, se o custo não fosse ajustado, o acionista passaria a registrar um deságio nos seus investimentos. Esse fato evidencia, por si só, a ocorrência da capitalização dos lucros das incorporadas nos processos de incorporação e justifica o ajuste do custo dos investimentos dos acionistas da incorporada, com base no § único do art. 130 ou no art. 135 do RIR. 17. Não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda. em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção. 18. Os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação. Com esse procedimento, a participação indireta do Impugnante no Banco subiu de 1,00% (1,28% de 78,18%) para 1,25% (1,60% de 78,18%). 19. O capital de Participações foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros e, como nela se observa, a capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa. 20. As capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações não representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois (i) essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, (ii) era essencial à adequada distribuição dos lucros de Participações. Do Aumento de Custo Resultante da Reestruturação 21. Nas incorporações inversas, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas. Por outro lado, ocorre Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.246 9 capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada, passando o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada a corresponder ao valor original de seu investimento, acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada, capitalizados no processo de incorporação. 22. O aumento do custo de aquisição dos investimentos do Impugnante no Banco Pactual se verificaria, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings como houve quer não. 23. Em se tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR. 24. A legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro. O ajuste do custo dos investimentos do Impugnante decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. 25. A Fiscalização limitase a alegar que houve uma interpretação incorreta do art. 135 do RIR, por parte do Impugnante. Isso evidencia que, na verdade, o Auto baseiase no inconformismo da Fiscalização quanto às consequências que a aplicação da lei trouxe no caso concreto. 26. As distorções apresentadas através dos quadros demonstrativos do TVF decorrem do texto da lei. De certa forma, a própria fiscalização reconhece esse fato, quando, para demonstrar a distorção, apresenta exemplos elaborados rigorosamente a partir da aplicação da lei. 27. Os ganhos de equivalência patrimonial integram o resultado do exercício da investidora e, conforme estabelece o §6° do art. 202 da LSA, os lucros do exercício devem ser integralmente distribuídos, ressalvada a possibilidade de serem retidos, nos termos dos arts. 193 a 197 da mesma lei. 28. A opção de eliminaremse holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do BANCO pelos ACIONISTAS e o aumento do custo das ações do IMPUGNANTE foi mera conseqüência da adoção dessa opção, legítima e essencial à realização do negócio, digase de passagem. 29. O art. 22 da Lei n° 9.249/95, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis. 30. Não cabe à fiscalização deixar de aplicar a lei por considerar que ela gera distorções injustificáveis. O 1º Conselho Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.247 10 de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”. Do Equívoco quanto ao Montante do Ganho de Capital Reduzido em Razão da Reestruturação 31. O montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP. Assim, após a capitalização dos lucros existentes em Participações, o custo dos investimentos do Impugnante atingiu R$ 19.300.129,94. Esse é, pois, o valor que deveria ter servido de ponto de partida para quantificação do ganho de capital auferido na venda das ações do BANCO, caso os efeitos da Reestruturação fossem negados. 32. Mesmo que a Reestruturação tivesse sido levada a efeito nas bases que o TVF consideraria adequada, os R$ 19.300.129,94 corresponderiam ao custo dos investimentos do Impugnante no Banco. 33. A sustentação da Fiscalização de que o custo das ações do Banco deveria ser definido com base no valor do capital de Pactual, dele expurgada uma parcela dos lucros do Banco que seria distribuída aos Acionistas, em razão de usufruto então constituído, chega a causar perplexidade, se confrontada com as normas legais que tratam da matéria, segundo as quais o custo do investimento corresponde ao preço pago por sua aquisição, acrescido dos lucros e reservas de lucros atribuídos aos mesmos, em razão da realização de aumentos de capital da investida. 34. O procedimento adotado no Auto no sentido de partir da situação patrimonial de Pactual para definir o custo dos investimentos do Impugnante no Banco carece de base legal, como também carece o ajuste feito ao valor então encontrado, em razão da existência de usufruto sobre as ações do Banco. Da Inexistência de Fraude e Abuso de Direito 35. Depreendese do Auto que a fraude não estaria presente em ato específico, mas sim no resultado que, com a Reestruturação, o impugnante procurou atingir, qual seja, uma injustificada redução do montante do imposto a pagar. 36. A Reestruturação não foi realizada com esse propósito específico e seria levada a efeito, independentemente da economia fiscal que dela decorreu. O Auto não nega efeitos à Reestruturação, apenas rejeita um dos efeitos fiscais, qual seja, o cômputo no custo dos investimentos dos lucros capitalizados por Participações. 37. Assim, não há que se falar em fraude à lei, abuso de forma ou ilícito semelhante, mas sim em aplicação inadequada das normas legais que versam sobre a determinação do custo de Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.248 11 investimentos, para efeitos de determinação de ganhos de capital. 38. Mesmo que os atos fossem praticados com abuso de direito, não poderiam ser classificados como fraudulentos e qualificados como ilícitos de natureza penal, pois para que haja abuso de direito os atos que sejam assim classificados devem observar a legislação em vigor. Se não observaram, o ilícito será de outra natureza. 39. Em 2001, a RFB reconheceu publicamente que a legislação em vigor não lhe oferecia armas para combater o planejamento fiscal, o que levou o Congresso a publicar a Lei Complementar 104/2001 que introduziu no CTN o parágrafo único do art. 116, que depende ainda de regulamentação. 40. O escopo das referidas normas foi atingir atos que, embora lícitos, fossem praticados com abuso de forma ou de direito. Aqueles praticados com observância da lei, mas com abuso de forma não podem ser rejeitados pela fiscalização, na medida em que a norma que lhe atribui esse poder ainda carece de regulamentação ou pelo menos não representam fraude ou simulação. 41. Não há no TVF, elemento que possa caracterizar a alegada fraude. Questiona o impugnante: onde está a informação falsa oferecida à fiscalização? Onde está a omissão quanto a fato que deveria ser obrigatoriamente declarado à fiscalização? Também não há uma única indicação de que os atos praticados foram ilógicos ou menos convenientes, em termos negociais, do que outros. 42. O único ponto suscetível de comportar discussão está na aplicação das regras do art. 130 e 135 do RIR. Se permanecer o entendimento de que o referido dispositivo legal não engloba a capitalização de lucros derivados da aplicação da MEP, o custo dos investimentos do impugnante no Banco foram superdimensionados, mas apenas por equívoco na interpretação da lei. Mas alegar que a Reestruturação foi concebida com evidente intuito de fraude é um absurdo. 43. Jamais se poderia ver fraude em procedimentos com as características da Reestruturação. Transcreve o Impugnante doutrina a respeito da matéria e destaca, por fim, que a participação do impugnante era extremamente reduzida, não tendo ele votos suficientes para fazer com que a Reestruturação ocorresse dessa ou daquela forma. 44. Não se alegue que a mera intenção do sujeito passivo de obter economia tributária caracterizaria “dolo” capaz de deflagrar a multa qualificada. 45. A participação do impugnante era extremamente reduzida, não tendo ele votos suficientes para fazer com que a Reestruturação ocorresse dessa ou daquela forma. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.249 12 Da Inaplicabilidade da Multa Agravada 46. A aplicação da multa de 150% só justificase quando há evidente intuito de fraude, ou seja, quando o contribuinte age de máfé e com claro propósito de violar conscientemente a lei. 47. A jurisprudência administrativa reserva a multa majorada apenas para casos em que haja tentativas de enganar, esconder, iludir a fiscalização. (Apresenta uma série de exemplos de acórdãos) 48. Por outro lado, jurisprudência administrativa é uníssona em rejeitar a qualificação da multa quando não for demonstrada pela autoridade fiscal, com precisão, a existência de falsidade ou omissões que a justifiquem. São citadas a Súmula nº 14 do Carf e diversas decisões proferidas pelo órgão administrativo. 49. Assim, tendo em vista que a fiscalização não comprovou e sequer apontou um único ato praticado pelo impugnante que pudesse configurar a fraude, fica evidente que não se verificaram no caso concreto os pressupostos para aplicação da multa qualificada. 50. Se o impugnante acreditava e acredita que a lei permitia a elevação do custo de seus investimentos, seu procedimento, ainda que equivocado, não denota consciente intuito de fraude. Dos Juros sobre a Multa 51. É descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. (...)” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de efls. 951 a 978. Cientificado da decisão em 06/07/2012, o contribuinte, em 25/07/2012 ingressa com recurso voluntário de efls. 985 a 1029, onde repisa as argumentações trazidas em sede de impugnação, adicionando, ainda, em sede de recurso as seguintes argumentações: a) Entende que a receita de equivalência é definitiva e efetivamente auferida pelas investidoras, podendo, inclusive, o lucro que a leva em consideração ser distribuído aos sócios ou objeto de capitalização, se tratando de obrigação imposta pela Lei (e não opção), não se confudindo, todavia, o lucro de uma investida com o da investidora, nem o lucro de uma holding com a das outras, entendendo que a capitalização se deu com lucros das próprias holdings. Aduz, ainda, que o fato de uma holding não ter atividades operacionais não permite que se dê tratamento diferenciado a esta em relação a outras que tenham atividades operacionais. b) Rechaça a inaplicabilidade do art. 135 do RIR/99 a capitalizações de lucros originários do MEP, ressaltando inexistir óbice legal a tais capitalizações. Critica a argumentação tecida na decisão recorrida, no sentido de que uma vez capitalizados, na sociedade investidora, os referidos lucros fiquem indisponíveis tanto para capitalizações como para novas distribuições na sociedade investida, argumentando inexistir base legal para tal Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.250 13 “bloqueio”. Entende que as vantagens fiscais a que se refere a decisão decorrida decorrem da própria aplicação do art. 135 e não da reestruturação ocorrida no grupo. Após a impugnação, levantou (efls. 1038 a 1065) a existência de Acórdãos oriundos deste CARF onde se haveria decidido de forma favorável ao contribuinte, em situações fáticas idênticas àquela sobre análise. Em sessão plenária de 16 de abril de 2013, foi dado provimento parcial ao referido Recurso Voluntário, prolatando a 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção deste CARF o Acórdão 2.20200.2262, assim ementado (efls. 1068 a 1101), com seu decisum: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2006, 2009 OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.251 14 multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e fls. 1103 a 1117, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, questionando: (a) o afastamento, pelo recorrido, da qualificação da multa de ofício, o que configuraria divergência jurisprudencial em relação a precedente deste mesmo CARF. Foi trazido como paradigma, a propósito, o Acórdão 10617.149, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO. Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendose considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE A realização de operações estruturadas em seqüência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO Nos casos em que for constatado o dolo, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Física só decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.252 15 SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de oficio, nos termos da legislação de regência. Recurso voluntário negado. Defende, nesta seara, que “(...) houve a prática de sonegação por parte do recorrente que, por meio de operações realizadas em sequência, omitiu receitas passíveis de tributação. A fraude também está caracterizada, pois a forma dada ao negócio teve, ainda, o objetivo de modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do tributo devido. Por essas razões, aplicável a majoração prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96” e que “se não houve a riqueza respectiva, o aumento foi artificial, de forma fraudulenta, apenas visando à minoração da tributação do ganho de capital auferido quando da alienação do Banco Pactual”, (b) o afastamento, pelo recorrido, da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, que configuraria divergência jurisprudencial em relação a precedente deste mesmo CARF. É trazido como paradigma, a propósito, o Acórdão CSRF 0400.651, assim ementado: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. Defende aqui que no conceito de “débitos decorrentes de tributos ou contribuições”, insculpido no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estaria abrangida a multa de ofício aplicada quando do lançamento. Ainda, sustenta que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício acarretaria em “frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício”, tendo em vista o relevante horizonte temporal normalmente decorrido desde o lançamento até a conclusão do litígio em sede administrativotributária. Colaciona precedentes jurisprudenciais que dariam suporte à sua tese, bem assim clama por uma interpretação sistemática dos arts. 113, 139 e 161 da Lei no 5.172, de 1966 (CTN). Requer, assim, a União que seja reformado o acórdão proferido pela e. Câmara a quo, de forma a que sejam restabelecidas a multa qualificada, bem assim a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Foi dado seguimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, exclusivamente no que diz respeito à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício conforme Despachos de efls. 1120 a 1128. Cientificado do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte ofereceu, contrarrazões ao Recurso interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional (efls. 1141 a 1147). Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.253 16 Em sede de contrarrazões, o contribuinte propugna, restringindose o presente relatório agora à matéria na qual houve seguimento ao recurso da Fazenda, pela manutenção da decisão atacada, limitandose a reproduzir e concordar com trechos da argumentação utilizada na decisão, colacionando jurisprudência administrativa adicional favorável àquela tese. Ainda, ingressou o contribuinte com Recurso Especial de sua iniciativa, de e fls. 1152 a 1187, com fulcro nos arts. 67 e seguintes do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Teria o Acórdão vergastado divergido do decidido no âmbito do Acórdão CARF no. 210201.938, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste mesmo CARF em 16.04.2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Tal recurso foi regularmente admitido, conforme despacho de fls. 1216 a 1219. Quanto ao referido Recurso Especial, o Contribuinte repisa os argumentos já trazidos em sede de recurso voluntário, ressaltando agora, também, a inexistência de procedimento uniforme para cálculo do ganho de capital, nas diversas autuações efetuadas, junto aos 60 acionistas que participaram conjuntamente do ciclo de operações em questão, uma vez que, não obstante todas as autuações terem concluído pela impossibilidade do cômputo de custos na forma realizada pelos autuados, foram adotados procedimentos diferentes para determinar qual seria o custo de aquisição correto a ser admitido para fins fiscais. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.254 17 Requer, assim, que seja reformado o Acórdão Recorrido e cancelado o auto de infração. Subsidiariamente, requer que sejam canceladas as multas e juros de mora, com fulcro no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a observância plena, pelo recorrente, da Instrução Normativa SRF 84/2001. Ainda, acerca do Recurso Especial de iniciativa do contribuinte, a Fazenda Nacional ofereceu as contrarrazões de fls. 1221 a 1230, onde requer que seja negado provimento ao Recurso Especial do contribuinte, retomando a argumentação já trazida em sede de contrarrazões quando da análise do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator a) Recurso Especial interposto pelo Contribuinte: O recurso de iniciativa do Contribuinte é tempestivo, o paradigma anexado foi proferido por órgão julgador diferente daquele do presente processo e não foi reformado, adicionalmente, a matéria objeto do recurso, para a qual se deu seguimento não foi objeto de súmula do CARF e, ainda, analisando o paradigma trazido pelo Contribuinte, verifico estar diante de situações fáticas similares. Por fim, em que pese, no item 3 do Recurso, em que o recorrente se propõe a provar "Divergência Jurisprudencial", não terem sido indicados os ponto específicos no paradigma colacionado que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido, através da transcrição de trechos dos acórdãos, em cotejo, pela leitura completa do recurso, do acórdão paradigma e do acórdão recorrido, bem como da consulta aos autos, entendo haver divergência de critérios jurídicos. Portanto, conheço do recurso. O deslinde da questão se resume à correta interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica. Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.255 18 Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.256 19 patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.257 20 distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.258 21 Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.259 22 legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.260 23 A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.261 24 duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); A autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpretadas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 10.687.671,25 o valor do custo das ações do autuado, correspondente a 1,25% do total do acervo líquido da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), líquido dos dividendos distribuídos (demonstrativos de e fls. 64 e 103). Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que no que diz respeito aos aumentos de custo decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006 em Nova Pactual Participações Ltda. (NPP) e Pactual S/A (PSA), respectivamente nos valores de R$ 12.690.361,00 e R$ 12.451.099,00 (vide demonstrativos de efls. 25 e 77), ambos deveriam ter sido glosados. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas no anocalendário de 2006 não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito a partir do valor concedido pela fiscalização (R$ 10.687.671,25) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicandose assim o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de aproximadamente R$ 6,7 milhões, conforme a seguir apurado: ( ) Custo considerado pelo autuado por ele informado 31,7 () Aumento de custo pela 1a capitalização 12,6 () Aumento de custo pela 2a capitalização 12,4 (=) Custo original a ser aceito conforme procedimento do conselheiro 6,7 Obs.: Informações extraídas do item 2.4 do Termo de Verificação Fiscal (apresentadas em R$ milhões) Reparase que o valor acima calculado é muito inferior ao referido montante de R$ 10.687.671,25, considerado como custo na apuração do ganho de capital pela autoridade autuante, o que torna despiciendo buscar qualquer ajuste nesse valor. Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.262 25 Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias, ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada. iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de ofício, neste último caso em linha com o explicitado a seguir quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. a.IV – Conclusão Como a exigência original foi apenas de parte do valor que este conselheiro, nos termos da fundamentação deste voto, entende devido, e considerando a impossibilidade de reformatio in pejus voto por NEGAR provimento ao recurso especial de iniciativa do contribuinte, para manter o crédito tributário reconhecido como devido pela decisão a quo, inclusive a multa de ofício no patamar mantido pelo acórdão recorrido, bem como a incidência de juros de mora sobre o principal e sobre a mencionada multa. b) Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional: O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, o paradigma anexado foi proferido por órgão julgador diferente daquele do presente processo e não foi reformado, adicionalmente, a matéria objeto do recurso, para a qual se deu seguimento não foi objeto de súmula do CARF e, ainda, analisando o paradigma trazido pelo Procurador da Fazenda, verifico estar diante de situações fáticas similares para as quais o presente Conselho adotou critérios jurídicos diferentes, nos termos dos pontos especificamente trazidos pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial. Assim, conheço do recurso. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.263 26 Conhecido o Recurso, passo a seu mérito, relativamente à matéria para a qual lhe foi dado seguimento (ou seja, sobre juros de mora incidentes sobre a multa de ofício). Quanto ao art. 61, §3o. da Lei no 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, §1o. do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9.202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.264 27 é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício objeto de lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 9202003.700 CSRFT2 Fl. 1.265 28 Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.013884/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância.
Preliminar de Nulidade da Intimação Conhecida e Indeferida
Recurso Voluntário Não Conhecido em Relação ao Mérito
Numero da decisão: 2201-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação. Por maioria de votos, não conhecer do recurso em relação ao mérito. Vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA (Relator), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. Preliminar de Nulidade da Intimação Conhecida e Indeferida Recurso Voluntário Não Conhecido em Relação ao Mérito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação. Por maioria de votos, não conhecer do recurso em relação ao mérito. Vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA (Relator), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 38 84 /2 00 8- 70 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 82 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.749,42, incluídos multa de ofício, multa de mora e juros de mora calculados até 30/09/2008. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 47/50. Segundo se extrai da peça impugnatória e do acórdão recorrido, em decorrência do não atendimento à intimação a Autoridade lançadora glosou despesas médicas no valor de R$ 22.000,00, por falta de comprovação, e imposto de renda retido na fonte indevidamente compensado, no valor de R$ 838,98. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 29), o Interessado interpôs, em 17/06/2011, o recurso de fls. 37/42. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Nulidade por falta de citação Ao contrário do que se afirma no acórdão recorrido, não recebeu o Termo de Intimação, pois o mesmo foi devolvido em 24/01/2008, conforme comprovante à fl. 05 deste processo digital. Falase em edital nº 00001, publicado em 02/06/2008. Mas o que houve antes desta data? Quem é que foi notificado e para quê? Afirmase na decisão e no edital “que por haverem sido improfícuas as tentativas de notificação por via postal, o contribuinte foi citado por edital”. Estando no plural, é porque houve no mínimo duas tentativas. O que ocorreu antes de 02/06/2008 para se afirmar que as tentativas de notificação por via postal foram improfícuas e que foi necessária a publicação por edital? A única informação, trazida e juntada aos autos pelo Recorrente, obtida na própria Receita, referese à tentativa de janeiro (Termo de Intimação Fiscal). Os documentos de fls. 10 e 19 referemse à Notificação de Lançamento. Aonde foi publicado o edital? Esteve na Receita por três vezes e não viu nem sinal dele. Quanto ao aviso de recebimento de fl. 19, datado de 19/09/2008, não traz a assinatura do Recorrente nem de ninguém de sua família e não foi entregue na sua residência. Portanto, a nulidade é absoluta, por falta de citação, e o processo é nulo. Mérito Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 83 3 A citação por edital é a que se faz por avisos, publicados pela imprensa e afixados na sede do juízo. A AdvocaciaGeral da União, no seu Guia Prático dos Procedimentos Disciplinares, estabelece: Tratase de providência processual pela qual se dá conhecimento ao indiciado da acusação formal que lhe é feita, a fim de que possa defenderse. É o ato final da subfase da instrução e constitui requisito de validade processual. A regra é a citação pessoal, por mandado. Frustrada esta, por se achar o indiciado em lugar incerto e não sabido, determina o art. 163 da Lei 8.112/1990 que a citação seja feita por edital, que deverá ser publicado, uma única vez, no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação, na localidade do último domicílio conhecido. Neste caso, o prazo para a apresentação de defesa é de 15 dias, contados da última publicação. O importante é que a citação tenha sido regularmente efetivada. Portanto, somente com o descumprimento, pelo indiciado, da citação regularmente feita, por mandado ou por edital, para o fim de apresentar defesa escrita, é que fica caracterizada a revelia, que será declarada por termo, nos autos, e restituirá o prazo para a referida defesa, desta feita, por defensor dativo, “ocupante de cargo de nível superior ao do indiciado” e nomeado pela autoridade instauradora do processo. Ou seja, publicado o Edital no Diário Oficial da União e no jornal O Estado de Minas, o prazo será restituído para a defesa e nomeado um defensor dativo para que a faça. Quanto ao Código de Processo Civil, a forma normal de fazerse a citação é por mandado e pessoalmente. Apenas por exceção o Código admite a citação por edital, quando impraticável a sua promoção pessoalmente. A citação por edital é, portanto, presuntiva. Ao réu que, citado por edital, se mantiver revel, é obrigatória a nomeação de curador especial. É que, tratandose de uma citação por presunção legal, é de admitirse que o réu não tenha tido ciência de seu chamamento. São requisitos da citação por edital a afixação do edital, na sede do juízo, certificada pelo escrivão e a publicação do edital no prazo máximo de quinze dias, uma vez no órgão oficial e pelo menos duas vezes em jornal local. Conclusão: só houve uma única tentativa de citação pelos Correios, a qual foi devolvida devido à ausência. O referido edital não foi publicado “em órgão da imprensa oficial local”, assegurado pelo Decreto nº 70.235/1972. Não houve o envio de uma única carta simples, tão simples que dispensa a necessidade de se ter alguém em casa aguardando a passagem do carteiro. E não existe no processo comprovação inequívoca da referida publicação, como ocorre nas multas de velocidade no trânsito e nos seguros obrigatórios, cuja fotografia, registrando o cometimento da infração, é obrigatória, o mesmo ocorrendo com as seguradoras, que fartamente fotografam o veículo a ser segurado. Sabido é que no serviço público, hoje, com a terceirização, às vezes com pessoal não tão qualificado, falhas podem ocorrer e não se tem a certeza, a garantia de que o referido edital tenha sido ao menos afixado na Receita. Ao fim, requer: 1) o acolhimento da preliminar oferecida, determinandose a anulação do processo e o seu arquivamento; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 84 4 2) se ultrapassada a preliminar, permita ao contribuinte, perante esse Conselho, exibir documentos que entender necessários ou a devolução de prazo para impugnação. Diligência Por meio da Resolução nº 2801000.319, de 8 de outubro de 2014 (fls. 53/56), o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem: instruísse o processo adequadamente, mediante a juntada dos documentos faltantes (descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração relativa à glosa de imposto de renda retido na fonte e DIRF da fonte pagadora) e de outros que integraram o dossiê fiscal do contribuinte, mas que deixaram de ser digitalizados ou não foram anexados ao processo digital; intimasse o Interessado para, caso fosse de seu interesse, apresentar as razões que entender de direito, bem como para apresentar os documentos que comprovassem as despesas médicas deduzidas e o imposto de renda compensado em sua declaração de ajuste anual. A Unidade de origem apenas intimou o Interessado a apresentar comprovantes de rendimentos e de deduções de despesas médicas (fl. 63). O Recorrente apresentou a petição de fls. 60/62 e os documentos de fls. 64/73. O processo tornou a este Conselho. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Preliminar de nulidade por falta de intimação A “Consulta Postagem” de fl. 5 evidencia que a tentativa de notificação do contribuinte, do Termo de Intimação Fiscal de fl. 19 (intimação para apresentação de comprovantes de rendimentos e de despesas médicas), datado de 02/01/2008, se mostrou infrutífera (postagem da correspondência em 16/01/2008 com devolução em 24/01/2008). O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, trata da intimação no art. 23, cujo teor, na parte que interessa, está descrito nos seguintes termos: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 85 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Como se vê, o § 1º e o § 4º, I, ambos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, não exige diligências exaustivas (por exemplo, mais de uma tentativa) para efetivação da intimação, sendo suficiente o envio da correspondência ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Administração Tributária, e posterior devolução, para que seja autorizada a intimação por edital. Constatase, assim, que o procedimento adotado pela repartição fiscal encontrase dentro dos ditames estabelecidos pelo Decreto 70.235∕1972, uma vez que, improfícua a tentativa de intimação pela via postal no endereço informado pelo contribuinte, procedeuse à publicação do edital (fls. 21/22) mediante afixação nas dependências do órgão encarregado da intimação. Portanto, não se pode cogitar de irregularidade da intimação realizada para apresentação de comprovantes, porquanto de acordo com a legislação aplicável à matéria. Por outro lado, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do próprio contribuinte pessoa física, exigência extensível tão somente à intimação pessoal, de modo que a intimação da Notificação de Lançamento, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo (Aviso de Recebimento à fl. 20), se mostra eficaz, ainda que recebida por terceiro, nos exatos termos da Súmula CARF nº 9, cujo teor é o seguinte: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 86 6 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Demais disso, o Interessado apresentou impugnação tempestiva, o que demonstra que, mesmo não tendo assinado o aviso de recebimento, teve ciência da Notificação de Lançamento a tempo de poder exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Acrescento, ainda em sede de preliminar, por oportuno, que os documentos apresentados pelo Recorrente, após a conversão do julgamento em diligência, serão considerados na análise de mérito, o que revela a inexistência de qualquer prejuízo ao contribuinte. Nesse cenário, sou pela rejeição da preliminar suscitada pelo Interessado. Mérito Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte A folha de rosto da Notificação de Lançamento, à fl. 6, evidencia que foi glosado imposto de renda na fonte no valor de R$ 838,98 (Código DARF 0211). A declaração de ajuste anual do Recorrente, às fls. 12/15, revela que ele declarou rendimentos tributáveis recebidos de três pessoas jurídicas. O Recorrente apresentou os “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte” de fls. 65/66 que demonstram que os valores retidos pelas fontes pagadoras AGU e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte coincidem com os valores retidos e que foram declarados pelo Interessado (R$ 26.108,85 e R$ 2.040,14, respectivamente). O valor do imposto retido pela fonte pagadora Cooperativa União dos Carreteiros Ltda. (“Comprovante” à fl. 64), no entanto, está em desarmonia com o valor do imposto declarado pelo Interessado. A fonte pagadora reteve R$ 1.705,02, ao passo que o Recorrente declarou R$ 2.544,00 (fl. 13). Logo, houve uma compensação indevida de imposto de renda de R$ 838,98 (R$ 2.544,00 – R$ 1.705,02), que corresponde ao mesmo valor glosado pela Autoridade lançadora. Nesse cenário, entendo que deve ser mantida a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 838,98. Dedução Indevida de Despesas Médicas A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 7 evidencia que houve glosa de despesas médicas no montante de R$ 22.000,00, por falta de comprovação (não atendimento à intimação). O Recorrente apresentou, nesta sede recursal, o comprovante de despesas odontológicas no valor de R$ 12.000,00, pagos à Assistência Odontológica Integrada Ltda. (fl. 69), bem como doze recibos referentes a atendimentos de terapia ocupacional no valor total de R$ 10.000,00, pagos à profissional de saúde Rosália Ribeiro Silva (fls. 70/73). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 87 7 Nesse contexto, e em homenagem ao princípio da verdade material, sou pelo restabelecimento das despesas médicas glosadas pela Fiscalização. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Permitome discordar do Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, no que se refere ao mérito da controvérsia. Analisando detidamente a impugnação apresentada pelo Recorrente (fls. 2/3) verificase que o suplicante não se insurge, especificamente, contra nenhuma das duas infrações apuradas pela Autoridade lançadora (glosa de despesas médicas e compensação indevida de IRRF). Na verdade, o Interessado apenas alegou o cerceamento do seu direito de defesa em face de uma suposta nulidade da intimação do lançamento. Assim, verificase que, de fato, houve nesta Segunda Instância uma inovação, relativamente ao mérito do litígio. Portanto, o direito de impugnar restou precluso no tocante à parte não questionada, consoante dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997). Com efeito, a matéria não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita do contribuinte, e é insuscetível de ser trazida em momento processual subsequente. Ressaltase que o contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação. Portanto, relativamente às questões não suscitadas na peça impugnatória operouse a preclusão administrativa, de modo que ao enfrentar matéria não adstrita ao pedido do Recorrente, a Autoridade administrativa estaria julgando de forma extra petita, ou seja, além dos limites estabelecidos no pedido do autor. A respeito do tema, Antônio da Silva Cabral, no livro Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, às fls. 467, item 144, assim se manifesta: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 88 8 que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. Assim, ocorrendo à preclusão processual não pode este Órgão, por conseguinte, apreciar alegações não suscitadas em momento oportuno. Esse é entendimento deste Conselho, consoante às ementas que transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. (ACÓRDÃO 20181453) NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (ACÓRDÃO 203 11507) Ante a todo o exposto, acompanho o Relator no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação e voto por não conhecer do recurso em relação ao mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10580.725337/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO.
A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentá-las espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados em infração de lei os representantes de fato das pessoas jurídicas de direito privado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento aos recursos interpostos pela contribuinte e pela Responsável Solidária, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 37 /2 01 3- 26 Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados em infração de lei os representantes de fato das pessoas jurídicas de direito privado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento aos recursos interpostos pela contribuinte e pela Responsável Solidária, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), e de reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), consubstanciados nos autos de infração às fl. 03 a 55, referentes ao ano calendário 2009, com crédito tributário total de R$ 35.234.237,55e multa qualificada de 150%. Consoante descrição dos fatos constante dos autos de infração, bem assim do Termo de Verificação Fiscal (às fl. 56 a 110), parte integrante daqueles, houve o arbitramento do lucro em função da falta de apresentação dos livros Diário e Razão ou Caixa referentes a 2009, nos termos do art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), tendo sido apuradas as infrações abaixo indicadas, as quais foram objetos de incidência do IRPJ e das contribuições (reflexas): 2.1. omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada 2.1.1. intimado e reintimado a comprovar a origem dos depósitos/créditos em suas contas correntes, o fiscalizado não as comprovou. Planilha contendo os valores considerados no lançamento está às fl. 77 a 110. Para a sua elaboração foi realizada conciliação bancaria e os créditos de mesmos valores, nas mesmas datas e com os mesmos históricos foram retirados; 2.1.2. a consolidação mensal de tais valores por instituição financeira está demonstrada na planilha “Consolidação Mensal da Movimentação Financeira” à fl. 72. Os valores confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) foram diminuídos das diferenças apuradas; 2.2. falta de recolhimento de tributo sobre receita de prestação de serviços 2.2.1. o contribuinte apresentou planilhas e as Declarações Mensais de Serviço (DMS) da Prefeitura de Salvador/BA, informando os faturamentos e os valores dos tributos devidos no ano calendário 2009. O valor total anual do faturamento informado nas planilhas foi de R$ 23.632.500,77, enquanto os valores declarados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foram de R$ 18.600,00; 2.2.2. foi elaborada planilha “Demonstrativo da Receita da Atividade Conforme Planilha Apresentada e DMS”, à fl. 73, onde estão indicados os valores dos faturamentos; 2.2.3. os valores confessados em DCTF foram diminuídos das diferenças apuradas. 3. A multa foi qualificada haja vista que, por intermédio dos atos abaixo descritos, o contribuinte visou o desconhecimento por parte da autoridade tributária dos Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 elementos que foram as bases de cálculo dos tributos, incorrendo hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964: 3.1. apresentou DIPJ com receita declarada total de R$ 18.600,00, apesar de ter receita da atividade anual de R$ 23.632.497,88, bem assim créditos em contas bancárias que totalizam R$ 53.872.894,69; e, 3.2. da mesma forma, apresentou as DCTF com valores de débitos insignificantes em comparação com os valores devidos pela empresa. 4. Houve representação fiscal para fins penais em função do contribuinte ter incorrido, em tese, em crime contra ordem tributária previsto nos art. 1º, I, e 2º, I, da Lei nº 8.137, de 1990. 5. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fl. 111 a 122) para responsabilizar solidariamente sócios e procuradores (Josemita Almeida Brandão Rebouças, Marcelo Brandão Rebouças, Raimundo Vaz Rebouças Junior, Erenita dos Santos Almeida, Laio Santos Rebouças e Fernando Luiz Rosemberg de Oliveira), vez que, com base nos documentos que instruem os autos, estes eram responsáveis pela administração da empresa, podendo praticar quaisquer atos em nome desta, com amplos e ilimitados poderes, 5.1 A responsabilização solidária foi capitulada nos art. 124, I, 134, III, e 135, I a III, da Lei nº5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). 6. O contribuinte e as pessoas físicas responsabilizadas solidariamente foram cientificados dos lançamentos e respectivos termos de sujeição passiva por via postal e por editais. Os Avisos de Recebimentos (AR) e editais estão juntados às fl. 1485 a 1504. 7. Em 25 de julho de 2013 a Aratu Empreendimentos apresentou impugnação instruída com os documentos, onde argumentou/requereu, em síntese, o que segue: 7.1. Preliminares 7.1.1 tempestividade da impugnação; 7.1.2. preliminar de exclusão de responsabilidade dos procuradores: Josemita Almeida Brandão Rebouças, Marcelo Brandão Rebouças e Fernando Luiz Rosemberg de Oliveira. A responsabilidade do procurador em matéria fiscal deve ser comprovada através da prática de atos de excesso conforme determinação do art. 135 do CTN. Não restou provado no procedimento fiscal qualquer atitude com dolo ou excesso por parte dos procuradores no sentido de lesar o Fisco, especialmente porque todas as procurações para tais pessoas conferiram poderes para movimentações bancária, jamais para representar o sujeito passivo junto aos órgãos do Fisco Federal. Requer, pois, seja declarada ilegitimidade passiva dos procuradores; 7.1.3. ainda em sede de preliminar, a aplicação do disposto no art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, para que a defesa seja aproveitada a todas as exações citadas na autuação, bem assim aos sócios e representantes legais porventura citados no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração; 7.1.4. quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial e sem destinação para fins de investigação criminal ou instrução processual penal viola o art. 5º, XII da Constituição Federal (CF/88). Nesse sentido está jurisprudência predominante no Supremo Tribunal Federal (STF), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e nos Tribunais Regionais Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 13 5 Federais (TRF). Tais requisitos não podem ser afastados por lei ordinária (Lei nº 9.430, de 1996, art. 33, I) ou por lei complementar ( LC nº 105, de 2001) devido ao status de cláusula pétrea do dispositivo constitucional; 7.1.5. a obtenção extratos bancário viciou o procedimento fiscal contaminandoo com ilegalidade. A Administração Pública tem o mister de sujeitarse ao princípio da legalidade. A Súmula 473 do STF estabelece que a administração pode anular seus atos quando eivados de ilegalidade. No processo administrativo a conformidade ao direito também está presente na instrução probatória, conforme art. 30 da Lei nº 9.784, de 1999: as provas obtidas por meios ilícitos, como no caso presente, baseadas em legislação à revelia da Constituição, são inadmissíveis; 7.1.6. o princípio da legalidade em Direito Administrativo tem o seguinte sentido: o que não está expressamente permitido por lei está proibido. A manifesta ilegalidade do ato da autoridade fiscal reside na quebra do sigilo bancário em desatendimento dos requisitos necessários a tal excepcionalidade, violandose o art. 30 da lei nº 9.784, de 1999; 7.1.7. ante o exposto, o auto de infração deve ser anulado em função da violação do princípio da legalidade e da segurança jurídica, com base nos art. 30 e 53 da Lei nº 9.784, de 1999. Ressalta que se objetiva a declaração de nulidade do auto por conta da ilegalidade resultante da quebra do sigilo bancário e não por inconstitucionalidade, juízo que refoge à competência dessa instância administrativa; 7.2. Mérito 7.2.1. licitude nas operações da impugnante apresentou todos os documentos materialmente disponíveis: a) cópia da alteração e consolidação contratual; b) recibo de entrega das DMS de janeiro a dezembro de 2009; c) planilhas de bases de cálculo e apurações do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Informou o extravio de alguns documentos, colocandose à disposição para fornecer elementos capazes de suprimir a falta de qualquer registro contábil, como, por exemplo, as planilhas citadas. Se tivesse intenção de furtarse de suas obrigações jamais teria apresentado as planilhas informando seu faturamento. Reconhece a incorreção dos dados da DIPJ, o que decorreu do extravio dos livros. Visava a sua retificação quando da confecção das planilhas. Mesmo informando seu real faturamento via planilhas, a autoridade fiscal, ao arrepio da lei, preferiu utilizar somente os valores referentes às movimentações financeiras , bem assim o lucro arbitrado como base de cálculo; 7.2.2. inaplicabilidade do coeficiente de arbitramento de 38,4% tinha atividades diversas no ano 2009, o que desmerece a aplicação única do coeficiente de 38,40 %. Somente se justificaria tal coeficiente em hipóteses extremas e quando o objeto social for única e exclusivamente prestação de serviços em geral, o que não é o caso, conforme reconhecido pela autoridade fiscal. Junta cópia de todas as notas fiscais emitidas no ano 2009, bem como os respectivos contratos de prestações de serviços, requerendo seja feita diligência para apuração do quantum debeatur; 7.2.3. retenções não consideradas devem ser computadas todas as retenções efetivamente descontadas das notas fiscais ora apresentadas. Caso entenda pertinente, deve ser determinada a intimação das respectivas empresas tomadoras, para que estas comprovem o devido repasse aos cofres públicos dos tributos retidos; Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 7.2.4. ilegalidade de se considerar depósitos bancários como renda nem todo depósito em conta bancária configura acréscimo patrimonial, sendo devido promover as deduções das despesas e custos operacionais incorridos. Conforme Súmula nº 182 do extinto TFR, é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Assim, requer sejam considerados como receitas os valores apresentados nas planilhas e notas fiscais; 7.2.5. hipótese de incidência da multa de mora a multa de mora de 75% em caso de não recolhimento no vencimento somente tem incidência nos casos de lançamento de ofício. Como é sabido, o IRPJ sujeitase à modalidade de lançamento por homologação, o que exclui a aplicação da multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; 7.2.6. multa excessiva a multa aplicada tem caráter confiscatório, ferindo o art. 150, IV, da CF/88; 7.3. requerimento 7.3.1. requereu ao fim a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, e informou a anexação de cópia dos contratos das tomadoras de serviços, das respectivas notas fiscais e das planilhas de cálculo dos tributos. 8. Em 29 de julho de 2013 a Sra. Josemita Almeida Brandão Rebouças, responsável solidária, apresentou a impugnação às fl. 3277 a 3279, onde argumentou/requereu o que segue: 8.1. para atuar profissionalmente em defesa dos interesses de qualquer pessoa jurídica necessita de instrumento de mandato – procuração. O simples fato da empresa ter constituído a impugnante como sua procuradora revela apenas o cumprimento de uma condição necessária para que pudesse atuar em defesa dos interesses da outorgante. Ademais, sua atuação em defesa dos interesses da empresa se deu de forma pontual, em alguns processos junto a instituições bancárias, jamais assumindo obrigações ou exercendo cargo de mando longe de se materializar qualquer das hipóteses do CTN para responsabilização solidária. Além disso, atuou poucas vezes em defesa da empresa, somente quando do impedimento de seus sócios por problemas de saúde, o que pode ser provado caso deseje a autoridade julgadora; 8.2. sua responsabilização com base no art. 135 do CTN depende da comprovação de que tenha agido com excesso de poderes ao exercer seu múnus profissional, ou seja, a prática da advocacia em defesa dos interesses da empresa. Não há uma linha no auto de infração ou no Termo de Verificação Fiscal que aponte conduta com excesso de poderes. Deveria ser provado que os créditos tributários resultantes da autuação originaramse de atos abusivos de sua parte quando do exercício profissional, o que não ocorreu; 8.3. anui e ratifica todos os termos da impugnação já apresentada pela empresa; 8.4. protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. 9. Os demais sócios e procuradores responsabilizados solidariamente não apresentaram impugnação. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 14 7 A DRJ/RECIFE (PE) decidiu a matéria consubstanciado no Acórdão 11 44.130, de 04 de dezembro de 2013, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009 RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA (CONTRIBUINTE). ILEGITIMIDADE PARA CONTESTAR. Consoante o CPC, ninguém pode pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Como não há previsão na legislação específica do processo administrativo tributário que excepcione a regra geral estabelecida naquele código, ou seja, que autorize a substituição processual, há que se considerar que o contribuinte (pessoa jurídica autuada) não possui legitimidade para contestar a responsabilização solidária de sócios e procuradores. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando a instituição financeira transfere à Receita Federal informações sobre movimentação financeira de cliente em atendimento à RMF expedida por autoridade competente. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O disposto no art. 42 da Lei nº 9430/96 é taxativo no sentido de que a falta de comprovação da origem de depósitos bancários enseja considerar que estes valores correspondem a receita omitida, e já que este dispositivo não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes, ou teve sua aplicação afastada em sentença proferida em processo judicial em que o contribuinte era parte, sua aplicação é incontestável no âmbito administrativo. LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. OBRIGAÇÃO DE GUARDA. EXTRATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO A pessoa jurídica é obrigada a conservar guardar os livros contábeis e fiscais, bem assim os documentos que embasaram suas operações e registros contábeis. Caso ocorra extravio deverá publicar em jornal tal fato e comunicálo ao órgão do Registro de Comércio e à Receita Federal no prazo de quarenta e oito horas. Não houve comprovação do extravio. LIVROS. EXTRAVIO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA REFAZIMENTO. A hipótese de extravio apenas dos livros não inviabiliza a pessoa jurídica de refazê los com base nos documentos representativos de suas operações. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS. A falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais exigidos em lei autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO 38,4%. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS COM OU SEM MÃO DE OBRA. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. COLETA DE RESÍDUOS. Serviços de locação de veículos com ou sem mão de obra, de locação de equipamentos, de locação de mão de obra e de coleta de resíduos e entulhos sujeitamse ao coeficiente de 38,4% na determinação do lucro arbitrado. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 LUCRO ARBITRADO. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO. CONDIÇÕES PARA ENQUADRAMENTO NO COEFICIENTE DE 9,6%. Os serviços relativos a construção por empreitada sujeitamse ao coeficiente de 9,6% quando todo o material indispensável à obra, assim entendido aquele que se lhe incorpora, é fornecido pelo prestador do serviço (empreiteiro). LUCRO ARBITRADO. TERRAPLENAGEM. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Em que pese o serviço de terraplenagem enquadrarse no conceito de construção civil, não sujeitase ao coeficiente de 32% por tratarse de serviço que não incorpora material à obra. LUCRO ARBITRADO. TRANSPORTE DE CARGA. FORNECIMENTO DE ÁGUA POTÁVEL. Serviços de transporte de carga e de fornecimento de água potável (por não ser concessionário de serviço público) sujeitamse ao coeficiente de 9,6% para fins de determinação do lucro arbitrado. TRIBUTO RETIDO. COMPROVAÇÃO. A nota fiscal emitida por contribuinte é um dos documentos necessários à comprovação da realização de determinada operação, seja de prestação de serviços, seja de venda de mercadorias, porém não serve como prova de que a fonte pagadora reteve os tributos devidos sobre o montante pago ao emitente da nota. Para a comprovação da retenção dos tributos, o contribuinte deve apresentar o comprovante anual fornecido pela fonte pagadora. Não obstante a falta de comprovação das retenções por parte do contribuinte, o julgador administrativo possui acesso às Dirf entregues pelas fontes pagadoras, cujos valores declarados devem corresponder aos montantes informados nos comprovantes anuais de retenção. Assim, em busca da verdade material, é devido considerar os montantes retidos informados nesta declaração. TRIBUTO RETIDO COMPROVADO. DEDUÇÃO DO TRIBUTO LANÇADO. Uma vez que o lançamento foi efetuado com base em depósitos bancários, que pressupõe abrangência de todas as receitas auferidas, há que se considerar que nas bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal estão incluídas as receitas da atividade, sendo, pois, passíveis de dedução os tributos retidos sobre as mesmas pelas fontes pagadoras. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Consideramse receitas omitidas, por presunção legal, os depósitos/créditos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não tenha comprovado a sua origem. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Por representarem receita omitida por presunção legal, os depósitos/créditos bancários de origem não comprovada integram a receita bruta conhecida para fins de determinação do lucro arbitrado. CONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. INSTRUÇÃO PROBATÓRIO. CARÁTER COMPLEMENTAR. Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 15 9 Não pode o colegiado administrativo substituir o contribuinte no direito/dever de produção de provas, mas tão somente buscar a verdade material de forma complementar quando surgidas dúvidas diante dos fatos e provas que instruíram a impugnação. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Dentre outras hipóteses, o lançamento de ofício é realizado quando verificado em procedimento fiscal que o contribuinte não cumpriu com sua obrigação de antecipar o tributo devido antes de prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, não cumpriu a contento a atividade a ele atribuída no lançamento por homologação. No presente caso ocorreu tal situação, tendo sido efetuado lançamento de ofício, o qual está sujeito à aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. As razões da qualificação não foram contestadas, devendo ser considerada matéria não impugnada e, por conseguinte, não sujeita à apreciação deste colegiado administrativo. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, aplicase a eles as razões de decidir utilizadas na apreciação do lançamento de IRPJ, vez que são reflexos deste, possuindo mesmo suporte fático e probatório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os recursos voluntário apresentados pela contribuinte/autuada e pela responsável solidária Sra. Josemita Almeida Brandão Rebouças são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. Os demais responsáveis solidários não apresentaram as impugnações iniciais tampouco recursos. Passo a análise das argumentações trazidas na peça recursal na mesma seqüência em que apresentadas. NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Em longo arrazoado os recorrentes repetem as alegações iniciais (impugnação) alegando a necessidade de anulação dos lançamentos em cumprimento ao disposto no art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, e da Súmula nº 473 do STF, em virtude do procedimento fiscal estar eivado de ilegalidade devido à obtenção das provas (extratos bancários) por meios ilícitos, o que é vedado no art. 30 da referida lei. Segundo o entendimento por si exposto, a quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial e sem destinação para fins de investigação criminal ou instrução processual penal viola o art. 5º, XII da Constituição Federal (CF/88). Reforçam seu argumento com jurisprudência do STF, do STJ e dos TRF. Defendem que tais requisitos fixados para obtenção de informações bancárias de contribuintes não podem ser afastados por lei ordinária (Lei nº 9.430, de 1996, art. 33, I) ou por lei complementar ( LC nº 105, de 2001) devido ao status de cláusula pétrea do dispositivo constitucional. Pois bem. Constatase do Termo de Verificação Fiscal que a ora recorrente foi selecionada no rol das empresas a ser fiscalizada a partir de indícios de Omissão de Receitas, tendo em vista a verificação de movimentação financeira no ano calendário de 2009 no montante de R$ 19.036.139,67 e a receita bruta anual do mesmo período declarada na DIPJ foi de apenas R$ 18.600,00. O arbitramento do lucro deuse em razão da não apresentação dos livros contábeis e fiscais à fiscalização. Após reiteradas intimações, inicialmente não atendidas e posteriormente (13/06/2013) alegouse que os mesmos (Livros contábeis e fiscais) encontravamse extraviados. A receita bruta foi determinada por presunção legal "Depósitos Bancários de Origem e Natureza Não Comprovada". Portanto, no presente caso, a apuração do lucro para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, deuse por arbitramento por meio do qual a lei defere à autoridade administrativa, na ausência das informações e escriturações contábeis e fiscais suficientes, a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa. No caso dos autos, a questão levantada nos recursos se refere à legalidade do procedimento adotado na identificação das entradas financeiras da pessoa jurídica, tendo em vista ter havido a requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos extratos bancários pela Recorrente. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 16 11 Segundo entendimento da Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros da empresa, pelo que a constituição do crédito tributário em apreço estaria eivado pelo vício e, portanto, nulo. Neste ponto, importa saber se houve, de fato, a quebra de sigilo bancário e conseqüente ilegalidade do ato. O sigilo bancário pode ser conceituado como o dever legalmente imposto a pessoa que possua informação acerca da movimentação bancária de outra de não tornar públicos referidos dados, sob pena de responsabilização pessoal. A questão é regulada, no direito pátrio, pela Lei Complementar nº. 105, de 2001, firmando, logo em seu art. 1º, que “as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados”. A referida lei complementar, por outra vez, relaciona 1) hipóteses em que o intercâmbio de informações bancárias não constitui quebra de sigilo bancário e 2) hipóteses em que será realizada a quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário, nos termos do parágrafo quarto do artigo 1º, poderá ser decretada “quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial”. Ainda, “a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis” (art. 10 da LC 105/2001). Logo, resta saber se a requisição administrativa de informações bancárias junto as instituições financeiras por Autoridade Fiscal, no curso do processo administrativo, consistira a tal quebra de sigilo bancário. Dispõe, a lei complementar nº 105/2001, o seguinte: Art. 1º (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ainda, segundo o disposto no art. 197 do CTN: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A dicção do art. 1º, parágrafo 3º, inciso VI e do art. 6º da LC 105/2001, c/c o art. 197 do CTN torna evidente não ser, a disponibilização de informações bancárias à Autoridade Fiscal no curso de procedimento administrativo de fiscalização, quebra de sigilo bancário a impedir a utilização de referidas informações por se tratar, apenas, da utilização de novo meio de fiscalização. Tenho, assim, que a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensando, nesta ordem, a interveniência do Poder Judiciário para a aquisição de referidas informações. Importante ressaltar que as informações fiscais também estão albergadas, ao lado das informações bancárias, por dever de sigilo, nos termos do art. 198 do CTN. Desta feita, a aquisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal não tornam públicos os dados da pessoa jurídica. De fato, se se pensasse que a disponibilização das informações ao Fisco tornassem públicos os dados bancários da empresa, estaríamos diante da ilegal quebra do sigilo definida na lei complementar nº 105/2001. Mas não é este o caso: o dever de sigilo fiscal protege as informações bancárias apuradas no curso do procedimento de fiscalização. Ainda, verifico que o acesso às informações bancárias da empresa é essencial para o exercício da atividade de fiscalização tributária. De fato, não se pode restringir o acesso do Fisco à identificação das entradas financeiras, de forma a permitir a verificação da veracidade da receita bruta apresentada à tributação pela pessoa fiscalizada. Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 17 13 Este é o entendimento sufragado no âmbito desta Corte Administrativa, ressaltandose como precedente o Acórdão 1401001.404, Sessão de 05 de março de 2015, cujos argumentos da lavra i. Conselheiro Alexandre Antonio Alkimim Teixeira, me servir, para ao meu modo, fundamentar o presente voto. E, no mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento pela possibilidade de requisição administrativa de informações bancárias no curso de processo administrativo tributário. Vejamos a jurisprudência daquela casa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. VIOLAÇÃO DO ART. 535, I e II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O Codex Tributário, ao tratar da constituição do crédito tributário pelo lançamento, determina que as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata (artigo 144, § 1º, do CTN), pelo que a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, atingem fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a vigência dos aludidos dispositivos legais. Precedentes da Corte: AgRg nos EDcl no REsp 824.771/SC, DJ 30.11.2006; Resp 810.428/RS, DJ 18.09.2006; EREsp 608.053/RS, DJ 04.09.2006; e AgRg no Ag 693.675/PR, DJ 01.08.2006). (...) 4. A LC 105/2002 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinando que não constitui violação do dever de sigilo, entre outros, o fornecimento à Secretaria da Receita Federal de informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações artigo 11, § 2º, da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF , e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, e 9º, da lei complementar em tela (artigo 1º, § 3º, III e VI). 5. Em seu artigo 6º, o referido diploma legal, estabelece que: "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.". 6. Nesse segmento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal." (REsp 685.708/ES, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 20.06.2005). 7. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá la. 8. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 9. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. A regra do sigilo bancário deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. (...) (Resp nº. 943.304/SP, 1a Turma do STJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/05/2008). Por fim, no que toca à arguição de inconstitucionalidade da lei complementar, afasto a sua verificação, seja pela ausência de pronunciamento neste sentido por parte do Supremo Tribunal Federal, seja pela aplicação da súmula nº 2 do CARF (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Com entendimento reflexo, não vejo a possibilidade de questionar a constitucionalidade da requisição realizada pela Autoridade Fiscal, posto que 1) o direito ao sigilo bancário não é absoluto, sendo permitidas exceções definidas em lei; e 2) o procedimento em apreço seguiu o procedimento definido na lei complementar nº 105/2001. Assim, rejeito a argumentação apresentada pela Recorrente. Prosseguindo a peça recursal, no mérito, alega que a autoridade julgadora de primeira instância ao não considerar sua alegação de que teve toda a sua escrituração contábil e fiscal extraviada sob o argumento de que não foram cumpridas as determinações procedimentais para o caso, deveria determinar a baixa dos autos em diligência para se apurar in loco o quanto alegado pela Recorrente. Neste ponto, cabe dizer que no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências e perícias que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 18 15 Nos expressos termos do citado art. 18 (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748/1993) o pedido de realização de perícia/diligência deve ser analisado se é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, verbis: Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. Como se percebe, o dispositivo consagra a idéia de que a prova produzida por meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova. Os termos da norma “quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável” estão claramente dirigidos à autoridade julgadora, que, apenas e tão somente quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará. A diligência requerida, no caso em exame, é absolutamente prescindível e não existe nenhuma justificativa para sua realização, mesmo porque, o ônus da prova é do contribuinte, que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu a contento. Em seguida, a recorrente diz discordar veementemente dos parcos valores considerados a título de retenção de tributo sobre as notas fiscais emitidas (informados pelos tomadores de serviços). Aqui, por pertinente, reproduzo o quanto decidido no voto recorrido, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir para manter a autuação, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. "91. Outro argumento carreado pelos impugnantes referese à suposta falta de dedução pela autoridade fiscal de tributos retidos pelas fontes pagadoras. Apresenta como provas das retenções cópias das notas fiscais às fl. 2432 a 2777. Pleiteia a realização de diligência para intimar as empresas tomadoras dos serviços para que comprovem o devido repasse aos cofres públicos dos tributos retidos. 92. A nota fiscal emitida por contribuinte é um dos documentos necessários à comprovação da realização de determinada operação, seja de prestação de serviços, seja de venda de mercadorias, porém não serve como prova de que a fonte pagadora reteve os tributos devidos sobre o montante pago ao emitente da nota. Inclusive, conforme salientado na impugnação, os tributos porventura retidos não são indicados no corpo da nota. 93. Para a comprovação da retenção dos tributos, a fonte pagadora é obrigada a entregar ao prestador de serviços ou fornecedor comprovante anual na forma estabelecida em atos normativos. Vejamos as normas vigentes à época que tratavam das retenções de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS por pessoas jurídicas de direito privado ou público em virtude de pagamento ou crédito de rendimentos: Decreto nº 3000, de 1999 Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). IN SRF nº 119, de 2000 Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. (...) Art. 3º As informações prestadas no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Art. 4º O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. IN SRF nº 459, de 2004 Art. 12. As pessoas jurídicas que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento comprovante anual da retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, conforme modelo constante no Anexo II . IN SRF nº 480, de 2004 Art. 31. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual de retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, podendo ser disponibilizado em meio Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 19 17 eletrônico, conforme modelo constante do Anexo V, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. 94. Esse documento é o instrumento de que o beneficiário do rendimento dispõe para provar que sofreu retenção e, por conseguinte, poder deduzir tal valor na apuração do tributo a pagar. Assim dispõe a instrução de preenchimento da DIPJ/2010 aprovada pela IN RFB nº 1.028, de 2010 (embora transcrita ficha referente a IR apurado por lucro real, aplicase o mesmo entendimento, por óbvio, ao lucro arbitrado): Linha 12A/14 () Imposto de Renda Retido na Fonte (...) Atenção: (...) 2) O imposto retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. 95. Está claro, pois, que as notas fiscais trazidas pelo contribuinte não possuem qualquer valor probatório da ocorrência de retenções, cabendolhe apresentar os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras. Caso tais documentos não tenham sido fornecidos, mesmo após cobrança por si efetuada, o contribuinte deveria ter comunicado tal fato à Receita Federal, a fim deste órgão adotar as providências cabíveis em função do descumprimento de obrigação acessória pelas fontes pagadoras. 96. Nesse sentido está a orientação contida na obra “Retenções na Fonte de Impostos e Contribuições – Guia Prático” 1, conforme transcrição abaixo: O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica, discriminará os rendimentos que foram pagos ou creditados, mês a mês, e a correspondente retenção. Esse documento será utilizado para comprovar o Imposto de Renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. (...) E independentemente desta previsão, caberá ao prestador de serviço exigir este documento da fonte pagadora quando esta não entregála no prazo, uma vez que este documento é a comprovação de que a retenção foi efetuada. Se tentativas junto à fonte pagadora não surtirem efeitos, recomendase ao prestador de serviço que leve tal fato a conhecimento da administração tributária loca, a fim de resguardálo de possíveis questionamentos no futuro. 97. Não obstante a falta de comprovação das retenções por parte do contribuinte, este julgador administrativo possui acesso às Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), cujos valores declarados devem corresponder Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 aos montantes informados nos comprovantes anuais de retenção. Assim, em busca da verdade material, não posso me furtar a considerar os montantes retidos informados para a Receita Federal pelas fontes pagadoras consoante consulta realizada ao sistema Dirf, cujos extratos estão às fl. 3283 a3315. 98. Uma vez que o lançamento foi efetuado com base em depósitos bancários, que pressupõe abrangência de todas as receitas auferidas, há que se considerar que nas bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal estão incluídas todas as receitas da atividade indicadas na tabela acima, sendo, pois, passíveis de dedução os montantes retidos pelas fontes pagadoras. Como tais valores não foram deduzidos pela autoridade fiscal, conforme pode ser verificado nos demonstrativos dos autos de infração, onde foram considerados apenas os valores confessados em DCTF, é devido excluir tais montantes dos tributos apurados nos lançamentos." DA ILEGALIDADE DE SE CONSIDERAR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO RENDA. Neste tópico, em síntese, os recorrentes argumentam ser ilegal considerar depósitos bancários como renda, pois nem todos configuram acréscimo patrimonial. Entendem ser devido promover as deduções das despesas e custos operacionais incorridos. Citam Súmula nº 182 do extinto TFR, que dispõe ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. De início, ressaltese, que nos casos de arbitramento, não há falarse em contraposição de receitas e despesas ou custos, pois o lucro, como o próprio nome diz, é arbitrado nos termos e percentuais definidos pela lei. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL na ausência de informações precisas da composição do lucro, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumemse as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. No caso em apreço, o lançamento tributou omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Transcrevo o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 20 19 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. No caso, verifico que o procedimento fiscal atendeu os termos da lei, pois o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários; com a recusa parcial eles foram obtidos diretamente dos bancos; depois da totalização dos depósitos, intimouse o sujeito passivo a justificar sua origem; e só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Em relação à Súmula nº 182 do TFR, é devido esclarecer que esta é anterior à publicação da Lei nº 9.430, de 1996. Somente a partir desta lei a existência de depósitos bancários de origem não comprovada passou a ser considerada, por presunção legal, como caracterizadora de omissão de receitas (antes, era mera presunção simples). Logo, a súmula e os julgados anteriores à sua entrada em vigor não servem como referência jurisprudencial. Sem razão, portanto, a defesa. Recurso Voluntário do Responsável Solidário A par das questões já julgadas que se identificam com o Recurso Voluntário da Contribuinte, passase à apreciação das matérias exclusivamente argüidas no Recurso da Sra. JOSEMITA ALMEIDA BRANDÃO REBOUÇAS, responsável solidário. Como visto do relatório e voto condutor recorrido, dentre os sujeitos passivos por responsabilização solidária, apenas a Sra. Josemita Rebouças apresentou defesa contestando a sua legitimidade passiva. Argumenta, em síntese, que é advogada, atuando em defesa dos interesses da empresa autuada de forma pontual, em processos junto a instituições financeiras e somente quando do impedimento de seus sócios por problemas de saúde. Para tanto atua por Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 procuração, não exercendo cargo de mando ou assumindo obrigações em nome de seu representado. Além disso, alega que a responsabilização com base no art. 135 do CTN pressupõe ação com excesso de poderes ao exercer seu múnus profissional, o que não restou provado nos autos. Entende que para tal capitulação deveria ter sido provado que os créditos tributários resultantes da autuação originaramse de atos abusivos de sua parte quando do exercício profissional, o que não ocorreu. Neste ponto, verificase no Termo de Verificação Fiscal, por intermédio de procurações públicas a Sra. Josemita recebeu amplos e ilimitados poderes para gerir, em todos os seus desdobramentos, os negócios e interesses da empresa e representála junto a estabelecimentos bancários. Conforme cópias das procurações às fl. 900, 1397 a 1400, 1411 a 1412, 1413 a 1414, e outras, cujos trechos de interesses descritos deixa claro que ela possuía poderes para, destaquese, assinar e endossar cheques, firmar compromissos, fazer saques, usar cartão de crédito, assinar contratos de empréstimos e negociar títulos junto a instituições financeiras, bem assim, a assumir obrigações em nome da empresa, demitir e contratar funcionários, fixar salários destes, dar quitação, entre outros. E, mais, ao se analisar as alterações contratuais e procurações conferindo amplos poderes verificase que em 04/12/2008 a Sra. ERENITA DOS SANTOS ALMEIDA foi admitida na sociedade (com 99% do capital social) e, logo, em seguida (17/12/2008), nomeia sua filha a Sra. JOSEMITA ALMEIDA BRANDÃO REBOUÇAS com os mais amplos podres como alhures anotado. Inclusive, constatase, também, que a Sra. Josemita alterou a partir desta data por diversas vezes seu domicílio tributário. Ora, não faz parte da atuação de um advogado ser responsável direto pelas movimentações e operações financeiras de uma empresa, por gerir a empresa em suas transações comerciais, bem assim por administrar sua área de recursos humanos. Resta evidenciado que a Sra. Josemita não atuava simplesmente como advogada da empresa, mas sim como gestora efetiva e de fato desta. Sendo um dos responsáveis pela administração da empresa, não resta dúvida de que a Sra. Josemita tinha pleno conhecimento da falta de escrituração das movimentações financeiras, da falta de livros contábeis e fiscais exigidos por lei, e das informações falsas prestadas em suas declarações aos fiscos municipal e federal, tendo declarado em 2008 menos de 4% de seu faturamento, e em 2009 menos de 0,02% deste. Correta, portanto, a sua sujeição passiva solidária pelo crédito tributário constituído, nos termos do disposto nos arts. 135 e 124 do CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 21 21 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nesse sentido, devese imputar ao mandatário e gestor de fato da contribuinte a responsabilidade tributária nos termos previstos no art. 135 do CTN, em virtude da prática de atos de infração à lei sob a gestão de fato e por mandato da sociedade com conduta próativa no sentido de fraudar a fiscalização tributária e omitir reiteradamente vultosa receita da sociedade apurada em movimentação bancária no período citado. No mais, e na medida em que na peça recursal a contribuinte limitase a repisar as argumentações esposadas na peça impugnatória, não vislumbro correção a ser feita na matéria tributável mantida em primeira instância. Ressaltese que não foi objeto de contestação nesta fase recursal, entre outros temas da inicial, a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas da CSLL, PIS e COFINS. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários, mantendo os tributos lançados conforme o decidido em primeira instância. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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